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DVA como instrumento de valorização de ações

DVA como instrumento de valorização de ações

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Um dos objetivos da Contabilidade é divulgar, através das demonstrações contábeis, informações que permitam aos interessados em uma empresa acompanhar o seu desempenho ao longo de sua existência. Historicamente, contudo, tais demonstrações priorizavam a divulgação das análises econômico-financeiras para os shareholders da empresa e, com o tempo, evoluiu para outros grupos de interesse da empresa, os chamados stakeholders. Com a evolução da sociedade e, principalmente o esclarecimento desta em relação ao papel desempenhado pelas empresas em seu meio, surge a necessidade de se obter informações mais precisas da forma como as mesmas contribuem para o meio no qual estão instaladas. A partir desta necessidade, o Balanço Social, e em especial a Demonstração do Valor Adicionado ganha espaço para suprir tal demanda, trazendo à tona o questionamento a respeito da aplicabilidade de tal demonstração sob o ponto de vista da empresa. Este estudo visa avaliar a influência da Demonstração do Valor Adicionado na valorização das empresas de capital aberto que publicam a mesma. O estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa documental, utilizando-se o método quantitativo para se analisar o desempenho das ações das empresas classificadas nos níveis diferenciados de Governança Corporativa da BOVESPA. O resultado encontrado aponta para uma desvinculação da valorização das ações das empresas avaliadas com a publicação da Demonstração do Valor Adicionado, indicando que a mesma possui pouca ou nenhuma influência sobre as decisões do mercado de ações.
Um dos objetivos da Contabilidade é divulgar, através das demonstrações contábeis, informações que permitam aos interessados em uma empresa acompanhar o seu desempenho ao longo de sua existência. Historicamente, contudo, tais demonstrações priorizavam a divulgação das análises econômico-financeiras para os shareholders da empresa e, com o tempo, evoluiu para outros grupos de interesse da empresa, os chamados stakeholders. Com a evolução da sociedade e, principalmente o esclarecimento desta em relação ao papel desempenhado pelas empresas em seu meio, surge a necessidade de se obter informações mais precisas da forma como as mesmas contribuem para o meio no qual estão instaladas. A partir desta necessidade, o Balanço Social, e em especial a Demonstração do Valor Adicionado ganha espaço para suprir tal demanda, trazendo à tona o questionamento a respeito da aplicabilidade de tal demonstração sob o ponto de vista da empresa. Este estudo visa avaliar a influência da Demonstração do Valor Adicionado na valorização das empresas de capital aberto que publicam a mesma. O estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa documental, utilizando-se o método quantitativo para se analisar o desempenho das ações das empresas classificadas nos níveis diferenciados de Governança Corporativa da BOVESPA. O resultado encontrado aponta para uma desvinculação da valorização das ações das empresas avaliadas com a publicação da Demonstração do Valor Adicionado, indicando que a mesma possui pouca ou nenhuma influência sobre as decisões do mercado de ações.

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Universidade de Brasília (UnB

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Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Inf. e Documentação (FACE)

Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais (CCA) Especialização em Controladoria e Finanças

A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO DAS AÇÕES DE EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO

Marcelo Santana Honda

Brasília 2008

Professor Doutor Roberto Armando Ramos de Aguiar Reitor Pro Tempore da Universidade de Brasília Professor Doutor César Augusto Tibúrcio Silva Diretor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Inf. e Documentação Professor Doutor Paulo Roberto Barbosa Lustosa Chefe do Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais Professor Doutor Jorge Katsumi Niyama Coordenador Geral do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis Mestre Wagner Rodrigues dos Santos Coordenador de Graduação do curso de Ciências Contábeis - diurno Professor Mestre Cláudio Moreira Santana Coordenador de Graduação do curso de Ciências Contábeis - noturno

Marcelo Santana Honda

A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO DAS AÇÕES DE EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO

Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília como requisito à conclusão do curso de Especialização em Controladoria e Finanças.

Orientador: Prof. Doutor César Augusto Tibúrcio Silva

Brasília 2008

HONDA, Marcelo Santana A Demonstração do Valor Adicionado como instrumento de valorização das ações de empresas de capital aberto / Marcelo Santana Honda – Brasília, 2008. p. 47 Trabalho de conclusão de curso (Monografia – Especialização) – Universidade de Brasília, 2008 Bibliografia. 1. Demonstração do Valor Adicionado 2. BOVESPA 3. Valor 4. Demonstração contábil I. Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação da UnB. II. Título CDD –

Marcelo Santana Honda

A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO DAS AÇÕES DE EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO

Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília como requisito à conclusão do curso de Especialização em Controladoria e Finanças, aprovada pela seguinte comissão examinadora:

Prof. Doutor César Augusto Tibúrcio Silva Orientador

Prof. Mestre Cláudio Moreira Santana Examinador

Brasília, 18 de agosto de 2008

À minha esposa Alana, pela constante compreensão, apoio e incentivo. Aos meus filhos, Lucas e Kenzo. Aos meus pais, pelo ser-humano que sou.

AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus por ter me dado todas as condições necessárias para concluir este trabalho. À minha esposa Alana, por compreender minha ausência e apoiar minha decisão em iniciar o curso. Aos meus pais, Mario e Elisabeth, pelo exemplo de caráter e esforço empregado para proporcionar aos filhos acesso ao bem mais importante: o conhecimento. Ao meu orientador, Prof. Dr. César Augusto Tibúrcio Silva, pela paciência e tempo disponibilizados para me guiar nas etapas de construção deste projeto. Ao Prof. Mestre Cláudio Moreira Santana, por indicar os pontos de melhoria no presente trabalho.

“A man is but the product of his thoughts. What he thinks, he becomes.” Mahatma Gandhi

RESUMO Um dos objetivos da Contabilidade é divulgar, através das demonstrações contábeis, informações que permitam aos interessados em uma empresa acompanhar o seu desempenho ao longo de sua existência. Historicamente, contudo, tais demonstrações priorizavam a divulgação das análises econômico-financeiras para os shareholders da empresa e, com o tempo, evoluiu para outros grupos de interesse da empresa, os chamados stakeholders. Com a evolução da sociedade e, principalmente o esclarecimento desta em relação ao papel desempenhado pelas empresas em seu meio, surge a necessidade de se obter informações mais precisas da forma como as mesmas contribuem para o meio no qual estão instaladas. A partir desta necessidade, o Balanço Social, e em especial a Demonstração do Valor Adicionado ganha espaço para suprir tal demanda, trazendo à tona o questionamento a respeito da aplicabilidade de tal demonstração sob o ponto de vista da empresa. Este estudo visa avaliar a influência da Demonstração do Valor Adicionado na valorização das empresas de capital aberto que publicam a mesma. O estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa documental, utilizando-se o método quantitativo para se analisar o desempenho das ações das empresas classificadas nos níveis diferenciados de Governança Corporativa da BOVESPA. O resultado encontrado aponta para uma desvinculação da valorização das ações das empresas avaliadas com a publicação da Demonstração do Valor Adicionado, indicando que a mesma possui pouca ou nenhuma influência sobre as decisões do mercado de ações. Palavras-chaves: Demonstração do Valor Adicionado; BOVESPA; Valor; Demonstração Contábil.

LISTA DE QUADROS Quadro 1: Quantidade de empresas que participaram da amostra por nível de Governança Corporativa (1996-2006) ................................................................................................... 32 Quadro 2: Quantidade de empresas, segundo o nível de Governança Corporativa, que publicaram a Demonstração do Valor Adicionado (1996-2006)....................................... 33 Quadro 3: Quantidade de empresas, segundo o nível de Governança Corporativa, negociadas no mercado a vista, que publicaram a Demonstração do Valor Adicionado (1996-2006) ....................................................................................................................... 34

LISTA DE TABELAS Tabela 1: Empresas que publicaram DVA no Balanço Social ................................................. 29 Tabela 2: Desempenho das ações das empresas no período analisado..................................... 36 Tabela 3: Desempenho das ações por segmento de atuação das empresas .............................. 37 Tabela 4: Comparativo do resultado da ação em relação ao resultado do índice BOVESPA.. 38 Tabela 5: Cálculo do coeficiente de correlação........................................................................ 39

LISTA DE ABREVIATURAS ADCE BOVESPA CVM DVA FGTS GRI IBASE IBOVESPA IFRS INSS LAIR OIT PIB RAIS Associação dos Dirigentes Cristãos e Empresas Bolsa de Valores de São Paulo Comissão de Valores Mobiliários Demonstração do Valor Adicionado Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Global Reporting Initiative Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas Índice da Bolsa de Valores de São Paulo International Finance Report Standards Instituto Nacional de Seguridade Social Lucro Antes do Imposto de Renda Organização Internacional do Trabalho Produto Interno Bruto Relação Anual de Informações Sociais

SUMÁRIO
RESUMO ............................................................................................................................................................... 9 LISTA DE QUADROS........................................................................................................................................ 10 LISTA DE TABELAS......................................................................................................................................... 11 LISTA DE ABREVIATURAS............................................................................................................................ 12 1 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 13 REFERENCIAL TEÓRICO ...................................................................................................................... 16 2.1 Balanço Social ....................................................................................................................................... 16 2.1.1 Conceitos ....................................................................................................................................... 16 2.1.2 O Balanço Social no Brasil ........................................................................................................... 17 2.2 Valor Adicionado .................................................................................................................................. 22 2.2.1 Conceito econômico ...................................................................................................................... 22 2.2.2 Conceito contábil........................................................................................................................... 23 2.3 Demonstração do Valor Adicionado ..................................................................................................... 24 2.3.1 Usos ............................................................................................................................................... 25 2.3.2 Limitações...................................................................................................................................... 26 2.3.3 Usos da DVA no Brasil.................................................................................................................. 28 3 METODOLOGIA ....................................................................................................................................... 31 3.1 3.2 3.3 3.4 4 Tipologia ............................................................................................................................................... 31 Técnica .................................................................................................................................................. 31 Amostra / População.............................................................................................................................. 31 Procedimentos ....................................................................................................................................... 32

RESULTADOS E ANÁLISE DE DADOS ................................................................................................ 36 4.1 Desempenho das ações no período analisado ........................................................................................ 36 4.2 Desempenho das ações por segmento de atuação da empresa............................................................... 37 4.3 Comparativo do resultado da ação em relação ao resultado do índice BOVESPA ............................... 37 4.4 Relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado com o desempenho das ações na BOVESPA......................................................................................................................................................... 38

5

CONCLUSÕES ........................................................................................................................................... 40

REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 42 APÊNDICE .......................................................................................................................................................... 44 ANEXOS .............................................................................................................................................................. 46

13

1

INTRODUÇÃO

O surgimento da Contabilidade remonta ao mais antigo dos tempos, ao considerar que o homem primitivo utilizava conceitos básicos de Contabilidade ao realizar a contagem física de seu rebanho. Historicamente, o primeiro registro impresso que se tem conhecimento a respeito da utilização de técnicas contábeis é atribuído ao Frei Pacioli, através da obra “Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni et Proportionalita”, publicada em Veneza em 1494, onde descreve, em um de seus capítulos, o método utilizado pelos mercadores de Veneza no controle de suas operações, método este que futuramente viria a ser denominado como Método das Partidas Dobradas. A partir daí, a Contabilidade evoluiu juntamente com o desenvolvimento do comércio e da economia, impulsionada principalmente pelo advento das expedições marítimas financiadas pela alta sociedade da época. Como conseqüência de tal desenvolvimento, começa a se formar a base do objetivo da Contabilidade que é, segundo Iudícibus (1999, p. 23), o fornecimento de informações econômicas para os vários usuários, de forma que propiciem decisões racionais. Vale ressaltar que se considera usuário da informação contábil, a pessoa física ou jurídica que tenha algum interesse nos dados de uma empresa, em suma, são os chamados stakeholders. Os usuários de tais informações podem ser classificados, segundo Marion (2003, p.25), como “internos (gerentes, diretores, administradores, funcionários em geral) ou externos à empresa (acionistas, instituições financeiras, fornecedores, governo, sindicatos)”. O desenvolvimento econômico foi, pois, um dos propulsores para a evolução da Contabilidade. Neste sentido, tem-se testemunhado o crescimento alcançado por algumas empresas em função da realidade econômica na qual estão inseridas e das estratégias

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competitivas adotadas pelas mesmas, tornando necessário, cada vez mais, prestar conta dos resultados alcançados aos grupos de interesse das empresas. Aliada a esta necessidade, começou a surgir uma nova fonte demandante de informações a respeito do desempenho da empresa, porém com enfoque no papel que a empresa desempenha como membro constituinte da sociedade no que diz respeito à forma que esta contribui para o seu desenvolvimento da sociedade. Surge, assim, a figura do Balanço Social, instrumento que tem por objetivo “[...] evidenciar, da forma mais transparente possível, informações econômicas e sociais, do desempenho das entidades, aos mais diferenciados usuários, entre estes os funcionários”. (TINOCO, 2006, p. 14) Para tanto o Balanço Social utiliza como forma de evidenciação, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) que, segundo Luca (1998, p. 28), é “um relatório contábil que visa demonstrar o valor da riqueza gerada pela empresa e a distribuição para os elementos que contribuíram para a sua geração”, a saber: funcionários, acionistas, Estado e financiadores. Diante do exposto, o problema de pesquisa é definido pela seguinte questão: A publicação da Demonstração do Valor Adicionado possui alguma relação com o desempenho das ações de uma empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA)? O objetivo geral do presente trabalho é verificar qual a relação existente entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado e o desempenho das ações de uma empresa. Pretende-se, com este trabalho, especificamente: • • • Descrever o conceito de Valor Adicionado Apresentar a elaboração da Demonstração do Valo Adicionado e suas limitações Apresentar o uso da Demonstração do Valor Adicionado no Brasil

As hipóteses de pesquisa associada ao problema proposto são as seguintes:

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H0) Existe relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado com o desempenho das ações da empresa na BOVESPA.

H1) Não existe relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado com o desempenho das ações da empresa na BOVESPA.

O trabalho está estruturado em 5 partes. Na introdução apresenta-se o tema, objetivo, hipótese e a pergunta da pesquisa. O segundo capítulo se destina ao referencial teórico, onde se discorre sobre o resultado da pesquisa bibliográfica realizada sobre os temas relacionados ao tema do trabalho, a saber: Balanço Social, Valor Adicionado e Demonstração do Valor Adicionado. Os procedimentos metodológicos são apresentados no terceiro capítulo do trabalho, onde é detalhada a tipologia e técnicas utilizadas, bem como os critérios utilizados para definição da amostra. Também neste capítulo, os procedimentos adotados para tratamento dos dados levantados são apresentados. O quarto capítulo é dedicado à apresentação dos resultados e análise dos dados decorrentes da aplicação do modelo estabelecido para identificar a influência da publicação da Demonstração do Valor Adicionado sobre as ações das empresas selecionadas. Finalmente, o quinto capítulo apresenta as conclusões do trabalho.

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2

REFERENCIAL TEÓRICO

2.1

Balanço Social

2.1.1

Conceitos O Balanço Social surgiu como conseqüência do desenvolvimento das empresas,

provocado pelo crescimento econômico e pelo atingimento de um grau de evolução tecnológica que propiciou o aumento do ganho das mesmas. A partir da década de 60, nos Estados Unidos, começam a surgir questionamentos a respeito do papel social desempenhado pelas empresas, em função da participação deste na guerra do Vietnã e da discriminação de raça e sexo no emprego. Posteriormente, em 1977, na França, é aprovada a primeira lei sobre Balanço Social (Lei nº 77.769). Tal lei, Segundo Tinoco (2006, p. 31) “[...] reconhece pela primeira vez de forma institucional a importância dos trabalhadores no seio da empresa como usuários da informação contábil e social.”. Embora seja um tema relativamente recente, alguns conceitos são apresentados por diferentes autores:
O Balanço Social representa a demonstração dos gastos e das influências (favoráveis e desfavoráveis) recebidas e transmitidas pelas entidades na promoção humana, social e ecológica, sendo que os efeitos dessa interação se dirigem aos gestores, aos empregados e à comunidade, no espaço temporal passado/presente/futuro, tornando-se parte integrante da Contabilidade Social, configurando uma demonstração para a sociedade, e não da sociedade. (KROETZ, 2000, p. 36) Balanço Social é um documento importante, espelho da situação social na empresa, ele testemunha o clima que rege. Plataforma de cooperação ou reivindicação, ele inaugura de maneira implícita uma nova era nos relatório entre a direção e os associados. (DANZIGER apud TINOCO (2006, p. 30)) Balanço Social é um instrumento de gestão e de informação que visa evidenciar, da forma mais transparente possível, informações econômicas e sociais, do desempenho das entidades, aos mais diferenciados usuários, entre estes os funcionários. (TINOCO, 2006, p. 14)

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O Balanço Social é uma demonstração contábil que tem por objetivo a evidenciação de informações de natureza social, com vistas a prestar contas à sociedade pelo uso dos recursos naturais e humanos, demonstrando o grau de responsabilidade social da entidade. (NBC T 15) Balanço Social é o documento pelo qual a empresa apresenta dados que permitam identificar o perfil da atuação social da empresa durante o ano, a qualidade de suas relações com os empregados, o cumprimento das cláusulas sociais, a participação dos empregados nos resultados econômicos da empresa e as possibilidades de desenvolvimento pessoal, bem como a forma de sua interação com a comunidade e sua relação com o meio ambiente. (art. 2° do Projeto de Lei nº 3.116, de 1997)

Apesar de diferirem no conteúdo, as definições apresentadas convergem para uma mesma necessidade: a mudança do foco das informações estritamente econômico-financeiras para informações que contemplem questões relativas à contribuição da empresa para a sociedade. O Balanço Social, no seu sentido amplo, compreende questões voltadas aos ambientes econômico, ambiental, social e de cidadania, sendo composto, segundo Tinoco (2001, p. 23) pelos seguintes elementos: • • • • Balanço social em sentido restrito (balanço de pessoas) Demonstração do Valor Adicionado Balanço ecológico Responsabilidade social da empresa

2.1.2

O Balanço Social no Brasil Segundo Tinoco (2001, p. 32), as primeiras articulações para discutir o

comportamento das empresas e sua responsabilidade perante a sociedade surgiram na década de 60, através da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE). Na década de 70 a ADCE procura incentivar o debate a respeito do Balanço Social e sua implantação no Brasil, incluindo em seus congressos tal tema.

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O Balanço Social volta a ser tema de discussão na década de 90, desta vez com um maior número de iniciativas tais como a apresentação de anteprojeto no Congresso propondo a publicação do Balanço Social pelas empresas. Também neste período o Banespa divulga relatório com suas ações sociais e, em 1997, o sociólogo Herbert de Souza inicia campanha pela divulgação do Balanço Social pelas empresas. Ainda em 1997, é apresentado o Projeto de Lei nº 3.116, que estabelece a obrigatoriedade da publicação do Balanço Social para empresas privadas com mais de 100 funcionários e para todas as empresas públicas, concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Resumidamente, o Projeto de Lei estabelece que as principais informações a serem divulgadas são: • • • • • • • • • • • • • • Faturamento bruto, lucro operacional e folha de pagamento bruta da empresa Número de empregados no início e no final do período Número de admissões durante o período Impostos pagos Alimentação Encargos sociais compulsórios Previdência privada Saúde Segurança no trabalho Educação Participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados Outros benefícios Contribuições para a sociedade Investimentos em meio ambiente

Outra iniciativa que cabe destaque está relacionada ao modelo de Balanço Social criado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) em parceria com a

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Comissão

de

Valores

Mobiliários

(CVM).

Tal

modelo,

disponível

em

www.balancosocioal.org.br, é composto pelos seguintes elementos: • Receita líquida: receita bruta excluída dos impostos e contribuições, devoluções, abatimentos e descontos comerciais. • Resultado operacional: este se encontra entre o Lucro Bruto e o LAIR (Lucro Antes do Imposto de Renda), ou seja, antes das receitas e despesas não operacionais. • Folha de pagamento bruta: Somatório de remuneração (salários, gratificações, comissões e abonos), 13º salário, férias e encargos sociais compulsórios (INSS, FGTS e contribuição social). • Alimentação: gastos com restaurante, vale-refeição, lanches, cestas básicas e outros relacionados à alimentação de empregados(as). • Previdência privada: planos especiais de aposentadoria, fundações previdenciárias, complementações de benefícios a aposentados(as) e seus dependentes. • Saúde: plano de saúde, assistência médica, programas de medicina preventiva, programas de qualidade de vida e outros gastos com saúde, inclusive de aposentados(as). • Educação: gastos com ensino regular em todos os níveis, reembolso de educação, bolsas, assinaturas de revistas, gastos com biblioteca (excluído pessoal) e outros gastos com educação. • Cultura: gastos com eventos e manifestações artísticas e culturais (música, teatro, cinema, literatura e outras artes. • Capacitação e desenvolvimento profissional: recursos investidos em treinamentos, cursos, estágios (excluído os salários) e gastos voltados especificamente para capacitação relacionada com a atividade desenvolvida por empregados(as).

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• •

Creches ou auxílio-creche: creche no local ou auxílio-creche a empregados(as). Participação nos lucros ou resultados: participações que não caracterizem complemento de salários.

Outros benefícios: seguros (parcela paga pela empresa), empréstimos (só o custo), gastos com atividades recreativas, transportes, moradia e outros benefícios oferecidos a empregados(as) podem ser aqui enumerados.

Total das contribuições para a sociedade: somatório dos investimentos na comunidade que aparecem discriminados. Os itens na tabela aparecem como indicação de setores importantes onde a empresa deve investir (como habitação, creche, lazer e diversão, por exemplo). Porém podem aparecer aqui somente os investimentos focais que a empresa realiza regularmente.

Tributos (excluídos encargos sociais): impostos, contribuições e taxas federais, estaduais e municipais.

Investimentos realizados com a produção/operação da empresa: investimentos, monitoramento da qualidade dos resíduos/efluentes, despoluição, gastos com a introdução de métodos não-poluentes, auditorias ambientais, programas de educação ambiental para os(as) funcionários(as) e outros gastos com o objetivo de incrementar e buscar o melhoramento contínuo da qualidade ambiental na produção/operação da empresa.

Investimentos em programas/projetos externos: despoluição, conservação de recursos ambientais, campanhas ecológicas e educação socioambiental para a comunidade externa e para a sociedade em geral.

Metas anuais: resultado médio percentual alcançado pela empresa no cumprimento de metas ambientais estabelecidas pela própria corporação, por organizações da sociedade civil e/ou por parâmetros internacionais como o Global Reporting

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Initiative (GRI). • Número de negros(as) que trabalham o na empresa: considerar de como

trabalhadores(as)

negros(as)

somatório

indivíduos

classificados/autodeclarados como de pele preta e parda (conforme a RAIS). • Relação entre a maior e menor remuneração: resultado absoluto da divisão da maior remuneração pela menor. • Número total de acidentes de trabalho: todos os acidentes de trabalho registrados durante o ano. • Normas: conforme as Convenções 87, 98, 135 e 154 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e os itens da norma Social Accountability 8000 (SA 8000). • Valor adicionado: receita de venda deduzida dos custos dos recursos adquiridos de terceiros. • Outras informações: Outras informações importantes quanto ao exercício da responsabilidade social, ética e transparência. Declarações para as empresas que solicitaram o Selo Balanço Social IBASE/Betinho.

Adicionalmente, em 1998, o IBASE, em parceria com Herbert de Souza, lança o selo Balanço Social IBASE/Betinho, destinado às empresas que publicam o Balanço Social anualmente segundo o modelo sugerido por esse Instituto. A partir da década de 90 houve uma crescente preocupação da sociedade em analisar a contribuição da empresa não somente no desempenho de seu papel econômico, mas também enquanto instituição social. Neste momento, surge uma demanda latente por informações a respeito da relação social da empresa com os empregados, sociedade e preservação do meio ambiente, informações estas que deveriam ser demonstradas através da publicação do Balanço Social das empresas.

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Mais recentemente, a Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que alterou a Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/76), procurou, entre outros objetivos, atualizar a legislação societária brasileira para possibilitar o processo de convergência das práticas contábeis adotadas no Brasil com aquelas constantes nas normas internacionais de contabilidade (IFRS). Entre as adequações realizadas, pode-se destacar a obrigatoriedade da publicação da Demonstração do Valor Adicionado para as companhias de capital aberto, oficializando a importância da divulgação de informações para a sociedade de forma transparente. Tal importância é evidenciada através das críticas realizadas por alguns autores em relação à forma com que a divulgação das informações contábeis é realizada no Brasil. Para Tinoco (1993, p. 1), a divulgação
[...] não atende ao preceito básico de evidenciação da situação das empresas, registrando basicamente seus eventos operacionais, não captando a inserção das empresas na vida social, a forma como elas se relacionam com seus empregados, seus fornecedores, os usuários de seus serviços, o Governo etc.

2.2

Valor Adicionado

2.2.1

Conceito econômico Sob o ponto de vista econômico, o conceito de valor adicionado é utilizado pela

Contabilidade Nacional no cálculo do produto de uma economia. A Contabilidade Nacional tem por objetivo, segundo Simonsen e Cysne (1989, p.101) “fornecer uma aferição macroscópica do desempenho real de uma economia em determinado período de tempo”, utilizando o produto como um dos elementos para tal. Cabe esclarecer que o conceito econômico de produto refere-se ao valor total dos bens produzidos por uma economia em um determinado período de tempo. Deve-se tomar o cuidado, segundo alguns autores, de não incorrer em dupla contagem ao realizar-se a aferição do desempenho da economia. Neste sentido, Dornbusch e Fischer (1991, p. 38) esclarecem que “[...] na prática, a dupla contagem é evitada, trabalhando-se com

23

o valor adicionado. A cada estágio de produção de um bem, somente o valor adicionado ao bem naquele estágio é considerado [...]”. Desta forma, Simonsen e Cysne (1989, p.101) exemplificam que “o minério de ferro que é empregado na fabricação do aço não é computado no produto, sendo tratado como consumo intermediário. Mas o minério de ferro produzido para exportação ou para aumento de estoques é bem final, e como tal entra no cálculo do produto”. Ou seja, deve-se apurar o valor adicionado somente quando se tratar de produto final, sendo desconsiderado no caso de produto intermediário. Assim, o conceito econômico para valor adicionado é a diferença entre o valor produzido de um determinado bem e o valor do insumo utilizado para a sua fabricação.

2.2.2

Conceito contábil Diferentemente do conceito econômico, o conceito contábil de valor adicionado é

apurado em função das transações econômicas realizadas em uma empresa. Nesse ambiente, o valor adicionado é obtido através da diferença entre os valores de saída do bem produzido pela empresa e os valores de entrada dos insumos utilizados para produzi-lo, ou seja: Valor adicionado = valor de saída do bem – valor dos insumos utilizados na produção Analogamente ao conceito econômico, o conceito contábil também desconsidera os insumos intermediários utilizados para a fabricação do bem do cálculo do valor. Desta forma, insumos como mão-de-obra, energia elétrica, máquinas etc. devem ser desconsiderados na apuração do valor adicionado no ambiente de uma empresa.

24

2.3

Demonstração do Valor Adicionado

Luca (1998, p.28) conceitua a Demonstração do Valor Adicionado como “[...] conjunto de informações de natureza econômica. É um relatório contábil que visa demonstrar o valor da riqueza gerada pela empresa e a distribuição para os elementos que contribuíram para a sua geração”. A Demonstração do Valor Adicionado, como elemento do Balanço Social, surge como forma de divulgação dos resultados de uma empresa através de uma linguagem diferente das comumente utilizadas nas demonstrações contábeis tradicionais, evidenciando de que forma a riqueza gerada pela empresa foi repartida entre os agentes ligados a ela, a saber: • Funcionários: engloba todos os gastos realizados com pessoal, incluindo o pagamento de salários, contribuição social, previdência privada etc. • Governo: recolhimento de impostos, visando remunerar os investimentos realizados em infra-estrutura para permitir a realização das atividades da empresa. • Acionistas: remuneração do capital investido na empresa, através do pagamento de dividendos ou juros sobre capital próprio. • Financiadores: remuneração dos recursos emprestados sob a forma de capital de terceiros. A literatura sobre o tema ainda não apresentou consenso a respeito da metodologia para o cálculo do valor adicionado. Luca (1998, p. 35) cita três metodologias diferentes, de autores distintos, para se chegar ao valor adicionado da empresa:
Segundo Martins, de modo geral, calcula-se o valor adicionado pela diferença entre as vendas brutas e o total dos insumos adquiridos de terceiros (custo das mercadorias vendidas, matéria-prima e outros materiais consumidos, serviços adquiridos de outras empresas etc.). Para Gray e Mauders, o valor adicionado deve apresentar, em termos monetários e para um certo período, a riqueza líquida da empresa, isto é, a diferença entre o valor total dos seus rendimentos (incluindo, mas não necessariamente limitado, a receita de vendas) e o valor dos materiais e serviços obtidos de outras empresas.

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Moorley apresenta a riqueza da empresa, chamada de valor adicionado, como sendo a soma de toda a remuneração dos esforços consumidos nas atividades da empresa para um certo período.

Em função disso, Tinoco (2006, p. 68) cita que ainda existem, mesmo nos países onde a mesma é mais utilizada, pontos de conflitos para a elaboração dessa demonstração, pois a Demonstração do Valor Adicionado pode ser elaborada de acordo que o enfoque desejado pela empresa, uma vez que não existe uma regra rígida para o seu conteúdo e elaboração.

2.3.1

Usos A leitura das informações apresentadas na Demonstração do Valor Adicionado

permite a sua utilização pelos mais diversos segmentos da sociedade, bem como pode auxiliar na análise e elaboração de índices para avaliar o desempenho das empresas que a publicam, através do uso das análises vertical e horizontal. Dado que o cálculo da Demonstração do Valor Adicionado é baseado no conceito de valor adicionado aplicado pela Contabilidade Nacional, tal demonstração pode auxiliar no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) ao somar-se o valor adicionado produzido por todos os agentes econômicos do país. Também pode ser possível utilizar a Demonstração do Valor Adicionado para a concessão de financiamentos ou subsídios governamentais ao analisar-se de que forma a empresa está contribuindo para o desenvolvimento da sociedade através do recolhimento de impostos e do emprego de mão-de-obra. Outra aplicação da demonstração, de acordo com o IBASE, refere-se à avaliação de projetos transnacionais, onde há uma troca de benefícios entre o investidor estrangeiro e o país que o recebe. Nesta situação, a Demonstração do Valor Adicionado pode ser utilizada como mecanismo de avaliação de resultados.

26

2.3.2

Limitações Ainda não foram verificados, nas publicações brasileiras a respeito da Demonstração

do Valor Adicionado, pontos congruentes em relação à metodologia utilizada para elaborar a mesma. Conforme Tinoco (2006, p.68) “[...] isso se deve basicamente à falta de uma harmonização para essa demonstração, assim como por não possuirmos regras rígidas para seu conteúdo e classificação [...]”. Desta forma, Cosenza (2003, p. 17) elenca a base de cálculo, depreciação, ganhos financeiros, provisões, resultados negativos, leasing e subvenções como os principais pontos conflitantes. Para Tinoco (2006, p. 68) tais pontos referem-se a depreciação, INSS do empregador, equivalência patrimonial, remuneração e encargos com pessoal, impostos, remuneração do capital e provisão para contingências. Já Luca (1998, p.37) aponta a produção versus vendas, depreciação, remuneração e encargos com pessoal, impostos, remuneração do capital, receita financeira e receita de equivalência patrimonial e Provisão para contingências como pontos de conflito. Scherer (2006, p. 90) cita como limitações a confusão com a DRE, indução errônea da maximização do valor, falta de padronização e aumento de custos. Finalmente, para Vieira (2004, p. 48) os pontos conflitantes são valores totalizados, diferença entre produção e vendas, depreciação, remuneração e encargos com pessoal, impostos, remuneração do capital, receitas financeiras e de equivalência patrimonial, provisão para contingências e provisão para devedores duvidosos. Detalharemos, a seguir alguns pontos comuns citados pelos autores: a) Base de cálculo Tendo em vista que a elaboração da DVA é baseada no conceito de valor adicionado, surge a discussão sobre qual conceito deve ser utilizado para a elaboração da mesma: econômico ou contábil. Neste caso, a adoção do conceito contábil é mais comum,

27

pois está mais relacionado com os princípios contábeis utilizados na elaboração das demais demonstrações. Além disso, permite a sua reconciliação com a Demonstração do Resultado do Exercício, o que dá maior transparência para a DVA.

b) Depreciação Citado como um dos pontos mais polêmicos, aqui se discute basicamente se a depreciação deve ser lançada como redutora de vendas para se chegar ao valor adicionado líquido ou como parte da destinação do valor adicionado bruto. Assim, de acordo com Vieira (2004, p. 51), asa representações da DVA para cada um destes casos está apresentada no Anexo B e Anexo C, respectivamente.

c) Impostos A empresa remunera o governo pelos investimentos realizados em infra-estrutura para permitir a realização das atividades da empresa. Desta forma, este é visto como participante da criação da riqueza da empresa. A discussão, por alguns autores (vide, por exemplo, Cunha, 2002, p. 92), em relação a este ponto refere-se à inclusão ou não do governo como elemento beneficiário da repartição do valor adicionado gerado pela empresa. Adicionalmente, embora a Lei 11.638/07 estabeleça a obrigatoriedade da publicação da Demonstração do Valor Adicionado pelas empresas de capital aberto, ainda existem questões a serem esclarecidas, tais como: a) o artigo 188 da referida Lei define a Demonstração do Valor Adicionado como “[...] o valor da riqueza gerada pela companhia [...]”. Braga e Almeida (2008, p. 36) questionam se o conceito de geração de riqueza “[...] será fixado com base na receita computada na demonstração do resultado do exercício ou com base na produção.”;

28

b) Braga e Almeida também ressalta que a receita de Equivalência Patrimonial é classificada, por alguns profissionais no grupo de Geradores do Valor Adicionado, enquanto que outros a classificam no grupo de retenção para investimento. Visando diminuir as divergências em relação à elaboração da Demonstração do Valor Adicionado, Cosenza (2003, p. 16) aponta que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) “[...] emitiu Parecer de Orientação CVM nº 24/92 em que apresenta alguns critérios a serem seguidos na divulgação da DVA, desenvolvido pela FIPECAFI.”.

2.3.3

Usos da DVA no Brasil

Até dezembro de 2007, a Lei 6.404/76 não listava a publicação da Demonstração do Valor Adicionado como obrigatória, conforme redação do seu artigo 176:
Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV - demonstração das origens e aplicações de recursos

Em virtude disso, poucas empresas tomaram a iniciativa de realizar tal publicação. Tinoco (2006, p. 138) apresenta as empresas pioneiras na publicação do Balanço Social. Coma base na informação disponibilizada pelo autor, a tabela a seguir foi elaborada com o intuito de identificar as publicações de Balanço Social que continham informações sobre a Demonstração do Valor Adicionado.

29

Tabela 1: Empresas que publicaram DVA no Balanço Social Empresa Ano de publicação do Balanço Social Divulgou DVA? Telebrás 1990 Não informado CMTC 1991 Não informado Banespa 1992 e 1998 Sim (em ambos os anos) Banco do Brasil 1997 Não Banco Brasileiro de Desconto 1998 Não Banco Itaú 1998 Não Nossa Caixa Nosso Banco 1998 Não FEBRABAN 1998 Sim Cia. Carris 1998 Sim Grupo RBS 1997 Não Usiminas 1999 Sim Odebrecht 1998 Não Aracruz Celulose 1998 Sim Telesp Celular 1998 Não Telesp Celular Participações 2000 Sim Light 1998 Sim Votorantim Celulose e Papel 1998 Não Cia. Hidroelétrica do São Francisco 1998 Não Cia Paulista de Força e Luz 1998 Não Furnas 1998 Não Eletrobrás 1998 Não Ceval Alimentos 1998 Sim Petrobrás 1998 Não

Conforme pode ser observado, apesar do número de publicações de Balanço Social (23), apenas 8 continham informações sobre a Demonstração do Valor Adicionado. Tal situação tende a se modificar a partir de 2008 em função da alteração da Lei 6.404/76 realizada pela Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007. A nova redação do artigo 176, dada por esta lei, é a seguinte:
Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; IV - demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V - se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007)

30

Alternativamente, algumas empresas adotaram o modelo do IBASE para publicação da Demonstração do Valor Adicionado, conforme apresentado no Anexo A. Independentemente da forma como a Demonstração do Valor Adicionado será divulgada, Cosenza (2003, p. 17), afirma que “[...] a informação contábil deve estar cada vez mais orientada para satisfazer múltiplos e diferentes objetivos de informação e fornecer os dados necessários e corretos para cada situação concreta.”.

31

3

METODOLOGIA

3.1

Tipologia

A presente pesquisa é classificada como documental tendo em vista que foram utilizados dados que ainda não receberam tratamento analítico para realizar o teste das hipóteses a serem validadas.

3.2

Técnica

O método quantitativo foi utilizado para realizar a análise dos dados.

3.3

Amostra / População

A população escolhida para esta pesquisa foi definida em função das empresas listadas no segmento especial da BOVESPA que realizaram publicação da Demonstração do Valor Adicionado entre os anos 1996 e 2006 (vide Apêndice). A composição da amostra foi elaborada através do método não probabilístico, sendo utilizada a amostragem por julgamento. Este tipo de amostragem consiste, segundo Barbetta (2003, p. 56) na escolha de elementos julgados como típicos da população que se deseja estudar. A justificativa na utilização de tal metodologia ampara-se no fato de que a publicação da Demonstração do Valor Adicionado não era obrigatória no período analisado. Desta forma, a quantidade de empresas resultante de uma eventual amostragem probabilística poderia ser prejudicada em função da seleção de empresas que não apresentassem a DVA nas suas

32

demonstrações contábeis. Assim, evitou-se o risco de excluir da pesquisa alguma empresa que pudesse ter publicado a DVA. Como resultado, obteve-se uma amostra formada por 42 empresas, dos mais diversos segmentos. A seleção dos elementos para compor a amostra objeto de estudo foi realizada mediante identificação das empresas constantes dos níveis diferenciados de Governança Corporativa listados pela BOVESPA, o Quadro 1 apresenta a quantidade de empresas por nível de Governança Corporativa em 02/06/2008.

Nível de Governança Corporativa Quantidade de empresas Bovespa Mais 1 Novo Mercado 98 Nível 2 19 Nível 1 44 Total 162 Quadro 1: Quantidade de empresas que participaram da amostra por nível de Governança Corporativa (1996-2006)

Deste total, identificou-se, por meio de consultas ao Relatório da Administração e Notas Explicativas, 42 empresas que publicaram a Demonstração de Valor Adicionado no período analisado.

3.4

Procedimentos

A seleção do universo de empresas a serem analisadas foi realizada através de consulta ao site da BOVESPA, onde foram identificadas aquelas que estavam classificadas nos níveis diferenciados de Governança Corporativa. Conforme Quadro 1 anterior, o número de empresas classificadas em tal segmentação totalizava 162 em 02/06/2008. Definido o universo a ser trabalhado, procedeu-se à tarefa de consultar as demonstrações contábeis, especificamente o Relatório da Administração e as Notas

33

Explicativas, de cada empresa para identificar o ano de publicação da Demonstração do Valor Adicionado. A consulta a tais informações foi realizada por meio das Demonstrações Financeiras Padronizadas, disponibilizadas pela BOVESPA no do Sistema Divulgação Externa ITR/DFP/IAN. Obteve-se, como resultado, a estratificação, por nível de Governança Corporativa, das empresas que publicaram DVA entre 1996 e 2006, conforme apresentado no Quadro 2.

Nível de Governança Corporativa Quantidade de empresas Empresas que publicaram DVA Bovespa Mais 1 0 Novo Mercado 98 17 Nível 2 19 3 Nível 1 44 22 Total 162 42 Quadro 2: Quantidade de empresas, segundo o nível de Governança Corporativa, que publicaram a Demonstração do Valor Adicionado (1996-2006)

Identificadas as empresas que fariam parte da amostra, o passo seguinte foi obter o histórico de cotação das ações negociadas na BOVESPA. O levantamento de tais dados foi realizado através de “download” de arquivo contendo o histórico de cotações das ações negociadas na BOVESPA no período analisado. Através de tais arquivos, observou-se que cada elemento da amostra selecionada possuía vários tipos de ações negociadas na bolsa de valores. Desta forma, foi necessário identificar a ação com maior volume de negociação para ser utilizada como parâmetro para a análise estatística. O critério utilizado para realizar tal identificação foi a soma da quantidade de ações negociadas anualmente por elemento da amostra, cujo resultado apontaria a ação com maior influência na rentabilidade da empresa analisada. Para realizar tal levantamento, optou-se por realizar uma simplificação para permitir o agrupamento das ações tendo em vista a grande de variedade de tipos de ações encontrada. Como exemplo, citam-se as ações de tipo PNA, PNB, PNC, PND, PNE, PNF, PNG e PNH agrupadas como PN. Outro ponto que

34

restringiu a seleção da amostra foi o fato de ter sido utilizado somente ações negociadas no mercado a vista. Desta forma, após a aplicação de tais critérios, a quantidade final de elementos da amostra a serem analisados passou a ser de 33 empresas, segmentadas conforme apresentado a seguir:

Nível de Governança Quantidade de Empresas que Quantidade final de empresas Corporativa empresas publicaram DVA da amostra Bovespa Mais 1 0 0 Novo Mercado 98 17 10 Nível 2 19 3 2 Nível 1 44 22 21 Total 162 42 33 Quadro 3: Quantidade de empresas, segundo o nível de Governança Corporativa, negociadas no mercado a vista, que publicaram a Demonstração do Valor Adicionado (1996-2006)

Selecionadas as empresas e calculada as médias dos preços médios negociados da ação com maior volume de negociação, realizou-se então o cálculo da rentabilidade da ação tanto para o ano de publicação da DVA, quanto para o ano anterior, através da equação abaixo. O objetivo de tal cálculo foi identificar a influência da publicação desta demonstração no desempenho da ação da empresa.

  PMA f     Re ntabilidad et =     PMA  − 1 x100 , onde: i   
Rentabilidadet = rentabilidade da ação para o período t PMAf = Preço Médio da Ação na BOVESPA no final do período t PMAi = Preço Médio da ação na BOVESPA no início do período t Também através do site da BOVESPA, obteve-se a série histórica de fechamento do índice BOVESPA. Com os dados do valor médio do índice, pôde-se calcular a variação do mesmo para o período analisado.

35

Uma vez realizados o cálculo da rentabilidade da ação das empresas e da variação do índice BOVESPA, procurou-se identificar a relação entre a publicação da DVA e o desempenho da ação na BOVESPA através da seguinte equação:

Variação =

RA t − RIBVt , onde: RA t −1 − RIBVt −1

RAt = Retorno da ação no ano de publicação da DVA RIBVt = Retorno do IBOVESPA no ano de publicação da DVA RAt-1 = Retorno da ação no ano anterior à publicação da DVA RIBVt-1 = Retorno do IBOVESPA no ano anterior à publicação da DVA

Tal equação procura indicar que haverá relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado e o desempenho da ação na BOVESPA se o resultado da mesma for positivo, fica demonstrada a relação entre os retornos. Caso contrário, isto é, para um resultado negativo, a relação é inexistente.

36

4

RESULTADOS E ANÁLISE DE DADOS

A seguir serão apresentadas as análises realizadas para avaliar o comportamento das ações das empresas estudadas em relação à publicação da Demonstração do Valor Adicionado, conforme estabelecido na hipótese do presente trabalho.

4.1

Desempenho das ações no período analisado

Conforme pode ser observado na Tabela 2, 61% (20) das empresas analisadas obtiveram valorização de suas ações entre o período de 1996 e 2006. Tal valorização, quando estratificado segundo o nível de Governança Corporativa, demonstra que 35% (7) delas estavam classificadas no Novo Mercado, 10% (2) no Nível 2 e 55% (11) no Nível 1. Por outro lado, as ações das empresas que apresentaram desvalorização totalizaram 39% da amostra estudada, com a seguinte distribuição: 23% no Novo Mercado, 0% no Nível 2 e 77% no Nível 1. Tabela 2: Desempenho das ações das empresas no período analisado
Quantidade de empresas Resultado Nível 1 Nível 2 Novo Mercado Total Global Valorização 11 2 7 20 Desvalorização 10 0 3 13 Total Global 21 2 10 33

37

4.2

Desempenho das ações por segmento de atuação da empresa

A análise dos dados em relação ao segmento de atuação das empresas mostra que as ações que obtiveram valorização no período analisado estão concentradas nas empresas atuantes nos segmentos Energia Elétrica (4), Papel e Celulose (3) e Bancos (2) que juntas representam 45% das empresas que publicaram a Demonstração do Valor Adicionado e obtiveram valorização das ações.

Tabela 3: Desempenho das ações por segmento de atuação das empresas
Segmento de atuação Água e Saneamento Alimentos Aluguel de carros Bancos Carnes e Derivados Energia Elétrica Fios e Tecidos Holdings Diversificadas Madeira Materiais de Construção Material Rodoviário Minerais Metálicos Motores, compressores e outros Papel e Celulose Petroquímicos Seguradoras Serviços Médicos-Hospitalares, Análises e Diagnósticos Siderurgia Telecomunicações Transporte Aéreo Total Global Desempenho da ação Valorização Desvalorização 1 1 1 2 1 1 1 4 1 1 1 1 1 1 2 1 1 3 2 1 1 1 2 1 20 13 Total Global 1 1 1 3 2 5 1 1 1 1 3 1 1 3 2 1 1 1 2 1 33

4.3

Comparativo do resultado da ação em relação ao resultado do índice BOVESPA A Tabela 3 indica que, nos períodos de valorização da bolsa de valores, 16 empresas

(48% do total da amostra analisada) acompanharam tal desempenho, enquanto que 10

38

empresas alcançaram o resultado oposto. Da mesma forma, nos períodos de desvalorização da bolsa de valores, 3 empresas acompanharam este resultado e 4 alcançaram valorização.

Tabela 4: Comparativo do resultado da ação em relação ao resultado do índice BOVESPA
Resultado do IBOVESPA Valorização Desvalorização Valorização 16 4 Resultado da ação Desvalorização 10 3

+

IBOVESPA

Ação

-

+

Gráfico 1: Dispersão das empresas analisadas segundo o resultado da ação/IBOVESPA

4.4

Relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado com o desempenho das ações na BOVESPA Os resultados obtidos através da aplicação da equação apresentada no capítulo

anterior, não foram consistentes o suficiente para validar a hipótese apresentada neste trabalho. Embora, em alguns casos, a valorização das ações das empresas tenha acompanhado a valorização da BOVESPA, não se pode afirmar, categoricamente, que a mesma deveu-se, exclusivamente, em função da publicação da Demonstração do Valor Adicionado. Tal afirmação é validada através do cálculo do coeficiente de correlação (Tabela 5) entre os elementos que compõem a equação utilizada:

39

RAt – RIBVt ⇒ Variável “a” RAt-1 – RIBVt-1 ⇒ Variável “b”

Tabela 5: Cálculo do coeficiente de correlação Variável “a” Variável “b” Variável “a” 1 Variável “b” -0,11025 1
Fonte: Elaboração própria

Segundo Anderson, Sweeney e Williams (2002, p. 457), a intensidade da correlação linear é graduada pelos seguintes intervalos: 0,6 ≤ r  < 1 – Dados fortemente correlacionados 0,3 ≤ r  < 0,6 – Correlação relativamente fraca entre as variáveis 0 < r  < 0,3 – Correlação muito fraca, pouco se pode concluir sobre esta relação

Desta forma, para o coeficiente de correlação calculado de 0,11025, temos a confirmação de que não se pode atribuir a valorização da ação da empresa à publicação da Demonstração do Valor Adicionado.

40

5

CONCLUSÕES

O presente trabalho teve por finalidade identificar a relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado e o desempenho das ações na BOVESPA para as empresas listadas nos níveis diferenciados de Governança Corporativa. Para tanto, foi realizado levantamento do desempenho das ações de tais empresas no ano de publicação da DVA e o ano anterior, comparando tais dados com o desempenho da BOVESPA no mesmo período. Através da equação definida para evidenciar tal relação, foi possível identificar que a publicação da Demonstração do Valor Adicionado não causou influência esperada no desempenho da ação, muito em função do comportamento do desempenho das ações em relação ao índice BOVESPA. Desta forma, pode-se responder ao problema de pesquisa com a afirmação de que, utilizando a metodologia apresentada no presente trabalho, não é possível identificar a relação entre a publicação da Demonstração do Valor Adicionado e o desempenho das ações de uma empresa na BOVESPA. As relações identificadas entre o desempenho da ação da empresa e o comportamento do índice BOVESPA não permitiram chegar a uma conclusão que validasse a hipótese apresentada neste trabalho. Uma possibilidade da inexistência de tal relação é o fato de que a Demonstração do Valor Adicionado analisa fatos passados ocorridos na empresa, uma vez que a base de sua elaboração está na Demonstração do Resultado do Exercício. Por outro lado, o desempenho histórico da empresa pode não ser a única variável utilizada pelo investidor para a tomada de decisão. Também podem ser levados em consideração os aspectos futuros da empresa analisada, tais como análises de tendência do mercado no qual a empresa atua, projetos em desenvolvimento pela empresa que possam gerar maior fluxo de receita etc.

41

Embora a Demonstração do Valor Adicionado não possa ser utilizada como forma de suscitar a valorização das ações de uma empresa, na medida em que se acreditava que uma maior transparência na divulgação das informações contábeis poderia sensibilizar positivamente investidores do mercado de capitais, não se deve tirar sua importância enquanto instrumento de análise, pois tal demonstração apresenta de forma diferenciada o quanto a empresa gerou de riqueza para a sociedade e como a mesma foi distribuída entre os agentes econômicos que participaram de tal processo. Adicionalmente, a DVA evidencia o quanto a empresa está exercendo seu papel dentro da sociedade, uma vez que utiliza dos recursos provenientes da mesma para executar suas atividades. Finalmente, não se poderia deixar de comentar que as alterações realizadas, pela Lei 11.638/07, na Lei das Sociedades por Ação, ao instituir a obrigatoriedade da publicação da Demonstração do Valor Adicionado, irá proporcionar maior visibilidade da Contabilidade enquanto fonte de informação para auxiliar na tomada de decisões estratégicas. Sugere-se como temas para pesquisas relacionadas ao assunto, a ampliação da amostra utilizada e realizar novo comparativo entre o desempenho das ações das empresas com o desempenho do IBOVESPA. Adicionalmente, poder-se-ia sugerir metodologia padrão para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado, dado que a literatura sobre o assunto não apresenta um consenso sobre este tema.

42

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43

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APÊNDICE Relação de empresas participantes da amostra
Razão Social BCO BRASIL S.A. CIA ENERGETICA DE MINAS GERAIS - CEMIG CIA SANEAMENTO BASICO EST SAO PAULO FRAS-LE S.A. ITAUSA INVESTIMENTOS ITAU S.A. RANDON S.A. IMPLEMENTOS E PARTICIPACOES USINAS SID DE MINAS GERAIS S.A.-USIMINAS DURATEX S.A. SADIA S.A. ULTRAPAR PARTICIPACOES S.A. VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL S.A. ARACRUZ CELULOSE S.A. BRASIL TELECOM S.A. CENTRAIS ELET DE SANTA CATARINA S.A. CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO CIA VALE DO RIO DOCE WEG S.A. BRASIL TELECOM PARTICIPACOES S.A. BRASKEM S.A. CIA FIACAO TECIDOS CEDRO CACHOEIRA CIA PARANAENSE DE ENERGIA - COPEL ETERNIT S.A. GOL LINHAS AEREAS INTELIGENTES S.A. IOCHPE MAXION S.A. NATURA COSMETICOS S.A. TAM S.A. PORTO SEGURO S.A. BCO INDUSVAL S.A. BCO ITAU HOLDING FINANCEIRA S.A. CAMARGO CORREA DESENV. IMOBILIARIO S.A. CIA TRANSMISSAO ENERGIA ELET PAULISTA DIAGNOSTICOS DA AMERICA S.A. EDP - ENERGIAS DO BRASIL S.A. EQUATORIAL ENERGIA S.A. IGUATEMI EMPRESA DE SHOPPING CENTERS S.A KLABIN S.A. LIGHT S.A. LOCALIZA RENT A CAR S.A. M.DIAS BRANCO S.A. IND COM DE ALIMENTOS MEDIAL SAUDE S.A. PERDIGAO S.A. UNIPAR UNIAO DE IND PETROQ S.A. BCO CRUZEIRO DO SUL S.A. BCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S.A. CESP - CIA ENERGETICA DE SAO PAULO CIA HERING CPFL ENERGIA S.A. GRENDENE S.A. KLABIN SEGALL S.A. Ano publicação DVA 1998 1999 1999 1999 1999 1999 1999 2000 2000 2000 2000 2001 2002 2002 2002 2002 2003 2004 2004 2004 2004 2004 2004 2004 2004 2004 2005 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2006 2007 2007 2007 2007 2007 2007 2007

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MANGELS INDUSTRIAL S.A. MARISA S.A. ODONTOPREV S.A. PARANAPANEMA S.A. SLC AGRICOLA S.A. TERNA PARTICIPACOES S.A.

2007 2007 2007 2007 2007 2007

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ANEXOS ANEXO A – BALANÇO SOCIAL 2007 (MODELO IBASE)
1 - Base de Cálculo Receita líquida (RL) Resultado operacional (RO) Folha de pagamento bruta (FPB) 2 - Indicadores Sociais Internos Alimentação Encargos sociais compulsórios Previdência privada Saúde Segurança e saúde no trabalho Educação Cultura Capacitação e desenvolvimento profissional Creches ou auxílio-creche Participação nos lucros ou resultados Outros Total - Indicadores sociais internos 3 - Indicadores Sociais Externos Educação Cultura Saúde e saneamento Esporte Combate à fome e segurança alimentar Outros Total das contribuições para a sociedade Tributos (excluídos encargos sociais) Total - Indicadores sociais externos 4 - Indicadores Ambientais 2007 Valor (Mil reais) 0 0 0 2007 Valor (Mil reais) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2007 Valor (Mil reais) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2007 Valor (Mil reais) 0 2006 Valor (Mil reais) 0 0 0 2006 Valor (Mil reais) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2006 Valor (Mil reais) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2006 Valor (Mil reais) 0 0 0 ( ) não possui metas ( ) cumpre de 51 a 75% ( ) cumpre de 0 a 50% ( ) cumpre de 76 a 100% 2006 Valor (Mil reais) 0 0 0 0 0 0 0,00% 0 0,00% 0 Metas 2008 0 0 ( ) direção e gerências ( ) todos(as) empregados(as) ( ) seguirá as normas da OIT ( ) direção e gerências ( ) direção e gerências ( x) serão sugeridos

Investimentos relacionados com a produção/ operação da empresa Investimentos em programas e/ou projetos externos 0 0 Total dos investimentos em meio ambiente Quanto ao estabelecimento de “metas anuais” para ( ) não possui metas ( ) cumpre de 51 a 75% minimizar resíduos, o consumo em geral na produção/ ( ) cumpre de 0 a 50% ( ) cumpre de 76 a 100% operação e aumentar a eficácia na utilização de recursos naturais, a empresa 5 - Indicadores do Corpo Funcional 2007 Valor (Mil reais) Nº de empregados(as) ao final do período 0 Nº de admissões durante o período 0 Nº de empregados(as) terceirizados(as) 0 Nº de estagiários(as) 0 Nº de empregados(as) acima de 45 anos 0 Nº de mulheres que trabalham na empresa 0 % de cargos de chefia ocupados por mulheres 0,00% Nº de negros(as) que trabalham na empresa 0 % de cargos de chefia ocupados por negros(as) 0,00% Nº de pessoas com deficiência ou necessidades especiais 0 6 - Informações relevantes quanto ao exercício da 2007 cidadania empresarial Relação entre a maior e a menor remuneração na empresa 0 Número total de acidentes de trabalho 0 Os projetos sociais e ambientais desenvolvidos pela empresa ( ) direção ( ) direção e ( ) todos(as) foram definidos por: gerências empregados(as) Os pradrões de segurança e salubridade no ambiente de ( ) direção e ( ) todos(as) ( ) todos(as) + trabalho foram definidos por: gerências empregados(as) Cipa Quanto à liberdade sindical, ao direito de negociação ( ) não se envolve ( ) segue as ( ) incentiva e coletiva e à representação interna dos(as) trabalhadores(as), normas da OIT segue a OIT a empresa: A previdência privada contempla: ( ) direção ( ) direção e ( ) todos(as) gerências empregados(as) A participação dos lucros ou resultados contempla: ( ) direção ( ) direção e ( ) todos(as) gerências empregados(as) Na seleção dos fornecedores, os mesmos padrões éticos e de ( ) não são ( ) são sugeridos ( ) são exigidos responsabilidade social e ambiental adotados pela empresa: considerados Quanto à participação de empregados(as) em programas de ( ) não se envolve ( ) apóia ( ) organiza e trabalho voluntário, a empresa: incentiva Número total de reclamações e críticas de consumidores(as): na empresa _______ no Procon na Justiça _______ _______ % de reclamações e críticas atendidas ou solucionadas: na empresa no Procon na Justiça _______% _______% _______% Valor adicionado total a distribuir (em mil R$): Em 2007: Distribuição do Valor Adicionado (DVA): ___% governo ___% colaboradores(as) ___% acionistas ___ % terceiros ___% retido 7 - Outras Informações

( ) direção ( ) direção e gerências ( ) não se envolverá ( ) direção ( ) direção

( ) todos(as) empregados(as) ( ) todos(as) + Cipa ( ) incentivará e seguirá a OIT ( ) todos(as) empregados(as) ( ) todos(as) empregados(as) ( ) serão exigidos

( ) não serão considerados ( ) não se ( ) apoiará (x ) organizará e envolverá incentivará na empresa no Procon _______ na Justiça _______ _______ na empresa no Procon na Justiça _______% _______% _______% Em 2006: ___% governo ___% colaboradores(as) ___% acionistas ___ % terceiros ___% retido

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ANEXO B – DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (Depreciação como destinação do valor adicionado)
1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2) Provisão para devedores duvidosos – Reversão/(Constituição) 1.3) Não Operacionais 2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI) 2.1) Matérias-primas consumidas 2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos 2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.4) Perda/Recuperação de valores ativos 3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1 – 2) 4 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 4.1) Resultado de equivalência patrimonial 4.2) Receitas financeiras 5 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (3 + 4) 6 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 6.1) Pessoal e encargos 6.2) Impostos, taxas e contribuições 6.3) Juros e aluguéis 6.4) Juros sobre o capital próprio e dividendos 6.5) Retenções (Depreciação) 6.6) Lucros retidos/prejuízo do exercício

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ANEXO C – DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (Depreciação como redutora do valor adicionado)
1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2) Provisão para devedores duvidosos – Reversão/(Constituição) 1.3) Não Operacionais 2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI) 2.1) Matérias-primas consumidas 2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos 2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.4) Perda/Recuperação de valores ativos 3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1 – 2) 4 - RETENÇÕES 4.1) Depreciação, amortização e exaustão 5 – VALOR ADICONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3 – 4) 6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1) Resultado de equivalência patrimonial 6.2) Receitas financeiras 7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5 + 6) 8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 8.1) Pessoal e encargos 8.2) Impostos, taxas e contribuições 8.3) Juros e aluguéis 8.4) Juros sobre o capital próprio e dividendos 8.5) Lucros retidos/prejuízo do exercício

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