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Liberdade Provisória

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DIREITO PROCESSUAL PENAL LIBERDADE PROVISÓRIA PROF. LUIZ BIVAR JR.

BREVES CONSIDERAÇÕES: A prisão, no direito brasileiro, é medida de exceção. A regra é o acusado responder ao processo em liberdade, somente devendo ser preso após o trânsito em julgado de sentença condenatória em que se impôs pena privativa de liberdade. É a chamada prisão definitiva, corolário lógico do princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição da República [1]. Importante ressaltar, no entanto, que, por vezes, impõe-se a prisão antes mesmo de existir uma sentença definitiva. Trata-se da prisão provisória, processual ou cautelar, que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença. De acordo com o professor Julio Fabbrini Mirabete: “(...) Rigorosamente, no regime de liberdades individuais que preside o nosso direito, a prisão
só deveria ocorrer para o cumprimento de uma sentença penal condenatória. Entretanto, pode ela ocorrer antes do julgamento ou mesmo na ausência do processo por razões de necessidade e oportunidade. Essa prisão assenta na Justiça Legal, que obriga o indivíduo, enquanto membro da comunidade, a se submeter a perdas e sacrifícios em decorrência da necessidade de medidas que possibilitem ao Estado prover o bem comum, sua última e principal finalidade. (...) É nesse sentido que o artigo 282 do CPP reza que, à exceção do flagrante delito, a prisão não poderá efetuar-se senão em virtude de pronúncia ou nos casos determinados em lei, e mediante ordem escrita da autoridade competente, que, hoje, é apenas a autoridade judiciária (art. 5º, LXI, da CF).”[2]

Como se pode perceber, a regra é a liberdade, a exceção é a sua privação nos termos da lei, que só deve ocorrer em casos de absoluta necessidade. Tenta-se, assim, conciliar os interesses sociais que, de um lado, exigem a aplicação de uma pena ao autor de um crime e, de outro, protegem o direito do acusado de não ser preso, senão quando considerado culpado por sentença condenatória transitada em julgado. É nesse contexto que surge o instituto da liberdade provisória, previsto no art. 5º, LXVI, da Constituição da República. Para o professor Paulo Rangel:

[5] Parágrafo único – Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar. exercício regular de direito ou estrito cumprimento do dever legal. do Código Penal. para sustentação da medida cautelar. in verbis: “Art. LXI e LXVI). ao garantir como direito que somente haja prisão em flagrante delito. I.”[4] 2. ou por ordem escrita e fundamentada do juiz competente. que é um direito do indiciado. Por esse instituto o acusado não é recolhido à prisão ou é posto em liberdade quando preso. desde que preencha os requisitos legais. a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva (arts. CONCEITO: A liberdade provisória encontra-se prevista na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. 19. legítima defesa. o fumus boni juris. pois a cautela é a prisão. o auto de prisão em flagrante tão logo tome conhecimento da detenção ocorrida. . conceder ao réu liberdade provisória. pelo auto de prisão em flagrante. depois de ouvir o Ministério Público. do Código de Processo Penal – Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato.. LXVI.” “Art. mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo.”[3] De fato. com ou sem fiança (cf.“(. 5º. da Constituição Federal – ninguém será levado à prisão ou nela mantido. sempre. cujo antecedente lógico é a prisão cautelar. 311 e 312).. deve permitir que aguarde o seu julgamento em liberdade. II e III. Segundo o professor Guilherme de Souza Nucci: “(. sob pena de revogação. não tendo o menor sentido mantê-lo preso. Dizse contracautela. Trata-se de um direito constitucional que não pode ser negado se estiverem presentes os motivos que a autorizam. poderá.. sem adentrar nas demais excludentes do crime. com ou sem fiança. com ou sem fiança. Falta nesse caso. art. A única possibilidade de segurar o indiciado preso é não acreditar na versão de qualquer excludente de ilicitude ofertada. quando a lei admitir a liberdade provisória. Nesse caso.) Assim. 310. com ou sem fiança. havendo fortes indícios de que alguma delas está presente. vinculado ou não a certas obrigações que o prendem ao processo e ao juízo. ninguém será levado à prisão ou nela mantido. realizando apenas o juízo de tipicidade. quando a lei admitir a liberdade provisória. quando houver nítida impressão ao juiz de que o preso agiu em estado de necessidade. nas condições do art.. a liberdade provisória é uma contraposição. deliberar sobre a liberdade provisória. Assim. a Constituição. recebendo a cópia do flagrante. garante também que ninguém será levado para ela se a lei admitir liberdade provisória. cabe ao magistrado.” A liberdade provisória é uma contracautela que substitui a custódia provisória.) confirmando o fato da autoridade policial dever lavrar. melhor colocar a pessoa em liberdade do que segurá-la detida. Entretanto. 5º.

por sua vez. poderá ser o acusado posto em liberdade. revogação de prisão preventiva e o relaxamento da prisão em flagrante. e nunca acarretando ao acusado deveres e obrigações”[7]. Já na liberdade provisória subsistem os motivos da custódia.. se absolutória. torna possível a execução da pena e. ou seja. pois. Nota-se. quanto aos efeitos. 321 do Código de Processo Penal traz a figura da liberdade provisória obrigatória ou desvinculada. permitida (ou vinculada) ou proibida (ou vedada). da Constituição.1 LIBERDADE PROVISÓRIA OBRIGATÓRIA OU DESVINCULADA: O art. portanto. não ficaria sujeito à prisão. 3. o legislador usou a expressão “livrar-se-á solto.) É. porém desnecessária. que. basta que a infração seja punida. pode ser revogada. um estado de liberdade que pode estar gravado nas condições e reservas que tornam precário e limitado o seu gozo.. porém. sujeitando-o a determinadas condições. b) vigora apenas até o trânsito em julgado da sentença final que. ocorre quando não mais subsistem os seus pressupostos autorizadores (art. isto é. se condenatória. Nesses dois casos. exclusivamente. A revogação da prisão preventiva. pois. 5º. 312 e 313 do CPP). sem que o acusado fique sujeito a qualquer condição. assemelha-se ao relaxamento da prisão.com o fim de assegurar a sua presença ao processo sem o sacrifício da prisão cautelar.”[6] Importante ainda destacar que não se confundem os institutos da liberdade provisória. ou que a pena privativa de liberdade não exceda a três meses. No primeiro caso (quando a infração é punida. quanto à causa. nos casos de ilegalidade da prisão. independentemente de fiança”. o fundamento para a concessão de liberdade provisória obrigatória e desvinculada de qualquer condição encontra-se no fato de que caso o acusado seja condenado. a revogação da prisão preventiva equipara-se à liberdade provisória. “limitando-se às situações de vícios de forma e substância na autuação. exclusivamente. com pena de multa. nos termos do art. Este último se dá. Vê-se. assim. independentemente do pagamento de fiança e sem sujeitar o acusado a qualquer vinculação ou condição. com pena de multa). desde que ausentes os pressupostos autorizadores da prisão preventiva. conforme o caso. Para tanto. salvo no caso de não ser vinculada. a qualquer tempo. ESPÉCIES: A liberdade provisória pode ser obrigatória (ou desvinculada). Novamente nas palavras do professor Mirabete: “(. já que a única . sendo o acusado recolhido à prisão. Tem a denominação de liberdade ‘provisória’ porque: a) pode ser revogada a qualquer tempo. transforma a liberdade em definitiva. LXV. porém. que a prisão é legal. Diz-se que essa liberdade é provisória. 3. ocorrendo certas hipóteses previstas em lei.

a condenação anterior a crime culposo ou contravenção não impede a concessão do benefício. proibição de o réu mudar de residência. do CPP). 328. Assim. 323. parágrafo único. . sem comunicar à autoridade processante o lugar onde será encontrado (art. assumir o compromisso de comparecer à sede do juizado. As condições às quais o réu estará sujeito encontram-se previstas nos arts. para o caso. sujeitá-lo. vedando-se a analogia ou interpretação extensiva. surpreendido em flagrante. em sentença transitada em julgado (art. Também se encontra proibida a concessão desse benefício se houver no processo prova de ser o réu vadio (art. sob pena de se revogar a liberdade e recolher-se o réu à prisão. 327 do CPP). 321 do CPP.2 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA: A liberdade provisória pode ser também permitida ou vinculada.punição existente é a pena de multa.099/95 (Lei dos Juizados Especiais Criminais). a interpretação também deve ser restrita. liberdade provisória obrigatória. 327 e 328 do Código de Processo Penal: a) b) c) obrigação de comparecer a todos os atos do processo (art.”[8] 3. o legislador achou por bem estabelecer. IV. entretanto. do CPP). então. 2ª parte. pois. institui nova hipótese de liberdade provisória obrigatória: quando o autor do fato. em seu art. III. detenção ou prisão simples. A segunda hipótese se dá quando a pena privativa de liberdade não ultrapassa três meses. sem prévia permissão da autoridade processante (art. nos termos do art. certamente o acusado ficaria mais tempo preso em decorrência da prisão provisória do que em função da condenação final que não excederia três meses de reclusão. Por se tratar de norma restritiva. nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade. Não caberá. 323. do CPP). Trata-se do réu que é reincidente em crime doloso. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. De acordo com o professor Fernando Capez “a Lei nº 9. 328. Por se tratar de uma pena pequena. sem fiança ou qualquer outra condição. provisoriamente. proibição de o réu ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência. Ocorre em determinadas hipóteses em que o legislador admitiu a concessão desse instituto. 1ª parte. Como. à uma pena mais grave do que aquela que ele receberia caso fosse definitivamente condenado? Tal fato seria um verdadeiro absurdo. 69. porém sujeitou o acusado ao cumprimento de certas condições. diante do tempo de duração do inquérito e ação penal. do CPP). tal instituto.

conceder ao réu liberdade provisória. portanto. desde que sua conduta se encaixe no art. De acordo com esse dispositivo: “Art. 23 do Código Penal (causas excludentes da ilicitude do fato). 3..) A liberdade provisória estatuída no art. 327 e 328.. coação moral irresistível. porém sujeita o acusado a certas condições.2. caput. Nas palavras do professor Paulo Rangel: “(. ou seja. sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. II e III. sob pena de revogação. 310 – Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato. Assim. inimputabilidade. do Código Penal. poderá. 155..”[10] O artigo em análise não contempla situações em que há exclusão da culpabilidade (erro de proibição. Para o já citado Paulo Rangel: “(. o réu fica livre.). 23 do CP. sem motivo justo. SEM FIANÇA: A primeira hipótese de liberdade provisória sem fiança. Primeiro. ou no art. admite-se a liberdade. 23 do CP ou inexistirem razões para prendê-lo preventivamente. razão para que permaneça preso. 350 do CPP. Segundo. mas com vínculo é a prevista no art. 310 e seu parágrafo único independe da natureza da infração. O fundamento para a existência desse dispositivo é que o acusado agiu acobertado por uma excludente da ilicitude..Como se vê. verbis: “Art. depois de ouvir o Ministério Público. se o réu solto estivesse. mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo. Alguns autores defendem uma interpretação mais ampla para abranger também essas causas. se existem razões para. do Código Penal. qualquer dessas obrigações . o legislador permite a concessão de liberdade provisória. do CPP. de acordo com o direito. o juiz deve analisar se o fato foi praticado nas hipóteses descritas no art. porém. 310. é nitidamente de lege ferenda. apesar de louvável. I. poderá conceder-lhe a liberdade provisória. embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior etc. 121. a liberdade provisória para a ser direito subjetivo do réu. Se o réu infringir. nas condições do art.1 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA. não havendo. 350 – Nos casos em que couber fiança.) Portanto. afiançável ou não. caput. pouco importando se o crime é inafiançável ou não. caput. se a conduta do réu amolda-se ao art. ser preso preventivamente. o juiz. por motivo de pobreza. independentemente de fiança. A segunda hipótese de liberdade provisória sem fiança. mas preso ao processo”[9].” O referido artigo permite ao juiz conceder liberdade provisória ao acusado. verificando ser impossível ao réu prestá-la. pouco importa se o fato está descrito no art. 19. do mesmo estatuto repressivo. mas com vinculação é a mencionada no art. Assim. ou seja. obediência hierárquica.

do contrário. Explicamos.. 310 do CPP? Na realidade só há uma: comparecer a todos os atos do processo. Quais as obrigações constantes do art. Parágrafo único – O escrivão intimará o réu das obrigações e sanções previstas neste artigo. Essa liberdade provisória prevista no art. pelo auto de prisão em flagrante. liberado os termos do art. que essa liberdade somente poderá ser concedida se o crime for afiançável. tratamento diferenciado dado ao pobre. quanto ao rico... do CPP: “Art. terá a liberdade provisória do art.. leiam-se as palavras do professor Paulo Rangel: Finalmente. liberado nos termos do art. por motivo de pobreza. O que significa dizer. sujeição às condições previstas nos arts. uma terceira hipótese de liberdade provisória sem fiança. Ou seja. 327 e 328 do CPP. a infração mais grave (por isso é inafiançável) sujeita o autor da mesma a uma única obrigação (comparecer a todos os atos do processo) e a infração menos grave (por isso afiançável) sujeita-a a três obrigações. o pobre. o réu deve ser pobre. 310 pode ser afiançável ou não. assim. que terá mais obrigações a cumprir por estar em liberdade provisória nos termos do art.”[11] A esse respeito. 310 do CPP pela Lei nº 6. 311 e 312).ou praticar outra infração penal. entretanto. “(. 310.” Esse parágrafo único foi acrescentado ao art. 350 do CPP depende de três requisitos: a) b) c) somente pode ser concedida nos casos em que se admite fiança. diluídas nos arts. está sujeito a três obrigações processuais.” Nota-se que o caso em apreço diz respeito aos crimes que admitem fiança..) Verifica-se. deverá ser tratada pelo art. data vênia.. Nesse caso. enquanto que o pobre (ou o rico). há. Quais as obrigações constantes do art. mas com vínculo é a prevista no art. 350 do CPP. a determinadas condições (arts. parágrafo único. encontra-se impossibilitado de prestá-la. ao pobre que cometer crime afiançável ser-lhe-á concedida a liberdade provisória ao art. mas o réu. a apenas uma. É curioso que ao pobre e ao rico que cometerem crimes inafiançáveis seja permitida a liberdade provisória do art. 350. 310.) Parágrafo único – Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar. E vejam: a infração penal cometida nos termos do art. pois.) Assim. 310. o juiz poderá conceder liberdade provisória. será revogado o benefício. 350 do CPP? São três. 310 – (. a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva (arts.416/77. 327 e 328 (. 350. A regra agora é . 310 do CPP. por ter cometido um crime inafiançável. Porém. sujeitando-o. 327 e 328 do CPP). 310 do estatuto processual.

o magistrado deverá conceder liberdade provisória. somente devendo ser preso se presente algum dos requisitos da prisão preventiva.) Tem-se entendido. 311 e 312 do CPP). sempre que ausentes os pressupostos autorizadores da preventiva. Trata-se. deixar de conceder a liberdade provisória. 3. Não se trata de mera faculdade do magistrado. por vezes. reconhecendo que não há elementos que autorizariam a decretação da prisão preventiva. 59 e 60 da Lei de Contravenções . O Código de Processo Penal não estabelece quais são as infrações penais que admitem fiança. O art. mediante a prestação de uma garantia. não sendo necessária para a garantia da ordem pública. com ou sem fiança.o acusado responder ao processo em liberdade. a contrario sensu... embora a lei diga que a liberdade é concedida quando o juiz verificar a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva. o que não se coaduna com o sistema probatório do processo penal. sujeitando o acusado a determinadas condições. deixa claro que cabe fiança para as contravenções penais (exceto as tipificadas nos arts. sempre que o juiz verificar que não estão presentes nenhuns dos motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (arts. sem ônus econômico. Aplica-se tanto às infrações afiançáveis como às inafiançáveis. ninguém será levado à prisão ou nela mantido. quando a lei admitir a liberdade provisória. conseqüentemente. de um direito subjetivo processual do acusado que. que o parágrafo único do artigo 310 atribui ao magistrado a mera faculdade de conceder a liberdade provisória. despojado de sua liberdade pelo flagrante. 5º. isto é. de uma garantia real. com bem dispõe a Constituição Federal (art. 323 do CPP. pois caso contrário estaria exigindo a evidência de um fato negativo. Assim. Segundo o professor Mirabete: “(. COM FIANÇA: A liberdade provisória com fiança e. porém desnecessária. de bons ou maus antecedentes. com vinculação ocorre em determinadas infrações onde o legislador permitiu que o acusado. mediante vinculação a certas condições. ao réu primário ou reincidente. e sim de direito subjetivo do acusado. servindo para designar os meios que sirvam para assegurar o cumprimento de uma obrigação processual do réu. deve-se entender que quer dizer que deve concedê-la quando não verificar a ocorrência de uma dessas hipóteses.2 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA. LXVI). Assim.”[12] Dessa forma. garantia da ordem econômica. a readquire desde que não ocorra nenhuma das hipóteses autorizadoras da prisão preventiva. Além disso. deverá conceder liberdade provisória ao acusado. Trata-se então de uma caução. conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. porém.2. Não pode o juiz. mas sim que tipo de infração a admite. goze de liberdade provisória. caso a prisão se mostre legal.

até o trânsito em julgado da sentença.169. de uma eventual pena pecuniária (multa) ou para garantir o ressarcimento da vítima diante do crime que foi praticado. objetos. é uma caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu. 325 do CPP. as condições pessoais de fortuna e vida pregressa do acusado. Pode ser concedida em qualquer fase do inquérito ou do processo.2. 322 do CPP). mediante caução e cumprimento de certas obrigações. (ii) por hipoteca: não há limitação do seu . é solto. detenção ou prisão simples. De acordo com o STF: “A afiançabilidade de infração penal.1 FIANÇA: A fiança. se está em liberdade. a prisão não se efetua. pois. 1ª Turma. Nas palavras do professor Julio Fabbrini Mirabete: “A fiança é um direito subjetivo constitucional do acusado. conforme já mencionado. Esse valor poderá ainda ser reduzido até o máximo de dois terços ou aumentado até o décuplo. É um meio utilizado para obter a liberdade provisória: se o acusado está preso. até final julgamento. se assim o recomendar a situação econômica do réu ou do indiciado. a partir da Lei não 6. 326 do CPP. conservar sua liberdade até a sentença condenatória irrecorrível. O arbitramento da fiança. que lhe permite. a fiança deve ser concedida. HC 72. sendo concedida pelo juiz nos demais casos (art. mas ameaçado de custódia.416/77. Trata-se de um direito subjetivo e constitucional do acusado. bem como a importância provável das custas do processo.95) 3. deverá levar em consideração a natureza da infração.Penais) e crimes punidos com reclusão.”[13] A fiança se destina ao pagamento das custas do processo. verifica-se em função do mínimo de pena abstratamente cominada. Será arbitrada pela autoridade policial nos casos de infração punida com detenção ou prisão simples. se presentes todos os requisitos exigidos por lei. 21. nos termos do art. rel. as circunstâncias indicativas de sua periculosidade. Há duas modalidades de prestação de fiança: (i) por depósito: consiste no depósito de dinheiro. j. podendo variar de um a cem salários mínimos de referência[14]. pedras. cuja pena mínima cominada não ultrapasse 2 (dois) anos. Min. Sepúlveda Pertence.” (STF. e não da concretamente aplicada.2. metais preciosos ou títulos da dívida pública. o valor da fiança é fixado com base na pena mínima e máxima cominada abstratamente à infração penal.2. De acordo com o art.

avaliação por perito nomeado pela autoridade e inscrição em primeiro lugar. deixar. Nos termos do art. parágrafo único. não está exigindo a lei.) Ao dizer que a perda se dá quando ‘o réu não se apresentar à prisão’. de 07 de janeiro de 1994[16]. no caso de inovação na classificação do delito. injustificadamente. Nos termos do art. o acusado perderá metade do valor pago e terá que se recolher à prisão. Será também cassada quando reconhecida a existência de delito inafiançável. mas. Como conseqüência.. praticar outra infração penal (arts. É. Nesse caso. Ocorrerá o quebramento da fiança quando o réu. entretanto. e quando. Exige-se. 327/328 c/c 341/343 do CPP). Quando se reconhecer não ser cabível a fiança será ela cassada em qualquer fase do processo. quando mudar de residência ou se ausentar por mais de oito dias sem comunicar previamente ao juízo. 3. ocorrerá a perda ou perdimento do valor da fiança quando o réu. Para o professor Julio Fabbrini Mirabete: “(. casos em que o valor arbitrado se mostra insuficiente ou inexato. haverá ainda a cassação da fiança quando. 337 do CPP). conforme dispõe o art. o valor pago a título de fiança é integralmente devolvido e o réu terá que se recolher à prisão. na vigência do benefício. será restituída sem desconto. não havendo quebramento ou perda. Como conseqüência. Já as fianças quebradas ou perdidas passam a fazer parte do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN). transitada em julgado a sentença que houver absolvido o réu ou declarado extinta a ação penal (art.. São. que não desobedeça ou resista ao cumprimento do mandado de prisão nem se oculte ou se ausente. portanto. impedindo a execução imediata dessa ordem judicial. são aqueles casos em que a imputação passa de um delito afiançável para outro inafiançável.objeto. que o condenado procure a autoridade para entregar-se. 340 do CPP). legalmente intimado. simplesmente. uma vez condenado.3 LIBERDADE PROVISÓRIA PROIBIDA OU VEDADA: . O reforço da fiança será exigido quando a autoridade tomar por engano fiança insuficiente. caso em que a fiança é concedida por engano da autoridade. 2º. VI. de comparecer aos atos do processo. da Lei Complementar nº 79. não se apresentar à prisão. quando houver depreciação material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados. exigido o reforço.”[15] A fiança. 340. ele não for prestado. ou depreciação dos metais ou pedras preciosas e quando for inovada a classificação do delito (art. o montante pago a título de fiança será perdido e o réu deverá se recolher à prisão. literalmente. 344 do CPP. do CPP. ou seja. assim.

59 e 60 da Lei de Contravenções Penais). nos crimes hediondos e equiparados (art. XLIII. analisaram-se temas correntes em sede de liberdade provisória. nos crimes de lavagem de dinheiro (art.826/2003). da Lei nº 10. Assim. CONCLUSÃO: O instituto da liberdade provisória constitui assunto corriqueiro e de vital importância no Direito Processual Penal moderno. em seus arts. espécies. 312 do CPP). f) ao réu que. j) k) l) m) n) o) no crime de racismo (art. e) nos crimes punidos com reclusão. Para tanto. civis ou militares.613/98). 350 do CPP. d) se houver prova. b) nas contravenções penais de vadiagem e mendicância (arts. 14. c) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade. 5º.O Código de Processo Penal. que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência ou grave ameaça contra a pessoa. quaisquer das obrigações a que se refere o art. pautado em uma ótica garantista. salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança. no processo. salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente (art. 7º da Lei nº 9. XLII. g) nos casos de prisão civil. XLIV. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. no mesmo processo. o instituto da fiança. 5º. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. na ação de grupos armados. dentre outros. estabelece quais infrações penais são inafiançáveis. não será concedida fiança: a) nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a dois anos. da Constituição Federal). da Constituição Federal). 3º da Lei nº 9. 323 e 324. em sentença transitada em julgado (reincidente em crime doloso). as proibições contidas na Constituição Federal e em leis especiais. h) ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional. O presente trabalho teve por objetivo dissertar. devendo-se acrescentar. ainda que brevemente. o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. . da Constituição Federal). administrativa ou militar. tais como o seu conceito. 4. nos casos de intensa e efetiva participação em organizações criminosas (art. disciplinar. sobre o tema na tentativa de facilitar a sua compreensão. de ser o réu vadio. i) quando estiverem presentes quaisquer dos motivos que autorizem a decretação da prisão preventiva (art. sem justo motivo.034/95). parágrafo único. tiver quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido. 5º. ainda.

Processo penal. da nova Parte Geral do CP. Julio Fabbrini. equivale ao art. 558. p. [7] Idem. São Paulo: RT. 2004. p. 421. [11] RANGEL. extinguiu o salário mínimo de referência e o piso nacional de salários. Op.. Direito Processual Penal. Julio Fabbrini. [6] MIRABETE. Op. 658. 8º ed. [12] MIRABETE. pp. [5] Referência a dispositivo original do Código Penal. Paulo. [16] Cria o Fundo Penitenciário Nacional . 662. p. 402. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 233. Cit. 406. Paulo.FUNPEN. São Paulo: Atlas. Processo penal. [10] RANGEL. Direito Processual Penal.789. São Paulo: Saraiva. Curso de processo penal. II e III. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Op. Cit. Op. Cit. 2004. [4] NUCCI. 408. 1999. Paulo. Paulo. 2002. Julio Fabbrini. p. Código de processo penal comentado. Cit.. [9] RANGEL. para apelar.. [14] A Lei nº 7. 3º ed. 657.. de 03 de julho de 1989. RANGEL. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CAPEZ. Guilherme de Souza. 3ª ed. [15] MIRABETE. Curso de processo penal. após a reforma de 1984. 3ª ed. São Paulo: Atlas. Guilherme de Souza. [13] MIRABETE. NUCCI. 8º ed. [2] MIRABETE. p. São Paulo: RT. Julio Fabbrini. 23. p. Julio Fabbrini. Op. [3] RANGEL. Cit. Paulo. p. 13ª ed. não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência”. MIRABETE. p. Atualmente. 3º ed. 2004. Cit. 2004. Cit. p. 661. I. 1999. e dá outras providências. [8] CAPEZ. 403. 13ª ed. São Paulo: Saraiva. p. Op.5. Fernando. Fernando. Julio Fabbrini.. 2002. Op. revigorando o salário mínimo para remuneração do trabalhador. Código de processo penal comentado. . 359-360.. p.. [1] Nos termos da Sumula nº 09 do Superior Tribunal de Justiça “a exigência da prisão provisória.

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