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Noções de texto e textualidade

Podemos dizer que a composição de um texto parte de um processo de escolha, é


necessário escolher desde o tema que será abordado em um texto até a forma como será feita
essa abordagem. Como determinar as palavras que vão expressar claramente a mensagem e
aquelas que darão as pistas para que o leitor possa traçar seu percursso de leitura e encontre
um caminho para sua compreensão?

A partir destas constatações, percebemos que a busca de elementos que constituirá


um texto não é feita aleatoriamente e nem isoladamente, Ao se estabelecer um tema ou
simplesmente nos defrontamos com algo que precisa ser explicado, descrito, resumido ou
contado, enfim, quando é necessário dizer algo sobre alguma coisa, vamos à procura de
recursos que nos auxiliarão a estabelecer a comunicação, e para isso esperamos que a
mensagem expressa seja compreendida, somente assim ocorre, de fato, a comunicação.

O texto não é somente um amontoado de palavras com algum sentido, segundo


Beaugrande (1997: 10), “o texto é um evento comunicativo no qual convergem ações
linguísticas, cognitivas e sociais”, essa afirmação nos propõe que um texto não pode e nem
deve ser visto apenas como um texto, no sentido superficial da palavra. Um texto é bem mais
do que palavras que se relacionam para explicar um assunto, texto é um ato comunicativo
entre leitor e autor, contemporâneos ou não, co-presentes ou não, do mesmo grupo social ou
não, mas existe um diálogo constante, uma interação entre sujeitos sociais, ou seja, alguém
que transmite uma mensagem e alguém que decodifica essa mensagem, compreende a mesma
e reconhece nela um sentido, seja aquele estabelecido pelo seu transmissor ou outros sentidos,
construídos por suas próprias experiências e conhecimentos, mas totalmente pertinentes e
aceitáveis dentro da proposta do texto.

Não podemos ver no texto um sentido construído apenas por uma sequência de frases
isoladas, o texto está inserido em determinado contexto ou seja, ele ocupa um lugar na
sociedade e no tempo dos quais pertence, e dentro disso o texto encontra seu sentido, dentro
do mundo em que ele surge. Esse fenômeno, Charolles (1983) diz não ser somente uma
extensão da frase, mas sim uma entidade teoricamente nova. Dessa forma, não seria errado
afirmarmos que o texto é uma (re)construção do mundo e não somente o reflexo dele, quando
escrevemos sobre uma situação, por exemplo, buscamos reconstruí-la da maneira mais clara
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possível, se essa for a intenção, a medida que vamos tecendo o texto, reorganizamos as ideias
para (re)construir uma nova.

Em suma, precisamos ter em mente que um texto é muito mais do que um simples
conjunto de frases com sentido, ele estabelece conosco um diálogo, uma comunicação, nos
traz possibilidades de interpretações, que não dependem somente daquilo que está no texto,
mas também daquilo que nós, leitores, temos para compartilhar com o texto.