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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE: DESAFIOS PARA A SUA APLICABILIDADE

ADILSON RIBEIRO DE ARAÚJO

LAVRAS MINAS GERAIS - BRASIL 2010

ADILSON RIBEIRO DE ARAÚJO

Educação Ambiental e Sustentabilidade: desafios para a sua aplicabilidade

Monografia apresentada ao Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do curso de PósGraduação Lato Sensu em Gestão e Manejo Ambiental em Sistemas Agrícolas, para a obtenção do título de Especialização.

Orientador Prof. Dr.Renato Luiz Grisi Macedo

LAVRAS MINAS GERAIS – BRASIL 2010

ADILSON RIBEIRO DE ARAÚJO

Educação Ambiental e Sustentabilidade: desafios para a sua aplicabilidade

Monografia apresentada ao Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do curso de PósGraduação Lato Sensu em Gestão e Manejo Ambiental em Sistemas Agrícolas, para a obtenção do título de Especialização.

APROVADA em: 26 de Abril de 2010. Prof. Dr. Max Leandro Naves Silva

Prof. Dr. Hélcio Andrade

Prof. Dr.Renato Luiz Grisi Macedo UFLA (Orientador)

LAVRAS MINAS GERAIS – BRASIL 2010

AGRADECIMENTOS

A realização desse trabalho não seria possível sem a contribuição das graças de nosso Deus e de várias pessoas e organizações. Um agradecimento especial para o meu orientador Prof. Renato Luiz Grisi Macedo pelo seu desempenho no curso de especialização oferecido pela Universidade Federal de Lavras - MG. Sou grato à professora Teresa de Pazos da Silva, que contribuiu com vários comentários e críticas aos esboços iniciais do estudo. Agradeço às professoras Elaine Celita Gertz Rysdyk, Maria Aparecida Pereira Pierangeli e Cleunice Maria Andrade por fazerem à revisão final ortográfica e gramática e, pois muitas de suas observações foram importantes para dar coerência ao texto em sua forma final. Aos professores que contribuíram respondendo os questionários da aplicabilidade da educação ambiental na escola bem como a coordenação e direção da escola Estadual 14 de fevereiro, e por fim, agradeço a minha avó Ana de Jesus de Oliveira pela sua colaboração nos deveres de casa no momento de leitura e condução dos trabalhos da pesquisa.

Na Natureza há um eterno viver, um eterno devir, um eterno movimento, embora não avance um passo. Transforma-se eternamente, e não tem um momento de pausa. Não sabe deter-se, e cobre de maldições a pausa. No entanto está parada, o seu passo é comedido, as suas exceções raras, as suas leis imutáveis... W. Goethe (Die Natur, 1780)

SUMÁRIO

RESUMO .........................................................................................................i 1 APRESENTAÇÃO ...................................................................................... 1 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 3 O PROCESSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ................ 6 3.1 Uma análise das primeiras concepções da Educação Ambiental ............ 6 3.2 Conferência de Estocolmo, (Suécia 1972) .............................................. 11 3.2.1 Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Humano (Estocolmo72) ..... 12 3.3 A Conferência de Belgrado, 1975 ........................................................... 15 3.4 A I Conferência de Tbilisi na Geórgia, 1977 .......................................... 16 3.4.1 A Declaração da Educação Ambiental em Tbilisi de 1977 (objetivos, categorias e princípios) .......................................................................... 17 4 A LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE ........................................................................... 21 4.1 Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº. 9.795/99)................. 21 4.1.1 Decreto nº. 4.281/2002 que regulamenta a Política Nacional de Educação Ambiental ............................................................................. 24 4.2 Fundamentação e legislação para a Sustentabilidade ou Desenvolvimento Sustentável ................................................................. 26 5 FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL ..... 35 5.1 O que é Educação Ambiental? ............................................................... 35 5.2 Características da Educação Ambiental ................................................ 38 5.3 Princípios, objetivos e finalidades da Educação Ambiental .................. 40 5.4 A Educação Ambiental na escola e como desenvolvê-la ........................ 45 5.5 A importância da Educação Ambiental ................................................. 47 5.5.1 Desafios e Perspectivas da Educação Ambiental .................................... 47 5.5.2 Aplicabilidade desse conceito na escola ................................................. 49 6 SUBSÍDIOS À EDUCAÇÃO AMBIENTAL E À SUSTENTABILIDADE ........................................................................... 52 6.1 A Conferência Internacional de Moscou, 1987...................................... 52 6.2 Relatório de Brundtland (Nosso Futuro Comum) ................................. 53 6.3 Conferência da ECO-92 ......................................................................... 56 6.4 A proposta de criação da Agenda 21 ..................................................... 58 6.5 A definição do conceito de Sustentabilidade.......................................... 60

6.5.1 Qual a finalidade e importância da Agenda 21 ....................................... 63 6.5.2 A educação na Agenda 21 ..................................................................... 64 6.5.3 Educar para a Sustentabilidade .............................................................. 66 6.6 Desenvolvimento Sustentável – perspectiva histórica, seus complexos e desafios ................................................................................................. 68 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................... 69 REFERÊNCIAS ............................................................................................ 71

RESUMO

ARAÚJO, Adilson Ribeiro de. Educação Ambiental e Sustentabilidade: desafios para a sua aplicabilidade. 2010. 77p. Monografia (Especialização em Gestão e Manejo Ambiental em Sistemas Agrícolas). Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais.*

Ao discutir as problemáticas ambientais, é necessário analisar vários fatores que levam ou levaram à degradação dos recursos naturais e verificar as formas e maneiras de resolver esses problemas. A sensibilização é a forma certa de se implantar na rede escolar pública ou privada, um programa de educação ambiental capaz de proporcionar mudanças. Através dessa sensibilização, poderemos conduzir com urgência a uma comunidade um desenvolvimento sustentável do uso dos recursos naturais sem que comprometa as presentes e as futuras gerações do planeta. Precisamos estabelecer relações harmoniosas e saudáveis com o meio ambiente sob pena de vermos consumidos pelo consumismo das nossas ganâncias. É pela educação que nos capacitamos para nos tornarmos mais aptos para sensibilizar, nossa comunidade e promover mudanças de atitudes e valores capazes de garantir a conservação do nosso meio e a continuidade da vida. A inovação da humanidade e o “desenvolvimento” geraram grandes problemas de relevância social e ambiental ocasionando impactos negativos ligados diretamente aos usos dos recursos da natureza. Diante dessa problemática, a educação ambiental poderá contribuir com a sua aplicabilidade na educação e que neste instante é uma ferramenta de grande valia para a sensibilização da sociedade e nisso possibilitando que seja colocada em prática a sustentabilidade dos recursos naturais e a conservação dos mesmos. Em face do exposto o objetivo desse trabalho é abordar a prática de educação ambiental e sustentabilidade na escola, refletindo acerca do importante trabalho a ser desenvolvido com cada aluno de modo que ele possa desenvolver ações no seu convívio familiar buscando soluções concretas para os problemas ambientais que acontecem no cotidiano de sua vida, da escola, do seu trabalho e da sua casa, e na execução de suas tarefas. O objetivo é proporcionar aos alunos um poder de atuação para a melhoria da qualidade de vida da sua família, bem como de toda a humanidade. Palavras-chave: educação ambiental, sustentabilidade, desafio _________________________
*Orientador: Prof. Dr.Renato Luiz Grisi Macedo – UFLA.

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1 APRESENTAÇÃO

Estarmos inseridos em um meio onde acompanhamos constantemente a degradação ambiental ocorrida em função do acelerado processo de ocupação através das atividades humanas, calcado no desenvolvimento econômico, sem evidenciar um desenvolvimento econômico sustentável. Visamos através da presente pesquisa encontrar mecanismos a serem desenvolvidos nas escolas que sejam capazes de proporcionar a sustentabilidade dos recursos naturais. Entendemos que a educação ambiental é a maneira mais concreta de conscientizar a humanidade para a conservação da natureza. O objetivo deste trabalho monográfico é fazer uma revisão bibliográfica dos conceitos, processo histórico e fundamentação teórica das seguintes temáticas: Educação Ambiental, Sustentabilidade e desenvolvimento

sustentável. Pretendemos, a partir daí, construir um saber que leve em conta a importância de utilizarmos nossa riqueza natural sem degradar a natureza. Defendemos que a educação ambiental tem que estar inserida no currículo de nossas escolas para que haja uma sustentabilidade equitativa e isso só ocorrerá se a aprendizagem for baseada nos valores e ações que contribuem para a transformação de nossa comunidade e preservação do nosso sistema ecológico. No primeiro Capítulo descrevemos o processo de evolução da questão ambiental, abordando as grandes conferências realizadas no mundo, suas deliberações e a importância destes eventos para o avanço da decisão relativa ao meio ambiente. No segundo Capítulo discutimos, o conceito de sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável ao mesmo tempo em que discute as Leis que fundamentam a questão no Brasil regulamentando a Política Nacional da Educação Ambiental.

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No terceiro Capítulo discoremos sobre a importância de Educação Ambiental especialmente na escola. Falamos sobre a definição da EA, descrevemos suas características, objetivos, finalidades, importância e como trabalhar esta questão nas escolas dando ênfase à prática da interdisciplinaridade conforme proposta dos parâmetros Curriculares Nacionais. No quatro Capítulo falamos da ECO-92 e da Agenda 21 e suas finalidade e a importância de sua aplicabilidade em todos os contextos mundiais.

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2 INTRODUÇÃO

Precisamos entender que são grandes os problemas relacionados ao meio ambiente, questão esta que interfere diretamente na qualidade de vida da população em nível local, regional, nacional e global. A perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo suas interrelações e a interdependência dos diversos fatores que fazem parte na construção e perpetuação da vida. Porém, à medida que os seres humanos aumentam sua capacidade de intervir nos recursos naturais para sua satisfação, soluções de necessidades e desejos crescentes, surgem debates e conflitos quanto ao uso consciente do espaço e dos recursos naturais de forma gradativa. A importância dessa consciência já está sendo abordada nas instituições escolares e muitas iniciativas já têm sido tomadas em torno dessa questão por educadores conscientes e Ongs ligadas ao meio ambiente em todo mundo. Diante do exposto vê-se a necessidade de incluir o tema meio ambiente na educação formal e informal de nossa sociedade, pois toda a prática educacional é de fundamental importância na abordagem de temas relacionados ao ambiente e que discutam modo de interação do ser humano com os recursos naturais suas relações sociais, do trabalho, das ciências, da arte e da tecnologia. Neste sentido, através desse enfoque o eixo da presente pesquisa consiste em discutir a importância de buscar e desenvolver nos alunos uma postura crítica no entendimento da realidade ambiental. A interdisciplinaridade proposta nas diretrizes curriculares possibilitará a efetivação da integração metodológica entre as áreas do ensino sobre o meio ambiente, propondo ao educando associar as áreas do conhecimento ao problema da sociedade e ao meio ecológico. Este trabalho não pode se feito de forma fragmentada, mas possibilitando uma junção das diversas ciências, tornando possível ao aluno abordar o conceito na totalidade fazendo uma análise do passado, presente e

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futuro para que haja uma sensibilização do homem no que diz respeito à melhoria de vida tanto para si quanto para a biodiversidade e para o meio no qual está inserido proporcionando assim a aplicabilidade da sustentabilidade nessa sociedade. Neste sentido, é preocupante a forma como recursos naturais e culturais do nosso país vêm sendo tratados. Poucos produtores e lavradores conhecem ou valorizam esse conhecimento do meio ambiente do qual eles fazem parte. Muitas vezes, para utilizar de certos recursos naturais, destroem outros de suma importância para o equilíbrio ecológico, como tem sido no desmatamento seguido de queimada para lavouras e pastagem, mecanismo este que além de empobrecer o solo mata seus nutrientes deixando-o infértil, a extração de minério que satisfaz somente um pequeno grupo e deixa para traz solos rios e lençóis freáticos contaminados por produtos químicos deixando as pessoas que habitam naquela região a mercê da miséria enquanto suas riquezas vão para outras cidades e até mesmo são exportados para outros países. Este quadro gera sérios problemas decorrentes da inexistência de uma articulação sistemática de fiscalização, legislação e implantação de programas direcionados especificamente à questão ambiental. É necessária uma política ambiental adequada e que seja valorizada por parte de todos. Porém, esses descasos levam as pessoas a abandonarem as áreas já devastadas e se apropriam de novas áreas dando continuidade à degradação da biodiversidade. Portanto, o ciclo de destruição da natureza continua de forma acelerada e, além de causar desgaste na saúde que já não consegue controlar as doenças por parte desse desequilíbrio em massa. Essas ações são definitivas para a degradação do meio e a medida que este modelo de desenvolvimento evolui, sistemas inteiros de vida vegetal e animal perdem seu equilíbrio. Infelizmente a riqueza permanece concentrada na mão de poucos, com isso há um aumento significativo da fome, miséria, injustiça social, violência e a baixa qualidade de

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vida de parte da população. Estes fatores que estão relacionados ao modelo civilizatório de desenvolvimento por parte dos governantes e autoridades dos países. Necessitamos rapidamente trabalhar com a educação ambiental e entendemos que o melhor lugar é a escola. Só assim teremos a efetivação do desenvolvimento sustentável na nossa humanidade para que nossos recursos naturais sejam preservando para presente e futuras gerações.

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3 O PROCESSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

3.1 Uma análise das primeiras concepções da Educação Ambiental A expressão “Educação Ambiental” (E.A.) surgiu nos anos 70, entretanto a humanidade já fazia educação ambiental desde o seu surgimento no planeta Terra. No início, a relação do homem com o ambiente visava somente a sobrevivência da raça humana que dependia totalmente da natureza. Ao relacionar-se com o mundo do qual fazia parte, ensinava seus filhos a fazer o mesmo. O homem pré-histórico realizava a Educação Ambiental no seu senso comum, por causa da necessidade, pois era necessário sobreviver, num mundo cuja natureza era mais poderosa do que os homens. Para isso todos precisavam saber quais as espécies vegetais comestíveis, como achar água durante períodos secos, como se cuidar dos animais ferozes, quais os materiais que melhor se adaptavam à construção das suas casas, como fazer uma boa fogueira ou até mesmo como usar um bom remédio para suas doenças, etc. Mas, com o passar dos tempos, mudaram as razões e as necessidades de educar para esse ambiente, bem como a forma de fazer Educação Ambiental e aqui demonstraremos como acontece essa educação no mundo: A seguir mostraremos alguns elementos da história da Educação Ambiental no que diz respeito ao tema de nossa pesquisa: • Por volta de 40.000 a.C. foi marcado pela proliferação de ferramentas para caça, cozinha entre outras tarefas, acelerando assim o processo tecnológico a aproximadamente 4 milhões de pessoas e espalhando pelos continentes Ásia e África os primeiros a ser habitados.

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No tocante dos anos de 10.000 a.C. Dá-se o desenvolvimento do sistema agrícola na região da Mesopotânia1 e especialmente a leste do Mar Mediterrâneo onde se concentram os primeiros aglomerados de civilizações.

A 4.000 a. C. Inicia as aldeias agrícolas nos vales dos rios Eufrates e Tigre dos antigos povos babilônicos.

Em 2.000 a.C. no planeta Terra há uma população de aproximadamente 27 milhões de seres humanos e já certas atividades produtivas no mundo, mas, são atividades que não provocam danos nem capazes de mudanças na natureza.

No ano 0 que marca a chegada de Cristo, a população em trono do mundo chega aos 100 milhões de pessoas. No ano de 1492 as Caravelas (Pinta, Nina e Santa Maria)2 com colonizadores europeus aborta no novo mundo até então desconhecido por esses povos. Iniciando a colonização da América que assim ficou conhecida e depois batizada em homenagem ao navegador Américo Vespúcio, onde existia cerca de 5 milhões de povos nativos que viviam em harmonia com a natureza.

Logo depois, em 1500 dá-se a chegada dos conquistadores europeus, agora na América do Sul especificamente no Brasil nome dado pela exuberância do vegetal conhecido popularmente como pau-brasil. A assim se inicia o processo de exploração desse recurso vegetal, provocando uma viravolta nos povos locais.

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A Mesopotâmia — nome grego que significa "entre rios" (meso - pótamos) - é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Uma região de origem localizada no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates. 2 As três caravelas utilizadas na conquista da América em 1492. 7

Iniciada a colonização do Brasil, em 1542, uma Carta Régia do Brasil3, cria normas disciplinares para a extração de madeira e proporciona punições para os abusos no corte nessa atividade.

No século XVIII Galileu é forçado pela Igreja Católica a abjurar a teoria heliocêntrica, bem como nesse mesmo século a Inglaterra é acometida com uma epidemia conhecida como peste bubônica4 que devastou um terço da população.

Em 1822 José Bonifácio de Andrada e Silva empreende sua luta contra a repressão portuguesa nos movimentos de Independência do Brasil. Ele foi também uns dos primeiros naturalistas do país. No decorrer do século XIX a população do planeta Terra atinge os seus primeiros bilhões de habitantes. No ano de 1827 uma Carta de Lei de Outubro, do império, determinou poderes aos juízes de paz das províncias para a fiscalização das florestas, esta lei proibia o desmatamento no Brasil.

O Imperador D. Pedro II cria a Lei 601, fazendo assim a proibição da exploração florestal em terras que fosse descobertas e determinando às províncias poderes na aplicação. A lei é ignorada e se verifica uma grande área devastada de florestas na atividade de monocultura do café que a mesma era para abastecer a Europa. Ainda no século XIX Charles Darwin, lança o livro A Origem das Espécies, mostrando que todos os seres vivos do planeta Terra são produtos do ambiente, passando por processo de seleção natural. Mesmo com tudo isso, permitiu que acontecessem no final do século

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Carta Régia do Brasil – É o rompimento do pacto colonial, com a transferência da Corte, o Brasil praticamente deixou de ser colônia. Peste negra é a designação por que ficou conhecida, durante a Idade Média, a, pandemia que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas. 8

a publicação da obra do americano George Perkim Marsh um livro com a denominação de Man and nature: or pbysical geograpby as modifreid by buman action (O homem e a natureza), umas das primeiras obras escrita com detalhes sobre agressão da humanidade sobre a utilização dos recursos naturais. O biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), edita um vocábulo “ecológico” um conceito sobre estudos das relações de diversas espécies com seu meio ambiente (hábit). Com a ideia de Marsh (1864), cria-se nos EUA o primeiro parque nacional do mundo (Yellowstone National Park), já no Brasil a Princesa Isabel autoriza o funcionamento de uma empresa privada especializada na extração de madeira,

principalmente na extração do pau-brasil. • O início do século XX marca um período de surgimento da Educação Ambiental, o Giffrerd Pinchet começa a usar a palavra “conservação”, bem como o presidente norte-americano Theodore Roosevelt promove a conferência para governador com uma temática voltada para a conservação da natureza. Em 1920 o paubrasil já é considerado extinto pelo presidente do país, Epitácio Pessoa que também observa que o Brasil era um rico país na fauna e flora e era o único que não possuía um código florestal para a proteção dessa biodiversidade. • Na década de 1920 o mundo já havia passado por grandes revoluções principalmente industriais. Em 1923 o empresário industrial Henry Ford promulga o conceito de produção em massa (linha de montagem)5, em suas fábricas de automóveis. Esse processo conhecido como fordismo e incentivava os empregados a
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A linha de montagem foi fundada por Henry Ford inicialmente para a fabricação dos automóveis Ford no ano de 1913. 9

comprar um desses veículos produzidos fator que, infelizmente, inicia o consumismo no mundo, provocando assim a escassez dos recursos naturais. • Na década de 1930 o livro An Introducion to Regional Surveying (Uma introdução a estudos regionais) de C.C. Fagg e G.E. Hitchings, contribui para o desenvolvimento da educação ambiental na escola. • Como já havia sido destacado pelo presidente Epitácio Pessoa que o Brasil era o único país que não possuía um Código Florestal em 1931 o Decreto 23.973 vira lei e é criada a primeira unidade de conservação, o Parque Nacional do Itatiaia. Algum tempo em 10 de janeiro de 1939 o Decreto 1.035/39, cria o Parque Nacional do Iguaçu que por incrível que pareça é o único Parque Nacional realmente legalizado no país. • Com o surgimento da escola institucionaliza a educação formal e os movimentos ambientalistas em princípio nos EUA dão origem a vários programas e reformas de várias disciplinas veiculando conhecimento das várias ciências. Observava-se que a interligação de todas as ciências iria permitir uma visão completa do funcionamento do planeta, a interação do homem com ele aconteceria de forma mais garantida. Com isso o presidente Jânio Quadros aprova projeto para o pau-brasil declarando-o “árvoresímbolo e o Ipê a flor-símbolo nacional do país”. Ainda neste período o jornalista Rachel Carson, lança o livro Silen Spring (Primavera Silenciosa). Porém, nas décadas de 50 e 60, surgem problemas ambientais reais e urgentes, que assumem proporções alarmantes e assim a ética ambiental toma nova forma com a Conferência sobre educação realizada em College of Education, Leichester, Grã-Bretanha em abril de 1968 com participação de

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vários especialistas que se reuniram para criar o Clube de Roma uma forma de levar ao conhecimento da humanidade a atual crise ambiental no mundo e proporcionar medidas que solucionem esse problema. 3.2 Conferência de Estocolmo, (Suécia 1972) A história ambiental no mundo, tem início com a Conferência de Estocolmo na Suécia em 1972 que foi um marco importantíssimo para o ambientalismo. O evento contou com representantes de 113 países e foi promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas). Neste evento foi concebido o Plano de Ação Mundial, e, em particular, foram dadas normas para um Programa Internacional de Educação Ambiental. Apesar da sua importância, este momento configurou-se mais como um ponto centralizado para identificar os problemas ambientais, do que como um começo de ação para solucioná-los. A conferência acontece por razão das ideias publicadas pelo relatório do Clube de Roma, intitulado The Limites of Growth (Os limites do crescimento), documento mostra que a humanidade terá importantes marcos para o desenvolvimento no uso dos recursos naturais e novos desafios que são indispensáveis a uma política mundial de proteção ambiental, sendo assim, ter uma maior participação da população e governos na administração dos recursos naturais de modo que haja desenvolvimento sem comprometer as futuras gerações. O documento denuncia também a incessante busca pelo crescimento econômico principalmente das grandes nações que torna mais rica a qualquer custo, sem levar em conta os danos que provocará à natureza e que, com certeza, será cobrada pelas próximas gerações. Ainda durante o evento os países em desenvolvimento como Brasil, China, Argentina, México, África do Sul acusam nações desenvolvidas de querer limitar o seu crescimento industrial, usando
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como pretexto os impactos ambientais, como maneira de barrar a capacidade de competição entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos ou em

desenvolvimento. Por fim, foi um evento político ambiental internacional decisivo para o aumento da consciência de como gerenciar o meio ambiente e também chamar atenção da humanidade para os problemas ambientais causados pelo crescimento econômico e populacional. 3.2.1 Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Humano (Estocolmo72) A Organização das Nações Unidas (ONU) cria o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e a recomendação de que se promovesse o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), conhecida como "Recomendação 96". A Recomendação 96 sugere que "Se promova a educação ambiental como uma base de estratégias para atacar a crise do meio ambiente". Também, não podemos esquecer que o evento contou com a elaboração da Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente que proclama sete diretrizes e seus vinte seis princípios importantes para a aplicabilidade dessa política ambiental. As sete diretrizes são: 1 - O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente, que lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. A longa e difícil evolução da raça humana no planeta levou-a a um estágio em que, com o rápido progresso da Ciência e da Tecnologia, conquistou o poder de transformar de inúmeras maneiras e em escala sem precedentes o meio ambiente. Natural ou criado pelo homem, é o meio ambiente essencial para o bem-estar e para gozo dos direitos humanos fundamentais, até mesmo o direito à própria vida. 2 - A proteção e a melhoria do meio ambiente humano constituem desejo premente dos povos do globo e dever de todos os Governos, por
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constituírem o aspecto mais relevante que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento do mundo inteiro. 3 - O homem carece constantemente de somar experiências para prosseguir descobrindo, inventando, criando, progredindo. Em nossos dias sua capacidade de transformar o mundo que o cerca se usada de modo adequado, pode dar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e o ensejo de aprimorar a qualidade da vida. Aplicada errada ou inconsideradamente, tal faculdade pode causar danos incalculáveis aos seres humanos e ao seu meio ambiente. Aí estão, à nossa volta, os males crescentes produzidos pelo homem em diferentes regiões da Terra: perigosos índices de poluição na água, no ar, na terra e nos seres vivos; distúrbios grandes e indesejáveis no equilíbrio ecológico da biosfera; destruição e exaustão de recursos insubstituíveis; e enormes deficiências, prejudiciais à saúde física, mental e social do homem, no meio ambiente criado pelo homem, especialmente no seu ambiente de vida e de trabalho. 4 - Nos países em desenvolvimento, os problemas ambientais são causados, na maioria, pelo subdesenvolvimento. Milhões de pessoas continuam vivendo muito abaixo dos níveis mínimos necessários a uma existência humana decente, sem alimentação e vestuário adequados, abrigo e educação, saúde e saneamento. Por conseguinte, tais países devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento, cônscios de suas prioridades e tendo em mente a premência de proteger e melhorar o meio ambiente. Com idêntico objetivo, os países industrializados, onde os problemas ambientais estão geralmente ligados à industrialização e ao desenvolvimento tecnológico, devem esforçar-se para reduzir a distância que os separa dos países em desenvolvimento. 5 - O crescimento natural da população suscita a toda hora problemas na preservação do meio ambiente, mas políticas e medidas adequadas podem resolver tais problemas. De tudo o que há no mundo, a associação humana é o

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que existe de mais preciosa. É ela que impulsiona o progresso social e cria a riqueza, desenvolve a Ciência e a Tecnologia e, através de seu trabalho árduo, continuamente transforma o meio ambiente. Com o progresso social e os avanços da produção, da Ciência e da Tecnologia, a capacidade do homem para melhorar o meio ambiente aumenta dia a dia. 6 - Atingiu-se um ponto da História em que devemos moldar nossas ações no mundo inteiro com a maior prudência, em atenção às suas consequências ambientais. Pela ignorância ou indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao ambiente terrestre de que dependem nossa vida e nosso bem-estar. Com mais conhecimento e ponderação nas ações, poderemos conseguir para nós e para a posteridade uma vida melhor em ambiente mais adequado às necessidades e esperanças do homem. São amplas as perspectivas para a melhoria da qualidade ambiental e das condições de vida. O que precisamos é de entusiasmo, acompanhado de calma mental, e de trabalho intenso, mas ordenado. Para chegar à liberdade no mundo da Natureza, o homem deve usar seu conhecimento para, com ela colaborando, criar um mundo melhor. Tornou-se imperativo para a humanidade defender e melhorar o meio ambiente, tanto para as gerações atuais como para as futuras, objetivo que se deve procurar atingir em harmonia com os fins estabelecidos e fundamentais da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. 7 - A consecução deste objetivo ambiental requererá a aceitação de responsabilidade por parte de cidadãos e comunidades, de empresas e instituições, em equitativa partilha de esforços comuns. Indivíduos e organizações, somando seus valores e seus atos, darão forma ao ambiente do mundo futuro. Aos governos locais e nacionais caberá o ônus maior pelas políticas e ações ambientais da mais ampla envergadura dentro de suas respectivas jurisdições. Também a cooperação internacional se torna necessária para obter os recursos que ajudarão os países em desenvolvimento no

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desempenho de suas atribuições. Um número crescente de problemas, devido a sua amplitude regional ou global ou ainda por afetarem campos internacionais comuns, exigirá ampla cooperação de nações e organizações internacionais visando ao interesse comum. A Conferência concita Governos e povos a se empenharem num esforço comum para preservar e melhorar o meio ambiente, em beneficio de todos os povos e das gerações futuras. 3.3 A Conferência de Belgrado, 1975 Em 1975, a UNESCO6, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), bem como obedecendo às recomendações da Conferência de Estocolmo, cria o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). Nesse ano, é lançada a "Carta de Belgrado", buscando uma estrutura global para a educação ambiental. A Carta, afirma que a geração de então testemunhava um crescimento econômico e um processo tecnológico sem precedentes, os quais, ao mesmo tempo em que trouxeram benefícios para muitas pessoas, produziram também sérias consequências ambientais e sociais. Atenta a então recente Declaração das Nações Unidas para uma Nova Ordem Econômica Internacional, que pregava um novo conceito de desenvolvimento o que leva em conta a satisfação das necessidades e desejos de todos os cidadãos da Terra, pluralismo7 de sociedades e do balanço e harmonia entre humanidade e meio ambiente, a Carta de Belgrado entendeu como absolutamente vital que os cidadãos de todo o mundo insistissem a favor de medidas que dessem suporte ao tipo de crescimento econômico que não traga repercussões prejudiciais às pessoas e que não diminuam de nenhuma maneira as condições de vida e de qualidade do meio ambiente, propondo uma nova ética global de
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UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Pluralismo é, num sentido amplo, o reconhecimento da diversidade. 15

desenvolvimento, através, dentre outros mecanismos, da reforma dos processos e sistemas educacionais. Segundo a Carta de Belgrado, organizada pela Unesco é os que:
Governos e formuladores de políticas podem ordenar mudanças e novas abordagens para o desenvolvimento, podem começar a melhorar as condições de convívio do mundo, mas tudo isso não passa de soluções de curto prazo, a menos que a juventude mundial receba um novo tipo de educação. Esta implicará um novo e produtivo relacionamento entre estudantes e professores, entre escolas e comunidades, e entre o sistema educacional e a sociedade em geral.

3.4 A I Conferência de Tbilisi na Geórgia, 1977 Em outubro de 1977, acontece a Primeira Conferência Internacional de Tbilisi, que acontece na Geórgia (ex-URSS) organizada pela Unesco em parceria com o Programa das Nações Unidades para o Meio Ambiente (Pnuma), fortemente inspirada pela Carta de Belgrado e exclusivamente voltada à temática para Educação Ambiental, um evento que contribui favoravelmente para o Programa Internacional de Educação Ambiental, responsável por definir princípios, objetivos, características, estratégias e ações que sejam pertinentes a nível nacional e internacional. Postulou-se na primeira Conferência de Tbilisi8 que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação formal9 e não formal10, e que dela resultarão benefícios para a humanidade. Chegou-se à conclusão de que
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Tbilisi - Capital da República da Geórgia. Educação Formal - São formas de ensino regular da educação, oferecida pelos sistemas formais de ensino em escolas, faculdades, universidades e outras instituições, que geralmente se constitui numa ""escada"" contínua de ensino em tempo integral para crianças e jovens, tendo início, em geral, na idade de cinco, seis ou sete anos e continuando até os 20 ou 25. Educação Não-Formal – São atividades ou programas organizados fora do sistema regular de ensino, com objetivos educacionais bem definidos. 16

a educação deveria, simultaneamente, preocupar-se com a conscientização, a transmissão de informação, o desenvolvimento de hábitos e a promoção de valores, bem como estabelecer critérios e orientações para a solução dos problemas, sendo assim organizar estratégias internacionais para ações no campo da educação e formação ambiental. 3.4.1 A Declaração da Educação Ambiental em Tbilisi de 1977 (objetivos, categorias e princípios) A Declaração de Tbilisi de 1977, a exemplo das manifestações internacionais anteriores, também entendeu que a educação ambiental é o resultado da reorientação e compatibilidade de diferentes disciplinas e experiências educacionais que facilitam a percepção desses problemas relacionados às questões ambientais. Ela propõe proporcionar capacitação para ações suficientes às necessidades sócio-ambientais definindo como objetivos dessa educação ambiental os seguintes: 1) Fomentar plena consciência e preocupação sobre a interdependência econômica, social, política e ecológica nas áreas urbanas e rurais; 2) Proporcionar, conhecimento, a cada pessoa, atitudes, oportunidades de adquirir

valores,

compromisso e habilidades

necessários para proteger e melhorar o meio ambiente; 3) Criar novos padrões de comportamento de indivíduos, grupos e sociedade como um todo em favor do ambiente.

Na elaboração da Declaração de Tbilisi de 1977 esses objetivos foram divididos nas seguintes categorias: 1) Consciência: ajudar grupos sociais e indivíduos a adquirir consciência e sensibilidade para o ambiente e problemas conexos;

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2) Conhecimento: ajudar grupos sociais e indivíduos a ganhar uma variedade de experiências e adquirir uma compreensão básica do ambiente e problemas conexos; 3) Atitudes: ajudar grupos sociais e indivíduos a adquirir um conjunto de valores e sentimentos de preocupação pelo ambiente e motivação para ativamente participarem na melhoria da proteção do ambiente; 4) Habilidades: ajudar grupos sociais e indivíduos a adquirir habilidades para identificar e resolver problemas ambientais; 5) Participação: providenciar para grupos sociais e indivíduos a oportunidade de ser ativamente envolvido em trabalhos para solução de problemas ambientais.

Ainda na Declaração de Tbilisi de 1977 são editados os princípios norteadores da educação ambiental, para o entendimento dos que exararam este importante documento internacional. De acordo com estes princípios a educação ambiental deve: 1) Considerar o ambiente em sua totalidade - natural, artificial, tecnológico e social (econômico, político, histórico-cultural, ético e estético); 2) Ser um processo contínuo ao longo da vida, iniciando-se na préescola e prosseguindo por todos os estágios seguintes, formais e não formais; 3) Ser interdisciplinar em sua abordagem, utilizando o conteúdo específico de cada disciplina para tornar possível uma perspectiva equilibrada e holística;

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4) Examinar as questões ambientais maiores a partir dos pontos de vista locais, nacionais, regionais, e internacionais, para que os estudantes recebam informações sobre as condições ambientais em outras áreas geográficas; 5) Focar em questões ambientais potenciais e atuais sem descontar na perspectiva histórica; 6) Promover o valor e a necessidade da cooperação, local, nacional e internacional, na prevenção e solução de problemas ambientais; 7) Explicitamente considerar os aspectos ambientais em planos para o desenvolvimento e crescimento; 8) Capacitar estudantes a terem um papel no planejamento de suas experiências de aprendizagem e providenciar-lhes oportunidade de tomar decisões e aceitar suas consequências; 9) Relacionar, para todas as idades, sensibilidade ambiental,

conhecimentos, habilidades de solução de problemas e valores, mas com especial ênfase em sensibilidade ambiental para os aprendizes da comunidade em tenra11 idade; 10) Ajudar aprendizes a descobrirem sintomas e causas reais de problemas ambientais; 11) Enfatizar a complexidade dos problemas ambientais, e a necessidade de se desenvolver consciência crítica e habilidades de solução de problemas; 12) - Utilizar diversos ambientes de aprendizagem e uma ampla coleção de métodos educacionais, para que se possa ensinar, aprender sobre, e aprender do ambiente, com a devida atenção em atividades práticas e experiências originais.
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Tenra - escoteiro novato, inexperiente, que em campo dá mostras de não se saber desenrascar nem de trabalhar em equipa. 19

Importa mencionar ainda os seguintes acontecimentos mundiais que contribuíram para a discussão da importância e das políticas de educação ambiental: "Encontro Regional de Educação Ambiental para América Latina" em San José, Costa Rica (1979); "Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para Europa e América do Norte", onde se destacou a importância de intercâmbio de informações e experiências (1980); "Seminário Regional sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes", em Manama, Bahrein (1980); “O Seminário sobre a Energia e a EA” em Monte Carlo, Mônaco, Europa (1981). O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) decreta a Resolução 001/86 para implementação da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) (1986); O Ministério de Educação (MEC) com o seu Plenário do Conselho Federal de Educação aprovam por unanimidade o parecer 226/87 que propõe a inclusão da EA dentro dos conteúdos curriculares das escolas de 1º e 2º graus em (1987); em 1988, especialistas da América Latina, a convite do governo venezuelano, com o apoio do Orpal/Pnuma12, reúnem-se em Caracas para discutir sobre a Gestão Ambiental na América Latina, e, a partir daí, elaborando a Declaração de Caracas. Em fevereiro de 1989 a Lei 7335 cria o Ibama, com a finalidade de formular coordenar e executar a política nacional do meio ambiente. Nota-se que os anos de 1970 e 1980 foram ávidos por discussões regionalizadas em educação ambiental e o desenrolar da política ambiental no Brasil e no mundo.

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Seminário Latino-Americano de Educação Ambiental em Buenos Aires/Argentina – PNUMA e UNESCO em 1988. 20

4 A LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE

4.1 Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº. 9.795/99) Com a aprovação da Lei nº. 9.795, de 27 de abril de 1999 e depois o seu regulamento, o Decreto nº. 4.281, de 25 de junho de 20025, o Brasil é o único país da América Latina que dispõe de uma Política Nacional especificamente para Educação Ambiental. Este é, com certeza, uma grande conquista política que possibilitou esperança, especialmente para os educadores, ambientalistas e professores, pois há muito já se fazia educação ambiental, independente de haver ou não um marco legal. Porém, juntamente com o entusiasmo decorrente da aprovação dessas legislações, vieram inevitáveis indagações: Como elas interferem nas políticas públicas educacionais e ambientais? O direito de todo cidadão brasileiro à educação ambiental poderá ser exigido do poder público e dos estabelecimentos de ensino? Quem fiscaliza e orienta o seu cumprimento? Existe ou deveria existir alguma penalidade para as escolas que não observarem essas legislações? O artigo 225 da Constituição Federal do Brasil promulgado no ano de 1988 estabelece que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”; cabendo ao Poder Público “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

Contemplando este artigo a Lei de nº. 9.795/99, estabelece no país a Política Nacional de Educação Ambiental no qual o seu artigo 4º, inciso II, diz que é um princípio dessa educação “a concepção do meio ambiente, o

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socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade”. Este princípio está amarrado nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o uso da educação ambiental em vários níveis do ensino básico. No ano de 1997, foram divulgados os novos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, desenvolvidos pelo MEC com o objetivo de fornecer orientação para os professores. A proposta é que eles sejam utilizados como “instrumento de apoio às discussões pedagógicas na escola, na elaboração de projetos educativos, no planejamento de aulas e na reflexão sobre a prática educativa e na análise do material didático”. Os PCNs enfatizam a interdisciplinaridade e o desenvolvimento da cidadania entre os educandos, o documento estabelece alguns temas especiais a ser ou discutidos pelo conjunto das disciplinas da escola, não constituindo-se em disciplinas específicas. São os chamados temas transversais que são: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Portanto os PCNs tem a preocupação de relacionar a educação com a vida cotidiana dos alunos, seu meio, sua comunidade, uma ideia inovadora que vem ganhando força nas últimas décadas principalmente nas décadas de 60 e 70 com o crescimento dos movimentos ambientalistas os quais passaram a adotar de forma explicita a expressão “Educação Ambiental” para garantir iniciativas de universidades, escolas, instituições governamentais e não governamentais com o intuito de conscientizar diversos setores da sociedade para as questões voltadas ao meio ambiente. Uma grande iniciativa se deu através da constituição de 1988 quando a educação ambiental se tornou exigência a ser garantida pelo governo federal, estaduais e municipais (artigo 225, & 1º VI)13, entretanto, qualquer política nacional, regional ou local deve levar em consideração essa diversidade riquíssima que compõe esse mosaico natural e deve investir nela e
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Artigo 225, & 1º VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. 22

não degradá-la ou descaracterizar sua beleza. Diante desses fatores a grande tarefa da escola é proporcionar ambiente saudável e coerente possibilitando que os seus alunos trabalhem o meio ambiente em sua complexibilidade e totalidade e que a escola possa contribuir de fato para a formação da sua identidade como cidadão consciente de suas possibilidades com o meio ambiente capazes de exercer atividades de proteção e melhoria em relação às alterações na natureza. Ou seja, devemos levar o educando a compreender a importância de recomposição dos elementos necessários a continuidade das espécies no planeta. É preciso rever os conteúdos para encontrar um objeto de convergência entre as disciplinas fator que, consequentemente, implica na

interdisciplinaridade.
A educação ambiental nesse contexto é um fantástico mecanismo de auxílio na promoção da educação em geral porque se relaciona à Ética, à moral, ao papel das mulheres nas sociedades, à educação pública e gratuita, aos direitos humanos e à solidariedade entre nações entre outros (Sato, 1998).

A educação ambiental em nível de legislação está contida na Lei nº. 6.938/8114 a qual institui a “política nacional do meio ambiente”. A mesma está inserida na forma de educação formal e não formal limitando-a aos aspectos ecológicos e de conservação. A partir de 1988 a legislação ordinária estabeleceu como incumbência do poder público: promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (artigo 225, & 1º VI). A educação ambiental primeiramente ficou subordinada ao poder público ao invés de ser objeto de trabalho do sistema educativo (CNUMAD, 1991)15.

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Lei 6938/81 - Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 23

Na década de 70 ocorria no país as primeiras experiências pioneiras da educação ambiental, sempre reservada aos aspectos ecológicos, já na década de 80 a educação ambiental passou por um período de reestruturação, redefinições, expansão e consolidação. O Conselho Federal de Educação indicou que a temática ambiental possuía caráter multidisciplinar, fator que implica na dissolução das matérias já elaboradas pelos conselhos estaduais da educação. Neste sentido foi possível observarem a inserção da relevância política como estratégia no desenvolvimento da educação ambiental. Nota-se a proliferação de associações ambientalistas e de outras formas de organização civis, buscando ampliação da educação ambiental nos tipos formal e não formal. 4.1.1 Decreto nº. 4.281/2002 que regulamenta a Política Nacional de Educação Ambiental A Política Nacional de Educação Ambiental, chegará a publicação da mais recente e mais importante lei para a Educação Ambiental, pois ela define os princípios relativos à Educação Ambiental que deverão ser seguidos em todo o País. Essa Lei foi regulamentada em 25 de junho de 2002, através do Decreto n.º 4.281. A lei estabelece que todos têm direito à educação ambiental. Vê a Educação Ambiental como um “componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”. Nas escolas, a educação ambiental deverá estar presente em todos os níveis de ensino, como tema transversal, sem constituir disciplina específica, como uma prática educativa integrada, envolvendo todos os professores, que deverão ser preparados para incluir o tema nos diversos assuntos tratados em sala de aula.

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A dimensão ambiental deve ser incluída em todos os currículos de formação dos professores. Os professores em atividade deverão receber formação complementar com isso a lei que institui a “Política Nacional de Educação Ambiental”, determina os princípios básicos da educação ambiental. Nos seguintes artigos 16 a 19 da Lei 9795/99:
Art. 16. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, na esfera de sua competência e nas áreas de sua jurisdição, definirão diretrizes, normas e critérios para a educação ambiental, respeitados os princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental. Art. 17. A eleição de planos e programas, para fins de alocação de recursos públicos vinculados à Política Nacional de Educação Ambiental, deve ser realizada levando-se em conta os seguintes critérios: I - conformidade com os princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional de Educação Ambiental; II - prioridade dos órgãos integrantes do SISNAMA do Sistema Nacional de Educação;
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e

III - economicidade , medida pela relação entre a magnitude dos recursos a alocar e o retorno social propiciado pelo plano ou programa proposto. Parágrafo único. Na eleição a que se refere o caput deste artigo, devem ser contemplados, de forma eqüitativa, os planos, programas e projetos das diferentes regiões do País. Art. 18. (VETADO) Art. 19. Os programas de assistência técnica e financeira relativos a meio ambiente e educação, em níveis federal, estadual e municipal, devem alocar recursos às ações de educação ambiental.

16 17

SISNAMA – Sistema Nacional de Meio Ambiente. Economicidade - Dimensão do desempenho de uma entidade pública ou privada, relativa à minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução de uma atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade. 25

4.2 Fundamentação e legislação para a Sustentabilidade ou Desenvolvimento Sustentável Sustentabilidade ou Desenvolvimento Sustentável são conceitos aparentemente simples, que está sendo bastante utilizada ultimamente nestes tempos em que o ser humano percebeu que preservar é a salvação para todos nós, é necessário enfrentar a crise ecológica, se quisermos que nossas futuras gerações consigam desfrutar de um ar puro, de um banho de rio onde ele possa beber água na nascente (há quanto tempo você não ouve falar em alguém que bebe água na nascente quando vai a uma cachoeira?) dessa fauna e flora magnífica que possuímos em nosso território. Entretanto, temos difíceis desafios à sua aplicabilidade em nossa sociedade mesmo sabendo que este conceito sustentabilidade ou

desenvolvimento sustentável são fundamentos chave para implementação da educação ambiental. A concepção desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade tem seu embasamento fixo na Conferência das Nações Unidades sobre Meio Ambiente Humano, acontecido em Estocolmo, Suécia, em junho de 1972. Suas bases envolvem o crescimento econômico contínuo através do tempo, um crescimento benevolente ao ambiente e que contemple, ao mesmo tempo, dimensões culturais e socioeconômicas. Assim existem várias tentativas de definir sustentabilidade, apresentamos uma delas: Sustentabilidade pode ser definida como sendo a utilização do nosso entorno físico de tal forma que suas funções vitais sejam indefinidamente preservadas para as próximas gerações. Já o desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez no documento Estratégia de Conservação Global (World Conservation Strategy), publicado pela World Conservation Union, em 1980. Foi a partir da publicação do Relatório pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU o “Nosso Futuro Comum” em 1987, conhecido também como Relatório

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Bruntland, que o termo passou a ser conhecido mundialmente. De acordo com este documento o “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (World Commission on Environment and Development, 1987). A Agenda 21, documento operacional da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - ECO 92 realizada no Rio de Janeiro, define desenvolvimento sustentável como sendo “um desenvolvimento com vistas a uma ordem econômica internacional mais justa, incorporando as mais recentes preocupações ambientais, sociais, culturais e econômicas”. Esse conceito tornou-se um dos mais utilizados em trabalhos de pesquisas relacionadas ao meio ambiente, como na educação ambiental, em planos de manejo, entre outros. Também é muitas vezes utilizado em slogans de grandes empresas que arrumaram uma forma fácil de arrebanhar mais clientes colocando em suas propagandas árvores crescendo no meio de campos desnudos. Enfim, só colocando dinheiro no meio para esse pessoal olhar para a Natureza mesmo. De acordo com a Lei 9.985/2000 que regulamenta o artigo 225 da Constituição Federal e institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, o uso sustentado nada mais é que: “exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável”. O Brasil com sua gente, história, cultura, território e recursos naturais, vem sendo uma vitrine para o mundo. Tudo o que aqui acontece marca a história do ambiente, da legislação e da sustentabilidade. O meio ambiente objeto de intensa exposição nos meios de comunicação tem sido apresentado como um cenário de desafios para a humanidade. O

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aproveitamento das riquezas deste país vem montar uma cena de alta complexidade, posto que envolva o ar, a água, o solo e sub-solo, a biodiversidade, o clima, a cobertura vegetal, a paisagem, a produção de papel e celulose, de energia e o comportamento humano, entre outros. Neste contexto temos que considerar: • A legislação ao estabelecer limites, (direitos, obrigações e penalidades) fortalece o princípio da sustentabilidade. • Um cenário de circunscrição18 de ação antrópica19, tem desejado intenso debate de forças representativas no jogo democrático e mais recentemente no âmbito da Constituição Federal de 1988 que insere um capítulo ao meio ambiente e estabelece a responsabilidade de todos no trato da questão ambiental em nosso Brasil. • O atual modelo que permite ao Estado adotar a sua política ambiental e ou florestal já estava definido na Constituição de 1934, muito embora quase pouca aplicabilidade teve pelas unidades federadas em face da escassez de recursos financeiros. Assim, a Constituição de 1988 retoma a ordem constitucional de 52 anos atrás neste quesito de divisão de poderes. • A sustentabilidade que se conhece quer preservar os valores sócios culturais e recursos naturais, visando qualidade de vida e perenidade20 das matérias primas bem como o lucro. O esforço é significativo e as melhores práticas à luz deste princípio da sustentabilidade ainda requerem acompanhamento e busca de novos paradigmas.
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Circunscrição – O ato ou efeito de circunscrever; divisão administrativa, militar, eleitoral ou eclesiástica de um território. Antrópica - Ação, o ato ou o resultado da atuação humana sobre a natureza. Perenidade - qualidade daquilo que é perene ² Perene - que dura por um tempo indefinidamente longo. 28

A sustentabilidade de um empreendimento apresenta as faces, social, ecológica, econômica, espacial, político institucional e cultural, que requer uma comunhão de propósitos da própria corporação, do governo e da sociedade.

Sustentabilidade social: ancorada no princípio da equidade na distribuição de renda e de bens, no princípio da igualdade de direitos a dignidade humana e no princípio de solidariedade dos laços sociais.

Sustentabilidade ecológica: ancorada no princípio da solidariedade com o planeta e suas riquezas e com a biosfera que o envolve.

Sustentabilidade econômica: avaliada a partir da sustentabilidade social propiciada pela organização da vida material.

Sustentabilidade

espacial:

norteada

pelo

alcance

de

uma

equanimidade21 nas relações inter-regionais e na distribuição populacional entre o rural/urbano e o urbano. • Sustentabilidade político-institucional: que representa um prérequisito para a continuidade de qualquer curso de ação ao longo prazo. • Sustentabilidade cultural: modulada pelo respeito à afirmação do local, do regional e do nacional, no contexto da padronização imposta pela globalização.

Para a compreensão dessa sustentabilidade, apresentaremos alguns artigos de Legislação Constitucional no Capítulo do Meio Ambiente diz a respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (lei 6.938, de 31 de agosto de 1981). Essa Legislação tem como objetivo a “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País,
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Equanimidade - a qualidade de ser equânime ou imparcial. 29

condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses de segurança nacional e à proteção da dignidade humana”. Segundo (Afonso, 2006), para conseguir este objetivo, a lei estabeleceu vários instrumentos: • • • • O estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; O zoneamento ambiental; A avaliação de impactos ambientais; O licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; • Os incentivos à proteção e instalação de equipamentos, além de criação ou absorção de tecnologia voltada para a melhoria da qualidade ambiental; • A criação de espaços territoriais especialmente protegidos tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas, tanto pelo Poder Público Federal, quanto Estadual ou Municipal; • • O sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; O cadastro técnico federal de atividades e instrumentos de defesa ambiental; • As penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à conservação do ambiente natural ou à recuperação de áreas degradadas; • A instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Ibama; • A garantia da prestação de informações relativas ao meio ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzir as informações ainda inexistentes; • O cadastro técnico federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos naturais.
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A Política Nacional do Meio Ambiente também instituiu o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) para estruturar os órgãos públicos responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. O Sisnama é constituído por um órgão superior (Conselho de Governo); um órgão consultivo e deliberativo (Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama), responsável pela proposição de diretrizes e formulação de normas e padrões ambientais federais; um órgão central (Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República) e um executor (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - Ibama); além de órgãos setoriais, seccionais e locais, responsáveis por programas e projetos específicos ou de caráter local. Em 1992, a Secretaria Federal do Meio Ambiente e o Ibama foram agrupados no Ministério do Meio Ambiente, agora responsável pela execução e fiscalização da política ambiental no país. Além do Artigo 225 já citado anteriormente, a Legislação Brasileira apresenta também alguns artigos que garantam a sua aplicabilidade do meio ambiente que é para todos de modo que as futuras gerações também sejam beneficiadas com os recursos naturais. Conforme estabelecido no:
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa

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degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-seá, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.

O artigo 23 define a competência comum da União, Estados e Municípios para proteção ambiental enquanto que o artigo 24 define a competência legislativa concorrente da União, Estados e Municípios sobre matéria ambiental. O artigo 170, inciso VI, trata da ordem econômica e social baseada na defesa do meio ambiente.
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Vejamos o teor dos artigos abaixo: Artigo 184 – trata da desapropriação por interesse social. O artigo 186 – considera a preservação ambiental como função social da propriedade. O artigo 188 – estabelece critérios para a propriedade rural cumprir com a função social. O artigo 23 estabelece que a preservação do meio ambiente é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e ainda estabelece como atribuições destes segmentos em cada um dos incisos.
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;

O Parágrafo Único estabelece que a Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: V - produção e consumo; VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

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§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário a Lei Constitucional.

Em suma, estes são alguns dos artigos, incisos e parágrafos da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente que estabelece as diretrizes no que diz respeito às questões ambientais. O grande desafio é fazer cumprir as determinações nela colocadas. Este é uma tarefa que cabe a todos e as escola tem um papel fundamental no sentido de orientar os alunos para que não apenas conheçam a lei, mas, que estejam efetivamente sensibilizados para as questões relacionados os problemas ambientais.

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5 FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

5.1 O que é Educação Ambiental? Para EA22 existem várias definições, dentre ela destacamos a do Congresso de Belgrado, organizado pela UNESCO em 1975, que coloca que a educação ambiental é um processo que visa a:
[...] formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permite trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam [...]. (MARCATTO, CELSO. 2002).

Portanto de acordo com os autores citados; a Educação Ambiental é um processo participativo de todos, onde o aluno assume o papel de elemento central desse processo de ensino/aprendizagem, participando ativamente das problemáticas ambientais em busca de soluções ao problema, sendo preparado como agente transformador, através de habilidades e formação que conduzem a mudanças de atitudes, através de uma conduta ética, proporcionando a cidadania. Segundo Gadotti (2000) a cidadania tem um papel na construção de uma sociedade cidadã. Para este autor, cidadania implica:
[...] tratar do tema da autonomia da escola, de seu projeto político-pedagógico, da questão da participação, da educação para a cidadania. Dentro desta categoria, pode-se discutir particularmente o significado da concepção de escola cidadã e de suas diferentes práticas. Educar para a cidadania ativa tornou-se hoje projeto e programa de muitas escolas e de sistemas educacionais.
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Educação Ambiental 35

Entretanto, se o exercício da cidadania exige que tenhamos um comportamento indissociável23 do meio ambiente e de sua preservação porque os homens continuam desmatando as florestas? Porque a fauna segue sendo sacrificada e os recursos hídricos sendo a cada dia mais poluído? Pois bem, falase tanto de cidadania, mas cremos que muitos não sabem o que é realmente ser um cidadão. Salienta-se que muitos não têm exercido o papel de cidadãos, devido ao sistema capitalista que, por sua vez, através do processo de globalização, tem caracterizado a perda da identidade, ou seja, as pessoas não têm cultura de preservação e isso independente do lugar em que vive, sendo este preservado ou não. Nas últimas décadas houve grande crescimento do conhecimento humano, promovendo amplo desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Do mesmo modo ocorrem mudanças nos valores e modos de vida da humanidade com o surgimento do processo industrial e o crescimento das cidades, e isto que provocou o aumento do uso de recursos naturais na produção de resíduos24. Esses fatos geraram profundas mudanças na cultura da sociedade, afetando principalmente a percepção do ambiente pelos seres humanos, que passaram a vê-lo como objeto único e exclusivo para atender suas vontades, sem nenhuma preocupação em estabelecer limites e critérios ao seu consumo. Vale salientar que a aplicabilidade da EA nessa sociedade tão egoísta e consumista não é fácil, entretanto todos desejam morar em lugar com melhor infra-estrutura, mais pacífico, fraterno e ambientalmente correto. Porém, nem sempre encontramos pessoas dispostas a abraçar a causa ambiental, é preferível reclamar que a obrigação é dos sistemas e dos governantes do que colocar a mão
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Indissociável - Contrário de dissociável; aquilo que não pode ser separado. Uma visão que é indissociável e quando se tenta tangenciar a questão semântica o resultado costuma ser desastroso. 24 Lixo – resíduos sólidos 36

na massa e fazer sua parte como cidadão que tem deveres e direitos a serem postos em ação. Este quadro, não demorou trazer as consequências dessa cultura moderna desenfreada: surgem os problemas ambientais que por sinal afetam diretamente ou indiretamente a qualidade de vida. Por esse motivo fica claro que há uma crise de relações entre a humanidade e o meio ambiente. Toda essa preocupação fez com que surgissem movimentos

ambientalistas, exigindo soluções e mudanças. Na década de 1960, com os movimentos culturais e sociais, surge também o movimento ecológico que trazia em uma de suas propostas a propagação da educação ambiental como principal ferramenta das mudanças entre o homem e a natureza. Enfim essa educação surge como resposta à preocupação da sociedade com o futuro do planeta Terra e a continuidade da vida. A principal proposta é a superação da dicotomia25 entre sociedade e natureza, oportunizando mudanças de atitude ecológica das pessoas. Um dos fundamentos é a visão socioambiental, que contemple o meio ambiente como um espaço de relações, no campo de interações culturais, sociais e ambientais. Segundo Encarnação (2007) no que se refere à Educação Ambiental:
[...] Também é possível afirmar que a educação ambiental por ser essencialmente problematizadora deve sempre estar articulada com o contexto social, cultural, histórico, político, econômico e ideológico, a fim de que não caia na visão dual que separa as dimensões do social e do natural. A proposta ambiental não pode se dissociar da luta por justiça, igualdade social e equidade.

Ressalva-se que, nem sempre as interações da humanidade com a natureza são nocivas, porque existe um co-pertencimento, uma co-evolução
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Dicotomia - Método de classificação em que cada uma das divisões e subdivisões não contém mais de dois termos. 37

entre o homem e seu meio. Co-evolução é a ideia de que a evolução é fruto das interações entre a natureza e as diferentes espécies, e a humanidade também faz parte desse processo. O processo educativo proposto pela Educação Ambiental objetiva à formação de sujeitos capazes de compreender o mundo e agir nele de forma crítica - consciente. Sua meta é a formação de sujeitos ecológicos. Segundo Carvalho uma educação que garanta a sua aplicabilidade é um desafio para a humanidade presente de modo que possa promover qualidade de vida e recursos naturais para o futuro.
A EA fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma, estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com o ambiente. Esse processo de aprendizagem, por via dessa perspectiva de leitura, dá-se particularmente pela ação do educador como intérprete dos nexos entre sociedade e ambiente e da EA como mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas éticas diante do mundo. (Carvalho, 2004).

Então para ser educador é preciso resgatar essa cultura local, incentivando a percepção do aluno sobre os problemas que também fazem parte de sua vida e que ele possa lutar para a melhoria no seu espaço. Importa reconhecer que esses problemas já se fazem presentes na vida de toda a humanidade, a preocupação com essas causas não é somente para a área da educação, mas sim para toda a sociedade. 5.2 Características da Educação Ambiental Levando-se em consideração os princípios da Conferência de Tbilisi que apresenta as atividades práticas da Educação Ambiental que assumem caráter

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social renomeia-se a Educação Socioambiental, propondo as seguintes características: • Dinâmico Integrativo: é um processo dinâmico permanente no quais os indivíduos e a comunidade toma consciência de seu meio ambiente e adquirem o conhecimento, os valores, as habilidades, as experiências e a determinação que os tornam aptos a agir – individual e coletivamente – e resolver problemas ambientais. • Transformadora: com a criação de uma nova visão das relações do Homem com o seu meio e a adoção de novas posturas individuais e coletivas em relação ao ambiente, a aquisição de conhecimentos, competências habilidades que são capazes de induzir a mudança de atitudes voltada para um mudo sustentável. • Participativa: atua na sensibilização e conscientização do cidadão, estimulando a participação individual nos processos coletivos. • Abrangente: extrapola as atividades internas da escola tradicional; deve ser oferecida continuamente em todas as fases do ensino formal, envolvendo ainda a família e a coletividade. A eficácia virá, na medida em que sua abrangência vai atingindo a totalidade dos grupos sociais. • Globalizadora: capaz de considerar o ambiente em seus múltiplos aspectos e atuar com visão ampla de alcance local, regional e global. • Permanente: uma vez alcançada, a mudança de atitude tem um caráter permanente, pois a evolução do senso crítico e a compreensão da complexidade dos aspectos que envolvem as questões ambientais se dão de modo crescente e contínuo, não se justificando sua interrupção.

39

Contextualizadora: deve atuar diretamente na realidade de cada comunidade, sem perder de vista a sua dimensão planetária. (“Pensar globalmente e agir localmente”).

As características da educação ambiental definidas na Conferência de Tbilisi na Geórgia, nos leva a crer que há mais uma, recentemente incorporada entre as características que a EA formal deve ter no Brasil: • Transversal: propõe-se que as questões ambientais não sejam tratadas como uma única disciplina, mas poderá permear todos os conteúdos, objetivos e orientações didáticas em todos os níveis e disciplinas que compõem o currículo. Essa educação ambiental é um dos temas transversais dos PCNs do Ministério da Educação e Cultura. 5.3 Princípios, objetivos e finalidades da Educação Ambiental Princípios Apresentaremos neste tópico, os princípios que foram compilados pelos participantes do Fórum Global, evento que ocorreu durante a Conferência da ONU26 sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio de Janeiro, em 1992 (Rio-92). Os princípios da Educação Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global estabelecem que: 1. A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e educadores. 2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.
26

ONU – Organização das Nações Unidas 40

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações. 4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social. 5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar. 6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas. 7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e interrelações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos humanos, democracia, fome, degradação da flora e fauna, devem ser abordados dessa maneira. 8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas. 9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, linguística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos27, até de estimular a educação bilíngue. 10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de

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Define uma cultura como a melhor, a certa, tendo uma visão preconceituosa e egocêntrica. 41

base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos. 11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado. 12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana. 13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais. 14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores. 15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis. 16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

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Objetivos

Sensibilização: processo de alerta, é o primeiro passo para alcançar o pensamento sistêmico;

Compreensão: conhecimento dos componentes e dos mecanismos que regem os sistemas naturais;

Responsabilidade: reconhecimento do ser humano como principal protagonista;

• •

Competência: capacidade de avaliar e agir efetivamente no sistema; Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente e a sociedade.

A Educação Ambiental, como componente essencial no processo de formação e educação permanente, com uma abordagem direcionada para a resolução de problemas, contribui para o envolvimento ativo do público, torna o sistema educativo mais relevante e mais realista e estabelece uma maior interdependência entre estes sistemas e o ambiente natural e social, com o objetivo de um crescente bem estar das comunidades humanas. Se existem inúmeros problemas que dizem respeito ao ambiente, isto se deve, em parte, ao fato das pessoas não serem sensibilizadas para a compreensão do frágil equilíbrio da biosfera e dos problemas da gestão dos recursos naturais. Elas não estão e não foram preparadas para delimitar e resolver de um modo eficaz os problemas concretos do seu ambiente imediato, isto porque, a educação para o ambiente como abordagem didática ou pedagógica, apenas aparece nos anos 80. A partir desta data os alunos têm a possibilidade de tomar consciência das situações que acarretam problemas no seu ambiente próximo ou para a biosfera em geral, refletindo sobre as suas causas e determinar os meios ou as ações apropriadas na tentativa de resolvê-los.

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Finalidades

Quanto às finalidades da EA, na medida em que o processo educativo oportuniza o envolvimento dos diferentes sujeitos na construção de políticas para a gestão dos resíduos, estes têm a possibilidade de conhecer e passar a perceber o problema ambiental e social produzido no ambiente institucional, refletir sobre suas ações, produzir conhecimentos e juntos discutirem e decidirem metas para a solução dessa questão. Assim ela pode apresentar alguns pontos importantes de sua participação e ações desenvolvidas: • Ajudar a fazer e compreender claramente, a existência da interdependência econômica, social, política e ecológica, no que tange ao campo ou cidade; • Proporcionar, a todas as pessoas, a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, as atitudes, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente; • Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a respeito do meio ambiente.

Para Loureiro (2006) a finalidade da educação ambiental ou de qualquer processo que possa se firmar como educativo é:
[...] assumir a emancipação para a transformação dos sujeitos, o que significa a construção de sua autonomia e liberdade. Autonomia significa estabelecer condições de escolhas, ou seja, em que os sujeitos – individual e coletivo – não sejam dependentes para conhecer e agir, posto que para uma mudança efetiva de uma dada realidade, somente aqueles que fazem parte de tal situação, podem ser os portadores da transformação. Autonomia é uma condição incompatível com a coerção, mas exige organização coletiva para que se viabilize. E a

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liberdade está nas relações que mantemos conosco e com o outro, pois pressupõe a certeza de que somos seres que nos formamos coletivamente. Temos responsabilidades para com os demais, nos constituímos na relação “euoutro” (nós) e compartilhamos o mesmo planeta. Um processo educativo que se afirme como emancipatório, as relações se pautam por igualdade, pelo respeito à diversidade, pela participação e autogestão. A prática emancipatória se define pela ação e construção dialógica com o outro, em que este outro se coloca e, de fato, está em condições igualitárias de conhecer, falar, se posicionar, decidir, desejar.

5.4 A Educação Ambiental na escola e como desenvolvê-la A escola é o espaço social e o local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização. O que nela se faz, se diz, e se valoriza representa um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis. Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, a escola deverá oferecer meios efetivos para que cada aluno compreenda os fenômenos naturais, as ações humanas e sua consequência para consigo, para sua própria espécie, para os outros seres vivos e o ambiente. É fundamental que cada aluno desenvolva as suas potencialidades e adote posturas pessoais e comportamentos sociais construtivos, colaborando para a construção de uma sociedade socialmente justa, em um ambiente saudável. Com os conteúdos ambientais permeando todas as disciplinas do currículo e contextualizados com a realidade da comunidade, a escola ajudará o aluno a perceber a correlação dos fatos e a ter uma visão holística, ou seja, integral do mundo em que vive. Essa educação, deve ser abordada de forma sistemática e transversal, em todos os níveis de ensino, assegurando a presença

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da dimensão ambiental de forma interdisciplinar nos currículos das diversas disciplinas e das atividades escolares. A fundamentação teórico/prática dos projetos ocorrerá por intermédio do estudo de temas geradores que englobam palestras, oficinas e saídas a campo. Esse processo oferece subsídios aos professores para atuarem de maneira a englobar toda a comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para resgatar a história da área para, enfim, conhecer seu meio e levantar os problemas ambientais. Os conteúdos trabalhados serão necessários para o entendimento dos problemas e, a partir da coleta de dados se procederá, à elaboração de pequenos projetos de intervenção. Considerando a Educação Ambiental um processo contínuo e cíclico, o método utilizado pelo Programa de Educação Ambiental para desenvolver os projetos e os cursos de capacitação de professores conjugam os princípios gerais básicos da Educação Ambiental (Smith, apud Sato, 1995).

A educação ambiental nas escolas visa uma mudança de comportamento frente ao ambiente e o desenvolvimento de uma compreensão integrada em suas

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múltiplas e complexas relações como já dito. Isso envolve aspectos ecológicos psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos. O Estado deve garantir a democratização e fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática socioambiental, o incentivo à participação individual e coletiva, permanentemente e deve ser responsável pela preservação e equilíbrio do meio ambiente como um valor inseparável do exercício da cidadania e que deve estar inserida nos currículos escolares. 5.5 A importância da Educação Ambiental É necessário criar formas estratégicas para enfrentar a problemática ambiental que possam surtir efeito desejado no processo de construção de uma sociedade sustentável, promovendo articulação coordenada entre todas as etapas de intervenção ambiental, inserindo neste contexto as ações de educação ambiental de modo que medidas políticas, jurídicas, institucionais e econômicas sejam direcionadas à proteção condicionando a recuperação e a melhoria socioambiental. Perante essa consignação das necessidades de construir pilares das sociedades sustentáveis, os processos sociais modernizam-se para reunir a dimensão ambiental e suas respectivas especificidades, conduzidos por meios adequados para colocar a transição societária na promoção da sustentabilidade. 5.5.1 Desafios e Perspectivas da Educação Ambiental Historicamente as perspectivas e desafios da educação ambiental em suas premissas teóricas, trazem um diálogo de saberes que foi construindo uma relação dos conhecimentos entre a educação e o meio ambiente em função das dimensões múltiplas de valores que dizem respeito ao campo da construção teórica. A sua apropriação por diferentes formadores educacionais do campo da

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ciência

ambiental,

vem

promovendo

uma

nova

transversalidade

de

conhecimentos, um novo modo de pensar, pesquisar e elaborar saberes, que por sua vez permite relacionar esse conhecimento teórico com a prática. Entretanto o que temos visto na realidade é um contexto de fragmentação dos saberes, do conhecimento descontextualizado que não possibilita uma visão da integração dos fatores sociais, econômicos, culturais e políticos que envolvem a questão ambiental, a falta de valores éticos como a cooperação, a responsabilidade sobre a qualidade das relações humanas e do ambiente que devemos deixar para as gerações futuras. Enfim, a ciência tem legitimado o modelo de desenvolvimento vigente. Portanto esse novo paradigma deve incorporar-se à ciência, para promover a construção de novos valores, os quais possam conduzir a uma nova perspectiva de desenvolvimento: o desenvolvimento que leve a sustentabilidade, cujo conceito surge como alternativa de enfrentamento da crise sócio ambiental, tendo em vista que a considera em sua totalidade e complexidade. Propõe a reconstrução de valores, de responsabilidades éticas que promovam a justiça social, a democracia, a cidadania, a preservação da biodiversidade, diminuição da pobreza, enfim, que promova condições que garantam à humanidade viver com dignidade e que assegure condições de sobrevivência às gerações futuras. Para Gadotti (2000) a sustentabilidade está inserida na economia e educação:
O tema da sustentabilidade originou-se na economia "desenvolvimento sustentável" e na ecologia, para se inserir definitivamente no campo da educação, sintetizada no lema "uma educação sustentável para a sobrevivência do planeta". O que seria uma cultura da sustentabilidade? Esse tema deverá dominar muitos debates educativos das próximas décadas. O que estamos estudando nas escolas? Não estaremos construindo uma ciência e uma cultura que servem para a degradação/deterioração do planeta? (Gadotti, 2000)

48

Isto nos mostra que o ensino da educação ambiental apresenta essa grande dificuldade, mas continua sendo um desafio. O referido ensino tem avançado no sentido de que diferentes áreas do conhecimento tem despertado para a construção de projetos coletivos que ao serem levados às comunidades, permitem uma discussão mais ampla das questões tratadas. O meio ambiente tem se destacado como eixo articulador em vários desses projetos. Percebemos que a Educação Ambiental embora se depare com as incertezas produzidas por um longo processo histórico de construção cultural e científica, se apresenta como um instrumento muito importante para a consolidação de um estilo de desenvolvimento que seja realmente sustentável, democrático, com igualdade de oportunidades, respeito à diversidade biológica e cultural. 5.5.2 Aplicabilidade desse conceito na escola Quanto à aplicabilidade do conceito de educação ambiental na sala de aula não é fácil. Segundo Reigota (2007) a EA é uma proposta que altera profundamente a educação que conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão de conhecimentos sobre ecologia. Trata-se de uma educação que visa não só a utilização racional dos recursos naturais, mas basicamente a participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre as questões ambientais. Essa educação ambiental deve estabelecer uma “nova aliança”28, entre o homem e a natureza, uma maneira de adaptar o conceito de razão e não uma forma de autodestruição e assim estimular as relações entre o ético, político,
28

[...] citadas novas proposições restringem a possibilidade da previsão, para o ser humano, dos efeitos desse incessante “aperfeiçoamento” das descobertas científicas. Sendo assim, a especificidade do planeta Terra, no cosmos, nos alerta para o acerto da “nova aliança” de que fala (VASCONCELOS apud PRIGOGINE e STENGERS, 1984) 49

econômico e social de cada sociedade. Deve basear-se em diálogo que forma uma tripla cidadania conforme as gerações e culturas, podendo ser de âmbito local, regional, nacional e internacional. Segundo Encarnação (2007) que o:
Um enfoque progressista para a educação ambiental deve subentender um verdadeiro diálogo com a cidadania visando a consolidação da democracia, a eliminação da sociedade de risco e da exploração capitalista sobre o trabalho, criando e sustentando valores éticos, instituições e movimentos sociais que lutem por erigir e manter uma sociedade ambientalista dentro dos padrões da sustentabilidade.

Acredita que essa proposta da nova aliança não vê somente a apropriação do conhecimento científico que é de fundamental importância, um aprender por toda a comunidade escolar. Propõe que não é somente a teoria, conteúdos e formula científica, e sim um aprendizado do olhar, aprender a ler e interpretar, entender a ciência como meio de mudanças e exercícios que interagem com a arte e com os diversos conhecimentos da comunidade. Para a contribuição da Educação Ambiental para as mudanças desses conceitos da natureza para a sociedade que vivemos não podemos somente analisar a prática pedagógica que seja democrática ou criativa, o importante é manter com o aluno e professor, o diálogo e dessa forma ligar-se com a comunidade a qual faz parte, do meio que vive e assim ouvi-los de suas necessidades e problemas e assim traçar uma meta e buscar estabelecer um objetivo comum que possibilite determinar um plano de ação e estudar o local do qual o mesmo faz parte do meio.

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Essa pedagogia dialógica29 tem por fim a possibilidade de desenvolver um papel político, exercício fundamental para enfrentar os desafios e conflitos e não formar alunos para ser conta dos iluminados, mas que possam ser verdadeiros cidadãos e resolver não só os seus problemas pessoais, mas também as dificuldades que a comunidades enfrentam em seu entorno. Isto faz com que não haja uma educação elitista, que corta todos os princípios de defendidos pela pedagogia dialógica. Impende que a educação seja boa somente para algumas partes da sociedade, mas que se comprometa em trazer soluções para os problemas sócio-ambientais, tanto para os pobres, como os mais abastados da sociedade capitalista. O desafio dessa educação ambiental é sair da simplicidade e do conservadorismo que trata somente da biologia, geografia ou outras disciplinas afins. Através dela nos responsabilizamos com a política que consiste obrigatoriamente em resolver ou trazer alternativas que amenizam os problemas ambientais e sociais da humanidade.

29

O diálogo é um instrumento fundamental na teoria e na prática freirianas. Para Paulo Freire, sem ele, o processo de humanização não pode ocorrer, porque os homens e mulheres só se completam na busca permanente da plenitude – nunca alcançada – e essa busca é sempre dialógica, em dois níveis: diálogo entre seres em processo comungado de conscientização e diálogo deste coletivo com o mundo. (RAMÃO, 2002).

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6 SUBSÍDIOS À EDUCAÇÃO AMBIENTAL E À SUSTENTABILIDADE

6.1 A Conferência Internacional de Moscou, 1987 O Congresso de Moscou (1987) sugeriu, após dez anos, a realização de outro congresso internacional sobre Educação Ambiental, para dar consonância a essa educação que deveria simultaneamente, preocupar-se com a promoção da conscientização, transmissão de informações, desenvolvimento de hábitos e habilidades, promoção de valores e assim estabelecer prioridades e os meios de ação para um plano na Educação conseguindo formação ambiental, para a primeira década do século XXI. Para tanto, foram propostas modificações comportamentais nos campos cognitivo e afetivo, através das atividades de sala de aula e atividades de campo, com ações orientadas em projetos e em processos de participação que traz autoconfiança, atitudes positivas e comprometimento pessoal com a proteção ambiental, buscando sempre a interdisciplinaridade. A Conferência de Moscou estabeleceu o objetivo de promover a educação ambiental através do desenvolvimento de currículo e de materiais didáticos nas seguintes ações: a) intercâmbio de informações sobre desenvolvimento de currículo; b) desenvolvimento de um modelo curricular (protótipo); c) desenvolvimento de novos recursos instrucionais, nisto não deixando as formas didáticas tradicionais, mas procurando desenvolver novos recursos e conhecimentos que são capazes de promover uma verdadeira conscientização no que se refere aos problemas ambientais; d) promoção de avaliação de currículos.

52

Em

dezembro

de

1997

tentaram

realizar
30

a

Conferência

Intergovernamental de Educação Ambiental em Thessaloniki que por sua vez não foi possível, pois diversos países realizaram as suas próprias conferências nacionais, coincidindo com a mesma. Portanto todas as posições vêm sendo ampliadas e difundidas nas reuniões e isto tem permitido ver que não é suficiente para incorporar as variáveis ambientais como uma única aprendizagem de área de conhecimento ou disciplina escolar, por que isso impossibilita o tratamento de forma integral dos conteúdos. As conferências de Moscou e Thessaloniki de educação ambiental foram fundamentais para fortalecer a Conferência de Tbilisi, adaptando-o às novas problemáticas, mediante o fomento da investigação e a aplicação de modelos eficazes de educação, formação e informação em matéria de meio ambiente; da conscientização generalizada das causas e efeitos dos problemas ambientais; do reconhecimento da necessidade de adotar um enfoque integrado para resolver os problemas ambientais; da formação em diferentes níveis, dos recursos humanos necessários para uma gestão racional do meio ambiente, com a perspectiva de um desenvolvimento sustentável em nível, regional, nacional e mundial. 6.2 Relatório de Brundtland (Nosso Futuro Comum) Em Abril de 1987 foi publicado o relatório organizado pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento, das Nações Unidas, denominado de “O Nosso Futuro Comum” que mais tarde resultou na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) ocorrido no Rio de Janeiro. Esta por sua vez, marca uma agenda planetária e
30

Tessalônica, Grécia em 1998 – um documento final da conferência que “Educação para um futuro sustentável”, uma visão transdisciplinar para ações compartilhas. DIAS (2004). 53

resulta um extenso documento à procura de soluções para um dilema cada dia mais preocupante: crescimento econômico versus defesa do planeta, economia mundial e proteção dos recursos naturais. O relatório denominado “O Nosso Futuro Comum” teve como objetivo facilitar os diagnósticos e resultou em numerosos documentos de alerta, um deles o estudo sobre “Os Limites do Crescimento” que a partir da década de 1970 vem pedindo atenção para a crescente degradação do meio ambiente, provocando esgotamento dos recursos naturais, contaminações por agrotóxicos, poluições atmosféricas, aumento dos grandes centros urbanos, e grandes ameaças do futuro da Humanidade, pois boa parte não tem caído em si sobre a problemática ambiental no mundo. Elaborado pela Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento da ONU, que foi presidida pela a ex-primeira-ministra da Noruega que por vez, teve um longo trabalho, somente após três anos fica pronto o famoso relatório. Esse relatório vai definitivamente consagrar o conceito de desenvolvimento sustentável, propondo uma síntese operativa entre o desenvolvimento econômico e a defesa da biodiversidade se estendendo por um campo mais holístico dos problemas social e combate à pobreza com as cooperações internacionais de práticas menos devastadoras para o ambiente. O documento define o desenvolvimento sustentável como o

desenvolvimento que “satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” o que enfatiza a ideia de que deve assegurar para as gerações, ao longo do tempo, uma nova forma de organizar a sociedade humana e de gerir os recursos do planeta que não são ilimitados e que nós dependemos do mesmo. O Relatório conhecido de Brundtland aponta ainda recomendações à diminuição do crescimento populacional para assim garantir recursos básicos como água, energia, alimento entre outros por muito tempo. Isso só acontece

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com a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas.

Alguns atos são

diminuir o consumo de energia, desenvolver tecnologias energéticas renováveis, aumentar a produção industrial de países não industrializados por tecnologias limpas, controlar a urbanização desordenada e atender a necessidades básicas de saúde, educação, saneamento e habitação da sociedade. É necessário ter consciência de que não mais é possível pensar num crescimento exponencial da economia sem contabilizar o efeito e causa desse crescimento em termos de ambiente e de esgotamento de recursos naturais, sem a constatação dos enormes desequilíbrios gerados, em termos de desigualdade na distribuição da riqueza e de degradação do Planeta Terra. O Relatório completa mais 20 anos de sua publicação com várias críticas no seu processo e gerou desdobramentos práticos e, assim como outros documentos importantes como a Declaração da Rio 9231, Tratado de Kyoto e outras conferências mundiais em prol das causas ambientais não foram suficientes para salvar o planeta. Sabemos que a consciência ambiental tem crescido em toda a parte bem como as preocupações dos cidadãos e da comunidade internacional acerca da crescente destruição da natureza, tudo por uma falsa noção de progresso dos países dominantes. Apesar disso, com o relatório, muito se conseguiu colocar em prática quanto ao conceito de desenvolvimento sustentável. Isto levou a um marco na história da consciência e da ação mundial em defesa da Terra e faz parte de um combate cotidiano do desfecho sempre incerto, por um mundo melhor, mais limpo e mais justo, à altura de uma relação inteligente e durável entre Homem e Natureza.

31

Conferências que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992. 55

6.3 Conferência da ECO-92 Em resposta ao Relatório “O Nosso Futuro Comum” e tendo como base suas propostas que por sinal foi o resultado de uma das conferências mais importante no que trata das questões ambientais do mundo, realizada em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento teve várias conotações; “Cúpula da Terra”, “Eco92” ou “Rio92”. Provavelmente este foi o início para uma mudança na consciência mundial e especialmente brasileira que marcou o novo olhar sobre as consequências dos problemas ambientais do planeta. A Conferência do Rio foi considerada uma importante reflexão sobre a problemática ambiental, bem como mudou a relação com o desenvolvimento, como já dito anteriormente, a pauta desse encontro foi determinada nos pressupostos do relatório Brundtland. Os debates do evento giraram em torno de estratégias de ações que possibilitassem a ser impostas aos países. Com a Conferência se desenvolve uma ideia do desenvolvimento sustentável que acredita ter garantia da própria, através da importância de deliberações dos organismos internacionais, governos nacionais, organizações não-

governamentais entre outros órgãos que têm promovido essas ações da sustentabilidade. Assegurado esse documento, depois do evento realizado no Rio de Janeiro mais de 150 países começam a criar órgãos nacionais para desenvolver uma abordagem integrada do desenvolvimento sustentável – embora em alguns países não passasse de caráter político. Ainda de acordo com o estudos realizados muitas das organizações da sociedade civil (Fórum Global promovido durante a Conferência) a exemplo das ONGs32 são criadas em decorrência da Eco-92 e em especial nos países em desenvolvimento.
32

Organização Não-Gorvenamental. 56

Em decorrência da Rio 92. Segundo a declaração da conferência:
Vários setores da sociedade, representados em diferentes ONGs, tiveram papel importante em muitos temas polêmicos relacionados à Conferência. Alguns deles, especialmente os relacionados à Conservação das Florestas Tropicais, que pregava a conservação florestal em larga escala, renderam uma discussão calorosa sem que se chegasse a um acordo. Em grande parte isto ocorreu devido às diferenças de objetivos entre as nações sobre que destino dar às suas florestas”.

Além da intensa mobilização da sociedade civil, a Conferência também foi marcada por uma ampla cobertura jornalística. Ambos conferiram apoio e divulgação ao documento final. Segundo a Declaração a:
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, tendo se reunido no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992, reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, adotada em Estocolmo em 16 de junho de 1972, e buscando avançar a partir dela, com o objetivo de estabelecer uma nova e justa parceria global mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, os setores-chaves da sociedade e os indivíduos, trabalhando com vistas à conclusão de acordos internacionais que respeitem os interesses de todos e protejam a integridade do sistema global de meio ambiente e desenvolvimento, reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra, nosso lar. (Extraído da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1992.)

E ainda mais, a declaração conta com 27 princípios, dentre eles o centro de todas as preocupações, é com o desenvolvimento sustentável: políticas de meio ambiente que assegurem as atividades de jurisdição, ou seja, criação de legislação própria para garantir a proteção ambiental visando as gerações presentes e futuras; promover a erradicação da pobreza no mundo; cooperação

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dos Estados para a conservação e proteção dos ecossistemas terrestre; qualidade e vida e políticas de redução do crescimento demográfico; fortalecimento e capacitação dos conhecimentos técnico-científicos; assegurar a participação de todos os cidadãos e principalmente das mulheres e jovens que é de papel vital para o gerenciamento do meio ambiente, bem como utilizar o conhecimentos das práticas tradicionais indígenas para manter e desenvolver a sustentabilidade. Finalmente, o 27º princípio propõe que “Os Estados e os povos irão cooperar de boa fé e imbuídos de um espírito de parceria para a realização dos princípios consubstanciados nesta Declaração, e para o desenvolvimento progressivo do direito internacional no campo do desenvolvimento sustentável”. Também foi lançado um importante plano – a Agenda 21, em alguns casos estabelecido com sucesso, nessa mesma Conferência foi criada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Com essa convenção os países desenvolvidos e em desenvolvimento se comprometeram a modificar o seu modelo de produção para reduzir os impactos ambientais e mitigar as mudanças climáticas, ou seja, a partir do evento que contou com representantes de vários países, foram firmados acordos para a melhoria de vida no planeta. 6.4 A proposta de criação da Agenda 21 A criação da Agenda 21 se dá pela ONU - Organização das Nações Unidas - através da sua Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento que se evidencia com o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um documento consensual o qual contribui para governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que levou dois anos na sua elaboração e que foi apresentado durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e

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Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro que também ficou conhecida como Eco-92. O documento se constituiu num modelo para reafirmar e satisfazer as necessidades presentes sem comprometer os recursos necessários à satisfação das gerações futuras, buscando um novo padrão de desenvolvimento para conciliar método de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica e acima de tudo, a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade. A Agenda 21 vem para apresentar um plano de ação para um desenvolvimento sustentável em todos os países. De acordo com as propostas dessa agenda, deve-se proporcionar a colaboração apropriada principalmente das organizações não governamentais, para promover todo o tipo de programas de educação de jovens e adultos, de forma a incentivar uma educação permanente sobre meio ambiente e desenvolvimento, visando os problemas ambientais locais. Portanto a proposta da efetivação da Agenda 21 é, na verdade, um programa de ação, baseado num documento de 40 capítulos, que abrange a tentativa de realizar e promover mudanças ambientais em escala mundial. Temos inúmeros desafios na implantação da Agenda 21 principalmente no âmbito local e que consistem em um planejamento voltado para a ação compartilhada, na construção de propostas pactuadas voltadas para a elaboração de uma visão de futuro entre os diferentes atores; conduzir o processo de forma contínua e sustentável; descentralização e controle social e incorporação de uma visão multidisciplinar em todas as etapas do processo para garantir que governo e sociedade utilizem o instrumento de planejamento estratégico participativo de todos e assim visando à construção de cenários de co-responsabilidade para subsídios à elaboração e construção de políticas públicas sustentáveis na orientação harmônica do desenvolvimento econômico, justiça social juntamente com o equilíbrio ambiental.

59

A Agenda 21 foi também resultado de cinco outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. A referida agenda passou pela aprovação dos países e tem a função de servir como base para que todos os países elaborem e implementem sua própria Agenda 21 Nacional, compromisso, esse, assumido por todos os signatários da Rio-92 como exemplo o Brasil que só consolidou a sua Agenda, em 2002. 6.5 A definição do conceito de Sustentabilidade O termo sustentabilidade surgiu a respeito dos recursos renováveis e foi inicialmente fruto de reflexões e debates dos movimentos ecológicos e posteriormente definido no relatório “Nosso Futuro Comum” dirigido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU em 1987. Este termo tem sido amplamente discutido por várias áreas da ciência que por sua vez uns acreditam e outro não, mas indiscutivelmente todos crêem que são necessárias mudanças nas políticas ambientais planetárias. Para o conceito de sustentabilidade existem diferentes conotações, todas voltadas para a manutenção quantitativa e qualitativa do estoque de recursos naturais, utilizados pela humanidade, sem danificar as fontes ou diminuir a capacidade de suprimento para garantir tais recursos às futuras gerações. Segundo Veiga (2005):
A sustentabilidade no tempo das civilizações humanas vai depender de sua capacidade de se submeter aos preceitos de prudência ecológica e de fazer um bom uso da natureza. [...] ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo. (VEIGA, 2005).

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As primeiras definições de sustentabilidade surgem em virtude de buscar solucionar os problemas provocados pela exploração descontrolada do homem sobre os recursos naturais e nas últimas décadas, a gravidade das explorações predatórias na natureza tem provocado grandes catástrofes naturais. Devemos lembrar que, ao abordar o conceito de sustentabilidade, não podemos nos esquecer da interdisciplinaridade que nos leva a ligação entre as várias áreas do conhecimento humano. A sustentabilidade ambiental responde diretamente pela preservação e conservação do ambiente, de forma que o desenvolvimento não agrida o meio ambiente. O desenvolvimento atual vem gerando enormes impactos ambientais. Para que a sustentabilidade em si se aplique, há a necessidade de que conhecimentos fragmentados sejam integrados. Na sustentabilidade, os aspectos ambientais devem ser tão relevantes quanto os aspectos técnicos e econômicos, bem como os aspectos de estética e conforto. Segundo (PEDRINI apud SANTOS, 2001) quando se trabalha a sustentabilidade, existem grandes desafios a ser enfrentados e que dizem respeito à forma de entender e pensar o desenvolvimento nas diversas dimensões: global, nacional, regional e local. Dessa forma os conceitos utilizados para definir esse processo do desenvolvimento sustentável e seus princípios, estão embasados na formulação de (PEDRINI apud IGNACY SACHS, 1993) que conceitua sustentabilidade a partir das seguintes dimensões: a) Sustentabilidade social – baseada nos princípios de uma justa distribuição de renda e bens, direitos iguais à dignidade humana e solidariedade social. b) Sustentabilidade cultural – deve-se basear no respeito ao local, regional e nacional em contraponto à padronização imposta pela globalização, podendo se dar a partir do respeito aos diferentes modos de vida.

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c) Sustentabilidade ecológica – baseada no princípio da solidariedade com o planeta e seus recursos e com a biosfera do seu entorno. d) Sustentabilidade ambiental – baseada no respeito e no realce da capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais. e) Sustentabilidade territorial – baseada na superação das disparidades inter-regionais, a busca de estratégias para o desenvolvimento ambiental seguro nas áreas ecologicamente frágeis, eliminar a inclinação dos investimentos públicos nas áreas urbanas em detrimento da rural e a melhoria do ambiente urbano. f) Sustentabilidade econômica – deve estar ancorada na avaliação da sustentabilidade do social analisada no seu contexto organizativo da vida material. g) Sustentabilidade política (nacional) – baseada na democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos, desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional, em parceria com todos os empreendedores. Nível razoável de coesão social. h) Sustentabilidade política (internacional) – baseada na “eficácia do sistema de prevenção de guerras da ONU, na garantia da paz e na promoção da cooperação internacional, um pacote de Norte-Sul de co-desenvolvimento, baseado no princípio de igualdade”.

Embora a definição de “desenvolvimento sustentável” seja similar em todos os países, os procedimentos legítimos não consistem em escolher um caminho entre o desenvolvimento e conservação, mas sim meditar sobre o desenvolvimento sustentável, ou não sustentável para o ambiente natural. O processo de desenvolvimento sustentável não pode ser limitado pelos métodos tradicionais de somente encontrar o equilíbrio entre a tecnologia e o ambiente natural.

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6.5.1 Qual a finalidade e importância da Agenda 21 A importância da Agenda 21 é constituir para um termo de compromisso da humanidade com o desenvolvimento sustentável em nível local, nacional e mundial, garantindo estratégias e proposições para consolidar as soluções para os problemas ambientais atuais e assim levando o mundo a uma preparação para enfrentar os desafios do século XXI. Por meio de plano de ações futuras, propõem uma rota com metas, recursos e responsabilidades, servindo como referência para a priorização de investimentos e orientação na aplicação de recursos e energias no rumo do desenvolvimento sustentável, que inclui melhor qualidade de vida e maior justiça social. A Agenda 21 foi proposta e referendada na Rio 92, como um plano de intervenção no Planeta Terra, a favor do desenvolvimento sustentável e no qual as autoridades ou governos locais possuem papel importantíssimo nesse processo. A Agenda 21 é um projeto de interesse comum: Governo, Sociedade Civil Organizada, Empresários, Organização não Governamental e Comunidade para projetar nosso futuro comum. Esse documento tem por finalidade

reorientar o desenvolvimento em direção a sustentabilidade, constituindo um planejamento de ação de médio e longo prazo. Os temas da Agenda 21 estão agrupados em 40 capítulos e em quatro seções que tratam de: Aspectos sociais e econômicos, suas relações entre Meio Ambiente e pobreza, saúde, dívida externa, consumo e população; Conservação e administração de recursos, as maneiras de gerenciar recursos físicos como, terra, mares, energia e lixo, para garantir o desenvolvimento sustentável; Fortalecimento dos grupos sociais, as formas de apoio a grupos sociais organizados e minoritários que colaboram para a sustentabilidade; Meios de implementação financiamento e papel das organizações governamentais e não governamentais. Em junho de 1997, o Conselho de Desenvolvimento
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Sustentável da ONU avaliou os 05 anos da ECO 92 e reforçou a importância de se levarem, a ação prática as recomendações e propostas da Agenda 21 que tem como requisitos básicos para que uma comunidade alcance uma boa qualidade de vida. 6.5.2 A educação na Agenda 21 No Brasil, temos uma condição privilegiada em relação à

disponibilidade dos recursos naturais, mas graves problemas desse é a forma que se encontra a utilização desses recursos, onde convive abundância que a natureza oferece, mas quando olhamos para outras regiões do planeta há certa escassez. O país tem o enorme desafio de desenvolver uma gestão adequada de seus recursos naturais, bem como sua forma correta do uso do mesmo, proporcionando uma distribuição justa e equitativa, com qualidade para a geração atual e a vindoura. Para tanto, a gestão dos recursos da natureza tem sido organizada através de políticas públicas que visam a garantir processos de descentralização, planejamento estratégico, participativo e compartilhamento de

responsabilidades, guardadas as especificações e em diferentes setores da sociedade brasileira. À Educação cabe trabalhar valores socioambientais que tragam à luz uma nova ética, baseada na solidariedade, na valorização da diversidade – biológica e cultural - no interesse, na responsabilidade, na autoconfiança e no engajamento em ações conservacionistas33. Conciliar conhecimento e ação, conhecimento e comportamento responsável em harmonia com a natureza, considerando as necessidades, expectativas e anseios individuais e coletivos é a base na qual se assenta a proposta de educação para a sustentabilidade, proposta
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O Conservacionismo é um movimento político, social e científico que tem como objetivo a proteção dos recursos naturais do planeta, incluindo espécies animais e vegetais, assim como o seu habitat para o futuro. 64

que só pode ser desenvolvida mediante parcerias e vínculos com diferentes setores da sociedade e acreditamos que a escola é o espaço público privilegiado para esse aprendizado do diálogo, da negociação democrática e construção de consensos que sejam de caráter includente e solidário. A Agenda 21 na educação tem a possibilidades de intermediar proposta para divulgar, ampliar, discutir e refletir sobre a elaboração de ferramentas educacionais junto à própria população através da escola, ao promover a sua participação na construção da Agenda 21 Escolar com a temática voltada para a Sustentabilidade dos recursos naturais sendo de jeito que as configurações políticas, sociais, geográficas, econômicas, culturais e vocações próprias dessas regiões, observando a semelhança histórico-cultural e na composição de seu patrimônio natural e paisagístico. Na elaboração da Agenda 21 na educação é um processo que envolve as comunidades escolares e seu entorno, consideradas as características e realidades de cada região, numa proposta que parte do diagnóstico coletivo dos problemas socioambientais de cada bairro envolvido nos diferentes municípios, sensibilização para a ação e avaliação contínua dos impactos do processo, com a mediação da unidade escolar e o estabelecimento de parcerias para a busca conjunta de soluções: segmento escolar, famílias, Associação de Pais e Professores, comerciantes, comércios locais, igrejas, Ongs, Secretaria de Saúde, Ibama, Sema, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, associações de Bairro, etc. Para esse trabalho que pretende tal amplitude de conscientização só pode realizar-se mediante uma proposta significativa de educação para a sustentabilidade, que utilize a escola como interlocutor privilegiado para esse trabalho, com sua enorme capacidade de sensibilização, conscientização e mobilização das populações locais. Por fim no momento da elaboração da Agenda 21 Escolar centrada na gestão participativa e tendo como base o território de limite de municípios,

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representa um movimento que envolve as bases das comunidades, tendo a escola como mobilizadora e aglutinadora de ações e projetos coletivos. Concretiza um importante exercício de diagnosticar coletivamente os problemas ambientais no cotidiano e sua relação com as atividades humanas e a qualidade de vida, tendo como eixo central a reflexão sobre a importância para a recuperação e preservação de áreas degradadas, ampliando a visão holística e sistêmica que deve orientar a gestão civil e pública dos recursos ambientais. 6.5.3 Educar para a Sustentabilidade O tema Educar para a sustentabilidade, talvez traga uma luz no fim do túnel uma vez que traz a questão da necessidade de transformação e buscar sensibilizar as pessoas para que possamos falar e viver de forma sustentável. Todos sabem da importância dos recursos naturais em nossa vida e que o meio ambiente tem sido visto, por alguns, como inimigo do desenvolvimento. Todos os dias nós presenciamos na mídia a crise do planeta, e, aquecimento global, secas em alguns lugares, enchentes e outros, ou seja, muitas catástrofes que tem por destruído muitas vidas pelo mundo afora e mesmo com tudo que acontece são poucas as pessoas que não percebe a Terra como um organismo vivo. O planeta Terra é a nossa morada, aliás, o único lugar ainda possível de vivermos. Somente aqui existe água, ar, alimento e abrigo compatíveis com nossas necessidades de “sobrevivência”. Não falamos de conforto, mas de elementos essenciais à vida. A aplicabilidade dessa educação nas futuras décadas, possibilitará a sobrevivência da humanidade no planeta que sem dúvida dependerá muito da eco-educação34, ou seja, de nossa habilidade de extrair conhecimento da natureza, entender os princípios básicos da ecologia e de viver de acordo como
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Uma interação da educação a natureza (homem X natureza) que a humanidade seja capaz de manter um equilíbrio dinâmico com a terra e os recursos naturais. 66

ela reger o meio. Para tanto, a educação das atuais e próximas gerações para a compreensão dos paradigmas que mantém o ciclo da vida será imprescindível para a sobrevivência das empecíeis. Educar para sustentabilidade significa ensinar ecologia profunda em uma maneira sistêmica e multidisciplinar. Significa conhecer não só metabolismo natural, estudar os impactos das ações antrópicas no meio ambiente, mas também o metabolismo social com a natureza, as repercussões dos impactos dos ecossistemas nas próprias relações sociais, redesenhando as estruturas de classe e poder. O grande desafio que se coloca é responder à questão: Como vamos viver à luz do fato de que estamos todos entrelaçados em uma única e indivisível35 comunidade de vida altamente ameaçada pela enorme proporção que assumimos e por nossa absoluta falta de cuidado? A prática da Educação para Sustentabilidade deve objetivar e ser perpassada pela intencionalidade de promoção e pelo incentivo ao

desenvolvimento de conhecimentos, valores, atitudes, comportamentos e habilidades que contribuam para a sobrevivência - a nossa e de todas as espécies e sistemas naturais do planeta-, e para a emancipação humana. Educar para uma vida sustentável é promover o entendimento de como os ecossistemas sustentam a vida e assim obter o conhecimento e o comprometimento necessários para desenhar comunidades humanas

sustentáveis. Segundo Ramos (2008), deve estar:
Longe de ser um discurso ideológico, a educação deve cumprir o papel de mediadora no processo de construção da cidadania responsável, na consciência coletiva de finitude dos recursos e na urgência de se conhecer os potenciais naturais de cada comunidade. Ramos, (2008).
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Ser indivisível, significa não ser dividido, não ser partilhado, senão deixa de ser indivíduo. Deste modo, cada um (indivíduo), constrói sua identidade. 67

6.6 Desenvolvimento Sustentável – perspectiva histórica, seus complexos e desafios A proposta de desenvolvimento sustentado representa atualmente elemento de aprofundamento das discussões quanto ao real significado dos conceitos de progresso e desenvolvimento econômico e social. A premência por alternativas estabelecida a partir das crises ambiental e de recursos tem induzido a procura de estratégias que traduzam uma solução consistente de continuidade do processo de desenvolvimento, sem que para isso ocorra o comprometimento da base de sustentação das atividades produtivas. Esse conceito de desenvolvimento desenhado ao longo dos anos, especialmente a partir dos anos 50, pressupõe, nitidamente, que a sua evolução passou por diversos fatores históricos, políticos, econômicos e sociais e, para se chegar ao desenvolvimento sustentável, a vertente ambiental foi fundamental para que se consagrasse esse “novo modelo”. Porém, o verdadeiro significado de "desenvolvimento sustentável" em um mundo tão cheio de contradições é muito questionado. O crescimento econômico em si não leva à redução das desigualdades sociais, principalmente porque combina má distribuição de recursos financeiros com o uso abusivo dos recursos naturais. E para alcançar o estado de sustentabilidade do sistema, é necessário consensualmente, ter como base a estruturação interdisciplinar da sociedade. E assim, são grandes os desafios para a aplicação desse desenvolvimento de maneira sustentável, por sua vez ter, uma complexidade muito além do que as políticas econômicas propõem no sistema capitalista.

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho monográfico coloca várias formas de pensar a questão ambiental e como foi discutida a educação ambiental até nos dias e ainda sugere maiores debates e soluções sobre os problemas entre a educação e a educação ambiental à maneira do tratamento dessa educação que não é finda por aqui uma vez que este é um assunto com muitas indagações que precisam ser respondidas. Quando nos propomos a falar sobre o processo da educação e a problemática ambiental, analisamos que são dois assuntos bastante complexos em suas ações práticas, tanto a educação em si mesmo, como a educação ambiental que se relaciona de forma diferenciada no dia-a-dia do aluno e sabemos que para desenvolve-las satisfatoriamente precisaríamos envolver educação, gestão pública, comunidades e pessoas interessadas por uma luta conjunta para uma sensibilização das pessoas para um mundo mais justo e um planeta ambientalmente correto, e assim poder assumir o papel que deve andar junto à educação e o pensamentos de sustentabilidade para toda a humanidade. Sem, contudo, negar a existência da dimensão teórica da educação e dos problemas ambientais que por sua vez defendemos, entendemos que esse conceito deve ser acompanhado pela dimensão política de forma ética, conectado com as necessidades de preservação, colaborar na elaboração e implementação de um currículo pedagógico. Na aplicabilidade dessa educação ambiental não somente será usado o modelo teórico, mas, buscar-se-á sempre valorizar e utilizar os meios mais reais da vida cotidiana da sociedade na exposição do conteúdo e, assim retratar, os conflitos políticos, culturais, sociais, econômicos e ambientais inerentes à questão que tratamos nessa pesquisa para uma possibilidade de compreensão e transformação do processo educativo no país a partir de um conceito que busque educar para a sustentabilidade.

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Acreditamos que ato de esse educar para o ambiente exige um verdadeiro compromisso e está muito mais integrado ao sistema de produção. Esta é uma maneira correta de enfocar um meio engendrado e condicionado a toda essa dinâmica do espaço produtivo. Por fim, o trabalho propõe saídas relacionadas aos problemas da sociedade contemporânea, por reconhecer a importância fundamental na aplicabilidade dessa educação na mudança de atitudes da comunidade, visando converter essa sociedade em sustentável na produção e utilização dos recursos que a natureza lhes oferece, para que haja um gerenciamento correto desses recursos e garanta que todas as presentes e futuras gerações possam beneficiarse dos mesmos por longo tempo no planeta terra.

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