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O termo sustentabilidade surgiu a respeito dos recursos renováveis e foi
inicialmente fruto de reflexões e debates dos movimentos ecológicos e
posteriormente definido no relatório “Nosso Futuro Comum” dirigido pela
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU em 1987.
Este termo tem sido amplamente discutido por várias áreas da ciência que por
sua vez uns acreditam e outro não, mas indiscutivelmente todos crêem que são
necessárias mudanças nas políticas ambientais planetárias.
Para o conceito de sustentabilidade existem diferentes conotações, todas
voltadas para a manutenção quantitativa e qualitativa do estoque de recursos
naturais, utilizados pela humanidade, sem danificar as fontes ou diminuir a
capacidade de suprimento para garantir tais recursos às futuras gerações.
Segundo Veiga (2005):

A sustentabilidade no tempo das civilizações humanas
vai depender de sua capacidade de se submeter aos
preceitos de prudência ecológica e de fazer um bom uso
da natureza. [...] ambientalmente sustentável e
economicamente sustentado no tempo. (VEIGA, 2005).

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As primeiras definições de sustentabilidade surgem em virtude de buscar
solucionar os problemas provocados pela exploração descontrolada do homem
sobre os recursos naturais e nas últimas décadas, a gravidade das explorações
predatórias na natureza tem provocado grandes catástrofes naturais.
Devemos lembrar que, ao abordar o conceito de sustentabilidade, não
podemos nos esquecer da interdisciplinaridade que nos leva a ligação entre as
várias áreas do conhecimento humano.
A sustentabilidade ambiental responde diretamente pela preservação e
conservação do ambiente, de forma que o desenvolvimento não agrida o meio
ambiente. O desenvolvimento atual vem gerando enormes impactos ambientais.
Para que a sustentabilidade em si se aplique, há a necessidade de que
conhecimentos fragmentados sejam integrados. Na sustentabilidade, os aspectos
ambientais devem ser tão relevantes quanto os aspectos técnicos e econômicos,
bem como os aspectos de estética e conforto.
Segundo (PEDRINI apud SANTOS, 2001) quando se trabalha a
sustentabilidade, existem grandes desafios a ser enfrentados e que dizem
respeito à forma de entender e pensar o desenvolvimento nas diversas
dimensões: global, nacional, regional e local. Dessa forma os conceitos
utilizados para definir esse processo do desenvolvimento sustentável e seus
princípios, estão embasados na formulação de (PEDRINI apud IGNACY
SACHS, 1993) que conceitua sustentabilidade a partir das seguintes dimensões:
a) Sustentabilidade social – baseada nos princípios de uma justa
distribuição de renda e bens, direitos iguais à dignidade humana e solidariedade
social.

b) Sustentabilidade cultural – deve-se basear no respeito ao local,
regional e nacional em contraponto à padronização imposta pela globalização,
podendo se dar a partir do respeito aos diferentes modos de vida.

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c) Sustentabilidade ecológica – baseada no princípio da solidariedade
com o planeta e seus recursos e com a biosfera do seu entorno.
d) Sustentabilidade ambiental – baseada no respeito e no realce da
capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais.
e) Sustentabilidade territorial – baseada na superação das disparidades
inter-regionais, a busca de estratégias para o desenvolvimento ambiental seguro
nas áreas ecologicamente frágeis, eliminar a inclinação dos investimentos
públicos nas áreas urbanas em detrimento da rural e a melhoria do ambiente
urbano.

f) Sustentabilidade econômica – deve estar ancorada na avaliação da
sustentabilidade do social analisada no seu contexto organizativo da vida
material.

g) Sustentabilidade política (nacional) – baseada na democracia
definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos,
desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional,
em parceria com todos os empreendedores. Nível razoável de coesão social.
h) Sustentabilidade política (internacional) – baseada na “eficácia do
sistema de prevenção de guerras da ONU, na garantia da paz e na promoção da
cooperação internacional, um pacote de Norte-Sul de co-desenvolvimento,
baseado no princípio de igualdade”.

Embora a definição de “desenvolvimento sustentável” seja similar em
todos os países, os procedimentos legítimos não consistem em escolher um
caminho entre o desenvolvimento e conservação, mas sim meditar sobre o
desenvolvimento sustentável, ou não sustentável para o ambiente natural. O
processo de desenvolvimento sustentável não pode ser limitado pelos métodos
tradicionais de somente encontrar o equilíbrio entre a tecnologia e o ambiente
natural.

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6.5.1 Qual a finalidade e importância da Agenda 21

A importância da Agenda 21 é constituir para um termo de compromisso
da humanidade com o desenvolvimento sustentável em nível local, nacional e
mundial, garantindo estratégias e proposições para consolidar as soluções para
os problemas ambientais atuais e assim levando o mundo a uma preparação para
enfrentar os desafios do século XXI.
Por meio de plano de ações futuras, propõem uma rota com metas,
recursos e responsabilidades, servindo como referência para a priorização de
investimentos e orientação na aplicação de recursos e energias no rumo do
desenvolvimento sustentável, que inclui melhor qualidade de vida e maior
justiça social. A Agenda 21 foi proposta e referendada na Rio 92, como um
plano de intervenção no Planeta Terra, a favor do desenvolvimento sustentável e
no qual as autoridades ou governos locais possuem papel importantíssimo nesse
processo.

A Agenda 21 é um projeto de interesse comum: Governo, Sociedade
Civil Organizada, Empresários, Organização não Governamental e Comunidade
para projetar nosso futuro comum. Esse documento tem por finalidade
reorientar o desenvolvimento em direção a sustentabilidade, constituindo um
planejamento de ação de médio e longo prazo.
Os temas da Agenda 21 estão agrupados em 40 capítulos e em quatro
seções que tratam de: Aspectos sociais e econômicos, suas relações entre Meio
Ambiente e pobreza, saúde, dívida externa, consumo e população; Conservação
e administração de recursos, as maneiras de gerenciar recursos físicos como,
terra, mares, energia e lixo, para garantir o desenvolvimento sustentável;
Fortalecimento dos grupos sociais, as formas de apoio a grupos sociais
organizados e minoritários que colaboram para a sustentabilidade; Meios de
implementação financiamento e papel das organizações governamentais e não
governamentais. Em junho de 1997, o Conselho de Desenvolvimento

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Sustentável da ONU avaliou os 05 anos da ECO 92 e reforçou a importância de
se levarem, a ação prática as recomendações e propostas da Agenda 21 que tem
como requisitos básicos para que uma comunidade alcance uma boa qualidade
de vida.

6.5.2 A educação na Agenda 21

No Brasil, temos uma condição privilegiada em relação à
disponibilidade dos recursos naturais, mas graves problemas desse é a forma que
se encontra a utilização desses recursos, onde convive abundância que a natureza
oferece, mas quando olhamos para outras regiões do planeta há certa escassez. O
país tem o enorme desafio de desenvolver uma gestão adequada de seus recursos
naturais, bem como sua forma correta do uso do mesmo, proporcionando uma
distribuição justa e equitativa, com qualidade para a geração atual e a vindoura.
Para tanto, a gestão dos recursos da natureza tem sido organizada através de
políticas públicas que visam a garantir processos de descentralização,
planejamento estratégico, participativo e compartilhamento de
responsabilidades, guardadas as especificações e em diferentes setores da
sociedade brasileira.

À Educação cabe trabalhar valores socioambientais que tragam à luz
uma nova ética, baseada na solidariedade, na valorização da diversidade –
biológica e cultural - no interesse, na responsabilidade, na autoconfiança e no
engajamento em ações conservacionistas33

. Conciliar conhecimento e ação,
conhecimento e comportamento responsável em harmonia com a natureza,
considerando as necessidades, expectativas e anseios individuais e coletivos é a
base na qual se assenta a proposta de educação para a sustentabilidade, proposta

33

O Conservacionismo é um movimento político, social e científico que tem como
objetivo a proteção dos recursos naturais do planeta, incluindo espécies animais e
vegetais, assim como o seu habitat para o futuro.

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que só pode ser desenvolvida mediante parcerias e vínculos com diferentes
setores da sociedade e acreditamos que a escola é o espaço público privilegiado
para esse aprendizado do diálogo, da negociação democrática e construção de
consensos que sejam de caráter includente e solidário.
A Agenda 21 na educação tem a possibilidades de intermediar proposta
para divulgar, ampliar, discutir e refletir sobre a elaboração de ferramentas
educacionais junto à própria população através da escola, ao promover a sua
participação na construção da Agenda 21 Escolar com a temática voltada para a
Sustentabilidade dos recursos naturais sendo de jeito que as configurações
políticas, sociais, geográficas, econômicas, culturais e vocações próprias dessas
regiões, observando a semelhança histórico-cultural e na composição de seu
patrimônio natural e paisagístico. Na elaboração da Agenda 21 na educação é
um processo que envolve as comunidades escolares e seu entorno, consideradas
as características e realidades de cada região, numa proposta que parte do
diagnóstico coletivo dos problemas socioambientais de cada bairro envolvido
nos diferentes municípios, sensibilização para a ação e avaliação contínua dos
impactos do processo, com a mediação da unidade escolar e o estabelecimento
de parcerias para a busca conjunta de soluções: segmento escolar, famílias,
Associação de Pais e Professores, comerciantes, comércios locais, igrejas, Ongs,
Secretaria de Saúde, Ibama, Sema, Secretaria Municipal de Meio Ambiente,
associações de Bairro, etc.

Para esse trabalho que pretende tal amplitude de conscientização só pode
realizar-se mediante uma proposta significativa de educação para a
sustentabilidade, que utilize a escola como interlocutor privilegiado para esse
trabalho, com sua enorme capacidade de sensibilização, conscientização e
mobilização das populações locais.
Por fim no momento da elaboração da Agenda 21 Escolar centrada na
gestão participativa e tendo como base o território de limite de municípios,

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representa um movimento que envolve as bases das comunidades, tendo a escola
como mobilizadora e aglutinadora de ações e projetos coletivos. Concretiza um
importante exercício de diagnosticar coletivamente os problemas ambientais no
cotidiano e sua relação com as atividades humanas e a qualidade de vida, tendo
como eixo central a reflexão sobre a importância para a recuperação e
preservação de áreas degradadas, ampliando a visão holística e sistêmica que
deve orientar a gestão civil e pública dos recursos ambientais.

6.5.3 Educar para a Sustentabilidade

O tema Educar para a sustentabilidade, talvez traga uma luz no fim do
túnel uma vez que traz a questão da necessidade de transformação e buscar
sensibilizar as pessoas para que possamos falar e viver de forma sustentável.
Todos sabem da importância dos recursos naturais em nossa vida e que o meio
ambiente tem sido visto, por alguns, como inimigo do desenvolvimento.
Todos os dias nós presenciamos na mídia a crise do planeta, e,
aquecimento global, secas em alguns lugares, enchentes e outros, ou seja, muitas
catástrofes que tem por destruído muitas vidas pelo mundo afora e mesmo com
tudo que acontece são poucas as pessoas que não percebe a Terra como um
organismo vivo. O planeta Terra é a nossa morada, aliás, o único lugar ainda
possível de vivermos. Somente aqui existe água, ar, alimento e abrigo
compatíveis com nossas necessidades de “sobrevivência”. Não falamos de
conforto, mas de elementos essenciais à vida.
A aplicabilidade dessa educação nas futuras décadas, possibilitará a
sobrevivência da humanidade no planeta que sem dúvida dependerá muito da
eco-educação34

, ou seja, de nossa habilidade de extrair conhecimento da
natureza, entender os princípios básicos da ecologia e de viver de acordo como

34

Uma interação da educação a natureza (homem X natureza) que a humanidade seja
capaz de manter um equilíbrio dinâmico com a terra e os recursos naturais.

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ela reger o meio. Para tanto, a educação das atuais e próximas gerações para a
compreensão dos paradigmas que mantém o ciclo da vida será imprescindível
para a sobrevivência das empecíeis.
Educar para sustentabilidade significa ensinar ecologia profunda em
uma maneira sistêmica e multidisciplinar. Significa conhecer não só
metabolismo natural, estudar os impactos das ações antrópicas no meio
ambiente, mas também o metabolismo social com a natureza, as repercussões
dos impactos dos ecossistemas nas próprias relações sociais, redesenhando as
estruturas de classe e poder.

O grande desafio que se coloca é responder à questão: Como vamos
viver à luz do fato de que estamos todos entrelaçados em uma única e
indivisível35

comunidade de vida altamente ameaçada pela enorme proporção
que assumimos e por nossa absoluta falta de cuidado?
A prática da Educação para Sustentabilidade deve objetivar e ser
perpassada pela intencionalidade de promoção e pelo incentivo ao
desenvolvimento de conhecimentos, valores, atitudes, comportamentos e
habilidades que contribuam para a sobrevivência - a nossa e de todas as espécies
e sistemas naturais do planeta-, e para a emancipação humana.
Educar para uma vida sustentável é promover o entendimento de como
os ecossistemas sustentam a vida e assim obter o conhecimento e o
comprometimento necessários para desenhar comunidades humanas
sustentáveis. Segundo Ramos (2008), deve estar:

Longe de ser um discurso ideológico, a educação deve
cumprir o papel de mediadora no processo de construção
da cidadania responsável, na consciência coletiva de
finitude dos recursos e na urgência de se conhecer os
potenciais naturais de cada comunidade. Ramos, (2008).

35

Ser indivisível, significa não ser dividido, não ser partilhado, senão deixa de ser
indivíduo. Deste modo, cada um (indivíduo), constrói sua identidade.

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6.6 Desenvolvimento Sustentável – perspectiva histórica, seus complexos e
desafios

A proposta de desenvolvimento sustentado representa atualmente
elemento de aprofundamento das discussões quanto ao real significado dos
conceitos de progresso e desenvolvimento econômico e social. A premência por
alternativas estabelecida a partir das crises ambiental e de recursos tem induzido
a procura de estratégias que traduzam uma solução consistente de continuidade
do processo de desenvolvimento, sem que para isso ocorra o comprometimento
da base de sustentação das atividades produtivas.
Esse conceito de desenvolvimento desenhado ao longo dos anos,
especialmente a partir dos anos 50, pressupõe, nitidamente, que a sua evolução
passou por diversos fatores históricos, políticos, econômicos e sociais e, para se
chegar ao desenvolvimento sustentável, a vertente ambiental foi fundamental
para que se consagrasse esse “novo modelo”.
Porém, o verdadeiro significado de "desenvolvimento sustentável" em
um mundo tão cheio de contradições é muito questionado. O crescimento
econômico em si não leva à redução das desigualdades sociais, principalmente
porque combina má distribuição de recursos financeiros com o uso abusivo dos
recursos naturais. E para alcançar o estado de sustentabilidade do sistema, é
necessário consensualmente, ter como base a estruturação interdisciplinar da
sociedade. E assim, são grandes os desafios para a aplicação desse
desenvolvimento de maneira sustentável, por sua vez ter, uma complexidade
muito além do que as políticas econômicas propõem no sistema capitalista.

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho monográfico coloca várias formas de pensar a
questão ambiental e como foi discutida a educação ambiental até nos dias e
ainda sugere maiores debates e soluções sobre os problemas entre a educação e a
educação ambiental à maneira do tratamento dessa educação que não é finda por
aqui uma vez que este é um assunto com muitas indagações que precisam ser
respondidas.

Quando nos propomos a falar sobre o processo da educação e a
problemática ambiental, analisamos que são dois assuntos bastante complexos
em suas ações práticas, tanto a educação em si mesmo, como a educação
ambiental que se relaciona de forma diferenciada no dia-a-dia do aluno e
sabemos que para desenvolve-las satisfatoriamente precisaríamos envolver
educação, gestão pública, comunidades e pessoas interessadas por uma luta
conjunta para uma sensibilização das pessoas para um mundo mais justo e um
planeta ambientalmente correto, e assim poder assumir o papel que deve andar
junto à educação e o pensamentos de sustentabilidade para toda a humanidade.
Sem, contudo, negar a existência da dimensão teórica da educação e dos
problemas ambientais que por sua vez defendemos, entendemos que esse
conceito deve ser acompanhado pela dimensão política de forma ética,
conectado com as necessidades de preservação, colaborar na elaboração e
implementação de um currículo pedagógico. Na aplicabilidade dessa educação
ambiental não somente será usado o modelo teórico, mas, buscar-se-á sempre
valorizar e utilizar os meios mais reais da vida cotidiana da sociedade na
exposição do conteúdo e, assim retratar, os conflitos políticos, culturais, sociais,
econômicos e ambientais inerentes à questão que tratamos nessa pesquisa para
uma possibilidade de compreensão e transformação do processo educativo no
país a partir de um conceito que busque educar para a sustentabilidade.

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Acreditamos que ato de esse educar para o ambiente exige um
verdadeiro compromisso e está muito mais integrado ao sistema de produção.
Esta é uma maneira correta de enfocar um meio engendrado e condicionado a
toda essa dinâmica do espaço produtivo.
Por fim, o trabalho propõe saídas relacionadas aos problemas da
sociedade contemporânea, por reconhecer a importância fundamental na
aplicabilidade dessa educação na mudança de atitudes da comunidade, visando
converter essa sociedade em sustentável na produção e utilização dos recursos
que a natureza lhes oferece, para que haja um gerenciamento correto desses
recursos e garanta que todas as presentes e futuras gerações possam beneficiar-
se dos mesmos por longo tempo no planeta terra.

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