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8 - Metodologia do Trabalho Científico e Orientação de TCC - TCC - HENRIQUE C. B. SANTANA - PAGYN003

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FACULDADES OSWALDO CRUZ MBA PERÍCIA, AUDITORIA E GESTÃO AMBIENTAL

Henrique César Barros Santana

A ÁGUA E O PRINCÍPIO DA SUSTENTABILIDADE

Goiânia-GO 2010

HENRIQUE CÉSAR BARROS SANTANA

A ÁGUA E O PRINCÍPIO DA SUSTENTABILIDADE

Monografia apresentada à Faculdade Oswaldo Cruz através do IPOG – Instituto de PósGraduação como parte dos requisitos exigidos para a conclusão do Curso de especialização “lato sensu” em MBA Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental.

Goiânia-GO 2010 2

HENRIQUE CÉSAR BARROS SANTANA

A ÁGUA E O PRINCÍPIO DA SUSTENTABILIDADE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Oswaldo Cruz como parte dos requisitos exigidos para a conclusão do Curso de Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental.

Trabalho aprovado em _____, de ___________ de 2010.

________________________________________________ Prof. D. Sc. Josimar Ribeiro de Almeida (UFRJ/USP) Presidente da Banca Examinadora

________________________________________________ Profa. D. Sc. Lais Alencar de Aguiar (UFRJ) Membro da Banca Examinadora 3

Dedico o presente trabalho primeiramente a DEUS a quem me deu o dom para realizar este trabalho, aos meus Pais, minha Esposa e meu Filho, pelo apoio, e a todos que direta ou indiretamente, colaboraram para o meu 4

crescimento profissional.

AGRADECIMENTOS

Deixo expressos os meus sinceros agradecimentos a todas as pessoas, sem as quais o presente trabalho não seria possível, pelo estimulo, amizade, carinho, criticas, sugestões e paciência nos últimos 20 meses. A todos os Professores do curso, ao IPOG, a Faculdade Oswaldo Cruz, e a todos os familiares e amigos.

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“Os países hoje em dia são avaliados pela forma como sabem usar a água, e não pelo que têm de água. Porque é mais importante hoje saber usar a água do que ostentar a abundância.” Aldo Rebouças.

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RESUMO

O tema deste trabalho é água recurso natural finito, indispensável à vida, que tem o objetivo de aplicação da Educação Ambiental ao combate do problema ambiental de maior ênfase do mundo no momento, que é a água, pois ela, de todos os recursos naturais, é o que tem maior interlocução com aspectos econômicos e sociais. Têm em pauta os seguintes capítulos: No primeiro tratamos sobre os “Problemas Ambientais: Diferentes graus de responsabilidades” na qual se destacam os problemas ambientais. No capítulo seguinte sobre a "A escassez da água", que trata sobre a desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. No terceiro capítulo: “O desenvolvimento Sustentável e à água”, que trata dos princípios genéricos da Sustentabilidade e da Sustentabilidade Hídrica. E no último capítulo “O século 21 e a crise da água” que aborda o desperdício da água, o crescimento demográfico e a possível solução.

PALAVRA-CHAVE: água; escassez; sustentabilidade; problemas ambientais;

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ABSTRACT

The theme of this paper is water finite natural resource essential to life, which is aimed at implementation of environmental education to combat the environmental problem of greatest emphasis in the world at the moment, which is water, because she, of all natural resources, is what is more dialogue with economic and social aspects. Have at hand the following chapters: The first chapter on "Environmental Problems: Different degrees of responsibility" in which one considers the environmental problems. In the following chapter on "Water scarcity", which deals with social inequality and lack of management and sustainable use of natural resources. In the third chapter: "Sustainable development and water", which deals with general principles of Sustainability and Water Sustainability. In the last chapter "The 21st century and the water crisis" that addresses the waste of water, population growth and possible solution.

KEYWORD: water scarcity; sustainability ; environmental problems;

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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 10

2. PROBLEMAS AMBIENTAIS: DIFERENTES GRAUS DE RESPONSABILIDA DES 12 2.1. QUAL A SITUAÇÃO AMBIENTAL DO PLANETA NESSE COMEÇO DE MILÊNIO 14 16 3. A ESCASSEZ DA ÁGUA NO MUNDO 3.1. POR QUE A COMUNIDADE DA TERRA ESTÁ ENFRENTANDO UMA CRISE AMBIENTAL 19 4. O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A ÁGUA 24 4.1. PRINCÍPIOS GENÉRICOS DA SUSTENTABILIDADE 25 4.2. SUSTENTABILIDADE DO DESENVOLVIMENTO 26 4.3 DIREITO À ÁGUA E A SUSTENTABILIDADE HÍDRICA..........................................27 5. SÉCULO 21 E A CRISE DA ÁGUA 5.1. A SOLUÇÃO QUE VEM DO CÉU 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS 31 35 38 40 42

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1. INTRODUÇÃO

A água é insumo fundamental à vida, configurando elemento insubstituível em diversas atividades humanas, visto que além de manter o equilíbrio do meio ambiente, o crescimento acelerado populacional no mundo tem conduzido ao aumento da demanda de água.

Quando se fala em qualidade de vida pensa-se imediatamente em água. O ser humano tem necessidade de água de qualidade e em abundância, água para beber, para cozinhar, tomar banho e lavar as coisas, e, para produção de alimentos.

Isso significa que preservar o meio ambiente é perpetuar a espécie humana. O homem é o único animal que agride o meio ambiente em que vive para obter seu conforto e produzir riqueza.

Diante disso, é preciso saber e utilizar o consumo sustentável, que significa utilizar os recursos naturais para satisfazer as necessidades, sem comprometer as aspirações das gerações futuras. Precisa-se somente dar mais atenção com o que está ao redor e ao ambiente.

Cumpre salientar que tem-se que apenas 1% de água, distribuída desigualmente pela Terra para atender a população mundial! E esse pouco de água que nos resta está ameaçado, pois somente agora se percebem os riscos que representam os esgotos, o lixo, os resíduos de agrotóxicos e industriais. Cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade nesse conjunto de agentes poluidores.

Apesar de muitas pessoas entenderem que o ciclo natural da água promove a sua recuperação, na prática não é o que se observa, tendo em vista os inúmeros fatores que interferem neste ciclo hidrológico. A falta de água traz como efeito à seca, que possui diversas faces dependendo da ótica da observação. A mais comum é a seca climatológica, que desencadeia o processo, seguida da seca das terras e a consequente seca social, com os respectivos danos e mazelas causados. A seca hidrológica representa a falta de água nos reservatórios e mananciais. 10

Para TONELLO (2005), á água é um recurso peculiar, não somente pela sua amplitude de utilização, mas também por ser um excelente educador ambiental da qualidade da manipulação do solo pelo homem. Segundo este autor, as águas dos cursos que drenam uma região apresentam características físico-químicas próprias, que refletem as atividades de uso na terra na respectiva bacia hidrográfica.

Atualmente a atenção que tem sido dada ao tema água não está restrita a apenas uma área específica. Esse recurso natural tem sido objeto de debates internacionais sobre usos, conflitos e gestão das águas há pelo menos 35 anos, quando a Organização das Nações Unidas assumiu a coordenação destas discussões (ASSUNÇÃO e BURSZTYN, 2002).

No Brasil, a preocupação com a gestão das águas se intensificou com o passar dos anos. Em 1997 surgiu uma lei federal que sintetiza as principais diretrizes e recomendações das grandes conferências internacionais sobre a questão da água. A Lei n° 9.433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos (BRASIL, 1997) é hoje a referência de vanguarda para a gestão das águas no Brasil.

Por isso, dentre os problemas ambientais enfrentados hoje, a crise da água talvez seja a mais grave, já que a situação de sua escassez em termos de qualidade afeta em maior ou menor grau, todos os países do mundo, inclusive o Brasil (CHRISTOFIDIS, 2002).

Sabe-se que não dá para viver sem água, então, a saída é fazer um uso racional deste precioso recurso natural. A água deve ser usada com muita responsabilidade.

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2. PROBLEMAS AMBIENTAIS: DIFERENTES GRAUS DE RESPONSABILIDADES

O crescimento populacional sempre foi um dos aspectos principais envolvidos na discussão. Desde MALTHUS o binômio crescimento populacional/pressão sobre recursos, vem sendo constantemente retomado, sob diversas maneiras.

Entretanto, com a diminuição das taxas de crescimento populacional, que se verifica na maioria dos países do Mundo, especialmente no Brasil, essa questão adquire outra perspectiva. A concentração da população em determinadas regiões pode vir a se constituir, em um futuro não muito distante, em dificuldade para a sustentabilidade dessas regiões.

GEORGE MARTINE (1993), discutindo a relação entre população, meio ambiente e desenvolvimento, afirma que as questões ambientais que afetam de maneira mais direta o quotidiano da maioria da população brasileira deverão ser resolvidas no âmbito de espaços urbanos construídos ou em construção, e não em espaços naturais ou intocados. Segundo esse autor, o Brasil vai participar dos problemas ambientais globais, em grande parte, através do que ocorre em suas áreas de adensamento demográfico e não através de sua mata, ou seja, tudo se contribuirá para o efeito estufa e para a depleção da camada de ozônio, e principalmente no espaço urbano.

MARTINE (1993), nesse texto, está preocupado em demonstrar que existem problemas ambientais globais (como efeito estufa, buraco na camada de ozônio, perda da biodiversidade) e problemas ambientais locais ou regionais, associados principalmente a situações de pobreza (falta de saneamento, condições inadequadas de moradia,...) e esgotamento de recursos naturais (água, solos,...). A responsabilidade por esses problemas é diferenciada também de acordo com as condições econômicas dos países.

Assim, os problemas ambientais globais, exceto no caso da perda de biodiversidade, seriam resultado, majoritariamente, do padrão de consumo dos países mais industrializados.

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Enquanto isso, os países menos industrializados estariam envolvidos em problemas como a desertificação, o desmatamento, enchentes, esgotamento de recursos naturais, além de problemas emergentes como poluição do ar, da água e chuva ácida.

A contribuição relativa dos diferentes países para os diversos problemas ambientais apresenta-se de forma diferenciada. Atualmente, pode-se concluir que os países de industrialização mais avançada possuem a maior parcela de responsabilidade, provocando a maioria dos problemas ambientais mais sérios, como o efeito estufa, a diminuição da camada de ozônio e o acúmulo de lixo tóxico.

De acordo com MARTINE (1993), é justamente por isso que para os países desenvolvidos, o discurso neomalthusiano, relacionando os problemas ambientais apenas ao crescimento populacional, é mais tranquilizador porque "lhes evita ter que fazer um exame crítico da civilização industrial ou da sua responsabilidade na degradação ambiental global".

Aos países menos industrializados cabe a responsabilidade sobre outros tipos de problemas como a desertificação, o desmatamento, as enchentes, o esgotamento de recursos naturais, particularmente da água, onde há uma relação mais direta da pobreza e do crescimento demográfico com o problema ambiental.

Portanto, não se pode atribuir o atual grau de degradação ambiental global apenas ao crescimento da população, mas principalmente aos padrões de produção e consumo que vêm caracterizando a industrialização. Desse modo, MARTINE (1993) indica que "a trajetória futura da problemática ambiental mundial dependerá basicamente da evolução de dois fatores:

a) do grau de incorporação de países atualmente subdesenvolvidos aos padrões de produção e consumo que prevalecem nas sociedades industrializadas; b) do ritmo de desenvolvimento e adoção de tecnologias que permitam padrões de produção e consumo mais condizentes com o bem-estar ambiental, tanto nos países atualmente desenvolvidos, como naqueles que deverão se desenvolver durante o intervalo."

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2.1. QUAL A SITUAÇÃO AMBIENTAL DO PLANETA NESSE COMEÇO DE MILÊNIO?

Iniciou-se o terceiro milênio enfrentando um vasto número de problemas ambientais, que ameaçam não só o equilíbrio ecológico do planeta, como a vida de sua biodiversidade, inclusive a vida humana. Isso nos impõe uma reflexão mais cuidadosa sobre algumas questões existenciais de crucial importância: Será que o planeta tem condições de superar e sobreviver a esses problemas? Qual a situação atual do meio ambiente planetário?

Para que se possa refletir sobre tais indagações é importante que se faça uma sintética avaliação dos principais problemas ambientais que nos ameaçam nesse começo de milênio. Impõe-se imediatamente que, pela relevância e urgência de seu enfoque, uma vez que representam perigo iminente ao planeta, a despeito da existência de inúmeros outros, com os seguintes fatores de degradação ambiental: Falta de água; Desmatamento; Aquecimento global; Buraco na camada de ozônio; Chuva ácida; Lixo; Perda da biodiversidade; Poluição; Queimadas; Superpopulação.

De todos estes problemas, à carência ou má qualidade da água, é o mais grave, pois ninguém desconhece a gravidade de tal situação hoje em dia. A princípio observa-se que, apesar de a Terra ser um planeta coberto por mais de dois terços de água, quase toda ela é composta por água salgada, de difícil utilização.

A água não só nutre toda forma de vida que se conhece no planeta, como é essencial a todos os processos de existência do homem. Privado de água o ser humano, em poucos dias, perece de sede, inanição e desidratação, ou de outras doenças relacionadas à sua carência.

O corpo humano é composto de cerca de 70% (setenta por cento) de água e para manter-se funcionando normal e sadiamente necessita que sejam ingeridos, por dia, de dois a três litros de água limpa, saudável e potável, mesmo porque, em período idêntico, pode chegar a perder mais de quatro litros de água, pela transpiração, pela urina, pela respiração e pelas fezes.

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Uma das grandes preocupações, em todo o mundo, é o desperdício de água. No Brasil, por exemplo, vê-se que enquanto a média ideal de gasto de água por dia por pessoa é de quarenta litros, a média de utilização ultrapassa aos duzentos litros.

Recentemente, o brasileiro conviveu com o risco de apagões e com racionamento de luz. Em futuro bastante próximo, provavelmente se sujeitará a racionamento não só de luz, como da própria água.

Os problemas da carência de água, a nível global, ocorrem, principalmente, em razão de distribuição irregular dos reservatórios, de contaminação, da poluição, do desperdício e da maior demanda ocasionada pelo crescimento demográfico e pela ampliação dos rebanhos.

Mais de um bilhão da população mundial, ou seja, mais de um sexto dessa população, não tem acesso à água potável ou tratada, enquanto mais de vinte e cinco mil pessoas morrem por dia por carência de água.

No Brasil, mais da metade dos municípios não possuem água tratada e a água existente é permanentemente contaminada por sujeiras e detritos que a tornam imprestável e até estéril. A poluição dos mananciais, aqui, se dá, principalmente, na região sul, por pesticidas, agrotóxicos e outros produtos químicos; na região sudeste, além dessas causas, as maiores fontes de poluição são dos esgotos industriais e residenciais; no centro, grande problema é causado por metais tóxicos, como o mercúrio usado nos garimpos.

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3. A ESCASSEZ DA ÁGUA NO MUNDO

A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder.

As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais.

Em regiões onde a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, a média diária de consumo de água por pessoa é de dez a quinze litros/dia. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.

Segundo a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vão para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico.

Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, tem-se a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água. Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior.

A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões (ou mais) de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água.

Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para 16

beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos.

Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado como exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água.

Calcula-se a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas.

Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos.

Os lençóis freáticos estão hoje caindo nas principais regiões produtoras de alimentos: - a planície norte da China; - o Punjab na Índia; - o sul das Great Plains dos Estados Unidos, que faz do país o maior exportador mundial de grãos;

A extração excessiva é um fenômeno novo, em geral restrito a última metade do século. Só após o desenvolvimento de bombas poderosas a diesel ou elétricas, tivemos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com uma rapidez maior do que sua recarga pela chuva.

Além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar.

A industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também, gera demanda adicional, à medida que as pessoas 17

ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos.

Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos. Estes governos não podem mais separar a política populacional do abastecimento de água.

Da mesma forma que o mundo voltou-se à elevação da produtividade da terra há meio século, quando as fronteiras agrícolas desapareceram, agora também deve voltar-se à elevação da produtividade hídrica.

O primeiro passo em direção a esse objetivo é eliminar os subsídios da água que incentivam a ineficiência.

O segundo passo é aumentar o preço da água, para refletir seu custo. A mudança para tecnologias, lavouras e formas de proteína animal mais eficiente em termos de economia de água proporcionam um imenso potencial para a elevação da produtividade hídrica. Estas mudanças serão mais rápidas se o preço da água for mais representativo que seu valor.

Com esta conscientização cada vez mais crescente, cada nação vem se preparando ao longo do tempo para a valorização e valoração de seus recursos naturais.

A escassez de água, que já foi motivo para muitas guerras no passado, pode, cada vez mais, agir como catalisador no conjunto de causas ligadas a qualquer conflito futuro. A questão mais importante neste século, para muitos países, pode ser o controle dos recursos hídricos. A comunidade internacional deve reconhecer a escassez de água como poderosa e crescente força de instabilidade social e política e atribuir à crise da água a prioridade devida na agenda política internacional.

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3.1. POR QUE A COMUNIDADE DA TERRA ESTÁ ENFRENTANDO UMA CRISE AMBIENTAL? Ao longo do tempo, os seres humanos, desenvolvem diferentes formas de relacionamento com a natureza. KLUCKHOHN (1953:32, apud. Hutchison, 2000), por exemplo, defende a existência de três orientações distintas e contrastantes de relação entre seres humanos e o mundo natural, que foram construídas no desenrolar da história.

A primeira orientação observa o ser humano como subjugado à natureza. Nessa abordagem, a natureza era vista como uma entidade do “mal”, algo onipotente, onde a humanidade era incapaz de entender seus fenômenos. O ambiente natural era tido como algo que não se podia explicar ou manejar. Essa orientação teve sua origem nas sociedades medievais, que consideravam a natureza como sendo perigosa.

A segunda abordagem trata o ser humano como sendo o dominador da natureza. Essa forma de relação teve suas raízes nas sociedades ocidentais, durante as Revoluções Científicas e Industriais. Nessa concepção, o ser humano exerce uma posição superior em relação ao mundo natural. Aqui, a natureza é encarada como um recurso que está à disposição dos seres humanos. Nesse caso, a natureza pode ser submetida às diversas formas de exploração, mas, visando um só objetivo: “o bem-estar da humanidade”. A Ciência, diante dessa abordagem, propõe “revelar os segredos da natureza”, com a finalidade de “domá-la” e “explorar seus recursos ainda não-descobertos” (HUTCHISON, 2000:32).

Também a Bíblia, em seus escritos no livro das origens (Gênesis), aponta uma separação entre ser humano e natureza, quando relata:...Então Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra...

Desse modo, homem e natureza são entidades distintas. E o homem foi criado para dominar a natureza, portanto, ela existe para servi-lo.

A terceira e última orientação observa seres humanos como sendo parte implícita da natureza. Aqui, homens, mulheres, crianças e idosos são apontados como 19

membros que não podem estar dissociados do ambiente natural, ou seja, somos na verdade parte de um complexo único e interconectado com o cosmos. Vale salientar a idéia de “comunidade da Terra”, que é bem clara nessa abordagem, pois a espécie humana (Homo sapiens, ou seja, aquele que sabe duplamente) é vista como mais uma habitando esse imenso e dinâmico planeta, e qualquer agressão sofrida por esse último será refletida em toda a comunidade da Terra.

Nessa perspectiva, a harmonia ambiental é a eterna busca. Os autores GUTIERREZ e PRADO (2000) afirmam que "A harmonia ambiental supõe tolerância, respeito, igualdade social, cultural, de gênero e aceitação da biodiversidade".

Por um lado, observou-se a opção de seguirmos o caminho tecnozóico, que prega soluções para os problemas do mundo a partir da capacidade inventiva da ciência e da tecnologia, bem clara no relato a seguir:

- GUTIERREZ e PRADO (2000) ressaltam que “Como cientista, não vejo barreiras para um belo futuro para a América e para a humanidade. Não importando as tendências atuais, muitos minerais eventualmente tornar-se-ão mais escassos e caros, mas podem-se desenvolver substitutos para eles. As dificuldades de suprimento de alimentos e as dificuldades ambientais podem também aumentar, mas podem ser solucionadas. A única coisa que precisa-se para lidar com esses problemas é um suprimento abundante e duradouro de energia barata, que está prontamente disponível em reatores nucleares.”

A situação da Terra e dos seres vivos que nela se encontram é caótica. Em pleno início do século XXI podem-se observar os maiores avanços nas áreas da ciência e da tecnologia, no entanto, ainda enfrentam-se problemas graves nos campos sociais e ambientais (ou melhor, socioambiental). A fome, a falta de acesso à educação, escassez de água, destruição do meio ambiente, pobreza, aumento exponencial da população, extinção de espécies animais e vegetais, são apenas alguns exemplos.

Nunca, em toda história da humanidade, ouviu-se falar tanto em degradação ambiental.

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Nos dias atuais, dá até status ser defensor da natureza, onde observou-se um grande número de pessoas e entidades se comprometendo com a luta em defesa do meio ambiente. Outros até cometem o erro quando dizem: “Vamos preservar a Ecologia!”, como se a ciência Ecologia fosse a própria natureza.

Desse modo, criou-se uma banalização da causa ambiental, ou, como afirma GRUN (1996:15), uma “ecologização”, onde o meio ambiente deixou de ser assunto exclusivo dos amantes da natureza, mas, de toda sociedade civil. Então, por que a comunidade da Terra está enfrentando a maior crise ambiental de todos os tempos? Por que não se consegue resolver os “impasses” ambientais na mesma velocidade que se avança as descobertas científicas e tecnológicas? Para que fazem ciência? Para quem...

Nesse sentido, é crucial resgatar mais uma vez algumas questões de cunho filosófico para tentar explicar as razões pelas quais está ocorrendo essa real crise ambiental. Será que a culpa de toda a crise ambiental está no Cartesianismo de Descartes (1596-1650), que durante o desenvolvimento da Ciência ensinou a enxergar o todo de forma separada (fragmentada), sendo a natureza comparada a uma máquina? Sendo assim, seres humanos e natureza deveriam existir mesmo como entidades distintas...

Outros grandes pensadores compartilharam dessa abordagem, tais como, GALILEU (1564- 1642), FRANCIS BACON (1561-1626) e ISAAC NEWTON (1642-1727). Também, pode-se dizer que se perdeu, nesse período, a sensibilidade de olhar o mundo. A natureza de cores, tamanhos, sons, cheiros e toques, foram substituídos por um mundo “sem qualidades” (GRUN, 1996:27).

A natureza também era comparada ao funcionamento de um relógio, e a humanidade, na época dessas transformações de idéia de natureza, ocorridas nos séculos XVI e XVII, passou a ocupar outro lugar no mundo. Aí, começou a prevalecer a idéia de natureza como objeto. Mas, houve nessa época, movimentos contrários ao cartesianismo, como por exemplo, o Movimento Romântico na arte, literatura e filosofia, no final do século XVIII e no século XIX (CAPRA, 1996:35).

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Nesse movimento, houve um retorno à visão organísmica de natureza, tendo como figura central Goethe, que admirava a “ordem móvel” (bewegliche ordnung) da natureza e concebia a forma como um padrão de relações dentro de um todo organizado (CAPRA, op.cit.). Essa era a principal idéia do pensamento sistêmico contemporâneo.

Diante dessa perspectiva, surgiu o novo paradigma científico, aquele que transformou a visão do mundo, partindo de uma concepção mecanicista, de Descartes e Newton, para uma visão holístico-sistêmica. E a partir desse novo paradigma, deve-se tentar resolver os problemas da Terra olhando para ela como um sistema vivo, único e complexo, para então podermos avançar nessa discussão (que envolve ação), pois enquanto se pensar num ambiente não-complexo, em que os seres humanos não estão inclusos, não se chegará a lugar nenhum. Talvez seja impossível calcular os problemas de natureza socioambiental existentes no planeta e mais ainda, os danos irreversíveis causados. Mas sempre se ouve, ou está acostumado a dizer: a culpa é do homem, incorrendo em dois grandes erros.

Primeiro, porque existe um machismo embutido nessa frase, parecendo que só os homens destroem a natureza.

Segundo, porque há uma generalização, pois, será que todos os “homens” ou “mulheres” do planeta estão destruindo o ambiente? Ou há determinados grupos de seres humanos (populações) agindo de modo mais destrutivo que outros? Nessa discussão, pode-se citar, por exemplo, algumas populações humanas que se relacionam com o ambiente de forma harmônica, não cabendo de forma alguma a culpa de ser o homem o destruidor da natureza. Essas populações (de índios, pescadores, ribeirinhos...) entendem muito bem o que é aproveitar o recurso disponível de forma racional, sem nunca terem ouvido falar em desenvolvimento sustentável, termo criado por trás dos muros da Academia e utilizado por cientistas e intelectuais. Ainda assim, muitas vezes ignora-se o saber (o conhecimento) popular pelo fato de não ter sido produzido por cientistas renomados.

Fazendo referência a esse tipo de preconceito, o geógrafo CARLOS W. P. GONÇALVES, em entrevista à Revista Senac & Educação Ambiental, citou a seguinte frase: “Quando você entra numa floresta com um mateiro falando “nós vai pra ali” e “nós vai pra lá”, ele vai te levar no lugar certo, e você, cheio de concordância verbal, não vai chegar a 22

lugar nenhum.” E ainda, de forma pejorativa, denomina-se essas populações de “tradicionais”, ignorando, muitas vezes, toda e qualquer forma de saber empírico existente.

Outro aspecto relevante é que essas populações não destroem o ambiente, justamente porque conhecem os valores dos recursos naturais disponíveis, portanto, não se pode valorizar “riquezas” que não conhece. Esses povos olham para a natureza como sendo parte dela e não donos dela.

Nesse mundo contemporâneo, destroem-se imensas florestas para construção de complexos turísticos, compram-se animais silvestres para divertir as crianças, modifica-se cursos de rios para adaptar algumas obras aos moldes exigidos... Realmente, quase sempre (ou sempre), a natureza está para todos e dificilmente todos estão para ela! ...à medida que a transformação artificial da natureza avança, a presença junto a ela diminui. Vive-se em um mundo industrial devastado, feito de cabos, de rodas e de máquinas, de aço e de plástico, de terra coberta por asfalto e por mares poluídos. Os antepassados mais remotos viviam em meio às estrelas. Os afazeres humanos eram coordenados com o movimento do céu e com a seqüência das estações, com a aurora e com o crepúsculo, com o ir e vir dos animais em suas jornadas migratórias (BERRY, apud. Hutchison, 2000).

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4. O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E A ÁGUA

Noventa e sete por cento da água existente no planeta Terra é salgada (mares e oceanos), dois por cento formam geleiras inacessíveis e, apenas um por cento é água doce, armazenada em lençóis subterrâneos, rios e lagos...

Sabe-se que não dá para viver sem água, então, a saída é fazer um uso racional deste precioso recurso natural. A água deve ser usada com muita responsabilidade.

Observa-se então que o desenvolvimento sustentável em escala humana é aquele que se centra na busca da satisfação das necessidades fundamentais da população e na elevação de sua qualidade de vida através do manejo racional dos recursos naturais, sua conservação, recuperação, melhoria e uso adequado.

Inclui também processos participativos e esforços locais e regionais para que tanto esta geração como as futuras tenham a possibilidade de desfrutá-los e de garantir a sobrevivência da espécie humana e do planeta.

Alguns dos fatores que podem ser considerados como determinantes no conceito de desenvolvimento sustentável - todos eles intimamente relacionados - são os seguintes: − − − − − − −

Satisfação das necessidades básicas e bem-estar geral da população; Uso racional dos recursos naturais; Desenvolvimento econômico, incluída a valoração integral dos fatores ambientais; Equidade intra e intergerações, equidade intergênero e inter-étnica; Uso, adequação e desenvolvimento de tecnologia e de processos ambientalmente

apropriados; Participação social em todas as etapas do desenvolvimento; Reconhecimento da diversidade cultural e dos estilos de vida e de suas

potencialidades.

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Portanto, a referência à água é permanente, já que por seu valor ecológico e sua contribuição em todos os ecossistemas é um ponto fundamental.

Adicionalmente, a água e o saneamento ambiental aparecem estreitamente vinculados à dimensão social e econômica do desenvolvimento sustentável e, se os objetivos do desenvolvimento sustentável incluem a luta contra a pobreza, a promoção social, o fomento das atividades econômicas e a proteção do ambiente, então fica evidente que a água é um dos elementos centrais do desenvolvimento sustentável.

4.1. PRINCÍPIOS GENÉRICOS DA SUSTENTABILIDADE

A sustentabilidade pode ser conceituada a partir de diversos enfoques, possuindo, desta forma, diversos princípios que devem ser considerados na construção de cenários atuais e futuros. MILANEZ e TEIXEIRA (2001) sistematizaram, a partir de diversas referências consultadas, princípios relacionados à sustentabilidade de maneira genérica, ou seja, que podem ser aplicados a qualquer tema. Assim, foram identificados os seguintes princípios:

a) Elementar (considera o ser humano como foco); b) Paz (resolução de conflitos sem uso de violência); c) Soberania e relações internacionais; d) Integração das dimensões da sustentabilidade; e) Uso dos recursos naturais (conservação, ciclagem); f) Solidariedade intergeracional; g) Equidade (atendimento das necessidades básicas de todos); h) Geração de renda (trabalho, segurança social); i) Cooperação e participação; j) Contextualização local (inclusive cultural); k) Avaliação de impactos sociais e ambientais; l) Precautório (agir com precaução na incerteza); m) Preventivo; n) Compensatório; 25

o) Poluidor/Usuário pagador.

Analisando os princípios genéricos da sustentabilidade destacados com relação aos enfoques possíveis para este tema observa-se que este conjunto de princípios é coerente para diversos objetos de estudo, abrangendo os aspectos citados anteriormente, como por exemplo, o desenvolvimento humano, cooperação e participação, sigla de acordo com lista de princípios sistematizada acima; integração ecológica, econômica, política, tecnológica e de sistemas sociais; conexão entre objetivos sócio-políticos, econômicos e ambientais; equidade; prudência ecológica; e segurança em relação à saúde e qualidade de vida.

4.2. SUSTENTABILIDADE DO DESENVOLVIMENTO

Segundo SAMPAIO (2002), dentro de uma concepção preventiva, a problemática ambiental reflete a percepção de que o volume de impactos destrutivos gerados pela ação antrópica sobre os ecossistemas tem-se ampliado a horizontes de médio e longo prazo, de modo a se repensar as atuais formas de desenvolvimento, tanto capitalistas como socialistas, favorecendo uma internalização efetiva do meio ambiente, enquanto recursos naturais, espaço e qualidade do habitat, para que se transcenda a preocupação por suas repercussões no plano puramente biofísico, como também no processo de intercâmbio entre fatores geo biofísicos e sócio-culturais.

O tema Desenvolvimento Sustentável, pode ser visto como a palavra-chave desta época, sendo que existem numerosas definições. Embora existam várias definições, ou talvez devido exatamente a este fato, não se sabe ou não se tem uma concordância sobre o que realmente este termo significa (BENETTI, 2006). As definições mais conhecidas e citadas são as do relatório de Brundtland e a da própria Agenda 21. Para os dois documentos citados, o Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades (CMMAD, 1991).

Segundo os documentos da Agenda 21 (2000), o conceito de Desenvolvimento Sustentável contém dois elementos essenciais: o conceito de “necessidade”, sobretudo as 26

necessidades fundamentais dos seres humanos, que devem receber a máxima prioridade; e, a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõem ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras.

O tema Desenvolvimento Sustentável é claramente carregado de valores, nos quais existe uma forte relação entre os princípios, a ética, as crenças e os valores que fundamentam uma sociedade ou comunidade e sua concepção de sustentabilidade. A diferença nas definições é decorrente das diferentes abordagens que se tem sobre o conceito (BENETTI, 2006).

BUARQUE (2002) acredita que a busca por um novo modelo de Desenvolvimento Sustentável no decorrer do tempo, é necessária e “a questão não é quanto irá custar para se realizar esta transformação, e sim quanto custará se falharmos”. Para tanto é fundamental que se reconheçam as múltiplas dimensões da sustentabilidade e os múltiplos objetivos dos meios de vida das pessoas. No entanto, com a diversidade vêm os conflitos. São inevitáveis os conflitos dentre os resultados dos meios de vida das pessoas com as dimensões e os resultados da sustentabilidade.

Dessa forma, o Desenvolvimento Sustentável não deve ser visto como algo perfeito, acabado e completo, é necessário considerar a desordem, o obscuro, a incerteza, e, principalmente, a incompletude do conhecimento para se pensar o ambiente. E esta proposta configura-se como um objeto a ser alcançado pela sociedade e pela ciência para a construção de um modo de vida mais sustentável (MELLO, 2003).

4.3. DIREITO À ÁGUA E A SUSTENTABILIDADE HÍDRICA

De todos os recursos ambientais a água é, inquestionavelmente, o mais importante. Não existe nenhuma forma de vida conhecida que não precise dela para sobreviver e para se desenvolver. Além de indispensável à vida, a água doce é o suporte da maioria das atividades econômicas e sociais, como abastecimento público, agricultura, geração de energia, indústria, pecuária, recreação, transporte e turismo. Historicamente, o

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desenvolvimento cultural e econômico das grandes civilizações sempre esteve relacionado à disposição desse recurso.

Conhecida cientificamente como “hidróxido de hidrogênio” ou “monóxido de di-hidrogênio”, a água é uma substância líquida composta por hidrogênio e oxigênio cuja fórmula química é H2O. É uma substância que existe de maneira abundante, chegando a cobrir três quartos da superfície planetária, podendo ser encontrada na forma de oceanos, calotas polares, nuvens, água de chuva, aquíferos ou gelo. O problema é que, de toda a água existente, somente três por cento da água no planeta é doce, e, mesmo assim, parte significativa desse reduzido percentual está inacessível.

Faz algumas décadas que o uso e o consumo da água doce parecem estar chegando a um impasse, principalmente por causa da degradação, do desperdício, da explosão demográfica, da má distribuição e do modelo insustentável de desenvolvimento econômico adotado pela maioria dos países. De fato, de todos os problemas ambientais a escassez quantitativa e qualitativa da água doce parece ser, incomparavelmente, o mais grave e urgente.

Enquanto a quantidade de água no planeta tem permanecido praticamente inalterada nos últimos quinhentos milhões de anos, o crescimento demográfico atinge proporções nunca alcançadas. O ciclo hidrológico, que é o processo de circulação das águas, incluindo os fenômenos de evaporação, precipitação, transporte, escoamento superficial, infiltração, retenção e percolação, é quase o mesmo de cem, duzentos ou dois mil anos atrás. Calcula-se que existem no planeta atualmente cerca de cinco bilhões e meio de pessoas e que, em vinte anos, haverá oito bilhões e meio, já que a população aumenta à razão de noventa milhões de pessoas a cada ano.

No entanto, faz um século que o consumo de água doce cresce em ritmo pelo menos duas vezes maior do que o aumento populacional. Isso significa que se uma das causas da escassez é o aumento populacional, de outro lado o aumento do consumo por pessoa também serve como causa disso. Além de quantitativa, a escassez também pode ser qualitativa, em virtude do lançamento de matérias ou energia na água em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Normalmente, a poluição hídrica é causada pelo 28

lançamento de esgoto residencial, de resíduos industriais ou de fertilizantes agrícolas em quantidade acima da capacidade de resiliência do corpo hídrico em questão. Inclusive, a água contaminada é a maior causa de mortalidade infantil em todo o planeta.

Outro aspecto de grande relevância nessa problemática é a distribuição, pois enquanto em alguns países os recursos hídricos existem em abundância, em outros há escassez, e, às vezes, o mesmo país possui áreas de abundância e áreas de escassez. Nos lugares de escassez a tendência é aumentar o número de conflitos, e, nos lugares de abundância o desperdício e a poluição podem reduzir a disponibilidade desse recurso. Isso significa que, além de quantidade e da qualidade, a água precisa também ser bem distribuída.

A comunidade cientifica alerta que o acesso à água doce, que serve para o consumo humano e animal, será cada vez mais difícil. Infelizmente, é possível até imaginar, como aconteceu recentemente com o petróleo, que em poucos anos a água seja motivo para guerras de grande proporção. Em certo aspecto a guerra hídrica já é uma realidade, pois há tempos Síria, Líbano e Jordânia competem pelo acesso às águas do rio Jordão; Índia e Paquistão pelo acesso às águas do rio Indo; e Índia e Blangadesh pelo acesso às águas do rio Ganges. Tais conflitos também ocorrem, e inclusive com maior intensidade, no âmbito interno de cada país, colocando em lados separados os vários atores políticos interessados na utilização da água.

Em vários países a falta de água doce é um processo crônico, a exemplo da Arábia Saudita, da Argélia, da Bélgica, do Egito, de Israel e do Kwait. No Brasil, a escassez é frequente em Estados como Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do Distrito Federal e da região metropolitana de São Paulo.

Diante desse quadro, faz-se necessário que cada Estado passe a controlar a utilização da água doce por meio de um sistema de gerenciamento de recursos hídricos eficiente, de forma a manter a quantidade e a qualidade desse bem e a promover o seu acesso por parte da população. Com esse objetivo foi editada a Lei n° 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, modificando significativamente o regime jurídico brasileiro da água.

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Ao estabelecer o direito à água das gerações presentes e futuras e a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, a lei em comento consagrou expressamente o desenvolvimento sustentável como objetivo da Política Nacional de Recursos Hídricos. Por sustentabilidade hídrica se deve compreender a disponibilidade quantitativa, a disponibilidade qualitativa e o acesso equitativo, dentro dos usos e das necessidades de cada bacia hidrográfica.

O Brasil, por ser detentor de quinze por cento da água doce existente no mundo e possuidor de bacias hidrográficas de enorme relevância, a exemplo a do Amazonas, do Tocantins, do São Francisco, do Paraná, do Paraguai e do Uruguai, possui uma especial responsabilidade nesse tipo de assunto. Nesse sentido, a Lei n° 9.433/97 representou um passo importante, mas é preciso avançar em ações efetivas e na promoção de uma educação ambiental que alcance verdadeiramente a todos.

É sabido que a questão da água, seja no que diz respeito à quantidade, à qualidade e ao acesso equitativo, é a mais urgente de toda a problemática ambiental. Logo, a água não é um mero insumo dentro da cadeia produtiva, como os detentores do capital gostariam que fosse, devendo ser compreendida como um direito fundamental da pessoa humana, de forma que o seu acesso deve ter prioridade absoluta em relação ao orçamento público e às demais políticas públicas.

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5. O SÉCULO 21 E A CRISE DA ÁGUA

O desperdício de água é hoje uma das grandes ameaças ao futuro promissor da agricultura brasileira. Para a Agência Nacional das Águas, esse desperdício pode comprometer seriamente o desempenho do setor.

O Professor ALDO REBOUÇAS (1999) da Universidade de São Paulo, que é um dos maiores especialistas em água no mundo, dá a dimensão do problema hoje: “mais da metade da água usada nas lavouras do Brasil é desperdiçada”.

A agricultura não deve ser sinônimo de desperdício de água. Segundo JERSON KELMAN (2004), para a situação da agricultura no Brasil hoje, ele dá nota cinco, pois segundo ele “temos muito progresso para fazer, e que a agricultura é a principal usuária da água como recurso natural.”.

Depois da agricultura, o grande consumo de água no setor produtivo acontece nas indústrias. Nas mais variadas etapas do processo de produção, o uso da água é imprescindível e a preocupação com o desperdício já é uma realidade.

Observa-se que nenhum outro país do mundo tem tanta água como o Brasil. Somos uma nação generosamente irrigada por 12 mil rios e córregos e que detém, na bacia do rio Amazonas, a maior concentração de água doce do planeta. Mas o que é abundante na região Norte está se tornando rapidamente escasso no resto do País. Este é o mapa da vergonha.

A poluição das águas custa caro ao Brasil. Gera prejuízos para a indústria, o turismo, a pesca e outros setores importantes da economia. Mas o maior problema é o da saúde pública, das doenças transmitidas pela água.

Á água contaminada mata, aproximadamente, 50 pessoas por dia. É responsável pela maioria das enfermidades em crianças de zero a 6 anos que sofrem com diarréia, hepatite e febre tifóide. Segundo ODIR CLÉCIO DA CRUZ, doutor em Engenharia Ambiental pela Fundação Oswaldo Cruz, a água contaminada responde pelo maior número de 31

internações na rede pública de saúde: “Pesquisas da Organização Mundial da Saúde e também da Organização Panamericana de Saúde mostram que cerca de 65 % dos leitos hospitalares estão ocupados por pessoas doentes pela ausência de saneamento. O maior número de casos de mortalidade infantil geralmente é causado por diarréias infecciosas, devido à ausência de saneamento”.

O país campeão mundial de água doce está perdendo a guerra contra o desperdício e a poluição. De nada adianta ter o maior estoque de água limpa do planeta concentrado na Amazônia se, no resto do Brasil, o uso descontrolado da água ameaça a economia e a saúde da população.

A água existe na Terra nas fases sólida, líquida e gasosa, que estão ligadas entre si num ciclo fechado, o ciclo da água. Os primeiros astronautas que viram a Terra do espaço a denominaram o Planeta Azul, pois cerca de dois terços da sua superfície são cobertos pela água dos mares e oceanos.

A Água doce é fundamental para a manutenção da vida nos ecossistemas terrestres e, portanto, para a sobrevivência do homem na biosfera. Entretanto, apenas 2,59% do volume total de água existente na Terra é de água doce, sendo que mais de 99% estão sob a forma de gelo ou neve nas regiões polares ou em aqüíferos muito profundos. Do restante, quase metade está nos corpos dos animais e vegetais (biota), como umidade do solo e como vapor d'água na atmosfera, e a outra metade está disponível em rios e lagos.

Além disso, como o regime de chuvas varia muito entre as diferentes áreas de um mesmo continente e a população não está distribuída de forma homogênea, a disponibilidade de água doce per capita é bastante desigual nas várias regiões do planeta: desde níveis extremamente baixos, de 1.000 m3/ano per capita, até níveis muito elevados, superiores a 50.000 m3/ano. Variações climáticas periódicas podem agravar as secas, provocando morte e sofrimento humano, e também causar as enchentes, que são um dos piores desastres naturais em termos de vítimas e de danos vultosos às propriedades e aos solos agrícolas.

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O crescimento populacional, particularmente nos países em desenvolvimento, e a maior demanda de água para usos agrícola e industrial, provocaram o aumento do consumo global de água de 1.060 Km3/ano para 4.130 Km3/ano nos últimos 50 anos.

Entre 1900 e 1995, o consumo total de água para as atividades humanas (agrícola, industrial, doméstica e outras) cresceu seis vezes, que é mais do que o dobro do crescimento da população mundial neste período. O aumento do consumo é maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, em virtude do crescimento da população. As Nações Unidas prevêem a estabilização do crescimento populacional somente entre o final do Século 21 e o ano 2.110, mas mais de 90% deste crescimento ocorrerá nos países em desenvolvimento. Sem dúvida, a água será um recurso limitante no Século 21 e vai atingir mais severamente os países que estão se desenvolvendo.

Outros fatores preocupantes, além do crescimento demográfico, são a melhorias do nível de vida de parte da população (que terão acesso mais fácil à água) e o aumento da área irrigada e das atividades industriais.

Entre os diversos usos da água, a irrigação é a que apresenta o maior desperdício, pois cerca de metade da água utilizada para este fim não atinge as plantações, perdida pela infiltração no solo. Para se produzir uma tonelada de grãos são necessárias mil toneladas de água, e para uma tonelada de arroz, duas mil toneladas de água. Além disso, sistemas de irrigação mal planejados e ou mal operados podem provocar a salinização e degradação dos solos. A melhoria da eficiência dos sistemas de irrigação é, portanto, uma das condições prioritárias para se atingir o desenvolvimento sustentável.

Embora a água seja um recurso renovável, sua quantidade é limitada: menos de 200 mil quilômetros cúbicos estão disponíveis em rios e lagos. Esta quantidade era suficiente em 1900, quando cerca de 2 bilhões de habitantes viviam no planeta. Agora, somos 6 bilhões, e como a água não está distribuída de forma proporcional à população existente, a quantidade de água disponível já chega perto do limite: 40% da população mundial já sofre de escassez de água. Imaginem como será o ano 2025, quando a mesma quantidade de água deverá atender 3 bilhões de pessoas a mais!

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O suprimento global de água vai permanecer constante ou poder sofrer um pequeno acréscimo em virtude das mudanças climáticas - maior temperatura global gerando maior quantidade de vapor d'água. Considera-se que, a degradação ambiental é provocada pelos desmatamentos, principalmente nas nascentes, e pela poluição dos recursos hídricos, devido a diversas atividades humanas.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, analisando vários cenários de modelos globais de mudanças climáticas concluiu que, embora a disponibilidade de água global deva aumentar entre 6 e 12%, em algumas regiões, a escassez de água poderá se agravar. Em cerca de metade da área do mundo, as precipitações pluviométricas serão maiores que hoje, particularmente no norte da Índia, da Rússia e América do Norte, mas reduções significativas vão acontecer nas regiões em desenvolvimento.

Como o regime de chuvas e a população não se distribuem homogeneamente, a disponibilidade de água per capita pode variar de 300 m3/ano, na Jordânia, a 120.000 m3/ano, no Canadá. A América do Sul e a América do Norte têm abundância, em contraste com a África Sub-Saariana e o Leste da Ásia, que sofrem de acentuada escassez de água. A redução da disponibilidade de água deverá ser sentida nos próximos anos, sendo que na África esta redução é de quase quatro vezes, seguida de perto pela América do sul e pela Ásia.

Países com disponibilidade de água entre 1.000 e 1.600 m3/ano per capita sofrem do que se chama de stress hídrico e enfrentam sérios problemas em anos de seca. Países com disponibilidade menos que 1.000 m3/ano per capita são considerados escassos em água. Hoje, 28 países, com uma população total de 338 milhões de pessoas, enfrentam stress hídrico, a maior parte do Leste da Ásia e da África. Por volta de 2025, entre 46 e 52 países, com população total em torno de 3 bilhões de pessoas, poderão sofrer de stress hídrico e cerca de 23 estarão enfrentando escassez absoluta de água.

Os países situados em regiões áridas e semi-áridas como os do Oriente Médio, já enfrentam a crise da água há muitos anos, mas a percepção de uma crise mundial só agora está alcançando a consciência internacional. A principal diferença entre a crise do petróleo e a crise da água é que a crise da água deverá afetar mais seriamente os países em desenvolvimento, onde centenas de milhares de pessoas já estão morrendo e continuarão a 34

morrer devido à falta de água limpa e às secas. Nos países mais pobres, a água poluída é a principal causa de muitas doenças, como a diarréia, que mata mais de 3 milhões de pessoas (principalmente crianças) por ano no mundo. Aliás, 80% de todas as doenças e mais de 33% das mortes nos países em desenvolvimento estão associadas à falta de água em quantidades adequadas. Estima-se que cerca de 25.000 pessoas morrem por dia nos países em desenvolvimento, ou pela falta de água ou pela ingestão de água de má qualidade.

Para atendimento pleno da demanda futura de água para fins urbanos, com o aproveitamento de novas fontes, estima-se que seriam necessários investimentos da ordem de 11 a 14 bilhões de dólares por ano, durante os próximos 30 anos, o que significa o dobro da quantidade de recursos financeiros disponíveis para investimento em abastecimento doméstico durante os anos 80. Por tudo isto, recursos financeiros setoriais desta magnitude dificilmente estarão disponíveis.

As grandes cidades, particularmente as megalópoles, e as que estão crescendo rapidamente nos países em desenvolvimento, vão exigir, cada vez mais, enormes esforços para reduzir o déficit crônico de abastecimento de água e esgotamento sanitário adequados. Muitas, como a Cidade do México, vão necessitar implantar um cuidadoso gerenciamento dos aquíferos subterrâneos. Os violentos distúrbios provocados pela falta de água em Deli, Índia, em maio de 1993, são um bom exemplo do que poderá ocorrer nas mega cidades num futuro próximo, se medidas urgentes não forem tomadas.

5.1. A SOLUÇÃO QUE VEM DO CÉU

Num país tropical, em que a incidência de chuvas é maior do que em outras regiões do planeta, a maioria dos brasileiros ainda não se deu conta do tamanho do desperdício acumulado a cada temporal. Ao contrário do que acontece no campo, onde a água da chuva é sinônimo de prosperidade e colheita farta, nas cidades – onde vivem 81% da população – os dias de chuva são associados a trânsito lento, risco de enchentes e outros incômodos que emprestam mau humor aos dias nublados.

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Mas a impopularidade da chuva nos ambientes urbanos está com os dias contados. Aos poucos, vai aumentando a percepção de que a água que cai generosamente sobre os telhados deve ser mais bem aproveitada antes de sumir nos ralos.

Em Curitiba, por exemplo, foi sancionada no final de setembro de 2003, a lei que obriga todos os novos condomínios residenciais a incorporarem no projeto de construção a captação, o armazenamento e a utilização da água da chuva para múltiplos usos, em substituição a cada vez mais cara água clorada: lavagem de roupas, veículos, pisos e calçadas, irrigação de hortas e jardins. No caso específico dos sanitários, que consomem em média 70% de toda a água numa construção, a lei torna obrigatória a canalização das águas usadas na lavagem de roupas, chuveiros ou banheiras para uma cisterna onde serão filtradas e posteriormente reutilizadas nas descargas. Só depois essa água é descartada para a rede de esgotos. Torna-se obrigatório o uso de vasos sanitários, torneiras e chuveiros que economizem água. Outro aspecto importante da nova lei diz respeito á instalação obrigatória de hidrômetros individuais nas novas edificações, evitando-se assim que o consumidor que desperdiça água se beneficie do rateio da conta pelo condomínio, prejudicando quem já aprendeu a não esbanjar esse recurso finito, escasso e cada vez mais caro.

Um projeto de lei parecido com o de Curitiba está tramitando na Câmara Municipal de Goiânia. O vereador que pede a atenção dos colegas para o uso inteligente da água da chuva aguarda a votação de um outro projeto de sua autoria, em que sugere a aplicação de sanções aos que forem flagrados desperdiçando água no uso de mangueiras para lavagem de ruas, calçadas e carros.

Em São Paulo, um decreto publicado no Diário Oficial de 05 de Janeiro de 2002 estabelece que todos os proprietários de imóveis que querem fazer reformas ou novas construções devem providenciar cisternas que ajudem a reter água da chuva. O tamanho dos reservatórios varia de acordo com as dimensões da obra. A lei parte do princípio de que a crescente impermeabilização do solo agrava o problema das enchentes na cidade, e que o responsável pela obra deve aumentar a capacidade de retenção da água da chuva em dias de temporais. A lei das piscininhas, assim chamada em alusão aos piscinões - imensos reservatórios públicos que atenuam, mas não resolvem o problema das enchentes em São Paulo - é o ponto de partida para o uso racional da água da chuva na maior cidade do Brasil. 36

Se a lei já tornou obrigatória a construção do reservatório, por que não investir na reutilização da água da chuva nos múltiplos usos domésticos ou comerciais? Pelas contas da Agência Nacional de Águas (ANA), a quantidade de chuva que cai durante um ano sobre um telhado de 100 m2 em São Paulo é suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas durante seis meses.

Portanto, é importante explorar todo o potencial de um recurso que vem do céu e cai generosamente sobre todas as cabeças, sem que os seres humanos se dêem conta de seu imenso valor.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo é fruto de uma preocupação generalizada, pois a água, elemento indispensável para a vida dos seres vivos, é fundamental para o desenvolvimento humano, para a economia e a produção de alimentos, e está tendo um destino notoriamente desastroso.

Sua utilização por ser a mais variada, desde a ingestão direta ou para atender as necessidades básicas pessoais, domésticas, de limpeza e sanitárias da população, e ainda por ser um recurso imprescindível para atividades agropecuárias, industriais, dentre outras, sua ausência irá suscitar doenças, fome e até mesmo a morte.

Ocorre que a partir da visão moderna da importância da água não só como essencial à vida, mas também como um bem dotado de valor econômico, a água atinge uma dimensão estratégica, principalmente frente a conflitos já existentes, devido à escassez atual, com previsões piores do futuro, o que nos mostra o quão é importante que os Estados criem meios administrativos e legais que permitam o gerenciamento sustentável das águas.

A participação da sociedade é imprescindível para que normas e diretrizes de conservação dos recursos hídricos sejam aceitas e obedecidas. Para tal, ela necessita ser corretamente informada sobre a questão ambiental.

Hoje em dia, cresce o contingente dos que entendem que, ao contrário do que se pensava, a água é um bem finito e que, se a população não souber utilizá-la de forma sustentável, estará comprometendo as futuras gerações.

A melhor notícia dos últimos anos, no entanto, é da disseminação da consciência de que não cabe apenas ao governo prover o uso racional dos recursos hídricos.

Lamentavelmente, no entanto, o caminho para o desenvolvimento sustentável, tem sido obstaculizado por um emaranhado de leis, decretos e regulamentos que vêm intimidando os técnicos e as autoridades do sistema ambiental na tomada de decisões. Isso porque quem tomar uma decisão que resulte numa licença ambiental poderá, a qualquer 38

tempo, ter de responder por crime ambiental caso qualquer pessoa física ou jurídica discorde da decisão.

Portanto, a relação do homem com o meio ambiente, baseada no indesejável tripé do descomprometimento, inesgotabilidade e irresponsabilidade, poderá consumar as previsões mais catastróficas quanto a escassez dos recursos naturais, sobretudo da água, inviabilizando dentro de poucos anos, a vida na Terra. Com isso, é fundamental a substituição por uma visão fundamentada nos princípios da sustentabilidade, racionalização e responsabilidade, dentro da qual, somos parte integrante do meio ambiente e, responsáveis pela proteção e pela elevação da qualidade de vida no Planeta.

Embora tardiamente, o homem passou a notar, recentemente, que aqueles recursos em relação aos quais ele sequer pensava ou, se pensava, achava que eram inesgotáveis, não o são. A partir daí, iniciou-se um trabalho de conscientização que, embora bastante lento, já tem alcançado resultados consideráveis.

E a solução mitigadora deste problema, sem dúvida alguma, é a obediência aos preceitos atinentes ao desenvolvimento sustentável, capaz de conciliar, a depender do empenho do ser humano – que ao final é o principal interessado nesta preservação – em utilizar de sua racionalidade pensando nas gerações futuras, de forma que as explorações de recursos naturais sejam viabilizadas.

Concluí-se então que não faltam água ou idéias. O que falta ainda, muitas vezes é informação, é atitude. Efetivamente, o acesso à água é um direito fundamental e o desenvolvimento sustentável, atendendo as atuais necessidades, sem se descuidar das futuras gerações, é o grande desafio de todo o século.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TRIGUEIRO, André; Mundo Sustentável. 2° Ed. Editora Globo, 2005. p.115-139.

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ANEXOS

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DECRETO n° 23.940 de 30 de janeiro de 2004.

Torna obrigatório, nos casos previstos, a adoção de reservatórios que permitam o retardo do escoamento das águas pluviais para a rede de drenagem.

O Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o processo 02/003.004/2003, e considerando a necessidade de ajudar a prevenir inundações através da retenção temporária de águas pluviais em reservatórios especialmente criados com essa finalidade; considerando as possibilidades de reaproveitamento de águas pluviais para usos não potáveis com lavagem de veículos e partes comuns, jardinagem e outras;

DECRETA:

Art. 1° Fica obrigatória, nos empreendimentos que tenham área impermeabilizada superior a quinhentos metros quadrados, a construção de reservatórios que retardem os escoamentos das águas pluviais para a rede de drenagem.

Art. 2° A capacidade do reservatório deverá ser calculada com base na seguinte equação:

V = k x Ai x h, onde V =volume do reservatório em m3; k = coeficiente de abatimento, correspondente a 0,15; Ai = área impermeabilizada (m2);

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h = altura de chuva (metro), correspondente a 0,06 m nas Áreas de Planejamento 1, 2 e 4 e a 0,07 m nas Áreas de Planejamento 3 e 5.

§ 1° Os reservatórios deverão atender as normas sanitárias vigentes e a regulamentação técnica específica do órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem, podendo ser abertos ou fechados, com ou sem revestimento, dependendo da altura do lençol freático no local.

§ 2° Deverá ser instalado um sistema que conduza toda água captada por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos ao reservatório.

§ 3° A água contida pelo reservatório deverá, salvo nos casos indicados pelo órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem, infiltrar-se no solo, podendo ser despejada, por gravidade ou através de bombas, na rede pública de drenagem, após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis, atendidas as normas sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária.

§ 4° A localização do reservatório, apresentado o cálculo do seu volume deverá estar indicada nos projetos e sua implantação será condição para a emissão do "habite-se".

§ 5° No caso de opção por conduzir as águas pluviais para outro reservatório objetivando o reuso da água para finalidades não potáveis, deverá ser indicada a localização desse reservatório e apresentado o cálculo do seu volume.

44

Art. 3° No caso de novas edificações residenciais multifamiliares, industriais, comerciais ou mistas que apresentem área do pavimento de telhado superior a quinhentos metros quadrados e, no caso de residenciais multifamiliares, cinqüenta ou mais unidades será obrigatória a existência do reservatório objetivando o reuso da água pluvial para finalidades não potáveis e, pelo menos, um ponto de água destinado a esses reuso sendo a capacidade mínima do reservatório de reuso calculada somente em relação às águas captadas do telhado.

Art. 4° Sempre que houver reuso das águas pluviais para finalidades não potáveis, inclusive quando destinado a lavagem de veículos ou de áreas externas, deverão ser atendidas as normas sanitárias vigentes e as condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária visando:

I - evitar o consumo indevido, definindo sinalização de alerta padronizada a ser colocada em local visível junto ao ponto de água não potável e determinando os tipos de utilização admitidos para a água não potável;

II - garantir padrões de qualidade da água apropriados ao tipo de utilização previsto, definindo os dispositivos, processos e tratamentos necessários para a manutenção desta qualidade;

III - impedir a contaminação do sistema predial destinado a água potável proveniente da rede pública, sendo terminantemente vedada qualquer comunicação entre este sistema e o sistema predial destinado a água não potável.

45

Art. 5° Os locais descobertos para estacionamento ou guarda de veículos para fins comerciais deverão ter trinta por cento de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável.

Art. 6° Nas reformas, o reservatório será exigido quando a área acrescida - ou, no caso de reformas sucessivas, a somatória das áreas acrescidas após a data de publicação deste decreto for igual ou superior a cem metros quadrados e a somatória da área impermeabilizada existente e a construir resultar em área superior a quinhentos metros quadrados, sendo o reservatório calculado em relação à área impermeabilizada acrescida.

Art. 7° Nos casos enquadrados neste decreto, por ocasião do pedido de habite-se ou da aceitação de obras, deverá ser apresentada declaração assinada pelo profissional responsável pela execução da obra e pelo proprietário, de que a edificação atende a este decreto, com descrição sucinta do sistema instalado e, ainda, de que os reservatórios e as instalações prediais destinadas ao reuso da água para finalidades não potáveis, quando previsto, estão atendendo às normas sanitárias vigentes e às condições técnicas específicas estabelecidas pelo órgão municipal responsável pela Vigilância Sanitária, bem como à regulamentação técnica específica do órgão municipal responsável pelo sistema de drenagem.

Art. 8° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2004 - 439. º ano de fundação da Cidade. CESAR MAIA – RIO DE JANEIRO 02/02/2004.

46

LEI 13276/02 | LEI Nº 13276 de 05 de janeiro de 2002 do São Paulo.

Torna Obrigatória a execução de reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500M².

(Projeto de Lei nº 706/01, do Vereador Adriano Diogo - PT)

HÉLIO BICUDO, Vice-Prefeito, em exercício no cargo de Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 27 de dezembro de 2001, decretou e eu promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º - Nos lotes edificados ou não que tenham área impermeabilizada superior a 500m² deverão ser executados reservatórios para acumulação das águas pluviais como condição para obtenção do Certificado de Conclusão ou Auto de Regularização previstos na Lei 11.228, de 26 de junho de 1992.

Art. 2º - A capacidade do reservatório deverá ser calculada com base na seguinte equação:

V = 0,15 x Ai x IP x t

V = volume do reservatório (m3)

Ai = área impermeabilizada (m2)

IP = índice pluviométrico igual a 0,06 m/h t = tempo de duração da chuva igual a um hora.

47

§ 1º - Deverá ser instalado um sistema que conduza toda água captada por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos ao reservatório.

§ 2º - A água contida pelo reservatório deverá preferencialmente infiltrar-se no solo, podendo ser despejada na rede pública de drenagem após uma hora de chuva ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis.

Art. 3º - Os estacionamentos em terrenos autorizados, existentes e futuros, deverão ter 30% (trinta por cento) de sua área com piso drenante ou com área naturalmente permeável.

§ 1º - A adequação ao disposto neste artigo deverá ocorrer no prazo de 90 (noventa) dias.

§ 2º - Em caso de descumprimento ao disposto no "caput" deste artigo, o estabelecimento infrator não obterá a renovação do seu alvará de funcionamento.

Art. 4º - O Poder Executivo deverá regulamentar a presente lei no prazo de 60 (sessenta) dias.

Art. 5º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 04 de janeiro de 2002, 448º da fundação de São Paulo.

Hélio Bicudo, Prefeito em Exercício.

ANO DA PUBLICAÇÃO: 2002.

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TEXTO DE LEI 10785/2003 DE 18/09/2003

“Cria no município de Curitiba o programa de conservação e uso racional de água nas edificações – PURAE”.

A CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA, CAPITAL DO ESTADO DO PARANA, aprovou e eu, prefeito municipal, sanciono a lei:

Art.1°. O programa de conservação e uso racional da água nas edificações – PURAE tem como objetivo instituir medidas que induzam à conservação, uso racional e utilização de fontes alternativas para captação de água das novas edificações, bem como a conscientização dos usuários sobre a importância da conservação da água.

Art. 2°. Para os efeitos desta lei as suas adequadas aplicações, são adotadas as seguintes definições:

I – conservação e uso racional da água – conjunto de ações que propiciam a economia de água e o combate ao desperdício quantitativo nas edificações; II – desperdício quantitativo de água – volume de água potável desperdiçado pelo uso abusivo; III – utilização de fontes alternativas – conjunto de ações que possibilitam o uso de outras fontes para captação de água que não o sistema público de abastecimento. IV – águas servidas – águas utilizadas no tanque ou maquina de lavar e no chuveiro ou o banheiro. 49

Art. 3°. As disposições desta lei serão observadas na elaboração e aprovação dos projetos de construção de novas edificações destinadas aos usos e que se refere a lei n° 9.800/2000, inclusive quando se trata de habitações de interesse social, definidas pela lei 9802/2000.

Art. 4°. Os sistemas hidraulicos-sanitarios nas novas edificações serão projetados visando o conforto e segurança dos usuários, bem como a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Art. 5°. Nas ações de conservação, uso racional e de conservação da água nas edificações, serão utilizados aparelhos e dispositivos economizadores de água, tais como:

a) b) c)

Bacias sanitárias de volume reduzido de descarga; Chuveiros e lavatórios de volumes fixos de descarga, Torneiras dotadas de arejadores.

Parágrafo Único. Nas edificações em condomínio além dos dispositivos previstos nas alíneas “a”, “b” e “c” deste artigo, serão também instalados hidrômetros para medição individualizada do volume de água gasto por unidade.

Art. 6°. As ações de utilização de fontes alternativas compreendem:

I – A captação, armazenamento e utilização de água proveniente das chuvas e, II – A captação e armazenamento e utilização de águas servidas.

50

Art. 7°. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações e encaminhada a uma cisterna ou tanque, para ser utilizada em atividades que não requeiram o uso de água tratada, proveniente da rede publica de abastecimento, tais como:

a) b) c) d)

Irrigação de jardim e hortas Lavagem de roupas Lavagem de veículos Lavagem de vidros, calçadas e pisos.

Art. 8°. As águas servidas serão direcionadas, através de encanamento próprio, a reservatório destinado a abastecer as descargas dos vasos sanitários e, apenas após tal utilização descarregada na rede publica de esgoto.

Art. 9°. O combate ao desperdício quantitativo de água, compreende a ações à conscientização da população através de campanhas educativas, abordagem do tema nas aulas ministradas nas escolas integrantes de rede publica municipal palestra, entre outras, versando sobre o uso abusivo da água, métodos de conservação e uso racional da mesma.

Art. 10°. O não cumprimento das disposições da presente lei implica na negativa de concessão do alvará de construção, para as novas edificações.

Art. 11°. O poder executivo regulamentara a presente lei, estabelecendo os requisitos necessários à elaboração e aprovação dos projetos de construção, instalação e dimensionamento dos aparelhos e dispositivos destinados à conservação e uso racional da água a que a mesma se refere. 51

Art. 12°. Esta lei entra em vigor em 180(cento e oitenta dias) contados da sua publicação.

PALACIO 29 DE MARÇO, em 18 de setembro de 2003. Cássio Taniguchi PREFEITO MUNICIPAL

52

LEI Nº 9.433, DE 8 DE JANEIRO DE 1997.

Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o e eu sanciono a seguinte Lei:

Congresso Nacional decreta

TÍTULO I

DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I

DOS FUNDAMENTOS

Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:

I - a água é um bem de domínio público;

II - a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

III - em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais;

IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; 53

V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

CAPÍTULO II

DOS OBJETIVOS

Art. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos:

I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

II - a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável;

III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

CAPÍTULO III

DAS DIRETRIZES GERAIS DE AÇÃO

Art. 3º Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos:

I - a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de quantidade e qualidade;

54

II - a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas regiões do País;

III - a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental;

IV - a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e com os planejamentos regional, estadual e nacional;

V - a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo;

VI - a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e zonas costeiras.

Art. 4º A União articular-se-á com os Estados tendo em vista o gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum.

CAPÍTULO IV

DOS INSTRUMENTOS

Art. 5º São instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos:

I - os Planos de Recursos Hídricos;

II - o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água;

III - a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;

IV - a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

V - a compensação a municípios; 55

VI - o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos.

SEÇÃO I

DOS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 6º Os Planos de Recursos Hídricos são planos diretores que visam a fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos.

Art. 7º Os Planos de Recursos Hídricos são planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos e terão o seguinte conteúdo mínimo:

I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos;

II - análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo;

III - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;

IV - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis;

V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem implantados, para o atendimento das metas previstas;

VI - (VETADO)

VII - (VETADO) 56

VIII - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;

IX - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

X - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à proteção dos recursos hídricos.

Art. 8º Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o País.

SEÇÃO II

DO ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUA EM CLASSES, SEGUNDO OS USOS PREPONDERANTES DA ÁGUA

Art. 9º O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água, visa a:

I - assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas;

II - diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações preventivas permanentes.

Art. 10. As classes de corpos de água serão estabelecidas pela legislação ambiental.

SEÇÃO III

DA OUTORGA DE DIREITOS DE USO DE RECURSOS HÍDRICOS

57

Art. 11. O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água.

Art. 12. Estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo;

II - extração de água de aqüífero subterrâneo para consumo final ou insumo de processo produtivo;

III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final;

IV - aproveitamento dos potenciais hidrelétricos;

V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo de água.

§ 1º Independem de outorga pelo Poder Público, conforme definido em regulamento:

I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural;

II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes;

III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.

58

§ 2º A outorga e a utilização de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica estará subordinada ao Plano Nacional de Recursos Hídricos, aprovado na forma do disposto no inciso VIII do art. 35 desta Lei, obedecida a disciplina da legislação setorial específica.

Art. 13. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte aquaviário, quando for o caso.

Parágrafo único. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso múltiplo destes.

Art. 14. A outorga efetivar-se-á por ato da autoridade competente do Poder Executivo Federal, dos Estados ou do Distrito Federal.

§ 1º O Poder Executivo Federal poderá delegar aos Estados e ao Distrito Federal competência para conceder outorga de direito de uso de recurso hídrico de domínio da União.

§ 2º (VETADO)

Art. 15. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;

II - ausência de uso por três anos consecutivos;

III - necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas;

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental; 59

V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os quais não se disponha de fontes alternativas;

VI - necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do corpo de água.

Art. 16. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não excedente a trinta e cinco anos, renovável.

Art. 17. (VETADO)

Art. 18. A outorga não implica a alienação parcial das águas, que são inalienáveis, mas o simples direito de seu uso.

SEÇÃO IV

DA COBRANÇA DO USO DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 19. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos.

Art. 20. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos do art. 12 desta Lei.

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Parágrafo único. (VETADO)

Art. 21. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos devem ser observados, dentre outros:

I - nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime de variação;

II - nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, o volume lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas, biológicas e de toxidade do afluente.

Art. 22. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão utilizados:

I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos Planos de Recursos Hídricos;

II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

§ 1º A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a sete e meio por cento do total arrecadado.

§ 2º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.

§ 3º (VETADO)

61

Art. 23. (VETADO)

SEÇÃO V

DA COMPENSAÇÃO A MUNICÍPIOS

Art. 24. (VETADO)

SEÇÃO VI

DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 25. O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos é um sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.

Parágrafo único. Os dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos serão incorporados ao Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos.

Art. 26. São princípios básicos para o funcionamento do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos:

I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

II - coordenação unificada do sistema;

III - acesso aos dados e informações garantido à toda a sociedade.

Art. 27. São objetivos do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos:

62

I - reunir, dar consistência e divulgar os dados e informações sobre a situação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Brasil;

II - atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos em todo o território nacional;

III - fornecer subsídios para a elaboração dos Planos de Recursos Hídricos.

CAPÍTULO V

DO RATEIO DE CUSTOS DAS OBRAS DE USO MÚLTIPLO, DE INTERESSE COMUM OU COLETIVO

Art. 28. (VETADO)

CAPÍTULO VI

DA AÇÃO DO PODER PÚBLICO

Art. 29. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, compete ao Poder Executivo Federal:

I - tomar as providências necessárias à implementação e ao funcionamento do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

II - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos, e regulamentar e fiscalizar os usos, na sua esfera de competência;

III - implantar e gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, em âmbito nacional;

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IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental.

Parágrafo único. O Poder Executivo Federal indicará, por decreto, a autoridade responsável pela efetivação de outorgas de direito de uso dos recursos hídricos sob domínio da União.

Art. 30. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, cabe aos Poderes Executivos Estaduais e do Distrito Federal, na sua esfera de competência:

I - outorgar os direitos de uso de recursos hídricos e regulamentar e fiscalizar os seus usos;

II - realizar o controle técnico das obras de oferta hídrica;

III - implantar e gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos, em âmbito estadual e do Distrito Federal;

IV - promover a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental.

Art. 31. Na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, os Poderes Executivos do Distrito Federal e dos municípios promoverão a integração das políticas locais de saneamento básico, de uso, ocupação e conservação do solo e de meio ambiente com as políticas federal e estaduais de recursos hídricos.

TÍTULO II

DO SISTEMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS

CAPÍTULO I

DOS OBJETIVOS E DA COMPOSIÇÃO 64

Art. 32. Fica criado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, com os seguintes objetivos:

I - coordenar a gestão integrada das águas;

II - arbitrar administrativamente os conflitos relacionados com os recursos hídricos;

III - implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos;

IV - planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação dos recursos hídricos;

V - promover a cobrança pelo uso de recursos hídricos.

Art. 33. Integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos: I o Conselho Nacional de Recursos Hídricos;

II - os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal; III os Comitês de Bacia Hidrográfica;

IV - os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos;

V - as Agências de Água.

Art. 33. Integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos: (Redação dada
pela Lei 9.984, de 2000)

I – o Conselho Nacional de Recursos Hídricos;

(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

I-A. – a Agência Nacional de Águas;

(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

II – os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal;
Lei 9.984, de 2000)

(Redação dada pela

65

III – os Comitês de Bacia Hidrográfica;

(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

IV – os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais cujas competências se relacionem com
9.984, de 2000)

a gestão de recursos hídricos;

(Redação dada pela Lei

V – as Agências de Água.

(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

CAPÍTULO II

DO CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 34. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos é composto por:

I - representantes dos Ministérios e Secretarias da Presidência da República com atuação no gerenciamento ou no uso de recursos hídricos;

II - representantes indicados pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos;

III - representantes dos usuários dos recursos hídricos;

IV - representantes das organizações civis de recursos hídricos.

Parágrafo único. O número de representantes do Poder Executivo Federal não poderá exceder à metade mais um do total dos membros do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

Art. 35. Compete ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos:

I - promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos nacional, regional, estaduais e dos setores usuários;

66

II - arbitrar, em última instância administrativa, os conflitos existentes entre Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos;

III - deliberar sobre os projetos de aproveitamento de recursos hídricos cujas repercussões extrapolem o âmbito dos Estados em que serão implantados;

IV - deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos ou pelos Comitês de Bacia Hidrográfica;

V - analisar propostas de alteração da legislação pertinente a recursos hídricos e à Política Nacional de Recursos Hídricos;

VI - estabelecer diretrizes complementares para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

VII - aprovar propostas de instituição dos Comitês de Bacia Hidrográfica e estabelecer critérios gerais para a elaboração de seus regimentos;

VIII - (VETADO)

IX - acompanhar a execução do Plano Nacional de Recursos Hídricos e determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

IX – acompanhar a execução e aprovar o Plano Nacional de Recursos Hídricos e determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;
2000) (Redação dada pela Lei 9.984, de

X - estabelecer critérios gerais para a outorga de direitos de uso de recursos hídricos e para a cobrança por seu uso. 67

Art. 36. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos será gerido por:

I - um Presidente, que será o Ministro titular do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal;

II - um Secretário Executivo, que será o titular do órgão integrante da estrutura do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, responsável pela gestão dos recursos hídricos.

CAPÍTULO III

DOS COMITÊS DE BACIA HIDROGRÁFICA

Art. 37. Os Comitês de Bacia Hidrográfica terão como área de atuação:

I - a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II - sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia, ou de tributário desse tributário; ou

III - grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Parágrafo único. A instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios de domínio da União será efetivada por ato do Presidente da República.

Art. 38. Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica, no âmbito de sua área de atuação:

I - promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e articular a atuação das entidades intervenientes;

68

II - arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos recursos hídricos;

III - aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia;

IV - acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

V - propor ao Conselho Nacional e aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos as acumulações, derivações, captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos de uso de recursos hídricos, de acordo com os domínios destes;

VI - estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados;

VII - (VETADO)

VIII - (VETADO)

IX - estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo.

Parágrafo único. Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao Conselho Nacional ou aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, de acordo com sua esfera de competência.

Art. 39. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são compostos por representantes:

I - da União; 69

II - dos Estados e do Distrito Federal cujos territórios se situem, ainda que parcialmente, em suas respectivas áreas de atuação;

III - dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atuação;

IV - dos usuários das águas de sua área de atuação;

V - das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada na bacia.

§ 1º O número de representantes de cada setor mencionado neste artigo, bem como os critérios para sua indicação, serão estabelecidos nos regimentos dos comitês, limitada a representação dos poderes executivos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios à metade do total de membros.

§ 2º Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias de rios fronteiriços e transfronteiriços de gestão compartilhada, a representação da União deverá incluir um representante do Ministério das Relações Exteriores.

§ 3º Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias cujos territórios abranjam terras indígenas devem ser incluídos representantes:

I - da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, como parte da representação da União;

II - das comunidades indígenas ali residentes ou com interesses na bacia.

§ 4º A participação da União nos Comitês de Bacia Hidrográfica com área de atuação restrita a bacias de rios sob domínio estadual, dar-se-á na forma estabelecida nos respectivos regimentos.

70

Art. 40. Os Comitês de Bacia Hidrográfica serão dirigidos por um Presidente e um Secretário, eleitos dentre seus membros.

CAPÍTULO IV

DAS AGÊNCIAS DE ÁGUA

Art. 41. As Agências de Água exercerão a função de secretaria executiva do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica.

Art. 42. As Agências de Água terão a mesma área de atuação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica.

Parágrafo único. A criação das Agências de Água será autorizada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica.

Art. 43. A criação de uma Agência de Água é condicionada ao atendimento dos seguintes requisitos:

I - prévia existência do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

II - viabilidade financeira assegurada pela cobrança do uso dos recursos hídricos em sua área de atuação.

Art. 44. Compete às Agências de Água, no âmbito de sua área de atuação:

I - manter balanço atualizado da disponibilidade de recursos hídricos em sua área de atuação;

II - manter o cadastro de usuários de recursos hídricos; 71

III - efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

IV - analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem financiados com recursos gerados pela cobrança pelo uso de Recursos Hídricos e encaminhá-los à instituição financeira responsável pela administração desses recursos;

V - acompanhar a administração financeira dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos em sua área de atuação;

VI - gerir o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos em sua área de atuação;

VII - celebrar convênios e contratar financiamentos e serviços para a execução de suas competências;

VIII - elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação do respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica;

IX - promover os estudos necessários para a gestão dos recursos hídricos em sua área de atuação;

X - elaborar o Plano de Recursos Hídricos para apreciação do respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica;

XI - propor ao respectivo ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica:

a) o enquadramento dos corpos de água nas classes de uso, para encaminhamento ao respectivo Conselho Nacional ou Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, de acordo com o domínio destes;

b) os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos; 72

c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

d) o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum ou coletivo.

CAPÍTULO V

DA SECRETARIA EXECUTIVA DO CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 45. A Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos será exercida pelo órgão integrante da estrutura do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, responsável pela gestão dos recursos hídricos.

Art. 46. Compete à Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos: I - prestar apoio administrativo, técnico e financeiro ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos; II - coordenar a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos e encaminhá-lo à aprovação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos;

III - instruir os expedientes provenientes dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e dos Comitês IV coordenar o de Sistema de Bacia Informações sobre Hidrográfica; Recursos Hídricos;

V - elaborar seu programa de trabalho e respectiva proposta orçamentária anual e submetê-los à aprovação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

Art. 46. Compete à Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos:
(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

73

I – prestar apoio administrativo, técnico e financeiro ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos;
(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

II – revogado;

(Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

III – instruir os expedientes provenientes dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e dos Comitês de Bacia Hidrográfica;" (Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

IV – revogado;" (Redação dada pela Lei 9.984, de 2000)

V – elaborar seu programa de trabalho e respectiva proposta orçamentária anual e submetê-los à aprovação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.
2000) (Redação dada pela Lei 9.984, de

CAPÍTULO VI

DAS ORGANIZAÇÕES CIVIS DE RECURSOS HÍDRICOS

Art. 47. São consideradas, para os efeitos desta Lei, organizações civis de recursos hídricos:

I - consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas;

II - associações regionais, locais ou setoriais de usuários de recursos hídricos;

III - organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área de recursos hídricos;

IV - organizações não-governamentais com objetivos de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade;

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V - outras organizações reconhecidas pelo Conselho Nacional ou pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos.

Art. 48. Para integrar o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, as organizações civis de recursos hídricos devem ser legalmente constituídas.

TÍTULO III

DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

Art. 49. Constitui infração das normas de utilização de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos:

I - derivar ou utilizar recursos hídricos para qualquer finalidade, sem a respectiva outorga de direito de uso;

II - iniciar a implantação ou implantar empreendimento relacionado com a derivação ou a utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, que implique alterações no regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, sem autorização dos órgãos ou entidades competentes;

III - (VETADO)

IV - utilizar-se dos recursos hídricos ou executar obras ou serviços relacionados com os mesmos em desacordo com as condições estabelecidas na outorga;

V - perfurar poços para extração de água subterrânea ou operá-los sem a devida autorização;

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VI - fraudar as medições dos volumes de água utilizados ou declarar valores diferentes dos medidos;

VII - infringir normas estabelecidas no regulamento desta Lei e nos regulamentos administrativos, compreendendo instruções e procedimentos fixados pelos órgãos ou entidades competentes;

VIII - obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades competentes no exercício de suas funções.

Art. 50. Por infração de qualquer disposição legal ou regulamentar referentes à execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos de domínio ou administração da União, ou pelo não atendimento das solicitações feitas, o infrator, a critério da autoridade competente, ficará sujeito às seguintes penalidades, independentemente de sua ordem de enumeração:

I - advertência por escrito, na qual serão estabelecidos prazos para correção das irregularidades;

II - multa, simples ou diária, proporcional à gravidade da infração, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);

III - embargo provisório, por prazo determinado, para execução de serviços e obras necessárias ao efetivo cumprimento das condições de outorga ou para o cumprimento de normas referentes ao uso, controle, conservação e proteção dos recursos hídricos;

IV - embargo definitivo, com revogação da outorga, se for o caso, para repor incontinenti, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos arts. 58 e 59 do Código de Águas ou tamponar os poços de extração de água subterrânea. 76

§ 1º Sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais, ou prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato.

§ 2º No caso dos incisos III e IV, independentemente da pena de multa, serão cobradas do infrator as despesas em que incorrer a Administração para tornar efetivas as medidas previstas nos citados incisos, na forma dos arts. 36, 53, 56 e 58 do Código de Águas, sem prejuízo de responder pela indenização dos danos a que der causa.

§ 3º Da aplicação das sanções previstas neste título caberá recurso à autoridade administrativa competente, nos termos do regulamento.

§ 4º Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

TÍTULO IV

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 51. Os consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas mencionados no art. 47 poderão receber delegação do Conselho Nacional ou dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, por prazo determinado, para o exercício de funções de competência das Agências de Água, enquanto esses organismos não estiverem constituídos.

Art. 51. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos e os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos poderão delegar a organizações sem fins lucrativos relacionadas no art. 47 desta Lei, por prazo determinado, o exercício de funções de competência das Agências de Água, enquanto esses organismos não estiverem constituídos. (Redação dada pela Lei nº 10.881, de 2004)

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Art. 52. Enquanto não estiver aprovado e regulamentado o Plano Nacional de Recursos Hídricos, a utilização dos potenciais hidráulicos para fins de geração de energia elétrica continuará subordinada à disciplina da legislação setorial específica.

Art. 53. O Poder Executivo, no prazo de cento e vinte dias a partir da publicação desta Lei, encaminhará ao Congresso Nacional projeto de lei dispondo sobre a criação das Agências de Água.

Art. 54. O art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 1º .............................................................................

III -

quatro inteiros e quatro décimos por cento à Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério

do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal;

IV -

três inteiros e seis décimos por cento ao Departamento Nacional de Águas e Energia

Elétrica - DNAEE, do Ministério de Minas e Energia;

V-

dois por cento ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

§ 4º

A cota destinada à Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, dos

Recursos Hídricos e da Amazônia Legal será empregada na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e na gestão da rede hidrometeorológica nacional.

§ 5º

A cota destinada ao DNAEE será empregada na operação e expansão de sua rede

hidrometeorológica, no estudo dos recursos hídricos e em serviços relacionados ao aproveitamento da energia hidráulica." 78

Parágrafo único. Os novos percentuais definidos no caput deste artigo entrarão em vigor no prazo de cento e oitenta dias contados a partir da data de publicação desta Lei.

Art. 55. O Poder Executivo Federal regulamentará esta Lei no prazo de cento e oitenta dias, contados da data de sua publicação.

Art. 56. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 57. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 8 de janeiro de 1997; 176º da Independência e 109º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Gustavo Krause

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 9.1.1997

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