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FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ

UNIVERSIDADE DE FORTALEZA
Centro:________ Disciplina:_______________________ Turma:_________________
Data:___/___/___
Aluno(a):_______________________________________________Matrícula:_________

DESORDEM ATÔMICA NOS SÓLIDOS

1 – Introdução

Até agora tem sido admitido que, em uma escala atômica, existe uma ordem perfeita ao longo da
totalidade da extensão dos materiais cristalinos. Contudo, este tipo de sólido idealizado não existe; todos os
materiais contêm grandes números de uma variedade de defeitos ou imperfeições. Na realidade, muitas das
propriedades dos materiais são profundamente sensíveis a desvios da perfeição cristalina. A influência não é
sempre adversa e com freqüência, características específicas são deliberadamente moldadas pela introdução de
quantidades ou números controlados de defeitos específicos. Serão consideradas inicialmente as impurezas, para
focalizar em seguida as imperfeições cristalinas.

2 – Impurezas nos sólidos

Um metal puro que consista em apenas um tipo de átomo é simplesmente impossível; impurezas ou
átomos estranhos estarão sempre presentes e alguns irão existir como defeitos cristalinos. Na realidade, mesmo
com técnicas relativamente sofisticadas, é difícil refinar metais até uma pureza que seja superior a 99,9999%.
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Neste nível, os átomos de impurezas estarão presentes em cada metro cúbico do material em uma ordem de 10
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a 10 átomos/m .
Os metais mais familiares não são altamente puros. Ao contrário: eles são ligas, nas quais os átomos de
impurezas são adicionados intencionalmente para conferir características específicas ao material. Ordinariamente,
a formação de ligas é utilizada para aumentar a sua resistência mecânica e sua resistência à corrosão.
Por exemplo, a prata de lei é uma liga composta por 92,5% de prata e 7,5% de cobre. Em condições de
ambientes normais, a prata pura é altamente resistente à corrosão, mas também é muito macia (dúctil). A
formação de uma liga com o cobre aumenta significativamente a resistência mecânica sem diminuir em
quantidade apreciável a resistência à corrosão. Geralmente utilizam-se ligas nas aplicações industriais ao invés de
materiais puros.

Ligas são combinações de dois ou mais elementos químicos num material. Estas combinações podem ser
misturas ou soluções sólidas. As ligas metálicas possuem sempre elementos metálicos. Com relação às ligas, os
termos solvente e soluto são normalmente empregados, onde:
• Solvente: corresponde ao elemento químico que está presente em maior quantidade (geralmente é um
metal)
• Soluto: corresponde ao elemento químico que está presente em menor quantidade (pode ser metal ou
não metal)

2.1 Mistura
É formada por duas ou mais substâncias puras, onde cada uma dessas substâncias é denominada
componente.

2.1.1 Tipos de misturas

• Mistura homogênea: é a mistura que apresenta uma única fase, ou seja, possui aspecto visual
homogêneo.

Ex:água e açúcar dissolvido, água e álcool, ar atmosférico, vinagre, soro caseiro, ligas metálicas, etc.

• Mistura heterogênea: é a mistura que apresenta mais de uma fase, ou seja, não possui aspecto
visual homogêneo.

Ex: água e óleo, ar e poeira, gasolina e água, areia e sal, etc.


2.2 Soluções sólidas

Uma soluça sólida se forma quando, à medida que os átomos do soluto são adicionados ao solvente, a
estrutura cristalina é mantida e nenhuma nova estrutura é formada.

Exemplo: Cobre e Estanho ⇒ Bronze (liga usada na fabricação de sinos).

2.2.1 Tipos de solução sólida


• Solução sólida substitucional: ocorre quando átomos do solvente e do soluto têm tamanhos
próximos e estruturas eletrônicas semelhantes.
Ex: Cobre e Zinco ⇒ Latão
Cobre e Estanho ⇒ Bronze
Cobre e Níquel

A solução de Cobre (Cu) e níquel (Ni) é o exemplo mais característico. Qualquer fração dos átomos da
estrutura original do Cu pode ser substituída por Ni, ou seja, as soluções sólidas substitucionais Cu-Ni podem
variar desde praticamente 0% de Ni e quase 100% de Cu até quase 100% de Ni e 0% de Cu.
Por outro lado, há um limite definido para a quantidade de Estanho que pode pode substituir o Cobre no
bronze. O Estanho em excesso, aquele que ultrapassa a quantidade máxima de solução sólida, deve formar uma
outra fase.

• Solução sólida intersticial: ocorre quando átomos menores de um determinado elemento


químico ocupam espaços intersticiais existentes entre os átomos maiores do outro elemento químico.
Ex: Ferro e Carbono ⇒ Aço

O exemplo mais conhecido é o da liga Fe-C (aço). Nesse caso, acima de 910°C, o ferro adquire a forma
alotrópica γ (CFC), que se caracteriza por apresentar um espaço vazio no centro da célula unitária. O carbono,
cujo átomo é muito pequeno, pode penetrar nesse vazio e produzir a solução sólida de carbono no ferro γ. No
estado alotrópico α (CCC), abaixo de 910°C até temperatura ambiente, os interstícios entre os átomos de ferro
tornam-se muito pequenos, dificultando a acomodação de átomos de carbono. Como conseqüência, a solução
sólida de carbono no ferro α é praticamente nula (0,02% no máximo).

3 - Imperfeições cristalinas

3.1 Defeitos pontuais


a) Lacuna o vacância: corresponde à falta de um átomo no reticulado normal.

Figura 1 – Exemplo de lacuna e intresticialidade

Tais defeitos podem resultar de empacotamento imperfeito durante a cristalização normal ou podem
decorrer das vibrações térmicas dos átomos a elevadas temperaturas. As lacunas podem ser simples ou bilacunas
para o caso de uma dupla condensação ou trilacunas.

b) Intersticialidade: (defeito de Frenkel): corresponde à alocação de um átomo numa posição intersticial


no reticulado cristalino normal.

c) Átomo impuro: ocorre quando um átomo estranho substitui um átomo do reticulado cristalino normal.
3.2 Defeitos lineares (discordâncias)
O tipo mais comum de defeito em linha num cristal é uma discordância. Esse defeito corresponde a uma
repetição de um mesmo tipo de defeito numa mesma linha.

3.2.1 Tipos de discordâncias

a) Discordância em aresta ou em cunha


• o tipo mais simples de discordância pode ser visto como um semiplano atômico extra, inserido na
estrutura, o qual termina em qualquer lugar do cristal.

• a extremidade do meio plano é a discordância, conforme mostra a figura 2.

Figura 2 – Modelo de discordância em aresta ou em cunha


• discordâncias deste tipo são chamadas discordâncias em aresta ou em cunha e são representadas
pelo símbolo ^ :

• a discordância é mostrada em ⊥.

Considere-se agora o semiplano extra que está dentro do cristal. Um exame da figura 3 mostra claramente
que o cristal está distorcido onde o semiplano atinge o plano de escorregamento.

Figura 3 – Esquema tridimensional de uma discordância em aresta

As discordâncias facilitam o processo de deformação. A figura 4 ilustra como uma discordância se move
através do cristal, sob a aplicação de uma tensão de cisalhamento. Pela aplicação da tensão, o átomo c pode
mover-se para a posição c' indicada na figura. Se isso acontecer, a discordância mover-se-á de uma distância
atômica para a direita. A contínua aplicação da tensão levará à movimentação da discordância em etapas
repetidas. O resultado final é que o cristal é cisalhado no plano de escorregamento de uma distância atômica.
Figura 4 – Movimento da discordância dentro do cristal

Cada etapa do movimento da discordância, requer somente um pequeno rearranjo de átomos nas
vizinhanças do plano extra. Resulta disso que uma força muito pequena pode mover uma discordância. Cálculos
teóricos mostram que essa força é de ordem de grandeza compatível para justificar os baixos limites de
escoamento dos cristais reais. O movimento de uma discordância através de todo o cristal produz um degrau na
superfície do mesmo, cuja profundidade é de uma distância atômica. Como uma distância atômica em cristais
metálicos é da ordem de alguns ângstrons, esse degrau evidentemente não é visível a olho nu. Muitas centenas
ou milhares de discordâncias devem movimentar-se em um plano de escorregamento para que seja produzida
uma linha de escorregamento

b) Discordância em hélice ou helicoidal

Além das discordâncias em aresta, existem as discordâncias em hélice ou helicoidais. A designação


'hélice' para esse defeito do reticulado deriva do fato de que os planos do reticulado do cristal formam uma espiral
na linha da discordância.
• elas normalmente se formam na superfície de um cristal durante o seu crescimento.

Figura 5 – Discordância em hélice

3.3 Defeitos superficiais


São defeitos que aparecem nos contornos de grão. O encontro de duas redes cristalinas vizinhas de
orientação diferente constitui uma imperfeição do empilhamento atômico ordenado. A zona de transição (contorno
de grão) é caracterizada por possuir uma energia maior que a do interior do grão, fato esse que explica a maior
rapidez de ataque do contorno de grão quando um metal é submetido à ação de um reagente químico para
observação da estrutura.
O contorno de grão interfere na progressão das discordâncias.

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