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Laboratório Virtual de Comunicação: Liberdade na expressão com uso de softwares livres ( um estudo de caso do Link Recôncavo)

Laboratório Virtual de Comunicação: Liberdade na expressão com uso de softwares livres ( um estudo de caso do Link Recôncavo)

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Este artigo apresenta uma visão conceitual sobre software livre bem como seu
surgimento e sua consolidação no mercado. A partir dessa plataforma torna-se possível a
construção de diversas expressões midiáticas (sites, podcasts, edição de áudio/vídeo). A
discussão também envolverá a utilização desses recursos no processo de construção do portal
Link Recôncavo ( Laboratório virtual da disciplina Jornalismo Online do curso de Jornalismo
da
Universidade
Federal
do
Recôncavo
da
Bahia),
disponível
em
www.ufrb.edu.br/linkreconcavo.
Palavras Chave: Software Livre; Link Recôncavo, Tecnologia da Informação e Comunicação.
Este artigo apresenta uma visão conceitual sobre software livre bem como seu
surgimento e sua consolidação no mercado. A partir dessa plataforma torna-se possível a
construção de diversas expressões midiáticas (sites, podcasts, edição de áudio/vídeo). A
discussão também envolverá a utilização desses recursos no processo de construção do portal
Link Recôncavo ( Laboratório virtual da disciplina Jornalismo Online do curso de Jornalismo
da
Universidade
Federal
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Recôncavo
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Bahia),
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www.ufrb.edu.br/linkreconcavo.
Palavras Chave: Software Livre; Link Recôncavo, Tecnologia da Informação e Comunicação.

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Laboratório Virtual de Comunicação: Liberdade na expressão com uso de softwares livres ( um estudo de caso do Link Recôncavo).

Alene da Silva Lins1 Hamurabi Brandão de Santana Dias2 Rosivaldo Mercês de Souza3 Resumo: Este artigo apresenta uma visão conceitual sobre software livre bem como seu surgimento e sua consolidação no mercado. A partir dessa plataforma torna-se possível a construção de diversas expressões midiáticas (sites, podcasts, edição de áudio/vídeo). A discussão também envolverá a utilização desses recursos no processo de construção do portal Link Recôncavo ( Laboratório virtual da disciplina Jornalismo Online do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), disponível em www.ufrb.edu.br/linkreconcavo. Palavras Chave: Software Livre; Link Recôncavo, Tecnologia da Informação e Comunicação.

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Alene Lins é docente da UFRB (cursos de Jornalismo, Cinema e Gestão de Cooperativas), orientadora e moderadora do site Link Recôncavo (www.ufrb.edu.br/linkreconcavo) e coordenadora da linha de pesquisa Audiovisual em Software Livre no Grupo de Estudos e Práticas Laboratoriais em Software Livre e Multimeios.
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Hamurabi Dias é discente da UFRB, curso de Jornalismo, colaborador e editor do site Link Recôncavo e integrante Grupo de Estudos e Práticas Laboratoriais em Software Livre e Multimeios.
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Rosivaldo Mercês é discente da UFRB, curso de Jornalismo, colaborador do site Link Recôncavo e integrante Grupo de Estudos e Práticas Laboratoriais em Software Livre e Multimeios.

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INTRODUÇÃO A produção coletiva de programas de computadores tem seu início na década de 1960, quando programadores buscavam criar sistemas operacionais que rodassem em todas as máquinas, com aperfeiçoamentos constantes (CASTELLS, 2003). Mas esse comportamento coletivo sofre grande abalo em 1984, quando da decisão comercial da AT&T de reivindicar direitos de propriedade sobre o sistema operacional UNIX, criado com a colaboração de diversos programadores. A AT&T fechou o código fonte4 do UNIX e o sistema passou a ser de propriedade dela. O que parecia uma ruptura no sistema livre de trabalho dos programadores entusiastas, acabou desencadeando o movimento do software livre – um movimento político tecnológico – criado por Richard Stallman, programador do Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachussets _MIT, nos Estados Unidos. Stallmam, junto com um grupo de programadores, começou então nesse momento o desenvolvimento de um novo sistema operacional, baseado no UNIX, que foi nomeado de GNU. Simultaneamente ao desenvolvimento desse sistema, Stallmam cria a Free Software Fundation (FSF) e elaborou um esboço jurídico que garante a abertura do código fonte, a plena liberdade de uso, aperfeiçoamento e distribuição dessa tecnologia. Apesar de ter sido criado as condições políticas favoráveis à manutenção e ao desenvolvimento de softwares livres, um dos sistemas centrais do Projeto GNU, o Kernel 5 HURD, não funcionou como deveria. Em 1991, o estudante Linus Torvalds cria um novo kernel para o projeto GNU, que ele chamou de Linux, hoje utilizado em milhões de computadores, como sistema alternativo às plataformas operacionais de softwares proprietários. O software livre se caracteriza pelo desenvolvimento colaborativo e pelo livre acesso ao código fonte, o que assegura aos seus usuários as quatro liberdades (Silveira, 2004): 1- A
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É o conjunto de palavras ou símbolos escritos de forma ordenada, contendo instruções em uma das linguagens de programação existentes, de maneira lógica. Existem linguagens que são compiladas e as que são interpretadas. As linguagens compiladas, após ser compilado o código fonte, transformam-se em software, ou seja, programas executáveis. Este conjunto de palavras que formam linhas de comandos deverá estar dentro da padronização da linguagem escolhida, obedecendo a critérios de execução. Atualmente, com a diversificação de linguagens, o código pode ser escrito de forma totalmente modular, podendo um mesmo conjunto de códigos ser compartilhado por diversos programas e, até mesmo, linguagens.
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O Kernel de um sistema operacional é entendido como o núcleo deste ou, numa tradução literal, cerne. Ele representa a camada de software mais próxima do hardware, sendo responsável por gerenciar os recursos do sistema computacional como um todo.

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liberdade de uso para qualquer finalidade; 2 - a liberdade de estudar o software completamente; 3 - a liberdade de alterar e melhorar o software; 4 - a liberdade de redistribuir as alterações feitas. Dessa forma, segundo a Free Software Foundation, o software livre é conceituado como qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído sem nenhuma restrição, exceto que as liberdades sejam mantidas. Na esteira desse conceito surgem outras definições como software código-aberto e software proprietário. O código-aberto permite que o usuário apenas tenha acesso ao código fonte, não podendo alterá-lo e o proprietário, ou comercial, que permite o uso através da venda de licenças, na qual o usuário utiliza o produto para certos propósitos e por determinado período de tempo. A indústria dos softwares proprietário é regida pelas leis de direitos autorais dos países em que são produzidos e comercializados. Sobre a questão do software proprietário Silveira (2004) critica os princípios de seu desenvolvimento:
Quando falamos em software proprietário estamos falando de um modelo de desenvolvimento e distribuição baseado em licenças restritivas de uso. Estamos falando em autoria e propriedade do software. Em analogia, estamos falando que a receita não é mais entregue junto com o bolo, pois as pessoas estariam impedidas de modificar e redistribuir aquela receita. O modelo de software proprietário esconde os algoritmos que o compõem. Apesar de ser composto por informações agrupadas e de se basear em conhecimentos acumulados pela humanidade, a indústria de software proprietário se direcionou para tentar bloquear e evitar que o caminho de seu desenvolvimento fosse semelhante ao desenvolvimento do conhecimento científico. A ciência cresce a partir do princípio de compartilhamento, e não a partir da idéia de propriedade.

É nesse âmbito dos direitos autorais, ou em inglês copyright, que surge uma nova forma de se pensar o direito de uso das propriedades intelectuais, o Copyleft, popularizado por Stallmam ou associá-lo a GPL (que significa General Public License, ou Licença Publica Geral), que rege o uso e distribuição de softwares livres. A linha geral da copyleft determina que todo programa licenciado pela GPL, tenha esses direitos repassados aos outros usuários no momento de sua distribuição, ou seja, essa licença requer que os direitos de quaisquer modificações feitas no aplicativo sejam passadas adiante com a liberdade de modificá-los novamente. A GPL não permite, portanto, que o usuário ao modificar o sistema se apodere dessas mudanças para comercializá-lo. Sobre esse debate Lessig (2005) nos trás a seguinte reflexão:
O mais importante para os nossos propósitos é que apoiar o software livre e o de código aberto não significa ser contra copyrights. O software livre e o de código aberto não são software em domínio público. De fato, como no caso do software da Microsoft, os detentores dos copyrights de software livre e de código aberto insistem fortemente que os termos das suas licenças de software devem ser respeitados por aqueles que adotam tais softwares. Os termos de tais licenças são, sem sombra de

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dúvidas, diferentes dos termos de uma licença de software proprietário. Software livre licenciado segundo os termos da General Public License (Licença Pública Geral, também chamada de GNU Public License — Licença Pública GNU, GPL), por exemplo exige que o código fonte do software seja disponibilizado para qualquer um que queira modificar e redistribuir o software. Mas essa exigência é efetiva apenas se o copyright governar software. Se o copyright não governar o software, então o software livre não pode impor tais tipos de exigências daqueles que o adotam. Portanto ela depende tanto da lei do copyright quanto a Microsoft depende.

QUEBRANDO PRECONCEITOS: O AVANÇO DO USO DE SOFTWARES LIVRES Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Sem Fronteiras durante os meses de novembro e dezembro de 2007, 73% das grandes empresas no Brasil utilizam softwares livres. Participaram da pesquisa um número de 1000 empresas que possuem mais de mil funcionários. Segurança, interoperabilidade, disponibilidade, melhor aproveitamento do hardware e custo total de propriedade foram aspectos apontados pelas empresas para a adoção dos softwares. Apesar dos números serem expressivos o mesmo estudo aponta que apenas 1% das empresas pesquisadas faz uso total (100% dos aplicativos) de softwares livres em seus PC’s. Outra pesquisa, realizada em 2008, pela CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), mostrou que, entre as grandes corporações a relação de companhias que utilizam algum tipo de software livre chega a 61%. Segundo a pesquisa, considerando as empresas de todos os portes, 26% delas utilizam software de código aberto em sua estrutura de TI. Foram entrevistadas 3,5 mil empresas, que atuam no Brasil, com mais de 10 funcionários. Sobre o uso domestico a mesma pesquisa apontou o seguinte panorama: Tipo de Sistema Operacional utilizado - Computador de uso principal Percentual sobre o total de domicílios com computador6 Percentual (%) Total Regiões do país Sudeste Nordeste Sul Norte Centro-Oeste Microsoft/ Windows 83 82 84 85 84 78 Linux/ Ubuntu Outros Não sabe/ Não respondeu 15 15 13 13 13 19

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1 1 1 1 -

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Base: 4.690 domicílios entrevistados em área urbana que possuem computador. Respostas estimuladas.

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No Brasil empresas como Varig, Embrapa, Pão de Açúcar e Casas Bahia também utilizam softwares livres. O governo federal, bem como outras instâncias da esfera pública, também já adotaram o software livre em seus terminais. À exemplo do Exército Brasileiro, que em seu Plano de Migração Para Software Livre no Exército Brasileiro, publicado em fevereiro de 2007, estabelece como objetivos:
a. Apresentar uma proposta de reformulação dos processos que envolvam a utilização e a aquisição de software no Exército Brasileiro. b. Propiciar uma substancial economia de custo de aquisição e manutenção de softwares. c. Incentivar a formação e consolidação de uma Comunidade Interna de Software Livre no EB, sob a égide do Núcleo de Estudos em Software Livre – NESOL, com procedimentos e ferramentas de colaboração bem definidos. d. Restringir o crescimento do legado baseado em tecnologia proprietária. e. Priorizar a aquisição de hardware compatível às plataformas livres. f. Permitir o compartilhamento do conhecimento, fomentando a criação de uma Base Interna de Conhecimento em Software Livre, prioritariamente focada em soluções de problemas advindos da utilização das ferramentas de software recomendadas. g. Fomentar a criação de um “Banco de Talentos em Software Livre”, sob gerenciamento do NESOL, a fim de cadastrar as diversas capacidades e conhecimentos, na área de SL, dos integrantes do EB.

Empresas de grande porte também começaram a adotar o software livre em seus produtos. Lessig (2005) cita o caso da IBM:
A IBM está cada vez mais mudando seu foco para o sistema operacional GNU/Linux, o mais famoso conjunto de software livre — e a IBM é uma entidade enfaticamente comercial. Portanto, apoiar o software livre e o de código aberto não é necessariamente o mesmo que ser contra entidades comerciais. É, de fato, apoiar um modelo de desenvolvimento de software diferente do que é praticado, por exemplo, pela Microsoft.

Nas universidades brasileiras o processo de migração também é recorrente. Moura e Santos (2004), identificaram cinco universidades que fizeram sua migração para a plataforma de softwares livres:
A migração para Software Livre não é um processo simples quando se trata de empresas e instituições grandes. A mudança de cultura em um ambiente pode ser traumática e gerar impactos desagradáveis. Porém, existem relatos de sucesso de organizações que implantaram software livre. Contudo, para se alcançar o sucesso, é necessário um planejamento do processo de migração. Esse processo de migração envolve inúmeras etapas e responsabilidades e estas são importantes para evitar transtornos ou que o processo de migração tome um escopo inviável.

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) adotou uma proposta de mudança gradual em seus computadores. Nos seus 900 terminais, equipados com softwares proprietários e sistema operacional Windows, foram utilizados como servidor de compartilhamento o SAMBA, o que permitiu que as estações de trabalho do sistema da Microsoft se conectassem com os do GNU/Linux. A interface gráfica utilizada foi o KDE e os
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critérios de escolha foram baseados no conhecimento técnico da equipe responsável pelo projeto. O mesmo processo se deu como a Universidade Federal de Goiás (UFG) no seu campus de Jataí. O processo envolveu questionário com alunos e funcionários para a escolha do sistema. Como ambiente continuou com software proprietário, o servidor escolhido foi também o SAMBA. As autoras ainda identificam as seguintes IES: UCS (Universidade de Caxias do Sul), UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) e UEG (Universidade Estadual do Goiás).
As universidades analisadas, por apresentar limitações, adotaram o processo de migração parcial, visto que este envolve um impacto menor na mudança, tanto para usuários como para o operacional envolvido. As limitações apresentadas variam desde a falta de uma equipe técnica treinada até a ausência de uma política de migração. Se pode dizer que os processos, em maior ou menos grau, tiveram resultado mais positivo que negativo. O maior ônus é a adaptação e mudança de culturas necessária da parte de todos os envolvidos: usuários, administração de TI e rede, e gestão.

Além de ser uma questão político-tecnológico-econômica, o uso de softwares livres implica por parte do Estado políticas publicas de combate a exclusão digital. A idéia de transformar a essa inclusão em praticas públicas consolida no mínimo quatro pressupostos. (SILVEIRA, 2004).
Primeiro, é o reconhecimento que a exclusão digital amplia a miséria e dificulta o desenvolvimento humano local e nacional. A exclusão digital não se trata de uma mera conseqüência da pobreza crônica, mas trata-se de fator de congelamento da condição de miséria e de grande distanciamento das sociedades ricas. Segundo, é a constatação que o mercado não irá incluir na era da informação os extratos pobres e desprovidos de dinheiro. A própria alfabetização e escolarização da população não seria massiva se não fosse pela transformação da educação em política pública gratuita. A alfabetização digital e a formação básica para viver na cibercultura também dependerão da ação do Estado para serem amplas ou universalistas. Terceiro, a velocidade da inclusão é decisiva para que a sociedade tenha sujeitos e quadros em número suficiente para aproveitar as brechas de desenvolvimento no contexto da mundialização de trocas desiguais e, também, para adquirir capacidade de gerar inovações. Quatro, é a aceitação de que a liberdade de expressão e o direito de se comunicar seria uma falácia se ela fosse apenas para a minoria que tem acesso a comunicação em rede. Hoje, o direito à comunicação é sinônimo de direito a comunicação mediada por computador. Portanto, trata-se de uma questão de cidadania.

A inclusão digital tem o objetivo de melhorar as condições de uma determinada região através da tecnologia. Atualmente, usam-se termos como democratização da informação, universalização das tecnologias e outras variantes parecidas. Entretanto, em outros termos, não é apenas “alfabetizar” as pessoas, mas é principalmente melhorar as condições sociais a partir do uso da informática.
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Assim, inclusão digital é muito mais do que ter acesso às máquinas, é o exercício da cidadania na interação com o mundo da informação e da comunicação. É sabido, portanto, que as máquinas e a conexão são condições necessárias, claro, mas não são suficientes para que se possa promover a verdadeira inclusão. (GUIMARÃES, VELOSO e SCHNEIDER, 2007). O papel das universidades como vetor de disseminação de soluções ou produzindo reflexões criticas é muito importante. Essas instituições, segundo Silveira (2004), podem emprestar seus quadros para o amplo processo de formação dos segmentos mais carentes, menos cultos e escolarizados. Ele ainda conclui:
Uma política pública não se resume ao papel desempenhado pelo Estado. Sem duvida alguma, o Estado deve destinar a maior parte dos recursos, mas a formulação, a execução e a avaliação necessariamente devem envolver as comunidades locais, os movimentos sociais e as organizações não governamentais.

LINK RECÔNCAVO: A LIBERDADE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO Link Recôncavo (www.ufrb.edu.br/linkreconcavo) é um Laboratório Virtual de Comunicação, baseado no conceito de jornalismo cidadão, onde as pautas precisam ser do interesse do leitor, até mesmo sugeridas pelo leitor, com base na proximidade de atuação, neste caso, as cidades do Recôncavo da Bahia. Inicialmente o Laboratório foi aplicado como Projeto de Ensino da Disciplina Jornalismo Online do curso de Jornalismo do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Federal do Recôncavo (UFRB). Esteve ativo como Projeto de Ensino, de setembro de 2008 a janeiro de 2009, durante o semestre letivo 2008.2. Duas turmas participaram do Projeto. Eram 58 estudantes, 23 do 5º semestre e 35 do 4º semestre. Atualmente o Projeto está ativo com a ação de estudantes voluntários e diversos colaboradores (leitores e jornalistas da região). O portal tem atualmente7 416 matérias publicadas, com 36 podcasts e 36 vídeos postados. Seguindo os conceitos regentes do jornalismo on-line como informação de proximidade, interatividade e multimídia, esse veículo foi construído baseado em duas plataformas não-proprietárias: O WordPress e o Audacity. O WordPress é um sistema de gerenciamento de conteúdos na web. Em seu sistema possuem 115.110 páginas8 na grande rede. As causas do seu rápido crescimento são, entre outras, seu tipo de licença (de código aberto), sua facilidade de uso e suas características
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Último acesso em 23 de agosto de 2009 Último acesso em 23 de agosto de 2009

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como gerenciador de conteúdos. Criado por Ryan Boren e Matthew Mullenweg, é distribuído sob a GNU General Public License, sendo gratuito. O Audacity é um editor de áudio, programa não-proprietário, hospedado em um SourceForge (um site de hospedagem de softwares livres), ou seja, de desenvolvimento colaborativo, também licenciado pela GNU/GPL. Foi lançado em maio de 2000 e sua mais recente versão (beta) 1.3.5, foi distribuida em maio de 2008. Utilizado para a edição dos podcasts postados no Link Recôncavo, esse software possui recursos bastante apreciáveis, tais como: copiar, recortar, colar, misturar; adicionar efeitos de amplificação, fade in e out, reverberação, eco, e faz tratamento do som ao nível da equalização. No processo de tratamento dos arquivos de audio foi utilizado esse aplicativo de forma bem eficaz. Do momento de importação do arquivo até o trabalho com as diversas ferramentas de edição, o exercício é feito com facilidade devido ao painel intuitivo que o software possui. A necessidade de treinamento para o uso de tal é inexistente, visto que como o processo de familiarização é muito simples e rápido, em pouco tempo seu usuário já poderá dominar seu funcionamento. A possibilidade de poder ampliar os canais do audio (Zoom) é uma ferramenta de muita importância pois pode determinar com precisão o local da edição, não incorrendo em falhas em em cortes antes do tempo correto. O WordPress tambem foi de agradável aceitação no processo de postagens das materias. Com a possibilidade de copiar o texto de processador (Word ou OpenOffice) e colar na área reservada. As facilidades de adicionar arquivos de mídia tambem foi relevante, pois a página de trabalho já oferece a ferramenta para adicioná-los. A internet já se consolidou como espaço de convergência midíatica, que reúne recursos dos diversos media. No portal Link Recôncavo um dos suportes mais usados para as matérias veiculadas no site foi o podcast. O termo Podcasting, foi criado pelo MTV DJ Adam Cury9, resultou da fusão de Ipod com Broadcasting e é usado para descrever a tecnologia utilizada para descaregar conteúdos de áudio das paginas Web. As potencialidades dessa ferramenta tem sido aplicadas nas práticas educativas se transformando em um porta de entrada para as novas tecnologias no âmbito educativo. Sobre a importância do podcast no processo educacional, Sousa e Bessa (2008) nos esclarece:
A existência de algumas boas práticas, a nível nacional e internacional, leva-nos a considerar o processo de podcasting como uma forma eficaz de aproximar o aluno dos objetivos didáctico-pedagógicos que se pretendem ser alcançados, tendo em conta, não só a vertente atrativa e emotiva própria das ferramentas audiovisuais, mas também o lado pragmático da superação de dificuldades de nível espaço-temporal.

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Cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Podcasting

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No processo comunicacional o podcast assume importância dentro do contexto espaço-temporal devido a sua mobilidade e seu fácil acesso. Castro (2005) esclarece que o podcasting pode ser entendido como um produto da nova fase da ciberculltura, marcada pela mobilidade das tecnologias wireless. O aspecto comunicativo desse suporte também é fator preponderante para o seu uso, além de congregar, como já dito, hipertexto e aspectos multimídia no conteúdo noticioso. A instantaneidade dos fatos e a demanda por ferramentas mais práticas são os motivos da disseminação do podcast. A pioneira nesse sentido foi a BBC, apostando na viabilidade do podcasting comercial. Castro (2005) descreve o seguinte panorama para a internet a inserção das ferramentas de áudio:
A Internet, que se consolidou como um meio eminentemente textual em seus primeiros tempos, se torna um ambiente onde cada vez mais as funções de ver (nesse caso, assistir) e ouvir vão substituindo as funções de ler e escrever. Para capturar a sempre fugaz atenção dos internautas, conteúdos são oferecidos em formatos atraentes, palatáveis e de forma cada vez mais amigável, sem importunar o usuário ou exigir dele maiores esforços. [...] Os ritmos da leitura e o da escrita diferem do imediatismo da escuta e da visão. Ininterruptos, estes últimos se dão através de associações ouvido-cérebro ou olho-cérebro que funcionam através de recortes perceptivos processados com extrema rapidez. Leitura e escrita utilizam áreas e processos cerebrais diferentes, exigindo complexa integração entre diversas estruturas corticais, motoras e sensoriais.

O Audacity é uma ferramenta para editar e mixar qualquer arquivo de áudio nos formatos WAV, AIFF, MP3 e OGG. Então estes arquivos podem ser tanto gravados por meio de microfone ou entrada de linha, quanto importados de algum lugar do computador. No Link Recôncavo o recurso do podcast foi usado no sentido de tornar mais perceptível, e, simultaneamente, mais atrativas as matérias produzidas para o portal. O uso de software livre além de proporcionar aos estudantes experimentarem uma nova linguagem, permitindo que os usuários tivessem acesso a um conteúdo até então inédito, trouxe também a oportunidade de trabalhar com um aplicativo de forma simples e bem prática, realizando assim suas edições nesse aplicativo que foi usado no tratamento dos podcasts contidos no Link Recôncavo. O domínio e aplicação de softwares livres em comunicação permite ainda que o estudante de jornalismo, futuro profissional, domine ferramentas sem custo, capazes de tornálo mais independente e capacitado na era da informação. Com tais ferramentas ele pode desenvolver blogs informativos, que integrem textos e audios, sem a necessidade de gastar com os softwares proprietários usados nas grandes empresas de comunicação. Os blogs hoje são veículos capazes de congregar múltiplas linguagens, gerar renda e dar visibilidade aos profissionais do jornalismo.
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A estratégia metodológica do laboratório virtual Link Recôncavo, baseado em plataforma de software livre, permitiu ao aluno ampliar o universo de possibilidades na gestão do próprio conhecimento, agregando valor a uma disciplina, pois trabalhou noções de informática, de edição de audio e radiojornalismo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de software livre envolve uma discussão contra-hegemônica, sobre o domínio do software proprietário atualmente. As quatro liberdades (uso, estudo, alteração e distribuição) que permeiam a base filósofica para a sua definição, formatam também as atividades pedagógicas em torno da promoção e do incentivo ao seu uso. A reflexão de Aguiar (2009) traz uma relação sobre o contexto em que a sociedade está hoje inserida:
Assim cada vez mais a rede mundial de computadores se afirma como uma base tecnológica para a construção de agrupamento e organizações sociais, que acabam por impactar diretamente a dinâmica econômica, política e cultural no mundo moderno. Esse contexto atual de relações entre tecnologia e produção social acaba se tornando um campo fértil para estudos e pesquisas científicas.

É nesse sentido que ao estudarmos o caso do Link Recôncavo, chegamos à conclusão de que o processo comunicacional que tanto anseia por liberdade de expressão, antes de qualquer coisa, deveria viabilizar a discussão sobre a liberdade na metodologia em que é feita hoje seus principais veículos informativos. A possibilidade de mudança na práxis da produção das mídias tanto é viável pelo aspecto econômico quanto pelo tecnológico. O Link Recôncavo como instrumento laboratorial proporcionou aos estudantes de jornalismo o acesso a ferramentas gratuitas que não geraram custo com licenças por serem já previamente autorizadas pela GPL para seu estudo e uso. O incentivo a práticas educacionais voltadas ao fomento da utilização de softwares livres, tanto é um método de alfabetização digital em sistemas não proprietários como também um vetor de disseminação dessa ferramenta no mercado. Como salienta Silveira, para o capitalista, a filantropia, a responsabilidade social, e a solução dos problemas públicos estão subordinadas à dinâmica empresarial do lucro. O sistema capitalista, que desde sua gênese sempre se ateve a acumular riqueza e não em compartilhar, encontra no movimento de software livre, não a sua superação, mas uma forma alternativa de se pensar a lógica de mercado vigente, baseada no monopólio industrial exercido pela Microsoft, que cresceu devido a uma enculturação da sociedade imposta conscientemente pelo mercado. Para tentar vencer esse jogo de domínio, cabe ao poder público também o incentivo ao uso de softwares livres. Silveira (2004) é categórico ao afirmar.
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O movimento de software livre é a maior expressão da imaginação dissidente de uma sociedade que busca mais do que sua mercantilização. Trata-se de um movimento com base no principio do compartilhamento do conhecimento e na solidariedade praticada pela inteligência coletiva conectada na rede mundial de computadores [...] Não é correto utilizar dinheiro público para formar e alfabetizar digitalmente os cidadãos em uma linguagem proprietária de um monopólio privado transnacional. Mesmo que as licenças de uso de um sistema operacional proprietário sejam doadas gratuitamente para os programas de inclusão digital, na realidade, o Estado estaria pagando seus professores, monitores e instrutores para adestrar e treinar usuários para aquela empresa.

A discussão sobre software livre envolve diversos temas, que por si só seriam objetos de um estudo isolado. A questão do direito autoral já citado nesse artigo, a tentativa das grandes corporações em barrar as discussões envolvendo o universo free/libre open source software (FLOSS), bem como o crescimento do uso desses sistemas são elementos que poderiam compor uma pesquisa mais completa sobre essa temática. Lessig (2005) alimenta o debate sobre o direito autoral pregando o equilíbrio entre as correntes de pensamento opostas:
O que precisamos é de uma maneira de conseguirmos algo no meio termo — nem “Todos os Direitos Reservados” nem “Nenhum Direito Reservado” mas sim “Alguns Direitos Reservados” — e portanto uma forma de respeitar os copyright mas que permita aos criadores liberarem conteúdo como eles acharem apropriado. Em outras palavras, precisamos de uma forma de restaurar um conjunto de liberdades que antes tínhamos como certas.

A heterogeneidade dos sistemas criados a partir de software livre seria também outro tema para pesquisas. Segundo Machado (2009) existem mais de 1000 distribuições baseadas na plataforma GNU/Linux em atividade no mundo.
Ao contrário do que alguns apregoam, o universo open source está longe de ser homogêneo. Em torno de um objeto em comum – o software livre –, acham-se diversos colaboradores que, considerando o grau de afinidade, ou determinado ideário, dispõem-se em comunidades específicas.

Esse artigo se propôs a estudar alguns elementos conceituais sobre software livre, assim como seu uso, para então mostrar como foi eficaz a adoção dessa ferramenta como estratégia metodológica na prática da disciplina Jornalismo Online, e seu emprego no portal Link Recôncavo. A defesa do software livre também faz parte dessa retórica, bem como a sua implantação nos terminais da UFRB. A possibilidade para a migração além de viável corrobora com o papel da universidade como centro gerador de conhecimento e sua aplicação na sociedade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: AGUIAR, Vicente Macedo (org.). Software livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração. 1ª ed. São Paulo: Momento Editorial, 2009. 272p.
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CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: reflexões sobre a internet, negócios e a Sociedade. Rio de janeiro: Jorge Zarar editora, 2003. CASTRO, Gisela G. S. Podcasting e consumo cultural. IN: Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Dezembro de 2005. 18 p. LESSIG, Lawrence. Cultura Livre: Como a mídia usa a tecnologia e a lei para barrar a criação cultural e controlar a criatividade. 1ª ed. São Paulo: Editora Trama Universitário, 2005. 314 p. MACHADO, Murilo Bansi. Distros e comunidades: a dinâmica interna de Debian, Fedora, Slackware e Ubuntu. IN: AGUIAR, Vicente Macedo (org.). Software livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração. 1ª ed. São Paulo: Momento Editorial, 2009. 272p. MOURA, Eugênia Cândida Oliveira de; SANTOS, Mauro Tapajós. Migração de Software Livre nas Universidades. Abril de 2007. PESQUISA SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO NO BRASIL 2008. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil., 2009. PLANO DE MIGRAÇÃO PARA SOFTWARE LIVRE NO EXÉRCITO BRASILEIRO (3ª Edição). Brasília, fevereiro de 2007. 24p. SANTOS, Maria Gilvânia Guimarães dos; CARVALHO, Vana Hilma Veloso; SCHNEIDER, Henrique Nou. Desafios da Inclusão Digital e o Software Livre. Desafios da Inclusão Digital e o Software Livre. Revista da Fapese, Aracaju, v. 3, n. 1, p. 7-16, jan./jun. 2007. SILVEIRA. Sergio Amadeu da. Inclusão Digital, Software Livre e Globalização Contrahegemonica. IN: Seminários temáticos para a 3ª Conferência Nacional de C, T&I. Junho de 2005. SILVEIRA, Sergio Amadeu da. Software Livre: A luta pela liberdade de conhecimento. 1ª ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2004. 82 p.

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