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  • 1.1. Princípios e Objetivos da Política Fiscal
  • 2.1. Origens da Lei de Responsabilidade Fiscal
  • 3.1. Plano Plurianual - PPA
  • 3.2.Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO
  • 3.3. Lei Orçamentária Anual - LOA
  • 4.1.Previsão e Arrecadação da Receita
  • 4.2. Metas Bimestrais de Arrecadação
  • 4.3. Renúncia de Receita
  • 4.4. Despesa Pública
  • 4.5. Despesas com Pessoal: fiscalização e controle
  • 4.6. Limites com Pessoal
  • 5. Despesas com a Seguridade Social
  • 6.1.Limites de Endividamento de acordo com a LRF
  • 6.2.Síntese da Resolução nº 40 do Senado Federal:
  • 6.3.Síntese da Resolução nº 43:
  • 7.Despesas com Saúde e Educação
  • 8.Eficiência na Administração Pública
  • 9.1. Introdução
  • 9.2. Gastos com Pessoal
  • 9.3. Dívida Pública
  • 9.4. Restos a Pagar
  • 9.5. Transferências Voluntárias
  • 9.6. Responsabilização Solidária
  • 9.7. Regras de Transição
  • 10.1 Transparência na Gestão Fiscal
  • 10.2.Relatório Resumido da Execução Orçamentária - RREO
  • 10.3. Relatório de Gestão Fiscal - RGF
  • 10.4. Prestações de Contas
  • 10.5. Fiscalização da Gestão Fiscal
  • 11. Bibliografia Consultada

V Semana de Administração, Orçamentária, Financeira e de Contratações Públicas

Entendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal

Organização: EDSON RONALDO NASCIMENTO

Abril de 2008

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1. Introdução ao Estudo das Finanças Públicas

As questões que envolvem a participação do Estado na economia ganharam relevância com os estudos empreendidos por Peggy e Richard Musgrave (1980), autores que relacionaram o papel do Setor Público às três funções econômicas clássicas: alocação de recursos, estabilidade econômica e distribuição de renda e riqueza. Para Musgrave, a gestão orçamentária é vista como peça fundamental no desenvolvimento econômico e social de um país. Dentro dessa perspectiva, uma alocação eficiente dos recursos (materiais e humanos) determinará a estabilidade econômica e a distribuição eqüitativa dos recursos sociais. Alocar recursos de forma eficiente significa, nessa perspectiva, condicionar o aumento das despesas à capacidade de arrecadação das receitas e a real capacidade de pagamentos do setor público. Em síntese, uma política orçamentária eficiente no que se refere à alocação dos recursos públicos, de acordo com Musgrave, torna-se peça determinante na busca pelo bem-estar social . Dentro de uma análise evolutiva do Setor Público em nosso país, podemos identificar a função alocativa durante o Regime Militar, onde um “governo empresário” realizou grandes obras de infra-estrutura; o Governo FHC que teve como meta fundamental a estabilidade econômica atingida com o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal; e o Governo Lula, com uma filosofia socialista, influenciada pelo Estado do Bem-Estar Social (Welfare State), desenvolvendo uma política distributiva de renda por meio de Programas de Transferências Condicionadas como o Bolsa Família. 1.1. Princípios e Objetivos da Política Fiscal Os principais objetivos da política econômica são a geração de um maior nível de emprego, o controle da inflação por meio da política monetária e o crescimento econômico. Nesse sentido, a política fiscal engloba a intervenção do governo na economia por intermédio da arrecadação de tributos e dos gastos públicos com o propósito de regular a atividade econômica. Essa intervenção afeta diretamente a demanda agregada e, dessa forma, influencia o nível de emprego e crescimento econômico de curto prazo. Segundo as orientações de políticas econômicas derivadas do modelo keynesiano, o aumento do gasto público (política expansionista) tem papel semelhante ao de expansão dos investimentos. Ao incrementar a demanda agregada, as empresas ampliam a produção, gerando renda adicional na economia. Parte dessa nova renda será consumida, gerando nova demanda agregada e novo aumento do PIB e da renda. Esse processo ocorre sucessivamente pelo mecanismo conhecido como “multiplicador da renda”. Se o governo adotar políticas de redução de impostos (expansionista), o impacto da intervenção econômica atua sobre o consumo à medida que menos tributos significam mais renda disponível para os consumidores. De qualquer forma, o objetivo será sempre deixar a economia mais próxima do produto potencial, ou seja, sem desemprego dos fatores. Entretanto, existe a possibilidade de ocorrer defasagens de tempo entre a adoção de uma medida política e os efeitos dessa intervenção, 2

o que reduziria a eficácia da política fiscal sobre a atividade econômica. Se isso acontece, uma política restritiva poderia começar a ter efeitos no momento errado, isto é, seus efeitos surgiriam num período de recessão, quando a economia necessitasse realmente de efeitos de política expansionista. O governo dispõe de alguns mecanismos para evitar esse descompasso de tempo entre a execução e os impactos da política fiscal sobre as flutuações econômicas. Trata-se dos chamados “estabilizadores automáticos”, que compreendem ações do próprio sistema econômico que contribuem para reduzir mecanicamente as forças de recessão ou de expansão da demanda agregada, sem que o governo tenha que adotar medidas discricionárias de política econômica para cada situação. São exemplos de estabilizadores automáticos: -os impostos progressivos: o imposto de renda, em que as alíquotas (e, portanto, a arrecadação) são crescentes em razão da renda; - o sistema de seguro-desemprego: os gastos do governo aumentam automaticamente quando a renda e o emprego da economia diminuem, sustentando a demanda agregada nos períodos de crise. Em resumo, a política fiscal é uma opção para minimizar as flutuações econômicas de curto prazo, mas sua utilização exige cuidado à medida que seu impacto depende da capacidade produtiva da economia e do grau de utilização dessa capacidade. Caso contrário, a política fiscal pode expandir o déficit público e aumentar a taxa de juros, sem alcançar seus objetivos sobre o produto. A Lei de Responsabilidade Fiscal nos termos da Constituição Federal é uma lei complementar de finanças públicas (art. 163 da CF/88). As características e os objetivos da LRF, em especial o equilíbrio das contas e a observação de limites para gastos e endividamento, permite associar a norma legal à função estabilizadora na economia, conforme proposta por Musgrave. Com a estabilidade econômica os governos reunem condições para o aumento na oferta de serviços públicos essenciais, além da execução de programas governamentais voltados para a distribuição de renda. Nesse sentido, Matias-Pereira (2006) destaca que o Estado tem o poder de atuar como indutor da economia, criando condições básicas para estimular, de forma seletiva, grande número de atividades econômicas. Não se pode dissociar o desenvolvimento social de uma nação sem levar em consideração a situação econômica, a produção e a divisão das riquezas. Outra questão importante no que se refere à atuação do setor público na economia está na manutenção do equilíbrio nas contas governamentais. Quando o volume de despesas públicas mantém-se em patamar muito superior ao das receitas arrecadadas, as alternativas buscadas para o equilíbrio passam pela alienação de ativos e a contratação de operações de crédito (receitas de capital). De acordo com Nascimento (2006), quando o setor público realiza um volume de despesas muito superior a arrecadação de tributos fomenta o déficit público, aumentando o nível de 3

endividamento, o que traz como conseqüência uma maior absorção de recursos financeiros disponíveis ao setor privado. A busca por recursos financeiros para a cobertura do déficit nas contas de custeio principalmente prejudica a formação da poupança interna cujo objetivo é o financiamento do investimento produtivo. Esse mecanismo é conhecido como fenômeno crowding-out. Nesse caso, para cobrir sua necessidade de financiamento, o setor público, por meio de uma política de juros elevados, absorve parte da poupança interna sinalizando ao setor financeiro as taxas que deverão ser praticadas no mercado. De fato, funciona nesse caso a lei básica de oferta e procura por moeda. Em outras palavras, o desajuste das contas governamentais contribui para a elevação do preço da moeda e das taxas de juros. Portanto, o endividamento público, em última instância, representa um fator de desajuste na economia. Durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), buscou-se por meio de alienação de ativos federais a redução do estoque da dívida. Nesse período, os recursos das privatizações juntamente do superávit primário em nível federal reduziram o montante da dívida em R$ 135 bilhões, aproximadamente (Nascimento e Debus – 2002). No que se refere ao superávit primário, o Governo FHC conseguiu destinar, em média, cerca de 2,8% do PIB para o pagamento dos encargos da dívida entre 1995 e 2001. Já durante o Governo Lula, sem novos ativos disponíveis para alienação, o governo vem optando por uma política fiscal restritiva no sentido de gerar superávit primário em nível superior ao praticado no governo anterior visando dessa forma reduzir o endividamento pelo aumento no fluxo de pagamentos. 2. Características Gerais da LRF De acordo com Nascimento e Debus (2002), a Lei de Responsabilidade Fiscal - Lei Complementar n º 101, de 4 de maio de 2000, visa a regulamentar a Constituição Federal, na parte da Tributação e do Orçamento (Título VI), cujo Capítulo II estabelece as normas gerais de finanças públicas a serem observadas pelos três níveis de governo: Federal, Estadual e Municipal, além do Distrito Federal. Em particular, a LRF vem atender à prescrição do artigo 163 da CF de 1988, cuja redação é a seguinte: “Lei complementar disporá sobre: I - finanças públicas;(grifo nosso) II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controladas pelo poder público; III - concessão de garantias pelas entidades públicas; IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública; V - fiscalização das instituições financeiras; VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional.”

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que determina o estabelecimento de limites para as despesas com pessoal ativo e inativo da União a partir de Lei Complementar. Cumpre ainda ressaltar que antes da LRF outro instrumento legal já estabelecia normas e regras para uma gestão fiscal responsável e o equilíbrio nas contas públicas no Brasil. em especial por meio de dois mecanismos básicos: o sequestration e o pay as you go. conforme analisaremos a seguir.Matias-Pereira (2006). aliado ao princípio de “accountability”. destacando-se o estabelecimento de metas de uma relação estável entre dívida e Produto Interno Bruto (dívida/PIB). a partir do Tratado de Maastricht que estabeleceu condições e regras para os países membros. com a edição da Lei n° 9. Os modelos que foram tomados como referencial para a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal são destacados a seguir: Fundo Monetário Internacional . cujas normas de disciplina e controle de gastos do governo central levaram à edição do Budget Enforcement Act. o artigo 163 da Constituição Federal de 1988”. Nesse sentido revoga legislação anterior (Lei Complementar nº 96/1999). pode-se verificar que a LRF incorpora alguns princípios e normas internacionais. consistia na assinatura de um Programa de Reestruturação e de Ajuste Fiscal com a observação de metas compromissos referentes a: 5 .FMI. Origens da Lei de Responsabilidade Fiscal Dentro da perspectiva de uma Administração Pública Comparada. entre outros. A LRF atende também ao artigo 169 da Carta Magna. Comunidade Econômica Européia. juntamente da transparência das contas públicas. que dão fundamento ao artigo 9º da LRF na forma de limites para empenhos de despesas e medidas de compensação. complementando. de 1994 de onde se buscou a idéia da imposição de limites e restrições aos gastos públicos na busca do ajuste fiscal. a União ficou autorizada a assumir a dívida pública mobiliária dos Estados e do Distrito Federal. A principal influência recebida do FMI diz respeito ao princípio da transparência nas contas públicas por meio de uma abertura das contas governamentais à população de forma simplificada e inteligível. organismo do qual o Brasil é Estadomembro. Estados Unidos. as influências referem-se às experiências daquele país na administração financeira orçamentária. além do compromisso da manutenção do equilíbrio fiscal visando a auto-sustentabilidade. reforça esse entendimento. e que tem editado e difundido normas de gestão pública em diversos países. Em setembro de 1997. além de outras dívidas autorizadas pelo Senado Federal . Nesse caso. A exigência para esse que seria o último programa de refinanciamento de dívidas antes da edição da LRF .496. destacando que a LRF “surge no cenário nacional como instrumento legal definidor de normas nacionais de finanças públicas. através do Fiscal Responsibility Act. de acordo com metodologia do FMI . 2. Nova Zelândia.1. conhecida como “Lei Camata”.

o que importava no aumento da eficiência na arrecadação de tributos estaduais. objetivos e metas da administração para as despesas de capital e outras delas decorrentes. e. estendida também aos municípios brasileiros por meio da Medida Provisória nº 2. além de uma reforma administrativa e patrimonial. são elas mais pertinentes ao PPA federal. pois. A LRF procura aperfeiçoar a sistemática traçada pela norma constitucional. A LRF e o Planejamento A Constituição de 1988. ou mesmo a postergação de dívidas contratadas por entes públicos. as disposições concernentes à regionalização. para servir de elo de ligação entre aqueles dois instrumentos. 3. estas mais desenvolvidas sob 6 . destinado às ações de médio prazo. Resultado primário. O objetivo visado pelo Poder Constituinte de 1988 era a redução das disparidades entre as regiões geográficas do País. 3. a prática de refinanciamento. inciso I. está proibida no Brasil (art.PPA. 165. Nordeste e Centro-Oeste. Plano Plurianual . o Orçamento Anual. da Constituição Federal. permissão ou concessão de serviços públicos.PPA Previsto no Art. no tocante ao planejamento na administração pública. 35 da LRF). atribuindo novas e importantes funções ao Orçamento e à LDO. em especial do Norte. que tinha por objetivo garantir que o endividamento nos Estados não cresceria nos anos seguintes. abrangendo um período de quatro anos. A assinatura do Programa de Ajuste e a observância rigorosa do cumprimento das metas fiscais passaram a ser as principais características desta nova etapa de refinanciamento de dívidas. conforme se depreende da leitura do parágrafo 7º do referido mandamento. o Plano Plurianual . Limites para as despesas com funcionalismo público. medida que visava controlar o principal componente das despesas públicas em nível estadual: a folha de pagamentos. a Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO. Programa de privatização. para discriminar os gastos de um exercício financeiro. em relação às regiões Sul e Sudeste. Ressalte-se que a partir da edição da LRF.Dívida financeira em relação à receita líquida real – RLR.118/1998 e suas reedições.1. coincidindo com a duração de um mandato do Chefe do Executivo. Limites para despesas de investimento como proporção das receitas líquidas (RLR). O primeiro deles. nas esferas estadual e municipal. ao tornar compulsória a elaboração dos três instrumentos básicos para esse fim. teve a clara preocupação de institucionalizar a integração entre os processos de planejamento e orçamento. entendido como os recursos que deveriam ser gerados para o pagamento dos juros e do principal da dívida refinanciada. o PPA tem a função de estabelecer as diretrizes. Intensificação na arrecadação das receitas próprias. Nosso entendimento é que não se aplicam.

todos os aspectos. com as linhas gerais da política econômica nacional e de desenvolvimento social. de forma a garantir a realização das metas e objetivos contemplados no PPA. No entanto. na ocorrência de arrecadação da receita inferior ao esperado. • quantificar o resultado primário a ser obtido com vistas à redução do montante da dívida e das despesas com juros. bem como a seleção mais criteriosa de programas e ações prioritárias de governo. sob o argumento de que a exigüidade do prazo inviabilizaria o aperfeiçoamento metodológico do PPA. com o mínimo de conflitos e superposições. • estabelecer limitações à expansão de despesas obrigatórias de caráter continuado. Conforme o artigo 35. de modo a lograr-se o máximo de resultado nas ações desenvolvidas. destinado a demonstrar a compatibilidade dos objetivos e metas plurianuais nele contidos. Dessa forma. Trata-se. de modo a comprometer as metas de resultado primário e nominal previstas para o exercício. além da elaboração de um Anexo de Política Fiscal. tinha como função básica orientar a elaboração dos orçamentos anuais. Estadual e Municipal. 3. De acordo com a doutrina.Lei de Diretrizes Orçamentárias .2. em cento e vinte dias do prazo para remessa da proposta do PPA ao Legislativo (até o final de maio). O texto da LRF. razão pela qual todos os demais planos e programas devem subordinar-se às diretrizes. a LDO recebe novas e importantes funções. do qual o PPA vem a ser o instrumento canalizador de recursos. objetivos e metas nele estabelecidos.LDO A LDO. uma certa uniformidade de linhas de ação entre as esferas Federal. E uma das formas idealizadas para alcançar esse objetivo foi através do investimento público. de instrumento que funciona como elo entre o PPA e os orçamentos anuais. compatibilizando as diretrizes do Plano à estimativa das disponibilidades financeiras para determinado exercício. da Constituição Federal de 1988. o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro (até meados de abril) e 7 . do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . aprovado no Senado Federal. a LDO deverá estabelecer os parâmetros necessários à alocação dos recursos no orçamento anual. sendo as mais importantes: • dispor sobre o equilíbrio entre receitas e despesas.ADCT. • disciplinar as transferências de recursos a entidades públicas e privadas. Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal. assegurar-se-ia. no exercício financeiro subseqüente. O que deve ser ressaltado é a condição do PPA como documento de mais alta hierarquia no sistema de planejamento de qualquer ente público. • dispor sobre o controle de custos e avaliação dos resultados dos programas financiados pelo orçamento. além de estabelecer as prioridades e metas da administração. ao menos em tese. previa a antecipação. na sua concepção original. essa parte foi objeto de veto pelo Presidente da República. • estabelecer critérios e formas de limitação de empenho. portanto.

tendo ainda. parágrafo 5º da Constituição Federal. além de outros imprevistos fiscais. a LDO estabelece regras gerais substantivas. constitui o mais importante instrumento de gerenciamento orçamentário e financeiro da Administração Pública. sendo o refinanciamento da dívida (e suas receitas) demonstrado de forma separada. na sistemática de elaboração do orçamento anual. subsídios. De acordo com o artigo 5º da LRF. O seu papel consiste em ajustar as ações de Governo. Conforme o artigo 35 do ADCT. 3. Dentre as principais. a LOA demonstrará que está compatível e adequada ao Anexo de Metas Fiscais. próprias do orçamento. por sua vez. A Lei Orçamentária Anual. previstas no PPA. Além disso. também são observados pelos Estados e Municípios.LOA Da mesma forma que na LDO. 8 . não se detendo em situações específicas ou individuais. que a LDO deverá prever para o atendimento às despesas previstas no Anexo de Riscos Fiscais. várias alterações estão sendo introduzidas. isenções. sem trânsito pelo Parlamento. por acompanhamento. Estes prazos. pela LRF. É o que se observa. na reserva de contingência. Neste caso. a previsão da reserva de contingência. analisado na sessão anterior. destacam-se: 1. tanto na LOA como nas leis de créditos adicionais. Esses prazos dizem respeito à União. o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado ao Legislativo até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (final de agosto) e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (até meados de dezembro). destinada ao pagamento de restos a pagar e passivos contingentes. A Lei de Diretrizes Orçamentárias tem também o mérito de submeter à soberania popular a definição das prioridades para a aplicação dos recursos públicos. o demonstrativo da compatibilidade da programação do orçamento com as metas da LDO previstas no respectivo Anexo de Metas Fiscais. às reais possibilidades de caixa. em percentual da RCL. prevalecendo para Estados. a LOA. ampliou o papel e a importância da LDO tornando-a. em geral. cuja principal finalidade é administrar o equilíbrio entre receitas e despesas públicas. traça as metas anuais e indica os rumos a serem seguidos e priorizados no decorrer do exercício financeiro. Anteriormente à vigência da atual Carta Magna. as prioridades do setor público eram definidas unilateralmente pelo Poder Executivo. sendo orientada pela LDO. deve manter os objetivos definidos nesta. etc. A LOA deverá apresentar as despesas relativas à dívida pública. 2.3. elemento de planejamento para a realização de receitas e o controle de despesas públicas. ainda. prevista no artigo 165. ainda. Distrito Federal e Municípios o que estiver disposto nas suas respectivas Constituições e Leis Orgânicas. mobiliária ou contratual e respectivas receitas. A LRF. o demonstrativo de efeitos sobre as receitas e as despesas decorrentes de anistias.devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa (final de junho). com o objetivo de alcançar e manter o equilíbrio fiscal. Lei Orçamentária Anual .

ainda.5% em 1990. 4. representavam percentual pouco significativo das receitas correntes totais. Houve. a uma política de gastos mais restritiva. visa a resgatar a importância das receitas próprias na realização de projetos e manutenção da máquina pública. Desta forma. Estes impostos passaram a fazer parte da base de cálculo do ICMS. na proporção do incremento das transferências. passou a contar com cerca de 66% desse total. O incremento nas receitas de Estados e Municípios não livrou esses entes do problema do endividamento público. Finalmente. Não havia estímulo para a arrecadação de impostos que. Isso ocorreu em virtude do aumento das transferências de recursos através dos fundos de participação (FPE e FPM). previsto contratualmente. em nível local. em alguns casos. que aumentou significativamente na década de 90. Portanto. já que a Constituição Federal retirou os impostos únicos sobre energia elétrica. tendo atingido 29.A dívida pública terá um tratamento especial na LOA. a União. Estados e 9 . a LRF. através do Capítulo III. que detinha cerca de 75% do total dos recursos tributários arrecadados no País antes da Constituição de 1988. O serviço da dívida (encargos mais amortizações). para 26%. a partir de 1989. de acordo com o artigo 5º. não foram repassados aos governos estaduais e municipais as obrigações e os encargos pertinentes. chegando próximo aos 70% do "bolo fiscal" no período. Além disso. • as contribuições sociais aumentaram a sua participação na carga tributária (de 24% em 1988. Em 1989 ela representava cerca de 22% do PIB nacional. Neste caso. A LRF e as Receitas e Despesas Públicas A Constituição Federal de 1988 possibilitou o incremento na carga tributária brasileira a partir daquele período. A Carta Magna aumentou significativamente a participação dos Estados e dos Municípios na repartição do “bolo fiscal”. a participação da União na arrecadação apresentou uma ligeira recuperação em 1994. do campo da competência Federal. e as receitas para esse fim devem estar destacadas na Lei. o aumento das transferências da União trouxe como conseqüência a renúncia a parte das receitas próprias em alguns governos subnacionais. uma queda nas receitas próprias do Governo Central. Outras transformações importantes foram observadas na estrutura tributária brasileira a partir da CF/88. dentre elas: • o IOF. passou a assumir caráter arrecadatório. • como o IOF e as contribuições sociais não são transferidos aos Estados e Municípios. em detrimento da União. em 1992). cabendo aos Municípios a fatia de 25% deste que é o principal imposto estadual. também. antes instrumento de política monetária. combustíveis e minerais. verificou-se que a busca pelo equilíbrio fiscal no Brasil não se restringe ao incremento na arrecadação mas.

sendo que nos dois últimos casos o benefício só entrará em vigor após a 10 . ampliação da base de cálculo ou novos tributos ou contribuições. pelo Poder Legislativo.1. 13 da LRF determina que o Poder Executivo deverá. Ressalte-se a importância dessa medida. • Demonstrar que a renúncia delas decorrente foi considerada ao se estimar a receita do orçamento e que não afetará as metas de resultados fiscais previstas na LDO. há comentado. Permanece também o mandamento constitucional que somente admite reestimativa de receita. efetuar o desdobramento das receitas em metas bimestrais de arrecadação. O descumprimento dessa norma terá como conseqüência a imediata suspensão das transferências voluntárias ao ente público que se mostrar negligente nessa questão. Para a sua previsão. a cobrança da dívida ativa e os créditos executáveis pela via administrativa. as estimativas da receita devem estar acompanhadas de demonstrativo da sua evolução. mas ainda aos seguintes requisitos: • Estimar o impacto orçamentário financeiro no exercício inicial de sua vigência e nos dois seguintes. cobrar impostos. nos termos da Lei 10. uma vez que tais metas bimestrais de receita servirão de parâmetro para a limitação de empenho e movimentação financeira a que se refere o art. 9º. Renúncia de Receita A concessão indiscriminada dos chamados “incentivos fiscais” é prática danosa às finanças de qualquer ente público. passa a ser uma obrigação. 4.Municípios possuem legislação tributária própria e devem explorar com eficiência o seu potencial de arrecadação. não só ao que dispuser a LDO. nos três anos anteriores e nos dois seguintes àquele a que se referirem. de ordem técnica ou legal. informando quais medidas serão adotadas para o combate a sonegação. podendo ser através de: elevação de alíquota. além de observar as normas técnicas e legais e a respectiva metodologia de cálculo. até trinta dias após a publicação do orçamento anual.3. previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos é ressaltada pelo texto da LRF como requisito essencial da responsabilidade na gestão fiscal. nos termos da LRF e. mais do que um direito da administração pública. Metas Bimestrais de Arrecadação O art.028 (Lei de Crimes Fiscais). nos casos de erro ou omissão. desvinculando-se cada vez mais da dependência do Governo Federal. • Prever medidas de compensação nos três exercícios já referidos. e deve estar sujeita a regras disciplinadoras.Previsão e Arrecadação da Receita A instituição. Na verdade. 4. A partir da vigência da LRF. 4. tais iniciativas deverão atender.2. A determinação para a cobrança de tributos deve ser vista como um estímulo ao administrador para o desenvolvimento do sistema tributário próprio.

para todo e qualquer aumento de despesa pode ser assim traduzida: toda e qualquer despesa que não esteja acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência. 17 que. serviços e obras. de acordo com a Constituição. que. A novidade aqui está no conceito de despesa obrigatória de caráter continuado que. Essa norma. Estão isentos das restrições acima apenas os cancelamentos de débitos em valor inferior aos seus custos de cobrança. Diante do que estabelece a nova lei. 4. Como se vê. Despesa Pública A regra básica da LRF (art. ampliação da base de cálculo. por exemplo. as despesas geradas a partir dessas ações. Estas medidas deverão observar ainda. deverá ser paga em dinheiro . • projeto para criação de Territórios Federais na Região Amazônica. de suas medidas compensatórias. ambas de grande ônus político: aumento permanente de receita ou redução permanente de despesa. define o aumento permanente de receita como o “proveniente da elevação de alíquotas. o pagamento de “bolsa-escola” para famílias carentes que comprovem a freqüência dos filhos em idade escolar na rede pública de ensino. duas alternativas são dadas. Algumas ações governamentais objetivas poderão esclarecer um pouco mais este conceito: • em nível municipal. medida provisória ou ato administrativo normativo. é condição prévia.4.” 11 . derivadas de lei e execução por período superior a dois exercícios financeiros. 17: é despesa corrente. para a questão do aumento nas despesas. atendem aos requisitos propostos: gerarão despesas correntes. o PPA e a LDO e. derivada de lei.ocorrência do aumento da receita. no caso de despesa obrigatória de caráter continuado. nos termos do art. nos termos do Código Tributário Nacional. sem deixar margem para criatividade. irregular e lesiva ao patrimônio público. é considerada: não autorizada. de acordo com o § 4º do artigo 16 da LRF. da sua adequação orçamentária e financeira com a LOA. 15). majoração ou criação de tributo ou contribuição. como também para a desapropriação de imóveis urbanos. geradora de obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios. o princípio da anterioridade. aprovado no Plenário do Senado Federal em 2000. Some-se ainda a restrição do parágrafo 3º do art. não só para a aquisição de bens.

sem considerar a manutenção de estradas e vias urbanas. Limites com Pessoal De acordo com a LRF.5. que este seja um dos pontos que mais tem suscitado críticas por parte dos governantes nos diversos níveis da Federação. fixas e variáveis. Por conseguinte. à estabilidade econômica e a queda nos índices inflacionários. funções ou empregos. entende-se como despesas de pessoal: 1. a partir dos recursos que lhe são entregues na forma de impostos. 4. pelo menos para esse fim. portanto. Uma crítica constante à Lei de Responsabilidade Fiscal diz respeito à imposição de limites para os gastos com pessoal. “bolão fiscal” e outras medidas do gênero. Despesas com inativos e pensionistas. à necessidade de manter o setor público com os recursos necessários à sua manutenção e ao atendimento das demandas sociais. Vencimentos e vantagens. O que acontece quando um ente público despende 70% de suas receitas líquidas com a folha de pagamento? Significa que restam 30% para a realização dos serviços públicos básicos. antes de mais nada. 4. Mandatos eletivos. responsável pelo crescimento deste tipo de despesa de forma continuada.De nada valerão. o conjunto dos Estados brasileiros gastou em média. o princípio que embasa tal conduta não é outro que o de “gastar apenas o que se arrecada”.6. Além disso. diante das barreiras que são impostas a aumentos de despesa. para que não haja a menor chance de alguma brecha ou artifício legal. civis. 2. Não é de estranhar. como já foi visto. Somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos. 67% de suas receitas líquidas (receitas disponíveis) com pagamento de pessoal. saúde e segurança. E. No entanto. 4. a lei equipara a aumento de despesa a prorrogação daquela já criada por prazo determinado. cargos. Além disso. como educação. etc. com quaisquer espécies remuneratórias. saneamento. 12 . a despesa com pessoal apresenta um componente vegetativo importante. a preservação do patrimônio público. sem a correspondente fonte de recursos. a limitação dos gastos com pessoal em percentual da RCL deve-se. iniciativas do tipo “combate à sonegação”. Entre 1996 e 2000. o crescimento populacional demanda um programa de investimentos crescente por parte dos governos. Despesas com Pessoal: fiscalização e controle Os gastos com a folha de pagamento de pessoal representam o principal item de despesas de todo o setor público brasileiro. militares e de membros de Poder. 3. Certamente que o aumento da participação da folha de pagamento nas receitas de Estados e Municípios deveu-se. A definição desses limites busca simplesmente permitir que o administrador público cumpra o papel que a sociedade lhe atribuiu: proporcionar bem-estar à população.

2. 6% para o Judiciário. Gratificações. tais limites serão agora repartidos entre todos os Poderes públicos. e 0.5. quando houver. 9. incluindo o Tribunal de Contas do Município. já que a contagem retroage 11 meses12. fica revogada qualquer outra legislação que verse sobre estes limites. assim dividido: • • • • 40.9% para o Executivo. horas extras e vantagens pessoais. somarão despesas com pessoal relativas a dois exercícios financeiros. Nos Poderes Legislativo e Judiciário. 6. conhecida como Lei Camata II. 7. Na esfera municipal o limite de 60% será assim repartido: • 6% para o Legislativo. com percentuais específicos para cada Poder. proventos de aposentadoria. Na esfera estadual o limite de 60% será repartido da seguinte forma: • • • • 2% para o Ministério Público. Contribuições recolhidas pelo Ente às entidades de previdência. 13 . os limites serão repartidos. entre os seus diversos órgãos. A LRF determina dois limites distintos para os gastos com pessoal no setor público: • • 50% da RCL para a União.5% para o Legislativo. Subsídios. Na esfera Federal o limite será de 50% da RCL. A apuração dos gastos com pessoal será feita com base em um período de 12 meses. e • 54% para o Executivo. Neste caso. 3% para o Legislativo. De acordo com a LRF. 6% para o Judiciário. e 49% para o Executivo.6% para o Ministério Público.RGF do primeiro e do segundo quadrimestre. e 60% da RCL para Estados e Municípios. reformas e pensões. Adicionais de qualquer natureza. 8. É o caso da Lei Complementar nº 96 de 1999. Cumpre ressaltar que após a publicação da LRF. Somente o RGF referente ao último quadrimestre do ano apresentará as despesas de pessoal verificadas na unicidade do exercício financeiro. os limites a serem apresentados no Relatório de Gestão Fiscal . na proporção das despesas que vinham sendo realizadas em exercícios anteriores. incluindo o Tribunal de Contas do Estado. Encargos sociais e 10.

• As despesas com pessoal do Estado do Amapá. este limite será igual a 3. Não faria sentido decisão diferente. A partir de maio de 2000. o servidor recebe valores superiores àqueles que receberia se continuasse na ativa. Despesas com a Seguridade Social Embora este assunto tenha merecido apenas um breve artigo. se estas despesas não são pagas com as receitas destes Estados. o limite para os gastos com pessoal do Legislativo será igual a 3. Atente-se para o fato de que as receitas originárias das contribuições a fundos não compõem o cálculo da RCL. não há porque serem somadas aos limites (60%). Nos Estados onde houver Tribunal de Contas dos Municípios.4%). de acordo com o § 2º do artigo 18. o que torna nula esta operação do ponto de vista contábil. além da indicação de sua fonte de custeio total. que versa sobre a despesa obrigatória de caráter continuado.4% da RCL. já que. aquele dispositivo obriga à demonstração da origem dos recursos que custearão qualquer aumento na despesa.6% da RCL. Apenas para relembrar. • As despesas com inativos custeadas com recursos de fundos próprios. custeadas pela União.1998 e 1999) dentro do Poder Judiciário a média das despesas com pessoal foi dividido entre o órgão A e o órgão B na proporção de 40% e 60% respectivamente.4% da RCL para as despesas com pessoal.Um exemplo: digamos que nos três exercícios financeiros anteriores à publicação da LRF (1997. a partir de mecanismos de compensação. enquanto que para o órgão B. aumentará a despesa com pessoal no mês em que estiver sendo executado. Parece lógico que. o chamado PDV. com a limitação dos gastos com pessoal sendo igual a 6% da RCL para o Poder Judiciário. o cumprimento do art. enquanto que o Executivo perderá este percentual a maior do seu limite (0. que passará então para 48. Em outras palavras. a criação. o PDV. Finalmente. isto significa que o órgão A terá um limite de 2. majoração ou extensão de qualquer benefício que integre a seguridade social requer. • As despesas com pessoal verificadas em decorrência de convocação extraordinária do Congresso Nacional. 14 . Sua contagem no limite de pessoal desestimularia programas dessa natureza. • As despesas decorrentes de decisão judicial (em geral classificadas na rubrica “Sentenças Judiciais”). por ocasião do afastamento. assim como a comprovação de que não serão afetadas as metas de resultados fiscais previstas na LDO. e da competência de período anterior ao da apuração das despesas com pessoal (somando-se o mês de referência com os onze meses anteriores). Roraima e do Distrito Federal. em geral utilizado pontualmente e dirigido ao conjunto dos servidores. • As despesas relativas ao incentivo à demissão voluntária. resta relacionar aquelas despesas que não serão computadas para o atendimento dos limites definidos nesta seção: • As despesas com indenização por demissão de servidores ou empregados. nem por isso a LRF é menos severa em relação aos aumentos de gastos com a seguridade social. De modo idêntico aos demais aumentos de despesa.6%. 5. 17.

assumidas em virtude de leis. em 2000 a 18% do PIB. E este endividamento desproporcional e crescente arquitetou-se a partir do aumento nas despesas públicas. e os recursos de terceiros. pelos Estados. convênios ou tratados. sem duplicidade: • das obrigações financeiras do ente da Federação. existem dois mecanismos fundamentais utilizados para a cobertura do déficit público: os recursos próprios. contratos. que em 1994 representava 10% do PIB. embora de prazo inferior a doze meses. abertura de crédito. Por definição. em razão de mútuo. o que significa endividar-se. Operações de crédito correspondem a compromissos assumidos com credores situados no País ou no exterior. a LDO e a LOA. ainda.6. 29 da LRF. em 6 anos ? No Capítulo I da Resolução do Senado Federal n° 43. a Constituição Federal de 1988 aumentou a disponibilidade de recursos para Estados e Municípios. portanto. tenha chegado. inclusive as decorrentes de emissão de títulos. A LRF e a Dívida Pública A dívida líquida do setor público brasileiro cresceu significativamente entre os anos de 1994 e 2000. • Adequação orçamentária e financeira com o PPA. a dívida pública consolidada não inclui as obrigações entre cada ente público e seus respectivos fundos. • dos precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio de 2000 e não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos. autarquias. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. a assunção. são apresentadas as definições dos termos relacionados à dívida pública consolidada. dívida pública mobiliária. • das obrigações financeiras do ente da Federação. 15 e 16. Como já foi ressaltado anteriormente. 15 . em atendimento ao disposto no artigo 30. assumidas em virtude da realização de operações de crédito para amortização em prazo superior a doze meses ou que. operações de crédito e empresa estatal dependente. a partir do aumento nas transferências do Governo Federal. quase o dobro. Pelo disposto no parágrafo primeiro do art. tenham constado como receitas no orçamento. emissão e aceite de título. fundações e empresas estatais dependentes ou entre estes. observar os termos dos arts. principalmente nos Estados e Municípios. devendo. sem a contrapartida do incremento das receitas próprias. Como explicar então o fato de que a dívida dos entes subnacionais (Estados e Municípios). que provém nas receitas de impostos e transferências. Considera-se dívida pública consolidada o montante total apurado. inciso I da LRF. o reconhecimento e a confissão de dívidas pelo ente público são equiparadas as operações de crédito. Já a dívida pública mobiliária é representada por títulos emitidos pela União. de 21/12/2001. Além disso. que condicionam os aumentos de despesa a: • Estimativa de impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência.

Posteriormente. as aplicações financeiras e os demais haveres financeiros. salvo lucros e dividendos. autorização orçamentária para recebimento de recursos financeiros com idêntica finalidade. 7º da Portaria Interministerial STN/SOF nº 163. direta ou indiretamente. do art.320.aquisição financiada de bens. a LRF estabelece normas de finanças públicas voltadas para a gestão fiscal. com fornecedor de bens. no exercício anterior. prevalece a vontade da Lei mais recente. Os objetivos das duas legislações são claramente distintos: enquanto a Lei nº 4320/64 estabelece as regras gerais para a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços. Equiparam-se a operações de crédito o recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha. a assunção direta de compromisso. 589). de 04-05-2001. com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços. pelo Distrito Federal ou pelo Município. mediante emissão. arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas. destinados ao pagamento de despesas com pessoal. Parágrafo único. Cabe por fim ressaltar que a LRF não revoga a Lei nº 4. sem autorização orçamentária. considera-se ainda subvenção econômica a transferência permanente de recursos de capital para empresa controlada deficitária nos termos do caput deste artigo”. a maioria do capital social com direito a voto. recebido recursos financeiros de seu controlador. de custeio em geral ou de capital. a Portaria n° 589 da STN. considerando-se ainda as obrigações a pagar que deverão ser deduzidas das disponibilidades financeiras. inclusive com o uso de derivativos financeiros. existindo algum dispositivo 16 . a partir do seu artigo 3°. confissão de dívida ou operação assemelhada. excluídos. Para efeitos desta portaria. mercadorias ou serviços. é empresa controlada pelo Estado. No que tange à dívida fundada. a exemplo do conceito de empresa estatal dependente e de algumas classificações orçamentárias. 3º Port. (Art. de 27-12-2001. no exercício corrente. de 17 de março de 1964 e o repasse de recursos previsto no inciso III. aceite ou aval de títulos de crédito e a assunção de obrigação. definido pela Resolução n° 43/01. aqueles provenientes de aumento de participação acionária. na forma da legislação. neste último caso. 18 da Lei 4. de acordo com a Resolução n° 43/01. De acordo com esse dispositivo legal: “A subvenção de que trata o caput do art. Empresa estatal dependente. 2º. nos termos do art.320/64 tenha sido recepcionada pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. que tenha. dá continuidade a esse conceito. recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços. corresponde à dívida pública consolidada deduzidas as disponibilidades de caixa. e tenha. Quanto à dívida consolidada líquida. da Lei Complementar nº 101 de 2000 destinam-se exclusivamente à cobertura de déficits de empresas e devem ser alocados diretamente no orçamento da empresa beneficiária. Embora a Lei nº 4.320/64.

dos Estados e dos Municípios e sobre limites e condições para contratação de operações de crédito e concessão de garantias. na proporção de 1/15 avos por ano.conflitante entre as duas normas jurídicas. A dívida consolidada líquida dos Municípios terá um limite igual a 1. Os entes que em dezembro de 2001 estavam dentro do limite legal e ultrapassarem os limites após dezembro de 2001 não terão 15 anos.1. o Presidente da República submeterá ao: I . até o mês de março de 2003 apenas as Resoluções do Senado Federal. respectivamente. O Senado Federal editou em dezembro de 2001 (portanto.2.2 vezes) nessa data.Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União. A dívida consolidada líquida dos Estados e do Distrito Federal terá por limite 2 vezes a sua RCL. sendo que os entes que estavam acima dos limites legais (Estados acima de 2 vezes a RCL e Municípios acima de 1. 52 da Constituição. Estados e Municípios. 2. deve ser observada a Lei de Responsabilidade Fiscal. O Poder Executivo respeitou o prazo para encaminhamento das propostas ao Senado Federal e ao Congresso Nacional. bem como de limites e condições relativos aos incisos VII.Limites de Endividamento de acordo com a LRF Diz o artigo 30 da Lei de Responsabilidade Fiscal: Art. II . A observação desses limites valerá a partir de dezembro de 2001. 4. § 3º da LRF (receita de 12 meses).2 vezes (ou 120%) a RCL. 6. 2º. calculada na forma do art. 3.Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a que se refere o inciso XIV do art. 2º. § 3º da LRF (receita de 12 meses). consoante os incisos I e II. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar. acompanhado da demonstração de sua adequação aos limites fixados para a dívida consolidada da União. estabelecendo limites e condições para contratação de operações de crédito e endividamento de Estados e Municípios já haviam sido publicados. calculada na forma do art. atendido o disposto no inciso I do § 1o deste artigo. 6. e apenas eles. mas dois quadrimestres para ajustarem-se. conforme disposto no artigo 31. terão um prazo de 15 anos para retorno ao limite dentro de uma trajetória decrescente. 48 da Constituição. 16 meses após encaminhamento das propostas) as Resoluções nº 40 e nº 43 versando sobre limites globais para o montante da dívida pública consolidada e da dívida pública mobiliária do Distrito Federal. cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. No entanto. Conforme relatórios fiscais publicados em dezembro de 2001 (e republicações posteriores) existiam no Brasil 6 Estados com excesso de endividamento quando da publicação da 17 . 30.Síntese da Resolução nº 40 do Senado Federal: 1. VIII e IX do mesmo artigo.

Minas Gerais e Rio Grande do Sul.Resolução nº 40: Goiás. Além desses Estados. Distrito Federal e Municípios será o equivalente a 22% da RCL. • de 1º de janeiro de 2003 a 30 de abril de 2005 fica suspensa a obrigatoriedade de cumprimento dos limites e condições estabelecidos nos artigos 3º e 4º da Resolução SF nº 40/2001.Síntese da Resolução nº 43: 1. Enquanto não forem editadas as novas Resoluções que tratarão do endividamento do Governo Federal. devem ser observadas as regras dispostas na Resolução nº 96. Mato Grosso do Sul. passa de 3 para 4 quadrimestres. 6. valerão as regras contratuais. deverá observar o limite de 16% da RCL. equivalente a 6. 2. Esses Estados terão até o exercício de 2016 para chegarem a uma relação Dívida Consolidada Líquida/Receita Corrente Líquida igual a 2. de 7 de novembro de 2003 alterou dispositivos da LRF e da Resolução SF nº 40/2001. o Distrito Federal e os Municípios devem estar ajustados aos limites fixados ou à trajetória da dívida. no exercício em que estiver sendo apurada. O saldo devedor das operações de crédito por antecipação de receita orçamentária (aro´s) não poderá ultrapassar. Ressalte-se que. Maranhão. 4. cerca de 20 Municípios estavam em dezembro de 2001 acima de 1. O comprometimento anual com o serviço da dívida (encargos mais amortizações). 3.2 para a relação Dívida Consolidada Líquida/Receita Corrente Líquida. de 1989. a 7% da RCL. Finalmente. • em 1º de maio de 2005. o projeto encaminhado ao Congresso Nacional determinava um limite de endividamento (Dívida Consolidada Líquida) igual a 3. A contratação de operações de crédito para Estados e Municípios. a saber: • o prazo para reenquadramento aos limites da dívida consolidada.5 vezes (ou 350%) a RCL anual do Governo Federal. nas condições previstas na Resolução nº 43. Já a dívida mobiliária teria um limite diferenciado. os Estados. podendo chegar a 32% da RCL.5% da RCL.5 vezes a RCL. O Ministério da Fazenda substituiu o Banco Central nas análises dos pleitos para a contratação de operações de crédito estaduais e municipais. para aqueles contratos em andamento (cujo pagamento de dívidas superem os limites da Resolução nº 43). No que se refere aos limites e condições para endividamento do Governo Federal. Ressalte-se que a Resolução nº 43 de 2001 revogou a Resolução nº 78 de 1998. Mato Grosso. As novas regras para contratação de operações de crédito estão dispostas no Manual de Instrução de Pleitos . 18 . conforme previsto inicialmente no artigo 31 da LRF. O saldo global das garantias concedidas pelos Estados. reduzindo o excesso dentro de uma proporção de 1/15 avos ao ano. a Resolução nº 20 do Senado Federal. dentro de um exercício financeiro. não poderá ultrapassar a 11.3.MIP editado pelo Ministério da Fazenda. entre eles o Município de São Paulo e o Município de Maceió.

em ações e serviços básicos de saúde. na forma da lei. e inciso II. 19 . na forma da lei. serão aplicados nos Municípios. além dos impostos.No caso da União. do ano 2001 ao ano 2004. até o exercício financeiro de 2004. o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento. ao menos 25% devem ser aplicados pelos Estados na manutenção e desenvolvimento do ensino. inciso I. anualmente. O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. 156 e dos recursos de que tratam os arts. quinze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. inciso I. previstos em lei. entretanto. alínea b e § 3º. recolhida pelas empresas na forma da lei. alínea a. A União aplicará. A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. Os recursos dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios destinados às ações e serviços públicos de saúde e os transferidos pela União para a mesma finalidade serão aplicados por meio de Fundo de Saúde que será acompanhado e fiscalizado por Conselho de Saúde. no mínimo. recolhida pelas empresas. no mínimo. O Estado. por exemplo. como os recursos do FUNDEF (FUNDEB) e Salário-Educação. De acordo com o artigo 212 da CF/88. que todos os recursos aplicados na manutenção e desenvolvimento do ensino são oriundos exclusivamente de impostos. o montante empenhado em ações e serviços públicos de saúde no exercício financeiro de 1999 acrescido de. No caso dos Estados e do Distrito Federal. quinze por cento. De acordo com o texto da Emenda Constitucional nº 29. 155 e dos recursos de que tratam os arts.Despesas com Saúde e Educação A Constituição de 1988 determinou que. Isso não quer dizer. de setembro de 2000. o valor apurado no ano anterior. cinco por cento. corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto – PIB. dos recursos oriundos dos impostos. na manutenção e desenvolvimento do ensino. segundo o critério populacional. utiliza recursos oriundos de outras fontes. podendo ainda lançar mão de recursos transferidos por convênios. no caso dos Municípios e do Distrito Federal. Ainda. 158 e 159. no mínimo. As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. da receita resultante de impostos. nunca menos de dezoito. no ano 2000. deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos municípios.Dos recursos da União apurados nos termos deste artigo. doze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 157 e 159. e os Estados. compreendida a proveniente de transferências. os recursos mínimos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde serão aqueles definidos a seguir. nos termos do plano nacional de educação.7.

normas que passaram a orientar os administradores e gestores do patrimônio público nas três esferas de governo. Moraes (2004) entende que o princípio da eficiência visa “garantir maior qualidade na atividade pública e na prestação dos serviços públicos”. as ciências econômicas procuram entender o princípio da eficiência dentro de um modelo de Equilíbrio Geral. não indicando. trouxe em seu artigo 37 os chamados “princípios da administração pública brasileira”. Elencados no texto original da Carta Magna. onde os bens e os recursos públicos devem ser alocados de forma a alcançar uma situação ótima de mercado (RIANI. Já para os economistas a eficiência está relacionada à maximização na utilização dos recursos sociais (visão quantitativa). farsa teatral do governo para dar satisfação à sociedade”. em geral ligados à área das Finanças Públicas. esses princípios correspondiam originalmente à legalidade. moralidade e publicidade. uma forma de mensurar essa satisfação. Estabelecendo um paralelo entre a concepção jurídica e a abordagem econômica a respeito da eficiência na Administração Pública. p. sendo que a mensuração da eficiência poderá ser feita a partir de modelos matemáticos como o Data Envelopment Analysis (DEA) e o Free Disposable Hull (FDH).8. Por outro lado. Considerando a necessidade da intervenção do Governo na Economia. alguns autores ligados ao Direito Administrativo vêm discorrendo a respeito das origens epistemológicas e conceituais do princípio da eficiência e da sua relevância no contexto da Administração Pública. No meio jurídico. p. no entanto. 69). 2001. o princípio da eficiência foi acrescentado ao texto constitucional por meio da EC nº 19/98. podemos inferir que trabalhos na área do Direito Administrativo associam a eficiência a uma busca pela satisfação dos cidadãos (visão qualitativa). percebe-se que não existe consenso entre os doutrinadores. Analisando diversos trabalhos publicados. 20 . enquanto que Meirelles (1996) entende que a eficiência impõe a todo agente público a necessidade de realizar suas atribuições com “presteza. Passados dez anos da promulgação da Lei Maior. Para Rigolin (2002. por exemplo. Já os estudos econômicos sobre eficiência. destacam a preocupação mais com as questões da mensuração da eficiência do que com seus fundamentos epistemológicos.19). a EC 19/98 “não passa de indisfarçada fraude. Cumpre por fim ressaltar que entre os juristas existe ao menos um ponto em comum: a certeza de que o princípio da eficiência sempre esteve implícito da Constituição Federal. na medida em que não possível ao Estado Democrático de Direito conviver com uma Administração Pública ineficiente. publicada em outubro de 1988 (CF/88). tendo por tema o artigo 37 da CF/88. Schuknecht e Tanzi (2005). impessoalidade. perfeição e rendimento funcional”. Na mesma linha de raciocínio caminha o magistério de Santos (2004) para quem “a irracionalidade desse processo de pseudo-reforma é agravada pelo viés alienado dos que não conseguem superar o formalismo e se apegam a mudança das normas”.Eficiência na Administração Pública A Constituição Federal do Brasil. Nessa linha de raciocínio destacam-se os trabalhos de Thanassoulis (2001) e Afonso. no âmbito de um Programa de Reestruturação e Reforma da Administração Pública nacional.

de 1997 do Ministério da Fazenda. Final de Mandato em 2008: regras gerais para os Municípios 9.LRF.2. realização de despesas que se estenderão até o exercício seguinte (Restos a Pagar) e as chamadas transferências voluntárias. Destacam-se nesse sentido a Portaria nº 89.LRF introduziu algumas regras de final de mandato que deverão ser observadas pelos governantes nessa fase da administração dos Municípios brasileiros. 9. 359-G do Código Penal). É o caso dos anuênios. § único da LRF). instrumento que associa a eficiência à capacidade de pagamentos dos entes públicos e a Lei de Responsabilidade Fiscal . Atente-se para o fato de que tal mandamento não alcança os aumentos originários de vantagens pessoais a que os servidores públicos têm direito por força de dispositivo constitucional. nenhum ato que provoque aumento desses gastos poderá ser editado (art. essas regras referem-se aos gastos com pessoal. mesmo durante o último ano de mandato. salário-família.1. Introdução O ano de 2008 finaliza uma etapa política de 4 anos para o mandato municipal. que determina. No entanto. Outra exceção à regra definida no referido parágrafo único da LRF é a que se refere às despesas com pessoal da educação. Esse texto apresenta as principais regras que deverão ser observadas nesse período de transição e de final de mandato e visa orientar os gestores municipais na observação das normas da responsabilidade fiscal. 9. Além disso. qüinqüênios. 21. As despesas. nos 180 dias que antecedem o término da legislatura ou do mandato do Chefe do Poder Executivo.Cumpre ainda ressaltar que algumas normas legais vigentes no Brasil sugerem formas para a aferição de uma eficiência econômica e financeira na alocação dos recursos públicos. aplicam-se as penalidades previstas (reclusão de 1 a 4 anos. Também se configura como exceção a esse parágrafo os casos de excepcional interesse público para a contratação de serviço público. A Lei de Responsabilidade Fiscal . endividamento. in verbis: 21 . não há prejuízo ao equilíbrio fiscal já que as despesas com a folha de pagamentos aumentarão na mesma proporção das receitas recebidas. sendo excedido o limite de gastos ou descumprido o compromisso de redução quadrimestral do excesso. que deverão ser pagos normalmente. do art. o que deverá manter as despesas dentro do mesmo limite porcentual para gastos com pessoal definido na LRF (60% da RCL para Estados e Municípios e 50% para União). etc. 60% deverão ser utilizados no pagamento de salários. Basicamente. nesse caso. nos termos do art. Gastos com Pessoal No que se refere às despesas de pessoal. dependerão do desempenho das receitas que comporão os recursos transferidos para os fundos de educação estaduais e municipais. 37 da Constituição Federal. legislação federal que relaciona a eficiência à observação de limites para o endividamento público e para as despesas com pessoal. dos quais. obedecendo-se o disposto no inciso IX. contratação de operações de crédito.

nessas operações.. ISSQN). para as operações de crédito por antecipação de receitas (ARO´s) e para os Restos a Pagar. há três regras que deverão ser observadas no final do mandato: para o montante da dívida. Além disso. deduzida das disponibilidades de caixa. for ultrapassado no primeiro quadrimestre do último ano de mandato. fundada). está vedado. também. As ARO’s.DCL2. publicidade e eficiência e. o § único do artigo 21 da LRF é claro: nessa etapa. não haverá esse prazo para o reenquadramento: as ações punitivas ocorrerão imediatamente se houver excesso no último ano da administração do Município. qualquer aumento salarial. o aumento nas despesas sujeitará os titulares dos Poderes ou órgão referidos no art. 22 .3. as despesas com pessoal nos Estados e Municípios não poderão superar a 60% da Receita Corrente Líquida (RCL)1 e 50% da RCL na União.028 de 2000. sendo que. são proibidas no último ano do 1 Receita disponível. se houver. ficará vedada a realização de operações de crédito. após as transferências constitucionais. No entanto. Ainda nos termos da Lei Fiscal. Nos demais casos.. Os gastos com pessoal deverão obedecer o limite da receita disponível. 2 Corresponde ao total da dívida contratual (de longo prazo. deverá reduzir o excesso nos dois quadrimestres seguintes. impessoalidade. estabelecido em Resolução do Senado Federal (200% da RCL para Estados e 120% da RCL para Municípios). Dívida Pública No que se refere às operações de crédito (empréstimos). 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. ao seguinte: (. De acordo com o artigo 20 da LRF. moralidade. Ressalte-se que o aumento nas despesas com folha de pagamentos (incluindo pessoal ativo e inativo) deverá observar como parâmetro as receitas dos entes públicos.“Art. dos Estados. mas no seu descolamento em relação às receitas arrecadadas. se o limite máximo para a dívida consolidada líquida . exceto as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária. às sanções previstas na Lei 10. Operações de ARO’S são aquelas em que o setor financeiro antecipa aos entes públicos as receitas tributárias futuras (IPTU. por sua vez. sendo que em ano de final de mandato. a chamada Lei de Crimes Fiscais – LCF. o descumprimento à regra não está no aumento nominal das despesas. mesmo sendo aumento nominal.) Omissis IX . Em outras palavras. 20 da LRF. Já os Restos a pagar são despesas contratadas em um exercício e que serão pagas no todo ou em parte nos exercícios seguintes. os tributos são oferecidos em garantia. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade.a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público” (grifei). 9. se um ente público ultrapassar o limite em um quadrimestre.

o sucessor era forçado a consumir um ou mais anos de seu mandato apenas para saldar dívidas contraídas em mandatos anteriores. ocasionavam deslocamento de outras despesas. O orçamento. não poderá ser assumida obrigação cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício. a pressão pela acomodação de despesas também aumentava. sob pressão do próprio pleito. esse tipo de rolagem de dívidas fica vedado no último ano de mandato. freqüentemente não contemplava espaço para esses gastos que. portanto. A falta de sincronia entre orçamento e execução financeira e a ausência de medidas corretivas ocasionava uma sobra de pagamentos que não podiam ser atendidos no mesmo exercício e. alimentado por superestimativas de receitas e/ou subestimativas de despesas. em último ano da administração. configurando-se então uma “rolagem extra-orçamentária” de dívidas. sejam irresponsavelmente contraídas novas despesas que não possam ser pagas no mesmo exercício. a menos que haja igual ou superior disponibilidade de caixa para o sucessor. Após a LRF. Em outras palavras. para serem atendidos. elevando o volume de Restos a Pagar a tal magnitude que. A regra busca obrigar o governante a “deixar a casa arrumada para o sucessor”.2003).em anos normais poderão ser contratadas até 10 de dezembro. Essa prática decorria. embutia autorização para assunção de compromissos que não eram acompanhados pela efetiva arrecadação de receitas. Além disso. 23 . dando origem a uma trajetória crescente de endividamento de curto prazo. de deficiências do processo orçamentário como instrumento de planejamento. nos dois últimos quadrimestres do último ano da legislatura e do mandato do Chefe do Poder Executivo. na sua origem. evitar que. O orçamento do exercício seguinte. seriam também transferidas sob a mesma rubrica para o exercício subseqüente. Isto porque nem todos os pagamentos de despesas coincidem com o término do exercício financeiro e é natural que algumas despesas que pertencem a um exercício venham a ser pagas no exercício seguinte (NUNES.mandato do Chefe do Poder Executivo . os Restos a Pagar foram sendo utilizados como instrumento de rolagem de dívidas. em grande medida. Por outro lado.4. Estas. A situação tornava-se mais grave quando a série de planejamentos deficientes fazia com que os problemas se acumulassem. por sua vez. por sua vez. Restos a Pagar A rubrica Restos a Pagar. ainda mais. O art. por um lado. muitas vezes. quando em último ano de mandato. 9. eventuais dívidas poderiam ser roladas ao longo de um mesmo mandato. eram transferidos para o exercício seguinte sob a forma de Restos a Pagar. Com o passar do tempo. o fim do mandato serviria também como ponto de corte para equacionamento de todos os estoques. E. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal foi concebido com o espírito de. destinava-se a compatibilizar o término do exercício financeiro com a continuidade da administração pública. mas jamais transferidas para o sucessor.

Parágrafo único. 42 da LRF. o ente público que empenha as folhas do exercício em janeiro de cada ano e 24 . tornando-se necessários alguns esclarecimentos. a LRF. de 19 de outubro de 2000. transporte. disposição esta que se aplica também aos Restos a Pagar. Várias dúvidas surgiram em relação à interpretação desse dispositivo. observado o cronograma pactuado.028. Vamos utilizar como referência o ano de 2008 que é último ano de mandato municipal. É preciso observar ainda que as despesas que legalmente pertencem ao exercício deverão ser pagas no mesmo exercício ou serem acompanhadas de disponibilidade de caixa.514. determina que a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência. a assinatura de contrato não basta para caracterizar a obrigação de despesa. Nos termos do artigo 36 da Lei nº 4. também não se deve esperar que o administrador público deixe disponibilidade de caixa para atender a todas as parcelas futuras que não são da competência de 2008. São a razoabilidade das leis e a continuidade da Administração Pública que impõem a interpretação do dispositivo à luz do conceito de Restos a Pagar. em seu artigo 108 determina: Art.Posteriormente. ficariam inviabilizados investimentos. pagamento da dívida pública e contratos de prestação de serviços (recolhimento de lixo. Para efeito do disposto no art. Além disso. etc. não poderá inscrever em Restos a Pagar ao final do exercício de 2008 despesas que não sejam da competência daquele exercício. consideram-se compromissadas apenas as prestações cujo pagamento deva se verificar no exercício financeiro. 108. Deste entendimento. Além disso. Então. no seu artigo 50. a Lei nº 10. a expressão “contrair obrigação de despesa” do artigo 42 insere-se em seção denominada “Dos Restos a Pagar” e assim deve ser entendida. de 2000. Se o governante realizar um contrato com execução prevista em vários exercícios (plurianual). ordenar ou autorizar a assunção de obrigação em desacordo com a determinação do referido art. decorrem algumas conclusões: 1. somente poderá ser inscrita em Restos a Pagar a despesa empenhada. Pela mesma razão. Caso contrário. inciso II. Também a Lei nº 11. 42 da Lei Complementar nº 101. 2. a qual deve também ser empenhada e liquidada para que possa ser paga. Ressalte-se que na Administração Pública. considera-se contraída a obrigação no momento da formalização do contrato administrativo ou instrumento congênere.) que se estendem além do final deste exercício. de 13 de agosto de 2007 (LDO da União para 2008). denominada Lei de Crimes Fiscais. caracterizou como crime. mas não paga até 31 de dezembro. No caso de despesas relativas à prestação de serviços já existentes e destinados à manutenção da administração pública. se essa conduta fosse exigida.320/64.

A regra do artigo 42 aplica-se ao último ano de mandato independentemente de quem seja o sucessor. Não obstante a regra do artigo 42 aplicar-se apenas às despesas contraídas nos últimos oito meses do último ano de mandato. 2. a qual permite o pagamento posterior. um Poder não será responsabilizado pela ação irregular de outro. apenas exige a disponibilidade de caixa. evitando contrair despesas sem que tenha certeza de que haverá condições financeiras para saldá-las. deverá deixar disponibilidade de caixa. funciona um órgão único e geral. A LRF também não autoriza nem incentiva a quebra de contratos ou a “maquiagem contábil”. ainda que o sucessor seja o próprio Prefeito. nesse sentido. A regra possui cunho de responsabilização pessoal e aplica-se no último ano de mandato dos chefes de Poder (Prefeito) ou órgão (Câmara. Em consonância com a LRF. 5º a referida legislação determina. que deverá acompanhar toda a LRF. quando houver e outros que possuem autonomia. a estrita ordem cronológica das datas de suas exigibilidades. portanto. no caso dos municípios. a regra precisará ser atendida. Não se tratam aqui das Secretarias. Assim. Decorrem. no artigo 20. Isto porque. Respeito aos contratos. por exemplo. 20. 3. in verbis. Assim. Assim. mesmo que o Poder Executivo esteja cumprindo o seu limite percentual (54% da RCL). A independência dos Poderes não isenta o Município das sanções fiscais no caso de o Poder Legislativo. a todos os Poderes independentemente de ser o mandato eletivo ou não. A LRF não contraria a lei trabalhista. obedecer. para cada fonte diferenciada de recursos. 25 . Tribunais) referido no art. salvo quando relevantes razões de interesse público e mediante prévia justificativa da autoridade competente. a qual respeita e preserva o princípio constitucional de independência dos Poderes. Os órgãos referidos no art. contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele ou que a inscreva em Restos a Pagar (e para tanto deverá previamente empenhar a despesa) sem deixar igual disponibilidade de caixa para que o sucessor possa atendê-la. então algumas conclusões: 1.liquida parte da folha de dezembro no dia 5 do mês subseqüente.. nos oito meses que antecedem o final do mandato. a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município. por exemplo. 20.666/93 veda tal conduta: em seu art. estar acima dos limites para gastos com pessoal (6% da RCL). Individualização de responsabilidades.. não deve ser dada prioridade à liquidação dos débitos dos últimos 8 meses do mandato em detrimento dos anteriores.. a Lei nº 8. 20 são. O Poder Executivo Municipal. 4. devidamente publicada”. é definido o nível de individualização das responsabilidades por Poder.. não deverá ser dada prioridade a liquidação desses débitos em detrimento dos assumidos em meses anteriores. A disponibilidade de caixa e os Restos a Pagar a serem considerados para efeito de aplicação do artigo 42 são os do Poder ou órgão referido no art. pois não é esse o nível de responsabilização definido no art. enquanto órgãos do Poder Executivo Municipal. “Devendo cada unidade da Administração. em caso de reeleição. 20. primeiro. Infringe o artigo 42 quem. O comportamento do Gestor Público deverá pautar-se pela prudência.

caracterizando-se tal ação como operação de crédito irregular. Contudo. para fins da apuração das disponibilidades de caixa. recomenda-se que toda a despesa transite pelo orçamento e que toda a despesa a pagar seja efetivamente registrada na rubrica “Restos a Pagar”. mas. é possível cancelar empenhos sem prejuízo a fornecedores. e com o próprio parágrafo único do art. Ocorre que o caput do art. no caixa do Poder ou órgão. Uma leitura rápida e descontextualizada dos princípios constitucionais orçamentários.A LRF não autoriza nem incentiva a realização de contratos à margem do processo orçamentário. o artigo 37 da LRF proíbe a assunção de obrigação. ao regulamentar o caput. do total da obrigação de despesa contraída nos dois últimos quadrimestres. por sua vez. qual seja. notadamente o princípio da anualidade orçamentária.320/64. Assim. a “obrigação de despesa” de que trata o artigo 42 da LRF. deverão ser consideradas as despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. em obediência ao princípio da anualidade orçamentária.320/64. que ultrapassassem aquele exercício. daí decorrendo. pune com pena de reclusão de um a dois anos a realização de operação de crédito sem autorização legislativa ou com inobservância de condição estabelecida em lei. Ao contrário. 35 da Lei nº 4. Por isso. ficando as demais. o seu parágrafo único. que todo o empenho gera obrigação de despesa. há limites para fazê-lo. Em decorrência do art. Porém. contudo. Uma vez assumido o compromisso e tendo sido o bem ou serviço entregue (liquidado). diz-se que temos um regime contábil misto adotado no Brasil. 42 da LRF refere-se à obrigação de despesa. com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços (“contratos de gaveta”). pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas legalmente empenhadas. também todo aquele compromisso assumido e que efetivamente ainda não esteja materializado na fase do empenho. Assim. esclarece que. logo. de caixa para a receita e de competência para a despesa. seria praticamente sinônimo de despesa liquidada ou em execução. em situações extremas é possível e até recomendável promover o ajuste fiscal por meio do cancelamento de empenhos. na determinação das disponibilidades de caixa. somente seriam consideradas aquelas parcelas do compromisso assumido que fossem liquidadas até o final do exercício. recursos necessários à satisfação das obrigações de despesa contraídas. o pagamento é devido e o fornecedor que o fez de boa-fé não deve ser lesado. sem autorização orçamentária. e sendo necessário. 42. que deveria ter o seu 26 . em sua integralidade. Os contratos assumidos que se referirem a serviços já prestados deverão ser honrados. O termo “obrigação de despesa” como posto na LC nº 101/2000 tem o objetivo de atingir não somente o empenho de despesa. As despesas compromissadas são aquelas que foram ou irão ultrapassar a fase da liquidação do empenho até o final do exercício. Em determinadas circunstâncias. em uma análise conjunta e em conformidade com os artigos 58 a 65 da Lei nº 4. Por conseqüência da aplicação do princípio contábil da competência da despesa. tal entendimento não se afiguraria como procedente. A Lei de Crimes Fiscais. com fonte de financiamento nos orçamentos dos próximos exercícios. embora o ideal seja agir prudencialmente. quando do final do exercício. poderia levar à interpretação de que o administrador público teria a obrigatoriedade de manter.

com os princípios e normas constitucionais orçamentárias e legislação correlata. cuja execução do respectivo objeto fosse iniciada nos últimos oito meses de mandato. 165 da CF/88. liquidação e pagamento. e nem poderia ser. tudo nos limites financeiros em consonância com o cronograma de execução físico-financeiro. os contratos para a execução de obras ou prestação de serviços serão empenhados e liquidados no exercício. ou seja. De acordo com o transcrito art. deve haver. as parcelas do cronograma físico-financeiro que correspondam ao executado no exercício financeiro. por importante. tãosomente. para satisfação da obrigação. preliminarmente. não pelo valor total. sempre. Não é esse o interesse da Lei. § 2º. deve propiciar a integração do princípio do equilíbrio e da continuidade da administração destacado pela LRF.5.LOA. Esta disposição da Lei de Licitações. em relação a uma determinada obra de vulto considerável ou a um contrato para prestação de serviços de engenharia de 60 meses. prevê. Transferências Voluntárias A definição legal para o conceito de Transferência Voluntária encontra-se no artigo 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal . A interpretação desse caso. art. que determina que a receita e a despesa devem referir-se.pagamento efetuado dentro ainda do exercício financeiro ou. que para uma obra ser licitada. Em conclusão. Outra situação prática que tem suscitado dúvida de interpretação. Convém destacar. de forma que preserve a razoabilidade das ações de governo. que é o art. projeto executivo e normas de execução dessa obra. é a que se refere à contratação de execução de obra pública ou de serviços nos últimos oito meses de mandato.LDO e na Lei Orçamentária Anual . além de a obra estar incluída no PPA. mesmo que o pagamento ocorresse no exercício seguinte. não se poderia interpretar que.PPA. no mínimo. ainda. que houvesse recursos em caixa disponíveis. 7º da Lei de Licitações. está em conformidade com o princípio da anualidade previsto no art. Nesse sentido. mas. 9. As Transferências Voluntárias permitem atribuir aos 27 . o mesmo ocorrerá em relação aos respectivos empenhos da despesa. 7º. somente.320/64 e no art. conforme já asseverado. fosse o administrador compelido a dispor de todo o recurso financeiro necessário quando da celebração do contrato de execução. essa obra deve ser objeto de previsão no Plano Plurianual . Por conseqüência. na Lei de Diretrizes Orçamentárias . que a dotação orçamentária necessária à licitação deve ser conjugada com o planejamento da execução a ser realizada no exercício financeiro. relativas a cada exercício ao qual a mesma se estenda. ao período coincidente com o exercício financeiro. a exemplo do que já foi exposto. projeto básico. que incluirão um cronograma de execução. 2º da Lei nº 4. Um dos principais dispositivos que elucidam o impasse encontra. deve ser atendido o princípio constitucional do planejamento integrado (CF. neste mesmo exercício. No que tange às parcelas subseqüentes. se o crédito orçamentário deve limitar-se àquelas parcelas da execução da obra que forem planejadas para o exercício. quanto na LOA.666/93. 165). deverá haver previsão da mesma tanto na LDO. acertadamente.se na Lei nº 8.LRF. III.

Essa modalidade de transferência tem sido utilizada nos repasses de recursos destinados a programas de educação. sendo aquelas responsáveis pelo acompanhamento da aplicação dos recursos previamente à liberação das parcelas. principalmente. existem dois outros mecanismos de transferência: contrato de repasse e transferência automática. saneamento e infra-estrutura urbana e de programas relacionados à agricultura. projeto/atividade ou evento de interesse recíproco. em regime de mútua cooperação (IN STN no 01/1997).504.Municípios ou a instituições vinculadas a responsabilidade final pela aplicação de recursos. em ano eleitoral. parcela dos recursos repassados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). As regras para as transferências voluntárias. também. o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa Dinheiro Direto na Escola. de 1997 que determina em seu artigo 73. Tradicionalmente. É firmado entre as instituições financeiras federais da União (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) e o órgão ou entidade estadual ou municipal. repasses realizados por meio de convênios que não podem ser classificados como Transferências Voluntárias. acordo ou contrato. servidores ou não. in verbis: Art. empresa pública ou sociedade de economia mista que estejam gerindo recursos dos orçamentos da União. Nas transferências automáticas. destinados à execução de programas governamentais. sem a necessidade de realização de convênio. o convênio tem sido o instrumento utilizado pela Administração Federal para transferir recursos aos Municípios. por intermédio de instituição ou agência financeira oficial federal. Por outro lado. É importante. nos três meses que antecedem as eleições. Existem Transferências Voluntárias que não são realizadas via convênio. estabelecer a diferença entre Transferências Voluntárias e convênios. como por exemplo. é vedada a realização de transferências voluntárias a Estados e Municípios. ainda. O contrato de repasse é o instrumento utilizado para transferências de recursos financeiros da União para Estados. 73. para a execução de programas sociais na área de habitação. deverão observar as disposições da Lei nº 9. como por exemplo. São proibidas aos agentes públicos. não há vedação legal em relação a transferência de recursos à entidade privada. Resta ainda considerar que em ano eleitoral. os recursos descentralizados pela União para Estados. o Programa Dinheiro Direto na Escola e. autárquica ou fundacional. em especial. Distrito Federal ou Municípios. não podendo ser utilizadas com finalidade diversa daquela pactuada. as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: 28 . visando à execução de programas de trabalho. Distrito Federal e Municípios são transferidos automaticamente para conta corrente específica aberta em nome do beneficiário. Esse tipo de instrumento vem sendo utilizado pelo Governo Federal. exceto para aquelas obras e serviços em andamento onde já houve assinatura de convênios. Todos estes recursos são passíveis de prestação de contas pelas partes beneficiadas. Convênio é qualquer instrumento que discipline a transferência de recursos públicos e tenha como partícipe órgão da administração pública federal direta. Porém.

durante o horário de expediente normal. III . V . na circunscrição do pleito. do Ministério Público. transferir ou exonerar servidor público. que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram. estadual ou municipal do Poder Executivo.usar materiais ou serviços. sob pena de nulidade de pleno direito. partido político ou coligação. dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República. remover. policiais civis e de agentes penitenciários. salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado. partido político ou coligação. suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e. contratar ou de qualquer forma admitir. partido político ou coligação. sob pena de nulidade de pleno direito. IV .ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal. ou usar de seus serviços. ainda. b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário.nos três meses que antecedem o pleito: a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios. demitir sem justa causa. e) a transferência ou remoção ex officio de militares. dos Territórios e dos Municípios. ressalvados: a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança. ex officio. II . de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público. ressalvada a realização de convenção partidária. bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União. nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos.fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato. dos Estados. VI . c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo. do Distrito Federal. d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais.I .ceder ou usar. com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo. e dos Estados aos Municípios. ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para 29 .nomear. custeados pelos Governos ou Casas Legislativas. em benefício de candidato. para comitês de campanha eleitoral de candidato.

que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição. § 1º Reputa-se agente público. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. cargo. 76. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. indireta. relevante e característica das funções de governo. pelos candidatos a reeleição de Presidente e VicePresidente da República. salvo em caso de grave e urgente necessidade pública. Prefeito e Vice-Prefeito. programas. obras. na circunscrição do pleito. e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública. quem exerce. ou das respectivas entidades da administração indireta. serviços e campanhas dos órgãos públicos federais. emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração pública direta.realizar.fazer. despesas com publicidade dos órgãos públicos federais. VIII . b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado. salvo quando. designação. de transporte oficial pelo Presidente da República. tratar-se de matéria urgente. encontros e reuniões pertinentes à própria campanha. em campanha. de suas residências oficiais para realização de contatos. por eleição. antes do prazo fixado no inciso anterior. alíneas b e c. autorizar publicidade institucional dos atos. ou das respectivas entidades da administração indireta. a critério da Justiça Eleitoral. § 2º A vedação do inciso I do caput não se aplica ao uso. § 3º As vedações do inciso VI do caput. em campanha. § 4º O descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da conduta vedada. nem ao uso. e sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR. assim reconhecida pela Justiça Eleitoral. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos. em ano de eleição. revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição. c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão. estaduais ou municipais. VII . aplicam-se apenas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição. desde que não tenham caráter de ato público. a partir do início do prazo estabelecido no art. para os efeitos deste artigo. estaduais ou municipais. 30 . nomeação.execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado. mandato. fora do horário eleitoral gratuito. Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal. obedecido o disposto no art. quando for o caso. ou fundacional.

coligações e candidatos que delas se beneficiarem. 9.429.7. um prefeito municipal que tentará uma candidatura legislativa.840. 31 .1999). O raciocínio aqui é bastante simples: quem suceder. IV e VI do caput. de 2006) 9. II. Atitude diferente poderá representar omissão ou mesmo convivência com a prática irregular. (Redação dada pela Lei nº 9. em especial às cominações do art. portanto. de 28. de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.096. sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior. 12. atos de improbidade administrativa. exceto nos casos de calamidade pública. § 8º Aplicam-se as sanções do § 4º aos agentes públicos responsáveis pelas condutas vedadas e aos partidos. ainda. casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. por exemplo. cabendo ao gestor que fica. o novo Administrador deverá denunciar irregularidades e tentar sanar os danos ao erário. teve alguma participação nas ações da Administração municipal3. em geral. pelos danos causados pelo seu antecessor. a responsabilidade objetiva e solidária pelos atos de gestão da administração da qual participou. § 6º As multas de que trata este artigo serão duplicadas a cada reincidência. inciso III. agente público ou não. § 7º As condutas enumeradas no caput caracterizam. valores ou benefícios por parte da Administração Pública. quem assume o posto é alguém indicado pelo antecessor (o Vice-Prefeito. deverão ser excluídos os partidos beneficiados pelos atos que originaram as multas. Regras de Transição 3 Em geral. § 9º Na distribuição dos recursos do Fundo Partidário (Lei nº 9. bem como.§ 5º Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos I. Responsabilização Solidária Resta ainda considerar que o Administrador Público que assumir a administração nos últimos meses de mandato. III. e sujeitam-se às disposições daquele diploma legal. § 10. fica proibida a distribuição gratuita de bens. inciso I. Por outro lado.9. em alguma medida. por exemplo). da Lei nº 8.6. No ano em que se realizar eleição. conhecendo os problemas causados por seu antecessor.300. 11. (Incluído pela Lei nº 11. a que se refere o art. ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma. de 2 de junho de 1992. de 19 de setembro de 1995) oriundos da aplicação do disposto no § 4º. o candidato beneficiado. será responsável pelos fatos que ocorreram no seu período de gestão.

tanto durante a elaboração como no curso da discussão dos planos. serviços terceirizados. Nesse caso. As prestações de contas e o respectivo parecer prévio. nesse caso. Relatório de Gestão Fiscal e a sua versão simplificada.As regras referentes ao final de mandato deverão considerar ainda aspectos relacionados a transição de governo que ocorrerá entre o período do processo eleitoral (primeiro e segundo turno) e a data da titulação dos novos administradores públicos. dedicado à explicitação dos instrumentos de transparência na gestão fiscal. os orçamentos e a lei de diretrizes orçamentárias. e a título de exemplo. Esse procedimento garante a transparência e a responsabilidade do administrador público em relação a continuidade da administração. Por sua vez.1 Transparência na Gestão Fiscal Nesta seção. controle e avaliação do grau de sucesso obtido na administração das finanças públicas. verifica-se a existência de dois blocos normativos distintos: um de caráter geral. É necessário. particularmente sob o prisma das normas previstas na LRF. no âmbito tanto do respectivo Poder Legislativo como do órgão 32 . consideram-se instrumentos de transparência: • • • • Os planos. as contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo devem estar à disposição do público. outro. nível de endividamento. Para efeito da LRF. A transparência da gestão pública exige também o incentivo à participação popular e pela realização de audiências públicas. específico. A Administração que assume também deverá constituir sua Equipe de Transição entre profissionais qualificados que possam se debruçar sobre as informações disponíveis e apresentar relatórios consistentes a respeito da saúde econômica e financeira do Município. processos judiciais em andamento etc. 10. da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos. voltado às contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo. Controle e Fiscalização Este capítulo da LRF reúne todos os comandos normativos necessários à confecção e à divulgação de relatórios e demonstrativos ligados às atividades de condução das finanças públicas. que a administração que encerra seu mandato forme Equipe de Transição que será responsável pela elaboração de relatórios e a separação daqueles documentos (mesmo em versão preliminar) que comprovem o cumprimento das regras com despesas de pessoal.Transparência. estabelecendo regras e procedimentos de fiscalização. convênios. Relatório Resumido da Execução Orçamentária e a sua versão simplificada. havendo um volume de Restos a Pagar superior às disponibilidades de caixa (referentes às despesas de competência dos últimos oito meses) o novo Prefeito deverá ser informado para dar ciência aos órgãos de controle (Tribunais de Contas e Controladorias). restos a pagar. 10.

função e subfunção). grupo de natureza. O objetivo dessa periodicidade é permitir que. 33 . As limitações impostas ao empenho de dotações devem ser justificadas. Nessas peças. As peças básicas são o balanço orçamentário. os resultados primário e nominal. Tratando-se da União. assim como relacionadas as medidas destinadas à elevação da arrecadação. em caráter nacional. Já os demonstrativos de suporte visam evidenciar a receita corrente líquida. A Lei Complementar nº 101. até trinta dias após o encerramento de cada bimestre.Relatório Resumido da Execução Orçamentária . que estabelece em seu artigo 165. A União já o divulga. parágrafo 3º. que se refere às normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. 167 da Constituição. de 05 de outubro de 1988. devem os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária ser destacados dentre as demais receitas de operações de crédito. sob risco de punições fiscais e penais. 10. por intermédio de seu § 3º do art.RREO é exigido pela Constituição da República Federativa do Brasil. da variação patrimonial e da conformidade do montante das operações de crédito com aquele das despesas de capital. há vários anos. devendo ocorrer em até trinta dias após o encerramento de cada bimestre. por meio dos diversos órgãos de controle. a sociedade. as receitas e as despesas. cada vez mais. Trata-se de documento cuja publicação é comandada pela própria Constituição Federal. Tratando-se do Relatório de último bimestre de cada exercício. no caso de frustração na previsão de receitas.RREO Neste item. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária .2. cuja função é especificar. as contas devem ser acompanhadas por demonstrativos. as receitas e despesas previdenciárias. cuidam as normas da LRF de especificar. os parâmetros necessários à elaboração do chamado Relatório Resumido da Execução Orçamentária. especificando as aplicações efetuadas com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social. mensalmente. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é composto de duas peças básicas e de alguns demonstrativos de suporte. as despesas com juros e os valores inscritos em restos a pagar. por categoria econômica. O quadro a seguir apresenta um modelo do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional. assim como o impacto fiscal das operações realizadas pelas agências de fomento. estabelece as normas para elaboração e publicação do RREO. 165. Todos os Municípios brasileiros (inclusive aqueles que possuírem menos de 50 mil habitantes) deverão apresentar o RREO a cada bimestre. acompanhe e analise o desempenho da execução orçamentária do Governo Federal. exige-se a demonstração das projeções atuariais dos regimes de previdência social. confeccionados pelo Tesouro Nacional e pelas agências financeiras oficiais de fomento. nos termos previstos no inciso III do art. de 04 de maio de 2000.técnico responsável por sua elaboração. que o Poder Executivo o publicará. conheça. e o demonstrativo de execução das receitas (por categoria econômica e fonte) e das despesas (por categoria econômica.

dos Poderes e entidades da Administração Indireta . Tratando-se do Relatório de último bimestre de cada exercício.O RREO e seus demonstrativos abrangerão os órgãos da Administração Direta. fundações. da variação patrimonial e da conformidade do montante das operações de crédito com aquele das despesas de capital. assim como as medidas destinadas à elevação da arrecadação. 34 . excluídas. nos termos previstos no inciso III do art. exige-se a demonstração das projeções atuariais dos regimes de previdência social. autarquias. as receitas e as despesas. fundos especiais. neste caso. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é composto de duas peças básicas e de alguns demonstrativos de suporte. Já os demonstrativos de suporte visam evidenciar a receita corrente líquida. Cumpre ressaltar que o veto presidencial ao item “a” do inciso II do artigo 63 impediu a apresentação semestral do RREO para os municípios com menos de 50 mil habitantes. e as ações de fiscalização e cobrança . função e subfunção). adotadas e a adotar. As peças básicas são: • balanço orçamentário. Apenas os demonstrativos definidos no artigo 53 da LRF é que poderão ser apresentados semestralmente por esses Municípios. As limitações impostas ao empenho de dotações devem ser justificadas. os resultados primário e nominal. especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal. serão apresentadas justificativas da limitação de empenho e da frustração de receitas. empresas públicas e sociedades de economia mista que recebem recursos dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. As informações deverão ser elaboradas a partir do consolidado de todas as unidades gestoras. as despesas com juros e os valores inscritos em restos a pagar. empresas públicas e sociedades de economia mista. ou de auxílios para pagamento de despesas de capital. aquelas empresas lucrativas que recebam recursos para aumento de capital. devem os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária ser destacados dentre as demais receitas de operações de crédito. inclusive sob a forma de subvenções para pagamento de pessoal e de custeio. no caso de frustração na previsão de receitas. dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios. O modelo do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO foi publicado na Portaria STN 517/2002. Nessas peças. grupo de natureza. as receitas e despesas previdenciárias. fundos especiais. por categoria econômica. fundações. no âmbito da Administração Direta. constituídas pelas autarquias. e • demonstrativo de execução das receitas (por categoria econômica e fonte) e das despesas (por categoria econômica. 167 da Constituição. Quando for o caso. cuja função é especificar. O RREO será elaborado e publicado pelo Poder Executivo da União.

RGF Do ponto de vista do regime de finanças públicas implantado com a LRF. Cada um dos Poderes. Judiciário. além do Ministério Público. Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Município. entende-se como Poder e órgão: Poder: . será emitido Relatório de Gestão Fiscal pelos titulares dos Poderes e órgãos.a Assembléia Legislativa e os Tribunais de Contas do Poder Legislativo Estadual. . . quando houver. sob risco de sofrerem punições fiscais e penais. das dívidas consolidada e mobiliária. 35 .na esfera federal.o Ministério Público. . A faculdade de apresentação semestral refere-se aos anexos do RREO. das despesas com pessoal. • Elenco de medidas adotadas com vistas à adequação das variáveis fiscais aos seus respectivos limites. . Legislativo ( incluído o Tribunal de Contas da União).a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal. Executivo e Ministério Público da União. demonstração do montante das disponibilidades ao final do exercício financeiro e das despesas inscritas em restos a pagar. tratando-se do último quadrimestre. ao final de cada quadrimestre. Para fins de emissão do Relatório de Gestão Fiscal. . da concessão de garantias. Relatório de Gestão Fiscal . quando houver) e Executivo. estabelece que. .3.o Supremo Tribunal Federal. A Lei Complementar nº 101. abrangendo todas as variáveis imprescindíveis à consecução das metas fiscais e à observância dos limites fixados para despesas e dívida. Constam.na esfera municipal. e . Órgão: . Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Estado e do Distrito Federal).Todos os Municípios brasileiros (inclusive aqueles que possuírem menos de 50 mil habitantes) deverão apresentar o RREO a cada bimestre. . Judiciário.as respectivas Casas do Poder Legislativo Federal. portanto.a Câmara de Vereadores do Poder Legislativo Municipal e o Tribunal de Contas do Município.o Tribunal de Contas da União. de 4 de maio de 2000 concernente às normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Executivo e Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal. deve emitir o seu próprio Relatório de Gestão Fiscal.na esfera estadual e Distrito Federal. das operações de crédito e das despesas com juros. 10. com os limites de que trata a LRF. do Relatório: • As informações necessárias à verificação da conformidade. o Relatório de Gestão Fiscal ocupa posição central no que diz respeito ao acompanhamento das atividades financeiras do Estado.

.os Tribunais e Juízes Eleitorais. excetuadas aquelas empresas que recebem recursos exclusivamente para aumento de capital oriundos de investimentos do respectivo ente. O Relatório de Gestão Fiscal dos Poderes e órgãos abrange administração direta. inclusive em meios eletrônicos. até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder. fundações. . no último quadrimestre. .Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório equivalente. conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário. fundos. ser acrescido de demonstrativos referentes ao montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro. A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que o relatório deverá ser publicado e disponibilizado ao acesso público.os Tribunais e Juízes do Trabalho. empresas públicas e sociedades de economia mista beneficiários de recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social. .o Superior Tribunal de Justiça. para manutenção de suas atividades. . bem como operações de crédito. O Relatório de Gestão Fiscal. se encerra em 30 de setembro e. dívida consolidada. se encerra em 30 de maio. devendo. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. . para o primeiro quadrimestre. quando houver.os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.Chefe do Ministério Público. semestralmente. bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão.os Tribunais e Juízes Militares. conforme determina a supracitada Lei. Prazo que. . da União e dos Estados. para o terceiro quadrimestre. o Relatório de Gestão Fiscal.o Tribunal de Justiça dos Estados e outros. O relatório também será assinado pelas autoridades responsáveis pela administração financeira e pelo controle interno. das inscrições em Restos a Pagar e da despesa com serviços de terceiros. concessão de garantias e contragarantias.os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais. conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Legislativo. para o segundo quadrimestre. autarquias.Chefe do Poder Executivo. . .. A divulgação do relatório com os seus demonstrativos deverá ser realizada em até trinta dias após o encerramento do 36 . O relatório será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos e assinado pelo: . conterá demonstrativos com informações relativas à despesa total com pessoal. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por divulgar.Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente.

se ultrapassado qualquer dos limites.semestre. irá compô-lo. sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal. tendo em vista que o gestor deverá observar os limites fixados para essas despesas. O demonstrativo da despesa com serviços de terceiros. Governador ou Prefeito Municipal. e) demonstrativo dos limites Além disso. Este demonstrativo fará parte do Relatório de Gestão Fiscal até o final do exercício de 2003. d) da despesa com serviços de terceiros . b) dívida consolidada. embora não conste explicitamente.Do ponto de vista do 37 . portanto. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária . não havendo. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. estadual ou municipal). é punida com multa de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa. c) concessão de garantias e contragarantias. nos prazos e condições estabelecidos em lei. também. evidenciando as despesas com ativos. Prazo que. c) do cumprimento do disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal. dos seguintes montantes : a) despesa total com pessoal. e d) operações de crédito. compensação entre os poderes. se encerra em 30 de julho e. o referido relatório indicará as medidas corretivas adotadas ou a adotar. b) da inscrição em Restos a Pagar das despesas liquidadas. das empenhadas e não liquidadas. A não divulgação do referido relatório. os seguintes demonstrativos: a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro. O Relatório de Gestão Fiscal conterá demonstrativos comparativos com os limites de que trata a LRF. o relatório deverá conter. na LRF. Judiciário ou Executivo) compromete toda a esfera correspondente (federal. inativos e pensionistas. no que se refere à liquidação da operação de crédito por antecipação de receita. no último quadrimestre. Além disso. como parte integrante do Relatório de Gestão Fiscal. para o segundo semestre. para o primeiro semestre. A extrapolação dos limites definidos na legislação em um dos poderes (Legislativo. No último quadrimestre. inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa e das não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados. além do atendimento à proibição de contratar tais operações no último ano de mandato do Presidente. até o dia dez de dezembro de cada ano. com juros e outros encargos incidentes. o ente da Federação estará impedido de receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito.

10. à concessão de garantias. Ênfase especial deve ser atribuída.5.regime de finanças públicas implantado pela LRF. Em todo e qualquer caso. este com o auxílio do Tribunal de Contas. além das do Chefe do Ministério Público. Acaso as constituições estaduais ou as leis orgânicas municipais disponham diferentemente. e aos sistemas de controle interno de cada Poder e do Ministério Público. na fiscalização. desde que não seja capital. e às operações de crédito. tratando-se de Município com menos de duzentos mil habitantes. as medidas administrativas e judiciais de recuperação de créditos e as destinadas ao incremento das receitas tributárias e de contribuições. deve o conteúdo das prestações de contas englobar. Constam. o desempenho da arrecadação de receitas. devem as contas prestadas pelo Chefe do Poder Executivo ser acompanhadas pelas dos Presidentes do órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário. o Relatório de Gestão Fiscal ocupa posição central no que diz respeito ao acompanhamento das atividades financeiras do Estado. a alguns aspectos específicos: 38 . além do Ministério Público. abrangendo todas as variáveis imprescindíveis à consecução das metas fiscais e à observância dos limites fixados para despesas e dívida. Cada um dos Poderes. e.4. por elas estabelecido. às dívidas consolidada e mobiliária. prevalece o prazo. A emissão do parecer prévio deve ocorrer no prazo de sessenta dias. Fiscalização da Gestão Fiscal A responsabilidade pela fiscalização quanto ao cumprimento das normas de gestão fiscal é atribuída ao Poder Legislativo. portanto. • O elenco de medidas adotadas com vistas à adequação das variáveis fiscais aos seus respectivos limites. Finalmente. Quanto à sua composição. do Relatório: • As informações necessárias à verificação da conformidade. para a emissão do parecer. com os limites relativos às despesas com pessoal. contados da data do recebimento das contas. destacando: as providências adotadas quanto à fiscalização e ao combate à sonegação. sem prejuízo de que se abordem outros assuntos. Prestações de Contas Três são os aspectos abordados. deve emitir o seu próprio Relatório de Gestão Fiscal. 10. demonstração do montante das disponibilidades ao final do exercício financeiro e das despesas inscritas em restos a pagar. as condições para a emissão do respectivo parecer prévio e o seu conteúdo. quanto às prestações de contas: a sua composição. veda-se aos Tribunais de Contas o recesso de suas atividades enquanto houver contas pendentes do respectivo parecer. esse prazo é dilatado para cento e oitenta dias. Tratando-se do último quadrimestre. Todas as contas são objeto de parecer prévio do respectivo Tribunal de Contas. nesta seção.

por intermédio do Tesouro Nacional. 5. 123: 321-347 3. 8. FORTES. • Respeito aos limites aplicáveis aos gastos do Poder Legislativo municipal. 2006. A Eficiência do Estado. 9. • Adoção de medidas para a adequação das despesas com pessoal e das dívidas mobiliária e consolidada aos respectivos limites. realizadas entre a União. assim como indícios de irregularidades na gestão. Jeferson. Brasília: Franco & Fortes. Bibliografia Consultada 1. 7. V. Public Sector Efficiency: an international comparison. BRASIL . IPEA. GIAMBIAGI. F. Brasília. 2. 6. Boletim de Desenvolvimento Fiscal nº 03. 81. e o Banco Central do Brasil. 4. Public Choice. Age government bonds net wealth? Journal of political economy. p. Direito Administrativo. L e TANZI. Antônio. Antônio Carlos Cintra. João. Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado – RERE nº 5. 39 . Ivo e MORGADO.586p 10. Ao Tribunal de Contas da União foi dada a especial incumbência de acompanhar a legalidade das operações com títulos públicos. 2ª edição.SCHUKNECHT. 1095-1117..Constituição Federal Brasileira de 1988. 13ª ed. & GIAMBIAGI. das operações de crédito e das garantias concedidas ultrapassarem 90 por cento dos limites a elas aplicáveis. 11. • Sobre fatos que comprometam os custos ou os resultados de programas. caso existam tais limites.AFONSO.BARBOSA. • Observância dos limites e das condições para a realização de operações de crédito e a inscrição de despesas em restos a pagar. 2001. além de verificar o cumprimento dos limites relativos às despesas com pessoal. 2000. F. Salvador. alertar Poderes e órgãos: • Sobre a possibilidade de extrapolação do limite referencial para as despesas com juros. DI PRIETO.AFONSO. BARRO. Atlas. Revista Brasileira de Economia. 2001. Cabe ainda aos Tribunais de Contas. Vestcon – 2000. • Que as despesas com inativos e pensionistas se encontram acima do limite correspondente. A. O ajuste fiscal de 1990-93: uma análise retrospectiva. São Paulo.. DEBUS.. Orçamento Público. • Observância das normas atinentes à destinação dos recursos oriundos da alienação de ativos. O Princípio da Eficiência no Direito Administrativo. 1974.AMARAL. 2006. F. Jul/Set 1995. nº 249.• Verificação do cumprimento das metas previstas na lei de diretrizes. J. C. A. 2005. de O. Rio de Janeiro: Campus. • Quando às despesas com pessoal e os montantes das dívidas consolidada e mobiliária. R. Contabilidade Pública. Finanças Públicas: teoria e prática no Brasil. ALÉM. Maria Sylvia Zanella.

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