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INEDI – Cursos Profissionalizantes

Técnico em Transações Imobiliárias

Noções de
Língua Portuguesa
MÓDULO 01

BRASÍLIA – 2005
Os textos do presente Módulo não podem ser reproduzidos sem autorização do
INEDI – Instituto Nacional de Ensino a Distância
SDS – Ed. Boulevard Center
Center,, Salas 405/410 – Brasília - DF
Telefax: (0XX61) 3321-6614

CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS – TTI

COORDENAÇÃO NACIONAL
André Luiz Bravim – Diretor Administrativo
Antônio Armando Cavalcante Soares – Diretor Secretário
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Maria Alzira Dallla Bernardina Corassa – Pedagoga
COORDENAÇÃO DIDÁTICA COM ADAPTAÇÃO PARA EAD
Neuma Melo da Cruz Santos – Bacharel em Ciências da Educação
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO
José de Oliveira Rodrigues – Extensão em Didática
Josélio Lopes da Silva – Bacharel em Letras
EQUIPE DE APOIO TÉCNICO: INEDI/DF
André Luiz Bravim
Rogério Ferreira Coêlho
Robson dos Santos Souza
Francisco de Assis de Souza Martins

PRODUÇÃO EDITORIAL
Luiz Góes
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E CAPA
Vicente Júnior
IMPRESSÃO GRÁFICA
Gráfica e Editora Equipe Ltda

________________, Língua Portuguesa, módulo I, INEDI, Curso de


Formação de Técnicos em Transações Imobiliárias, 3 Unidades. Brasília.
Disponível em: www.inedidf.com.br. 2005.

Conteúdo: Unidade I: Funções da linguagem; leitura e produção de


textos – Unidade II: Textos técnicos – Unidade III: Revisão gramatical
– Exercícios.

347.46:145
C560m
Caro Aluno

O início de qualquer curso é uma oportunidade repleta de expectativas. Mas um


curso a distância, além disso, impõe ao aluno um comoprtamento diferente, ensejando
mudanças no seu hábito de estudo e na sua rotina diária, porque estará envolvido com
uma metodologia de ensino moderna e diferenciada, proporcionando absorção de
conhecimentos e preparação para um mercado de trabalho competitivo e dinâmico

O curso Técnico em Transações Imobiliárias ora iniciado está dividido em nove


módulos. Este módulo 01 traz para você a básica disciplina Língua Portuguesa que, dividida
em três grandes unidades de estudo, apresenta, dentre outros itens essenciais, um amplo
estudo da linguagem, noções de textos técnicos, e uma completa revisão gramatical, além
de exercício de fixação, testes para avaliar seus aprendizado e lista de vocabulário técnico
que, com certeza, será indispensável no seu desempenho profissional.Trata-se, como você
pode perceber, de uma completa, embora sintética, habilitação no âmbito desse
conhecimento tão decisivo para o futuro profissional do mercado imobiliário.

Se o ensino a distância garante maior flexibilidade na rotina de estudos também é


verdade que exige do aluno mais responsabilidade. Nós, do INEDI, proporcionamos as
condições didáticas necessárias para que você obtenha êxito em seus estudos, mas o sucesso
completo e definitivo depende do seu esforço pessoal. Colocamos à sua disposição, além
dos módulos impressos, um completo site (www.inedidf.com.br) com salas de aula virtuais,
fórum com alunos, tutores e professores, biblioteca virtual e salas para debates específicos
e orientação de estudos.

Em síntese, caro aluno, o estudo dedicado do conteúdo deste módulo lhe permitirá
não só o domínio dos conceitos mais elementares da Língua Portuguesa, além do
conhecimento dos instrumentos básicos para que o futuro profissional possa atingir os
seus objetivos no mercado de imóveis. Além desse módulo, leia outros textos com maior
atenção. Você vai gostar e aprender muito.

Boa sorte!
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 07

UNIDADE I
1. COMUNICAÇÃO.................................................................................................................. 11
1.1 – O processo de comunicação e as variantes lingüísticas ......................................... 11
1.2 – Funções da linguagem .............................................................................................. 13
1.3 – Problemas de comunicação na empresa................................................................. 14
1.3.1. Algumas expressões a evitar ........................................................................... 18

2. TEXTOS: LEITURA E PRODUÇÃO................................................................................ 20


2.1 – Noção de texto .......................................................................................................... 20
2.2 – As várias possibilidades de leitura de um texto ..................................................... 21
2.3 – Adequação vocabular ............................................................................................... 24
2.3.1. Dúvidas quanto ao significado do vocábulo ................................................ 24
2.3.2. Outras recomendações na escolha dos vocábulos ....................................... 28
2.4 – Os textos e sua tipologia .......................................................................................... 30
2.5 – Textos publicitários................................................................................................... 33

UNIDADE II
3. TEXTO TÉCNICO ................................................................................................................ 39
3.1 – A organização do texto técnico............................................................................... 39
3.2 – A unidade do parágrafo ........................................................................................... 42
3.3 – A produção do texto técnico .................................................................................. 44
3.3.1. O texto da carta empresarial .......................................................................... 47
3.3.1. O planejamento do texto da carta ................................................................. 47

4. ASPECTOS DO TEXTO TÉCNICO ................................................................................. 50


4.1 – Ofício ......................................................................................................................... 50
4.2 – Requerimento ............................................................................................................ 51
4.2.1. Modelos de requerimento ............................................................................... 53
4.3 – Circular....................................................................................................................... 54
4.4 – Relatório .................................................................................................................... 55
4.4.1. Elementos do relatório ................................................................................... 56
4.4.2. Técnicas para a elaboração de relatórios....................................................... 57
4.4.3. Relatório administrativo ................................................................................. 58
4.4.4. Apresentação de solução de problemas ........................................................ 59
4.4.5. Enumeração dos fatos ..................................................................................... 59
4.4.6. Exposição temporial: cronologia dos fatos .................................................. 60
4.5 – Carta.... ....................................................................................................................... 61
4.5.1. Introduções comuns na correspondência ..................................................... 62
4.5.2. Fechos de cortesia ............................................................................................ 62
4.5.3. A elaboração do texto..................................................................................... 62
4.5.4. Simplificando o texto ...................................................................................... 63
4.5.5. Estética das cartas comerciais ........................................................................ 63

UNIDADE III
5. REVISÃO GRAMATICAL................................................................................................... 67
5.1 – Ortografia .................................................................................................................. 67
5.1.1. Fonemas e letras ............................................................................................... 67
5.2 – Acentuação ................................................................................................................ 70
5.2.1. Emprego do Hífen .......................................................................................... 70
5.2.2. Uso da vírgula .................................................................................................. 71
5.2.3. Uso da crase ..................................................................................................... 73
5.3 – Plural das palavras compostas ................................................................................. 74
5.4 – Flexão dos adjetivos compostos ............................................................................. 74
5.5 – Concordância verbal e nominal ............................................................................... 75
5.6 – Frase – oração – período......................................................................................... 77
5.6.1. Termos essenciais da oração........................................................................... 78
5.6.2. Tipos de sujeito ................................................................................................ 78
5.6.3. Oração sem sujeito .......................................................................................... 79
5.6.2. Tipos de predicado.......................................................................................... 79
5.7 – Correlações frasais .................................................................................................... 80

TESTE SEU CONHECIMENTO ........................................................................................... 83


BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................... 89
GABARITO........... ..................................................................................................................... 90
INTRODUÇÃO

A língua portuguesa é uma preocupação de vários setores empresari-


ais, que desejam ter em sua equipe profissionais experientes e comunicativos.

O conteúdo desta apostila é coletado de vários tópicos presentes no


ensino médio e que fazem parte também de outros cursos, como base de um
aperfeiçoamento no estudo da matéria.

Seria uma meta inalcançável pretender abarcar as minúcias de nossa


língua, mas procuramos esclarecer as dúvidas mais freqüentes e colocar os
pontos que consideramos sempre presentes no dia-a-dia do profissional do
mercado imobiliário.

Começamos por pontuar sobre noções de texto e as várias formas


de entendê-los por achar que “saber ler” é o primeiro passo para uma
comunicação eficiente e livre de equívocos. Assim, esperamos que essa
primeira leitura sirva de incentivo para futuras leituras e conseqüente
sucesso profissional.

Parafraseando Paulo Freire: “A leitura de mundo precede sempre


a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura
daquele”.

Sucesso!
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

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LÍNGUA PORTUGUESA

Unidade
I

¾ Conceituar Emissor, Receptor, Texto;


¾ Reconhecer as funções da linguagem;
¾ Reconhecer os requisitos de uma comunicação adequada;
¾ Identificar os vários tipos de texto;
¾ Reconhecer as características de um texto bem elaborado;
¾ Selecionar vocabulário adequado ao desempenho da profissão de
Corretor, identificando expressões a evitar e expressões de uso reco-
mendável;
¾ Refletir sobre a importância de uma comunicação clara e correta,
em todas as áreas do relacionamento humano.

INEDI - Cursos Profissionalizantes •9


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

1. COMUNICAÇÃO b) sociais – o português das pessoas es-


colarizadas difere daquele empregado
1.1 – O PROCESSO DE pelas pessoas que não têm acesso à es-
COMUNICAÇÃO E AS VARIANTES cola; assim, algumas classes sociais do-
LINGÜÍSTICAS minam uma modalidade da língua – a
língua culta – que goza de prestígio e
Para entender o processo de comunica- representa uma forma de ascensão pro-
ção, é preciso entender, primeiramente, que a fissional e social; já o português utiliza-
origem de toda a atividade comunicativa do do diariamente pelo povo, sem qual-
ser humano está na linguagem, ou seja, a ca- quer preocupação gramatical é deno-
pacidade humana de se comunicar por meio minado língua popular, e objetiva so-
de uma língua, que representa um sistema de mente comunicar informações e expri-
signos convencionais usados pelos membros mir informações de forma eficaz. Ele
de uma mesma comunidade. Ao utilizar os sig- é falado principalmente por pessoas de
nos que formam a nossa língua, obedecemos a baixa escolaridade, ou mesmo analfa-
certas regras de organização fornecidas pela beto. Trocas como probrema, galfo,
própria língua. Exemplificando: É perfeita- malmita , e expressões como “pra
mente possível antepor ao signo casa o signo nóis fazer”, “ele chamou eu” são
uma, formando a seqüência uma casa; se an- ocorrências freqüentes neste tipo de lin-
tes do signo casa colocarmos o signo um, não guagem. Ainda socialmente condicio-
estaremos obedecendo às regras de organiza- nadas, existem certas formas de língua
ção da língua portuguesa. desenvolvidas por alguns grupos, su-
A linguagem é um processo de comu- jeitas a transformações contínuas, e
nicação de uma mensagem entre dois falantes compreendidas facilmente por integran-
pelo menos: O destinador ou emissor, que tes de uma comunidade restrita: as gí-
emite a mensagem, e aquele a quem a mensa- rias. Ex: “Hoje paguei o maior mico,
gem é destinada, ou seja, o receptor ou desti- ‘mico’ significando ‘vexame’, ‘vergo-
natário. nha’, ‘constrangimento”;
A língua falada e a língua escrita são
dois meios de comunicação diferentes; a pri- c) profissionais – o exercício de algumas
meira é mais espontânea; a segunda obedece a atividades requer o domínio das cha-
um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez madas línguas técnicas, abundantes em
que não conta com a significação paralela da termos específicos, e restrito ao inter-
mímica e da dicção, presentes na língua falada. câmbio de certas categorias profissio-
Variantes lingüísticas são as variações nais, como cientistas, economistas, mé-
que ocorrem na língua, motivadas por vários dicos etc. Entre os economistas, por
fatores: exemplo, usam-se as expressões viés de
baixa ou viés de alta, para a alta ou a
a) gráficos – dão origem ao regionalis- queda dos juros no mercado;
mo, que são expressões ou construções
típicas de algumas regiões do país; d) situacionais – um mesmo indivíduo
quando essas construções ou expres- emprega diferentes formas da língua em
sões são muito marcantes, deixa-se de diferentes situações comunicativas. Se
falar em regionalismo e fala-se em di- estivermos numa situação de intimida-
aletos. Ex: “O guia turístico do Rio de (por exemplo, uma conversa com
Grande do Sul é um baita guia, tchê”; amigos ou parentes), usamos uma lin-
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

guagem mais informal, sem grandes c) Faça um resumo do que vem a ser “lingua-
preocupações com a correção grama- gem literária”.
tical; esse tipo de linguagem é chama- _____________________________________
do de linguagem coloquial ou fami- _____________________________________
liar. Em situações mais formais (por
exemplo, o discurso numa solenidade d) Com suas próprias palavras defina o que vem
de formatura ou em uma missa de séti- a ser “linguagem culta”.
mo dia) usamos uma linguagem mais _____________________________________
cuidada, procurando obedecer as nor- _____________________________________
mas gramaticais; esse tipo de linguagem
é chamada língua culta ou norma pa- e) Faça um resumo do você que entende por
drão, e é utilizado nos livros didáticos, “linguagem familiar”.
no ensino escolar, nos manuais etc. _____________________________________
_____________________________________
Quando o uso da língua não se restringe
às necessidades práticas do cotidiano comuni-
cativo, incorporando preocupações estéticas
surge a língua literária, que procura produzir
um sentimento estético no leitor, submetendo
a escolha e a combinação dos elementos lin-
güísticos a atividades criadoras e imaginativas.
Exemplo:

“E a cidade morre. Daqui por diante apenas


um bonde, um táxi ou uma conversa de noctí-
vagos sacudirá por instantes o ar de morte que
baixou sobre a cidade”

Fernando Sabino, O homem nu, 8ª ed.


Rio de Janeiro: Sabiá, 1969, p.13

a) Volte ao texto e transcreva a melhor defini-


ção de “linguagem”.
_____________________________________
_____________________________________

b) Pesquise e relacione quais os fatores que in-


fluem na variação lingüística.
_____________________________________
_____________________________________

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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

1.2 – FUNÇÕES DA LINGUAGEM ante), mas têm cunho marcadamente pesso-


al. Essa função é predominante nas cartas
Quando nos comunicamos, essa ação pessoais, nos diários, nas canções sentimen-
envolve seis elementos: emissor ou reme- tais, na poesia confessional, nas resenhas crí-
tente; a mensagem; o código utilizado; o ticas. Ex: “Quando sinto o perfume de la-
canal (meio utilizado para veicular a mensa- vanda, imediatamente me lembro da minha
gem), o referente (objeto ou situação de que infância, dos lençóis limpos, da sensação de
a mensagem trata); e, por fim; o receptor conforto e proteção que eu tinha ao lado de
ou destinatário. meus irmãos”.
Cada um desses elementos está estreita-
mente ligado às seis funções desempenhadas C - FUNÇÃO CONATIVA – Esta função
pela linguagem. As seis funções são: privilegia o receptor, utilizando elementos
consistentes para persuadi-lo, seduzi-lo, con-
A - FUNÇÃO REFERENCIAL - Esta vencê-lo, envolvendo o receptor com os con-
função privilegia justamente o objeto ou si- teúdos transmitidos, tornando-se evidente
tuação de que a mensagem trata, ou seja, o em textos marcados por pronomes de tra-
referente, busca transmitir informações tamento ou da segunda pessoa (você, vocês,
objetivas sobre ele, abstém-se de manifesta- Vossa Senhoria; tu, vós), ou pelo uso de cer-
ções pessoais ou persuasivas. É uma função tas formas gramaticais, como o imperativo
predominante nos textos de caráter científi- e o vocativo. Essa persuasão pode ser cons-
co, nos manuais de instrução e nas notícias truída de forma sutil ou agressiva. É a fun-
veiculadas pelos jornais (textos jornalísticos), ção utilizada nos textos publicitários, nos
nos mapas, enfim, em textos que se propõem discursos políticos, nos sermões religiosos
informar o leitor, transmitindo-lhe dados e etc. Ex: “Faça um 21”, “Revista. Todo mun-
conhecimentos precisos. Ex: “O batiscafo é do lê até durante o expediente. Quem pode
composto de duas partes principais: um flu- comprar revista, pode comprar seu produ-
tuador, que geralmente tem a forma de cas- to”, “Seja má. Se você não se contenta com
co de navio, cheio de gasolina distribuída em os 5 minutos (se tanto!) regulamentares que
vários compartimentos, e uma cabina esféri- ele dedica de atenção às mulheres em geral,
ca de aço”. faça o que elas não fazem”. (Nova, ago. 1996)

B - FUNÇÃO EXPRESSIVA OU EMO- D - FUNÇÃO FÁTICA - A função fática


TIVA – Esta função centraliza-se no emis- se orienta sobre o canal de comunicação ou
sor, que imprime no texto as marcas de sua contato, buscando verificar e fortalecer a efi-
atitude pessoal: emoções, opiniões, análises, ciência da comunicação, garantindo que o
avaliações. É visível, no texto, a presença (cla- contato foi estabelecido; inicialmente ela foi
ra ou sutil) do emissor, mesmo em textos utilizada para chamar a atenção por meio de
aparentemente impessoais, como relatórios, “ruídos” (como psiu, ahn, ei). No caso dos
textos de imprensa, ou artigos críticos. Ob- textos escritos, o canal (suporte físico atra-
serve-se que os textos que utilizam a função vés do qual a mensagem enviada pelo emis-
expressiva obedecem a um projeto, no qual sor chega ao destinatário) é a própria pági-
o emissor expõe suas opiniões, fornece ar- na, com os sinais gráficos dispostos sobre
gumentos para sustentá-las, procurando per- ela; assim, a função fática, para fortalecer sua
suadir o receptor da mensagem; as manifes- eficiência, utiliza, nos textos escritos, desde
tações expressivas terminam por tocar as a seleção vocabular, até a disposição gráfica
manifestações conativas (que veremos adi- das letras, o tamanho e as cores das mesmas,
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 13
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

a repetição sem exageros de certas palavras Ex:


e expressões, e outros recursos sutis. Ex:
“MITO – A mulher não pode ficar grávi- “Meses e meses recolhida e murcha,
da enquanto estiver amamentando. VER- Sai de casa, liberta-se da estufa,
DADE – Quando a mulher está amamentando a flor guardada (o guarda-chuva). Agora,
tem a fertilidade diminuída. Mas isso varia muito cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
de pessoa para pessoa. Sem anticoncepcional pode sustento o caule de uma grande rosa
ser pá-pum. A mulher que amamenta deve negra, que se abre sobre mim na chuva.”
se prevenir com camisinha ou minipílu- MOTA, Mauro, Itinerário, 2 ed.
las.” Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 24.

E - FUNÇÃO METALINGÜÍSTICA – Considerando as funções discriminadas,


A função metalingüística se volta para os ele- até então, é importante procurar, nos textos, a
mentos do código, explicando-os, analisan- função predominante, já que os enunciados
do-os, definindo-os. Verificamos o uso des- apresentam várias funções ao mesmo tempo,
ta função nos dicionários, nos poemas que inexistindo a exclusividade, ou seja, não en-
falam da própria poesia, nas canções que fa- contramos um texto que apresenta somente
lam de outras canções, nos textos didáticos, uma função.
nas análises literárias, e até mesmo em nu-
merosas situações cotidianas. Ex: “O que 1.3 – PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO
você quer dizer com isso?”, “Aspirar tam- NA EMPRESA
bém significa desejar”, “Língua é um siste-
ma de signos convencionais usados pelos Pelo estudo das variantes lingüísticas e
membros de uma mesma comunidade”. das funções da linguagem, você já pôde obser-
var que existem várias formas de linguagem
F - FUNÇÃO POÉTICA – A função poé- empregadas no ato comunicativo. Na comuni-
tica está voltada para a mensagem, utilizan- cação empresarial escrita, deve prevalecer o
do recursos de forma e conteúdo que cha- uso da norma culta, a objetividade, a clareza e
mam a atenção para a própria mensagem, a concisão, numa preocupação primordial com
causando, nos leitores, surpresa, “estranha- a eficácia e a exatidão da comunicação. O tipo
mento” e prazer estético, num arranjo origi- de redação que passaremos a tratar não se pau-
nal de formas e significado. O texto possui ta pelas normas do estilo literário e da expres-
ritmo e sonoridade, desenvolvendo o senti- sividade artística, mas pelos indicadores da boa
do figurado das palavras (sentido conotati- redação administrativa, institucional, jornalís-
vo), passível de diversas interpretações. Nas tica ou didática, de caráter prático e utilitário,
mensagens poéticas, a organização do códi- tendo como único objetivo produzir uma co-
go coloca as palavras em primeiro lugar, municação eficaz.
tornando-as quase um fim em si mesmas, e Na produção de uma comunicação efi-
não um meio de significar outras coisas. As caz é fundamental a simplicidade dos textos
palavras valem pelo que elas são, e não pelo comunicativos, tornando a linguagem menos
que elas representam (significam). Os luga- complexa e mais direta. Na esfera empresari-
res privilegiados desta função são os textos al, é ponto pacífico que as comunicações ina-
literários, mas podemos encontrá-la também dequadas, pretensiosas e prolixas trabalham
em slogans publicitários, canções populares, contra o conceito de organização e contra a
textos de propaganda, provérbios e outras finalidade última de suas atividades, seja a de
produções verbais. prestar serviços, oferecer produtos, seja a de
14 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

disciplinar procedimento ou assegurar direitos Claro – Atribuíram ao nosso trabalho


e instruir pessoas. mérito superior.
A redação empresarial eficaz obedece aos Nesta oração, a ambigüidade decorre do
seguintes requisitos: entendimento de que o mérito atribuído foi
superior ao trabalho executado (1º caso).
• clareza Concisão – O redator conciso mostra
• concisão sobriedade na linguagem, obtendo o máximo
• correção efeito comunicativo, com um mínimo de pala-
• precisão vras, dispensando o supérfluo, as redundânci-
• coerência as, as repetições desnecessárias, as frases lon-
• concatenação gas, as adjetivações inúteis. Clareza e concisão
• consistência devem estar juntas, concorrendo, prioritaria-
• propriedade no uso das palavras mente, para a eficiência na redação, reservan-
do-se primeiro lugar à clareza. Por outro lado,
Além dos requisitos mencionados acima, não convém, certamente, exagerarmos na con-
objetividade, naturalidade, adequação ao leitor e infor- cisão, sob pena de prejudicar a clareza, a inteli-
malidade são pilares da redação eficaz. gibilidade da construção.
Prolixo – é o tipo de construção que usa
Clareza – Consiste na expressão límpi- palavras em demasia ao falar ou escrever; que
da do pensamento, tornando o texto inteligí- não sabe sintetizar o pensamento.
vel. Como a clareza é requisito básico de todo Cadastros que estejam voltados para o
texto técnico, deve-se evitar a ambigüidade, ou aperfeiçoamento da técnica de registros são
seja, construções que possam gerar equívocos tudo que precisamos.
de compreensão. Conciso – Precisamos de cadastros vol-
A ambigüidade decorre geralmente da tados para o aperfeiçoamento da técnica de
dificuldade em identificar a que palavra se re- registros.
fere um pronome que possui mais de um ante- Redundante – É o tipo de construção
cedente na terceira pessoa. que insiste nas mesmas idéias, que tem excesso
Ambíguo – Consiste na expressão que de palavras, de expressões.
tem (ou pode ter) diferentes sentidos; que des- Para evitar que o episódio se repita, a
perta dúvida. O desembargador comunicou diretoria baixou medidas que punem a reinci-
a seu assessor que ele seria exonerado. dência do fato, não permitindo que o mesmo
Claro – O desembargador comunicou ocorra de novo.
a seu assessor a exoneração deste. Conciso – A diretoria baixou medidas
Há, ainda, outro tipo de ambigüidade, punitivas para evitar a reincidência do fato.
decorrente da dúvida sobre a que se está se Correção – As incorreções na linguagem
referindo a oração reduzida. comprometem o redator e, de conseqüência, a
Ambíguo – Sendo indisciplinado, o che- empresa ou instituição que o emprega, denunci-
fe da seção repreendeu o funcionário. ando a falta de conhecimento gramatical e des-
Claro – O chefe da seção repreendeu o respeito aos padrões da língua culta. A correção,
funcionário por ser este indisciplinado. somada à clareza e à concisão resulta numa reda-
ção satisfatória, talvez impecável. A desobedi-
Outro exemplo de duplicidade de senti- ência aos preceitos gramaticais está contida em
do: dois grupos: erros de sintaxe e erros nas palavras.
Ambíguo – Atribuíram mérito superior Erro de sintaxe (erros na estrutura da frase –
ao nosso trabalho. solecismo).
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Ex: Fizemos tudo por si na reunião; conta- esses elementos de coesão podemos citar as pre-
mos consigo hoje, na convenção. posições (a, de, para, com, por, etc.), as con-
junções (que, para que, quando, embora, mas,
Correto: Fizemos tudo por ti na reunião; e, ou, etc.), os pronomes (ele, ela, seu, sua, este,
contamos contigo hoje, na convenção. esta, esse, essa, aquele, o qual, que, etc.), os
Erro nas palavras (erro na estrutura ou no em- advérbios (aqui, aí, lá, assim, etc.).
prego da palavra).
Ex: “É sabido que a violência nas escolas
Ex: Ele aspira um cargo de chefia. cresce assustadoramente. É sabido, ainda,
que não se achou ainda uma solução para
Correto: Ele aspira a um cargo de chefia. o problema. Em vista disso, a sociedade
Precisão – Para um texto ser preciso, ele está se unindo para tentar modificar esse
precisa conter todos os elementos necessários quadro. Para tanto, convoca uma reunião
à comunicação, respondendo às indagações e com todos os diretores de escolas da rede
interesses eventuais. municipal”.

Ex: “Convido Vossa Senhoria a participar Como você viu, no exemplo acima, os
da abertura do Primeiro Seminário Regio- segmentos do texto estão ligados entre si, por
nal sobre o uso eficiente de energia no Setor meio de palavras que servem para dar conti-
Público, a ser realizado em 5 de junho pró- nuidade ao que foi dito anteriormente e acres-
ximo, às 9 horas, no auditório da Escola Na- centar novos dados.
cional de Administração Pública, localizada Consistência – Um texto é consisten-
no Setor de Áreas Isoladas, nesta capital”. te quando dá informações confiáveis e cor-
retas, demonstrando conhecimento do as-
Coerência – A coerência deve ser en- sunto e tratando apenas do que é significati-
tendida como unidade do texto. Num texto vo para quem o lê.
coerente todas as partes se encaixam de ma-
neira complementar, de modo que não haja Ex: “Comunicamos que, a 7 do corrente, foi
nada destoante, nada ilógico, nada contraditó- instalado o Instituto de Cibernética Jurídica,
rio. Existe uma solidariedade entre as partes órgão integrante desta Instituição. São obje-
do texto, possibilitando um bom entendimen- tivos do novo Instituto estudar as implica-
to do mesmo. ções sociais da cibernética no campo do Di-
Texto incoerente: Embora seu livro seja reito e divulgar conhecimentos sobre os sis-
fundamental para nossos alunos, vamos ado- temas utilizáveis no setor jurídico. Para isso,
tá-lo imediatamente em nossa escola. o novo órgão entrará em contato com o
Texto coerente: Considerando que seu Poder Público, a Universidade, a indústria
livro é fundamental para nossos alunos, vamos especializada e promoverá cursos, conferên-
adotá-lo imediatamente em nossa escola. cias e seminários.”
Concatenação – A concatenação de
idéias está inserida em um elemento textual Propriedade no uso da palavra – Essa
chamado coesão. A concatenação é a conexão propriedade se refere ao uso apropriado da
que deve existir entre os enunciados de um tex- linguagem, o cuidado no emprego das pala-
to, quando organicamente articulados entre si. vras, evitando cacoetes lingüísticos e termos
As relações de sentido de um texto são mani- surrados. Na escolha das palavras, devemos
festadas por uma categoria de palavras deno- preferir a que traduz, com mais precisão, o que
minadas conectivos ou elementos de coesão. Dentre queremos dizer.
16 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

Ex: Seu depoimento tem relação com o nos-


so parecer.

Seria mais apropriado dizer:


Seu depoimento confirma nosso parecer.

Ex: Os maiores de sessenta anos estão infen-


sos do pagamento daquele imposto.

A construção correta é:
Os maiores de sessenta anos estão isentos
do pagamento daquele imposto.

a) Pesquise e relacione quais os seis elementos


envolvidos na comunicação.
__________________________________________
____________________________________________________________________________________
__________________________________________

b) Existem seis funções da linguagem. Quais


são elas?
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________

c) Se existem seis funções da “linguagem”, pes-


quise e informe qual delas deve prevalecer na
comunicação empresarial.
__________________________________________
__________________________________________

d) Você usará muito a redação empresarial.


Para que ela seja eficaz deverá obedecer a quais
princípios?
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

1.3.1. Algumas expressões a evitar e ex- adverbial em anexo é invariável: Encaminho


pressões de uso recomendável as minutas em anexo. Empregue também con-
juntamente, juntamente com.
O sentido das palavras liga-se intimamen-
te à tradição e ao contexto de seu uso. Assim, Assim
alguns vocábulos e expressões (locuções), por Use após a apresentação de uma proposta
seu emprego continuado com determinado ou situação, fazendo uma ligação com a idéia
sentido, passam a ser usadas sempre em tal seguinte. Use os substitutos: dessa forma, desse
contexto e com tal forma, que se tornam “ex- modo, ante o exposto, diante disso, conseqüentemen-
pressões de uso consagrado”. Não obstante, a te, por conseguinte, assim sendo, em face disso, face
linguagem dos textos técnicos deve pautar-se, ao exposto, em vista disso.
sempre, pelo padrão culto formal da língua,
não devendo constar desses textos coloquia- Bem como
lismos ou expressões de uso restrito a deter- Evite a repetição, alternando com e, como (tam-
minados grupos, o que acabaria por compro- bém), igualmente, da mesma forma.
meter a compreensão por parte dos leitores.
A seguir, apresentamos uma pequena lis- Ao nível de/em nível de
ta de expressões cujo uso ou repetição deve A locução ao nível significa ‘a mesma altura
ser evitado, indicando com que sentido devem de’: Fortaleza localiza-se ao nível do mar. Evite
ser empregadas, e sugerindo alternativas para seu uso com o sentido de em nível, com re-
palavras que são costumeiramente usadas em lação a, no que se refere a. Em nível significa
excesso: ‘nessa instância’: Em nível político, será difícil
chegar-se a um acordo entre os parlamentares.
A partir de/ na medida em que A nível de constitui modismo, devendo
À medida que (locução proporcional) – à pro- ser evitado.
porção que, ao passo que, conforme: Os
preços deveriam diminuir à medida que di- Devido a
minui a procura. Na medida em que (locução Evite a repetição; pode ser substituído por
causal) – uma vez que, pelo fato de que: Na em virtude de, graças a, por causa de, em razão de,
medida em que se esgotaram todas as possi- provocado por.
bilidades de acordo, o processo foi litigio-
so. Evite: à medida que/na medida que... Desse ponto de vista
Evite repetir, e empregue também sob este
Ambos/ todos os dois ângulo, sob este aspecto/ por este prisma, desse modo,
Ambos significa ‘os dois’ ou ‘um e outro’. destarte, assim.
Evite as expressões pleonásticas como am-
bos dois, ambos os dois, ambos a dois. Quando Dirigir
quiser enfatizar a dualidade, empregue to- Quando empregado com o sentido de enca-
dos os dois: Todos os dois assessores entregaram os minhar, alterne com transmitir, endereçar, man-
relatórios exigidos. dar, encaminhar, remeter, enviar.

Anexo/ em anexo No sentido de


O adjetivo anexo concorda em gênero e nú- Utilize também com vistas a, a fim de, com o
mero com o substantivo a que se refere: fito (finalidade, objetivo, intuito, fim) de, com a
Encaminho as atas anexas./Dirigimos os ane- finalidade de, tendo em vista ou tendo em mira,
xos projetos ao diretor de arte. A locução tendo por fim.
18 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

Informar
Use as variações comunicar, avisar, noticiar, par-
ticipar, levar ao conhecimento, dar conhecimento,
instruir.

Em face de a) Caro aluno. A pesquisa enriquece o seu vo-


Sempre que a expressão em face de equivaler cabulário. Procure no dicionário a diferenças
a diante de é preferível a regência com a pre- entre as expressões “a par de” a “ao par de”
posição de; evite, assim, face a, frente a. ____________________________________
____________________________________
Relativo a
Empregue também referente a, concernente a,
tocante a, atinente a, pertencente a, que diz respeito
a, que trata de, que respeita.

Onde
Como pronome relativo significa ‘em
que’ (lugar): A cidade onde nasceu./ O
país onde viveu. Evite, então, constru-
ções como “a lei onde é fixada a penali-
dade” ou “a reunião onde o assunto foi
discutido”. Nesses casos, faça a substi-
tuição, empregando em que, na qual, no
qual, nas quais, nos quais. O correto é: A
reunião na qual o assunto foi discutido./
A lei na qual é fixada a penalidade.

Ressaltar
Varie com destacar, sublinhar, frisar, salientar,
relevar, distinguir, sobressair.

Nem
Conjunção aditiva que significa ‘e não’ e
‘tampouco’, dispensando, portanto, a
conjunção e: Não foram feitos reparos à
proposta de comercialização da soja,
nem à nova proposta de pagamento.
Evite, ainda, a dupla negação não nem,
nem tampouco. Ex: Não pôde encaminhar
os relatórios no prazo, nem não teve
tempo para revisá-los.

Enquanto
Conjunção proporcional equivalente a ao
passo que, à medida que. Evite empregar a cons-
trução enquanto que, usada coloquialmente.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

2. TEXTOS: LEITURA E A segunda consideração é a de que todo


PRODUÇÃO texto contém um pronunciamento dentro de
um debate de escala mais ampla. Assim, ao
2.1 – NOÇÃO DE TEXTO construir um texto, o autor quer, através dele,
marcar uma posição ou participar de um de-
Sem nenhuma dúvida, a palavra texto é fa- bate de escala mais ampla, mesmo que aparen-
miliar a qualquer estudante de primeiro e segun- te total neutralidade.
do graus, aparecendo freqüentemente no lingua-
jar cotidiano, tanto dentro da escola quanto fora “...um jovem de 25 anos chamado John Hin-
dela. Embora escutemos com freqüência as ex- ckley Jr. entrou numa loja de armas de Dallas,
pressões “texto bem elaborado”, “o texto da- no Texas, preencheu um formulário do gover-
quela peça é ruim”, “o texto não está suficiente- no com endereço falso e, poucos minutos depois,
mente claro”, é necessário que se façam duas con- saiu com um Saturday Nigth Special – nome
siderações fundamentais sobre a natureza do texto, criado na década de sessenta para designar um
partindo da questão: o que é um texto, afinal? revólver pequeno, barato e de baixa qualida-
A primeira consideração feita é a de que de. Foi com essa arma que Hinckley, no dia
um texto não se resume a amontoado de fra- 30 de março de 1981, acertou uma bala no
ses, mas a um bloco significativo, constituído pulmão do presidente Ronald Reagan e outra
por várias unidades lingüísticas menores¸ que na cabeça de seu porta-voz, James Brady. Re-
só são entendidas dentro do contexto no qual agan recuperou-se totalmente, mas Brady des-
estão inseridas. O termo contexto se refere a de então está preso a uma cadeira de rodas...”
uma unidade lingüística maior onde se encaixa
uma unidade lingüística menor. Embora o autor de um texto jornalísti-
Ex: A nossa cozinheira está sem paladar. co se preocupe apenas em transmitir os fatos
Para entender o sentido exato deste tex- de maneira neutra, impessoal (lembra-se da
to minúsculo, é preciso considerar o contexto, função referencial?), existe, seguramente, por
ou situação concreta, em que ele foi produzi- trás do exemplo escolhido, um pronunciamen-
do. Dito durante o jantar, após experimentar to contra o risco da venda indiscriminada de
um bife, esse texto pode significar que o bife armas. Qualquer texto, por mais neutro que
está sem sal; dito em um consultório médico pareça, manifesta sempre um posicionamento
pode significar que a empregada está acometi- frente a uma questão qualquer posta em deba-
da de alguma doença. Se eu digo ou escrevo a te (no caso em questão, a venda indiscrimina-
seguinte frase: “A estátua que desabou ao vivo”, da de armas).
ela será incompreensível, desprovida de senti-
do. Considere, agora o seguinte parágrafo:
“Símbolo da queda de Sadam Hussein
na manhã do dia 9 de março, a estátua que desa-
bou ao vivo, via satélite, de Bagdá para o mundo,
pode ser de um sósia do ditador”. Inserida no
parágrafo, a frase adquire sentido, por estar a) Volte ao texto e relacione quais as duas prin-
dentro de um contexto. cipais observações que se pode fazer a respei-
Como peças de um quebra-cabeça, cons- to de um texto.
tatamos que a frase encaixa-se no contexto do __________________________________
parágrafo, o parágrafo encaixa-se no contexto __________________________________
do capítulo, o capítulo encaixa-se no contexto __________________________________
da obra toda. __________________________________
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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

b) Qual o significado da palavra “sósia”? Dê 2.2 – AS VÁRIAS POSSIBILIDADES DE


sinônimos. LEITURA DE UM TEXTO
__________________________________
__________________________________ Um texto, quando lido de maneira frag-
mentária, pode parecer um aglomerado de
noções desconexas, ao qual o leitor pode atri-
buir o sentido que quiser. As interpretações
de textos, entretanto, são limitadas pela co-
nexão, pela coerência entre seus vários ele-
mentos. A coerência é garantida, sobretudo
pela reiteração, a repetição ao longo do dis-
curso.
Para perceber a reiteração (repetição,
renovação), devemos percorrer os textos in-
teiros, tentando localizar todas as recorrênci-
as, ou seja, todas as figuras e temas (assuntos)
que conduzem a um mesmo significado.
Alguns textos permitem mais de uma lei-
tura, e as mesmas figuras podem ser interpre-
tadas segundo mais de um plano de leitura.
Para exemplificar, analisaremos o seguin-
te poema:

Retrato
1 Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
5 Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
10 tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida
minha face?
Cecília Meireles: poesia. Por Darcy Damasceno,
Rio de Janeiro, Agir, 1974., p. 19 – 20

O autor, nos versos 1 e 9, ao dizer que


não tinha este rosto e estas mãos com as carac-
terísticas do momento presente, faz pressupor
que ele os tinha com características opostas, no
passado.
No verso 9, quando ele diz: “Eu não dei
por esta mudança”, define dois planos distin-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 21
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

tos: um do passado, outro, do presente, am- amargo, que nem se mostra, nos levam a entender
bos com características opostas entre si. que o envelhecimento físico foi acompanhado
pela perda da energia, do entusiasmo, da ale-
Significados que remetem passado gria de viver.
ao presente (explicitamente) O poema permite, então, duas leituras:
Eu não tinha este rosto de hoje o desgaste material das coisas com o passar
assim calmo, assim triste dos anos, e o desgaste psíquico, a perda de ilu-
assim magro sões do ser humano com o passar do tempo.
nem estes olhos tão vazios Não podemos, entretanto, dizer que um

EIXO 1
nem o lábio amargo texto, ao implicar várias leituras, possa admitir
que qualquer interpretação seja correta nem que
Eu não tinha estas mãos sem força, o leitor possa dar ao texto o sentido que lhe
tão paradas, e frias, e mortas aprouver.
eu não tinha este coração Para impedir que a interpretação seja
que nem se mostra pura invenção do leitor, contamos com os in-
dicadores das várias possibilidades de leitura
Significados que remetem presente que o texto admite; podemos observar, então,
ao passado (implicitamente) que no interior do texto aparecem figuras ou
Eu tinha aquele rosto de outrora temas que têm mais de um significado, e que
tão irrequieto, tão alegre apontam para mais de um plano de leitura,
tão cheio como no caso do poema examinado, em que
e olhos tão expressivos os estados da alma (triste, amargo) possibilita-
EIXO 2

e o lábio doce ram concluir que o tema poderia ser também


o envelhecimento psíquico (a desilusão, a amar-
eu tinha aquelas mãos enérgicas gura) do autor. Esses temas e figuras que apon-
vivas, e cálidas, e dinâmicas, tam para mais de uma possibilidade de leitura
eu tinha outro coração são chamados relacionadores.
que se manifestava Quando existem, no texto, outros termos
que não direcionam para um certo plano de
As figuras do eixo 1 agrupam-se em fun- leitura há o que chamamos de desencadeadores de
ção do significado das coisas estáticas, enquanto outro plano de leitura, como se comprova pela
que as figuras do eixo 2, em contraponto, expres- leitura desta fábula:
sam dinamismo e posse da vitalidade plena.
Ao dizer “Eu não dei por esta mudan- O útil e o belo
ça”, o poeta expressa sua perplexidade diante
dela, diante do contraste entre o que ele era e Parou um veado à beira do rio, mirando-se
no que se tornou. no espelho das águas. E refletiu:
Agrupando as figuras a partir de um ele- Bem malfeito de corpo que sou! A cabeça é
mento significativo, estamos perto de depreen- linda, como estes formosos chifres que todos os
der o tema do texto. No poema em questão, po- animais invejam. Mas as pernas... Muito fi-
demos dizer que o tema (o assunto do poema) é nas, muito compridas. A natureza foi injusta
a decepção da consciência súbita e inevitável da comigo. Antes me desse menos pernas e mais
passagem do tempo, do envelhecimento. galharada na cabeça. Que lindo diadema se-
Paralelamente aos indicadores do enve- ria. Com que orgulho eu passearia pelos bos-
lhecimento físico, indicado por palavras como ques ostentando um enfeite único em toda ani-
magro, frias, mortas, outras figuras como triste, malidade!...
22 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

Neste ponto interrompe-se o latido dos vea- AS GATAS DA MODA


deiros, valentes cães de caça que lhe vinham na E OS DINOSSAUROS DO ROCK.
pista, como relâmpagos. PARA LIDAR COM TODOS ESTES
O veado dispara, foge a toda e embrenha-se BICHOS,
na floresta. E enquanto corria pôde verificar SÓ COMEÇANDO COMO FOCA.
quão sábia fora a natureza, dando-lhe mais
pernas do que chifres, porque estes, com toda a Ao fazer uma homenagem aos jornalis-
sua formosura, só serviam para enroscar-se nos tas, que muitas vezes iniciam suas carreiras
cipós e atrapalhar-lhe a fuga; e aquelas, ape- como “focas” (jornalista novato) o Grupo Pão
sar de toda feiúra, constituíam a sua única se- de Açúcar utilizou categorias profissionais para
gurança. E mudou de idéia, convencido de que desencadear o plano de leitura como um texto
antes mil pernas finas, mas velocíssimas, do que fala de seres humanos.
que formosa, mas inútil galhaça. Conquanto tenhamos usado textos literá-
rios e publicitários para ilustrar este tópico, é
Com a leitura desta fábula, o leitor res- importante salientar que um mesmo texto pode
ponderia sem hesitar que se trata de uma his- ser lido de várias formas, por várias leituras, pois
tória de homens, e não de animais. Como o o significado que cada um atribui àquilo que lê
leitor chegou a essa conclusão? Pelos elemen- depende de um conhecimento prévio que o lei-
tos desencadeadores dessa possibilidade de leitu- tor tenha sobre aquele assunto. O conhecimen-
ra. E quais são esses elementos desencadeado- to prévio do leitor sobre o assunto fará com
res? Ora, são os sentimentos, próprios do ser que ele estabeleça uma relação com outros tex-
humano, que aparecem no texto, como a insa- tos, perceba outros significados ocultos nas en-
tisfação e a vaidade. A reiteração do traço se- trelinhas. Por exemplo, se eu leio um texto de
mântico (de significado) humano nos obriga a um autor que já conheço, isso me permite esta-
ler a fábula como uma história de gente. No belecer uma relação entre aquele texto e outros
plano humano, o veado não é o veado, mas já lidos, o que me permitirá uma compreensão
sim, homem insatisfeito, para quem “a grama plena do texto. Se eu leio um texto sobre quími-
do vizinho é sempre mais verde”, e que, sem- ca e não tenho nenhum conhecimento prévio
pre desejando o que não tem, quer possuir algo sobre aquele assunto, minha leitura do texto não
que o diferencie dos demais, como o diadema será idêntica a de um professor de química, que
de galhos. No início da leitura, o termo veado possui um vasto conhecimento anterior sobre
propõe a leitura do texto como uma história o assunto. Mesmo um simples classificado de
de bichos. À medida que vamos lendo o texto, jornal pode ser lido de diferentes maneiras, con-
identificamos elementos que contêm traços forme o leitor que o lê, pois os desejos, inten-
humanos, que não permitem que se leia o tex- ções, possibilidades de cada um, influem na for-
to como uma história de animais, pois desenca- ma como ele fará a leitura do texto.
deiam um novo plano de leitura, passando a
fábula a ser lida como uma história de homens.
Os textos publicitários também podem
usar elementos desencadeadores de outro plano
de leitura, como neste anúncio:

OS TUBARÕES DO ORÇAMENTO, a) Depois de estudar estes itens, escreva resu-


OS ELEFANTES DAS ESTATAIS, midamente a forma como você lê um texto,
AS COBRAS DA INFORMÁTICA, normalmente.
AS ZEBRAS DO FUTEBOL, ___________________________________
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 23
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

b) Vamos outra vez ao dicionário para saber- 2.3 – ADEQUAÇÃO VOCABULAR


mos a definição de “retórica”.
___________________________________ Na comunicação cotidiana, quando em-
___________________________________ pregamos os vocábulos que constituem o nos-
so repertório, estamos refletindo nossa visão
c) Pense um pouco e registre porque Jesus fala- de mundo, nossas experiências diversas. O do-
va por “parábolas”, sem usar o significado di- mínio do vocabulário varia de pessoa para pes-
reto das palavras? soa, e é através dessa troca que adquirimos no-
___________________________________ vas experiências e novos vocábulos, redefinin-
___________________________________ do nosso vocabulário.
Quando contamos com um vocabulário
vasto, compreendemos melhor o que se passa
a nossa volta, melhorando nosso desempenho
e adequação no processo comunicativo.
O conhecimento do significado dos vocá-
bulos garante uma parte essencial do entendimento
entre as pessoas. No entanto, para haver comuni-
cação, é necessário que o repertório vocabular seja
comum entre os falantes. As dificuldades no pro-
cesso comunicativo acontecem devido ao fato de
que o sentido dos vocábulos está relacionado a
inúmeros fatores – sociais, profissionais, de região,
de escolaridade, de idade – culturais, enfim. Des-
se modo, cada grupo de pessoas apresenta um
vocabulário próprio, que pode coincidir, ou não,
com o de outro grupo. O vocabulário usado no
âmbito profissional, nos grupos desportivos, re-
ligiosos e políticos permite uma especificidade
muitas vezes desejada ou necessária. Esse voca-
bulário é entendido por vezes somente por aque-
les que fazem parte do grupo (lembra-se das lín-
guas técnicas?). Mas, à medida que vamos apren-
dendo o que esses termos específicos significam,
eles passam a fazer parte do nosso vocabulário,
incorporando-se ao nosso cotidiano.
Neste tópico, procuraremos demonstrar
que a adequação vocabular é de grande impor-
tância para a compreensão de qualquer texto,
caracterizando o vocabulário de uso genérico
e de uso específico.

2.3.1. Dúvidas quanto ao significado do


vocábulo

Muitas vezes temos dúvidas ao nos de-


pararmos com vocábulos distintos, mas com
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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

grafia e pronúncia semelhantes ou iguais. É caso Adotar - escolher, preferir; assumir; pôr em
dos fenômenos denominados honomínia ou prática.
paronímia. Dotar - dar em doação, beneficiar: Ele o dotou
A honomínia é a designação geral para com aplicações em títulos do governo.
os casos em que palavras de sentidos diferen-
tes têm a mesma grafia. Manga, por exemplo. Afim - que apresenta afinidade, semelhança,
A paromínia designa o fenômeno que ocorre relação (de parentesco): Se o assunto era afim, por
com palavras semelhantes (não idênticas) quan- que não foi colocado no mesmo capítulo?
to à grafia ou à pronúncia. É fonte de muitas, A fim de - para, com a finalidade de: O projeto
como entre descrição (ato de descrever) e discri- foi encaminhado com muita antecedência a fim de per-
ção (qualidade do que é discreto), ratificar (con- mitir um exame minucioso.
firmar) e retificar (corrigir).
Como o nosso objetivo é trabalhar prin- Aleatório - casual, fortuito, acidental.
cipalmente com a redação técnica, a lista abai- Alheatório - alienante, que desvia ou perturba.
xo vai ajudá-lo a esclarecer suas dúvidas quan-
to à grafia e ao sentido das palavras, para que Ante - (preposição): diante de, perante: Ante
você passe a usá-las com propriedade. tal fato, devemos repensar nossa metodologia de ensi-
no.
Absolver - relevar da culpa imputada, inocen- Ante - (prefixo): expressa anterioridade: ante-
tar: O réu foi absolvido. por, antever, anteprojeto, antediluviano.
Absorver - esgotar, embeber em si: A água da Anti - (prefixo): expressa contrariedade, opo-
chuva foi absorvida pelo solo. sição: Aquele rapaz é anticomunista.

Ascender - elevar-se, subir: Aquele homem as- Ao encontro de - para junto de; favorável a :
cendeu socialmente. Ele foi ao encontro de seus amigos./ O plano de car-
Acender - atear (fogo), inflamar. reira foi ao encontro das necessidades dos funcionários.
De encontro a - contra; em prejuízo de: O veícu-
Acento - sinal gráfico; inflexão vocal: Esta pa- lo foi de encontro ao muro./ O governo não apoiou a me-
lavra não tem acento. dida, pois vinha de encontro aos interesses dos partidos.
Assento - banco, lugar: Ele tomou assento ao
meu lado. Ao invés de - ao contrário de: Ao invés de demi-
tir dez funcionários, a empresa contratou mais trinta.
Acerca de - sobre, a respeito de: No discurso, o (é inaceitável o cruzamento “ao invés de”)
deputado falou acerca de seu projeto habitacional. Em vez de - em lugar de: Em vez de demitir dez
A cerca de - a uma distância aproximada de: A funcionários, a empresa demitiu quarenta.
creche fica a cerca de vinte metros do prédio principal.
Há cerca de - faz aproximadamente (tanto Evocar - lembrar, invocar: Evocou na palestra o
tempo): Há cerca de dois anos, nos deparamos com início de sua carreira.
um caso semelhante; existem aproximadamente: Invocar - pedir (a ajuda de); chamar, proferir:
Há cerca de mil títulos na biblioteca do colégio. Para alcançar seus objetivos, ele invocou a ajuda de Deus.

Acidente - acontecimento casual, desastre: A Cassar - tornar nulo ou sem efeito, suspender,
demissão foi um acidente na sua vida profissional. A invalidar: O mandato do deputado foi cassado.
tempestade provocou vários acidentes. Caçar - procurar, perseguir, procurar, apa-
Incidente - episódio; que incide, que ocorre: nhar (geralmente animais): Ele participou da caça
O incidente da demissão já foi superado. à raposa.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 25
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Casual - aleatório, fortuito, ocasional: O encon- Despensa - local em que guardam mantimen-
tro dos dois foi casual. tos, depósito de provisões.
Causal - relativo à causa, causativo. Dispensa - licença ou permissão para deixar de
fazer algo a que se estava obrigado; demissão.
Cavaleiro - que anda a cavalo.
Cavalheiro - indivíduo distinto, gentil, Despercebido - que não foi notado, para o
nobre. que não se atentou: Apesar de sua importância, a
fala do ministro passou despercebida.
Censo - alistamento, recenseamento, Desapercebido - desprevenido, desacautela-
contagem. do: Ele embarcou totalmente desapercebido dos desa-
Senso - entendimento, juízo, tino: Ele possui bom fios que lhe aguardavam.
senso para solucionar os problemas que surgem.
Emergir - vir à tona, manifestar-se.
Cerrar - fechar, encerrar, unir, juntar: As Imergir - mergulhar, entrar, afundar (submergir)
janelas estavam cerradas.
Serrar - cortar com a serra, separar, dividir. Emigrar - deixar o país para residir em outro.
Imigrar - entrar em um país estrangeiro para
Cessão - ato de ceder: A documento de cessão de nele viver.
terras foi lavrado em cartório
Seção - subdivisão de um todo, setor, re- Eminente (eminência) - alto, elevado, sublime.
partição, divisão: Em qual seção do tribunal ele Iminente (iminência) - que está prestes a
trabalha? acontecer, pendente, próximo.
Sessão - espaço de tempo que dura uma reu-
nião, um congresso, reunião, espaço de tempo Emitir (emissão) - produzir, expedir, publicar.
durante o qual se realiza uma tarefa: A próxima Imitir (imissão) - fazer entrar, introduzir,
sessão de cinema será às 14 horas. investir.

Chá - infusão. Empoçar - reter em poço ou poça, formar poça.


Xá - antigo soberano persa. Empossar - dar posse à, tomar posse, apode-
rar-se: O ministro será empossado no cargo, na pró-
Comprimento - medida, tamanho, extensão. xima segunda-feira.
Cumprimento - saudação.
Espiar - espreitar, observar secretamente,
Concerto - acerto, composição, harmo- olhar.
nização: O concerto de Guarnieri foi muito Expiar - cumprir pena, pagar, purgar.
aplaudido.
Conserto - reparo, remendo, restauração: Al- Flagrante - diz-se do ato que a pessoa é sur-
guns defeitos físicos não têm conserto. preendida a praticar: O bandido foi preso em fla-
grante quando furtava.
Cozer - cozinhar, preparar. Fragrante - que tem fragrância ou perfume;
Coser - costurar, ligar, unir. cheiroso.

Descrição - ato de descrever, representação, Induzir - causar, sugerir, aconselhar, levar a: O


definição. réu declarou que havia sido induzido a praticar o crime.
Discrição - discernimento, reserva, prudên- Aduzir - expor, apresentar: A defesa, então, adu-
cia, recato. ziu novas provas em contrário.
26 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

Inflação - ato ou efeito de inflar, emissão exage- Tachar - censurar, qualificar: O rapaz foi tacha-
rada de moeda, aumento persistente de preços. do de subversivo.
Infração - ato ou efeito de infringir ou violar Taxar - fixar a taxa de, regular, regrar: O im-
uma norma. posto sobre mercadorias foi taxado em 2%.

Infligir - cominar, aplicar (pena, repreensão, Tráfego - trânsito de veículos, percurso,


castigo): O juiz infligiu uma pena leve ao réu, que transporte.
era primário. Tráfico - ne gócio ilícito, comércio,
Infringir - transgredir, violar, desrespeitar (lei, negociação.
regulamento etc.): O motorista infringiu as leis de
trânsito. Trás - atrás, detrás, em seguida, após (cf. em
locuções: detrás, por trás)
Mandado - ato de mandar, ordem escrita ex- Traz - 3ª pessoa do singular do presente do
pedida por autoridade judicial ou administra- indicativo do verbo trazer.
tiva: mandado de segurança, mandado de prisão etc.
Mandato - autorização que alguém confere a Vestiário - guarda-roupa; local em que se tro-
outrem para praticar atos em seu nome; dele- cam roupas.
gação, procuração: A duração do mandato do de- Vestuário - as roupas que se vestem; traje.
putado é de dois anos.
Vultoso - de grande vulto, volumoso: Ele pe-
Pós (prefixo) - posterior a, que sucede, após: diu uma quantia vultosa para fazer a perícia técnica.
pós-moderno, pós-operatório. Vultuoso - atacado de vultuosidade (conges-
Pré (prefixo) - anterior a, que precede, à fren- tão da face)
te de, antes de: pré-primário, pré-modernista.
Pró (advérbio) - em favor de, em defesa de:
Meu parecer foi pró-eleições diretas.

Recrear - proporcionar recreio, divertir, alegrar,


Recriar - criar de novo.
a) Veja quantas palavras parecem ter o mesmo
Repressão - ato de reprimir, contenção, significado. Para ficar gravado na memória,
proibição. pesquise e escreva abaixo o que significa “ho-
Repreensão - ato de repreender, admoesta- nomínia”.
ção enérgica, advertência: O aluno foi repreendido ____________________________________
pelo professor. ____________________________________
____________________________________
Subentender - perceber o que não estava ex- ____________________________________
posto claramente. ____________________________________
Subtender - estender por baixo. ____________________________________
____________________________________
Sustar - parar, interromper, suspender: O che- ____________________________________
que foi sustado.
Suster - sustentar, manter; fazer parar, deter. b) Repita o trabalho para gravar o que é “pa-
romínia”.
Taxa - imposto, multa, tributo. ____________________________________
Tacha - prego pequeno; mancha; defeito. ____________________________________
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2.3.2. Outras recomendações na escolha dos fossem de linho egípcio. É melhor escrever: O
vocábulos artista fez exigências descabidas, pedindo diariamen-
te dois litros de uísque importado e toalhas de linho
Na elaboração de um texto técnico, pre- egípcio.
valecem alguns cuidados no uso dos vocábu-
los. Não se devem utilizar palavras de difícil Ambiente/meio ambiente - Prefira ambi-
compreensão, mas também não se pode per- ente ao pleonasmo meio-ambiente.
mitir que a língua falada interfira na língua escrita,
que são dois meios de comunicação diferen- Ano - sempre escreva sem ponto de milhar.
tes. A língua falada é mais solta, acompanhada Ex: 1998
de mímica e de entonação, elementos que, na-
turalmente, não aparecem na língua escrita. Jus- Bimensal - para qualificar algo que aconte-
tamente por isso devemos utilizar termos cla- ce duas vezes por mês, empregue quinzenal.
ros, evitando cacoetes de linguagem, chavões Não confunda com bimestral, que significa
e cacófatos, sob pena de empobrecer a reda- uma vez a cada dois meses.
ção. O uso da língua culta é obrigatório nos
textos de que tratamos. Além desses cuidados, Cacófato - Mesmo que os textos não sejam
devemos atentar, também, para o significado lidos em voz alta, evite a ocorrência de sons
correto dos vocábulos, de modo a não ocor- desagradáveis formados pela união das síla-
rer em deturpação de sentido do que quere- bas finais de uma palavra com as iniciais de
mos dizer. outra. Ex: conforme já, marca gol, confisca gado,
A seguir, apresentamos alguns vocábu- uma herdeira etc.
los que podem ser utilizados livremente, e ou-
tros, cujo uso convém ser evitado em algumas Cacoete de linguagem - Evite expressões
situações: pobres, repetidas à exaustão, perfeitamente
dispensáveis em textos técnicos. Ex: via de
Admitir - não utilize como sinônimo de di- regra, até porque, sal da terra, rota de colisão, trocar
zer, declarar ou afirmar. Admitir significa acei- figurinhas, a toque de caixa, visivelmente emociona-
tar ou reconhecer fato em geral negativo: O do, bater de frente com, causar espécie, elevada esti-
ministro admitiu que a inflação pode voltar. ma e distinta consideração, avançada tecnologia,
carreira meteórica, longo e tenebroso inverno, a nível
Advérbio - evite começar períodos com de, aparar arestas, em nível de, luz no fim do túnel,
advérbios formados com o sufixo mente: Cu- erro gritante, conseqüências imprevisíveis, duras crí-
riosamente, o PT venceu as eleições. É melhor es- ticas, quebrar o protocolo, pergunta que não quer
crever: Ao contrário do que previam as pesquisas, calar, inflação galopante, lançar farpas, ataque ful-
o PT venceu as eleições. minante etc.

Alegar - Significa aceitar como prova, explicar e Cargo - escreva sempre com minúscula. Ex:
desculpar-se. O aluno alegou que não fez a tarefa presidente, secretário, papa, deputado, desembarga-
porque estava doente. dor, juiz, promotor etc.

Além disso, além do que - melhor evitar. Cólera - quando significa raiva é palavra fe-
Geralmente pode ser substituído por e ou minina: Ela chegou ao limite da cólera. Quando
por um ponto. O artista fez exigências descabi- designa a doença, pode ser masculino ou fe-
das, pedindo diariamente dois litros de uísque im- minino. Ex: O amor nos tempos do cólera (livro de
portado. Além disso, exigiu que todas as toalhas Gabriel García Marques).
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Chefe da nação - use apenas quando se re- Meia-noite - Significa o horário que marca
ferir às sociedades tribais. Quando se trata o fim de um dia, não o começo de outro
de sociedades não tribais, como é a nossa, dia. O correto é escrever/dizer: A manifesta-
emprega-se chefe de Estado ou chefe de governo. ção começa à meia-noite de hoje.

Culminar - evite essa expressão como sinô- Norte/Sul - Use maiúscula somente quan-
nimo de terminar. Use-a apenas no sentido li- do se referir aos hemisférios, ou às regiões
teral, de chegar ao ponto mais alto: A parti- Norte e Sul do Brasil. Ex: As chuvas têm casti-
cipação do Brasil nas Olimpíadas culminou na con- gado a região Sul do país.
quista de um título importante para a natação.
ONG - Sigla de organização não-governa-
Disciplina - escreva sempre com minúscu- mental. Deve ser grafada em caixa alta
la: direito, ciências sociais, geografia, filosofia, por- (maiúsculas).
tuguês, matemática.
País - deve ser escrito com minúscula, mes-
E - evite começar frase com essa conjunção. mo quando se referir ao Brasil.
Ex: O ministro da economia anunciou o aumento
da contribuição do INSS. E, além disso, informou Ph.D - Abreviatura da expressão philosophi-
que a idade requerida para aposentadoria também ae doctor (doutor em filosofia). Com o uso ge-
será modificada. neralizado para outras áreas, traduz-se por
doutor.
Estado/estado - Utilize maiúscula para de-
signar conceito político ou unidade da Fe- Que - Evite em excesso, para tornar o texto
deração: o Estado de Goiás, golpe de Estado. mais elegante e conciso.
Quando significar situação ou disposição,
empregue minúscula: O meu estado de espírito Ressaltar - significa destacar, tornar sali-
está péssimo. ente. Não empregue como sinônimo de
dizer.
Falecer - Falecer é um eufemismo que signifi-
ca haver falta ou carência. Use a palavra morrer. Revelar - não utilize como sinônimo de di-
zer. Significa tirar o véu, desvelar.
Garantir - Não utilize como sinônimo de
dizer; garantir significa asseverar, responsabilizar- Salientar - não use como sinônimo de di-
se, afiançar. zer. Significa ressaltar, tornar saliente, distinto
ou visível.
Lembrar - Não deve ser utilizado como si-
nônimo de dizer. Válido - Só use no sentido restrito de ter va-
lidade, vigência: Essa promoção é válida somente
Linguagem coloquial - Utilize uma lin- até sexta-feira.
guagem próxima da coloquial, respeitan-
do a norma culta, escolhendo a expressão Viatura - o termo é um jargão policial; subs-
mais clara possível. O encarregado do almo- titua por carro de polícia.
xarifado não sabe quanto gastou na compra é
melhor que O encarregado do almoxarifado Essas considerações a respeito da ade-
não sabe precisar com exatidão o montante gasto quação vocabular serão complementadas sob
na transação comercial. o título Produção do texto técnico.
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2.4 – OS TEXTOS E SUA TIPOLOGIA acontecimentos como personagem, temos uma


narrativa em terceira pessoa, na qual o narra-
Você, como leitor, já deve ter tomado dor onisciente (aquele que tem ciência de tudo),
contato com diversos tipos de textos, e suas “lê” os pensamentos e sentimentos do perso-
classificações. Temos textos poéticos e textos nagem, expressando seu ponto de vista a res-
científicos, textos em verso e textos em prosa, peito dos personagens e dos fatos relatados.
textos religiosos e textos políticos, textos ver- Personagens: São os seres que vivem os
bais e textos não-verbais, textos publicitários, acontecimentos, participando ativamente de-
e muitas outras formas de classificação. les. O personagem principal é chamado pro-
Na tradição escolar já se implantou uma tagonista (você pode observar isso nas nove-
classificação bastante útil para a leitura e a pro- las, em que sempre há um personagem princi-
dução de textos. Trata-se da classificação dos pal, o protagonista); aquele que se opõe ao
textos em narrativos, dissertativos e descritivos. protagonista é o antagonista (popularmente
Ainda que, na maioria das vezes, não en- denominado vilão).
contremos um texto puro, pois podemos encon- Ambiente: é o espaço, os cenários onde
trar num único texto elementos da narrativa, da transitam os personagens e onde os aconteci-
dissertação e da descrição, passaremos a estudá- mentos se desenrolam.
los, separadamente, de acordo com suas caracte- Tempo: é a época, o momento em que
rísticas, ocupando-nos inicialmente da narração. se passam os acontecimentos.
Para que fique mais clara a definição do
TEXTO NARRATIVO texto narrativo, exemplificaremos com este
pequeno texto:
O texto narrativo relata as mudanças
progressivas de estado que ocorrem com as “Era uma vez dois irmãos. Um era otimis-
pessoas e coisas através do tempo, existindo ta, o outro, pessimista. Certa vez, no Natal,
sempre uma relação de anterioridade e poste- ao abrirem seus presentes, os meninos encon-
rioridade. Na narração sempre se relata um traram o seguinte: o pessimista tinha ganhado
fato, um acontecimento, do qual participam uma bicicleta linda, de dez marchas, moderna
personagens. Aquele que conta, que narra o e sofisticada. O otimista, ao abrir a linda cai-
acontecido é denominado narrador. Percebe-se xa que recebera, deparou-se com um monte de
o predomínio das frases verbais, indicadoras fezes de cavalo.
de um processo ou ação. Disse então o pessimista:
Além da presença do narrador, do fato Viu? Ninguém gosta de mim. Agora, com
relatado e dos personagens, a narração pode certeza, mais cedo ou mais tarde, eu vou cair e
apresentar outros elementos, como: quebrar a cabeça com essa bicicleta que corre
Enredo: o enredo é a estrutura da nar- tanto...
rativa, o desenrolar dos acontecimentos, a tes- Enquanto isso, o otimista já saíra correndo
situra dos fatos. Observe que o enredo se faz para a rua, disparado, gritando:
normalmente de incidentes, de intriga, ou seja, Cadê meu cavalinho? Cadê meu cavalinho
todo enredo está centrado em um conflito. que ganhei no Natal?
Narrador: é quem narra os acontecimen- Tânia Zagury, O adolescente por ele mesmo.
tos. Quando ele participa das ações como per- 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 93.
sonagem, a narrativa é na primeira pessoa (eu);
nesse caso, tudo o que ficamos sabendo passa É importante que você perceba que é
pelo olhar e interpretação do personagem- comum encontrarmos, no corpo da narrativa,
narrador.Caso o narrador não participe dos passagens descritivas, como ocorre no texto
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acima, no qual o narrador descreve (mesmo terior para outro posterior. Se por acaso ocor-
que de forma sucinta) a personalidade dos per- rer essa progressão, o texto passa a ser um tex-
sonagens (os meninos). to narrativo. Veja um exemplo de texto des-
critivo:
TEXTO DESCRITIVO
Eis Brasília às seis da tarde. O trânsito flui
A descrição é o que chamamos de retra- lentamente. As lojas comerciais baixam suas
to verbal de objetos, pessoas, cenas ou ambi- portas. Pessoas lotam os pontos de ônibus. Os
entes. Ela trabalha com imagens, permitindo bares colocam suas mesas nas calçadas, espe-
que o leitor visualize o que está sendo descri- rando os fregueses habituais. Pedestres atraves-
to. No entanto, a descrição não se resume a sam as ruas, apressados. Luzes pálidas inci-
uma simples enumeração de detalhes. É es- dem sobre os prédios e casas. Anoitece.
sencial que o autor, ao fazer uma descrição,
saiba captar o traço particular que diferencie Encontramos no texto características de
o objeto ou ser descrito de todos os demais um texto descritivo, pois:
objetos ou seres semelhantes. No caso de pes- São relatados vários aspectos de um lu-
soas, é fundamental um retrato que valorize gar (Brasília), num determinado tempo, que é
não somente a descrição física, mas também estático (seis da tarde);
a descrição psicológica. Tudo é simultâneo, não existindo pro-
A descrição possui, muitas vezes, um ca- gressão temporal entre os enunciados.
ráter subjetivo, pois ao fazer o retrato do perso- Uma observação final e importante é a
nagem, ele insere aí sua visão pessoal, o que de que dificilmente você encontrará um texto
não deve ser considerado um defeito, já que que seja exclusivamente descritivo. É freqüente
sem essa subjetividade a descrição seria ape- encontrarmos trechos descritivos inseridos
nas um retrato frio e sem vida, uma fotografia. numa narração ou numa dissertação. Num ro-
Assim, em maior ou menor grau, o autor reve- mance, por exemplo, que é essencialmente um
la a impressão que ele tem daquilo que descre- texto narrativo, você perceberá várias passa-
ve, exceto nas chamadas descrições técnicas ou gens descritivas, de pessoas, objetos, persona-
científicas. gens ou ambientes.
Quando o autor, ao descrever, procura
mostrar uma imagem bastante próxima da re- TEXTO DISSERTATIVO
alidade, ele faz uma descrição objetiva. Mas,
como já mencionamos anteriormente, excetu- O texto dissertativo se caracteriza pela
ando as descrições técnicas ou científicas, difi- defesa de um ponto de vista, de uma idéia, ou
cilmente você encontrará uma descrição em que pelo questionamento acerca de um assunto
a subjetividade esteja ausente. O que distingue determinado. Na dissertação, o autor traba-
uma descrição objetiva de uma descrição sub- lha com argumentos (o texto dissertativo é
jetiva é o grau de interferência do sujeito (au- um texto argumentativo), com dados, com
tor) na descrição. fatos, utilizando-os para justificar seu ponto
Você deve observar, ainda, que o texto de vista.
descritivo relata as características de um obje- A dissertação é organizada em três par-
to ou de uma situação qualquer num certo tes distintas. São elas:
momento estático do tempo, não existindo, Introdução - Na introdução você vai
obviamente, a anterioridade e posterioridade pre- explicar o assunto a ser discutido, apresentan-
sentes no texto narrativo, ou seja, não existe do uma idéia, de um ponto de vista que você
nada que indique progressão de um estado an- irá defender com argumentos.
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Desenvolvimento ou argumentação - condição, causa e efeito, uma premissa e uma


Nessa parte, você desenvolverá seu raciocínio ini- conclusão etc.).
cial, defendendo seu ponto de vista com argu- Para um melhor entendimento, observe
mentos pertinentes, fornecendo dados, citan- os exemplos abaixo, de dissertação objetiva e
do exemplos, fazendo referências a pontos de dissertação subjetiva.
vista semelhantes etc.
Conclusão - Você dará um fecho que
comprove a idéia inicial e que seja coerente com
os argumentos apresentados, retomando a
idéia inicial.
A dissertação, tal como a descrição, pode
ser objetiva ou subjetiva. Nas dissertações objeti- a) Em poucas palavras descreva o que é um
vas, os argumentos são expostos de forma texto narrativo.
objetiva e impessoal, com o texto escrito na ter- _____________________________________
ceira pessoa, e o autor não se inclui na explana- _____________________________________
ção (desenvolvimento), facilitando, por parte
do leitor, a aceitação das idéias expostas. É o b) Repita a operação e registre o que é um tex-
que acontece, por exemplo, nos textos de ca- to dissertativo.
ráter científico, que requerem objetividade. Já _____________________________________
nas dissertações de caráter subjetivo, o autor _____________________________________
se inclui na explanação, colocando seu ponto
de vista e usando verbos na primeira pessoa, c) Você irá necessitar deste conhecimento du-
conferindo um cunho pessoal ao texto. rante toda sua vida. Portanto, defina abaixo o
Você já deve ter tido oportunidade de que vem a ser um texto descritivo.
constatar que a maioria dos concursos, inclusi- _____________________________________
ve o vestibular, propõe a produção de textos _____________________________________
dissertativos. Assim, você deverá produzir,
preferencialmente, uma redação objetiva, im-
parcial, escrita em terceira pessoa.
É importante considerar que, na disser-
tação, predominam os conceitos abstratos, ou
seja, as referências ao mundo real se dão por
conceitos amplos, de modelos genéricos. Nos
discursos dissertativos da filosofia ou da ciên-
cia, por exemplo, as referências ao mundo con-
creto ocorrem somente como recursos de ar-
gumentação, para ilustrar teorias gerais ou leis.
O texto dissertativo é basicamente cons-
tituído de enunciados de caráter abstrato que,
de maneira ampla e genérica, buscam organi-
zar vários fatos singulares e concretos.
Na dissertação não existe, em princípio,
uma progressão temporal entre os enunciados
(como ocorre na narração). No entanto, existe en-
tre os enunciados relação de natureza lógica,
ou seja, relações de implicação (o fato e sua
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DISSERTAÇÃO SUBJETIVA Neste texto dissertativo, o autor não apa-


rece para o leitor como uma pessoa definida,
Nós, brasileiros, nos encontramos cada vez mais embora seja visível que ele esteja nos transmi-
descrentes com as instituições políticas do Bra- tindo sua visão pessoal sobre o assunto (lem-
sil. A cada ano que passa os problemas se avo- bra-se da função expressiva?); ele simplesmen-
lumam. Dentre os fatores que contribuem para te expõe o fato de forma objetiva e impessoal,
esse sentimento de desesperança, está o descaso conferindo ao texto um caráter imparcial, com
do governo com a educação, os baixos salários a utilização de verbos na terceira pessoa.
pagos aos professores, a incapacidade do governo
em brecar o processo inflacionário, a impunida- 2.5 – TEXTOS PUBLICITÁRIOS
de dos corruptos que têm saqueado os cofres pú-
blicos, e o descaso com a saúde pública. É necessário estudar em separado o tex-
Apesar de tudo, continuo defendendo a idéia de to publicitário, pela especificidade de sua re-
que o Brasil é um país que pode dar certo. Para dação, criatividade e originalidade. Nas funções
isso, é fundamental a participação da sociedade. da linguagem, você viu que a função conativa
(aquela que procura seduzir, convencer, envol-
Preste atenção no caráter subjetivo, pessoal ver) é bastante utilizada nos textos publicitári-
do texto, sobretudo no segundo parágrafo, quan- os. No entanto, o texto publicitário não utiliza
do o autor manifesta de forma inconteste o seu somente essa função, mas também a função
ponto de vista introduzido pela passagem continuo fática, a função poética e a função expressiva,
defendendo... No entanto, mesmo quando a disserta- jogando com as emoções, anseios, necessida-
ção é subjetiva, é melhor evitar construções do tipo: des, preconceitos e todo tipo de sentimentos
“Eu acho que”, “na minha opinião”, “no meu pon- do receptor de suas mensagens.
to de vista”, evitando redundâncias. Quem estiver Com o passar dos anos, a propaganda
escrevendo o texto (lógico!), não precisa marcá-lo tornou-se um meio poderoso de difusão dos
o tempo todo com pronomes de primeira pessoa. hábitos de consumo, não só de produtos, como
também de conceitos e idéias.
DISSERTAÇÃO OBJETIVA A redação publicitária é diferente das
outras, pois o redator vai utilizar a linguagem
“Mais do que diversão, os desenhos anima- (e também a imagem) de forma criativa, com
dos podem ser um eficiente instrumento peda- os vários níveis de linguagem para atingir um
gógico para transmitir valores éticos, morais e determinado público, obedecendo basica-
modelos de comportamento para as crianças. mente quatro regras: atenção, informação,
Por isso, eles deveriam ser incorporados por desejo e apelo.
professores à dinâmica da sala de aula, de modo O texto procura chamar atenção, fazer-
a suscitar discussões e estimular reflexões”. se notar (óbvio!), mas também informa o lei-
É o que defende um grupo de 12 pesquisa- tor/espectador/ouvinte sobre as qualidades
dores do Lapic (Laboratório de Pesquisa so- do produto anunciado, despertando a motiva-
bre a Infância, Imaginário e Comunicação), ção/desejo para a compra do produto anun-
um grupo multidisciplinar ligado à Escola de ciado e, finalmente, faz um apelo para que o
Comunicação e Artes da USP, coordenado pela comprador em potencial adquira aquele pro-
professora Elza Dias Pacheco, e que acaba de duto. Ex: “Se fosse seu carro, você já teria
concluir a pesquisa “Desenho Animado na trocado” (texto publicitário de uma campa-
TV: Mitos, Símbolos e Metáforas”. nha da Brastemp, na qual aparece uma antiqü-
Desenhos podem ajudar a aprender, íssima máquina de lavar roupas, um texto rela-
por Marta Avancini tando as vantagens da nova Brastemp e ainda
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um bilhete sobre esse texto: “Brastemp Mon- cidade procura chamar a atenção pelo lado
dial, vai dizer que você ainda não tem?”). humorístico da situação.
A publicidade ainda explora o uso de
expressões da língua falada, objetivando criar Exemplos:
uma atmosfera de intimidade com o leitor. Em
um anúncio da Kibon, aparece o seguinte tex- “A gente nem tem roupa para receber o
to: “Vai morango aí, freguesa?”. Em outro, prêmio” (mensagem da revista Playboy, co-
o anúncio utiliza dois termos característicos da nhecida, sobretudo pelas fotos de mulheres
imprecisão do código oral (treco e coiso) para nuas)
valorizar o produto anunciado: “Esse treco
serve pra você nunca mais esquecer o nome “Foi bombom para você também?” (anún-
daquele coiso.” (o produto anunciado era um cio do bombom Sonho de Valsa, da Lacta)
dicionário visual).
Outra característica facilmente compro- “Tem coisa melhor que ficar falada no
vada nos anúncios publicitários é o uso de fra- bairro?” (anúncio do jeans Di Paolucci, mos-
ses curtas, de adjetivos, o uso do verbo no im- trando os corpos de duas jovens vestidas
perativo, o uso da segunda pessoa, advérbios. com o jeans da marca)
Exemplos:
“Se alguém bater em você, chame a Todas as características do texto publi-
gente” (campanha do Bamerindus Seguros, re- citário obedecem a uma lógica pré-determina-
ferindo-se à batida de carros) da: o uso de adjetivos e advérbios procura cri-
“Não faça lipo. Faça aspiração” (cam- ar uma caracterização exagerada do produto
panha de Diet Shake, decompondo a palavra anunciado; a função apelativa (mais usada) se
lipoaspiração, para incentivar o consumo do destina a convencer o receptor; e, finalmente
produto) utiliza frases curtas, pois geralmente a mensa-
“Uma programação para quem é ta- gem é apresentada num espaço pequeno (pá-
rado por futebol – Se você é do tipo que fica gina de revista ou jornal), ou em um tempo
todo assanhado quando o assunto é fute- curto (intervalos comerciais de rádio e TV).
bol, então não pode perder a programação Quando se trata de um texto radiofôni-
da TVA” (anúncio de emissora de TV, mos- co, as repetições, principalmente do nome do
trando a foto de duas bolas de futebol dentro anunciante, são propositais. Quem elabora o
de um sutiã de renda). anúncio radiofônico sabe que os ouvintes es-
“Veja. Sinta. Tenha. Uma pele perfeita”. tão sempre trocando de estação, então a repe-
Lisa tição permite que a mensagem sempre seja cap-
Renovada tada, mesmo que pela metade.
Uniforme Segundo o pesquisador Jésus Martín Ri-
Equilibrada beiro, nossa sociedade constrói dia-a-dia a ima-
Suave” (anúncio do creme Idealist, de gem que cada um tem de si. Para ele, a publici-
Estée Lauder) dade é um espelho, apesar de bem deformado,
pois a imagem do lado de lá é muito mais bela
Nos textos publicitários é comum o uso que a imagem do lado real.
da ambigüidade, da dubiedade de sentido nas O poder da publicidade, atualmente, não
frases, que na publicidade passa a ser uma qua- se restringe a convencer o consumidor a ad-
lidade, o que não ocorreria, naturalmente, num quirir determinado produto, mas também a
texto técnico. Quando utiliza palavras que ofe- idealizar modelos estéticos, sexuais e compor-
recem dupla possibilidade de leitura, a publi- tamentais. O receptor da mensagem quer ter a
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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade I

beleza, a ousadia, a sensualidade dos modelos


que vê nas telas ou nos outdoors.

a) Pense, pesquise e escreva abaixo quais as prin-


cipais características de um texto publicitário.
______________________________________
______________________________________
______________________________________

b) Continue o estudo e diga qual a lógica pré-


determinada dos textos publicitários.
______________________________________
______________________________________
______________________________________

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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

Unidade
II

¾ Identificar os tipos de texto técnico;


¾ Reconhecer as características básicas de um texto técnico;
¾ Produzir textos Técnicos comuns na área de transação imobiliária –
carta comercial, ofício, requerimento, relatório.

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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

3. TEXTO TÉCNICO Cognatismo é a repetição da raiz, enfei-


xando palavras da mesma família.
3.1 – A ORGANIZAÇÃO DO TEXTO
TÉCNICO Ex: Infelizmente, o rapaz se aborreceu com a felici-
dade dos irmãos, que foram felicitados pelos felizes
Entende-se como redação técnica textos amigos.
que se destinam a informações sobre o uso de
alguma norma ou instrução. A redação técnica Pleonasmo é a repetição de idéias que
se divide em oficial, comercial e científica. A re- tornam a frase redundante.
dação oficial se refere às comunicações oficiais
emanadas do Poder Público (ofício, exposição Ex: Nós vamos voltar para trás. /Vi com estes olhos
de motivos, o aviso, o memorando oficial etc.); a que a terra há de comer./ Existe um elo de ligação
redação comercial é a utilizada no comércio e na entre eles./ Ela teve uma hemorragia de sangue.
indústria (cartas comerciais, memorandos, circu-
lares); e, na redação científica, se incluem as dis- Repetição de palavras: É muito comum o
sertações, os ensaios, as monografias, relatórios, excesso do que, do se e dos pronomes pessoais
manuais de instrução, descrições e narrações téc- no interior do discurso. Para corrigir essa fa-
nicas propriamente ditas, as teses etc. lha, devem-se reorganizar os períodos ou subs-
Já o termo redação empresarial é utilizado tituir as palavras.
para designar a reunião de duas áreas, comer-
cial e bancária. Ex: Solicito que me remeta o relatório de produção,
No que se refere à linguagem, os docu- que são necessários para que eu possa estabelecer as
mentos técnicos apresentam características novas metas que me foram propostas.
básicas: ela deverá ser clara, harmônica e obje-
tiva, procurando oferecer comodidade ao des- Simplificando: Solicito a remessa dos rela-
tinatário, elemento fundamental da comunica- tórios de produção, necessários para o estabelecimento
ção técnica. Essa modalidade de redação deve das novas metas que me foram propostas.
possuir o que chamamos qualidade de estilo, cons-
tituído pelos seguintes elementos. Ex: Eu necessito de uma resposta urgente, para que
Harmonia - A harmonia é responsável eu possa implantar novas medidas de segurança,
pela sonoridade do texto; ele deve ser organi- que eu acho imprescindíveis.
zado de modo a não ferir os ouvidos do leitor. Ex: Necessito de uma resposta urgente, para im-
Para isso, é necessário que se evitem elementos plantar as novas medidas de segurança, que são im-
que, embora sejam consideradas qualidades na prescindíveis.
linguagem literária, prejudicam a linguagem
técnica. Dentre esses elementos nocivos à lin- Cacofonia – É a junção de palavras, pro-
guagem técnica, podemos citar: duzindo um som desagradável.
A repetição - que apresenta um todo
gradativo, iniciando-se pela gradação, seguida Ex: Mande-me já a encomenda. Nunca ganhei
das rimas, de cognatismo e de pleonasmos. tantos presentes.
A rima é a repetição da sílaba no interi-
or ou final de vocábulos, sendo mais comum a Eco – Consiste na repetição de um som
rima na sílaba final. numa seqüência de palavras.

Ex: O diretor chamou, com horror, o coordenador e Ex: O resultado da votação não causou comoção
o professor que me falaram ontem sobre o amor. na população.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Para facilitar a compreensão da organi- esquerda e dois espaços abaixo do índice e


zação de um texto técnico, colocaremos, aqui, número, ou localizar-se do lado direito abaixo
algumas normas da ABNT para elaboração de da data, desde que não ultrapassem a metade
documentos técnicos. da folha. Na carta sua utilização segue os mes-
mos critérios do ofício. Lembrando que o tex-
TIMBRE – Quanto aos ofícios, deverá to deverá ser breve e objetivo, fazendo com
constar sempre na parte superior dos docu- que o destinatário identifique logo o assunto a
mentos de comunicação, visando a identifica- ser tratado.
ção do órgão emissor, Deverá estar em posi-
ção horizontal, no meio da folha, a 1,5 cm da VOCATIVO – No ofício deverá locali-
borda e, existindo brasão ou logotipo, este zar-se a 5 cm da margem esquerda e a três espa-
poderá ficar em posição vertical rente à mar- ços duplos da referência ou da ementa. O trata-
gem direita ou esquerda. Na elaboração de mento recomendado deverá ser de acordo com
carta, considera-se o mesmo princípio e deve- o cargo ou função do receptor, seguido por dois
rá ter as mesmas características do ofício. Nos pontos. Na carta, o vocativo segue o mesmo
memorandos não há necessidade, em função esquema do ofício, sendo que se existir um rela-
de ser um documento interno no qual todos cionamento maior entre o remetente e o desti-
que o emitem ou recebem estão inseridos no natário, o vocativo pode vir precedido da pala-
mesmo contexto de trabalho ou órgão. vra ‘prezado’. Ex: Prezado Senhor.

ÍNDICE E NÚMERO – No ofício são TEXTO – Tanto no oficio quanto na car-


colocados a 2,5 cm da margem esquerda; é ta, inicia-se com parágrafo a 5cm do vocativo,
normal que se separe o índice do número por sendo o objeto do documento, e apresenta
um traço diagonal (/), sendo que o número e abertura, desenvolvimento e fecho. O pri-
o ano são separados por um hífen (-).Ex: Ofí- meiro parágrafo e o fecho não são enumera-
cio nº ABNT/408-01, isto é, ofício número dos. Os demais se enumeram para facilitar a
408 do ano de 2001, expedido pela ABNT. localização do assunto por parte do destinatá-
Quanto ao índice e número de uma carta, deve- rio à eventual pesquisa.
se colocar as iniciais do órgão ou setor a ele
vinculado da mesma forma que no ofício, tam- FECHO – Em caso de oficio ou carta o
bém do lado esquerdo alinhado à data. Alguns fecho não é numerado. É alinhado ao parágra-
preferem que estes dados se posicionem no fo, ficando a dois espaços duplos deste último,
lado superior direito, visando facilitar a pro- ou sob fórmula de cortesia. Ex: Atenciosa-
cura da mesma quando arquivada. mente.

LOCAL E DATA – Tanto no ofício, ASSINATURA – Nos três casos (ofício,


quanto na carta, deve estar alinhado ao índice memorando e carta) fica a 4 cm abaixo do
e número, do lado direito, devendo conter lo- fecho, contendo o nome e o cargo do signatá-
cal, dia, mês e ano da sua expedição. É impor- rio sem sublinhar o local da assinatura.
tante que se escreva por extenso o nome do
mês; e, quanto ao ano, não é conveniente que ANEXOS – Também nos três casos fi-
se separe por ponto o milhar da centena nem cam a dois espaços da assinatura e a 2,5cm do
abreviá-lo. lado esquerdo da margem do papel.

REFERÊNCIA OU EMENTA – No ENDEREÇAMENTO – Na carta é tam-


ofício deve ser alinhado a 2,5 cm da margem bém chamado de endereço interno, e posto
40 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

junto à margem esquerda do papel a 2,5 cm, c) Para aumentar seu nível de conhecimentos,
localiza-se abaixo do índice e do número da responda como deve ser o fecho de um ofício,
carta a um espaço e meio, e deverá ser idêntico memorando ou de uma carta.
o constante no envelope. Ocupa geralmente de ___________________________________________
três a cinco linhas sempre dispostas em blo- ___________________________________________
cos; observe a grafia correta do nome ou ra-
zão sociais, a fim de evitar constrangimentos. d) E no ofício, que cuidado deve-se ter em re-
No ofício, localiza-se na parte inferior esquer- lação ao transporte da mensagem para uma
da a 2,5cm da margem esquerda do papel, se- eventual segunda página?
guindo-se o mesmo critério da carta quanto à ___________________________________________
sua disposição em efeito de blocos e ocupa de ___________________________________________
duas a três linhas.

INICIAIS DO REDATOR E DO DIGI-


TADOR – Nos três casos (carta, ofício, me-
morando) a 2,5cm da margem inferior, sendo
que no memorando não são necessárias as ini-
ciais do redator.

TRANSPORTE DA MENSAGEM –
No oficio devem-se transportar pelo menos
duas linhas, deixando o endereçamento na pri-
meira folha e transporta-se o restante dos ele-
mentos, não sendo necessário o transporte do
timbre e indica-se com o número da folha.
Repete-se o índice e o número; sua localização
fica a 2,5cm da margem esquerda, a 2,5 cm do
todo da folha ou 2,5cm abaixo do timbre se
esse o tiver. Na carta também com duas linhas,
sendo que todos os elementos que lhe sucedem
são transportados.

a) Vamos voltar ao início do parágrafo e ler mais


uma vez como se divide a redação técnica?
___________________________________________
___________________________________________

b) E os documentos técnicos? Quais devem ser


suas características básicas?
___________________________________________
___________________________________________
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 41
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

3.2 – A UNIDADE DO PARÁGRAFO Exemplo de falta de unidade no texto:


O brasileiro tenta mostrar que a corrida arma-
Coesão e Coerência mentista que se trava entre as grandes potências é uma
loucura. As telenovelas têm mostrado cenas gravadas
Embora a correção gramatical seja uma em lugares paradisíacos.
qualidade muito importante no que se reporta Exemplo de texto com unidade:
às qualidades do estilo, uma redação absoluta- Uma das utilidades do vinho, além de tornar a
mente correta do ponto de vista gramatical, conversa do outro mais agradável, é impressionar os
pode se mostrar inaproveitável. Problemas convivas. Para isso, um velho truque é decorar o nome
decorrentes de falhas na estruturação da frase, de uma uva, chamar o garçom e pedir, com ar blasé:
da incoerência de idéias, da falta de unidade e “Vê o melhor chardonnay que você tiver aí”.
de ênfase podem invalidar uma composição. No primeiro caso, percebemos facilmen-
A unidade do parágrafo é conseguida te que a idéia principal é a corrida armamen-
quando dizemos uma coisa de cada vez, des- tista travada entre as grandes potências. No
prezando o que não é essencial ou não se rela- entanto, não existe nenhuma relação entre a
ciona com a idéia predominante no parágrafo idéia principal e a secundária (as cenas paradi-
(tópico frasal, ou idéia-núcleo), que estabelece síacas mostradas nas novelas).
uma relação clara entre a idéia principal e a se- Seria possível, entretanto, estabelecer
cundária. Quando o texto é redigido de modo uma relação entre a idéia principal e a secun-
claro, coerente e objetivo, a margem de erros dária pela partícula se. Teríamos então:
gramaticais é mínima, não comprometendo a O brasileiro tenta mostrar que a corrida arma-
eficácia da redação. mentista que se trava entre as grandes potências é uma
Por coerência entende-se a relação entre a loucura. Se não colocarmos um ponto final nessa situa-
idéia predominante e as secundárias. ção, em caso de conflito até mesmo os lugares paradisí-
Exemplo de texto coerente: A manhã era acos mostrados nas telenovelas podem acabar desapa-
clara e luminosa. Eu podia enxergar claramente a recendo.
paisagem ao redor, as árvores, os animais, os tons cla- Outras formas para garantir a unidade no
ros e escuros provocados pelas sombras das árvores e parágrafo:
pelos raios de sol que se infiltravam por entre os galhos.
Exemplo de texto incoerente: A manhã era 1. Sempre que possível, usar tópico frasal
clara e luminosa. A forte neblina e o céu en- explícito:
coberto por nuvens escuras só me permitiam dis- Ex: O arcadismo tem um espírito nitidamente re-
tinguir vagamente a sombra dos animais e das árvores. formista. Ele pretende reformular o ensino, o com-
Conquanto a unidade e a coerência possu- portamento social, os hábitos, constituindo uma
am características próprias, quase sempre a falta manifestação artística de um novo tempo e de uma
de uma ocasiona a ausência da outra. A unida- nova ideologia. Em Portugal, essas mudanças se
de, como já mencionado, pode ser alcançada fazem sentir desde o começo do século.
mediante a atenção que se dá ao tópico frasal,
ou seja, a idéia-núcleo do parágrafo, tendo o 2. Evite os pormenores impertinentes, as re-
cuidado de não acrescentar, nas idéias secun- dundâncias e as acumulações:
dárias, termos que tão tenham ligação com o Ex: Um dos mais movimentados e agitados centros
tópico frasal. Ou seja, a unidade é conseguida financeiros do mundo todo, Zurique, também famosa
quando se tem, em todo o texto, uma só idéia e conhecida por seus gostosos chocolates, cujo sabor é
predominante. A relação entre a idéia princi- inesquecível, e também mundialmente conhecida por
pal e as secundárias deve ser indicada de ma- seu comércio especializado em artigos caros, finos e
neira clara. requintados, além de possuir uma paisagem de cartão
42 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

postal, uma das mais belas da Suíça, tem atraído A reformulação do texto, consideran-
ultimamente um grande número de pessoas doentes que do apenas as idéias mais importantes, ficaria
decidem pôr fim à própria vida, na Dignitas, uma assim:
ONG que pratica a eutanásia legalmente. O governo Federal se empenha arduamente em
acabar com a fome através do projeto Fome Zero. No
O período acima é prolixo e centopeico entanto, muitos obstáculos, como a burocracia e a falta
(longo, caudaloso). Os pormenores excessivos, de participação da sociedade, entravam o projeto.
grifados no texto, são dispensáveis, não servin- Ora, uma divisão de tarefas e uma participação
do de reforço à idéia-núcleo (“Em Zurique, pes- mais ampla e direcionada da sociedade seriam funda-
soas doentes decidem pôr fim à própria vida”). mentais para o bom resultado do projeto. Entretanto,
Eliminando os pormenores e redundân- os representantes de diversos setores da sociedade vêm
cias, teríamos: falhando lamentavelmente, em virtude de uma falta de
Um dos mais movimentados centros financeiros do conscientização coletiva.
mundo, Zurique, além de possuir uma paisagem de car- Embora se possa colocar em parágrafos
tão postal, tem atraído ultimamente um grande número de diferentes idéias igualmente importantes, a
pessoas doentes que decidem pôr fim à vida na Dignitas, idéia-núcleo não deve ser fragmentada em vá-
uma ONG que pratica a eutanásia legalmente. rios parágrafos.
Frases entrecortadas prejudicam a uni- Ex:
dade do parágrafo. Selecione as mais impor-
tantes, transformando-as em orações principais Nas últimas semanas, o tráfico de drogas
de períodos curtos. produziu duas notícias chocantes.
Ex: Levantei-me cedo hoje de manhã. Eu tinha Um pai de família acabou por matar a tiros
perdido o guarda-chuva. O ônibus demorou a passar. um filho dependente, quando ele tentava vender
Eu fiquei ensopada. Eu apanhei um bruto resfriado. a TV da família para comprar cocaína.
Reformulação: A mãe do rapaz disse: “Era ele ou nós,
Levantei-me cedo hoje. Como tinha perdido o não havia outra alternativa”.
guarda chuva e o ônibus custasse a passar, fiquei enso- A mãe do rapaz foi ouvida por Débora
pada e apanhei um bruto resfriado. Abreu, da sucursal de Fatos, no Rio de Janeiro.
Coloque em parágrafos diferentes idéias Semanas antes, em São Paulo, um pai
igualmente importantes, relacionando-as atra- matou o filho caçula pelo mesmo motivo.
vés de expressões que dêem idéia de transição: “Foi uma reação inevitável”, disse o irmão
Ex: O governo Federal se empenha ardua- da vítima em entrevista a Luiz Ortiz, de Fatos.
mente em acabar com a fome, por meio do Projeto
Fome Zero. Muitos obstáculos, no entanto, entravam Reformulando o texto:
o projeto, impedindo uma ação mais eficiente. A par-
ticipação hesitante da sociedade, as dificuldades bu- Nas últimas semanas, o tráfico de drogas
rocráticas que impedem que os recursos cheguem ao produziu duas noticias chocantes. Um pai de
seu destino são fatores difíceis de serem contornados. família acabou por matar a tiros um filho de-
Todos sabem que uma divisão de tarefas, com a par- pendente quando ele tentava vender a TV da
ticipação das associações de bairros, que passariam a família para comprar cocaína. “Era ele ou nós,
fiscalizar o desperdício de alimentos, campanhas de não havia outra alternativa, disse a mãe, ouvi-
mobilização em prol do mesmo objetivo, seriam fun- da por Débora Abreu, da sucursal de Fatos, no
damentais para o bom resultado do projeto. Os repre- Rio de Janeiro. Semanas antes, em São Paulo,
sentantes de diversos setores da sociedade vêm falhan- um pai matou o filho pelo mesmo motivo. “Foi
do lamentavelmente, em virtude de uma falta de cons- uma reação inevitável”, disse o irmão da vítima
cientização coletiva. em entrevista a Luiz Ortiz, de Fatos.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 43
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Resumindo: para conseguir unidade atra- 3.3 – A PRODUÇÃO DO TEXTO


vés da estrutura do parágrafo, você deve: TÉCNICO
Atentar somente para o essencial, colocan-
do de modo claro a idéia em tópico frasal. A redação de um texto técnico não con-
Não se afastar da idéia predominante figura um bicho-de-sete-cabeças. Os critérios
expressa no tópico frasal, passando, por des- que a regem são os mesmos que regem qual-
cuido, para outro assunto totalmente alheio ao quer outro tipo de composição (clareza, coe-
que se propôs discutir. rência, objetividade, ordenação lógica, corre-
Evitar a acumulação de pormenores ou ção gramatical, etc.). Sua estrutura e estilo apre-
fatos que se sobreponham à idéia-núcleo. sentam, entretanto, algumas características pró-
Usar os conectivos de transição e pala- prias, obedecendo a um padrão mais ou me-
vras de referência para fazer uma relação entre nos comum, no qual predominam a objetivi-
as frases ou os parágrafos, para dar coerência dade, eficácia e clareza. Qualquer redação que
e, conseqüentemente, unidade ao texto. deixe em segundo plano o feitio artístico da
Evitar as digressões (desvios de rumo ou frase (lembra-se da função poética e da lingua-
de assunto) impertinentes ou irrelevantes, ou gem literária?) pode ser considerada uma re-
seja, que não sirvam à fundamentação das idéias dação técnica.
desenvolvidas. Para comprovar o que foi dito acima,
veja as características sempre presentes em uma
redação técnica:

Impessoalidade, para evitar a duplicidade de


interpretações, que poderia ocorrer em um
texto mais pessoal;
a) Para ficar melhor ainda, descreva as diferen-
ças entre coesão e coerência. O uso do padrão culto de linguagem, pas-
________________________________________ sível de um bom entendimento, evitando
________________________________________ vocábulos de uso restrito, como a gíria e o
jargão;

Formalidade e padronização, possibilitando


uma uniformização dos textos;

A concisão, para excluir do texto os exces-


sos lingüísticos que nada lhe acrescentam;

Quanto à forma (partes que compõem o tex-


to), ela é praticamente a mesma em diversos
tipos de textos técnicos. Como exemplo,
especificamos a seguir as partes que com-
põem a carta empresarial, utilizáveis em
qualquer outro tipo de carta técnica.

1 – Cabeçalho:
Timbre
Índice e número
44 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

A data São colocados preferencialmente no canto su-


A linha de atenção perior esquerdo do papel, na mesma altura da
A referência ou assunto data.
Vocativo DATA – Indicação do lugar, dia, mês e
Obs: a linha de atenção é utilizada quan- ano em que se expede a carta.
do se deseja que a correspondência seja aberta Ex: São Paulo, 29 de abril de 2003.
por determinado funcionário, que deverá en-
carregar-se do assunto da carta. Indica-se o ENDEREÇO – Também chamado de
nome da pessoa e/ou do departamento a que endereço interno, o endereço compreende o
se deseja encaminhar especificamente a corres- nome (pessoa física) ou a razão social (pessoa
pondência. jurídica) e o endereço do destinatário. Geralmen-
te é colocado na margem esquerda do papel,
2 – Texto: logo abaixo do índice e do número da carta,
É o corpo da carta, compreendendo a devendo ser idêntico ao endereço externo (cons-
introdução, o desenvolvimento e a conclusão. tante no envelope), disposto em bloco, ou seja,
todas começando junto à margem esquerda.
3 – Fecho:
O fecho compreende: Ex: Senhores
A despedida (a fórmula de cortesia) Paolucci & Ramos S/A
A assinatura Avenida Amendoeiras, 348
As iniciais (de quem redigiu ou ditou a 95600-000 Americana – SP
carta; em seguida as de quem a transcreveu ou
digitou, separando-as por dois pontos (:), por Senhor Prof.
diagonal (/) ou por hífen (-) Carlos Meira
As indicações de anexos Av. Cândido Mendes, 890
O aviso de cópias 87900-000 Passo Fundo - RS
O pós-escrito (acréscimo de alguma(s)
frase(s) a uma carta depois de esta ter sido re- Obs: em alguns casos, além do nome do
digida no seu formato original. A abreviação destinatário, coloca-se o cargo que ele ocupa
usada e P.S. (“post scriptum”) na empresa. Atualmente, é de praxe omitir, na
Detalhando as partes da carta, temos: correspondência estritamente comercial, o tra-
tamento e o título profissional do destinatário,
TIMBRE – O timbre contém o nome da iniciando-se diretamente pelo seu nome civil.
empresa, o endereço completo da
mesma,número de telefone e fax, e indicação Ex: Carlos Antônio da Silva
de filiais, agências etc. Avenida Paulista, 132
40309-000 São Paulo – SP
ÍNDICE E NÚMERO – Empregado
apenas quando a correspondência da empresa LINHA DE ATENÇÃO – Pode ser coloca-
é descentralizada, indicando o setor ou depar- da dentro do endereço, após o nome da em-
tamento que está expedindo a carta. Em segui- presa, de forma abreviada ou por extenso.
da ao índice, aparece o número de ordem da
carta; como a numeração é reiniciada a cada Ex: Tecelagem Avenida S/A
ano, ela é seguida pelo número indicativo do At. Luiz Bertolucci
ano.Ex: DC/105-03 (Carta nº 105, de 2003, Avenida Bento Gonçalves, 304
expedida pelo Departamento de Cobrança). 78 501-000 Silvânia – GO
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 45
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Metalúrgica Simões S/A Em uma carta em que exista um relacio-


Á atenção do Sr. Iran Mendes – Dep. namento mais íntimo entre o remetente e o
Financeiro destinatário, devido a uma correspondência
Travessa Iracema, 345 mais assídua, o vocativo pode vir antecedido
95070-000 Caxias do Sul – RS do termo prezado.
Ex: Prezado Senhor:
REFERÊNCIA OU ASSUNTO – É a síntese Quando existe um grau ainda maior de
do conteúdo da carta. Ela aparece, tradicio- amizade entre o remetente e o destinatário, o
nalmente, entre o endereço e o vocativo, a igual vocativo passa a ser nominal.
distância dos dois, junto à margem esquerda, Ex: Prezado Senhor Antônio
ou do meio em direção à margem direita, de- Em cartas de caráter muito formal, diri-
pendendo do estilo de disposição da carta no gida a autoridades, o vocativo é antecedido do
papel. Ela pode ser precedida de abreviatura tratamento convencional.
Ref., ou não. Ex: Excelentíssimo Senhor Presidente do
Congresso Nacional
Ex: Brahms & Cia. Ltda. É importante observar que em comuni-
Caixa Postal 683 cações mais formais, o tom da carta deve cor-
82911-000 Petrópolis – RJ responder à formalidade do vocativo utiliza-
do. Por outro lado, quando existe um grau
Ref. Pedido nº 34-99 maior de intimidade, pode existir um menor
grau de formalidade.
Prezados Senhores O vocativo pode vir precedido de pon-
tuação (:), ou não, conforme o estilo da carta,
Indústria de Móveis Meireles Ltda. não existindo normas rígidas sobre o assunto,
Rua Arapongas, 256 coexistindo perfeitamente três estilos de pon-
98743-000 Goiânia - GO tuação: pontuação aberta, pontuação fechada,
pontuação mista (na qual somente o vocativo
Prazo de entrega de móveis (:) e a despedida (,) serão pontuados). Veja
exemplos em “Aspectos da Redação Técnica”.
Prezados Senhores Obs. Ao final deste tópico, você encon-
trará uma lista com as formas de tratamento
Obs. Em certos casos, não é reco- mais usadas e seus respectivos usos.
mendável que se use referência na carta,
pois a antecipação do conteúdo pode
deixar o destinatário desmotivado para
ler a carta. Ex: uma carta de pedido de
emprego, aumento de salário etc.

VOCATIVO – o vocativo é a saudação de


cortesia dirigida ao destinatário, antes de pas- a) Registre aqui quais as características sempre
sar ao texto da carta. Não é recomendável que presentes de um texto técnico.
se abrevie qualquer dos termos do vocativo. _______________________________________
O vocativo pode se limitar ao pronome de tra- _______________________________________
tamento, ou ser acrescido do cargo ou função _______________________________________
do destinatário. _______________________________________
Ex: Senhores Senhor Gerente _______________________________________
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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

3.3.1. O texto da carta empresarial

O texto é a parte que contém a mensa-


gem a ser transmitida. Ele se divide em três
partes: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão
(ou encerramento).
Nas cartas rotineiras, a introdução é só a
entrada no assunto.
Desenvolvimento – A finalidade do de-
senvolvimento é expor claramente ao destina-
tário o assunto da carta. O assunto deve ser só
um, sendo preferível redigir várias cartas, quan-
do existirem muitos assuntos a serem tratados
em diferentes departamentos.
Encerramento (ou fecho) – É o parágra-
fo que finaliza o texto (ou corpo da carta).
Pode-se englobar, no encerramento, a fórmu-
la de cortesia da carta, principalmente em co-
municações mais rotineiras.
Eis algumas fórmulas padronizadas de
cortesia:
Aproveito a oportunidade para renovar
a V. Exa. os meus protestos de respeito.
Aproveito a oportunidade para apre-
sentar a V. Sa. os protestos de minha consi-
deração.
Antecipamos nosso agradecimento pe-
las providências que forem tomadas.
Subscrevemo-nos atenciosamente.
Atenciosas saudações.
Servimo-nos do ensejo para apresentar
a V. Exa. nossos protestos de elevada estima e
distinta consideração.

3.3.2. O planejamento do texto da carta

Para uma carta ser considerada bem es-


crita é preciso que o remetente conheça o
assunto sobre o qual versa a carta, para po-
der expressá-lo com clareza. É imprescindí-
vel, ainda, um bom conhecimento de elemen-
tos como: adequação vocabular, pontuação,
correção da linguagem, estrutura da frase
etc. Além desses requisitos, o planejamento
do texto da carta é de grande ajuda para o
redator.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 47
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Os passos a serem seguidos são os se- RASCUNHO E REVISÃO


guintes: Concluídas as etapas mencionadas, far-se-á
um rascunho da carta, no qual será verifica-
CONCEBER O ASSUNTO do se a carta obedece às qualidades de clare-
É neste momento que surge a necessidade za, eficiência, objetividade, se a unidade do
da carta, que pode ser uma proposta de texto está garantida com conectivos adequa-
compra, um cancelamento de pedido, um dos, se não existe nenhuma contradição ou
pedido de mercadorias. Quando o assunto falta de lógica no texto (incoerência). Deve
da carta é concebido por outra pessoa que ser verificado também se o pronome de tra-
não o redator, esta se ocupa do levantamen- tamento é adequado à pessoa a quem se di-
to de dados. rige, e se o vocativo e o fecho (incluindo a
fórmula de cortesia) seguem o mesmo tom
LEVANTAMENTO DE DADOS (mais formal ou menos formal). A revisão
Neste passo, reúnem-se as informações so- deve eliminar os elementos desnecessários,
bre o que deverá ser especificado na carta, as redundâncias, verificar se o texto utiliza a
como preços, condições, forma de pagamen- norma culta, se a ortografia e a pontuação
to, dados pessoais, estoque, prazo para pa- estão corretas, se o objetivo está devidamen-
gamento etc. Esses dados deverão ser ano- te enfatizado, e outros itens que se fizerem
tados à parte, para consulta quando da con- pertinentes.
secução da carta.
REDAÇÃO DEFINITIVA
SELEÇÃO DOS DADOS Após todos esses cuidados, feitas as corre-
Após a pesquisa para levantamento de da- ções necessárias, passa-se à redação definiti-
dos, selecionam-se os que devem ser utiliza- va do texto.
dos na carta, segundo o objetivo da corres-
pondência. Se a carta se destina a atender so-
licitações, deve responder ao estritamente
solicitado. Se o objetivo da carta for solici-
tar algo ao destinatário, ela deve ater-se a esse
assunto, visto que uma das características da
redação técnica é a objetividade, não caben- a) E na hora de escrever uma carta? Em quan-
do assim, menção a fatos externos ao assun- tas e quais as partes se divide o texto de uma
to tratado e com o qual não tenham nenhu- carta?
ma relação. ________________________________________
________________________________________
ORDENAÇÃO DE DADOS ________________________________________
Selecionados os dados, eles deverão ser or- ________________________________________
denados, ou seja, colocados em seqüência, o
que, sem dúvida facilitará a compreensão. A b) Para que se faça uma boa redação, responda
ordenação dos dados facilita a divisão da carta quais as etapas anteriores à redação definitiva
em parágrafos, de acordo com os diferentes de um texto.
aspectos de um mesmo assunto. Assim, em ________________________________________
uma carta em que se solicitam várias provi- ________________________________________
dências, deve ser colocada primeiramente a ________________________________________
providência inicial, seguidas as outras, que vi- ________________________________________
rão especificadas em cada parágrafo. ________________________________________
48 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

Datilografia ou digitação instrumentos para redigir uma carta empresa-


rial. Mais à frente, ao estudar mais detalhada-
Nesta etapa, a única preocupação é com mente os aspectos do texto técnico, você en-
a apresentação da carta, que deve possuir uma contrará modelos de diversos tipos de carta.
estética impecável, valorizando o texto. Neste item, acrescentamos as formas de trata-
De posse destas informações, você já tem mento que você poderá utilizar.
TÍTULO FORMAS DE TRATAMENTO SUBSCRIÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA
Almirante Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Almirante
Arcebispo Sua/Vossa Excelência Exmo. e Revmo. Dom, Reverendíssima
Bispo Sua/ Vossa Excelência Exmo. e Revmo. Dom.
Brigadeiro Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Brigadeiro
Cardeal Sua/Vossa Eminência Exmo. e Revmo. Cardeal
Cônego Sua/Vossa Reverendíssima Reverendíssima (ou Eminência) Revmo. Sr. Cônego
Cônsul Sua/Vossa Senhoria Ilmo. Sr. Cônsul
Coronel Sua/Vossa Senhoria Ilmo. Sr. Cel.
Deputado Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Deputado
Embaixador Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr.
Frade Sua/Vossa Reverendíssima Revmo. Sr. Fr.
Freira Sua/Vossa Reverendíssima Revma. Ir.
General Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. General
Governador de Estado Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Governador
Irmã (madre/sóror) Sua/Vossa Reverendíssima Revma. Ir. (ou Madre ou Sóror)
Juiz Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Dr. (ou Meritíssimo Juiz)
Major Sua/Vossa Senhoria Ilmo. Sr. Major
Marechal Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Marechal
Ministro Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Ministro
Monsenhor Sua/Vossa Reverendíssima Revmo. Sr. Mons.
Padre Sua/Vossa Reverendíssima Revmo. Sr. Padre
Papa Sua/Vossa Santidade A Sua Santidade Papa (ou Beatitude) (ao Beatíssimo Padre)
Patriarca Sua/Vossa Excelência Exmo. e Revmo. Dom Reverendíssima (ou Beatitude)
Prefeito Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Prefeito
Presidente Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Presidente
Reitor de universidade Sua/Vossa Magnificência Exmo. Sr. Reitor Magnífico Reitor
Secretário de Estado Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Secretário
Senador Sua/Vossa Excelência Exmo. Sr. Senador
Tenente-coronel Sua/Vossa Senhoria Ilmo. Sr. Ten. Cel.
Vereador Sua/Vossa Excelência Ilmo. Sr. Vereador
demais Autoridades
Sua/Vossa Senhoria Ilmo. Sr.
oficiais e particulares

*Use “Sua” quando se referir à autoridade sem se dirigir diretamente a ela. Empregue “Vossa” quando estiver se
dirigindo diretamente à autoridade.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 49


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

4. ASPECTOS DO TEXTO Local e data em que foi assinado, dati-


TÉCNICO lografado por extenso, com alinhamento à di-
reita:
Neste item, trabalharemos alguns aspec-
tos do texto técnico, detalhando somente aque- Brasília, 25 de abril de 2003.
les mais utilizados por profissionais do merca-
do imobiliário, e que, com ligeiras modifica- Vocativo, que invoca o destinatário (con-
ções, servirão de modelo para outros tipos de sulte a lista dos pronomes de tratamento), se-
correspondência. A correspondência, quanto guido de vírgula:
à espécie, pode ser dividida em: Senhor Chefe de Gabinete,

· Particular, familiar ou social: trocada en- Texto. Quando não se tratar de simples
tre particulares, versando sobre assun- encaminhamento de documentos, o ofício deve
tos íntimos, pessoais. apresentar a seguinte estrutura:
· Bancária: enfocando assuntos relaciona- Introdução, na qual é apresentado o assun-
dos à vida bancária, tais como: solici- to que motiva a comunicação. Não utilize fra-
tação de extrato, carta de apresentação, ses feitas, tais como: “Tenho a honra de”, “Te-
aviso de vencimento, carta de crédito. nho o prazer de”, “É com grata satisfação
· Comercial: ocupa-se da transação co- que”. Empregue, preferencialmente, a forma
mercial ou industrial. direta: “Cumpre-me informar que”, “Subme-
· Oficial: utilizada no serviço público, ci- to à apreciação se Vossa Senhoria”, “Informo
vil ou militar. a Vossa Excelência de que”;
Desenvolvimento, no qual se detalha o as-
Naturalmente, não nos ocuparemos, aqui, sunto, objeto da comunicação; se forem vári-
da correspondência bancária e particular, por os os assuntos, eles devem ser tratados em pa-
não serem pertinentes à atividade profissional rágrafos distintos, para maior clareza;
em questão. Enfocaremos somente alguns tipos Conclusão, na qual é reafirmada ou rea-
de texto da correspondência oficial e comercial presentada a posição recomendada sobre o
bastante utilizados, quais sejam: o ofício, o re- assunto.
querimento, a circular, o relatório e a carta. No texto, excetuando-se o primeiro pa-
rágrafo e o fecho, todos os demais parágrafos
4.1 – OFÍCIO devem ser numerados.

O ofício é um documento da correspon- Fecho, que tem como finalidade arrema-


dência oficial externa, por meio do qual se co- tar o texto e saudar o destinatário.
municam os funcionários públicos no exercí- Visando a uniformização dos mesmos,
cio de suas funções. Seguiremos o chamado adotam-se os seguintes critérios:
“padrão ofício”, utilizado na Presidência da Re- Para autoridades superiores, inclusive o Presi-
pública, na redação de documentos semelhan- dente da República:
tes (aviso, exposição de motivos e ofício).
O oficio contém, obrigatoriamente, as Respeitosamente,
seguintes partes:
Para autoridades da mesma hierarquia ou
Tipo e número do expediente, seguido de hierarquia inferior:
da sigla do órgão expedidor: Atenciosamente,
Ofício nº 145/DP Assinatura do autor da comunicação; e
50 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

Identificação do signatário, que deve ser a cm ou sete espaços duplos (espaço


seguinte: dois) da borda superior do papel;
(espaço para a assinatura) e) vocativo: a 10 cm ou dez espaços du-
NOME (em maiúsculas) plos da borda superior do papel;
Diretor do Departamento de Serviços Gerais f) texto: o texto inicia-se a 1,5 cm ou a
Secretaria da Administração Federal três espaços simples do vocativo;
g) espaço entre os parágrafos do texto: 1
Obs. É recomendável que não se deixe a cm ou um espaço duplo (espaço dois);
assinatura em uma página isolada. h) fecho: centralizado, a 1 cm ou um es-
paço duplo do final do texto;
Todas as três modalidades de comunica- i) identificação do signatário: 2,5 cm ou
ção (aviso, exposição de motivos e ofício) de- três espaços duplos do fecho;
vem trazer, a partir da folha dois de seu texto,
e em todas as folhas de seu anexo, a pelo me- Obs: O avanço de parágrafos do texto
nos 1 cm de sua borda, o seguinte cabeçalho: deve ser sempre o mesmo, ou seja, o equiva-
lente a 2,5 cm ou dez toques.
Fl. (indicar nº da folha) do Of. nº 145/ Outras considerações sobre ofícios
DP, de 25.04.03. Nas redações de ofícios e outras comu-
nicações oficiais devem ser evitados:
Nas folhas em que houver cabeçalho, o
texto deverá ser iniciado a 2,5cm deste. • expressões locais ou regionalismos;
• expressões de duplo sentido;
A diagramação do ofício segue as seguin- • estrangeirismos, exceto quando indis-
tes especificações abaixo, nas quais as distânci- pensáveis por não possuírem tradução
as constam em centímetros por motivo de pa- exata ou constituírem expressões de
dronização. No sentido horizontal, 1 cm cor- uso consagrado, como algumas em la-
responde a cerca de 4 toques datilográficos (1 tim: ad referendum ou royalties, que
toque = 2,5 mm). No sentido vertical, 1 cm deverão ser destacadas em negrito, ou
equivale a um espaço dois (espaço um = 0,5 colocadas entre aspas;
cm), aproximadamente. • repetição de palavras ou utilização de
Caso seja utilizado processador de texto, palavras cognatas, como: competente, com-
empregue as medidas em centímetro: pete; designado e designação, menção e menci-
onado etc.
a) margem esquerda: a 2,5 cm ou dez to-
ques da borda esquerda do papel; Na página a seguir, você encontrará um mo-
b) margem direita: a 1,5 cm ou seis toques delo padrão de ofício.
da borda direita do papel;
c) tipo e número do expediente: horizon- 4.2 – REQUERIMENTO
talmente, no início da margem esquer-
da (a 2,5 ou dez toques da borda do O requerimento é uma petição escrita,
papel); verticalmente, a 5,5 cm ou seis sob o amparo da lei, na qual se solicita algo a
espaços duplos (espaço dois) da bor- uma autoridade pública. O requerimento é di-
da superior do papel; rigido ao cargo que a pessoa exerce, não a ela
d) local e data: horizontalmente, o final da especificamente. Quando a formulação é feita
data deve coincidir com a margem di- por duas ou mais pessoas, tem-se um abaixo-
reita, e, verticalmente, deve estar a 6,5 assinado, que é um requerimento coletivo.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 51
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Modelo de Oficio (padrão)

Ofício nº 524/SG-PR
5 cm

Brasília, 13 de abril de 2005.

Senhor Deputado,

Complementando as informações transmitidas pelo telegrama nº 32,


2,5 cm de janeiro último, informo a Vossa Excelência de que as medidas mencionadas
em sua carta nº 4375, dirigida ao Senhor Presidente da República, estão
amparadas pelo procedimento administrativo de demarcação de terras
indígenas instituída pelo Decreto 22, de 4 de fevereiro de 1992 (cópia
anexa).

2. Em comunicação, Vossa Excelência ressalva a necessidade de que – na


definição e demarcação de terras indígenas – fossem levadas em consideração
as características sócio econômicas regionais.

3. Nos termos do Decreto nº 22, a demarcação deverá ser precedida de


estudos e levantamentos técnicos que atendam ao disposto no art.231, § 1º
da Constituição Federal. Os estudos deverão incluir os aspectos sociológicos,
cartográficos e fundiários. O exame deste último aspecto deverá ser feito
conjuntamente com o órgão federal e estadual competente.

4. Os órgãos públicos estaduais e municipais deverão encaminhar as


informações que julgarem pertinentes sobre a área em estudo. É igualmente
assegurada a manifestação de entidades representativas da sociedade civil.

A Sua Excelência o Senhor


Deputado (nome)
Câmara dos Deputados
10160-000 – Brasília-DF
2 cm

52 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

Sendo um veículo de solicitação sob qualificação é importante distinguir residên-


amparo da lei, o requerimento só pode ser di- cia, que é o local onde a pessoa mora habitu-
rigido a autoridades públicas. Qualquer pes- almente, de domicílio, que é a sede legal da
soa, servidor público, ou não, que tenha inte- pessoa, onde ela se presume presente para
resse no serviço público pode se servir desta efeitos legais.
medida. Pode-se, também, endereçar requeri-
mento a escolas particulares, que não configu- Texto – a exposição do pedido, em termos
ram autoridade pública, mas que possuem ativi- claros e concisos, de forma objetiva.
dades próprias do poder público, e tem seus Podem-se invocar leis, decretos ou outros
serviços rigidamente fiscalizados e regulados documentos, para fundamentar o pedido, que
por esse poder. deve ser feito de forma cortês, mas sem po-
lidez excessiva, evitando expressões exage-
Características do requerimento: radas como: “vem mui respeitosamente”,
“vem humildemente solicitar” etc. Lembre-
Pessoa gramatical – Por deferência, emprega- se de que você está solicitando algo sob o
se no preâmbulo a terceira pessoa do singular, amparo da lei, e não favores que dependam
que deve acompanhar o restante do requeri- da disposição de espírito da autoridade à
mento. qual se dirige.

Vocativo – Compreende o pronome de tra- Fecho: É a parte final do documento.São cos-


tamento e o nome do cargo ou função do tumeiras as seguintes formas:
destinatário, não se mencionando o nome
civil da autoridade, pois, como já mencio- Nestes termos,
nado, o requerimento não se dirige à pes- Pede deferimento.
soa, mas ao cargo ou função que ela ocupa.
Depois do vocativo, não se coloca nenhuma Abreviação:
fórmula de saudação. N. T.
P. D.
Preâmbulo – compreende o nome do reque- Aguarda deferimento.
rente (preferencialmente em caixa alta, todo A. D.
ele), seguido pela sua qualificação (naciona- Termos em que pede e espera deferimento.
lidade, estado civil, idade, filiação, naturali- Termos em que pede deferimento.
dade, domicílio etc.).Nem sempre é neces- Local e data: São Paulo, 12 de abril de 2003.
sário que se coloquem todos esses dados. Assinatura
Quando o requerente é funcionário do ór-
gão ao qual dirige o requerimento, basta in- 4.2.1. Modelos de requerimento
dicar nome, cargo, o setor do órgão onde
exerce suas funções, já que os outros dados Senhor Diretor da Escola Alfredo Nas-
já constam de sua ficha funcional. Quando o ser:
requerimento é feito por um aluno de escola
particular ou estadual, basta colocar o nome FULANO DE TAL, aluno desta Esco-
do aluno, a série e o turno em que ele estuda, la, regularmente matriculado, cursando a pri-
pois os outros dados já constam de sua fi- meira série do primeiro grau, turma B, turno
cha escolar. A qualificação é mais, ou menos matutino, requer a Vossa Senhoria a dispensa
completa, de acordo, também, com a finali- das aulas de educação física, por motivos de
dade a que se destina o requerimento.Na saúde, conforme atestado médico em anexo.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 53
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Termos em que pede deferimento. São Paulo, 26 de maio de 2003.

Goiânia, 17 de abril de 2003. Sr.


Fulano de Tal
Fulano de Tal. Caixa Postal 695
SÃO PAULO – SP
Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal
Senhor (es):

FULANO DE TAL, ocupante do car-


go de Escriturário, nível 6, exercendo suas Temos o prazer de comunicar a V. Sa.
funções junto à Secretaria de Administra- (s) a inauguração da filial das Lojas Garden,
ção, requer a V.Exa. a concessão do auxí- nessa cidade.
lio-família, nos termos do art........, do Continuaremos, como sempre, a pres-
Estatuto.....................por se encontrar licen- tar a nossos clientes o melhor dos nossos
ciado para tratamento de saúde. serviços.
Esperando merecer de V.Sa. a conside-
ração e confiança com que sempre nos dis-
Nestes termos, pede deferimento. tinguiram, subscrevemo-nos.

Belo Horizonte, 12 de maio de 2003. Atenciosamente,

Fulano de Tal Lojas Garden S.A.

CIRCULAR Nº 50, DE 23 DE MAIO


4.3 – CIRCULAR DE......

O termo circular define uma comuni- O DIRETOR GERAL DO TESOU-


cação (carta, manifesto ou ofício) reprodu- RO DO ESTADO, no uso de suas atribui-
zida em muitos exemplares e dirigida, si- ções, comunica aos Srs. Exatores que, de
multaneamente, a várias pessoas ou a um conformidade com a Portaria nº 2.380, des-
órgão, objetivando transmitir avisos, ordens ta data, do Excelentíssimo Senhor Secretá-
ou instruções de interesse geral. A circular rio da Fazenda, ficaram determinados, para
deve ser datada, endereçada e assinada (ou o corrente exercício, os valores de R$
autenticada). Ela não obedece a padrões ...................
rígidos quanto a sua forma. (..............................) por cabeça de gado
Quando se tratar de carta-circular, o bovino, e de R$.............................
receptor deve ter a impressão de que a car- (.................) para a arroba de lã, para
ta foi redigida especialmente para ele. Para base de cálculo da Taxa de Cooperação, cons-
atingir esse objetivo, o redator deve utili- tante do Decreto nº 43.786, de 5 de março
zar uma redação que não seja de todo im- de.................
pessoal.

Exemplos de circular: Fulano de Tal


Diretor Geral em Substituição
54 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

Brasília, 13 de maio de 2003. 4.4 – RELATÓRIO

Senhor(a) Professor(a): Relatório é a exposição de fatos de uma


administração pública ou privada, acompanha-
da, se necessário, de gráficos, mapas, tabelas,
Frente à impossibilidade de alguns pro- ilustrações. O relator deve tomar como base
fessores em comparecer ao Churrasco de um fato real, descrever o(s) fato(s), fazer uma
Confraternização marcado para 14 de junho, interpretação, e, finalmente, apresentar propos-
estamos tentando outra data que será comu- tas práticas para sanar os problemas detecta-
nicada posteriormente. dos.
Podemos dividir o relatório em três clas-
Atenciosamente, ses distintas:
Quanto ao número de signatários:
Jussara Costa Nunes Individual;
Coordenadora Pedagógica Coletivo;

a) Cedo ou tarde você terá que escrever ofícios Quanto à periodicidade:


aos seus clientes. Para treinar bastante, resuma Normal: surgimento regular;
abaixo as principais características de um ofício. Eventual: surgimento irregular;
________________________________________
________________________________________ Quanto à finalidade:
Tantos tipos quanto forem os objetivos;
b) De igual modo, pesquise e responda qual a
principal utilidade do memorando. Há vários tipos de relatórios: relatório
________________________________________ de viagem, relatório administrativo, relatório
________________________________________ de estudo de caso, de cadastro, de inspeção,
de inquérito, de rotina, parcial, progressivo, de
c) Dê uma olhada no texto e descreva para que pesquisa, científico, contábil etc. Não impor-
serve uma correspondência circular. tando o tipo de relatório, ele obedece sempre
________________________________________ a mesma divisão:
________________________________________ Introdução: onde é indicado o motivo
da feitura do relatório;
Corpo ou desenvolvimento: seção cen-
tral, ordenada com destaque dos títulos e as-
suntos principais, respeitando-se a ordem de
sucessão dos fatos.
Conclusão: como o próprio nome indi-
ca, é o encerramento do relatório, a sua parte
final, da qual constam:
Considerações finais;
Deduções lógicas de argumentação;
Sugestões dispostas de maneira clara e
ordenada.
Agradecimentos, despedidas etc.
Dentre diversos tipos de relatório, cita-
remos apenas aqueles que poderão ter utili-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 55
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

dade prática nas áreas as quais se destinam. Eles podem ser uma simples carta ou me-
São eles: morando, ou uma exposição de uma confe-
rência, de um gráfico, de uma tabela, desde
Relatório de gestão social ou anual: é nor- que requeridos ou utilizados pelos adminis-
mal, pois é elaborado em períodos regula- tradores.
res, em regra um ano (civil, financeiro ou fis-
cal); é o “report” de maior importância, pe- Relatório técnico-científico: É o docu-
los esclarecimentos que presta e pela divul- mento original através do qual se difundem
gação que promove; exigido por lei ou esta- as informações correntes, sendo elaborado
tuto, é dirigido aos sócios ou aos acionistas, principalmente para descrever experiências,
ou ainda, ao povo, se a entidade de onde ele investigações, métodos, processos e análises.
emana for associativa, de fins comercial ou
estatal. 4.4.1. Elementos do relatório

De inquérito: inclui-se entre os eventuais, ou Os elementos dos relatórios se distribu-


seja, são feitos esporadicamente, em virtude em seqüencialmente, dessa forma:
de incumbência especial (estudo de normas
de trabalho, seleção fortuita de pessoal, visi- • Folha de rosto – É a página que contém
ta ou apuração de uma denúncia). os elementos essenciais à identificação
da obra, como entidade, empresa, se-
Parcial: diz respeito à fração de exercício tor ou departamento, título, autor, lo-
ou de gestão, podendo ser mensal, trimestral, cal e data; pode haver duas ou mais
conforme o tempo que abrange. folhas de rosto (textos em mais de uma
língua, edições fac-similadas etc.).
Progressivo: é aquele que é preparado pe-
riodicamente durante inquéritos, pesquisas • Sumário – será organizado ao final do
ou investigações. trabalho, incluindo os títulos principais
e os subtítulos, com a respectiva página.
Conclusivo: possui uma conclusão resultan-
te da análise de outro(s) relatório(s). • Introdução – apresentação inicial do tra-
balho já elaborado, dando imediata ci-
Científico: estabelece fatos e conclusões, ência ao leitor sobre o aspecto relevante
com uma determinada finalidade; de seu conteúdo.

De tomada de contas: constará de um pa- • Desenvolvimento – trata-se do texto pro-


recer minucioso e objetivo sobre os elemen- priamente dito, uma explanação clara,
tos apresentados pela entidade, com apreci- simples e objetiva do assunto.
ação a respeito da regularidade ou não das
contas e pela atuação do administrador ou • Conclusão – finalização do trabalho, con-
responsável pelo órgão que faz a prestação firmando, com argumentos, o ponto de
das contas. vista do autor e apresentada nos mes-
mos moldes da introdução.
Administrativo: É uma comunicação escri-
ta submetida à apreciação de uma autorida- • Anexos – materiais ilustrativos comple-
de superior, geralmente ao final de um exer- mentares que se fizerem necessários –
cício, relatando a atuação administrativa. tabelas, fotos, gráficos, ilustrações, ta-
56 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

belas etc. – mesmo que não sejam es- Respondendo a essas perguntas, você
tritamente necessários para a compre- pode passar à redação do relatório, obedecen-
ensão do assunto. do a certas normas:
Estilo - O estilo da redação de um rela-
• Bibliografia – indicações cuidadosas e tório (seja ele de qual tipo for) deve ser for-
precisas, permitindo a identificação de mal, considerando as seguintes regras:
publicações, no todo ou em parte. Ausência de pronomes pessoais (eu, nós);
Inexistência de abreviações;
Quanto à localização, as referências biblio- Uso da terceira pessoa (Fulano decidiu);
gráficas podem ser: Ausência de estrangeirismos ou regiona-
lismos (a não ser Quando imprescindíveis à
• Inteiramente incluídas no texto; compreensão do assunto);
• Parte no texto, parte em nota de roda- Preferência pela voz ativa;
pé; Ausência de gírias ou expressões colo-
• Em nota de rodapé ou de fim de texto; quiais.
• Em listas bibliográficas, sintéticas ou Ênfase nos pontos importantes - O re-
analíticas; dator técnico deve usar a disposição das frases
• Encabeçando resumos. e das palavras no período, com o intuito de
realçar as idéias principais. Para isso ele deve
4.4.2. Técnicas para a elaboração de considerar que o início do parágrafo é o me-
relatórios lhor lugar para colocar a frase que deseja enfa-
tizar. Ela também pode ser colocada no final
A primeira providência é preparar um do parágrafo, se o relator quiser variar, mas
plano ou esquema. Com a ajuda do esquema, nunca deve estar diluída no meio do parágrafo.
fica mais fácil perceber a importância do as- A ordem inversa também pode ser utilizada
sunto a ser tratado, selecionar os fatos impor- para realçar idéias. Ex: Se não for possível modifi-
tantes, estabelecer uma hierarquia entre as idéi- car o projeto, outras soluções deverão ser encontradas.
as. Na organização do relatório, é preciso con- Ordem inversa: Outras soluções deverão ser encon-
siderar o tema, as circunstâncias, o receptor, a tradas, se não for possível modificar o projeto.
utilidade das informações e a pertinência das Utilize sempre palavras específicas, per-
sugestões finais. tinentes ao assunto, empregando verbos no
Escrever muito não significa, necessari- imperativo, evitando sempre que possível a voz
amente, escrever bem. O relatório deve se passiva. Ex: Foram feitas várias alterações. Voz
restringir às informações realmente úteis, que ativa: Fizemos várias alterações.
podem ser complementadas com tabelas, Divida o relatório em secções e subse-
gráficos, fotos e outras ilustrações que, mui- ções, ou itens e subitens, para realçar as idéi-
tas vezes, causam mais impacto do que as as e garantir a atenção do receptor. Os títu-
palavras. los devem ser curtos e uniformes, ou seja,
No esquema, procure determinar os ver- quando no primeiro título aparecer um subs-
dadeiros objetivos do relatório. Faça as seguin- tantivo, no segundo você pode usar um ge-
tes perguntas: rúndio, o que contribui para maior clareza
do texto. Ex: 2.1. Definição do campo de atua-
Por que escrever este relatório? ção. 2.2. Atuando com professores/pesquisadores.
Quem lerá o relatório? (no primeiro título, você utilizou o substan-
O que pretendo escrever? tivo atuação; no segundo, você empregou o
Como fazê-lo? gerúndio atuando).
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 57
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Eficácia da redação – Para garantir uma no lugar de “Carlos é bom digitador”, prefira “Car-
comunicação eficiente, você deve: los digita 300 toques por minuto”.

• Observar a concordância gramatical; 4.4.3. Relatório administrativo

• Não utilizar um rosário de frases curtas; 4.4.3.1. Plano ou esquema da mensagem

• Eliminar as palavras desnecessárias; Relatório de Produção


1. Objetivo
• Não usar pontos de exclamação ou re- 2. Estabelecimento do cronograma
ticências, que dão ao texto um caráter 3. Tarefas realizadas
subjetivo; 3.1. Quantidade
3.2. Qualidade
• Não utilizar expressões prolixas ou lin- 4. Tarefas que serão realizadas
guagem conotativa (sentido figurado). 4.1. A curto prazo
Ex: O vendedor é rápido como um raio. (lin- 4.2. A médio prazo
guagem conotativa)/ O vendedor é muito rá- 4.3. A longo prazo
pido. (linguagem denotativa). Usar expres- 5. Tarefas impossíveis de realizar
sões simples e curtas. Ex: Com referência 5.1. Impossibilidade técnica
ao fato.../ Prefira: Referente ao fato; Du- 5.2. Insuficiência de recursos humanos
rante o ano de 1998.../Prefira: Em 1998... 5.3. Insuficiência de recursos financeiros
5.4. Necessidade de atualização do maquiná-
• Evitar fragmentos de frases. Ex: Embo- rio e contratação de pessoal especializado.
ra não tenhamos alcançado nossos objetivos.
(fragmento de frase)/Embora não tenha- Após colher o material informativo que
mos alcançado nossos objetivos, fomos elogia- sustentará a mensagem (assunto), e planejada a
dos pelo diretor. (frase completa) exposição de idéias, a etapa seguinte é a orga-
nização do texto.
Despertar interesse – Para conseguir este O objetivo do relatório vai determinar a
objetivo, atente para as seguintes regras: direção e organização da mensagem. Conside-
O relatório deve ser compreensível e fá- re se a mensagem é informativa, persuasiva ou
cil de ler. de orientação.
A organização das idéias e a concatena- O passo seguinte é definir o tipo de
ção dos parágrafos (rever Unidade do parágrafo) estrutura narrativa que será seguido: se ela
são fundamentais para manter o leitor atento. obedecerá a uma ordem cronológica, ou se
A distribuição do texto no papel ou apre- apresentará, desde o início, os fatos mais
sentação da matéria de forma estética contri- relevantes.
bui para despertar a atenção do leitor. Você também pode optar pela dis-
A variação no comprimento dos pará- sertação (ver “Os textos e sua tipologia”), se-
grafos torna a leitura menos cansativa. Uma guindo a estrutura introdução, desenvolvimen-
seqüência de parágrafos longos é excessiva- to e conclusão.
mente cansativa, da mesma forma que uma se- As questões “o quê?/ quem?/ como?/
qüência de parágrafos curtos. Varie! onde?/ e por quê?”, usuais na redação jornalísti-
Utilize informações precisas. Por exem- ca têm alcançado maior eficácia.Observe que
plo, em vez de dizer que o inverno foi rigoroso, a ordem da narrativa parte dos fatos mais im-
diga “Neste inverno, a temperatura foi a 3 graus”; portantes para os menos significativos.
58 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

As estruturas mais comuns de relató- Modelo:


rios são:
Proposição:
· Apresentação de solução de problemas; A Diretoria da Empresa Alvorada,
reunida no dia 16 de abril
· Enumeração de fatos; último,resolveu alterar sua política de
vendas, após análises e discussões sobre
· Exposição cronológica dos fatos; as diversas formas de crédito, que vi-
nham sendo praticadas há mais de cin-
· Argumentação. co anos.

Na apresentação que segue a exposição


cronológica dos fatos, expõe-se inicialmente o Histórico:
problema e, em seguida, as causas e efeitos, 1. 40% para clientes preferenciais,
concluindo com uma solução lógica. com volume de compra superior
Quando a apresentação segue a exposi- a 50 mil mensais
ção cronológica dos fatos, o problema é ex- 2. 30% para clientes com volu-
posto inicialmente e, em seguida, causas e efei- me de compra entre 50 e 30 mil
tos, concluindo com uma solução lógica. O mensais
esquema seria o seguinte: 3. 20% para clientes com volume
de compra até 20 mil mensais
1. Problema.
O prazo para pagamento de mercadorias tam-
2. Causa. bém foi alterado, passando para 45 dias, para clientes
especiais com volume de compra superior a 30 mil
3. Efeito mensais.

4. Soluções 4.4.5. Enumeração dos fatos (Preocupação


espacial)
Já na exposição por enumeração de fa-
tos ou pormenores, identifica-se em primeiro Este segundo modelo de desenvolvimen-
lugar a idéia principal, que servirá de base para to do texto consiste na estrutura com a explo-
a construção do relatório. A seguir, apresen- ração de elementos espaciais, fazendo uma des-
tam-se os fatos que comprovam ou fundamen- crição dos fatos.
tam a idéia principal.
Proposição:
4.4.4. Apresentação de solução de A Diretoria da Empresa Fecho
problemas de Ouro, reunida no último dia 20 de
abril, resolveu alterar sua programação
O modelo indicado para a elaboração de vendas para a Capital e interior de
desse tipo de relatório consiste na apresenta- São Paulo.
ção da proposição, ou seja, da idéia que se quer
“vender”; em seguida, passa-se à apresentação Haverá a necessidade de os
do histórico, provas, argumentos, justificativas vendedores alterarem a sua
e encerrando o relatório com decisões ou con- programação de visitas e, par-
clusões. ticularmente, o volume de ven-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 59
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

das, conforme descrito a se- Cronológico dos fatos:


guir: Em março, os preços foram
1. Na capital, serão intensifica- reajustados sem prévio dos aviso.
das as visitas para estimular as Anteriormente seu vendedor avi-
vendas centrais. A cota de produ- sava com antecedência sobre nova
tos à disposição também será al- lista.
terada: das antigas 90.000 unida- Em abril, nossas surpresas
des para 150.000 unidades foram maiores: a nossa percenta-
2. No interior serão considera- gem foi diminuída.
das relevantes as cidades de regi-
ões mais desenvolvidas. As visi- Conclusão:
tas serão em número de duas men- Diante de todos estes fatos,
sais e terão a sua disposição me- solicitamos urgentemente uma
nor volume de produtos: das an- reunião com a diretoria de ma-
tigas 200.000 unidades para rketing da Araguaia a fim de es-
180.000 unidades. clarecermos e solucionarmos es-
tes problemas.
Manifestação de expectativa
Argumentação:
Assim esperamos melhorar Introdução:
nossa distribuição na capital e in- A diretoria da empresa Fe-
terior do de estado de São Paulo cho de Ouro, que se reuniu no úl-
timo dia 24 de maio, comunica a
4.4.6. Exposição temporial: Cronologia seus vendedores algumas decisões
dos fatos relevantes nas transações comer-
ciais com nossos clientes:
Introdução:
Para dar melhor continuida- Problema:
de às nossas relações comerciais, Constatamos queda de ven-
consideramos relevante relatar- das e desajuste no atendimento
lhes fatos que vêm ocorrendo e aos nossos clientes. Há inúme-
ameaçam nosso longo e harmô- ras reclamações, bem como per-
nico relacionamento. das de clientes considerados es-
Relato: tratégicos. Nossos produtos têm
A partir do dia 4 de feverei- chegado aos locais de venda em
ro fomos surpreendidos com um desvantagem com a concorrên-
novo vendedor. cia, encontrando clientes predis-
Passamos a ser atendidos por postos a não coloca-los ao alcan-
um profissional de poucos recur- ce do consumidor.
sos técnicos que não satisfaz a
nossas necessidades de informa- Causa:
ção sobre o produto. Constatamos como causa,
Durante o mês de fevereiro, em primeiro lugar, a ausência
as visitas foram interrompidas e de visitas sistemáticas e a ca-
retomadas, revelando o desinte- rência de esclarecimento aos
resse em nos atender. clientes.
60 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

4.5 – CARTA

Para escrever uma carta comercial, ou


mesmo outras de ordem pessoal, é desejável
a) O relatório é instrumento de capital impor- que o redator se mantenha sempre atualizado,
tância para o corretor de imóveis. Quais as prin- através da leitura de jornais, revistas e livros, e
cipais características de um relatório? que reflita cuidadosamente sobre a mensagem
_______________________________________ que deseja produzir, excluindo das cartas co-
_______________________________________ merciais expressões vazias de significado,
como: verdadeiro caos, efetivamente, ensejo, lacuna
b) O corretor de imóveis usa o Relatório de preenchida, por especial obséquio, mui respeitosamen-
Vistoria, especialmente como acessório dos con- te, para os devidos fins, motivos de ordem superior, opor-
tratos de locação. Para que serve esse relatório? tunamente, e outras semelhantes.
_______________________________________ O uso desnecessário de expressões seme-
_______________________________________ lhantes produz um texto desestimulante, resul-
tando em uma redação ineficaz quanto aos ob-
jetivos a que se propõe. A redação administra-
tiva deve destacar-se pela precisão e concisão,
centrada exclusivamente na informação e no
receptor.
Deve-se eliminar os estrangeirismos, as
gírias, os pleonasmos viciosos, as redundânci-
as, as figuras de linguagem, as opiniões pesso-
ais, os parágrafos intermináveis, e outros ele-
mentos que sirvam de obstáculo ao entendi-
mento da mensagem.
Os defeitos geralmente encontrados na
redação administrativa são erros de estrutura
da frase (fragmentos de frases, sujeito sem pre-
dicado, redundâncias, pleonasmos, oração su-
bordinada sem oração principal etc.), e erros
gramaticais (emprego incorreto dos pronomes,
ausência de concordância nominal e verbal, re-
gência verbal inadequada).
A correspondência comercial tem a fun-
ção primordial de informar, persuadir, solici-
tar informações ou providências, centrando-
se no receptor e na mensagem. O redator deve
possuir um estilo próprio e conciso, criativo e
original, mesmo obedecendo a um certo pa-
drão que rege as cartas comerciais, no que diz
respeito às introduções, às fórmulas de sauda-
ção e aos fechos de cortesia. Ele deve empre-
gar palavras cujo sentido lhe seja conhecido e
que sejam apropriados ao momento, redigin-
do o texto com o mesmo cuidado que teria
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 61
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

com uma obra literária, pois a carta comercial • Respeitosamente.


exerce também a função de relações públicas e, • Atenciosamente.
quando unida à propaganda, é um veículo pelo • Saudações.
qual a empresa alcança a venda de seus produ- • Cordiais saudações.
tos ou serviços. • Cordialmente.
Feitos esses comentários, disporemos a • Apreciaremos sua pronta resposta.
seguir exemplos de introduções e fechos de cortesia • Subscrevemo-nos atenciosamente.
comuns nas cartas comerciais. • Com distinta consideração.
• Abraços.
4.5.1. Introduções comuns na
correspondência Evite estes fechos arcaicos:

As introduções devem levar o receptor a • Sem mais para o momento, reitero a V.


continuar a leitura do texto. Uma introdução Exa. protestos de elevada estima e distinta
antiquada desestimula o leitor e desmerece o consideração.
redator. As introduções usuais são: • Sendo o que se nos apresenta para o momento.
• Com as expressões de nossa elevada conside-
• Participamos-lhes que... ração, subscrevemo-nos atenciosamente.
• Atendendo às solicitações constantes de sua car- • Agradecendo-lhe, desde já, firmo-me com ad-
ta datada de... miração e respeito.
• Temos a satisfação de comunicar a V. Exa. • Sendo tão somente para o momento, apresento
que... a V. Sa. protestos de estima e consideração.
• Solicitamos a V. Sa... • Com nossos agradecimentos, renovamos as ex-
• Informamos a V. Sa ... pressões de nossa elevada consideração e dis-
• Em vista do anúncio publicado no... tinta amizade.
• Damos ciência a V. Sa..
• Comunicamos que... 4.5.3. A elaboração do texto

Devem ser evitadas as introduções clichês, A objetividade e a rapidez na exposição


como: do pensamento são exigências da vida moder-
na, que levam o redator a buscar o vocabulá-
• Venho por meio desta... rio exato, a concatenação de idéias, a clareza
• Escrevo estas mal traçadas linhas... do pensamento, a unidade do texto.
• Torna-se imperiosa... Nunca é demais frisar as qualidades da
• É com grata satisfação que... redação, quais sejam:
• Venho por meio desta... Exatidão: evite empregar palavras vagas,
• Permita-me, oportunamente, dizer... pouco usadas, compridas, difíceis, além da ca-
• Lamentamos profundamente ter de informar pacidade de compreensão do leitor. Desejan-
que... do impressioná-lo, você pode alcançar um re-
• No presente momento... sultado não desejado, como a ineficácia da co-
• Serve esta para inteirá-lo... municação. Seja exato, atenha-se aos fatos, evi-
tando imprecisões como: alguns, quase todos, há
4.5.2. Fechos de cortesia dias, muitos, poucos.
Coerência de idéias: Existe uma transi-
É constituído pelo último parágrafo, e os ção lógica entre uma frase e outra? Utiliza-
mais comuns são: ram-se os conectivos adequados? Existe con-
62 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade II

tradição entre a idéia-núcleo e as idéias com- de 1,5. Entre os parágrafos colocam-se dois
plementares? (rever unidade do parágrafo, coesão espaços de 1.5 ou três espaços simples.
e coerência) O vocativo pode usar fórmulas como:
Clareza: qualidade indispensável em qual- Prezado Senhor, Senhor Diretor, Senhores, Prezado
quer correspondência comercial. Mesmo que Amigo, etc.
existam expressões técnicas no texto, a reda- Como outras correspondências técnicas, as
ção deve ser tão clara que mesmo um leigo no cartas comerciais apresentam as seguintes partes:
assunto consiga apreender-lhes o sentido.
Concisão: o redator deve observar o • Cabeçalho ou timbre;
meio-termo, não escrevendo de forma tão pro- • Índice e número (algumas vezes apenas números);
lixa ou concisa que se torne incompreensível • Local e data;
para o leitor. • Endereço ou destino;
• Vocativo;
4.5.4. Simplificando o texto • Introdução;
• Explanação; ou desenvolvimento;
Ao escrever o texto o redator deve se • Fecho, ou encerramento;
restringir ao essencial, por economia de tem- • Assinatura;
po e levando em conta a objetividade e conci- • Iniciais (redator e datilógrafo, ou digitador).
são. Prefira expressões mais curtas, no caso, as
da direita: Obs. Algumas cartas comerciais, de cu-
nho mais informal, não fazem uso de todas as
• Acusamos o recebimento: recebemos. partes citadas, o que não constitui erro nem in-
• Segue anexo a esta: anexamos. terfere na eficácia da redação.
• Na expectativa de: esperamos.
• Um cheque nominal na importância de: um Modelos:
cheque de.
• No decorrer do ano em curso: durante. São Paulo, 10 de maio de 2003.
• Será prontamente atendido: será atendido.
• No corrente mês de maio: neste mês. Senhor Empresário
• Anteriormente citado: citado.
Estamos iniciando a comercialização de car-
Evite estas expressões clichês: tões de Natal confeccionados pelos menores da Cre-
che Nossa Senhora de Fátima.
• Agradecemos-lhe antecipadamente. Tal iniciativa se deve a uma postura de incen-
• Aguardamos ansiosamente sua resposta. tivo à criatividade infanto-juvenil, de integração do
• No devido tempo. menor à sociedade por meio da arte.
• Permita-me dizer. Convidamos V. Exa. a participar desse pro-
• Pela presente acusamos o recebimento. cesso adquirindo os cartões da Creche Nossa Senho-
• Rogamos acusar o recebimento. ra de Fátima.
• Lamentamos informar. Agradecemos, desde já, em nome dos menores,
• Servimo-nos desta para inteirá-lo. a sua ajuda.

4.5.5. Estética das cartas comerciais Atenciosamente,

As margens esquerda e direita do papel Ana Vasconcelos de Souza


devem ser de 3 cm. O espaço entre as linhas é Diretora Social
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 63
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Porto Alegre, 21 de março de 2003. b) Volte ao texto e pesquise quais as principais


características de uma boa redação, relacionan-
SvRP/654 –XX do-as abaixo.
Sr. ____________________________________
T. A. André Bartholomeu ____________________________________
Diretor da Organização Loyde Ltda
Rua Castro Alves, 1.100 c) Resumidamente, escreva como deve ser a
Santa Maria (RS) estética de uma carta comercial.
____________________________________
Prezado Senhor: ____________________________________

Desejando divulgá-la entre os dirigentes de em-


presas públicas ou privadas reproduzimos a mensa-
gem da Hewlett Packard para o Dia da Secretária.
“Sem ela, você estaria perdido num vendaval
de cartas, planos, cálculos, compromissos, lembretes
e obrigações sociais; sem ela, você teria de multipli-
car desculpas, corrigir erros, justificar atrasos e, quem
sabe, mudar de profissão. Sua secretária contribui,
de forma inconteste, para seu sucesso. A ela, você
deve parte de seu êxito. Quando mais uma vez se
comemora o Dia da Secretária, é você quem deve ter
um gesto de amizade, em retribuição à sua dedica-
ção e eficiência. Ela merece ser lembrada sempre”.
Na oportunidade, enviamos a V.Sa. material
publicitário referente a essa data, cada vez mais fes-
tejada em todos os escritórios do país.
Atenciosamente

Régis Pereira
Chefe do SvRP
MT/SB

a) A modernização deve ser preocupação cons-


tante para atualização dos nossos conhecimen-
tos. Relacione abaixo dois exemplos de fechos
de cortesia considerados arcaicos em cartas e
ofícios:
____________________________________
____________________________________
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LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

Unidade
III

¾ Conceituar Frase, Oração e Período;


¾ Identificar regras de acentuação e de uso do bifem;
¾ Utilizar, com correção as letras “S” e “Z”,”J” e “G”, “E” e “I”, “X” e
“CH”, “O” e “U”, em determinadas palavras;
¾ Reconhecer os principais casos de emprego da vírgula;
¾ Reconhecer as características básicas de concordância verbal e
nominal;
¾ Identificar formas de flexão dos adjetivos compostos.

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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

66 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

5. REVISÃO GRAMATICAL Observe:

A correção gramatical é uma qualidade Chama (substantivo) e chama (verbo chamar)


que deve estar presente em todos os textos, apresentam a mesma grafia e a mesma pro-
sejam técnicos ou literários. Mesmo que a men- núncia. São palavras homônimas.
sagem seja compreensível, a estética impecá-
vel, os erros gramaticais depõem contra o re- Almoço (substantivo, nome de uma refeição)
dator e desmerecem a qualidade do texto, im- e almoço (verbo almoçar) apresentam a mes-
pressionando negativamente o receptor. ma grafia, mas pronúncia diferente. São pa-
Assim sendo, neste título você encon- lavras homógrafas.
trará algumas informações que poderão aju-
dá-lo a não incorrer nessas falhas. Natural- Cesto (substantivo) e sexto (numeral ordinal)
mente, não nos propomos a sanar todas as tem a mesma pronúncia, mas grafia diferen-
dúvidas e garantir uma redação irrepreensí- te. São palavras homófonas.
vel, pois a Língua Portuguesa possui algu-
mas complexidades, e conhecê-las profunda- Existem, ainda, casos de palavras com
mente é uma tarefa que demandaria muito grafia e pronúncia semelhantes, sem que ocorra
tempo e esforço. No entanto, as informações coincidência total. São as palavras chamadas
contidas nesta apostila poderão resolver al- parônimas, objeto de dúvidas freqüentes quan-
gumas dúvidas comuns quanto à ortografia, to ao emprego correto. É o caso de vultuo-
acentuação, frases, períodos, orações, corre- so/vultoso, inflação/infração, flagrante/
lações frasais, concordância verbal e nomi- fragrante e outras, cujos casos mais comuns já
nal. Não se esqueça, porém, de que a leitura citamos nesta apostila, quando tratamos da ade-
(livros, jornais e revistas) é fundamental para quação vocabular.
ampliar o vocabulário e escrever de forma
correta. 5.1.1. Fonemas e letras

5.1 – ORTOGRAFIA A representação dos fonemas (sons) da lín-


gua portuguesa se dá por meio de um conjun-
A ortografia é a parte da gramática to de símbolos denominado letras, que formam
que trata da correta representação escrita as palavras. Com a finalidade de ajudá-lo a es-
das palavras, fixando padrões de correção crever corretamente as palavras, colocamos as
para a grafia das palavras. A forma como seguintes orientações:
as palavras são grafadas (escritas) é produ-
to de acordos ortográficos envolvendo os USO DO “S”
diversos países em que a língua portuguesa A letra s é empregada:
é oficial. Assim, grafar corretamente uma 1. Nos adjetivos terminados pelos sufixos
palavra é obedecer a um padrão estabeleci- – oso/osa, indicando estado pleno,
do por lei. abundância. Ex: horrorosa, cheiroso, formo-
Entre os sons das palavras e a forma so, dengoso;
como elas são escritas podem ocorrer coinci- 2. Nos sufixos – ês/-esa/-isa, que indicam
dências. Tal fato se dá quando duas (às vezes origem, profissão ou título de nobreza.
três) palavras apresentam identidade total ou Ex: holandês, holandesa, baronesa, campone-
parcial quanto à pronúncia ou quanto à grafia sa, sacerdotisa, marquês, marquesa, princesa,
(você encontrará mais informações sob o tí- duquesa;
tulo Adequação Vocabular). 3. Depois de ditongos. Ex: coisa, faisão,
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

mausoléu, lousa, causa, maisena etc. 2. Nos substantivos terminados em -gem


4. Nas formas do verbo pôr e querer. Ex: Ex: viagem, passagem, aragem, coragem
quis, pusesse, quiséssemos, repusera etc. etc. (exceções: pajem, lambujem, lajem, gra-
5. Nas palavras derivadas de outras, cujo fados com j).
radical termina em s. Ex:
casa – casinha, casarão, casebre; 3. Nas palavras derivadas de outras que já
pesquisa – pesquisar – pesquisado; apresentem o g. Ex: ágio: agiotagem/
análise – analisar, analisado; gesso: engessar/engessado etc.
Obs: catequese – catequizar.
4. Geralmente, depois de a inicial. Ex: ágil,
USO DO “Z” agir, agitado etc. Obs. O substantivo via-
Emprega-se a letra z: gem se escreve com g, mas viajem, do
1. Nos sufixos -ez/-eza, formadores de verbo viajar, se escreve com j.
substantivos abstratos a partir de adjeti-
vos. Ex:altivez, mesquinhez, beleza, certeza Emprega-se a letra j:
etc. 1. Nas palavras derivadas de primitivas que
2. Nas palavras derivadas de uma primiti- se escrevem com j. Ex: jeito, ajeitar, ajeita-
va grafada com z. Ex: juiz – juízo – ajui- do./ laranja, laranjal, laranjeira etc.
zar – ajuizado./ deslize: deslizamento – des-
lizar – deslizante./ razão: razoável, arrazo- 2. Em palavras de origem tupi. Ex: jibóia,
ar./ raiz: enraizado. pajé, jenipapo etc.
3. No sufixo – izar, formador de verbos.
Ex: atualizar, hospitalizar, canalizar 3. Em formas dos verbos terminados em
– jar. Ex: arranjar: arranje, arranjei, arran-
CUIDADO! Em palavras como analisar e jemos.
pesquisar não ocorre o sufixo verbal -izar.
Veja a formação delas: análise + ar = analisar; 4. Na terminação – aje. Ex: ultraje, laje, tra-
pesquisa + ar = pesquisar; je etc.

Escrevem-se com s: aliás, alisar, fase, fu- Grafia correta de algumas palavras:
são, atrás, quiser, colisão, nasal, pêsames, inclusive, Com g: angélico, estrangeiro, evangelho, gerin-
usina, mosaico, empresa, aviso, através, brasa, catali- gonça, sargento, sugestão, tangerina, gengibre, gengiva,
sar, cisão, lisonjeiro, surpresa, lisura, crase, despesa, herege, monge, vagido, ligeiro, ogiva, gim, tigela.
uso, visar, invés, brasa, atraso, atrasado, sinusite.
Escrevem-se com z: abalizar, azia, baliza, Com j: anjo, gorjeta, jenipapo, monja, ojeriza,
tenaz, veloz, coriza, sagaz, assaz, capaz, rapaz, azar, pajé, jiló, cafajeste, majestade, sarjeta.
azia, lazer, talvez, vazio, arroz, algoz, aprendiz, ba-
zar, buzina, cafuzo, rodízio, feroz, verniz, xadrez, USO DO “X” E DO “CH”
chafariz, fugaz, deslize, desprezo, giz, batizar (mas Emprega-se a letra x:
batismo), prazo. 1. Geralmente depois de ditongo. Ex: eixo,
caixa, caixote, caixão, feixe, faixa etc.
USO DO “G” E DO “J”
Emprega-se a letra g : 2. Depois de sílaba inicial en-. Ex: enxada,
1. Nas palavras terminadas em - ágio/ - enxoval, enxame, enxuto, enxaguar, enxaque-
égio/ - ígio/ - ógio/ úgio. Ex: pedágio, ca etc. Exceções: encher e seus derivados
régio, litígio, relógio, refúgio. são grafados com ch: enchimento, enchen-
68 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

te, enchido, preencher etc. Quando se junta o palavras: comprimento (medida)/cumprimen-


prefixo en a um radical iniciado por ch: to (saudação); soar (emitir som)/suar (trans-
encharcar, encharcado, enchocalhar, enchiquei- pirar); sortir (abastecer)/surtir (resultar).
rar etc.

3. Depois da sílaba inicial me. Ex: mexi-


lhão, mexer, mexicano, mexerico, mexerica

ATENÇÃO! Mecha e derivados se escre-


vem com ch. a) Para que você nunca mais esqueça, pesqui-
se no texto e defina nas linhas abaixo o que é
Outras palavras com x: bexiga, bruxa, la- ortografia.
gartixa, maxixe, orixá, oxalá, praxe, puxar, xíca- ______________________________________
ra, xingar, luxo, elixir, luxuoso, xarope, xereta, en- ______________________________________
graxate, faxina, laxante, vexame etc.
Outras palavras com ch: salsicha, machu- b) chama (substantivo) e chama (verbo cha-
car, mochila, macho, fachada, colcha, chutar, chuchu, mar), são palavras
cochilo, broche, inchar, cachimbo, cachaça, chafariz, ______________________________________
tocha, piche, chimarrão etc. ______________________________________

USO DO “E” E DO “I”: c) cesto (substantivo) e sexto (numeral ordi-


1. Os verbos terminados em – uar e – oar nal) são palavras
são escritos com a letra e nas formas ______________________________________
do presente do subjuntivo. Ex: efetuar: ______________________________________
efetue, efetues; continuar: continue, continues;
abençoar: abençoe, abençoes. d) Pesquise no dicionário o significado das
seguintes palavras parônimas:
2. Os verbos terminados em - uir, - air, - - infração: _________________________
oer são escritos com a letra i na segunda - inflação: _________________________
e na terceira pessoa do singular do pre- - flagrante: ________________________
sente do indicativo. Ex: possuir: possuis, - fragrante: ________________________
possui; contribuir: contribuis, contribui; cair: - vultoso: _________________________
cais, cai; moer: móis, mói. - vultuoso: _________________________

Observe, ainda, as seguintes grafias:

Com e: anteontem, cadeado, destilar, penico,


periquito, empecilho, paletó, creolina, sequer, seringa,
cedilha, campeão, encarnado, quase.
Com i: privilégio, invólucro, penicilina, ponti-
agudo, crânio, umbilical, imbuia, dispendioso, escár-
nio, ansiar, casimira, esquisito.

AS LETRAS “O” e “U”:


A oposição entre as letras o e u é res-
ponsável pela diferença de significado entre as
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 69
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5.2 – ACENTUAÇÃO proble-ma); para unir pronomes átonos a


verbos (retive-o, peguei-o, levá-la-ei); para
A acentuação consiste na utilização de ligar elementos de palavras compostas ou
certos sinais escritos sobre algumas letras, re- derivadas por prefixação.
presentando o que foi determinado pelas re-
gras de acentuação. São eles: o acento agudo (´), o 5.2.1. Emprego do Hífen
acento circunflexo (^), o acento grave (‘), o til (~), o
trema (¨), o apóstrofo (‘) e o hífen (-). Emprega-se o hífen:

O acento agudo, quando colocado sobre 1. Nas palavras compostas em que os


as letras a, i, u e sobre o e pertencente ao elementos não conservam isolada-
grupo em, indica que essas letras represen- mente sua significação, constituin-
tam as vogais tônicas da palavra (pronunci- do o conjunto uma unidade semân-
adas com mais força). Ex: carcará, caí, súdito, tica. Ex: pára-choque, couve-flor,
armazém; colocado sobre as letras e e o in- frango-d’água;
dicam, além da tonicidade, timbre aberto.
Ex: lépido, céu, léxico, apóiam, bóia. 2. Em vocábulos formados pelos prefi-
xos que representam formas adjetivas.
O acento circunflexo, colocado sobre as Ex: anglo-brasileiro, sírio-libanês, gre-
letra a, e e o, além da tonicidade, indica co-romana;
timbre fechado. Ex: lâmpada, tênue, pêssego, su-
pôs, Atlântico. 3. Nos vocábulos formados pelos prefi-
xos abaixo, seguidos de palavras come-
O trema indica que o u é semivogal, e como çadas por vogal:
tal pronunciado atonamente (de forma mais auto – auto-educação
fraca) nos grupos gue, gui, que, qui: ungüento, contra – contra-ataque
sagüi, seqüestro, eqüino, lingüiça. extra – extra-oficial

O til indica que as letras a e o representam 4. Nos vocábulos constituídos por


vogais nasais: órgão, alemã, ímã, portão, mãe. sufixos que representam formas
adjetivas como: açu, guaçu e mirim.
O acento grave indica a ocorrência da prepo- Ex: Moji-Mirim, Moji-Guaçu, ca-
sição a com o artigo a, com os pronomes de- pim-açu;
monstrativos a, as e com a letra inicial dos pro-
nomes aquele, aquilo, aqueles, aquela, aque- 5. Nos vocábulos formados pelos prefi-
las. Ex: à, às, àquele, àquela, àquilo. (crase) xos relacionados abaixo, seguidos de
palavras iniciadas por h, r, s:
O apóstrofo serve para assinalar a supres- ante – ante-histórico
são de um fonema (em geral uma vogal) anti – anti-higiênico
em algumas pronúncias populares, no ver- arqui – arqui-rabino
so e em palavras compostas ligadas pela neo – neo-republicano
preposição de. Ex: copo d’água, pau- proto – proto-revolucionário
d’alho, galinha-d’água. infra – infra-hepático
pseudo – pseudo-revelação
O hífen é usado no final da linha para sepa- sobre – sobre-saia
rar uma palavra em duas partes (pro-blema/ semi – semi-selvagem
70 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

6. Nos vocábulos formados pelo prefixo das por b e r por meio de hífen: sub-re-
supra, seguido por palavra começada gião, sub-bibliotecário;
por vogal, por r ou s:
supra-renal • Os prefixos ab e ob só admitem hífen di-
supra-sumo ante de palavras iniciadas por r: ab-rogar,
supra-axila ob-rogatório;

7. Nos vocábulos formados pelo prefixo • Os prefixos ad e sob só admitem hífen


super , seguido de palavra iniciada por diante de palavras iniciadas por r: ad- ro-
h ou r: gar, sob-roda;
super-requintado
super-homem • O prefixo sócio não admite hífen: socioeco-
nômico, sociolingüística.
8. Nos vocábulos formados pelos seguin-
tes prefixos, seguidos por palavras ini- 5.2.2. Uso da vírgula
ciadas por vogal ou h:
pan – pan-asiático A vírgula marca separações breves de
mal – mal-amado sentido, entre termos vizinhos, expressões ex-
plicativas, inversões, na oração ou no período.
9. Nos vocábulos formados pelo prefixo Principais casos do emprego da vírgula:
bem, quando a palavra seguinte possui
significado independente ou quando a • Para separar palavras ou orações justa-
pronúncia o requer: postas, ou seja, não ligadas por conjun-
bem-aventurado ção. Ex: Chegou a Europa, visitou mu-
bem-vindo seus, resolveu assuntos comerciais, pas-
bem-amado seou com amigos, voltou ao Brasil e ca-
sou-se com uma amiga de infância.
10. Nos vocábulos formados pelos prefi-
xos abaixo: • As intercalações também devem ser co-
sem – sem-cerimônia locadas entre vírgulas. Ex: O processo,
vice – vice-reitor acredito eu, será decidido favoravelmente.
ex – ex-diretor
• Colocam-se entre vírgulas as expressões
11. Nos vocábulos formados pelos prefi- explicativas, corretivas, como: isto é, ou
xos: seja, ou melhor, ou por outra, quer dizer, por
pós – pós-meridiano exemplo, etc. Ex: Os policiais, a meu ver,
pré – pré-escolar deveriam ser mais rigorosos no cumpri-
pró – pró-reitoria mento do dever.

Observações úteis: • As conjunções coordenativas (e, nem, não


só...mas também, mas, porém, contudo, toda-
• Os prefixos macro e micro se juntam com via, entretanto, no entanto, ou...,ou....,
palavras iniciadas por vogal, r, s: microe- ora....,ora...., logo, portanto, por conseguinte,
conômica, macroeconomia, microrregião; que, se, como, visto que, de sorte que, assim
que, a fim de que, à medida que, enquanto,
• O prefixo sub junta-se às palavras inicia- conforme, depois que etc.) devem ser colo-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 71
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

cadas entre vírgulas. Ex: O semestre foi Após no entanto, entretanto, por isso, porém,
difícil; não me queixo, porém./ Era pre- contudo, todavia, entretanto, quando essas palavras
ciso, pois, levar o caso as últimas conse- ou expressões iniciarem o período.
qüências.
Ex: No entanto o líder do partido deixou cla-
• As orações adjetivas não restritivas (ex- ro que não aceitará discussões./No entanto,
plicativas), os apostos, os vocativos, de- o líder do partido deixou claro que não acei-
vem ser separados por vírgulas. Ex: Pro- tará discussões.Cuidado! Não existe essa
fessores, é chegada a hora de tomar uma opção quando essas palavras ou expressões
decisão./ Rodin, o grande escultor, teve uma não iniciarem o período. Ex: O líder do par-
existência atribulada. O homem, que é um tido declarou que participará da sessão, no en-
animal racional, deve ser sensato em to- tanto avisa que não aceitará discussões.
das as suas atitudes.
Antes de orações adverbiais de alguma
• Utiliza-se a vírgula também para indicar extensão que venham após a oração principal.
a elipse (ocultação) de verbo ou outro ter-
mo anterior. Ex: As mulheres agem com Ex: O vereador deixará o partido se a Câma-
o coração; os homens, com a cabeça./ ra não aprovar a CPI para apurar o caso das
Os meninos brincam de bola; as meninas, licitações./ O vereador deixará o partido, se
de bonecas. a Câmara não aprovar a CPI para apurar o
caso das licitações.
• Separam-se os topônimos, nas datas. Ex:
São Paulo, 10 de março de 2003.

Considerações gerais:

Nunca use vírgula entre sujeito e ver-


bo, entre verbos ou nomes e seus comple- a) Para se tornar um especialista, cite dois
mentos. No entanto, nos casos de o sujeito exemplos com o emprego do hífen:
ser muito extenso, é admissível que a vír- ______________________________________
gula o separe do predicado para tornar o ______________________________________
período mais claro. Ex: Os professores da
pós-graduação de jornalismo e os funcio- b) Pense bem e responda: os prefixos ab e ob
nários do departamento de informática admitem hífen em quais situações?
encarregados do andamento do projeto ______________________________________
cultural, devem comparecer à reunião do ______________________________________
próximo dia 15.
c) E os prefixos ad e sob, admitem hífen em quais
Casos em que a vírgula é optativa: situações?
______________________________________
Em expressões adverbiais breves, inter- ______________________________________
caladas ou antepostas.
d) Veja no texto e escreva abaixo se o prefixo
Ex: O Vasco enfrenta, neste sábado, mais um sócio admite hífen em alguma situação.
desafio./O Vasco enfrenta neste sábado mais ______________________________________
um desafio. ______________________________________
72 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

e) O uso correto da vírgula torna um texto cla- 5.2.3. Uso da crase


ro e de fácil leitura. Pesquise e cite dois exem-
plos onde nunca se usa vírgula. A crase é a fusão do artigo feminino
______________________________________ a com a preposição a, assim não se utiliza a
______________________________________ crase antes de palavra masculina. Exceção:
Quando a palavra feminina estiver subtendida,
f) Da mesma forma, cite dois exemplos onde usa-se crase. Ex: Ela adorava móveis à Luiz
o uso da vírgula é optativo: XV. (à moda de).
______________________________________
______________________________________ Também não se usa a crase:

• antes de verbos, antes de artigo indefi-


nido (um, uma),
• antes de expressões de tratamento
(Vossa Excelência, Vossa Senhoria),
• antes de pronomes pessoais (ele, ela,
vós), antes de pronomes indefinidos (al-
gum, alguém, todo, toda),
• antes de pronomes demonstrativos
(exceto aquele, aqueles, aquela, aque-
las, aquilo).

Regra prática: emprega-se a crase quando,


ao substituir o nome feminino por um mascu-
lino, aparecer a contração ao antes do nome
masculino. Eu vou à cidade./Eu vou ao circo.
Usa-se o sinal indicativo de crase em ex-
pressões referentes a horas. Ex: À uma horas.
/ Às três horas.

Ocorre crase também:


• Antes de pronomes demonstrativos
(aquele/aqueles/ aquelas/aquelas/
aquilo). Ex: Fomos àquela fazenda.
• Antes de nomes de países, quando ao
fazer a inversão, aparecer a preposição
da. Ex: Fui à Itália. (Voltei da Itália)/
Fui a Cuba. (Voltei de Cuba).

Não ocorre crase antes de:


• Antes de palavra masculina. Ex: Ele gos-
ta de andar a cavalo.
• Antes de nome de cidade. Ex: Vou a
Paris. Atenção! Se o nome da cidade
vier determinado, a crase é obrigató-
ria. Ex: Vou à Paris eterna.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 73
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

• Antes de substantivos repetidos, nas lo- • Palavra variável + palavra variável.


cuções adverbiais, ainda que femininas. Variam os dois elementos. Ex: cavalo-
Ex: Frente a frente/ cara a cara/ gota a gota/ marinho/cavalos-marinhos, cirurgião-dentista
ponta a ponta. /cirurgiões-dentistas ou cirurgiães-dentistas.
• Antes de substantivo plural, quando não
regido da preposição a. Ex: Refiro-me a Ou varia só o primeiro (de acordo com a
mulheres viúvas. Atenção! Em: Refiro-me tradição da língua).
às mulheres viúvas ocorre crase, pois há Ex: escola-modelo/escolas-modelo ou
uma preposição e um artigo. escolas-modelos.
• Elementos unidos por preposição. Va-
A crase é facultativa quando: ria apenas o primeiro elemento. Ex: pé-
• Antes de nomes próprios.Ex: Dedico este de-moleque/pés-de-moleque.
livro à Maria./Dedico este livro a Maria.
• Antes da locução até a. Ex: Vou até à • Palavras repetidas ou onomatopaicas.
cidade./Vou até a cidade. Só varia o segundo elemento. Ex: reco-
• Antes de pronomes possessivos. Ex: O reco/reco-recos, tique-taque/tique-ta-
memorando foi enviado à sua secretária./ O ques.
memorando foi enviado a sua secretária.
Obs. Merecem destaque os seguintes
5.3 – PLURAL DAS PALAVRAS substantivos compostos: o bota-fora/os bota-fora
COMPOSTAS (substantivos e adjetivos) ou os bota-foras, o louva-a-deus/os louva-a-deus, o diz-
que-diz/os diz-que-diz, o salva-vidas/os salva-vidas,
Considerando desnecessária uma revisão o joão-ninguém/os joões-ninguém, o pára-quedas/os
sobre o plural dos substantivos simples, nos pára-quedas, o bem-te-vi/os bem-te-vis, o bem-me-
deteremos simplesmente no plural das palavras quer/os bem-me-queres.
compostas sem hífen, e no plural das palavras
compostas cujos elementos são ligados por 5.4 – FLEXÃO DOS ADJETIVOS
hífen. COMPOSTOS

PLURAL DAS PALAVRAS Essas três formas de adjetivos compos-


COMPOSTAS SEM HÍFEN. tos merecem destaque.
• Adjetivo+adjetivo.
O plural das palavras compostas sem hí- Só varia o segundo elemento. Ex: pro-
fen é feito como o das palavras simples. blema político-econômico/problemas
político-econômicos.
Ex: aguardente – aguardentes
malmequer – malmequeres • Adjetivo+substantivo.
girassol – girassóis Nenhum dos elementos varia. Ex: car-
ros amarelo-ouro/carros amarelo-ouro,
O plural das palavras compostas obede- saia amarelo-ouro/saias amarelo-ouro.
ce às seguintes orientações:
• Cor de+substantivo.
• Verbo ou palavra invariável + substan- Nenhum dos elementos varia, o mesmo
tivo ou adjetivo. ocorrendo quando a expressão cor de está
Só varia o segundo elemento. Ex: beija- subentendida. Ex: papel cor-de-rosa/
flor/beija-flores papéis cor-de-rosa, camisa (cor de) cin-
74 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

za/camisas cinza, parede (cor de) gelo/ O adjetivo concorda com o último subs-
paredes gelo. tantivo, independentemente de número e
Casos que merecem destaque: são inva- gênero. Ex: Ele usava cinto e camisa preta.
riáveis azul-celeste e azul-marinho.
Ex: camisa azul-celeste/camisas azul-ce- 3. Dois ou mais adjetivos modificando
leste, camisa azul-marinho/camisas azul- apenas um substantivo. Ex: Aprecio as
marinho, calça azul-celeste/calças azul- literaturas brasileira e francesa/Aprecio
celeste. a literatura brasileira e a portuguesa.
(duas possibilidades de concordância)
• Em surdo-mudo variam os dois elementos.
Ex: surdo-mudo/surdos-mudos. 4. Numerais ordinais que vêm antes de um
único substantivo. Existem duas possibi-
5.5 – CONCORDÂNCIA NOMINAL E lidades de concordância. Ex: Escola Es-
VERBAL tadual de Primeiro e Segundo Grau José
de Alencar./Escola Estadual de Primei-
A concordância nominal trata da harmo- ro e Segundo Graus José de Alencar.
nia entre as palavras que formam um grupo
nominal: substantivo (ou pronome que o re- 5. Algumas expressões merecem destaque.
presente) e seus modificadores, que podem Mesmo/mesma: A palavra mesmo é variá-
ser o artigo, o adjetivo, o pronome, o nume- vel, devendo concordar em gênero e
ral ou o particípio. número com o termo enfatizado. Ex: Eu
Alguns casos de concordância merecem mesma fiz a sobremesa./ Eu mesmo con-
especial atenção: sertei meu carro./Elas mesmas fizeram o
1. Adjetivo ou pronome modificando ape- almoço./Eles mesmos arrumaram suas
nas um substantivo. As palavras que malas. Obs: Quando significar realmente,
modificam o substantivo devem con- a palavra é invariável. Ex: Eles fizeram
cordar em número (singular e plural) e mesmo o que prometeram.
gênero (feminino e masculino) com ele. Anexo/anexa: Concorda em gênero e nú-
Ex: Minha caneta é vermelha./Minhas ca- mero com o termo ao qual se refere: foto-
netas são vermelhas. cópias anexas/documentos anexos. Veja os
exemplos: Seguem anexas as fotocópias./
2. Adjetivo ou pronome modificando dois Segue anexa a nota promissória. Aten-
ou mais substantivos ção! A expressão em anexo é invariável.
Quando vêm antes dos substantivos, os Ex: Seguem em anexo as fotocópias.
adjetivos e pronomes, via de regra, con- Quites/quite. Concorda em número com
cordam com o substantivo mais próxi- o termo que acompanha. Ex: Depois
mo. Ex: As aves sobrevoam belos cam- desse acerto, estou quite com minhas
pos e lagoas./As aves sobrevoam belas obrigações./Eles não estão quites com
lagoas e campos. suas obrigações.
O adjetivo vai para o plural, no masculi- Meio/meia. Meio é invariável. Ex: A mu-
no, se pelo menos um substantivo for lher está meio nervosa./ O homem está
masculino, ou para o plural, no femini- meio cansado. Contudo, quando é nume-
no, se todos os substantivos forem fe- ral fracionário modificador de substan-
mininos. Ex: Ele usava jaqueta e sapatos tivo, a palavra é variável. Ex: Ela tomou
pretos./ Ele age com pontualidade e meio litro de leite./ Coloque meia xícara
correção britânicas. de leite no bolo.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 75
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

É bom/é necessário. Quando não se usa ne- 5.5.1. Concordância verbal


nhum especificador para o substantivo
(artigo), usa-se o adjetivo no masculino. Você já deve ter notado que o verbo e o
Ex: Sopa é bom no inverno. Mas: A sopa é sujeito estão sempre ligados pelo mecanismo
boa no inverno./ Calma é necessário. Mas: da concordância, mesmo quando o sujeito vem
A calma é mais do que necessária. posposto (depois) do verbo. Trataremos, aqui,
somente de algumas regras básicas.

• Quando o sujeito é composto e ante-


posto ao verbo, a concordância se faz
no plural. Ex: Pai e filho conversaram de-
moradamente.
a) A regra diz que não se usa a crase antes de
palavra masculina. Cite uma exceção: • Quando o sujeito composto é forma-
____________________________________ do por pessoas gramaticais diferentes,
____________________________________ a concordância é a seguinte: a primeira
pessoa prevalece sobre a segunda pes-
b) Há casos nos quais o uso da crase é faculta- soa, que, por sua vez, prevalece sobre
tivo. Cite dois exemplos. a terceira. Ex: Teus tios, tu e eu resol-
____________________________________ veremos essa questão. (resolveremos – pri-
____________________________________ meira pessoa do plural.)/Tu e teus ir-
mãos resolvereis essa questão. (resol-
c) O que são palavras onomatopaicas? Veja no vereis – segunda pessoa do plural)/Tios
texto e responda abaixo. e primos resolveram essa questão. (re-
____________________________________ solveram - terceira pessoa do plural).
____________________________________
• Quando o sujeito composto é resumi-
d) Para ficar craque, escreva o plural das se- do por um pronome indefinido (tudo,
guintes palavras: nada, ninguém), o verbo concordará
- saci-pererê: ______________________ com o pronome indefinido.Ex: Os mó-
- joão-ninguém: _____________________ veis, as roupas, as louças, tudo estava fora
de lugar./Festas, passeios, cinema, nada lhe
interessava.

• Quando o sujeito é um pronome de tra-


tamento, o verbo permanece sempre na
terceira pessoa. Ex: Vossa Excelência
atendeu o nosso pedido.

• Quando o sujeito é pronome relativo


que, o verbo concorda com o antece-
dente desse pronome. Ex: Fui eu que
resolvi aquele incidente./Fomos nós que re-
solvemos aquele incidente.

• Quando o sujeito é o pronome relati-


76 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

vo quem, o verbo deverá permanecer • Quando o sujeito é formado por um


na terceira pessoa do singular. Ex: Fui pronome indefinido no plural, seguido
eu quem resolveu o problema./Fomos nós dos pronomes pessoais nós ou vós, a
quem resolveu o problema. concordância tanto pode ser feita com
o indefinido plural, quanto com o pro-
• Quando o sujeito é um nome que só se nome pessoal. Ex: Alguns de nós saíram
utiliza no plural, e não vem precedido da sala./Alguns de nós saímos da sala./
de artigo, o verbo fica no singular. Ex: Muitos de vós chegaram cedo./Muitos de vós
Férias faz bem. chegastes cedo. Obs: Quando o pronome
está no singular, a concordância é feita
• Os verbos haver e fazer, quando impes- com o pronome indefinido. Ex: Algum
soais (sem sujeito), permanecem na ter- de nós saiu./Qual de vós encontrou o presente?
ceira pessoa do singular. Ex: Havia mui-
tas pessoas na festa./ Devia haver muitas pes- • Quando há dois substantivos comuns
soas interessadas no apartamento./Faz dois de números diferentes, o verbo ser
meses que ela mudou de cidade./ Vai fazer concordará preferencialmente com
dois meses que ela mudou de cidade. aquele que estiver no plural.Ex: A vida
são esses momentos felizes./ O mundo são
• Quando o verbo é acompanhado da alegrias perdidas.
partícula apassivadora se, tem sujeito
expresso na oração e, portanto, concor- • Quando o sujeito do verbo ser for um
dará normalmente com o sujeito. Ex: dos pronomes tudo, isso, isto, aquilo, o, a
Alugam-se casas de praia./Vendeu-se uma concordância deve ser feita, de preferên-
casa em bom estado./Obs. Quando a pa- cia, com o predicativo do sujeito. Ex:
lavra se é índice de indeterminação de Tudo são flores./Aquilo eram dores do par-
sujeito, o verbo permanece na terceira to./O que nos preocupava eram os acessos da-
pessoa do singular. Ex: Precisa-se de mar- quele rapaz./ Isto são coisas de adolescente.
ceneiros.
5.6 – FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO
• Quando o sujeito for formado pela ex-
pressão mais de um, mais de dois, o A parte da Gramática Normativa que
verbo vai concordar com o numeral que estuda as relações entre as palavras na oração,
acompanha essas expressões. Ex: Mais e as relações das orações no período denomi-
de um aluno foi expulso./Mais de dois alu- na-se sintaxe. Para entender essas relações, você
nos foram expulsos. precisa saber primeiramente o que é frase, o
que é oração e o que é período.
• Quando o verbo parecer estiver segui- Então vejamos:
do de um infinitivo, ou se faz a flexão Denomina-se frase um enunciado que
do verbo parecer, ou se flexiona o infi- possui sentido completo, podendo, ou não, se
nitivo. Ex: As luzes pareciam brilhar./ As organizar em torno de um verbo. Ex: Silêncio!/
luzes parecia brilharem. Os alunos chegaram agitados. No primeiro caso,
não existe um verbo, mas o propósito comu-
• Quando os núcleos do sujeito compos- nicativo é atingido, então ele é uma frase. Ali-
to forem ligados por com, o verbo irá ás, até estruturas mais simples, como um sim-
para o plural. Ex: O professor com os alu- ples “Ai!”, são conceituadas como frases, pois,
nos organizaram a festa de despedida. em determinada situação, ou seja, dentro de
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 77
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

um contexto é suficiente para transmitir um apenas uma oração, a qual recebe o nome de
conteúdo claro. oração absoluta (Ex: A menina dormia na sala),
Na língua portuguesa, existem alguns ti- ou composto, quando constituído por mais de
pos de frases cuja entonação é mais ou menos uma oração (Ex: Ela saiu de casa/ e não voltou mais).
previsível, de acordo com o sentido transmiti-
do. Assim: 5.6.1. Termos essenciais da oração:

Frases declarativas: informam ou de- Os termos essenciais da oração são: su-


claram alguma coisa. Podem ser: jeito e predicado. O sujeito é o elemento da
oração, a respeito do qual se informa algo. A
• afirmativas. Começou a escurecer. informação propriamente dita, ou seja, aquilo
• negativas. Ainda não começou a escurecer. que se informa sobre o sujeito, denomina-se
predicado.
Interrogativas: usadas quando se quer
obter alguma informação. A interrogação pode Ex: Os jogadores permaneceram no hotel.
ser: Sujeito: Os jogadores
• direta: Começou a chover? Predicado: permaneceram no hotel.
• indireta: Quero saber se começou a chover.
O jogador/ permaneceu no hotel.
Exclamativas: usadas para expressar Sujeito Predicado
um estado emotivo: Agora é que são elas!
Obs: Pelos exemplos acima você pode
Imperativas: usadas para dar ordens, observar que o sujeito sempre concorda com
conselhos, ou fazer algum pedido. Ex: Não seja o verbo, isto é, se o sujeito está no singular, o
inconveniente./ Faça a coisa certa. verbo também fica no singular; se o sujeito está
no plural, o verbo fica no plural (Lembra-se
Optativas: são usadas para exprimir de- da concordância verbal?).
sejo. Ex: Deus te abençoe!/ Bons ventos o tragam! Observe a oração: Aqueles dois inteligentes
e esforçados alunos faltaram.
Já a oração é um enunciado que possui O sujeito pode ser constituído por uma
sujeito e predicado, ou, pelo menos predica- única palavra, ou por um conjunto de palavras,
do, já que algumas orações não possuem sujei- como no exemplo acima. A palavra de maior
to. A oração sempre se organiza a partir de importância (que será sempre um substanti-
um verbo. Ex: O colega fez o exercício./ Faz frio vo) recebe o nome de núcleo do sujeito. No
em julho. exemplo citado, o termo em negrito é o nú-
A oração se caracteriza pela presença de cleo do sujeito, pois o pronome (aqueles), o
um verbo, ou locução verbal, sendo que cada numeral (dois) e os adjetivos (inteligentes e es-
enunciado que possua verbo constitui uma ora- forçados) estão apenas qualificando o sujeito.
ção. Para você saber o número de orações de um
período, basta contar o número de verbos. Ex: 5.6.2. Tipos de sujeito:
Os pássaros e os homens amam esta região árida, vivem
nesta região árida, palpitam nesta região árida. Temos, O sujeito pode ser simples, quando pos-
aqui, três orações num período composto. sui um só núcleo; ou composto, quando pos-
E, finalmente, o período é a frase consti- sui mais de um núcleo.
tuída por uma, duas ou mais orações. O perío- Ex: Muitos alunos inteligentes são tímidos.
do pode ser simples, ou seja, constituído por Sujeito simples
78 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

Ex: Os professores, os alunos e os coor- b) Verbos: fazer, ser, estar indicando cli-
denadores organizaram a excursão. ma ou tempo cronológico.
Sujeito composto Ex: É uma hora./ Está quente./Faz dois anos
desde o meu casamento.
Em muitos casos, o sujeito não vem ex-
presso na oração, mas pode ser facilmente iden- c) O verbo haver, quando empregado com
tificado pelo contexto e está implícito na desi- referência a decurso de tempo, ou no
nência verbal. Trata-se de um sujeito simples sentido de existir.
implícito e sempre estará representado por um Ex: Há seis meses não chove nesta cidade./
pronome pessoal reto. Ex: “Quero que você me Havia muitas mulheres na festa.
ganhe, que você me apanhe...” (Caetano Veloso).
O sujeito também pode ser indetermi- Obs: O verbo existir não é impessoal,
nado, quando não se pode (ou não se quer pre- então terá o sujeito concordando regu-
cisar que elemento da oração é o sujeito. Ex: larmente com ele. Ex: Existem seres de
Mataram minha cadela de estimação./ Precisa-se de outros planetas.
motoqueiros.
Obs. Se a palavra se for partícula apassi- 5.6.4. Tipos de predicado:
vadora, o sujeito não será indeterminado, já
que estará expresso na oração. Ex: Aluga-se Existem três tipos de predicado:
uma casa de praia. O sujeito é uma casa de
praia. O se é partícula apassivadora quando PREDICADO VERBAL: É aquele que
vem acompanhado de verbo que não é transi- tem um verbo (transitivo ou intransiti-
tivo (v.t.d.) direto (sem preposição). O sujeito vo) como núcleo significativo. Ex: O dia
é expresso na oração. amanheceu./Senti uma sensação estra-
nha./ Contaram a triste verdade ao rapaz
Ex: Revelou-se a idade do seqüestrador. enganado.
v.t.d. sujeito
PREDICADO NOMINAL: É aquele que
O se é índice de indeterminação do su- tem um nome como núcleo significativo;
jeito quando vem acompanhado de verbo que esse nome atribui uma qualidade ou um esta-
não é transitivo direto; nesse caso, o sujeito é do ao sujeito, sendo chamado de predicativo
indeterminado. do sujeito. Nesse caso, o verbo não será sig-
nificativo, funcionando somente como elo
Ex: Confia-se em pessoas religiosas. entre o sujeito e o atributo (qualidade) do
v.i. sujeito. Esse tipo de verbo é chamado ver-
bo de ligação. Ex: Marcos estava chateado./
5.6.3. Oração sem sujeito: Maria estava agitada.

Ocorre oração sem sujeito com os ver- PREDICADO VERBO-NOMINAL:


bos impessoais, que podem ser: Quando o predicado tiver como núcleos de
informação um verbo (transitivo ou intran-
a) Verbos que exprimem fenômeno da na- sitivo) e um nome (predicativo do sujeito
tureza, como chover, trovejar, amanhe- ou do objeto) ele será um predicado verbo-
cer, anoitecer, ventar, relampejar etc. nominal. Ex: Maria caminhava triste pelas
Ex: Anoiteceu rapidamente. (oração sem ruas./ Carla saiu apressada com a bicicleta./
sujeito) O juiz julgou o réu inocente.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

5.7 – CORRELAÇÕES FRASAIS Aqui, foram coordenadas palavras (subs-


tantivos) com orações reduzidas de infinitivo
A palavra correlação significa uma relação (não ser inseguro/ter ambição). Veja uma pos-
mútua entre dois termos. Como estamos fa- sibilidade de correção:
lando em frases, a correlação frasal é uma relação
mútua entre frases, e que consiste em apresen- No discurso inaugural mostrou determinação, segu-
tar idéias similares (parecidas) numa forma rança, perspicácia e ambição.
gramatical idêntica. A essa correlação damos
o nome de paralelismo. Dessa forma, incorrem Outro problema comum é o falso parale-
em erro redatores que conferem forma não lismo, que dá forma equivalente a idéias de hie-
paralela a elementos paralelos. Observe os rarquia diferente ou, ainda, apresenta de for-
exemplos: ma paralela estruturas sintáticas diferentes:
O escritor visitou Paris, Bruxelas, Roma e o
Através do aviso circular recomendou-se aos Papa. Você percebeu alguma coisa errada, não?
Ministérios economizar energia e que ela- Nesta frase, colocou-se no mesmo nível a ci-
borassem projetos de contenção de des- dade (Paris, Bruxelas, Roma) e uma pessoa (o
pesas. Papa). Uma opção de correção seria transfor-
mar a frase em duas frases simples, sem repetir
Nessas duas orações subordinadas (eco- o verbo da primeira (visitar):
nomizar energia/ que elaborassem projetos de
contenção de despesas) há duas estruturas dife- O escritor visitou Paris, Bruxelas e Roma. Nesta
rentes para idéias semelhantes (economizar ener- última capital, encontrou-se com o Papa.
gia/elaborar projetos de contenção de despe-
sa). A primeira oração (economizar energia) é Outro problema causado pelo falso pa-
uma oração reduzida de infinitivo, enquanto que ralelismo é provocado pelo uso inadequado da
a segunda (que elaborassem projetos de conten- expressão e que num período que não apre-
ção de despesas) é uma oração desenvolvida in- senta nenhum que anterior:
troduzida pela conjunção que.
Uma solução correta seria a de apresen- O novo assessor é jurista renomado, e que possui
tar as duas orações subordinadas como ora- sólida formação acadêmica.
ções desenvolvidas introduzidas pela conjun-
ção integrante que, estabelecendo assim um Uma opção para corrigir a frase é supri-
paralelismo, ou seja, usando uma forma paralela para mir o pronome relativo (que):
idéias similares. Corrigidas, as orações ficari-
am assim: O novo assessor é jurista renomado e possui sólida
formação acadêmica.
Através do aviso circular recomendou-se aos Ministéri-
os que economizassem energia e (que) elabo- Encontramos problemas quando o em-
rassem projetos de contenção de despesas. prego de expressões correlativas como não
só...mas (como) também; tanto...quanto (ou como);
Assim redigida a frase, respeita-se à es- ou...ou; nem...nem etc não mantém o paralelismo
trutura paralela na coordenação de orações obrigatório entre as estruturas apresentadas.
subordinadas. Observe:

No discurso inaugural, mostrou determinação, Ou Vossa Excelência acata o pedido, ou apresen-


não ser inseguro, perspicácia e ter ambição. ta outra alternativa..
80 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA – Unidade III

O juiz não só tem obrigação de apurar a culpa,


como também a de punir os culpados.

Nestes exemplos, o paralelismo é rom-


pido pela colocação do primeiro termo da
correlação em posição equivocada. A posição
correta das expressões correlativas seria a
seguinte:

Vossa Excelência ou acata o pedido, ou apresenta


outra alternativa.
O juiz tem obrigação não só de apurar a culpa, como
também de punir os culpados.

a) As luzes pareciam brilhar; As luzes parecia bri-


lharem. Qual das frases usa corretamente o plu-
ral dos verbos?
___________________________________
___________________________________

b) Volte a ler o texto e responda quais os tipos


de frases existem, de acordo com o sentido
transmitido?
___________________________________
___________________________________

c) E o período? O que é? Responda resumida-


mente.
___________________________________

d) Algumas expressões e formas verbais cau-


sam grande confusão na língua portuguesa.
Nesta frase: Faz dez anos que nasceu. O verbo fa-
zer não está flexionado (no plural) porque?
___________________________________

e) Estude mais uma vez a teoria e responda


quais os tipos de predicados existentes?
___________________________________
___________________________________
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 81
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

82 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


LÍNGUA PORTUGUESA

4. Sua finalidade é exclusivamente prática: comunicar


informações e exprimir opiniões e sentimentos de forma
eficaz, sem qualquer preocupação com a “correção gra-
matical”. Esta definição se aplica a:
a) Língua técnica;
b) Língua popular;
I - Assinale a alternativa correta. c) Gíria;
1. Linguagem é: d) Língua regional;
a) A capacidade humana de se comunicar e) Língua culta;
por meio de uma língua.
b) O uso individual da língua. 5. Diz que um chega, logo dão terra pra ele cultivar...
c) O conjunto de signos e forma de com- É lavoura de café... Dão muda já crescida, diz que
binar esses signos. dão de um tudo...”(Jorge Amado). A linguagem uti-
d) É a união de um significante e um signi- lizada nesse texto é a:
ficado. a) coloquial;
e) Um sistema de signos convencionais usa- b) culta;
dos pelos membros de uma mesma co- c) popular;
munidade. d) técnica;
e) gíria;
2. Na função poética, a mensagem:
a) se volta sobre si mesma, transforman- 6. Dentre as frases seguintes, assinale aquela que
do-se em seu próprio referente; não contém ambigüidade:
b) é elaborada de forma inovadora e im- a) Peguei a condução correndo.
prevista, despertando prazer estético b) O policial deteve o ladrão em seu apar-
no leitor; tamento.
c) imprime no texto as marcas de sua ati- c) Vereador fala da reunião na TV Record.
tude pessoal: emoções, opiniões etc. d) O menino viu o bandido descendo o morro.
d) privilegia o referente da mensagem, e) O pai abençoou o filho.
transmitindo informações objetivas;
e) se orienta sobre o canal da comunica- 7. Os termos protagonista e antagonista se refe-
ção, buscando verificar sua eficácia; rem a tipos de personagens encontrados na:
a) descrição;
3. O objetivo da função referencial é: b) resenha;
a) produzir textos que se propõem infor- c) narração;
mar o leitor, transmitindo-lhe dados e d) dissertação;
conhecimentos precisos; e) poesia;
b) usando de imagens, ritmo e sonorida-
de, produzir, no leitor, uma emoção 8. A dissertação é um tipo de texto que contém:
estética; a) uma argumentação defendendo um ponto
c) testar o canal da mensagem, procuran- de vista sobre um determinado assunto;
do verificar o contato entre destinatário b) uma análise reflexiva sobre personagens
e remetente; em movimento;
d) influir no procedimento do destinatário, c) uma resenha crítica sobre um livro re-
“falando a mesma língua que o receptor”; cém-lançado;
e) usar o código para explicar ou definir d) verbos de ação e fatos em seqüência;
elementos do próprio código. e) um foco narrativo em primeira pessoa;
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 83
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

9. Enredo, personagens e tempo são elemen- O texto em questão é uma:


tos da: a) narração;
a) resenha crítica; b) dissertação;
b) dissertação objetiva; c) resenha;
c) dissertação subjetiva; d) descrição;
d) narração; e) síntese;
e) descrição;
14. O uso de adjetivos e advérbios, da função
10. A finalidade da descrição é: conativa da linguagem e de frases curtas é uma
a) relatar um fato marcante; característica do texto:
b) apresentar uma visão impessoal sobre a) dissertativo;
um determinado personagem; b) literário;
c) contar uma história em que haja um pro- c) técnico;
tagonista e um antagonista; d) narrativo;
d) contar uma história interessante, a par- e) publicitário;
tir de um tema proposto;
e) fazer um “retrato” verbal de cenas, ob- 15. Na sala havia uma fumaça densa que
jetos, pessoas ou ambientes; não per mitia que enxer gássemos qualquer
pessoa. Obser vei que ali havia pessoas de
11. Introdução, desenvolvimento ou argumentação são todos os tipos: loiras, ruivas, de olhos azuis,
partes da: de olhos castanhos, maquiadas em tons cla-
a) carta comercial; ros e escuros.
b) narração;
c) dissertação; A qualidade que não está presente nesse
d) descrição; texto é:
e) circular; a) a coesão;
b) a coerência;
12. “Era loura: tinha olhos azuis, como os de Cecília, c) a concisão;
extáticos, uns olhos que buscavam o céu o pareciam d) a argumentação;
viver dele...um vestido branco, de finíssima cambraia e) a clareza;
envolvia-lhe castamente o corpo, cujas formas aliás
desenhava...”(Machado de Assis). 16. Ofício é o tipo mais comum de comunica-
ção usado na correspondência:
O tipo de texto acima configura: a) bancária;
a) uma narração; b) comercial;
b) um resumo; c) oficial;
c) uma resenha crítica; d) empresarial;
d) uma descrição; e) escolar;
e) uma dissertação;
17. No ofício, ao final, além da assinatura do
13. “Gastei trinta dias para ir do Rio Grande ao co- signatário, deve constar:
ração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego a) a fórmula de cortesia;
desejo, mas o asno da paciência, a um tempo manhoso b) o endereço do signatário;
e teimoso.(...)Teve duas fases a nossa paixão, ou liga- c) o estado civil do signatário;
ção, ou qualquer outro nome(...)teve a fase consular e a d) cargo ou função do signatário;
fase imperial. (Machado de Assis) e) estado civil do remetente;
84 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
LÍNGUA PORTUGUESA

18. O termo requerimento se aplica a: 21. O objetivo maior da carta comercial é:


a) Um documento onde se declara algo, a) requerer um determinado benefício
freqüente nos serviços policiais. funcional;
b) Uma petição escrita, na qual se solicita b) transmitir uma informação;
algo a uma autoridade. c) registrar o que se passou numa reunião
c) Um instrumento pelo qual uma pessoa de diretoria;
recebe de outra poderes para praticar d) baixar uma ordem de natureza adminis-
atos ou administrar bens. trativa;
d) Um documento da correspondência ofi- e) fazer um convite informal;
cial externa, por meio do qual se comu-
nicam os funcionários públicos. 22. Na correspondência, o termo vocativo sig-
e) Um documento particular assinado por nifica:
várias pessoas, contendo reivindicações. a) a saudação de cortesia que se dirige ao
destinatário antes de entrar no assunto
19. O termo circular caracteriza: propriamente dito da carta;
a) a narração escrita pormenorizada e au- b) a exposição do motivo da carta;
tenticada de um fato; c) o parágrafo que encerra o corpo da
b) uma comunicação reproduzida em có- carta;
pias, expedidas a diferentes pessoas, ór- d) o fecho de cortesia;
gãos ou entidades; e) a mensagem que se quer transmitir.
c) uma cópia integral, exata e certificada de
um documento; 23. Assinale a alternativa correta quanto à or-
d) um pedido sem certeza legal ou sem se- tografia:
gurança quanto ao despacho favorável; a) expectativa – tensão – empecilho;
e) uma nota enviada por diplomata, de- b) fusil – discrição – tráfego;
signada também por memorando di- c) beneficente – previlégio – tóxico;
plomático. d) hegemonia – pesquiza – vazio;
e) baronesa – conceder – revesamento;
20. O termo relatório se refere a:
a) um documento através do qual a au- 24. Assinale a alternativa correta quanto à acen-
toridade comprova um fato ou uma tuação das palavras:
situação de que tenha conhecimento a) bônus – album – árduo – ônix – bíceps;
em razão do cargo ou função que b) apóiam – estoico – carnauba – esferói-
exerce; de – supôs;
b) afirmação da existência ou inexistência c) lâmpada – transatlântico – imãs – so-
de uma situação de fato ou de direito; tãos – ponêis;
c) um acordo de vontades que tem por fim d) magóas – forceps – incrível – elétron –
criar, modificar, ou extinguir direitos; éter;
d) um documento mediante o qual uma e) vírus – tórax – mártir – órfãos – útil;
pessoa dá a outra poderes para praticar
atos ou administrar interesses, em seu 25. Assinale a alternativa correta quanto ao uso
nome; do hífen:
e) uma descrição de fatos passados, anali- a) recém-chegado, sem-cerimônia, pós-es-
sados com o objetivo de orientar o ser- crito;
viço interessado ou o supervisor imedi- b) penta-campeão, porto-alegrense – mal-
ato, para determinada ação. entendido;
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 85
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

c) pós-graduação, anfi-teatro – ultra-sensí- 30. Denomina-se período simples aquele:


vel; a) constituído por apenas uma oração;
d) anti-higiênico, tragi-comédia – pára- b) constituído por duas ou mais orações;
quedas; c) articulado por coordenação ou subor-
e) matéria-prima – nipo-brasileiro – bio- dinação;
tônico; d) organizado a partir de uma locução ver-
bal;
26. ...........-se de questões simples que se e) constituído por uma palavra substanti-
..........facilmente; ..............-se, portanto, discus- vada e um predicado.
sões desnecessárias.
a) trata – resolverá – evite; II - Leia as afirmativas listadas a seguir. Algu-
b) tratam – resolverá – evite; mas são verdadeiras, outras são falsas. Identifi-
c) tratam – resolverá – evitem; que-as, escrevendo, nos parênteses, a letra “V”
d) trata – resolverão – evitem; nas afirmativas verdadeiras e a letra “F” nas
e) trata – resolverão – evite; falsas..

27. Assinale a alternativa correta quanto ao uso 1. ( ) Linguagem é a capacidade humana


da crase: de se comunicar por meio de uma língua.
a) Ele andava as pressas.
b) O chefe da repartição foi a Europa. 2. ( ) Na função poética, a mensagem pri-
c) Nunca falei à esta senhora. vilegia o referente da mensagem, transmitindo
d) Ele usava sapatos à Luís XV. informações objetivas.
e) Ele levou a namorada à uma festa.
3. ( ) O objetivo da função referencial é pro-
28. Assinale a alternativa em que o plural do duzir textos que se propõem informar o lei-
substantivo composto está correto: tor, transmitindo-lhe dados e conhecimentos
a) couves-flores, chás-dançantes, contas- precisos.
correntes;
b) obras-primas, mulas-sem-cabeças, salá- 4. ( ) Sua finalidade é exclusivamente prática:
rios-famílias; comunicar informações e exprimir opiniões e sentimen-
c) pães-de-ló, técnico-científicas, arranhas- tos de forma eficaz, sem qualquer preocupação com a
céus; “correção gramatical”. Esta definição se aplica a:
d) franco-belgas, guarda-florestais, ave- Língua regional.
marias;
e) salve-rainhas, pés-de-moleque, decreto- 5. ( ) Diz que um chega, logo dão terra pra ele
leis; cultivar...É lavoura de café...Dão muda já crescida,
diz que dão de um tudo...”(Jorge Amado). A lingua-
29. A oração, na qual o predicado é indispensá- gem utilizada nesse texto é a coloquial.
vel, é definida como:
a) um enunciado marcado por uma ento- 6. ( ) As frases seguintes não contêm am-
nação conclusa; bigüidade: “Peguei a condução correndo”, “O
b) um enunciado que se organiza em torno policial deteve o ladrão em seu apartamento”.
de um verbo;
c) um período simples; 7. ( ) Os termos protagonista e antagonista se
d) um período composto; referem a tipos de personagens encontrados
e) um enunciado que apresenta coerência. na narração.
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LÍNGUA PORTUGUESA

8. ( ) A dissertação é um tipo de texto que 18. ( ) O termo requerimento se aplica a um


contém uma argumentação defendendo um documento onde se declara algo, freqüente nos
ponto de vista sobre um determinado assunto. serviços policiais.

9. ( ) Enredo, personagens e tempo são 19. ( ) O termo circular caracteriza uma cópia
elementos da narração. integral, exata e certificada de um documento;

10. ( ) A finalidade da descrição é: contar 20. ( ) O termo relatório se refere a uma


uma história em que haja um protagonista e descrição de fatos passados, analisados com o
um antagonista; objetivo de orientar o serviço interessado ou
o supervisor imediato, para determinada ação.
11. ( ) Introdução, desenvolvimento ou argumen-
tação são partes da dissertação. 21. ( ) O objetivo maior da carta comerci-
al é transmitir uma informação.
12. ( ) “Era loura: tinha olhos azuis, como os de
Cecília, extáticos, uns olhos que buscavam o céu o pa- 22. ( ) Na correspondência, o termo voca-
reciam viver dele...um vestido branco, de finíssima cam- tivo significa o fecho de cortesia.
braia envolvia-lhe castamente o corpo, cujas formas aliás
desenhava...”(Machado de Assis). O tipo deste tex- 23. ( ) Quanto à ortografia, a alternativa
to configura uma descrição. “a” está correta, as demais estão erradas.
a) expectativa – tensão – empecilho;
13. ( ) “Gastei trinta dias para ir do Rio Gran- b) fusil – discrição – tráfego;
de ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel c) beneficente – previlégio – tóxico;
do cego desejo, mas o asno da paciência, a um tempo d) hegemonia – pesquiza – vazio;
manhoso e teimoso.(...)Teve duas fases a nossa paixão, e) baronesa – conceder – revesamento;
ou ligação, ou qualquer outro nome(...)teve a fase con-
sular e a fase imperial. (Machado de Assis) 24. ( ) Apenas a alternativa “d” está corre-
O texto em questão é uma descrição; ta quanto à acentuação das palavras:
a) bônus – album – árduo – ônix – bíceps;
14. ( ) O uso de adjetivos e advérbios, da b) apóiam – estoico – carnauba – esferóide –
função conativa da linguagem e de frases cur- supôs;
tas é uma característica do texto publicitário. c) lâmpada – transatlântico – imãs –
sotãos – ponêis;
15. ( ) Na sala havia uma fumaça densa que não d) magóas – forceps – incrível – elétron –
permitia que enxergássemos qualquer pessoa. Obser- éter;
vei que ali havia pessoas de todos os tipos: loiras, rui- e) vírus – tórax – mártir – órfãos – útil;
vas, de olhos azuis, de olhos castanhos, maquiadas em
tons claros e escuros. A qualidade que não está 25. ( ) A alternativa “a” está correta quan-
presente nesse texto é a coerência. to ao uso do hífen:
a) recém-chegado, sem-cerimônia, pós-es-
16. ( ) Ofício é o tipo mais comum de co- crito;
municação usado na correspondência oficial; b) penta-campeão, porto-alegrense – mal-
entendido;
17. ( ) No ofício, ao final, além da assina- c) pós-graduação, anfi-teatro – ultra-sensível;
tura do signatário, deve constar cargo ou fun- d) anti-higiênico, tragi-comédia – pára-quedas;
ção do signatário; e) matéria-prima – nipo-brasileiro – bio-tônico;
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 87
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

26. ( ) Para completar a frase, você deve a) couves-flores, chás-dançantes, contas-


usar os verbos citados na alternativa “b”. correntes;
................-se de questões simples que se b) obras-primas, mulas-sem-cabeças, salá-
.................facilmente; ..................-se, portanto, rios-famílias;
discussões desnecessárias. c) pães-de-ló, técnico-científicas, arranhas-
a) trata – resolverá – evite; céus;
b) tratam – resolverá – evite; d) franco-belgas, guarda-florestais, ave-
c) tratam – resolverá – evitem; marias;
d) trata – resolverão – evitem; e) alve-rainhas, pés-de-moleque, decreto-
e) trata – resolverão – evite; leis;

27. ( ) Quanto ao uso da crase, está corre- 29 ( ) A oração, na qual o predicado é indis-
ta a frase “Ele usava sapatos à Luís XV” pensável, é definida como período composto.

28. ( ) O plural do substantivo composto 30. ( ) Denomina-se período simples aquele


está correto ,apenas, na alternativa “a”: constituído por apenas uma oração;

88 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


LÍNGUA PORTUGUESA

BIBLIOGRAFIA

CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley, A Nova Gramática do Português


Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 3ª edição, 2001.

GARCIA, Othon M., Comunicação em Prosa Moderna: Rio de Janeiro:


Editora da Fundação Getúlio Vargas, 13ª edição, 1986.

JR. J. Mattoso Câmara, Manual de Expressão Oral e Escrita. Petrópolis:


Editora Vozes, 2002.

MANUAL DA REDAÇÃO DA FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo:


Publifolha, 2001.

MANUAL DA REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.


Brasília: Presidência da República, 1991.

MEDEIROS, João Bosco, Redação Empresarial. São Paulo: Editora Atlas


S.A., 3ªedição, 2000.

NETO, Pasquale Cipro & INFANTE, Ulisses, Gramática da Língua


Portuguesa. São Paulo, Editora Scipione, 1ª edição , 1997.

NETO, Pasquale Cipro, Inculta e Bela 2. São Paulo: Publifolha, 2001.

NICOLA, José de. & INFANTE, Ulisses, Gramática Contemporânea da


Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Scipione, 15ª edição, 1998.

SAVIOLI, Francisco Platão & FIORIN, José Luiz, Para Entender o Texto –
Leitura e Redação.São Paulo, Editora Ática, 8º edição, 1994.

TERRA, Ernani & NICOLA, José de. Gramática, Literatura e Redação para
o 2º Grau. São Paulo: Editora Scipione, 1997.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 89


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

GABARIT
GABARITOO

EXERCÍCIO I EXERCÍCIO II

1-A 16-C 1-V 16-V


2-B 17-D 2-F 17-V
3-A 18-B 3-V 18-F
4-B 19-B 4-F 19-F
5-C 20-E 5-F 20-V
6-E 21-B 6-F 21-V
7-C 22-A 7-V 22-F
8-A 23-A 8-V 23-V
9-D 24-E 9-V 24-F
10-E 25-A 10-F 25-V
11-C 26-D 11-V 26-F
12-D 27-D 12-V 27-V
13-A 28-A 13-F 28-V
14-E 29-B 14-V 29-F
15-B 30-A 15-V 30-V

90 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


INEDI – Cursos Profissionalizantes

Técnico em Transações Imobiliárias

Noções de
Matemática Financeira
MÓDULO 02

BRASÍLIA – 2005
Os textos do presente Módulo não podem ser reproduzidos sem autorização do
INEDI – Instituto Nacional de Ensino a Distância
SDS – Ed. Boulevard Center, Salas 405/410 – Brasília - DF
Telefax: (0XX61) 3321-6614

CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS – TTI

COORDENAÇÃO NACIONAL
André Luiz Bravim – Diretor Administrativo
Antônio Armando Cavalcante Soares – Diretor Secretário
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Maria Alzira Dallla Bernardina Corassa – Pedagoga
COORDENAÇÃO DIDÁTICA COM ADAPTAÇÃO PARA EAD
Neuma Melo da Cruz Santos – Bacharel em Ciências da Educação
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO
José de Oliveira Rodrigues – Extensão em Didática
Josélio Lopes da Silva – Bacharel em Letras
EQUIPE DE APOIO TÉCNICO: INEDI/DF
André Luiz Bravim
Rogério Ferreira Coêlho
Robson dos Santos Souza
Francisco de Assis de Souza Martins

PRODUÇÃO EDITORIAL
Luiz Góes
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E CAPA
Vicente Júnior
IMPRESSÃO GRÁFICA
Gráfica e Editora Equipe Ltda

________________, Matemática Financeira, módulo II, INEDI, Curso


de Formação de Técnicos em Transações Imobiliárias, 3 Unidades.
Brasília. Disponível em: www.inedidf.com.br. 2005.

Conteúdo: Unidade I: números proporcionais; operações sobre


mercadorias – Unidade II: taxa de juros; inflação – Unidade III:
capitalização simples e composta; montante – Exercícios

347.46:111
C490m
Caro Aluno

O início de qualquer curso é uma oportunidade repleta de expectativas. Mas um


curso a distância, além disso, impõe ao aluno um comportamento diferente, ensejando
mudanças no seu hábito de estudo e na sua rotina diária, porque estará envolvido com
uma metodologia de ensino moderna e diferenciada, proporcionando absorção de
conhecimentos e preparação para um mercado de trabalho competitivo e dinâmico

O curso Técnico em Transações Imobiliárias ora iniciado está dividido em nove


módulos. Este módulo 02 traz para você a básica disciplina Matemática Financeira que
dividida em três grandes unidades de estudo, apresenta, dentre outros itens essenciais,
noções sobre proporções, operações sobre mercadorias, juros simples e compostos,
descontos simples e compostos, além de exercício de fixação, testes para avaliar seu
aprendizado e lista de vocabulário técnico que, com certeza, será indispensável no seu
desempenho profissional.Trata-se, como você pode perceber, de uma completa, embora
sintética, habilitação no âmbito desse conhecimento tão decisivo para o futuro profissional
do mercado imobiliário.

Se o ensino a distância garante maior flexibilidade na rotina de estudos também é


verdade que exige do aluno mais responsabilidade. Nós, do INEDI, proporcionamos as
condições didáticas necessárias para que você obtenha êxito em seus estudos, mas o sucesso
completo e definitivo depende do seu esforço pessoal. Colocamos à sua disposição, além
dos módulos impressos, um completo site (www.inedidf.com.br) com salas de aula virtuais,
fórum com alunos, tutores e professores, biblioteca virtual e salas para debates específicos
e orientação de estudos.

Em síntese, caro aluno, o estudo dedicado do conteúdo deste módulo lhe permitirá
o domínio dos conceitos mais elementares de Matemática Financeira, além do
conhecimento dos instrumentos básicos para que o futuro profissional possa atingir os
seus objetivos no mercado de imóveis. Enfim, ao concluir seus estudos neste módulo você
terá vencido uma importante etapa para atuar com destaque neste seguimento da economia
nacional.

Boa sorte!
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 07

UNIDADE I
1. NÚMEROS PROPORCIONAIS..............................................................................12

2. OPERAÇÕES SOBRE MERCADORIAS ................................................................17


2.1 – Preços de custo e venda .................................................................................17
2.2 – Lucros e prejuízos .........................................................................................17

3. TAXA DE JUROS .....................................................................................................19


3.1 – Homogeneidade entre tempo e taxa ..............................................................19
3.2 – Juro exato e juro comercial ............................................................................21

4. INFLAÇÃO .............................................................................................................21

UNIDADE II
5. CAPITALIZAÇÃO SIMPLES ..................................................................................25
5.1 – Juros simples .................................................................................................25
5.2 – Montante simples .........................................................................................27
5.3 – Desconto simples ..........................................................................................27

6. CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA ............................................................................30


6.1 – Juros compostos ............................................................................................30
6.2 – Montante composto ......................................................................................30
6.3 – Desconto composto.......................................................................................32

TESTE SEU CONHECIMENTO ...............................................................................35


BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................39
GABARITO........... .......................................................................................................40
INTRODUÇÃO

O serviço prestado ao cliente, pelo Corretor, pode ser classificado como


parte das relações humanas, no processo de venda. Nesta etapa, o Corretor
necessita de diferentes conhecimentos e habilidades específicas para que possa
informar, orientar e oferecer segurança ao comprador.

Dentre esses conhecimentos e habilidades, inclui-se a linguagem da


Matemática Financeira.

Nesse sentido, o presente trabalho foi elaborado e começa com uma


matemática básica e fundamental, necessária à realização de um bom negó-
cio, incluindo operações sobre mercadorias, taxas de juros, inflação, regimes
de capitalização.

O estudo do regime de Capitalização Simples é o cenário principal


desta apostila. Nele é abordada a conceituação de juros simples, montante
simples, desconto simples, cálculo de taxa acumulada, sempre com a utiliza-
ção de vários exemplos.

Todas as negociações financeiras têm como suporte um dos regimes de


capitalização. Assim, procurou-se dar ênfase a essestópicos, estando os seus
respectivos exemplos de aprendizagem, digitados no estilo passo a passo. O
livro utilizado, Concursos Públicos - Matemática Geral e Financeira, de Ben-
jamin Cesar de Azevedo Costa serviu de base para a formatação das etapas
finais dos estudos.

A matemática foi, gradativamente, aplicada ao comércio e às finanças


devido a necessidade de melhor entendimento entre as relações de troca,
para a utilização das melhores taxas em empréstimos e investimentos, para se
fazer previsões de movimentação de capital no mercado, para cálculo de
juros, montante, descontos. Dessas aplicações, originou-se o ramo específi-
co, chamado Matemática Financeira.

A Matemática Financeira deve ser bem entendida, pois, o conheci-


mento e a informação representam um grande poder para a execução de
serviços, especialmente, em um mercado econômico que não é estático.

O estudo deve ser uma constante na vida do aluno, pois, aquele que
conseguir aliar fundamentação teórica à prática, terá um poderoso instru-
mento de trabalho nas mãos, além é claro, de clientes para efetuar negócios.
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

8• INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

Unidade
I

¾Conceituar os termos Proporção, Juros, Inflação, Taxa


de juros;
¾ Realizar operações com números proporcionais, operações sobre
mercadorias, taxas de juros, inflação;
¾ Refletir sobre a importância da Matemática Financeira, na atualidade.

INEDI - Cursos Profissionalizantes •9


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

10 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

INTRODUÇÃO

O Capitalismo começou após o enfra-


quecimento do Feudalismo, por volta do dé-
cimo segundo século depois de Cristo, consti- a) Capitalismo selvagem é expressão comum,
tuindo-se um novo sistema econômico, social especialmente partindo dos simpatizantes do
e político. socialismo. E você, o que entende por capita-
Capitalismo é o sistema econômico base- lismo?
ado na legitimidade dos bens privados e na ir- ______________________________________
restrita liberdade de comércio, indústria, com ______________________________________
o objetivo principal de conseguir lucro.
Como importantes características do Ca- b) Nossa apostila traz breves noções de eco-
pitalismo, podemos citar: nomia. Relendo o texto, responda: como pode
ser definido o capitalismo financeiro?
• a combinação de três centros econômi- ______________________________________
cos (produção, oferta e consumo) for- ______________________________________
matando a economia de mercado;
• o surgimento das grandes empresas;
• as relações de trocas monetárias;
• a preocupação com os rendimentos; e,
• principalmente, o trabalho assalariado.

Durante o seu desenvolvimento, o Capita-


lismo passou por quatro fases, sendo, atualmente,
chamado de Capitalismo Financeiro. Nesta fase,
as grandes empresas financeiras são as detentoras
do maior volume do capital em circulação.
As etapas do Capitalismo são, assim, enu-
meradas:

1ª Pré-Capitalismo: fase de implantação


desse sistema (séculos XII ao XV);

2ª Capitalismo Comercial: os comercian-


tes administravam a maior parte dos lu-
cros (séculos XV ao XVIII);

3ª Capitalismo Industrial: o capital é in-


vestido nas indústrias, transformando os
industriais em grandes capitalistas (sé-
culos XVIII, XIX, XX). É bom lembrar
que esta terceira fase, ainda, acontece;

4ª Capitalismo Financeiro: o maior volu-


me de capital em circulação é adminis-
trado pelas empresas financeiras.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 11
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

1. NÚMEROS PROPORCIONAIS porcionais porque ele, muitas vezes, terá que


determinar a relação entre medidas de um de-
João precisava calcular a altura de um senho, de uma planta, de um mapa geográfico
poste, muito alto. Ele não podia medi-lo dire- e as medidas reais correspondentes.
tamente. Veja o exemplo:
João fez o seguinte: colocou uma pessoa
que mede 1,80 m ao lado do poste e marcou as Um corretor tinha a planta de um aparta-
duas sombras – a do poste e a da pessoa. mento. Ele precisava saber qual era a área
Ele verificou e anotou: da sala. Ele examinou a planta e verificou o
seguinte:
• a sombra da pessoa media 1,20 m.
• a sombra do poste media 20 m.
• de acordo com a escala apresentada,
cada centímetro desenhado no mapa
A partir dessas medidas, João encontrou
correspondia a 100 centímetros da re-
a altura do poste. Ele fez as seguintes opera-
alidade; portanto 1:100;
ções:
Comparou o comprimento da sombra da
• se a razão entre as medidas que aparece-
pessoa com a altura dela. Ele escreveu as medi-
ram na planta da sala e as medidas reais
120
das em centímetros, assim, . Depois ele sim- 1
180 era de 1 : 100 ou (lê-se 1 para 100),
100
120 2 isto significa que as medidas reais eram
plificou a fração e encontrou, = .
180 3 100 vezes maiores do que as medidas as-
Portanto, a razão entre o comprimento sinaladas na planta;
2
da sombra e a da altura da pessoa foi de: ou • uma dos lados da sala media 6 cm e o
3 outro 8 cm;
2:3 , ou seja de 2 para 3.
Como as medidas foram feitas no mesmo • que para conhecer as medidas reais da
local e na mesma hora, João pode concluir que sala, ele deveria multiplicar as medidas
a razão entre o comprimento da sombra do da planta por 100
2
poste e a altura do mesmo era de
. 6 cm . 100 = 600 cm = 6 m
3
Assim, João montou a operação 8 cm . 100 = 800 cm = 8 m
Portanto, as medidas reais da sala são 6m e
20m 2
= e pode concluir que a altura do pos- 8m. A área da sala é de 48m².
? 3
20 2 O corretor pode adotar o mesmo proce-
te é igual a 30 m, porque a razão é igual a dimento para verificar outras medidas, tais
30 3
como área, largura e altura de outras partes
Essa igualdade é uma proporção e os núme- desenhadas na planta.
ros usados na medidas são denominados “nú- Uma razão compara dois números pela
meros proporcionais”. divisão. Quando encontramos uma igualdade
entre duas razões, a essa relação damos o nome
Para um corretor de imóveis, é muito de proporção, porque as quantidades medidas
importante saber trabalhar com números pro- são proporcionais.

12 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

Mais um exemplo: 120 180


= e aplicou a propriedade uti-
X 2
O corretor foi mostrar uma fazenda que está
lizada, anteriormente, e encontrou:
a venda. Ele viajou 120 km e levou 2 horas.
Ele pretende visitar outra que fica a 180 km
120 . X = 2 . 180
dali. Se ele viajar na mesma velocidade, quan-
120 . X = 360
to tempo ele vai precisar para chegar até a
X = 360 : 120
outra fazenda?
X = 3

120 180 O corretor levará 3 horas para chegar à


Veja: =
2 ? outra fazenda.

Os números que medem as distâncias e o tem- Verifique e faça o que se segue:


po são proporcionais. Quanto maior a dis-
tância, maior será o tempo que ele vai gastar • Sendo a e b, duas grandezas conhecidas, defi-
na viagem. nimos a razão entre a e b, nesta ordenação, como
o quociente entre a e b.
Como ele pode conhecer o número da
proporção desse exemplo? a
O corretor já conhece algumas propor- Então, escrevemos: ou a : b.
b
ções, tais como:
2 6 3 24 Observação: A grandeza que se encontra
a) = b) =
3 9 4 32 no denominador deve possuir, o seu valor, dife-
rente de zero.
Ele sabe que se multiplicar os denomina- a
dores pelos numeradores vai poder verificar se
b
as frações são iguais, se são proporcionais.
(a é o numerador e b é o denominador).
Veja:
2.9 = 18
3.6 = 18, logo 2.9 = 3.6

3.32 = 96
4.24 = 96, logo 3.32 = 4.24
a) Pense um pouco e responda: porque é im-
Essa frações são iguais, existe uma pro-
portante para o corretor de imóveis conhecer
porção entre elas. Porque, numa proporção
noções de razão e proporção?
os produtos do numerador de uma fração
_____________________________________
pelo denominador da outra fração são
_____________________________________
iguais.
O corretor que já conhecia essa impor-
b) Calcule a razão entre a e b, sabendo-se que
tante propriedade usada em Matemática fez o
a = 32 e b = 28.
seguinte: substituiu o ponto de interrogação
_____________________________________
pela letra “x” que fica no lugar do termo desco-
_____________________________________
nhecido.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 13
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

A igualdade de duas razões equivalentes é


chamada Proporção.
são proporcionais
meros usados nas medidas 16 8
Exemplo 1: = , 16 e 7 são os extremos
Essa igualdade é uma proporção e os nú- 14 7
da proporção e 14 e 8 são os meios da pro-
ções, obteremos o mesmo resultado. porção.
denominador, em cada uma das três fra-
tes pois dividindo-se, o numerador pelo Propriedade Fundamental: “Em toda propor-
Essas três frações são Razões Equivalen- ção, o produto dos meios é igual ao produto
dos extremos”.
b 7
= . Resposta: 12 16
a 8 Exemplo 2: As razões e são iguais, logo:
3 4
b 28 28 14 7
= , então = = Solução: 12 16
a 32 32 16 8 = , então: 3 x 16 = 4 x 12.
3 4
48 = 48.

Vamos trabalhar, com a Divisão em Par-


tes Proporcionais, através da análise do exem-
plo a seguir:

EXEMPLO
Dividir o número 850 em partes proporcio-
nais aos números 1, 4 e 5.
Observação: como a divisão é proporcional
a três números, o número 850 será dividido
em três partes.
Solução: vamos supor que as três partes do
número 850 sejam representadas, respecti-
vamente, pelas letras X, Y e Z.
850
X= * 1 = 85.
1+ 4 + 5

850
Y= * 4 = 340.
1+ 4 + 5

850
Z= * 5 = 425.
1+ 4 + 5

Somando-se os números 85, 340 e 425 obte-


remos o número 850, provando assim, que a
divisão em partes proporcionais está correta.
14 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

No cálculo de cada uma das letras (X , Y 1.200


e Z), devemos sempre dividir o número princi- • 2ª parte: * 1 = 400.
2 +1
pal (neste caso o número 850), pelo somatório
das partes proporcionais (no exemplo foram os
4º passo: Somando-se os números 800 e
números 1, 4 e 5), e em seguida, multiplicar o
400 obteremos o número 1.200, provando as-
resultado desta divisão por cada uma das partes
sim que, a divisão em partes inversamente pro-
proporcionais.
porcionais está correta.
Divisão em Partes Inversamente Propor-
cionais utilizando uma exemplificação:

Exemplo: Dividir o número 1.200 em


partes inversamente proporcionais aos núme-
ros 2 e 4.
a) dividir o n° 450 em partes proporcionais aos
números 2, 3 e 5.
1º passo: Deve-se inverter os números,
_____________________________________
1 1 _____________________________________
tornando-os e .
2 4
b) dividir o número 600 em partes proporcio-
2º passo: Deve-se agora, colocar as fra- nais aos números 1 e 3.
ções em um mesmo denominador _____________________________________
(denominador comum). Vamos fazer o míni- _____________________________________
mo múltiplo comum e depois dividir, o míni-
mo múltiplo encontrado, pelo denominador.
Em seguida multiplicaremos o resultado desta
divisão pelo numerador, lembrando que, estes
b) Resposta: 450 e 150
1
cálculos estão acontecendo com as frações e a) Resposta: 90, 135 e 225.
2
1
. Como o valor do mínimo múltiplo comum
4
2 1
será 4, as frações se modificarão para e .
4 4
3º passo: Um novo problema aparecerá,
pois agora serão utilizados apenas os numera-
dores das novas frações encontradas no 2º pas-
so. A partir daqui teremos uma resolução se-
melhante à divisão em partes proporcionais ,
pois o número principal ( neste caso o número
1.200 ) será dividido pelo somatório das partes
( números 2 e 1 ), sendo o resultado desta divi-
são multiplicado por cada uma das partes.
1.200
• 1ª parte: * 2 = 800.
2 +1
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 15
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

ATENÇÃO: nesta parte, vamos estudar no-


ções básicas que serão de grande valia no tra-
balho com porcentagens (percentagens).

Exemplo 1: Escreva a taxa de 14,45% na for-


ma unitária. a) qual a forma unitária dos seguintes per-
centuais:
Solução: devemos dividir a taxa por 100. 1) 5 % =____________________

14,45 2) 3,8 % =____________________


14,45% = = 0,1445. 0,1445 é a
100
3) 0,25 % =____________________
forma unitária.

3 b) qual a forma percentual dos seguintes


Exemplo 2: Colocar a fração na forma per-
4 números:
centual. 1) 0,025 =___________________

Solução: devemos utilizar as Razões 2) 0,0025 =___________________


Equivalentes e a propriedade fundamental
das Proporções que estão citadas no início 3) ,25 =___________________
deste tópico.

3 x
=
4 100

4 . x = 3 . 100

4x = 300
3 75
x = 75, então = = 75%.
4 100

Exemplo 3: Calcular 27% de 270.

Solução: transformar 27% na forma uni-


tária e depois multiplicar o número encontra-
do por 270.

27
27% = = 0,27. Assim: 0,27 x 270 = 72,9.
100

72,9 corresponde a 27% de 270.

16 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

2. OPERAÇÕES SOBRE Exemplo 2: Lucro sobre a venda.


MERCADORIAS
Uma mesa de escritório foi comprada por
2.1 – PREÇOS DE CUSTO E VENDA R$550,00 e vendida por R$705,00. Calcule
o lucro, na forma percentual, sobre o preço de
Vamos trabalhar com problemas de por- venda.
centagens relacionados às operações de com- Solução: PRC = 550
pra e venda. PRV = 705 705 ⎯ ⎯→ 100%
Ao se efetuar a venda de uma mercado-
PRV = PRC + LC 155 ⎯ ⎯→ X
ria pode-se ter lucro ou prejuízo, sendo que os
mesmos podem ser calculados sobre o preço de LC = PRV – PRC 705 . X = 100 . 155
custo ou sobre o preço de venda da mercado- LC = 705 – 550 X = 21,986%
ria em questão. LC = 155

FÓRMULA BÁSICA Obs: O lucro sobre o custo foi de 21,986%.

PRV = PRC + LC Exemplo 3:

Onde: Uma mercadoria foi vendida por


PRV = Preço de Venda; R$430,00. Sabendo-se que o lucro foi de 15%
PRC = Preço de Custo ou Preço de Compra; sobre o preço da venda, calcule esse lucro.
LC = Lucro obtido na Venda. Solução: 430 ⎯ ⎯→ 100%
X ⎯⎯→ 15%
2.2 – LUCROS E PREJUÍZOS
100 . X = 430 . 15
O estudo será feito com base nos exemplos a X = 64,5
seguir:
O lucro foi de R$64,50.
Exemplo 1: Lucro sobre o custo.
Sendo o lucro calculado sobre o preço
Uma mercadoria foi comprada por da venda, este terá o valor de 100% .
R$3.000,00 e vendida por R$ 3.850,00. Cal-
cule o lucro, na forma percentual, sobre o pre- Exemplo 4:
ço de compra.
Um monitor foi vendido por R$670,00,
Solução: PRC = 3.000 dando um lucro de R$152,00. Calcule o lu-
PRV = 3.850 3.000 ⎯
⎯→ 100% cro, em porcentagem, sobre o preço de custo.
PRV = PRC + LC 850 ⎯
⎯→ X
Solução:
LC = PRV - PRC PRV = PRC + LC 518 ⎯
⎯→ 100%
PRC = PRV – LC 152 ⎯
⎯→ X
LC = 3.850 – 3.000 3.000 . X = 100 . 850 PRC = 670 – 152
LC = 850 X = 28,333% PRC = 518
518 . X = 100 . 152
Obs.: O lucro sobre o custo foi de 28,333%. X = 29,344%.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 17


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Sendo o lucro calculado sobre o preço para 8. Determine o preço de venda sabendo-
de custo, este terá o valor de 100%. se que o preço de custo foi de R$2.500,00.

Exemplo 5: Solução:
Custo Prejuízo Venda
Uma mercadoria que foi comprada por 2.500 P PRV
R$1.050,00 foi vendida, com um prejuízo de
12 4 8
42%, sobre o preço de venda. Calcule o preço
de venda.
2.500 PRV
=
Solução: 12 8
142% ⎯ ⎯→ 1.050 12 . PRV = 2500 . 8
100% ⎯ PRV = 1666,67.
⎯→ X
142 . X = 100 . 1050
X = 739,44. O preço de venda é R$1.666,67.
O preço de venda é R$739,44.
A relação de proporcionalidade entre o
Como o prejuízo é de 42% sobre o pre- prejuízo e o preço de venda é estabelecida
ço de venda, este corresponderá a pela taxa 4 para 8. Temos assim 8 unida-
100%. O preço de custo corresponde- des de preço de venda para 4 unidades de
rá então a 142%. prejuízo e, conseqüentemente, para cada
12 unidades de custo, neste exercício.
Exemplo 6:

Uns móveis de escritório foram vendidos


com prejuízo de 15% sobre o preço de venda.
Calcule o preço de venda sabendo-se que o
preço de custo foi de R$445,00.

Solução: a) Um imóvel foi comprado por R$ 100.000,00


e vendido por R$ 156.000,00. Calcule o lucro
115% ⎯
⎯→ 445 da operação, na forma percentual.
100% ⎯⎯→ X ____________________________________
____________________________________
115 . X = 100 . 445 ____________________________________
X = 386,96 ____________________________________
O preço venda de é R$386,96.
b) Na venda de um apartamento o proprietá-
Como o prejuízo é de 15% sobre o pre- rio obteve um lucro de 20%. Se o preço pago
ço de venda, este corresponderá a 100%. pelo comprador foi de R$ 600.000,00, qual foi
O preço de custo corresponderá a 115%. o preço pago inicialmente pelo proprietário.
____________________________________
Exemplo 7: Utilização de índices. ____________________________________
____________________________________
Em uma operação de compra e venda, a ____________________________________
taxa de prejuízo para o preço de venda foi de 4
18 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

3. TAXA DE JUROS
b) R$ 500.000,00 Quando pedimos emprestado uma certa
valor inicial do imóvel.
a) o lucro corresponde a 56% do quantia a uma pessoa ou a uma instituição fi-
nanceira é normal, pelo transcurso do tempo,
pagarmos o valor que nos foi emprestado, acres-
cido de “ outra quantia que representa o alu-
guel pago pelo empréstimo”.
Essa outra quantia representa o juro, ou
seja, representa o bônus que se paga por um
capital emprestado.
O juro que é produzido em uma determi-
nada unidade de tempo ( ao ano, ao mês, ao dia),
representa uma certa porcentagem do capital ou
do montante, cuja taxa se chama Taxa de Juros.

3.1 – HOMOGENEIDADE ENTRE


TEMPO E TAXA

O prazo de aplicação (representado pela


letra n) deve estar, sempre, na mesma unidade
de tempo (anos, meses, dias) em que está a taxa
de juros (representada pela letra i ).

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
1º) - O mês comercial possui 30 dias;
- O ano comercial possui 360 dias;
- O ano civil possui 365 dias.

2º) Normalmente, a taxa de juros i está ex-


pressa na forma percentual. Assim, para usá-
la em qualquer fórmula de matemática finan-
ceira, deve-se antes, transformá-la para a for-
ma unitária.
Ex.:
i = 25,8% ⎯⎯→ forma unitária ⎯ ⎯→ i = 0,258.

Exemplo 1: A taxa de juros de 18% ao ano,


considerando-se ano comercial, equivale a
quantos % (por cento) ao dia?

Solução: ano comercial = 360 dias.


18%
i= = 0,05% ao dia.
360
resposta: 0,05% ao dia.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 19
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Exemplo 2: A taxa de juros de 12% ao ano,


equivale a quantos % (por cento) ao mês? b) 21,6% a.m.
Solução: i = 12% ao ano. a) 1% a.m.

12%
i= = 1% ao mês.
12
resposta: 1% ao mês.

Exemplo 3: A taxa de juros de 3% ao mês,


considerando-se o mês comercial, equivale a
quantos % (por cento) ao dia?

Solução: mês comercial = 30 dias.


3%
i= = 0,1% ao dia.
30
resposta: 0,1% ao dia.

Exemplo 4: A taxa de juros de 4,5% ao mês,


equivale a quantos % ( por cento) ao ano?

Solução: ( 4,5% ao mês) x 12 = 54% ao ano.


i = 54% ao ano.
resposta: 54% ao ano.

Exemplo 5: A taxa de juros de 0,03% ao


dia, equivale a quantos % ( por cento) ao ano,
levando-se em consideração o ano civil?

Solução: ( 0,03% ao dia ) x 365 = 10,95%


ao ano.
i = 10,95% ao ano.
resposta: 10,95% ao ano.

a) A taxa de juros de 12,0 % ao ano, equivale a


quantos % ( por cento) ao mês?
_______________________________________
_______________________________________

b) A taxa de 1,8 % ao mês equivale a quantos


% (por cento) ao ano?
_______________________________________
20 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade I

3.2 – JURO EXATO E JURO COMERCIAL Uma família pobre tende a utilizar o pou-
co dinheiro conseguido para comprar gêneros
Geralmente, nas operações correntes, a alimentícios. O restante do dinheiro, geralmen-
curto prazo, os bancos comerciais utilizam o te, é utilizado para o pagamento de serviços de
prazo n ( tempo ) expresso em dias. Assim, no água, luz e esgoto.
cálculo do juro exato, teremos a taxa de juros i Em uma família abastada, além dos gas-
dividida por 365 dias, pois o ano utilizado é o tos com alimentos, água tratada e eletricidade,
ano civil. costuma-se também gastar com roupas, carros,
No cálculo do juro comercial, teremos a viagens, clínicas de beleza e estética, entre ou-
taxa de juros i dividida por 360 dias, pois o ano tras coisas mais.
utilizado é o ano comercial. Assim, um aumento nos preços dos pro-
i dutos de beleza e rejuvenescimento, terá peso
Juro Exato ⎯
⎯→ J = C x 365 x n. zero no custo de vida da família pobre e um
acréscimo no orçamento da família rica.
Em suma, o custo de vida aumenta quan-
i do um produto que possui um determinado
Juro Comercial ⎯
⎯→ J = C x 360 x n.
peso nas contas mensais, sofre também um au-
mento.
Obs: As fórmulas do juro exato e do juro
comercial serão abordadas no tópico capitali- EXEMPLO DE AUMENTO DO
zação simples. Por enquanto, basta compreen- CUSTO DE VIDA
der que as divisões feitas nas duas fórmulas fo-
ram necessárias para que, a unidade de tempo, Um casal gasta de seu orçamento mensal
entre n e i, fossem iguais. 12% com alimentação, 10% com vestuá-
rio, 8% com plano de saúde e 5% com o
4. INFLAÇÃO lazer.

A inflação é caracterizada por um au- Acontece, então, uma elevação geral nos
mento geral e cumulativo dos preços. Esse au- preços, acrescentando um aumento de 3%
mento não atinge apenas alguns setores, mas o nos gastos com alimento, 5% nos gastos com
bloco econômico, como um todo. O aumento vestuário, 4% nos gastos com plano de saú-
cumulativo dos preços acontece de forma con- de e 2% nos gastos com o lazer. Calcule o
tínua, prolongando-se, ainda, por um tempo aumento do custo de vida no mês.
indeterminado.
O Estado, em associação com a rede ban- Solução:
cária, aumenta o volume do montante dos meios
de pagamento para atender a uma necessidade Para o cálculo do aumento, proporciona-
de demanda por moeda legal. Associado a esse do por cada produto, deve-se multiplicar
aumento do montante de pagamento aconte- o gasto no orçamento na forma unitária
ce, também, o aumento dos preços. com o aumento dos produtos na forma
O aumento dos preços gera a elevação do unitária.
custo de vida, popularmente chamado de ca-
restia. Alimentos: 0,12 x 0,03 = 0,0036.
O custo de vida apresenta-se com peso Vestuário: 0,10 x 0,05 = 0,005.
variado nas diferentes classes econômicas. Plano de Saúde: 0,08 x 0,04 = 0,0032.
Lazer: 0,05 x 0,02 = 0,001.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 21
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Gasto no Gasto no Orçamento Aumento dos Aumento dos Produtos


Produtos Orçamento na Forma Unitária Produtos na Forma Unitária
Alimentos 12% 0,12 3% 0,03
Vestuário 10% 0,10 5% 0,05
Plano de Saúde 8% 0,08 4% 0,04
Lazer 5% 0,05 2% 0,02

Aumento do Custo do Aumento do Custo do


Produtos Produto na Forma Unitária Produto na Forma Percentual
Alimentos 0,0036 0,36%
Vestuário 0,005 0,50%
Plano de Saúde 0,0032 0,32%
Lazer 0,001 0,10%

Com o somatório dos aumentos de cada


produto na forma percentual obtemos o au-
mento do custo de vida no mês em questão:
0,36% + 0,50% + 0,32% + 0,10% = 1,28%.
Nesse mês, o aumento no custo de vida
para a família do exemplo foi de 1,28%, devi-
do a elevação dos preços de quatro produtos
utilizados pelo casal.

a) Decorar não é bom. Tente entender cada


incógnita e escreva abaixo a fórmula para
cálculo de juros simples.
_______________________________________
_______________________________________
_______________________________________
_______________________________________

b) Relendo as noções de inflação, com suas


palavras defina: o que vem a ser aumento do
custo de vida?
_______________________________________
_______________________________________
_______________________________________
_______________________________________

22 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

Unidade
II

¾ Conceituar os termos Capitalização, Juros simples e


compostos, Montante, Desconto;
¾ Realizar operações sobre, taxas de juros, regimes de capitalização;
¾ Refletir sobre a importância desses conhecimentos e operações, na
atualidade.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 23


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

24 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

5. CAPITALIZAÇÃO SIMPLES C = 8825 J = 8825 x 0,02 x 2


i = 2% ao mês = 0,02 J = 353
Capitalização é a formação ou acumula- n = 2 meses J = R$353,00
ção de bens de capital, de bem econômico. Em Obs: i e n estão na mesma unidade de
um processo de capitalização, a pessoa aplica tempo.
determinada quantia, por um certo período e
ao final recebe o capital empregado mais os ju- Exemplo 2: Se um capital de R$550,00
ros relativos a esse tempo. A soma, o ajuntamen- for aplicado durante 4 meses, à taxa de 9%
to dos juros obtidos com o capital empregado é ao ano, qual será o valor dos juros simples?
o que se chama capitalização. Solução: J = C x i x n.
Existem dois tipos de capitalização: sim- C = 550.
ples e composta 9%
No regime de capitalização simples, temos i = 9% ao ano ⎯
⎯→ = 0,75% ao
12
a taxa ( i ) incidindo somente sobre o capital
mês = 0,0075.
inicial ( C ), proporcionando, assim, a obten-
n = 4 meses.
ção de juros simples, ao final do período de tem-
J = 550 x 0,0075 x 4.
po ( n ).
J = 16,50.
No regime de capitalização composta,
J = R$16,50.
temos o capital principal, acrescido de juros
obtidos em mais de um período de aplicação.
Exemplo 3: Calcule o capital necessário
Assim, a cada nova aplicação, por outros perí-
para que haja um rendimento de
odos, tem-se um novo capital.
R$650,00, sabendo-se que a taxa utilizada
é de 5% ao mês e o período de tempo igual
5.1 – JUROS SIMPLES
a 6 meses.
* Juro produzido pelo capital C ao final de um
Solução: J = C x i x n, mas isolando-se C
período de tempo: J = C x i.
* Juro produzido pelo capital C ao final de n ( J
temos, C = J = 650.
vários ) períodos de tempo: J = C x i x n. i .n
650
FÓRMULA BÁSICA i = 5% ao mês = 0,05. C=
0,05 * 6
J=Cxixn n = 6 meses. C = 2166,67
C = R$2.166,67
Onde:
J = juros simples. Exemplo 4: Um capital de R$425,00 foi apli-
C = capital inicial ou principal. cado durante 6 meses, rendendo R$105,00
i = taxa de juros. de juros simples. Calcule a taxa mensal i.
n = tempo de aplicação ou prazo de tempo. Solução: J = C x i x n, mas isolando-se i
J
temos, i = .
Exemplo 1: Se um capital de R$8.825,00 C .n
for aplicado durante 2 meses, à taxa de 2% J = 105
ao mês, qual será o valor dos juros simples? 105
C = 425. i=
425 * 6
Solução: J = C x i x n n = 6 meses. i = 0,04117
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 25
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

i = 0,04117 está na forma unitária. Para


colocarmos o resultado na forma percentu-
al devemos multiplicar i por 100, ficando
então como resposta, i = 4,117% ao mês.

Na taxa i a unidade de tempo utilizada foi


o mês porque o período de aplicação esta-
va, em meses.

a) Calcule os juros simples de um capital de R$


35.400,00, aplicado durante 15 meses à taxa de
2,6 % ao mês.
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
____________________________________________________________________________________
__________________________________________

b) Calcule a taxa aplicada a um capital de R$


12.600,00, durante 3 meses, e que rendeu juros
simples de R$ 680,40.
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
____________________________________________________________________________________
__________________________________________

b) i = 1,80% a.m.
a) R$ 13.650,00.

26 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

5.2 – MONTANTE SIMPLES S


(ixn+1)=
C
À soma dos juros simples (relativo ao pe-
i = 16% ao mês = 0,16.
ríodo de aplicação) com o capital inicial ou prin-
cipal dá-se o nome de montante simples. 360.000
(i x n + 1) =
200.000
FÓRMULAS (i x n + 1) = 1,8.
i x n = 1,8 – 1.
S = J + C ou S = C x i x n + C i x n = 0,8.
S = C x ( i x n + 1) 0,16 x n = 0,8.
n = 5 meses.
Onde:
S = Montante Simples. A unidade utilizada para n foi meses, devi-
J = Juros Simples. do ao fato, de i também estar em meses.
i = Taxa de Juros.
n = Período de Aplicação. 5.3 – DESCONTO SIMPLES

Exemplo 1: Um capital de R$1.550,00 foi Toda vez que se paga um título, antes da
aplicado durante um período de 8 meses, à data de seu vencimento, obtemos um desconto
taxa de 24% ao ano, no regime de capitali- (abatimento).
zação simples. Calcule o montante.
Algumas considerações:
Solução: S = J + C • Valor Nominal (VN) é o valor indicado
C = 1550. no título, na data de seu vencimento.
24% • Valor Atual (VA) é o valor do título no
i = 24% ao ano ⎯
⎯→ = 2% ao dia do seu pagamento antecipado, ou
12
seja, antes da data de vencimento.
mês = 0,02.
D =VN – VA
n = 8 meses.
Onde: D = Desconto.
J = C x i x n.
• Desconto Racional ou “Por Dentro”:
J = 1550 x 0,02 x 8.
Equivale aos juros simples produzidos pelo va-
J = 248.
lor atual, à taxa utilizada e ao período de tempo
S = J + C.
correspondente.
S = 248 + 1550.
S = 1798.
FÓRMULA
S = R$1.798,00.
VA DR VN
= =
Exemplo 2: Calcule o tempo no qual deve- 1 i .n 1 + i .n
se aplicar uma quantia de R$ 200.000,00,
para obter um montante simples de Onde:
R$360.000,00, à taxa de 16% ao mês. DR = Desconto Racional;
VA = Valor Atual;
Solução: C = 200.000. VN = Valor Nominal;
S = C x (i x n + 1) i = taxa;
S = 360.000. n = Período de Tempo.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Exemplo 1: Calcule o desconto racional para Exemplo 1: Calcule o desconto bancário


um título com valor atual de R$16.000,00, para um compromisso de valor nominal igual
à taxa de 2,6% ao mês e com prazo de 3 meses à R$ 2.700,00, à taxa de 18% ao ano, e pra-
para o vencimento. zo de 33 dias antes do vencimento. (Consi-
VA DR derar o ano comercial).
Solução: = VA = 16.000
1 i .n DB VN
Solução: = VN= 2.700.
i = 2,6% ao mês = 0,026 i .n 1
n = 3 meses. 18%
DR = VA x i x n i = 18% ao ano ⎯
⎯→ = 0,05%
360
DR = 16.000 x 0,026 x 3
ao dia = 0,0005.
DR = 1.248
DR = R$1.248,00
DB = VN x i x n
DB = 2700 x 0,0005 x 33
Exemplo 2: Se um empréstimo com valor atu-
DB = 44,55
al de R$ 750,00, calcule o desconto racional,
DB = R$44,55.
sabendo-se que a taxa de juros é de 12% ao
ano e o prazo é de 5 meses para o vencimento.
Exemplo 2: Calcule o desconto “por fora”
VADR para um pagamento antecipado, à taxa de
Solução: = VA = 750.
1 i .n 5,8% ao mês e prazo de 5 meses, sabendo-se
12% que o valor nominal é de R$ 42.000,00.
i = 12% ao ano ⎯
⎯→ = 1% ao mês = 0,01.
12
DR = VA x i x n DB VN
Solução: = VN = 42.000
DR = 750 x 0,01 x 5 i .n 1
DR = 37,5 i = 5,8% ao mês =
DR = R$37,5. 0,058.

• Desconto Bancário ou Comercial ou “Por DB = VN x i x n


Fora”: DB = 42.000 x 0,058 x 5
DB = 12.180
Equivale aos juros simples produzidos DB = R$12.180,00.
pelo valor nominal, à taxa utilizada e ao perío-
do de tempo correspondente. • Considerações finais dentro da
capitalização simples:
FÓRMULA
- Como calcular uma taxa acumulada (ao ano)
VA DB VN que é aplicada pelo período de n meses:
= =
1 − i .n i .n 1
Exemplo: No regime de capitalização simples,
calcular a taxa acumulada a 36% ao ano, apli-
Onde:
cada durante 8 meses.
DB = Desconto Bancário
VA = Valor Atual;
Solução:
VN = Valor Nominal;
1º) Verifica-se a taxa, neste caso i =36%
i = Taxa;
ao ano;
n = Período de Tempo.
28 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

2º) Verifica-se o número de meses de apli-


cação, neste exemplo são 8 meses;

3º) Calcula-se o valor da taxa i no mês;


36%
ex.: = 3% ao mês.
12

4º) Multiplica-se a taxa encontrada pelo


número de meses;
ex.: 3% x 8 = 24%.

5º) Resultado Final: 24%.

a) Calcule o tempo necessário para aplicar uma


quantia de R$ 100.000,00, e obter um montante
simples de R$ 180.000,00, à taxa de 8 % ao mês.
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

b) Se um empréstimo foi feito com valor atual


de R$ 1.500,00, calcule o desconto racional,
sabendo-se que a taxa de juros é de 6% ao ano
e o prazo é de 10 meses para o vencimento.
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

b) R$ 900,00.
a) t = 10 meses.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 29


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

6. CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA j = 829,30 x [1,073742 − 1]


j = 61,15
Como foi visto anteriormente, no início j = R$ 61,15.
de uma aplicação, temos o capital principal;
após um período, esse capital sofre uma remu- Exemplo 2: Calcule o valor dos juros com-
neração (juros), sendo então, capital e juros so- postos para um capital de R$777,56, aplica-
mados para, assim, formarem um novo capital do à taxa de 6% ao ano, durante um período
(1º montante). de 2 meses.
Esse novo capital, após um segundo perí-
odo, sofre uma outra remuneração (juros), sen- Solução: C = 777,56.
do então, novo capital e juros somados para,
assim, formarem um segundo montante. (E as- i = 6% ao ano = 0,5%
sim por diante).
Então as remunerações acontecerão sem- ao mês = 0,005. [
j = C x (1 + i )n − 1 ]
pre, “em cima” do montante do período ante- n = 2 meses.
[ ]
rior, caracterizando o que chamamos de capi-
talização composta. j = 777,56 x (1 + 0,005)2 − 1
j = 777,56 x [(1,005) 2
−1 ]
6.1 – JUROS COMPOSTOS
j = 777,56 x [1,010025 − 1]
FÓRMULA j = 7,80 j = R$7,80.

[
j = C x (1 + i )n − 1 ] 6.2 – MONTANTE COMPOSTO




FÓRMULA
Onde:
j = Juros Compostos;
s = C x ( 1+i ) n
C = Capital Inicial;
( 1+i ) n = Fator de Capitalização;
Onde:
i = Taxa de Juros;
s = Montante Composto;
n = Período de Tempo.
C = Capital Principal;
( 1+i ) n = Fator de Capitalização.
Exemplo 1: Ao se aplicar um capital de
R$829,30, no regime de capitalização com- i = Taxa de Juros;
posta, por um período de 3 meses, à taxa de n = Período de Tempo.
2,4% ao mês, qual será o juro obtido?
Exemplo 1: Calcule o montante composto para
Solução: C = 829,30. um capital de R$627,43, aplicado à taxa de 2%

[ ]
ao bimestre, durante um período de 6 meses.
j = C x (1 + i )n − 1
i = 2,4% ao mês = 0,024. Solução: C = 627,43.
[
j = 829,30 x (1 + 0,024 )3 − 1 ] i = 2% ao bimestre = 0,02.
n = 6 meses
n = 3 meses.
Como 6 meses correspondem a três bimes-
[
j = 829,30 x (1,024 ) − 1
3
] tres, o n será igual a 3, pois o período de
capitalização é bimestral.
30 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

s = C x ( 1+i ) n Exemplo 4: Calcule a taxa composta para


s = 627,43 x (1+0,02) 3 que, um capital de R$300,00, consiga gerar
s = 627,43 x (1,02) 3 um montante de R$ 4.800,00, em um perí-
odo de 2 meses.
s = 627,43 x (1,061202)
Solução: C = 300.
s = 665,83
s = C x (1+i ) n
s = R$665,83.
s
(1+i ) n =
Exemplo 2: Calcule o montante produzido C
por um capital de R$15.600,70, aplicado à 4.800
(1+i ) =
2
taxa de 7,2% ao mês, durante 4 meses.
300
Solução: C = 15.600,70. (1+i ) 2 = 16.
s = C x ( 1+i ) n (1+i ) = 16
s = 4.800
i = 7,2% ao mês = 0,072. 1+ i = 4 n = 2 meses
s = 15.600,70 x (1+0,072) 4 i=4–1
n = 4 meses. i=3
s = 15.600,70 x (1,072) 4
s = 15.600,70 x (1,320623) • i = 3 representa a taxa na forma unitária;
s = 20.602,64. • Ao multiplicarmos por 100 obteremos
s = R$20.602,64. a taxa i na forma percentual: i = 300%;
• Para se descobrir a unidade de tempo
Exemplo 3: Calcule o capital que gera um da taxa, é só lembrar que, o período de
montante composto de R$7.656,70, à taxa tempo n está sendo usado em meses.
de 18% ao ano, durante um período de apli- • Resposta: i = 300% ao mês.
cação de 4 meses.
Solução: s = 7.656,70.
18%
i = 18% ao ano ⎯
⎯→ = 1,5%
12
ao mês = 0,015.
n = 4 meses.
s = C x ( 1+i ) n a) Ao se aplicar um capital de R$ 5.000,00, no
s regime de capitalização composta, por um
C= período de 4 meses, à taxa de 3,0% ao mês,
(1 + i )n
qual será o juro obtido?
7.656,70 ______________________________________
C= ______________________________________
(1 + 0,015)4
______________________________________
7.656,70
C=
(1,015) 4 b) Calcule a taxa mensal que, aplicada a um
7.656,70 capital de R$ 7.300,00 durante quatro meses,
C= rendeu juros compostos de R$ 601,75.
1,061363
______________________________________
C = 7.214,03. ______________________________________
C = R$ 7.214,03. ______________________________________
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

6.3 – DESCONTO COMPOSTO Exemplo 2: Calcular o valor atual de um


título de R$753,53, à taxa de 18% ao ano, 3
No desconto composto, a taxa incide so- meses antes do vencimento.
bre uma determinada quantia que equivale ao
capital. Essa determinada quantia é chamada Solução: VN = 753,53.
de valor atual. 18%
Nos cálculos deste tipo de desconto, o i = 18% ao ano ⎯
⎯→ = 1,5%
12
montante, equivale ao valor nominal.
ao mês = 0,015.
n = 3 meses.
FÓRMULA:
VN = VA x (1 + i )n
VN = VA x (1 + i )n D = VN - VA VN
VA =
(1 + i )n
Onde:
VN = Valor Nominal;
VA = Valor Atual; 753,53
D = Desconto Composto.
VA =
(1 + 0,015)3
753,53
VA =
Exemplo 1: Determine o desconto compos- 1,045678
to de um capital de R$1.250,52, à taxa de VA = 720,61
1,7% ao mês, 2 meses antes do vencimento. VA = R$ 720,61.

Solução : VN = 1.250,52. • Considerações finais dentro da capitalização


i = 1,7% ao mês = 0,017. composta:
n = 2 meses.
- Cálculo do montante a partir de uma
série de vários depósitos:
VN = VA x (1 + i )n
VN FÓRMULA:
VA =
(1 + i )n
1.250,52 (1 + i )n − 1
M = Dep x
VA =
(1 + 0,017 )2 i

1.250,52 Onde:
VA =
(1,017 )2 M = Montante;
Dep = Depósitos.
1.250,52
VA =
1,034289 Exemplo: Calcule o montante de uma série
VA = 1.209,06. de 4 depósitos de R$ 230,00 cada um, efe-
D = VN – VA tuados no fim de cada mês, à taxa de 2% ao
D = 1.250,52 – 1.209,06 mês, após o quarto depósito.
D = 41,46
D = R$41,46. Solução: Dep = 230.
i = 2% ao mês = 0,02.
32 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA – Unidade II

(1 + i )n − 1
M = Dep x
i
(1 + 0,02 )4 − 1
M = 230 x a) Um título bancário no valor de R$ 18.500,00
0,02
foi descontado 4 meses antes de seu
(1,02 )4 − 1 vencimento, gerando um valor líquido para o
M = 230 x
0,02 credor de R$ 12.500,00. Qual a taxa de
desconto percentual mensal usada na operação?
(1,082432 ) − 1 _______________________________________
M = 230 x
0,02 _______________________________________
0,082432
M = 230 x
0,02
M = 230 x 4,1216 1. i = 12% a.m.
M = 947,96
M = R$947,96.

• Equivalência entre taxa anual composta e


taxa mensal composta:

FÓRMULA:

(1 + i a ) = (1 + im )12 (1 + i a ) = (1 + i m )12

Onde:
ia= Taxa anual composta;
im= Taxa mensal composta.

Exemplo: Determine a taxa anual composta


equivalente à taxa mensal de 3%.
Solução:
(1 + i a ) = (1 + im )12
(1 + i a ) = (1 + 0,03)12
(1 + i a ) = (1,03)12
(1 + ia ) = (1,425760)
i a = 1,425760 - 1
i a = 0,425760

Ao se multiplicar a taxa anual composta


por 100, obtém-se o valor da referida taxa
na forma percentual, ficando o valor igual
a 42,5760%.
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34 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA

6. Uma mesa de escritório foi comprada por R$


275,00 e vendida por R$ 345,00. Calcule o lucro,
na forma percentual, sobre o preço de compra:
a) 25,45%
b) 25,75%
c) 22,40%
16 d) 23,45%
1. Escreva a fração na forma percentual: e) 26,40%
18
a) 88,889%
7. Uma mercadoria foi comprada por R$ 150,00
b) 86,800%
e vendida por R$ 205,00. Calcule o lucro, na
c) 80,600%
forma percentual, sobre o preço de venda:
d) 90,889%
a) 25,20%
e) 92,800%
b) 26,75%
c) 25,89%
2. A taxa de juros de 23,5% na forma uni-
d) 26,50%
tária é:
e) 26,83%
a) 235,0
b) 0,023
8. Um monitor de computador foi vendido com
c) 023,5
um prejuízo de 9% sobre o preço de venda.
d) 02,35
Calcule o preço de venda sabendo-se que o
e) 0,235
preço de custo foi de R$ 327,00:
a) R$ 300,00
3. Calcular o valor do somatório de: 42% de
b) R$ 305,00
350 com 16% de 102:
c) R$ 310,00
a) 160,40
d) R$ 295,00
b) 163,32
e) R$ 290,00
c) 165,45
d) 167,32
9. Em uma determinada operação imobiliária
e) 161,23
(compra e venda), a taxa de prejuízo para o pre-
ço de venda foi de 2 para 6. Determine o preço
4. Dividir o número 540 em partes proporcio-
de venda sabendo-se que o preço de custo foi
nais aos números 4, 5 e 6:
de R$ 705,00:
a) 148, 180, 212.
a) R$ 515,45
b) 180, 212, 148.
b) R$ 522,75
c) 100, 200, 240.
c) R$ 538,75
d) 144, 180, 216.
d) R$ 532,75
e) 200, 216, 124.
e) R$ 528,75
5. Dividir o número 325 em partes inversamen-
10. A taxa de juros de 24% ao ano, considerando-
te proporcionais aos números 2, 3 e 4:
se o ano comercial, equivale a quantos % ao dia?
a) 200, 100, 25.
a) 0,050% ao dia.
b) 50, 75, 200.
b) 0,056% ao dia.
c) 150, 100, 75.
c) 0,067% ao dia.
d) 300, 10, 15.
d) 0,072% ao dia.
e) 20, 85, 220.
e) 0,035% ao dia.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 35
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

11. A taxa de juros de 18% ao ano, equivale a 16. Calcule o montante de uma série de 3 de-
quantos % ao mês? pósitos de R$ 150,00 cada um, efetuados no
a) 1,50% ao mês. fim de cada mês, à taxa de 1% ao mês, após o
b) 1,30% ao mês. terceiro depósito:
c) 1,25% ao mês. a) R$ 450,47
d) 1,35% ao mês. b) R$ 454,51
e) 1,55% ao mês. c) R$ 460,51
d) R$ 458,87
12. A taxa de juros de 3,75% ao mês, equivale e) R$ 465,00
a quantos % ao ano?
a) 40% ao ano. 17. Calcule o montante, da aplicação de um
b) 45% ao ano. capital de R$ 35.000,00, durante um período
c) 35% ao ano. de 4 meses, a juros compostos de 7% ao mês:
d) 30% ao ano. a) R$ 50.887,86
e) 42% ao ano. b) R$ 48.787,90
c) R$ 46.560,86
13. Calcule os juros simples para um d) R$ 45.877,86
capital de R$ 823,00, aplicado à taxa e) R$ 42.900,86
de 24% ao ano, durante um período
de 6 meses: 18. No regime de capitalização simples, a taxa
a) R$ 101,00. acumulada a 18% ao ano, aplicada durante 4
b) R$ 99,40. meses é de:
c) R$ 98,76. a) 7%
d) R$ 95,20. b) 4%
e) R$ 97,40. c) 6%
d) 8%
14. Calcule a taxa necessária para transfor- e) 10%
mar R$ 15.000,00 em R$ 25.000,00 no
prazo de 3 meses no regime de capitalização 19. No regime de capitalização composta,
simples (juros simples): determine a taxa anual equivalente à taxa
a) 22,22% ao mês. mensal de 1,5%:
b) 22,23% ao ano. a) 19,56%
c) 2,22% ao ano. b) 20,06%
d) 2,22% ao mês. c) 22,07%
e) 88,22% ao mês. d) 18,40%
e) 18,56%
15. Aplicando-se a juros simples a quantia de
R$ 30.000,00, durante 8 meses, à taxa de 5% 20. Um capital C foi aplicado em um sistema de
ao mês, qual será o montante obtido no final capitalização que, pagou juros compostos, à taxa
do período? de 10% ao mês. Após um bimestre, o montante
a) R$ 34.000,00 era de R$ 1.050,00. Calcule o valor do capital C:
b) R$ 36.000,00 a) R$ 850,50
c) R$ 38.000,00 b) R$ 855,46
d) R$ 40.000,00 c) R$ 867,76
e) R$ 42.000,00 d) R$ 870,40
e) R$ 872,76
36 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
MATEMÁTICA FINANCEIRA

21. Um capital de R$ 2.330,00 eleva-se para 26. Calcule o montante produzido pelo capi-
R$ 2.790,00 , em 1 ano, no regime de capita- tal de R$ 7.702,00, a juros compostos de 6,2%
lização simples. Calcule a taxa de aplicação ao ao ano, em um período de 3 anos:
ano. a) R$ 8.340,00
a) 19,50% ao ano b) R$ 8.400,65
b) 19,74% ao ano c) R$ 8.686,65
c) 18,56% ao ano d) R$ 8.540,70
d) 13,74% ao ano e) R$ 7.680,00
e) 15,64% ao ano
27. Calcule o valor do desconto composto para
22. Calcule o montante simples para um capi- uma dívida de R$ 6.000,00 que foi desconta-
tal de R$11.111,00, aplicado por um período da 1 ano antes do vencimento, à taxa de 15%
de 72 dias, à taxa de 18% ao ano: ao ano:
a) R$ 11.350,60 a) R$ 640,00
b) R$ 11.430,23 b) R$ 690,61
c) R$ 12.400,00 c) R$ 794,61
d) R$ 11.510,99 d) R$ 760,60
e) R$ 10.540,99 e) R$ 782,61

23. Uma Letra de R$ 555,55 reduziu-se a R$ 28. Um produto obteve dois aumentos conse-
490,00 quando foi paga um mês antes do ven- cutivos de 5% e 9%. No regime de capitaliza-
cimento. Calcule a taxa de desconto comercial ção composta, calcule o aumento final do pro-
simples: duto:
a) 12,33% ao mês a) 12,45%
b) 11,55% ao mês b) 13,00%
c) 13,55% ao mês c) 13,45%
d) 12,40% ao mês d) 14,00%
e) 11,80% ao mês e) 14,45%

24. Sabendo-se que a taxa semestral é de 3,24%, 29. Calcule a taxa semestral proporcional a
calcule o valor da taxa nominal anual: 47,42% ao ano:
a) 6,40% ao ano a) 4,74%
b) 6,48% ao ano b) 20,42%
c) 5,72% ao ano c) 25,00%
d) 6,58% ao ano d) 23,71%
e) 6,48% ao mês e) 23,00%

25. Calcular os juros compostos de um capital 30. Calcule os juros simples para um capital de
de R$ 14.401,00, à taxa de 8,6% ao ano, du- R$ 57,57, à taxa de 9% ao mês,durante um
rante um período de 3 anos: período de 23 dias:
a) R$ 4.300,00 a) R$ 4,50
b) R$ 3.390,15 b) R$ 5,97
c) R$ 4.100,15 c) R$ 3,97
d) R$ 4.044,15 d) R$ 2,62
e) R$ 4.032,00 e) R$ 3,45

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 37


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

38 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


MATEMÁTICA FINANCEIRA

BIBLIOGRAFIA

ARRUDA, J. J. A (1988) História Moderna e Contemporânea. 3ª Ed. São


Paulo: Editora Ática, 263p.

COSTA, B. C. A (1996) Concursos Públicos - Matemática Geral e Financeira.


2ª Ed. Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 206 p.

CRESPO, A A. (1991) Matemática Comercial e Financeira. 6ª Ed. São Paulo:


Editora Saraiva.

D’AMBRÓSIO, N. & D’AMBRÓSIO, U. (1977) Matemática Comercial e


Financeira com complementos de matemática e introdução ao cálculo. 25ª Ed.
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 287 p.

FARIA, R. G. (1979) Matemática Comercial e Financeira. Belo Horizonte:


Editora Mc Graw-Hill do Brasil, 219 p.

MARZAGÃO, L. J. (1996) Matemática Financeira: noções básicas. Belo


Horizonte: Edição do Autor, 173 p.

SANTOS, C. A. M.; GENTIL, N. & GRECO, S. E. (2003) Matemática.


Série Novo Ensino Médio – Volume Único. São Paulo: Editora Ática, 424 p.

SINGER, P. (1983) Guia da Inflação para o povo. 9ª Ed. Petrópolis: Vozes,


80 p.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 39


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

GABARIT
GABARITOO

1-A 16-B
2-E 17-D
3-B 18-C
4-D 19-A
5-C 20-C
6-A 21-B
7-E 22-D
8-A 23-E
9-E 24-B
10-C 25-D
11-A 26-C
12-B 27-E
13-C 28-E
14-A 29-D
15-E 30-C

40 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


INEDI – Cursos Profissionalizantes

Técnico em Transações Imobiliárias

Noções de
Economia e Mercados
MÓDULO 03

BRASÍLIA – 2005
Os textos do presente Módulo não podem ser reproduzidos sem autorização do
INEDI – Instituto Nacional de Ensino a Distância
SDS – Ed. Boulevard Center
Center,, Salas 405/410 – Brasília - DF
Telefax: (0XX61) 3321-6614

CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS – TTI

COORDENAÇÃO NACIONAL
André Luiz Bravim – Diretor Administrativo
Antônio Armando Cavalcante Soares – Diretor Secretário
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Maria Alzira Dalla Bernardina Corassa – Pedagoga
COORDENAÇÃO DIDÁTICA COM ADAPTAÇÃO PARA EAD
Neuma Melo da Cruz Santos – Bacharel em Ciências da Educação
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO
José de Oliveira Rodrigues – Extensão em Didática
Josélio Lopes da Silva – Bacharel em Letras
EQUIPE DE APOIO TÉCNICO: INEDI/DF
André Luiz Bravim
Rogério Ferreira Coêlho
Robson dos Santos Souza
Francisco de Assis de Souza Martins

PRODUÇÃO EDITORIAL
Luiz Góes
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E CAPA
Vicente Júnior
IMPRESSÃO GRÁFICA
Gráfica e Editora Equipe Ltda

____________________, Economia e Mercados, módulo III, INEDI,


Curso de Formação de Técnicos em Transações Imobiliárias, 2
Unidades. Brasília. Disponível em: www.inedidf.com.br. 2005.

Conteúdo: Unidade I: conceitos; lei da oferta e da procura –


Unidade II: unidades monetárias – Exercícios

347.46:645
C836m
Caro Aluno

O início de qualquer curso é uma oportunidade repleta de expectativas. Mas um


curso a distância, além disso, impõe ao aluno um comportamento diferente, ensejando
mudanças no seu hábito de estudo e na sua rotina diária, porque estará envolvido com
uma metodologia de ensino moderna e diferenciada, proporcionando absorção de
conhecimentos e preparação para um mercado de trabalho competitivo e dinâmico

O curso Técnico em Transações Imobiliárias ora iniciado está dividido em nove


módulos. Este módulo 03 traz para você a básica disciplina Economia e Mercados que
dividida em duas grandes unidades de estudo, apresenta, dentre outros itens essenciais,
os conceitos fundamentais, a lei da oferta e da procura, as instituições monetárias do
nosso país, o estudo dos preços e do ponto de equilibrio, além de exercícios de fixação,
testes para avaliar seu aprendizado e lista de vocabulário técnico que, com certeza, será
indispensável no seu desempenho profissional.Trata-se, como você pode perceber, de
uma completa, embora sintética, habilitação no âmbito desse conhecimento tão decisivo
para o futuro profissional do mercado imobiliário.

Se o ensino a distância garante maior flexibilidade na rotina de estudos também é


verdade que exige do aluno mais responsabilidade. Nós, do INEDI , proporcionamos
as condições didáticas necessárias para que você obtenha êxito em seus estudos, mas o
sucesso completo e definitivo depende do seu esforço pessoal. Colocamos à sua
disposição, além dos módulos impressos, um completo site (www.inedidf.com.br)
com salas de aula virtuais, fórum com alunos, tutores e professores, biblioteca virtual e
salas para debates específicos e orientação de estudos.

Em síntese, caro aluno, o estudo dedicado do conteúdo deste módulo lhe permitirá
não só o domínio dos conceitos mais elementares de Economia e Mercados, como
também a melhor abordagem do consumidor, além do conhecimento dos instrumentos
básicos para que o futuro profissional possa atingir os seus objetivos no mercado de
imóveis. Enfim, ao concluir seus estudos neste módulo você terá vencido uma importante
etapa para atuar com destaque neste seguimento da economia nacional.

Boa sorte!
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.......... ...................................................................................................07

UNIDADE I
1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA ..............................................................................11
1.1 – Conceito de economia ...................................................................................11
1.2 – O problema fundamental da economia ..........................................................11
1.3 – Quatro perguntas fundamentais .....................................................................12
1.4 – A curva de possibilidades de produção .........................................................13
1.5 – Os fatores de produção .................................................................................14
1.6 – O sistema econômico ....................................................................................15

2. TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA ...............................................................16


2.1 – Curva de demanda ........................................................................................16
2.2 – Bens complementares e bens substitutos ........................................................17

3. TEORIA ELEMENTAR DA PRODUÇÃO .............................................................19


3.1 – A função de produção ...................................................................................19
3.2 – Custo de produção, receita e lucro .................................................................19
3.3 – Curva de oferta .............................................................................................20

4. O MERCADO...... .....................................................................................................22
4.1 – O preço de equilíbrio ....................................................................................22
4.2 – Classificação dos mercados ...........................................................................22

5. CONSUMO E POUPANÇA .....................................................................................24


5.1 – Componentes do consumo ............................................................................24
5.2 – Poupança e investimento ...............................................................................24

6. EMPREGO......... ......................................................................................................25
6.1 – Mercado de Trabalho ....................................................................................25
6.2 – Oferta e demanda de emprego .......................................................................25

UNIDADE II
7. ECONOMIA MONETÁRIA ....................................................................................29
7.1 – A moeda: sua história e suas modalidades ......................................................29
7.2 – Funções de moeda ........................................................................................30
7.3 – Demanda e oferta de moeda ..........................................................................31
7.4 – As taxas de juros de equilíbrio .......................................................................32

8. SISTEMA FINANCEIRO .........................................................................................32


8.1 – A organização do sistema financeiro nacional .................................................33
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

9. INFLAÇÃO........... ....................................................................................................34
9.1 – A definição e a medida da inflação .................................................................34
9.2 – As conseqüências da inflação .........................................................................34
9.3 – Inflação de demanda e inflação de custo .........................................................34
9.4 – A inflação no Brasil .......................................................................................35

10. O SETOR EXTERNO ............................................................................................38


10.1 – O Balanço de Pagamentos ...........................................................................38
10.2 – Taxa de câmbio ...........................................................................................38
10.3 – Organismos internacionais ...........................................................................39

11. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ................................40


11.1 – Crescimento e desenvolvimento ...................................................................40
11.2 – Fontes de crescimento .................................................................................40
11.3 – Indicadores de desenvolvimento ..................................................................41

12. POLÍTICAS MACROECONÔMICAS ....................................................................42


12.1 – Definições ...................................................................................................42
12.2 – Metas de política macroeconômica ..............................................................42
12.3 – Instrumentos de política macroeconômica ...................................................42

13. GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA .........................................................................44


13.1 – O processo de globalização .........................................................................44
13.2 – As conseqüências da globalização ................................................................44

TESTE SEU CONHECIMENTO .................................................................................46


GLOSSÁRIO .............................................................................................................54
BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................60
GABARITO........ ..........................................................................................................61

6• INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS

INTRODUÇÃO

Uma das maneiras de estar no mundo, é por meio do conhecimento


que você adquire. Ele é construído de diversas formas, na escola, no trabalho,
em casa.

O que se deseja e se espera das pessoas envolvidas no mercado


imobiliário é a consciência e o cumprimento da responsabilidade na busca
do conhecimento que, com certeza, irá colaborar para a realização de suas
aspirações.

A economia, enquanto ciência social aplicada, se preocupa com o


problema da escassez, oferecendo ou tentando oferecer alternativas
apropriadas para a solução desse mal que assola, de diversas maneiras, todo
o mundo. A fome, o desemprego, a inflação são algumas das preocupações
por parte daqueles que exercem a profissão de economista.

O profissional da intermediação imobiliária não está divorciado da


preocupação em se resolver o problema da escassez. Na verdade, no seu dia-
a-dia, ele lida com pessoas que têm necessidades ilimitadas e recursos limitados.
Essas pessoas confiam, então, um patrimônio imobiliário, que na maioria das
vezes é o único bem que elas tem, a esses profissionais, com a intenção de que
os mesmos os comercializem, tanto na venda como na compra, buscando
assim aumentar os limites dos seus recursos.

Este módulo tem a intenção de oferecer ao profissional do ramo


imobiliário um importante instrumento para a construção do seu
conhecimento. Ele foi escrito de uma maneira clara e sistematizada, buscando
sempre facilitar o entendimento de uma área do saber que é a economia. Os
conceitos, leis e teorias básicas da ciência econômica estão aqui apresentados,
de acordo com as principais bibliografias que tratam de tais questões.

Ao estudar esse material, você certamente estará dando passos firmes


na direção da construção do saber e é isso que faz a grande diferença entre o
profissional preparado e aquele fadado ao fracasso.

Invista em você mesmo, sendo aplicado nos estudos, e tenha uma vida
de vitórias e realizações.

Boa Sorte!

INEDI - Cursos Profissionalizantes •7


Unidade
I

¾ Conceituar Economia, Mercado, Produção, Demanda,


Oferta, Custo, Receita, Lucro, Consumo, Poupança, Crédito,
Emprego, Bens;
¾ Reconhecer características dos principais fatores e da função de
produção;
¾ Reconhecer características dos diversos tipos de mercado;
¾ Identificar os agentes econômicos;
¾ Refletir sobre a responsabilidade econômica do profissional da
área.
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

1. INTRODUÇÃO À No presente trabalho, adotaremos o se-


ECONOMIA guinte conceito de economia:

A economia passou a ser vista como ci- “A economia é a ciência que estuda as formas
ência a partir da Grécia antiga, onde tivemos de comportamento humano resultantes da rela-
os primeiros registros de trabalhos econômi- ção existente entre as ilimitadas necessidades a
cos. satisfazer e os recursos que, embora escassos,
A economia faz parte de uma ciência maior, se prestam a usos alternativos”.
denominada ciências sociais. A economia es- ROSSETTI (1997, p.52.)
tuda a ação econômica do homem, envolven-
do, essencialmente, o processo de produção, a A partir deste conceito, pode-se verifi-
geração e a apropriação da renda, o dispêndio car que a preocupação básica da economia se
(as despesas) e o processo de acumulação. refere aos escassos recursos para atender as
A economia, para que possa dar respos- necessidades ilimitadas.
tas aos problemas econômicos, procura o res- Tal conceito demonstra que a economia con-
paldo de outras áreas do conhecimento - das sidera o fato de que se pode ter necessidades ilimi-
ciências humanas, das ciências exatas (matemá- tadas para satisfazer e que os recursos para tal fim
tica) e outras ciências, com o objetivo de re- são escassos. Nesse caso, tem-se que escolher a
solver os problemas econômicos. melhor alocação dos recursos capazes de produ-
Em outras palavras, a economia, segun- zir o necessário para satisfazer as necessidades.
do Rossetti (1997), se preocupa com todos os Essas escolhas são feitas pelos agentes
aspectos que estejam relacionados à produção, econômicos. São agentes econômicos
distribuição, custos e acumulação de bens e • unidades familiares,
serviços. • empresas e
A economia se preocupa com grandes • governo
temas que interferem de uma ou de outra ma- A economia procura examinar as opções
neira na vida do homem. Dentre eles temos: viáveis que se apresentam aos agentes econô-
escassez de recursos, emprego, produção, micos para empregar os limitados recursos sob
trocas, valor, moeda, preços, mercados, con- seu comando, tomando decisões racionais di-
corrência, remunerações, agregados, transa- ante de várias alternativas.
ções, crescimento, equilíbrio, organização.
Tais temas fazem parte da vida do homem e 1.2 – O PROBLEMA FUNDAMENTAL
representam o campo de estudo da ciência DA ECONOMIA
econômica.
Segundo Rossetti (1997), o problema
1.1 – CONCEITO DE ECONOMIA fundamental da economia está relacionado ao
conflito entre os recursos limitados e necessi-
Devido à complexidade dos problemas dades ilimitáveis. Em outras palavras, o pro-
que envolvem o comportamento do homem, blema fundamental da economia se refere à
existem conceitos diferentes para a economia. escassez dos recursos de produção.
A cada época, devido às concepções políticas- Quando não se tem abundância relativa
ideológicas de cada sociedade, pode-se obser- dos recursos de produção, as necessidades não
var a economia sob um ângulo diferenciado. são completamente satisfeitas. Se todos os bens
Na medida em que novas preocupações fossem livres, a disponibilidade ilimitada de
de ordem econômica vão surgindo na vida do recursos seria de tal ordem que a obtenção de
homem, o seu conceito vai evoluindo. quaisquer bens não seria problema. Daí, não
10 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

necessitaria da ciência econômica, pois não A terceira questão é como produzir.


haveria problemas a resolver. Não haveria con- Como produzir para otimizar os recursos de
flitos de interesses. produção (terra, capital, trabalho, capacidade
Mas, são raros os bens que ainda são li- tecnológica e capacidade empresarial) face à
vres e que não temos que pagar para adquiri- sua escassez.
los. (água da chuva, por exemplo). A última pergunta fundamental diz res-
Até mesmo o ar que respiramos, que ain- peito a para quem produzir. Para quem vai
da é livre, vai, pouco a pouco, se transforman- ser direcionado o produto/serviço. Tal ques-
do em bem econômico. Daí surge a necessi- tionamento é importante para que se produza
dade da economia, para que se possa usufruir, o necessário para atender as necessidades da
da melhor maneira possível, desses recursos. sociedade.
Como nenhum sistema econômico foi As respostas a essas perguntas são ex-
capaz de satisfazer, plenamente, a todas as ne- tremamente relevantes para resolver os pro-
cessidades dos indivíduos (em termos de bens blemas econômicos que afetam as sociedades
e serviços), temos então a importância da eco- como um todo.
nomia, para ajudar a alocar recursos escassos Várias são as possibilidades de se pro-
para atender as necessidades ilimitadas. duzir bens/serviços, com a disponibilidade li-
Em todos os países, as unidades familia- mitada de recursos, para atendê-las. Neste sen-
res exigem mais e melhores produtos. As em- tido, essas possibilidades de produção podem
presas para produzi-los exigem equipamen- ser destinadas a uma variedade de combina-
tos de mais alta sofisticação, mais ágeis e mais ções de diferentes categorias de bens e servi-
produtivos. Os governos, para garantir a satis- ços que podem ser destinados à sociedade.
fação das necessidades dos outros agentes, têm
de fornecer mais infra-estrutura econômica e
social, melhores bens e serviços públicos. To-
dos necessitam da economia para auxiliá-los.

1.3 – QUATRO PERGUNTAS


FUNDAMENTAIS a) Para melhor apreender o que você leu nos
tópicos acima, escreva a seguir o conceito usual
Existem questões que acontecem em de economia:
todas as economias, independente do grau de _________________________________________
desenvolvimento que possuem. _________________________________________
A primeira questão diz respeito ao que _________________________________________
produzir. O que produzir com os recursos que
são escassos para atender as necessidades ili- b) Com suas palavras, releia o texto pertinente
mitadas da sociedade. Várias podem ser as al- e defina o que está caracterizado com sendo o
ternativas de produção, dentre elas o que pro- problema fundamental da economia.
duzir para usufruir e gastar da melhor maneira _________________________________________
possível os recursos que são limitados. _________________________________________
Quanto produzir se refere à segunda _________________________________________
questão. Quanto produzir de determinado pro-
duto ou produtos para atender as necessida- c) Quais são as quatro perguntas fundamentais
des da sociedade, para a sustentação do seu de quem inicia o estudo da economia?
bem-estar corrente e para a progressiva me- _________________________________________
lhoria do seu padrão de vida. _________________________________________
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 11
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

1.4 – A CURVA DE POSSIBILIDADE


DE PRODUÇÃO

A curva de possibilidade de produção


retrata as alternativas para a utilização dos re-
cursos, quando se compara a produção de dois
ou mais produtos.
Neste caso, os recursos não são suficien-
tes para produzir toda a quantidade de todos
os produtos para atender a sociedade, pois os
mesmos são escassos. Daí a escolha de alterna-
tivas entre o que se produzir de um e de outro
produto para atender as necessidades da po-
pulação.
Unidades Familiares, Empresas e Gover-
no, como agentes econômicos que se intera-
gem, participam direta ou indiretamente de
todas as transações que realizam dentro do sis-
tema econômico. Eles podem ser consumido-
res e/ou produtores dos bens/serviços que são
destinados a eles próprios enquanto agentes
econômicos.
Unidades familiares são todos os tipos
de unidades domésticas, unipessoais ou famili-
ares, com ou sem laços de parentesco, segun-
do as quais a sociedade como um todo se en-
contra segmentada.
As unidades familiares possuem e forne-
cem os recursos de produção (na forma de tra-
balho). Devido a isso, elas se apropriam de
diferentes categorias de rendas (que podem ser
salários, aluguéis, juros, etc.), e a partir daí de-
cidem como, quando e onde e em quê as ren-
das recebidas serão despendidas.
As empresas são os agentes econômicos
que empregam e combinam os recursos de
produção para a geração dos bens e serviços
que atenderão às necessidades de consumo e
de acumulação da sociedade. Essas empresas
são heterogêneas, ou seja, são de diversos ti-
pos e produzem diferentes produtos.
O governo é o agente coletivo que con-
trata diretamente o trabalho das unidades fa-
miliares e que adquire uma parcela da produ-
ção das empresas para proporcionar bens e
serviços úteis à sociedade, como um todo.
12 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

Esses agentes - unidades familiares, em- tão transformadas, são direcionadas para as
presas e governo - fazem parte do processo outras atividades de produção.
produtivo em que se tem que escolher entre É a partir da interação com os demais
alternativas diferentes, devido à escassez de fatores de produção que se viabiliza o efetivo
recursos. aproveitamento da terra. A consciência social
Todos os agentes econômicos, conside- sobre sua preservação e reposição é muito
rados isoladamente ou em conjunto, defron- importante, no intuito de que se tenha um me-
tam com essa restrição econômica. lhor aproveitamento.
As unidades familiares podem ter aspi-
rações ilimitadas, mas defrontam com a amar- b) Fator Trabalho
ga realidade dos recursos escassos, definidos
por orçamentos restritos proveniente de sua A população de um País é constituída
limitação de renda. por pessoas de diferentes idades, de várias fai-
Normalmente, alguma coisa é sacrifica- xas etárias. A partir de determinada faixa etá-
da em favor de outra. As prioridades decidi- ria, as pessoas começam a produzir, a render
das, não importam quais sejam, traduzem sem- bens e serviços para si e para a família. Ela
pre custos de oportunidade. Custos de se pro- desenvolve, então algum tipo de trabalho que
duzir um bem em detrimento do sacrifício de passa a ser um fator de economia.
outro. Em outras palavras, refere-se ao custo O Fator Trabalho é, portanto, consti-
de se deixar de produzir um bem em detrimen- tuído por uma parcela da população que con-
to de outro. tribui para o processo de produção. Essa
parcela é denominada população economicamente
1.5 – OS FATORES DE PRODUÇÃO ativa.
Essa parte da população total, conside-
Os fatores de produção representam os rada produtiva, é definida por faixas etárias
recursos disponíveis que, combinados, são di- Os limites da faixa etária considerada,
recionados para a produção de bens e/ou ser- economicamente ativa, variam em função de
viços para o atendimento das necessidades da dois fatores relevantes:
população. São considerados fatores de pro-
dução: • estágio de desenvolvimento da eco-
nomia,
• a Terra • e o conjunto de definições instituci-
• o Trabalho onais, geralmente expresso através
• o Capital da legislação social e previdenciária.
• a Capacidade Tecnológica.
• a Capacidade Empresarial Em todos os países, uma parcela da po-
pulação economicamente ativa, embora apta,
a) Fator Terra fica à margem do processo produtivo. É a
porção economicamente inativa. São, quase
O Fator Terra constitui a base sobre a sempre, os desempregados.
qual se exercem as atividades dos demais re-
cursos de produção. As reservas naturais, re- c) Fator Capital
nováveis ou não, encontram-se na base de todo
o processo de produção. Fator Capital é o conjunto das riquezas
As dádivas da natureza, aproveitadas acumuladas pela sociedade. Com o emprego
pelo homem em seus estados naturais ou en- dessas riquezas é que a população ativa se equi-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 13
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

pa para o exercício das atividades de produ- O processo de produção, em seus fun-


ção. Esse conjunto de riquezas dá suporte às damentos, acontece com a mobilização
operações produtivas realizadas por parte da combinada dos fatores terra, trabalho e ca-
sociedade. pital, sob determinado padrão tecnológi-
O fator capital é constituído pelas dife- co. E o fator mobilizador é a capacidade
rentes categorias de riqueza acumulada, empre- empresarial.
gadas na geração de novas riquezas.
Essas categorias são, também, chamadas 1.6 – O SISTEMA ECONÔMICO
de bens de investimento, tais como: máquinas,
equipamentos, instrumentos e ferramentas, Sistema econômico é a forma política,
energia, telecomunicações, transportes, educa- social e econômica pela qual está organizada
ção e cultura, saúde e saneamento, segurança, uma sociedade. É um sistema que organiza a
construções e edificações (prédios), plantações, produção, a distribuição e o consumo de bens
etc. Referem-se às riquezas utilizadas pelas e serviços destinados à população.
empresas para efetuar a produção. Represen- Fazem parte do sistema econômico:
tam os ativos das empresas, o seu patrimônio.
Caracterizam-se por aumentar a eficiência do • estoque de fatores de produção (Ter-
trabalho humano, para a produção de bens e ra, Capital, Trabalho, Capacidade Tec-
serviços. nológica e Capacidade Empresarial),
Em economia, entende-se como ple- • os agentes econômicos (unidades fami-
no emprego dos recursos de produção (ter- liares, empresas e governo) e um con-
ra, capital e trabalho) quando toda a popu- junto de instituições (normas jurídicas).
lação está empregada; não há desemprego
voluntário. O estoque dos fatores de produção cons-
titui a base da atividade econômica.
d) Fator Capacidade Tecnológica Nenhum sistema econômico é possível
sem que um conjunto de normas jurídicas dis-
O fator capacidade tecnológica é cons- cipline os deveres e as obrigações dos deten-
tituído pelo conjunto de conhecimentos e ha- tores dos recursos e das unidades que os em-
bilidades que dão sustentação ao processo pregarão. Daí o surgimento das complexas
de produção. Essa capacidade envolve des- instituições.
de os conhecimentos acumulados sobre as Os sistemas econômicos podem ser clas-
fontes de energia empregadas, passando pe- sificados em:
las formas de extração de reservas naturais,
pelo seu processamento, transformação e a) Sistema capitalista de produção – é o sis-
reciclagem, até chegar à configuração e ao tema regido pelas leis de mercado,
desempenho dos produtos finais resultantes. onde predominam a livre iniciativa e
É o elo de ligação entre o capital, a força de a propriedade privada dos fatores de
trabalho e o fator terra. produção;

e) Fator Capacidade Empresarial b) Sistema socialista – é o sistema no qual


as questões econômicas fundamentais
É através da capacidade empresarial que são resolvidas por um órgão central de
os recursos disponíveis são reunidos, organi- planejamento, predominando a propri-
zados e acionados para o exercício de ativida- edade pública dos bens de produção.
des produtivas.
14 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

2. TEORIA ELEMENTAR DA
DEMANDA

Demanda, em Economia, significa a pro-


cura por qualquer bem ou serviço, por deter-
a) Em poucas palavras escreva o que são Agen- minado preço e em determinado momento.
tes Econômicos: O estudo da demanda está alicerçado no
________________________________________ conceito de utilidade.
________________________________________ Utilidade é a qualidade que os bens eco-
nômicos possuem de satisfazer as necessidades
b) Os fatores de produção, base da economia, humanas. Esta utilidade difere de consumidor
são: para consumidor, uma vez que está baseada em
________________________________________ aspectos psicológicos ou a preferências.
________________________________________ Como esta utilidade visa satisfazer neces-
sidades humanas, ela tem que apresentar algum
c) Como podem ser classificados os sistemas valor. Utilidade é um conceito subjetivo, pois
econômicos? considera que o valor nasce da relação homem
________________________________________ com os bens e/ou serviços.
________________________________________ A demanda/procura pode ser definida
como a quantidade de um determinado bem
ou serviço que os consumidores desejam ad-
quirir em determinado período de tempo a um
determinado preço, mantidas constantes todas
as outras variáveis (ceteris paribus).
As outras variáveis que influenciam a es-
colha (demanda) do consumidor são:
• preço do bem ou serviço,
• o preço dos outros bens,
• a renda do consumidor,
• o gosto ou preferência do indivíduo.

Então, quando o preço de uma merca-


doria aumenta, tudo o mais permanecendo
constante, o consumidor perde o que chama-
mos de poder de compra.
Dentro do estudo da demanda, temos a
chamada Lei Geral da Demanda, que mostra
que há uma relação inversamente proporcio-
nal entre a quantidade demandada e o preço
do bem, ceteris paribus. Esta relação pode ser
vista pela Curva de Demanda.

2.1 – CURVA DE DEMANDA

A curva de demanda revela as preferên-


cias dos consumidores, sob a hipótese de que
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 15
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

estão maximizando sua utilidade, ou seja, es- 2.2 – BENS ECONÔMICOS


tão dando o mais alto grau de satisfação no
consumo daquele produto. Em Economia, BEM significa tudo aqui-
No exemplo da curva abaixo podemos lo que serve de elemento a uma empresa ou
verificar que para cada nível de preços as pes- entidade para a formação do patrimônio em-
soas estão dispostas a adquirir determinadas pregado para desempenhar a atividade produ-
quantidades de bens, onde quanto menor o tiva, útil para a produção direta ou indireta de
preço mais produtos elas estarão dispostas a seu lucro. È tudo aquilo que tem utilidade ma-
adquirir. A curva de demanda inclina-se de terial, prática e valor financeiro.
cima para baixo, no sentido da esquerda para Em Economia, os bens são classificados
a direita, tendo uma inclinação negativa, devi- como:
do a inversibilidade da relação preço e quanti-
dade demandada. • de Capital
• de Consumo – durável e não durável
• Intermediário
• Substituto
• Complementar

Bens de capital são os bens que servem


para produzir outros bens, como por exem-
plo, uma máquina de costura, ou seja, máqui-
nas e equipamentos que são utilizados para fa-
bricar outros bens.

Bens de consumo são aqueles que aten-


Outras variáveis podem influenciar a de- dem, diretamente, à demanda. Eles são desti-
manda como: nados ao consumo final dos consumidores.
Existem dois tipos de bens de consumo:
• a renda dos consumidores;
• os preços dos outros bens e serviços; • duráveis, por exemplo: televisores, ge-
• os hábitos e preferências dos consumi- ladeira, aparelho de som, carro, liqüidi-
dores; ficador, pois são bens que não possuem
• os gastos com propaganda e publici- consumo imediato.;
dade, etc.
• não duráveis, são bens destinados ao
Em teoria da demanda, o preço é um consumo final e são consumidos imedi-
conceito de extrema importância. O preço ex- atamente pelos consumidores, por exem-
pressa o valor de troca entre as mercadorias. plo: alimentos, produtos de higiene e
É sua expressão monetária de valor, que é uti- limpeza, etc.
lizado para calcular o valor das mercadorias.
A parte da economia que estuda a forma- Bens intermediários são os utilizados
ção de preços é dita microeconomia. Tal teoria para produzir outros bens, mas difere dos
trata além da formação de preços, da fixação de bens de capital, porque são consumidos du-
preços mínimos por parte do governo, dos efei- rante o processo produtivo. Por exemplo, o
tos dos impostos sobre mercados específicos e tecido que utilizado para produzir a camisa.
sobre os custos de produção, dentre outros. No final do processo não existe mais tecido,
16 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

mas sim camisa, enquanto a máquina de cos- b) Após sua pesquisa, responda quais as prin-
tura continua como tal, sendo utilizada para cipais variáveis que influenciam a demanda:
produzir outros bens. _______________________________________
_______________________________________
Bens substitutos são bens que interfe-
rem na demanda de um produto por parte do c) Tente descrever, com suas palavras, o que é
consumidor. Assim, quanto mais substitutos “ceteris paribus” :
houver para um bem e/ou serviço, mais op- _______________________________________
ções o consumidor terá à sua disposição para _______________________________________
decidir sobre a sua demanda. Neste caso, pe-
quenas variações em seu preço, para cima, por d) Para sedimentar o aprendizado, descreva
exemplo, farão com que o consumidor passe a o que é e como se classificam os bens econô-
adquirir mais de seu produto substituto, pro- micos:
vocando queda em sua demanda maior do que _______________________________________
a variação do preço. _______________________________________
Por exemplo, o consumidor tem sua de-
manda por uma certa quantidade de tomate,
que possui vários substitutos (repolho, cenou-
ra, vagem, pepino, abóbora, etc.). Neste caso,
qualquer variação de preço do tomate, por
menor que seja, leva o consumidor a trocar
uma certa quantidade (ou toda ela) de tomate
por quantidades de produtos substitutos.

Bens complementares são bens que ten-


dem a influenciar a demanda de outros bens.
São denominados bens complementares por-
que um está relacionado ao consumo do ou-
tro. Como por exemplo, o pão e a manteiga.
Neste caso, quando o preço do pão subir isto
ocasionará uma queda na demanda do próprio
pão e, conseqüentemente, na demanda da pró-
pria manteiga, que o consumidor utiliza para
passar no pão.

a) Pesquise no “glossário”, no texto da aposti-


la e em dicionário econômico e defina o que
vem a ser demanda:
_______________________________________
_______________________________________
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 17
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

3. TEORIA ELEMENTAR DA mais eficiente de combinar os fatores e, conse-


PRODUÇÃO qüentemente, obter a maior quantidade pro-
duzida do produto. Podemos representar a
A Teoria da Produção pode ser concei- função de produção, da seguinte maneira:
tuada pelo processo de transformação dos fa-
tores adquiridos pela empresa (terra, capital, Q = f(x1,x2,x3, ... , xn)
trabalho, capacidade tecnológica e capacidade
empresarial) em produtos ou serviços, para a Onde:
venda no mercado. (Vasconcellos - 2000). Q é a quantidade produzida do bem ou servi-
No processo de produção, diferentes in- ço, num determinado período de tempo;
sumos ou fatores de produção são combina-
dos de forma a produzir um bem final. x1,x2,x3, ... , xn identificam as quantidades
Insumos significa cada um dos elemen- utilizadas de diversos fatores de produção; e
tos necessários para produzir mercadorias ou
serviços. Ex. matéria prima, horas de serviço, f indica que Q depende da quantidade de insu-
equipamentos. mos utilizados.
As formas como os insumos são combi-
nados constituem os chamados métodos ou pro- 3.2 – CUSTO DE PRODUÇÃO,
cesso de produção. RECEITA E LUCRO
A escolha do método ou processo de
produção depende de sua eficiência. O objetivo básico de uma empresa é a
Um método de produção é, tecnicamente, maximização de seus resultados, de seu lucro
eficiente quando comparado com outros méto- quando da realização de sua atividade produ-
dos, utiliza menor quantidade de insumos para tiva, da combinação dos fatores de produção.
produzir uma quantidade equivalente do produ- Assim sendo, o empresário procura sempre
to. Um método de produção é economicamente obter a máxima produção possível em face da
eficiente, quando está associado ao método mais utilização de certa combinação de fatores.
barato relativamente a outros métodos. O resultado dito ótimo para empresa
poderá ser obtida quando for possível alcan-
3.1 – A FUNÇÃO DE PRODUÇÃO çar um dos seguintes objetivos: a) maximizar a
produção para um dado custo total ou b) minimizar o
A produção de alguma coisa requer uma custo total para um dado nível de produção.
certa quantidade física dos fatores de produ- Custos totais de produção são o total
ção, num determinada quantidade de tempo. das despesas realizadas pela empresa com uti-
Dessas quantidades empregadas vai re- lização da combinação mais econômica dos
sultar a obtenção de determinada quantidade fatores, por meio da qual é obtida uma deter-
física do produto pretendido. O resultado ob- minada quantidade do produto. Os custos
tido surge, portanto, em função das quanti- totais de produção (CT) são divididos em
dades de fatores e de tempo despendido. custos variáveis totais (CVT) e custos fixos
Em síntese, a função de produção é a totais (CFT):
relação que mostra a quantidade física obtida
do produto a partir da quantidade física utili- CT = CVT + CFT
zada dos fatores de produção num determina-
do período de tempo. Os custos fixos totais (CFT), corres-
A função de produção admite sempre pondem à parcela dos custos totais que não
que o empresário esteja utilizando a maneira aumentam com o aumento da produção.
18 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

São decorrentes dos gastos com os fatores do período de tempo. Então como receita
fixos de produção, como por exemplo, de- teremos:
preciação, aluguéis, seguros, etc.
Já os custos variáveis totais (CVT), RT = P x Q
correspondem à parcela dos custos totais
que variam com o aumento da produção. São Onde:
despesas realizadas com a compra da maté- RT = receita total; P = preço e Q = quan-
ria-prima, materiais secundários, mão-de- tidade.
obra direta, etc. Ou seja, receita total é igual ao preço do
Os custos, também, podem ser classifi- bem ou serviço multiplicado por sua respecti-
cados de curto ou longo prazo. va quantidade vendida.
Os custos de curto prazo são caracteri- Qualquer empresa, que deseje maxi-
zados por serem compostos por parcelas de mizar lucros, escolherá o nível de produ-
custos fixos e de custos variáveis. ção para o qual a diferença positiva entre
Os custos de longo prazo são formados receita total e custo total sejam a maior
unicamente por custos variáveis, pois a partir possível.
de determinado momento, os próprios custos
fixos que eram fixos passam a aumentar, pois
aumentou o número de máquinas para produ- 3.3 – CURVA DE OFERTA
zir mais mercadorias.
Os custos são, ainda classificados como Em Economia, oferta significa a quanti-
médios e marginais. dade de bens ou serviços que se oferece aos
Os custos médios são obtidos pela divi- consumidores.
são entre o custo total e a quantidade produzi- A oferta representa as várias quantida-
da, ou seja, representa o custo médio para se des que os produtores desejam oferecer ao mer-
produzir determinado produto. cado em determinado período de tempo. Da
O custo marginal é dado pela variação mesma maneira que a demanda, a oferta de-
do custo total em resposta a uma variação da pende de vários fatores:
quantidade produzida, ou seja, deseja saber
quanto variará o custo se acrescer uma unida- • de seu próprio preço e dos demais
de na produção. preços,
As empresas têm como objetivo maior • do preço dos fatores de produção,
a maximização de lucros. Onde se pode defi- • das preferências do empresário e
nir o lucro total como a diferença entre as re- • da tecnologia.
ceitas de vendas da empresa e os seus custos
totais de produção. Ou seja: A função oferta mostra uma relação di-
reta entre quantidade ofertada e nível de pre-
LT = RT – CT ços, ceteris paribus. Essa representa a chama-
da Lei Geral da Oferta.
Onde: A relação direta entre a quantidade ofer-
LT = lucro total; RT= receita total e tada de um bem ou serviço e seu preço deve-
CT= custo total. se ao fato de que, um aumento do preço no
Receita é o valor que é recebido, que é mercado estimula as empresas, os produtores
apurado. a produzirem mais, aumentando sua receita.
Como receita total entende-se o valor Podemos expressar a curva de demanda con-
das vendas totais realizadas num determina- forme a figura da página ao lado.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 19
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

A inclinação da curva de oferta é positiva-


mente inclinada, uma vez que a relação entre quan-
tidade ofertada e o preço é diretamente pro-
porcional.
Além do preço do bem, a oferta de bem
ou serviço é afetada pelos custos dos fatores de
produção (matérias-primas, salários, preço da
terra) e por alterações tecnológicas, ou pelo au-
mento do número de empresas no mercado.

a) Existem algumas definições sobre o que é


insumo; procure no texto que você acaba de
ler e transcreva a definição econômica de in-
sumo:
_________________________________________
_________________________________________

b) Raciocinando como um empresário, quan-


do um método de produção é eficiente?
_________________________________________
_________________________________________

c) Volet ao texto e escreva o que é função de


produção para a economia:
_________________________________________
_________________________________________
d) qual o objetivo básico de uma empresa?
_________________________________________
_________________________________________
20 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

4. O MERCADO acúmulo de estoques não programado do pro-


duto, o que provocará uma competição entre os
Na Língua Portuguesa, a palavra mercado produtores, conduzindo a uma redução dos pre-
tem diversos significados, dependendo da área ços, até que se atinja o ponto de equilíbrio.
de atuação. Você mesmo utiliza alguns deles. Em Quando há competição, tanto de consu-
Economia, mercado pode significar o conjunto de midores quanto de ofertantes, há uma tendên-
transações comerciais entre vários países ou no cia natural no mercado para se chegar a uma
interior de um país; e pode significar, também, o situação de equilíbrio estacionário.
conjunto de consumidores que absorvem deter-
minados produtos e/ou serviços. No presente 4.2 – CLASSIFICAÇÃO DOS
trabalho será tratado o segundo conceito, ou seja, MERCADOS
o que diz respeito ao meio consumidor
Há várias formas ou estruturas de mer-
4.1 – O PREÇO DE EQUILÍBRIO cado. Essas dependem, fundamentalmente, de
três características básicas:
A interação das curvas de demanda e ofer- a) número de empresas que compõem esse
ta determina o preço e a quantidade de equilíbrio mercado;
de um bem ou serviço em um dado mercado. b) tipo de produto produzido nesse mercado e
c) se existem ou não barreiras, obstáculos para
que novas empresas entrem nesse mercado.
Neste sentido podemos ter as seguintes
estruturas de mercado: Concorrência Perfeita,
Monopólio, Oligopólio e Concorrência Monopolista.

a) Concorrência Perfeita – é um tipo de


mercado em que há um grande número de ven-
dedores (empresas). Nesse caso, uma empresa,
isoladamente, por ser insignificante, não afeta os
níveis de oferta do mercado e, conseqüentemen-
te, o preço de equilíbrio. É um mercado “atomi-
No encontro das curvas de oferta e de- zado”, pois é composto de um número expressi-
manda (ponto E) teremos o preço e a quantida- vo de empresas, como se fossem átomos.
de de equilíbrio, isto é, o preço e a quantidade Esse tipo de mercado possui algumas
que atendem os objetivos dos consumidores e características básicas:
dos produtores simultaneamente.
Se a quantidade ofertada se encontrar • trabalham com produtos homogêneos,
abaixo daquela de equilíbrio “E”, teremos onde não existe diferenciação entre os
uma situação de escassez do produto. Have- produtos ofertados pelas empresas;
rá uma competição entre os consumidores, • não existem barreiras para o ingresso
pois as quantidades procuradas serão maio- de novas empresas, ou seja, qualquer
res que as ofertadas. Formar-se-ão filas, o que empresa pode entrar no mercado fa-
forçará a elevação dos preços, até atingir-se cilmente e
o equilíbrio, quando as filas cessarão. • há transparência no mercado, onde to-
Se, por outro lado, a quantidade ofertada das as informações sobre lucros, pre-
se encontrar acima do ponto de equilíbrio E, ha- ços, etc., são conhecidas por todos os
verá um excesso ou excedente de produção, um participantes do mercado.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 21
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Na realidade, não há o mercado, tipica- respeitando as estruturas de custos das demais,


mente, de concorrência perfeita no mundo real. e há empresas satélites que seguem as regras
Possivelmente, o mercado de produtos horti- ditadas pelas líderes. Esse é um modelo cha-
frutigranjeiros (que produzem tomate, repo- mado de liderança de preços.
lho, pepino, etc.) seja o exemplo mais próxi- d) Concorrência Monopolista – é uma
mo que se poderia apontar. estrutura de mercado intermediária entre a
b) Monopólio – Apresenta condições concorrência perfeita e o monopólio, mas que
opostas às da concorrência perfeita. Nele exis- não se confunde com oligopólio.
te, de um lado, um único empresário dominan- Na concorrência monopolista há um nú-
do inteiramente a oferta/produção e, de ou- mero relativamente grande de empresas, com
tro, todos os consumidores. Não há, portanto, certo poder concorrencial, porém com seg-
concorrência, nem produto substituto ou con- mentos de mercados e produtos diferenciados
corrente. Nesse caso, ou os consumidores se e com margem de manobra para fixação dos
submetem às condições impostas pelo vende- preços não muito ampla, uma vez que existem
dor, ou deixarão de consumir o produto. produtos substitutos no mercado.
Para a existência de monopólios, geral-
mente, existem barreiras que impedem a en-
trada de novas empresas no mercado. Essas
barreiras podem advir das seguintes condições:

• controle de matérias-primas, onde o


monopólio controla a fonte de matéria-
prima para produzir o seu produto; a) Em termos de economia, qual a definição
• patente exclusiva do produto, não per- mais usada de mercado?
mitindo que outras empresas produ- __________________________________________
zam aquele produto; __________________________________________
• elevado volume de capital, onde a em- __________________________________________
presa para entrar necessita de alto vo- __________________________________________
lume de capital e tecnologia. __________________________________________

c) Oligopólio – é caracterizado por um b) Com suas palavras tente explicar o que é


pequeno número de empresas que dominam a preço de equilíbrio?
oferta de mercado. Pode caracterizar-se como __________________________________________
um mercado em que há um pequeno número __________________________________________
de empresas ou, então, um grande número de __________________________________________
empresas, mas poucas dominam o mercado. __________________________________________
No oligopólio, tanto as quantidades ofer- __________________________________________
tadas quanto os preços são fixados entre as
empresas por meio de conluios ou cartéis. c) Quais as estruturas de mercado mais conhe-
O Cartel é uma organização (formal ou cidas?
informal) de produtores dentro de um setor __________________________________________
que determina a política de preços para todas __________________________________________
as empresas que a ele pertencem. __________________________________________
No oligopólio, normalmente as empre- __________________________________________
sas discutem suas estruturas de custos. Há uma __________________________________________
empresa líder que, via de regra, fixa o preço,
22 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade I

5. CONSUMO E POUPANÇA

Em Economia, Consumo significa a uti-


lização, pela população, pelos consumidores,
das riquezas, materiais e artigos produzidos.

5.1 – COMPONENTES DO CONSUMO

O consumo global de um país é influen-


ciado por uma série de fatores, tais como: ren-
da nacional, estoque de riqueza ou patrimônio,
taxa de juros de mercado, disponibilidade de
crédito, expectativa sobre a renda futura, ren-
tabilidade das aplicações financeiras, etc.
No entanto, estudos estatísticos mostram
que as decisões de consumo da coletividade
são influenciadas fundamentalmente pela ren-
da nacional disponível, ou seja, a parcela da
renda que fica disponível para os consumido-
res gastarem (ou pouparem).

Então:
C = f(RND), ou seja, o consumo se dá
em função da renda, onde:

C = Consumo agregado;
RND = renda nacional disponível.

5.2 – POUPANÇA E INVESTIMENTO

A poupança é a parcela da renda nacio-


nal que não é gasta em bens de consumo. A
poupança é a diferença entre a renda e o con-
sumo. Em outras palavras, é o não consumo
presente, em função de um consumo futuro.

Então:
S = f(RND), ou seja, a poupança se dá
em função da renda, onde:

S = poupança agregada;
RND = renda nacional disponível.

Já o investimento (construções, máqui-


nas, etc.) é o acréscimo ao estoque de capital
que leva ao crescimento da capacidade produ-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 23
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

tiva. A curto prazo, é visto pelo lado dos gas- 6. EMPREGO


tos necessários para a ampliação da capacida-
de produtiva. 6.1 – MERCADO DE TRABALHO
O investimento é a principal variável para
explicar o crescimento da renda nacional de No mercado de trabalho temos o que
um país. chamamos de população economicamente ati-
Em linhas gerais, pode-se dizer que o in- va, que são aquelas pessoas que fazem parte de
vestimento agregado é determinado por dois uma determinada faixa etária que tem condi-
fatores: ções de estar trabalhando.
Fazem parte da população economicamen-
• a taxa de rentabilidade esperada, te ativa as pessoas efetivamente empregadas, re-
• a taxa de juros de mercado. cebendo salários e contribuindo para o aumento
da renda e do consumo da economia.
A taxa de rentabilidade esperada ou taxa As pessoas desempregadas, também, fa-
de retorno é calculada a partir da estimativa zem parte da população economicamente ati-
do retorno esperado pela aquisição do bem de va, embora não estejam trabalhando ou este-
capital (construções, máquinas, etc.). jam procurando emprego.
A taxa de juros e o investimento pos-
suem uma relação inversamente proporcio- 6.2 – OFERTA E DEMANDA DE
nal. Se a empresa já dispõe de capital pró- EMPREGO
prio, a taxa de juros representará quanto a
empresa ganharia, se em vez de investir em O mercado de trabalho é constituído pela
suas instalações, aplicasse no mercado finan- oferta e demanda de emprego. A oferta de empre-
ceiro. Isto é o que chamamos de Custo de go é determinada pelas empresas que ao produzi-
Oportunidade do Capital. rem, ao aumentarem a produção contratam pes-
Neste caso, um outro conceito impor- soas para desempenhar determinadas atividades e
tante é o de crédito, que regulado pela taxa recebem renda por isso. O governo também tem
de juros, determina o montante de investi- papel fundamental neste processo, pois, também,
mentos. é um grande contratante de mão-de-obra.
Crédito pode ser definido como sendo O governo, além de empregador, pode
a troca de um bem disponível no momento funcionar como um alavancador de empregos
pela promessa de um pagamento futuro. para a população quando desenvolve políticas que
Quando as operações de crédito na econo- influenciam as atividades das empresas. O gover-
mia são estimuladas, normalmente, o consu- no pode facilitar o aumento de emprego quando
mo das famílias aumenta. reduz tributos, oferece condições de maior cré-
O capital pode sofrer desgaste duran- dito para as empresas, para que possam produzir
te o processo produtivo. Para repor esse des- mais, e, assim, contratar mais pessoas.
gaste ou mesmo substituir os equipamentos, Políticas direcionadas para a melhoria
as máquinas durante o processo produtivo, das condições de vida da população, no intui-
a depreciação pode ser utilizada para cobrir to de melhorar a distribuição de renda, tam-
tais custos. bém funciona como um incentivo para a gera-
ção de empregos.

24 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

a) Claro que você já sabe o que é “consumo”;


e quais os seus componentes?
__________________________________________
__________________________________________

b) Em poucas palavras, defina o que vem a ser


poupança:
__________________________________________
__________________________________________

c) Como pode ser entendido o que é “investi-


mento” no mercado imobiliário?
__________________________________________
__________________________________________

d) Pesquise um pouco na apostila e relacione


quais os fatores que determinam o investimen-
to agregado:
__________________________________________
__________________________________________

e) Na profissão de corretor de imóveis muito


provavelmente você terá que avaliar bens mó-
veis e imóveis: esse bens sofrem depreciação,
mas o que é mesmo depreciação?
__________________________________________
__________________________________________

f) O mercado imobiliário movimenta grandes


somas em qualquer economia. E o que é mer-
cado de trabalho?
__________________________________________
__________________________________________

g) Pense um pouco e escreva abaixo:: quais


as ações no campo econômico que o go-
verno poderia adotar para melhorar o ní-
vel de emprego?
__________________________________________
__________________________________________

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 25


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

26 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

Unidade
II

¾ Conceituar Moeda, Sistema Financeiro, Inflação,


Balanço de Pagamentos, Taxa de Câmbio, Globalização,
Macroeconomia;
¾ Identificar características básicas de organização do sistema
financeiro nacional;
¾ Reconhecer a função da moeda;
¾ Estabelecer comparação entre Crescimento e desenvolvimento
Econômico;
¾ Refletir sobre as conseqüências da globalização;
¾ Reconhecer a importância das informações estudadas para o
exercício da profissão.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 27
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

7. ECONOMIA MONETÁRIA prio fato de serem escassas. Por exemplo, o


sal, que por ser escasso, era aceito na Roma
7.1 – A MOEDA: SUA HISTÓRIA E Antiga como moeda.
SUAS MODALIDADES Em diversas épocas e locais diferentes,
outros bens assumiram idêntica função. Por-
Em economia, moeda é o meio pelo qual tanto, a moeda mercadoria constitui a forma
são efetuadas as transações monetárias. Esse mais primitiva de moeda na economia.
meio varia no tempo e entre as culturas. Vai Com a evolução do comércio, os me-
desde a utilização de uma peça de metal cu- tais preciosos passaram a assumir a função
nhada pelo governo até às mais sofisticadas de moeda por diversas razões: são limita-
formas de transação. dos na natureza, possuem durabilidade e re-
Monetária são coisas, ações relativas à sistência, são divisíveis em peso. Os metais
moeda. preciosos tiveram o papel de moeda por
O uso da moeda nas economias em que muito tempo.
vivemos é de tal forma generalizada que se Nosso atual papel-moeda teve ori-
torna difícil imaginar o funcionamento de um gem na moeda-papel. As pessoas de posse
sistema econômico em que não existam ins- de ouro, por questões de segurança, o guar-
trumentos monetários. davam em casas especializadas, onde os ou-
Mas, existiam grupos que não utilizavam rives – pessoas que trabalhavam com ouro
moeda. Esses primeiros agrupamentos, em e prata, emitiam certificados de depósitos
geral nômades, sobreviveram sob padrões bas- dos metais. Ao adquirir bens e serviços, as
tante simples de atividade econômica. Eram pessoas podiam então fazer os pagamentos
grupos que não conheceram a moeda e, quan- com esses certificados, já que, por serem
do recorriam a atividades de troca, realizavam transferíveis, o novo detentor do título po-
trocas em espécie, ou seja, trocavam merca- deria retirar o montante correspondente de
dorias por mercadorias. metal junto ao ourives.
A prática de troca de mercadorias ou Mais tarde, com a criação dos Estados
serviços, sem fazer uso de moeda, denomina- nacionais aparece o papel-moeda. Cada Es-
se escambo. tado passou a emitir seu papel-moeda, sen-
Antes da existência da moeda, o fluxo do este lastreado (garantido) em ouro (pa-
de trocas de bens e serviços na economia drão ouro).
dava-se por meio do escambo, com trocas O ouro, contudo, era um metal com
diretas de mercadoria por mercadoria. No reservas limitadas na natureza, e como a ca-
entanto, vários eram os transtornos causados pacidade de emitir moeda estava vinculada
pela falta da moeda, como por exemplo a à quantidade de ouro existente, o padrão-
questão da divisibilidade do bem para a tro- ouro passou a apresentar um obstáculo à
ca por outro, ou seja, quando se tinha que di- expansão das economias nacionais e do co-
vidir uma mercadoria para comprar uma uni- mércio internacional, ao impor um limite a
dade inteira de outra. oferta monetária.
Assim, na medida que a economia foi se Dessa forma, a partir de 1920, o padrão-
desenvolvendo, aumentando as trocas, surgiu ouro foi abandonado, e a emissão de moeda
a necessidade do aperfeiçoamento dos instru- passou a ser livre, ou a critério das autoridades
mentos de troca. monetárias de cada país. Assim, a moeda pas-
Com a evolução da sociedade, certas sou a ser aceita por força de lei, denominando-
mercadorias passaram a ser aceitas por todos, se moeda de curso forçado ou moeda fiduciá-
por suas características peculiares ou pelo pró- ria (na qual se pode confiar).
28 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

Pode-se conceituar moeda como um instrumen-


to ou objeto que é aceito pela coletividade para
intermediar as transações econômicas, para paga-
mento dos bens, serviços e fatores de produção.
Essa aceitação é garantida por Lei, ou seja, a
moeda tem “curso forçado”. Representa liquidez a) Volte ao tempo das cavernas e defina o que
imediata para quem a possui, pois pode ser troca- é escambo:
da por outras mercadorias e/ou serviços. É a única __________________________________________
forma irrecusável para quitação de obrigações. __________________________________________

7.2 – FUNÇÕES E TIPOS DE MOEDA b) Dê uma pesquisada no texto e escreva a de-


finição de “moeda mercadoria” .
As principais funções da moeda são: __________________________________________
__________________________________________
• Instrumento ou meio de troca – serve para
intermediar a troca de bens, serviços e c) Sempre ouvimos falar de “papel-moeda”.
fatores de produção da economia. O que vem a ser esse conceito econômico?
• Denominador comum monetário – possibilita __________________________________________
que sejam expressos em unidades mone- ____________________________________________________________________________________
tárias os valores de todos os bens e ser-
viços produzidos pelo sistema econômi- d) Agora que sabemos o que vem a ser papel-
co. É um padrão de medida. moeda, escreva abaixo quais as principais fun-
• Reserva de Valor – a moeda representa li- ções da moeda:
quidez imediata. Pode ser acumulada __________________________________________
para a aquisição de um bem ou serviço __________________________________________
no futuro. Ou seja, pode ser guardada
para render valor no futuro.
• Padrão para pagamento diferido – a moeda
pode ser utilizada para pagamentos de
contas em períodos diferentes.

Tipos de Moeda

• Moedas metálicas: são emitidas pelo


Banco Central, constituem pequena par-
cela da oferta monetária e visam facilitar
as operações de pequeno valor.
• Papel-moeda: são emitidas pelo Banco
Central, representa parcela significativa da
quantidade de dinheiro em poder do pú-
blico. Quando juntamos as moedas metá-
licas e o papel-moeda em poder do públi-
co denominamos de moeda manual.
• Moeda escritural: é representada pe-
los depósitos a vista nos bancos comer-
ciais.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 29
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

7.3 – DEMANDA E OFERTA DE Esse dinheiro que pertence aos bancos é


MOEDA denominado de encaixe monetário, que o mes-
mo tem que manter junto ao Banco Central.
A criação da moeda depende da sua res- Representa a porcentagem dos depósitos de
pectiva demanda e oferta por parte da popu- um banco que não pode ser emprestada ou
lação e das autoridades monetárias (governo). empregada em qualquer negócio, devendo fi-
car como garantia ou lastro do mesmo.
Oferta de Moeda Também são considerados, na defini-
Oferta de moeda é o suprimento de ção tradicional de meios de pagamento, as
moeda para atender às necessidades da coleti- cadernetas de poupança e os depósitos a
vidade. Pode ser ofertada pelas autoridades prazo nos bancos comerciais. Os meios de
monetárias e pelos Bancos Comerciais. pagamento também podem ser chamados de
A moeda é criada pelo governo e ofer- M1, ou seja, ativos ou haveres monetários.
tada pelas autoridades monetárias e pelos ban- Os demais ativos financeiros, que rendem
cos comerciais (Itaú, Bradesco, Safra etc). juros, são chamados de ativos ou haveres não
A oferta de moeda pode também ser monetários. São os chamados M2, M3, M4,
chamada de meios de pagamento. conforme a rapidez com que podem ter li-
Os meios de pagamento constituem o quidez, ou seja, podem ser transformados
total de moeda à disposição do setor privado, em moeda.
não bancário, de liquidez imediata, ou seja, que Ocorre criação de moeda quando há um
pode ser utilizada imediatamente para efetuar aumento do volume dos meios de pagamento.
transações econômicas. O aumento dos empréstimos ao setor privado
A liquidez da moeda é a capacidade que se refere à criação de moeda.
ela tem de ser um ativo prontamente disponí- Ocorre destruição de moeda quando
vel e aceito para as mais diversas transações. existe redução dos meios de pagamento. O
Os meios de pagamento em sua forma resgate de um empréstimo no banco se refere
tradicional são a soma da moeda em poder a destruição de moeda.
das pessoas, mais os depósitos a vista nos ban-
cos comerciais. Eles representam, então, “o Demanda de Moeda
quanto” a coletividade tem de moeda física A demanda de moeda corresponde à
(metálica e papel) com o público ou no cofre quantidade desta que o setor privado, não ban-
das empresas, somados a “o quanto” ela tem cário, retém, em média, com o público, no co-
em conta corrente nos bancos. fre das empresas e em depósitos a vista nos
Uma das formas mais tradicionais de se bancos comerciais.
aumentar rapidamente os meios de pagamen- Existem três razões pelas quais se retém
to pode ser observada a partir da ampliação moeda, em vez de utilizá-la na compra de títu-
dos empréstimos pelos bancos comerciais ao los, imóveis, etc.
setor privado. À medida em que os bancos
comerciais têm mais recursos, eles possuem um 1ª) As pessoas e empresas precisam de di-
efeito multiplicador, de dobrar, triplicar, a nheiro para suas transações do dia-a-dia;
moeda através de empréstimos.
O conceito econômico de moeda é re- 2ª) O público e as empresas precisam ter
presentado apenas pela moeda que está com o uma certa reserva monetária para fazer
setor privado não bancário, ou seja, excluem- face a pagamentos imprevistos ou atra-
se os próprios bancos comerciais, e a moeda sos em recebimentos esperados (deman-
que está com as autoridades monetárias. da de moeda por precaução); e
30 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

3ª) Os investidores devem deixar uma “ces- 7.4 – A TAXA DE JUROS DE


ta” para a moeda, observando o com- EQUILÍBRIO
portamento da rentabilidade dos vários
títulos, para fazer algum novo negócio A taxa de juros tem um papel estratégi-
(demanda de moeda por especulação). co nas decisões dos mais variados agentes eco-
nômicos.
As duas primeiras razões dependem di- Para as empresas, as decisões quanto à
retamente do nível de renda. Quanto maior a compra de máquinas, equipamentos, aumentos
renda maior a necessidade de moeda para tran- ou diminuição de estoques, de matérias-primas
sações e por precaução. A terceira depende da ou de bens finais são determinadas, não só pelo
taxa de juros, onde há uma relação inversa en- nível atual, mas, também, pelas expectativas
tre demanda de moeda por especulação e taxa quanto aos níveis futuros das taxas de juros.
de juros. Quanto maior o rendimento dos títu- Se as expectativas quanto à trajetória das
los, menor a quantidade de moeda que o apli- taxas de juros se tornam pessimistas, os em-
cador retém em sua carteira, já que é melhor presários devem manter níveis baixos de esto-
utiliza-la na compra de ativos rentáveis. ques e mesmo de capital de giro, uma vez que
o custo de manutenção desses ativos pode ser
extremamente caro no futuro.
Os consumidores exercem um maior
poder de compra à medida em que as taxas de
juros diminuem, e o contrário, se as taxas de
juros aumentam.
a) No jargão da economia, o que vem a ser A taxa de juros tem um importante pa-
“meios de pagamento”: pel, pois a determinação de seu patamar influ-
__________________________________________ encia o volume de consumo, notadamente, de
__________________________________________ bens de consumo duráveis, por parte das fa-
mílias.
b) Releia o texto e escreva: o que é “encaixe A diminuição do consumo ocorre por-
monetário”? que as pessoas passam a preferir poupança a
__________________________________________ consumo, e dirigem sua renda não gasta para
__________________________________________ os bancos, com o intuito de auferirem receitas
financeiras.
Muito se indaga sobre as diferenças en-
tre as taxas de juros praticadas no mercado.
Entre a taxa de juros que é determinada pelo
Conselho Monetário Nacional e as taxas de
juros cobradas pelos bancos comerciais. A essa
diferença entre taxas de juros, no sistema ban-
cário, dá-se o nome de “spread”.

8. SISTEMA FINANCEIRO

Sistema Financeiro Nacional é a estrutu-


ra institucional que regulamenta, supervisiona
e opera as intermediações financeiras, incluí-
das as dos consórcios, os negócios com valo-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 31
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

res mobiliários, os seguros e a previdência com- to como se privada fosse, isto é, sem privilé-
plementar. gio algum, como é o caso do Banco do Brasil.
A lei é igual para todas.
8.1 – COMPÕEM O SISTEMA O Sistema financeiro dispõe de diversas
FINANCEIRO NACIONAL: modalidades de créditos para investimentos que
podem estar ligados aos seguintes mercados:
I - Órgãos Normativos: Mercado monetário: neste são realiza-
a) Conselho Monetário Nacional (CMN) das as operações de curtíssimo prazo com a
b) Conselho Nacional de Seguros Priva- finalidade de suprir as necessidades de caixa
dos (CNSP) dos diversos agentes econômicos, como os
c) Conselho de Gestão da Previdência empréstimos para as pessoas físicas;
Complementar (CGPC) Mercado de crédito: neste são atendidas
as necessidades de recursos de curto, médio e
II - Entidades Supervisoras: longo prazos, principalmente oriundas da de-
a) Banco Central do Brasil (Bacen) manda de crédito para aquisição de bens de
b) Comissão de Valores Mobiliários consumo durável e da demanda de capital de
(CVM) giro das empresas. Ex: crédito rápido, descon-
c) Superintendência de Seguros Privados to de duplicatas, etc. Também engloba os finan-
(Susep) ciamentos de longo prazo, como o Finame etc.
d) Instituto de Resseguros do Brasil (IRB- As pessoas envolvidas no mercado de crédito
Brasil) são chamadas de credores e devedores.
e) Secretaria de Previdência Complemen- Mercado de Capitais: procuram suprir
tar (SPC) as exigências de recursos de médio e de longo
prazos, principalmente com vistas à realização
III - Agentes operadores do sistema: de investimentos em capital. Ex: compra e ven-
a) Bancos comerciais ou múltiplos, cap- da de ações, debêntures, etc.
tadores de depósitos à vista Mercado Cambial: nele são realizadas
b) Bancos de investimentos e demais ins- a compra e a venda de moeda estrangeira, para
tituições financeiras operadoras de atender a diversas finalidades, como a compra
poupanças e empréstimos de câmbio, para importação; a venda por par-
c) Caixas Econômicas te dos exportadores; e venda/compra, para
d) Cooperativas de crédito viagens de turismo.
e) Intermediários financeiros e adminis- Mercados Primários e Secundários: Os
tradores de recursos de terceiros primários são aqueles em que se realiza a pri-
f) Bolsa de mercadorias e de futuros meira compra/venda de algum ativo recém-
g) Bolsa de valores emitido; os secundários caracterizam-se por ne-
h) Sociedades seguradoras gociarem ativos financeiros já negociados an-
i) Sociedades de capitalização teriormente.
j) Entidades abertas de previdência com- Mercados à vista, futuros e opções: Os
plementar mercados à vista negociam apenas ativos com
k) Entidades fechadas de previdência preços a vista; os mercados futuros negociam
complementar (fundos de pensão) os preços esperados de certos ativos e de mer-
(Fontes: Constituição Federal ) cadorias para determinada data futura e os
mercados de opções negociam opções de com-
No âmbito do sistema financeiro, qual- pra/venda de determinados ativos em data
quer entidade pública tem o mesmo tratamen- futura.
32 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

9. INFLAÇÃO As inflações intensas podem produzir


graves efeitos redistributivos sobre a renda
9.1 – A DEFINIÇÃO E MEDIDA DA agregada e as riquezas acumuladas. Esses efei-
INFLAÇÃO tos dependem da intensidade do processo e
dos mecanismos de defesa acionados. No li-
A inflação ou instabilidade de preços é mite, podem destruir as bases do ordenamen-
definida como um aumento persistente e ge- to econômico, ao atingirem as funções mone-
neralizado no índice de preços, ou seja, são tárias ou a confiança do público em quaisquer
aumentos contínuos de preços. formas de haveres financeiros (moeda, títulos,
As fontes de inflação diferem em função cadernetas de poupança, etc.).
das condições de cada país, em virtude de al- Algumas das suas conseqüências po-
guns aspectos, como: dem ser:
a) tipo de estrutura de mercado – se con-
correncial, monopolista ou oligopolis- • Destruição da moeda, com sua capaci-
ta, dependendo do mercado há um con- dade de reserva de valor e de sua utili-
dicionamento da capacidade dos vários dade como meio de pagamento;
setores repassarem aumentos de custos • Destruição da estrutura e da logicida-
aos preços dos produtos; de do sistema de trocas;
b) grau de abertura da economia ao exteri- • Desarticulação de suprimentos nas ca-
or – quanto mais aberta a economia à deias produtivas;
competição externa, maior a concorrên- • Regressão das atividades produtivas à
cia interna entre fabricantes, e menores linha de subsistência;
os preços dos produtos; e • Queda vertiginosa do nível de emprego;
c) estrutura das organizações trabalhistas • Ruptura do tecido social;
– onde quanto maior o poder de barga- • Ruptura político-institucional, onde o
nha dos sindicatos, maior a capacidade governo perde o controle da situação.
de obter reajustes de salários acima dos
índices de produtividade e maior a pres- Não há uma única teoria que seja capaz
são sobre os preços. de explicar todos os tipos de inflação. Eles
são muitos e, geralmente, são diferenciados
9.2 – AS CONSEQÜÊNCIAS DA por qualificativos que remetem às causas, às
INFLAÇÃO magnitudes dos processos de alta e suas ca-
racterísticas visíveis. Os principais troncos
As conseqüências da inflação variam com teóricos que procuram explicar a inflação
a intensidade e com a velocidade do processo de podem ser agrupados em: inflação de de-
alta dos preços. Uma baixa variação de preços, manda, inflação de custos e Inflação Inerci-
dita discreta, produz efeitos econômicos assimi- al.
láveis, em alguns casos até despercebidos pelos
consumidores. O quadro de relativo conforto 9.3 – INFLAÇÃO DE DEMANDA E
começa a alterar-se à medida que o processo de INFLAÇÃO DE CUSTO
alta de preços se torna mais intenso, atingindo os
fatores de produção, os produtos, as categorias Uma das principais explicações teóricas
de renda e os estratos socio-econômicos. da inflação sustenta que as altas generalizadas
A inflação corrói o poder de compra do de preços resultam de uma procura ou deman-
salário nominal recebido pelo trabalhador, da agregada excessiva em relação à capacida-
pela população. de de oferta da economia, ou seja, refere-se ao
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 33
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

excesso de demanda agregada em relação à • da expansão dos custos do fator traba-


produção disponível de bens e serviços. lho que pode dar origem a altas gene-
Neste caso, a procura exacerbada em- ralizadas;
purra os preços para cima, dando origem a • da ampliação das margens de lucro, ain-
uma espiral de alta, tanto mais intensa quan- da que setorialmente localizadas, pode
to menor for a capacidade ociosa da econo- propagar-se ao longo da cadeia de pro-
mia. Nesta situação, aumentos da demanda dução, elevando os preços.
agregada de bens e serviços conduzem a ele-
vações de preços. Em síntese, o aumento de salários e dos
As inflações resultantes de gastos exces- preços das matérias-primas representam um
sivos por parte dos consumidores, podem ori- causador da inflação de custos.
ginar-se tanto do setor real (do próprio con- Os efeitos desse processo inflacionário
sumo da população), quanto no setor mone- podem influenciar no perfil da distribuição da
tário da economia (onde o governo estimula renda, do balanço de pagamentos, nas finan-
o consumo colocando mais dinheiro no mer- ças públicas e, até mesmo, nas expectativas das
cado, via taxas de juros baixas e com maior empresas.
crediário). A inflação inercial ou inércia inflacio-
Tal fato, pode resultar do receio de falta nária fundamenta-se na capacidade de auto-
de produtos, por parte dos produtores ou propagação da inflação e na prática generali-
pode originar-se da inadequada condução da zada da indexação – na correção dos custos
política monetária, levando à maior oferta dos fatores e dos preços dos produtos - inde-
de moeda e à multiplicação dos meios de pa- finidamente, pelos índices da inflação passada,
gamento em escalas mais que proporcionais para que se mantenha a estrutura dos preços
à capacidade efetiva de geração de bens e relativos e se recomponha a capacidade de
serviços. compra das remunerações pagas.
Neste caso, uma solução para combater A concepção da inflação inercial pressu-
este tipo de inflação poderia ser o arrocho sa- põe expectativas compulsivas que levam à re-
larial, impedindo, assim, que as pessoas deman- marcação contínua de preços, à indexação de
dem bens e serviços, resultando em baixa pres- contratos e a um tipo de convivência com o
são sobre os preços ou outras medidas que im- processo de alta aceito e praticado por todos
peçam as pessoas de adquirir bens e serviços, os agentes econômicos.
reduzindo a pressão sobre os níveis de preços. Existe, ainda, a inflação administrada,
A inflação de custos são movimentos de onde as empresas monopolistas ou oligopo-
alta de preços originários da expansão dos cus- listas aumentam seus preços com objetivos de
tos dos fatores (terra, capital e trabalho) mo- lucrarem mais. Nesse caso, os consumidores
bilizados no processamento da produção de não têm outra alternativa, senão deixar de con-
bens e serviços. Este tipo de inflação pode ser sumir os produtos fabricados por tais empre-
associado a uma inflação de oferta. O nível de sas se não quiserem pagar mais por eles.
demanda permanece o mesmo, mas os custos
de certos fatores importantes aumentam. 9.4 – A INFLAÇÃO NO BRASIL
Esse tipo de inflação pode originar-se:
Uma das características históricas da eco-
• da expansão de tributos indiretos co- nomia brasileira é a tendência secular à alta dos
brados pelo governo, que desencadeia preços. No Brasil, os períodos de variação ace-
um processo de alta que se auto-alimen- lerada dos preços têm prevalecido sobre os de
tará em espiral; inflação moderada, sobretudo nos últimos 50
34 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

anos. A partir da 2ª Guerra Mundial o País vi- se expandisse à oferta monetária. A este fator
veu épocas de inflação galopante ascendente. E de impulsão dos preços somaram-se, também,
na transição dos anos 80 para 90 esteve bem as pressões reivindicatórias da classe trabalha-
perto de uma hiperinflação descontrolada. dora, fazendo com que se impulsionasse, ain-
De uma simples leitura das séries his- da mais, o processo inflacionário.
tóricas da inflação no Brasil, pode-se obser-
var que nos últimos 50 anos aconteceram, 1964-67: Aplicação de controles orto-
pelo menos sete, períodos distintos. Eles são doxos (conforme norma) - No período, o pro-
definidos pela magnitude das taxas de varia- cesso foi o inverso ao verificado no anterior.
ção da oferta monetária e dos preços; pelas O governo adotou rígidos mecanismos orto-
causas prováveis do processo de alta e pela doxos de controle do surto inflacionário. De-
tipologia dos programas de estabilização. belou o déficit fiscal. Conteve a oferta mone-
Os períodos são: tária. Reformaram-se o sistema financeiro e a
- 1946-58: Inflação de crédito e estrutural estrutura tributária. Cada um dos fatores di-
- 1958-63: Inflação predominantemente agnosticados como causadores do surto infla-
fiscal cionário do Período anterior foi objeto de con-
- 1964-67: Aplicação de controles orto- troles rígidos. Com essas medidas, a inflação
doxos anual recuou: de uma taxa entre 80 e 90% para
- 1968-79: Inflação reprimida um novo patamar, próximo de 20%.
- 1980-85: Instalação de movimentos iner-
ciais. 1968-79: Inflação reprimida – Nessa
- 1986-94: Fase dos choques heterodoxos. década, as bases institucionais do período an-
- 1994: A fundamentação e a implantação terior foram mobilizadas para o milagre eco-
do Real. nômico. Buscou-se conciliar forte crescimento
econômico com contenção do processo infla-
1946-58: Inflação de crédito e estrutural cionário. As pressões internas, de origem finan-
- Nesse período, aceleraram-se os processos de ceira, que pressionavam a procura agregada
mudança estrutural do País, tanto no setor real para cima, somaram-se as pressões externas de
(industrialização) quanto no financeiro (criação custos, resultantes dos choques de oferta do
de instituições bancárias). Com isso, o efeito mul- cartel do petróleo. Tal fato ocasionou uma es-
tiplicador da moeda escritural exerceu-se com piral procura-custos, passando a exercer for-
maior impacto, ampliando o efeito inflacionário tes pressões de alta na inflação. Neste período,
de emissões primárias de moeda. Acentuaram- as emissões primárias de moeda utilizadas para
se, então, as pressões do setor real sobre o setor conter o déficit do setor público, multiplica-
financeiro, tanto para elevação da taxa de câm- das pelo sistema de intermediação bancária, cri-
bio, quanto para abertura de novas linhas de fi- aram uma das principais precondições para a
nanciamento subsidiado. O resultado desta com- alta inflacionária dos preços.
binação, gradualmente, promoveu a aceleração
da inflação, que saiu de um patamar de 20%, ao 1980-85: Instalação de movimentos
ano, para 40%, no final deste período. inerciais – No início da década de 1980, a in-
flação brasileira situou-se na faixa dos três dígi-
1958-63: Inflação predominantemen- tos, mantendo-se em torno de 100%. Já no iní-
te fiscal - Durante o período, aliados às pres- cio de 1986, caminhava para 300%. Instalou-se
sões por crédito pelo setor privado, somaram- na economia do país um processo inercial de
se as pressões fiscais devido aos constantes inflação, sob sustentação da correção monetá-
déficits de caixa do governo, fazendo com que ria generalizada. A inflação passada reprodu-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 35
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

zia-se no presente, animando um movimento c) E o Banco Central no Brasil? Cite duas de


ascendente de alta de preços. As expectativas suas principais funções:
dos agentes econômicos levaram à adoção de _________________________________________
indexadores contratuais e a remarcações de pre- _________________________________________
ços.
1986-94: Fase dos choques heterodoxos d) Quais mercados estão ligados ao Sistema
– Foi um período marcado pelos planos econô- Financeiro?
micos heterodoxos, ou seja, da escolha de um con- _________________________________________
junto de medidas de choque para conter o proces- _________________________________________
so inflacionário. Foram vários planos, Plano Cru-
zado, Plano Bresser, Plano Verão, Planos Collor I e) No Brasil convivemos há muitos anos com
e II, em que a inflação caia no início mas voltava a chamada inflação. Mas em economia, como
com a falta de sustentação dos planos econômi- ela é definida?
cos. _________________________________________
1994: A fundamentação e a implanta- _________________________________________
ção do Real. - 1994 foi o ano chave. Primeiro
ocorreu a desidexação da economia com a cria- f) Pense e escreva o que é indexação e quais os
ção da URV – Unidade de Referência de Valor. males de sua prática generalizada?
Depois foi implantado um novo padrão mone- _________________________________________
tário, o Real. Neste período a inflação foi con- _________________________________________
trolada, quando impunhou-se uma nova disci-
plina emissora e a manutenção de uma rigorosa g) O que é URV e o que representou para o
linha estratégica, dirigida para quebrar as resis- combate à inflação no Brasil?
tências sociais à estabilidade. A estabilização _________________________________________
passaria a ser vista como um valor fundamen- _________________________________________
tal. Sistema que prevalece até os dias atuais.
A inflação pode ser medida por núme-
ros-índices, que são fórmulas matemáticas,
onde abrangem as variações dos preços dos
diversos produtos que compõem a cesta de
consumo da população.

a) Pense um pouco e relacione quais as funções


do Sistema Financeiro Nacional:
_________________________________________
_________________________________________

b) Quais as funções básicas do Conselho Mo-


netário Nacional?
_________________________________________
_________________________________________
36 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

10. O SETOR EXTERNO registrados no balanço de pagamentos, por exem-


plo, todas as exportações e importações de mer-
Comércio externo é o conjunto de ativi- cadorias do período considerado: os fretes, os
dades mercantis (comerciais), realizadas entre seguros, os empréstimos obtidos no exterior, ou
países diferentes seja, todas as transações com mercadorias, servi-
Muitas explicações podem ser levantadas ços e capitais físicos e financeiros entre o país e o
para explicar porque os países comercializam resto do mundo.
entre si. Dentre essas, destacam-se a diversifi- O balanço de pagamentos apresenta as
cação de condições de produção, a possibili- seguintes subdivisões:
dade de redução de custos na produção de Balança Comercial – Essa conta com-
determinado bem vendido para um mercado preende, basicamente, o comércio de merca-
global. dorias.
Os economistas clássicos forneceram a Balanço de Serviços – Registram-se to-
explicação teórica básica para o comércio in- dos os serviços pagos e/ou recebidos pelo Bra-
ternacional através do chamado Princípio das sil, tais como: fretes, seguros, lucros, juros, royal-
Vantagens Comparativas. ties e assistência técnica, viagens internacionais.
Esse princípio sugere que cada país deva Transferências unilaterais – registram-
se especializar na produção daquela mercado- se as doações financeiras ou não interpaíses.
ria em que é relativamente mais eficiente (ou Balanço de Transações Correntes –
que tenha um custo relativamente menor). Essa representa o somatório dos balanços - comer-
será, portanto, a mercadoria a ser exportada. cial, de serviços e de transferências unilaterais,
Por outro lado, esse mesmo país deverá resultando no saldo em conta corrente e/ou
importar aqueles bens cuja produção implicar balanço de transações correntes.
um custo relativamente maior (cuja produção Movimento de Capitais ou Balanço de
é relativamente menos eficiente). Desse modo, Capitais – Na conta de capital aparecem as
explica-se a especialização dos países na pro- transações que produzem variações no ativo e
dução de bens diferentes, a partir da qual con- no passivo externos do País. Elas caracterizam
cretiza-se o processo de troca entre eles. a posição de devedora ou credora, perante o
A Teoria das Vantagens Comparati- resto do mundo. As contrapartidas financei-
vas foi formulada por David Ricardo em 1817. ras das exportações e importações de merca-
A teoria desenvolvida por Ricardo fornece uma dorias e serviços e as transações financeiras
explicação para os movimentos de mercado- puras, como ações e quota-parte do capital das
rias no comércio internacional, a partir da ofer- empresas, títulos de outros países, emprésti-
ta ou dos custos de produção existentes nesses mos em moeda, investimentos e amortizações,
países. Logo, os países exportarão e se especi- são registradas nesta conta etc.
alizarão na produção dos bens cujo custo for
comparativamente menor em relação àqueles 10.2 – TAXA DE CÂMBIO
existentes, para os mesmos bens, nos demais
países exportadores. É a medida de conversão da moeda na-
cional em moeda de outros países, em função
10.1 – BALANÇO DE PAGAMENTOS das relações econômicas que há entre eles.
Pode, também, ser definida como o preço da
Balanço de Pagamentos é o registro esta- moeda estrangeira em termos da moeda naci-
tístico-contábil de todas as transações econômi- onal. Assim, 1 dólar pode custar 2,90 reais.
cas realizadas entre os residentes do País com os A determinação do preço das moedas, dos
residentes dos demais países. Desse modo, estão diferentes países, pode ocorrer de dois modos:
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• institucionalmente, através da decisão Dólar Americano; entre Real e Libra Ingle-


das autoridades econômicas com fixa- sa; entre Real e Peso Argentino, entre Real e
ção periódica das taxas (taxas fixas de o Euro).
câmbio);
10.3 – ORGANISMOS
• através do funcionamento do mercado, INTERNACIONAIS
onde as taxas flutuam, automaticamen-
te, em decorrência das pressões de ofer- Os organismos internacionais foram
ta e demanda por divisas estrangeiras, criados no intuito de estabelecer regras e con-
ou seja, pela quantidade de moeda es- venções que regulem as relações monetárias
trangeira no mercado (taxas flutuantes). e financeiras e não criem entraves ao desen-
volvimento mundial. Surgiram, principal-
A demanda de divisas é constituída pe- mente, em virtude das perturbações econô-
los importadores, que precisam delas para pa- micas mundiais oriundas das grandes guer-
gar suas compras no exterior, uma vez que a ras mundiais.
moeda nacional não é aceita fora do país e pela Foram criados três principais organismos
saída de capitais financeiros. econômicos internacionais:
A oferta de divisas é realizada pelos ex-
portadores, que recebem moeda estrangeira Fundo Monetário Internacional –
em contrapartida de suas vendas, e pela entra- foi criado com o objetivo de evitar possí-
da de capitais financeiros internacionais. veis instabilidades cambiais e garantir a es-
A taxa de câmbio está intimamente tabilidade financeira, eliminando práticas
relacionada com os preços dos produtos discriminatórias e restritivas aos pagamen-
exportados e importados e, conseqüente- tos multilaterais e de socorrer os países, a
mente, com o resultado da balança co- ele associados, quando da ocorrência de de-
mercial do país. Se a taxa de câmbio se sequilíbrios transitórios em seus balanços
encontrar em patamares elevados, estimu- de pagamentos.
lará as exportações, pois os exportadores
passarão a receber mais reais pela mesma Banco Mundial – também conheci-
quantidade de divisas, derivadas da expor- do como BIRD (Banco Internacional de Re-
tação. Em conseqüência, haverá maior construção e Desenvolvimento), foi criado
oferta de divisas. com o intuito de auxiliar a reconstrução dos
Do lado das importações, a situação se países devastados pela guerra e, posterior-
inverte, pois se os preços dos produtos im- mente, para promover o crescimento dos
portados se elevam, em moeda nacional, ha- países em vias de desenvolvimento. O Ban-
verá um desestímulo às importações e, con- co empresta a taxas reduzidas de juros a
seqüentemente, uma queda na demanda por países menos desenvolvidos, com o intuito
divisas. de promover projetos, economicamente,
Uma taxa de câmbio sobrevalorizada viáveis e relevantes para o desenvolvimen-
surte efeito contrário tanto nas exportações to desses países.
como nas importações. Há um desestímulo às
exportações e um estímulo às importações. Organização Mundial do Comércio
A moeda brasileira (o Real) pode ser – foi criada com o objetivo básico de bus-
comparada com várias outras moedas, por car a redução das restrições ao comércio
isso temos várias taxas de câmbio. Por exem- internacional e a liberalização do comércio
plo, temos uma taxa de câmbio entre Real e multilateral.
38 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

11. CRESCIMENTO E
DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO

11.1 – CRESCIMENTO E
a) No comércio externo, o que é o “Princípio DESENVOLVIMENTO
das Vantagens Comparativas”?
_________________________________________ A Teoria do Crescimento e do Desen-
_________________________________________ volvimento Econômico discute estratégias de
longo prazo, isto é, quais medidas devem ser
b) Relembre o que é Balança de Pagamentos, adotadas para um crescimento econômico equi-
escrevendo abaixo o que vem a ser: librado e auto-sustentado.
_________________________________________ Nessa Teoria, a oferta ou produção agre-
_________________________________________ gada desempenha um papel importante na tra-
jetória de crescimento de longo prazo, o que
c) Basicamente, o que representa a Balança não se observa na análise de curto prazo.
Comercial? Crescimento e desenvolvimento econô-
_________________________________________ mico são dois conceitos diferentes. Crescimento
_________________________________________ econômico é o crescimento contínuo da renda
d) Como é estabelecida a “taxa de câmbio” no per capita ao longo do tempo.
Brasil? Desenvolvimento econômico é um con-
_________________________________________ ceito mais qualitativo, incluindo as alterações
_________________________________________ da composição do produto e a alocação dos
recursos pelos diferentes setores da economia,
de forma a melhorar os indicadores de bem-
estar econômico e social.
A economia pode se encontrar em dife-
rentes estágios, como o de crescimento, ou de
regressão/depressão econômica . Diz-se que
está em regressão/depressão quando a econo-
mia está entrando em declínio no que se refere
aos seus indicadores de crescimento, tanto de
produção quanto de emprego.
Normalmente, os países ricos caracteri-
zam-se pelo crescimento de sua economia e da
produtividade com que são aproveitados os
recursos de produção.

11.2 – FONTES DE CRESCIMENTO


ECONÔMICO

O crescimento da produção e da renda


decorre de variações na quantidade e na quali-
dade de dois insumos básicos: capital e mão-
de-obra. Nesse sentido, as fontes de crescimen-
to são as seguintes:
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

a) aumento na força de trabalho (quantida- de preservação do meio ambiente, de habi-


de de mão-de-obra), derivado do cresci- tação, de pobreza, os níveis de emprego, etc.
mento demográfico e da imigração; Para que haja desenvolvimento econômi-
b) aumento do estoque de capital ou da co uma condição essencial é a aplicação de
capacidade produtiva; novas tecnologias para que se produza mais e
c) melhoria na qualidade da mão-de-obra, possa gerar transformações sociais que acar-
através de programas de educação, trei- retem numa melhor distribuição de renda.
namento e especialização;
d) melhoria tecnológica que aumenta a efi-
ciência na utilização do estoque de ca-
pital; e
e) eficiência organizacional, ou seja, efici-
ência na forma como os insumos inte-
ragem. a) Dê uma outra olhada no texto e escreva qual
a diferença entre crescimento e desenvolvimen-
11.3 – INDICADORES DE to econômico:
DESENVOLVIMENTO ___________________________________________
___________________________________________
A avaliação do desenvolvimento é feita
de forma diferente da que é usada para avaliar b) O que vem a ser “depressão econômica”?
o crescimento. ___________________________________________
Para avaliação do crescimento são consi- ___________________________________________
derados, apenas, os níveis de produção e renda.
Para avaliação do desenvolvimento são c) Quais os principais insumos básicos respon-
considerados outros indicadores, ou seja, ou- sáveis pelo crescimento da produção?
tros elementos cuja presença ou ausência ser- ___________________________________________
ve como indicação da existência de certas con- ___________________________________________
dições ambientais.
Existem diferentes metodologias para ava- d) Escreva o que significa cada uma das letras
liação do desenvolvimento. A mais importante é da sigla IDH, e para que serve:
a utilizada pela ONU(Organização das Nações ___________________________________________
Unidas), conhecida como IDH (Índice de Desen- ___________________________________________
volvimento Humano)
Em Economia, “Índice” significa o que
fornece os indícios, os sintomas, o sinal; o que
denota alguma coisa ou condição particular.
Para avaliação do índice de Desenvolvi-
mento Humano (IDH) são considerado o PIB
(Produto Interno Bruto) e os índices de em-
prego e analfabetismo.
Em algumas metodologias são consi-
derados outros índices para avaliar o desen-
volvimento econômico de um país. Consi-
deram, por exemplo, Índices que avaliem não
só o analfabetismo, mas o sistema educacio-
nal, a saúde pública, os níveis de poluição,
40 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

12. POLÍTICAS as conseqüências, como foi mencionado, ante-


MACROECONÔMICAS riormente.

12.1 – DEFINIÇÕES c) Distribuição de renda socialmente


justa – mesmo tendo crescimento econômico
A Macroeconomia é o ramo da econo- e tendo uma economia estabilizada, pode ha-
mia que estuda os fatos ou eventos econômi- ver má distribuição de renda. O governo, via
cos como um todo, analisando a determina- suas políticas econômicas e sociais, visa redu-
ção e o comportamento de grandes agregados, zir os desníveis de renda entre as pessoas e re-
tais como: renda e produto nacionais, nível giões geográficas.
geral de preços, emprego e desemprego, esto-
que de moeda e taxas de juros, balança de pa- d) Crescimento econômico – é condi-
gamentos e taxa de câmbio. ção necessária para o desenvolvimento econô-
O governo, as grandes empresas estabe- mico de qualquer país.
lecem, forma sistemática, as orientações, uma
série de medidas para se alcançar determina- 12.3 – INSTRUMENTOS DE
dos fins. A essa sistematização dá-se o nome POLÍTICA MACROECONÔMICA
de “Política”.
Na administração, não se pode perma- Os principais instrumentos para atingir
necer no planejamento econômico de curto tais objetivos são as políticas fiscal, monetária,
prazo e de consideração dos fatos ou eventos cambial e comercial e de rendas.
de forma isolada. Há que se pensar grande, de
forma global, a médio e longo prazo. A esse Política Fiscal – Refere-se a todos os
tipo de planejamento dá-se o nome de Política instrumentos que o governo dispõe para a
Macroeconômica. arrecadação de tributos e o controle de suas
A Política Macroeconômica, possui despesas.
fundamentos, metas, instrumentos de ação/ Se o objetivo da política econômica é
diretrizes, cronogramas. reduzir a taxa de inflação, as medidas fiscais
normalmente utilizadas são a diminuição de
12.2 – METAS DE POLÍTICA gastos públicos e/ou aumento da carga tribu-
MACROECONÔMICA tária, o que inibi o consumo. São instrumentos
que visam diminuir os gastos da coletividade.
As metas de uma Política Macroeconô- Se o objetivo é um maior crescimento e
mica são as seguintes: emprego, os instrumentos fiscais são os mes-
mos, mas em sentido inverso, para elevar a
a) alto nível de emprego, onde o go- demanda agregada.
verno utilizando-se de seus instrumentos
sempre procura proporcionar mais postos Política Monetária – Refere-se à atua-
de trabalhos face o nível de empregabilida- ção do Governo sobre a quantidade de moe-
de da economia; da e títulos públicos. Os principais instrumen-
tos são:
b) estabilidade de preços – meta prin- • emissões de moeda;
cipal de todos os governos. Estabilidade de • reservas compulsórias (percentual sobre
preços é fundamental para o desenvolvimento os depósitos que os bancos comerciais
dos demais objetivos de política econômica. devem colocar à disposição do Banco
Sem o controle da inflação, várias podem ser Central);
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

• Open Market (compra e venda de títu-


los públicos);
• Redescontos (empréstimos do Banco
Central aos bancos comerciais);
• Regulamentação sobre crédito e taxas de a) Existem algumas maneiras de definir o que
juros. é macroeconomia. Qual é a escolhida por
você?
Assim, por exemplo: __________________________________________
__________________________________________
• se o objetivo é o controle da inflação, a
medida apropriada de política mone- b) No seu entendimento, quais devem ser as
tária seria a diminuição do estoque mo- principais metas de uma política macroeconô-
netário da economia (aumentando a mica?
taxa de reservas compulsórias, ou com- __________________________________________
pra de títulos no open market); __________________________________________

• se a meta é o crescimento econômico, c) Pesquise e escreva abaixo o que é política


a medida adotada seria o aumento do monetária:
estoque monetário. __________________________________________
__________________________________________
Políticas Cambial e Comercial – São
políticas que atuam sobre as variáveis relacio-
nadas ao setor externo da economia. A políti-
ca cambial refere-se à atuação do governo so-
bre a taxa de câmbio. O governo, através do
Banco Central, pode interferir no câmbio com-
prando ou vendendo dólares. A política co-
mercial diz respeito aos instrumentos de incen-
tivos às exportações e/ou estímulos e desestí-
mulos às importações.

Política de Rendas – refere-se à inter-


venção direta do governo na formação de ren-
da (salários, aluguéis) através de controle e con-
gelamento de preços.

Normalmente, esses controles são utili-


zados como instrumento de combate à infla-
ção, como a fixação da política salarial, salário
mínimo.
A política de preços mínimos por parte
do governo é um exemplo de política de ren-
da. Com este tipo de política o governo visa
dar garantias de preços ao produtor, com o
propósito de protegê-lo das flutuações dos
preços do mercado.
42 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS – Unidade II

13. GLOBALIZAÇÃO O Mercado Comum Europeu, o Merco-


ECONÔMICA sul e o Nafta são exemplos de que denomina-
mos de blocos econômicos.
13.1 – O PROCESSO DE
GLOBALIZAÇÃO 13.2 – AS CONSEQÜÊNCIAS DA
GLOBALIZAÇÃO
Globalização é o processo pelo qual a
vida social e cultural dos diversos países do Dentro das correntes favoráveis ao
mundo é, cada vez mais, afetada por influênci- processo de globalização, a maior parte dos
as internacionais em razão de imposições polí- teóricos, considerados liberais, considera
ticas e econômicas. este processo totalmente benéfico na medi-
Em economia diz-se que globalização é da que impulsionam a competitividade em
a integração, cada vez maior, das empresas todas as esferas do sistema econômico.
transnacionais num contexto de livre-comér- Outras posições mais críticas, destacam
cio. Isso se dá, especialmente, devido à sofisti- os efeitos contrários do processo de abertura
cada informatização, ao desenvolvimento dos econômica, caracterizado, principalmente,
meios de comunicação e transporte. pela exclusão social que o mesmo provoca.
Empresas Transnacionais são aquelas Para esses autores, o processo de globa-
que desenvolvem atividades ou políticas co- lização gera:
muns a várias nações, integradas na mesma
união política ou econômica. • uma grande concentração dos investi-
Os autores que defendem o processo mentos estrangeiros diretos e da tec-
de globalização da economia mencionam nologia nas mãos de poucas multinaci-
que, na tradição do pensamento liberal, o onais, localizadas nas nações de capita-
comércio exterior sempre foi enxergado lismo avançado.
como um indutor da melhoria dos padrões • a perda, para a esmagadora maioria dos
de consumo, na utilização mais eficiente dos países capitalistas, de boa parte de sua
recursos e no aumento da eficiência das em- capacidade de conduzir um desenvol-
presas que enfrentam à concorrência inter- vimento parcialmente autocentrado e
nacional. independente;
Este tipo de argumentação defende que • o desaparecimento de certa especifici-
a prática do comércio internacional livre tam- dade dos mercados nacionais;
bém contribui para uma distribuição mais eqüi-
tativa da renda na medida em que corrigem a A destruição, para muitos Estados, da
remuneração dos fatores segundo suas dispo- possibilidade de levar adiante políticas própri-
nibilidades relativas. as, não é conseqüência exclusiva da globaliza-
O processo de globalização representa ção, intervindo como processo externo, sem-
uma abertura de fronteiras, um intercâmbio de pre mais coercitivo, impondo a cada país, a seus
informações, mercadorias, capitais, tecnologia partidários e a seus governos, uma determina-
entre várias nações. da linha de conduta.
Neste processo de globalização, tor- O processo de globalização promoveu uma
nou-se comum a organização das nações liberalização muito ampla do comércio exterior,
em blocos, abrindo, entre eles, suas fron- mas seu efeito foi, sobretudo, para facilitar as
teiras e promovendo a abertura de novos operações dos grupos industriais multinacionais.
mercados e a expansão de seus mercados A internacionalização é dominada
internos. mais pelo investimento internacional do
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 43
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

que pelo comércio exterior e, portanto,


molda as estruturas que predominam na
produção e no intercâmbio de bens e ser-
viços.
Tal processo contribuiu consideravel-
mente para restabelecer a rentabilidade dos
investimentos, exercendo forte pressão para
o rebaixamento, tanto dos salários, como
dos preços de muitas matérias-primas. In-
flui no comportamento do investimento, ou
acentua suas características, da seguinte for-
ma: forte propensão às aquisições/fusões;
prioridade dos investimentos de reestrutu-
ração e racionalização; e, sobretudo, fortís-
sima seletividade na localização e escolha
dos locais de produção.

a) E a famosa globalização? O que vem a ser?


___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________

b) Sempre ouvimos falar de empresas multi-


nacionais. Como podem ser definidas?
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________

c) E a empresa transnacional? O que é?


___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
44 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS

8. ( ) Política cambial é uma política que


atua sobre as variáveis relacionadas ao setor
interno da economia

9. ( ) Os instrumentos que o governo dis-


põe para a arrecadação de tributos e o contro-
I - A seguir estão algumas afirmativas referen- le de suas despesas se refere à política fiscal
tes à matéria que você está estudando na Dis-
ciplina “Economia e Mercados”. 10. ( ) Alto nível de emprego, estabilidade
Algumas afirmativas são verdadeiras, outras de preços, distribuição de renda e crescimento
falsas. Marque as verdadeiras com a letra “V” econômico são metas de política macroeconô-
e as falsas com a letra “F”. Coloque as letras mica
nos colchetes colocados ao lado dos números.
11. ( ) É considerada fonte de crescimen-
1. ( ) A parte da economia que estuda o to econômico aumento na força de trabalho,
comportamento dos agregados econômicos é aumento do estoque de capital, ou da capaci-
denominada microeconomia dade produtiva, melhoria na qualidade da mão-
de-obra, melhoria tecnológica e eficiência or-
2. ( ) Produto Interno Bruto pode ser ganizacional
definido como a soma dos valores monetários
dos bens e serviços finais produzidos dentro 12. ( ) Compõem o Sistema Financeiro
dos limites econômicos do país. Nacional os Órgãos Normativos (CMN,
CNSP , CGPG), as Entidades Supervisoras
3. ( ) Investimento representa a parte (BACEN, CVM, SUSEP, IRB-BR, SPC), e os
da renda que não é gasta com bens e ser- Agentes operadores do sistema
viços
13. ( ) Crescimento e desenvolvimento
4. ( ) Moeda é todo objeto que serve para econômico, em economia, significam a mes-
facilitar as trocas de bens e serviços numa eco- ma coisa.
nomia. Vai desde a utilização de uma peça de
metal cunhada pelo governo até às mais sofis- 14. ( ) A Microeconomia é o ramo da
ticadas formas de transação. economia que estuda os fatos ou eventos
econômicos como um todo, analisando a
5. ( ) O processo de globalização repre- determinação e o comportamento de gran-
senta uma abertura de fronteiras, um intercâm- des agregados, tais como: renda e produ-
bio de informações, mercadorias, capitais, tec- to nacionais, nível geral de preços, empre-
nologia entre várias nações. go e desemprego, estoque de moeda e ta-
xas de juros, balança de pagamentos e taxa
6. ( ) Quando há uma procura excessiva de câmbio.
superior à produção de bens e serviços, temos
uma inflação de oferta 15. ( ) Sistema Financeiro Nacional é a es-
trutura institucional que regulamenta, supervi-
7. ( ) O balanço de pagamento é o regis- siona e opera as intermediações financeiras,
tro contábil de todas as transações de um país incluídas as dos consórcios, os negócios com
com outro país valores mobiliários, os seguros e a previdência
complementar.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 45
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

16. ( ) São Órgãos Normativos do Siste- 23. ( ) Entre os Agentes operadores do sis-
ma Financeiro o Banco Central do Brasil (Ba- tema estão os Bancos comerciais, os Bancos
cen), a Comissão de Valores Mobiliários de investimentos, instituições financeiras ope-
(CVM), a Superintendência de Seguros Priva- radoras de poupanças e empréstimos, Caixas
dos (Susep) , o Instituto de Resseguros do Brasil Econômicas, Cooperativas de crédito, Socie-
(IRB-Brasil), a Secretaria de Previdência Com- dades seguradoras, Entidades fechadas de pre-
plementar (SPC) vidência complementar (fundos de pensão),
Bolsa de valores
17. ( ) Organização Mundial do Comércio
foi criada com o objetivo de evitar possí- II - Assinale a alternativa correta.
veis instabilidades cambiais e garantir a es-
tabilidade financeira, eliminando práticas 1) A economia faz parte de que ciência:
discriminatórias e restritivas aos pagamen- a) ciências sociais
tos multilaterais e de socorrer os países, a b) ciências biológicas
ele associados, quando da ocorrência de de- c) ciências matemáticas
sequilíbrios transitórios em seus balanços d) ciências espaciais
de pagamentos. e) nenhuma das alternativas anteriores está
correta
18. ( ) Destruição da moeda, de sua capa-
cidade de reserva de valor e de sua utilidade 2) A partir do conceito de Rossetti de econo-
como meio de pagamento é uma conseqüên- mia, onde esta é a ciência que estuda as formas
cia da inflação de comportamento humano resultantes da re-
lação existente entre as ilimitadas necessidades
19. ( ) Taxa de câmbio é a medida de con- a satisfazer e os recursos que, embora escas-
versão da moeda nacional em moeda de ou- sos, se prestam a usos alternativos, podemos
tros países, em função das relações econômi- afirmar que economia é:
cas que há entre eles. Pode, também, ser defi- a) a ciência da escassez
nida como o preço da moeda estrangeira em b) a ciência da fartura
termos da moeda nacional. c) a ciência que estuda apenas um país
d) a ciência que estuda apenas o comporta-
20. ( ) Para avaliação do índice de Desen- mento político do homem
volvimento Humano (IDH) são considerados e) nenhuma das alternativas anteriores está
o PIB (Produto Interno Bruto) e os índices de correta
emprego e analfabetismo.
3) As alternativas para a utilização dos recur-
21. ( ) Os meios de pagamento constituem sos quando se compara a produção de dois ou
o total de moeda à disposição do setor priva- mais produtos pode ser conceituado como:
do, não bancário, de liquidez imediata, ou seja, a) curvas de demanda
que pode ser utilizada imediatamente para efe- b) curvas de oferta
tuar transações econômicas. c) curvas de possibilidade de produção
d) curvas do setor público
22. ( ) Fundo Monetário Internacional - FMI e) nenhuma das alternativas anteriores está
- foi criado com o objetivo básico de bus- correta
car a redução das restrições ao comércio in-
ternacional e a liberalização do comércio 4) O que produzir, quanto produzir, como
multilateral. produzir e para quem produzir se referem a:
46 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS

a) quatro recursos da economia 9) Entende-se por função de produção:


b) quatro perguntas fundamentais da eco- a) a relação que mostra a quantidade física
nomia obtida do produto a partir da quantidade
c) quatro necessidades da economia física utilizada dos fatores de produção
d) todas as alternativas anteriores estão num determinado período de tempo
corretas b) a relação que mostra a quantidade mo-
e) nenhuma das alternativas anteriores está netária obtida do produto a partir da
correta quantidade física utilizada dos fatores
de produção num determinado perío-
5) Unidades familiares, empresas e Governo do de tempo
são denominados: c) a relação que mostra a quantidade física
a) agentes de saúde e monetária obtida do produto a partir
b) agentes de educação da quantidade física utilizada dos fato-
c) agentes econômicos res de produção num determinado pe-
d) agentes empresariais ríodo de tempo
e) agentes públicos d) A opção a e c estão corretas
e) nenhuma das alternativas anteriores
6) Em economia as famílias são classificadas está correta
como:
a) proprietárias dos recursos de produção 10) Os custos de longo prazo são caracteriza-
b) unidades de produção dos por:
c) agentes econômicos a) por serem compostos por parcelas de
d) alternativas (a) e (b) estão corretas custos fixos e de custos variáveis
e) alternativas (a) e (c) estão corretas b) por se caracterizar apenas por custos
fixos
7) O Sistema econômico de produção regido c) por se caracterizar apenas por custos
pelas leis de mercado, onde predomina a livre variáveis
iniciativa e propriedade privada dos fatores de d) as alternativas (b) e (c) estão corretas
produção, é denominado: e) nenhuma das alternativas anteriores está
a) sistema socialista correta
b) sistema comunista
c) sistema monetarista 11) O equilíbrio de mercado de um bem ou de
d) sistema capitalista um serviço é determinado:
e) nenhuma das alternativas anteriores está a) pela oferta de mercado
correta b) pela renda dos consumidores
c) pela demanda de mercado
8) Qual o significado da hipótese Ceteris Pari- d) pelos governos
bus? e) pela intersecção da curva de oferta com
a) mantidas todas as condições crescentes a de demanda desse produto
b) mantidas todas as condições decres-
centes 12) Monopólio:
c) mantidas todas as condições constantes a) significa o mesmo que concorrência in-
d) mantidas todas as condições crescentes ternacional.
num período e decrescentes em outro b) compreende uma situação em que o nú-
e) nenhuma das alternativas anteriores está mero de firmas no mercado é grande,
correta mas os produtos não são homogêneos.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

c) corresponde a uma situação em que uma a) é criada pelo sistema bancário


firma domina o mercado. b) é representada pelo cheque, nota pro-
d) significa concorrência perfeita, que se missória, cartão de crédito
acha próxima do monopólio. c) é também conhecida por moedas ban-
e) significa transparência de mercado. cárias
d) é constituída pelos depósitos nos ban-
13) A parte da economia que estuda o com- cos comerciais e demais instituições fi-
portamento dos agregados econômicos é de- nanceiras
nominada: e) nenhuma das alternativas anteriores está
a) macroeconomia correta
b) microeconomia
c) política monetária 17) Assinale a afirmativa correta:
d) ceteris paribus a) moeda é todo objeto que serve para fa-
e) nenhuma das alternativas anteriores cilitar as trocas de bens e serviços numa
está correta economia
b) cheque é uma moeda metálica
14) Produto Interno Bruto pode ser definido c) a moeda não tem a função de servir
como: como meio de troca na economia
a) a renda pessoal menos os impostos di- d) a moeda manual é emitida pelas empresas
retos pagos e) a moeda metálica é representada pelos
b) também conhecido como renda nacio- títulos públicos
nal liquida
c) a soma dos valores não monetários da 18) Inflação de demanda acontece quando:
economia a) a demanda agregada da economia é in-
d) a soma dos valores monetários dos ferior à produção
bens e serviços finais produzidos den- b) a demanda agregada da economia é igual
tro dos limites econômicos do país. à produção
e) nenhuma das alternativas anteriores está c) a demanda agregada da economia é su-
correta perior à produção
d) a demanda agregada é igual aos custos
15) Sobre o Investimento é incorreto afirmar: de produção
a) é o acréscimo ao estoque de capital que leva e) a demanda elástica da economia supera
ao crescimento da capacidade produtiva os custos de produção.
b) é uma das principais variáveis para ex-
plicar o crescimento da renda nacional 19) O balanço de pagamento é o registro:
de um país a) financeiros das transações com o exterior
c) representa a parte da renda que não é b) contábil de todas as transações de um
gasta com bens e serviços país com outro país
d) a curto prazo, é visto pelo lado dos gas- c) patrimonial de todas as transações de
tos necessários para a ampliação da ca- país com outro país
pacidade produtiva d) é o registro físico de toda a economia
e) todas as alternativas anteriores estão e) é o registro financeiro das exportações
corretas
20) O ICMS pode ser considerado:
16) A respeito de moeda escritural é incorreto a) um imposto direto
afirmar: b) uma contribuição de melhoria
48 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS

c) um imposto indireto c) melhoria na qualidade da mão-de-obra


d) um gasto do governo d) melhoria tecnológica e eficiência orga-
e) uma taxa cobrada pela produção de nizacional
veículos e) todas as alternativas anteriores estão
corretas
21) Não representa instrumentos de política
monetária: 26) Quando há uma procura excessiva superi-
a) reservas compulsórias or à produção de bens e serviços, temos:
b) open market a) uma inflação de oferta
c) redescontos b) uma inflação de demanda
d) regulamentação sobre crédito e taxas de c) uma inflação inercial
juros d) uma inflação de recursos
e) controle das taxas cambiais e) nenhuma das alternativas anteriores está
correta
22) Política cambial é uma política que atua
sobre as variáveis relacionadas: 27) Destruição da moeda, de sua capacidade
a) ao setor externo da economia de reserva de valor e de sua utilidade como
b) ao setor interno da economia meio de pagamento é uma conseqüência:
c) ao setor primário da economia a) da moeda
d) ao setor secundário da economia b) da inflação
e) ao setor terciário da economia c) do crescimento econômico
d) do setor externo
23) Os instrumentos que o governo dispõe para e) nenhuma das alternativas anteriores está
a arrecadação de tributos e o controle de suas correta
despesas se refere a:
a) política monetária 28) O mercado onde são realizadas a opera-
b) política cambial ções de curtíssimo prazo com a finalidade de
c) política de Rendas suprir as necessidades de caixa dos diversos
d) política fiscal agentes econômicos, como os empréstimos
e) política comercial para as pessoas físicas, é denominado:
a) mercado cambial
24) Alto nível de emprego, estabilidade de pre- b) mercado de capitais
ços, distribuição de renda e crescimento eco- c) mercado monetário
nômico são: d) mercado primário e secundário
a) metas de política microeconômica e) mercado à vista
b) metas de política macroeconômica
c) metas de política partidária III - A seguir estão algumas afirmativas refe-
d) metas de política internacional rentes à matéria que você está estudando na
e) nenhuma das alternativas anteriores está Disciplina “Economia e Mercados”.
correta Algumas afirmativas são verdadeiras, outras
falsas. Marque as verdadeiras com a letra “V”
25) É considerada fonte de crescimento eco- e as falsas com a letra “F”. Coloque as letras
nômico: nos colchetes colocados ao lado dos números.
a) aumento na força de trabalho
b) aumento do estoque de capital, ou da 1. ( ) A Economia faz parte das ciências
capacidade produtiva exatas
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 49
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

2. ( ) A partir do conceito de Rossetti, po- 12. ( ) As pessoas desempregadas e as su-


demos afirmar que Economia é a ciência da bempregadas não fazem parte da população
fartura economicamente ativa.

3. ( ) O “que produzir”, “quanto produ- 13. ( ) Bens de capital são os bens que ser-
zir”, “como produzir” e “para quem produ- vem para produzir outros bens, como por
zir” se referem a quatro perguntas fundamen- exemplo, uma máquina de costura, ou seja,
tais da economia. máquinas e equipamentos que são utilizados
para fabricar outros bens.
4. ( ) Unidades familiares, empresas e
Governo são denominados agentes econô- 14. ( ) Um método de produção é, tecni-
micos. camente, eficiente quando comparado com
outros métodos, utiliza menor quantidade de
5. ( ) Em economia, as famílias são clas- insumos para produzir uma quantidade equi-
sificadas como unidades de produção. valente do produto.

6. ( ) O Sistema econômico de produção 15. ( ) Custos totais de produção são o to-


regido pelas leis de mercado, onde predomi- tal das despesas realizadas pela empresa com
na a livre iniciativa e propriedade privada dos utilização da combinação mais econômica dos
fatores de produção, é denominado sistema fatores, por meio da qual é obtida uma deter-
socialista. minada quantidade do produto.

7. ( ) Entende-se por função de pro- 16. ( ) Os custos de uma empresa podem


dução a relação que mostra a quantidade ser classificados de curto ou longo prazo.
física e monetária obtida do produto a
partir da quantidade física utilizada dos 17. ( ) Receita total é o valor das vendas
fatores de produção num determinado totais, realizadas num determinado período de
período de tempo. tempo.

8. ( ) Os custos de longo prazo são carac- 18. ( ) Em Economia, oferta significa a


terizados apenas por custos fixos. quantidade de bens ou serviços que se oferece
aos consumidores.
9. ( ) Monopólio corresponde a uma si-
tuação em que uma firma domina o mercado. 19. ( ) Da mesma maneira que a demanda,
a oferta depende de vários fatores, tais como:
10. ( ) Em Economia, os bens são classifi- de seu próprio preço e dos demais preços, do
cados como: de Capital, de Consumo – durá- preço dos fatores de produção, das preferên-
vel e não durável, Intermediário, Substituto e cias do empresário e da tecnologia.
Complementar.
20. ( ) Em Economia, Consumo significa a
11. ( ) O mercado de trabalho possui utilização, pela população, pelos consumidores,
uma parcela da população chamada de “eco- das riquezas, materiais e artigos produzidos.
nomicamente ativa”, que são aquelas pesso-
as que fazem parte de uma determinada fai- 21. ( ) O consumo global de um país não
xa etária que tem condições de estar traba- tem relação com a renda nacional, o estoque
lhando. de riqueza ou patrimônio, com taxa de juros
50 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
ECONOMIA E MERCADOS

de mercado, nem com a disponibilidade de 24. ( ) O mercado de trabalho é constituí-


crédito. do pela oferta e demanda de emprego. A ofer-
ta de emprego é determinada pelas empresas
22. ( ) A poupança é a parcela da renda que ao produzirem, ao aumentarem a produ-
nacional que não é gasta em bens de consumo. ção contratam pessoas para desempenhar de-
A poupança é a diferença entre a renda e o terminadas atividades e recebem renda por
consumo. É o não consumo presente, em fun- isso.
ção de um consumo futuro.
25. ( ) O governo pode facilitar o aumen-
23. ( ) Crédito é a troca de um bem to de emprego quando reduz tributos, oferece
disponível,no momento, por outro seme- condições de maior crédito para as empresas,
lhante. para que possam produzir mais, e, assim, con-
tratar mais pessoas.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 51


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

52 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS

GL OSSÁRIO
GLOSSÁRIO

Agentes econômicos: são as empresas, as unidades familiares e o governo.

Balança comercial: conta de um país que compreende, basicamente, o


comércio de mercadorias.

Balanço de pagamentos: é o registro estatístico-contábil de todas as


transações econômicas realizadas entre os residentes do país com os residentes
dos demais países.

Banco Mundial: também conhecido como BIRD (Banco Interamericano


de Reconstrução e Desenvolvimento), foi criado com o intuito de auxiliar a
reconstrução dos países devastados pela guerra e, posteriormente, para
financiar projetos, economicamente viáveis e relevantes par o
desenvolvimento desses países.

Bem: significa tudo aquilo que serve de elemento a uma empresa ou entidade,
para a formação do patrimônio empregado para o desempenho de sua
atividade produtiva, útil para a produção direta e indireta do seu lucro.

Bens complementares: aqueles que tendem a influenciar a demanda de


outros bens. Ex: o pão e Bens de consumo: aqueles que atendem, diretamente,
à demanda. Podem ser duráveis (TV, geladeiras), ou não duráveis (alimentos,
produtos de higiene) .

Bens de capital: são os bens que servem para produzir outros bens.

Bens intermediários: aqueles utilizados par produzir outros bens, sendo


consumidos durante o processo e, por isso mesmo, são diferentes dos bens
de capital. Ex: os tecidos

Bens substitutos: aqueles que interferem na demanda de um produto por


parte do consumidor. Assim, quanto mais substitutos houver para um bem
ou serviço, mais opções o consumidor terá à sua disposição para decidir
sobre a sua demanda.

Ceteris paribus: expressão utilizada para representar o teste ou análise de


determinada situação, física ou econômica, mantendo constantes todas as
demais variáveis do processo.

Consumo: em economia significa a utilização, pela população, pelos


consumidores, das riquezas, materiais e artigos produzidos.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 53


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

GLOSSÁRIO

Crédito: é a troca de um bem disponível no momento pela promessa de um


pagamento futuro.

Custos: preço pago pela produção de um bem, ou o que deve ser


despendido em dinheiro, tempo, esforço etc, para se obter algo.

Demanda: o mesmo que procura. Pode ser definida como a quantidade de


um determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em
determinado período de tempo a um determinado preço, mantidas
constantes todas as outras variáveis.

Distribuição: em economia, é a distribuição da renda.

Economia: é a ciência que estuda as formas de comportamento humano


resultantes da relação entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos
que, embora escassos, se prestam a usos alternativos” (Definição de Rossetti,
1997, p.52).

Emprego: maneira de prover a subsistência mediante ordenado, salário ou


outra remuneração a que se faz jus pelo trabalho regular em determinado
serviço, ofício, função ou cargo.

Empresas transnacionais: são aquelas que desenvolvem atividades ou


políticas comuns a várias nações, integradas na mesma união política ou
econômica.

Escassez de recursos: falta de recursos de produção, o inverso de abundância.

Fator capacidade empresarial: é por meio da capacidade empresarial que


os recursos disponíveis são reunidos, organizados e acionados para o exercício
de atividades produtivas.

Fator capacidade tecnológica: é constituído pelo conjunto de


conhecimentos e habilidades que são sustentação ao processo de produção.

Fator capital: é o conjunto das riquezas acumuladas pela sociedade. É


constituído pelas diferentes categorias de riqueza acumulada, empregadas
na geração de novas riquezas.

Fator terra: constitui a base sobre a qual se exercem as atividades dos demais
recursos de produção.

54 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS

GL OSSÁRIO
GLOSSÁRIO

Fator trabalho: é constituído por uma parcela da população que contribuí


para o processo de produção.

Fatores de produção: são assim considerados a terra, o trabalho, o capital,


a capacidade tecnológica e a capacidade empresarial. Insumos.

FMI: Fundo Monetário Internacional, organismo internacional criado com


o objetivo de evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade
financeira, eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos
multilaterais e de socorrer os países associados, quando da ocorrência de
desequilíbrios transitórios em seus balanços de pagamentos.

Globalização: é o processo pelo qual a vida social e cultural dos diversos


países do mundo é, cada vez mais, afetada por influências internacionais em
razão de imposições políticas e conômicas.

IDH: Índice de Desenvolvimento Humano, utilizado pela ONU


(Organizações das Nações Unidas) para avaliação do desenvolvimento dos
países.

Inflação: caracterizada pela instabilidade de preços, é definida como um


aumento persistente e generalizada no índice de preços.

Insumos: o mesmo que fatores de produção. Cada um dos elementos


necessários para produção de mercadorias ou serviços.

Lei geral da demanda: mostra que há uma relação inversamente


proporcional entre a demanda e o preço, isto é, se o preço aumenta, a procura,
em regra, diminui.

Lucro: em economia, lucro é definido como a diferença entre as receitas de


vendas da empresa e os seus custos totais de produção.

Macroeconomia: é o ramo da economia que estuda os fatos ou eventos


econômicos como um todo, analisando a determinação e o comportamento
de grandes agregados, tais como a renda e produtos nacionais

Mercado: palavra com diversos significados. No presente trabalho será


adotada a definição: conjunto de consumidores que absorvem determinados
produtos e/ou serviços.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 55


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

GL OSSÁRIO
GLOSSÁRIO

Mercado de concorrência perfeita: tipo de mercado onde há grande


número de vendedores (empresas) e grande número de compradores.

Microeconomia: parte da economia que estuda a formação dos preços.

Moeda: é o meio pelo qual são efetuadas as transações monetárias. Outro


conceito mais amplo define a moeda como sendo um instrumento ou objeto
que é aceito pela coletividade para intermediar as transações econômicas,
para pagamento de bens, serviços e fatores de produção.

Moeda escritural: é representada pelos depósitos à vista nos bancos


comerciais.

Monopólio: tipo de mercado onde uma única empresa ou empresário


domina por completo a oferta/produção de um ou mais produtos e serviços,
e de outro lado todos os consumidores. È o oposto do mercado de
concorrência perfeita.

Oligopólio: tipo de mercado caracterizado por um pequeno número de


empresas que dominam a oferta de mercado. Tanto as quantidades ofertadas
quanto os preços são fixados entre as empresas por meio de conluio ou cartéis.

OMC: Organização Mundial do Comércio, foi criada com o objetivo básico


de buscar a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização
do comércio multilateral.

Papel-moeda: emitidas pelo Banco Central, representa parcela significativa


da quantidade de dinheiro em poder do público.

PIB: Produto Interno Bruto, representa a soma de todos os fatores de


produção de um país.

Poupança: é a parcela da renda nacional que não é gasta em bens d consumo.

Preço: expressa o valor de troca entre as mercadorias e serviços.

Preço de equilíbrio: encontro das curvas de oferta e de demanda, onde


ocorre o equilíbrio entre o preço e a quantidade ofertada de determinado
produto ou serviço.

Recursos de Produção: o mesmo que fatores de produção.

56 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS

GL OSSÁRIO
GLOSSÁRIO

Sistema econômico: é a forma política, social e econômica pela qual está


organizada uma sociedade. Os sistemas econômicos de produção mais
conhecidos são o capitalista e o socialista.

Taxa de câmbio: é a medida de conversão da moeda nacional em moeda de


outros países, em função das relações econômicas existente entre eles.

Unidades familiares: os lares constituídos, as famílias, independentemente


dos laços de união, de religião etc.

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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

58 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


ECONOMIA E MERCADOS

BIBLIOGRAFIA

BATISTA JÚNIOR, Paulo Nogueira. “Globalização” e administração tri-


butária. Leituras de Economia Política, Campinas, n.4, p.157-178, jun.
1997.

CHESNAIS, François. A mundialização do capital/François Chesnais.


Tradução Silvana Finzifoá. São Paulo. Xamã, 1996.

LOPES, João do Carmo e ROSSETTI, José Paschoal. Economia Monetá-


ria. 7.ed.rev., amp. e atual. – São Paulo: Atlas, 1998.

MACEDO, Jamil P. de et al. Manual do técnico em transações imobiliá-


rias. 11.ed. Goiânia: AB, 1994.V.2.p.79-132.

MOCHON, Francisco ; TROSTER, Roberto Luis. Introdução á econo-


mia. São Paulo: Makron Books, 1994.

PASSOS, Carlos Roberto Martins; NOGAMI,Otto. Princípios de econo-


mia. São Paulo: Pioneira, 1999.

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 17. ed. São Paulo: Atlas,
1997.

SILVA, César Roberto Leite da; LUIZ, Sinclayr. Economia e mercados.


10. ed. São Paulo: Saraiva,1992.

SOUZA, Nali de Jesus. Curso de economia. São Paulo: Atlas, 2000.

VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval; GARCIA, Manuel E. Fun-


damentos de economia. São Paulo: Saraiva, 2000.

VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval. Economia. Micro e Ma-


cro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

INEDI - Cursos Profissionalizantes • 59


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

GABARIT
GABARITOO

EXERCÍCIO I EXERCÍCIO II

1-F 13-F 1-A 15-C


2-V 14-F 2-A 16-B
3-F 15-V 3-C 17-A
4-V 16-F 4-B 18-C
5-V 17-F 5-C 19-B
6-F 18-V 6-E 20-C
7-V 19-V 7-D 21-E
8-F 20-V 8-C 22-A
9-V 21-V 9-A 23-D
10-V 22-F 10-C 24-B
11-V 23-V 11-E 25-E
12-V 12-C 26-D
13-A 27-B
14-D 28-C

EXERCÍCIO III

1-F 14-V
2-F 15-V
3-V 16-V
4-V 17-V
5-F 18-V
6-F 19-V
7-F 20-V
8-F 21-F
9-V 22-V
10-V 23-F
11-V 24-V
12-F 25-V
13-V

60 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


INEDI – Cursos Profissionalizantes

Técnico em Transações Imobiliárias

Noções de
Relações Humanas
e Ética (Profissional)
MÓDULO 04

BRASÍLIA – 2005
Os textos do presente Módulo não podem ser reproduzidos sem autorização do
INEDI – Instituto Nacional de Ensino a Distância
SDS – Ed. Boulevard Center, Salas 405/410 – Brasília - DF
Telefax: (0XX61) 3321-6614

CURSO DE FORMAÇÃO DE TÉCNICOS EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS – TTI

COORDENAÇÃO NACIONAL
André Luiz Bravim – Diretor Administrativo
Antônio Armando Cavalcante Soares – Diretor Secretário
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Maria Alzira Dalla Bernardina Corassa – Pedagoga
COORDENAÇÃO DIDÁTICA COM ADAPTAÇÃO PARA EAD
Neuma Melo da Cruz Santos – Bacharel em Ciências da Educação
COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO
José de Oliveira Rodrigues – Extensão em Didática
Josélio Lopes da Silva – Bacharel em Letras
EQUIPE DE APOIO TÉCNICO: INEDI/DF
André Luiz Bravim
Rogério Ferreira Coêlho
Robson dos Santos Souza
Francisco de Assis de Souza Martins

PRODUÇÃO EDITORIAL
Luiz Góes
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E CAPA
Vicente Júnior
IMPRESSÃO GRÁFICA
Gráfica e Editora Equipe Ltda

________________, INEDI, Relações Humanas e Ética (Profissional),


módulo IV, Curso de Formação de Técnicos em Transações Imobiliárias,
3 Unidades. Brasília. Disponível em: www.inedidf.com.br. 2005.

Conteúdo: Unidade I: conceitos basicos; relações hunanas; canais


de comunicação – Unidade II: ética e moral; a ética profissional.
Unidade III – Exercícios

347.46:695
C455m
Caro Aluno

O início de qualquer curso é uma oportunidade repleta de expectativas. Mas um


curso a distância, além disso, impõe ao aluno um comportamento diferente, ensejando
mundanças no seu hábito de estudo e na sua rotina diária, porque estará envolvido com
uma metodologia de ensino moderna e diferenciada, proporcionando absorção de
conhecimentos e preparação para um mercado de trabalho competitivo e dinâmico

O curso Técnico em Transações Imobiliárias ora iniciado está dividido em nove


módulos. Este módulo 04 traz para você a básica disciplina Relações Humanas e Ética
Profissional que, dividida em três grandes unidades de estudo, apresenta, dentre outros
itens essenciais, os conceitos fundamentais, a importância das relações humanas para o
corretor de imóveis, os canais de comunicação e, ainda, a imagem e o marketing pessoal
para o seu sucesso, além de exercícios de fixação, testes para avaliar seu aprendizado e lista
de vocabulário técnico que, com certeza, será indispensável no seu desempenho
profissional.

Se o ensino a distância garante maior flexibilidade na rotina de estudos também é


verdade que exige do aluno mais responsabilidade. Nós, do INEDI, proporcionamos
as condições didáticas necessárias para que você obtenha êxito nessa tarefa, mas o sucesso
completo e definitivo depende do seu esforço pessoal. Colocamos à sua disposição, além
dos módulos impressos, um completo site (www.inedidf.com.br) com salas de aula
virtuais, fórum com alunos, tutores e professores, biblioteca virtual e salas para debates
específicos e orientação de estudos.

Em síntese, caro aluno, o estudo dedicado do conteúdo deste módulo lhe permitirá
não só o domínio dos conceitos mais elementares de Relações Humanas e Ética,
como também a melhor abordagem do consumidor, além do conhecimento dos
instrumentos básicos para que o futuro profissional possa atingir os seus objetivos no
mercado de imóveis. Ao concluir seus estudos neste módulo você terá vencido uma
importante etapa para atuar com destaque neste seguimento da economia nacional.

Boa sorte!
SUMÁRIO

UNIDADE I
1. AS RELAÇÕES HUMANAS....................................................................................07
1.1 – Considerações iniciais ....................................................................................07
1.2 – Que é Relação Humana .................................................................................08
1.3 – Importância das Relações Humanas para o TTI .............................................08
1.4 – Os dez mandamentos das Relações Humanas ................................................09
1.5 – A Comunicação ............................................................................................10
1.5.1 – Empatia e a Comunicação ...................................................................11
1.5.2 – Comunicação não-verbal .....................................................................12
1.5.3 – O ciclo da comunicação ......................................................................13
1.5.4 – Emissor - transmissor - codificador .....................................................13
1.5.5 – Receptor - ouvinte - destinatário .........................................................13
1.5.6 – Canais de comunicação .......................................................................14
1.5.6.1 – Código ...................................................................................15
1.5.6.2 – Feedback ................................................................................17
1.5.6.2 – Percepção ...............................................................................17
1.6 – Imagem e Marketing pessoal ..........................................................................20

UNIDADE II
2. CONCEITUAÇÕES BÁSICAS .................................................................................25
2.1 – Definição escolhida .......................................................................................25
2.2 – Ética e moral ................................................................................................26
2.3 – Divergências de Comportamento ..................................................................27
2.3.1 – Razões das divergências ......................................................................27
2.4 – Mutabilidade da ética profissional..................................................................28
2.5 – O princípio fundamental da ética ...................................................................28
2.6 – Critérios auxiliares ........................................................................................29
2.7 – O objeto próprio da ética em relação a outras ciências ..........................................29
2.8 – A ética profissional .......................................................................................30
2.8.1 – Condições para ser uma profissão .......................................................30
2.8.2 – Os códigos de ética profissional ..........................................................31
2.9 – A ética e a virtude .........................................................................................31
2.9.1 – As virtudes básicas ..............................................................................32
2.9.2 – Os vícios.............................................................................................32
2.10 – Fundamentos da ética ..................................................................................33

UNIDADE III
3. FUNDAMENTOS OBJETIVOS DA ÉTICA: ASPECTOS DO SER HUMANO ......36
3.1 – O homem é um ser corpóreo ........................................................................36
3.2 – O homem é um ser inteligente .......................................................................36
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

3.3 – O homem é um ser volitivo ...........................................................................36


3.4 – O homem é um ser emotivo ..........................................................................37
3.5 – O homem é um ser espiritual .........................................................................37
3.6 – O homem é um ser social ..............................................................................37
3.7 – O homem é um ser cósmico ..........................................................................38
3.8 – O homem é um ser histórico .........................................................................38
3.9 – O homem é um ser livre ................................................................................39
3.10 – O homem é um ser estético .........................................................................39
3.11 – O homem é um ser axiológico .....................................................................40
3.12 – O homem é um ser político .........................................................................40
3.13 – O homem é um ser teorizante ......................................................................41
3.14 – O homem é um ser prático ..........................................................................41
3.15 – Conclusão ...................................................................................................41

4. FUNDAMENTO SUBJETIVO DA ÉTICA: A CONSCIÊNCIA ...............................41


4.1 – Conceito .......................................................................................................42
4.2 – Evolução da consciência em cada pessoa .......................................................42
4.3 – Condicionamentos da consciência..................................................................42
4.4 – Meios para a formação da consciência ...........................................................43
4.5 – A consciência e a lei .......................................................................................43
4.6 – A consciência e o ato ético ............................................................................44
4.7 – Os desafios para a consciência .......................................................................44
4.7.1. Mecanismos de defesa ...........................................................................45
4.8 – A crise da consciência ética ............................................................................46

5. OS DILEMAS DA ÉTICA ........................................................................................47

6. O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CORRETOR DE IMÓVEIS ...........49

TESTE SEU CONHECIMENTO .................................................................................99


GLOSSÁRIO .............................................................................................................119
BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................131
GABARITO........... ........................................................................................................132

6• INEDI - Cursos Profissionalizantes


RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA

INTRODUÇÃO

Hoje se fala muito em ética: na política, na economia, na educação, na


administração, na medicina, na justiça etc. Mas quais serão os seus funda-
mentos? Serão as leis? Serão os costumes? Serão as tradições? Não.

Os fundamentos da ética estão nos aspectos essenciais da natureza do


ser humano, conhecidos e vivenciados pela consciência, a fim de se cons-
truir a dignidade de cada pessoa na comunidade e pela comunidade.

Em razão do desenvolvimento da humanidade, o discurso ético pas-


sou a ganhar força, incentivando um movimento que se vinha verificando
na última década. Em conseqüência, o comprometimento com a ética, no
cotidiano profissional, passou para a ordem do dia, não apenas como mera
proclamação de intenção, mas como algo, embora muitas vezes intangível,
determinante para a própria sobrevivência no mercado.

O aumento da consciência em relação à relevância da conduta ética,


não significa automaticamente, que ela seja praticada, pois conflitos e dile-
mas éticos não faltam em nosso dia-a-dia.

Assim, este trabalho tem por objetivo colocar o leitor em contato


com os fundamentos da ética, trazendo para o seu conhecimento as várias
faces deste tema que envolve muita reflexão e debate.

Também é abordado o Código de Ética Profissional do Corre-


tor de Imóveis e legislação correlata à atividade profissional.

Bons estudos.

INEDI - Cursos Profissionalizantes •7


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

8• INEDI - Cursos Profissionalizantes


RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA

Unidade
I

¾ Conceituar Relações Humanas;


¾ Reconhecer o objetivo das Relações Humanas no campo
profissional;
¾ Identificar os fundamentos das Relações Humanas;
¾ Reconhecer as condições para ser uma bom profissional;
¾ Refletir sobre a importância de um comportamento adequado.

INEDI - Cursos Profissionalizantes •9


TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

10 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

1. AS RELAÇÕES HUMANAS O mercado exige hoje que o profissional


de venda seja capaz de identificar as necessida-
1.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS des e desejos do cliente. Um profissional com-
prometido com a satisfação do cliente. Um
Cada uma das pessoas tem sua própria profissional que ponha os interesses do cliente
individualidade, desejos, emoções, sentimentos, à frente dos seus, porque a realização do dese-
motivos, interesses que irão influenciar nas suas jo do cliente será o seu sucesso. Um profissio-
relações sociais. Além dessas qualidades pes- nal que seja capaz de buscar dentro das op-
soais, ela também está sob a influência dos la- ções disponíveis aquela que será a melhor so-
ços familiares, das suas idéias políticas e ideo- lução para o cliente. Aquele que tenha a cons-
lógicas, das suas crenças religiosas, das tradi- ciência de que está ali para servir o cliente e
ções da comunidade, das pressões do mundo. não para se servir dele. O mercado, hoje, exi-
A pressão imposta pela tecnologia, principal- ge que o profissional extrapole, que faça do
mente nas comunicações, determinará o futu- seu atendimento uma surpresa para o cliente.
ro do homem moderno. Conhecer, entender e O mercado de trabalho está carente de
utilizar os browser, internet, mouse, site, etc. será o profissionais que extrapolem na capacidade de
caminho inevitável para o profissional bem bem atender ao cliente. Portanto pessoal, mãos
sucedido. Inovar é preciso. à obra. Venha fazer parte deste seleto time,
As maiores e melhores empresas do mun- onde muitos têm a chance de entrar, mas so-
do são bem sucedidas porque são capazes de cri- mente os mais obstinados, os mais criativos,
ar novas formas de apresentar o seu produto. os mais competentes permanecerão.
Elas são capazes de entender as demandas exis- Seja um profissional do futuro. Torne-se
tentes e apresentam produtos capazes de surpre- um solucionador de problemas. Esta é a gran-
ender a concorrente e de conquistar o consumi- de diferença entre um profissional comum e
dor. A qualidade que diferencia estas empresas os de sucesso. O profissional bem sucedido
das outras é a capacidade de criar novidades. Ser constrói o seu caminho. Ele consegue ver além
criativa, nesta época de mudanças tão rápidas é do horizonte e por isso são capazes de inovar.
um dos fatores que conduz ao sucesso indepen- O profissional do futuro não se satisfaz com
dentemente do tipo de atividade exercida. Estas pouco. Ele está sempre em busca da perfeição
características também devem ser atributos das na realização do seu compromisso em atender
pessoas, porque quem faz a empresa é quem nela bem o cliente.
trabalha. Assim, criatividade, capacidade de en-
tender as demandas do cliente, conhecer bem o
produto que oferece devem ser qualidades de um
bom corretor de imóveis.
O advento das tecnologias de ponta nas
telecomunicações acelerou o processo de comu-
nicação entre os quarto cantos do mundo, acir-
rando a concorrência com ofertas de produtos 1. Marque as alternativas corretas: São quali-
similares e preços cada vez mais competitivos. dades de um bom TTI:
Esta situação de paridade entre os produtos e a) Ser criativo
serviços causou a morte do vendedor tradicio- b) Ser capaz de entender as demandas do
nal. O mercado exige, atualmente, um novo tipo cliente
de vendedor. Exige um profissional altamente c) Conhecer bem o produto que oferece
qualificado, com muitos conhecimentos e prin- d) Manter uma boa imagem
cipalmente que possua muita criatividade. e) Todas as acima
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 11
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

2. A relações humanas são influenciadas pela: 1.2 – QUE É RELAÇÃO HUMANA


a) individualidade, desejos, emoções e sen-
timentos Não existem dúvidas de que as pessoas
b) motivos, interesses, laços familiares, tra- são diferentes umas das outras. Mesmos gêmeos
dições e pressões do mundo univitelinos, que tiveram a mesma criação, a
c) idéias política, ideológicas e crenças re- mesma educação, desde pequenos demonstram
ligiosas características diferentes no comportamento,
d) nenhuma das acima nas personalidades, no modo de agir em soci-
e) todas as acima edade. Sempre tivemos consciência de que so-
mos diferentes, de que temos necessidades di-
ferentes uns dos outros. Apesar de tudo isso,
compartilhamos de algo que é comum a todos
os seres humanos: a capacidade de nos relaci-
onarmos de forma consciente e voluntariamen-
te uns com os outros.
As relações humanas se estruturam atra-
vés das interações entre as pessoas no seu dia-
a-dia. Desde a infância aprendemos a nos rela-
cionarmos primeiro com nossos familiares.
Este processo prolonga-se através do tempo,
acompanhando o indivíduo em todos os está-
gios da sua vida – escola, grupo de amigos,
trabalho. Este processo de relacionamento en-
tre os indivíduos acaba sendo de extrema im-
portância para a estruturação da personalida-
de do ser humano.
Devido aos diferentes fatores que são
envolvidos nas relações humanas, tais como as
características psicológicas de cada pessoa, de
como esta pessoa se integra nos ciclos sociais,
da sua história de vida, este é um processo de
alta complexidade, que não possui modelos ou
fórmulas mágicas. Os modos de procedimen-
tos nas relações humanas são demarcados pe-
las regras sociais às quais o indivíduo deve
observar e adaptar (ou não) às suas próprias
características de personalidade.
O modo do indivíduo estar e perceber o
mundo dependerá da multiplicidade das redes
de interações que ele for estabelecendo duran-
te a sua vida. Serão estas relações que cons-
truirão todo o sistema que sustentará o desen-
volvimento social dos seres humanos. Onde
houver mais de uma pessoa, envolvida num
processo de troca de experiências, teremos um
relacionamento humano.
12 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

O estudo das relações humanas assumiu a se relacionar profissionalmente de forma cor-


importância que possui hoje, porque os estudi- reta, muitos problemas futuros no local de tra-
osos do comportamento humano perceberam balho ou com os clientes poderão ser evita-
que as relações humanas estavam sofrendo cons- dos. Se o TTI souber identificar o real propó-
tante influência da mobilidade espacial dos in- sito do seu relacionamento com os colegas e
divíduos e dos grupos, do aumento sistemático principalmente com os clientes, ele estará dan-
do número de instituições e dos grupos sociais, do um passo certo para o sucesso do seu tra-
dos quais todos nós pertencemos ou iremos balho. No ambiente de trabalho o que deve
pertencer, os contatos cada vez mais rápidos e predominar são as condições para uma verda-
superficiais que permeiam o cotidiano das pes- deira harmonia entre o homem e o trabalho, e
soas. Assim, qualquer atividade que busque me- vice versa. A base concreta para um bom rela-
lhorar o modo como estas relações se estabele- cionamento é ter percepção dos nossos deve-
cem, e para isso precisa ter compreensão de to- res e obrigações, e dos limites e regras que fa-
dos os fatores envolvidos neste processo, assu- zem a relação social ser harmônica.
me um papel de extrema relevância no mundo
atual. É preciso que se conheça cada um dos 1.4 – OS DEZ MANDAMENTOS DAS
fatores que promovem uma relação harmonio- RELAÇÕES HUMANAS
sa entre as pessoas, respeitando cada indivíduo
com suas características físicas e psicológicas. FALE com as pessoas. Não há nada tão agra-
Se, como dito anteriormente, onde exis- dável e animado quanto uma palavra de sau-
tem duas pessoas em interação há um relacio- dação, particularmente hoje em dia quando
namento, podemos acreditar também que, nem precisamos mais de sorrisos amáveis.
sempre, este processo será totalmente harmo- SORRIA para as pessoas. Lembre-se, que
nioso. É previsível a ocorrência de conflitos acionamos 72 músculos para franzir a testa
de crenças, costumes, valores, etc., pois qual- e somente 14 para sorrir.
quer tipo de relacionamento certamente estará SEJA amigo e prestativo. Se você quer ter
subordinado às características que distinguem um amigo, seja um amigo.
um indivíduo do outro. SEJA cordial. Fale e aja com toda sincerida-
de: tudo o que fizer, faça-o com todo o prazer.
1.3 – IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERESSE-SE sinceramente pelos ou-
HUMANAS PARA O TTI tros. Mostre que as coisas da qual gostam e
com as quais se preocupam também têm
Nós podemos nos relacionar com outras valor para você, de forma espontânea, sem
pessoas por vários motivos: profissionalmen- precisar se envolver diretamente.
te, socialmente, por termos simpatia por ela, SEJA generoso em elogiar, cauteloso em
etc. Entretanto, o que importa neste momento criticar. Os líderes elogiam. Sabem encora-
é sermos capazes de avaliar qual o propósito jar, dar confiança, e elevar os outros.
pelo qual estamos buscando estabelecer um SAIBA considerar os sentimentos dos ou-
contato com outra pessoa. Isto é necessário tros. Existem três lados em qualquer contro-
porque irá impedir que o relacionamento hu- vérsia: o seu, o do outro, e o que está certo.
mano que se estabelece naquele momento não PREOCUPE-SE com a opinião dos ou-
seja ambivalente na sua interpretação. tros. Três comportamentos de um verdadei-
A tomada de consciência do propósito ro líder: ouça, aprenda e saiba elogiar.
das relações humanas tem grande importância PROCURE apresentar um excelente traba-
principalmente com relação aos relacionamen- lho. O que realmente vale nessa nossa vida é
tos profissionais. Se o profissional aprender a aquilo que fazemos para os outros.
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

1. a capacidade de nos relacionarmos de


forma consciente e voluntariamente uns
com os outros,
2. a incapacidade de nos relacionarmos de
forma consciente e voluntariamente uns
1. Complete a afirmação: As relações huma- com os outros
nas se _________ através das interações en- 3. a capacidade de nos relacionarmos de
tre as pessoas no(a) _________ forma consciente e involuntariamente
a) Completam, grupo uns com os outros.
b) Desfazem, cotidiano a) Somente 1 está correta
c) Constróem, sociedade b) Somente 2 está correta
d) Estruturam, dia-a-dia c) Somente 3 está correta
d) Todas estão corretas
2. Processo de relacionamento humano é im- e) Todas estão erradas
portante para:
a) Estruturação da motivação. 6. Complete a afirmação: Se o TTI souber iden-
b) Estruturação do sujeito tificar o real propósito do seu relacionamento
c) Estruturação do profissional com os colegas e principalmente com os clien-
d) Estruturação da personalidade tes, ele estará dando um passo certo para
______________
3. Assinale quais são os fatores abaixo que estão a) sucesso
envolvidos no processo das relações humanas: b) fazer novos clientes
a) As características psicológicas de cada c) realizar boas vendas
pessoa, d) incrementar o mercado
b) De como esta pessoa se integra nos ci- e) fazer o nome da empresa
clos sociais,
c) Da sua história de vida, 7. Complete a afirmação: Se o profissional TTI
d) Todas as acima aprender a se relacionar profissionalmente de
e) Nenhuma das acima. forma correta, muitos problemas futuros no
local de trabalho ou com os clientes poderão
4. Complete a afirmação: Onde existem duas ser ____________
pessoas em .....................há um ......................, a) evitados
podemos acreditar também que, nem sempre, b) solucionados
este ..............será totalmente ......................... c) criados
a) Congregação, relações humanas, proces- d) todas as acima
so, conflituoso e) nenhuma das acima
b) Interação, relacionamento, sistema, har-
monioso 8. Complete a frase: O modo do indivíduo es-
c) Interação, relacionamento, processo, har- tar e _________________ o mundo depen-
monioso derá da __________ das redes de interações
d) Interação, posicionamento, conjunto, que ele for __________ durante a sua vida.
conflituoso a) Perceber, multiplicidade, destruindo
b) Construir, duplicidade, enaltecendo
5. Existe algo que é comum a todos os seres c) Perceber , multiplicidade, estabelecendo
humanos: d) Destruir, complexidade, formando
e) Comportar, qualidade, montando
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RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

1.5 – A COMUNICAÇÃO profissionais. Muitas pessoas escutam mas não


ouvem, muitas olham mas não vêem. Os pou-
A comunicação é a principal ferramenta cos que conseguem desenvolver habilidades em
do Técnico em Transações Imobiliárias-TTI. saber ouvir, ver e sentir, descobrem que são
No mundo moderno, a palavra comunicação capazes de inovar e melhorar o seu desempe-
tornou-se lugar-comum e transformou-se em nho profissional.
força de extraordinária vitalidade na observa- Para o profissional da venda, ouvir tal-
ção das relações humanas e no comportamen- vez seja o requisito principal para garantir o
to individual. sucesso de um negócio. Ouvir requer muita
A comunicação é a utilização de qualquer prática e paciência. Requer a capacidade de
meio pelo qual um agrupamento de códigos - saber refrear o impulso da impaciência para
a mensagem - é transmitido. No caso dos seres deixar a outra pessoa se expressar. Quando
humanos podemos dizer que a comunicação é realmente estamos ouvindo, uma forte cone-
a transmissão de um modo de pensar, de ser e xão é estabelecida entre nós e o outro. Uma
de sentir. Seu objetivo é influenciar com o ob- ligação invisível que nos conecta e nos permi-
jetivo de se obter uma reação específica do te, num processo de empatia, ocuparmos o
outro interlocutor. É através da comunicação lugar do outro, e com isso conseguimos enten-
que as pessoas conseguem expressar suas emo- der melhor que esta outra pessoa é e o que ela
ções, motivar outras pessoas, transmitir fatos, deseja.
opiniões e experiências. Quando você estiver ouvindo, foque sua
Por ser o grande trunfo para o sucesso atenção somente na outra pessoa. Escute, veja,
do TTI no seu trabalho, é preciso que se tenha sinta o que ela tem a dizer. Escute não somente
um bom conhecimento sobre como bem utili- o que está sendo dito, mas preste atenção prin-
zar esta ferramenta. Saber comunicar é um atri- cipalmente no que não está sendo dito. ‘Leia’ a
buto que todos nós possuímos, porém, alguns expressão corporal, sinta a energia transmiti-
sabem utiliza-la melhor do que os outros. É da, veja a luz que brilha no olhar do outro. Ou
preciso que a comunicação, como ferramenta, seja, fique concentrado no que está sendo dito
seja usada em benefício do indivíduo e da em- pelo outro. Quando você realmente souber
presa. O uso adequado desta ferramenta colo- ouvir um mundo de oportunidades surgirá.
ca o profissional à frente da sua concorrência. Ouça seus clientes, sua família, seus amigos e
Quem quiser comunicar-se bem deverá buscar você aprenderá muito com eles; principalmente
subsídios nos treinamentos, dedicar esforços a ouvir você mesmo. Ouça, pergunte, compre-
pessoais com o objetivo de aprimorar esta ha- enda e, só então, dê a sua resposta.
bilidade. Convém ressaltar algumas habilidades de
Um grande engano ocorre quando se saber ouvir:
confunde comunicação com falar. Comunica-
ção é muito mais do que simplesmente o ato • Um ouvinte eficiente é aquele que ‘ouve’
da fala. Ela envolve outros sentidos que, na com todos os seus sentidos, emoções e
maioria das vezes, não são considerados como sentimentos;
importantes, ou mesmo como parte essencial • Um bom ouvinte deve ser capaz de pen-
da comunicação. Ver, ouvir, sentir são, cons- sar rapidamente para sintetizar e encon-
tantemente, esquecidos quando se discute o trar prontas respostas para aquilo que o
processo de comunicação. Muitas pessoas fa- transmissor está comunicando;
lam, e por não saber falar provocam danos ir- • Saber ouvir exige reflexão, questionamen-
reparáveis na sua rede de relações humanas, to e poder de síntese sobre aquilo que está
principalmente na rede de relacionamentos acontecendo;
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

• O bom ouvinte não deve perder a con- sejos e os problemas que estarão envolvidos
centração quando o transmissor está en- na relação comercial. A maioria dos insuces-
viando uma mensagem. Ele de ficar sem- sos nas vendas ocorre porque o vendedor não
pre atento, não deve demonstrar inquieta- consegue descobrir o que seu cliente está lhe
ção e nem ansiedade, demonstrando inte- dizendo.
resse sobre o que está sendo transmitido. É importante entender que não basta o
• O bom ouvinte olha para o transmissor TTI transmitir o que ele quer dizer. É funda-
todo o tempo, numa demonstração de res- mental que se procure saber e entender o que
peito e interesse pelo outro. os clientes esperam dele ou e suas empresas. O
importante é o que o cliente quer ouvir e não
Tenha isso em mente: comunicar corre- apenas aquilo que o TTI tem a dizer. Deve-se
tamente é fundamental para a sua profissão. focar o discurso no benefício que se quer ofe-
recer ao cliente e não na própria pessoa do TTI
1.5.1 – Empatia e a Comunicação ou mesmo no produto/serviço que ele deseja
vender.
Além das palavras, existe um mundo in-
finito de nuanças e prismas diferentes que ge- 1.5.2 – Comunicação não-verbal
ram energias ou estímulos que são percebidos
e recebidos pelo outro, através dos quais a co- Impacto numa comunicação normal
municação se processa. Um olhar, um tom de 7% Verbal Apenas palavras escritas
voz um pouco diferente, um franzir de cenho, 38% Vocal Incluindo tom de voz,
um levantar de sobrancelhas, podem comuni- inflexões e outros sons.
car muito mais do que está contido em uma 55% Não-verbal Gestos e movimentos
mensagem manifestada através das palavras.
O sucesso do moderno TTI está na sua Comunicação na comunicação frente a frente
capacidade de se colocar na posição do cliente 35% Verbal Palavras
e perceber todas a nuanças acima descritas. De 65% Não-verbal Gestos e movimentos
ser capaz de entender como o seu cliente vê as
coisas, de saber como ele exprime seus senti- Para a maioria dos pesquisa-
mentos. Sentir os problemas do cliente como dores o canal verbal é utilizado
se fossem os seus. Somente após ser capaz de para transmitir informações e
se colocar no lugar do cliente, o bom TTI esta- o canal não-verbal é usado
rá apto a solucionar o problema do cliente. para negociar atitudes entre as
Uma relação entre o TTI e o cliente tem que pessoas. A expressão não-ver-
ser estabelecida nestes moldes de modo que o bal é um poderoso comple-
cliente passe a confiar no corretor. Uma rela- mento, e às vezes um substi-
ção estabelecida com o cliente, somente sob o tuto, para a mensagem ver-
ponto de vista do TTI, terá tudo para se tor- bal. Apesar da expressão
nar um retunbante fracasso. corporal assumir até mais
Além se saber se colocar na posição do importância do que a expressão verbal ela é
cliente, a comunicação entre o TTI e o outro comumente posta em segundo plano. A maio-
tem que ser clara, objetiva, sem distorções. Tem ria das pessoas não sabe identificar os sinais
que ser elaborada numa linguagem que o clien- corporais participantes de uma mensagem.
te possa ser capaz de decifrar, de entender. Será Medo de fitar o outro, tiques nervosos, gestos
neste processo de falar, sentir, ver e ouvir que incongruentes com o conteúdo do que é dito,
se consegue descobrir as necessidades, os de- ausência de gestos ou mesmo o seu uso exces-
16 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

sivo, posturas inadequadas são detalhes que 1.5.3 – O ciclo da comunicação


‘comunicam’ muito mais do que mil palavras.
Quando você TTI estiver se comunicando com Comunicação é um processo de intera-
seu cliente preste atenção nos sinais que seu ção social entre indivíduos e não meramente
corpo e o do seu cliente estão emitindo. Saiba uma troca de atos verbais e não-verbais. Co-
ler nestas entre linhas e garanta melhores ne- municar-se está relacionado com o desempe-
gócios. nho de papeis sociais, e durante o desenrolar
Seja simples e natural. Lembre-se de que do processo os comunicantes estão submeti-
seu cliente quer se comunicar com você, por dos a várias condições psicológicas, tais como:
isso ele está ali, e cabe a você facilitar o pro- falta de conhecimento sobre o assunto, nervo-
cesso. A comunicação, quando eficaz, se dá atra- sismo, tensão, ansiedade, etc. O ato de comu-
vés de atos simples e naturais, resultados de nicar envolve sempre um propósito definido,
muito tempo de treino e observação. A sim- um grau de imprevisibilidade e criatividade por
plicidade e a naturalidade estão presentes quan- parte de quem participa do processo.
do identificamos e afastamos os obstáculos que Um processo de comunicação envolve
interferem na comunicação. Em suas apresen- quatro integrantes básicos: um emissor; um
tações, procure estar presente integralmente, receptor, um canal e o feedback.
o tempo todo. Invista nas relações interpesso-
ais, dê o melhor de si. Invista nas suas relações
interpessoais.
O que é comunicação? É uma busca de
entendimento, de compreensão. É uma ligação,
transmissão de sentimentos e de idéias. Ao se
comunicar o indivíduo coloca em ação todos
os seus sentidos com o objetivo de transmitir
ou receber de forma adequada a mensagem.
Como já foi dito, nós podemos nos comuni-
car utilizando de canais verbais e não-verbais.
Nas comunicações orais agrupamos mensagens 1.5.4 – Emissor - Transmissor - Codificador
do tipo ordens, pedidos, comunicações telefô-
nicas, debates, discussões, etc. Nas comunica- No processo de comunicação pode-se
ções escritas incluímos as cartas, jornais impres- considerar o emissor como o ponto de parti-
sos, revistas, etc. Nas comunicações não-ver- da. É ele quem envia a mensagem através da
bais estão as mímicas, onde estão incluídos os palavra oral ou escrita, gestos, expressões, de-
gestos de mãos, do corpo, da face. Pelo olhar, senhos, etc. O emissor pode ser também uma
portanto não-verbal, conseguimos saber se o organização informativa como rádio, TV, es-
que está sendo solicitado de nós simplesmente túdio cinematográfico, etc. É preciso não con-
pelo modo como o nosso interlocutor nos fundir o emissor como fonte da mensagem. Por
olha. Pela postura do corpo, porque o nosso exemplo, ao ler uma mensagem, um locutor
corpo muitas vezes ‘fala’ melhor o que gosta- poderá estar dando início a um processo de
ríamos de dizer oralmente, somos capazes de comunicação, porém não será ele a fonte que
verificar se estamos sendo ou não aceitos, ou originou a mensagem.
se nossa mensagem está sendo bem ou mal re- Alguns fatores a serem considerados
cebida. Falar é uma atitude consciente enquan- com relação ao emissor são:
to a postura é inconsciente. Os gestos podem Motivação: ao estabelecer uma comu-
significar mais que você imagina!. nicação, os interlocutores podem possuir os
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

mais variados motivos. Você, como especia- decidir como irá apresentar os seus produtos.
lista, pode estar tentando convencer a um gran- O levantamento das características do seu cli-
de investidor que aquele novo lançamento é a ente deve incluir o máximo de informações
mais moderna concepção de empreendimen- possíveis sobre ele: sexo, idade, profissão, ní-
to imobiliário, pode estar tentando vender um vel de instrução e expectativas ou necessida-
serviço, ou pode estar apenas apresentando a des. Lembre-se de que quanto mais adequada
um grupo de colegas como foi o seu desem- for a mensagem ao receptor, maior a probabi-
penho no ano que passou. Qualquer que seja o lidade de você fechar um bom negócio.
motivo é imprescindível que você esteja moti-
vado, envolvido pelo assunto e que seja capaz 1.5.6 – Canais de Comunicação
de empolgar a quem lhe ouve de modo a con-
vence-lo e finalmente alcançar o seu objetivo Canal é a forma utilizada pelo emissor
almejado com aquela mensagem. para enviar a mensagem. Deve ser escolhido
Credibilidade: o seu sucesso ao comu- cuidadosamente, para assegurar a eficiência e
nicar com o seu cliente, ou com uma outra pes- o bom êxito da comunicação. Um canal esco-
soa qualquer, está diretamente relacionado com lhido erroneamente pode prejudicar ou até
o seu conhecimento sobre o assunto que está mesmo impedir a concretização de uma comu-
sendo tratado. É preciso que você tenha segu- nicação. O emissor deve estar sempre preocu-
rança sobre o que está falando, que suas atitu- pado com a escolha do canal mais adequado á
des (comunicação não-verbal) sejam correspon- sua mensagem, sem perder de vista as caracte-
dentes ao conteúdo da mensagem. Mostre se- rísticas do receptor.
gurança, dinamismo e autoconfiança. Prepare- É o modo escolhido pelo emissor, atra-
se cuidadosa e criteriosamente para usar cor- vés do qual a mensagem é levada até o receptor.
retamente sua expressão verbal e não verbal Uma mensagem pode ser transmitida por
para comunicar-se com os outros. diferentes modos e meios.
Por exemplo:
1.5.5 – Receptor – Ouvinte – destinatário
1) visual – gestos, movimentos do corpo,
Receptor ou destinatário ou ouvinte é a expressões faciais postura;
pessoa ou grupo de pessoas situadas na outra 2) auditiva – tom de voz, variação de altura
ponta da cadeia de comunicação. Ele é o ele- e intensidade vocal;
mento mais importante do processo. Pode ser 3) verbal – palavras;
a pessoa que lê, que ouve, um pequeno grupo, 4) sensorial – manipulação de objetos;
um auditório ou uma multidão. Ao recebedor 5) pictórica – gráficos, diagramas e figuras.
cabe decodificar a mensagem e dele depende,
em termos, o êxito da comunicação. Vale con- A comunicação ocorre, então, através dos
siderar, nesse caso, os agentes externos que in- órgãos dos sentidos: audição, visão, tato, olfa-
dependem da vontade do recebedor (ruídos). to e paladar.
O receptor recebe a mensagem e a interpreta Se você, TTI, deseja que seu cliente te-
internamente, manifestando externamente essa nha uma boa idéia do novo lançamento à beira
interpretação. O receptor faz o caminho inver- mar, certamente deverá usar e abusar da co-
so, isto é parte dos significantes até alcançar a municação pictórica. Ou seja, mostrar ao seu
intenção de significação. cliente muitas e belas fotos do local onde será
Você, TTI, deve sempre conhecer e ana- construído o imóvel que você deseja vender.
lisar seus clientes (os receptores em potencial Ao escolher o canal mais adequado à sua
no seu trabalho) com antecedência para então mensagem, você tomar alguns cuidados com-
18 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

plementares para garantir que sua mensagem código verbal é aquele que utiliza da palavra
chegará ao receptor do modo como você falada ou escrita e o não-verbal é aquele que
quer: apresenta através das expressões corporais,
portanto não utiliza a palavra. Seus códigos são
a) deve verificar se este canal está disponível os gestos, as mímicas, as posturas, etc. Uma
e se o seu interlocutor tem acesso a ele; mensagem é a tradução de idéias, objetivos e
b) se este canal tem capacidade de transmi- intenções.
tir sua mensagem com a velocidade ne- Um excelente TTI, ao preparar sua men-
cessária, de modo que o receptor não a sagem deve estar sempre preocupado com dois
receba após ela perder sua efetividade; fatores fundamentais: o conteúdo e a estrutura
c) certifique-se de que sua mensagem está de sua mensagem.
sendo apresentada de uma forma, ou O conteúdo refere-se ao que será dito
com um conteúdo, que o receptor tenha com respeito a um determinado assunto. Pri-
condições de decodifica-la. meiro você deve definir o objetivo da sua men-
sagem, tendo em mente as características do
Imagine o nosso coração (emissor) man- seu cliente e o tempo do qual você dispõe para
dando o sangue (mensagem) para os nossos pés efetuar a transação imobiliária desejada. Você
(receptor). As veias seriam os canais de comu- deve escolher os pontos mais importantes a
nicação. serem ressaltados, procurando motivar o seu
cliente. Evite criar mensagens com diversos e
diferentes conteúdos. Isso somente servirá para
confundir o seu cliente.
A estrutura diz respeito ao modo como
você vai organizar sua mensagem. Uma men-
sagem para ser bem compreendida deve ter
todos os seus elementos logicamente ligados
entre si. De um modo geral, uma boa mensa-
gem deve ter a seguinte estrutura: uma parte
introdutória. Aqui devem ser ressaltados os
MENSAGEM aspectos mais atraentes e convidativos. Uma
parte intermediária onde são dadas as princi-
Partindo do princípio de que comunica- pais explicações de forma clara, coerente, etc.
ção é o processo de troca de mensagens entre E termina com uma conclusão. No caso de uma
duas ou mais pessoas pode-se concluir que para mensagem de venda, em geral a parte final in-
que as mensagens possam ser trocadas é preci- centiva ao fechamento do negócio. Uma men-
so que repousem sobre um sistema simbólico sagem mal estruturada tem seu impacto redu-
comum ao transmissor e ao receptor. Esse sis- zido, em geral dificulta a compreensão e acei-
tema simbólico se formula através de um có- tação por parte do receptor.
digo, dentro do qual são concebidas as mensa- Alguns autores ainda acrescentam um
gens. Portanto, a mensagem é um conjunto de terceiro fator: o estilo. O estilo está relaciona-
códigos estruturados e agrupados de uma for- do com o modo pelo qual o conteúdo da men-
ma coerente e que deve ser decifrado pelo re- sagem será apresentado. Cabe a você escolher,
ceptor. É aquilo que o emissor deseja transmi- por exemplo, o tipo de letra, as cores, a dia-
tir. É necessário que a mensagem tenha con- gramação do texto, etc. Numa mensagem você
teúdo, objetivos e use canal apropriado Os pode usar de diferentes modos de se expres-
códigos podem ser verbais e não-verbais. O sar, de forma coloquial ou de um modo mais
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 19
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

refinado. Porém, tome cuidado de usar um es- processo de comunicação, que resulte na difi-
tilo que esteja de acordo com o seu produto e culdade ou mesmo na impossibilidade do re-
o seu cliente. ceptor decodificar a mensagem.
As interferências podem ter as mais vari-
1.5.6.1 – Código adas origens. Podem ser oriundas do meio ex-
Código é o conjunto de signos e regras terno e ser de natureza física. Por exemplo, um
de combinação desses signos capazes de dar raio que caia sobre uma linha telefônica inter-
sentido a um modo de pensar ou de se expres- rompendo uma conversação; podem ser sons
sar. O emissor lança mão desse sistema de có- estranhos à comunicação tais como: pessoas fa-
digos para elaborar sua mensagem, realizando lando, tosse, riso, barulho de máquinas ou nos
a operação de codificação. O receptor identi- equipamentos, etc. Algumas dessas interferên-
ficará esse sistema de signos, fazendo a opera- cias estão fora do controle do emissor e o máxi-
ção de decodificação. Este processo somente mo que ele pode fazer é tentar adaptar-se a elas.
poderá ser efetuado se o receptor tiver conhe- Pode também ser de caráter interno, tendo ori-
cimento dos símbolos utilizados e for capaz gem no receptor ou mesmo no próprio emis-
de decodifica-los. Portanto é importante que sor. Esse ruído interno pode ser de origem emo-
você analise bem o seu cliente para ter certeza tiva, por exemplo, insegurança pessoal, falta de
de que ele conhece o código que você esta uti- conhecimento do assunto ou produto a ser
lizando. Exemplos de código: as diferentes lín- apresentado, etc. No entanto, na maioria das
guas, o vocabulário técnico utilizado por pro- vezes esses ruídos poderão ser evitados se você
fissionais de diferentes áreas, o “código” brai- tomar os cuidados necessários.
le, o “código” de sinais, etc. Os estudos e pesquisas sobre comuni-
cação têm apontado e comprovado que os
Ruídos ruídos no processo de comunicação freqüen-
O diagrama do processo de comunica- temente distorcem o que se quer comunicar,
ção, apresentado anteriormente, deixa claro a ponto de provocar rupturas definitivas nas
que o processo de comunicação é um caminho relações sociais das pessoas. Quantas vezes
de duplo sentido. Ou seja, a comunicação existe podemos ver pessoas sendo surpreendidas
em mão dupla. Isto quer dizer que um indiví- por acusações sobre algo que ela não disse.
duo pode ser ou não aceito por um outro indi- Uma mensagem, quando é veiculada entre di-
víduo ou por um determinado grupo simples- versos interlocutores, sofre um processo de
mente pelo modo com o qual se comunica. De deteriorização tal em função das interferên-
um modo geral, a não aceitação de um indiví- cias a que é submetida, que ao final do seu
duo em função do modo pelo qual ele se co- ciclo, ela pode não estar expressando nada
munica ocorre devido a ‘obstáculos’ que res- do que estava contido no seu sentido origi-
tringem a eficácia da comunicação. Estes obs- nal. Por isso todo cuidado é pouco com re-
táculos podem ser em função do emissor, do lação aos ruídos. Quanto mais pudermos
receptor, ou de ambos, ou ainda de- eliminar os ruídos, ou numa impossibilida-
vido a interferências de de faze-lo, quanto mais conhecermos as
existentes nos ca- interferências que poderão ‘atacar’ nossa
nais de comunica- mensagem melhor. Há inúmeros ‘ruídos’ que
ção. Portanto, interferem nos nossos relacionamentos hu-
podemos definir manos, atrapalhando a nossa convivência,
ruído como qual- causando desentendimentos graves, impedin-
quer tipo de inter- do um relacionamento mais tranqüilo, mais
ferência existente no harmônico, mais feliz.
20 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

Eis alguns exemplos das causas de ruídos comunicação. Sem que haja o feedback a co-
mais comuns: municação não pode ser considerada comple-
ta. Esta fase se constituí de um conjunto de si-
a) como relação aos emissores e receptores: nais, enviados pelo receptor, que permitem ao
- Emitir ou receber mensagens com sen- emissor conhecer o resultado da sua mensa-
timentos contraditórios ou agressivos. gem. Será esta fase que informará ao emissor
Por exemplo: emitir e ou receber men- se a sua mensagem original foi recebida e com-
sagens com postura corporal demons- preendida, ou não. O feedback confirma que a
trando desinteresse, uso de ironias ou comunicação é um processo bilateral. Nele está
desprezo para com o outro, tons de voz contido toda a reação do receptor com rela-
agressivo, etc. ção a mensagem que o emissor enviou.
- Emitir ou receber mensagens cujo con- Um componente de grande importância
teúdo expressa crenças, costumes, há- no feedback é a comunicação não-verbal por
bitos, ideologias, que dizem respeito a parte do receptor. Através das expressões cor-
somente um dos interlocutores. Por porais emitidas pelo receptor o emissor pode
exemplo: enviar ou receber uma men- ter uma revelação, mesmo antes do receptor
sagem contendo apoio ao uso de dro- emitir qualquer tipo de resposta verbal, de como
gas; apoio a este ou aquele partido po- o receptor reagiu à sua mensagem. O emissor
lítico, etc. pode verificar se o receptor está reagindo como
- Receber ou emitir mensagens não-ver- ele esperava. Uma reação positiva pode signifi-
bais cujo simbolismo indicam uma pos- car um bom entendimento e aceitação da men-
tura negativa. Por exemplo: negar com a sagem, uma reação negativa pode significar uma
cabeça enquanto se afirma alguma coisa. recusa ou mal entendimento. Sinais de inquietu-
- Mensagens emitidas ou recebidas por de, distração ou indiferença pode dar boas pis-
pessoas com deficiência física - surdez, tas sobre como o receptor está reagindo à men-
mudez, cegueira, gagueira, etc. sagem do emissor. Sorrisos, meneios de cabeça
no sentido da afirmação indicam que o recep-
b) com relação á mensagem: tor está interessado, participativo.
- mensagens cujo conteúdo contém códi- Todo TTI, para melhorar a compreen-
gos cujos significados diferem entre os são das suas mensagens com os clientes, deve
interlocutores. Por exemplo, mensagem levar em consideração os seguintes princípios:
com palavras, figuras, e quando não-ver- Use e abuse do feedback, ou seja, per-
bal, gestos que não possuem o mesmo gunte ao seu cliente (ou procure notar nas suas
significado para emissor e receptor; expressões corporais) se ele está compreenden-
- mensagem contendo palavras e termos do o que você está lhe dizendo.
desconhecidos ou pouco usados, fazen- Quando possível, utilize mais de um ca-
do com que a mensagem fique difícil nal de comunicação. Ou seja, além de tentar
de entender ou incompleta; convence-lo pela palavra, ofereça também
- Uso de palavra, ou mesmo todo o tex- mensagens gráficas (fotos, folder’s, mapas, etc.).
to escrito em idioma desconhecido pelo Preste atenção no seu tom de voz e ex-
receptor. pressão corporal. Uma mensagem bem defini-
da, clara e precisa facilita a compreensão e um
1.5.6.2 – Feedback bom feedback, por parte do seu cliente.
Pelo feedback você pode saber se quem
Pode-se dizer que o feedback (retroali- o escuta entendeu a sua mensagem e qual foi o
mentação) é a última etapa do processo de impacto que ela causou no seu cliente.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 21
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

Utilize uma linguagem acessível. Lembre- envolve a apreensão de estímulos sensoriais,


se de que nem todos entendem os termos téc- permitindo que se faça uma interpretação da
nicos que você utiliza, ou não conhecem o modo realidade observada.
de analisar uma planta de um imóvel, etc. Não A percepção tem um caráter individu-
use de gírias jamais. al porque cada pessoa capta uma mesma re-
Não fale somente para preencher o tem- alidade, uma mesma situação de forma in-
po. Certifique-se de que o que você tem a dizer teiramente pessoal, particular, única. A rea-
ao seu cliente é importante para ele. Falas sem lidade é percebida de acordo com nossas ex-
conteúdo não contribuirão para o seu sucesso. periências anteriores, nossas expectativas, ne-
cessidades, situação atual e conhecimentos
1.5.6.3 – Percepção do assunto. Por isso a percepção é seletiva.
É através dela que começamos um relacio-
namento, buscando no outro características
que nos agradam. Por isso realçamos as qua-
lidades dos nossos amigos e os defeitos dos
nossos desafetos.
Então, um bom TTI, preocupado com o
seu sucesso profissional, a partir de hoje, pro-
curará otimizar sua comunicação com o clien-
te tomando as seguintes precauções:

• Conhecer bem os próprios objetivos e


produtos;
• Procurar conhecer o seu cliente;
• Pensar antes de falar;
• Preparar antes o que irá falar;
• Simplificar a mensagem;
Uma velha ou uma criança moça? • Escolher uma linguagem clara;
• Ter sempre uma postura positiva;
A percepção não é uma fase da comu- • Ter cuidado com as brincadeiras, nun-
nicação, mas é de extrema importância e ca usar de gírias ou palavras chulas;
não pode deixar de ser considerada. Um • Utilizar-se de recursos visuais para
processo bem sucedido de comunicação transmitir a mensagem;
começa pela percepção de tudo que nos • Falar lenta e claramente, para que seus
rodeia, e para isso é preciso que se tenha clientes possam compreender perfeita-
uma muita sensibilidade. Sabemos que nos- mente o que está sendo oferecido;
sa percepção é influenciada por preconcei- • Observar o uso de gestos;
tos e estereótipos. Esses fatores estão pre- • Acompanhar a expressão corporal do
sentes em todas as culturas e nos predis- receptor para um feedback não verbal;
põem a criar um juízo sobre o que está sen- • Utilizar-se de questões para checar se
do dito. Ou seja, eles podem ditar o modo o cliente compreendeu com precisão o
pelo qual iremos aceitar ou não o que está que você quis dizer;
nos sendo dito ou vice-versa. • Ser um bom e ativo ouvinte;
É através dos nossos sentidos que capta- • Aprender a se colocar no lugar do cli-
mos e adquirimos informações, por isso a per- ente (empatia).
cepção não é estática. Ela é um processo que
22 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

6. Marque a alternativa que completa correta-


mente esta frase: A .................. é uma ligação
invisível que nos conecta e nos permite ocu-
parmos o lugar do outro, e com isso consegui-
mos entender melhor que esta outra pessoa é e
1. A principal ferramenta do TTI é: o que ela deseja.
a) A personalidade a) Relações sociais
b) A imagem b) Simpatia
c) A comunicação c) Amizade
d) A sabedoria d) Empatia
e) A esperteza e) Personalidade

2. Marque a alternativa que completa esta frase 7. Um poderoso complemento da comunicação é:


corretamente. a) Comportamento verbal
A comunicação é a utilização de qualquer b) Comportamento não verbal
meio pelo qual um agrupamento de c) Modo de olhar para a outra pessoa
........................ é transmitido. d) Todas as acima
a) Informações. e) Nenhuma das acima
b) Palavras
c) Recados 8. O que é comunicação?
d) Ruídos 1) É uma busca de entendimento
e) Códigos 2) É uma busca de compreensão
3) É uma busca de ligação com uma outra
3. A comunicação serve para as pessoas ex- pessoa
pressarem: 4) É uma busca de transmissão de sentimentos
a) Motivar outras pessoas a) Somente 1 e 2 estão corretas
b) Transmitir fatos, opiniões e experi- b) Somente 1 e 3 estão corretas
ências c) Somente 2 e 3 estão corretas
c) Suas emoções d) Todas as acima
d) Todas as acima estão corretas e) Nenhuma das acima
e) Somente a e b estão corretas
9. Os quatro integrantes básicos do processo
4. Quais os sentidos que estão envolvidos na de comunicação são:
comunicação: a) Emissor, receptor, ruído e canal
a) Audição, tato, fala e visão b) Emissor, receptor ruído e feedback
b) Olfato, visão e tato c) Emissor, receptor, canal e feedback
c) Audição, paladar e visão d) Todas as acima
d) Somente a e b estão corretas e) Nenhuma das acima
e) Todas as acima
10. Alguns fatores a serem considerados com
5. Qual é, talvez, o principal requisito para o relação ao emissor são:
sucesso do TTI a) Motivação e credibilidade
a) Saber ouvir b) Credibilidade e honestidade
b) Saber falar c) Motivação e persistência
c) Saber escrever d) Persistência e confiança
d) Saber influenciar e) Credibilidade e persistência
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

11. No processo de comunicação qual é o ele- c) Ruído, interferência, codificar


mento mais importante d) Canal, feedback, decodificar
a) Emissor e) Mensagem, código, compreender
b) Receptor
c) Feedback 16. O que é feedback
d) Canal a) Sinais enviados pelo emissor
b) Sinais trocados entre emissor e receptor
12. Quais dos meios abaixo você considera o c) Sinais enviados pelo receptor
mais adequado para transmitir uma mensagem: d) Interferências existentes nas comunicações
1) Visual - gestos, movimentos do corpo e) Modo como a comunicação é efetuada
2) Auditivo - tom de voz, sons
3) Tato - manipulação de objetos 17. Complete a afirmativa: A ___________
4) Paladar - gosto não é uma fase da comunicação, mas é de ex-
5) Olfato - cheiro. trema importância e não pode deixar de ser
a) 1 e 2 considerada
b) 2 e 3 a) Objetividade
c) 1 e 4 b) Motivação
d) 2 e 4 c) Clareza
e) Todos eles d) Percepção
f) Nenhum deles e) Precisão

13. Complete a afirmativa: O código ........é


aquele que utiliza da palavra falada ou escrita e
o não-verbal é aquele que apresenta através
....................., portanto não .............. a palavra.
a) Legal, expressões verbais, usa
b) Não verbal, dos sinais, utiliza
c) Verbal, das expressões corporais, utiliza
d) Jurídico, das leis e normas, usa.
e) Escrito, mensagens, usa.

14. Um excelente TTI, ao preparar sua mensa-


gem deve estar sempre preocupado com:
a) Conteúdo e a estrutura
b) Clareza e o canal
c) Estilo e a coerência
d) Todas as acima
e) Nenhuma das acima

15. Podemos definir ................ como qualquer


tipo de ............... existente no processo de co-
municação, que resulte na dificuldade ou mes-
mo na impossibilidade do receptor ................
a mensagem.
a) Canal, interferência, codificar
b) Ruído, interferência, decodificar
24 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

1.6 – IMAGEM E MARKETING de conhecimento específico da usa área de tra-


PESSOAL balho e dos produtos/serviços que oferece,
confiabilidade, respeito, etc., qualidades/carac-
Vamos falar ago- terísticas estas que estarão sendo associadas ao
ra de um assunto de seu nome/marca. Essa associação influenciará
grande importância para decisivamente o desempenho profissional do
quem deseja ter sucesso vendedor e a sua relação com o cliente. Se o
profissional. Vamos tra- vendedor tomar precauções para valorizar a
tar da venda do próprio sua marca/nome ele estará agregando valores
indivíduo. Este aspecto tangíveis e intangíveis às suas qualidades como
da relação comercial mui- profissional. Este é o grande desafio inicial num
tas vezes não é levado em processo de vendas: criar o próprio marketing
consideração e por isso pessoal para vender a si mesmo, e vender mais
muitas vendas deixam de facilmente o seu produto ou serviço.
ser realizadas e o pro- Vender a si mesmo é a mais importante e
fissional não consegue a mais difícil venda a se fazer. Você além de se
entender o que aconte- convencer de que é um bom produto, tem que
ceu. Antes de tudo, lembre- convencer a uma outra pessoa que esta é uma
se da máxima “A PRIMEI- verdade. Vender a si mesmo é uma tarefa que o
RA IMPRESSÃO É A vendedor tem que fazer a cada possibilidade de
QUE FICA”. Você nunca terá uma outra opor- negócio que ele pretende fechar. Se você conhe-
tunidade para corrigir uma má impressão ini- ce algum vendedor que está fazendo sucesso na
cial. Para o TTI, por exemplo, a conquista do vida profissional, pode ter certeza de que ele está
cliente antecede qualquer outra ação na venda se vendendo muito bem. Por outro lado, os in-
de um imóvel. sucessos que você também deve conhecer pode
A venda de um produto ou aceitação de estar acontecendo em função de uma falha no
um serviço estão diretamente ligados à ima- processo de convencimento de que ele, vende-
gem que o cliente faz do vendedor. Esta ima- dor, é um bom produto. O seu sucesso profissi-
gem, construída pelo cliente, está diretamente onal é o resultado de uma venda pessoal bem
ligada ao modo de se apresentar e pelo modo elaborada e executada.
como se comporta o vendedor. O fracasso de As atitudes e os comportamentos são fa-
muitos negócios muitas vezes não está ligado tores preponderantes no crescimento profissi-
á aceitação ou à qualidade do produto ou ser- onal de um bom TTI. Um cliente estará sem-
viço oferecido, mas tem como causa a falta de pre em busca do melhor produto, e, portanto,
credibilidade e segurança que o vendedor de- cabe a você TTI moderno, cuidar para que ele
veria passar para o cliente. No contato que seja bem atendido, já no primeiro contato.
antecedeu à negociação o vendedor não con- Ofereça a seu cliente uma boa imagem, passe a
seguiu primeiramente ‘vender’ sua imagem, ou ele grandes doses de credibilidade e confian-
seja, não conseguiu conquistar o cliente, no ça. Faça com que ele aceite o seu produto e/
contato inicial. ou serviço pelo simples fato de ter tido uma
O vendedor, numa transação comercial boa impressão sua. Em se tratando de vendas,
qualquer, aparece como um produto que tam- é impossível obter-se um bom desempenho
bém deve ser posto a exame do comprador, e sem uma atitude positiva, um comportamento
por isso, este produto tem que ter as melhores expansivo e voltado à construção de relacio-
características: aparência agradável, simpatia, namentos duradouros com os clientes Se você
bom nível de conhecimentos gerais e alto nível deseja construir uma boa imagem junto ao seu
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 25
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

cliente, abaixo estão alguns princípios que po- • Não se esqueça das boas normas de edu-
derão lhe ajudar. Treine muito, pratique muito, cação. Ao final do negócio não se es-
pois o sucesso não acontece por acaso. queça de agradecer ao cliente e de se
colocar à disposição para novas tran-
• Sorria. Mostre a seu cliente que você sações comerciais.
está feliz ao vê-lo. • Seja uma pessoa interessante, educada,
• Cumprimente as pessoas efusivamen- gentil.
te. Seja expansivo. • Aprenda a valorizar a si mesmo e ao
• Chame seu cliente pelo nome. Se pre- seu trabalho.
ciso anote o nome dele num cartão e • Desenvolva uma personalidade po-
leia antes de encontrá-lo pela primeira sitiva.
vez. Existem exercícios de memoriza-
ção. Pratique.
• Mostre que você está realmente inte-
ressado em conhecer o seu cliente.
• Faça seu cliente sentir que ele é valori-
zado por você.
• Escute seu cliente com atenção. Leia
nos gestos e nas expressões corporais 1. “A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE
as mensagens adicionais que estão sen- FICA” esta frase significa que:
do enviadas. a) TTI será sempre bem visto
• Ninguém sabe tudo na vida. Procure b) TTI deve andar bem vestido
aprender com seu cliente. Seja humil- c) TTI deve se preocupar com sua imagem
de e esteja predisposto a aprender cada d) TTI deve falar bem
vez mais. e) TTI deve tomar cuidado com os feed-
• Não deixe de considerar os sentimen- backs recebidos
tos e opiniões de seu cliente.
• Ajude a seu cliente a tomar a decisão 2. Numa transação comercial o TTI é também:
mais acertada. Não deixe de oferecer a) Um produto a ser vendido
soluções alternativas. Não pense so- b) Um mero participante do processo
mente em fechar um negócio. A satis- c) Um elo a mais no processo comercial
fação do cliente pode ser a garantia de d) Um parceiro do cliente.
negócios futuros.
• Mantenha o seu bom humor em todas 3. A venda de um produto ou aceitação de um
as circunstâncias, mesmo em frente às serviço estão diretamente ligados à
dificuldades. _________ que o cliente faz do vendedor.
• Seja cordial, alegre e otimista, faça com a) Imagem
que sua presença seja bem vinda. b) Tipo
Procure saber o que for possível so- c) Característica
bre o seu cliente. Procure pontos em d) Empatia
comum entre você e ele. e) Simpatia
• Não emita opiniões de juízo jamais.
Algo valorizado por você não o é ne- 4. Esta imagem, construída pelo cliente, está
cessariamente pelo seu cliente. diretamente ligada ao modo de se ______ e
• Seja simples ao expor seu produto. Seja pelo modo como se ________ o vendedor
franco, direto, honesto. a) Apresentar, veste
26 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

b) Apresentar, comporta 9. Complete a afirmativa: Em se tratando de


c) Comportar, fala ________, é impossível obter-se um bom de-
d) Vender, apresenta sempenho sem uma _________, um compor-
e) Vestir, comporta tamento _______ e voltado à construção de
relacionamentos __________ com os clientes
5. A venda fracassou porque no contato que a) vendas, atitude positiva, restrito e dura-
antecedeu à negociação o vendedor não con- douro
seguiu primeiramente ____________ b) vendas, atitude negativa, expansivos e
a) Vender a sua imagem breves
b) Convencer o comprador c) vendas, atitude positiva, restritos e breves
c) Transmitir confiança ao comprador d) vendas, atitude neutra, expansivo e breve
d) Enviar uma mensagem clara e precisa e) vendas, atitude positiva, expansivo e
e) Decodificar o feedback duradouros

6. O produto vendedor deve ter:


1) aparência agradável e simpatia
2) bom nível de conhecimentos gerais
3) alto nível de conhecimento específico
4) confiabilidade
5) respeito
a) 1 e 2
b) 3 e 4
c) 4 e 5
d) Todas as acima
e) Nenhuma das acima

7. Complete a afirmativa: Se o vendedor tomar


_______ para valorizar a sua ________ ele
estará agregando valores ________ às suas
qualidades como profissional
a) precauções, marca/nome, tangíveis e
intangíveis
b) cuidados, venda, reais
c) precauções, empresa, imediatos
d) iniciativa, pessoa, tangíveis e intangíveis
e) participação, venda, modernos

8. São fatores preponderantes no crescimento


profissional de um bom TTI
a) As atitudes e os comportamentos
b) Imagem e comunicação
c) Conhecimento e criatividade
d) Todas as acima
e) Nenhuma das acima

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28 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade I

Unidade
II

¾ Conceituar Ética/Moral; Ética Profissional;


¾ Reconhecer o objeto próprio da ética;
¾ Identificar os fundamentos da ética;
¾ Reconhecer as condições para ser uma profissão;
¾ Refletir sobre a importância de um comportamento ético.

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30 • INEDI - Cursos Profissionalizantes


RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade II

2. CONCEITUAÇÕES BÁSICAS que surge a fonte de seu comportamento. Ali-


ás, isto acontece com todas as coisas: o agir
O tempo atual está exigindo, cada vez depende do ser; cada coisa se comporta de
mais, uma reflexão e uma postura ética em to- acordo com os elementos que a compõem,
dos os setores da vida humana, especialmente formando sua unidade.
no exercício das mais diversas profissões. O que esperamos de um giz? Que ele es-
Ocorre, porém, que freqüentemente fal- creva, pois é de sua natureza escrever. O que
tam os fundamentos para esta reflexão e esta esperamos do sol? Que ele brilhe, pois isto é
postura. Para que a ética não se reduza a um da sua natureza. Assim podemos dizer de tudo
conjunto de normas ou etiquetas sociais, fazen- o que existe: em cada ser há um conjunto de
do do ser humano um autômato, é mister pro- energias para produzir determinadas ações,
curar a razão de ser dos comportamentos. acarretando como conseqüência certos deve-
Em primeiro lugar, vamos analisar a de- res: O dever do giz é ser e agir como giz; o
finição e o conceito de ética, a mutabilidade dever do sol é ser e agir como sol; ao contrá-
de sua vivência, seu princípio fundamental, bem rio, o único mal do giz é não ser e não agir
como seus critérios auxiliares; também será como giz e o único mal do sol é não ser e não
analisado o conceito de ética em relação às agir como sol.
outras ciências, dando um destaque especial à Igualmente vale para ser humano: a úni-
ética profissional e concluindo com uma refle- ca obrigação do homem é ser e agir como ho-
xão sobre a virtude. mem; como, ao contrário, o único mal do ho-
mem é não ser e não agir como homem. Vol-
tando então à definição de ética, podemos di-
2.1 – DEFINIÇÃO ESCOLHIDA zer que esta brota de dentro do ser humano,
daqueles elementos que o caracterizam na sua
A palavra “ética” deriva do grego etos, essência como humano, diferenciando-o dos
que significa costume. outros seres; ela exige antes a determinação de
sua realidade ontológica para, a partir daí, es-
Ética, em sentido etimológico, tem sig- tabelecer a forma de comportamento.
nificado idêntico ao radical latino mos, do qual Qualquer situação específica da pessoa
deriva a palavra moral. Ambos os vocábulos deve embasar-se na realização do fundamen-
significam costume ou hábito. Tanto a moral tal; assim, o administrador, antes de ser admi-
como a ética, se referem à “teoria dos costu- nistrador, ele é uma pessoa humana, e só vai
mes”, às regras de conduta. A moral estabele- realizar-se como administrador na medida em
ce normas de conduta, normas éticas, destina- que realizar-se como pessoa, e o mesmo po-
das a regular os atos humanos tendentes à con- deríamos afirmar de outras possibilidades: ser
secução dos fins que ao homem são próprios. pai, professor, advogado, exige antes de tudo,
Dentre os vários conceitos existentes, ser pessoa, ser gente, ser “homem”.
adotaremos o de Sertillanges, extraído de sua Deste modo, a construção da ética parte
obra La philosophie morale de Saint Thomas: das exigências ou necessidades fundamentais
da natureza humana; estas não são aleatórias,
Ética é a ciência do que o homem deve mas existem no ser humano, limitando-o e iden-
ser em função daquilo que ele é. tificando-o para que ele possa descobrir-se a
satisfazer o que lhe é solicitado para sua reali-
A ética estabelece um dever, uma obri- zação.
gação, um compromisso, onde o seu fundamen- Portanto é uma questão ética o desenvolvi-
to é o próprio homem, pois é da sua natureza mento das potencialidades humanas, um deslan-
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 31
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

chamento de suas virtualidades. Antes de o ho- b) Descreva abaixo qual o objetivo da ética,
mem perguntar: O que devo fazer? Como devo no seu entendimento:
me comportar? Deve perguntar: O que sou? Quais __________________________________
são minhas energias humanas que não podem fi- __________________________________
car represadas, mas devem ser impulsionadas?
Como descobrir isto? Da mesma manei- c) Para consolidar o aprendizado, veja na
ra como descobre qualquer outra coisa: usan- apostila e transcreva como pode ser resumido
do de sua racionalidade, através da qual des- o “princípio fundamental da ética”:
cobre a essência dos metais, da eletricidade etc. __________________________________
e, a partir disto, estabelece para que servem. __________________________________
Assim, usando sua racionalidade, deve desco-
brir sua essência, seus valores e princípios uni-
versais, suas faculdades ou capacidades, deter-
minando também como vivê-las.
Essas constatações mostram que o obje-
tivo da ética é apontar rumos, descortinar ho-
rizontes para a realização do próprio ser hu-
mano; ela é a construção constante de um
“sim” a favor do enriquecimento do ser pes-
soal; por isso a ética deve ser pensada como
eminentemente positiva e não proibitiva.
Desta maneira, a ética não se torna uma im-
posição ou obrigação aleatória e até extrínseca ao
ser humano: seus fundamentos objetivos têm que
ser assimilados ou conscientizados pelo indivíduo
humano concreto. Por isso, a ética antecede códi-
gos, normas ou leis e analisa a mesma validade
destas para o ser humano. Podemos afirmar que
a ética é a ciência que tem por objetivo a finalida-
de da vida humana e os meios para que isto seja
alcançado. Em outras palavras, Ética é o caminho
para a busca do aperfeiçoamento humano.
Concluindo, o que está em jogo na ética
é o ser humano, é a pessoa em todas as suas
dimensões, perfazendo porém uma unidade no
seu ser e no seu dever.

a) Existem mais de um conceito sobre “ética”.


Depois de revisar a teoria, qual o conceito de
ética que você adotaria?
__________________________________
32 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade II

2.2 – ÉTICA E MORAL 2.3.1 – Razões das Divergências

Há uma tendência de separar ou diferen- Uma primeira razão encontra-se no pró-


ciar o sentido destas palavras, mas, como já prio conhecimento que o homem tem de si
dito anteriormente, elas são sinônimas, poden- mesmo tanto individualmente como coletiva-
do uma substituir integralmente a outra. As- mente. Assim, até a Baixa Idade Média, era
sim, nada impede que em vez de “código de desconhecida a existência de óvulo na mulher;
ética profissional” seja chamado de “código inclusive os medievais afirmavam que no ato
de moral profissional”. sexual o homem já colocava um “homenzinho”
Nas últimas décadas, talvez por exage- pronto na mulher, cuja função era fazer cres-
ro de prescrições descabidas da moral no cer este homenzinho, daí exigir-se da mulher
chamado falso moralismo, criou-se a tendên- uma atitude passiva ou receptiva. Ora, na me-
cia de preferir a palavra “ética”; porém, mais dida em que vai se conhecendo melhor, a hu-
do que se preocupar com palavras, o impor- manidade tem a possibilidade de modificar seus
tante é aprofundar a razão de ser, o conteú- comportamentos.
do, os valores que tanto a moral ou a ética Uma segunda razão provém do conhe-
nos apresentam. cimento que o homem tem de outras realida-
des, no sentido delas para o próprio homem.
2.3 – DIVERGÊNCIAS DE Assim, para vários povos, incluindo os judeus
COMPORTAMENTO no tempo de Cristo, a carne de porco era im-
pura para o homem, não só biologicamente,
O ser humano na sua essência é imutá- mas, até, espiritualmente. Aqui vale a mesma
vel, pois, se mudar sua essência, deixa de ser reflexão feita anteriormente: é importante que
humano e torna-se um outro ser. É neste sen- o homem, cada vez mais, descubra o sentido
tido que se indaga quando o homem come- das coisas para ele.
çou a existir ou como o evolucionismo estu- Uma terceira razão engloba tradições e
da quando ocorreu o processo de humaniza- culturas com princípios, preconceitos e tabus
ção. Deve ter ocorrido um momento em que que se cristalizam como uma segunda nature-
a natureza se definiu como “humana”; só para za. Assim, existem fatos que se perdem no pas-
ficarmos com dados historicamente claros, sado, mas que tiveram uma razão de ser num
lembramos os “homens” primitivos (5000 determinado momento, e continuam ainda
aC), os “homens” egípcios (3000 aC), os “ho- como paradigmas de comportamento. Por
mens” romanos (750 aC), os “homens” índi- exemplo, em Biafra é tradição o jovem aju-
os americanos (1500 dC). dar o velho morrer, fazendo-o subir num co-
Ora, se podemos chamá-los de “ho- queiro que é sacudido em seguida para que
mens”, a natureza, na sua essência, é a mesma, ele caia. Outro exemplo é a origem do ma-
e, como conseqüência, seu comportamento chismo, quando o homem teve que trabalhar
deveria ser o mesmo. Todavia é mais do que a terra e criar animais, impondo-se pelo po-
notória a diversidade de atitudes em termos der econômico à mulher.
de tempo como de espaço; porém, mesmo no Uma quarta razão é fornecida pelo avan-
meio desta diversidade, o que o homem pro- ço das ciências e da tecnologia, que derruba
cura é a realização do seu ser, que é imutável. mitos e conceitos do passado, porém, cria no-
Podemos apontar algumas razões das vos. Um exemplo que encontramos na área
divergências do comportamento humano, sem educacional: por milênios prevaleceu a inteli-
entrar no mérito do julgamento da consciên- gência lógica como faculdade básica determi-
cia individual. nante do conhecimento e da vida humana; hoje
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 33
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

em dia afirma-se que 80% das decisões provêm em jogo de novo é: o que é o ser humano? Será
da inteligência emocional. que todos são fundamentalmente iguais ou te-
Estas razões mostram que a vida huma- mos que separá-los entre os intelectuais e os
na é muito mais dinâmica do que os enquadra- humildes, os patrões e os escravos, os superio-
mentos que são feitos dela; mas ao mesmo tem- res e os inferiores?
po parece claro que o homem está sempre à
procura de si, detectando razões para de fato 2.5 – O PRINCÍPIO FUNDAMENTAL
sentir-se e viver como ser humano. DA ÉTICA

2.4 – MUTABILIDADE NA ÉTICA Mesmo diante da mutabilidade da exis-


PROFISSIONAL tência ética deve-se reconhecer um princípio
fundamental, que é evidente por si mesmo
Estas quatro razões de mutabilidade de para todas as pessoas, assim enunciado: “É
vivência ética estão presentes também na exis- necessário fazer o bem e evitar o mal”.
tência profissional. Como foi descrito anteriormente, pode
Platão distingue três classes sociais a par- ocorrer uma discrepância na compreensão
tir das três almas: os filósofos, onde domina a concreta do que é bem, mas toda pessoa sabe
alma racional; os guerreiros, onde domina a que deve procurar o bem.
alma irascível; e os operários, onde domina a Mas o que é o bem? Bem é tudo aquilo
alma apetitiva. Logicamente estes últimos eram que está de acordo com a natureza em geral e
subordinados aos anteriores, e desta maneira especialmente com a humana, perfazendo uma
se justificava também a escravidão. Entre os integridade ou harmonia no todo. Assim, pen-
medievais, muitos ensinavam que Deus já cri- sar em progredir na profissão pode ser um
ara um grupo de ricos e a grande maioria de bem enquanto favorece o encadeamento das
pobres para trabalhar para os primeiros. Ali- próprias energias para melhorar de vida; na-
ás, o sistema capitalista na prática mantém a morar pode ser um bem enquanto favorece o
mesma idéia: os burgueses são para dirigir e equilíbrio afetivo da pessoa. “Na medida em
dominar a economia, enquanto o operário é que uma coisa está de acordo com a nossa
só para trabalhar e não para pensar. natureza é necessariamente boa” (Spinoza,
Existem alguns provérbios que escon- citado em Sá, 1996:27).
dem fundamentos éticos, como por exemplo: Além disto, o bem é baseado numa rela-
“a quem cedo madruga, Deus ajuda”, que ser- ção especial e constituída por esta entre duas
ve para justificar a grande jornada dura do tra- ou mais realidades. Portanto, trabalhar pode
balhador, especialmente o agrícola, que é do- ser um bem enquanto a pessoa se vê relaciona-
minado por intermediários, financiadores e da à produção de um valor e ao mesmo tem-
outros que trabalham bem menos e ganham po melhora as relações com seus familiares,
bem mais. Lembramos ainda que os europeus, garantindo seu sustento; dar uma esmola pode
especialmente portugueses e espanhóis, quan- ser um bem na medida em que mostra a rela-
do quiseram escravizar os índios e os negros, ção de amor com o próximo.
encaminharam um documento ao Papa solici- E o mal, o que é? É uma negação, uma
tando que fosse declarado que a alma desses falta de um bem, uma desarmonia causada num
povos era inferior à dos brancos. todo pela ausência de algo. Assim, matar ou-
Diante destas reflexões, percebemos que tra pessoa é um mal porque priva alguém da
a ética no exercício profissional está dependen- vida, que é um bem; ser desonesto no preço
do de variações culturais, interesses imediatis- de uma mercadoria é um mal, porque tira algo
tas, manutenção de poder. No fundo o que está de bom de outrem; sonegar impostos é um
34 • INEDI - Cursos Profissionalizantes
RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade II

mal, porque desvia um bem da posse de quem mais difícil ainda; aqui entram em jogo proble-
é de direito. mas ou realidades pessoais, especialmente de
Todas as questões éticas, no fundo, se ordem emocional. Para esclarecer é só especifi-
relacionam com esta pergunta: o que favorece car um novo dado aos exemplos anteriores: res-
ou não favorece à natureza do ser humano? peitar a vida humana de um feto descerebra-
Assim, o bem e o mal, o certo e o errado, em- do, respeitar as coisas alheias de um rico que
bora possam e devam ser determinados em si, ganhou na loteria, proferir a verdade a um
concretamente exigem uma reflexão constan- doente em fase terminal de vida, viver a ho-
te, especialmente, diante de novas situações; um nestidade e a sinceridade na declaração de im-
simplismo muito rígido pode impedir de vis- postos em épocas de crise financeira.
lumbrar, realisticamente, o que de fato é bom A partir destes três critérios auxiliares é
para o ser humano. que cada pessoa procura responder para si
mesma o que deve fazer. Assim, um adminis-
2.6 – CRITÉRIOS AUXILIARES trador que está para despedir um empregado
para conter despesas, mas sabe que o mesmo
A fim de facilitar a concretização do é pai de cinco filhos menores e que precisa
princípio fundamental, existem três critérios daquele trabalho para sobreviver: despede ou
auxiliares. não? O mesmo pode ocorrer com um médi-
Os primeiros princípios são aqueles mais co responsável por um doente em coma, cu-
genéricos, de fácil compreensão e aceitação por jos parentes pedem-lhe o desligamento dos
qualquer pessoa; são “vazios”, isto é, sem se aparelhos que ainda o mantêm vivo: desliga
referir ainda a determinada situação; são uni- ou não?
versais, isto é, independentes de culturas ou
ideologias específicas; são valores que antece- 2.7 – O OBJETO PRÓPRIO DA ÉTICA
dem leis feitas por autoridades, que regem as EM RELAÇÃO A OUTRAS CIÊNCIAS
relações entre as pessoas; fazem parte do sen-
so comum. Por exemplo: respeitar a vida hu- Diversas ciências tratam do agir huma-
mana, respeitar as coisas alheias, proferir a ver- no, assim como a Ética; cada uma, porém, tem
dade, viver a honestidade e a sinceridade. seu enfoque próprio ou seu objeto formal es-
Os segundos princípios são concretiza- pecífico; por isso, uma mera formação cientí-
ções em situações mais específicas dos primei- fica não significa necessariamente uma forma-
ros com mais dificuldades para aceitação unâ- ção ética. A título de exemplo, vamos citar o
nime; normalmente dependem de culturas, ide- objeto de algumas ciências para depois ressal-
ologias, tradições, costumes e interesses; assim, tar o objeto da Ética comparativamente a elas.
nem sempre apresentam-se como uma dedu- A Antropologia estuda o agir das pesso-
ção lógica e racional dos primeiros princípios, as como pertencentes a determinadas raças ou
havendo divergências entre os grupos huma- culturas; assim, o comportamento de cada pes-
nos. Assumindo os mesmos exemplos anteri- soa é determinado não pelo fato de ser inte-
ores, é só acrescentar um novo elemento a cada grante da humanidade, mas sim de uma parte
item: respeitar a vida humana de um feto, res- específica da mesma.
peitar as coisas alheias de um rico, proferir a A Sociologia estuda o comportamento
verdade a um doente, viver a honestidade e a das pessoas como membros de um grupo; por
sinceridade na declaração de impostos. exemplo, esportivo, político, religioso, econô-
As conclusões remotas são aplicações mico, etc; preocupa-se em refletir sobre os ele-
dos segundos princípios em situações especi- mentos existentes no grupo: objetivos, coor-
alíssimas e bem definidas; a unanimidade é bem denação, interesses comuns, etc.
INEDI - Cursos Profissionalizantes • 35
TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

A Economia estuda o comportamento 2.8 – A ÉTICA PROFISSIONAL


dos indivíduos enquanto produzem e conso-
mem bens e serviços; sua preocupação é com A ética profissional é a aplicação da éti-
a atividade do homem com relação aos recur- ca geral no campo das atividades profissio-
sos da natureza. nais. A pessoa tem que estar imbuída de cer-
A Teologia estuda o agir do homem a tos princípios ou valores próprios do ser hu-
partir de suas relações com a Divindade; é uma mano para vivê-los nas suas atividades de tra-
determinada manifestação do transcendente balho. De um lado, ela exige a deontologia,
que inspira o comportamento humano. isto é, o estudo dos deveres específicos que
A História procura compreender o com- orientam o agir humano no seu campo pro-
portamento humano dos fatos do passado em fissional; de outro lado, exige a diciologia, isto
suas causas e conseqüências; ela não somente é, o estudo dos direitos que a pessoa tem ao
relata os acontecimentos com datas e persona- exercer suas atividades.
gens, mas se aprofunda em entendê-los para Portanto, a ética profissional é intrínseca
perceber o fio condutor dos mesmos através à natureza humana e se explicita pelo fato de a
dos tempos. pessoa fazer parte de um grupo de pessoas que
A Psicologia dá ênfase ao estudo do in- desenvolvem determinado agir na produção
divíduo em si, procurando entender no seu agir de bens ou serviços.
o que ele faz, por que faz e como faz; não esta- Neste sentido, vale a pena refletir sobre
belece critérios entre certo e errado, mas quer as afirmações seguintes: “Cada conjunto de
ajudar cada pessoa a se entender melhor e ser profissionais deve seguir uma ordem de con-
o agente de sua vida. duta que permita a evolução harmônica do tra-
O Direito é um conjunto de normas que balho de todos, a partir da conduta de cada
disciplinam o comportamento humano ou a um, através de uma tutela no trabalho que con-
vida em sociedade; as leis feitas pelas autori- duza a regulação do individualismo sobre o
dades e sua execução formam o interesse pri- coletivo” (Sá, 1996:92); “A ética é condição
mordial do Direito. essencial para o exercício de qualquer profis-
Todas as demais ciências estão de certo são” (Franco, 1991:66).
modo relacionados à ética. Assim, este traba-
lho tem por objetivo colocar o leitor em con- 2.8.1 – Condições para ser uma Profissão
tato com os fundamentos da ética, trazendo
para o seu conhecimento as várias faces deste Para que uma atividade seja uma profis-
tema que envolve muita reflexão e debate. são e, conseqüentemente, para que haja uma
São, não só importantes, mas, até neces- ética profissional, são necessárias algumas con-
sárias para o homem viver a ética; o objeto des- dições, com manifestação cada vez mais claras
ta porém, não se confunde com nenhuma de- e sistematizadas.
las; é o compromisso com o dever, a verdade, Em primeiro lugar, a atividade deve en-
a justiça, o valor, a virtude; seus fundamentos volver operações intelectuais acompanhadas
estão nos aspectos essenciais da natureza hu- de grande responsabilidade individual; e não
mana, que devem ser descobertos e analisados é só uma tarefa imediata, mas exige um pen-
pela reflexão racional num processo dinâmico sar sobre o que se faz para operar com efici-
e constante. A Ética é uma parte da Filosofia, ência, eficácia e efetividade; não basta contar
“estudo das últimas e profundas causas das com algo que está fora da pessoa, mas tem
coisas”; ela transcende as ciências e procura que vir uma decisão de dentro da própria
auxiliá-las em questões que estas não conse- pessoa. É assim que devem agir todos os
guem atingir. profissionais.
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RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade II

Em seguida, essa atividade deve com- Em segundo lugar, eles estabelecem


portar uma aprendizagem especial na área de parâmetros variáveis e relativos que demar-
seu conhecimento; essa aprendizagem tem cam o piso e o teto dentro dos quais a con-
que ter por base um conjunto sistemático e duta pode ou deve ser considerada regular
orgânico, que constantemente vai crescendo, sob o ângulo ético.
se aperfeiçoando, e até se modificando; daí Dado que qualquer profissão visa inte-
a importância e a necessidade de seminári- resses de outras pessoas ou clientes, os códi-
os, experiências, etc. gos visam também os interesses desses, ampa-
Toda profissão supõe uma formação que rando seu relacionamento com o profissional.
não seja acadêmica ou teórica apenas, embora Código é um conjunto de disposições, de
esta seja fundamental; deve porém, ser marca- regulamentos legais aplicáveis em diversos ti-
damente prática em seus objetivos. Discute-se pos de atividade. Código de ética profissional
a necessidade de certificados ou diplomas para do Corretor de imóveis, portanto, é o conjunto
exercer uma determinada atividade; talvez den- de disposições que regem a profissão. Essas dis-
tro de uma organização social isto seja neces- posições são estabelecidas pelo Conselho Fe-
sário, mas do ponto de vista ético, o necessá- deral dos Corretores de Imóveis – COFECI.
rio é o conhecimento da pessoa. Essas disposições possuem efeito legal.
Ainda: toda profissão deve consistir Os códigos, porém, não esgotam o
numa técnica capaz de ser transmitida através conteúdo e as exigências de uma conduta
de disciplina especializada. ética de vida e nem sempre expressam a for-
Disciplina é um conjunto de processos, ma mais adequada de agir numa circunstân-
que incluem conteúdos e métodos, usando ele- cia particular.
mentos principalmente da pedagogia e da di- Os códigos sempre são definidos, revis-
dática para ensinar; isto não significa que todo tos e promulgados a partir da realidade social
profissional seja um professor na sua área, mas de cada época e de cada país; suas linhas-mes-
que a profissão em si possua meios para ser tras, porém, são deduzidas de princípios pere-
comunicada. nes e universais.
Finalmente, toda profissão deve dispor Os códigos referem-se a atos praticados
de organizações adequadas com atividades, no exercício da profissão, a não ser que outros
obrigações e responsabilidades com consciên- atos também tenham um reflexo nesta; por
cia de grupo; assim, as associações profissio- exemplo, se um administrador vem bêbado
nais, os sindicatos, os conselhos profissionais, para a empresa.
são importantes para a ética; desta maneira a Finalmente, os códigos de ética por si
pessoa encontra uma razão mais forte para vi- não tornam melhores os profissionais, mas re-
ver de acordo com o princípio de solidarieda- presentam uma luz e uma pista para seu com-
de, e também a conduta de cada um se reflete portamento; mais do que ater-se àquilo que é
na formação da imagem da profissão. prescrito literalmente, é necessário compreen-
der e viver a razão básica das determinações.
2.8.2 – Os Códigos de Ética Profissional Desta maneira resume Maximiano
(1997:294): “Códigos de ética fazem parte do
A partir das reflexões anteriores, per- sistema de valores que orientam o comporta-
cebe-se o sentido dos códigos de ética pro- mento das pessoas, grupos e das organizações
fissional. e seus administradores”.
Em primeiro lugar, eles estruturam e sis- Porém, as pessoas têm que dar uma alma
tematizam as exigências éticas no tríplice pla- aos códigos para vivê-los, como afirma Sá
no de orientação, disciplina e fiscalização. (1996:136): “Quando a consciência profissio-
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TÉCNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS

nal se estrutura em um trígono, formado pelos


amores à profissão, à classe e à sociedade, nada
existe a temer quanto ao sucesso da conduta
humana; o dever passa então a ser uma sim-
ples decorrência das convicções plantadas nas
áreas recônditas do ser, ali depositadas pelas
formações educacionais básicas”.

a) Escolha a melhor definição do que vem a ser


ética profissional, e registre-a abaixo:
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

b) Há opiniões importantes sobre a ética: o que


disse Franco sobre a ética, em sua obra de
1991?
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

c) Analise a questão e escreva abaixo porque


os Conselhos de Fiscalização Profissional são
importantes para a ética:
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

d) Como futuro profissional do setor, defina o


que é “código de ética profissional do corretor
de imóveis”:
______________________________________
______________________________________
______________________________________
______________________________________

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RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA – Unidade II

2.9 – A ÉTICA E A VIRTUDE podem parecer divergentes, mas que


atingem sua harmonização na percep-
As virtudes éticas são disposições está- ção existencial do “homem justo”,
veis para agir bem; a aquisição delas exige uma como a imparcialidade, a piedade, a
prática constante através de exercício; as vir- veracidade, a fidelidade, a gratidão, a
tudes são essencialmente pessoais; não provêm liberdade e a eqüidade.
de herança e nem resultam de circunstâncias,
do ensino ou do meio; elas podem partir de • A fortaleza é uma firmeza interior con-
predisposições, mas sempre são o prêmio do tra tudo o que molesta a pessoa no mun-
esforço da vontade à luz da razão. do, fazendo-a vencer as dificuldades e
As virtudes determinam e fixam as incli- os perigos que excedem a medida co-
nações e os atrativos, assegurando a constân- mum e sofrer as penas mais pesadas.
cia da conduta; facilitam a ação, suprimindo Ela resulta na magnanimidade que con-
uma multidão de hesitações e de atos interme- cita aos grandes empreendimentos em
diários inúteis, produzindo presteza em fazer razão de sua excelência e a despeito de
o bem e em fugir do mal; transformam-se qua- seus obstáculos; da magnificência que
se em uma segunda natureza e fazem agradá- se compraz em realizar as grandes
veis todos os atos dos quais são o princípio. obras concebidas; da perseverança que
Neste sentido é bom lembrar o que afir- vai sempre adiante e da paciência que
ma Sá (1996:65): “Na conduta ética, a virtude nunca recua, sem obstinação e sem pu-
é condição basilar, ou seja, não se pode conce- silanimidade.
ber o ético sem o virtuoso como princípio, nem
deixar de apreciar tal capacidade em relação a • A temperança é a regra, a medida e a
terceiros”. condição de toda virtude; é o meio jus-
to entre o excesso e a falta; uma obra
2.9.1 – As Virtudes Básicas boa é a que não falta nada e a que nem
se deve acrescentar nada; assim, o ho-
• A prudência é a reta noção daquilo que mem cumpre bem sua função. Ela exi-
se deve fazer ou evitar, exigindo o co- ge sensatez baseada num pensamento
nhecimento dos princípios gerais da flexível e firme; ela não provém só de
moralidade e das contingências parti- princípios abstratos, mas de uma cons-
culares da ação; assim, existe “tempo ciência viva, atraída pela harmonia ideal
para plantar e tempo para arrancar; e a complexidade do real. Assim, os
tempo para demolir e tempo para cons- atos que manifestam temperança são a
truir; tempo para chorar e tempo para continência, a sobriedade, a humilda-
rir; ... (Eclesiastes 3,2-8). de, a mansidão e a modéstia.

• A justiça é a vontade firme e constan- 2.9.2 – Os Vícios


te de respeitar todos os direitos e to-
dos os deveres; é a disposição de dar a Os vícios não são, propriamente, a nega-
cada um o que é seu de acordo com a ção das virtudes, mas atitudes contrárias ao
natureza, a igualdade ou a necessidade; bem ou disposições estáveis para agir mal; em
ela é a base da vida em sociedade e da termos éticos, os vícios são adquiridos pelas
participação na existência comum; a pessoas. Os vícios também fixam as tendênci-
justiça implica a combinação de diver- as fortalecendo a continuidade do comporta-
sas atividades, que à primeira vista, mento, facilitando a ação para seus objetos;
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eles eliminam tergiversações, criando quase uma • A preguiça é o recuo diante do traba-
Segunda natureza na pessoa. Podemos citar lho e do esforço; o preguiçoso sabe
como vícios principais: quais são seus compromissos, mas sem-
pre adia sua realização, faltando-lhe
• O orgulho é a procura desordena- aquela energia para assumir atividades
da de excelência; toda pessoa tem dentro de métodos adequados que lhe
o direito de ser e parecer aquilo que assegurem a construção de valores.
ela é; o orgulhoso porém, se valo-
riza demais e normalmente diminui • A ira é a violência contra aquilo que
e achincalha os outros. resiste à sua vontade, procurando vin-
gança; a pessoa irada não raciocina, mas
• A avareza é a procura desordenada age intempestivamente não medindo as
de bens materiais; é uma necessidade conseqüências de seus atos.
vital usar das coisas deste mundo, mas
o avarento acumula riquezas fazendo Concluindo, podemos dizer que as vir-
uso de meios nem sempre lícitos e,