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Resenha do filme: Os narradores de Javé

Resenha do filme: Os narradores de Javé

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Resenha do filme brasileiro, Os narradores de Javé, obra-prima do cinema nacional.
Resenha do filme brasileiro, Os narradores de Javé, obra-prima do cinema nacional.

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Categories:Types, Reviews, Film
Published by: Luiz Philipe Barros on Mar 19, 2011
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Ficha Técnica Título original: Narradores de Javé Gênero: Comédia Duração: 100 min.

Lançamento (Brasil): 2003 Distribuição: Lumière e Riofilme Direção: Eliane Caffé Roteiro: Luiz Alberto de Abreu e Eliane Caffé Produção: Vânia Catani e Bananeira Filmes Co-Produção: Gullane Filmes e Laterit Productions Música: DJ Dolores e Orquestra Santa Massa Som: Romeu Quinto Fotografia: Hugo Kovensky Direção de arte: Carla Caffé Figurinista: Cris Camargo Letreiros: Carla Caffé e Rafael Terpins Edição: Daniel Rezende Elenco José Dumont (Antonio Biá) Matheus Nachtergaele (Souza) Nélson Dantas (Vicentino) Rui Resende Gero Camilo (Firmino) Luci Pereira Nelson Xavier (Zaqueu) Jorge Humberto e Santos Altair Lima (Galdério) Alessandro Azevedo (Daniel) Henrique (Cirilo) Maurício Tizumba (Samuel) Orlando Vieira (Gêmeo) Roger Avanzi (Outro)

Disponível em: http://www.meucinemabrasileiro.com.br/filmes/narradores-de-

jave/narradores-de-jave.asp

Resenha do filme os Narradores de Javé Por: Philipe Barros

O filme brasileiro de 2003, dirigido por Eliane Caffé conta a história de um povoado fictício chamado Vale de Javé, que está ameaçado de ser inundado pela construção de uma represa. Os moradores da cidade (os narradores descritos no título do filme) temem deixar suas casas e perder tudo o que construíram por tantos anos, principalmente por conta valor simbólico de suas tradições e memórias do povo guerreiro que fundou o lugar. A única alternativa encontrada para salvar o povoado seria encontrar uma forma de transformá-lo em patrimônio e provar que há um valor histórico a ser preservado. Então decidem escrever um dossiê para documentar toda a história de Javé, é deixado claro que isso deveria ser escrito de forma científica, que no entendimento dos populares seria algo verídico, com formas de comprovação e nenhum fato que fosse inventado ou aumentado. Porém o único adulto alfabetizado, hábil para a tarefa, que havia na comunidade era Antônio Biá, um homem odiado por todos por causa de uma armação feita para tentar salvar o seu emprego, que gerou um grande descontentamento entre a população e havia sido expulso do local. Até então os moradores não davam valor a escrita, tanto é que o resto do povoado era semi ou totalmente analfabeto. Os populares saem em busca do escrivão que ao ser trazido foi recebido com expressões populares como: “Você não presta!” e “Seu sem-vergonha!”, ele aceita o desafio como forma de redenção pelo que havia feito. Biá sai em busca das memórias dos moradores e se depara com diversos fatos e versões de uma mesma história, o que dificulta o seu trabalho. Cada personagem que contava o que sabia, integrava ao conto alguma peculiaridade, por exemplo: O personagem Vicentino conta que o grande fundador de Javé foi um bravo guerreiro chamado Indalécio, já a personagem Deodora conta que na verdade o vilarejo foi fundado por uma mulher, Maria Dina, enquanto Indalécio estava ferido. É comum durante a fala dos personagens o uso de ditos de populares como “quem conta um conto aumenta um ponto” ou uma frase usada por Deodora para impedir que Biá entrasse em sua casa: “Nem com ordem de um santo, nem com ordem do Diabo.” Frases como essas caracterizam a fala do conhecimento popular, assim como os diversos apelidos ditos por Antonio Biá para ofender as pessoas: “Tamborete de forró, catimbozeira, manicure de lacraia, etc.” Outra manifestação do conhecimento popular vista no filme é a prática de “cantar as divisas”, que é a demarcação de territórios a partir da palavra falada. O escrivão se vê confuso com tantas informações e não consegue escrever as histórias, então após ser pressionado ele desabafa para a população, demonstrando exemplos de conhecimento filosófico. A partir da dedução lógica do que seria mais provável que acontecesse, Biá pergunta: O que é mais importante? A construção da represa para gerar energia e desenvolvimento, ou a manutenção das tradições de um povoado semi-analfabeto do interior do nordeste? As pessoas decepcionadas ignoram as palavras de Antônio, dão as costas e se afastam. Como forma de manter o seu orgulho, ele também se afasta, porém voltado para o resto das pessoas. Também é comum encontrarmos no filme cenas de manifestação do conhecimento religioso pela população: Imagens de santos, como o quadro de São Jorge na casa de Vicentino, a procissão atravessando a praça e a crença no valor sagrado do sino, que é descrita nas passagens da criação de Javé e na cena final, onde o sino é carregado pelo povo expulso do vilarejo após ele finalmente ter sido inundado.

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