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Direito Internacional Publico_resumo

Direito Internacional Publico_resumo

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Seção I

Entendi mento do Fenômeno Convencional

7. Conceito. Tratado é acordo formal concluído entre pessoas jurídicas de direito
internacional público e destinado a produzir efeitos jurídicos. É um simples instrumento,
identificado pelo processo de produção e pela forma final, não pelo conteúdo.

Conteúdo: variável ao extremo; cobertura legal da sua própria substância. Conteúdos
abrangentes (constituição de organizações internacionais, serviço diplomático, solução
pacífica de litígios, etc.) interessam mais ao direito das gentes.

8. Terminologia. O uso da terminologia é livre, indiscriminado e ilógico. experiência
convencional brasileira demonstra as variantes terminológicas de tratado concebíveis em
português: acordo, ajuste, arranjo, ata, ato, cart a, código, compromisso, constituição,
contrato, convenção, convênio, declaração, estatuto, memorando, pacto, protocolo e
regulamento.

Nomes compostos carregam mais informações, trazem significados mais específicos, como
acordo de sede (tratado bilateral; uma das partes é organização internacional e outra Estado;
tema é regime jurídico da instalação física da organização no território do Estado) ou
compromisso arbitral (tratado pelo qual dois Estados submetem à arbitragem certo litígio).

O uso é aleatório, mas na maioria das vezes são usados com preferência os seguintes termos:
(i) carta e constituição: tratados constitutivos de organizações internacionais; e (ii) ajuste,
arranjo, memorando: tratados internacionais de importância reduzida.

Concordata tem significação singular: nome estritamente reservado ao tratado bilateral em
que uma das partes é a Santa Sé e que tem por objeto a organização do culto, da disciplina
eclesiástica, missões apostólicas, etc.

9. Formalidade. O tratado é acordo formal: exprime-se com precisão em determinado
momento histórico e seu teor tem contornos bem definidos. É o principal elemento distintivo
entre tratado e costume (acordo entre pessoas jurídicas internacionais, não menos propenso a
produzir efeitos jurídicos). Precisa ser escrito, documental. É o acordo expresso. Não é
cabível a oralidade.

Acordo concluído é aquele que, não só está efetivamente acabado, com o término das
negociações, mas também compreende a confirmação do compromisso e a sua entrada em
vigor. Antes disso, somente se trata de projeto concluído.

10. Atores. As partes, em todos os tratados, são necessariamente pessoas jurídicas de
direito internacional público, ou seja, Estados Soberanos (e equiparados, como a Santa Sé) e
organizações internacionais. Empresas privadas carecem de capacidade para celebrar
tratados.

11. Efeitos Jurídicos. O tratado internacional deve ser visto na dupla qualidade: é ato
jurídico que produz a norma, desencadeando efeitos de direito, gerando obrigações e
prerrogativas.

Diferencia-se o gentlemens agreement do tratado pela qualidade dos atores: não é um
compromisso entre Estados, mas sim um pacto pessoal entre os estadistas, fundamentado
sobre a honra e condicionado à permanência de seus atores no poder. Não é, portanto, tratado,
pois carece de atores capazes (pessoas jurídicas de direito internacional). Tende a não
produzir efeitos jurídicos, apenas a firmar compromissos morais. Exemplo: Carta do
Atlântico, firmada pelo presidente americano Roosevelt e pelo primeiro-ministro britânico
Churchill. Variantes: expedição de declarações ou comunicados comuns quando dois chefes
de Estado ou de governo se encontram.

12. Regência do di reito internacional. Segundo os redatores da Convenção de Viena, o
tratado é um compromisso celebrado por escrito entre Estados e regido pelo direito
internacional. Se um compromisso entre Estados não for regido pelo direito internacional,
carece da qualidade de tratado. Na realidade, porém, nenhum acordo entre Estados escapa à
regência do direito internacional.

13. Base inst rumental. O tratado pode instrumentalizar-se em duas ou mais peças
documentais distintas. Isso é óbvio quando o tratado se faz acompanhar de anexos. Mas pode
se desdobrar em textos via de regra, dois textos produzidos em momentos diversos, cada
um deles firmado em nome de uma das partes apenas.

a) Troca de notas: um meio de comunicação. A conversação diplomática faz-se
rotineiramente por notas escritas, assinadas ou com o selo ou carimbo do país. Estas não
são, necessariamente, as trocas de notas no direito convencional. As trocas de notas
somente ocorrem quando é possível determinar a presença do animus contrahendi (partes
entraram em acordo destinado a produzir efeitos jurídicos, criando o vínculo
convencional).

b) Troca de notas: um método negocial. A troca de notas é a que possui ânimo
convencional, intenção de celebrar acordo autêntico. Não é variante terminológica de
tratado internacional. É método negocial, via de conclusão de tratados bilaterais.

Seção I I
Classificação dos Tratados

14. Proposição da matéria. Os tratados serão classificados por dois critérios de índole
formal e três de índole material.

15. Número de partes. Diz-se bilateral o tratado se somente duas as partes, e multilateral ou
coletivo em todos os outros casos.

16. Procedimento. Análise do procedimento adotado para a conclusão do tratado.

Deve haver duas fases de consentimento das partes: (i) a da assinatura, como consentimento
prenunciativo; e (ii) a da ratificação, como consentimento definitivo. Se o quadro
procedimental for unifásico, o consentimento definitivo se exprime já na assinatura. Cria-se,
assim, as condições para a vigência do contrato.

Os tratados de procedimento breve, que prescindem de ratificação, têm servido à conclusão de
tratados bilaterais e de importância limitada. Este procedimento convive melhor com o
sistema de troca de notas, mas ao mesmo tempo não costuma oferecer lugar na participação
ao chefe de Estado, pois o ministro das relações exteriores é quem fala e assina pelo
Executivo.

Cuidando dos tratados de procedimento breve, os quais são vigentes desde a assinatura, sem
necessidade de ratificação, chega-se também no acordo executivo. O acordo executivo é
expressão criada nos EUA para designar o tratado que se conclui pelo chefe do poder
Executivo, independente de parecer ou consentimento do Senado.

17. Natureza das normas. Distinção: tratados contratuais são aqueles pelos quais as
partes realizam uma operação jurídica (comércio, aliança, cessão territorial); tratados
normativos, por sua vez, são aqueles por cujo meio as partes editam uma regra de direito
objetivamente válida. Nota: um mesmo tratado pode abrigar elementos normativos e
elementos contratuais.

18. Execução no tempo. Tratado que cria situação estática, objetiva, definitiva é
instantâneo, declaratório, dispositivo. Instituem quadro jurídico que se pretende eterno. Opera
para fundamentar, a todo tempo, a legitimidade da situação que nele encontra origem. Ex:
tratado de fronteiras; tratados de transferência de bens.

Tratados que criam situação dinâmica podem vincular as partes por prazo certo ou indefinido.
São contínuos, extensos no tempo. Ex: tratados de aliança, de comércio, de extradição, de
cooperação científica, etc.

19. Execução no espaço. Questão do alcance espacial do tratado. Em regra, aplica-se
somente ao território sujeito à soberania pactuante. Mas quando há, p. ex., tratado de
comércio entre a Inglaterra e o Uruguai, por mais que se presuma que tenha validade em todo
o território do Estado pactuante, a natureza do compromisso não o deixa viger somente no
dito território (somente na Inglaterra, p. ex.). Segundo a Convenção de Viena, o tratado obriga
cada uma das partes em relação a todo o seu território.

Seção I I I
Produção do Texto Convencional

20. Competência negocial. Cuida-se de determinar quem age em nome das pessoas
jurídicas capazes de celebrar contratos.

a) Chefes de Estado e de governo. No regime presidencialista se confundem. No
parlamentarista, chefe de Estado é pessoa diversa do chefe de governo, o qual é o
primeiro-ministro, regente do gabinete. Qualquer um deles, chefe de Estado e chefe de
governo, têm estatuto de representatividade originária, simplesmente por serem quem
são. Prescindem da apresentação da carta de plenos poderes (obviamente).

b) Plenipotenciários. Possuem qualidade representativa o ministro de Estado responsável
pelas relações exteriores (capacidade de representação ampla) e o chefe de missão
diplomática (capacidade de representação limitada: apenas para negociações de tratados
bilaterais). Sua representatividade é derivada. Prescindem, também, da apresentação da
carta de plenos poderes.

Demais plenipotenciários (diplomatas, outros ministros de Estado ou servidores públicos)
apresentam também qualidade representativa, desde que apresentem a carta de plenos
poderes, que deve ser expedida pelo chefe de Estado, independentemente de se tratar de
regime presidencialista ou parlamentarista.

c) Delegações nacionais. Pluralizar a representação do Estado é oneroso, portanto é
preferível fazê-lo na fase negocial. O chefe hierárquico da delegação detém a carta de
plenos poderes, e os demais integrantes têm por incumbência dar-lhe o suporte que
requeira.

21. Negociação bilateral: rotei ro e circunstâncias. Em regra, desenvolve-se no território
de uma das partes contratantes. A falta de relacionamento diplomático permanente entre dois
Estados não impede que o preparo de um tratado bilateral se faca no território de um deles.
Alguns fatores, porém, apontam como preferível que se negocie em território de terceiro: (a)
clima de animosidade ou desconfiança entre as partes; e (b) vantagem operacional e
econômica representada pelo cenário neutro, onde se encontrem representações diplomáticas
permanentes dos dois pactuantes.

Se as partes falam o mesmo idioma, nele se desenvolve a negociação e se lavra o texto do
tratado. Se as partes não falam o mesmo idioma, a negociação deve acontecer no idioma que
ofereça maior comodidade. Deve resultar em um texto convencional: (a) lavrado numa única
versão autêntica; (b) lavrado em duas versões autênticas e de igual valor (preferido); (c)
lavrado em mais que duas versões autênticas de igual valor; ou (d) lavrado em duas ou mais
versões autênticas, mas com privilégio assegurado a uma única versão para efeito de
interpretação. Nota: entende-se como versões os instrumentos lavrados em línguas diferentes.

O texto deve resultar do consenso entre as partes, co-responsáveis por sua formulação. A
assinatura do texto convencional é ato idôneo para sua autenticação, assim como o é a
assinatura ad referendum ou a rubrica decorrências usuais do fato de não se encontrar o
negociador munido de poderes para assinatura normal. Este consentimento, representado pela
assinatura do texto, alcança somente a redação do texto, sendo prenunciativo da expressão de
vontade de assumir compromisso.

22. Negociação coletiva: roteiro e circunstâncias. Reclama a convocação de uma
convenção diplomática internacional, votada à feitura de um ou mais tratados,
exclusivamente, ou de discussão mais ampla, mas que abranja uma produção convencional.

Se a iniciativa for de uma organização internacional, a convenção pode ser feita em seu
interior. Caso contrario, impõe-se o entendimento oportuno com o Estado que ofereça seu
território.

Se houver presença da pluralidade idiomática, deve-se eleger os idiomas de trabalho negocial
e os idiomas em que pretendem lavrar as versões autênticas do texto acabado.

O ideal do assentimento unânime é de mais árdua conquista; há de se aceitar o fenômeno da
sucumbência, quando os minoritários forem opostos por uma grande maioria (dois terços é a
maioria consagrada pela Convenção de Viena). Contudo, busca-se, preferencialmente, o
consenso, atingido por mútua transigência.

Os tratados multilaterais necessitam, normalmente, da ratificação de cada Estado pactuante
para obrigá-lo. A não assinatura por parte de um Estado que integrou os trabalhos negociais é
um gesto sem significado jurídico, mas no plano político mostra a insatisfação com o texto
acabado e a provável não ratificação.

23. Estrutura do tratado. Sempre tem um preâmbulo, seguido da parte dispositiva.
Eventualmente, o texto é complementado por anexos.
O preâmbulo enuncia o rol das partes pactuantes, e diz dos motivos, circunstâncias e
pressupostos do ato convencional. As considerações não integram a parte compromissiva do
contrato. Apresentam, porém, valioso apoio à interpretação do tratado.
O dispositivo lavra-se em linguagem jurídica, com construções que têm feitio de normas,
ordenadas e numeradas como artigos ou, algumas vezes, cláusulas.
Os anexos também fazem parte do teor compromissivo do tratado. Normalmente inserido para
não contaminar a linguagem jurídica do dispositivo com outro tipo de linguagem (numérica,
p. ex.). Podem ser uma lista de produtos químicos, de cereais, de entorpecentes, de espécies
de fauna ou flora, etc.

Seção I V
Expressão do Consentimento

24. Assinatura. Tratando-se aqui da firma que põe termo a uma negociação. Fixa e autentica o
texto compromissivo e exterioriza o consentimento das partes. Neste caso, não se fala em
perspectiva de ratificação; o tratado tem condição de vigência imediata, a não ser que
diversamente disposto em cláusula (vacatio legis). A dilação de entrada em vigor não pode
obscurecer a certeza do compromisso internacional já firmado.

25. I ntercâmbio inst rumental. Na troca de notas, o consentimento depende de manifestação
ulterior das partes. O ato expressivo do consentimento não é a assinatura de uma ou outra
nota, mas sim a troca de notas, a sua transmissão à parte co-pactuante.

26. Ratificação: entendimento. O termo 'ratiIicacão¨ signiIica. pelo menos. quatro
coisas distintas:

a) o ato do órgão estatal próprio (soberano, presidente) que exprime a vontade do Estado de se
obrigar por um tratado;

b) o procedimento internacional pelo qual o tratado entra em vigor, ou seja, a troca ou depósito
formal dos instrumentos de ratificação;

c) o próprio documento, selado ou de outro modo autenticado, em que o Estado exprime sua
vontade de se obrigar pelo tratado;

d) a aprovação do tratado pela legislação ou por outro órgão estatal cujo consentimento possa ser
necessário (ratificação no sentido popular deve ser evitado).

É, portanto, ato internacional e ato de governo.

O poder Executivo é quem ratifica os tratados; os Parlamentos nacionais não ratificam
tratados pois não têm voz no exterior e também, conseqüência da falta de contato com os
Estados estrangeiros, pois nada lhes terão prenunciado, antes, por assinatura ou ato
equivalente, que possam mais tarde confirmar pela ratificação.

Conclusão: 'ratiIicacão e o ato unilateral com que a pessoa iuridica de direito internacional.
signatária de um tratado, exprime definitivamente, no plano internacional, sua vontade de
obrigar-se.¨

DI REI T O I NT ERNACI ONAL PÚBL I CO
RESUMO - 2ª. PART E

27. Ratificação - características:
- no passado, a ratificação se justificava pelo fato de ser uma garantia do soberano o controle
da ação de seus plenipontenciários (confirmação pelo soberano de um ato de seu funcionário)
- o intervalo de tempo entre a assinatura do tratado e sua ratificação era necessário para se
poder refletir sobre a qualidade do trabalho realizado no exterior.
- hoje, há 3 motivos importantes para a prática da ratificação: importância da matéria
necessita do pronunciamento pessoal do chefe de Estado; previne abuso de poder do
plenipotenciário; permite a participação do P. Legislativo na formação da vontade do
Estado.
a) Competência:
- cabe à ordem constitucional interna de cada Estado determinar a competência de seus
compromissos internacionais; ela tem sido atribuída, nas diversas ordens jurídicas, ao P.
Executivo.
- a Convenção de Viena fiel aos costumes estabeleceu que chefes de governo e ministros
do exterior também são competentes para conclusão de tratados.
b) Discricionariedade:
- A assinatura por si só não tem a pretensão de vincular o Estado (nem mesmo o governo do
Estado), pois senão a ratificação não faria sentido.
- Prevalece, assim, o princípio da discricionariedade da ratificação: não comete qualquer
ilícito internacional o Estado que se abstém de ratificar. Além disso, não existe um prazo
máximo para que se faça a ratificação.
c) Irretratabilidade:
- A ratificação é ato unilateral e discricionário e ir retratável; isso vale antes mesmo que a
regra pacta sunt servanda comece a operar plenamente. Essa mesma regra responde pela
irretratabilidade das ratificações.
- Duas espécies de lapso temporal: (1) período em que uma parte que já ratificou aguarda a
ratificação de outra parte; (2) período em que, consumado o pacto, há a espera para
acomodação, previsto no próprio texto.

28. Ratificação - for mas:
- Por ser a ratificação o meio de expressão definitiva do consentimento, ela deve ser
expressa. A 'ratiIicacão tacita¨ (seria o comportamento coerente do Estado em relação ao
teor do pacto) não é hábil para caracterizar tamanho ato jurídico.
- No direito. 'tudo quanto e necessariamente Iormal. ha de ser. no minimo. expresso¨.
- A ratificação se dá por completo com a comunicação formal à outra parte, ou ao depositário,
da vontade definitiva de entrar no domínio jurídico do tratado.
- Essa comunicação prescinde de documento escrito, podendo ser oralmente, ou via
telegráfica.
29. Ratificação - o depositário:
- Tratados coletivo dispensam ratificação perante cada um dos pactuantes; há, aqui, o depósito
- Depositário, encargo de índole secretarial, no pós guerra recaiu sobre a figura da ONU.
- Modernamente, recai não sobre uma organização, mas sobre seu funcionário mais graduado,
como o secretário-geral da ONU, por exemplo.

30. Pressupostos constitucionais do consentimento - generalidades:
- No direito das gentes, os governantes habilitados devem proceder na conformidade da
respectiva ordem interna. O consentimento convencional se materializa num ato de governo.
Pressuposto: a consulta ao P. Legislativo.

31. Pressupostos constitucionais do consentimento - o sistema brasileiro:
- Cabe ao Congresso 'resolver deIinitivamente sobre os tratados e convencões com as nacões
estrangeiras¨. competindo ao presidente da Republica ' celebrar aiustes. convencões e
tratados, sempre ad referendum do Congresso¨

32. O problema dos ~acordos executivos¨:
-Os que defendem a prática de acordos executivos invocam a necessidade de decisões simples
diante da velocidade com que passam as coisas na política internacional e repudiam a lentidão
das decisões parlamentares.
- Esse discurso é falso, pois o governo pode demorar mais dos que os parlamentares quando
de uma decisão. A demora eventual do Legislativo é companheira da indiferença do
Executivo em relação ao andamento do processo

33. Acordos executivos possíveis no Brasil:
- Apesar de tudo, o acordo executivo carente de aprovação individualizada do Congresso
é uma prática aceitável desde que busque encontrar na Constituição sua sustentação.
- 3 categorias: (1) acordos que consignam a interpretação de cláusulas de um tratado já
vigente; (2) acordos que decorrem de outro, caracterizando-se como complementação; (3)
acordos que estabelecem bases para negociações futuras.
- O acordo executivo como expressão de diplomacia ordinária; é da competência privativa do
presidente da República manter relações com Estados estrangeiros (tradição brasileira)
- Incumbe ao governo estabelecer e romper, a seu critério, relações diplomáticas.

34. Procedimento parlamentar :
- Não pode o presidente da República manifestar consentimento definitivo, em relação ao
tratado, sem o abono do Congresso Nacional. A assunção de um compromisso externo é
assentada sobre a vontade conj ugada de dois poderes políticos.
- O presidente remete ao Congresso, por mensagem, o inteiro teor do projeto, bem como a
exposição de motivos feita pelo ministro das Relações Exteriores.
- A matéria é discutida e votada, primeiro na Câmara, depois no Senado. É necessária a
aprovação em ambas as casas. A votação em plenário requer o quorum comum de presença
maioria absoluta.
- Decisão de aprovação: decreto legislativo, publicado pelo presidente do Senado no DOU.

35. Reservas:
- A reserva é um qualificativo do consentimento. Segundo a Convenção de Viena, é a
declaração unilateral do Estado que consente, visando a excluir ou modificar o efeito jurídico
de certas disposições do tratado em relação a esse Estado.
- A reserva é a maneira de tornar possível que o Estado possa entrar no domínio jurídico do
tratado, não obstante não aceite parte de seu teor.
- Não se admite. no entanto. reservas em tratados bilaterais. 'Uma pretensa reserva a tratado
bilateral não e reserva. mas recusa de conIirmar o texto avencado e convite a renegociacão¨.
- Alguns tratados multilaterais, por sua natureza, também não admitem reservas, como as
convenções internacionais do trabalho.
- Convenção de Viena; a reserva é possível, desde que compatível com o objeto e a finalidade
do tratado.

36. Vícios de consentimento:
a) Consentimento expresso com agravo ao direito público interno:
- Ilícito praticado pelo P. Executivo, no plano do direito internacional, quando realiza um
consentimento a que não está constitucionalmente habilitado.
- Nem mesmo a regra do pacta sunt servanda pode convalidar na ordem interna um
incompetente ato internacional consumado.
b) Erro, dolo, corrupção e coação sobre o negociador:
- O erro, aqui, é o erro de fato, geralmente incidem sobre questões cartográficas em tratados
de limite.
- Quanto à coação sobre o negociador, o passado oferece exemplos, quando a vítima se
encontrava em posição hierárquica inferior. (Papa Pascoal II e Henrique V do Sacro Império,
este ficou preso até que assinasse um tratado)
c) Coação sobre o Estado:
- Convenção de Viena: 'Coacão de um Estado pela ameaca ou emprego da Iorca. E nulo um
tratado cuja conclusão foi obtida pela ameaça ou o emprego da força em violação dos
principios do direito internacional incorporados na Carta das Nacões Unidas.¨
- Exemplo: 1939, Alemanha submeteu a Tchecoslováquia à sua soberania, mediante ameaça
de bombardeio de Praga.
- Tratados de paz, considerados desiguais, uma vez que são conseqüência inevitável da guerra
e não há como prevenir os efeitos negativos sobre o ideal do livre consentimento.

SE ÇÃO V - ENTRADA E M VI GOR

37. Sistemas:
a) Vigência contemporânea do consentimento:
- Tratados bilaterais, independentemente da questão de se saber se haverá consulta ao
parlamento; assinatura para efeito autenticatório do texto; expresso o consentimento das
partes, a vigência será imediata.
- Não há previsão de vacatio. Consentimento: será equiparada à ratificação mútua
notificação ou aviso.
b) Vigência diferida:
- Vacatio real utilidade: permite que o tratado seja conhecido internamente e passa a viger no
mesmo momento que internacionalmente.

38. Registro e publicidade:
- História diplomática brasileira é permeada por cláusulas secretas. Em 1919 houve uma
proibição a esse tipo de diplomacia
- Pacto da Sociedade das Nações: todo pacto deverá ser registrado; nenhum tratado ou
compromisso internacional será obrigatório antes de ter sido registrado.
b) O Sistema das Nações Unidas:
- a obrigação de registrar desaparece para as demais partes quando a tenha feito uma delas.
c) Registros regionais e especializados:
- Organizações regionais que registram todos os seus compromissos, e especializadas, em que
há o registro de certos acordos, em função de ratione materiae.

39. I ncorporação ao di reito interno
- Deve o tratado compor, desde quando vigente, a ordem jurídica nacional de cada Estado-
parte. Poderão cumpri-lo os particulares, os governantes (sob ciência e vigilância daqueles), e
poderão garantir-lhe vigência os juízes e tribunais.
- O direito internacional é indiferente ao método escolhido pela Estado para promover a
receptação da norma convencional.

40. Promulgação e publicação de tratados no Brasil
- Presume-se sempre publicidade oficial, dependendo dela para integrar o acervo normativo
nacional, habilitando-se ao cumprimento por particulares e governantes.
- São promulgados por decreto do presidente da República todos os tratados que tenham sido
aprovados no Congresso antes da ratificação.
- São publicados no DOU os 'tratados executivos¨; a simples publicacão desses tratados
garante a introdução no ordenamento jurídico nacional.
Seção VI - O TRAT ADO E M VI GOR

41. Efeito ent re as partes

O tratado terá a estrutura hierárquica de uma lei nacional, ou mais que isto, conforme
o Estado de que se cuide. Importa que se retenha desde logo a noção de que o tratado, embora
produzido em foro diverso das fontes legislativas domésticas, não se distingue, enquanto
norma jurídica, dos diplomas legais de produção interna.


42. Efeitos sobre terceiros

a) Efeito difuso: as situações j urí dicas obj etivas
Acordos realizados entre Estados, modificando suas situações jurídicas, se impõe,
indiscriminadamente aos terceiros em geral, ainda que somente para se inteirarem da nova
situação.

b) Efeito aparente: a cláusula de nação mais favorecida
Este é o caso em que determinado terceiro sofre consequências direitas de um tratado
(geralmente bilateral), por força do disposto em tratado anterior, que o vincule a uma das
partes.

c) Previsão convencional de direitos para tercei ros
A Convenção de Viena estipula, no art. 36, que mesmo a criação de direitos para um terceiro
reclama o consentimento deste, mas lembra que o silêncio faz presumir sua anuência.

d) Previsão convencional de obrigações para tercei ros. O sistema de garantias
Da Convencão de Viena: 'Art. 35. Tratados que criam obrigacões para terceiros Estados.
Uma obrigação surge para um terceiro Estado, de uma disposição de um tratado, se as partes
no tratado têm a intenção de criar a obrigação por meio dessa disposição, e o terceiro Estado
aceita expressamente por escrito essa obrigacão¨.


43. Duração
Tratados de vigência estática, qual o de compra e venda de território ou fixação de
limites, celebram-se para viger em perpetuidade. Os restantes, de vigência dinâmica,
perfazem a grande maioria numérica, e em geral dispõem sobre sua própria duração. Quando
não o fazem, isso indica que o tratado vigerá por tempo indeterminado.


44. I ngresso mediante adesão
A adesão é uma forma de expressão definitiva do consentimento do Estado em
relação ao tratado internacional. Sua natureza jurídica não difere daquela da ratificação.
O aderente é, em princípio, um Estado que não negociou nem assinou o pacto (e por
isso não pode ratificá-lo), mas que, tomado de interesse por ele, decide tornar-se parte.
Todo Estado que tenha interesse em ingressar mediante adesão num tratado coletivo
deve certificar-se de que esse tratado é aberto, e de que os eventuais limites dessa abertura
não excluem sua pretensão adesiva.

45. Emendas
Na União Européia, nenhum tratado se emenda sem o assentimento unânime das
partes, aberta a cada uma delas a iniciativa de propor a emenda.
A OEA prevê sua própria emenda pelo voto mínimo de dois terços das partes.
A iniciativa de emenda pode vir de qualquer Estado parte no tratado: esta regra
aparentemente não conhece exceções.
Revisão ou reforma é o nome que se tem dado, em direito dos tratados, ao
empreendimento modificativo de proporções mais amplas que aquelas da emenda singular, ou
do conjunto limitado de emendas tópicas.


46. Violação
A violação substancial de um tratado dá direito à outra parte de entendê-lo extinto, ou
de suspender também ela seu fiel cumprimento, no todo ou parcialmente.
A Convenção de Viena esclarece, em seu art.60, que por violação substancial deve
entender-se tanto o repúdio puro e simples do compromisso quanto à afronta a um dispositivo
essencial para a consecução de seu objeto e finalidade.
Além disso, a prática do direito das gentes autoriza ainda o protesto diplomático e
outros remédios, alguns institucionalizados em plano regional.


47. I nterpretação

Interpretar o tratado internacional significa determinar o exato sentido da norma
expressa no texto obscuro, impreciso, contraditório. Não por acaso, o primeiro princípio a
nortear esta análise, é o de que não há por que interpretar o que já está claro e inequívoco.

a) Sistemas - A interpretação pode dar-se no plano internacional, tanto quanto no
âmbito interior de cada uma das partes pactuantes. Num e noutro caso, os intérpretes são
governos ou jurisdições.
Quando proporcionada pelas próprias partes pactuantes, a interpretação se diz autêntica. A
voz das partes, no caso, é a dos respectivos governos.
A interpretação no plano internacional diz-se jurisdicional quando provida por organismo
dotado, ainda que ad hoc, do poder de jurisdição, no exame do litígio concreto entre
personalidades de direito das gentes.

b) Métodos - A Convenção de Viena consagra alguns artigos à metodologia
hermenêutica, arrolando princípios e critérios para a interpretação dos tratados. Destaca-se a
preocupação com o objeto da análise hermenêutica: a interpretação visa a um contexto que
compreende não apenas a parte dispositiva do tratado, mas ainda qualquer avença marginal,
contemporânea da conclusão do tratado, a que se apure haverem chegado as partes. A boa fé,
segundo a Convenção, é o sentimento que deve revestir o próprio intérprete.


48. Conflito entre tratados

a) I dentidade da fonte de produção normativa - Se um mesmo tema é objeto de tratamentos
distintos e inconciliáveis em dois ou mais acordos entre as mesmas partes, não há conflito.
Prevalece o posterior sobre o anterior (Lex posterior derogat priori).

b) Diversidade da fonte de produção normativa - A ausência de escalonamento hierárquico
caracteriza todo o direito internacional convencional. Nunca se terá no domínio o conforto,
reinante nos sistemas de direito interno, de poder resolver conflitos à base de hierarquia,
preterindo a lei ordinária que colide com a lei constitucional. Escorados, todos, na regra pacta
sunt servanda.

49. Conflito entre tratado e norma de direito interno

Não há no direito internacional positivo, norma assecuritária de tal primado.
Descentralizada, a sociedade internacional contemporânea vê cada um de seus integrantes
ditar, no que lhe concerne, as regras de composição entre o direito internacional e o de
produção doméstica. Resulta que para o Estado, a Constituição nacional, vértice do
ordenamento jurídico, é a sede de determinação da estatura da norma expressa em tratado.

a) Prevalência dos tratados sobre o direito infraconstitucional
Não se coloca em dúvida, em parte alguma, a prevalência dos tratados sobre leis
internas anteriores à sua promulgação.

b) Paridade entre o tratado e a lei nacional
O tratado prevalece sobre a legislação dos Estados federados, tal como a lei federal
ordinária. Não, porém, que seja superior a esta.



50. Situações particulares em direito brasileiro atual

a) Domí nio Tributário: o art. 98 do Código Tributário Nacional
Esse dispositivo diz que os tratados (que vinculam o Brasil, naturalmente)
'...revogam ou modiIicam a legislacão tributaria interna e serão observados pela que
lhes sobrevenha¨.

b) Direitos e garantias fundamentais: o art. 5º, §§2º e 3º, da Constituição
A Constituição estabelece, desde 1988, que aquela lista de direitos e garantias
fundamentais não exclui outros decorrentes do regime e dos princípios consagrados
na carta, ou dos tratados internacionais em que o Brasil seja parte.


Seção VI I - E XTI NÇÃO DO TRAT ADO

51. A vontade comum

Extingue-se um tratado por ab-rogação sempre que a vontade de terminá-lo é
comum às partes por ele obrigadas.

a) Predeter minação ab-rogatória - Todo tratado com termo cronológico de vigência,
previsto no texto, encerra uma forma de predeterminação ab-rogatória pelas partes
pactuantes. O término desse prazo previamente estabelecido, significa a condição
resolutiva, de feitio estritamente temporal.

b) Decisão ab-rogatória superveniente - Não existe compromisso internacional imune à
perspectiva de extinção pela vontade de todas as partes.



52. A vontade unilateral

A exemplo da ratificação e da adesão, a denúncia é um ato unilateral, de efeito
jurídico inverso ao que produzem aquelas duas figuras: pela denúncia, manifesta o Estado sua
vontade de deixar de ser parte no acordo internacional. Isto extingue o tratado vigente entre
duas partes apenas, e é inofensivo à continuidade da vigência dos tratados multilaterais.

Quando um tratado admite e disciplina sua própria denúncia, o problema da
possibilidade jurídica da retirada unilateral simplesmente não existe. Já o silêncio do texto
convencional obriga a investigar sua denunciabilidade à luz de sua natureza.


53. Denúncia e direito interno

O Estado é originalmente livre de compromissos tópicos: tal o princípio da tabula
rasa, segundo o qual toda soberania nascente encontrará diante de si um espaço vazio de
obrigações convencionais, preenchendo-o à medida que livremente se ponha desse momento
em diante, a celebrar tratados. Parece bastante lógico que, onde a comunhão de vontades entre
o governo e parlamento seja necessária para obrigar o Estado, lançando-o numa relação
contratual internacional, seja suficiente a vontade de um daqueles dois poderes para
desobrigá-lo por meio da denúncia.


54. Mudanças circunstanciais

Refere-se este tópico à superveniência de impossibilidade do cumprimento do tratado,
e ainda à alteração fundamental das circunstâncias, fenômeno visado pela teoria da cláusula
rebus sic stantibus.

a) A execução tornada impossível - A Convenção de Viena dá ao pactuante o direito
de liberar-se do compromisso quando sua excecução tenha resultado impossível, por
força da extinção definitiva do respectivo objeto. Se o fator frustrante for temporário,
só dará ensejo à suspensão do cumprimento do pacto.

b) ³5HEXVVLF VWDQWLEXV´ De modo sugestivo, a Convenção de Viena prescreve que a
mudança fundamental das circuntâncias não pode ser invocada para que o pactuante
se dispense de cumprir um tratado.

1) As circunstâncias aí versadas devem ter sido contemporâneas da expressão do
consentimento das partes, e constituído condição essencial desse consentimento.
2) A mudança nessas circunstâncias deve ter sido fundamental, levadas em conta sua
dimensão e seu valor qualitativo.
3) Essa mudança circunstancial deve, ademais entender-se imprevisível.

O tratamento dado pela Convenção de Viena ao princípio supra leva à idéia de sua
invocação pela parte interessada em ver extinto ou suspenso o tratado, à conta da
mudança nas circunstâncias.


55. Jus cogens

Seria ele, o conjunto de normas que, no plano do direito das gentes, impõem-se
objetivamente aos Estados, a exemplo das normas de ordem pública que em todo sistema de
direito interno limitam a liberdade contratual das pessoas.
A teoria jus cogens, tal como aplicada pela Convenção de Viena sobre o direito dos
tratados, é francamente hostil à idéia do consentimento como base necessária do direito
internacional. Ali se pretende que, qual no domínio centralizado e hierárquico de uma ordem
jurídica interna, regras imperativas frustrem a liberdade convencional dos países não
aquiescentes.
PART E I I - PERSONALI DADE I NT ERNACI ONAL (p.153-190)

83. Estados e organizações internacionais.

Atualmente as pessoas jurídicas de direito internacional público são os Estados e as
organizações internacionais. Isso quer dizer que apenas elas estão habilitadas à titularidade
de direitos e deveres internacionais. Fala-se em personalidade jurídica originária para os
Estados e derivada paras as organizaçãos, dado que esta última é produto de uma elaboração
jurídica resultante da vontade conjugada de certo número de Estados.
O Estado é contigente humano que convive, sob alguma forma de regramento, dentro
de determinada área territorial. Assim, a constituição não passa do cânon jurídico dessa ordem
e não de sua razão de ser. Por outro lado, a organização internacional sendo apenas uma
realidade jurídica, sua existência depende do tratado constitutivo que lhe dá vida.

84. I ndivíduos e empresas.

Os indivíduos e as empresas privadas ou públicas não têm personalidade jurídica de
direito internacional. Há quem alegue, contudo, que o indivíduo deveria tê-la, já que no fim
das contas toda a ciência do direito resulta dele e se dirige a ele. Quanto a isso o autor
argumenta que, ainda que haja certas normas internacionais criadas diretamente para as
pessoas, isso não as faz, automaticamente, pessoas de direito internacional, já que há também
normas dirigidas para a fauna e a flora, os quais, nem por isso, poderiam ter personalidade
jurídica. Ele explica ainda que o (limitado) acesso que o indivíduo tem a alguns foros
internacionais depende de um compromisso tópico de seu Estado; ou seja, se um país se
retirar, por exemplo, da União Européia, os seus nacionais não terão mais acesso à Corte de
Luxemburgo e os demais cidadãos da UE não poderiam cogitar a demanda contra o
mencionado país. (Tribunal internacional de Nuremberg: realizado em circunstâncias
excepcionalíssimas).

85. Réus em foro internacional

O autor justifica nesse tópico os tribunais penais internacionais criados pelo Conselho
de Segurança das Nações Unidas, especificamente aqueles criados para julgar os crimes
humanitários ocorridos na ex-Iugoslávia e em Ruanda. Em primeiro argumenta que foram
criados pelo Conselho de Segurança, o qual gozava, diante da ameaça à paz, de tal
autoridade com base no capítulo VII da Carta da ONU. Em seguida, alega que as práticas em
questão foram definidas como crime em textos internacionais incorporados aos direitos
internos dos países em questão. Assim, não há dúvida quanto à anterioridade das normas e a
tipicidade penal dos atos.
O Tribunal Penal Internacional (Convenção de Roma) instalou-se em Haia em 2003,
vinculando inicialmente 60 Estados ratificantes ou aderentes. São vários os pontos que
diferenciam essa corte das experiências penais precedentes:
a) Instituição judiciária permanente;
b) dotada de personalidade jurídica própria (normalmente as cortes são temporárias ou
permanentes, mas de organizações internacionais);
c) julga indivíduos por crimes de extrema gravidade (definidos no Tratado de Roma);
d) a jurisdição só se exerce sobre crimes posteriores à entrada em vigor do Tratado;
e) não há limites geográficos ou circuntanciais;
f) juízes eleitos pela assembléia dos Estados partes no tratado;
g) jurisdição complementar à jurisdição nacional, depende da inércia ou condescendência
desta;
h) o processo pode ser suspenso quando for determinado que a sua continuidade imediata
representaria uma ameaça à paz; e
k) o exercío efetivo da jurisdição desse tribunal pressupõe o consentimento do Estado
territorial do crime e/ou do patrial do réu.

86. Litígios transnacionais entre o particular e o Estado.

É bastante comum certos particulares (grandes investidores, multinacionais...)
tentarem a "evitar" o direito interno e à jurisdição dos países com os quai se relacionam na
exploração da atividade econômica. As partes cuidam então de que o próprio contrato abrigue
toda a minúcia necessária à cobertura da transação, sem remissões ao direito interno, e
deferem à argitragem a solução de eventuais conflitos.
De início, essa espécie de arbitragem era feita no molde clássico do direito das gentes
(cada uma das partes escolhia um árbitro, os quais escolhiam o terceiro). Em 1965 o Banco
Mundial patrocinou a negociação do tratado que instituiu o Centro internacional para
solução de litígios relativos a investimentos - ICSID. Inovação: o particular, nacional de um
país signatário dessa convenção, tem acesso direto para formular sua demanda contra outro
Estado que o tenha lesado, excluído assim o recurso à proteção diplomática de seu Estado
patrial (ainda que este tenha que consentir).

Capítulo I
O EST ADO

88. Três elementos
O Estado, personalidade originária de DIP, ostenta, de modo geral, 3 elementos: i)
uma base territorial; ii) uma comunidade humana nesta estabelecida; e iii) uma forma de
governo não subordinado a qualquer autoridade exterior. O elemento humano é, em verdade,
o único que se supõe imune a qualquer eclipse e sua existência ininterrupta responde, mais do
que os outros, pelo princípio da continuidade do Estado.

Seção I - Ter ritório do Estado

89. Jurisdição ou competência.

Sobre seu território [área terrestre mais espeços hídricos de topografia interna] o
Estado exerce jurisdição/competência para atuar com autoridade. Características da jurisdição
do Estado soberano:
a) generalidade - exercício no seu domínio de todas as competências de orgem legislativa,
administrativa e jurisdicional; e
b) exclusividade - não há concorrência de qualquer outra soberania.

90. Aquisição e perda de ter ritório.

a) Por descoberta - comum no passado, potências navais descobriam e em seguida ocupavam
as terra nullius (terra de ninguém). O princípio da contiguidade (a pretensão ocupacionista do
descobridor avança pelo território adentro até quando possível, em geral, até encontrar
resistência de uma pretensão alheia congênere) operou aí com frequência.
Exemplo: Brasil
b) Pela ocupação da terra derelicta, terras abandonadas pelo seu descobridor primitivo.
Exemplo: ilha de Palmas, Maldivas Carolinas, abandonadas pela Espanha e ocupadas
ulteriormente pela Holanda, Grã-Bretanha, Alemanha.
c) Por conquista - mediante emprego da força unilateral ou resultado do triunfo em campo de
batalha.
Exemplo: muito comum na Europa.
d) Por cessão onerosa - compra e venda ou permuta.
Exemplo: EUA comprou da França a Louisiana; Brasil comprou da Bolívia o Acre.
e) Por "cessão gratuita" - ornamento típico dos tratados de paz.
Exemplo: França "cedeu" à Alemanha a Alsácia-Lorena em 1871.
f) Por decisão política de uma organização internacional - ocorreu em 1947 a propósito da
partilha da Palestina e em 1950 quanto às ex-colonias italianas.

91. Delimitação ter ritorial.

O estabelecimento das linhas limítrofes que separam 2 ou mais Estados se dá: por
decisão abitral, ou judiciária, ou resultando de tratado bilateral (mais comum).
Princípio uti possidetis: conservação das fronteiras coloniais.
Princípio uti possidetis de facto: consideração do efetivo exercício de soberania sobre
determinada área territorial.
Os parâmetros para a delimitação podem ser: i) linhas limítrofes artificiais; ou ii)
naturais. As primeiras seriam as linhas geodésicas (paralelos e meridianos), como ocorre na
divsisão do Canadá e dos EUA. Os limites naturais mais utilizados são as cordilheiras (como
nas divisas montanhosas do Brasil com a Venezuela) e os rios. Quanto a esses há dois
sistemas: o da linha de equidistância das margens, e o da linha de maior profundidade
(tavelgue).

Seção I I - Imunidade à j urisdição estatal

92. Um velho tema.

No direito diplomático, a questão dos privilégios e garantias do representante de um
Estado junto ao governo de outro constituiu o objeto do 1º tratado multilateral de que se tem
notícia (Règlement de Viena, 1815). Atualmente vigem 2 convenções celebradas em Viena:
uma sobre relações diplomáticas e a outra sobre relações consulares.

93. Diplomacia propriamente dita e serviço consular.

O diplomata é aquele que representa o Estado de origem junto à soberania local e
para o trato bilateral dos assuntos de Estado.
O consul representa o Estado de origem para o fim de cuidar, no território onde atue,
de interesses privados (os de seus compatriotas que ali estejam a qualquer título).
O Brasil unificou as duas carreiras, ou seja, cada profissional da diplomacia transita
constantemente entre funções consulares e funçõe diplomáticas.

94. Privilégios diplomáticos.

a) Os membros do quadro diplomático de carreira (do embaixador ao terceiro-
secretário) e suas famílias (desde que dependentes e incluidos na lista diplomática) gozam de
ampla imunidade de jurisdição penal e civil.
b) Os membro do quadro técnico e administrativo (tradutores, contabilistas, etc) e
suas famílias (desde que dependentes e incluidos na lista diplomática) oriundos do Estado
acreditante gozam de imunidade penal e civil limitada aos atos praticados no exercício de
suas funções.
c) Todos são fisicamente invioláveis, não podem ser obrigados a depor e gozam de
imunidade tributária.
Exceções: i) não há imunidade civil nos casos de feito sucessório e nos relacionados a imóvel
particular em que o agente esteja envolvido a título estritamente privado; ii) não há imunidade
tributária em relação aos impostos indiretos e tarifas correspondentes a serviços que tenha
utilizado.
d) O pessoal subalterno custeado pelo Estado acreditante só goza de imunidade no
que concerne a seus atos de ofício.

São fisicamente invioláveis os locais, e os bens que ali se encontrem, da missão
diplomática e de residência do quadro diplomático e administrativo e técnico. Não podem ser
objeto de busca, requisição, penhora.
Os arquivos e documentos da missão diplomática são invioláveis onde quer que
estejam.

95. Privilégios consulares.

Esses privilégios se assemelham àqueles que cobrem o pessoal de serviço da missão
diplomática: cônsules e funcionários consulares gozam de inviolabilidade física e imunidade
ao processo civil e penal somente no tocante aos atos de ofício. A prisão preventiva é
permitida e é obrigatória a prestação de depoimento testemunhal.
Os locais consulares são invioláveis na medida estrita de sua utilização funcional, e
gozam de imunidade tributária. Os arquivos e documentos seguem o tratamento dos da
missão diplomática.
A convenção estabelece também que o cônsul deve ser avisado pela Justiça loal
sempre que tenha contra compatriota seu um processo penal suscetível de levar a uma
condenação de certo peso.

96. Aspectos da imunidade penal.

A imunidade penal ilimitada dos diplomatas, pessoal administrativo e técnico, bem
como de seus familiares faz com que, por exemplo, um homicídio passional esteja isento do
processo local. O que se espera é que estes respondam pelo delito em seu país de origem.
Por outro lado, oc crimes comuns cometidos por consules podem ser julgados in loco.
Exemplo de crimes que não o seriam, por serem relacionados com a função consular: outorga
fraudulenta de passaporte, falsidade na lavratura de guias de exportação, etc.

97. Renúncia à imunidade

Somente o Estado acreditante pode renunciar às imunidades de índole penal e civil de
que gozam seus representantes diplomáticos e consulares.

98. Primado do direito local.

Os detentores desses privilégios estão obrigados a respeitar a legislação do Estado
territorial. Isso quer dizer por exemplo que o embaixador britânico deve conduzir seu veículo
pela direita e não pela esquerda como faria em seu país.
a) Nas relações internas não se impõe a representantes estrangeiros o direito do
Estado acreditado (ex: um embaixador de país poligâmico poderia compartilhar seu leito com
4 mulheres); mas
b) Nas relações que envolvam o meio local, os agentes diplomáticos e consulares
devem se conformar com as prescrições do direito local (ex: os contratos individuais de
trabalho).

99. Estado estrangei ro e j urisdição local.

Nas convenções de Viena não se encontra norma alguma que disponha sobre a
imunidade do Estado, como pessoa jurídica de direito público externo, à jurisdição local - de
índole civil. A idéia de imunidade absoluta do Estado estrangeiro(par in parem non habet
judicium) começou a se desgastar na segunda metada do século XX.

100. I munidade do Estado: fatos novos e perspectivas.

Uma Convenção européia sobre imunidade do Estado (Basiléia 1972) exclui do
âmbito da imunidade as ações decorrentes de contratos celebrado e exequendos in loco. É
possível ter como provável que a imunidade do Estado não subsistirá no que se refer a toda
espécie de processo derivado de relação jurídica entre o Estado estrangeiro e o meio local (ex:
reclamação trabalhista deduzida por aquele que a embaixada recrutou in loco).

Seção I I I - Dimensão pessoal do Estado

101. População e comunidade nacional.

População = conjunto de pessoas instaladas em caráter permanente sobre seu
território (nacionais+estrangeiros residentes). Sobre a população o Estado exerce inúmeras
competências inerentes à sua jurisdição territorial.
Dimensão pessoal do Estado (um dos elementos constitutivos, ao lado do território e
do governo) = comunidade nacional (nacionais residentes+nacionais no exterior). Sobre esta o
Estado exercer jurisdição pessoal, fundada no vínculo de nacionalidade, independente do
território onde seu nacional esteja.

102. Conceito de nacionalidade.

Nacionalidade = vínculo político entre o Estado soberano e o indivíduo, que faz deste
um membro da comunidade constitutiva da dimensão pessoal do Estado. A cada Estado cabe
legislar sobre sua própria nacionalidade.

Subseção 1 - A NACIONALIDADE EM DIREITO INTERNACIONAL

103. Princípios gerais e normas costumei ras.

A dimensão humana/pessoal é inerente ao Estado. Este não pode arbitrariamente
privar o indivíduo de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. O vínculo
patrial não deve se fundar na pura formalidade/artifício, mas na existência de laços sociais
consistentes entre o indivíduo e o Estado.
A nacionalidade originária resulta, de modo geral, da consideração do lugar de
nascimento (jus solis) e/ou da nacionalidade dos pais (jus sanguinis).
A nacionalidade derivada, obtida mediante naturalização, implica na maioria das
vezes ruptura do vínculo anterior e depende de resquisitos como certos anos de residência no
país, domínio da língua, entre outros.
A título costumeiro vigem pelo menos 2 normas incontestadas:
i) é prática generalizada excluírem-se da atribuição de nacionalidade jure soli os filhos de
agentes de Estados estrangeiros;
ii) proibição do banimento - nenhum Estado pode explusar nacional seu, pelo contrário, tem a
obrigação de acolher seus nacionais em qualquer circunstância.

104. Tratados multilaterais

O direito intermacional tem procurado reduzir os problemas da apataria e da
polipatria, ainda que a Convenção de Haia de 1930 tenha proclamado a liberdade do Estado
em determinar em direito interno quais são seus nacionais. Em 1948 a Assembleia Geral da
ONU trouxe a nacionalidade à área dos direitos fundamentais da pessoa humana. A regra
segundo a qual "ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito
de mudar de nacionalidade" é retomada pela Convenção americanda de direitos humanos,
celebrada em São José da Costa Rica, em 1969. Nesta convenção apareceu ainda mais uma
regra: "Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido,
se não tiver direito a outra."
Seção I I I - Dimensão Pessoal do Estado
Subseção 2 - A Nacionalidade Brasilei ra

105. Matéria constitucional.
O Brasil fixa as condições de atribuição, aquisição e perda de nacionalidade brasileira em
nossa Constituição Federal (arts. 12, 13 e 22, XIII), porém, há contribuição significativa da
jurisprudência e da doutrina.

106. Brasileiros natos.
É aquele que ao nascer (em geral no Brasil, por vezes no exterior), teve nacionalidade
brasileira a ele atribuída ou teve a opção de consolidá-la, mediante efeitos retroativos.
Critério territorial 'ius soli¨: A CF aponta como brasileiros natos aqueles que nasceram em
território brasileiro (Consideram-se: espaços hídricos, aéreos e terrestres; navios ou aeronaves
de bandeira brasileira, quando em espaços neutros.), ainda que tenham pais estrangeiros,
contanto que estes não estejam a serviço de seu país. O serviço, desde que público, não
precisa implicar permanência em nosso território, nem cobertura das imunidades
diplomáticas. Ambos os componentes do casal são considerados a serviço da nação
estrangeira. A apatria de um natural do Brasil deve ser a todo custo evitada.
Brasileiros natos também são aqueles que nascem no estrangeiro, porém têm pai brasileiro ou
mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil, mesmo que o co-genitor
seja estrangeiro.
Por fim, brasileiros natos também são aqueles que nascem fora do território do Brasil, mas
têm pai brasileiro ou mãe brasileira, e optam por morar no Brasil e requerer nacionalidade
brasileira.

107. Brasileiros naturalizados.
Imigrantes que se fixaram há mais de 15 anos no Brasil, de forma ininterrupta e sem
condenação penal. Já imigrantes originários de países de língua portuguesa, só precisam
morar no Brasil por 1 ano ininterrupto e ter idoneidade moral (trabalhar, ter nome limpo). Dos
demais estrangeiros a lei exige no mínimo 4 anos de residência no Brasil, idoneidade, boa
saúde e domínio do idioma. A naturalização não é obrigatória, mesmo com os requisitos
preenchidos.
O brasileiro naturalizado tem todos os direitos do nato, salvo acesso a certas funções públicas.

108. Perda da nacionalidade brasileira.
Pode haver extinção do vínculo patrial tanto do brasileiro nato quanto do naturalizado, se a
pessoa adquire outra nacionalidade, por naturalização voluntária. O Presidente da República é
quem dá publicidade ao fato consumado: a perda da nacionalidade. Para acarretar em perda de
nacionalidade, a naturalização voluntária no exterior deve ser fruto de uma conduta ativa e
específica.
O brasileiro naturalizado pode perder sua nacionalidade se exercer atividade contrária ao
interesse nacional.

Subseção 3 - O Estatuto de Igualdade

109. Gênese.
É entre brasileiros e portugueses, em decorrência de tratado bilateral de 2000. Ele altera a
noção de nacionalidade como pressuposto necessário de cidadania. Conservando o vínculo de
nacionalidade com um dos dois países, o indivíduo passa a exercer no outro direitos inerentes
à qualidade de cidadão.

110. Dois padrões de igualdade.
Primeiro procedimento refere-se à simples igualdade de direitos e obrigações civis, e o
segundo também inclui a obtenção dos direitos políticos. É a pessoa natural que deve
demonstrar interesse em postular o benefício. No primeiro caso, o português tem de provar
sua nacionalidade, sua capacidade civil e sua admissão no Brasil em caráter permanente. No
segundo caso, o português ainda terá que provar o gozo dos direitos políticos em Portugal e
que mora no Brasil por pelo menos 3 anos.

111. Extinção do benefício estatuário.
A igualdade, tanto restrita à órbita civil quanto abrangente dos direito políticos, será extinta
no caso de haver expulsão do território nacional ou pela perda da nacionalidade originária.
Além disso, se o português tiver seus direitos políticos suspensos em Portugal, terá aqui a
extinção dos mesmos direitos.

Seção I V - Condição Jurí dica do Estrangei ro

112. Admissão discricionária.
Nenhum Estado tem obrigação de admitir estrangeiros em seu território, seja em definitivo,
seja a título temporário. Mas, a partir do momento em que o estrangeiro é admitido no seu
território, tem o Estado, deveres resultantes do direito internacional costumeiro e escrito.

Subseção 1 - Títulos de I ngresso e Direitos do Estrangei ro

113. Variedade dos vistos.
É importante diferenciar o imigrante do forasteiro temporário. O primeiro é o que se instala
no país com ânimo de permanência definitiva, enquanto o segundo é aquele que é turista,
estudante, missionário, pessoa de negócios, desportista etc. Visto permanente é dado ao
imigrante. Já o visto diplomático é concedido a representantes de soberanias estrangeiras.

114. Diversidade dos di reitos.
O Estado deve proporcionar a garantia de direitos elementares da pessoa humana (a vida, a
integridade física, a prerrogativa eventual de peticionar administrativamente ou requerer
juízo, o tratamento isonômico em relação a pessoas de idêntico estatuto) para qualquer
estrangeiro encontrável em seu território. É normal que um Estado reconheça o gozo dos
direitos civis aos estrangeiros (exceção: trabalho remunerado, acessível ao estrangeiro
residente). No Brasil, a propriedade de imóveis é em gral facultada e há requisitos severos
quanto à aquisição de terras na faixa de fronteiras.
O estrangeiro não tem direitos políticos (exceção: estatuto de igualdade), ou seja, ele não
pode votar ou ser votado, exercer certos cargos públicos e propor ação popular.

Subseção 2 - Exclusão do Estrangei ro por I niciativa Local

115. Deportação.
A deportação, diferente do impedimento à entrada do estrangeiro em nosso território (por
falta de passaporte ou visto, por exemplo), é uma forma de exclusão do estrangeiro do
território, após sua entrada irregular, geralmente clandestina, ou cuja estada tenha-se tornado
irregular (excesso do prazo, por exemplo). A exclusão é feita por iniciativa das autoridades
locais.
O deportado pode retornar ao Brasil quando regularizar seus documentos para ingresso.

116. Expulsão.
A expulsão é o modo de entregar estrangeiros a outro Estado em razão de haver condenação
criminal ou em virtude de as ações do estrangeiro terem se tornado nocivas à conveniência e
aos interesses nacionais. A exclusão é feita por iniciativa das autoridades locais.
Só o Estado de origem do expulso tem o dever de recebê-lo quando indesejado em outros
lugares. O expulso fica impossibilitado de retornar ao Brasil.
OBS: é possível deixar de fazer a deportação e a expulsão, mesmo havendo os requisitos.

Subseção 3 - A Extradição

117. Conceito e fundamento j urí dico.
É o ato pelo qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um crime ou já condenado, à
Justiça de outro, que o reclama (a seu pedido). O governo requerente da extradição só toma
essa iniciativa em razão da existência do processo penal ante sua Justiça. Todo pedido de
extradição tem como fundamento jurídico um tratado entre os dois países envolvidos. Na falta
de um tratado, o pedido de extradição só fará sentido se o Estado de refúgio do indivíduo for
receptivo a uma promessa de reciprocidade.

118. A extradição no Brasil: reciprocidade e poderes constitucionais do Congresso.
A promessa de reciprocidade em matéria extradicional tanto pode ser acolhida quanto
rejeitada, sem fundamentação, pelo governo brasileiro. O governo pode declinar de promessa
feita, em caso concreto, por país cujas solicitações anteriores tenham tido melhor êxito.

119. Discrição governamental e obrigação convencional.
Com fundamento em promessa de reciprocidade, o governo brasileiro tem a opção de recusar
sumariamente o pedido de extradição. No entanto, se houver tratado que disponha sobre o
assunto, o pedido não permite que haja tal recusa, já que o governo tem de honrar seu
compromisso. Vale citar que o STF só tem obrigação de cumprir o combinado, no caso de o
Estado requerente se prontificar a atender os requisitos da entrega do extraditando.

120. Submissão ao exame j udiciário.
Aceitando o pedido de extradição, o governo deve passar este para o exame judiciário. É o
STF que deve examinar a legalidade da demanda extradicional, com fundamento em lei
interna e no tratado pertinente. Julgando-a legal e procedente, o STF defere a extradição.
Porém, pode ele declará-la viável e, sendo assim, posteriormente o regime jurídico do
instituto autoriza ao governo uma decisão discricionária.

121. Controle j urisdicional.
Apesar de o Estado requerente da extradição não ser parte no processo de decisão do STF,
este concedeu a representação daquele por advogado. O Ministério Público atua no processo
estritamente como fiscalizador da lei. A defesa do extraditando não pode explorar o mérito da
acusação: deve dizer respeito à sua identidade, à instrução do pedido ou à ilegalidade da
extradição à luz da lei específica.

122. Legalidade da extradição.
O exame judiciário da extradição apura a presença de seus pressupostos, de acordo com a lei
interna e no tratado pertinente.
Um desses pressupostos diz respeito à condição pessoal do extraditando, ou seja, tem a ver
com sua nacionalidade. O Brasil somente extradita estrangeiros e brasileiros naturalizados,
que tenham cometido crime anterior a naturalização ou por tráfico de drogas (neste segundo
caso, independe da cronologia).
Os pressupostos podem dizer respeito ao fato que se atribui a extradição, o qual será
necessariamente um crime, de direito comum, de certa gravidade, sujeito à jurisdição do
Estado requerente, estranho à jurisdição brasileira, e de punibilidade não extinta pelo decurso
do tempo.
Outros pressupostos se relacionam ao processo penal que, contra o extraditando, tem ou teve
curso no Estado requerente. Neste segundo caso, uma sentença final de privação de liberdade
é reclamada pela lei.

123. Efetivação da ent rega do extraditando.
Negada a extradição pela corte, o extraditando é liberado e a decisão é comunicada para o
Estado requerente. No caso de a extradição ser deferida, o Executivo deve efetivá-la, não
antes de exigir que certos compromissos sejam assumidos. Há um prazo de 60 dias para
retirada do extraditando pelo Estado requerente, ao fim do qual, se não ocorrer tal retirada, ele
estará solto e o processo não poderá ser renovado.

Subseção 4 - Variantes I legais da Extradição

124. Dilemas da Justiça.
Há muitos casos em que uma detenção sem apoio legal acabou por ganhar legitimidade desde
quando endossada pelo magistrado competente. Nesses casos, ainda que os executores da
captura devam responder criminalmente pelo gesto arbitrário, o próprio réu não teria como
tirar proveito das circunstâncias nas quais foi detido.

125. I ndiferença do direito internacional.
O direito das gentes está limitado à soberania do Estado. Na verdade, não existe regra de
direito internacional que proteja o indivíduo naqueles casos em que se acabe por revelar a
violação de território. O direito internacional só tem capacidade de sancionar a abdução
recusada pelo Estado ofendido. É natural que o direito das gentes ignore o fenômeno da
extradição dissimulada.

126. Vocação protetiva do di reito interno.
Apenas o direito interno do Estado de refúgio poderá conter alguma proteção do indivíduo
contra a extradição arbitrária. Embora na teoria os tratados de extradição possam abrigar
regras desta natureza, eles jamais se mostraram sensíveis ao problema dos direitos humanos.
Na medida em que governada tão-só por tratados internacionais, a extradição sempre poderá
ser executada à margem de toda e qualquer regra de direito.
Por sua vez, as leis internas de extradição tendem a conciliar o interesse da justiça penal com
certas garantias que não se podem negar à pessoa do fugitivo. A lei extradicional interna
opera, em favor do indivíduo, como uma garantia de que a extradição só será concedida se
reunidos os pressupostos do texto, eventualmente abrandados. Dessa forma, exclui-se uma
extradição arbitrária.

127. O sistema protetivo no direito brasileiro.
Os artigos 63 e 75, I, da L6.815/80 proíbem a deportação e a expulsão, sempre que
semelhantes medidas impliquem extradição inadmitida pela lei brasileira, evitando, assim, a
extradição dissimulada.

128. A dout rina do caso Biggs.
O caso do britânico Ronald Arthur Biggs teve solução pelo Tribunal Federal de Recursos
(hoie STJ). Ficou claro que no conceito 'extradicão inadmitida pela lei brasileira¨ cabem a
prescrição, a natureza jurídica do crime, o indeferimento por falha documental não sanada em
tempo hábil o Estado interessado não poder formalizar o próprio pedido, em face dos limites
que lhe impõe sua lei interna. O iuizo do 'habeas corpus¨. encontrando-se remetido, em
circunstância inusual, à lei de extradição, tem plena autoridade para interpretá-la quando
sobre o caso não tenha decidido o Supremo. Há que se impedir não apenas a deportação ou
expulsão que conduza o paciente diretamente ao Estado interessado na extradição inadmitida,
mas também aquela suscetível de lhe dar tal destino por via oblíqua.

Subseção 5 - Asilo Político

129. Conceito e espécies.
Asilo político é o acolhimento, pelo Estado, de estrangeiro perseguido em outro Estado, por
causa de dissidência política, de delitos de opinião ou por crimes que se relacionam com a
segurança do Estado. Cabe asilo no caso da criminalidade política, na qual o objeto da afronta
não é um bem jurídico universalmente reconhecido. Assim, caracteriza-se como territorial,
isto é, é concedido pelo Estado para aquele estrangeiro que, havendo cruzado a fronteira,
colocou-o no âmbito espacial de sua soberania e aí pediu o benefício.
Asilo diplomático é uma forma provisória do asilo político, e só ocorre na América Latina.

130. Natureza do asilo diplomático.
Constitui uma exceção à plenitude da competência que o Estado exerce sobre seu território.
Nos países onde não é reconhecido, as pessoas procuradas pela autoridade local que entrarem
no recinto de missão diplomática estrangeira devem ser de imediato restituídas, não
interessando no momento ser criminoso político ou comum. Após o asilo diplomático, ele
pode se tornar em territorial.

131. Disciplina do asilo diplomático.
A Convenção de Havana de 1928, a de Montevidéu de 1933 e a de Caracas de 1954
consolidaram os costumes relativos ao asilo diplomático. Assim como no asilo territorial, o
asilo diplomático tem como pressupostos a natureza política dos delitos do fugitivo e a
atualidade da perseguição (estado de urgência). Estes asilos podem se dar em missões
diplomáticas, outros imóveis residenciais cobertos pela inviolabilidade e navios de guerra que
estejam no litoral do país. O asilo é uma instituição humanitária e não exige reciprocidade. O
Estado territorial deve apenas aceitá-la como princípio.
Direito Internacional Público - II

Seção VI - Soberania

138. Noção de Soberania:
Æ Como identificar um Estado:
- Quando este não reconhece nenhum poder maior de que dependa a definição e o
exercício de suas competências;
- Não se subordina a qualquer autoridade que lhe seja superior;
- Só faz acordos com outros Estados partindo-se do pressuposto que há um esforço
horizontal e igualitário de cooperação no interesse coletivo.
Æ Soberania: Faz do Estado titular de suas competências. Essas, não são limitadas e não
possuem superiores na ordem jurídica internacional (parte-se da idéia de poder horizontal na
ordem iuridica internacional. onde todos possuem 'Iorca¨ igual).
- A carta da OEA estatui que a ordem internacional é constituída essencialmente pelo
respeito à personalidade, soberania e independência de cada Estado.

Subseção 1 Reconhecimento de Estado e de Governo

140. Natureza declaratória do reconhecimento de Estado:
O reconhecimento tratado aqui será o dos atos unilaterais com que um Estado
mostra para ordem internacional que reconhece outros Estados com personalidade jurídica
de direito internacional idêntico à sua própria.
ÆElementos constitutivos de Estado: Território, população e governo soberano.
- O Reconhecimento por parte dos demais Estados (não necessariamente de todos os
outros) não é elemento constitutivo, mas meramente declaratório.
Art. 12. Carta da OEA. 'A existência politica do Estado e independente do seu
reconhecimento pelos outros Estados. Mesmo antes de ser reconhecido, o Estado tem direito
de defender a sua integridade e independência, de promover a sua conservação e
prosperidade, e, por conseguinte, de se organizar como melhor entender, de legislar sobre os
seus interesses, de administrar os seus serviços e de determinar a jurisdição e a competência
de seus tribunais. O exercício desses direitos não tem outros limites senão o exercício dos
direitos de outros Estados. conforme o direito internacional`.
Art. 13. Carta da OEA. 'O reconhecimento significa que o Estado que o outorga
aceita a personalidade do novo Estado com todos os direitos e deveres que, para um e outro,
determina o direito internacional`.

141. Forma de reconhecimento de Estado:
Æ Unilateral:
- Expresso: Mediante ato que fala sobre o reconhecimento do Estado.
- Tácito: Mediante ações que demonstram o reconhecimento do Estado.
Æ Bilateral:
- Mútuo: Mediante tratado ou comunicado comum.
- Tratado bilateral: É aquele em que dois Estados pactuantes reconhecem a existência
de um terceiro. Forma mais rara de reconhecimento.

142. Reconhecimento de governo: Circunstâncias.
Æ Reconhecimento do Estado: Independência de um território, ou ainda, espécie de
manifestação do fenômeno sucessório (fusão ou desmembramento).
Æ Reconhecimento de governo: Pode ser feito de forma tácita ou expressa.
- Expressa: Importa deliberação de juízo do valor sobre a legitimidade do novo
regime ou da efetividade de seu mando.
- Tácita: Mera manutenção do relacionamento diplomático com o Estado onde haja
ocorrido a reviravolta política, sem comentários sobre a qualidade ou a legitimidade dos
novos detentores do podre.

143. Doutrina Tobar: A expectativa da legitimidade.
O ministro das relações exteriores do Equador de 1907, Carlos Tobar, acreditava que
a melhor maneira de acabar com as mudanças violentas de governo, inspiradas nas ambições,
era que os demais governos se recusassem a reconhecer esses regimes acidentais, resultantes
de revoluções, até o momento em que ficasse comprovado que havia aprovação popular.
Æ Seguiram essa política: Woodrow Wilsons, governo norte-americano (1913-1921),
Rômulo Betancourt e Raul de Leoni (Venezuela).
Æ Sofreu desgaste acentuado na contemporaneidade. No lugar da legitimidade tem se
preferido apenas a efetividade do regime instaurado.

144. Doutrina Estrada: Uma questão de for ma.
O ministro das relações exteriores do México de 1930, Genaro Estrada, divulgou nota
dizendo que a partir daquele momento, o México não se pronunciaria mais sobre o
reconhecimento ou não dos novos governos. Contudo, ele se colocava diante da possibilidade
de retirar ou colocar seus representantes em determinados territórios e de acolher ou não os
representantes dos Estados dependendo da sua vontade. Surge o princípio da não intervenção.
Æ No que diz respeito à forma, tal doutrina é considerada triunfante.

145. Harmonização das doutrinas. Prática contemporânea.
Prestigia simultaneamente as duas doutrinas o Estado que valoriza a legitimidade, não
se relaciona com governos golpistas até quando a chamada do povo às urnas restaure o
princípio democrático, mas tampouco pratica o reconhecimento formal, representado pela
produção ostensiva de um juízo de valor.

Subseção 2 Estados Federados e Territórios Sob Administração
146. O fenômeno federativo e a unidade da soberani a.
Æ Províncias, estados e cantões: São as unidades autônomas agregadas a todo território
federal. Variam, sobretudo, no grau de dependência da União a que pertencem.
Æ Autonomia não se confunde com soberania.
- Autonomia: capacidade inerente a cada unidade da federação de se autodeterminar,
política e ou administrativamente, em função da descentralização de poderes.
- Soberania: Segundo Hans Kelsen: 'e a expressão da unidade de uma ordem¨. Esta
ligada à idéia de Poder. O poder que cria a Constituição Federal que ira regular a autonomia
dos estados.
Æ Os Estados-membros podem fazer tudo àquilo que a Constituição Federal permite.

147. Atuação aparente de proví ncias federadas no plano internacional.
Não há qualquer impedimento no Direito Internacional no que diz respeito aos
Estados federados darem competências as suas províncias para que essas possam atuar no
campo internacional. De fato, a única necessidade é que as outras soberanias interessadas
tolerem esse procedimento, conscientes de que, na realidade, quem responde pela província é
a União Federal.

148. Ter ritórios sob administração: A ONU e o sistema de tutela.
Æ Colônias, províncias de ultramar, protetorados ou estados vassalos: Eram carentes de
personalidade internacional e de competência para a livre negociação no plano exterior, desta
não participavam, ou o faziam pela voz da potência colonial.
Æ A partir das grandes organizações internacionais de caráter político (ONU e SDN), o
direito veio a conhecer a figura dos territórios sujeitos à administração de certa soberania, nos
termos de uma disciplina rigorosa e votada ao objetivo da descolonização. Contudo, enquanto
não lhes foi dada a sua independência, a soberania lhes foi estranha.

Subseção 3 Soberania e Hipossuficiência

149. O problema dos micros-Estados.
Æ Não se nega em princípio que eles sejam soberanos. Estados soberanos, em regra, detêm
sobre seu suporte físico (territorial e humano) a exclusividade e a plenitude das competências.
Contudo, micros-Estados confiam parte expressiva de suas competências a Estados vizinhos.
- A maioria não possui moeda própria;
- Possui apenas algumas dezenas de guarda civil;
Æ Em virtude dessa relação expressiva com seus vizinhos, alguns Estados tendem a ver com
alguma reticência a personalidade internacional desses micros-Estados.

150. Nações em luta pela soberania.
Æ A soberania de cada Estado lhes dá a possibilidade de determinar, por si mesmos, se lhes
parecem ou não soberanos os demais entes que estão ao seu redor e arrogam a qualidade de
Estados. Isso é possível independentemente do que pensam os demais Estados daquela ordem.

151. A Santa Sé: Um caso excepcional.
Æ A Santa Sé é a cúpula governativa da Igreja Católica. Nela se configuram todos os
elementos de um Estado: Possui um território, uma população e um governo.
Æ O que se discute é sua natureza jurídica. Críticas:
- Há exigüidade territorial ou democrática?
- Não possuem dimensão pessoal (pessoas que são consideradas nacionais de lá).
Cada cidadão continua com sua nacionalidade preservada em seu país de origem.
- Os fins para o qual se orienta não são típicos de um Estado.
Æ Por legado histórico, a Santa Sé possui personalidade jurídica de direito internacional.

CAPÍ TUL O I I
ORGANI Z AÇÕES I NTERNACI ONAIS

154. I nt rodução
Cronologicamente falando, o espaço temporal que separa o surgimento dos Estados
do fenômeno das organizações internacionais é de alguns milênios. Pode-se dizer que o
surgimento dos Estados remonta à antiguidade clássica, enquanto que o surgimento das
organizações internacionais é algo que veio se observando a partir deste último século.
Contudo, o critério temporal não é o fator diferenciador destas duas formas de
personalidade em direito internacional público. Paul Reuter observa que as desigualdades
quantitativas existente entre os Estados não formam obstáculo à sua igualdade qualitativa,
isto porque os objetivos dos Estados são sempre os mesmos: a paz, a segurança e o
desenvolvimento integral de determinada comunidade de seres humanos.
No contexto das organizações internacionais as coisas já mudam de figura, pois as
desigualdades são observadas em ambos os terrenos: são quantitativas por força da
diversidade do alcança geográfico, do quadro pessoal ou do orçamento; e qualitativas, vez que
não visam a uma finalidade comum.
O referido autor relembra que organizações internacionais são aquelas criadas e
integradas por Estados, sendo por eles dotadas de personalidade própria em direito das gentes.
O autor ressalta que há casos em que empresas podem ser instituídas por compromisso entre
Estados, como foi o caso da Itaipu Binacional, instituída em 1973 por tratado entre Brasil e
Paraguai. A empresa fora provida de capitais públicos, sendo-lhe conferida a personalidade
jurídica de direito privado. Contudo, o que faz de Itaipu um caso singular é o fato de seu
embasamento não ter se dado em apenas uma ordem jurídica, mas sim em duas ou mais delas.
Itaipu é uma pessoa jurídica de direito privado binacional, sendo regida por orientações de
ambos ordenamentos jurídicos (brasileiro e paraguaio).

Seção I - Teoria Geral

155. Personalidade j urídica

Reuter assevera que personalidade jurídica de direito das gentes não é fonte da
competência da organização internacional, mas seu resultado.
Há de se dizer que a competência para celebrar tratados em seu próprio nome é a mais
expressiva de todas no que tange aos elementos indicativos de personalidade jurídica.
Conforme o entendimento do projeto Dupuy, de 1973, podem ser consideradas organizações
internacionais. apenas '...aquelas que. em virtude de seu estatuto iuridico. têm capacidade de
concluir acordos internacionais no exercício de suas funções e para a realização de seu
obieto¨.

156. Órgãos
Despontam como órgãos indispensáveis à estrutura de uma organização, uma
assembléia geral e uma secretaria.
Na primeira, têm assento os representantes dos Estados-membros, Estados estes que
devem ter, igualmente, voz e poder de voto, de sorte que esta assembléia se assemelhe a uma
possivel competência 'legislativa¨ da entidade. Trata-se de um órgão não permanente, cujas
reuniões ocorrem uma vez por ano, via de regra. Contudo, ela pode ser convocada
excepcionalmente quando o caso assim demandar.
Na segunda, predomina o caráter administrativo de funcionamento permanente. Seus
servidores são todos neutros às políticas dos Estados-membros, principalmente à de seus
próprios Estados.
Vale mencionar outro órgão que também se destaca, mas nas organizações de cunho
político: o conselho permanente. Este é ininterrupto e inclina-se ao exercício da competência
executiva. Sua composição pode se dar com a presença de representantes de todos Estados-
membros (como na assembléia geral), ou com apenas a presença de alguns destes Estados, os
quais ou são eleitos por prazo certo ou possuem mandato permanente.
Dependendo do alcance dos propósitos das organizações, estas podem ter mais, ou
menos órgãos técnicos, judiciários, ou até mesmos outros conselhos.

157. Aspectos do processo decisório
Perante o contexto das organizações internacionais, não é válido, como regra, o
princípio majoritário; isto significa que, ao contrário do que ocorre nas assembléias de direito
interno, onde a maioria dos votos obriga a todos os participantes, o Estado só costuma se
sentir obrigado quando a decisão tiver contado com seu voto favorável para o feito.

158. A organização frente a Estados não-membros

Algumas organizações costumam abrir espaço à participação de Estados não-
membros em seu contexto. A título de exemplo, cite-se a Carta da ONU, a qual prevê, entre
outras formas de abertura, a possibilidade de participação, sem voto, de Estados não-membros
nos debates do Conselho de Segurança. O problema surge quando se questiona se o tratado
institucional pode obrigara os Estados não contratantes. De acordo com o art.2, § 6 da Carta
da ONU: 'A organizacão Iara com que os Estados que não são membros das Nacões Unidas
procedam de conformidade com estes princípios na medida necessária à manutenção da paz e
da seguranca internacionais¨.
Entretanto, o fato de a ONU possuir 'personalidade internacional obietiva¨ não basta
para que esta possa entender-se oponível àqueles Estados, ainda mais porque o princípio da
prevalência da vontade majoritária carece de consistência no âmbito interestatal.

159. Sede da organização

As organizações necessitam de alguma base territorial para instalarem-se, mas para
isto é preciso que algum Estado ofereça-lhe algum ponto de seu território para dar-se a
instalação física. Esta cessão implica a celebração de tratado bilateral entre a organização e o
Estado, trata-se do acordo de sede.
Ocorrem casos em que a organização dispõe de mais de uma sede, ou então faz variar
a instalação de alguns de seus órgãos. Há de se ressaltar que nada impede que a organização
situe-se em território de Estado não-membro.

160. Representação, garantias, imunidade.

A organização faz-se representar não somente no lugar de sua sede, mas também no
território de seus Estados-membros, e, casualmente, no daqueles não-membros, mas que com
ela pretendam assim se relacionar. Os representantes exteriores serão os membros da
secretaria e gozarão de privilégios semelhantes aos do corpo diplomático.
Um problema que se impõe é o referente à imunidade da própria organização
internacional frente À jurisdição brasileira, em feito de natureza trabalhista ou outro. Alguns
Estados estrangeiros pleiteavam esta imunidade. nas mesmas situacões. baseados na 'velha e
solida regra costumeira¨. Contudo a iurisprudência brasileira aIastou a incidência desta.
O fato é que a imunidade das organizações internacionais não se firma com base nos
costumes, mas sim em tratados que a determinam de modo expresso. Destarte, a imunidade
não pode ser ignorada neste caso. É possível que esta situação mude e que um dia estas
organizações venham a se encontrar em situação idêntica à dos Estados estrangeiros antes a
Justiça local.

161. Finanças da organização.

A receita das organizações é formada, basicamente, pela cotização dos Estados-
membros. O montante arrecadado, normalmente destina-se ao pagamento das folhas de
pagamento do pessoal da secretaria, ao custeio da manutenção de instalações imobiliárias e de
equipamentos, e muitas vezes ao custeio de programas exteriores de assistência e
financiamento.
Regra geral, as cotizações se dão com base na capacidade contributiva de cada
Estado, desta forma, não costuma ser paritárias. Na ONU as cotas variam de 0,01% a 22%.

162. Admissão de novos membros.

A admissão de novos membros deve ser analisada sobre três aspectos capitais: os
limites de abertura do tratado institucional aos Estados não-membros; a adesão à carta
(pressuposto fundamental); e aceitação dessa adesão pelos Estados-membros, ou seja, pelo
beneplácito do órgão competente para tanto, nos termos do tratado.
Os limites de abertura da Carta podem ser meramente geográficos (somente países
europeus, por exemplo). Na Carta da ONU, contudo, esta matéria vem disposta no seu art.4º:
o interessado deve ser um Estado pacífico, que aceite as obrigações impostas pela carta, que
se entenda capaz de cumpri-las e disposto a fazê-lo.
Quanto ao aspecto de adesão à carta, deve o interessado exprimir sua adesão ao
tratado institucional, adesão esta que se presume ser, sempre, integral. Por sua própria
natureza, o tratado institucional é refratário à ratificação ou à adesão com reservas. São raras
as exceções, neste caso.
Quanto ao beneplácito à adesão, é mister ressaltar que este conclui o processo de
admissão de um novo Estado. Na União Européia é o Conselho que, sob parecer da
Comissão, deve assentir por unanimidade. A Carta da ONU fala numa decisão da Assembléia
Geral 'mediante recomendacão do Conselho de Seguranca¨.




163. Sanções

A falta aos deveres inerentes aos Estados-membros pode acarretar conseqüências
peculiares, as quais, usualmente, são de duas formas: suspensão dos direitos e exclusão do
quadro. Há de se dizer que esta última sanção jamais é aplicada, dentro do contexto da ONU,
a qualquer um dos cinco membros permanentes, que possuem poder de veto.

164. Retirada de Estados-membros

São dois os elementos que costumam condicionar a retirada voluntária do Estado-
membro: o pré-aviso e a atualização das contas com a organização. Portanto, é preciso,
primeiramente, um lapso de tempo entre a manifestação de vontade de se retirar por parte do
Estado e o rompimento efetivo do vínculo jurídico. Num segundo momento, é necessário
verificar-se se o Estado retirante colocou em dia suas obrigações financeiras para com a
entidade. Feito isto, o Estado tem permissão para se retirar.


Seção I I - Espécies

165. Alcance e domí nio temático

As organizações podem ser de domínio regional ou universal, sendo esta última
caracterizada por acolher o maior número possível de Estados, sem restrição de índole
geográfica, cultural, econômica ou outra. No que toca ao domínio, este pode ser ou político,
voltado à preservação da paz e da segurança, ou específico: fim econômico, financeiro,
estritamente técnico ou cultural.

166. Alcance universal, domí nio político: a SDN e a ONU

Na antiga SDN e depois na ONU, somaram-se o alcance universal e a finalidade
política. A cooperação econômica, cultural e científica, aqui, são objetivos periféricos; o
objetivo precípuo é a preservação da paz entre as nações.

167. Alcance universal, domí nio especí fico.

Aqui, inscrevem-se as 'agências especializadas¨ da ONU. que são. na verdade.
organizações internacionais distintas, dotadas de personalidade jurídica própria em direito das
gentes. Ex: OIT, UNESCO, FAO, FMI, OACI, OMS, BIRD.

168. Alcance regional, domí nio político.

Inserem-se, aqui, as organizações que, em escala regional, retomam os objetivos da
ONU. Ex: OEA - Org. dos Estados Americanos, LEA Liga dos Estados Árabes. O objetivo
principal é a manutenção da paz entre seus próprios membros.

169. Alcance regional, domí nio especí fico.

São as organizações regionais de cooperação e integração econômica, como a União
Européia, a CECA, a CEEA, OPEP, e o MERCOSUL.

CAPÍ TUL O I V
O F ENÔMENO SUCESSÓRI O

187. O princípio da continuidade do Estado.

O Estado, antes de tudo, é uma realidade física. Daí falar-se em princípio da
continuidade do Estado, pois, por existir, ele tende a continuar existindo.
Não se considera, aqui, apenas o Estado quanto instituição, mas também quanto toda
área territorial habitada por uma comunidade de pessoas.
Há de se observar que este princípio não existe no contexto das organizações
internacionais, pois como estas não possuem substrato material comparável ao dos Estados,
então podem desaparecer sem deixar vestígios, a qualquer momento. Contudo, nada obsta à
ocorrência do fenômeno sucessório com relação a estas organizações.


Seção I - SUCESSÃO DE EST ADOS: MODALI DADES

188. Fusão ou agregação de Estados

O fenômeno em tela é observado quando um ou mais Estados se unem para
constituírem um único. Há três subespécies de fusão: aquela em que o novo Estado resulta da
soma horizontal e igualitária de soberanias preexistentes (unidade italiana = Lombardia +
Toscana + Vêneto + Roma); aquela em que as bases da agregação não são igualitárias
(unidade alemã, na qual a Prússia preponderava), de sorte que um dos Estados anteriores se
sobrepõe aos demais; e aquela em que um Estado simplesmente se integra a outro (anexação
da Áustria pela Alemanha).

189. Secessão ou desmembramento de Estados

Fenômeno em que dois ou mais Estados resultam da divisão daquilo que antes era um
único Estado. Foi observado com intensidade no período dito de descolonização africana.
Quando o fenômeno não se refere ao contexto colonial, é mais comum a utilização do termo
secessão.

190. Transferência ter ritorial

Nenhuma soberania surge ou desaparece, os Estados preexistes continuam a ter suas
próprias identidades. O que ocorre é a mera transferência de uma área territorial de um deles
para o outro.

Seção I I - SUCESSÃO DE EST ADOS: E F EI T O JURÍ DI CO

191. Normas aplicáveis

Dada a sucessão de Estados, é comum surgirem problemas quanto à nacionalidade
dos cidadãos, bem como à administração de dívidas públicas, bens públicos e de tratados com
outros Estados. Estas conseqüências da sucessão costumam ser resolvidas com a
determinação de lei por parte do Estado fruto da agregação, ou por meio de tratado entre os
Estados frutos de desmembramento.

192. Nacionalidade das pessoas

Para o caso de agregação, revestem-se os nacionais das soberanias reunidas com uma
nova qualidade. A título de exemplo, cita-se a agregação de lombardos, vênetos, romanos e
piemontenses, os quais se tornaram, todos, italianos.
Nos casos de desmembramento, é comum que os habitantes do novo Estado
adquiram, automaticamente, aquela nacionalidade, perdendo a antiga, mas, eventualmente,
tendo direito de opção entre ambas. Cita-se o caso do desmembramento da Tchecoslováquia:
seus nacionais puderam escolher entre a nacionalidade tcheca e eslovaca, correspondentes a
novas soberanias.

193. Bens públicos

O Estado sucessor tem, sobre o território sucedido, domínio eminente e propriedade
sobre os bens públicos (os de uso comum, de uso especial e os dominiais).
Em caso de desmembramento, a resolução sobre a partilha de tais bens cabe às
missões diplomáticas e consulares.

194. Tratados e dívida externa

O Estado fruto de agregação é responsável pelo conjunto das obrigações
convencionais e dos débitos de seus integrantes. Para casos de desmembramento e de
transferências territorial, utiliza-se o princípio da repartição ponderada da dívida, observando-
se, primeiramente, a destinação dada ao produto dos empréstimos externos. Dessa sorte, não
se exclui a possibilidade de o novo Estado ter de arcar, sozinho, com a integralidade de uma
dívida contraída pelo Estado primitivo em proveito único daquela área que veio a tornar-se
independente.
Há a hipótese, também, de o Estado recém formado usufruir do princípio da tabula
rasa: não possui quaisquer obrigações, quando começar a contraí-las, dará início ao
preenchimento da tabula. No que diz respeito aos pactos firmados pelo Estado originário, o
novo Estado está desobrigado à observância dos mesmos, quando bilaterais.

Seção I I I - SUCESSÃO DE ORGANI Z AÇÕES I NT ERNACI ONAIS

195. Um quadro recente

Primeiras organizações internacionais, no termo da palavra, datam de 1919. Mister
frisar que não se aplicam a elas nenhum princípio análogo ao da continuidade do Estado,
contudo, a sucessão lhes é algo possível de ocorrer. É raro que uma organização seja colocada
em liquidação completa; o mais comum é confiar suas funções e patrimônio a uma outra
organização, preexistente ou nova.

196. Dois exemplos

A ONU sucedeu a Sociedade das Nações (extinta de fato em 1939, mas de direito em
1946, por deliberação da ONU a qual data de 1945).
Sucessão mais próxima de nós é a da Associação Latino-Americana de Livre
Comércio pela Associação Latino-Americana de Integração.


PART E I I I : DOMÍ NI O PÚBLI CO I NTERNACI ONAL

197. Proposição da matéria: domínio público internacional designa aqueles espaços cuja
utilização suscita o interesse de mais de um Estado soberano às vezes de todas a
comunidade internacional ainda quando sujeitos às incidência de determinada soberania.
Cuida-se do mar, dos rios internacionais, do espaço aéreo, do espaço extra-atmosférico e,
ainda, do continente antártico.

198. O Pólo Norte:
- Cuida-se apenas de água do mar, perenemente congelada (escasso interesse econômico)
- Corredor aéreo alternativo: por ali passam diversas rotas aéreas, que cruzam um espaço de
livre trânsito independentemente de qualquer tratado justamente pelo motivo de que a
superfície hídrica subjacente é o alto mar.
- Aplicação da Teoria do Setores: setores triangulares que configuram o resultado da projeção
sobre o pólo do litoral do Canadá, Dinamarca (Groenlândia), Noruega (arq. Spitzberg) e da
Russia. paises estes que Iazem 'Ironteira¨ com o polo (não ha outros paises entre ele o polo.
mas apenas mar e/ou gelo)

199. A Antártida:
- Ilha gigantesca: interesse econômico e estratégico.
- Quatro Teorias: (1) Teoria dos Setores, que dividiria o continente em inúmeras faixas
triangulares; (2) a Teoria da Descoberta, proposta por países europeus; (3) a Teoria do
Controle, proposta pelos EUA; (4) e a Teoria da Continuidade da Massa Geológica, proposta
pela Argentina.
- Qual teoria deve ser aplicada?
- Tratado da Antártida, Washington, 1959: 45 países pactuantes (Brasil ingressou em 1975),
que não necessariamente renunciam às eventuais pretensões de domínio sobre parte do
continente, nem tampouco reconhecem pretensões alheias. O regime jurídico estabelecido
pelo texto é o da não militarização da Antártida, que só deve ser usada para fins pacíficos.
- Protocolo de Madri 1991: preservação da Antártida contra toda espécie de exploração
mineral durante prazo fechado de 50 anos.


CAPÍ TUL O I : O MAR

200. Codificação do direito costumeiro
- Durante muito tempo, o direito do mar foi composto unicamente por normas costumeiras.
- Com o patrocínio da ONU, concluiu-se em Genebra, em 1958, (a) uma Convenção sobre o
mar territorial e a zona contígua, (b) uma Convenção sobre alto mar, (c) uma Convenção
sobre pesca e conservação dos recursos vivos do alto mar, e (d) uma Convenção sobre a
plataforma continental.
- O fator econômico é bastante relevante no enfoque do direito do mar.
- A Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar foi concluída em 1982. Compõe-se
de 320 artigos e vários anexos. Entrou em vigor em 16/11/1994.

201. Navios: noções e espécies
- O navio tem sempre um nome, um porto de matrícula, uma determinada tonelagem, e tem
sobretudo uma nacionalidade, que lhe confere o direito de arvorar uma bandeira nacional.
- Diferenciam-se navios mercantes (privados ou públicos) de navios de guerra (pertencentes
às forças armadas de um Estado).
- Os navios de guerra encontram-se a todo momento sob a jurisdição do Estado de origem,
gozando de imunidade.

Seção I - ÁGUAS I NT ERI ORES, MAR T ERRI T ORI AL E Z ONA CONTÍ GUA

202. Variedade de águas interiores
- Águas interiores estranhas ao direito do mar e por isso não são versadas na Convenção de
1982: rios e lagos de água doce
- Águas interiores referidas na Convenção de 1982: águas de mar aberto, situadas aquém da
linha de base do mar territorial, em razão de baías, portos e ancoradouros, ou em razão da
propria geograIia 'recortada¨ do litoral (ilustracão na pag.320).

203. Regime Jurí dico
- Sobre as águas interiores o Estado costeiro exerce soberania ilimitada. Não há, nelas, direito
de passagem inocente.
- Acesso aos portos e passagem pelas águas interiores: é necessária a autorização dada pela
capitania, que na prática é dada com antecedência e tem caráter duradouro. Essa autorização
também pode vir expressa em tratado.

204. Mar ter ritorial: natureza e regime j urídico
- Zona de mar adjacente à costa, na qual o Estado exerce soberania sobre o leito do mar, o
respectivo subsolo e o espaço aéreo subjacente.
- Esta soberania não é absoluta: ela é restringida pelo direito de passagem inocente,
reconhecido em favor dos navios mercantes ou de guerra de qualquer Estado.
- A passagem inocente deve ser contínua e rápida, e nada pode degenerá-la, sob risco de ato
ilícito.
- Aos submarinos manda-se que naveguem na superfície e arvorem seu pavilhão.
- Não pode o Estado costeiro impor obrigações que frustrem ou dificultem a passagem
inocente, nem discriminar navios em função da sua nacionalidade ou do Estado que estejam
servindo. Não pode, ainda, cobrar taxas só pelo fato da passagem.
- Navios de guerra: imunes à jurisdição local.
- Navios mercantes: Estado costeiro abstém-se de exercer jurisdição civil, podendo, no
entanto, exercer jurisdição penal em alguns casos (quando a infração produz conseqüências
sobre a ordem territorial, quando tem a ver com tráfico de tóxicos, ou no caso de pedido feito
pelo capitão ou cônsul)

205. Mar ter ritorial: extensão
- A partir de 1952 vários países da América do Sul estenderam a sua faixa de mar territorial a
200 milhas, com a invocação de imperativos de ordem econômica.
- A Convenção de 1982 manda que seja de 12 milhas marítimas (cerca de 22km) a largura
máxima da faixa de mar territorial de todo Estado costeiro, mas consagra as duzentas milhas a
título de zona econômica exclusiva.

206. Mar ter ritorial: delimitação
- Mede-se a largura da faixa a partir da linha de base, isto é, da linha litorânea de maré baixa,
alternada com a linha de reserva das águas interiores quando ocorrem baías ou portos.
- A ilhas dispõem de faixa própria, em igual extensão.
- Critério da Eqüidistância para a delimitação dos mar territorial no caso de países costeiros
adjacentes ou confrontantes (um de frente para o outro, mar entre eles). Essa questão fica
mais clara com a ilustração da pg. 324.

207. Zona contígua
- Cuida-se de uma segunda faixa, adjacente ao mar territorial, e, em princípio, de igual
largura, onde o Estado costeiro pode tomar medidas de fiscalização em defesa de seu
território e de suas águas.
- A adoção da zona contígua só faz sentido quando a extensão do mar territorial respeita os
padrões internacionais, alcançando no máximo 12 milhas.

Seção I I - Z ONA E CONÔMI CA E X CLUSI VA

208. Entendimento
- Trata-se de uma faixa adjacente ao mar territorial que se sobrepõe, assim, à zona contígua
-, e cuja largura máxima é de 188 milhas marítimas contadas do limite exterior daquele, com
o que se perfazem 200 milhas a partir da linha base.
209. Direitos do Estado costeiro
- Sobre a zona exclusiva. a soberania do Estado e limitada e especiIica: ele ali exerce 'direitos
de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão de recursos
naturais¨
- O Estado também exerce jurisdição sobre zona em matéria de preservação do meio marinho
e investigação científica e instalação de ilhas artificiais.

210. Direitos da comunidade
- Todos os Estados gozam, na zona exclusiva de qualquer deles, de liberdades que distinguem
essa área do mar territorial. São as liberdades de navegação (mais ampla que a passagem
inocente), de sobrevôo e de colocação de cabos ou dutos marítimos.

Seção I I I - PL AT AF ORMA CONTI NENT AL E FUNDOS MARI NHOS

211. Regime j urídico da plataforma continental
- Cuida-se, geograficamente, daquela parte do leito do mar adjacente à costa, cuja
profundidade em geral não excede 200m, e que, a uma boa distância do litoral, cede lugar às
inclinações abruptas que conduzem aos fundos marinhos.
- Sobre essa plataforma e seu subsolo o Estado costeiro exerce direitos soberanos de
exploração dos recursos naturais.
- Nos termos da Convenção de 1982, o limite exterior da plataforma continental coincide com
o da zona exclusiva (200 milhas a partir da linha base). a não ser que o 'bordo exterior da
margem continental¨ esteia ainda mais distante. Nesse caso o limite e o bordo. desde que não
ultrapasse 350 milhas marítimas.
- O direitos econômicos do Estado costeiro sobre sua plataforma continental são exclusivos:
nenhum outro Estado pode pretender compartilhá-los.

212. Regime j urídico dos fundos marinhos
- Ao leito do mar na região dos fundos marinhos, e ao respectivo subsolo, a Convenção de
1982 deu o nome de área. A área fica além dos limites de jurisdição nacional, ou seja, das
plataformas continentais.
- A área e seus recursos constituem, segundo a Convenção, patrimônio comum da
humanidade.

Seção I V - AL T O MAR

213. Princípio da liberdade
- A liberdade do alto mar é ampla: diz respeito à navegação e a todas as formas possíveis de
aproveitamento, e nenhuma pretensão restricionista podendo emanar da autoridade soberana
de qualquer Estado.
- Segunda a Convenção de 1982, a liberdade concerne à navegação, ao sobrevôo, à colocação
de cabos e dutos submarinos, à construção de ilhas artificiais e instalações congêneres, à
pesca e à investigação científica.

214. Restrições à liberdade
- O alto mar deve ser utilizado para fins pacíficos e no exercício de suas liberdade cada
Estado se obriga a levar em conta os interesses dos demais.

215. Disciplina da navegação
- Deve haver sempre um vínculo de substancial entre o Estado e o navio que arvora a sua
bandeira.
- Presume-se que em alto mar todo navio se encontra sob a jurisdição do seu Estado patrial, e
os navios de guerra podem exercer autoridade sobre navios mercantes de igual bandeira
(direito de visita- para o exercício desse direito, deve haver fundamentada suspeita sobre o
navio).

Seção V - TRÂNSI T O MARÍ TI MO: ESTREI T OS DE CANAIS

216. Estreitos: algumas normas gerais
- O estreito típico é o corredor cujas águas integram o mar territorial de um ou mais Estados,
e que assegura a comunicação entre espaços de alto mar ou zona econômica exclusiva,
interessando à navegação internacional.
- A Convenção de 1982 garante nos estreitos o direito de passagem em trânsito a navios e
aeronaves, civis e militares, de qualquer bandeira.
- Os mais notórios estreitos internacionais são: Gibraltar; Magalhães; Sund, Belt e Grand
Belt; Bósforo e Dardanelos.

217. Canais: regimes singulares
- Os canais também são corredores que facilitam o trânsito entre dois espaços marítimos,
porém não constituem obra da natureza.
- Os dois canais internacionais de maior importância forma construídos no território de países
impossibilitados de arcar com o custo do empreendimento, daí a influência de Estados e
capitais estrangeiros.
- O Canal de Suez, obra da companhia de Ferdinand de Lesseps, foi construído em 1869 no
território egípcio, então subordinado à soberania do império Otomano. Ele foi expropriado e
nacionalizado em 1956 pelo governo republicano do Egito em 1956. Seu regime jurídico
contemporâneo resulta de um ato unilateral, a declaração do governo egípcio de 21/04/1957.
- O Canal do Panamá teve sua construção levada a termo em 1914. Seu regime jurídico, no
entanto, já estava estabelecido pelo tratado de 18/11/1903, entre o governo local e o dos EUA,
país empreendedor da construção por haver sucedido à companhia de Lesseps, que falira, e
por haver favorecido a independência do Panamá, até então integrante da Colômbia. No canal
do Panamá existe a ampla liberdade de trânsito, sem discriminação de qualquer espécie, e as
taxas só são mais elevadas em razão dos custos, grandemente acrescidos pelo sistema de
comportas.Com o tratado de 1977 determinou-se que a administração do canal seria
gradualmente transferida aos panamenhos e no ano de 2000 os EUA deixaram de responder
militarmente pela defesa do Canal.

CAPÍ TUL O I I : RI OS I NT ERNACI ONAIS

218. Conceito
- Rio internacional e todo curso d`agua que banha mais de um Estado soberano. Uma
distinção preliminar costuma fazer-se entre os rios limítrofes (ou contíguos, ou de fronteira) e
os rios de curso sucessivo. Contudo, os mais importantes rios internacionais, em sua maioria,
ostentam as duas características.

Seção I - AL GUNS PRI NCÍPI OS

219. Um direito casuístico
- São poucos os princípios relativos a rios internacionais que se podem afirmar dotados de
alguma generalidade. O aparato normativo, nesse terreno, é dominado pela casuística.
- A Convenção de Barcelona de 1921 proclamou dois grandes princípio: o da liberdade de
navegação e o da igualdade no tratamento de terceiros. Esse texto é, no entanto, de concepção
européia, condizente com a realidade daquele continente.
- No continente americano o princípio da liberdade de navegação para terceiros Estados não
banhados pelo rio nunca foi acolhido.

Seção I I - RE GI MES F LUVI AIS SI NGUL ARES

220. Rios da América do Sul
- Os mais importantes rios internacionais da América do Sul são o Amazonas, o Paraná, o
Paraguai e o Uruguai. Todos eles encontram-se abertos à navegação comercial, em bases não
discriminatórias, por força de tratados bilaterais remotos e no caso do Amazonas pelo ato
unilateral de 1866.

221. Outros Regimes
- Regime jurídico do Danúbio: os Estados ribeirinhos, e somente eles, respondem pela
administração do rio, cuja navegação, no entanto, é livre.

CAPÍ TUL O I I I : O ESPAÇO

222. Distinção preliminar
- Dois regimes jurídicos distintos: o do espaço aéreo, que se determina em função de qual seja
a superfície terrestre ou hídrica subjacente, e o do espaço extra-atmosférico, que é uniforme e
ostenta alguma semelhança com o do alto mar. O limite entre esses dois espaços está onde
termina a camada atmosférica.

Seção I - O ESPAÇO AÉRE O

223. Princípios elementares
- O Estado exerce soberania plena sobre os ares acima de seu território e de seu mar
territorial. Projeta-se, desse modo, no espaço aéreo o mesmo regime jurídico da superfície
adjacente.
- Não há no espaço aéreo um direito de passagem inocente. Senhor absoluto desse espaço, o
Estado subjacente só o libera à aviação de outros países mediante a celebração de tratados ou
permissões avulsas.
- Por outro lado, é livre a navegação aérea, civil ou militar, sobre os espaços onde não incide
qualquer soberania estatal: o alto mar incluindo o pólo norte e o continente antártico.

224. Normas convencionais
- Em matéria de aviação civil, três tratados multilaterais dignos de nota precederam as
negociações de Chicago ao final da segunda grande guerra: a Convenção de Paris 1919, a
Convenço de Havana 1928 e a Convenção de Varsóvia 1929.
- As Convenções de Chicago 1944 (três convenções principais e doze textos ancilares) regem
em todos os aspectos que não a responsabilidade, versada na Convenção de Varsóvia o
tema da aviação civil internacional.
- As Convenções de Chicago instituíram a Organização da Aviação Civil Internacional
(OACI), que tem sede em Montreal e cujo principal propósito é uniformizar as regras sobre o
tráfego aéreo.

225. Nacionalidade das aeronaves
- Segunda as regras de Chicago, todo avião utilizado em tráfego internacional deve possuir
uma nacionalidade e única -, determinada por seu registro ou matrícula. Esse vínculo
implica a responsabilidade de um Estado sobre o engenho, e autoriza a respectiva proteção,
se necessária.
- Companhias aéreas de propriedade plurinacional: cada avião deve possuir uma
nacionalidade singular, que se comprovará à vista de sua matrícula.

226. O sistema das cinco liberdades
- Os países partes das Convenções de Chicago - e por isso membros da OACI mantêm em
operacão o sistema chamado 'das cinco liberdades¨:
- Liberdades técnicas: (1) a de sobrevôo do território, tendo o Estado subjacente o direito de
proibir certas áreas em nome da segurança, mas em bases não discriminatórias; e (2) a da
escala técnica.
- Liberdades comerciais: (3) a de desembarcar passageiros e mercadorias provenientes do
Estado patrial da aeronave; (4) a de embarcar passageiros e mercadorias com destino ao
Estado patrial da aeronave; (5) a última liberdade depende de ajuste especial e consiste em
permitir que aeronaves do outro Estado embarquem e desembarquem, em seu território,
passageiros e mercadorias com destino a ou provenientes de outros países membros da
OACI.

227. Segurança do tráfego aéreo
- Convenção de Tóquio de 1963, sobre infrações praticadas a bordo de aeronaves; Convenção
de Haia de 1970, para repressão do apoderamento ilícito de aeronaves; Convenção de
Montreal de 1971, para repressão dos atos ilícitos contra a aviação civil. Ao contrário das
Convenções de Chicago de 1944, esses textos contam com a participação de virtualmente
toda a sociedade internacional.
- Protocolo de 1984: contra os abusos do próprio Estado na preservação de sua segurança
territorial (todo Estado pode interceptar avião estrangeiro que viole seus ares, e forçar o
respectivo pouso, mas que seu direito de reagir não é ilimitado, impondo-se-lhe respeito pela
vida humana destacadamente a de civis, passageiros de um vôo comercial regular).

Seção I I - O ESPAÇO E X TRA-AT MOSF ÉRI CO

228. Gênese das normas
- O direito relativo ao espaço extra-atmosférico é estritamente convencional, e começou a
forjar-se entre dois acontecimentos memoráveis: a colocação em órbita do primeiro satélite
artificial, o Sputnik, em 1957, e o primeiro pouso na Lua de uma nave tripulada, em 1969.

229. Cooperação e pacifismo relativo
- Convenção sobre registro internacional junto à secretaria da ONU de objetos lançados
no espaço exterior (1975) e Convenção sobre as atividades dos Estados na Lua e em outros
corpos celestes o chamado Tratado da Lua: nesses textos fica claro que a Lua só deve ser
utilizada para fins pacíficos. Contudo, tanto na órbita da Terra quando na de seu satélite os
tratados só proíbem a colocação de engenhos dotados de armamento nuclear e de destruição
em massa. Não ficam proibidas outras formas de utilização militar das órbitas, que podem ser
simples engenhos de reconhecimento até armas não alcançadas pela proibição expressa.


PART E I V - CONF LI T OS I NT ERNACI ONAIS pag. 349 - 382

230. Noção de conflito internacional: 'desacordo sobre certo ponto de direito ou de Iato¨.
toda 'contradicão ou oposicão de teses iuridicas ou de interesses entre dois Estados¨
(definição estabelecida pela Corte da Haia). Ou seja, conflitos internacionais não são
necessariamente guerras. O conflito pode ser entre dois Estados, entre grupos de Estados ou
até entre Estados e organizações internacionais.
231. Proposição da matéria: Não há escalonamento hierárquico entre os meios pacíficos
para a solução de conflitos, exceto o inquérito 'que visa apenas apurar a materialidade dos
fatos e propende, assim, a anteceder uma outra via de solucão¨. Os meios diplomaticos.
jurídicos e políticos são alternativos entre si, cabendo a preferência das partes a escolha de
acordo com a natureza do conflito. Caso o meio escolhido mostre-se ineficaz, podem os
países tomar outra via sem que haja maiores problemas.

CAPÍTULO I SOLUÇÃO PACÍFICA
232. Evolução dos meios: Nos primeiros anos do sec. XX, só se falava em meios
diplomáticos e arbitragem. A arbitragem hoje concorre com as corte permanentes (nas vias
judiciais). Tanto o juiz quanto o árbitro tem a tarefa de aplicar a norma jurídica ao caso
concreto; e, quando for incompleta, insatisfatória ou inexistência, deverão suprir a falha
mediante métodos integrativos de raciocínio jurídico (analogia e equidade).
Hoje, além dos meios diplomáticos, foram desenvolvidos os meios políticos, através dos quais
as organizações internacionais compõem as partes e resolvem os conflitos. Estes são similares
aos meios diplomáticos no que tange à plasticidade de sua operação e de seus resultados.
Ambos se diferem do judicial uma vez que não se comprometerem ao direito. O mediador, a
junta de conciliação e o Conselho de Segurança da ONU podem resolver o conflito sem a
aplicação da norma jurídica.

SEÇÃO I MEIOS DIPLOMÁTICOS
233. Entendimento di reto em sua for ma simples: os contendores resolvem-se através de
negociações, sem intervenções de terceiros (a qlq título). Esse entendimento faz-se em caráter
avulso ou no quadro de comunicação diplomática entre os dois Estados, e pode ser oral ou
com troca de notas entre a chancelaria e a embaixada. Para que o entendimento seja eficaz,
deve haver equilíbrio entre os Estados.
234. Bons ofícios: é o apoio instrumental dado por terceiro que é pessoa de direito
internacional (um Estado ou organização) para facilitar o entendimento direto entre os
contendores. É instrumental uma vez que o terceiro não oferece solução para o conflito,
apenas oferece um campo neutro para negociação, sem ao menos conhecer as razões de cada
parte. É geralmente um serviço oferecido pelo terceiro e poderá ser recusado.
235. Sistema de consultas: é o entendimento direto programado; há a previsão (normalmente
em tratados) de encontros periódicos nos quais os Estados farão uma exposição de suas
reclamações mútuas, acumuladas durante o período, e buscarão solucionar suas pendências,
com base no diálogo direto e programado. Não há qlq intervenção de terceiros.
236. Mediação: terceiro toma conhecimento do desacordo e das razões de cada um dos
contendores para propor-lhes uma solução. O parecer/a proposta do mediador não obriga às
partes (o que o difere de um árbitro ou juiz). Dessa forma, só terá eficácia se os contendores
acharem a proposta satisfatória e decidirem agir em sua conformidade. A mediação pode ser
exercida por um Estado, uma organização internacional, um estadista (pessoa no exercício de
elevada função pública) que representa pessoa jurídica internacional, ou até por vários
Estados simultaneamente. O mediador deve ter confiança das partes, não havendo, portanto,
revelia. Ela pode ser oferecida ou solicitada, e em ambos os casos pode ser recusada (pelas
partes ou pelo mediador).
237. Conciliação: é uma variante da mediação, com maior aparato formal. Ela está prevista
em diversos tratados, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (1982).
Há uma comissão de conciliação, para a qual cada parte deve indicar dois conciliadores de
sua confiança, sendo um da nacionalidade do Estado; e estes quatro conciliadores (dois de
cada Estado) escolheram um quinto que terá a presidência da comissão. As decisões são
formadas pela maioria e estabelecidas no relatório em que a comissão propõe uma solução
para o conflito. Como na mediação, a solução não tem força obrigatória para as partes.
238. I nquérito: é um procedimento preliminar de instância diplomática, política ou
jurisdicional. É um meio diplomático para estabelecer a materialidade dos fatos. É conduzido
por comissões semelhante às de conciliação (com representantes das partes e investigadores
neutros). O inquérito não tem objetivo de propor solução, apenas apurar os fatos ainda
ilíquidos, para que se ingresse adequadamente em uma via de solução de conflito. É
necessária em situações onde é necessário o esclarecimento de fato, não em casos nos quais
há dúvida sobre interpretação de determinada norma convencional.

SEÇÃO II MEIOS POLÍTICOS
239. Órgãos políticos das Nações Unidas: devem ser usados para conflitos de certa
gravidade, que são ameaça ao clima de paz. Pode haver revelia de uma parte, se a iniciativa
de ir à Assembléia ou ao Conselho for apenas de uma parte, ou pode haver revelia de ambas
as partes se o secretário-geral ou um terceiro Estado levar o conflito à mesa de debates. Os
dois órgãos mencionados são de acesso dos litigantes ou de terceiro para dar soluções em
geral provisórias e eventualmente definitivas. O Conselho de Segurança tem preferência uma
vez que está permanentemente acessível, enquanto a Assembléia se reúne em certos períodos
do ano. Ambos os órgãos tem competência para investigar, e discutir conflitos, assim como
expedir recomendações. Em casos de ameaça à paz só o Conselho tem poder de agir
preventiva e corretivamente, podendo usar de força militar que está à disposição dos membros
das Nações Unidas, devendo haver o consenso de seus cinco membros para tanto. No entanto,
a intervencão da ONU podera ser Irustrada 'em assuntos que dependam essencialmente da
iurisdicão interna de qualquer Estado¨. em razão do art. 2. §7. de sua carta. Cumpre lembrar
que caso o Estado 'desobedeca¨ recomendacão da ONU. não sera um ato ilicito. uma vez que
é um meio político que, como os diplomáticos, não têm obrigatoriedade para as partes
conflitantes.
240. Esquemas regionais e especializados: as organizações de alcance regional e vocação
política, como a Liga dos Estados Árabes de 1945 e a Organização dos Estados Americanos
de 1951, têm mecanismos análogos aos da ONU para solução de litígios entre seus
integrantes. Ambas as organizações citadas tem conselhos permanentes, formados por
representantes de todos os seus membros, nos quais busca-se a solução de conflitos antes do
buscar socorro na ONU. Na OEA as recomendações e propostas não são obrigatórias; e na
LEA só serão obrigatórias se o conflito for apresentado por ambos os Estados, sendo que a
matéria não deve afetar sua independência, soberania ou integridade nacional. Nesse caso, os
contendores não terão direito a voto.
Certas organizações especializadas dispõem mecanismos chamados de ratione materiae. Por
exemplo, a OACI (Organização de Aviação Civil Internacional) pode examinar e propor
soluções para conflitos no domínio de interpretação e aplicação da sua própria carta e de
compromissos bilaterais concernentes à aviação civil internacional.

SEÇÃO III MEIOS JURISDICIONAIS
241. Conceito: 'Jurisdicão e o Ioro especializado e independente que examina litigios a luz
do direito e profere decisoes obrigatórias.¨ Diz-se que a arbitragem é um mecanismo
jurisdicional não judiciário, uma vez que o foro arbitral nao tem permanência e não tem
profissionalidade (o juiz arbitral é escolhido ad hocI pelas partes com o fim de decidir a
material sobre a qual versa o litigio). Na via judiciária, o juiz é um profissional/especialista,
'e independente. decide a base do direito aplicavel e suas decisoes tem Iorca compulsoria.
Cumpre lembrar que tanto o juiz quanto o árbitro emitem decisoes obrigatórias para as partes.

Subseção 1 A arbitragem
242. Jurisdição ad hoc: Como já dito, a arbitragem é um mecanismo jurisdicional não
judiciário para resolver conflitos internacionais. Nesse mecanismo, caberá às partes a escolha
do árbitro, a delimitação do direito aplicável e a descrição da matéria conflituosa. O foro
arbitral não é permanente: uma vez proferida a sentença, termina o trabalho do árbitro em
relação ao conflito. Ademais, o descumprimento de uma sentença arbitral constitui um ilícito
internacional.
243. Árbit ros e t ribunais arbit rais: Muitas vezes, os árbitro escolhidos são monarcas ou
chefes de Estado. No entanto, quando esse é o caso, sabe-se a redação da sentença e o estudo
do caso ficaram a cargo de anônimos conselheiros jurídicos (que nem sempre são os mais
qualificados). Ainda, nesses casos há um risco de que motivação da sentença seja sumária ou
nebulosa, podendo o estadista ter receio de proferir decisão que no futuro possa voltar contra
seu interesse próprio. Cumpre lembra que a confiança para a decisão arbitral pode ser
conferida a mais de uma pessoa, ou seja, um colégio de pessoas, podendo ser, por exemplo, 3
neutras e 2 cada uma representando um Estado. Ademais, os árbitros podem ser
representantes dos Estados sem que sejam estadistas. Ainda, o árbitro pode ser escolhido no
quadro da Corte Permanente de Arbitragem, sendo alguém merecedor da confiança dos
Estados, desvinculado da administração e independente da indicação ad hoc de qualquer
Estado.
244. A Corte Permanente de Arbit ragem: É uma lista permanente de pessoas (hoje pouco
mais de 200) qualificadas para funcionar como árbitros, que devem ser escolhidas pelos
Esatdos litigantes. Os nomes são indicados pelos governos que patrocinam a entidade,
podendo cada um indicar no máximo quatro pessoas. É comum, embora equívico/impróprio,
chamar de 'sentenca da Corte Permanente de Arbitragem¨ sentencas proIeridas por pessoas
escolhidas dentro do rol da Corte.
245. Base j urídica da arbitragem: Ao optar pela arbitragem, os Esatdos devem celebrar um
compromisso arbitral, tratado bilateral no qual os contendores descrevem o litígio,
mencionam as regras do direito aplicável, designam o árbitro ou tribunal arbitral, definem
prazos e regras de procedimento (eventualmente), e comprometem-se a cumprir fielmente a
sentença arbitral. Para que seja válido, o árbitro deverá ser préviamente consultado:para que o
tartado bilateral crie encargo para terceiro (o árbitro) deve haver seu consentimento. O
compromisso pode ser feito previamente com tratado geral de arbitragem ou com cláusula
arbitral em tratados de outra natureza. O tratado geral é uma tratado no qual dois ou mais
Estados escolhem essa via para a solução de conflitos futuros, podendo haver em seu
conteúdo restrições quanto à matéria dos litígios ou o limite de tempo no qual o tratado
deverá ser renovado ou revisto. Uma cláusula arbitral em determinado tratado celebrado pelos
Estados estabelece que os conflitos resultantes da aplicação daquele pacto ou sobre a matéria
que o tratado contem deverão ser resolvidos por via da arbitragem. Mesmo com esse
instrumento, não fica dispensado o compromisso arbitral, uma vez que apenas diante do caso
concreto pode-se escolher o árbitro. Ademais, inpendente de tratado ou cláusula de
arbitragem, os Esatdos devem afirmar que cumpriram de boa-fé a sentença proferida por um
árbitro.
246. Natureza ir recor rível da sentença arbitral: A sentença arbitral é irrecorrível, ou seja,
dela não cabe recurso. Ademais, uma vez proferida a sentença, ternima a relação do árbitro
com a lide e cabe às partes a fiel excução da sentença. Nâo obstante, poderão as parte fazer
'pedido de interpretacão¨. ou seia. poderão se dirigir novamente ao arbitro pedindo que este
esclarece osburidade, omissão, ambiguidade ou contradição da sentença (correnponde aos
embargos declaratórios do direito brasileiro). Poderá uma parte, ainda acusar de nulidade a
sentença, imputando ao árbitro falta grave ou corrupção, ou abuso ou desvio de poder, assim
se eximindo do cumprimento da sentença. Nesse casos, tem se notado que as alegações são de
que o árbitro se desviou do encargo que lhe fora conferido no compromisso arbitral,
decidindo sobre mais ou sobre algo diverso, ou aplicando normas jurídicas que evidente
impertinência.
247. Obrigatoriedade da sentença arbit ral: Como já mencionado, a sentença arbitral não é
simples recomendação; é uma decisão de indole jurisdicional, obrigatória. Seu não
cumprimento é um ato ilícito. O fundamento dessa obrigatoriedade esta no fato de que os
Estados assumiram o compromisso, ou seja, prometeram executar a sentença. Sendo assim, o
tratado que serviu de base jurídica para a arbitragem é o que confere a obrigatoriedade da
sentença, respeitando assim o princípio pacta sunt servanda.
248. Carência de executoriedade: Embora definitiva e obrigátoria, a sentença arbitral nao é
executória, ou seja, seu fiel cumpriemento depedne da boa-fe das partes, principalemente do
que sucumbe por força da decisão. Cumpre lembrar que a única prerrogativa jurisdicional do
Estado é eventual pedido de interpretação. Porém, o árbitro não tem nenhuma milícia que
garante o cumprimento pela força, caso o Esatdo decida ilicitamente desobedecer.

Subseção 2 Solução judiciária
249. Uma opção soberana: Diferente da arbitragem, nas soluções judiciárias existem
jurisdições permanentes, profissionalizadas, tradicionais e sólidas ao extremo. No entanto,
elas nao exercem a mesma autoridade inata dos juízes e tribunais no âmbito interno de cada
país, sobre pessoas e territórios. Internamente, os Estados exercem sua soberania com a
imposiçao de ações aos indivíduos, empresas e entidade públicas. Contudo, a jurisdição
internacional só é exercida, equacionando conflitos entre soberanias, quando estas
previamente deliberam submeter-se à autoridade das cortes.
250. Uma história recente: A jurisdição judiciária é recente em nossa história, diferente da
arbitral que tem dois milênios de existência. A primeir Corte internacional foi a Corte de
Justiça Centro-Americana, firmada por tratado, em 1907, entre Costa Rica, El Salvador,
Honduras, Guatemale e Nicarágua, que durou 10 anos. Hoje, p mais importante e o mais
antigo tribunal internacional é a Corte de Haia, criada em 1920. De resto, as cortes regionais
ou especializadas só surgiram após a segunda guerra mundial.
251. A corte da Haia: duas fases: A corte instalada na cidade de Haia, em sua primeira fase,
se chamou Corte Permanente de Justiça Internacional, e foi a primeira corte com vocação
universal, aceitando demandas de quaisquer Estados. Ela possui 15 juízes, sendo 11 efetivos e
4 suplentes. Ela foi programada pelo Pacto da Sociedade das Nações (SDN) e seus juízes são
eleitos pelo Conselho a pela Assembléia Geral dessa Sociedade, mas não era um órgão da
estrutura da SDN, deixando dúvidas sobre sua natureza jurídica. Contudo, com a segunda
guerra mundial, a CPJI (e a SDN) foi extinta em 1939.
252. 1945: a ressur reição da Corte: Com o fim da guerra, a Corte ressurgiu com diferente
nome: Corte Internacional de Justiça (CIJ). Como consta na carta da ONU, é um dos órgãos
da organização. O Estatuto da Corte manteve-se o mesmo de 1920, inclusive no número de
artigos, com mudanças de adaptação às novas circunstâncias.
253. Juízes da Corte da Haia: São 15 juízes efetivos, sem suplentes, elegidos em voto
separado pela Assembléia Geral e o Conselho de Segurança da ONU e com mandato de 9
anos, permidita a reelaição, com renovação de um terço a cada 3 anos. Podem ser eleitos
juristas o habilitados a ocupar nos respectivos países as mais altas funções judiciárias ou
consultivas, não podendo investir na Corte dois juízes de mesma nacionalidade. O conjunto
dos juízes deve representar os diversos sistemas contemporâneos do pensamento jurídico, ou
seja, devem haver representantes tanto da common law quanto da escola romano-germânica.
Para que seja excluído uma juiz da Corte antes do final do mandato é necessária decisão
unânime dos demais juízes, o que nunca ocorreu. O presidente e o vice são eleitos para
mandatos de 3 anos, podendo ser reeleitos. E por fim, os salários equivalem-se àqueles (em
média) dados aos juízes do mais alto nível nos países industrializados, e as despezas são à
conta do orçamento das Nações Unidas.
254. Competência contenciosa: A Corte exerce sua competência contenciosa julgando
litígios entre Estados soberanos e neles aplicando o direito internacional. Ela não é acessível
às organizações internacionais nem aos particulares. Vale lembrar que os Estados litigantes
devem aceitar a jurisdição da corte para que esta possa cumprir sua função. Dessa forma:
a) O Estado autor de uma demanda demonstra sua submissão à Corte ao ajuizar o pedido
inicial; e o Esatdo demando, uma vez citado, demonstrará sua aceitação ao contestar o mérito,
se abstendo de rejetirar o foro.
b) Assim como na arbitragem, os estados podem estabelecer em tratado bilateral a submissão
de certo litígio à Corte. Dessarte, poderá não haver distinção entre autor e demandado, uma
vez que os Estados se dirigem a Corte em conjunto. De outro modo, poderão estabelecer que
o primeiro a deduzir suas razões deverá ajuizar demanda contra o outro, que poderá contestar
e reconvir.
c) O Esatdo réu não poderá recusar a jurisdição da Corte quando for obrigado a aceitá-la por
tratado, ou por cláusula facultativa de jurisdição obrigatória (similar à cláusula de
arbitragem).
255. Cláusula facultativa de j urisdição obrigatória: A clásula é de aceite facultativo,
podendo o Esatdo ser membro da ONU e parte no Estatuto e não firmá-la. Essa cláusula
possui reciprocidade, ficando comprometidos os Estados demandados e os autores de ações.
Hoje, 66 Estados são comprometidos pela cláusula, sendo excluídos a Rússia, os EUA, a
China, a França e o Brasil. Todos os mencionado (menos a Rússia) já foram vinculados a
cláusulas e preferiram não permanecer. Essa é uma faculdade do Estatuto da Corte: o ingresso
da cláusula pode ter prazo determinado, devendo ser renovado com seu término. Outros
países foram além, estabelecendo limites ratione materiae.
256. Linhas gerais do procedimento: As línguas de trabalho na Corte são francês e inglês, e
o processo não difere substancialmente do curso de processos cíveis num foro interno do
gênero do nosso, sendo admitidas as provas usuais, razões escritas e sustentações orais. As
decisões são tomadas por voto majoritário, e qualquer voto (vencido ou não) pode se juntado
ao acórdão. As comunicações (p. ex. citação) ficam a cargo do cartório da sede da Corte, em
Haia.
257. Natureza do acórdão : O acórdão da Corte e definitivo e obrigatório, não excluindo a
possibilidade de embargos declaratorios ou 'pedido de interpretacão¨ como na sentenca
arbitral. Vale lembrar o princípio pacta sunt servanda, tendo a Corte jurisdição apenas sobre
os Estado que a ela se submeterem. Diferente da sentença arbitral, o acórdão pode ser
executório em circunstâncias excepcionais. Desse modo, sabe-se que o descumpriemento da
sentença por parte do Estado é um ato ilícito, mas a outra parte denunciar o descumprimento
ao Conselho de Segurança e este poderá julgar necessário (de forma a preservar a paz e as
seguranças coletivas) tomar medidas próprias para fazer cumprir o acórdão.
A obrigatoriedade é foco de dúvidas no caso de medidas cautelares, em razao de
ambigüidade na linguagem do Esattuto anexo à Carta das Nações Unidas. No entanto, nos
anos recentes, a ONU tem afirmado a obrigatoriedade destes, uma vez só assim cumprem sua
função. Não é próprio de uma instituição judiciária fazer sugestões cujo acolhimento depende
da vontade do demandado. Sem ser obrigatoria. a medida perde seu obeitivo basico: 'evitar
que a decisão de merito. quando Iavoravel ao impetrante. seia aIinal perIeitamente inutil¨.
258. Competência consultiva: Além de emitir acórdãos no exercício de sua competência
contenciosa, a Corte emite pareceres consultivos a pedido da Assembléia Geral ou do
Conselho de Segurança da ONU, ou ainde de outros ógãos ou entidades especializadas que a
Assembléia tenha autorizado a requerer tais pareceres (FMI, Banco Mundial, OMS, OACI,
OIT, entre outros).
259. Cortes regionais e especializadas: Não há no plano internacional uma hierarquia
judiciária entre as diferentes cortes, sendo todas avulsas e independentes. Existem os tribunais
administrativas, como o da ONU, nos quais normalmente de um lado se encontra a própria
organização e do outro alguém que lhe tenha prestado serviço; discutindo-se, dessa forma, a
função pública internacional. Vale mencionar a Corte Européia e a Corte Interamericana,
especializadas em direitos humanos; além da Corte de Justiça da União Européia
especializada no direito comunitário (correta interpretaçao e aplicação do acervo normativo
que rege a comunidade européia), que é aberta aos Estados membros da comunidade e aos
particulares, individuos ou empresas nacionais daqueles Estados. Existem ainda muitas outras
cortes, como o Tribunal Internacional de Direito do Mar, aberto aos Estados-partes , a
autoridade e empresa internacionais que a Convençao que criou o tribunal instituiui, e as
empresas privadas que tenham vínculo contratual com uma ou outra.

Acordo concluído é aquele que, não só está efetivamente acabado, com o término das negociações, mas também compreende a confirmação do compromisso e a sua entrada e m

vigor. Antes disso, somente se trata de projeto concluído.
10. A tores. As partes, em todos os tratados, são necessariamente pessoas jurídicas de

direito internacional público, ou seja, Estados Soberanos (e equiparados, como a Santa Sé) e

organizações internacionais. Empresas privadas carecem de capacidade para celebrar
tratados. 11. E feitos Jurídicos. O tratado internacional deve ser visto na dupla qualidade: é ato

jurídico que produz a norma, desencadeando efeitos de direito, gerando obrigações e
prerrogativas. Diferencia-se o do tratado pela qualidade dos atores: não é um

compromisso entre Estados, mas sim um pacto pessoal entre os estadistas, fundamentado sobre a honra e condicionado à permanência de seus atores no poder. Não é, portanto, tratado, pois carece de atores capazes (pessoas jurídicas de direito internacional). Tende a não produzir efeitos jurídicos, apenas a firmar compromissos morais. Exemplo: Carta do Atlântico, firmada pelo presidente americano Roosevelt e pelo primeiro-ministro britânico Churchill. Variantes: expedição de declarações ou comunicados comuns quando dois chefes de Estado ou de governo se encontram. 12. Regência do direito internacional. Segundo os redatores da Convenção de Viena, o tratado é um compromisso celebrado por escrito entre Estados e regido pelo direito

internacional. Se um compromisso entre Estados não for regido pelo direito internacional,
carece da qualidade de tratado. Na realidade, porém, nenhum acordo entre Estados escapa à regência do direito internacional. 13. Base instrumental. O tratado pode instrumentalizar-se em duas ou mais peças documentais distintas. Isso é óbvio quando o tratado se faz acompanhar de anexos. Mas pode se desdobrar em textos via de regra, dois textos produzidos em momentos diversos, cada um deles firmado em nome de uma das partes apenas.

a) Troca de notas: um meio de comunicação. A conversação diplomática faz-se
rotineiramente por notas escritas, assinadas ou com o selo ou carimbo do país. Estas não são, necessariamente, as trocas de notas no direito convencional. As trocas de notas somente ocorrem quando é possível determinar a presença do ani mus contrahendi (partes

entraram em acordo destinado a produzir efeitos jurídicos, criando o vínculo

convencional ). b) Troca de notas: um método negocial. A troca de notas é a que possui ânimo
convencional, intenção de celebrar acordo autêntico. Não é variante terminológica de tratado internacional. É método negocial, via de conclusão de tratados bilaterais. Seção I I C lassificação dos T ratados 14. Proposição da matéria. formal e três de índole material. 15. Número de partes. Diz-se bilateral o tratado se somente duas as partes, e multilateral ou coletivo em todos os outros casos. 16. Procedimento. Análise do procedimento adotado para a conclusão do tratado. Os tratados serão classificados por dois critérios de índole

Deve haver duas fases de consentimento das partes: (i) a da assinatura, como consentimento prenunciativo; e (ii) a da ratificação, como consentimento definitivo. Se o quadro procedimental for unifásico, o consentimento definitivo se exprime já na assinatura. Cria-se, assim, as condições para a vigência do contrato. Os tratados de procedimento breve, que prescindem de ratificação, têm servido à conclusão de tratados bilaterais e de importância limitada. Este procedimento convive melhor com o sistema de troca de notas, mas ao mesmo tempo não costuma oferecer lugar na participação ao chefe de Estado, pois o ministro das relações exteriores é quem fala e assina pelo Executivo. Cuidando dos tratados de procedimento breve, os quais são vigentes desde a assinatura, sem necessidade de ratificação, chega-se também no acordo executivo. O acordo executivo é expressão criada nos EUA para designar o tratado que se conclui pelo chefe do poder Executivo, independente de parecer ou consentimento do Senado. 17. Natureza das normas. Distinção: tratados contratuais são aqueles pelos quais as

partes realizam uma operação jurídica (comércio, aliança, cessão territorial); tratados

normativos, por sua vez, são aqueles por cujo meio as partes editam uma regra de direito

objetivamente válida. Nota: um mesmo tratado pode abrigar elementos normativos e
elementos contratuais. 18. E xecução no tempo. Tratado que cria situação estática, objetiva, definitiva é

instantâneo, declaratório, dispositivo. Instituem quadro jurídico que se pretende eterno. Opera para fundamentar, a todo tempo, a legitimidade da situação que nele encontra origem. Ex: tratado de fronteiras; tratados de transferência de bens. Tratados que criam situação dinâmica podem vincular as partes por prazo certo ou indefinido. São contínuos, extensos no tempo. Ex: tratados de aliança, de comércio, de extradição, de cooperação científica, etc. 19. E xecução no espaço. Questão do alcance espacial do tratado. Em regra, aplica-se

somente ao território sujeito à soberania pactuante. Mas quando há, p. ex., tratado de comércio entre a Inglaterra e o Uruguai, por mais que se presuma que tenha validade em todo o território do Estado pactuante, a natureza do compromisso não o deixa viger somente no dito território (somente na Inglaterra, p. ex.). Segundo a Convenção de Viena, o tratado obriga cada uma das partes em relação a todo o seu território. Seção I I I Produção do T exto Convencional 20. Competência negocial. Cuida-se de determinar quem age em nome das pessoas

jurídicas capazes de celebrar contratos.

a) Chefes de Estado e de governo. No regime presidencialista se confundem. No
parlamentarista, chefe de Estado é pessoa diversa do chefe de governo, o qual é o primeiro-ministro, regente do gabinete. Qualquer um deles, chefe de Estado e chefe de governo, têm estatuto de representatividade originária , simplesmente por serem quem são. Prescindem da apresentação da carta de plenos poderes (obviamente).

b) Plenipotenciários. Possuem qualidade representativa o ministro de Estado responsável pelas relações exteriores (capacidade de representação ampla) e o chefe de missão diplomática (capacidade de representação limitada: apenas para negociações de tratados
bilaterais). Sua representatividade é derivada. Prescindem, também, da apresentação da carta de plenos poderes.

Demais plenipotenciários (diplomatas, outros ministros de Estado ou servidores públicos) apresentam também qualidade representativa, desde que apresentem a carta de plenos

poderes, que deve ser expedida pelo chefe de Estado, independentemente de se tratar de
regime presidencialista ou parlamentarista.

c) Delegações nacionais. Pluralizar a representação do Estado é oneroso, portanto é
preferível fazê-lo na fase negocial. O chefe hierárquico da delegação detém a carta de plenos poderes, e os demais integrantes têm por incumbência dar-lhe o suporte que requeira. 21. Negociação bilateral: roteiro e circunstâncias. Em regra, desenvolve-se no território

de uma das partes contratantes. A falta de relacionamento diplomático permanente entre dois Estados não impede que o preparo de um tratado bilateral se faca no território de um deles. Alguns fatores, porém, apontam como preferível que se negocie em território de terceiro: (a) clima de animosidade ou desconfiança entre as partes; e (b) vantagem operacional e econômica representada pelo cenário neutro, onde se encontrem representações diplomáticas permanentes dos dois pactuantes. Se as partes falam o mesmo idioma, nele se desenvolve a negociação e se lavra o texto do tratado. Se as partes não falam o mesmo idioma, a negociação deve acontecer no idioma que ofereça maior comodidade. Deve resultar em um texto convencional: (a) lavrado numa única versão autêntica; (b) lavrado em duas versões autênticas e de igual valor (preferido); (c) lavrado em mais que duas versões autênticas de igual valor; ou (d) lavrado em duas ou mais versões autênticas, mas com privilégio assegurado a uma única versão para efeito de interpretação. Nota: entende-se como versões os instrumentos lavrados em línguas diferentes. O texto deve resultar do consenso entre as partes, co-responsáveis por sua formulação. A

assinatura do texto convencional é ato idôneo para sua autenticação, assim como o é a
assinatura ad referendum ou a rubrica decorrências usuais do fato de não se encontrar o negociador munido de poderes para assinatura normal. Este consentimento, representado pela assinatura do texto, alcança somente a redação do texto, sendo prenunciativo da expressão de vontade de assumir compromisso. 22. Negociação coletiva: roteiro e circunstâncias. Reclama a convocação de uma

convenção diplomática internacional, votada à feitura de um ou mais tratados, exclusivamente, ou de discussão mais ampla, mas que abranja uma produção convencional.

valioso apoio à interpretação do tratado. Eventualmente. Neste caso. Contudo. . Normalmente inserido para não contaminar a linguagem jurídica do dispositivo com outro tipo de linguagem (numérica. cláusulas. algumas vezes. o consenso. quando os minoritários forem opostos por uma grande maioria (dois terços é a maioria consagrada pela Convenção de Viena). A dilação de entrada em vigor não pode obscurecer a certeza do compromisso internacional já firmado.Se a iniciativa for de uma organização internacional. Caso contrario. O preâmbulo enuncia o rol das partes pactuantes. Estrutura do tratado. ordenadas e numeradas como artigos ou. Podem ser uma lista de produtos químicos.). e diz dos motivos. A não assinatura por parte de um Estado que integrou os trabalhos negociais é um gesto sem significado jurídico. etc. Apresentam. O dispositivo lavra-se em linguagem jurídica. ex. com construções que têm feitio de normas. busca-se. a não ser que diversamente disposto em cláusula (vacatio legis). preferencialmente. a convenção pode ser feita em seu interior. 23. p. há de se aceitar o fenômeno da sucumbência. porém. Fixa e autentica o texto compromissivo e exterioriza o consentimento das partes. deve-se eleger os idiomas de trabalho negocial e os idiomas em que pretendem lavrar as versões autênticas do texto acabado. da ratificação de cada Estado pactuante para obrigá-lo. mas no plano político mostra a insatisfação com o texto acabado e a provável não ratificação. O ideal do assentimento unânime é de mais árdua conquista. circunstâncias e pressupostos do ato convencional. Sempre tem um preâmbulo. não se fala em perspectiva de ratificação. de espécies de fauna ou flora. impõe-se o entendimento oportuno com o Estado que ofereça seu território. As considerações não integram a parte compromissiva do contrato. Assinatura. atingido por mútua transigência. Seção I V E xpressão do Consentimento 24. normalmente. Se houver presença da pluralidade idiomática. Tratando-se aqui da firma que põe termo a uma negociação. o tratado tem condição de vigência imediata. o texto é complementado por anexos. Os tratados multilaterais necessitam. Os anexos também fazem parte do teor compromissivo do tratado. de entorpecentes. de cereais. seguido da parte dispositiva.

portanto. que possam mais tarde confirmar pela ratificação. ato internacional e ato de governo. antes. mas sim a troca de notas. signatária de um tratado. Intercâmbio instrumental. O poder Executivo é quem ratifica os tratados.25. c) o próprio documento. exprime definitivamente. os Parlamentos nacionais não ratificam tratados pois não têm voz no exterior e também. O ato expressivo do consentimento não é a assinatura de uma ou outra nota. sua vontade de obrigarD I R E I T O I N T E R N A C I O N A L PÚ B L I C O R ESU M O 2ª. ou seja. por assinatura ou ato equivalente. a troca ou depósito formal dos instrumentos de ratificação. coisas distintas: O term a) o ato do órgão estatal próprio (soberano. conseqüência da falta de contato com os Estados estrangeiros. É. pois nada lhes terão prenunciado. 26. selado ou de outro modo autenticado. a ratificação se justificava pelo fato de ser uma garantia do soberano o controle da ação de seus plenipontenciários (confirmação pelo soberano de um ato de seu funcionário) . Ratificação . PA R T E características: 27. Ratificação: entendimento. d) a aprovação do tratado pela legislação ou por outro órgão estatal cujo consentimento possa ser necessário (ratificação no sentido popular deve ser evitado). o consentimento depende de manifestação ulterior das partes. presidente) que exprime a vontade do Estado de se obrigar por um tratado. a sua transmissão à parte co-pactuante.no passado. no plano internacional. Na troca de notas. em que o Estado exprime sua vontade de se obrigar pelo tratado. b) o procedimento internacional pelo qual o tratado entra em vigor.

28.Prevalece. . há 3 motivos importantes para a prática da ratificação: importância da matéria necessita do pronunciamento pessoal do chefe de Estado. há. c) Irretratabilidade: . ao P. Essa mesma regra responde pela irretratabilidade das ratificações. . . aqui. Ratificação expressa teor do pacto) não é hábil para caracterizar tamanho ato jurídico.o intervalo de tempo entre a assinatura do tratado e sua ratificação era necessário para se poder refletir sobre a qualidade do trabalho realizado no exterior. L egislativo na formação da vontade do Estado.Tratados coletivo dispensam ratificação perante cada um dos pactuantes.A ratificação se dá por completo com a comunicação formal à outra parte. isso vale antes mesmo que a regra pacta sunt servanda comece a operar plenamente.hoje. ou ao depositário. pois senão a ratificação não faria sentido. ou via telegráfica. . o depósito for mas: stado em relação ao fiel aos costumes estabeleceu que chefes de governo e ministros do exterior também são competentes para conclusão de tratados.Essa comunicação prescinde de documento escrito.A ratificação é ato unilateral e discricionário e ir retratável. nas diversas ordens jurídicas. da vontade definitiva de entrar no domínio jurídico do tratado. a) Competência: . podendo ser oralmente. . .Duas espécies de lapso temporal: (1) período em que uma parte que já ratificou aguarda a ratificação de outra parte. ela deve ser . previsto no próprio texto.Por ser a ratificação o meio de expressão definitiva do consentimento. consumado o pacto.a Convenção de Viena b) Discricionariedade: . previne abuso de poder do plenipotenciário. Executivo. há a espera para acomodação. ela tem sido atribuída. 29. .cabe à ordem constitucional interna de cada Estado determinar a competência de seus compromissos internacionais. assim. não existe um prazo máximo para que se faça a ratificação.. permite a participação do P. o princípio da discricionariedade da ratificação: não comete qualquer ilícito internacional o Estado que se abstém de ratificar. Ratificação o depositário: .A assinatura por si só não tem a pretensão de vincular o Estado (nem mesmo o governo do Estado). Além disso. (2) período em que.

.No direito das gentes. O consentimento convencional se materializa num ato de governo. Legislativo. . como o secretário-geral da ONU. sempre ad referendum o sistema brasileiro: -Os que defendem a prática de acordos executivos invocam a necessidade de decisões simples diante da velocidade com que passam as coisas na política internacional e repudiam a lentidão das decisões parlamentares. . encargo de índole secretarial.Não pode o presidente da República manifestar consentimento definitivo. Pressupostos constitucionais do consentimento generalidades: . mas sobre seu funcionário mais graduado. . 31. é da competência privativa do presidente da República manter relações com Estados estrangeiros (tradição brasileira) .Apesar de tudo. caracterizando-se como complementação. (2) acordos que decorrem de outro. em relação ao tratado.Modernamente.Depositário. Acordos executivos possíveis no B rasil: . a seu critério. o acordo executivo carente de aprovação individualizada do Congresso é uma prática aceitável desde que busque encontrar na Constituição sua sustentação.O acordo executivo como expressão de diplomacia ordinária. A demora eventual do Legislativo é companheira da indiferença do Executivo em relação ao andamento do processo 33. os governantes habilitados devem proceder na conformidade da respectiva ordem interna. Pressupostos constitucionais do consentimento tratados. A assunção de um compromisso externo é assentada sobre a vontade conjugada de dois poderes políticos. Pressuposto: a consulta ao P.Esse discurso é falso. Procedimento parlamentar : . sem o abono do Congresso Nacional. por exemplo.Incumbe ao governo estabelecer e romper. . no pós guerra recaiu sobre a figura da ONU. relações diplomáticas. 34. 30.3 categorias: (1) acordos que consignam a interpretação de cláusulas de um tratado já vigente. (3) acordos que estabelecem bases para negociações futuras.. recai não sobre uma organização. pois o governo pode demorar mais dos que os parlamentares quando de uma decisão.

é o erro de fato. . quando realiza um consentimento a que não está constitucionalmente habilitado. como as convenções internacionais do trabalho. a reserva é possível. corrupção e coação sobre o negociador: . por sua natureza.Convenção de V tratado cuja conclusão foi obtida pela ameaça ou o emprego da força em violação dos . V ícios de consentimento: a) Consentimento expresso com agravo ao direito público interno: . . É necessária a aprovação em ambas as casas.Alguns tratados multilaterais. dolo..Ilícito praticado pelo P. este ficou preso até que assinasse um tratado) c) Coação sobre o Estado: .A matéria é discutida e votada. b) Erro. 35. visando a excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em relação a esse Estado. no plano do direito internacional. aqui. (Papa Pascoal II e Henrique V do Sacro Império. depois no Senado. .O erro. o inteiro teor do projeto. desde que compatível com o objeto e a finalidade do tratado. .A reserva é a maneira de tornar possível que o Estado possa entrar no domínio jurídico do tratado. por mensagem. quando a vítima se encontrava em posição hierárquica inferior. Executivo.Quanto à coação sobre o negociador. bem como a exposição de motivos feita pelo ministro das Relações Exteriores. Reservas: . primeiro na Câmara. geralmente incidem sobre questões cartográficas em tratados de limite.Convenção de Viena.O presidente remete ao Congresso. não obstante não aceite parte de seu teor.A reserva é um qualificativo do consentimento. 36. . Segundo a Convenção de Viena. .Decisão de aprovação: decreto legislativo. publicado pelo presidente do Senado no DOU. A votação em plenário requer o quorum comum de presença maioria absoluta. é a declaração unilateral do Estado que consente. também não admitem reservas. . o passado oferece exemplos.Nem mesmo a regra do pacta sunt servanda pode convalidar na ordem interna um incompetente ato internacional consumado.

e especializadas. considerados desiguais. SE Ç Ã O V 37. Registro e publicidade: .O direito internacional é indiferente ao método escolhido pela Estado para promover a receptação da norma convencional.Não há previsão de vacatio. a ordem jurídica nacional de cada Estadoparte.Exemplo: 1939.Pacto da Sociedade das Nações: todo pacto deverá ser registrado. . e poderão garantir-lhe vigência os juízes e tribunais. nenhum tratado ou compromisso internacional será obrigatório antes de ter sido registrado. em função de ratione materiae.a obrigação de registrar desaparece para as demais partes quando a tenha feito uma delas. 38. Consentimento: será equiparada à ratificação notificação ou aviso. . Alemanha submeteu a Tchecoslováquia à sua soberania.Deve o tratado compor. Em 1919 houve uma proibição a esse tipo de diplomacia . Incorporação ao direito interno .Vacatio real utilidade: permite que o tratado seja conhecido internamente e passa a viger no mesmo momento que internacionalmente. a vigência será imediata.Tratados bilaterais. os governantes (sob ciência e vigilância daqueles). c) Registros regionais e especializados: . Poderão cumpri-lo os particulares.Organizações regionais que registram todos os seus compromissos. independentemente da questão de se saber se haverá consulta ao parlamento. b) O Sistema das Nações Unidas: . uma vez que são conseqüência inevitável da guerra e não há como prevenir os efeitos negativos sobre o ideal do livre consentimento. assinatura para efeito autenticatório do texto. 40. Promulgação e publicação de tratados no B rasil mútua ENTRADA E M VIG OR .História diplomática brasileira é permeada por cláusulas secretas. . desde quando vigente. em que há o registro de certos acordos. mediante ameaça de bombardeio de Praga. Sistemas: a) Vigência contemporânea do consentimento: ..Tratados de paz. b) Vigência diferida: . 39. expresso o consentimento das partes.

garante a introdução no ordenamento jurídico nacional. se as partes no tratado têm a intenção de criar a obrigação por meio dessa disposição. Seção V I O TRA T ADO E M VIG OR 41..Presume-se sempre publicidade oficial. por força do disposto em tratado anterior. mas lembra que o silêncio faz presumir sua anuência. de uma disposição de um tratado. indiscriminadamente aos terceiros em geral. dos diplomas legais de produção interna. . modificando suas situações jurídicas. O sistema de garantias Uma obrigação surge para um terceiro Estado. no art. Importa que se retenha desde logo a noção de que o tratado. c) Previsão convencional de direitos para terceiros A Convenção de Viena estipula. 42. embora produzido em foro diverso das fontes legislativas domésticas. d) Previsão convencional de obrigações para terceiros. não se distingue. enquanto norma jurídica. E feitos sobre terceiros a) E feito difuso: as situações jurídicas objetivas Acordos realizados entre Estados. se impõe. conforme o Estado de que se cuide. que mesmo a criação de direitos para um terceiro reclama o consentimento deste. e o terceiro Estado . ou mais que isto. que o vincule a uma das partes.São promulgados por decreto do presidente da República todos os tratados que tenham sido aprovados no Congresso antes da ratificação. 36. E feito entre as partes O tratado terá a estrutura hierárquica de uma lei nacional. ainda que somente para se inteirarem da nova situação. habilitando-se ao cumprimento por particulares e governantes. b) E feito aparente: a cláusula de nação mais favorecida Este é o caso em que determinado terceiro sofre consequências direitas de um tratado (geralmente bilateral). dependendo dela para integrar o acervo normativo nacional.

em direito dos tratados. que por violação substancial deve entender-se tanto o repúdio puro e simples do compromisso quanto à afronta a um dispositivo essencial para a consecução de seu objeto e finalidade. Revisão ou reforma é o nome que se tem dado. tomado de interesse por ele. celebram-se para viger em perpetuidade. e de que os eventuais limites dessa abertura não excluem sua pretensão adesiva. de vigência dinâmica. Além disso. 45. perfazem a grande maioria numérica. aberta a cada uma delas a iniciativa de propor a emenda. alguns institucionalizados em plano regional. O aderente é. decide tornar-se parte. 46. Ingresso mediante adesão A adesão é uma forma de expressão definitiva do consentimento do Estado em relação ao tratado internacional. ou do conjunto limitado de emendas tópicas. em princípio. A Convenção de Viena esclarece. E mendas Na União Européia. mas que. Sua natureza jurídica não difere daquela da ratificação. ou de suspender também ela seu fiel cumprimento. Quando não o fazem. V iolação A violação substancial de um tratado dá direito à outra parte de entendê-lo extinto.43. nenhum tratado se emenda sem o assentimento unânime das partes. um Estado que não negociou nem assinou o pacto (e por isso não pode ratificá-lo). Os restantes. qual o de compra e venda de território ou fixação de limites. A iniciativa de emenda pode vir de qualquer Estado parte no tratado: esta regra aparentemente não conhece exceções. 44. a prática do direito das gentes autoriza ainda o protesto diplomático e outros remédios. e em geral dispõem sobre sua própria duração. no todo ou parcialmente. . Duração Tratados de vigência estática. A OEA prevê sua própria emenda pelo voto mínimo de dois terços das partes. ao empreendimento modificativo de proporções mais amplas que aquelas da emenda singular. isso indica que o tratado vigerá por tempo indeterminado.60. Todo Estado que tenha interesse em ingressar mediante adesão num tratado coletivo deve certificar-se de que esse tratado é aberto. em seu art.

Prevalece o posterior sobre o anterior ( Lex posterior derogat priori ). Escorados. A voz das partes. não há conflito. impreciso. contraditório. 48. Conflito entre tratados a) Identidade da fonte de produção normativa Se um mesmo tema é objeto de tratamentos distintos e inconciliáveis em dois ou mais acordos entre as mesmas partes. a que se apure haverem chegado as partes. Nunca se terá no domínio o conforto. no caso. na regra pacta sunt servanda. . segundo a Convenção. a interpretação se diz autêntica. Num e noutro caso. preterindo a lei ordinária que colide com a lei constitucional. Não por acaso. de poder resolver conflitos à base de hierarquia. Quando proporcionada pelas próprias partes pactuantes. A boa fé. A interpretação no plano internacional diz-se jurisdicional quando provida por organismo dotado. ainda que ad hoc. b) Métodos . Destaca-se a preocupação com o objeto da análise hermenêutica: a interpretação visa a um contexto que compreende não apenas a parte dispositiva do tratado.A Convenção de Viena consagra alguns artigos à metodologia hermenêutica. todos. no exame do litígio concreto entre personalidades de direito das gentes. é o sentimento que deve revestir o próprio intérprete. os intérpretes são governos ou jurisdições. reinante nos sistemas de direito interno. arrolando princípios e critérios para a interpretação dos tratados. tanto quanto no âmbito interior de cada uma das partes pactuantes. mas ainda qualquer avença marginal. é a dos respectivos governos. Interpretação Interpretar o tratado internacional significa determinar o exato sentido da norma expressa no texto obscuro. a) Sistemas A interpretação pode dar-se no plano internacional. contemporânea da conclusão do tratado. é o de que não há por que interpretar o que já está claro e inequívoco.47. do poder de jurisdição. b) Diversidade da fonte de produção normativa A ausência de escalonamento hierárquico caracteriza todo o direito internacional convencional. o primeiro princípio a nortear esta análise.

49. Não. vértice do ordenamento jurídico. a prevalência dos tratados sobre leis internas anteriores à sua promulgação. 5º. que seja superior a esta. em parte alguma. que aquela lista de direitos e garantias fundamentais não exclui outros decorrentes do regime e dos princípios consagrados na carta. a sociedade internacional contemporânea vê cada um de seus integrantes ditar. 50. Situações particulares em direito brasileiro atual a) Domínio T ributário: o art. a) Prevalência dos tratados sobre o direito infraconstitucional Não se coloca em dúvida. no que lhe concerne. ou dos tratados internacionais em que o Brasil seja parte. 98 do Código Tributário Nacional Esse dispositivo diz que os tratados (que vinculam o Brasil. Resulta que para o Estado. norma assecuritária de tal primado. b) Paridade entre o tratado e a lei nacional O tratado prevalece sobre a legislação dos Estados federados. A vontade comum Extingue-se um tratado por ab-rogação sempre que a vontade de terminá-lo é comum às partes por ele obrigadas. as regras de composição entre o direito internacional e o de produção doméstica. Conflito entre tratado e norma de direito interno Não há no direito internacional positivo. a Constituição nacional. §§2º e 3º. . Seção V I I E X T INÇ Ã O DO T RA T ADO 51. desde 1988. tal como a lei federal ordinária. naturalmente) b) Direitos e garantias fundamentais: o art. Descentralizada. porém. da Constituição A Constituição estabelece. é a sede de determinação da estatura da norma expressa em tratado.

manifesta o Estado sua vontade de deixar de ser parte no acordo internacional. onde a comunhão de vontades entre o governo e parlamento seja necessária para obrigar o Estado. lançando-o numa relação contratual internacional. O término desse prazo previamente estabelecido. Quando um tratado admite e disciplina sua própria denúncia. A vontade unilateral A exemplo da ratificação e da adesão. significa a condição resolutiva. 54. Parece bastante lógico que. 52. de efeito jurídico inverso ao que produzem aquelas duas figuras: pela denúncia. previsto no texto. 53. e é inofensivo à continuidade da vigência dos tratados multilaterais. o problema da possibilidade jurídica da retirada unilateral simplesmente não existe. Isto extingue o tratado vigente entre duas partes apenas. Já o silêncio do texto convencional obriga a investigar sua denunciabilidade à luz de sua natureza. Denúncia e direito interno O Estado é originalmente livre de compromissos tópicos: tal o princípio da tabula rasa. M udanças circunstanciais . encerra uma forma de predeterminação ab-rogatória pelas partes pactuantes. a celebrar tratados. preenchendo-o à medida que livremente se ponha desse momento em diante.a) Predeter minação ab-rogatória Todo tratado com termo cronológico de vigência. b) Decisão ab-rogatória superveniente Não existe compromisso internacional imune à perspectiva de extinção pela vontade de todas as partes. segundo o qual toda soberania nascente encontrará diante de si um espaço vazio de obrigações convencionais. de feitio estritamente temporal. a denúncia é um ato unilateral. seja suficiente a vontade de um daqueles dois poderes para desobrigá-lo por meio da denúncia.

1) As circunstâncias aí versadas devem ter sido contemporâneas da expressão do consentimento das partes. no plano do direito das gentes. e ainda à alteração fundamental das circunstâncias. b) De modo sugestivo. e constituído condição essencial desse consentimento. 3) Essa mudança circunstancial deve. a exemplo das normas de ordem pública que em todo sistema de direito interno limitam a liberdade contratual das pessoas. fenômeno visado pela teoria da cláusula rebus sic stantibus. Se o fator frustrante for temporário. PA R T E I I . . impõem-se objetivamente aos Estados. regras imperativas frustrem a liberdade convencional dos países não aquiescentes. a) A execução tornada impossível A Convenção de Viena dá ao pactuante o direito de liberar-se do compromisso quando sua excecução tenha resultado impossível. 55. Jus cogens Seria ele. só dará ensejo à suspensão do cumprimento do pacto. levadas em conta sua dimensão e seu valor qualitativo. A teoria jus cogens. tal como aplicada pela Convenção de Viena sobre o direito dos tratados. a Convenção de Viena prescreve que a mudança fundamental das circuntâncias não pode ser invocada para que o pactuante se dispense de cumprir um tratado. Ali se pretende que. à conta da mudança nas circunstâncias. por força da extinção definitiva do respectivo objeto. é francamente hostil à idéia do consentimento como base necessária do direito internacional. ademais entender-se imprevisível. O tratamento dado pela Convenção de Viena ao princípio supra leva à idéia de sua invocação pela parte interessada em ver extinto ou suspenso o tratado. o conjunto de normas que. Estados e organizações internacionais.Refere-se este tópico à superveniência de impossibilidade do cumprimento do tratado.PE RSO N A L I D A D E I N T E R N A C I O N A L (p. qual no domínio centralizado e hierárquico de uma ordem jurídica interna.153-190) 83. 2) A mudança nessas circunstâncias deve ter sido fundamental.

Isso quer dizer que apenas elas estão habilitadas à titularidade de direitos e deveres internacionais. já que no fim das contas toda a ciência do direito resulta dele e se dirige a ele. sua existência depende do tratado constitutivo que lhe dá vida. dado que esta última é produto de uma elaboração jurídica resultante da vontade conjugada de certo número de Estados. alega que as práticas em questão foram definidas como crime em textos internacionais incorporados aos direitos internos dos países em questão. pessoas de direito internacional. de tal autoridade com base no capítulo VII da Carta da ONU. já que há também normas dirigidas para a fauna e a flora. poderiam ter personalidade jurídica. Réus em foro internacional O autor justifica nesse tópico os tribunais penais internacionais criados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em seguida. Em primeiro argumenta que foram criados pelo Conselho de Segurança. ou seja. sob alguma forma de regramento. Assim. Quanto a isso o autor argumenta que.Atualmente as pessoas jurídicas de direito internacional público são os Estados e as organizações internacionais. automaticamente. que o indivíduo deveria tê-la. 84. dentro de determinada área territorial. contudo. isso não as faz. da União Européia. a constituição não passa do cânon jurídico dessa ordem e não de sua razão de ser. a organização internacional sendo apenas uma realidade jurídica. Ele explica ainda que o (limitado) acesso que o indivíduo tem a alguns foros internacionais depende de um compromisso tópico de seu Estado. Os indivíduos e as empresas privadas ou públicas não têm personalidade jurídica de direito internacional. Fala-se em personalidade jurídica originária para os Estados e derivada paras as organizaçãos. por exemplo. especificamente aqueles criados para julgar os crimes humanitários ocorridos na ex-Iugoslávia e em Ruanda. nem por isso. Indivíduos e empresas. não há dúvida quanto à anterioridade das normas e a tipicidade penal dos atos. 85. O Estado é contigente humano que convive. (Tribunal internacional de Nuremberg: realizado em circunstâncias excepcionalíssimas). os quais. o qual gozava. Assim. Por outro lado. Há quem alegue. os seus nacionais não terão mais acesso à Corte de Luxemburgo e os demais cidadãos da UE não poderiam cogitar a demanda contra o mencionado país. . diante da ameaça à paz. ainda que haja certas normas internacionais criadas diretamente para as pessoas. se um país se retirar.

Inovação: o particular. f) juízes eleitos pela assembléia dos Estados partes no tratado. e k) o exercío efetivo da jurisdição desse tribunal pressupõe o consentimento do Estado territorial do crime e/ou do patrial do réu. h) o processo pode ser suspenso quando for determinado que a sua continuidade imediata representaria uma ameaça à paz. De início. c) julga indivíduos por crimes de extrema gravidade (definidos no Tratado de Roma). tem acesso direto para formular sua demanda contra outro Estado que o tenha lesado. É bastante comum certos particulares (grandes investidores. mas de organizações internacionais).. os quais escolhiam o terceiro). excluído assim o recurso à proteção diplomática de seu Estado patrial (ainda que este tenha que consentir). nacional de um país signatário dessa convenção.. C apítulo I O EST A D O 88.ICSID. essa espécie de arbitragem era feita no molde clássico do direito das gentes (cada uma das partes escolhia um árbitro. g) jurisdição complementar à jurisdição nacional. e) não há limites geográficos ou circuntanciais. e deferem à argitragem a solução de eventuais conflitos. 86.O Tribunal Penal Internacional (Convenção de Roma) instalou-se em Haia em 2003. São vários os pontos que diferenciam essa corte das experiências penais precedentes: a) Instituição judiciária permanente. T rês elementos .) tentarem a "evitar" o direito interno e à jurisdição dos países com os quai se relacionam na exploração da atividade econômica. vinculando inicialmente 60 Estados ratificantes ou aderentes. multinacionais. As partes cuidam então de que o próprio contrato abrigue toda a minúcia necessária à cobertura da transação. Em 1965 o Banco Mundial patrocinou a negociação do tratado que instituiu o Centro internacional para solução de litígios relativos a investi mentos . L itígios transnacionais entre o particular e o Estado. b) dotada de personalidade jurídica própria (normalmente as cortes são temporárias ou permanentes. sem remissões ao direito interno. depende da inércia ou condescendência desta. d) a jurisdição só se exerce sobre crimes posteriores à entrada em vigor do Tratado.

O elemento humano é. abandonadas pela Espanha e ocupadas ulteriormente pela Holanda.O Estado. Maldivas Carolinas.exercício no seu domínio de todas as competências de orgem legislativa.comum no passado. Sobre seu território [área terrestre mais espeços hídricos de topografia interna] o Estado exerce jurisdição/competência para atuar com autoridade. terras abandonadas pelo seu descobridor primitivo. em geral. ostenta. O princípio da contiguidade (a pretensão ocupacionista do descobridor avança pelo território adentro até quando possível. e iii) uma forma de governo não subordinado a qualquer autoridade exterior. Seção I . d) Por cessão onerosa .ornamento típico dos tratados de paz. A quisição e perda de ter ritório. 90. . em verdade. pelo princípio da continuidade do Estado. Exemplo: ilha de Palmas. o único que se supõe imune a qualquer eclipse e sua existência ininterrupta responde.não há concorrência de qualquer outra soberania. Alemanha. mais do que os outros. e b) exclusividade . Exemplo: muito comum na Europa. personalidade originária de DIP. Brasil comprou da Bolívia o Acre.mediante emprego da força unilateral ou resultado do triunfo em campo de batalha. potências navais descobriam e em seguida ocupavam as terra nullius (terra de ninguém). ii) uma comunidade humana nesta estabelecida. e) Por "cessão gratuita" . Exemplo: Brasil b) Pela ocupação da terra derelicta. até encontrar resistência de uma pretensão alheia congênere) operou aí com frequência. administrativa e jurisdicional. de modo geral. Grã-Bretanha.T er ritório do Estado 89.compra e venda ou permuta. Características da jurisdição do Estado soberano: a) generalidade .ocorreu em 1947 a propósito da partilha da Palestina e em 1950 quanto às ex-colonias italianas. f) Por decisão política de uma organização internacional . 3 elementos: i) uma base territorial. c) Por conquista . Exemplo: França "cedeu" à Alemanha a Alsácia-Lorena em 1871. a) Por descoberta . Exemplo: EUA comprou da França a Louisiana. Jurisdição ou competência.

Um velho tema. Diplomacia propriamente dita e serviço consular. Atualmente vigem 2 convenções celebradas em Viena: uma sobre relações diplomáticas e a outra sobre relações consulares. Seção I I . 94. Os limites naturais mais utilizados são as cordilheiras (como nas divisas montanhosas do Brasil com a Venezuela) e os rios. ou judiciária.Imunidade à jurisdição estatal 92. ou ii) naturais. Delimitação ter ritorial. Princípio uti possidetis de facto: consideração do efetivo exercício de soberania sobre determinada área territorial. Os parâmetros para a delimitação podem ser: i) linhas limítrofes artificiais. . e o da linha de maior profundidade (tavelgue).91. ou seja. O diplomata é aquele que representa o Estado de origem junto à soberania local e para o trato bilateral dos assuntos de Estado. de interesses privados (os de seus compatriotas que ali estejam a qualquer título). no território onde atue. O Brasil unificou as duas carreiras. As primeiras seriam as linhas geodésicas (paralelos e meridianos). O consul representa o Estado de origem para o fim de cuidar. 93. a) Os membros do quadro diplomático de carreira (do embaixador ao terceirosecretário) e suas famílias (desde que dependentes e incluidos na lista diplomática) gozam de ampla imunidade de jurisdição penal e civil. O estabelecimento das linhas limítrofes que separam 2 ou mais Estados se dá: por decisão abitral. Privilégios diplomáticos. Princípio uti possidetis: conservação das fronteiras coloniais. 1815). Quanto a esses há dois sistemas: o da linha de equidistância das margens. No direito diplomático. ou resultando de tratado bilateral (mais comum). como ocorre na divsisão do Canadá e dos EUA. a questão dos privilégios e garantias do representante de um Estado junto ao governo de outro constituiu o objeto do 1º tratado multilateral de que se tem notícia (Règlement de Viena. cada profissional da diplomacia transita constantemente entre funções consulares e funçõe diplomáticas.

Exceções: i) não há imunidade civil nos casos de feito sucessório e nos relacionados a imóvel particular em que o agente esteja envolvido a título estritamente privado. penhora. requisição. A convenção estabelece também que o cônsul deve ser avisado pela Justiça loal sempre que tenha contra compatriota seu um processo penal suscetível de levar a uma condenação de certo peso. O que se espera é que estes respondam pelo delito em seu país de origem. Esses privilégios se assemelham àqueles que cobrem o pessoal de serviço da missão diplomática: cônsules e funcionários consulares gozam de inviolabilidade física e imunidade ao processo civil e penal somente no tocante aos atos de ofício. A imunidade penal ilimitada dos diplomatas. . por exemplo.b) Os membro do quadro técnico e administrativo (tradutores. e os bens que ali se encontrem. e gozam de imunidade tributária. Aspectos da imunidade penal. da missão diplomática e de residência do quadro diplomático e administrativo e técnico. São fisicamente invioláveis os locais. d) O pessoal subalterno custeado pelo Estado acreditante só goza de imunidade no que concerne a seus atos de ofício. Os arquivos e documentos seguem o tratamento dos da missão diplomática. Os locais consulares são invioláveis na medida estrita de sua utilização funcional. não podem ser obrigados a depor e gozam de imunidade tributária. c) Todos são fisicamente invioláveis. 96. Os arquivos e documentos da missão diplomática são invioláveis onde quer que estejam. contabilistas. Privilégios consulares. etc) e suas famílias (desde que dependentes e incluidos na lista diplomática) oriundos do Estado acreditante gozam de imunidade penal e civil limitada aos atos praticados no exercício de suas funções. bem como de seus familiares faz com que. ii) não há imunidade tributária em relação aos impostos indiretos e tarifas correspondentes a serviços que tenha utilizado. A prisão preventiva é permitida e é obrigatória a prestação de depoimento testemunhal. um homicídio passional esteja isento do processo local. pessoal administrativo e técnico. 95. Não podem ser objeto de busca.

à jurisdição local .de índole civil. A idéia de imunidade absoluta do Estado estrangeiro(par in parem non habet judicium) começou a se desgastar na segunda metada do século XX. etc. Nas convenções de Viena não se encontra norma alguma que disponha sobre a imunidade do Estado. mas b) Nas relações que envolvam o meio local. Renúncia à imunidade Somente o Estado acreditante pode renunciar às imunidades de índole penal e civil de que gozam seus representantes diplomáticos e consulares. como pessoa jurídica de direito público externo. 98.Dimensão pessoal do Estado . Primado do direito local. Uma Convenção européia sobre imunidade do Estado (Basiléia 1972) exclui do âmbito da imunidade as ações decorrentes de contratos celebrado e exequendos in loco. 97. Estado estrangeiro e jurisdição local. É possível ter como provável que a imunidade do Estado não subsistirá no que se refer a toda espécie de processo derivado de relação jurídica entre o Estado estrangeiro e o meio local (ex: reclamação trabalhista deduzida por aquele que a embaixada recrutou in loco).Por outro lado. Seção I I I . Isso quer dizer por exemplo que o embaixador britânico deve conduzir seu veículo pela direita e não pela esquerda como faria em seu país. 99. os agentes diplomáticos e consulares devem se conformar com as prescrições do direito local (ex: os contratos individuais de trabalho). Os detentores desses privilégios estão obrigados a respeitar a legislação do Estado territorial. a) Nas relações internas não se impõe a representantes estrangeiros o direito do Estado acreditado (ex: um embaixador de país poligâmico poderia compartilhar seu leito com 4 mulheres). oc crimes comuns cometidos por consules podem ser julgados in loco. falsidade na lavratura de guias de exportação. Exemplo de crimes que não o seriam. por serem relacionados com a função consular: outorga fraudulenta de passaporte. 100. I munidade do Estado: fatos novos e perspectivas.

obtida mediante naturalização. T ratados multilaterais . domínio da língua.nenhum Estado pode explusar nacional seu. Subseção 1 . fundada no vínculo de nacionalidade.A NACIONALIDADE EM DIREITO INTERNACIONAL 103. A cada Estado cabe legislar sobre sua própria nacionalidade. Sobre esta o Estado exercer jurisdição pessoal. mas na existência de laços sociais consistentes entre o indivíduo e o Estado. Conceito de nacionalidade. entre outros.101. ii) proibição do banimento . Nacionalidade = vínculo político entre o Estado soberano e o indivíduo. 104. População = conjunto de pessoas instaladas em caráter permanente sobre seu território (nacionais+estrangeiros residentes). A nacionalidade derivada. pelo contrário. Princípios gerais e normas costumeiras. 102. População e comunidade nacional. Este não pode arbitrariamente privar o indivíduo de sua nacionalidade. A nacionalidade originária resulta. que faz deste um membro da comunidade constitutiva da dimensão pessoal do Estado. Dimensão pessoal do Estado (um dos elementos constitutivos. tem a obrigação de acolher seus nacionais em qualquer circunstância. nem do direito de mudar de nacionalidade. da consideração do lugar de nascimento (jus solis) e/ou da nacionalidade dos pais (jus sanguinis). A dimensão humana/pessoal é inerente ao Estado. implica na maioria das vezes ruptura do vínculo anterior e depende de resquisitos como certos anos de residência no país. A título costumeiro vigem pelo menos 2 normas incontestadas: i) é prática generalizada excluírem-se da atribuição de nacionalidade jure soli os filhos de agentes de Estados estrangeiros. de modo geral. O vínculo patrial não deve se fundar na pura formalidade/artifício. Sobre a população o Estado exerce inúmeras competências inerentes à sua jurisdição territorial. ao lado do território e do governo) = comunidade nacional (nacionais residentes+nacionais no exterior). independente do território onde seu nacional esteja.

porém. O serviço. nem do direito de mudar de nacionalidade" é retomada pela Convenção americanda de direitos humanos. 107. . mediante efeitos retroativos." Seção I I I Subseção 2 Dimensão Pessoal do Estado A Nacionalidade B rasileira 105. Nesta convenção apareceu ainda mais uma regra: "Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido. M atéria constitucional. teve nacionalidade brasileira a ele atribuída ou teve a opção de consolidá-la. há contribuição significativa da jurisprudência e da doutrina. desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil. mesmo que o co-genitor seja estrangeiro. aquisição e perda de nacionalidade brasileira em nossa Constituição Federal (arts. XIII). 106. Critério territorial que nasceram em território brasileiro (Consideram-se: espaços hídricos. não precisa implicar permanência em nosso território. por vezes no exterior).O direito intermacional tem procurado reduzir os problemas da apataria e da polipatria. A regra segundo a qual "ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. O Brasil fixa as condições de atribuição. É aquele que ao nascer (em geral no Brasil. mas têm pai brasileiro ou mãe brasileira. 12. ainda que a Convenção de Haia de 1930 tenha proclamado a liberdade do Estado em determinar em direito interno quais são seus nacionais. 13 e 22. desde que público. celebrada em São José da Costa Rica. Em 1948 a Assembleia Geral da ONU trouxe a nacionalidade à área dos direitos fundamentais da pessoa humana.). Brasileiros natos também são aqueles que nascem no estrangeiro. se não tiver direito a outra. A apatria de um natural do Brasil deve ser a todo custo evitada. e optam por morar no Brasil e requerer nacionalidade brasileira. Ambos os componentes do casal são considerados a serviço da nação estrangeira. ainda que tenham pais estrangeiros. contanto que estes não estejam a serviço de seu país. nem cobertura das imunidades diplomáticas. quando em espaços neutros. B rasileiros natos. B rasileiros naturalizados. navios ou aeronaves de bandeira brasileira. porém têm pai brasileiro ou mãe brasileira. Por fim. aéreos e terrestres. em 1969. brasileiros natos também são aqueles que nascem fora do território do Brasil.

No primeiro caso. Subseção 3 109. se a pessoa adquire outra nacionalidade. G ênese. No segundo caso. sua capacidade civil e sua admissão no Brasil em caráter permanente. E xtinção do benefício estatuário. Conservando o vínculo de nacionalidade com um dos dois países. o português ainda terá que provar o gozo dos direitos políticos em Portugal e que mora no Brasil por pelo menos 3 anos. tanto restrita à órbita civil quanto abrangente dos direito políticos. Ele altera a noção de nacionalidade como pressuposto necessário de cidadania. ter nome limpo). O Presidente da República é quem dá publicidade ao fato consumado: a perda da nacionalidade. 108. O brasileiro naturalizado pode perder sua nacionalidade se exercer atividade contrária ao interesse nacional. só precisam morar no Brasil por 1 ano ininterrupto e ter idoneidade moral (trabalhar.Imigrantes que se fixaram há mais de 15 anos no Brasil. É entre brasileiros e portugueses. Pode haver extinção do vínculo patrial tanto do brasileiro nato quanto do naturalizado. mesmo com os requisitos preenchidos. A naturalização não é obrigatória. Perda da nacionalidade brasileira. idoneidade. O brasileiro naturalizado tem todos os direitos do nato. 111. por naturalização voluntária. a naturalização voluntária no exterior deve ser fruto de uma conduta ativa e específica. 110. Dos demais estrangeiros a lei exige no mínimo 4 anos de residência no Brasil. salvo acesso a certas funções públicas. É a pessoa natural que deve demonstrar interesse em postular o benefício. Já imigrantes originários de países de língua portuguesa. O Estatuto de Igualdade . A igualdade. Primeiro procedimento refere-se à simples igualdade de direitos e obrigações civis. Para acarretar em perda de nacionalidade. será extinta no caso de haver expulsão do território nacional ou pela perda da nacionalidade originária. o indivíduo passa a exercer no outro direitos inerentes à qualidade de cidadão. em decorrência de tratado bilateral de 2000. e o segundo também inclui a obtenção dos direitos políticos. de forma ininterrupta e sem condenação penal. o português tem de provar sua nacionalidade. Dois padrões de igualdade. boa saúde e domínio do idioma.

é uma forma de exclusão do estrangeiro do território. Já o visto diplomático é concedido a representantes de soberanias estrangeiras. A deportação. desportista etc. O primeiro é o que se instala no país com ânimo de permanência definitiva. Visto permanente é dado ao imigrante. geralmente clandestina. a partir do momento em que o estrangeiro é admitido no seu território. Seção I V Condição Jurídica do Estrangeiro 112. tem o Estado. após sua entrada irregular. A dmissão discricionária. diferente do impedimento à entrada do estrangeiro em nosso território (por falta de passaporte ou visto. se o português tiver seus direitos políticos suspensos em Portugal. pessoa de negócios. seja a título temporário. estudante. deveres resultantes do direito internacional costumeiro e escrito.Além disso. Subseção 1 Títulos de I ngresso e Direitos do Estrangeiro 113. ou cuja estada tenha-se tornado irregular (excesso do prazo. Mas. Subseção 2 E xclusão do Estrangeiro por I niciativa Local 115. Nenhum Estado tem obrigação de admitir estrangeiros em seu território. exercer certos cargos públicos e propor ação popular. acessível ao estrangeiro residente). a prerrogativa eventual de peticionar administrativamente ou requerer juízo. É importante diferenciar o imigrante do forasteiro temporário. O estrangeiro não tem direitos políticos (exceção: estatuto de igualdade). por exemplo). enquanto o segundo é aquele que é turista. . a integridade física. É normal que um Estado reconheça o gozo dos direitos civis aos estrangeiros (exceção: trabalho remunerado. Deportação. A exclusão é feita por iniciativa das autoridades locais. 114. terá aqui a extinção dos mesmos direitos. ele não pode votar ou ser votado. No Brasil. Diversidade dos direitos. seja em definitivo. ou seja. O Estado deve proporcionar a garantia de direitos elementares da pessoa humana (a vida. por exemplo). missionário. a propriedade de imóveis é em gral facultada e há requisitos severos quanto à aquisição de terras na faixa de fronteiras. o tratamento isonômico em relação a pessoas de idêntico estatuto) para qualquer estrangeiro encontrável em seu território. V ariedade dos vistos.

Todo pedido de extradição tem como fundamento jurídico um tratado entre os dois países envolvidos. por país cujas solicitações anteriores tenham tido melhor êxito. 119. No entanto. mesmo havendo os requisitos. Na falta de um tratado. o pedido não permite que haja tal recusa. A promessa de reciprocidade em matéria extradicional tanto pode ser acolhida quanto rejeitada. que o reclama (a seu pedido). 118. Vale citar que o STF só tem obrigação de cumprir o combinado. à Justiça de outro. É o ato pelo qual um Estado entrega um indivíduo. o governo deve passar este para o exame judiciário. já que o governo tem de honrar seu compromisso. 116. Aceitando o pedido de extradição. Discrição governamental e obrigação convencional. E xpulsão. . A exclusão é feita por iniciativa das autoridades locais. Submissão ao exame judiciário. O governo pode declinar de promessa feita. o governo brasileiro tem a opção de recusar sumariamente o pedido de extradição. no caso de o Estado requerente se prontificar a atender os requisitos da entrega do extraditando. Só o Estado de origem do expulso tem o dever de recebê-lo quando indesejado em outros lugares. pelo governo brasileiro. Julgando-a legal e procedente.O deportado pode retornar ao Brasil quando regularizar seus documentos para ingresso. Com fundamento em promessa de reciprocidade. o STF defere a extradição. sem fundamentação. se houver tratado que disponha sobre o assunto. OBS: é possível deixar de fazer a deportação e a expulsão. com fundamento em lei interna e no tratado pertinente. em caso concreto. Subseção 3 A E xtradição 117. É o STF que deve examinar a legalidade da demanda extradicional. O expulso fica impossibilitado de retornar ao Brasil. Conceito e fundamento jurídico. O governo requerente da extradição só toma essa iniciativa em razão da existência do processo penal ante sua Justiça. acusado de um crime ou já condenado. A expulsão é o modo de entregar estrangeiros a outro Estado em razão de haver condenação criminal ou em virtude de as ações do estrangeiro terem se tornado nocivas à conveniência e aos interesses nacionais. 120. A extradição no B rasil: reciprocidade e poderes constitucionais do Congresso. o pedido de extradição só fará sentido se o Estado de refúgio do indivíduo for receptivo a uma promessa de reciprocidade.

de direito comum. de certa gravidade. pode ele declará-la viável e. independe da cronologia). Subseção 4 V ariantes Ilegais da E xtradição 124. ainda que os executores da . sujeito à jurisdição do Estado requerente. posteriormente o regime jurídico do instituto autoriza ao governo uma decisão discricionária. não antes de exigir que certos compromissos sejam assumidos. estranho à jurisdição brasileira. sendo assim. o qual será necessariamente um crime. contra o extraditando. tem a ver com sua nacionalidade. No caso de a extradição ser deferida. Controle jurisdicional. A defesa do extraditando não pode explorar o mérito da acusação: deve dizer respeito à sua identidade. Os pressupostos podem dizer respeito ao fato que se atribui a extradição. que tenham cometido crime anterior a naturalização ou por tráfico de drogas (neste segundo caso. 122. O exame judiciário da extradição apura a presença de seus pressupostos. Neste segundo caso. O Brasil somente extradita estrangeiros e brasileiros naturalizados. o extraditando é liberado e a decisão é comunicada para o Estado requerente. Há muitos casos em que uma detenção sem apoio legal acabou por ganhar legitimidade desde quando endossada pelo magistrado competente. à instrução do pedido ou à ilegalidade da extradição à luz da lei específica. Um desses pressupostos diz respeito à condição pessoal do extraditando. Apesar de o Estado requerente da extradição não ser parte no processo de decisão do STF. ao fim do qual. o Executivo deve efetivá-la. este concedeu a representação daquele por advogado. se não ocorrer tal retirada. ele estará solto e o processo não poderá ser renovado. e de punibilidade não extinta pelo decurso do tempo. E fetivação da entrega do extraditando. Outros pressupostos se relacionam ao processo penal que. Há um prazo de 60 dias para retirada do extraditando pelo Estado requerente. L egalidade da extradição. 123. uma sentença final de privação de liberdade é reclamada pela lei. ou seja. Dilemas da Justiça. O Ministério Público atua no processo estritamente como fiscalizador da lei.Porém. tem ou teve curso no Estado requerente. 121. de acordo com a lei interna e no tratado pertinente. Negada a extradição pela corte. Nesses casos.

em favor do indivíduo. Indiferença do direito internacional. não existe regra de direito internacional que proteja o indivíduo naqueles casos em que se acabe por revelar a violação de território. 127. eles jamais se mostraram sensíveis ao problema dos direitos humanos. Apenas o direito interno do Estado de refúgio poderá conter alguma proteção do indivíduo contra a extradição arbitrária. Na verdade. a natureza jurídica do crime. Os artigos 63 e 75. Na medida em que governada tão-só por tratados internacionais.815/80 proíbem a deportação e a expulsão. 128. em face dos limites ontrando-se remetido. a extradição dissimulada. eventualmente abrandados. 126. as leis internas de extradição tendem a conciliar o interesse da justiça penal com certas garantias que não se podem negar à pessoa do fugitivo. o próprio réu não teria como tirar proveito das circunstâncias nas quais foi detido. como uma garantia de que a extradição só será concedida se reunidos os pressupostos do texto. Dessa forma. o indeferimento por falha documental não sanada em tempo hábil o Estado interessado não poder formalizar o próprio pedido. em circunstância inusual. O direito das gentes está limitado à soberania do Estado. A lei extradicional interna opera. O caso do britânico Ronald Arthur Biggs teve solução pelo Tribunal Federal de Recursos cabem a prescrição. sempre que semelhantes medidas impliquem extradição inadmitida pela lei brasileira. evitando. A doutrina do caso Biggs.captura devam responder criminalmente pelo gesto arbitrário. O sistema protetivo no direito brasileiro. Por sua vez. Embora na teoria os tratados de extradição possam abrigar regras desta natureza. exclui-se uma extradição arbitrária. 125. É natural que o direito das gentes ignore o fenômeno da extradição dissimulada. a extradição sempre poderá ser executada à margem de toda e qualquer regra de direito. Há que se impedir não apenas a deportação ou expulsão que conduza o paciente diretamente ao Estado interessado na extradição inadmitida. Vocação protetiva do direito interno. mas também aquela suscetível de lhe dar tal destino por via oblíqua. I. . O direito internacional só tem capacidade de sancionar a abdução recusada pelo Estado ofendido. à lei de extradição. assim. da L6. tem plena autoridade para interpretá-la quando sobre o caso não tenha decidido o Supremo.

o asilo diplomático tem como pressupostos a natureza política dos delitos do fugitivo e a atualidade da perseguição (estado de urgência). outros imóveis residenciais cobertos pela inviolabilidade e navios de guerra que estejam no litoral do país. Cabe asilo no caso da criminalidade política. caracteriza-se como territorial. não interessando no momento ser criminoso político ou comum. Nos países onde não é reconhecido. de estrangeiro perseguido em outro Estado. as pessoas procuradas pela autoridade local que entrarem no recinto de missão diplomática estrangeira devem ser de imediato restituídas. Natureza do asilo diplomático. colocou-o no âmbito espacial de sua soberania e aí pediu o benefício. A Convenção de Havana de 1928. Asilo político é o acolhimento. na qual o objeto da afronta não é um bem jurídico universalmente reconhecido. Assim como no asilo territorial. ele pode se tornar em territorial. por causa de dissidência política. e só ocorre na América Latina. de delitos de opinião ou por crimes que se relacionam com a segurança do Estado. Conceito e espécies. é concedido pelo Estado para aquele estrangeiro que. 130. . havendo cruzado a fronteira. O asilo é uma instituição humanitária e não exige reciprocidade.Subseção 5 Asilo Político 129. Após o asilo diplomático.Não se subordina a qualquer autoridade que lhe seja superior. O Estado territorial deve apenas aceitá-la como princípio. 131.II Seção V I Soberania 138. a de Montevidéu de 1933 e a de Caracas de 1954 consolidaram os costumes relativos ao asilo diplomático. pelo Estado. isto é. Direito Internacional Público . .Quando este não reconhece nenhum poder maior de que dependa a definição e o exercício de suas competências. Disciplina do asilo diplomático. Constitui uma exceção à plenitude da competência que o Estado exerce sobre seu território. Asilo diplomático é uma forma provisória do asilo político. Estes asilos podem se dar em missões diplomáticas. Noção de Soberania: Como identificar um Estado: . Assim.

reconheci mento pelos outros Estados. Forma de reconhecimento de Estado: Unilateral: . Subseção 1 Reconhecimento de Estado e de Governo 140.Tratado bilateral: É aquele em que dois Estados pactuantes reconhecem a existência de um terceiro..Expresso: Mediante ato que fala sobre o reconhecimento do Estado. . Mesmo antes de ser reconhecido.Mútuo: Mediante tratado ou comunicado comum. de promover a sua conservação e prosperidade. O exercício desses direitos não tem outros li mites senão o exercício dos rga aceita a personalidade do novo Estado com todos os direitos e deveres que. de administrar os seus serviços e de determinar a jurisdição e a competência de seus tribunais. Essas. Elementos constitutivos de Estado: Território. não são limitadas e não possuem superiores na ordem jurídica internacional (parte-se da idéia de poder horizontal na . . para um e outro. Bilateral: .O Reconhecimento por parte dos demais Estados (não necessariamente de todos os outros) não é elemento constitutivo. o Estado tem direito de defender a sua integridade e independência.Tácito: Mediante ações que demonstram o reconhecimento do Estado. Natureza declaratória do reconhecimento de Estado: O reconheci mento tratado aqui será o dos atos unilaterais com que um Estado mostra para ordem internacional que reconhece outros Estados com personalidade jurídica de direito internacional idêntico à sua própria. 141. por conseguinte. Forma mais rara de reconhecimento. de legislar sobre os seus interesses. população e governo soberano. de se organizar como melhor entender. .Só faz acordos com outros Estados partindo-se do pressuposto que há um esforço horizontal e igualitário de cooperação no interesse coletivo. Soberania: Faz do Estado titular de suas competências. .A carta da OEA estatui que a ordem internacional é constituída essencialmente pelo respeito à personalidade. e. soberania e independência de cada Estado. mas meramente declaratório.

até o momento em que ficasse comprovado que havia aprovação popular. resultantes de revoluções. Doutrina Tobar: A expectativa da legitimidade. O fenômeno federativo e a unidade da soberania. Subseção 2 Estados Federados e Territórios Sob Administração 146. Reconhecimento de governo: Pode ser feito de forma tácita ou expressa. Reconhecimento de governo: C ircunstâncias. Doutrina Estrada: Uma questão de for ma. sem comentários sobre a qualidade ou a legitimidade dos novos detentores do podre. Contudo. 144. divulgou nota dizendo que a partir daquele momento. Seguiram essa política: Woodrow Wilsons. Carlos Tobar. . 143. No que diz respeito à forma. Reconhecimento do Estado: Independência de um território.Expressa: Importa deliberação de juízo do valor sobre a legitimidade do novo regime ou da efetividade de seu mando. Prática contemporânea.Tácita: Mera manutenção do relacionamento diplomático com o Estado onde haja ocorrido a reviravolta política. . Sofreu desgaste acentuado na contemporaneidade. H armonização das doutrinas. O ministro das relações exteriores do México de 1930. ou ainda. mas tampouco pratica o reconhecimento formal.142. 145. Rômulo Betancourt e Raul de Leoni (Venezuela). tal doutrina é considerada triunfante. Surge o princípio da não intervenção. o México não se pronunciaria mais sobre o reconhecimento ou não dos novos governos. . O ministro das relações exteriores do Equador de 1907. Prestigia simultaneamente as duas doutrinas o Estado que valoriza a legitimidade. não se relaciona com governos golpistas até quando a chamada do povo às urnas restaure o princípio democrático. acreditava que a melhor maneira de acabar com as mudanças violentas de governo. Genaro Estrada. inspiradas nas ambições. era que os demais governos se recusassem a reconhecer esses regimes acidentais. ele se colocava diante da possibilidade de retirar ou colocar seus representantes em determinados territórios e de acolher ou não os representantes dos Estados dependendo da sua vontade. representado pela produção ostensiva de um juízo de valor. No lugar da legitimidade tem se preferido apenas a efetividade do regime instaurado. governo norte-americano (1913-1921). espécie de manifestação do fenômeno sucessório (fusão ou desmembramento).

províncias de ultramar. a soberania lhes foi estranha. Variam. a única necessidade é que as outras soberanias interessadas tolerem esse procedimento.Províncias. Em virtude dessa relação expressiva com seus vizinhos. na realidade. Não há qualquer impedimento no Direito Internacional no que diz respeito aos Estados federados darem competências as suas províncias para que essas possam atuar no campo internacional. O problema dos micros-Estados. desta não participavam. Autonomia não se confunde com soberania. protetorados ou estados vassalos: Eram carentes de personalidade internacional e de competência para a livre negociação no plano exterior. micros-Estados confiam parte expressiva de suas competências a Estados vizinhos. conscientes de que. Colônias.Autonomia: capacidade inerente a cada unidade da federação de se autodeterminar.Possui apenas algumas dezenas de guarda civil. ou o faziam pela voz da potência colonial. Contudo. 148. Contudo. . nos termos de uma disciplina rigorosa e votada ao objetivo da descolonização. 147. no grau de dependência da União a que pertencem. De fato.A maioria não possui moeda própria. Subseção 3 Soberania e Hipossuficiência 149. detêm sobre seu suporte físico (territorial e humano) a exclusividade e a plenitude das competências. em função da descentralização de poderes. T er ritórios sob administração: A O N U e o sistema de tutela. O poder que cria a Constituição Federal que ira regular a autonomia dos estados. estados e cantões: São as unidades autônomas agregadas a todo território federal. Os Estados-membros podem fazer tudo àquilo que a Constituição Federal permite. em regra. o direito veio a conhecer a figura dos territórios sujeitos à administração de certa soberania. quem responde pela província é a União Federal. . política e ou administrativamente. Estados soberanos. ligada à idéia de Poder. . A partir das grandes organizações internacionais de caráter político (ONU e SDN). alguns Estados tendem a ver com alguma reticência a personalidade internacional desses micros-Estados. sobretudo. Não se nega em princípio que eles sejam soberanos. . enquanto não lhes foi dada a sua independência. A tuação aparente de províncias federadas no plano internacional.

sendo por eles dotadas de personalidade própria em direito das gentes. por si mesmos. Críticas: . uma população e um governo. A Santa Sé é a cúpula governativa da Igreja Católica. C A PÍ T U L O I I O R G A N I Z A Ç Õ ES I N T E R N A C I O N A IS 154. Paul Reuter observa que as desigualdades quantitativas existente entre os Estados não formam obstáculo à sua igualdade qualitativa. a segurança e o desenvolvimento integral de determinada comunidade de seres humanos. 151. enquanto que o surgimento das organizações internacionais é algo que veio se observando a partir deste último século. do quadro pessoal ou do orçamento. Por legado histórico. a Santa Sé possui personalidade jurídica de direito internacional. o critério temporal não é o fator diferenciador destas duas formas de personalidade em direito internacional público. e qualitativas. se lhes parecem ou não soberanos os demais entes que estão ao seu redor e arrogam a qualidade de Estados. Introdução Cronologicamente falando. Cada cidadão continua com sua nacionalidade preservada em seu país de origem.150. Contudo. isto porque os objetivos dos Estados são sempre os mesmos: a paz. O que se discute é sua natureza jurídica.Há exigüidade territorial ou democrática? . pois as desigualdades são observadas em ambos os terrenos: são quantitativas por força da diversidade do alcança geográfico. sendo-lhe conferida a personalidade . O referido autor relembra que organizações internacionais são aquelas criadas e integradas por Estados. vez que não visam a uma finalidade comum. O autor ressalta que há casos em que empresas podem ser instituídas por compromisso entre Estados. . Isso é possível independentemente do que pensam os demais Estados daquela ordem. como foi o caso da Itaipu Binacional.Não possuem dimensão pessoal (pessoas que são consideradas nacionais de lá).Os fins para o qual se orienta não são típicos de um Estado. Pode-se dizer que o surgimento dos Estados remonta à antiguidade clássica. A Santa Sé: Um caso excepcional. A soberania de cada Estado lhes dá a possibilidade de determinar. No contexto das organizações internacionais as coisas já mudam de figura. instituída em 1973 por tratado entre Brasil e Paraguai. Nela se configuram todos os elementos de um Estado: Possui um território. A empresa fora provida de capitais públicos. Nações em luta pela soberania. o espaço temporal que separa o surgimento dos Estados do fenômeno das organizações internacionais é de alguns milênios.

estas podem ter mais. mas nas organizações de cunho político: o conselho permanente. Contudo. ela pode ser convocada excepcionalmente quando o caso assim demandar. . judiciários. sendo regida por orientações de ambos ordenamentos jurídicos (brasileiro e paraguaio). Há de se dizer que a competência para celebrar tratados em seu próprio nome é a mais expressiva de todas no que tange aos elementos indicativos de personalidade jurídica. ou menos órgãos técnicos. Sua composição pode se dar com a presença de representantes de todos Estadosmembros (como na assembléia geral). Seção I T eoria G eral 155.jurídica de direito privado. Ó rgãos Despontam como órgãos indispensáveis à estrutura de uma organização. igualmente. têm assento os representantes dos Estados-membros. de 1973. Na segunda. Contudo. via de regra. Personalidade jurídica Reuter assevera que personalidade jurídica de direito das gentes não é fonte da competência da organização internacional. Na primeira. Conforme o entendimento do projeto Dupuy. mas sim em duas ou mais delas. principalmente à de seus próprios Estados. voz e poder de voto. podem ser consideradas organizações concluir acordos internacionais no exercício de suas funções e para a realização de seu 156. Vale mencionar outro órgão que também se destaca. mas seu resultado. ou até mesmos outros conselhos. os quais ou são eleitos por prazo certo ou possuem mandato permanente. uma assembléia geral e uma secretaria. cujas reuniões ocorrem uma vez por ano. o que faz de Itaipu um caso singular é o fato de seu embasamento não ter se dado em apenas uma ordem jurídica. Este é ininterrupto e inclina-se ao exercício da competência executiva. Dependendo do alcance dos propósitos das organizações. Estados estes que devem ter. Itaipu é uma pessoa jurídica de direito privado binacional. predomina o caráter administrativo de funcionamento permanente. ou com apenas a presença de alguns destes Estados. de sorte que esta assembléia se assemelhe a uma -se de um órgão não permanente. Seus servidores são todos neutros às políticas dos Estados-membros.

como regra. ainda mais porque o princípio da prevalência da vontade majoritária carece de consistência no âmbito interestatal. 159. sem voto. trata-se do acordo de sede. Esta cessão implica a celebração de tratado bilateral entre a organização e o Estado. mas também no território de seus Estados-membros. mas para isto é preciso que algum Estado ofereça-lhe algum ponto de seu território para dar-se a instalação física. não é válido. imunidade. A organização faz-se representar não somente no lugar de sua sede. A título de exemplo. ou então faz variar a instalação de alguns de seus órgãos. entre outras formas de abertura. o f para que esta possa entender-se oponível àqueles Estados.157. Há de se ressaltar que nada impede que a organização situe-se em território de Estado não-membro. a possibilidade de participação. Representação. O problema surge quando se questiona se o tratado institucional pode obrigara os Estados não contratantes. A organização frente a Estados não-membros Algumas organizações costumam abrir espaço à participação de Estados nãomembros em seu contexto. . onde a maioria dos votos obriga a todos os participantes. ao contrário do que ocorre nas assembléias de direito interno. de Estados não-membros nos debates do Conselho de Segurança. Sede da organização As organizações necessitam de alguma base territorial para instalarem-se. 160. o Estado só costuma se sentir obrigado quando a decisão tiver contado com seu voto favorável para o feito. Ocorrem casos em que a organização dispõe de mais de uma sede. mas que com ela pretendam assim se relacionar. e. De acordo com o art.2. no daqueles não-membros. isto significa que. Aspectos do processo decisório Perante o contexto das organizações internacionais. 158. cite-se a Carta da ONU. casualmente. o princípio majoritário. § 6 da Carta procedam de conformidade com estes princípios na medida necessária à manutenção da paz e Entretanto. garantias. a qual prevê. Os representantes exteriores serão os membros da secretaria e gozarão de privilégios semelhantes aos do corpo diplomático.

desta forma. 161.4º: o interessado deve ser um Estado pacífico. a adesão à carta (pressuposto fundamental). pelo beneplácito do órgão competente para tanto. que se entenda capaz de cumpri-las e disposto a fazê-lo. o tratado institucional é refratário à ratificação ou à adesão com reservas. esta matéria vem disposta no seu art. integral. 162. sob parecer da . Destarte. normalmente destina-se ao pagamento das folhas de pagamento do pessoal da secretaria. A receita das organizações é formada. que aceite as obrigações impostas pela carta. deve o interessado exprimir sua adesão ao tratado institucional. Alguns O fato é que a imunidade das organizações internacionais não se firma com base nos costumes. por exemplo). e aceitação dessa adesão pelos Estados-membros. São raras as exceções. A admissão de novos membros deve ser analisada sobre três aspectos capitais: os limites de abertura do tratado institucional aos Estados não-membros.Um problema que se impõe é o referente à imunidade da própria organização internacional frente À jurisdição brasileira. pela cotização dos Estadosmembros.01% a 22%. Na Carta da ONU. as cotizações se dão com base na capacidade contributiva de cada Estado. em feito de natureza trabalhista ou outro. Na ONU as cotas variam de 0. A dmissão de novos membros. mas sim em tratados que a determinam de modo expresso. Os limites de abertura da Carta podem ser meramente geográficos (somente países europeus. O montante arrecadado. não costuma ser paritárias. Quanto ao beneplácito à adesão. ou seja. Quanto ao aspecto de adesão à carta. ao custeio da manutenção de instalações imobiliárias e de equipamentos. a imunidade não pode ser ignorada neste caso. neste caso. É possível que esta situação mude e que um dia estas organizações venham a se encontrar em situação idêntica à dos Estados estrangeiros antes a Justiça local. Na União Européia é o Conselho que. contudo. Por sua própria natureza. e muitas vezes ao custeio de programas exteriores de assistência e financiamento. adesão esta que se presume ser. sempre. basicamente. é mister ressaltar que este conclui o processo de admissão de um novo Estado. Finanças da organização. nos termos do tratado. Regra geral.

domínio político: a SD N e a O N U . A Carta da ONU fala numa decisão da Assembléia 163. financeiro. primeiramente. A lcance e domínio temático As organizações podem ser de domínio regional ou universal. Retirada de Estados-membros São dois os elementos que costumam condicionar a retirada voluntária do Estadomembro: o pré-aviso e a atualização das contas com a organização. 164. são de duas formas: suspensão dos direitos e exclusão do quadro. dentro do contexto da ONU. econômica ou outra. é preciso. cultural. estritamente técnico ou cultural. usualmente. o Estado tem permissão para se retirar. A lcance universal. é necessário verificar-se se o Estado retirante colocou em dia suas obrigações financeiras para com a entidade. Portanto. Num segundo momento. Há de se dizer que esta última sanção jamais é aplicada. ou específico: fim econômico. a qualquer um dos cinco membros permanentes. Feito isto. um lapso de tempo entre a manifestação de vontade de se retirar por parte do Estado e o rompimento efetivo do vínculo jurídico. as quais.Comissão. Sanções A falta aos deveres inerentes aos Estados-membros pode acarretar conseqüências peculiares. sendo esta última caracterizada por acolher o maior número possível de Estados. 166. deve assentir por unanimidade. sem restrição de índole geográfica. voltado à preservação da paz e da segurança. que possuem poder de veto. Seção I I Espécies 165. No que toca ao domínio. este pode ser ou político.

e o MERCOSUL. aqui. em escala regional. a CECA. as organizações que. a qualquer momento. O objetivo principal é a manutenção da paz entre seus próprios membros. Ex: OIT. FMI. BIRD. Ex: OEA . A lcance regional. A cooperação econômica. 169. é uma realidade física. 167. nada obsta à ocorrência do fenômeno sucessório com relação a estas organizações. o objetivo precípuo é a preservação da paz entre as nações. Seção I SU C ESSÃ O D E EST A D OS: M O D A L I D A D ES . OMS. Contudo. domínio político. retomam os objetivos da ONU. OACI. UNESCO. antes de tudo. dos Estados Americanos. A lcance regional. por existir. A lcance universal. pois como estas não possuem substrato material comparável ao dos Estados. FAO. ele tende a continuar existindo.Org. somaram-se o alcance universal e a finalidade política. O Estado. aqui. a CEEA. pois.Na antiga SDN e depois na ONU. dotadas de personalidade jurídica própria em direito das gentes. como a União Européia. C A PÍ T U L O I V O F E N Ô M E N O SU C ESSÓ R I O 187. inscrevemorganizações internacionais distintas. O princípio da continuidade do Estado. mas também quanto toda área territorial habitada por uma comunidade de pessoas. LEA Liga dos Estados Árabes. domínio específico. Há de se observar que este princípio não existe no contexto das organizações internacionais. Inserem-se. domínio específico. aqui. então podem desaparecer sem deixar vestígios. OPEP. Daí falar-se em princípio da continuidade do Estado. cultural e científica. 168. Não se considera. apenas o Estado quanto instituição. São as organizações regionais de cooperação e integração econômica. são objetivos periféricos. Aqui.

é comum surgirem problemas quanto à nacionalidade dos cidadãos. bens públicos e de tratados com outros Estados. Seção I I SU C ESSÃ O D E EST A D OS: E F E I T O JUR Í D I C O 191. Secessão ou desmembramento de Estados Fenômeno em que dois ou mais Estados resultam da divisão daquilo que antes era um único Estado.188. Nacionalidade das pessoas . e aquela em que um Estado simplesmente se integra a outro (anexação da Áustria pela Alemanha). Fusão ou agregação de Estados O fenômeno em tela é observado quando um ou mais Estados se unem para constituírem um único. 192. Estas conseqüências da sucessão costumam ser resolvidas com a determinação de lei por parte do Estado fruto da agregação. é mais comum a utilização do termo secessão. Há três subespécies de fusão: aquela em que o novo Estado resulta da soma horizontal e igualitária de soberanias preexistentes (unidade italiana = Lombardia + Toscana + Vêneto + Roma). Foi observado com intensidade no período dito de descolonização africana. ou por meio de tratado entre os Estados frutos de desmembramento. Normas aplicáveis Dada a sucessão de Estados. na qual a Prússia preponderava). bem como à administração de dívidas públicas. os Estados preexistes continuam a ter suas próprias identidades. 189. de sorte que um dos Estados anteriores se sobrepõe aos demais. T ransferência ter ritorial Nenhuma soberania surge ou desaparece. O que ocorre é a mera transferência de uma área territorial de um deles para o outro. 190. Quando o fenômeno não se refere ao contexto colonial. aquela em que as bases da agregação não são igualitárias (unidade alemã.

com a integralidade de uma dívida contraída pelo Estado primitivo em proveito único daquela área que veio a tornar-se independente. Para casos de desmembramento e de transferências territorial. italianos. É raro que uma organização seja colocada . quando bilaterais. de o Estado recém formado usufruir do princípio da tabula rasa: não possui quaisquer obrigações. T ratados e dívida externa O Estado fruto de agregação é responsável pelo conjunto das obrigações convencionais e dos débitos de seus integrantes. revestem-se os nacionais das soberanias reunidas com uma nova qualidade. de uso especial e os dominiais). no termo da palavra. Um quadro recente Primeiras organizações internacionais. Mister frisar que não se aplicam a elas nenhum princípio análogo ao da continuidade do Estado. os quais se tornaram. tendo direito de opção entre ambas. datam de 1919. contudo. primeiramente. romanos e piemontenses. não se exclui a possibilidade de o novo Estado ter de arcar. Cita-se o caso do desmembramento da Tchecoslováquia: seus nacionais puderam escolher entre a nacionalidade tcheca e eslovaca. vênetos. A título de exemplo. Bens públicos O Estado sucessor tem. a destinação dada ao produto dos empréstimos externos. todos. cita-se a agregação de lombardos. utiliza-se o princípio da repartição ponderada da dívida. eventualmente. correspondentes a novas soberanias. 193. dará início ao preenchimento da tabula. a sucessão lhes é algo possível de ocorrer. No que diz respeito aos pactos firmados pelo Estado originário. domínio eminente e propriedade sobre os bens públicos (os de uso comum. quando começar a contraí-las. mas. Em caso de desmembramento. 194. sozinho. o novo Estado está desobrigado à observância dos mesmos. é comum que os habitantes do novo Estado adquiram. perdendo a antiga. observandose. a resolução sobre a partilha de tais bens cabe às missões diplomáticas e consulares. aquela nacionalidade. Há a hipótese.Para o caso de agregação. Dessa sorte. Seção I I I SU C ESSÃ O D E O R G A N I Z A Ç Õ ES I N T E R N A C I O N A IS 195. sobre o território sucedido. também. automaticamente. Nos casos de desmembramento.

por deliberação da ONU a qual data de 1945). (2) a Teoria da Descoberta. (4) e a Teoria da Continuidade da Massa Geológica. o mais comum é confiar suas funções e patrimônio a uma outra organização. ainda.Qual teoria deve ser aplicada? . Spitzberg) e da mas apenas mar e/ou gelo) 199. Proposição da matéria: domínio público internacional designa aqueles espaços cuja utilização suscita o interesse de mais de um Estado soberano comunidade internacional às vezes de todas a ainda quando sujeitos às incidência de determinada soberania. Noruega (arq.Ilha gigantesca: interesse econômico e estratégico.Cuida-se apenas de água do mar.Corredor aéreo alternativo: por ali passam diversas rotas aéreas. . (3) a Teoria do Controle. 198. Sucessão mais próxima de nós é a da Associação Latino-Americana de Livre Comércio pela Associação Latino-Americana de Integração.em liquidação completa. preexistente ou nova. perenemente congelada (escasso interesse econômico) . 196. Dinamarca (Groenlândia). Cuida-se do mar. que dividiria o continente em inúmeras faixas triangulares. Dois exemplos A ONU sucedeu a Sociedade das Nações (extinta de fato em 1939. dos rios internacionais. que cruzam um espaço de livre trânsito independentemente de qualquer tratado justamente pelo motivo de que a superfície hídrica subjacente é o alto mar. A A ntártida: . mas de direito em 1946. . proposta pelos EUA. PA R T E I I I: D O M Í N I O PÚ B L I C O I N T E R N A C I O N A L 197. . do espaço extra-atmosférico e. O Pólo Norte: . proposta por países europeus.Aplicação da Teoria do Setores: setores triangulares que configuram o resultado da projeção sobre o pólo do litoral do Canadá. do continente antártico.Quatro Teorias: (1) Teoria dos Setores. proposta pela Argentina. do espaço aéreo.

Entrou em vigor em 16/11/1994. em 1958. 201. .O navio tem sempre um nome. e (d) uma Convenção sobre a plataforma continental. . em razão de baías. concluiu-se em Genebra. V ariedade de águas interiores .Os navios de guerra encontram-se a todo momento sob a jurisdição do Estado de origem. ou em razão da . Codificação do direito costumeiro .. portos e ancoradouros. o direito do mar foi composto unicamente por normas costumeiras.Tratado da Antártida. situadas aquém da linha de base do mar territorial. . Seção I Á G U AS I N T E R I O R ES. C A PÍ T U L O I: O M A R 200. . (c) uma Convenção sobre pesca e conservação dos recursos vivos do alto mar.Durante muito tempo. (b) uma Convenção sobre alto mar.O fator econômico é bastante relevante no enfoque do direito do mar.Com o patrocínio da ONU. que lhe confere o direito de arvorar uma bandeira nacional. que só deve ser usada para fins pacíficos. gozando de imunidade.Protocolo de Madri 1991: preservação da Antártida contra toda espécie de exploração mineral durante prazo fechado de 50 anos.Águas interiores estranhas ao direito do mar e por isso não são versadas na Convenção de 1982: rios e lagos de água doce . que não necessariamente renunciam às eventuais pretensões de domínio sobre parte do continente. Navios: noções e espécies . e tem sobretudo uma nacionalidade. nem tampouco reconhecem pretensões alheias. O regime jurídico estabelecido pelo texto é o da não militarização da Antártida. 1959: 45 países pactuantes (Brasil ingressou em 1975). . M A R T E R R I T O R I A L E Z O N A C O N T Í G U A 202.A Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar foi concluída em 1982. .Águas interiores referidas na Convenção de 1982: águas de mar aberto. uma determinada tonelagem.Diferenciam-se navios mercantes (privados ou públicos) de navios de guerra (pertencentes às forças armadas de um Estado). Washington. um porto de matrícula. (a) uma Convenção sobre o mar territorial e a zona contígua. Compõe-se de 320 artigos e vários anexos.

. . . . direito de passagem inocente.Mede-se a largura da faixa a partir da linha de base. . isto é.A partir de 1952 vários países da América do Sul estenderam a sua faixa de mar territorial a 200 milhas.A passagem inocente deve ser contínua e rápida . quando tem a ver com tráfico de tóxicos. 204. Regime Jurídico . da linha litorânea de maré baixa. Não pode. mas consagra as duzentas milhas a título de zona econômica exclusiva. ainda. reconhecido em favor dos navios mercantes ou de guerra de qualquer Estado. o respectivo subsolo e o espaço aéreo subjacente.Não pode o Estado costeiro impor obrigações que frustrem ou dificultem a passagem inocente.A ilhas dispõem de faixa própria. 206. no entanto.Navios de guerra: imunes à jurisdição local. podendo.Aos submarinos manda-se que naveguem na superfície e arvorem seu pavilhão. exercer jurisdição penal em alguns casos (quando a infração produz conseqüências sobre a ordem territorial.Zona de mar adjacente à costa.Esta soberania não é absoluta: ela é restringida pelo direito de passagem inocente.A Convenção de 1982 manda que seja de 12 milhas marítimas (cerca de 22km) a largura máxima da faixa de mar territorial de todo Estado costeiro. nelas.Acesso aos portos e passagem pelas águas interiores: é necessária a autorização dada pela capitania. na qual o Estado exerce soberania sobre o leito do mar. nem discriminar navios em função da sua nacionalidade ou do Estado que estejam servindo. .Navios mercantes: Estado costeiro abstém-se de exercer jurisdição civil. cobrar taxas só pelo fato da passagem. alternada com a linha de reserva das águas interiores quando ocorrem baías ou portos. . . M ar ter ritorial: natureza e regime jurídico . M ar ter ritorial: delimitação . e nada pode degenerá-la.Sobre as águas interiores o Estado costeiro exerce soberania ilimitada. com a invocação de imperativos de ordem econômica. que na prática é dada com antecedência e tem caráter duradouro. M ar ter ritorial: extensão . Essa autorização também pode vir expressa em tratado. Não há. . . sob risco de ato ilícito. ou no caso de pedido feito pelo capitão ou cônsul) 205. em igual extensão.203.

.Cuida-se de uma segunda faixa. e. de liberdades que distinguem essa área do mar territorial. cede lugar às inclinações abruptas que conduzem aos fundos marinhos. geograficamente. adjacente ao mar territorial. de igual largura. cuja profundidade em geral não excede 200m. Seção I I I PL A T A F O R M A C O N T I N E N T A L E F U N D OS M A R I N H OS 211. em princípio. São as liberdades de navegação (mais ampla que a passagem inocente). onde o Estado costeiro pode tomar medidas de fiscalização em defesa de seu território e de suas águas.O Estado também exerce jurisdição sobre zona em matéria de preservação do meio marinho e investigação científica e instalação de ilhas artificiais.A adoção da zona contígua só faz sentido quando a extensão do mar territorial respeita os padrões internacionais. Seção I I Z O N A E C O N Ô M I C A E X C L USI V A 208. E ntendimento . 209. 207.Sobre essa plataforma e seu subsolo o Estado costeiro exerce direitos soberanos de exploração dos recursos naturais. Direitos do Estado costeiro que se sobrepõe. à zona contígua -.. conservação e gestão de recursos . de sobrevôo e de colocação de cabos ou dutos marítimos. . na zona exclusiva de qualquer deles. e cuja largura máxima é de 188 milhas marítimas contadas do limite exterior daquele. 210. assim. com direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento.Trata-se de uma faixa adjacente ao mar territorial o que se perfazem 200 milhas a partir da linha base. mar entre eles). Zona contígua . daquela parte do leito do mar adjacente à costa. Regime jurídico da plataforma continental . 324.Cuida-se. a uma boa distância do litoral.Todos os Estados gozam. Essa questão fica mais clara com a ilustração da pg. e que.Critério da Eqüidistância para a delimitação dos mar territorial no caso de países costeiros adjacentes ou confrontantes (um de frente para o outro. Direitos da comunidade . . alcançando no máximo 12 milhas.

ao sobrevôo. Seção I V ALTO MAR 213. Disciplina da navegação . A área fica além dos limites de jurisdição nacional. Seção V T R Â NSI T O M A R Í T I M O : EST R E I T OS D E C A N A IS .A área e seus recursos constituem.para o exercício desse direito. patrimônio comum da humanidade. e os navios de guerra podem exercer autoridade sobre navios mercantes de igual bandeira (direito de visita . ou seja. segundo a Convenção. . a Convenção de 1982 deu o nome de área. Regime jurídico dos fundos marinhos .Nos termos da Convenção de 1982. Princípio da liberdade . o limite exterior da plataforma continental coincide com ultrapasse 350 milhas marítimas. à pesca e à investigação científica.O direitos econômicos do Estado costeiro sobre sua plataforma continental são exclusivos: nenhum outro Estado pode pretender compartilhá-los.O alto mar deve ser utilizado para fins pacíficos e no exercício de suas liberdade cada Estado se obriga a levar em conta os interesses dos demais.Presume-se que em alto mar todo navio se encontra sob a jurisdição do seu Estado patrial.Ao leito do mar na região dos fundos marinhos. 215. à colocação de cabos e dutos submarinos.Deve haver sempre um vínculo de substancial entre o Estado e o navio que arvora a sua bandeira.. Restrições à liberdade . e ao respectivo subsolo. 214. à construção de ilhas artificiais e instalações congêneres. a liberdade concerne à navegação. . deve haver fundamentada suspeita sobre o navio). das plataformas continentais.Segunda a Convenção de 1982. 212.A liberdade do alto mar é ampla: diz respeito à navegação e a todas as formas possíveis de aproveitamento. e nenhuma pretensão restricionista podendo emanar da autoridade soberana de qualquer Estado. . .

porém não constituem obra da natureza. . .O estreito típico é o corredor cujas águas integram o mar territorial de um ou mais Estados. grandemente acrescidos pelo sistema de comportas. Conceito distinção preliminar costuma fazer-se entre os rios li mítrofes (ou contíguos. ostentam as duas características. Bósforo e Dardanelos. e as taxas só são mais elevadas em razão dos custos. Seu regime jurídico contemporâneo resulta de um ato unilateral. . daí a influência de Estados e capitais estrangeiros. C A PÍ T U L O I I : R I OS I N T E R N A C I O N A IS 218. já estava estabelecido pelo tratado de 18/11/1903. e por haver favorecido a independência do Panamá.Os mais notórios estreitos internacionais são: Gibraltar.Os canais também são corredores que facilitam o trânsito entre dois espaços marítimos. Estreitos: algumas normas gerais . sem discriminação de qualquer espécie. entre o governo local e o dos EUA. obra da companhia de Ferdinand de Lesseps. 217. Belt e Grand Belt. de qualquer bandeira. Magalhães. Sund. os mais importantes rios internacionais. foi construído em 1869 no território egípcio. . que falira. Contudo.O Canal de Suez.Com o tratado de 1977 determinou-se que a administração do canal seria gradualmente transferida aos panamenhos e no ano de 2000 os EUA deixaram de responder militarmente pela defesa do Canal. até então integrante da Colômbia.216. no entanto. Ele foi expropriado e nacionalizado em 1956 pelo governo republicano do Egito em 1956. C anais: regimes singulares . a declaração do governo egípcio de 21/04/1957. ou de fronteira) e os rios de curso sucessivo. . país empreendedor da construção por haver sucedido à companhia de Lesseps.Os dois canais internacionais de maior importância forma construídos no território de países impossibilitados de arcar com o custo do empreendimento. interessando à navegação internacional. No canal do Panamá existe a ampla liberdade de trânsito. Seu regime jurídico. então subordinado à soberania do império Otomano. em sua maioria. .A Convenção de 1982 garante nos estreitos o direito de passagem em trânsito a navios e aeronaves. e que assegura a comunicação entre espaços de alto mar ou zona econômica exclusiva. civis e militares.O Canal do Panamá teve sua construção levada a termo em 1914.

221. O aparato normativo. . Um direito casuístico .Os mais importantes rios internacionais da América do Sul são o Amazonas. O utros Regimes .São poucos os princípios relativos a rios internacionais que se podem afirmar dotados de alguma generalidade. Rios da A mérica do Sul .Regime jurídico do Danúbio: os Estados ribeirinhos. . que se determina em função de qual seja a superfície terrestre ou hídrica subjacente.A Convenção de Barcelona de 1921 proclamou dois grandes princípio: o da liberdade de navegação e o da igualdade no tratamento de terceiros. que é uniforme e ostenta alguma semelhança com o do alto mar. em bases não discriminatórias. O limite entre esses dois espaços está onde termina a camada atmosférica. Todos eles encontram-se abertos à navegação comercial. o Paraguai e o Uruguai. o Paraná.Dois regimes jurídicos distintos: o do espaço aéreo. Esse texto é. por força de tratados bilaterais remotos e no caso do Amazonas pelo ato unilateral de 1866. no entanto. e o do espaço extra-atmosférico. cuja navegação. e somente eles. condizente com a realidade daquele continente. C A PÍ T U L O I I I: O ESPA Ç O 222. nesse terreno. no entanto. é livre. respondem pela administração do rio.No continente americano o princípio da liberdade de navegação para terceiros banhados pelo rio Seção I I nunca foi acolhido. Estados não R E G I M ES F L U V I A IS SI N G U L A R ES 220. de concepção européia. Seção I O ESPA Ç O A É R E O 223.Seção I A L G U NS PR I N C ÍPI OS 219. é dominado pela casuística. Distinção preliminar . Princípios elementares .

(4) a de embarcar passageiros e mercadorias com destino ao Estado patrial da aeronave. é livre a navegação aérea. Senhor absoluto desse espaço.As Convenções de Chicago instituíram a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). sobre os espaços onde não incide qualquer soberania estatal: o alto mar 224.Segunda as regras de Chicago. que se comprovará à vista de sua matrícula. mas em bases não discriminatórias. Nacionalidade das aeronaves .O Estado exerce soberania plena sobre os ares acima de seu território e de seu mar territorial. . . todo avião utilizado em tráfego internacional deve possuir uma nacionalidade se necessária. versada na Convenção de Varsóvia tema da aviação civil internacional. que tem sede em Montreal e cujo principal propósito é uniformizar as regras sobre o tráfego aéreo.. .Por outro lado.Liberdades técnicas: (1) a de sobrevôo do território. o Estado subjacente só o libera à aviação de outros países mediante a celebração de tratados ou permissões avulsas. Normas convencionais . três tratados multilaterais dignos de nota precederam as negociações de Chicago ao final da segunda grande guerra: a Convenção de Paris 1919. o incluindo o pólo norte e o continente antártico.Liberdades comerciais: (3) a de desembarcar passageiros e mercadorias provenientes do Estado patrial da aeronave.Em matéria de aviação civil. . escala técnica. . tendo o Estado subjacente o direito de proibir certas áreas em nome da segurança. e (2) a da e única -. e autoriza a respectiva proteção.As Convenções de Chicago 1944 (três convenções principais e doze textos ancilares) regem em todos os aspectos que não a responsabilidade. 225.Não há no espaço aéreo um direito de passagem inocente.Companhias aéreas de propriedade plurinacional: cada avião deve possuir uma nacionalidade singular. O sistema das cinco liberdades . Esse vínculo implica a responsabilidade de um Estado sobre o engenho.e por isso membros da OACI mantêm em . (5) a última liberdade depende de ajuste especial e consiste em . no espaço aéreo o mesmo regime jurídico da superfície adjacente.Os países partes das Convenções de Chicago . 226. desse modo. Projeta-se. determinada por seu registro ou matrícula. . civil ou militar. a Convenço de Havana 1928 e a Convenção de Varsóvia 1929.

impondo-se-lhe respeito pela vida humana Seção I I destacadamente a de civis. ou provenientes de outros países membros da O ESPA Ç O E X T R A-A T M OSF É R I C O 228. esses textos contam com a participação de virtualmente toda a sociedade internacional. Convenção de Haia de 1970. o Sputnik. G ênese das normas . passageiros e mercadorias com destino a OACI. Cooperação e pacifismo relativo . . 229. Ou seja. Ao contrário das Convenções de Chicago de 1944. passageiros de um vôo comercial regular). tanto na órbita da Terra quando na de seu satélite os tratados só proíbem a colocação de engenhos dotados de armamento nuclear e de destruição em massa. conflitos internacionais não são . Noção de conflito internacional: (definição estabelecida pela Corte da Haia). e o primeiro pouso na Lua de uma nave tripulada. Contudo.Convenção sobre registro internacional corpos celestes junto à secretaria da ONU de objetos lançados no espaço exterior (1975) e Convenção sobre as atividades dos Estados na Lua e em outros o chamado Tratado da Lua : nesses textos fica claro que a Lua só deve ser utilizada para fins pacíficos. 349 . sobre infrações praticadas a bordo de aeronaves. que podem ser simples engenhos de reconhecimento até armas não alcançadas pela proibição expressa. Segurança do tráfego aéreo . PA R T E I V C O N F L I T OS I N T E R N A C I O N A IS pag. em 1969. em seu território.permitir que aeronaves do outro Estado embarquem e desembarquem. e forçar o respectivo pouso. Não ficam proibidas outras formas de utilização militar das órbitas. 227. e começou a forjar-se entre dois acontecimentos memoráveis: a colocação em órbita do primeiro satélite artificial. para repressão do apoderamento ilícito de aeronaves. Convenção de Montreal de 1971. para repressão dos atos ilícitos contra a aviação civil.382 230. em 1957.Protocolo de 1984: contra os abusos do próprio Estado na preservação de sua segurança territorial (todo Estado pode interceptar avião estrangeiro que viole seus ares. mas que seu direito de reagir não é ilimitado.Convenção de Tóquio de 1963.O direito relativo ao espaço extra-atmosférico é estritamente convencional.

Não há qlq intervenção de terceiros. e. através dos quais as organizações internacionais compõem as partes e resolvem os conflitos. apenas oferece um campo neutro para negociação. insatisfatória ou inexistência. Caso o meio escolhido mostre-se ineficaz. 234. além dos meios diplomáticos. deverão suprir a falha mediante métodos integrativos de raciocínio jurídico (analogia e equidade). podem os países tomar outra via sem que haja maiores problemas. quando for incompleta. só se falava em meios diplomáticos e arbitragem. É geralmente um serviço oferecido pelo terceiro e poderá ser recusado. O mediador. Sistema de consultas: é o entendimento direto programado. Hoje. XX. Bons ofícios: é o apoio instrumental dado por terceiro que é pessoa de direito internacional (um Estado ou organização) para facilitar o entendimento direto entre os contendores. cabendo a preferência das partes a escolha de acordo com a natureza do conflito. O conflito pode ser entre dois Estados. CAPÍTULO I SOLUÇÃO PACÍFICA 232. Tanto o juiz quanto o árbitro tem a tarefa de aplicar a norma jurídica ao caso concreto. Estes são similares aos meios diplomáticos no que tange à plasticidade de sua operação e de seus resultados. e buscarão solucionar suas pendências. 235. Esse entendimento faz-se em caráter avulso ou no quadro de comunicação diplomática entre os dois Estados. exceto o inquérito fatos e propende. 231. assim. . Para que o entendimento seja eficaz. A arbitragem hoje concorre com as corte permanentes (nas vias judiciais). É instrumental uma vez que o terceiro não oferece solução para o conflito. Proposição da matéria: Não há escalonamento hierárquico entre os meios pacíficos para a solução de conflitos. E ntendimento direto em sua for ma simples: os contendores resolvem-se através de negociações.necessariamente guerras. deve haver equilíbrio entre os Estados. há a previsão (normalmente em tratados) de encontros periódicos nos quais os Estados farão uma exposição de suas reclamações mútuas. Ambos se diferem do judicial uma vez que não se comprometerem ao direito. sem ao menos conhecer as razões de cada parte. sem intervenções de terceiros (a qlq título). entre grupos de Estados ou até entre Estados e organizações internacionais. a junta de conciliação e o Conselho de Segurança da ONU podem resolver o conflito sem a aplicação da norma jurídica. e pode ser oral ou com troca de notas entre a chancelaria e a embaixada. foram desenvolvidos os meios políticos. acumuladas durante o período. a anteceder uma jurídicos e políticos são alternativos entre si. SEÇÃO I MEIOS DIPLOMÁTICOS 233. com base no diálogo direto e programado. E volução dos meios: Nos primeiros anos do sec.

uma organização internacional. e em ambos os casos pode ser recusada (pelas partes ou pelo mediador). O mediador deve ter confiança das partes. que são ameaça ao clima de paz. A mediação pode ser exercida por um Estado. Ambos os órgãos tem competência para investigar. política ou jurisdicional. Inquérito: é um procedimento preliminar de instância diplomática. só terá eficácia se os contendores acharem a proposta satisfatória e decidirem agir em sua conformidade. É um meio diplomático para estabelecer a materialidade dos fatos. 238. devendo haver o consenso de seus cinco membros para tanto. Dessa forma. como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (1982). Ó rgãos políticos das Nações Unidas: devem ser usados para conflitos de certa gravidade. não em casos nos quais há dúvida sobre interpretação de determinada norma convencional. Os dois órgãos mencionados são de acesso dos litigantes ou de terceiro para dar soluções em geral provisórias e eventualmente definitivas. O inquérito não tem objetivo de propor solução. Como na mediação. ou até por vários Estados simultaneamente. Pode haver revelia de uma parte. a solução não tem força obrigatória para as partes. revelia. podendo usar de força militar que está à disposição dos membros das Nações Unidas. sendo um da nacionalidade do Estado. enquanto a Assembléia se reúne em certos períodos do ano. e discutir conflitos. e estes quatro conciliadores (dois de cada Estado) escolheram um quinto que terá a presidência da comissão. É necessária em situações onde é necessário o esclarecimento de fato. Mediação: terceiro toma conhecimento do desacordo e das razões de cada um dos contendores para propor-lhes uma solução. SEÇÃO II MEIOS POLÍTICOS 239. Em casos de ameaça à paz só o Conselho tem poder de agir preventiva e corretivamente. para a qual cada parte deve indicar dois conciliadores de sua confiança. Conciliação: é uma variante da mediação. As decisões são formadas pela maioria e estabelecidas no relatório em que a comissão propõe uma solução para o conflito. se a iniciativa de ir à Assembléia ou ao Conselho for apenas de uma parte. encialmente da . Há uma comissão de conciliação. apenas apurar os fatos ainda ilíquidos. O parecer/a proposta do mediador não obriga às partes (o que o difere de um árbitro ou juiz). ou pode haver revelia de ambas as partes se o secretário-geral ou um terceiro Estado levar o conflito à mesa de debates. Ela está prevista em diversos tratados. É conduzido por comissões semelhante às de conciliação (com representantes das partes e investigadores neutros). Ela pode ser oferecida ou solicitada.236. um estadista (pessoa no exercício de elevada função pública) que representa pessoa jurídica internacional. No entanto. com maior aparato formal. não havendo. assim como expedir recomendações. O Conselho de Segurança tem preferência uma vez que está permanentemente acessível. 237. para que se ingresse adequadamente em uma via de solução de conflito. portanto.

e na LEA só serão obrigatórias se o conflito for apresentado por ambos os Estados. Conceito: do direito e profere decisoes obrigatórias.é um meio político que. Ademais. quando esse é o caso. caberá às partes a escolha do árbitro. Ambas as organizações citadas tem conselhos permanentes. Esquemas regionais e especializados: as organizações de alcance regional e vocação política. 240. não têm obrigatoriedade para as partes conflitantes. o descumprimento de uma sentença arbitral constitui um ilícito internacional. os árbitro escolhidos são monarcas ou chefes de Estado. a arbitragem é um mecanismo jurisdicional não judiciário para resolver conflitos internacionais. O foro arbitral não é permanente: uma vez proferida a sentença. formados por representantes de todos os seus membros. termina o trabalho do árbitro em relação ao conflito. têm mecanismos análogos aos da ONU para solução de litígios entre seus integrantes. soberania ou integridade nacional. uma vez que o foro arbitral nao tem permanência e não tem profissionalidade (o juiz arbitral é escolhido ad hocI pelas partes com o fim de decidir a material sobre a qual versa o litigio). Nesse caso. Na via judiciária. Por exemplo. 243. sabe-se a redação da sentença e o estudo do caso ficaram a cargo de anônimos conselheiros jurídicos (que nem sempre são os mais . a delimitação do direito aplicável e a descrição da matéria conflituosa. Nesse mecanismo. Jurisdição ad hoc: Como já dito. Subseção 1 A arbitragem 242. Na OEA as recomendações e propostas não são obrigatórias. como a Liga dos Estados Árabes de 1945 e a Organização dos Estados Americanos de 1951. Certas organizações especializadas dispõem mecanismos chamados de ratione materiae. Cumpre lembrar que tanto o juiz quanto o árbitro emitem decisoes obrigatórias para as partes. como os diplomáticos. jurisdicional não judiciário. No entanto. os contendores não terão direito a voto. nos quais busca-se a solução de conflitos antes do buscar socorro na ONU. sendo que a matéria não deve afetar sua independência. Á rbitros e tribunais arbitrais: Muitas vezes. o juiz é um profissional/especialista. SEÇÃO III MEIOS JURISDICIONAIS -se que a arbitragem é um mecanismo 241. a OACI (Organização de Aviação Civil Internacional) pode examinar e propor soluções para conflitos no domínio de interpretação e aplicação da sua própria carta e de compromissos bilaterais concernentes à aviação civil internacional.

o árbitro deverá ser préviamente consultado:para que o tartado bilateral crie encargo para terceiro (o árbitro) deve haver seu consentimento. Cumpre lembra que a confiança para a decisão arbitral pode ser conferida a mais de uma pessoa. os Esatdos devem celebrar um compromisso arbitral. tratado bilateral no qual os contendores descrevem o litígio. podendo haver em seu conteúdo restrições quanto à matéria dos litígios ou o limite de tempo no qual o tratado deverá ser renovado ou revisto. ternima a relação do árbitro com a lide e cabe às partes a fiel excução da sentença. Os nomes são indicados pelos governos que patrocinam a entidade. e comprometem-se a cumprir fielmente a sentença arbitral. podendo cada um indicar no máximo quatro pessoas. os Esatdos devem afirmar que cumpriram de boa-fé a sentença proferida por um árbitro. um colégio de pessoas. Ademais. Natureza ir recor rível da sentença arbitral: A sentença arbitral é irrecorrível. o árbitro pode ser escolhido no quadro da Corte Permanente de Arbitragem. Para que seja válido. não fica dispensado o compromisso arbitral . O compromisso pode ser feito previamente com tratado geral de arbitragem ou com cláusula arbitral em tratados de outra natureza. Uma cláusula arbitral em determinado tratado celebrado pelos Estados estabelece que os conflitos resultantes da aplicação daquele pacto ou sobre a matéria que o tratado contem deverão ser resolvidos por via da arbitragem. uma vez proferida a sentença. Ademais. designam o árbitro ou tribunal arbitral. Ainda. O tratado geral é uma tratado no qual dois ou mais Estados escolhem essa via para a solução de conflitos futuros. embora equívico/impróprio. 245. nesses casos há um risco de que motivação da sentença seja sumária ou nebulosa. Mesmo com esse instrumento. mencionam as regras do direito aplicável. É comum. por exemplo. A Corte Permanente de A rbitragem: É uma lista permanente de pessoas (hoje pouco mais de 200) qualificadas para funcionar como árbitros. Ademais. uma vez que apenas diante do caso concreto pode-se escolher o árbitro. sendo alguém merecedor da confiança dos Estados. escolhidas dentro do rol da Corte. ou seja. dela não cabe recurso. ou seja.qualificados). definem prazos e regras de procedimento (eventualmente). omissão. desvinculado da administração e independente da indicação ad hoc de qualquer Estado. inpendente de tratado ou cláusula de arbitragem. Base jurídica da arbitragem: Ao optar pela arbitragem. Ainda. podendo o estadista ter receio de proferir decisão que no futuro possa voltar contra seu interesse próprio. 246. poderão as parte fazer esclarece osburidade. 3 neutras e 2 cada uma representando um Estado. Nâo obstante. ambiguidade ou contradição da sentença (correnponde aos . os árbitros podem ser representantes dos Estados sem que sejam estadistas. 244. que devem ser escolhidas pelos Esatdos litigantes. podendo ser.

empresas e entidade públicas. 248. Cumpre lembrar que a única prerrogativa jurisdicional do Estado é eventual pedido de interpretação. 247. O brigatoriedade da sentença arbitral: Como já mencionado. No entanto. principalemente do que sucumbe por força da decisão. ainda acusar de nulidade a sentença. ou seja. caso o Esatdo decida ilicitamente desobedecer. equacionando conflitos entre soberanias. ou aplicando normas jurídicas que evidente impertinência. 250. ou abuso ou desvio de poder. Subseção 2 Solução judiciária 249. se chamou Corte Permanente de Justiça Internacional. a sentença arbitral não é simples recomendação. A corte da H aia: duas fases: A corte instalada na cidade de Haia. o árbitro não tem nenhuma milícia que garante o cumprimento pela força. nas soluções judiciárias existem jurisdições permanentes. a jurisdição internacional só é exercida. Nesse casos. entre Costa Rica. Internamente. Honduras. seu fiel cumpriemento depedne da boa-fe das partes. p mais importante e o mais antigo tribunal internacional é a Corte de Haia. mas não era um órgão da . sendo 11 efetivos e 4 suplentes. quando estas previamente deliberam submeter-se à autoridade das cortes. Ela foi programada pelo Pacto da Sociedade das Nações (SDN) e seus juízes são eleitos pelo Conselho a pela Assembléia Geral dessa Sociedade. Ela possui 15 juízes. respeitando assim o princípio pacta sunt servanda . decidindo sobre mais ou sobre algo diverso. assim se eximindo do cumprimento da sentença. e foi a primeira corte com vocação universal. Uma opção soberana: Diferente da arbitragem. O fundamento dessa obrigatoriedade esta no fato de que os Estados assumiram o compromisso. A primeir Corte internacional foi a Corte de Justiça Centro-Americana. ou seja. em 1907. imputando ao árbitro falta grave ou corrupção. Uma história recente: A jurisdição judiciária é recente em nossa história. tem se notado que as alegações são de que o árbitro se desviou do encargo que lhe fora conferido no compromisso arbitral. elas nao exercem a mesma autoridade inata dos juízes e tribunais no âmbito interno de cada país. que durou 10 anos. as cortes regionais ou especializadas só surgiram após a segunda guerra mundial. Contudo. em sua primeira fase. é uma decisão de indole jurisdicional. Seu não cumprimento é um ato ilícito. Porém. tradicionais e sólidas ao extremo. criada em 1920. sobre pessoas e territórios. prometeram executar a sentença. o tratado que serviu de base jurídica para a arbitragem é o que confere a obrigatoriedade da sentença. El Salvador. Sendo assim. diferente da arbitral que tem dois milênios de existência. a sentença arbitral nao é executória. firmada por tratado. Hoje. Guatemale e Nicarágua.embargos declaratórios do direito brasileiro). aceitando demandas de quaisquer Estados. 251. Poderá uma parte. De resto. obrigatória. os Estados exercem sua soberania com a imposiçao de ações aos indivíduos. profissionalizadas. C arência de executoriedade: Embora definitiva e obrigátoria.

Contudo. b) Assim como na arbitragem.estrutura da SDN. Dessa forma: a) O Estado autor de uma demanda demonstra sua submissão à Corte ao ajuizar o pedido inicial. com a segunda guerra mundial. O Estatuto da Corte manteve-se o mesmo de 1920. com mudanças de adaptação às novas circunstâncias. uma vez citado. podendo ser reeleitos. 253. é um dos órgãos da organização. 255. c) O Esatdo réu não poderá recusar a jurisdição da Corte quando for obrigado a aceitá-la por tratado. Como consta na carta da ONU. ou por cláusula facultativa de jurisdição obrigatória (similar à cláusula de arbitragem). Ela não é acessível às organizações internacionais nem aos particulares. não podendo investir na Corte dois juízes de mesma nacionalidade. a Corte ressurgiu com diferente nome: Corte Internacional de Justiça (CIJ). a CPJI (e a SDN) foi extinta em 1939. Competência contenciosa: A Corte exerce sua competência contenciosa julgando litígios entre Estados soberanos e neles aplicando o direito internacional. poderão estabelecer que o primeiro a deduzir suas razões deverá ajuizar demanda contra o outro. com renovação de um terço a cada 3 anos. e as despezas são à conta do orçamento das Nações Unidas. ficando comprometidos os Estados demandados e os autores de ações. deixando dúvidas sobre sua natureza jurídica. Juízes da Corte da H aia: São 15 juízes efetivos. 254. 66 Estados são comprometidos pela cláusula. Hoje. que poderá contestar e reconvir. inclusive no número de artigos. se abstendo de rejetirar o foro. Podem ser eleitos juristas o habilitados a ocupar nos respectivos países as mais altas funções judiciárias ou consultivas. 252. E por fim. sendo excluídos a Rússia. a . sem suplentes. Dessarte. os EUA. devem haver representantes tanto da common law quanto da escola romano-germânica. os salários equivalem-se àqueles (em média) dados aos juízes do mais alto nível nos países industrializados. O conjunto dos juízes deve representar os diversos sistemas contemporâneos do pensamento jurídico. Para que seja excluído uma juiz da Corte antes do final do mandato é necessária decisão unânime dos demais juízes. Vale lembrar que os Estados litigantes devem aceitar a jurisdição da corte para que esta possa cumprir sua função. permidita a reelaição. podendo o Esatdo ser membro da ONU e parte no Estatuto e não firmá-la. os estados podem estabelecer em tratado bilateral a submissão de certo litígio à Corte. Essa cláusula possui reciprocidade. o que nunca ocorreu. elegidos em voto separado pela Assembléia Geral e o Conselho de Segurança da ONU e com mandato de 9 anos. C láusula facultativa de jurisdição obrigatória: A clásula é de aceite facultativo. uma vez que os Estados se dirigem a Corte em conjunto. demonstrará sua aceitação ao contestar o mérito. e o Esatdo demando. poderá não haver distinção entre autor e demandado. De outro modo. ou seja. 1945: a ressur reição da Corte: Com o fim da guerra. O presidente e o vice são eleitos para mandatos de 3 anos.

Existem os tribunais administrativas. Competência consultiva: Além de emitir acórdãos no exercício de sua competência contenciosa. ou ainde de outros ógãos ou entidades especializadas que a Assembléia tenha autorizado a requerer tais pareceres (FMI. Essa é uma faculdade do Estatuto da Corte: o ingresso da cláusula pode ter prazo determinado. uma vez só assim cumprem sua função. sendo admitidas as provas usuais. Todos os mencionado (menos a Rússia) já foram vinculados a cláusulas e preferiram não permanecer. em razao de ambigüidade na linguagem do Esattuto anexo à Carta das Nações Unidas. sendo todas avulsas e independentes. OIT. tendo a Corte jurisdição apenas sobre os Estado que a ela se submeterem. Sem ser obri 258. A obrigatoriedade é foco de dúvidas no caso de medidas cautelares. 257. discutindo-se. a ONU tem afirmado a obrigatoriedade destes. L inhas gerais do procedimento: As línguas de trabalho na Corte são francês e inglês. OMS. a função pública internacional. 256. Desse modo.China. dessa forma. nos quais normalmente de um lado se encontra a própria organização e do outro alguém que lhe tenha prestado serviço. Vale lembrar o princípio pacta sunt servanda . As comunicações (p. entre outros). nos anos recentes. Diferente da sentença arbitral. As decisões são tomadas por voto majoritário. No entanto. OACI. especializadas em direitos humanos. a França e o Brasil. Outros países foram além. estabelecendo limites ratione materiae. devendo ser renovado com seu término. razões escritas e sustentações orais. a Corte emite pareceres consultivos a pedido da Assembléia Geral ou do Conselho de Segurança da ONU. não excluindo a arbitral. como o da ONU. Vale mencionar a Corte Européia e a Corte Interamericana. Banco Mundial. Natureza do acórdão : O acórdão da Corte e definitivo e obrigatório. e o processo não difere substancialmente do curso de processos cíveis num foro interno do gênero do nosso. ex. e qualquer voto (vencido ou não) pode se juntado ao acórdão. que é aberta aos Estados membros da comunidade e aos . o acórdão pode ser executório em circunstâncias excepcionais. citação) ficam a cargo do cartório da sede da Corte. além da Corte de Justiça da União Européia especializada no direito comunitário (correta interpretaçao e aplicação do acervo normativo que rege a comunidade européia). 259. Não é próprio de uma instituição judiciária fazer sugestões cujo acolhimento depende da vontade do demandado. sabe-se que o descumpriemento da sentença por parte do Estado é um ato ilícito. Cortes regionais e especializadas: Não há no plano internacional uma hierarquia judiciária entre as diferentes cortes. em Haia. mas a outra parte denunciar o descumprimento ao Conselho de Segurança e este poderá julgar necessário (de forma a preservar a paz e as seguranças coletivas) tomar medidas próprias para fazer cumprir o acórdão.

  . Existem ainda muitas outras cortes. a autoridade e empresa internacionais que a Convençao que criou o tribunal instituiui. individuos ou empresas nacionais daqueles Estados. e as empresas privadas que tenham vínculo contratual com uma ou outra. como o Tribunal Internacional de Direito do Mar. aberto aos Estados-partes .particulares.

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