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A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado

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As idéias formuladas pelos filósofos europeus dos séculos XVII e XVIII, destacando-se Rousseau, Locke, Hobbes e Mostesquieu, constituem a base do pensamento liberal. Embora as reflexões e proposições apresentadas por esses filósofos não sejam extamente as mesmas, inclusive apresentando argumentos opostos em alguns pontos, constituem os elementos essenciais que fundamentaram o pensamento liberal e influenciaram decisivamente a dinâmica política das sociedades.
Antes do homem se organizar em uma sociedade, no estágio chamado estado de natureza, no qual não havia noções de leis, poder ou qualquer tipo de organização, as relações humanas eram regidas por alguns princípios que só podiam ser conhecidos a partir da razão. Neste estado, os seres humanos eram naturalmente iguais, livres e portadores dos mesmos direitos naturais. Dessa forma, sustentados por essa teoria do direito natural, os dois principais valores que fundamentam o pensamento liberal são o direito à liberdade e à propriedade.
Com base nesses príncípios, as proposições de Hobbes, Locke, Rousseau e Mostesquieu convergem para a formulação de que, em determinado momento, como forma de proteger e garantir esses direitos naturais, o homem decidiu viver em sociedade.
Para Hobbes, no estado de natureza, o homem se encontrava em uma condição miserável, apesar de gozar de liberdade e indepêndencia. Segundo o autor, não havia para o ser humano a condição de segurança, sendo que a única garantia de proteção à vida e aos bens que possuía era a própria força com a qual um indivíduo poderia combater outro. Dessa forma, Hobbes, ao contrário dos demais filósofos, defende que o estado de natureza corresponde ao estado de guerra.
Ainda segundo a concepção de Hobbes, a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, em determinado momento da humanidade, se deu a partir da celebração de um contrato entre os homens, que em troca da proteção trasferiram ao Estado o direito de utilizar a força em defesa de seus interesses. Neste momento, com a celebração desse pacto, teria se originado a figura do Estado e os homens teriam trocado a liberdade natural pela liberdade civil, bem como a independência pela segurança.
Da mesma forma que Hobbes, encontra-se no pensamento de Montesquieu a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, porém há algumas divergências. Segundo Motesquieu, o estado de guerra se estabelece na vida em sociedade, e que anteriormente, no estado de natureza, o homem vivia em condição de paz e igualdade. Também Rousseau A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado EAD346/133 CIÊNCIA POLÍTICA 2
defende que a o homem no estado de naturez seria incapaz de fazer mal ao seu semelhante, e que o estado de guerra só é possível com o advento da sociedade.
Nota-se que as principais divergências entre os autores que fundamentam o pensamento liberal, referem-se principalmente às motivações que teriam levado o homem a
deixar o estado natural e passar ao convívio em sociedade e às relações entre o estado natural e o estado de guerra. Entretanto, apesar das divergências, encontra-se um elemento comum entre os pensamentos desses autores, que é a proposição de que independente da motivação que tenha levado o homem ao convívio civil, os direitos naturais são necessariamente invioláveis. Segundo Coelho (2010, p.55), “o liberalismo considera a liberdade e a propriedade individuais como direitos humanos inalienáveis”.
As idéias formuladas pelos filósofos europeus dos séculos XVII e XVIII, destacando-se Rousseau, Locke, Hobbes e Mostesquieu, constituem a base do pensamento liberal. Embora as reflexões e proposições apresentadas por esses filósofos não sejam extamente as mesmas, inclusive apresentando argumentos opostos em alguns pontos, constituem os elementos essenciais que fundamentaram o pensamento liberal e influenciaram decisivamente a dinâmica política das sociedades.
Antes do homem se organizar em uma sociedade, no estágio chamado estado de natureza, no qual não havia noções de leis, poder ou qualquer tipo de organização, as relações humanas eram regidas por alguns princípios que só podiam ser conhecidos a partir da razão. Neste estado, os seres humanos eram naturalmente iguais, livres e portadores dos mesmos direitos naturais. Dessa forma, sustentados por essa teoria do direito natural, os dois principais valores que fundamentam o pensamento liberal são o direito à liberdade e à propriedade.
Com base nesses príncípios, as proposições de Hobbes, Locke, Rousseau e Mostesquieu convergem para a formulação de que, em determinado momento, como forma de proteger e garantir esses direitos naturais, o homem decidiu viver em sociedade.
Para Hobbes, no estado de natureza, o homem se encontrava em uma condição miserável, apesar de gozar de liberdade e indepêndencia. Segundo o autor, não havia para o ser humano a condição de segurança, sendo que a única garantia de proteção à vida e aos bens que possuía era a própria força com a qual um indivíduo poderia combater outro. Dessa forma, Hobbes, ao contrário dos demais filósofos, defende que o estado de natureza corresponde ao estado de guerra.
Ainda segundo a concepção de Hobbes, a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, em determinado momento da humanidade, se deu a partir da celebração de um contrato entre os homens, que em troca da proteção trasferiram ao Estado o direito de utilizar a força em defesa de seus interesses. Neste momento, com a celebração desse pacto, teria se originado a figura do Estado e os homens teriam trocado a liberdade natural pela liberdade civil, bem como a independência pela segurança.
Da mesma forma que Hobbes, encontra-se no pensamento de Montesquieu a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, porém há algumas divergências. Segundo Motesquieu, o estado de guerra se estabelece na vida em sociedade, e que anteriormente, no estado de natureza, o homem vivia em condição de paz e igualdade. Também Rousseau A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado EAD346/133 CIÊNCIA POLÍTICA 2
defende que a o homem no estado de naturez seria incapaz de fazer mal ao seu semelhante, e que o estado de guerra só é possível com o advento da sociedade.
Nota-se que as principais divergências entre os autores que fundamentam o pensamento liberal, referem-se principalmente às motivações que teriam levado o homem a
deixar o estado natural e passar ao convívio em sociedade e às relações entre o estado natural e o estado de guerra. Entretanto, apesar das divergências, encontra-se um elemento comum entre os pensamentos desses autores, que é a proposição de que independente da motivação que tenha levado o homem ao convívio civil, os direitos naturais são necessariamente invioláveis. Segundo Coelho (2010, p.55), “o liberalismo considera a liberdade e a propriedade individuais como direitos humanos inalienáveis”.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

Centro de educação aberta e à distância

A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado
Disciplina: EAD346/133 – Ciência Política Professor: Prof. Antonio Marcelo Jackson 2o sem./2010

Bacharelado em Administração Pública – Pólo São José dos Campos Aluna: Gláucia Nalva B. Oliveira R.A.: 10.2.9949

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Sumário
1. Introdução ..................................................................................................................................... 1 2. A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado ...................... 2 3. Referencias Bibliográficas ............................................................................................................ 4

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CIÊNCIA POLÍTICA

A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado

1. INTRODUÇÃO
As idéias formuladas pelos filósofos europeus dos séculos XVII e XVIII, destacandose Rousseau, Locke, Hobbes e Mostesquieu, constituem a base do pensamento liberal. Embora as reflexões e proposições apresentadas por esses filósofos não sejam extamente as mesmas, inclusive apresentando argumentos opostos em alguns pontos, constituem os elementos essenciais que fundamentaram o pensamento liberal e influenciaram decisivamente a dinâmica política das sociedades. Antes do homem se organizar em uma sociedade, no estágio chamado estado de natureza, no qual não havia noções de leis, poder ou qualquer tipo de organização, as relações humanas eram regidas por alguns princípios que só podiam ser conhecidos a partir da razão. Neste estado, os seres humanos eram naturalmente iguais, livres e portadores dos mesmos direitos naturais. Dessa forma, sustentados por essa teoria do direito natural, os dois principais valores que fundamentam o pensamento liberal são o direito à liberdade e à propriedade. Com base nesses príncípios, as proposições de Hobbes, Locke, Rousseau e Mostesquieu convergem para a formulação de que, em determinado momento, como forma de proteger e garantir esses direitos naturais, o homem decidiu viver em sociedade. Para Hobbes, no estado de natureza, o homem se encontrava em uma condição miserável, apesar de gozar de liberdade e indepêndencia. Segundo o autor, não havia para o ser humano a condição de segurança, sendo que a única garantia de proteção à vida e aos bens que possuía era a própria força com a qual um indivíduo poderia combater outro. Dessa forma, Hobbes, ao contrário dos demais filósofos, defende que o estado de natureza corresponde ao estado de guerra. Ainda segundo a concepção de Hobbes, a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, em determinado momento da humanidade, se deu a partir da celebração de um contrato entre os homens, que em troca da proteção trasferiram ao Estado o direito de utilizar a força em defesa de seus interesses. Neste momento, com a celebração desse pacto, teria se originado a figura do Estado e os homens teriam trocado a liberdade natural pela liberdade civil, bem como a independência pela segurança. Da mesma forma que Hobbes, encontra-se no pensamento de Montesquieu a transição do estado de natureza para a vida em sociedade, porém há algumas divergências. Segundo Motesquieu, o estado de guerra se estabelece na vida em sociedade, e que anteriormente, no estado de natureza, o homem vivia em condição de paz e igualdade. Também Rousseau
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A essência do pensamento Liberal e os dilemas da divisão de poderes do Estado

defende que a o homem no estado de naturez seria incapaz de fazer mal ao seu semelhante, e que o estado de guerra só é possível com o advento da sociedade. Nota-se que as principais divergências entre os autores que fundamentam o pensamento liberal, referem-se principalmente às motivações que teriam levado o homem a deixar o estado natural e passar ao convívio em sociedade e às relações entre o estado natural e o estado de guerra. Entretanto, apesar das divergências, encontra-se um elemento comum entre os pensamentos desses autores, que é a proposição de que independente da motivação que tenha levado o homem ao convívio civil, os direitos naturais são necessariamente invioláveis. Segundo Coelho (2010, p.55), “o liberalismo considera a liberdade e a propriedade individuais como direitos humanos inalienáveis”.

2. A ESSÊNCIA DO PENSAMENTO LIBERAL E OS DILEMAS DA DIVISÃO DE
PODERES DO ESTADO O pensamento liberal, ou liberalismo, surgiu essencialmente como forma de oposição ao poder absoluto. Buscou explicar as relações de poder na sociedade e a função do Estado a partir de uma perspectiva individulista, isto é, o Estado surge a partir do indivíduo. Se os homens, em comum acordo conceberam a figura do Estado e tranferiram de livre e espontânea vontade a legitimidade do uso da força física, isto quer dizer que o poder do Estado se origina com aprovação do indivíduo em troca de defesa de interesses coletivos. A função do Estado é então representar todos aqueles que o conceberam, garantindo a segurança, liberdade e a propriedades dos indivíduos. O poder do Estado, segundo o liberalismo deve ser sempre limitado pelos direitos naturais dos indivíduos e em hipoótese nenhuma atentar contra eles. Dessa forma, os principais elementos do liberalismo apresentaram forte oposição ao absolutismo. Ao afirmar a igualdade entre os homens e conceber a idéia de que o poder político do Estado se origina de um pacto entre os indivíduos, o liberalismo desetruturou as monarquia hereditárias que se utilizavam do Direito Divino como forma de legitimar o poder político que exerciam. Diante da caracterização do poder do Estado como o poder político originado pela força e vontade do povo e não por força divina, fez-se necessário definir a organização do Estado, isto é, a estrutura que determina a forma com que o poder é exercido. A definição clássica para a organização do Estado foi apresentada por Montesquieu através da teoria da separação dos poderes, na qual o poder do Estado pode ser dividido de acordo com as três funções fundamentais que norteiam as ações do Estado: a função de criar as leis, a função de
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fazer cumprir as leis e a função de julgar o cumprimento e execução das leis. Também Aristóteles citou em sua obra “A política”, séculos antes de Montesquieu, a caracterização do poder político do Estado com base nas funções de produzir leis, administrar e julgar. Porém, foi Montesquieu quem propôs formalmente a divisão funcional do poder, enumerando as funções: legislativa, executiva judiciária. Embora Locke e Rousseau tenham também se referido à divisão dos poderes do Estado de acordo com as funções exercidas, a razão pela qual a a teoria da divisão dos poderes ter sido classicamente atribuída à Montesquieu deve-se ao fato deste ter introduzido o conceito de igualdade entre os poderes, isto é, ao se dividir as ações que deveriam ser exercidas por pessoas ou instituições diferentes, os poderes deveriam funcionar harmonicamente, com pesos iguais, assegurando o equilíbrio e a unicidade do poder do Estado. Porém, há um dilema entre essa definição de igualdade e equilibrio proposta por Montesquieu e a realidade política contemporânea. Segundo Coelho (2010, p.38)
“Qualquer que seja a forma assumida pelo, o Poder Executivo, ou, mais precisamente, o governo e o conjunto de instituições subordinadas ou vinculadas ao chefe de governo, que exercem as funções executivas, têm papel preponderante.”

Podemos fundamentar esta afirmação a partir da definição de poder político, de acordo com a tipologia moderna, a qual destaca que o exercício deste tipo de poder é assegurado àquele que detém a posse dos meios para exercer a força física. Sendo assim, ao analisarmos a estrutura de divisão dos poderes de Montesquieu, podemos identificar que é o Executivo o detentor dos meios de coerção física, logo, dentro da estrutura estatal, é este que assume o papel preponderante. Da mesma forma, o Prof. Antonio Marcelo Jackson1 enfatiza que, em termos visuais, para a sociedade, é sempre o Poder Executivo que mantém a preponderância, pois é este o que mais se destaca através de sua atuação expressiva, sendo na administração da educação, da saúde pública, no recolhimento dos impostos e em todas as demais áreas de atuação previstas de acordo com a organização do Estado. A partir da preponderância de um dos poderes em relação aos demais, observa-se um impasse ao estabelecimento do princípio de igualdade entre os poderes concebido por Montesquieu. Ao propor a divisão funcional, o filósofo não pretendia dividir o poder do

Video-Aula Características do Poder do Estado ministrada pelo Prof. Antônio Marcelo Jackson. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=XQQr-xJsPoE . Acesso em out/2010.

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Estado, mas apenas dividir as diferentes funções de forma igualitária, para que o exercício do poder não se tornasse absoluto. A preponderância de um tipo de poder é, portanto, uma não aplicação do principio de igualdade, no que se refere às hierarquias do estado, o que representa um impasse à contraposição ao poder absoluto, defendida por Montesquieu, com o intuito de evitar a concentração de poder em um único organismo e com isso ameaçar os direitos naturais dos indivíduos governados.

3. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COELHO, Ricardo Corrêa. Ciência Política. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasilia]: CAPES: UAB, 2010.

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