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RESUMO - OBRIGAÇOES CAPANEMA 2010

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Resumo de Aulas - Obrigações 2010
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08/21/2013

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Os requisitos da compensação legal, que valem também para a compensação

judicial, são:

a) Reciprocidade do crédito e débito,

b) Liquidez e exigibilidade das dívidas;

c) Fungibilidade das prestações (dívidas da mesma natureza).

d) Devem ser líquidas

e) Já estejam vencidas

a) Reciprocidade do crédito e débito:

O primeiro requisito é, pois, a existência de obrigações e créditos recíprocos, isto

é, entre as mesmas partes, visto que a compensação provoca a extinção de obrigações pelo

encontro de direitos opostos. O terceiro não interessado, por exemplo, embora possa pagar

em nome e por conta do devedor (CC, art. 304, parágrafo único), não pode compensar a

dívida com eventual crédito que tenha em face do credor. A lei abre, no entanto, uma

exceção em favor do fiador, atendendo ao fato de se tratar de terceiro interessado,

permitindo que alegue, em seu favor, a compensação que o devedor (afiançado) poderia

argüir perante o credor (CC, an. 371, 2a

parte).

Preceitua o art. 376 do mesmo diploma que uma pessoa, obrigando-se por

terceiro, "não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever". A regra não

se confunde com a do citado art. 371, e se aplica precipuamente aos contratos com

estipulação em favor de terceiro. Assim, quem se obriga (seguradora, p. ex.) em favor de

terceiro (beneficiário) não lhe paga o que lhe prometeu, mas sim o que prometeu ao

estipulante (contratante). E em virtude de obrigação contraída com este que a seguradora

realiza o pagamento ao terceiro. Não há, pois, reciprocidade entre a seguradora e o

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DIREITO CIVIL ± TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
PROF. SYLVIO CAPANEMA DE SOUZA ± JULHO 2010

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beneficiário. Referido dispositivo aplica-se igualmente à hipótese de o mandante dever ao

credor, que por sua vez deve ao mandatário. Inexiste a reciprocidade dos débitos.

Portanto, só se pode compensar créditos e débitos recíprocos. Não se podendo

compensar crédito e débito de um terceiro, salvo numa única exceção.A hipótese seria no

caso de haver um fiador. Assim, é possível que ocorra o seguinte exemplo: ´Aµ seja devedor

de ´Bµ em R$ 1.000,00, que por sua vez é credor de ´Bµ em R$ 500,00. Neste caso, ´Bµ não

paga a dívida de ´Aµ e o seu fiador, cumprindo a sua obrigação, paga a dívida do afiançado,

então o fiador descobre que ´Aµ tem um crédito a receber de ´Bµ. Então o fiador pode

compensar com o credor ´Bµ aquele valor que devia, portanto, irá compensar. Note que é

exceção a regra, pois a rigor o fiador não poderia fazer tal compensação, pois é um terceiro,

o devedor ´Bµ nada deve ao fiador, mas se houver tal compensação, é possível neste

exemplo, que os créditos e débitos não sejam recíprocos. (um terceiro participar dessa

relação) A regra geral é que não pode haver compensação de créditos distintos. (art.371

CC).

b) Liquidez e exigibilidade das dívidas:

Dispõe o art. 369 do Código Civil que "a compensação efetua-se entre dívidas

líquidas, vencidas e de coisas fungíveis". Quanto à liquidez, somente se compensam dívidas

cujo valor seja certo e determinado, expresso por uma cifra. Não pode o devedor de uma

nota promissória opor compensação com base em crédito a ser futuramente apurado, se

vencer ação de indenização que move contra o exeqüente. Não basta, porém, que as dívidas

sejam líquidas. Exige-se que estejam vencidas. Nas obrigações condicionais, só é permitida

a compensação após o implemento da condição. E, nas obrigações a termo, somente depois

do vencimento deste. Mas os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não

obstam a compensação legal (CC, art. 372).

Portanto, ambas as prestações a serem compensadas devem ser coisas fungíveis.

Por isso é que o exemplo mais utilizado é o de obrigações pecuniárias, ou seja, dinheiro,

mas qualquer coisa fungível pode ser objeto de compensação (exemplo: ´Aµ deve a ´Bµ 600

sacas de café e ´Bµ, por sua vez, deve a ´Aµ 200 sacas de café). É perfeitamente possível

fazer essa compensação, pois se tratam de obrigações fungíveis, representadas por café.

Não bastam que as obrigações sejam de coisas fungíveis é necessário que

ambas as prestações sejam de mesma qualidade, ou seja, café tipo exportação e café tipo

comum, são de qualidades diferentes.

Se houver conversão das prestações em dinheiro, ou seja, coisas infungíveis e

depois converter em dinheiro. Neste caso, haverá, desde que as partes estejam de acordo,

uma transação (para a conversão) e aí sim, haverá uma compensação entre as obrigações.

c) Fungibilidade das prestações:

É necessário que as prestações sejam fungíveis, da mesma natureza. Não basta

que as obrigações tenham por objeto coisas fungíveis (dinheiro, café, milho etc.). É

necessário que sejam fungíveis entre si. Assim, dívida em dinheiro só se compensa com

outra dívida em dinheiro. Dívida consistente em entregar sacas de café só se compensa com

outra dívida cujo objeto também seja a entrega de sacas de café. Não se admite a

compensação de dívida em dinheiro com dívida em café.

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A restrição legal vai além: "embora sejam da mesma natureza as coisas fungíveis,

objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade,

quando especificada no contrato" (CC, art. 370). Nessa conformidade, se uma das dívidas

for de café tipo "A" (qualidade especificada), só se compensará com outra dívida também de

café tipo "A".

d) Devem ser líquidas:

Ambas as prestações recíprocas devem ser líquidas. Assim, se ´Aµ deve a ´Bµ uma quantia de R$ 1.000,00 e ´Bµ

deve uma obrigação a ´Aµ que, ainda não esteja quantificada pelo seu valor (ilíquida). É necessário que tenha havido a

compensação de ambas as obrigações.

e) Já estejam vencidas:

É necessário que ambas as prestações já estejam vencidas, ou seja, exigíveis. No

entanto, se uma das prestações ainda não venceu, nada impede que as partes possam fazer

uma compensação dessas obrigações, desde que haja um acordo entre elas.

Presentes esses pressupostos, a compensação será devida e, se uma das partes

recusar, poderá a outra parte, inclusive, impô-la, mediante consignação em pagamento da

diferença. A parte só poderá recusar a compensação, se estiver expressamente previsto no

titulo obrigacional ou se houver a ausência de um dos pressupostos.

Porque uma das partes pode compelir a outra a compensação, estando

presentes esses pressupostos? Pois, em nenhum momento, isso causará prejuízo para a

outra parte. A simples recusa estando presente os pressupostos ensejaria um mero

capricho, não tolerável pelo direito.

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