Ética e Deontologia Profissional

Prof. António Frazão TEMA DO TRABALHO: “Denifição de Moral, Ética e Deontologia; Origens da Moral”
Sílvia Alexandra Albuquerque Ferreira 1º Ano de Psicologia, 2009/10 Nº Aluno: 2090738

1º Ano Psicologia.5 ● Moral / Ética …………………………………………………………………………………………………………….6 ● Deontologia …………………………………………………………………………………………………………….6 . 2009/10 INDICE: ● Moral ……………………………………………………………………………………………………………………………3 ● Ética ……………………………………………………………………………………………………………………………..8 ● Conclusão ……………………………………………………………………………………………………………………14 ● Bibliografia ……………………………………………………………………………………………………………….Diferenças e Complementaridade ………………………………………………………………………. História e Evolução ………………………………………….“Definição de Moral.Código de Deontologia / Ética ………………………………………………………………………….3 .…. Ética e Deontologia.7 . Origens da Moral” Sílvia Ferreira.Liberdade e Integridade ………………………………………………………………………………………4 .7 ● Origens dos princípios Morais..….Do Processo de Nuremberga à Bioética ……………………………………………………………..15 2 ..

Ética e Deontologia. contextualizados a nível histórico e social no tempo. que visam regular o comportamento do homem em sociedade. tornando-se numa máxima em que as normas são aceites como obrigatórias e deste modo. as pessoas compreendem e interiorizam que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. pela tradição e pelo quotidiano. já que todo o comportamento sofre um julgamento. seja de modo absoluto. princípios e valores. afim de garantir o bem-estar social. ● Ética é um conjunto de valores que orientam o comportamento humano em relação aos outros homens na sociedade em que vive. é a forma como o homem se deve comportar no seu meio social. e do ponto de vista descritivo. Todo o comportamento é resultado das normas estabelecidas. 3 . não sendo por isso natural. ● ÉTICA ● O termo Ética vem do grego “Ethos” que significa “modo de ser”. educação ou hábitos). que vem de “Mores” significando costumes. são aceites voluntariamente. são adquiridos pela educação. informam sobre o que a pessoas acredita e como esta actua (captados por convicções e inteligência). ● Daí chamar-se ciência dos costumes ou dos princípios da moral. por outras palavras. ● Moral pode ser definida como um conjunto de normas. é a ciência que dita as regras morais que o homem deve seguir afim de praticar o bem e evitar o mal. pois os homens são por natureza seres sociais. Esta ciência é parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios que devem nortear o comportamento humano. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. ● Procura entender e explicar a vida moral do ponto de vista normativo. 2009/10 ● MORAL ● O termo Moral tem a sua origem no latim. apresentam critérios sobre o que são más ou boas acções (transmitidos através da tradição. ou seja.“Definição de Moral. seja relativamente a determinada sociedade. ● A Moral não é somente um acto individual. deste modo entende-se que Moral também é um empreendimento social e esses actos morais quando realizados por livre participação do homem. ● É a ciência da Moral que visa qualificar e julgar a conduta humana do ponto de vista do bem e do mal. 1º Ano Psicologia. ● Tem um carácter obrigatório.

senhor de uma vontade autónoma (princípio supremo da moralidade) em que se encontra implícita a relação com o outro. . Ética e Deontologia.Liberdade para podermos decidir perante as normas que nos são impostas pela Ética. 2009/10 ● Pode-se dizer ainda que Ética… . logo responsável pelos seus actos. mas não quero.Faz uma apreciação das características boas ou más dos comportamentos humanos. As suas decisões. ● Então. decorrem três grandes questões éticas que orientam as escolhas individuais: Quero? Devo? Posso? Ética é exactamente o modo como cada um compreende estas três grandes questões da vida no seu dia a dia. Apesar do Homem ser um ser racional e emotivo. ● Ética implica também Liberdade e Integridade. há muita coisa que quero. ● Da liberdade. origina a noção de identidade pessoal – a autonomia (capacidade de autodeterminação do indivíduo). .“Definição de Moral. sob pena de não poder ser feliz. . A identificação entre a vontade e a razão. 1º Ano Psicologia. O adiamento do prazer com vista à potenciação da felicidade é uma característica do Homem. não deverá determinar-se pelos instintos. de que forma iremos agir.LIBERDADE E INTEGRIDADE . deverão ser determinadas pela racionalidade. tendo sempre em conta que a essência da pessoa reside na sua relação como outro.É constituída pelos princípios que regulam os comportamentos. e devido ao uso da sua razão a Pessoa será um ser incondicionalmente livre.Reflecte a noção que os comportamentos humanos podem ser bons ou maus. revestida de um valor inexorável designado por Kant de dignidade. mas não posso e muita coisa que devo. 4 . Pois. embora influenciadas pelas emoções. ● O homem como ser racional é livre de fazer as suas escolhas. que faz do Homem um ser inteiramente livre. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. mas será também formada a partir deles tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética.

ficou deliberado que outras modificações poderiam vir a ser feitas. médico oncologista nos Estados Unidos em 1970. tornando obrigatória a existência de comissões de ética da investigação nos estabelecimentos de saúde. em 1946. o “Código de Nuremberga”. ● Após a II Guerra Mundial e devido às experiências dos factos ocorridos durante esse período. o “Código de Nuremberga” sofre algumas alterações e.DO PROCESSO DE NUREMBERGA À BIOÉTICA ● A vida humana deverá ser inteiramente respeitada.“Definição de Moral. ● Bioética é uma disciplina autónoma da Ética e surge assente em três realidades distintas: – O grande desenvolvimento das tecnologias nos cuidados de saúde. ● O termo Bioética foi cunhado por Vann Potter. e por isso não poderá ser alvo de investigações e experimentações por parte dos investigadores. para mantê-la sempre actualizada à luz de novas conquistas científicas. Todos os seres humanos são pessoas. no séc. verdadeiro. sempre que necessário. O Ser Humano nunca deverá ser considerado um meio. baseado na declaração dos direitos da pessoa e institui um conjunto de regras de conduta a que todo o investigador se deve submeter quando utiliza pessoas como sujeitos da investigação. completo. . Ética e Deontologia. XX – A existência de abusos e de constantes violações da dignidade humana pela experimentação em seres humanos – A questão ambiental face ao avanço técnico 5 . no ano de 1975. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Não se pode colocar em risco a vida ou a saúde do Ser Humano. E. 1º Ano Psicologia.Integridade é o cuidado para se manter inteiro. 2009/10 . transparente. foi efectivada a “Declaração sobre as pesquisas Biomédicas”. assim como códigos deontológicos preconizados por associações profissionais. desde a fecundação até a morte. ● Em 1962. surge então. sem o seu conhecimento prévio e posteriormente a sua autorização. mas sempre o fim. havendo uma nova revisão em Tóquio. logo sujeitos de dignidade intrínseca. no ano de 1964 em Helsinki. E em diversos países surgem directrizes nacionais. sem mascaras cínicas ou fissuras. houve a necessidade de se estabelecer regras morais de experimentação sobre os Seres Humanos.

Ética e Moral complementam-se. estas estão interligadas. promover o reconhecimento de cada pessoa. Ética e Deontologia. O homem com o seu livre arbítrio vai formando seu meio ambiente ou destruindo. esclarecer ou investigar uma determinada realidade. pois na acção humana o conhecimento e o agir são indissociáveis. a imposição de valores torna-se mais discutível e complexa. Deste modo. Por isso. ● Existem diferentes perspectivas e modelos teórico-práticos. 2009/10 ● A Bioética visa uma melhor adaptação do homem às mudanças. promovendo o aumento da qualidade de vida. mas será também formada a partir deles. 6 . Ética é teórica e reflexiva. As correntes actuais da bioética passam por teorias éticas normativas aplicadas. Vivendo numa sociedade plural. em toda a sua profundidade. ● Ambas têm como função explorar. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta.“Definição de Moral. as deontológicas (concentradas nas normas que regem as acções) e as consequencialistas (preocupadas com possíveis consequências dessas mesmas acções). O princípio e o fim das nossas acções assumem nomenclaturas diferentes: Moral e Ética. ou ele apoia a Natureza ou ele subjuga tudo que pode dominar. enquanto que a Moral é eminentemente prática. Ética e Moral se formam numa mesma realidade. ● A diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais. de que se destacam: as teorias da virtude (centradas nas qualidades do agente). ● As teorias da moral comum derivam da moral compartilhada pelos membros de uma sociedade.DIFERENÇAS E COMPLEMENTARIDADE ● A ética será constituída pelos princípios que regulam os comportamentos. São constituídas por princípios que por não serem absolutos são normalmente aceites pela generalidade das teorias éticas. Ambas significam “respeitar e venerar a vida”. tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética. ● ÉTICA/MORAL . será o objectivo último da bioética. assim sendo a Ética é uma espécie de legislação do comportamento moral das pessoas. ● No entanto. havendo um inter relacionamento entre ambas. 1º Ano Psicologia. em que o direito à autodeterminação individual é defendido. ● Podemos então concluir que a Ética e Moral são os maiores valores do homem livre.

déntos” que se traduz por discurso ou tratado. por um conjunto de profissionais. ● Regra geral.“Definição de Moral. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. ● O Código Deontológico ou Código de Ética é o conjunto de obrigações que um profissional deve cumprir no exercício da sua profissão. 1º Ano Psicologia. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos. por vezes. 2001 ● Tem como objectivo. ajudar a estabelecer a actividade numa classe profissional pelo que. no exercício de sua profissão. nos Estados Unidos. ● Existem inúmeros Códigos de Deontologia. princípios e normas a adoptar por um determinado grupo profissional. adaptando-o. 7 . no entanto. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses. para os infractores do mesmo. a noção de profissão deve incluir um conjunto de procedimentos e valores comuns. por exemplo. é exclusivamente um instrumento consultivo. às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. tendo em vista a qualidade moral das acções profissionais e a correcção das mesmas na relação entre profissional e sociedade. Ética e Deontologia. Golser. constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões. ● É a ciência dos deveres que visa definir o conjunto de deveres. o conjunto de deveres impostas aos profissionais de uma determinada área. ● Deontologia é então. sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. oferecendo apenas uma função reguladora. ● Para além disso. em meados do século passado.CÓDIGOS DE DEONTOLOGIA / ÉTICA O primeiro Código de Deontologia foi feito na área médica. relativas a toda a sociedade. estes códigos propõem sanções. 2009/10 ● DEONTOLOGIA ● O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon. . para além da competência. segundo princípios e procedimentos explícitos. ● Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas. os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas. estes podem.

não pode deixar de praticá-lo. Na época platónica notava-se um desprezo pelo trabalho físico e a exaltação das classes dedicadas às actividades consideradas 8 . Para eles não existiam nem verdade nem erro e as normas. é feliz”. no séc. V a. Sócrates considerava como saber fundamental o saber a respeito do homem. por serem humanas. que privilegiava a relação Homem – Estado. chegamos à civilização grega que influiu de modo avassalador em nosso mundo ocidental. particularmente político e jurídico. Dentro desta conceituação. por conseguinte. aspirando ao bem. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO ● As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. conhecendo-o. matar para não morrer. pela discussão. eram transitórias. Existe assim uma estreita vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana. que consideravam estéril o saber a respeito do mundo. as doutrinas éticas não são consideradas de modo isolado. A “Moral Tribal” se resumia em trabalhar para comer. Ética e Deontologia. e. Daí seu ensinamento básico: “Homem. Nesta nova evolução histórica. E acrescentava: “Só sei que nada sei!” Concluindo: “Deve-se melhorar o conhecimento e aperfeiçoar a conduta”. 1º Ano Psicologia. Sócrates. sendo atraídos especialmente pelo saber a respeito do homem. onde essa será superior àquela e como consequência estabelecia um total desinteresse pelas coisas materiais. e. atitudes de alta agressividade . com os Sofistas. onde a sobrevivência básica se constituía na norma ética fundamental. enquanto afirmava a dualidade Corpo – Alma. em favor quase que exclusivista das coisas do espírito. Naquelas circunstâncias. por outro lado. que. ● Surgiu em seguida. sujeita historicamente à mudança. mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a sua história. sente-se dono de si mesmo e.na nossa conceituação actual . conhece-te a ti mesmo”.“Definição de Moral. 2009/10 ● ORIGENS DOS PRINCIPIOS MORAIS. apesar de também desprezar o conhecimento da natureza e a tradição. O homem da caverna lutava para se alimentar e para preservar o seu abrigo natural. ● A Filosofia Moral começa na antiga Grécia. social. rejeitava o relativismo e o subjectivismo dos sofistas. em particular. Mas o homem primitivo foi evoluindo e suas novas realidades sociais criaram por sua vez novas realidades éticas que modificaram e até mesmo anularam as regras anteriores. A ética socrática é racionalista e pode ser resumida na seguinte colocação: “O homem age rectamente quando conhece o bem. Tornaram-se os mestres que ensinavam a arte de convencer pela argumentação.C. ● Uma moral primitiva surgiu com o próprio homem. ● Segue-se Platão. pelo seu comportamento moral efetivo.poderiam e eram consideradas eticamente válidas.

política e a guerra. mas ao universo (cosmos). O problema moral era colocado sobre o fundo da necessidade física. a física se tornava a premissa da ética. social. Deixava de ter necessidade da comunidade.“Definição de Moral. pois passava a viver moralmente como cidadão do mundo. 2009/10 superiores: contemplação. natural. na ética platónica existia uma estreita unidade da moral e da política. porém com algumas condições necessárias: maturidade. da qual a maior parte – os escravos – estava excluída. Somente os deuses e os animais não tinham necessidade da comunidade política para viver. Ambas as filosofias defendiam que. E esta felicidade não era o prazer ou a riqueza. Não existia a liberdade nem o acaso. era formado de átomos materiais. ● Para os Epicuristas tudo o que existia. os escravos não tinham lugar no Estado ideal. a uma comunidade menor. incluindo a alma. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. guiada pelo que o homem tinha de mais característico e elevado: a razão. do cosmo. Passava a dominar assim uma fatalidade absoluta. ao mesmo tempo. onde só acontecia o que Deus quisesse. Aristóteles considerava que o homem enquanto tal só poderia viver na cidade. Para se realizar esta vida. um bom cidadão. Como consequência. Ética e Deontologia. o homem – o sábio – devia ser. ● Para os Estóicos o mundo passava a ser o centro de tudo. Já não era limitado a uma “polis”. Dentro deste quadro. Para ele a ideia não existia separada dos indivíduos concretos. mas que se adquiriam ou conquistavam pelo exercício. pois para ele o homem se formava espiritualmente somente no Estado e mediante a subordinação do indivíduo à comunidade. o homem que vivia no mundo tinha seu destino rígido e só lhe restava aceitar este destino e agir consciente dele. 1º Ano Psicologia. embora estas condições isoladas não bastassem para fazer alguém feliz. opunha-se a seu mestre no que dizia respeito ao dualismo ontológico. surgiram os Estóicos e os Epicuristas. Na sua ética. Mas ele afirmava que esta vida teórica só era possível a uma minoria ou elite. Finalmente considerava Aristóteles que a felicidade se alcançava mediante a virtude. a moral não se definia em relação à cidade. que foi discípulo de Platão. bens materiais. E Aristóteles procurava responder à pergunta fundamental: qual é o fim último para o qual tende o Homem? Para a felicidade. Liberdade pessoal e saúde. ou seja. pois era por natureza um animal político. 9 . estas virtudes dividiam-se em duas classes: as intelectuais e as práticas ou éticas. dizia ele. pois seriam desprovidos de virtudes morais e direitos cívicos. eram fundamentais as virtudes não inatas. Assim. ● Aristóteles. Segundo ele. do mundo. A ideia existia somente nos seres individuais. mas a vida teórica ou contemplação. dizia ele. não havendo nenhuma intervenção divina nos fenómenos físicos nem na vida humana. Por isso. Com a decadência do mundo antigo greco-romano.

Nesta ética. acentuava virtudes supremas ou teológicas: fé. isto é. fortaleza. Muitas vezes a desigualdade material e social não foi condenada pela ética cristã. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. A ética dominante a partir do século XVI até o século XIX denomina-se Ética Moderna. incrementando-se as forças produtivas e a ciência. foi lançada numa época de enormes desigualdades e assim muita incompreensão histórica surgiu dos factos então ocorridos. E Kant deu então o seu mandamento fundamental: 10 . ou num pequeno círculo de amigos. no século seguinte.“Definição de Moral. separando-se a razão da fé. o qual era representado pelo prazer. a tranquilidade da alma e a auto-suficiência. o Estado da Igreja e até mesmo o homem de Deus. marcada pela Revolução Industrial do século XVIII. Houve mudanças na economia. seu criador. a relação do homem. mais do que uma inter-relação com a comunidade ou com o mundo – cosmos. as teológicas relacionavam o homem com Deus. ainda que considerassem alguns prazeres como inadequados. surgiram os movimentos reformistas. Na ordem social surgiu uma nova classe: a burguesia. estava ligada a Deus. Na religião. mas numa época onde não havia condições reais e sociais para esta igualdade efectiva. dando como corolário o início e a expansão do Capitalismo. Mas esta ética de igualdade. 2009/10 Livre assim de temores religiosos. Enquanto as fundamentais regulavam as relações entre os homens. das relações do homem com o seu criador e do modo de vida prático que este homem devia seguir para alcançar a sua salvação. Ética e Deontologia. O homem procurava em si mesmo. tornando-se antropocêntrica e teve sua maior expressão em Kant. Com isto. Também no que dizia respeito às virtudes havia uma superioridade do divino. a natureza de Deus. Para melhor compreender esta situação é preciso situar-se no momento histórico – social do tempo em que tal aconteceu. Na ética cristã. cultos ou incultos. contrapondo-se à Ética Teocêntrica da Idade Média. Na verdade o cristianismo veio dar aos homens. seguindo-se a extinção da sociedade feudal. de pequenos Estados. gerando com isso críticas violentas no mundo moderno. partia das revelações de Deus. a consciência de sua igualdade. a Ética Moderna tornou-se essencialmente antropocêntrica. Racionalista. surge a Ética Cristã. já não existiam as diferenças entre os homens: todos eram iguais diante de Deus. tornou o homem como o centro de sua atenção. essencialmente Teocêntrica. ● No século XV surge a Moral Burguesa. ● No Século IV quando o cristianismo se torna a religião de Roma. caracterizada pela exploração do Homem pelo Homem. independentemente de serem livres ou escravos. dando origem à formação dos grandes Estados. o homem passava a buscar seu bem neste mundo. 1º Ano Psicologia. pela primeira vez em sua história. A Ética Cristã. Esta ética. temperança e justiça. onde incluía os oprimidos e explorados. esperança e caridade. Ainda que assimilando as virtudes fundamentais já enunciadas por Platão: prudência. somente devendo buscar aqueles que contribuíssem para a paz da alma.

quando se trata de algo que não pode ser definido. No mundo da Ética contemporânea. A filosofia de vida assume uma nova conotação: “os outros que se danem!” A Ética da Manipulação caracteriza-se pelos seguintes pontos: . a arte e a ciência vão adquirindo uma autonomia cada vez maior. sem haver. uma vez limpa a mesa. por esses. perde a hegemonia que exercia sobre a sociedade tradicional. Ética e Deontologia. A política. 2009/10 “Age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir se torne uma lei universal”. ● Chegamos à Ética Contemporânea. parece estar terminado o próprio jogo”. contudo. o Pragmatismo. Pensar. ● Segue-se o Neopositivismo e as Filosofias Analíticas que surgem da necessidade de libertar a ética do domínio da metafísica. o Capitalismo Financeiro substitui o Capitalismo Industrial. Com ela. o Neopositivismo e a Filosofia Analítica. a economia assume o papel dominante ficando até mesmo a ética a ela subordinada. obrigação. qualquer contrapartida socioeconómica. Tudo se justifica em nome da liberdade! A regra predominante se torna a procura do “melhor produto”. E. Somando-se à exploração do Homem pelo Homem. reflectir e tomar consciência deverão ser reduzidos aos níveis mínimos. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Mary Warnock afirma: “Todas as analogias e modelos destinados a esclarecer a linguagem ética têm o aspecto de tentativas preparatórias para limpar a mesa do jogo. até mesmo da própria humanidade.. Daqueles são retirados. só pode ser captado por meio da intuição. com o desenvolvimento das ciências que chegaram ao paradoxo de criar condições cada vez mais eficientes de destruição. portanto. ● No século XX. A Consciência passa a ser considerada como uma forma de censura e de cerceamento da liberdade. que tem o seu início em meados do século XIX. A tecnologia supera tudo e se transforma na verdadeira deusa dos tempos modernos. a Psicanálise. nasce e atinge sua plenitude a Ética da Manipulação.Todo processo educativo será orientado para construir cidadãos submissos e manipuláveis. enquanto essa adquire foros de plenitude sem limites. 1º Ano Psicologia. E que..“Definição de Moral. e a ética. A esta condição são conduzidos também os conceitos de dever. o Marxismo.” A 11 . num segundo tempo. acabando por concentrar a sua atenção na análise da linguagem moral. as matérias-primas e até os alimentos. então considerado como o que dá mais lucro e não o que é melhor para o Ser Humano. regida pelos grupos dominantes que afirmam: “assim é que deve ser”. justeza. vem a exploração dos Países pobres pelos Países ricos. Há uma insurreição contra toda ética que pretenda definir o bom como uma propriedade natural. E é natural que nos sintamos logrados quando comprovamos que. provocada pelas violentas mudanças ocorridas em toda a humanidade. As principais correntes desta Ética Contemporânea são: o Existencialismo. O cidadão ideal será algo como “uma ameba em coma alcoólica. tanto quanto a religião.

separações. se criará uma falta de esperança num futuro melhor e as pessoas buscarão resultados rápidos. será cultivada e respeitada. mas porque lhe foi incutido cientificamente acreditar nessa falsa necessidade. não se deve cair no rigorismo fundamentalista. busque encontrar a ética dentro dos valores imutáveis tanto quanto dos transitórios. mesmo em detrimento da qualidade. mas sempre o fim. onde as demissões individuais ou em massa se farão sem qualquer constrangimento. O poder será a meta fundamental e o homem terá estimulado o seu desejo de dominação e exploração do seu semelhante sem qualquer escrúpulo. pela criação de necessidades fictícias. preventiva da repetição dos mesmos erros. porém com os pés cravados nas experiências vividas. . Os anúncios. 2009/10 educação visará prioritariamente o processo de produção e consumo e o HOMO SAPIENS será substituído pelo HOMO FABER. Dentro desse princípio. do aqui e agora. não porque delas realmente necessite. de certo modo assustador. criando necessidades mesmo onde elas inexistam ou até mesmo sejam indesejáveis. Exemplo se faz no uso de placebos na experimentação terapêutica. centro indiscutível de toda a criação. onde o diálogo é totalmente inexistente.O próprio exercício da pesquisa científica será manipulado. pode-se afirmar que “nem tudo o que é cientificamente possível.A vida humana deverá ser inteiramente respeitada. Ética e Deontologia.Os meios de comunicação se tornarão instrumentos ideais da manipulação. ficando essa restrita a um campo sofisticado e exclusivo. manipulando cientificamente a opinião pública. seja nas relações afectivas. Até o Ser Humano se tornará descartável. A psicologia será posta a serviço desse sistema de mass-média. que merecem uma reflexão: . Com isso. é eticamente permitido”. O Ser Humano nunca será considerado um meio. faz-se mister que o homem de hoje. nem escorregar para o laxismo modernista. que perderá sua sacralidade. E o maior deles será a Televisão. . . desde a fecundação até a morte. formando seu conceito de vida em função de sua própria dignidade de homem. onde o objectivo será sempre e tão-somente o resultado. A História. .“Definição de Moral. com uma absoluta redução ou até anulação do valor da vida. 1º Ano Psicologia. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Sem desprezar as tradições como conservadoras. criando uma legião de infelizes desempregados. Não se pode colocar em 12 . O cidadão passará a comprar coisas.O imediatismo será estimulado. A Ética da Manipulação veio levantar uma série de questões. divórcios. Diante desse quadro. mais que vender produtos. deverão estimular o consumismo exacerbado. amizades passageiras ou seja nas comerciais. deve-se olhar para a frente. Cada conquista será rapidamente descartada para que novos valores sejam buscados. bem como a fixação na condição de tudo ser descartável.Como norma básica.

que entre outras coisas termina dizendo: “Todo acto que acarrete a morte de um animal. define-se essencialmente que a pesquisa biomédica somente será aceite como tal. vivos. 13 . * Circunstâncias da acção. Afinal. o Homem depende vitalmente de todas elas. podemos concluir duas regras básicas e óbvias: . E acrescenta: “O ato moralmente bom supõe a bondade do objecto. publicado em 1993. se for verdadeiramente “Pesquisa”. Será exigida uma correcta avaliação da relação danos/benefícios e o consentimento prévio dos pacientes será indispensável para o início e continuidade de trabalhos experimentais.A caridade respeita o próximo e sua consciência. Com o objectivo de proteger e respeitar a vida. contudo. sem necessidade. Uma intenção má pode tornar mau um objecto bom. Não se pode fazer um mal para que dele resulte um bem”. isto é. 1º Ano Psicologia. isto é. explicita muito bem no primeiro capítulo de sua terceira parte. Assim. com o único objectivo de se testar uma nova medicação experimental. Ética e Deontologia.Mas. Ainda que esse seja um ponto bastante controverso em determinados casos. Em 1978 a UNESCO firmou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Mas tendo sempre presente que “o fim não justifica os meios”. o bem para o qual se dirige deliberadamente a vontade. ao indicar que essa Moralidade depende de: * Objecto escolhido. que é o estudo em animais. delito contra a vida”. o que gostarias que ele te fizesse. delito contra a espécie. sem. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. 2009/10 risco a vida ou a saúde do Ser Humano. . pela omissão deliberada da terapêutica adequada. Entre os temas mais polémicos está a chamada “Vivissecção”.“Definição de Moral. violentar os direitos básicos do Ser Humano. não só o Ser Humano deverá ser protegido pelas normas da Bioética. é biocídio. ou seja. E prossegue: “Todo acto que acarrete a morte de grande número de animais selvagens é genocídio. caberá aos pesquisadores buscarem alternativas que atendam as necessidades técnicas da pesquisa. A partir daí. da intenção e das circunstâncias. mas todas as formas de vida existentes na natureza. ditos irracionais. busca-se uma “Moralidade dos actos humanos” que o Catecismo Universal da Igreja Católica.Faça ao próximo. . Mas não revertem totalmente a qualidade moral de uma acção. Com tudo isso. que podem aumentar ou diminuir a gravidade do ato e a responsabilidade do agente. ao invés de experimentações irrelevantes apenas para aumento curricular de seus autores. * Intenção com que se busca o objecto. onde uma interferência psicológica por parte do paciente poderá alterar substancialmente os resultados de uma pesquisa.

Com esta avaliação ele será capaz de orientar e reorientar o seu próprio comportamento. mas sem se prender a ele. Mas assim como a casa somente é habitada depois de construída. Lamentar o passado ou viver sonhando com o futuro é desperdiçar totalmente a sua vida. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. sua evolução social. 2009/10 ● CONCLUSÃO Pode-se concluir que Moral. começando pela sua história e vivendo-a na sua realidade de hoje. Ética e Deontologia. que é realidade hoje. o homem deve construir e habitar o seu mundo no “aqui e agora”. o homem se torna cada vez menos homem. o pragmatismo frio. os primeiros educadores. o sofrimento estéril.“Definição de Moral. Este é o sentido de se estudar ética. tornando-o ético diante de si mesmo. diante da comunidade em que vive. não só pelas palavras. a angústia. cada vez mais máquina e nesta distorção vem a infelicidade. mas sobretudo pelos exemplos. Acompanhando a história do homem. isto sim. no momento em que vive. Compete aos pais. 14 . Podemos. poderemos tirar lições importantíssimas para o futuro da humanidade. Pensando no futuro. assim como o futuro do homem se constrói sobre o seu passado. Ética começa no berço. Torna-se difícil “ensinar” ética a um indivíduo. pois esta é a única realidade que possui. cultural e ética. mas construindo-o já. Uma casa constrói-se sobre os alicerces. fornecer subsídios para um desenvolvimento da Consciência Crítica que irá proporcionar à pessoa uma melhor possibilidade de avaliação de seus actos e dos acontecimentos que ocorrerem em seu redor. a ambição e o apego têm a sua morada. Ética e Deontologia são conceitos que estão em constante mutação. Numa sociedade onde o egoísmo. Quem traz de sua infância estes conceitos certamente irá aprimorá-los na sua vida adulta e consequentemente vive num mundo melhor. acompanhando e adaptando-se às conjunturas socioeconómicas e culturais de um determinado tempo. utilizando os alicerces do passado. 1º Ano Psicologia. forjar o carácter de cada novo ser dentro de correctas normas éticas.

Evaldo Alves (1998). Ética e Deontologia. D. M. RJ: Vozes 15 . 1º Ano Psicologia. R. (2004). Lisboa: Instituto Piaget ● Riçou. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Gráfica de Coimbra ● D’Assumpção. Petrópolis. Ética e Psicologia: uma prática integrada. (2004). Comportar-se fazendo bioética para quem se interessa pela ética. 2009/10 ● BIBLIOGRAFIA ● Francis. Ética para Psicólogos.“Definição de Moral.

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