Ética e Deontologia Profissional

Prof. António Frazão TEMA DO TRABALHO: “Denifição de Moral, Ética e Deontologia; Origens da Moral”
Sílvia Alexandra Albuquerque Ferreira 1º Ano de Psicologia, 2009/10 Nº Aluno: 2090738

. 1º Ano Psicologia.6 ● Deontologia …………………………………………………………………………………………………………….6 .5 ● Moral / Ética …………………………………………………………………………………………………………….. Origens da Moral” Sílvia Ferreira.Do Processo de Nuremberga à Bioética ……………………………………………………………. 2009/10 INDICE: ● Moral ……………………………………………………………………………………………………………………………3 ● Ética …………………………………………………………………………………………………………………………….8 ● Conclusão ……………………………………………………………………………………………………………………14 ● Bibliografia ……………………………………………………………………………………………………………….Liberdade e Integridade ………………………………………………………………………………………4 .Código de Deontologia / Ética …………………………………………………………………………..….15 2 .Diferenças e Complementaridade ………………………………………………………………………. Ética e Deontologia.7 .“Definição de Moral.7 ● Origens dos princípios Morais. História e Evolução ………………………………………….3 ..….

pois os homens são por natureza seres sociais. são adquiridos pela educação. ● É a ciência da Moral que visa qualificar e julgar a conduta humana do ponto de vista do bem e do mal. apresentam critérios sobre o que são más ou boas acções (transmitidos através da tradição. princípios e valores. Esta ciência é parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios que devem nortear o comportamento humano. ● Tem um carácter obrigatório. que vem de “Mores” significando costumes. educação ou hábitos). não sendo por isso natural. é a ciência que dita as regras morais que o homem deve seguir afim de praticar o bem e evitar o mal. já que todo o comportamento sofre um julgamento. ou seja. que visam regular o comportamento do homem em sociedade. contextualizados a nível histórico e social no tempo. 3 . informam sobre o que a pessoas acredita e como esta actua (captados por convicções e inteligência). Ética e Deontologia. pela tradição e pelo quotidiano. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. deste modo entende-se que Moral também é um empreendimento social e esses actos morais quando realizados por livre participação do homem. tornando-se numa máxima em que as normas são aceites como obrigatórias e deste modo. 1º Ano Psicologia. seja de modo absoluto. ● Moral pode ser definida como um conjunto de normas. ● A Moral não é somente um acto individual. as pessoas compreendem e interiorizam que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. ● Ética é um conjunto de valores que orientam o comportamento humano em relação aos outros homens na sociedade em que vive. por outras palavras. seja relativamente a determinada sociedade. são aceites voluntariamente. afim de garantir o bem-estar social. é a forma como o homem se deve comportar no seu meio social. Todo o comportamento é resultado das normas estabelecidas. ● ÉTICA ● O termo Ética vem do grego “Ethos” que significa “modo de ser”. 2009/10 ● MORAL ● O termo Moral tem a sua origem no latim. e do ponto de vista descritivo.“Definição de Moral. ● Procura entender e explicar a vida moral do ponto de vista normativo. ● Daí chamar-se ciência dos costumes ou dos princípios da moral.

LIBERDADE E INTEGRIDADE . logo responsável pelos seus actos. decorrem três grandes questões éticas que orientam as escolhas individuais: Quero? Devo? Posso? Ética é exactamente o modo como cada um compreende estas três grandes questões da vida no seu dia a dia. deverão ser determinadas pela racionalidade. embora influenciadas pelas emoções. há muita coisa que quero. mas será também formada a partir deles tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética. ● Da liberdade. e devido ao uso da sua razão a Pessoa será um ser incondicionalmente livre. ● Ética implica também Liberdade e Integridade. . ● O homem como ser racional é livre de fazer as suas escolhas.É constituída pelos princípios que regulam os comportamentos. tendo sempre em conta que a essência da pessoa reside na sua relação como outro. ● Então. que faz do Homem um ser inteiramente livre. 1º Ano Psicologia. 2009/10 ● Pode-se dizer ainda que Ética… . Pois. de que forma iremos agir. Ética e Deontologia. revestida de um valor inexorável designado por Kant de dignidade. Apesar do Homem ser um ser racional e emotivo. mas não quero. . As suas decisões. mas não posso e muita coisa que devo. sob pena de não poder ser feliz. .“Definição de Moral. origina a noção de identidade pessoal – a autonomia (capacidade de autodeterminação do indivíduo).Faz uma apreciação das características boas ou más dos comportamentos humanos.Liberdade para podermos decidir perante as normas que nos são impostas pela Ética. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. não deverá determinar-se pelos instintos. 4 . senhor de uma vontade autónoma (princípio supremo da moralidade) em que se encontra implícita a relação com o outro. O adiamento do prazer com vista à potenciação da felicidade é uma característica do Homem. A identificação entre a vontade e a razão.Reflecte a noção que os comportamentos humanos podem ser bons ou maus.

para mantê-la sempre actualizada à luz de novas conquistas científicas. sempre que necessário. sem mascaras cínicas ou fissuras. havendo uma nova revisão em Tóquio.Integridade é o cuidado para se manter inteiro. baseado na declaração dos direitos da pessoa e institui um conjunto de regras de conduta a que todo o investigador se deve submeter quando utiliza pessoas como sujeitos da investigação. . sem o seu conhecimento prévio e posteriormente a sua autorização. surge então. Ética e Deontologia. 2009/10 . ficou deliberado que outras modificações poderiam vir a ser feitas. Não se pode colocar em risco a vida ou a saúde do Ser Humano. Todos os seres humanos são pessoas. assim como códigos deontológicos preconizados por associações profissionais. no séc. logo sujeitos de dignidade intrínseca. 1º Ano Psicologia. ● Bioética é uma disciplina autónoma da Ética e surge assente em três realidades distintas: – O grande desenvolvimento das tecnologias nos cuidados de saúde. no ano de 1975. o “Código de Nuremberga” sofre algumas alterações e. tornando obrigatória a existência de comissões de ética da investigação nos estabelecimentos de saúde. ● Após a II Guerra Mundial e devido às experiências dos factos ocorridos durante esse período. e por isso não poderá ser alvo de investigações e experimentações por parte dos investigadores. ● Em 1962. transparente. ● O termo Bioética foi cunhado por Vann Potter. no ano de 1964 em Helsinki. mas sempre o fim. desde a fecundação até a morte. E. foi efectivada a “Declaração sobre as pesquisas Biomédicas”. completo. verdadeiro. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. o “Código de Nuremberga”.DO PROCESSO DE NUREMBERGA À BIOÉTICA ● A vida humana deverá ser inteiramente respeitada. houve a necessidade de se estabelecer regras morais de experimentação sobre os Seres Humanos. XX – A existência de abusos e de constantes violações da dignidade humana pela experimentação em seres humanos – A questão ambiental face ao avanço técnico 5 . médico oncologista nos Estados Unidos em 1970. E em diversos países surgem directrizes nacionais.“Definição de Moral. em 1946. O Ser Humano nunca deverá ser considerado um meio.

● As teorias da moral comum derivam da moral compartilhada pelos membros de uma sociedade. havendo um inter relacionamento entre ambas. O homem com o seu livre arbítrio vai formando seu meio ambiente ou destruindo. Ética e Deontologia. Ambas significam “respeitar e venerar a vida”. ● Existem diferentes perspectivas e modelos teórico-práticos. 6 . Deste modo. enquanto que a Moral é eminentemente prática. em que o direito à autodeterminação individual é defendido. ● ÉTICA/MORAL . em toda a sua profundidade. mas será também formada a partir deles. Por isso. estas estão interligadas. ● Podemos então concluir que a Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. As correntes actuais da bioética passam por teorias éticas normativas aplicadas. ● A diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais. a imposição de valores torna-se mais discutível e complexa. Ética e Moral complementam-se.“Definição de Moral. ● Ambas têm como função explorar. Ética e Moral se formam numa mesma realidade. Vivendo numa sociedade plural. 1º Ano Psicologia. ● No entanto. tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética. O princípio e o fim das nossas acções assumem nomenclaturas diferentes: Moral e Ética. será o objectivo último da bioética. Ética é teórica e reflexiva.DIFERENÇAS E COMPLEMENTARIDADE ● A ética será constituída pelos princípios que regulam os comportamentos. assim sendo a Ética é uma espécie de legislação do comportamento moral das pessoas. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. pois na acção humana o conhecimento e o agir são indissociáveis. São constituídas por princípios que por não serem absolutos são normalmente aceites pela generalidade das teorias éticas. 2009/10 ● A Bioética visa uma melhor adaptação do homem às mudanças. promovendo o aumento da qualidade de vida. esclarecer ou investigar uma determinada realidade. promover o reconhecimento de cada pessoa. ou ele apoia a Natureza ou ele subjuga tudo que pode dominar. de que se destacam: as teorias da virtude (centradas nas qualidades do agente). as deontológicas (concentradas nas normas que regem as acções) e as consequencialistas (preocupadas com possíveis consequências dessas mesmas acções). e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta.

por vezes. segundo princípios e procedimentos explícitos. 2009/10 ● DEONTOLOGIA ● O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon. às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. relativas a toda a sociedade. déntos” que se traduz por discurso ou tratado. ● Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas. princípios e normas a adoptar por um determinado grupo profissional. ● Deontologia é então. ● Para além disso. 2001 ● Tem como objectivo.CÓDIGOS DE DEONTOLOGIA / ÉTICA O primeiro Código de Deontologia foi feito na área médica. tendo em vista a qualidade moral das acções profissionais e a correcção das mesmas na relação entre profissional e sociedade. por exemplo. ● Regra geral. ● Existem inúmeros Códigos de Deontologia. ● O Código Deontológico ou Código de Ética é o conjunto de obrigações que um profissional deve cumprir no exercício da sua profissão. por um conjunto de profissionais. constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões. os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas. ajudar a estabelecer a actividade numa classe profissional pelo que. 1º Ano Psicologia. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos. Golser. ● É a ciência dos deveres que visa definir o conjunto de deveres. o conjunto de deveres impostas aos profissionais de uma determinada área.“Definição de Moral. a noção de profissão deve incluir um conjunto de procedimentos e valores comuns. . oferecendo apenas uma função reguladora. é exclusivamente um instrumento consultivo. Ética e Deontologia. 7 . Origens da Moral” Sílvia Ferreira. no exercício de sua profissão. no entanto. estes códigos propõem sanções. para além da competência. em meados do século passado. sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. para os infractores do mesmo. estes podem. nos Estados Unidos. adaptando-o. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses.

em favor quase que exclusivista das coisas do espírito. Para eles não existiam nem verdade nem erro e as normas. com os Sofistas. e. atitudes de alta agressividade . ● A Filosofia Moral começa na antiga Grécia. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO ● As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens. que. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. pelo seu comportamento moral efetivo. A “Moral Tribal” se resumia em trabalhar para comer. social. E acrescentava: “Só sei que nada sei!” Concluindo: “Deve-se melhorar o conhecimento e aperfeiçoar a conduta”. aspirando ao bem. Existe assim uma estreita vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana. apesar de também desprezar o conhecimento da natureza e a tradição. Tornaram-se os mestres que ensinavam a arte de convencer pela argumentação. O homem da caverna lutava para se alimentar e para preservar o seu abrigo natural. no séc. eram transitórias. é feliz”. chegamos à civilização grega que influiu de modo avassalador em nosso mundo ocidental. onde a sobrevivência básica se constituía na norma ética fundamental. ● Uma moral primitiva surgiu com o próprio homem.poderiam e eram consideradas eticamente válidas. em particular. ● Surgiu em seguida. Sócrates. por serem humanas. 1º Ano Psicologia. particularmente político e jurídico. por conseguinte. enquanto afirmava a dualidade Corpo – Alma. A ética socrática é racionalista e pode ser resumida na seguinte colocação: “O homem age rectamente quando conhece o bem. Dentro desta conceituação. Nesta nova evolução histórica. sendo atraídos especialmente pelo saber a respeito do homem. ● Segue-se Platão. as doutrinas éticas não são consideradas de modo isolado. rejeitava o relativismo e o subjectivismo dos sofistas. Daí seu ensinamento básico: “Homem. sente-se dono de si mesmo e. mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a sua história. Sócrates considerava como saber fundamental o saber a respeito do homem. sujeita historicamente à mudança. Naquelas circunstâncias. matar para não morrer. não pode deixar de praticá-lo. onde essa será superior àquela e como consequência estabelecia um total desinteresse pelas coisas materiais. conhece-te a ti mesmo”. Na época platónica notava-se um desprezo pelo trabalho físico e a exaltação das classes dedicadas às actividades consideradas 8 .C. que privilegiava a relação Homem – Estado. V a.na nossa conceituação actual . Mas o homem primitivo foi evoluindo e suas novas realidades sociais criaram por sua vez novas realidades éticas que modificaram e até mesmo anularam as regras anteriores.“Definição de Moral. pela discussão. e. 2009/10 ● ORIGENS DOS PRINCIPIOS MORAIS. Ética e Deontologia. conhecendo-o. que consideravam estéril o saber a respeito do mundo. por outro lado.

Deixava de ter necessidade da comunidade. Para ele a ideia não existia separada dos indivíduos concretos. Mas ele afirmava que esta vida teórica só era possível a uma minoria ou elite. na ética platónica existia uma estreita unidade da moral e da política. E Aristóteles procurava responder à pergunta fundamental: qual é o fim último para o qual tende o Homem? Para a felicidade. não havendo nenhuma intervenção divina nos fenómenos físicos nem na vida humana. Passava a dominar assim uma fatalidade absoluta. eram fundamentais as virtudes não inatas. os escravos não tinham lugar no Estado ideal. porém com algumas condições necessárias: maturidade. 9 . ● Para os Epicuristas tudo o que existia. ou seja. embora estas condições isoladas não bastassem para fazer alguém feliz. pois passava a viver moralmente como cidadão do mundo. política e a guerra. Ética e Deontologia. pois era por natureza um animal político. Aristóteles considerava que o homem enquanto tal só poderia viver na cidade. o homem que vivia no mundo tinha seu destino rígido e só lhe restava aceitar este destino e agir consciente dele. que foi discípulo de Platão. do cosmo. dizia ele. onde só acontecia o que Deus quisesse. ● Aristóteles. mas ao universo (cosmos). E esta felicidade não era o prazer ou a riqueza. Não existia a liberdade nem o acaso. incluindo a alma. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. surgiram os Estóicos e os Epicuristas.“Definição de Moral. guiada pelo que o homem tinha de mais característico e elevado: a razão. 2009/10 superiores: contemplação. era formado de átomos materiais. do mundo. Já não era limitado a uma “polis”. a uma comunidade menor. Liberdade pessoal e saúde. 1º Ano Psicologia. A ideia existia somente nos seres individuais. Na sua ética. Assim. O problema moral era colocado sobre o fundo da necessidade física. Ambas as filosofias defendiam que. ao mesmo tempo. a moral não se definia em relação à cidade. pois para ele o homem se formava espiritualmente somente no Estado e mediante a subordinação do indivíduo à comunidade. Para se realizar esta vida. mas a vida teórica ou contemplação. bens materiais. Somente os deuses e os animais não tinham necessidade da comunidade política para viver. Finalmente considerava Aristóteles que a felicidade se alcançava mediante a virtude. estas virtudes dividiam-se em duas classes: as intelectuais e as práticas ou éticas. Como consequência. Dentro deste quadro. da qual a maior parte – os escravos – estava excluída. Por isso. opunha-se a seu mestre no que dizia respeito ao dualismo ontológico. dizia ele. a física se tornava a premissa da ética. o homem – o sábio – devia ser. natural. mas que se adquiriam ou conquistavam pelo exercício. ● Para os Estóicos o mundo passava a ser o centro de tudo. um bom cidadão. Segundo ele. Com a decadência do mundo antigo greco-romano. pois seriam desprovidos de virtudes morais e direitos cívicos. social.

surgiram os movimentos reformistas. ou num pequeno círculo de amigos. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Ainda que assimilando as virtudes fundamentais já enunciadas por Platão: prudência. O homem procurava em si mesmo. 1º Ano Psicologia. seguindo-se a extinção da sociedade feudal. 2009/10 Livre assim de temores religiosos. ● No Século IV quando o cristianismo se torna a religião de Roma. ● No século XV surge a Moral Burguesa. Também no que dizia respeito às virtudes havia uma superioridade do divino. incrementando-se as forças produtivas e a ciência.“Definição de Moral. gerando com isso críticas violentas no mundo moderno. a consciência de sua igualdade. pela primeira vez em sua história. mas numa época onde não havia condições reais e sociais para esta igualdade efectiva. E Kant deu então o seu mandamento fundamental: 10 . surge a Ética Cristã. Houve mudanças na economia. independentemente de serem livres ou escravos. a natureza de Deus. Esta ética. Muitas vezes a desigualdade material e social não foi condenada pela ética cristã. Ética e Deontologia. somente devendo buscar aqueles que contribuíssem para a paz da alma. essencialmente Teocêntrica. dando como corolário o início e a expansão do Capitalismo. o qual era representado pelo prazer. Na religião. tornou o homem como o centro de sua atenção. o Estado da Igreja e até mesmo o homem de Deus. acentuava virtudes supremas ou teológicas: fé. já não existiam as diferenças entre os homens: todos eram iguais diante de Deus. temperança e justiça. a tranquilidade da alma e a auto-suficiência. Na ordem social surgiu uma nova classe: a burguesia. no século seguinte. de pequenos Estados. isto é. Racionalista. contrapondo-se à Ética Teocêntrica da Idade Média. a Ética Moderna tornou-se essencialmente antropocêntrica. o homem passava a buscar seu bem neste mundo. dando origem à formação dos grandes Estados. estava ligada a Deus. partia das revelações de Deus. Mas esta ética de igualdade. Para melhor compreender esta situação é preciso situar-se no momento histórico – social do tempo em que tal aconteceu. Na ética cristã. ainda que considerassem alguns prazeres como inadequados. mais do que uma inter-relação com a comunidade ou com o mundo – cosmos. Na verdade o cristianismo veio dar aos homens. A ética dominante a partir do século XVI até o século XIX denomina-se Ética Moderna. A Ética Cristã. das relações do homem com o seu criador e do modo de vida prático que este homem devia seguir para alcançar a sua salvação. esperança e caridade. marcada pela Revolução Industrial do século XVIII. seu criador. separando-se a razão da fé. caracterizada pela exploração do Homem pelo Homem. tornando-se antropocêntrica e teve sua maior expressão em Kant. Nesta ética. Com isto. onde incluía os oprimidos e explorados. cultos ou incultos. foi lançada numa época de enormes desigualdades e assim muita incompreensão histórica surgiu dos factos então ocorridos. Enquanto as fundamentais regulavam as relações entre os homens. fortaleza. a relação do homem. as teológicas relacionavam o homem com Deus.

parece estar terminado o próprio jogo”. obrigação. O cidadão ideal será algo como “uma ameba em coma alcoólica. A Consciência passa a ser considerada como uma forma de censura e de cerceamento da liberdade. as matérias-primas e até os alimentos. a arte e a ciência vão adquirindo uma autonomia cada vez maior. A esta condição são conduzidos também os conceitos de dever. a Psicanálise. o Capitalismo Financeiro substitui o Capitalismo Industrial. sem haver. então considerado como o que dá mais lucro e não o que é melhor para o Ser Humano. que tem o seu início em meados do século XIX. A tecnologia supera tudo e se transforma na verdadeira deusa dos tempos modernos. ● No século XX. por esses.“Definição de Moral. 1º Ano Psicologia. provocada pelas violentas mudanças ocorridas em toda a humanidade. ● Segue-se o Neopositivismo e as Filosofias Analíticas que surgem da necessidade de libertar a ética do domínio da metafísica.Todo processo educativo será orientado para construir cidadãos submissos e manipuláveis. A política. tanto quanto a religião. quando se trata de algo que não pode ser definido. vem a exploração dos Países pobres pelos Países ricos. uma vez limpa a mesa. Somando-se à exploração do Homem pelo Homem. No mundo da Ética contemporânea. 2009/10 “Age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir se torne uma lei universal”. Pensar. As principais correntes desta Ética Contemporânea são: o Existencialismo. contudo. portanto. Daqueles são retirados. Tudo se justifica em nome da liberdade! A regra predominante se torna a procura do “melhor produto”. A filosofia de vida assume uma nova conotação: “os outros que se danem!” A Ética da Manipulação caracteriza-se pelos seguintes pontos: . Mary Warnock afirma: “Todas as analogias e modelos destinados a esclarecer a linguagem ética têm o aspecto de tentativas preparatórias para limpar a mesa do jogo. reflectir e tomar consciência deverão ser reduzidos aos níveis mínimos. justeza.. E que. E é natural que nos sintamos logrados quando comprovamos que. perde a hegemonia que exercia sobre a sociedade tradicional. Com ela. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. acabando por concentrar a sua atenção na análise da linguagem moral. até mesmo da própria humanidade. E. o Marxismo. regida pelos grupos dominantes que afirmam: “assim é que deve ser”. a economia assume o papel dominante ficando até mesmo a ética a ela subordinada. Ética e Deontologia. só pode ser captado por meio da intuição.” A 11 .. qualquer contrapartida socioeconómica. nasce e atinge sua plenitude a Ética da Manipulação. Há uma insurreição contra toda ética que pretenda definir o bom como uma propriedade natural. o Neopositivismo e a Filosofia Analítica. o Pragmatismo. com o desenvolvimento das ciências que chegaram ao paradoxo de criar condições cada vez mais eficientes de destruição. enquanto essa adquire foros de plenitude sem limites. num segundo tempo. ● Chegamos à Ética Contemporânea. e a ética.

. separações. A História. A Ética da Manipulação veio levantar uma série de questões. mas sempre o fim. A psicologia será posta a serviço desse sistema de mass-média. com uma absoluta redução ou até anulação do valor da vida. criando uma legião de infelizes desempregados. pela criação de necessidades fictícias. manipulando cientificamente a opinião pública.Os meios de comunicação se tornarão instrumentos ideais da manipulação. faz-se mister que o homem de hoje. se criará uma falta de esperança num futuro melhor e as pessoas buscarão resultados rápidos. criando necessidades mesmo onde elas inexistam ou até mesmo sejam indesejáveis. O cidadão passará a comprar coisas. mesmo em detrimento da qualidade. . seja nas relações afectivas. Com isso. divórcios. onde as demissões individuais ou em massa se farão sem qualquer constrangimento. Até o Ser Humano se tornará descartável. Os anúncios. Não se pode colocar em 12 . onde o objectivo será sempre e tão-somente o resultado. O Ser Humano nunca será considerado um meio. Dentro desse princípio. 1º Ano Psicologia. . que perderá sua sacralidade. E o maior deles será a Televisão. bem como a fixação na condição de tudo ser descartável. busque encontrar a ética dentro dos valores imutáveis tanto quanto dos transitórios.“Definição de Moral. amizades passageiras ou seja nas comerciais. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. nem escorregar para o laxismo modernista. . mas porque lhe foi incutido cientificamente acreditar nessa falsa necessidade. de certo modo assustador.O imediatismo será estimulado. não porque delas realmente necessite. onde o diálogo é totalmente inexistente. será cultivada e respeitada. é eticamente permitido”. do aqui e agora. deverão estimular o consumismo exacerbado.Como norma básica.A vida humana deverá ser inteiramente respeitada. centro indiscutível de toda a criação. Ética e Deontologia. O poder será a meta fundamental e o homem terá estimulado o seu desejo de dominação e exploração do seu semelhante sem qualquer escrúpulo.O próprio exercício da pesquisa científica será manipulado. preventiva da repetição dos mesmos erros. Diante desse quadro. Sem desprezar as tradições como conservadoras. que merecem uma reflexão: . pode-se afirmar que “nem tudo o que é cientificamente possível. não se deve cair no rigorismo fundamentalista. porém com os pés cravados nas experiências vividas. deve-se olhar para a frente. desde a fecundação até a morte. Cada conquista será rapidamente descartada para que novos valores sejam buscados. Exemplo se faz no uso de placebos na experimentação terapêutica. mais que vender produtos. ficando essa restrita a um campo sofisticado e exclusivo. 2009/10 educação visará prioritariamente o processo de produção e consumo e o HOMO SAPIENS será substituído pelo HOMO FABER. formando seu conceito de vida em função de sua própria dignidade de homem.

ao invés de experimentações irrelevantes apenas para aumento curricular de seus autores. Assim. onde uma interferência psicológica por parte do paciente poderá alterar substancialmente os resultados de uma pesquisa. . define-se essencialmente que a pesquisa biomédica somente será aceite como tal. ditos irracionais. explicita muito bem no primeiro capítulo de sua terceira parte. Afinal. é biocídio. Ainda que esse seja um ponto bastante controverso em determinados casos. que entre outras coisas termina dizendo: “Todo acto que acarrete a morte de um animal. isto é. da intenção e das circunstâncias. Ética e Deontologia. * Circunstâncias da acção. ao indicar que essa Moralidade depende de: * Objecto escolhido. sem. Com o objectivo de proteger e respeitar a vida. E prossegue: “Todo acto que acarrete a morte de grande número de animais selvagens é genocídio. contudo. sem necessidade. se for verdadeiramente “Pesquisa”. que podem aumentar ou diminuir a gravidade do ato e a responsabilidade do agente. pela omissão deliberada da terapêutica adequada. 13 . Uma intenção má pode tornar mau um objecto bom. caberá aos pesquisadores buscarem alternativas que atendam as necessidades técnicas da pesquisa. podemos concluir duas regras básicas e óbvias: . Entre os temas mais polémicos está a chamada “Vivissecção”. Mas tendo sempre presente que “o fim não justifica os meios”. Com tudo isso. o Homem depende vitalmente de todas elas. isto é. o bem para o qual se dirige deliberadamente a vontade. A partir daí. mas todas as formas de vida existentes na natureza.“Definição de Moral. * Intenção com que se busca o objecto. delito contra a vida”. E acrescenta: “O ato moralmente bom supõe a bondade do objecto. Em 1978 a UNESCO firmou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. que é o estudo em animais. ou seja. Será exigida uma correcta avaliação da relação danos/benefícios e o consentimento prévio dos pacientes será indispensável para o início e continuidade de trabalhos experimentais. busca-se uma “Moralidade dos actos humanos” que o Catecismo Universal da Igreja Católica.Mas. Mas não revertem totalmente a qualidade moral de uma acção. violentar os direitos básicos do Ser Humano.Faça ao próximo. com o único objectivo de se testar uma nova medicação experimental. vivos. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. o que gostarias que ele te fizesse. publicado em 1993. 2009/10 risco a vida ou a saúde do Ser Humano. Não se pode fazer um mal para que dele resulte um bem”. 1º Ano Psicologia. delito contra a espécie. não só o Ser Humano deverá ser protegido pelas normas da Bioética.A caridade respeita o próximo e sua consciência. .

o homem se torna cada vez menos homem. Numa sociedade onde o egoísmo. poderemos tirar lições importantíssimas para o futuro da humanidade. pois esta é a única realidade que possui. tornando-o ético diante de si mesmo. Uma casa constrói-se sobre os alicerces. Este é o sentido de se estudar ética. Mas assim como a casa somente é habitada depois de construída. Compete aos pais. acompanhando e adaptando-se às conjunturas socioeconómicas e culturais de um determinado tempo. no momento em que vive. que é realidade hoje. os primeiros educadores. Torna-se difícil “ensinar” ética a um indivíduo. utilizando os alicerces do passado. Ética começa no berço. mas construindo-o já. Quem traz de sua infância estes conceitos certamente irá aprimorá-los na sua vida adulta e consequentemente vive num mundo melhor. 14 . assim como o futuro do homem se constrói sobre o seu passado. Podemos. 1º Ano Psicologia. forjar o carácter de cada novo ser dentro de correctas normas éticas. o homem deve construir e habitar o seu mundo no “aqui e agora”. Com esta avaliação ele será capaz de orientar e reorientar o seu próprio comportamento. Ética e Deontologia são conceitos que estão em constante mutação. fornecer subsídios para um desenvolvimento da Consciência Crítica que irá proporcionar à pessoa uma melhor possibilidade de avaliação de seus actos e dos acontecimentos que ocorrerem em seu redor. 2009/10 ● CONCLUSÃO Pode-se concluir que Moral. Ética e Deontologia. Lamentar o passado ou viver sonhando com o futuro é desperdiçar totalmente a sua vida. começando pela sua história e vivendo-a na sua realidade de hoje. a angústia. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. não só pelas palavras. cultural e ética. sua evolução social. o sofrimento estéril. o pragmatismo frio. cada vez mais máquina e nesta distorção vem a infelicidade.“Definição de Moral. isto sim. a ambição e o apego têm a sua morada. Acompanhando a história do homem. mas sobretudo pelos exemplos. diante da comunidade em que vive. Pensando no futuro. mas sem se prender a ele.

M. Ética para Psicólogos. Comportar-se fazendo bioética para quem se interessa pela ética. Gráfica de Coimbra ● D’Assumpção. Ética e Deontologia. (2004). Ética e Psicologia: uma prática integrada. (2004). R. D.“Definição de Moral. Evaldo Alves (1998). RJ: Vozes 15 . Origens da Moral” Sílvia Ferreira. 1º Ano Psicologia. 2009/10 ● BIBLIOGRAFIA ● Francis. Lisboa: Instituto Piaget ● Riçou. Petrópolis.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful