Ética e Deontologia Profissional

Prof. António Frazão TEMA DO TRABALHO: “Denifição de Moral, Ética e Deontologia; Origens da Moral”
Sílvia Alexandra Albuquerque Ferreira 1º Ano de Psicologia, 2009/10 Nº Aluno: 2090738

15 2 . 2009/10 INDICE: ● Moral ……………………………………………………………………………………………………………………………3 ● Ética …………………………………………………………………………………………………………………………….3 .Código de Deontologia / Ética …………………………………………………………………………..Liberdade e Integridade ………………………………………………………………………………………4 .6 . História e Evolução ………………………………………….….5 ● Moral / Ética …………………………………………………………………………………………………………….Diferenças e Complementaridade ……………………………………………………………………….. Origens da Moral” Sílvia Ferreira.….6 ● Deontologia ……………………………………………………………………………………………………………. Ética e Deontologia.7 .“Definição de Moral..Do Processo de Nuremberga à Bioética …………………………………………………………….8 ● Conclusão ……………………………………………………………………………………………………………………14 ● Bibliografia ………………………………………………………………………………………………………………. 1º Ano Psicologia.7 ● Origens dos princípios Morais..

Esta ciência é parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios que devem nortear o comportamento humano. por outras palavras. tornando-se numa máxima em que as normas são aceites como obrigatórias e deste modo. é a forma como o homem se deve comportar no seu meio social. ● É a ciência da Moral que visa qualificar e julgar a conduta humana do ponto de vista do bem e do mal. princípios e valores. são adquiridos pela educação. ● Daí chamar-se ciência dos costumes ou dos princípios da moral. deste modo entende-se que Moral também é um empreendimento social e esses actos morais quando realizados por livre participação do homem. 2009/10 ● MORAL ● O termo Moral tem a sua origem no latim. apresentam critérios sobre o que são más ou boas acções (transmitidos através da tradição. seja de modo absoluto. informam sobre o que a pessoas acredita e como esta actua (captados por convicções e inteligência). seja relativamente a determinada sociedade. não sendo por isso natural. educação ou hábitos). 3 . ● Tem um carácter obrigatório. é a ciência que dita as regras morais que o homem deve seguir afim de praticar o bem e evitar o mal. e do ponto de vista descritivo. Todo o comportamento é resultado das normas estabelecidas. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Ética e Deontologia. 1º Ano Psicologia. que visam regular o comportamento do homem em sociedade. ● Procura entender e explicar a vida moral do ponto de vista normativo. ● ÉTICA ● O termo Ética vem do grego “Ethos” que significa “modo de ser”.“Definição de Moral. as pessoas compreendem e interiorizam que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. pela tradição e pelo quotidiano. contextualizados a nível histórico e social no tempo. que vem de “Mores” significando costumes. ● Moral pode ser definida como um conjunto de normas. ● Ética é um conjunto de valores que orientam o comportamento humano em relação aos outros homens na sociedade em que vive. são aceites voluntariamente. afim de garantir o bem-estar social. ● A Moral não é somente um acto individual. já que todo o comportamento sofre um julgamento. pois os homens são por natureza seres sociais. ou seja.

de que forma iremos agir. origina a noção de identidade pessoal – a autonomia (capacidade de autodeterminação do indivíduo). e devido ao uso da sua razão a Pessoa será um ser incondicionalmente livre. revestida de um valor inexorável designado por Kant de dignidade. mas não posso e muita coisa que devo. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. tendo sempre em conta que a essência da pessoa reside na sua relação como outro.Faz uma apreciação das características boas ou más dos comportamentos humanos. . logo responsável pelos seus actos. ● Ética implica também Liberdade e Integridade. deverão ser determinadas pela racionalidade. As suas decisões. 2009/10 ● Pode-se dizer ainda que Ética… .“Definição de Moral.É constituída pelos princípios que regulam os comportamentos.Liberdade para podermos decidir perante as normas que nos são impostas pela Ética. Apesar do Homem ser um ser racional e emotivo. senhor de uma vontade autónoma (princípio supremo da moralidade) em que se encontra implícita a relação com o outro. que faz do Homem um ser inteiramente livre. Ética e Deontologia. . ● O homem como ser racional é livre de fazer as suas escolhas. não deverá determinar-se pelos instintos. 1º Ano Psicologia. 4 . ● Da liberdade. decorrem três grandes questões éticas que orientam as escolhas individuais: Quero? Devo? Posso? Ética é exactamente o modo como cada um compreende estas três grandes questões da vida no seu dia a dia. A identificação entre a vontade e a razão. . há muita coisa que quero. mas será também formada a partir deles tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética. embora influenciadas pelas emoções. O adiamento do prazer com vista à potenciação da felicidade é uma característica do Homem.LIBERDADE E INTEGRIDADE . mas não quero. Pois. ● Então.Reflecte a noção que os comportamentos humanos podem ser bons ou maus. sob pena de não poder ser feliz.

● Em 1962. ● Bioética é uma disciplina autónoma da Ética e surge assente em três realidades distintas: – O grande desenvolvimento das tecnologias nos cuidados de saúde. logo sujeitos de dignidade intrínseca. 1º Ano Psicologia. assim como códigos deontológicos preconizados por associações profissionais. o “Código de Nuremberga”.DO PROCESSO DE NUREMBERGA À BIOÉTICA ● A vida humana deverá ser inteiramente respeitada. 2009/10 . em 1946. para mantê-la sempre actualizada à luz de novas conquistas científicas. no ano de 1964 em Helsinki. desde a fecundação até a morte. e por isso não poderá ser alvo de investigações e experimentações por parte dos investigadores. sem mascaras cínicas ou fissuras. XX – A existência de abusos e de constantes violações da dignidade humana pela experimentação em seres humanos – A questão ambiental face ao avanço técnico 5 . O Ser Humano nunca deverá ser considerado um meio. no séc. ficou deliberado que outras modificações poderiam vir a ser feitas. E em diversos países surgem directrizes nacionais. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. transparente. ● O termo Bioética foi cunhado por Vann Potter. Não se pode colocar em risco a vida ou a saúde do Ser Humano. mas sempre o fim. havendo uma nova revisão em Tóquio. ● Após a II Guerra Mundial e devido às experiências dos factos ocorridos durante esse período. tornando obrigatória a existência de comissões de ética da investigação nos estabelecimentos de saúde. baseado na declaração dos direitos da pessoa e institui um conjunto de regras de conduta a que todo o investigador se deve submeter quando utiliza pessoas como sujeitos da investigação. Todos os seres humanos são pessoas. Ética e Deontologia. completo. sempre que necessário. surge então. no ano de 1975. o “Código de Nuremberga” sofre algumas alterações e.“Definição de Moral. E. . médico oncologista nos Estados Unidos em 1970. verdadeiro. sem o seu conhecimento prévio e posteriormente a sua autorização.Integridade é o cuidado para se manter inteiro. houve a necessidade de se estabelecer regras morais de experimentação sobre os Seres Humanos. foi efectivada a “Declaração sobre as pesquisas Biomédicas”.

promovendo o aumento da qualidade de vida. em toda a sua profundidade. O princípio e o fim das nossas acções assumem nomenclaturas diferentes: Moral e Ética. Vivendo numa sociedade plural. ● A diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais. 1º Ano Psicologia. 6 . ● Existem diferentes perspectivas e modelos teórico-práticos. Deste modo. será o objectivo último da bioética. a imposição de valores torna-se mais discutível e complexa. ● No entanto. Ambas significam “respeitar e venerar a vida”. promover o reconhecimento de cada pessoa. ● Podemos então concluir que a Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. 2009/10 ● A Bioética visa uma melhor adaptação do homem às mudanças. ● Ambas têm como função explorar. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. estas estão interligadas. as deontológicas (concentradas nas normas que regem as acções) e as consequencialistas (preocupadas com possíveis consequências dessas mesmas acções). Ética e Moral se formam numa mesma realidade. mas será também formada a partir deles. Ética e Moral complementam-se. As correntes actuais da bioética passam por teorias éticas normativas aplicadas. havendo um inter relacionamento entre ambas. tendo assim o objectivo dos nossos comportamentos uma dimensão ética. ou ele apoia a Natureza ou ele subjuga tudo que pode dominar. esclarecer ou investigar uma determinada realidade. de que se destacam: as teorias da virtude (centradas nas qualidades do agente). Por isso. Ética e Deontologia. enquanto que a Moral é eminentemente prática. São constituídas por princípios que por não serem absolutos são normalmente aceites pela generalidade das teorias éticas. ● As teorias da moral comum derivam da moral compartilhada pelos membros de uma sociedade.DIFERENÇAS E COMPLEMENTARIDADE ● A ética será constituída pelos princípios que regulam os comportamentos.“Definição de Moral. Ética é teórica e reflexiva. O homem com o seu livre arbítrio vai formando seu meio ambiente ou destruindo. em que o direito à autodeterminação individual é defendido. ● ÉTICA/MORAL . pois na acção humana o conhecimento e o agir são indissociáveis. e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. assim sendo a Ética é uma espécie de legislação do comportamento moral das pessoas.

● Existem inúmeros Códigos de Deontologia. ajudar a estabelecer a actividade numa classe profissional pelo que. 1º Ano Psicologia. ● Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas. os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas.“Definição de Moral. ● O Código Deontológico ou Código de Ética é o conjunto de obrigações que um profissional deve cumprir no exercício da sua profissão. para os infractores do mesmo. 2009/10 ● DEONTOLOGIA ● O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon. às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões. por vezes. . por um conjunto de profissionais. Ética e Deontologia. para além da competência. adaptando-o. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses. em meados do século passado. 7 . Golser. relativas a toda a sociedade. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. estes podem. princípios e normas a adoptar por um determinado grupo profissional. nos Estados Unidos. é exclusivamente um instrumento consultivo. por exemplo. ● Deontologia é então. ● É a ciência dos deveres que visa definir o conjunto de deveres. o conjunto de deveres impostas aos profissionais de uma determinada área. tendo em vista a qualidade moral das acções profissionais e a correcção das mesmas na relação entre profissional e sociedade.CÓDIGOS DE DEONTOLOGIA / ÉTICA O primeiro Código de Deontologia foi feito na área médica. ● Regra geral. oferecendo apenas uma função reguladora. déntos” que se traduz por discurso ou tratado. 2001 ● Tem como objectivo. ● Para além disso. no exercício de sua profissão. no entanto. a noção de profissão deve incluir um conjunto de procedimentos e valores comuns. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos. estes códigos propõem sanções. segundo princípios e procedimentos explícitos.

que consideravam estéril o saber a respeito do mundo. conhece-te a ti mesmo”.na nossa conceituação actual . sente-se dono de si mesmo e. Tornaram-se os mestres que ensinavam a arte de convencer pela argumentação. as doutrinas éticas não são consideradas de modo isolado. atitudes de alta agressividade . que. que privilegiava a relação Homem – Estado. V a. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO ● As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens. por conseguinte.“Definição de Moral.C. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Dentro desta conceituação. social. sujeita historicamente à mudança. ● A Filosofia Moral começa na antiga Grécia. rejeitava o relativismo e o subjectivismo dos sofistas. Sócrates considerava como saber fundamental o saber a respeito do homem. chegamos à civilização grega que influiu de modo avassalador em nosso mundo ocidental. A ética socrática é racionalista e pode ser resumida na seguinte colocação: “O homem age rectamente quando conhece o bem. 1º Ano Psicologia. enquanto afirmava a dualidade Corpo – Alma. aspirando ao bem. por serem humanas. ● Uma moral primitiva surgiu com o próprio homem. eram transitórias. Existe assim uma estreita vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana. pela discussão.poderiam e eram consideradas eticamente válidas. no séc. é feliz”. em favor quase que exclusivista das coisas do espírito. não pode deixar de praticá-lo. matar para não morrer. 2009/10 ● ORIGENS DOS PRINCIPIOS MORAIS. ● Surgiu em seguida. apesar de também desprezar o conhecimento da natureza e a tradição. e. Sócrates. mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a sua história. Nesta nova evolução histórica. A “Moral Tribal” se resumia em trabalhar para comer. e. com os Sofistas. ● Segue-se Platão. Daí seu ensinamento básico: “Homem. sendo atraídos especialmente pelo saber a respeito do homem. Na época platónica notava-se um desprezo pelo trabalho físico e a exaltação das classes dedicadas às actividades consideradas 8 . pelo seu comportamento moral efetivo. onde a sobrevivência básica se constituía na norma ética fundamental. onde essa será superior àquela e como consequência estabelecia um total desinteresse pelas coisas materiais. E acrescentava: “Só sei que nada sei!” Concluindo: “Deve-se melhorar o conhecimento e aperfeiçoar a conduta”. Para eles não existiam nem verdade nem erro e as normas. conhecendo-o. Mas o homem primitivo foi evoluindo e suas novas realidades sociais criaram por sua vez novas realidades éticas que modificaram e até mesmo anularam as regras anteriores. em particular. por outro lado. Ética e Deontologia. O homem da caverna lutava para se alimentar e para preservar o seu abrigo natural. Naquelas circunstâncias. particularmente político e jurídico.

Origens da Moral” Sílvia Ferreira. E Aristóteles procurava responder à pergunta fundamental: qual é o fim último para o qual tende o Homem? Para a felicidade. estas virtudes dividiam-se em duas classes: as intelectuais e as práticas ou éticas. a uma comunidade menor. Passava a dominar assim uma fatalidade absoluta. Já não era limitado a uma “polis”. o homem – o sábio – devia ser. não havendo nenhuma intervenção divina nos fenómenos físicos nem na vida humana. embora estas condições isoladas não bastassem para fazer alguém feliz. Ética e Deontologia. 2009/10 superiores: contemplação. Somente os deuses e os animais não tinham necessidade da comunidade política para viver. Com a decadência do mundo antigo greco-romano. Liberdade pessoal e saúde. Ambas as filosofias defendiam que. que foi discípulo de Platão. onde só acontecia o que Deus quisesse. Assim. Para se realizar esta vida. Finalmente considerava Aristóteles que a felicidade se alcançava mediante a virtude. do mundo. Segundo ele. a moral não se definia em relação à cidade. Não existia a liberdade nem o acaso. os escravos não tinham lugar no Estado ideal. Deixava de ter necessidade da comunidade. da qual a maior parte – os escravos – estava excluída. guiada pelo que o homem tinha de mais característico e elevado: a razão. 1º Ano Psicologia. Como consequência. um bom cidadão. ● Aristóteles. pois seriam desprovidos de virtudes morais e direitos cívicos. Aristóteles considerava que o homem enquanto tal só poderia viver na cidade. mas ao universo (cosmos). eram fundamentais as virtudes não inatas. porém com algumas condições necessárias: maturidade. pois era por natureza um animal político. 9 . pois para ele o homem se formava espiritualmente somente no Estado e mediante a subordinação do indivíduo à comunidade. na ética platónica existia uma estreita unidade da moral e da política. Por isso. pois passava a viver moralmente como cidadão do mundo. A ideia existia somente nos seres individuais. Para ele a ideia não existia separada dos indivíduos concretos. mas a vida teórica ou contemplação. ou seja. ao mesmo tempo. surgiram os Estóicos e os Epicuristas. o homem que vivia no mundo tinha seu destino rígido e só lhe restava aceitar este destino e agir consciente dele. ● Para os Epicuristas tudo o que existia. social. era formado de átomos materiais. O problema moral era colocado sobre o fundo da necessidade física. a física se tornava a premissa da ética. política e a guerra. mas que se adquiriam ou conquistavam pelo exercício. dizia ele. Mas ele afirmava que esta vida teórica só era possível a uma minoria ou elite. Na sua ética. E esta felicidade não era o prazer ou a riqueza.“Definição de Moral. dizia ele. ● Para os Estóicos o mundo passava a ser o centro de tudo. natural. opunha-se a seu mestre no que dizia respeito ao dualismo ontológico. incluindo a alma. bens materiais. do cosmo. Dentro deste quadro.

Mas esta ética de igualdade. E Kant deu então o seu mandamento fundamental: 10 . a consciência de sua igualdade. mais do que uma inter-relação com a comunidade ou com o mundo – cosmos. mas numa época onde não havia condições reais e sociais para esta igualdade efectiva. Também no que dizia respeito às virtudes havia uma superioridade do divino. ou num pequeno círculo de amigos. ● No século XV surge a Moral Burguesa. onde incluía os oprimidos e explorados. estava ligada a Deus. A Ética Cristã. Ética e Deontologia. A ética dominante a partir do século XVI até o século XIX denomina-se Ética Moderna. marcada pela Revolução Industrial do século XVIII. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. fortaleza. Na ordem social surgiu uma nova classe: a burguesia. Muitas vezes a desigualdade material e social não foi condenada pela ética cristã. esperança e caridade. acentuava virtudes supremas ou teológicas: fé. 2009/10 Livre assim de temores religiosos. as teológicas relacionavam o homem com Deus. o qual era representado pelo prazer. dando como corolário o início e a expansão do Capitalismo. somente devendo buscar aqueles que contribuíssem para a paz da alma. Houve mudanças na economia. Na verdade o cristianismo veio dar aos homens. contrapondo-se à Ética Teocêntrica da Idade Média. tornando-se antropocêntrica e teve sua maior expressão em Kant. surge a Ética Cristã. ainda que considerassem alguns prazeres como inadequados. das relações do homem com o seu criador e do modo de vida prático que este homem devia seguir para alcançar a sua salvação. a relação do homem. foi lançada numa época de enormes desigualdades e assim muita incompreensão histórica surgiu dos factos então ocorridos. Na religião. isto é. essencialmente Teocêntrica. seu criador. Racionalista. partia das revelações de Deus. seguindo-se a extinção da sociedade feudal. caracterizada pela exploração do Homem pelo Homem. Nesta ética. gerando com isso críticas violentas no mundo moderno. independentemente de serem livres ou escravos. Com isto. 1º Ano Psicologia. Ainda que assimilando as virtudes fundamentais já enunciadas por Platão: prudência. tornou o homem como o centro de sua atenção. a natureza de Deus. de pequenos Estados. Na ética cristã. O homem procurava em si mesmo. cultos ou incultos. Esta ética. dando origem à formação dos grandes Estados. incrementando-se as forças produtivas e a ciência. pela primeira vez em sua história. o Estado da Igreja e até mesmo o homem de Deus.“Definição de Moral. Enquanto as fundamentais regulavam as relações entre os homens. no século seguinte. o homem passava a buscar seu bem neste mundo. separando-se a razão da fé. a Ética Moderna tornou-se essencialmente antropocêntrica. a tranquilidade da alma e a auto-suficiência. já não existiam as diferenças entre os homens: todos eram iguais diante de Deus. temperança e justiça. Para melhor compreender esta situação é preciso situar-se no momento histórico – social do tempo em que tal aconteceu. ● No Século IV quando o cristianismo se torna a religião de Roma. surgiram os movimentos reformistas.

No mundo da Ética contemporânea. só pode ser captado por meio da intuição. A política. a arte e a ciência vão adquirindo uma autonomia cada vez maior. Tudo se justifica em nome da liberdade! A regra predominante se torna a procura do “melhor produto”. contudo. qualquer contrapartida socioeconómica. perde a hegemonia que exercia sobre a sociedade tradicional. obrigação. sem haver. O cidadão ideal será algo como “uma ameba em coma alcoólica. Somando-se à exploração do Homem pelo Homem. ● Chegamos à Ética Contemporânea. A tecnologia supera tudo e se transforma na verdadeira deusa dos tempos modernos. o Capitalismo Financeiro substitui o Capitalismo Industrial. A esta condição são conduzidos também os conceitos de dever. reflectir e tomar consciência deverão ser reduzidos aos níveis mínimos. A Consciência passa a ser considerada como uma forma de censura e de cerceamento da liberdade. o Pragmatismo. as matérias-primas e até os alimentos. por esses. Com ela. o Marxismo. enquanto essa adquire foros de plenitude sem limites. a Psicanálise. quando se trata de algo que não pode ser definido.“Definição de Moral. que tem o seu início em meados do século XIX. E que. Pensar. parece estar terminado o próprio jogo”. E é natural que nos sintamos logrados quando comprovamos que. num segundo tempo. provocada pelas violentas mudanças ocorridas em toda a humanidade. regida pelos grupos dominantes que afirmam: “assim é que deve ser”. Mary Warnock afirma: “Todas as analogias e modelos destinados a esclarecer a linguagem ética têm o aspecto de tentativas preparatórias para limpar a mesa do jogo. As principais correntes desta Ética Contemporânea são: o Existencialismo.. Daqueles são retirados. E. A filosofia de vida assume uma nova conotação: “os outros que se danem!” A Ética da Manipulação caracteriza-se pelos seguintes pontos: . com o desenvolvimento das ciências que chegaram ao paradoxo de criar condições cada vez mais eficientes de destruição. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. acabando por concentrar a sua atenção na análise da linguagem moral. a economia assume o papel dominante ficando até mesmo a ética a ela subordinada. tanto quanto a religião.” A 11 . Ética e Deontologia. nasce e atinge sua plenitude a Ética da Manipulação. ● Segue-se o Neopositivismo e as Filosofias Analíticas que surgem da necessidade de libertar a ética do domínio da metafísica.Todo processo educativo será orientado para construir cidadãos submissos e manipuláveis.. então considerado como o que dá mais lucro e não o que é melhor para o Ser Humano. até mesmo da própria humanidade. Há uma insurreição contra toda ética que pretenda definir o bom como uma propriedade natural. e a ética. 2009/10 “Age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir se torne uma lei universal”. justeza. portanto. ● No século XX. o Neopositivismo e a Filosofia Analítica. vem a exploração dos Países pobres pelos Países ricos. 1º Ano Psicologia. uma vez limpa a mesa.

porém com os pés cravados nas experiências vividas. manipulando cientificamente a opinião pública. seja nas relações afectivas. centro indiscutível de toda a criação. A História. deverão estimular o consumismo exacerbado. Exemplo se faz no uso de placebos na experimentação terapêutica. O cidadão passará a comprar coisas.O próprio exercício da pesquisa científica será manipulado. A psicologia será posta a serviço desse sistema de mass-média. onde o objectivo será sempre e tão-somente o resultado. 2009/10 educação visará prioritariamente o processo de produção e consumo e o HOMO SAPIENS será substituído pelo HOMO FABER. O poder será a meta fundamental e o homem terá estimulado o seu desejo de dominação e exploração do seu semelhante sem qualquer escrúpulo. busque encontrar a ética dentro dos valores imutáveis tanto quanto dos transitórios. separações. Dentro desse princípio. se criará uma falta de esperança num futuro melhor e as pessoas buscarão resultados rápidos. . mas sempre o fim. Até o Ser Humano se tornará descartável. E o maior deles será a Televisão. Os anúncios. não se deve cair no rigorismo fundamentalista. divórcios. deve-se olhar para a frente. bem como a fixação na condição de tudo ser descartável.Como norma básica. faz-se mister que o homem de hoje. . do aqui e agora. preventiva da repetição dos mesmos erros. formando seu conceito de vida em função de sua própria dignidade de homem.“Definição de Moral. amizades passageiras ou seja nas comerciais. nem escorregar para o laxismo modernista. 1º Ano Psicologia. criando necessidades mesmo onde elas inexistam ou até mesmo sejam indesejáveis. que merecem uma reflexão: . Ética e Deontologia. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. desde a fecundação até a morte. onde o diálogo é totalmente inexistente. pode-se afirmar que “nem tudo o que é cientificamente possível. mais que vender produtos. Diante desse quadro. Com isso. criando uma legião de infelizes desempregados. . pela criação de necessidades fictícias.O imediatismo será estimulado. mas porque lhe foi incutido cientificamente acreditar nessa falsa necessidade. Cada conquista será rapidamente descartada para que novos valores sejam buscados. será cultivada e respeitada. não porque delas realmente necessite. de certo modo assustador. com uma absoluta redução ou até anulação do valor da vida.Os meios de comunicação se tornarão instrumentos ideais da manipulação. mesmo em detrimento da qualidade. é eticamente permitido”.A vida humana deverá ser inteiramente respeitada. que perderá sua sacralidade. Não se pode colocar em 12 . A Ética da Manipulação veio levantar uma série de questões. Sem desprezar as tradições como conservadoras. ficando essa restrita a um campo sofisticado e exclusivo. O Ser Humano nunca será considerado um meio. . onde as demissões individuais ou em massa se farão sem qualquer constrangimento.

. Uma intenção má pode tornar mau um objecto bom. 1º Ano Psicologia. A partir daí. ao invés de experimentações irrelevantes apenas para aumento curricular de seus autores. Mas tendo sempre presente que “o fim não justifica os meios”. mas todas as formas de vida existentes na natureza. define-se essencialmente que a pesquisa biomédica somente será aceite como tal. Será exigida uma correcta avaliação da relação danos/benefícios e o consentimento prévio dos pacientes será indispensável para o início e continuidade de trabalhos experimentais. ao indicar que essa Moralidade depende de: * Objecto escolhido. ditos irracionais. o bem para o qual se dirige deliberadamente a vontade. vivos. Entre os temas mais polémicos está a chamada “Vivissecção”.Mas. o Homem depende vitalmente de todas elas. sem necessidade. * Circunstâncias da acção.“Definição de Moral. E acrescenta: “O ato moralmente bom supõe a bondade do objecto. caberá aos pesquisadores buscarem alternativas que atendam as necessidades técnicas da pesquisa. contudo. violentar os direitos básicos do Ser Humano.A caridade respeita o próximo e sua consciência. isto é. sem. Ainda que esse seja um ponto bastante controverso em determinados casos. Não se pode fazer um mal para que dele resulte um bem”. é biocídio. que entre outras coisas termina dizendo: “Todo acto que acarrete a morte de um animal. da intenção e das circunstâncias. Assim. E prossegue: “Todo acto que acarrete a morte de grande número de animais selvagens é genocídio. onde uma interferência psicológica por parte do paciente poderá alterar substancialmente os resultados de uma pesquisa. isto é. o que gostarias que ele te fizesse. Em 1978 a UNESCO firmou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. * Intenção com que se busca o objecto. que é o estudo em animais. explicita muito bem no primeiro capítulo de sua terceira parte. Afinal.Faça ao próximo. 2009/10 risco a vida ou a saúde do Ser Humano. busca-se uma “Moralidade dos actos humanos” que o Catecismo Universal da Igreja Católica. com o único objectivo de se testar uma nova medicação experimental. delito contra a espécie. Mas não revertem totalmente a qualidade moral de uma acção. ou seja. que podem aumentar ou diminuir a gravidade do ato e a responsabilidade do agente. 13 . não só o Ser Humano deverá ser protegido pelas normas da Bioética. publicado em 1993. se for verdadeiramente “Pesquisa”. . delito contra a vida”. pela omissão deliberada da terapêutica adequada. Ética e Deontologia. podemos concluir duas regras básicas e óbvias: . Origens da Moral” Sílvia Ferreira. Com tudo isso. Com o objectivo de proteger e respeitar a vida.

fornecer subsídios para um desenvolvimento da Consciência Crítica que irá proporcionar à pessoa uma melhor possibilidade de avaliação de seus actos e dos acontecimentos que ocorrerem em seu redor. cultural e ética. diante da comunidade em que vive. Compete aos pais.“Definição de Moral. forjar o carácter de cada novo ser dentro de correctas normas éticas. Mas assim como a casa somente é habitada depois de construída. o homem se torna cada vez menos homem. Quem traz de sua infância estes conceitos certamente irá aprimorá-los na sua vida adulta e consequentemente vive num mundo melhor. poderemos tirar lições importantíssimas para o futuro da humanidade. tornando-o ético diante de si mesmo. começando pela sua história e vivendo-a na sua realidade de hoje. assim como o futuro do homem se constrói sobre o seu passado. o sofrimento estéril. Acompanhando a história do homem. sua evolução social. Numa sociedade onde o egoísmo. isto sim. a angústia. Pensando no futuro. o homem deve construir e habitar o seu mundo no “aqui e agora”. Este é o sentido de se estudar ética. mas construindo-o já. Com esta avaliação ele será capaz de orientar e reorientar o seu próprio comportamento. 2009/10 ● CONCLUSÃO Pode-se concluir que Moral. 1º Ano Psicologia. Ética e Deontologia são conceitos que estão em constante mutação. utilizando os alicerces do passado. a ambição e o apego têm a sua morada. Ética e Deontologia. acompanhando e adaptando-se às conjunturas socioeconómicas e culturais de um determinado tempo. Podemos. o pragmatismo frio. Ética começa no berço. Torna-se difícil “ensinar” ética a um indivíduo. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. os primeiros educadores. no momento em que vive. Lamentar o passado ou viver sonhando com o futuro é desperdiçar totalmente a sua vida. 14 . cada vez mais máquina e nesta distorção vem a infelicidade. que é realidade hoje. mas sem se prender a ele. Uma casa constrói-se sobre os alicerces. não só pelas palavras. pois esta é a única realidade que possui. mas sobretudo pelos exemplos.

Ética e Deontologia. (2004). Comportar-se fazendo bioética para quem se interessa pela ética. Evaldo Alves (1998). Petrópolis.“Definição de Moral. Lisboa: Instituto Piaget ● Riçou. M. Gráfica de Coimbra ● D’Assumpção. Ética e Psicologia: uma prática integrada. 1º Ano Psicologia. D. RJ: Vozes 15 . R. 2009/10 ● BIBLIOGRAFIA ● Francis. Ética para Psicólogos. Origens da Moral” Sílvia Ferreira. (2004).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful