Você está na página 1de 5

ATUALIDADES EM QUÍMICA

Ana Luiza G. Degani


Quezia B. Cass
Paulo C. Vieira

A seção "Atualidades em química" procura apresentar assuntos que compostos, separando-se as subs-
mostrem como a química é uma ciência viva, seja com relação a tâncias indesejáveis e para a separa-
novas descobertas, seja no que diz respeito à sempre necessária ção dos componentes de uma mistura.
redefinição de conceitos. As diferentes formas de cromato-
Este artigo apresenta os conceitos básicos da cromatografia. Os grafia podem ser classificadas consi-
derando-se diversos critérios, sendo
diferentes tipos de cromatografia são descritos e classificados
alguns deles listados abaixo:
considerando-se a forma física do sistema cromatográfico
empregado, a fase móvel/estacionária utilizada ou o modo de 1. Classificação pela forma física do
separação. Especial ênfase é dada à cromatografia em camada sistema cromatográfico
delgada, à cromatografia líquida clássica e de alta eficiência e à Em relação à forma física do siste-
cromatografia gasosa de alta resolução. ma, a cromatografia pode ser subdivi-
dida em cromatografia em coluna e
cromatografia, sílica, fase móvel, fase estacionária 21
cromatografia planar. Enquanto a cro-
matografia planar resume-se à croma-
tografia em papel (CP), à cromatogra-

A
cromatografia é um método em faixas coloridas. Este é provavel- fia por centrifugação (Chromatotron) e
físico-químico de separação. mente o motivo pelo qual a técnica é à cromatografia em camada delgada
Ela está fundamentada na mi- conhecida como cromatografia (chrom (CCD), são diversos os tipos de cro-
gração diferencial dos componentes = cor e graphie = escrita), podendo matografia em coluna, os quais serão
de uma mistura, que ocorre devido a levar à errônea idéia de que o processo mais bem compreendidos quando
diferentes interações, entre duas fases seja dependente da cor. classificados por outro critério.
imiscíveis, a fase móvel e a fase Apesar deste estudo e de outros
estacionária. A grande variedade de 2. Classificação pela fase móvel
anteriores, que também poderiam ser
combinações entre fases móveis e considerados precursores do uso empregada
estacionárias a torna dessa técnica, a cro- Em se tratando da fase móvel, são
uma técnica extrema- A cromatografia é um matografia foi pratica- três os tipos de cromatografia: a cro-
mente versátil e de método físico-químico mente ignorada até a matografia gasosa, a cromatografia lí-
grande aplicação. de separação. década de 30, quan- quida e a cromatografia supercrítica
O termo cromato- Ela está fundamentada do foi redescoberta. A (CSC), usando-se na última um vapor
grafia foi primeira- na migração diferencial partir daí, diversos pressurizado, acima de sua tempera-
mente empregado em dos componentes de trabalhos na área tura crítica. A cromatografia líquida
1906 e sua utilização é uma mistura, que possibilitaram seu apresenta uma importante subdivisão:
atribuída a um botâ- ocorre devido a dife- aperfeiçoamento e, a cromatografia líquida clássica (CLC),
nico russo ao descre- rentes interações, em conjunto com os na qual a fase móvel é arrastada
ver suas experiências entre duas fases avanços tecnológi- através da coluna apenas pela força
na separação dos imiscíveis, a fase cos, levaram-na a um da gravidade, e a cromatografia líquida
componentes de ex- móvel e a fase elevado grau de sofis- de alta eficiência (CLAE), na qual se
tratos de folhas. Nesse estacionária ticação, o qual resul- utilizam fases estacionárias de partí-
estudo, a passagem tou no seu grande po- culas menores, sendo necessário o
de éter de petróleo (fase móvel) através tencial de aplicação em muitas áreas. uso de uma bomba de alta pressão
de uma coluna de vidro preenchida A cromatografia pode ser utilizada para a eluição da fase móvel. A CLAE
com carbonato de cálcio (fase esta- para a identificação de compostos, por foi inicialmente denominada cromato-
cionária), à qual se adicionou o extrato, comparação com padrões previa- grafia líquida de alta pressão, mas sua
levou à separação dos componentes mente existentes, para a purificação de atual designação mostra-se mais

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Cromatografia N° 7, MAIO 1998


adequada. No caso de fases móveis tografia gasosa de alta reso-
gasosas, separações podem ser lução (CGAR).
obtidas por cromatografia gasosa (CG)
e por cromatografia gasosa de alta Cromatografia planar
resolução (CGAR). A diferença entre os A cromatografia em papel
dois tipos está na coluna. Enquanto na (CP) é uma técnica de partição
CGAR são utilizadas colunas capilares, líquido–líquido, estando um
nas quais a fase estacionária é um deles fixado a um suporte
filme depositado na mesma, a CG sólido. Baseia-se na diferença
utiliza colunas de maior diâmetro de solubilidade das substân-
empacotadas com a fase estacionária. cias em questão entre duas
fases imiscíveis, sendo geral-
3. Classificação pela fase mente a água um dos líquidos.
estacionária utilizada O solvente é saturado em água
Quanto à fase estacionária, distin- e a partição se dá devido à
gue-se entre fases estacionárias sóli- presença de água em celulose
das, líquidas e quimicamente ligadas. (papel de filtro). Este método,
No caso da fase estacionária ser cons- embora menos eficiente que a
tituída por um líquido, este pode estar CCD, é muito útil para a sepa- Figura 2: Esquematização de um cromatograma
simplesmente adsorvido sobre um su- ração de compostos polares, obtido por CCD.
porte sólido ou imobilizado sobre ele. sendo largamente usado em
Suportes modificados são considera- bioquímica.
A cromatografia em camada delga- pessura de 3 a 4 mm. Placas analíticas
dos separadamente, como fases qui-
da (CCD) é uma técnica de adsorção usualmente têm 10 cm x 2,5 cm e
micamente ligadas, por normalmente
líquido–sólido. Nesse caso, a separa- preparativas 20 cm x 20 cm.
diferirem dos outros dois em seus
22 ção se dá pela diferença de afinidade A sílica gel é a fase estacionária
mecanismos de separação.
dos componentes de uma mistura pela mais utilizada, sendo seguida pela alu-
4. Classificação pelo modo de fase estacionária. mina, pela terra diatomácea e pela
separação A Fig. 2 mostra um cromatograma celulose. Para a preparação das pla-
obtido por CCD no qual se pode cas, faz-se uma suspensão do adsor-
Por este critério, separações observar a diferença de afinidade das vente em água, sendo a mesma depo-
cromatográficas se devem à adsorção, substâncias 1 e 2 pela fase estacioná- sitada sobre a placa manualmente ou
partição, troca iônica, exclusão ou mis- ria, sendo a substância 1 mais retida com o auxílio de um espalhador. Após
turas desses mecanismos. que a 2. Por ser um método simples, a deposição, deixa-se a placa secar ao
rápido, visual e econômico, a CCD é a ar. A etapa final da preparação da placa
Para se ter uma visão mais ampla técnica predominantemente escolhida é sua ativação. A sílica, por exemplo,
dos diferentes tipos de cromatografia, para o acompanhamento de reações é ativada a 105-110 °C por 30 a 60
os mesmos estão dispostos no diagra- orgânicas, sendo também muito utiliza- minutos. A espessura da camada de
ma da Figura 1. da para a purificação de substâncias sílica a ser depositada é de 0,25 mm
Dentre os vários tipos de cromato- e para a identificação de frações cole- para placas analíticas e de 1,0 mm
grafia, especial ênfase será dada à tadas em cromatografia líquida clássi- para placas preparativas. Na prepara-
cromatografia em camada delgada ca. ção de placas preparativas, costuma-
(CCD), à cromatografia líquida clássica O parâmetro mais importante a ser se adicionar sulfato de cálcio para
e de alta eficiência (CLAE) e à croma- considerado em CCD é o fator de melhorar a adesão à placa de vidro.
retenção (Rf), o qual é No mercado existem placas analíticas
a razão entre a distân- e preparativas pré-fabricadas, as quais
cia percorrida pela apresentam a fase estacionária deposi-
substância em questão tada sobre uma lâmina de material
e a distância percorrida plástico ou de alumínio, sendo estas
pela fase móvel. Os de maior eficiência.
valores ideais para Rf As amostras a serem analisadas
estão entre 0,4 e 0,6. por CCD devem ser aplicadas a apro-
A CCD pode ser ximadamente 1 cm da base inferior da
usada tanto na escala placa, com a ajuda de um capilar.
analítica quanto na pre- Após a aplicação da(s) amostra(s)
parativa. Normalmente sobre a placa, a mesma deve ser
Figura 1: Representação esquemática dos diferentes tipos as placas utilizadas introduzida numa cuba contendo a
de cromatografia. são de vidro, com es- fase móvel adequada. Cubas cromato-

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Cromatografia N° 7, MAIO 1998


gráficas geralmente são de vidro, com um ácido mineral, submetendo-se a empacotamento e eluição, sendo
fundo chato, e devem ter suas paredes placa a altas temperaturas (~110 °C) conhecido como Cromatografia Flash.
laterais internas recobertas com papel por alguns minutos. Os compostos A principal etapa ao se utilizar essa
de filtro, para facilitar sua saturação orgânicos oxidados serão revelados na técnica é o empacotamento, o qual,
com os vapores do solvente. forma de pontos escuros. entre outros fatores, definirá a eficiên-
A escolha da fase móvel, que cia da separação. Enquanto a alumina
geralmente é constituída por um ou Cromatografia em coluna é empacotada em sua forma original,
mais solventes, não é tarefa simples. a sílica deve sê-lo na forma de sus-
No entanto, uma vez que as fases Cromatografia líquida clássica pensão.
estacionárias mais usadas são extre- Esta técnica é muito utilizada para À coluna adiciona-se uma pequena
mamente polares, não devem ser isolamento de produtos naturais e quantidade de solvente e deposita-se
utilizados solventes pouco polares, que purificação de produtos de reações na sua extremidade inferior um chu-
não removeriam os compostos do químicas. As fases estacionárias mais maço de algodão com espessura de
ponto de aplicação, nem solventes utilizadas são sílica e alumina, entre- aproximadamente 0,5 cm para impedir
muito polares, capazes de arrastar os tanto estes adsorventes podem servir a passagem de partículas da fase
componentes da amostra até o topo simplesmente como suporte para uma estacionária. A adição de sílica deve
da placa. Em vista disso, melhores fase estacionária líquida. Fases esta- ser feita com a torneira semi-aberta.
resultados são obtidos com misturas cionárias sólidas levam à separação O adsorvente é adicionado lentamente
de solventes, de modo a se obter uma por adsorção e fases estacionárias à coluna fixada na posição vertical,
polaridade média em relação à polari- líquidas por partição. Suportes quimi- batendo-se continuamente ao longo
dade dos componentes da amostra. camente modificados também têm da mesma para que todo o ar seja
A placa é deixada na cuba, onde o sido usados, sendo o processo de se- expulso, de modo a se obter uma
solvente irá subir por capilaridade, até paração misto neste caso. compactação uniforme. A existência
que ele esteja a aproximadamente 2 Esses suportes são acondicio- de ar entre as partículas leva à forma-
cm da extremidade superior. Ao ascen- nados em tubos cilíndricos geralmente ção de canais na coluna, os quais
der, o solvente irá arrastar mais os com- de vidro, de diâmetros variados, os alargam as bandas eluídas. 23
postos menos adsorvidos na fase quais possuem uma torneira em sua Nunca se deve permitir que o nível
estacionária, separando-os dos mais extremidade inferior. A Fig. 3 é uma do solvente desça abaixo do nível do
adsorvidos. ilustração de uma coluna cromato- adsorvente, o que poderia acarretar
A linha de chegada da fase móvel gráfica empacotada com sílica, sendo rachaduras, comprometendo a eficiên-
deve ser marcada e a placa deve estar mostrados seus demais constituintes. cia da coluna.
seca. Como a maioria dos compostos Os adsorventes possuem partí- Após o empacotamento, é conve-
orgânicos é incolor, faz-se necessária culas na faixa de 60-230 mesh, de niente que se passe uma certa quan-
a utilização de um processo de revela- modo a possibilitar um fluxo razoável tidade do eluente (duas a três vezes o
ção para que se possa analisar o do solvente através da coluna. volume da coluna) a ser utilizado
resultado. O uso de sílica de partícula menor através da coluna antes da introdução
Para a revelação de placas de CCD, (230-400 mesh) como adsorvente para da amostra. Esta é adicionada à
existem processos destrutivos e não essas colunas requer a utilização de coluna com o auxílio de uma pipeta
destrutivos. Os métodos não destruti- um sistema de bombeamento para o no momento em que o nível do eluente
vos mais utilizados são a utilização de esteja o mais próximo possível do
1) placas onde a fase estacionária é adsorvente. Esse procedimento ame-
fluorescente ou 2) iodo. O primeiro niza o alargamento das bandas a
baseia-se na utilização de substâncias serem eluídas. Tendo a amostra pene-
fluorescentes misturadas à sílica trado no adsorvente, o eluente é então
quando da preparação das placas, adicionado cuidadosa e continua-
possibilitando a revelação dos com- mente.
postos em câmaras de luz ultravioleta. A escolha do eluente segue os
O segundo vale-se do fato de que o princípios discutidos em CCD, mas
iodo complexa-se com compostos neste caso ele pode ser mudado du-
insaturados, de modo que placas que rante o processo cromatográfico. Se,
os contenham, ao serem colocadas por exemplo, a amostra é constituída
em uma câmara contendo cristais de por duas substâncias, uma apolar e
iodo, apresentarão pontos amarron- outra polar, utiliza-se primeiramente
zados. um eluente apolar e em seguida um
Os processos destrutivos consis- eluente polar.
tem na oxidação dos compostos sobre O volume das frações a serem
a placa, pulverizando-os com solução Figura 3: Ilustração de uma coluna croma- recolhidas é função da quantidade de
aquosa de um oxidante orgânico e/ou tográfica. amostra e do grau de dificuldade da

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Cromatografia N° 7, MAIO 1998


separação. Para análise das mesmas, preenchimento da alça e outra para
recorre-se a alguma técnica auxiliar, sua liberação para a coluna. Existem
usualmente CCD. alças de diversos volumes, sendo
Em vista de que geralmente algu- utilizadas geralmente alças na faixa de
mas partículas da amostra perma- 5-50 µL para injeções analíticas e 0,5-
necem irreversivelmente adsorvidas à 2 mL para preparativas.
fase estacionária, a cada separação é As colunas utilizadas em CLAE são
necessário um tratamento para a recu- geralmente de aço inoxidável, com
peração do adsorvente. diâmetro interno de cerca de 0,45 cm
para separações analíticas e na faixa
Cromatografia líquida de alta de 2,2 cm para preparativas. O com-
eficiência (CLAE) primento é variável, sendo comuns
O grande avanço na cromatografia colunas analíticas de 10-25 cm e pre-
em coluna foi o desenvolvimento e a parativas em torno de 25-30 cm. Essas Figura 5: Cromatograma mostrando a
utilização de suportes com partículas colunas são reaproveitáveis, sendo separação dos enantiômeros do tetramisol,
princípio ativo de vários medicamentos
diminutas responsáveis pela alta empacotadas com suportes de alta
usados para ascaridíase.
eficiência, as quais tornam necessário resolução, não sendo necessária sua
o uso de bombas de alta pressão para regeneração após cada separação. nárias existentes, as quais possibilitam
a eluição da fase móvel, devido a sua O detector mais utilizado para análises e separações de uma ampla
baixa permeabilidade. A Fig. 4 mostra separações por CLAE é o detector de gama de compostos com alta eficiên-
um equipamento típico de CLAE. ultravioleta, sendo também empregados cia. Tem sido utilizada em várias áreas
As fases móveis utilizadas em CLAE detectores de fluorescência, de indíce da ciência, no acompanhamento de
devem possuir alto grau de pureza e de refração, e eletroquímicos, entre sínteses, em análises de pesticidas,
estar livres de oxigênio ou outros gases outros. Detectores de polarimetria para feromônios, no isolamento de produtos
24 dissolvidos, sendo filtradas e desga- CLAE, recentemente desenvolvidos, naturais e sintéticos e na produção e
seificadas antes do uso. diferenciam compostos quirais, através controle de qualidade de medica-
A bomba deve proporcionar ao da rotação de seus estereoisômeros mentos, dentre tantas outras apli-
sistema vazão contínua sem pulsos frente à luz plano-polarizada. cações.
com alta reprodutibilidade, possibilitan- O registro de dados pode ser feito As separações em CLAE podem se
do a eluição da fase móvel a um fluxo através de um registrador, um integra- dar por adsorção, partição ou ambos.
adequado. dor ou um microcomputador. O suporte mais comumente utilizado
As válvulas de injeção usadas A Fig. 5 ilustra uma separação é a sílica. O uso de fases estacionárias
possuem uma alça de amostragem enantiomérica por CLAE.
líquidas adsorvidas a um suporte não
para a introdução da amostra com uma A versatilidade desta técnica reside
tem grande aplicação devido à perda
seringa e duas posições, uma para o no grande número de fases estacio-
de fase estacionária, mas o uso de
suportes modificados, os quais foram
desenvolvidos como conseqüência do
problema acima, possibilita a produ-
ção de uma imensa variedade de colu-
nas com diferentes propriedades e
tipos de seletividade. As fases assim
obtidas são chamadas de quimica-
mente ligadas.
Essas fases, dependendo da modi-
ficação feita ao suporte, podem atuar
no modo normal, reverso ou ambos.
Na cromatografia em fase normal, a
fase estacionária é mais polar que a
fase móvel, e em fase reversa, a fase
móvel é mais polar.
Separações analíticas são predo-
minantemente realizadas em fase
reversa, sendo a fase C18 (octadecil-
Figura 4: Equipamento básico de CLAE. a) reservatório da fase móvel; b) bomba de alta
sílica) a mais usada, ao passo que são
pressão; c) válvula de injeção; d) coluna; e) detector e f) registrador. preferidas fases que atuem no modo

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Cromatografia N° 7, MAIO 1998


normal para fins preparativos, em vista 6 mostra os componentes básicos de do-se melhor separação com picos
de que separações no modo reverso um cromatógrafo gasoso. mais simétricos em menor tempo.
utilizam fases móveis aquosas. Como dito anteriormente, a diferen- Para o empacotamento de colunas
Entre as fases quimicamente liga- ça entre CG e CGAR está na coluna. de CG, geralmente empregam-se
das, merecido destaque deve ser dado Colunas de CGAR são maiores em terras diatomáceas como suporte. A
às fases estacionárias quirais, as quais comprimento, menores em diâmetro, escolha da fase estacionária é de fun-
possibilitam a separação direta de possuem a fase líquida como um filme damental importância, sendo ela o
enantiômeros. Para tanto, é necessária aplicado diretamente componente crítico da
a presença de um seletor quiral como às paredes do tubo da A cromatografia coluna. As fases esta-
parte integrante da fase estacionária. coluna e são mais efi- gasosa é uma das cionárias podem ser
cientes. técnicas analíticas polares, apolares ou
Cromatografia gasosa de alta mais utilizadas. Além
Essas colunas são quirais. Fases polares
resolução (CGAR) de possuir um alto
tubos longos de me- são baseadas em po-
Em contraste à CLAE, o principal tais como aço ou co- poder de resolução, é lietileno glicol puro ou
mecanismo de separação da cromato- bre, vidro ou teflon. muito atrativa devido à modificado e apolares
grafia gasosa está baseado na parti- Colunas de CG têm possibilidade de em metilsiloxano puro
ção dos componentes de uma amostra detecção em escala de
diâmetro de cerca de ou modificado. As fa-
entre a fase móvel gasosa e a fase nano a picogramas
3 mm e comprimento ses quirais mais co-
estacionária líquida. A utilização de fa- em torno de 3 m, ao muns são compostas
ses estacionárias sólidas, as quais passo que colunas de CGAR têm de ciclodextrinas.
levariam à separação por adsorção, diâmetro na faixa de 0,15-0,75 mm e Atualmente, espectrômetros de
apresenta poucas aplicações. comprimentos variados, usualmente massa têm sido acoplados a equipa-
A cromatografia gasosa é uma das entre 10 m e 100 m. mentos de cromatografia gasosa,
técnicas analíticas mais utilizadas. Os gases utilizados como fase possibilitando a identificação imediata
Além de possuir um alto poder de móvel devem ter alta pureza e ser das substâncias presentes na amostra. 25
resolução, é muito atrativa devido à inertes em relação à fase estacionária.
possibilidade de detecção em escala Hidrogênio, nitrogênio e hélio são os Ana Luiza G. Degani, mestre em química
orgânica, é doutoranda na UFSCar. Quezia B.
de nano a picogramas (10–9-10-12 g). A mais usados. Cass
Cass, bacharel em farmácia pela UFPE e Ph.D. em
grande limitação deste método é a A injeção da amostra é feita através química pela City University, Londres, é docente do
necessidade de que a amostra seja de microsseringas ou válvulas seme- Departamento de Química da UFSCar, em São Carlos
volátil ou estável termicamente, embo- lhantes às utilizadas em CLAE. – SP. Paulo C. V ieira
Vieira
ieira, licenciado pelo DQ-FFCL-
USP, em Ribeirão Preto, doutor em ciências (química
ra amostras não voláteis ou instáveis Os detectores de maior aplicação orgânica) pela USP, é docente do Departamento de
possam ser derivadas quimicamente. são o detector por ionização em Química da UFSCar, em São Carlos – SP.
Pode ser utilizada para separações chama e o detector de condutividade
preparativas apenas na faixa de térmica. Os dados podem ser obtidos
microgramas a miligramas, não sendo através de um registrador po- Para saber mais
muito empregada para esse fim. A Fig. tenciométrico, um integrador ou um mi- COLLINS, C.H.; BRAGA, G.L. e BO-
crocomputador, sen- NATO, P.S. Introdução a métodos croma-
do as amostras tográficos. 5ª ed. Campinas: Editora da
identificadas por seus Unicamp, 1993.
tempos de retenção. LOUGH, W.J. e WAINER, I.W. High Per-
Nesses equipa- formance liquid chromatography: fun-
damental principles and practice. Blackie
mentos é necessário
Academic and Professional, 1995.
o controle da tempe- CHAVES, M.H.; Análise de extratos de
ratura do injetor, da plantas por CCD: uma metodologia apli-
coluna e do detector, cada à disciplina “Química Orgânica”.
as quais são man- Química Nova, v. 20, n. 5, p. 560-562,
tidas por termostatos. 1997.
Como a temperatura ANDRADE, J.B.; PINHEIRO, H.L.C.; LO-
PES, W.A.; MARTINS, S.; AMORIM, A.M.M.
é um fator extrema-
e BRANDÃO, A.M. Determinação de cafeí-
mente importante, na em bebidas através de cromatografia
grande parte das líquida de alta eficiência (CLAE). Química
análises por croma- Nova, v. 18, n. 4, p. 379-381, 1995.
Figura 6: Componentes básicos de um cromatógrafo gasoso. tografia gasosa é feita NETO, F.R.A.; CGAR em análise de
a) cilindro do gás de arraste mantido sob alta pressão; b) injetor; com programação de resíduos. Química Nova, v. 18, n. 1, p.
c) coluna; d) detector e e) registrador. temperatura, obten- 65-67, 1995.

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Cromatografia N° 7, MAIO 1998