5.

Rodrigo veio do sítio para a escola doidinho para aprender e descobrir os segredos que havia no encontro das letras. Leia o diálogo dele com a professora. ² Rodrigo, trouxe os exercícios da semana passada? Perguntou ela, cumprindo a promessa de cobrar. ²Eu truce, mas o di onti eu num consegui... Nem acabou a frase e dona Marisa berrou: ² Repita: eu trouxe, mas o de ontem não consegui. Rodrigo repetiu certinho, mas tremendo, vermelho e gaguejando. A sala morria de rir. Rodrigo queria morrer, sumir, virar inseto e voar. ² ² E por que não conseguiu? ² perguntou dona Marisa, furiosa. Tive uns problema e num tinha quem mi insinassi. Elias José. Uma escola assim eu quero para mim. São Paulo, FTD, 1993. Agora responda. a) A língua reflete as diferenças entre os grupos de falantes. Por que Rodrigo fala diferente da professora? Você acha que Rodrigo deve aprender a falar e a escrever na linguagem culta? Por quê?

b)

1.

Por que podemos afirmar que cada falante é ao mesmo tempo usuário e agente modificador de sua língua? O que é variedade lingüística? O que determina a variação lingüística? Por que, no Brasil, há grandes contrates na utilização da Língua Portuguesa? Qual a sua opinião sobre o preconceito lingüístico? Você acredita que as pessoas podem aprender mais, enriquecer em mais seu vocabulário se conversarem com outras que possuam a mesma escolha vocabular, as mesmas preferências, a mesma pronúncia e entonação ou se observarem falantes que utilizam a língua de maneira diferente?

2. 3. 4. 5. 6.

A segunda forma empregada para a construção do conteúdo consiste na utilização de um texto curto (ou fragmento de texto) em que haja uso de variedades lingüísticas, principalmente as dialetais, seguido de algumas questões:

(C1) As variantes lingüísticas Construindo o conceito Leia esta tira, de Maurício de Souza:

alguns recursos são utilizados: ‡ manchetes chamativas. a) Onde se fala esse tipo de variante lingüística: na zona rural ou nos centros urbanos? Resposta do Manual do Professor: Ela é falada no interior de alguns Estados. Para isso. Pela linguagem das personagens. realmente. ao contrário. estão presente. O texto registra um diálogo na linguagem coloquial. você. Escolha um trecho do diálogo e reescreva-o em linguagem padrão ou culta. encontram as seguintes questões: (C6) 1. Chico Bento conversa com seu amigo Zé Lelé. . um tipo de português falado em certas regiões do país. Estes tipos de exercícios não são exclusivos das C5 e C6. Umas podem. Um aspecto importante na formulação dos exercícios. faz mal Quanto às coleções que partem da utilização de exercícios. "tomá". quer de fixação quer de introdução do tema. como demonstra a atividade extraída da C6. Após um fragmento de Capitães de Areia. tomar. ocê". na seção denominada Exploração (questões ou propostas que levam à leitura e compreensão do texto em profundidade e englobam conteúdo. No texto. como deveríamos escrever as palavras e expressões "pru que". fazer com que o aluno atente para "a condição de uso de formas que são esperadas e adequadas em diferentes tipos de situações que terminam por configurar em nossa sociedade (Travaglia. "faiz mar"? Resposta do Manual do Professor: por que. praticamente. Nessa tira. aqueles que solicitam a observação de características de cada variedade. Observe que eles se comunicam fazendo uso de uma variante lingüística. reside na efetiva contribuição que as atividades podem oferecer ao aluno em relação à reflexão e à apreensão das variedades lingüísticas. 2. os brasileiros em geral são capazes de compreender essa conversa? Resposta do Manual do Professor: Sim. como por exemplo: (C5) Observe como o jornal Notícias Populares. De acordo com a norma padrão. 2. em sua primeira página. identifique a classe social a que pertencem e justifique. parece haver uma tendência em recorrer a exercícios de gramática de uso. ou seja. como seu próprio nome indica. no meio rural. b) Apesar disso.(Texto do diálogo que está na tirinha) ² ² ² Toma um leite Zé Lelé? Pru que ocê tá rasgando a manga da camisa? Dizem qui tomá leite cum manga faiz mar! 1. as diferenças não chegam a impedir a compreensão. que aprendemos na escola. e a exercícios de gramática reflexiva. se destina a atingir um grande número de leitores. fez a chamada para uma notícia sobre um acidente: Três patetas dão vexame no trânsito O jornal Notícias Populares. 1996:125). estrutura e discurso). em todas as coleções analisadas. aqueles que solicitam a passagem de forma para outra. Dê exemplos que comprovem essa afirmação. há um diálogo entre Pedro Bala e Dora. 3. Tomemos para ilustrar apenas as atividades de reescritura.

‡ exploração de fatos policiais e esportivos. Liste as gírias usadas no texto. mas não se pode descartar o gênero textual no processo de análise textual. afirmar que não existe comunicação entre pessoas de classes sociais diferentes: (C3) 1. não. revelam não só erros conceituais como inadequação metodológica. Notícias Populares. Reescreva a notícia dirigindo-a a um outro tipo de leitor e usando uma linguagem mais formal. pertencem a grupos sociais diferentes. b) Houve comunicação entre eles? Por quê? Resposta do Manual do Professor: Não houve comunicação entre os dois porque. Um dia. A trapalhada começou quando Marcelo Zanini perdeu a direção de seu Escort e encheu o buso. Novela! a) Qual o código usado entre o político e o governador? Resposta do Manual do Professor: A língua falada. Em seguida..‡ utilização farta de fotografias. ‡ sensacionalismo. embora falem a mesma língua. O último a bater foi um Monza. foi eleito governador. como já afirmou Possenti (1998:25-26). sotaque caipira. um Kadett tentou desviar e porrou. tema tratado na unidade em que se encontra o exercício. As piadas. 1994 Exercícios 3. 18 ago. 4. a popular. explique o seu significado. c) Classifique a linguagem dos dois falantes. Três patetas enchem traseira de buso parado Três carros bateram na traseira de um buso da viação São Geraldo ontem de madrugada na Marginal Pinheiros. um desses políticos de palácio chega bem perto e surpreende o governador vendo televisão. Na piada acima. ‡ utilização de uma linguagem simples e direta. Outras atividades.. simples. são textos que envolvem temas socialmente . no interior do jornal. firme? ² Firme. Resposta do Manual do Professor: O político usa a linguagem culta. pode exemplificar melhor as características da linguagem informal. Depois. O ônibus estava parado no canteiro central quando aconteceram as trombadas. O caso mais grave encontrado foi uma proposta em que não se respeita a relação existente entre VL e as características textuais. como por exemplo. Ninguém se feriu. e o governador. além de veicular informações erradas. Leia a piada e responda às perguntas: Aquele homem humilde. O texto. há sem dúvida o uso de variedade lingüística. no entanto. Faz sua média: ² E aí governador.

O convite é um texto de teatro e por isso apresenta muita linguagem coloquial. pois seria negar a piada em si. Não quero com isso negar a caracterização do governador como ignorante e caipira. Escreva na linguagem padrão (culta) as seguintes expressões.. vó. que estão em linguagem informal.. deve ser de outro modo. embora mais "leves" do que a acima mencionada. c) Da forma que vou deixar-te Não vale a pena viver Porque teus próprios amigos Custarão te conhecer . o verbo ter por haver ou existir. utilizada freqüentemente.. a palavra beiço por lábios. nem negar o preconceito existente na piada. mas que na forma escrita. a piada exige que o leitor identifique dois sentidos para o termo "firme": cumprimento informal e variante popular de "filme". ". substitua. os exercícios acima propostos desconsideram a natureza textual da piada e orientam inadequadamente professores e alunos na leitura do texto ao afirmar que "não houve comunicação entre os dois porque.. em uma linguagem formal (padrão) apropriada para textos informativos e científicos. porém não menos "ofensivas metodologicamente": (C6) Níveis de linguagem 1. Dê alguns 2.. né. Quero apenas chamar a atenção para a necessidade de se atrelar adequadamente nas propostas de atividades os domínios de linguagem aos gêneros e tipos textuais.. Faça outras substituições necessárias para alcançar a formalidade na linguagem exigida pela norma culta na escrita. Reescreva os trechos abaixo. a) b) Em Natal já teve um negro chamado Preto Limão. o verbo dar por superar.controversos e que operam com estereótipos. . por exemplo. Na realidade. Para isso. pertencem a grupos sociais diferentes". minha velha. mantendo o sentido que têm no texto. exemplos desse tipo de linguagem. Era um negro inteligente Por toda parte que andava Já dizia abertamente Que nunca achou um cantor Que lhe desse no repente. em textos formais. embora falem a mesma língua. "Deixe de ser boba. Na realidade." "Se é!' "E pra quê? '" Oi. (C5) No texto de cordel aparecem com freqüência marcas da linguagem oral. Foram registradas outras inadequações. Trata-se de uma linguagem informal.

poderia e seria mais eficaz se ao invés da simples reescritura na norma padrão. Alguém poderia ainda alegar que exercícios do tipo solicitado em C1 auxiliaria a sanar problemas ortográficos. o verbo dar por superar.. a palavra beiço por lábios. objeto de várias pesquisas. que estão em linguagem informal. parece que os autores de manuais didáticas estão ainda "acertando o passo" no estudo das VL. ". né. pois alterar a linguagem de informal para formal descaracteriza o gênero cordel e outro de inconsistência teórico-metodológica. Escreva na linguagem padrão (culta) as seguintes expressões. por exemplo. vó. O emprego do verbo ter por haver ou existir. não possui mais obrigatoriedade de uso.. mantendo o sentido que têm no texto. .. você. De acordo com a norma padrão." Se o cordel não é um texto informativo ou científico por que solicitar tal ati vidade que não respeita as peculiares dos tipos e gêneros textuais? O fato da reescritura abarcar exercícios da gramática de uso e da gramática reflexiva não lhe assegura a automatização das normas da língua padrão. ou seja. Já no segundo exemplo." "Se é!' "E pra quê? '" Oi. "Deixe de ser boba.. (C6) 2. "tomá". "faiz mar"? Resposta do Manual do Professor: por que. o verbo ter por haver ou existir. ao dizer no padrão. pois se constatou que consiste apenas numa diferença nas variedades da língua portuguesa falada no Brasil (ter) e em Portugal (haver). traz também esta de reescritura do Cordel. substitua. quer sejam formais ou informais. ocê". há um erro conceitual ao caracterizar o texto "O convite" como teatral por "apresentar muita linguagem coloquial". vó?" não manteremos. como por exemplo a C5.. Não é o uso de linguagem coloquial que define o gênero textual. que ao mesmo tempo em traz uma atividade como reescritura do jornal Notícias Populares. solicita que sejam reescritos trechos do cordel.. provavelmente. a orientação dada (Reescreva os trechos abaixo. "Oi. faz mal (C5) Para isso. tomar. "em uma linguagem formal (padrão) apropriada para textos informativos e científicos. pois o LD afirma. (C1) 3. como deveríamos escrever as palavras e expressões "pru que". que aprendemos na escola.. minha velha" ou "né. No primeiro caso. Em síntese.]corto-te o beiço de cima faço sorrir sem querer. por exemplo. pois há coleções que apresentam inconsistência nas propostas. Concordo. corretamente. Retomemos três propostas de reescritura já mencionadas e observemos que tais atividades carecem de uma sistematização de usos da língua em funcionamento. o mesmo grau de intimidade demonstrado pelos personagens do texto original. fosse apresentada ao aluno uma situação em que ele pudesse confrontar as formas do padrão com as formas do não-padrão e chegar a formular as regras que norteiam as variedades da língua. minha velha. em uma linguagem formal (padrão) apropriada para textos informativos e científicos) traz pelo menos dois problemas: um de erro conceitual. por exemplo. Acreditamos que as pesquisas nas áreas da Sociolingüística e da . que "no texto de cordel aparecem com freqüência marcas da linguagem oral" e. As VL estão relacionadas com a fala dos personagens e com as situações de interações. em seguida.

É ainda este autor que nos alerta para a necessidade de uma mudança no ensino. sugerindo que devamos nos fazer as seguintes perguntas: "o que é ensinar português? Que objetivo pretendemos alcançar com nossa prática em sala de aula?" (Bagno. 1999:117). .Lingüística Textual serão de grande utilidade para aqueles que escrevem livros didáticos e que desejam romper com o ciclo vicioso mencionado por Bagno (1999).