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TIPO CULPOSO

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TIPO CULPOSO Culpa é a inobservância do dever de cuidado objetivo manifestada numa conduta produtora de um resultado não querido, objetivamente

previsível. (Bitencourt) Em que consiste a inobservância do dever de cuidado objetivo? A todos, no convívio social, é determinada a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a terceiros. É o denominado cuidado objetivo. A conduta torna-se típica a partir do instante em que não corresponda ao comportamento que teria adotado uma pessoa dotada de discernimento e prudência, colocada nas mesmas circunstâncias que o agente. A inobservância do cuidado objetivo é elemento do tipo. A tipicidade do crime culposo, se verifica assim: é típica toda conduta que infringe o “cuidado objetivo”. Para resolver a questão da tipicidade do fato, não é suficiente o processo de adequação típica, uma vez que o tipo culposo é um tipo aberto, isto é, apenas uma parte da figura criminosa é descrita pelo tipo, enquanto uma outra parte deve ser formada por complementação valorativa do juiz. O juiz, então tem de estabelecer um critério para considerar típica a conduta: “toda ação que, com um resultado suscetível de constituir o fato delituoso, não apresenta características do ‘cuidado a observar-se nas relações com os demais’, é ação típica do crime culposo”. Para saber se o sujeito deixou de observar o cuidado objetivo necessário é preciso comparar a sua conduta com o comportamento que teria “uma pessoa dotada de discernimento e de prudência coloca na mesma situação do agente”. O cuidado objetivo será a conduta que teria essa pessoa-modelo nas circunstâncias em que se viu o sujeito. Há então duas condutas comparadas: a conduta concreta do sujeito e a conduta que teria a pessoa-modelo. Diante da situação, qual seria o cuidado exigível de um homem dotado de discernimento e prudência? Surge, então, o que denomina previsibilidade objetiva: é de se exigir a diligência necessária objetiva quando o resultado produzido era previsível para um homem comum, nas circunstâncias em que o sujeito realizou a conduta. A previsibilidade objetiva, é um elemento do tipo de conduta que não corresponde ao cuidado devido. O cuidado necessário deve ser objetivamente previsível. É típica a conduta que deixou de observar o cuidado necessário objetivamente previsível. A imprevisibilidade objetiva exclui a tipicidade. A verificação da tipicidade do fato constitui indício da antijuridicidade. Por outro lado, nada impede que uma conduta seja tipicamente culposa e, no entanto, não seja antijurídica. Pode o agente realizar uma conduta culposa típica, mas encontra-se ao abrigo de uma excludente de antijuridicidade. Por exemplo, o corpo de bombeiros, chamado com urgência para estancar um grande incêndio em uma refinaria, no percurso, atinge, involuntariamente, e sem tê-lo previsto, um pedestre, ferindo-o gravemente. À evidência que se encontrava em estado de necessidade. A culpabilidade no delito culposo decorre da previsibilidade subjetiva. Enquanto na previsibilidade objetiva é questionada a possibilidade de antevisão do resultado por uma pessoa comum, na previsibilidade subjetiva é questionada a possibilidade de o sujeito, “segundo suas aptidões pessoais e na medida de seu poder individual”, prever o resultado. Quando o resultado era previsível para o sujeito, temos a reprovabilidade da conduta, a culpabilidade. A estrutura do tipo culposo é diferente da do tipo doloso: neste, é punida a conduta dirigida a um fim ilícito, enquanto no tipo culposo pune-se a conduta mal dirigida, normalmente destinada a um fim penalmente irrelevante, quase sempre lícito. O núcleo do tipo nos delitos culposos consiste na divergência entre a ação efetivamente praticada e a que devia realmente ter sido realizada, em virtude da observância do dever objetivo de cuidado.

que por previsibilidade se deve entender a possibilidade de se prever.O tipo culposo. O agente não pretende praticar um crime nem expor interesses jurídicos de terceiros a perigo de dano. pois. A condição mínima da culpa é a previsibilidade. PREVISIBILIDADE OBJETIVA DO RESULTADO A previsibilidade é a possibilidade de ser antevisto o resultado. e ainda assim o resultado ocorrer. produção de um resultado. Aquela contém esta. No entanto. Previsão é o desenvolvimento natural e quase em grau mais intenso da previsibilidade. Não haverá crime culposo mesmo que a conduta contrarie os cuidados objetivos e se verifica que o resultado se produziria da mesma forma. Exige-se que o agente. se alguém se atira sob as rodas do veículo que é dirigido pelo motorista na contramão. inobservância do cuidado objetivo. tem uma estrutura completamente diferente do tipo doloso. independentemente da ação descuidada do agente. Enfatize-se. tipicidade. nexo de causalidade. que este seja a causa daquele. não houver resultado lesivo. previsibilidade objetiva do resultado. não haverá crime culposo. o fato será doloso. prever o curso causal e o . em lugar do tipo subjetivo. pelo agente. INOBSERVÂNCIA DO CUIDADO OBJETIVO A inobservância do cuidado objetivamente devido resulta da comparação da direção finalista real com a direção finalista exigida para evitar as lesões dos bens jurídicos. porém. A inevitabilidade do resultado exclui a própria tipicidade. nem aceito. PRODUÇÃO DE UM RESULTADO Em si mesma. não se confundem. Só haverá delito culposo. ela não existe se o resultado vai além da previsão. se assim for. é indispensável que o resultado seja conseqüência da inobservância do cuidado devido. Com efeito. mas se distinguem as duas situações. não se pode imputar a este o resultado (morte do suicida). no momento da conduta. E mais: que a previsão não exclui a previsibilidade. não se poderá falar em crime culposo. Previsibilidade é a possibilidade que o agente tem de. CONDUTA O fato se inicia com a realização voluntária de uma conduta de fazer ou não fazer. Ou no correto dizer Magalhães Noronha: “ a previsão contém a previsibilidade. quando for observado o dever de cautela. em razão da natureza normativa da culpa. em outros termos. Se. com o dever de diligência exigido pela norma. quando houver um resultado. e este resultado não pode ser desejado. Só haverá ilícito penal culposo se da ação contrária ao cuidado resultar lesão a um bem jurídico. pudesse prever o resultado de seu ato. Por fim. O tipo culposo apresenta os seguintes elementos constitutivos: conduta. Seguindo essa orientação. nas condições em que o sujeito se encontrava. embora não colidentes e não excludentes. não contendo o chamado tipo subjetivo. para precisar os conceitos. ou. a inobservância do dever de cuidado não constitui conduta típica porque é necessário outro elemento do tipo culposo: o resultado. A conduta inicial pode ser positiva ou negativa. Falta. apesar da ação descuidada do agente. uma característica normativa aberta: o desatendimento ao cuidado objetivo exigível ao autor”. nas circunstâncias em que se encontrava. Por exemplo. Juarez Tavares sustenta que “o delito culposo contém. É a inobservância do cuidado objetivo exigível do agente que torna a conduta antijurídica.

não sendo culposo o ato quando o resultado só teria sido evitado por pessoa extremamente prudente. São normalmente tipos abertos que necessitam de complementação de uma norma de caráter geral.evento. e a ocorrência de um acidente com vítima? O resultado (lesão ou morte da vítima) era perfeitamente previsível. não estamos no terreno da culpa. Previsão é a militância efetiva no espírito do agente. mas no do dolo (salvo a exceção que veremos). Se o previu. que estão fora do tipo penal dos delitos culposos os resultados que estão fora da previsibilidade objetiva de um homem razoável. e mesmo de elementos do tipo doloso correspondente. Há a possibilidade de serem antevistas a vinda de outro veículo em sentido contrário. que se encontra fora do tipo. Há dois critérios de previsibilidade: a objetiva e a subjetiva. mas não foi previsto pelo sujeito. É que o resultado era previsível e foi por ele previsto. o sujeito seria culpável. p. Daí. A tipicidade nos crimes culposos determina-se através da comparação entre a conduta do agente e o comportamento presumível que. deve ser aferida tendo em vista as condições pessoais do sujeito. Se um motorista dirige veículo em rua movimentada com excesso de velocidade e prevê que vai atropelar o transeunte. que nem tudo pode ser previsto. a subjetiva . O legislador exige que o sujeito preveja o que normalmente pode acontecer. ser o previsto obviamente previsível. É típica a ação que provocou o resultado quando se observa que não atendeu o agente ao cuidado e à atenção adequados às circunstâncias. TIPICIDADE Nos crimes culposos a ação não está descrita como nos crimes dolosos.. E a previsão é elemento do dolo. mas sim dolosa. O resultado era previsível. em sua mão de direção. Suponha-se que o agente dirija veículo na contramão de direção. mas em face do homem prudente e de discernimento colocado nas condições concretas. bem como do decurso até colimar-se o resultado. Assim. De ver-se. Então. De acordo com o critério objetivo. GRAUS DE CULPA: A doutrina tradicional gradua a culpa em: a) culpa grave b) leve . Daí falar-se que a culpa é a imprevisão do previsível. só é típica a conduta culposa quando se puder estabelecer que o fato era possível de ser previsto pela perspicácia comum. Assim. Objetiva-se que a previsibilidade é ilimitada. quando se dirige um automóvel é previsível a ocorrência de acidentes. ex. teria uma pessoa de discernimento e prudência ordinários. pelo que haveria culpa em todos os casos de produção de resultados involuntários. não do ponto de vista do sujeito que realiza a conduta. nas circunstâncias. não se pergunta o que o homem prudente deveria fazer naquele momento. A previsibilidade objetiva se projeta no campo da tipicidade. a representação de que da sua conduta pode decorrer o evento. Ausência de Previsão É necessário que o sujeito não tenha previsto o resultado. se continuar a marcha e feri-lo não ira responder por lesão corporal culposa. não que preveja o extraordinário. em qualquer acidente automobilístico. porém. mas sim o que era exigível do sujeito nas circunstâncias em que se viu envolvido. a previsibilidade deve ser apreciada. na culpabilidade. o excepcional Diz-se então. Nos termos do critério subjetivo. normal dos homens.

quando o agente. também está presente a imprudência de dirigi-lo naquelas circunstâncias. não se pode dizer que não agiu. Culpa Consciente Há culpa consciente. prevê um resultado. De observar-se que o sujeito realiza uma conduta fora de sua arte. A imprudência é a prática de um fato perigoso. Daí a correta observação de Basileu Garcia de que a rigor a palavra negligência seria suficiente para ministrar todo o substrato da culpa. porém é fácil fazer a distinção. deixando de observar a diligência a que estava obrigado. Espécies de Culpa O CP brasileiro não distingue culpa consciente e culpa inconsciente para o fim de dar-lhes tratamento diverso. a pena cominada pela norma incriminadora é a mesma.: dirigir veículo em rua movimentada com excesso de velocidade. visto que esta é produto de mera desatenção. FORMAS DA CULPA: São formas de manifestação da inobservância do cuidado necessário: Imprudência. Ex. em face de ausência de conhecimento técnico ou de prática. Ex. Enquanto na negligência o sujeito deixa de fazer alguma coisa que a prudência impõe. também chamada culpa previsão. Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. Nem sempre. não há distinção quantitativa da culpa. na imprudência ele realiza uma conduta que a cautela indica que não deve ser realizada. embora prevendo o resultado. A doutrina ensina que a imprudência é positiva (o sujeito realiza uma conduta) e a negligência. segundo a doutrina dominante. o motorista. Negligência e Imperícia. então. . venham a causar dano a interesses jurídicos de terceiros. Na conduta de quem dirige veículo em más condições de funcionamento. espera sinceramente que este não se verifique. No fato de o agente deixar arma ao alcance de uma criança. no desempenho de suas atividades. estar-se-á diante de culpa consciente e não de dolo eventual. Culpa Inconsciente A ação sem previsão do resultado previsível constitui a chamada culpa inconsciente. É possível que. Quando o agente. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência.: deixar arma de fogo ao alcance de uma criança. do CP vigente: “Diz-se o crime culposo. essas pessoas. em imperícia. Seja grave. O químico. em que a negligência residiria na inobservância do dever de consertá-lo antes. mas em imprudência ou negligência. o engenheiro. Na culpa consciente. leve ou levíssima. ofício. previsível. ignorantia. o eletricista. mas confia convictamente que ele não ocorra. II. As formas de culpa encontram-se descritas no art. A negligência é a ausência de precaução ou indiferença em relação ao ato realizado. a censurabilidade da conduta á maior do que na culpa inconsciente. 18. “previsível é o fato cuja possível surperveniência não escapa a perspicácia comum”. negativa ( o sujeito deixa de fazer algo imposto pela ordem jurídica). o médico. Fala-se. No dizer de Hungria. incluindo a imprudência e a imperícia. negligência ou imperícia’. profissão.c) levíssima Em relação à pena abstrata. o farmacêutico etc. necessitam de aptidão teórica e prática para o exercício de suas atividades. culpa ex. não se fala em imperícia.

A imprevisibilidade desloca o resultado para o caso fortuito ou força maior. repele a hipótese de superveniência do resultado. ao contrário. concorra a culpa da vítima. Por fim. sendo A o ofendido. apesar da presença da previsibilidade. O motorista A é sujeito ativo do crime em relação a B. a qualquer custo. Persistindo a dúvida entre um e outra. produzindo-se ferimentos nos motoristas e provando-se que agiram culposamente. Suponha-se que dois veículos se choquem num cruzamento. mais forte do que o valor positivo que atribui à prática da ação. que é vítima. opta pela segunda alternativa. não há a previsão por descuido. quando expressamente prevista na modalidade culposa da figura delituosa (art. a distinção entre dolo eventual e culpa consciente resume-se à aceitação ou rejeição da possibilidade de produção do resultado. A culpa do ofendido não exclui a culpa do agente: não se compensam. Por isso. nesse caso. que existe no Direito Privado. menos importante do que o valor positivo que atribui à prática da ação. desatenção ou simples desinteresse. isto é. ele é sujeito ativo do crime. não há crime. Com a simples análise da norma penal incriminadora. e só excepcionalmente a título de culpa e. na culpa consciente. Só não responde o sujeito pelo resultado se a culpa é exclusiva da vítima A questão da compensação de culpas não se confunde com a concorrência de culpas. o valor negativo do resultado possível é. para o agente. Por isso. Trata-se de concorrência de culpas. calcula mal e age. enquanto no dolo eventual o agente anui ao advento desse resultado. em relação à conduta de B. Há entre ambos um traço comum: a previsão do resultado proibido. no entanto. Na culpa inconsciente .A previsibilidade do resultado é o elemento identificador das duas espécies de culpa. . DOLO EVENTUAL e CULPA CONSCIENTE Os limites fronteiriços entre dolo eventual e culpa consciente constituem um dos problemas mais tormentosos da Teoria do Delito. a par da culposa conduta do agente. dever-se-á concluir pela solução menos grave: pela culpa consciente. silencia a respeito da culpa. No dolo eventual. a importância negativa da previsão do resultado é. desistiria da ação. se estivesse convencido de que o resultado poderia ocorrer. Não estando convencido dessa possibilidade. Compensação. As legislações modernas adotam o princípio da excepcionalidade do crime culposo. mesmo correndo o risco da produção do resultado. na esperança convicta de que este não ocorrerá. o agente decide agir por egoísmo. a regra é de que as infrações penais sejam imputadas a título de dolo. Por isso. Na hipótese de dolo eventual. é incabível em matéria penal. Mas. há referência expressa à figura culposa. entre desistir da ação ou praticá-la. 18 parágrafo único). em vez de renunciar à ação. quando o sujeito pratica o fato culposamente e a figura típica não admite a forma culposa. assumindo o risco de produzi-lo. para o agente. constata-se este fenômeno: quando o Código admite a modalidade culposa. sem dúvida. concorrência e excepcionalidade do crime culposo A compensação de culpas. A culpa inconsciente caracteriza-se pela audiência absoluta de nexo psicológico entre o autor e o resultado de sua ação. Os dois respondem por crime de lesão corporal culposa. na culpa consciente. por não ter refletido suficientemente. Já. Suponha-se um crime automobilístico em que. enquanto na culpa consciente o faz por leviandade. quando não a admite.

impedindo o agente de prosseguir no seu desiderato por circunstâncias estranhas ao seu querer. Na tentativa há prática de ato de execução. exaure-se com o recebimento da vantagem indevida. desde o momento em que germina. A tentativa é o crime que entrou em execução. até aquele em que se consuma no ato final. após a consumação. A figura típica não se completa. Compõe-se das seguintes etapas: a) cogitação b) atos preparatórios c) execução d) consumação Há um caminho que o crime percorre. que o crime se diz consumado. Consuma-se o crime quando o agente realiza todos os elementos que compõem a descrição do tipo legal. pois reflete no termo a quo da prescrição e na competência territorial. Na tentativa o movimento criminoso pára em uma das fases da execução.Do crime Consumado e da Tentativa Conceito. pelo fato natural. A tentativa é a realização incompleta do tipo penal. O crime pode estar consumado e dele não haver resultado o dano que o agente previra e visara. “quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal”. A esse itinerário que o crime percorre. pois neste. desde o momento da concepção até aquele em que ocorre a consumação. mas no seu caminho para a consumação é interrompido por circunstâncias acidentais. em regra. tentado e exaurido Determina o art. Quando são preenchidos todos os elementos do tipo objetivo. mas o sujeito não chega à consumação por circunstâncias independentes de sua vontade. chama-se iter criminis e compõe-se de uma fase interna (cogitação) de uma fase externa (atos preparatórios. executórios e consumação). Determinar o momento consumativo do crime é operação que tem suma importância. no espírito do agente. exclui que acontecimentos posteriores possam ter influência sobre a valorização do fato praticado Não se confunde a consumação com o crime exaurido. Crime exaurido O crime consumado não se confunde com o exaurido. Essa afirmação. que se consuma com a solicitação. Assim. o crime de extorsão mediante seqüestro consuma-se com o arrebatamento da vítima e exaure-se com o recebimento do resgate etc. distinção entre consumado. ITER CRIMINIS Iter crimins é o conjunto de fases pelas quais passa o delito. do modelo descrito na lei. outros resultados lesivos ocorrem. do CP. ocorre a consumação. Mas nem todas as fases dessa evolução interessam ao Direito Penal. Consuma-se o crime quando o tipo está inteiramente realizado. O iter criminis se encerra com a consumação. A noção da consumação expressa a total conformidade do fato praticado pelo agente com a hipótese abstrata descrita pela norma penal incriminadora. ou seja. I. como idéia. iter criminis. 14. quando o fato concreto se subsume no tipo abstrato da lei. E a questão é determinar exatamente em que ponto o agente penetra propriamente no campo da . a corrupção passiva.

planeja. figuras delituosas. antevê. a incitação ao crime (art. no dizer de Mirabete. Nessa fase ainda não se iniciou a agressão ao bem jurídico. mas de voluntas sceleris extremada através de atos sensíveis. já representa uma ameaça atual à segurança do direito. Somente quando se rompe o claustro psíquico que a aprisiona. Execução: o bem jurídico começa a ser atacado. “atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento” (art. então. constituem.I do CP). em que há o propósito delituoso. Observa Magalhães Noronha que há casos em que já constitui delito“ o desígnio ou propósito de vir a cometê-lo. temos: a aquisição de arma para a prática de um homicídio ou a de uma chave falsa para o delito de furto. no entanto. Nessa fase o agente inicia a realização do núcleo do tipo. ou seja. Atos de execução. antecipa-se e não espera que ele se verifique. a cogitação que não constitui fato punível é a que não se projeta no mundo exterior. a conduta é um nada. que seria apenas a preparação da simulação de casamento (art. e materializa-se concretamente a ação. Não se cuida de cogitação punível. por si mesmos. A cogitação não constitui fato punível.289). 238). que teoricamente seriam preparatórios.. em relação à própria perigosidade da ação ou simplesmente à perigosidade do agente.ilicitude. prevê. os atos preparatórios não são puníveis. De sorte que esses atos. como exemplos de atos preparatórios. O legislador levou em consideração o valor do bem por esses atos ameaçados. é que se pode falar em fato típico. A impaciência do legislador. representa mentalmente a prática do crime. ou a intenção revelada de vir a praticá-lo. em última análise. O agente não começou a realizar o verbo constante da definição legal (o núcleo do tipo). p. o estudo do local mais adequado ou a hora mais favorável para a realização do crime etc. mas sim porque se associa para tal fim. deseja. Na quadrilha ou bando. que o legislador resolveu punir como atos executórios de outro. 291). ou seja marcar a linha divisória entre a preparação e a execução. o bando ou quadrilha (art. De regra.14. pois cada um pode pensar o que bem quiser. Todavia. Consumação: verifica-se a consumação quando no crime se reúnem todos os elementos de sua definição legal (art. são os dirigidos diretamente à prática do crime. o crime ainda não pode ser punido. 239) etc. 288) e ainda outros. que seria apenas ato preparatório do crime de moeda falsa (art. logo. Nessa fase o crime é impunível. o projeto criminoso”. Cogitação: o agente apenas mentaliza. Preparação: prática dos atos imprescindíveis à execução do crime. algumas vezes o legislador transforma esses atos preparatórios em tipos penais especiais. Assim. mas sim de atos preparatórios de um crime. totalmente irrelevante para o Direito Penal. punindo. a intenção. e o crime já se torna punível. Enquanto encerrada nas profundezas da mente humana. Os casos apontados não são de simples cogitatio. fugindo à regra geral. como sucede com a conspiração. por si só. O grande problema é saber diferenciar um ato preparatório de um ato executório. que. o Código não pune cada um dos agentes por pensar em se reunir a três outras pessoas para o fim de cometimento de crimes. todos os elementos que se encontram descritos no tipo penal foram realizados . ex. Exemplos: “petrechos para falsificação de moeda (art. 286). que não ingressa no processo de execução do crime. porque é a partir daí que o seu atuar constitui um perigo de violação ou violação efetiva de um bem jurídico e que começa a realizar-se a figura típica do crime. idealiza.

. a consumação ocorre com a morte da vítima. atinge-se o momento consumativo com a simples revelação do segredo. Desta forma. em que a simples conduta negativa (ou ação diversa) não os perfaz. Nos crimes de mera conduta. que constitui um evento naturalístico. Atos Preparatórios. o momento consumativo ocorre com a morte do feto. Assim. p. ex. a consumação ocorre no local e no momento em que o sujeito ativo deveria agir e não o fez. a consumação se verifica com a produção do resultado. a consumação ocorre com a produção do resultado naturalístico. o momento consumativo é o da produção do resultado. com a obtenção da vantagem ilícita em prejuízo alheio. Nos delitos omissivos impróprios. não haverá crime. p. de descrição típica positiva (“matar alguém”). I) Quando concorre uma circunstância qualificadora. Os crimes permanentes apresentam uma característica particular: a consumação se protrai no tempo desde o instante em que se reúnem os seus elementos até que cesse o comportamento do agente. Momento consumativo segundo teoria do crime A consumação nas várias espécies de crimes O momento consumativo varia segundo a natureza do crime. Se o crime é de “lesão corporal seguida de morte” (art. Execução e Consumação. exigindo-se um evento naturalístico posterior. com intenção de matar a vítima (cogitação). 154 (violação de segredo profissional). Se houver inobservância do dever de cuidado. já que não se exige resultado naturalístico. Portanto. É exemplo da mãe que mata o filho de inanição. consuma-se o homicídio com a morte da vítima. esta condiciona sua existência integral. Assim. Na violação de domicílio. a ordem cronológica do iter criminis é: Cogitação. em que o tipo não faz menção ao evento. 148). independentemente da efetiva produção de dano de outrem. a consumação ocorre com a simples atividade. No aborto. Quando se consumam os crimes omissivos? Nos crimes omissivos próprios . a consumação do crime se considera realizada no momento e no lugar de . 14. No estelionato. ou seja. no homicídio culposo. independentemente da produção do resultado descrito no tipo. mas o evento não se realizar. E nos crimes qualificados pelo resultado o momento consumativo ocorre no instante da produção do evento. deixar de socorrer). adquire um revólver e se posta de emboscada à sua espera (atos preparatórios). Nos crimes materiais. Nos crimes formais e de mera conduta a consumação ocorre com a própria ação.. Nos crimes culposos.O agente. o momento consumativo (privação ou restrição da liberdade de locomoção da vítima) perdura até que o ofendido recupere a sua liberdade. não nos parece que se verifique no momento em que a mãe “deixou de efetuar o que deveria efetuar” (dever de alimentação do filho). Assim. o momento consumativo é aquele em que se verifica a morte da vítima. No delito do art. uma das formas de consumação é a simples entrada. a consumação se dá com a simples ação. Neste caso. Ex: omissão de socorro. de ação e resultado. atirando contra ela (execução) e lhe produzindo a morte (consumação). 129. ex. pode ser cometido através de omissão. ou comissivos por omissão. Ex:. § 3). No cárcere privado (art. Antes se sua ocorrência o crime não reúne “todos os elementos de sua definição legal” (art. se consuma com a simples inatividade. o crime de homicídio. Nos crimes formais.

a tentativa de homicídio.”etc. Não têm razão. seria um fato atípico. independente do resultado e) permanentes: o momento consumativo se protrai no tempo f) omissivos próprios: coma a abstenção do comportamento devido g )omissivos impróprios: com a produção do resultado naturalístico h) qualificados pelo resultado: com a produção do resultado agravador Conceito. não de consuma.II). e vice-versa. um tipo penal incompleto. A tentativa constitui ampliação temporal da figura típica. Nesse caso. menor será a redução. 14. trata-se de um dos casos de adequação típica de subordinação mediata (o outro está no concurso de agentes). do CP. por circunstâncias alheias à vontade do agente”. pois o que vale é a intenção do agente. Na verdade.14. Assim. para a consumação do crime de “perigo de desastre ferroviário” (art. 260). II. por exemplo.. ESQUEMA: a) materiais: com a produção do resultado naturalístico b) culposos: com a produção do resultado naturalístico c) de mera conduta: com a ação ou omissão delituosa d) formais: com a simples atividade. na tentativa branca a redução será sempre maio do .sua produção. teorias e elementos da tentativa Conceito: é a execução iniciada de um crime. que tem eficácia extensiva. por exemplo. mas um tipo penal. Teorias: a) Subjetiva: a tentativa deve ser punida da mesma forma que o crime consumado. ao determinar que o crime se diz tentado. Teoria Adotada: a objetiva. transformando em puníveis fatos que seriam atípicos. A norma contida no art. A tipicidade da tentativa decorre da conjugação do tipo penal com o dispositivo que a define e prevê a sua punição. Não se pune a intenção. A tentativa é um tipo ampliado. II. b) Objetiva ou realísitca: a tentativa deve ser punida de forma mais branda que o crime consumado. Natureza jurídica A tentativa (conatus) constitui ampliação temporal da figura típica . que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. se ocorre o desastre. Trata-se. “quando. Muitos doutrinadores consideram a tentativa como um crime autônomo. “tentar subtrair. de um dos casos de tipicidade indireta. Critério para a redução da pena: a pena do crime tentado será a do consumado. uma vez que por força dele é que se amplia a proibição contida nas normas penais incriminadoras a fatos que o agente realiza de forma incompleta. Quanto mais próximo o agente chegar da consumação. de caráter extensivo. por força do princípio da reserva legal. É conceito extraído do art. cria novos mandamentos proibitivos. iniciada a execução. porque objetivamente produziu um mal menor. Sem a norma de extensão (art. é necessário e suficiente que surja o perigo. é o momento de sua verificação que assinala a consumação do delito agravado. natureza jurídica. enquanto o eventual desastre é qualificadora (§§1o e 2o). Assim. mas o efetivo percurso objetivo do iter crimins. Não existe nenhuma norma incriminadora tipificando a conduta de “tentar matar alguém”. a tentativa é a realização incompleta da figura típica. diminuída de 1/3 a 2/3.. 14. em seu tipo simples. a norma incriminadora. É uma regra secundária que se conjuga com a regra principal.

mais de uma vez. Na primeira hipótese poderá haver desistência voluntária ou arrependimento eficaz. isto é. b) Não-consumação do crime por circunstâncias independentes(alheias) da vontade do agente Iniciada a execução de um crime. Na primeira hipótese teríamos a chamada tentativa imperfeita e. é a vontade do agente que fornece o elemento subjetivo final para a configuração da tentativa. ela pode ser interrompida por dois motivos: 1) pela própria vontade do agente 2) por circunstâncias estranhas a ela. art. A tentativa só é punível a partir do momento em que a ação penetra na fase de execução. deixando incompleto o fato não somente objetiva. Pode ser qualquer causa interruptiva da execução. ou em lugar de outrem”). Assim. Que significa a expressão “salvo disposição em contrário” do parágrafo único do art. bem como a teoria sintomática. mas também subjetivamente. na segunda. a tentativa perfeita. que se satisfaz com a exteriorização da vontade através da prática de atos preparatórios. Só então se pode precisar a direção do atuar voluntário do agente no sentido de determinado tipo penal. menos a consumação. que também serão examinadas. 11 da lei de segurança nacional (“ tentar desmembrar parte do território nacional”) etc Elementos da Tentativa A tentativa é a figura truncada de um crime.II do CP. exige a existência de uma ação que penetre na fase executória do crime. a tentativa. 309 da lei n. desde que estranha à vontade do agente. Uma atividade que se dirija no sentido da realização de um tipo penal. possui um elemento subjetivo: o dolo. não obstante tenha realizado todo o necessário para a produção do resultado. 4. ou impedem seja completado o tipo por ser absolutamente alheias à sua vontade. exigindo o início da execução de um fato típico. Podem obstar o autor de prosseguir na realização da conduta atuando em certo sentido psicofísico. O agente deve agir dolosamente. A tentativa é constituída dos seguintes elementos: a) Início da execução O Código adotou a teoria objetiva. Na segunda hipótese estará configurada a tentativa. O legislador brasileiro recusou a teoria subjetiva. É necessário que o agente tenha intenção de produzir um resultado mais grave do que aquele a que vem efetivamente conseguir. que se contenta com a manifestação da periculosidade subjetiva. de 15-7-1965 ” votar. sem a diminuição legal. 14 do CP? Significa que há casos em que a tentativa é punida com a mesma pena do crime consumado.737. art. Elemento Subjetivo Conforme o art. Tal critério é fruto de construção jurisprudencial. ou seja.que naquela em que a vítima sofre ferimentos graves. 352 do CP (“evadir-se ou tentar evadirse”). que serão examinados mais adiante. Ex: art. 14. Deve possuir tudo o que caracteriza o crime. ou tentar votar. . deve querer a ação e o resultado final que concretize o crime perfeito e acabado.

o crime é subjetivamente consumado em relação ao objeto ou pessoa contra o qual se dirigia. tentativa perfeita e crime consumado. no crime culposo há evento sem intenção de provocá-lo. ocorrerá uma das três figuras. o agente desenvolve toda a atividade necessária à produção do resultado. o agente quer ou assume o risco de produzir o resultado. o agente é desarmado) . B) parar na execução completa. a execução é interrompida sem a que a vítima seja atingida (após o primeiro disparo errado. por circunstâncias estranhas à sua vontade. contudo. sem. no segundo. mas este não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade. descarrega sua arma na vítima. doutrinariamente denominadas tentativas imperfeita. como dizia Asúa. 18. Aqui. diz-se que há tentativa imperfeita ou tentativa propriamente dita. Daí ser impossível tentativa de crime culposo. diz-se que há tentativa perfeita ou crime falho. Tentativa Imperfeita Quando o agente não consegue praticar todos os atos necessários à consumação. Importante notar que a tentativa branca pode ser perfeita ou imperfeita. A tentativa. II). ou seja. Concluindo. mas este não sobrevém. nem vem a sofrer ferimentos. na tentativa perfeita. O processo executório é interrompido por circunstâncias estranhas à vontade do agente . No primeiro caso. sendo previsível. Formas de Tentativas Iniciada a fase executória. mas esta é salva por intervenção médica Branca ou incruenta: a vítima não é atingida. o agente realiza a conduta integralmente. art. o resultado não se verifica por mero acidente. diferente daquele que informa o elemento subjetivo do crime consumado. como por exemplo “o agressor é seguro quando está desferindo os golpes na vítima para matá-la”. A execução se conclui. Tentativa Perfeita ou Crime Falho Por outro lado. mas o crime não se consuma. Tem-se em vista o evento. Dependendo do momento em que a atividade criminosa cessar. O dolo da tentativa é o mesmo do delito consumado. não chega a realizar todo os atos executórios necessários à produção do resultado inicialmente pretendido. mas que ocorreu porque. A circunstância impeditiva da produção do resultado é eventual no que se refere ao agente. que o sujeito não quis e nem assumiu o risco de sua produção. c) chegar à consumação. Na tentativa imperfeita o agente não exaure toda a sua potencialidade lesiva. A fase executória realiza-se integralmente. na tentativa. por circunstâncias alheias à vontade do agente. como por exemplo. Quem mata age com o mesmo dolo de quem tenta matar. ou. mas mesmo assim não o atinge. devia tê-lo previsto. negligência ou imperícia (CP. quando o agente realiza todo o necessário para obter o resultado. por interferência externa. intenção sem resultado. conseguir ferir a vítima (erra todos os tiros). o movimento criminoso pode: a) interromper-se no curso do execução. atingindo-a mortalmente..Não existe dolo especial de tentativa. mas o resultado visado não ocorre. O crime culposo admite tentativa? Há crime culposo quando o agente dá causa ao resultado por intermédio de uma conduta em que manifesta imprudência. Assim.

com emprego de violência ou grave ameaça. voluntariamente. e não se pode falar em crime. crime continuado. art. se a desistência ou o arrependimento forem involuntários. a tentativa ocorre com o começo de execução do delito inicia a formação da figura típica ou com a realização de um dos crimes que o integram. i)os crimes de atentado. desiste da consumação do crime ou impede que o resultado se produza. como a participação em suicídio (CP. f)os crimes que a lei só pune somente quando ocorre o resultado. O crime permanente que possui fase inicial comissiva admite tentativa. Ex. não a admite. .: “tentar mudar. o resultado morte era querido pelo agente. menor será a redução. o juiz deve levar em consideração a espécie de tentativa no momento de dosar a pena. o regime vigente ou o Estado de Direito” (Lei de Segurança Nacional Lei n 7. é punido a título de culpa. o agente vem a ser desarmado) ou na perfeita ( o autor descarrega a arma na vítima. Ex: omissão de socorro (CP. 4o a tentativa não é punida). crimes definidos no art. in verbis: “o agente que.170/83. 135). d)os crimes omissivos próprios: ou o indivíduo deixa de realizar a conduta. para parte da doutrina) b)os crimes preterdolosos ou preterintencionais. tendo o agente iniciado a execução do tipo. Ex. Infrações que não admitem a tentativa Não admitem a figura da tentativa: a)os crimes culposos. que não possuem um iter.: Embora não haja distinção quanto à pena abstratamente cominada no tipo. art. Arrependimento eficaz e Desistência voluntária e arrependimento eficaz. formais ou de mera conduta) que se realizam por único ato. Obs. art. Desistência Voluntária. se o sujeito interrompe a execução do tipo. quanto mais próxima da consumação. 3o da Lei n 4. haverá tentativa. pois o evento de maior gravidade objetiva. 122). o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade (art. esse delito só poderá ser preterdoloso quando consumado) c)as contravenções penais (LCP.II). Assim. 17 caput). não querido pelo agente. No crime complexo. a ordem. Do mesmo modo.: cárcere privado praticado por quem não liberta aquele que está em seu poder. Tentativa qualificada Só há tentativa quando. e o delito se consuma.Cruenta: a vítima é atingida.898/65 (crimes de abuso de autoridade) etc. lesionandoa). pois é inconcebível tentativa de tentativa. No crime continuado. só responde pelos atos praticados”. logo. como o descrito no art. h)os crimes permanentes de forma exclusivamente omissiva. pois. e logo em seguida. Ex: no latrocínio tentado. g)os crimes habituais. ou a realiza. art. e)os crimes unisubsistentes (materiais. 14. ou não há e inexiste crime). (capez: salvo a culpa imprópria. embora qualificado pelo resultado. evita a produção do resultado. 15 do CP. vindo a lesionar-se. É o que diz o art. ou se já exaurida a atividade executiva. pode ocorrer tentativa cruenta na tentativa imperfeita ( a vítima é ferida. Ex: injúria verbal. 230. Ao contrário. só é admissível a tentativa dos crimes que o compõem. inexiste crime tentado. Os crimes plurissubsistentes admitem o conatus. É o que se denomina tentativa abandonada. (ou há a habitualidade e o delito se consuma. O todo. Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão admitem tentativa.

repugnância pela conduta. não importa a natureza do motivo: pode desistir ou arrepender-se por medo. mas de desistência voluntária. o sujeito não responde por tentativa. Pode acontecer nos crimes materiais ou formais. uma vez que a norma penal considera atípico o processo executivo em relação ao crime que pretendia inicialmente praticar. Por outro lado.. A desistência voluntária consiste numa abstenção de atividade: o sujeito cessa o seu comportamento delituoso. A desistência não é espontânea. Em conseqüência. só é possível na tentativa perfeita ou crime falho e nos delitos materiais ou causais. nestes. tendo já ultimado o processo de execução do crime. desenvolvendo nova atividade (aplicação do antídoto). Como vimos.: o ladrão. Não se trata de arrependimento ativo. depois de praticar ato idôneo à produção do evento morte. o arrependimento ativo tem natureza positiva: exige o desenvolvimento de nova atividade. dando-lhe um antídoto que a salva. Assim. 15 faz referência à desistência voluntária em sua primeira parte: “o agente que. o agente não esgota todo o processo executivo do delito. Desta forma. Desiste da consumação e alimenta a criança. mas mesmo assim aproveita ao agente. a desistência é . E só há arrependimento ativo quando o agente esgota os meios de execução (tentativa perfeita). Essa é a regra. ao perceber que seus movimentos são atentamente seguidos por outrem. 15. Nos dois casos. Ex: após ministrar veneno na alimentação da vítima. consistindo em o agente não continuar a atividade inicialmente visada. não determinada por circunstância alheia à sua vontade. na desistência voluntária. No caso. receio de ser descoberto. voluntariamente. não há falar-se em desistência voluntária. desiste de consumar o furto e se retira. Assim. decepção com a vantagem do crime. É impossível na tentativa perfeita. pois nos crimes comissivos por omissão a desistência se concretiza através de conduta positiva. o sujeito impede a consumação do homicídio. desenvolve nova atividade impedindo a produção do resultado. pois. Segundo se depreende do art. desejando evitar a produção do evento. No caso. desiste da consumação do crime. sendo somente cabível na tentativa imperfeita ou inacabada. embora possa prosseguir na execução. O importante é que sua conduta seja voluntária. ou por qualquer outra razão. De acordo com a lição de Frank. porém não nos de mera conduta.O art. Há o interesse social de criar uma ponte de ouro para o agente que abandona o seu propósito delitivo. tanto a desistência quanto a resipiscência precisam ser voluntárias para a produção de efeitos jurídicos. só ocorre antes de o agente esgotar o processo executivo. a mãe não havia empregado todos os meios a seu alcance para produzir a morte do filho. O arrependimento eficaz tem lugar quando o agente. se o sujeito só desiste de seu intento de cometer o crime diante do perigo de ser preso em flagrante. desista da consumação em face de violenta dor causada por infecção dentária.” Cuida do arrependimento eficaz na segunda. dentro da residência da vítima e prestes a subtrair-lhe valores. A atipicidade fundamenta-se em razões de política criminal. já na residência da vítima para praticar furto. que é o comportamento que havia sido omitido. o início de execução já constitui consumação. antes da amamentação. Suponha-se que o sujeito. bastando a voluntariedade. sendo voluntária. quando reza: “ ou impede que o resultado se produza”. atua para impedi-lo. Não se exige que o abandono da empreitada criminosa seja espontâneo. EX. remorso. piedade. aproveita. uma vez que nela o sujeito esgota os atos de execução. Enquanto a desistência voluntária tem caráter negativo. Isso significa que a renúncia pode não ser espontânea. o agente se arrepende.. o arrependimento ativo verifica-se quando o agente ultimou a fase executiva do delito e. Ex: a mãe suspende a amamentação do filho a fim de causar sua morte.

150). Supondo o agente que é a vítima que vem surpreendê-lo. 133 do CP (aplicação da pena). portanto. fazendo-o suspender a prática dos atos executivos. senão para os efeitos do art. fortuitas ou não. uma vez que o comportamento que a constitui exterioriza a irrevogabilidade de sua intenção criminosa. Somente quando o agente é impedido. que se aplica ao nosso Código: “Se. o resultado se verificou. Assim. responde por lesão corporal (art. É evidente que só responde pelos atos praticados quando relevantes para o Direito Penal. ainda que o quisesse”. para que não ocorra a causa de exclusão da adequação típica é imprescindível que ele renove ou se aproveite dos atos já executados. Se desiste de consumar o homicídio. põe-se em fuga.voluntária quando o agente pode dizer: “não quero prosseguir. no sentido de que. aproveitando-se dos atos já cometidos. e não consegue salvá-la. se o agente ministra antídoto à vítima que antes envenenara. uma vez que a desistência é involntária. se o ladrão. Todavia. dentro da casa da vítima. dispondo de mais projéteis. É o que denomina tentativa qualificada. Para tornar atípicos os atos executivos que iriam realizar a tentativa o arrependimento precisa ser eficaz. não há desistência de propósito. No caso. desiste de consumar o furto. em caso de dispor de outros. desistindo de repetir os atos de execução do crime de homicídio. não repetiria os atos executivos do homicídio. Aquele que dispunha de um só projétil não efetuou outros disparos porque não podia proceder de outra forma e é mera suposição dizer que. . 15 que. malgrado toda boa vontade. Questão interessante é saber se responde por tentativa de homicídio o agente que. Ele não se valeu de todos os meios de que dispunha. responde por homicídio. embora podendo continuar a atirar. Enquanto está na simples fase de “adiamento” da empresa criminosa. ou quando interferem circunstâncias outras independentes de sua vontade. Desta forma. É o problema da não-repetição dos atos de execução. não obstante a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. 129) se antes ferira a vítima. dispondo de vários projéteis no tambor de seu revólver. retiram a tipicidade dos atos somente com referência ao crime cuja execução o agente iniciou. há desistência voluntária. Não há desistência voluntária quando o agente apenas suspende a execução do crime e continua a praticá-lo posteriormente. é que existe tentativa. E se é apenas erroneamente suposto o obstáculo que faz com que o sujeito desista de continuar a cometer o delito? Ex: um animal provoca barulho ao esbarrar numa porta. cessando a atividade. responde por violação de domicilio (CP. e é involuntária quando tem de dizer: “ não posso prosseguir. o arrependimento operoso do réu se tornou ineficaz. faz apenas um disparo contra a vítima. o agente responde pelos atos já praticados. É o ensinamento de Vannini. O agente que. Entendemos que há desistência voluntária. Assim. Diz a última parte do art. Há tentativa. não poderia tal arrependimento favorecer ao culpado. embora pudesse fazê-lo”. desistindo da prática do furto. dispara um só contra a vítima. criando e mantendo um estado de perigo ao bem penalmente tutelado. dá prova evidente de que assim procede voluntariamente. art.

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