Direito Constitucional – Aula 01 – Formas de Estado

Plano de Estudos Michael Wendder I - Introdução O acadêmico de Direito, no estudo do Direito Constitucional, em especial, ao se deparar com um tema, necessita, para integral compreensão do assunto, auto indagar-se sobre este. Se falamos de formas de estado, a primeira pergunta que nos deve vir a cabeça é: O que é o Estado? Seguidos das demais perguntas: O que são formas de Estado? Qual a relevância em discutir, saber ou compreender essas formas de Estado? Então, a partir desse intróito, o acadêmico passa a pensar o Direito Constitucional. Ler não é nunca foi estudar nem aqui, nem na china. Acadêmico que lê muito e que se questiona pouco, não estuda. Perde apenas tempo e horas de sono. Respondo as indagações acima, desprendidos de conceitos doutrinários, apenas relembrando os conhecimentos já adquiridos, poderíamos dizer que: O Estado: é a instituição organizada política, jurídica e economicamente sob um determinado território (espaço físico), detendo um poder de comando sobre um povo (cidadãos), mantendo sob tudo uma soberania (capacidade de criar leis, ações, propostas, de representar o povo, os interesses do cidadão, não estando e podendo estar, seu poder de mando, subjugado por qualquer outro Estado, sob pena de não se ter um Estado de fato) Nesse sentido, transcrevo o conceito de Estado nas palavras no mestre Jellinek, para qual o Estado é a corporação de um povo, assentada num determinado território e dotada de um poder originário de mando1

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(in Ciência Política, Malheiros, p. 71).

seja no exercício do mando. . de que a França é exemplo clássico. segundo a sua formulação histórica e doutrinária. Ora. COM SEDE NA CAPITAL. há basicamente duas formas de Estado: Unitário e Federativo. é a unicidade do poder. tiram dele sua força. nome unitário já nos remete a idéia de coisa única. Traduzindo. Darcy Azambuja disserta com clareza sobre o assunto: “O tipo puro do Estado Simples é aquele em que somente existe um Poder Legislativo. Um exemplo de Estado Unitário é a França em que não há Estados-membros como aqui no Brasil (Mato Grosso do Sul. sem ter que estar intimamente subordinada ao Governo do Estadomembro primeiramente. um Poder Executivo e um Poder Judiciário. Rio de Janeiro. podemos entender e afirmar que o Estado Unitário é aquele no qual o poder decisório está diretamente ligado ao Governo Central. O poder central é exercido sobre todo o território sem as limitações impostas por outra fonte do poder. no caso do Brasil. seja na estrutura. TODOS CENTRAIS. o que bem caracteriza esse tipo de Estado.II – O Estado Unitário Feita a consideração mor do conceito de Estado. indispensável saber quais são as formas desse Estado. Doutrinariamente: O Estado Unitário também chamado de Estado simples. São Paulo. sem fragmentação do poder. O Poder Legislativo de um Estado Simples é único. Então. constitui a forma típica do Estado propriamente dito. é ele que as nomeia e lhes fixa as atribuições. o que reflete-se diretamente no organização estrutural (enquanto limites físicos) e administrativa deste. Numa visão mais ampla para exemplo. é como se a Prefeitura Municipal respondesse diretamente ao Governo Nacional em Brasília. nenhum outro órgão existindo com atribuições de fazer leis nesta ou naquela parte do território”. etc) apenas todas as cidades respondendo diretamente ao Governo Central em Paris. Como se pode notar. una. Todas as autoridades executivas ou judiciárias que existem no território são delegações do Poder Central.

Acre. ao qual: (.O Estado sou eu. É dizer. posso e mando. o Estado Federativo só pode ser (AS PARTES). III . etc. assim é o Estado Unitário ou Estado Simples como queiram chamar. como o regional. O Estado unitário CENTRALIZA TUDO.) do ponto de vista da distribuição geográfica do poder. sempre tendeu a ter um poder concentrado na mão do governante. o Rei Sol na celebre expressão “L'État. que desde sua formação. Lembremos do velho camarada Louis XIV. a divisão. C'est Moi” .Um pouco de História A primeira formação do Estado ocorreu de forma unitária. que não são. nada mais. as considerações do Prof Celso Ribeiro Bastos. o que foi fruto da própria transformação do Estado. Ressalte-se que os Estadosmembros gozam se AUTONOMIA relativa concedida pela Constituição Federal e não há que se falar em SOBERANIA destes mesmos Estados-membros. a fragmentação dessa administração físico-politica. IMPORTANTE: Ao se iniciar o estudo da forma Federada de Estado. o Estado Brasileiro que tem sua organização dividida entre os Estados-membros (São Paulo. Isso é vital no estudo. Alguns desenvolvem outras formas.Notaram? O uso da palavras TODAS. Nesse diapasão. Se o Estado Unitário é o TODO.. até o final do século XVIII não se conheceu senão o Estado unitário. deve-se ter o posicionamento de que o que se busca estudar é exatamente uma forma de Estado e não de governo. Quero. Por exemplo. do que uma variação do unitário ou federal. Sergipe) com suas Constituições próprias. TODO.. Basicamente o Estado pode tomar a forma de unitário ou federal. e não ALGUNS. aqueles em que há um único centro irradiador de decisões .

Embora descentralizados em municípios.. sem descentralização política. Dallari. O poder de ditar normas genéricas era exercido por um único pólo sobre todo o território do Estado".” A Constituição de 1824 estabeleceu no Brasil o Estado Unitário. imprescritibilidade e inalienabilidade – só ao Estado Unitário se aplicam integralmente.3 Para Sahid Maluf “estado unitário é aquele que apresenta uma organização política singular. tais divisões são de direito administrativo. cit. Dalmo de A. cit. 5 Pertence a Teoria da Soberania Nacional à Escola Clássica Francesa. sem divisões internas que não sejam simplesmente de ordem administrativa. o que se fez com o Ato Adicional de 1834. 254. (. As Províncias passaram a ter assembléias legislativas próprias. . O órgão governamental só o exerce legitimamente mediante o consentimento nacional. 165. p. op. da qual foi Rousseau o mais destacado expoente.2 Afirma Dalmo de A. op. p. a princípio. Estas. Dallari que "os Estados são considerados unitários quando têm um poder central que é a cúpula e o núcleo do poder político". como um governo único de plena jurisdição nacional. Muito bem diz Queiroz Lima ao assegurar que: ”O Estado Unitário é o Estado Padrão. cit. p. A teoria clássica da soberania nacional5 foi concebida em referência a essa forma normal de Estado. com a magnitude do território veio a necessidade de certa descentralização política. não tinham qualquer autonomia. 189. Temos que a forma mais usual de Estado é o unitário.). 4 Sahid Maluf . indivisibilidade. Como a centralização do poder era grande. nos quais os órgãos do governo são unos para todo o território. Não têm esses organismos menores uma autonomia política”4. op. Sustentaram que a nação é a fonte única do poder de soberania. continuando os seus presidentes a serem nomeados 2 3 Celso Ribeiro Bastos. distritos ou departamentos. com o território dividido em Províncias.. e as características da soberania – unidade.políticas expressas em lei.

mediante tratado. que se não preocupa com a estrutura interna dos Estados. Portugal-Espanha no reinado de Felipe II. MT. nas lições de SAIHD MALUF6: O Estado Federal7 é Estado Composto8. cada qual perdendo sua soberania. Sahid. MS. em torno da figura de um monarca ou casa dinástica. Ex: Austria-Hungria  Confederação de Estado: junção de dois ou mais Estados. 8 O que é um Estado composto? A união de Estado. a Federação se apresenta como unidade e não como pluridade de Estados. ed.  União Real de Estados: junção de dois ou mais Estados soberanos de forma efetiva. não soberanos. Ex: Brasil . RS. Gozam do direito de autodeterminação (self-government). OU SEJA. México. a junção de (SP. o Estado Federal se projeta no cenário Internacional como um Estado Simples. E desde já fazendo um adendo. Brasil não é o nome do Estado brasileiro. admitindo-se a secessão. 13. uma Nacional e outra Provincial. Com isso.pelo Imperador. não soberanos. possuindo duas fontes paralelas de Direito Público. O nome oficial é REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Os Estados-membros são autônomos. mas não tem personalidade jurídica de Direito Público Internacional. na expressão dos alemães). o unitarismo brasileiro teve um aspecto semifederal. dentro dos princípios estipulados na Constituição Federal. 6 7 MALUF. sob uma Constituição. uma nítida divisão geogra´fica. cada qual mantendo sua soberania. IV – O Estado Federado É aquele que se divide em províncias politicamente autônomas. união de Estados autônomos (staatenstaat. ou permanecendo a soberania de apenas um. formando um novo Estado soberano. a quem compete o exercício da soberania nacional. BA. EUA. assim encarado estritamente no âmbito do Direito Público Interno. Jesus apaga a luz. AC.  Federação de Estados: união permanente e indissolúvel de Estados. Vamos traduzir num conceito mais prático. No que tange ao Direito Público Internacional. internamente. de formas compostas. pode ocorrer nas seguintes modalidades:  União Pessoal de Estados: baseada na junção de dois ou mais Estados. porém. etc) para o Direito público INTERNO forma o ESTADO FEDERAL BRASILEIRO. 1981 Embora apresente. adminsitrativa e política. É representado pelo governo da União. Ex. o que é isso? Exemplos: Brasil. Argentina são estados federais. Direito Constitucional. RJ.

cor.a soberania. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I .independência nacional. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. se relaciona com o Brasil enquanto ESTADO. social e cultural dos povos da América Latina. X concessão de asilo político. VI .os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. O que a DEFINE. principalmente É A SE DESCENTRALIZAÇÃO ORGANIZAREM AS DE LEIS POLITICA. III . OBSERVADOS OS PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS9 DECLARADOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. o Executivo e o Judiciário. o Legislativo. III .a cidadania. 2º São Poderes da União.promover o bem de todos. IV . política. IV . Mas. Art. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. sem preconceitos de origem. IV – nãointervenção. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I . independentes e harmônicos entre si. V . Há uma relação com o CORPO DO ESTADO e não com partes isoladas dos membros deste corpo. II . 9 Dos Princípios Fundamentais Art. . II .cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. idade e quaisquer outras formas de discriminação. raça. III . 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . ACORDO QUE isto é A A FACULDADE QUE TÊM OS ESTADOS-MEMBROS DE COM CONSTITUIÇÃO ADOTAREM. visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. VIII repúdio ao terrorismo e ao racismo. A Federação não se caracteriza apenas pela descentralização administrativa. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica.a dignidade da pessoa humana. 1º A República Federativa do Brasil.prevalência dos direitos humanos. Parágrafo único.erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. IX . sexo.construir uma sociedade livre. nos termos desta Constituição.Apesar de auto explicativo o texto do Prof Maluf. II . justa e solidária.autodeterminação dos povos. Art.garantir o desenvolvimento nacional. V .igualdade entre os Estados.defesa da paz. no plano internacional eles não vêem os Brasis fragmentado politicamente em seus estados-membros. pois esta é peculiar ao sistema municipalista. VII .solução pacífica dos conflitos. Todo o poder emana do povo. Art.o pluralismo político. Parágrafo único.

de sorte que a União tenha supremacia sobre os Estados-Membros e estes sejam entidades dotadas de autonomia constitucional perante a mesma União". Por fim. o qual tem por objetivo o estudo das unidades estatais na sua estrutura intima. Embora se possa pretender imaginar que a Confederação Helvética de 1291. que surgiu da união de três Cantões11. Basiléia e Unterwalden) são sub-divididos em semi-cantões (francês: demi-cantons. subdivisão territorial / administrativa em alguns países. não se encontra este Estado no período da Antigüidade ou Idade Média. italiano: cantoni). V .. deve-se ter em mente que esta forma de Estado. possui surgimento recente. alemão: kantone. exército e moeda. italiano: mezzi cantoni). Esse cara foi f. com suas próprias fronteiras. Assim. 11 10 .Breves Considerações Históricas Quando se estuda o Estado Federado. Cantão (divisão administrativa). alemão: halbkantone. Devemos ressaltar que o Estado Federal se projeta como Unidade não como Pluralidade. A Confederação Suíça consiste em 26 cantões ou estados (francês: cantons. com ph ao conceituar de maneira simples e objetiva o Estado Federal Queiroz Lima: define o Estado Federal como um estado formado pela União de vários estados. até que a estrutura federal recente foi estabelecida em 1848.CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO FEDERAL O fato de se exercer harmônica e simultaneamente sobre o mesmo território e sobre as mesmas pessoas a ação pública de dois governos distintos (federal e estadual) é o que justamente caracteriza o Estado Federal. Historicamente. "É um Estado de Estados"10. cada cantão era considerado um Estado soberano. A definição do século. possa ser um exemplo de Estado Federado. dos quais 3 (Appenzell. o que se Uma vez mais: Esta definição se ajusta a um conceito de Direito Público interno.IV . nas lições de PINTO FERREIRA: "O Estado Federal é uma organização formada sob a base de uma repartição de competências entre o governo nacional e os governos Estaduais.

que fosse criado um poder central tão forte quanto o britânico.  1776: Declaração de Independência. e que a Constituição só entraria em vigor após ser ratificada.  Interessante destacar que a transformação só se processou após longos debates.  1787: reunidos em Filadélfia. no caso suíço. sendo que haviam os Estados reunidos em uma Confederação. não possuíam a representação. dos Artigos de Confederação. não aprovado. passando o Congresso. formando a Confederação da Nova Inglaterra. Legislativo e Judiciário independentes e . por nove dos membros da confederação. passaram a constituir. mantendo cada Estado a liberdade e independência. Havia a ponderação que os delegados. historicamente. Este. Cediço é que as Treze Colônias americanas. do que a formação de um Estado Federal. então. 1776: independência. afastadas as formas prévias de união. entre Estado. os membros de Doze Estados.constata é que houve muito mais um pacto de amizade e aliança. para atuarem nas guerras contra os indígenas e resistir a ameaça holandesa. 1754: primeira reunião do Congresso intercolonial. ocorreu em 1948. temendo-se. que não caracterizaram um Estado Federal. Assim. para transformar a confederação em federação. então explicar o mecanismo de governo que se pretendia.  1781: assinatura. temos: 1643: quatro colônias se uniram. Logicamente. quando a Suíça se organiza em Estado Federal. sobretudo. com Executivo. decidem transformar a confederação em Estado Federal. ademais. Buscou-se.Artigos de Confederação. passamos a verificar que o surgimento deste tipo de Estado foi fruto da independência Americana. pelo menos. formação de um tratado . entre os que defendiam a revisão do Tratado e os que defendiam a aprovação de uma Constituição comum. Assim. mas o Congresso continuou a se reunir. a chamar-se Estados Unidos Reunidos em Congresso. a preservação da Independência. em 01 de março. tendo Benjamin Franklin apresentado plano de união. nasceu o Estado Federal Americano. mandato. quando se tornaram independente. influenciado pelas idéia de Montesquieu de separação de poderes. chamada de Estados Unidos da América. visando. mas formaram uma confederação. ausente Rhode Island. cada qual um Estado.

A. ocasionavam o enfraquecimento dos ideais nacionalistas e dificultavam sobremaneira o êxito da guerra de libertação. a autonomia estadual é ampla. A federação não resulta de uma simples relação contratual. PROBLEMA DA SOBERANIA A Soberania é Nacional e a Nação é uma só. Une-se pelo pacto federativo que expressa a vontade nacional que é permanente e indissolúvel.Americanos quanto à forma unicameral ou bicameral. Os primeiros sistemas administrativos adotados por Portugal. geográficas e políticoadministrativas de uma só Nação. foram as Governadorias Gerais. constituíram-se em outros tantos Estados livres. notadamente os de ordem econômica e militar. O FEDERALISMO NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA A Constituição Norte-Americana de 1787 é o marco inicial do Moderno Federalismo. As treze colônias que rejeitaram a dominação Britânica. variam nos Estados-Membros Norte. . As Federações são unidades de divisões históricas. e quando o centralismo artificial do primeiro Império procurou violentar essa realidade a nação forçou a abdicação de D. as Capitanias. mas na realidade era dividido em províncias. em 1776.U. e muito rígido.harmônicos. as Feitorias. as rivalidades regionais. conciliando-se os interesses dos EstadosMembros e da Federação. O Brasil Império era um Estado juridicamente unitário. Nos E. em um sistema de federalismo orgânico. As legislações conflitantes. FEDERALISMO BRASILEIRO O Federalismo Brasileiro é diferente. a exemplo da Confederação. as desconfianças internas. com sistema de freio e contrapesos. Logo o exercício do poder de soberania compete ao governo federal e não aos governos regionais. instável e precário não solucionava os problemas internos. Verificou-se que o governo resultante dessa união confederal. rumos pelos quais a nação brasileira caminharia fatalmente para a forma federativa.

mais ao ideal federativo do que ao ideal republicano. Tratandose de um dos maiores Estados do mundo. a fim de manter a pluralidade das condições regionais. tem vocação histórica para o federalismo. As causas sociais da origem do federalismo brasileiro são. DIREITO COMUNITÁRIO O Regionalismo se manifesta no Direito Internacional que possui poucas normas realmente universais. pois este não elimina por completo a superioridade Política e Jurídica do Poder Central. Deve-se a queda do Império. Ajustou um sistema jurídico constitucional estrangeiro uma realidade completamente diversa. sendo assim uma espécie de Confederação especial como exemplo temos o MERCOSUL e atualmente a União Européia. impondo a reforma da Carta Imperial de 1824. mesmo possuindo uma Carta Política própria está submetido constitucionalmente ao Estado Unitário. O grande papel dos estadistas portugueses e da colônia foi manter a unidade territorial do país. O ESTADO REGIONAL O Estado regional também Chamado de geográfico designa para alguns autores os Estados Membros que têm certa autonomia própria em relação aos poderes que o regem (Legislativo. Contrariamente ao exemplo norteamericano. País de uma verdadeira imensidão territorial e a diversidade de suas condições naturais obriga naturalmente a uma descentralização que é à base do federalismo. A Constituição de 1891 estruturou o federalismo brasileiro segundo o modelo norte-americano.Pedro I. o federalismo brasileiro surgiu como resultado fatal de um movimento de origem natural . Ele é o resultado de uma comunhão de interesses. O Brasil pelas suas próprias condições geográficas. portanto visíveis. tudo integrado na unidade nacional. de contigüidade geográfica e . Há. sem desertos nem geleiras. Esta forma de Estado é Unitária e pouco descentralizada. com território rico em recursos naturais e quase todos aproveitáveis. assim uma vocação histórica do Brasil para o Estado Federal. Para outros autores significa a união de Estados Federais onde a globalização os uniram para se beneficiarem de forma mútua. Executivo e Judiciário).histórica e não artificial. É a própria imensidão territorial obrigando a uma descentralização do governo.

resultando nos. o Estado vassalo tende a emancipar-se. Pode-se dizer que as organizações regionais podem ser criadas como uma técnica a serviço da hegemonia. mas é obrigado a pagar tributo pecuniário e prestar serviço militar ao Estado Soberano subordinante. Segundo Darcy Azambuja. assim chamados. contudo. Constituição independente. Protetorado => Relação entre protetor (superior em civilização e força) e protegido. b) a velocidade dos contatos. Elas visam atender aos problemas que são próprios destas áreas territoriais contíguas e comuns). Petersman diz que existe em todos os continentes subdesenvolvidos uma tendência no sentido de uma integração regional refletindo o desenvolvimento de economia mundial de internacional para regional.de cultura semelhante. Na Teoria do Estado temos a "Vassalagem" e o "Protetorado" como principais exemplos de hierarquia de Estados e se apresentam dessa maneira: Vassalagem => comum na idade média. em troca. essa seria a base sustentadora do poder desses supostos Estados. este. e) uma elite que não se sinta ameaçada pela integração. Essa relação traz sérias implicações no âmbito da soberania. à condição de província. principalmente para aquele que se encontra em condição inferior. pois este tem que repartir amplamente o seu poder com aquele em condição de superioridade. Para atender a tais interesses é que surgiram as organizações internacionais (e de âmbito regional. o Estado tem território próprio. Estados não soberanos ou semi-soberanos. lhe dá auxílio e proteção. Karl Deutsch apresenta uma série de condições para o aparecimento do regionalismo e uma integração: a) os países devem ter um código comum para se comunicar. enquanto o protegido tende a submeter-se totalmente. diz ainda que esses são . HIERARQUIA DE ESTADOS Ocorre quando Estados se unem e estabelecem relações de subordinação entre si. c) valores básicos compatíveis (moedas) d) a previsibilidade do comportamento dos demais países.

Influenciado pela extensão territorial. o espetáculo macabro da tecnologia bélica (ao qual ainda temos a infelicidade de assistir. religião. esta forma composta de Estado (Federação) passou a ser imperativo inseparável da realidade social geográfica e histórica do povo brasileiro. Graças ao enorme desenvolvimento experimentado nos Últimos cem anos. diversidade de clima. globalização. 4) VI – Características do Estado Federal São características básicas do Estado Federal: . de 1856 a 1878. o aparelho dominatório das grandes potências pode ser aperfeiçoado consideravelmente a ponto dos condutores desse aparelhamento monopolizarem os outros Estados a um grau não suspeitado. fatores naturais e sociológicos e pela descentralização política. Apesar de se pregar que a hierarquia de Estados é uma prática remota. e a Bulgária de 1878 a 1908 (foram Estados vassalos da Turquia). cultura e ideais”. idioma. Diferenciação entre: 1) NAÇÃO . diferenciação de grupos étnicos. ou seja. O FEDERALISMO OU O ESTADO FEDERAL POSSUI: 1) TERRITÓRIO PRÓPRIO . 3) SOBERANIA PROPRIA . FEDERALISMO NO BRASIL • • Modelo Brasileiro .Foi a constituição norte-americana 1787.institutos pouco freqüentes: a Sérvia e a Romênia.formado pelo conjunto dos Estados-Membros. sobretudo pela pressão sobre os estômagos dos povos de Estados menos abastados como o nosso. 2) POPULAÇÃO PRÓPRIA .esta sujeita à organização do Estado Federal e dos Estados-Membros. inertes) e pela escola. tendo direitos e deveres frente a um e a outro. 2) ESTADO – “agrupamento humano.“conjunto homogêneo de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de sangue. Internet.não estendida aos Estados Membros. estabelecido em determinado território e submetido a um poder soberano” é a ”nação politicamente organizada”. e. assim como. pela técnica da dominação física e psíquica das massas mediante a imprensa. sabemos que muito bem que Estados se impõem hierarquicamente sobre outros suspendendo ou abolindo suas soberanias.

poderes esses que dizem respeito às relações internacionais da União ou aos interesses comuns das Unidades Federadas. 3) não existe direito de secessão. Composição bicameral do Poder Legislativo. b) Sistema Judiciarista. sob as garantias da imutabilidade desses princípios. 1) a cada esfera de competência se atribui renda própria. consistente na maior amplitude e competência do poder judiciário. que é órgão de equilíbrio federativo e de segurança da Ordem Constitucional. a) Distribuição do poder do governo em dois planos harmônicos (federal e provincial). superioridade hierárquica do Governo Federal. 8) os cidadãos que aderem à federação adquirem a cidadania do Estado Federal e perdem a anterior. um Supremo Tribunal Federal. O governo federal exerce todos os poderes que expressamente lhe foram reservados na Constituição Federal. tendo esse. 5) as competências do Estado Federal e dos Estados Membros são fixadas na Constituição. 4) só o Estado Federal possui soberania. Somente nos casos definidos de poderes concorrentes. da rigidez Constitucional e do instituto da Intervenção Federal. Constância dos princípios fundamentais da Federação e da Republica. Os Estados-Membros exercem todos os poderes que não foram expressa ou implicitamente reservados à União. na sua cúpula. 7) o poder político é compartilhado pelo Estado Federal e pelos Estados Membros.1) a união faz nascer um novo Estado e aqueles que aderiram à federação perdem a condição de Estado. VII – Críticas A forma federativa de Estado possui críticas favoráveis e contrárias. realizando-se a representação nacional na câmara dos deputados e a representação dos Estados-Membros do Senado Federal sendo esta última representação rigorosamente igualitária. que podem ser resumidas em: c) d) . prevalece o principio da. 2) a base jurídica do Estado Federal é uma Constituição e não um Tratado. e que não lhes foram vedados na Constituição Federal.

o que são os interesses nacionais. que. . sem perder o particularismo regional . delegando a este prerrogativas e poder próprios. verifica-se que os Estados-Membros se unem para formar um novo Estado. Executivo e Judiciário. aos Estados-Membros aplica-se:  possuem uma Constituição própria adequada a Constituição da Federação. Geralmente.  lidam com assuntos de ordem interna aos próprios Estados-Membros. que precisa ser mais forte. uma planificação da ação estatal. XIX – Autonomia dos municípios Na maioria dos Estados Federais os município não fazem parte da Federação. às vezes. elevou o Município. senão a mera vontade política? VIII – Autonomia dos Estados-membros Nos Estados Federais. promove a integração regional. Favoráveis:  mais democrático.  maior dificuldade de concentração de poder. Porém a Constituição brasileira de 1988. atualmente.  possuem a repartição dos poderes. pelas coexistência de inúmeras esferas autônomas. os Estados-Membros mantém a autonomia. aqueles com vasta extensão territorial.  não possuem soberania. entretanto. Estados-Membros e Distrito Federal a pessoa jurídica de direito público interno. por manter aparelhos burocráticos diversos. a par das críticas negativas. ao lado da União. o Estado Federal consolida-se como forma mais freqüente de Estado. em Legislativo.  Desfavoráveis: enfraquece o governo. impede.  Verifica-se. principalmente. que compõe a Federação Brasileira.  provoca a dispersão de recursos. Teoricamente é lindo. Mas. Porém. pois consegue conjugar os interesses Nacionais. a qual é disciplinada pela Constituição.  favorece a ocorrência de conflitos jurídicos e políticos.

. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. o qual passou a ser mais respeitado. o Estado Federal do Brasil ganhou uma nova esfera e poder. sendo ressalvados aos autores citados no corpo do texto.A República Federativa do Brasil. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Para tanto. Este material é adaptado por Michael Wendder em seu plano de estudos. os direitos autorais de cada qual.Prescreve a Carta de 1988: Art. assegurando-lhe importância que não possuía nos Textos Constitucionais anteriores. reconhece-se. 1º . expressamente a capacidade legislativa do Município. Assim.

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