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12 homens e uma sentença

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Analise do Filme Doze Homens e Uma Sentença1 Ana Cláudia Schneider, Bianca Oliveira e Melissa Araújo 2

O grupo apresentado no filme é formado por 12 homens, que fazem parte de um júri popular, onde terão que decidir sobre a condenação ou não de um rapaz de 18 anos acusado de ter matado o próprio pai. Essa decisão, que deverá ser unânime, poderá implicar na condenação à pena de morte des se rapaz. Assim, o grupo inicia seu movimento, conforme a teoria de Bion em Zimermam (1999), em direção à execução da tarefa operando no plano do ego consciente. Bion o denomina "grupo de trabalho", que é o grupo que funciona em busca de uma solução harmoniosa para suas necessidades e objetivos. É importante salientar, que esse júri já está assistindo o julgamento há três dias, e o ambiente onde terão que ficar até tomarem uma decisão unânime, é um local pequeno com uma mesa central, cadeiras nada confortá veis, sem ventilação adequada (e o ar condicionado estragado) em um dia quente de verão, e um banheiro. A porta da sala dica fechada pelo lado de fora e quem possui a chave é um guarda, que se o grupo precisar de alguma coisa deve chamá-lo. Segundo Castilhos (1995), é de extrema importância a escolha do local para a realização de qualquer formação de grupo, pois o espaço e as dimensões físicas do ambiente são elemento importante que o grupo usará ativamente. No caso do filme, as cadeiras teriam que ser bem confortáveis, considerando que o grupo sairia do local no momento em que todos concordassem com a decisão e, isso poderia levar muitas horas. A sala deveria ter pelo menos um ventilador. Todos esses fatores contribuíram muito para a irritação e agressivida de do grupo, serviram como fator estressor, em um momento inicial. Os 12 componentes são todos de origens, condições sociais, idades, religiões diferentes; que no momento inicial parecem estar todos de acordo com a decisão da condenação do réu, até o mome nto em que um senhor (um dos mais velhos do grupo) não concorda e pede que todos conversem sobre o assunto e não simplesmente dêem os seus votos declarando -o culpado pelo crime sem ao menos discutirem o assunto, afinal de contas está em jogo a vida de alguém. Neste momento onde é proposto ao grupo pensar sobre a questão, discutir, argumentar, questões individuais começam a emergir no grupo. Bion formulou o conceito de "pressupostos básicos" que juntamente com o "grupo de trabalho" constituem -se como planos nos quais o grupo movimenta se, costumando haver uma certa flutuação, interação e superposição entre eles, mesmo que geralmente o grupo passe a maior parte do tempo nos

"pressupostos básicos". Bion concluiu que nenhum grupo apresenta seu funcionamento de forma pura, havendo sempre um pouco de grupo de trabalho nos grupos de suposições básicas e vice-versa. Ele afirma que todo grupo tende ao trabalho, mas só chega a ele resolvendo seus "supostos básicos". Estes obedecem a leis do inconsciente, correspondend o a fantasias inconscientes de cada um e de todos e manifestam -se como defesas regressivas que acabam por opor-se ao desenvolvimento e evolução do grupo. Bion criou a expressão "valência" para indicar a maior ou menor capacidade de cada indivíduo dentro do grupo para participar das suposições básicas grupais. Dentro de um processo terapêutico, deve -se tornar conscientes esses pressupostos para aprender a manejá -los e reduzir a influência negativa que exerce em direção ao cumprimento do objetivo, cabendo ao analista a tarefa de proporcionar ao grupo o "insight" do que está acontecendo. São três os pressupostos básicos: Dependência, Luta e fuga e acasalamento. Sendo que a mudança de uma suposição básica a outra pode ser feita com extrema rapidez. No filme, o pressuposto de dependência, que Zimerman (1999) refere como a busca de um líder que provenha as necessidades dos indivíduos e do grupo e que o direcionará para o cumprimento da tarefa, é manifestado pela figura do jurado número 1, já que a princípio assume formalmente como líder pelo fato de ser o responsável pela organização do grupo. O movimento de luta e fuga surge no momento em que os integrantes começam a se enfrentar por terem idéias contrárias e há um certo afastamento do líder formal (primeiro jurad o), que era a pessoa que tentava por ordem no grupo fazendo com que cada um respeitasse a vez do outro falar. O grupo mostra o afastamento quando começam a questionar a sua liderança e outras pessoas tentam assumir essa posição. Segundo Bion (1975), luta e fuga alude a uma condição em que o inconsciente grupal está dominado por ansiedades paranóides e, por essa razão, ou a totalidade grupal mostra -se altamente defensiva e "luta" com uma franca rejeição contra qualquer situação nova de dificuldade psicológica, ou eles "fogem" da mesma, criando um inimigo externo, ao qual atribuem todos os males, e por isso, ficam unidos contra esse inimigo "comum". Este pressuposto tem equivalência ao conceito de posição esquizoparanóide de Melanie Klein. Inicialmente o grupo se apresenta como de supostos básicos buscando a satisfação instantânea dos desejos de seus membros e dos seus próprios desejos, e estão orientados para dentro, no sentido das suas fantasias subjetivas, e não para fora, em contato com a realidade objetiv a, parecendo ter uma mentalidade grupal, pois a maioria apresenta uma coesão de pensamento (o réu é culpado) e o mesmo objetivo (acabar logo com aquela situação e ir embora). Bion elaborou o conceito de "mentalidade de grupo" como a expressão da vontade do grupo oposta aos objetivos conscientes dos indivíduos que o compõem, já "cultura grupal" é definida como sendo o resultado da inter-relação entre a mentalidade grupal e os desejos dos indivíduos. Bion (1975) afirmava que o grupo funcionava como uma tríade indivíduo-mentalidade-cultura, sendo "uma ação recíproca entre as necessidades individuais, a mentalidade de grupo e a cultura".

quase a se agredir fisicamente por terem opiniões divergentes.. Os dois senhores mais velhos se unem para que todos discutam os assuntos e os restantes tentam os convencer de que o rapaz é culpado. Segundo Bion. e por motivos particulares (jogo de futebol em uma hora. muitas vezes até desorientando a atividade do grupo. um filho que abandonou o pai. de respeitar a opinião do outro.. em alguns momentos passa a se destacar como líder informal do grupo. de admitir não ser o dono da razão. a fim de que este abandone sua proposta de trabalho. que na verdade pode representar a esperança da salvação a realizar-se. corresponde à crença coletiva e inconsciente de que os problemas e necessidade s do grupo serão solucionados no futuro por alguém ou algo que ainda não nasceu. começa a se formar subgrupo com opiniões diferentes. O grupo se desorganiza. O primeiro integrante que se opôs ao grupo. pouco interesse em reflexão ou pensamento e uma ênfase muito grande nos sentimentos. a situação criada dentro do grupo encontra -se intensamente carregada de emoção. traz sofrimento por mexer em coisas que pareciam estar resolvidas. É característica do grupo de supostos básicos pouca ou nenhuma capacidade de tolerar a frustração. produzindo desconforto. observa -se isso no momento em que os integrantes do júri trazem seus conflitos pessoais. só precisavam de algo que as "cutucassem". É possível identificar aqui o pressuposto básico de acasalamento. aos poucos apresentam argumentos válidos fazendo com que outros reflitam e acabem pouco a pouco concordando com a idéia de inocência. mas não estavam. neste momento a mentalidade grupal está em conflito com os desejos. mal estar.No momento que um integrante tem coragem de enfrentar o grupo e convidar a todos que despendam no mínimo uma hora para pensar na decisão que iriam tomar.) achavam mais fácil dizer que a sentença era de condenado. utiliza fortes argumentos a fim de convencer os demais membros. que consiste na união de membros do grupo que se distinguem dos demais em busca de consolação mútua. essas emoções exercem uma forte influência sobre os integrantes do grupo. assim. sendo um pressuposto inconsciente. Todos tinham como certa a condenação do rapaz. um preconceito por pessoas mais pobres e humildes.. entre outras reações. Diante disso as diversas personalidades começam a se manifestar. O conteúdo que emerge do grupo são questões pessoais e os membros passam a se ofender. mas no momento em que são convidados em pensar no que realmente está acontecendo e isso envolve rever conceitos individuais. . O grupo também opera na tentativa de seduzir o líder. diante disso o líder formal sugere que seja feita uma nova votação. e o que parecia simples de decidir torna-se um imenso conflito. para se manter exige um líder com características místicas. opiniões ou pensamento dos indivíduos do grupo.

Não é possível identificar cada momento que o grupo passou isoladamente. Leon. mas logo se estabelece um sentimento de confiança e respeito. pois existem características nos indivíduos cujo significado só pode ser entendido se compreender as partes constituintes do seu equipamento como um ser grupal. S. as diferenças individuais. Variáveis que interferem no processo grupal. Artes Médicas. A partir daí o grupo consegue ir ao encontro de seus objetivos: de troca de idéias para um fim comum. tudo parece maio simultaneamente. Ele afirma que um grupo é sempre mais que a soma de seus membros. onde iniciou seu grande interesse por grupos terapêuticos. RJ. mostrando que foi capaz de atingir seu nível possível de realização. após todos reverem sua decisão optam em votação unânime por inocente. Imago. Porto Alegre. Et al. RJ. MANCIA. ZIMERMAM. Lídia. que Bion formulou conceitos a cerca da dinâmica grupal. as incertezas e as emoções. 1973. Imago.R. Defendendo a idéia de que o homem é um animal de grupo. (Mancia) Foi através da influência das idéias de Melanie Klein (a qual era sua analista durante a década de 40) e sua experiência com grupos durante a Segunda Guerra Mundial. Qualitymark. W. integrando as diferenças em prol de um único objetivo. David. 1999. enfim todas as variáveis que permeiam um grupo. São Paulo. Porto Alegre. ed. SOR. o que quer dizer que os fenômenos mentais grupais são inerentes à mente humana. Fundamento Psicanalíticos. cada um tinha questões pessoais muito fortes e mal resolvidas que pareciam estar "dormindo" e. A dinâmica do trabalho de grupo.O grupo então. Nesse sentido. Dario. gregár io. BION. que fica bem representado no filme analisado pelos 12 jurados. s. e o funcionamento desses aspectos só pode ser percebido ao se observar o indivíduo dent ro do grupo. o grupo parece ter esbarrado nestas questões. 1970.. 1995. a função grupal é parte integrante da investigação sobre o funcionamento mental humano. Bion define grupo como uma função ou conjunto de funções de um agrupamento de pessoas. Introdução às idéias de Bion. a decisão final e unânime. no caso dos 12 jurados. mesmo não sendo perceptíveis a todo o momento. Experiências com Grupos. GRINBERG. Áurea. eles encontram -se presentes Ele acreditava na necessidade do acesso aos fenômenos psíquicos pela psicanálise e focalizava a concepção Kleiniana de "fantasia inconsciente". e finalmente conseguem atingir a fase de união. Bibliografia CASTILHOS. que é a tarefa a ser realizada pelo grupo. onde o grupo apresenta maturidade para lidar com os conflitos. Em um momento bem inicial parecia que o grupo não iria dar conta de tantos con flitos.d. .

onde o juiz por sua vez se manifesta e em algumas simples palavras explica aos doze jurados à responsabilidade a que os compete. pois se trata de decidir seuma pessoa deve ou não ser morta para pagar por um determinado crime. E-mail: melimica@bol. com pouca ventilação. 2 . Centro de Ciências da Saúde . São Leopoldo. com o qual teve uma briga na noite do crime. A decisão do júri precisa ser unânime. pois existem algumas testemunhas e provas. suas frustrações ou seus medos. baseia -se num júri popular que ocorre na cidade de Nova York. fechada. mas sim buscar minuciosamente o esclarecimento dos fatos. levando em conta suas experiências de vida.Centro 2.Graduandos em Psicologia pela UNISINOS. Publicado no site Instituinte em 15 de julho de 2003. O filme em questão se passa quase que inteiramente em uma pequena sala do júri. analisando assim todas as possibilidades e buscando enxergar de diferentes ângulos cada nova possibilidade a fim de poder melhor analisar e assim tentar chegar o mais próximo possível da verdade. disciplina de Processos Grupais II da professora mestre Lidia Tassini Sil va Mancia.Notas 1 . osdoze jurados seguiram o . O caso apenas por um curto espaço de tempo se mostra no tribunal. dúvida essa que se não for esclarecida pode condenar um inocente ou absolver um culpado pondo em risco a sociedade. devido ao fato de que todos acreditem que ele seria o único a ter motivos para o faze-lo.com/analise -do-filme-doze-homens-e-uma-sentencao-detwelve-59310.br http://pt.Texto produzido para a graduação em Psicologia. mas existe também uma margem de dúvida. Por esse motivo não cabe aos jurados agir com a emoção.oboulo.html O filme a ser estudado no trabalho a seguir. A responsabilidade se torna ainda maior para os jurados. tendo em vista que naquele Estado a sanção aplica da para tal crime. Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). onde o réu é um rapaz que está sendo acusado de ser o autor do assassinato de seu próprio pai.com. é a cadeira elétrica. 11 de junho de 2003. e por esse motivo a necessidade de cautela na decisão.

durante toda a discussão dos fatos. com ambas as partes tendo momentos para retrucar e para ouvir o outro) consegue defender melhor seu pensamento. Entre os jurados existe um que se mantém quase que o tempo todo irredutível. conseguindo assim a absolvição do réu. pois tanto falam quanto ouvem para que seja assim realmente uma retórica. para que dessa forma possa também saber como persuadir cada um. nesse aspecto Daves. possamos vencer junto com a pessoa que persuadimos. tendem então a perder. etc. E para tanto ambos os locutores/interlocutores tem que pesquisar. sua idéia sua tese. será fácil fazer com que a nossa tese/idéia prevaleça. está apenas escondendo as feridas da sua solidão´. Daves faz bom uso da argumentação jurídica em todo o tempo (ainda que seja apenas um membro do júri popular). ³Há pessoas que vestem uma espécie de armadura virtual pra se defender. quando fizeram uma votação preliminar.procedimento padrão. para uma boa retórica temos que sempre ser bem persuasivos de maneira que. deixando assim prevalecer à tese de outrem. antes mesmo de discutir sobre o assunto apenas para conhecer a opinião de cada um e somar as opiniões em conjunto. Seja como for. o arquiteto Daves. convencer e persuadir os demais jurados ali dispostos. No filme em questão (Doze homens e uma sentença). estudar. pois se não dominarem ou não tendo um bom argumento. para que dominem o assunto que em questão. (denominamos assim as pessoas que da retórica participam. e dominar o tema ou tese defendida por nós. e assim consegue através de técnicas argumentativas. a argumentação é ponto crucial no desfeche do resultado final. onde observa como cada um dos demais jurados se comporta e se comunica. . demonstrando sua opinião formada e também tamanha amargura com a vida. a fim de fazêlos pensar no tamanho da responsabilidade que lhes foi atribuída. ² Então na retórica são exposto s os argumentos de ambas as partes. O tempo passa e elas não percebem que essa armadura não as está protegendo. usa algo além de persuasão e argumentação: o gerenciamento das relações. se mostra preocupado não somente em condenar ou absolver o réu e sim em julgar com coerência os fatos ocorridos para que não se cometesse nenhuma injustiça. como já foi citado anteriormente. e quando viu os demais mudando de opinião se sentiu agredido pelo poder de persuasão de Daves? ³Muitas vezes temos medo do poder do outro e por isso nos retraímos´. ao qual ninguém tinha real certeza da culpabilidade. pois o único jurado com opinião contrária aos demais. tendo isso como base. ¹ Será que o jurado irredutível realmente acreditava na culpabilidade do réu? Ou será que ele apenas agiu como um ³Maria vai com as outras´. as idéias são debatidas para que no final se veja quem dos locutores/interlocutores.

Memória. em situação de convencimento.Morpheus . Abstract: This paper was inspired by a class discussion about the film/movie 12 Angry . Professora Associada I no PPGMS/UNIRIO. o fator inovador deste relato repousa não só na abordagem conjunta e concomitante dos três conceitos. Utilizando-se a metodologia de Análise do Discurso de vertente francesa.ISSN 1676-2924 DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA: A INFORMAÇÃO E O DISCURSO NO JOGO DA MEMÓRIA Evelyn Orrico Doutora em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ). pesquisadora em Produtividade e Pesquisa do CNPq. Discurso. 2008 . Palavras-chave: Informação. Professora Adjunta no PPGMS/UNIRIO.Revista Eletrônica em Ciências Humanas . Leila Beatriz Ribeiro Doutora em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ). da informação e do discurso. pesquisadora em Produ tividade e Pesquisa do CNPq. Tecnologia e Informação´.Ano 07. O modelo de produção de conhecimento de Páez Urdaneta foi utilizado para organizar. mas também na discussão teórica realizada a partir de textos de autores consagrados na área. Como parte de disciplina acadêmica que discute conjuntamente três conceitos fundamentais no âmbito da memória social: informação ± memória ± documento. procura -se demonstrar como a seleção de argumentos que os personagens fizeram e o modo de apresentá-los ao grupo modifica o enfoque informacional. Análise Fílmica. metodologicamente. Professora Adjunta no PPGMS/UNIRIO Vera Dodebei Doutora em Comunicação e Cultura (ECO/UFRJ). Líder do Grupo de Pesquisa CNPq ³Memória Social. este trabalho objetiva mostrar a repercussão das práticas di scursivas na transmissão da informação e na construção da memória. Resumo: Fruto de uma discussão em sala de aula a partir do filme Doze homens e uma sentença. altera o estatuto documental e transforma o universo de memória de um determinado grupo social. os diálogos que são travados entre os domínios da memória. suscitad a por filmes selecionados pelas docentes. Documento. número 12.

methodologically. e o modelo de Paez -Urdaneta concebido para compreender o processo de produção de conhecimentos em organizações. e que representa a cadeia de transformação dos elementos: dado informação conhecimento decisão [2] é o nosso argumento e roteiro. em dado momento. museologia. By making use of the methodology of French Discourse Analysis. apresentando os argumentos que corroborariam o seu posicionamento.deve-se às estratégias utilizadas pelo protagonista ao questionar as provas documentais e testemunhos que serviriam para os jurados formarem sua co nvicção de sentença. enquanto um não acredita em sua inocência. As part of the academic discipline that simultaneously discusses three fundamental concepts within social memory: information ± memory ± document. A ³virada discursiva´ se dá quando um jurado a apresentar seu voto argumenta não estar convencido da culpabilidade do réu. Document. it seeks to demonstrate in what ways the selection of arguments put forward by the characters and the way they were presented to the group modify the informational focus. Filmic analysis. A norma jurídica americana apresentada no filme indica que só se deve votar pela culpa do réu caso . change the status of the document and transform the universe of memory of a certain social group. Onze desses homens têm plena certeza que ele é culpado. podemos dizer que a análise discursiva do filme -Doze homens e uma sentença [1] . principalmente em ambiente de gestão de negócio s. Páez Urdane ta¶s model for the production of knowledge was used in order to organize. Keywords: Information. quando. mas também não o acha culpado. Três professoras com formação interdisciplinar e a memória social c omo interesse comum. the dialogues between memory. parte dos jurados a favor do réu demanda que os que estão convencidos de sua culpa elaborem argumentos para convencer os outros membros do júri de sua posição. construía o discurso. information and discourse. inicia-se uma nova rodada de apresentação de argumentos até praticamente o impasse. Discourse.Men. O cenário da nossa ação é a tela de projeção do filme com a história de um julgamento contada por Sidney Lumet e filmada no ano de 1957. alunos das escolas de arquivologia. O filme versa sobre os doze jurados que devem decidir se um homem é culpado ou não de um assassinato. Um jovem de 18 anos e de classe baixa é acusado de assassinar o seu pai com uma facada no peito. ao defender a sua posição. A partir daí. A CONSTRUÇÃO DA CENA Que novidades para a reflexão teórica a experiência coletiva na análise de um filme em sala de aula pode trazer para o estudo das relações entre informação e memória? Inicialmente. biblioteconomia e história. Cada membro do júri. Memory. the innovative aspect of this approach lies not only in the joint use of these three concepts but also in the theoretical discussion based on texts by well -known authors in the area and on films/movies selected by the professors. It aims to show the effects of discourse practices in the transmission of information and in the construction o f memory in situations that require persuading.

esse jurado percebe também a má vontade. os jurados se distribuem pelas cadeiras pela ordem seqüencial estipula da pelo Tribunal e sugerida pelo relator do júri: do número um ao número doze. ao defender a sua posiçã o. Da mesma forma. Corte para a imagem do réu. Tanto a cena inicial como a f inal são externas e ambas mostram a imponência do prédio do Tribunal. alguns inseguros. Inicialmente. arquiteto.não haja dúvida de sua acusação. os preconceitos e os rancores dos outros jurados. o protagonista se faz presente. quando. por exemplo. um rapaz jovem. publicitário. A sentença do júri só poderia ser aceita por unanimidade decidindo dessa forma se o garoto iria ser eletrocutado ou inocentado. a vítima. até praticamente o impasse. por fim. protagonizado pelo ator Henry Fonda. O clima claustrofóbico da sala é reforçado pelo calor excessivo. O restante da trama transcorre dentro de uma sala trancada à chave. À medida que o filme desenvolve -se. dono de uma agência de recados. inicia-se uma nova rodada de apresentação de argumentos. algumas profissões d esses indivíduos vão sendo nomeadas para melhor delinear seus perfis singulares: corretor da bolsa de valores. técnico de futebol. pelas quais alguns jurados vão mudando de posição. construía o discurso. o de número 8. podemos dizer que a discussão do filme a partir do conceito de discurso deve-se às estratégias utilizadas pelo protagonista ao questionar as provas documentais e testemunhos que serviriam para os jurados formarem sua convicção de sentença. A ³virada discursiva´ se dá quando o último jurado a apresentar seu voto argumenta não estar convencido da culpabilidade do réu. um interessado em lançar piadas e alguns calados. com aparência colegial. Sentados à volta de uma grande mesa retangular. o cenário de tensão e as viradas da trama. onde esses 12 homens ± que em momento algum são nomeados ± permanecem juntos para decidirem sobre o veredicto. A partir daí. vendedor. em dado momento. Destacamos. é notadamente um amer icano naturalizado (aparentemente um judeu) tendo em vista a hostilidade com que é tratado por um dos colegas. da mesma forma. em mangas de camisa que é olhado por alguns dos jurados antes de eles saírem para a deliberação do caso. parte dos jurados a favor do réu demanda que os que estão convencidos de sua . sóbrios e/ou (des) equilibrados. pintor. a estratégia da narrativa fílmica ao situar os fatos que vão sendo enunciados a partir das provas documentais e da reconstru ção dos testemunhos. A estratégia da narrativa cinematográfica utiliza alguns recursos fílmicos para marcar as locações. apresentando os argumentos que corroborariam o seu posicionamento. assim como alguns elementos fílmicos para a apresentação de fatos e de personagens. um alienado e indiferente ao destino do réu. personagem inominado. decide propor a análise novamente dos fatos do caso. Além de enfrentar as dificuldades na interpretação dos fatos para achar a inocência ou culpa do réu. A sala do Tribunal é mostrada com uma preleção final do juiz que com um ar entre cansado e enfastiado diz que é dever dos jurados separar os fatos da versão. Um dos jurados. o velho manco e a vizinha de frente. os personagens e suas características são delineados: alguns muito exaltados e preconceituosos. corpos suados e um ventilador aparentemente quebrado. Um dos jurados. Cada membro do júri. dando ao espectador um panorama acerca da situação do cenário do crime: um bairro pobre e cheio de cortiços e dos personagens envolvidos: o réu.

discursivas e virtuais. o conceito de discurso que é aqui entendido como acontecimento [7]. Essas questões são também uma decorrência natural de nossa práti ca como pesquisadoras e docentes do Programa de Pós -Graduação em Memória Social onde refletimos acerca de temáticas como as narrativas imagéticas. realizaremos a nossa filmagem. documentais e ficcionais concernentes a essas temáticas. uma crítica se faz presente no quarto segmento com a proposta de u ma nova leitura para o modelo de Paez Urdaneta. Vale ressaltar que a disciplina contempla como bibliografia textos clássicos tanto da literatura das áreas de intercessão da Mem ória Social e da Ciência da Informação quanto filmes que refletem e remetem as nossas preocupações em lidar com narrativas imagéticas. E. como suporte de memória. Memória e Documento. as diversas tipologias documentais. a problemática discutida na disciplina é essencial para a construção de seus objetos de investigação sobre a realidade. e como para todo bom filme. o conceito de memória que pode ser trabalhado a partir tanto da memória individual (lembranças. Trabalhar em educação é estar propenso a realizar o esforço de manter firme o famoso tripé universitário: pesquisa -ensino-extensão. Para os alunos desses cursos em especial. por um lado. Organizamos o relato aqui apresentado em quatro segmentos. Com Pomian [6]discutimos também questões relacionadas à memória (coletiva e transgeracional) e como os suportes e registros da mesma podem ser problematizados. como ênfase principal das análises. as práticas de colecionamento e suas representaçõ es discursivas e informacionais. CENÁRIO DA NOSSA FILMAGEM: A CONSTRUÇÃO DO CORPUS A disciplina Informação. ainda. conexões dos fatos com a própria vivência dos membros em suas comunidades) quanto da memória coletiva [5] (conjunto de acontecimentos de um grupo limitado no espaço e no tempo). à luz dos ambientes do discurso e da memória social. ministrada para os cursos de graduação no Centro de Ciências Humanas e Sociais é preferencialmente procurada por alunos de Biblioteconomia. apresentando a discussão analítica do filme. O desafio é ainda maior quando se internaliza a concepção do ensino além do nível de gradua ção. como nosso argumento norteador. então.culpa elaborem argumentos para convence r os outros membros do júri de sua posição. à semelhança dos bons roteiros: uma breve descrição da disciplina Informação. Como preparar os alunos para que enfrentem com galhardia os percalços da seleção em um curso de pós -graduação . Museologia e Arquivologia. oferecida aos alunos da graduação do Centro de Ciência s Humanas e Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro ± UNIRIO e cenário de nossa atividade. Por sua vez. já que todo discurso marca a possibilidade de uma desestruturação -reestruturacão das redes de memória e dos trajetos sociais nos quais ele irrompe. Memória e Documento ± IMD[8]. a análise conceitual representada. pela idéia do conceito de documento que tanto Le Goff [3] quanto Dodebei[4] contribuem para entendê -lo como prova material e a partir disso compreendê -lo. em um terceiro momento.

a dimensão pessoal manifestar se-ia pelo acervo de soluções e interpretações que acumulamos no desenrolar de nossa biografia. MEMÓRIA E DOCUMENTO Segundo Marteleto[11] as novas abordagens da informação deveriam considerar tanto os . Memória e Documento. b) integração com alunos de pós graduação que vêm relatar suas experiências de pesquisas. nos atuais re cortes teórico-metodológicos em que praticamente todos os pesquisadores tendem ou pensam que tendem para estudos interdisciplinares ou transdisciplinares? A esse desafio soma -se o perfil escolar do alunado que costuma chegar até nós constituído. o que dificulta percorrer um caminho longo. a luta é árdua porque o trabalho de ensino deve partir de pontos bem iniciais. levando -nos a elaborar este artigo. Essa disciplina tem sido oferecida desde o ano de 2002 e por ela já passaram cerca de 200 alunos dos cursos de arqui vologia. A disciplina em questão tem como objetivo problematizar. o que quer dizer que identifica-se com as sistematizações e interpretações de experiências disponibilizadas socialmente. viabilizando estabelecer inter relação entre os diversos conceitos. NOSSO ARGUMENTO: UM DIÁLOGO ENTRE INFORMAÇÃO. à semelhança do que foi proposto por Cardoso[10]. bibliotecas e museus. sobret udo. biblioteconomia. museologia e história. como fortalecê -los para que não sucumbam perante os desafios que surgem durante o curso? O que fazer. Esse pressuposto nos leva por isso mesmo a considerar que faz parte desse acervo de experiências disponibilizadas socialmente o aspecto de memória que é depositada nos diferentes suportes documentais produzidos por essa estrutura social. Compreender esse amálgama conceitual nos impeliu a constituir a disciplina. ao final do curso. e a dimensão coletiva identificar se-ia com os fragmentos do conhecimento produzido ao longo dos tempos. que a informação possui duas dimensões intrinsecamente conectadas: a pessoal e a coletiva. os conceitos de Informação. Nesses casos. como forma de articulação das discussões da disciplina à prática de pesquisa futura [9]. Os caminhos teóricos trilhados passam pelos processos de comunicação relacionados ao fluxo da Informação: desde sua geração até a recuperação. a partir de diferent es visões e relações teóricas. c) visitas a espaços de memória e informação para vivenciar mais de perto determinadas problemáticas que a disciplina discute e d) apresentação de um projeto de pesquisa. sobretudo. De caráter optativo traz como atrativos: a) discussão teórica do tripé informação -memória e documento tão cara aos nossos discentes que buscam um aprofundamento interdisciplinar dessas categorias na sua form ação acadêmica. A montagem da disciplina parte do pressuposto de que percebemos. de jovens inexperientes em pesquisa. Segundo essa autora. Discutem -se também os espaços informacionais e sua relação com os conceitos de documento/monumento.e. inclusive por intermédio de nossa experiência. bem como com as instituições de memória: arquivos. ainda mais. mesmo que considerados nesses processos os diferentes lugares sociais que cada um ocupa na estrutura social.

Além disso. podemos perceber que o protagonista Davis construirá seus enunciados de modo a mais efetivamente evidenciar a voz do outro. ele se utiliza o que Wersig [12] define como ³redução de incerteza´. na medida em que sua própria constituição prevê a presença de um outro que lhe servirá como resposta. Compreender . bem como o modo como constroem seus enunciados. na medida em que o filme trata em sua narrativa de uma deliberação de júri. deveria ser facilmente decidido pela culpabilidade do réu. No que tange ao sistema informacional. então. mas também por outros detalhes.aspectos técnicos (reguladores) quanto os aspec tos culturais deste fenômeno multidimensional. Onze jurados votam pela culpa. o fenômeno informação ocorreria como resultado da união entre dados + estado de incerteza (dúvida) no receptor. Porém . Na medida em que as evidências são discutidas e informações vão sendo destrinchadas e esclarecidas. que o enunciado se constitui de uma característica dialógica. diferentemente dos demais que estão convictos de sua culpa. alegando não estar seguro da culpa do réu. ao introduzir a necessidade de refletir sobre as condições de produção como pressuposto sine qua non de compreensão de um enunciado lingüístico. A maior dificuldade foi apresentada pelo juiz. ele argumenta ter uma ³dúvida razoável´. embora tendo sido definido p elo juiz como complicado. de acordo com os conceitos propostos pelo pensador russo. O caso. terá na sua constituição uma outra resposta. e como aquele possuidor de um senso crítico mais apurado. Essa possibilidade. quem são aqueles que enunciam. ser o único a usar uma roupa mais clara. podemos perceber que Davis se encontra na posição de receptor de informação como os demais membros do júri. consideramos. Seu destaque acontece não só por que se coloca sempre em dúvida vis-àvis à culpabilidade do réu. Discurso é aqui compreendido à luz do que nos recomenda o arcabouço da análise do discurso. cujo objetivo é se colocar como canal transmissor de informações a um júri. nascida na Teoria Matemática da Informação. por sua vez. Nesse âmbito de construção discursiva. a partir do momento em que se coloca contra a decisão dos demais colegas e começa a argumentar. à luz do pensador russo Mikhail Bakhtin. por exemplo. como aquele que enunciará a voz discord ante. esta deveria representar uma decisão unânime. é a base para a compreensão do discurso. Essa abordagem pode perfeitamente ser atribuída à discussão do filme Doze homens e uma sentença. que. cujos membros terão acesso à informação com um mínimo de deformação possível. podemos entender o julgamento como um sistema informacional. A partir disto Davis contra-argumenta algumas das evidências colocadas no . fosse qual fosse a decisão. mas apenas um membro do júri discorda da decisão. então. de procurar difundir informação como mínimo de deformação leva a discussão para o conceito de di scurso. como. e assim sucessivamente. Analisando a abordagem centrada na mensagem. ou seja. O protagonista será visto. já que se destaca dos demais membros do júri. parte do restante dos jurados acaba por começar a pôr em dúvida sua anterior certeza. e em que situação o fazem. quando recomendou com base constitucional que.

a menos que uma mutação. graças à estrutura desdobrada do material genético em que está inscrita. há outro tipos de representações que se configuram como vestígios do passado. à semelhança do autor citado. Em contrapartida. objetos ou acontecimentos e a alteração que provoca no sistema nervoso mesmo após muito tempo de ter havido o contato. Assume -se. A reconstrução da cena do crime é feita por estratégias específicas de construção de memória. p roduzir conhecimento. Ainda segundo Pomian. construindo o que esse autor denomina assim como o de memória coletiva e transgeracional. como mais um elemento de prova. garante que a forma inicial seja replicada e. e como tal sustentado pela apresentação de objetos que adquiririam o estatuto de documento. sabemos que toda memória animal decorre da faculdade de conservar os vestígios do que pertence já em si a uma época passada. Pomian afirma que a memória individual. partindo do princípio de que o conhecimento ± e conseqüentemente a conclusão ± é construído cognitivamente por cada um.[15] A partir dessa observação pode -se considerar que a comunicação baseia -se nos objetos (testemunhos orais e provas documentais) que são apresentados como prova da culpa do réu e a subseqüente construção discursiva de convencimento dessa culpa. permite imitar certos comportamentos aprendidos quando se apresenta uma situação a que estes comportamentos estão associados. quadros.julgamento e que a todos inicialmente pareciam tão óbvias. todo animal é. por conseqüência. No caso do filme em análise. a memória da espécie. Nesse caso. que todos os seres vivos possuem. Em primeiro lugar. as coisas acontecem de modo distinto. Pomian diz que são os relatos caso dos escritos. no julgamento. então. esculturas que passam de narrador a narrador. O julgamento em questão ± assim como qualquer outro ± depende de um embate travado no universo de memória que o indiv íduo é capaz de reconstruir. a partir de um determinado grau de organização. se reproduza. No homem. a reconstrução discursiva da memória entra. Além desses relatos. Segundo Pomian[14]. a redução de incerteza para tomada de decisão: um veredicto sobre o acontecido a ser julgado. desenhos. Em relação ao homem. cuja entidade. Neste sentido apoiamo -nos em Marteleto[13] quando discorre sobre as distinções entre informação e conhecimento: Davis apresenta novos fatos e os demais membros passam a refletir. conservando a sua identidade. os vestígios do passado podem ser transmitidos sob a forma de criações que são exteriores ao próprio organismo. As testemunhas devem reconstruir o que viram ± ou o que pensam que viram ± a . conservados pelos homens. capazes de uma existência autônoma em relação a este último. velocidade e [acúmulo] progridem a pari e passu do desenvolvimento e da complexidade do sistema nervoso. no caso do julgamento. que a memória individual adquire no homem dimensões e possibilidades novas pelo fato de ele procurar objetos e comunicar com seus semelhantes e com o mundo não apenas através dos órgãos dos sentidos mas também através da linguagem. origem de algo novo e imprevisto. Essa conservação é provocada pelo contato entre seres. portador de muitas memórias. a informação emitida é agregada ao universo informacional do indivíduo para. venha perturbar este processo. esse autor diz que essa memória.

recordações coletivamente materializadas. passou uma temporada em um orfanato enquanto o pai cumpria pena na cadeia: ³Não é um começo muito feliz´. que formam o conteúdo da história. o que permite a um ser vivo remontar no tempo. entre o presente e o passado interpõem -se sinais e vestígios mediante os quais ± e só deste modo ± se pode compreender o passado.] todos os conhecimentos. porque o passado não pode. em oposição a esse argumento temos a fala de outro jurado: ³Todos eles nascem mentirosos´. fazendo uso também de estratégias de memória.88m) e do . com o da espécie. ambos. ser simplesmente restituído na íntegra. No entanto. por exemplo. esta subida no tempo permanece sujeita a limitações muito restritivas. por maioria da razão. embora sempre se mantendo no presente. que usará como argumento principal o seu preconceito que mais tarde se revelará como uma proj eção face a sua mal resolvida relação com o filho. tanto os embates discursivos quanto uma nova análise de cada uma das provas materiais serão reconstruídas agora se levando em consideração u m novo dado: as memórias. questionar o ângulo da facada tendo em vista a diferença entre a altura do pai (1. A FILMAGEM: A ANÁLISE FÍLMICA Na primeira votação somente um jurado vota pela inocência do réu. e ainda de descrevê -los oralmente[16]. Por outro lado. Isto se verifica por maioria de razão quando a memória recorre a recordações pessoais. exclusivamente com seu passado. com efeito. Nesse momento sabemos que ele é órfão de mãe desde os nove anos de idade. os próprios jurados. argumentando que na realidade ³Não sabe se ele é inocente´. E. em suma. trata se de recordações. os argumentos da defes a e da promotoria e re-analisando as provas materiais. relíquias. É sempre imperfeita. e que contudo percebemos conterem uma grande parte de fantasia. um dos jurados que. com o dos outros indivíduos. em suma. ao manipular a faca usada no crime. e toda a reconstrução é sempre marcada pela dúvida. só podem ser obtidos graças aos fósseis e a documentos/monumentos de todos os gêner os. Ainda com base em Pomian.. o indivíduo deve ressuscitar as impressões ou os sentimentos já vividos. [. Nesse sentido. que parecem tão vívidas e frescas. É sempre indireta. com o passado: conforme os casos. é assim quando a reconstrução do passado se fu nda em vestígios. ao se reunirem para o veredicto final reconstroem os seis dias que passaram escutando as testemunhas.. imagens. a memória é. por assim dizer. imagens ou relíquias que são os suportes da memória coletiva ou transgeracional. lembranças e experiências já vivenciadas e a serem vivenciadas por esses 12 homens. relacionar-se. [17] É assim que temos.partir da capacidade de conservar sinais e vestígios do que pertence a um passado já remoto. Dois dados importam no início dessa cena: o debate moral acerca da responsabilidade de se sentenciar alguém à morte sem nenhuma discussão e a apresentação do réu. Na qualidade de testemunha. em circunstância alguma. A partir daí temos algumas questões que vão perpassar alguns argum entos e notadamente diz respeito à evocação que o rapaz e/ou a história do rapaz traz para dois membros do júri: um que nasceu e criou se em um cortiço e o outro.

filho (1. a faca ainda manteve o seu estatuto documental frente a outros argumentos que a . para alguns jurados. novas informações vão sendo agregadas.. ele nunca esfaquearia alguém daquela forma (de cima para baixo) e sim ao contrário. O autor argumenta que para que eles possam auferir o status de documentos ou monumentos é necessário. É nesse momento. O elemento da dúvida é o que permite a um homem perguntar -se acerca da possibilidade da confiabilidade dos testemunhos: ³Sentei no Tribunal seis dias enquanto apresentavam as provas.. Nesse estágio é interessante retomarmos a idéia de qualifi cação dos objetos como suportes de memória proposta por Pomian. o valor de prova documental da faca anteriormente apresentada como rara e única.70m): ³É estranho esfaquear alguém no peito sendo bem mais baixo´.. 2) Um velho manco. Teria pedido outro advogado [. preso por furto e habilidoso no uso de facas. Ou seja. a única do estoque. Tudo parecia encaixar tão bem que comecei a estranhar. 3) O álibi.. portanto. Assim. na esteira de Pomian. abre espaço para novas dúvidas. entre outros processos. Na primeira contra-argumentação utiliza-se de outra faca idêntica a que foi comprada no mesmo bairro. nada se encaixa tão perfeitamente [. No caso. 4) A faca ± que o jovem admite ter comprado na mesma noite e ter perdido ± utilizada no crime é apontada pelo vendedor da loja como especial e rara. ainda que invalidado o testemunho do ve ndedor. o argumento que qualifica a faca como de documento de prova não conseguiu sustentar-se ao passar pelo processo operativo de relação comparativa entre objetos da mesma espécie. tornarem-se suportes de memória. outro jurado argumenta que se o réu tinha habilidades com o uso de facas.. de ter estado no cinema e não se lembrar dos filmes e dos atores que foi derrubado pela promotoria. novas vozes. Des sa forma. temos aí. a sua saída do circuito das atividades utilitárias e sofrerem oper ações de comparações com outros da mesma espécie a partir de um determinado período de tempo para. então. 5) A ficha desse ³primor de rapaz´: aos 10 anos jogou uma pedra na professora e foi para o juizado de menores. Temos os fatos principais cruamente apresentados: 1) Uma senhora que reside em frente do local onde ocorreu o crime viu ± através de vagões de um trem que passava ± o rapaz esfaquear o pai. Estabelece -se uma nova rodada de votação: 10 culpados e 02 inocentes. que ao lembrar -se de seu passado em um bairro pobre e das bri gas de facas que tinha presenciado ± ³parece que bloqueei [a memória]´ ±. Frente ao testemunho do vendedor que reconhece ser a faca comprada pelo réu a mesma encontrada no ferimento da vítima .]´ (Davis. No entanto. esse objeto sendo legitimado como um documento de prova. contra-discursos.. jurado número 8). aos 15 anos foi para o reformatório por roubar um carro. um b arulho de algo caindo (supostamente o corpo) e viu -o saindo no corredor. o seu caráter de raridade é desmontado assim que outra idêntica é comprada na mesma região e apresentada aos outros membros do júri.] Comecei a me colocar no lugar do rapaz. com um ³cabo e lâmina especial´. durante todo o processo de julgamento. morador do andar debaixo escutou o rapaz gritar: ³Eu vou te matar´. Nesse sentido.] Comecei a achar que a defesa não confrontou as provas de forma efetiva [. apresentado pelo jovem.

Lembra -se ainda do modo de ela se trajar e se comportar muito mais típico de uma mulher mais jovem. do embate discursivo e de narrativas que trazem fragme ntos de lembranças à tona. Ainda que pese o fato de o argumento acerca do barulho do trem ter uma grande importância. O velho desculpando -se. o testemunho da vizinha da frente é desconstruído a partir de elementos da vivência. Ainda que eles tenham sido resistentes em . A primeira diz respeito à frase que o velho disse ter escutado o rapaz gritar para o pai: ³Vou te matar´. atravessar a sala e abrir a porta da rua. nas palavras do autor. o momento do assassinato e o velho levantando -se e vendo o rapaz. Por fim.qualificavam como um objeto de uso rotineiro do réu. de nunca ter sido ouvido e que precisa de ³atenção´. Dando continuidade à discussão sobre o testemunho desse velho. teria visto o rapaz pelas costas andando no corredor. a uma grande distância sem os óculos é realizado. A segunda linha de argumentação pauta -se no tempo gasto pelo velho ± em torno de 15¶ ± para levantar-se da cama e ir até a porta do apartamento e que. Um dos jurados. Outra dúvida levantada é a possibilidade de ele. Toda essa representação é devid amente cronometrada em um relógio que marcará o tempo despendido para tal ação que resulta em torno de 41¶. escutar algo sendo dito em outro cômodo. é interpelado pelo mais velho acerca de uma e por marca no nariz. no caso. recuperar esses vestígios. o jurado de número 8 solicita a planta do apartamento que foi utilizada durante o julgamento. O homem responde que aquela marca foi feita pelo uso contínuo anos a fio de óculos. envergonhado dos seus trajes rasgados e de seu defeito na perna. já que nunca tinha usado óculos. objetos ou pessoas que podem marcar um indivíduo e de forma tão insólita ou mesmo espantosa. que é o teria ocorrido no momento do crime. ao tirar os óculos. representando um velho manco levantar -se da cama. no entanto. Essa segunda prova documental. mas que. o jurado lembra -se que ela também tinha o mesmo tipo de marca. Vários outros jurados reportam-se ao mesmo dia e també m passam a se lembrar dessa marca. O testemunho do velho é questionado levando -se em conta a reflexão proposta por um membro do júri. Aliado à persuasão. abrir a porta do quarto. vemos aqui que as considerações realizadas pelo jurado mais idoso pautaram -se na sua própria experiência: seja pelo fato de ser igualmente tão velho como a testemunha ou por conhecer tantos outros velhos. aparentemente o mais velho de todos os presentes: o vizinho foi para o Tribunal e ³criou inconscientemente´ um relato por ser um velho solitário. Daí que temos o jurado de número 8 calculando um espaço equivalente ao da planta (em torno de 16 m). duas outras linhas de raciocínio são levantadas. conforme o próprio testemunho. no entanto. Cabe recuperar Pomian acerca da importância de acontecimentos. no momento em que um trem passa na frente do prédio. servirá para que diver sos membros do júri a utilizem como uma representação mais do que de caráter documental transformando-a em um indicativo que pode resumir tempo e espaço de um determinado período da ação. diz que sua pergunta movida pela curiosidade. O debate entre alguns jurados gira em torno d e quantas vezes dizemos palavras e frases pesadas e não efetivamente realizamos o ato enunciado. Um debate acerca da possibilidade de ela enxergar à noite. o velho. não usava óculos naquele dia. Recuando até o momento do depoimento da vizinha de frente no Tribunal.

Entretanto.) disponibilizados como ³dados´ e prontos a sofrerem um processo de laboração mais complexo. temos nos dados sua força de sustentação. por conta da arte da memória de muitos indivíduos. levando os dados. viabilizando que a matéria significativa se transforme em matéria compreendida. Ao considerar a base da pirâmide. no caso suscitada primeiramente pelo jurado mais velho. de modo a se constituir como matéria significativa. na base da pirâmide estariam os documentos (provas materiais: faca e a planta do apartamento do vizinho debaixo) e os testemunhos (o vizinho debaixo. Agregados a esse processo de reconstrução temos diversos embates e argumentaçõ es discursivas aliadas ainda a algumas lembranças tanto do período do julgamento. a vizinha da fre nte. etc. considerando essa possibilidade. Isso significa dizer que estão ali expostos os elementos ³brutos´. o vendedor da loja de facas. Esses elementos. à posição de informação. tendo em vi sta já terem sofrido algum tipo de organização/seleção que os permitissem estar ali expostos. tais como se apresentam no mundo. outro processo sobre essa significação ocorre. Se considerarmos qualquer nível de organização social. em uma lembrança coletiva. que é de análise. qual seja o de análise. Esses elementos informacionais correspondem ao que ele denominou de informação como matéria. então. Durante grande parte da trama tanto os documentos quanto os testemunhos são de novo reconstruídos. estejamos à frente de elementos que não tenham sofrido nenh uma forma de tratamento seletivo ou organizacional. para atingirem um estágio superior na organização piramidal. necessariamente. quanto elaborações construídas em torno da própria experiência de vida de algum desses homens. Assim é que. a ser submetido a um outro processo de elaboração. em algum momento dado. podemos didaticamente admitir que. sofrem um primeiro processo do que ele denomina de elaboração informacional. atingindo um novo patamar na pirâmide. No entanto. CRÍTICA: NOVO OLHAR SOBRE A PIRÂMIDE INFORMACIONAL DE URDANETA Nossa proposta de análise retoma os princípios básicos da composição da pirâmide informacional de Páez Urdaneta. frente aos fatos agora analisados e confrontados frente aos argumentos e contra-argumentos os jurados tornam -se efetivamente conhecedores de uma dada realidade. que é o de informação como conhecimento. assim como os processos de elaboração informacional que ele propõe.algum momento do passado esbatem -se e podem ter duração perene. Esse elemento adquire significado na esfera informacional e está apto. como advindas de fatos vivenciados anteriormente por alguns jurados. Dado esse passo. esses elementos jamais estarão dispostos em estado ³puro´. outros passam a relembrar transformando esses vestígios que eram uma recordação individual. que se traduz por ações de organização que implic am seleção. então. . Dessa forma.

por seu turno. Essas. o que que são inerentes à construção de cada enunciado viria iluminar a importância que exercem no fazer enunciativo. oriundas de áreas disciplinares distintas ± letras. podem fazer retornar à base. re -estruturando as matérias do mundo. ampliando a possibilidade de compreensão e intervenção na realidade. história e biblioteconomia. Esse rearranjo de dados propiciou que novos processos de elaboração informacional pudessem ser estabelecidos. No caso em tela. ocorrem os processos avaliativos. a deliberação do júri inocenta o réu do crime. discursivamente. fazendo com que os universos de memória de cada um daqueles membros do júri mobilizassem novas lembranças e. No filme. interagem com as estratégias de memória. memória e documento. vimos q ue. que os processos de elaboração informacional são continuamente afetados pelas práticas discursivas que. mas a construção discursiva sobre eles começou a ser diferente. Onde. era esperado que as vozes que respondem aos enunciados formulados e ficassem claramente expostas. então. n ovas associações pudessem se concretizar. As falas dos jurados afetaram ± ao mesmo tem em q ue foram afetadas por ± a decisão sobre o estatuto documental para as diversas provas constantes do processo criminal. viabilizou a construção de disciplina que objetiva discutir de modo conjunto os conceitos de informação. que esse conhecimento se transforme em matéria de oportunidade. mais importante. Nesse estágio. novos rearranjos de dados foram sendo apresentados e. percebemos. as várias rodadas ± seis rodadas antes da deliberação final ± de votação mostram como esse processo de reavaliação dos fatos foi intenso até chegarmos ao estágio decisório final quando. conseqüentemente. por sua vez. levando a novas informações e a novos conhecimentos e decisões. Ao realizar a análise das cenas. procuramos evidenciar o entrelaçamento entre o discurso . Nesse caso. existem os processos decisórios permitindo ocorrer as escolhas. de spertadas pelo filme Doze homens e uma sentença. e compreender a construção da argumentação discursiva para a tomada de decisão final. A experiência didática no trabalho com f ilmes abriu ainda mais esse leque disciplinar. recomeçando o processo informacional. Os dados poderiam continuar sendo os mesmos. sobretudo durante essa experiência pedagógica. caberiam os novos conceitos de discurso e memória? Como depreendemos do filme. então.Nesse estágio. frente aos argumentos da maioria (11x1). começamos a perceber que as estratégias discursivas teriam papel central na conformação da pirâmide. estando os dados dispostos no processo criminal com documentos de prova. permitindo. seriam necessárias novas ³provas´ para alterar o encaminhamento da decisão final. o que se denomina como inteligência. A linguagem fílmica se utiliza de diversas fontes conceituais que. viabiliza novas formas de releitura conceitual. Entretanto. No caso da pirâmide de Urdaneta. mas com formação pós graduada em Ciência da Informação. a aproximação de três docentes. Pretendemos demonstrar que o trabalho ef etivamente interdisciplinar permite ampliar e rever concepções já largamente estabelecidas. a partir da decisão de solicitar que os recalcitrantes argumentassem a favor de seus próprios argumentos.

n. 29. Trad. 2000. (Enciclopédia Einaudi. Direção de Sidney Lumet. United Artists. 1993./jun. DODEBEI. v.. p. 59 66. São Paulo. Evelyn. Teresa. 16 (2): 169-80. Michel. v. HALBWACHS. SP: Editora da UNICAMP. p&b CARDOSO. son. p. Trad. Leila Beatriz. [Porto]: Imprensa Nacional: Casa da Moeda. Maurice. mas principalmente apontam para a importância dos processos investigativos interdisciplinares com mais amplas interferências na realidade../dez.. In: ___. In: LEMOS. ORRICO. n. 2008. é uma contribuição teórica que não só permite repensar os documentos à luz de sua inserção nos itens da pirâmide informacional.507-516. Inf. Rio de Janeiro : Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/Departamento de Processos Técnico -Documentais. fator de mudança social ou fenômeno pós -moderno? Ci. DODEBEI. Construindo o conceito de documento. Informação: elemento regulador dos sistemas. Memória e Documento. RIBEIRO. EUA: 1957. Coleção. Projeto de Ensino: Informação. Eni Orlandi. Pós-modernidade e informação: conceitos complementares? In: Perspectivas em Ciência da Informação. Belo Horizonte.). 1987. Information Processing & Management. Jacques. 42).construído. Fóssil. 1997. Memória. 63 -79. Laís Teles Benoir. O discurso: estrutura ou acontecimento. Kryysztof. Sistemática. . Regina Maria. MGM. Rio de Janeiro: 7Letras. 2001. jan. jul. Acreditamos que a incorporação dos conceitos de discurso e memória nos processos de elaboração informacional propostos por Páez Urdaneta. 96 min. Information science: the study of postmodern knowledge usage. p. Nilson (Orgs. SP: Pontes. Vera. v. p. Ana Maria Pereira. In: GIL. 3a ed. Campinas. Documento/Monumento.2. SP: Centauro.1. REFERÊNCIAS 12 HOMENS e uma sentença (12 angry men). 1994. G.1. Ruína/restauro. Documento/monumento. Vera. Fernando (Coord. PÊCHEUX. Memória: Atlas. 2a ed. 1996. WERSIG.). MARTELETO. Memória e construções de identidades. 2004 LE GOFF.2229 -239. POMIAN. Campinas. o universo de memória que vai sendo continuamente construído e re construído a partir dos diferentes enfoques elaborados pelas práticas. Memória e História. MORAES. A memória coletiva.

[1] 12 HOMENS e uma sentença (12 angry men). São Paulo. op. [13] MARTELETO. 63-79. Maurice. Memória.1. Leila Beatriz.. Informação: elemento regulador dos sistemas. p. [8] RIBEIRO. MGM. SP: Centauro. Iraset. tendo em vista que vários de nossos antigos discentes mantiveram a mesma temática do trabalho escolhido para a execução de seus TCC e alguns ingressaram em cursos de pós-graduação. O discurso: estrutura ou acontecimento. Vera. Trad. Jacques. [4] DODEBEI. 1997. Gestión de la inteligência. Campinas. Kryysztof. fator de mudança social ou fenômeno pós -moderno? Ci. 1994. Ana Maria Pereira. 2a ed. Rio de Janeiro: 7Letras. [6] POMIAN. DODEBEI.1. Campinas. (Enciclopédia Einaudi. 16 (2): 169-80. . n. 59 66. Caracas: Instituto de Estudios del Conocimiento. MORAES. Fernando (Coord. Ruína/restauro. United Artists. In: GIL. v. Regina Maria. p&b.). 1996 [11] MARTELETO. Vera. [7] PÊCHEUX. jan. In: LEMOS. Memória e construções de identidades. [5] HALBWACHS. [2] Utilizamos para essa discussão a pirâmide de Páez Urdaneta (1992) Cf. 2000. PÁEZ URDANETA. In: ___. Direção de Sidney Lumet. jul. EUA: 1957. Memória: Atlas. v. 2001. [3] LE GOFF. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/Departamento de Processos Técnico -Documentais. G. A memória coletiva. 2004. ORRICO. Coleção. Michel. Pós-modernidade e informação: conceitos complementares? In: Perspectivas em Ciência da Informação. Inf.). Teresa. SP: Editora da UNICAMP. aprendizaje tecnológico y modernización del trabajo informacional. Documento/monumento. 1992. Memória e História./jun. [9] Atualmente estamos em processo de levantamento do número de alunos por curso e temas de projetos escolhidos para uma posterior apresentação e publicação de artigo acadêmico.507-516./dez. son. Sistemática. Universidad Simón Bolívar.. [Porto]: Imprensa Nacional: Casa da Moeda. Nilson (Orgs. 3a ed. Pulach. 1974. Laís Teles Be noir. Cit. Belo Horizonte. p.. Evelyn. 1987. Memória e Documento. p. 96 min. Documento/Monumento. 2008. Information kommunication documentation. Projeto de Ensino: Informação. 42). [12] WERSIG. SP: Pontes. Construindo o conceito de documento. [10] CARDOSO. Fóssil.

p. cit. Cit. 508-09. p. p. Cit. op. 507. op. 508 [17] POMIAN. [16] Ibid. op. .[14] POMIAN. [15] POMIAN.

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