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Resumo de Bioética

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2.4.2.

Ocorrências éticas de enfermagem: direitos e deveres do paciente Segundo Gauderer, com relação aos direitos e deveres do paciente, destaca o direito do mesmo obter informações sobre seu caso, por meio de cópias do prontuário, de fato que o mesmo deve apresentar-se com letra legível, incluindo exames, anotações, evoluções, prescrições, laudos, avaliações, entre outros. O mesmo autor aponta que o paciente, cônjuge ou filhos, possuem o direito de gravar ou filmar os atos médicos realizados, requerer que os profissionais se reúnam e discutam uma tomada de decisões mais adequada ao caso do paciente, morrer dignamente, escolhendo o local e a maneira que julgar melhor, podendo recusar tratamentos onerosos. Para os profissionais de enfermagem, o Código de ética dos Profissionais de Enfermagem, elenca obrigações ou deveres em relação ao paciente, ao colega, às entidades de classe e à sociedade. O profissional deve assegurar uma assistência de enfermagem ao paciente livre de qualquer dano ou risco decorrente de imperícia, imprudência ou negligência. Já ao paciente cabem alguns deveres com seguir as orientações ou prescrições do profissional, pois, não o fazendo, desobriga o profissional de continuar lhe prestando cuidados. Entretanto, o paciente não deve ser abandonado no meio da assistência, por isso deve-lhe ser assegurado que outro profissional o assista, sendo esse capacitado para desenvolver os procedimentos, evitando assim, a alegação de que houve abandono. Portanto, é dever do paciente cooperar e colaborar com a assistência ou tratamento. Por outro lado, o profissional deve ouvir o paciente, investigar cuidadosamente suas queixas, respeitar suas crenças e convicções, tratá-lo com respeito e dignidade, aplicando todos os meios e esforços necessários para sua recuperação sem riscos desnecessários ou previsíveis. A CEE possui o papel de orientar os profissionais de enfermagem, por meio de um processo educativo-reflexivo, contribuindo assim para a elucidação das ocorrências éticas, por meio de um processo de sindicância imparcial e autônomo, zelando seu cumprimento de deveres e respeito aos direitos dos profissionais de enfermagem, buscando acima de tudo a qualidade na assistência. 2.4.3. Características de uma Comissão de Ética de Enfermagem e a legislação do exercício A CEE é um órgão representativo do COREN em caráter permanente junto às instituições de saúde, com funções educativas, fiscalizadoras e consultivas do exercício profissional e ético dos profissionais de enfermagem. Segundo consta no art. 3º do Regimento do COREN, Resolução 172/94 do COFEN, a CEE possui como finalidade garantir a conduta ética dos profissionais de enfermagem da instituição de saúde, através da análise das intercorrências notificadas por meio de denúncia formal e auditoria; zelar pelo exercício ético dos profissionais de enfermagem da instituição, e colaborar com o COREN no combate do exercício ilegal da profissão. Como forma de motivação para que a CEE se instale na instituição de saúde, é necessário que o COREN e as próprias instituições invistam na formação adequada de profissionais que irão atuar na CEE, preparando-os adequadamente. Muitas vezes a falta de investimentos e incentivos nessa formação poderá comprometer a intenção de fortalecer a atuação dos órgãos fiscalizadores nas instituições de saúde. Portanto, cabe ao COREN assessorar os membros da CEE, envolvendo também os chefes de enfermagem, principalmente os de escalão mais elevado. Resumindo, o trabalho da CEE busca, acima de tudo, a prevenção de ocorrências éticas de enfermagem que venham a acarretar riscos e danos ao paciente, envolvendo profissionais de enfermagem e a instituição. A segurança da sua clientela é a meta principal de toda instituição, assegurando ao paciente qualquer dano decorrente de imperícia, imprudência ou negligência. A CEE pode contribuir com profissionais de saúde e empresas, em conjunto com o serviço de educação continuada e com os gerentes de enfermagem.

7º. 11º do regimento. ou que sejam membros de classe. chefia ou divisão de enfermagem da própria instituição. apuração e divulgação do pleito. quando julgar necessário. Organização e funcionamento da Comissão de Ética de Enfermagem 2.4. a fim de garantir o cumprimento do exercício de direito dos profissionais que vierem a responder sindicâncias. e a data de posse. Os conselhos detêm o direito de punir ou de impor uma penalidade ou sanção do infrator. No caso de já existir uma CEE na instituição. Os profissionais que concorrerão aos cargos serão divididos em dois grupos. art. normalmente se designa no mês de maio. sugerindo mudanças. respectivamente no grupo I e II. normatizar.3. os membros que compõe a CEE devem ser respectivamente enfermeiros. O presidente da CEE deve encaminhar o parecer da Comissão ao COREN de seu Estado. ESTRUTURA.4. comparecer às reuniões. define que “os membros da CEE deverão ser eleitos por meio de voto facultativo. 2. convocando os profissionais envolvidos e suas testemunhas. censura. e auxiliares/técnicos de enfermagem votam em seus colegas. O processo eleitoral deverá ser aberto e fechado pelo seu respectivo presidente. diretor. 5º. COMPETÊNCIAS DA COMISSÃO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM Compete a CEE: divulgar e fiscalizar o cumprimento do Código de ética dos Profissionais de Enfermagem e da Lei do Exercício Profissional. E no art. COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO DA COMISSÃO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM Conforme o art. uma comissão eleitoral composta de voluntários será responsável pela organização. multa. O Regimento também diz que o estabelecimento de saúde poderá fazer com que a instituição de . a eleição se dará pela forma de escolha da diretoria. ou seja.4. serão considerados eleitos àqueles que obtiverem maior número de votos. diz que em relação ao processo de eleição. as condições oferecidas pela instituição para tal e a qualidade do atendimento prestado à clientela atendida. bem como do seu Decreto Regulamentador. as resoluções e decisões dos Conselhos Federal e Regional nas instituições.4.1.4. enfermeiro vota em enfermeiro. no prazo de 30 dias. secreto e direto dos seus pares”. 2. salvo os profissionais que exercem cargos de chefia.2.4. participar de debates e desenvolver suas atribuições legais perante a comissão. orientar e fiscalizar sempre em relação ao desempenho ético da profissão. manter atualizado o cadastro de todos os profissionais de enfermagem da instituição. encaminhar o relatório com o parecer da CEE ao Conselho. 4º ss. opinar. empregados na instituição onde atuam profissionalmente. estar quite com as obrigações junto ao COREN e que não esteja respondendo a processo ético ou administrativo no respectivo órgão. sempre que houver advertência.4.4. 10º do Regimento. De acordo com o regimento. e a apuração dos votos deverá ser realizada imediatamente após a votação. DAS ELEIÇÕES Segundo o regimento do COREN-SP art. suspensão do exercício profissional ou mesmo cassação. tendo como base o exercício ético da profissão. auxiliares e ou técnicos de enfermagem. também o fato de que cada categoria profissional vota em seus pares. tomando a termo seus depoimentos. gerente de enfermagem. conforme diz o art. vicepresidente e secretário. ressaltandose que os atuais membros da comissão não poderão concorrer ao pleito.2. É de responsabilidade dos membros da CEE eleger o seu presidente. embora essa última medida seja de competência exclusiva do COFEN e não do COREN. conforme considerar-se necessário. sendo o grupo I formado pelos enfermeiros. É lei. e o grupo II pelos auxiliares e técnicos de enfermagem. realizar sindicância sobre fato notificado. são critérios de elegibilidade do candidato: ter no mínimo dois anos de inscrição definitiva.

O secretário se incumbe de secretariar as reuniões e elaborar atas. Quanto à composição da equipe. verificar quorum nas sindicâncias. o enfermeiro ou outro profissional de enfermagem que queira fazer o encaminhamento. Ao primeiro compete: presidir. ou seja. não havendo empecilhos para convocações extraordinárias. para que possa arrolar testemunhas a seu favor e articular sua defesa. elaborar relatório das sindicâncias. Porém antes de notificar a CEE.4. más o COREN deve promover a prevenção por meio de ações educativas. gerência ou supervisão. local da ocorrência e nomes das pessoas envolvidas. A aliança da CEE com o Serviço de Educação Continuada possui um grande papel educativo a fim de juntos. deverá relatar o fato citando o dia. vice-presidente e secretário. elaborar parecer final para o Conselho Regional. vicepresidente e secretário. devendo sempre fundamentar sua decisão nas normas de condutas éticas vigentes. assim que necessário for. e na ausência de suplentes pode-se convocar um novo pleito para completar o mandato. em dia. 2. os mesmos serão substituídos pelos suplentes. Os membros efetivos serão indicados para os cargos de presidente. hora. deve comunicar a sua decisão ao suposto faltoso. Em relação às reuniões.ensino que solicitar campo de estágio também participe de processos de sindicância. certificando-se o COREN. supervisor ou qualquer profissional de enfermagem que queira levar ao conhecimento da CEE algum fato que julgar ser importante. destacando se houve ou não prejuízo e de que ordem seja em relação ao paciente. conforme o Regimento. hora e local previamente determinado. segundo o qual a pessoa acusada possui o direito de saber qual a acusação que o pesa. sempre que houverem indícios de infração.15 e 16 do Regimento da CEE definem as atribuições do presidente. Cabe à CEE o juízo de discernimento sobre a abertura ou não de um procedimento sindicatório contra o acusado. são recomendados no mínimo 10 enfermeiros. a colegas ou à instituição.5 Sindicância ética: como se faz e quando se faz necessária? À CEE cabe no momento em que receber notificação de determinada ocorrência ética. devendo os dois primeiros cargos ser ocupados exclusivamente por enfermeiros. se há elementos formais e materiais para a abertura de uma sindicância ou não. sempre em parceria com os serviços internos do estabelecimento de saúde. destacando sua defesa. quando convocados. coordenar e dirigir as reuniões. planejar e controlar as ações programadas. onde os mesmos poderão prestar esclarecimentos junto à CEE. e elaborar junto ao presidente e vice os relatórios das sindicâncias. organizar arquivos de sindicâncias. havendo a participação de profissionais de outras áreas.6 Desmistificando o medo da punição e trabalhando em parceria para um processo educativo eficaz dos profissionais de enfermagem . realizar convocação dos envolvidos em sindicâncias éticas. executar atividades internas que lhe forem delegadas. O Regimento da CEE dá grande ênfase à atividade sindicatória da comissão. o chefe gerente. avaliar criteriosamente. buscarem a prevenção de ocorrências éticas envolvendo os profissionais de enfermagem no processo de educação continuada. assessorar o presidente ou substituí-lo. Sua composição deverá ser de ao menos cinco membros efetivos e cinco suplentes.4. Com isso. Ao vice-presidente cabe participar das atividades planejadas e desenvolvidas pelos membros da CEE. Os artigos 14. Essa é uma incumbência da CEE. motivando os profissionais. sempre que houver necessidade e urgência de deliberação. 2. e não da chefia de enfermagem. essas deverão acontecer criteriosamente uma vez no mês ordinariamente. Havendo desistência de um ou mais membros da CEE. sendo três enfermeiros e dois técnicos e ou auxiliares efetivos e igual número de suplentes.

Muitos estudos realizados a partir da imposição dessa nova prática evidenciam a necessidade de desmistificar o medo da punição como conseqüência da comunicação de uma ocorrência ética e quem de direito. riscos. contanto que também haja respeito pela individualidade do profissional e do paciente. seja tanto físico. finalidade dos materiais coletados para exame. Vislumbrando caminhos para a atuação dos profissionais na Comissão de Ética de Enfermagem e nas ocorrências éticas As atividades realizadas pela CEE não se limitam apenas nas ocorrências éticas ou eventos que prejudiquem o paciente ou o colega de trabalho. acessar seu prontuário. que o paciente tem o direito de receber informações claras. diagnósticos realizados. começou a valorizarem-se as atividades educativas desse órgão ao invés das punitivas. e do paciente ter o direito de saber sobre os acontecimentos.4. nesse caso a CEE. Esse trabalho educativo é fundamental para prevenir a repetição do erro que pode trazer algum dano ao paciente. Sabendo-se das obrigações do enfermeiro em garantir uma assistência de qualidade. por isso a importância da orientação quanto à responsabilidade profissional e quanto às conseqüências do seu agir ou da sua omissão. a qual deverá avaliar a necessidade de abertura de sindicância para ouvir o profissional envolvido na ocorrência e orientá-lo. diminuindo a omissão de registros e encaminhamento das situações para as devidas providências junto à CEE. é preciso demonstrar o que foi feito para sanar os danos. 2º. não basta apenas informar. onde a assistência deve ser executada por profissionais capacitados. a qual dispõe. e a assistência humanizada é dever dos profissionais e da instituição. aumentando as chances de sucesso das medidas propostas para prevenir futuras ocorrências. de 17/03/1999. acompanhando seu processo educativo e observando sua atitude profissional e o desempenho das ações de enfermagem. quando ela acontece em relação a sua pessoa. pois é um de seus direitos saber do acontecido. sem perder a parceria que existe entre eles e a instituição. ou seja. como forma de tentar enfrentar o medo sentido pelos profissionais quanto à prática acidental do erro. devendo sempre ser informado das ocorrências éticas. entre outros.De certo modo. em seu art. Pois em se tratando de vida e de saúde. o paciente possui o direito de recusar. objetivas e compreensíveis sobre: hipóteses diagnósticas. Essa expectativa promove com que os profissionais venham a aprender com seus erros. e das medidas tomadas para sanar a situação. de forma objetiva é impossível que haja omissão de informações. de forma livre. moral ou patrimonial. voluntária e esclarecida. . exames e condutas a que está submetido. isenta de riscos ou danos à clientela assistida. por meio de um trabalho em parceria com o processo educativo.241. benefícios e inconvenientes das medidas diagnósticas e terapêuticas propostas. A questão do direito do paciente como consumidor dos serviços é um caso inegligenciável. A participação efetiva do enfermeiro no gerenciamento das situações que envolvem as ocorrências éticas nas instituições de saúde é de extrema no que diz respeito ao processo de mudança implementando ações a fim de obter melhorias. Um exemplo é no Estado de São Paulo onde existe uma legislação sobre os direitos dos usuários dos serviços e ações de saúde. é necessário que haja investimento na capacitação permanente de recursos humanos. A atuação da CEE é de grande importância para promover a assistência isenta de ocorrências ilegais e danosas. Além disso. inciso VI. procedimentos diagnósticos ou terapêuticos a serem realizados. 2. é direito do paciente. O papel da CEE é garantir uma assistência de enfermagem segura. com adequada informação. Portanto. Lei 10. Essa postura ajudará a desmistificar o medo em relação a esse encaminhamento. a CEE deve fazer o seguimento do profissional que incorreu em uma falta. exames solicitados. para não cometerem outra vez. ações terapêuticas.7. duração prevista do tratamento proposto. cumprindo-se assim o papel de orientar e não de punir os profissionais de enfermagem no exercício de suas atividades.

Naquele tempo o prontuário era considerado uma forma de prestar contas ao médico. os profissionais de enfermagem observaram que as anotações dos prontuários não servem apenas para o paciente. 951 estipula que todas essas disposições indenizatórias são aplicáveis àqueles que. inclui como fatos jurídicos os atos ilícitos. ao exercê-lo. de forma a manter uma história contínua dos acontecimentos ocorridos durante um período de tempo”. 2. o profissional terá de indenizar o paciente. isto é. é dever do pessoal de enfermagem “cumprir os preceitos éticos e legais da profissão”. “no exercício de sua atividade profissional. e é importante sempre manter os registros atualizados. 2. No caso de lesão física ou outra ofensa à saúde.2. busca-se assegurar que todos tenham o mesmo acesso aos recursos.3. competência. entre seus princípios fundamentais. pode-se dizer que a indenização é medida pela extensão do dano. Desde o início da formação profissional o enfermeiro aprende que o registro de enfermagem representa “a comunicação escrita dos fatos essenciais. Questões ético-legais das anotações de enfermagem O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem tem. o impedimento desse direito pode acarretar punições a equipe de saúde. comete ato ilícito”. Esses acontecimentos seriam desde as queixas apresentadas pelo paciente. violar direito e causar dano a outrem.406 de 8/06/87. Cada vez mais os pacientes querem saber sobre sua evolução clínica. o fato de responder pelos próprios atos ou de outrem. maior a indenização. atuando na proteção.5 ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL 2.5. Com todas as evoluções. quanto maior o dano ou prejuízo.5. Além disso. de 10/01/2002. mantendo a confidencialidade dos dados. Lei 10. ainda que exclusivamente moral. a Enfermagem é uma profissão que se compromete com a saúde do ser humano e da coletividade. e serve como meio de comunicação entre a equipe multidisciplinar. e o prontuário não é apenas um mero papel de anotações. todos os fatos observados pela equipe de enfermagem devem ser relatados ao médico de forma precisa e correta. ler e reler o mesmo quantas vezes forem necessárias. 187 completa.2. por negligência. ou seja. é um documento. de acordo com suas necessidades. pressupondo igualdade de trato entre os iguais e diferença entre os desiguais. más também para poderem observar fatos que podem ser utilizados como método de avaliação para identificar as necessidades de uma educação continuada. O art. É importante salientar que a omissão dos fatos é tão grave quanto um registro incorreto. respeitando sempre os preceitos éticos e legais da profissão. Portanto. Responsabilidade legal e ético-profissional Responsabilidade é definida como condição de ser responsável. responsabilidade e honestidade”.5. e o paciente possui o direito de ver.186. negligência ou imprudência. nos dias atuais isso virou lei e deve ser cumprido de forma explícita e corretamente como segue os preceitos éticos e legais. Com isso. conforme o art. e o que o profissional pode observar no paciente em contexto geral. quanto às despesas do tratamento. “aquele que. avaliação e realização dos cuidados com qualidade. promoção e prevenção. A justiça é um dos preceitos éticos mais importantes.1. Segundo o Código de Ética. Segundo o Código Civil.406. art. . que “o profissional de enfermagem exerce suas atividades com justiça. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. e não apenas com o médico. pela boa fé ou pelos bons costumes”. Introdução Como já dizia Florence. hoje o prontuário possuí a finalidade estatística segundo o Decreto 94. por ação ou omissão voluntária. mencionando que “também comete ato ilícito o titular de um direito que. O Código Civil.

quer privando o paciente de alimentos ou cuidados indispensáveis. o crime é caracterizado como lesão corporal leve ou grave.5. comprovando a legitimidade do mesmo. sem depender de informações prestadas por familiares em geral. expor a vida da pessoa em perigo. Portanto pode se dizer que culpa é a voluntária omissão de diligência em calcular as conseqüências possíveis e previsíveis do próprio fato. porém o prontuário deve permanecer no local onde o paciente se encontra. já o ato se considera culposo quando o agente. por ação ou omissão. O CP especifica no art. O comportamento é considerado doloso quando o agente quis o resultado de seu ato ou omissão. inércia. ou seja. por meio de omissão se omite uma declaração que deveria ser feita.5. indiferença. Nos casos de falsidade ideológica em hospitais. 2. Conclusão Contudo podemos concluir que com o aumento no número de erros cometidos pelos profissionais da área da saúde. sem a devida cautela. deve manter uma cópia carbonada de todos os prontuários.6. caracteriza-se pela inação. 2. ausência de precaução ou omissão.4. ensino. A responsabilidade civil caracteriza-se pelo comportamento doloso ou culposo do agente causador do dano. Pode ser praticado por omissão ou comissão. As anotações de enfermagem em “home care” No caso de atendimento home care. como forma de assegurar a continuidade dos serviços. essas comissões possuem a função basicamente educativa e fiscalizadora do exercício profissional. negligência ou imperícia. zelando por uma conduta de enfermagem literalmente competente e livre de danos ao paciente. que constitui crime de falsidade ideológica “emitir em documento público ou particular. com finalidade de alterar a verdade sobre o determinado fato”.imperícia ou imprudência. causar a morte do paciente. quando possui a intensão. guarda ou vigilância. ou seja. a inserção de declaração ou anotação falsa. De forma preventiva. causar-lhe lesão. o enfermeiro deve realizar as orientações e registrar no prontuário. ou inabilitá-lo para o trabalho”. Pelo CP. o prontuário deve ser preenchido da mesma forma como se faz em qualquer instituição de saúde. e em forma de comissão se insere ou se faz inserir uma declaração falsa ou diferente da que deveria ser feita. atitudes não justificadas. Já a negligência. precipitadas. nesse caso. qualquer alteração da verdade. a grande maioria dos hospitais já está aderindo a Comissão de Ética da Enfermagem. mesmo que o tratamento seja gratuito. No caso de cuidados prestados pelos familiares. para fim de educação. constitui o crime. imprudência. Falsidade ideológica É considerada falsidade ideológica quando se altera uma idéia de um documento. por omissão ou comissão. Conforme as circunstâncias. ou o seu conteúdo em si. cuidados indispensáveis à saúde. declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita. tendo como órgão representativo o COREN. passividade. constitui como crime de maus-tratos. tratamento ou custódia. que altera a verdade sobre a ocorrência ou o fato relevante. todo e qualquer enfermeiro responsável por empresa home care. Outro fato muito importante que deve ser salientado. indolência. agravar-lhe o mal. A imprudência caracteriza-se pela conduta comissiva. e o familiar possui o dever de assinar. em seu próprio domicílio. deu causa ao resultado por sua culpa. principalmente enfermeiros.5. 299.5. é a adoção por parte dos gerentes ou coordenadores dos serviços de enfermagem a buscarem um padrão elevado . constitui o crime de falsidade ideológica. causando danos à sua incolumidade. Segundo Noronha afirma que o crime de maus-tratos constitui delito também na área da enfermagem quando seus pacientes forem privados de alimentos. A imperícia consiste na falta de conhecimento técnico da arte ou profissão. 2. sem alterar a forma material desse documento.

Muito mais do que nos outros setores. Entre os artigos do Código Civil vigente que possui impacto sobre as ações de enfermagem no Centro Cirúrgico. reforçando o profissionalismo na enfermagem. Destacando que essa indenização será aplicada aos profissionais que no decorrer do desempenho de suas atividades por imperícia. A reutilização desses materiais é uma prática comum dentro das unidades. participar de tratamento sem consentimento do cliente ou representante legal. Isso facilitará a realização de auditorias. deve protegê-lo contra possíveis danos causados por outros membros da equipe. 2. O exercício da enfermagem no Centro Cirúrgico O trabalho da enfermagem no Centro Cirúrgico e na Central de Materiais Esterilizados. que diz respeito às proibições de como negar assistência de enfermagem em caso de urgência ou emergência.1. e nos casos de morte pagamento de pensão alimentícia aos dependentes do paciente. não aceitando de nenhuma forma a ocorrência de danos físicos ou pessoais causados por acidentes. Com essa maior divulgação a própria população já procura melhores esclarecimentos e informações sobre os procedimentos realizados. para que tudo ocorra de maneira satisfatória. por isso cabe ao enfermeiro checar tudo antes da realização do procedimento cirúrgico. Devido a esse fato. exceto em iminente risco de vida. executar prescrições terapêuticas quando contrárias a segurança. e o que tem gerado dúvidas e questionamentos éticos e legais é o fato de que cabe à instituição e são de responsabilidade dos profissionais os eventuais riscos e danos que essa prática pode acarretar ao paciente. imprudência ou negligência causarem danos ao paciente. devido ao aumento no número de casos. atenderá a propósitos legais e servirá como fonte de pesquisa. independente de ter sido causada individualmente ou em equipe. da cirurgia para a área de Recuperação. é no Centro Cirúrgico que o trabalho da enfermagem se torna mais necessário. que é medida pela extensão do dano. a questão de indenização. Portanto o profissional deve assegurar ao paciente uma assistência livre de danos ou erros. trazendo benefícios no que diz respeito a manutenção da continuidade na eficiência dos serviços de assistência ao paciente. e ter responsabilidade por falta cometida. essas são umas dentre tantas outras proibições que não devem ser praticadas pela equipe. Outro tema que merece atenção especial e muito estudo é o que trata do reuso dos materiais de uso único e descartável. o transporte do paciente para a cirurgia. o CEPE dispôs do capítulo V. Pode se imaginar que muitas vezes ocorrem erros irreparáveis nas cirurgias. desta para a unidade de origem ou sala de cirurgia para a Unidade de Terapia Intensiva ou outros serviços requer acima de tudo planejamento e atuação do enfermeiro e de toda a sua equipe. é muito importante o papel do enfermeiro na previsão e provisão de recursos materiais e humanos capacitados para tais atividades. seja ele temporário. . aparelhos e equipamentos. como o transporte do paciente cirúrgico. sendo tanto por escrito ou por via eletrônica. pode ser destacada. inclui responsabilidades muito grandes aos profissionais. 2. abandonar cliente em meio a tratamento sem garantia de continuidade ou assistencial. Introdução Acidentes cirúrgicos ou anestésicos sempre trouxeram grandes discussões nos meios de comunicação. para que o transporte ocorra com o mínimo de riscos vigente. e nos dias atuais isso se torna cada vez mais evidente.6.2. O EXERCÍCIO DA ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO 2. como o preparo da sala e instrumental. o profissional possui o dever de arcar com todas as despesas do paciente e da família. Em caso específico.6. permanente ou cause morte.nas anotações e registros por parte de seu pessoal. Dentre as atribuições do enfermeiro dentro do Centro Cirúrgico e Recuperação pós-Anestésica.6.

entre outros. 2. a esterilização e o prazo de validade dos produtos. Conclusões Como forma de minimizar os danos decorrentes pelos atos negligentes dos profissionais de enfermagem.1.3.Cabe lembrar que o enfermeiro do CC é frequentemente responsável pela CME. deve-se ter um cuidado redobrado ao paciente que ali se encontra. muitas vezes os familiares relatam experiências não muito agradáveis pelas quais seus entes queridos foram submetidos enquanto ali se encontravam. também a guarda e armazenamento dos mesmos. isso também constitui crime de falsidade ideológica. Introdução Com toda a evolução científica e tecnológica que está ocorrendo nos dias atuais. procurando assim prevenir a eminência de erros na exposição do paciente. principalmente nas questões que envolvem o preparo. pagandolhe honorários pelo prestígio que possuí perante a sociedade. sobre o cirurgião que escolheu. realização de exames ou cirurgias desnecessárias. É direito do profissional de enfermagem assumir as atribuições que lhe cabem. conferindo com o paciente ou com os familiares. desnudado e amarrado. a inserção de declaração falsa. Essas evoluções requerem uma maior complexidade de equipamentos e de recursos humanos nas Unidades de Terapia Intensiva. 2. que altere a verdade sobre a ocorrência ou o fato relevante. ou com consentimento obtido através de informação incorreta. Portanto deve-se sempre checar e ter certeza do procedimento realizado. também cuidará para que as informações sejam registradas de forma correta e completa em todas as circunstâncias.7. nome do cirurgião e assistentes. os mesmo devem analisar os conteúdos de suas ações profissionais e permanecerem atentos para não serem envolvidos em questões jurídicas. ou ainda sem o consentimento do paciente. Devido à imagem um tanto quanto assustadora desse local do hospital. portanto deve estar apto para a realização das mesmas. O EXERCÍCIO DA ENFERMAGEM NA UNIDADE DE TERAPÍA INTENSIVA 2. Assim. e por se tratar de um ambiente de dor e de medo a equipe de saúde deve manter uma postura ética e profissional muito adequada. perfurado. infecções pós-operatórias por contaminação do campo ou materiais utilizados no procedimento. A equipe que trabalha nessa linha de conduta. e respondendo pelos seus atos. Outros problemas no exercício da enfermagem em Centro Cirúrgico Entre tantos acontecimentos que prejudicam a integridade do paciente. em especial aqueles que estão em estado crítico. ou proibidas por lei.7.6. . dizendo que o corpo do paciente é espetado. e se acaso forem arcarem com suas conseqüências. 2. cabendo-lhe. podemos citar: quedas do paciente da maca ou mesa de cirurgia. Entretanto. porém não deve assumir atividades para as quais não se encontra devidamente preparado.6. registros de dados incompletos ou inverídicos. pois sabem que tais fatos são relevantes para a vida do paciente. ao horário de início e término da cirurgia. Mesmo que o tratamento seja gratuito. certamente a população valorizará cada vez mais a enfermagem se seus profissionais assumirem de forma digna os erros e atos cometidos e se responsabilizarem sobre sua qualificação adequada. o profissional de enfermagem que registrar dados incompletos ou inverídicos estará praticando o crime de falsidade ideológica. não podendo haver negligência em seu papel gerencial. isso trouxe grandes modificações na assistência ao paciente.4. um fato que há de ser discutido é quanto ao esclarecimento ao paciente sobre o procedimento a se realizar. queimaduras por placa de bisturi elétrico. isso não cria ao paciente obrigações pecuniárias. até sua distribuição para as diferentes áreas do hospital. portanto a responsabilidade na escolha dos métodos de esterilização e os produtos que precisam ser submetidos a esse procedimento. que ocorrem no CC.

onde o medo e a incerteza do que irá acontecer com sua vida. . a UTI deve proporcionar um ambiente. acima de tudo terapêutico que minimize o estresse e a tensão emocional assim como o medo do desconhecido.Contudo. O episódio de internamento nas UTI’s traz a cada indivíduo uma experiência diferente. Segundo o CREMESP. devendo existir médicos 24 horas responsáveis pelo paciente. proporcionando a recuperação aos mesmo e qualidade de vida. é certo que a gravidade do estado de saúde em que o paciente se encontra obriga a utilização de sofisticados aparelhos e monitores que são de uso vital para sua sobrevivência. estipula que as UTI’s devem estar estruturadas de forma a fornecer suporte nos aspectos hemodinâmicos. são sentimentos comuns a serem sentidos e relatados pelos pacientes à equipe. onde se facilite a prestação de uma assistência qualificada minimizando a ocorrência de erros. nutricional. respiratório e de reabilitação. Apesar dessa visão assustadora. metabólico. e sete dias por semana.

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