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O USO DOS VIEWPOINTS NA CONSTRUÇÃO DE UM ESPETÁCULO DA

CIA. DOS ATORES

Camila Barbosa Tiago1


Curso de Teatro, Faculdade de Artes, Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal de Uberlândia Av.
João Naves da Ávila, 2121 – Campus Santa Mônica - Bloco 1V – CEP: 38400-902 – Uberlândia - MG
E-mail: camilabteatro@hotmail.com

Narciso Larangeira Telles da Silva2


Curso de Teatro, Faculdade de Artes, Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal de Uberlândia Av.
João Naves da Ávila, 2121 – Campus Santa Mônica - Bloco 1V – CEP: 38400-902 – Uberlândia - MG
E-mail: narciso_telles@yahoo.com.br

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar uma reflexão sobre o uso da técnica dos
Viewpoints, desenvolvidos pela diretora norte-americana Anne Bogart, na construção da peça
Ensaio.Hamlet da Cia. dos Atores. Os Viewpoints são pontos de atenção que servem para o ator
tanto em montagem de cena como treinamento. A peça estreou em 2004 com a direção de Enrique
Diaz e foi feita a partir do texto Hamlet de Willian Shakespeare. A Cia. dos Atores é um grupo
carioca com mais de vinte anos de carreira e referência do teatro nacional. A proposta foi
selecionar cenas da peça citada e analisá-las, tentando identificar elementos dos Viewpoints
durante o processo de montagem e durante a cena apresentada. Este artigo é resultado da pesquisa
desenvolvida dentro do projeto docente Aprender a aprender: os Viewpoints como procedimentos
de atuação e jogo, orientado pelo professor Dr. Narciso Telles, do curso de teatro.

Palavras chaves: Viewpoints; teatro contemporâneo; processo colaborativo; Cia. dos


Atores.

1. INTRODUÇÃO

Esta pesquisa foi desenvolvida através da concessão da bolsa de pesquisa de Iniciação


Científica junto à FAPEMIG resultando na discussão e reflexão sobre o plano de trabalho titulado
Os Viewpoints em cena: análise dos processos criativos dos ateliês de criação e da Cia dos Atores,
vinculado ao projeto de pesquisa docente Aprender a aprender: os Viewpoints como procedimentos
de atuação e jogo, desenvolvido durante os anos de 2007, 2008 e 2009 sob a orientação do
professor Dr. Narciso Telles.
A pesquisa tem como objetivo analisar o uso dos Viewpoints pela Companhia dos Atores
durante o processo de montagem da peça Ensaio.Hamlet, texto original de Willian Shakespeare,
adaptado pela Cia. dos Atores com a direção de Enrique Diaz, assim como identificar os
procedimentos acionados para a criação do espetáculo.

2. MÉTODOS

Para esta pesquisa foram acionadas bibliografias como livros, artigos, entrevista, que
continham informações e/ou reflexões sobre o trabalho da Cia. dos Atores. Foi realizada uma aula
de campo no Rio de Janeiro – RJ, para assistir à peça Ensaio.Hamlet e análise de um DVD da
mesma.
Todo o material coletado serviu para identificar o uso do Viewpopints em cena e durante sua
criação, de forma a exemplificar citando trechos da filmagem da peça Ensaio.Hamlet e citações
feitas pelos atores e diretor da bibliografia encontrada para melhor entendimento do leitor.

1
Acadêmica do curso de Teatro.
2
Orientador.
Foi realizado um ateliê prático sobre os Viewpoints onde os alunos integrados ao grupo de
pesquisa estudavam e treinavam os exercícios dos Viewpoints, presentes no livro The viewpoints
book: a practical guide to viewpoints and composition de Anne Bogart e Tina Landau3, que
auxiliou para entender como a prática e o uso dos Viewpoints são usados para construir uma cena
ou um espetáculo teatral.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A Cia. dos Atores é uma companhia de teatro formada no Rio de Janeiro, desde 1988, pelos
atores Bel Garcia, Drica Moraes, César Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo
Valle, Susana Ribeiro e pelo diretor e ator Enrique Diaz. A companhia tem vinte e um anos de
carreira, histórico com mais de vinte peças feitas, ganharam vários prêmios pelo país como Prêmio
Shell do Rio de Janeiro e São Paulo, Prêmio Mambembe Rio de Janeiro e São Paulo, e consolidou-
se com um estilo de criação colaborativo em que todos os integrantes exercem tarefas variadas
inerentes ao teatro.
Uma das características marcantes do grupo é a sua pesquisa em diferentes linguagens
teatral. Em 1995 Enrique Diaz recebeu uma bolsa de pesquisa para estudar o gênero melodrama,
oferecida pela Fundação Vitae, e a Cia. dos Atores começou o processo de montagem da peça
Melodrama. Igualmente em 2002, Diaz foi para Nova York estudar os Viewpoints na Siti Company
(cidade de Nova Iorque), quando voltou junto ao grupo, começou um estudo prático sobre essa
técnica e como uma extensão do trabalho montou o espetáculo Ensaio.Hamlet que estreou em 2004.
A utilização dos Viewpoints para trabalhar primeiro com a resposta cinestésica é
fundamental para que o ator, em seu processo de pesquisa, desenvolva uma escuta a todo o tempo
dos estímulos externos e uma resposta simultânea a esse estímulo. Com essa sensibilização da
escuta o ator amplia seus sentidos e começa a perceber o espaço físico onde está inserido e esse
modifica a sua ação. Na evolução deste trabalho de percepção dos estímulos externos e do espaço
onde está, passa-se para uma próxima etapa em que começa a introduzir outros elementos de
estímulos. Estímulos sonoros como música, ruídos; estímulos táteis como objetos, figurinos;
desenvolver o processo de pesquisa dentro de uma sala onde tenha material de iluminação para
obter a variação da luz trabalhando com a visão; usar fragrâncias para trabalhar com o olfato.
Os Viewpoints como procedimentos de criação foram desenvolvidos pela diretora norte-
america Anne Bogart. Eles são pontos de atenção que servem para o ator, tanto em montagem de
cena como treinamento, sendo que esses são processos para criação de repertório atorial. Esse
procedimento é dividido em dois grupos: Tempo (tempo, duração, resposta cinestésica e repetição)
e Espaço (relação espacial, gesto, forma, arquitetura e topografia).
Como uma extensão do treinamento dos Viewpoints, Bogart desenvolveu também a
Composição4 que é a ação de construir, em grupo, peças curtas usando o tempo e o espaço, e que
essa ‘peça’ possa ser repetida, comunicativa e teatral. Ela é estruturada por tarefas que os atores têm
que cumprir dentro de um tempo curto. Essas tarefas são pré-definidas pelo diretor ou coordenador
do grupo e podem ser qualquer elemento que vai de encontro com o tema escolhido para trabalhar,
como por exemplo, usar um trecho de um texto qualquer, uma música, uma objeto, criar um
momento de pausa conjunta por quinze segundos, entre outras tarefas criadas pelo diretor.
A composição é, por natureza, um processo criativo colaborativo, onde o grupo decide em
conjunto o que fazer e como fazer para criar uma cena, ou uma performance, ou uma intervenção
cênica. Ao apresentá-la, deve considerá-la um esboço do que se propõe, o princípio de algo que
deve ser lapidado como um diamante bruto, onde compete ao diretor retirar e acrescentar elementos
para aprimorá-la. Os atores usam a consciência dos nove Viewpoints para ‘escrever’ algo no espaço
e no tempo através da linguagem teatral. Diretores, atores e performers de todo o mundo entram em

3
BOGART, Anne & LANDAU, Tina. The viewpoints book: a practical guide to viewpoints and composition. New
York: Theatre Communications Group, 2005. 224 p.
4
Conceito estruturado no livro BOGART, Anne & LANDAU, Tina. The viewpoints book: a practical guide to
viewpoints and composition. New York: Theatre Communications Group, 2005. 224 p.
contato com a técnica dos Viewpoints através dos cursos oferecidos pela Siti Company em sua sede,
na cidade de Nova Iorque, com a finalidade de promover um intercâmbio cultural e a ramificação
desta técnica para outros países.
Para fazer a peça Ensaio.Hamlet Enrique Diaz começou por um estudo do texto, para retirar
os temas que serviriam como ponto de partida, para assim dar inicio ao processo de montagem
colaborativo a partir do trabalho com os Viewpoints e a composição. Ele usa o texto como pré-texto
para a improvisação das cenas, servindo como mais um elemento de estímulo para os atores durante
o processo de criação da mesma. Os temas escolhidos para a construção do espetáculo foram o
homem e seus conflitos de identidade, a carne que é metamorfoseada para adaptar às relações que
são construídas, o conflito do personagem Hamlet de tomar a decisão de vingar ou não a morte do
pai.
A análise da peça foi feita a partir da escolha de quatro cenas, onde identificamos elementos
da composição, usados pelo diretor como estímulo ao ator para a montagem da cena.
A peça inicia com o que vou chamar aqui de prólogo, onde os atores no palco se relacionam
com o público que se adentra e ao mesmo tempo colocam os objetos que serão usados na primeira
cena. A ação de arrumar os objetos é feita com os atores caminhando em ‘gride’ pelo palco. ‘Gride’
é o termo que Anne Bogart conceitua de: grade - imaginar linhas paralelas, ou diagonais às paredes
da sala de trabalho desenhadas no chão, ou linhas circulares - e movimentar a partir dessas linhas
imaginárias. A relação entre os atores é o jogo de resposta cinestésica (responder corporalmente,
sem racionalizar, a um estímulo externo) aos estímulos dados pelos colegas de cena e pelo público,
com a ‘tarefa’ de arrumar os objetos da cena seguinte. Nesta cena ficam dispostos no chão pequenos
espelhos com velas e taças em cima, são nove instalações iguais, esses são os objetos que vão sendo
arrumados em cena. Veja uma imagem da cena:

Imagem nº1: O Prólogo

DIAZ, Enrique. Espetáculo Ensaio.Hmlet. Rio de Janeiro:


Teatro SESC Copacabana, 2004. 1 DVD(124 mim), NTSC, som, color.

Em seguida acontece a cena do encontro do espectro do falecido rei com Horácio. Passa
para a cena II, a fanfarra, onde estão presentes os convidados, a rainha, o rei e Hamlet. Nesta cena
há um diálogo entre a rainha e seu filho. Uma proposta que podemos identificar durante a peça é a
de aproximar as formas de relações entre as personagens da trama, que foi escrita no século XVII,
com as formas de relações da contemporaneidade. O diálogo entre Hamlet e sua mãe, na encenação
de Enrique Diaz, é semelhante a uma conversa entre uma mãe estressada, impaciente, que fala com
o filho mas não o escuta. O tema presente nessa cena é a relação entre mãe e filho, como a mãe
‘enxerga’ o filho: um menino que nunca cresce; é sempre uma criança no seu ponto de vista e isso
fica evidente quando a atriz Malu Galli, que interpreta Gertrudes, encontra o ator Marcelo Olinto,
que interpreta o Hamlet, sentado encima de um banquinho que está encima de um cubo, fumando.
Ela diz: “fumando agora Hamlet?” e começa a trocar as roupas do filho. Tira-lhe os sapatos e tenta
colocar um sapato de criança, assim como tira o casaco preto e tenta colocar uma blusa pequena.
Veja a foto da cena em que a atriz coloca o sapato pequeno no ator:

Imagem nº2: Gertrudes com Hamlet

DIAZ, Enrique. Espetáculo Ensaio.Hmlet. Rio de Janeiro:


Teatro SESC Copacabana, 2004. 1 DVD (124 mim), NTSC, som, color.

Toda a sua ação é feita em um ritmo acelerado, enquanto Olinto está parado, obedecendo às
ordens da ‘mãe’ e repetindo com intensidade normal: “está apertado”. A mãe nem lhe dá ouvidos e
sai para falar com o rei. Ele vai até Hamlet e acontece o diálogo entre Cláudia e seu sobrinho como
aparece no texto de Shakespeare.
Nesta cena identificamos características de uma composição como a delimitação do espaço
(trabalhar encima de um cubo), o uso de objetos (os sapatos e as roupas pequenas), a contraposição
dos tempos nas ações dos atores (dividiremos o tempo das ações em muito lento, lento, normal,
rápido e muito rápido; a atriz está no tempo rápido e o ator está parado respondendo no tempo
normal), o tema “a relação entre mãe e filho”, elementos que se caracterizam como tarefas pré-
estabelecidas pelo diretor aos atores, que a partir do seu entendimento sobre o que lhe é proposto, e
as informações dadas, montam uma cena.
Outra cena em que podemos encontrar noções de uma composição é quando a atriz Bel
Garcia fala sobre Ofélia. A atriz entra em cena falando de sua dificuldade de entender a personagem
Ofélia, pois no ponto de vista da atriz, Ofélia é uma adolescente ‘mimada’ e ela diz não ter
afinidade com adolescentes. Enquanto fala sobre a personagem, Bel Garcia arruma a cena, ajeita um
abajur que já estava no palco, coloca um som portátil ao lado que toca uma música romântica e
pega uma bolsa. Neste momento a bolsa passa a ser Ofélia e a atriz a indaga por suas atitudes de
descaso com o príncipe em obediência ao pai que lhe pedira para não falar mais com Hamlet. De
repente a bolsa se abre e de dentro dela caem muitas cartas, CDs, objetos típicos que adolescentes
dão a pessoa amada quando estão apaixonados. A atriz pega uma carta no chão e começa a ler num
‘tom’ de quem está apaixonada e se transforma em Ofélia.
Quando a bolsa abre é um ato inesperado para o público o que se caracteriza, segundo Anne
Bogart, como elemento surpresa onde algo de imprevisto acontece. A música também se caracteriza
com um ingrediente pré-determinado pelo diretor para que o ator crie a composição. A foto a seguir
explicita o momento em que a bolsa se abre:
Imagem nº 3: Ofélia

DIAZ, Enrique. Espetáculo Ensaio.Hmlet. Rio de Janeiro:


Teatro SESC Copacabana, 2004. 1 DVD (124 mim), NTSC, som, color.

O tema da composição é: como a atriz entende a personagem Ofélia; e para isso ela utiliza
dos objetos: uma bolsa, cartas, CDs, um abajur e um som portátil onde juntos se configuram com
um quarto de adolescente. Com tais objetos a atriz delimita o seu espaço de trabalho e desenvolve a
cena usando esses elementos.
Em seu livro The viewpoints book5, Anne Bogart cita que “O objetivo do trabalho de
Composição é traduzir teorias e idéias em prática, evento e imagem”. É organizar as idéias e os
ingredientes selecionados para trabalhar de forma comunicativa e teatral.
Outro momento em que Enrique Diaz consegue transformar um jogo dos Viewpoints em
cena é quando os atores começam a andar em ‘gride’, e, em resposta cinestésica, vão arrumando os
objetos em cena, falando sobre fatos da vida de Shakespeare e dados históricos sobre a peça. Com
uma música de fundo vão pontuando todos os Viewpoints de espaço e tempo como a topografia, a
repetição, a relação espacial, a forma, o gesto, resposta cinestésica, caracterizando uma coreografia
‘não-coreografada’, são corpos em movimento no espaço sem a virtuose dos bailarinos:

Imagem nº 4: A Grade

DIAZ, Enrique. Espetáculo Ensaio.Hmlet. Rio de Janeiro:


Teatro SESC Copacabana, 2004. 1 DVD (124 mim), NTSC, som, color.

5
BOGART, Anne & LANDAU, Tina. The viewpoints book: a practical guide to viewpoints and composition. New
York: Theatre Communications Group, 2005. 224 p.
Neste momento da peça podemos identificar um jogo de improvisação, onde há algumas
regras como organizar os objetos em cena, num determinado tempo alguém colocará uma cadeira
em uma posição já definida e quando a cadeira estiver posicionada o ator Fernando Eiras começará
a contar uma história sobre um acidente cênico durante outra peça. Agora não se pode afirmar que
em todas as apresentações será sempre o mesmo ator a contar a história e se será a mesma história.
A movimentação dos atores não é determinada, mas alguns acontecimentos sim, até que o jogo se
dilui e passa para outra cena.
Uma característica relevante de Ensaio.Hamlet é a fragmentação do texto em que os atores
contam a história de Hamlet, de Willian Shakespeare, mas sem a preocupação de manter a
sequência do texto estabelecida pelo autor, transforma o texto em mais um estímulo, entre outros,
para o ator criar. Em entrevista para a revista Folhetim, Enrique Diaz diz que “... encaramos a
realidade teatral como uma articulação de diversos elementos... Quebrar e relativizar o texto é o que
nos permite um exercício mais amplo.”6. Colocar o texto em discussão permite a aproximação das
questões do texto com a realidade presente, tornando o texto mais próximo e ‘palpável’ para o
espectador. Diaz diz ainda: “A articulação dos elementos da cena também cria espaço para as
nossas vivências, desejos, imaginários, quer dizer, não é só dar forma teatral a um texto, pois a
nossa discussão tem que ser maior.” 7.

4. CONCLUSÃO

Neste trabalho analisamos o uso dos Viewpoints e da Composição nas cenas do espetáculo
Ensaio.Hamlet, da Cia. dos Atores.
Podemos observar aspectos presentes no espetáculo que se relacionam com as características
do chamado teatro pós-dramático: a fragmentação do texto, o revezamento dos atores na
interpretação das personagens presentes na peça, a utilização de uma multiplicidade de tempos (real
e ficcional).
Identificamos que o uso dos Viewpoints para a construção de um espetáculo proporciona:

• Uma nova apreensão cênica de um texto clássico;


• Um processo de montagem no qual o ator possui maior participação na criação das cenas;
• A relação dos Viewpoints com um processo colaborativo de criação artística.

Enrique Diaz optou por partir de temas presentes no texto Hamlet, escrita por Shakespeare,
para servirem como estímulos no processo de composições das cenas feitas pelos atore. Como os
temas abordados em Hamlet são universais, permite aos atores aproximá-los à suas realidades e
construir uma cena que dialogue com questões contemporâneas. Essa aproximação do texto clássico
é reforçada quando os atores colocam o próprio ponto de vista sobre o tema abordado com na cena
da Ofélia e na cena da Gertrudes com Hamlet.
Os atores ganham autonomia na criação da peça, pois a Composição proposta por Anne
Bogart, e usada por Diaz no processo de criação desse espetáculo, torna o ator um autor da cena,
permitindo-lhe dialogar com a mesma e colocar questões pessoais na sua criação. Fatores como
estes permitem uma forma diferente de trabalhar com textos clássicos.
Concluímos que o espetáculo Ensaio.Hamlet, Cia. dos Atores, marca o histórico do teatro
contemporâneo brasileiro, demonstra a eficácia do uso dos Viewpoints e da Composição no
processo de criação teatral.

6
DIAZ, Enrique. Entrevista Cia. dos Atores: múltiplas perspectivas do jogo da cena. Revista Folhetim. Rio de Janeiro,
nº 27, 2008, p. 89.
7
Idem.
5. FONTE

DIAZ, Enrique. Espetáculo Ensaio.Hamlet. Rio de Janeiro: Teatro SESC Copacabana, 2004. 1
DVD (124 mim), NTSC, som, color.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOGART, Anne & LANDAU, Tina. The viewpoints book: a practical guide to viewpoints and
composition. New York: Theatre Communications Group, 2005. 224 p.

___________ . Seis coisas que eu conheço a propósito da formação de atores. In L’École du


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sur la formation de l’acteur organisé pae I’Úversuté du Quebéc à Montreal et I’Úniversité Paris X –
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Polêmica Imagem, Rio de Janeiro, número 20, 2007. Disponível em:
<http://www.polemica.uerj.br/pol20/cimagem/p20_fabio.htm>. Acessado em 08/06/2009.

DIAZ, Enrique; OLINTO, Marcelo; CORDEIRO, Fábio – organizadores. Na companhia dos


atores. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2006. 388 p.

DIAZ, Enrique. Entrevista Cia. dos Atores: múltiplas perspectivas do jogo da cena. Revista
Folhetim. Rio de Janeiro, nº 27, p. 83-115, 2008.

GARROCHO, Luiz Carlos. Anotações sobre teatro e experimento. Polêmica Imagem, Rio de
Janeiro, número 20, 2007. Disponível em:
<http://www.polemica.uerj.br/pol20/cimagem/p20_fabio.htm>. Acessado em 08/06/2009.

HIRSON, Raquel Scotti. Tal qual apanhei do pé: uma atriz do Lume em pesquisa. São Paulo:
Aderaldo & Rothschild Editores Ed.: Fapesp, 2006, 206 p.

LEMANN, Hans – Thies. Teatro pós – dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007. 440 p.

OIDA, Yoshi. Um ator errante. São Paulo: Beca, 1999, 220 p.

______. O ator invisível. São Paulo: Beca, 2001, 175 p.

PAVIS, Patrice. A análise dos espetáculos. São Paulo: Perspectiva, 2003. 324 p.

SANTOS, Fábio Cordeiro dos. Processos criativos da Cia. dos Atores. 2004. 129 f + anexo.
Dissertação (Mestrado em Teatro e Cultura) – Universidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2004.

SHAKESPEARE, William. Hamlet. Tradução Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça.


Rio de Janeiro: Agir, 1968, 243 p

THE USE OF THE VIEWPOINTS IN THE CONSTRUCTION OF A


SPECTACLE OF THE CIA. DOS ATORES
Camila Barbosa Tiago8
Campus course of Theater, Social College of Arts, Philosophy and Sciences, Federal University of Uberlândia Av. João
Naves da Ávila, 2121 – Campus Santa Mônica - Bloco 1V – CEP: 38400-902 – Uberlândia - MG
Email: camilabteatro@hotmail.com

Narciso Larangeira Telles da Silva9


Campus course of Theater, Social College of Arts, Philosophy and Sciences, Federal University of Uberlândia Av. João
Naves da Ávila, 2121 – Campus Santa Mônica - Bloco 1V – CEP: 38400-902 – Uberlândia - MG
Email: narciso_telles@ yahoo.com.br

Abstract: The objective of this work is to present a reflection on the use of the technique of the
Viewpoints, developed by the North American director Anne Bogart, in the construction of the play
Ensaio.Hamlet from Cia. dos Atores. The Viewpoints are attention points that are useful for the
actor in a process of creation or as training. The play premiered in 2004 with the direction of
Enrique Diaz and was made from the text Hamlet by Willian Shakespeare. The Cia. dos Atores is a
group from Rio de Janeiro with more than twenty years of career and reference in the national
theater. The proposal was to select scenes of the cited play and analyze them, trying to identify
elements of the Viewpoints during the process of creation and the presented scene. This article is
resulted of the developed research inside of the teaching project Aprender a aprender: os
Viewpoints como procedimentos de atuação e jogo (Learning to learn: the Viewpoints as
procedures of performance and game), guided by Dr. Narciso Telles, teacher of the Theatre course.

Keywords: Viewpoints; theatre contemporary; collaborative process; Cia. dos Atores.

8
Academic of the course of Theater.
9
Person who orientates.