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Principio do Estado Subsidiario

Principio do Estado Subsidiario

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Paulo Bonavides (1993, p. 180-181 apud PAULA, 2007, p. 472) ensina que o

Estado Social Democrático não se confunde com o Estado Socialista. ―Suas matizes

são riquíssimas, mas conserva a sua adesão à ordem capitalista, [...] e isso significa

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Wladimir Ilitch Ulianov, líder do grupo Bolchevique, que se apoderou da Guarda Vermelha e
implantou o regime de partido único eliminando a facção Menchevique; ambos integravam o
Partido Operário Russo Social-Democrático. Foi também o primeiro dirigente da URSS. (MALUF,
2008, p. 144).

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Josef Stálin sucedeu a Lênin no comando do Partido e da URSS.

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manter uma burguesia.‖ Contudo, ele admite que ao Estado Social Democrata pode-

se atribuir um aspecto de Estado intervencionista. (1993, p. 196 apud PAULA, 2007,

p. 472).

O surgimento da doutrina social-democrata ocorre na República de Weimar,

quando em 1917 o Partido Social-Democrata Alemão expurga de seus ―quadros a

esquerda radical‖. (PAULA, 2007, p. 473).

Em todos os matizes do Estado Social, seja na social-democracia alemã ou

no Welfare State22

, combate-se a tese da ―ordem espontânea‖ e coloca-se o poder

público sobre as insuficientes forças espontâneas do mercado, ―ao fito de garantir o

desenvolvimento da economia, a justa distribuição de recursos escassos e o bem

estar da população‖. (TORRES, 2001, p. 51).

As intervenções admitidas neste paradigma estatal são pontuais e objetivam o

reequilíbrio social gravemente desajustado no chamado Estado Liberal. Como dito, a

classe burguesa, a livre iniciativa e a propriedade coexistem no Estado Social,

todavia, a intervenção é operada em questões sensíveis promovendo-se a era do

―Estado produtor, repartidor, distribuidor e distributivo, que não deixa à sorte dos

indivíduos a sua situação social, mas vem auxiliá-los através de medidas positivas e

de garantias efetivas.‖ (TORRES, 2001, p. 51).
Surge uma nova categoria de direitos — não diríamos em oposição aos

direitos individuais da doutrina liberal, — a complementar estes. Mas, enquanto pela

doutrina liberal, o Estado possui uma atuação negativa para pelo menos garanti-los,

a doutrina social propugna pela ação positiva do ente estatal no sentido de garantir

os chamados direitos sociais, alguns os quais, enumeramos: os direitos do trabalho,

da previdência, da educação.

Os valores éticos deste modelo são fundados na retomada pelos poderes

públicos da gerência de toda a ordem sócio-econômica visando ao reequilíbrio social

da sociedade industrial competitiva. (TORRES, 2001, p. 52). Além de procurar

assegurar esses direitos, no Estado Social, os poderes públicos:

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O termo Welfare State não é propriamente técnico e nem caracterizador (GIDDENS apud PAULA,
2007, p. 476). Welfare State, cuja tradução, Estado de Bem-Estar Social, possui as mesmas
características interventivas do Estado Social para correção dos desajustes sociais advindos do
Estado Liberal, todavia, este termo surgiu logo após a crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque
em 1929, que resultou em colapso econômico e desemprego em massa. Nos EUA, a crise sócio-
econômica desencadeada pelo crack de 1929 foi tratada pelo chamado New Deal do presidente

americano Franklin Delano Roosevelt, cuja agenda social tratou a pobreza não como ―ausência de
recursos‖, mas tão somente ―ausência de investimento público‖. (PAULA, 2007, p. 478).

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[...] intervém na economia como distribuidor, dita o salário, manipula a
moeda, regula os preços, combate o desemprego, protege os enfermos, dá
ao trabalhador e ao burocrata a casa própria, controla as profissões, compra
a produção, financia as exportações, concede o crédito, institui comissões
de abastecimento, provê necessidades individuais, enfrenta crises
econômicas, coloca na sociedade todas as classes na mais estreita
dependência de seu poderio econômico, político e social, em suma, estende
sua influência a quase todos os domínios que dantes pertenciam, em
grande parte, à área da iniciativa individual. (BONAVIDES, 1980, p. 208
apud TORRES, 2001, p. 52).

A doutrinadora Sílvia Torres (2001, p, 52) entende que nesta forma de

configuração estatal, predominam os modelos de economia planejada. Mas o

planejamento23

da economia não atinge os níveis de planificação, i.e., controles

admitidos nos regimes totalitários, e.g., o socialismo, porquanto, no Estado Social,

encontramos elementos da doutrina liberal como a livre-iniciativa e a propriedade

privada, além da existência da classe burguesa.

Os princípios do Estado Social confirmam a sustentação de Hegel (apud

TORRES, 2001, p. 54) acerca do desprestígio da sociedade civil em organizar a si

mesma. Para o pensamento hegeliano, tal segmento não está habilitado à gerência

do progresso econômico, sendo muito propensa a gerar pobreza e desigualdades

sociais.

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