INERVAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES A inervação somática motora e sensitiva geral dos membros inferiores é feita através de nervos

periféricos que emanam dos plexos lombar e sacral nas paredes abdominal posterior e da pelve. Estes plexos são formados pelos ramos anteriores de L1 a L3 e grande parte de L4 (plexo lombar) e L4 a S5 (plexo sacral). Os nervos que se originam nos plexos lombar e sacral e penetram no membro inferior carregam fibras de níveis da medula espinal entre L1 e S3. Os nervos terminais saem do abdome e da pelve através de várias aberturas e forames para penetrar no membro. Como conseqüência desta inervação, os nervos lombares e sacrais superiores são testados clinicamente através do exame do membro inferior. Além disto, os sinais clínicos (como dor, espetadas e agulhadas , parestesia e contratura muscular fascicular) resultante de qualquer distúrbio que afete estes nervos espinais (p. ex.: disco vertebral herniado na região lombar) aparecem no membro inferior.

Figura 1: Plexos lombar e sacral Fonte: NETTER, 2008

PRINCIPAIS NERVOS DO MEMBRO INFERIOR
y

Origem no plexo lombar

Nervo femoral O nervo femoral (L2-L4) é o maior ramo do plexo lombar. O nervo origina -seno abdome, dentro do músculo psoas maior. Em seguida, passa profundamente ao ligamento iguinal e entra no trígono femoral, lateral aos vasos femorais. Após entrar no trígono, o nervo femoral divide-se em vários ramos para os músculos anteriores da coxa. Também envia ramos articulares para as articulações do quadril e do joelho e fornece vários ramos cutâneos para a face Antero-medial da coxa. O ramo cutâneo terminal do nervo femoral, o nervo safeno, desce através do trígono femoral, acompanha a artéria e a veia femorais através do canal dos adutores e torna-se superficial, passando entre os músculos sartório e grácil. Segue ânteroinferiormente para suprir as faces ântero-mediais do joelho, perna e pé. Nervo safeno O nervo safeno é o maior (mais amplo e com distribuição mais longa) ramo cutâneo do nervo femoral; é o único ramo que se estende além do joelho. Além de suprir a pele é a face ântero-

Segue até o canal obturatório. e a pele da maior parte da perna e do pé. Nervo tibial O nervo tibial (L4-S3) é o maior ramo terminal. Também se divide em vários ramos. em um nível muito variável. y Origem no plexo sacral Nervo glúteo superior O nervo glúteo superior (L4 S1) segue lateralmente entre os músculos glúteo médio e mínimo. dividindo-se em nervos tibial e fibular comum. que deixam a pelve através desse canal e suprem os músculos mediais da coxa. este e o músculo flexor curto dos dedos. gastrocnêmio. Enquanto está na fossa. Nervo isquiático O nervo isquiático (L4-S3) é o maior nervo do corpo e é a continuação da principal parte do plexo sacral. que irão suprir a pele dos três e meio dedos mediais e a pele da planta proximal a eles. do nervo isquiático. que é a estrutura mais lateral que emerge do forame isquiático maior abaixo do músculo piriforme. medial. . o nervo tibial divide-se em nervos plantares medial e lateral. Nervo plantar medial O nervo plantar medial. Nervo glúteo inferior Este nervo (L5-S2) sai da pelve através do forame isquiático maior. É o mais superficial dos três componentes centrais da fossa poplítea (isto é. para formar o nervo sural. com ramos motores. Aí ele se divide nas partes anterior e posterior. o maior e mais anterior dos dois ramos terminais do nervo tibial. todos os músculos da perna e do pé. o nervo tibial e o nervo fibular comum. Termina perto da base dos metatarsais dividindo-se em três ramos sensitivos.medial da perna. Nervo obturatório O nervo obturatório origina-se nos ramos anteriores dos nervos espinais L2-L4 do plexo lombar no abdome. O nervo cutâneo sural medial também é derivado do nervo tibial na fossa poplítea e se une ao ramo fibular comunicante do nervo fibular comum. ainda está em uma posição profunda e protegida. Em geral termina no ângulo superior da fossa poplítea. veia. entra na planta do pé passando profundamente ao músculo adutor do hálux. Os nervos convergem na margem inferior do músculo piriforme para formar o nervo isquiático. Esse nervo supre a face lateral da perna e do tornozelo. Este nervo na verdade consiste na junção de dois nervos. plantar e poplíteo. Também envia ramos articulares para todas as articulações do membro inferior. envia ramos articulares para a articulação do tornozelo e continua para suprir a pele ao longo da face medial do pé anteriormente até a cabeça do 1º metatarsal. inferior ao músculo piriforme e superficial ao nervo isquiático. artéria e nervo). o nervo tibial emite ramos para os músculos sóleo. Divide-se em um ramo superior que supre o glúteo médio e um ramo inferior que continua para seguir entre os músculos glúteo médio e glúteo mínimo para suprir ambos os músculos e o músculo tensor da fáscia lata. Póstero-inferiormente ao maléolo medial. que são frouxamente unidos na mesma bainha de tecido conjuntivo. entretanto.suprindo. que oferecem inervação motora ao músculo glúteo máximo sobrejacente. O nervo isquiático supre os músculos posteriores da coxa. uma abertura na membrana obturadora que preenche o forame obturado.

os nervos fibular superficial e fibular profundo. é o nervo do compartimento lateral. Por fim. um ramo terminal do nervo fibular comum. Em com paração com este último. Uma lesão desse nervo resulta na incapacidade de dorsiflexão (pé em gota). Estes ramos suprem todos os músculos da planta não supridos pelo nervo plantar medial. Nervo fibular comum O nervo fibular comum (L4-S2) é o menor ramo terminal. Figura 2: Principais nervos dos membros inferiores Fonte: DRAKE. originando-se entre o músculo fibular longo e o colo da tíbia. VOGL. Nervo fibular superficial O nervo fibular superficial. Ao sair do compartimento anterior. terminando ao chegar no compartimento lateral. que continuam através do tornozelo para suprir a maior parte da pele no dorso do pé. lateral. Após suprir o músculo fibular longo e o músculo fibular curto. Em seguida supre a pele na face ântero-lateral da perna e divide-se em nervos cutâneos dorsais medial e intermediário. porém mais músculos individuais. espirala-se ao redor do colo da fíbula e divide-se em seus ramos terminais. MITCHELL . ano . o nervo plantar lateral supre menor área cutânea. do nervo isquiático. Começa no ângulo superior da fossa poplítea e segue intimamente a margem medial do músculo bíceps femoral. Nervo fibular profundo O nervo fibular profundo é o nervo do compartimento anterior. continua como um nervo cutâneo. continua-se através da articulação do tornozelo para suprir músculos intrínsecos e uma pequena área da pele do pé. É um dos sois ramos terminais do nervo fibular comum. onde se divide em ramos superficial e profundo.Nervo plantar lateral Este nervo segue profundamente ao músculo abdutor do hálux.

na fase de oscilação final do caminhar. Quando a pelve desce sobre o lado sem sustentação. A secção completa do nervo isquiático é incomum. durante uma dissecção da veia safena. semimembranáceo e bíceps femoral. Ferimentos ou cirurgias no lado medial da nádega estão sujeitos a lesar o nervo isquiático e seus ramos para os músculos semitendíneo. o paciente pode queixar-se de dor ao longo da margem medial do pé. Outras áreas são perigosas para a aplicação de injeções porque muitos nervos e vasos estão presentes. Isto resulta em um andar gingado característico. de fato. Uma outra maneira de compensar é elevar o pé mais alto à medida que é levado para a frente.APLICAÇÕES CLÍNICAS Lesão do nervo safeno O nervo safeno acompanha a veia safena magna. As injeções são seguras apenas na parte súpero-lateral da nádega. . o membro inferior torna-se. na face posterior da coxa. A paralisia destes músculos resulta em comprometimento da extensão da coxa e flexão da perna. indicando que o músculo glúteo médio do lado de sustentação está fraco e inoperante. Lesão do nervo isquiático Uma dor na nádega pode resultar da compressão do nervo isquiático pelo músculo piriforme. resultando em abdução enfraquecida da coxa pelo músculo glúteo médio. Este reflexo é rotineiramente testado durante um exame físico com o paciente sentado com as pernas pendentes do lado da mesa de exame. Quando se pede a uma pessoa com paralisia do nervo glúteo superior para ficar so uma bre perna. muito longo e não deixa o solo quando o pé é levantado para frente. Lesão do nervo tibial Lesão ao nervo tibial é incomum por causa de sua posição profunda e protegida na fossa poplítea: entretanto o nervo pode ser lesado por lacerações ou ferimentos profundos na fossa poplítea. uma medida compensatória do corpo para o lado do glúteo enfraquecido. Injeções intraglúteas Algumas pessoas restringem a área da nádega à bochecha. Com relação ao nervo isquiático a nádega possui um lado seguro (seu lado lateral) e um lado de risco (seu lado medial). Este reflexo tendinoso testa os nervos L2 até L4. a pelve do lado de sustentação desce. Se este nervo for cortado. Quando isto ocorre. Lesão ao nervo glúteo superior A secção do nervo glúteo superior leva a uma lesão glútea característica. Reflexo tendinoso patelar A percussão do ligamento da patela com um martelo clínico normalmente produz reflexo do quadríceps (reflexo patelar). resultando na assim chamada marcha de passos altos . a parte mais proeminente: este é um conceito perigoso porque o nervo isquiático se situa profundo a esta área. a perna torna-se inútil. ou preso por uma ligadura durante o fechamento de um ferimento cirúrgico. Pessoas envolvidas em esportes que requerem um uso excessivo dos músculos glúteos e mulheres estão mais aptas a desenvolver esta síndrome. Todos os movimentos do tornozelo e do pé também estão perdidos. como na flexão da perna. Um golpe firme sobre o ligamento da patela com uma martelo clínico normalmente faz com que a perna se estenda. Esta observação é chamada clinicamente dereflexo de Trendelenburg positivo. porque a extensão do quadril está debilitada.

. A perda de sensação também ocorre na planta do pé. Enxertos do nervo sural Pedaços do nervo sural são freqüentemente usados para enxerto de nervos em procedimentos como reparo de defeitos de nervos resultantes de ferimentos.O rompimento ou avaria do nervo tibial produz paralisia nos músculos flexores da perna e dos músculos intrínsecos na planta do pé. As pessoas com uma lesão do nervo tibial são incapazes de realizar a flexão plantar do tornozelo ou fletir os dedos do pé.

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