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³Declaro que este Trabalho de Fim de Curso é o resultado de minha


investigação pessoal e independente, oseu conteúdo é original e todas as
fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na
bibliografia´.

Declaro ainda que este Trabalho de Fim do Curso não foi submetido em
momento algum, no seu todo ou em parte, em nenhuma Universidade ou
outra instituição de ensino superior para qualquer grau académico nem está
a ser apresentado para obtenção de outro grau para além daquele a qu e diz
respeito.

O Candidato
_________________________________

Declaro que, tanto quanto me foi possível verificar, este Trabalho de Fim
do Curso é resultado da investigação pessoal e independente do candidato.

O Professor Orientador
___________________________________
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O papel de Angola na SADC.

Este Trabalho de Fim do Curso foi julgado adeq uado e aprovado na sua
versão final pela Direcção do Curso de Relações Internacionais no
dia_____ de____ 2010

Professor

____________________________________________________________

________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

________________________________________

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Ö minha querida mãe


Ao meu querido pai in
momorial
Aos meus estimados irmãos
Aos meus inesquecíveis filhos
Com todo respeito e
adimiração

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Ö Deus por me ter ajudado a ultrapassar todas as dificuldades e me dotado


de capacidade para enfrentar esta nobre e difícil missão

Ao professor Mestre ANTÓNIO ELIAS CORREIA, meu orientador, pelo


apoio e insentivo

Ö minha mãe por me ter encutido a vontade de estudar

Ao meu pai in memorian.

Ö minha família pelo apoio incondicional que me prestaram .

Ao colectivo de docentes da UTANGA que com zelo e muita paciência


soberam me transmitir os conhecimentos de que hoje tanto me orgulho.

Aos meus colegas do curso de Relações Internacionais especialmente a


Maria Justino, Cristina Manuel, Miriame Mamonequeno e a Maria Celeste
pela confiança.

Ö todos que directa ou indirectamente contribuiram para que este dia


tornasse uma realidade, a minha profunda gratidão.

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³Na Namíbia e no Zimbabué é a

Continuação da nossa luta´

Agostinho Neto()

Kartum Sudão 1978

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CONCEIÇÃO, Maria Pedrocc cc cc  ........................
Trabalho de Fim do Curso de Relações Internacionais, Unuversidade
técnica de Angola, Luanda,2010.

O Orientador: Professor Mestre António Elias Correia

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Este trabalho tem como objectivo identificar o papel que Angola


desenpenhou ou tem desenpenhado na sub -região Austral, de forma a
garantir a estabilidade política, económica e militar da mesma.

Utiliza-se como metodologia a pesquisa vexplorotória que consiste em


consultas bibliográficas e o método quantitativo que nos permiterá a
interpretação de dados numéricos relactivos ao crescimento económico.

A hipotese levantada permite -nos ter uma ideia sobre a sobre a


potencialidade económica, militar e diplomática de Angola que lhe permite
estar fortemente comprometida com a estabilidade política regional,
garantindo a paz e segurança aos seus cidadãos a a região Austral.

Em suma as discussões apresentadas indicam que a República de Angola


tem possibilidades e recursos naturais que lhe possiblitam alcançar os s eus
objectivos e grangiar uma certa hegemonia na região , que só sera possível
se apostar na formação do seu potencial humano.

c :1- Relações Internacionais, 2- Crescimento, 3-


Hegemonia 4- Potencial

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ANC- Africa National Congress

CONSAS- Constellation of States of Southern África

EUA- Estados Unidos da América

ONG- Organização Não Governamental

OUA- Organização da Unidade Africana

PLF- Países da Linha da Frente

PIB- Produto Interno Bruto

RDC- República Democrática do Congo

URSS- União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

SADC- Southern Africa Development Community

SADCC- Southern Africa Development Co-ordination Conference

SACCAR- Centro para a Cooperação em investimento Agrícola da África


Austral

SACMA- Área Monetária Comum da África Austral

SACU- União de Direitos Alfandegários da África Austral

SWOPO- Southwest African People Organization

USC- Unidade de Sector de Coordenação

ZANU-PF- Zimbabwe African National Union Patriot Front

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DECLARAÇÃO DE AUTORIA...................................................................I

FOLHA DE APROVAÇÃO.........................................................................II

DEDICATÓRIA.................................................................................. ........III

AGRADECIMENTOS.................................................... ............................VI

RESUMO................................................ ....................................................V

RÉSUME.....................................................................................................VI

SIGLAS.....................................................................................................V II

INTRODUÇÃO........................................................................... ...............1

CAPÍTULO I- OS PAÍSES DA LINHA DA FRENTE

1.1- Atecedentes geo- histórico....................................................................5

1.2- Sua importância na África Austral.........................................................6

CAPÍTULO II- A SADCC

2.1- Antecedentes históricos e políticos.............................................. .........7

2.2- Institucionalização e objectivos da SADCC................................ .......10

2.3- O processo de transição da SADCC para a SADC............................14

CAPÍTULO III- A SADC

3.1- A sua criação.........................................................................................

3.2- Os países membros e critérios de adesão..............................................

3.3- Os princípios, objectivos da SADC......................................................

CAPÍTULO IV- O PAPEL DE ANGOLA NA SADC

4.1- No domínio político e diplomático........................................................

4.2- Na vertente de defesa e segurança....... ............................................ ......

4.3- No domínio da integração económica e livre comércio ........................


CONCLUSÕES.................................................................................... ...........

RECOMENDAÇÕES....................................................... ..............................

BIBLIOGRAFIA................................................................................. ...........

ANEXOS........................................................................................... ..............
INTRODUÇÃO

A SADC (Sourthen African Devolopment Community) é uma organização


regional nascida dos esforços empreendidos pelos países da Linha da
Frente, herdeira da antiga SADCC (Sourthen African Devolopment
Conference Coordination), constituda no dia 1 de Abril de 1980, em
Luzaka, Zâmbia, através da Declaração de Luzaka, denominada ³ África
Austral: Rumo a Libertação económica , foi o primeiro modelo de
integração regional. Englobava na altura 9 Estados e visava redução da
dependência económica da África do Sul. Vid p. 11, 1º parágrafo, linha 5 e
6.

De acordo com alguns pensadores políticos, os países da Linha da Frente,


foram os balões de ensaio rumo a criação de um bloco regional e que o
surgimento destes países foi considerado um acontecimento impar nesta
região conturbada, pelo facto desta na altura enfrentar um inimigo comum
que é o regime segregacionista do Apartheid que imperava na África do
Sul, permitindo deste modo a coordenação de esforços para apoiar a luta de
libertação dos povos da Namibia, do Zimbabwe e da própria África do Sul.

Um dos elementos que mais se destacou na formação do referido


organismo, no contexto das organizações económicas regionais do
continente, advem da proximidade geográfica e das relações com a África
do Sul. Essa realidade reflete-se na interdependência entre factores
económicos e políticos-estratégicos que teve uma crescente e relevante
importância na África Austral, fundamentalmente devido a especificidade
do regime do apartheid na África do Sul.

A redução da dependência económica em relação a África do Sul foi posto


em primeiro plano pelos membros desta região. Contudo , este objectivo foi
o resultado da existência de fortes laços de subordinação económica e a
necessidade de harmonizar as acções entre os Estados que eram alvos de
madidas de desestabilização e agressão a vários níveis e com intencidades
diferentes conforme os países, por parte do apartheid. 1

A formação histórica desta região passou por um fenómeno de


miscigenação entre os povos oriundos (Khoisan) e os povos Bantu, cujas
tradições estão presentes nas diferentes culturas da sua população.
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Temos a salientar a experiência colonial, nomeadamente á britânica e à
portuguesa que tinham como objectivo comum a manu tenção de uma
dominação branca nessa região, apoiada pelo poder europeu.Neste contexto
foram criadas a federação da Rodésia e da Niaselândia que abrangia os
actuais Malawi, Zâmbia e Zimbabwe. A União Sul Africana (fundada em
1910), o império portuguès que englobava Portugal e as suas ex -colónias
(Angola e Moçambique), consubstanciavam tentativas do poder europeu
para estabelecer identidades económicas e políticas na África Austral .

Todas estas tentativas fracassaram devido, por um lado, ao facto de serem


altamente racistas e contra os interesses dos povos africanos, e por outro,
elas determinavam as estruturas políticas, económicas e socio -culturais.

A luta pela independência nacional baseada no nacionalismo africano e nos


objectivos comuns da liberdade e unidade africana reforçaram o espír ito da
simbiose política e cultural, cujo o facto mais marcante foi o surgimento do
agrupamento político, denominado Países da Linha da Frente (PLF), em
1979, que contribuiu de forma decisiva para a libertação dos países sob o
jugo colonial na região.

O facto da África do Sul apresentar recursos económicos e capacidade


militar consideráveis, fez com que os povos da região se unissem para
definirem e desenvolver a África Austral.

A SADC, embora sendo reconhecida como a mais bem sucedida


organização de integração económica regional do continente africano, 22
anos após a sua constituição, continua a enfrentar sérios problemas, quer ao
nível do desenvolvimento económico e social quer ao nível da
implementação das políticas e estratégicas de integração regional.

Apesar de a SADC englobar a região mais rica do continente africano e


possuir entre os seus membros países como a África do Sul, que tem a
economia mais forte do continente e Angola, o país com maior potencial
em recursos naturais do continente e um dos mais ricos do planeta, ainda
continua a enfrentar sérios problemas, quer ao nível político quer ao nível
económico.

No que tange o papel de Angola na sub - região, salienta-se que até aos anos
60 o país permaneceu fora dos principais temas políticos desta região.Com
o desenvolvimento da sua luta de libertação nacional e principalmente com
a intervenção militar da África do Sul, em 1975, através do seu exército
regular, tornou-se de facto parte integrante da região.

Portanto, Angola jogou um importantíssimo papel no contexto da luta pela


libertação da Namíbia e da democratização da África do Sul, contribuindo
de facto para construção dos laços de fraternidade e amizade da África
Austral. O cenário político na região foi directamente influenciado pelo
processo de guerra não declarada a Angola, perpetada pela África do Sul.
Com a vitória militar alcançada por Angola nas céleb res batalhas do Cuito
Canaval e Calueque (1987/ 1988), a África do Sul foi obrigada a sentar -se a
mesa de negociações com as demais partes envolvidas no conflito.

Neste contexto Angola passou a ser vista como a nação do futuro no


projecto de integração económica regional da SADC, por ter cumprido com
os principais objectivo políticos da região que reclamaram a sua
intervenção directa e pelo esforço titânico empreendido ao enfrentar a
máquina poderosa de guerra sul-africana que culminou com a
independência dos povos nabianos, zimbabweanos e a própria África do
Sul, incluindo a paz no seu próprio país. Assumindo assim um papel
preponderante na mudança do senário político e militar na região.

Contudo , o trabalho aqui apresentado tem como finalidade analisar se o


esforço evidado por Angola contribuiu ou não para a estabilidade da região.

A hipótese aqui levantada permite saber o papel de Angola na sub -região


Austral.

A justificativa da discussão recai nos esforços do governo angolano no


estabelecimento de parcerias económicas com algumas Organizações como
a SADC. Assim sendo, o presente trabalho está estruturado da seguinte
maneira: uma introdução, 4 capítulos, uma conclusão, recomendações e por
último os anexos.

No I capítulo faz-se um breve comentário sobre os Países da Linha da


Frente, seus antecedentes geo-históricos e a sua importância na região. Far-
se-a também uma análise das razões que estiveram na base da
transformação de Países da Linha da Frente em Conferência de
Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral.
No II capítulo fala-se da SADCC, seus antecedentes históricos e políticos,
a sua institucionalização e objectivos, bem como a sua transiç ão para
SADC.

No III capítulo ³A SADC´, sua criação, países, países membros e critérios


de adesão e os princípios, objectivos e importancia da mesma

Finalmente no capítulo IV ³O papel de Angola na SADC,´ onde faremos


uma análise da importância do papel de Ang ola na sub-região no domínio
político e diplomático, na vertente de defesa e segurança militar e com
maior destaque no domínio da integração económica e livre comércio por
serem os interesses económicos a comandarem as relações entre os
Estados.

Na conclusão far-se-a uma sintese de tudo o que foi abordado no trabalho ,e


nas recomendações procuramos dar uma contribuição no sentido de sermos
parte da solução dos problemas verificados no decorrer da nossa
investigação.

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Na abordagem deste tema, importa-nos recuar no tempo e entrarmos nas


raizes mais profundas dos anos 60 e 70 conhecidos na história de África
como época das independências africanas e que ocorreram na África
Austral factos dignos de realce, pricipalmente do ponto de vista político e
militar. Década esta que se destacaram algumas personalidades que deram
um impulso para a criação de um forum regional com objectivo de
concretizarem projectos comuns. Inicialmente os Países da Linha da Frente
eram constituidos pela Zâmbia, Tanzânia e Botswana e posterirmente após
as suas independências em 1975 Angola e Moçambique, aderem também a
organização dando um grande contributo na modificação desta emergente
organização.Nesta altura haviam na África Austral apenas duas
organizações, a União de Direitos Alfandegários da África Autral (SACU)
e a Área Monetária Comum da África Austral (SACMA), ambas
caracterizadas por um grau elevado de dominação.

Com o surgimento dos Países da Linha da Frente surge também ³uma luz
no fundo do túnel´, pelo facto destes criarem bases sustentáveis que
permitiram a coordenação de esforços para apoiar a luta de libertação
política dos povos namibianos e zimbabuéanos bem como para a queda do
regime segregacionista do apartheid na África do Sul, tarefa esta que exigiu
particularmente um esforço titânico da Repú blica de Angola ao assumir
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#$'-.c c c '#2 7c resultando assim as independências da
Namíbia e do Zimbabwé e o fim do apartheid na África do Sul.

Sendo uma criação da Organização da Unidade Africana , os Países da


Linha da Frente, surgiram no quadro da estratégia desta instituição colonial
em apoio aos movimentos de libertação dos vários países africanos que
ainda lutavam para a eliminação do colonialismo, racismo e outras formas
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de dominação na região. A título de exemplo , destaca-se as pretenções do
presidente Kénnth Kaunda da Zâmbia, em 19 74, numa conferência em
Dar-es-Salam para a criação de uma cintura transcontinental de nações
independentes e economicamente poderosas , de Dar-es-Salam a Maputo no
oceano índico, até Luanda no oceano atl ântico.

Nesta altura, destacavam-se os casos de Angola,África do Sul,


Moçambique, Namíbia e Zimbabué, que lutavam em simultânio para as
suas independências, a iniciativa também serviu como forma de resistência
às agressões do regime segregacionista do apartheid que vigorou na África
do Sul.

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Depois do alcance das suas independências, Angola e Moçambique aderem


aos Países da Linha da Frente, o que permitiu o engrandecimento da
organização e a sua capacidade de gestão dos problemas, a julgar pelas
vitórias que se registaram na época caracterizada pela cooperação política e
económica entre os Estados membro. A partir de 1975 começaram a reunir -
se períodicamente com o intuito de coordenar estratégia e esforços dos
Movimentos de Libertação Nacional da África Austral.

A importância destes países consistiu na grande cooperação entre si , com


vista a libertação da dependência económica à África do Sul. Mas tarde as
suas acções consubstanciava-se na luta contra o apartheid na África do Sul
que desestabilizava os Estados independentes da região, posterirmente os
Países da Linha da Frente alargaram o seu campo de acção passando a ser
também um forum para tratar das questões ligadas as agressões militares e
suas consequências. Perante o crítico quadro político ±militar que se
registou na época, estes países intencificaram a luta em ambas frentes, o
que permitiu o reforço dos laços de solidariedade no seio da organização e
a necessidade de idealizar acções mais concertadas com v ista a alcançar
formas superiores de organização.

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Sabe-se que a maior parte dos países da organização dependiam sempre da


África do Sul, como fonte de produtos de consumo manufaturados,
incluindo alimentação, máquinas industriais e equipamentos. O Botswana,
o Lesoto e a Swazilândia mais de 90% das suas necessidades estavam
dependente da África do Sul, o comércio de exportação e importação do
Zimbabwe estava dependente do referido país. De um modo geral as
empresas Sul-africanas dominavam o comércio na região. Angola era o
único país da região que não dependia da África do Sul, quer pela sua
situação geográfica quer pelo seu sistema de comé rcio internacional,
transporte, telecomunicação e infraestruturas.

Cerca de 500.000 cidadãos encontravam -se empregados como


trabalhadores imigrantes na África do Sul, principalmente cidadãos do
Botswana, Moçambique e Swazilãndia.

Este nível de dependência por parte dos países da região Autral, originou
uma chantagem política por parte do regime segregacionista que vigorou na
África do Sul, o Apartheid que utilizou as suas vantagens económicas ou
pressões militares para tentar impor os seus interesses na região.

Com a queda do colonialismo português e a consequente independência de


Angola e Moçambique (1975) e posterirmente a do Zimbabwe (1980), a
correlacção de forças alterou obrigando assim a Á frica do Sul a reformular
a sua estratégia regional.

Neste âmbito John Voster lançou a política de délete Constelacion of


States of Southern África (CONSAS) 3 que consistiu em transformar todos
os Estados vizinhos em países dependentes e submeter aos interesses do
Apartheid.

Este projecto foi apresentado como iniciativa de reorientação da política


Sul Africana e a intenção de conduzir políticas de neutralidade, com
objectivo de atrair os Estados da sub região para um bloco independente
do Leste e do Ocidente. Em finais de 1976, a política regional da África do
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Sul fracassou e o regime foi obrigado a enfrentar uma crise interna
galopante, provocada pelo celébre massacre de Soweto, o que obrigou
inúmeros jovens a ingressar nas fileiras do Congresso Nacional Africano
(ANC).

Neste sentido nasce, a nível da comunida de internacional, o sentimento


anti-apartheid que resultou no embargo de armas contra África do Sul
decretado pela ONU em Novembro de 1977.

No entanto, após várias iniciativas diplomáticas e consertação de ideias, os


dirigentes políticos dos Estados da região, decidiram criar a SADCC para
contrapor os objectivos Sul- africanos, que visava a redução da
dependência política e económica dos Estados -membros, em relação à
África do Sul.

Devido aos desequilíbrios que existe entre os países da região, os seus


lideres estavam consciêncializados de que seria muito difícil cada Estado
membro individualmente, reestruturar as suas economias e que a única
forma de participarem à nível global nos mercados dos países
industrializados, seria por intermédio da formação de um bloco económico
regional que se apresentava a priori, com grandes possibilidades de
competição, visto como um bloco forte e coeso, pelo menos em termos
políticos que aumentaria a capacidade dos Estados membros negociarem
com muito mais peso do que individualmente.

No entanto a África Autral , não escapou das mudança fundamentais que


ocorreram em todo o mundo, tanto no domínio político como económi co,
acontecimentos estes, que repercutiram na maior parte dos Estados
membros da organização. A gestão dos assuntos económicos que exigiam,
a intervenção e controle estatais, passou a ser reformulada de modo a
permitir o estabelecimento de políticas orientadas para a economia de
mercado. Na vertente política, os governos de partido único foram
substituidos por sistemas multipartidários. A concretização do primeiro
modelo de integração regional(SADCC) foi dificultado pela instabilidade e
a segurança política na região, principalmente o apartheid, por intermédio
da agressão militar e da desestabilização política e económica perpetada
pela África do Sul, através de invasões, sabotagens ou ataques directos à
alvos económicos e civis, apoiando a Renamo e a Unida que operavam em
Moçambique e Angola respectivamente.
Estas desestabilizações, fez com que alguns países da região elevassem os
seu custos económicos e humanos. De acordo com um estudo publicado
pela Comissão Económica das Nações Unidas para a África em Outubro de
1989, no período de 1980-1988 o custo total da mesma foi estimada em
USD 60 milhões em prejuizos no Produto Interno Bruto (PIB),
principalmente com custos adicionais a nível da defesa, exportações,
transportes e receitas com o trafego do trânsito. Os custos foram
distribuidos, de forma desigual e cerca de três quartos dos recursos foram
suportados por Angola e Moçambique. As perdas humanas foram
elevadíssimas. A taxa excessiva de mortalidade infantil e adulta atingiu 1,5
milhão de vidas no referido período, como consequência directa e indirecta
da estratégia regional Sul -africana. Quase metade da população de
Moçambique e Angola foi obrigada a abandonar os seus lares, pelo menos,
uma vez ou foi afectada pela fome provocada pela guerra. Cálculos da
primeira metade do ano de 1989 indicavam que pelo menos 1,5 milhão de
pessoas destes Estados refugiaram-se nos países vizinhos. A
desestabilização política perpetada pelo apartheid teve como objectivo, a
sufocação dos seus problemas internos, como a sobrevivência da minoria
branca; a erradicação dos Movimentos de Libertação Nacional- ANC,
PAC, e SOWAPO; e frustar as tentativas dos Estados da SADCC de
redução da dependência económica em relação ao referido país.

A SADCC, estimou que em 1988 na área dos transportes, os seus Estados


membros pagavam cerca de USD 350 milhões, por ano à África do Sul,
pela utilização dos seus caminhos de ferro e portos, tendo em conta que, na
época, apenas três países da Organização tinham acesso ao mar. Os
restantes dependem de outros países para o tranporte de mercadorias , bens
e equipamentos, por via marítima. Destaca-se também a situação
enfrentada pelo zimbabwe, durante a fase de maior agressividade da África
do Sul que teve de colocar cerca de 12.500 soldados para proteger os
Corredores de Transporte da Beira e Maputo.

A destruição das infra-estrutura de tranporte em Angola e Moçambique


subtraíram lucros substanciais. Entre 1980-1988, os prejuízos de
Moçambique nas receitas com o tráfego com o trânsito rondavam por volta
de USD 1,5 bilhão e Angola perdeu cerca de USD 600 milhões durante o
mesmo período.
No sector do comércio, a situação é ainda mais grave. O comércio entre a
África do Sul e a SADCC é extremamente desiquilibrado. As importações
dos países da Organização em relação à África do Sul excendem as
exportações por um factor de meno de 5 por um, sendo o excedente do
comércio Sul-africano com o referido organismo regional, na ordem de
USD 1,5 bilhão por ano.

Devido as razões acima referenciadas, e não só, não foi possível á


Organização levar a cabo as acções estipuladas no seu Programa de Acção.
Assim o referido agrupamento regional realizou apenas o seu progecto
político, pois ao criar uma grande identidade política e um espírito de
solidariedade na região, conjulgando esforços para a vitória da luta contra o
apartheid na África do Sul. Por outro lado, pela primeira vez, a Áfrca
conseguiu mobilizar a compreensão e a ajuda internacional através do
mencionado organismo regional que jogou um papel prepondera nte na
arena política internacional.

A SADCC visou o isolamento político da África do Sul por intermédio da


comunidade internacional e obteve essa redundante vitória. Com a
aplicação de sanções económicas pelas Nações Unidas apartir de 1982 e a
Comunidade Europeia, em 1985, a África do Sul viu os seus intentos
frustados e face ao agravamento da sua crise económica e derrota militar,
não teve outra saida, a se não aceitar conversações com as partes
envolvidas no conflito regional.

No quadro da prespectiva política há ainda a referir os aspectos que se


prendem com a defesa da integridade territorial dos países membros da
SADC, bem como o papel do Estado nos diferentes regimes políticos da
região.

Com a escalada galopante da agressividade militar da África do Sul para


com os países vizinhos, surgiu a necessidade dos seus Estados membros
organizarem-se e mobilizarem a sociedade em geral, para o factor guerra.
Contudo, naqueles países onde a agressividade foi mais intensa por razões
já explicitadas, tornou-se imperioso a militarização, em proporções
diferentes, da governação, das sociedades e dos orçamentos.

.Neste contexto, países como Angola e Moçambique tiveram que canalizar


os seus recursos económicos, por forma a garantirem a sua existência como
Estado-nações, sobretudo para a formação dos seus exércitos, superação
dos seus quadros militares e aquisição de armamentos sofisticados para
combater o inimigo comum, visando a defesa territorial e a integridade das
suas fronteras. 4As esferas económicas-sociais ficaram postergadas,
acarretando prejuízos enormes às economias de ambos os países, que
agravou os problemas sociais principalmente, devido ao desemprego, à
doença, à corrupção, enfim, à falta de condições propícias para o
desenvolvimento integral das respectivas sociedades. Considerando que a
segurança era vital, para o incremento das relações regionais, a
Organização tomou medidas no sentido de reunir peritos ligados às
questões de defesa e segurança para aliviarem a problamáti ca relactiva ao
conflito que envolvia à África do Sul e vários Estados membros. Neste
quadro, o Tratado da SADC estabeleceu a criação de uma área para
coordenar os assuntos relacionados a política, diplomacia, relações
internacionais, paz e segurança, nos termos do artigo 21, ponto 3, alínea g
do mencionado instrumento jurídico, prevendo também a assinatura de um
protocolo neste sentido. O estabelecimento deste novo sector é,
particularmente importante tendo em conta, a história da agressão militar
sul-africana contra o resto da região, em primeira instância, e também, pelo
facto de puderem surgir novos focos de conflitos. A cooperação no
domínio da segurança é uma área nova para a Organização e neste âmbito
algumas propostas foram elaboradas no tema do docu mento apresentado
em 1993, na Conferência Consultiva da SADC, Harare.

Em 1993 numa Conferência Consultiva da SADC em Harare, os vários


participantes ao referida Conferência sugeriram, a assinatura de um pacto
regional de não- agressão na sequência da realização de uma conferência
para identificar as potenciais ameaças à segurança nacional, bem como a
toma de medida sobre a questão em causa. A strutura regional de segurança
necessária para a África Austral, após o apartheid deverá incluir todos os
países da região e possivelmente manter órgãos permanentes.

É de salientar que a participação dos países da SADC é feita por


representantes do governo a diferentes níveis. Independen temente do
regime político adoptado pelos seus países membros, o Estados exerce
sempre um papel hegemónico, como grande financiador, empregador e
gestor de grandes investimentos, bens e serviços. Isto deve-se,

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particularmente, porque a participação do empr esariado, nomeadamente do
sector privado é diminuta. A cooperação e a integração não podem
desenvolver-se apenas ao nível de representantes do Estado, havendo
necessidade de um engajamento mais eficaz do sector privado. Um dos
grandes problemas que a Organização enfrentou foi a falta de participação
efectiva de empresas públicas ou privadas nos seus investimentos a curto,
médio ou longo prazos. Por outro lado, sendo a SADC uma organização
descentralizada, compete à cada Estado membro, através das suas Unida des
de Coordenação ou Comissões Sectoriais, negociar, assinar contratos ou
acordos de cooperação com os vários Parceiros de Cooperação
Internacional ou agências financiadoras para implementar os programas e
os projectos regionais. Esta descentralização confere ao Estado um papel
relevante no processo decisório, independentemente do regime político
proceguido pelo mesmo. A título de exemplo, podemos salientar a posição
assumida pelos governos de Angola e Moçambique que tendo optado pelo
marxismo-leninismo, participavam em igualidade de circunstâncias, com os
demais Estados da Organização.

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A esperiência que os Estados membros tiveram na cooperção bilateral,


orientou a organização na criação de intituições, bem como a própria
Declaração de Lusaka, também foi influenciada pelas experiências
específicas da região.

Naquela época, as únicas organizações existentes na África Austral, eram a


União de Direitos Alfandegários da África Austral (SACU) e a Área
Monetária Comum da África Austral (SACMA), mas estas não eram
cocebidas para o desenvolvimento equilibrado. Pelo facto destas serem
uma esperiência negativa, em Julho de 1981, os Países da Linha da Frente
criaram bases para criação de estruturas institucionais que funcionou por
intermédio de um Memorando de Entendimento aprovado pela Cimeira dos
Chefes de Estado e de governo.

Mas tarde, a Organização adoptou uma política na qual a criação de novas


instituições regionais teriam de ser fundamentamentadas apartir da
existência do volume de trabalho e programas concretos. Em termos
económicos, as instituições podiam ser estabelecidas caso os benefícios dos
Estados membros exdessem os custos com a sua constituição. Apesar da
adopção desta política, haviam algumas excepções , pois em muitos casos,
os benefícios viriam mais tarde, depois da criação de instituições como a
Comissão de Transportes e Comunicações da África Austral (SATCC) e o
Centro para a Cooperação em Investigação Agrícola da África Austral
(SACCAR) aprovados em Jlho de 1981 e Junho de de 1986 pela Cimeira
dos Chefes de Estado e de Governo.

A fim de minimizar a diferença entre os custos iniciais e o fluxo de


benefícios, o funcionamento destas instituições exigiu o recurso aos
Parceiros de CooperaçãoInternacional. Os Estados membros foram
responsabilizados pelos custos de manutenção das suas estruturas
nacionais (Unidades de Coordenação), como salários, acomodação de
funcionários, facilidades de transportes, entre outros .

A descentralização e, a contituição de novas instituições na SADC C/


SADC, possibilitou os Estados membros desenvolverem as suas
actividades normalmente, em prol do encremento da cooperação regional.
Cada Estado membro criou uma Unidade de Sector de Coordenação (USC),
com objectivo de levar a cabo o seu mandato regional e as decisões eram
tomadas por consenso.

Para o desenvolvimento da sua actividade a SADCC contou com o apoio


das instituições consagradas no Memorando de Entendimento, que são as
seguintes:
3c c $($c c 5c c #c c c
 ± que dirigia e
controlava as funções da conferência;
3c c c c ¢$$# ± respondia perante a Cimeira e
supervisionar as actividades desenvolvidas da SADCC, assim como
aprovar as suas políticas;
3c c ($#1c (#c c #c '$:$c ± funcionava como
Comité Técnico Consultivo;
3c c ($+c #$$c ± para coordenar as actividades relativas
aos programas sectoriais;
3c c #$c ± responsável pela coordenação e Gestão dos
programas da SADCC;
3c c 5;$c '#$c 'c ± Para consulta com governos e
agências internacionais de financiamento e Instituições Privados.

Os objectivos da organização encontram-se plasmados na Declaração


de Lusaka denominada ³África Austral: Rumo á Libertação Económica´.
Portanto, os objectivos fundamentais eram os seguintes:
3c Redução da dependência 24conômico particularmente, mas não
só, em relação à África do Sul;
3c O estabelecimento de relações para a criação duma integração
regional genuína e equitativa;
3c Mobilização de recursos para promover a implementação de
políticas nacionais, interestaduais e regionais;
3c Acções concertadas para garantir a cooperação internaciona l no
quadro da estratégia de libertação 24conômico.
Para atingir os objectivos preconizados, a SADCC singiu-se mais na
cooperação em sectores chave com base no Programa de Acção da
Organização e contou com o apoio de parceiros como as Agências
Internacionais de Financiamento, Governos e Instituições Pri vadas para
prestarem a devida assistência aos projectos e ou programas com vista a
garantir a independência 24conômico e o desenvolvimento regional.
Entretanto, o regime do apartheid continua va de forma arrogante e
agressiva no seu plano de desestabilização da região , os Estados membros
concertaram uma estratégia que incluía acções político -diplomáticas junto
da Comunidade Internacional combinadas com acções militares no interior
da África do Sul. Por exemplo, a partir de Moçambique, forças militares
combinadas deste Estado, da Tanzânia e dos Movimentos de Libertação do
Zimbabué desencadeavam também acções com o mesmo objectivo, que era
de mudar à correlação de forças na região, o que veio a ocorrer 5 anos mais
tarde, com as independências da Namíbia e do Zimbabué e a queda do
regime racista. Nessa luta titânica entre os Estados membros da SADCC e
o regime hediondo do apartheid, muitos foram os factos e 25conômico que
a história registou para a eternidade consubstanciados na bravura de
milhares de combatentes, muitos dos quais 25conômic que não se
importaram derramar o seu sangue para que vingasse o projecto de
construção de um bloco 25conômico regional forte na África Austral. Entre
esses valorosos combatentes destaca-se o Presidente Samora Machel de
Moçambique quando o avião que o transportava e mais trinta e quatro dos
seus compatriotas e colegas se despenhou em Mbuzini - África do Sul - em
circunstâncias inesperadas a 19 de Outubro de 1986, de regress o de mais
uma Cimeira da SADCC realizada na Zâmbia.
A este propósito, Nelson Rolihlahla Mandela, ain A este propósito, Nelson
Rolihlahla Mandela, ainda na cadeia, enviou à viúva do Presidente
Moçambicano, Graça Machel uma mensagem de condolências com o
seguinte texto:
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c$.c&'c##cc $#c (c¢3c¢cc
)*$cc¢-(*$&'cc<=cc'c(#$#cc2c&'c
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O Tratado de acção de Lagos , de 1980 referente as Comunidades


Económicas Regionais (RECs) e a Assinatura do Tratado em 1991 por
parte dos Chefes de Estado e de Governo da Organização de Unidade
Africana (OUA), permitiu a criação da Comunidade Económica Africana .
Estas iniciativas deram impulso aos Chefes de Estado da SADCC para os
seus esforços de integração regional na África Autral.

Com a democratização da África do Sul, a partir de Abril de 1992, com a


assinatura dos acordos de paz em Moçambique e Angola e com a redução
das tenções políticas no Lesotho e no Malawi, entre outros acontecimento,
estavam criadas as condições para que a SADCC evoluisse na direcção de
uma integração económica, visto que tinha sido apenas uma integração
política, destinada por um lado, a minimizar as agressões do apartheid na
África do Sul. Neste contexto, em Agosto de 1989, efectua -se em Harare
(Zimbabwe), a cimeira dos chefes de Estados e de Governos, onde se
decidiu que a organização deveria ser formalizada, devendo ser regida por
um estatuto legal mais apropriado, havendo a necessidade premente de
substituir o anterior memorando, por um tratado, carta ou acordo. Após
consulta aos Estados membros e uma série de actividades preparatórias
com vista a elaborar um documento que fosse de encontro aos anseios dos
respectivos países, chega-se a conclusão que se deveria alterar
substancialmente a ênfase dada na mera coordenação de programas e
projectos específicos para uma integração equivalente as suas economias,
tendo em conta o estabelecimento de uma comunidade económica.

Em Agosto de 1992, em Windhoek (Namíbia), os chefes de Estado e de


governo da SADCC assinaram a Declaração e o Tratado que estabeleceu a
tranferência da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral
(SADCC) para SADC.

As prespectivas para a integracção regi onal da África Austral, foram


reforçadas pelo compromisso básico dos Estados membros no incremento
das liberdades políticas e na manutenção da paz, estabilidade e
desenvolvimento económico -social ; pelas experiências práticas que os
Estados adquiriram, trabalhando em conjunto com a anterior organização,
durante os últimos 12 anos; pelo pragmatismo e flexibilidade operacional
da instituição e pelo estabelecimento de um conjunto de relações com os
parceiros de Cooperação Internacional, incluindo o Sul.

Para compriendermos a formação deste agrupamento regional, é preciso ter


em conta um conjunto de factores, económico, políticos, sociais e culturais,
nas quais a região foi submetida antes do seu surgimento.

Neste contexto, referimos que a África Austral é uma d as regiões mais


importante do continente, em ascensão, pela sua posição estratégica
consernente à localização geográfica, sendo banhada por dois oceanos: o
Atlântico Sul que, tinha sido no passado objecto de interesses externos que
pretendiam a criação de um pacto militar na extensão do pacto do Atlãntico
Norte, de iniciativa brasileira, que passou com a resolução 41/11 das
Nações Unidas, de 27 de Outubro de 1986, a ser considerada como zona de
paz e cooperação, aproximando assim os países fronteriços em te rmos de
interesse comum, visando os conflitos da área; 5 o Índico, onde se situa
Moçcmbique, que levava a possibilidade futura da formação de um sistema
económico do pacífico articulado, pocivelmente, com o sistema do
Atlântico, principal eixo de uma econom ia com uma tradição de cinco
séculos, e que poderá no entender, de alguns autores, alterar o eixo da
actual economia mundial. Importa salientar que a zona

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Dose anos mais tarde, os lideres da SADC decidiram criar um estatuto legal
e mais formal, passando o enfoque da coordenação de projectos de
desenvolvimento para tarefas mais complexas de integração das suas
economias numa economia regional.

Foi então que Chefes de Estados e de Gove rno assinaram uma Declaração e
Tratado que permitiu a criação da Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral (SADC), numa Cimeira realizada em Windhoek em 17 de
Agosto de 1992. Esta foi criada com um objectivo principal de fortalecer e
consolidar de forma duradoura as afinidade s históricas, sociais e culturais e
dos laços entre os povos da região.

Esta organização surge para superar os difíces e complexos problemas que


a região enfrentava e que por si só uma Coordenação para o
Desenvolvimento não seria capaz de os resolver, fazendo então com que
países membros criassem uma Organização mais forte e coesa que os
permitisse resolver os problemas mais candentes na região.

Esta surge também porque na anterior, a SADCC os Estados membros não


eram signatários de um Tratado ou Carta Constitutiva, não havendo por
isso obrigações para os Estados que não cumprissem com as decis ões e
recomendações. Esta Organização considerada voluntária regia -se apartir
de um Memorando de Entendimento .6

Havendo necessidade dos Estados membros da SADCC fazerem face as


transformações socioeconómicas e políticas que ocorriam um pouco por
todo o mundo, fortalece-se o mecanismo de cooperação, decidem adequar a
orgonização aos novos desafios.

Para além do acima referenciado é sabido que a sub -região Austral passou
por vários constrangimementos impostos pelo regime do apartheid que
vigorava na região, facto que permitiu que em 1989 os Chefes de Estados e

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de governo se reunissem em Harare - Zimbabué onde decidiram criar a
SADC.

Foi assim então que no dia 17 de Agosto na Cimeira de Windoek-Namíbia,


os Chefes de Estados e de governo assinaram o Tratado e a Declaração que
criou a SADC e redifiniram a base de cooperação entre os Estados
membros. A África do Sul foi admitida na Organização em 1994, em 1995
e 1997 as Ilhas Maurícias e a República Democratica do Congo
respectivamente.

Salientan-se também que depois da sua criação a SADC deparou-se com


problemas de infraestruturas socioeconómicas, dificultando assim o seu
pleno funcionamento. Como forma de ultrapassar as dificuldades de
natureza institucional, foi aprovada em Cimeira extraordinária a
restruturação das instituições por forma a aumentar a eficiênci a das
políticas e dos programas e para apoiar a reestruturação, foi ainda
incumbido ao Secretariado a tarefa de e laborar um Plano Estratégico
Indicativo de Desenvolvimento Regional, RISDP. mc c CHomo ilustra a
figura 2.1, actualmente, a SADC apresenta uma estrutura organizativa mais
funcional e a altura dos novos desafios, como, fruto da nova dinâmica
imprimida na organização.

Portanto, a SADC é considerada não só como uma Organização sub -


regional de integração económica, mais também uma organização
internacional com personalidade jurídica de direito internacional, que lhe
foi atribuida apartir do protocolo da Declaração das Nações Unidas, e, na
Carta Africana dos Direitos Humanos da Organização da Unidade
Africana, que preve as celebrações de acordos de sede com os seus
membros e o estabelecimento da capacidade juridica funcional de forma
descritiva.

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c Cc(cc"&cc(B6c(c&ccccc&cc
c/6cc& cccc
Concluindo, a criação da SADC, surge da necessidade dos Estados
membros da SADCC transformarem uma organização voluntária cuja
existência assentava num Memorando de Entendimento para uma
instituição juridicamente vinculativa que se baseava apartir dr um Tratado ,
surgindo ainda para mudar os objectivos da organização para dar maior
peso ao bem-estar económico, à melhoria da qualidade de vida e a paz,
liberdade, segurança e justiça. c

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A SADC é uma organização da região da África Austral , que esta formada


por todos os países da região, tais como: África do Sul, Angola, Botwana,
Lesotho, Madagascar, Malawi, Maurícios, Moçambique, Namibia,
República Democrática do Congo, Suazilândia, Seyicheles, Tanzânia,
Zâmbia e Zimbabué, sua sede localiza -se em Gaberone, Botwana 8. A
SADC, tem uma população estimada em

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Para que a região possa emergir como um participante competente nas


relações internacionais e na economia internacional, adoptou como Missão,
a promoção do crescimento económico e o desenvolvimento
socioeconómico sustentáveis e equitativos, da boa governação, e da paz e
da segurança duradoira.

Para prossecução desta missão, serve -se dos seguintes princípios que se
encontram plasmados no Artigo 4º do Tratado da SADC:

a) Igualidade de soberania de todos os Estados membros;

b) Solidariedade, paz e segurança ;

c) Direitos humanos, democracia e Estado de Direito;

d) Equidade, equilíbrio de benefício mútuo;

Resolução pacífica de disputas 9

Os objectivos da SADC são os seguintes:

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3
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c;:&c"( cD c
3c Alcançar o desenvolvimento e crescimento económico através da
integração regional, aliviar a pobreza, melhorar o padrão de vida dos
povos da África Austral e apoiar os que são socialmente
desfavorecidos;
3c Desenvolver valores, sistemas e instituições políticos comuns;
3c Promover e defender a paz e a segurança;
3c Promover o desenvolvimento auto sustentado na base da auto -
suficiência colectiva e a interdependência entre os Estados;
3c Conseguir a complementaridades entre as estratégias e programas
nacionais e regionais;
3c Promover e optimizar o emprego produt ivo e a utilização dos
recursos da região;
3c Conseguir a utilização sustentável dos recursos naturais e a protecção
efectiva do meio ambiente;
3c Reforçar e consolidar as afinidades e laços históricos, sociais e
culturais desde há muito existentes entre os povo s da região.
Entretanto, para que estes objectivos sejam alcançados a SADC deverá:
3c Harmonizar políticas e planos socioeconômicos dos Estados
membros;
3c Encorajar os povos da região e suas instituições a tomarem
iniciativas que visem o desenvolvimento de ví nculos sociais e
culturais no seio da região e a participação plena na implementação
de programas e projectos da SADC;
3c Criar instituições e mecanismos apropriados com vista a
mobilização dos recursos necessários para a implementação de
programas e operações da SADC e suas instituições;
3c Desenvolver políticas destinadas a eliminação progressiva de
obstáculos a livre circulação de capitais e força de trabalho,
mercadorias e serviços, e em geral, a livre circulação de pessoas da
região, entre os Estados membros;
3c Promover o desenvolvimento, transferência e domínio da
tecnologia;
3c Melhorar a gestão e o rendimento económicos através da
cooperação regional;
3c Promover a coordenação e harmonização das relações
internacionais dos Estados membros;
3c Assegurar o interesse e compreensão, a cooperação e apoio
internacionais, e mobilizar afluxos de recursos, públicos e privados
para a região;
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Os projectos e programas da SADC têm também o suporte da NEPAD .c

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Portanto, o papel de Angola remonta a época dos Países da Linha da
Frente. A sua contribuição foi profundamente determinante porquanto o
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seu governo, o seu povo e as suas forças armadas suportaram e enfrentaram
em várias frentes a pesada máquina de guerra racista e consequentemente
alteraram a correlação de forças a favor dos povos até então subjugados à
dominação colonial, o que permitiu que hoje fossem livres, independentes e
soberanos. O empenho de Angola à esta causa nobre, contribuiu não apenas
para o fortalecimento da organização mas também para alcançar outros
patamares que conduziram ao surgimento da SADCC e posteriormente da
SADC. Deste modo, a República de Angola granjeou por mérito próprio
admiração, respeito e prestígio nas regiões austral e cent ral e em particular
na própria África do Sul.

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As relações de Angola com os países africanos, continua a ser uma


prioridade no quadro da estratégia global da sua política externa, quer no
âmbito bilateral, quer no âmbito multilateral, sem desmérito para outras
acções que o permitiram grangear um lugar de destaque na arena
internacional.

Vários são os exemplos que podemos apontar, como a eleição de Angola a


membro do Conselho dos Direitos humanos das Nações Unidas 11, a 17 de
Maio de 2007, para um periodo de 3 anos, isto é de 2002 - 2010, em
representação a África Autral, onde o governo angolano comprometeu -se a
desenvolver dentre outras acções, uma atenção especial aos di reitos
humanos e a pobreza, o desenvolvimento sustentável, a protecção
ambiental, a igualidade de oportunidade e o acesso aos recursos essenciais,
incluindo a água, a alimentação, a habitaçÕ adequada , os serviços de sáude
e a educação, tal como esta insti tuido pelos organismos das Nações Unidas.

Sem sombras de dúvidas, todos estes factos contituiu mais um êxito da


estratégia político-diplomático do governo, pois as relações com os países
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vizinhos e com as organizações regionais, a participação activa na bu sca de
solução dos múltiplos problemas que afectam a vida do continente, em
particular o da sub- região austral, constituem a linha dede força do
governo angolano. Angola foi eleita por mérito próprio pelo Chefes de
Estados e de Governo durante a sexta Cimeira da Organização realizada em
Cartum, no Sudão, em Janeiro de 2006, isto devido ao dinamismo político -
diplomático emprrendido por Angola a nível internacional.

O empenho de Angola enquanto membro não permanente do Conselho de


Segurança das Nações Unidas encheu de orgulho não só o povo angolano
mas também os cidadão da região austral e do continente africano. Este
facto, fez com que Angola fosse eleita vice -presidente do orgão de
cooperação nos domínios da Política, Defesa e Segurança no período entre
2007-2008, numa Cimeira dos Chefes de Estados e de Governo da SADC
que foi realizada em Maseru-Lesotho.

No entanto, perante todas estas responsabilidades, Angola criara condições


favoráveis no sentido de alcançar os objectivos da agenda regional no
domínio político-diplomático, centrando as suas actividades nas questões
da promoção da paz, e prevenção de conflitos na região.

Portanto, é por razões políticas e diplomáticas que Angola aderiu a


organização, utilizando estes intrumentos para condenar as agressões sul
africanas de que a região era alvo e em simultâneo solicitar ajuda a
comunidade internacional na reconstrução das suas infra -estruturas
económicas e sociais destruidas pela guerra.

Ainda no plano político e diplomático, Angola contribuiu ou seja jogou um


papel fundamental para o estabelecimento da paz e estabilidade regional,
defesa dos direitos humanos e consolidação da democracia, reforçando a
capacidade da manutenção da paz e prevenção de conflitos na região 12

Angola contribuiu de forma prestigimosa na pacificação do conflito da


RDC, culminando com a realização de eleições legislativas e presidenciais,
empenhando-se diplomáticamente na resolução de conflitos em outros
Estados membros da SADC.

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Angola primou claramente por uma política de defesa avançada, o que lhe
tem permitido grangear admiração, respeito e simpatia da comunidade
internacional e , em particular dos Estados membros da SADC.

Angola é tida como um parceiro importante na estruturaç ão da área de


segurança na região, devido a ajuda que prestou na formação de polícia e
dos exércitos de vários Estados, obedecendo assim o estabelecido no artigo
10º do órgão de defesa e segurança institucionalizado em 28 de Junho de
1996 numa Cimeira de Chefes de Estados e de governo da SADC, realizada
em Gaberone capital do Botwana. 13

Sobre orientação da União Africana, Angola participou de forma brilhante


na preparação da ³Brigada em Estado de Alerta´ 14 da região austral, um
órgaão multinacional composto p or forças militares, policiais e civis que na
qualidade de força de paz da SADC, tem as seguintes tarefas:

- Levar a cabo missões de observação e de controlo de apoio a paz e


intervenção num Estado membro com vista a restauração da paz e de
segurança na região;

.-Levar a cabo acções de prevenções de modo a evitar a agravamento


de um conflito ou de um diferendo ou ainda evitar o
alastamentomento para os Estados vizinhosde um violento conflito
que esteja em curso;

-Velar pela consolidação da paz, pelo desarmamento e pela


desmobilização pós conflito, prestação de assistência humanitária
para aliviar o sofrimento da população civil em áreas de conflitos e
opoiar os esforços que tendem pôr fim as calamidades naturais;

- Sempre que necessário, a brigada cooperara com as Nações Unidas


e suas agências bem como outras organizações internacionais e
regionais, com as autoridades nacionais e Organizações Não
Governamentais.

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A possibilidade das Estado poderem atingir patamares altos do seu
produto interno bruto, advem das relações económicas por eles
estabelecidos com outros Estados do mundo, servindo de catalizador
das relações inter estatais.

De acordo com a Ministra do Planeamento da Repú blica Popular


de Angola, Dra Ana Dias Lourenço, ³c#cc$#c%($2c
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%($c.cc&'$$*(#c#$  !Hc

O fenómeno assimetria no seio da organização constitui uma barreira


à verdadeira integração económica, pelo desníveis no
desenvolvimento económico e social dos Estados membros, daí a
lógica da preocupação da respo nsável pelo Planeamento do Governo
angolano.

Devido as suas potencialidades económicas, a República de Angola


assume uma posição de destaque no contexto regional e joga um
papel importante e, de hegemonia no desenvolvimento económico e
social, sobretudo pela sua localização geográfica, o que lhe permite
ser considerada por alguns estudiosos como a porta de entrada da
região, seus recursos naturais, destacando-se os recursos florestais,
minerais, hídricos, pescatórios e recursos faunisticos de onde

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destaca-se uma das espécies raríssima do mundo, a Ralanca Negra
Gigante.

Com estas disponibilidades de recursos, associados a outros factores,


como por exemplo a estabilidade política e o crescimento económico
que o país atingiu, transformaram-no num destino obrigatório do
investimento directo estrangeiro.

Dada as condições de guerra em que viveu desde a sua independência,


Angola ainda não se manifestou económicamente na região. Mas é sabito
que para Angola fazer face a pesada máquina de guerra sul africana teve
que sofrer baixas económicas no sentido de investir na compra de matériais
bélicos e não só em defesa da sua soberania e a estabilidade da região.

Em Maio de 1991 assina-se em Angola os acordos de Bicesse, e em


Setembro de 1992, realizam-se eleições livres, o que permitiu o
estabelecimento de reformas económicas importantes, contemplando a
economia de mercado e livre desenvolvimento da iniciativa privada .16

De modo a se atingirem sinergias relevantes entre o país e os restantes


membros da organizazação, a contribuição de Angolana comunidade
regional, reveste-se de propostas que levam em linha de pensamento a
vocação económica nacional no espaço da SADC.

Quanto a implementação da Zona de Comércio Livre que foi lançada no


ano de 2003, Angola apesar de ratificar o Protocolo sobre Comércio, ainda
não faz parte desta zona, o que faz com que a implementação desta zona
que teve o seu início no ano de 2008, não resulte em um crescim ento das
trocas comerciais da maneira esperada por um lado e por outro, o atraso no
cumprimento por parte de de alguns países membros que aderiram a
implementação da zona e a existência de elevadas barreiras não tarifárias.

Sendo a segunda economia da regi ão como já foi referenciado, a sua


entrada na Zona de Comércio Livre contribuirá de maneira decisiva na
consolidação da mesma, reafirmando o seu papel na liderança da integração
regional.

A implementação desta zona beneficiaria a região, aumentando a produ ção


interna devido ao número elevado de consumidores, isto é, a população
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H
c8cccE"O:cc (c'cc8:c $c"( # c
nacional e a da SADC; maiores oportunidades de negócios ; importações e
exportações mais altas porque as políticas adoptadas pelo Estados
Membros é o consumo de produtos originários d a região, aumentando
assim a demanda da população; os Estados Membros aumentariam a sua
produção e comercialização interna tornando os produtos consumíveis mais
baratos; por causa das oportunidades que a região oferece em termos de
aproximação, atrairia mais Investimento Directo Estrangeiro, porque que
investe em Angola como membro da SADC, poderá com maior facilidade
chegar a outrosEstados Membros da SADC.

Apesar de que a aderência de Angola ao Protocolo sobre trocas comerciai


da SADC, oferecer-lhe uma ligeira vantagem, pelo facto de ser um dos
membros fundadores da organização, esta vantagem por si só é
insignificante se dos investimentos até aqui realizados não produzir
nenhum rendimento.

É sabido que a adesão a um Tratado Internacional , implica estar de acordo


com as decisões dele emanado, pelo facto deste ter um carácter obrigatório
e serem instrumentos jurídicos, logo o não cumprimento deste por parte de
um membro da organização que aceitou ou aderiu ao Tratado, implica
sanções duras ou por vezes a sua retirada da organização. Por isso, Angola
utilizou o princípio da racionalidade e do equilíbrio a não implementar ou
aderir por enquanto a Zona de Comércio Livre, não permitindo ser apenas
um mercado aberto onde os Estados membros aproveitam -se dele, mas
também que visse em outro Estado membro da organização uma
oportunidade para espandir a sua esfera de acções económicas, pautando
primeiro pelo domínio do Mercado Nacional, só depois atingir outros
Estados. Ao contr rio pode comporometer o crescimento económico pelo
fenómeno de invasão do mercado nacional pelos agentes económicos dos
Estados Membros da organização.

Angola considerou a liberalização comercial como uma forma de assegurar


os alicerces de um crescimento económico sustentável, mas reconhece a
sua falta de capacidade de produção e a reduzida competitividade, causadas
pela guerra que destruiu a sua base produtiva e a sua capacidade de
competir em vários sectores com alguns membros da regiã o. Daí a razão de
Angola pedir uma reserva, em relação a implementação da Zona de Livre
Comércio, por isso, a Engª Albina Assis advogou que ³o país deve
organizar a sua economiapara poder participar numa Zona de Comércio
Livre em plena igualidade, em funçã o da dinâmica que se pretende dar a
região. Angola vai recorrer aos mecanismos dentro do protocolo de trocas
comerciais que permita a sua permanência em condições esreciais em
relação a implementação´. 17

Angola tem de primeiramente reabilitar os sectores da indústria, da


agricultura e outros sectores indispénsáveis, apresentando a organização
uma forma mais benéfica de aderir ao processo de desarmamento das suas
taxas aduaneiras, porque aderir à uma Zona de Comércio Livre implica
necessáriamente criar capacidades junto dos postos alfandegários, no
sentido de reforçar o controlo das regras de origem para evitar a ocorrência
de desvios de comércio.

O potencial de Angola manifestou-se, no entanto, ao nível do que


constituiram as grandes prioridades da SADC, ou seja, a garantia da
estabilidade política e militar da região. Neste domínio pode afirmar -se que
Angola esteve sempre à altura dos seus compromissos regionais. Para além
da decisiva ajuda aos povos da África do Sul e da Namíbia para a
instauração de um regime democrático e livre naqueles países, Angola
contribuiu militarmente para a estabilidade nos seus vizinhos do Norte, o
Congo-Brazzville e o Congo democrático. 18

Estes compromissos foram cumpridos por Angola sem nenhuma interesse


económico ou de hegemon ia regional, mas apenas para fins de estabilidade
política, interna e regional.

Neste sentido, Angola está em melhores condições do que qualquer outro


Estado da região para proteger e fazer respeitar os compromissos do tratado
que instituiu a SADC, enquanto objectivo estratégico afirmação política e
de independência económica da região, pelos seguintes facto:

1- Depois da guerra fria, enquanto o mundo estava dividido em dois blocos,


a que nenhum país escapou, Angola sempre pautou a sua postura
internacional com total independência, conduzindo a sua política externa
unicamente com base em princípios políticos próprios, mesmo que muitas
vezes contestados interna e externamente;

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2- Apesar do desgaste e da destruição provocada pelo conflito interno,
Angola nunca negou ajuda militar, política e diplomática aos parceiros
regionais que dela precisavam (África do Sul, Namíbia, Zimbabwe,
República Democrática do Congo);

3- Angola possui, em termos potenciais, as maiores reservas de recursos


naturais da África Autral e do continente;

4- Em termos reais, Angola possui, a maior capacidade de intervenção


militar na região para ser usada no caso de ameaça a estabilidade política e
militar que a região (e Angola) com tanto sacrifício conquistou;

5- Pela sua experiência polít ica, Angola tem uma tendência natural para se
identificar com as aspirações mais legítimas dos países da SADC. Para
além da paz e da segurança a estes países interessam políticas e estratégias
de integração regional que os tire do atraso económico em que se
encontram, de forma efectiva, desinteressada e consequente. Tal como
contribuiu com o seu sangue para a defesa da soberania e da estabilidade
dos seus irmãos da SADC, todos acreditam que, Angola colocará os seus
recursos económicos e financeiro ao serviço da causa da integração
económica regional;

6- O povo angolano tem uma natural capacidade psicológica para se


conciliar e unir, o que contribuira para o reencontro com a África do Sul e
para estabelecer com ela as parcerias estratégicas, a de que liderem o
processo de integração económica da região Austral no âmbito da SADC;

7- Angola é dos poucos países da região que está em condições políticas e


económicas para equiparar-se com a África do Sul e de servir de
contrapeso face as eventuais tendências hege mónicas deste país quanto a
região austral do continente.

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Comércio livre

Quanto a implementação da zona do comércio livre na região , interessará


mais à África do Sul, pelo facto desta ter uma indústria e um comércio
desenvolvido, e através deste instrumento, o comércio regional sera
liberalizado, proporcionando maior libedade de circulação de bens e
serviços para a região, que proporciona -lhe mais oportunidade de expansão
comercial que neste momento estão limitados a certos mercados.

Dados recentes indicam que dos 107 580 milhões de dólares norte
americano do PIB total da SADC, mais de 80.000 milhões, ou seja 80%,
pertencem à África do Sul.19

Angola, não tem um interesse emediato a aplicação do protocolo do


comércio, pelo facto da sua i ndústria estar numa fase nova de
desenvolvimento. Surgindo assim a necessidade de primeiramente manter
um certo controlo a entrada concorrencial de bens e serviços. Angola
defende também que a aplicação do protocolo do comércio pode atrapalhar
o esforço de industrialização que o país desenvolve e até mesmo sufocar a
pouca indústria existente, porque está não estaria capacitada de competir
com os produtos produzidos pelos países mais desenvolvidos da região,
como a África do Sul.

Apesar da não aderência de Angola ao protocolo do comércio, pelas razões


acima referenciadas, ainda assim, este é o seu próximo desafio na região
que terá como principal interlocutor estratégico , a África do Sul.

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O surgimento da então SADCC está intimamente ligado à evolução da


Organização dos Países da Linha da Frente (PLF), constituida pelos países
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da região que mais directamente apoiavam a luta de libertação dos povos
sul africano e namibiano. Este opoio assenta va no princípio da
solidariedade política e diplomática e no apoio efectivo à luta conta o
apartheid na África do Sul e pelo acesso da Namíbia à independência
nacional.

Após longos anos de luta armada contra o colonialismo português, Angola


e Moçambique ascendem as suas independências, em Julho de 1974, numa
conferência em Dar-es-Salaam, o presidente Kenneth Kaunda da Zâmbia
fala da necessidade de se criar uma ³cintura transcontinentais de nações
independentes e economicamente poderosas de Dar -es-Salaam à Maputo,
no oceano Índico, até Luanda no Oceano Atlântico´. 20

Com o pensamento de Kenneth Kaunda, registam -se dois grandes


acontecimentos de grande relevância que marcaram os primeiros passos
para a concretização dos seus ideiais: o primeiro foi a conferência de
Arusha (Tanzânia) em Julho de 1979 e o segundo a Cimeira de Lusaka, em
Abril de 1980. Onde os chefes de Estados e de governo dos 9 países
(Angola, Namibia, Botwana, Lesotho, Malawi, Swazilândia, Zâmbia,
Tanzânia e Zimbabwe) adoptaram a Declaração de Lusaka 21 denominada:
África Austral rumo a libertação económica, bem como um programa de
acção, que abrangiu a área de Energia, Transporte e Comunicações,
Agricultura e segurança alimentar, Indústr ia e Comércio, Investigação
agrária, Pescas, Recursos Humanos, Turismo e Minas. Foi assim então que
em 1 de Abril de 1980, institui-se a SADCC, onde os sectores dos
Transportes e Comunicações e Investigação agrária foram os sectores
prioritário para o desenvolvimento da cooperação regional, tendo sido
estabelecidos logo de início, como Comissões Regionais.

Posteriormente, aderiram á organização, em 1990 a Namíbia, a África do


Sul em 1994 e as Ilhas Maurícias em 1995, respectivamente. A SADCC
surgiu como um organismo regional, apesar das suas diferenças ideológicas
e estruturais a nível da economia, aberto a cooperação internacional com
todos os países do mundo, independentemente dos seus regimes e do seu
grau de desenvolvimento.

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- Que os governos da sub-região da SADC, evidem esforços no sentido de


adoptarem políticas que lhes permita a tranformação das suas matérias -
primas, por forma a que deixem de ser totalmente dependentes das
económias estrangeiras.

- Apostem mais na formação do seu potencial humano.

- Investem mais nas infraestruturas.

- Atrair novas formas de parcerias comerciais regionais e extra -regionais,


podendo deste modo enrequecer a região da SADC.

-Sejam quais forem as dificuldades, actuais ou futuras, é necessário que os


Estados membros da SADC evidem esforços no sentido de contruirem uma
organização forte e coesa, capaz de competir ou de se enquadrar a
realidades dos novos desafios impostos por um mundo globalizado.
ANEXOS
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