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48671612-Amplificador-Operacional

48671612-Amplificador-Operacional

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  • 1.1Introdução
  • 1.1O amplificador operacional real
  • 1.2Principais características do AO ideal
  • 1.3Símbolo:
  • 1.4Equação/Modelo:
  • 1.5Configurações mais comuns:
  • 1.6Conclusão
  • 1.7Problemas resolvidos
  • 2.1Corrente de polarização IB
  • 2.2Corrente de offset IOS
  • 2.3Tensão de offset VOS
  • 2.4 drift de IB, IOS e VOS
  • 2.5Ganho de malha aberta
  • 2.6Impedância de entrada
  • 2.7Impedância de saída
  • 2.8Limitação da tensão de saída
  • 2.9Rejeição a fonte de alimentação
  • 2.10Modelo para Corrente Contínua:
  • 2.11Problemas resolvidos
  • 2.12Circuitos para compensação de IB e VOS:
  • 3.1Resposta em Freqüência e Estabilidade
  • 3.2Características de desempenho em freqüência
  • 3.3Cargas Capacitivas:
  • 3.2Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional
  • 4.1Amplificador operacional típico
  • 4.2Amplificador operacional de transcondutância (OTA)
  • 4.3Amplificador Norton
  • 4.4Amplificador Chopper
  • 4.5Amplificador Isolador
  • 4.6buffer
  • 4.7Amplificadores de Instrumentação:
  • 4.8Exercícios
  • 5.1Circuitos de medida em ponte
  • 5.2Reforço de corrente
  • 5.3Reforço de Tensão:
  • 5.4Proteção contra sobre - corrente:
  • 6.1Símbolo
  • 6.2Características
  • 6.3Configurações Típicas
  • 6.4Problemas resolvidos
  • 6.5Exercícios

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Engenharia Eletrônica e de Computação
Instrumentação e Técnicas de Medidas
Eletrônica - volume I
1 Amplificador operacional ideal
1.1 Introdução
O circuito “amplificador operacional” (AO) nada mais é do que um amplificador com
uma saída e duas entradas, cujo modelo mais simples consiste de uma fonte de tensão
controlada com saída proporcional à diferença de tensão entre as entradas do AO. As
características dos AOs e a sua utilização nos mais variados circuitos, muitos dos quais não
lineares, são o alvo desta disciplina.
Internamente, o AO é formado por um amplificador de elevado ganho obtido por meio
de múltiplos estágios acoplados diretamente. As duas entradas do AO são conectadas a um
amplificador diferencial. O elevado ganho de tensão força o uso de realimentação negativa
para que o AO trabalhe na região linear. Isto permite que o ganho dos circuitos amplificadores
sejam definidos apenas pela malha de realimentação. O acoplamento direto entre os estágios
internos do AO permite o seu uso de DC até freqüências bem elevadas.
A origem do termo “operacional” vem dos antigos computadores analógicos, onde
estes amplificadores eram utilizados como elemento chave para a realização de operações
matemáticas. O nome “amplificador operacional” foi usado pela primeira vez em uma
publicação de 1947, feita por John Ragazzini, o qual descrevia as propriedades de circuitos
capazes de amplificar a diferença entre dois sinais analógicos. O artigo, que teve como base
trabalhos anteriores, realizados entre 1943 e 1944, considerava as condições de realimentação
linear e não-linear. Hoje em dia o AO é o circuito integrado analógico mais utilizado.
1.1 O amplificador operacional real.
A Figura 1.1 mostra o esquema simplificado de um AO com três estágios de
amplificação. Nos circuitos reais existem muito menos resistências, pois elas ocupam muito
espaço no silício. No lugar das resistências utilizam-se cargas ativas e espelhos de corrente
produzidos com transistores. O esquema da Figura 1.1 utiliza transistores bipolares de junção
(TBJ) mas também existem circuitos construídos com transistores de efeito de campo (FET).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 1
Figura 1.1: Esquema simplificado de um AO 741, um AO de três estágios
Cada um dos três estágios do amplificador da Figura 1.1 confere ao AO características
especiais:
1°estágio: par diferencial
• apresenta alta impedância de entrada
• responsável pelo elevado ganho diferencial
• apresenta alta rejeição a tensões de modo comum
2°estágio: emissor comum
• correção no nível DC para a saída
• apresenta ganho de tensão elevado
3°estágio: seguidor de emissor (push-pull, classe B)
• responsável pela baixa impedância de saída
• apresenta alto ganho de corrente
• responsável pela corrente de saída
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 2
vo
–VCC
+VCC
v
+
v

1.2 Principais características do AO ideal
As principais características dos AOs ideais são:
Característica Símbolo Valor Significado
Ganho diferencial Ad ∞
Ganho de modo comum Acm 0 mesma tensão nas duas entradas
Rejeição de modo comum CMRR ∞ sinal comum as duas entradas
Impedâncias diferencial Rid ∞
Impedância de modo comum Ricm ∞
Impedância de saída Ro 0
slew-rate SR ∞ velocidade com que a saída pode variar
Setlling Time ST 0 tempo de estabilização
Largura de banda BW ∞ amplifica igualmente todas as
freqüências
Corrente polarização Ib 0 para o par de transistores do primeiro
estágio
Corrente de offset Ios 0 desigualdade entre as correntes I
Tensão de offset Vos 0 diferença de tensão na entrada,
necessária para que a saída seja nula
quando as entradas forem nulas
Ruído elétrico V
N
e I
N
0
Variação de fase φ 0
As características ideais de um AO nunca são alcançadas na prática, mas os erros
decorrentes de assumirmos estes valores ideais é pequeno. Desta forma é comum utilizarmos
estas características para simplificar a análise de circuitos com AO, como será mostrado nas
seções subseqüentes.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 3
1.3 Símbolo:
O símbolo mais comumente utilizado para representar um AO é apresentado na Figura
1.2.
Figura 1.2: Símbolos do AO, com e sem alimentação
1.4 Equação/Modelo:
Conforme descrito no início deste capítulo o modelo do AO pode ser visto na Figura
1.3. Duas entradas de alta impedância comandando uma fonte de tensão controlada.
Figura 1.3: Modelo do AO ideal
A tensão na saída da fonte é dada pela equação 1.1 e corresponde a amplificação da
diferença entre as tensões das do AO (entrada v
+
e v
-
)
v
O
=A
d
⋅¦v
+
−v

) ( 1.1 )
onde: Ad é o ganho diferencial do AO; v
+
e v

são as entradas do AO.
Se o ganho diferencial, Ad, é infinito, significa que v
+
=v

. Esta relação é válida
sempre que o AO está trabalhando na região linear. Trabalhar na região linear significa que
existe realimentação negativa sendo utilizada no AO, ou a diferença entre as tensões de
entrada é tão pequena que, mesmo com um elevado ganho diferencial, não ocorre a saturação
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 4
do AO. Se considerarmos o ganho Ad infinito (condição ideal) então para a saída ser um valor
finito é necessário que a diferença entre as entradas seja nula (condição ideal).
Sempre que o AO estiver saturado (saída igual a tensão de alimentação), então esta
regra não pode mais ser aplicada pois a equação 1.1 não é mais válida, ou seja, o operacional
não está trabalhando em uma região linear.
1.5 Configurações mais comuns:
1.5.1 Amplificador inversor:
A Figura 1.4 mostra o circuito básico de um amplificador inversor a base de AO.
Figura 1.4: Desenho básico de um amplificador inversor.
Se considerarmos o AO como ideal, o equacionamento do ganho fica muito facilitado
pelo uso de duas considerações:
1. Equacionar uma única corrente fluindo através de R1 e R2 e
2. Levar em conta que o potencial na entrada negativa é igual ao potencial na
entrada positiva (neste caso igual a zero).
A solução para o problema é a equação 1.2.
Como
i
1
=
v
i
R
1
e
i
1
=−
v
0
R
2
, então
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 5
v
0
=−
R
2
R
1
v
i
( 1.2 )
Por outro lado, se levarmos em conta que o ganho do AO não é infinito, devemos
substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na
equação 1.3.
v

=
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
R
1
+ R
2
¦ v
+
−v

)=
v
0
Ad
=−v

(pois a entrada positiva tem potencial zero)

v
0
Ad
=
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
R
1
+ R
2
v
i
⋅R
2
+ v
0
⋅R
1
=−
v
0
Ad
⋅¦ R
1
+R
2
)
V
0
=−
R
2
R
1
+
R
1
+R
2
Ad
⋅v
i
( 1.3 )
Obs.: quando se considera Ad→∞ considera-se, implicitamente, que v
+
= v

pois esta é
a única forma de obter um v
O
finito.
A equação 1.2 mostra o resultado final do equacionamento, para ganho infinito.
Resultado idêntico pode ser obtido a partir da equação 1.3. Estas equações mostram que a rede
de realimentação determina o ganho do circuito amplificador, mesmo quando o ganho do AO
não é infinito. Convém notar, também, que a influência do ganho diferencial não infinito, é
tanto menor quanto menor for o ganho dado ao amplificador inversor.
Note, também, que apesar de a entrada inversora estar a um potencial igual zero, ela
não esta diretamente conectada a terra e não há circulação de corrente entre terra e este
terminal. Por este motivo, o terminal inversor, nesta configuração, é chamado de terra virtual.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 6
1.5.2 Amplificador não-inversor:
A Figura 1.5 mostra o desenho básico de um amplificador não inversor formado por
AO.
Figura 1.5: Desenho de um amplificador não inversor básico.
Supondo que o AO seja ideal, a solução do problema é encontrada fazendo-se a tensão
na entrada negativa (divisor de tensão formado por R1 e R2) igual a tensão de entrada. Neste
caso a equação 1.4 é a solução do problema.
R
1
R
1
+ R
2
⋅v
0
= v
i
v
0
=
R
1
+R
2
R
1
⋅v
i
=¦1+
R
2
R
1
)⋅v
i
v
o
v
i
=
R
1
+R
2
R
1
=1+
R
2
R
1
( 1.4 )
Se considerarmos que o ganho do AO. não é infinito, devemos substituir o desenho do
AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1.5. Note que este
circuito tem realimentação negativa.
v
+
=v
i
v

=
R
1
R
1
+R
2
⋅v
0
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 7
v
+
−v

=
v
0
Ad
v
i

R
1
R
1
+R
2
⋅v
0
=
v
0
Ad
v
o
v
i
=
¦ R
1
+R
2
)⋅Ad
R
1
+R
2
+R
1
⋅Ad
v
0
=
R
1
+ R
2
R
1
+
R
1
+ R
2
Ad
⋅v
i
( 1.5 )
Podemos notar, nesta configuração, que se
R
1
=∞
ou
R
2
=0
então
v
0
= v
i
. Neste
caso o circuito do amplificador não inversor é designado por buffer. O buffer possui ganho
unitário e pode ser utilizado para isolar estágios amplificadores, pois apresenta impedância de
entrada infinita e impedância de saída nula. Nota-se também que em ambos os casos, se o
ganho Ad for considerado infinito a solução para o problema é idêntica a obtida pela equação
1.4.
1.5.3 Amplificador somador:
A Figura 1.6 mostra a topologia do amplificador somador inversor básico
implementado com AO.
Figura 1.6: Circuito do amplificador somador inversor básico.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 8
Como podemos observar, o amplificador somador consistir de uma série de
amplificadores inversores ligados em paralelo. Isto nos leva a aplicar a técnica de
superposição de fontes, para equacionar a tensão de saída deste circuito. Aqui também
levamos em conta que o AO possui características ideais de funcionamento, assim, a saída
será dada pela equação 1.6 ou, no caso particular de todas as resistências serem iguais, pela
equação 1.7.
Supondo Ad → ∞ então v
+
= v

i
1
=
v
1
R
1
,
i
2
=
v
2
R
2
,
i
3
=
v
3
R
4
,
i
4
=−
v
0
R
4
i
1
+ i
2
+ i
3
= i
4
v
0
=- R
4
¦
v
1
R
1
+
v
2
R
2
+
v
3
R
3
)
( 1.6 )
se R
1
=R
2
=R
3
=R, então a equação 1.6 pode ser reescrita conforme a equação 1.7.
v
O
=
−R
4
R
⋅¦ v
1
+v
2
+v
3
) ( 1.7 )
1.5.4 Amplificador subtrator
A Figura 1.7 mostra a topologia do amplificador subtrador básico implementado com
AO.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 9
Figura 1.7: Circuito do amplificador subtrator básico.
O cálculo torna-se mais cômodo se feito por superposição, utilizando-se o que já foi
calculado para o amplificador inversor e não inversor, aliado a consideração de que o AO é
ideal. A equação 1.8 mostra equação da tensão de saída deste circuito.
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
( 1.8 )
1.6 Conclusão
Em um circuito com A.O. ideal, o ganho (ou função transferência) é dado
“exclusivamente” pela malha de realimentação.
1.7 Problemas resolvidos
Exercício 1: Dado o circuito abaixo, calcule sua função de transferência
i
L
= f ¦vi )
.
Considere os AOs ideais.
a) Estabeleça valores para os resistores
R, R
3
e R
4
de forma que o circuito forneça uma
corrente máxima
i
Lmáx
=1mA
para uma carga 0D≤R
L
≤10 K D quando
v
i
=−10V
.
Considere
R
1
=R
2
=100 K D
e
V
CC
=!12V
.
b) Considere
v
i
=0V
. Calcule
i
L
levando em conta a existência de uma fonte de tensão
conectada a entrada positiva de A1 e uma fonte de corrente conectada a entrada positiva
de A2.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 10
Solução:
Análise do circuito:
A
2
: forma um amplificador de ganho unitário (buffer);
A
3
:
forma um subtrator junto com
R
3
,R
4
;
A
1
:
fornece a corrente de saída e é realimentado pelo
subtrator através de
R
1
,R
2
.
Análise das realimentações de
A
1
:
A
1
recebe realimentação negativa (RN) através
da entrada não inversora de
A
3
e realimentação positiva (RP) através de
A
2
e da entrada
inversora de
A
3
. Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e
não-inversora) são iguais em módulo, a RN é mais forte, porque a RP ainda passa pelo divisor
resistivo R-R
L
. Como resultado disto, o circuito possui realimentação negativa, o que permite
o uso das técnicas estudadas.
Função de transferência:
v
A
1

=
v
i
⋅R
2
+R
1
R
4
R
3
R⋅i
L
R
1
+R
2
=0
, logo
i
L
=−
R
2
⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
⋅v
i
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 11
a)
Sendo
i
Lmáx
=1mA
e
R
Lmáx
=10K
então
v
L Imáx
=10V
(tensão máxima na carga)
R=
v
Omáx
−v
L Imáx
i
Lmáx
, onde
V
Omáx
é a máxima tensão de saída do AO.
Como
V
CC
=!12V,
podemos limitar, co segurança,
V
Omáx
=11V
.
R=
11V−10V
1mA
=1KD
Como
i
L
=−
R
2
⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
⋅v
i
então
R
4
R
3
=−
R
2
⋅v
i
R
i
⋅R⋅i
0
=−
100 K ¦−10)
100 K⋅1K⋅1m
=10
assim podemos escolher, por exemplo,
R
4
=100KD e R
3
=10KD
b)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 12
O problema pode ser calculado por superposição:
Efeito de V
OS1
:
v
os1
=
R
1
R
1
+R
2

R
4
R
3
⋅R⋅i
L
i
L
¦ v
os1
)=
¦ R
1
+R
2
)⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
v
os1
Efeito de I
B2
:
i
L
=i
R
−i
b2
+
v
A
1

=
R
1
R
4
R
3
R⋅i
R
R
1
+R
2
=0
i
R
=0
i
L
¦i
b2
)=−i
b2
Portanto:
i
Ltot
=
¦ R
1
+R
2
)⋅R
3
R
1
⋅R
4
⋅R
v
os1
−i
b2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 13
1.8 Exercícios - AO ideal.
1)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
;
b) Para que serve esta configuração?
Respostas:
a)
v
0
=−
R
3
R
4
+R
2
R
3
+R
2
R
4
R
1
. R
4
v
i
b) Esta configuração é empregada quando queremos um alto ganho e não temos resistores de
alto valor disponíveis para Req.
2)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
, supondo
R
3
=R
2
;
b) Para que serve esta configuração?
Resposta: a) Se R3=R2 então
v
0
=
2R
2
R
1
⋅¦
R
2
R
+1)⋅¦ v
2
−v
1
)
b) amplificador subtrator com ganho ajustável por um elemento (R).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 14
3)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
b) Os operacionais estão sob realimentação negativa?
4)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 15
5)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
6)
a) Calcule:
A
v
=
v
0
v
i
7)
Mostre que para o amplificador inversor e não inversor, o ganho pode ser escrito da seguinte
forma:
v
o
v
i
=
Ganho Ideal
1+
1
β⋅Ad
onde β=
R1
R1+R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 16
8)
Ache a expressão de v
o
para o circuito abaixo em função de V1, V2 e Vcm.
9)
Para o circuito em ponte mostrado abaixo, determine o valor da tensão de saída.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 17
2 Características CC do amplificador operacional real
2.1 Corrente de polarização I
B
Essas são as correntes CC, necessárias em cada entrada do AO, para produzir zero
Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. A corrente I
B
é a corrente de base dos
transistores TBJ, ou a corrente de fuga na porta dos FETs, utilizados no primeiro estágio de
um AO. Para medir estas correntes utiliza-se um circuito simples conforme mostrado na
Figura 2.1. Nesse circuito as correntes de polarização são obrigadas a fluir sobre resistores de
valor muito elevado (10MΩ ou mais) produzindo uma tensão de saída mensurável. Os
capacitores servem apenas como um filtro passa baixas (0,01µF). As chaves S1 e S2 são
abertas uma de cada vez para permitir a medida de I
B1
e I
B2
.
Figura 2.1: Circuito para medida das correntes de polarização e offset
Essas corrente são da ordem de [µA] ou [nA] mas podem ser menores em AO com
par diferencial composto por uma configuração Darlington ou transistores FET. Nestes casos
é possível encontrar AO com I
B
da ordem de [fA].
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 18
2.1.1 Modelo para representar a corrente de polarização
A Figura 2.2 mostra o equivalente elétrico de um AO sujeito a influência de correntes
de polarização. Note que este esquema utiliza correntes diferentes para a entrada inversora e
não inversora.
Figura 2.2: Modelo equivalente para um AO em função de IB
2.2 Corrente de offset I
OS
Essa é a diferença entre as correntes de polarização das entradas positiva e negativa de
um AO. Como os componentes do amplificador de entrada não são exatamente iguais há uma
pequena diferença entre as correntes de polarização. Para medir esta corrente utiliza-se o
circuito da figura Figura 2.1 (página 19)com as duas chaves abertas. Como as correntes de
polarização são muito semelhantes e as resistências muito elevadas é necessário que as
resistências sejam casadas com tolerância da ordem 0,1% ou menos.
2.2.1 Modelo para representar a corrente de offset
O modelo para representação de I
OS
é o mesmo utilizado para I
B
(Figura 2.2, página
20)
.
Em alguns casos, quando temos apenas um valor para I
B
e outra para I
OS
, podemos
calcular cada I
B
como apresentado pela equação 2.1
I
B
= I
B
± (I
OS
/2) ( 2.1 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 19
2.3 Tensão de offset V
OS
Esta é a diferença de tensão CC, necessária na entrada de um AO, para produzir zero
Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. A tensão de offset é causada pelo
desbalanço do par diferencial e pela desigualdade dos transistores do 2° estágio. Normalmente
o valor da tensão de offset é fornecido em módulo pois a tensão de saída pode ser afetada
positiva ou negativamente. Para facilitar a medida deste parâmetro utiliza-se um amplificador
não inversor com entrada aterrada e resistores de valores elevados, conforme mostrado na
Figura 2.3.
Figura 2.3: Circuito para medida da tensão de offset
2.3.1 Modelo para representar Vos
A Figura 2.4 mostra dois equivalentes elétricos de um AO com V
OS
. A fonte pode ser
colocada na entrada não inversora. A polaridade da fonte V
OS
não é definida pois a tensão de
offset é dada em módulo e sua polaridade pode mudar de operacional para operacional.
Figura 2.4: Modelos equivalentes para um AO em função de Vos
2.4 drift de I
B
, I
OS
e V
OS
Os drifts de I
B
, I
OS
e V
OS
correspondem as variações destes parâmetros com a
temperatura, tensão de alimentação, ou tempo. Estas variações ocorrem porque os
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 20
componentes do circuito são afetados de forma diferente por essas influências externas.
Normalmente os valores de drift correspondem a valores médios para um intervalo
especificado de temperatura, tensão de alimentação ou tempo.
2.4.1 Tensão de offset
As variações da tensão de offset com relação a temperatura, podem ser calculadas pela
equação 2.2.
V
OS
=V
OS
¦ 25° C)+
dV
OS
dT
AT ( 2.2 )
onde
dV
OS
dT
é a deriva térmica.
Alguns amplificadores operacionais apresentam pinos externos que possibilitam o
balanceamento do par diferencial e, por conseqüência, o zeramento da tensão de offset (Figura
2.5). Apesar deste recurso facilitar a compensação da tensão de offset ela causa um aumento
na deriva térmica de V
os
.
Figura 2.5: Compensação da tensão de offset
2.4.2 Correntes de polarização
As variações das correntes de polarização com relação a temperatura, podem ser
calculadas pela equação 2.3.
I
B
=I
B
¦ 25
o
C )+
dI
B
dT
AT ( 2.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 21
Onde
dI
B
dT
é a deriva térmica.
Alguns manuais não citam a deriva térmica, para a corrente de polarização, mas
indicam o AT necessário para dobrar o valor de I
B
, o que já é o suficiente para utilizar a
equação 2.3, supondo que esta variação seja constante com a temperatura.
Tabela 2.1: Comparação entre drift de alguns AOs
Amp. Op. 741C CA3140 OP07C AD5476 Unid.
Tipo TJB FET TJB alto desempenho FET alto desempenho –
Fabricante SID RCA Analog Devices Analog Devices –
Vos 1 8 0,06 0,25(Máx) mV
drift/Vos 0,5 1,0(Máx) µV/°C
IB 80 0,01 ±1,8 0,01 nA
Ios 20 0,0005 0,8 0,002 nA
drift/Ios 0,018 nA/°C
2.5 Ganho de malha aberta
Da mesma forma que a impedância de entrada, o ganho de um AO pode ser dividido
em dois: Ganho diferencial (A
d
) e de Modo Comum (A
CM
). Desta forma, o AO é classificado
quanto a sua habilidade de amplificar a diferença entre os sinais aplicados a suas entradas, e
rejeitar a parcela de sinal comum as duas entradas.
Além destas distinções feitas ao ganho dos AO, vale a pena ressaltar que os ganhos
mudam em função de uma série de itens como: a carga; a tensão de alimentação; a
temperatura; outros operacionais do mesmo tipo;....
2.5.1 Ganho Diferencial
Este ganho é influenciado pelas características dos transistores do par diferencial de
entrada e sua carga. Se a fonte de corrente que alimenta o par diferencial apresentasse
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 22
resistência infinita, as variações de corrente em um ramo do amplificador diferencial seriam
compensadas no outro ramo. Esse comportamento manteria constante a tensão de emissor,
que no modelo de pequenos sinais poderia ser considerado como aterrado. Desta forma o
ganho de pequenos sinais do primeiro estágio seria equivalente ao de um amplificador em
emissor comum com emissor aterrado.
Normalmente o ganho diferencial dos AOs é da ordem de 10
5
a 10
6
vezes.
2.5.2 Ganho de modo comum
Como a fonte de corrente que alimenta o par diferencial de entrada não apresenta
resistência infinita, mesmo aplicando sinais de mesma amplitude nas duas entradas do
amplificador, as correntes de coletor se alteram modificando a tensão de emissor. O modelo
de pequenos sinais para amplificador se torna um emissor comum com resistência de emissor.
Por esta razão, o ganho para sinais iguais nas duas entradas do amplificador é pequeno mas
não nulo.
Nos manuais, uma informação importante é o fator de rejeição de modo comum, que é
definido como mostrado nas equações 2.4, 2.5 e 2.7.
CMRR=
Ad
A
CM
(em valor absoluto) ( 2.4 )
CMRR=20⋅log
¦
A
d
A
CM
)
(em dB) ( 2.5 )
A
d
=
V
o
V
+
−V
-
=
V
o
V
id
( 2.6 )
A
CM
=
V
o
V
iCM
( 2.7 )
V
iCM
=
V
+
+V
-
2
( 2.8 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 23
A Figura 2.6 mostra o circuito utilizado para medir o ganho de modo comum dos AOs.
Nesse circuito um mesmo sinal é aplicado as duas entradas do AO sem realimentação. Com
estas informações, utiliza-se as equações 2.7, 2.4 e 2.5 para conhecermos a taxa de rejeição de
modo comum (CMRR).
Figura 2.6: Circuito para medida do A
CM
dos AOs
2.5.3 Modelo para ganho de modo comum
A Figura 2.7 representa o equivalente elétrico de um AO quando levamos em conta o
ganho de modo comum.
Figura 2.7: Modelo equivalente para um AO em função de ACM
2.6 Impedância de entrada
O primeiro estágio do AO é constituído de um amplificador diferencial cuja
impedância de entrada, apesar de ser muito elevada, não chega a ser infinita. Isto pode ser
constatado pela simples observação de que existem correntes de polarização fluindo para
dentro do AO.
A impedância de entrada de um AO pode ser separada em duas outras impedâncias
com características bem distintas. Uma delas é a chamada impedância de modo comum (R
CM
),
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 24
cujo efeito é igual para as entradas inversora e não inversora. A outra impedância é chamada
de diferencial (R
ID
) e deve-se a características exclusivas de cada entrada.
A impedância diferencial é função das características da junção base-emissor dos
transistores de entrada e da corrente de polarização destes. Sua influência pode ser quantizada
por meio da equação 2.9
R
ID
≈2⋅hie≈
2V
T
I
B
( 2.9 )
A impedância de modo comum é função da impedância de entrada da fonte de
corrente, que polariza o par diferencial, e do ganho de corrente deste. Esta impedância pode
ser aproximada pela equação 2.10.
R
cm
=
hfe
hoe
( 2.10 )
Pela relação entre as equações 2.9 e 2.10 fica claro que
R
cm
>> R
id
.
2.7 Impedância de saída
Esta impedância se deve principalmente às impedâncias de saída do 2°estágio (hoe
–1
),
refletidas para a saída do AO, e pode ser representada por um resistor série, colocado na saída
dos AO.
A resistência de saída (Ro) influencia no cálculo do amplificador realimentado porque
o ganho do amplificador em laço aberto não é infinito. Assim, a realimentação não consegue
corrigir totalmente a queda de tensão na resistência de saída Ro. Tipicamente a resistência de
saída é da ordem de 50D e em aplicações de precisão não devemos drenar mais do que 2 ou
3 mA da saída do AO.
A Figura 2.8 mostra um amplificador inversor completo, onde a resistência de saída
(Ro) do AO é levada em conta. Note que a tensão de saída passa por um divisor de tensão
formado por Ro e RL e que Ro também influencia na malha de realimentação.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 25
Figura 2.8: Amplificador não inversor com Ro não nula
Considerando Ro na topologia do amplificador não inversor, a tensão de saída fica
modificada de acordo com a equação 2.11.
vo=
RL // ¦ R+Rf )
Ro+RL// ¦ R+Rf )
⋅vo' ( 2.11 )
Comparando o ganho desse circuito com o ganho ideal da configuração não inversora
nota-se que o ganho da configuração ficou reduzido de:
1
1+
Ro
RL
+
Ro
R+Rf
2.8 Limitação da tensão de saída
Com exceção aos amplificadores chamados rail to rail a tensão de saída dos AOs
nunca alcança a tensão de alimentação. Isso se deve a quedas de tensão sobre os transistores
do 2° e 3° estágios de amplificação.
2.9 Rejeição a fonte de alimentação
A polarização dos transistores é dependente da tensão de alimentação utilizada e isso
faz com que o AO não seja imune às variações de tensão na alimentação. O fator que
caracteriza esta imunidade é chamado de rejeição a fonte de alimentação (Power Supply
Rejection) e pode ser calculado pelas equações 2.12 ou 2.13.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 26
PSRR=
AV
O
AV
CC
(em valor absoluto) ( 2.12 )
PSRR=20⋅log
¦
AV
O
AV
CC
)
(em dB) ( 2.13 ).
Valores típicos para PSRR dependem da qualidade do AO: para o 741 a PSRR é de
±30mv/v enquanto que para o OP27A a PSRR é de 0,2mv/v.
2.10 Modelo para Corrente Contínua:
Os modelos apresentados individualmente para representar I
B
, I
OS
, V
OS
, A, R
id
, R
CM
, R
O
e outros podem ser agrupados em um só modelo como mostra a Figura 2.9.
Figura 2.9: Modelo equivalente para um AO em função de: IB, Ios, Vos, A, Rid, Rcm, Ro
2.11 Problemas resolvidos
Para o circuito da Figura 2.10, considerando V
OS1
e V
OS2
diferentes de zero e A
d1
e A
d2
finitos:
a) Calcular Vo em função destes parâmetros e dos resistores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 27
b) O manual da Analog Device, que apresenta este problema, informa que A2 deve
ter baixo V
OS
para o bom funcionamento do circuito. A influência de V
OS2
é realmente
significativa? Precisamos realmente ter um A2 de boa qualidade?
Figura 2.10: Circuito para o Error: Reference source not found
Solução
a)
Figura 2.11: Adaptação do circuito da Figura 2.10 levando em conta os efeitos de Vos
Para A
1
:
V
O1
=A
d1
⋅V
d1

V
d1
=V
X
−V
OS1
V
O1
=A
d1
⋅¦V
X
−V
OS1
)
Para A
2
V
O
=A
d2
⋅V
d2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 28
V
d2
+V
O1
+V
OS 2
=0
V
d2
=−V
OS2
−V
O1
V
O
=−A
d2
⋅¦ V
OS2
+A
d1
¦V
X
−V
OS1
))
Pela malha de realimentação podemos dizer que
V
X
=
R
1
R
1
+R
2
⋅V
O
Assim

V
O
A
d2
=V
OS2
+A
d1

¦
R
1
R
1
+R
2
⋅V
O
−V
OS1
)
Isolando V
O
, temos:
V
O
=
V
OS1

V
OS2
A
d1
R
1
R
1
+R
2
+
1
A
d1
⋅A
d2
Nota-se na expressão de V
O
, que a influência de V
OS2
é muito menor que a de V
OS1
,
pois a primeira aparece dividida por A
d1
, que tem um valor muito elevado. Assim, conclui-se
que A
2
não precisa ser tão bom quanto indicava o artigo da Analog Devices.
2.12 Circuitos para compensação de I
B
e V
OS
:
2.12.1 Compensação de I
B
no amplificador inversor
O modelo que representa os efeitos das correntes de polarização sobre um
amplificador inversor é apresentado na Figura 2.12. Por esta figura fica claro que a corrente I
B-
circula pela malha de resistores ao passo que a corrente I
B+
é curto circuitada. Este circuito
pode ser calculado por superposição.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 29
Figura 2.12: Modelo de amplificador inversor sob influência das I
B
s
Para Vin=0 (as duas extremidades do resistor R
1
estão conectados a potencial zero)
V
O1
=+R2⋅I
B −
Para I
B–
= 0
V
O2
=
−R
2
R
1
⋅V
in
Logo
V
0
=
−R
2
R
1
⋅V
in
+R
2
⋅I
B −
Parte da tensão de saída é função da corrente de polarização. Este erro introduzido na
tensão de saída pode ser reduzido pela inclusão de um resistor, R
3
, entre a entrada não
inversora e o terra.
Para I
B+
= 0 e I
B–
= 0
V
01
=
−R
2
R
1
V
in
Para I
B+
= 0 e V
in
= 0
V
O2
=R
2
⋅I
B −
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 30
Para I
B–
= 0 e V
in
= 0
V
O3
=
R1+R2
R1
⋅R
3
⋅I
B +
Logo
V
0
=
−R
2
R
1
⋅V
i
+R
2
⋅I
B −
+
−R
3
R
1
⋅¦ R
1
+R
2
)⋅I
B+
Supondo
I
B+
=I
B−
=I
B
V
0
=-
R
2
R
1
V
i
+I
B
¦ R
2

R
3
R
1
¦ R
1
+R
2
))
Para que o segundo termo da equação seja nulo
R
2

R
3
R
1
⋅¦ R
1
+R
2
)=0
R
3

¦ R
1
+R
2
)
R
1
=R
2
R
3
=
R
2
R
1
R
1
+R
2
A diminuição dos efeitos de I
B
podem ser compensadas com a inclusão de um resistor
conectado entre a entrada positiva e o terra, R
3
, de valor R
1
// R
2.
Quando isto acontece a saída
depende apenas da entrada e da rede de realimentação R1 e R2.
2.12.1.1 Caso do amplificador inversor.
Observa-se pela Figura 2.13, independente do modelo utilizado, que a tensão V
OS
afeta
a saída como se fosse aplicada sobre um amplificador não inversor.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 31
Figura 2.13: Dois modelos para o amplificador inversor sob influência das Vos
Resolvendo por superposição temos
V
O
=
−R
2
R
1
⋅V
in
+
¦ R
1
+R
2
)
R
1
⋅V
OS
Sendo assim, é possível somar ou subtrair tensões para remover a parcela da saída
dependente de V
OS
. Um dos circuitos para remover este offset é apresentado na Figura 2.14.
Figura 2.14: Amplificador inversor com correção da tensão de offset
No circuito da Figura 2.14 foram adicionadas resistências a entrada positiva do AO.
Estas resistências alteram o circuito transformando o amplificador inversor em um subtrator.
A tensão Vin continua sendo amplificada como em um amplificador inversor, porém soma-se
(ou subtrai-se) a esta, uma parcela obtida pela tensão Vx aplicada ao amplificador não
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 32
inversor. Se P1 for ajustado para fazer Vx igual a V
OS
a tensão de offset é compensada.
Valores de referência positivos e negativos são utilizados nos extremos de P1 para permitir a
compensação de tensões de ambos os sinais.
Para ajudar na compensação de I
B
, as resistências podem ser escolhidas de tal forma
que
R
1
// R
2
=R
3
+R
4
// ¦ R
5
+P
1
*
)
A resistência de P1, vista pelo circuito, varia com o ajuste do potenciometro e isto
altera a impedância total da malha vista pelo AO. Para minimizar estes efeitos utiliza-se
R
5
>>R
4.
2.12.2 Compensação de V
OS
no amplificador não inversor.
Uma alternativa para corrigir o efeito da V
OS
na configuração não inversora, sem
reduzir a impedância de entrada da configuração, é apresentada na Figura 2.15.
Figura 2.15: Amplificador não inversor com circuito para compensação de offset
Este circuito, muito semelhante ao utilizado na configuração inversora, modifica o
ganho do amplificador pois uma resistência variável R3+P1 é colocada em paralelo com R1.
Para minimizar estes efeitos utiliza-se valores de R3 e P1 tais que as alterações em P1
modifiquem minimamente o valor da resistência equivalente
R
1
≈R
1
// ¦ R
3
+P
1
*
).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 33
2.13 Exercícios - AO Real.
1)
No circuito abaixo:
a) Calcule R
1
para que a saída fique centrada em 0V.
b) Qual o valor de R
2
para que o amplificador tenha mínimo erro devido a I
OS
.

2)
No circuito abaixo determine V
O
em função de V
i
, considerando também V
OS
, I
OS
e A
d
Para este amplificador considere: V
OS
=2mV; I
B
=100nA; I
OS
=20nA; A
d
=10.000;
3)
Para a configuração amplificador subtrator:
a) Calcule V
O
levando em conta V
OS
, I
B+
, I
B-
, e R
id
.
b) Calcule V
o
considerando A
d
e CMRR finitos.
c) Verifique qual o CMRR do circuito em função do CMRR do amplificador operacional.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 34
4)
O circuito abaixo foi testado sob três condições diferentes.
Testes:
1 – V
i
=0; R
1
=10K; R
2
=390K; R
3
=0; V
O
= 497,5mV
2 – V
i
=0; R
1
=10K; R
2
=390K; R
3
=33K; V
O
= 299,5mV
3 – V
i
=0; R
1
=39K; R
2
=390K; R
3
=0; V
O
= 207,5mV
Perguntas:
a) Calcule V
OS
, I
B+
, I
B–
e I
OS
.
b) Calcule V
O
para o teste “2” mas com V
i
= 10mA
5)
Para um AO com resistência de entrada diferencial (R
id
) finita, com resistência de saída (R
O
)
maior que zero e com ganho (A
d
) finito, calcule Av, Ri e Ro para a configuração não
inversora.
6)
Para um buffer e um amplificador inversor de ganho unitário: verifique a influência do ganho
de modo comum e do CMRR em cada uma das configurações.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 35
7)
No circuito a seguir os amplificadores operacionais são reais e absolutamente iguais. Foram
feitos os seguintes testes com o circuito:
a) Com as chaves Ch1, Ch2 e Ch3 fechadas e V
i
= 0: V
O
= -2mV.
b) Com a chave Ch3 fechada, as chaves Ch1 e Ch2 abertas e V
i
= 100mV: V
O
= -4.89V
c) Com as chaves Ch2 e Ch3 abertas, Ch1 fechada e V
i
= 0: V
O
= 0;
Pergunta:
Calcular I
B
, V
OS
e CMRR com as respectivas polaridades. Considere as outras características
do amplificador operacional se aproximando do ideal. Fazer os cálculos com precisão de 1mV
para tensão e de 1nA para corrente. Suponha chaves ideais.
8)
Calcule a impedância de entrada do circuito abaixo. Utilizando apenas resistências e/ou
capacitâncias para Z1, Z2, ..., Z5, como poderíamos simular um indutor?
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 36
9)
Equacione o circuito abaixo e explique por que esta configuração possibilita um aumento na
impedância de entrada da configuração não inversora. Considere os amplificadores
operacionais com comportamento real e constituídos na mesma pastilha (AOs idênticos). Use
o ganho tendendo a infinito e as correntes de polarizações iguais.
OBS.: A impedância de entrada é dada por Zin = Vin/Iin. Compare este circuito com o não
inversor.
10)
Supondo ganho finito para o amplificador operacional, calcule a impedância de saída da
seguinte configuração.
11)
Qual o ganho real na configuração inversora se o resistor de realimentação é 5MΩ, o resistor
de entrada é 10KΩ, o ganho diferencial é 80dB, a impedância de entrada do operacional é
300KΩ e a resistência de saída do operacional é 100Ω. Calcule também a impedância de
entrada e de saída do circuito completo.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 37
12)
No circuito abaixo foram realizadas as seguintes medidas:
a) S1 e S2 fechadas: V
O
= 0,04V
b) S1 aberta e S2 fechada: V
O
= 0,1V
c) S2 aberta e S1 fechada: V
O
= -0,06V
Calcule I
B+
, I
B–
e I
OS
.
13)
Admitindo que o AO do circuito abaixo seja um 741 típico (V
os
(típico) = 2mV; I
B
(típico) =
80nA; I
os
(típico) = 20nA; A
d
(típico) = 200.000):
a) determine a resistência de entrada do circuito.
b) determine a expressão de V
O
levando em conta V
OS
, I
OS
, A
d
. Compare com o AO real.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 38
14)
Nos circuitos abaixo calcule V
O
/(V
2
-V
1
) supondo que os AOs são idênticos. Determine
também uma expressão para o ganho de modo comum, supondo V
1
=V
2
=V
CM
em função do
CMRR dos AOs.

15)
Calcular a função de transferência supondo a existência de I
B+
, I
B–
e V
OS
para os seguintes
amplificadores:
a) inversor (com um resistor R
3
ligado entre a entrada V
+
do AO e terra):
b) não-inversor (com um resistor R
3
ligado entre V
i
e a entrada V
+
do AO):
16)
Calcular a função transferência supondo a existência de CMRR para os seguintes
amplificadores:
a) inversor:
b) não-inversor:
c) buffer:CMRR= 90dB, A
d
= 200.000
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 39
3 Características em freqüência do amplificador operacional real
3.1 Resposta em Freqüência e Estabilidade
Em um amplificador realimentado, como no caso dos circuitos com AO, tanto o
amplificador quanto a malha de realimentação costumam ser modelados por ganhos,
conforme indicado na Figura 3.1. O ganho do elemento amplificador é chamado de ganho em
laço aberto – no AO este ganho corresponde ao A
d
(S). O ganho da malha de realimentação é
chamado de β(S).
Figura 3.1: Diagrama em blocos de um amplificador realimentado
Pelo diagrama em blocos deve ser claro que
V
O
¦S)=A
d
¦ S)⋅
¦
V
i
¦ S) – V
O
¦S)⋅ߦS)
)
e, portanto que a equação 3.1, representa o ganho do amplificador realimentado ou o
ganho de malha fechada.
V
O
¦ S)
V
i
¦ S)
=A
V
¦S)=
A
d
¦S)
1+A
d
¦S)⋅ߦS)
( 3.1 )
O ganho A
d
(S) é constante para CC mas a partir de uma determinada freqüência
começa a decair. O ganho β(S) pode ser constante ou apresentar comportamento variável com
a freqüência.
Em baixas freqüências, normalmente, os dois ganhos são constantes e o denominador
da equação 3.1 é positivo e maior do que 1. Isto garante a estabilidade da função de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 40
Ad(S)
β(S)
Vo Vi
+ _
transferência. Se o ganho A
d
(S) for muito elevado, como nos casos do AO, o ganho da malha
de realimentação, β(S), é responsável pelo ganho do amplificador realimentado (equação 3.2).
V
O
¦ S)
V
i
¦ S)
=
1
ß
( 3.2 )
Em altas freqüências a estabilidade depende do comportamento de A
d
(S) e β(S). Por
esta razão é comum estudar separadamente o comportamento do chamado ganho de malha, ou
seja do produto L¦S)=A
d
¦S )⋅ߦS ) .
Se, em alguma freqüência, a fase do ganho de malha for 180º, então o ganho de malha
será negativo. Se, cumulativamente, o módulo do ganho de malha for unitário, o ganho do
amplificador torna-se infinito ( 1+A
d
¦S )⋅ߦS )=0 ). Esta é uma situação limite de
estabilidade que corresponde a colocar os pólos do amplificador realimentado sobre o eixo jω.
Se o módulo do ganho de malha aumentar (mantendo a fase em 180º), os pólos do
amplificador realimentado deslocam-se para a direita do eixo jω (
1+A
d
¦S )⋅ߦS )0
). Em
síntese: se o ganho de malha for ∣1∣∢180
o
o circuito torna-se um oscilador e se o ganho de
malha for maior do que ∣1∣∢180
o
o circuito torna-se instável.
Uma análise preliminar indica que não existe problema de instabilidade para
amplificadores realimentado com 1 ou 2 pólos, pois a fase do ganho de malha nunca será
180º. Para amplificadores realimentados com 3 ou mais pólos, o problema da instabilidade
não pode ser esquecido.
O diagrama de Bode do ganho de malha, Figura 3.2, pode ser utilizado para simplificar
a análise da estabilidade dos amplificadores realimentados. Neste diagrama de Bode, são
desenhados os gráficos de módulo e fase do ganho de malha, representado conforme equação
3.3. O gráfico, apesar de simples, utiliza escala logarítmica de freqüência e ganho em dB.
Ganho em dB corresponde a 20⋅log∣Ganho Linear∣ . Ganho unitário corresponde a 0dB.
Ganho em dB negativo equivale a ganho linear com módulo entre 0 e 1. Ganhos de
20⋅log¦ X ) correspondem a −20⋅log¦1/ X )
A
d
¦ j o)⋅ߦ j o)=∣A
d
¦ j o)⋅ߦ j o)∣⋅e
j⋅!¦ o)
( 3.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 41
Figura 3.2: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado
A estabilidade está garantida se, no diagrama de Bode do ganho de malha, para a
freqüência onde a fase é 180º, o módulo do ganho for menor do que 1 (valor menor do que
0dB). Da mesma forma, se para a freqüência de ganho unitário, a fase de A
d
¦S)⋅ߦS) for
maior do que –180º (–150º, –120º... ), o amplificador também é estável.
Neste diagrama de Bode é possível identificar duas figuras de mérito importantes: a
margem de ganho e a margem de fase. A diferença entre o valor do ganho para a fase de –180º
e o ganho unitário é chamado de margem de ganho (equação 3.4). A diferença entre a fase
para ganho unitário e –180º é chamado de margem de fase (equação 3.5).
MG| dB¦=−∣A
d
¦ S)⋅ߦ S)∣
!=−180
o
( 3.4 )
MF| graus¦=180
o
−∣!∣
∣Ad¦ S)⋅ߦ S)∣=0dB
( 3.5 )
Partindo-se desta análise é possível concluir que o amplificador realimentado
representado pela figura Figura 3.2 é estável. Observa-se que para ganho unitário (0dB), a fase
é menor do que –180º (–150º). De outra maneira, quando a fase é –180º o módulo do ganho de
malha é menor do que um (menor do que 0dB).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 42
Quando o ganho dos AOs não pode ser alterado só resta alterar a rede de realimentação
para garantir a estabilidade do amplificador em malha fechada. A determinação de um ganho
de realimentação que deixe estável o circuito pode ser obtida da seguinte forma: 1) desenha-se
o diagrama de Bode para A
d
(S) (Figura 3.3), 2) determina-se uma margem de fase considerada
aceitável, 3) determina-se o ganho do AO para a freqüência onde a margem de fase é atendida.
4) determina-se o ganho de realimentação de tal forma que β
–1
= A
d
. Este valor de A
d
corresponde ao menor ganho da configuração realimentada e que atende ao requisito de
mínima margem de fase, pois ∣A
d
¦S)⋅ߦS)∣=1 .
No exemplo da Figura 3.3, para que a margem de fase do amplificador realimentado
seja da +45º, ajusta-se o ganho de realimentação de tal forma que ∣A¦S)⋅ߦ S)∣=1 , para a
freqüência onde a fase do AO corresponde a –135º. Como, neste ponto, o ganho do AO
corresponde a 60dB, o ganho β corresponde a –60 dB (no gráfico isto corresponde a reta
denominada 20⋅log¦1/ ß)=60dB ). Se for escolhido um ganho β maior, –30dB, por exemplo,
o ganho de malha será ∣1∣∢−180
o
.
Figura 3.3: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 43
3.1.1 Resposta em freqüência não compensada
Cada estágio do amplificador operacional é composto por transistores que definem
diferentes pólos. Na maioria das vezes estes pólos estão distantes, de modo que alguns se
tornam dominantes. Estes pólos dominantes limitam a resposta em freqüência dos estágios, e
por conseguinte, do amplificador operacional como um todo. Para CC e baixas freqüências o
ganho é praticamente constante, para altas freqüências o ganho diminui com a freqüência. A
Figura 3.4 mostra a influência de três pólos dominantes, um de cada estágio de um AO típico.
Figura 3.4: Resposta em freqüência de cada estágio de um típico AO não compensado
A equação 3.6 corresponde ao ganho do sistema não compensado, mostrado na Figura
3.4.
A
d
¦S)=A
d0

p
1
⋅p
2
⋅p
3
¦ S+p
1
)⋅¦ S+p
2
)⋅¦S+p
3
)
( 3.6 )
onde A
d0
é o ganho em baixas freqüências, A
d
(S) é o ganho de tensão em laço aberto,
p
1
, p
2
, e p
3
são os pólos.
Os efeitos individuais dos pólos de cada estágio do AO foram somados para montar o
gráfico da Figura 3.5. Observa-se que o AO tem ganho de 29dB na freqüência onde a fase é
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 44
– 180º. Sendo assim este AO será estável em todas as configurações com ganho maior do
29dB, caso contrário o circuito se torna um oscilador.
Figura 3.5: Resposta em freqüência de um típico AO não compensado
Por esta razão alguns AOs de banda larga (amplificadores desenvolvidos para operar
em freqüências elevadas) só podem ser utilizados em configurações com ganho mínimo
estabelecido pelo fabricante. Muitas vezes estes operacionais não são estáveis para ganho
unitário. Como exemplo disto temos o LF357, que é estável em configurações com ganho
maior do que 5.
3.1.2 Resposta em freqüência com compensação
Para corrigir a resposta em freqüência de um AO (instabilidade ou resposta a
transitórios) emprega-se algum tipo de compensação. Esta pode ser externa (AO de banda
larga e alto desempenho – LM301, LM308, LM318...) ou interna (AO de propósito geral -
LM741, LF351...) ao AO.
Uma forma de compensar o AO, para permitir a sua estabilidade em um determinado
ganho de malha fechada consiste em introduzir um pólo de baixas freqüências, de modo que a
a nova resposta em freqüência do AO intercepte a curva 20⋅log¦1/ ß) com inclinação de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 45
-20dB/déc (curva Ad(S) compensada Figura 3.6). Este comportamento, infelizmente, introduz
um pólo adicional em freqüência muito baixa o que diminui sensivelmente o ganho do AO em
todas as freqüências. Isto é prejudicial ao desempenho global do AO pois seu comportamento
ideal apresenta ganho elevado para todas as freqüências.
Figura 3.6: Compensação de um AO com um pólo dominante
A diminuição no valor do primeiro pólo do AO também pode ser utilizado para
estabilizar o amplificador realimentado sem introduzir um pólo adicional (o primeiro pólo
pode ser desviado para o ponto de interseção da linha tracejada com a resposta Ad(S) – curva
verde). Como vantagem o método permite ganhos maiores para todas as freqüências. Como
desvantagens é necessário capacitores de valor elevado dentro do AO.
No LM741 é utilizada uma técnica alternativa e muito comum para compensação. É
incluído um pequeno capacitor (≈30
p
F) entre a base e o coletor de algum transistor do 2°
estágio. O efeito deste capacitor é multiplicado pelo ganho do 2° estágio (efeito Miller) e
refletido para a saída do 1° estágio. Isto faz com que seja criado, no 1° estágio, um pólo em
uma freqüência muito baixa (≈10Hz), um zero na freqüência de p
2
e outro pólo em uma
freqüência bastante elevada (≈1MHZ). Em suma, p
2
é cancelado, e p
1
é deslocado para direita.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 46
O resultado final é de um amplificador com comportamento de um único pólo em quase toda
a faixa de freqüência.
No caso do LM741 é possível considerá-lo como um circuito de um único pólo até a
freqüência de 1MHz (p
3
), conforme indicado na equação 3.7. Acima desta freqüência o ganho
em malha aberta é menor do que 1 (0dB), e isto garante a estabilidade do AO até mesmo para
ganho unitário. O custo desta estabilização foi a redução da largura de banda do AO (largura
da faixa de passagem).
A
V
¦ S )=
A
0
⋅p
1
S+p
1

A
0
⋅p
1
S
=
GBW
S
( 3.7 )
onde GBW é o produto ganho-faixa do AO
Nesta aproximação o GBW é constante, ou seja, se o ganho de malha fechada for
diminuído há um aumento proporcional na faixa de freqüências que pode ser amplificada por
este ganho.
3.2 Características de desempenho em freqüência
Além do ganho do amplificador em malha aberta e do produto ganho faixa existem
outras características que determinam o desempenho dos AOs com relação a freqüência.
3.1.3 slew-rate
O slew-rate (SR) representa a máxima variação de tensão ( AV
O
) que um
amplificador operacional pode apresentar, na saída, em um dado intervalo de tempo AT . A
principal causa de limitação do slew-rate é a resposta em freqüência do AO e, principalmente,
o pólo dominante. Valores típicos para o slew-rate vão de 1V/µs, em amplificadores de uso
geral, à 2000V/µs em amplificadores rápidos. O valor típico de SR para um LM741 é de
0,5V/µs e para o LM748 é de 40V/µs.
Para medir o slew-rate utiliza-se um buffer (amplificador não inversor de ganho 1) e
um gerador de funções. O gerador aplica uma onda quadrada na entrada do buffer. O sinal de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 47
saída é medido conforme o indicado na Figura 3.7. Para o cálculo do SR utiliza-se o menor
valor obtido pelas equações 3.8 e 3.9.
Figura 3.7: Resposta do AO para uma entrada em degrau. Medidas para determinação do
SR
SR
S
=
90%⋅Vmáx−10%⋅Vmáx
ts
( 3.8 )
SR
D
=
90 %⋅Vmáx−10%⋅Vmáx
td
( 3.9 )
onde SR
S
é o slew-rate de subida, SR
D
é o slew-rate de descida,
3.2.1 Settling time
É o tempo necessário para que a resposta do AO, a uma entrada em degrau, estabilize
dentro de uma faixa de valores considerada aceitável. Esta faixa de valores normalmente
corresponde a 0,1 ou 0,01% um porcento do valor final.
Dependendo das características do amplificador operacional, da rede de realimentação
e da compensação, o circuito apresentará um determinado grau de amortecimento (ζ → zeta:
constante de amortecimento), podendo ser considerado sobre, sub ou criticamente amortecido.
Assim a saída levará algum tempo para se acomodar no valor de regime estacionário, devido
ao transitório. Este intervalo de tempo é definido como tempo de acomodação ou settling
time. A Figura 3.8 mostra como identificar o tempo de acomodação de um sistema a partir de
uma excitação em degrau.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 48
Figura 3.8: Tempo de acomodação da saída de um AO após uma entrada em degrau
3.1.4 Exemplo: Resposta em freqüência
Para o circuito:
Considere que os dois AOs têm características dinâmica do tipo pólo dominante.
Deseja-se que o circuito apresente um pólo em 100kHz (devido a A1) e outro em
1MHz (devido a A2). Determine o produto ganho-faixa (GBW) de cada um dos AOs para que
esta especificação seja atendida.
O circuito deve fornecer uma saída V
O
senoidal de até 100kHz e com 10V
p
sem
distorcê-la. Calcule o slew–rate (SR) mínimo de cada AO para atender a esta especificação.
Considere o modelo CC dado abaixo. Calcule a tensão de saída V
O
para V
i
=0, em
função de V
OS1
, A
d1
, V
OS2
, A
d2
e dos resistores. Um dos AOs tem mais influência sobre este
valor de V
O
? Qual?
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 49
Solução.
Os dois AOs estão funcionando com realimentação negativa portanto estão em uma
região linear.
a) Em um amplificador realimentado, com pólo dominante, o diagrama de Bode de um
amplificador corresponde a uma reta com inclinação –20dB/década. O ponto de
funcionamento do circuito realimentado corresponde a interseção deste gráfico com a reta
20⋅log¦1/ ß) . Desta maneira só precisamos igualar as duas funções:
O ganho de malha aberta de A
2
é
A
2
¦ S )=
GBW
2
S+p
2

GBW
2
S
O ganho em malha fechada de A
2
deve ser

1
ߦ f )

=
GBW
2
f
Determinação do ganho da rede de realimentação.
Considerando Ad não infinito, a configuração inversora apresenta ganho igual a
v
0
=−
R
4
R
3
+
R
3
+R
4
Ad
⋅v
i
, ou
v
o
v
i
=
Ganho Ideal
1+
1
β⋅Ad
onde β=
R3
R3+R4
Reescrevendo as equações temos
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 50
v
o
v
i
=
Ad⋅ß⋅R
4
R
3
1+β⋅Ad

v
o
v
i
=
Ad⋅R
4
R
3
+R
4
1+β⋅Ad
logo o fator β corresponde ao ganho de realimentação.
Assim
1
ß
=
R
3
+R
4
R
3
GBW
2
=
R
3
+R
4
R
3
⋅f
2
=
10k+100k
10k
⋅1MHz=11 MHz
O ganho de malha aberta de A
1
é
A
1
¦ s)=
GBW
1
S+p
1

GBW
1
S
e o ganho em malha fechada de A
1
deve ser

1
ߦ f )

=
GBW
1
f
Assim
1
ß
=
R
1
+R
2
R
1

1
A
V2
=
1k+100k
1k

1
10
=10,1
GBW
1
=
1
ß
⋅f
1
=10,1⋅100 kHz=1, 01MHz
b) Para A2:
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 51
SR
2

¦
dV
O
dt
)
máx
=
d
dt
¦ 10⋅sen¦ 2π f ⋅t ))∣
t =0
SR
2
≥10⋅2⋅n⋅f ⋅cos¦ 2π f ⋅t )∣
t =0
=10⋅2π⋅100. 000
SR
2
≥ 6,283V/µs
Para A1:
Devido ao ganho de A
2
, a saída de A
1
necessita ter apenas 1/10 da amplitude de V
O
,
SR
1
≥ 0,6283V/µs
c)
v
O1
=Ad
1

¦
V
OS1
+
R
1
R
1
+R
2
⋅v
O
)
V
OS2

v
O
Ad
2
=
v
O1
⋅R
4
+v
O
⋅R
3
R
3
+R
4
Substituindo uma equação na outra
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 52
v
O
=
R
3
+R
4
R
4

V
OS2
Ad
1
−V
OS1
R
3
R
4

1
Ad
1
+
R
3
+R
4
R
4

1
Ad
1
⋅Ad
2
+
R
1
R
1
+R
2
Levando-se em conta que os ganhos diferencias Ad são elevados,
v
O
≃−
R
1
+R
2
R
1
⋅V
OS1

Observa-se que V
OS1
é predominante.
3.3 Cargas Capacitivas:
Em um AO, uma carga capacitiva pode alterar a impedância de saída equivalente e
introduzir mais um pólo, no ganho de tensão de malha aberta. Como resultado é possível que
o circuito torne-se instável. O pólo induzido é representado pela equação 3.10
p=
1
Z
O
⋅C
L
( 3.10 )
mas sua determinação não é fácil, pois Z
O
é função da freqüência. Normalmente,
cargas capacitivas aparecem em malhas de compensação externa, na excitação de algum
transdutor ou quando a carga está conectado ao AO por fios muito longos, como uma linha de
transmissão. Neste último caso, a carga capacitiva limita a transmissão de dados em
velocidades elevadas.
Via de regra AOs de uso geral toleram cargas capacitivas de até 1000pF enquanto que
para AO de alta freqüência a carga capacitiva deve ser limitada a uns 25pF. Quando se
trabalhar como cargas deste tipo se deve utilizar amplificadores com baixa impedância de
saída em malha aberta ou prover uma redução desta impedância utilizando um amplificador
de reforço de corrente. Para o caso da linha de transmissão o reforço de corrente pode ser
muito importante pois em freqüências elevadas a carga pode drenar correntes elevadas.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 53
A título de curiosidade, um AO deve ser capaz de suprir 63mA para uma carga
capacitiva de 10000pF excitada por um sinal de 10V e 100kHz: i
Lmáx
=C
L

¦
dV
O
dt
)
máx
Circuitos de compensação podem ser criados para evitar instabilidade. No circuito
mostrado na Figura 3.9 foi implementado uma compensação externa utilizando-se técnicas de
controle. Normalmente se utiliza atraso de fase mas qualquer outra técnica de controle pode
ser implementada.
Figura 3.9: Compensador para cargas capacitivas
Para o circuito da Figura 3.9 vale a regra apresentada na equação 3.11.
1
R
O
+R
3

1
C
1
⋅¦ R
1
// R
2
)
( 3.11 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 54
3.2 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional
Ruído elétrico é todo o tipo de interferência que se sobrepõe a uma informação
elétrica. Para evitar confusão, a partir deste momento, a palavra “sinal” passa a representar a
informação útil ao passo que a palavra “ruído” será utilizada para referenciar qualquer tipo de
interferência elétrica sobre um determinado sinal. O ruído elétrico nos operacionais se deve ao
ruído inerente a cada dispositivos que o compõe (transistores, resistores, etc....).
Existem várias formas de ruído elétrico sendo que cada uma destas formas está
associada a algum evento físico ou a alguma características de confecção do componente. A
seguir, são listados os principais tipos de ruído, suas fontes e seus efeitos na saída dos AOs.
3.3.1 Ruído Térmico:
Este ruído é causado pela agitação térmica dos elétrons em uma resistência. O ruído
térmico é constante ao longo de todo o espectro de freqüências, e por isso é chamado de
“ruído branco”. A tensão eficaz gerada pelo ruído térmico pode ser calculada com a equação
3.12.
V
T
¦ RMS)=. 4 kTBR [ V / . Hz ] ( 3.12 )
onde: k é a constante de Boltzman (1,38⋅10
23
J/K); T é a temperatura [K]; B é a banda
passante [Hz]; R é a resistência [Ω].
No osciloscópio o ruído térmico aparece como o desenho da Figura 3.10.
Figura 3.10: Aparência do ruído térmico
.
3.3.2 Shot Noise
Este ruído está associado com uma corrente fluindo através de uma barreira de
potencial. Isto significa que ele é formado pela flutuação instantânea de corrente elétrica,
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 55
causada pela emissão aleatória de elétrons e lacunas. Schottky, em 1918, mostrou que este
ruído gera uma corrente eficaz, que pode ser quantizada de acordo com equação 3.13.
I
SN
¦ RMS)=
.
2qI
DC
B [ A/ . Hz ] ( 3.13 )
onde: q é a carga do elétron (1,6⋅10
19
C); I
DC
é a corrente média [A]; B é a banda
passante [Hz].
Quanto ao espectro de freqüências o shot noise é similar ao ruído térmico, pois a
densidade de potência é constante com a freqüência.
3.3.3 Ruído de Contato:
Também conhecido por Excess Noise, Flicker Noise, ruído 1/f e ruído de baixa
freqüência, é causado pela variação da condutividade devido ao contato imperfeito entre dois
materiais (por exemplo, silício e alumínio). Este tipo de ruído aparece sempre que existe
junções entre materiais de qualquer tipo, como nas chaves, pontos de solda etc.. A equação
3.14 mostra a intensidade da corrente pela qual pode ser modelado este ruído.
I
f
¦RMS )=
KI
DC
. B
. f
[ A/ . Hz ] ( 3.14 )
onde: K é uma constante que depende do material; I
DC
é a corrente média [A]; B é
banda passante [Hz]; F é a freqüência [Hz].
Note que o ruído de contato I
f
aumenta com a diminuição da freqüência. Esta é a maior
fonte de ruído em componentes à baixas freqüência.
Para dois resistores de 1KΩ , um de carbono e outro de fio, o ruído térmico é o mesmo
e proporcional a resistência. Porém, com a passagem de corrente elétrica o resistor de carbono
apresenta mais ruído que o resistor de fio devido a variação de condutividade no contato
imperfeito do resistor.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 56
3.3.4 Popcorn Noise:
Este ruído é responsável pelo conhecido “estalo” que aparece, por exemplo, em
aparelhos de som. É causado por defeitos de manufatura da junção (tal como uma impureza)
de componentes semicondutores. Este tipo de ruído depende do processo de fabricação dos
semicondutores. O popcorn tem a aparência de um degrau de tensão de duração aproximada
de 10 ms e que aparece esporadicamente nos aparelhos. A Figura 3.11 mostra a aparência
destes ruído quando visto em osciloscópio.
Figura 3.11: Aparência do ruído popcorn
3.3.5 Soma de Ruídos:
Várias são as fontes de ruído e todas podem estar presentes ao mesmo tempo em um
mesmo circuito. Quando isto ocorre e os ruídos não são correlacionados, ou seja, são
independentes, a soma das fontes de ruído produz uma potência total que é igual a soma da
potência de cada fonte, de acordo com a equação 3.15. O resultado também pode ser expresso
em termos de uma fonte de tensão como na equação 3.16.
P
T
=P
1
+P
2
+...+P
n
( 3.15 )
V
T
=
.
V
1
2
+V
2
2
+. . .. .V
n
2
( 3.16 )
O ruído RMS total é como se fosse o desvio padrão de uma distribuição de
probabilidade normal com média zero. Sendo assim, para obter os valores máximos e
mínimos desta distribuição, com erro menor do que 0,1%, basta multiplicar o desvio padrão
por 3,3. É comum multiplicar o ruído RMS por 6,6 para se obter uma informação pico a pico
de corrente ou tensão.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 57
3.3.6 Espectro de ruído
Um gráfico de ruído equivalente é construído com auxílio de filtros passa faixa
sintonizados ou de processamento digital de sinais. A representação do ruído sempre é feita no
domínio da freqüência.
Em transistores, por exemplo, uma polarização simples para a configuração emissor
comum é montada. Como carga deste circuito adiciona-se um filtro passa faixa variável que
sintoniza a freqüência onde se deseja medir o ruído. Um milivoltímetro RMS é utilizado para
as medidas. A curva resultante destas medidas é mostrada na Figura 3.12.
Figura 3.12: Espectro de ruído para um amplificador
Analisando o gráfico da Figura 3.12 podemos perceber que o nível de ruído na saída
de um circuito a base de transistores depende da faixa de freqüência em que se está
trabalhando:
• de 0 até F1 temos: ruído térmico + contato + shot noise
• de F1 até F2 temos: ruído térmico + shot noise
• acima de F2 temos: ruído da junção do coletor associado à diminuição do
ganho do transistor + shot noise.
Por esta razão, em circuitos de instrumentação, especificamente abaixo de 100Hz, é
recomendado evitar ou diminuir correntes CC fluindo pelos sensores. Isto pode ser obtido
minimizando a corrente de polarização dos amplificadores.
Em amplificadores operacionais o ruído elétrico normalmente é maior do que o ruído
de um amplificador construído com transistores discretos, pois o circuito de entrada do
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 58
operacional tem dois transistores (no mínimo) na configuração diferencial. Isto implica num
aumento de
.2 no ruído. Outro fator importante é que alguns transistores integrados tem
ganho menor que os transistores discretos.
A curva de tensão e corrente de ruído para um AO típico é mostrada na Figura 3.13.
Note as unidades nV / . Hz e pA/ . Hz para cada freqüência específica. Se desejarmos
conhecer o ruído para uma faixa de freqüências basta multiplicar pela raiz quadrada da faixa
de freqüências que desejamos. Nestes casos as unidades podem mudar para µV e nA.
Figura 3.13: Corrente e tensão de ruído para um AO típico
3.2.1 Equivalente Elétrico
Fontes de tensão e corrente podem ser aplicadas para modelar a influência do ruído em
um AO. Conforme apresentado na Figura 3.14 estas fontes são aplicadas da mesma forma que
para modelar V
OS
e I
B
.
Figura 3.14: Modelo do AO com fontes de ruído
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 59
3.2.2 Relação sinal ruído
Para avaliação de amplificadores também se utiliza a chamada relação sinal ruído
(SNR), definida conforme 3.17. Quanto maior a relação SNR melhor o amplificador.
SNR=20⋅log
¦
Vsinal
RMS
Vruído
RMS
)
( 3.17 )
3.2.3 Figura de ruído
A figura de ruído corresponde a razão entre as SNR da entrada do amplificador (como
se ele não existisse) e da saída do amplificador. Note que para esta medida é importante que
os valores da impedância da fonte de entrada (o gerador de sinais) sejam consideradas.
NF=10⋅log
¦
SNR
in
SNR
out
)
NF=10⋅log
¦
Sinal
in
⋅Ruído
out
Sinal
out
⋅Ruído
in
)
NF=10⋅log
¦
Sinal
in
⋅Av⋅V
TNin
2
Sinal
in
⋅Av⋅V
T
2
)
,
onde Av é o ganho de tensão do amplificador, V
TNin
é a tensão de ruído total na entrada
do amplificador, V
T
é a tensão de ruído térmico na resistência da fonte.
NF=10⋅log
¦
V
TNin
2
V
T
2
)
NF=10⋅log
¦
V
n
2
+V
T
2
+I
n
2
⋅R
gerador
2
V
T
2
)
Supondo que o único ruído do gerador seja o ruído térmico, quando conectarmos este
gerador ao amplificador a tensão de ruído se soma a tensão do gerador e a corrente de ruído,
passando pela resistência do gerador produz outra tensão de ruído que depende da impedância
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 60
de entrada do gerador. Por esta razão, para pequenos valores de impedância do gerador a
tensão de ruído tem importância maior que a corrente. Se a resistência do gerador é grande a
corrente de ruído é mais importante. Uma clara vantagem do amplificador com entrada FET,
pois assim como as correntes de polarização a corrente de ruído destes amplificadores é muito
menor que nos TBJ.
3.2.4 Exemplo: Ruído
Para o amplificador cuja tensão e corrente de ruído são apresentadas na figura Figura
3.13, supondo que ele está conectado a um gerador com impedância de 2kΩ.
a) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando a 1kHz (por
unidade de freqüência).
No resistor da fonte (para 1Hz): V
T
=.4⋅k⋅T⋅R⋅B=5,7nV / . Hz
Da figura Figura 3.13 vem que
V
n
|
1kHz
=9,5nV / .Hz
I
n
|
1kHz
=0,68 pA/ . Hz
Total: V
TN
=
.
V
n
2
+V
T
2
+I
n
2
⋅R
gerador
2
=11,16nV /. Hz
b) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando entre 1kHz e
10kHz.
V
TN
=11,16 nV / . Hz⋅.10kHz – 1kHz=1,1uV
RMS
c) Calcular a relação sinal ruído na entrada do amplificador, supondo que o sinal do
gerador possui apenas 4mV.
SNR=20⋅log
¦
V
gerador
V
TN
)
=71dB
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 61
3.2.5 Algumas dicas para minimizar os efeitos de ruído interno e externos ao AO
• Minimizar a introdução de ruído determinístico no sistema (cuidados
mecânicos, blindagem, cabos, invólucro, ponto de alimentação). Usar cabos
coaxiais, par trançado UTP, par trançado STP, fibras ópticas.... Aterrar cabo
coaxial. Diminuir a área formada por laços de corrente.
• Sempre que possível devemos limitar ao máximo a banda de passagem (atuar
na resposta em freqüência de amplificadores, colocar armadilhas para RF,
filtros de rede...). Usar anéis de ferrite ou de condutor em pontos de conexão
com fios. Usar trilhas de circuito impresso arrendondadas.
• Utilizar amplificadores mais insensíveis ao ruído como CAZ (commutating
auto zero), ou amplificadores sintonizados como o LOCK-IN.
• Atentar para a disposição dos circuitos na placa. Identificar fontes de ruído e
agrupar estes circuitos, longe das etapas não ruidosas. Agrupar transistores de
chaveamento, transformadores, diodos, ... Isolar etapas de alta potência das de
baixa potência.
• Filtro de linha próximo da entrada da fonte. Usar capacitores de
desacoplamentos para as fontes. Adicionar a cada placa capacitores de 2,2µF
até 100µF (os grandes capacitores barram alta freqüência) nos fios de
alimentação. Junto a circuitos integrados usar capacitores de 10nF até 100nF.
• Capacitores e indutores (idealmente) não possuem ruídos associados mas
possuem atuação limitada em frequência conforme apresentado na Tabela 3.1.
Tabela 3.1: Máxima freqüência de utilização de diversos tipos de capacitores
Capacitores Freqüência
Eletrolítico de alumínio 100kHz
Eletrolítico de tântalo 1MHz
Papel 5MHz
Mylar 10MHz
Poliestireno/Mica 500MHz
Cerâmico 1GHz
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 62
4 Tipos de Amplificadores Operacionais
Atualmente uma variedade de circuitos para amplificadores operacionais está
disponível no mercado. Seguindo o conceito básico de amplificadores operacionais (ser capaz
de amplificar a diferença entre dois sinais), estes amplificadores trabalham com correntes,
tensões, transcondutância entre outros. A seguir estudaremos alguns tipos de amplificadores
operacionais integrados e disponíveis no comércio.
4.1 Amplificador operacional típico
Este circuito consiste do amplificador operacional tal como o conhecemos até agora.
Este é o tipo mais comum de amplificador e com o maior número de aplicações. A equação
4.1 descreve o amplificador enquanto que seu símbolo é apresentado na Figura 4.1.
V
0
=A¦ v
+
−v

)
( 4.1 )
Figura 4.1: Símbolo do amplificador operacional típico
A Tabela 4.1 mostra uma lista de 8 amplificadores operacionais e suas principais
características DC e AC, todas elas já estudadas anteriormente.
Tabela 4.1: Principais características de alguns operacionais
LM
741
LF
351
LM
308
CA
3140
LM
318
LF
357
OP
43G
OPi
77G
Unid.
V
OS
2 5 2 5 4 3 0,5 0,020 mV
∆V
OS
15 10 6 8 x 5 7,5 0,7 µV/°C
I
B
80 0,050 1,5 0,010 150 0,030 0,0035 1,2 nA
I
OS
20 0,025 0,2 0,5pA 30 0,003 0,058 0,3 nA
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 63
LM
741
LF
351
LM
308
CA
3140
LM
318
LF
357
OP
43G
OPi
77G
Unid.
CMR 90 100 100 90 100 100 110 140 dB
PSR 96 100 96 80 80 100 100 120 dB
GBW 1 4 ~1-3 4,5 15 20 2,4 0,6 MHz
SR 0,5 13 ~0,5 9 70 50 6 0,3 V/µs
Fabrica
National National National RCA National National PMI PMI
Obs.:
Uso geral Entrada
JFET
Comp.
Externa
Entrada
Mosfet
Comp.
Externa/
Interna
Entrada
JFET
Entrada
JFET
Precisão
Onde: V
OS
é a tensão de offset; I
OS
é acorrente de offset; PSR é a rejeição a variações na tensão
de alimentação; ∆V
OS
é o drift de V
OS
; GBW é o produto ganho largura de faixa; I
B
é a corrente
de polarização; CMR é a rejeição de modo comum; SR é o slew-rate;
4.2 Amplificador operacional de transcondutância (OTA)
Este amplificador é muito comum em microeletrônica mas existem poucos integrados
discretos disponibilizando funções de OTA. Como o próprio nome sugere este amplificador
transforma a diferença entre as tensões de entrada em uma corrente de saída. Isto confere
características bastante interessantes a este operacional que, por exemplo, pode ter sua saída
ligada a saída de outro operacional do mesmo tipo sem problema de curto circuito.
Em microeletrônica o OTA é utilizado para produzir filtros e acionar cargas
capacitivas. Os modelos discretos apresentam uma terceira entrada, chamada de corrente de
polarização, capaz de ajustar o ganho do amplificador. A função der transferência deste
operacional é dado pela equação 4.2, alguns de seus símbolos são apresentados na Figura 4.2 e
o circuito interno do CA3080 é apresentado na Figura 4.3.
i
o
=Ag¦ v
+
−v

)
( 4.2 )
Ag=gm=K⋅I
B
( 4.3 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 64
onde Ag ou gm é o ganho do OTA, K é uma constante que depende do modelo e I
B
é a
corrente de polarização).
Figura 4.2: Símbolo do amplificador de transcondutância (OTA)
Figura 4.3: Circuito interno do CA3080
As principais aplicações para este tipo de amplificador são o controle automático de
ganho, os multiplicadores e divisores de tensão, circuitos moduladores e filtros. Apesar disto
este tipo de amplificador pode ser utilizado em praticamente todos os casos onde um
operacional comum também é utilizado. Isto, entretanto, não consiste em nenhuma vantagem
pois as características do OTA não o auxiliam nestas tarefas mais comuns. Como exemplos de
OTAs podemos citar o clássico CA3080, o LM13600 e o mais recente CA3280.
Os OTAs práticos, inclusive os listados, sofrem limitações e problemas de polarização
que dificultam seu uso, sendo importante a inclusão de componentes que teoricamente não
seriam necessários. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada
circuito. Normalmente os problemas dizem respeito a não linearidades do par diferencial de
entrada. Como os OTAs não precisam trabalhar realimentados a diferença entre as tensões de
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 65
entrada não são zero e, infelizmente, o par diferencial só tem comportamento linear para
valores de tensão de alguns milivolts. Circuitos com diodos e resistores são utilizados para
expandir a linearidade dos componentes.
4.3 Amplificador Norton
O amplificador Norton é um tipo especial de operacional que ao invés de amplificar a
diferença entre duas tensões de entrada ele amplifica a diferença entre duas correntes de
entrada. A saída entretanto continua sendo um sinal de tensão. Sua função de transferência é
dada pela equação 4.4, seu símbolo pode ser visto na Figura 4.4 e o circuito interno do
LM3900 pode ser visto na Figura 4.5.
V
0
=A¦i
+
−i

)
( 4.4 )
Figura 4.4: Símbolo de um amplificador Norton
Figura 4.5: Circuito interno do LM3900
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 66
Como exemplos de circuitos integrados destes componentes podemos citar o LM2900,
o LM3900 e o LM359. Os amplificadores tipo Norton apresentam limitações práticas,
principalmente no que diz respeito aos valores de corrente de entrada. Os fabricantes explicam
quais cuidados devem ser tomados com cada circuito. Dentre as aplicações para estes
componentes estão os filtros ativos, os geradores de funções, amplificadores para fotodiodos...
4.4 Amplificador Chopper
Este tipo de amplificador foi desenvolvido a muito tempo (no fim dos anos 40 início
dos anos 50), e antes de ser um tipo de amplificador ele é mais uma técnica cujo objetivo é
minimizar tensão e drift de offset. O amplificador Chopper utiliza técnicas de AC para
desacoplar as baixas freqüências devido a V
OS
e I
B
. A melhora mais notável é com relação ao
drift com a temperatura de V
OS
e I
OS
. O amplificador Chopper pode introduzir um fator de
redução de 50 vezes nestes drift.
Assim, as principais características do amplificador Chopper são o baixíssimo V
OS
a
alta estabilidade térmica e o baixo ruído. Estes amplificadores são estabilizados internamente
por um sistema de chaves e integradores de erro porém seu uso fica limitado a sinais de baixa
freqüência. A Figura 4.6 mostra um esquema simplificado de um amplificador Chopper.
Figura 4.6: Diagrama esquemático de um amplificador Chopper
Na Figura 4.6, as chaves Ch1 e Ch2 são fechadas quando Ch3 e Ch4 são abertas. A
Figura 4.7 mostra a seqüência correta para o acionamento de cada uma destas chaves. Neste
diagrama, o sinal em nível alto corresponde a chave fechada. As chaves Ch2 e Ch4 são
fechadas após Ch1 e Ch3 serem fechadas, e abertas antes que Ch1 e Ch3 sejam abertas.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 67
Assim, os transitórios causados pelo chaveamento não são integrados pelo filtro passa-baixas
da saída (R
4
-C
4
).
Figura 4.7: Seqüência de acionamento das chaves do amplificador Chopper da Figura 4.6
Na Figura 4.8 vemos um diagrama de tempo dos sinais presentes no amplificador
Chopper. Nestes gráficos é apresentada uma onda de entrada constante (Vi), o mesmo sinal
após recortado pela chave Ch1 (VA), e após o filtro passa altas (VB), onde é retirada a
componente DC deste sinal. A informação presente no nó VB é amplificada pelo AO
produzindo uma onda quadrada não centrada, devido aos erros de offset e drift, somada ao
ruído de alta e baixa freqüência (VC). Os erros devido ao offset, drift e ruído de baixa
freqüência são retirados após o filtro passa alta (VD). O o ruído de alta freqüência (e o sinal
de alta freqüência) é retirado pelo filtro passa baixa de saída.
Neste exemplo, a tensão de entrada é constante, e portanto, após o sinal ser recortado
ganha a aparência de uma onda quadrada. Se uma senóide fosse amplificada por este tipo de
amplificador iria produzir pulsos de amplitudes diferentes a cada recorte do sinal de entrada,
mas na saída obteríamos a mesma senóide de entrada..
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 68
Figura 4.8: Formas de onda dos nós do amplificador Chopper da Figura 4.6
Como exemplo de amplificador Chopper podemos citar o LMC668 com V
OS
< 5 µV e
dV
os
dT
=50nV /C .
Estes amplificadores, na forma como apresentado, estão em desuso e sua produção tem
sido descontinuada. Novos amplificadores chamados de auto zero (CAZ) estão em produção.
Semelhantes ao Chopper, no tratamento AC do sinal, incorporam controles automáticas de
ganho para melhorar o desempenho do circuito estendendo sua aplicação as altas freqüências.
Exemplos de modernos amplificadores de auto zero são o AD8571, o LM2652 e o LM2654
(estes últimos chamados de Chopper pelo fabricante).
4.5 Amplificador Isolador
Em muitos sistemas o ponto de medida deve ser isolado do restante do circuito
amplificador. Nestes casos devemos utilizar técnicas de isolação entre a etapa de potência (e
condicionamento de sinais) e a etapa de medição. Esta isolação pode ser obtida por intermédio
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 69
de amplificadores isoladores. Existem três tipos básicos de isolação que podem ser
conseguidas nestes circuitos: com transformadores, com capacitores ou com opto acopladores.
A relação de ganho varia de amplificador para amplificador mas o símbolo é comum a todos e
pode ser visto na Figura 4.9.
Figura 4.9: Símbolo do amplificador isolador
As principais aplicações para este tipo de amplificador encontram-se na área médica,
na quebra de laços de terra e na diminuição dos efeitos causados por elevadas tensões de
modo comum. Exemplos de amplificadores isoladores são AD215 da Analog Devices, o
IS0103, e o ISO100 da Burr-Brown. Os diagramas de blocos para estes amplificadores são
apresentados nas figuras 4.10, 4.11 e 4.12 e respectivamente.
Os fabricantes fornecem duas tensões de isolação, uma para tensões continuamente
aplicadas e outra a máxima tensão de isolação. A primeira tensão é menor do que a segunda e
ambas podem variar em função da freqüência e temperatura. Estes amplificadores, entretanto,
são capazes de garantir isolações entre 750V e 2500V aplicados continuamente e até 6000V
por um curto espaço de tempo. A impedância de barreira situa-se em torno de 10
12
Ω.
Figura 4.10: Diagrama de blocos do AD215
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 70
Figura 4.11: Diagrama de blocos do amplificador ISO103
Figura 4.12: Diagrama de blocos do amplificador ISO100
Note que alguns destes amplificadores apresentam transformadores e portanto não são
um simples circuito integrado. Muitas vezes estes circuitos são modelos híbridos ou
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 71
construídos como componentes discretos e encapsulados em um único invólucro. Observe
também que os amplificadores isoladores necessitam de fontes de alimentação independentes
para “lado” do amplificador. Isto significa, inclusive, dois terras diferentes e não conectados.
4.6 buffer
Este é um amplificador com características bastante interessantes em qualquer tipo de
circuito, pois ele é capaz de fornecer uma isolação entre diferentes estágios de um
condicionador de sinais. Diferente do amplificador isolador este amplificador não fornece
isolação galvânica mas uma elevada impedância de entrada (o que não carrega etapas
anteriores de amplificação ou filtragem) e uma baixa impedância de saída (o que não afeta os
estágios subseqüentes de amplificação). Por estas características de impedância este
amplificador, normalmente, possui elevado ganho de corrente e ganho unitário de tensão. Seu
símbolo pode ser visto na Figura 4.12. A Figura 4.13 mostra a resposta em freqüência do
buffer AD8074 (Analog Devices), com diferentes cargas capacitivas.
Figura 4.13: Símbolo do buffer
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 72
Figura 4.14: Resposta em freqüência do buffer AD8074 com carga capacitiva
4.7 Amplificadores de Instrumentação:
Os amplificadores de instrumentação são circuitos que amplificam a diferença entre
duas tensões, mantendo uma elevada impedância de entrada, uma elevada rejeição a sinais de
modo comum e um ganho diferencial ajustável (preferencialmente), funcionando de forma
similar ao próprio AO, porém com ganhos menores.
O amplificador subtrator (diferencial) básico é apresentados na Figura 4.15. A
configuração permite alterar o ganho do amplificador mas a impedância de entrada é baixa.
Figura 4.15: Amplificador diferencial básico
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 73
Por superposição:
Para a entrada vcm e v2
v
O
=¦ v
CM
+v
2
)
R
4
R
3
+R
4

R
2
+R
1
R
1
Para a entrada formada por vcm e v1
v
O
=−
R
2
R
1
⋅¦ v
CM
+v
1
)
Somando as duas equações, e após algum algebrismo
v
0
=
|
R
1
⋅R
4
−R
2
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+R
4
) ¦
⋅v
CM

R
2
R
1
⋅v
1
+
R
4
R
3

1+R
2
/ R
1
1+R
4
/ R
3
⋅v
2
Se
R
2
R
1
=
R
3
R
4
então
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
.
Observe que a influência de vcm é nula, se a razão entre as resistências R
2
e R
1
for
exatamente igual a razão entre as resistências R
3
e R
4
. Via de regra o CMRR de um circuito
pode ser calculado como apresentado na equação 4.5.
CMRR=
Ad
Acm
CMRR
circuito
=
CMRR
subtrator
⋅CMRR
intrinceco
CMRR
subtrator
+CMRR
intrinceco
( 4.5 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 74
A Tabela 4.2 mostra como o CMRR do circuito pode mudar com relação a tolerância
dos resistores.
Tabela 4.2: CMRR do subtrator em função da tolerância dos resistores
Tolerância dos Resistores (%) 5 2 1 0,1
Acm
subtrator
(ganho 1) 0,1 0,04 0,02 0,002
CMRR
subtrator
(ganho 1) 10 25 50 500
Obs.: CMRR = 500 = 53dB
Observe que a própria impedância da fonte pode causar um desbalanço nos resistores e
diminuir o CMRR da configuração. Por esta razão é desejável uma topologia onde a
impedância de entrada seja extremamente elevada. A construção integrada deste amplificador
minimiza os erros entre as resistências e propicia um CMRR maior, isto entretanto impede o
ajuste do ganho.
Um segundo tipo de amplificador diferencial pode ser visto na Figura 4.16. O ganho
desta configuração pode ser ajustado por apenas um resistor, sem comprometer a precisa
relação entre as demais resistências.
Figura 4.16: Amplificador diferencial com ganho selecionável com um único resistor
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 75
i
1
=
e
1
−v
R
1
v
1
=v−i
1
⋅R
2
=v
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
1
R
2
R
1
i
2
=
e
2
−v
R
1
v
2
=v−i
2
⋅R
2
=v
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
2
R
2
R
1
i
3
=
v
1
−e
0
R
2
Substituindo a expressão de
v
1
na equação de
i
3
temos
i
3
=v
¦
1
R
2
+
1
R
1
)

e
1
R
1

e
0
R
2
i
4
=
v
2
R
2
Substituindo a expressão de
v
2
na equação de
i
4
temos
i
4
=v
¦
1
R
2
+
1
R
1
)

e
2
R
1
Como
i=i
1
−i
3
então
i=
e
1
−v
R
1
−v
¦
1
R
1
+
1
R
2
)
+
e
1
R
1
+
e
0
R
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 76
primeira equação para i :
i=
e
0
R
2
+2
e
1
R
1

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
⋅v
Como
i=i
4
−i
2
então
i=v
¦
1
R
1
+
1
R
2
)

e
2
R
1

e
2
−v
R
1
segunda expressão para i :
i=−2
e
2
R
1
+
¦
2
R
1
+
1
R
2
)
v
então a expressão

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
v=i+2
e
2
R
1
pode ser substituída na primeira expressão para i
i=
e
0
R
2
+2
e
1
R
1

¦
2
R
1
+
1
R
2
)
⋅v
assim, a terceira expressão para i é:
i=¦ e
1
−e
2
)
1
R
1
+
e
0
2R
2
Como
i =
v
1
−v
2
R
i=
|
V
¦
1+
R
2
R
1
)
−e
1
R
2
R
1
−v
¦
1+
R
2
R
1
)
+e
2
R
2
R
1
¦
1
R
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 77
quarta expressão para i :
i=¦ e
2
−e
1
)
R
2
R
1
⋅R
Combinando a terceira e a quarta expressão para i temos
¦ e
1
−e
2
)
1
R
1
+
e
0
2R
2
=¦ e
2
−e
1
)
R
2
R
1
⋅R
logo
e
0
=2R
2
|
R
2
R
1
⋅R
+
1
R
1
¦
¦ e
2
−e
1
)
rearranjando os termos da equação temos
e
0
=
2R
2
R
1
|
R
2
R
+1
¦
¦ e
2
−e
1
)
ou seja o ganho do amplificador pode ser controlado por um única resistência.
Uma outra solução pode ser obtida redesenhando o circuito conforme indicado na
Figura 4.17:
v
1
=i
3
⋅R2=
¦
e
1
R
1

v
R
1
+
e
O
R
2
−i
)
⋅R
2
v
2
=i
4
⋅R
2
=
¦
e
2
R
1

v
R
1
+i
)
⋅R
2
i=
v
1
−v
2
R
i=
1
R

¦
e
1
R
1

v
R
1
+
e
0
R
2
−i−
e
2
R
1
+
v
R
1
−i
)
⋅R
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 78
i=
R
2
R

¦
e
1
R
1

e
2
R
1
+
e
0
R
2
−2⋅i
)
i=
¦ e
1
−e
2
)⋅
R
2
R
1
+e
0
2⋅R
2
+R
Figura 4.17: Modelo do amplificador da Figura 4.16
Reescrevendo novamente as equações
v
1
=v−i
1
⋅R
2
=v−
¦
e
1
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
v
2
=v−i
2
⋅R
2
=v−
¦
e
2
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
i=
v
1
−v
2
R
i=
1
R

|
v−
¦
e
1
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
−v+
¦
e
2
R
1

v
R
1
)
⋅R
2
¦
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 79
i=
R
2
R⋅R
1
⋅¦ e
2
−e
1
)
igualando as duas correntes i
¦ e
1
−e
2
)⋅
R
2
R
1
+e
0
2⋅R
2
+R
=
R
2
R⋅R
1
⋅¦ e
2
−e
1
)
e
0
=
|
R
2
R⋅R
1
⋅¦ 2⋅R
2
+R)+
R
2
R
1
¦
⋅¦ e
2
−e
1
)
e
0
=
2⋅R
2
R
1

¦
R
2
R
+1
)
⋅¦ e
2
−e
1
)
Nesta configuração ainda existe o problema da baixa impedância de entrada.
O circuito clássico para amplificador de instrumentação, e que resolve todos os
problemas apresentados pelas outras configurações, é apresentado na Figura 4.18.
Figura 4.18: Amplificador de instrumentação com três operacionais
O circuito pode ser resolvido por superposição:
Supondo v2 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de baixo é zero, logo
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 80
v
O1
=v
1

R+R
3
R
v
O2
=−v
1

R
3
R
Supondo v1 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de cima é zero, logo
v
O2
=v
2

R+R
3
R
v
O1
=−v
2

R
3
R
Como a saída do segundo estágio já foi calculada anteriormente e vale
v
0
=
R
2
R
1
¦ v
2
−v
1
)
então
v
O
=
R
2
R
1

R+2⋅R
3
R
⋅¦ v
2
−v
1
)
v
0
=
R
2
R
1
¦
1+
2R
3
R
)
¦ e
2
−e
1
)
Esta topologia apresenta alta rejeição a tensões de modo comum (se os R3 são
diferentes, há um erro no ganho mas não no CMRR), ganho elevado, ganho ajustável apenas
com um resistor, impedância de entrada (diferencial e de modo comum) elevada em ambas as
entradas. Além disto se o amplificador tiver ganho unitário, somente o offset dos
amplificadores de entrada vão ser significativos na determinação do offset de saída. Se os
amplificadores de entrada forem iguais o drift na saída do amplificador fica reduzido. Nesta
configuração o primeiro estágio é responsável pelo ganho e o segundo estágio é responsável
pelo CMRR e para que este valor seja elevado o amplificador de instrumentação é
comercializado em um único integrado.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 81
O CMRR do circuito pode ser calculado como
CMRR=CMRR
1
o
estagio
⋅CMRR
subtrator
Circuitos integrados com amplificadores de instrumentação alcançam CMRR maiores
do que 100 dB ( CMRR > 10
5
), mas este valor costuma decair com a freqüência. Um exemplo
clássico de amplificador de instrumentação integrado é o AD522.
4.7.1 Exemplos
1) Calcular o CMRR para um amplificador diferencial cujas relações de resistências
são: R
2
=100·R
1
, e R
4
=101·R
3.
v
0
=
|
R
1
⋅R
4
−R
2
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+R
4
) ¦
⋅v
CM

R
2
R
1
⋅v
1
+
R
4
R
3

1+R
2
/ R
1
1+R
4
/ R
3
⋅v
2
v
0
=
101⋅R
1
⋅R
3
−100⋅R
1
⋅R
3
R
1
⋅¦ R
3
+101⋅R
3
)
⋅v
CM
−100⋅v
1
+101⋅
1+100
1+101
⋅v
2
v
0
=
1
102
⋅v
CM
−100⋅v
1
+100 ,0098⋅v
2
observe que este erro resulta em
CMRR=
Ad
A
CM
=
100
1/ 102
=10200≈80dB
2) Calcular a função de transferência da topologia abaixo
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 82
Considerando que a tensão na saída do amplificador de realimentação é
v
G
, então
v
G
=−
R
K
R
G
⋅v
O
O problema pode ser resolvido por superposição:
com a entrada
v
2

aterrada, a corrente pelos dois resistores da entrada positiva de A1
devem ser iguais, e v
+
deve ser zero, então
v
1
R
=−
v
G
R
substituido a equação de
v
G
temos
v
1
R
=−

R
K
R
G
⋅v
O
R
logo
v
O
=
R
G
R
K
⋅v
1
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 83
com a entrada
v
1

aterrada, o potencial em v

é metade do valor de
v
2
, e v
+
é
metade da tensão
v
G
v
2
2
=
v
G
2
=

R
K
R
G
⋅v
O
2
então
v
O
=−
R
G
R
K
v
2
logo
v
O
=
R
G
R
K
¦ v
1
−v
2
)
O ganho é diretamente proporcional à RG, mas a impedância de entrada fica
diminuída.
4.8 Exercícios
1) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada gm
–1
. Supor
que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
2) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada
(gm
1
·gm
2
·Z
L
)

–1
. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 84
3) Mostrar que os circuitos abaixo correspondem a dois amplificadores diferenciais e
um somador (de diferenças de tensão). Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 85
3) Mostrar que o circuito abaixo é um amplificador diferencial se R1/R2 = R4/R3
v
O
=¦v
2
– v
1
)⋅
¦
1+
R
4
R
3
+
2⋅R
4
R
G
)
v
O
=¦v
2
– v
1
)⋅
¦
1+
R
4
R
3
)
(sem o resistor RG)
As desvantagens deste amplificador sobre aquele com três AOs é que um dos
amplificadores esta trabalhando com ganho menor do que 1 o tempo de propagação do sinal
no circuito é diferente para as duas entradas (o sinal v2 passa por U1 e U2 antes de chegar na
saída, enquanto que o sinal v1 passa apenas por U2).
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 86
5 Circuitos Especiais
5.1 Circuitos de medida em ponte
Em instrumentação é comum encontrar sensores (transdutores) interconectados em um
circuito comumente designado de “ponte” (Figura 5.1). Na ponte, uma ou mais impedâncias
mudam seu valor proporcionalmente a grandeza que se deseja medir. Isto provoca um
desequilíbrio nas tensões da ponte que pode ser detectado por um amplificador.
Eventualmente este amplificador deve ser responsável por linearizar ou filtrar o sinal captado
da ponte. Os sensores são colocados nos braços da ponte, que pode ser alimentada com fonte
de tensão ou corrente.
5.1.1 Ponte de resistores alimentada com fonte de tensão
A Figura 5.1 mostra uma ponte de resistores alimentada com fonte de tensão
constante. Nos braços da ponte são colocadas resistências fixas e variáveis (os sensores). Estas
resistências variáveis irão produzir uma tensão de saída que depende da variação desta
resistência com a grandeza que se deseja medir. A equação 5.1 relaciona as variações de
tensão de saída da ponte com as variações de resistência dos elementos sensores.
Figura 5.1: Ponte de resistores alimentada por tensão
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 87
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R
2
R
1
+R
2

R
3
R
3
+R
4
)
( 5.1 )
onde Av é o ganho do amplificador e Vcc é o valor da fonte de alimentação.
5.1.1.1 Ponte com um transdutor
Supondo que R
1
= R
2
= R
3
= R, e R
4
= R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc
¦
1
2

R
2⋅R+AR
)
v
O
=Av⋅Vcc⋅
2⋅R+AR−2⋅R
4⋅R+2⋅AR
v
O
=Av⋅
Vcc
4

¦
A R/ R
1+AR/ 2R
)
( 5.2 )
Como podemos observar pela equação 5.2, a relação entre a tensão de saída e a
variação da resistência da ponte não é linear. Normalmente é feita uma aproximação para o
caso onde ∆R é muito menor do que R. A solução do problema para o caso aproximado é
v
O
=Av⋅
Vcc
4

¦
AR
R
)
5.1.1.2 Ponte com um transdutor por braço
Supondo que R1 = R3 = R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R+AR
2⋅R+AR

R
R+AR
)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 88
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
AR
2⋅R+AR
)
v
O
=Av⋅
Vcc
2

¦
A R/ R
1+AR/ 2R
)
( 5.3 )
E mais uma vez, não há relação linear entre a variação das resistências da ponte e a
tensão de saída do amplificador.
5.1.1.3 Ponte com dois transdutores em um braço
Supondo R1 = R4 = R, R2 = R + ∆R, e R3 = R – ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc
¦
R+AR
2⋅R+AR

R−AR
2⋅R−A R
)
v
O
=Av⋅
Vcc
2

¦
AR/ R
1−¦ AR/ 2R )
2
)
( 5.4 )
Que é muito melhor que o anterior, porém não apresenta relação linear entre as
variações de resistência e tensão.
5.1.1.4 Ponte com quatro transdutores
Supondo R1 = R3 = R - ∆R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.1 obtemos
v
O
=Av⋅Vcc⋅
¦
R+AR
2⋅R

R−AR
2⋅R
)
v
O
=Av⋅Vcc⋅
AR
R
( 5.5 )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 89
Que, finalmente, resulta em uma relação verdadeiramente linear entre variação de
resistência e tensão.
5.1.2 Ponte alimentada com fonte de corrente
Uma alternativa para o uso de pontes de resistores é a alimentação com fonte de
corrente. Afora a diferença na fonte de alimentação o circuito permanece o mesmo, como
pode ser visto pela Figura 5.2.
Figura 5.2: Ponte de resistores alimentada por corrente
Para este circuito a tensão de saída é dada pela equação 5.6:
v
O
=Av⋅I⋅
¦
R
2

R
3
+R
4
R
1
+R
2
+R
3
+R
4
−R
3

R
1
+R
2
R
1
+R
2
+R
3
+R
4
)
( 5.6 )
onde Av é o ganho do amplificador e I é o valor da fonte de alimentação.
5.1.2.1 Ponte com um transdutor
Supondo R1 = R2 = R3 = R, e R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.6 obtemos
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 90
v
O
=Av⋅I
¦
2⋅R+AR
4⋅R+AR

2⋅R
4⋅R−AR
)
v
O
=Av⋅
I
4

¦
AR
1+AR/ 4 R
)
( 5.7 )
Esta relação entre variação de resistência e tensão também não é linear mas se
aproximarmos a solução para o caso onde ∆R é muito menor do que R, então teremos
v
O
=Av⋅
I
4
⋅¦ AR)
A sensibilidade da ponte com um elemento sensor alimentada por corrente é maior do
que para a ponte alimentada por tensão.
5.1.2.2 Ponte com dois transdutores no mesmo braço
Supondo R1 = R3 = R, e R2 = R4 = R + ∆R.
Substituindo estes valores na equação 5.6 obtemos
v
O
=Av⋅I⋅
¦
¦ R+AR)⋅
¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅A R
−R
¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅AR
)
v
O
=Av⋅I⋅
¦
¦ R+AR−R)⋅¦ 2⋅R+AR)
4⋅R+2⋅AR
)
v
O
=Av⋅
I
2
⋅AR ( 5.8 )
E desta vez percebemos que a relação entre a variação das resistências dos sensores e a
variação da tensão de saída já é linear mesmo com apenas dois sensores. Este circuito de
ponte, alimentada com fonte de corrente, pode ser implementado na prática como mostrado na
Figura 5.3.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 91
Figura 5.3: Ponte de resistores alimentado com fonte de corrente
Neste circuito prático, a corrente que através de RI corresponde ao valor da fonte de
corrente
I =
V
REF
R
I
5.1.3 Outras implementações lineares
Os AOs podem ser utilizados nos circuitos em ponte para minimizar a necessidade de
elementos sensores necessários para se obter uma relação linear entre variação de resistência e
tensão de saída. Dois exemplos destes circuitos são mostrados nas figuras 5.4 5.5.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 92
Figura 5.4: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R3. Um segundo AO
pode ser adicionado na saída do circuito. Todas as resistências iguais.
v
0
=
Vcc
R
⋅AR
Se R
6
=
Av⋅R
5
2
então v
O
=Av⋅
Vcc
4

AR
R
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 93
Figura 5.5: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R1
5.2 Reforço de corrente
Muitas vezes necessita-se de um amplificador operacional capaz de trabalhar com
circuitos potentes. A capacidade de fornecer ou absorver corrente passa a ser um fator muito
importante e muitas vezes encarece o projeto final. Para passar por cima destes problemas
podemos comprar amplificadores operacionais de potência, normalmente utilizados para
aplicações em áudio, ou utilizar circuitos transistorizados nas etapas finais de amplificação.
5.2.1 Reforço de corrente com saída assimétrica
O circuito mostrado na Figura 5.6 mostra como podemos suprir correntes elevadas
utilizando um único transistor na saída do amplificador operacional. Note que neste circuito, o
transistor foi colocado dentro do elo de realimentação, isto faz com que o AO compense a
queda de tensão entre base e emissor do transistor.
Figura 5.6: Reforço de corrente assimétrico
Este circuito apresenta a vantagem de trabalhar com correntes elevadas de saída (está
configurado em coletor comum) mas possui em contra partida o inconveniente de ter sua saída
assimétrica, ou seja, não permite variações na tensão positiva e negativamente.
5.2.2 Reforço de corrente com saída simétrica
Uma alternativa, obviamente, é o circuito de saída simétrica mostrado na Figura 5.7.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 94
Figura 5.7: Reforço de corrente com saída simétrica
Este circuito, possui uma grande vantagem com relação ao anterior, que é a saída
simétrica, porém, possui uma grande desvantagem: ele distorce a onda de saída do operacional
nos pontos de tensão baixa, onde os transistores não estão polarizados. Esta distorção é
conhecida como cross over. Quando os transistores não estão polarizados, tensão de saída é
nula, o operacional fica sem realimentação. Neste caso a saída do operacional se eleva em 0,7
para fazer com que um dos transistores conduza, fechando a malha de realimentação.
Na Figura 5.8 são apresentadas as formas na saída do AO e na saída do circuito de
reforço de corrente simétrico com cross over. Observe que o a saída do AO compensa a queda
de tensão sobre V
BE
dos transistores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 95
Figura 5.8: Simulação de reforço de corrente simétrico com cross over
O problema do cross over é que a saída do operacional não pode acompanhar
instantaneamente o degrau de tensão que ocorre próximo do zero volts devido ao limitado
slew-rate do operacional. Isto aumenta a distorção harmônica do sinal de saída. Num 741, por
exemplo, com SR=0,5V/µs, há um atraso de
Δt =
ΔV
SR
=
1,4V
0,5
∆t=2,8µs.
Além disso a máxima tensão de saída fica diminuída. Para solucionar o problema basta
fazer uma pré polarização dos transistores com resistores e diodos. O circuito com estas
correções é mostrado na Figura 5.9. Note que da mesma forma que no circuito mostrado na
Figura 5.7 os dois transistores desta configuração de saída simétrica estão em coletor comum,
o que garante um elevado ganho de corrente.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 96
Figura 5.9: Reforço de corrente simétrico com pré polarização dos transistores saída
5.3 Reforço de Tensão:
Algumas vezes o acionamento de circuitos não depende apenas de uma corrente
elevada mas também de uma tensão elevada na saída. Esta é uma característica que também
requer AO especiais ou um circuito adicional com transistores. Quando se fala em tensão
elevada de saída, estamos falando de tensões maiores que as tensões de alimentação do AO.
Normalmente os AOs são alimentados com tensões da ordem de 12 a 15V e estes reforços de
tensão são projetados para ampliar estes limites para valores além de 100V.
5.3.1 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela saída do operacional
Um circuito simples que propicia um aumento na tensão de saída, utilizando o AO
como um pré amplificador é mostrado na Figura 5.10.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 97
Neste circuito, convém notar que há dois transistores ligados em emissor comum (para
evitar um defasamento entre o sinal de saída do operacional e o sinal de saída do circuito),
fornecendo sinal para um estágio reforçador de corrente em saída simétrica. As tensões de
alimentação dos transistores, ±Vcc, são diferentes das tensões utilizadas para a alimentação do
AO. Observe que o ganho global do amplificador continua sendo determinado pela malha de
realimentação externa.
Figura 5.10: Circuito de reforço de tensão
5.3.2 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela alimentação do
operacional
Outra técnica muito utilizada para propiciar amplificadores com elevada tensão de
saída, usando AOs, consiste em ligar elementos sensores de corrente na alimentação do
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 98
operacional. A corrente de alimentação é usada para polarizar o circuito interno do AO e para
alimentar a carga ligada ao operacional. Com isto é possível saber quando está sendo exigido
mais corrente na saída do AO e, se a carga for constante, tensões de saída mais elevadas. O
circuito da Figura 5.11 mostra um amplificador deste tipo. Os transistores ligados diretamente
a alimentação do operacional, encontram-se em base comum ao passo que os demais
transistores estão em emissor comum.
Figura 5.11: Reforço de tensão com utilização da corrente de alimentação do AO
Para o projeto deste circuito é importante alimentar corretamente o amplificador
operacional de forma que
V
CCOperacional
=V
CC

R
4
R
3
+R
4
−0,7
e
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 99
I
S
⋅R
5
=0,6V
onde I
S
é a corrente de alimentação do AO (descontada a corrente que passa por R
L
').
Uma característica interessante deste circuito é que a saída do operacional não esta
conectada ao amplificador transistorizado. Isto pode ser utilizado para minimizar os efeitos do
slew-rate do AO diminuindo a variação de tensão sobre R
L
'.
5.4 Proteção contra sobre - corrente:
Nestes circuitos onde são inseridos amplificadores a base de transistores, perde-se a
capacidade de manter o circuito imune a curto circuito, sobre corrente, variação de
temperatura, e uma série de características que são inerentes ao AO e que agora não estão
sendo utilizadas, pois trata-se um circuito discreto. O AO utilizado como acionador para estes
circuitos continua com toda a sua proteção e qualidades garantidas e funcionando, porém as
etapas discretas do projeto passam a não ter nenhum tipo de proteção.
De todos estes problemas o que pode trazer piores conseqüências são aqueles oriundos
de sobre correntes. Isto porém é facilmente contornado com pequenos circuitos de proteção,
similares aqueles utilizados em fontes de alimentação.
O circuito mostrado na Figura 5.12 mostra um exemplo de proteção sendo empregada
no estágio de saída de um reforço de corrente em saída simétrica.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 100
Figura 5.12: Reforçador de corrente com proteção contra curto circuito
Os resistores R
5
e R
6
, ligado em série com a saída do amplificador, devem ser
calculados de tal forma que disparem os transistores Q
3
e Q
4
respectivamente quando a
corrente de saída estiver além do limite permitido, assim
R
5
=
0,7V
I
OMáx
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 101
6 COMPARADORES
Comparadores são usados para discriminar se um determinado sinal analógico é maior
ou menor que um sinal de referência. A saída do comparador é, portanto, digital. Eles podem
ser construídos com AOs ou com integrados específicos conhecidos como comparadores de
tensão.
Os comparadores são construídos especialmente para realizar esta função gerando em
sua saída um sinal com características digitais. Eles não possuem compensação de freqüência,
não apresentam boas características de offset, drift, ruído, enfim, eles não são feitos para
funcionar como amplificador.
6.1 Símbolo
O símbolo mais comumente utilizado para representar um comparador é apresentado
na Figura 6.1.
Figura 6.1: Símbolo do comparador
6.2 Características
Apesar de possuir o mesmo símbolo do amplificador operacional, e ser tratado da
mesma forma, para cálculo, os comparadores possuem uma série de características práticas
que visam a melhora no desempenho do AO como comparador. Em contrapartida, muitos dos
circuitos internos presentes nos AOs são retirados para baratear o custo de produção. A
principio, este procedimento não afetaria o desempenho do comparador, mas o impede de
funcionar como um bom amplificador operacional.
Normalmente os comparadores possuem ganho menor que o do amplificador
operacional e a sua linearidade não é garantida. Os comparadores não possuem compensação
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 102
em freqüência, podendo se tornar instáveis se usados como amplificador. A corrente de
polarização I
B
é menos preocupante que no amplificador operacional, ou seja, pode assumir
valores bem maiores.
Sua saída muitas vezes se apresenta em coletor aberto (open collector), o que permite
que seja calculado o resistor de pull-up de acordo com as características do circuito que se
deseja montar (velocidade, consumo, capacidade de fornecer corrente...). Os projetistas,
entretanto implementam melhoras na características de slew-rate e de settling time.
Nos circuitos comparadores, normalmente não se utiliza realimentação negativa. Esta
característica torna a máxima tensão diferencial de entrada (V
d
) um parâmetro importante no
projeto. Para evitar problemas por excesso de tensão diferencial, o circuito de proteção
apresentado na Figura 6.2 pode ser adotado. Em alguns comparadores, entretanto, a entrada
pode chegar até a tensão de alimentação.
Figura 6.2: Circuito de proteção contra excessiva tensão diferencial
Alguns comparadores possuem tensões de alimentação diferentes para as etapas de
entrada e saída, como no caso do LM311 que possui estágio de entrada alimentado com ±15V
e saída alimentada por +5V. Isto permite compatibilizar a saída do comparador com circuitos
digitais TTL, facilitando a interface entre circuitos analógicos e digitais.
Quando um comparador está funcionando em malha aberta ou com realimentação
positiva, a sua saída sempre estará em ±Vcc. A única forma de evitar que a tensão de saída em
um circuito comparador não seja ±Vcc é estabelecer uma malha de realimentação negativa
que leve o comparador para a região linear. Algumas vezes isto é conseguido em circuitos
mistos onde a realimentação negativa só é obtida a partir de um determinado valor de tensão
na saída do comparador.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 103
Figura 6.3: Alimentações do LM311
A Tabela 6.1 mostra uma comparação entre as características de amplificadores
operacionais e de circuitos comparadores de tesão. Repare nas diferenças elevadas entre os
valores encontrados para cada um dos componentes.
Tabela 6.1: Comparação entre características de AOs e comparadores
741 LM339 LM311 LM319 LM710 LM361 MAX9685
Av
(V/mV)
200 200 200 40 1,5 3 -
I
B
(mA) 80 25 100 250 16000 10000 10000
V
OS
(mV) 2 2 2 2 1,6 1 5
SR (V/µs) 0,5 60 150 80 - - -
ST (ns) - 1300 200 80 40 14 1,3
I
S
(mA) - 2 7,5 12,5 - 25 -
Is é corrente de alimentação.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 104
6.3 Configurações Típicas
6.3.1 Detetor por cruzamento de zero
A configuração mais simples de um comparador consiste em utilizar uma tensão de
comparação em uma de suas entradas e a tensão a ser comparada na outra. Conforme pode ser
visto na Figura 6.4.
Figura 6.4: Comparador simples
O circuito da Figura 6.4 consiste de um comparador em malha aberta. portanto
funcionando em função do elevado ganho do integrado. Desta forma, uma pequena diferença
de tensão entre as entradas já é suficiente para saturar o comparador com a tensão positiva ou
negativa de alimentação. Este tipo de comparador pode ser utilizado para detectar a passagem
de um sinal por qualquer valor de tensão basta alterar a fonte usada para a comparação. Nestes
casos o gráfico de saída, apresentado na Figura 6.5, desloca-se para a direita ou esquerda de
acordo com a tensão aplicada. Note que para representar o funcionamento do circuito é
utilizado um gráfico onde é desenha a saída em função da entrada.
O gráfico da Figura 6.5, representa uma simulação com uma entrada senoidal de
freqüência igual a 10Hz no circuito comparador de tensão do tipo detetor de passagem por
zero. Observe que, como o slew-rate do comparador não é infinito, a curva real apresenta
atrasos para que a saída do comparador troque. Se a derivada da tensão de entrada diminuir o
comportamento do comparador se aproxima do ideal. Isto pode ser um problema quando se
trabalha com freqüências elevadas.
Se este circuito estiver sendo implementado com um AO também devemos tomar
cuidado com os seguintes problemas: V
OS
, I
B
e Ad finito. Por exemplo, se Ad=80dB (10.000)
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 105
então para obtermos Vo=+15V precisamos de uma tensão diferencial na entrada do AO de no
mínimo 1,5mV.
Figura 6.5: Simulação com zero volts
6.3.2 Limitação de Vo
Outras aplicações para os comparadores consistem em circuitos de limitação da tensão
de saída. Nestes casos, um pouco mais complexos que o anterior, o comparador passa a ter
realimentação negativa em algumas situações. Como se este fator complicador da análise não
fosse suficiente, a realimentação normalmente não é implementada com componentes lineares
tendo sua parcela modificada como uma chave (existe ou não existe realimentação) e/ou
progressivamente de forma a manter constante certos parâmetros (como se fosse um regulador
de tensão). Este é o caso típico do circuito mostrado na figura 6.4.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 106
Figura 6.6: Comparador com limitador de amplitude
Figura 6.7: Simulação: Vz=4,7V, R2=1k
Como podemos ver, este circuito é um detector de passagem por zero (a fonte ligada
na entrada não inversora é zero) com uma realimentação negativa formada por um diodo
zener. Ora, sempre que o zener estiver conduzindo mudará sua resistência interna para que a
tensão sobre ele fique constante (polarizado direta ou reversamente). Isto faz com que a tensão
na entrada negativa fique igual a tensão na entrada positiva (realimentação negativa). Como a
tensão na entrada positiva é zero, então a tensão de saída corresponde a tensão sobre o zener.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 107
6.3.3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída.
O detector de nível com limitação de tensão não pode ser implementado modificando-
se a fonte do comparador por zero, pois se isto fosse feito perderíamos a referência de tensão
sobre a entrada positiva. Isto iria modificar a tensão de saída. Uma alternativa para este
circuito passa a ser a implantação de um somador com resistores na entrada negativa. Desta
forma conseguimos mudar o valor da tensão de comparação sem alterar a tensão da saída. Esta
topologia esta mostrada na figura 6.5
Figura 6.8: Comparador de nível com limitador de saída
Figura 6.9: Simulação: Vz=4,7V, R2=R3=1k, Vref=2V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 108
Este detector funciona basicamente como o anterior (item 6.3.2) porém, agora, a
tensão de comparação se deve não apenas a uma tensão mas a um somatório de tensões. O
resultado deste somatório é que irá mudar a saída do comparador.
6.3.4 Comparador de janela
e a sua saída muitas vezes é um transistor com coletor em aberto. Portanto, requerem
um resistor de “pull-up” na saída que excursiona de +Vcc a -Vcc.
Um exemplo bastante interessante do uso de comparadores com saída em coletor
aberto é mostrado na figura 6.6. Aqui pode ser visto um comparador em janela ou seja um
comparador que cria uma janela de tensão onde a saída do comparador assume um
determinado valor. Agora, a comparação não é feita com apenas um nível lógico mas com
dois. Se a entrada estiver entre estes dois níveis lógicos, então a saída será a tensão de
alimentação positiva. Note que a saída de ambos os comparadores são ligadas a um só ponto,
isto se deve justamente ao fato da saída de cada comparador estar a coletor aberto.
Com este tipo de saída, o comparador só pode fornecer a tensão de alimentação
negativa pois não possui o circuito que o liga com alimentação positiva. Isto deve ser feito
externamente. Então se um comparador deve fornecer um valor positivo de tensão de saída,
isto só ocorre através do resistor externo (o transistor de saída do comparador está cortado). O
outro comparador pode estar com sua saída em nível baixo que não haverá problemas de curto
circuito por causa do resistor externo que limita a corrente pelo comparador. Como podemos
ver esta configuração com as saídas dos comparadores ligadas juntas funciona como uma
porta lógica OR e por tanto esta configuração é conhecida como “WIRED OR”.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 109
Figura 6.10: Comparador de janela
Figura 6.6: Comparador em janela e um gráfico demonstrando seu funcionamento.
6.3.5 Comparador de Declividade:
Aqui pode ser visto um circuito bem interessante com comparadores. Diferente dos
demais circuitos vistos até agora, o comparador de declividade não compara níveis de tensão
mas sim a derivada do sinal de entrada ou seja a sua declividade. O circuito é apresentado na
Figura 6.11.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 110
Figura 6.11: Comparador de declividade
Sendo i
1
e i
2
definidas como:
i
1
=
V
REF
R
, i
2
=C
dv
i
dt
O circuito é um comparador quando não há corrente polarizando o zener
i
1
= i
2
V
REF
R
=C
dV
i
dt
dV
i
dt
=
V
REF
RC
Se a corrente i
2
> i
1
o diodo zener está polarizado diretamente, neste caso a tensão de
saída é aproximadamente igual 0,7V. Se i
2
< i
1
então o zener está polarizado reversamente e a
tensão de saída corresponde a tensão de zener.
Este circuito pode ser utilizado como o trigger em um osciloscópio.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 111
Figura 6.13: Resultado da simulação mostrado na Figura 6.12
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 112
Figura 6.12: Simulação com Vz=4,7V, Vref=2V, C=47nF, R2=1k, Freq=1000.
6.3.6 Comparador com Histerese
O detector de passagem por zero, ou comparador simples, mostrado no início deste
capítulo, pode oscilar quando o sinal está próximo do nível de comparação. Isto ocorre porque
o ruído adicionado ao sinal faz com que o comparador seja acionado várias vezes.
Para evitar este tipo de problema foram criados os circuitos comparadores com
histerese. A histerese nada mais é do que a mudança automática do nível de comparação logo
após uma comparação bem sucedida. Ela cria uma região ao redor do ponto de comparação,
onde o ruído existente sobre o sinal não consegue afetar a saída do comparador. Na verdade
são criados dois níveis de comparação modificados comutados entre si automáticamente para
que o ruído não interfira na comparação. Quando o nível mais baixo do limiar de comparação
está ativo o nível mais alto esta desligado. Se um sinal vencer este nível mais baixo de
comparação, então o nível de comparação é modificado para o nível mais alto. Normalmente
este comportamento de histerese é mostrado com um gráfico que relaciona tensão de saída
com tensão de entrada do comparador, como o gráfico da Figura 6.14.
Figura 6.14: Simulação: R1=3·R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 113
O detector de passagem por zero, agora imune a ruído, fornece informação de com
uma pequena defasagem com relação ao sinal real, mas com muito menos problemas de ruído.
A Figura 6.15 mostra o circuito de um comparador com histerese cujo comportamento pode
ser visto na Figura 6.16.
Figura 6.15: Comparador com histerese
Figura 6.16: Simulação com ruído: v(o1) é a saída do comparador com histerese com
R1=3·R2, e v(o2) é a saída do comparador simples.
Para que o nível de comparação seja alterado automaticamente ele é escolhido em
função da tensão de saída. Para o circuito apresentado os níveis de comparação são
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 114
P
1
=Vcc⋅
R
2
¦ R
1
+R
2
)
, e
P
2
=−Vcc⋅
R
2
¦ R
1
+R
2
)
6.3.7 Comparador com histerese e limitador:
O comparador com histerese e limitação de tensão é uma mistura dos circuitos dos
anteriores e pode ser visto na Figura 6.17. Seu comportamento é apresentado na Figura 6.18.
Figura 6.17: Comparador com histerese e limitador
Figura 6.18: Simulação: Vz=4,7V, Vref=2V, R=1k, R1=3·R2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 115
Se o zener estiver conduzindo a tensão do zener está sobre o resistor R
1
(existe
realimentação negativa) e o valor da entrada positiva é igual ao valor da entrada negativa.
Apesar de ser realimentação negativa, e do AO estar na região linear, a saída não se modifica
porque a resistência de realimentação muda para manter a tensão de saída constante.
Quando o zener conduz no sentido direto:
V
Z
=0,7
i
1
=−
V
Z
R
1
v
O1
=¦ R
1
+R
2
)⋅i
1
v
O1
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7
Quando o zener conduz no sentido inverso:
V
Z
=V
Z
i
1
=−
V
Z
R
1
v
O2
=¦ R
1
+R
2
)⋅i
1
v
O2
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
Os patamares de comparação podem ser estimados calculando a tensão nas entradas
negativa e positiva do AO.
v

=V
REF
+
R
2⋅R

¦
v
i
−V
REF
)
v

=
V
REF
2
+
v
i
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 116
e
v
+
=
R
2
R
1
+R
2
v
O
onde
v
O1
=−
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7
v
O2
=
R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
Como podemos ver, a tensão de saída pode apresentar dois valores, um quando o zener
esta polarizado diretamente e outro quando o zener esta polarizado reversamente e, portanto,
há duas tensões de comparação diferentes. Para calcular cada uma destas tensões de
comparação, igualamos a tensão na entrada negativa e positiva do comparador.
Quando o zener conduz no sentido direto
v
+
=v

R
2
R
1
+R
2
⋅–
R
1
+R
2
R
1
⋅0,7=
V
REF
2
+
v
i
2

R
2
R
1
+R
2
⋅0,7⋅2=V
REF
+v
i
v
i
=−2⋅0,7⋅
R
2
R
1
−V
REF
, [tensão de comparação baixa]
Quando o zener conduz no sentido direto
v
+
=v

R
2
R
1
+R
2

R
1
+R
2
R
1
⋅V
Z
=
V
REF
2
+
v
i
2
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 117
2⋅
R
2
R
1
⋅V
Z
=V
REF
+v
i
v
i
=2⋅
R
2
R
1
⋅V
Z
−V
REF
, [tensão de comparação alta]
Note que V
REF
desloca a curva de histerese para direita ou esquerda.
6.4 Problemas resolvidos
1) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entrada para o circuito abaixo.
Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO
ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,6V.
Se vi é muito negativo então vo é positivo e diodo conduz. Neste caso temos dois tipos
de realimentação ocorrendo ao mesmo tempo: realimentação negativa (RN) e realimentação
positiva (RP).
Analisando os ganhos da malha de realimentação (capítulo 3), temos para RN
ß
RN
=
10 K
10 K+1,5K
e para RP
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 118
ß
RP
=
10 K
10 K+0,17 K
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva é predominante sobre a realimentação
negativa. Nesta condição o circuito comporta-se como um comparador com histerese.
v
O
=+E
OMáx
A tensão de quebra ocorre quando
v
+
=v

v
+
=¦ v
O
−V
D
)⋅
R
3
R
3
+R
4
=¦+15−0,6)⋅
10 K
10 K+0,47K
=13,75V
v

=v
+
=
v
i
R
2
+v
O
R
1
R
1
+R
2
v
i
=V
H
=
¦
v
+
−v
O

R
1
R
1
+R
2
)

R
1
+R
2
R
2
=+5,44V
Se vi é muito positivo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Neste caso também
temos dois tipos de realimentação e temos que estudar cada caso para determinar o
comportamento do circuito.
ß
RN
=
10 K
10 K+1,5K
ß
RP
=
10 K
10 K+0, 47K+3,3 K
Como β
RN
> β
RP
a realimentação negativa predomina sobre a positiva. Neste caso o
circuito funciona como um amplificador, portanto v
+
=v

Cálculo de ganho
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 119
v
+
=v
O

R
3
R
3
+R
4
+R
5
v

=
v
i
⋅R
2
+v
O
⋅R
1
R
1
+R
2
v
+
=v

v
O
|
R
3
R
3
+R
4
+R
5

R
1
R
1
+R
2
¦
=v
i
R
2
R
1
+R
2
v
O
v
i
=−0,91
Cálculo do ponto de quebra (quando diodo entra em condução)
Início da condução do diodo:
V
D
=0,6V , I
D
=0
V
D
=
R
5
R
3
+R
4
+R
5
⋅v
O
logo
v
O
=0,6⋅
10 K+0, 47 K+3,3 K
3,3 K
=2, 504V
Como
v
i
=
v
O
−0, 91
=−2, 751V
Então
v
i
=−2, 751V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 120
e
v
O
=2, 504V
2) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito
abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o
AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,7V.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 121
Neste circuito há dois laços de realimentação. Um negativo e outro positivo.
Dependendo do tipo de realimentação predominante o circuito se comporta como comparador
ou amplificador.
Quando o diodo está cortado só há realimentação negativa e o circuito se comporta
como amplificador não inversor.
Quando o diodo está conduzindo temos
ß
RP
=
R
1
R
1
+R
2
ß
RN
=
R
3
R
3
+R
4
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva é predominante o circuito se comporta como
um comparador.
Se vi é muito negativo então vo é negativo. Nesta condição o diodo está cortado e o
circuito é um amplificador não inversor
v
+
=v

v

=
R
3
R
3
+R
4
v
O
=0,6⋅v
O
como o diodo está cortado a corrente sobre R
1
é zero e como v
+
=v

então temos que
v
O
=1,6667⋅v
i
Esta relação é valida até que o diodo entre em condução, quando a RP passa a
predominar.
O diodo conduz quando
v
O
−v
+
=0,7V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 122
v
O
−0,6⋅v
O
=0,7V
v
O
=1,75V
e
v
i
=1,05V
Assim, o circuito se comporta como comparador quando
v
i
≥1, 05V
.
Se vi é muito positiva então vo é positiva e o diodo conduz. Nesta condição de
compararação a tensão de saída é
v
O
=+ E
OMáx
O ponto de quebra ocorre quando
v
+
=v

v

=0,6⋅v
O
v
+
=
R
2
⋅v
i
+¦ v
O
−V
D
)⋅R
1
R
1
+R
2
onde
v
O
=+ E
OMáx
=+15V
Igualando as expressões
9=0, 282⋅v
i
+10 , 267
v
i
=V
L
=−4, 49V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 123
3) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito
abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o
AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, V
D
=0,6V.
Neste circuito existem dois tipos de realimentação, precisamos determinar qual a
predominante para conhecer o comportamento do circuito.
Quando o diodo está conduzindo temos a seguinte condição para as realimentações.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 124
ß
RP
=
5,6 // 27
5,6 // 27+2,7
=0, 632
ß
RN
>RN=
10
10+10
=0,5
Como β
RP
> β
RN
a realimentação positiva predomina e o circuito funciona como um
comparador com histerese.
Quando o diodo está cortado temos apenas realimentação negativa e o circuito se
comporta como um amplificador.
Se vi é muito negativo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Nesta situação
v
O
v
i
=
R
4
+R
5
R
4
=2
v
O
=2⋅v
i
Quando o diodo inicia sua condução
V
D
=0,6V e I
D
=0
se
I
D
=0
então v
i
=v
+
=v

e
v
O
=2⋅v
i
v
X
=
6,6V⋅R
3
+v
O
⋅R
2
R
2
+R
3
=
6,6V⋅R
3
+2⋅v
i
⋅R
2
R
2
+R
3
v
X
−v
+
=0,6V
6,6V⋅R
3
+2⋅v
i
⋅R
2
R
2
+R
3
−v
i
=0,6
v
i
=V
H
=
0,6⋅¦ R
2
+R
3
)−R
3
⋅6,6V
2R
2
−1
=0V
V
H
=0
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 125
Se vi é muito positivo então vo é positivo e o diodo conduz. Nesta condição o circuito
se comporta como um comparador com histerese.
v
O
=+V
CC
A transição ocorre quando
v
+
=v

considerando
R
eq
=R
2
// R
3
V
eq
=
6,6V⋅R
3
+v
O
⋅R
2
R
2
+R3
v
+
=
v
i
⋅R
eq
+¦ V
eq
−0,6)⋅R
1
R
1
+R
eq
v

=
R
4
R
4
+R
5
⋅v
O
=
v
O
2
v
i
=V
L
=
v
O
2
⋅¦ R
1
+R
2
// R
3
)−¦V
eq
−0,6)⋅R
1
R
2
// R
3
V
L
=−6,5V
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 126
6.5 Exercícios
1) Analisar os dois problemas resolvidos com o diodo invertido.
2) Analisar o circuito abaixo
V
H
=
R
1
R
2
⋅¦ V
CC
−V
D
)−V
ref
,
V
L
=
R
1
R
2
¦−V
CC
+V
D
)−V
ref
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 127
3) Desenhara a curva Vo x Vi, calculando todos os pontos de quebra. Considere a
tensão de alimentação como sendo ±15V e a queda no diodo igual a 0,7V.
OBS.: Note que o circuito comporta-se como um amplificador (realimentação negativa)
sempre que houver um diodo conduzindo.
4) Desenhar a forma de onda Vo no circuito abaixo. Considerar o AO como ideal.
Supor que Vi seja uma onda triangular de amplitude 1V e período de 2s.
5) Desenhar a curva Vo x Vi para os seguintes comparadores.
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 128
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 129

1 Amplificador operacional ideal
1.1 Introdução O circuito “amplificador operacional” (AO) nada mais é do que um amplificador com uma saída e duas entradas, cujo modelo mais simples consiste de uma fonte de tensão controlada com saída proporcional à diferença de tensão entre as entradas do AO. As características dos AOs e a sua utilização nos mais variados circuitos, muitos dos quais não lineares, são o alvo desta disciplina. Internamente, o AO é formado por um amplificador de elevado ganho obtido por meio de múltiplos estágios acoplados diretamente. As duas entradas do AO são conectadas a um amplificador diferencial. O elevado ganho de tensão força o uso de realimentação negativa para que o AO trabalhe na região linear. Isto permite que o ganho dos circuitos amplificadores sejam definidos apenas pela malha de realimentação. O acoplamento direto entre os estágios internos do AO permite o seu uso de DC até freqüências bem elevadas. A origem do termo “operacional” vem dos antigos computadores analógicos, onde estes amplificadores eram utilizados como elemento chave para a realização de operações matemáticas. O nome “amplificador operacional” foi usado pela primeira vez em uma publicação de 1947, feita por John Ragazzini, o qual descrevia as propriedades de circuitos capazes de amplificar a diferença entre dois sinais analógicos. O artigo, que teve como base trabalhos anteriores, realizados entre 1943 e 1944, considerava as condições de realimentação linear e não-linear. Hoje em dia o AO é o circuito integrado analógico mais utilizado. 1.1 O amplificador operacional real. A Figura 1.1 mostra o esquema simplificado de um AO com três estágios de amplificação. Nos circuitos reais existem muito menos resistências, pois elas ocupam muito espaço no silício. No lugar das resistências utilizam-se cargas ativas e espelhos de corrente produzidos com transistores. O esquema da Figura 1.1 utiliza transistores bipolares de junção (TBJ) mas também existem circuitos construídos com transistores de efeito de campo (FET).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

1

+VCC

v–

vo

v+

–VCC

Figura 1.1: Esquema simplificado de um AO 741, um AO de três estágios

Cada um dos três estágios do amplificador da Figura 1.1 confere ao AO características especiais: 1°estágio: par diferencial
• • •

apresenta alta impedância de entrada responsável pelo elevado ganho diferencial apresenta alta rejeição a tensões de modo comum

2°estágio: emissor comum
• •

correção no nível DC para a saída apresenta ganho de tensão elevado

3°estágio: seguidor de emissor (push-pull, classe B)
• • •

responsável pela baixa impedância de saída apresenta alto ganho de corrente responsável pela corrente de saída 2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

1. como será mostrado nas seções subseqüentes. 2010/2 3 . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2 Principais características do AO ideal As principais características dos AOs ideais são: Característica Ganho diferencial Ganho de modo comum Rejeição de modo comum Impedâncias diferencial Impedância de modo comum Impedância de saída slew-rate Setlling Time Largura de banda Símbolo Ad Acm CMRR Rid Ricm Ro SR ST BW Valor ∞ 0 ∞ ∞ ∞ 0 ∞ 0 ∞ velocidade com que a saída pode variar tempo de estabilização amplifica igualmente todas as freqüências para o par de transistores do primeiro estágio desigualdade entre as correntes I diferença de tensão na entrada. Desta forma é comum utilizarmos estas características para simplificar a análise de circuitos com AO. necessária para que a saída seja nula quando as entradas forem nulas mesma tensão nas duas entradas sinal comum as duas entradas Significado Corrente polarização Ib 0 Corrente de offset Tensão de offset Ios Vos 0 0 Ruído elétrico Variação de fase VN e IN φ 0 0 As características ideais de um AO nunca são alcançadas na prática. mas os erros decorrentes de assumirmos estes valores ideais é pequeno.

1. Se o ganho diferencial.2. ou a diferença entre as tensões de entrada é tão pequena que. com e sem alimentação 1. 2010/2 4 . Figura 1.3.4 Equação/Modelo: Conforme descrito no início deste capítulo o modelo do AO pode ser visto na Figura 1.3: Modelo do AO ideal A tensão na saída da fonte é dada pela equação 1.1 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Figura 1. Esta relação é válida sempre que o AO está trabalhando na região linear.2: Símbolos do AO. Ad. Trabalhar na região linear significa que existe realimentação negativa sendo utilizada no AO. Duas entradas de alta impedância comandando uma fonte de tensão controlada. v + e v − são as entradas do AO. é infinito.3 Símbolo: O símbolo mais comumente utilizado para representar um AO é apresentado na Figura 1.1 e corresponde a amplificação da diferença entre as tensões das do AO (entrada v+ e v-) v O =Ad⋅v + −v −  onde: Ad é o ganho diferencial do AO. mesmo com um elevado ganho diferencial. significa que v + =v − . não ocorre a saturação ( 1.

Levar em conta que o potencial na entrada negativa é igual ao potencial na entrada positiva (neste caso igual a zero).1 Amplificador inversor: A Figura 1. 2010/2 5 . o equacionamento do ganho fica muito facilitado pelo uso de duas considerações: 1.4 mostra o circuito básico de um amplificador inversor a base de AO.5.1 não é mais válida. então esta regra não pode mais ser aplicada pois a equação 1.2. Figura 1. Se considerarmos o ganho Ad infinito (condição ideal) então para a saída ser um valor finito é necessário que a diferença entre as entradas seja nula (condição ideal). Equacionar uma única corrente fluindo através de R1 e R2 e 2.4: Desenho básico de um amplificador inversor. ou seja. 1. vi R1 v0 R2 Como i 1 = e i 1 =− . Se considerarmos o AO como ideal. Sempre que o AO estiver saturado (saída igual a tensão de alimentação).do AO. A solução para o problema é a equação 1. o operacional não está trabalhando em uma região linear.5 Configurações mais comuns: 1. então Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

para ganho infinito. que a influência do ganho diferencial não infinito.3 ) Obs.3.3. v i⋅R2 + v 0⋅R1 R1 + R 2 v = −  v +−v − = v0 =−v − (pois a entrada positiva tem potencial zero) Ad − v 0 v i⋅R 2 + v0⋅R1 = Ad R1 + R 2 v0 ⋅ R1 +R 2  Ad v i⋅R2 + v 0⋅R1 =− V 0 =− R2 ⋅v R1 +R 2 i R1 Ad ( 1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. que apesar de a entrada inversora estar a um potencial igual zero. Resultado idêntico pode ser obtido a partir da equação 1. Note.: quando se considera Ad→∞ considera-se. 2010/2 6 . é tanto menor quanto menor for o ganho dado ao amplificador inversor.2 ) Por outro lado. mesmo quando o ganho do AO não é infinito.2 mostra o resultado final do equacionamento. ela não esta diretamente conectada a terra e não há circulação de corrente entre terra e este terminal. é chamado de terra virtual.v 0 =− R2 v R1 i ( 1. implicitamente. nesta configuração. que v+= v– pois esta é a única forma de obter um vO finito. se levarmos em conta que o ganho do AO não é infinito. Estas equações mostram que a rede de realimentação determina o ganho do circuito amplificador. Por este motivo. Convém notar. A equação 1. o terminal inversor. devemos substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1. também. também.

R1 ⋅v = v R1 + R 2 0 i v 0= R1 +R2 R ⋅v i=1 2 ⋅vi R1 R1 v o R 1R2 R = =1 2 vi R1 R1 ( 1. Note que este circuito tem realimentação negativa. devemos substituir o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 1. não é infinito. a solução do problema é encontrada fazendo-se a tensão na entrada negativa (divisor de tensão formado por R1 e R2) igual a tensão de entrada. v + =v i v −= R1 ⋅v R1 +R2 0 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2 Amplificador não-inversor: A Figura 1.4 é a solução do problema. Supondo que o AO seja ideal. 2010/2 7 .1.5: Desenho de um amplificador não inversor básico. Figura 1.5. Neste caso a equação 1.5 mostra o desenho básico de um amplificador não inversor formado por AO.4 ) Se considerarmos que o ganho do AO.5.

Nota-se também que em ambos os casos.6: Circuito do amplificador somador inversor básico. Figura 1. se o ganho Ad for considerado infinito a solução para o problema é idêntica a obtida pela equação 1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 8 .v −v−= v0 Ad vi − R1 v ⋅v 0 = 0 R1 +R 2 Ad vo  R1R 2⋅Ad = v i R 1R2R1⋅Ad R 1 + R2 ⋅v R 1 + R2 i R1  Ad v 0= ( 1. Neste caso o circuito do amplificador não inversor é designado por buffer.6 mostra a topologia do amplificador somador inversor básico implementado com AO.5.5 ) Podemos notar. O buffer possui ganho unitário e pode ser utilizado para isolar estágios amplificadores. pois apresenta impedância de entrada infinita e impedância de saída nula.4. 1. nesta configuração. que se R1 =∞ ou R2 =0 então v 0 = v i .3 Amplificador somador: A Figura 1.

Isto nos leva a aplicar a técnica de superposição de fontes.4 Amplificador subtrator A Figura 1.6 ) se R1=R2=R3=R. i2= . o amplificador somador consistir de uma série de amplificadores inversores ligados em paralelo. a saída será dada pela equação 1. 2010/2 9 . então a equação 1.5. Supondo Ad → ∞ então v+= v– v1 R1 v2 R2 v3 R4 v0 R4 i1= .7. Aqui também levamos em conta que o AO possui características ideais de funcionamento.6 ou. pela equação 1. −R4 ⋅ v1 v 2v 3  R vO= ( 1. i 4=− i1 + i2 + i3 = i 4 v 0 =.7 ) 1.6 pode ser reescrita conforme a equação 1.7. assim. no caso particular de todas as resistências serem iguais. para equacionar a tensão de saída deste circuito.Como podemos observar. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.R4  v1 R1  v2 R2  v3 R3  ( 1.7 mostra a topologia do amplificador subtrador básico implementado com AO. i3 = .

Considere os AOs ideais. utilizando-se o que já foi calculado para o amplificador inversor e não inversor. R2  v −v  R1 2 1 v 0= ( 1. Considere R1 =R 2 =100 K  e V CC =±12 V . calcule sua função de transferência i L= f vi . Calcule i L levando em conta a existência de uma fonte de tensão conectada a entrada positiva de A1 e uma fonte de corrente conectada a entrada positiva de A2.7: Circuito do amplificador subtrator básico. a) Estabeleça valores para os resistores R. R 3 e R4 de forma que o circuito forneça uma corrente máxima i Lmáx =1 mA para uma carga 0 ≤R L ≤10 K  quando v i =−10 V . O cálculo torna-se mais cômodo se feito por superposição. 2010/2 10 .6 Conclusão Em um circuito com A. o ganho (ou função transferência) é dado “exclusivamente” pela malha de realimentação.Figura 1. aliado a consideração de que o AO é ideal. ideal. b) Considere v i =0V .O. A equação 1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.8 ) 1. 1.7 Problemas resolvidos Exercício 1: Dado o circuito abaixo.8 mostra equação da tensão de saída deste circuito.

o que permite o uso das técnicas estudadas. Análise das realimentações de A1 : A1 recebe realimentação negativa (RN) através da entrada não inversora de A3 e realimentação positiva (RP) através de A 2 e da entrada inversora de A3 . logo =0 R1 +R 2 v i⋅R2 +R 1 v− = A 1 i L=− ⋅v R1⋅R 4⋅R i R2⋅R3 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Solução: Análise do circuito: A 2 : forma um amplificador de ganho unitário (buffer).R 2 . 2010/2 11 . A3 : forma um subtrator junto com R3 . Função de transferência: R4 R⋅i L R3 . a RN é mais forte. Como resultado disto. A1 : fornece a corrente de saída e é realimentado pelo subtrator através de R1 . Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e não-inversora) são iguais em módulo.R4 . o circuito possui realimentação negativa. porque a RP ainda passa pelo divisor resistivo R-RL.

por exemplo.a) Sendo i Lmáx =1 mA e R Lmáx =10K então v L Imáx =10 V (tensão máxima na carga) v Omáx −v L Imáx i Lmáx R= . podemos limitar. 2010/2 12 . R 4=100K  e b) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. co segurança. V Omáx =11V . onde V Omáx é a máxima tensão de saída do AO. Como V CC =±12 V. R= 11 V −10 V =1K  1 mA R2⋅R3 Como i L=− ⋅v R1⋅R 4⋅R i então R4 R ⋅v 100 K −10  =− 2 i =− =10 R3 Ri⋅R⋅i 0 100 K⋅1K⋅1m R3 =10K  assim podemos escolher.

2010/2 13 .O problema pode ser calculado por superposição: Efeito de VOS1: R1 R4 ⋅ ⋅R⋅i L R1 +R2 R3  R 1 +R 2 ⋅R3 R1⋅R4⋅R v os1 = i L  v os1 = v os1 Efeito de IB2: i L =i R −i b2  R4 R⋅i R R3 − vA = =0 R1 +R 2 R1 1 i R=0 i L i b2 =−i b2  R1 +R 2 ⋅R3 R1⋅R 4⋅R Portanto: i Ltot = v os1−i b2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

b) Para que serve esta configuração? Respostas: a) v 0 =− R 3 R4 R2 R3R 2 R4 R1 . 1) a) Calcule: A v= v0 vi . R 4 vi b) Esta configuração é empregada quando queremos um alto ganho e não temos resistores de alto valor disponíveis para Req.8 Exercícios . 2) a) Calcule: A v= v0 vi .1. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. b) Para que serve esta configuração? Resposta: a) Se R3=R2 então v 0 = 2R 2 R 2 ⋅ 1 ⋅ v 2 −v 1  R1 R b) amplificador subtrator com ganho ajustável por um elemento (R). 2010/2 14 . supondo R3=R 2 .AO ideal.

3) a) Calcule: A v= v0 vi b) Os operacionais estão sob realimentação negativa? 4) a) Calcule: A v= v0 vi Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 15 .

5) a) Calcule: A v= v0 vi 6) a) Calcule: A v= v0 vi 7) Mostre que para o amplificador inversor e não inversor. 2010/2 16 . o ganho pode ser escrito da seguinte v o Ganho Ideal R1 = forma: v i onde β= 1 R1 +R 2 1 β⋅Ad Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

V2 e Vcm. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.8) Ache a expressão de vo para o circuito abaixo em função de V1. determine o valor da tensão de saída. 2010/2 17 . 9) Para o circuito em ponte mostrado abaixo.

necessárias em cada entrada do AO. utilizados no primeiro estágio de um AO.1. Nestes casos é possível encontrar AO com IB da ordem de [fA].01µF). para produzir zero Volts de saída quando não há sinal em suas entradas. As chaves S1 e S2 são abertas uma de cada vez para permitir a medida de IB1 e IB2. Nesse circuito as correntes de polarização são obrigadas a fluir sobre resistores de valor muito elevado (10MΩ ou mais) produzindo uma tensão de saída mensurável. Para medir estas correntes utiliza-se um circuito simples conforme mostrado na Figura 2. Figura 2.1: Circuito para medida das correntes de polarização e offset Essas corrente são da ordem de [µA] ou [nA] mas podem ser menores em AO com par diferencial composto por uma configuração Darlington ou transistores FET. 2010/2 18 . A corrente IB é a corrente de base dos transistores TBJ.2 Características CC do amplificador operacional real 2. Os capacitores servem apenas como um filtro passa baixas (0. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1 Corrente de polarização IB Essas são as correntes CC. ou a corrente de fuga na porta dos FETs.

Para medir esta corrente utiliza-se o circuito da figura Figura 2.1 Modelo para representar a corrente de polarização A Figura 2. Figura 2. página 20).2 Corrente de offset IOS Essa é a diferença entre as correntes de polarização das entradas positiva e negativa de um AO.1 (página 19)com as duas chaves abertas.1 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2: Modelo equivalente para um AO em função de IB 2. podemos calcular cada IB como apresentado pela equação 2.2.1% ou menos. Como os componentes do amplificador de entrada não são exatamente iguais há uma pequena diferença entre as correntes de polarização. 2.2 mostra o equivalente elétrico de um AO sujeito a influência de correntes de polarização. Como as correntes de polarização são muito semelhantes e as resistências muito elevadas é necessário que as resistências sejam casadas com tolerância da ordem 0. 2010/2 19 .1.1 IB = IB ± (IOS/2) ( 2.2.1 Modelo para representar a corrente de offset O modelo para representação de IOS é o mesmo utilizado para IB (Figura 2. Note que este esquema utiliza correntes diferentes para a entrada inversora e não inversora. Em alguns casos. quando temos apenas um valor para IB e outra para IOS.2.

IOS e VOS Os drifts de IB. Figura 2.3: Circuito para medida da tensão de offset 2.3 Tensão de offset VOS Esta é a diferença de tensão CC. Figura 2. Para facilitar a medida deste parâmetro utiliza-se um amplificador não inversor com entrada aterrada e resistores de valores elevados. para produzir zero Volts de saída quando não há sinal em suas entradas.3. A fonte pode ser colocada na entrada não inversora. tensão de alimentação.4 mostra dois equivalentes elétricos de um AO com V OS.2. Estas variações ocorrem porque os Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3. A polaridade da fonte V OS não é definida pois a tensão de offset é dada em módulo e sua polaridade pode mudar de operacional para operacional.4: Modelos equivalentes para um AO em função de Vos 2. 2010/2 20 . conforme mostrado na Figura 2.1 Modelo para representar Vos A Figura 2.4 drift de IB. Normalmente o valor da tensão de offset é fornecido em módulo pois a tensão de saída pode ser afetada positiva ou negativamente. A tensão de offset é causada pelo desbalanço do par diferencial e pela desigualdade dos transistores do 2° estágio. IOS e VOS correspondem as variações destes parâmetros com a temperatura. ou tempo. necessária na entrada de um AO.

podem ser calculadas pela equação 2. Apesar deste recurso facilitar a compensação da tensão de offset ela causa um aumento na deriva térmica de Vos. o zeramento da tensão de offset (Figura 2.4.4.2 ) onde é a deriva térmica. I B= I B  25o C  dI B T dT ( 2. Normalmente os valores de drift correspondem a valores médios para um intervalo especificado de temperatura.5: Compensação da tensão de offset 2. tensão de alimentação ou tempo.3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1 Tensão de offset As variações da tensão de offset com relação a temperatura.5). Alguns amplificadores operacionais apresentam pinos externos que possibilitam o balanceamento do par diferencial e. 2010/2 21 . dV OS T dT V OS =V OS  25 ° C   dV OS dT ( 2. 2. podem ser calculadas pela equação 2.componentes do circuito são afetados de forma diferente por essas influências externas.2 Correntes de polarização As variações das correntes de polarização com relação a temperatura. por conseqüência.2.3. Figura 2.

outros operacionais do mesmo tipo.1: Comparação entre drift de alguns AOs Amp.06 0. e rejeitar a parcela de sinal comum as duas entradas.01 0.5 ±1. Op. o ganho de um AO pode ser dividido em dois: Ganho diferencial (Ad) e de Modo Comum (ACM). 2010/2 22 .018 Analog Devices 0.. a tensão de alimentação. vale a pena ressaltar que os ganhos mudam em função de uma série de itens como: a carga.3.Onde dI B é a deriva térmica. Além destas distinções feitas ao ganho dos AO.01 0. a temperatura.8 0.1 Ganho Diferencial Este ganho é influenciado pelas características dos transistores do par diferencial de entrada e sua carga.0005 741C TJB SID 1 CA3140 FET RCA 8 OP07C AD5476 Unid. o que já é o suficiente para utilizar a equação 2. mas indicam o  T necessário para dobrar o valor de IB.25(Máx) 1... o AO é classificado quanto a sua habilidade de amplificar a diferença entre os sinais aplicados a suas entradas.0(Máx) 0. 2. para a corrente de polarização. dT Alguns manuais não citam a deriva térmica. Desta forma.002 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Se a fonte de corrente que alimenta o par diferencial apresentasse 80 20 0. supondo que esta variação seja constante com a temperatura.. Tabela 2.5 Ganho de malha aberta Da mesma forma que a impedância de entrada.8 0. Tipo Fabricante Vos drift/Vos IB Ios drift/Ios 2.5. – – mV µV/°C nA nA nA/°C TJB alto desempenho FET alto desempenho Analog Devices 0.

5 e 2. Por esta razão. 2. CMRR= Ad (em valor absoluto) ACM ( 2. as variações de corrente em um ramo do amplificador diferencial seriam compensadas no outro ramo. que é definido como mostrado nas equações 2.V id Vo V iCM V +V 2 ( 2.4 ) CMRR=20⋅log   Ad ACM (em dB) ( 2. Normalmente o ganho diferencial dos AOs é da ordem de 105 a 106 vezes. 2. 2010/2 23 .7 ) V iCM = ( 2.5.8 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.2 Ganho de modo comum Como a fonte de corrente que alimenta o par diferencial de entrada não apresenta resistência infinita. o ganho para sinais iguais nas duas entradas do amplificador é pequeno mas não nulo. as correntes de coletor se alteram modificando a tensão de emissor. Desta forma o ganho de pequenos sinais do primeiro estágio seria equivalente ao de um amplificador em emissor comum com emissor aterrado.5 ) Ad = Vo V = o V + −V . Esse comportamento manteria constante a tensão de emissor. O modelo de pequenos sinais para amplificador se torna um emissor comum com resistência de emissor.4.7.resistência infinita. que no modelo de pequenos sinais poderia ser considerado como aterrado. Nos manuais. mesmo aplicando sinais de mesma amplitude nas duas entradas do amplificador. uma informação importante é o fator de rejeição de modo comum.6 ) ACM = ( 2.

não chega a ser infinita.A Figura 2. Figura 2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.6 mostra o circuito utilizado para medir o ganho de modo comum dos AOs.6 Impedância de entrada O primeiro estágio do AO é constituído de um amplificador diferencial cuja impedância de entrada. Com estas informações. Nesse circuito um mesmo sinal é aplicado as duas entradas do AO sem realimentação.4 e 2.7 representa o equivalente elétrico de um AO quando levamos em conta o ganho de modo comum. utiliza-se as equações 2.6: Circuito para medida do ACM dos AOs 2. apesar de ser muito elevada. Isto pode ser constatado pela simples observação de que existem correntes de polarização fluindo para dentro do AO. A impedância de entrada de um AO pode ser separada em duas outras impedâncias com características bem distintas.5 para conhecermos a taxa de rejeição de modo comum (CMRR). 2010/2 24 .5. Uma delas é a chamada impedância de modo comum (R CM).7.7: Modelo equivalente para um AO em função de ACM 2. 2.3 Modelo para ganho de modo comum A Figura 2. Figura 2.

Esta impedância pode ser aproximada pela equação 2. Rcm = hfe hoe ( 2.7 Impedância de saída Esta impedância se deve principalmente às impedâncias de saída do 2°estágio (hoe–1). A outra impedância é chamada de diferencial (RID) e deve-se a características exclusivas de cada entrada.10.9 2V T IB R ID ≈2⋅hie≈ ( 2. Tipicamente a resistência de saída é da ordem de 50  e em aplicações de precisão não devemos drenar mais do que 2 ou 3 mA da saída do AO. a realimentação não consegue corrigir totalmente a queda de tensão na resistência de saída Ro. e do ganho de corrente deste. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. que polariza o par diferencial. Sua influência pode ser quantizada por meio da equação 2. A impedância diferencial é função das características da junção base-emissor dos transistores de entrada e da corrente de polarização destes. Note que a tensão de saída passa por um divisor de tensão formado por Ro e RL e que Ro também influencia na malha de realimentação. e pode ser representada por um resistor série.8 mostra um amplificador inversor completo. refletidas para a saída do AO.10 fica claro que Rcm >> Rid .9 e 2. A resistência de saída (Ro) influencia no cálculo do amplificador realimentado porque o ganho do amplificador em laço aberto não é infinito. A Figura 2. colocado na saída dos AO. Assim. onde a resistência de saída (Ro) do AO é levada em conta.cujo efeito é igual para as entradas inversora e não inversora. 2.9 ) A impedância de modo comum é função da impedância de entrada da fonte de corrente.10 ) Pela relação entre as equações 2. 2010/2 25 .

2.13.11.8: Amplificador não inversor com Ro não nula Considerando Ro na topologia do amplificador não inversor. Isso se deve a quedas de tensão sobre os transistores do 2° e 3° estágios de amplificação.9 Rejeição a fonte de alimentação A polarização dos transistores é dependente da tensão de alimentação utilizada e isso faz com que o AO não seja imune às variações de tensão na alimentação. vo= RL //  RRf  ⋅vo ' RoRL //  R+Rf  ( 2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. a tensão de saída fica modificada de acordo com a equação 2.12 ou 2.Figura 2.8 Limitação da tensão de saída Com exceção aos amplificadores chamados rail to rail a tensão de saída dos AOs nunca alcança a tensão de alimentação. O fator que caracteriza esta imunidade é chamado de rejeição a fonte de alimentação (Power Supply Rejection) e pode ser calculado pelas equações 2. 2010/2 26 .11 ) Comparando o ganho desse circuito com o ganho ideal da configuração não inversora nota-se que o ganho da configuração ficou reduzido de: 1 1 Ro Ro  RL RRf 2.

9. Rcm.13 ). considerando VOS1 e VOS2 diferentes de zero e Ad1 e Ad2 finitos: a) Calcular Vo em função destes parâmetros e dos resistores.9: Modelo equivalente para um AO em função de: IB. Vos. 2. IOS.12 ) PSRR=20⋅log   V O  V CC (em dB) ( 2. A. Ios. Valores típicos para PSRR dependem da qualidade do AO: para o 741 a PSRR é de ±30mv/v enquanto que para o OP27A a PSRR é de 0.PSRR= V O (em valor absoluto) V CC ( 2. RCM.2mv/v. 2010/2 27 .11 Problemas resolvidos Para o circuito da Figura 2. Figura 2. A. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Ro 2. RO e outros podem ser agrupados em um só modelo como mostra a Figura 2. Rid.10. VOS.10 Modelo para Corrente Contínua: Os modelos apresentados individualmente para representar IB. Rid.

b) O manual da Analog Device, que apresenta este problema, informa que A2 deve ter baixo VOS para o bom funcionamento do circuito. A influência de VOS2 é realmente significativa? Precisamos realmente ter um A2 de boa qualidade?

Figura 2.10: Circuito para o Error: Reference source not found Solução a)

Figura 2.11: Adaptação do circuito da Figura 2.10 levando em conta os efeitos de Vos Para A1 : V O1 =Ad1⋅V d1 V d1=V X −V OS1 V O1 =Ad1⋅V X −V OS1  Para A2 V O =Ad2⋅V d2

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V d2V O1V OS 2 =0 V d2=−V OS2−V O1 V O =−Ad2⋅ V OS2  Ad1 V X −V OS1  Pela malha de realimentação podemos dizer que
R1

V X=

⋅V R1 R2 O

Assim VO R1 =V OS2 Ad1⋅ ⋅V −V OS1 Ad2 R1R 2 O

Isolando VO, temos: V OS2 Ad1 1 Ad1⋅Ad2

V OS1− V O= R1 R1 R2 

Nota-se na expressão de VO, que a influência de VOS2 é muito menor que a de VOS1, pois a primeira aparece dividida por Ad1, que tem um valor muito elevado. Assim, conclui-se que A2 não precisa ser tão bom quanto indicava o artigo da Analog Devices. 2.12 Circuitos para compensação de I B e VOS: 2.12.1 Compensação de IB no amplificador inversor O modelo que representa os efeitos das correntes de polarização sobre um amplificador inversor é apresentado na Figura 2.12. Por esta figura fica claro que a corrente IBcircula pela malha de resistores ao passo que a corrente IB+ é curto circuitada. Este circuito pode ser calculado por superposição.

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Figura 2.12: Modelo de amplificador inversor sob influência das IBs Para Vin=0 (as duas extremidades do resistor R1 estão conectados a potencial zero) V O1 =R2⋅I B − Para IB– = 0 −R2 ⋅V in R1

V O2=

Logo
−R2 ⋅V inR 2⋅I B − R1

V 0=

Parte da tensão de saída é função da corrente de polarização. Este erro introduzido na tensão de saída pode ser reduzido pela inclusão de um resistor, R 3, entre a entrada não inversora e o terra. Para IB+ = 0 e IB– = 0 −R 2 V R1 in

V 01 =

Para IB+ = 0 e Vin = 0 V O2=R 2⋅I B −

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2.Para IB– = 0 e Vin = 0 V O3= Logo −R 2 −R3 ⋅V i R2⋅I B −  ⋅ R1 R 2 ⋅I B R1 R1 R1R2 ⋅R3⋅I B  R1 V0= Supondo I B + = I B − =I B R2 R1 R3 R1 V 0 =- V i I B  R2 −  R1 R2  Para que o segundo termo da equação seja nulo R3 ⋅ R1R 2 =0 R1 R2 −  R1 R2  R3⋅ = R2 R1 R3 = R 2 R1 R1R 2 A diminuição dos efeitos de IB podem ser compensadas com a inclusão de um resistor conectado entre a entrada positiva e o terra.12.1 Caso do amplificador inversor. 2010/2 31 . Quando isto acontece a saída depende apenas da entrada e da rede de realimentação R1 e R2. Observa-se pela Figura 2. R3. de valor R1 // R2. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1. independente do modelo utilizado.13. que a tensão VOS afeta a saída como se fosse aplicada sobre um amplificador não inversor.

Figura 2.13: Dois modelos para o amplificador inversor sob influência das Vos Resolvendo por superposição temos −R2  R R 2 ⋅V in  1 ⋅V OS R1 R1

V O=

Sendo assim, é possível somar ou subtrair tensões para remover a parcela da saída dependente de VOS. Um dos circuitos para remover este offset é apresentado na Figura 2.14.

Figura 2.14: Amplificador inversor com correção da tensão de offset No circuito da Figura 2.14 foram adicionadas resistências a entrada positiva do AO. Estas resistências alteram o circuito transformando o amplificador inversor em um subtrator. A tensão Vin continua sendo amplificada como em um amplificador inversor, porém soma-se (ou subtrai-se) a esta, uma parcela obtida pela tensão Vx aplicada ao amplificador não Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2 32

inversor. Se P1 for ajustado para fazer Vx igual a VOS a tensão de offset é compensada. Valores de referência positivos e negativos são utilizados nos extremos de P1 para permitir a compensação de tensões de ambos os sinais. Para ajudar na compensação de IB, as resistências podem ser escolhidas de tal forma que R1 // R2=R3 R4 //  R5P 1  A resistência de P1, vista pelo circuito, varia com o ajuste do potenciometro e isto altera a impedância total da malha vista pelo AO. Para minimizar estes efeitos utiliza-se R5>>R4. 2.12.2 Compensação de VOS no amplificador não inversor. Uma alternativa para corrigir o efeito da V OS na configuração não inversora, sem reduzir a impedância de entrada da configuração, é apresentada na Figura 2.15.
*

Figura 2.15: Amplificador não inversor com circuito para compensação de offset Este circuito, muito semelhante ao utilizado na configuração inversora, modifica o ganho do amplificador pois uma resistência variável R3+P1 é colocada em paralelo com R1. Para minimizar estes efeitos utiliza-se valores de R3 e P1 tais que as alterações em P1 modifiquem minimamente o valor da resistência equivalente
R1≈R1 //  R3P 1.
*

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2.13 Exercícios - AO Real. 1) No circuito abaixo: a) Calcule R1 para que a saída fique centrada em 0V. b) Qual o valor de R2 para que o amplificador tenha mínimo erro devido a IOS.

2) No circuito abaixo determine VO em função de Vi, considerando também VOS, IOS e Ad

Para este amplificador considere: VOS =2mV; IB =100nA; IOS =20nA; Ad =10.000;

3) Para a configuração amplificador subtrator: a) Calcule VO levando em conta VOS, IB+, IB-, e Rid. b) Calcule Vo considerando Ad e CMRR finitos. c) Verifique qual o CMRR do circuito em função do CMRR do amplificador operacional.

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IB+. R3=0. R2=390K. R1=10K. Ri e Ro para a configuração não inversora. VO = 299. VO = 207. R3=0. calcule Av. R2=390K.5mV Perguntas: a) Calcule VOS. com resistência de saída (RO) maior que zero e com ganho (A d) finito. R1=10K. 6) Para um buffer e um amplificador inversor de ganho unitário: verifique a influência do ganho de modo comum e do CMRR em cada uma das configurações. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. R2=390K.5mV 2 – Vi=0.4) O circuito abaixo foi testado sob três condições diferentes. b) Calcule VO para o teste “2” mas com Vi = 10mA 5) Para um AO com resistência de entrada diferencial (Rid) finita. IB– e IOS. VO = 497. R3=33K.5mV 3 – Vi=0. Testes: 1 – Vi=0. 2010/2 35 . R1=39K.

b) Com a chave Ch3 fechada.. VOS e CMRR com as respectivas polaridades. Ch2 e Ch3 fechadas e Vi = 0: VO = -2mV. Utilizando apenas resistências e/ou capacitâncias para Z1. como poderíamos simular um indutor? Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. as chaves Ch1 e Ch2 abertas e Vi = 100mV: VO = -4. Ch1 fechada e Vi = 0: VO = 0. Suponha chaves ideais. Fazer os cálculos com precisão de 1mV para tensão e de 1nA para corrente. 8) Calcule a impedância de entrada do circuito abaixo.7) No circuito a seguir os amplificadores operacionais são reais e absolutamente iguais.. . Pergunta: Calcular IB. Foram feitos os seguintes testes com o circuito: a) Com as chaves Ch1. Z5. Z2.89V c) Com as chaves Ch2 e Ch3 abertas. Considere as outras características do amplificador operacional se aproximando do ideal.. 2010/2 36 .

Compare este circuito com o não inversor. a impedância de entrada do operacional é 300KΩ e a resistência de saída do operacional é 100Ω. Considere os amplificadores operacionais com comportamento real e constituídos na mesma pastilha (AOs idênticos).9) Equacione o circuito abaixo e explique por que esta configuração possibilita um aumento na impedância de entrada da configuração não inversora. o resistor de entrada é 10KΩ. 10) Supondo ganho finito para o amplificador operacional. 2010/2 37 . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. o ganho diferencial é 80dB. calcule a impedância de saída da seguinte configuração. Use o ganho tendendo a infinito e as correntes de polarizações iguais. 11) Qual o ganho real na configuração inversora se o resistor de realimentação é 5MΩ. Calcule também a impedância de entrada e de saída do circuito completo.: A impedância de entrada é dada por Zin = Vin/Iin. OBS.

IB(típico) = 80nA. Ad(típico) = 200. 13) Admitindo que o AO do circuito abaixo seja um 741 típico (V os(típico) = 2mV. Ad.04V b) S1 aberta e S2 fechada: VO = 0.12) No circuito abaixo foram realizadas as seguintes medidas: a) S1 e S2 fechadas: VO = 0. IOS.1V c) S2 aberta e S1 fechada: VO = -0.06V Calcule IB+. b) determine a expressão de VO levando em conta VOS. Compare com o AO real. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. IB– e IOS. 2010/2 38 . Ios(típico) = 20nA.000): a) determine a resistência de entrada do circuito.

Ad = 200. IB– e VOS para os seguintes amplificadores: a) inversor (com um resistor R3 ligado entre a entrada V+ do AO e terra): b) não-inversor (com um resistor R3 ligado entre Vi e a entrada V+ do AO): 16) Calcular a função transferência supondo a existência de CMRR para os seguintes amplificadores: a) inversor: b) não-inversor: c) buffer:CMRR= 90dB. 2010/2 39 . 15) Calcular a função de transferência supondo a existência de IB+.14) Nos circuitos abaixo calcule VO/(V2-V1) supondo que os AOs são idênticos. supondo V1=V2=VCM em função do CMRR dos AOs. Determine também uma expressão para o ganho de modo comum.000 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

portanto que a equação 3. O ganho β(S) pode ser constante ou apresentar comportamento variável com a freqüência. O ganho do elemento amplificador é chamado de ganho em laço aberto – no AO este ganho corresponde ao Ad(S). Isto garante a estabilidade da função de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. conforme indicado na Figura 3. os dois ganhos são constantes e o denominador da equação 3.1 ) O ganho Ad(S) é constante para CC mas a partir de uma determinada freqüência começa a decair. O ganho da malha de realimentação é chamado de β(S).1: Diagrama em blocos de um amplificador realimentado Pelo diagrama em blocos deve ser claro que V O S = Ad  S ⋅ V i  S  – V O S ⋅S   e. Em baixas freqüências.1. como no caso dos circuitos com AO.1. representa o ganho do amplificador realimentado ou o ganho de malha fechada. V O S  Ad S  =AV S = V i S  1 Ad S ⋅S  ( 3. tanto o amplificador quanto a malha de realimentação costumam ser modelados por ganhos. Vi + _ Ad(S) β(S) Vo Figura 3.1 é positivo e maior do que 1.3 Características em freqüência do amplificador operacional real 3. normalmente.1 Resposta em Freqüência e Estabilidade Em um amplificador realimentado. 2010/2 40 .

3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Uma análise preliminar indica que não existe problema de instabilidade para amplificadores realimentado com 1 ou 2 pólos. representado conforme equação 3. apesar de simples. Ganhos de 20⋅log  X  correspondem a −20⋅log1/ X  Ad  j ⋅ j =∣Ad  j ⋅ j ∣ ⋅e j⋅  ( 3. Para amplificadores realimentados com 3 ou mais pólos. Se. cumulativamente.2). pois a fase do ganho de malha nunca será 180º.3. Ganho unitário corresponde a 0dB. O gráfico. são desenhados os gráficos de módulo e fase do ganho de malha. Se. Figura 3. os pólos do amplificador realimentado deslocam-se para a direita do eixo jω ( 1 Ad S ⋅S 0 ). a fase do ganho de malha for 180º. pode ser utilizado para simplificar a análise da estabilidade dos amplificadores realimentados. como nos casos do AO. o ganho da malha de realimentação. V O S  1 = V i S   ( 3. Se o ganho Ad(S) for muito elevado.2 ) Em altas freqüências a estabilidade depende do comportamento de A d(S) e β(S). em alguma freqüência. o problema da instabilidade não pode ser esquecido. o ganho do amplificador torna-se infinito ( 1 Ad S ⋅S =0 ). O diagrama de Bode do ganho de malha. Por esta razão é comum estudar separadamente o comportamento do chamado ganho de malha. é responsável pelo ganho do amplificador realimentado (equação 3. Em síntese: se o ganho de malha for ∣1∣∢180o o circuito torna-se um oscilador e se o ganho de malha for maior do que ∣1∣∢180 o o circuito torna-se instável. utiliza escala logarítmica de freqüência e ganho em dB.2. Ganho em dB corresponde a 20⋅log∣Ganho Linear∣ . então o ganho de malha será negativo. Neste diagrama de Bode. Se o módulo do ganho de malha aumentar (mantendo a fase em 180º). ou seja do produto L S = Ad S ⋅S  . Esta é uma situação limite de estabilidade que corresponde a colocar os pólos do amplificador realimentado sobre o eixo jω. Ganho em dB negativo equivale a ganho linear com módulo entre 0 e 1. o módulo do ganho de malha for unitário. 2010/2 41 .transferência. β(S).

quando a fase é –180º o módulo do ganho de malha é menor do que um (menor do que 0dB).4). A diferença entre o valor do ganho para a fase de –180º e o ganho unitário é chamado de margem de ganho (equação 3. –120º.. para a freqüência onde a fase é 180º.5). o amplificador também é estável. a fase é menor do que –180º (–150º). ). MG[dB ]=−∣Ad  S ⋅ S ∣=−180 o o ( 3.5 ) MF [graus]=180 −∣∣∣Ad  S ⋅ S ∣=0dB Partindo-se desta análise é possível concluir que o amplificador realimentado representado pela figura Figura 3. o módulo do ganho for menor do que 1 (valor menor do que 0dB).2 é estável.. 2010/2 42 . De outra maneira. se para a freqüência de ganho unitário.4 ) ( 3. A diferença entre a fase para ganho unitário e –180º é chamado de margem de fase (equação 3. a fase de Ad S ⋅S  for maior do que –180º (–150º. Neste diagrama de Bode é possível identificar duas figuras de mérito importantes: a margem de ganho e a margem de fase. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. no diagrama de Bode do ganho de malha.2: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado A estabilidade está garantida se. Da mesma forma.Figura 3. Observa-se que para ganho unitário (0dB).

2010/2 43 . 2) determina-se uma margem de fase considerada aceitável. Este valor de Ad corresponde ao menor ganho da configuração realimentada e que atende ao requisito de mínima margem de fase.3). para a freqüência onde a fase do AO corresponde a –135º. Figura 3. ajusta-se o ganho de realimentação de tal forma que ∣AS ⋅ S ∣=1 . Como.3. 4) determina-se o ganho de realimentação de tal forma que β–1 = Ad. o ganho β corresponde a –60 dB (no gráfico isto corresponde a reta denominada 20⋅log 1/=60dB ). –30dB. para que a margem de fase do amplificador realimentado seja da +45º. neste ponto.Quando o ganho dos AOs não pode ser alterado só resta alterar a rede de realimentação para garantir a estabilidade do amplificador em malha fechada.3: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. o ganho do AO corresponde a 60dB. A determinação de um ganho de realimentação que deixe estável o circuito pode ser obtida da seguinte forma: 1) desenha-se o diagrama de Bode para Ad(S) (Figura 3. o ganho de malha será ∣1∣∢−180o . 3) determina-se o ganho do AO para a freqüência onde a margem de fase é atendida. pois ∣Ad S ⋅S ∣=1 . No exemplo da Figura 3. Se for escolhido um ganho β maior. por exemplo.

e por conseguinte. e p3 são os pólos. Ad(S) é o ganho de tensão em laço aberto. Figura 3. do amplificador operacional como um todo. A Figura 3. mostrado na Figura 3.4 mostra a influência de três pólos dominantes. Estes pólos dominantes limitam a resposta em freqüência dos estágios.1. 2010/2 44 . Os efeitos individuais dos pólos de cada estágio do AO foram somados para montar o gráfico da Figura 3.4: Resposta em freqüência de cada estágio de um típico AO não compensado A equação 3. de modo que alguns se tornam dominantes. p1.1 Resposta em freqüência não compensada Cada estágio do amplificador operacional é composto por transistores que definem diferentes pólos.6 ) onde Ad0 é o ganho em baixas freqüências. p 1⋅p 2⋅p 3 Ad S = Ad0⋅  S p1 ⋅ S p 2⋅S  p 3 ( 3.4. Para CC e baixas freqüências o ganho é praticamente constante.3. para altas freqüências o ganho diminui com a freqüência.5. Na maioria das vezes estes pólos estão distantes. p2.6 corresponde ao ganho do sistema não compensado. um de cada estágio de um AO típico. Observa-se que o AO tem ganho de 29dB na freqüência onde a fase é Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

2 Resposta em freqüência com compensação Para corrigir a resposta em freqüência de um AO (instabilidade ou resposta a transitórios) emprega-se algum tipo de compensação. Como exemplo disto temos o LF357.) ao AO. 2010/2 45 .1. de modo que a a nova resposta em freqüência do AO intercepte a curva 20⋅log 1/ com inclinação de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. LM308. Figura 3.. LF351..5: Resposta em freqüência de um típico AO não compensado Por esta razão alguns AOs de banda larga (amplificadores desenvolvidos para operar em freqüências elevadas) só podem ser utilizados em configurações com ganho mínimo estabelecido pelo fabricante. 3. Muitas vezes estes operacionais não são estáveis para ganho unitário. caso contrário o circuito se torna um oscilador.. para permitir a sua estabilidade em um determinado ganho de malha fechada consiste em introduzir um pólo de baixas freqüências.– 180º. LM318. que é estável em configurações com ganho maior do que 5. Sendo assim este AO será estável em todas as configurações com ganho maior do 29dB..) ou interna (AO de propósito geral LM741. Uma forma de compensar o AO. Esta pode ser externa (AO de banda larga e alto desempenho – LM301.

no 1° estágio. e p1 é deslocado para direita.6: Compensação de um AO com um pólo dominante A diminuição no valor do primeiro pólo do AO também pode ser utilizado para estabilizar o amplificador realimentado sem introduzir um pólo adicional (o primeiro pólo pode ser desviado para o ponto de interseção da linha tracejada com a resposta Ad(S) – curva verde).-20dB/déc (curva Ad(S) compensada Figura 3. Isto faz com que seja criado. O efeito deste capacitor é multiplicado pelo ganho do 2° estágio (efeito Miller) e refletido para a saída do 1° estágio.6). Como desvantagens é necessário capacitores de valor elevado dentro do AO. Isto é prejudicial ao desempenho global do AO pois seu comportamento ideal apresenta ganho elevado para todas as freqüências. É incluído um pequeno capacitor (≈30pF) entre a base e o coletor de algum transistor do 2° estágio. No LM741 é utilizada uma técnica alternativa e muito comum para compensação. Em suma. Como vantagem o método permite ganhos maiores para todas as freqüências. Este comportamento. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Figura 3. p2 é cancelado. um pólo em uma freqüência muito baixa (≈10Hz). infelizmente. um zero na freqüência de p2 e outro pólo em uma freqüência bastante elevada (≈1MHZ). introduz um pólo adicional em freqüência muito baixa o que diminui sensivelmente o ganho do AO em todas as freqüências. 2010/2 46 .

1. principalmente. em amplificadores de uso geral. No caso do LM741 é possível considerá-lo como um circuito de um único pólo até a freqüência de 1MHz (p3). 3. Acima desta freqüência o ganho em malha aberta é menor do que 1 (0dB).7 ) onde GBW é o produto ganho-faixa do AO Nesta aproximação o GBW é constante.2 Características de desempenho em freqüência Além do ganho do amplificador em malha aberta e do produto ganho faixa existem outras características que determinam o desempenho dos AOs com relação a freqüência. na saída.5V/µs e para o LM748 é de 40V/µs.O resultado final é de um amplificador com comportamento de um único pólo em quase toda a faixa de freqüência. O sinal de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. O custo desta estabilização foi a redução da largura de banda do AO (largura da faixa de passagem). Para medir o slew-rate utiliza-se um buffer (amplificador não inversor de ganho 1) e um gerador de funções.7. ou seja. à 2000V/µs em amplificadores rápidos. o pólo dominante. 2010/2 47 . e isto garante a estabilidade do AO até mesmo para ganho unitário. Valores típicos para o slew-rate vão de 1V/µs. conforme indicado na equação 3. O gerador aplica uma onda quadrada na entrada do buffer. A0⋅p1 A0⋅p 1 GBW ≃ = S  p1 S S AV  S = ( 3. A principal causa de limitação do slew-rate é a resposta em freqüência do AO e. em um dado intervalo de tempo  T . O valor típico de SR para um LM741 é de 0. se o ganho de malha fechada for diminuído há um aumento proporcional na faixa de freqüências que pode ser amplificada por este ganho. 3.3 slew-rate O slew-rate (SR) representa a máxima variação de tensão (  V O ) que um amplificador operacional pode apresentar.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. sub ou criticamente amortecido. Esta faixa de valores normalmente corresponde a 0. A Figura 3.2.9.9 ) onde SRS é o slew-rate de subida.8 ) SRD = ( 3.8 mostra como identificar o tempo de acomodação de um sistema a partir de uma excitação em degrau.1 Settling time É o tempo necessário para que a resposta do AO. estabilize dentro de uma faixa de valores considerada aceitável.1 ou 0. Medidas para determinação do SR 90 %⋅Vmáx −10 %⋅Vmáx ts 90 %⋅Vmáx−10 %⋅Vmáx td SRS = ( 3.8 e 3.7: Resposta do AO para uma entrada em degrau. 3. Este intervalo de tempo é definido como tempo de acomodação ou settling time.7. o circuito apresentará um determinado grau de amortecimento (ζ → zeta: constante de amortecimento). Figura 3. Para o cálculo do SR utiliza-se o menor valor obtido pelas equações 3. podendo ser considerado sobre.saída é medido conforme o indicado na Figura 3. da rede de realimentação e da compensação. Dependendo das características do amplificador operacional. 2010/2 48 . Assim a saída levará algum tempo para se acomodar no valor de regime estacionário. devido ao transitório. a uma entrada em degrau.01% um porcento do valor final. SRD é o slew-rate de descida.

Um dos AOs tem mais influência sobre este valor de VO? Qual? Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Figura 3. Ad2 e dos resistores.4 Exemplo: Resposta em freqüência Para o circuito: Considere que os dois AOs têm características dinâmica do tipo pólo dominante. Ad1. 2010/2 49 . Deseja-se que o circuito apresente um pólo em 100kHz (devido a A1) e outro em 1MHz (devido a A2). VOS2. O circuito deve fornecer uma saída VO senoidal de até 100kHz e com 10Vp sem distorcê-la.1. em função de VOS1. Calcule o slew–rate (SR) mínimo de cada AO para atender a esta especificação. Considere o modelo CC dado abaixo.8: Tempo de acomodação da saída de um AO após uma entrada em degrau 3. Calcule a tensão de saída V O para Vi=0. Determine o produto ganho-faixa (GBW) de cada um dos AOs para que esta especificação seja atendida.

Solução. 2010/2 50 . O ponto de funcionamento do circuito realimentado corresponde a interseção deste gráfico com a reta 20⋅log 1/ . a configuração inversora apresenta ganho igual a R4 v o Ganho Ideal ⋅v i R3 = R3 +R 4 . o diagrama de Bode de um amplificador corresponde a uma reta com inclinação –20dB/década. Desta maneira só precisamos igualar as duas funções: O ganho de malha aberta de A2 é GBW 2 GBW 2 ≃ S  p2 S A 2  S = O ganho em malha fechada de A2 deve ser ∣ ∣ GBW 2 1 = f  f  Determinação do ganho da rede de realimentação. a) Em um amplificador realimentado. Os dois AOs estão funcionando com realimentação negativa portanto estão em uma região linear. ou v i onde β= 1 R3+R4 1 R 3 β⋅Ad Ad v 0 =− Reescrevendo as equações temos Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. com pólo dominante. Considerando Ad não infinito.

Assim 1 R3  R4 = R3  R3 R4 10 k 100 k ⋅ f 2= ⋅1 MHz=11 MHz R3 10 k GBW 2 = O ganho de malha aberta de A1 é GBW 1 S  p1 GBW 1 S A1  s = ≃ e o ganho em malha fechada de A1 deve ser ∣ ∣ Assim GBW 1 1 = f  f  1 R 1R 2 1 1 k 100 k 1 = ⋅ = ⋅ =10 . 2010/2 51 .1⋅100 kHz=1. 01 MHz  b) Para A2: Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1 R1 AV2 1k 10  1 GBW 1= ⋅f 1=10 .Ad⋅⋅R4 vo R3 = v i 1β⋅Ad Ad⋅R4 vo R R 4 = 3 v i 1 β⋅Ad logo o fator β corresponde ao ganho de realimentação.

SR1 ≥ 0.SR2 ≥   dV O dt = máx d  10⋅sen  2π f ⋅t ∣t=0 dt SR2 ≥10⋅2⋅⋅ f ⋅cos 2π f ⋅t∣t =0=10⋅2π⋅100. 2010/2 52 .283V/µs Para A1: Devido ao ganho de A2.6283V/µs c) v O1= Ad 1⋅ V OS1  ⋅v R1 R2 O R1  V OS2 − v O v O1⋅R4 vO⋅R3 = Ad 2 R3R 4 Substituindo uma equação na outra Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 000 SR2 ≥ 6. a saída de A1 necessita ter apenas 1/10 da amplitude de VO.

O pólo induzido é representado pela equação 3.10 p= 1 Z O⋅C L ( 3. Neste último caso. Quando se trabalhar como cargas deste tipo se deve utilizar amplificadores com baixa impedância de saída em malha aberta ou prover uma redução desta impedância utilizando um amplificador de reforço de corrente. R1 R2 ⋅V OS1 R1 v O ≃− Observa-se que VOS1 é predominante. na excitação de algum transdutor ou quando a carga está conectado ao AO por fios muito longos. 3.vO = R3 R 4 V OS2 ⋅ −V OS1 R4 Ad 1 R3 1 R R 4 R1 1 ⋅  3 ⋅  R 4 Ad 1 R4 Ad 1⋅Ad 2 R1 R2 Levando-se em conta que os ganhos diferencias Ad são elevados.10 ) mas sua determinação não é fácil. no ganho de tensão de malha aberta. a carga capacitiva limita a transmissão de dados em velocidades elevadas. cargas capacitivas aparecem em malhas de compensação externa. Para o caso da linha de transmissão o reforço de corrente pode ser muito importante pois em freqüências elevadas a carga pode drenar correntes elevadas. Como resultado é possível que o circuito torne-se instável. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Normalmente.3 Cargas Capacitivas: Em um AO. pois ZO é função da freqüência. como uma linha de transmissão. uma carga capacitiva pode alterar a impedância de saída equivalente e introduzir mais um pólo. Via de regra AOs de uso geral toleram cargas capacitivas de até 1000pF enquanto que para AO de alta freqüência a carga capacitiva deve ser limitada a uns 25pF. 2010/2 53 .

Normalmente se utiliza atraso de fase mas qualquer outra técnica de controle pode ser implementada.9: Compensador para cargas capacitivas Para o circuito da Figura 3. No circuito mostrado na Figura 3.11.A título de curiosidade. Figura 3.11 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. um AO deve ser capaz de suprir 63mA para uma carga capacitiva de 10000pF excitada por um sinal de 10V e 100kHz: i Lmáx =C L⋅   dV O dt máx Circuitos de compensação podem ser criados para evitar instabilidade. 2010/2 54 .9 foi implementado uma compensação externa utilizando-se técnicas de controle.9 vale a regra apresentada na equação 3. 1 1 ≫ ROR3 C 1⋅ R1 // R 2 ( 3.

No osciloscópio o ruído térmico aparece como o desenho da Figura 3. Para evitar confusão. T é a temperatura [K]. suas fontes e seus efeitos na saída dos AOs.).10. R é a resistência [Ω]. e por isso é chamado de “ruído branco”.12 ) onde: k é a constante de Boltzman (1. B é a banda passante [Hz].1 Ruído Térmico: Este ruído é causado pela agitação térmica dos elétrons em uma resistência.3.12.10: Aparência do ruído térmico .. 3. Isto significa que ele é formado pela flutuação instantânea de corrente elétrica. V T  RMS = 4 kTBR [ V /  Hz ] ( 3. a partir deste momento.2 Shot Noise Este ruído está associado com uma corrente fluindo através de uma barreira de potencial. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.38⋅1023J/K).. O ruído térmico é constante ao longo de todo o espectro de freqüências.2 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional Ruído elétrico é todo o tipo de interferência que se sobrepõe a uma informação elétrica. resistores. A seguir. Figura 3. são listados os principais tipos de ruído. a palavra “sinal” passa a representar a informação útil ao passo que a palavra “ruído” será utilizada para referenciar qualquer tipo de interferência elétrica sobre um determinado sinal.3. Existem várias formas de ruído elétrico sendo que cada uma destas formas está associada a algum evento físico ou a alguma características de confecção do componente. A tensão eficaz gerada pelo ruído térmico pode ser calculada com a equação 3..3. O ruído elétrico nos operacionais se deve ao ruído inerente a cada dispositivos que o compõe (transistores. etc. 3. 2010/2 55 .

3. o ruído térmico é o mesmo e proporcional a resistência. em 1918. é causado pela variação da condutividade devido ao contato imperfeito entre dois materiais (por exemplo.13. KI DC  B [ A/  Hz ] f I f RMS = ( 3. mostrou que este ruído gera uma corrente eficaz. silício e alumínio).13 ) onde: q é a carga do elétron (1. Para dois resistores de 1KΩ . Flicker Noise.14 mostra a intensidade da corrente pela qual pode ser modelado este ruído. Porém.causada pela emissão aleatória de elétrons e lacunas. ruído 1/f e ruído de baixa freqüência.14 ) onde: K é uma constante que depende do material. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3 Ruído de Contato: Também conhecido por Excess Noise. B é banda passante [Hz]. pois a densidade de potência é constante com a freqüência. A equação 3. que pode ser quantizada de acordo com equação 3. F é a freqüência [Hz]. 2010/2 56 . I SN  RMS = 2 qI DC B [ A/  Hz ] ( 3. pontos de solda etc. Schottky. B é a banda passante [Hz]..6⋅1019C). Este tipo de ruído aparece sempre que existe junções entre materiais de qualquer tipo. como nas chaves. com a passagem de corrente elétrica o resistor de carbono apresenta mais ruído que o resistor de fio devido a variação de condutividade no contato imperfeito do resistor. Quanto ao espectro de freqüências o shot noise é similar ao ruído térmico. Esta é a maior fonte de ruído em componentes à baixas freqüência. um de carbono e outro de fio. IDC é a corrente média [A]. Note que o ruído de contato If aumenta com a diminuição da freqüência. 3. IDC é a corrente média [A].

. Quando isto ocorre e os ruídos não são correlacionados. . a soma das fontes de ruído produz uma potência total que é igual a soma da potência de cada fonte.3. são independentes. em aparelhos de som. 2010/2 57 .3. basta multiplicar o desvio padrão por 3.3. por exemplo. para obter os valores máximos e mínimos desta distribuição.11: Aparência do ruído popcorn 3. A Figura 3.. É comum multiplicar o ruído RMS por 6. O resultado também pode ser expresso em termos de uma fonte de tensão como na equação 3.4 Popcorn Noise: Este ruído é responsável pelo conhecido “estalo” que aparece. É causado por defeitos de manufatura da junção (tal como uma impureza) de componentes semicondutores.15 ) ( 3.15. Sendo assim. . ou seja.5 Soma de Ruídos: Várias são as fontes de ruído e todas podem estar presentes ao mesmo tempo em um mesmo circuito.1%.11 mostra a aparência destes ruído quando visto em osciloscópio. Este tipo de ruído depende do processo de fabricação dos semicondutores.3.6 para se obter uma informação pico a pico de corrente ou tensão. P T =P1 P 2.16. Figura 3. . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. de acordo com a equação 3.16 )  O ruído RMS total é como se fosse o desvio padrão de uma distribuição de probabilidade normal com média zero. O popcorn tem a aparência de um degrau de tensão de duração aproximada de 10 ms e que aparece esporadicamente nos aparelhos.P n 2 V T = V 1 V 2 .. com erro menor do que 0.V 2 2 n ( 3.

Um milivoltímetro RMS é utilizado para as medidas. Isto pode ser obtido minimizando a corrente de polarização dos amplificadores. A curva resultante destas medidas é mostrada na Figura 3.3.6 Espectro de ruído Um gráfico de ruído equivalente é construído com auxílio de filtros passa faixa sintonizados ou de processamento digital de sinais.3. por exemplo. A representação do ruído sempre é feita no domínio da freqüência. uma polarização simples para a configuração emissor comum é montada. pois o circuito de entrada do Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Em amplificadores operacionais o ruído elétrico normalmente é maior do que o ruído de um amplificador construído com transistores discretos. especificamente abaixo de 100Hz.12 podemos perceber que o nível de ruído na saída de um circuito a base de transistores depende da faixa de freqüência em que se está trabalhando: • • • de 0 até F1 temos: ruído térmico + contato + shot noise de F1 até F2 temos: ruído térmico + shot noise acima de F2 temos: ruído da junção do coletor associado à diminuição do ganho do transistor + shot noise. é recomendado evitar ou diminuir correntes CC fluindo pelos sensores. Por esta razão.12. Em transistores. em circuitos de instrumentação. 2010/2 58 . Figura 3.12: Espectro de ruído para um amplificador Analisando o gráfico da Figura 3. Como carga deste circuito adiciona-se um filtro passa faixa variável que sintoniza a freqüência onde se deseja medir o ruído.

2. Isto implica num aumento de  2 no ruído. Conforme apresentado na Figura 3. Nestes casos as unidades podem mudar para µV e nA. 2010/2 59 .operacional tem dois transistores (no mínimo) na configuração diferencial.14: Modelo do AO com fontes de ruído Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Figura 3. Se desejarmos conhecer o ruído para uma faixa de freqüências basta multiplicar pela raiz quadrada da faixa de freqüências que desejamos. Outro fator importante é que alguns transistores integrados tem ganho menor que os transistores discretos. Figura 3. Note as unidades nV /  Hz e pA/  Hz para cada freqüência específica.13: Corrente e tensão de ruído para um AO típico 3.14 estas fontes são aplicadas da mesma forma que para modelar VOS e IB.1 Equivalente Elétrico Fontes de tensão e corrente podem ser aplicadas para modelar a influência do ruído em um AO. A curva de tensão e corrente de ruído para um AO típico é mostrada na Figura 3.13.

3 Figura de ruído A figura de ruído corresponde a razão entre as SNR da entrada do amplificador (como se ele não existisse) e da saída do amplificador. NF =10⋅log   V2 TNin V2 T NF =10⋅log  V 2V 2  I 2⋅R 2 n T n gerador V2 T  Supondo que o único ruído do gerador seja o ruído térmico. onde Av é o ganho de tensão do amplificador. SNR=20⋅log  Vsinal RMS Vruído RMS  ( 3. Note que para esta medida é importante que os valores da impedância da fonte de entrada (o gerador de sinais) sejam consideradas.2.17 ) 3.2 Relação sinal ruído Para avaliação de amplificadores também se utiliza a chamada relação sinal ruído (SNR).17. passando pela resistência do gerador produz outra tensão de ruído que depende da impedância Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. NF =10⋅log  SNRin SNR out  NF =10⋅log  Sinal in⋅Ruído out Sinal out⋅Ruídoin  NF =10⋅log  2 Sinal in⋅Av⋅V TNin Sinal in⋅Av⋅V 2 T  . VT é a tensão de ruído térmico na resistência da fonte.3.2. 2010/2 60 . definida conforme 3. Quanto maior a relação SNR melhor o amplificador. quando conectarmos este gerador ao amplificador a tensão de ruído se soma a tensão do gerador e a corrente de ruído. VTNin é a tensão de ruído total na entrada do amplificador.

Se a resistência do gerador é grande a corrente de ruído é mais importante. a) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando a 1kHz (por unidade de freqüência). para pequenos valores de impedância do gerador a tensão de ruído tem importância maior que a corrente. V TN =11. No resistor da fonte (para 1Hz): V T = 4⋅k⋅T⋅R⋅B=5.68 pA/  Hz 2 Total: V TN =  V 2V T  I 2⋅R 2 n n gerador =11.1 V RMS c) Calcular a relação sinal ruído na entrada do amplificador. supondo que ele está conectado a um gerador com impedância de 2kΩ. pois assim como as correntes de polarização a corrente de ruído destes amplificadores é muito menor que nos TBJ.16 nV /  Hz⋅ 10kHz – 1kHz=1.7 nV /  Hz Da figura Figura 3.de entrada do gerador.4 Exemplo: Ruído Para o amplificador cuja tensão e corrente de ruído são apresentadas na figura Figura 3.5 nV /  Hz I n |1kHz =0. 2010/2 61 . 3. SNR=20⋅log  V gerador =71dB V TN  Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.13. Por esta razão.16 nV /  Hz b) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando entre 1kHz e 10kHz.2. supondo que o sinal do gerador possui apenas 4mV.13 vem que V n |1kHz =9. Uma clara vantagem do amplificador com entrada FET.

colocar armadilhas para RF.). 2010/2 62 . diodos.3. par trançado STP. Diminuir a área formada por laços de corrente. Identificar fontes de ruído e agrupar estes circuitos.5 Algumas dicas para minimizar os efeitos de ruído interno e externos ao AO • Minimizar a introdução de ruído determinístico no sistema (cuidados mecânicos. Agrupar transistores de chaveamento. par trançado UTP. Utilizar amplificadores mais insensíveis ao ruído como CAZ (commutating auto zero).2.. Usar cabos coaxiais.. cabos. Usar anéis de ferrite ou de condutor em pontos de conexão com fios.. Usar trilhas de circuito impresso arrendondadas. invólucro. Junto a circuitos integrados usar capacitores de 10nF até 100nF.1: Máxima freqüência de utilização de diversos tipos de capacitores Capacitores Eletrolítico de alumínio Eletrolítico de tântalo Papel Mylar Poliestireno/Mica Cerâmico Freqüência 100kHz 1MHz 5MHz 10MHz 500MHz 1GHz Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Sempre que possível devemos limitar ao máximo a banda de passagem (atuar na resposta em freqüência de amplificadores.. Usar capacitores de desacoplamentos para as fontes. longe das etapas não ruidosas. Adicionar a cada placa capacitores de 2. fibras ópticas. Filtro de linha próximo da entrada da fonte... Aterrar cabo coaxial. Capacitores e indutores (idealmente) não possuem ruídos associados mas possuem atuação limitada em frequência conforme apresentado na Tabela 3. Isolar etapas de alta potência das de baixa potência.. • • • • • Tabela 3. transformadores. ou amplificadores sintonizados como o LOCK-IN.2µF até 100µF (os grandes capacitores barram alta freqüência) nos fios de alimentação. . blindagem. ponto de alimentação). filtros de rede. Atentar para a disposição dos circuitos na placa.1.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1: Principais características de alguns operacionais LM 741 VOS ∆VOS IB IOS 2 15 80 20 LF 351 5 10 0.020 0.1: Símbolo do amplificador operacional típico A Tabela 4. V 0 = A v−v−  ( 4.2 CA 3140 5 8 0. 2010/2 63 . Seguindo o conceito básico de amplificadores operacionais (ser capaz de amplificar a diferença entre dois sinais).5 0.1 descreve o amplificador enquanto que seu símbolo é apresentado na Figura 4. Este é o tipo mais comum de amplificador e com o maior número de aplicações. A equação 4.003 OP 43G 0.5pA LM 318 4 x 150 30 LF 357 3 5 0.1.058 OPi 77G 0.1 ) Figura 4.7 1.1 Amplificador operacional típico Este circuito consiste do amplificador operacional tal como o conhecemos até agora.4 Tipos de Amplificadores Operacionais Atualmente uma variedade de circuitos para amplificadores operacionais está disponível no mercado. Tabela 4.050 0.030 0. A seguir estudaremos alguns tipos de amplificadores operacionais integrados e disponíveis no comércio.0035 0. transcondutância entre outros.025 LM 308 2 6 1.010 0. 4. tensões.3 mV µV/°C nA nA Unid. estes amplificadores trabalham com correntes.2 0.5 0.5 7. todas elas já estudadas anteriormente.1 mostra uma lista de 8 amplificadores operacionais e suas principais características DC e AC.

SR é o slew-rate. ∆VOS é o drift de VOS.4 6 PMI Entrada JFET OPi 77G 140 120 0.3 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. pode ter sua saída ligada a saída de outro operacional do mesmo tipo sem problema de curto circuito. PSR é a rejeição a variações na tensão de alimentação.: Uso geral Onde: VOS é a tensão de offset.2. GBW é o produto ganho largura de faixa.3.2 Amplificador operacional de transcondutância (OTA) Este amplificador é muito comum em microeletrônica mas existem poucos integrados discretos disponibilizando funções de OTA. 2010/2 64 . Os modelos discretos apresentam uma terceira entrada. IB é a corrente de polarização.5 National Comp.6 0.LM 741 CMR PSR GBW SR 90 96 1 0.5 LF 351 100 100 4 13 National Entrada JFET LM 308 100 96 ~1-3 ~0. Isto confere características bastante interessantes a este operacional que. alguns de seus símbolos são apresentados na Figura 4. Externa CA 3140 90 80 4. IOS é acorrente de offset. i o = Ag  v + −v –  Ag =gm=K⋅I B ( 4. A função der transferência deste operacional é dado pela equação 4.3 PMI Precisão Unid. Como o próprio nome sugere este amplificador transforma a diferença entre as tensões de entrada em uma corrente de saída. 4. Externa/ Interna LF 357 100 100 20 50 National Entrada JFET OP 43G 110 100 2.2 ) ( 4.5 9 RCA Entrada Mosfet LM 318 100 80 15 70 National Comp. chamada de corrente de polarização.2 e o circuito interno do CA3080 é apresentado na Figura 4. CMR é a rejeição de modo comum. por exemplo. dB dB MHz V/µs Fabrica National Obs. capaz de ajustar o ganho do amplificador. Em microeletrônica o OTA é utilizado para produzir filtros e acionar cargas capacitivas.

Como exemplos de OTAs podemos citar o clássico CA3080. Como os OTAs não precisam trabalhar realimentados a diferença entre as tensões de Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. sofrem limitações e problemas de polarização que dificultam seu uso. os multiplicadores e divisores de tensão. entretanto.2: Símbolo do amplificador de transcondutância (OTA) Figura 4. circuitos moduladores e filtros. o LM13600 e o mais recente CA3280. Os OTAs práticos. Figura 4. Normalmente os problemas dizem respeito a não linearidades do par diferencial de entrada.3: Circuito interno do CA3080 As principais aplicações para este tipo de amplificador são o controle automático de ganho. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada circuito. Apesar disto este tipo de amplificador pode ser utilizado em praticamente todos os casos onde um operacional comum também é utilizado. não consiste em nenhuma vantagem pois as características do OTA não o auxiliam nestas tarefas mais comuns.onde Ag ou gm é o ganho do OTA. inclusive os listados. 2010/2 65 . K é uma constante que depende do modelo e IB é a corrente de polarização). sendo importante a inclusão de componentes que teoricamente não seriam necessários. Isto.

4. Sua função de transferência é dada pela equação 4. seu símbolo pode ser visto na Figura 4. 4. A saída entretanto continua sendo um sinal de tensão. 2010/2 66 .4: Símbolo de um amplificador Norton Figura 4. Circuitos com diodos e resistores são utilizados para expandir a linearidade dos componentes.4 e o circuito interno do LM3900 pode ser visto na Figura 4.entrada não são zero e. infelizmente.3 Amplificador Norton O amplificador Norton é um tipo especial de operacional que ao invés de amplificar a diferença entre duas tensões de entrada ele amplifica a diferença entre duas correntes de entrada. o par diferencial só tem comportamento linear para valores de tensão de alguns milivolts. V 0 = Ai −i −  ( 4.5.4 ) Figura 4.5: Circuito interno do LM3900 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada circuito. As chaves Ch2 e Ch4 são fechadas após Ch1 e Ch3 serem fechadas. Os amplificadores tipo Norton apresentam limitações práticas.Como exemplos de circuitos integrados destes componentes podemos citar o LM2900. os geradores de funções. principalmente no que diz respeito aos valores de corrente de entrada. o sinal em nível alto corresponde a chave fechada. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.6 mostra um esquema simplificado de um amplificador Chopper. e abertas antes que Ch1 e Ch3 sejam abertas.7 mostra a seqüência correta para o acionamento de cada uma destas chaves. Dentre as aplicações para estes componentes estão os filtros ativos. O amplificador Chopper pode introduzir um fator de redução de 50 vezes nestes drift. O amplificador Chopper utiliza técnicas de AC para desacoplar as baixas freqüências devido a VOS e IB. Assim. Neste diagrama. Figura 4. A Figura 4. as principais características do amplificador Chopper são o baixíssimo VOS a alta estabilidade térmica e o baixo ruído. as chaves Ch1 e Ch2 são fechadas quando Ch3 e Ch4 são abertas. o LM3900 e o LM359. 4. Estes amplificadores são estabilizados internamente por um sistema de chaves e integradores de erro porém seu uso fica limitado a sinais de baixa freqüência.6. amplificadores para fotodiodos. A Figura 4.. 2010/2 67 .6: Diagrama esquemático de um amplificador Chopper Na Figura 4.4 Amplificador Chopper Este tipo de amplificador foi desenvolvido a muito tempo (no fim dos anos 40 início dos anos 50). A melhora mais notável é com relação ao drift com a temperatura de VOS e IOS. e antes de ser um tipo de amplificador ele é mais uma técnica cujo objetivo é minimizar tensão e drift de offset.

onde é retirada a componente DC deste sinal. 2010/2 68 . a tensão de entrada é constante. Se uma senóide fosse amplificada por este tipo de amplificador iria produzir pulsos de amplitudes diferentes a cada recorte do sinal de entrada. devido aos erros de offset e drift. e após o filtro passa altas (VB). Nestes gráficos é apresentada uma onda de entrada constante (Vi).6 Na Figura 4. A informação presente no nó VB é amplificada pelo AO produzindo uma onda quadrada não centrada.8 vemos um diagrama de tempo dos sinais presentes no amplificador Chopper. drift e ruído de baixa freqüência são retirados após o filtro passa alta (VD). após o sinal ser recortado ganha a aparência de uma onda quadrada.Assim. O o ruído de alta freqüência (e o sinal de alta freqüência) é retirado pelo filtro passa baixa de saída. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.7: Seqüência de acionamento das chaves do amplificador Chopper da Figura 4. mas na saída obteríamos a mesma senóide de entrada. e portanto. o mesmo sinal após recortado pela chave Ch1 (VA). Os erros devido ao offset. Neste exemplo. somada ao ruído de alta e baixa freqüência (VC). Figura 4.. os transitórios causados pelo chaveamento não são integrados pelo filtro passa-baixas da saída (R4-C4).

na forma como apresentado.Figura 4. Esta isolação pode ser obtida por intermédio Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Exemplos de modernos amplificadores de auto zero são o AD8571. Novos amplificadores chamados de auto zero (CAZ) estão em produção.5 Amplificador Isolador Em muitos sistemas o ponto de medida deve ser isolado do restante do circuito amplificador. Nestes casos devemos utilizar técnicas de isolação entre a etapa de potência (e condicionamento de sinais) e a etapa de medição.8: Formas de onda dos nós do amplificador Chopper da Figura 4.6 Como exemplo de amplificador Chopper podemos citar o LMC668 com VOS < 5 µV e dV os dT =50 nV /°C . Estes amplificadores. incorporam controles automáticas de ganho para melhorar o desempenho do circuito estendendo sua aplicação as altas freqüências. Semelhantes ao Chopper. no tratamento AC do sinal. 2010/2 69 . 4. estão em desuso e sua produção tem sido descontinuada. o LM2652 e o LM2654 (estes últimos chamados de Chopper pelo fabricante).

de amplificadores isoladores.11 e 4. Exemplos de amplificadores isoladores são AD215 da Analog Devices. Existem três tipos básicos de isolação que podem ser conseguidas nestes circuitos: com transformadores. são capazes de garantir isolações entre 750V e 2500V aplicados continuamente e até 6000V por um curto espaço de tempo.10: Diagrama de blocos do AD215 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. uma para tensões continuamente aplicadas e outra a máxima tensão de isolação. com capacitores ou com opto acopladores. A primeira tensão é menor do que a segunda e ambas podem variar em função da freqüência e temperatura. Os fabricantes fornecem duas tensões de isolação. na quebra de laços de terra e na diminuição dos efeitos causados por elevadas tensões de modo comum. 2010/2 70 . A impedância de barreira situa-se em torno de 1012Ω. o IS0103. Os diagramas de blocos para estes amplificadores são apresentados nas figuras 4. e o ISO100 da Burr-Brown. Figura 4. Figura 4. entretanto. 4. A relação de ganho varia de amplificador para amplificador mas o símbolo é comum a todos e pode ser visto na Figura 4.10. Estes amplificadores.9: Símbolo do amplificador isolador As principais aplicações para este tipo de amplificador encontram-se na área médica.12 e respectivamente.9.

11: Diagrama de blocos do amplificador ISO103 Figura 4. 2010/2 71 . Muitas vezes estes circuitos são modelos híbridos ou Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.12: Diagrama de blocos do amplificador ISO100 Note que alguns destes amplificadores apresentam transformadores e portanto não são um simples circuito integrado.Figura 4.

normalmente.13 mostra a resposta em freqüência do buffer AD8074 (Analog Devices). Observe também que os amplificadores isoladores necessitam de fontes de alimentação independentes para “lado” do amplificador. inclusive. Isto significa. Figura 4. Por estas características de impedância este amplificador.12. Seu símbolo pode ser visto na Figura 4.13: Símbolo do buffer Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. dois terras diferentes e não conectados. com diferentes cargas capacitivas.6 buffer Este é um amplificador com características bastante interessantes em qualquer tipo de circuito.construídos como componentes discretos e encapsulados em um único invólucro. pois ele é capaz de fornecer uma isolação entre diferentes estágios de um condicionador de sinais. 2010/2 72 . possui elevado ganho de corrente e ganho unitário de tensão. A Figura 4. 4. Diferente do amplificador isolador este amplificador não fornece isolação galvânica mas uma elevada impedância de entrada (o que não carrega etapas anteriores de amplificação ou filtragem) e uma baixa impedância de saída (o que não afeta os estágios subseqüentes de amplificação).

14: Resposta em freqüência do buffer AD8074 com carga capacitiva 4.15. uma elevada rejeição a sinais de modo comum e um ganho diferencial ajustável (preferencialmente). funcionando de forma similar ao próprio AO. Figura 4. A configuração permite alterar o ganho do amplificador mas a impedância de entrada é baixa. 2010/2 73 .Figura 4.15: Amplificador diferencial básico Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. mantendo uma elevada impedância de entrada.7 Amplificadores de Instrumentação: Os amplificadores de instrumentação são circuitos que amplificam a diferença entre duas tensões. porém com ganhos menores. O amplificador subtrator (diferencial) básico é apresentados na Figura 4.

se a razão entre as resistências R 2 e R1 for exatamente igual a razão entre as resistências R 3 e R4.Por superposição: Para a entrada vcm e v2 R4 R  R1 ⋅ 2 R3 R4 R1 v O = v CM v 2  Para a entrada formada por vcm e v1 R2 ⋅ v v   R1 CM 1 v O =− Somando as duas equações. 2010/2 74 . R1 2 1 v 0= Observe que a influência de vcm é nula. Via de regra o CMRR de um circuito pode ser calculado como apresentado na equação 4.5 ) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. e após algum algebrismo v 0= [ R 1⋅R 4−R 2⋅R3 R2 R4 1 R2 / R1 ⋅v CM − ⋅v 1  ⋅ ⋅v R1⋅ R3 R 4   R1 R3 1R 4 / R 3 2 ] Se R2 R1 R3 R4 = então R2  v −v  .5. CMRR= Ad Acm CMRRcircuito= CMRRsubtrator⋅CMRRintrinceco CMRRsubtrator CMRR intrinceco ( 4.

Por esta razão é desejável uma topologia onde a impedância de entrada seja extremamente elevada.2 mostra como o CMRR do circuito pode mudar com relação a tolerância dos resistores.1 0. A construção integrada deste amplificador minimiza os erros entre as resistências e propicia um CMRR maior. sem comprometer a precisa relação entre as demais resistências.2: CMRR do subtrator em função da tolerância dos resistores Tolerância dos Resistores (%) Acm subtrator (ganho 1) CMRR subtrator (ganho 1) 5 0. 2010/2 75 .02 50 0.002 500 Obs.16: Amplificador diferencial com ganho selecionável com um único resistor Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.: CMRR = 500 = 53dB Observe que a própria impedância da fonte pode causar um desbalanço nos resistores e diminuir o CMRR da configuração. isto entretanto impede o ajuste do ganho.A Tabela 4.04 25 1 0.1 10 2 0. Tabela 4. O ganho desta configuração pode ser ajustado por apenas um resistor. Um segundo tipo de amplificador diferencial pode ser visto na Figura 4.16. Figura 4.

2010/2 76 .i1= e1 −v R1 v 1 =v−i 1⋅R 2 =v 1   R2 R2 −e 1 R1 R1 i2= e 2 −v R1 v 2 =v−i 2⋅R 2=v 1   R2 R2 −e 2 R1 R1 i3= v 1−e0 R2 Substituindo a expressão de v 1 na equação de i 3 temos i 3 =v  e e 1 1  − 1− 0 R 2 R1 R 1 R2  i 4= v2 R2 Substituindo a expressão de v 2 na equação de i 4 temos i 4=v  e 1 1  − 2 R2 R1 R1  Como i=i 1−i 3 então e 1 −v e e 1 1 −v   1 0 R1 R1 R 2 R1 R2 i=   Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

2010/2 77 . a terceira expressão para i é: i= e1 −e 2  e 1  0 R1 2R 2 Como v 1−v 2 R i= i= V 1 [  R2 R R R 1 −e 1 2 −v 1 2 e 2 2 R1 R1 R1 R1 R   ] Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.primeira equação para i : i= e0 e 2 1 2 1 −  ⋅v R2 R1 R1 R2   Como i=i 4−i 2 então i=v  e 2 e 2−v 1 1  − − R1 R2 R1 R1  segunda expressão para i : i=−2 e2 2 1   v R1 R1 R2   então a expressão  e2 2 1  v=i2 R1 R2 R1  pode ser substituída na primeira expressão para i e0 e 2 1 2 1 −  ⋅v R2 R1 R1 R2 i=   assim.

17: v 1 =i 3⋅R2=  e1 v eO −  −i ⋅R2 R1 R 1 R2 e2 R1 v i ⋅R2 R1  v 2 =i 4⋅R2=  −  i= v 1 −v 2 R e2 v 1 e1 v e 0 i= ⋅ −  −i−  −i ⋅R 2 R R1 R1 R 2 R1 R1   Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 78 . Uma outra solução pode ser obtida redesenhando o circuito conforme indicado na Figura 4.quarta expressão para i : i= e 2−e1  R2 R1⋅R Combinando a terceira e a quarta expressão para i temos e0 R2 1  = e 2 −e 1  R1 2R 2 R1⋅R  e1 −e 2  logo e 0 =2R 2 [ R2 1   e 2−e1  R1⋅R R1 ] rearranjando os termos da equação temos 2R 2 R2 R1 R e 0= [ ] 1  e 2 −e 1  ou seja o ganho do amplificador pode ser controlado por um única resistência.

i= R2 e 1 e 2 e0 ⋅ −  −2⋅i R R1 R1 R2 R2 e R1 0 2⋅R2 R    e1 −e 2 ⋅ i= Figura 4.16 Reescrevendo novamente as equações v 1 =v−i 1⋅R 2=v−   e1 v − ⋅R2 R1 R 1 e2 R1 v ⋅R 2 R1  v 2 =v−i 2⋅R2 =v− −  i= v 1 −v 2 R e1 v e2 v 1 i= ⋅ v− − ⋅R 2 −v − ⋅R 2 R R1 R1 R1 R1 [    ] 79 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 .17: Modelo do amplificador da Figura 4.

o potencial na entrada negativa do AO de baixo é zero. é apresentado na Figura 4. 2010/2 80 .i= R2 ⋅ e −e  R⋅R1 2 1 igualando as duas correntes i R2 e R1 0 R = 2 ⋅ e 2 −e 1  2⋅R 2 R R⋅R 1 R2 R2 ⋅ 2⋅R2 R   ⋅ e 2 −e1  R⋅R1 R1  e 1−e 2 ⋅ e 0= [ ] e 0= 2⋅R 2 R2 ⋅ 1 ⋅ e 2−e1  R1 R   Nesta configuração ainda existe o problema da baixa impedância de entrada. logo Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. e que resolve todos os problemas apresentados pelas outras configurações.18. Figura 4.18: Amplificador de instrumentação com três operacionais O circuito pode ser resolvido por superposição: Supondo v2 aterrada. O circuito clássico para amplificador de instrumentação.

logo RR3 R R3 R v O2 =v 2⋅ v O1=−v 2⋅ Como a saída do segundo estágio já foi calculada anteriormente e vale R2  v −v  R1 2 1 v 0= então R 2 R2⋅R3 ⋅ ⋅ v 2−v 1 R1 R R2 R1 vO = v 0=  1 2R 3 R   e 2 −e 1  Esta topologia apresenta alta rejeição a tensões de modo comum (se os R3 são diferentes. Nesta configuração o primeiro estágio é responsável pelo ganho e o segundo estágio é responsável pelo CMRR e para que este valor seja elevado o amplificador de instrumentação é comercializado em um único integrado. Além disto se o amplificador tiver ganho unitário. impedância de entrada (diferencial e de modo comum) elevada em ambas as entradas.v O1=v 1⋅ RR3 R R3 R v O2=−v 1⋅ Supondo v1 aterrada. ganho ajustável apenas com um resistor. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. somente o offset dos amplificadores de entrada vão ser significativos na determinação do offset de saída. o potencial na entrada negativa do AO de cima é zero. Se os amplificadores de entrada forem iguais o drift na saída do amplificador fica reduzido. 2010/2 81 . ganho elevado. há um erro no ganho mas não no CMRR).

Um exemplo clássico de amplificador de instrumentação integrado é o AD522.7. 2010/2 82 . v 0= [ R 1⋅R 4−R 2⋅R3 R2 R4 1 R2 / R1 ⋅v CM − ⋅v 1  ⋅ ⋅v R1⋅ R3 R 4   R1 R3 1R 4 / R 3 2 ] v 0= 101⋅R1⋅R3 −100⋅R1⋅R3 1100 ⋅v CM −100⋅v 1101⋅ ⋅v R1⋅ R3 101⋅R3   1101 2 1 ⋅v −100⋅v 1 100 . 4. mas este valor costuma decair com a freqüência.0098⋅v 2 102 CM v 0= observe que este erro resulta em CMRR= Ad 100 = =10200≈80 dB ACM 1/102 2) Calcular a função de transferência da topologia abaixo Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.O CMRR do circuito pode ser calculado como CMRR=CMRR 1 estagio⋅CMRR subtrator o Circuitos integrados com amplificadores de instrumentação alcançam CMRR maiores do que 100 dB ( CMRR > 10 5).1 Exemplos 1) Calcular o CMRR para um amplificador diferencial cujas relações de resistências são: R2=100·R1. e R4=101·R3.

então RK RG v G =− ⋅v O O problema pode ser resolvido por superposição: com a entrada v 2 aterrada. 2010/2 83 .Considerando que a tensão na saída do amplificador de realimentação é v G . então v1 v =− G R R substituido a equação de v G temos RK ⋅v RG O R v1 =− R logo − v O= RG ⋅v RK 1 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. e v + deve ser zero. a corrente pelos dois resistores da entrada positiva de A1 devem ser iguais.

Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. o potencial em v – é metade do valor de v 2 . mas a impedância de entrada fica diminuída.8 Exercícios 1) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada gm –1. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. e v + é metade da tensão v G RK ⋅v RG O 2 v2 2 = vG 2 − = então RG RK v O=− v2 logo RG  v −v  RK 1 2 v O= O ganho é diretamente proporcional à RG. 4. 2010/2 84 .com a entrada v 1 aterrada. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2) Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada (gm1·gm2·ZL) –1.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.3) Mostrar que os circuitos abaixo correspondem a dois amplificadores diferenciais e um somador (de diferenças de tensão). 2010/2 85 .

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 86 . enquanto que o sinal v1 passa apenas por U2).3) Mostrar que o circuito abaixo é um amplificador diferencial se R1/R2 = R4/R3 v O =v 2 – v 1⋅ 1  R4 2⋅R 4  R3 RG R4 R3  v O =v 2 – v 1⋅ 1   (sem o resistor RG) As desvantagens deste amplificador sobre aquele com três AOs é que um dos amplificadores esta trabalhando com ganho menor do que 1 o tempo de propagação do sinal no circuito é diferente para as duas entradas (o sinal v2 passa por U1 e U2 antes de chegar na saída.

Estas resistências variáveis irão produzir uma tensão de saída que depende da variação desta resistência com a grandeza que se deseja medir.1 Ponte de resistores alimentada com fonte de tensão A Figura 5. Eventualmente este amplificador deve ser responsável por linearizar ou filtrar o sinal captado da ponte. 5.1: Ponte de resistores alimentada por tensão Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Os sensores são colocados nos braços da ponte. Figura 5.1). Nos braços da ponte são colocadas resistências fixas e variáveis (os sensores). Isto provoca um desequilíbrio nas tensões da ponte que pode ser detectado por um amplificador. 2010/2 87 .1. Na ponte. uma ou mais impedâncias mudam seu valor proporcionalmente a grandeza que se deseja medir.5 Circuitos Especiais 5.1 Circuitos de medida em ponte Em instrumentação é comum encontrar sensores (transdutores) interconectados em um circuito comumente designado de “ponte” (Figura 5. A equação 5.1 relaciona as variações de tensão de saída da ponte com as variações de resistência dos elementos sensores.1 mostra uma ponte de resistores alimentada com fonte de tensão constante. que pode ser alimentada com fonte de tensão ou corrente.

1. e R2 = R4 = R + ∆R.1 obtemos v O =Av⋅Vcc⋅  R R R − 2⋅R R R R  88 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.1.2 ) Como podemos observar pela equação 5. e R4 = R + ∆R. 5. Normalmente é feita uma aproximação para o caso onde ∆R é muito menor do que R.1 obtemos v O =Av⋅Vcc  1 R − 2 2⋅R R  2⋅R R−2⋅R v O =Av⋅Vcc⋅ 4⋅R2⋅ R  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 4 1 R/ 2R   ( 5.1 ) onde Av é o ganho do amplificador e Vcc é o valor da fonte de alimentação. Substituindo estes valores na equação 5.1 Ponte com um transdutor Supondo que R1 = R2 = R3 = R.2 Ponte com um transdutor por braço Supondo que R1 = R3 = R. 2010/2 . Substituindo estes valores na equação 5. A solução do problema para o caso aproximado é Vcc  R v O =Av⋅ ⋅ 4 R   5.1.1.2. a relação entre a tensão de saída e a variação da resistência da ponte não é linear.v O =Av⋅Vcc⋅  R2 R3 − R1 R2 R 3R 4  ( 5.

4 Ponte com quatro transdutores Supondo R1 = R3 = R . e R2 = R4 = R + ∆R.v O =Av⋅Vcc⋅  R 2⋅R R   ( 5.4 )  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 2 1−  R/2R 2   Que é muito melhor que o anterior. 5. Substituindo estes valores na equação 5.1.1. porém não apresenta relação linear entre as variações de resistência e tensão.3 )  R/ R Vcc v O =Av⋅ ⋅ 2 1 R/ 2R  E mais uma vez. R2 = R + ∆R. e R3 = R – ∆R. Substituindo estes valores na equação 5.3 Ponte com dois transdutores em um braço Supondo R1 = R4 = R. 5.5 ) R v O =Av⋅Vcc⋅ R Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 89 . não há relação linear entre a variação das resistências da ponte e a tensão de saída do amplificador.1 obtemos v O =Av⋅Vcc⋅  R R R− R − 2⋅R 2⋅R  ( 5.∆R.1.1 obtemos v O =Av⋅Vcc  R R R− R − 2⋅R R 2⋅R− R  ( 5.1.

2.1 Ponte com um transdutor Supondo R1 = R2 = R3 = R. Substituindo estes valores na equação 5.Que.6: R3 R4 R1 R 2 v O =Av⋅I⋅ R2⋅ −R3⋅ R 1R 2R 3R 4 R1 R2 R3 R 4   ( 5. Figura 5.6 obtemos Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 90 .2. resulta em uma relação verdadeiramente linear entre variação de resistência e tensão. 5.6 ) onde Av é o ganho do amplificador e I é o valor da fonte de alimentação.1. 5. como pode ser visto pela Figura 5. Afora a diferença na fonte de alimentação o circuito permanece o mesmo.1.2: Ponte de resistores alimentada por corrente Para este circuito a tensão de saída é dada pela equação 5. finalmente.2 Ponte alimentada com fonte de corrente Uma alternativa para o uso de pontes de resistores é a alimentação com fonte de corrente. e R4 = R + ∆R.

e R2 = R4 = R + ∆R.3. 2010/2 91 .2 Ponte com dois transdutores no mesmo braço Supondo R1 = R3 = R.8 ) I v O =Av⋅ ⋅ R 2 E desta vez percebemos que a relação entre a variação das resistências dos sensores e a variação da tensão de saída já é linear mesmo com apenas dois sensores. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Substituindo estes valores na equação 5.1.2.7 ) R I v O =Av⋅ ⋅ 4 1 R/ 4 R   Esta relação entre variação de resistência e tensão também não é linear mas se aproximarmos a solução para o caso onde ∆R é muito menor do que R.6 obtemos  2⋅R R  2⋅R R  v O =Av⋅I⋅  R R ⋅ −R 4⋅R2⋅ R 4⋅R2⋅ R   v O =Av⋅I⋅   R R− R⋅ 2⋅R R  4⋅R2⋅ R  ( 5. pode ser implementado na prática como mostrado na Figura 5.v O =Av⋅I  2⋅R R 2⋅R − 4⋅R R 4⋅R− R  ( 5. alimentada com fonte de corrente. Este circuito de ponte. 5. então teremos I v O =Av⋅ ⋅  R  4 A sensibilidade da ponte com um elemento sensor alimentada por corrente é maior do que para a ponte alimentada por tensão.

3 Outras implementações lineares Os AOs podem ser utilizados nos circuitos em ponte para minimizar a necessidade de elementos sensores necessários para se obter uma relação linear entre variação de resistência e tensão de saída.5.3: Ponte de resistores alimentado com fonte de corrente Neste circuito prático.1. Dois exemplos destes circuitos são mostrados nas figuras 5.Figura 5. 2010/2 92 . a corrente que através de RI corresponde ao valor da fonte de corrente V REF RI I= 5.4 5. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Um segundo AO pode ser adicionado na saída do circuito. 2010/2 93 .4: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R3.5: Circuito em ponte com saída proporcional a variação de R1 Se R6 = Av⋅R 5 Vcc  R então v O =Av⋅ ⋅ 4 R 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Figura 5. Todas as resistências iguais. Vcc ⋅ R R v 0= Figura 5.

2 Reforço de corrente com saída simétrica Uma alternativa. é o circuito de saída simétrica mostrado na Figura 5.7. o transistor foi colocado dentro do elo de realimentação. isto faz com que o AO compense a queda de tensão entre base e emissor do transistor. obviamente. Note que neste circuito. Figura 5.2. normalmente utilizados para aplicações em áudio.5. não permite variações na tensão positiva e negativamente. 5. Para passar por cima destes problemas podemos comprar amplificadores operacionais de potência.6: Reforço de corrente assimétrico Este circuito apresenta a vantagem de trabalhar com correntes elevadas de saída (está configurado em coletor comum) mas possui em contra partida o inconveniente de ter sua saída assimétrica. A capacidade de fornecer ou absorver corrente passa a ser um fator muito importante e muitas vezes encarece o projeto final.2 Reforço de corrente Muitas vezes necessita-se de um amplificador operacional capaz de trabalhar com circuitos potentes.2. ou utilizar circuitos transistorizados nas etapas finais de amplificação.6 mostra como podemos suprir correntes elevadas utilizando um único transistor na saída do amplificador operacional. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 94 .1 Reforço de corrente com saída assimétrica O circuito mostrado na Figura 5. 5. ou seja.

o operacional fica sem realimentação. possui uma grande desvantagem: ele distorce a onda de saída do operacional nos pontos de tensão baixa. porém.7: Reforço de corrente com saída simétrica Este circuito. que é a saída simétrica. Na Figura 5. fechando a malha de realimentação. Observe que o a saída do AO compensa a queda de tensão sobre VBE dos transistores.Figura 5.8 são apresentadas as formas na saída do AO e na saída do circuito de reforço de corrente simétrico com cross over. Esta distorção é conhecida como cross over. 2010/2 95 . Neste caso a saída do operacional se eleva em 0.7 para fazer com que um dos transistores conduza. possui uma grande vantagem com relação ao anterior. tensão de saída é nula. onde os transistores não estão polarizados. Quando os transistores não estão polarizados. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

O circuito com estas correções é mostrado na Figura 5. Para solucionar o problema basta fazer uma pré polarização dos transistores com resistores e diodos. há um atraso de Δt = ΔV 1. com SR=0. o que garante um elevado ganho de corrente. Num 741.Figura 5. Isto aumenta a distorção harmônica do sinal de saída. por exemplo. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.5V/µs.8µs.4 V = SR 0.8: Simulação de reforço de corrente simétrico com cross over O problema do cross over é que a saída do operacional não pode acompanhar instantaneamente o degrau de tensão que ocorre próximo do zero volts devido ao limitado slew-rate do operacional.5 ∆t=2. Note que da mesma forma que no circuito mostrado na Figura 5.7 os dois transistores desta configuração de saída simétrica estão em coletor comum. Além disso a máxima tensão de saída fica diminuída. 2010/2 96 .9.

3.10.Figura 5. 2010/2 97 .1 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela saída do operacional Um circuito simples que propicia um aumento na tensão de saída. utilizando o AO como um pré amplificador é mostrado na Figura 5. 5. Normalmente os AOs são alimentados com tensões da ordem de 12 a 15V e estes reforços de tensão são projetados para ampliar estes limites para valores além de 100V. Quando se fala em tensão elevada de saída.3 Reforço de Tensão: Algumas vezes o acionamento de circuitos não depende apenas de uma corrente elevada mas também de uma tensão elevada na saída. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Esta é uma característica que também requer AO especiais ou um circuito adicional com transistores. estamos falando de tensões maiores que as tensões de alimentação do AO.9: Reforço de corrente simétrico com pré polarização dos transistores saída 5.

são diferentes das tensões utilizadas para a alimentação do AO. As tensões de alimentação dos transistores. ±Vcc. 2010/2 98 .3. consiste em ligar elementos sensores de corrente na alimentação do Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Neste circuito. fornecendo sinal para um estágio reforçador de corrente em saída simétrica. convém notar que há dois transistores ligados em emissor comum (para evitar um defasamento entre o sinal de saída do operacional e o sinal de saída do circuito). Observe que o ganho global do amplificador continua sendo determinado pela malha de realimentação externa. Figura 5. usando AOs.10: Circuito de reforço de tensão 5.2 Reforço de tensão com etapa de saída alimentada pela alimentação do operacional Outra técnica muito utilizada para propiciar amplificadores com elevada tensão de saída.

operacional. Com isto é possível saber quando está sendo exigido mais corrente na saída do AO e.11: Reforço de tensão com utilização da corrente de alimentação do AO Para o projeto deste circuito é importante alimentar corretamente o amplificador operacional de forma que R4 −0.7 R3 R4 V CCOperacional =V CC⋅ e Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Figura 5. 2010/2 99 . encontram-se em base comum ao passo que os demais transistores estão em emissor comum.11 mostra um amplificador deste tipo. O circuito da Figura 5. tensões de saída mais elevadas. A corrente de alimentação é usada para polarizar o circuito interno do AO e para alimentar a carga ligada ao operacional. se a carga for constante. Os transistores ligados diretamente a alimentação do operacional.

12 mostra um exemplo de proteção sendo empregada no estágio de saída de um reforço de corrente em saída simétrica. variação de temperatura. porém as etapas discretas do projeto passam a não ter nenhum tipo de proteção. De todos estes problemas o que pode trazer piores conseqüências são aqueles oriundos de sobre correntes. e uma série de características que são inerentes ao AO e que agora não estão sendo utilizadas. O AO utilizado como acionador para estes circuitos continua com toda a sua proteção e qualidades garantidas e funcionando. sobre corrente. O circuito mostrado na Figura 5. Isto pode ser utilizado para minimizar os efeitos do slew-rate do AO diminuindo a variação de tensão sobre RL'.4 Proteção contra sobre . Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. pois trata-se um circuito discreto. 5. 2010/2 100 .6 V onde IS é a corrente de alimentação do AO (descontada a corrente que passa por RL'). perde-se a capacidade de manter o circuito imune a curto circuito.corrente: Nestes circuitos onde são inseridos amplificadores a base de transistores.I S⋅R5=0. Uma característica interessante deste circuito é que a saída do operacional não esta conectada ao amplificador transistorizado. Isto porém é facilmente contornado com pequenos circuitos de proteção. similares aqueles utilizados em fontes de alimentação.

devem ser calculados de tal forma que disparem os transistores Q3 e Q4 respectivamente quando a corrente de saída estiver além do limite permitido.7 V I OMáx Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Figura 5. assim R5 = 0. 2010/2 101 . ligado em série com a saída do amplificador.12: Reforçador de corrente com proteção contra curto circuito Os resistores R5 e R6.

digital.1.1 Símbolo O símbolo mais comumente utilizado para representar um comparador é apresentado na Figura 6. Normalmente os comparadores possuem ganho menor que o do amplificador operacional e a sua linearidade não é garantida.1: Símbolo do comparador 6. eles não são feitos para funcionar como amplificador. Os comparadores são construídos especialmente para realizar esta função gerando em sua saída um sinal com características digitais. e ser tratado da mesma forma. A saída do comparador é. A principio. drift. Eles não possuem compensação de freqüência. os comparadores possuem uma série de características práticas que visam a melhora no desempenho do AO como comparador. Os comparadores não possuem compensação Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. muitos dos circuitos internos presentes nos AOs são retirados para baratear o custo de produção. 6. este procedimento não afetaria o desempenho do comparador. Figura 6. para cálculo. mas o impede de funcionar como um bom amplificador operacional.2 Características Apesar de possuir o mesmo símbolo do amplificador operacional. ruído. 2010/2 102 . não apresentam boas características de offset.6 COMPARADORES Comparadores são usados para discriminar se um determinado sinal analógico é maior ou menor que um sinal de referência. enfim. Eles podem ser construídos com AOs ou com integrados específicos conhecidos como comparadores de tensão. Em contrapartida. portanto.

Os projetistas. ou seja. Nos circuitos comparadores. a entrada pode chegar até a tensão de alimentação. 2010/2 103 .em freqüência. A corrente de polarização IB é menos preocupante que no amplificador operacional. pode assumir valores bem maiores. Quando um comparador está funcionando em malha aberta ou com realimentação positiva. o que permite que seja calculado o resistor de pull-up de acordo com as características do circuito que se deseja montar (velocidade. Isto permite compatibilizar a saída do comparador com circuitos digitais TTL. normalmente não se utiliza realimentação negativa. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.. entretanto implementam melhoras na características de slew-rate e de settling time. o circuito de proteção apresentado na Figura 6. Figura 6. Para evitar problemas por excesso de tensão diferencial.). Algumas vezes isto é conseguido em circuitos mistos onde a realimentação negativa só é obtida a partir de um determinado valor de tensão na saída do comparador. podendo se tornar instáveis se usados como amplificador. como no caso do LM311 que possui estágio de entrada alimentado com ±15V e saída alimentada por +5V. facilitando a interface entre circuitos analógicos e digitais. capacidade de fornecer corrente. a sua saída sempre estará em ±Vcc.2: Circuito de proteção contra excessiva tensão diferencial Alguns comparadores possuem tensões de alimentação diferentes para as etapas de entrada e saída. entretanto. A única forma de evitar que a tensão de saída em um circuito comparador não seja ±Vcc é estabelecer uma malha de realimentação negativa que leve o comparador para a região linear. Esta característica torna a máxima tensão diferencial de entrada (V d) um parâmetro importante no projeto. consumo. Em alguns comparadores..2 pode ser adotado. Sua saída muitas vezes se apresenta em coletor aberto (open collector).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Repare nas diferenças elevadas entre os valores encontrados para cada um dos componentes.5 16000 1. 2010/2 104 .5 LM339 200 25 2 60 1300 2 LM311 200 100 2 150 200 7.Figura 6.6 40 LM361 3 10000 1 14 25 MAX9685 10000 5 1.3: Alimentações do LM311 A Tabela 6.5 LM319 40 250 2 80 80 12.3 - Is é corrente de alimentação.1 mostra uma comparação entre as características de amplificadores operacionais e de circuitos comparadores de tesão.1: Comparação entre características de AOs e comparadores 741 Av (V/mV) IB (mA) VOS (mV) SR (V/µs) ST (ns) IS (mA) 200 80 2 0.5 LM710 1. Tabela 6.

desloca-se para a direita ou esquerda de acordo com a tensão aplicada.4.5.3 Configurações Típicas 6. Observe que. 2010/2 105 . se Ad=80dB (10.6. Conforme pode ser visto na Figura 6. Note que para representar o funcionamento do circuito é utilizado um gráfico onde é desenha a saída em função da entrada. como o slew-rate do comparador não é infinito. IB e Ad finito. O gráfico da Figura 6. Este tipo de comparador pode ser utilizado para detectar a passagem de um sinal por qualquer valor de tensão basta alterar a fonte usada para a comparação. Se este circuito estiver sendo implementado com um AO também devemos tomar cuidado com os seguintes problemas: VOS.3. Figura 6. Desta forma. Se a derivada da tensão de entrada diminuir o comportamento do comparador se aproxima do ideal.4 consiste de um comparador em malha aberta.1 Detetor por cruzamento de zero A configuração mais simples de um comparador consiste em utilizar uma tensão de comparação em uma de suas entradas e a tensão a ser comparada na outra. portanto funcionando em função do elevado ganho do integrado.000) Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. apresentado na Figura 6. representa uma simulação com uma entrada senoidal de freqüência igual a 10Hz no circuito comparador de tensão do tipo detetor de passagem por zero.5. Por exemplo. a curva real apresenta atrasos para que a saída do comparador troque. Isto pode ser um problema quando se trabalha com freqüências elevadas.4: Comparador simples O circuito da Figura 6. Nestes casos o gráfico de saída. uma pequena diferença de tensão entre as entradas já é suficiente para saturar o comparador com a tensão positiva ou negativa de alimentação.

Figura 6. Como se este fator complicador da análise não fosse suficiente. Nestes casos.5mV. 2010/2 106 .3. o comparador passa a ter realimentação negativa em algumas situações. a realimentação normalmente não é implementada com componentes lineares tendo sua parcela modificada como uma chave (existe ou não existe realimentação) e/ou progressivamente de forma a manter constante certos parâmetros (como se fosse um regulador de tensão).2 Limitação de Vo Outras aplicações para os comparadores consistem em circuitos de limitação da tensão de saída.então para obtermos Vo=+15V precisamos de uma tensão diferencial na entrada do AO de no mínimo 1.5: Simulação com zero volts 6.4. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. um pouco mais complexos que o anterior. Este é o caso típico do circuito mostrado na figura 6.

7: Simulação: Vz=4. 2010/2 107 . Ora. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. sempre que o zener estiver conduzindo mudará sua resistência interna para que a tensão sobre ele fique constante (polarizado direta ou reversamente). Como a tensão na entrada positiva é zero. Isto faz com que a tensão na entrada negativa fique igual a tensão na entrada positiva (realimentação negativa).Figura 6.7V. R2=1k Como podemos ver.6: Comparador com limitador de amplitude Figura 6. este circuito é um detector de passagem por zero (a fonte ligada na entrada não inversora é zero) com uma realimentação negativa formada por um diodo zener. então a tensão de saída corresponde a tensão sobre o zener.

Esta topologia esta mostrada na figura 6.7V. O detector de nível com limitação de tensão não pode ser implementado modificandose a fonte do comparador por zero.5 Figura 6.9: Simulação: Vz=4. Uma alternativa para este circuito passa a ser a implantação de um somador com resistores na entrada negativa. Vref=2V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Isto iria modificar a tensão de saída.6. Desta forma conseguimos mudar o valor da tensão de comparação sem alterar a tensão da saída.3.8: Comparador de nível com limitador de saída Figura 6. 2010/2 108 .3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída. R2=R3=1k. pois se isto fosse feito perderíamos a referência de tensão sobre a entrada positiva.

então a saída será a tensão de alimentação positiva. Então se um comparador deve fornecer um valor positivo de tensão de saída. isto se deve justamente ao fato da saída de cada comparador estar a coletor aberto. isto só ocorre através do resistor externo (o transistor de saída do comparador está cortado). a tensão de comparação se deve não apenas a uma tensão mas a um somatório de tensões. requerem um resistor de “pull-up” na saída que excursiona de +Vcc a -Vcc. Um exemplo bastante interessante do uso de comparadores com saída em coletor aberto é mostrado na figura 6. Note que a saída de ambos os comparadores são ligadas a um só ponto.3.Este detector funciona basicamente como o anterior (item 6. 2010/2 109 . o comparador só pode fornecer a tensão de alimentação negativa pois não possui o circuito que o liga com alimentação positiva. O resultado deste somatório é que irá mudar a saída do comparador. Aqui pode ser visto um comparador em janela ou seja um comparador que cria uma janela de tensão onde a saída do comparador assume um determinado valor.6. O outro comparador pode estar com sua saída em nível baixo que não haverá problemas de curto circuito por causa do resistor externo que limita a corrente pelo comparador. agora.2) porém. Se a entrada estiver entre estes dois níveis lógicos. a comparação não é feita com apenas um nível lógico mas com dois. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Como podemos ver esta configuração com as saídas dos comparadores ligadas juntas funciona como uma porta lógica OR e por tanto esta configuração é conhecida como “WIRED OR”. Portanto.4 Comparador de janela e a sua saída muitas vezes é um transistor com coletor em aberto. Com este tipo de saída.3. Agora. 6. Isto deve ser feito externamente.

O circuito é apresentado na Figura 6.6: Comparador em janela e um gráfico demonstrando seu funcionamento.11. 6.5 Comparador de Declividade: Aqui pode ser visto um circuito bem interessante com comparadores. o comparador de declividade não compara níveis de tensão mas sim a derivada do sinal de entrada ou seja a sua declividade.Figura 6. 2010/2 110 .3.10: Comparador de janela Figura 6. Diferente dos demais circuitos vistos até agora. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

neste caso a tensão de saída é aproximadamente igual 0. i2 =C i R dt i1= O circuito é um comparador quando não há corrente polarizando o zener i1 = i2 V REF R dV i dt dV i dt =C = V REF RC Se a corrente i2 > i1 o diodo zener está polarizado diretamente. Este circuito pode ser utilizado como o trigger em um osciloscópio.11: Comparador de declividade Sendo i1 e i2 definidas como: V REF dv .Figura 6.7V. 2010/2 111 . Se i 2 < i1 então o zener está polarizado reversamente e a tensão de saída corresponde a tensão de zener. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.

Figura 6.12 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Freq=1000. Vref=2V.7V.12: Simulação com Vz=4. Figura 6. C=47nF.13: Resultado da simulação mostrado na Figura 6. 2010/2 112 . R2=1k.

Se um sinal vencer este nível mais baixo de comparação. 2010/2 113 . Normalmente este comportamento de histerese é mostrado com um gráfico que relaciona tensão de saída com tensão de entrada do comparador. mostrado no início deste capítulo. Figura 6. Quando o nível mais baixo do limiar de comparação está ativo o nível mais alto esta desligado. onde o ruído existente sobre o sinal não consegue afetar a saída do comparador. ou comparador simples. então o nível de comparação é modificado para o nível mais alto.6. Ela cria uma região ao redor do ponto de comparação.14: Simulação: R1=3·R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. A histerese nada mais é do que a mudança automática do nível de comparação logo após uma comparação bem sucedida. Na verdade são criados dois níveis de comparação modificados comutados entre si automáticamente para que o ruído não interfira na comparação.6 Comparador com Histerese O detector de passagem por zero. Para evitar este tipo de problema foram criados os circuitos comparadores com histerese.14. Isto ocorre porque o ruído adicionado ao sinal faz com que o comparador seja acionado várias vezes. como o gráfico da Figura 6.3. pode oscilar quando o sinal está próximo do nível de comparação.

2010/2 114 .15: Comparador com histerese Figura 6. Para que o nível de comparação seja alterado automaticamente ele é escolhido em função da tensão de saída. Figura 6. Para o circuito apresentado os níveis de comparação são Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. A Figura 6. e v(o2) é a saída do comparador simples.O detector de passagem por zero.16: Simulação com ruído: v(o1) é a saída do comparador com histerese com R1=3·R2. agora imune a ruído. mas com muito menos problemas de ruído.16.15 mostra o circuito de um comparador com histerese cujo comportamento pode ser visto na Figura 6. fornece informação de com uma pequena defasagem com relação ao sinal real.

7 Comparador com histerese e limitador: O comparador com histerese e limitação de tensão é uma mistura dos circuitos dos anteriores e pode ser visto na Figura 6. R1=3·R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.3.R2 R2 P 1=Vcc⋅ .17: Comparador com histerese e limitador Figura 6. 2010/2 115 .18. Vref=2V. e P 2=−Vcc⋅  R1R2   R1 R2  6. Figura 6. Seu comportamento é apresentado na Figura 6. R=1k.18: Simulação: Vz=4.17.7V.

a saída não se modifica porque a resistência de realimentação muda para manter a tensão de saída constante. Quando o zener conduz no sentido direto: V Z =0.7 VZ R1 i 1=− v O1= R1R2 ⋅i 1 R1 R2 ⋅0. e do AO estar na região linear. Apesar de ser realimentação negativa.Se o zener estiver conduzindo a tensão do zener está sobre o resistor R 1 (existe realimentação negativa) e o valor da entrada positiva é igual ao valor da entrada negativa. v –=V REF  R ⋅ v −V REF  2⋅R i v –= V REF v i  2 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 116 .7 R1 v O1=− Quando o zener conduz no sentido inverso: V Z =V Z VZ R1 i 1=− v O2= R1R2 ⋅i 1 R1 R2 ⋅V Z R1 v O2=− Os patamares de comparação podem ser estimados calculando a tensão nas entradas negativa e positiva do AO.

a tensão de saída pode apresentar dois valores. Para calcular cada uma destas tensões de comparação.7⋅ Quando o zener conduz no sentido direto v =v + – R2 R R2 V v ⋅ 1 ⋅V Z = REF  i R1R2 R1 2 2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.e v += R2 v R1 R2 O onde R1 R2 ⋅0. igualamos a tensão na entrada negativa e positiva do comparador. 2010/2 117 . há duas tensões de comparação diferentes.7 R1 v O1=− v O2 = R1 R 2 ⋅V Z R1 Como podemos ver. Quando o zener conduz no sentido direto v =v + – R2 R R 2 V v ⋅– 1 ⋅0. [tensão de comparação baixa] R1 − v i=−2⋅0.7⋅2=V REF v i R1R 2 R2 −V REF . um quando o zener esta polarizado diretamente e outro quando o zener esta polarizado reversamente e.7= REF  i R1R2 R1 2 2 R2 ⋅0. portanto.

vi entre ±15V. Considere o AO ideal. Se vi é muito negativo então vo é positivo e diodo conduz. Neste caso temos dois tipos de realimentação ocorrendo ao mesmo tempo: realimentação negativa (RN) e realimentação positiva (RP). Analisando os ganhos da malha de realimentação (capítulo 3). [tensão de comparação alta] R1 Note que VREF desloca a curva de histerese para direita ou esquerda. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos.5 K e para RP Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.R 2⋅ 2⋅V Z =V REF v i R1 R v i=2⋅ 2⋅V Z −V REF . vo entre ±15V. 2010/2 118 . temos para RN  RN = 10 K 10 K 1. 6.4 Problemas resolvidos 1) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entrada para o circuito abaixo. VD=0.6V.

Nesta condição o circuito comporta-se como um comparador com histerese.  RN = 10 K 10 K 1.6 ⋅ =13.5 K 10 K 10 K0. v O =E OMáx A tensão de quebra ocorre quando v =v + – v += v O−V D ⋅ 10 K =15−0. 2010/2 119 .3 K  RP = Como βRN > βRP a realimentação negativa predomina sobre a positiva. RP = 10 K 10 K0. 47 K 3. Neste caso também temos dois tipos de realimentação e temos que estudar cada caso para determinar o comportamento do circuito. portanto v +=v – Cálculo de ganho Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.75V R 3R 4 10 K0. Neste caso o circuito funciona como um amplificador.17 K Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante sobre a realimentação negativa.47 K R3 v – =v += v i R 2vO R1 R1R 2 v i =V H = v −v O⋅  + R1 R1 R2  ⋅ R1 R2 R2 =+5.44 V Se vi é muito positivo então vo é negativo e o diodo esta cortado.

v +=v O⋅

R3 R 3R 4 R5

v –=

v i⋅R2 v O⋅R1 R1 R2

v +=v –

vO

[

R3 R1 R2 − =v i R 3R 4 R5 R1 R2 R1 R2

]

vO vi

=−0,91

Cálculo do ponto de quebra (quando diodo entra em condução) Início da condução do diodo:
V D=0,6V , I D=0

V D=

R5 ⋅v R3 R 4 R5 O

logo
10 K 0, 47 K 3,3 K v O =0,6⋅ =2, 504 V 3,3 K

Como vO =−2, 751V −0, 91

vi=

Então v i =−2, 751V

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

120

e v O =2, 504V

2) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal, vi entre ±15V, vo entre ±15V, VD=0,7V.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

121

Neste circuito há dois laços de realimentação. Um negativo e outro positivo. Dependendo do tipo de realimentação predominante o circuito se comporta como comparador ou amplificador. Quando o diodo está cortado só há realimentação negativa e o circuito se comporta como amplificador não inversor. Quando o diodo está conduzindo temos R1 R1 R2
R3 R3 R4

 RP =

 RN =

Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante o circuito se comporta como um comparador. Se vi é muito negativo então vo é negativo. Nesta condição o diodo está cortado e o circuito é um amplificador não inversor v +=v – v –= R3 v =0,6⋅v O R3 R4 O

como o diodo está cortado a corrente sobre R1 é zero e como v +=v – então temos que v O =1,6667⋅v i Esta relação é valida até que o diodo entre em condução, quando a RP passa a predominar. O diodo conduz quando v O −v + =0,7 V

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2010/2

122

49V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Se vi é muito positiva então vo é positiva e o diodo conduz. 267 v i =V L=−4.6⋅v O v += R2⋅v i  v O −V D ⋅R1 R1R 2 onde v O =+ E OMáx =+ 15 V Igualando as expressões 9=0. 282⋅v i 10 .6⋅vO =0. 2010/2 123 .75V e v i=1. Nesta condição de compararação a tensão de saída é v O =+ E OMáx O ponto de quebra ocorre quando v +=v – v – =0. o circuito se comporta como comparador quando v i ≥1. 05V .05 V Assim.v O −0.7 V v O =1.

3) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo. 2010/2 124 . vo entre ±15V. precisamos determinar qual a predominante para conhecer o comportamento do circuito. vi entre ±15V. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. Quando o diodo está conduzindo temos a seguinte condição para as realimentações. Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos.6V. Considere o AO ideal. VD=0. Neste circuito existem dois tipos de realimentação.

6 V 6. Quando o diodo está cortado temos apenas realimentação negativa e o circuito se comporta como um amplificador.6 V =0V 2R 2−1 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 125 . 632 5. Nesta situação v O R4 R5 = =2 vi R4 v O =2⋅v i Quando o diodo inicia sua condução V D=0.6 // 272.6 // 27 =0.6V e I D=0 + – se I D =0 então v i=v =v e v O =2⋅v i vX= 6. RP = 5.6⋅ R2 R3 −R3⋅6.6V⋅R3 2⋅v i⋅R 2 R2 R3 −v i =0.7 10 =0.5 1010  RN RN = Como βRP > βRN a realimentação positiva predomina e o circuito funciona como um comparador com histerese.6 V⋅R 32⋅v i⋅R 2 R2 R3 v X −v +=0.6 v i =V H = V H =0 0. Se vi é muito negativo então vo é negativo e o diodo esta cortado.6V⋅R3 v O⋅R2 R2 R3 = 6.

5 V Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ.Se vi é muito positivo então vo é positivo e o diodo conduz.6V⋅R3vO⋅R2 R 2R3 V eq = v += v i⋅Req V eq −0. 2010/2 126 .6 ⋅R 1 R1 Req R4 v ⋅v O = O R4R5 2 v –= vO ⋅ R1 R 2 // R3 −V eq−0. Nesta condição o circuito se comporta como um comparador com histerese. v O =+ V CC A transição ocorre quando v +=v – considerando Req =R2 // R3 6.6 ⋅R1 2 v i =V L= R2 // R 3 V L =−6.

V L = 1 −V CC V D −V ref  R2 R2 Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2) Analisar o circuito abaixo V H= R1 R ⋅ V CC −V D −V ref .6.5 Exercícios 1) Analisar os dois problemas resolvidos com o diodo invertido. 2010/2 127 .

Supor que Vi seja uma onda triangular de amplitude 1V e período de 2s. 5) Desenhar a curva Vo x Vi para os seguintes comparadores. calculando todos os pontos de quebra.7V. 4) Desenhar a forma de onda Vo no circuito abaixo.3) Desenhara a curva Vo x Vi. Considere a tensão de alimentação como sendo ±15V e a queda no diodo igual a 0.: Note que o circuito comporta-se como um amplificador (realimentação negativa) sempre que houver um diodo conduzindo. OBS. Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 128 . Considerar o AO como ideal.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ. 2010/2 129 .

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