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CURSO DE DIREITO

DISCIPLINA: CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA GERAL DO ESTADO

Resenha da Obra “O Príncipe”


de Nicolau Maquiavel

Trabalho desenvolvido para disciplina


de Ciência Política e Teoria Geral do
Estado do Curso de Direito do
UNICERP.
Aluno: Thomaz J. Marra de Aquino
Professor: João Francisco K. Lisboa

UNICERP
2010
Thomaz José Marra de Aquino Página |1

“O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel.

Foto de Maquiavel

Necessário se faz, quando estudamos esta obra de Maquiavel, que


façamos a contextualização do momento em que foi escrita. Niccolò
Maquiavelli nasceu em Florença em 1469, de uma antiga família sem grandes
posses. Entrou para a vida pública em 1498, quando foi nomeado secretário e
segundo chanceler da República Florentina, no governo de Soderini. Nesta
época os Estados italianos não eram unificados como hoje, e Florença se
destacava como um dos grandes Reinos ao lado dos Estados Papais (do qual
Roma fazia parte), do Reino de Nápoles e do Ducado de Milão. Era uma época
de conquistas, com guerras constantes e troca de soberanos entre os diversos
Estados. Maquiavel pôde conviver com os mais poderosos governantes de seu
tempo, na Itália e no Norte: César Bórgia (duque Valentino), Luís XII da França,
o sacro Imperador romano Maximiliano I, os Médici em Florença, entre outros e
desta forma ser uma testemunha viva de todas estas mudanças. Com o
conhecimento acumulado e baseado neste testemunho que esta obra foi
escrita, com o intuito claro de orientar os Príncipes a atuarem e comportarem-
se da forma eficaz para manterem-se no poder, conforme o tipo de Estado que
governavam, levando-se em consideração a forma como alcançaram o poder.
O Príncipe 1 foi dedicado a Lourenço de Médici, o Magnífico (Grafton 2
diz que provavelmente era a Giuliano de Médici, filho de Lourenço, quem
Maquiavel tinha intenção inicialmente de dedicar a sua obra), num momento
em que os Médici tinham assumido o poder em Florença e Maquiavel tinha sido
legado ao ostracismo, após a queda de Soderini. Espera assim provar a sua
habilidade suprema, na esperança de que suas ideias fossem bem recebidas
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pelo novo Príncipe e assim pudesse reconquistar uma posição que lhe
permitisse voltar a vida política ativa.
Nesta obra, Maquiavel procura analisar os acontecimentos ocorridos ao
longo da história e compará-los aos ocorridos à sua época, o qual coloca as
suas experiências, reflexões e proposições sempre com o intuito da obtenção e
manutenção do poder pelos Príncipes (Soberanos). Ensina táticas eficazes ao
governante absoluto, para que se mantenha no poder, independe da forma
como o alcançou, seja por hereditariedade ou por conquista (seja ela por força,
virtude ou fortuna), discorrendo minuciosamente sobre as particularidades de
cada uma dessas formas. Neste ínterim defende ideias que foram
questionadas ao longo do tempo, como o consentimento da prática da violência
e de crueldades, para obter o resultado desejado, a necessidade de eliminação
dos nobres e inimigos no Estado dominado, a fim de diminuir a chance de
retomada do poder, o direito do Príncipe de não honrar a sua palavra, quando
isto incorresse em perigo para si ou para seus súditos. Tais princípios levou a
Maquiavel a ser identificado com o postulado de que “os fins justificam os
meios”. Analisou também a composição das forças militares do Principado,
onde defendia que as milícias auxiliares ou mercenárias de nada valiam e
somente com as próprias armas se conseguia uma vitória plena e que era
dever do Príncipe exercitar o seu exército, defendendo a importância da guerra
para o desenvolvimento do espírito patriótico e nacionalista que une os
cidadãos e torna forte o Estado.
Sobre a conduta dos príncipes, defendeu mais uma vez condutas
polêmicas, como a que o Príncipe devia ser generoso mas não muito para não
gerar o ódio entre aqueles que não foram beneficiados pela sua generosidade.
Que não devia reunir todas as qualidades boas, mas apenas aquelas que o
ajudassem na manutenção do Estado. Que na impossibilidade de ser temido e
amado ao mesmo tempo devia preferir ser temido, já que trair a quem se teme
é mais difícil do que a quem se ama. No entanto, não sendo amado, devia
evitar de todas as maneiras o ódio e o desprezo dos seus súditos. Ao contrário,
devia ter uma boa imagem junto aos súditos e aos Estados estrangeiros,
demonstrando coragem, força e certeza, o que inibiria possíveis conspirações.
Por fim dita uma série de considerações sobre diversos assuntos como a
necessidade ou não de se ter uma fortaleza, a escolha de um bom secretário,
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evitar aduladores a influência da fortuna sobre os homens e finaliza exortando


a família real a adotar resoluções em favor da libertação e unificação da Itália,
então dominada pelos bárbaros, expondo motivos e soluções para vários
assuntos relativos à sua pátria.
A obra “O Príncipe” nos mostra, segundo os pensamentos de seu autor,
que o Príncipe soberano não pode ser julgado pela sua moral e sim pela sua
capacidade de ter sucesso em seus resultados. A virtude do Príncipe como a
sua capacidade e qualidades necessárias perpetuação do Estado e do poder.
Neste sentido, como observado por Cardoso2 em prefácio em uma das edições
de “O Príncipe” 1, se Hobbes diria que os homens são os inimigos dos homens,
Maquiavel mais de um século antes diria que sem algo que os ordene e
domine, reinará o conflito e a anarquia. Assim a própria dominação seria um
bem e “nada mais grandioso do que exercer o poder político e ter capacidade
de se manter no mando” para bem do reino e dos súditos. Pelos mesmos
motivos não nos é permitido julgar, segundo a opinião do autor deste trabalho,
a moral do autor na defesa dos seus preceitos fora do contexto temporal da
obra.
Ademais, há de se considerar, também parafraseando Cardoso3 que
“Maquiavel não prega a esmo que os fins justificam os meios; assim como
tampouco dá seus conselhos aos homens comuns. Só aos príncipes, em
momentos decisivos, caberia „fazer o mal‟ quando ele fosse necessário para
salvar a república ou a si mesmo”.
Da mesma forma não podemos desconsiderar, como já referido, o
contexto de época em que viveu o autor, em um período de transição, com
mudanças políticas variadas e drásticas na Europa e mais precisamente na
região da Itália, tudo isto funcionando com um verdadeiro observatório para
Maquiavel que, associado ao conhecimento adquirido com os estudos, à sua
inteligência e à sua percepção, o permitiram construir esta grandiosa obra que,
se à época, refletia a real situação de formação de novos Estados, ainda hoje é
atual, para o entendimento das condutas dos “príncipes” dos nossos Estados
modernos.

Referências:
Thomaz José Marra de Aquino Página |4

1 – Maquiavel, N. O Príncipe. São Paulo. Penguim Companhia das Letras,


2010, 169p.
2 – Grafton, A. Introdução. In: 1 – Maquiavel, N. O Príncipe. São Paulo.
Penguim Companhia das Letras, 2010, 169p.
3- Cardoso, FH. Prefácio. In: 1 – Maquiavel, N. O Príncipe. São Paulo.
Penguim Companhia das Letras, 2010, 169p.