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Proj_Balde_Cheio

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Projeto Balde Cheio: resgatando a dignidade do produtor familiar

de leite


Camargo, Artur Chinelato
1
; Novo, André Luiz Monteiro
2
; Mendonça, Fernando Campos
1
; Vinholis,
Marcela de Mello Brandão
1


1
Pesquisador, Embrapa Pecuária Sudeste.
2
Analista, Embrapa Pecuária Sudeste.

Subtema: 3 – Participação das Instituições de Pesquisa Tecnológica na Inserção Social e
no Desenvolvimento Econômico Local e Regional

Resumo
Uma das reclamações do setor leiteiro é o fato de os produtores rurais não aplicarem
as técnicas e os avanços estudados e alcançados nos institutos de ensino e de pesquisa, o
que dificulta a evolução da atividade leiteira. Assim, o objetivo do Projeto Balde Cheio é
promover o desenvolvimento da pecuária leiteira, mediante o processo de transferência de
muitas dessas tecnologias já disponíveis, para extensionistas de entidades públicas ou
privadas, bem como para produtores de leite. Nesse processo, aplica-se uma metodologia
em que propriedades leiteiras de cunho familiar são utilizadas como “sala de aula prática”.
Essas propriedades familiares servem de exemplo para demonstrar a sua viabilidade técnica
e econômica. Atualmente, o Projeto Balde Cheio está implantado em 348 municípios
brasileiros, distribuídos em nove Estados. O presente trabalho tem por objetivo relatar e
descrever as experiências do Projeto Balde Cheio, coordenado pela Embrapa Pecuária
Sudeste, bem como os resultados alcançados. A metodologia utilizada é a de estudos de
caso, que envolve a obtenção de dados descritivos por meio da observação direta e
entrevista com os participantes da ação.
Termo de indexação: leite, transferência de tecnologia, agricultura familiar.

Introdução
A abertura comercial na década de 90, a desregulamentação do mercado e o
processo de estabilização monetária contribuíram para o fim do período de tabelamento do
preço do leite e da estagnação tecnológica do setor e facilitaram as importações de produtos
lácteos e de equipamentos para a indústria. Este cenário acirrou a concorrência e revelou as
ineficiências do setor na época. O produtor de leite foi então desafiado a se profissionalizar
e a otimizar o uso de seus recursos produtivos. Com isso, nos últimos anos o Brasil tem
passado de importador líquido para exportador líquido de lácteos, sendo que o ano de 2004
foi um marco, quando pela primeira vez o País conseguiu ser superavitário na sua balança
láctea. Esta situação trouxe novas exigências, como a qualidade do leite e o baixo custo era
e ainda é um dos maiores atrativos do produto brasileiro. Contudo, Novo & Schiffler (2006)
argumentam que os índices de produtividade das fazendas ainda são baixos, diferindo
pouco dos observados em décadas passadas. Apesar de toda a tecnologia disponível, na
maior parte das propriedades as vacas são subnutridas, utiliza-se pastagens degradadas,
mantidas em solos de pouca fertilidade, com baixa capacidade de suporte. Assim, o objetivo
do Projeto Balde Cheio é promover o desenvolvimento da pecuária leiteira, mediante o
processo de transferência de muitas dessas tecnologias já disponíveis, para extensionistas
de entidades públicas ou privadas, bem como para produtores de leite. Nesse processo,
aplica-se uma metodologia em que propriedades leiteiras de cunho familiar são utilizadas
como “sala de aula prática”. Essas propriedades familiares servem de exemplo para
demonstrar a sua viabilidade técnica e econômica.
A principal estratégia de ação da equipe da Embrapa Pecuária Sudeste é a visita de
acompanhamento quadrimestral às unidades de demonstração, pelo período de quatro
anos, durante os quais as tecnologias são propostas, discutidas e implementadas, caso haja
concordância entre os envolvidos. Os principais resultados obtidos são a recuperação da
importância da extensão rural como fator fundamental para o desenvolvimento do setor e o
resgate da dignidade do produtor rural e a fixação da família no campo. Atualmente, o
Projeto Balde Cheio está implantado em 348 municípios brasileiros, distribuídos em nove
Estados. O presente trabalho tem por objetivo relatar e descrever as experiências do Projeto
Balde Cheio, coordenado pela Embrapa Pecuária Sudeste, bem como os resultados
alcançados.

Método
O estudo em questão se baseia em a) dados secundários obtidos a partir de
documentos e b) dados primários obtidos por meio de pesquisa qualitativa, utilizando-se do
método de estudo de caso com entrevistas com os agentes coordenadores e/ou realizadores
do projeto Balde Cheio. O ambiente para o estudo foram as propriedades rurais a) sítio Boa
Vista, localizado em Elisiário, SP, b) chácara São Francisco, sediado em Flórida paulista, SP.

Caracterização do projeto Balde Cheio
Os parceiros atuais no projeto e suas respectivas responsabilidades são: Banco do
Nordeste - coordenador das atividades no Estado da Bahia; Coordenadoria de Assistência
Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São
Paulo - responsável pelo pagamento das despesas de viagem no Estado de São Paulo e
entidade com a maior quantidade de técnicos extensionistas envolvidos no Projeto;
Cooperativa de Laticínios de Guaratinguetá e Sindicato Rural de Guaratinguetá -
responsável pelo pagamento das despesas de viagem na região de Guaratinguetá;
Cooperativa Nacional Agroindustrial (COONAI) - responsável pelo pagamento das despesas
de viagem na região de Franca, SP e corpo técnico envolvido no Projeto; Sistema
Agroindustrial Integrado do SEBRAE nas regiões de Bauru e Guaratinguetá - responsável
pelo pagamento das despesas de viagem nas respectivas regiões de atuação, além de
técnicos envolvidos no Projeto; Cooperativa Central Agro-Industrial Ltda. (CONFEPAR) -
responsável pelo pagamento das despesas de viagem nos Estados do Mato Grosso do Sul,
Paraná e Santa Catarina e corpo técnico envolvido no Projeto; Federação da Agricultura do
Estado de Minas Gerais (FAEMG) - responsável pelo pagamento das despesas de viagem
no Estado de Minas Gerais; Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ)
e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado do Rio de Janeiro (SENAR - RJ) -
responsável pelo pagamento das despesas de viagem no Estado do Rio de Janeiro e corpo
técnico envolvido no Projeto; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA),
através de sua Superintendência local, coordena as atividades do Projeto no Estado do
Acre; SEBRAE - TO - coordenador das atividades no Estado do Tocantins; Sindicatos
Rurais de Nioaque (MS) e São Gabriel d’Oeste (MS) – responsável pelo pagamento das
despesas de viagem nos respectivos municípios; Prefeituras dos municípios participantes -
co-responsável pelo pagamento das despesas de viagem.
O projeto prevê a transferência de um pacote de conhecimentos e tecnologias para o
pequeno produtor de leite, que compreende um conjunto escalonado e articulado de
técnicas de produção intensiva, tais como conservação do solo, recuperação da fertilidade
do solo, utilização de fertilizantes orgânicos, manejo intensivo de pastagens tropicais
adubadas e irrigadas, manejo rotacionado das pastagens, utilização de cana-de-açúcar +
uréia no período da seca, realização de exames de brucelose e de tuberculose nos animais,
reposição e preservação de matas ciliares, plantio de árvores para sombreamento e uso de
técnicas para irrigação da pastagem. Esse conjunto de técnicas é complementado com o
uso de planilhas de controle zootécnico e econômico; a utilização de um quadro dinâmico de
controle reprodutivo, de higiene e de qualidade do leite; a identificação dos animais; a
melhoria no padrão genético do rebanho; a anotação de dados climáticos (chuva e
temperatura máxima e mínima); e a aplicação de práticas associativistas. Além disso, o uso
de instrumentos de controle gerencial, tais como planilhas de controle e de análise de custo
de produção e de controle zootécnico, têm possibilitado tornar rentável a atividade leiteira
nas pequenas propriedades familiares e consequentemente transformá-las em atividade
fixadora do homem no campo (TUPY et al., 2006).
Antes de iniciar o processo de mudança e aplicar essa ou aquela tecnologia, o
produtor deve compreender a nova postura a ser empregada em seu negócio. Para isso,
deve visitar outros produtores com experiência no processo de intensificação da produção,
acompanhado pelo extensionista da região, buscando obter informações técnicas e
econômicas e avaliar o trabalho do profissional que possivelmente lhe dará assistência.
Após a decisão de mudança, o primeiro passo deve ser analisar, com orientação técnica, as
principais limitações e as principais vantagens para a produção intensiva de leite na região
(clima, topografia, qualidade das vias de acesso, disponibilidade de insumos, existência de
energia elétrica e de empresa ou cooperativa idônea para compra do leite, etc.) e na
propriedade (disponibilidade atual de volumosos, situação reprodutiva e sanitária do
rebanho, disposição de aguadas e de sombra e qualificação da mão-de-obra). Em seguida é
realizado o planejamento deve prever dificuldades e conter a previsão de crescimento para
médio e longo prazo, que possibilite visualizar como o negócio estará dentro de alguns
anos. No início do plano de trabalho, produtor e técnico devem conversar claramente sobre
as reais condições de investimento e de condução da atividade, e ajustar o plano de acordo
com essa realidade. As mudanças propostas exigem investimentos para solução das
principais limitações apontadas no planejamento. Entretanto, em razão da dificuldade de
obtenção de crédito bancário para investimentos, os recursos para o início do trabalho
devem ser gerados dentro da propriedade, mesmo que o montante inicial seja pequeno. A
maioria das fazendas ou sítios possui animais improdutivos, como vacas secas ou vazias,
animais em crescimento pouco desenvolvidos, ou animais de lida em excesso, que podem
ser vendidos, sem prejuízo para a produção atual ou para o futuro do rebanho. Antes,
porém, é necessário que um médico veterinário examine o rebanho, para identificação dos
animais improdutivos. Feito o planejamento e definidos os recursos disponíveis, inicia-se a
implantação do projeto, investindo em fatores produtivos, principalmente naqueles que
atendem às exigências básicas das vacas leiteiras (NOVO & SCHIFFLER, 2006).
A estratégia de ação do projeto consiste das seguintes etapas:
• Visita dos técnicos interessados à Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP) ou a
outra Unidade de Demonstração (UD) qualquer, onde serão explicadas as etapas do
Projeto.
• Orientar técnicos, no sentido de selecionar uma propriedade, para que sirva como ‘sala
de aula’ e ao mesmo tempo, como exemplo para os outros produtores que se
interessarem. Esta propriedade (UD), deverá ser de cunho familiar, de pequeno porte
(de preferência, inferior a 10 ha), ter como principal fonte de renda a atividade leiteira e
não possuir outras fontes de renda além da atividade rural.
• Visita dos técnicos interessados e dos produtores por eles selecionados à Embrapa
Pecuária Sudeste ou a outra UD.
• Visita dos técnicos da Embrapa Pecuária Sudeste à propriedade selecionada na
companhia dos técnicos responsáveis, para verificar se ela se adequa ao perfil exigido
no Projeto.
• Visitas de acompanhamento quadrimestral dos técnicos da Embrapa Pecuária Sudeste
às unidades de demonstração, pelo período de quatro anos, durante os quais as
tecnologias são propostas, discutidas e implementadas, caso haja concordância entre os
envolvidos. Estas visitas são realizadas em companhia dos técnicos responsáveis.
• Avaliar o desempenho dos técnicos responsáveis, via implantação do mesmo tipo de
conceito de exploração leiteira em outras propriedades (Propriedades Assistidas - PAs),
em função da demanda gerada.
Para auxiliar na tomada de decisão e como contrapartida, as propriedades
selecionadas para serem ‘sala de aula’ recebem o seguinte material/serviço:
• Planilhas para controle econômico e zootécnico da atividade
• Análise do solo
• Levantamento sanitário do rebanho em relação à brucelose e tuberculose
• Levantamento planialtimétrico detalhado
• Identificação dos animais pertencentes ao rebanho através de brincos numerados
• Fita para pesagem mensal das fêmeas em crescimento do nascimento à parição
• Pluviômetro
• Termômetro de máxima e mínima
• Quadro magnético circular para gerenciamento da reprodução do rebanho
• Quadro magnético circular para gerenciamento do crescimento de bezerras e novilhas.
Os itens 1, 2 e 3 também são exigências para as propriedades assistidas (PAs) do
projeto.
Por se tratar de um projeto de desenvolvimento, é fundamental a colaboração de pelo
menos um extensionista do município, pois a transferência de tecnologia envolve discussão
de conceitos, de princípios e de conhecimentos. Sem a presença desse agente, o trabalho
seria tão somente de assistência técnica, missão que não cabe à Embrapa; além disso,
apenas o produtor assistido seria beneficiado, o que limitaria a abrangência do projeto
(CAMARGO et al., 2006b).

Estudo de caso 1
O primeiro estudo de caso trata-se do sítio Boa Vista de propriedade de Antonio
Fernandes Rodrigues, localizada em Elisiário, SP. O sítio possui área total de 26 ha. Este
produtor foi selecionado e é acompanhado por extensionistas da região abrangida pelo
Escritório de Desenvolvimento Rural de Catanduva, SP, que faz parte da Coordenadoria de
Assistência Técnica Integral (CATI), entidade pertencente à Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do Estado de São Paulo. A Tabela 1 apresenta a seqüência cronológica das
ações implementadas no sítio Boa Vista após o mesmo integrar o projeto Balde Cheio.

Tabela 1. Seqüência cronológica da implantação do projeto Balde Cheio no sítio Boa Vista,
Elisiário, SP.
Data Ação
Junho de O médico veterinário coordenador do Projeto Balde Cheio na região de Catanduva e o
2002 engenheiro agrônomo extensionista da Casa da Agricultura de Elisiário, acompanhados
do produtor visitaram a Embrapa Pecuária Sudeste e a chácara São Miguel, unidade de
demonstração em São Carlos, SP.
Agosto de
2002
O produtor, seu filho e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de
Palmeira d’Oeste e de Santa Albertina, ambas na região de Jales, SP e a unidade de
demonstração de Cardoso na região de Votuporanga, SP.
Setembro
de 2002
Nesta visita verificou-se a erradicação das antigas culturas de abóbora e de quiabo para a
semeadura de Capim-mombaça, correção do solo, identificação individual do rebanho e
conferência das anotações dos dados climáticos, econômicos e zootécnicos em planilhas
fornecidas pela Embrapa Pecuária Sudeste.
Novembro
de 2002
Realizou-se a semeadura do Capim-mombaça, divisão da área com cerca elétrica em 28
piquetes de 360 m
2
, aquisição de equipamento de irrigação para 1 ha de pasto, avaliação
mensal do peso das novilhas e bezerras por meio de fita apropriada que transforma o
perímetro torácico em peso corporal.
Fevereiro
de 2003
Em visita de acompanhamento informou-se a adução do pasto, a vazão do equipamento
de irrigação e foi acordado que a área de preservação permanente seria demarcada e
isolada, para possibilitar a regeneração natural.
Maio de
2003
A equipe do projeto confirmou o plantio de cana-de-açúcar no início de abril, em área de
0,5 ha da variedade RB-83.5486 e de 0,5 ha da variedade RB-85.5536, ambas com
cupinicida no sulco. Formou-se um viveiro de 800 m2 de capim-tifton e adquiriu-se sete
novilhas com idade de 12 meses.
Agosto de
2003
Constatou-se a irrigação por gotejamento numa gleba de 0,5 ha de cana-de-açúcar. O
produtor, com a concordância de todos, adquiriu outras nove novilhas no início de julho. A
área de proteção permanente foi cercada.
Outubro
de 2003
Realizou-se a “tarde de campo” no sítio Boa Vista com a presença de mais de 400
pessoas (Figura 1).
Dezembro
de 2003
Verificou-se a semeadura de 0,8 ha de capim-mombaça, para formação de um segundo
módulo de piquetes e o plantio de 0,7 ha de capim-tifton entre os pés de tangerina. O
“quadro circular de gerenciamento dinâmico da reprodução do rebanho” e capacitação
foram providenciados e foi proposto a redução da adulação recomendada nos piquetes
de capim-mombaça em função do subpastejo.
Janeiro
de 2004
O produtor e os extensionistas participaram de visitas às unidades de
demonstração do Vale do Paraíba (Guaratinguetá, Queluz, Silveiras), SP.
Março de
2004
O novo módulo de piquetes de capim-mombaça foi dividido em 27 piquetes de 250 m2.
Comprou-se de 3,5 t de caroço de algodão para suprir a necessidade alimentar de vacas
de maior produção.
Julho de
2004
A equipe do projeto observou que a aplicação de calcário e a roçada dos piquetes tinham
sido iniciadas em ambos os módulos de piquetes do capim-mombaça.
Outubro
de 2004
O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Américo de
Campos e de Cosmorama na região de Votuporanga, para conhecer diferentes tipos de
salas de ordenha.
13 de
outubro
de 2004
O produtor apresentou a nova sala de ordenha mecânica com piso de alvenaria, com
fosso para o ordenhador e com espaço para três vacas de cada lado. O tanque de
expansão com capacidade para 1.000 litros foi emprestado do laticínio comprador do
leite. Com a anuência dos extensionistas, erradicou-se o pomar de tangerina, plantando
em seu lugar o capim-tifton. A partir de outubro de 2004, o médico veterinário
extensionista da Casa da Agricultura do município vizinho de Ibirá, SP, passou a fazer o
controle reprodutivo mensal do rebanho, integrando a equipe do projeto.
26 de
outubro
de 2004
Os extensionistas e o filho do produtor visitaram as unidades de demonstração de Flórida
Paulista, Irapuru, Monte Castelo, Panorama e São João do Pau d’Alho, todas na região
de Dracena, SP.
Abril de
2005
Nesta visita de acompanhamento verificou-se o plantio de 1 ha da cana-de-açúcar
variedade RB-92.8064, e a divisão de metade da área plantada com o capim-tifton em 20
piquetes de 710 m2. Orientado pelos extensionistas, o produtor iniciou a venda de
algumas vacas do rebanho.
Agosto de
2005
Os extensionistas apresentaram os resultados positivos da semeadura da aveia preta
entre as touceiras de capim-mombaça na produção de leite.
Janeiro
de 2006
A equipe do projeto foi informada que o produtor havia comprado 22 vacas, 12 a mais do
que fora combinado, mas, como havia descartado outras matrizes, não houve
comprometimento do planejamento estabelecido para a alimentação. Tinha também
concretado a entrada da sala de ordenha (curral de espera). Combinou-se adubar o
canavial de acordo com a análise do solo, colocar brinco nas vacas compradas, roçar o
capim-tifton, adubando-o logo em seguida e plantar árvores para prover sombra aos
animais.
Maio de
2006
Verificou-se que as vacas adquiridas já apresentavam novos brincos, com a numeração
da propriedade, os piquetes de capim-tifton haviam sido numerados, e várias mudas de
árvores haviam sido plantadas.
Fonte: Adaptado de Camargo et al., 2006b.











Figura 1. “Tarde de campo” do sítio Boa Vista, Elisiário, SP.

A tabela 2 resume os principais resultados obtidos no sítio Boa Vista após a
implantação das técnicas propostas pelo projeto Balde Cheio. Embora não esteja expresso
em números, um benefício evidenciado foi a melhora da auto-estima do produtor após
verificar que sua propriedade poderia sustentar a família, o que não se verificava
anteriormente, quando um dos filhos mudou-se para a cidade na expectativa de emprego.
Nos resultados econômicos considerou-se R$600,00/mês o pró-labore do produtor.

Tabela 2. Principais resultados obtidos com o projeto balde Cheio no sítio Boa Vista,
Elisiário, SP.
Início do projeto
(jul/2002 a jun/2003)
Após 4 anos de
participação no projeto
(set/2005 a ago/2006)
Área utilizada para a produção de leite (ha) 17,5 10
Área de proteção ambiental (ha) -- 2,5
Produção diária de leite (litros) 80 260
Leite produzido no ano (litros) 29.200 94.900
Maior produção diária obtida (litros) 80 430
Vacas em lactação (animal) 12,9 20,2
Vacas em lactação (%) 60 70,4
Produção por vaca do rebanho por
dia (litros)
3,7 9,1
Ordenha Manual, 1 vez ao dia Mecânica, 2 vezes ao dia
Refrigeração do leite da 2a ordenha Não existia Tanque de expansão
Controle leiteiro Não existia Mensal
Cobertura das vacas monta natural, com
touro nelore

inseminação artificial, com
sêmen de touros da raça
Holandês Preto e Branco
Alimentação volumosa básica do Capim-braquiarão e capim-mombaça irrigado
rebanho cana-de-açúcar +
capim-elefante no
cocho
(1,8ha), capim-tifton (3,0 ha),
capim-braquiarão e cana-de-
açúcar (2,0 ha) no cocho
Renda total (venda do leite +
venda de animais)
R$ 30.637,90

R$ 85.205,11

Despesas de custeio R$ 9.530,30 R$ 36.571,78
Margem bruta R$ 21.107,60 R$ 48.633,33
Preço recebido pelo litro de leite R$ 0,70 (em domicílio) R$ 0,50
Fonte: Carmargo et al., 2006b.

Estudo de caso 2
O segundo estudo de caso trata-se da chácara São Francisco de propriedade de Iosé
Cailos ue Anuiaue, localizada em Flórida Paulista, SP. A propriedade possui área total de 7,2
ha e é acompanhado por extensionistas da região abrangida pelo Escritório de
Desenvolvimento Rural de Dracena, SP. A tabela 3 apresenta a seqüência cronológica das
vistas de acompanhamento realizadas pela equipe do projeto à propriedade e as visitas
realizadas pelo produtor e extensionistas a outros participantes do projeto Balde Cheio.

Tabela 3. Seqüência cronológica da implantação do projeto Balde Cheio na Chácara São
Francisco, Flórida Paulista, SP.
Data Ação
Fevereiro
de 2002
Produtor participa de palestra sobre o projeto Balde Cheio em Junqueirópolis, SP.
Outubro
de 2002
Nesta primeira visita de acompanhamento, a equipe da Embrapa Pecuária Sudeste
verificou que o produtor, de acordo com o combinado, além de promover a limpeza geral,
havia também eliminado a pequena criação de suínos, coletado a amostra do solo e
preparado uma pequena gleba para o plantio de pasto.
Novembro
de 2002
O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Nova Canaã
Paulista, de Palmeira d’Oeste e de Santa Albertina, na região de Jales, SP.
Janeiro
de 2003
A equipe da Embrapa constatou que o capim-mombaça fora semeado em área de 1,1 ha,
sendo a gleba dividida em 28 piquetes de 350 m2. O pastejo nos piquetes foi iniciado em
janeiro de 2003. Ainda, implantou-se um viveiro de capim-tifton, o rebanho foi todo
identificado com brincos numerados e as anotações dos dados climáticos, econômicos e
zootécnicos foram conferidas.
Abril de
2003
O produtor e os extensionistas visitaram a unidade de demonstração de Nhandeara
(região de São José do Rio Preto, SP).
Maio de
2003
Verificou-se que, além de as recomendações terem sido atendidas, como a numeração
dos piquetes e a instalação de um bebedouro próximo à área de sombra para as vacas,
havia sobra excessiva de forragem em conseqüência do subpastejo do capim-mombaça,
recomendando-se roçar os piquetes um a um, na entrada do próximo período de chuvas.
O produtor também ampliou a área de capim-tifton e preparou outra gleba de 0,5 ha para
ser plantada com cana-de-açúcar.
Setembro
de 2003
A equipe do projeto constatou que a área plantada com cana-de-açúcar era menor do
que a combinada, pelo fato de não terem sido encontradas mudas da variedade desejada
(RB-85.5536). Na área implantada com capim-mombaça, o produtor realizou a adubação
e implantou o conceito de pastejo de ponta e de repasse, separando as vacas em
lactação em dois grupos, de acordo com a produção verificada no controle leiteiro. Os
animais do rebanho passaram a ter uma ficha individual, com o histórico produtivo e
reprodutivo.
Janeiro
de 2004
Destacou-se a aquisição de um tanque de expansão com capacidade para 500 litros de
leite, em sociedade, e a semeadura da leguminosa Crotalaria spectabilis, para adubação
verde, na área de expansão do futuro canavial. O produtor realizou adequadamente a
adubação dos piquetes, contratou a perfuração de um poço artesiano em parceria com
quatro produtores vizinhos e a equipe do projeto montou o “quadro circular de
gerenciamento dinâmico da reprodução do rebanho” e capacitou o produtor. Foi
combinado com o produtor que, se houvesse a oportunidade, ele poderia adquirir até
cinco vacas, em função da futura disponibilidade de forragem.
Março de
2004
O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Bastos (região
de Tupã, SP) e de Reginópolis (região de Bauru).
Maio de
2004
Verificou-se a aquisição de três vacas e o plantio de mais 2.500 m2 da cana IAC-86.2480,
na área em que fora plantado o adubo verde. Como conseqüência de um vendaval, o
canavial plantado em 2003 tombou, o que viria a prejudicar a colheita. A área do capim-
tifton estava praticamente implantada, ficando acordado o planejamento da divisão em
piquetes.
Julho e
agosto de
2004
Visitaram as unidades de demonstração de Marinópolis e de São Francisco (região de
Jales, SP) a de Taciba (região de Presidente Prudente, SP) e na unidade de
demonstração de Cardoso (região de Votuporanga, SP) viram a sobressemeadura da
aveia em piquetes de capim-mombaça.
Setembro
de 2004
O capim-tifton foi dividido em 20 piquetes de 300 m2, numa área passível de irrigação por
gravidade. O produtor tomou a decisão de não mais arrendar terra para plantio de milho.
Dezembro
de 2004
Visitaram as unidades de demonstração de Cruzeiro e de Lavrinhas (região de
Guaratinguetá) e as de Jacareí e de Paraibuna (região de Pindamonhangaba).
Fevereiro
de 2005
Realizou-se a adubação das pastagens em quantidade menor do que o sugerido e
procedeu-se o controle de cigarrinhas-de-pastagem e de lagartas. O produtor implantou
mais 6.500 m2 de capim-tifton numa área de antiga plantação de maracujá.
Abril e
Junho de
2005
O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Ibirá e de
Sales (região de Catanduva) e de Regente Feijó e de Taciba (região de Presidente
Prudente).
Junho de
2005
Constatou-se a aquisição de quatro matrizes e o novo talhão (0,35 ha) de cana-de-açúcar
(RB-92.8064). O produtor tentou a técnica de inseminação artificial, mas não seguiu
adiante em função do custo do inseminador. Optou por esperar mias 2 anos até o filho
pudesse se capacitar na técnica.
Setembro
de 2005
Visitaram as unidades de demonstração de Lavínia (região de Andradina, SP), de
Lourdes (região de General Salgado, SP) e de Pontalinda (região de Jales, SP) e
observaram o método Lavínia de plantio do capim-tifton, as dificuldades de sobrevivência
e o uso de um fosso para ordenha mecânica feito diretamente na terra, com contenção do
tipo espinha de peixe.
Outubro
de 2005
Discutiu-se a futura divisão do segundo módulo do capim-tifton e a adubação da área do
capim-tifton (irrigado) que não foi interrompida, mesmo durante o inverno, em razão da
necessidade de alimento volumoso. Foi iniciada a roçada da área formada com capim-
mombaça (sem irrigação) e, consequentemente, sua adubação.
Março de
2006
Três vacas de pouca produção foram substituídas por outras duas de melhor
desempenho. As informações e os dados da propriedade foram checados pela equipe do
projeto e a visita de um especialista sugeriu: (a) testar a introdução de capins tolerantes
ao encharcamento do solo, como o capim-angola, o capim-tangola e o capim-setária,
visando ao aproveitamento da área úmida de 1,5 ha, fora da área de proteção ambiental;
(b) intensificar o descarte de vacas, visando à melhoria da produção de leite individual; (c)
não criar bezerras ou novilhas, como estratégia de manejo, para o aproveitamento
máximo da pequena área útil da chácara e (d) repor animais descartados mediante
aquisição de vacas prenhes, que estejam no início da segunda lactação, de preferência.
Setembro
de 2006
O produtor apresentou aos participantes do projeto, com orgulho, sua nova aquisição: um
equipamento para a realização da ordenha mecânica das vacas e comentou ainda que a
semeadura de forrageiras de clima temperado (aveia e azevém), sobre o capim-tifton
irrigado, havia sido um sucesso, melhorando a produção de forragem na estação seca.
Fonte: Adaptado de Camargo et al., 2006c.

A tabela 4 resume os principais resultados obtidos na chácara São Francisco após a
implantação das técnicas propostas pelo projeto Balde Cheio. Uma evidência interessante e
que muito colabora na adoção de novas técnicas pelos produtores rurais é a promoção de
excursões de visitas às unidades demonstrativas em diferentes regiões. Esta prática
estimula a interação e troca de experiências entre os participantes do projeto.

Tabela 4. Principais resultados obtidos com o projeto Balde Cheio na chácara São
Francisco, Flórida Paulista, SP.
Início do projeto
(set/2002 a ago/2003)
Após 4 anos de
participação no projeto
(set/2005 a ago/2006)
Área utilizada para a produção de leite (ha) 6,7 4,5
Área de proteção ambiental (ha) 0,5 2,7
Produção diária de leite (litros) 25 206
Leite produzido no ano (litros) 9.200 75.190
Maior produção diária obtida (litros) 40 302
Vacas em lactação (animal) 6 15,8
Vacas em lactação (%) 60 76,7
Produção por vaca do rebanho por dia (litros) 2,5 10
Ordenha Manual, 1 vez ao dia Mecânica, 2 vezes ao dia
Refrigeração do leite da 2a ordenha Não existia Tanque de expansão
Controle leiteiro Não existia Mensal
Cobertura das vacas Monta natural com
touro nelore
Monta natural com touros da
raça Holandês Preto e Branco
Alimentação volumosa básica do
rebanho
capim-braquiária (2,5
ha) e cana-de-açúcar
(0,5 ha)
capim-tifton irrigado (0,6 ha),
capim-mombaça (1,0 ha),
capim-tifton de sequeiro (0,65
ha) e cana-de-açúcar (0,9 ha)
Renda total (venda do leite + venda de
animais)
R$10.214,64

R$ 38.279,72

Despesas de custeio R$ 6.016,57 R$ 17.919,00
Margem bruta R$ 4.198,07 R$ 20.360,72
Preço recebido pelo litro de leite R$ 0,48 R$ 0,50
Fonte: Carmargo et al., 2006c.

Resultados
Os principais resultados obtidos são a recuperação da importância da extensão rural
como fator fundamental para o desenvolvimento do setor e o resgate da dignidade do
produtor rural. Dessa maneira, o Projeto Balde Cheio contribui para a fixação da família no
campo (CAMARGO et al., 2006). Em muitos casos, verifica-se que algum dos filhos do
produtor foi ou tem intenção de ir residir na cidade com o objetivo de trabalhar para obter
renda adicional para a família, e um dos ganhos sociais do projeto, é a volta ou permanência
dos filhos na propriedade rural com dignidade e renda para manter a família (Camargo et al.,
2006b, e).
TUPY et al. (2006) realizaram a avaliação dos impactos econômico, social e ambiental
do projeto Balde Cheio e verificaram que os ganhos em produtividade, avaliados no período
de 1999–2001, foram de 18% (média das propriedades). Entre 1999 e 2000, a mudança na
eficiência técnica foi em média de 41,6% e entre 2000 e 2001, de 38,1%. Nos casos
apresentados anteriormente os ganhos em produtividade foram ainda mais significativos. No
estudo de caso 1 o ganho de produção por animal foi de 145% e o ganho de produção de
leite no ano foi de 225%, enquanto que no caso 2 foi de 717% e 300%, respectivamente.
Embora em ambos os casos tenha havido um aumento nas despesas de custeio após a
implantação das técnicas de intensificação promovida pelo projeto Balde Cheio, houve um
ganho expressivo na margem bruta da atividade leiteira. No caso 1 o ganho foi de 283% em
relação à situação anterior e no caso 2 foi de 385%. Outros resultados de estudos de caso
de participantes do projeto Balde Cheio podem ser encontrados em Camargo et al. (2006a,
d, e). A figura 2 ilustra uma palestra sobre o uso do quadro de controle reprodutivo no sítio
São João, em Monte Castelo, SP, e a figura 3 mostra uma tarde de campo no sítio São José
em Nhandeara (SP), ambas as propriedades também foram objeto de estudos de caso com
resultados econômico, social e ambiental positivos.










Figura 2. Palestra sobre o funcionamento do quadro de controle reprodutivo.










Figura 3. Tarde de campo no sítio São José, Nhandeara, SP.

Atualmente o Projeto Balde Cheio está implantado em 348 municípios brasileiros,
distribuídos em nove Estados conforme mostra a tabela 5. As propriedades “salas de aula”
são denominadas Unidades de Demonstração e as Propriedades Assistidas são
acompanhadas pelo extensionista do município.

Tabela 5. Abrangência geográfica da ação do projeto Balde Cheio.
Município
Estado
Unidade de Demonstração Propriedades Assistidas
Acre (4
municípios)
Acrelândia, Senador Guiomard, Plácido de
Castro
Porto Acre
Bahia (13
municípios)
Teixeira de Freitas Alcobaça; Jucuruçu; Nova Viçosa; Caravelas; Lagedão; Prado;
Ibirapuã; Medeiros Neto; Itamaraju; Mucuri; Vereda; Itanhém
Mato Grosso
do Sul (13
municípios)
Ponta Porã; Nova Alvorada do Sul Batayporã; Ivinhema; Caarapó; Nioaque; São Gabriel d’Oeste;
Deodápolis; Taquaruçu; Dourados; Nova Andradina; Vicentina;
Glória de Dourados
Minas
Gerais (34
municípios)
Bom Sucesso; Extrema; Inhapim Aimorés; Ibiá; Nanuque; Araxá; Natércia; Bambuí; Itajubá;
Passos; Itanhandu; Patrocínio do Muriaé; Campanha; Ituiutaba;
Piumhi; Canaã; Lima Duarte; Sacramento; Carmo da Mata; Luz;
Santos Dumont; Carmo de Minas; Machado; Tapira; Carmo do
Cajuru; Medeiros; Tombos; Divinópolis; Monte Alegre;
Tupaciguara; Montes Claros; Uberlândia; Gurinhatã
Paraná (97
municípios)
Ortigueira; Arapongas; Palmital; Ibaiti;
Barbosa Ferraz; Porto Rico; Rio Bonito do
Iguaçu; Santo Antonio do caiuá; Santo
Antonio do Sudoeste; Chopinzinho;
Conselheiro Mairinck; Manoel Ribas;
Marquinho; Nova Cantu
Anahi; Florestópolis; Nova Laranjeiras; Adolfo Pinto; Francisco
Beltrão; Nova Londrina; Ângulo; Goioerê; Nova Prata do Iguaçu;
Apucarana; Guairaçá; Guapirama; Arapuã; Honório Serpa; Pato
Branco; Ariranha do Ivaí; Pitanga; Assaí; Ibiporã; Planaltina do
Paraná; Astorga; Iguaraçu; Planalto; Itapejara d’Oeste;
Barracão; Ivaiporã; Prudentópolis; Bom Jesus do Sul; Jaguapitã;
Bom Sucesso do Sul; Jandáia do Sul; Califórnia; Janiópolis;
Roncador; Campina da Lagoa; Japira; Rosário do Ivaí; Cândido
de Abreu; Jardim Alegre; Santa Isabel do Ivaí; Candói; Jardim
Olinda; Santa Maria d’Oeste; Capanema; Joaquim Távora;
Santo Antônio da Platina; Cap. Leônidas Marques; Jundiaí do
Sul; Carlópolis; Juranda; Centenário do Sul; Laranjal; Santo
Inácio; Laranjeiras do Sul; São Jerônimo da Serra; Clevelândia;
Lidianópolis; São João; Colorado; Loanda; São João do Caiuá;
Congonhinhas; Londrina; São Pedro do Ivaí; Lunardeli;
Sapopema; Coronel Vivida; Mandaguari; Tamarana; Corumbataí
do Sul; Terra Rica; Diamante do Norte; Marilândia do Sul;
Tomazina; Dois Vizinhos; Turvo; Espigão Alto do Iguaçu;
Marumbi; Ubiratã; Faxinal; Virmond; Flor da Serra do Sul.
Rio de
Janeiro (28
municípios)
Bom Jesus do Itabopoana; Cardoso de Melo;
Carmo; Itaperuna; Paty do Alferes;
Quissamã; Santo Antonio de Pádua; Valença;
Varre Sai; São Gonçalo.
Aperibé; Bom Jardim; Cambuci; Campos dos Goitacazes;
Cantagalo; Comendador Levy Gasparian; Conceição de
Macabu; Macuco; Paraíba do Sul; Porto Real; Quatis; Resende;
Rio das Flores; Santa Maria Madalena; São Fidélis; São
Francisco; São José de Ubá; São Sebastião do Alto.
Santa
Catarina (9
municípios)
Guaraciaba; Rio do Sul; São Lourenço
d´Oeste.
Anchieta; Dionísio Cerqueira; Guarujá do Sul; Palma Sola;
Princesa; São José do Cedro.
São Paulo
(144
municípios)
Águas de Santa Bárbara; Álvares machado;
Américo de Campos; Anhumas; Araçatuba;
Avanhandava; Bady Bassit; Barbosa; Birigui;
Capão Bonito; Cardoso; Crequeira Cesar;
Cristais Paulista; Elisiário; Espírito Santo do
Turvo; Flórida Paulista; General Salgado;
Getulia; Guaimbé; Guapiaçu; Guaratinguetá;
Ibirá; Igarapava; Ipiguá; Irapuru; Itirapuã;
Jacareí; Lavrinhas; Lourdes; Luiziânia; Monte
Castelo; Nhandeara; Nipoã; Novo Horizonte;
Paraibuna; Patrocínio Paulista; Pedregulho;
Penápolis; Peruíbe; Piacatu;
Pindamonhangaba; Piquete, Pontalinda;
Pontes Gestal; Porangaba; Potirendaba;
Presidente Bernardes; Quadra; Queluz;
Rdenção da Serra; Regente Feijó; Ribeirão
Grande; Rinópolis; São Bento do Sapucaí;
São Francisco; São José da Bela Vista; São
Luís do Paraitinga; São Miguel Arcanjo; Serra
Negra; Tabapuã; Taciba; Tatuí; Taubaté; Uru;
Valentim Gentil.
Adamantina; Adolfo; Altinópolis; Alto Alegre; Apiaí; Arealva;
Aspásia; Atibaia; Bastos; Bom Jesus dos Perdões; Bragança
Paulista; Brejo Alegre; Buri; Cachoeira Paulista; Caconde;
Cesário Lange; Coronel Macedo; Cruzeiro; Cunha; Dirce Reis;
Divinolândia; Dracena; Fartura; Guapiara; Guarantã;
Guzolândia; Iacanga; Irapuã; Itaberá; Itaju; Itapeva; Itaporanga;
Itararé; Joanópolis; Junqueirópolis; Lagoinha; Marabá Paulista;
Mariápolis; Marinópolis; Mendonça; Mirante do Paranapanema;
Mococa; Natividade da Serra; Nazaré Paulista; Nova Aliança;
Nuporanga; Onda Verde; Panorama; Paraguaçu Paulista; Paulo
de Faria; Pedra Bela; Pinhalzinho; Piquerobi; Piratininga;
Presidente Epitácio; Reginópolis; Ribeira; Ribeirão Branco;
Ribeirão dos Índios; Riolândia; Riversul; Rosana; Rubiácea;
Sales; Santa Albertina; Santa Salete; Santo Anastácio; São
João da Boa Vista; Socorro; Sud Mennucci; Taquarivaí; Teodoro
Sampaio; Tupã; Tupi Paulista; Uchôa; Urânia; Urupês; Vargem;
Vitória Brasil.
Tocantins (6
municípios)
Araguaína; Augustinópolis; Colméia; Gurupi;
Paraíso do Tocantins
Combinado.


Considerações finais
Estuuos ue caso iealizauos e tiabalho ue avaliacão ue impactos social, econômico e
ambiental uo piojeto Balue Cheio uemonstiam que o mesmo atinge o objetivo a que se piopõe
ue foima positiva. 0 piojeto possui uma estiutuia paia tiansfeiência ue tecnologia que tem se
mostiauo eficaz, haja visto a abiangência que tem conseguiuo. Be uma foima iesumiua, o giupo
ua Embiapa Pecuáiia Suueste capacita extensionistas, acompanham as piopiieuaues
uenominauas 0niuaues ue Bemonstiacão, que são utilizauas ue "salas ue aula" e os
extensionistas capacitauos assistem outias piopiieuaues ua iegião (piopiieuaues assistiuas),
tiansfeiinuo uessa foima conhecimento e tecnologia e elevanuo a capilaiiuaue uo piojeto. Nos
casos estuuauos, a intensificacão ue foima sustentável peimitiu o melhoi uso ua teiia,
expiessivo ganho ue piouutiviuaue e iesgate ua auto estima e uigniuaue uo pequeno piouutoi
ue leite.

Referências bibliográficas

CAMARGO, A.C.; NOVAES, N.J.; NOVO, A.L.M.; MENDONÇA, F.C.; MANZANO, A.;
ESTEVES, S.N.; FAVARETO, M.R.M.; MARQUES, W.; TOSCANO, J.F.; SANCHES,
I.C.; RIBEIRO, W.M.; FARIA, V.P. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na
produção leiteira - Estudo de caso do sítio São José, de Nhandeara, SP. São Carlos:
Embrapa Pecuária Sudeste, 2006a. 8p. (Embrapa Pecuária Sudeste, Comunicado
técnico 74).

CAMARGO, A.C.; NOVAES, N.J.; NOVO, A.L.M.; MENDONÇA, F.C.; MANZANO, A.;
ESTEVES, S.N.; PAGANI NETO, C.; QUINAGLIA NETO, P.; DIAS, A.T.F.F.; SANTOS
JUNIOR, H.A.; RIBEIRO, W.M.; FARIA, V.P. Projeto Balde Cheio: Transferência de
tecnologia na produção leiteira - Estudo de caso do sítio Boa Vista, de Elisiário, SP.
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CAMARGO, A.C.; NOVAES, N.J.; NOVO, A.L.M.; MENDONÇA, F.C.; MANZANO, A.;
ESTEVES, S.N.; STIVARI, A.; MORICHITA, O.; KATAYAMA, L.; RIBEIRO, W.M.;
FARIA, V.P. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira -
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técnico 72).

CAMARGO, A.C.; NOVAES, N.J.; NOVO, A.L.M.; MENDONÇA, F.C.; MANZANO, A.;
ESTEVES, S.N.; STIVARI, A.; NISHIDA, A.T.; KAKIDA, Y.; SENA, M.S.; SINICIATO,
J.A.B.; SANTOS, F.L.; FERNANDES, J.E.S.; UMEHARA, E.; RIBEIRO, W.M.; FARIA,
V.P. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira - Estudo de
caso do sítio São Carlos, de Irapuru, SP. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste,
2006d. 8p. (Embrapa Pecuária Sudeste, Comunicado técnico 73).

CAMARGO, A.C.; NOVAES, N.J.; NOVO, A.L.M.; MENDONÇA, F.C.; MANZANO, A.;
ESTEVES, S.N.; STIVARI, A.; VICENTE, J.M.; SEGUNDO, M.A.F.; ROSSETTI, R.C.;
RIBEIRO, W.M.; FARIA, V.P. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na
produção leiteira - Estudo de caso do sítio São João, de Monte Castelo, SP. São
Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2006e. 8p. (Embrapa Pecuária Sudeste,
Comunicado técnico 75).

NOVO, A.L.M.; SCHIFFLER, E. Princípios básicos para a produção econômica de leite. São
Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2006. 33p. (Embrapa Pecuária Sudeste,
Documentos 49).

TUPY, O.; PRIMAVESI, O.; CAMARGO, A.C. Avaliação dos impactos econômicos, sociais e
ambientais de tecnologias da Embrapa Pecuária Sudeste. 4. Técnicas de produção
intensiva aplicadas a propriedades familiares produtoras de leite. São Carlos: Embrapa
Pecuária Sudeste, 2006. 38 p. (Embrapa Pecuária Sudeste: Documentos 57).

Assim. Novo & Schiffler (2006) argumentam que os índices de produtividade das fazendas ainda são baixos. bem como os resultados alcançados. sediado em Flórida paulista. Atualmente. SP. Método O estudo em questão se baseia em a) dados secundários obtidos a partir de documentos e b) dados primários obtidos por meio de pesquisa qualitativa. Contudo. distribuídos em nove Estados. o objetivo do Projeto Balde Cheio é promover o desenvolvimento da pecuária leiteira.responsável pelo pagamento das despesas de viagem no Estado de São Paulo e entidade com a maior quantidade de técnicos extensionistas envolvidos no Projeto. SP. Os principais resultados obtidos são a recuperação da importância da extensão rural como fator fundamental para o desenvolvimento do setor e o resgate da dignidade do produtor rural e a fixação da família no campo. O presente trabalho tem por objetivo relatar e descrever as experiências do Projeto Balde Cheio. b) chácara São Francisco. utilizando-se do método de estudo de caso com entrevistas com os agentes coordenadores e/ou realizadores do projeto Balde Cheio. pelo período de quatro anos.coordenador das atividades no Estado da Bahia. localizado em Elisiário. com baixa capacidade de suporte. Cooperativa de Laticínios de Guaratinguetá e Sindicato Rural de Guaratinguetá - . Esta situação trouxe novas exigências. A principal estratégia de ação da equipe da Embrapa Pecuária Sudeste é a visita de acompanhamento quadrimestral às unidades de demonstração. Apesar de toda a tecnologia disponível. Nesse processo. caso haja concordância entre os envolvidos. o Projeto Balde Cheio está implantado em 348 municípios brasileiros. Caracterização do projeto Balde Cheio Os parceiros atuais no projeto e suas respectivas responsabilidades são: Banco do Nordeste . mantidas em solos de pouca fertilidade. durante os quais as tecnologias são propostas. Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo . utiliza-se pastagens degradadas. na maior parte das propriedades as vacas são subnutridas. coordenado pela Embrapa Pecuária Sudeste. quando pela primeira vez o País conseguiu ser superavitário na sua balança láctea. diferindo pouco dos observados em décadas passadas. discutidas e implementadas.foi um marco. Essas propriedades familiares servem de exemplo para demonstrar a sua viabilidade técnica e econômica. bem como para produtores de leite. aplica-se uma metodologia em que propriedades leiteiras de cunho familiar são utilizadas como “sala de aula prática”. O ambiente para o estudo foram as propriedades rurais a) sítio Boa Vista. para extensionistas de entidades públicas ou privadas. mediante o processo de transferência de muitas dessas tecnologias já disponíveis. como a qualidade do leite e o baixo custo era e ainda é um dos maiores atrativos do produto brasileiro.

realização de exames de brucelose e de tuberculose nos animais. utilização de fertilizantes orgânicos. a utilização de um quadro dinâmico de controle reprodutivo. reposição e preservação de matas ciliares.. Prefeituras dos municípios participantes co-responsável pelo pagamento das despesas de viagem. Sindicatos Rurais de Nioaque (MS) e São Gabriel d’Oeste (MS) – responsável pelo pagamento das despesas de viagem nos respectivos municípios. Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG) . deve visitar outros produtores com experiência no processo de intensificação da produção. (CONFEPAR) responsável pelo pagamento das despesas de viagem nos Estados do Mato Grosso do Sul. SP e corpo técnico envolvido no Projeto. tais como conservação do solo. tais como planilhas de controle e de análise de custo de produção e de controle zootécnico. buscando obter informações técnicas e . Cooperativa Nacional Agroindustrial (COONAI) . Além disso.responsável pelo pagamento das despesas de viagem nas respectivas regiões de atuação. acompanhado pelo extensionista da região.responsável pelo pagamento das despesas de viagem no Estado de Minas Gerais.coordenador das atividades no Estado do Tocantins. através de sua Superintendência local. coordena as atividades do Projeto no Estado do Acre. Sistema Agroindustrial Integrado do SEBRAE nas regiões de Bauru e Guaratinguetá . Esse conjunto de técnicas é complementado com o uso de planilhas de controle zootécnico e econômico.responsável pelo pagamento das despesas de viagem na região de Guaratinguetá.responsável pelo pagamento das despesas de viagem na região de Franca. que compreende um conjunto escalonado e articulado de técnicas de produção intensiva. Para isso. Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado do Rio de Janeiro (SENAR . manejo intensivo de pastagens tropicais adubadas e irrigadas. Cooperativa Central Agro-Industrial Ltda. a melhoria no padrão genético do rebanho. além de técnicos envolvidos no Projeto. a identificação dos animais.RJ) responsável pelo pagamento das despesas de viagem no Estado do Rio de Janeiro e corpo técnico envolvido no Projeto. SEBRAE . plantio de árvores para sombreamento e uso de técnicas para irrigação da pastagem. têm possibilitado tornar rentável a atividade leiteira nas pequenas propriedades familiares e consequentemente transformá-las em atividade fixadora do homem no campo (TUPY et al. O projeto prevê a transferência de um pacote de conhecimentos e tecnologias para o pequeno produtor de leite. recuperação da fertilidade do solo. de higiene e de qualidade do leite. Ministério da Agricultura. 2006). Pecuária e Abastecimento (MAPA). Paraná e Santa Catarina e corpo técnico envolvido no Projeto. utilização de cana-de-açúcar + uréia no período da seca. o uso de instrumentos de controle gerencial.TO . a anotação de dados climáticos (chuva e temperatura máxima e mínima). manejo rotacionado das pastagens. Antes de iniciar o processo de mudança e aplicar essa ou aquela tecnologia. e a aplicação de práticas associativistas. o produtor deve compreender a nova postura a ser empregada em seu negócio.

e ajustar o plano de acordo com essa realidade. disponibilidade de insumos. para que sirva como ‘sala de aula’ e ao mesmo tempo. em São Carlos (SP) ou a outra Unidade de Demonstração (UD) qualquer. principalmente naqueles que atendem às exigências básicas das vacas leiteiras (NOVO & SCHIFFLER. onde serão explicadas as etapas do Projeto. inferior a 10 ha). Após a decisão de mudança. Antes. ter como principal fonte de renda a atividade leiteira e não possuir outras fontes de renda além da atividade rural. No início do plano de trabalho. A maioria das fazendas ou sítios possui animais improdutivos. • Orientar técnicos. Esta propriedade (UD). Feito o planejamento e definidos os recursos disponíveis. em razão da dificuldade de obtenção de crédito bancário para investimentos. disposição de aguadas e de sombra e qualificação da mão-de-obra). qualidade das vias de acesso. 2006). as principais limitações e as principais vantagens para a produção intensiva de leite na região (clima. durante os quais as . com orientação técnica. investindo em fatores produtivos. • • Visita dos técnicos interessados e dos produtores por eles selecionados à Embrapa Pecuária Sudeste ou a outra UD.econômicas e avaliar o trabalho do profissional que possivelmente lhe dará assistência. deverá ser de cunho familiar. A estratégia de ação do projeto consiste das seguintes etapas: • Visita dos técnicos interessados à Embrapa Pecuária Sudeste. existência de energia elétrica e de empresa ou cooperativa idônea para compra do leite. animais em crescimento pouco desenvolvidos. etc. situação reprodutiva e sanitária do rebanho. que possibilite visualizar como o negócio estará dentro de alguns anos. como exemplo para os outros produtores que se interessarem. para verificar se ela se adequa ao perfil exigido no Projeto. de pequeno porte (de preferência. o primeiro passo deve ser analisar.) e na propriedade (disponibilidade atual de volumosos. Visita dos técnicos da Embrapa Pecuária Sudeste à propriedade selecionada na companhia dos técnicos responsáveis. é necessário que um médico veterinário examine o rebanho. mesmo que o montante inicial seja pequeno. • Visitas de acompanhamento quadrimestral dos técnicos da Embrapa Pecuária Sudeste às unidades de demonstração. As mudanças propostas exigem investimentos para solução das principais limitações apontadas no planejamento. produtor e técnico devem conversar claramente sobre as reais condições de investimento e de condução da atividade. sem prejuízo para a produção atual ou para o futuro do rebanho. como vacas secas ou vazias. que podem ser vendidos. ou animais de lida em excesso. pelo período de quatro anos. inicia-se a implantação do projeto. Em seguida é realizado o planejamento deve prever dificuldades e conter a previsão de crescimento para médio e longo prazo. Entretanto. no sentido de selecionar uma propriedade. os recursos para o início do trabalho devem ser gerados dentro da propriedade. topografia. para identificação dos animais improdutivos. porém.

de princípios e de conhecimentos. Tabela 1.tecnologias são propostas. 2 e 3 também são exigências para as propriedades assistidas (PAs) do projeto. além disso. em função da demanda gerada. A Tabela 1 apresenta a seqüência cronológica das ações implementadas no sítio Boa Vista após o mesmo integrar o projeto Balde Cheio. Elisiário. Estas visitas são realizadas em companhia dos técnicos responsáveis. 2006b). SP. entidade pertencente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.. SP. Os itens 1. o trabalho seria tão somente de assistência técnica. • Avaliar o desempenho dos técnicos responsáveis. Seqüência cronológica da implantação do projeto Balde Cheio no sítio Boa Vista. O sítio possui área total de 26 ha. Este produtor foi selecionado e é acompanhado por extensionistas da região abrangida pelo Escritório de Desenvolvimento Rural de Catanduva. missão que não cabe à Embrapa.PAs). é fundamental a colaboração de pelo menos um extensionista do município. que faz parte da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Estudo de caso 1 O primeiro estudo de caso trata-se do sítio Boa Vista de propriedade de Antonio Fernandes Rodrigues. o que limitaria a abrangência do projeto (CAMARGO et al. Para auxiliar na tomada de decisão e como contrapartida. Por se tratar de um projeto de desenvolvimento. via implantação do mesmo tipo de conceito de exploração leiteira em outras propriedades (Propriedades Assistidas . Data Junho de Ação O médico veterinário coordenador do Projeto Balde Cheio na região de Catanduva e o . Sem a presença desse agente. as propriedades selecionadas para serem ‘sala de aula’ recebem o seguinte material/serviço: • • • • • • • • • • Planilhas para controle econômico e zootécnico da atividade Análise do solo Levantamento sanitário do rebanho em relação à brucelose e tuberculose Levantamento planialtimétrico detalhado Identificação dos animais pertencentes ao rebanho através de brincos numerados Fita para pesagem mensal das fêmeas em crescimento do nascimento à parição Pluviômetro Termômetro de máxima e mínima Quadro magnético circular para gerenciamento da reprodução do rebanho Quadro magnético circular para gerenciamento do crescimento de bezerras e novilhas. SP. apenas o produtor assistido seria beneficiado. discutidas e implementadas. pois a transferência de tecnologia envolve discussão de conceitos. localizada em Elisiário. caso haja concordância entre os envolvidos.

2002 Agosto de 2002 Setembro de 2002 Novembro de 2002 Fevereiro de 2003 Maio de 2003 Agosto de 2003 Outubro de 2003 Dezembro de 2003 Janeiro de 2004 Março de 2004 Julho de 2004 Outubro de 2004 13 de outubro de 2004 26 de outubro de 2004 Abril de 2005 Agosto de 2005 Janeiro de 2006 engenheiro agrônomo extensionista da Casa da Agricultura de Elisiário. Os extensionistas apresentaram os resultados positivos da semeadura da aveia preta entre as touceiras de capim-mombaça na produção de leite. SP. O produtor.8064. a vazão do equipamento de irrigação e foi acordado que a área de preservação permanente seria demarcada e isolada. Realizou-se a “tarde de campo” no sítio Boa Vista com a presença de mais de 400 pessoas (Figura 1). com fosso para o ordenhador e com espaço para três vacas de cada lado. divisão da área com cerca elétrica em 28 2 piquetes de 360 m . seu filho e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Palmeira d’Oeste e de Santa Albertina. mas. adquiriu outras nove novilhas no início de julho. A equipe do projeto foi informada que o produtor havia comprado 22 vacas. O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Américo de Campos e de Cosmorama na região de Votuporanga. para formação de um segundo módulo de piquetes e o plantio de 0. A equipe do projeto observou que a aplicação de calcário e a roçada dos piquetes tinham sido iniciadas em ambos os módulos de piquetes do capim-mombaça. SP e a unidade de demonstração de Cardoso na região de Votuporanga. Nesta visita verificou-se a erradicação das antigas culturas de abóbora e de quiabo para a semeadura de Capim-mombaça. Silveiras). integrando a equipe do projeto.5 ha de cana-de-açúcar.7 ha de capim-tifton entre os pés de tangerina.5536. Com a anuência dos extensionistas. A equipe do projeto confirmou o plantio de cana-de-açúcar no início de abril. Combinou-se adubar o canavial de acordo com a análise do solo. A partir de outubro de 2004.8 ha de capim-mombaça. colocar brinco nas vacas compradas. O produtor apresentou a nova sala de ordenha mecânica com piso de alvenaria. A área de proteção permanente foi cercada. avaliação mensal do peso das novilhas e bezerras por meio de fita apropriada que transforma o perímetro torácico em peso corporal. o médico veterinário extensionista da Casa da Agricultura do município vizinho de Ibirá.000 litros foi emprestado do laticínio comprador do leite.5486 e de 0. todas na região de Dracena. Irapuru. Tinha também concretado a entrada da sala de ordenha (curral de espera). O novo módulo de piquetes de capim-mombaça foi dividido em 27 piquetes de 250 m2. Queluz. identificação individual do rebanho e conferência das anotações dos dados climáticos. ambas com cupinicida no sulco. plantando em seu lugar o capim-tifton. SP. Nesta visita de acompanhamento verificou-se o plantio de 1 ha da cana-de-açúcar variedade RB-92. unidade de demonstração em São Carlos. Orientado pelos extensionistas. correção do solo. acompanhados do produtor visitaram a Embrapa Pecuária Sudeste e a chácara São Miguel.5 t de caroço de algodão para suprir a necessidade alimentar de vacas de maior produção. erradicou-se o pomar de tangerina. Constatou-se a irrigação por gotejamento numa gleba de 0. Comprou-se de 3. não houve comprometimento do planejamento estabelecido para a alimentação. O “quadro circular de gerenciamento dinâmico da reprodução do rebanho” e capacitação foram providenciados e foi proposto a redução da adulação recomendada nos piquetes de capim-mombaça em função do subpastejo. Formou-se um viveiro de 800 m2 de capim-tifton e adquiriu-se sete novilhas com idade de 12 meses. Em visita de acompanhamento informou-se a adução do pasto. com a concordância de todos. Realizou-se a semeadura do Capim-mombaça. passou a fazer o controle reprodutivo mensal do rebanho. Verificou-se a semeadura de 0. SP. e a divisão de metade da área plantada com o capim-tifton em 20 piquetes de 710 m2. econômicos e zootécnicos em planilhas fornecidas pela Embrapa Pecuária Sudeste. para possibilitar a regeneração natural. O produtor e os extensionistas participaram de visitas às unidades de demonstração do Vale do Paraíba (Guaratinguetá. para conhecer diferentes tipos de salas de ordenha. em área de 0. SP. O tanque de expansão com capacidade para 1. aquisição de equipamento de irrigação para 1 ha de pasto. ambas na região de Jales.5 ha da variedade RB-85. SP.5 ha da variedade RB-83. como havia descartado outras matrizes. Panorama e São João do Pau d’Alho. roçar o . Os extensionistas e o filho do produtor visitaram as unidades de demonstração de Flórida Paulista. 12 a mais do que fora combinado. Monte Castelo. o produtor iniciou a venda de algumas vacas do rebanho. O produtor.

e várias mudas de árvores haviam sido plantadas. Início do projeto (jul/2002 a jun/2003) Área utilizada para a produção de leite (ha) Área de proteção ambiental (ha) Produção diária de leite (litros) Leite produzido no ano (litros) Maior produção diária obtida (litros) Vacas em lactação (animal) Vacas em lactação (%) Produção por vaca do rebanho por dia (litros) Ordenha Refrigeração do leite da 2a ordenha Controle leiteiro Cobertura das vacas 17.7 Manual.2 70. Nos resultados econômicos considerou-se R$600. 2 vezes ao dia Tanque de expansão Mensal inseminação artificial.1 Mecânica.5 260 94. com sêmen de touros da raça Holandês Preto e Branco capim-mombaça irrigado Alimentação volumosa básica do . adubando-o logo em seguida e plantar árvores para prover sombra aos animais. o que não se verificava anteriormente. “Tarde de campo” do sítio Boa Vista.5 -80 29. Tabela 2.. 2006b. Elisiário. Figura 1. Principais resultados obtidos com o projeto balde Cheio no sítio Boa Vista.4 9. 1 vez ao dia Não existia Não existia monta natural. SP. Verificou-se que as vacas adquiridas já apresentavam novos brincos. Embora não esteja expresso em números. Elisiário. os piquetes de capim-tifton haviam sido numerados. com touro nelore Capim-braquiarão e Após 4 anos de participação no projeto (set/2005 a ago/2006) 10 2.Maio de 2006 capim-tifton. SP.900 430 20. Fonte: Adaptado de Camargo et al.00/mês o pró-labore do produtor. A tabela 2 resume os principais resultados obtidos no sítio Boa Vista após a implantação das técnicas propostas pelo projeto Balde Cheio. quando um dos filhos mudou-se para a cidade na expectativa de emprego.200 80 12. com a numeração da propriedade. um benefício evidenciado foi a melhora da auto-estima do produtor após verificar que sua propriedade poderia sustentar a família.9 60 3.

205. na entrada do próximo período de chuvas.50 Fonte: Carmargo et al.rebanho Renda total (venda do leite + venda de animais) Despesas de custeio Margem bruta Preço recebido pelo litro de leite cana-de-açúcar + capim-elefante no cocho R$ 30. pelo fato de não terem sido encontradas mudas da variedade desejada de 2003 (RB-85. em sociedade. na região de Jales. econômicos e zootécnicos foram conferidas. SP. o rebanho foi todo identificado com brincos numerados e as anotações dos dados climáticos. 2003 Maio de Verificou-se que. A tabela 3 apresenta a seqüência cronológica das vistas de acompanhamento realizadas pela equipe do projeto à propriedade e as visitas realizadas pelo produtor e extensionistas a outros participantes do projeto Balde Cheio. de Palmeira d’Oeste e de Santa Albertina. na área de expansão do futuro canavial. SP. Setembro A equipe do projeto constatou que a área plantada com cana-de-açúcar era menor do que a combinada. Na área implantada com capim-mombaça. além de promover a limpeza geral. como a numeração 2003 dos piquetes e a instalação de um bebedouro próximo à área de sombra para as vacas. implantou-se um viveiro de capim-tifton. além de as recomendações terem sido atendidas. recomendando-se roçar os piquetes um a um. Nesta primeira visita de acompanhamento. 2006b. havia também eliminado a pequena criação de suínos.571.78 R$ 48.5536).530. SP).5 ha para ser plantada com cana-de-açúcar. Flórida Paulista. Novembro O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Nova Canaã de 2002 Paulista.8ha).33 R$ 0.0 ha).70 (em domicílio) (1.90 R$ 9. SP. de acordo com a produção verificada no controle leiteiro. Seqüência cronológica da implantação do projeto Balde Cheio na Chácara São Francisco. Abril de O produtor e os extensionistas visitaram a unidade de demonstração de Nhandeara (região de São José do Rio Preto. com o histórico produtivo e reprodutivo.30 R$ 21. o produtor realizou a adubação e implantou o conceito de pastejo de ponta e de repasse. capim-tifton (3. para adubação verde.637. de acordo com o combinado. havia sobra excessiva de forragem em conseqüência do subpastejo do capim-mombaça. capim-braquiarão e cana-deaçúcar (2. coletado a amostra do solo e preparado uma pequena gleba para o plantio de pasto. Data Fevereiro de 2002 Outubro de 2002 Ação Produtor participa de palestra sobre o projeto Balde Cheio em Junqueirópolis. Estudo de caso 2 O segundo estudo de caso trata-se da chácara São Francisco de propriedade de . Janeiro Destacou-se a aquisição de um tanque de expansão com capacidade para 500 litros de de 2004 leite. SP. A propriedade possui área total de 7.2 ha e é acompanhado por extensionistas da região abrangida pelo Escritório de Desenvolvimento Rural de Dracena. Os animais do rebanho passaram a ter uma ficha individual. O produtor realizou adequadamente a adubação dos piquetes. Tabela 3.107.11 R$ 36. sendo a gleba dividida em 28 piquetes de 350 m2. SP. Ainda. contratou a perfuração de um poço artesiano em parceria com quatro produtores vizinhos e a equipe do projeto montou o “quadro circular de . a equipe da Embrapa Pecuária Sudeste verificou que o produtor.633. O produtor também ampliou a área de capim-tifton e preparou outra gleba de 0..60 R$ 0. O pastejo nos piquetes foi iniciado em de 2003 janeiro de 2003.0 ha) no cocho R$ 85. separando as vacas em lactação em dois grupos. e a semeadura da leguminosa Crotalaria spectabilis. localizada em Flórida Paulista.1 ha. Janeiro A equipe da Embrapa constatou que o capim-mombaça fora semeado em área de 1.

consequentemente. Setembro O produtor apresentou aos participantes do projeto. visando ao aproveitamento da área úmida de 1.2480. SP) viram a sobressemeadura da aveia em piquetes de capim-mombaça. de de 2005 Lourdes (região de General Salgado.Março de 2004 Maio de 2004 gerenciamento dinâmico da reprodução do rebanho” e capacitou o produtor. O produtor implantou mais 6. Foi iniciada a roçada da área formada com capimmombaça (sem irrigação) e. (c) não criar bezerras ou novilhas. Verificou-se a aquisição de três vacas e o plantio de mais 2. SP). SP) e na unidade de 2004 demonstração de Cardoso (região de Votuporanga. Setembro Visitaram as unidades de demonstração de Lavínia (região de Andradina. SP) e observaram o método Lavínia de plantio do capim-tifton. (b) intensificar o descarte de vacas.5 ha.8064). em razão da necessidade de alimento volumoso. Setembro O capim-tifton foi dividido em 20 piquetes de 300 m2. que estejam no início da segunda lactação. ele poderia adquirir até cinco vacas. em função da futura disponibilidade de forragem.. sua adubação. As informações e os dados da propriedade foram checados pela equipe do projeto e a visita de um especialista sugeriu: (a) testar a introdução de capins tolerantes ao encharcamento do solo. Outubro Discutiu-se a futura divisão do segundo módulo do capim-tifton e a adubação da área do de 2005 capim-tifton (irrigado) que não foi interrompida. Fonte: Adaptado de Camargo et al. A tabela 4 resume os principais resultados obtidos na chácara São Francisco após a implantação das técnicas propostas pelo projeto Balde Cheio. O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Bastos (região de Tupã. melhorando a produção de forragem na estação seca. como estratégia de manejo. O produtor tentou a técnica de inseminação artificial. as dificuldades de sobrevivência e o uso de um fosso para ordenha mecânica feito diretamente na terra. Dezembro Visitaram as unidades de demonstração de Cruzeiro e de Lavrinhas (região de de 2004 Guaratinguetá) e as de Jacareí e de Paraibuna (região de Pindamonhangaba).35 ha) de cana-de-açúcar 2005 (RB-92. na área em que fora plantado o adubo verde. o canavial plantado em 2003 tombou. SP) e de Reginópolis (região de Bauru). Optou por esperar mias 2 anos até o filho pudesse se capacitar na técnica. o capim-tangola e o capim-setária. fora da área de proteção ambiental. com contenção do tipo espinha de peixe. SP) e de Pontalinda (região de Jales. sua nova aquisição: um de 2006 equipamento para a realização da ordenha mecânica das vacas e comentou ainda que a semeadura de forrageiras de clima temperado (aveia e azevém). Foi combinado com o produtor que. mas não seguiu adiante em função do custo do inseminador. 2006c. Abril e O produtor e os extensionistas visitaram as unidades de demonstração de Ibirá e de Junho de Sales (região de Catanduva) e de Regente Feijó e de Taciba (região de Presidente 2005 Prudente). Julho e Visitaram as unidades de demonstração de Marinópolis e de São Francisco (região de agosto de Jales. Esta prática estimula a interação e troca de experiências entre os participantes do projeto. se houvesse a oportunidade. com orgulho. A área do capimtifton estava praticamente implantada. como o capim-angola. Uma evidência interessante e que muito colabora na adoção de novas técnicas pelos produtores rurais é a promoção de excursões de visitas às unidades demonstrativas em diferentes regiões. Junho de Constatou-se a aquisição de quatro matrizes e o novo talhão (0. Fevereiro de 2005 Realizou-se a adubação das pastagens em quantidade menor do que o sugerido e procedeu-se o controle de cigarrinhas-de-pastagem e de lagartas.500 m2 da cana IAC-86. . para o aproveitamento máximo da pequena área útil da chácara e (d) repor animais descartados mediante aquisição de vacas prenhes. Março de 2006 Três vacas de pouca produção foram substituídas por outras duas de melhor desempenho. O produtor tomou a decisão de não mais arrendar terra para plantio de milho. ficando acordado o planejamento da divisão em piquetes. de preferência. o que viria a prejudicar a colheita. Como conseqüência de um vendaval. visando à melhoria da produção de leite individual. SP) a de Taciba (região de Presidente Prudente.500 m2 de capim-tifton numa área de antiga plantação de maracujá. sobre o capim-tifton irrigado. mesmo durante o inverno. havia sido um sucesso. numa área passível de irrigação por de 2004 gravidade.

No estudo de caso 1 o ganho de produção por animal foi de 145% e o ganho de produção de leite no ano foi de 225%.279.Tabela 4. Entre 1999 e 2000.64 R$ 6.72 R$ 0.7 10 Mecânica. social e ambiental do projeto Balde Cheio e verificaram que os ganhos em produtividade.200 40 6 60 2. e um dos ganhos sociais do projeto. Nos casos apresentados anteriormente os ganhos em produtividade foram ainda mais significativos. Resultados Os principais resultados obtidos são a recuperação da importância da extensão rural como fator fundamental para o desenvolvimento do setor e o resgate da dignidade do produtor rural.65 ha) e cana-de-açúcar (0.198. TUPY et al.07 R$ 0. SP. Em muitos casos. de 38. o Projeto Balde Cheio contribui para a fixação da família no campo (CAMARGO et al. Dessa maneira. houve um .5 25 9.. foram de 18% (média das propriedades). Embora em ambos os casos tenha havido um aumento nas despesas de custeio após a implantação das técnicas de intensificação promovida pelo projeto Balde Cheio. a mudança na eficiência técnica foi em média de 41.1%.7 0. é a volta ou permanência dos filhos na propriedade rural com dignidade e renda para manter a família (Camargo et al. capim-mombaça (1.50 Renda total (venda do leite + venda de animais) Despesas de custeio Margem bruta Preço recebido pelo litro de leite Fonte: Carmargo et al. 1 vez ao dia Não existia Não existia Monta natural com touro nelore capim-braquiária (2. 2006). (2006) realizaram a avaliação dos impactos econômico. enquanto que no caso 2 foi de 717% e 300%. 2006c.72 R$ 17.57 R$ 4.5 ha) e cana-de-açúcar (0.6% e entre 2000 e 2001.6 ha). Início do projeto (set/2002 a ago/2003) Área utilizada para a produção de leite (ha) Área de proteção ambiental (ha) Produção diária de leite (litros) Leite produzido no ano (litros) Maior produção diária obtida (litros) Vacas em lactação (animal) Vacas em lactação (%) Produção por vaca do rebanho por dia (litros) Ordenha Refrigeração do leite da 2a ordenha Controle leiteiro Cobertura das vacas Alimentação volumosa básica do rebanho 6.360.00 R$ 20.. verifica-se que algum dos filhos do produtor foi ou tem intenção de ir residir na cidade com o objetivo de trabalhar para obter renda adicional para a família.48 Após 4 anos de participação no projeto (set/2005 a ago/2006) 4.7 206 75.214. 2 vezes ao dia Tanque de expansão Mensal Monta natural com touros da raça Holandês Preto e Branco capim-tifton irrigado (0.016.. Flórida Paulista. capim-tifton de sequeiro (0.190 302 15.0 ha). respectivamente. 2006b.8 76.5 2.5 Manual. e). avaliados no período de 1999–2001.919.9 ha) R$ 38.5 ha) R$10. Principais resultados obtidos com o projeto Balde Cheio na chácara São Francisco.

No caso 1 o ganho foi de 283% em relação à situação anterior e no caso 2 foi de 385%. Jucuruçu. Lagedão. Figura 3. ambas as propriedades também foram objeto de estudos de caso com resultados econômico. SP. Nhandeara. e). (2006a. Caravelas. d. Estado Acre (4 municípios) Bahia (13 municípios) Município Unidade de Demonstração Propriedades Assistidas Acrelândia. As propriedades “salas de aula” são denominadas Unidades de Demonstração e as Propriedades Assistidas são acompanhadas pelo extensionista do município. Prado. em Monte Castelo. Itamaraju. Palestra sobre o funcionamento do quadro de controle reprodutivo. SP. Tabela 5. Vereda. e a figura 3 mostra uma tarde de campo no sítio São José em Nhandeara (SP). Plácido de Porto Acre Castro Teixeira de Freitas Alcobaça. Senador Guiomard. Figura 2. Abrangência geográfica da ação do projeto Balde Cheio. Medeiros Neto. Itanhém .ganho expressivo na margem bruta da atividade leiteira. distribuídos em nove Estados conforme mostra a tabela 5. Nova Viçosa. Atualmente o Projeto Balde Cheio está implantado em 348 municípios brasileiros. Tarde de campo no sítio São José. Mucuri. A figura 2 ilustra uma palestra sobre o uso do quadro de controle reprodutivo no sítio São João. Outros resultados de estudos de caso de participantes do projeto Balde Cheio podem ser encontrados em Camargo et al. Ibirapuã. social e ambiental positivos.

Pindamonhangaba. Santo Antônio da Platina. Irapuru. Ribeirão Grande. Congonhinhas. Américo de Campos. Buri. Reginópolis. São Fidélis. Presidente Epitácio. Carmo do Cajuru. Goioerê. Santo Anastácio. Teodoro Sampaio. Leônidas Marques. Rubiácea. Jacareí. Birigui. Marilândia do Sul. Riversul. Sacramento. Gurinhatã Anahi. Santa Albertina. Nova Cantu Rio de Janeiro (28 municípios) Bom Jesus do Itabopoana. Álvares machado. Flórida Paulista. Presidente Bernardes. Itaporanga. Passos. Prudentópolis. Tomazina. Ribeirão Branco. Guapiaçu. Nova Laranjeiras. Avanhandava. Planalto. Uchôa. Serra Negra. Conselheiro Mairinck. Joanópolis. Ubiratã. Barbosa. Montes Claros. Paulo de Faria. Santo Antonio do Sudoeste. Arealva. São Sebastião do Alto. Campina da Lagoa. Atibaia. Marquinho. Glória de Dourados Aimorés. Monte Castelo. Taciba. São João. Monte Alegre. Marabá Paulista. Bom Jesus do Sul. Crequeira Cesar. Califórnia. Porangaba. Gurupi. Ribeira. Barracão. Bom Sucesso do Sul. Panorama. Joaquim Távora. Bastos. Patrocínio do Muriaé. Planaltina do Paraná. Queluz. Pitanga. Palmital. Jardim Alegre. Jandáia do Sul. Nanuque. Bom Jardim. Bom Jesus dos Perdões. Itapejara d’Oeste. Penápolis. Campos dos Goitacazes. São José de Ubá. Guaraciaba. Marinópolis. Piquerobi. Laranjeiras do Sul. Marumbi. Princesa. Centenário do Sul. São Jerônimo da Serra. Guarujá do Sul. São Luís do Paraitinga. Japira. Carmo. São Gonçalo. Patrocínio Paulista. Campanha. Caarapó. Sapopema. Carmo da Mata. Varre Sai. Pontes Gestal. Novo Horizonte. Vicentina. Santos Dumont. Bragança Paulista. Socorro. Ivaiporã. Faxinal. Honório Serpa. Ribeirão dos Índios. Dourados. Machado. Manoel Ribas. Apiaí. Mandaguari. Taquarivaí. Adamantina. Rio Bonito do Iguaçu. Virmond. Coronel Vivida. Espírito Santo do Turvo. Considerações finais . Riolândia. Ipiguá. Itaberá. Capanema. Paraibuna. Macuco. Taquaruçu. Altinópolis. Medeiros. Cardoso de Melo. Coronel Macedo. Sales. Santo Inácio. Ituiutaba. Londrina. Cunha. Comendador Levy Gasparian. Tupaciguara. Ibirá. Nova Prata do Iguaçu. Cândido de Abreu. Carmo de Minas. Tabapuã. Nova Aliança. Assaí. Bambuí. Alto Alegre. Loanda. Capão Bonito. Santa Salete. Urânia. Palma Sola. Itaperuna. Santa Maria d’Oeste. Piquete. Pinhalzinho. Terra Rica. Nova Londrina. Itajubá. Aperibé. Araxá. Carlópolis. São Francisco. Guaimbé. Urupês. Iacanga. Cachoeira Paulista. Cantagalo. Tombos. Jaguapitã. Arapongas. Rio das Flores. Guairaçá. São Lourenço d´Oeste. Nova Alvorada do Sul do Sul (13 municípios) Minas Bom Sucesso. Lunardeli. Itapeva. Lourdes. São Bento do Sapucaí. Ivinhema. Tupi Paulista. Regente Feijó. Quatis. São Miguel Arcanjo. Luz. Itirapuã. Guaratinguetá. Rio do Sul. Uru. Aspásia. Araguaína. Adolfo Pinto. Sud Mennucci. Laranjal. Mendonça. Chopinzinho. Flor da Serra do Sul. Paraíba do Sul. Vargem. Cruzeiro. Anchieta. Dois Vizinhos. Pato Branco. Divinolândia. Santa Maria Madalena. Janiópolis. Tocantins (6 municípios) Combinado. Jardim Olinda. Caconde. Resende. Colméia. Cesário Lange. Cardoso. Conceição de Macabu. Guzolândia. Pedra Bela. Apucarana. Getulia. Jundiaí do Sul. Roncador. Mariápolis. Nipoã. Anhumas. Itanhandu. Potirendaba.Mato Grosso Ponta Porã. Águas de Santa Bárbara. Cristais Paulista. Santa Isabel do Ivaí. Ibaiti. Bady Bassit. Florestópolis. Dirce Reis. Cap. Taubaté. Barbosa Ferraz. Irapuã. Guapirama. Divinópolis. Arapuã. Nioaque. Corumbataí do Sul. Clevelândia. Juranda. Piacatu. Augustinópolis. Nova Andradina. Ariranha do Ivaí. Guarantã. Quadra. São João da Boa Vista. Diamante do Norte. Porto Real. Rosário do Ivaí. Francisco Beltrão. Tupã. Guapiara. Natividade da Serra. Lidianópolis. Nuporanga. Ângulo. Inhapim Gerais (34 municípios) Paraná (97 municípios) Ortigueira. São Pedro do Ivaí. Onda Verde. Brejo Alegre. Igarapava. Itararé. Uberlândia. Itaju. São João do Caiuá. Rosana. Nazaré Paulista. Tatuí. São Gabriel d’Oeste. Dracena. Adolfo. Lima Duarte. Dionísio Cerqueira. Natércia. Quissamã. Valença. Pontalinda. Candói. Cambuci. Valentim Gentil. Lavrinhas. Deodápolis. Paty do Alferes. Araçatuba. Iguaraçu. Piumhi. General Salgado. Peruíbe. Porto Rico. Pedregulho. Piratininga. Canaã. Extrema. Rdenção da Serra. Tapira. Tamarana. Mirante do Paranapanema. Colorado. Nhandeara. Rinópolis. São José da Bela Vista. Ibiá. São Francisco. Astorga. São José do Cedro. Junqueirópolis. Paraguaçu Paulista. Santo Antonio do caiuá. Luiziânia. Paraíso do Tocantins Santa Catarina (9 municípios) São Paulo (144 municípios) Batayporã. Ibiporã. Elisiário. Mococa. Santo Antonio de Pádua. Espigão Alto do Iguaçu. Lagoinha. Fartura. Turvo. Vitória Brasil.

KATAYAMA..J. (Embrapa Pecuária Sudeste.M. (Embrapa Pecuária Sudeste.L. STIVARI.A. MANZANO. A.. A.M..M... A.A. S... DIAS.C.M.. A.E.... SINICIATO. MANZANO. RIBEIRO. FARIA.P...N. A. A. de Elisiário..C. SP. SANCHES. A..Referências bibliográficas CAMARGO.L.Estudo de caso do sítio São João. W. 2006e. MENDONÇA. 2006b..F. A.C..L. NOVO. CAMARGO.L..T. SP... Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira .C.Estudo de caso do sítio Boa Vista. 2006d. Comunicado técnico 71). 8p. W. SCHIFFLER. NOVO. A.C.J. SP.C. A. (Embrapa Pecuária Sudeste. MANZANO.. 33p. A. L. J. NOVAES. Comunicado técnico 73). São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste.L. N. NOVAES... H. MENDONÇA.. ESTEVES. Técnicas de produção intensiva aplicadas a propriedades familiares produtoras de leite. MANZANO..T..M. 4. de Irapuru. SP. N. de Flórida Paulista.M... A.N. (Embrapa Pecuária Sudeste: Documentos 57).. NOVO.L. 2006a. ESTEVES.. (Embrapa Pecuária Sudeste.P.F. SEGUNDO. A..M. A. 2006. CAMARGO. de Monte Castelo.. FAVARETO.. I. M. V. R. A.. S. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira Estudo de caso da chácara São Francisco. MENDONÇA. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. 8p. F.M. FARIA. QUINAGLIA NETO. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira . W..J. 8p. A.. J. V. N. RIBEIRO.F..P. SP..N. F.N. NOVO.Estudo de caso do sítio São Carlos. J. A... FARIA. A. CAMARGO. E. NOVO. ESTEVES. sociais e ambientais de tecnologias da Embrapa Pecuária Sudeste. PAGANI NETO. RIBEIRO. E. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. RIBEIRO. SENA.. S. MORICHITA. NOVAES.C. 38 p. KAKIDA.P. STIVARI. A.N. (Embrapa Pecuária Sudeste.. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira . 2006c.C. V. FARIA.... SANTOS JUNIOR.B... São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. J. CAMARGO..R. PRIMAVESI. NOVO..C.Estudo de caso do sítio São José. FARIA. Projeto Balde Cheio: Transferência de tecnologia na produção leiteira . O.C.P.. A. Comunicado técnico 74). de Nhandeara. MARQUES. W. N..J.S.C. CAMARGO.. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. Y. A.S. W. UMEHARA. MANZANO. P. O.J. ESTEVES.M. NISHIDA.M..M..C.. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. ROSSETTI. TOSCANO. F.. RIBEIRO.. A. Comunicado técnico 72).. F.M. VICENTE. (Embrapa Pecuária Sudeste. Princípios básicos para a produção econômica de leite..F. F. 2006. Avaliação dos impactos econômicos. N.. ESTEVES. O. NOVAES. V. SANTOS. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste. M. TUPY.C.A. Documentos 49). . MENDONÇA. STIVARI. MENDONÇA. 8p. C. 8p. S. V.M. F. Comunicado técnico 75). FERNANDES.. W.L. S. NOVAES. M.

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