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Pensamento e Linguagem

Este livro nos remete ao estudo de um dos mais complexos problemas da


psicologia, visando fazer uma rápida reflexão sobre um tema de fundamental
importância, sendo ele pensamento e linguagem.
O pensamento e a linguagem estão diretamente relacionados, pois ambas agem
em um processo condicionado, estando ligados, uma vez que a linguagem necessita do
pensamento para ser efetuada. A relação entre o sujeito e a realidade se faz sempre
mediada pelo outro. É através da linguagem, por meio desta e, da interação, que se
adquire um conhecimento nas relações interpessoais.
Vygotsky acredita que é através do significado da palavra que se encontram
respostas no que se refere ao pensamento e à fala. A linguagem é simultaneamente um
processo individual e um processo social. Sendo assim, a fala humana é um
comportamento de uso de signos dos mais importantes ao longo do desenvolvimento.
Através da linguagem a criança supera as limitações que existem no meio em que vive,
podendo controlar seu próprio comportamento. Por meio da linguagem o indivíduo
consegue expor o pensamento e comunicar-se, distinguindo-se assim dos outros seres
vivos.
Esta aquisição da linguagem pela criança se dá através da interação com o meio
social e da apropriação que ela faz de significados que aprende na convivência com
outras pessoas.
Entre pensamento e linguagem existe uma relação de fundamental importância,
pois a linguagem possui um papel essencial na construção do pensamento e do caráter
do indivíduo.
Por volta dos dois anos de idade, o pensamento e linguagem se cruzam
modificando o comportamento da criança, surgindo assim a fala racional e o
pensamento verbal. A criança passa a ter conhecimento e percepções próprias formadas
pela interpretação de fatos, isso desperta a curiosidade e a criança desenvolve seu
vocabulário, pois a comunicação permite a interação social e organiza o pensamento.
Com isso, “É no significado da palavra que o pensamento e a fala se unem em
pensamento verbal. É no significado, então, que podemos encontrar as resposta às
nossas questões sobre a relação entre o pensamento e a fala”. (Vygotsky, 2005, p. 5)
Vygotsky divide a aquisição da linguagem em três partes: a linguagem social,
que possui a função de dominar e comunicar, sendo esta a primeira linguagem que
surge. Depois a linguagem egocêntrica e a linguagem interior, intimamente ligada ao
pensamento.
A linguagem egocêntrica é a progressão da fala social para a fala interna, sendo
o processamento de perguntas e respostas dentro de nós mesmos estando próximo do
pensamento. Este processamento representa a transição da função comunicativa para a
função intelectual, nesta transição, surge a fala egocêntrica. . Importante aqui destacar
que este percurso na proposta de Vygotsky é de fora para dentro, enquanto que para
Piaget o percurso se dá de dentro para fora. Este é um importante ponto de divergência
entre estes autores.
Trata-se da fala que a criança emite para si mesma no momento em que está
concentrada em alguma atividade, pois esta planeja uma resolução para a tarefa durante
a atividade na qual está entretida.
A perda da vocalização egocêntrica faz com que a criança adquira a capacidade
de pensar as palavras sem precisar dizê-las, com isso inicia-se a fase do discurso
interior.
O pensamento não coincide de forma exata com o significado das palavras, vai
além, porém capta as relações entre as palavras de uma forma mais ampla que a
gramática o faz na linguagem escrita e falada. Contudo, o pensamento não se reflete na
palavra, realiza-se nela, pois é a linguagem que possibilita a constituição de um pensar
mais complexo e de sua transmissão. As palavras são mediadoras entre o pensamento e
o mundo e, sendo assim, têm o caráter de elemento de constituição da consciência de si
mesmo e do mundo. Vygotsky nos diz que a palavra é o microcosmo da consciência
humana.
Podemos dizer que a linguagem não depende da natureza do material que se
emprega, porém o meio de expressão não está na causa, mas sim no uso funcional dos
segmentos.
Um dos fatos mais importantes no estudo genético da relação entre pensamento
e a linguagem é que ambos passam por várias alterações, pois os processos de
desenvolvimento no pensamento e na linguagem não seguem trajetórias paralelas, mas
se cruzam em um movimento que se repete várias vezes. Eles se aproximam e se
afastam sem se confundirem ou se indiferenciarem.
No ser humano o pensamento estimulado pela utilização de objetos possui uma
ligação estreita com a linguagem e com os conceitos mais do que qualquer outra forma
de pensamento.
O ser humano por sua vez se difere dos animais, uma vez que este é racional,
logo pensa e age por meio desta racionalidade desenvolve uma linguagem própria de
sua espécie, por outro lado os animais desprovidos desta racionalidade possuem
linguagem própria, pois não fazem uso do pensamento com a linguagem.