COORDENANDO ORAÇÕES NA LÍNGUA PORTUGUESA

1

Erotilde Goreti Pezatti (UNESP/SJRP) A coordenação é uma técnica capaz de melhorar um texto. Ela consiste em combinar duas ou mais orações através de mecanismos de ligação. Aprenda no texto de Erotilde Pezzati como e quando se deve coordenar orações. No texto “Refletindo sobre a Língua Portuguesa”, você viu qual é a posição das orações no sistema de nossa língua, , e aprendeu como identificar, transcrever e analisar a estrutura de uma oração simples. Neste texto damos um passo a mais. Veremos agora como se articulam as orações, sabendo-se que há três estratégias de articulação: por coordenação, por subordinação, por correlação. Consideramos aqui a articulação por coordenação. Índice: 1. O que é coordenação de orações? 2. Como se faz coordenação? 3. Que tipos de orações podem ser coordenadas? 3.1 Coordenação de orações simples 3.2 Coordenação de orações dependentes 3.3 Coordenação de orações complexas 3.4 Coordenação de oração simples com oração complexa 4. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a adição 4.1 Valores discursivos da conjunção e entre orações 4.2 Outros valores semânticos da conjunção e 5. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a disjunção 5.1 Disjunção exclusiva e inclusiva 5.2 Disjunção entre orações 6. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a adversidade 7. Outras questões 8. Glossário

1

Camacho (1999) e Pezatti (1999) serviram de suporte para o texto que aqui se apresenta.

2

1. O que é coordenação de orações? A coordenação é um processo sintático que consiste em combinar duas ou mais orações, do mesmo nível estrutural, por meio de mecanismos de ligação. Isso implica que nenhuma das orações é subordinada a ou dependente de outra, ou seja, as orações devem ser equivalentes semântica e sintaticamente. Isso significa que se podem coordenar apenas orações idênticas, como em (1-1)a, b, c.
(1-1) a. b c eles pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação. D2 RJ 355 cheguei em casa, vi televisão e depois vim para cá pra pra conversar DID-SP-234:98 prefiro ficar assi/ a a aqui assistindo televisão ou dormindo ou lendo jornal DID RJ 328

2. Como se faz coordenação? No processo de coordenação, o mecanismo de ligação pode estar oculto e nesses casos a coordenação ocorre por justaposição, como em (2-1)a em que estão coordenadas duas orações independentes (alguns animais iam hibernar e outros imigravam para lugares mais quentes), ou pode estar expresso. Nesse caso denomina-se coordenação explícita e é constituída de uma ou mais conjunção que serve para indicar a relação coordenativa entre os membros, conforme se observa em (2-2), em que as orações entenderam e não gostaram estão ligadas por meio da conjunção mas.
(2-1) a. b. alguns animais iam hibernar, outros imigravam para lugares mais quentes EF SP 405 entenderam mas não gostaram, né? EF POA 278

3. Que tipos de orações podem ser coordenadas?

duas ou mais orações conservam sua integridade.] ele utilize essa informação em outros.2 Coordenação de orações dependentes É possível também coordenação de orações subordinadas.d: (3-1) a. desde que sejam do mesmo nível. como em (3-1)a.1 Coordenação de orações simples Na coordenação de orações simples (denominada absoluta. . c.3 Podem ser coordenadas duas ou mais orações desde que sejam sintática e semanticamente idênticas. em uma relação coordenada ou por justaposição. ou por coordenação explícita. pertençam ao mesmo nível estrutural. por meio de justaposição ou por coordenação explícita. como em (3-1)b. ele utilize essa informação em outros.. d. c. 3.. cheguei em casa. b. mas acho horrível o gosto puro da cebola em si D2 POA 291 3. na tradição gramatical). Assim podem-se coordenar orações simples. b. eu acho por exemplo. Em (3-2)a.ou criar uma imagem é mais ou menos a mesma coisa EF SP 405 então. uma vez armazenada esta informação. uma coisa imprescindível.. cebola.. em outras situações. orações dependentes (subordinadas) e orações complexas. b. mas que. ou seja. c.. duas orações subordinadas substantivas subjetivas (criar uma pessoa e criar uma imagem) e duas orações subordinadas substantivas objetivas diretas (que o aluno não fique apenas no nível de memorização e mas que [. ele vai desejar que o aluno não fique apenas no nível de memorização.. em outras situações ): (3-2) a. a gente não forma o médico pra ele sair da faculdade e exercer a profissão em qualquer lugar DID SSA 231 criar uma pessoa. c foram coordenadas respectivamente duas orações subordinadas adverbiais finais (ele sair da faculdade e exercer a profissão em qualquer lugar). vi televisão D2 RJ 355 eles pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação DID RJ 328 ou você não tem filhos ou vai ser é castrado EF RJ 379 bom.

Brás Cubas) 3. estabelecendo entre eles relações de adição. há coordenação de três orações. mas. Assis. que descreve o treino entre jogadores titulares e reservas de um time de futebol: a primeira oração simples os dois laterais subiam juntos está ligada por meio da conjunção e à oração complexa quando o time perdia a bola. (3-3) (Ele) estava certo de que ela nutria por mim verdadeira paixão.4 Coordenação de oração simples com oração complexa Pode-se coordenar também uma oração simples com uma complexa. como se observa em (3. quando o time perdia a bola.4 EF POA 278 3. 30/08/84 cheguei em casa. uma vez que são funcionalmente idênticas. . conforme se verifica em (3-3). Em (34)b. vi televisão e depois vim para cá pra pra conversar D2 RJ 355 O processo de coordenação constitui um mecanismo de construir enunciados complexos a partir de enunciados mais simples. disjunção e adversidade. sendo duas orações simples (cheguei em casa e vi televisão) e uma complexa (depois vim para cá pra pra conversar). o seu conselho seria negativo. em que a oração complexa Ele estava certo de que ela nutria por mim verdadeira paixão está coordenada a outra oração complexa se ela o consultasse. os reservas atacavam com perigo. JB. pois conservam cada qual sua integridade.3 Coordenação de orações complexas É possível ainda a coordenação de orações complexas. o seu conselho seria negativo. se ela o consultasse. (3-4) a b Os dois laterais subiam juntos e. denominada pela tradição gramatical de período composto. os reservas atacavam com perigo. (M.4)a.

. como mostrado acima. (4-2) agora. exatamente para dar um tom D2 POA 291 eles pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação. e continuar podendo comer EF SP 405 Duas orações só podem combinar-se se são mutuamente relevantes ou se compartilham de um tópico comum. DID RJ 328 É conveniente distinguir dois tipos de adição....5 4. em pelo menos dois conjuntos. conforme se observa em (4-4). (4-3) em função da necessidade de eu assegurar . casos em que a ordenação entre elas não pode ser alterada. como ocorre com (4-2).. A primeira admite mudança de ordem entre as orações coordenadas... em que o valor da conjunção se identifica com o conteúdo funcional-veritativo do operador lógico. o simétrico e o assimétrico. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a adição A relação de adição entre orações. como se vê em (4-3). em que o tópico comum é a parte idêntica de cada oração. como em (4-1)b. local em que haja condições do estudante ter aula e do professor dar a sua aula DID SSA 231 Apesar de a coordenação de orações ocorrer geralmente entre orações sintaticamente independentes. frita a cebola. a caça . é geralmente estabelecida por meio de justaposição. uma escola se compõe de um. sendo as orações independentes uma da outra. o que produz (4-4)b em vez de (4-4)a. um. Como a identidade se estende aos próprios itens lexicais. é exatamente o mesmo em forma e conteúdo.. para ser possível descrever o estatuto funcional dessa distinção. ou seja. de modo que um deles. um aspecto significativo é que a grande maioria das sentenças coordenadas representa casos de adição assimétrica.. (4-1) a b E põe junto a pimenta. . no português falado. raramente ocorre a expansão do segundo.. ou por meio de conjunção aditiva e. como em (4-1)a.

1971). ou podem ser. constituem casos-limite e por isso nem sempre têm aceitabilidade garantida: (4-7) José fuma três maços por dia e eu conheço muitas pessoas que sofrem de câncer. Existem enunciados. como (4-6) cuja identidade. (4-5) a. b. ou ainda do discurso prévio que compartilhou. João comprou o livro e o caderno.6 (4-4) a. já que fazer salada e lavar talheres constituem duas atividades parciais relacionadas ao domínio comum de cozinhar. e supri-lo com fatos adicionais que permitam estabelecer um elo entre uma parte de uma oração e uma parte da outra (cf. embora implícita. como (4-7). há enunciados. em termos de tópico comum. João comprou alimentos e os doou para o Orfanato. é incontestável. o interlocutor deve lançar mão de sua experiência ou conhecimento do mundo. as que fumam demasiadamente. Entretanto. com as remissões anafóricas de praxe. O tópico comum compartilhado nem sempre está explicitamente manifesto e identificável. Ele tem que fazer uma pressuposição sobre fumo e câncer e elaborar deduções baseadas nessas pressuposições e suas relações com os elementos manifestos no enunciado. (4-6) Maria está fazendo a salada e Paulo está lavando os talheres. Uma pressuposição está baseada no senso comum de que fumar demais provoca câncer. João comprou alimentos e João doou os alimentos para o Orfanato. que. O mesmo se aplica a orações coordenadas. Lakoff. como nos casos prototípicos observados em (4-4)a-b e (4-5)a-b. João comprou o livro e João comprou o caderno. Deduz-se que pessoas que contraem câncer são. b. estabelecendo-se um domínio comum entre José e as demais pessoas que fumam muito. como (4-5)a e sua paráfrase (4-5)b. . Para entender (4-7).

por um lado. na verdade. o primeiro membro do par é pressuposto para que o segundo seja interpretável. Maria está fazendo a salada e Paulo está pondo a mesa. e torna o discurso sem sentido. Já na assimétrica. Negar que eles pescam muito peixe de rio implica negar também sua conseqüência imediata possível. José está lavando os talheres. Essas propriedades não se aplicam à adição assimétrica (4-10a). a esse propósito. (4-10) c. pressuposições e deduções. o que significa. (4-10) a. José está lavando os talheres e Maria está fazendo a salada. como ocorre em (4-8)a-b e (4-9). b. ou seja. permitir livremente qualquer número de membros. de modo que (4-10a) e (4-10b) não são sinônimas por haver diferentes relações de causalidade entre as duas orações ligadas por e. (4-8) (4-9) a. ?eles não pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação Negar o primeiro membro de uma adição assimétrica resulta muito estranho. é José. mas não com o mesmo sentido original. que eles usam muito na alimentação. (4-6) e (4-7) representam casos de adição simétrica. 4-10b). todas são afirmadas. cuja alteração de ordem é possível (cf. para que enunciados como esses possam ter um tópico comum. para obter uma afirmação de identidade. no caso acima. cujo resultado deve envolver pelo menos um dos itens lexicais em cada membro da junção que. (4-10c). permitir a alteração da ordem das orações sem alteração de gramaticalidade e de significado e. Observe-se. DID RJ 328 eles usam muito na alimentação e pescam muito peixe de rio. Assim . por outro. Eu conheço muitas pessoas que sofrem de câncer. eles pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação. b. deve ser possível combinar itens explicitamente manifestos.7 Diferentemente dos casos explícitos de identidade semântica. José fuma três maços por dia e Maria fuma quatro. Na adição simétrica. nenhuma das orações conectadas é pressuposta.

(4-11) cheguei em casa. os membros não reteriam a junção causal ou implicacional. Extraídos do contexto. parte do significado de todo o enunciado. sucessão temporal de eventos. vi televisão e depois vim para cá pra pra conversar D2 RJ 355 O caso prototípico de impedimento da reversibilidade potencial da ordem das orações é constituído por pequenos fragmentos narrativos em que cada evento segue necessariamente o outro de acordo com a seqüência temporal.8 orações como (4-10)a-b não têm sua verdade determinada pela verdade de seus átomos. o conjunto inclui a idéia de que cada membro ligado leva ao outro e que nenhum seria verdadeiro. Na coordenação simétrica. cada membro retém sua integridade e nenhum adiciona significados ao outro. envolvendo. por outro lado. Na coordenação assimétrica. A ordem das orações é paralela à ordem dos eventos do mundo real.é aparentemente devida às convenções icônicas da ordem de palavras na narrativa. o conjunto é. nem uma cadeia de membros precedentes torna o último um membro ininteligível. assim. A assimetria de (4-10)a . cada membro da adição é independente do que o segue e do que o precede em qualquer parte da sentença completa. por exemplo. num certo sentido. Em si mesmo. maior do que a soma das partes. se os que o precedem não o fossem também. tornando-se desnecessário adicionar mais especificação da ordenação temporal aos eventos narrados. Além de encadeamento. atribuído a e depois de (4-11) abaixo. pois o e da adição se traduz aproximadamente como “e em seguida”.mudança de ordem = mudança de interpretação da sentença . como demonstra o exemplo (4-11) acima. perdendo-se. a conjunção e não indica sucessão temporal: tal valor semântico pode ser. nesse caso. mas a ordem das duas orações pode. por convenção. . ser icônica em relação à seqüência real dos eventos descritos. Em decorrência disso.

porque. não for possível fazer a pressuposição “x e y compartilham a propriedade z”. o que se faz é construir uma pressuposição a respeito de uma causalidade ou anterioridade temporal potenciais de um membro em relação ao outro. (4-13) a. é necessário que somente partes das orações ligadas possam ser relacionadas pela pressuposição. O tópico comum no tipo assimétrico de adição é a causalidade ou a anterioridade temporal. mas nesse caso. exatamente como se constrói uma pressuposição de similaridade entre as partes de duas orações simetricamente ligadas. Se. segundo Lakoff. b. já que uma pressuposição entre A e B autoriza a dedução de que A e B são similares. na adição simétrica. na adição simétrica. vai ao forno D2 POA 291 Outros casos menos nítidos de seqüenciação aparecem em (4-13)a-b que. Essa regra também se aplica à adição assimétrica. enquanto o predicado subjacente a uma das interpretações da conjunção assimétrica é “A segue B”.9 Há outros fragmentos de eventos não narrativos. c. então esse camarão é refogado com a cebola e põe junto a pimenta D2 POA 291 mexe apaga o fogo e põe dois ovos D2 POA 291 põe aquele refogado ali dentro e tapa. O predicado subjacente à conjunção simétrica é “A e B são similares”. sugerem a representação de diferentes fases num processo maior. Os dois tipos diferem. todavia. b. depois de um prazo o senhor paga tanto e pra entrar vai dar mais um tanto D2 RJ 355 eles pescam muito peixe de rio e usam muito na alimentação DID RJ 328 Os tipos simétrico e assimétrico de adição são semanticamente similares em função de uma relação inclusiva que torna a adição assimétrica apenas um caso especial da simétrica. não é correlativamente possível chegar à noção de “tópico comum” e obter uma interpretação aceitável de adição. que ainda assim representam uma seqüência cronológica. (4-12) a. representados abaixo pelas ocorrências (412)a-c. de .

mesmo na adição assimétrica. ?Eu pago cerveja para todo mundo e dez homens couberam no fusca. num tempo específico. Como isso se realizou. que o contrário não seria interpretável. cuja paráfrase está contida em (4-14)c. são as duas orações ligadas como um todo que contraem a relação e não partes delas. com o verbo pontual em primeiro lugar. a mera forma dos membros denuncia o fato de que não pode estar envolvida a adição normal do domínio do conteúdo. Lakoff afirma que. conforme se observa em (4-14)a. ele pagou cerveja para todo mundo. Como dez homens de fato couberam no fusca. sob a condição de que somente algo genericamente verdadeiro pode fornecer as condições para a realização de um estado de coisa num momento específico. se o emissor fez uma aposta de que pagaria a cerveja se seis homens coubessem num fusca. Em (4-14)b. c. o que aponta para o fato de (4-14)a constituir uma adição realmente assimétrica: (4-14) d. Dez homens couberam no fusca e eu pago cerveja para todo mundo. Eu apostei que dez homens nunca caberiam num fusca e que eu pagaria cerveja para todo mundo se coubessem. não seria possível interpretar (4-14)a. No entanto.10 modo a assegurar a dedução de um tópico comum. Observe-se. (4-14)b parece ser razoavelmente interpretável. inclusive. Dez homens cabem num fusca e eu paguei cerveja para todo mundo. mas o locutor realiza um ato de fala no segundo membro da coordenação. (4-14) b. parece ser aceitável uma assimetria modo-temporal correlativa. mas não o contrário. expresso no primeiro membro. (4-14) a. desde que o verbo do primeiro membro da adição apareça no tempo genérico e o verbo do segundo. Na adição assimétrica. decorrente do estado de coisa que de fato ocorreu. (4-14)a é interpretável. Na adição assimétrica. Essa interpretação se conjuga de fato muito . eu pago cerveja para todo mundo. O segundo membro da adição é um enunciado performativo e não constativo como o primeiro.

1989). não é.. representado pelas expressões grifadas.... permitindo. colocação do constituinte Foco no início da oração e interrogativa parcial. d..11 mais razoavelmente com o conteúdo da segunda oração que o faria uma leitura direta da adição de conteúdo.. atenção. 1989)... quer dizer você sente porque você não tem curvas assim muito fortes pra fazer. como clivagem. c.. assim... entendeu? características geométricas. fala chinês. Considerem-se.. e acontece que chega. prá aguentar um tráfego mais pesado. eu estou rotulando de incursões foram quaisquer tipos de quê? de relações.... DID RE 131 ele saiu de lá falando chinês. existentes neste país. e a melhor maneira que ele encontrava para se defender era atacando ... Considerem-se.1 Valores discursivos da conjunção e entre orações Há valores adicionais resultantes do emprego do coordenador e entre orações cujas relações dificilmente podem ser categorizadas como coordenação... (4-16) a. os filmes mostram né?.... EF RJ 469 tanto isso é verdade que tem despertado. e há pouco tempo tivemos inclusive um conclave. 4... como em (4-15d).. cê não sobe. as incursões do Japão procurando se defender.... D2 SSA 98 b. Dik. agora.. rampas violentas.. mediante o mecanismos sintáticos usuais.. cujas orações grifadas. Dik. todas introduzidas pela conjunção e... 1989) discursivo. espesso.. inicialmente. não desce rampas violentas. Dik. fala diversas línguas e tem um prato hindu que fazem na China D2 POA 291 L1 piso pavimento. os exemplos (4-15)a-d em que a função desempenhada pela conjunção é a de marcar mudança de Tópico* (cf. assumem a função de introduzir constituinte Foco* (cf. dos presidentes dos diversos sindicatos... e o pavimento em si que é um pavimento mais. como em (4-15a-c) ou introdução de Subtópico* (cf.. em função de aumento de ampliação de território que os japoneses tinham conhecendo outras áreas... (4-15) a. a continuidade e a progressão discursiva.. os enunciados (4-16)a-d. a Segunda Grande Guerra com o Japão realmente sendo uma das grandes potências.

. Observem-se os exemplos (4-18)a-b. nada nessa história acontece por acaso... se eu ganhasse assim na loteria e tal eu nunca jogaria em mercado de capitais D2 RJ 355 eu acho que é tudo um conjunto né::? deve ser::.. (4-18) a... DID RJ 328 não são esse tipo de fru. que eles usam muito. ATINGIR a um desenvolvimento global. estão entendendo a comparação que eu estou fazendo (com) com a economia americana? EF RJ 469 b. etc.12 b....... empregada para introduzir um constituinte focalizado na oração coordenada. né? e onde tem sobremesas .. ah maquiadores ah:: fundo música e::.. é na Bahia. Muito recorrente também é o uso de e para introduzir modalização epistêmica....... assim.. alguns dos quais representam mecanismos de modalização avaliativa.. EF RJ 469 Mas a ba/ as sobremesas que eles usam muito é. . Uma função estritamente discursiva. d.... e vejam que nem poderia . fizeram com que fosse perdida a guerra EF RJ 469 quer dizer realmente é uma economia ..... mas a gente foi adquirindo uma vivência da coisa né? e eu acho que o dinheiro todo que eu pudesse. sabe? quer dizer dentro do meu ponto de vista .. não fui preparado para isso.. econômicas e políticas etc.... né? se realmente a guerra foi perdida pelos países do eixo .. como se observa nos exemplos (4-17)a-b.... que não conseguiu ainda .. é que as condições sociológicas . apesar de ser ALTISSIMAMENTE industrializada . bom ocorre a guerra e.. mediante clivagem.. quindim. doce de coco. são tortas. (4-17) a. c. eu tenho a impressão que é um conjunto de de de trabalho:: medonho aquilo DID SP 234 b.. utilizandose expressões como acho que e tenho a impressão. que indicam a incerteza da opinião verbalizada. e os nomes realmente eu não guardei DID RJ 328 que tenha regido o cinema atualmente em comparação ao cinema dos anos anteriores e no se/ e no que seria notada essa diferença? DID SP 234 Uma outra função discursiva muito recorrente é a de introduzir comentário do falante. observa-se em (4-19)a-b.. completamente diferente daquelas que nós estamos acostumados aqui no Rio.. doce de coco por exemplo.

Esse limite é marcado pelo uso da conjunção e. Casos significativos desse limite são os exemplos (420)a-b: (4-20) a. eu por mim estaria só na escola e era isso que eu ia conversar com você (D2-RJ-355:59) ela funciona dando uma interpretação lógico-formal da lei e é isso que vocês vão aprender (EF-RE-337: 161) Ressalte-se que. a função de operador discursivo. especialmente em contextos tipicamente adversativos e conclusivos. b. observa-se o uso não estritamente aditivo de e. abandona-se a dimensão do enunciado em favor da dimensão da enunciação. artista que começa fora de:: de horário que eles batem tudo então e o que aparece para nós na televisão é tudo muito organizado:: DID SP 234 .2 Outros valores semânticos da conjunção e Na adição de orações. observável particularmente no caráter metalingüístico da oração introduzida por e. 4. mediante a qual se acentua alguma informação e. expostos acima em (4-16). como em (4-21)a-d. conforme sua função trivial. já que não atua na coordenação de estados de coisa. diferentemente dos casos de focalização. No entanto. quando é que o professor solicita respostas do aluno que exigem apenas e eu digo apenas porque é o processo mental EF POA 278 outros dirão processos mentais superiores e a expressão habilidades mentais cabe muito bem EF POA 278 As sentenças acima ilustram claramente um mecanismo empregado para retornar ao momento da enunciação. nos casos de (4-19).13 (4-19) a. (4-21) a. simultaneamente. já que veicula menos significado que as outras conjunções aditivas ou e mas. a conjunção exerce. mas na representação da função interpessoal. a conjunção e opera como o modo não-marcado de conexão na organização textual. b.

não é?.. especialmente (4-21d). as orações coordenadas poderiam ser conectadas por uma conjunção adversativa. e... c.. Me dá sua foto e eu te dou a minha. DID RJ 328 É perfeitamente possível arrolar ainda uma série de sentenças que apontam para uma espécie de função de curinga do coordenador e. c. que apresenta a conjunção e seguida do sintagma preposicionado com valor adversativo (no entanto)... e. causa suficiente (4-23)c. Observem-se. já discutidos. Os casos contidos em (4-23)a-d indicam simultaneidade (4-23)a. tarefas assim.. inclusão temporal (4-23)b.. homem está sujeito e até certo ponto escravo da lei. como portanto.. Ana caiu num sono profundo e sua cor normal retornou aos poucos.. para proteger o homem. agora as ocorrências em (4-22)a-b.. f. e no entanto o.. freqüentemente arrolado nas gramáticas como conjunção. possivelmente passe essa fase D2 SP 360 a lei é feita para o homem. causa não suficiente (4-23)d. d. conseqüência lógica (4-23)f.. condição (4-23)e. b. (4-22) a. Passamos o dia todo em São Paulo e fui visitar a Bienal.... Pedro pôs ração estragada no prato e seu cachorro morreu. d.. EF RE 337 Em todos os casos acima. O cachorro do vizinho comeu ração envenenada e morreu. além dos valores de sucessão temporal. tudo parece tão mascarado sei lá e quando aparece em cena o público vê uma coisa totalmente bonita né DID SP 234 ela está assumindo. Essas são as pegadas da onça e ela passou por aqui há pouco tempo. conforme demonstra (4-23)a-f: (4-23) a.14 b. eram nômades e não se fixavam EF SP 405 ela que faz a feira junto com minha tia e normalmente eu não estou assim muito por dentro dos preços dos alimentos. . b. conclusão e contraste semântico. muito precocemente... cujo conectivo poderia ser perfeitamente parafraseável por um tipicamente conclusivo..

preenche esta condição. são necessárias três condições para que haja disjunção (cf. Charaudeau.. No discurso. em (4-25)b. sobre o qual se dá a oposição entre eles. entretanto. (4-24). ou que eu tenha a habilidade de passar mais rápido pelo guardinha porque senão. deve haver um eixo semântico comum aos termos disjuntos. para haver disjunção exclusiva de duas proposições quaisquer. segundo a tradição gramatical) não coincidem com os requisitos de sua aceitabilidade nas línguas naturais. nas disjunções que ocorrem em situações reais de comunicação oral ou escrita. condição não suficiente para a disjunção vista de um ponto de vista discursivo. Essa asserção.. que se repitam seqüências de itens lexicais. Não é necessário. ser . deve ser mais geral que as outras duas. eu (es)tou multada na primeira esquina EF POA 278 Nessa disjunção uma entidade da primeira asserção (eu) se repete na segunda. é necessário apenas que uma seja verdadeira e a outra falsa. também sem fazer uma análise ou aplicação. na maioria das vezes. ou especificações semânticas. 1992. a repetição pode ocorrer com base em outros mecanismos. (4-25) a b para então. De um ponto de vista lógico. Enfim.. podendo. (4-24) mas é preciso que eu aplique. se há malignidade ou não nesse nódulo EF SSA 49 ela vai dizer também que eu não posso aplicar. em (4-25)a.15 5.. 1995). por exemplo. A primeira é que pelo menos um elemento de uma das asserções disjuntas seja semanticamente idêntico a um dos da outra. então vamos voltar aqui EF POA 278 A segunda condição é a existência de uma terceira asserção equivalente ao domínio semântico representado pelo eixo comum às asserções disjuntas. Oliveira. como elipse. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a disjunção As condições lógicas para a existência da disjunção (ou alternância. que eu utilize os sinais de trânsito na hora certa. posta ou pressuposta. ele dizer.

Isso significa que. ou seja... porque vai tratar exatamente de todas aquelas questões. admite-se uma dessas hipóteses.ora.. A ou B. quer prevaleça B. não tem importância que a gente chama de análise ou chama de interpretação o importante é que o processo se realize EF POA 278 A terceira condição impõe que o locutor desconheça a seleção a operar. c d e a senhora acha que houve alguma evolução ou:: ou que tenha regredido o cinema atualmente? DID SP 234 há muita. É o que ilustra a ocorrência (4-26) (4-26) a. um ou dois tomates D2 POA 291 porque quando ele vai aferir ou vai investigar experimentar o homem.. ao invés de uma adição ..16 introduzida por um conector adversativo. e o imperativo refere-se a uma ação que o locutor deseja ver praticada pelo interlocutor.. do experimento de laboratório mas sim o que o homem realmente está pensando.. põe-se ou pressupõe-se C. representados respectivamente em (4-27)a-e. A esse propósito.seja e às vezes. que se crê verdadeira. em qualquer delas.. em que se usa um conector duplo misto... seja. quando se diz “ou A ou B”. EF RE 337 além naturalmente do departamento jurídico que é a peça . do imperativo.. de contra:to ou de distrato DID RE 131 A relação de disjunção se efetua.às vezes.. o que se pode manifestar através do emprego da interrogação (direta ou indireta).. futuro e hipótese associam-se a dúvida (que por sua vez se associa a ignorância). não é o que o homem diz.. de construção hipotética e de construção declarativa referente a fatos futuros.quer. no português culto falado. faz esse refogado e põe tomate... De fato. por meio basicamente da conjunção ou. MAS.. (4-27) a. EF RJ 379 então. b. quer. mas tem dúvida quanto à realização desse desejo.. que mantém alta freqüência no corpus. contido em (4-28). simples e dupla. discussão aí entre posições opostas de que se o Japão seria uma economia ou um país desenvolvido.. quer prevaleça A.... é interessante assinalar a ocorrência de um único caso. de GRANde importância . quem pergunta ignora a resposta. não ocorrendo nenhum caso de outros conectores duplos como ora.

gradativamente substituído por aut: Julia (1986:164). com valor concessivo. possivelmente por isso. lógico-normativo. que parece estar se gramaticalizando como coordenador e cuja associação com ou é freqüentemente licenciada. aut e vel. (4-28). normativo. Essa debilidade de valor significativo impediu que fosse utilizada como conectivo disjuntivo. duas conjunções fundamentais para indicar a disjunção. desse modo. como é possível verificar numa oração como Sejam os réus ricos ou pobres. por sua vez.seja manifesta.1 Disjunção exclusiva e inclusiva O sistema de conjunções e. vel tinha um valor mais disperso e.. mas não AB) e a ausência de associação em todos os termos.. na evolução do latim para o português. indicando possibilidade de eleição. 5.. a relação entre elas não era a de uma oposição equipolente e não-neutralizada.. . expressava disjunção inclusiva ou simples alternância. seja como dupla (ou A ou B). o que precipitou seu desaparecimento.. uma posição mais débil no sistema dos nexos de coordenação.17 repetida. EF RE 337 A ocorrência de seja. Enquanto aut era uma partícula específica de coordenação com âmbito funcional bem delimitado. entretanto. sendo.. conforme prevêem as convenções normativas. A primeira expressava a contraditoriedade ou disjunção exclusiva (A ou B.. apresentou uma redução no seu inventário. Apesar de os significados de aut e vel estarem bem diferenciados como disjunção exclusiva e inclusiva respectivamente.. a justiça tem que aplicar-se. manifesta uma ocorrência em que dificilmente se pode interpretar seja como verbo. seja como conjunção simples (A ou B). no latim... (4-28) um conhecimento que aprofunda mais aqueles outros DOIS .. Vel. uma forma de repetição do predicado verbal. na realidade. particularmente das conjunções disjuntivas. Havia. seja como conhecimento num é? sociológico. utilizam-se dois conectores distintos para efetuar a correlação. ou conhecimento.

18 Rubio (1976) observa que. sendo a especificação de seu valor exclusivo ou inclusivo um traço unicamente contextual. o termo marcado da oposição. Por isso. há ocasiões em que. os valores semânticos de aut e vel estavam relativamente bem delimitados em latim. sempre se considerou. a geral aut. tendo a outra desaparecido por completo. pertencente a vel. tanto para os que se excluem como para os semanticamente unidos e até equivalentes ou indiferentes à eleição. pelo contrário. as gramáticas corrigiram seu valor. passou-se a considerar que o português não dispunha de duas marcas diferentes para indicar relações de exclusão e inclusão e que estavam ambas representadas pela conjunção ou. Mais tarde. sem dúvida. em português. não podia ser usada para expressar a disjunção exclusiva. portanto. atribuindo à partícula ou tanto o sentido específico como o ‘inclusivo’. Vel. com um significado puramente inclusivo. a partícula aut era a forma geral. fundamentalmente ‘exclusivo’. cabendo ao contexto a responsabilidade de determinar se se trata de um ou outro sentido. ou (<aut) português foi considerado pelas gramáticas como dotado de um valor equivalente ao de seu étimo latino. isto é. tudo indica que. portanto. o português só conserva. tudo parece indicar que. Subjaz. do ponto de vista da forma. devido tanto ao limite impreciso entre exclusão e inclusão quanto ao progressivo enfraquecimento de vel. principalmente quando se distancia do período clássico. De qualquer modo. com a conseqüente perda da consciência de seu âmbito funcional por parte dos falantes. ao desaparecer uma das duas formas diferenciadas. registram-se usos pouco adequados dessa partícula. usada para expressar a disjunção alternativa entre dois termos. Dado o valor disjuntivo ‘exclusivo’ de aut. tornando-se. em princípio. Apesar dessa delimitação funcional. Das conjunções disjuntivas latinas. que a repetição reiterada da conjunção ou apenas introduzia uma certa ênfase ou algum outro tipo de alteração estilística no significado disjuntivo. Como no caso das conjunções latinas. com a conseqüente . apesar de certas exceções. dentre as possibilidades de disjunção em latim. a convicção generalizada de que o sistema português supõe uma redução de uma distinção semântica existente em latim.

O que parece apresentar-se como uma redução do sistema funcional latino em sua evolução para o português é. Há aí uma disjunção exclusiva. utiliza esse recurso não como uma variante enfática (ou de algum outro matiz).c permitiria desfazer a duplicidade semântica entre a interpretação inclusiva e a exclusiva: (4-31) a. uma sobrevivência do sistema. (4-30). Se em latim a disjunção exclusiva e a inclusiva tinham como traço expressivo duas partículas distintas. mas com um valor distintivo equivalente ao que opunham as duas partículas latinas. implique os dois.19 ampliação semântica da partícula que se manteve com o fim de expressar com uma só forma o significado do que antes era expresso por duas. Maria quer pudim ou gelatina Maria quer pudim ou gelatina (qualquer um dos dois). sendo o recurso da repetição delas antes de cada membro coordenado uma mera variante estilística. . e apenas alguma informação pragmática adicional. c. sem opção a nenhuma outra. interpretação ou qualquer outro nome que. Observe-se que o enunciado contido em (4-31)a é ambíguo com ou simples. na verdade. pelo contrário. b. com mudança parcial dos recursos significantes. Os significados disjuntivos exclusivo e inclusivo estão perfeitamente delimitados em português em seqüências como (4-29) e (4-30). o português. Maria quer pudim ou gelatina (apenas um já que ela está de regime). sem ser um ou outro. como a contida em (5-7)b. (4-29) (4-30) é um controle muito natural ou você não tem filhos ou vai ser é castrado EF RJ 379 não tem importância que a gente chama de análise ou chama de interpretação o importante é que o processo se realize EF POA 278 Em (4-29) estabelecem-se duas possibilidades únicas para não procriar: evitar filhos com qualquer tipo de contraceptivo ou ser castrado. manifesta uma disjunção inclusiva: pode-se chamar de análise. com uma única partícula disjuntiva (variantes à parte).

Maria quer ou pudim ou gelatina Uma análise do valor funcional do que se pode considerar dois nexos (disjuntivos) em português. b. A pequena incidência de ou duplo pode ser explicada pelo seguinte fato... já ‘ou... Essa distribuição é.ou’.’ pode representar tanto a inclusão quanto a exclusão. mas é possível empregar ou simples (forma não-marcada).. a senhora acha que há diferença entre um e outro ou todos são do mesmo tipo? (DID SP 234) . pode ser derivada do contexto.. No português falado. também permitiria desfazer a ambigüidade de (4-31)a em favor de uma interpretação irrefutavelmente exclusiva.ou. além de suas próprias. como parte de seus valores semânticos.ou.’ faz com que suas possibilidades de ocorrência abarquem também as da forma dupla ‘ou..’. normalmente destinadas. já que a exclusão. superando-a. como a conjunção dupla. permite comprovar a existência de duas formas diferentes que têm como significados diferenciados a inclusão e a exclusão respectivamente. (4-32) a. seja qual for o contexto. Ou duplo nunca significa outra coisa que não a exclusão. a situação normal na maioria das línguas e está em conexão com o tipo de relação lógica que implica o conteúdo inclusivo com respeito ao exclusivo: a disjunção inclusiva (alternativa) encerra em si mesma a possibilidade de uma exclusão.. O caráter não-marcado da forma simples ‘. há a predominância de ocorrências de ou simples e raros casos de ou duplo.. É. o emprego de um simples mecanismo gramatical. a partícula não-marcada é a que comporta o significado primário inclusivo... por seu próprio caráter. Diferentemente do sistema latino. por exemplo. tornando assim redundante o uso de ou duplo. somente a exclusão (Oliveira. 1995).. (4-31) d. a obter uma única resposta. ou simples e ou duplo (ou.. conforme se observa em (4-32)a. o caso das formas imperativas ou interrogativas.. no português.ou). na realidade.. A forma ‘. como se observa em (4-31)d.20 ou então... em contextos em que a interpretação exclusiva é clara e não-ambígua.ou.

EF SP 405 Em sentenças afirmativas. no português. pois.. como (433). Por isso o Banco Mundial suspendeu as liberações2. (4-37) não tem importância que a gente chama de análise ou chama de interpretação o importante é que o processo se realize EF POA 278 não negamos nunca atender a um doente ou outro que chegue mesmo fora do horário ou que seja extra DID SSA 231 De qualquer forma.. É exclusivo quando junta duas asserções negativas. se a:: fruta.... assessorias. nas mais diferentes. com relação às formas disjuntivas latinas. o que se nota é que. em que os dois elementos ligados pelo coordenador são interpretados como sinônimos ou quase sinônimos.. polissêmico e seu uso inclusivo e exclusivo varia de acordo com a construção em que aparece.. DID RE 131 Ou simples é ainda inclusivo quando a construção disjuntiva for o escopo da negação.21 b... entretanto. conforme se observa em (4-35). a disjunção é inclusiva. como demonstra (4-32)a acima. como (4-34). eh se eles iam conseguir a fruta ou não.. como em (4-36)a e (4-37). ? a senhora acha que ou há diferença entre um e outro ou todos são do mesmo tipo? Ou simples é. ou nos mais diferentes órgãos. houve. em que cada um dos termos é o escopo da interrogação.. ou quando uma é afirmativa e a outra negativa. também é possível só a interpretação exclusiva.. distribuídas. Na forma interrogativa. (4-36) a.. Em latim a 2 Não houve esse tipo de ocorrência no córpus analisado. uma inversão do caráter das formas marcadas e não-marcadas. . (4-33) (4-34) O Brasil não enviou a contrapartida ou a obra não andou. (4-35) são pessoas ..

a repetição da conjunção ocorre em apenas quatro casos.. como por exemplo em (4- . dormindo. O disjuntivo ou pode perfeitamente ser elidido. diz que foi ele que fez. descaracterizando o ou duplo. lendo jornal A pouca incidência de ou duplo se explica pelo fato de seu uso se tornar redundante em construções que não admitem senão a interpretação exclusiva. para permitir uma dupla oposição funcional no sistema. que eu cheguei em casa. ambígua. Além disso. conseqüente duplicação da única restante. já no português. ir prum cinema. a exclusiva.. prum teatro prefiro ficar assi/a a aqui assistindo televisão. já que não se percebe uma obrigatoriedade de escolha entre as duas alternativas implicadas nas ocorrências (4-38) e (4-39) acima.22 forma marcada (vel) era a inclusiva e a não-marcada (aut). mas simplesmente de uma redução de formas e.2 Disjunção entre orações O número de ocorrências de orações (independentes ou subordinadas) ligadas por meio do coordenador ou é pequeno e a grande maioria dos casos constitui ocorrências de ou simples. tomou a/ (que) fez aquilo ou então e:: é o pai ou a mãe aquele que não estiver presente D2 SP 360 Na disjunção de orações. listados abaixo. (4-39) a. O mesmo não se pode dizer de (4-10) e (4-41). há casos de repetição pura e simples da conjução ou (polissíndeto). conforme paráfrase em (4-38)a e (4-39)a. não se pode falar de redução do sistema funcional de coordenação disjuntiva na evolução do latim para o português. vi televisão e depois vim pra cá pra. a forma marcada (ou A ou B) é a exclusiva. pra conversar ou dessa maneira ou ir prum cinema ou prum teatro D2 RJ 355 prefiro ficar assi/a a aqui assistindo televisão ou dormindo ou lendo jornal DID SP 234 é um controle muito natural ou você não tem filhos ou vai ser é castrado EF RJ 379 ou aquele que foi. pra conversar dessa maneira. 5. e a não-marcada (A ou B)... vi televisão e depois vim pra cá pra. (4-38) a. (4-38) (4-39) (4-40) (4-41) que eu cheguei em casa.

R. EF SP 405 (4-43) (4-44) Nota-se ainda que. permitindo assim a mudança de ordem. a segunda alternativa depende da primeira. por isso a inversão é bloqueada. então há a interferência de outro fator e ou ‘assimétrico’ reflete a dependência de uma das alternativas sobre a outra. e em sentenças interrogativas em que cada um dos termos está no escopo da interrogação. independente precede o secundário. dependente... a ordem dos disjuntos é irrelevante. de modo geral. na disjunção de orações. quando se diz (4-45). No primeiro caso. então B”. sendo por isso normalmente destinadas a obter uma única resposta. já no uso assimétrico. . (4-42) depende se essa definição é uma simples re. repetição daquilo que o professor disse ou se essa definição tem um caráter de elaboração própria. Em opções independentes. as duas opções não são independentes uma da outra. há uma equiparação entre os valores exclusivo e inclusivo. então. Para duas opções independentes. Os dois membros da disjunção não precisam ainda ser mutuamente exclusivos em si mesmos. então A”. nós estaremos em nível bem mais complexo EF POA 278 a senhora acha que há diferença entre um e outro ou todos são do mesmo tipo? DID SP 234 se a:: fruta eh se eles iam conseguir a fruta ou não.. quanto dizer “Se não A. seria tão razoável dizer “se não B.23 42). A ordenação livre das orações-ou reflete a não-prioridade de uma opção sobre a outra. Se. como se observa em (4-43) e (4-44). Assim a ordem de disjuntos assimétricos reflete a prioridade de uma oração sobre a outra ou a dependência do segundo em relação ao primeiro: o conjunto primário. isto é. contudo. 1971). devolução. aí. as duas alternativas são mutuamente exclusivas mas equivalentes e independentes uma da outra. das quais pelo menos uma é verdadeira. O emprego da conjunção ou também pode representar uma relação sintática simétrica ou assimétrica entre os membros coordenados (Lakoff.

já que a maioria das ocorrências permite inversão de ordem. e que o contrário não pode ser verdadeiro: de modo algum a reclamação subseqüente do orientador influencia o envio prévio de um capítulo pronto da tese por José. que. como no caso de asserção afirmativa sobre negativa (primeiramente se afirma algo para depois negá-lo). e “seu orientador liga reclamando” como B. a assimetria linear da ordem de palavras permite a interpretação icônica. . Assim. Em alguns a assimetria se deve a uma relação lógica de causa/conseqüência estabelecida entre as duas asserções: a segunda se apresenta como conseqüência da primeira. João envia um capítulo pronto de sua tese ou no dia seguinte seu orientador liga reclamando. no entanto. Como vimos. pode-se argumentar usando somente a coordenação disjuntiva assimétrica “se não A. O uso simétrico prevalece. decorre da condição de prioridade de uma oração sobre a outra. A não somente é temporalmente anterior. Com a conjunção ou. conforme se observa em (4-45) acima. a ordem icônica de palavras pode explicar a maioria das diferenças entre disjunção simétrica e assimétrica. repetida abaixo: (4-39) prefiro ficar assi/a a aqui assistindo televisão ou dormindo ou lendo jornal DID SP 234 Há. e conseqüentemente ordem obrigatória.24 não significa que os dois eventos descritos não poderiam ambos ocorrer. mas realmente exerce uma influência causal em B. Sabe-se. no entanto. temos assimetria. conforme se verifica em (4-39). já que não há uma relação semântica assimétrica inerente entre os dois membros da disjunção. então B”. na verdade. (4-45) Todo fim de semestre. não sendo possível a paráfrase em (4-46)b. casos que não permitem a inversão das orações coordenadas. em outros. mas implica que há um relacionamento unidirecional entre eles. no mundo real. Considerando “Todo fim de semestre João envia um capítulo pronto de sua tese” como A. em (4-46)a abaixo.

A simetria entre orações disjuntas predomina em orações subordinadas. duas orações que não admitem mudança de ordem. a possibilidade de ocorrerem. quanto como não-argumentos (satélites)...? para então. como (4-50). (4-47) toda aquela assistência médica hospitalar. Não se exclui..... modificadores. se há malignidade ou não nesse nódulo EF SSA 49 . imigravam para lugares mais quentes eles precisavam acompanhar. (4-48) (4-49) mas é preciso que eu aplique. como (4-51) e (452). os animais iam hibernar outros. que os sindicatos vem habitualmente cumprindo ou que vem/ os sindicatos se propõem a fazer. EF SP 405 (4-50) (4-51) (4-52) Os casos de disjunção encontrados no córpus analisado só se manifestam no domínio do conteúdo..... a conjunção ou é o mecanismo de ligação entre eventos ou estados. ele dizer..25 (4-46) a. repetição daquilo que o professor disse ou se essa definição tem um caráter de elaboração própria EF POA 278 não negamos nunca atender a um doente ou outro que chegue mesmo fora do horário ou que seja extra DID SSA 231 prefiro ficar assi/ a a aqui assistindo televisão ou dormindo ou lendo jornal DID SP 234 na medida... em que acabava a caça do lugar OU (que) em virtude da da época do ano no inverno por exemplo. como em (4-47).. para então. que eu utilize os sinais de trânsito na hora certa ou que eu tenha a habilidade de passar mais rápido pelo guardinha EF POA 278 a categoria do conhecimento (inserção nossa) depende se essa definição é uma definição simples. como se observa em (4-46) acima. DID RE 131 As orações subordinadas se comportam como termos e nesse caso exercem funções sintáticas diversas no predicado matriz. b. re. conforme se observa em (4-53). no entanto. no domínio do mundo real. como (4-48) e (4-49).. o a migração da caça senão eles iam ficar sem comer... ele dizer. devolução. ou seja. ... tanto como argumentos.. na condição de subordinadas...se não há malignidade nesse nódulo ou há.

. (4-55) A. 1975). mas somente alternativas epistêmicas e uma não tem prioridade definida sobre a outra (cf. desde que não oferecemos usualmente predições com a intenção de que sejam consideradas incorretas (pelas razões de Grice. a disjunção de inferências (uso epistêmico) e de atos de fala (uso conversacional). Observe. que .26 (4-53) ou aquele que foi. cit. mas alternativas epistêmicas normais. de modo que o receptor é obrigado a escolher entre seguir a ordem dada ou ver realizar-se o que está expresso no segundo ato de fala. op.). como se verifica em sentenças como (4-54). a sentença (4-56) (4-56) Entregue a tese no prazo ou você perde a bolsa. A interpretação provável de (4-54) é que os dois membros da disjunção são conclusões epistêmicas tiradas da evidência disponível e não como estados alternativos possíveis do mundo real: as duas orações não expressam alternativas possíveis do mundo real. agora. estar oferecendo alternativas genuínas. Sweetser. o segundo membro da coordenação dá suporte para o enunciado expresso no primeiro membro. (4-54) O orientador de João vai ligar amanhã reclamando.. O que está em discussão em (454) não são alternativas do mundo real.. o falante não pode. ou (então) ele já enviou um capítulo pronto de sua tese.. diz que foi ele que fez. Na disjunção assimétrica acima. Contudo.João entregou a tese no prazo? B. no entanto. contém orações em relação simétrica..A gráfica atrasou a encadernação ou ele não fez as correções a tempo. A mesma interpretação epistêmica se aplica a (4-55) que. Presume-se que uma predição proposta sobre o comportamento futuro de alguém está baseada em alguma inferência do que de fato ocorre habitualmente. tomou a/ (que) fez aquilo ou então e:: é o pai ou a mãe aquele que não estiver presente EF SP 360 É possível. cooperativamente. diferentemente de (4-54)..

Como presumivelmente o receptor desejará afastar a segunda alternativa. sugestões e perguntas. Relações semânticas estabelecidas pela coordenação: a adversidade 7. Outras questões . 6.27 é um ato de ameaça. o exemplo acima contido em (4-56). como se reinterpreta. o efeito da disjunção é o de uma ordem reforçada. nos termos de Sweetser. A interpretação da disjunção como ato de fala representa ordens.

Entidade sobre a qual se fala num episódio discursivo. • Subtópico . desenvolve um aspecto de um supertópico.8. • . Elemento que codifica no texto ou na sentença a informação mais importante. Glossário Texto: Valores discursivos da conjunção e entre orações (Link9) Tópico . Elemento da sentença pronunciado com ênfase. ou assinalada por focalizadores*.Cada trecho de um texto que. centrado em um tópico discursivo específico. • Foco .O mesmo que assunto ou tema elaborado numa conversa e no texto que dela resulta.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful