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DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS Escola Secundária de Pinheiro e Rosa

SOCIAIS E HUMANAS Filosofia


CURSOS: Científico-humanísticos
Ano lectivo: 2010/2011

Subdepartamento Curricular de
Tema: O conhecimento científico. 11º Ano
Filosofia, Psicologia e Sociologia

FICHA DE TRABALHO
«A ciência está longe de ser um instrumento de conhecimento perfeito. É apenas o melhor de que
dispomos.

A maneira de pensar científica é a um tempo imaginativa e disciplinada. Isto é fundamental para o


seu êxito. A ciência convida-nos a aceitar os factos, mesmo quando estes não se conformam com as
nossas ideias preconcebidas. Aconselha-nos a pôr hipóteses alternativas e a ver qual se adapta
melhor aos factos. Incita-nos a um equilíbrio delicado entre a abertura a novas ideias, por muito
heréticas que sejam, e o exame mais rigoroso e mais céptico de tudo – ideias novas e sabedoria
estabelecida (…).

A ciência é diferente de muitos outros empreendimentos humanos – não, é claro, no facto dos
cientistas serem influenciados pela cultura onde foram criados, nem na circunstância de umas vezes
estarem certos e outras estarem errados (o que é comum a toda a actividade humana), mas na sua
paixão por construir hipóteses que podem ser testadas, na sua busca de experiências definitivas que
confirmem ou rejeitem ideias, no vigor do seu debate substantivo e na sua disponibilidade para
abandonar ideias que se verificou serem incorrectas. Mas, se não estivermos conscientes das nossas
limitações, se não procurarmos mais dados, se não nos dispusermos a efectuar experiências
controladas, se não respeitarmos os indícios e as provas, a nossa busca da verdade ficará
comprometida.

(…) Os cientistas têm em geral o cuidado de caracterizar o estatuto de veracidade das suas tentativas
para perceberem o mundo – que vão de conjecturas e hipóteses, altamente hesitantes, até às leis da
natureza, que são repetida e sistematicamente confirmadas através de muitas interrogações sobre a
maneira como o mundo funciona. Mas nem sequer as leis da natureza são absolutamente certas.
Pode haver novas circunstâncias nunca antes examinadas – no interior de buracos negros, por
exemplo, ou dentro do electrão, ou ainda próximo da velocidade da luz – onde mesmo as leis da
natureza, de que tanto nos envaidecemos, caiam por terra e, por muito válidas que possam ser em
circunstâncias vulgares, necessitem de correcção.

Os seres humanos podem ansiar por certezas absolutas e aspirar a elas; podem pretender, como
fazem os adeptos de certas religiões, tê-las atingido. Mas a história da ciência – de longe a pretensão
de conhecimento mais bem sucedida acessível ao homem – ensina-nos que o máximo que podemos
esperar são melhoramentos sucessivos na nossa compreensão, na aprendizagem a partir dos nossos
erros (…), mas com a limitação de sabermos que a absoluta certeza nos escapará sempre.»

Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, Ed. Gradiva, pp. 42,43 e 269.
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Grupo I
A partir da análise do texto, responda às seguintes questões:

1. Quais são as principais características do conhecimento científico referidas no texto?

2. Como se caracterizam as hipóteses científicas?

3. Em que consistem as leis da natureza?

4. Segundo o autor do texto: “Nem sequer as leis da natureza são absolutamente certas”.
Explique porquê.

5. De que modo deve ser entendida a verdade na ciência?

Grupo II
1. A partir da análise do cartoon, esclareça como é que a ciência se distingue de outras formas
de explicação (da religiosa, por exemplo).

2. Considere o texto apresentado e responda às questões seguintes.

«Os conceitos físicos são criações livres do espírito humano e não são, como se poderia crer,
unicamente determinados pelo mundo exterior. No nosso esforço para compreender a realidade, a
nossa posição lembra a de um homem que procura adivinhar o mecanismo de um relógio fechado.
Esse homem vê o mostrador e os ponteiros em movimento, ouve o tiquetaque, mas não dispõe de
meios que lhe permitam abrir a caixa. Se é um homem engenhoso, pode representar a imagem de
um mecanismo responsável por tudo o que observa, mas não poderá nunca ter a certeza de que o
mecanismo que imagina seja o único capaz de explicar as suas observações. Não poderá nunca
comparar a imagem que forma do mecanismo interno com a realidade desse mecanismo e nem
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sequer pode imaginar a possibilidade ou a significação de tal comparação. Mas o investigador crê
que, à medida que o seu conhecimento cresce, a sua representação da realidade se torna mais e mais
simples e explicativa de domínios cada vez mais extensos. Poderá também acreditar na existência de
um limite ideal do conhecimento que o espírito humano pode alcançar. Poderá chamar a esse limite
ideal a verdade objectiva.»

Albert Einstein e Leopold Infeld, A evolução das ideias em Física, Ed. Livros Brasil.

2.1. Segundo os autores do texto, o que é fazer ciência?

2.2. A actividade dos cientistas e e actividade dos filósofos terão algo em comum ou serão
inteiramente diferentes? Porquê?

2.3. Qual é a opinião dos autores do texto acerca da objectividade do conhecimento científico?
Concorda? Porquê?

Bom trabalho!

A professora: Sara Raposo.