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ARCADISMO

1. (UFRRJ)

Lira XI

"Não toques, minha musa, não, não toques


Na sonorosa lira,
Que às almas, como a minha, namoradas
Doces canções inspira:
Assopra no clarim que apenas soa,
Enche de assombro a terra!
Naquele, a cujo som cantou Homero,
Cantou Virgílio a guerra."

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.


Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, s/d. p. 30.

Marília de Dirceu apresenta um dos principais traços do Arcadismo.

A opção que aponta essa característica temática, presente no texto, é

a) O bucolismo.

b) A presença de valores ou elementos clássicos.

c) O pessimismo e negatividade.

d) A fixação do momento presente.

e) A descrição sensual da mulher amada.

Resposta

2. (UFV-MG) Os árcades, no Brasil, assimilaram as idéias neoclássicas européias, muitas


vezes, reinterpretando, cada um ao seu estilo, a realidade sociopolítica e cultural do país,
como se observa no seguinte fragmento das Cartas chilenas:

"Pretende, Doroteu, o nosso chefe


erguer uma cadeia majestosa,
que possa escurecer a velha fama
da torre de Babel e mais dos grandes,
custosos edifícios que fizeram,
para sepulcros seus, os reis do Egito.
Talvez, prezado amigo, que imagine
que neste monumento se conserve,
eterna a sua glória, bem que os povos,
ingratos, não consagrem ricos bustos
nem montadas estátuas ao seu nome.
Desiste, louco chefe, dessa empresa:
um soberbo edifício levantado
sobre ossos de inocentes, construído
com lágrimas dos pobres, nunca serve
de glória ao seu autor, mas sim de opróbrio."
Tomás Antônio Gonzaga. Cartas chilenas. In: Alvarenga Peixoto,
Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga. A poesia dos inconfidentes.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 814.

Todas as alternativas abaixo apresentam características desse estilo literário, presente


nos versos acima citados, EXCETO:

a) Valorização do ideal da vida simples e tranqüila.

b) Tendência ao discurso em forma de diálogo do eu poético com um interlocutor.

c) Utilização de linguagem elegante, rebuscada e artificial.

d) Intenções didáticas, expressas no tom de denúncia e sátira.

e) Caracterização do poeta como um pintor de situações e não de emoções.

Resposta

3. (UFSM-RS)

"Tu não verás, Marília, cem cativos


tirarem o cascalho e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
do pesado esmeril a grossa areia,
e já brilharem os granetes de oiro
no fundo da bateia."

No trecho de Marília de Dirceu, expressões como "cem cativos", "rios caudalosos" e


"granetes de oiro" remetem para:

a) A profissão de minerador exercida por Dirceu.

b) Uma atividade econômica exercida na época.


c) O desagrado de Dirceu em relação à atividade do pai de Marília.

d) Preocupações de Dirceu relativas à poluição dos rios.

e) A prosperidade em que vivia o povo brasileiro.

Resposta

4. (Ufla-MG) Apresentam-se em seguida três proposições: I, II e III.

I. O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta aos


abusos da nobreza e do clero.

II. O momento poético, na literatura do Arcadismo, nasce de um encontro, embora ainda


amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem.

III. Façamos, sim, façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

A característica que está presente nesses versos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio
Gonzaga, é o "carpe diem" ("gozar a vida").

Marque:

a) Se só a proposição I é correta.

b) Se só a proposição II é correta.

c) Se só a proposição III é correta.

d) se só são corretas as proposições I e II.

e) Se todas as proposições são corretas.

Resposta

5. (Ufla-MG) Leia os seguintes fragmentos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio


Gonzaga.

Texto I

"Verás em cima de espaçosa mesa


Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos."

Texto II

"Os Pastores, que habitam este monte,


Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja me tem o próprio Alceste."

Responda:

a) Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado de acordo com a convenção


arcádica?

b) Explique.

Resposta

6. (Ufscar-SP)

"Onde estou? Este sítio desconheço:


Quem fez diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço


De estar a ela um dia reclinado.
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,


Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era


Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!"

Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI).


In: Péricles Eugênio da Silva Ramos (Intr., sel. e notas).
Poesia do outro - Antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p. 47.

O estilo neoclássico, fundamento do Arcadismo brasileiro, de que fez parte Cláudio Manuel
da Costa, caracteriza-se pela utilização das formas clássicas convencionais, pelo
enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível, pela delegação
da fala poética a um pastor culto e artista, pelo gosto das circunstâncias comuns, pelo
vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a
sensibilidade, a razão, a natureza e a beleza.

Dadas estas informações:

a) Indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema.

b) Transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no


passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática.

Resposta

7. (UFV-MG) Sobre o Arcadismo, anotamos:

I. Desenvolvimento do gênero lírico, em que os poetas assumem postura de pastores e


transformam a realidade num quadro idealizado.

II. Composição do poema Vila Rica por Cláudio Manuel da Costa, o Glauceste Satúrnio.

III. Predomínio da tendência mística e religiosa, expressiva da busca do transcendente.

IV. Propagação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político, atribuídos


a Tomás Antônio Gonzaga.

V. Presença de metáforas da mitologia grega na poesia lírica, divulgando as idéias dos


inconfidentes.

Considerando as anotações anteriores, assinale a alternativa CORRETA:

a) Apenas I e III são verdadeiras.


b) Apenas II e IV são falsas.
c) Apenas II e V são verdadeiras.
d) Apenas III e V são falsas.
e) Todas são verdadeiras.

Resposta

8. (PUC-MG)

Texto I

"Discreta e formosíssima Maria,


Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente,
e na rosada face a aurora fria;
Enquanto pois produz, enquanto cria
Essa esfera gentil, mina excelente
No cabelo o metal mais reluzente,
E na boca a mais fina pedraria.

Gozai, gozai da flor da formosura,


Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido o que é verdura.

Que passado o zenith da mocidade,


Sem a noite encontrar da sepultura,
É cada dia ocaso da beldade."

Gregório de Matos Guerra

Texto II

"Minha bela Marília, tudo passa;


A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
Sujeitos ao poder do ímpio Fado:
Apolo já fugiu do Céu brilhante,
Já foi pastor de gado.
Ah! enquanto os Destinos impiedosos
Não voltam contra nós a face irada,
Façamos, sim façamos, doce amada,
Os nossos breves dias mais ditosos,
Um coração, que frouxo
A grata posse de seu bem difere
A si, Marília, a si próprio rouba,
E a si próprio fere.

Ornemos nossas testas com as flores;


E façamos de feno um brando leito,
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre."

Tomás Antônio Gonzaga

O texto I é barroco; o texto II é arcádico. Comparando-os, só não é correto afirmar que:

a) Os barrocos e árcades expressam sentimentos.


b) As construções sintáticas barrocas revelam um interior conturbado.

c) O desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos dois textos.

d) Os árcades têm uma visão de mundo mais angustiada que os barrocos.

e) A fugacidade do tempo é temática comum aos dois estilos.

Resposta

9. (UFPE)

"Basta senhor, porque roubo em uma barca sou ladrão, e vós que roubais em uma armada sois
imperador? Assim é. Roubar pouco é culpa, roubar muito é grandeza. O ladrão que furta para
comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam de que eu trato, são os
outros... ladrões de maior calibre e mais alta esfera... Os outros ladrões roubam um homem,
estes roubam cidades e reinos, os outros furtam debaixo de seu risco, estes sem temor nem
perigo; os outros se furtam são enforcados, e o bucolismo estes furtam e enforcam."
Antonio Vieira. Sermão do bom ladrão.

"Que havemos de esperar, Marília bela?


Que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde já vêm frias;
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! Não, minha Marília,


Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça."

Tomás Antônio Gonzaga. Lira XIV.

Sobre a obra desses autores, analise as afirmativas a seguir.

I. A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. O tema dos versos acima é o “carpe diem”
(gozar a vida presente), escrito numa linguagem amena, sem arroubos, própria do Arcadismo.

II. Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares, a linguagem arcádica, no poema de


Gonzaga, diferencia-se da linguagem rebuscada, usada pelo Barroco.

III. O texto de Vieira, sendo Barroco, está pleno de metáforas, de linguagem figurada, de
termos inusitados e eruditos, sendo de difícil compreensão.

IV. Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o texto o predomínio das
idéias, do raciocínio, da lógica, procurando adequar os textos religiosos à realidade
circundante.
Está(ão) correta(s) apenas:

a) I, II e III.
b) I.
c) II.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

Resposta

10. (Ufal) Considerando-se a produção poética de Gregório de Matos e Cláudio Manuel da


Costa, é correto afirmar que ambos:

a) Cultivaram o soneto, forma fixa pela qual exploraram temas e recursos poéticos próprios
dos diferentes períodos e estilos literários que tão bem representaram.

b) Cultivaram o soneto, pois valorizaram o mesmo estilo de época predominante no século


XVII, quando essa forma fixa de poesia era considerada superior a todas as demais.

c) Notabilizaram-se pela sátira, dirigida contra os mandatários da Coroa portuguesa


responsáveis pela exploração econômica do açúcar e pela corrupção política na Bahia.

d) Notabilizaram-se por um tipo de lirismo sentimental que já prenunciava o movimento


romântico, influindo diretamente nas obras de Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo.

e) Notabilizaram-se pela idealização do amor e da natureza, esses dois elementos centrais para
a lírica que seguia os padrões e os valores do chamado estilo neoclássico.

Resposta

11. (UEL-PR) A chamada atividade literária das primeiras décadas de nossa formação
histórica caracterizou-se por seu cunho pragmático estrito, seja a circunscrita ao parâmetro
jesuítico, seja a decorrente de viagens de reconhecimento e informação da terra.

São representantes dos dois tipos de atividade literária referidos no excerto acima:

a) Gregório de Matos e Cláudio Manuel da Costa.

b) Antônio Vieira e Tomás Antônio Gonzaga.

c) José de Anchieta e Gabriel Soares de Sousa.

d) Bento Teixeira e Gonçalves de Magalhães.

e) Basílio da Gama e Gonçalves Dias.


Resposta

12. (Ufal) Considere as seguintes afirmações:

I. Gregório de Matos e Tomás Antônio Gonzaga compuseram poesia lírica, mas o


talento de ambos encontrou sua expressão máxima nas sátiras.

II. Em Marília de Dirceu, o árcade mineiro buscou figurar um equilíbrio entre a vida
rústica e a cultura ilustrada.

III. Cláudio Manuel da Costa confronta a paisagem bucólica idealizada com a de sua
terra natal.

Está inteiramente correto o que vem afirmado SOMENTE em

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

Resposta

13. (Unifesp) Leia os versos do poeta português Bocage.

"Vem, oh Marília, vem lograr comigo


Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
Deixa louvar da corte a vã grandeza;
Quanto me agrada mais estar contigo,
Notando as perfeições da Natureza!"
Nestes versos:

a) O poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo.

b) A linguagem, altamente subjetiva, denuncia características pré-românticas do autor.

c) A emoção predomina sobre a razão, numa ânsia de se aproveitar o tempo presente.

d) O amor e a mulher são idealizados pelo poeta, portanto, inacessíveis a ele.

e) O poeta propõe, em linguagem clara, que se aproveite o presente de forma simples junto à
natureza.
Resposta

14. (UFPA) Tomás Antônio Gonzaga escreveu Marília de Dirceu, um dos mais
conhecidos poemas de nosso Arcadismo. Leia duas estrofes da Lira I, da primeira parte
do poema.

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro


Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, d`expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço;
Aqui descansarei a quente sesta,
Dormindo um leve sono em teu regaço;
Enquanto a luta jogam os pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabelos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!”
GONZAGA, Tomás Antônio. "Marília de Dirceu".
In: Literatura comentada. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

É correto afirmar sobre as estrofes:

(A) Ilustram não só preferências temáticas do Arcadismo, como o ideal de vida simples,
o herói que se faz pela honradez e pelo trabalho, mas também o sentimento de
transitoriedade da vida, que arrasta o poeta ao carpe diem (aproveitar a vida)
horaciano.

(B) Representam os temas do bucolismo, do fugere urbem (fuga da cidade), da áurea


mediocritas (existência dentro da mediania), mas fogem do convencionalismo arcádico
da linguagem simples, o que torna o poema artificial.

(C) Apresentam a fina ironia de Gonzaga, o que liga o poema às Cartas Chilenas,

escritas pelo autor, depois que estava preso, para ridicularizar o Visconde de
Barbacena, feroz inimigo dos Inconfidentes.

(D) Reiteram o nome de Marília nos estribilhos, mas, ao contrário do que pode parecer,
esse recurso não imprime musicalidade ao texto, serve para enaltecer a mulher, vista,
naquele momento, como elemento angélico e divinal, o que faz a poética de Gonzaga
preceder o Romantismo.
(E) Ilustram tópicos preferenciais do Arcadismo, como o locus amenus (lugar ameno), o
ideal de vida simples, a pintura de cenas pastoris, e revelam os valores da classe
burguesa, de então, presentes na preocupação econômica que o pastor enuncia.

Resposta

15. (UFPA)

Convite a Marília

“Já se afastou de nós o Inverno agreste


Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste:
Varrendo os ares o subtil Nordeste
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros [vento brando] e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste;
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!”

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Sonetos.


Lisboa: Europa-América, s. d. p. 38.

Acerca do soneto, é correto afirmar:

(A) Observa-se, devido à presença de uma natureza agreste, um afastamento das convenções
árcades referentes ao “locus amoenus”.

(B) O Pré-Romantismo, com sua valorização do sentimento, manifesta-se nas referências


mitológicas, como “Zéfiros” e “Amores”.

(C) “Locus amoenus” é configurado, nos quartetos, por expressões como “a fértil Primavera”,
“o prado ameno”, “a cor celeste”, o que afasta o texto das paisagens noturnas do Pré-
Romantismo.

(D) A oposição entre “a vã grandeza” da corte e “as perfeições da Natureza” revela o conflito
entre o eu lírico e os valores da sociedade, numa antecipação pré-romântica do sentimento da
paisagem.

(E) No primeiro terceto, dada a presença do tema campestre, evidenciam-se o bucolismo e o


sentimento da natureza, típicos do Pré-Romantismo.

Resposta
16. (Ufam) Considerando, principalmente, o nome da musa inspiradora, somente um dos
trechos abaixo foi escrito por Tomás António Gonzaga. Assinale-o.

a) “Não sei, Marília, que tenho.


Depois que vi o teu rosto,
Pois quanto não é Marília,
Já não posso ver com gosto.
Noutra idade me alegrava,
Até quando conversava
Com o mais rude vaqueiro:
Hoje, ó bela, me aborrece
Inda o trato lisonjeiro
Do mais discreto pastor.”

b) “Nilse? Nilse? Onde estás? Aonde espera


Achar-te uma alma, que por ti suspira;
Se quanto a vista se dilata e gira
Tanto mais de encontrar-te desespera!”

c) “Eu vi a linda Estela e namorado


Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nise e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.
[ ]”

d) “Uma, que às mais precede em gentileza,


Não vinha menos bela do que irada:
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme.”

e) Este lugar delicioso e triste,


Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a miséria Lindóia.
Lá, reclinada, como que dormia.”

Resposta

17. (Ufam) Todas as características de estilo abaixo relacionadas pertencem ao


Arcadismo, exceto:

a) A defesa de uma função social para a literatura, que devia ter caráter didático.

b) O retorno ao equilíbrio e à simplicidade dos modelos greco-romanos.

c) O culto da teoria aristotélica da arte como imitação da natureza.

d) A exaltação da vida campesina, com sua paisagem, seus pastores e seu gado.
e) O gosto pelo noturno, como forma de acentuar a atmosfera de mistério.

Resposta

18. (Ufam) Leia as afirmativas abaixo, feitas a respeito do Caramuru, poema épico de Frei
José de Santa Rita Durão:

I. Possui inspiração devota e a vontade de celebrar em Diogo Álvares Correia um herói


camoniano, capaz de dilatar a fé cristã e o Império português.

II. Moema, preterida pelo Caramuru em favor de Paraguaçu, apostrofa o ingrato herói e morre
agarrada ao leme do navio que o levará, com sua eleita, para a França.

III. Emprega o verso branco, que o neoclassicismo, em seu duplo afã de austeridade e
naturalidade, valorizava.

IV. O alarido da glória bélica perde importância ante a sensibilidade amorosa registrada nas
cenas de namoro entre o herói e sua eleita.

Estão corretas:

a) Apenas III e IV.

b) I, II e III.

c) I, III e IV.

d) Apenas II e IV.

e) Apenas I e II.

Resposta

19. (Ufam) Leia as afirmativas abaixo, feitas a propósito de poetas brasileiros do período
colonial:

I. O apego à felicidade do “lar, doce lar” e ao comodismo burguês perpassam sua lírica muitas
vezes erótica, e esse último aspecto desfaz em parte o código da idealização platônica da
mulher eleita.

II. Seus versos, que nunca foram editados e circularam muito tempo em cópias volantes, até
serem coligidos a partir do século XX, constituem um dos grandes problemas de autoria de
nossa literatura.

III. Sua grande contribuição à literatura reside na habilidade com que infundiu lirismo ao
verso narrativo, tendo imprimido no confronto civilização versus natureza várias notas de
simpatia pelo selvagem.
Os enunciados se referem, respectivamente, a:

a) Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama, Gonçalves Dias.

b) Cláudio Manuel da Costa, Bento Teixeira, Santa Rita Durão.

c) Alvarenga Peixoto, Gregório de Matos, Gonçalves Dias.

d) Tomás Antônio Gonzaga, Gregório de Matos, Basílio da Gama.

f) Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama.

Resposta

20. (UFV-MG) Observe com atenção os textos abaixo, pertencentes a autores dos estilos
árcade e barroco:

Texto I

"[...]
Ornemos nossas tendas com as flores,
e façamos de feno brando leito;
prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores.
Sobre as nossas cabeças,
sem que o possam deter, o tempo corre;
[...]"

Texto II

"[...]
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
[...]”

Dentre as seguintes alternativas, assinale aquela que estabelece uma relação CORRETA entre
a temática dos poemas transcritos, seus autores e os períodos literários a que pertenceram:

a) O texto II traz implícita uma crítica à sociedade mineira do século XVIII e foi escrito pelo
poeta barroco Gregório de Matos Guerra.

b) O autor do texto I prioriza a tranqüilidade da vida campestre e, movido por um forte


sentimento nativista, exalta as belezas da natureza brasileira.

c) O texto II insere-se no gênero satírico da estética barroca e confirma a veia crítica do poeta
Tomás Antônio Gonzaga.
d) O texto I compara os prazeres da vida no campo aos dissabores da vida na cidade e retoma
o famoso princípio poético “fugere urbem”.

e) O texto I é de autoria do poeta árcade Tomás Antonio Gonzaga e evidencia a inevitável


passagem do tempo, sobretudo a necessidade de aproveitar bem os momentos de felicidade.

Resposta

21. (UFV-MG) Todos os fragmentos abaixo representam, pela linguagem ou pela temática, o
movimento árcade brasileiro, EXCETO:

a) “A mesma formosura/é dote que só goza a mocidade:/rugam-se as faces, o cabelo


alveja/mal chega a longa idade.”

b) “Pastores que levais ao monte o gado,/Vede lá como andais por essa serra,/Que para dar
contágio a toda a terra,/Basta ver-se o meu rosto magoado.”

c) “Passam, prezado amigo, de quinhentos/Os presos que se ajuntam na cadeia./Uns dormem


encolhidos sobre a terra,/Mal cobertos dos trapos, que molharam/de dia, no trabalho.”

d) “Que havemos de esperar, Marília bela?/que vão passando os florescentes dias?/as glórias
que vêm tarde, já vêm frias,/e pode enfim mudar-se a nossa estrela.”

e) “Oh! Que saudades que eu tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que
os anos não trazem mais!”