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As Ciências Sociais e a Cultura - Renato Ortiz

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ORTIZ, Renato. As ciências sociais e a USP, S. Paulo, 14(1): 19-32, maioS. Paulo, 14(1): 19-32, maio R 2002. G O A de T I Tempo Social; Rev. Sociol.

cultura. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, de 2002.

As ciências sociais e a cultura
RENATO ORTIZ

RESUMO: O artigo analisa a constituição histórica da cultura como objeto nas ciências sociais, em termos de cultura popular, cultura nacional e cultura de massa. Compara os processos de institucionalização da sociologia segundo seus diferentes contextos nacionais ou regionais, abordando os modos como a disciplina torna-se autônoma por meio da especialização de tarefas em concorrência com outras disciplinas. A retomada da unidade interpretativa e uma revisão conceitual para a abordagem dos "objetos globais" são definidos como os principais desafios para a sociologia na atualidade.

PALAVRAS-CHAVE: cultura, sociologia, ciências sociais.

abemos que as Ciências Sociais se constituem como um universo autônomo, isto é, distinto de outras formas discursivas (senso comum, religião, política, filosofia, literatura, etc.), apenas no final do século XIX. Porém o estudo da cultura, como esfera temática diferenciada, encontra-se ainda nesse momento pouco desenvolvido. A Sociologia tem interesses mais prementes, o que se expressa nos objetos escolhidos pelos principais autores e correntes de pensamento da época: sociedade versus comunidade (Tonnies), divisão do trabalho (Durkheim), ética e capitalismo (Weber), mercadoria (Marx), industrialização e urbanização (Escola de Chicago). Há no entanto uma dimensão que irá chamar a atenção dos pesquisadores: o mundo da grande arte. Fruto das transformações ocorridas nesse mesmo século, a Arte (com maíuscula), como campo específico voltado para o universo restrito de seus pares, se consolida como um importante marco de referência a ponto da noção de cultura com ela se confundir (cf. Bourdieu,

S

Professor do Departamento de Sociologia do IFCH-UNICAMP 19

Sociol. pois condensa uma série de considerações que se fazem sobre as diversas civilizações que teriam composto a história da humanidade (cf. Duas outras disciplinas se dedicam ainda à problemática cultural: a História. Caberia à civilização contentar-se com o lado material. 1990). maio de 2002. mas encerra um conjunto de valores modais constitutivos da identidade dos povos. elas seriam formadas por um conjunto de caracteres específicos a um grupo social vivendo numa determinada época. francesa. S. Radcliffe-Brown. com os estudos das civilizações. transformando-se em padrão de avaliação. A proposta de Alfred Weber pode ser tomada como exemplar. Fernand Braudel observa que o termo. Civilização tem no entanto um outro significado. a Arte é o divisor de águas das opiniões conflitantes. Horkheimer. ao ser criticada como elitista (pelos autores liberais vinculados à idéia de democracia de massa e ao mercado). um conjunto de análises irá fundar uma nova especialidade. a Sociologia da Cultura. enquanto expressão da Arte e do Espírito. de mensuração. Braudel. já não mais se contrapõe à Kultur. também se dedica à problemática cultural com os trabalhos de Tylor. das outras expressões culturais existentes. Elias. As ciências sociais e a cultura. A literatura e a pintura desfrutam assim de um estatuto privilegiado. industrial.ORTIZ. 1970/71). com a entrada no século XIX se pluraliza (cf. Durante o século XX. ocuparia uma área geográfica delimitada e moldaria das relações sociais ao seu destino histórico. se realizaria por inteiro (cf. ela é alçada à posição de parâmetro ideal na compreensão de toda qualquer manifestação cultural (cf. por sua vez. Dito de outra forma. USP. 1964. Spengler. Rev. ou idealizada como derradeiro refúgio da liberdade espiritual (os frankfurtianos) (cf. “menor” das sociedades modernas. Paulo. ela é referência obrigatória. 1941). Uma forma de se perceber isso encontra-se na dicotomia cunhada pelos pensadores alemães: Kultur versus civilização. A Kultur corresponderia à esfera mais “elevada” da razão e do espírito. e a Antropologia. Malinowsky. técnico. voltada para as sociedades indígenas. Fala-se assim da civilização de Atenas. Nele. Cada uma delas representaria assim uma cultura modal. 1964. É dentro dessa perspectiva que Spengler escreve A decadência do ocidente e Toynbee se dedica à composição de sua obra monumental sobre o significado das civilizações passadas e contemporâneas (tendência que se revigora hoje. com a globalização) (cf. portanto. O emprego do termo cultura se associa assim ao estudo dos povos “primitivos” em contraposição ao de civili20 . Renato. Jacobs. Existiria pois uma contradição insuperável entre essas duas dimensões antagônicas da vida. 1996. que basicamente se confunde com a “alta cultura” (penso nos trabalhos de Lucien Goldmann e de Levin Schucking). Lowenthal. Williams. A Antropologia. o debate sobre o surgimento da cultura de massa nos Estados Unidos (anos 40 e 50). Os termos culto e cultivado traduzem bem esta associação revelando as características de “superioridade” do mundo artístico em relação a outros domínios da sociedade. o “ser humano”. nela o indivíduo. Toynbee. Um exemplo. 1983). 14(1): 19-32. Tempo Social. islâmica. 1984). Weber. a esfera artística não constitui simplesmente um universo autônomo. 1991). 1991). conjugado no singular na idade das Luzes.

Enquanto na Europa e nos Estados Unidos. Não obstante. com o processo de autonomização das Ciências Sociais. já distante do romantismo. Entretanto. expandindo paulatinamente seus interesses ao mundo camponês e às manifestações culturais contrastantes com a modernidade “ocidental” (crenças mágico-religiosas. ou melhor. tende cada vez mais a se situar à margem das novas disciplinas: Sociologia. comunidades. maio de 2002. Durante o XIX. uma semiciência (cf. França. com a expansão do romantismo e a emergência de uma consciência folclórica. que chamava a atenção. Aí. urbanização. Ortiz. na América Latina nos encontramos diante de questões como mestiçagem. 1990). Burke. o tema da cultura popular. USP. Antropologia e História (cf. o Folclore (the lore of the people). Cultura significaria nesse caso uma totalidade que abrangeria dos artefatos materiais aos universos simbólicos. Renato. A Antropologia dedica-se ao 21 . Entretanto. Com o culturalismo norte-americano. Tempo Social. religiosidade popular. oligarquias. irá florescer.ORTIZ. 1992). o tesouro de um patrimônio ancestral nos marcos de uma cultura nacional. racionalização. as dificuldades para construíla. Paulo. Inglaterra. nunca concretizada e um tanto ilusória. e este é o ponto que quero ressaltar. metrópole. malgrado essa ambição teórica. O mesmo não se passa com os países do leste e do sul da Europa. uma ausência da temática da cultura popular. dois aspectos são importantes: cultura popular e questão nacional. fundadoras de toda uma tradição. enquanto campo de conhecimento. no caso latino-americano era a sua ausência. Isso fica claro quando se compara os objetos tradicionalmente privilegiados pelos pesquisadores. Rev. as “regras do método” devem se acomodar ao movimento de regionalização no qual temas e enfoques particulares são desenvolvidos. no momento em que as disciplinas acadêmicas se institucionalizam no campo universitário. um passo a mais é dado. ocorre um movimento de marginalização do Folclore que deve ocupar a periferia do sistema de conhecimento. As Ciências Sociais irão se disseminar em diferentes países seguindo um padrão de trabalho em princípio universal. Sociol. a Alemanha industrializada. Os intelectuais românticos querem recuperar um saber perdido no tempo. Se para os europeus e norte-americanos o fundamental foi explicar a modernidade. aplicado pelos historiadores às sociedades ditas “evoluídas”. nas Ciências Sociais “clássicas”. industrialização. 1967). Gennep. a Sociologia se ocupa de assuntos como divisão de trabalho. pois alguns autores irão propor a existência de uma Teoria da Cultura. Nos países centrais. os antropólogos confinaram seus estudos às sociedades indígenas. A profissionalização das Ciências Sociais implica um padrão de legitimidade e de trabalho científico que se afasta do que os folcloristas consideravam como “Ciência”. As ciências sociais e a cultura. matriz abrangente capaz de abarcar as expressões de todas as sociedades humanas. a rigor. mundo rural. etc. Temos assim. 14(1): 19-32. o estudo sobre a cultura popular dissemina-se em vários países. S. no final do século. Para o debate que nos interessa. Como bem o demonstra Peter Burke.). o conceito de cultura popular nasce na virada do século XVIII com o romantismo alemão (cf. zação. aliado à questão nacional.

cunhada pela escola durkheimiana. Weber. é preciso acrescentar. por exemplo. Mas. As Ciências Sociais nascem em contextos nacionais. mas para que não haja mal-entendidos. como o mostra muito bem Jesus Martin Barbero em seu livro Dos meios às mediações. ao criarem os museus de cultura popular. Sombart. O tema da nação é igualmente importante para diversos pensadores. Sociol. Como já demonstraram vários autores que se dedicaram à sua história. assim. elas vêm marcadas pelos debates políticos e intelectuais que se desenrolam nos países em que se desenvolvem e são gestadas. 14(1): 19-32. sendo na verdade forças atuantes do presente. Como Gramsci. a temática em pauta. estudo das sociedades indígenas. onde o conceito de cultura popular praticamente se identifica ao de “cultura de massa”. referência obrigatória. Rev. 22 . 1957). Mármora. Por isso é raro encontrarmos nos escritos de autores como Durkheim. A ausência da modernidade. a própria crença na ideologia do progresso (que permeia o conjunto de autores da época) expele para a margem o que se considerava como sendo. durante a II Internacional. encontram-se em franco declínio. a diversidade indígena e a mestiçagem nada têm de “resquícios do passado”. orientando o debate numa direção inteiramente distinta. Não é portanto fortuito que. De uma certa maneira. Marcel Mauss. a máquina. S. Certau. Renato. preservando. dificilmente essa dimensão da vida social poderia ser negligenciada.ORTIZ. 1980). ou em Antropologia britânica e norte-americana. Paulo. a temática é objeto de um debate acirrado no seio das correntes internacionalistas (cf. a riqueza das tradições populares (o que é visto como um entrave à modernização pelas elites dominantes). Por isso é necessário salvá-las. Posto que o mundo rural. Marx e Engels estão preocupados com a indústria. As ciências sociais e a cultura. A tradição marxista caminha na mesma direção. aos bens culturais produzidos industrialmente (cf. a existência das culturas indígenas e a herança africana tornam o quadro anterior ainda mais complexo. que o explora a partir da categoria de “consciência coletiva”. para quem a questioni meridionale é crucial no entendimento da fratura intelectual e política existente no seio do Estado-nação. diante do avanço da modernidade. Durkheim. é importante qualificá-la. admitem que essas expressões culturais. Os próprios folcloristas. O outro aspecto que eu havia apontado diz respeito à questão nacional. sua realização “incompleta”. apenas. quando o internacionalismo é uma opção política oposta ao nacionalismo dos Estados-nação (cf. principalmente no momento da Grande Guerra Mundial. esse é o coração do sistema capitalista. o sincretismo religioso. 1975). isto é. por isso falamos em Sociologia francesa e alemã. Na América Latina. la beauté du mort (cf. Weber se interessa pela temática nacional assim como Durkheim. Rosenberg & White. “resquícios do passado”. aqueles que virão se ocupar da problemática sejam os oriundos dos países “pouco desenvolvidos”. Entre os marxistas. também nos Estados Unidos. As expressões culturais tradicionais constituem. a mercadoria. o interesse pela cultura popular é semelhante ao que ocorre nos países periféricos europeus. como diz De Certau. implica o corolário oposto. USP. entre os marxistas. maio de 2002. Simmel. Tempo Social. ou seja. a Sociologia à modernização e a História à formação dos Estados nacionais.

passando pela Sociologia e pela Filosofia (cf. 1986). metrópole. A afirmação das culturas nacionais se faz assim em condições extremamente desfavoráveis. a discussão 23 . Entretanto. não se trata de algo relativo à sua excepcionalidade. O caso é distinto na América Latina. o desenvolvimento das Ciências Sociais se faz em estreita correlação com o debate sobre a nacionalidade. divisão do trabalho são temas que evoluem relativamente distantes da questão nacional. Yoshino. Dilema que penetra as Ciências Sociais com um todo. tenderam às vezes a pensar que seus países deveriam “partir do zero”.ORTIZ. confucionismo. a expansão imperialista implica a existência de uma relação desigual das forças sociais. Também no Japão. Renato. da universidade às artes. no final do XIX. da política à literatura. 1978). Por isso as elites. Rev. a ponto de caracterizar a produção científica como um todo. S. é importante frisar. antes de considerá-lo. 14(1): 19-32. A autenticidade ou não da cultura nacional. É dentro desse quadro que se desenvolve um tema em particular: a crítica ao colonialismo e ao imperialismo. Nesse sentido é legítimo afirmar que a temática da cultura nacional. a necessidade de se “ultrapassar” as tradições populares. Modernidade. Tempo Social. o fomento à industrialização. do “estrangeiro”. Ortiz. De uma certa forma. pode-se dizer que a problemática da nação não determina prioritariamente o conteúdo e a orientação das Ciências Sociais na Europa industrializada (certamente porque nesses países a nação. embora permeie o pensamento dos autores e esteja presente no horizonte intelectual da época. A racionalização do aparelho de Estado. grupos de família). A temática da cultura nacional. a capacidade do país em atuar antropofagicamente (para usar uma expressão de Oswald de Andrade). De qualquer maneira. torna-se assim uma dimensão vital do pensamento latino-americano (cf. As ciências sociais e a cultura. industrialização. já se encontra cristalizada de forma distinta do início do século). o que é certamente um equívoco. A busca da identidade é uma preocupação acadêmica e política pois encontra-se em causa o destino da nação. nunca é hegemônica. dos diagnósticos ensaísticos como os de Rodó à teoria da dependência. retornando à questão nacional. o dilema entre ocidente e oriente. Mas. Lembrando que o conceito foi cunhado por Hobson em 1902. mesmo isso sendo verdadeiro. nos encontramos diante de um debate análogo ao que se desenrola na América Latina. a superação do subdesenvolvimento. 2000). 1992). USP. Paulo. marca profundamente o pensamento nipônico. para se distanciarem de seu passado mestiço. Ser ou não ser japonês. são discussões que se prolongam da Antropologia à História. Sociol. maio de 2002. dando inclusive origem a uma tradição literária conhecida pelo nome de nihonjinron (cf. Um exemplo. Enquanto no Japão a modernidade é reinterpretada em termos da tradição anterior (budismo. na América Latina ela deve ser construída sem levar-se em consideração nenhuma herança “milenar”. Porém. sua descaracterização pelo contato com a modernidade “ocidental”. pode-se dizer que ela irá condicionar o contexto intelectual. selecionando e digerindo o que viria de “fora”. são temas que se articulam em torno da identidade nacional. Zea. a solução encontrada é distinta. associada à da cultura popular.

pois o texto de Antonio Pasquali. maio de 2002. Cabe lembrar que nenhuma sociedade. A indústria cultural funciona portanto como uma instituição social. à expansão do mercado cultural. conheceu um tipo de instituição semelhante. 3 As pesquisas de Lazarsfeld sobre o rádio são dessa época. é de 1962. Morin e Barthes fundam o Centre d’Étude de Communication de Masse que publica a revista Communication. 14(1): 19-32. O livro de Edgar Morin. de Adorno e Horkheimer. A emergência da temática. preenche assim todo o campo intelectual. a cultura popular e a televisão. construir para si um outro caminho. Ver Beltrán & Cordona (1980) e Dorfman (1980). A problemática emerge nos Estados Unidos nos anos 30/40. O debate sobre a situação colonial teve importante implicações no pensamento latinoamericano. os produtos elaborados industrialmente podem ser difundidos em escala ampliada. antes do século XX. junto ao poder colonialista. o star-system. corresponde a uma reorganização profunda do campo cultural. no âmbito das lutas nacionalistas. O homem colonizado. particularmente num país como a França. cultura de massas. ainda nos anos 60. cujo corolário é a revitalização da cultura autóctone. aparece pela primeira vez no livro A dialética do Iluminismo. sendo que. isto é. a soap-opera. modificar sua sina. Rev. ao compreender o fundamento de suas amarras. (Radio research. Pasquali. S. Na Europa. New Yorque. Enquanto os países mais industrializados da Europa encontramse mobilizados pela guerra. ou seja. a relação entre arte e bens culturais industrializados (folhetim e fotografia) era tensa mas distinta e diferenciada. na qual a organização da cultura encontra-se em grande parte separada da vida daqueles que a utilizam. a tomada de consciência das contradições inerentes a essa situação desigual. 2 Como os estudos que se fazem na área da comunicação sobre o imperialismo norteamericano. A verdade é que os Estados Unidos conhecem antes dos outros a “revolução” tecnológica-comunicacional. a publicidade. O conceito de “indústria cultural”. Devido à sua abrangência. o . partidos políticos. no século XIX. os estudos sobre a cultura de massa são posteriores. é de 1963 (cf. A critica à dominação estrangeira. A colônia careceria portanto de autenticidade. o cinema. USP. publicado em 1944. espaço que se especializa nos estudos sobre as indústrias culturais. poderia. Duell Sloan and Pearce.1 Nela. L’esprit du temps. 1942). Paulo. ela irá deslocar duas instâncias importantes da vida social: a cultura popular e a arte. As ciências sociais e a cultura. colonizador e colonizado fariam parte de um mesmo sistema no qual o “Ser” da nação se encontraria alienado no “Ser do Outro”. É do mesmo período o Centre for Contemporary Cultural Studies em Birgmingham (1964). competindo diretamente com outras instituições como família. Tempo Social.ORTIZ. Datam também desse período a criação das faculdades de comunicação. Comunicacion y cultura de masas. com o advento da cultura de massa. Para romper essa cadeia de eventos a única alternativa seria o o surgimento de uma vontade “desalienadora”. envolvendo as artes.2 Uma outra dimensão importante das Ciências Sociais refere-se à análise da cultura de massa. Graças aos meios tecnológicos. 24 1 sobre a situação colonial. Renato. Se. aí o debate intelectual tem como referência outra realidade: os filmes de Hollywood.3 O fato desses estudos florescerem nos Estados Unidos é sintomático. De uma certa forma. Sociol. um momento em que são desenvolvidas pesquisas sobre os meios de comunicação procurando entender o impacto das mensagens junto às audiências e ao público. Apenas a título de exemplo. 1976). o rádio. assim como suas implicações na esfera da cultura. pode-se dizer que as análise feitas na América Latina acompanham esse movimento mais geral. religião. cuja presença será importante na futura criação dos Estudos Culturais. lembro o livro de Álvaro Vieira Pinto (1960).

as análises frankfurtianas estavam corretas). Nos Estados Unidos. turismo. Mas também o pólo da cultura popular. USP. Park. Paulo. principalmente ao longo dos anos 70 e 80. crenças. como os de Florian Znaniecki. isto é. interessado em compor uma disciplina com métodos e procedimentos específicos na construção do objeto sociológico. As ciências sociais e a cultura. Isso terá consequências importantes pois um novo elemento. folguedos. a Universidade de Chicago cria um departamento de Sociologia em 1892. e os primeiros trabalhos na área sociológica. quando o densenvolvimento da indústria cultural é insofismável em países como Brasil. são do início do século XX. mas. sugere que uma das formas de compreendermos a história do pensamento social é considerarmos o seu processo de institucionalização (cf. publicidade. diversas escolas de pensamento. Granet). fundamentada em afirmações genéricas que prescindiam de um tra25 . em seus estudos sobre o campo intelectual. Também o debate sobre a cultura nacional ganha uma outra dimensão. e a formação da equipe do L’Année Sociologique é de 1898. o desenvolvimento do sistema universitário. maio de 2002. Renato. particularmente na América Latina. Ortiz. Tempo Social. universo artístico perde paulatinamente sua autonomia sendo redefinido pelos interesses mercadológicos (neste aspecto. artesanato. filosofia. Venezuela e Argentina. Até pelo menos a década de 40. quando não deixam de existir. Louis Wirth. ela é sugestiva no entendimento da temática cultural. discussões teóricas tornam-se mais claros quando situados no contexto da formação dos universos acadêmicos. marxismo e estruturalismo. entra em cena. não é minha intenção trabalhar de maneira exaustiva essa dimensão do problema. México. (cf. Comparando o que ocorre na Europa e nos Estados Unidos com a América Latina. a criação de departamentos e institutos de pesquisa. 1983). Tanto na França quanto nos Estados Unidos. o mercado. Ora. fica evidente a existência de uma defasagem temporal. pois temas. Rev. S. Retomo portanto o argumento com o qual iniciei este artigo. Durkheim. Pierre Bourdieu. abordagens. O caso brasileiro é sintomático. Sociol. funcionalismo e culturalismo. 14(1): 19-32. creio. Canclini. Seu projeto de institucionalização das Ciências Sociais. escreve As regras do metódo sociológico em 1895. a autonomização das Ciências Sociais. Evidentemente. Nos anos 40/50. discurso político e beletrismo se misturavam. termo que praticamente inexistia quando se discutia a relação entre nação e política nas décadas de 40. construído em torno de uma equipe coesa de indivíduos (Mauss. Burguess. 1980). Halbwachs. irá multiplicar os nichos institucionais incentivando o florescimento de diferentes áreas acadêmicas. são rearticulados pelos novos espaços culturais – televisão. etc. se apresentam como referências teóricas importantes no campo intelectual. na França. nos Estados Unidos. fundador da Sociologia francesa. data portanto do final do XIX (cf. 1989). na América Latina temos uma institucionalização “tardia” das Ciências Sociais. Festas. 50 e 60. Bourdieu. a produção do pensamento sociológico se fazia dentro de um contexto em que literatura. Tinha-se na verdade uma disciplina marcada pelo ecletismo e pelo ensaísmo. será inteiramente reorganizado dentro desse novo contexto.ORTIZ. A análise sociológica ganha assim em abrangência.

as fronteiras deixavam filtrar mais facilmente. que o desenvolvimento de uma rede universitária de ensino superior. A rigor. Sendo tênues. não existia um espaço específico no interior do qual o saber sociológico pudesse se autonomizar. foi também possível devido à fragilidade dessa autonomização. de Direito e pelos Institutos Históricos Geográficos. é dessa época. problemas em princípio externos à sua lógica. Mas penso que é possível dizer. requer uma separação radical entre o mundo artístico. O padrão de trabalho científico dos sociólogos brasileiros (importante como marco metodológico na Sociologia brasileira) foi publicado em 1958. a partir da especificidade brasileira. 1986. Há algo de mannheimiano nessa perspectiva que trata o ethos da ciência como uma espécie de subcultura. Ianni. Enquanto disciplina. Sociol. valores e ideais do saber científico (cf. a arte sempre foi “engajada” (no sentido que posteriormente Sartre deu ao termo). Rev. Renato. balho sistemático de pesquisa. nos vem à mente um quadro no qual a reflexão teórica vem marcada pela política. consubstanciada no debate sobre a questão nacional. Nele. mas importa sublinhar. no interior de sua territorialidade. ela tem o nítido propósito de diferenciar a Sociologia das outras falas. na América Latina temos o inverso. Algo semelhante ocorre com o universo da arte. o autor tinha em mente uma formação intelectual que privilegiasse as normas. Paulo. e as coisas da vida. representada pela figura de Florestan Fernandes. maio de 2002. Na América Latina. as Ciências Sociais devem se separar de outras formas de conhecimento. a institucionalização das Ciências Sociais se consolida nos anos 70 e 80 com a expansão das universidades e a emergência de um sistema nacional de pós-graduação (implantação dos mestrados e doutorados). Nesse sentido pode-se dizer que o dilema da identidade nacional levou a 26 . Seu texto. USP. independente. ele se espalhava pelas escolas de Medicina. Pode-se dizer o mesmo da Antropologia. Por isso. ou ao “pensamento latino-americano”. Falar em autonomização significa pensar as fronteiras. Arruda. Isso tem implicações nos temas e nas análises realizadas. no caso brasileiro. contaminada de política. Para existirem. tradicionalmente nos referimos ao “pensamento brasileiro”. generalizá-la inteiramente para o resto da América Latina. ela certamente existia. num momento em que imperava uma polissemia sobre a interpretação do social. As ciências sociais e a cultura. A “escola paulista”. 1995). autônomo. era limitado. 14(1): 19-32. quando ainda hoje. pelo menos em linhas gerais. até 1968. a íntima relação entre pensamento e política. 1995). O ideal flaubertiano.ORTIZ. Não se pode esquecer. desenvolvendo-se em pontos distantes e desconectados do país e praticadas por um número bastante reduzido de pessoas (cf. Na verdade. S. que a autonomização do campo das Ciências Sociais é tardia mas efetiva. sobretudo na sua versão etnográfica. Por isso é apenas na década de 50 que se inicia a consolidação de um campo autônomo da Sociologia no Brasil. mas apenas de forma incipiente. sabendo inclusive da diversidade existente em termos continentais. l’art pour l’art. Devido à problemática nacional. aproximando-as e distanciando-as da realidade dos países “centrais” (utilizo o termo entre aspas pois com a globalização ele torna-se cada vez mais impreciso). Sei que é difícil. Ora. Tempo Social. Corrêa.

Diante do enrijecimento do conhecimento disciplinar. à discussão estética. Com a institucionalização das Ciências Sociais. a meu ver. Sem dúvida elas existem nas universidades e centros de pesquisa mas são mais porosas. da Ciência Política à História. a Sociologia. distinguindo-as em parte da tradição européia e norte-americana. intelectualidade a compreender um conjunto de temas (subdesenvolvimento. As ciências sociais e a cultura. propõe-se uma abertura intelectual. objetos como partidos políticos. na Antropologia. sobretudo na tradição hispânica (e menos luso-brasileira). Quero com disso dizer que. Renato. mas um dado objetivo no qual esse questionamento se desenvolve. a falta de comunicação entre os diversos campos de saberes torna-se. USP. quando se ocupava do tema. como algo intrinsecamente vinculado a questões políticas. sublinho. explicar porque eles têm dificuldade em se institucionalizar enquanto universo diferenciado de conhecimento (pelo menos no Brasil). da Sociologia à Crítica Literária. de uma certa forma. folclore e cultura popular. A passagem da Filosofia à Sociologia. industrialização e urbanização eram vistos como “mais importantes” do que os estudos referentes 27 .ORTIZ. maio de 2002. Pois é de sua natureza desrespeitar a formalidade dos limites estabelecidos. na assimilação dos Estudos Culturais. num contexto de institucionalização restringido. Tempo Social. Paulo. as fronteiras disciplinares nunca conseguiram se impor com a mesma força e rigidez como ocorreu nos Estados Unidos. 14(1): 19-32. não são casos de exepcionalidade. A tradição das Ciências Sociais. O quadro é porém distinto na América Latina. é necessário situá-la no contexto que lhe é próprio. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. S. na História. modernização. à compreensão das sociedades indígenas. Pode-se ainda dizer que a análise dos fenômenos culturais desfrutava de um prestígio “menor” no campo intelectual. e entre eles a cultura (nacional. inclusive conseqüências no debate contemporâneo. Não houve tempo nem condições materiais para que isso acontecesse. constituem quase que uma regra do campo universitário. imperialista e colonialista). Por exemplo. à reflexão sobre as civilizações. flúidas permitindo uma interação maior entre os praticantes das Ciências Sociais. Isso não é uma dimensão apenas do passado. A discussão da identidade encerrava os dilemas e as esperanças relativas à construção nacional. praticamente o restringia à esfera da Kultur. confinava a esfera da cultura a certos generos específicos: na Literatura. tenha sobrevivido ao processo de formação disciplinar. Talvez por isso o ensaio. para se entender essa proposta. Particularmente nos Estados Unidos. Estado. Originários da Inglaterra e dos Estados Unidos eles problematizam justamente a existência das fronteiras disciplinares. não apenas um elemento questionável. Rev. nos seus diversos ramos disciplinares. como forma de apreensão da realidade. da Antropologia à Comunicação. o que me parece salutar. ela tem. Sociol. o que pode. modernização). ela constitui um traço particular das Ciências Sociais latino-americanas. Entretanto. com o processo exacerbado de especialização. Veremos que essa porosidade das fronteiras irá se alterar (como apontarei em seguida) mas. a competição acirrada das disciplinas.

a temática cultural.ORTIZ. da “infra-estrutura”. Ele rompe com uma espécie de "fordismo intelectual" no qual as especialidades e as subdivisões disciplinares implicaram a preponderância de um saber fragmentado em relação a uma perspectiva analítica mais integradora dos fenômenos sociais. É possível dizer que a tradição marxista. dependência e classes sociais terão um apelo muito maior entre os cientistas sociais e um público mais amplo. Há evidentemente exceções que confirmam a regra. Rev. Dessa forma. Um outro aspecto diz respeito à problemática do poder. Tempo Social. talvez de forma inconsciente. na virada dos anos 60/70. em contraposição a essa tendência de compartimentalização. Não obstante. S. por exemplo. modernização. Sociol. pois a “superestrutura”. como advogam alguns proponentes dos Estudos Culturais. a sociologia da religião de Max Weber. no futuro. esse movimento se reproduz. enquanto reflexo. se rompe. As ciências sociais e a cultura. a Antropologia dificilmente dialogava com a dimensão moderna da chamada “cultura de massa” e assim por diante. às religiões. a esfera da “alta cultura” permanecia ilesa. Mesmo na América Latina. Fica em aberto porém a questão se. Como se constituísse um espaço de convergência de movimentos e ritmos diferenciados: economia. e para mim um aspecto altamente positivo no processo de renovação das Ciências Sociais (nesse sentido os Estudos Culturais desempenham certamente um papel positivo). transição democrática. esse domínio de reflexão irá ou não se constituir numa “área” específica. o universo da cultura passou a ser percebido como uma encruzilhada de intenções diversas. Certo. como se pensou no passado. A constituição da nação implicava uma reflexão diferenciada. com o processo de institucionalização das disciplinas. tenha nisso desempenhado um certo papel. abrindo caminho para a especialização das tarefas. pode-se dizer que os estudos literários pouco tinham a ver com as análises sociológicas. No entanto. mas recortada segundo temas e disciplinas. etc. postulada nas análises anteriores (penso nos escritos de Gilberto Freyre). A unidade interpretativa. temas como desenvolvimento. não em sua totalidade. pois era considerada como algo à parte. garantindo assim sua aura solitária. Atualmente. as Ciências Sociais tenderam a identificá-lo com a política. designava às manifestações culturais uma posição secundária. as análises empreendidas transbordaram os limites estabelecidos pelas Ciências Sociais européias e norte-americana. no geral. Contrariamente à Europa e aos Estados Unidos. foi uma preocupação permanente da intelectualidade. maio de 2002. guardadas as devidas proporções. não creio que venha a existir. a esfera da cultura passa a ser vista. o movimento dominante no pensamento sociológico (no sentido amplo do termo) foi considerá-lo como algo prefe28 . 14(1): 19-32. associada ao dilema da identidade nacional. mas estou convencido que dificilmente esse espaço de convergência pode se circunscrever às fronteiras canônicas das disciplinas existentes. tecnologia. relações sociais. Nesse sentido. Paulo. à cultura de massa. USP. com uma coerência teórica capaz de abranger a compreensão de realidade como um todo. Renato. Mas. à cultura popular. uma “Teoria da Cultura”. ou não. Esse é um movimento recente. Pessoalmente. Tradicionalmente.

Creio que se torna cada vez mais claro a distinção entre poder e política. como algo imanente às sociedades. era discutir política. O deslocamento do debate. movimentos sociais. As ciências sociais e a cultura. a emergência de uma indústria cultural. S. nesse sentido. etc. De qualquer maneira. rencialmente vinculado ao universo da política. diz respeito ao modo como a esfera da cultura passa a ser percebida. governo. As transformações recentes deslocam ainda mais a centralidade do Estado-nação. 29 . um lugar de poder. Renato. diante desse quadro. 14(1): 19-32. Uma outra mudança. ela era vista como um espaço de ação política. é importante qualificar o contexto no qual o debate era travado e apontar para as mudanças advindas desde então. Mesmo no quadro dos antigos países “centrais”. discutir cultura. o México e a Argentina. da constituição de alguns fenômenos sociais (estética. Tempo Social. de gênero e regionais) reflete essa nova tendência. às vezes definitivos. 1997). mas não necessariamente. partidos. muito em voga na América Latina nos anos 50 e 60). às relações sociais. Sublinhei como a temática nacional vinha marcada pela política. Sociol. Entretanto. Por isso temas como Estado. como apontei antes. ele se debilita cindindo o elo postulado entre identidade nacional e luta política. Na América Latina. partidos.). o movimento de institucionalização das Ciências Sociais. particularmente em países como o Brasil. mesmo restringido. Held. Novamente. Ou seja. como entendemos hoje. pois o poder. nem sempre se atualiza enquanto política. Entre as manifestações culturais e as instâncias propriamente políticas existem mediações. de uma certa forma. sindicatos. sindicatos e movimentos sociais tornaram-se hegemônicos entre os cientistas sociais.ORTIZ. Sem elas corre-se o risco de indevidamente “politizar” a compreensão analítica. com a especialização das disciplinas. as contradições existentes no seio das manifestações culturais eram imediatamente traduzidas em análises e propostas encampadas pelas instituições tradicionalmente consagradas ao “fazer política”: governo. redefine a noção de cultura popular. deixando-se de lado aspectos importantes. da identidade nacional para as identidades particulares (étnicas. Rev. despolitizando a discussão anterior (tratei de maneira exaustiva esse aspecto em meu livro A moderna tradição brasileira). isto posto. Terceiro. Muito do que se define por “crise política” associa-se às restrições impostas à sua atuação. redefinindo a situação na qual são produzidas as Ciências Sociais. Primeiro. Segundo. conceber a esfera da cultura como um lugar de poder significa dizer que a produção e a reprodução da sociedade passa necessariamente por sua compreensão (o que é distinto da idéia de “conscientização”. a América Latina pode ser vista de forma distinta. religião. Paulo. Com o processo de globalização. o Estado-nação era o pressuposto básico da argumentação desenvolvida. incentivou a separação entre compreensão da realidade e atuação política. pode-se dizer que as instâncias tradicionais da política perdem legitimidade ao se definirem quase exclusivamente em termos das fronteiras nacionais (a discussão sobre uma possível sociedade civil mundial é um sintoma disso) (cf. maio de 2002. mas é importante dimensionar as coisas para não cairmos em malentendidos. A cultura ficava um tanto à margem disso tudo. USP. a meu ver profunda.

14(1): 19-32. decorre que ela se modifica com as mudanças da própria sociedade. tal como foram classicamente concebidos pela Antropologia e pela História. “fronteiras”. É importante entender que. Sociol. Um panorama distinto do final do XIX. De alguma maneira. noções como “território”. reconstruídas. devem ser revistas. O que é válido também para termos como imperialismo ou colonialismo cultural. Renato. in terms of popular culture. Paulo. categorias como cultura popular e cultura nacional precisam ser. o seu fim. social sciences. quando a modernidade era propriedade de alguns lugares. It compares the processes of institutionalisation of sociology according to the different national and regional contexts and it looks at how this subject of study becomes . global. mas afirmo que tais categorias já não mais dão conta das próprias relações de poder num mundo globalizado. o que está em causa é a própria noção de espaço.ORTIZ. repensar seus próprios conceitos. definir problemáticas e objetos de estudo. maio de 2002. Portanto. O que requer uma outra perspectiva analítica em relação à sua comprensão. Tempo Social. Isso não significa a superação do espaço. Tempo Social. a presença dos meios tecnológicos de comunicação. 14(1): 19-32. como às vezes apressadamente concluem alguns pensadores. Não estou sugerindo que as relações desiguais entre países tenham desaparecido. Nesse sentido. S. O que elas têm hoje em comum é que os “objetos globais” tornam-se uma preocupação de todos nós. A consolidação da modernidade-mundo. sociology. Os conceitos de cultura e civilização. Um último elemento deve ser mencionado pois marca de forma definitiva a relação entre a esfera cultural e as Ciências Sociais. Importa qualificarmos a situação presente e compreendê-la dentro de uma outra perspectiva. USP. “nacional”. May 2002. Paulo. Refiro-me ao processo de globalização e de mundialização da cultura. USP. América Latina ou Japão. deconstruídas e. Recebido para publicação em março/2002 ORTIZ. Sociol. 30 ABSTRACT: This article analyses the historical constitution of culture as object in social sciences. no seu contexto. para utilizar uma expressão na moda. dificilmente se aplicariam na íntegra ao mundo contemporâneo. isso seria insensato. Rev. The social sciences and culture. Não é necessário imaginarmos a história como uma sucessão de desaparecimentos definitivos. uma representação social. altera radicalmente o substrato material no qual estão inseridas as culturas. national culture and mass culture. Estados Unidos. KEY WORDS: culture. Rev. As ciências sociais e a cultura. S. Seja na Europa. como diziam Mauss e Durkheim. “local”. Renato. diante da nova realidade. essa é a tarefa das Ciências Sociais no século XXI. Se o espaço é. eu acrescentaria. sendo objeto de reflexão apenas de algumas mentes privilegiadas. a unificação dos mercados no seio de uma unidade integrada.

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