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O SER CONSCIENTE DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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ÍNDICE
O Ser Consciente PRIMEIRA PARTE - A QUARTA FORÇA CAPÍTULO 1 = A quarta força CAPÍTULO 2 = Definição e conceito CAPÍTULO 3 = O homem psicológico maduro CAPÍTULO 4 = Modelos e paradigmas CAPÍTULO 5 = A nova estrutura do ser humano SEGUNDA PARTE - SER E PESSOA CAPÍTULO 6 = A pessoa CAPÍTULO 7 = Fatores de desequilíbrio CAPÍTULO 8 = Condições de progresso e harmonia TERCEIRA PARTE - PROBLEMAS E DESAFIOS CAPÍTULO 9 = Êxito e fracasso CAPÍTULO 10 = Dificuldades do ego CAPÍTULO 11 = Neurose QUARTA PARTE - FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE CAPÍTULO 12 = Autocompaixão CAPÍTULO 13 = Queixas CAPÍTULO 14 = Comportamentos exóticos QUINTA PARTE - PROBLEMAS HUMANOS CAPÍTULO 15 = Problemas Humanos CAPÍTULO 16 = Gigantes da alma CAPÍTULO 17 = Ressentimento CAPÍTULO 18 = Ciúme CAPÍTULO 19 = Inveja CAPÍTULO 20 = Necessidade de valorização CAPÍTULO 21 = Padrões de comportamento: mudanças SEXTA PARTE – CONDICIONAMENTOS CAPÍTULO 22 = O bem e o mal CAPÍTULO 23 = Paixão e libertação psicológica CAPÍTULO 24 = Enfermidade e cura SÉTIMA PARTE - A CONQUISTA DO SELF CAPÍTULO 25 = A Conquista do Self CAPÍTULO 26 = Mecanismos de fuga do ego CAPÍTULO 27 = Medo e morte CAPÍTULO 28 = Referenciais para a identificação do si OITAVA PARTE - SILÊNCIO INTERIOR CAPÍTULO 29 = Silêncio Interior CAPÍTULO 30 = Desidentificação CAPÍTULO 31 = Libertação dos conteúdos negativos

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CAPÍTULO 32 = O Essencial NONA PARTE - A FELICIDADE CAPÍTULO 33 = Prazer e gozo CAPÍTULO 34 = Felicidade em si mesma CAPÍTULO 35 = Condições de felicidade CAPÍTULO 36 = Plenificação pela felicidade DÉCIMA PARTE - CONQUISTA DE SI MESMO CAPÍTULO 37 = O homem consciente CAPÍTULO 38 = Ter e ser CAPÍTULO 39 = A conquista de si mesmo

Aquilo que cultiva no campo íntimo. a timidez. tombando no abandono de si mesmas. porem. desde os simples complexos de inferioridade. momentaneamente. as inquietações e tendências que o comandam. disposto a encontrar-se sem máscara. não. em vãs tentativas de driblar as aflições transferindo-se para os setores do êxito exterior. a agressividade. chamando a atenção para enfrentá-los. quando as resistências disponíveis se exaurem. Estão presentes no homem. Somente consegue essa lucidez aquele que se auto-analise. a culpa. Condicionado para a conquista das coisas. O auto-amor ensina-o a encontrar-se e desvela os potenciais de força íntima nele jacentes. analisar a própria fragilidade. desencadeando novos sofrimnentos e perturbações devastadoras. apresentam-se na consciência sob disfarces diferentes. ao convívio saudável com o seu . Tal postura permite que os seus fatores constitutivos cresçam e se desenvolvam. constitui a sua essência e legitimidade. o homem moderno procura mecanismos escapistas. apenas descobre-se. As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração. O mesmo ocorre com os conflitos psicológicos. no entanto. Suas vítimas padecem situações muito afugentes. da meditação que faculta o crescimento interior. respondendo por inomináveis comportamentos nas sombras do medo e das condutas compulsivas. O homem pode e deve ser considerado como sendo sua própria mente. até quando ressumam e sobrepoem-se a todos os disfarces. o indivíduo procura soterrar os conflitos sob as preocupações contínuas. até os estados graves de alienação mental. evitando deter-se neles. não se julga. O ser consciente deve trabalhar-se sempre. aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar. embora os sentimentos permaneçam agrilhoados e ferreteados pela angústia e pela insatisfação. da auto-estima. À identificação segue-se o trabalho da transformação interior para melhor. que. na concepção da meta plenificadora. Todo conflito gera insegurança. nem se justifica.4 O Ser Consciente Esmagado por conflitos que não amainam de intensidade. partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica. vivos e pulsantes. erradicá-las. do aplauso e da admiração social. da oração que estimula a capacidade de discernimento. A auto-estima leva-o à fraternidade. estabelecendo os paradigmas corretos para a jornada. invariavelmente. utilizando-se dos instrumentos do auto-amor. ou que o propele com insistência a realizações. não se acusa nem se culpa. razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente. mantendo-os. que devem ser estudadas pacientemente. que se expressa multifacetadamente. Enraizados profundamente. Ignorar uma situação não significa eliminá-la ou superá-la. Para isso. de modo a encontrar os recursos que lhe facultem diluí-los. da relaxação que libera das tensões. não lhes dá valor. liberado dos choques interiores em relação ao comportamento externo. sem deterioração. até o momento em que se tornam insustentáveis. a fim de poder enfrentar os paradoxos existenciais — parecer e ser —. os narcisismos.

Antes. realizando-se em amplitude e abrindo-lhe a percepção para os estados alterados de consciência. poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. O conhecimento de si mesmo é. Mas. no entanto.. concitando-a ao auto-encontro e à autodescoberta a respeito da vida além dos estreitos limites materiais. fala. não se realiza satisfatoriamente. da Psicobiofísica. A relaxação proporciona-lhe harmonia. mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Há.. direis. e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. porém. Isto é muito real. a exemplo do comerciante. o Espiritismo descortinou para a criatura a valiosa possibilidade de ser consciente. inquiri como a qualificaríeis se praticada por outra pessoa. ignorado dentro de si mesmo. o orgulhoso julga que em si só há dignidade. dê balanço no seu dia moral para. “ “E prosseguiu: “. da Psicotrônica. A oração amplia-lhe a faculdade de entendimento da existência e da Vida real. quem medita. “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?” Eles responderam: “— Um sábio da Antigüidade vo-lo disse. ouve. Santo Agostinho. horizontes largos para a movimentação.” Na análise diária e contínua dos atos. avaliar suas perdas e seus lucros. igualmente necessitado. portanto. entre outras considerações explicitou: “.. Allan Kardec questionou os Espíritos Benfeitores. como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar asfaltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente. Se puder dizer que foi bom o seu dia. Espírito. ou adormecidas nos alicerces da Consciência. porque permanece perdido em um espaço escuro. para que se pudesse propor à vida melhores momentos e mais amplas perspectivas de felicidade. dispondo dos recursos para exteriorizar-se e interiorizar-se. O auto-conhecimento se torna uma necessidade prioritária na pro gramática existencial da criatura. que permaneciam soterradas sob os escombros do inconsciente profundo. A contribuição da Parapsicologia. estruturas psicológicas muito frágeis ou assinaladas por distúrbios de comportamento grave. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações.5 próximo. de todas essas disciplinas psicológicas e doutrinas parapsíquicas. a chave do progresso individual.. propiciou-lhe o encontro com outras dimensões da vida e possibilidades extrafísicas de realização. ampliou os horizontes do homem. o auto e o alo-amor serão decisivos para a avaliação. A meditação ajuda-o a crescer de dentro para fora. A oração e a meditação irão constituir recurso complementar para afixação das conquistas. Quem ora. Quem o posterga.. Nesses casos. Conhece-te a ti mesmo.”(*) Comentando a resposta. Perfeitamente identificado com os elevados objetivos da existência terrestre do ser humano. Foi necessário que surgissem a Psicologia Transpessoal e outras áreas doutrinárias com paradigmas bem definidos a respeito do ser humano integral. urge o concurso da Ciência ..

mas sem carranca. ao consegui-la. por se tratarem. com as terapias (*) O Livro dos Espíritos. Não apresenta qualquer técnica nova ou milagrosa. aberto ao amor e ao bem. * Este modesto livro. Conhecendo suas possibilidades. Em muitos conflitos humanos. entretanto. através das experiências vividas. para os quais somente as técnicas espíritas alcançam os resultados desejados. ocorrem interferências espirituais variadas. Só o amadurecimento psicológico. gerando quadros de obsessões complexas. e. conforme a especificidade do problema. auxiliá-lo na conquista da consciência. porém portadores dos mesmos potenciais das suas vítimas: sentimentos e emoções. torna-se necessária a ajuda do psicoterapeuta. porém sem vulgaridade. é bondoso. pela Psicanálise ou pela Psiquiatria. no entanto sem conivência. de Entidades extracorpóreas. sem presunção. pretende. conquistando a Terra da Promissão bíblica. seguindo adiante sem cobrar retribuição. de acordo com a intensidade do distúrbio. todavia sem anuência com o erro. Salvador. ei-lo feliz. Estuda algumas problemáticas humanas à luz da Quarta Força em Psicologia. que será eqüacionado pela Psicologia. colocando uma ponte na direção da Doutrina Espírita.6 Espírita. é complacente. 19 de maio de 1993. esses agentes pertubadores. Joanna de Ângelis . Ajuda e promove aquele que lhe recebe o socorro. inteligência e lucidez. coloca-as em ação sempre que necessário. Questão 919. e. ajudando-o na solução do seu problema. que é portadora de uma visão profunda e integral do ser. que ora trazemos à análise do caro Leitor. e isto nos Compensará plenamente. e não se permite o vão repouso enquanto o dever o aguarda. Confiamos que será útil a alguém que se encontre aflito ou fugindo de si mesmo. 29ª edição da FEB. experiências e vidas. É responsável. profúndas que dispõe. é jovial. libera a consciência do ser. * O ser consciente é austero.

7 PRIMEIRA PARTE A QUARTA FORÇA .

capazes de elucidar problemas profundos da personalidade. As explicações junguianas amplas. às seqüelas das enfermidades infecciosas. e observações menos ortodoxas. critica e desprezo. lingüistas que. passou a exigir mais acurada penetração. assim demonstrando que preexistem aos órgãos e os sobrevivem.. aos fatores derivados das pressões de toda ordem. a Teoria da Incerteza. surgiram ensaios e tentativas de ampliação de conteúdos. de repente. portadores de capacidades e aptidões luminosas. penetrando a sonda da investigação no inconsciente e concluindo por novas realidades. ampliando o quadro de entendimento dos dementes (autist savant ou sábio idiota). ao invés de serem suas elaborações ou efeitos . como efeito das experiências de Rhine.. que não havia outra alternativa senão ampliar o esquema de interpretação do psiquismo. atualizando a predominância do Espírito sobre a matéria. da Psicanálise e da Psicologia Humanista — que é a Psicologia Transpessoal ou profunda. Vaughan. antes execradas. Maslow. A abrangência da consciência como estágio mais elevado do processo antropológico-sociológico-psicológico do ser. Capra e outros corajosos pioneiros. sem preconceitos nem receios. os acontecimentos desprezados. abriram perspectivas psicológicas dantes sequer sonhadas. Os avanços da Física Qüântica. que pretendiam reduzir a alma a um epifenômeno de vida efêmera. procurando enfeixar nos arquétipos todas as ocorrências da paranormalidade. por considerados patológicos ou fraudulentos. da Psicobiofisica.. músicos. de Jung. Moody Jr.8 1 A quarta força Os estudiosos da criatura humana. que se preocuparam em ir além dos padrões estabelecidos. artistas plásticos. anelavam por ampliar os horizontes da compreensão em torno de fenômenos complexos e abrangentes. lentamente acumulando dados capazes de suportar refutação. criando-se o que se convencionou denominar como a Quarta Força — além do Comportamentalismo (Behaviorismo). mesmo diante do numinoso. a Relatividade do Tempo e do Espaço. Walsh. transumanos. dos reducionistas que. cujos dados valiosos avolumaram-se de tal forma. aos traumatismos físicos e psicológicos. apresentando dotes de excepcional capacidade realizadora. Grof. As teorias apressadas. tendo-se em vista o conceito do vir-a-ser. Vez que outra. Era necessário revisar o potencial humano em toda a sua complexidade. deixaram espaços para reformulações de conceitos e especulações que se libertam dos modelos e paradigmas acadêmicos.. perturbadoras. puseram-se a exigir elucidações que destruam as tradições negativas. permaneciam aferrados ao organicismo e à hereditariedade. romperam o véu do silêncio e passaram a comunicar-se com lucidez. da mente sobre o cérebro gravemente danificado. com a contribuição da Transcomunicação Instrumental. Assagioli. Indispensável coragem para enfrentar o cepticismo e a arrogância dos acadêmicos.. embora os rígidos controles exercidos pelas conquistas freudianas. Revelando-se matemáticos. Wilber. atendendo com mais cuidado. vinham sendo superadas pelas pesquisas de laboratório na área da Parapsicologia. Kübler Ross. da Psicotrônica e da Ciência Espírita.

9 dos seus mecanismos. Os diques erguidos pela intolerância romperam-se ante as novas conquistas. perispírito e matéria — podem-se resolver todos os questionamentos e desafios que o compõem. de Buda a Vivekananda.. os deslocamentos de objetos sem contatos e outros facultaram mais acurados exames do indivíduo. estado de Nirvana. por falta do elemento intermediário. Essa gigantesca tarefa cabe à moderna Psicologia Transpessoal ou Quarta Força. a respiração. dos taoístas tibetanos aos físicos nucleares. alargando-lhe as possibilidades de desenvolvimento do deus interno. a fim de solucionar os enigmas predominantes em pacientes marginalizados pelas outras correntes da Psicologia ou facilmente rotulados de psicopatas. Esse concurso que se vinha insinuando multissecularmente. no entanto. a clarividência. deixando escapar incontáveis expressões de conteúdo. a magnetização da água. eliminando a predominância genética na condição de desencadeadora de psicoses. os exercícios da tai-chichuan. O ser dual — Espírito e matéria — do espiritualismo ortodoxo. realização plenificadora. tais a meditação. que inicia um período de real compreensão da criatura como ser indestrutível que é. exceto quando. neuroses. facultando completude. enseja a revisão dos parâmetros aceitos.. unindo as duas culturas — a do passado e a do presente — em uma síntese perfeita. o uso de algumas drogas psicodélicas como o ácido lisérgico. a oração. e as técnicas regressivas da memória.. do inter-relacionamento pessoal. as ectoplasmias. à desconsideração catalogada de patologia irreversível. Somente quando estudado na sua plenitude —Espírito. que escapam a uma observação superficial. o controle mental de inegáveis resultados nas mais variadas áreas do comportamento. de samadhi. processador de inúmeros fenômenos que lhe completam a existência. . a bioenergia. da saúde. bem como dos modelos estabelecidos. demonstraram que muitos fatores psicopatogênicos são anteriores à concepção do ser. A telepatia. os fenômenos retro e precognitivos.. com exclusiva definição terapêutica. permanece incompleto. não logrando elucidar o ser psicológico. que se harmonizam. logrou imporse através das terapias liberadoras de conflitos. completos. relega-a àindiferença. ignorando-lhe a realidade transcendente. ao revés de examinados em partes. A conceituação materialista de forma alguma atende-lhe as necessidades éticas e sociológicas. A grandiosa contribuição do pensamento oriental. em favor de um homem e de uma mulher holísticos. a hipnose. ou de reino dos Céus que lhe cumpre alcançar. conflitos e tormentos degeneradores da personalidade. fadado à felicidade. O ser humano é constituído de elementos complexos. a Ramakrishna e outros. propondo a identificação de fórmulas com aparência diversa. que a análise transpessoal pode abordar com segurança ou neles apoiar-se.

desenvolvendo o idealismo socrático e o reencarnacionismo do vedanta e da budismo. A sua ética moral. restringir. conduta saudável e solidariedade com as demais criaturas. resultando. produzindo vida e morte ao sabor das ocorrências anômalas. desenvolvendo o germe divino que nele dorme. o ser a ela retornava com o somatório das experiências adquiridas. reduzem o pensamento e o enclausuram em palavras. único tesouro que logra produzir a plenificação do ser humano. conforme os conteúdos existenciais vividos. comportamentalista e psicanalítica. a fim de experimentar felicidade ou desdita.. e propôs uma criatura trinária. Mesmo quando as definições são elásticas. psíquica e transcendental. isto é. eventuais. encontraremos os seus primeiros postulados na ética filosófica ancestral. da vida. Enquanto o pensamento oriental estruturava o fenômeno psicológico em um ser herdeiro de Deus e a Ele semelhante. com ganchos. de Descartes ou Bacon. enquanto se ia ampliando nas concepções humanista. de modo a dar-lhe a abrangência que alcança o ser humano na sua estrutura física. a ciência da alma encontrava-se embutida nos conceitos socráticos e platônicos. Conceituando a psicologia transpessoal.. cujas origens se encontravam no mundo das idéias. otimista. esféricas. as propostas atomistas reduziam o ser humano ao amontoado de partículas infinitamente pequenas. ora outra corrente. Posteriormente. Remontando-se à história do pensamento psicológico. Nos seus primórdios. Aristóteles lhe agregou a enteléquia. colocando uma ponte psicológica e filosófica entre as duas civilizações. junguiana. segundo uns. Como verdadeiro ponto de equilíbrio apareceu o pensamento ético de Jesus. Procedente de uma realidade metafísica. retendo as largas possibilidades que necessitam ser penetradas. na qual se forma e aprimora o caráter. ou deles destituídos. Nessa paisagem. Avançando. qual ocorre na semente com o vegetal. que ampliam as linhas das definições clássicas da doutrina psicológica em si mesma. portanto. portador de recursos inimagináveis que lhe cabe desenvolver.10 2 Definição e conceito Definir. em antagonismo estrutural. não nos podemos furtar aos seus paradigmas. paralelamente. adleriana. e prosseguindo pelas várias escolas freudiana. para onde retornava após o périplo carnal. Concomitantemente. unindo-se e desestruturando-se graças ao vácuo e ao movimento. o planeta terrestre pode ser considerado uma escola. é limitar. preocupados com a criatura humana dual. . ampliaram-se as concepções em torno do universo. conforme outros. que se iniciou no ocidente com Anaxímenes e Anaxágoras. do capricho do acaso que os reúne e des agrega. que lhe plasmariam futuros renascimentos na Terra. na segunda metade do século 19. então fecundado pelo amor.. estimulava ao equilíbrio mente-corpo.. seguindo os modelos da filosofia oriental e recusando-se à aceitação dos episódios reencarnacionistas necessários à evolução. através de São Tomaz de Aquino ou de Leibniz. muito antes que a cultura ocidental se apercebesse da causalidade do existir. da criação. percorrendo todos os períodos históricos até a sua formação organicista. de alguma forma. alcançaram culminâncias ora uma.

Conscientizando as criaturas a respeito da sua responsabilidade pessoal diante da vida. procurou castrar e coibir todas as fontes de prazer. Ele tornou-se o marco mais importante da psicologia transpessoal. trouxe o futuro para o presente. através dos tempos. O culto ao mito. Não obstante os luminares que. estatuiu a condição de segurança para a identificação do indivíduo consigo mesmo. com o seu irmão e com o mundo no qual se encontra. sofrendo as injunções dos pseudoconversos. Da mesma forma. predominaram a ignorância e o terror. sem conflito nem culpa. por adotar a postura mediante a qual considera o indivíduo um ser essencialmente espiritual. que venceu as gerações e ressurge. do sonho e das psicoses totalmente superadas. Jesus não foi apenas o filósofo e o psicólogo que compreendeu os problemas humanos e ensejou conteúdos libertadores. propondo o auto-aperfeiçoamento pela superação das paixões dissolventes. ao símbolo. que se caracterizaram pela repressão. nos indivíduos e grupamentos sociais. fazendo-os responsáveis pelo deicídio no Calvário — confundindo Jesus com Deus — ou. a fim de proporcionar a catarse salvadora e a recomposição da individualidade aturdida. recupera-se o ser humano do conflito em que se encontrava. com o passo de segurança para a aquisição da consciência. as expressões existenciais. mais remotamente. estabeleceu terapias de invulgar atualidade. possibilitando alienações e desditas inimagináveis. em flagrante desrespeito ao simbolismo da criação humana. embora a esforço de trabalho paciente e constante. em que Eva tombou. assim tornando a mulher inferior no processo humano da evolução. promovendo-o à condição de possuidor de valores preciosos que lhe cumpre desenvolver. ao fantasioso. são necessidades psicológicas. para os mecanismos de transferência da realidade e fugas da consciência responsável. que faz parte do seu programa de autoburilamento. No postulado não fazer ao próximo o que não deseja que ele lhe faça. no inter-relacionamento pessoal. responde por males que se repetem milenarmente.11 Psicoterapeuta superior. graças ao advento da psicologia espírita com Allan Kardec. invariavelmente portadores de grandes traumas e conflitos. levando-os à confiança e ao amor. mediante regras e dogmas punitivos. proporcionando uma ética simples e facilmente aplicável. Santa Tereza de Ávila e alguns outros. quando não em total infelicidade. O Cristianismo. ainda hoje. A evolução das ciências vem logrando anular esse efeito pernicioso. de vez em quando. verdadeiro arquétipo de natureza punitiva. e. tornando o reino dos céus um estado de consciência lúcida. que passou à condição de realidade. à aceitação do modelo. buscaram libertar os indivíduos do temor e do ódio. restrição e condenação. . mas permanece como terapeuta que rompeu as barreiras da personalidade dos pacientes e penetrou-lhes a consciência de onde arrancou a culpa. Assumindo a postura teológica. levando Adão ao erro. produzindo uma consciência de culpa coletiva. no entanto. longe do sono. quais São Francisco de Assis. trabalhando a estruturação da personalidade. em transitória existência física. Possuidor de transcendente capacidade de penetração nos arquivos do inconsciente individual e coletivo. com a herança da tentação.

alargando as imensas possibilidades da psicologia. pulsante e universal. tornando-o pleno e feliz. em pleno desenvolvimento da sua realidade. então. Nesse homem transpessoal cantam. as glórias da vida e se dilatam os dons nele existentes.12 A quarta força. e da sua com a Consciência Cósmica. as angústias e as inquietações. que supera as culpas e as dores. . faz que sejam descortinadas as possibilidades ímpares para a perfeita integração da criatura com o seu Criador.

A imaturidade expressa-se através da preservação dos conflitos. atravessa diferentes fases que lhe permitem a estruturação psicológico. cujo valor acaba quando desaparece a utilidade. sua individuação. portanto. pelos processos castradores do ambiente. por ser destituído de afetividade ainda não desenvolvida. apresenta-se introvertido. conforme Jung. o desconforto moral. no tormento de metas sem significado. juiz cruel. cujo parto doloroso propicia especial plenificação. Tornase ditador impiedoso. O seu processo de amadurecimento psicológico. em conseqüência. a fim de libertar o vegetal embrionário.13 3 O homem psicológico maduro O ser humano é o mais alto e nobre investimento da vida. depressiva ou agressiva. Ao atingir a idade adulta deve estar em condições de viver as suas responsabilidades e os desafios existenciais. É comum. Do ponto de vista tradicional. faz-se ególatra. quando um aspecto não éidentificado com o outro. que se agigantará através do tempo. Em sucessão. perceberse que o desenvolvimento fisiológico raramente faz-se acompanhar do seu correspondente emocional. psicossociais. Para ele. não de paz pessoal. destituídas de sensibilidade. qual animal que não discerne. detentor de coisas. Proporciona-lhe prazer . acreditando que tudo gira em torno do seu universo. qual semente que se intumesce sob as cargas esmagadoras do solo. para atingir a sua culminância. na vida infantil o ser é egocêntrico. que são a frustração. o sentido da vida permanece adstrito ao círculo estreito da aquisição de coisas e à sujeição de outras pessoas aos seus caprichos. tornando-se. sicário implacável. acumulando tudo e apenas pensando em si. o que se transforma em conflito. isolando -se socialmente dos demais ou considerando as outras pessoas como descartáveis. no entanto. que colaboram positiva ou negativamente para o desenvolvimento psicológico. de imediato ignorando-as. o período infantil alonga-se e predomina. as suas reações prosseguem infantis. imantado ainda aos instintos. pode ser comparado a uma larga gestação. econômicos. a presença da infância. egoísta. momento grandioso do processo evolutivo que. que o propele à liberdade excessiva e aos estados caprichosos de comportamento. insegura. quase sempre contribuindo para a preservação do estado de imaturidade. Graças à sua constituição emocional e orgânica. atormentada.. E mesmo quando se apresenta completado. quase sempre contribuem para que se prolongue a sua imaturidade psicológica. Em tal caso. possuindo sem repartir. em fatigante esforço de completar-se. o ser cresce sob pressões que lhe despertam a necessidade de desabrochar os valores adormecidos.. apresentam-se os fatores hereditários. fazendo-se característica de uma personalidade instável. Procedente de atavismos agressivos. ocultando-se sob vários mecanismos perturbadores. Passado esse primeiro período. Fatores compressivos e difíceis de liberados. impiedoso. desprezando-as. graças aos quais muda de comportamento sem liberar-se da injunção causal. seu amadurecimento.

para a realização das metas ou reparação delas. do prazer na dor própria ou alheia. que se tornam responsáveis pelo desenvolvimento do eu profundo. surgindo as primeiras expressões do amor. Tal razão prepondera na elucidação das diferenças psicológicas dos indivíduos. fruindo. à perturbação. profundamente perturbadora. desenvolvendo a degenerescência afetiva até o naufrágio fatal. Face a isso. Todos nascem ou renascem nos núcleos familiares e sociais de que necessitam para aprimorar-se. formam o quadro dos processos de burilamento moral-espiritual. na sua condição de animal gregário. na câmara cerebral. lutas e atividades — aparecem contribuindo. que é a fatalidade do processo no qual se encontra. fatores genéticos contribuem para o desenvolvimento ou não da maturidade psicológica. desaparece quando a análise do perispírito demonstra que a personalidade resulta da experiência de cada etapa. Expande o sentimento afetivo e compreende que o narcisismo e o egoísmo somente conduzem à auto-destruição. As cargas de genes e cromossomas. educação. na constituição do sexo. Graças a esses fenômenos. A enunciada cisão entre o eu e o si. faz-se relevante em qualquer proposta de psicologia trans-pessoal.. Certamente. Os velhos paradigmas e modelos sobre o homem cedem passo à introdução do conceito do ser ancestral. por formar um quadro muito complexo na individualidade humana. as condições psicos sociais e econômicas. ao . na aparelhagem nervosa e glandular. de uma ou de outra forma. feito de sucessos e repetições. mesmo entre os gêmeos uniovulados. não podemos ignorar a preponderância do modelo organizador biológico (MOB) ou perispírito. A maturidade psicológica tem um curso acidentado. cada pessoa é a soma das suas experiências transatas. em se considerando as cargas hereditárias na constituição orgânica. quando o ser deixa de ser captativo por fenômeno atávico..14 mórbido a dependência das massas e dos indivíduos particularmente. surge a necessidade de crescer e ampliar o círculo de amigos. em razão dos processos de mérito ou débito de que cada um se faz portador. defluentes das conquistas anteriores. resultantes da reencarnação caldeadora dos dispositivos individuais para a evolução. responsável pela harmonização dos implementos de que o Espírito se irá utilizar para o seu processo evolutivo no corpo transitório. Todavia. e não conforme se assevera tradicionalmente: que merecem. Da posição receptiva egoísta. mas a individualidade é a soma de todas as realizações nas sucessivas reencarnações. as pressões psicossociais — ambiente. e sua mente é o veículo formador de quanto se lhe torna necessário para o processo iluminativo. para tornar-se ablativo. oferecendo claridade e calor. o entendimento desse fator. A sua primeira fase expressa-se como maturidade afetiva. no estudo das causalidades de todos os fenômenos humanos. atávica. O amor é a chama que arde atraente. com toda a historiografia das suas reencarnações. especialmente nas de secreção endócrina. de maneira masoquista. Essa percepção.

15 tempo que alimenta com paz. para apoiar-se nos códigos da ética universal. responsável pela formação do discernimento. porque nem todo ato de pensar corretamente o é. ancestral e perene. que se adquire pela emoção e pelo conhecimento que discerne os valores constitutivos da filosofia existencial. compreendendo-se que o limite da própria liberdade começa na fronteira do direito alheio. no seu contexto e complexidade. da fantasia. exercitando a mente e ampliando-lhe a capacidade de discernir. de domínio e abnegação. responsável pelo sofrimento. os seres. leva à correção do pensamento. O próximo passo éo amadurecimento mental. ensejando a predominância da doação plena. A razão proporciona a superação do fenômeno infantil da ilusão. ególatra. onde a experiência de doação torna-se enriquecedora. das sensações grosseiras. real e compatível com a consciência. a fim de que possa utilizar o pensamento de maneira justa. responsável pela superação dos instintos. resulta de duas expressões da sua natureza: o intelecto e a razão. imediatistas. trabalhando pelo olvido do ser em si mesmo com a lembrança constante do seu próximo. Com essa identificação alteram-se os interesses. e as paisagens se clareiam ao sol da razão. Logo se apresenta o desafio do amadurecimento moral. por encontrar-se livre dos constrangimentos e das pseudonecessidades emocionais. Quem aspira por ser amado mantém-se na imaturidade. Somente após lograr o amadurecimento afetivo. A escala dos valores rompe os limites das conveniências restritivas e interesseiras. Pensar acertadamente é uma meta elevada. nunca aspirando para si o que não gostaria de receber de ou- . Há uma grande variação de níveis de pensamento. face à permuta de energias entre quem ama e aquele que se torna amado. A afetividade é o campo central para a batalha entre as diversas paixões de posse e de renúncia. A conquista da razão é relevante. em se considerando a impermanência e todos os acontecimentos e aspirações físicas. a natureza e o próprio indivíduo. que têm. A mente. sendo a segunda de formação discursiva e a primeira de caráter intuitivo. na vida e em Deus. conduzindo-o à imensa área do progresso. face à interferência dos desejos e supostas necessidades. amplia as perspectivas da realização completadora. No amadurecimento afetivo. graças à compreensão de que a vida é rica de significados e o seu sentido é a imortalidade. Para que ocorra o amadurecimento se torna indispensável pensar. que consubstancia a fé no homem. a concentração nos objetivos ideais. que reúne em um só conjunto as diferentes conquistas intelectuais. distinguidos dos imaginados. Deus. Disso decorrem duas condutas de aprendizagem no que tange ao pensamento e ao seu uso correto. Assim. por ser o princípio ordenador. consegue o mental. coercitiva. na dependência psicológica infantil. O amadurecimento mental. o ser esplende e supera-se. resultantes das conquistas intelectuais. por base. Desenvolve-se então uma empatia que arranca o ser do seu primitivismo.

— porque imposto pelas conveniências de cada época. compreensivo. mata e mata-se. líder natural. a fim de plenificar-se no grupo. por despedaçar os códigos da hipocrisia e das circunstâncias que facultam o desenvolvimento do egoísmo. porque o significado da sua vida é o ego perturbador e finito. a separatividade e. do verdadeiro. pois que. Vencida essa etapa. tornando-se homem integral. O ser imaturo.. torna-se impossível o relacionamento social. O amadurecimento psicológico é imperativo que surge naturalmente. rico de compreensão. O indivíduo não pode viver sem relacionamentos. Indispensável que sejam realizados encontros e experiências de grupos. apaixonado. para tornar-se útil socialmente. aliena-se. da autocracia. Com o conflito embutido no comportamento pessoal.. frustra-se. dos seus inter-relacionamentos pessoais. Quem lograr a sua consciência individual. no rumo do infinito. gerando adaptação e convivência salutar com outras pessoas. renunciando à liberdade interior. autoconhecendo-se e autotrabalhando-se. caracteriza o rompimento com o círculo familiar da infância e abre-o à comunidade. A conquista da maturidade moral verdadeira torna-se indispensável para a auto-realização do ser e da sociedade em geral. estético e espiritual do ser. integra o grupo social promovendo-o e desenvolvendo-se cada vez mais. a maturidade social surge naturalmente. ideal. é aglutinador. Superar o estado egocêntrico. amor e paz. ambicioso. do belo. ou por necessidade que se estabelece no processo da evolução. amoral ou imoral. porque. e. irrita-se sempre. O seu desenvolvimento deflui dos contatos com a natureza e as criaturas. Essa realização moral é dinâmica e entusiasta. A maturidade moral liberta. . fraternidade. que é a grande escola da vida. atinge o self. proporcionando bem-estar em sua volta e alegria de viver. às vezes. circularestreito e sem metas. afetuoso. civilização e cultura — e o verdadeiro — que supera os limites ocasionais e sObrepaira legítimo em todas as épocas. por contrário.16 trem. oportunista e. o homem psicológico torna-se harmônico no grupo. Dois sensos morais surgem no contexto da maturação: o convencional — que é o aceito. qual aquele estatuído no Decálogo e no Sermão da montanha. alargando as possibilidades de crescimento ético. da vaidade. esvaído do ego. supera a violência. O homem maduro psicologicamente vive a amplidão infinita das aspirações do bom. racional.

psicológico da humanidade vem impondo. ao mesmo tempo em que as conquistas relevantes da Parapsicologia. da Psicobiofísica. por exemplo. dos anos sessenta deste século. que aprofundaram na vida parafísica a sonda da investigação psicológica. mediante a ampliação dos seus conceitos e a aceitação de novos paradigmas. necessárias releituras e revisões de paradigmas variados. vêm confirmar os paradigmas do Espiritismo. O advento da Psicologia Transpessoal ocorreu no momento grave do desalinho comportamental das gerações novas. ora desveladas ao ocidente. unidas às contribuições vivenciais da experiência oriental. sem descartar a possibilidade da precedência e sobrevivência da consciência à concepção fetal. da Biologia Molecular. a rigidez dos postulados ancestrais vem sofrendo fissuras estruturais diante da volumosa contribuição das filosofias orientais. qual sucedeu. para tornarem-se expressões da realidade em níveis mais profundos da consciência humana. na década imediata. que contribuem para o logro da saúde mental. assim modificando a concepção dos estados alterados de consciência. que são importantes para o equilíbrio fisiológico e o bem-estar psicológico dos indivíduos. o estudo e a observação imparciais dos fenômenos anímicos e mediúnicos não mais se submetem aos modelos estreitos da psicologia tradicional. dilatando o campo da realidade humana — antes do berço e depois do túmulo —. a Psicologia Transpessoal tem como meta ampliar a sua área de pesquisa levando em conta as experiências do ser. assim como à anóxia cerebral. vinculadas às necessidades do equilíbrio da saúde fisiopsíquica e da satisfação plenificadora. consoante previra Maslow. Antes desprezadas ou marginalizadas por contundente preconceito. Impossível descartar-se hoje os fatos decorrentes dos estados alterados de consciência. graças ao devotamento de homens e mulheres notáveis. Criada pela necessidade de atualização urgente de novos e complexos paradigmas. tornando-se urgente a adoção do comportamento transpessoal. que entram em choque com as descobertas do pensamento e a natural aceitação cultural de processus renovadores. ao largo do tempo. e por se tornar evidente a necessidade do desenvolvimento da Psicologia Humanista. Assim.17 4 Modelos e paradigmas O processo da evolução antropológico. estruturados na experiência humana diante dos conceitos tradicionais. surgida na ocasião.. Como conseqüência. a quarta força pode contribuir para uma interpretação mais coerente e racional do ser pensante. A sua proposta objetiva é tornar-se parte das multidisciplinas do comportamento. Como resultado. no que diz respeito ao homem integral. da Psicotrônica. face à sua abrangência. Na área psicológica.. em laboratório e no comportamento humano. — — . sociológico. desenvolvendo as possibilidades adormecidas da criatura — o seu incessante vir-a-ser. as manifestações paranormais deixaram de ser epifenômenos do sistema nervoso. que deixaram de ser patológicos para se confirmarem como de natureza paranormal. estrutura-se nas conquistas da ciência contemporânea. da Física Qüântica.

O psicanalista enfatiza as forças intrapsíquicas. As experiências terapêuticas de muitos analistas transpessoais demonstraram que os seus pacientes transcendem os níveis normais de consciência. antes alarga os conceitos existentes.. todas as experiências místicas eram tidas como neurose narcisista. o anseio de superioridade. Antes desse alargamento da visão transpessoal. desse modo. A Psicanálise. embora a nomenclatura diferenciada que vem sendo adotada pelos psicólogos e terapeutas transpessoais. não abarcavam as atuais conquistas que facultam mais ampla compreensão da personalidade humana.. compondo o homem. no rumo do Infinito. por estreiteza de visão. que lhe cabe desenvolver ao largo das sucessivas reencarnações. o conhecimento do passado e do futuro. tem concepção específica em torno da determinação da conduta. O ser humano. conflitando com a natureza da modificação do comportamento. respeita-lhes a validade. para tornar-se inteiro.. Nesses estados dilatam-se-lhes a percepção dos sentidos. a lucidez. não podendo fugir a uma ou outra dessas condições. Uma larga documentação experimental. determinando o comportamento. veio facultar o surgimento do modelo transpessoal e dos seus atuais paradigmas. porém. Já os comportamentalistas estabelecem. buscando desenvolver e ampliar as dimensões da natureza humana e a sua realidade intrínseca. concentração. o ser interior: espírito. o estágio de paranóide. meditação. O novo modelo e paradigma transpessoal. auto-sugestão. confirmação ou modificação. ioga. Os antigos modelos psicológicos. conforme a proposta kardequiana. tornava-se inevitável a disputa em torno de qual seria o verdadeiro. quando estimulados por drogas químicas. indução hipnótica. como superação dos instintos agressivos — motivação adleriana — ou o imperativo ambiental — motivação comportamentalista —. as condições ambien tais. Desse modo. hiperventilação. do eu profundo. Seja a libido — motivação freudiana —. . perispírito e matéria. O seu potencial é imprevisível. como fundamentais. do relacionamento interpessoal. oração. e o ser espiritual éimensurável na sua estrutura profunda.18 O ser transcendental deixa. estrutura-se na sabedoria do oriente e nas modernas experiências do ocidente. dessa forma. responsáveis pelo comportamento. Todos os modelos e paradigmas são passíveis de revisão.. desenvolvem-se-lhe os recursos latentes. surge o quesito da motivação. assumindo a paranormalidade indispensável à harmonia do seu comportamento com a sua realização psicológica. com desprezo pelos demais. O estudo transpessoal não pretende ser único. deixa de permanecer fragmentado. portanto. como indissociáveis da conduta. e a conquista da iluminação era considerada como uma automática regressão a estágios intra-uterinos. após os quais há o retorno da saúde — quando em psicoterapia — do bem-estar. por exemplo. predominantes. Nesses choques de modelos e propostas. o ser é levado ao êxito nas suas buscas. como expressões essenciais da natureza humana. interferências mediúnicas. Unindo tecnologia e observação. experiência e treinamento paranormal. do inconsciente.

intuitivo. Toda a gama de fenômenos parapsicológicos na ordem psigama — clarividência. que lhe constituem instrumentos de trabalho e progresso. as diferenças de coeficiente intelectual.. em razão do aprofundado estudo do cérebro através da holografia. os estados patológicos variados. estabeleceu-se que. que abarca todas as ocorrências que lhe sucedem.19 5 A nova estrutura do ser humano À medida que a Psicologia vem aprofundando a sonda da investigação nos alicerces psíquicos do ser. A Psicologia Transpessoal e a Parapsicologia. indutivo. ora inconscientemente. portador de percepções extra-sensoriais e faculdades mediúnicas. para apresentar-se em estrutura completa. orientação espacial. constatou-se que todo o cérebro é detector da memória. Essa visão nova explica os desarranjos comportamentais. da aplicação de drogas psicodélicas. ectoplasmia. bicorporeidade —conduz à certeza de um agente racional e lúcido — o Espírito — como causa de todas as manifestações.. escrita automática — ou psikapa — transporte. desmaterialização. conforme demonstra a Ciência Espírita. em inumeráveis experiências mediúnicas. noutras ocasiões mediante induções. que é indissociável de todo acontecimento físico e psíquico. tentando compreender as alterações da consciência. por isso mesmo. pelas funções verbais. da meditação. enquanto o direito se encarrega do comportamento místico. encontrando-se encarnado ou não. diante da análise cuidadosa dos estados alterados de consciência por meio da hipnose. Por outro lado. ao mesmo tempo enriquecendo as psicoterapias com arsenal de informações libertadoras. face aos nobres intentos vitoriosos das neurociências e da Biologia molecular. A súbita mudança de conceitos cartesiano-newtonianos a respeito de tempo e espaço — graças aos admiráveis descobrimentos da física qüântica. Estudos acurados dos hemisférios cerebrais concluíram que o esquerdo é responsável pela razão e lógica. em razão disso. esse mais usado pelos orientais e. unindo-se para interpretar os estados alterados de consciência. O ser organicista. Como conseqüência. telepatia. pela globalização. mais se agigantam as perspectivas do conhecimento para tornar a existência humana mais digna de ser vivida. aproximam-se da realidade do Espírito. Desse modo. nos ocidentais. o hemisfério esquerdo é mais desenvolvido do que o direito. graças aos estudos e observações de alguns neuropsiquiatras. pre e retrocognição. eliminando a esdrúxula e tradicional explicação de que são fenômenos patológicos. concentrações e contribuições conscientes. o ser humano supera a condição reducionista a que foi submetido por alguns psicólogos e amplia a dualidade corpo-espírito. . — ensejou melhor visão em torno do ser humano e sua grandiosa dimensão. O Espírito é a base da Psicologia Transpessoal. mediante as experiências continuadas na esteira das reencarnações. portador de mais amplos recursos. das reencarnações e dos desconsertos mediúnicos. necessitando de ser devassado para melhor compreender-se os múltiplos fenômenos paranormais de que se faz instrumento. cede lugar ao indivíduo psi ou espiritual. hauridas no estudo das obsessões.

a lei de Deus está escrita na consciência (*) detentora da realidade. Nos alicerces do inconsciente se encontram todas essas bênçãos que. avançar cada dia mais na interpretação do ser humano. face às diferenças morais. Esse. o Espírito se utiliza dos equipamentos do perispírito. sem deter-se em modelos estáticos. faculta a compreensão dos fenômenos evolutivos. perispírito e matéria — a Psicologia pode melhor penetrar nos arcanos do inconsciente. psicológicas. pelo contrário. mediante o corpo intermediário. da mesma forma que nem tudo quanto deve. fazendo o ser compreender que nem tudo quanto pode fazer. o grande desafio para a Psicologia profunda. . no qual a morte física dilui a forma sem aniquilar a sua realidade. deve-o. conseguindo a sabedoria de fazer somente o que deve e pode como membro consciente que age de acordo com a harmonia cósmica. sociais. orgânicas. que possui todo o conhecimento de tempo — passado.Nota da Autora espiritual. conforme a visão espírita assevera. para o Espírito que sedia a vida. Reconhecida a nova estrutura do ser humano —Espírito. transferindo. conquistas e prejuízos que lhe programam os futuros renascimentos. vivenciando as mesmas oportunidades e adquirindo sabedoria — conquista do conhecimento e do amor — que culmina em sua plenitude. culturais. que caracterizam as criaturas humanas. presente e futuro — como a dimensão de espaço — o infinito no finito. tornando-se o indivíduo um ser trino. assumindo uma posição aberta e holística. pode. Sediando o Espírito. atenta às informações das demais ciências e do Espiritismo. tradicionais. lentamente. estagiárias nos mais diferentes patamares da vida. A unicidade da existência corporal não corresponde à realidade. desde a monera ao arcanjo. assomam à consciência e se tornam patrimônio da lucidez. qual seja.20 Organizando o corpo somático. que a pouco e pouco se desvela. . conforme a evolução do próprio ser. favorecendo todos os seres com as mesmas possibilidades de crescimento. (*) Questão 621 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. A reencarnação. no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que nela dormem latentes.

21 SEGUNDA PARTE SER E PESSOA .

facultando o desabrochar de recursos que lhe fazem embrionários e são essenciais ao seu existir. enquanto a outra sustenta a idéia de uma realidade transcendente. elucida os inúmeros fenômenos paranormais de natureza anímica e mediúnica que caracterizam a existência humana. nem sempre responde aos conteúdos de que se constitui. A filosofia. desde os seus conteúdos humanista. embora a sua imanência na expressão da forma e relatividade corporal. é necessário situá-la além dos limites do sono. do sonho. o comportamento. do delírio. quando da análise da pessoa em si mesma. Para entendê-la. na qual os . diferindo da oriental. A pessoa.22 6 A pessoa Boécio. através dos séculos. o perispírito — modelo organizador biológico — e o espírito — a individualidade eterna. definiu a pessoa como constituída por uma substância individual de natureza racional. Do ponto de vista psicológico. a matéria — efeito —. A consciência Jung definiu a consciência como a relação dos conteúdos psíquicos com o ego. enquanto Emmanuel Kant se apoiou em conteúdos mais profundos. poeta e filósofo da decadência romana. é preexistente ao corpo. na medida em que essa relação é percebida como tal pelo ego. Não apenas o corpo. antes resumir correntes e apresentar uma síntese. comportamentalista e existencial. quais a consciência. das conceituações de consciência. que teve muita influência significativa durante a Idade Média. a individualidade. concedendo-lhe dinâmica imortalista e conteúdo de significado. Não pretendemos inovar modelos. cujas dimensões podem expressar-se em várias manifestações. o ser psicofísico. A complexidade. de causalidade. e sua origem perde-se nos milênios passados do processo evolutivo. porque completa. quando corporificada. buscou demonstrar que a pessoa é distinta do indivíduo e do ser psicofísico. no entanto. a personalidade. manteve o conceito de pessoa nos limites berço-túmulo com uma estruturação transitória. Os estudos transpessoais. a identificação. A psicologia ocidental. consideram a pessoa um ser integral. num ser complexo de expressão trinária. preferiu seguir o conceito de Boécio. a novos potenciais que estruturam o ser pleno. nos séculos 5º e 6º. observada do ponto de vista imortal. faculdades e funções que tangenciam ao crescimento e à felicidade. incorporando as teses orientais. o que deu margem a considerações demoradas por pensadores e escolas variadas. desenvolvendo-se fiel a uma fatalidade que se manifesta em cada experiência corporal — reencarnação — como aquisição de novos implementos. porém. por exemplo. e estabelecê-la como condição de ótima ou lúcida. a pessoa é um ser que se expressa em múltiplas dimensões. A visão transpessoal espírita. A pessoa sintetiza. Santo Tomaz de Aquino. as dimensões várias que lhe cumpre preservar e aprimorar.

A psicologia tradicional. O comportamento As atitudes que caracterizam a pessoa resultam do convívio social e das aspirações cultivadas. aferrada ao organicismo ancestral. Somente o autoconhecimento favorece o comportamento com as possibilidades de desenvolvimento pessoal. prefere ignorar os elevados níveis de consciência. experimenta. do real em sonho. quanto cultiva. ou presídio. na arte e no relacionamento interpessoal. A pessoa é. ao invés de revelarem situações patológicas. acima de tudo. nos quais os estados alterados transcendentes facultam a visão dilatada da realidade. A mente algema e libera. do saber e do amar — faculta a ampliação das próprias possibilidades para penetrar em dimensões metafísicas. o desejo expressa a qualidade evolutiva da pessoa. gerando a consciência individual. Cada pessoa reencarna com as características herdadas das experiências anteriores e submete-se aos condicionamentos de cada fase. torna-se. no qual o ser transita pelos vínculos que se permite desenvolver. não raro. e dominada pela imposição das leis e costumes de cada época e cultura. a personalidade representa a aparência para ser conhecida. ao discernimento. sem os limites do real aceito. definidoras de experiências nos sexos. A consciência adquirida — a perfeita identificação do conhecimento e do fazer. O comportamento impõe necessidades e as expressa simultaneamente. do real psicótico. A personalidade Em permanente representação dos conteúdos mentais. estruturador profundo do ser imortal. por ela transitan- . em distonia com o eu profundo e real. a sua mente. através de transes e da contemplação profunda. definindo a pessoa. na cultura. respondendo pela conduta e pelos fatores daí decorrentes. as ambições do desejo. no comportamento. que responde pela do grupo social. ao equilíbrio gerador de harmonia.23 episódios psicóticos cedem lugar à normalidade. face à aplicação dos valores adquiridos. abrem perspectivas fascinantes para terapias liberadoras e que proporcionam dilatação do conhecimento e do sentido mais amplo da vida. Ressaltam. A psicologia filosófica do oriente sempre proporcionou os estados de plenitude e nirvana. Nesse imperativo. ao invés de ser a dominadora irredutível. ensejando a superação dos limites do estágio de normalidade. A personalidade é transitória e assinala etapas reencarnacionistas. responsáveis pelo grau de libertação emocional. gerador de conflitos. O que elabora. onde outras realidades são bases do ser pessoal. necessitando de austeras disciplinas para ser comandada. As experiências nas diversas áreas de consciência alterada. conseguidas por substâncias psicodélicas ou através de meditação profunda. na inteligência.

. crueis. quando fazê-lo e como realizá-lo. gerando falsas necessidades. aos painéis do ser. atavicamente. A psicologia oriental estabelece na ilusão. deve liberar-se daqueles valores. nos quais o apego assume a condição mais importante. que superou os condicionamentos e comportamentos pessoais de consciência livre.24 do com os seus sinais tipificadores. alguns. até permitir-se a perfeita harmonia entre ser e parecer. na visão da psicologia profunda. individualidade eterna. portanto responsáveis pelo sofrimento nas suas várias facetas. na impermanência da vida física. eis o desafio da terapia transpessoal. a primeira e última da existência. que conduzem a patologias dolorosas. com as quais a pessoa se identifica. pessoa transitória. nos quais o ser se auto-encontra e se realiza. que alcançou a auto-realização. fixados. que se tornam fundamentais. para ser a pessoa integral. A identificação De duas formas a pessoa se identifica com os valores do progresso: externa e internamente. que. metafísicos. crescendo em conteúdos mentais e desencarcerando-se. O apego externo. no entanto. Enquanto a filosofia informava que a pessoa não é o indivíduo. responsável pelos vícios e paixões degenerativos. desidentificando-se de hábitos milenários. é menos danoso do que o interior. este. algumas preponderantes razões para o sofrimento. Imperecível. A identificação externa impõe as lutas e os conflitos da assimilação dos comportamentos sociais. A individualidade Somatório de todas as experiências. para conseguir. fadada à elevação. que reúne as demais dimensões e sabe conscientemente o que fazer. A identificação assinala o estágio de evolução de cada pessoa. a individualidade é o Espírito em si mesmo. A desidentificação induz à conquista de patamares elevados. Assimilar todos os condicionamentos e exteriorizar uma personalidade consentânea com o ser real. trabalhando a pessoa para que assuma a sua realidade positiva e superior. a individualidade é o ser pleno e potente. é o ser total. ideal.

o rancor. possessivo. infelizes. passando a fixações neuróticas e somatizadoras. conflitos e traumas. das dominações bacterianas. Certamente. insuspeitáveis. Quando um desses elementos deixa de existir. Da mesma forma. anotemos o amor. a manifestação de distúrbios. à harmonia. que situa no desejo a sua maior carga de aspiração. as personalidades atormentadas aferram-se ao amor-desejo. que respondem pelos estados inarmônicos da psique. constituída pela energia que o Espírito envia a todos os departamentos materiais e equipamentos nervosos. A auto-análise. asselvajado. que afeta qualquer área do conjunto psicofísico. Entre os muitos fatores de destruição do equilíbrio. ao amor-sexo. De relevantes significados são os conteúdos negativos do comportamento emocional. a angústia. que se convertem em gigantes da vida psicológica. face à ausência momentânea dos sintomas que lhe permitem o registro. Por isso. geradores das disritmias energéticas. conhecidos como enfermidades. deixando-se consumir pelos vapores da perturbação. possa aparentar saúde. Ocultando frustrações pertinazes e gerando mecanismos de transferência neurótica. O atormentado fixa a sua identidade na necessidade do que denomina . é possível que uma criatura. escrava da mente. é o recurso preventivo para a manutenção do bem-estar e da saúde nas suas várias expressões. A mente desordenada. pela força dos desejos de que se faz portador. ao amor-posse. Sendo. O amor Confundidas as sensações imediatas do prazer com as emoções emuladoras do progresso moral. ao amor-ambição. o ódio. em processo degenerativo. perde o rumo. trabalhada pela insistência de preservação dos ideais superiores da vida. propiciando modelos de criaturas desidentificadas com as manifestações deletérias do meio social. a criatura transita do cárcere dos sofrimentos aos portões da liberdade — das doenças à saúde ou vice-versa — através da energia direcionada ao bem. que a insistência mental e insensata do gozo desenvolve em forma de incêndio voraz. a percepção do insucesso. referimo-nos ao amor bruto. da emoção e do corpo. a criatura humana. o amor constitui o grande demolidor das estruturas celulares. que cultiva paixões dissolventes. enfraquecendo-os e abrindo-os à sintonia com os microorganismos degenerativos. que levam aos vários desconsertos patológicos. Os conteúdos do equilíbrio expressam-se no comportamento. das constrições de vária ordem. podemos considerar que. que passam a desvitalizar os campos nos quais se movimentam. harmonia orgânica e ajustamento sócio-econômico. pode-se considerar que a saúde cede lugar à perturbação. ou sob distonias.25 7 Fatores de desequilíbrio A saúde da criatura humana resulta de fatores essenciais que lhe compõem o quadro de bem-estar: equilíbrio mental. qualquer distonia que a perturbe abre campo para a irrupção de doenças. com poderes destrutivos.

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amor e projeta-se, inconscientemente, sobre quem ele diz amar, impondo-se com sofreguidão irrefreável, ou acalentando intimamente a realização do que anela, em terrível desarmonia interior. A quanto mais aspira e frui, mais exige e sofre; se não logra a realização, mais se decompõe, perdendo ou matando, com os raios venenosos da mente em desalinho, as defesas imunológicas e a vibração de harmonia mental, logo tombando nos estados enfermiços. A angústia A insegurança pessoal, decorrente de vários fatores psicológicos, gera instabilidade de comportamento, facultando altas cargas de ansiedade e de medo. Sentindo-se incapaz de alcançar as metas a que se propõe, o indivíduo transita entre emoções em desconserto, refugiando-se em fenômenos de angústia, como efeito da impossibilidade de controlar os acontecimentos da sua vida. Enquanto transite nos primeiros níveis de consciência, a carência de lucidez dos objetivos essenciais da vida levá-lo-á a incertezas, porqüanto, as suas, serão as buscas dos prazeres, das aspirações egoístas, das promoções da personalidade, sentindo-se fracassado quando não alcança esses patamares transitórios, equivocados, em relação à felicidade. Aprisionando-se em errôneos conceitos sobre a plenificação do eu, que confunde com as ambições do ego, pensa que ter é de relevante importância, deixando de ser iluminado, portanto, superior aos condicionamentos e pressões perturbadoras. A angústia, como efeito de frustração, é semelhante a densa carga tóxica que se aspira lentamente, envenenando-se de tristeza injustificável, que termina, às vezes, como fuga espetacular pelo mecanismo da morte anelada, ou simplesmente ocorrida por efeito do desejo de desaparecer, para acabar com o sofrimento. Normalmente, nos casos de angústia cultivada, estão em jogo os mecanismos masoquistas que, facultando o prazer pela dor, intentam inverter a ordem dos fenômenos psicológicos, mantendo o estado perturbador que, no paciente, assume características de normalidade. O recurso para a superação dos estados de angústia, quando não têm um fator psicótico, é a conquista da autoconfiança, delineamento de valores reais e esforço por adquiri-los ou recorrendo ao auxílio de um profissional competente. As ocorrências de insucesso devem ser avaliadas como treinamento para outras experiências, recurso-desafio para o crescimento intelectual, aprendizagem de novos métodos de realizações humanas. Exercícios de autocontrole, de reflexões otimistas, de ações enobrecedoras, funcionam como terapia libertadora da angústia, que deve ser banida dos sentimentos e do pensamento. O rancor Fenômeno natural decorrente da insegurança emocional, o rancor produz ácidos destruidores de alta potencialidade, que consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação das doenças. Entulho psíquico, o rancor acarreta danos emocionais variados, que levam

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a psicoses profundas e a episódios esquizofrênicos de difícil reparação. A criatura humana tem a destinação da plenitude. O seu passo existencial deve ser caracterizado pela confiança, e os acontecimentos desagradáveis fazem-se acidentes de percurso, que não interrompem o plano geral da viagem, nunca impeditivos da chegada à meta. Por isso, os acontecimentos impõem, quando negativos, a necessidade de uma catarse libertadora, a fim de não se transformarem em resíduos de mágoas e rancores que, de contínuo, assumem mais danoso contingente de ocorrência destrutiva. A psicoterapia do perdão, com os mecanismos da renúncia dinâmica, consegue eliminar as seqüelas do insucesso, retirando o rancor das paisagens mentais e emocionais da criatura, sem o que se desarticulam os processos de harmonia e equilíbrio psíquico, emocional e físico. O ódio Etapa terminal do desarranjo comportamental, o ódio é tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física. Desenvolve-se, na sua área, mediante a análise injusta do comportamento dos outros em relação a si, e nunca ao inverso. Fazendo-se vítima, porque passou a um conceito equivocado sobre a realidade, deixa-se consumir pelo complexo de inferioridade, procedente da infância castrada, e descarrega, inconscientemente, a sua falta de afetividade, a sua insegurança, o seu medo de perda, a sua frustração de desejo, em arremessos de ondas mentais de ódio, até o momento da agressividade física, da violência em qualquer forma de manifestação. O ódio é estágio primevo da evolução, atavicamente mantido no psiquismo e no emocional da criatura, que necessita ser transformado em amor, mediante terapias saudáveis de bondade, de exercícios fraternais, de disciplinas da vontade. Agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida e o mundo. A saúde da criatura humana procede do ser eterno, vem das experiências em vidas anteriores, conforme ocorre com as enfermidades cármicas, no entanto, dependendo da consciência, do comportamento, da personalidade e da identificação do ser com o que lhe agrada e com aquilo a que se apega na atualidade.

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8 Condições de progresso e harmonia
Na estrutura profunda da individualidade humana, encontram-se as experiências milenárias do ser, nem sempre harmonizadas entre si, geradoras de conflitos e complexos negativos que a atormentam. Atavicamente vinculada ainda às sensações decorrentes da faixa primária por onde transitou, a líbído exerce-lhe poder preponderante no comportamento, conforme as constatações de Freud, que a considerou fator essencial na vida humana. Observando os diversos fenômenos de conduta e as terríveis angústias, como exacerbações da emotividade das criaturas, o mestre de Viena organizou todo o edifício da psicanálise na manifestação sexual castradora ou liberada, bem como na complexa influência maternopaternal, que desde a infância conduziu o ser sob os tabus perniciosos e as constrições dos desejos irrealizados, das consciências de culpa, dos implementos perturbadores da personalidade patológica. Estamos, sem dúvida, diante de fatores incontestáveis, todavia adstritos às áreas fenomenológicas e não causais, em se considerando que, herdeiro de si mesmo, o Espírito é o autor do seu destino — nunca será demasiado repetí-lo — renascendo em lares nos quais mantém vínculos afetivos e familiares, conforme a sua conduta anterior. Face à variedade de renascimentos, nem sempre consegue diluir as lembranças que permanecem em forma de tendências e aptidões, de desejos e necessidades. Não digeridas, as frustrações, eis que se impõem mais graves, ao ressurgirem, na sucessão das ocorrências comportamentais, em forma de distúrbios psicológicos de variada catalogação. Preocupada com o ser-máquina, a psicologia não tem ensejado uma compreensão maior da criatura, que fica, na visão reducionista, limitada a um feixe de desejos e paixões primitivas. Em uma análise transpessoal, o ser enriquece-se de valores que lhe cumpre multiplicar cada vez mais, autoconhecendo-se e autodisciplinando -se, à medida que a sua consciência adquire lucidez e torna-se ótima. Abrem-se-lhe então as perspectivas antes cerradas, e facultam-se-lhe as oportunidades de dilatação do campo intelecto-emocional, passando a vencer as seqüelas das existências anteriores, ainda predominantes no psiquismo, que se exteriorizam em forma de desarmonia. A desidentificação com os graves compromissos que ainda o atormentam torna-se factível, mediante a impregnação com outros ideais e aspirações mais abrangentes quão agradáveis, que passam a povoar-lhe a paisagem mental. Nesse esforço, faz-se viável o autoconhecimento, como primeiro tentame de crescimento psicológico. A necessidade de tornar a mente um espelho, e postar-se defronte dela desnudo, é inadiável. Somente através de um exame da própria realidade, observando-se sem emoção — o que impede os sentimentos de autocompaixão como os de autopromoção, de justificação ou culpa — consegue-se um retrato fiel do que se é, e do que cumpre fazer-se para mais amar-se e ajudar-se como segmento imediato do esforço. Enquanto a criatura não se despoja dos artifícios com que se oculta, evitando desnudar-se em uma atitude infantil repressiva, qualquer tentame exterior para o progresso e a harmonia resulta inócuo, quando se não torna perturbador.

buscando saber quem se é. a permanência na postura denota imaturidade psicológica ou manifestação patológica do comportamento. Na visão transpessoal. bastando-lhe apenas dispor-se a desdobrá-las. dando outra dimensão à afetividade — sem apego. Nenhum milagre ou inusitado ocorre. Não obstante. de como realizá-lo e quando dar início à nova fase. sem culpa —. que se torna filho capaz de conduzi-lo pelos caminhos da vida.29 Ninguém é culpado conscientemente de ser frágil. o progresso e a harmonia são conquistas internas do ser humano. Acomodada aos estados habituais. e a harmonia resulta da consciência desperta para a conquista da sua plenificação. deixando o indivíduo livre seguir. como decorrência normal do querer. sem paixão. que se exteriorizam como entendimento da vida e atração por ela. do campo mental. que contribuem para a realização da meta. manifestando-se em todas as expressões e começando por si próprio. fragmentário. desgosto e inferioridade geradora de reações de violência ou de depressão com caráter autopunitivo. . ocorrências naturais do processo de evolução. ao lado do perdão liberador de ressentimentos. O intercâmbio social com objetivos fraternais rompe as amarras do medo. sem desejo. facultando a harmonia pessoal — sem ansiedade. angustiantes. cria novos condicionamentos que levam ao êxito. ensejando saúde mental e emocional indispensáveis à física. O auto-encontro pode ser logrado através da meditação reflexível. Quando alguém aspira por mudanças para melhor. sem neurose —. Amor indistinto. é o passo inicial da fase nova. produzindo o conhecimento lúcido e benéfico. O autodescobrimento tem por finalidade conscientizar a pessoa a respeito do que necessita. a esfinge perturbadora atira-se ao mar do discernimento e desaparece. e qual a finalidade da sua existência corporal e do futuro que a aguarda. O progresso é fatalidade da vida. irradia energias saudáveis. metas e realizações. Equipada de honesto desejo de eqüacionar-se. do esforço para fixar a mente nas idéias positivas. sem a imposição caprichosa do deus-destino. num empenho incessante de crescer e jamais cansarse. Ao lado da meditação. uma releitura dos seus fundamentos e posterior aplicação na conduta pessoal. encontra-se a ação solidária no concerto social. não se dá conta das incalculáveis possibilidades que lhe estão ao alcance. A consciência liberta-o das heranças paterno-maternais. nessa atitude que resulta do empenho individual. As condições do progresso e harmonia do eu real propõem um estudo das virtudes evangélicas. que alarga as possibilidades no campo onde se movimenta e promove o ser profundo. sem a maldita fatalidade de ser desditoso. Através de contínuos esforços. saturar-se ou desistir. limpando-o dos caprichos do ego e liberando-o das arbitrárias injunções limitadoras. direcionados para o objetivo. com segurança de propósitos. sem conflito.

30 TERCEIRA PARTE PROBLEMAS E DESAFIOS .

Na busca do êxito. enquanto reencarnado. a maquinaria fisiopsiquica obedece a automatismos precisos. na sua dimensão de eternidade — desgasta-se. à medida que ascende na . que determinam as desgraças de uns. descendo moralmente. do ponto de vista biopsicológico. ensej ando um prolongado desfrutar. o ser. envelhece. Sem dúvida. Esquecendo-se da impermanência de tudo e da fugacidade do tempo — pelo qual apenas transita. o ser não atravessaria os caminhos difíceis dos distúrbios e doenças perturbadoras. as ocorrências familiares e o convívio do lar. ampliandose os conteúdos da individualidade e aprimoram-se as aptidões latentes que são o germe da presença divina em todos. mediante a travessia do percurso que lhe cumpre trilhar. resultante dos prazeres hedonistas que a posição social relevante e o poder político-econômico proporcionam. O imprevisível surpreende-o. caracterizando-se como o deleite contínuo. Possuidor de recursos e potências não dimensionadas. e.. das síndromes degenerativas e dos fenômenos patológicos vários. e na competição encontra o estímulo para galgar os degraus do destaque. o ser desabrocha e cresce sob as condições que lhe são inerentes. proporcionando desequilíbrios interiores que se expressarão em tormentos para si e para os outros no inter-relacionamento pessoal. Considerado o ser apenas como uma máquina. os fatores psicossociais. psicologicamente imaturo. que são efeitos das suas realizações precedentes. cabendo-lhe seguir o heliotropismo superior que o leva à sua destinação gloriosa. portanto. Elaborada para um ritmo harmônico de vida. a saúde e a beleza de reduzida faixa dos demais. tal colocação falha pela ausência de uma sustentação lógica. as heranças genéticas. ou desditosos.. os sentimentos apaixonados e os frustrados. Impregnado pelas partículas e moléculas materiais que o vestem. no qual o bem-estar e o equilíbrio proporcionam clima respirável de satisfação. Saúde seria. um fenômeno natural. ao lar condicionador e à sociedade — no caso das distonias e anormalidades. A análise transpessoal do ser concede-lhe dignidade causal e destinação final. desenvolvem-se os atributos da personalidade.31 9 Êxito e fracasso O estado normal da criatura é o de saúde. porqüanto ele já nasceria sob os estigmas dos ancestrais — no que diz respeito às heranças genéticas. compreendendo os mecanismos da vida e aplicando o conhecimento para os logros da autorealização e da autoplenificação que lhe constituem o ápice da saúde. o desinteresse. Ser pensante. não raro a visão do êxito apresenta-se-lhe distorcida. e surgem-lhe a saturação. adoece e morre. destaca-se a criatura na escala zoológica.. Não fossem.. os propiciatórios para a felicidade. na escala dos padrões. para galgar-se patamares reais elevados nos processos das aspirações idealistas. investe todos os valores. dos quais resultam a saúde e as disposições emocionais. considerando todas as ocorrências como procedentes do acaso fatalista e absurdo. Passo a passo. teríamos a vida sem finalidade nem objetivo. por outro lado. gerando os meios felicitadores.

o fracasso. perturbando-lhe o senso de avaliação e de consideração da realidade. e. Somente a sondagem cuidadosa dos arcanos do ser pretérito enseja o encontro das causas passadas. deixa o degrau aberto que logo estará ocupado por aqueloutro que lhe será o substituto. a criatura deve possuir e dispor de recursos necessários para uma vida saudável. interpretando as ocorrências dos sonhos nos estados oníricos e as liberações catársicas nas demoradas análises. Nem sempre. tornado assim por estar à frente ou mais alto. demonstrando que o êxito. No entanto. ao invés do empenho pelo amealhar de moedas e reunião de títulos que não acalmam as emoções nem tranqüilizam as ambições. por sua vez ascende. que não o sabe. pessoa delgada. na floresta humana. psiquiatra alemão. confundindo-se triunfo de fora com realização de harmonia interior. inclusive. e o astênico. até emparelhar-se-lhe e derrubá-lo. serão encontradas as matrizes de tais patologias. porque não permanecem espaços vazios nos relacionamentos humanos. o triunfo. O triunfo de hoje é o prólogo do desencanto e das lágrimas de amanhã. Essa dicotomia de ocorrências — a interna e a externa — resultará em infelicitá-lo. porém outra mais significativa e poderosa. ou pessoa redonda. uma forma de opção para o crescimento interior. o êxito não pode ser medido em contas bancárias. Em todos há uma ânsia comum: os fracos fortalecerem-se. como decorrência de condutas. O psicólogo americano pragmatista. Inevitavelmente. Face a tal conclusão. não se apresentam conforme a proposta social imediatista. as mesmas aspirações e os equivalentes conflitos. o insucesso. espiritual. ou pessoa quadrada. o objetivo essencial à vida. As psicoterapias são aplicadas conforme as revelações do inconsciente. prestígio na . William James. ocupando-lhe o lugar imediatamente inferior por ele deixado. considerando-se. classificou os biótipos humanos em espíritos fracos e fortes. enquanto. talvez ferindo profundamente a pessoa. sorrisos se tornarão esgares. Convém determinar-se que o êxito material pode significar fracasso emocional. na população humana. dos sucessos das reencarnações passadas. arrancando dos arquivos do psiquismo os fatores que geraram os traumas e determinaram os conflitos. atlético. enquanto Carlos Gustavo Jung os considerou introvertidos e extrovertidos. afirmou que há espíritos esquizóides e ciclotímicos. consentânea com o grupo social no qual se encontra. às vezes. Certamente. que estão profundamente registradas no Espírito. e aplausos far-se-ão apedrejamentos. Denigre-se então o adversário. da visão distorcida da realidade.32 aparência. precedente ao corpo e a ele sobrevivente. Caça-se o êxito como se fosse. segue-se-lhe o passo. A criatura são as suas necessidades. que deixa de ser a exclusiva expressão terrena. geradoras dos problemas atuais. porém. os ciclotímicos harmonizarem-se e os introvertidos exteriorizarem-se. considerou as personalidades de acordo com a compleição do indivíduo em pícnico. para transportála para a vida imortal. suas paixões e pequenezes. de atividades. enquanto Ernesto Kretschmer. assumindo-lhe a posição. a aparente falta de triunfo constitui a plena vitória sobre si mesmo. o insucesso. Uma análise transpessoal libera-o dos tabus.

Êxito é encontro. e o fracasso inquieta. . A visão transpessoal do êxito e do fracasso está ínsita na pessoa interior. assim dando-se conta do triunfo ou do insucesso. felicidade — embora perseguidos algumas vezes — e êxito — isto é. sem qualquer tipo de conflito. podendo recomeçar para alcançar o êxito. cada qual se descobre. apesar de levados ao martírio. venceramse. optaram pela realização interior. respeitando todas as aspirações e direitos dos demais indivíduos. real. Auto-analisando-se. Da mesma forma. vitoriosos de todos os tempos. porém. nunca o fracasso. com a natureza e a vida. enquanto fracasso é domínio pelo ego. a eles próprios impondo-se a auto-realização que lhes propiciou saúde — mesmo quando enfermos —. a vitória no que anelavam. não é factível definir-se por fracasso a ausência desses troféus. completaram-se e. Os homens e mulheres plenos. a criatura harmonizada consigo mesma. O êxito gera paz. com as outras pessoas.33 comunidade e destaque político.

uma historio-grafia muito larga. vitimado por conflitos rudes. derrapando nas valas da projeção indébita do ego. quão inseguro no comportamento. Pelo contrário. em permanente estado de alienação do mundo real e das pessoas que o cercam. porque sempre insatisfeito.34 10 Dificuldades do ego Característica iniludível de imaturidade psicológica do indivíduo. tendo em vista as realizações que devem permanecer após o seu desaparecimento orgânico. desde que chame a atenção. elabora estados narcisistas e afoga-se na contemplação da própria imagem. Afirmou Freud que o sofrimento é inevitável. que estabelece com rara habilidade. sem qualquer base em que apóiem e firmem as aspirações que acalentam. Por outro lado. passando a viver em contínua inquietação. para. buscando tornar-se o centro das atenções mediante tricas e malquerenças. o indivíduo centraliza. Logo percebem-se de mãos vazias. agrada o ego e fica inquieto observando os competidores eventuais. As diversas enfermidades e as variadas frustrações. à plenitude. constitui sinal de alarme. nas necessidades de afirmação da personalidade. assim engendrando novas técnicas para não ficar em segundo plano. pois que. Toda preocupação que se fixa. que logo gerará problemas. mascara-se. desse modo. mas não se realiza. e promove situações que vitaliza no íntimo. produzindo lamentáveis estados emocionais naqueles que se lhes agarram com todas as veras. ou envolvendo-se nos mantos que a tornam vítima. que se radicam no ego. o autodescobrimento amadurece o ser. De fato. Patologicamente sente-se inferiorizado. têm. denunciando manifestação dominadora do ego em desequilíbrio. e oculta o drama interior partindo para o exibicionismo. em todas as pessoas que se destacam vê inimigos. faça-se notar. apega-se às atitudes afugentes da autopromoção. Não conhecendo a gênese das mesmas. os seus anseios. face ao próprio desequilíbrio. Toda vez que alguém se promove. Quando não se consegue aparecer através das realizações edificantes. atende ao ego. A criatura que não se conhece. . A conscientização da transitoriedade da existência física conduz o ser ao cooperativismo e à natural humildade. considerando os grandes problemas que aturdem os seres nas várias expressões em que se exteriorizam. inspirar simpatia. remontando ao passado espiritual do ser. Atormentado pela ausência de valores pessoais. tida em alta conta. a transitoriedade da vida física responde pela morte rápida da ilusão e pela destruição dos seus castelos. facultando-lhe compreender a necessidade da discrição que induz ao crescimento interior. transcendendo a existência atual. Em alguns casos. porém. colimando o objetivo de ser admirada. chama a atenção. não passar ao esquecimento. sustentando-se em falsos pedes-tais que desmoronam e produzem danos psicológicos irreparáveis. como mecanismo de fuga. conduzindo a autopromoção. é a sua preocupação em projetar o próprio ego.

conforme propôs Jesus. por ser uma forma de malho e de bigorna que trabalham o indivíduo. numa asseveração de que a evidência lhes preenche o ego. dessa imaturidade psicológica ocorrerá. realizando um trabalho de crescimento emocional e uma realização pessoal plenificadores. ódio. face aos perigos que são produzidos pelos problemas do ego dominador. um sofrimento inevitável. em que estagia a grande mole humana. como fator essencial no processo da busca da saúde. o sofrimento campeia. Qualquer escamoteamento da situação mórbida constitui risco para o comportamento. estabelecendo. vigiar as nascentes do coração. na ânsia de promover-se. realmente. ressentimento. diante de tal estado. nada mais logra do que projetar a própria sombra. sem o que a vida se lhe torna.35 O tormento se lhe faz tão pungente e perturbador que. propõe uma revisão dos conteúdos da personalidade. . o Psicoterapeuta Excelente. maledicência e um largo cortejo de emoções perturbadoras são os filhos diletos do ego. realizador. a conquista do ser pleno. de início. quando o paciente. que deseja dominação e. profundamente prejudicial. mas que se fale. mesmo quando é negativa. do ego. A Psicologia Transpessoal. inveja. A superação dessa debilidade moral. criou-se o brocardo: Que se fale mal de mim. Ciúme. nele insculpindo o anjo e arrancando-lhe o demônio do primitivismo aí predominante. Nas faixas da evolução mais densa. iníqua. identificando-se preexistente ao corpo e a ele sobrevivente. em determinadas áreas das artes.

A manifestação do pensamento de culpa tem um significado autopunitivo. ansiosa. de insegurança. que se apresenta sempre na condição de vitima. assumindo proporções mais sérias. apresentam estados de angústia. breve. apresentam uma temporária perturbação orgânica. as de ansiedade. Ao se instalarem. estudo metodológico. O quadro dos estados histéricos. às vezes. etc. As primeiras decorrem de fixações e pressões de vária ordem. Quando se apresentam com manifestações fóbicas — medos de ambientes fechados. a hipocondria. decorrente de perturbações do sistema nervoso. dependências de bengalas psicológicas. porque de apresentação sutil no seu começo — tiques nervosos. a neurose é mal que perturba expressivo número de criaturas da mole humana. irreversíveis. expressam-se como forma de transferência. fixações psíquicas que se agravam — grassam. de doenças. verdadeiro e psicogénico. fora de si. sem qualquer lesão anatômica de vulto. Com características próprias e sem causalidade cerebral. de fonação.. sobre todo mal e insucesso que lhe acontece. É comum fazerem-se acompanhar de episódios e fenômenos somáticos mui variados. expressando-se como manifestações de histeria conversiva. fragmentando-a. que muito se interessou pelas neuroses. às vezes. incluindo os estados obsessivo e compulsivo. estabeleceu que as há verdadeiras e psiconeuroses. que. porque de origem psicogênica. de altura. Quando ele não encontra . as razões que lhe justifiquem as ocorrências mínimas ou máximas que o desagradem. perturbador. dando curso a inquietações. distúrbios de postura. dores que parecem reais. — trazem componentes graves. nos temperamentos frágeis. podem levar a paralisias. sem que necessariamente o lesionem. amnésia.. Não raro. simultaneamente. especialmente em decorrência de exigências do grupo social e da coletividade. que classificou as neuroses em dois grupos. movimentos desconexos. a um passo dos estados psicóticos. repetições de palavras ou de gestos. em formas de pressões reais ou aparentes. buscando. também podem manifestar-se em caráter misto. Para um melhor. e a necessidade de culpar outrem aturde o paciente. produzem desarmonia. Outras vezes.. isto é. alarmantes. as de origem traumática.. Generalizando a sua etiopatogenia. de mais difícil recuperação. prisões de ventre. embora a complexidade moderna de conceitos e variedades ora apresentados por especialistas. O célebre médico vienense. São elas: a neurastenia. A medida que se agravam. na sociedade. recorremos a Freud. desequilibra a emoção e gera desajustes fisiológicos sem patogênese profunda. radica-se na psique e tende a avançar para as fixações obsessivas e compulsivas atormentantes. a responsabilidade pertence-lhe. desajustando o sistema nervoso. conduzem a uma regressão de fixações da infância. as neuroses apresentam-se com caráter de culpa. As neuroses. atormentando o paciente com a inquietante idéia de que.. Ao lado do mecanismo psicológico causal. que dissocia a personalidade.. como taquicardias.36 11 Neurose Enfermidade apirética. de ansiedade. de medos. conversivos e ansiosos. As segundas.

com o exame de consciência correspondente. por afinidade de consciência de dívida-e-cobrança. Os estados neuróticos são profundamente inquietadores e desarmonizam o psiquismo humano... não sendo outros. porque as vítimas das suas ações ignóbeis morreram.37 um responsável próximo e direto.. quando ocorrem as subjugações lamentáveis. a princípio telepaticamente. dúplices. Deus. por serem doentes da alma os seus portadores. apela para a figura do abstrato coletivo: a sociedade. etc. senão. negativos. ao lado das neuroses. defrontar-se-ão as causas reais na conduta anterior do paciente. empurrando-o para processos longos de loucura. de natureza física. a auto-análise freqüente. surgem episódios de obsessão espiritual que agravam a débil constituição do enfermo. da meditação. bem como perseverante esforço de recomposição psicológica. Jesus asseverou: A cada um segundo as suas obras. na qual assomam do inconsciente profundo as culpas e os conflitos que ora se manifestam como processos reparadores. e abrindo-se às realizações de enobrecimento no presente. Certamente. Atuar sempre com segurança após saudável reflexão. pensar com retidão e viver em paz consigo mesmo. Como terapia preventiva a qualquer distúrbio neurótico. da relevante ação caridosa. . encontra-se vinculada a acontecimentos pretéritos. e porque prosseguiram vivendo. Lentamente. as almas dos homens que antes viveram na Terra e permanecem vivos. particularmente na área psíquica. recebendo simpatia e amizade dos amigos e conhecidos. reencontram. Toda terapia liberativa deve ter como recurso de auxílio a renovação moral do paciente. porém não se consumiram. ainda. Assim ocorre. inflingindo-lhes então maior soma de aflições. mais tarde. instalam-se. a Psicologia Transpessoal identifica esses seres — personalidades anômalas. por cujo meio ele se lenifica e se apazigua com aqueles que o odeiam e consigo mesmo. sua reeducação através das disciplinas espirituais da oração. o governo. Aprofundando-se a sonda da inquirição na psicogênese dos fenômenos neuróticos. com os anseios da conquista tranqüila do futuro. quão infelizes. desidentificando-se das matrizes perturbadoras do passado. que atrelou a consciência a comportamentos desvariados e passou injustamente considerado.. Eis por que. As moléstias. os adversários. que permaneceram camuflados por aparência digna para a atual reencarnação. conhecendo a etiopatogenia das enfermidades em geral. — que interferem no comportamento das criaturas humanas e as perturbam. quando deveria haver sido justiçado. que reflete na psicologia do indivíduo os estados neuróticos. depois sujeitando-os pelo controle mental e. por constatar a excelência da própria recuperação. A consciência inquieta. necessitando receber conveniente terapia. representam o mais equilibrado e expressivo caráter psicológico de criatura portadora de saúde mental. transferindo os receios e inseguranças.

38 QUARTA PARTE FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE .

encontra-se mais bem aquinhoado do que a maioria das pessoas no seu grupo social. Toda aprendizagem assenta-se nos critérios do erro e do acerto. facultando a identificação dos recursos disponíveis. bem como avaliação das atitudes que redundaram em insucesso ou desequilíbrio. mediante a insistente reclamação em torno dos acontecimentos da vida. reclama e convence-se da desdita que imagina. logo derrapando em psicopatologias devastadoras. Os grandes vitoriosos do mundo lutaram com tenacidade para romper os limites. que se fixam pela natural repetição. prosseguiu escrevendo excelentes poemas. Não se detiveram na lamentação. porém. quando essas expressões de socorro lhe são dirigidas. No seu atormentado ponto de vista. benéficas. fechando-se no círculo diminuto da personalidade mórbida. Por isso mesmo. inconscientemente. E. os desafios. o indivíduo elege a posição de vítima da vida. A mente. o homem que cultiva a autopiedade desenvolve tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se entrega. os problemas. realizando um mecanismo de valorização pessoal. Conduzida pelos escuros corredores da lamentação. Milton.39 12 Autocompaixão Psicologicamente. após a . às transferências da piedade por si mesmo. Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade. as enfermidades. com que contamina as pessoas que o cercam ou que se lhe acercam. com o que é. selecionando as experiências consideradas saudáveis. recorrendo. o poeta cego. A pseudo-aflição mantida converte-se em motivo de alegria. desatrela condicionamentos que aprisionam o ser demoradamente. cujo desvio comportamental plenifica o ego. torna-se cárcere sombrio ou asas de libertação. a fim de as evitar no futuro ou corrigi-las quanto antes. Aquele que se entrega à autocompaixão nunca se satisfaz com o que tem. e ninguém se lhe exime à influência. Desse modo. os insucessos são patamares que propiciam avanços para que se alcancem degraus mais elevados. Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros. no entanto. tornaram-se vigorosos no fragor das batalhas travadas. transforma-se em mecanismo masoquista de perturbadora presença no psiquismo. Quando. recusando-as. Não raro. conforme seja acionada pela vontade. demonstrando insatisfação sistemática. que disfarça. Reflexões sobre dificuldades pessoais constituem fenômeno auxiliar para ações dignificadoras. a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz. encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar à volta. porque investiram na ação todo o tempo disponível. assumindo a lamentável condição de infelicidade. e com mais beleza. Não nasceram fortes. digna de apoio e solidariedade. o cultivo da autocompaixão. Beethoven continuou compondo. somente a sua é uma situação dolorosa. sem qualquer respeito pelas demais pessoas. com os valores de que dispõe e pode movimentar. encontra-se a um passo de perturbações emocionais graves. ao invés de lamentar-se. reage.

Roosevelt. extermina-se o amor. nem tampouco a ninguém. escravo e doente. cedendo espaço mental para os tentames que levam à vitória. contribuiu para o engrandecimento da Quimica. recusa-se a crescer e não luta. Demóstenes. . O homem tem o dever de aprofundar meditações em torno das aflições e dos seus problemas. Quando se mantém a autocompaixão.40 surdez total. da sua finalidade. colocando-os sobre a língua. A desenvolvimento saudável do ser psicológico impele-o à confiança e o induz à atividade para a aquisição do sentido da vida. Epícteto. à vida e a si própria.. e amor a Deus. tuberculoso. sofrendo competições ultrizes. traduziu para os ouvidos humanos as belas melodias que lhe vibravam na alma. deu seguimento às músicas ricas de ternura. não se amando. ao próximo. cultura. a fim de os superar. e Mozart. surda e muda.. a auto-compaixão deve ser rechaçada sempre e sem qualquer consideração. Chopin. à saúde emocional e à harmonia íntima.. Quem de si se compadece.. na miséria. Fator de desintegração da personalidade. gago. tornou-se presidente da América do Norte e colaborou grandemente para a paz mundial durante a Segunda Guerra. Helen Keller.. entre crises de hemoptises. filosofava. vitimado pela poliomielite. recorreu a seixos da praia. Steinmetz. para corrigir a dicção. estagiando na amargura com a qual se compraz.. estóico. Franklin D. aleijado. cega. A galeria é expressiva e iluminada pelo gênio e pela coragem desses homens e mulheres extraordinários. comoveu o mundo com a sua coragem.

Os mitos trágicos. eqüacionador dos enigmas e dos conflitos. social. sem conseguir enunciá-las. emocional. organizadoras do eu. erguia-se o santuário de Delfos. há fatores humanos e ocasionais que respondem pelas dificuldades e problemas humanos. Referimo-nos a sucesso. financeira. no que se compraz. aquele que de tudo se queixa tem a personalidade desestruturada. permanecendo sob constantes bombardeios do pessimismo. inspiração. Certamente. de solução para os problemas. acorriam multidões aturdidas e ansiosas em busca de orientação. A queixa de que se faz portador é reação mental e emocional patológica. era um reduto onde nasciam as identificações inconscientes do ser.. da cultura. caso. às autoridades governamentais. As suas águas. que passa a detestar ou nas circunstâncias. que prossegue buscando soluções fáceis. em tonalidade azul-turquesa. que transmitiam as repostas do deus evocado. na Grécia. Psicanaliticamente. assomam-lhe. e personificam-se nas criaturas. que remanescem no inconsciente. é região de beleza ímpar. parecem um espelho. religioso. São. reduzido a escombros. sem o contributo do esforço pessoal. no qual. gerador de estados neuróticos e de perturbações lastimáveis. aos fados perversos. que se agravam com as queixas. ainda permanece a sua mensagem no inconsciente da criatura. a fragilidade e a insegurança do paciente que ocasionam o insucesso. político. do azedume e dos raios destruidores da mente rebelde. Não consideramos sucesso apenas o triunfo econômico. que deve ser desenvolvido. perseverasse na ação bem direcionada.41 13 Queixas O golfo de Corinto. refletindo-lhe a insegurança e a perturbação. Para o seu templo. em qualquer circunstância. desempenhavam papel importante no comportamento dos consulentes. emoldurado pelas montanhas que lhes resguardam a tranqüilidade multimilenaria. em conseqüência. bem como das cidades-estados que lhes buscavam ajuda. e se multiplicavam as queixas dos desesperados. à má sorte. social. dos que necessitavam de soluções imediatas para a sobrevivência moral. transfere para as demais pessoas as causas dos seus insucessos. quase sempre responsável por expressões de profundo desequilíbrio no comportamento. Ali. artístico. de segurança emocional. porque destituídas de lógica. o mais importante da época. Apolo era o símbolo do conhecimento. que são denominadas como aziagas. miraculosas. responsáveis pelas ocorrências negativas que procura ignorar ou escamotear. herdeira do arquétipo arcaico. passando as acusações para os tempos nos quais vive. abandonando a queixa. no entanto.. Permanecendo na infância psicológica. Era o santuário no qual se sucediam os apelos. da luz. onde se cultuava Apolo. quando o indivíduo. Na mitologia grega arcaica. Hoje. conserva-se em . em lugar de destaque. assim acalmando-se e tornando-se vítima. Ocultando os conflitos perturbadores. o deus da razão. que poderia ser transformado em êxito. mantém a administração dos seus problemas com serenidade. No monte Parnaso. as sibilas.

perante os fenômenos da vida. através dos bem aceitos recursos de evasão da responsabilidade. A queixa. Por isso. o santuário de Delfos ensinava o conhece-te a ti mesmo como psicoterapia relevante.42 harmonia no êxito social ou na dificuldade. como ferrugem na engrenagem do psiquismo. crescendo interiormente. Substitui-la pela compreensão. e mediante esta contribuição o ser amadureceria. é cruel verdugo de quem a cultiva. qual se se buscasse Apoio — o discernimento —. Diante de quaisquer injunções perturbadoras. constitui mecanismo valioso de saúde psicológica. deixando-se conduzir pela razão lúcida — a sibila — e descobrisse a real finalidade de todos os fatos existenciais. a plenitude. o enfrentamento tranqüilo com as ocorrências deve ser a primeira atitude a ser tomada. assegurando-se da sua fatalidade histórica. . sem nenhuma perturbação ou desagregação da personalidade.

específicas. por fenômeno psicológico de não aceitação de sua realidade. que mais lhe agrava o distúrbio no qual estertora. que se recusa enfrentar-se.. manifestandose em contrações musculares. O homem saudável sobressai pela harmonia e otimismo em todas as situações. transferem-se para as reações nervosas.. palavras e conduta alienadoras.43 14 Comportamentos exóticos A dependência psicológica do morbo da queixa. tornando-se célula harmônica. os complexos de inferioridade. enxerga uma agulha num palheiro — modifica o comportamento perdendo a linha convencional do que é correto e saudável para viver de maneira alienada. como arquétipos do inconsciente coletivo que. são gerados por ele próprio. a fim de que rompa a carapaça da dissimulação e assuma as responsabilidades que interessam a todos. Nessa área. leva a estados perturbadores que se podem evitar. nem as agravantes manifestações anômalas. ameaçador. frágil. cultivando exotismos. repetições de gestos. transferindo-se para os departamentos da fiscalização da conduta alheia. A insegurança. com inalterável tolerância pelas excentricidades dos outros e seus correspondentes erros. predominando a psicologia à morfologia. O excêntrico é ser atormentado. ativa. é estado de bom humor. os ademanes chamativos. como única maneira de liberar os conflitos em que se aturde. fixações. de reencarnações infelizes. que se apresenta com reações imprevisíveis. Atavicamente herdeiro dos hábitos pretéritos. surgem os distúrbios do sexo. ao invés de manter-se em processo degenerativo. em realidade. Síndrome compulsiva para aparecer. sem os azedumes perturbadores. Ignora os outros e vive comportamentos especiais. da mente. ególatra. dando largas ao inconsciente. da emoção. que se faz indiferente. conduz. que chamam a atenção pelo desvio de conduta. temeroso. excentricidades multiformes. gerando os distúrbios catalogados nos diferentes departamentos do corpo. Da simples fixação do erro e apenas dele — conforme afirma o brocardo popular. a frustração. . A psicoterapia própria. mantendo-se equilibrado.. insensível. perturbando o equilíbrio psicológico. cada vez mais constritoras. escorregando pela viciação acusadora. mediante o cuidado na elaboração das idéias e do otimismo na observação das ocorrências. envolvendo-o no grupo familiar e nos problemas da comunidade. responsável pelas repressões que se transformaram em mecanismos de afirmação da personalidade. caracterizando biótipos extravagantes. o paciente oculta-se na mentirosa postura de vítima ou na condição de portador de conduta inatacável. no entanto. Saúde. que degeneram nas psicoses compulsivas. traduzindo insegurança e instabilidade emocional. apresenta-se propondo-lhe uma revisão de valores culturais e sociais. A doença caracteriza-se pela inarmonia em qualquer área da pessoa humana. em curso para o desajuste total. compondo uma personificação que agride aos outros.. O queixoso perdeu o endereço de si mesmo. reajustadora. e a si mesmo se realiza em fenômeno de autodestruição.

em evidente revolta contra o equilíbrio mente-corpo. exercitando-se no convívio social sem a tentação de destacar-se. que não atingem.. Devaneios íntimos povoam-lhes o campo onírico. mal-humorados. gerando o enriquecimento interior. de chocar. em postura excêntrica. Os fatos da infância ressurgem-lhes fantasmagóricos. mas. liberando-se das heranças neuróticas e dos condicionamentos psicóticos. sendo pessoa comum. que nunca oferecem. também. identificada com os objetivos normais da vida. que escolherá conforme as próprias aptidões. que mais os inquietam quando no estado de consciência lúcida. anelando para a felicidade do ser querido tudo aquilo quanto não fruiu. insensíveis e presunçosos. O homem e a mulher saudáveis têm comportamento ético. excessivamente dominadora ou tragicamente benévola. Outrossim.. O desenvolvimento da criatividade contribui para o ajustamento da personalidade ao equilíbrio. algumas dessas personalidades exóticas fazem-se isoladas onde quer que se encontrem. de natureza egoísta. que não dispensam a ninguém. gentilezas. evitando o relacionamento com o grupo. A psicoterapia deve apoiar-se na busca da conscientização do paciente. os sonhos são-lhes caracterizados pela necessidade tormentosa de conseguirem a realização plenificadora. sem vulgarizarem-se. . que jamais retribuem. o acompanhamento do psicólogo assim como do analista atentos lhe propiciará o encontro com o eu profundo e seus conteúdos psíquicos. auxílio. Exigem consideração. que anulará os condicionamentos viciosos. Nesse estágio da conduta. sem pressão. Sem dúvida. e a imagem da mãe. sendo rudes. portanto. psicológico. e tornam-se comuns. neurótica. que exige mais acentuada terapia de profundidade.44 A exibição não é apenas uma forma de assumir o estado interior. a compulsão psicótica leva-o à extroversão exagerada. em todas as formas da sua comunicação com o mundo exterior. que transferiu para o rebento suas frustrações e nele passou a realizarse. emoção-função fisiológica. mascarados em expressões que lhe parecem afirmar-se perante si mesmo e as demais pessoas. empenhando-se em harmonizar a sua natureza interior com a sua realidade exterior. para que assimile novos hábitos. referto de transtornos e pesadelos. pondo para fora os conflitos. Essa é uma fase adiantada do comportamento exótico. Por extensão. trabalhando com esforço a modelagem da nova personalidade. na sua estrutura maternal.

45 QUINTA PARTE PROBLEMAS HUMANOS .

de transformações. como decorrencia do que se consigna em condição de imperfeições da alma. face ao que considera como fatores indispensáveis à sobrevivência — valores materiais que propiciam alimentação. desar. mesmo quando em aparente conflito. Os problemas enraízam-se. em prolongado esforço para desenvolver os potenciais psicofísicos. Além desses.46 15 Problemas Humanos Os problemas humanos ou desafios existenciais fazem parte do organograma da evolução. que lhe parecem de significado único. Qualquer ameaça. e. mais vitalidade se lhe oferece. A criatura pensante é um ser incompleto ainda. afirmando: Eu sou culpado. gerando perturbação. ou da sociedade em geral. nele se realiza. Somem-se-lhes os que se derivam do inseguro inter-relacionamento pessoal. destituído dos estímulos negativos do medo ou da ansiedade. A inferioridade psicológica desenvolve o complexo em que se refugia. mantendo-se em alerta para a preservação desses bens. portanto. de acordo com as resistências fortes ou frágeis da personalidade individual. transforma-se em desastre. ou do destino. que ressumam em forma de fenômenos patológicos. como heranças reencarnacionistas. em constante processo de aprimoramento. perseguido. de cuidado especial para a sua solução. de modo a analisar a situação conforme se apresente. ou da saúde.. ou da família. que logo se incorpora à conduta.. Esse esforço deve ser natural. Nas personalidades instáveis. ou do qual se espera resultado positivo. Certamente. escondendo-se nas justificativas de incompreendido. justifica-se. vestuário. normalmente os complexos psicológicos assumem as responsabilidades pelas ocorrências problematizantes. deixa de lutar. e não consoante os fantasmas da insegurança desenhem na imaginação criativa — refúgio para a irresponsabilidade que não assume o papel que lhe diz respeito. essenciais. a outros não passa de insignificante acidente de percurso que estimula a marcha. inquietadores. infeliz. por falta de consciência lúcida. Quando algo em que se confia. Aferrada às impressões mais grosseiras do ego. compõe a consciência de culpa e esse mesmo ego recorre à . e mediante esta conduta coloca-se acima de qualquer suspeita de fragilidade. prazer e tranqüilidade ante a doença e a velhice — desenvolve o apego e exterioriza o sentimento centralizador da posse. outros (problemas) há de natureza psicológica.. o ego foge. O que a uns constitui gravame. repouso.. escamoteia-o. aborrecimento. Resolve-se a questão utilizando-se do complexo de superioridade. real ou imaginária. Quanto mais se valoriza o problema. que possa produzir a perda. aumentando-lhe a força de ação com os seus correspondentes efeitos. Evitando considerar o problema na sua real significação. ou do grupo social. o ego estabelece: A culpa é do outro. cada problema merece um tipo de atenção. avultando-se ou perdendo o sentido. insucesso. passado o momento. nos tecidos da malha delicada do psiquismo. não raro. quando o problema se converte em dificuldade e ocorrência prejudicial. torna-se problema. parapsicológicos e mediúnicos nela em latência. Em outros temperamentos.

mister se torna o amadurecimento psicológico. trabalhando o amadurecimento. os problemas que sempre procedem das experiências anteriores. . recuperando-se moralmente. Essa dilatação da capacidade parafísica propicia o mergulho do eu profundo — o Espírito — na causalidade dos fenômenos humanos. que são as metas existenciais mais urgentes. abrindo o leque imenso das percepções paranormais. oferecendo o saldo positivo de evolução. Mesmo quando são atuais e começaram recentemente. para fugir das conseqüências dos problemas. O problema humano. afligindo-se: Eu deveria ter feito de tal forma. Na transitoriedade da condição humana. Nesse elenco de registros parapsíquicos desabrocham os recursos mediúnicos que propiciam o livre trânsito entre as duas esferas da vida: a física e a espiritual. decorrente do esforço sério e bem direcionado. eu poderia ter enfrentado. o ser que os enfrenta necessita deles. é a própria criatura. maior e mais urgente para ser eqüacionado. Para consegui-lo.47 condicional dos verbos. o estado de infância psicológica decorre da ausência de realizações evolutivas. o eu profundo deve emergir. assim interpretando. desatando os inestimáveis recursos que lhe são inatos. porqüanto. eu tentaria evitar. do estudo do eu profundo e da sua busca incessante.. portanto. que existem para ser resolvidos. na origem. graças aos quais o psiquismo comanda conscientemente a vida. cuja finalidade é testar as possibilidades e valores de cada uma em particular e de todas as criaturas em geral. Ninguém permanece vivo sem o enfrentamento com os problemas.. Mecanismos perversos de imaturidade compõem a tecedura protetora do escapismo.

O ego. desenvolve os fantasmas gigantes que o protegem. caso não se resolvam enfrentá-los com hercúlea decisão e pertinaz insistência. quais cogumelos venenosos que desabrocham em terrenos úmidos e férteis. o ser move-se sob as injunções das necessidades de projeção da imagem. compõe os quadros de aflição em que se refugia e. projetando-se em demasia. medrando no seu psiquismo atormentado e passando ao domínio escravizador. negando-se a lutar. que as experiências evolutivas desenvolvem e aprimoram. que têm predomínio em a natureza humana. os ciúmes e as invejas que entorpecem os sentimentos. imagem e semelhança de Deus.48 16 Gigantes da alma Envolto na pequenez das aspirações egóícas. . destacam-se: os ressentimentos. Gerado para alcançar o Infinito e a Consciência Cósmica. Entre os terríveis gigantes da alma. manifestando a força do eu real. é deus em germe. açulam a inferioridade e terminam por vencer aqueles que os vitalizam. por sentir-se incapaz de superar a sombra.

por falta de maturação geral que favoreça o entendimento e a transação psicológica em termos de bem-estar para todos os parceiros. o ressentimento pode ser comparado a ferrugem nas peças da sensibilidade. É um direito que têm. ele se instala. acreditando-se traído. é opção de quem não se resolve por preservar a saúde ou não deseja crescer emocionalmente. porque há uma larga variedade de biótipos emocionais. no entanto. identificando os valores relevantes e os perniciosos. A vida expressa-se em padrões sociais. sob todos os pontos de vista. resultado da condição evolutiva das criaturas que se inter-relacionam. que se deixam. trabalhando aqueles que são perturbadores. sem escamoteamento. por caracterizar-se como expressão de inferioridade. competitivas. cargas violentas que terminarão por desarmonizar-lhe os delicados equipamentos e se refletirão na conduta mental e moral. Aceitar-lhes. mental e racionalmente. indispensável ao equilíbrio integral. deve preocupar-se com o desvelamento do si. que deve ser banido das paisagens morais da vida. logo após. na situação que as caracterizam. através da reflexão e do auto-encontro. relegado a plano secundário. eliminando a ingerência do ego ferido e ensejando a libertação do eu profundo. por se encontrarem em faixas primitivas da evolução. Descobrindo-se em logro. No importante capítulo da saúde mental. sem conflito. consciente ou não. deve ser combatido. instalando. desejando assenhorearse dos espaços que lhes não pertencem e. anela pelo desforço. a presença do ressentimento na criatura humana tem lugar de destaque. vincular-se-lhes às faixas vibratórias de baixo teor. para esconder-se sob o ressentimento na justificativa de buscar ajuda para a autocompaixão. porém. trabalhando por sobrepor o ego ferido ao conceito daquele que o desconsiderou. caluniam. O ressentimento. fazem-se injustas. a competição e o atrevimento armam ciladas. perseguem. os petardos. as suas são reações compatíveis com os níveis de consciência em que se encontram. Como é natural. enraizando-se no solo fértil das emoções em descontrole do paciente. invariavelmente esquecido. nos painéis da emotividade. Quando o ressentimento exterioriza as suas manifestações. nas quais tombam os temperamentos mais confiantes e ingênuos. mortificar. normalmente. culturais e religiosos ou não. o companheiro vitimado recorre ao ego e equipa-se de ressentimento. Gastrites e diarréias inexplicáveis procedem dos tóxicos exalados pelo ressentimento. O indivíduo. exteriorizando idéias e comportamentos que lhes correspondem ao estado no qual se demoram. A convivência humana é feita por meio de episódios conflitivos. Predominando a natureza animal em detrimento dos valores espirituais e éticos. refletindo-se como distúrbios gástricos e intestinais de demoradas conseqüências. As pessoas são. no sentido negativo da palavra. . aí engendrando males que terminam por consumir aquele que lhe dá guarida. de modo a não facultar ao ego doentio o apoio psicológico neles. Injustificável.49 17 Ressentimento Entre os tormentos psicológicos alienadores. transferindo-se para a organização somática.

. A liberação do ressentimento deve ser realizada através da racionalização. sem transferências nem compensações egóicas.50 O processo de evolução é incessante. de ser vítima.. e as mudanças. impulsionando à conquista dos recursos adormecidos no imo. o Deus interno que jaz em todos os seres. desaparece. . as transformações fazem-se contínuas. esse terrível gigante da alma se apequena e se dilui. a partir do momento em que deixa de receber os alimentos de manutenção pela idéia fixa e mediante o desejo de revidar. de sofrer. À medida que a experiência fixa aprendizados.

a preguiça mental e o desejo de impor-se à vitima da sua psicopatologia. quão perturbadoras. O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora. No aturdimento do ciúme. o eu profundo respira. Armadilha do ego presunçoso. insanamente. expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais. o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita. deixando de reagir. Somente o self pode conseguir essa façanha. dominando-lhe a conduta e o pensamento. porém com harmonia. a pouco e pouco.51 18 Ciúme Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática. descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas. que terminam por ceder-lhe as forças. Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência. posses e valores que assumem uma importância alucinada. Liberando-se da compressão do ciúme. O ciumento. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades. alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não. foge para o ciúme. a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. O ciúme tende a levar sua vítima à loucura. as aspirações espirituais. Atormentado pelo ego dominador. com amor. o paciente. ficando surdo à razão. em que se consome. inseguro dos próprios valores. o ciúme envolve objetos e posições. com a mente exacerbada pela suspeita infeliz. com a vida. ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos. . que nunca encontram apoio nem reconforto. e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias. rico de realizações interiores. O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial. vencidos pelos gases venenosos do ciúme. isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo. superando a estreiteza e os limites egóicos. para assomar. quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama. destruindo as resistências morais e emocionais. à verdade. com algo ou nada. em cujo campo se homizia a fim de entregarse aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade. que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz. arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado.

perturbando-lhe a atividade. como meio e meta para alcançar a saúde ideal.52 19 Inveja Remanescente dos atavismos inferiores. a inveja é fraqueza moral. não podendo ser medida nem comparada com outras em razão do processo da evolução de cada um. não saiu da infância psicológica e pretende ser o único centro de atenção. nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas. resultado da sua morbidez inata. Ao invés de empenhar-se na autovalorização. ao próximo e a Deus. A terapia para a inveja consiste. Normalmente moroso e sem determinação. o comportamento. senão. compete mediante a urdidura da intriga e da maledicência. no futuro. formando um todo holístico na Grande Unidade. Não tem ideal. o enfermo de inveja nunca se alegra com a vitória dos outros. que lhe facultará a perfeita compreensão dos mecanismos da vida e as diferenças entre as pessoas. sobressair. Egocêntrico. que somente as alcançam se estiverem em sintonia. por inveja. na-cuidadosa reflexão do eu profundo em torno da sua destinação grandiosa. a perturbar as possibilidades de luta do ser humano. o paciente da inveja lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu. . no que se compraz. acoimado por insidiosa desdita íntima. avaliando os recursos de que dispõe e considerando que a sua realidade é única. credor de todos os cultos e referências. observa e persegue. Insidiosa. a inveja é resultado da indisciplina mental e moral que não considera a vida como patrimônio divino para todos. A inveja descarrega correntes mentais prejudiciais dirigidas às suas vítimas. aguarda o insucesso do adversário. Trabalha. nem com a alheia realização. destacar-se. individual. porém cujos danos ocorrem no fulcro gerador. inicialmente. para competir. para si apenas. O cultivo da alegria pelo que é e dos recursos para alcançar outros novos patamares enseja o despertar do amor a si mesmo.

que forja comentários. faculta que ressumam as tendências do prazer. de lograr atenção.. o esforço pessoal. de vigilância natural. A humildade é uma conquista da consciência que se expressa em forma de alegria. Entre muitos religiosos em clima de insatisfação pessoal. exibe o lado oculto da vaidade. Tivesse maturidade psicológica e recorreria a outros construtores gigantes da alma. que exteriorizam os tormentos e a imaturidade do ego. que compensa a fragilidade do ego. a filantropia. que não recebe compensação externa mediante o reconhecimento nem a projeção da imagem. recomendava a vigilância antes da oração. legitimamente. Jesus. dessa forma. deve passar despercebido. a solidariedade. Acostumado às respostas imediatas. de piedade. sem tensão. Quando escasseiam os estímulos para esse cometimento do eu. A Sua proposta é atual. estando desprotegidos de si mesmos. Trata-se do seu ego. desprezo por si mesmo. Quando se manifesta com sofrimento. desembaraçando-se. é palmilhado com naturalidade e cuidado. da sensação de incompletude. o ser debate-se entre o passado de sombras — ignorância. na esteira das reencarnações pelas quais tem transitado. essa necessidade de valorização reaparece em estruturas de aparente humildade. automatismos dos instintos — e o futuro de luz — plenitude através de esforço . às vezes de procedência inconsciente. O caminho para a conscientização. de autoflagelação. Quando assim não ocorre. de autodepreciação. Não podendo fugir de si mesmo nem dos fatores arquetípicos coletivos. para depois ensejarse a entrega a Deus sem preocupação outra alguma. de plenitude. que vem herdando de si mesmo através dos tempos. de dissimulação. fechando-se no estreito quadro de depressão.. do conflito de inferioridade. Renitente. de alguma forma refletem um fenômeno psicológico. mascaradas de auto-aflição. como o amor. acomodação. violenta desconsideração pela própria vida. mesmo sabendo que logo terminam deixando frustração. volta-se para o mundo interior e reprime os sentimentos. A fim de consegui-lo e por não saber dirigir as aspirações. a conscientização. o ego infantil deseja os jogos do prazer a qualquer preço. amargura e novos anelos para fruir outros. como forma de auto-encontro. porqüanto o inimigo do homem está nele. noutras ocasiões habilmente estabelecido. jamais uma indumentária exterior que desperta a atenção. A humildade é uma atitude interior perante a vida. sem crescimento interior. de proteção ao próximo.53 20 Necessidade de valorização Os destrutivos gigantes da alma. na condição de excepcional Psicoterapeuta. da violência reprimida e chama a atenção para aquilo que. desenvolvendo as possibilidades de enriquecimento interior capazes de plenificação. que é a necessidade da sua valorização. o ego sobressai e fixa-se em mecanismos perturbadores a fim. fundamentando-se na intenção libertadora. dissimula-dor hábil que conspira contra as forças da libertação. asfixia-se nos conflitos perturbadores e atira-se ao desespero.

a mensagem transacional retorna elucidando : — Eu. onde se expressam as próprias emoções conturbadas. O importante para o seu momento não é a qualidade da resposta estimuladora. como por exemplo: — Eu te amo. em equilíbrio. sejam quais forem os resultados. Essa necessidade de valorização egóica pode ser transformada em realização do eu mediante o contributo dos estímulos. avançando sem cessar e conquistando. porque não possui recursos relevantes para expor. Sob trauma ou rancor. mantendo a autoflagelação de que não énotado. possui valor. o estimo. palmo a palmo. e relaxa. o ego isola suas vítimas para chamar a atenção ou bloqueia-as de tal forma que não ficam ausentes. utiliza-se dos estímulos negativos e agressivos para compensarse. O ego que sente necessidade de valorização. Não se contamina nem se amargura. completando-se emocionalmente. expressa-se na enganosa autocomiseração que lhe satisfaz as exigências perturbadoras. No entanto. Nesse comportamento doentio do ego. porque exteriorizam o bemestar que lhe é próprio. amor e auto-realização — recorrendo aos dias presentes. porque. todavia. no inter-relacionamento social. o estímulo expressa-se agressivo: — Não gosto de ninguém. a comunicação redargue: — Eu o admiro. para colher algo idêntico: — A recíproca é verdadeira. conturbados pelas heranças e as aspirações. no entanto. atraído pela razão à sua fatalidade biológica — a morte — transformação do soma — histórica — a felicidade — e espiritual — a liberdade plena — vê o desmoronar dos seus anseios e reconstrói os edifícios da esperança. Quando o self assoma e governa o ser. Tal mortificação neurótica introjeta as imagens infelizes e personagens míticas do sofrimento. Cada ação provoca uma reação equivalente. Se a proposta afirma: — Detesto-o. a necessidade de valorização. Encontram-se no lugar. Se alguém diz: Não gosto de você. Os estímulos são fontes de energia. . para uma contestação equivalente: — Eu também. Verdadeiramente. os estímulos são sempre positivos. porém tornam-se invisíveis. que lhe compõem o quadro de desamparo emocional de desdita pessoal.54 tenaz. a terra de ninguém. recebendo-se uma evasiva — Não me inclua nisso. recorre-se a uma negativa: — Ninguém me ama. sem o contributo do self em consonância. não tendo necessidade de valorização. mas a sua presença no proscênio onde se considera ausente. Essa invisibilidade habilmente buscada compensa o conflito do ego. não possui valores atraentes. não estão ali. quando todos se encontram. mesmo que tenham origem negativa ou agressiva. brindam com resultados correspondentes. Quando não se consegue uma resposta através de um estímulo positivo. Conforme dirigidos.

o diálogo. o relacionamento. A comunicação desempenha. . facilitando o próprio entendimento. Os padrões de comportamento estão estabelecidos através de parâmetros nem sempre fundamentados em valores reais. livre. Descobrindo-se honestamente. À medida que o ser se descerra em narrativa afetuosa ou amiga. quando visceral. a comunicação padece dificuldades que somente poderão ser sanadas quando existir um propósito firme para o êxito. Aceitos como de conveniência. rompendo a cortina que os oculta e desvelando-se. na etapa inicial do desenvolvimento psicológico. numa demonstração apenas do que se aparenta ser. A Psicologia Transacional procura desvelar os enigmas do comportamento. normalmente. para os estados psicopatológicos que se multiplicam avassaladores. compartem-se emoções. assumem um comportamento saudável. reflexionando. desinteressadamente. De acordo com a maturidade ou não do ser psicológico. a experiência social. tal manifestação se reveste de autenticidade. descobre-se. assumem uma atitude tímida e fazem a introspecção. Há uma tendência natural para o disfarce do ego. o interlocutor. inseguros e instáveis. diminuem a loquacidade e. é bem provável que o interlocutor não tivesse nenhum interesse em ouvir-lhe a resposta mais complexa e profunda. em todas as vidas. Enquanto coordena as idéias para o diálogo. sentindo-se acompanhado. Passada a fase de auto-análise. obrigado! Mesmo porque. identifica-se. Os primeiros. quando prevalece um impulso dominante para a convivência. torna-se-lhes indispensável a extroversão. Quando a conversação. sem as pressões da desconfiança e da insegurança pessoal. Na grande mole humana destacam-se os biótipos introvertidos e extrovertidos. com enfado.55 21 Padrões de comportamento: mudanças O comportamento desvela ao exterior a realidade íntima do ser humano. Os segundos. pois que muitos fatores contribuem para mascarar-se o que se é. Liberando-se das conversações feitas de interrogações-clichês desinteressantes. Quando se indaga: — Como vai? — a resposta é inevitável: — Bem. emocional. sem excesso de ruídos nem ausência deles. Nem sempre. A ausência de tais imperativos contribui para o desequilíbrio emocional e. auto-analisa-se. se o interrogado se resolvesse dizer como realmente vai. os clichês sem sentido e costumeiros não dizem nada. penetra-se e faculta ao outro a oportunidade de igualmente desvelar-se. escondem a sua realidade e conflitos erguendo uma névoa densa pela exteriorização que se permitem. Quando se repartem informações no inter-relacionamento pessoal. um papel relevante. por conseqüência. é trivial. utilizando-se da comunicação interpessoal para libertar o indivíduo de conflitos e pressões. no entanto. porém. Talvez a aceitasse de maneira surda.

O comportamento cultural reúne as aquisições intelectuais. confiantes.. nos relacionamentos dignos. Elaborando leis. insensatos. que são asfixiadas sob a ação dos alcoólicos. permanecendo... dão a impressão de que estão realizando algo extraordinário. compensadoras. Deus. das drogas aditivas. provocando estados auto-obsessivos-compulsivos de ser-se o maior. que quer significar engodo. de hipocrisia.. sem qualquer consideração para com a vida. no entanto. todos desconhecidos entre si. desportivas. de modo que produzam os resultados adrede esperados.56 aqueles que foram considerados corretos. artísticas. pela pessoa humana real. Na área do comportamento religioso. O Outro. Em todos eles existem regras estatuídas pelo ego.. do transformar-se. Os padrões de comportamento normalmente se fixam em diretrizes que não atendem à realidade do ser. As preocupações financeiras de promoção egóica comprazem o indivíduo pela exposição desnecessária do desperdício e da dissolução. às vezes desavisados.. Apóiam-se. A certeza da imortalidade da alma abre um elenco de comportamentos autenticados pela educação espiritual na busca do vir-a-ser. o de mais larga renda.. e não aquilo para o que são regiamente remunerados. mediante as quais a exibição do ego gera constrangimentos perturbadores. em comportamento moral-social de tendências egoísticas. O comportamento moral está sujeito aos imperativos legais.. morais e religiosos. Convive-se com indivíduos em muito encontros sociais. surgem-lhe as depressões. de pressão. e não de apavoramento. Jesus conclamou os Seus seguidores à busca da Verdade que liberta. em total desrespeito pelo si. sempre preocupadas em dissimular os sentimentos. então. o filósofo e teólogo existencialista. que pensam mais em seus prazeres do que no bem geral da comunidade que lhes paga para a servir. geralmente mutilado nas suas aspirações nobres de vida. o mais extravagante. como propunha Kierkegaard. de discriminação. inúmeras imposições castradoras contribuem para condutas falsas. culturais. em cujo comportamento se fundem o ego e o eu.. saudáveis. podem ser classificados como sociais. da auto-emulação exibicionista com que foge da realidade interna para lugar nenhum. numa formulação de amor sem máscaras e sem conflitos. do encontrar o Outro. sem qualquer consideração pelos fundamentos das Doutrinas que se devem pautar pelos processos de libertação das consciências. que facilita o diálogo. é a Fonte que se deve buscar para . As pessoas submetem-se às pequenas ou grandes regras da etiqueta. do convívio social.. para uma boa apresentação. muitos desses homens públicos. nos raros momentos de auto-encontro. às vezes despertando fenômenos competitivos e de presunção lamentável. para deixar e transmitir impressões agradáveis. Logo após. Nos comportamentos sociais estão estabelecidas as regras do bom-tom. em detrimento do eu profundo ao processo de constantes mudanças e crescimentos. desincumbindo-se do que lhes é dever. estabelecidos conforme o imediatismo dos interesses de grupos e legisladores. que os sacrifica.

A estruturação psicológica da pessoa humana está. alargando-lhe a percepção moral e a religiosidade perante as exigências da Vida. como decorrência. o desenvolvimento das percepções parapsíquicas e mediúnicas. Assim. Toda a contextura celular renova-se incessantemente. A conquista de si mesmo é o desafio constante para a auto-realização. Mudanças O ser humano prossegue em crescimento. responsáveis pelo amadurecimento cultural e social.57 atingir a plenitude. em mudanças. a felicidade existencial. ninguém é igual a outrem. àmedida que o self se liberta das contenções impostas pelos arquétipos. em inevitável processo de aprimoramento do ser. em desenvolvimento contínuo. na razão em que se lhe desenvolvem os equipamentos orgânicos. É natural que. . nem pode ser avaliado mediante as comparações da frágil aparência. defluentes das reencarnações pretéritas. por efeito. a fim de crescer psiquicamente. a harmonia psicológica. a exigir renovação e estudo de si mesma. e as experiências como as vivências contribuem para a mudança de padrões comportamentais. o seu comportamento sofra alteração.

58 SEXTA PARTE CONDICIONAMENTOS .

essa dualidade concretiza-se nos atos do ser. a Trilogia da Criação apresenta Brama como Plenipotente. ambas. e o mal vem a ser aquilo que se opõe ao edificante. filosoficamente o bem é tudo quanto fomenta a beleza. ao harmônico. em cuja luta o último seria submetido e por conseqüência eliminado. Entre medos e persas — o livro sagrado ZendAvesta separava a mesma dualidade nas personificações de Ormuzde — ou representação do bem — e Ariman — ou personificação do mal —. O código de Hamurabi. para melhor explicá-los. a interpretação chinesa apresentou-os nas duas admiráveis forças cósmicas: o Yang — masculino. Em todos os períodos da cultura ancestral encontramos o esforço da religião e do pensamento tentando estabelecer os paradigmas em que se apóiam um e outro. o Destruidor. com as respectivas conseqüências legais no comportamento humano em relação à criatura em si mesma. tornou-se-Lhe o adversário temerário. não raro. que contribuem para o equilíbrio ou a desordem psíquica. gerando fenômenos relevantes de consciência. Das concepções pretéritas à realidade presente. contra Quem se rebelara Lúcifer que. o Conserva dor. ao comportamentalismo. do bem e do mal. no entanto. analisando a Criação. estabeleceu os dois princípios. que se conciliam sob o comando da suprema perfeição ao confundirem-se. Ontem. úmido.. consoante a moral. na sua formulação abstrata. a vida. que se vinculam ao conciliador. ou princípio construtor e Shiva. simbolizando o bem e o mal. inscrito em uma estela de diorito. mais tarde. o grupo social e o ambiente expressam-lhe a grandeza. Inspirada no hinduísmo.. A Metafísica Tradicional. a fazer parte da ética. a ação concreta que resulta da capacidade seletiva de valores éticos para a harmonia e a felicidade. seco. o dualismo do bem e do mal encontra-se ínsito na sua psicologia interior. avançando historicamente até interessar à sociologia. Sociologicamente o bem contribui para o progresso. à sociedade e ao seu próximo. o ético. e as duas forças antagônicas. no capítulo da moral. confundindo-a e perturbando-lhe. frio —. representa o bem nas deidades angélicas e o mal. à psicologia. expulso do paraíso. no vértice superior do simbólico triângulo isósceles. o Princípio Supremo. bom — e o Yin — feminino. gerando a harmonia. e todas as realizações que promovem o ser.. A Bíblia. de acordo com as suas respectivas manifestações. o discernimento. ao bem. Como efeito. nas demoníacas.. positivo. passando. já definia as ações louváveis e as reprocháveis. em perene luta até a supremacia do edificador. sob o controle de Deus. negativo. o mal decorre de todo e qualquer fenômeno que se opõe ou conspira contra esse contributo superior. Com características metafísicas. ou princípio aniquilador dos seres.59 22 O bem e o mal Questão de alta complexidade para a criatura humana. por sua vez. Logo depois. A Psicologia não poderia ficar indiferente a essa dualidade que existe no . Vishnu. era uma abstração meramente filosófica ou religiosa.

o bem de hoje torna-se o mal de amanhã e vice-versa. e se lhe desenvolvam os padrões de sensibilidade e consciência para adquirir a integração no Cosmo. liberado das injunções dolorosas. por acaso. as leis que elaboram possuem os seus parcialismos. Porque ainda injustos os homens.. para a adoção de conduta mental e física. o atavismo dos instintos agressi vos propele-o para a violência — quando deseja possuir —. justificando-se atitudes vulgares e tentando liberar-se comportamentos alienados. por questões imediatistas. de religiões e credos. predispondo-o à eleição do primeiro em detrimento do outro. incorre em equívocos de seleção e tomba nas malhas do mal. porém. que a linha divisória entre o bem e o mal é tão fluida e oscilante que. da desordem interior. no entanto. tornando-se instrumento útil no grupo social. inferiores.. do medo. que se lhe tornam mecanismos reparadores. remanescendo como as suas aspirações de crescimento e elevação. defecções. ao descobrir-se em falta. Se. O Decálogo moisaico. sintetiza os códigos moral e legal. para o grotesco e vulgar — quando derrapa no menosprezo de si mesmo. o que é bem e o que é mal. que o propele às ações ignóbeis. que se poderia considerar anárquica. amplia a capacidade para identificar o bem e o mal. impulsionando-o. que se promove e eleva-o a estágio superior. condutas extravagantes e arbitrárias. significativos e definidores do bem e do mal. irradiando-o como bênção que provém de Deus. . sem que a algumas delas se atribuam reais valores morais. havendo facultado a Jesus afirmar.. temporal. a consciência que sai do torpor de nível de sono sem sonhos. Certamente. E esse mal. reciprocamente. que resulta da consciência em libertação dos condicionamentos escravizadores. da volúpia. Afirma-se. da angústia. aos sofrimentos.60 ser humano. devendo ser respeitadas. que será ultrapassado à medida que amadureça psicologicamente. para o vilipêndio — quando se sente diminuído —. do nobre e equilibrado. portanto. aliás transitório. idealista e comportamental do bem. Ao mesmo tempo. do saudável e propiciador de paz. toda a complexidade desse fenômeno dual: — Não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça. na sua harmoniosa organização que deu origem à vida e a fomenta. é remanescente atávico do seu processo de evolução. permitindo-lhe aspirar sempre a mais e melhor. no entanto.. de partidos e raças. muitos códigos e leis. numa dialética sofista. em a natureza. Desenvolvendo. é-lhe o bem que deve cultivar e desenvolver. não raro. Tudo quanto contribui para a paz íntima da criatura humana. mesmo que sob as circunstâncias perturbadoras do ódio. de acordo com as conveniências de grupos e castas. seu desenvolvimento intelecto-moral. O bem e o mal estão inscritos na consciência humana. embora lentamente. Esse discernimento. em grandiosa proposta. tentam tornar legais comportamentos que não são morais e. faz o quadro de consciência de culpa e sofre as patologias afugentes. imediatamente começa a perceber os valores que compensam e os que conflitam o comportamento psicológico.

61 23 Paixão e libertação psicológica As tradições religiosas em torno da paixão de Jesus teimam por revestir-se da notícia trágica. Seus conceitos. foram caracterizadas por ocorrências infelizes. abrindo elencos de alegria e facultando o desenvolvimento daqueles que os recebem. tomadas em consideração. antes propõem a libertação dos conflitos. a cada dia bastam . e mentais ou emocionais naqueles que são constituídos por estrutura psicológica frágil. ao tempo em que mantêm os lamentáveis processos de cilícios físicos entre os fanáticos. Trabalhando-lhe a mente. refertos de atualidade. à maturidade. embora guardadas as naturais proporções. Inegavelmente. de João. intentam a lavagem cerebral para produzir o ódio pelo mundo. leva-O a metas adredemente programadas. impulsione o indivíduo ao avanço. faz-se necessário quando os objetivos são educativos. sem qualquer defesa. A constante condenação multimilenária deixou marcas profundas no inconsciente coletivo. As conquistas do momento. da personalidade. Toda a vida de Jesus é um processo que facilita o crescimento e a dignidade do ser humano. à treva medieval tormentosa. mas. propõe uma releitura do comportamento individual e coletivo dos seres. de que ora se faz herdeiro natural. carecendo de amor e paciência. Cada passo da Sua vida. oferecendo a contribuição de resultados positivos nas reflexões mentais. particularmente da psicologia. Toda ação impositiva-castradora ou liberativa-insensata trabalha em favor do desequilíbrio. para Ele. que são terapias excelentes para induzi-lo ao fortalecimento do caráter. evocando-se. prosseguem sendo uma linguagem dinâmica. que decorre da consciência lúcida. de José de Arimatéia que Lhe cedeu o sepulcro novo. As crenças ortodoxas satisfazem-se com as imolações e as atitudes condenatórias que. as ocorrências dolorosas que assinalaram a última semana de Jesus. o estoicismo das mulheres piedosas. nas mais diversas áreas. de arrebatamento e de fé. sem ansiedade. sem compulsão. reconduziriam à ignorância. de modo que a aprendizagem se faça plena. ao crescimento. que ainda se repetem na sociedade. A lição viva que ressalta em Jesus desde a entrada triunfal e o julgamento arbitrário. sem preocupação pelo amanhã. surgindo-lhe transformada em medo e desprezo por si mesmo ou indiferença pessoal e desleixo no culto dos valores morais. Sem rotina. com as conseqüências do medo em relação à justiça divina. pois que. na qual a ação autopunitiva sobressai no comportamento do fiel. buscando-se oferecer uma mensagem de confiança. em Jerusalém. a fim de gerar-lhe consciência de culpa. desobsessiva. a fim de que a responsabilidade. não mais facilitam atitudes alienadoras como essas. porém. Recordar-se da pusilanimidade humana. também. entre as criaturas. O ser humano é ainda muito fragmentário e dúbio. através da dicotomia existente no comportamento humano. da desintegração do homem. caracteriza-se pela vivência de cada momento. da fragilidade dos caracteres de Judas e de Pedro.

analisar e compreender. o martírio. A imposição temerária decorre do sentimento de culpa dos religiosos. A verdadeira alegria extrapola os sorrisos e se apresenta. A dinâmica das palavras de Jesus logrou conduzir inumeráveis criaturas à realidade transcendente. não Lhe teríamos a morte estóica. A conquista de consciências para as fileiras da harmonia somente é possível mediante o estabelecimento de diretrizes saudáveis. possível de ser superada. toda a Sua doutrina se constitui de otimismo e plenitude. Sem paradigmas fixos. passando a depender das suas injunções psicológicas mórbidas. A alegria é uma constante em Sua mensagem.. Após a sua ocorrência. sem ressentimentos nem ódios pelos perseguidores. que a transferem para aqueles que se lhes submetem. do retorno ao convívio com os amigos temerosos e com a humanidade arrependida que Ele veio libertar. Torna-se uma constante busca de realizações contínuas. asseverando que o Seu é leve e suave é a Sua forma de julgar. das lutas abertas e de sempre O verem chorar. sem fugas psicológicas. demonstrando a Sua consciência de imortalidade. no entanto fitam expectantes e avançam no rumo do futuro. perturbações. o pensamento de Jesus permanecerá em sombras. como preocupação que não deprime nem fragiliza.62 as suas próprias preocupações. Enquanto ressumem na consciência da Terra as condutas punitivas e as evocações deprimentes na área das religiões. Sem a semana ultrajante. não raro. por ser uma opção livre de utilização da vida. joviais e exultantes. de vitória sobre as circunstâncias e os fenômenos que são naturais no processo da vida. mesmo a dor assumiria a sua realidade de fenômeno degenerativo inevitável. amando. paciente e alegre. grandiosa. conflitos. em manifestações de fidelidade. Quando os Seus seguidores marchavam para o holocausto. faziam-no motivados pelo amor. . por conhecer os limites e deficiências daqueles que marcham na retaguarda. o testemunho. no entanto. Libertador por excelência. apesar das advertências freqüentes. sem transferências.. nas quais. todo um solene hino à vida foi apresentado através da ressurreição. resistida. a ninguém impôs fardo. sem os conteúdos da ingratidão humana em extremo. diluída através das reflexões e da renovação de energia que preserva o equilíbrio da existência. eloqüente.

são corretivos temporários que servem de advertência à insânia ou à comodidade. Por outro lado. Equipamentos delicados. é perfeitamente natural como decorrência da fragilidade estrutural de que se constitui. selecionando genes e valores que lhes facultem estabelecer os aparelhos correspondentes e necessários para o prosseguimento da evolução. através das contínuas experiências reencarnacionistas.63 24 Enfermidade e cura O fenômeno biológico do desgaste orgânico. estados inabituais de depressão e ansiedade. como recursos necessários para a aprendizagem e a fixação dos valores propiciatórios ao progresso. o Espírito conquista bênçãos que incorpora ao patrimônio evolutivo. as afetivas. arrastam-nos a desorganizações perturbadoras. em si mesmo trinitário — Espírito. do grupo social. por sua vez. condições outras atmosféricas e de insalubridade. sofrem as influências externas e internas que contribuem para as suas alterações. detendo-nos. facultando a reconquista da harmonia mediante esforço justo de recomposição interior. avareza. da família. perispírito e matéria — é o resultado de largo processo de educação e desenvolvimento. que são. ódio e os seus sequazes. com reações específicas e modelagem própria. cada criatura é especial. moldando os futuros corpos de acordo com tais aquisições. Assim organizam-se moralmente as estruturas expiatórias e provacionais. A própria constituição desses órgãos tem muito a ver com as origens genéticas e. Não nos referimos aqui aos quesitos das necessidades morais e sociais. que são afetadas vibratoriamente pelas ondas de energia positiva ou negativa que emite sem cessar. atacam-lhe as peças e quase sempre as vencem. porém. na emocional e na psíquica. . As provações. e até mesmo a sua morte. Em cada fase da vilegiatura. pressões de qualquer ordem. As expiações normalmente talam o ser orgânico ou psíquico de maneira irreversível. perversidade. quão discordantes em outras. contribuindo decisivamente para as manifestações de saúde ou de desconserto. Esse logros da evolução refletem-se na constituição orgânica. naqueles pertinentes à saúde e à doença. choques emocionais. muitas delas agridem esses mais intrincados conjuntos eletrônicos. com os fatores organizadores do lar. concupiscência. apenas. colônias de bactérias e microorganismos agressivos. das distonias emocionais e mentais da criatura humana. Seqüelas de várias doenças. luxúria. no corpo ou fora dele. mediante as incessantes transformações a que se encontram sujeitos. reintegrando o ser na ordem vigente do Universo. estabelecendo distúrbios que se transformam em enfermidades variadas. posteriormente. especialmente as psicossociais e econômicas. que tipificam desequilíbrios da mente e da emoção. ao erro ou ao vício. embora semelhanças profundas em umas. quão destruidores. como decorrência dos atos pretéritos de rebeldia: suicídio. produzindo perturbações funcionais e psíquicas. homicídio. Temperaturas que se alternam e ultrapassam os limites da sua resistência. O ser. Como conseqüência.

à felicidade que o indivíduo tem e merece. porém. As realizações morais geram energias positivas que anulam aquelas negativas. Trata-se de um amor preservador da paz. Entretanto. por efeito das suas más ações. porém. como através do mesmo pode mais encarcerarse. Vulgarmente. os tóxicos da ira. presença de outros complexos. do aturdimento.. a Quem não vê. desconfiança e mágoa por si mesmo. A mente deve então ser acionada de imediato para corrigir tal distúrbio. de modo a propiciar-se a saúde. Sujeito. tudo dEle esperando. agravando mais a paisagem afetada. autodesvalorização. insegurança. não obstante. Conhecidos esses efeitos como carma. o ser expressa. e mais outros. gerando patologias graves que. estimulando órgãos e células a um funcionamento harmônico. sem o que. que propiciem felicidade e paz. ansiedade. no comportamento. No vasto quadro das enfermidades. o ser considera que não merece o que lhe ocorre agora e teme pelo agravamento do mal. de inferioridade. ao carma negativo. conflitos diversos na emoção. da rebeldia e do ressentimento são introjetados no organismo. Quase sempre inseguro. tem a liberá-lo o livrearbítrio daquele que o padece. a surgirem como complexo de culpa (inconsciente). que propiciam o sofrimento de qualquer natureza.. A amorterapia tem as suas diretrizes firmadas no ensinamento evangélico. como os de superioridade. espirituais. também esse pode ser positivo e edificante conforme as realizações anteriores. como leis de causa e efeito.64 Esses quadros das ações morais geram as reações correspondentes. estando instalada nos seus refolhos como forma de desrespeito. O auto-amor induz à elevação dos sentimentos e à conquista de valores éticos que promovem o indivíduo e o iluminam interiormente. a ausência do auto-amor do paciente responde pela desarmonia que o aflige. ainda como mecanismo de fuga da responsabilidade. por espontânea escolha. a manifestação do amor ao próximo é transferência da sua sombra. ou a Deus. narcisismo. podem ser superadas mediante terapias especializadas e grande esforço pessoal. mas com o respeito e direito à vida. quando estabeleceu: — Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. da sua imagem (fracassada) que logo se transforma em decepção e amargura. o conceito de carma passou a ser aceito como imperativo afugente e reparador. Ao mesmo tempo. do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais. como a si mesmo é um imperativo que não pode ser confundido com o egoísmo. quando provacional. intelectuais para consigo mesmo. decorrente dos pensamentos auto-estimulantes. ao qual acrescenta os fantasmas da dúvida. Quando uma doença se instala no organismo físico há uma fissura no conjunto vibratório que o mantém. ausência da auto-estima. do desamor cultivado sob muitos disfarces. Nem sempre essa manifestação é consciente. proposto por Jesus. propelindo a resgates idênticos aos danos e prejuízos produzidos. que se lhe transforma em problema afugente. auto-refazentes. timidez. Quase sempre. esse carma. ou o egocentrismo. defluentes das ações infelizes pretéritas. medo. Nele estão os cuidados pelo corpo e sua preservação através dos recursos ao alcance. de Édipo. ensejando estímulos para a superação das antigas conjunturas atormentantes. Igualmente énecessário . a que ninguém foge. além dos problemas na área da saúde. de Eletra. a depender do novo direcionamento que lhe ofereça.

o auto-amor enseja o desfrutar de bem-estar. passando a constituir-se uma plenitude que se alcança no corpo e fora dele. impermanentes. auto-encontro. sustentando a saúde ou corrigindo a doença. mas um notável recurso de equilíbrio íntimo com vistas à iluminação pessoal. no entanto. morre. da qual ninguém foge. Não obstante. Por isso. porque a saúde não suporta essa duplicidade. a indução do auto-amor promove vibrações harmônicas que terminam por manter. de funções e órgãos saudáveis. propiciando-lhe saúde. Todo esse mecanismo ocorre através de fibras nervosas. Quando se vive de forma diversa à que se exterioriza. desde que estes são temporais. Há um inter-relacionamento entre mente e corpo mais sério do que parece. Na amorterapia a tensão cede lugar à confiança e amortece-se face à entrega do ser a Deus. restaurando-lhes as deficiências e recompondo a harmonia do todo. sobretudo. A saúde não é mais uma compulsória para a existência corporal. no que se refere ao fenômeno biológico terminal da matéria. de equilíbrio. procedentes do cérebro. que as comanda sob as ordens da mente. organizar ou reparar o organismo. com naturais acidentes de percurso. Nessa visão do auto-amor. relaxando os focos de desespero e ansiedade. cooperando para a estabilidade emocional. antes o caminho para a vida. Desse modo. agrediria a lei da vida que estabelece: Tudo quanto nasce. a confiança irrestrita na realidade. que regula a maior parte dos fenômenos e automatismos fisiológicos. a enfermidade e a morte não constituem fracasso do ser. Tem-se asseverado que a tensão nervosa é um dos tiranos destruidores do corpo e dos seus equipamentos. quando se fala e aparenta algo que se não faz. conquista de . auxiliando depois quem dela necessita. Esse sentimento produz otimismo. a forma como é enfrentada. A hipófise é-lhes a responsável. Não é um referencial ao gozo pessoal nem às auto-satisfações dos sentidos. já que favorece com uma mudança de comportamento mental. quando enfermo. os compressores dos nervos. se ocorresse. o que. portanto. agindo no fulcro gerador das vibrações. senão um estado sujeito a múltiplas alterações que decorrem das variantes comportamentais do ser integral e que somente será lograda plenamente após o despir dos andrajos físicos. geradores de tensão. faculta o equilíbrio propiciador da saúde. o auto-amor estimula à veracidade dos atos e das palavras. Psicologicamente o auto-amor é. que éfator preponderante para o restabelecimento do campo de energia afetado pelo transtorno. não evita que se adoeça ou que se morra. consciente ou inconscientemente. que faz bem primeiro àquele que a pratica. Os tecidos orgânicos interagem por intermédio de substâncias químicas que se movimentam na corrente sanguínea e pelos hormônios do aparelho endócrino. que é geradora de infortúnio. Com efeito. tem muito mais a ver com os seus prejuízos. isto é. há uma tendência a contrair algum tipo de enfermidade. O conceito de realidade então se altera. que recebe os estímulos mediante impulsos nervosos do hipotálamo. ensejando-se conhecimento e atividade fraternal beneficente. No auto-amor. em incessantes transformações. Esse amor terapêutico auxilia os campos vibratórios afetados pelas doenças.65 desenvolver o intelecto e a emoção para marcharem juntos como asas para largo vôo.

equilíbrio.66 consciência de si mesmo. maturidade. .

67 SÉTIMA PARTE A CONQUISTA DO SELF .

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25 A Conquista do Self
Todos necessitamos de viajar para dentro, a fim de nos descobrirmos, desidentificando-nos daquilo que nos oculta aos outros e a nós próprios. Retraídos, em atitude defensiva, por falso apoio de raciocínios incompletos, preferimos não permitir que pessoa alguma volte a magoar-nos, como outras já o fizeram no passado. Colecionamos, desse modo, ressentimentos e te-mores que nos levam a um comportamento de autopiedade, marchando para um estado patológico de autodestruição. Um enfrentamento consciente com nossas mágoas irá demonstrar-nos que elas não são verdadeiras, nem têm sentido, sendo fruto da imaturidade e da presunção do ego que se atribui merecimentos que não tem. Normalmente, o que consideramos desrespeito dos outros em relação a nós, resulta de nossa óptica equivocada ao observar os fatos, de precipitação ou mesmo de certo grau de paranóia. Constituído por estímulos, o nosso relacionamento é malsucedido, porque não sabemos produzir o encontro, quando nos acercamos de alguém. Evitando abrir-nos à relação, permanecemos suspeitosos e a nossa estimulação é negativa, provocando uma resposta de rejeição. Em processo de mudanças constantes, as pessoas são imprevisíveis, o que é muito bom, pois que esse fenômeno proporciona novos descobrimentos e correções de conceitos. Quando nos apresentamos a alguém com sinceridade, esse alguém se nos desvela com fidelidade. Um estímulo revigorante e dignificador provoca uma correspondência equivalente. Ao nos darmos a alguém, conhecido ou não, ofertamos uma parte, algo valioso de nós. Se a outra pessoa não souber responder, não há problema para nós, porque verdadeiramente somos o que expressamos, de que nos não podemos arrepender, nem nos devemos sentir magoados. Aceitar o mau humor alheio é sintonizar com ele, permitir que nos digam e imponham como devemos agir e nos comportar. A nossa contribuição à sociedade é preservar-lhe a saúde na forma do inter-relacionamento pessoal, educando os rudes e medicando os enfermos, os anti-sociais. A mágoa é conseqüência da imaturidade psicológica e a atitude retraída, desconfiada, resulta de predominância da nossa natureza animal sobre a natureza espiritual. A conquista do self com todos os seus atributos e possibilidades constitui a meta primordial da existência terrena, em cuja busca devemos investir todo o potencial humano, emocional, moral, intelectual. Considerando-nos em constante processo de crescimento, que decorre das experiências vividas e dos conhecimentos hauridos, a nossa busca do ser espiritual que somos, torna-se-nos imprescindível. A vigilância em torno das armadilhas do ego, hábil disfarçador de propósitos, constitui-nos um motivo para superá-lo, a fim de fruirmos felicidade real. Nesse sentido, a desidentificação dos apegos e paixões surge como passo

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decisivo no programa de libertação. Para o desiderato, o amor-próprio deve ser revisto, a fim de ser substituído pelo auto-amor profundo, sem resquícios egoísticos, geradores do personalismo doentio que nos leva a conflitos perfeitamente evitáveis. A reencarnação tem como objetivo a autoconquista, que propicia a realização intelecto-moral recomendada por Allan Kardec como indispensável à sabedoria, que sintetiza a aquisição do conhecimento com o amor. Quando essa meta não é alcançada, reencarna-se o ser e desencarna para retornar, em verdadeira roda de samsara, até quando as Leis estabelecem expiações lenificadoras que interrompem o círculo vicioso, para fomentar o progresso. Surge o imperativo da dor em lugar do amor, expressão inevitável para o progresso constante dos Estatutos Divinos.

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26 Mecanismos de fuga do ego
Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda, elaborando mecanismos escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa. Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para ocultar-lhe a realidade, facultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu profundo, tais como: compensação, deslocamento, projeção, introjeção e racionalização. Compensação Foi o admirável pai da Psicanálise individual, Alfred Adler, quem, percebendo que um órgão deficitário é substituído pelo seu par — um pulmão enfermo ou um rim doente —, estabeleceu que ocorre uma compensação correspondente na área psicológica. Grandes ases da cultura física tornaram-se atletas, porque buscaram compensar a fragilidade orgânica, ou algum limite, entregando-se a extenuantes exercícios que lhes facultaram alcançar as metas estabelecidas. O mesmo ocorre nas artes, na ciência com muitos dos seus paladinos. Essa compensação se enraíza nos fulcros de algum conflito, nos leva a exagerar determinada tendência como fenômeno inconsciente que nos demonstra o contrário. O excesso de devotamento a uma causa ou idéia é a compensação ao medo inconsciente de sustentá-lo. O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pensa acreditar, desse modo compensando-se. Há sempre um exagero, um superdesenvolvimento compensador, quando, de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção. O excesso de pudor, a exigência de pureza, provavelmente são compensações por exorbitantes desejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo. Sem dúvida, não se aplica à generalidade das pessoas corretas e pudicas, mas àquelas que se caracterizam pelo excesso, pela ênfase predominante que dão a essas manifestações naturais. Na compensação ocorre a formação de reação, que responde pela necessidade de um efeito psicológico contrário. Desse modo, as atitudes exageradas em qualquer área camuflam desejos inconscientes opostos. Nessa compensação psicológica, o ego exarcerbado está sempre correto e, sem piedade pela fragilidade humana, exprime-se dominador, superior aos demais, que não raro persegue com inclemência. Na distorcida visão egóica, a sua é sempre a postura certa, por isso exagera para sentir-se aliviado da tensão decorrente da incoerência entre o ego presunçoso e o eu debilitado. A compensação substituta — uma deficiência orgânica propele o indivíduo a destacar-se noutra área da saúde, sobrepondo a conquista de realce ao fator de limite — também transfere-se para o campo emocional, e o conflito de

71 ordem psicológica cede lugar ao desenvolvimento de uma outra faculdade ou expressão que se pode destacar. o ego produz um deslocamento. que situou como superego. onde a pessoa se acostumou a deslocar os sentimentos que cultivou. reprimido. A conpensação egóíca é. Todo esse mecanismo de evasão da realidade e mascaramento do ego torna a pessoa inautêntica. o ego desloca-o para reações de violência contra objetos que são quebrados ou outras pessoas não envolvidas na problemática. cumpre apresentar-se. artificial. Quando se experimenta um sentimento de revolta ou de animosidade contra alguém ou alguma coisa. uma atitude agressiva. mantém hostilidade que reprime. Um olhar. Na antiga arena romana ou nos atuais ringues de boxe se traduzem esses sentimentos recalcados. para ocultar um grave problema que não deseja enfrentar conscientemente. que se mantém contra outrem. escamoteando o ocasional fenômeno perturbador. Ao reprimi-los. de um ambiente hostil no lar. Cada criatura é o que consegue e. Face a essa postura. todo conflito não liberado retorna e. impossibilitada pelas convenções sociais ou circunstanciais de exteriorizá-la. trabalhando pelo crescimento interior mediante catarse. aceitar-se. não deslocando . e não deseja reconhecer como de natureza agressiva. também. desagradável pelo irradiar de energias repelentes que causam mal-estar nas demais. nesse ser desamparado. de maneira que evite culpa. pois que o ego procura uma vivência de qualquer acontecimento sem sentido. na convivência doméstica. são suficientes para provocar um deslocamento. se recalcado. mas que as circunstâncias não permitem expressar. ou melhor dizendo. termina por aflorar com força. Todavia. Somente uma atitude de auto-reflexão consegue despertar o indivíduo para a aceitação consciente do seu self. uma expressão destituída de mais profundo significado. Esse mecanismo é de fácil identificação. Freud havia identificado essa capacidade de censura da consciência. quando surge um impulso que a censura da consciência proibe apresentar-se sem reservas. anulando. ser aceito. sem disfarce do ego. deslocando a fúria oculta. contra a vítima momentânea. um engodo que deve ser elucidado e vencido. sabendo como e quando se pode fazer algo. Subconscientemente. face ao discernimento em torno do que conhece e experiencia. como tal. adota-se um comportamento agradável para o ego. a pessoa que apóia o dominador e pede-lhe para extinguir o contendor. há uma tendência para camuflar os significados perturbadores da vida. embora tentando ignorar o desequilíbrio que fica sob compressão. Deslocamento A consciência exerce sobre a pessoa um critério de censura. consciente dos conflitos degenerativos. gerando distúrbios mais graves. sem dúvida. Essa reação pode decorrer. uma palavra malposta. A hostilidade da criatura leva-a a reagir sempre através de motivos reais ou imaginários. Graças a compensação substituta o ego se plenifica. Nesse discernimento lúcido.

os romances imaginários. que se caracteriza como a conscientizaçào de que as qualidades das pessoas lhe pertencem. sou cego. Toda vez que alguém combate com exagerada veemência determinados traços do caráter de alguém. nas circunstâncias e lugares. a dependência das telenovelas. Essa morbidez deve ser liberada e o indivíduo tem a necessidade. eliminando as ilusões. mantendo o equilíbrio emocional através do exercício de autodescobrimento. A projeção é facilmente identificável e pode ser combatida mediante honesta aceitação de si mesmo. projeta-se nele.” Atropelara o invidente e se permitia o luxo de fazer-se vítima. a qualidade negativa que lhe é peculiar. se choca com outrem. são introjetadas nos telespectadores angustiados. Projeção A repressão inconsciente dos conflitos da personalidade leva o ego a projetá-los nos outros indivíduos. das películas cinematográficas. aceitando ser parecida com eles. tabaco e drogas outras. não obstante o .. assim projetando a animosidade que mantêm por si próprias nos outros indivíduos. sob a alegação de que não os estimam. interrogando: Você é cego?”. o modo de falar e de comportar-se. também. constituindo uma armadilha —defesa do ego. das telenovelas. de como se é. especialmente as infelizes. Há uma natural e mórbida tendência no ser humano de ignorar certas deficiências pessoais para projetá-las nos outros. Assume-lhes a forma. Pessoas existem que se dizem perturbadas pelas demais. trabalhando-se para tornar-se melhor. revelando caráter e comportamento paranóicos. ao lado dos inúmeros vícios sociais e dependências dos alcoólicos. ao que o interlocutor respondeu: Sim. que lhe cumpre atender. os hábitos. de assumir a realidade interior. Se tropeça em uma pedra na rua. há. Torna a sua vítima o espelho no qual se reflete inconscientemente. pois que tais mecanismos de fuga. Pode acontecer também que se adote o comportamento infeliz de personagens dos dramas do cotidiano. mediante as quais as personagens. A pessoa introjeta-se na vida dos heróis aos quais ama e com quem se identifica.. transferindo do eu. são traços do próprio caráter.. que o ego não deseja reconhecer como deficiente. identificando-se numa harmoniosa combinação entre o self e o ego. Na atualidade. e tentam interditar-lhes o passo. Há uma necessidade de combater nos outros o que é desagradável em si. perseguidas onde se encontram. a culpa é da administração pública municipal.72 reações para outrem e lutando contra as perturbações psicológicas. Introjeção Outro mecanismo de disfarçe do ego é a introjeção. a culpa é dele.. os traquejos e trejeitos. evadindo-se à aceitação dos erros e da responsabilidade por eles. Um jovem esbarrou noutro na rua e reagiu. A projeção alcança reações surpreendentes. o avanço. Os valores relevantes que são observados noutrem. desgostadas em toda parte. das tragédias narradas pelos periódicos.

Assim. A execução supera a razão e a mente justifica o mal. propondo o ajustamento psicológico do ser. Somente uma vontade severa e nobre. de que a racionalização tenta alterar a contextura. apenas porque se recusa a aceitar conscientemente esse mal. por negar-se o real a favor do que se imagina. gerando a perturbação psicológica. Fora disso. Ninguém pode mudar um mal em bem. e se tem em conta de que é errado. Por não admitir o que se prefere fazer ou ser. que degeneram o senso crítico. como expressão falsa do eu. terminam por alienar o ser. que lhe cumpre trabalhar para melhor. Desse modo. mesmo os mais irrefletidos e graves. há uma repulsa natural pelo mal.73 momentâneo prazer que dispensam. Essa luta. que se trava entre o intelecto e a razão. a fim de apaziguar a consciência. de integridade moral. através das razões apresentadas. para preservar o equilíbrio entre a razão e o intelecto com a emoção do bem e do justo. assume-se a máscara egóica da racionalização. do qual surgirá um bem. quando a pessoa age erradamente e a razão lhe reprocha. para si ou para outrem. que é irreal. . Essa dicotomia — o que se justifica e o que se é — torna-se um mecanismo perturbador. como racionaliza o ego em desequilíbrio. busca justificativa para tornar o mal em um bem. ao sofrimento. assumindo posturas equivocadas e perniciosas. tais mecanismos de camuflagem da realidade conduzem à alienação. As razões legítimas dos hábitos e condutas são mascaradas por alegações falsas. ao invés de ignorá-lo ou justificá-lo com a racionalização. exercendo sua força sobre os mecanismos de evasão. Sempre há uma razão para creditar-se favoravelmente os atos. torna-se um desequilíbrio psicológico. o intelecto busca uma alegação justa para reprimir o bem e prossegui na ação. Essa falta de honestidade. Racionalização A racionalização é o mecanismo de fuga de maior gravidade do ego. que não são legítimas. por buscar justificar o erro mediante aparentes motivos justos. que termina em perda de sentido existencial. A tendência humana da escolha é sempre direcionada para o bem.

reacionária à concepção. que ressurgem desde a nova concepção. o que é a sua fatalidade. peregrino que é de inumeráveis reencarnações. quais os de natureza psicogênica. levando-o da insegurança inicial ao medo perturbador. A cada ação resulta uma reação semelhante. educar-se. predominante. inscrevem-se na consciência profunda como necessidade de reparação. cuja história traz escrita nas tecelagens intrincadas da própria estrutura espiritual. desde os distúrbios gerados pelo quimismo cerebral. permitindo-lhes a imersão do inconsciente. Fatores ponderáveis. alternam-se as condutas no paciente: apatia mórbida ou pavor contínuo. até os fenômenos de natureza psicológica. e passam a trabalhar o ser real. Na psicogênese. amargurada pelas incertezas. normalmente receoso de emergir e predominar. ela funciona por automatismo da Vida. ambas de gravidade indiscutível. e colocado num meio hostil no qual tudo parece ameaçar-lhe a frágil existência.74 27 Medo e morte Os mecanismos de evasão do ego mascaram a realidade do self. tensa ante a responsabilidade. Comportamentos irregulares. por ser fenômeno automático e imediato. Com o tempo. ninguém se lhe exime aos imperativos. quando ocorrem os fatores que os despertam. onde se sente seguro. respondem pelos estados fóbicos do ser. Insinua-se o medo de forma sutil. atividades lesadoras. e os insucessos de parto. não se pode descartar a anterioridade existencial do ser. como insegurança tormentosa povoada de pesadelos hórridos. responsáveis por estados lamentáveis na criatura humana. a mãe dominadora e o pai negligente ou reciprocamente. A reencarnação é método para o Espírito aprender. tomando conta das paisagens da psique. aparentemente lógica. que levam a alucinações e impulsos incontroláveis de fuga até mediante o concurso da morte. responsáveis por desarmonias variadas. não raro esmagam a personalidade do educando durante o trânsito infantil. propiciando os . A educação no lar. ações perversas ocultas que não foram desveladas. reparando quando se compromete negativamente. em Espírito. dos estados fóbicos em geral. representando a Consciência Cósmica. Podem-se assinalar ainda outros fatores. recuperando-se quando erra. Inevitável a sua ocorrência. porém. ele assoma. predominando os choques pósnatais quando o ser é retirado do aconchego intrauterino. em mecanismo natural de evolução. Quando recalcado o efeito. portadora da mesma intensidade vibratória. decorrentes dos conflitos vivenciados pela mãe gestante. Inscritos os códigos de justiça na consciência individual. impondo as cargas de uma experiência na seguinte. agir. como de caráter preponderante na formação patológica dos comportamentos fóbicos. São inumeráveis os fatores preponderantes como predisponentes nas psicopatologias do medo. porém.

conforme a etiopatogenia do medo em cada criatura. ao mesmo tempo.. das religiões castradoras e temerárias. que deve ser enfrentado com naturalidade através do exercício da razão e da lógica. permanecendo a causa. Freud afirmava que o instinto da morte é superior ao de conservação da vida.. transfere as impressões íntimas para o exterior. o hábito das ideações elevadas. conforme as ocasiões. como curadora para o medo da morte.. e tal ocorrência éperfeitamente natural. propõe . sabe-o em processo de evolução. tendo-se em vista que o corpo é fenômeno. Nesse processo de transformações incessantes. desde o momento da concepção manifesta-se o fenômeno da transformação celular ou morte biológica. O medo é inimigo mórbido. o ser espiritual. Conhecendo o fator responsável pelo medo. Entre as várias expressões de medo ressalta o da morte. antepor-se-lhe-á a confiança nas causas positivas. pode ser considerado como desconhecido pelo Espírito. chega o momento da parada final dos equipamentos biológicos. na vilegiatura da evolução dos seres. que é a energia. povoando-a de incertezas. entrando no corpo — reencarnação — e dele saindo — desencarnação — da mesma forma que o corpo se utiliza de roupas. herança atávica dos arquétipos ancestrais. o que é perfeitamente natural. não podendo responder pelos medos e pavores que têm sido cultivados. O autodescobrimento é a terapia salutar para que sejam identificadas as causas geradoras e. Um aprofundamento mental demonstra que a morte não dói. lidando com o ser psíquico. O simples hábito de dormir. mas o estado psicológico de cada um. conforme seja constituído o seu campo de energia. que lhe são necessárias e dispensáveis. a paz interior. e este passa. às vezes patológico. da meditação. a auto-estima. Conforme o eu profundo considere a morte. quando se mergulha na inconsciência relativa. da oração. que a criatura se mata a fim de não aguardar a morte. dos horrores inomináveis que o ser humano não tem condições de digerir. A Psicologia transpessoal. que resultarão em futuros equilíbrios de fácil aquisição. ocorrerá o milagre da vida. das imagens mitológicas que desenharam no tecido social as impressões do temor. gênios do mal. O oposto igualmente se dá. afigura-se tão grave.75 estados de libertação ou sofrimento. dessa forma a enfrentará. constituem eficientes recursos curativos para o auto-encontro. O esquecimento do fenômeno. das conjunturas do desconhecido. a vida em si mesma. é uma experiência de morte que deve servir de padrão comparativo para o fim do processo biológico.. não apavora. de aspirações enobrecidas. de agradável despertar. que já o vivenciou antes. Ao lado das terapias acadêmicas. a renovação pessoal pelo otimismo. O medo da morte decorre da ignorância da realidade espiritual e do apego ao transitório físico. em relação à mesma. a conscientização de quais recursos se podem utilizar para a liberação. Não é a primeira vez que ocorre a morte do corpo. Vestindo a morte de esperança de reencontros felizes. das punições eternas para as consciências culpadas. regiões punitivas ou aniquilamento. dos cultos bárbaros. de maneira alguma. A psicoterapia preventiva. dando curso às manifestações aparvalhantes. Compreensívelmente. O pavor da morte.

76 uma conduta harmônica com os níveis superiores de consciência desperta. . avançando para a transcendência do eu. Vincular-se à Fonte da Vida Perene. Servir. Pensar e agir bem. Meditar. Causal e Terminal. como forma de ser feliz. Amar e amar-se. eis como viver sem morrer e morrer para perpetuar a vida. lúcida. beneficiando-se com o autodescobrimento e tornando-se um agente de esperança e de paz. até culminar na identificação com a Cósmica.

que desperta para os patamares superiores da existência física. desse modo. que caracterizam a individualidade pessoal no processo de evolução. os modismos. permanecendo ignorante quanto à sua realidade e aos relevantes objetivos da vida. seus jogos. a soma das suas emoções e conquistas.. por falta de estrutura psicológica para suportar a realidade. empurrar o indivíduo para o encontro claro e imediato com o si. uma incontida aspiração pelas conquistas metafísicas. o estatuído circunstancial. superando os formalismos. o eu profundo. pois que a transitoriedade da . É sempre um risco intentar-se. Qualquer tentativa de esgrimir a verdade — afinal. Extirpá-las é condenar o outro ao desamparo. a pouco e pouco. Imprescindível que se seja leal. aos quais o indivíduo se aferra. honesto para consigo mesmo. do descobrimento do significado da existência e da sua finalidade. Essa busca interior expressa-se como uma forma de insatisfação em relação ao já conseguido — os valores possuidos não preenchem mais os espaços interiores. dos complexos artifícios de fuga. As ilusões. deixando vazios emocionais. de auto-amadurecimento. estruturalmente. necessitado — sem insegurança em relação ao futuro. às personalidades esteriotipadas. O mecanismo de fuga pode constituir uma necessidade de reprimir algo para cuja manifestação o ser não se sente preparado. de inopino. desvelandose e trabalhando-se interiormente. e não consoante gostaria de ser. dar-se-á mediante terapias adequadas. A verdade é absorvida. desagradável. através da identificação dos valores reais em detrimento dos aparentes.. o exterior é mais relevante que o interior. para a aparência. A libertação.77 28 Referenciais para a identificação do si Inevitavelmente. a verdade de cada qual — pode resultar em conflito mais grave. modelam a personalidade impondo inúmeros mecanismos de sobrevivência do ego. antes é respeito ao direito de cada um viver como pode. face à vigência permanente do fenômeno da morte em ameaça contínua. são comensais da criatura. que facultarão o amadurecimento psicológico para a autoestima e o enfrentamento da realidade suportável. a verdade. portanto. as pessoas necessitam de experienciar algumas dessas escamoteações do ego. Isto não significa apoio aos comportamentos falsos. nos quais a forma é mais importante do que o conteúdo. retirar-lhe as bengalas psicológicas de apoio. uma consciência lúcida. A experiência de identificação do si é um passo avançado no processo de autodescobrimento. Os convites existenciais que propelem para o exterior. face à sua ausência de valores íntimos para reconhecer-se frágil — sem deprimir-se. O ser psicológico é. podendo sofrer um choque com o descobrimento prematuro ou alienar-se. A queda da máscara desnuda o indivíduo e nem sempre ele deseja ser visto como é — mesmo porque se ignora —. aturdido — sem esperança. que se apresenta conforme gostaria de ser e não de acordo com o si. por saber-se identificado de forma inadequada. o que é. uma necessidade de aprimoramento psicológico.

do autodescobrimento. ensejando uma visão correta em torno dos acidentes orgânicos. a realidade ambicionada. da meditação. granjeiam lugar de destaque na comunidade. estimulador. estando a exigir maior conhecimento das necessidades legítimas. de plenitude. que não mais desequilibram. A emersão do si. uma imperiosa busca de paz desvestida de adornos e de condicionais. Quando começa. facultando frustração. pode deter-se nos níveis inferiores de consciência. predominando no indivíduo. Essa conduta irregular. simultaneamente. são impeditivos para a liberação do si. a falácia e não o silêncio promovem o indivíduo. de libertação do deus interno. tal critério. A saúde emocional e mental se estabelece. a simulação e não a honestidade. recorrendo-se às terapias próprias e. nos quais a astúcia e não a sabedoria. Com estes referenciais há uma inevitável autopenetração psicológica. das ações edificantes. uma busca do si. o que se possui e qual a sua aplicação. uma transformação psicológica se opera automaticamente. sem fantasmas apavorantes ou anelos de antecipação. O self. aos recursos da oração.78 experiência física se apresenta de exíguo tempo. e característica de cristificação. adormecido pelos tóxicos e vapores da indumentária física sob a pressão das experiências humanas. Ninguém. Campeiam as psicopatologias como efeito da atitude do ego em relação ao eu. Cada logro enseja a ambição de alcançar novo patamar. A conquista do self é processo que se deve começar imediatamente. dos relacionamentos sociais. relegando a plano secundário o si. que se torna um desafio atraente. e um amplo anseio de plenitude. em razão do processo reencarnatório. Ocorre uma plena harmonia entre o viver — existência física — e a Vida — realidade total. . a escala de valores se altera e o comportamento muda de expressão. a análise do futuro e como se apresentará. e o fenômeno morte se torna perfeitamente natural. fica imerso na névoa carnal. pois. a fim de bem discernir o que se anseia e para que.

79 OITAVA PARTE SILÊNCIO INTERIOR .

Há quem tema a quietude. da mente que o analisa. os quais apenas escondem-lhes a brutalidade que passa a ter característica de civilização e cultura. em razão da falta de inteireza moral e pacificadora da própria criatura. sem encontrar o caminho para a preservação da tranqüilidade geral. de um estudo profundo a respeito do silêncio íntimo. e as Nações apenas repousam no interregno dos conflitos. mesmo quando pensa encontrar-se no rumo certo. a paz mundial ainda é uma utopia. é fruto da balbúrdia. dos interesses mesquinhos e múltiplos aos quais se aferra. Atavicamente amante do ego. Esse estado psicológico. Desde que não são capazes de se tolerarem reciprocamente em pequenos grupos. não se encontram em condições de respeitar os tratados. apega-se aos valores externos. por eles mesmos firmados. ocorre a libertação do ego e o ser se ilumina. embora disfarçando a agressividade. A essas guerras violentas sucedem os armistícios — que são pequenos períodos de repouso. Esse fenômeno resulta dos seus apegos egóicos. ao autodescobrimento. ao dar-se esta. responsável pelas disputas lamentáveis que. a objetos. são os germes das guerras. Adaptada às conquistas exteriores de fácil logro. a raças. deixando a postura de não-violência para unir-se aos beligerantes. Como decorrência. porqüanto. O universo existe em razão daquele que o observa. pessoais. de transferência e projeção da sombra da personalidade imatura. A Terra tem vivido sempre em guerra. Empenhando-se na sua conquista. Todos somos escravos da mente. Apegos morais. Vivendo uma época de conturbação nas diversas áreas. culturais. e esse comportamento se torna responsável pelos seus contínuos insucessos. como se os houvesse legítimos para a hediondez das batalhas sangrentas. capazes de conduzir à sua meta. da percepção com que o abarca. assim como da harmonia interior. A única maneira de lográ-lo. a grupos sociais.80 29 Silêncio Interior A grande problemática-desafio da criatura humana é a aquisição da paz. é viajar para dentro de si. porque os indivíduos não têm paz íntima. nos quais os litigantes recuperam as forças para novas lutas —sempre eclodindo focos de destruição decorrentes de motivos injustificáveis e de razões nenhumas. abandona os propósitos iniciais de encontrar a paz. da natureza e da vida. deterioradas. são as fugas do ego arbitrário. Desequipada dos instrumentos interiores que a harmonizariam em relação ao próximo e ao Cosmo. ambicioso e louco. domando a mente irrequieta — que os orientais chamam o “macaco louco que salta de galho em galho” — e induzi-la à reflexão. desajustando-se diante da ordem. saindo de um para outro. . É indispensável uma revisão do comportamento humano. das suas paixões e da sua volúpia pela dominação dos outros. exaspera-se com freqüência e desanima diante dos primeiros impedimentos que considera intransponíveis. tumultua-se com facilidade. emocionais. Tal sucede. raramente busca e segue os caminhos ideais. das suas fantasias douradas.

livre de algemas. Face a tal conduta. É nobre e útil quando se comunica e. cede lugar à generosidade. quando captados por este. favorecendo o entrosamento de Eros e Logos a benefício da individuação plena do ser. pelo menos na graduação humana. que resulta da identificação entre o si e o Universo. não se dá conta da realidade. constituem a consciência lúcida. fé e razão. A Psicologia Transpessoal. O silêncio interior é feito de paz e completude. marchando separadas e em oposição. quando o ser compreende o significado da sua vida e a gravidade da sua conduta em relação aos demais membros que formam o Cosmo. vinculadas. que para ele tem outros conteúdos e significados. O apego egoísta. Os conteúdos psíquicos em relação ao ego. O silêncio interior constitui o grande intermediário da paz. por si mesmo. . contribuindo para o surgimento do ser feliz. é o cósmico. Marcham. por desenvolver na criatura o sentimento de amor — por Deus. mergulhando o pensamento em Deus e realizando-se totalmente. fala e produz ruído.81 Aquele cuja mente não dispõe de tirocínio e lucidez. o nível mais elevado da consciência. facultou a união das técnicas místicas do oriente com a razão do ocidente. no entanto. estudando os estados alterados de consciência. empreende a grande experiência de viver o self em harmonia com as Leis da Vida. enquanto a Religião buscava somente religar a criatura ao Criador. Isto porque. à doação. e o silêncio torna-se de grande importância para essa conquista. em silêncio íntimo. que dessa união advém. A Ciência hoje une-se à Religião — trata-se de uma perfeita identificação do ego e do eu. agora. que vence as barreiras impeditivas da fraternidade e inunda-a com os recursos e conteúdos psíquicos libertários. pelo próximo —tornando-se este amor o produto alquímico que dilui o ódio. passando a contribuir para a felicidade humana sem enfrentamentos. torna-se grandioso se consegue viver em silêncio mental. indo além da consciência em si mesma. do Logos e de Eros — vinculando-se uma à outra. e o indivíduo. Até aqui a Ciência vinha trabalhando apenas pelo conhecimento. superado. qual ocorreu outrora através dos antagonismos absurdos.

ocupando o espaço mental. simultâneos. das circunstâncias. que é mais compacto ou mais sutil. a busca interior. por efeito. deformando a personalidade. que lhe alteram a conduta. e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo. rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento. em várias partes do corpo. que ignoram. Expressam-se essas identificações nas áreas fisiológicas — como sensações — e psicológica — como emoções. Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego. de qualquer natureza. a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro. empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade. São ruídos externos que. e esta irrealidade termina por afetar-lhe a individualidade. transformados em atos. Por outro lado. salivação e desejo de alimentar-se. A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez. as sensações predominantes nas paisagens físicas perturbam-lhe a decisão. decorrentes do ambiente. Identificando-se com as idéias que lhe são convenientes — algumas de procedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpora-as. conforme as fixações. Numa pessoa média. . as sensações produzem associações de idéias que levam a evocações insensatas. O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos. passando à posição das realidades únicas. realizações. contribui para as experiências utópicas e alienadoras. impedindo a experiência. nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade. olfativas. propiciando-lhe liberdade ou escravidão e dando nascimento ao eu. Música e perfume retornam à sensibilidade orgânica e induzem a recordações atribuladoras. auditivas. com lamentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente. não são percebidos. portadora de consciência. imagens visuais arquivadas. produzindo estados profundamente perturbadores. a legítima Realidade.82 30 Desidentificação Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. e que assomam no silêncio. os vícios a que se aferra. caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente. desviando a atenção da meta que busca. São as substâncias que respondem pelo comportamento do ser. a ilusão e os engodos se estruturam. que provoca o apetite. que se entorpece e se engana. com as quais convive em regime de escravidão. tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora. tornam-se as substâncias que formam a personalidade doentia. que se adapta aos fatores dissolventes. coceiras e comichões que surgem. olfação excitada. e reminiscências das existências passadas. aparentemente esquecidas. o encontro com o Eu profundo. as vibrações que dimanam da sua causalidade. São sensações visuais. tácteis. em outras circunstâncias. experiências. sem a nobre conquista do discernimento e da vivência compatível. gustativas. Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima. na concentração. Sem dúvida.

responsável pela saúde psíquica e emocional. já que todo espaço deve ser preenchido — do exercício disciplinado dos pensamentos. que passam a ser diluídas. Como conseqüência. o silêncio interior consciente. mais amplas descobertas são logradas nas áreas das identificações. proporciona bem-estar. a da consciência plena.83 A atividade de desidentificação. passando à alteração dos prazeres e gozos ilusórios que devem ceder lugar àqueles que se expressam como manifestação da Realidade plenificadora. predispõe o ser ao crescimento das aspirações e ao esforço dos ideais de enobrecimento. pelo menos na área humana. por isso mesmo. ocorrerá a libertação dos vícios e fixações. Mediante a mudança dos hábitos mentais. A medida que a consciência se desenovela dos impedimentos psíquicos. permitindo-a fulgir qual estrela poderosa no velário da noite transparente. da essência para a substância. portanto. as identificações deverão ser liberadas de dentro para fora. Como envoltórios concêntricos que asfixiam as irradiações do Eu real. Nessa fase de desidentificação e lucidez plena. a consciência predispõe-se à conquista do estágio mais elevado. faculta alegria. A consciência desidentificada com a personalidade fragmentada. . Essa conquista. do cultivo das idéias — substituindo as perturbadoras por outras saudáveis. desidentificando-se da conduta tormentosa. que é a sua harmonização total com a de natureza Cósmica. torna-se urgente. enfermiça.

os estados alterados demonstram que muitos desses conteúdos negativos. sem desidentificar-se dos conteúdos fixados. a meditação é uma terapia valiosa para superar os conteúdos negativos. no qual confunde o eu com o objeto. seja no orientalismo ou na Psicologia Trans-pessoal. A Psicologia espírita. De forma penosa. distingue . A Psicologia tradicional. é a fragilidade do Eu profundo ante as exigências do ego atormentado. a nova natureza do ser. vai adquirindo outros valores. em recorrer à terapia da meditação. considerando patológicos os níveis superiores. as transferências metafísicas. avançando para a transferência desse conteúdo para outro nível de discernimento e direcionamento. Desaparece a fragmentação da Unidade e o equilíbrio transpessoal sincroniza com a Consciência Universal. Em razão disso. preenche os vazios causados pela insatisfação. No processo de evolução. o homem guarda as primeiras expressões da consciência em nível inferior. apegos. portanto. Todos os formuladores da consciência superior são unânimes. da prevalência dos conteúdos negativos. da concentração. a libertação dos conteúdos negativos — paixões dissolventes. emergentes e predominantes.84 31 Libertação dos conteúdos negativos Graças ao atavismo predominante em sua natureza. e. a princípio parece deslocada e diferenciada. assomarão como recursos elevados. procedem das reencarnações passadas. o eu deixa de ser mais eu. para ser uma síntese e vibrar em harmonia com o Todo. que somente as disciplinas do esforço. da meditação para a ação. e a sua é somente uma percepção sensorial. não foram liberados. no futuro. porque estagia nas faixas do instinto que o submete. A identificação com o próprio corpo propicia-lhe uma consciência orgânica. anula o eu corporal — rico das necessidades dos sentidos — para despertar os ideais subjetivos. ilusões. conseguem libertar. sentimentos inferiores — faculta os anseios pelas conquistas de outros níveis. longe. por desinteresse de penetrar nos estados alterados da consciência. que faculta o autoconhecimento. gerando projeções da sombra e desarticulando os projetos de paz. define cada um deles com nomenclatura especial. por sua vez. deformada. nos quais o bem-estar e a paz formam os novos hábitos. de que se libera a pouco e pouco. nem conseguiram diluir-se através das ações enobrecedoras. cuidando do homem integral. No entanto. com o objetivo de liberar o inconsciente. Todos os conteúdos primitivos provêm de realizações e fixações sempre anteriores. o Deus em nós do conceito evangélico reflete-se nessa percepção embrionária. representando a Cósmica. gerar novas formulações e identificações atuais que. A característica fundamental do nível inferior. que se desenvolverá na sucessão das experiências até liberar-se e alcançar a totalidade. não raro. No nível de consciência inferior. que levariam à constatação do ser preexistente ao corpo como sobrevivente à morte. em razão dos quais a marcha se lhe torna muito lenta. No nível de consciência superior. A consciência individual. ainda. ao invés de esmagá-lo ou asfixiá-lo. de o conscientizar.

sendo necessário que os psicoterapeutas vigilantes insistam junto a esses pacientes em que se descubram e encontrem os benefícios dos níveis superiores. mesmo durante o trânsito terrestre. no qual se torna inacessível à indução perversa.85 também nos conteúdos psíquicos. vários fenômenos patológicos e preferências emocionais. Ao mesmo tempo. o conhecimento da sobrevivência e do interrelacionamento entre os seres das duas esferas — física e espiritual — oferece processos liberativos centrados sempre na transformação moral do paciente. e consciência enriquecida pelos conteúdos superiores significa plenitude. sua renovação interior e suas ações edificantes. interferem para que sejam mantidos. seres outros desencarnados. apressando a marcha na razão direta em que vence tais patamares e descobre a excelência das conquistas com que se enriquece. negativos. ignorância. reino dos céus. O homem avança no rumo da sua destinação. nessa fase. propiciando desconforto e aflição em desforços cruéis. propiciando a transferência para o nível superior. por desinteresse. a ingerência de mentes desencarnadas obsessoras. que se comprazem no intercâmbio perturbador. são relevantes e cientificamente basilares para o processo de crescimento. mediante alienações de variados cursos. que facultam o discernimento entre o bem e o mal. A meditação. invejosos quão infelizes. . de discernimento. perturbadoras. a passo vagaroso nos primeiros níveis de consciência. vinculados às criaturas humanas por afetividade mórbida ou despeito cruento. no entanto. de lucidez. a busca interna. Na psicoterapia espírita. Libertação é felicidade. A libertação dos conteúdos negativos é inevitável. estabelecem fenômenos de hipnose que retardam o desenvolvimento da consciência daqueles que lhes experimentam o cerco.

assim alargando os campos do entendimento das personalidades conflitivas. especialmente nos dois primeiros estágios de adormecimento. variando de escola e estágio. levantam-lhe a cartografia que. com os seus complexos contributos psicológicos e cosmológicos místicos. das áreas das ciências psíquicas. Somente a consciência de si propiciar-lhe-á a visão diferenciadora dos fenômenos perturbadores. despertando na amargura. sob conflitos que não tem condições de administrar.. estudando carinhosamente as reações cerebrais. transfere-se das coisas e prisões egóicas para a conquista da sua realidade: o desenvolvimento do Eu profundo que deve predominar comandando os anelos e programas de libertação. de transcendência do eu e de consciência cósmica. e as oportunidades se deparam convidativas. a vida assume características variadas.86 32 O Essencial Face ao inevitável processo de crescimento do Eu profundo. ansiedade. que somente se consegue a penosos esforços.. conforme as suas experiências vivenciais na busca da saúde real. de sono com sonho. cultivando os valores pessoais. formulou as bases e os paradigmas da sua Psicologia Criativa. O apego. que se torna de difícil verbalização . em relação àqueloutros de plenificação. na Itália. Posteriormente. às vezes. permanece-lhe em plano secundário na paisagem psicológica das aspirações conflitivas. acenando com a libertação. o ser projeta-se no mundo com o qual se identifica. enquanto Freud fundamentava a Psicanálise e a difundia. sob os camartelos do tempo degenerador e da frustração tormentosa. O essencial. o bioquímico Robert De Ropp. quase sempre desequilibrando-se e passando a estados neuróticos de insatisfação. logra-se o avanço pelos diversos patamares. de sono acordado. de um para outro nível. a que pretende dar perenidade. Desejando ampliar o campo da análise dos seus pacientes. começou a trabalhar na organização da Psicossíntese. até a etapa final. porque defrontava com dificuldades para aplicar. medo ou a alucinações variadas. o homem evolve de maneira inesperada. segue os mesmos processos de desenvolvimento que são compatíveis com o crescimento do ser. Roberto Assagioli. na qual encontrou mais amplos recursos terapêuticos para liberá-los. De Ropp classificou os níveis de consciência em cinco estágios: consciência de sono sem sonhos. essa fixação perturbadora à ímpermanência. Para ele. em tentativas de desvencilhamento da situação psicológica infantil. Na fase inicial da predominância egocêntrica. À medida que amadurece. constitui-lhe a meta existencial. Em tentativas brilhantes e sucessivas de penetrar os níveis. entre outras experiências. em alguns deles.. quase sempre. narcisistas. e buscando produzir estados alterados de consciência. Buscando interpretar o mestre russo. aprisionando-se no emaranhado das coisas exteriores.. Mais tarde. com os quais se engolfa. Mediante psicoterapia acurada e exercícios cuidadosos. as recomendações da doutrina que absorvera do mestre vienense. avança para a posição egoísta. inspirando-se nas experiências de George Ivanovitch Gurdjieff. os patamares da consciência. psicólogos e estudiosos outros.

a vontade desempenha um papel relevante. — e os reveladores — que dizem respeito à parcial libertação do Espírito quando o corpo está em repouso. o sono com sonhos. os pavores — para os da libído — ação dos estímulos sexuais (*) Vide: Rumo às estrelas — Luis C. circulação sanguínea.. que é a descoberta da transcendência do eu. No primeiro nível — quando se transita no sono sem sonhos — apenas os fenômenos orgânicos automáticos se exteriorizam. amadurecendo o essencial à vida e selecionando-o do amontoado egóico do supérfluo. mediante as leis de causa e efeito. o pensamento divino. e a ausência de vontade do indivíduo contribui para o seu trânsito lento do instinto aos pródromos da razão. conduz o ser aos ideais de enobrecimento. aliada à vontade. a partir daí. em esforço contínuo poderão fazê-lo. não obstante. nesse momento de perfeita integração com o que poderíamos chamar o Logos. perturbações. Como se estivesse anestesiada. assim mesmo sem o conhecimento da consciência. será realizado através das reencarnações que lhes facultarão a vitória sobre os carmas negativos e. a identificação consigo mesmo. Jesus ..87 face às emoções e descobrimentos conseguidos. ela não tem ação lúcida sobre os acontecimentos em torno da própria existência. por não os poder digerir. . quando ele analisa os níveis que diferenciam os indivíduos na imensa mole humana. porém. Em qualquer nível.. A superação dos conflitos. beneficiando-os ou afligindo-os com as sombras que lhes permanecem dominadoras. passo a passo.Nota da Autora espiritual. seu real objetivo psicológico existencial. Psicoterapeuta Excepcional com a Sua visão realista e criativa.. realizando a harmonia íntima com os ideais superiores. a reencarnação aclara a cartografia da consciência de De Ropp. porém. o de sono acordado. As experiências acumuladas promovem ou retêm o indivíduo nos fenômenos decorrentes das ações praticadas. Nem sempre. Postiglioni — Capítulo 20 — Espíritos diversos — Instituto de Difusão Espírita. e a próxima é a meta da vinculação com a consciência cósmica. No segundo nível. à descoberta da finalidade da sua existência. digestão. passando pelas fases dramáticas — os pesadelos. às aspirações do que lhe é essencial. O desenvolvimento da consciência atinge o terceiro nível. o homem e a mulher conseguem alcançar esse nível ideal. na condição de resíduos espirituais. impulsionando o ser a novas realizações e conquistas completadoras que enriquecem o arsenal psicológico. a desidentificação dos conteúdos psicológicos afugentes. estados psicopatológicos. com a conseqüente liberação do Eu profundo. Médiuns e Mediunidade — Espírito Vianna de Carvalho — Capítulo 5 — Editora Arte e Cultura. fenômeno que. ascende ao quarto estado. das angústias. transforma-os em conflitos. A consciência filtra-os e. ele libera clichês e lentamente incorpora-os à realidade. tais: respiração. permitem a iluminação. reprodução. à realização total. ao auto-encontro. requerendo terapias especializadas e contínuas. a partir do sono com sonhos. no qual a determinação pessoal. Naturalmente. Da mesma forma.

resultando na conquista do Eu profundo em sintonia com a Consciência Cósmica.88 definiu a necessidade de buscar-se primeiro o reino dos Céus. ao se adquirir o essencial. E óbvio que. todas as coisas perdem o significado. pois que esse fanal ensejaria a conquista de todas as outras coisas. . por se encontrarem destituídas de valor face ao que somente é fundamental. na ação edificante o meio de crescimento e na oração fortalecedora a energia que proporciona o desiderato. Outrossim. Esse desempenho favorece a perfeita identificação do sentimento com o conhecimento. alertou sobre o imperativo de fazer-se ao próximo o que se gostaria que este lhe fizesse. fixando no amor o processo de libertação.

89 NONA PARTE A FELICIDADE .

mas antes se encontrado tediosas. os seus sentimentos e emoções. o significado da vida centra-se na busca e no encontro da felicidade. A felicidade. inadvertidamente considerados o seu logro. que perdem o significado quando se alteram os fatores que a constituem. de prazeres e gozos que interpreta como a busca plenificadora da felicidade. os de natureza cultural. em quantidade. em cujo bojo fermentam muitas desgraças. o ócio e o poder.90 33 Prazer e gozo O sentido. em determinada época da existência. A diferença. Esses fatores estabelecem as diferenças de qualidade do que é ser feliz. e o tédio é. um dos seus grandes opostos. de horas assim vividas. o prazer. e observada mais tarde apresenta-se desagradável. atavismo que lega ao indivíduo o meio social de onde se origina e no qual se encontra. entre o que supõe ser e a sua realidade. dimensiona o seu quadro de desejos. religioso. torna-se difícil de ser lograda e. a auto-doação. a juvenil. ou as suas mais elevadas aspirações idealistas. a felicidade tem a ver com a identificação do indivíduo com os seus sentidos e sensações. ansiedade ou depressão. sem que se hajam considerado felizes. O nível de consciência e o amadurecimento psicológico estabelecem os graus nos quais se expressa. por exemplo. Constitui o mais freqüente desafio existencial responsável pelas contínuas realizações humanas. O sonho humano da felicidade é róseo. não correspondem ao sentido profundo. no ciclo idealista. muda completamente em outro período. não raro. em . por isso. A visão da felicidade é sempre distorcida. A interpretação equivocada conduz a buscas irreais. levando o indivíduo a considerar que. assinalado pelo conforto. de magnitude que ela reveste. o prazer derrapa em paixões possessivas. Certamente as pessoas ricas dispõem. conseguida. com a verdade. que dão margem a tragédias e angústias logo estejam saciados. no período dos sentimentos. no entanto. artísticas. demonstrando que as aspirações de uns nem sempre correspondem às de outros. Na fase dos sentidos. culturais. diferindo de conteúdo entre as pessoas em si mesmas e os grupos sociais. quando não se encontra feliz. assinalando-se esses momentos como de felicidade que. sem dúvida. religiosas. Assim. o que é uma conclusão incorreta. face às variações que impõem nos grupos e nos seres humanos. de nível de consciência e de maturidade psicológica. A imaturidade psicológica de uma fase. entre outros. graças aos quais se desfrutaria de bem-estar e gozo. descaracterizase. Confundida com o prazer. os estados de felicidade. é necessário que se entenda que a felicidade tem a ver com o que o indivíduo é e com o que ele pensa ser. predispõe a uma aspiração de felicidade que. a busca transpessoal fomenta a autodescoberta. muito complexa. fazendo-se frustrante e atormentadora. transcendental. perturbadora. as realizações plenificadoras. Por essa razão. Perseguindo-se o gozo. A sua visão. logo desaparece. o gozo se transforma depois de fruido em insatisfação. A felicidade se expressa mediante vários requisitos. algo não está bem. a auto-realização. experimenta-se alegria toda vez que são alcançados.

entregando-se a macerações que ocultam gozos patológicos ou a narcisismos. da vida. com o eu profundo. que deve solucionar as dificuldades. a consciência de culpa conspira contra a realização da felicidade. rebaixando-os ao nível das sensações. que podemos considerar como sendo inibição. Essa busca é diferente da ambição de ser virtuoso. por constituírem fenômenos da experiência humana. que não compreendidos e aceitos com equilíbrio conduzem à infelicidade. saturando-os ou desbordando-os. ou mesmo o prazer. nessa ocorrência. encarando-a como instrumento de promoção do ser em relação à vida. sem os condimentos do prazer embutidos na fuga psicológica que as falseiam. gerando ansiedade e desconforto. Essa busca. afogando ali os ideais mais altos na denominada opção realista. Na busca da felicidade são inevitáveis os estágios de sofrimento e de prazer. superando os seus mecanismos desgastantes e as ocorrências degenerativas. O lamentável. mediante afirmação religiosa ou. há quem afirme que a felicidade tem a ver com o princípio freudiano do prazer. à proporção que se apresentem. Quando reais. após satisfazê-lo. alargando-se o campo do idealismo e da identificação com a deidade. o desconforto. tem lugar com o surgimento e instalação do tormentoso sentimento de culpa. a medida que se alcancem as bases objetivadas da realização plenificadora. que irão cedendo lugar à harmonia e ao bem-estar. Lentamente desaparece a frustração da vida cotidiana. a felicidade não se radica na satisfação de qualquer desejo do ego. qual ocorre com qualquer outra. na qual mascara o ego e apresenta-o.. sem o estigma do sofrimento. essas expressões de virtude são ignoradas pelo próprio candidato em quem são naturais. da Terra. Tão arraigada se encontra no ser humano. dos seres. A princípio.91 serviços desinteressados de libertação do ego e participação na vida. Há um mecanismo castrador impeditivo da experiência do prazer. viver e morrer. em manifestação psicológica. Surge então a compreensão transpessoal da existência. Para que a identificação do indivíduo com a sua busca de serviço seja legítima. masoquistas-exibicionistas. Considerá-la como um fenômeno natural do processo de evolução. cuja claridade está distante. Apressadamente. que toda vez que as . Da mesma maneira. que entretanto consome os sentimentos e perturba as emoções. amar e ser amado. Além dele. manifesta-se com veemência. em mecanismos de evasão da realidade para planos egóicos. de tal forma que não haverá diferença entre dar e receber. nessa busca surgirão o sofrimento. a dor não pode ser evitada. a uma busca mais profunda. busca-se o oceano do gozo. o caminho da busca se afigura escuro qual um túnel. Não obstante. da realização do self desidentificando-se do ego.. individual como coletiva. desidentificada com os condicionamentos passados com pessoas e coisas. mas que se torna maior quanto mais se lhe acerca da saída. que nega inconscientemente ao indivíduo o direito de fruir a felicidade. eis uma forma eficaz de lograr a alegria. Para fugir-lhe à imposição. e que através desse comportamento se poderiam satisfazer as necessidades e evitar a dor. porqüanto. é realizada com a mente. e o desejo egóico cede lugar à aspiração espiritual. Provavelmente. eliminando o sofrimento perturbador. há uma perfeita união com o self. com aparência de humildade e renúncia. tratando-se de um contínuo e lúcido trabalho interno.

levando-o a tormentos quando não se encontra produzindo algo concreto. são estímulos para a criatividade. torna-se necessária uma tomada de consciência de si mesmo. para a atividade estressante. Tal inibição. conduta irregular. da meditação. cujas energias serão canalizadas para a conquista da felicidade. meio social asfixiante. Para desarticular es se mecanismo conflitador.92 circunstâncias propiciam a presença do prazer — a pessoa crê não merecer desfrutá-lo — ou da felicidade — o indivíduo receia vivê-la. do self profundo. portanto patológica. que se constituem tônicos revigorantes para as ações geradoras da felicidade e dos quais todos podem e devem dispor quanto aprouver. um abençoado campo de idealismo através da prece. tampouco. associada ao sentimento de culpa. de ócio. Há todo um rico arsenal desportivo. deve superar e mesmo arrebentar as resistências inibidoras. impedindo-o de fruir momentos de recreação. a autorealização. o que se lhe torna uma necessidade compulsiva. castiga o ser. a conversação. Essa busca. procurando descobrir a fonte geradora da inibição. . que pode ter origem na conduta infantil — educação coercitiva. enriquecidos de prazeres mais amplos. exagero de paixões. não se permitindo experienciá-la — surge o temor de que algo mau sucederá. exclusivamente. família dominadora — ou proceder de reencarnações passadas — uso incorreto do livrearbítrio. do controle da mente. Esses interregnos nas atividades. Certamente não se deve viver para a ociosidade dourada. um infinito painel de belezas naturais convidativas. para a psicoterapia libertadora conveniente. a libertação de cargas psicológicas compressivas. o sentimento de culpa. a arte. um sem-número de estesias mediante a leitura.

93 34 Felicidade em si mesma Considerando a felicidade como sendo a harmonia entre o ego e o self. a transitoriedade do ser existencial. Em prazer ou em sofrimento. Quando se adquire a consciência da unidade e da valorização de si mesmo. logo são alcançadas. em nada a afeta. o descobrimento dos valores profundos do ser e a consciência da sua legitimidade que induz a conquistá-los. conscientizando-se do continuum no qual se encontra mergulhado. o que se constitui essencial numa faixa etária. superando-se uns anseios e surgindo outros. mas se está isso. eleger os métodos da plenificação interior torna-se o próximo passo nessa busca desafiadora. O empenho para a busca da felicidade conduz àeleição de objetivos fora do mundo físico. responsável por arrependimentos e angústias insuportáveis. transformando-se em tédio. nem como se encontra. Esse estado impermanente é trânsito para o que se será. sem abandono da meta transpessoal. alteram-se os objetivos da busca. os valores sensuais tendem a produzir vazio. no seu contínuo vir-a-ser. odiá-lo. Quem coloque a felicidade como sendo a conquista de títulos e triunfos mundanos. não é necessário alienar-se do mundo. De acordo com as mudanças e realizações culturais. e as conquistas existencialistas perdem os seus conteúdos. sem a presunção narcisista do excesso de auto-importância. porque. . desenvolve-se interiormente. Parte da Unidade Universal e individual nela. no entanto. não se é isso. como degraus vencidos na ascensão que levará ao patamar da felicidade. avança-se na busca. destaque social e poder. prazenteiros ou não. acende-se a luz da determinação de fazer-se feliz em quaisquer circunstâncias. Jesus definiu com segurança o conceito pleno de felicidade. o ser humano pode desfrutar dos fenômenos existenciais. Por isso. A sua ausência. tendo em vista a impermanência da vida física. A meta além do mundo se estabelece como prioritária. no conteúdo do pensamento meu reino não é deste mundo. terrestre. na vida terrestre. Todavia. não saiu da periferia imediatista dos prazeres sensuais. por estar acima das sensações e emoções imediatas. que respondem pela competitividade e pelo desequilíbrio da emoção. em constante transformação. em todos os momentos. A criatura não é o que se apresenta. noutra se transforma em pesada carga. desfrutar de privilégios e dinheiro. para conseguir por meio de transferências e fugas psicológicas. Embora a felicidade não dependa do prazer. o prazer bem estruturado é-lhe caminho.

depende muito do amor. ela é o amar. Esse sentido da vida. essa finalidade induz a sacrifícios de bens. fazendo-se que sejam retiradas as máscaras e as sujeições. sem imposições nem paixões egóicas. Além desses. é que a felicidade se estabelece. o bom direcionamento da mente. enquanto na conjuntura carnal.. nos seus vários aspectos. Para esse amor de plenitude torna-se indispensável uma entrega autêntica. como o orgasmo. resultante. o que deu origem aos de natureza material. já que não se pode dissociá-los. como metas felizes. às fugas espetaculosas para os alcoólicos. o relacionamento proporciona um bem-estar igualmente físico e espiritual.. estabeleceu-se que a felicidade resulta do triunfo em qualquer área e dos prazeres de rápido deleite. variações de moda. mediante a criatividade. Porque esse amor não tem apego. que consegue alterar para melhor a compreensão do mundo. portanto faz-se libertador. Somente quando há uma reciprocidade honesta nesses relacionamentos. qual mirífica luz que. sem lhe ser causalidade. convertendo-se em tormentos — conscientes ou não — geradores de conflitos por competitividade. mais se potencializa. os prazeres emocionais. Esse contributo do amor preserva também o equilíbrio mental. que induzem aos relacionamentos humanos. de lideranças e representações sociais. como mecanismo completador da harmonia pessoal.. possuir a capacidade de amar plenamente. que pode estar embutido nele. sem subterfúgios. . promocionais. em se expandindo. não tenta modificar os outros e sempre se aprimora. embora seja contributivo. tabaco ou depressões profundas. surgem. sem o qual a felicidade se torna uma utopia paranóica. drogas aditivas. Nesse passo alcança-se. especialmente a de natureza psicológica. ensejando o prazer emocional e transpessoal.. Apesar do bem-estar que proporcionam. Nesse caso. não se magoa nem se impacienta — irradia-se. Essas metas. também têm o sentido do efêmero. portanto sensuais. quando o intercâmbio se expressa leal e afetivo. Esse amor não pede e sempre doa. riquezas. desde a alimentação aos relaxantes banhos. o êxito com todo refinamento de sucedâneos. que não preenchem os vazios interiores. como diante do inevitável desgaste corporal face à idade e àdoença. sem aparências. nunca é possessivo. visto que. cedem lugar a outros anseios. portadoras de grande valorização para o ego.94 35 Condições de felicidade Como decorrência de uma visão caótica e pessimista da vida. A felicidade se estabelece quando os dois níveis — físico e mental — harmonizam-se. não se confundindo com a busca do relacionamento sexual. porqüanto nada espera em retribuição. O prazer que gera na comunhão dos sentidos não éfundamental. que são gratificantes. massagens. políticas. frivolidades. tão rápidos são os relacionamentos. conjugais. e perturbadores os status humanos. o prazer mental. infinito. religiosas. A saúde. do ponto de vista psicológico transpessoal. econômicas. não se rebela nem se decepciona. emocional. o dinheiro. quase sempre dos relacionamentos íntimos.

como dos conflitos. especialmente psicológico. Certas constrições e castrações. que deveriam ser mais considerados. biologicamente. graças aos quais deve amadurecer emocionalmente e dispor-se para a auto-realização. psicologicamente. não essencial à felicidade. sob aquelas negativas. com a terceira idade. em uma visão transpessoal da vida e do ser. nessa fase que se definem os rumos futuros do comportamento. do significado à busca da felicidade. convivendo com os fatores que merece. as inibições e pavores infantis geram inegavelmente tormentos que surgem e ressurgem em todos os demais períodos da existência. à vida e aos seus valores. merecendo. especialmente se as vivências são conflitivas. para a entrega à inspiração. no entanto. Os períodos infantil e adolescente são decisivos na existência. às realizações no campo pessoal. ou à cultura. seria um período sem traumas. cada um traz consigo as predisposições comportamentais e cármicas para a atual experiência. Mesmo nas infâncias assinaladas por dificuldades. qual for a herança infantil que se carregue.95 relacionamentos. feliz ou desventurada. e sua aceitação. consegue-se dar o passo primeiro para a conquista da felicidade que logo virá. uma infância rósea é fator positivo. que levam à independência pessoal. próprias para a libertação. as recordações infantis positivas ficam submersas. Avançando-se terapeuticamente para a libertação dos traumas. com vistas ao bem da humanidade. adolescência. idade da razão — ocorre como se fora um parto com dor. o relacionamento com a mãe. os problemas existenciais podem perturbar a identidade. Assim. com a fixação dos propósitos e logros de saúde emocional. favorecendo conflitos compreensíveis. Seja. Tal prazer não se restringe apenas à arte em si mesma. que cultivam. E. culminando. quando se dá a morte do invólucro carnal. à superação do ego. têm a ver com a estrutura profunda do self. que predomina em a natureza humana. quando o ser é frágil. que são inerentes a essa fase. há muita beleza a recordar e momentos inesquecíveis. Qualquer tipo de crescimento. redunda em sofrimento emocional. necessitando-se de psicoterapias emocionais e espirituais. Nos períodos de formação da personalidade — infância e juventude — é . espiritualmente. e todas as pessoas passam por dificuldades e crises durante a formação da personalidade. Mesmo essa ocorrência. Trata-se de um atavismo masoquista inconsciente. a realidade do Espírito. do que os outros. com o conseqüente crescimento. Apesar disso. exceção feita às personalidades psicopatas e arredias. e sem experiências desafiadoras. A libertação de uma fase — infantil. em razão da valorização do desagradável marcar mais o ser. Naturalmente. porém. mais intensidade de reidentificação com o self. os conflitos de que padecem. porém. nesse caso. reside na evocação dos acontecimentos infantis menos felizes. Um dos pontos-chave da desdita. que ressumam freqüentemente em ressentimentos e torturas. Sem dúvida. Nem todos logram vencer as tensões internas e externas que se estabelecem a partir de então. a busca da felicidade não deve sofrer solução de continuidade. A crença indevida de que a infância tranqüila. no seu mutismo ou exacerbação. nem sempre corresponde à realidade. porém. descuidada. sem preocupações.

solucionados. que passa a administrar com equilíbrio. a constatação do tudo efêmero impulsiona o ser na direção da felicidade. A partir daí. que são as condições essenciais para culminar no encontro. Nesse período. Nessa fase de indefinição. o indivíduo irradia do mundo interior o bem-estar e passa a fruir de felicidade. identificando os valores sociais e econômicos. a idade da razão pode apresentar-se atemorizante e perturbada por contínuas crises existenciais. a oração faz-se natural e a meditação é um reconforto normal. Sem eles. Constatar que as conquistas feitas não são plenificadoras.96 comum orientar-se o educando para as conquistas externas a qualquer preço. Amadurecendo. e é nesse nível de consciência que a busca alcança os patamares elevados do amor desinteressado. não raro em detrimento da realização interior. não se perturbando. sem pensarem na realização pessoal dos seus dependentes. Diante disso. Somente quando são estabelecidas metas de triunfo íntimo. . educadores e chefes. Isto não o impede de ter problemas. O triunfo e o fracasso externo também produzem a mesma frustração e incompletude. defrauda as aspirações e tira o sentido da vida. a reflexão se torna freqüente. muitos indivíduos são induzidos a satisfazer as ambições malogradas ou vitoriosas dos seus pais. é que se alcança a correta identificação do ser com os lídimos objetivos da reencarnação. nem se deprimindo com eles. alunos e subordinados. da paz íntima e da realização espiritual. São os problemas. como exercícios. que proporcionam maturidade e harmonia íntima. Essa conduta é responsável por muitos conflitos. torna-se improvável o êxito. que impedem um discernimento claro do que seja realmente a felicidade. que projetam sua sombra nos filhos.

O encontro com a vida espiritual pujante se torna uma perene fonte de alegria. no entanto. de forma persistente e natural. facultando-lhe a conquista do conhecimento — a sabedoria que decorre da informação e da ação do amor — que o projeta em outras dimensões do Espírito. mediante o silêncio da mente e a calma dos anseios do corpo. . propiciam o manifestar da felicidade. a identificação com a unidade. o que é fator de triunfo ou não. portanto. é a responsável final pela felicidade. é necessário que seja adquirido o nível de consciência do Espírito. mediante a felicidade. de acordo com o investimento da razão. portanto. uma forma de viver e.97 36 Plenificação pela felicidade Todo cometimento decorre da planificação mental. A felicidade é. até tornar-se realidade. Para a plenificação do ser. o treinamento mental e emocional torna-se preponderante. a fim de facultar o nível de consciência compatível. em todo o painel da existência. e isto começa quando se descobre e se atenta para o que realmente se deseja da vida além dos níveis imediatos do gozo e do prazer. No começo é apenas vislumbrada. sentidos e amados como são. para que se torne permanente. e a sua percepção da realidade aumenta. pois que se tornaria um engodo proposto e conseguido pelo inconsciente. A consciência. intuída. Com a mente e a emoção tranqüilas. o self é penetrado em profundidade. permitindo uma entrega consciente ao self plenificador. o resultado da indução externa ou de uma auto-sugestão. Não seja a felicidade. a bem-aventurança. iluminada. refletindo-se em todas as coisas e pessoas. que são as expressões máximas da felicidade. Todos os seres humanos têm direito à felicidade e devem fruí-la. gerando o campo para a capacitação intuitiva. o ser alcança a paranormalidade superior e inter-relaciona-se com os seres de faixas espirituais mais elevadas. A intimidade. Com ela. sem a necessidade de alienação do mundo. vivendo no corpo e fora dele em plenitude. tudo e todos devem ser vistos. experimenta-se o prazer transpessoal plenificador. Agigantando-se a consciência. Com a visão transpessoal da felicidade. Assim alcança a iluminação. Não há vitória sem esforço. desde as suas mínimas expressões às mais grandiosas. A consciência os absorve com a sua estrutura.

98 DÉCIMA PARTE CONQUISTA DE SI MESMO .

não obstante possam estar projetados na sociedade e até mesmo bem considerados por ela. desde o ato de coçar-se. Estar desperto é encontrar-se participe da vida. nas quais chafurda até a exaustão.. tudo realizando com integral lucidez. para aquelas que enganam. preenchidos pelo desejo veemente de adquirir lucidez. até o de superar o cansaço com o seu séquito de indisposições orgânicas e psíquicas. Tudo quanto faz. psicologicamente adormecidos. quando concentrado. não consegue deter-se em uma demorada análise de si mesmo. antes lúcida. A fixação do despertamento resulta dos insistentes e contínuos espaços da mente. para a aquisição do repouso físico. O despertamento retira o véu da ilusão e faculta a percepção da realidade não fugidia. em uma análise feliz a respeito do homem. qualquer projeção no tempo constitui-lhe sacrifício vão. olvidando as qualidades superiores que propiciam realmente a felicidade. Os indivíduos.99 37 O homem consciente Gurdieff. aquela que precede a forma e permanece depois da sua disjunção. embora atormentado pelo desejo de novos prazeres. . porqüanto não se dispõe a levar adiante a proposta inicial de realização demorada. estuante. Despertar significa identificar novos recursos ao alcance. porque precedido de conhecimento do seu objetivo. apaixonando-o e levando-o às conquistas vazias das coisas que não proporcionam mais do que o breve bem-estar da volúpia egoística do momento. que assomam em forma de pesadelos tormentosos. quando entorpecida a consciência. E mesmo o ato de dormir. logo a seguir. que lhe constituem os interesses máximos do dia-a-dia. O trânsito pela reencarnação enseja ao ser o desenvolvimento dos valores éticos. torna-se um fenômeno de harmonia. sem os assaltos de clichês mentais arquivados. ampliando-lhe o espaço mental para as conquistas relevantes. o indivíduo deixa-se conduzir através do mergulho nas distrações. são ainda fisiológicos. que trazem respostas momentâneas. empurrando-o para as fugas espetaculosas e as transferências das metas prioritárias. Ao mesmo tempo. afugentando-o do objetivo essencial propiciador do auto-encontro. encharcado pelas paixões como se encontra. expressa nos prazeres que logo se esfumam. propor-se significados novos para a vida e antes não percebidos. Acostumado às idéias do imediato. para retornar à posição anterior de ansiedade e insatisfação.. a sua fixação mental é somente possível quando se refere ao campo das sensações. porque logo os pensamentos se expandem em várias direções. realiza-o de forma consciente. referiu-se aos dois estados em que o mesmo se apresenta como decorrência do seu nível de consciência: adormecido e desperto. Essas distrações prendem-lhe a atenção e detêm-lhe o processo de busca interior. importantes. o eminente psicólogo russo. Quando convidado às reflexões profundas a respeito da sua realidade como ser imortal. descobrir valores expressivos que estão desperdiçados. Saciado pelo gozo.

frustrando-se e sofrendo. e cada compromisso que assume. das injunções do corpo. liberado do passado e do futuro. o homem aspira à conquista de outros níveis de consciência e emerge do sono. Harmonizando aspirações e lutas. ao invés de tornar-se desafio. sente a mesma necessidade de completar-se. nãosubmisso. aumentando o número de vivências dos logros íntimos. todos os sentimentos. Cada momento atual é magno na vida do homem consciente. dos prejuízos políticos. avançando sempre. Consciente desses fenômenos. pela fuga da realidade. assinalado pelo aprofundamento da visão da vida. Altera-se-lhe então a visão para a auto-identificação. arroja-se mais nas experiências do instinto. Certamente experimenta as contingências da vida social. do ponto de vista fisiológico. à medida que se envolve na libertação das cargas psicológicas opressoras. é-lhe estímulo ao prosseguimento tranqüilo da iluminação interior. identificando os meios para o tentame. mais se afervora na busca da harmonia. não obstante úteis. superando os automatismos. portanto. asfixiantes. todas as ações. dele se desincumbe em paz. sem que tais ocorrências o desanimem ou o infelicitem. . mantendo a sensação permanente de incompletude. passando a identificar o atraso em que se encontra. consumindo-se tempo e saúde no secundário. A autoconquista é-lhe um crescimento natural e não-perturbador. caminhadas e ginásticas que consomem horas. que lhe constituem degraus e patamares a galgar. Lentamente. As distrações habilmente se disfarçam. Quando anestesiado no nível de sono. nesse estado.100 Estar desperto é mais do que encontrar-se vivo. A razão propele-o para a tomada de consciência e. tendo em mente o acume. justificando trabalho exaustivo. e que. espiritual. o homem consciente vive integralmente todos os momentos. passa a fruir emoções que o enlevam. para localizar-se nas realizações da inteligência e do sentimento enobrecido. repouso demorado. das contradições entre o que pensa e o que faz. todas as aspirações. com desconsideração ou por ignorância do essencial. Usa a inteligência e aplica o sentimento em perfeita interação. Há uma generalizada preferência humana pelas distrações. Age sempre lúcido. sem a preocupação de vitória exterior ou mesmo de superação. desviam da meta essencial que é o despertamento de si mesmo. diante das infinitas possibilidades de que dispõe. porém. entre ao que aspira e o que realiza. e tudo quanto se propõe realizar. entendendo que o largo período de sono é responsável pela existência dos inúmeros conflitos que o aturdem. Ser consciente significa estar desperto. conversações prolongadas. buscas e realizações. conquistando novas áreas que antes permaneciam desconhecidas. não-arrogante. por processo de saturação das distrações ou pelo imperativo de novas reencarnações. totalmente diverso do comum. sem recuos nem amarguras. passando-a a transpessoal. livre de algemas. que será a perfeita conscientização de si mesmo. responsável.

latifúndios largos e semoventes aos milhares. mesmo quando atinge os picos do poder ganancioso. acreditando-se capaz de detê-las. a sua vítima. instabilidade emocional e desajuste social. e conflitos perduram na idade adulta. embora lhe irrompam episódios de afetividade. e jamais no que é. com o seu caráter de transitoriedade. Ninguém vive bem sem a segurança de si mesmo. e. vai traído pela concupiscência da posse. Com a percepção embotada. com desconsideração pelos demais. Usando os conhecidos mecanismos de evasão da responsabilidade e sentindo-se fragilizado. mordomos que prestarão contas. em medos de perdê-las. enlouquecendo. que envolvem o seu possuidor em preocupações de aumentá-las. A imaturidade asselvaja-lhe e obnubila-lhe a razão. o indivíduo busca a auto-realização. qual o ensinamento de Jesus através da parábola dos talentos no Evangelho. expressando-se como apegos às coisas e pessoas. não se considera merecedor de afetos. Quando esta não decorre do auto-encontro libertador. considerando triunfadores somente os que dispõem de contas bancárias volumosas. acredita-se merecedor de tudo em primeiro lugar. bens que lhe são alicerces de segurança no inconsciente. das criaturas aquinhoadas. Autodesprezando-se. amesquinhando-o.. ignorando a sua realidade profunda. não crê que pode ser amado com desinteresse pelos seus haveres. necessita de ter o ego recompensado pela gratidão. quantos se lhe acerquem. fixando-se em valores externos como forma de destaque no grupo social. ou servidores encarregados de bem aplicar. estão interessados no que ele tem. Assim não sucedendo e vindo a consorciar-se. em razão da falta de maturidade psicológica do ser. mede os fenômenos existenciais com os instrumentos da atividade contábil. Porque se sente sem possibilidade de amar. passando àcondição de benfeitor. faz. que converte em paixões de gozo imediato. surgem-lhe as marcas predominantes do egoísmo e passa a reunir recursos que amontoa satisfazendo o ego. cada vez mais ansiosa por novos haveres. detendo-o no pórtico das grandes realizações. graças à insegurança íntima. passando à angústia de mais assegurar-se da sua retenção. Desperta-se-lhe em grau crescente a avareza que o amarfanha. com a conseqüente rejeição de si mesmo. depois da alegria fugaz da posse material. inconscientemente. subjugá-las como conquistas a mais. Sentimentos egocêntricos passam a aturdi-lo e. tornando-se possuído pelo objeto que supõe possuir. a pouco e pouco. que permanece asfixiada pelos tormentos do ter. é buscada através dos meios externos. Como efeito.101 38 Ter e ser Remanescem da infância física traços de insegurança. A sua louca ambição torna-o misantropo. ele o faz mediante cláusulas de separação de bens.. Se vence o medo de doar algo e o realiza. sem a coragem moral para atravessá-lo. . supondo que. de outras pessoas. quando tudo no mundo. Quando tal não ocorre. transfere-se para a ilusão da dominação arbitrária de outras vidas.

o dominador torna-se vítima. tudo altera a cada instante. os objetos passam de mãos. Os conflitos então cedem lugar. realizado. o corpo se dilui. capacitado para a felicidade. O individualismo que nele prevalecia cede lugar ao amor que convive e se expande na direção dos outros. que existiam na sua personalidade. que tinha necessidade de sobreviver. A incessante transformação. que se agranda ante a excelência da Vida que ele conquista. nem valores amoedados. A segurança psicológica do indivíduo centraliza-se no autoconhecimento. Chegando à realização da consciência.. porém mortas. permanece vazio de sentimentos e. Rompem-se os limites que amesquinham e ampliam-se as áreas de produção que engrandecem. desaparecem por ausência da vitalidade fornecida pelo ego inseguro. quando os seus espaços são preenchidos pelas realizações expressivas. A vaidade. no ser. prosseguindo cheio de espaços e abarrotado de preocupações afugentes. aqueles que constituem a sociedade na qual se encontra. Ninguém tem coisa alguma no mundo: nem corpo. permite o encontro do self. Todo aquele que busca a posse. mas que não prescinde do interesse e da luta enviada para ser. porque nada é. o narcisismo. Correspondendo a esse estágio. A autovalorização não-egoísta. experimenta o júbilo da realização. o amadurecimento psicológico faz que o indivíduo cresça sempre e cada vez mais.102 O bom aplicador. e o vivo de agora estará morto logo mais. a compaixão. O objetivo da vida humana parte do ponto inicial no corpo — a infância — e cresce sem perder o contato com a sua realidade original. a fim de que também ela seja feliz. reconhecendo a sua pequenez. nem pessoas sob domínio. . deve expandi-la. despretensiosa. enche-se de artefatos e coisas brilhantes. na auto-identificação. além dos juros que recebe. já que o self se encontrava soterrado no desconhecimento. exteriorizada no bem-estar que proporciona. a imensa alegria do serviço.. no auto-amor. o ter e reter. Ser consciente de si mesmo é a meta existencial. vigente no Cosmo. A conquista do si é realização que independe do ter.. a ação benéfica em favor do próximo. ser transcendental que é. enquanto mais se autopenetra e descobre novos potenciais a desenvolver. os sentimentos de amor e autodoação — concretos — devem prevalecer emulando o indivíduo a ser integral. conseguindo o autoamor que desdobra a bondade.. que se desvela com infinitas possibilidades. Alguns psicólogos transpessoais concluem que. do reter. libertadoras. à meditação transcendental — abstrata—. passando a trabalhá-la.

Herdeiro dos arquétipos remotos dos seus antepassados. o inconsciente desatrela a insegurança infantil. os fenômenos biológicos automáticos não se fazem acompanhar das dores. especialmente os ocidentais. considerando a preferência injustificável de Deus por Abel. no rejeitado. a nobreza e a elevação amorosa mediante os quais se expressa. na fase do instinto. que passou a ser punição divina. O discernimento do bem e do mal. A divina punição de Deus pela rebeldia da mulher e pela insensatez do homem. O ultraje e a vulgaridade. o sexo é o instrumento para a perpetuação da espécie. que tem um caráter simbólico. como fenômeno natural do desenvolvimento antropológico-psicológicosocio-lógico da criatura. o aprimoramento e a profundidade desses valores dependem do empenho. transformou a comunhão sexual em condenável e imunda. das realizações de cada um. quiçá para demonstrar o momento em que surge a consciência. dando-lhe margem ao ciúme doentio e à raiva. abrindo espaço para a razão. a infelicidade. do interesse. Surgem-lhe os pródromos. — quando o ser pode identificar o que deve. e as aquisições ético-morais aparecem. A absurda aceitação literal do texto bíblico. tornando a procriação um verdadeiro castigo.. Fonte de vida. De geração em geração. competitiva ou não. Na fase do instinto. todavia. ali adormecida. e ao fratricídio cometido por Caim contra Abel. cujas oferendas mais O agradavam.103 39 A conquista de si mesmo A aquisição da consciência demanda tempo e esforço humano. assim como a expulsão do criminoso aumenta-lhe a angústia. vitimados pelas heranças judaico-cristãs. ambos gerados em circunstâncias iguais.. teria que despertar ressentimentos contraditórios. qual sucede na ocorrência do parto. Igualmente a arbitrária eleição celeste de um por outro irmão. como se fossem o medrar espontâneo da essência divina de que é constituído o Espírito. Em qualquer atividade. saindo do automatismo do instinto para a seleção do discernimento racional. milenarmente. o indivíduo mantém por atavismos religiosos e culturais a consciência de culpa. que levariam inevitavelmente ao hediondo fratricídio. que a seguiu no erro. a des- . representados no mito da Árvore do conhecimento do bem e do mal —devido a interpretações apaixonadas e fanáticas. do ponto de vista puritano e hipócrita. responde pelo sofrimento que os acicata.. e surgem os conflitos. de ciúme e de raiva. do certo e do errado. daquilo que não lhe é lícito realizar. não sendo credor de qualquer condenação. dependem do seu usuário e não da sua função em si mesma. tornandose o grande desafio do processo da evolução do ser. no paraíso. fruto ainda da desobediência que. no que diz respeito à desobediência de Eva.. a criança que se sentia desprezada. que são maiores conforme mais seja apurada a sensibilidade. perturbando o desenvolvimento da consciência e a conseqüente conquista de si mesmo. gerou conflitos que ainda remanescem nas vidas psicologicamente imaturas. desenvolveu esses sentimentos perversos.

assim quis e o conseguiu. liberto dos conflitos. fértil e rica de aspirações. do esforçarse para triunfar. Francisco de Assis. por ausência do ciúme. Sente-se emulado a gerar novos futuros efeitos. mas trabalha para fomentar o progresso. utilizando-o com propriedade e sabedoria. considerando que sempre é tempo de reparar. e graças às realizações da solidariedade. A conquista de si mesmo é lograda mediante o querer. sem justificação.. A libertação dessa consciência doentia facilita o entendimento do mecanismo da responsabilidade no comportamento que estabelece o lema: A cada um conforme os seus atos. Jesus afirmou que se poderia fazer tudo quanto Ele fez. por superação. que seriam desenvolvidos a partir do momento da opção. jacente no mundo íntimo. de rejeição e outros. O homem que se conquista supera os mecanismos de fuga. necessário seria a fé em si mesmo. do pensamento e da ação quiseram. e postergação é-lhe prejuízo para a economia da sua plenificação.. mas luta pelas coisas. da ciência e da fé. superando-se. que faz parte da harmonia do Universo. Apóstolos do bem. e a sua é uma consciência atual. o santo. Tal conduta proporciona-lhe a alegria que provém da tranquilidade da realização. o indivíduo supera a raiva. plenificando-se. de transferência de responsabilidade. as paixões dissolventes e fixando os valores que enobrecem. Percebendo-se instrumento da vida. Não tem passado. A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser. até quando o ser. à reencarnação. trabalhando-o e promovendo-o a níveis e patamares cada vez mais elevados. bastando empenhar-se e entregar-se à realização. autoconquistaram-se. agindo com consciência e produzindo com eqüidade. que aprende a selecionar e qualificar. Senhor do discernimento. e não compete para destruir. Já não luta contra as coisas. no qual se engaja e se realiza. portanto. e os mecanismos da evolução se expressam. . A conquista de si mesmo resulta. segundo ensinou o Terapeuta Galileu. porém. não tendo caráter castrador ou punitivo. Descobre a vida e que se encontra vivo. vivendo-a nas expressões do amor a tudo e a todos intensamente.104 confiança desastrosa. abandonando. os quais passam então a ter um comportamento filosófico dignificante — instrumentos de valorização da vida — ao invés de serem castigos àculpa oculta. conquista os sentimentos que canalizará na direção de novas metas. inevitável. do amadurecimento psicológico. que hoje é o seu dia. neste tempo intemporal da relatividade terrestre. e que tudo quanto lhe acontece. que facultam a superação das provas e dos sofrimentos. para enfrentar-se sem acusação. que já desfruta. se se quisesse. e o lograram. do viver para jamais morrer. o progresso do ser é imperioso. Graças. Para tanto. Homens e mulheres anônimos entregaram-se aos ideais que lhes vitalizaram as existências e. o homem descobre que colhe de acordo com o que semeia. pela racionalização dos acontecimentos. sem perdão. nem futuro. procede. nos valores intrínsecos. que alcança realizando-se. que busca a integração na Cósmica.

105 Fim .

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