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O SER CONSCIENTE DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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ÍNDICE
O Ser Consciente PRIMEIRA PARTE - A QUARTA FORÇA CAPÍTULO 1 = A quarta força CAPÍTULO 2 = Definição e conceito CAPÍTULO 3 = O homem psicológico maduro CAPÍTULO 4 = Modelos e paradigmas CAPÍTULO 5 = A nova estrutura do ser humano SEGUNDA PARTE - SER E PESSOA CAPÍTULO 6 = A pessoa CAPÍTULO 7 = Fatores de desequilíbrio CAPÍTULO 8 = Condições de progresso e harmonia TERCEIRA PARTE - PROBLEMAS E DESAFIOS CAPÍTULO 9 = Êxito e fracasso CAPÍTULO 10 = Dificuldades do ego CAPÍTULO 11 = Neurose QUARTA PARTE - FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE CAPÍTULO 12 = Autocompaixão CAPÍTULO 13 = Queixas CAPÍTULO 14 = Comportamentos exóticos QUINTA PARTE - PROBLEMAS HUMANOS CAPÍTULO 15 = Problemas Humanos CAPÍTULO 16 = Gigantes da alma CAPÍTULO 17 = Ressentimento CAPÍTULO 18 = Ciúme CAPÍTULO 19 = Inveja CAPÍTULO 20 = Necessidade de valorização CAPÍTULO 21 = Padrões de comportamento: mudanças SEXTA PARTE – CONDICIONAMENTOS CAPÍTULO 22 = O bem e o mal CAPÍTULO 23 = Paixão e libertação psicológica CAPÍTULO 24 = Enfermidade e cura SÉTIMA PARTE - A CONQUISTA DO SELF CAPÍTULO 25 = A Conquista do Self CAPÍTULO 26 = Mecanismos de fuga do ego CAPÍTULO 27 = Medo e morte CAPÍTULO 28 = Referenciais para a identificação do si OITAVA PARTE - SILÊNCIO INTERIOR CAPÍTULO 29 = Silêncio Interior CAPÍTULO 30 = Desidentificação CAPÍTULO 31 = Libertação dos conteúdos negativos

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CAPÍTULO 32 = O Essencial NONA PARTE - A FELICIDADE CAPÍTULO 33 = Prazer e gozo CAPÍTULO 34 = Felicidade em si mesma CAPÍTULO 35 = Condições de felicidade CAPÍTULO 36 = Plenificação pela felicidade DÉCIMA PARTE - CONQUISTA DE SI MESMO CAPÍTULO 37 = O homem consciente CAPÍTULO 38 = Ter e ser CAPÍTULO 39 = A conquista de si mesmo

até quando ressumam e sobrepoem-se a todos os disfarces. Enraizados profundamente. partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica. que. até os estados graves de alienação mental. não lhes dá valor. o homem moderno procura mecanismos escapistas. mantendo-os. utilizando-se dos instrumentos do auto-amor. apenas descobre-se. Condicionado para a conquista das coisas. a fim de poder enfrentar os paradoxos existenciais — parecer e ser —. a culpa. do aplauso e da admiração social. os narcisismos. não se julga. Tal postura permite que os seus fatores constitutivos cresçam e se desenvolvam. disposto a encontrar-se sem máscara. invariavelmente.4 O Ser Consciente Esmagado por conflitos que não amainam de intensidade. vivos e pulsantes. não. O auto-amor ensina-o a encontrar-se e desvela os potenciais de força íntima nele jacentes. da meditação que faculta o crescimento interior. evitando deter-se neles. O mesmo ocorre com os conflitos psicológicos. em vãs tentativas de driblar as aflições transferindo-se para os setores do êxito exterior. nem se justifica. momentaneamente. Estão presentes no homem. desencadeando novos sofrimnentos e perturbações devastadoras. a timidez. estabelecendo os paradigmas corretos para a jornada. À identificação segue-se o trabalho da transformação interior para melhor. não se acusa nem se culpa. da relaxação que libera das tensões. chamando a atenção para enfrentá-los. sem deterioração. o indivíduo procura soterrar os conflitos sob as preocupações contínuas. apresentam-se na consciência sob disfarces diferentes. Suas vítimas padecem situações muito afugentes. embora os sentimentos permaneçam agrilhoados e ferreteados pela angústia e pela insatisfação. ou que o propele com insistência a realizações. desde os simples complexos de inferioridade. que se expressa multifacetadamente. Para isso. respondendo por inomináveis comportamentos nas sombras do medo e das condutas compulsivas. liberado dos choques interiores em relação ao comportamento externo. as inquietações e tendências que o comandam. analisar a própria fragilidade. quando as resistências disponíveis se exaurem. porem. no entanto. na concepção da meta plenificadora. da oração que estimula a capacidade de discernimento. O homem pode e deve ser considerado como sendo sua própria mente. Todo conflito gera insegurança. Aquilo que cultiva no campo íntimo. O ser consciente deve trabalhar-se sempre. razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente. a agressividade. que devem ser estudadas pacientemente. constitui a sua essência e legitimidade. As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração. Somente consegue essa lucidez aquele que se auto-analise. da auto-estima. ao convívio saudável com o seu . Ignorar uma situação não significa eliminá-la ou superá-la. de modo a encontrar os recursos que lhe facultem diluí-los. erradicá-las. até o momento em que se tornam insustentáveis. A auto-estima leva-o à fraternidade. tombando no abandono de si mesmas. aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar.

da Psicobiofísica. estruturas psicológicas muito frágeis ou assinaladas por distúrbios de comportamento grave. inquiri como a qualificaríeis se praticada por outra pessoa. A meditação ajuda-o a crescer de dentro para fora.. Nesses casos. o orgulhoso julga que em si só há dignidade. direis. avaliar suas perdas e seus lucros. quem medita.. O conhecimento de si mesmo é. propiciou-lhe o encontro com outras dimensões da vida e possibilidades extrafísicas de realização. a exemplo do comerciante. a chave do progresso individual. realizando-se em amplitude e abrindo-lhe a percepção para os estados alterados de consciência. o auto e o alo-amor serão decisivos para a avaliação. ouve. como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar asfaltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente. Antes. ou adormecidas nos alicerces da Consciência. entre outras considerações explicitou: “. porém. da Psicotrônica. O auto-conhecimento se torna uma necessidade prioritária na pro gramática existencial da criatura. para que se pudesse propor à vida melhores momentos e mais amplas perspectivas de felicidade. Perfeitamente identificado com os elevados objetivos da existência terrestre do ser humano. porque permanece perdido em um espaço escuro. A oração amplia-lhe a faculdade de entendimento da existência e da Vida real. concitando-a ao auto-encontro e à autodescoberta a respeito da vida além dos estreitos limites materiais. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações. e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Há. Se puder dizer que foi bom o seu dia. Quem o posterga. não se realiza satisfatoriamente. mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Espírito. o Espiritismo descortinou para a criatura a valiosa possibilidade de ser consciente. ignorado dentro de si mesmo. fala.. A oração e a meditação irão constituir recurso complementar para afixação das conquistas. igualmente necessitado. de todas essas disciplinas psicológicas e doutrinas parapsíquicas. Foi necessário que surgissem a Psicologia Transpessoal e outras áreas doutrinárias com paradigmas bem definidos a respeito do ser humano integral. que permaneciam soterradas sob os escombros do inconsciente profundo.. dispondo dos recursos para exteriorizar-se e interiorizar-se. dê balanço no seu dia moral para. Quem ora.” Na análise diária e contínua dos atos.”(*) Comentando a resposta. no entanto. Santo Agostinho...5 próximo. A relaxação proporciona-lhe harmonia. A contribuição da Parapsicologia. Conhece-te a ti mesmo. ampliou os horizontes do homem. Allan Kardec questionou os Espíritos Benfeitores. “ “E prosseguiu: “. poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?” Eles responderam: “— Um sábio da Antigüidade vo-lo disse. Mas. horizontes largos para a movimentação. portanto. Isto é muito real. urge o concurso da Ciência .

conforme a especificidade do problema. por se tratarem. que é portadora de uma visão profunda e integral do ser. auxiliá-lo na conquista da consciência. Estuda algumas problemáticas humanas à luz da Quarta Força em Psicologia. porém portadores dos mesmos potenciais das suas vítimas: sentimentos e emoções. e. no entanto sem conivência. ei-lo feliz. libera a consciência do ser. ajudando-o na solução do seu problema. Conhecendo suas possibilidades. profúndas que dispõe. ocorrem interferências espirituais variadas. é jovial. É responsável.6 Espírita. Questão 919. pretende. com as terapias (*) O Livro dos Espíritos. de Entidades extracorpóreas. através das experiências vividas. que ora trazemos à análise do caro Leitor. mas sem carranca. Confiamos que será útil a alguém que se encontre aflito ou fugindo de si mesmo. todavia sem anuência com o erro. aberto ao amor e ao bem. * O ser consciente é austero. sem presunção. esses agentes pertubadores. * Este modesto livro. torna-se necessária a ajuda do psicoterapeuta. de acordo com a intensidade do distúrbio. inteligência e lucidez. conquistando a Terra da Promissão bíblica. e. e não se permite o vão repouso enquanto o dever o aguarda. Só o amadurecimento psicológico. experiências e vidas. pela Psicanálise ou pela Psiquiatria. que será eqüacionado pela Psicologia. 29ª edição da FEB. ao consegui-la. seguindo adiante sem cobrar retribuição. Ajuda e promove aquele que lhe recebe o socorro. para os quais somente as técnicas espíritas alcançam os resultados desejados. é bondoso. gerando quadros de obsessões complexas. Joanna de Ângelis . Não apresenta qualquer técnica nova ou milagrosa. porém sem vulgaridade. 19 de maio de 1993. Salvador. coloca-as em ação sempre que necessário. colocando uma ponte na direção da Doutrina Espírita. e isto nos Compensará plenamente. entretanto. é complacente. Em muitos conflitos humanos.

7 PRIMEIRA PARTE A QUARTA FORÇA .

embora os rígidos controles exercidos pelas conquistas freudianas. músicos. Era necessário revisar o potencial humano em toda a sua complexidade. Moody Jr. criando-se o que se convencionou denominar como a Quarta Força — além do Comportamentalismo (Behaviorismo). portadores de capacidades e aptidões luminosas. surgiram ensaios e tentativas de ampliação de conteúdos. aos traumatismos físicos e psicológicos. a Relatividade do Tempo e do Espaço. e observações menos ortodoxas. por considerados patológicos ou fraudulentos. A abrangência da consciência como estágio mais elevado do processo antropológico-sociológico-psicológico do ser. lentamente acumulando dados capazes de suportar refutação. atualizando a predominância do Espírito sobre a matéria. anelavam por ampliar os horizontes da compreensão em torno de fenômenos complexos e abrangentes. atendendo com mais cuidado. procurando enfeixar nos arquétipos todas as ocorrências da paranormalidade. Assagioli. aos fatores derivados das pressões de toda ordem. da Psicanálise e da Psicologia Humanista — que é a Psicologia Transpessoal ou profunda.. Revelando-se matemáticos. dos reducionistas que. romperam o véu do silêncio e passaram a comunicar-se com lucidez. deixaram espaços para reformulações de conceitos e especulações que se libertam dos modelos e paradigmas acadêmicos. critica e desprezo. Vez que outra. ampliando o quadro de entendimento dos dementes (autist savant ou sábio idiota).. puseram-se a exigir elucidações que destruam as tradições negativas. Walsh. permaneciam aferrados ao organicismo e à hereditariedade. da Psicobiofisica. às seqüelas das enfermidades infecciosas. tendo-se em vista o conceito do vir-a-ser. Capra e outros corajosos pioneiros.. cujos dados valiosos avolumaram-se de tal forma. transumanos. artistas plásticos. Indispensável coragem para enfrentar o cepticismo e a arrogância dos acadêmicos. As explicações junguianas amplas.. de repente. Wilber. com a contribuição da Transcomunicação Instrumental. penetrando a sonda da investigação no inconsciente e concluindo por novas realidades. mesmo diante do numinoso. As teorias apressadas. abriram perspectivas psicológicas dantes sequer sonhadas. os acontecimentos desprezados. como efeito das experiências de Rhine. sem preconceitos nem receios. perturbadoras. que não havia outra alternativa senão ampliar o esquema de interpretação do psiquismo. que pretendiam reduzir a alma a um epifenômeno de vida efêmera. assim demonstrando que preexistem aos órgãos e os sobrevivem. apresentando dotes de excepcional capacidade realizadora. ao invés de serem suas elaborações ou efeitos .8 1 A quarta força Os estudiosos da criatura humana. a Teoria da Incerteza. antes execradas. da mente sobre o cérebro gravemente danificado. capazes de elucidar problemas profundos da personalidade. vinham sendo superadas pelas pesquisas de laboratório na área da Parapsicologia. Grof. Maslow. da Psicotrônica e da Ciência Espírita. Kübler Ross. Os avanços da Física Qüântica. que se preocuparam em ir além dos padrões estabelecidos. lingüistas que. passou a exigir mais acurada penetração. de Jung. Vaughan..

dos taoístas tibetanos aos físicos nucleares.. A grandiosa contribuição do pensamento oriental. . de samadhi. A conceituação materialista de forma alguma atende-lhe as necessidades éticas e sociológicas. a hipnose. o controle mental de inegáveis resultados nas mais variadas áreas do comportamento. O ser humano é constituído de elementos complexos. propondo a identificação de fórmulas com aparência diversa. neuroses. eliminando a predominância genética na condição de desencadeadora de psicoses. a respiração. a Ramakrishna e outros. Esse concurso que se vinha insinuando multissecularmente.. conflitos e tormentos degeneradores da personalidade. no entanto. tais a meditação. ou de reino dos Céus que lhe cumpre alcançar. alargando-lhe as possibilidades de desenvolvimento do deus interno. do inter-relacionamento pessoal. ignorando-lhe a realidade transcendente. a oração.. à desconsideração catalogada de patologia irreversível. bem como dos modelos estabelecidos. permanece incompleto. que inicia um período de real compreensão da criatura como ser indestrutível que é. Essa gigantesca tarefa cabe à moderna Psicologia Transpessoal ou Quarta Força. os fenômenos retro e precognitivos. realização plenificadora. estado de Nirvana.9 dos seus mecanismos. os deslocamentos de objetos sem contatos e outros facultaram mais acurados exames do indivíduo. o uso de algumas drogas psicodélicas como o ácido lisérgico. O ser dual — Espírito e matéria — do espiritualismo ortodoxo. relega-a àindiferença. logrou imporse através das terapias liberadoras de conflitos. a bioenergia. com exclusiva definição terapêutica. da saúde.. Somente quando estudado na sua plenitude —Espírito. as ectoplasmias. os exercícios da tai-chichuan. que se harmonizam. Os diques erguidos pela intolerância romperam-se ante as novas conquistas. exceto quando. que a análise transpessoal pode abordar com segurança ou neles apoiar-se. não logrando elucidar o ser psicológico. que escapam a uma observação superficial. em favor de um homem e de uma mulher holísticos. a clarividência. processador de inúmeros fenômenos que lhe completam a existência. enseja a revisão dos parâmetros aceitos. a fim de solucionar os enigmas predominantes em pacientes marginalizados pelas outras correntes da Psicologia ou facilmente rotulados de psicopatas. e as técnicas regressivas da memória. A telepatia. de Buda a Vivekananda. a magnetização da água. completos. perispírito e matéria — podem-se resolver todos os questionamentos e desafios que o compõem. por falta do elemento intermediário. deixando escapar incontáveis expressões de conteúdo. fadado à felicidade. demonstraram que muitos fatores psicopatogênicos são anteriores à concepção do ser. facultando completude. unindo as duas culturas — a do passado e a do presente — em uma síntese perfeita. ao revés de examinados em partes.

da criação. desenvolvendo o germe divino que nele dorme. . em antagonismo estrutural. estimulava ao equilíbrio mente-corpo. seguindo os modelos da filosofia oriental e recusando-se à aceitação dos episódios reencarnacionistas necessários à evolução. da vida. Conceituando a psicologia transpessoal. não nos podemos furtar aos seus paradigmas. na qual se forma e aprimora o caráter. de modo a dar-lhe a abrangência que alcança o ser humano na sua estrutura física. a fim de experimentar felicidade ou desdita. qual ocorre na semente com o vegetal. junguiana. percorrendo todos os períodos históricos até a sua formação organicista. retendo as largas possibilidades que necessitam ser penetradas. A sua ética moral. Nessa paisagem. conduta saudável e solidariedade com as demais criaturas. que lhe plasmariam futuros renascimentos na Terra. cujas origens se encontravam no mundo das idéias. alcançaram culminâncias ora uma. do capricho do acaso que os reúne e des agrega. com ganchos. psíquica e transcendental. unindo-se e desestruturando-se graças ao vácuo e ao movimento. eventuais. desenvolvendo o idealismo socrático e o reencarnacionismo do vedanta e da budismo. Enquanto o pensamento oriental estruturava o fenômeno psicológico em um ser herdeiro de Deus e a Ele semelhante. colocando uma ponte psicológica e filosófica entre as duas civilizações. otimista. ampliaram-se as concepções em torno do universo. conforme os conteúdos existenciais vividos. Como verdadeiro ponto de equilíbrio apareceu o pensamento ético de Jesus. que ampliam as linhas das definições clássicas da doutrina psicológica em si mesma. preocupados com a criatura humana dual. paralelamente. esféricas. e propôs uma criatura trinária.. de alguma forma. Concomitantemente. conforme outros. Nos seus primórdios. isto é. o ser a ela retornava com o somatório das experiências adquiridas.. de Descartes ou Bacon. é limitar. enquanto se ia ampliando nas concepções humanista. através de São Tomaz de Aquino ou de Leibniz. para onde retornava após o périplo carnal. Aristóteles lhe agregou a enteléquia. ora outra corrente. resultando. e prosseguindo pelas várias escolas freudiana. então fecundado pelo amor. comportamentalista e psicanalítica.10 2 Definição e conceito Definir. único tesouro que logra produzir a plenificação do ser humano. Mesmo quando as definições são elásticas. restringir. o planeta terrestre pode ser considerado uma escola. encontraremos os seus primeiros postulados na ética filosófica ancestral. produzindo vida e morte ao sabor das ocorrências anômalas.. Remontando-se à história do pensamento psicológico. Posteriormente.. as propostas atomistas reduziam o ser humano ao amontoado de partículas infinitamente pequenas. a ciência da alma encontrava-se embutida nos conceitos socráticos e platônicos. portanto. muito antes que a cultura ocidental se apercebesse da causalidade do existir. Avançando. reduzem o pensamento e o enclausuram em palavras. na segunda metade do século 19. que se iniciou no ocidente com Anaxímenes e Anaxágoras. portador de recursos inimagináveis que lhe cabe desenvolver. adleriana. ou deles destituídos. segundo uns. Procedente de uma realidade metafísica.

quais São Francisco de Assis. em flagrante desrespeito ao simbolismo da criação humana. as expressões existenciais. com o passo de segurança para a aquisição da consciência. no entanto. . O culto ao mito. procurou castrar e coibir todas as fontes de prazer. levando Adão ao erro. ao fantasioso. A evolução das ciências vem logrando anular esse efeito pernicioso. graças ao advento da psicologia espírita com Allan Kardec. por adotar a postura mediante a qual considera o indivíduo um ser essencialmente espiritual. à aceitação do modelo. produzindo uma consciência de culpa coletiva. com a herança da tentação. trouxe o futuro para o presente. promovendo-o à condição de possuidor de valores preciosos que lhe cumpre desenvolver. que se caracterizaram pela repressão. No postulado não fazer ao próximo o que não deseja que ele lhe faça. são necessidades psicológicas. que passou à condição de realidade. ainda hoje. Não obstante os luminares que. verdadeiro arquétipo de natureza punitiva. possibilitando alienações e desditas inimagináveis. trabalhando a estruturação da personalidade. Assumindo a postura teológica. a fim de proporcionar a catarse salvadora e a recomposição da individualidade aturdida. recupera-se o ser humano do conflito em que se encontrava. de vez em quando. tornando o reino dos céus um estado de consciência lúcida. sofrendo as injunções dos pseudoconversos. para os mecanismos de transferência da realidade e fugas da consciência responsável. que venceu as gerações e ressurge. Jesus não foi apenas o filósofo e o psicólogo que compreendeu os problemas humanos e ensejou conteúdos libertadores. longe do sono. com o seu irmão e com o mundo no qual se encontra. responde por males que se repetem milenarmente. mais remotamente. propondo o auto-aperfeiçoamento pela superação das paixões dissolventes. Conscientizando as criaturas a respeito da sua responsabilidade pessoal diante da vida. Santa Tereza de Ávila e alguns outros. O Cristianismo. assim tornando a mulher inferior no processo humano da evolução. através dos tempos. em que Eva tombou. Ele tornou-se o marco mais importante da psicologia transpessoal. Possuidor de transcendente capacidade de penetração nos arquivos do inconsciente individual e coletivo. levando-os à confiança e ao amor. do sonho e das psicoses totalmente superadas. Da mesma forma. no inter-relacionamento pessoal. ao símbolo. estabeleceu terapias de invulgar atualidade. mas permanece como terapeuta que rompeu as barreiras da personalidade dos pacientes e penetrou-lhes a consciência de onde arrancou a culpa. mediante regras e dogmas punitivos. sem conflito nem culpa. estatuiu a condição de segurança para a identificação do indivíduo consigo mesmo.11 Psicoterapeuta superior. embora a esforço de trabalho paciente e constante. buscaram libertar os indivíduos do temor e do ódio. em transitória existência física. predominaram a ignorância e o terror. proporcionando uma ética simples e facilmente aplicável. nos indivíduos e grupamentos sociais. fazendo-os responsáveis pelo deicídio no Calvário — confundindo Jesus com Deus — ou. que faz parte do seu programa de autoburilamento. e. restrição e condenação. invariavelmente portadores de grandes traumas e conflitos. quando não em total infelicidade.

faz que sejam descortinadas as possibilidades ímpares para a perfeita integração da criatura com o seu Criador. alargando as imensas possibilidades da psicologia. então. em pleno desenvolvimento da sua realidade. as glórias da vida e se dilatam os dons nele existentes. pulsante e universal. as angústias e as inquietações. Nesse homem transpessoal cantam. e da sua com a Consciência Cósmica. .12 A quarta força. que supera as culpas e as dores. tornando-o pleno e feliz.

em fatigante esforço de completar-se. isolando -se socialmente dos demais ou considerando as outras pessoas como descartáveis. de imediato ignorando-as. econômicos. depressiva ou agressiva. Em tal caso. o período infantil alonga-se e predomina. atormentada. que o propele à liberdade excessiva e aos estados caprichosos de comportamento. destituídas de sensibilidade. tornando-se. para atingir a sua culminância. que se agigantará através do tempo. E mesmo quando se apresenta completado. O seu processo de amadurecimento psicológico. o que se transforma em conflito. Tornase ditador impiedoso. impiedoso. cujo valor acaba quando desaparece a utilidade. a presença da infância. quase sempre contribuem para que se prolongue a sua imaturidade psicológica. Proporciona-lhe prazer . É comum. que são a frustração. possuindo sem repartir. Passado esse primeiro período. sua individuação. imantado ainda aos instintos. o ser cresce sob pressões que lhe despertam a necessidade de desabrochar os valores adormecidos. Em sucessão. atravessa diferentes fases que lhe permitem a estruturação psicológico. não de paz pessoal. fazendo-se característica de uma personalidade instável. as suas reações prosseguem infantis. a fim de libertar o vegetal embrionário.. sicário implacável. portanto. o desconforto moral. acreditando que tudo gira em torno do seu universo. em conseqüência. cujo parto doloroso propicia especial plenificação. psicossociais. seu amadurecimento. Ao atingir a idade adulta deve estar em condições de viver as suas responsabilidades e os desafios existenciais. no tormento de metas sem significado. Procedente de atavismos agressivos. no entanto. detentor de coisas.13 3 O homem psicológico maduro O ser humano é o mais alto e nobre investimento da vida. Do ponto de vista tradicional. o sentido da vida permanece adstrito ao círculo estreito da aquisição de coisas e à sujeição de outras pessoas aos seus caprichos. momento grandioso do processo evolutivo que. pelos processos castradores do ambiente. desprezando-as. quase sempre contribuindo para a preservação do estado de imaturidade. quando um aspecto não éidentificado com o outro. na vida infantil o ser é egocêntrico. faz-se ególatra. Graças à sua constituição emocional e orgânica. por ser destituído de afetividade ainda não desenvolvida. egoísta. que colaboram positiva ou negativamente para o desenvolvimento psicológico. insegura. conforme Jung. juiz cruel. apresenta-se introvertido. A imaturidade expressa-se através da preservação dos conflitos. ocultando-se sob vários mecanismos perturbadores.. acumulando tudo e apenas pensando em si. graças aos quais muda de comportamento sem liberar-se da injunção causal. pode ser comparado a uma larga gestação. qual semente que se intumesce sob as cargas esmagadoras do solo. qual animal que não discerne. Para ele. Fatores compressivos e difíceis de liberados. apresentam-se os fatores hereditários. perceberse que o desenvolvimento fisiológico raramente faz-se acompanhar do seu correspondente emocional.

fruindo. e não conforme se assevera tradicionalmente: que merecem. de uma ou de outra forma.. Expande o sentimento afetivo e compreende que o narcisismo e o egoísmo somente conduzem à auto-destruição. profundamente perturbadora. desenvolvendo a degenerescência afetiva até o naufrágio fatal. Da posição receptiva egoísta. responsável pela harmonização dos implementos de que o Espírito se irá utilizar para o seu processo evolutivo no corpo transitório. na câmara cerebral. Face a isso. desaparece quando a análise do perispírito demonstra que a personalidade resulta da experiência de cada etapa. fatores genéticos contribuem para o desenvolvimento ou não da maturidade psicológica. surgindo as primeiras expressões do amor. atávica. do prazer na dor própria ou alheia. Todavia. para a realização das metas ou reparação delas. Graças a esses fenômenos. faz-se relevante em qualquer proposta de psicologia trans-pessoal. o entendimento desse fator. A sua primeira fase expressa-se como maturidade afetiva. na constituição do sexo. O amor é a chama que arde atraente. Tal razão prepondera na elucidação das diferenças psicológicas dos indivíduos. A enunciada cisão entre o eu e o si. com toda a historiografia das suas reencarnações. não podemos ignorar a preponderância do modelo organizador biológico (MOB) ou perispírito. ao . Essa percepção. as condições psicos sociais e econômicas. A maturidade psicológica tem um curso acidentado. feito de sucessos e repetições. que é a fatalidade do processo no qual se encontra. na sua condição de animal gregário. quando o ser deixa de ser captativo por fenômeno atávico. que se tornam responsáveis pelo desenvolvimento do eu profundo. cada pessoa é a soma das suas experiências transatas. As cargas de genes e cromossomas. especialmente nas de secreção endócrina. para tornar-se ablativo. e sua mente é o veículo formador de quanto se lhe torna necessário para o processo iluminativo. Todos nascem ou renascem nos núcleos familiares e sociais de que necessitam para aprimorar-se.14 mórbido a dependência das massas e dos indivíduos particularmente. de maneira masoquista. resultantes da reencarnação caldeadora dos dispositivos individuais para a evolução. surge a necessidade de crescer e ampliar o círculo de amigos. na aparelhagem nervosa e glandular. Certamente. no estudo das causalidades de todos os fenômenos humanos. formam o quadro dos processos de burilamento moral-espiritual.. lutas e atividades — aparecem contribuindo. em se considerando as cargas hereditárias na constituição orgânica. à perturbação. oferecendo claridade e calor. Os velhos paradigmas e modelos sobre o homem cedem passo à introdução do conceito do ser ancestral. mesmo entre os gêmeos uniovulados. defluentes das conquistas anteriores. em razão dos processos de mérito ou débito de que cada um se faz portador. por formar um quadro muito complexo na individualidade humana. mas a individualidade é a soma de todas as realizações nas sucessivas reencarnações. educação. as pressões psicossociais — ambiente.

nunca aspirando para si o que não gostaria de receber de ou- . a natureza e o próprio indivíduo. das sensações grosseiras. real e compatível com a consciência. para apoiar-se nos códigos da ética universal. A razão proporciona a superação do fenômeno infantil da ilusão. Há uma grande variação de níveis de pensamento. conduzindo-o à imensa área do progresso. que consubstancia a fé no homem. que têm. Assim. No amadurecimento afetivo. Com essa identificação alteram-se os interesses. o ser esplende e supera-se. Disso decorrem duas condutas de aprendizagem no que tange ao pensamento e ao seu uso correto. Pensar acertadamente é uma meta elevada. distinguidos dos imaginados. Quem aspira por ser amado mantém-se na imaturidade. no seu contexto e complexidade. face à interferência dos desejos e supostas necessidades. O próximo passo éo amadurecimento mental. responsável pelo sofrimento. porque nem todo ato de pensar corretamente o é. leva à correção do pensamento. A escala dos valores rompe os limites das conveniências restritivas e interesseiras. trabalhando pelo olvido do ser em si mesmo com a lembrança constante do seu próximo. por base. imediatistas. onde a experiência de doação torna-se enriquecedora. resulta de duas expressões da sua natureza: o intelecto e a razão. e as paisagens se clareiam ao sol da razão. A afetividade é o campo central para a batalha entre as diversas paixões de posse e de renúncia. da fantasia. os seres. em se considerando a impermanência e todos os acontecimentos e aspirações físicas. por encontrar-se livre dos constrangimentos e das pseudonecessidades emocionais. O amadurecimento mental. coercitiva. Logo se apresenta o desafio do amadurecimento moral.15 tempo que alimenta com paz. a fim de que possa utilizar o pensamento de maneira justa. ensejando a predominância da doação plena. exercitando a mente e ampliando-lhe a capacidade de discernir. compreendendo-se que o limite da própria liberdade começa na fronteira do direito alheio. amplia as perspectivas da realização completadora. responsável pela formação do discernimento. graças à compreensão de que a vida é rica de significados e o seu sentido é a imortalidade. Somente após lograr o amadurecimento afetivo. que reúne em um só conjunto as diferentes conquistas intelectuais. por ser o princípio ordenador. A mente. responsável pela superação dos instintos. resultantes das conquistas intelectuais. face à permuta de energias entre quem ama e aquele que se torna amado. sendo a segunda de formação discursiva e a primeira de caráter intuitivo. consegue o mental. a concentração nos objetivos ideais. na dependência psicológica infantil. de domínio e abnegação. Deus. ancestral e perene. A conquista da razão é relevante. Para que ocorra o amadurecimento se torna indispensável pensar. ególatra. Desenvolve-se então uma empatia que arranca o ser do seu primitivismo. na vida e em Deus. que se adquire pela emoção e pelo conhecimento que discerne os valores constitutivos da filosofia existencial.

por contrário. irrita-se sempre. a maturidade social surge naturalmente. Com o conflito embutido no comportamento pessoal. supera a violência. da autocracia. tornando-se homem integral. líder natural. rico de compreensão. a fim de plenificar-se no grupo. proporcionando bem-estar em sua volta e alegria de viver. — porque imposto pelas conveniências de cada época. a separatividade e. O indivíduo não pode viver sem relacionamentos.16 trem. da vaidade. O ser imaturo. alargando as possibilidades de crescimento ético. esvaído do ego. qual aquele estatuído no Decálogo e no Sermão da montanha. apaixonado. fraternidade. autoconhecendo-se e autotrabalhando-se. aliena-se. do verdadeiro. A conquista da maturidade moral verdadeira torna-se indispensável para a auto-realização do ser e da sociedade em geral. estético e espiritual do ser. e. Superar o estado egocêntrico. atinge o self. ideal.. porque. Dois sensos morais surgem no contexto da maturação: o convencional — que é o aceito. mata e mata-se. O homem maduro psicologicamente vive a amplidão infinita das aspirações do bom.. . compreensivo. é aglutinador. A maturidade moral liberta. ambicioso. que é a grande escola da vida. Essa realização moral é dinâmica e entusiasta. caracteriza o rompimento com o círculo familiar da infância e abre-o à comunidade. às vezes. dos seus inter-relacionamentos pessoais. circularestreito e sem metas. Quem lograr a sua consciência individual. O seu desenvolvimento deflui dos contatos com a natureza e as criaturas. gerando adaptação e convivência salutar com outras pessoas. civilização e cultura — e o verdadeiro — que supera os limites ocasionais e sObrepaira legítimo em todas as épocas. amoral ou imoral. oportunista e. por despedaçar os códigos da hipocrisia e das circunstâncias que facultam o desenvolvimento do egoísmo. afetuoso. torna-se impossível o relacionamento social. Vencida essa etapa. racional. amor e paz. frustra-se. do belo. integra o grupo social promovendo-o e desenvolvendo-se cada vez mais. O amadurecimento psicológico é imperativo que surge naturalmente. para tornar-se útil socialmente. renunciando à liberdade interior. no rumo do infinito. pois que. Indispensável que sejam realizados encontros e experiências de grupos. porque o significado da sua vida é o ego perturbador e finito. ou por necessidade que se estabelece no processo da evolução. o homem psicológico torna-se harmônico no grupo.

a rigidez dos postulados ancestrais vem sofrendo fissuras estruturais diante da volumosa contribuição das filosofias orientais. da Biologia Molecular. que entram em choque com as descobertas do pensamento e a natural aceitação cultural de processus renovadores. surgida na ocasião. para tornarem-se expressões da realidade em níveis mais profundos da consciência humana. ora desveladas ao ocidente. A sua proposta objetiva é tornar-se parte das multidisciplinas do comportamento. ao mesmo tempo em que as conquistas relevantes da Parapsicologia. sem descartar a possibilidade da precedência e sobrevivência da consciência à concepção fetal. estruturados na experiência humana diante dos conceitos tradicionais. vinculadas às necessidades do equilíbrio da saúde fisiopsíquica e da satisfação plenificadora. Impossível descartar-se hoje os fatos decorrentes dos estados alterados de consciência. assim como à anóxia cerebral. a Psicologia Transpessoal tem como meta ampliar a sua área de pesquisa levando em conta as experiências do ser. que aprofundaram na vida parafísica a sonda da investigação psicológica. mediante a ampliação dos seus conceitos e a aceitação de novos paradigmas. Como resultado. Na área psicológica. as manifestações paranormais deixaram de ser epifenômenos do sistema nervoso. ao largo do tempo. desenvolvendo as possibilidades adormecidas da criatura — o seu incessante vir-a-ser. necessárias releituras e revisões de paradigmas variados. consoante previra Maslow. Antes desprezadas ou marginalizadas por contundente preconceito.17 4 Modelos e paradigmas O processo da evolução antropológico. a quarta força pode contribuir para uma interpretação mais coerente e racional do ser pensante. qual sucedeu. vêm confirmar os paradigmas do Espiritismo. Como conseqüência. na década imediata. O advento da Psicologia Transpessoal ocorreu no momento grave do desalinho comportamental das gerações novas. assim modificando a concepção dos estados alterados de consciência. estrutura-se nas conquistas da ciência contemporânea. em laboratório e no comportamento humano. — — . face à sua abrangência. graças ao devotamento de homens e mulheres notáveis. da Psicotrônica.. da Física Qüântica. por exemplo. unidas às contribuições vivenciais da experiência oriental. que deixaram de ser patológicos para se confirmarem como de natureza paranormal. dilatando o campo da realidade humana — antes do berço e depois do túmulo —. que contribuem para o logro da saúde mental.. Criada pela necessidade de atualização urgente de novos e complexos paradigmas. no que diz respeito ao homem integral. Assim. psicológico da humanidade vem impondo. sociológico. dos anos sessenta deste século. e por se tornar evidente a necessidade do desenvolvimento da Psicologia Humanista. tornando-se urgente a adoção do comportamento transpessoal. da Psicobiofísica. o estudo e a observação imparciais dos fenômenos anímicos e mediúnicos não mais se submetem aos modelos estreitos da psicologia tradicional. que são importantes para o equilíbrio fisiológico e o bem-estar psicológico dos indivíduos.

as condições ambien tais. Todos os modelos e paradigmas são passíveis de revisão. veio facultar o surgimento do modelo transpessoal e dos seus atuais paradigmas. não podendo fugir a uma ou outra dessas condições. porém. Nesses estados dilatam-se-lhes a percepção dos sentidos. portanto. desenvolvem-se-lhe os recursos latentes. Desse modo. e a conquista da iluminação era considerada como uma automática regressão a estágios intra-uterinos. hiperventilação. Nesses choques de modelos e propostas. como indissociáveis da conduta. Os antigos modelos psicológicos... tornava-se inevitável a disputa em torno de qual seria o verdadeiro.18 O ser transcendental deixa. oração. não abarcavam as atuais conquistas que facultam mais ampla compreensão da personalidade humana. a lucidez. interferências mediúnicas. que lhe cabe desenvolver ao largo das sucessivas reencarnações. confirmação ou modificação. deixa de permanecer fragmentado. e o ser espiritual éimensurável na sua estrutura profunda. perispírito e matéria. A Psicanálise. o estágio de paranóide. como fundamentais. por exemplo. compondo o homem. Seja a libido — motivação freudiana —. para tornar-se inteiro. do inconsciente. o ser interior: espírito. conflitando com a natureza da modificação do comportamento. O novo modelo e paradigma transpessoal. O ser humano. Antes desse alargamento da visão transpessoal. Uma larga documentação experimental. responsáveis pelo comportamento. o anseio de superioridade. todas as experiências místicas eram tidas como neurose narcisista. indução hipnótica. antes alarga os conceitos existentes. tem concepção específica em torno da determinação da conduta. auto-sugestão. estrutura-se na sabedoria do oriente e nas modernas experiências do ocidente. As experiências terapêuticas de muitos analistas transpessoais demonstraram que os seus pacientes transcendem os níveis normais de consciência. embora a nomenclatura diferenciada que vem sendo adotada pelos psicólogos e terapeutas transpessoais. respeita-lhes a validade. meditação. O estudo transpessoal não pretende ser único. buscando desenvolver e ampliar as dimensões da natureza humana e a sua realidade intrínseca. do relacionamento interpessoal.. O seu potencial é imprevisível. surge o quesito da motivação. como expressões essenciais da natureza humana. O psicanalista enfatiza as forças intrapsíquicas. no rumo do Infinito.. conforme a proposta kardequiana. concentração. desse modo. determinando o comportamento. experiência e treinamento paranormal. após os quais há o retorno da saúde — quando em psicoterapia — do bem-estar. predominantes. o ser é levado ao êxito nas suas buscas. como superação dos instintos agressivos — motivação adleriana — ou o imperativo ambiental — motivação comportamentalista —. Já os comportamentalistas estabelecem. do eu profundo. Unindo tecnologia e observação. assumindo a paranormalidade indispensável à harmonia do seu comportamento com a sua realização psicológica. ioga. . quando estimulados por drogas químicas. dessa forma. o conhecimento do passado e do futuro. com desprezo pelos demais. por estreiteza de visão.

eliminando a esdrúxula e tradicional explicação de que são fenômenos patológicos. ao mesmo tempo enriquecendo as psicoterapias com arsenal de informações libertadoras. diante da análise cuidadosa dos estados alterados de consciência por meio da hipnose. pela globalização. portador de mais amplos recursos. Como conseqüência. — ensejou melhor visão em torno do ser humano e sua grandiosa dimensão. escrita automática — ou psikapa — transporte. Desse modo. graças aos estudos e observações de alguns neuropsiquiatras. pre e retrocognição. da aplicação de drogas psicodélicas. o ser humano supera a condição reducionista a que foi submetido por alguns psicólogos e amplia a dualidade corpo-espírito. mais se agigantam as perspectivas do conhecimento para tornar a existência humana mais digna de ser vivida. desmaterialização. das reencarnações e dos desconsertos mediúnicos. hauridas no estudo das obsessões. ora inconscientemente. em razão do aprofundado estudo do cérebro através da holografia. que é indissociável de todo acontecimento físico e psíquico. concentrações e contribuições conscientes. enquanto o direito se encarrega do comportamento místico. A Psicologia Transpessoal e a Parapsicologia. aproximam-se da realidade do Espírito. para apresentar-se em estrutura completa. noutras ocasiões mediante induções. orientação espacial. . bicorporeidade —conduz à certeza de um agente racional e lúcido — o Espírito — como causa de todas as manifestações. telepatia. da meditação. por isso mesmo. intuitivo. O Espírito é a base da Psicologia Transpessoal. nos ocidentais. A súbita mudança de conceitos cartesiano-newtonianos a respeito de tempo e espaço — graças aos admiráveis descobrimentos da física qüântica. portador de percepções extra-sensoriais e faculdades mediúnicas. indutivo.19 5 A nova estrutura do ser humano À medida que a Psicologia vem aprofundando a sonda da investigação nos alicerces psíquicos do ser. Estudos acurados dos hemisférios cerebrais concluíram que o esquerdo é responsável pela razão e lógica. O ser organicista. os estados patológicos variados. pelas funções verbais. encontrando-se encarnado ou não. as diferenças de coeficiente intelectual. Por outro lado... Essa visão nova explica os desarranjos comportamentais. tentando compreender as alterações da consciência. em razão disso. que abarca todas as ocorrências que lhe sucedem. necessitando de ser devassado para melhor compreender-se os múltiplos fenômenos paranormais de que se faz instrumento. o hemisfério esquerdo é mais desenvolvido do que o direito. esse mais usado pelos orientais e. estabeleceu-se que. constatou-se que todo o cérebro é detector da memória. em inumeráveis experiências mediúnicas. que lhe constituem instrumentos de trabalho e progresso. face aos nobres intentos vitoriosos das neurociências e da Biologia molecular. unindo-se para interpretar os estados alterados de consciência. cede lugar ao indivíduo psi ou espiritual. conforme demonstra a Ciência Espírita. mediante as experiências continuadas na esteira das reencarnações. Toda a gama de fenômenos parapsicológicos na ordem psigama — clarividência. ectoplasmia.

faculta a compreensão dos fenômenos evolutivos. favorecendo todos os seres com as mesmas possibilidades de crescimento. deve-o. transferindo. tornando-se o indivíduo um ser trino. pelo contrário. no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que nela dormem latentes. desde a monera ao arcanjo. psicológicas. no qual a morte física dilui a forma sem aniquilar a sua realidade. conquistas e prejuízos que lhe programam os futuros renascimentos. estagiárias nos mais diferentes patamares da vida. . A unicidade da existência corporal não corresponde à realidade. A reencarnação. que caracterizam as criaturas humanas.Nota da Autora espiritual. conforme a visão espírita assevera. a lei de Deus está escrita na consciência (*) detentora da realidade. face às diferenças morais. sociais. assumindo uma posição aberta e holística. conforme a evolução do próprio ser. sem deter-se em modelos estáticos. Esse. orgânicas. que possui todo o conhecimento de tempo — passado. para o Espírito que sedia a vida. que a pouco e pouco se desvela. tradicionais. perispírito e matéria — a Psicologia pode melhor penetrar nos arcanos do inconsciente. Sediando o Espírito. presente e futuro — como a dimensão de espaço — o infinito no finito. assomam à consciência e se tornam patrimônio da lucidez. conseguindo a sabedoria de fazer somente o que deve e pode como membro consciente que age de acordo com a harmonia cósmica. atenta às informações das demais ciências e do Espiritismo. lentamente. Reconhecida a nova estrutura do ser humano —Espírito. o Espírito se utiliza dos equipamentos do perispírito. da mesma forma que nem tudo quanto deve.20 Organizando o corpo somático. mediante o corpo intermediário. Nos alicerces do inconsciente se encontram todas essas bênçãos que. qual seja. pode. o grande desafio para a Psicologia profunda. avançar cada dia mais na interpretação do ser humano. (*) Questão 621 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. vivenciando as mesmas oportunidades e adquirindo sabedoria — conquista do conhecimento e do amor — que culmina em sua plenitude. fazendo o ser compreender que nem tudo quanto pode fazer. culturais. .

21 SEGUNDA PARTE SER E PESSOA .

por exemplo. das conceituações de consciência. antes resumir correntes e apresentar uma síntese. Não pretendemos inovar modelos. poeta e filósofo da decadência romana. porque completa. do sonho. o que deu margem a considerações demoradas por pensadores e escolas variadas. nos séculos 5º e 6º. Não apenas o corpo. é preexistente ao corpo. e estabelecê-la como condição de ótima ou lúcida. a matéria — efeito —. de causalidade. a individualidade. desenvolvendo-se fiel a uma fatalidade que se manifesta em cada experiência corporal — reencarnação — como aquisição de novos implementos. A pessoa sintetiza. faculdades e funções que tangenciam ao crescimento e à felicidade. porém. A complexidade. num ser complexo de expressão trinária. as dimensões várias que lhe cumpre preservar e aprimorar. definiu a pessoa como constituída por uma substância individual de natureza racional. Para entendê-la. nem sempre responde aos conteúdos de que se constitui. manteve o conceito de pessoa nos limites berço-túmulo com uma estruturação transitória. elucida os inúmeros fenômenos paranormais de natureza anímica e mediúnica que caracterizam a existência humana. consideram a pessoa um ser integral. que teve muita influência significativa durante a Idade Média.22 6 A pessoa Boécio. quando corporificada. o ser psicofísico. na medida em que essa relação é percebida como tal pelo ego. através dos séculos. A visão transpessoal espírita. desde os seus conteúdos humanista. cujas dimensões podem expressar-se em várias manifestações. A pessoa. Os estudos transpessoais. buscou demonstrar que a pessoa é distinta do indivíduo e do ser psicofísico. e sua origem perde-se nos milênios passados do processo evolutivo. a novos potenciais que estruturam o ser pleno. enquanto a outra sustenta a idéia de uma realidade transcendente. A psicologia ocidental. na qual os . facultando o desabrochar de recursos que lhe fazem embrionários e são essenciais ao seu existir. do delírio. A filosofia. incorporando as teses orientais. no entanto. preferiu seguir o conceito de Boécio. a pessoa é um ser que se expressa em múltiplas dimensões. diferindo da oriental. enquanto Emmanuel Kant se apoiou em conteúdos mais profundos. a personalidade. o comportamento. Santo Tomaz de Aquino. o perispírito — modelo organizador biológico — e o espírito — a individualidade eterna. quais a consciência. comportamentalista e existencial. A consciência Jung definiu a consciência como a relação dos conteúdos psíquicos com o ego. a identificação. concedendo-lhe dinâmica imortalista e conteúdo de significado. observada do ponto de vista imortal. quando da análise da pessoa em si mesma. é necessário situá-la além dos limites do sono. embora a sua imanência na expressão da forma e relatividade corporal. Do ponto de vista psicológico.

O comportamento impõe necessidades e as expressa simultaneamente. A mente algema e libera. o desejo expressa a qualidade evolutiva da pessoa. através de transes e da contemplação profunda. acima de tudo. Cada pessoa reencarna com as características herdadas das experiências anteriores e submete-se aos condicionamentos de cada fase. estruturador profundo do ser imortal. a personalidade representa a aparência para ser conhecida. As experiências nas diversas áreas de consciência alterada. A psicologia tradicional. onde outras realidades são bases do ser pessoal.23 episódios psicóticos cedem lugar à normalidade. do saber e do amar — faculta a ampliação das próprias possibilidades para penetrar em dimensões metafísicas. definidoras de experiências nos sexos. A psicologia filosófica do oriente sempre proporcionou os estados de plenitude e nirvana. A personalidade Em permanente representação dos conteúdos mentais. na inteligência. ou presídio. ao discernimento. do real psicótico. necessitando de austeras disciplinas para ser comandada. quanto cultiva. ao equilíbrio gerador de harmonia. que responde pela do grupo social. A consciência adquirida — a perfeita identificação do conhecimento e do fazer. O comportamento As atitudes que caracterizam a pessoa resultam do convívio social e das aspirações cultivadas. gerando a consciência individual. por ela transitan- . do real em sonho. aferrada ao organicismo ancestral. no qual o ser transita pelos vínculos que se permite desenvolver. no comportamento. Somente o autoconhecimento favorece o comportamento com as possibilidades de desenvolvimento pessoal. definindo a pessoa. a sua mente. responsáveis pelo grau de libertação emocional. ao invés de revelarem situações patológicas. face à aplicação dos valores adquiridos. na cultura. Nesse imperativo. não raro. sem os limites do real aceito. A pessoa é. e dominada pela imposição das leis e costumes de cada época e cultura. prefere ignorar os elevados níveis de consciência. Ressaltam. gerador de conflitos. em distonia com o eu profundo e real. respondendo pela conduta e pelos fatores daí decorrentes. A personalidade é transitória e assinala etapas reencarnacionistas. conseguidas por substâncias psicodélicas ou através de meditação profunda. torna-se. experimenta. O que elabora. nos quais os estados alterados transcendentes facultam a visão dilatada da realidade. abrem perspectivas fascinantes para terapias liberadoras e que proporcionam dilatação do conhecimento e do sentido mais amplo da vida. ensejando a superação dos limites do estágio de normalidade. na arte e no relacionamento interpessoal. ao invés de ser a dominadora irredutível. as ambições do desejo.

A individualidade Somatório de todas as experiências. fadada à elevação. trabalhando a pessoa para que assuma a sua realidade positiva e superior. que. Assimilar todos os condicionamentos e exteriorizar uma personalidade consentânea com o ser real. individualidade eterna. fixados. O apego externo. que se tornam fundamentais. crescendo em conteúdos mentais e desencarcerando-se. A psicologia oriental estabelece na ilusão. portanto responsáveis pelo sofrimento nas suas várias facetas. este. a individualidade é o Espírito em si mesmo. ideal. A identificação externa impõe as lutas e os conflitos da assimilação dos comportamentos sociais. que reúne as demais dimensões e sabe conscientemente o que fazer.24 do com os seus sinais tipificadores. gerando falsas necessidades. . a individualidade é o ser pleno e potente. aos painéis do ser. que superou os condicionamentos e comportamentos pessoais de consciência livre. no entanto. algumas preponderantes razões para o sofrimento. A identificação De duas formas a pessoa se identifica com os valores do progresso: externa e internamente. nos quais o apego assume a condição mais importante. Enquanto a filosofia informava que a pessoa não é o indivíduo. eis o desafio da terapia transpessoal. responsável pelos vícios e paixões degenerativos. na visão da psicologia profunda. atavicamente. pessoa transitória. deve liberar-se daqueles valores. Imperecível. crueis. é o ser total. para ser a pessoa integral. para conseguir. que conduzem a patologias dolorosas. a primeira e última da existência. desidentificando-se de hábitos milenários. nos quais o ser se auto-encontra e se realiza. A identificação assinala o estágio de evolução de cada pessoa. é menos danoso do que o interior. na impermanência da vida física. que alcançou a auto-realização. A desidentificação induz à conquista de patamares elevados. até permitir-se a perfeita harmonia entre ser e parecer. alguns. metafísicos. com as quais a pessoa se identifica. quando fazê-lo e como realizá-lo.

perde o rumo. De relevantes significados são os conteúdos negativos do comportamento emocional. deixando-se consumir pelos vapores da perturbação. que a insistência mental e insensata do gozo desenvolve em forma de incêndio voraz. que afeta qualquer área do conjunto psicofísico. a criatura transita do cárcere dos sofrimentos aos portões da liberdade — das doenças à saúde ou vice-versa — através da energia direcionada ao bem. A mente desordenada. que situa no desejo a sua maior carga de aspiração. face à ausência momentânea dos sintomas que lhe permitem o registro. o ódio. da emoção e do corpo. o amor constitui o grande demolidor das estruturas celulares. que passam a desvitalizar os campos nos quais se movimentam. à harmonia. podemos considerar que. possessivo. asselvajado. escrava da mente. as personalidades atormentadas aferram-se ao amor-desejo. trabalhada pela insistência de preservação dos ideais superiores da vida. A auto-análise. é o recurso preventivo para a manutenção do bem-estar e da saúde nas suas várias expressões. Da mesma forma. a percepção do insucesso. passando a fixações neuróticas e somatizadoras. Ocultando frustrações pertinazes e gerando mecanismos de transferência neurótica. ao amor-sexo. pode-se considerar que a saúde cede lugar à perturbação. conflitos e traumas. possa aparentar saúde. referimo-nos ao amor bruto. constituída pela energia que o Espírito envia a todos os departamentos materiais e equipamentos nervosos. pela força dos desejos de que se faz portador. a manifestação de distúrbios. que levam aos vários desconsertos patológicos. conhecidos como enfermidades. Certamente. harmonia orgânica e ajustamento sócio-econômico. com poderes destrutivos. a angústia. Por isso. O atormentado fixa a sua identidade na necessidade do que denomina . geradores das disritmias energéticas. a criatura humana. Quando um desses elementos deixa de existir. O amor Confundidas as sensações imediatas do prazer com as emoções emuladoras do progresso moral. ao amor-ambição. que cultiva paixões dissolventes. das constrições de vária ordem. insuspeitáveis. é possível que uma criatura. o rancor. Entre os muitos fatores de destruição do equilíbrio. Sendo. qualquer distonia que a perturbe abre campo para a irrupção de doenças.25 7 Fatores de desequilíbrio A saúde da criatura humana resulta de fatores essenciais que lhe compõem o quadro de bem-estar: equilíbrio mental. que respondem pelos estados inarmônicos da psique. ao amor-posse. anotemos o amor. das dominações bacterianas. enfraquecendo-os e abrindo-os à sintonia com os microorganismos degenerativos. Os conteúdos do equilíbrio expressam-se no comportamento. em processo degenerativo. infelizes. propiciando modelos de criaturas desidentificadas com as manifestações deletérias do meio social. que se convertem em gigantes da vida psicológica. ou sob distonias.

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amor e projeta-se, inconscientemente, sobre quem ele diz amar, impondo-se com sofreguidão irrefreável, ou acalentando intimamente a realização do que anela, em terrível desarmonia interior. A quanto mais aspira e frui, mais exige e sofre; se não logra a realização, mais se decompõe, perdendo ou matando, com os raios venenosos da mente em desalinho, as defesas imunológicas e a vibração de harmonia mental, logo tombando nos estados enfermiços. A angústia A insegurança pessoal, decorrente de vários fatores psicológicos, gera instabilidade de comportamento, facultando altas cargas de ansiedade e de medo. Sentindo-se incapaz de alcançar as metas a que se propõe, o indivíduo transita entre emoções em desconserto, refugiando-se em fenômenos de angústia, como efeito da impossibilidade de controlar os acontecimentos da sua vida. Enquanto transite nos primeiros níveis de consciência, a carência de lucidez dos objetivos essenciais da vida levá-lo-á a incertezas, porqüanto, as suas, serão as buscas dos prazeres, das aspirações egoístas, das promoções da personalidade, sentindo-se fracassado quando não alcança esses patamares transitórios, equivocados, em relação à felicidade. Aprisionando-se em errôneos conceitos sobre a plenificação do eu, que confunde com as ambições do ego, pensa que ter é de relevante importância, deixando de ser iluminado, portanto, superior aos condicionamentos e pressões perturbadoras. A angústia, como efeito de frustração, é semelhante a densa carga tóxica que se aspira lentamente, envenenando-se de tristeza injustificável, que termina, às vezes, como fuga espetacular pelo mecanismo da morte anelada, ou simplesmente ocorrida por efeito do desejo de desaparecer, para acabar com o sofrimento. Normalmente, nos casos de angústia cultivada, estão em jogo os mecanismos masoquistas que, facultando o prazer pela dor, intentam inverter a ordem dos fenômenos psicológicos, mantendo o estado perturbador que, no paciente, assume características de normalidade. O recurso para a superação dos estados de angústia, quando não têm um fator psicótico, é a conquista da autoconfiança, delineamento de valores reais e esforço por adquiri-los ou recorrendo ao auxílio de um profissional competente. As ocorrências de insucesso devem ser avaliadas como treinamento para outras experiências, recurso-desafio para o crescimento intelectual, aprendizagem de novos métodos de realizações humanas. Exercícios de autocontrole, de reflexões otimistas, de ações enobrecedoras, funcionam como terapia libertadora da angústia, que deve ser banida dos sentimentos e do pensamento. O rancor Fenômeno natural decorrente da insegurança emocional, o rancor produz ácidos destruidores de alta potencialidade, que consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação das doenças. Entulho psíquico, o rancor acarreta danos emocionais variados, que levam

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a psicoses profundas e a episódios esquizofrênicos de difícil reparação. A criatura humana tem a destinação da plenitude. O seu passo existencial deve ser caracterizado pela confiança, e os acontecimentos desagradáveis fazem-se acidentes de percurso, que não interrompem o plano geral da viagem, nunca impeditivos da chegada à meta. Por isso, os acontecimentos impõem, quando negativos, a necessidade de uma catarse libertadora, a fim de não se transformarem em resíduos de mágoas e rancores que, de contínuo, assumem mais danoso contingente de ocorrência destrutiva. A psicoterapia do perdão, com os mecanismos da renúncia dinâmica, consegue eliminar as seqüelas do insucesso, retirando o rancor das paisagens mentais e emocionais da criatura, sem o que se desarticulam os processos de harmonia e equilíbrio psíquico, emocional e físico. O ódio Etapa terminal do desarranjo comportamental, o ódio é tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física. Desenvolve-se, na sua área, mediante a análise injusta do comportamento dos outros em relação a si, e nunca ao inverso. Fazendo-se vítima, porque passou a um conceito equivocado sobre a realidade, deixa-se consumir pelo complexo de inferioridade, procedente da infância castrada, e descarrega, inconscientemente, a sua falta de afetividade, a sua insegurança, o seu medo de perda, a sua frustração de desejo, em arremessos de ondas mentais de ódio, até o momento da agressividade física, da violência em qualquer forma de manifestação. O ódio é estágio primevo da evolução, atavicamente mantido no psiquismo e no emocional da criatura, que necessita ser transformado em amor, mediante terapias saudáveis de bondade, de exercícios fraternais, de disciplinas da vontade. Agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida e o mundo. A saúde da criatura humana procede do ser eterno, vem das experiências em vidas anteriores, conforme ocorre com as enfermidades cármicas, no entanto, dependendo da consciência, do comportamento, da personalidade e da identificação do ser com o que lhe agrada e com aquilo a que se apega na atualidade.

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8 Condições de progresso e harmonia
Na estrutura profunda da individualidade humana, encontram-se as experiências milenárias do ser, nem sempre harmonizadas entre si, geradoras de conflitos e complexos negativos que a atormentam. Atavicamente vinculada ainda às sensações decorrentes da faixa primária por onde transitou, a líbído exerce-lhe poder preponderante no comportamento, conforme as constatações de Freud, que a considerou fator essencial na vida humana. Observando os diversos fenômenos de conduta e as terríveis angústias, como exacerbações da emotividade das criaturas, o mestre de Viena organizou todo o edifício da psicanálise na manifestação sexual castradora ou liberada, bem como na complexa influência maternopaternal, que desde a infância conduziu o ser sob os tabus perniciosos e as constrições dos desejos irrealizados, das consciências de culpa, dos implementos perturbadores da personalidade patológica. Estamos, sem dúvida, diante de fatores incontestáveis, todavia adstritos às áreas fenomenológicas e não causais, em se considerando que, herdeiro de si mesmo, o Espírito é o autor do seu destino — nunca será demasiado repetí-lo — renascendo em lares nos quais mantém vínculos afetivos e familiares, conforme a sua conduta anterior. Face à variedade de renascimentos, nem sempre consegue diluir as lembranças que permanecem em forma de tendências e aptidões, de desejos e necessidades. Não digeridas, as frustrações, eis que se impõem mais graves, ao ressurgirem, na sucessão das ocorrências comportamentais, em forma de distúrbios psicológicos de variada catalogação. Preocupada com o ser-máquina, a psicologia não tem ensejado uma compreensão maior da criatura, que fica, na visão reducionista, limitada a um feixe de desejos e paixões primitivas. Em uma análise transpessoal, o ser enriquece-se de valores que lhe cumpre multiplicar cada vez mais, autoconhecendo-se e autodisciplinando -se, à medida que a sua consciência adquire lucidez e torna-se ótima. Abrem-se-lhe então as perspectivas antes cerradas, e facultam-se-lhe as oportunidades de dilatação do campo intelecto-emocional, passando a vencer as seqüelas das existências anteriores, ainda predominantes no psiquismo, que se exteriorizam em forma de desarmonia. A desidentificação com os graves compromissos que ainda o atormentam torna-se factível, mediante a impregnação com outros ideais e aspirações mais abrangentes quão agradáveis, que passam a povoar-lhe a paisagem mental. Nesse esforço, faz-se viável o autoconhecimento, como primeiro tentame de crescimento psicológico. A necessidade de tornar a mente um espelho, e postar-se defronte dela desnudo, é inadiável. Somente através de um exame da própria realidade, observando-se sem emoção — o que impede os sentimentos de autocompaixão como os de autopromoção, de justificação ou culpa — consegue-se um retrato fiel do que se é, e do que cumpre fazer-se para mais amar-se e ajudar-se como segmento imediato do esforço. Enquanto a criatura não se despoja dos artifícios com que se oculta, evitando desnudar-se em uma atitude infantil repressiva, qualquer tentame exterior para o progresso e a harmonia resulta inócuo, quando se não torna perturbador.

manifestando-se em todas as expressões e começando por si próprio.29 Ninguém é culpado conscientemente de ser frágil. Amor indistinto. sem culpa —. irradia energias saudáveis. e a harmonia resulta da consciência desperta para a conquista da sua plenificação. que se exteriorizam como entendimento da vida e atração por ela. encontra-se a ação solidária no concerto social. num empenho incessante de crescer e jamais cansarse. nessa atitude que resulta do empenho individual. a esfinge perturbadora atira-se ao mar do discernimento e desaparece. ensejando saúde mental e emocional indispensáveis à física. saturar-se ou desistir. sem conflito. Equipada de honesto desejo de eqüacionar-se. sem neurose —. bastando-lhe apenas dispor-se a desdobrá-las. O progresso é fatalidade da vida. cria novos condicionamentos que levam ao êxito. sem a imposição caprichosa do deus-destino. a permanência na postura denota imaturidade psicológica ou manifestação patológica do comportamento. buscando saber quem se é. Acomodada aos estados habituais. angustiantes. de como realizá-lo e quando dar início à nova fase. Não obstante. não se dá conta das incalculáveis possibilidades que lhe estão ao alcance. sem desejo. do esforço para fixar a mente nas idéias positivas. deixando o indivíduo livre seguir. metas e realizações. desgosto e inferioridade geradora de reações de violência ou de depressão com caráter autopunitivo. uma releitura dos seus fundamentos e posterior aplicação na conduta pessoal. e qual a finalidade da sua existência corporal e do futuro que a aguarda. A consciência liberta-o das heranças paterno-maternais. produzindo o conhecimento lúcido e benéfico. Ao lado da meditação. O auto-encontro pode ser logrado através da meditação reflexível. dando outra dimensão à afetividade — sem apego. com segurança de propósitos. Nenhum milagre ou inusitado ocorre. sem a maldita fatalidade de ser desditoso. sem paixão. é o passo inicial da fase nova. direcionados para o objetivo. O autodescobrimento tem por finalidade conscientizar a pessoa a respeito do que necessita. que contribuem para a realização da meta. ao lado do perdão liberador de ressentimentos. que alarga as possibilidades no campo onde se movimenta e promove o ser profundo. Na visão transpessoal. o progresso e a harmonia são conquistas internas do ser humano. Quando alguém aspira por mudanças para melhor. do campo mental. ocorrências naturais do processo de evolução. como decorrência normal do querer. que se torna filho capaz de conduzi-lo pelos caminhos da vida. fragmentário. facultando a harmonia pessoal — sem ansiedade. O intercâmbio social com objetivos fraternais rompe as amarras do medo. As condições do progresso e harmonia do eu real propõem um estudo das virtudes evangélicas. limpando-o dos caprichos do ego e liberando-o das arbitrárias injunções limitadoras. Através de contínuos esforços. .

30 TERCEIRA PARTE PROBLEMAS E DESAFIOS .

que determinam as desgraças de uns. gerando os meios felicitadores. Saúde seria. psicologicamente imaturo.. na escala dos padrões. enquanto reencarnado. não raro a visão do êxito apresenta-se-lhe distorcida. na sua dimensão de eternidade — desgasta-se. Ser pensante. o desinteresse. porqüanto ele já nasceria sob os estigmas dos ancestrais — no que diz respeito às heranças genéticas. Na busca do êxito. do ponto de vista biopsicológico. caracterizando-se como o deleite contínuo. ensej ando um prolongado desfrutar. Esquecendo-se da impermanência de tudo e da fugacidade do tempo — pelo qual apenas transita. a maquinaria fisiopsiquica obedece a automatismos precisos. teríamos a vida sem finalidade nem objetivo. Não fossem. mediante a travessia do percurso que lhe cumpre trilhar. e na competição encontra o estímulo para galgar os degraus do destaque. considerando todas as ocorrências como procedentes do acaso fatalista e absurdo. o ser desabrocha e cresce sob as condições que lhe são inerentes. o ser não atravessaria os caminhos difíceis dos distúrbios e doenças perturbadoras. das síndromes degenerativas e dos fenômenos patológicos vários. as ocorrências familiares e o convívio do lar.31 9 Êxito e fracasso O estado normal da criatura é o de saúde. um fenômeno natural. proporcionando desequilíbrios interiores que se expressarão em tormentos para si e para os outros no inter-relacionamento pessoal. Considerado o ser apenas como uma máquina. O imprevisível surpreende-o.. Impregnado pelas partículas e moléculas materiais que o vestem. A análise transpessoal do ser concede-lhe dignidade causal e destinação final. e. no qual o bem-estar e o equilíbrio proporcionam clima respirável de satisfação. Sem dúvida. portanto. Elaborada para um ritmo harmônico de vida. desenvolvem-se os atributos da personalidade. investe todos os valores. cabendo-lhe seguir o heliotropismo superior que o leva à sua destinação gloriosa. envelhece. destaca-se a criatura na escala zoológica. resultante dos prazeres hedonistas que a posição social relevante e o poder político-econômico proporcionam. o ser. tal colocação falha pela ausência de uma sustentação lógica. a saúde e a beleza de reduzida faixa dos demais. adoece e morre. dos quais resultam a saúde e as disposições emocionais. ao lar condicionador e à sociedade — no caso das distonias e anormalidades. ampliandose os conteúdos da individualidade e aprimoram-se as aptidões latentes que são o germe da presença divina em todos. descendo moralmente. para galgar-se patamares reais elevados nos processos das aspirações idealistas. os propiciatórios para a felicidade. que são efeitos das suas realizações precedentes. Possuidor de recursos e potências não dimensionadas. e surgem-lhe a saturação. os sentimentos apaixonados e os frustrados. Passo a passo. os fatores psicossociais. ou desditosos. por outro lado. as heranças genéticas. à medida que ascende na ... compreendendo os mecanismos da vida e aplicando o conhecimento para os logros da autorealização e da autoplenificação que lhe constituem o ápice da saúde.

prestígio na . ou pessoa redonda. deixa o degrau aberto que logo estará ocupado por aqueloutro que lhe será o substituto. o insucesso. psiquiatra alemão. William James. A criatura são as suas necessidades. Convém determinar-se que o êxito material pode significar fracasso emocional. No entanto. precedente ao corpo e a ele sobrevivente. que deixa de ser a exclusiva expressão terrena. como decorrência de condutas. tornado assim por estar à frente ou mais alto. dos sucessos das reencarnações passadas. considerou as personalidades de acordo com a compleição do indivíduo em pícnico. ocupando-lhe o lugar imediatamente inferior por ele deixado. não se apresentam conforme a proposta social imediatista. Face a tal conclusão. da visão distorcida da realidade. enquanto Ernesto Kretschmer. ou pessoa quadrada. uma forma de opção para o crescimento interior. os ciclotímicos harmonizarem-se e os introvertidos exteriorizarem-se. Caça-se o êxito como se fosse. afirmou que há espíritos esquizóides e ciclotímicos. e aplausos far-se-ão apedrejamentos. suas paixões e pequenezes. porém outra mais significativa e poderosa. o fracasso. o objetivo essencial à vida. geradoras dos problemas atuais. assumindo-lhe a posição. de atividades. que não o sabe. talvez ferindo profundamente a pessoa. por sua vez ascende. As psicoterapias são aplicadas conforme as revelações do inconsciente. a aparente falta de triunfo constitui a plena vitória sobre si mesmo. o insucesso. que estão profundamente registradas no Espírito. espiritual. na população humana. e o astênico. porque não permanecem espaços vazios nos relacionamentos humanos. segue-se-lhe o passo. pessoa delgada. Essa dicotomia de ocorrências — a interna e a externa — resultará em infelicitá-lo. e. classificou os biótipos humanos em espíritos fracos e fortes. Em todos há uma ânsia comum: os fracos fortalecerem-se. a criatura deve possuir e dispor de recursos necessários para uma vida saudável. o triunfo. perturbando-lhe o senso de avaliação e de consideração da realidade. demonstrando que o êxito. na floresta humana. ao invés do empenho pelo amealhar de moedas e reunião de títulos que não acalmam as emoções nem tranqüilizam as ambições.32 aparência. enquanto Carlos Gustavo Jung os considerou introvertidos e extrovertidos. interpretando as ocorrências dos sonhos nos estados oníricos e as liberações catársicas nas demoradas análises. consentânea com o grupo social no qual se encontra. Inevitavelmente. Somente a sondagem cuidadosa dos arcanos do ser pretérito enseja o encontro das causas passadas. sorrisos se tornarão esgares. O psicólogo americano pragmatista. atlético. o êxito não pode ser medido em contas bancárias. serão encontradas as matrizes de tais patologias. Certamente. Nem sempre. arrancando dos arquivos do psiquismo os fatores que geraram os traumas e determinaram os conflitos. até emparelhar-se-lhe e derrubá-lo. considerando-se. O triunfo de hoje é o prólogo do desencanto e das lágrimas de amanhã. para transportála para a vida imortal. inclusive. Denigre-se então o adversário. Uma análise transpessoal libera-o dos tabus. enquanto. porém. às vezes. confundindo-se triunfo de fora com realização de harmonia interior. as mesmas aspirações e os equivalentes conflitos.

vitoriosos de todos os tempos. Êxito é encontro. enquanto fracasso é domínio pelo ego. felicidade — embora perseguidos algumas vezes — e êxito — isto é. Auto-analisando-se. O êxito gera paz. a criatura harmonizada consigo mesma.33 comunidade e destaque político. assim dando-se conta do triunfo ou do insucesso. respeitando todas as aspirações e direitos dos demais indivíduos. Os homens e mulheres plenos. cada qual se descobre. A visão transpessoal do êxito e do fracasso está ínsita na pessoa interior. podendo recomeçar para alcançar o êxito. venceramse. nunca o fracasso. sem qualquer tipo de conflito. apesar de levados ao martírio. completaram-se e. a eles próprios impondo-se a auto-realização que lhes propiciou saúde — mesmo quando enfermos —. real. porém. optaram pela realização interior. Da mesma forma. e o fracasso inquieta. . com as outras pessoas. a vitória no que anelavam. com a natureza e a vida. não é factível definir-se por fracasso a ausência desses troféus.

a transitoriedade da vida física responde pela morte rápida da ilusão e pela destruição dos seus castelos. mascara-se. Atormentado pela ausência de valores pessoais.34 10 Dificuldades do ego Característica iniludível de imaturidade psicológica do indivíduo. produzindo lamentáveis estados emocionais naqueles que se lhes agarram com todas as veras. o autodescobrimento amadurece o ser. passando a viver em contínua inquietação. Em alguns casos. derrapando nas valas da projeção indébita do ego. os seus anseios. tendo em vista as realizações que devem permanecer após o seu desaparecimento orgânico. e promove situações que vitaliza no íntimo. Toda vez que alguém se promove. denunciando manifestação dominadora do ego em desequilíbrio. A conscientização da transitoriedade da existência física conduz o ser ao cooperativismo e à natural humildade. é a sua preocupação em projetar o próprio ego. Por outro lado. considerando os grandes problemas que aturdem os seres nas várias expressões em que se exteriorizam. em permanente estado de alienação do mundo real e das pessoas que o cercam. quão inseguro no comportamento. desse modo. transcendendo a existência atual. mas não se realiza. e oculta o drama interior partindo para o exibicionismo. que estabelece com rara habilidade. agrada o ego e fica inquieto observando os competidores eventuais. porque sempre insatisfeito. De fato. constitui sinal de alarme. faça-se notar. sem qualquer base em que apóiem e firmem as aspirações que acalentam. Toda preocupação que se fixa. Quando não se consegue aparecer através das realizações edificantes. A criatura que não se conhece. tida em alta conta. uma historio-grafia muito larga. para. Não conhecendo a gênese das mesmas. Pelo contrário. facultando-lhe compreender a necessidade da discrição que induz ao crescimento interior. inspirar simpatia. o indivíduo centraliza. remontando ao passado espiritual do ser. desde que chame a atenção. As diversas enfermidades e as variadas frustrações. conduzindo a autopromoção. em todas as pessoas que se destacam vê inimigos. assim engendrando novas técnicas para não ficar em segundo plano. pois que. não passar ao esquecimento. apega-se às atitudes afugentes da autopromoção. chama a atenção. porém. como mecanismo de fuga. Logo percebem-se de mãos vazias. nas necessidades de afirmação da personalidade. que se radicam no ego. atende ao ego. que logo gerará problemas. face ao próprio desequilíbrio. buscando tornar-se o centro das atenções mediante tricas e malquerenças. Patologicamente sente-se inferiorizado. Afirmou Freud que o sofrimento é inevitável. elabora estados narcisistas e afoga-se na contemplação da própria imagem. colimando o objetivo de ser admirada. . sustentando-se em falsos pedes-tais que desmoronam e produzem danos psicológicos irreparáveis. têm. vitimado por conflitos rudes. à plenitude. ou envolvendo-se nos mantos que a tornam vítima.

nada mais logra do que projetar a própria sombra. Ciúme. inveja.35 O tormento se lhe faz tão pungente e perturbador que. A Psicologia Transpessoal. Nas faixas da evolução mais densa. criou-se o brocardo: Que se fale mal de mim. um sofrimento inevitável. diante de tal estado. por ser uma forma de malho e de bigorna que trabalham o indivíduo. maledicência e um largo cortejo de emoções perturbadoras são os filhos diletos do ego. A superação dessa debilidade moral. quando o paciente. como fator essencial no processo da busca da saúde. nele insculpindo o anjo e arrancando-lhe o demônio do primitivismo aí predominante. . face aos perigos que são produzidos pelos problemas do ego dominador. mas que se fale. a conquista do ser pleno. de início. que deseja dominação e. o sofrimento campeia. vigiar as nascentes do coração. sem o que a vida se lhe torna. do ego. em determinadas áreas das artes. numa asseveração de que a evidência lhes preenche o ego. conforme propôs Jesus. ódio. propõe uma revisão dos conteúdos da personalidade. em que estagia a grande mole humana. realmente. identificando-se preexistente ao corpo e a ele sobrevivente. profundamente prejudicial. realizando um trabalho de crescimento emocional e uma realização pessoal plenificadores. ressentimento. realizador. na ânsia de promover-se. o Psicoterapeuta Excelente. iníqua. dessa imaturidade psicológica ocorrerá. mesmo quando é negativa. Qualquer escamoteamento da situação mórbida constitui risco para o comportamento. estabelecendo.

A medida que se agravam... dores que parecem reais. atormentando o paciente com a inquietante idéia de que. O célebre médico vienense. As segundas. produzem desarmonia. desajustando o sistema nervoso. amnésia. às vezes. de mais difícil recuperação. distúrbios de postura. perturbador. de fonação. verdadeiro e psicogénico. As primeiras decorrem de fixações e pressões de vária ordem. de ansiedade. de insegurança. incluindo os estados obsessivo e compulsivo.. isto é. movimentos desconexos. especialmente em decorrência de exigências do grupo social e da coletividade. nos temperamentos frágeis. irreversíveis. expressando-se como manifestações de histeria conversiva. expressam-se como forma de transferência. de doenças. porque de origem psicogênica. breve. que. decorrente de perturbações do sistema nervoso. fora de si. desequilibra a emoção e gera desajustes fisiológicos sem patogênese profunda. alarmantes.. Não raro. repetições de palavras ou de gestos.. Com características próprias e sem causalidade cerebral. as neuroses apresentam-se com caráter de culpa. Ao se instalarem. Quando ele não encontra . etc. de altura. que muito se interessou pelas neuroses. as de origem traumática. na sociedade.36 11 Neurose Enfermidade apirética. prisões de ventre. de medos. São elas: a neurastenia. Outras vezes. O quadro dos estados histéricos. em formas de pressões reais ou aparentes. embora a complexidade moderna de conceitos e variedades ora apresentados por especialistas. ansiosa. porque de apresentação sutil no seu começo — tiques nervosos. sem qualquer lesão anatômica de vulto. recorremos a Freud. podem levar a paralisias. as de ansiedade. a responsabilidade pertence-lhe. estabeleceu que as há verdadeiras e psiconeuroses. buscando. A manifestação do pensamento de culpa tem um significado autopunitivo. radica-se na psique e tende a avançar para as fixações obsessivas e compulsivas atormentantes. Para um melhor. dependências de bengalas psicológicas. a hipocondria. Quando se apresentam com manifestações fóbicas — medos de ambientes fechados. apresentam estados de angústia. como taquicardias. simultaneamente. sem que necessariamente o lesionem. a um passo dos estados psicóticos. assumindo proporções mais sérias. a neurose é mal que perturba expressivo número de criaturas da mole humana. sobre todo mal e insucesso que lhe acontece. estudo metodológico. também podem manifestar-se em caráter misto. Ao lado do mecanismo psicológico causal. que classificou as neuroses em dois grupos. As neuroses. Generalizando a sua etiopatogenia. as razões que lhe justifiquem as ocorrências mínimas ou máximas que o desagradem. que dissocia a personalidade. conversivos e ansiosos. apresentam uma temporária perturbação orgânica. e a necessidade de culpar outrem aturde o paciente. conduzem a uma regressão de fixações da infância. dando curso a inquietações.. — trazem componentes graves. que se apresenta sempre na condição de vitima. É comum fazerem-se acompanhar de episódios e fenômenos somáticos mui variados. às vezes. fixações psíquicas que se agravam — grassam. fragmentando-a.

e porque prosseguiram vivendo. os adversários. Como terapia preventiva a qualquer distúrbio neurótico. quando deveria haver sido justiçado. . bem como perseverante esforço de recomposição psicológica. — que interferem no comportamento das criaturas humanas e as perturbam. não sendo outros. quando ocorrem as subjugações lamentáveis. etc. encontra-se vinculada a acontecimentos pretéritos. que atrelou a consciência a comportamentos desvariados e passou injustamente considerado.. mais tarde. da meditação. Aprofundando-se a sonda da inquirição na psicogênese dos fenômenos neuróticos. com os anseios da conquista tranqüila do futuro. apela para a figura do abstrato coletivo: a sociedade. representam o mais equilibrado e expressivo caráter psicológico de criatura portadora de saúde mental. As moléstias. Os estados neuróticos são profundamente inquietadores e desarmonizam o psiquismo humano. e abrindo-se às realizações de enobrecimento no presente. particularmente na área psíquica. dúplices. por serem doentes da alma os seus portadores. porque as vítimas das suas ações ignóbeis morreram. empurrando-o para processos longos de loucura. as almas dos homens que antes viveram na Terra e permanecem vivos. o governo. por afinidade de consciência de dívida-e-cobrança. ao lado das neuroses. Toda terapia liberativa deve ter como recurso de auxílio a renovação moral do paciente. por cujo meio ele se lenifica e se apazigua com aqueles que o odeiam e consigo mesmo. da relevante ação caridosa. desidentificando-se das matrizes perturbadoras do passado.. a Psicologia Transpessoal identifica esses seres — personalidades anômalas. Assim ocorre. necessitando receber conveniente terapia. sua reeducação através das disciplinas espirituais da oração. Certamente. depois sujeitando-os pelo controle mental e. que reflete na psicologia do indivíduo os estados neuróticos. que permaneceram camuflados por aparência digna para a atual reencarnação. defrontar-se-ão as causas reais na conduta anterior do paciente. A consciência inquieta. Lentamente.. inflingindo-lhes então maior soma de aflições. porém não se consumiram. por constatar a excelência da própria recuperação. Jesus asseverou: A cada um segundo as suas obras. Atuar sempre com segurança após saudável reflexão. ainda. instalam-se. de natureza física. negativos. a princípio telepaticamente. Deus. transferindo os receios e inseguranças. pensar com retidão e viver em paz consigo mesmo. reencontram. recebendo simpatia e amizade dos amigos e conhecidos. com o exame de consciência correspondente. quão infelizes. Eis por que. a auto-análise freqüente. na qual assomam do inconsciente profundo as culpas e os conflitos que ora se manifestam como processos reparadores.37 um responsável próximo e direto.. senão. conhecendo a etiopatogenia das enfermidades em geral. surgem episódios de obsessão espiritual que agravam a débil constituição do enfermo.

38 QUARTA PARTE FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE .

o homem que cultiva a autopiedade desenvolve tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se entrega. facultando a identificação dos recursos disponíveis. Não raro. Quando. conforme seja acionada pela vontade. no entanto. Os grandes vitoriosos do mundo lutaram com tenacidade para romper os limites. às transferências da piedade por si mesmo. porque investiram na ação todo o tempo disponível. Por isso mesmo. cujo desvio comportamental plenifica o ego. os insucessos são patamares que propiciam avanços para que se alcancem degraus mais elevados. a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz. e ninguém se lhe exime à influência. e com mais beleza. Não se detiveram na lamentação. A mente. as enfermidades. tornaram-se vigorosos no fragor das batalhas travadas. Conduzida pelos escuros corredores da lamentação. ao invés de lamentar-se. o cultivo da autocompaixão. Beethoven continuou compondo. Toda aprendizagem assenta-se nos critérios do erro e do acerto.39 12 Autocompaixão Psicologicamente. encontra-se mais bem aquinhoado do que a maioria das pessoas no seu grupo social. torna-se cárcere sombrio ou asas de libertação. benéficas. Não nasceram fortes. encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar à volta. fechando-se no círculo diminuto da personalidade mórbida. Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade. logo derrapando em psicopatologias devastadoras. encontra-se a um passo de perturbações emocionais graves. com que contamina as pessoas que o cercam ou que se lhe acercam. Reflexões sobre dificuldades pessoais constituem fenômeno auxiliar para ações dignificadoras. somente a sua é uma situação dolorosa. transforma-se em mecanismo masoquista de perturbadora presença no psiquismo. Aquele que se entrega à autocompaixão nunca se satisfaz com o que tem. mediante a insistente reclamação em torno dos acontecimentos da vida. que se fixam pela natural repetição. recorrendo. que disfarça. Desse modo. os problemas. bem como avaliação das atitudes que redundaram em insucesso ou desequilíbrio. No seu atormentado ponto de vista. Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros. recusando-as. os desafios. prosseguiu escrevendo excelentes poemas. demonstrando insatisfação sistemática. selecionando as experiências consideradas saudáveis. o poeta cego. com os valores de que dispõe e pode movimentar. assumindo a lamentável condição de infelicidade. após a . sem qualquer respeito pelas demais pessoas. A pseudo-aflição mantida converte-se em motivo de alegria. inconscientemente. quando essas expressões de socorro lhe são dirigidas. a fim de as evitar no futuro ou corrigi-las quanto antes. o indivíduo elege a posição de vítima da vida. realizando um mecanismo de valorização pessoal. Milton. com o que é. E. desatrela condicionamentos que aprisionam o ser demoradamente. reclama e convence-se da desdita que imagina. digna de apoio e solidariedade. porém. reage.

ao próximo. surda e muda. Franklin D. da sua finalidade. gago. cultura. à vida e a si própria. tornou-se presidente da América do Norte e colaborou grandemente para a paz mundial durante a Segunda Guerra. na miséria. cedendo espaço mental para os tentames que levam à vitória. aleijado. traduziu para os ouvidos humanos as belas melodias que lhe vibravam na alma.40 surdez total. extermina-se o amor.. recusa-se a crescer e não luta. Fator de desintegração da personalidade. colocando-os sobre a língua.. nem tampouco a ninguém.. estagiando na amargura com a qual se compraz. Epícteto. Quem de si se compadece. escravo e doente. O homem tem o dever de aprofundar meditações em torno das aflições e dos seus problemas. entre crises de hemoptises. contribuiu para o engrandecimento da Quimica. para corrigir a dicção. Roosevelt. não se amando. sofrendo competições ultrizes. . Chopin. Demóstenes. e Mozart. filosofava.. estóico. vitimado pela poliomielite. A desenvolvimento saudável do ser psicológico impele-o à confiança e o induz à atividade para a aquisição do sentido da vida. A galeria é expressiva e iluminada pelo gênio e pela coragem desses homens e mulheres extraordinários. deu seguimento às músicas ricas de ternura. tuberculoso.. a auto-compaixão deve ser rechaçada sempre e sem qualquer consideração. e amor a Deus. à saúde emocional e à harmonia íntima.. Steinmetz. Quando se mantém a autocompaixão. Helen Keller. cega. recorreu a seixos da praia. comoveu o mundo com a sua coragem. a fim de os superar.

que transmitiam as repostas do deus evocado. aos fados perversos. Ocultando os conflitos perturbadores. social. em tonalidade azul-turquesa.41 13 Queixas O golfo de Corinto. que poderia ser transformado em êxito. do azedume e dos raios destruidores da mente rebelde. às autoridades governamentais. emocional. São. na Grécia. a fragilidade e a insegurança do paciente que ocasionam o insucesso. no qual. assomam-lhe. responsáveis pelas ocorrências negativas que procura ignorar ou escamotear. é região de beleza ímpar. As suas águas. o mais importante da época. Permanecendo na infância psicológica. erguia-se o santuário de Delfos. no que se compraz. e se multiplicavam as queixas dos desesperados. as sibilas. artístico. abandonando a queixa. da luz.. No monte Parnaso. Não consideramos sucesso apenas o triunfo econômico. aquele que de tudo se queixa tem a personalidade desestruturada.. permanecendo sob constantes bombardeios do pessimismo. emoldurado pelas montanhas que lhes resguardam a tranqüilidade multimilenaria. Certamente. religioso. caso. que deve ser desenvolvido. sem conseguir enunciá-las. e personificam-se nas criaturas. Para o seu templo. bem como das cidades-estados que lhes buscavam ajuda. porque destituídas de lógica. herdeira do arquétipo arcaico. da cultura. à má sorte. de solução para os problemas. Ali. onde se cultuava Apolo. sem o contributo do esforço pessoal. que remanescem no inconsciente. conserva-se em . acorriam multidões aturdidas e ansiosas em busca de orientação. desempenhavam papel importante no comportamento dos consulentes. no entanto. refletindo-lhe a insegurança e a perturbação. dos que necessitavam de soluções imediatas para a sobrevivência moral. Na mitologia grega arcaica. Era o santuário no qual se sucediam os apelos. Os mitos trágicos. perseverasse na ação bem direcionada. Psicanaliticamente. de segurança emocional. que são denominadas como aziagas. que se agravam com as queixas. inspiração. em qualquer circunstância. que passa a detestar ou nas circunstâncias. político. Hoje. social. ainda permanece a sua mensagem no inconsciente da criatura. miraculosas. em conseqüência. passando as acusações para os tempos nos quais vive. eqüacionador dos enigmas e dos conflitos. que prossegue buscando soluções fáceis. o deus da razão. há fatores humanos e ocasionais que respondem pelas dificuldades e problemas humanos. organizadoras do eu. era um reduto onde nasciam as identificações inconscientes do ser. A queixa de que se faz portador é reação mental e emocional patológica. reduzido a escombros. gerador de estados neuróticos e de perturbações lastimáveis. parecem um espelho. mantém a administração dos seus problemas com serenidade. assim acalmando-se e tornando-se vítima. Apolo era o símbolo do conhecimento. Referimo-nos a sucesso. transfere para as demais pessoas as causas dos seus insucessos. financeira. em lugar de destaque. quase sempre responsável por expressões de profundo desequilíbrio no comportamento. quando o indivíduo.

perante os fenômenos da vida. a plenitude. A queixa. o enfrentamento tranqüilo com as ocorrências deve ser a primeira atitude a ser tomada. deixando-se conduzir pela razão lúcida — a sibila — e descobrisse a real finalidade de todos os fatos existenciais. sem nenhuma perturbação ou desagregação da personalidade. assegurando-se da sua fatalidade histórica. como ferrugem na engrenagem do psiquismo. qual se se buscasse Apoio — o discernimento —. constitui mecanismo valioso de saúde psicológica. e mediante esta contribuição o ser amadureceria. Por isso. o santuário de Delfos ensinava o conhece-te a ti mesmo como psicoterapia relevante. . Substitui-la pela compreensão. crescendo interiormente.42 harmonia no êxito social ou na dificuldade. é cruel verdugo de quem a cultiva. através dos bem aceitos recursos de evasão da responsabilidade. Diante de quaisquer injunções perturbadoras.

surgem os distúrbios do sexo. apresenta-se propondo-lhe uma revisão de valores culturais e sociais.. com inalterável tolerância pelas excentricidades dos outros e seus correspondentes erros. conduz. A psicoterapia própria. por fenômeno psicológico de não aceitação de sua realidade. cada vez mais constritoras. Nessa área. de reencarnações infelizes. como arquétipos do inconsciente coletivo que. a fim de que rompa a carapaça da dissimulação e assuma as responsabilidades que interessam a todos. predominando a psicologia à morfologia. caracterizando biótipos extravagantes. fixações. insensível. Síndrome compulsiva para aparecer. O excêntrico é ser atormentado. da mente. Saúde. temeroso. e a si mesmo se realiza em fenômeno de autodestruição. O queixoso perdeu o endereço de si mesmo. cultivando exotismos. ativa. A insegurança. traduzindo insegurança e instabilidade emocional. mantendo-se equilibrado. específicas. são gerados por ele próprio. excentricidades multiformes. reajustadora. em realidade. compondo uma personificação que agride aos outros. que se recusa enfrentar-se. o paciente oculta-se na mentirosa postura de vítima ou na condição de portador de conduta inatacável. como única maneira de liberar os conflitos em que se aturde. a frustração. envolvendo-o no grupo familiar e nos problemas da comunidade. frágil. mediante o cuidado na elaboração das idéias e do otimismo na observação das ocorrências. gerando os distúrbios catalogados nos diferentes departamentos do corpo. enxerga uma agulha num palheiro — modifica o comportamento perdendo a linha convencional do que é correto e saudável para viver de maneira alienada. é estado de bom humor. O homem saudável sobressai pela harmonia e otimismo em todas as situações. no entanto. transferem-se para as reações nervosas. sem os azedumes perturbadores. que se faz indiferente. tornando-se célula harmônica. que se apresenta com reações imprevisíveis. perturbando o equilíbrio psicológico. responsável pelas repressões que se transformaram em mecanismos de afirmação da personalidade. . que chamam a atenção pelo desvio de conduta.43 14 Comportamentos exóticos A dependência psicológica do morbo da queixa. Atavicamente herdeiro dos hábitos pretéritos. os ademanes chamativos. leva a estados perturbadores que se podem evitar. nem as agravantes manifestações anômalas. Da simples fixação do erro e apenas dele — conforme afirma o brocardo popular. escorregando pela viciação acusadora. dando largas ao inconsciente.. ameaçador. ao invés de manter-se em processo degenerativo. ególatra. os complexos de inferioridade. repetições de gestos. em curso para o desajuste total. transferindo-se para os departamentos da fiscalização da conduta alheia. manifestandose em contrações musculares. Ignora os outros e vive comportamentos especiais. A doença caracteriza-se pela inarmonia em qualquer área da pessoa humana. palavras e conduta alienadoras... que mais lhe agrava o distúrbio no qual estertora. da emoção. que degeneram nas psicoses compulsivas.

a compulsão psicótica leva-o à extroversão exagerada. auxílio. de chocar. psicológico. e tornam-se comuns. na sua estrutura maternal.44 A exibição não é apenas uma forma de assumir o estado interior. mas. portanto. Essa é uma fase adiantada do comportamento exótico. que não atingem. Exigem consideração.. . que jamais retribuem. identificada com os objetivos normais da vida. Nesse estágio da conduta. emoção-função fisiológica. também. que exige mais acentuada terapia de profundidade. sendo pessoa comum. Por extensão. mal-humorados. os sonhos são-lhes caracterizados pela necessidade tormentosa de conseguirem a realização plenificadora. que anulará os condicionamentos viciosos. Sem dúvida.. sendo rudes. que nunca oferecem. trabalhando com esforço a modelagem da nova personalidade. que não dispensam a ninguém. O desenvolvimento da criatividade contribui para o ajustamento da personalidade ao equilíbrio. neurótica. em todas as formas da sua comunicação com o mundo exterior. Outrossim. que transferiu para o rebento suas frustrações e nele passou a realizarse. pondo para fora os conflitos. que mais os inquietam quando no estado de consciência lúcida. evitando o relacionamento com o grupo. de natureza egoísta. A psicoterapia deve apoiar-se na busca da conscientização do paciente. exercitando-se no convívio social sem a tentação de destacar-se. Devaneios íntimos povoam-lhes o campo onírico. mascarados em expressões que lhe parecem afirmar-se perante si mesmo e as demais pessoas. e a imagem da mãe. em postura excêntrica. o acompanhamento do psicólogo assim como do analista atentos lhe propiciará o encontro com o eu profundo e seus conteúdos psíquicos. sem vulgarizarem-se. em evidente revolta contra o equilíbrio mente-corpo. algumas dessas personalidades exóticas fazem-se isoladas onde quer que se encontrem. empenhando-se em harmonizar a sua natureza interior com a sua realidade exterior. liberando-se das heranças neuróticas e dos condicionamentos psicóticos. sem pressão. Os fatos da infância ressurgem-lhes fantasmagóricos. para que assimile novos hábitos. gerando o enriquecimento interior. gentilezas. O homem e a mulher saudáveis têm comportamento ético. excessivamente dominadora ou tragicamente benévola. referto de transtornos e pesadelos. insensíveis e presunçosos. anelando para a felicidade do ser querido tudo aquilo quanto não fruiu. que escolherá conforme as próprias aptidões.

45 QUINTA PARTE PROBLEMAS HUMANOS .

que lhe parecem de significado único. em constante processo de aprimoramento. perseguido. e não consoante os fantasmas da insegurança desenhem na imaginação criativa — refúgio para a irresponsabilidade que não assume o papel que lhe diz respeito. em prolongado esforço para desenvolver os potenciais psicofísicos. destituído dos estímulos negativos do medo ou da ansiedade.. insucesso. o ego estabelece: A culpa é do outro. passado o momento. transforma-se em desastre. parapsicológicos e mediúnicos nela em latência. Quanto mais se valoriza o problema. repouso. Quando algo em que se confia. não raro. ou da sociedade em geral. aumentando-lhe a força de ação com os seus correspondentes efeitos. mantendo-se em alerta para a preservação desses bens. nos tecidos da malha delicada do psiquismo. escondendo-se nas justificativas de incompreendido. Resolve-se a questão utilizando-se do complexo de superioridade. mesmo quando em aparente conflito. Aferrada às impressões mais grosseiras do ego. e mediante esta conduta coloca-se acima de qualquer suspeita de fragilidade. justifica-se. Nas personalidades instáveis.. inquietadores. de acordo com as resistências fortes ou frágeis da personalidade individual. Os problemas enraízam-se. torna-se problema. normalmente os complexos psicológicos assumem as responsabilidades pelas ocorrências problematizantes. nele se realiza. prazer e tranqüilidade ante a doença e a velhice — desenvolve o apego e exterioriza o sentimento centralizador da posse. ou da família. portanto. que logo se incorpora à conduta. ou do grupo social. Somem-se-lhes os que se derivam do inseguro inter-relacionamento pessoal. que possa produzir a perda. deixa de lutar. desar. de cuidado especial para a sua solução. Evitando considerar o problema na sua real significação. A criatura pensante é um ser incompleto ainda. A inferioridade psicológica desenvolve o complexo em que se refugia. real ou imaginária. face ao que considera como fatores indispensáveis à sobrevivência — valores materiais que propiciam alimentação. afirmando: Eu sou culpado.. outros (problemas) há de natureza psicológica. mais vitalidade se lhe oferece. avultando-se ou perdendo o sentido. escamoteia-o. de modo a analisar a situação conforme se apresente. ou do qual se espera resultado positivo.46 15 Problemas Humanos Os problemas humanos ou desafios existenciais fazem parte do organograma da evolução. infeliz. e. de transformações. cada problema merece um tipo de atenção. O que a uns constitui gravame. ou da saúde. ou do destino.. Além desses. a outros não passa de insignificante acidente de percurso que estimula a marcha. gerando perturbação. Em outros temperamentos. aborrecimento. como decorrencia do que se consigna em condição de imperfeições da alma. o ego foge. que ressumam em forma de fenômenos patológicos. compõe a consciência de culpa e esse mesmo ego recorre à . essenciais. Esse esforço deve ser natural. quando o problema se converte em dificuldade e ocorrência prejudicial. Qualquer ameaça. vestuário. Certamente. por falta de consciência lúcida. como heranças reencarnacionistas.

Na transitoriedade da condição humana. Para consegui-lo. graças aos quais o psiquismo comanda conscientemente a vida. eu tentaria evitar. que existem para ser resolvidos. cuja finalidade é testar as possibilidades e valores de cada uma em particular e de todas as criaturas em geral. o estado de infância psicológica decorre da ausência de realizações evolutivas.. Mecanismos perversos de imaturidade compõem a tecedura protetora do escapismo. porqüanto. é a própria criatura. desatando os inestimáveis recursos que lhe são inatos. maior e mais urgente para ser eqüacionado. o ser que os enfrenta necessita deles. Nesse elenco de registros parapsíquicos desabrocham os recursos mediúnicos que propiciam o livre trânsito entre as duas esferas da vida: a física e a espiritual. mister se torna o amadurecimento psicológico. do estudo do eu profundo e da sua busca incessante. Ninguém permanece vivo sem o enfrentamento com os problemas. o eu profundo deve emergir. Mesmo quando são atuais e começaram recentemente.47 condicional dos verbos. . decorrente do esforço sério e bem direcionado. eu poderia ter enfrentado. Essa dilatação da capacidade parafísica propicia o mergulho do eu profundo — o Espírito — na causalidade dos fenômenos humanos. para fugir das conseqüências dos problemas. oferecendo o saldo positivo de evolução. recuperando-se moralmente. os problemas que sempre procedem das experiências anteriores.. na origem. assim interpretando. trabalhando o amadurecimento. afligindo-se: Eu deveria ter feito de tal forma. que são as metas existenciais mais urgentes. portanto. abrindo o leque imenso das percepções paranormais. O problema humano.

. caso não se resolvam enfrentá-los com hercúlea decisão e pertinaz insistência. projetando-se em demasia. que têm predomínio em a natureza humana. medrando no seu psiquismo atormentado e passando ao domínio escravizador. que as experiências evolutivas desenvolvem e aprimoram. o ser move-se sob as injunções das necessidades de projeção da imagem. destacam-se: os ressentimentos. é deus em germe. os ciúmes e as invejas que entorpecem os sentimentos. por sentir-se incapaz de superar a sombra. O ego. compõe os quadros de aflição em que se refugia e. quais cogumelos venenosos que desabrocham em terrenos úmidos e férteis.48 16 Gigantes da alma Envolto na pequenez das aspirações egóícas. Entre os terríveis gigantes da alma. açulam a inferioridade e terminam por vencer aqueles que os vitalizam. manifestando a força do eu real. negando-se a lutar. imagem e semelhança de Deus. desenvolve os fantasmas gigantes que o protegem. Gerado para alcançar o Infinito e a Consciência Cósmica.

O ressentimento. eliminando a ingerência do ego ferido e ensejando a libertação do eu profundo. desejando assenhorearse dos espaços que lhes não pertencem e. Aceitar-lhes. por caracterizar-se como expressão de inferioridade. de modo a não facultar ao ego doentio o apoio psicológico neles. cargas violentas que terminarão por desarmonizar-lhe os delicados equipamentos e se refletirão na conduta mental e moral. perseguem. Como é natural.49 17 Ressentimento Entre os tormentos psicológicos alienadores. sob todos os pontos de vista. invariavelmente esquecido. Quando o ressentimento exterioriza as suas manifestações. é opção de quem não se resolve por preservar a saúde ou não deseja crescer emocionalmente. No importante capítulo da saúde mental. nas quais tombam os temperamentos mais confiantes e ingênuos. É um direito que têm. mortificar. Gastrites e diarréias inexplicáveis procedem dos tóxicos exalados pelo ressentimento. deve ser combatido. exteriorizando idéias e comportamentos que lhes correspondem ao estado no qual se demoram. no sentido negativo da palavra. indispensável ao equilíbrio integral. trabalhando por sobrepor o ego ferido ao conceito daquele que o desconsiderou. o ressentimento pode ser comparado a ferrugem nas peças da sensibilidade. instalando. A vida expressa-se em padrões sociais. competitivas. que se deixam. no entanto. acreditando-se traído. enraizando-se no solo fértil das emoções em descontrole do paciente. Descobrindo-se em logro. por se encontrarem em faixas primitivas da evolução. identificando os valores relevantes e os perniciosos. o companheiro vitimado recorre ao ego e equipa-se de ressentimento. normalmente. para esconder-se sob o ressentimento na justificativa de buscar ajuda para a autocompaixão. As pessoas são. vincular-se-lhes às faixas vibratórias de baixo teor. logo após. caluniam. a presença do ressentimento na criatura humana tem lugar de destaque. ele se instala. as suas são reações compatíveis com os níveis de consciência em que se encontram. transferindo-se para a organização somática. resultado da condição evolutiva das criaturas que se inter-relacionam. porque há uma larga variedade de biótipos emocionais. sem conflito. os petardos. mental e racionalmente. que deve ser banido das paisagens morais da vida. consciente ou não. O indivíduo. fazem-se injustas. Predominando a natureza animal em detrimento dos valores espirituais e éticos. culturais e religiosos ou não. porém. . A convivência humana é feita por meio de episódios conflitivos. deve preocupar-se com o desvelamento do si. refletindo-se como distúrbios gástricos e intestinais de demoradas conseqüências. a competição e o atrevimento armam ciladas. aí engendrando males que terminam por consumir aquele que lhe dá guarida. trabalhando aqueles que são perturbadores. Injustificável. na situação que as caracterizam. anela pelo desforço. por falta de maturação geral que favoreça o entendimento e a transação psicológica em termos de bem-estar para todos os parceiros. através da reflexão e do auto-encontro. relegado a plano secundário. sem escamoteamento. nos painéis da emotividade.

desaparece.. de ser vítima. .. sem transferências nem compensações egóicas. impulsionando à conquista dos recursos adormecidos no imo. A liberação do ressentimento deve ser realizada através da racionalização. de sofrer. o Deus interno que jaz em todos os seres. e as mudanças.50 O processo de evolução é incessante. a partir do momento em que deixa de receber os alimentos de manutenção pela idéia fixa e mediante o desejo de revidar. as transformações fazem-se contínuas. esse terrível gigante da alma se apequena e se dilui. À medida que a experiência fixa aprendizados.

para assomar. Liberando-se da compressão do ciúme. Armadilha do ego presunçoso. em cujo campo se homizia a fim de entregarse aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade. O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora. com a mente exacerbada pela suspeita infeliz. que nunca encontram apoio nem reconforto.51 18 Ciúme Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática. foge para o ciúme. alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não. insanamente. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades. vencidos pelos gases venenosos do ciúme. com algo ou nada. O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial. ficando surdo à razão. arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado. superando a estreiteza e os limites egóicos. dominando-lhe a conduta e o pensamento. o paciente. . posses e valores que assumem uma importância alucinada. Somente o self pode conseguir essa façanha. O ciumento. à verdade. a preguiça mental e o desejo de impor-se à vitima da sua psicopatologia. isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo. o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita. quão perturbadoras. inseguro dos próprios valores. a pouco e pouco. que terminam por ceder-lhe as forças. as aspirações espirituais. destruindo as resistências morais e emocionais. que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz. expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais. a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos. com a vida. No aturdimento do ciúme. porém com harmonia. o ciúme envolve objetos e posições. com amor. e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca. Atormentado pelo ego dominador. O ciúme tende a levar sua vítima à loucura. descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas. o eu profundo respira. deixando de reagir. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias. rico de realizações interiores. Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência. em que se consome. quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama.

senão. por inveja. individual. observa e persegue. Egocêntrico. Normalmente moroso e sem determinação. perturbando-lhe a atividade. avaliando os recursos de que dispõe e considerando que a sua realidade é única. Ao invés de empenhar-se na autovalorização. A inveja descarrega correntes mentais prejudiciais dirigidas às suas vítimas. não saiu da infância psicológica e pretende ser o único centro de atenção. credor de todos os cultos e referências. . compete mediante a urdidura da intriga e da maledicência. O cultivo da alegria pelo que é e dos recursos para alcançar outros novos patamares enseja o despertar do amor a si mesmo.52 19 Inveja Remanescente dos atavismos inferiores. Insidiosa. a perturbar as possibilidades de luta do ser humano. na-cuidadosa reflexão do eu profundo em torno da sua destinação grandiosa. o comportamento. nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas. porém cujos danos ocorrem no fulcro gerador. no que se compraz. formando um todo holístico na Grande Unidade. que lhe facultará a perfeita compreensão dos mecanismos da vida e as diferenças entre as pessoas. no futuro. nem com a alheia realização. não podendo ser medida nem comparada com outras em razão do processo da evolução de cada um. a inveja é fraqueza moral. para si apenas. o paciente da inveja lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu. a inveja é resultado da indisciplina mental e moral que não considera a vida como patrimônio divino para todos. o enfermo de inveja nunca se alegra com a vitória dos outros. ao próximo e a Deus. inicialmente. aguarda o insucesso do adversário. para competir. Não tem ideal. acoimado por insidiosa desdita íntima. destacar-se. A terapia para a inveja consiste. resultado da sua morbidez inata. Trabalha. sobressair. que somente as alcançam se estiverem em sintonia. como meio e meta para alcançar a saúde ideal.

Não podendo fugir de si mesmo nem dos fatores arquetípicos coletivos. Jesus. desenvolvendo as possibilidades de enriquecimento interior capazes de plenificação. Acostumado às respostas imediatas. acomodação. a solidariedade. da violência reprimida e chama a atenção para aquilo que. O caminho para a conscientização.. dissimula-dor hábil que conspira contra as forças da libertação. legitimamente. A Sua proposta é atual. porqüanto o inimigo do homem está nele. como forma de auto-encontro. volta-se para o mundo interior e reprime os sentimentos. da sensação de incompletude. o ego sobressai e fixa-se em mecanismos perturbadores a fim.. que compensa a fragilidade do ego. essa necessidade de valorização reaparece em estruturas de aparente humildade. fundamentando-se na intenção libertadora. de proteção ao próximo. Quando assim não ocorre. que exteriorizam os tormentos e a imaturidade do ego. a conscientização.53 20 Necessidade de valorização Os destrutivos gigantes da alma. que vem herdando de si mesmo através dos tempos. às vezes de procedência inconsciente. Entre muitos religiosos em clima de insatisfação pessoal. noutras ocasiões habilmente estabelecido. do conflito de inferioridade. Quando escasseiam os estímulos para esse cometimento do eu. A fim de consegui-lo e por não saber dirigir as aspirações. exibe o lado oculto da vaidade. de vigilância natural. que não recebe compensação externa mediante o reconhecimento nem a projeção da imagem. de dissimulação. mesmo sabendo que logo terminam deixando frustração. é palmilhado com naturalidade e cuidado. o esforço pessoal. automatismos dos instintos — e o futuro de luz — plenitude através de esforço . o ego infantil deseja os jogos do prazer a qualquer preço. mascaradas de auto-aflição. sem tensão. de autodepreciação. recomendava a vigilância antes da oração. na condição de excepcional Psicoterapeuta. desprezo por si mesmo. como o amor. Tivesse maturidade psicológica e recorreria a outros construtores gigantes da alma. que forja comentários. Renitente. Quando se manifesta com sofrimento. Trata-se do seu ego. fechando-se no estreito quadro de depressão. asfixia-se nos conflitos perturbadores e atira-se ao desespero. de piedade. que é a necessidade da sua valorização. A humildade é uma conquista da consciência que se expressa em forma de alegria. faculta que ressumam as tendências do prazer. estando desprotegidos de si mesmos. para depois ensejarse a entrega a Deus sem preocupação outra alguma. de alguma forma refletem um fenômeno psicológico. amargura e novos anelos para fruir outros. dessa forma. jamais uma indumentária exterior que desperta a atenção. desembaraçando-se. A humildade é uma atitude interior perante a vida. violenta desconsideração pela própria vida. de plenitude. na esteira das reencarnações pelas quais tem transitado. de autoflagelação. o ser debate-se entre o passado de sombras — ignorância. a filantropia. deve passar despercebido. sem crescimento interior. de lograr atenção.

não possui valores atraentes. mantendo a autoflagelação de que não énotado. utiliza-se dos estímulos negativos e agressivos para compensarse. Nesse comportamento doentio do ego. a necessidade de valorização. porque. quando todos se encontram. Encontram-se no lugar. palmo a palmo. recebendo-se uma evasiva — Não me inclua nisso. que lhe compõem o quadro de desamparo emocional de desdita pessoal. Se alguém diz: Não gosto de você. Conforme dirigidos. atraído pela razão à sua fatalidade biológica — a morte — transformação do soma — histórica — a felicidade — e espiritual — a liberdade plena — vê o desmoronar dos seus anseios e reconstrói os edifícios da esperança. brindam com resultados correspondentes. Essa necessidade de valorização egóica pode ser transformada em realização do eu mediante o contributo dos estímulos. Cada ação provoca uma reação equivalente. avançando sem cessar e conquistando. conturbados pelas heranças e as aspirações. No entanto. a terra de ninguém. mesmo que tenham origem negativa ou agressiva. em equilíbrio. a comunicação redargue: — Eu o admiro. Não se contamina nem se amargura. os estímulos são sempre positivos. Quando o self assoma e governa o ser. não tendo necessidade de valorização. Verdadeiramente. Essa invisibilidade habilmente buscada compensa o conflito do ego. e relaxa. porque não possui recursos relevantes para expor. o estímulo expressa-se agressivo: — Não gosto de ninguém. amor e auto-realização — recorrendo aos dias presentes. o ego isola suas vítimas para chamar a atenção ou bloqueia-as de tal forma que não ficam ausentes. sejam quais forem os resultados. porém tornam-se invisíveis. Tal mortificação neurótica introjeta as imagens infelizes e personagens míticas do sofrimento. o estimo. no inter-relacionamento social. recorre-se a uma negativa: — Ninguém me ama. expressa-se na enganosa autocomiseração que lhe satisfaz as exigências perturbadoras. no entanto. Sob trauma ou rancor. Os estímulos são fontes de energia. Quando não se consegue uma resposta através de um estímulo positivo. possui valor. . como por exemplo: — Eu te amo. para colher algo idêntico: — A recíproca é verdadeira. porque exteriorizam o bemestar que lhe é próprio. O importante para o seu momento não é a qualidade da resposta estimuladora. mas a sua presença no proscênio onde se considera ausente. completando-se emocionalmente. todavia. O ego que sente necessidade de valorização. a mensagem transacional retorna elucidando : — Eu. Se a proposta afirma: — Detesto-o. não estão ali.54 tenaz. para uma contestação equivalente: — Eu também. onde se expressam as próprias emoções conturbadas. sem o contributo do self em consonância.

torna-se-lhes indispensável a extroversão. Liberando-se das conversações feitas de interrogações-clichês desinteressantes. Passada a fase de auto-análise. livre. Enquanto coordena as idéias para o diálogo. quando prevalece um impulso dominante para a convivência. Há uma tendência natural para o disfarce do ego. Os segundos. desinteressadamente. compartem-se emoções. A comunicação desempenha. o interlocutor. para os estados psicopatológicos que se multiplicam avassaladores. penetra-se e faculta ao outro a oportunidade de igualmente desvelar-se. À medida que o ser se descerra em narrativa afetuosa ou amiga. um papel relevante. porém. facilitando o próprio entendimento. sem excesso de ruídos nem ausência deles. assumem um comportamento saudável. Descobrindo-se honestamente. Aceitos como de conveniência. normalmente. Nem sempre. reflexionando. assumem uma atitude tímida e fazem a introspecção. Os padrões de comportamento estão estabelecidos através de parâmetros nem sempre fundamentados em valores reais. escondem a sua realidade e conflitos erguendo uma névoa densa pela exteriorização que se permitem. sentindo-se acompanhado. a experiência social. se o interrogado se resolvesse dizer como realmente vai. A Psicologia Transacional procura desvelar os enigmas do comportamento. os clichês sem sentido e costumeiros não dizem nada. Talvez a aceitasse de maneira surda. Na grande mole humana destacam-se os biótipos introvertidos e extrovertidos. Os primeiros. sem as pressões da desconfiança e da insegurança pessoal. emocional. por conseqüência. rompendo a cortina que os oculta e desvelando-se. em todas as vidas.55 21 Padrões de comportamento: mudanças O comportamento desvela ao exterior a realidade íntima do ser humano. inseguros e instáveis. diminuem a loquacidade e. com enfado. é bem provável que o interlocutor não tivesse nenhum interesse em ouvir-lhe a resposta mais complexa e profunda. Quando se indaga: — Como vai? — a resposta é inevitável: — Bem. tal manifestação se reveste de autenticidade. a comunicação padece dificuldades que somente poderão ser sanadas quando existir um propósito firme para o êxito. utilizando-se da comunicação interpessoal para libertar o indivíduo de conflitos e pressões. é trivial. auto-analisa-se. o diálogo. obrigado! Mesmo porque. quando visceral. identifica-se. no entanto. De acordo com a maturidade ou não do ser psicológico. . A ausência de tais imperativos contribui para o desequilíbrio emocional e. Quando se repartem informações no inter-relacionamento pessoal. o relacionamento. pois que muitos fatores contribuem para mascarar-se o que se é. na etapa inicial do desenvolvimento psicológico. numa demonstração apenas do que se aparenta ser. descobre-se. Quando a conversação.

Deus. muitos desses homens públicos. inúmeras imposições castradoras contribuem para condutas falsas. às vezes desavisados. o mais extravagante. do transformar-se. para uma boa apresentação. nos raros momentos de auto-encontro. no entanto. artísticas. que os sacrifica. que pensam mais em seus prazeres do que no bem geral da comunidade que lhes paga para a servir. em cujo comportamento se fundem o ego e o eu. em comportamento moral-social de tendências egoísticas. estabelecidos conforme o imediatismo dos interesses de grupos e legisladores. para deixar e transmitir impressões agradáveis. que quer significar engodo. da auto-emulação exibicionista com que foge da realidade interna para lugar nenhum. desincumbindo-se do que lhes é dever. culturais. de modo que produzam os resultados adrede esperados.. às vezes despertando fenômenos competitivos e de presunção lamentável.. provocando estados auto-obsessivos-compulsivos de ser-se o maior. As pessoas submetem-se às pequenas ou grandes regras da etiqueta. O comportamento moral está sujeito aos imperativos legais. Em todos eles existem regras estatuídas pelo ego. o de mais larga renda. sempre preocupadas em dissimular os sentimentos. compensadoras. desportivas. A certeza da imortalidade da alma abre um elenco de comportamentos autenticados pela educação espiritual na busca do vir-a-ser. sem qualquer consideração pelos fundamentos das Doutrinas que se devem pautar pelos processos de libertação das consciências... que são asfixiadas sob a ação dos alcoólicos. das drogas aditivas. insensatos.. dão a impressão de que estão realizando algo extraordinário. de hipocrisia. Apóiam-se. saudáveis. e não aquilo para o que são regiamente remunerados. mediante as quais a exibição do ego gera constrangimentos perturbadores. confiantes. geralmente mutilado nas suas aspirações nobres de vida. o filósofo e teólogo existencialista. como propunha Kierkegaard. Logo após. em detrimento do eu profundo ao processo de constantes mudanças e crescimentos. Nos comportamentos sociais estão estabelecidas as regras do bom-tom. é a Fonte que se deve buscar para . O comportamento cultural reúne as aquisições intelectuais. todos desconhecidos entre si. pela pessoa humana real. Na área do comportamento religioso. podem ser classificados como sociais. sem qualquer consideração para com a vida. nos relacionamentos dignos.. de discriminação. do convívio social. de pressão. surgem-lhe as depressões.56 aqueles que foram considerados corretos. Jesus conclamou os Seus seguidores à busca da Verdade que liberta. e não de apavoramento. então. Convive-se com indivíduos em muito encontros sociais.. que facilita o diálogo.. numa formulação de amor sem máscaras e sem conflitos. morais e religiosos. Os padrões de comportamento normalmente se fixam em diretrizes que não atendem à realidade do ser. O Outro. em total desrespeito pelo si. Elaborando leis. permanecendo.. do encontrar o Outro.. As preocupações financeiras de promoção egóica comprazem o indivíduo pela exposição desnecessária do desperdício e da dissolução.

responsáveis pelo amadurecimento cultural e social. a felicidade existencial. a fim de crescer psiquicamente. Assim. alargando-lhe a percepção moral e a religiosidade perante as exigências da Vida. A estruturação psicológica da pessoa humana está. e as experiências como as vivências contribuem para a mudança de padrões comportamentais. É natural que. Mudanças O ser humano prossegue em crescimento. Toda a contextura celular renova-se incessantemente. . àmedida que o self se liberta das contenções impostas pelos arquétipos. ninguém é igual a outrem. em mudanças. em inevitável processo de aprimoramento do ser. o seu comportamento sofra alteração. em desenvolvimento contínuo. o desenvolvimento das percepções parapsíquicas e mediúnicas. defluentes das reencarnações pretéritas. na razão em que se lhe desenvolvem os equipamentos orgânicos. como decorrência. a exigir renovação e estudo de si mesma. por efeito. a harmonia psicológica. A conquista de si mesmo é o desafio constante para a auto-realização.57 atingir a plenitude. nem pode ser avaliado mediante as comparações da frágil aparência.

58 SEXTA PARTE CONDICIONAMENTOS .

positivo. A Psicologia não poderia ficar indiferente a essa dualidade que existe no . no capítulo da moral..59 22 O bem e o mal Questão de alta complexidade para a criatura humana. Logo depois. o ético. Ontem. Entre medos e persas — o livro sagrado ZendAvesta separava a mesma dualidade nas personificações de Ormuzde — ou representação do bem — e Ariman — ou personificação do mal —. tornou-se-Lhe o adversário temerário. seco. o Destruidor. não raro. era uma abstração meramente filosófica ou religiosa. ambas. mais tarde. nas demoníacas. em cuja luta o último seria submetido e por conseqüência eliminado. Sociologicamente o bem contribui para o progresso.. essa dualidade concretiza-se nos atos do ser. e todas as realizações que promovem o ser. bom — e o Yin — feminino. a interpretação chinesa apresentou-os nas duas admiráveis forças cósmicas: o Yang — masculino. o dualismo do bem e do mal encontra-se ínsito na sua psicologia interior. que se conciliam sob o comando da suprema perfeição ao confundirem-se. a Trilogia da Criação apresenta Brama como Plenipotente. A Bíblia. para melhor explicá-los.. O código de Hamurabi. a fazer parte da ética. A Metafísica Tradicional. confundindo-a e perturbando-lhe. e o mal vem a ser aquilo que se opõe ao edificante.. por sua vez. contra Quem se rebelara Lúcifer que. a vida. representa o bem nas deidades angélicas e o mal. gerando a harmonia. ao bem. de acordo com as suas respectivas manifestações. ao harmônico. a ação concreta que resulta da capacidade seletiva de valores éticos para a harmonia e a felicidade. com as respectivas conseqüências legais no comportamento humano em relação à criatura em si mesma. o Conserva dor. Vishnu. o mal decorre de todo e qualquer fenômeno que se opõe ou conspira contra esse contributo superior. negativo. Das concepções pretéritas à realidade presente. sob o controle de Deus. gerando fenômenos relevantes de consciência. analisando a Criação. que se vinculam ao conciliador. à sociedade e ao seu próximo. o grupo social e o ambiente expressam-lhe a grandeza. já definia as ações louváveis e as reprocháveis. à psicologia. no entanto. o Princípio Supremo. consoante a moral. Inspirada no hinduísmo. passando. no vértice superior do simbólico triângulo isósceles. expulso do paraíso. úmido. ou princípio construtor e Shiva. filosoficamente o bem é tudo quanto fomenta a beleza. na sua formulação abstrata. Como efeito. e as duas forças antagônicas. ou princípio aniquilador dos seres. frio —. inscrito em uma estela de diorito. avançando historicamente até interessar à sociologia. estabeleceu os dois princípios. Com características metafísicas. simbolizando o bem e o mal. em perene luta até a supremacia do edificador. que contribuem para o equilíbrio ou a desordem psíquica. Em todos os períodos da cultura ancestral encontramos o esforço da religião e do pensamento tentando estabelecer os paradigmas em que se apóiam um e outro. o discernimento. do bem e do mal. ao comportamentalismo.

Certamente. idealista e comportamental do bem. predispondo-o à eleição do primeiro em detrimento do outro. que o propele às ações ignóbeis. Desenvolvendo. da angústia. que será ultrapassado à medida que amadureça psicologicamente. as leis que elaboram possuem os seus parcialismos. . Se. por acaso. defecções. Esse discernimento. permitindo-lhe aspirar sempre a mais e melhor. portanto. o bem de hoje torna-se o mal de amanhã e vice-versa. Tudo quanto contribui para a paz íntima da criatura humana. do nobre e equilibrado. remanescendo como as suas aspirações de crescimento e elevação.. e se lhe desenvolvam os padrões de sensibilidade e consciência para adquirir a integração no Cosmo. sintetiza os códigos moral e legal. que resulta da consciência em libertação dos condicionamentos escravizadores. a consciência que sai do torpor de nível de sono sem sonhos. é remanescente atávico do seu processo de evolução. numa dialética sofista. muitos códigos e leis. liberado das injunções dolorosas. amplia a capacidade para identificar o bem e o mal. mesmo que sob as circunstâncias perturbadoras do ódio. sem que a algumas delas se atribuam reais valores morais. em a natureza. no entanto. reciprocamente. porém.60 ser humano. inferiores. por questões imediatistas. tentam tornar legais comportamentos que não são morais e. justificando-se atitudes vulgares e tentando liberar-se comportamentos alienados. para o grotesco e vulgar — quando derrapa no menosprezo de si mesmo. aos sofrimentos. E esse mal. seu desenvolvimento intelecto-moral. de religiões e credos. O bem e o mal estão inscritos na consciência humana. devendo ser respeitadas. no entanto. que se promove e eleva-o a estágio superior. para a adoção de conduta mental e física. Ao mesmo tempo. impulsionando-o. de partidos e raças. temporal. significativos e definidores do bem e do mal. da desordem interior. tornando-se instrumento útil no grupo social. de acordo com as conveniências de grupos e castas. da volúpia. que se lhe tornam mecanismos reparadores. o atavismo dos instintos agressi vos propele-o para a violência — quando deseja possuir —. toda a complexidade desse fenômeno dual: — Não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça. o que é bem e o que é mal.. Afirma-se. Porque ainda injustos os homens. do medo. havendo facultado a Jesus afirmar. aliás transitório. imediatamente começa a perceber os valores que compensam e os que conflitam o comportamento psicológico. em grandiosa proposta. não raro. condutas extravagantes e arbitrárias. na sua harmoniosa organização que deu origem à vida e a fomenta. é-lhe o bem que deve cultivar e desenvolver. irradiando-o como bênção que provém de Deus.. que a linha divisória entre o bem e o mal é tão fluida e oscilante que. ao descobrir-se em falta. que se poderia considerar anárquica. do saudável e propiciador de paz. para o vilipêndio — quando se sente diminuído —. faz o quadro de consciência de culpa e sofre as patologias afugentes. incorre em equívocos de seleção e tomba nas malhas do mal. O Decálogo moisaico.. embora lentamente.

entre as criaturas.61 23 Paixão e libertação psicológica As tradições religiosas em torno da paixão de Jesus teimam por revestir-se da notícia trágica. A lição viva que ressalta em Jesus desde a entrada triunfal e o julgamento arbitrário. refertos de atualidade. ao crescimento. que ainda se repetem na sociedade. a cada dia bastam . a fim de que a responsabilidade. em Jerusalém. de modo que a aprendizagem se faça plena. prosseguem sendo uma linguagem dinâmica. Seus conceitos. também. nas mais diversas áreas. surgindo-lhe transformada em medo e desprezo por si mesmo ou indiferença pessoal e desleixo no culto dos valores morais. reconduziriam à ignorância. impulsione o indivíduo ao avanço. de João. As crenças ortodoxas satisfazem-se com as imolações e as atitudes condenatórias que. O ser humano é ainda muito fragmentário e dúbio. Recordar-se da pusilanimidade humana. para Ele. antes propõem a libertação dos conflitos. tomadas em consideração. da fragilidade dos caracteres de Judas e de Pedro. particularmente da psicologia. Inegavelmente. que são terapias excelentes para induzi-lo ao fortalecimento do caráter. ao tempo em que mantêm os lamentáveis processos de cilícios físicos entre os fanáticos. à treva medieval tormentosa. caracteriza-se pela vivência de cada momento. As conquistas do momento. abrindo elencos de alegria e facultando o desenvolvimento daqueles que os recebem. porém. sem preocupação pelo amanhã. as ocorrências dolorosas que assinalaram a última semana de Jesus. à maturidade. sem ansiedade. na qual a ação autopunitiva sobressai no comportamento do fiel. de que ora se faz herdeiro natural. e mentais ou emocionais naqueles que são constituídos por estrutura psicológica frágil. com as conseqüências do medo em relação à justiça divina. mas. buscando-se oferecer uma mensagem de confiança. oferecendo a contribuição de resultados positivos nas reflexões mentais. evocando-se. Trabalhando-lhe a mente. leva-O a metas adredemente programadas. não mais facilitam atitudes alienadoras como essas. sem qualquer defesa. embora guardadas as naturais proporções. que decorre da consciência lúcida. da desintegração do homem. Toda ação impositiva-castradora ou liberativa-insensata trabalha em favor do desequilíbrio. intentam a lavagem cerebral para produzir o ódio pelo mundo. carecendo de amor e paciência. de arrebatamento e de fé. A constante condenação multimilenária deixou marcas profundas no inconsciente coletivo. desobsessiva. da personalidade. o estoicismo das mulheres piedosas. sem compulsão. pois que. Cada passo da Sua vida. foram caracterizadas por ocorrências infelizes. Toda a vida de Jesus é um processo que facilita o crescimento e a dignidade do ser humano. através da dicotomia existente no comportamento humano. faz-se necessário quando os objetivos são educativos. propõe uma releitura do comportamento individual e coletivo dos seres. a fim de gerar-lhe consciência de culpa. Sem rotina. de José de Arimatéia que Lhe cedeu o sepulcro novo.

analisar e compreender. diluída através das reflexões e da renovação de energia que preserva o equilíbrio da existência. Torna-se uma constante busca de realizações contínuas. Quando os Seus seguidores marchavam para o holocausto. de vitória sobre as circunstâncias e os fenômenos que são naturais no processo da vida. Sem a semana ultrajante. faziam-no motivados pelo amor. . Enquanto ressumem na consciência da Terra as condutas punitivas e as evocações deprimentes na área das religiões. em manifestações de fidelidade. que a transferem para aqueles que se lhes submetem. sem ressentimentos nem ódios pelos perseguidores. paciente e alegre. do retorno ao convívio com os amigos temerosos e com a humanidade arrependida que Ele veio libertar. passando a depender das suas injunções psicológicas mórbidas. Após a sua ocorrência. amando. apesar das advertências freqüentes. Libertador por excelência. nas quais. o testemunho. sem transferências. não Lhe teríamos a morte estóica. conflitos. toda a Sua doutrina se constitui de otimismo e plenitude. perturbações. resistida. o pensamento de Jesus permanecerá em sombras.62 as suas próprias preocupações. por conhecer os limites e deficiências daqueles que marcham na retaguarda. A alegria é uma constante em Sua mensagem. sem os conteúdos da ingratidão humana em extremo. A imposição temerária decorre do sentimento de culpa dos religiosos. por ser uma opção livre de utilização da vida. Sem paradigmas fixos. todo um solene hino à vida foi apresentado através da ressurreição. a ninguém impôs fardo. joviais e exultantes. das lutas abertas e de sempre O verem chorar.. demonstrando a Sua consciência de imortalidade. no entanto. grandiosa. A conquista de consciências para as fileiras da harmonia somente é possível mediante o estabelecimento de diretrizes saudáveis. A dinâmica das palavras de Jesus logrou conduzir inumeráveis criaturas à realidade transcendente. A verdadeira alegria extrapola os sorrisos e se apresenta. mesmo a dor assumiria a sua realidade de fenômeno degenerativo inevitável. asseverando que o Seu é leve e suave é a Sua forma de julgar. não raro.. eloqüente. sem fugas psicológicas. possível de ser superada. como preocupação que não deprime nem fragiliza. no entanto fitam expectantes e avançam no rumo do futuro. o martírio.

Seqüelas de várias doenças. Temperaturas que se alternam e ultrapassam os limites da sua resistência. com reações específicas e modelagem própria. da família. das distonias emocionais e mentais da criatura humana. selecionando genes e valores que lhes facultem estabelecer os aparelhos correspondentes e necessários para o prosseguimento da evolução. muitas delas agridem esses mais intrincados conjuntos eletrônicos. do grupo social. colônias de bactérias e microorganismos agressivos. que são afetadas vibratoriamente pelas ondas de energia positiva ou negativa que emite sem cessar. arrastam-nos a desorganizações perturbadoras. naqueles pertinentes à saúde e à doença. As provações. luxúria. mediante as incessantes transformações a que se encontram sujeitos. moldando os futuros corpos de acordo com tais aquisições. contribuindo decisivamente para as manifestações de saúde ou de desconserto. por sua vez. através das contínuas experiências reencarnacionistas. sofrem as influências externas e internas que contribuem para as suas alterações. como decorrência dos atos pretéritos de rebeldia: suicídio. perispírito e matéria — é o resultado de largo processo de educação e desenvolvimento. detendo-nos. que são. A própria constituição desses órgãos tem muito a ver com as origens genéticas e. quão destruidores. Equipamentos delicados. apenas. estados inabituais de depressão e ansiedade. como recursos necessários para a aprendizagem e a fixação dos valores propiciatórios ao progresso. As expiações normalmente talam o ser orgânico ou psíquico de maneira irreversível. atacam-lhe as peças e quase sempre as vencem. é perfeitamente natural como decorrência da fragilidade estrutural de que se constitui. homicídio. em si mesmo trinitário — Espírito. choques emocionais. no corpo ou fora dele. cada criatura é especial. as afetivas.63 24 Enfermidade e cura O fenômeno biológico do desgaste orgânico. especialmente as psicossociais e econômicas. perversidade. e até mesmo a sua morte. posteriormente. Assim organizam-se moralmente as estruturas expiatórias e provacionais. reintegrando o ser na ordem vigente do Universo. pressões de qualquer ordem. quão discordantes em outras. Em cada fase da vilegiatura. produzindo perturbações funcionais e psíquicas. na emocional e na psíquica. embora semelhanças profundas em umas. o Espírito conquista bênçãos que incorpora ao patrimônio evolutivo. . condições outras atmosféricas e de insalubridade. O ser. ao erro ou ao vício. são corretivos temporários que servem de advertência à insânia ou à comodidade. com os fatores organizadores do lar. Não nos referimos aqui aos quesitos das necessidades morais e sociais. facultando a reconquista da harmonia mediante esforço justo de recomposição interior. que tipificam desequilíbrios da mente e da emoção. Esse logros da evolução refletem-se na constituição orgânica. estabelecendo distúrbios que se transformam em enfermidades variadas. avareza. ódio e os seus sequazes. Como conseqüência. porém. Por outro lado. concupiscência.

como os de superioridade. o ser considera que não merece o que lhe ocorre agora e teme pelo agravamento do mal. Entretanto. Ao mesmo tempo. Trata-se de um amor preservador da paz. além dos problemas na área da saúde. Igualmente énecessário . No vasto quadro das enfermidades. defluentes das ações infelizes pretéritas. ao qual acrescenta os fantasmas da dúvida. porém. autodesvalorização. auto-refazentes. a que ninguém foge. da rebeldia e do ressentimento são introjetados no organismo. Quase sempre inseguro. de inferioridade. ausência da auto-estima. tem a liberá-lo o livrearbítrio daquele que o padece. Nele estão os cuidados pelo corpo e sua preservação através dos recursos ao alcance. não obstante. podem ser superadas mediante terapias especializadas e grande esforço pessoal. a Quem não vê. proposto por Jesus. à felicidade que o indivíduo tem e merece. também esse pode ser positivo e edificante conforme as realizações anteriores. Nem sempre essa manifestação é consciente. insegurança. Sujeito. estimulando órgãos e células a um funcionamento harmônico. como a si mesmo é um imperativo que não pode ser confundido com o egoísmo. o ser expressa. que propiciem felicidade e paz. da sua imagem (fracassada) que logo se transforma em decepção e amargura. gerando patologias graves que. de modo a propiciar-se a saúde. do desamor cultivado sob muitos disfarces. Quase sempre. porém. ou o egocentrismo. tudo dEle esperando. narcisismo. a surgirem como complexo de culpa (inconsciente). ou a Deus. de Édipo. sem o que. espirituais. os tóxicos da ira. presença de outros complexos. quando provacional. intelectuais para consigo mesmo. A amorterapia tem as suas diretrizes firmadas no ensinamento evangélico. a depender do novo direcionamento que lhe ofereça. mas com o respeito e direito à vida. do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais. no comportamento. esse carma. que se lhe transforma em problema afugente. que propiciam o sofrimento de qualquer natureza. e mais outros. O auto-amor induz à elevação dos sentimentos e à conquista de valores éticos que promovem o indivíduo e o iluminam interiormente. de Eletra. Quando uma doença se instala no organismo físico há uma fissura no conjunto vibratório que o mantém. ensejando estímulos para a superação das antigas conjunturas atormentantes. a manifestação do amor ao próximo é transferência da sua sombra. medo. Conhecidos esses efeitos como carma. o conceito de carma passou a ser aceito como imperativo afugente e reparador. A mente deve então ser acionada de imediato para corrigir tal distúrbio. ao carma negativo. do aturdimento. As realizações morais geram energias positivas que anulam aquelas negativas. agravando mais a paisagem afetada. decorrente dos pensamentos auto-estimulantes. a ausência do auto-amor do paciente responde pela desarmonia que o aflige. estando instalada nos seus refolhos como forma de desrespeito. quando estabeleceu: — Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. conflitos diversos na emoção. propelindo a resgates idênticos aos danos e prejuízos produzidos. Vulgarmente. por efeito das suas más ações. desconfiança e mágoa por si mesmo. por espontânea escolha.. timidez. ansiedade. como leis de causa e efeito..64 Esses quadros das ações morais geram as reações correspondentes. como através do mesmo pode mais encarcerarse. ainda como mecanismo de fuga da responsabilidade.

Tem-se asseverado que a tensão nervosa é um dos tiranos destruidores do corpo e dos seus equipamentos. conquista de . restaurando-lhes as deficiências e recompondo a harmonia do todo. a forma como é enfrentada. auto-encontro. organizar ou reparar o organismo. que as comanda sob as ordens da mente. Os tecidos orgânicos interagem por intermédio de substâncias químicas que se movimentam na corrente sanguínea e pelos hormônios do aparelho endócrino. o auto-amor enseja o desfrutar de bem-estar. consciente ou inconscientemente. quando se fala e aparenta algo que se não faz. há uma tendência a contrair algum tipo de enfermidade. quando enfermo. no entanto. No auto-amor. porque a saúde não suporta essa duplicidade. desde que estes são temporais. Esse sentimento produz otimismo. Esse amor terapêutico auxilia os campos vibratórios afetados pelas doenças. se ocorresse. de funções e órgãos saudáveis. Com efeito. que é geradora de infortúnio. ensejando-se conhecimento e atividade fraternal beneficente. sustentando a saúde ou corrigindo a doença. no que se refere ao fenômeno biológico terminal da matéria. que éfator preponderante para o restabelecimento do campo de energia afetado pelo transtorno. Por isso. relaxando os focos de desespero e ansiedade. não evita que se adoeça ou que se morra. A hipófise é-lhes a responsável. passando a constituir-se uma plenitude que se alcança no corpo e fora dele. os compressores dos nervos. impermanentes. da qual ninguém foge.65 desenvolver o intelecto e a emoção para marcharem juntos como asas para largo vôo. que regula a maior parte dos fenômenos e automatismos fisiológicos. a enfermidade e a morte não constituem fracasso do ser. Há um inter-relacionamento entre mente e corpo mais sério do que parece. O conceito de realidade então se altera. procedentes do cérebro. agindo no fulcro gerador das vibrações. isto é. sobretudo. portanto. o que. morre. a confiança irrestrita na realidade. Desse modo. antes o caminho para a vida. Não obstante. senão um estado sujeito a múltiplas alterações que decorrem das variantes comportamentais do ser integral e que somente será lograda plenamente após o despir dos andrajos físicos. tem muito mais a ver com os seus prejuízos. Não é um referencial ao gozo pessoal nem às auto-satisfações dos sentidos. com naturais acidentes de percurso. propiciando-lhe saúde. que recebe os estímulos mediante impulsos nervosos do hipotálamo. faculta o equilíbrio propiciador da saúde. Todo esse mecanismo ocorre através de fibras nervosas. mas um notável recurso de equilíbrio íntimo com vistas à iluminação pessoal. que faz bem primeiro àquele que a pratica. A saúde não é mais uma compulsória para a existência corporal. agrediria a lei da vida que estabelece: Tudo quanto nasce. Na amorterapia a tensão cede lugar à confiança e amortece-se face à entrega do ser a Deus. Nessa visão do auto-amor. já que favorece com uma mudança de comportamento mental. Psicologicamente o auto-amor é. a indução do auto-amor promove vibrações harmônicas que terminam por manter. em incessantes transformações. auxiliando depois quem dela necessita. cooperando para a estabilidade emocional. de equilíbrio. o auto-amor estimula à veracidade dos atos e das palavras. geradores de tensão. Quando se vive de forma diversa à que se exterioriza.

66 consciência de si mesmo. maturidade. . equilíbrio.

67 SÉTIMA PARTE A CONQUISTA DO SELF .

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25 A Conquista do Self
Todos necessitamos de viajar para dentro, a fim de nos descobrirmos, desidentificando-nos daquilo que nos oculta aos outros e a nós próprios. Retraídos, em atitude defensiva, por falso apoio de raciocínios incompletos, preferimos não permitir que pessoa alguma volte a magoar-nos, como outras já o fizeram no passado. Colecionamos, desse modo, ressentimentos e te-mores que nos levam a um comportamento de autopiedade, marchando para um estado patológico de autodestruição. Um enfrentamento consciente com nossas mágoas irá demonstrar-nos que elas não são verdadeiras, nem têm sentido, sendo fruto da imaturidade e da presunção do ego que se atribui merecimentos que não tem. Normalmente, o que consideramos desrespeito dos outros em relação a nós, resulta de nossa óptica equivocada ao observar os fatos, de precipitação ou mesmo de certo grau de paranóia. Constituído por estímulos, o nosso relacionamento é malsucedido, porque não sabemos produzir o encontro, quando nos acercamos de alguém. Evitando abrir-nos à relação, permanecemos suspeitosos e a nossa estimulação é negativa, provocando uma resposta de rejeição. Em processo de mudanças constantes, as pessoas são imprevisíveis, o que é muito bom, pois que esse fenômeno proporciona novos descobrimentos e correções de conceitos. Quando nos apresentamos a alguém com sinceridade, esse alguém se nos desvela com fidelidade. Um estímulo revigorante e dignificador provoca uma correspondência equivalente. Ao nos darmos a alguém, conhecido ou não, ofertamos uma parte, algo valioso de nós. Se a outra pessoa não souber responder, não há problema para nós, porque verdadeiramente somos o que expressamos, de que nos não podemos arrepender, nem nos devemos sentir magoados. Aceitar o mau humor alheio é sintonizar com ele, permitir que nos digam e imponham como devemos agir e nos comportar. A nossa contribuição à sociedade é preservar-lhe a saúde na forma do inter-relacionamento pessoal, educando os rudes e medicando os enfermos, os anti-sociais. A mágoa é conseqüência da imaturidade psicológica e a atitude retraída, desconfiada, resulta de predominância da nossa natureza animal sobre a natureza espiritual. A conquista do self com todos os seus atributos e possibilidades constitui a meta primordial da existência terrena, em cuja busca devemos investir todo o potencial humano, emocional, moral, intelectual. Considerando-nos em constante processo de crescimento, que decorre das experiências vividas e dos conhecimentos hauridos, a nossa busca do ser espiritual que somos, torna-se-nos imprescindível. A vigilância em torno das armadilhas do ego, hábil disfarçador de propósitos, constitui-nos um motivo para superá-lo, a fim de fruirmos felicidade real. Nesse sentido, a desidentificação dos apegos e paixões surge como passo

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decisivo no programa de libertação. Para o desiderato, o amor-próprio deve ser revisto, a fim de ser substituído pelo auto-amor profundo, sem resquícios egoísticos, geradores do personalismo doentio que nos leva a conflitos perfeitamente evitáveis. A reencarnação tem como objetivo a autoconquista, que propicia a realização intelecto-moral recomendada por Allan Kardec como indispensável à sabedoria, que sintetiza a aquisição do conhecimento com o amor. Quando essa meta não é alcançada, reencarna-se o ser e desencarna para retornar, em verdadeira roda de samsara, até quando as Leis estabelecem expiações lenificadoras que interrompem o círculo vicioso, para fomentar o progresso. Surge o imperativo da dor em lugar do amor, expressão inevitável para o progresso constante dos Estatutos Divinos.

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26 Mecanismos de fuga do ego
Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda, elaborando mecanismos escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa. Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para ocultar-lhe a realidade, facultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu profundo, tais como: compensação, deslocamento, projeção, introjeção e racionalização. Compensação Foi o admirável pai da Psicanálise individual, Alfred Adler, quem, percebendo que um órgão deficitário é substituído pelo seu par — um pulmão enfermo ou um rim doente —, estabeleceu que ocorre uma compensação correspondente na área psicológica. Grandes ases da cultura física tornaram-se atletas, porque buscaram compensar a fragilidade orgânica, ou algum limite, entregando-se a extenuantes exercícios que lhes facultaram alcançar as metas estabelecidas. O mesmo ocorre nas artes, na ciência com muitos dos seus paladinos. Essa compensação se enraíza nos fulcros de algum conflito, nos leva a exagerar determinada tendência como fenômeno inconsciente que nos demonstra o contrário. O excesso de devotamento a uma causa ou idéia é a compensação ao medo inconsciente de sustentá-lo. O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pensa acreditar, desse modo compensando-se. Há sempre um exagero, um superdesenvolvimento compensador, quando, de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção. O excesso de pudor, a exigência de pureza, provavelmente são compensações por exorbitantes desejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo. Sem dúvida, não se aplica à generalidade das pessoas corretas e pudicas, mas àquelas que se caracterizam pelo excesso, pela ênfase predominante que dão a essas manifestações naturais. Na compensação ocorre a formação de reação, que responde pela necessidade de um efeito psicológico contrário. Desse modo, as atitudes exageradas em qualquer área camuflam desejos inconscientes opostos. Nessa compensação psicológica, o ego exarcerbado está sempre correto e, sem piedade pela fragilidade humana, exprime-se dominador, superior aos demais, que não raro persegue com inclemência. Na distorcida visão egóica, a sua é sempre a postura certa, por isso exagera para sentir-se aliviado da tensão decorrente da incoerência entre o ego presunçoso e o eu debilitado. A compensação substituta — uma deficiência orgânica propele o indivíduo a destacar-se noutra área da saúde, sobrepondo a conquista de realce ao fator de limite — também transfere-se para o campo emocional, e o conflito de

71 ordem psicológica cede lugar ao desenvolvimento de uma outra faculdade ou expressão que se pode destacar. desagradável pelo irradiar de energias repelentes que causam mal-estar nas demais. termina por aflorar com força. A conpensação egóíca é. Somente uma atitude de auto-reflexão consegue despertar o indivíduo para a aceitação consciente do seu self. todo conflito não liberado retorna e. um engodo que deve ser elucidado e vencido. cumpre apresentar-se. como tal. Subconscientemente. sabendo como e quando se pode fazer algo. não deslocando . o ego desloca-o para reações de violência contra objetos que são quebrados ou outras pessoas não envolvidas na problemática. trabalhando pelo crescimento interior mediante catarse. face ao discernimento em torno do que conhece e experiencia. e não deseja reconhecer como de natureza agressiva. Nesse discernimento lúcido. nesse ser desamparado. deslocando a fúria oculta. adota-se um comportamento agradável para o ego. mantém hostilidade que reprime. Face a essa postura. artificial. anulando. impossibilitada pelas convenções sociais ou circunstanciais de exteriorizá-la. escamoteando o ocasional fenômeno perturbador. aceitar-se. sem disfarce do ego. mas que as circunstâncias não permitem expressar. uma palavra malposta. que se mantém contra outrem. onde a pessoa se acostumou a deslocar os sentimentos que cultivou. de um ambiente hostil no lar. Freud havia identificado essa capacidade de censura da consciência. quando surge um impulso que a censura da consciência proibe apresentar-se sem reservas. uma atitude agressiva. Cada criatura é o que consegue e. embora tentando ignorar o desequilíbrio que fica sob compressão. Um olhar. que situou como superego. Essa reação pode decorrer. na convivência doméstica. o ego produz um deslocamento. A hostilidade da criatura leva-a a reagir sempre através de motivos reais ou imaginários. Todo esse mecanismo de evasão da realidade e mascaramento do ego torna a pessoa inautêntica. de maneira que evite culpa. para ocultar um grave problema que não deseja enfrentar conscientemente. também. se recalcado. gerando distúrbios mais graves. são suficientes para provocar um deslocamento. há uma tendência para camuflar os significados perturbadores da vida. contra a vítima momentânea. pois que o ego procura uma vivência de qualquer acontecimento sem sentido. Graças a compensação substituta o ego se plenifica. uma expressão destituída de mais profundo significado. Deslocamento A consciência exerce sobre a pessoa um critério de censura. Quando se experimenta um sentimento de revolta ou de animosidade contra alguém ou alguma coisa. sem dúvida. Todavia. Esse mecanismo é de fácil identificação. a pessoa que apóia o dominador e pede-lhe para extinguir o contendor. ou melhor dizendo. Na antiga arena romana ou nos atuais ringues de boxe se traduzem esses sentimentos recalcados. consciente dos conflitos degenerativos. Ao reprimi-los. ser aceito. reprimido.

especialmente as infelizes. Na atualidade. que o ego não deseja reconhecer como deficiente. trabalhando-se para tornar-se melhor. A projeção é facilmente identificável e pode ser combatida mediante honesta aceitação de si mesmo. tabaco e drogas outras. o avanço. Os valores relevantes que são observados noutrem.. Pode acontecer também que se adote o comportamento infeliz de personagens dos dramas do cotidiano. mantendo o equilíbrio emocional através do exercício de autodescobrimento. Essa morbidez deve ser liberada e o indivíduo tem a necessidade. Se tropeça em uma pedra na rua. das películas cinematográficas. A pessoa introjeta-se na vida dos heróis aos quais ama e com quem se identifica. de como se é. nas circunstâncias e lugares. interrogando: Você é cego?”.. Projeção A repressão inconsciente dos conflitos da personalidade leva o ego a projetá-los nos outros indivíduos.. Toda vez que alguém combate com exagerada veemência determinados traços do caráter de alguém. ao lado dos inúmeros vícios sociais e dependências dos alcoólicos. projeta-se nele. desgostadas em toda parte. transferindo do eu. identificando-se numa harmoniosa combinação entre o self e o ego. eliminando as ilusões.72 reações para outrem e lutando contra as perturbações psicológicas. aceitando ser parecida com eles. há. a culpa é dele. sob a alegação de que não os estimam. A projeção alcança reações surpreendentes. também.. são introjetadas nos telespectadores angustiados. não obstante o . a qualidade negativa que lhe é peculiar. que lhe cumpre atender. os romances imaginários. Um jovem esbarrou noutro na rua e reagiu. a dependência das telenovelas.” Atropelara o invidente e se permitia o luxo de fazer-se vítima. Torna a sua vítima o espelho no qual se reflete inconscientemente. constituindo uma armadilha —defesa do ego. Assume-lhes a forma. das tragédias narradas pelos periódicos. pois que tais mecanismos de fuga. das telenovelas. Introjeção Outro mecanismo de disfarçe do ego é a introjeção. evadindo-se à aceitação dos erros e da responsabilidade por eles. sou cego. os traquejos e trejeitos. que se caracteriza como a conscientizaçào de que as qualidades das pessoas lhe pertencem. os hábitos. assim projetando a animosidade que mantêm por si próprias nos outros indivíduos. são traços do próprio caráter. perseguidas onde se encontram. e tentam interditar-lhes o passo. mediante as quais as personagens. o modo de falar e de comportar-se. ao que o interlocutor respondeu: Sim. a culpa é da administração pública municipal. Há uma natural e mórbida tendência no ser humano de ignorar certas deficiências pessoais para projetá-las nos outros. se choca com outrem. de assumir a realidade interior. Há uma necessidade de combater nos outros o que é desagradável em si. Pessoas existem que se dizem perturbadas pelas demais. revelando caráter e comportamento paranóicos.

A execução supera a razão e a mente justifica o mal. que não são legítimas. torna-se um desequilíbrio psicológico. Ninguém pode mudar um mal em bem. Essa dicotomia — o que se justifica e o que se é — torna-se um mecanismo perturbador. tais mecanismos de camuflagem da realidade conduzem à alienação. apenas porque se recusa a aceitar conscientemente esse mal. para si ou para outrem. a fim de apaziguar a consciência.73 momentâneo prazer que dispensam. por negar-se o real a favor do que se imagina. por buscar justificar o erro mediante aparentes motivos justos. busca justificativa para tornar o mal em um bem. que termina em perda de sentido existencial. ao invés de ignorá-lo ou justificá-lo com a racionalização. que lhe cumpre trabalhar para melhor. de que a racionalização tenta alterar a contextura. Sempre há uma razão para creditar-se favoravelmente os atos. gerando a perturbação psicológica. A tendência humana da escolha é sempre direcionada para o bem. como racionaliza o ego em desequilíbrio. há uma repulsa natural pelo mal. de integridade moral. assume-se a máscara egóica da racionalização. ao sofrimento. Desse modo. como expressão falsa do eu. o intelecto busca uma alegação justa para reprimir o bem e prossegui na ação. através das razões apresentadas. exercendo sua força sobre os mecanismos de evasão. quando a pessoa age erradamente e a razão lhe reprocha. e se tem em conta de que é errado. assumindo posturas equivocadas e perniciosas. Por não admitir o que se prefere fazer ou ser. As razões legítimas dos hábitos e condutas são mascaradas por alegações falsas. mesmo os mais irrefletidos e graves. do qual surgirá um bem. Assim. Fora disso. Essa luta. propondo o ajustamento psicológico do ser. Essa falta de honestidade. que é irreal. que degeneram o senso crítico. terminam por alienar o ser. . que se trava entre o intelecto e a razão. Racionalização A racionalização é o mecanismo de fuga de maior gravidade do ego. Somente uma vontade severa e nobre. para preservar o equilíbrio entre a razão e o intelecto com a emoção do bem e do justo.

responsáveis por estados lamentáveis na criatura humana. a mãe dominadora e o pai negligente ou reciprocamente. Na psicogênese. reacionária à concepção. aparentemente lógica.74 27 Medo e morte Os mecanismos de evasão do ego mascaram a realidade do self. e colocado num meio hostil no qual tudo parece ameaçar-lhe a frágil existência. A reencarnação é método para o Espírito aprender. educar-se. atividades lesadoras. A cada ação resulta uma reação semelhante. levando-o da insegurança inicial ao medo perturbador. quando ocorrem os fatores que os despertam. amargurada pelas incertezas. tomando conta das paisagens da psique. porém. desde os distúrbios gerados pelo quimismo cerebral. peregrino que é de inumeráveis reencarnações. não se pode descartar a anterioridade existencial do ser. que levam a alucinações e impulsos incontroláveis de fuga até mediante o concurso da morte. o que é a sua fatalidade. normalmente receoso de emergir e predominar. porém. em Espírito. Insinua-se o medo de forma sutil. dos estados fóbicos em geral. ela funciona por automatismo da Vida. como insegurança tormentosa povoada de pesadelos hórridos. e passam a trabalhar o ser real. não raro esmagam a personalidade do educando durante o trânsito infantil. São inumeráveis os fatores preponderantes como predisponentes nas psicopatologias do medo. e os insucessos de parto. ambas de gravidade indiscutível. ele assoma. propiciando os . predominante. em mecanismo natural de evolução. por ser fenômeno automático e imediato. permitindo-lhes a imersão do inconsciente. responsáveis por desarmonias variadas. Inscritos os códigos de justiça na consciência individual. agir. cuja história traz escrita nas tecelagens intrincadas da própria estrutura espiritual. decorrentes dos conflitos vivenciados pela mãe gestante. reparando quando se compromete negativamente. portadora da mesma intensidade vibratória. Comportamentos irregulares. até os fenômenos de natureza psicológica. ninguém se lhe exime aos imperativos. representando a Consciência Cósmica. inscrevem-se na consciência profunda como necessidade de reparação. impondo as cargas de uma experiência na seguinte. respondem pelos estados fóbicos do ser. que ressurgem desde a nova concepção. A educação no lar. alternam-se as condutas no paciente: apatia mórbida ou pavor contínuo. como de caráter preponderante na formação patológica dos comportamentos fóbicos. Fatores ponderáveis. ações perversas ocultas que não foram desveladas. Quando recalcado o efeito. Com o tempo. onde se sente seguro. predominando os choques pósnatais quando o ser é retirado do aconchego intrauterino. tensa ante a responsabilidade. Inevitável a sua ocorrência. quais os de natureza psicogênica. Podem-se assinalar ainda outros fatores. recuperando-se quando erra.

a paz interior.. dos horrores inomináveis que o ser humano não tem condições de digerir. dessa forma a enfrentará. Um aprofundamento mental demonstra que a morte não dói. gênios do mal. herança atávica dos arquétipos ancestrais. na vilegiatura da evolução dos seres. dos cultos bárbaros. que a criatura se mata a fim de não aguardar a morte. como curadora para o medo da morte. antepor-se-lhe-á a confiança nas causas positivas. o ser espiritual. dando curso às manifestações aparvalhantes. A Psicologia transpessoal. quando se mergulha na inconsciência relativa. povoando-a de incertezas. O simples hábito de dormir. constituem eficientes recursos curativos para o auto-encontro. Ao lado das terapias acadêmicas. chega o momento da parada final dos equipamentos biológicos. O medo da morte decorre da ignorância da realidade espiritual e do apego ao transitório físico. o hábito das ideações elevadas. não podendo responder pelos medos e pavores que têm sido cultivados. entrando no corpo — reencarnação — e dele saindo — desencarnação — da mesma forma que o corpo se utiliza de roupas. sabe-o em processo de evolução. das punições eternas para as consciências culpadas.. Conforme o eu profundo considere a morte. conforme as ocasiões. Freud afirmava que o instinto da morte é superior ao de conservação da vida. de aspirações enobrecidas. O pavor da morte. conforme a etiopatogenia do medo em cada criatura. lidando com o ser psíquico. desde o momento da concepção manifesta-se o fenômeno da transformação celular ou morte biológica. das religiões castradoras e temerárias. pode ser considerado como desconhecido pelo Espírito. O esquecimento do fenômeno. em relação à mesma. ao mesmo tempo. O medo é inimigo mórbido. ocorrerá o milagre da vida. que é a energia. da oração. mas o estado psicológico de cada um. de agradável despertar. que lhe são necessárias e dispensáveis. tendo-se em vista que o corpo é fenômeno. da meditação. Não é a primeira vez que ocorre a morte do corpo. às vezes patológico. permanecendo a causa. Conhecendo o fator responsável pelo medo. a conscientização de quais recursos se podem utilizar para a liberação.75 estados de libertação ou sofrimento. e tal ocorrência éperfeitamente natural.. transfere as impressões íntimas para o exterior. que já o vivenciou antes. de maneira alguma. A psicoterapia preventiva. Vestindo a morte de esperança de reencontros felizes. a renovação pessoal pelo otimismo. das imagens mitológicas que desenharam no tecido social as impressões do temor. Entre as várias expressões de medo ressalta o da morte. regiões punitivas ou aniquilamento. o que é perfeitamente natural. a vida em si mesma. a auto-estima. não apavora. afigura-se tão grave. Nesse processo de transformações incessantes. conforme seja constituído o seu campo de energia. O autodescobrimento é a terapia salutar para que sejam identificadas as causas geradoras e. das conjunturas do desconhecido. O oposto igualmente se dá. que resultarão em futuros equilíbrios de fácil aquisição. é uma experiência de morte que deve servir de padrão comparativo para o fim do processo biológico. propõe . que deve ser enfrentado com naturalidade através do exercício da razão e da lógica. e este passa. Compreensívelmente..

. avançando para a transcendência do eu. beneficiando-se com o autodescobrimento e tornando-se um agente de esperança e de paz. como forma de ser feliz. Servir. Meditar. até culminar na identificação com a Cósmica.76 uma conduta harmônica com os níveis superiores de consciência desperta. Amar e amar-se. Vincular-se à Fonte da Vida Perene. lúcida. Causal e Terminal. Pensar e agir bem. eis como viver sem morrer e morrer para perpetuar a vida.

o exterior é mais relevante que o interior. retirar-lhe as bengalas psicológicas de apoio. e não consoante gostaria de ser. Qualquer tentativa de esgrimir a verdade — afinal. do descobrimento do significado da existência e da sua finalidade. através da identificação dos valores reais em detrimento dos aparentes. dos complexos artifícios de fuga. deixando vazios emocionais. modelam a personalidade impondo inúmeros mecanismos de sobrevivência do ego. o eu profundo. permanecendo ignorante quanto à sua realidade e aos relevantes objetivos da vida. os modismos. a pouco e pouco. uma consciência lúcida. aos quais o indivíduo se aferra. estruturalmente. para a aparência. Extirpá-las é condenar o outro ao desamparo. portanto. por falta de estrutura psicológica para suportar a realidade. O mecanismo de fuga pode constituir uma necessidade de reprimir algo para cuja manifestação o ser não se sente preparado. que facultarão o amadurecimento psicológico para a autoestima e o enfrentamento da realidade suportável. honesto para consigo mesmo. desse modo. nos quais a forma é mais importante do que o conteúdo. Isto não significa apoio aos comportamentos falsos. A verdade é absorvida. Os convites existenciais que propelem para o exterior. o estatuído circunstancial. desagradável. pois que a transitoriedade da . a soma das suas emoções e conquistas. A experiência de identificação do si é um passo avançado no processo de autodescobrimento. As ilusões. a verdade. O ser psicológico é. A queda da máscara desnuda o indivíduo e nem sempre ele deseja ser visto como é — mesmo porque se ignora —. dar-se-á mediante terapias adequadas. antes é respeito ao direito de cada um viver como pode. o que é. são comensais da criatura.. face à sua ausência de valores íntimos para reconhecer-se frágil — sem deprimir-se. uma incontida aspiração pelas conquistas metafísicas. que caracterizam a individualidade pessoal no processo de evolução..77 28 Referenciais para a identificação do si Inevitavelmente. seus jogos. É sempre um risco intentar-se. uma necessidade de aprimoramento psicológico. necessitado — sem insegurança em relação ao futuro. por saber-se identificado de forma inadequada. empurrar o indivíduo para o encontro claro e imediato com o si. as pessoas necessitam de experienciar algumas dessas escamoteações do ego. desvelandose e trabalhando-se interiormente. podendo sofrer um choque com o descobrimento prematuro ou alienar-se. A libertação. de auto-amadurecimento. que se apresenta conforme gostaria de ser e não de acordo com o si. face à vigência permanente do fenômeno da morte em ameaça contínua. Essa busca interior expressa-se como uma forma de insatisfação em relação ao já conseguido — os valores possuidos não preenchem mais os espaços interiores. Imprescindível que se seja leal. aturdido — sem esperança. que desperta para os patamares superiores da existência física. a verdade de cada qual — pode resultar em conflito mais grave. superando os formalismos. às personalidades esteriotipadas. de inopino.

o que se possui e qual a sua aplicação. relegando a plano secundário o si. uma busca do si. O self. de plenitude. tal critério. recorrendo-se às terapias próprias e. Ocorre uma plena harmonia entre o viver — existência física — e a Vida — realidade total. estimulador.78 experiência física se apresenta de exíguo tempo. A conquista do self é processo que se deve começar imediatamente. uma transformação psicológica se opera automaticamente. a falácia e não o silêncio promovem o indivíduo. . a fim de bem discernir o que se anseia e para que. granjeiam lugar de destaque na comunidade. e característica de cristificação. da meditação. uma imperiosa busca de paz desvestida de adornos e de condicionais. Ninguém. predominando no indivíduo. a realidade ambicionada. adormecido pelos tóxicos e vapores da indumentária física sob a pressão das experiências humanas. Campeiam as psicopatologias como efeito da atitude do ego em relação ao eu. em razão do processo reencarnatório. das ações edificantes. fica imerso na névoa carnal. são impeditivos para a liberação do si. a simulação e não a honestidade. Essa conduta irregular. aos recursos da oração. Cada logro enseja a ambição de alcançar novo patamar. pode deter-se nos níveis inferiores de consciência. A emersão do si. a análise do futuro e como se apresentará. Com estes referenciais há uma inevitável autopenetração psicológica. facultando frustração. do autodescobrimento. Quando começa. ensejando uma visão correta em torno dos acidentes orgânicos. nos quais a astúcia e não a sabedoria. simultaneamente. A saúde emocional e mental se estabelece. de libertação do deus interno. e um amplo anseio de plenitude. a escala de valores se altera e o comportamento muda de expressão. que se torna um desafio atraente. pois. sem fantasmas apavorantes ou anelos de antecipação. dos relacionamentos sociais. e o fenômeno morte se torna perfeitamente natural. estando a exigir maior conhecimento das necessidades legítimas. que não mais desequilibram.

79 OITAVA PARTE SILÊNCIO INTERIOR .

deterioradas. dos interesses mesquinhos e múltiplos aos quais se aferra. em razão da falta de inteireza moral e pacificadora da própria criatura. a grupos sociais. porque os indivíduos não têm paz íntima. por eles mesmos firmados. Empenhando-se na sua conquista. são as fugas do ego arbitrário. mesmo quando pensa encontrar-se no rumo certo. nos quais os litigantes recuperam as forças para novas lutas —sempre eclodindo focos de destruição decorrentes de motivos injustificáveis e de razões nenhumas. Desequipada dos instrumentos interiores que a harmonizariam em relação ao próximo e ao Cosmo. é fruto da balbúrdia. da percepção com que o abarca. Desde que não são capazes de se tolerarem reciprocamente em pequenos grupos. É indispensável uma revisão do comportamento humano. da natureza e da vida. ocorre a libertação do ego e o ser se ilumina. exaspera-se com freqüência e desanima diante dos primeiros impedimentos que considera intransponíveis. Apegos morais. ao dar-se esta. Vivendo uma época de conturbação nas diversas áreas. a paz mundial ainda é uma utopia.80 29 Silêncio Interior A grande problemática-desafio da criatura humana é a aquisição da paz. e esse comportamento se torna responsável pelos seus contínuos insucessos. desajustando-se diante da ordem. os quais apenas escondem-lhes a brutalidade que passa a ter característica de civilização e cultura. ambicioso e louco. da mente que o analisa. domando a mente irrequieta — que os orientais chamam o “macaco louco que salta de galho em galho” — e induzi-la à reflexão. Esse estado psicológico. de transferência e projeção da sombra da personalidade imatura. das suas fantasias douradas. pessoais. Adaptada às conquistas exteriores de fácil logro. O universo existe em razão daquele que o observa. Todos somos escravos da mente. Tal sucede. porqüanto. deixando a postura de não-violência para unir-se aos beligerantes. Atavicamente amante do ego. abandona os propósitos iniciais de encontrar a paz. assim como da harmonia interior. das suas paixões e da sua volúpia pela dominação dos outros. capazes de conduzir à sua meta. de um estudo profundo a respeito do silêncio íntimo. sem encontrar o caminho para a preservação da tranqüilidade geral. não se encontram em condições de respeitar os tratados. emocionais. saindo de um para outro. a objetos. raramente busca e segue os caminhos ideais. A única maneira de lográ-lo. são os germes das guerras. ao autodescobrimento. Como decorrência. A Terra tem vivido sempre em guerra. é viajar para dentro de si. . embora disfarçando a agressividade. Há quem tema a quietude. A essas guerras violentas sucedem os armistícios — que são pequenos períodos de repouso. como se os houvesse legítimos para a hediondez das batalhas sangrentas. Esse fenômeno resulta dos seus apegos egóicos. culturais. apega-se aos valores externos. e as Nações apenas repousam no interregno dos conflitos. responsável pelas disputas lamentáveis que. a raças. tumultua-se com facilidade.

à doação. fé e razão. o nível mais elevado da consciência. estudando os estados alterados de consciência. livre de algemas. vinculadas. contribuindo para o surgimento do ser feliz. e o indivíduo. constituem a consciência lúcida. qual ocorreu outrora através dos antagonismos absurdos. superado. torna-se grandioso se consegue viver em silêncio mental. que para ele tem outros conteúdos e significados. O silêncio interior constitui o grande intermediário da paz. é o cósmico. indo além da consciência em si mesma. não se dá conta da realidade. que resulta da identificação entre o si e o Universo. O silêncio interior é feito de paz e completude. favorecendo o entrosamento de Eros e Logos a benefício da individuação plena do ser. Até aqui a Ciência vinha trabalhando apenas pelo conhecimento. quando o ser compreende o significado da sua vida e a gravidade da sua conduta em relação aos demais membros que formam o Cosmo. por desenvolver na criatura o sentimento de amor — por Deus. cede lugar à generosidade. marchando separadas e em oposição. no entanto. por si mesmo. agora. que vence as barreiras impeditivas da fraternidade e inunda-a com os recursos e conteúdos psíquicos libertários. Marcham. do Logos e de Eros — vinculando-se uma à outra. quando captados por este. Isto porque. A Psicologia Transpessoal. A Ciência hoje une-se à Religião — trata-se de uma perfeita identificação do ego e do eu. e o silêncio torna-se de grande importância para essa conquista. passando a contribuir para a felicidade humana sem enfrentamentos. . em silêncio íntimo. É nobre e útil quando se comunica e. pelo próximo —tornando-se este amor o produto alquímico que dilui o ódio. Face a tal conduta. mergulhando o pensamento em Deus e realizando-se totalmente. que dessa união advém. enquanto a Religião buscava somente religar a criatura ao Criador. facultou a união das técnicas místicas do oriente com a razão do ocidente. empreende a grande experiência de viver o self em harmonia com as Leis da Vida. fala e produz ruído. pelo menos na graduação humana.81 Aquele cuja mente não dispõe de tirocínio e lucidez. O apego egoísta. Os conteúdos psíquicos em relação ao ego.

a legítima Realidade. Identificando-se com as idéias que lhe são convenientes — algumas de procedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpora-as. com lamentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente. das circunstâncias. São ruídos externos que. tornam-se as substâncias que formam a personalidade doentia. decorrentes do ambiente. que provoca o apetite. produzindo estados profundamente perturbadores. salivação e desejo de alimentar-se. ocupando o espaço mental. tácteis. Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima. as vibrações que dimanam da sua causalidade. impedindo a experiência. o encontro com o Eu profundo. os vícios a que se aferra. Música e perfume retornam à sensibilidade orgânica e induzem a recordações atribuladoras. deformando a personalidade. e que assomam no silêncio. Por outro lado. São sensações visuais. e reminiscências das existências passadas. propiciando-lhe liberdade ou escravidão e dando nascimento ao eu. por efeito. imagens visuais arquivadas. Sem dúvida. as sensações produzem associações de idéias que levam a evocações insensatas. que ignoram. na concentração. A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez. auditivas. sem a nobre conquista do discernimento e da vivência compatível. O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos. as sensações predominantes nas paisagens físicas perturbam-lhe a decisão. . a busca interior. coceiras e comichões que surgem. Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego. em várias partes do corpo. que se adapta aos fatores dissolventes. empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade. e esta irrealidade termina por afetar-lhe a individualidade. tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora.82 30 Desidentificação Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. contribui para as experiências utópicas e alienadoras. que lhe alteram a conduta. a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro. Numa pessoa média. transformados em atos. olfação excitada. conforme as fixações. que se entorpece e se engana. passando à posição das realidades únicas. desviando a atenção da meta que busca. realizações. com as quais convive em regime de escravidão. e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos. experiências. aparentemente esquecidas. caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente. não são percebidos. rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento. nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade. Expressam-se essas identificações nas áreas fisiológicas — como sensações — e psicológica — como emoções. portadora de consciência. olfativas. que é mais compacto ou mais sutil. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo. de qualquer natureza. em outras circunstâncias. a ilusão e os engodos se estruturam. gustativas. São as substâncias que respondem pelo comportamento do ser. simultâneos.

Como conseqüência. pelo menos na área humana. que é a sua harmonização total com a de natureza Cósmica. enfermiça. proporciona bem-estar. . já que todo espaço deve ser preenchido — do exercício disciplinado dos pensamentos. portanto. Nessa fase de desidentificação e lucidez plena. da essência para a substância. a consciência predispõe-se à conquista do estágio mais elevado. Essa conquista.83 A atividade de desidentificação. predispõe o ser ao crescimento das aspirações e ao esforço dos ideais de enobrecimento. responsável pela saúde psíquica e emocional. Mediante a mudança dos hábitos mentais. A medida que a consciência se desenovela dos impedimentos psíquicos. do cultivo das idéias — substituindo as perturbadoras por outras saudáveis. mais amplas descobertas são logradas nas áreas das identificações. torna-se urgente. as identificações deverão ser liberadas de dentro para fora. faculta alegria. desidentificando-se da conduta tormentosa. passando à alteração dos prazeres e gozos ilusórios que devem ceder lugar àqueles que se expressam como manifestação da Realidade plenificadora. Como envoltórios concêntricos que asfixiam as irradiações do Eu real. o silêncio interior consciente. que passam a ser diluídas. por isso mesmo. A consciência desidentificada com a personalidade fragmentada. permitindo-a fulgir qual estrela poderosa no velário da noite transparente. a da consciência plena. ocorrerá a libertação dos vícios e fixações.

em recorrer à terapia da meditação. da concentração. com o objetivo de liberar o inconsciente. que se desenvolverá na sucessão das experiências até liberar-se e alcançar a totalidade. assomarão como recursos elevados. da prevalência dos conteúdos negativos. não raro. longe. em razão dos quais a marcha se lhe torna muito lenta. a nova natureza do ser. por sua vez. preenche os vazios causados pela insatisfação. que faculta o autoconhecimento. vai adquirindo outros valores. a libertação dos conteúdos negativos — paixões dissolventes. deformada. Todos os conteúdos primitivos provêm de realizações e fixações sempre anteriores. A característica fundamental do nível inferior. No entanto. o homem guarda as primeiras expressões da consciência em nível inferior.84 31 Libertação dos conteúdos negativos Graças ao atavismo predominante em sua natureza. De forma penosa. sem desidentificar-se dos conteúdos fixados. as transferências metafísicas. gerando projeções da sombra e desarticulando os projetos de paz. seja no orientalismo ou na Psicologia Trans-pessoal. apegos. representando a Cósmica. nem conseguiram diluir-se através das ações enobrecedoras. Desaparece a fragmentação da Unidade e o equilíbrio transpessoal sincroniza com a Consciência Universal. porque estagia nas faixas do instinto que o submete. distingue . emergentes e predominantes. A consciência individual. gerar novas formulações e identificações atuais que. e a sua é somente uma percepção sensorial. A identificação com o próprio corpo propicia-lhe uma consciência orgânica. é a fragilidade do Eu profundo ante as exigências do ego atormentado. que somente as disciplinas do esforço. avançando para a transferência desse conteúdo para outro nível de discernimento e direcionamento. que levariam à constatação do ser preexistente ao corpo como sobrevivente à morte. ainda. no futuro. A Psicologia espírita. a princípio parece deslocada e diferenciada. Todos os formuladores da consciência superior são unânimes. os estados alterados demonstram que muitos desses conteúdos negativos. define cada um deles com nomenclatura especial. por desinteresse de penetrar nos estados alterados da consciência. No nível de consciência superior. No processo de evolução. conseguem libertar. o eu deixa de ser mais eu. sentimentos inferiores — faculta os anseios pelas conquistas de outros níveis. cuidando do homem integral. anula o eu corporal — rico das necessidades dos sentidos — para despertar os ideais subjetivos. nos quais o bem-estar e a paz formam os novos hábitos. a meditação é uma terapia valiosa para superar os conteúdos negativos. A Psicologia tradicional. ao invés de esmagá-lo ou asfixiá-lo. de que se libera a pouco e pouco. procedem das reencarnações passadas. No nível de consciência inferior. o Deus em nós do conceito evangélico reflete-se nessa percepção embrionária. Em razão disso. ilusões. e. de o conscientizar. da meditação para a ação. não foram liberados. no qual confunde o eu com o objeto. para ser uma síntese e vibrar em harmonia com o Todo. considerando patológicos os níveis superiores. portanto.

perturbadoras. apressando a marcha na razão direta em que vence tais patamares e descobre a excelência das conquistas com que se enriquece. O homem avança no rumo da sua destinação. nessa fase. . mediante alienações de variados cursos. no qual se torna inacessível à indução perversa. Ao mesmo tempo. propiciando a transferência para o nível superior. de lucidez. a ingerência de mentes desencarnadas obsessoras. Libertação é felicidade. propiciando desconforto e aflição em desforços cruéis. são relevantes e cientificamente basilares para o processo de crescimento. por desinteresse. negativos. de discernimento. estabelecem fenômenos de hipnose que retardam o desenvolvimento da consciência daqueles que lhes experimentam o cerco. vários fenômenos patológicos e preferências emocionais. e consciência enriquecida pelos conteúdos superiores significa plenitude.85 também nos conteúdos psíquicos. vinculados às criaturas humanas por afetividade mórbida ou despeito cruento. A meditação. o conhecimento da sobrevivência e do interrelacionamento entre os seres das duas esferas — física e espiritual — oferece processos liberativos centrados sempre na transformação moral do paciente. ignorância. a busca interna. a passo vagaroso nos primeiros níveis de consciência. seres outros desencarnados. interferem para que sejam mantidos. mesmo durante o trânsito terrestre. que se comprazem no intercâmbio perturbador. reino dos céus. que facultam o discernimento entre o bem e o mal. Na psicoterapia espírita. no entanto. sua renovação interior e suas ações edificantes. sendo necessário que os psicoterapeutas vigilantes insistam junto a esses pacientes em que se descubram e encontrem os benefícios dos níveis superiores. invejosos quão infelizes. A libertação dos conteúdos negativos é inevitável.

. aprisionando-se no emaranhado das coisas exteriores. o bioquímico Robert De Ropp. Mais tarde. Buscando interpretar o mestre russo. de um para outro nível. transfere-se das coisas e prisões egóicas para a conquista da sua realidade: o desenvolvimento do Eu profundo que deve predominar comandando os anelos e programas de libertação.. medo ou a alucinações variadas. até a etapa final. porque defrontava com dificuldades para aplicar. formulou as bases e os paradigmas da sua Psicologia Criativa. e buscando produzir estados alterados de consciência. que somente se consegue a penosos esforços. de sono com sonho. essa fixação perturbadora à ímpermanência. com os quais se engolfa.. com os seus complexos contributos psicológicos e cosmológicos místicos. em alguns deles.. sob conflitos que não tem condições de administrar. cultivando os valores pessoais. o homem evolve de maneira inesperada. acenando com a libertação. narcisistas. De Ropp classificou os níveis de consciência em cinco estágios: consciência de sono sem sonhos.86 32 O Essencial Face ao inevitável processo de crescimento do Eu profundo. e as oportunidades se deparam convidativas. entre outras experiências. logra-se o avanço pelos diversos patamares. das áreas das ciências psíquicas. O essencial. que se torna de difícil verbalização . À medida que amadurece. Posteriormente. o ser projeta-se no mundo com o qual se identifica. de sono acordado. Para ele. Em tentativas brilhantes e sucessivas de penetrar os níveis. segue os mesmos processos de desenvolvimento que são compatíveis com o crescimento do ser. variando de escola e estágio. em tentativas de desvencilhamento da situação psicológica infantil. começou a trabalhar na organização da Psicossíntese. a que pretende dar perenidade. os patamares da consciência. na qual encontrou mais amplos recursos terapêuticos para liberá-los. psicólogos e estudiosos outros. especialmente nos dois primeiros estágios de adormecimento. a vida assume características variadas. Roberto Assagioli. despertando na amargura. quase sempre. Desejando ampliar o campo da análise dos seus pacientes. enquanto Freud fundamentava a Psicanálise e a difundia. O apego. as recomendações da doutrina que absorvera do mestre vienense. constitui-lhe a meta existencial. Na fase inicial da predominância egocêntrica. avança para a posição egoísta. de transcendência do eu e de consciência cósmica. às vezes. Somente a consciência de si propiciar-lhe-á a visão diferenciadora dos fenômenos perturbadores. estudando carinhosamente as reações cerebrais. Mediante psicoterapia acurada e exercícios cuidadosos. em relação àqueloutros de plenificação. quase sempre desequilibrando-se e passando a estados neuróticos de insatisfação. inspirando-se nas experiências de George Ivanovitch Gurdjieff. ansiedade. na Itália. permanece-lhe em plano secundário na paisagem psicológica das aspirações conflitivas. levantam-lhe a cartografia que. sob os camartelos do tempo degenerador e da frustração tormentosa. assim alargando os campos do entendimento das personalidades conflitivas. conforme as suas experiências vivenciais na busca da saúde real.

. e a ausência de vontade do indivíduo contribui para o seu trânsito lento do instinto aos pródromos da razão. à realização total. A superação dos conflitos. No primeiro nível — quando se transita no sono sem sonhos — apenas os fenômenos orgânicos automáticos se exteriorizam. Jesus . que é a descoberta da transcendência do eu. conduz o ser aos ideais de enobrecimento. com a conseqüente liberação do Eu profundo. o sono com sonhos. mediante as leis de causa e efeito. impulsionando o ser a novas realizações e conquistas completadoras que enriquecem o arsenal psicológico. A consciência filtra-os e. a partir do sono com sonhos. aliada à vontade. o homem e a mulher conseguem alcançar esse nível ideal. na condição de resíduos espirituais. — e os reveladores — que dizem respeito à parcial libertação do Espírito quando o corpo está em repouso. e a próxima é a meta da vinculação com a consciência cósmica. assim mesmo sem o conhecimento da consciência. das angústias. ao auto-encontro. a reencarnação aclara a cartografia da consciência de De Ropp. perturbações. ele libera clichês e lentamente incorpora-os à realidade. No segundo nível. realizando a harmonia íntima com os ideais superiores. quando ele analisa os níveis que diferenciam os indivíduos na imensa mole humana. em esforço contínuo poderão fazê-lo. Nem sempre. Médiuns e Mediunidade — Espírito Vianna de Carvalho — Capítulo 5 — Editora Arte e Cultura. Postiglioni — Capítulo 20 — Espíritos diversos — Instituto de Difusão Espírita. estados psicopatológicos. digestão. porém. fenômeno que. tais: respiração. . passando pelas fases dramáticas — os pesadelos. nesse momento de perfeita integração com o que poderíamos chamar o Logos. circulação sanguínea. Psicoterapeuta Excepcional com a Sua visão realista e criativa. o de sono acordado. O desenvolvimento da consciência atinge o terceiro nível. ela não tem ação lúcida sobre os acontecimentos em torno da própria existência. requerendo terapias especializadas e contínuas.. a vontade desempenha um papel relevante. permitem a iluminação.Nota da Autora espiritual. passo a passo. às aspirações do que lhe é essencial. Da mesma forma. à descoberta da finalidade da sua existência. por não os poder digerir. Em qualquer nível. ascende ao quarto estado. Naturalmente. os pavores — para os da libído — ação dos estímulos sexuais (*) Vide: Rumo às estrelas — Luis C.. no qual a determinação pessoal. beneficiando-os ou afligindo-os com as sombras que lhes permanecem dominadoras. a partir daí. a desidentificação dos conteúdos psicológicos afugentes. As experiências acumuladas promovem ou retêm o indivíduo nos fenômenos decorrentes das ações praticadas. Como se estivesse anestesiada.. transforma-os em conflitos. seu real objetivo psicológico existencial. será realizado através das reencarnações que lhes facultarão a vitória sobre os carmas negativos e. porém. a identificação consigo mesmo. amadurecendo o essencial à vida e selecionando-o do amontoado egóico do supérfluo. não obstante. o pensamento divino. reprodução.87 face às emoções e descobrimentos conseguidos.

resultando na conquista do Eu profundo em sintonia com a Consciência Cósmica. todas as coisas perdem o significado. na ação edificante o meio de crescimento e na oração fortalecedora a energia que proporciona o desiderato. ao se adquirir o essencial.88 definiu a necessidade de buscar-se primeiro o reino dos Céus. por se encontrarem destituídas de valor face ao que somente é fundamental. alertou sobre o imperativo de fazer-se ao próximo o que se gostaria que este lhe fizesse. E óbvio que. Esse desempenho favorece a perfeita identificação do sentimento com o conhecimento. fixando no amor o processo de libertação. . Outrossim. pois que esse fanal ensejaria a conquista de todas as outras coisas.

89 NONA PARTE A FELICIDADE .

mas antes se encontrado tediosas. Perseguindo-se o gozo. descaracterizase. Esses fatores estabelecem as diferenças de qualidade do que é ser feliz. assinalado pelo conforto. o significado da vida centra-se na busca e no encontro da felicidade. e observada mais tarde apresenta-se desagradável. culturais. em determinada época da existência. face às variações que impõem nos grupos e nos seres humanos. A felicidade se expressa mediante vários requisitos. entre o que supõe ser e a sua realidade. predispõe a uma aspiração de felicidade que. em quantidade. a juvenil. a felicidade tem a ver com a identificação do indivíduo com os seus sentidos e sensações. levando o indivíduo a considerar que. no ciclo idealista. sem que se hajam considerado felizes. atavismo que lega ao indivíduo o meio social de onde se origina e no qual se encontra. algo não está bem. não raro. no período dos sentimentos. conseguida. os seus sentimentos e emoções. o gozo se transforma depois de fruido em insatisfação. Confundida com o prazer. demonstrando que as aspirações de uns nem sempre correspondem às de outros. que perdem o significado quando se alteram os fatores que a constituem. inadvertidamente considerados o seu logro. perturbadora. dimensiona o seu quadro de desejos. as realizações plenificadoras. que dão margem a tragédias e angústias logo estejam saciados. de horas assim vividas. em . A sua visão. os de natureza cultural. Por essa razão. e o tédio é. com a verdade. O sonho humano da felicidade é róseo. por isso. um dos seus grandes opostos. por exemplo. de prazeres e gozos que interpreta como a busca plenificadora da felicidade. o prazer. o ócio e o poder. em cujo bojo fermentam muitas desgraças. A imaturidade psicológica de uma fase. religioso. fazendo-se frustrante e atormentadora. o prazer derrapa em paixões possessivas.90 33 Prazer e gozo O sentido. transcendental. sem dúvida. artísticas. diferindo de conteúdo entre as pessoas em si mesmas e os grupos sociais. torna-se difícil de ser lograda e. de nível de consciência e de maturidade psicológica. A interpretação equivocada conduz a buscas irreais. logo desaparece. de magnitude que ela reveste. muito complexa. entre outros. Na fase dos sentidos. Certamente as pessoas ricas dispõem. a auto-doação. A felicidade. O nível de consciência e o amadurecimento psicológico estabelecem os graus nos quais se expressa. muda completamente em outro período. experimenta-se alegria toda vez que são alcançados. a busca transpessoal fomenta a autodescoberta. a auto-realização. Constitui o mais freqüente desafio existencial responsável pelas contínuas realizações humanas. não correspondem ao sentido profundo. Assim. A visão da felicidade é sempre distorcida. ansiedade ou depressão. ou as suas mais elevadas aspirações idealistas. A diferença. os estados de felicidade. no entanto. religiosas. é necessário que se entenda que a felicidade tem a ver com o que o indivíduo é e com o que ele pensa ser. quando não se encontra feliz. assinalando-se esses momentos como de felicidade que. o que é uma conclusão incorreta. graças aos quais se desfrutaria de bem-estar e gozo.

. desidentificada com os condicionamentos passados com pessoas e coisas. com o eu profundo. dos seres. Quando reais. Não obstante. o caminho da busca se afigura escuro qual um túnel. Essa busca é diferente da ambição de ser virtuoso. eis uma forma eficaz de lograr a alegria. Da mesma maneira. que entretanto consome os sentimentos e perturba as emoções. saturando-os ou desbordando-os. a dor não pode ser evitada. da vida. Surge então a compreensão transpessoal da existência. é realizada com a mente. na qual mascara o ego e apresenta-o. eliminando o sofrimento perturbador. viver e morrer. alargando-se o campo do idealismo e da identificação com a deidade. da realização do self desidentificando-se do ego. tratando-se de um contínuo e lúcido trabalho interno. A princípio. manifesta-se com veemência.91 serviços desinteressados de libertação do ego e participação na vida. Essa busca. a medida que se alcancem as bases objetivadas da realização plenificadora. nessa busca surgirão o sofrimento. gerando ansiedade e desconforto. busca-se o oceano do gozo. de tal forma que não haverá diferença entre dar e receber. que nega inconscientemente ao indivíduo o direito de fruir a felicidade. que não compreendidos e aceitos com equilíbrio conduzem à infelicidade. em manifestação psicológica. Para fugir-lhe à imposição. e que através desse comportamento se poderiam satisfazer as necessidades e evitar a dor. Apressadamente. a uma busca mais profunda. cuja claridade está distante. Tão arraigada se encontra no ser humano. rebaixando-os ao nível das sensações. essas expressões de virtude são ignoradas pelo próprio candidato em quem são naturais. que irão cedendo lugar à harmonia e ao bem-estar. Para que a identificação do indivíduo com a sua busca de serviço seja legítima. que toda vez que as . após satisfazê-lo. em mecanismos de evasão da realidade para planos egóicos. que podemos considerar como sendo inibição. individual como coletiva. o desconforto. por constituírem fenômenos da experiência humana. Considerá-la como um fenômeno natural do processo de evolução. encarando-a como instrumento de promoção do ser em relação à vida. O lamentável. a felicidade não se radica na satisfação de qualquer desejo do ego. Lentamente desaparece a frustração da vida cotidiana. entregando-se a macerações que ocultam gozos patológicos ou a narcisismos. mas que se torna maior quanto mais se lhe acerca da saída. qual ocorre com qualquer outra. mediante afirmação religiosa ou. Além dele. Há um mecanismo castrador impeditivo da experiência do prazer. afogando ali os ideais mais altos na denominada opção realista. nessa ocorrência. há uma perfeita união com o self. masoquistas-exibicionistas.. ou mesmo o prazer. a consciência de culpa conspira contra a realização da felicidade. Na busca da felicidade são inevitáveis os estágios de sofrimento e de prazer. Provavelmente. amar e ser amado. e o desejo egóico cede lugar à aspiração espiritual. à proporção que se apresentem. da Terra. superando os seus mecanismos desgastantes e as ocorrências degenerativas. sem o estigma do sofrimento. que deve solucionar as dificuldades. com aparência de humildade e renúncia. tem lugar com o surgimento e instalação do tormentoso sentimento de culpa. porqüanto. há quem afirme que a felicidade tem a ver com o princípio freudiano do prazer. sem os condimentos do prazer embutidos na fuga psicológica que as falseiam.

que pode ter origem na conduta infantil — educação coercitiva. exagero de paixões. a autorealização. que se constituem tônicos revigorantes para as ações geradoras da felicidade e dos quais todos podem e devem dispor quanto aprouver. um abençoado campo de idealismo através da prece. cujas energias serão canalizadas para a conquista da felicidade. conduta irregular. levando-o a tormentos quando não se encontra produzindo algo concreto. o que se lhe torna uma necessidade compulsiva. Essa busca. Há todo um rico arsenal desportivo. tampouco. um infinito painel de belezas naturais convidativas. impedindo-o de fruir momentos de recreação.92 circunstâncias propiciam a presença do prazer — a pessoa crê não merecer desfrutá-lo — ou da felicidade — o indivíduo receia vivê-la. um sem-número de estesias mediante a leitura. deve superar e mesmo arrebentar as resistências inibidoras. exclusivamente. enriquecidos de prazeres mais amplos. Certamente não se deve viver para a ociosidade dourada. Tal inibição. família dominadora — ou proceder de reencarnações passadas — uso incorreto do livrearbítrio. a arte. o sentimento de culpa. a libertação de cargas psicológicas compressivas. portanto patológica. Para desarticular es se mecanismo conflitador. não se permitindo experienciá-la — surge o temor de que algo mau sucederá. torna-se necessária uma tomada de consciência de si mesmo. do self profundo. para a psicoterapia libertadora conveniente. . Esses interregnos nas atividades. castiga o ser. do controle da mente. de ócio. meio social asfixiante. a conversação. associada ao sentimento de culpa. procurando descobrir a fonte geradora da inibição. da meditação. são estímulos para a criatividade. para a atividade estressante.

em todos os momentos. acende-se a luz da determinação de fazer-se feliz em quaisquer circunstâncias. De acordo com as mudanças e realizações culturais. conscientizando-se do continuum no qual se encontra mergulhado. no seu contínuo vir-a-ser. . sem abandono da meta transpessoal. não se é isso. a transitoriedade do ser existencial. não saiu da periferia imediatista dos prazeres sensuais. mas se está isso. Jesus definiu com segurança o conceito pleno de felicidade.93 34 Felicidade em si mesma Considerando a felicidade como sendo a harmonia entre o ego e o self. terrestre. Em prazer ou em sofrimento. o ser humano pode desfrutar dos fenômenos existenciais. o descobrimento dos valores profundos do ser e a consciência da sua legitimidade que induz a conquistá-los. eleger os métodos da plenificação interior torna-se o próximo passo nessa busca desafiadora. não é necessário alienar-se do mundo. em constante transformação. desenvolve-se interiormente. o prazer bem estruturado é-lhe caminho. A sua ausência. A criatura não é o que se apresenta. os valores sensuais tendem a produzir vazio. como degraus vencidos na ascensão que levará ao patamar da felicidade. desfrutar de privilégios e dinheiro. Embora a felicidade não dependa do prazer. o que se constitui essencial numa faixa etária. que respondem pela competitividade e pelo desequilíbrio da emoção. porque. responsável por arrependimentos e angústias insuportáveis. sem a presunção narcisista do excesso de auto-importância. noutra se transforma em pesada carga. tendo em vista a impermanência da vida física. Por isso. transformando-se em tédio. Quem coloque a felicidade como sendo a conquista de títulos e triunfos mundanos. nem como se encontra. para conseguir por meio de transferências e fugas psicológicas. prazenteiros ou não. destaque social e poder. Todavia. A meta além do mundo se estabelece como prioritária. Esse estado impermanente é trânsito para o que se será. Quando se adquire a consciência da unidade e da valorização de si mesmo. logo são alcançadas. e as conquistas existencialistas perdem os seus conteúdos. O empenho para a busca da felicidade conduz àeleição de objetivos fora do mundo físico. no conteúdo do pensamento meu reino não é deste mundo. por estar acima das sensações e emoções imediatas. odiá-lo. em nada a afeta. na vida terrestre. Parte da Unidade Universal e individual nela. no entanto. alteram-se os objetivos da busca. superando-se uns anseios e surgindo outros. avança-se na busca.

mediante a criatividade. é que a felicidade se estabelece. resultante. essa finalidade induz a sacrifícios de bens. emocional. em se expandindo. portanto faz-se libertador. desde a alimentação aos relaxantes banhos. o relacionamento proporciona um bem-estar igualmente físico e espiritual. fazendo-se que sejam retiradas as máscaras e as sujeições. cedem lugar a outros anseios. Porque esse amor não tem apego. mais se potencializa. sem lhe ser causalidade. portadoras de grande valorização para o ego. porqüanto nada espera em retribuição. Esse contributo do amor preserva também o equilíbrio mental. conjugais. o prazer mental. nos seus vários aspectos. qual mirífica luz que.. que consegue alterar para melhor a compreensão do mundo. de lideranças e representações sociais. religiosas. visto que. sem o qual a felicidade se torna uma utopia paranóica. do ponto de vista psicológico transpessoal. A felicidade se estabelece quando os dois níveis — físico e mental — harmonizam-se. depende muito do amor. também têm o sentido do efêmero. e perturbadores os status humanos. ensejando o prazer emocional e transpessoal.94 35 Condições de felicidade Como decorrência de uma visão caótica e pessimista da vida. que induzem aos relacionamentos humanos. quando o intercâmbio se expressa leal e afetivo. o êxito com todo refinamento de sucedâneos. econômicas. riquezas. que não preenchem os vazios interiores. variações de moda. portanto sensuais. drogas aditivas. sem subterfúgios. especialmente a de natureza psicológica. enquanto na conjuntura carnal. promocionais. o que deu origem aos de natureza material. Apesar do bem-estar que proporcionam. como metas felizes. tão rápidos são os relacionamentos. Nesse caso. não se confundindo com a busca do relacionamento sexual. possuir a capacidade de amar plenamente. Esse sentido da vida. O prazer que gera na comunhão dos sentidos não éfundamental. Para esse amor de plenitude torna-se indispensável uma entrega autêntica. tabaco ou depressões profundas. surgem. o dinheiro. frivolidades. convertendo-se em tormentos — conscientes ou não — geradores de conflitos por competitividade. . como diante do inevitável desgaste corporal face à idade e àdoença. embora seja contributivo. políticas. que pode estar embutido nele. sem aparências. A saúde. não se magoa nem se impacienta — irradia-se. nunca é possessivo. Além desses. quase sempre dos relacionamentos íntimos. Somente quando há uma reciprocidade honesta nesses relacionamentos. massagens. o bom direcionamento da mente. Essas metas. às fugas espetaculosas para os alcoólicos.. não se rebela nem se decepciona. como o orgasmo. já que não se pode dissociá-los. ela é o amar. não tenta modificar os outros e sempre se aprimora. Esse amor não pede e sempre doa. os prazeres emocionais. como mecanismo completador da harmonia pessoal... infinito. estabeleceu-se que a felicidade resulta do triunfo em qualquer área e dos prazeres de rápido deleite. Nesse passo alcança-se. sem imposições nem paixões egóicas. que são gratificantes.

em uma visão transpessoal da vida e do ser. a realidade do Espírito. qual for a herança infantil que se carregue. especialmente se as vivências são conflitivas. Apesar disso. com vistas ao bem da humanidade. com a terceira idade. Mesmo essa ocorrência. E. as inibições e pavores infantis geram inegavelmente tormentos que surgem e ressurgem em todos os demais períodos da existência. e sem experiências desafiadoras. porém. espiritualmente. adolescência. Nos períodos de formação da personalidade — infância e juventude — é . Mesmo nas infâncias assinaladas por dificuldades. a busca da felicidade não deve sofrer solução de continuidade. convivendo com os fatores que merece. como dos conflitos. Certas constrições e castrações. ou à cultura. não essencial à felicidade. Qualquer tipo de crescimento. descuidada. com o conseqüente crescimento. Os períodos infantil e adolescente são decisivos na existência. do significado à busca da felicidade. com a fixação dos propósitos e logros de saúde emocional. à superação do ego. que predomina em a natureza humana. o relacionamento com a mãe. nesse caso. uma infância rósea é fator positivo. consegue-se dar o passo primeiro para a conquista da felicidade que logo virá. merecendo. A libertação de uma fase — infantil. sob aquelas negativas. às realizações no campo pessoal. as recordações infantis positivas ficam submersas. idade da razão — ocorre como se fora um parto com dor. quando se dá a morte do invólucro carnal. mais intensidade de reidentificação com o self. quando o ser é frágil. que são inerentes a essa fase. seria um período sem traumas. cada um traz consigo as predisposições comportamentais e cármicas para a atual experiência. no seu mutismo ou exacerbação. em razão da valorização do desagradável marcar mais o ser. os conflitos de que padecem. culminando. porém. próprias para a libertação. que levam à independência pessoal. que ressumam freqüentemente em ressentimentos e torturas. biologicamente. porém. Assim. reside na evocação dos acontecimentos infantis menos felizes. nem sempre corresponde à realidade. Seja. graças aos quais deve amadurecer emocionalmente e dispor-se para a auto-realização. sem preocupações. redunda em sofrimento emocional. do que os outros. Trata-se de um atavismo masoquista inconsciente. para a entrega à inspiração. especialmente psicológico. têm a ver com a estrutura profunda do self. Naturalmente. feliz ou desventurada. os problemas existenciais podem perturbar a identidade. Nem todos logram vencer as tensões internas e externas que se estabelecem a partir de então. A crença indevida de que a infância tranqüila. necessitando-se de psicoterapias emocionais e espirituais. Sem dúvida. nessa fase que se definem os rumos futuros do comportamento. e todas as pessoas passam por dificuldades e crises durante a formação da personalidade. Avançando-se terapeuticamente para a libertação dos traumas. que deveriam ser mais considerados.95 relacionamentos. Tal prazer não se restringe apenas à arte em si mesma. que cultivam. e sua aceitação. favorecendo conflitos compreensíveis. psicologicamente. à vida e aos seus valores. há muita beleza a recordar e momentos inesquecíveis. exceção feita às personalidades psicopatas e arredias. no entanto. Um dos pontos-chave da desdita.

Nesse período. que projetam sua sombra nos filhos. educadores e chefes. Nessa fase de indefinição. Isto não o impede de ter problemas. a oração faz-se natural e a meditação é um reconforto normal. que impedem um discernimento claro do que seja realmente a felicidade. torna-se improvável o êxito. é que se alcança a correta identificação do ser com os lídimos objetivos da reencarnação. sem pensarem na realização pessoal dos seus dependentes. identificando os valores sociais e econômicos. alunos e subordinados. não se perturbando. Amadurecendo. O triunfo e o fracasso externo também produzem a mesma frustração e incompletude. que são as condições essenciais para culminar no encontro. muitos indivíduos são induzidos a satisfazer as ambições malogradas ou vitoriosas dos seus pais.96 comum orientar-se o educando para as conquistas externas a qualquer preço. a constatação do tudo efêmero impulsiona o ser na direção da felicidade. A partir daí. Sem eles. da paz íntima e da realização espiritual. Somente quando são estabelecidas metas de triunfo íntimo. que passa a administrar com equilíbrio. Constatar que as conquistas feitas não são plenificadoras. São os problemas. a reflexão se torna freqüente. Essa conduta é responsável por muitos conflitos. defrauda as aspirações e tira o sentido da vida. não raro em detrimento da realização interior. e é nesse nível de consciência que a busca alcança os patamares elevados do amor desinteressado. o indivíduo irradia do mundo interior o bem-estar e passa a fruir de felicidade. como exercícios. Diante disso. nem se deprimindo com eles. que proporcionam maturidade e harmonia íntima. a idade da razão pode apresentar-se atemorizante e perturbada por contínuas crises existenciais. solucionados. .

a identificação com a unidade. é necessário que seja adquirido o nível de consciência do Espírito. propiciam o manifestar da felicidade. pois que se tornaria um engodo proposto e conseguido pelo inconsciente. Assim alcança a iluminação. gerando o campo para a capacitação intuitiva.97 36 Plenificação pela felicidade Todo cometimento decorre da planificação mental. experimenta-se o prazer transpessoal plenificador. em todo o painel da existência. mediante o silêncio da mente e a calma dos anseios do corpo. no entanto. Todos os seres humanos têm direito à felicidade e devem fruí-la. intuída. Com a visão transpessoal da felicidade. o self é penetrado em profundidade. Não seja a felicidade. A consciência. o que é fator de triunfo ou não. Para a plenificação do ser. de acordo com o investimento da razão. A felicidade é. A consciência os absorve com a sua estrutura. para que se torne permanente. que são as expressões máximas da felicidade. iluminada. Com a mente e a emoção tranqüilas. portanto. desde as suas mínimas expressões às mais grandiosas. e a sua percepção da realidade aumenta. até tornar-se realidade. sentidos e amados como são. e isto começa quando se descobre e se atenta para o que realmente se deseja da vida além dos níveis imediatos do gozo e do prazer. portanto. é a responsável final pela felicidade. tudo e todos devem ser vistos. . facultando-lhe a conquista do conhecimento — a sabedoria que decorre da informação e da ação do amor — que o projeta em outras dimensões do Espírito. Agigantando-se a consciência. permitindo uma entrega consciente ao self plenificador. o treinamento mental e emocional torna-se preponderante. O encontro com a vida espiritual pujante se torna uma perene fonte de alegria. o resultado da indução externa ou de uma auto-sugestão. o ser alcança a paranormalidade superior e inter-relaciona-se com os seres de faixas espirituais mais elevadas. Não há vitória sem esforço. sem a necessidade de alienação do mundo. mediante a felicidade. uma forma de viver e. a bem-aventurança. refletindo-se em todas as coisas e pessoas. de forma persistente e natural. No começo é apenas vislumbrada. vivendo no corpo e fora dele em plenitude. Com ela. a fim de facultar o nível de consciência compatível. A intimidade.

98 DÉCIMA PARTE CONQUISTA DE SI MESMO .

quando concentrado. importantes. até o de superar o cansaço com o seu séquito de indisposições orgânicas e psíquicas. Saciado pelo gozo. psicologicamente adormecidos. qualquer projeção no tempo constitui-lhe sacrifício vão. que assomam em forma de pesadelos tormentosos. não consegue deter-se em uma demorada análise de si mesmo. . referiu-se aos dois estados em que o mesmo se apresenta como decorrência do seu nível de consciência: adormecido e desperto. não obstante possam estar projetados na sociedade e até mesmo bem considerados por ela. Ao mesmo tempo. antes lúcida. realiza-o de forma consciente. para a aquisição do repouso físico. logo a seguir. propor-se significados novos para a vida e antes não percebidos. Estar desperto é encontrar-se participe da vida. porqüanto não se dispõe a levar adiante a proposta inicial de realização demorada. sem os assaltos de clichês mentais arquivados. O trânsito pela reencarnação enseja ao ser o desenvolvimento dos valores éticos. Quando convidado às reflexões profundas a respeito da sua realidade como ser imortal. apaixonando-o e levando-o às conquistas vazias das coisas que não proporcionam mais do que o breve bem-estar da volúpia egoística do momento. A fixação do despertamento resulta dos insistentes e contínuos espaços da mente. Os indivíduos. Essas distrações prendem-lhe a atenção e detêm-lhe o processo de busca interior. embora atormentado pelo desejo de novos prazeres. desde o ato de coçar-se. ampliando-lhe o espaço mental para as conquistas relevantes. afugentando-o do objetivo essencial propiciador do auto-encontro. quando entorpecida a consciência.. empurrando-o para as fugas espetaculosas e as transferências das metas prioritárias. porque logo os pensamentos se expandem em várias direções. expressa nos prazeres que logo se esfumam. são ainda fisiológicos. o indivíduo deixa-se conduzir através do mergulho nas distrações. em uma análise feliz a respeito do homem. para retornar à posição anterior de ansiedade e insatisfação. para aquelas que enganam. estuante. que lhe constituem os interesses máximos do dia-a-dia. preenchidos pelo desejo veemente de adquirir lucidez. Despertar significa identificar novos recursos ao alcance. que trazem respostas momentâneas. tudo realizando com integral lucidez. Tudo quanto faz. descobrir valores expressivos que estão desperdiçados. nas quais chafurda até a exaustão. porque precedido de conhecimento do seu objetivo. Acostumado às idéias do imediato. a sua fixação mental é somente possível quando se refere ao campo das sensações. torna-se um fenômeno de harmonia. E mesmo o ato de dormir. O despertamento retira o véu da ilusão e faculta a percepção da realidade não fugidia.99 37 O homem consciente Gurdieff. olvidando as qualidades superiores que propiciam realmente a felicidade.. o eminente psicólogo russo. encharcado pelas paixões como se encontra. aquela que precede a forma e permanece depois da sua disjunção.

caminhadas e ginásticas que consomem horas. desviam da meta essencial que é o despertamento de si mesmo. das contradições entre o que pensa e o que faz. e cada compromisso que assume. com desconsideração ou por ignorância do essencial. assinalado pelo aprofundamento da visão da vida. Há uma generalizada preferência humana pelas distrações. Usa a inteligência e aplica o sentimento em perfeita interação. passa a fruir emoções que o enlevam. avançando sempre. identificando os meios para o tentame. Altera-se-lhe então a visão para a auto-identificação. à medida que se envolve na libertação das cargas psicológicas opressoras. As distrações habilmente se disfarçam. responsável. entendendo que o largo período de sono é responsável pela existência dos inúmeros conflitos que o aturdem. porém. das injunções do corpo. dos prejuízos políticos. nãosubmisso. que será a perfeita conscientização de si mesmo. não-arrogante. mantendo a sensação permanente de incompletude. Certamente experimenta as contingências da vida social. Quando anestesiado no nível de sono. e que. justificando trabalho exaustivo. o homem aspira à conquista de outros níveis de consciência e emerge do sono. passando-a a transpessoal. superando os automatismos. arroja-se mais nas experiências do instinto. sente a mesma necessidade de completar-se. dele se desincumbe em paz. o homem consciente vive integralmente todos os momentos. Consciente desses fenômenos. que lhe constituem degraus e patamares a galgar. espiritual. todas as aspirações. sem que tais ocorrências o desanimem ou o infelicitem. passando a identificar o atraso em que se encontra. por processo de saturação das distrações ou pelo imperativo de novas reencarnações.100 Estar desperto é mais do que encontrar-se vivo. sem recuos nem amarguras. buscas e realizações. portanto. é-lhe estímulo ao prosseguimento tranqüilo da iluminação interior. . ao invés de tornar-se desafio. conversações prolongadas. A razão propele-o para a tomada de consciência e. A autoconquista é-lhe um crescimento natural e não-perturbador. Harmonizando aspirações e lutas. aumentando o número de vivências dos logros íntimos. sem a preocupação de vitória exterior ou mesmo de superação. todas as ações. frustrando-se e sofrendo. todos os sentimentos. consumindo-se tempo e saúde no secundário. Lentamente. para localizar-se nas realizações da inteligência e do sentimento enobrecido. asfixiantes. repouso demorado. mais se afervora na busca da harmonia. Ser consciente significa estar desperto. diante das infinitas possibilidades de que dispõe. pela fuga da realidade. liberado do passado e do futuro. Age sempre lúcido. e tudo quanto se propõe realizar. tendo em mente o acume. totalmente diverso do comum. do ponto de vista fisiológico. livre de algemas. entre ao que aspira e o que realiza. Cada momento atual é magno na vida do homem consciente. não obstante úteis. nesse estado. conquistando novas áreas que antes permaneciam desconhecidas.

enlouquecendo. latifúndios largos e semoventes aos milhares. necessita de ter o ego recompensado pela gratidão. embora lhe irrompam episódios de afetividade. quando tudo no mundo. expressando-se como apegos às coisas e pessoas. sem a coragem moral para atravessá-lo. não crê que pode ser amado com desinteresse pelos seus haveres. Assim não sucedendo e vindo a consorciar-se. acreditando-se capaz de detê-las. ele o faz mediante cláusulas de separação de bens. considerando triunfadores somente os que dispõem de contas bancárias volumosas. das criaturas aquinhoadas. ou servidores encarregados de bem aplicar. quantos se lhe acerquem. graças à insegurança íntima. Se vence o medo de doar algo e o realiza. supondo que. a sua vítima. e conflitos perduram na idade adulta. mesmo quando atinge os picos do poder ganancioso. com desconsideração pelos demais. passando àcondição de benfeitor. e. tornando-se possuído pelo objeto que supõe possuir. em medos de perdê-las.101 38 Ter e ser Remanescem da infância física traços de insegurança. bens que lhe são alicerces de segurança no inconsciente. de outras pessoas. vai traído pela concupiscência da posse. .. Quando esta não decorre do auto-encontro libertador. em razão da falta de maturidade psicológica do ser. Autodesprezando-se. acredita-se merecedor de tudo em primeiro lugar. é buscada através dos meios externos. qual o ensinamento de Jesus através da parábola dos talentos no Evangelho. e jamais no que é. não se considera merecedor de afetos. mordomos que prestarão contas. Desperta-se-lhe em grau crescente a avareza que o amarfanha. faz. estão interessados no que ele tem. que permanece asfixiada pelos tormentos do ter. surgem-lhe as marcas predominantes do egoísmo e passa a reunir recursos que amontoa satisfazendo o ego. depois da alegria fugaz da posse material. A sua louca ambição torna-o misantropo. Como efeito. o indivíduo busca a auto-realização. Ninguém vive bem sem a segurança de si mesmo. Com a percepção embotada. que envolvem o seu possuidor em preocupações de aumentá-las. transfere-se para a ilusão da dominação arbitrária de outras vidas. A imaturidade asselvaja-lhe e obnubila-lhe a razão. com a conseqüente rejeição de si mesmo. Quando tal não ocorre. cada vez mais ansiosa por novos haveres. Sentimentos egocêntricos passam a aturdi-lo e. amesquinhando-o. com o seu caráter de transitoriedade. instabilidade emocional e desajuste social. detendo-o no pórtico das grandes realizações.. inconscientemente. subjugá-las como conquistas a mais. ignorando a sua realidade profunda. mede os fenômenos existenciais com os instrumentos da atividade contábil. Usando os conhecidos mecanismos de evasão da responsabilidade e sentindo-se fragilizado. a pouco e pouco. que converte em paixões de gozo imediato. passando à angústia de mais assegurar-se da sua retenção. Porque se sente sem possibilidade de amar. fixando-se em valores externos como forma de destaque no grupo social.

o amadurecimento psicológico faz que o indivíduo cresça sempre e cada vez mais. O objetivo da vida humana parte do ponto inicial no corpo — a infância — e cresce sem perder o contato com a sua realidade original. Ser consciente de si mesmo é a meta existencial. A vaidade. Rompem-se os limites que amesquinham e ampliam-se as áreas de produção que engrandecem. capacitado para a felicidade. ser transcendental que é. A incessante transformação. a compaixão. Ninguém tem coisa alguma no mundo: nem corpo. vigente no Cosmo. o dominador torna-se vítima. enquanto mais se autopenetra e descobre novos potenciais a desenvolver. libertadoras. já que o self se encontrava soterrado no desconhecimento. que existiam na sua personalidade. permanece vazio de sentimentos e. a imensa alegria do serviço. porque nada é. despretensiosa. quando os seus espaços são preenchidos pelas realizações expressivas. na auto-identificação. mas que não prescinde do interesse e da luta enviada para ser. que se desvela com infinitas possibilidades. nem pessoas sob domínio. permite o encontro do self. Correspondendo a esse estágio. tudo altera a cada instante. à meditação transcendental — abstrata—. Todo aquele que busca a posse. os objetos passam de mãos. A segurança psicológica do indivíduo centraliza-se no autoconhecimento. a ação benéfica em favor do próximo. o narcisismo. que tinha necessidade de sobreviver. enche-se de artefatos e coisas brilhantes.. e o vivo de agora estará morto logo mais. reconhecendo a sua pequenez. A conquista do si é realização que independe do ter... que se agranda ante a excelência da Vida que ele conquista. o corpo se dilui. A autovalorização não-egoísta. Chegando à realização da consciência. o ter e reter.102 O bom aplicador. prosseguindo cheio de espaços e abarrotado de preocupações afugentes. desaparecem por ausência da vitalidade fornecida pelo ego inseguro. a fim de que também ela seja feliz. O individualismo que nele prevalecia cede lugar ao amor que convive e se expande na direção dos outros. aqueles que constituem a sociedade na qual se encontra. deve expandi-la. no ser. experimenta o júbilo da realização. conseguindo o autoamor que desdobra a bondade. Alguns psicólogos transpessoais concluem que. no auto-amor. além dos juros que recebe. realizado. Os conflitos então cedem lugar. do reter. exteriorizada no bem-estar que proporciona. nem valores amoedados. passando a trabalhá-la. porém mortas. os sentimentos de amor e autodoação — concretos — devem prevalecer emulando o indivíduo a ser integral. ..

saindo do automatismo do instinto para a seleção do discernimento racional. assim como a expulsão do criminoso aumenta-lhe a angústia. como se fossem o medrar espontâneo da essência divina de que é constituído o Espírito. tornandose o grande desafio do processo da evolução do ser. de ciúme e de raiva. responde pelo sofrimento que os acicata. dependem do seu usuário e não da sua função em si mesma. dando-lhe margem ao ciúme doentio e à raiva. A divina punição de Deus pela rebeldia da mulher e pela insensatez do homem. e ao fratricídio cometido por Caim contra Abel. O discernimento do bem e do mal. o inconsciente desatrela a insegurança infantil. Em qualquer atividade. que tem um caráter simbólico. ali adormecida. que a seguiu no erro. do interesse. no paraíso. do certo e do errado. quiçá para demonstrar o momento em que surge a consciência. De geração em geração. a des- . Surgem-lhe os pródromos. Fonte de vida. desenvolveu esses sentimentos perversos. milenarmente.. o sexo é o instrumento para a perpetuação da espécie. a nobreza e a elevação amorosa mediante os quais se expressa. fruto ainda da desobediência que. abrindo espaço para a razão. os fenômenos biológicos automáticos não se fazem acompanhar das dores. perturbando o desenvolvimento da consciência e a conseqüente conquista de si mesmo. no que diz respeito à desobediência de Eva. tornando a procriação um verdadeiro castigo. Na fase do instinto. todavia. na fase do instinto. gerou conflitos que ainda remanescem nas vidas psicologicamente imaturas. a infelicidade. A absurda aceitação literal do texto bíblico. que são maiores conforme mais seja apurada a sensibilidade. não sendo credor de qualquer condenação. o indivíduo mantém por atavismos religiosos e culturais a consciência de culpa. O ultraje e a vulgaridade. especialmente os ocidentais. daquilo que não lhe é lícito realizar. o aprimoramento e a profundidade desses valores dependem do empenho. Igualmente a arbitrária eleição celeste de um por outro irmão. que levariam inevitavelmente ao hediondo fratricídio.. e as aquisições ético-morais aparecem.. — quando o ser pode identificar o que deve. representados no mito da Árvore do conhecimento do bem e do mal —devido a interpretações apaixonadas e fanáticas. cujas oferendas mais O agradavam. das realizações de cada um.. como fenômeno natural do desenvolvimento antropológico-psicológicosocio-lógico da criatura. e surgem os conflitos. qual sucede na ocorrência do parto. a criança que se sentia desprezada. transformou a comunhão sexual em condenável e imunda. ambos gerados em circunstâncias iguais. Herdeiro dos arquétipos remotos dos seus antepassados. que passou a ser punição divina. teria que despertar ressentimentos contraditórios.103 39 A conquista de si mesmo A aquisição da consciência demanda tempo e esforço humano. no rejeitado. considerando a preferência injustificável de Deus por Abel. competitiva ou não. do ponto de vista puritano e hipócrita. vitimados pelas heranças judaico-cristãs.

Já não luta contra as coisas. Jesus afirmou que se poderia fazer tudo quanto Ele fez. do amadurecimento psicológico. que faz parte da harmonia do Universo. jacente no mundo íntimo. se se quisesse.104 confiança desastrosa. Sente-se emulado a gerar novos futuros efeitos. Percebendo-se instrumento da vida. à reencarnação. Não tem passado. Tal conduta proporciona-lhe a alegria que provém da tranquilidade da realização. portanto. assim quis e o conseguiu. sem perdão. Para tanto. bastando empenhar-se e entregar-se à realização. Descobre a vida e que se encontra vivo. de rejeição e outros. . pela racionalização dos acontecimentos. sem justificação. trabalhando-o e promovendo-o a níveis e patamares cada vez mais elevados. e a sua é uma consciência atual. A libertação dessa consciência doentia facilita o entendimento do mecanismo da responsabilidade no comportamento que estabelece o lema: A cada um conforme os seus atos. e graças às realizações da solidariedade. agindo com consciência e produzindo com eqüidade. nos valores intrínsecos. que hoje é o seu dia. do viver para jamais morrer. o santo. Francisco de Assis. até quando o ser.. por ausência do ciúme. o indivíduo supera a raiva. A conquista de si mesmo resulta. inevitável. mas luta pelas coisas. conquista os sentimentos que canalizará na direção de novas metas. necessário seria a fé em si mesmo. segundo ensinou o Terapeuta Galileu. mas trabalha para fomentar o progresso. O homem que se conquista supera os mecanismos de fuga. e postergação é-lhe prejuízo para a economia da sua plenificação. que facultam a superação das provas e dos sofrimentos. Senhor do discernimento. Homens e mulheres anônimos entregaram-se aos ideais que lhes vitalizaram as existências e. que aprende a selecionar e qualificar. utilizando-o com propriedade e sabedoria. para enfrentar-se sem acusação. fértil e rica de aspirações. neste tempo intemporal da relatividade terrestre. superando-se. que seriam desenvolvidos a partir do momento da opção.. por superação. não tendo caráter castrador ou punitivo. abandonando. que já desfruta. da ciência e da fé. as paixões dissolventes e fixando os valores que enobrecem. que alcança realizando-se. A conquista de si mesmo é lograda mediante o querer. no qual se engaja e se realiza. de transferência de responsabilidade. nem futuro. vivendo-a nas expressões do amor a tudo e a todos intensamente. considerando que sempre é tempo de reparar. A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser. o progresso do ser é imperioso. porém. Apóstolos do bem. autoconquistaram-se. que busca a integração na Cósmica. plenificando-se. os quais passam então a ter um comportamento filosófico dignificante — instrumentos de valorização da vida — ao invés de serem castigos àculpa oculta. do esforçarse para triunfar. Graças. e que tudo quanto lhe acontece. liberto dos conflitos. e os mecanismos da evolução se expressam. procede. e o lograram. e não compete para destruir. o homem descobre que colhe de acordo com o que semeia. do pensamento e da ação quiseram.

105 Fim .

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