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Joanna de Ângelis - O Ser Consciente

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O SER CONSCIENTE DIVALDO PEREIRA FRANCO DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

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ÍNDICE
O Ser Consciente PRIMEIRA PARTE - A QUARTA FORÇA CAPÍTULO 1 = A quarta força CAPÍTULO 2 = Definição e conceito CAPÍTULO 3 = O homem psicológico maduro CAPÍTULO 4 = Modelos e paradigmas CAPÍTULO 5 = A nova estrutura do ser humano SEGUNDA PARTE - SER E PESSOA CAPÍTULO 6 = A pessoa CAPÍTULO 7 = Fatores de desequilíbrio CAPÍTULO 8 = Condições de progresso e harmonia TERCEIRA PARTE - PROBLEMAS E DESAFIOS CAPÍTULO 9 = Êxito e fracasso CAPÍTULO 10 = Dificuldades do ego CAPÍTULO 11 = Neurose QUARTA PARTE - FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE CAPÍTULO 12 = Autocompaixão CAPÍTULO 13 = Queixas CAPÍTULO 14 = Comportamentos exóticos QUINTA PARTE - PROBLEMAS HUMANOS CAPÍTULO 15 = Problemas Humanos CAPÍTULO 16 = Gigantes da alma CAPÍTULO 17 = Ressentimento CAPÍTULO 18 = Ciúme CAPÍTULO 19 = Inveja CAPÍTULO 20 = Necessidade de valorização CAPÍTULO 21 = Padrões de comportamento: mudanças SEXTA PARTE – CONDICIONAMENTOS CAPÍTULO 22 = O bem e o mal CAPÍTULO 23 = Paixão e libertação psicológica CAPÍTULO 24 = Enfermidade e cura SÉTIMA PARTE - A CONQUISTA DO SELF CAPÍTULO 25 = A Conquista do Self CAPÍTULO 26 = Mecanismos de fuga do ego CAPÍTULO 27 = Medo e morte CAPÍTULO 28 = Referenciais para a identificação do si OITAVA PARTE - SILÊNCIO INTERIOR CAPÍTULO 29 = Silêncio Interior CAPÍTULO 30 = Desidentificação CAPÍTULO 31 = Libertação dos conteúdos negativos

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CAPÍTULO 32 = O Essencial NONA PARTE - A FELICIDADE CAPÍTULO 33 = Prazer e gozo CAPÍTULO 34 = Felicidade em si mesma CAPÍTULO 35 = Condições de felicidade CAPÍTULO 36 = Plenificação pela felicidade DÉCIMA PARTE - CONQUISTA DE SI MESMO CAPÍTULO 37 = O homem consciente CAPÍTULO 38 = Ter e ser CAPÍTULO 39 = A conquista de si mesmo

utilizando-se dos instrumentos do auto-amor. liberado dos choques interiores em relação ao comportamento externo. da meditação que faculta o crescimento interior. não. em vãs tentativas de driblar as aflições transferindo-se para os setores do êxito exterior. não se acusa nem se culpa. do aplauso e da admiração social. a fim de poder enfrentar os paradoxos existenciais — parecer e ser —. até quando ressumam e sobrepoem-se a todos os disfarces. Enraizados profundamente. as inquietações e tendências que o comandam. Tal postura permite que os seus fatores constitutivos cresçam e se desenvolvam. Suas vítimas padecem situações muito afugentes. O mesmo ocorre com os conflitos psicológicos. porem. o indivíduo procura soterrar os conflitos sob as preocupações contínuas. a agressividade. até os estados graves de alienação mental. da auto-estima. O auto-amor ensina-o a encontrar-se e desvela os potenciais de força íntima nele jacentes. desde os simples complexos de inferioridade. de modo a encontrar os recursos que lhe facultem diluí-los. erradicá-las. desencadeando novos sofrimnentos e perturbações devastadoras. constitui a sua essência e legitimidade. apresentam-se na consciência sob disfarces diferentes. O ser consciente deve trabalhar-se sempre. até o momento em que se tornam insustentáveis. Todo conflito gera insegurança. no entanto. não lhes dá valor. Estão presentes no homem. que. mantendo-os. O homem pode e deve ser considerado como sendo sua própria mente. Aquilo que cultiva no campo íntimo. a timidez. partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica. À identificação segue-se o trabalho da transformação interior para melhor. razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente. a culpa. Somente consegue essa lucidez aquele que se auto-analise. quando as resistências disponíveis se exaurem. aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar. Para isso. As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração. Ignorar uma situação não significa eliminá-la ou superá-la. apenas descobre-se. nem se justifica. evitando deter-se neles. tombando no abandono de si mesmas. o homem moderno procura mecanismos escapistas. na concepção da meta plenificadora. disposto a encontrar-se sem máscara. ao convívio saudável com o seu . A auto-estima leva-o à fraternidade. Condicionado para a conquista das coisas.4 O Ser Consciente Esmagado por conflitos que não amainam de intensidade. analisar a própria fragilidade. vivos e pulsantes. não se julga. embora os sentimentos permaneçam agrilhoados e ferreteados pela angústia e pela insatisfação. invariavelmente. os narcisismos. ou que o propele com insistência a realizações. respondendo por inomináveis comportamentos nas sombras do medo e das condutas compulsivas. que devem ser estudadas pacientemente. chamando a atenção para enfrentá-los. que se expressa multifacetadamente. da relaxação que libera das tensões. estabelecendo os paradigmas corretos para a jornada. momentaneamente. da oração que estimula a capacidade de discernimento. sem deterioração.

avaliar suas perdas e seus lucros. ou adormecidas nos alicerces da Consciência. porque permanece perdido em um espaço escuro.. horizontes largos para a movimentação. dispondo dos recursos para exteriorizar-se e interiorizar-se. Quem ora. da Psicotrônica.. “ “E prosseguiu: “. Perfeitamente identificado com os elevados objetivos da existência terrestre do ser humano. Há. ampliou os horizontes do homem. Allan Kardec questionou os Espíritos Benfeitores. O conhecimento de si mesmo é. fala. Foi necessário que surgissem a Psicologia Transpessoal e outras áreas doutrinárias com paradigmas bem definidos a respeito do ser humano integral.. A oração e a meditação irão constituir recurso complementar para afixação das conquistas. A oração amplia-lhe a faculdade de entendimento da existência e da Vida real. A meditação ajuda-o a crescer de dentro para fora. a exemplo do comerciante. entre outras considerações explicitou: “.5 próximo. inquiri como a qualificaríeis se praticada por outra pessoa. quem medita. Santo Agostinho. A relaxação proporciona-lhe harmonia. propiciou-lhe o encontro com outras dimensões da vida e possibilidades extrafísicas de realização. A contribuição da Parapsicologia. portanto.. a chave do progresso individual. não se realiza satisfatoriamente. Quem o posterga. “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?” Eles responderam: “— Um sábio da Antigüidade vo-lo disse.. porém. concitando-a ao auto-encontro e à autodescoberta a respeito da vida além dos estreitos limites materiais. estruturas psicológicas muito frágeis ou assinaladas por distúrbios de comportamento grave. o auto e o alo-amor serão decisivos para a avaliação. que permaneciam soterradas sob os escombros do inconsciente profundo. dê balanço no seu dia moral para. Espírito. Conhece-te a ti mesmo.” Na análise diária e contínua dos atos.”(*) Comentando a resposta. de todas essas disciplinas psicológicas e doutrinas parapsíquicas. Se puder dizer que foi bom o seu dia. igualmente necessitado. O auto-conhecimento se torna uma necessidade prioritária na pro gramática existencial da criatura. Nesses casos.. poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. direis. urge o concurso da Ciência . da Psicobiofísica. e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. no entanto. ouve. para que se pudesse propor à vida melhores momentos e mais amplas perspectivas de felicidade. o Espiritismo descortinou para a criatura a valiosa possibilidade de ser consciente. Mas. como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar asfaltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente. Antes. realizando-se em amplitude e abrindo-lhe a percepção para os estados alterados de consciência. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações. Isto é muito real. o orgulhoso julga que em si só há dignidade. ignorado dentro de si mesmo.

Joanna de Ângelis . experiências e vidas.6 Espírita. é bondoso. Ajuda e promove aquele que lhe recebe o socorro. de Entidades extracorpóreas. que é portadora de uma visão profunda e integral do ser. 29ª edição da FEB. torna-se necessária a ajuda do psicoterapeuta. gerando quadros de obsessões complexas. entretanto. ajudando-o na solução do seu problema. Questão 919. pela Psicanálise ou pela Psiquiatria. e. Confiamos que será útil a alguém que se encontre aflito ou fugindo de si mesmo. conforme a especificidade do problema. é jovial. colocando uma ponte na direção da Doutrina Espírita. conquistando a Terra da Promissão bíblica. é complacente. esses agentes pertubadores. auxiliá-lo na conquista da consciência. Conhecendo suas possibilidades. com as terapias (*) O Livro dos Espíritos. coloca-as em ação sempre que necessário. libera a consciência do ser. de acordo com a intensidade do distúrbio. * Este modesto livro. É responsável. que será eqüacionado pela Psicologia. no entanto sem conivência. por se tratarem. profúndas que dispõe. 19 de maio de 1993. ocorrem interferências espirituais variadas. para os quais somente as técnicas espíritas alcançam os resultados desejados. sem presunção. ao consegui-la. inteligência e lucidez. Em muitos conflitos humanos. e. Só o amadurecimento psicológico. ei-lo feliz. todavia sem anuência com o erro. Não apresenta qualquer técnica nova ou milagrosa. Estuda algumas problemáticas humanas à luz da Quarta Força em Psicologia. através das experiências vividas. pretende. aberto ao amor e ao bem. e isto nos Compensará plenamente. Salvador. e não se permite o vão repouso enquanto o dever o aguarda. seguindo adiante sem cobrar retribuição. que ora trazemos à análise do caro Leitor. porém sem vulgaridade. mas sem carranca. * O ser consciente é austero. porém portadores dos mesmos potenciais das suas vítimas: sentimentos e emoções.

7 PRIMEIRA PARTE A QUARTA FORÇA .

Moody Jr. lingüistas que. As teorias apressadas. ampliando o quadro de entendimento dos dementes (autist savant ou sábio idiota).. transumanos. passou a exigir mais acurada penetração.. lentamente acumulando dados capazes de suportar refutação. Capra e outros corajosos pioneiros. músicos. antes execradas. mesmo diante do numinoso... como efeito das experiências de Rhine. atendendo com mais cuidado. por considerados patológicos ou fraudulentos. procurando enfeixar nos arquétipos todas as ocorrências da paranormalidade. Era necessário revisar o potencial humano em toda a sua complexidade. Maslow. cujos dados valiosos avolumaram-se de tal forma. Os avanços da Física Qüântica. puseram-se a exigir elucidações que destruam as tradições negativas. Indispensável coragem para enfrentar o cepticismo e a arrogância dos acadêmicos. assim demonstrando que preexistem aos órgãos e os sobrevivem. da mente sobre o cérebro gravemente danificado. aos fatores derivados das pressões de toda ordem. Wilber. que não havia outra alternativa senão ampliar o esquema de interpretação do psiquismo. aos traumatismos físicos e psicológicos. Grof. Vaughan.8 1 A quarta força Os estudiosos da criatura humana. perturbadoras. às seqüelas das enfermidades infecciosas. artistas plásticos. a Relatividade do Tempo e do Espaço. sem preconceitos nem receios. romperam o véu do silêncio e passaram a comunicar-se com lucidez. os acontecimentos desprezados. tendo-se em vista o conceito do vir-a-ser. com a contribuição da Transcomunicação Instrumental. vinham sendo superadas pelas pesquisas de laboratório na área da Parapsicologia. abriram perspectivas psicológicas dantes sequer sonhadas. que pretendiam reduzir a alma a um epifenômeno de vida efêmera. ao invés de serem suas elaborações ou efeitos . criando-se o que se convencionou denominar como a Quarta Força — além do Comportamentalismo (Behaviorismo). da Psicotrônica e da Ciência Espírita. anelavam por ampliar os horizontes da compreensão em torno de fenômenos complexos e abrangentes. de Jung. deixaram espaços para reformulações de conceitos e especulações que se libertam dos modelos e paradigmas acadêmicos. e observações menos ortodoxas. penetrando a sonda da investigação no inconsciente e concluindo por novas realidades. da Psicanálise e da Psicologia Humanista — que é a Psicologia Transpessoal ou profunda. de repente. Walsh. Assagioli. A abrangência da consciência como estágio mais elevado do processo antropológico-sociológico-psicológico do ser. da Psicobiofisica. a Teoria da Incerteza. apresentando dotes de excepcional capacidade realizadora. surgiram ensaios e tentativas de ampliação de conteúdos. permaneciam aferrados ao organicismo e à hereditariedade. critica e desprezo. dos reducionistas que. embora os rígidos controles exercidos pelas conquistas freudianas. Revelando-se matemáticos. atualizando a predominância do Espírito sobre a matéria. Kübler Ross. Vez que outra. portadores de capacidades e aptidões luminosas. que se preocuparam em ir além dos padrões estabelecidos. As explicações junguianas amplas.. capazes de elucidar problemas profundos da personalidade.

e as técnicas regressivas da memória. O ser dual — Espírito e matéria — do espiritualismo ortodoxo. . alargando-lhe as possibilidades de desenvolvimento do deus interno. em favor de um homem e de uma mulher holísticos. por falta do elemento intermediário. da saúde.. a bioenergia. realização plenificadora. perispírito e matéria — podem-se resolver todos os questionamentos e desafios que o compõem. propondo a identificação de fórmulas com aparência diversa. ao revés de examinados em partes. neuroses. ignorando-lhe a realidade transcendente. os fenômenos retro e precognitivos. Somente quando estudado na sua plenitude —Espírito. estado de Nirvana. a fim de solucionar os enigmas predominantes em pacientes marginalizados pelas outras correntes da Psicologia ou facilmente rotulados de psicopatas. a Ramakrishna e outros. que escapam a uma observação superficial.. bem como dos modelos estabelecidos. de Buda a Vivekananda. as ectoplasmias. deixando escapar incontáveis expressões de conteúdo. A conceituação materialista de forma alguma atende-lhe as necessidades éticas e sociológicas. completos. logrou imporse através das terapias liberadoras de conflitos. dos taoístas tibetanos aos físicos nucleares. a hipnose. que a análise transpessoal pode abordar com segurança ou neles apoiar-se.. processador de inúmeros fenômenos que lhe completam a existência. os exercícios da tai-chichuan. O ser humano é constituído de elementos complexos. a oração. com exclusiva definição terapêutica. à desconsideração catalogada de patologia irreversível.. permanece incompleto. relega-a àindiferença. os deslocamentos de objetos sem contatos e outros facultaram mais acurados exames do indivíduo. que inicia um período de real compreensão da criatura como ser indestrutível que é. do inter-relacionamento pessoal. unindo as duas culturas — a do passado e a do presente — em uma síntese perfeita.9 dos seus mecanismos. a clarividência. enseja a revisão dos parâmetros aceitos. a magnetização da água. no entanto. não logrando elucidar o ser psicológico. fadado à felicidade. demonstraram que muitos fatores psicopatogênicos são anteriores à concepção do ser. que se harmonizam. Essa gigantesca tarefa cabe à moderna Psicologia Transpessoal ou Quarta Força. eliminando a predominância genética na condição de desencadeadora de psicoses. de samadhi. ou de reino dos Céus que lhe cumpre alcançar. conflitos e tormentos degeneradores da personalidade. facultando completude. tais a meditação. Os diques erguidos pela intolerância romperam-se ante as novas conquistas. A grandiosa contribuição do pensamento oriental. A telepatia. o uso de algumas drogas psicodélicas como o ácido lisérgico. exceto quando. o controle mental de inegáveis resultados nas mais variadas áreas do comportamento. a respiração. Esse concurso que se vinha insinuando multissecularmente.

seguindo os modelos da filosofia oriental e recusando-se à aceitação dos episódios reencarnacionistas necessários à evolução. do capricho do acaso que os reúne e des agrega. Enquanto o pensamento oriental estruturava o fenômeno psicológico em um ser herdeiro de Deus e a Ele semelhante. retendo as largas possibilidades que necessitam ser penetradas. de modo a dar-lhe a abrangência que alcança o ser humano na sua estrutura física. ou deles destituídos. Nos seus primórdios. adleriana. as propostas atomistas reduziam o ser humano ao amontoado de partículas infinitamente pequenas. para onde retornava após o périplo carnal. muito antes que a cultura ocidental se apercebesse da causalidade do existir.. preocupados com a criatura humana dual. ora outra corrente. Nessa paisagem. único tesouro que logra produzir a plenificação do ser humano. eventuais. produzindo vida e morte ao sabor das ocorrências anômalas. alcançaram culminâncias ora uma. desenvolvendo o germe divino que nele dorme. de Descartes ou Bacon. colocando uma ponte psicológica e filosófica entre as duas civilizações. esféricas. de alguma forma.. conduta saudável e solidariedade com as demais criaturas. Conceituando a psicologia transpessoal. através de São Tomaz de Aquino ou de Leibniz. restringir. a ciência da alma encontrava-se embutida nos conceitos socráticos e platônicos. que ampliam as linhas das definições clássicas da doutrina psicológica em si mesma. segundo uns. paralelamente. na segunda metade do século 19. em antagonismo estrutural. Avançando. ampliaram-se as concepções em torno do universo. com ganchos. que se iniciou no ocidente com Anaxímenes e Anaxágoras. Aristóteles lhe agregou a enteléquia. conforme os conteúdos existenciais vividos. A sua ética moral.10 2 Definição e conceito Definir. isto é. portanto. a fim de experimentar felicidade ou desdita. é limitar. desenvolvendo o idealismo socrático e o reencarnacionismo do vedanta e da budismo. e prosseguindo pelas várias escolas freudiana. Procedente de uma realidade metafísica. resultando. junguiana. portador de recursos inimagináveis que lhe cabe desenvolver. da vida. Concomitantemente. qual ocorre na semente com o vegetal. encontraremos os seus primeiros postulados na ética filosófica ancestral. o ser a ela retornava com o somatório das experiências adquiridas. . cujas origens se encontravam no mundo das idéias. da criação. Remontando-se à história do pensamento psicológico. Mesmo quando as definições são elásticas. comportamentalista e psicanalítica. não nos podemos furtar aos seus paradigmas. enquanto se ia ampliando nas concepções humanista. então fecundado pelo amor.. estimulava ao equilíbrio mente-corpo. o planeta terrestre pode ser considerado uma escola. percorrendo todos os períodos históricos até a sua formação organicista. conforme outros. unindo-se e desestruturando-se graças ao vácuo e ao movimento.. otimista. na qual se forma e aprimora o caráter. Posteriormente. e propôs uma criatura trinária. psíquica e transcendental. Como verdadeiro ponto de equilíbrio apareceu o pensamento ético de Jesus. reduzem o pensamento e o enclausuram em palavras. que lhe plasmariam futuros renascimentos na Terra.

propondo o auto-aperfeiçoamento pela superação das paixões dissolventes. trouxe o futuro para o presente. Santa Tereza de Ávila e alguns outros. Conscientizando as criaturas a respeito da sua responsabilidade pessoal diante da vida. invariavelmente portadores de grandes traumas e conflitos. que passou à condição de realidade. buscaram libertar os indivíduos do temor e do ódio. em que Eva tombou. recupera-se o ser humano do conflito em que se encontrava. responde por males que se repetem milenarmente. assim tornando a mulher inferior no processo humano da evolução. ainda hoje. com o seu irmão e com o mundo no qual se encontra. Ele tornou-se o marco mais importante da psicologia transpessoal. por adotar a postura mediante a qual considera o indivíduo um ser essencialmente espiritual. O Cristianismo. à aceitação do modelo. procurou castrar e coibir todas as fontes de prazer. de vez em quando. com o passo de segurança para a aquisição da consciência. para os mecanismos de transferência da realidade e fugas da consciência responsável. Não obstante os luminares que. promovendo-o à condição de possuidor de valores preciosos que lhe cumpre desenvolver. possibilitando alienações e desditas inimagináveis. a fim de proporcionar a catarse salvadora e a recomposição da individualidade aturdida. no inter-relacionamento pessoal. mais remotamente. O culto ao mito. que faz parte do seu programa de autoburilamento. Possuidor de transcendente capacidade de penetração nos arquivos do inconsciente individual e coletivo. em transitória existência física. quais São Francisco de Assis. estabeleceu terapias de invulgar atualidade. sem conflito nem culpa. em flagrante desrespeito ao simbolismo da criação humana. Jesus não foi apenas o filósofo e o psicólogo que compreendeu os problemas humanos e ensejou conteúdos libertadores.11 Psicoterapeuta superior. e. predominaram a ignorância e o terror. A evolução das ciências vem logrando anular esse efeito pernicioso. proporcionando uma ética simples e facilmente aplicável. que venceu as gerações e ressurge. mas permanece como terapeuta que rompeu as barreiras da personalidade dos pacientes e penetrou-lhes a consciência de onde arrancou a culpa. tornando o reino dos céus um estado de consciência lúcida. do sonho e das psicoses totalmente superadas. fazendo-os responsáveis pelo deicídio no Calvário — confundindo Jesus com Deus — ou. produzindo uma consciência de culpa coletiva. embora a esforço de trabalho paciente e constante. graças ao advento da psicologia espírita com Allan Kardec. trabalhando a estruturação da personalidade. verdadeiro arquétipo de natureza punitiva. nos indivíduos e grupamentos sociais. restrição e condenação. sofrendo as injunções dos pseudoconversos. quando não em total infelicidade. ao fantasioso. estatuiu a condição de segurança para a identificação do indivíduo consigo mesmo. no entanto. com a herança da tentação. através dos tempos. ao símbolo. mediante regras e dogmas punitivos. as expressões existenciais. que se caracterizaram pela repressão. levando-os à confiança e ao amor. são necessidades psicológicas. Da mesma forma. . levando Adão ao erro. longe do sono. No postulado não fazer ao próximo o que não deseja que ele lhe faça. Assumindo a postura teológica.

pulsante e universal. as glórias da vida e se dilatam os dons nele existentes. e da sua com a Consciência Cósmica. então. que supera as culpas e as dores. alargando as imensas possibilidades da psicologia. . em pleno desenvolvimento da sua realidade. as angústias e as inquietações. faz que sejam descortinadas as possibilidades ímpares para a perfeita integração da criatura com o seu Criador. Nesse homem transpessoal cantam. tornando-o pleno e feliz.12 A quarta força.

a presença da infância. E mesmo quando se apresenta completado. detentor de coisas. graças aos quais muda de comportamento sem liberar-se da injunção causal. pelos processos castradores do ambiente. qual semente que se intumesce sob as cargas esmagadoras do solo. Para ele. pode ser comparado a uma larga gestação. cujo parto doloroso propicia especial plenificação. seu amadurecimento. quando um aspecto não éidentificado com o outro. apresenta-se introvertido. insegura. o desconforto moral. tornando-se. que o propele à liberdade excessiva e aos estados caprichosos de comportamento. econômicos. sicário implacável. perceberse que o desenvolvimento fisiológico raramente faz-se acompanhar do seu correspondente emocional. ocultando-se sob vários mecanismos perturbadores. o período infantil alonga-se e predomina. que se agigantará através do tempo. quase sempre contribuem para que se prolongue a sua imaturidade psicológica. A imaturidade expressa-se através da preservação dos conflitos.. juiz cruel. atormentada. possuindo sem repartir. impiedoso. cujo valor acaba quando desaparece a utilidade. de imediato ignorando-as. atravessa diferentes fases que lhe permitem a estruturação psicológico. o ser cresce sob pressões que lhe despertam a necessidade de desabrochar os valores adormecidos. destituídas de sensibilidade. psicossociais. fazendo-se característica de uma personalidade instável. Procedente de atavismos agressivos. qual animal que não discerne.13 3 O homem psicológico maduro O ser humano é o mais alto e nobre investimento da vida. Em sucessão. portanto. por ser destituído de afetividade ainda não desenvolvida. quase sempre contribuindo para a preservação do estado de imaturidade. a fim de libertar o vegetal embrionário. É comum. para atingir a sua culminância. em conseqüência. não de paz pessoal. desprezando-as. sua individuação. Graças à sua constituição emocional e orgânica. Tornase ditador impiedoso. Passado esse primeiro período. que colaboram positiva ou negativamente para o desenvolvimento psicológico. Fatores compressivos e difíceis de liberados. que são a frustração. depressiva ou agressiva. isolando -se socialmente dos demais ou considerando as outras pessoas como descartáveis. acumulando tudo e apenas pensando em si. imantado ainda aos instintos. apresentam-se os fatores hereditários. momento grandioso do processo evolutivo que. faz-se ególatra. na vida infantil o ser é egocêntrico. no tormento de metas sem significado. O seu processo de amadurecimento psicológico. egoísta. Em tal caso.. as suas reações prosseguem infantis. em fatigante esforço de completar-se. o sentido da vida permanece adstrito ao círculo estreito da aquisição de coisas e à sujeição de outras pessoas aos seus caprichos. Proporciona-lhe prazer . o que se transforma em conflito. conforme Jung. acreditando que tudo gira em torno do seu universo. Do ponto de vista tradicional. no entanto. Ao atingir a idade adulta deve estar em condições de viver as suas responsabilidades e os desafios existenciais.

Todos nascem ou renascem nos núcleos familiares e sociais de que necessitam para aprimorar-se. o entendimento desse fator. ao . desenvolvendo a degenerescência afetiva até o naufrágio fatal. A sua primeira fase expressa-se como maturidade afetiva. Os velhos paradigmas e modelos sobre o homem cedem passo à introdução do conceito do ser ancestral. do prazer na dor própria ou alheia. em razão dos processos de mérito ou débito de que cada um se faz portador. oferecendo claridade e calor. mesmo entre os gêmeos uniovulados.14 mórbido a dependência das massas e dos indivíduos particularmente. na sua condição de animal gregário. surge a necessidade de crescer e ampliar o círculo de amigos. educação. para tornar-se ablativo. as condições psicos sociais e econômicas. por formar um quadro muito complexo na individualidade humana. Certamente. desaparece quando a análise do perispírito demonstra que a personalidade resulta da experiência de cada etapa. fruindo. no estudo das causalidades de todos os fenômenos humanos.. para a realização das metas ou reparação delas. na aparelhagem nervosa e glandular. e sua mente é o veículo formador de quanto se lhe torna necessário para o processo iluminativo. Da posição receptiva egoísta. surgindo as primeiras expressões do amor. feito de sucessos e repetições. com toda a historiografia das suas reencarnações. que é a fatalidade do processo no qual se encontra. As cargas de genes e cromossomas. responsável pela harmonização dos implementos de que o Espírito se irá utilizar para o seu processo evolutivo no corpo transitório. na constituição do sexo. na câmara cerebral. O amor é a chama que arde atraente. as pressões psicossociais — ambiente. Essa percepção. Graças a esses fenômenos. atávica. à perturbação. Tal razão prepondera na elucidação das diferenças psicológicas dos indivíduos. em se considerando as cargas hereditárias na constituição orgânica. cada pessoa é a soma das suas experiências transatas. especialmente nas de secreção endócrina. A enunciada cisão entre o eu e o si. lutas e atividades — aparecem contribuindo. Face a isso. defluentes das conquistas anteriores. faz-se relevante em qualquer proposta de psicologia trans-pessoal. formam o quadro dos processos de burilamento moral-espiritual. resultantes da reencarnação caldeadora dos dispositivos individuais para a evolução. Expande o sentimento afetivo e compreende que o narcisismo e o egoísmo somente conduzem à auto-destruição. e não conforme se assevera tradicionalmente: que merecem. A maturidade psicológica tem um curso acidentado. quando o ser deixa de ser captativo por fenômeno atávico. fatores genéticos contribuem para o desenvolvimento ou não da maturidade psicológica. Todavia.. profundamente perturbadora. que se tornam responsáveis pelo desenvolvimento do eu profundo. não podemos ignorar a preponderância do modelo organizador biológico (MOB) ou perispírito. mas a individualidade é a soma de todas as realizações nas sucessivas reencarnações. de maneira masoquista. de uma ou de outra forma.

15 tempo que alimenta com paz. responsável pela formação do discernimento. da fantasia. ególatra. imediatistas. leva à correção do pensamento. A razão proporciona a superação do fenômeno infantil da ilusão. O amadurecimento mental. A conquista da razão é relevante. sendo a segunda de formação discursiva e a primeira de caráter intuitivo. de domínio e abnegação. onde a experiência de doação torna-se enriquecedora. O próximo passo éo amadurecimento mental. na vida e em Deus. que têm. a concentração nos objetivos ideais. resultantes das conquistas intelectuais. Com essa identificação alteram-se os interesses. Disso decorrem duas condutas de aprendizagem no que tange ao pensamento e ao seu uso correto. nunca aspirando para si o que não gostaria de receber de ou- . consegue o mental. Quem aspira por ser amado mantém-se na imaturidade. amplia as perspectivas da realização completadora. exercitando a mente e ampliando-lhe a capacidade de discernir. responsável pela superação dos instintos. por base. Logo se apresenta o desafio do amadurecimento moral. coercitiva. face à interferência dos desejos e supostas necessidades. Desenvolve-se então uma empatia que arranca o ser do seu primitivismo. para apoiar-se nos códigos da ética universal. No amadurecimento afetivo. Deus. A escala dos valores rompe os limites das conveniências restritivas e interesseiras. das sensações grosseiras. Para que ocorra o amadurecimento se torna indispensável pensar. o ser esplende e supera-se. os seres. Assim. em se considerando a impermanência e todos os acontecimentos e aspirações físicas. por ser o princípio ordenador. graças à compreensão de que a vida é rica de significados e o seu sentido é a imortalidade. que consubstancia a fé no homem. Pensar acertadamente é uma meta elevada. compreendendo-se que o limite da própria liberdade começa na fronteira do direito alheio. responsável pelo sofrimento. A mente. no seu contexto e complexidade. ancestral e perene. por encontrar-se livre dos constrangimentos e das pseudonecessidades emocionais. A afetividade é o campo central para a batalha entre as diversas paixões de posse e de renúncia. conduzindo-o à imensa área do progresso. trabalhando pelo olvido do ser em si mesmo com a lembrança constante do seu próximo. resulta de duas expressões da sua natureza: o intelecto e a razão. porque nem todo ato de pensar corretamente o é. real e compatível com a consciência. Há uma grande variação de níveis de pensamento. distinguidos dos imaginados. a fim de que possa utilizar o pensamento de maneira justa. face à permuta de energias entre quem ama e aquele que se torna amado. ensejando a predominância da doação plena. e as paisagens se clareiam ao sol da razão. que se adquire pela emoção e pelo conhecimento que discerne os valores constitutivos da filosofia existencial. a natureza e o próprio indivíduo. na dependência psicológica infantil. que reúne em um só conjunto as diferentes conquistas intelectuais. Somente após lograr o amadurecimento afetivo.

O seu desenvolvimento deflui dos contatos com a natureza e as criaturas. o homem psicológico torna-se harmônico no grupo. do belo. O ser imaturo. a separatividade e. esvaído do ego. compreensivo. irrita-se sempre.. alargando as possibilidades de crescimento ético. no rumo do infinito. A maturidade moral liberta. atinge o self. tornando-se homem integral. renunciando à liberdade interior. frustra-se. porque o significado da sua vida é o ego perturbador e finito. a maturidade social surge naturalmente. amor e paz. Quem lograr a sua consciência individual. da vaidade. que é a grande escola da vida. fraternidade. a fim de plenificar-se no grupo. oportunista e. torna-se impossível o relacionamento social. estético e espiritual do ser. e. da autocracia. afetuoso. Indispensável que sejam realizados encontros e experiências de grupos. proporcionando bem-estar em sua volta e alegria de viver. líder natural. dos seus inter-relacionamentos pessoais. por contrário. O homem maduro psicologicamente vive a amplidão infinita das aspirações do bom. amoral ou imoral. Com o conflito embutido no comportamento pessoal. mata e mata-se. do verdadeiro. O indivíduo não pode viver sem relacionamentos. às vezes. ideal.16 trem. caracteriza o rompimento com o círculo familiar da infância e abre-o à comunidade. A conquista da maturidade moral verdadeira torna-se indispensável para a auto-realização do ser e da sociedade em geral. Dois sensos morais surgem no contexto da maturação: o convencional — que é o aceito. Essa realização moral é dinâmica e entusiasta. integra o grupo social promovendo-o e desenvolvendo-se cada vez mais. — porque imposto pelas conveniências de cada época. autoconhecendo-se e autotrabalhando-se.. apaixonado. . para tornar-se útil socialmente. gerando adaptação e convivência salutar com outras pessoas. Vencida essa etapa. aliena-se. qual aquele estatuído no Decálogo e no Sermão da montanha. O amadurecimento psicológico é imperativo que surge naturalmente. rico de compreensão. civilização e cultura — e o verdadeiro — que supera os limites ocasionais e sObrepaira legítimo em todas as épocas. Superar o estado egocêntrico. racional. ambicioso. é aglutinador. supera a violência. porque. circularestreito e sem metas. ou por necessidade que se estabelece no processo da evolução. pois que. por despedaçar os códigos da hipocrisia e das circunstâncias que facultam o desenvolvimento do egoísmo.

tornando-se urgente a adoção do comportamento transpessoal. que deixaram de ser patológicos para se confirmarem como de natureza paranormal. a quarta força pode contribuir para uma interpretação mais coerente e racional do ser pensante. por exemplo. estruturados na experiência humana diante dos conceitos tradicionais. da Física Qüântica. desenvolvendo as possibilidades adormecidas da criatura — o seu incessante vir-a-ser. o estudo e a observação imparciais dos fenômenos anímicos e mediúnicos não mais se submetem aos modelos estreitos da psicologia tradicional. ao largo do tempo. assim como à anóxia cerebral. Na área psicológica. ao mesmo tempo em que as conquistas relevantes da Parapsicologia. Antes desprezadas ou marginalizadas por contundente preconceito.. que contribuem para o logro da saúde mental. para tornarem-se expressões da realidade em níveis mais profundos da consciência humana. Impossível descartar-se hoje os fatos decorrentes dos estados alterados de consciência. qual sucedeu. — — . em laboratório e no comportamento humano. as manifestações paranormais deixaram de ser epifenômenos do sistema nervoso.. assim modificando a concepção dos estados alterados de consciência. A sua proposta objetiva é tornar-se parte das multidisciplinas do comportamento. unidas às contribuições vivenciais da experiência oriental. da Biologia Molecular. O advento da Psicologia Transpessoal ocorreu no momento grave do desalinho comportamental das gerações novas.17 4 Modelos e paradigmas O processo da evolução antropológico. mediante a ampliação dos seus conceitos e a aceitação de novos paradigmas. consoante previra Maslow. estrutura-se nas conquistas da ciência contemporânea. dos anos sessenta deste século. que entram em choque com as descobertas do pensamento e a natural aceitação cultural de processus renovadores. necessárias releituras e revisões de paradigmas variados. a Psicologia Transpessoal tem como meta ampliar a sua área de pesquisa levando em conta as experiências do ser. Assim. da Psicotrônica. a rigidez dos postulados ancestrais vem sofrendo fissuras estruturais diante da volumosa contribuição das filosofias orientais. surgida na ocasião. Criada pela necessidade de atualização urgente de novos e complexos paradigmas. Como conseqüência. no que diz respeito ao homem integral. dilatando o campo da realidade humana — antes do berço e depois do túmulo —. vinculadas às necessidades do equilíbrio da saúde fisiopsíquica e da satisfação plenificadora. que são importantes para o equilíbrio fisiológico e o bem-estar psicológico dos indivíduos. na década imediata. graças ao devotamento de homens e mulheres notáveis. face à sua abrangência. da Psicobiofísica. Como resultado. vêm confirmar os paradigmas do Espiritismo. sociológico. ora desveladas ao ocidente. que aprofundaram na vida parafísica a sonda da investigação psicológica. e por se tornar evidente a necessidade do desenvolvimento da Psicologia Humanista. sem descartar a possibilidade da precedência e sobrevivência da consciência à concepção fetal. psicológico da humanidade vem impondo.

desse modo. o anseio de superioridade. quando estimulados por drogas químicas.. com desprezo pelos demais. O estudo transpessoal não pretende ser único. tornava-se inevitável a disputa em torno de qual seria o verdadeiro. veio facultar o surgimento do modelo transpessoal e dos seus atuais paradigmas. predominantes. como fundamentais. ioga. Desse modo. hiperventilação. O novo modelo e paradigma transpessoal.18 O ser transcendental deixa. portanto. Unindo tecnologia e observação. após os quais há o retorno da saúde — quando em psicoterapia — do bem-estar. como superação dos instintos agressivos — motivação adleriana — ou o imperativo ambiental — motivação comportamentalista —. Uma larga documentação experimental.. do inconsciente. estrutura-se na sabedoria do oriente e nas modernas experiências do ocidente. concentração. o ser interior: espírito. como expressões essenciais da natureza humana. do relacionamento interpessoal. do eu profundo. Antes desse alargamento da visão transpessoal. auto-sugestão. desenvolvem-se-lhe os recursos latentes. não abarcavam as atuais conquistas que facultam mais ampla compreensão da personalidade humana. O seu potencial é imprevisível.. assumindo a paranormalidade indispensável à harmonia do seu comportamento com a sua realização psicológica. perispírito e matéria. antes alarga os conceitos existentes. O psicanalista enfatiza as forças intrapsíquicas. o conhecimento do passado e do futuro. a lucidez. por estreiteza de visão. conflitando com a natureza da modificação do comportamento. que lhe cabe desenvolver ao largo das sucessivas reencarnações. não podendo fugir a uma ou outra dessas condições. e a conquista da iluminação era considerada como uma automática regressão a estágios intra-uterinos. Os antigos modelos psicológicos. deixa de permanecer fragmentado. todas as experiências místicas eram tidas como neurose narcisista. indução hipnótica. experiência e treinamento paranormal. compondo o homem. As experiências terapêuticas de muitos analistas transpessoais demonstraram que os seus pacientes transcendem os níveis normais de consciência. para tornar-se inteiro.. meditação. no rumo do Infinito. como indissociáveis da conduta. confirmação ou modificação. porém. Seja a libido — motivação freudiana —. conforme a proposta kardequiana. interferências mediúnicas. . buscando desenvolver e ampliar as dimensões da natureza humana e a sua realidade intrínseca. o estágio de paranóide. respeita-lhes a validade. o ser é levado ao êxito nas suas buscas. dessa forma. Nesses choques de modelos e propostas. determinando o comportamento. surge o quesito da motivação. as condições ambien tais. oração. e o ser espiritual éimensurável na sua estrutura profunda. Todos os modelos e paradigmas são passíveis de revisão. Nesses estados dilatam-se-lhes a percepção dos sentidos. embora a nomenclatura diferenciada que vem sendo adotada pelos psicólogos e terapeutas transpessoais. O ser humano. responsáveis pelo comportamento. por exemplo. A Psicanálise. tem concepção específica em torno da determinação da conduta. Já os comportamentalistas estabelecem.

que lhe constituem instrumentos de trabalho e progresso. escrita automática — ou psikapa — transporte. . Como conseqüência. mais se agigantam as perspectivas do conhecimento para tornar a existência humana mais digna de ser vivida. diante da análise cuidadosa dos estados alterados de consciência por meio da hipnose. noutras ocasiões mediante induções. mediante as experiências continuadas na esteira das reencarnações. A Psicologia Transpessoal e a Parapsicologia. pre e retrocognição. conforme demonstra a Ciência Espírita.19 5 A nova estrutura do ser humano À medida que a Psicologia vem aprofundando a sonda da investigação nos alicerces psíquicos do ser. os estados patológicos variados.. face aos nobres intentos vitoriosos das neurociências e da Biologia molecular. necessitando de ser devassado para melhor compreender-se os múltiplos fenômenos paranormais de que se faz instrumento. O ser organicista. aproximam-se da realidade do Espírito. o hemisfério esquerdo é mais desenvolvido do que o direito. em razão disso. para apresentar-se em estrutura completa. encontrando-se encarnado ou não. em inumeráveis experiências mediúnicas. por isso mesmo. — ensejou melhor visão em torno do ser humano e sua grandiosa dimensão. hauridas no estudo das obsessões. Essa visão nova explica os desarranjos comportamentais. eliminando a esdrúxula e tradicional explicação de que são fenômenos patológicos. pela globalização. estabeleceu-se que. portador de mais amplos recursos. unindo-se para interpretar os estados alterados de consciência. Estudos acurados dos hemisférios cerebrais concluíram que o esquerdo é responsável pela razão e lógica. concentrações e contribuições conscientes. graças aos estudos e observações de alguns neuropsiquiatras. portador de percepções extra-sensoriais e faculdades mediúnicas. O Espírito é a base da Psicologia Transpessoal. que é indissociável de todo acontecimento físico e psíquico. indutivo. Toda a gama de fenômenos parapsicológicos na ordem psigama — clarividência. intuitivo. pelas funções verbais. orientação espacial. as diferenças de coeficiente intelectual. ao mesmo tempo enriquecendo as psicoterapias com arsenal de informações libertadoras. esse mais usado pelos orientais e. tentando compreender as alterações da consciência. nos ocidentais. Por outro lado. da meditação. cede lugar ao indivíduo psi ou espiritual. Desse modo. bicorporeidade —conduz à certeza de um agente racional e lúcido — o Espírito — como causa de todas as manifestações.. constatou-se que todo o cérebro é detector da memória. A súbita mudança de conceitos cartesiano-newtonianos a respeito de tempo e espaço — graças aos admiráveis descobrimentos da física qüântica. da aplicação de drogas psicodélicas. ectoplasmia. desmaterialização. enquanto o direito se encarrega do comportamento místico. o ser humano supera a condição reducionista a que foi submetido por alguns psicólogos e amplia a dualidade corpo-espírito. em razão do aprofundado estudo do cérebro através da holografia. das reencarnações e dos desconsertos mediúnicos. que abarca todas as ocorrências que lhe sucedem. telepatia. ora inconscientemente.

Nos alicerces do inconsciente se encontram todas essas bênçãos que. sociais. orgânicas. mediante o corpo intermediário. tornando-se o indivíduo um ser trino. avançar cada dia mais na interpretação do ser humano. para o Espírito que sedia a vida. vivenciando as mesmas oportunidades e adquirindo sabedoria — conquista do conhecimento e do amor — que culmina em sua plenitude. conforme a visão espírita assevera. fazendo o ser compreender que nem tudo quanto pode fazer. faculta a compreensão dos fenômenos evolutivos. estagiárias nos mais diferentes patamares da vida. conforme a evolução do próprio ser. lentamente. Sediando o Espírito. conseguindo a sabedoria de fazer somente o que deve e pode como membro consciente que age de acordo com a harmonia cósmica. o Espírito se utiliza dos equipamentos do perispírito. culturais. da mesma forma que nem tudo quanto deve. transferindo. perispírito e matéria — a Psicologia pode melhor penetrar nos arcanos do inconsciente. assumindo uma posição aberta e holística. favorecendo todos os seres com as mesmas possibilidades de crescimento. desde a monera ao arcanjo.Nota da Autora espiritual. . deve-o. pode. Reconhecida a nova estrutura do ser humano —Espírito. tradicionais. qual seja. Esse. que possui todo o conhecimento de tempo — passado. A unicidade da existência corporal não corresponde à realidade. (*) Questão 621 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. psicológicas. assomam à consciência e se tornam patrimônio da lucidez. presente e futuro — como a dimensão de espaço — o infinito no finito. atenta às informações das demais ciências e do Espiritismo. face às diferenças morais. que a pouco e pouco se desvela. no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que nela dormem latentes.20 Organizando o corpo somático. sem deter-se em modelos estáticos. que caracterizam as criaturas humanas. pelo contrário. . conquistas e prejuízos que lhe programam os futuros renascimentos. A reencarnação. a lei de Deus está escrita na consciência (*) detentora da realidade. no qual a morte física dilui a forma sem aniquilar a sua realidade. o grande desafio para a Psicologia profunda.

21 SEGUNDA PARTE SER E PESSOA .

é preexistente ao corpo. que teve muita influência significativa durante a Idade Média. num ser complexo de expressão trinária. a novos potenciais que estruturam o ser pleno. embora a sua imanência na expressão da forma e relatividade corporal. comportamentalista e existencial. elucida os inúmeros fenômenos paranormais de natureza anímica e mediúnica que caracterizam a existência humana. manteve o conceito de pessoa nos limites berço-túmulo com uma estruturação transitória. desde os seus conteúdos humanista. definiu a pessoa como constituída por uma substância individual de natureza racional. faculdades e funções que tangenciam ao crescimento e à felicidade. enquanto a outra sustenta a idéia de uma realidade transcendente. a pessoa é um ser que se expressa em múltiplas dimensões. concedendo-lhe dinâmica imortalista e conteúdo de significado. nem sempre responde aos conteúdos de que se constitui. por exemplo. a personalidade. buscou demonstrar que a pessoa é distinta do indivíduo e do ser psicofísico. quando da análise da pessoa em si mesma. na medida em que essa relação é percebida como tal pelo ego. A consciência Jung definiu a consciência como a relação dos conteúdos psíquicos com o ego. através dos séculos. A visão transpessoal espírita. porque completa. A pessoa sintetiza. Os estudos transpessoais. desenvolvendo-se fiel a uma fatalidade que se manifesta em cada experiência corporal — reencarnação — como aquisição de novos implementos. do sonho. as dimensões várias que lhe cumpre preservar e aprimorar. do delírio. A filosofia. o comportamento. cujas dimensões podem expressar-se em várias manifestações. o perispírito — modelo organizador biológico — e o espírito — a individualidade eterna. de causalidade. nos séculos 5º e 6º. quando corporificada. poeta e filósofo da decadência romana. Para entendê-la. quais a consciência. incorporando as teses orientais. na qual os . A complexidade. observada do ponto de vista imortal. A psicologia ocidental. Não pretendemos inovar modelos. porém. das conceituações de consciência. consideram a pessoa um ser integral.22 6 A pessoa Boécio. e sua origem perde-se nos milênios passados do processo evolutivo. a identificação. a matéria — efeito —. A pessoa. preferiu seguir o conceito de Boécio. enquanto Emmanuel Kant se apoiou em conteúdos mais profundos. diferindo da oriental. o que deu margem a considerações demoradas por pensadores e escolas variadas. o ser psicofísico. e estabelecê-la como condição de ótima ou lúcida. no entanto. a individualidade. Do ponto de vista psicológico. é necessário situá-la além dos limites do sono. Não apenas o corpo. facultando o desabrochar de recursos que lhe fazem embrionários e são essenciais ao seu existir. Santo Tomaz de Aquino. antes resumir correntes e apresentar uma síntese.

experimenta. estruturador profundo do ser imortal. gerador de conflitos. ao discernimento. as ambições do desejo. na arte e no relacionamento interpessoal. ao invés de revelarem situações patológicas. Cada pessoa reencarna com as características herdadas das experiências anteriores e submete-se aos condicionamentos de cada fase. face à aplicação dos valores adquiridos. definidoras de experiências nos sexos. conseguidas por substâncias psicodélicas ou através de meditação profunda. abrem perspectivas fascinantes para terapias liberadoras e que proporcionam dilatação do conhecimento e do sentido mais amplo da vida. aferrada ao organicismo ancestral. necessitando de austeras disciplinas para ser comandada. O comportamento As atitudes que caracterizam a pessoa resultam do convívio social e das aspirações cultivadas. A psicologia tradicional. A consciência adquirida — a perfeita identificação do conhecimento e do fazer. A mente algema e libera. A personalidade Em permanente representação dos conteúdos mentais. na cultura. quanto cultiva. a sua mente.23 episódios psicóticos cedem lugar à normalidade. que responde pela do grupo social. por ela transitan- . através de transes e da contemplação profunda. onde outras realidades são bases do ser pessoal. O que elabora. não raro. e dominada pela imposição das leis e costumes de cada época e cultura. ensejando a superação dos limites do estágio de normalidade. ao equilíbrio gerador de harmonia. prefere ignorar os elevados níveis de consciência. Somente o autoconhecimento favorece o comportamento com as possibilidades de desenvolvimento pessoal. nos quais os estados alterados transcendentes facultam a visão dilatada da realidade. sem os limites do real aceito. no qual o ser transita pelos vínculos que se permite desenvolver. A personalidade é transitória e assinala etapas reencarnacionistas. na inteligência. O comportamento impõe necessidades e as expressa simultaneamente. Nesse imperativo. acima de tudo. As experiências nas diversas áreas de consciência alterada. gerando a consciência individual. A psicologia filosófica do oriente sempre proporcionou os estados de plenitude e nirvana. ao invés de ser a dominadora irredutível. torna-se. definindo a pessoa. do saber e do amar — faculta a ampliação das próprias possibilidades para penetrar em dimensões metafísicas. o desejo expressa a qualidade evolutiva da pessoa. a personalidade representa a aparência para ser conhecida. A pessoa é. ou presídio. em distonia com o eu profundo e real. responsáveis pelo grau de libertação emocional. Ressaltam. do real psicótico. respondendo pela conduta e pelos fatores daí decorrentes. do real em sonho. no comportamento.

Enquanto a filosofia informava que a pessoa não é o indivíduo. aos painéis do ser. até permitir-se a perfeita harmonia entre ser e parecer. que superou os condicionamentos e comportamentos pessoais de consciência livre. A identificação assinala o estágio de evolução de cada pessoa. que. gerando falsas necessidades. A identificação externa impõe as lutas e os conflitos da assimilação dos comportamentos sociais. desidentificando-se de hábitos milenários. quando fazê-lo e como realizá-lo. deve liberar-se daqueles valores. Assimilar todos os condicionamentos e exteriorizar uma personalidade consentânea com o ser real. este. individualidade eterna. nos quais o ser se auto-encontra e se realiza.24 do com os seus sinais tipificadores. a primeira e última da existência. . nos quais o apego assume a condição mais importante. para ser a pessoa integral. A desidentificação induz à conquista de patamares elevados. ideal. a individualidade é o ser pleno e potente. a individualidade é o Espírito em si mesmo. algumas preponderantes razões para o sofrimento. responsável pelos vícios e paixões degenerativos. que conduzem a patologias dolorosas. no entanto. fixados. na impermanência da vida física. A individualidade Somatório de todas as experiências. pessoa transitória. atavicamente. Imperecível. trabalhando a pessoa para que assuma a sua realidade positiva e superior. que se tornam fundamentais. com as quais a pessoa se identifica. portanto responsáveis pelo sofrimento nas suas várias facetas. na visão da psicologia profunda. crueis. que reúne as demais dimensões e sabe conscientemente o que fazer. crescendo em conteúdos mentais e desencarcerando-se. é menos danoso do que o interior. O apego externo. é o ser total. que alcançou a auto-realização. alguns. eis o desafio da terapia transpessoal. A psicologia oriental estabelece na ilusão. para conseguir. fadada à elevação. metafísicos. A identificação De duas formas a pessoa se identifica com os valores do progresso: externa e internamente.

com poderes destrutivos. que levam aos vários desconsertos patológicos. ao amor-posse. que situa no desejo a sua maior carga de aspiração. infelizes. O atormentado fixa a sua identidade na necessidade do que denomina . que se convertem em gigantes da vida psicológica. Da mesma forma. Quando um desses elementos deixa de existir. que respondem pelos estados inarmônicos da psique. propiciando modelos de criaturas desidentificadas com as manifestações deletérias do meio social. O amor Confundidas as sensações imediatas do prazer com as emoções emuladoras do progresso moral. pode-se considerar que a saúde cede lugar à perturbação. asselvajado. Entre os muitos fatores de destruição do equilíbrio. a manifestação de distúrbios. é possível que uma criatura. escrava da mente. que passam a desvitalizar os campos nos quais se movimentam. Por isso. ao amor-ambição. o rancor. anotemos o amor. trabalhada pela insistência de preservação dos ideais superiores da vida. o ódio. a percepção do insucesso. o amor constitui o grande demolidor das estruturas celulares. passando a fixações neuróticas e somatizadoras. que a insistência mental e insensata do gozo desenvolve em forma de incêndio voraz. possa aparentar saúde. da emoção e do corpo. em processo degenerativo. insuspeitáveis. constituída pela energia que o Espírito envia a todos os departamentos materiais e equipamentos nervosos.25 7 Fatores de desequilíbrio A saúde da criatura humana resulta de fatores essenciais que lhe compõem o quadro de bem-estar: equilíbrio mental. conflitos e traumas. ao amor-sexo. podemos considerar que. A auto-análise. geradores das disritmias energéticas. possessivo. das dominações bacterianas. é o recurso preventivo para a manutenção do bem-estar e da saúde nas suas várias expressões. ou sob distonias. enfraquecendo-os e abrindo-os à sintonia com os microorganismos degenerativos. que cultiva paixões dissolventes. Certamente. face à ausência momentânea dos sintomas que lhe permitem o registro. das constrições de vária ordem. A mente desordenada. Sendo. as personalidades atormentadas aferram-se ao amor-desejo. qualquer distonia que a perturbe abre campo para a irrupção de doenças. deixando-se consumir pelos vapores da perturbação. perde o rumo. que afeta qualquer área do conjunto psicofísico. a criatura transita do cárcere dos sofrimentos aos portões da liberdade — das doenças à saúde ou vice-versa — através da energia direcionada ao bem. pela força dos desejos de que se faz portador. à harmonia. a criatura humana. referimo-nos ao amor bruto. Ocultando frustrações pertinazes e gerando mecanismos de transferência neurótica. harmonia orgânica e ajustamento sócio-econômico. De relevantes significados são os conteúdos negativos do comportamento emocional. a angústia. conhecidos como enfermidades. Os conteúdos do equilíbrio expressam-se no comportamento.

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amor e projeta-se, inconscientemente, sobre quem ele diz amar, impondo-se com sofreguidão irrefreável, ou acalentando intimamente a realização do que anela, em terrível desarmonia interior. A quanto mais aspira e frui, mais exige e sofre; se não logra a realização, mais se decompõe, perdendo ou matando, com os raios venenosos da mente em desalinho, as defesas imunológicas e a vibração de harmonia mental, logo tombando nos estados enfermiços. A angústia A insegurança pessoal, decorrente de vários fatores psicológicos, gera instabilidade de comportamento, facultando altas cargas de ansiedade e de medo. Sentindo-se incapaz de alcançar as metas a que se propõe, o indivíduo transita entre emoções em desconserto, refugiando-se em fenômenos de angústia, como efeito da impossibilidade de controlar os acontecimentos da sua vida. Enquanto transite nos primeiros níveis de consciência, a carência de lucidez dos objetivos essenciais da vida levá-lo-á a incertezas, porqüanto, as suas, serão as buscas dos prazeres, das aspirações egoístas, das promoções da personalidade, sentindo-se fracassado quando não alcança esses patamares transitórios, equivocados, em relação à felicidade. Aprisionando-se em errôneos conceitos sobre a plenificação do eu, que confunde com as ambições do ego, pensa que ter é de relevante importância, deixando de ser iluminado, portanto, superior aos condicionamentos e pressões perturbadoras. A angústia, como efeito de frustração, é semelhante a densa carga tóxica que se aspira lentamente, envenenando-se de tristeza injustificável, que termina, às vezes, como fuga espetacular pelo mecanismo da morte anelada, ou simplesmente ocorrida por efeito do desejo de desaparecer, para acabar com o sofrimento. Normalmente, nos casos de angústia cultivada, estão em jogo os mecanismos masoquistas que, facultando o prazer pela dor, intentam inverter a ordem dos fenômenos psicológicos, mantendo o estado perturbador que, no paciente, assume características de normalidade. O recurso para a superação dos estados de angústia, quando não têm um fator psicótico, é a conquista da autoconfiança, delineamento de valores reais e esforço por adquiri-los ou recorrendo ao auxílio de um profissional competente. As ocorrências de insucesso devem ser avaliadas como treinamento para outras experiências, recurso-desafio para o crescimento intelectual, aprendizagem de novos métodos de realizações humanas. Exercícios de autocontrole, de reflexões otimistas, de ações enobrecedoras, funcionam como terapia libertadora da angústia, que deve ser banida dos sentimentos e do pensamento. O rancor Fenômeno natural decorrente da insegurança emocional, o rancor produz ácidos destruidores de alta potencialidade, que consomem a energia vital e abrem espaços intercelulares para a distonia e a instalação das doenças. Entulho psíquico, o rancor acarreta danos emocionais variados, que levam

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a psicoses profundas e a episódios esquizofrênicos de difícil reparação. A criatura humana tem a destinação da plenitude. O seu passo existencial deve ser caracterizado pela confiança, e os acontecimentos desagradáveis fazem-se acidentes de percurso, que não interrompem o plano geral da viagem, nunca impeditivos da chegada à meta. Por isso, os acontecimentos impõem, quando negativos, a necessidade de uma catarse libertadora, a fim de não se transformarem em resíduos de mágoas e rancores que, de contínuo, assumem mais danoso contingente de ocorrência destrutiva. A psicoterapia do perdão, com os mecanismos da renúncia dinâmica, consegue eliminar as seqüelas do insucesso, retirando o rancor das paisagens mentais e emocionais da criatura, sem o que se desarticulam os processos de harmonia e equilíbrio psíquico, emocional e físico. O ódio Etapa terminal do desarranjo comportamental, o ódio é tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física. Desenvolve-se, na sua área, mediante a análise injusta do comportamento dos outros em relação a si, e nunca ao inverso. Fazendo-se vítima, porque passou a um conceito equivocado sobre a realidade, deixa-se consumir pelo complexo de inferioridade, procedente da infância castrada, e descarrega, inconscientemente, a sua falta de afetividade, a sua insegurança, o seu medo de perda, a sua frustração de desejo, em arremessos de ondas mentais de ódio, até o momento da agressividade física, da violência em qualquer forma de manifestação. O ódio é estágio primevo da evolução, atavicamente mantido no psiquismo e no emocional da criatura, que necessita ser transformado em amor, mediante terapias saudáveis de bondade, de exercícios fraternais, de disciplinas da vontade. Agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida e o mundo. A saúde da criatura humana procede do ser eterno, vem das experiências em vidas anteriores, conforme ocorre com as enfermidades cármicas, no entanto, dependendo da consciência, do comportamento, da personalidade e da identificação do ser com o que lhe agrada e com aquilo a que se apega na atualidade.

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8 Condições de progresso e harmonia
Na estrutura profunda da individualidade humana, encontram-se as experiências milenárias do ser, nem sempre harmonizadas entre si, geradoras de conflitos e complexos negativos que a atormentam. Atavicamente vinculada ainda às sensações decorrentes da faixa primária por onde transitou, a líbído exerce-lhe poder preponderante no comportamento, conforme as constatações de Freud, que a considerou fator essencial na vida humana. Observando os diversos fenômenos de conduta e as terríveis angústias, como exacerbações da emotividade das criaturas, o mestre de Viena organizou todo o edifício da psicanálise na manifestação sexual castradora ou liberada, bem como na complexa influência maternopaternal, que desde a infância conduziu o ser sob os tabus perniciosos e as constrições dos desejos irrealizados, das consciências de culpa, dos implementos perturbadores da personalidade patológica. Estamos, sem dúvida, diante de fatores incontestáveis, todavia adstritos às áreas fenomenológicas e não causais, em se considerando que, herdeiro de si mesmo, o Espírito é o autor do seu destino — nunca será demasiado repetí-lo — renascendo em lares nos quais mantém vínculos afetivos e familiares, conforme a sua conduta anterior. Face à variedade de renascimentos, nem sempre consegue diluir as lembranças que permanecem em forma de tendências e aptidões, de desejos e necessidades. Não digeridas, as frustrações, eis que se impõem mais graves, ao ressurgirem, na sucessão das ocorrências comportamentais, em forma de distúrbios psicológicos de variada catalogação. Preocupada com o ser-máquina, a psicologia não tem ensejado uma compreensão maior da criatura, que fica, na visão reducionista, limitada a um feixe de desejos e paixões primitivas. Em uma análise transpessoal, o ser enriquece-se de valores que lhe cumpre multiplicar cada vez mais, autoconhecendo-se e autodisciplinando -se, à medida que a sua consciência adquire lucidez e torna-se ótima. Abrem-se-lhe então as perspectivas antes cerradas, e facultam-se-lhe as oportunidades de dilatação do campo intelecto-emocional, passando a vencer as seqüelas das existências anteriores, ainda predominantes no psiquismo, que se exteriorizam em forma de desarmonia. A desidentificação com os graves compromissos que ainda o atormentam torna-se factível, mediante a impregnação com outros ideais e aspirações mais abrangentes quão agradáveis, que passam a povoar-lhe a paisagem mental. Nesse esforço, faz-se viável o autoconhecimento, como primeiro tentame de crescimento psicológico. A necessidade de tornar a mente um espelho, e postar-se defronte dela desnudo, é inadiável. Somente através de um exame da própria realidade, observando-se sem emoção — o que impede os sentimentos de autocompaixão como os de autopromoção, de justificação ou culpa — consegue-se um retrato fiel do que se é, e do que cumpre fazer-se para mais amar-se e ajudar-se como segmento imediato do esforço. Enquanto a criatura não se despoja dos artifícios com que se oculta, evitando desnudar-se em uma atitude infantil repressiva, qualquer tentame exterior para o progresso e a harmonia resulta inócuo, quando se não torna perturbador.

sem conflito. sem desejo. ao lado do perdão liberador de ressentimentos. nessa atitude que resulta do empenho individual. Não obstante. saturar-se ou desistir. desgosto e inferioridade geradora de reações de violência ou de depressão com caráter autopunitivo. do esforço para fixar a mente nas idéias positivas. A consciência liberta-o das heranças paterno-maternais. deixando o indivíduo livre seguir. o progresso e a harmonia são conquistas internas do ser humano. . com segurança de propósitos. O auto-encontro pode ser logrado através da meditação reflexível. ocorrências naturais do processo de evolução. O intercâmbio social com objetivos fraternais rompe as amarras do medo. sem paixão. limpando-o dos caprichos do ego e liberando-o das arbitrárias injunções limitadoras. dando outra dimensão à afetividade — sem apego. direcionados para o objetivo. é o passo inicial da fase nova. Ao lado da meditação. Quando alguém aspira por mudanças para melhor. bastando-lhe apenas dispor-se a desdobrá-las. facultando a harmonia pessoal — sem ansiedade. Acomodada aos estados habituais. metas e realizações. que alarga as possibilidades no campo onde se movimenta e promove o ser profundo. que se torna filho capaz de conduzi-lo pelos caminhos da vida. a permanência na postura denota imaturidade psicológica ou manifestação patológica do comportamento. O progresso é fatalidade da vida. cria novos condicionamentos que levam ao êxito.29 Ninguém é culpado conscientemente de ser frágil. do campo mental. como decorrência normal do querer. não se dá conta das incalculáveis possibilidades que lhe estão ao alcance. Através de contínuos esforços. O autodescobrimento tem por finalidade conscientizar a pessoa a respeito do que necessita. irradia energias saudáveis. As condições do progresso e harmonia do eu real propõem um estudo das virtudes evangélicas. e a harmonia resulta da consciência desperta para a conquista da sua plenificação. sem culpa —. sem neurose —. que contribuem para a realização da meta. e qual a finalidade da sua existência corporal e do futuro que a aguarda. angustiantes. ensejando saúde mental e emocional indispensáveis à física. produzindo o conhecimento lúcido e benéfico. manifestando-se em todas as expressões e começando por si próprio. Amor indistinto. a esfinge perturbadora atira-se ao mar do discernimento e desaparece. que se exteriorizam como entendimento da vida e atração por ela. sem a imposição caprichosa do deus-destino. fragmentário. de como realizá-lo e quando dar início à nova fase. buscando saber quem se é. num empenho incessante de crescer e jamais cansarse. Equipada de honesto desejo de eqüacionar-se. sem a maldita fatalidade de ser desditoso. uma releitura dos seus fundamentos e posterior aplicação na conduta pessoal. Na visão transpessoal. Nenhum milagre ou inusitado ocorre. encontra-se a ação solidária no concerto social.

30 TERCEIRA PARTE PROBLEMAS E DESAFIOS .

Impregnado pelas partículas e moléculas materiais que o vestem.. mediante a travessia do percurso que lhe cumpre trilhar. os fatores psicossociais. do ponto de vista biopsicológico. o ser não atravessaria os caminhos difíceis dos distúrbios e doenças perturbadoras. psicologicamente imaturo. destaca-se a criatura na escala zoológica.. um fenômeno natural. que determinam as desgraças de uns. Não fossem. na sua dimensão de eternidade — desgasta-se. gerando os meios felicitadores. o desinteresse. por outro lado. adoece e morre. Elaborada para um ritmo harmônico de vida. a maquinaria fisiopsiquica obedece a automatismos precisos. ampliandose os conteúdos da individualidade e aprimoram-se as aptidões latentes que são o germe da presença divina em todos. Sem dúvida. envelhece. Saúde seria. O imprevisível surpreende-o. para galgar-se patamares reais elevados nos processos das aspirações idealistas. tal colocação falha pela ausência de uma sustentação lógica. no qual o bem-estar e o equilíbrio proporcionam clima respirável de satisfação. na escala dos padrões. dos quais resultam a saúde e as disposições emocionais. desenvolvem-se os atributos da personalidade. teríamos a vida sem finalidade nem objetivo. Passo a passo. cabendo-lhe seguir o heliotropismo superior que o leva à sua destinação gloriosa. proporcionando desequilíbrios interiores que se expressarão em tormentos para si e para os outros no inter-relacionamento pessoal. Na busca do êxito. os sentimentos apaixonados e os frustrados. ou desditosos. A análise transpessoal do ser concede-lhe dignidade causal e destinação final. porqüanto ele já nasceria sob os estigmas dos ancestrais — no que diz respeito às heranças genéticas. o ser desabrocha e cresce sob as condições que lhe são inerentes. descendo moralmente. caracterizando-se como o deleite contínuo. à medida que ascende na . considerando todas as ocorrências como procedentes do acaso fatalista e absurdo. as ocorrências familiares e o convívio do lar. das síndromes degenerativas e dos fenômenos patológicos vários. as heranças genéticas. ensej ando um prolongado desfrutar. resultante dos prazeres hedonistas que a posição social relevante e o poder político-econômico proporcionam. Considerado o ser apenas como uma máquina. e surgem-lhe a saturação. o ser. os propiciatórios para a felicidade. que são efeitos das suas realizações precedentes. e. compreendendo os mecanismos da vida e aplicando o conhecimento para os logros da autorealização e da autoplenificação que lhe constituem o ápice da saúde. e na competição encontra o estímulo para galgar os degraus do destaque.31 9 Êxito e fracasso O estado normal da criatura é o de saúde. não raro a visão do êxito apresenta-se-lhe distorcida. a saúde e a beleza de reduzida faixa dos demais. ao lar condicionador e à sociedade — no caso das distonias e anormalidades.. portanto. enquanto reencarnado. investe todos os valores.. Ser pensante. Esquecendo-se da impermanência de tudo e da fugacidade do tempo — pelo qual apenas transita. Possuidor de recursos e potências não dimensionadas.

espiritual. o triunfo. na floresta humana. segue-se-lhe o passo. perturbando-lhe o senso de avaliação e de consideração da realidade. classificou os biótipos humanos em espíritos fracos e fortes. a criatura deve possuir e dispor de recursos necessários para uma vida saudável. ao invés do empenho pelo amealhar de moedas e reunião de títulos que não acalmam as emoções nem tranqüilizam as ambições. geradoras dos problemas atuais. Caça-se o êxito como se fosse. o êxito não pode ser medido em contas bancárias. as mesmas aspirações e os equivalentes conflitos. demonstrando que o êxito. inclusive. às vezes. consentânea com o grupo social no qual se encontra. Nem sempre. ou pessoa quadrada. Convém determinar-se que o êxito material pode significar fracasso emocional. tornado assim por estar à frente ou mais alto. por sua vez ascende. Denigre-se então o adversário. o insucesso. deixa o degrau aberto que logo estará ocupado por aqueloutro que lhe será o substituto. suas paixões e pequenezes. como decorrência de condutas. uma forma de opção para o crescimento interior. e aplausos far-se-ão apedrejamentos. Inevitavelmente. A criatura são as suas necessidades. assumindo-lhe a posição. porém outra mais significativa e poderosa. No entanto. psiquiatra alemão. confundindo-se triunfo de fora com realização de harmonia interior. William James. Essa dicotomia de ocorrências — a interna e a externa — resultará em infelicitá-lo. pessoa delgada. dos sucessos das reencarnações passadas. porém. o objetivo essencial à vida. considerando-se. O triunfo de hoje é o prólogo do desencanto e das lágrimas de amanhã. interpretando as ocorrências dos sonhos nos estados oníricos e as liberações catársicas nas demoradas análises. que não o sabe. ocupando-lhe o lugar imediatamente inferior por ele deixado. considerou as personalidades de acordo com a compleição do indivíduo em pícnico. enquanto Carlos Gustavo Jung os considerou introvertidos e extrovertidos. arrancando dos arquivos do psiquismo os fatores que geraram os traumas e determinaram os conflitos. a aparente falta de triunfo constitui a plena vitória sobre si mesmo. Face a tal conclusão. ou pessoa redonda. As psicoterapias são aplicadas conforme as revelações do inconsciente. sorrisos se tornarão esgares. na população humana. enquanto. enquanto Ernesto Kretschmer. e o astênico. Uma análise transpessoal libera-o dos tabus. afirmou que há espíritos esquizóides e ciclotímicos. não se apresentam conforme a proposta social imediatista. até emparelhar-se-lhe e derrubá-lo.32 aparência. porque não permanecem espaços vazios nos relacionamentos humanos. talvez ferindo profundamente a pessoa. que estão profundamente registradas no Espírito. precedente ao corpo e a ele sobrevivente. que deixa de ser a exclusiva expressão terrena. o fracasso. Em todos há uma ânsia comum: os fracos fortalecerem-se. o insucesso. Somente a sondagem cuidadosa dos arcanos do ser pretérito enseja o encontro das causas passadas. para transportála para a vida imortal. Certamente. prestígio na . os ciclotímicos harmonizarem-se e os introvertidos exteriorizarem-se. serão encontradas as matrizes de tais patologias. O psicólogo americano pragmatista. de atividades. e. atlético. da visão distorcida da realidade.

cada qual se descobre. e o fracasso inquieta. respeitando todas as aspirações e direitos dos demais indivíduos. completaram-se e. A visão transpessoal do êxito e do fracasso está ínsita na pessoa interior. Da mesma forma. O êxito gera paz. não é factível definir-se por fracasso a ausência desses troféus. Auto-analisando-se. com a natureza e a vida.33 comunidade e destaque político. podendo recomeçar para alcançar o êxito. vitoriosos de todos os tempos. sem qualquer tipo de conflito. nunca o fracasso. . venceramse. felicidade — embora perseguidos algumas vezes — e êxito — isto é. optaram pela realização interior. enquanto fracasso é domínio pelo ego. Os homens e mulheres plenos. porém. a eles próprios impondo-se a auto-realização que lhes propiciou saúde — mesmo quando enfermos —. real. com as outras pessoas. a vitória no que anelavam. Êxito é encontro. apesar de levados ao martírio. assim dando-se conta do triunfo ou do insucesso. a criatura harmonizada consigo mesma.

transcendendo a existência atual. e oculta o drama interior partindo para o exibicionismo. facultando-lhe compreender a necessidade da discrição que induz ao crescimento interior. uma historio-grafia muito larga. sem qualquer base em que apóiem e firmem as aspirações que acalentam. o autodescobrimento amadurece o ser. face ao próprio desequilíbrio. apega-se às atitudes afugentes da autopromoção. ou envolvendo-se nos mantos que a tornam vítima. têm. assim engendrando novas técnicas para não ficar em segundo plano. pois que. tida em alta conta. derrapando nas valas da projeção indébita do ego. o indivíduo centraliza. De fato. nas necessidades de afirmação da personalidade.34 10 Dificuldades do ego Característica iniludível de imaturidade psicológica do indivíduo. porém. vitimado por conflitos rudes. faça-se notar. As diversas enfermidades e as variadas frustrações. Logo percebem-se de mãos vazias. Quando não se consegue aparecer através das realizações edificantes. que se radicam no ego. os seus anseios. em todas as pessoas que se destacam vê inimigos. Em alguns casos. Afirmou Freud que o sofrimento é inevitável. quão inseguro no comportamento. . chama a atenção. desse modo. inspirar simpatia. Não conhecendo a gênese das mesmas. Atormentado pela ausência de valores pessoais. a transitoriedade da vida física responde pela morte rápida da ilusão e pela destruição dos seus castelos. mas não se realiza. para. em permanente estado de alienação do mundo real e das pessoas que o cercam. à plenitude. sustentando-se em falsos pedes-tais que desmoronam e produzem danos psicológicos irreparáveis. desde que chame a atenção. conduzindo a autopromoção. A criatura que não se conhece. Por outro lado. que estabelece com rara habilidade. colimando o objetivo de ser admirada. mascara-se. agrada o ego e fica inquieto observando os competidores eventuais. que logo gerará problemas. e promove situações que vitaliza no íntimo. A conscientização da transitoriedade da existência física conduz o ser ao cooperativismo e à natural humildade. atende ao ego. passando a viver em contínua inquietação. denunciando manifestação dominadora do ego em desequilíbrio. tendo em vista as realizações que devem permanecer após o seu desaparecimento orgânico. como mecanismo de fuga. Pelo contrário. remontando ao passado espiritual do ser. Toda preocupação que se fixa. Toda vez que alguém se promove. constitui sinal de alarme. produzindo lamentáveis estados emocionais naqueles que se lhes agarram com todas as veras. Patologicamente sente-se inferiorizado. elabora estados narcisistas e afoga-se na contemplação da própria imagem. porque sempre insatisfeito. não passar ao esquecimento. é a sua preocupação em projetar o próprio ego. considerando os grandes problemas que aturdem os seres nas várias expressões em que se exteriorizam. buscando tornar-se o centro das atenções mediante tricas e malquerenças.

mas que se fale. a conquista do ser pleno. iníqua. como fator essencial no processo da busca da saúde. quando o paciente. profundamente prejudicial. Nas faixas da evolução mais densa. vigiar as nascentes do coração. nada mais logra do que projetar a própria sombra. realmente. maledicência e um largo cortejo de emoções perturbadoras são os filhos diletos do ego. identificando-se preexistente ao corpo e a ele sobrevivente. um sofrimento inevitável. o Psicoterapeuta Excelente. face aos perigos que são produzidos pelos problemas do ego dominador. numa asseveração de que a evidência lhes preenche o ego.35 O tormento se lhe faz tão pungente e perturbador que. por ser uma forma de malho e de bigorna que trabalham o indivíduo. em que estagia a grande mole humana. inveja. ódio. Qualquer escamoteamento da situação mórbida constitui risco para o comportamento. mesmo quando é negativa. que deseja dominação e. Ciúme. propõe uma revisão dos conteúdos da personalidade. ressentimento. dessa imaturidade psicológica ocorrerá. criou-se o brocardo: Que se fale mal de mim. o sofrimento campeia. nele insculpindo o anjo e arrancando-lhe o demônio do primitivismo aí predominante. estabelecendo. diante de tal estado. do ego. em determinadas áreas das artes. de início. A Psicologia Transpessoal. realizador. realizando um trabalho de crescimento emocional e uma realização pessoal plenificadores. conforme propôs Jesus. sem o que a vida se lhe torna. A superação dessa debilidade moral. na ânsia de promover-se. .

sem qualquer lesão anatômica de vulto. apresentam estados de angústia. as neuroses apresentam-se com caráter de culpa. na sociedade. radica-se na psique e tende a avançar para as fixações obsessivas e compulsivas atormentantes. porque de apresentação sutil no seu começo — tiques nervosos. e a necessidade de culpar outrem aturde o paciente. As neuroses. Generalizando a sua etiopatogenia. incluindo os estados obsessivo e compulsivo. A medida que se agravam. conduzem a uma regressão de fixações da infância. às vezes. Ao lado do mecanismo psicológico causal. repetições de palavras ou de gestos... a um passo dos estados psicóticos. buscando. etc. Quando ele não encontra . que muito se interessou pelas neuroses. Não raro. fora de si. verdadeiro e psicogénico. fixações psíquicas que se agravam — grassam. às vezes. perturbador. As segundas. Outras vezes. conversivos e ansiosos. expressando-se como manifestações de histeria conversiva. As primeiras decorrem de fixações e pressões de vária ordem. a hipocondria. expressam-se como forma de transferência. as de origem traumática. fragmentando-a. que classificou as neuroses em dois grupos. A manifestação do pensamento de culpa tem um significado autopunitivo. estudo metodológico. a neurose é mal que perturba expressivo número de criaturas da mole humana. que se apresenta sempre na condição de vitima. produzem desarmonia.36 11 Neurose Enfermidade apirética.. simultaneamente.. porque de origem psicogênica. embora a complexidade moderna de conceitos e variedades ora apresentados por especialistas. de fonação. dependências de bengalas psicológicas. de insegurança. movimentos desconexos. atormentando o paciente com a inquietante idéia de que. Quando se apresentam com manifestações fóbicas — medos de ambientes fechados.. Com características próprias e sem causalidade cerebral. que. de altura. Para um melhor. O célebre médico vienense. São elas: a neurastenia. de doenças. ansiosa. alarmantes. as razões que lhe justifiquem as ocorrências mínimas ou máximas que o desagradem. sobre todo mal e insucesso que lhe acontece. podem levar a paralisias. estabeleceu que as há verdadeiras e psiconeuroses. isto é. irreversíveis. prisões de ventre. assumindo proporções mais sérias. desajustando o sistema nervoso. também podem manifestar-se em caráter misto. nos temperamentos frágeis. que dissocia a personalidade. recorremos a Freud. — trazem componentes graves. a responsabilidade pertence-lhe. desequilibra a emoção e gera desajustes fisiológicos sem patogênese profunda. decorrente de perturbações do sistema nervoso.. apresentam uma temporária perturbação orgânica. É comum fazerem-se acompanhar de episódios e fenômenos somáticos mui variados. as de ansiedade. sem que necessariamente o lesionem. de ansiedade. especialmente em decorrência de exigências do grupo social e da coletividade. de mais difícil recuperação. distúrbios de postura. dores que parecem reais. de medos. dando curso a inquietações. amnésia. O quadro dos estados histéricos. em formas de pressões reais ou aparentes. como taquicardias. Ao se instalarem. breve.

por serem doentes da alma os seus portadores. reencontram. e porque prosseguiram vivendo. os adversários. Atuar sempre com segurança após saudável reflexão. na qual assomam do inconsciente profundo as culpas e os conflitos que ora se manifestam como processos reparadores. — que interferem no comportamento das criaturas humanas e as perturbam.. não sendo outros. quando deveria haver sido justiçado. quão infelizes. por constatar a excelência da própria recuperação. instalam-se. A consciência inquieta. depois sujeitando-os pelo controle mental e. ainda. mais tarde. representam o mais equilibrado e expressivo caráter psicológico de criatura portadora de saúde mental. pensar com retidão e viver em paz consigo mesmo. de natureza física. encontra-se vinculada a acontecimentos pretéritos. Certamente. porém não se consumiram. a Psicologia Transpessoal identifica esses seres — personalidades anômalas. porque as vítimas das suas ações ignóbeis morreram. dúplices.. Os estados neuróticos são profundamente inquietadores e desarmonizam o psiquismo humano. a auto-análise freqüente. as almas dos homens que antes viveram na Terra e permanecem vivos. Eis por que. desidentificando-se das matrizes perturbadoras do passado.. o governo. quando ocorrem as subjugações lamentáveis. ao lado das neuroses. As moléstias. etc. que reflete na psicologia do indivíduo os estados neuróticos. por afinidade de consciência de dívida-e-cobrança.. Assim ocorre. com os anseios da conquista tranqüila do futuro. conhecendo a etiopatogenia das enfermidades em geral. empurrando-o para processos longos de loucura. transferindo os receios e inseguranças. senão. Aprofundando-se a sonda da inquirição na psicogênese dos fenômenos neuróticos. por cujo meio ele se lenifica e se apazigua com aqueles que o odeiam e consigo mesmo. apela para a figura do abstrato coletivo: a sociedade. Jesus asseverou: A cada um segundo as suas obras. que atrelou a consciência a comportamentos desvariados e passou injustamente considerado. inflingindo-lhes então maior soma de aflições. Toda terapia liberativa deve ter como recurso de auxílio a renovação moral do paciente. recebendo simpatia e amizade dos amigos e conhecidos. negativos. Deus. e abrindo-se às realizações de enobrecimento no presente. surgem episódios de obsessão espiritual que agravam a débil constituição do enfermo. defrontar-se-ão as causas reais na conduta anterior do paciente. Como terapia preventiva a qualquer distúrbio neurótico. bem como perseverante esforço de recomposição psicológica. . que permaneceram camuflados por aparência digna para a atual reencarnação. Lentamente. sua reeducação através das disciplinas espirituais da oração. particularmente na área psíquica. da meditação. com o exame de consciência correspondente. da relevante ação caridosa. necessitando receber conveniente terapia.37 um responsável próximo e direto. a princípio telepaticamente.

38 QUARTA PARTE FATORES DE DESINTEGRAÇÃO DA PERSONALIDADE .

no entanto. com o que é. Conduzida pelos escuros corredores da lamentação. Desse modo. com os valores de que dispõe e pode movimentar. Reflexões sobre dificuldades pessoais constituem fenômeno auxiliar para ações dignificadoras. recusando-as. ao invés de lamentar-se. desatrela condicionamentos que aprisionam o ser demoradamente. o indivíduo elege a posição de vítima da vida. fechando-se no círculo diminuto da personalidade mórbida. que se fixam pela natural repetição. reage. transforma-se em mecanismo masoquista de perturbadora presença no psiquismo. porque investiram na ação todo o tempo disponível. Não se detiveram na lamentação. Todo aquele que se faculta a autocompaixão neurótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade. realizando um mecanismo de valorização pessoal. Não raro. selecionando as experiências consideradas saudáveis.39 12 Autocompaixão Psicologicamente. os desafios. benéficas. a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz. Toda aprendizagem assenta-se nos critérios do erro e do acerto. Não nasceram fortes. assumindo a lamentável condição de infelicidade. reclama e convence-se da desdita que imagina. A mente. logo derrapando em psicopatologias devastadoras. às transferências da piedade por si mesmo. E. os insucessos são patamares que propiciam avanços para que se alcancem degraus mais elevados. mediante a insistente reclamação em torno dos acontecimentos da vida. encontra-se a um passo de perturbações emocionais graves. digna de apoio e solidariedade. cujo desvio comportamental plenifica o ego. Beethoven continuou compondo. quando essas expressões de socorro lhe são dirigidas. facultando a identificação dos recursos disponíveis. Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros. Quando. Os grandes vitoriosos do mundo lutaram com tenacidade para romper os limites. o poeta cego. e com mais beleza. somente a sua é uma situação dolorosa. Milton. após a . torna-se cárcere sombrio ou asas de libertação. porém. as enfermidades. encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar à volta. o homem que cultiva a autopiedade desenvolve tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se entrega. tornaram-se vigorosos no fragor das batalhas travadas. recorrendo. inconscientemente. conforme seja acionada pela vontade. No seu atormentado ponto de vista. os problemas. Aquele que se entrega à autocompaixão nunca se satisfaz com o que tem. prosseguiu escrevendo excelentes poemas. com que contamina as pessoas que o cercam ou que se lhe acercam. o cultivo da autocompaixão. demonstrando insatisfação sistemática. encontra-se mais bem aquinhoado do que a maioria das pessoas no seu grupo social. e ninguém se lhe exime à influência. a fim de as evitar no futuro ou corrigi-las quanto antes. sem qualquer respeito pelas demais pessoas. que disfarça. A pseudo-aflição mantida converte-se em motivo de alegria. Por isso mesmo. bem como avaliação das atitudes que redundaram em insucesso ou desequilíbrio.

filosofava.. . Steinmetz. aleijado. a auto-compaixão deve ser rechaçada sempre e sem qualquer consideração. traduziu para os ouvidos humanos as belas melodias que lhe vibravam na alma. e amor a Deus. recorreu a seixos da praia. Helen Keller. da sua finalidade. entre crises de hemoptises. à vida e a si própria.. e Mozart. Roosevelt. a fim de os superar.. Demóstenes. para corrigir a dicção. Franklin D. estóico. Chopin. na miséria. extermina-se o amor. vitimado pela poliomielite. tornou-se presidente da América do Norte e colaborou grandemente para a paz mundial durante a Segunda Guerra. surda e muda. nem tampouco a ninguém. O homem tem o dever de aprofundar meditações em torno das aflições e dos seus problemas. A galeria é expressiva e iluminada pelo gênio e pela coragem desses homens e mulheres extraordinários. Epícteto. sofrendo competições ultrizes. não se amando. cultura. A desenvolvimento saudável do ser psicológico impele-o à confiança e o induz à atividade para a aquisição do sentido da vida. recusa-se a crescer e não luta.. Quem de si se compadece. Quando se mantém a autocompaixão.. comoveu o mundo com a sua coragem.40 surdez total. gago. escravo e doente. estagiando na amargura com a qual se compraz. colocando-os sobre a língua. deu seguimento às músicas ricas de ternura. cedendo espaço mental para os tentames que levam à vitória. à saúde emocional e à harmonia íntima.. tuberculoso. ao próximo. Fator de desintegração da personalidade. cega. contribuiu para o engrandecimento da Quimica.

porque destituídas de lógica. Ocultando os conflitos perturbadores. da cultura. em lugar de destaque. que são denominadas como aziagas. que se agravam com as queixas. aquele que de tudo se queixa tem a personalidade desestruturada.. gerador de estados neuróticos e de perturbações lastimáveis. à má sorte. há fatores humanos e ocasionais que respondem pelas dificuldades e problemas humanos. desempenhavam papel importante no comportamento dos consulentes. que poderia ser transformado em êxito. mantém a administração dos seus problemas com serenidade. permanecendo sob constantes bombardeios do pessimismo. Era o santuário no qual se sucediam os apelos. no entanto. social. A queixa de que se faz portador é reação mental e emocional patológica. na Grécia. Não consideramos sucesso apenas o triunfo econômico. ainda permanece a sua mensagem no inconsciente da criatura. em qualquer circunstância. Apolo era o símbolo do conhecimento. as sibilas. sem o contributo do esforço pessoal. é região de beleza ímpar. Referimo-nos a sucesso. organizadoras do eu. erguia-se o santuário de Delfos. quando o indivíduo. que prossegue buscando soluções fáceis. quase sempre responsável por expressões de profundo desequilíbrio no comportamento. São. social. sem conseguir enunciá-las. caso. Na mitologia grega arcaica. religioso. perseverasse na ação bem direcionada. eqüacionador dos enigmas e dos conflitos. da luz. que passa a detestar ou nas circunstâncias. Ali. conserva-se em . refletindo-lhe a insegurança e a perturbação. assim acalmando-se e tornando-se vítima. responsáveis pelas ocorrências negativas que procura ignorar ou escamotear. miraculosas. emoldurado pelas montanhas que lhes resguardam a tranqüilidade multimilenaria. onde se cultuava Apolo. e personificam-se nas criaturas. transfere para as demais pessoas as causas dos seus insucessos. o deus da razão. passando as acusações para os tempos nos quais vive. político. que deve ser desenvolvido. Os mitos trágicos. em conseqüência.. de segurança emocional. e se multiplicavam as queixas dos desesperados. herdeira do arquétipo arcaico. parecem um espelho.41 13 Queixas O golfo de Corinto. Hoje. assomam-lhe. do azedume e dos raios destruidores da mente rebelde. era um reduto onde nasciam as identificações inconscientes do ser. de solução para os problemas. Certamente. que remanescem no inconsciente. bem como das cidades-estados que lhes buscavam ajuda. abandonando a queixa. As suas águas. em tonalidade azul-turquesa. No monte Parnaso. financeira. Psicanaliticamente. que transmitiam as repostas do deus evocado. dos que necessitavam de soluções imediatas para a sobrevivência moral. artístico. acorriam multidões aturdidas e ansiosas em busca de orientação. o mais importante da época. a fragilidade e a insegurança do paciente que ocasionam o insucesso. aos fados perversos. Permanecendo na infância psicológica. no que se compraz. emocional. às autoridades governamentais. inspiração. no qual. Para o seu templo. reduzido a escombros.

assegurando-se da sua fatalidade histórica. o santuário de Delfos ensinava o conhece-te a ti mesmo como psicoterapia relevante. através dos bem aceitos recursos de evasão da responsabilidade. a plenitude. Diante de quaisquer injunções perturbadoras. sem nenhuma perturbação ou desagregação da personalidade. como ferrugem na engrenagem do psiquismo. Por isso. . deixando-se conduzir pela razão lúcida — a sibila — e descobrisse a real finalidade de todos os fatos existenciais. é cruel verdugo de quem a cultiva. constitui mecanismo valioso de saúde psicológica. A queixa. o enfrentamento tranqüilo com as ocorrências deve ser a primeira atitude a ser tomada. perante os fenômenos da vida. Substitui-la pela compreensão. qual se se buscasse Apoio — o discernimento —.42 harmonia no êxito social ou na dificuldade. crescendo interiormente. e mediante esta contribuição o ser amadureceria.

Atavicamente herdeiro dos hábitos pretéritos. conduz. surgem os distúrbios do sexo. como única maneira de liberar os conflitos em que se aturde. leva a estados perturbadores que se podem evitar. sem os azedumes perturbadores. repetições de gestos. são gerados por ele próprio.43 14 Comportamentos exóticos A dependência psicológica do morbo da queixa. os complexos de inferioridade. frágil. perturbando o equilíbrio psicológico. excentricidades multiformes. em curso para o desajuste total.. a fim de que rompa a carapaça da dissimulação e assuma as responsabilidades que interessam a todos. O queixoso perdeu o endereço de si mesmo. mediante o cuidado na elaboração das idéias e do otimismo na observação das ocorrências. como arquétipos do inconsciente coletivo que. que degeneram nas psicoses compulsivas. ao invés de manter-se em processo degenerativo. enxerga uma agulha num palheiro — modifica o comportamento perdendo a linha convencional do que é correto e saudável para viver de maneira alienada. O homem saudável sobressai pela harmonia e otimismo em todas as situações. da emoção. fixações. que mais lhe agrava o distúrbio no qual estertora. ameaçador.. insensível. traduzindo insegurança e instabilidade emocional. e a si mesmo se realiza em fenômeno de autodestruição. . Nessa área. de reencarnações infelizes. gerando os distúrbios catalogados nos diferentes departamentos do corpo. em realidade. da mente. nem as agravantes manifestações anômalas. tornando-se célula harmônica. ativa. mantendo-se equilibrado. específicas. A doença caracteriza-se pela inarmonia em qualquer área da pessoa humana. caracterizando biótipos extravagantes. é estado de bom humor. transferindo-se para os departamentos da fiscalização da conduta alheia. responsável pelas repressões que se transformaram em mecanismos de afirmação da personalidade. o paciente oculta-se na mentirosa postura de vítima ou na condição de portador de conduta inatacável. manifestandose em contrações musculares.. que se faz indiferente. que se recusa enfrentar-se. cultivando exotismos. Da simples fixação do erro e apenas dele — conforme afirma o brocardo popular. temeroso. os ademanes chamativos. A insegurança. palavras e conduta alienadoras. no entanto. reajustadora. Ignora os outros e vive comportamentos especiais. Síndrome compulsiva para aparecer. apresenta-se propondo-lhe uma revisão de valores culturais e sociais. predominando a psicologia à morfologia. escorregando pela viciação acusadora. que chamam a atenção pelo desvio de conduta. que se apresenta com reações imprevisíveis. ególatra. transferem-se para as reações nervosas. com inalterável tolerância pelas excentricidades dos outros e seus correspondentes erros. cada vez mais constritoras. A psicoterapia própria. dando largas ao inconsciente. a frustração. compondo uma personificação que agride aos outros.. O excêntrico é ser atormentado. envolvendo-o no grupo familiar e nos problemas da comunidade. Saúde. por fenômeno psicológico de não aceitação de sua realidade.

que não atingem. gerando o enriquecimento interior. evitando o relacionamento com o grupo. neurótica. o acompanhamento do psicólogo assim como do analista atentos lhe propiciará o encontro com o eu profundo e seus conteúdos psíquicos. Outrossim. que escolherá conforme as próprias aptidões. que não dispensam a ninguém. na sua estrutura maternal. Por extensão. exercitando-se no convívio social sem a tentação de destacar-se. Os fatos da infância ressurgem-lhes fantasmagóricos. sem vulgarizarem-se. .. e a imagem da mãe.. psicológico. pondo para fora os conflitos. referto de transtornos e pesadelos. também. que nunca oferecem. que transferiu para o rebento suas frustrações e nele passou a realizarse. em evidente revolta contra o equilíbrio mente-corpo. Essa é uma fase adiantada do comportamento exótico. identificada com os objetivos normais da vida. empenhando-se em harmonizar a sua natureza interior com a sua realidade exterior. sendo rudes. gentilezas. trabalhando com esforço a modelagem da nova personalidade. portanto. A psicoterapia deve apoiar-se na busca da conscientização do paciente. em todas as formas da sua comunicação com o mundo exterior. emoção-função fisiológica. mal-humorados. de chocar. auxílio. O desenvolvimento da criatividade contribui para o ajustamento da personalidade ao equilíbrio. que jamais retribuem. de natureza egoísta. Devaneios íntimos povoam-lhes o campo onírico. O homem e a mulher saudáveis têm comportamento ético. sendo pessoa comum. os sonhos são-lhes caracterizados pela necessidade tormentosa de conseguirem a realização plenificadora. que mais os inquietam quando no estado de consciência lúcida. que anulará os condicionamentos viciosos. em postura excêntrica.44 A exibição não é apenas uma forma de assumir o estado interior. liberando-se das heranças neuróticas e dos condicionamentos psicóticos. insensíveis e presunçosos. mascarados em expressões que lhe parecem afirmar-se perante si mesmo e as demais pessoas. Nesse estágio da conduta. que exige mais acentuada terapia de profundidade. sem pressão. algumas dessas personalidades exóticas fazem-se isoladas onde quer que se encontrem. a compulsão psicótica leva-o à extroversão exagerada. Exigem consideração. Sem dúvida. excessivamente dominadora ou tragicamente benévola. e tornam-se comuns. anelando para a felicidade do ser querido tudo aquilo quanto não fruiu. mas. para que assimile novos hábitos.

45 QUINTA PARTE PROBLEMAS HUMANOS .

em constante processo de aprimoramento. que lhe parecem de significado único. portanto. Em outros temperamentos.. de modo a analisar a situação conforme se apresente. ou do qual se espera resultado positivo. Quanto mais se valoriza o problema. deixa de lutar. quando o problema se converte em dificuldade e ocorrência prejudicial. nele se realiza. avultando-se ou perdendo o sentido. justifica-se. aumentando-lhe a força de ação com os seus correspondentes efeitos. prazer e tranqüilidade ante a doença e a velhice — desenvolve o apego e exterioriza o sentimento centralizador da posse. Evitando considerar o problema na sua real significação. o ego estabelece: A culpa é do outro.46 15 Problemas Humanos Os problemas humanos ou desafios existenciais fazem parte do organograma da evolução. que possa produzir a perda. aborrecimento. de acordo com as resistências fortes ou frágeis da personalidade individual. destituído dos estímulos negativos do medo ou da ansiedade. infeliz. outros (problemas) há de natureza psicológica. desar. escondendo-se nas justificativas de incompreendido. A criatura pensante é um ser incompleto ainda. cada problema merece um tipo de atenção. parapsicológicos e mediúnicos nela em latência. mesmo quando em aparente conflito. Certamente. normalmente os complexos psicológicos assumem as responsabilidades pelas ocorrências problematizantes. nos tecidos da malha delicada do psiquismo. o ego foge. ou da família. que logo se incorpora à conduta. Nas personalidades instáveis. Aferrada às impressões mais grosseiras do ego... de transformações. insucesso. e não consoante os fantasmas da insegurança desenhem na imaginação criativa — refúgio para a irresponsabilidade que não assume o papel que lhe diz respeito. ou da sociedade em geral. Os problemas enraízam-se. e mediante esta conduta coloca-se acima de qualquer suspeita de fragilidade. que ressumam em forma de fenômenos patológicos. não raro. como heranças reencarnacionistas. de cuidado especial para a sua solução. O que a uns constitui gravame. face ao que considera como fatores indispensáveis à sobrevivência — valores materiais que propiciam alimentação. Além desses. transforma-se em desastre. mais vitalidade se lhe oferece. A inferioridade psicológica desenvolve o complexo em que se refugia. a outros não passa de insignificante acidente de percurso que estimula a marcha. como decorrencia do que se consigna em condição de imperfeições da alma. perseguido. real ou imaginária. passado o momento. vestuário. repouso. em prolongado esforço para desenvolver os potenciais psicofísicos. Quando algo em que se confia. e. ou da saúde. Qualquer ameaça. essenciais. torna-se problema.. ou do grupo social. inquietadores. ou do destino. compõe a consciência de culpa e esse mesmo ego recorre à . por falta de consciência lúcida. Esse esforço deve ser natural. gerando perturbação. Resolve-se a questão utilizando-se do complexo de superioridade. Somem-se-lhes os que se derivam do inseguro inter-relacionamento pessoal. escamoteia-o. afirmando: Eu sou culpado. mantendo-se em alerta para a preservação desses bens.

Essa dilatação da capacidade parafísica propicia o mergulho do eu profundo — o Espírito — na causalidade dos fenômenos humanos.. é a própria criatura. . Ninguém permanece vivo sem o enfrentamento com os problemas. assim interpretando. Na transitoriedade da condição humana. oferecendo o saldo positivo de evolução. abrindo o leque imenso das percepções paranormais. desatando os inestimáveis recursos que lhe são inatos. Nesse elenco de registros parapsíquicos desabrocham os recursos mediúnicos que propiciam o livre trânsito entre as duas esferas da vida: a física e a espiritual. Para consegui-lo. do estudo do eu profundo e da sua busca incessante. Mecanismos perversos de imaturidade compõem a tecedura protetora do escapismo. o ser que os enfrenta necessita deles. que existem para ser resolvidos. portanto. mister se torna o amadurecimento psicológico. porqüanto. O problema humano. cuja finalidade é testar as possibilidades e valores de cada uma em particular e de todas as criaturas em geral. na origem.47 condicional dos verbos. afligindo-se: Eu deveria ter feito de tal forma. os problemas que sempre procedem das experiências anteriores. eu tentaria evitar. recuperando-se moralmente. decorrente do esforço sério e bem direcionado. o estado de infância psicológica decorre da ausência de realizações evolutivas. graças aos quais o psiquismo comanda conscientemente a vida.. eu poderia ter enfrentado. maior e mais urgente para ser eqüacionado. trabalhando o amadurecimento. o eu profundo deve emergir. para fugir das conseqüências dos problemas. Mesmo quando são atuais e começaram recentemente. que são as metas existenciais mais urgentes.

medrando no seu psiquismo atormentado e passando ao domínio escravizador. O ego. caso não se resolvam enfrentá-los com hercúlea decisão e pertinaz insistência. o ser move-se sob as injunções das necessidades de projeção da imagem.48 16 Gigantes da alma Envolto na pequenez das aspirações egóícas. imagem e semelhança de Deus. projetando-se em demasia. que as experiências evolutivas desenvolvem e aprimoram. negando-se a lutar. açulam a inferioridade e terminam por vencer aqueles que os vitalizam. os ciúmes e as invejas que entorpecem os sentimentos. é deus em germe. destacam-se: os ressentimentos. quais cogumelos venenosos que desabrocham em terrenos úmidos e férteis. Entre os terríveis gigantes da alma. por sentir-se incapaz de superar a sombra. manifestando a força do eu real. Gerado para alcançar o Infinito e a Consciência Cósmica. compõe os quadros de aflição em que se refugia e. desenvolve os fantasmas gigantes que o protegem. . que têm predomínio em a natureza humana.

para esconder-se sob o ressentimento na justificativa de buscar ajuda para a autocompaixão. mental e racionalmente. vincular-se-lhes às faixas vibratórias de baixo teor. perseguem. enraizando-se no solo fértil das emoções em descontrole do paciente. eliminando a ingerência do ego ferido e ensejando a libertação do eu profundo. culturais e religiosos ou não. trabalhando por sobrepor o ego ferido ao conceito daquele que o desconsiderou. os petardos. de modo a não facultar ao ego doentio o apoio psicológico neles. através da reflexão e do auto-encontro. nas quais tombam os temperamentos mais confiantes e ingênuos. sem conflito. por falta de maturação geral que favoreça o entendimento e a transação psicológica em termos de bem-estar para todos os parceiros. sob todos os pontos de vista. O ressentimento. as suas são reações compatíveis com os níveis de consciência em que se encontram. porque há uma larga variedade de biótipos emocionais. a competição e o atrevimento armam ciladas. Quando o ressentimento exterioriza as suas manifestações. indispensável ao equilíbrio integral. competitivas. acreditando-se traído. que se deixam. o ressentimento pode ser comparado a ferrugem nas peças da sensibilidade. o companheiro vitimado recorre ao ego e equipa-se de ressentimento. cargas violentas que terminarão por desarmonizar-lhe os delicados equipamentos e se refletirão na conduta mental e moral. deve ser combatido. é opção de quem não se resolve por preservar a saúde ou não deseja crescer emocionalmente. resultado da condição evolutiva das criaturas que se inter-relacionam. Predominando a natureza animal em detrimento dos valores espirituais e éticos. nos painéis da emotividade. fazem-se injustas. identificando os valores relevantes e os perniciosos. normalmente. . porém. na situação que as caracterizam. No importante capítulo da saúde mental. deve preocupar-se com o desvelamento do si. É um direito que têm. mortificar. transferindo-se para a organização somática. invariavelmente esquecido. instalando. O indivíduo. logo após. ele se instala. sem escamoteamento. Como é natural. Injustificável. por se encontrarem em faixas primitivas da evolução. anela pelo desforço. a presença do ressentimento na criatura humana tem lugar de destaque. As pessoas são. Descobrindo-se em logro. aí engendrando males que terminam por consumir aquele que lhe dá guarida. A convivência humana é feita por meio de episódios conflitivos. consciente ou não. no sentido negativo da palavra. A vida expressa-se em padrões sociais. relegado a plano secundário. exteriorizando idéias e comportamentos que lhes correspondem ao estado no qual se demoram. Aceitar-lhes. caluniam.49 17 Ressentimento Entre os tormentos psicológicos alienadores. que deve ser banido das paisagens morais da vida. no entanto. trabalhando aqueles que são perturbadores. Gastrites e diarréias inexplicáveis procedem dos tóxicos exalados pelo ressentimento. por caracterizar-se como expressão de inferioridade. refletindo-se como distúrbios gástricos e intestinais de demoradas conseqüências. desejando assenhorearse dos espaços que lhes não pertencem e.

as transformações fazem-se contínuas. . A liberação do ressentimento deve ser realizada através da racionalização. o Deus interno que jaz em todos os seres. de ser vítima. de sofrer.. impulsionando à conquista dos recursos adormecidos no imo. a partir do momento em que deixa de receber os alimentos de manutenção pela idéia fixa e mediante o desejo de revidar.50 O processo de evolução é incessante. À medida que a experiência fixa aprendizados. sem transferências nem compensações egóicas.. esse terrível gigante da alma se apequena e se dilui. desaparece. e as mudanças.

inseguro dos próprios valores. O ciúme tende a levar sua vítima à loucura. com a mente exacerbada pela suspeita infeliz. Liberando-se da compressão do ciúme. o eu profundo respira. alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não. que terminam por ceder-lhe as forças. com algo ou nada. em que se consome. vencidos pelos gases venenosos do ciúme. expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais. que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz. destruindo as resistências morais e emocionais. Atormentado pelo ego dominador. posses e valores que assumem uma importância alucinada. dominando-lhe a conduta e o pensamento. No aturdimento do ciúme. Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência. foge para o ciúme. insanamente. quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama. ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos. com amor. Armadilha do ego presunçoso. deixando de reagir. rico de realizações interiores. a pouco e pouco. Somente o self pode conseguir essa façanha. porém com harmonia. O ciumento. o ciúme envolve objetos e posições. em cujo campo se homizia a fim de entregarse aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades.51 18 Ciúme Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática. o paciente. o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita. e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca. com a vida. que nunca encontram apoio nem reconforto. superando a estreiteza e os limites egóicos. as aspirações espirituais. . a preguiça mental e o desejo de impor-se à vitima da sua psicopatologia. arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado. à verdade. quão perturbadoras. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias. descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas. ficando surdo à razão. O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial. a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo. para assomar. O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora.

no que se compraz. Egocêntrico. no futuro. Normalmente moroso e sem determinação. senão. destacar-se. A inveja descarrega correntes mentais prejudiciais dirigidas às suas vítimas. formando um todo holístico na Grande Unidade. aguarda o insucesso do adversário. o enfermo de inveja nunca se alegra com a vitória dos outros. como meio e meta para alcançar a saúde ideal. individual. avaliando os recursos de que dispõe e considerando que a sua realidade é única. Insidiosa. porém cujos danos ocorrem no fulcro gerador. ao próximo e a Deus. Trabalha. inicialmente. que lhe facultará a perfeita compreensão dos mecanismos da vida e as diferenças entre as pessoas. que somente as alcançam se estiverem em sintonia. A terapia para a inveja consiste. . para competir. para si apenas. não podendo ser medida nem comparada com outras em razão do processo da evolução de cada um. O cultivo da alegria pelo que é e dos recursos para alcançar outros novos patamares enseja o despertar do amor a si mesmo. a inveja é resultado da indisciplina mental e moral que não considera a vida como patrimônio divino para todos. perturbando-lhe a atividade. credor de todos os cultos e referências. a inveja é fraqueza moral. por inveja. o comportamento. nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas. acoimado por insidiosa desdita íntima. nem com a alheia realização. na-cuidadosa reflexão do eu profundo em torno da sua destinação grandiosa. Não tem ideal. observa e persegue. resultado da sua morbidez inata. compete mediante a urdidura da intriga e da maledicência. o paciente da inveja lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu. sobressair. Ao invés de empenhar-se na autovalorização.52 19 Inveja Remanescente dos atavismos inferiores. a perturbar as possibilidades de luta do ser humano. não saiu da infância psicológica e pretende ser o único centro de atenção.

violenta desconsideração pela própria vida. Renitente. exibe o lado oculto da vaidade. recomendava a vigilância antes da oração. de proteção ao próximo. dissimula-dor hábil que conspira contra as forças da libertação. de alguma forma refletem um fenômeno psicológico. dessa forma. mesmo sabendo que logo terminam deixando frustração. desembaraçando-se. na condição de excepcional Psicoterapeuta. desenvolvendo as possibilidades de enriquecimento interior capazes de plenificação. essa necessidade de valorização reaparece em estruturas de aparente humildade. como forma de auto-encontro. de autodepreciação. deve passar despercebido. O caminho para a conscientização.. da sensação de incompletude. de vigilância natural. Jesus. asfixia-se nos conflitos perturbadores e atira-se ao desespero. A humildade é uma atitude interior perante a vida. sem tensão. Entre muitos religiosos em clima de insatisfação pessoal. fundamentando-se na intenção libertadora. Não podendo fugir de si mesmo nem dos fatores arquetípicos coletivos. de piedade. do conflito de inferioridade. A fim de consegui-lo e por não saber dirigir as aspirações. de autoflagelação. de lograr atenção. noutras ocasiões habilmente estabelecido. a filantropia. Quando se manifesta com sofrimento. legitimamente. A humildade é uma conquista da consciência que se expressa em forma de alegria. jamais uma indumentária exterior que desperta a atenção. na esteira das reencarnações pelas quais tem transitado. sem crescimento interior. volta-se para o mundo interior e reprime os sentimentos. amargura e novos anelos para fruir outros. que vem herdando de si mesmo através dos tempos. que é a necessidade da sua valorização. da violência reprimida e chama a atenção para aquilo que. de plenitude. Acostumado às respostas imediatas. automatismos dos instintos — e o futuro de luz — plenitude através de esforço . Quando escasseiam os estímulos para esse cometimento do eu. é palmilhado com naturalidade e cuidado. o ego sobressai e fixa-se em mecanismos perturbadores a fim. que não recebe compensação externa mediante o reconhecimento nem a projeção da imagem.53 20 Necessidade de valorização Os destrutivos gigantes da alma. que exteriorizam os tormentos e a imaturidade do ego. porqüanto o inimigo do homem está nele. o ego infantil deseja os jogos do prazer a qualquer preço. de dissimulação. o ser debate-se entre o passado de sombras — ignorância. fechando-se no estreito quadro de depressão. A Sua proposta é atual. que forja comentários. mascaradas de auto-aflição. a solidariedade. estando desprotegidos de si mesmos. acomodação.. Tivesse maturidade psicológica e recorreria a outros construtores gigantes da alma. faculta que ressumam as tendências do prazer. a conscientização. para depois ensejarse a entrega a Deus sem preocupação outra alguma. Trata-se do seu ego. Quando assim não ocorre. que compensa a fragilidade do ego. como o amor. desprezo por si mesmo. às vezes de procedência inconsciente. o esforço pessoal.

. o estimo. expressa-se na enganosa autocomiseração que lhe satisfaz as exigências perturbadoras. que lhe compõem o quadro de desamparo emocional de desdita pessoal. recebendo-se uma evasiva — Não me inclua nisso. Essa invisibilidade habilmente buscada compensa o conflito do ego. onde se expressam as próprias emoções conturbadas. todavia. utiliza-se dos estímulos negativos e agressivos para compensarse. Verdadeiramente. não tendo necessidade de valorização. porque exteriorizam o bemestar que lhe é próprio. a necessidade de valorização. a mensagem transacional retorna elucidando : — Eu. como por exemplo: — Eu te amo. conturbados pelas heranças e as aspirações. para uma contestação equivalente: — Eu também. no inter-relacionamento social. Cada ação provoca uma reação equivalente. O ego que sente necessidade de valorização. a terra de ninguém. Sob trauma ou rancor. a comunicação redargue: — Eu o admiro. em equilíbrio. Se alguém diz: Não gosto de você. Não se contamina nem se amargura. Encontram-se no lugar. amor e auto-realização — recorrendo aos dias presentes. não estão ali. palmo a palmo. Quando o self assoma e governa o ser. os estímulos são sempre positivos. completando-se emocionalmente. atraído pela razão à sua fatalidade biológica — a morte — transformação do soma — histórica — a felicidade — e espiritual — a liberdade plena — vê o desmoronar dos seus anseios e reconstrói os edifícios da esperança. o ego isola suas vítimas para chamar a atenção ou bloqueia-as de tal forma que não ficam ausentes. brindam com resultados correspondentes. porque. porque não possui recursos relevantes para expor. Conforme dirigidos. Se a proposta afirma: — Detesto-o. sem o contributo do self em consonância. mantendo a autoflagelação de que não énotado. No entanto. Quando não se consegue uma resposta através de um estímulo positivo. no entanto.54 tenaz. quando todos se encontram. Essa necessidade de valorização egóica pode ser transformada em realização do eu mediante o contributo dos estímulos. porém tornam-se invisíveis. avançando sem cessar e conquistando. não possui valores atraentes. possui valor. sejam quais forem os resultados. para colher algo idêntico: — A recíproca é verdadeira. recorre-se a uma negativa: — Ninguém me ama. Tal mortificação neurótica introjeta as imagens infelizes e personagens míticas do sofrimento. Nesse comportamento doentio do ego. o estímulo expressa-se agressivo: — Não gosto de ninguém. O importante para o seu momento não é a qualidade da resposta estimuladora. mas a sua presença no proscênio onde se considera ausente. mesmo que tenham origem negativa ou agressiva. e relaxa. Os estímulos são fontes de energia.

55 21 Padrões de comportamento: mudanças O comportamento desvela ao exterior a realidade íntima do ser humano. diminuem a loquacidade e. utilizando-se da comunicação interpessoal para libertar o indivíduo de conflitos e pressões. identifica-se. Quando se indaga: — Como vai? — a resposta é inevitável: — Bem. a experiência social. se o interrogado se resolvesse dizer como realmente vai. pois que muitos fatores contribuem para mascarar-se o que se é. Quando a conversação. Aceitos como de conveniência. Há uma tendência natural para o disfarce do ego. normalmente. descobre-se. um papel relevante. quando visceral. é trivial. Talvez a aceitasse de maneira surda. por conseqüência. compartem-se emoções. com enfado. Quando se repartem informações no inter-relacionamento pessoal. assumem uma atitude tímida e fazem a introspecção. A ausência de tais imperativos contribui para o desequilíbrio emocional e. no entanto. emocional. o interlocutor. porém. para os estados psicopatológicos que se multiplicam avassaladores. numa demonstração apenas do que se aparenta ser. inseguros e instáveis. torna-se-lhes indispensável a extroversão. o diálogo. auto-analisa-se. tal manifestação se reveste de autenticidade. desinteressadamente. A comunicação desempenha. o relacionamento. obrigado! Mesmo porque. Os padrões de comportamento estão estabelecidos através de parâmetros nem sempre fundamentados em valores reais. é bem provável que o interlocutor não tivesse nenhum interesse em ouvir-lhe a resposta mais complexa e profunda. Liberando-se das conversações feitas de interrogações-clichês desinteressantes. Os segundos. livre. Passada a fase de auto-análise. escondem a sua realidade e conflitos erguendo uma névoa densa pela exteriorização que se permitem. penetra-se e faculta ao outro a oportunidade de igualmente desvelar-se. Na grande mole humana destacam-se os biótipos introvertidos e extrovertidos. A Psicologia Transacional procura desvelar os enigmas do comportamento. quando prevalece um impulso dominante para a convivência. facilitando o próprio entendimento. sem excesso de ruídos nem ausência deles. reflexionando. na etapa inicial do desenvolvimento psicológico. De acordo com a maturidade ou não do ser psicológico. rompendo a cortina que os oculta e desvelando-se. Descobrindo-se honestamente. assumem um comportamento saudável. a comunicação padece dificuldades que somente poderão ser sanadas quando existir um propósito firme para o êxito. os clichês sem sentido e costumeiros não dizem nada. . Enquanto coordena as idéias para o diálogo. em todas as vidas. À medida que o ser se descerra em narrativa afetuosa ou amiga. sentindo-se acompanhado. Nem sempre. Os primeiros. sem as pressões da desconfiança e da insegurança pessoal.

em total desrespeito pelo si. que são asfixiadas sob a ação dos alcoólicos. As pessoas submetem-se às pequenas ou grandes regras da etiqueta.. do encontrar o Outro. em cujo comportamento se fundem o ego e o eu. Apóiam-se. para deixar e transmitir impressões agradáveis. Os padrões de comportamento normalmente se fixam em diretrizes que não atendem à realidade do ser. estabelecidos conforme o imediatismo dos interesses de grupos e legisladores. culturais. desincumbindo-se do que lhes é dever.. compensadoras. do convívio social. numa formulação de amor sem máscaras e sem conflitos. mediante as quais a exibição do ego gera constrangimentos perturbadores. morais e religiosos. geralmente mutilado nas suas aspirações nobres de vida.. pela pessoa humana real. artísticas. no entanto. sem qualquer consideração para com a vida.56 aqueles que foram considerados corretos. nos relacionamentos dignos.. Deus. como propunha Kierkegaard. de modo que produzam os resultados adrede esperados. do transformar-se. desportivas. o mais extravagante. sem qualquer consideração pelos fundamentos das Doutrinas que se devem pautar pelos processos de libertação das consciências. saudáveis. que facilita o diálogo. para uma boa apresentação. A certeza da imortalidade da alma abre um elenco de comportamentos autenticados pela educação espiritual na busca do vir-a-ser.. de pressão. As preocupações financeiras de promoção egóica comprazem o indivíduo pela exposição desnecessária do desperdício e da dissolução. podem ser classificados como sociais. e não aquilo para o que são regiamente remunerados. é a Fonte que se deve buscar para . O comportamento cultural reúne as aquisições intelectuais. em comportamento moral-social de tendências egoísticas. dão a impressão de que estão realizando algo extraordinário. o de mais larga renda. de hipocrisia. sempre preocupadas em dissimular os sentimentos. às vezes despertando fenômenos competitivos e de presunção lamentável. nos raros momentos de auto-encontro. às vezes desavisados. Convive-se com indivíduos em muito encontros sociais. da auto-emulação exibicionista com que foge da realidade interna para lugar nenhum. todos desconhecidos entre si. muitos desses homens públicos. surgem-lhe as depressões.. que quer significar engodo.. inúmeras imposições castradoras contribuem para condutas falsas. então. que pensam mais em seus prazeres do que no bem geral da comunidade que lhes paga para a servir. em detrimento do eu profundo ao processo de constantes mudanças e crescimentos... que os sacrifica. e não de apavoramento. permanecendo. O Outro. Jesus conclamou os Seus seguidores à busca da Verdade que liberta. confiantes. insensatos. Na área do comportamento religioso. Logo após. provocando estados auto-obsessivos-compulsivos de ser-se o maior. o filósofo e teólogo existencialista. das drogas aditivas. de discriminação. Elaborando leis.. O comportamento moral está sujeito aos imperativos legais. Em todos eles existem regras estatuídas pelo ego. Nos comportamentos sociais estão estabelecidas as regras do bom-tom.

A estruturação psicológica da pessoa humana está. em desenvolvimento contínuo. a felicidade existencial. o desenvolvimento das percepções parapsíquicas e mediúnicas. em inevitável processo de aprimoramento do ser. àmedida que o self se liberta das contenções impostas pelos arquétipos. Toda a contextura celular renova-se incessantemente. a harmonia psicológica. A conquista de si mesmo é o desafio constante para a auto-realização. É natural que. . por efeito. como decorrência. Mudanças O ser humano prossegue em crescimento. a exigir renovação e estudo de si mesma. responsáveis pelo amadurecimento cultural e social. e as experiências como as vivências contribuem para a mudança de padrões comportamentais. ninguém é igual a outrem. a fim de crescer psiquicamente. alargando-lhe a percepção moral e a religiosidade perante as exigências da Vida. em mudanças. Assim. o seu comportamento sofra alteração. defluentes das reencarnações pretéritas. na razão em que se lhe desenvolvem os equipamentos orgânicos.57 atingir a plenitude. nem pode ser avaliado mediante as comparações da frágil aparência.

58 SEXTA PARTE CONDICIONAMENTOS .

tornou-se-Lhe o adversário temerário.59 22 O bem e o mal Questão de alta complexidade para a criatura humana. a ação concreta que resulta da capacidade seletiva de valores éticos para a harmonia e a felicidade. expulso do paraíso. para melhor explicá-los. a vida. filosoficamente o bem é tudo quanto fomenta a beleza. positivo. A Bíblia. nas demoníacas. úmido. estabeleceu os dois princípios. gerando fenômenos relevantes de consciência. à sociedade e ao seu próximo. ambas. à psicologia. gerando a harmonia. e as duas forças antagônicas. era uma abstração meramente filosófica ou religiosa. Com características metafísicas. que se conciliam sob o comando da suprema perfeição ao confundirem-se. passando. de acordo com as suas respectivas manifestações. o ético. em cuja luta o último seria submetido e por conseqüência eliminado. ao harmônico. no capítulo da moral. consoante a moral. ao comportamentalismo. o discernimento. Inspirada no hinduísmo. em perene luta até a supremacia do edificador. e todas as realizações que promovem o ser. Em todos os períodos da cultura ancestral encontramos o esforço da religião e do pensamento tentando estabelecer os paradigmas em que se apóiam um e outro. inscrito em uma estela de diorito. por sua vez. seco. o Princípio Supremo. avançando historicamente até interessar à sociologia. sob o controle de Deus. Como efeito. O código de Hamurabi. essa dualidade concretiza-se nos atos do ser. Vishnu.. Entre medos e persas — o livro sagrado ZendAvesta separava a mesma dualidade nas personificações de Ormuzde — ou representação do bem — e Ariman — ou personificação do mal —. Ontem. e o mal vem a ser aquilo que se opõe ao edificante. ao bem. que contribuem para o equilíbrio ou a desordem psíquica. a fazer parte da ética. simbolizando o bem e o mal. não raro. já definia as ações louváveis e as reprocháveis. no entanto. mais tarde.. ou princípio construtor e Shiva. Logo depois.. o grupo social e o ambiente expressam-lhe a grandeza. Sociologicamente o bem contribui para o progresso. com as respectivas conseqüências legais no comportamento humano em relação à criatura em si mesma. representa o bem nas deidades angélicas e o mal. frio —. o Conserva dor. no vértice superior do simbólico triângulo isósceles. A Psicologia não poderia ficar indiferente a essa dualidade que existe no . confundindo-a e perturbando-lhe. do bem e do mal. analisando a Criação. A Metafísica Tradicional. negativo. bom — e o Yin — feminino. a interpretação chinesa apresentou-os nas duas admiráveis forças cósmicas: o Yang — masculino.. que se vinculam ao conciliador. ou princípio aniquilador dos seres. contra Quem se rebelara Lúcifer que. o Destruidor. na sua formulação abstrata. a Trilogia da Criação apresenta Brama como Plenipotente. o mal decorre de todo e qualquer fenômeno que se opõe ou conspira contra esse contributo superior. o dualismo do bem e do mal encontra-se ínsito na sua psicologia interior. Das concepções pretéritas à realidade presente.

impulsionando-o. que se poderia considerar anárquica. é-lhe o bem que deve cultivar e desenvolver.. temporal. Porque ainda injustos os homens. de partidos e raças. O bem e o mal estão inscritos na consciência humana.. Desenvolvendo. tentam tornar legais comportamentos que não são morais e. havendo facultado a Jesus afirmar. que será ultrapassado à medida que amadureça psicologicamente. da desordem interior. predispondo-o à eleição do primeiro em detrimento do outro. da volúpia. O Decálogo moisaico. seu desenvolvimento intelecto-moral. por questões imediatistas. que se promove e eleva-o a estágio superior. reciprocamente. Afirma-se. no entanto. da angústia. sem que a algumas delas se atribuam reais valores morais. portanto. liberado das injunções dolorosas. para o vilipêndio — quando se sente diminuído —. e se lhe desenvolvam os padrões de sensibilidade e consciência para adquirir a integração no Cosmo.. aos sofrimentos. é remanescente atávico do seu processo de evolução. em a natureza. do saudável e propiciador de paz. imediatamente começa a perceber os valores que compensam e os que conflitam o comportamento psicológico. aliás transitório. E esse mal.. o que é bem e o que é mal. ao descobrir-se em falta. defecções. o bem de hoje torna-se o mal de amanhã e vice-versa. no entanto. o atavismo dos instintos agressi vos propele-o para a violência — quando deseja possuir —. significativos e definidores do bem e do mal. Ao mesmo tempo. para o grotesco e vulgar — quando derrapa no menosprezo de si mesmo. que a linha divisória entre o bem e o mal é tão fluida e oscilante que. incorre em equívocos de seleção e tomba nas malhas do mal. que se lhe tornam mecanismos reparadores. de religiões e credos.60 ser humano. que o propele às ações ignóbeis. justificando-se atitudes vulgares e tentando liberar-se comportamentos alienados. a consciência que sai do torpor de nível de sono sem sonhos. sintetiza os códigos moral e legal. não raro. Se. por acaso. condutas extravagantes e arbitrárias. devendo ser respeitadas. idealista e comportamental do bem. Tudo quanto contribui para a paz íntima da criatura humana. remanescendo como as suas aspirações de crescimento e elevação. toda a complexidade desse fenômeno dual: — Não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça. inferiores. as leis que elaboram possuem os seus parcialismos. Esse discernimento. . de acordo com as conveniências de grupos e castas. irradiando-o como bênção que provém de Deus. na sua harmoniosa organização que deu origem à vida e a fomenta. porém. numa dialética sofista. Certamente. que resulta da consciência em libertação dos condicionamentos escravizadores. muitos códigos e leis. tornando-se instrumento útil no grupo social. em grandiosa proposta. do nobre e equilibrado. amplia a capacidade para identificar o bem e o mal. mesmo que sob as circunstâncias perturbadoras do ódio. para a adoção de conduta mental e física. faz o quadro de consciência de culpa e sofre as patologias afugentes. permitindo-lhe aspirar sempre a mais e melhor. embora lentamente. do medo.

Recordar-se da pusilanimidade humana. a fim de gerar-lhe consciência de culpa. nas mais diversas áreas. A lição viva que ressalta em Jesus desde a entrada triunfal e o julgamento arbitrário. de João. através da dicotomia existente no comportamento humano. surgindo-lhe transformada em medo e desprezo por si mesmo ou indiferença pessoal e desleixo no culto dos valores morais. o estoicismo das mulheres piedosas. da fragilidade dos caracteres de Judas e de Pedro. e mentais ou emocionais naqueles que são constituídos por estrutura psicológica frágil. em Jerusalém. as ocorrências dolorosas que assinalaram a última semana de Jesus. propõe uma releitura do comportamento individual e coletivo dos seres. As crenças ortodoxas satisfazem-se com as imolações e as atitudes condenatórias que. ao tempo em que mantêm os lamentáveis processos de cilícios físicos entre os fanáticos. leva-O a metas adredemente programadas. ao crescimento. abrindo elencos de alegria e facultando o desenvolvimento daqueles que os recebem. que ainda se repetem na sociedade. tomadas em consideração. sem compulsão. de modo que a aprendizagem se faça plena. caracteriza-se pela vivência de cada momento. prosseguem sendo uma linguagem dinâmica. faz-se necessário quando os objetivos são educativos.61 23 Paixão e libertação psicológica As tradições religiosas em torno da paixão de Jesus teimam por revestir-se da notícia trágica. pois que. Cada passo da Sua vida. Toda a vida de Jesus é um processo que facilita o crescimento e a dignidade do ser humano. intentam a lavagem cerebral para produzir o ódio pelo mundo. Toda ação impositiva-castradora ou liberativa-insensata trabalha em favor do desequilíbrio. embora guardadas as naturais proporções. refertos de atualidade. que decorre da consciência lúcida. particularmente da psicologia. a cada dia bastam . da personalidade. a fim de que a responsabilidade. de arrebatamento e de fé. carecendo de amor e paciência. sem qualquer defesa. Seus conceitos. impulsione o indivíduo ao avanço. de que ora se faz herdeiro natural. desobsessiva. à treva medieval tormentosa. Trabalhando-lhe a mente. evocando-se. sem preocupação pelo amanhã. que são terapias excelentes para induzi-lo ao fortalecimento do caráter. não mais facilitam atitudes alienadoras como essas. com as conseqüências do medo em relação à justiça divina. para Ele. à maturidade. oferecendo a contribuição de resultados positivos nas reflexões mentais. antes propõem a libertação dos conflitos. sem ansiedade. A constante condenação multimilenária deixou marcas profundas no inconsciente coletivo. porém. foram caracterizadas por ocorrências infelizes. mas. buscando-se oferecer uma mensagem de confiança. Inegavelmente. entre as criaturas. na qual a ação autopunitiva sobressai no comportamento do fiel. reconduziriam à ignorância. Sem rotina. de José de Arimatéia que Lhe cedeu o sepulcro novo. O ser humano é ainda muito fragmentário e dúbio. da desintegração do homem. As conquistas do momento. também.

não Lhe teríamos a morte estóica. todo um solene hino à vida foi apresentado através da ressurreição. A dinâmica das palavras de Jesus logrou conduzir inumeráveis criaturas à realidade transcendente. Quando os Seus seguidores marchavam para o holocausto. analisar e compreender. passando a depender das suas injunções psicológicas mórbidas. no entanto fitam expectantes e avançam no rumo do futuro. eloqüente. a ninguém impôs fardo. sem fugas psicológicas. amando. sem transferências. paciente e alegre. demonstrando a Sua consciência de imortalidade. possível de ser superada. sem os conteúdos da ingratidão humana em extremo.. diluída através das reflexões e da renovação de energia que preserva o equilíbrio da existência. que a transferem para aqueles que se lhes submetem. o martírio. mesmo a dor assumiria a sua realidade de fenômeno degenerativo inevitável. A verdadeira alegria extrapola os sorrisos e se apresenta. A alegria é uma constante em Sua mensagem. toda a Sua doutrina se constitui de otimismo e plenitude. no entanto.. apesar das advertências freqüentes. faziam-no motivados pelo amor. A conquista de consciências para as fileiras da harmonia somente é possível mediante o estabelecimento de diretrizes saudáveis. como preocupação que não deprime nem fragiliza. Enquanto ressumem na consciência da Terra as condutas punitivas e as evocações deprimentes na área das religiões. asseverando que o Seu é leve e suave é a Sua forma de julgar. joviais e exultantes. de vitória sobre as circunstâncias e os fenômenos que são naturais no processo da vida. Após a sua ocorrência. por ser uma opção livre de utilização da vida.62 as suas próprias preocupações. nas quais. perturbações. grandiosa. em manifestações de fidelidade. do retorno ao convívio com os amigos temerosos e com a humanidade arrependida que Ele veio libertar. . das lutas abertas e de sempre O verem chorar. conflitos. Libertador por excelência. sem ressentimentos nem ódios pelos perseguidores. não raro. o testemunho. Sem a semana ultrajante. o pensamento de Jesus permanecerá em sombras. resistida. Sem paradigmas fixos. Torna-se uma constante busca de realizações contínuas. por conhecer os limites e deficiências daqueles que marcham na retaguarda. A imposição temerária decorre do sentimento de culpa dos religiosos.

moldando os futuros corpos de acordo com tais aquisições. porém. naqueles pertinentes à saúde e à doença. choques emocionais. A própria constituição desses órgãos tem muito a ver com as origens genéticas e. do grupo social. Por outro lado. homicídio. quão discordantes em outras. ao erro ou ao vício. com reações específicas e modelagem própria. Equipamentos delicados. arrastam-nos a desorganizações perturbadoras. que são. mediante as incessantes transformações a que se encontram sujeitos. estados inabituais de depressão e ansiedade. no corpo ou fora dele. como recursos necessários para a aprendizagem e a fixação dos valores propiciatórios ao progresso. estabelecendo distúrbios que se transformam em enfermidades variadas. sofrem as influências externas e internas que contribuem para as suas alterações.63 24 Enfermidade e cura O fenômeno biológico do desgaste orgânico. Assim organizam-se moralmente as estruturas expiatórias e provacionais. . condições outras atmosféricas e de insalubridade. perispírito e matéria — é o resultado de largo processo de educação e desenvolvimento. muitas delas agridem esses mais intrincados conjuntos eletrônicos. facultando a reconquista da harmonia mediante esforço justo de recomposição interior. contribuindo decisivamente para as manifestações de saúde ou de desconserto. cada criatura é especial. com os fatores organizadores do lar. Não nos referimos aqui aos quesitos das necessidades morais e sociais. luxúria. detendo-nos. e até mesmo a sua morte. O ser. Como conseqüência. é perfeitamente natural como decorrência da fragilidade estrutural de que se constitui. em si mesmo trinitário — Espírito. das distonias emocionais e mentais da criatura humana. como decorrência dos atos pretéritos de rebeldia: suicídio. da família. as afetivas. através das contínuas experiências reencarnacionistas. que tipificam desequilíbrios da mente e da emoção. que são afetadas vibratoriamente pelas ondas de energia positiva ou negativa que emite sem cessar. ódio e os seus sequazes. Seqüelas de várias doenças. embora semelhanças profundas em umas. produzindo perturbações funcionais e psíquicas. posteriormente. por sua vez. As provações. perversidade. Esse logros da evolução refletem-se na constituição orgânica. especialmente as psicossociais e econômicas. quão destruidores. apenas. são corretivos temporários que servem de advertência à insânia ou à comodidade. selecionando genes e valores que lhes facultem estabelecer os aparelhos correspondentes e necessários para o prosseguimento da evolução. reintegrando o ser na ordem vigente do Universo. colônias de bactérias e microorganismos agressivos. Em cada fase da vilegiatura. Temperaturas que se alternam e ultrapassam os limites da sua resistência. pressões de qualquer ordem. concupiscência. na emocional e na psíquica. atacam-lhe as peças e quase sempre as vencem. o Espírito conquista bênçãos que incorpora ao patrimônio evolutivo. avareza. As expiações normalmente talam o ser orgânico ou psíquico de maneira irreversível.

Nele estão os cuidados pelo corpo e sua preservação através dos recursos ao alcance. do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais. a manifestação do amor ao próximo é transferência da sua sombra. os tóxicos da ira. Quase sempre inseguro. Trata-se de um amor preservador da paz. como leis de causa e efeito.. como através do mesmo pode mais encarcerarse. Entretanto. não obstante. O auto-amor induz à elevação dos sentimentos e à conquista de valores éticos que promovem o indivíduo e o iluminam interiormente. no comportamento. Quando uma doença se instala no organismo físico há uma fissura no conjunto vibratório que o mantém. estando instalada nos seus refolhos como forma de desrespeito. Sujeito. além dos problemas na área da saúde. de modo a propiciar-se a saúde. a depender do novo direcionamento que lhe ofereça. de Eletra. como os de superioridade. por efeito das suas más ações. propelindo a resgates idênticos aos danos e prejuízos produzidos. mas com o respeito e direito à vida. insegurança. presença de outros complexos. ao carma negativo. proposto por Jesus. ainda como mecanismo de fuga da responsabilidade. do desamor cultivado sob muitos disfarces. que propiciam o sofrimento de qualquer natureza. porém. à felicidade que o indivíduo tem e merece. ou a Deus. e mais outros. espirituais. narcisismo. quando estabeleceu: — Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. ausência da auto-estima. decorrente dos pensamentos auto-estimulantes. As realizações morais geram energias positivas que anulam aquelas negativas. a surgirem como complexo de culpa (inconsciente). como a si mesmo é um imperativo que não pode ser confundido com o egoísmo. defluentes das ações infelizes pretéritas. timidez. conflitos diversos na emoção. a que ninguém foge. tem a liberá-lo o livrearbítrio daquele que o padece. do aturdimento. intelectuais para consigo mesmo. que se lhe transforma em problema afugente. ensejando estímulos para a superação das antigas conjunturas atormentantes. também esse pode ser positivo e edificante conforme as realizações anteriores. desconfiança e mágoa por si mesmo. porém. Ao mesmo tempo. ansiedade. de Édipo. gerando patologias graves que. ao qual acrescenta os fantasmas da dúvida. quando provacional. o ser expressa. o ser considera que não merece o que lhe ocorre agora e teme pelo agravamento do mal. esse carma.. agravando mais a paisagem afetada. auto-refazentes. Conhecidos esses efeitos como carma.64 Esses quadros das ações morais geram as reações correspondentes. autodesvalorização. da rebeldia e do ressentimento são introjetados no organismo. A mente deve então ser acionada de imediato para corrigir tal distúrbio. Quase sempre. Vulgarmente. da sua imagem (fracassada) que logo se transforma em decepção e amargura. a Quem não vê. por espontânea escolha. medo. estimulando órgãos e células a um funcionamento harmônico. tudo dEle esperando. o conceito de carma passou a ser aceito como imperativo afugente e reparador. podem ser superadas mediante terapias especializadas e grande esforço pessoal. que propiciem felicidade e paz. No vasto quadro das enfermidades. sem o que. Nem sempre essa manifestação é consciente. de inferioridade. a ausência do auto-amor do paciente responde pela desarmonia que o aflige. ou o egocentrismo. Igualmente énecessário . A amorterapia tem as suas diretrizes firmadas no ensinamento evangélico.

com naturais acidentes de percurso. quando enfermo. O conceito de realidade então se altera. agrediria a lei da vida que estabelece: Tudo quanto nasce. auxiliando depois quem dela necessita. desde que estes são temporais. os compressores dos nervos. Por isso. antes o caminho para a vida. Não é um referencial ao gozo pessoal nem às auto-satisfações dos sentidos. geradores de tensão. Quando se vive de forma diversa à que se exterioriza. de funções e órgãos saudáveis. no que se refere ao fenômeno biológico terminal da matéria. Na amorterapia a tensão cede lugar à confiança e amortece-se face à entrega do ser a Deus. propiciando-lhe saúde. portanto. tem muito mais a ver com os seus prejuízos. restaurando-lhes as deficiências e recompondo a harmonia do todo. conquista de . no entanto. a indução do auto-amor promove vibrações harmônicas que terminam por manter. da qual ninguém foge. A saúde não é mais uma compulsória para a existência corporal. quando se fala e aparenta algo que se não faz. de equilíbrio. que as comanda sob as ordens da mente. mas um notável recurso de equilíbrio íntimo com vistas à iluminação pessoal. a confiança irrestrita na realidade. sustentando a saúde ou corrigindo a doença. Nessa visão do auto-amor. isto é. o auto-amor enseja o desfrutar de bem-estar. auto-encontro. passando a constituir-se uma plenitude que se alcança no corpo e fora dele. Tem-se asseverado que a tensão nervosa é um dos tiranos destruidores do corpo e dos seus equipamentos. cooperando para a estabilidade emocional. não evita que se adoeça ou que se morra. relaxando os focos de desespero e ansiedade. que regula a maior parte dos fenômenos e automatismos fisiológicos. Os tecidos orgânicos interagem por intermédio de substâncias químicas que se movimentam na corrente sanguínea e pelos hormônios do aparelho endócrino. sobretudo. No auto-amor. ensejando-se conhecimento e atividade fraternal beneficente. A hipófise é-lhes a responsável. senão um estado sujeito a múltiplas alterações que decorrem das variantes comportamentais do ser integral e que somente será lograda plenamente após o despir dos andrajos físicos. Com efeito. o que. em incessantes transformações. agindo no fulcro gerador das vibrações. se ocorresse. Todo esse mecanismo ocorre através de fibras nervosas. a enfermidade e a morte não constituem fracasso do ser. morre. Esse sentimento produz otimismo. há uma tendência a contrair algum tipo de enfermidade. Psicologicamente o auto-amor é. que éfator preponderante para o restabelecimento do campo de energia afetado pelo transtorno.65 desenvolver o intelecto e a emoção para marcharem juntos como asas para largo vôo. que faz bem primeiro àquele que a pratica. Há um inter-relacionamento entre mente e corpo mais sério do que parece. já que favorece com uma mudança de comportamento mental. porque a saúde não suporta essa duplicidade. o auto-amor estimula à veracidade dos atos e das palavras. impermanentes. Desse modo. faculta o equilíbrio propiciador da saúde. Não obstante. a forma como é enfrentada. organizar ou reparar o organismo. consciente ou inconscientemente. que é geradora de infortúnio. Esse amor terapêutico auxilia os campos vibratórios afetados pelas doenças. procedentes do cérebro. que recebe os estímulos mediante impulsos nervosos do hipotálamo.

maturidade. .66 consciência de si mesmo. equilíbrio.

67 SÉTIMA PARTE A CONQUISTA DO SELF .

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25 A Conquista do Self
Todos necessitamos de viajar para dentro, a fim de nos descobrirmos, desidentificando-nos daquilo que nos oculta aos outros e a nós próprios. Retraídos, em atitude defensiva, por falso apoio de raciocínios incompletos, preferimos não permitir que pessoa alguma volte a magoar-nos, como outras já o fizeram no passado. Colecionamos, desse modo, ressentimentos e te-mores que nos levam a um comportamento de autopiedade, marchando para um estado patológico de autodestruição. Um enfrentamento consciente com nossas mágoas irá demonstrar-nos que elas não são verdadeiras, nem têm sentido, sendo fruto da imaturidade e da presunção do ego que se atribui merecimentos que não tem. Normalmente, o que consideramos desrespeito dos outros em relação a nós, resulta de nossa óptica equivocada ao observar os fatos, de precipitação ou mesmo de certo grau de paranóia. Constituído por estímulos, o nosso relacionamento é malsucedido, porque não sabemos produzir o encontro, quando nos acercamos de alguém. Evitando abrir-nos à relação, permanecemos suspeitosos e a nossa estimulação é negativa, provocando uma resposta de rejeição. Em processo de mudanças constantes, as pessoas são imprevisíveis, o que é muito bom, pois que esse fenômeno proporciona novos descobrimentos e correções de conceitos. Quando nos apresentamos a alguém com sinceridade, esse alguém se nos desvela com fidelidade. Um estímulo revigorante e dignificador provoca uma correspondência equivalente. Ao nos darmos a alguém, conhecido ou não, ofertamos uma parte, algo valioso de nós. Se a outra pessoa não souber responder, não há problema para nós, porque verdadeiramente somos o que expressamos, de que nos não podemos arrepender, nem nos devemos sentir magoados. Aceitar o mau humor alheio é sintonizar com ele, permitir que nos digam e imponham como devemos agir e nos comportar. A nossa contribuição à sociedade é preservar-lhe a saúde na forma do inter-relacionamento pessoal, educando os rudes e medicando os enfermos, os anti-sociais. A mágoa é conseqüência da imaturidade psicológica e a atitude retraída, desconfiada, resulta de predominância da nossa natureza animal sobre a natureza espiritual. A conquista do self com todos os seus atributos e possibilidades constitui a meta primordial da existência terrena, em cuja busca devemos investir todo o potencial humano, emocional, moral, intelectual. Considerando-nos em constante processo de crescimento, que decorre das experiências vividas e dos conhecimentos hauridos, a nossa busca do ser espiritual que somos, torna-se-nos imprescindível. A vigilância em torno das armadilhas do ego, hábil disfarçador de propósitos, constitui-nos um motivo para superá-lo, a fim de fruirmos felicidade real. Nesse sentido, a desidentificação dos apegos e paixões surge como passo

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decisivo no programa de libertação. Para o desiderato, o amor-próprio deve ser revisto, a fim de ser substituído pelo auto-amor profundo, sem resquícios egoísticos, geradores do personalismo doentio que nos leva a conflitos perfeitamente evitáveis. A reencarnação tem como objetivo a autoconquista, que propicia a realização intelecto-moral recomendada por Allan Kardec como indispensável à sabedoria, que sintetiza a aquisição do conhecimento com o amor. Quando essa meta não é alcançada, reencarna-se o ser e desencarna para retornar, em verdadeira roda de samsara, até quando as Leis estabelecem expiações lenificadoras que interrompem o círculo vicioso, para fomentar o progresso. Surge o imperativo da dor em lugar do amor, expressão inevitável para o progresso constante dos Estatutos Divinos.

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26 Mecanismos de fuga do ego
Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda, elaborando mecanismos escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa. Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para ocultar-lhe a realidade, facultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu profundo, tais como: compensação, deslocamento, projeção, introjeção e racionalização. Compensação Foi o admirável pai da Psicanálise individual, Alfred Adler, quem, percebendo que um órgão deficitário é substituído pelo seu par — um pulmão enfermo ou um rim doente —, estabeleceu que ocorre uma compensação correspondente na área psicológica. Grandes ases da cultura física tornaram-se atletas, porque buscaram compensar a fragilidade orgânica, ou algum limite, entregando-se a extenuantes exercícios que lhes facultaram alcançar as metas estabelecidas. O mesmo ocorre nas artes, na ciência com muitos dos seus paladinos. Essa compensação se enraíza nos fulcros de algum conflito, nos leva a exagerar determinada tendência como fenômeno inconsciente que nos demonstra o contrário. O excesso de devotamento a uma causa ou idéia é a compensação ao medo inconsciente de sustentá-lo. O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pensa acreditar, desse modo compensando-se. Há sempre um exagero, um superdesenvolvimento compensador, quando, de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção. O excesso de pudor, a exigência de pureza, provavelmente são compensações por exorbitantes desejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscuos, vigentes no ser profundo. Sem dúvida, não se aplica à generalidade das pessoas corretas e pudicas, mas àquelas que se caracterizam pelo excesso, pela ênfase predominante que dão a essas manifestações naturais. Na compensação ocorre a formação de reação, que responde pela necessidade de um efeito psicológico contrário. Desse modo, as atitudes exageradas em qualquer área camuflam desejos inconscientes opostos. Nessa compensação psicológica, o ego exarcerbado está sempre correto e, sem piedade pela fragilidade humana, exprime-se dominador, superior aos demais, que não raro persegue com inclemência. Na distorcida visão egóica, a sua é sempre a postura certa, por isso exagera para sentir-se aliviado da tensão decorrente da incoerência entre o ego presunçoso e o eu debilitado. A compensação substituta — uma deficiência orgânica propele o indivíduo a destacar-se noutra área da saúde, sobrepondo a conquista de realce ao fator de limite — também transfere-se para o campo emocional, e o conflito de

que se mantém contra outrem. mas que as circunstâncias não permitem expressar. todo conflito não liberado retorna e. face ao discernimento em torno do que conhece e experiencia. nesse ser desamparado. trabalhando pelo crescimento interior mediante catarse. termina por aflorar com força. Ao reprimi-los. Esse mecanismo é de fácil identificação. há uma tendência para camuflar os significados perturbadores da vida. A hostilidade da criatura leva-a a reagir sempre através de motivos reais ou imaginários. quando surge um impulso que a censura da consciência proibe apresentar-se sem reservas. uma atitude agressiva. Um olhar. sem disfarce do ego. adota-se um comportamento agradável para o ego. e não deseja reconhecer como de natureza agressiva. A conpensação egóíca é. são suficientes para provocar um deslocamento. Somente uma atitude de auto-reflexão consegue despertar o indivíduo para a aceitação consciente do seu self. embora tentando ignorar o desequilíbrio que fica sob compressão. de um ambiente hostil no lar. Na antiga arena romana ou nos atuais ringues de boxe se traduzem esses sentimentos recalcados. reprimido. para ocultar um grave problema que não deseja enfrentar conscientemente. pois que o ego procura uma vivência de qualquer acontecimento sem sentido. consciente dos conflitos degenerativos. desagradável pelo irradiar de energias repelentes que causam mal-estar nas demais. não deslocando . Nesse discernimento lúcido. a pessoa que apóia o dominador e pede-lhe para extinguir o contendor. um engodo que deve ser elucidado e vencido. impossibilitada pelas convenções sociais ou circunstanciais de exteriorizá-la. Todavia. onde a pessoa se acostumou a deslocar os sentimentos que cultivou. anulando. uma expressão destituída de mais profundo significado. Freud havia identificado essa capacidade de censura da consciência. Subconscientemente. Deslocamento A consciência exerce sobre a pessoa um critério de censura. o ego desloca-o para reações de violência contra objetos que são quebrados ou outras pessoas não envolvidas na problemática. Todo esse mecanismo de evasão da realidade e mascaramento do ego torna a pessoa inautêntica. artificial. sabendo como e quando se pode fazer algo.71 ordem psicológica cede lugar ao desenvolvimento de uma outra faculdade ou expressão que se pode destacar. contra a vítima momentânea. Essa reação pode decorrer. ser aceito. Face a essa postura. escamoteando o ocasional fenômeno perturbador. aceitar-se. Cada criatura é o que consegue e. o ego produz um deslocamento. cumpre apresentar-se. que situou como superego. sem dúvida. deslocando a fúria oculta. também. uma palavra malposta. gerando distúrbios mais graves. Quando se experimenta um sentimento de revolta ou de animosidade contra alguém ou alguma coisa. ou melhor dizendo. mantém hostilidade que reprime. de maneira que evite culpa. Graças a compensação substituta o ego se plenifica. se recalcado. como tal. na convivência doméstica.

transferindo do eu.. são introjetadas nos telespectadores angustiados. interrogando: Você é cego?”. Projeção A repressão inconsciente dos conflitos da personalidade leva o ego a projetá-los nos outros indivíduos.. Na atualidade. desgostadas em toda parte. Toda vez que alguém combate com exagerada veemência determinados traços do caráter de alguém. Pode acontecer também que se adote o comportamento infeliz de personagens dos dramas do cotidiano. a culpa é dele. aceitando ser parecida com eles. o modo de falar e de comportar-se. sob a alegação de que não os estimam. Essa morbidez deve ser liberada e o indivíduo tem a necessidade. Assume-lhes a forma. Há uma necessidade de combater nos outros o que é desagradável em si. os romances imaginários. perseguidas onde se encontram. evadindo-se à aceitação dos erros e da responsabilidade por eles. A projeção é facilmente identificável e pode ser combatida mediante honesta aceitação de si mesmo. também. se choca com outrem. os hábitos. que se caracteriza como a conscientizaçào de que as qualidades das pessoas lhe pertencem. projeta-se nele. não obstante o . que o ego não deseja reconhecer como deficiente. de como se é. são traços do próprio caráter. mediante as quais as personagens. trabalhando-se para tornar-se melhor. de assumir a realidade interior. Pessoas existem que se dizem perturbadas pelas demais. Introjeção Outro mecanismo de disfarçe do ego é a introjeção. especialmente as infelizes. Os valores relevantes que são observados noutrem. Um jovem esbarrou noutro na rua e reagiu. pois que tais mecanismos de fuga. a qualidade negativa que lhe é peculiar.. revelando caráter e comportamento paranóicos. a culpa é da administração pública municipal. o avanço. tabaco e drogas outras. das telenovelas. a dependência das telenovelas. nas circunstâncias e lugares. que lhe cumpre atender. das películas cinematográficas. os traquejos e trejeitos. ao que o interlocutor respondeu: Sim. das tragédias narradas pelos periódicos.72 reações para outrem e lutando contra as perturbações psicológicas. eliminando as ilusões.” Atropelara o invidente e se permitia o luxo de fazer-se vítima. A projeção alcança reações surpreendentes. constituindo uma armadilha —defesa do ego. identificando-se numa harmoniosa combinação entre o self e o ego. sou cego. A pessoa introjeta-se na vida dos heróis aos quais ama e com quem se identifica.. há. Há uma natural e mórbida tendência no ser humano de ignorar certas deficiências pessoais para projetá-las nos outros. Torna a sua vítima o espelho no qual se reflete inconscientemente. ao lado dos inúmeros vícios sociais e dependências dos alcoólicos. e tentam interditar-lhes o passo. assim projetando a animosidade que mantêm por si próprias nos outros indivíduos. Se tropeça em uma pedra na rua. mantendo o equilíbrio emocional através do exercício de autodescobrimento.

de que a racionalização tenta alterar a contextura. e se tem em conta de que é errado. para preservar o equilíbrio entre a razão e o intelecto com a emoção do bem e do justo. a fim de apaziguar a consciência. Racionalização A racionalização é o mecanismo de fuga de maior gravidade do ego. . do qual surgirá um bem. há uma repulsa natural pelo mal. A execução supera a razão e a mente justifica o mal. Ninguém pode mudar um mal em bem. terminam por alienar o ser. Assim. quando a pessoa age erradamente e a razão lhe reprocha. que termina em perda de sentido existencial. Essa luta. exercendo sua força sobre os mecanismos de evasão. como expressão falsa do eu. por negar-se o real a favor do que se imagina.73 momentâneo prazer que dispensam. busca justificativa para tornar o mal em um bem. através das razões apresentadas. ao sofrimento. Sempre há uma razão para creditar-se favoravelmente os atos. torna-se um desequilíbrio psicológico. que é irreal. Desse modo. Somente uma vontade severa e nobre. As razões legítimas dos hábitos e condutas são mascaradas por alegações falsas. Fora disso. o intelecto busca uma alegação justa para reprimir o bem e prossegui na ação. gerando a perturbação psicológica. para si ou para outrem. propondo o ajustamento psicológico do ser. tais mecanismos de camuflagem da realidade conduzem à alienação. por buscar justificar o erro mediante aparentes motivos justos. assume-se a máscara egóica da racionalização. Essa dicotomia — o que se justifica e o que se é — torna-se um mecanismo perturbador. ao invés de ignorá-lo ou justificá-lo com a racionalização. Essa falta de honestidade. de integridade moral. assumindo posturas equivocadas e perniciosas. que degeneram o senso crítico. como racionaliza o ego em desequilíbrio. que lhe cumpre trabalhar para melhor. que não são legítimas. A tendência humana da escolha é sempre direcionada para o bem. que se trava entre o intelecto e a razão. apenas porque se recusa a aceitar conscientemente esse mal. Por não admitir o que se prefere fazer ou ser. mesmo os mais irrefletidos e graves.

alternam-se as condutas no paciente: apatia mórbida ou pavor contínuo. e passam a trabalhar o ser real. até os fenômenos de natureza psicológica. permitindo-lhes a imersão do inconsciente. como de caráter preponderante na formação patológica dos comportamentos fóbicos. Inevitável a sua ocorrência. a mãe dominadora e o pai negligente ou reciprocamente. respondem pelos estados fóbicos do ser. como insegurança tormentosa povoada de pesadelos hórridos. o que é a sua fatalidade. porém. em Espírito. agir. Podem-se assinalar ainda outros fatores. inscrevem-se na consciência profunda como necessidade de reparação. em mecanismo natural de evolução. cuja história traz escrita nas tecelagens intrincadas da própria estrutura espiritual. não raro esmagam a personalidade do educando durante o trânsito infantil. reacionária à concepção. reparando quando se compromete negativamente. e os insucessos de parto. levando-o da insegurança inicial ao medo perturbador.74 27 Medo e morte Os mecanismos de evasão do ego mascaram a realidade do self. amargurada pelas incertezas. ações perversas ocultas que não foram desveladas. Inscritos os códigos de justiça na consciência individual. Comportamentos irregulares. A educação no lar. que ressurgem desde a nova concepção. normalmente receoso de emergir e predominar. ele assoma. responsáveis por estados lamentáveis na criatura humana. portadora da mesma intensidade vibratória. tomando conta das paisagens da psique. impondo as cargas de uma experiência na seguinte. recuperando-se quando erra. dos estados fóbicos em geral. São inumeráveis os fatores preponderantes como predisponentes nas psicopatologias do medo. que levam a alucinações e impulsos incontroláveis de fuga até mediante o concurso da morte. e colocado num meio hostil no qual tudo parece ameaçar-lhe a frágil existência. ela funciona por automatismo da Vida. ninguém se lhe exime aos imperativos. predominante. decorrentes dos conflitos vivenciados pela mãe gestante. Quando recalcado o efeito. porém. ambas de gravidade indiscutível. Com o tempo. por ser fenômeno automático e imediato. desde os distúrbios gerados pelo quimismo cerebral. aparentemente lógica. A reencarnação é método para o Espírito aprender. não se pode descartar a anterioridade existencial do ser. responsáveis por desarmonias variadas. tensa ante a responsabilidade. peregrino que é de inumeráveis reencarnações. Fatores ponderáveis. educar-se. Na psicogênese. quando ocorrem os fatores que os despertam. onde se sente seguro. propiciando os . predominando os choques pósnatais quando o ser é retirado do aconchego intrauterino. quais os de natureza psicogênica. representando a Consciência Cósmica. Insinua-se o medo de forma sutil. atividades lesadoras. A cada ação resulta uma reação semelhante.

o hábito das ideações elevadas. O pavor da morte.. Não é a primeira vez que ocorre a morte do corpo. Ao lado das terapias acadêmicas. regiões punitivas ou aniquilamento. mas o estado psicológico de cada um. Nesse processo de transformações incessantes. de agradável despertar. Conforme o eu profundo considere a morte. que deve ser enfrentado com naturalidade através do exercício da razão e da lógica. ao mesmo tempo. não podendo responder pelos medos e pavores que têm sido cultivados. povoando-a de incertezas. da oração. é uma experiência de morte que deve servir de padrão comparativo para o fim do processo biológico. ocorrerá o milagre da vida. Conhecendo o fator responsável pelo medo. transfere as impressões íntimas para o exterior. a vida em si mesma. a paz interior. sabe-o em processo de evolução. antepor-se-lhe-á a confiança nas causas positivas. de maneira alguma. que é a energia. conforme a etiopatogenia do medo em cada criatura. tendo-se em vista que o corpo é fenômeno. O oposto igualmente se dá. como curadora para o medo da morte. das punições eternas para as consciências culpadas. Vestindo a morte de esperança de reencontros felizes. o ser espiritual. conforme seja constituído o seu campo de energia. e tal ocorrência éperfeitamente natural. conforme as ocasiões. que a criatura se mata a fim de não aguardar a morte. Um aprofundamento mental demonstra que a morte não dói. das conjunturas do desconhecido. A psicoterapia preventiva. a renovação pessoal pelo otimismo. quando se mergulha na inconsciência relativa. permanecendo a causa. que resultarão em futuros equilíbrios de fácil aquisição. Freud afirmava que o instinto da morte é superior ao de conservação da vida. na vilegiatura da evolução dos seres. O esquecimento do fenômeno. Compreensívelmente. às vezes patológico. O simples hábito de dormir. dos horrores inomináveis que o ser humano não tem condições de digerir. de aspirações enobrecidas. pode ser considerado como desconhecido pelo Espírito. lidando com o ser psíquico. da meditação. o que é perfeitamente natural.. A Psicologia transpessoal. O medo é inimigo mórbido.. não apavora. gênios do mal. que lhe são necessárias e dispensáveis. herança atávica dos arquétipos ancestrais.75 estados de libertação ou sofrimento. constituem eficientes recursos curativos para o auto-encontro. desde o momento da concepção manifesta-se o fenômeno da transformação celular ou morte biológica. afigura-se tão grave. dos cultos bárbaros. em relação à mesma. dessa forma a enfrentará. a conscientização de quais recursos se podem utilizar para a liberação. propõe . O autodescobrimento é a terapia salutar para que sejam identificadas as causas geradoras e. das imagens mitológicas que desenharam no tecido social as impressões do temor. das religiões castradoras e temerárias. entrando no corpo — reencarnação — e dele saindo — desencarnação — da mesma forma que o corpo se utiliza de roupas. que já o vivenciou antes. chega o momento da parada final dos equipamentos biológicos.. a auto-estima. O medo da morte decorre da ignorância da realidade espiritual e do apego ao transitório físico. dando curso às manifestações aparvalhantes. e este passa. Entre as várias expressões de medo ressalta o da morte.

Servir. . lúcida. eis como viver sem morrer e morrer para perpetuar a vida. Meditar. Causal e Terminal. Pensar e agir bem. Vincular-se à Fonte da Vida Perene. até culminar na identificação com a Cósmica. como forma de ser feliz.76 uma conduta harmônica com os níveis superiores de consciência desperta. Amar e amar-se. beneficiando-se com o autodescobrimento e tornando-se um agente de esperança e de paz. avançando para a transcendência do eu.

deixando vazios emocionais. o estatuído circunstancial. de auto-amadurecimento. e não consoante gostaria de ser. nos quais a forma é mais importante do que o conteúdo. O mecanismo de fuga pode constituir uma necessidade de reprimir algo para cuja manifestação o ser não se sente preparado. o que é. face à vigência permanente do fenômeno da morte em ameaça contínua. que caracterizam a individualidade pessoal no processo de evolução. seus jogos. uma incontida aspiração pelas conquistas metafísicas. de inopino. retirar-lhe as bengalas psicológicas de apoio. A verdade é absorvida. desagradável. através da identificação dos valores reais em detrimento dos aparentes. a soma das suas emoções e conquistas. antes é respeito ao direito de cada um viver como pode. as pessoas necessitam de experienciar algumas dessas escamoteações do ego. Os convites existenciais que propelem para o exterior. empurrar o indivíduo para o encontro claro e imediato com o si.77 28 Referenciais para a identificação do si Inevitavelmente. do descobrimento do significado da existência e da sua finalidade. A libertação. desse modo. modelam a personalidade impondo inúmeros mecanismos de sobrevivência do ego. por falta de estrutura psicológica para suportar a realidade. a verdade de cada qual — pode resultar em conflito mais grave. face à sua ausência de valores íntimos para reconhecer-se frágil — sem deprimir-se. necessitado — sem insegurança em relação ao futuro.. que desperta para os patamares superiores da existência física. são comensais da criatura. O ser psicológico é. os modismos. por saber-se identificado de forma inadequada. Imprescindível que se seja leal. que se apresenta conforme gostaria de ser e não de acordo com o si. às personalidades esteriotipadas. o exterior é mais relevante que o interior. estruturalmente. aturdido — sem esperança. o eu profundo. desvelandose e trabalhando-se interiormente. a verdade. A queda da máscara desnuda o indivíduo e nem sempre ele deseja ser visto como é — mesmo porque se ignora —. uma necessidade de aprimoramento psicológico. As ilusões. podendo sofrer um choque com o descobrimento prematuro ou alienar-se. A experiência de identificação do si é um passo avançado no processo de autodescobrimento. dos complexos artifícios de fuga. pois que a transitoriedade da . permanecendo ignorante quanto à sua realidade e aos relevantes objetivos da vida. É sempre um risco intentar-se.. para a aparência. uma consciência lúcida. que facultarão o amadurecimento psicológico para a autoestima e o enfrentamento da realidade suportável. a pouco e pouco. Qualquer tentativa de esgrimir a verdade — afinal. honesto para consigo mesmo. Essa busca interior expressa-se como uma forma de insatisfação em relação ao já conseguido — os valores possuidos não preenchem mais os espaços interiores. portanto. aos quais o indivíduo se aferra. Isto não significa apoio aos comportamentos falsos. superando os formalismos. Extirpá-las é condenar o outro ao desamparo. dar-se-á mediante terapias adequadas.

uma transformação psicológica se opera automaticamente. uma busca do si. Ocorre uma plena harmonia entre o viver — existência física — e a Vida — realidade total. Essa conduta irregular. simultaneamente. da meditação. uma imperiosa busca de paz desvestida de adornos e de condicionais. Cada logro enseja a ambição de alcançar novo patamar. estando a exigir maior conhecimento das necessidades legítimas. o que se possui e qual a sua aplicação. e característica de cristificação. a fim de bem discernir o que se anseia e para que. ensejando uma visão correta em torno dos acidentes orgânicos. pois. relegando a plano secundário o si. facultando frustração. a escala de valores se altera e o comportamento muda de expressão. nos quais a astúcia e não a sabedoria. aos recursos da oração. pode deter-se nos níveis inferiores de consciência. a falácia e não o silêncio promovem o indivíduo. A conquista do self é processo que se deve começar imediatamente.78 experiência física se apresenta de exíguo tempo. a realidade ambicionada. . recorrendo-se às terapias próprias e. estimulador. Quando começa. Campeiam as psicopatologias como efeito da atitude do ego em relação ao eu. A saúde emocional e mental se estabelece. que se torna um desafio atraente. de libertação do deus interno. e um amplo anseio de plenitude. A emersão do si. que não mais desequilibram. das ações edificantes. Ninguém. do autodescobrimento. adormecido pelos tóxicos e vapores da indumentária física sob a pressão das experiências humanas. são impeditivos para a liberação do si. predominando no indivíduo. Com estes referenciais há uma inevitável autopenetração psicológica. a simulação e não a honestidade. de plenitude. em razão do processo reencarnatório. sem fantasmas apavorantes ou anelos de antecipação. granjeiam lugar de destaque na comunidade. O self. fica imerso na névoa carnal. e o fenômeno morte se torna perfeitamente natural. dos relacionamentos sociais. tal critério. a análise do futuro e como se apresentará.

79 OITAVA PARTE SILÊNCIO INTERIOR .

sem encontrar o caminho para a preservação da tranqüilidade geral. ao dar-se esta. Apegos morais. a grupos sociais. porqüanto. saindo de um para outro. ao autodescobrimento. Todos somos escravos da mente. Empenhando-se na sua conquista. não se encontram em condições de respeitar os tratados. das suas fantasias douradas. é fruto da balbúrdia. Como decorrência. Há quem tema a quietude. ambicioso e louco. Esse estado psicológico. Vivendo uma época de conturbação nas diversas áreas. Desde que não são capazes de se tolerarem reciprocamente em pequenos grupos. apega-se aos valores externos. são os germes das guerras. em razão da falta de inteireza moral e pacificadora da própria criatura. das suas paixões e da sua volúpia pela dominação dos outros. culturais. Adaptada às conquistas exteriores de fácil logro. de transferência e projeção da sombra da personalidade imatura. É indispensável uma revisão do comportamento humano. Atavicamente amante do ego. tumultua-se com facilidade. da natureza e da vida. é viajar para dentro de si. deixando a postura de não-violência para unir-se aos beligerantes. a objetos.80 29 Silêncio Interior A grande problemática-desafio da criatura humana é a aquisição da paz. abandona os propósitos iniciais de encontrar a paz. domando a mente irrequieta — que os orientais chamam o “macaco louco que salta de galho em galho” — e induzi-la à reflexão. capazes de conduzir à sua meta. Desequipada dos instrumentos interiores que a harmonizariam em relação ao próximo e ao Cosmo. como se os houvesse legítimos para a hediondez das batalhas sangrentas. pessoais. A Terra tem vivido sempre em guerra. e esse comportamento se torna responsável pelos seus contínuos insucessos. Esse fenômeno resulta dos seus apegos egóicos. são as fugas do ego arbitrário. e as Nações apenas repousam no interregno dos conflitos. raramente busca e segue os caminhos ideais. A única maneira de lográ-lo. de um estudo profundo a respeito do silêncio íntimo. da percepção com que o abarca. nos quais os litigantes recuperam as forças para novas lutas —sempre eclodindo focos de destruição decorrentes de motivos injustificáveis e de razões nenhumas. embora disfarçando a agressividade. emocionais. da mente que o analisa. mesmo quando pensa encontrar-se no rumo certo. os quais apenas escondem-lhes a brutalidade que passa a ter característica de civilização e cultura. por eles mesmos firmados. Tal sucede. exaspera-se com freqüência e desanima diante dos primeiros impedimentos que considera intransponíveis. porque os indivíduos não têm paz íntima. . A essas guerras violentas sucedem os armistícios — que são pequenos períodos de repouso. O universo existe em razão daquele que o observa. responsável pelas disputas lamentáveis que. a paz mundial ainda é uma utopia. dos interesses mesquinhos e múltiplos aos quais se aferra. ocorre a libertação do ego e o ser se ilumina. desajustando-se diante da ordem. deterioradas. assim como da harmonia interior. a raças.

O silêncio interior é feito de paz e completude. indo além da consciência em si mesma. não se dá conta da realidade. livre de algemas. quando o ser compreende o significado da sua vida e a gravidade da sua conduta em relação aos demais membros que formam o Cosmo. A Ciência hoje une-se à Religião — trata-se de uma perfeita identificação do ego e do eu. por si mesmo. agora. constituem a consciência lúcida. O silêncio interior constitui o grande intermediário da paz. torna-se grandioso se consegue viver em silêncio mental. vinculadas. A Psicologia Transpessoal. que resulta da identificação entre o si e o Universo. que para ele tem outros conteúdos e significados. mergulhando o pensamento em Deus e realizando-se totalmente. por desenvolver na criatura o sentimento de amor — por Deus. É nobre e útil quando se comunica e. e o indivíduo. . O apego egoísta. fé e razão. no entanto. do Logos e de Eros — vinculando-se uma à outra. fala e produz ruído. favorecendo o entrosamento de Eros e Logos a benefício da individuação plena do ser. o nível mais elevado da consciência. qual ocorreu outrora através dos antagonismos absurdos. pelo menos na graduação humana. em silêncio íntimo. que vence as barreiras impeditivas da fraternidade e inunda-a com os recursos e conteúdos psíquicos libertários. estudando os estados alterados de consciência. marchando separadas e em oposição. Marcham. é o cósmico. que dessa união advém.81 Aquele cuja mente não dispõe de tirocínio e lucidez. Face a tal conduta. pelo próximo —tornando-se este amor o produto alquímico que dilui o ódio. Isto porque. cede lugar à generosidade. superado. e o silêncio torna-se de grande importância para essa conquista. quando captados por este. empreende a grande experiência de viver o self em harmonia com as Leis da Vida. contribuindo para o surgimento do ser feliz. Os conteúdos psíquicos em relação ao ego. facultou a união das técnicas místicas do oriente com a razão do ocidente. enquanto a Religião buscava somente religar a criatura ao Criador. Até aqui a Ciência vinha trabalhando apenas pelo conhecimento. passando a contribuir para a felicidade humana sem enfrentamentos. à doação.

gustativas. que se adapta aos fatores dissolventes. experiências. passando à posição das realidades únicas. que ignoram. contribui para as experiências utópicas e alienadoras. realizações. a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro. Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego. que é mais compacto ou mais sutil. A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez. aparentemente esquecidas. por efeito. de qualquer natureza. a legítima Realidade. ocupando o espaço mental. que provoca o apetite. coceiras e comichões que surgem. Por outro lado. a ilusão e os engodos se estruturam. propiciando-lhe liberdade ou escravidão e dando nascimento ao eu. O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos. os vícios a que se aferra. que lhe alteram a conduta. olfativas. Identificando-se com as idéias que lhe são convenientes — algumas de procedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpora-as. em várias partes do corpo. com lamentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente. transformados em atos. deformando a personalidade. nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade. conforme as fixações. Expressam-se essas identificações nas áreas fisiológicas — como sensações — e psicológica — como emoções. empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade. Sem dúvida.82 30 Desidentificação Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. sem a nobre conquista do discernimento e da vivência compatível. produzindo estados profundamente perturbadores. que se entorpece e se engana. impedindo a experiência. e reminiscências das existências passadas. rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento. o encontro com o Eu profundo. e esta irrealidade termina por afetar-lhe a individualidade. caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente. simultâneos. as sensações predominantes nas paisagens físicas perturbam-lhe a decisão. as vibrações que dimanam da sua causalidade. auditivas. com as quais convive em regime de escravidão. a busca interior. as sensações produzem associações de idéias que levam a evocações insensatas. olfação excitada. São as substâncias que respondem pelo comportamento do ser. em outras circunstâncias. Numa pessoa média. na concentração. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo. e que assomam no silêncio. portadora de consciência. salivação e desejo de alimentar-se. das circunstâncias. tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora. Música e perfume retornam à sensibilidade orgânica e induzem a recordações atribuladoras. e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos. São sensações visuais. imagens visuais arquivadas. Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima. . tornam-se as substâncias que formam a personalidade doentia. tácteis. São ruídos externos que. decorrentes do ambiente. não são percebidos. desviando a atenção da meta que busca.

predispõe o ser ao crescimento das aspirações e ao esforço dos ideais de enobrecimento. Nessa fase de desidentificação e lucidez plena. ocorrerá a libertação dos vícios e fixações. da essência para a substância. o silêncio interior consciente. pelo menos na área humana. que passam a ser diluídas. já que todo espaço deve ser preenchido — do exercício disciplinado dos pensamentos. a da consciência plena. Essa conquista. mais amplas descobertas são logradas nas áreas das identificações. permitindo-a fulgir qual estrela poderosa no velário da noite transparente. desidentificando-se da conduta tormentosa. Como conseqüência. torna-se urgente. faculta alegria. que é a sua harmonização total com a de natureza Cósmica. enfermiça. responsável pela saúde psíquica e emocional. por isso mesmo. . as identificações deverão ser liberadas de dentro para fora. passando à alteração dos prazeres e gozos ilusórios que devem ceder lugar àqueles que se expressam como manifestação da Realidade plenificadora. a consciência predispõe-se à conquista do estágio mais elevado. A medida que a consciência se desenovela dos impedimentos psíquicos. Mediante a mudança dos hábitos mentais. A consciência desidentificada com a personalidade fragmentada. do cultivo das idéias — substituindo as perturbadoras por outras saudáveis. portanto.83 A atividade de desidentificação. Como envoltórios concêntricos que asfixiam as irradiações do Eu real. proporciona bem-estar.

emergentes e predominantes. A identificação com o próprio corpo propicia-lhe uma consciência orgânica. considerando patológicos os níveis superiores. distingue . avançando para a transferência desse conteúdo para outro nível de discernimento e direcionamento. ainda. assomarão como recursos elevados. por desinteresse de penetrar nos estados alterados da consciência. nem conseguiram diluir-se através das ações enobrecedoras. não raro. A Psicologia espírita. No entanto. A consciência individual. da concentração. para ser uma síntese e vibrar em harmonia com o Todo. a libertação dos conteúdos negativos — paixões dissolventes. Desaparece a fragmentação da Unidade e o equilíbrio transpessoal sincroniza com a Consciência Universal. é a fragilidade do Eu profundo ante as exigências do ego atormentado. em recorrer à terapia da meditação. A característica fundamental do nível inferior. o Deus em nós do conceito evangélico reflete-se nessa percepção embrionária. define cada um deles com nomenclatura especial. vai adquirindo outros valores. e. sem desidentificar-se dos conteúdos fixados. Todos os formuladores da consciência superior são unânimes. não foram liberados. gerando projeções da sombra e desarticulando os projetos de paz. portanto. deformada. que levariam à constatação do ser preexistente ao corpo como sobrevivente à morte. representando a Cósmica. preenche os vazios causados pela insatisfação. com o objetivo de liberar o inconsciente. procedem das reencarnações passadas. em razão dos quais a marcha se lhe torna muito lenta. a princípio parece deslocada e diferenciada. que se desenvolverá na sucessão das experiências até liberar-se e alcançar a totalidade. gerar novas formulações e identificações atuais que. conseguem libertar. A Psicologia tradicional. da prevalência dos conteúdos negativos. anula o eu corporal — rico das necessidades dos sentidos — para despertar os ideais subjetivos. longe. porque estagia nas faixas do instinto que o submete. ao invés de esmagá-lo ou asfixiá-lo. e a sua é somente uma percepção sensorial. por sua vez. que faculta o autoconhecimento. a meditação é uma terapia valiosa para superar os conteúdos negativos. o homem guarda as primeiras expressões da consciência em nível inferior. no qual confunde o eu com o objeto. ilusões. as transferências metafísicas. Em razão disso. apegos. Todos os conteúdos primitivos provêm de realizações e fixações sempre anteriores. No nível de consciência inferior. De forma penosa. de que se libera a pouco e pouco. a nova natureza do ser. cuidando do homem integral. seja no orientalismo ou na Psicologia Trans-pessoal. nos quais o bem-estar e a paz formam os novos hábitos. sentimentos inferiores — faculta os anseios pelas conquistas de outros níveis. que somente as disciplinas do esforço. o eu deixa de ser mais eu. os estados alterados demonstram que muitos desses conteúdos negativos. No nível de consciência superior.84 31 Libertação dos conteúdos negativos Graças ao atavismo predominante em sua natureza. da meditação para a ação. no futuro. No processo de evolução. de o conscientizar.

ignorância. estabelecem fenômenos de hipnose que retardam o desenvolvimento da consciência daqueles que lhes experimentam o cerco. no qual se torna inacessível à indução perversa. e consciência enriquecida pelos conteúdos superiores significa plenitude. sendo necessário que os psicoterapeutas vigilantes insistam junto a esses pacientes em que se descubram e encontrem os benefícios dos níveis superiores. Libertação é felicidade. A meditação. propiciando a transferência para o nível superior. . que facultam o discernimento entre o bem e o mal. invejosos quão infelizes. vinculados às criaturas humanas por afetividade mórbida ou despeito cruento.85 também nos conteúdos psíquicos. são relevantes e cientificamente basilares para o processo de crescimento. a busca interna. perturbadoras. negativos. que se comprazem no intercâmbio perturbador. seres outros desencarnados. Na psicoterapia espírita. a ingerência de mentes desencarnadas obsessoras. vários fenômenos patológicos e preferências emocionais. a passo vagaroso nos primeiros níveis de consciência. mesmo durante o trânsito terrestre. no entanto. de discernimento. propiciando desconforto e aflição em desforços cruéis. O homem avança no rumo da sua destinação. apressando a marcha na razão direta em que vence tais patamares e descobre a excelência das conquistas com que se enriquece. de lucidez. Ao mesmo tempo. interferem para que sejam mantidos. reino dos céus. A libertação dos conteúdos negativos é inevitável. mediante alienações de variados cursos. o conhecimento da sobrevivência e do interrelacionamento entre os seres das duas esferas — física e espiritual — oferece processos liberativos centrados sempre na transformação moral do paciente. sua renovação interior e suas ações edificantes. por desinteresse. nessa fase.

em alguns deles. na qual encontrou mais amplos recursos terapêuticos para liberá-los. sob conflitos que não tem condições de administrar. em relação àqueloutros de plenificação. das áreas das ciências psíquicas. À medida que amadurece. ansiedade. de sono com sonho. cultivando os valores pessoais. as recomendações da doutrina que absorvera do mestre vienense. sob os camartelos do tempo degenerador e da frustração tormentosa. de sono acordado. quase sempre. psicólogos e estudiosos outros. Na fase inicial da predominância egocêntrica. inspirando-se nas experiências de George Ivanovitch Gurdjieff. Mais tarde.86 32 O Essencial Face ao inevitável processo de crescimento do Eu profundo. despertando na amargura. e as oportunidades se deparam convidativas. levantam-lhe a cartografia que. Buscando interpretar o mestre russo. permanece-lhe em plano secundário na paisagem psicológica das aspirações conflitivas. quase sempre desequilibrando-se e passando a estados neuróticos de insatisfação.. transfere-se das coisas e prisões egóicas para a conquista da sua realidade: o desenvolvimento do Eu profundo que deve predominar comandando os anelos e programas de libertação. Mediante psicoterapia acurada e exercícios cuidadosos. Desejando ampliar o campo da análise dos seus pacientes. o ser projeta-se no mundo com o qual se identifica. entre outras experiências.. começou a trabalhar na organização da Psicossíntese. em tentativas de desvencilhamento da situação psicológica infantil. Somente a consciência de si propiciar-lhe-á a visão diferenciadora dos fenômenos perturbadores. constitui-lhe a meta existencial. narcisistas. Em tentativas brilhantes e sucessivas de penetrar os níveis. essa fixação perturbadora à ímpermanência. O apego. Posteriormente. com os quais se engolfa. os patamares da consciência. medo ou a alucinações variadas. de um para outro nível. porque defrontava com dificuldades para aplicar. com os seus complexos contributos psicológicos e cosmológicos místicos.. Roberto Assagioli. Para ele. a vida assume características variadas. de transcendência do eu e de consciência cósmica.. até a etapa final. o bioquímico Robert De Ropp. e buscando produzir estados alterados de consciência. segue os mesmos processos de desenvolvimento que são compatíveis com o crescimento do ser. especialmente nos dois primeiros estágios de adormecimento. formulou as bases e os paradigmas da sua Psicologia Criativa. O essencial. o homem evolve de maneira inesperada. que somente se consegue a penosos esforços. avança para a posição egoísta. assim alargando os campos do entendimento das personalidades conflitivas. conforme as suas experiências vivenciais na busca da saúde real. variando de escola e estágio. estudando carinhosamente as reações cerebrais. logra-se o avanço pelos diversos patamares. acenando com a libertação. aprisionando-se no emaranhado das coisas exteriores. que se torna de difícil verbalização . a que pretende dar perenidade. De Ropp classificou os níveis de consciência em cinco estágios: consciência de sono sem sonhos. na Itália. às vezes. enquanto Freud fundamentava a Psicanálise e a difundia.

estados psicopatológicos. perturbações. ascende ao quarto estado. em esforço contínuo poderão fazê-lo. passo a passo. o sono com sonhos. A consciência filtra-os e.Nota da Autora espiritual. tais: respiração. Como se estivesse anestesiada. à descoberta da finalidade da sua existência. porém. As experiências acumuladas promovem ou retêm o indivíduo nos fenômenos decorrentes das ações praticadas. a reencarnação aclara a cartografia da consciência de De Ropp. assim mesmo sem o conhecimento da consciência. o homem e a mulher conseguem alcançar esse nível ideal. será realizado através das reencarnações que lhes facultarão a vitória sobre os carmas negativos e. ela não tem ação lúcida sobre os acontecimentos em torno da própria existência.. e a próxima é a meta da vinculação com a consciência cósmica.. Postiglioni — Capítulo 20 — Espíritos diversos — Instituto de Difusão Espírita. aliada à vontade. Naturalmente. que é a descoberta da transcendência do eu. e a ausência de vontade do indivíduo contribui para o seu trânsito lento do instinto aos pródromos da razão. conduz o ser aos ideais de enobrecimento. A superação dos conflitos. fenômeno que. digestão. o de sono acordado. circulação sanguínea. impulsionando o ser a novas realizações e conquistas completadoras que enriquecem o arsenal psicológico. a identificação consigo mesmo. Jesus . ao auto-encontro. porém. a partir daí. a vontade desempenha um papel relevante. no qual a determinação pessoal. — e os reveladores — que dizem respeito à parcial libertação do Espírito quando o corpo está em repouso.. ele libera clichês e lentamente incorpora-os à realidade. Da mesma forma. Em qualquer nível. não obstante. à realização total. requerendo terapias especializadas e contínuas. por não os poder digerir. permitem a iluminação. a partir do sono com sonhos. No segundo nível. das angústias. realizando a harmonia íntima com os ideais superiores. No primeiro nível — quando se transita no sono sem sonhos — apenas os fenômenos orgânicos automáticos se exteriorizam. beneficiando-os ou afligindo-os com as sombras que lhes permanecem dominadoras. O desenvolvimento da consciência atinge o terceiro nível. Psicoterapeuta Excepcional com a Sua visão realista e criativa. às aspirações do que lhe é essencial. . a desidentificação dos conteúdos psicológicos afugentes.. quando ele analisa os níveis que diferenciam os indivíduos na imensa mole humana. nesse momento de perfeita integração com o que poderíamos chamar o Logos. passando pelas fases dramáticas — os pesadelos. amadurecendo o essencial à vida e selecionando-o do amontoado egóico do supérfluo. Nem sempre. os pavores — para os da libído — ação dos estímulos sexuais (*) Vide: Rumo às estrelas — Luis C. mediante as leis de causa e efeito. transforma-os em conflitos. o pensamento divino. reprodução. Médiuns e Mediunidade — Espírito Vianna de Carvalho — Capítulo 5 — Editora Arte e Cultura. com a conseqüente liberação do Eu profundo. na condição de resíduos espirituais.87 face às emoções e descobrimentos conseguidos. seu real objetivo psicológico existencial.

por se encontrarem destituídas de valor face ao que somente é fundamental. Esse desempenho favorece a perfeita identificação do sentimento com o conhecimento. E óbvio que. na ação edificante o meio de crescimento e na oração fortalecedora a energia que proporciona o desiderato. ao se adquirir o essencial. .88 definiu a necessidade de buscar-se primeiro o reino dos Céus. pois que esse fanal ensejaria a conquista de todas as outras coisas. Outrossim. todas as coisas perdem o significado. resultando na conquista do Eu profundo em sintonia com a Consciência Cósmica. fixando no amor o processo de libertação. alertou sobre o imperativo de fazer-se ao próximo o que se gostaria que este lhe fizesse.

89 NONA PARTE A FELICIDADE .

A diferença. A felicidade se expressa mediante vários requisitos. entre outros. é necessário que se entenda que a felicidade tem a ver com o que o indivíduo é e com o que ele pensa ser. em quantidade. de nível de consciência e de maturidade psicológica. Esses fatores estabelecem as diferenças de qualidade do que é ser feliz. em . transcendental. Por essa razão. as realizações plenificadoras. no ciclo idealista. um dos seus grandes opostos. e o tédio é. A sua visão. muito complexa. o prazer. de magnitude que ela reveste. descaracterizase. mas antes se encontrado tediosas. atavismo que lega ao indivíduo o meio social de onde se origina e no qual se encontra. com a verdade. no período dos sentimentos. assinalando-se esses momentos como de felicidade que. o que é uma conclusão incorreta. levando o indivíduo a considerar que. de prazeres e gozos que interpreta como a busca plenificadora da felicidade. conseguida. A imaturidade psicológica de uma fase. entre o que supõe ser e a sua realidade. e observada mais tarde apresenta-se desagradável. torna-se difícil de ser lograda e. diferindo de conteúdo entre as pessoas em si mesmas e os grupos sociais. graças aos quais se desfrutaria de bem-estar e gozo. os estados de felicidade. Constitui o mais freqüente desafio existencial responsável pelas contínuas realizações humanas. demonstrando que as aspirações de uns nem sempre correspondem às de outros. em cujo bojo fermentam muitas desgraças. Perseguindo-se o gozo. Na fase dos sentidos. perturbadora. o prazer derrapa em paixões possessivas. Assim. fazendo-se frustrante e atormentadora. quando não se encontra feliz. A interpretação equivocada conduz a buscas irreais. religioso. experimenta-se alegria toda vez que são alcançados. religiosas. O sonho humano da felicidade é róseo. os de natureza cultural. o gozo se transforma depois de fruido em insatisfação. A felicidade. Confundida com o prazer. face às variações que impõem nos grupos e nos seres humanos. logo desaparece. os seus sentimentos e emoções. A visão da felicidade é sempre distorcida.90 33 Prazer e gozo O sentido. O nível de consciência e o amadurecimento psicológico estabelecem os graus nos quais se expressa. a auto-doação. não correspondem ao sentido profundo. dimensiona o seu quadro de desejos. predispõe a uma aspiração de felicidade que. no entanto. por isso. sem que se hajam considerado felizes. artísticas. ansiedade ou depressão. que dão margem a tragédias e angústias logo estejam saciados. por exemplo. assinalado pelo conforto. Certamente as pessoas ricas dispõem. muda completamente em outro período. não raro. que perdem o significado quando se alteram os fatores que a constituem. algo não está bem. a busca transpessoal fomenta a autodescoberta. a felicidade tem a ver com a identificação do indivíduo com os seus sentidos e sensações. a auto-realização. de horas assim vividas. o ócio e o poder. a juvenil. o significado da vida centra-se na busca e no encontro da felicidade. sem dúvida. inadvertidamente considerados o seu logro. culturais. ou as suas mais elevadas aspirações idealistas. em determinada época da existência.

que irão cedendo lugar à harmonia e ao bem-estar. encarando-a como instrumento de promoção do ser em relação à vida. Para que a identificação do indivíduo com a sua busca de serviço seja legítima. após satisfazê-lo. tratando-se de um contínuo e lúcido trabalho interno. que deve solucionar as dificuldades. Lentamente desaparece a frustração da vida cotidiana. com o eu profundo. da Terra. qual ocorre com qualquer outra. que não compreendidos e aceitos com equilíbrio conduzem à infelicidade. busca-se o oceano do gozo. afogando ali os ideais mais altos na denominada opção realista. que podemos considerar como sendo inibição. e o desejo egóico cede lugar à aspiração espiritual. a medida que se alcancem as bases objetivadas da realização plenificadora. há quem afirme que a felicidade tem a ver com o princípio freudiano do prazer. Considerá-la como um fenômeno natural do processo de evolução. A princípio. na qual mascara o ego e apresenta-o. Não obstante. Essa busca. eis uma forma eficaz de lograr a alegria.91 serviços desinteressados de libertação do ego e participação na vida. Na busca da felicidade são inevitáveis os estágios de sofrimento e de prazer. é realizada com a mente. que nega inconscientemente ao indivíduo o direito de fruir a felicidade. viver e morrer. que toda vez que as . mediante afirmação religiosa ou. há uma perfeita união com o self. a consciência de culpa conspira contra a realização da felicidade. a uma busca mais profunda. masoquistas-exibicionistas.. à proporção que se apresentem. mas que se torna maior quanto mais se lhe acerca da saída. nessa busca surgirão o sofrimento. Surge então a compreensão transpessoal da existência. O lamentável. sem o estigma do sofrimento. porqüanto. saturando-os ou desbordando-os. e que através desse comportamento se poderiam satisfazer as necessidades e evitar a dor. com aparência de humildade e renúncia. Há um mecanismo castrador impeditivo da experiência do prazer. Tão arraigada se encontra no ser humano. amar e ser amado. em mecanismos de evasão da realidade para planos egóicos. que entretanto consome os sentimentos e perturba as emoções. ou mesmo o prazer. superando os seus mecanismos desgastantes e as ocorrências degenerativas. eliminando o sofrimento perturbador. essas expressões de virtude são ignoradas pelo próprio candidato em quem são naturais.. alargando-se o campo do idealismo e da identificação com a deidade. Para fugir-lhe à imposição. a felicidade não se radica na satisfação de qualquer desejo do ego. cuja claridade está distante. Da mesma maneira. o desconforto. dos seres. Além dele. Quando reais. de tal forma que não haverá diferença entre dar e receber. da vida. individual como coletiva. manifesta-se com veemência. da realização do self desidentificando-se do ego. sem os condimentos do prazer embutidos na fuga psicológica que as falseiam. tem lugar com o surgimento e instalação do tormentoso sentimento de culpa. em manifestação psicológica. Apressadamente. por constituírem fenômenos da experiência humana. gerando ansiedade e desconforto. entregando-se a macerações que ocultam gozos patológicos ou a narcisismos. Provavelmente. nessa ocorrência. a dor não pode ser evitada. desidentificada com os condicionamentos passados com pessoas e coisas. rebaixando-os ao nível das sensações. Essa busca é diferente da ambição de ser virtuoso. o caminho da busca se afigura escuro qual um túnel.

de ócio. impedindo-o de fruir momentos de recreação. do self profundo. a libertação de cargas psicológicas compressivas. . que se constituem tônicos revigorantes para as ações geradoras da felicidade e dos quais todos podem e devem dispor quanto aprouver. para a atividade estressante. um sem-número de estesias mediante a leitura. que pode ter origem na conduta infantil — educação coercitiva. exclusivamente. Certamente não se deve viver para a ociosidade dourada. são estímulos para a criatividade. a autorealização. portanto patológica. o que se lhe torna uma necessidade compulsiva. família dominadora — ou proceder de reencarnações passadas — uso incorreto do livrearbítrio. a arte.92 circunstâncias propiciam a presença do prazer — a pessoa crê não merecer desfrutá-lo — ou da felicidade — o indivíduo receia vivê-la. Essa busca. Esses interregnos nas atividades. para a psicoterapia libertadora conveniente. enriquecidos de prazeres mais amplos. Para desarticular es se mecanismo conflitador. meio social asfixiante. Há todo um rico arsenal desportivo. torna-se necessária uma tomada de consciência de si mesmo. exagero de paixões. um infinito painel de belezas naturais convidativas. deve superar e mesmo arrebentar as resistências inibidoras. da meditação. do controle da mente. associada ao sentimento de culpa. castiga o ser. o sentimento de culpa. a conversação. conduta irregular. levando-o a tormentos quando não se encontra produzindo algo concreto. cujas energias serão canalizadas para a conquista da felicidade. um abençoado campo de idealismo através da prece. tampouco. Tal inibição. procurando descobrir a fonte geradora da inibição. não se permitindo experienciá-la — surge o temor de que algo mau sucederá.

eleger os métodos da plenificação interior torna-se o próximo passo nessa busca desafiadora. Parte da Unidade Universal e individual nela. odiá-lo.93 34 Felicidade em si mesma Considerando a felicidade como sendo a harmonia entre o ego e o self. mas se está isso. Em prazer ou em sofrimento. responsável por arrependimentos e angústias insuportáveis. não é necessário alienar-se do mundo. A meta além do mundo se estabelece como prioritária. superando-se uns anseios e surgindo outros. sem a presunção narcisista do excesso de auto-importância. porque. prazenteiros ou não. destaque social e poder. A criatura não é o que se apresenta. como degraus vencidos na ascensão que levará ao patamar da felicidade. Jesus definiu com segurança o conceito pleno de felicidade. no seu contínuo vir-a-ser. Esse estado impermanente é trânsito para o que se será. o ser humano pode desfrutar dos fenômenos existenciais. terrestre. para conseguir por meio de transferências e fugas psicológicas. avança-se na busca. Quem coloque a felicidade como sendo a conquista de títulos e triunfos mundanos. que respondem pela competitividade e pelo desequilíbrio da emoção. noutra se transforma em pesada carga. o descobrimento dos valores profundos do ser e a consciência da sua legitimidade que induz a conquistá-los. o prazer bem estruturado é-lhe caminho. por estar acima das sensações e emoções imediatas. Por isso. em constante transformação. O empenho para a busca da felicidade conduz àeleição de objetivos fora do mundo físico. . em nada a afeta. no entanto. alteram-se os objetivos da busca. tendo em vista a impermanência da vida física. e as conquistas existencialistas perdem os seus conteúdos. acende-se a luz da determinação de fazer-se feliz em quaisquer circunstâncias. na vida terrestre. os valores sensuais tendem a produzir vazio. Todavia. desfrutar de privilégios e dinheiro. Embora a felicidade não dependa do prazer. logo são alcançadas. Quando se adquire a consciência da unidade e da valorização de si mesmo. em todos os momentos. não saiu da periferia imediatista dos prazeres sensuais. desenvolve-se interiormente. não se é isso. o que se constitui essencial numa faixa etária. A sua ausência. conscientizando-se do continuum no qual se encontra mergulhado. no conteúdo do pensamento meu reino não é deste mundo. nem como se encontra. transformando-se em tédio. a transitoriedade do ser existencial. sem abandono da meta transpessoal. De acordo com as mudanças e realizações culturais.

não se confundindo com a busca do relacionamento sexual. o bom direcionamento da mente. Nesse passo alcança-se. sem aparências. o prazer mental. nunca é possessivo. portadoras de grande valorização para o ego. riquezas. do ponto de vista psicológico transpessoal. os prazeres emocionais. surgem. em se expandindo. sem subterfúgios. essa finalidade induz a sacrifícios de bens. emocional. tabaco ou depressões profundas. não se rebela nem se decepciona. possuir a capacidade de amar plenamente. especialmente a de natureza psicológica. desde a alimentação aos relaxantes banhos. sem imposições nem paixões egóicas. promocionais. resultante. também têm o sentido do efêmero. frivolidades. e perturbadores os status humanos. não se magoa nem se impacienta — irradia-se. tão rápidos são os relacionamentos. o relacionamento proporciona um bem-estar igualmente físico e espiritual. visto que. econômicas. . portanto sensuais. Além desses. conjugais. Esse sentido da vida. é que a felicidade se estabelece. enquanto na conjuntura carnal. Porque esse amor não tem apego. massagens. embora seja contributivo. O prazer que gera na comunhão dos sentidos não éfundamental.. estabeleceu-se que a felicidade resulta do triunfo em qualquer área e dos prazeres de rápido deleite. como mecanismo completador da harmonia pessoal. portanto faz-se libertador. convertendo-se em tormentos — conscientes ou não — geradores de conflitos por competitividade. que induzem aos relacionamentos humanos. que pode estar embutido nele. nos seus vários aspectos. Esse contributo do amor preserva também o equilíbrio mental. como diante do inevitável desgaste corporal face à idade e àdoença. como o orgasmo. que consegue alterar para melhor a compreensão do mundo. Somente quando há uma reciprocidade honesta nesses relacionamentos. Esse amor não pede e sempre doa. religiosas. que não preenchem os vazios interiores.. infinito. qual mirífica luz que. mediante a criatividade. não tenta modificar os outros e sempre se aprimora. porqüanto nada espera em retribuição. de lideranças e representações sociais. Essas metas. quando o intercâmbio se expressa leal e afetivo. fazendo-se que sejam retiradas as máscaras e as sujeições. sem o qual a felicidade se torna uma utopia paranóica. cedem lugar a outros anseios. sem lhe ser causalidade. o êxito com todo refinamento de sucedâneos. A saúde. A felicidade se estabelece quando os dois níveis — físico e mental — harmonizam-se.94 35 Condições de felicidade Como decorrência de uma visão caótica e pessimista da vida. variações de moda.. ensejando o prazer emocional e transpessoal. quase sempre dos relacionamentos íntimos. políticas. drogas aditivas. ela é o amar. o dinheiro.. depende muito do amor. mais se potencializa. Nesse caso. Para esse amor de plenitude torna-se indispensável uma entrega autêntica. às fugas espetaculosas para os alcoólicos. como metas felizes. o que deu origem aos de natureza material. que são gratificantes. já que não se pode dissociá-los. Apesar do bem-estar que proporcionam.

as inibições e pavores infantis geram inegavelmente tormentos que surgem e ressurgem em todos os demais períodos da existência. idade da razão — ocorre como se fora um parto com dor. porém. Trata-se de um atavismo masoquista inconsciente. com vistas ao bem da humanidade. que cultivam. exceção feita às personalidades psicopatas e arredias.95 relacionamentos. com a terceira idade. as recordações infantis positivas ficam submersas. à vida e aos seus valores. psicologicamente. descuidada. que levam à independência pessoal. redunda em sofrimento emocional. quando se dá a morte do invólucro carnal. Naturalmente. e todas as pessoas passam por dificuldades e crises durante a formação da personalidade. uma infância rósea é fator positivo. têm a ver com a estrutura profunda do self. especialmente psicológico. o relacionamento com a mãe. há muita beleza a recordar e momentos inesquecíveis. não essencial à felicidade. Um dos pontos-chave da desdita. do que os outros. Certas constrições e castrações. Tal prazer não se restringe apenas à arte em si mesma. Assim. nesse caso. favorecendo conflitos compreensíveis. culminando. à superação do ego. no seu mutismo ou exacerbação. Mesmo nas infâncias assinaladas por dificuldades. porém. nem sempre corresponde à realidade. às realizações no campo pessoal. Os períodos infantil e adolescente são decisivos na existência. Nem todos logram vencer as tensões internas e externas que se estabelecem a partir de então. merecendo. especialmente se as vivências são conflitivas. cada um traz consigo as predisposições comportamentais e cármicas para a atual experiência. Avançando-se terapeuticamente para a libertação dos traumas. mais intensidade de reidentificação com o self. Mesmo essa ocorrência. porém. próprias para a libertação. necessitando-se de psicoterapias emocionais e espirituais. qual for a herança infantil que se carregue. que ressumam freqüentemente em ressentimentos e torturas. Qualquer tipo de crescimento. e sem experiências desafiadoras. sem preocupações. do significado à busca da felicidade. graças aos quais deve amadurecer emocionalmente e dispor-se para a auto-realização. espiritualmente. que predomina em a natureza humana. em razão da valorização do desagradável marcar mais o ser. em uma visão transpessoal da vida e do ser. a busca da felicidade não deve sofrer solução de continuidade. E. a realidade do Espírito. que deveriam ser mais considerados. e sua aceitação. com o conseqüente crescimento. biologicamente. seria um período sem traumas. Seja. sob aquelas negativas. Sem dúvida. quando o ser é frágil. ou à cultura. consegue-se dar o passo primeiro para a conquista da felicidade que logo virá. com a fixação dos propósitos e logros de saúde emocional. os conflitos de que padecem. nessa fase que se definem os rumos futuros do comportamento. no entanto. convivendo com os fatores que merece. que são inerentes a essa fase. para a entrega à inspiração. feliz ou desventurada. Apesar disso. reside na evocação dos acontecimentos infantis menos felizes. adolescência. A libertação de uma fase — infantil. Nos períodos de formação da personalidade — infância e juventude — é . como dos conflitos. A crença indevida de que a infância tranqüila. os problemas existenciais podem perturbar a identidade.

que projetam sua sombra nos filhos. não se perturbando. que são as condições essenciais para culminar no encontro. o indivíduo irradia do mundo interior o bem-estar e passa a fruir de felicidade. que impedem um discernimento claro do que seja realmente a felicidade. A partir daí. que proporcionam maturidade e harmonia íntima. educadores e chefes. a constatação do tudo efêmero impulsiona o ser na direção da felicidade. a oração faz-se natural e a meditação é um reconforto normal. Nessa fase de indefinição. torna-se improvável o êxito. a reflexão se torna freqüente.96 comum orientar-se o educando para as conquistas externas a qualquer preço. a idade da razão pode apresentar-se atemorizante e perturbada por contínuas crises existenciais. e é nesse nível de consciência que a busca alcança os patamares elevados do amor desinteressado. Somente quando são estabelecidas metas de triunfo íntimo. Nesse período. é que se alcança a correta identificação do ser com os lídimos objetivos da reencarnação. sem pensarem na realização pessoal dos seus dependentes. Sem eles. Constatar que as conquistas feitas não são plenificadoras. defrauda as aspirações e tira o sentido da vida. não raro em detrimento da realização interior. . O triunfo e o fracasso externo também produzem a mesma frustração e incompletude. solucionados. Amadurecendo. como exercícios. nem se deprimindo com eles. São os problemas. Essa conduta é responsável por muitos conflitos. alunos e subordinados. Diante disso. da paz íntima e da realização espiritual. muitos indivíduos são induzidos a satisfazer as ambições malogradas ou vitoriosas dos seus pais. que passa a administrar com equilíbrio. identificando os valores sociais e econômicos. Isto não o impede de ter problemas.

Com ela. facultando-lhe a conquista do conhecimento — a sabedoria que decorre da informação e da ação do amor — que o projeta em outras dimensões do Espírito. sentidos e amados como são. em todo o painel da existência. pois que se tornaria um engodo proposto e conseguido pelo inconsciente. o self é penetrado em profundidade. refletindo-se em todas as coisas e pessoas. Não há vitória sem esforço. propiciam o manifestar da felicidade. Assim alcança a iluminação. permitindo uma entrega consciente ao self plenificador. que são as expressões máximas da felicidade. o treinamento mental e emocional torna-se preponderante. tudo e todos devem ser vistos. Todos os seres humanos têm direito à felicidade e devem fruí-la. de forma persistente e natural. O encontro com a vida espiritual pujante se torna uma perene fonte de alegria. intuída. de acordo com o investimento da razão. sem a necessidade de alienação do mundo.97 36 Plenificação pela felicidade Todo cometimento decorre da planificação mental. Para a plenificação do ser. e isto começa quando se descobre e se atenta para o que realmente se deseja da vida além dos níveis imediatos do gozo e do prazer. vivendo no corpo e fora dele em plenitude. A consciência os absorve com a sua estrutura. o que é fator de triunfo ou não. experimenta-se o prazer transpessoal plenificador. iluminada. mediante o silêncio da mente e a calma dos anseios do corpo. para que se torne permanente. mediante a felicidade. desde as suas mínimas expressões às mais grandiosas. o resultado da indução externa ou de uma auto-sugestão. Não seja a felicidade. A consciência. Com a visão transpessoal da felicidade. portanto. a identificação com a unidade. até tornar-se realidade. No começo é apenas vislumbrada. A intimidade. o ser alcança a paranormalidade superior e inter-relaciona-se com os seres de faixas espirituais mais elevadas. a fim de facultar o nível de consciência compatível. no entanto. . Agigantando-se a consciência. gerando o campo para a capacitação intuitiva. é necessário que seja adquirido o nível de consciência do Espírito. a bem-aventurança. portanto. A felicidade é. e a sua percepção da realidade aumenta. Com a mente e a emoção tranqüilas. uma forma de viver e. é a responsável final pela felicidade.

98 DÉCIMA PARTE CONQUISTA DE SI MESMO .

não consegue deter-se em uma demorada análise de si mesmo. o eminente psicólogo russo. encharcado pelas paixões como se encontra. Tudo quanto faz. aquela que precede a forma e permanece depois da sua disjunção. E mesmo o ato de dormir. expressa nos prazeres que logo se esfumam. importantes. que assomam em forma de pesadelos tormentosos.. até o de superar o cansaço com o seu séquito de indisposições orgânicas e psíquicas. a sua fixação mental é somente possível quando se refere ao campo das sensações. quando concentrado. torna-se um fenômeno de harmonia. . logo a seguir. que lhe constituem os interesses máximos do dia-a-dia. propor-se significados novos para a vida e antes não percebidos. afugentando-o do objetivo essencial propiciador do auto-encontro. antes lúcida. A fixação do despertamento resulta dos insistentes e contínuos espaços da mente. O despertamento retira o véu da ilusão e faculta a percepção da realidade não fugidia. porque precedido de conhecimento do seu objetivo. são ainda fisiológicos. Saciado pelo gozo. estuante. apaixonando-o e levando-o às conquistas vazias das coisas que não proporcionam mais do que o breve bem-estar da volúpia egoística do momento. para a aquisição do repouso físico.99 37 O homem consciente Gurdieff. qualquer projeção no tempo constitui-lhe sacrifício vão. empurrando-o para as fugas espetaculosas e as transferências das metas prioritárias. Despertar significa identificar novos recursos ao alcance. Quando convidado às reflexões profundas a respeito da sua realidade como ser imortal. desde o ato de coçar-se. Os indivíduos. para retornar à posição anterior de ansiedade e insatisfação. porque logo os pensamentos se expandem em várias direções. Ao mesmo tempo. Acostumado às idéias do imediato. tudo realizando com integral lucidez. sem os assaltos de clichês mentais arquivados. não obstante possam estar projetados na sociedade e até mesmo bem considerados por ela. O trânsito pela reencarnação enseja ao ser o desenvolvimento dos valores éticos. preenchidos pelo desejo veemente de adquirir lucidez. ampliando-lhe o espaço mental para as conquistas relevantes. Essas distrações prendem-lhe a atenção e detêm-lhe o processo de busca interior. quando entorpecida a consciência.. psicologicamente adormecidos. porqüanto não se dispõe a levar adiante a proposta inicial de realização demorada. olvidando as qualidades superiores que propiciam realmente a felicidade. realiza-o de forma consciente. embora atormentado pelo desejo de novos prazeres. nas quais chafurda até a exaustão. para aquelas que enganam. o indivíduo deixa-se conduzir através do mergulho nas distrações. descobrir valores expressivos que estão desperdiçados. em uma análise feliz a respeito do homem. que trazem respostas momentâneas. Estar desperto é encontrar-se participe da vida. referiu-se aos dois estados em que o mesmo se apresenta como decorrência do seu nível de consciência: adormecido e desperto.

desviam da meta essencial que é o despertamento de si mesmo. do ponto de vista fisiológico. arroja-se mais nas experiências do instinto. das contradições entre o que pensa e o que faz. superando os automatismos. responsável. buscas e realizações. dele se desincumbe em paz. o homem aspira à conquista de outros níveis de consciência e emerge do sono. o homem consciente vive integralmente todos os momentos. com desconsideração ou por ignorância do essencial. consumindo-se tempo e saúde no secundário. conversações prolongadas. espiritual.100 Estar desperto é mais do que encontrar-se vivo. e tudo quanto se propõe realizar. que será a perfeita conscientização de si mesmo. sem que tais ocorrências o desanimem ou o infelicitem. Consciente desses fenômenos. caminhadas e ginásticas que consomem horas. todas as ações. sente a mesma necessidade de completar-se. conquistando novas áreas que antes permaneciam desconhecidas. livre de algemas. avançando sempre. porém. sem recuos nem amarguras. não-arrogante. A razão propele-o para a tomada de consciência e. pela fuga da realidade. para localizar-se nas realizações da inteligência e do sentimento enobrecido. ao invés de tornar-se desafio. Usa a inteligência e aplica o sentimento em perfeita interação. frustrando-se e sofrendo. . Ser consciente significa estar desperto. todas as aspirações. Harmonizando aspirações e lutas. identificando os meios para o tentame. As distrações habilmente se disfarçam. passando-a a transpessoal. entre ao que aspira e o que realiza. passando a identificar o atraso em que se encontra. passa a fruir emoções que o enlevam. todos os sentimentos. por processo de saturação das distrações ou pelo imperativo de novas reencarnações. à medida que se envolve na libertação das cargas psicológicas opressoras. Há uma generalizada preferência humana pelas distrações. Quando anestesiado no nível de sono. não obstante úteis. totalmente diverso do comum. que lhe constituem degraus e patamares a galgar. das injunções do corpo. entendendo que o largo período de sono é responsável pela existência dos inúmeros conflitos que o aturdem. diante das infinitas possibilidades de que dispõe. nesse estado. sem a preocupação de vitória exterior ou mesmo de superação. aumentando o número de vivências dos logros íntimos. dos prejuízos políticos. tendo em mente o acume. Certamente experimenta as contingências da vida social. justificando trabalho exaustivo. repouso demorado. é-lhe estímulo ao prosseguimento tranqüilo da iluminação interior. asfixiantes. mantendo a sensação permanente de incompletude. A autoconquista é-lhe um crescimento natural e não-perturbador. Altera-se-lhe então a visão para a auto-identificação. e que. Cada momento atual é magno na vida do homem consciente. Lentamente. portanto. mais se afervora na busca da harmonia. Age sempre lúcido. nãosubmisso. liberado do passado e do futuro. assinalado pelo aprofundamento da visão da vida. e cada compromisso que assume.

acredita-se merecedor de tudo em primeiro lugar. ele o faz mediante cláusulas de separação de bens. Desperta-se-lhe em grau crescente a avareza que o amarfanha. ignorando a sua realidade profunda. sem a coragem moral para atravessá-lo. não se considera merecedor de afetos. Quando esta não decorre do auto-encontro libertador. Com a percepção embotada. qual o ensinamento de Jesus através da parábola dos talentos no Evangelho. cada vez mais ansiosa por novos haveres. subjugá-las como conquistas a mais. A imaturidade asselvaja-lhe e obnubila-lhe a razão. Porque se sente sem possibilidade de amar. Se vence o medo de doar algo e o realiza. com a conseqüente rejeição de si mesmo. passando àcondição de benfeitor. a pouco e pouco. com desconsideração pelos demais. a sua vítima. e conflitos perduram na idade adulta. graças à insegurança íntima. instabilidade emocional e desajuste social. supondo que. Como efeito. . o indivíduo busca a auto-realização. embora lhe irrompam episódios de afetividade. expressando-se como apegos às coisas e pessoas. Autodesprezando-se. quando tudo no mundo. mede os fenômenos existenciais com os instrumentos da atividade contábil.101 38 Ter e ser Remanescem da infância física traços de insegurança.. Usando os conhecidos mecanismos de evasão da responsabilidade e sentindo-se fragilizado. Ninguém vive bem sem a segurança de si mesmo. fixando-se em valores externos como forma de destaque no grupo social. passando à angústia de mais assegurar-se da sua retenção. latifúndios largos e semoventes aos milhares. em medos de perdê-las. surgem-lhe as marcas predominantes do egoísmo e passa a reunir recursos que amontoa satisfazendo o ego. das criaturas aquinhoadas. transfere-se para a ilusão da dominação arbitrária de outras vidas. e jamais no que é. Sentimentos egocêntricos passam a aturdi-lo e. A sua louca ambição torna-o misantropo. necessita de ter o ego recompensado pela gratidão. acreditando-se capaz de detê-las. estão interessados no que ele tem. amesquinhando-o. mesmo quando atinge os picos do poder ganancioso. que permanece asfixiada pelos tormentos do ter. Assim não sucedendo e vindo a consorciar-se. é buscada através dos meios externos. de outras pessoas. em razão da falta de maturidade psicológica do ser. enlouquecendo. e. mordomos que prestarão contas. que envolvem o seu possuidor em preocupações de aumentá-las. vai traído pela concupiscência da posse. Quando tal não ocorre. depois da alegria fugaz da posse material. que converte em paixões de gozo imediato.. inconscientemente. ou servidores encarregados de bem aplicar. considerando triunfadores somente os que dispõem de contas bancárias volumosas. não crê que pode ser amado com desinteresse pelos seus haveres. quantos se lhe acerquem. com o seu caráter de transitoriedade. tornando-se possuído pelo objeto que supõe possuir. detendo-o no pórtico das grandes realizações. bens que lhe são alicerces de segurança no inconsciente. faz.

que tinha necessidade de sobreviver. Rompem-se os limites que amesquinham e ampliam-se as áreas de produção que engrandecem. deve expandi-la. que se desvela com infinitas possibilidades. O individualismo que nele prevalecia cede lugar ao amor que convive e se expande na direção dos outros. tudo altera a cada instante. o narcisismo. experimenta o júbilo da realização. despretensiosa. porque nada é. A incessante transformação.. já que o self se encontrava soterrado no desconhecimento. A segurança psicológica do indivíduo centraliza-se no autoconhecimento. o dominador torna-se vítima. além dos juros que recebe. permite o encontro do self. os sentimentos de amor e autodoação — concretos — devem prevalecer emulando o indivíduo a ser integral. . a fim de que também ela seja feliz. a compaixão. reconhecendo a sua pequenez. vigente no Cosmo. A vaidade. libertadoras. prosseguindo cheio de espaços e abarrotado de preocupações afugentes. o ter e reter. e o vivo de agora estará morto logo mais. do reter. permanece vazio de sentimentos e. no auto-amor. realizado. Alguns psicólogos transpessoais concluem que. Chegando à realização da consciência. A conquista do si é realização que independe do ter. quando os seus espaços são preenchidos pelas realizações expressivas. exteriorizada no bem-estar que proporciona. no ser. na auto-identificação. conseguindo o autoamor que desdobra a bondade. à meditação transcendental — abstrata—. A autovalorização não-egoísta. a imensa alegria do serviço. O objetivo da vida humana parte do ponto inicial no corpo — a infância — e cresce sem perder o contato com a sua realidade original. que se agranda ante a excelência da Vida que ele conquista. Todo aquele que busca a posse. mas que não prescinde do interesse e da luta enviada para ser. aqueles que constituem a sociedade na qual se encontra. Ser consciente de si mesmo é a meta existencial. passando a trabalhá-la. ser transcendental que é. os objetos passam de mãos. que existiam na sua personalidade.. o amadurecimento psicológico faz que o indivíduo cresça sempre e cada vez mais. capacitado para a felicidade. desaparecem por ausência da vitalidade fornecida pelo ego inseguro. enche-se de artefatos e coisas brilhantes.. Ninguém tem coisa alguma no mundo: nem corpo. Os conflitos então cedem lugar. enquanto mais se autopenetra e descobre novos potenciais a desenvolver. o corpo se dilui.. porém mortas. nem pessoas sob domínio. nem valores amoedados. a ação benéfica em favor do próximo. Correspondendo a esse estágio.102 O bom aplicador.

na fase do instinto. daquilo que não lhe é lícito realizar. o sexo é o instrumento para a perpetuação da espécie. teria que despertar ressentimentos contraditórios. o inconsciente desatrela a insegurança infantil. representados no mito da Árvore do conhecimento do bem e do mal —devido a interpretações apaixonadas e fanáticas. no paraíso. desenvolveu esses sentimentos perversos. dando-lhe margem ao ciúme doentio e à raiva. como fenômeno natural do desenvolvimento antropológico-psicológicosocio-lógico da criatura. a infelicidade. e ao fratricídio cometido por Caim contra Abel. de ciúme e de raiva. Herdeiro dos arquétipos remotos dos seus antepassados. dependem do seu usuário e não da sua função em si mesma. a des- .. como se fossem o medrar espontâneo da essência divina de que é constituído o Espírito. quiçá para demonstrar o momento em que surge a consciência. milenarmente. perturbando o desenvolvimento da consciência e a conseqüente conquista de si mesmo. fruto ainda da desobediência que. que a seguiu no erro. das realizações de cada um. os fenômenos biológicos automáticos não se fazem acompanhar das dores. não sendo credor de qualquer condenação. que tem um caráter simbólico. Surgem-lhe os pródromos. O discernimento do bem e do mal. ambos gerados em circunstâncias iguais. Igualmente a arbitrária eleição celeste de um por outro irmão. que levariam inevitavelmente ao hediondo fratricídio. — quando o ser pode identificar o que deve. ali adormecida. gerou conflitos que ainda remanescem nas vidas psicologicamente imaturas. abrindo espaço para a razão.. Fonte de vida. considerando a preferência injustificável de Deus por Abel.. tornandose o grande desafio do processo da evolução do ser. a criança que se sentia desprezada. Em qualquer atividade. transformou a comunhão sexual em condenável e imunda. especialmente os ocidentais. O ultraje e a vulgaridade. do certo e do errado. o aprimoramento e a profundidade desses valores dependem do empenho. A divina punição de Deus pela rebeldia da mulher e pela insensatez do homem. vitimados pelas heranças judaico-cristãs. De geração em geração. no que diz respeito à desobediência de Eva. e as aquisições ético-morais aparecem. a nobreza e a elevação amorosa mediante os quais se expressa. que são maiores conforme mais seja apurada a sensibilidade.. que passou a ser punição divina. qual sucede na ocorrência do parto. competitiva ou não. cujas oferendas mais O agradavam. o indivíduo mantém por atavismos religiosos e culturais a consciência de culpa. Na fase do instinto. no rejeitado. todavia. responde pelo sofrimento que os acicata. tornando a procriação um verdadeiro castigo. do interesse. A absurda aceitação literal do texto bíblico. assim como a expulsão do criminoso aumenta-lhe a angústia. e surgem os conflitos. do ponto de vista puritano e hipócrita.103 39 A conquista de si mesmo A aquisição da consciência demanda tempo e esforço humano. saindo do automatismo do instinto para a seleção do discernimento racional.

Percebendo-se instrumento da vida. mas luta pelas coisas. Senhor do discernimento. que seriam desenvolvidos a partir do momento da opção. necessário seria a fé em si mesmo. e a sua é uma consciência atual.. do amadurecimento psicológico. Para tanto. e os mecanismos da evolução se expressam. agindo com consciência e produzindo com eqüidade. abandonando. porém. trabalhando-o e promovendo-o a níveis e patamares cada vez mais elevados. do esforçarse para triunfar. o homem descobre que colhe de acordo com o que semeia. A libertação dessa consciência doentia facilita o entendimento do mecanismo da responsabilidade no comportamento que estabelece o lema: A cada um conforme os seus atos. de transferência de responsabilidade. segundo ensinou o Terapeuta Galileu. que busca a integração na Cósmica. que facultam a superação das provas e dos sofrimentos. fértil e rica de aspirações. sem justificação. plenificando-se. Apóstolos do bem. sem perdão. que aprende a selecionar e qualificar. à reencarnação. Não tem passado. Já não luta contra as coisas. O homem que se conquista supera os mecanismos de fuga. por ausência do ciúme. Sente-se emulado a gerar novos futuros efeitos. que hoje é o seu dia. o progresso do ser é imperioso. e não compete para destruir. que faz parte da harmonia do Universo. o santo. e o lograram. que já desfruta. do pensamento e da ação quiseram.. Jesus afirmou que se poderia fazer tudo quanto Ele fez.104 confiança desastrosa. Graças. até quando o ser. de rejeição e outros. os quais passam então a ter um comportamento filosófico dignificante — instrumentos de valorização da vida — ao invés de serem castigos àculpa oculta. se se quisesse. por superação. e graças às realizações da solidariedade. conquista os sentimentos que canalizará na direção de novas metas. Francisco de Assis. considerando que sempre é tempo de reparar. procede. para enfrentar-se sem acusação. mas trabalha para fomentar o progresso. que alcança realizando-se. as paixões dissolventes e fixando os valores que enobrecem. vivendo-a nas expressões do amor a tudo e a todos intensamente. bastando empenhar-se e entregar-se à realização. pela racionalização dos acontecimentos. neste tempo intemporal da relatividade terrestre. A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser. não tendo caráter castrador ou punitivo. utilizando-o com propriedade e sabedoria. portanto. nos valores intrínsecos. assim quis e o conseguiu. nem futuro. A conquista de si mesmo é lograda mediante o querer. e que tudo quanto lhe acontece. autoconquistaram-se. Homens e mulheres anônimos entregaram-se aos ideais que lhes vitalizaram as existências e. jacente no mundo íntimo. da ciência e da fé. inevitável. do viver para jamais morrer. A conquista de si mesmo resulta. . o indivíduo supera a raiva. liberto dos conflitos. e postergação é-lhe prejuízo para a economia da sua plenificação. superando-se. no qual se engaja e se realiza. Descobre a vida e que se encontra vivo. Tal conduta proporciona-lhe a alegria que provém da tranquilidade da realização.

105 Fim .

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