P. 1
ESQUISTOSSOMOSE

ESQUISTOSSOMOSE

|Views: 1.155|Likes:

More info:

Categories:Topics, Art & Design
Published by: Pedro Paulo Rodrigues on Mar 30, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PPTX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/02/2015

pdf

text

original

Estágio Supervisionado

Enfermagem na Saúde Coletiva

Estudo de Caso Esquistossomose Mansonica

Mirella de Oliveira S. Jesus

`

`

A esquistossomose é uma das parasitoses humanas mais difundidas no mundo e sua ocorrência está relacionada à ausência ou precariedade de saneamento básico. No Brasil, estima-se que cerca de 6 milhões de indivíduos estejam infectados e 25 milhões, expostos aos riscos de contrair a doença. No estado de São Paulo, onde a esquistossomose é de notificação compulsória, a doença foi considerada problema de saúde pública até a década de 1970.

`

`

É uma infecção transmitida pela água contaminada por cercárias, uma das fases do ciclo evolutivo do Schistosoma mansoni, um tremadódeo de sexos separados, que necessita de hospedeiros intermediários para completar seu desenvolvimento. A doença caracteriza-se por uma fase aguda e outra crônica quando os vermes adultos, machos e fêmeas, vivem nas veias mesentéricas ou vesiculares do hospedeiro humano durante seu ciclo de vida que dura vários anos.

`

`

O homem infectado eliminando ovos viáveis de S. mansoni por meio das fezes. Quando esses ovos entram em contato com a água, rompem-se e permitem a saída da forma larvária ciliada, denominada miracídio. Os miracídios penetram no caramujo, onde se multiplicam e, entre quatro a seis semanas depois, começam a abandoná-lo em grande número, principalmente quando estão sob a ação de calor e luminosidade. A forma infectante larvária que sai do caramujo tem o nome de cercária.

`

As cercárias penetram no homem (hospedeiro definitivo) por meio da pele e/ou mucosas e, mais frequentemente, pelos pés e pernas, por serem áreas do corpo que ficam em maior contato com águas contaminadas. Após atravessarem a pele ou mucosa, as cercárias perdem a cauda e se transformam em esquitossômulos. Esses caem na circulação venosa e alcançam o coração e pulmões, onde permanecem por algum tempo.

`

`

`

Forma Intestinal Presença de diarréias repetidas que podem ser muco-sangüinolentas, com dor ou desconforto abdominal; na maioria das vezes, assintomática;

`

Forma Hepatointestinal Presença de diarréias hepatomegalia palpável.

e

epigastralgias,

`

For Pr

toesplê ic Compensada: t l li tr t r ir l rt l rt r i rt , r i t ri f ; t i , i t j tr t t r ti ;

`

Forma Hepatoesplênica Descompensada fí l j tr í r Pr fi r ri l r, it , ri f , t , i t , tri ;f r l r r i - l r t i i ti t i ; i ri it l t f r .

`

Fase aguda Pode apresentar manifestações clínicas como coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarréia, enjôos, vômitos e emagrecimento. Fase crônica Geralmente assintomática, episódios de diarréia podem alternar-se com períodos de constipação (prisão de ventre) podendo evoluir para um quadro mais grave com aumento do fígado (hepatomegalia) e cirrose, aumento do baço (esplenomegalia), hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago, e ascite ou barriga d¶água, isto é, o abdome fica dilatado e proeminente porque escapa plasma do sangue.

`

`

Diagnóstico clínico-epidemiológico
No diagnóstico clínico, deve-se levar em conta a fase da doença (aguda ou crônica). Além disso, é de fundamental importância a análise detalhada do local de residência do paciente, principalmente para saber se ele vive ou viveu em região endêmica. O diagnóstico definitivo da esquistossomose mansoni depende sempre de uma confirmação laboratorial, mesmo na presença de quadro sintomático compatível.

`

Métodos de Diagnóstico Laboratorial: Diretos
Consistem na visualização ou na demonstração da presença de ovos de Schistosoma mansoni e na pesquisa de antígenos circulantes do verme.

`

Pesquisa de ovos de Schistosoma nas fezes: Atualmente é preconizado no Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (PCE), o exame parasitológico de fezes pelo método Kato-Katz, que possibilita, além da identificação, a contagem dos ovos por grama de fezes examinada.

`

Pesquisa de antígenos circulantes (exame de sorológico) os antígenos do verme adulto constituem evidência direta de sua presença, quando identificados no soro e na urina de pacientes com esquistossomose. Biópsia retal: empregada em situações especiais, consiste na retirada de fragmentos da mucosa retal, para a detecção de ovos em seus diferentes estágios evolutivos. Biópsia hepática: é utilizado quando a doença se apresenta clinicamente grave. É realizado por meio do exame de fragmento do fígado, o qual pode ser obtido cirurgicamente ou mediante punção.

`

`

`

Os métodos indiretos são baseados em mecanismos imunológicos, envolvendo reação de antígeno-anticorpo e que têm aplicação quase sempre em inquéritos epidemiológicos, acompanhados ou não de exames de fezes. Intradermorreação: inoculação de antígeno geralmente preparado com vermes adultos ou cercárias, na face anterior do antebraço na quantidade de 0,01 a 0,05 ml, Sua interpretação é feita 15 minutos após a inoculação. (não tem sido utilizada na prática) 

`

USG do abdome: detecta alterações hepáticas da esquistossomose hepatoesplênica.

`

Rx de Tórax: Importante para diagnosticar hipertensão arterial pulmonar.

`

Endoscopia Digestiva Alta: Diagnóstico e tratamento de varizes gastroesofágicas, resultante da hipertesão portal.

`

O tratamento tem como base não apenas promover a cura da doença ou diminuir a carga parasitária dos pacientes, mais impedir sua evolução para formas graves. Praziquantel: Derivado da isoquinolinapirazino, é ativo nos três tipos de esquistossomose humanas e nas teníases. A dosagem recomendada é de 50mg/kg de peso para adultos e 60mg/kg para crianças até 15 anos, em dose única.

`

`

Oxamniquina: Apresentada em cápsulas com 250 mg de sal ativo e solução contendo 50 mg/ml, para uso pediátrico. A dose recomendada é de 20 mg/kg para crianças e 15 mg/kg para adultos, tomadas de uma só vez, cerca de uma hora após a refeição.

` `

Histórico (anamnese) A. B. M., 51 anos, casado, católico não praticante, natural de Almenara-MG reside em Ilhabela há 25 anos. Refere que quando criança morava em casa de barro, não havia banheiro, era utilizado o mato para fazerem suas necessidades, também era utilizada água do rio para cozinhar, lavar roupas, tomar banho, para tudo utilizavam a água do rio. Divido as condições financeiras ele e seus quatro irmãos ajudavam seu pai na roça, e andavam descalços. Quando vieram para Ilhabela ficaram morando na casa de um tio por um tempo até seus pais conseguirem trabalho.

`

`

`

³Refere que a casa do tio tinha água na torneira, luz elétrica, e banheiro dentro da casa ³tinha conforto´ e as coisas melhoraram ainda mais quando conseguimos uma casa só para nós´. Hoje o Sr. Antonio trabalha como carpinteiro, tem 2 filhos, reside em casa própria com luz elétrica, água encanada e tratada, fossa séptica e refere que sua renda mensal é satisfatória para as suas necessidades, pois seus filhos contribuem com a renda da casa. Refere que no ano de 2003 precisou do posto de saúde, pois apresentava diarréia com frequência, conseguiu a primeira consulta onde ele pediu ao médico exame de sangue e fezes ³achava que eu estava com verme, tenho parentes com problemas de açúcar o sangue´.

`

`

Cabeça simétrica, couro cabeludo com oleosidade natural e sem presença de lesões. Esclerótica ictérica, pupilas isocóricas e fotorreagentes, conjuntiva descorada. Região nasal sem sujidades e sem desvio de septo, pavilhão auricular sem anormalidades. Cavidade oral com boa higiene, presença de prótese, gengivas e língua coradas, tonsilas sem anormalidades, lábios descorados e ressecados. Pescoço com mobilidade preservada, presença de nódulos infartados em região cervical anterior. Tórax simétrico com boa expansibilidade, frêmito vocal presente, pêlos com distribuição normal. AC: Bulhas Rítmicas Normofonéticas sem Sopros Audíveis; AP: Murmúrio Vesicular diminuído 1/3 médio E. Abdome distendido, tenso, ausculta com RHA (+), doloroso à palpação superficial e profunda, percussão com som timpânico.

`

Genitália com distribuição de pêlos e coloração normal, Mantendo controle de diurese por SVD, pênis e bolsa escrotal sem anormalidades. MMSS edemaciados, tônus muscular presente, turgor cutâneo diminuído. Pulso braquial, radial e ulnar palpáveis, boa perfusão periférica. MMII edemaciados, tônus muscular presente, turgor cutâneo diminuído. Pulso femoral, poplíteo e pedioso palpáveis, unhas curtas e com presença de descamação, apresenta rachadura em pé (calcanhar) esquerdo.

`

Manifestações clínicas como prurido e dermatites, febre, tosse, diarréia, enjôos, vômitos, constipação e emagrecimento, cirrose, e aumento do fígado e baço.

`

DIARRÉIA caracterizada por mais de três evacuações líquidas por dia, relacionado à parasitose. DOR CRÔNICA caracterizada por agitação e expressão facial, relacionado a incapacidade física crônica. FADIGA caracterizada por cansaço, relacionado à estado crônico da doença. RISCO DE INFECÇÃO caracterizado por doença relacionado à exposição aumentada à patógenos. crônica,

`

`

`

`

PADRÃO RESPIRATÒRIO INEFICAZ caracterizado por dispnéia relacionado à fadiga da musculatura respiratória.

`

Monitorar balanço hídrico, comparar com o peso periódico. Observação: observar perdas entéricas (vômito e diarréia). Usar agulhas de pequeno calibre para injeções, aplicando pressão por períodos maiores do que o usual após a punção venosa. Observar sinais de sangramento (equimose) Infundir plasma fresco conforme indicado. Enfatizar a necessidade de monitorar/restringir visitas, conforme indicação

`

`

`

`

` `

Pesquisa para comunicantes: Devem ser solicitados 3 amostras de pesquisa de esquistossomose mansoni fezes (KATO), para cada pessoa. Este exame tem que ser solicitado de forma especifica, pois o laboratório é de referencia (Adolfo Lutz), com kit próprio. Em laboratórios de analise geralmente é utilizado kit não especifico, tendo um resultado não seguro.

`

`

`

1. Controle rigoroso de sinais vitais a cada 2 h. 2. Observar e anotar aceitação da dieta hipossódica e hipogordurosa diariamente. 3. Pesar e anotar circunferência abdominal diariamente. 4. Atentar para restrição hídrica de 800 ml/dia. 5. Manter oximetria contínua, atentar para rodízio do sensor

`

`

`

`

10h- Paciente evolui com quadro de icterícia, hoje pela manhã apresentou T: 38.4ºC, sendo medicado com dipirona 3 ml IV (CPM). Refere desconforto abdominal, recusou desjejum devido náusea (SIC). Mantém acesso periférico em MSD com soroterapia e eletrólitos para reposição. Apresenta discreto desconforto respiratório, FR: 22, sendo instalado catéter O2 à 2 L/min, oximetria contínua (rodízio do sensor cada 2h). Abdome tenso, doloroso à palpação e RHA (+). Refere evacuação líquida 4x hoje. Mantendo restrição hídrica de 800 ml/d, e controle de diurese (SVD) até o momento 120 ml débito concentrado com depósitos em saco coletor. MMSS e II edemaciados (++), perfusão periférica lentificada. PA: 100x60 mmHg, FC: 96, SpO2: 98%

` ` ` ` ` ` ` ` `

Hemograma: Hb/Ht: 13.2/ 30.0%; leucócitos: 3.200; plaquetas: 320.000. Função Hepática: TGO: 32; TGP: 39; Bilirrubina Total 2.0; Colesterol: 211; G: 105 T3: 138; T4: 0,59 ng/dL: TSH: 3,78 UI/ML Urina I: leucócitos: 5.000; Células Epiteliais: 2.000 PPF: Entamoeba Coli PSA livre: 0,32; PSA total: 1,53 Sorologias: VDRL: N R ;Toxoplasmose: imune; HBSAG: N R; Anti HCV: N R ECG: Ritmo sinusal regular. Ondas elétricas, intervalos e segmentos exibem parâmetros normais, ausência de extra-sístoles.

`

Raio-x Tórax: pequeno nódulo residual (?) 1/3 médio do pulmão esquerdo. USG próstata: Aumento da próstata TC de Tórax: Nódulo calcificado sequelar 1/3 superior do pulmão E com aproximadamente 4 mm. Endoscopia Digestiva Alta: Varizes Esofagianas.

`

`

`

`

Praziquantel Os efeitos colaterais são leves, não existindo evidências de que provoque lesões tóxicas graves no fígado ou em outros órgãos. Dentre as reações adversas observadas, predominam diarréia e dor abdominal. Captopril Apresentação comprimidos de 12,5 mg, 25 mg e 50mg. Vasodilatador potente diminui a resistência arterial periférica, reduz a retenção de sódio e água, diminuindo a pressão sanguínea. Propranolol Apresentação comprimidos de 10 mg, 14 mg, 80mg e ampolas de 1 ml. Bloqueador dos receptores betaadrenérgicos, diminui a excitabilidade cardíaca, consumo cardíaco, libera a renina e diminui a PA.

`

`

`

Agendado retorno para prova de viabilidade após tratamento, após 3 meses do tratamento: 3 amostras de fezes esquistossomose mansoni) Para encerrar FIN. (pesquisa de

`

`

`

A evolução da doença foi progressiva, pois o paciente não foi acompanhado como determina protocolo do ministério da saúde. Em 2003 o paciente veio até a unidade básica solicitar ao médico coleta de exames (Hemograma, urina e fezes), esses resultados só foram verificados após 2 meses, e detectado presença de Entamoeba Coli: Conduta- Mebendazol. Não houve novo agendamento para coleta de novo exame de fezes. Somente em 14/09/2009 foi solicitado sorologia para esquistossomose (3 amostras KATTO): IGM reagente.

`

`

Em 22/06/2010 (9 meses após a coleta da sorologia) o paciente retornou a unidade para consulta onde foi iniciado Praziquantel 60 mg, 6 comprimidos (dose única). O paciente já apresentava alterações na próstata, no pulmão, e trato gastrintestinal. Fica claro a importância do papel do Enfermeiro como educador em saúde, assim como também é importante que exista vínculo entre este profissional e o paciente.

`

Conclusão
`

A esquistossomose, atualmente, ainda é um sério problema de saúde pública devido a milhões de pessoas no Brasil e no mundo contraírem a doença. Por conta disso, diversos são os fatores de prevenção relacionados na promoção da qualidade de vida da população que se expõe a certos riscos de infecção. Com isso, a utilização de ações educativas parte do pressuposto que quanto maior for o conhecimento sobre a doença, maior poderá ser a adesão ao tratamento e menores serão os índices de reinfecção e evolução para as formas mais graves da doença.

`
`

REFERÊNCI S BIBLIOGRÁFICAS
htt ://www. . Esquist ssomose A 2ª edi S, A. . . o. . . . r/ht /hi ri /IF_ESQUI05.ht , soni , A esso em: /02/2011. Ed: Artmed

`

e ols Anamnese e exame físi

`

htt ://www.fiocruz. r/ i cb/cgi/cgilua.../start.htm Esquistossomose Mansônica incidência no Brasil. Acesso 02/ 03/2011 GOLDEN WAIG, N. . S. ; Administração de Medi amentos na Enfermagem Ed: Guanabara oogan, 5ª edi o. 2005/2006. NANDA, Diagnósti o de Enfermagem: classificações e definições Ed: Artmed, 2009/ 2011.

`

`

Obrigada!!

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->