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capa tech 118.

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a revista do engenheiro civil


téchne 118 janeiro 2007

www.piniweb.com

apoio
IPT techne
Edição 118 ano 15 janeiro de 2007 R$ 23,00
Especial fôrmas: madeira ■ metálica ■ plásticas ■ trepantes ■ deslizantes ■ especiais

COMO CONSTRUIR
Edifícios com
fôrma trepante

ESPECIAL

Fôrmas
Critérios de especificação, dicas para
reduzir custos e cuidados de execução
00118

Madeira Trepantes Sistemas


9 770104 105000

Agora só com projeto Rapidez para estruturas altas


especiais
ISSN 0104-1053

OSB, alumínio e
Metálicas Plásticas fôrmas de papelão
Competitividade crescente Leveza facilita transporte
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SUMÁRIO
FÔRMAS DE MADEIRA
28 Fim do improviso
Projetista ajuda a racionalizar o sistema
de fôrmas no canteiro

48 FÔRMAS ESPECIAIS
Moldes alternativos
Confira os materiais e sistemas que
chegam ao mercado e outras
opções menos comuns

52 ARTIGO
Estruturas de concreto: projeto
e economia
Diretor da Ventuscore, de Porto Alegre,
analisa impacto dos custos de
projeto

61 COMO CONSTRUIR
Fotos: Marcelo Scandaroli

Edificações com paredes


de concreto
Veja como edificar prédios altos com
sistema de fôrma trepante

32 FÔRMAS METÁLICAS
Industrialização máxima
Mais caros, sistemas metálicos SEÇÕES
têm a favor a grande Editorial 2
durabilidade Web 6
Área Construída 8
38 FÔRMAS TREPANTES Índices 12
Sistemas rápidos IPT Responde 14
Fôrmas móveis garantem Carreira 16

22 agilidade na execução
de paredes monolíticas
Melhores Práticas
P&T
20
56
Obra Aberta 59
ENTREVISTA 44 FÔRMAS PLÁSTICAS Agenda 60
Fator fôrma Moldura leve
Nilton Nazar explica fatores que Cubetas e chapas estruturadas Capa
devem ser considerados na matriz têm como grande vantagem Layout: Leticia Mantovani
de especificação o peso Foto: Marcelo Scandaroli

1
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EDITORIAL
A caminho da norma VEJA EM AU
sta edição reúne as dicas de especificação e projetos de
E fôrmas de alguns especialistas no assunto. Você vai saber
como racionalizar os projetos de fôrmas produzidas em obra,
como escolher o melhor sistema para grandes vãos, como
combinar sistemas metálicos e de madeira, quais as novidades
em sistemas industrializados e conhecer as soluções alternativas
para modelagem de pilares, vigas e lajes.
Nilton Nazar, o entrevistado do mês, projetista de fôrmas com 24  Turning Torso
anos de experiência, diz quais são os principais fatores da matriz  Palácio das Artes
 Massimiliano Fuksas
de decisão de escolha do sistema de fôrmas e explica por que  Arquitetura hospitalar
algumas construtoras têm optado pelo cimbramento de madeira
em pavimentos-tipo, prática que já havia sido banida dos grandes VEJA EM CONSTRUÇÃO
MERCADO
centros urbanos. Ele mesmo confirma ter alcançado excelente
produtividade utilizando garfos de madeira em um projeto. Aqui,
no entanto, cabe um alerta. Algumas construtoras podem estar
abrindo mão de um longo percurso tecnológico, de práticas
construtivas consolidadas, em favor de ganhos mal-avaliados. Por
isso, como frisa Nazar, a importância do projeto. Este, sim, vai
mostrar o caminho mais viável.
A boa notícia, antecipada por Nazar, é que está em andamento
uma norma de fôrmas e cimbramentos, que deve ficar pronta em
dois anos. O texto deve apresentar critérios de dimensionamento e  Financiamento
 Técnicas de orçamento
projeto de fôrmas gerais, para os diversos sistemas. Hoje, a única  Coordenação de projetos
ferramenta do construtor – e do consultor por ele contratado – são  Vergalhões

os catálogos de fabricantes, que em sua grande maioria remetem a


normas estrangeiras e práticas pouco afeitas à realidade da
construção brasileira. Assim, abre-se espaço a uma saudável
concorrência em quesitos tão importantes quanto à qualidade das
fôrmas, ou seja, a assistência técnica e os diferenciais de prestação
de serviços, como transporte, montagem, prazos e garantias.

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´
techne
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www.revistatechne.com.br
Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Fôrmas ICF
Conheça um pouco mais das fôrmas ICF (Insulating Concrete Forms), uma das
Fórum Téchne
soluções abordadas na reportagem de fôrmas especiais desta edição. Entre as Agora o site da revista Téchne tem
vantagens apontadas pelos fornecedores para esse sistema estão a rapidez de um espaço dedicado ao debate
execução e melhor isolamento térmico e acústico das paredes. técnico e qualificado dos principais
temas da engenharia. Três fóruns já
estão em andamento.

A NBR 6118 – Projeto de Estruturas


de Concreto – deve ser revisada?
"O processo de revisão de norma deve
ser ato contínuo. No caso da NBR-6118,
ainda mais, tendo em vista sua
importância para a economia. A nossa
expectativa é a de que não mais se
repitam períodos de décadas para
que ocorra uma revisão."
Engenheiro Francisco Graziano, um dos
coordenadores da NBR 6118

A segurança do trabalho nos


canteiros de obras tem melhorado
ou piorado?
"Como referência, vale consultar a
entrevista com um especialista no
assunto, o engenheiro José Carlos
de Arruda Sampaio, concedida à
Téchne edição 66 e disponível para
Fôrmas metálicas assinantes na ferramenta de busca
Veja esquemas de montagem de fôrmas
do site da revista."
metálicas para execução de cortinas. As
Eric Cozza, diretor de redação da Editora PINI
ilustrações estão disponíveis como
material complementar da reportagem
Por que alguns revestimentos
Sergio Colotto

de fôrmas metálicas.
cerâmicos de fachada
estão caindo?
"Basicamente porque o conhecimento
prático não é mais suficiente hoje em
dia. É necessário projeto. Quando o
Artigos custo sobrepõe a técnica e uma das
Confira em detalhes no site os camadas do revestimento fica
requisitos para envio de artigos para a subdimensionada, o resultado pode ser
Téchne, como número de caracteres, o descolamento generalizado, que pode
resolução de fotos e ilustrações, além acontecer em função do tipo de
de roteiro de execução. Valem solicitação atuante nos primeiros anos
também artigos para a seção Como de vida útil do edifício ou muito depois."
Construir. Veja ainda a lista completa Engenheiro Jonas Silvestre
dos artigos já publicados. de Medeiros

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ÁREA CONSTRUÍDA
Fachada aerada
Localizado no setor de Autarquias edificação. Esses elementos foram
Sul, em Brasília, o edifício Multi executados em granito e garantem
Brasil, da Multi Construtora e In- o isolamento térmico, pela criação
corporadora, diferenciou-se pelas de um colchão de ar entre o exte-
soluções técnicas para garantir o rior e o interior da edificação. É o
conforto térmico dos usuários. O que chamamos de "fachada aera-
responsável pelo projeto arquitetô- da", conta Merval. A especificação
nico do edifício, Merval de Oliveira de vidros laminados duplos tam-
Filho, conta que houve uma preo- bém ajudou a reduzir em 30% o di-
cupação especial com esse aspecto mensionamento do sistema de ar-
já que a edificação deveria ser, ne- condicionado local. O material
cessariamente, voltada para oeste. utilizado, fornecido pela Glassec,
"Foram projetados elementos de possui baixo coeficiente de sombra
sombreamento da fachada, tanto no e alta transmissão de luz, que aten-
embasamento quanto no corpo da deram às necessidades do projeto.
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Prêmio Falcão Bauer de Inovação Tecnológica


A CBIC (Câmara Brasileira da Indús- categoria: Novos Materiais, Novas
Ex-alunos premiam
tria da Construção) entregou em outu- Ferramentas e Novas Técnicas. Os tra- trabalho de Iniciação
bro, em João Pessoa, o Prêmio Falcão balhos completos estão disponíveis no
Bauer de Inovação Tecnológica. Foram site da CBIC (www.cbic.org.br). Con-
Científica
ao todo seis prêmios, dois para cada fira os vencedores: Moisés Ribeiro Abdou foi o ven-
cedor do 1o Prêmio AEP-Poli de
Modalidade Novos Materiais
Iniciação Científica. Ele e sua
1o lugar: Painéis de fachada Bernardo Fonseca Tutikian (RS)
orientadora, a professora Liedi
arquitetônicos em concreto reforçado
Bernucci, receberam uma pre-
com fibras de vidro (GRC)
miação de R$ 12 mil para visitar
2o lugar: Alternativa ao capeamento Cláudio Luiz Dias Leal (RJ)
universidades estrangeiras que
de corpos-de-prova de concreto
realizam trabalhos em sua área
de pesquisa – Engenharia e Infra-
Modalidade Novas Ferramentas
Estrutura de Transportes. A pre-
1o lugar: Sistemas Mictórios Ecoeficientes Ederaldo Godoy Júnior (SP)
miação é concedida pela AEP
2o lugar: Parafuso antifurto para ferragens Paulo Simões Rodrigues (RS)
(Associação de Engenheiros Po-
de estruturas metálicas Vitor Borges (RS)
litécnicos), agremiação de ex-
alunos da instituição que tam-
Modalidade Novas Técnicas
bém banca bolsas de estudo para
1o lugar: Projeto metro quadrado por minuto Luigi Correia Borchio (ES)
graduandos da Escola Politécni-
2o lugar: Desconstrução de edificações Paulo César Perez (RS)
ca da USP que não conseguiram
verticalizadas: responsabilidade social, Ângela Borges Masuero (RS)
financiamento por meio de ór-
ambiental e profissional da cadeia produtiva
gãos oficiais.
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AREA CONSTRUIDA

Seguro de perdas para fôrmas


A rede de aluguel de equipamentos cipou, foi elaborado um histórico de

Divulgação
para construção Locguel criou o se- probabilidades de perdas de peças.
guro para peças faltantes na locação Por exemplo, o levantamento mos-
de fôrmas metálicas. Criado a partir trou que obras como canalizações e
da solicitação dos próprios clientes, o serviços de fundação são recordistas
Fundo de Compensação Patrimonial, em perdas de peças. Se, no final da
como é chamado o serviço, cobre a obra, o cliente apresentar uma perda
perda dos principais componentes do menor do que o valor do seguro con-
sistema. A partir dos registros de tratado, a diferença é convertida em
todas as obras de que a empresa parti- bônus em um próximo serviço.

Estudo traça perfil do engenheiro globalizado


Estudo realizado por oito universida- glota,amplamente instruído e cultural- dupla formação.Isso tem impacto dire-
des de seis países – entre elas a Escola mente bem informado, conhecedor to nas instituições de graduação. "Os
Politécnica da USP – traçou o perfil que dos mercados, empreendedor, inova- acordos de cooperação entre as univer-
o engenheiro deve ter para se inserir na dor e flexível. Para o professor Paulo sidades devem ser cada vez mais esti-
economia globalizada. A formação bá- Carlos Kaminski, do Departamento de mulados para viabilizar a mobilidade
sica de nível superior já não garante ao Engenharia Mecânica e um dos res- dos estudantes, e o apoio das agências
profissional um bom desempenho no ponsáveis pelo estudo no Brasil, é es- de financiamento nesse processo deve
mercado de trabalho. Segundo as con- sencial despender parte dos estudos no ser redobrado", afirma. "Os laços da
clusões do estudo, além de capacidade exterior durante a graduação, seja por universidade com a indústria também
técnica, o engenheiro precisa ser poli- meio de cursos de curta duração ou de terão que ser mais estreitos", completa.
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ÍNDICES
IPCE em São Paulo Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
35
Ano 2006 encerra com pequena variação
nos preços dos materiais IPCE global
30 IPCE materiais
onstruir em São Paulo ficou em IPCE mão-de-obra
C média 6,67% mais caro em de-
zembro, de acordo com o levanta-
25

mento do IPCE (Índice PINI de Cus- 20


tos de Edificações) feito na região
metropolitana. O percentual é supe- 15
rior à média registrada no mesmo pe-
ríodo pelo IGP-M (Índice Geral de 10 9 9 9 9 8
8,69 8 8 8 8 7,27
Preços de Mercado), medido pela 7 6 7
6 5 5 7 7 7 7 7 7 6,67
Fundação Getúlio Vargas. Segundo o 5 5,40 4 6 6 6 6 6 6 6
3 5 6,12
índice, a variação da inflação em de- 2 2
2,08
zembro foi de 3,83%.
0
O custo global do IPCE encerrou Dez/05 Fev Abr Jun Ago Out Dez/06
o ano com uma discreta variação acu-
mulada de 0,07%, enquanto a do Data-base: mar/86 dez/92 = 100
IGP-M ficou em 0,32%. O preço do Mês e Ano IPCE – São Paulo
tubo soldável de cobre classe E (Ø = global materiais mão-de-obra
22 mm) passou de R$ 17,43 para R$ Dez/05 104.064,67 50.172,12 53.892,56
18,11/m, o que equivale a 3,92% de jan 104.553,74 50.661,19 53.892,56
aumento. No ano, o preço do tubo de fev 105.110,20 51.217,64 53.892,56
cobre acumulou alta de 66,07%. mar 104.327,62 50.435,06 53.892,56
Também sofreram aumentos os pre- abr 104.425,80 50.533,25 53.892,56
ços do lavatório de louça, que passou mai 109.352,73 52.161,98 57.190,76
de R$ 30,68 para R$ 31,31/un, e do jun 110.471,04 53.280,28 57.190,76
eletroduto de PVC roscável, com alta jul 110.411,03 53.220,27 57.190,76
de 2,39%. ago 110.432,28 53.241,52 57.190,76
Embora mais de um terço dos set 110.443,36 53.252,61 57.190,76
materiais da cesta de insumos do out 110.677,85 53.487,10 57.190,76
IPCE tenham apresentado reajuste nov 110.937,11 53.746,35 57.190,76
superior à variação, não houve conse- Dez/06 111.010,59 53.819,83 57.190,76
qüência sobre o índice global, que se Variações % referente ao último mês
manteve estável. mês 0,07 0,14 0,00
acumulado no ano 6,67 7,27 6,12
acumulado em 12 meses 6,67 7,27 6,12
Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
variações dos preços de um lote básico de insumos. O número índice é atualizado por
pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa
na última semana do mês de referência.
Fonte: PINI

Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 3352-6402
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Pastilha de vidro
mento cerâmico. Quanto à execução

Arquivo
Que cuidados devem ser tomados na
aplicação de pastilhas de vidro em existe a necessidade de que as bases
fachadas? O que deve prever o projeto? apresentem boa resistência e coesão, e
Giacomo Siciliano Neto que sejam bem regularizadas porque a
por e-mail fina camada de argamassa colante pra-
ticamente não tem a capacidade de ab-
Pastilhas de porcelana,usualmente com sorver desalinhamentos, irregularida-
dimensões de 2 x 2 cm, são bastante in- des de plano e outras imperfeições. Ar-
dicadas para o revestimento de facha- gamassas colantes devem ser especial-
das, em função da impermeabilidade há que se destacar inicialmente a neces- mente formuladas com adesivos de
conferida às paredes e da durabilidade. sidade de modulação horizontal e verti- contato (resina acrílica, SBR, etc.), pelo
Embora com superfície muito lisa e po- cal, evitando-se o corte das peças, intro- problema anteriormente comentado
rosidade quase desprezível, o material dução de peitoris, molduras, frisos, pin- das superfícies lisas/pouca porosas.Para
de rejunte presente nas bordas das peças gadeiras e outros detalhes visando difi- evitar desalinhamentos ou dentes entre
favorece a sua aderência com a base; cultar deposição de fuligem, evitar es- os painéis subseqüentes (com dimen-
pelas pequenas dimensões das peças, corrimentos concentrados de água, sões em torno de 30 x 30 cm), há neces-
particularmente no caso de pastilhas manchas e desagregação do material de sidade de mão-de-obra muito habilita-
com cores claras, as movimentações rejuntamento, etc. Em panos muito ex- da, mais até do que no caso de assenta-
térmicas são bastante restritas, não che- tensos é sempre interessante a introdu- mento de placas cerâmicas individuais.
gando, nos casos gerais, a prejudicar ir- ção de juntas de dilatação, para mini- Ercio Thomaz
reversivelmente a aderência com o pas- mizar os riscos de que problemas das al- Cetac–IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente
sar do tempo. Relativamente ao projeto, venarias venham a refletir-se no revesti- Construído)

Pastilha sobre drywall


Que argamassa devo utilizar para assentar absorção de água muito baixa, são indi- rial de rejuntamento. Como cuidado
pastilhas cerâmicas de 10 x 10 cm sobre cadas argamassas mais flexíveis, ou tipo adicional, pode-se adotar nesses encon-
paredes de gesso acartonado? de pastas de resina, que conferem ade- tros um rejunte mais flexível. Em locais
Henrique Candeia Formiga rência elevada.Quanto às juntas,devem públicos, com excesso de uso e ação da
João Pessoa ser respeitadas as dimensões recomen- água, pode ser recomendável a aplica-
dadas pelo próprio fabricante da placa ção de impermeabilizante sob o revesti-
Para aplicações usuais de materiais cerâ- cerâmica; no que se refere aos cantos de mento cerâmico; neste caso deve-se
micos em paredes de gesso acartonado paredes ou encontros com o piso e o empregar argamassas especiais ou pas-
recomenda-se argamassa colante tipo forro, podem ser aplicados vedantes fle- tas de resina de alta aderência.
ACII ou ACIII. Para aplicações específi- xíveis, porém não é condição indispen- Cláudio Vicente Mitidieri Filho
cas, caso de placas cerâmicas de grandes sável, desde que sejam deixadas juntas Cetac–IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente
dimensões ou material cerâmico com nos encontros, para aplicação do mate- Construído)

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CARREIRA

Augusto Carlos de
Vasconcelos
Curiosidade do engenheiro o transformou em um dos primeiros
professores de estruturas de concreto protendido do País

e existe alguém com muita expe- çou a procurar outros serviços. Um


S
Marcelo Scandaroli

riência em cálculo de estruturas em professor da Poli-USP ficou sabendo e


concreto armado e protendido,essa pes- se ofereceu para ajudar o engenheiro.
soa é Augusto Carlos de Vasconcelos.No Passou à responsabilidade de Vasconce-
final da década de 1930, quando termi- los uma obra que ele faria na Igreja
nou o colegial e se preparava para fazer Nossa Senhora do Jaguaré, zona Oeste
os exames da faculdade, até cogitou cur- da São Paulo. Ele receberia, ao final de
sar Biologia ou Música, mas ele temia seis meses, menos da metade do que ga-
que isso não lhe sustentasse.A engenha- nharia como pesquisador do IPT, mas
ria não o deixou rico, mas ele garante aceitou o desafio. Mais de 50 anos de-
que lhe trouxe satisfação pessoal. pois, ainda agradece a gentileza do pro-
Com incentivo dos tios, donos de fessor John Ulic Burke Jr., que, além de
uma construtora no Rio de Janeiro, es- ter lhe indicado o serviço, ainda lhe
colheu a engenharia. Mudou-se de dava as chaves de seu escritório para
Augusto Carlos de Vasconcelos
Santos para São Paulo, para prestar que ficasse durante a noite desenvol-
Idade: 84 anos
exames para o curso de Engenharia vendo os projetos da igreja e consultan-
Graduação: engenharia mecânica-
Mecânica-Eletricista na Escola Politéc- do, se necessário, a bibliografia e o ar-
eletricista em 1946 e engenharia
nica da USP (Universidade de São quivo de projetos que guardava. "Eu
civil, em 1948, ambas pela Escola
Paulo).Sua intimidade com a Física,es- sempre o admirei por causa disso, pela
Politécnica da USP
pecialmente com eletromagnetismo, forma nobre de ele atuar."
Especializações: tese de doutorado
pesou na decisão. Formado, porém, Com Burke, Vasconcelos apren-
sobre modelos fotoelásticos, pela
tornou-se pesquisador do IPT (Institu- deu a formatar e apresentar projetos.
Alexander Von Humboldt Stiftung
to de Pesquisas Tecnológicas do Estado A desenhar, aprendeu com um não-en-
(Alemanha), em 1956
de São Paulo), na seção de Verificação genheiro, funcionário surdo do DER
Empresas em que trabalhou: IPT,
de Estruturas. Seu diploma lhe dava o (Departamento de Estradas de Roda-
Escola Politécnica, Universidade
direito de trabalhar na área. A partir gem) que fazia "bicos" desenhando
Mackenzie, Protendit
dali, nunca mais deixaria de trabalhar plantas para obras.Vasconcelos garante
Cargos que exerceu: professor-
com estruturas.Ele gostou da idéia,mas que,apesar das dificuldades de comuni-
assistente de "Cálculo Diferencial
não havia estudado temas como Con- cação,aprendeu com ele,e não na facul-
e Integral" e "Cálculo Vetorial", na
creto e Estradas na faculdade. Partiu dade, a fazer melhor os desenhos das
Poli-USP; e de Física I e II na FEI;
para mais um ano de faculdade de En- plantas. Ao final da obra, mesmo com a
professor da disciplina "Resistência
genharia Civil, também na Poli-USP, baixa remuneração, o engenheiro reco-
dos Materiais, Estabilidade das
para complementar sua formação. nhece que o trabalho não foi perdido.
Construções", na Poli-USP
Com o passar do tempo, Vasconce- "Fiz 48 plantas nesses seis meses e
los começava a ficar descontente com aprendi a fazer os desenhos. Desenhan-
seu emprego no IPT. Foi quando come- do a gente aprende", conta. "Foi um

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irregulares, usando conceitos de fotoe-


lasticidade. Ele explica: era possível cal-
Dez questões para Augusto Carlos de Vasconcelos cular tensões em peças com forma de
1 Obras marcantes de que 6 Melhor escola de engenharia: barra – como pilares e vigas – ou de pla-
participou: Edifício Sumitomo e hoje, a Escola de Engenharia de São cas – como as lajes.Fora desse padrão,só
Shopping Top Center (ambos na Carlos, da USP, com uma com métodos experimentais como o da
avenida Paulista, em São Paulo), extraordinária produção científica fotoelasticidade, verificando os desvios
Banco Itaú, na rua Boa Vista (SP) e de luz polarizada em modelos transpa-
ponte sobre o Rio Tocantins (GO) 7 Um conselho ao jovem rentes. Hoje, Vasconcelos reconhece, de
profissional: aprender os conceitos nada adiantou, no Brasil, seu trabalho
2 Obras mais significativas da da engenharia, já que a parte braçal, de doutorado. Com a falta de equipa-
engenharia brasileira: Ponte de cálculos, é tarefa para o mentos para ensaio no País, utilizou seu
sobre o Rio do Peixe (SC), Edifício computador executar conhecimento apenas uma vez,em uma
Manhattan (RJ), Cúpula Elíptica obra do Banco Itaú na Rua Boa Vista,
de Concreto Armado do Hotel 8 Principal avanço tecnológico em São Paulo. Mais tarde, o advento do
Quitandinha (RJ) – todos recente: concreto compactado com computador enterraria de vez as neces-
recordes mundiais rolo, para uso em barragens, e sidades desse tipo de ensaio.
concreto auto-adensável A estada na Alemanha, porém, teve
3 Uma realização profissional: ter outra utilidade para Vasconcelos. Para-
fundado a primeira fábrica brasileira 9 Indicação de um livro: "O lelamente ao trabalho de doutorado,ele
de pré-moldados em concreto Concreto Armado no Brasil", de minha participou das aulas sobre concreto
protendido de fios aderentes autoria, Editora PINI, e as obras do protendido dadas pela segunda vez
professor Telemaco Van Langendonck após a Segunda Guerra Mundial. O
4 Mestres: John Ulic Burke Jr., Hubert professor Hubert Rüsch, que dava o
Rüsch, Ernst Mönch, Nilo Amaral e 10 Um mal da engenharia: o curso, conta Vasconcelos, tinha muita
Telemaco Van Langendonck, de quem formando sair da escola sem vivência prática no assunto. Quando voltou ao
fui assistente na Faculdade de profissional e começar a usar o Brasil, traduziu as apostilas do alemão e
Arquitetura e Urbanismo da USP computador sem saber o que está deu aulas na cadeira de Concreto Pro-
fazendo. Isso é agravado pelo método tendido, aberta pelo curso de Engenha-
5 Por que escolheu ser de contratação dos construtores, que ria Civil da Universidade Mackenzie.
engenheiro: gosto pela física e pela se baseia mais em preço do que na Montou um escritório de cálculo es-
matemática, aliado ao incentivo dos inteligência e pragmatismo do trutural de concreto protendido e aven-
tios, donos de uma construtora engenheiro projetista turou-se no campo industrial. Criou a
primeira empresa brasileira de estrutu-
ras pré-moldadas de concreto protendi-
jeito muito duro, penoso – mas o único to, eram raros. "O pouco que eu ouvi do de fio aderente, a Protendit. Nela tra-
– de aprender. Eu estava, na realidade, em palestras não esclareceu nada", ex- balhou por sete anos, mas, por proble-
pagando aulas, e não recebendo remu- plica Vasconcelos. Uma oportunidade mas financeiros, teve que se desfazer da
neração pelo serviço. Aulas muito me- surgiu e ele foi trabalhar como profes- empresa. Continuou com seu escritório
lhores do que as que eu havia recebido sor assistente de cálculo na Poli-USP. de cálculo de estruturas por 38 anos.
na Escola Politécnica", brinca. Em 1954, veio um convite para uma Acabou não trabalhando com os
Uma tecnologia recente no campo bolsa de doutorado na Alemanha. tios, que o incentivaram a entrar na
das estruturas despertava sua curiosi- Partiu para Munique, mesmo sem engenharia. Ele fica aliviado: "Lá, eu
dade. Ninguém sabia dizer exatamente falar bem alemão, e lá desenvolveu em seria um simples empregado. Foi me-
o que era, na época, o concreto proten- prazo recorde de 14 meses sua tese de lhor trilhar um caminho independen-
dido. No curso de engenharia civil não doutorado. Era sobre métodos experi- te", afirma.
existia essa cadeira; livros sobre o assun- mentais de cálculo de tensão em peças Renato Faria

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MELHORES PRÁTICAS
Escoramento remanescente
Desempenho da estrutura e ausência de patologias em demais sistemas
dependem diretamente do planejamento eficaz dessa estrutura provisória
Fotos: Marcelo Scandaroli

Planejamento
O plano operacional para o
escoramento remanescente deve
contar com projeto próprio,
implicando diretamente nas
propriedades do concreto. Os
principais itens são o ciclo de
concretagem, as características
do concreto ao executar a laje
imediatamente acima, a sobrecarga
de utilização das lajes, o peso
próprio, as características e o
posicionamento das escoras e a
quantidade de jogos necessários.

Posicionamento
A parte inferior das fôrmas deve
contar com marcas que determinem

Organização prévia o posicionamento correto das escoras.


A colocação das escoras deve ocorrer
No dia do lançamento do concreto as retiradas do andar mais baixo que ainda antes do lançamento do concreto.
escoras já devem estar posicionadas nos contar com escoramento residual e, por A tarefa deve ser executada pelo
locais determinados pelo projetista ser mais antigo, já apresenta resistência operário que acompanha a
estrutural. Um dia antes, devem ser suficiente. concretagem sob a laje.

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Aperto
A migração das cargas do cimbramento
original para o remanescente tem que ser
natural, com distribuição uniforme, a
partir do descimbramento. Para tanto, o
aperto das escoras contra a laje deve ser
manual, apenas pressionando-as contra a
fôrma de modo que não sobrem espaços
vazios nos apoios e, tampouco,
introduzam esforços danosos.

Apoio remanescente
Por todo o período de cura, ao menos consideração, no dimensionamento,
28 dias, as escoras remanescentes de que as cargas são "distribuídas", o
devem permanecer intactas, evitando que exige distância limitada entre as
inclusive qualquer reposicionamento. escoras, independentemente da
Isso é importante devido à capacidade delas.

Migração das cargas


Após comprovação das características do ser realizada na seqüência indicada,
concreto, respeito aos procedimentos de transferindo corretamente as cargas
projeto e autorização do responsável pela para os apoios, mantendo a integridade
obra, o escoramento remanescente pode e o bom desempenho da estrutura sem
ser retirado. No entanto, a retirada deve esforços não previstos.

Norma de referência: NBR 14931 – Execução de estruturas de concreto – Procedimento, em vigor desde abril de 2004
Colaboração: engenheiro Paulo Assahi, da Assahi Engenharia, engenheiro Ricardo França, da França & Associados, e Cyrela Brazil Realty

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ENTREVISTA
Fator fôrma

Marcelo Scandaroli
NILTON NAZAR
Formado em engenharia civil pela
Escola de Engenharia Mauá, em
1972, Nilton Nazar projeta fôrmas
há 24 anos. Sua carreira começa em
1973, como assistente técnico de
engenharia da Jubran Engenharia.
De 1974 a 1975 foi engenheiro de
obras da construtora Bracco Thomé.
Ainda em 1975 transferiu-se para a
construtora Inc. Fresno, onde era
engenheiro coordenador. De 1976 a
1982 foi coordenador
superintendente do Consórcio
Técnico de Engenharia e Arquitetura
Ltda. De lá saiu para fundar a Hold-
Pemarc Engenharia Ltda., onde é
diretor geral. É também bacharel
em administração de empresas pelo
Mackenzie e pós-graduado em
Política e Estratégia pela USP
o contrário do que se poderia fôrmas e cimbramentos. Composto
(Universidade de São Paulo), além
de ter cursado a Escola Superior de
Guerra. Em 2006, concluiu
A imaginar, o advento das fôrmas
industrializadas aumentou a impor-
pelos mais variados representantes, o
grupo deve concluir o texto em, pelo
mestrado em Habitação pelo IPT tância do projetista de fôrmas, e isso se menos, um ano, segundo contou Nil-
(Instituto de Pesquisas Tecnológicas deve a fatores como prazos de execu- ton Nazar, entrevistado desta edição
do Estado de São Paulo). ção, partidos estruturais e segurança. da Téchne. Ele aponta uma tendência
Bem diferente de apenas pensar em de especialização nesse setor e a im-
como manipular as fôrmas – de qual- portância crescente que a assistência
quer material – de modo que garanta técnica vem ganhando como critério
o formato desenhado pelo projetista de seleção dos fornecedores. Os proje-
de estrutura, esse profissional deve tistas não querem assumir sozinhos a
considerar custos de materiais, produ- responsabilidade por todo o sistema,
tividade da mão-de-obra e exigências recorrendo ao apoio das empresas.
arquitetônicas, dentre outros elemen- Nazar prevê também mudanças nos
tos. Ao analisar tais dados, tem como custos, uma vez que o desempenho
sugerir mudanças estruturais, poden- das fôrmas influencia muito os de-
do até modificar todo o projeto e in- mais sistemas da construção. A segu-
fluenciar significativamente no orça- rança também deve virar prioridade, e
mento. Para definir responsabilidades, os casos de colapsos de fôrmas e esco-
um grupo se organizou para elaborar ramentos devido ao mau dimensiona-
uma norma nacional para sistemas de mento tendem a diminuir.

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O que justifica, técnica e Então o uso de cimbramento metálico A produtividade equivale para sistemas
financeiramente, contratar um só se justifica em função do prazo? bem projetados e a decisão depende da
projeto de fôrmas? Peças muito altas, como lajes entre 4,5 cultura da empresa e do prazo. Nor-
Tecnicamente, justifica-se por propi- e 6 m de altura, já justificam o uso, malmente o cimbramento é composto
ciar uma estrutura com desempenho assim como vigas muito pesadas, de de torre, vigas principais e barrotes,
adequado, pois o bom dimensiona- transição, e mesmo tradicionais. Mas cada um com um peso médio. Então,
mento das fôrmas implica boa execu- em pés-direitos menores a madeira é posso tirar os barrotes e economizar
ção. Do ponto de vista econômico, a bastante competitiva, sendo possível, quase 70% do custo de locação.
racionalização no uso dos materiais. embora um pouco complicado, fazer
pés-direitos altos em madeira. Aí a vantagem da madeira passa a ser
Quais as diferenças entre uma obra indiscutível?
que contou com projeto e outra Devido à disponibilidade do metálico Não chega a 70% porque tem o custo
que não? em grandes centros, como São Paulo, da madeira, mas a vantagem é grande e,
As diferenças são enormes porque o o cimbramento em madeira está se a obra se prolonga, a diferença é
projeto concebe todos os encaixes, ra- realmente em desuso? maior ainda. Quando o ciclo de utiliza-
cionaliza os cortes e a quantidade de Tem voltado, principalmente em pavi- ção é menor e o cronograma é seguido,
madeira em função do dimensiona- mentos-tipo, quando o prazo de utili- o metálico é vantajoso em andares atí-
mento e do reaproveitamento.Sem pro- zação é longo e a madeira pode ser picos, já que é usado por menos tempo.
jeto, pode custar três ou quatro vezes vantajosa. Alega-se que o metálico traz O que não dá é para adaptar o sistema
mais. Um mestre-de-obras com muita maior produtividade, o que eu não para lajes com vigas, pois a interface
intuição e experiência pode até imitar as acredito, pois este se associa ao hábito entre os sistemas é complicada e nor-
características de um projeto tradicional da mão-de-obra e ao empenho do en- malmente não fica boa.
e diminuir um pouco a diferença. carregado e do engenheiro. Obtive ín-
dices com garfos de madeira tão ou Onde é viável o uso de fôrmas
Principalmente para o custo do mais altos do que com cimbramento metálicas?
material e da mão-de-obra? metálico. Ainda assim, vi um fornece- Em grandes reservatórios, obras públi-
Exatamente, pois o projeto concebe o dor falando que a produtividade dele cas, cortinas de concreto, obras que
escoramento e o cimbramento e en- era muito maior que a da madeira. No têm os dois lados livres e a torna mais
volve o processo construtivo, poden- entanto, os números que constato são econômica. Para edifícios, há a fôrma
do determinar a estrutura. Deve enfa- um terço abaixo dos que ele anunciava. tipo túnel, que dispensa alvenaria, mas
tizar os critérios de reescoramento e é um uso específico e que implica usar
os vincular ao ciclo de execução e à re- Como avaliar a produtividade real? grua. Fiz uma obra em São Paulo, com
sistência do concreto. Se o projeto de Como disse, depende muito do hábito prazo curto, onde usei chapa metálica.
fôrmas começar na fase de concepção da mão-de-obra e não tanto do sistema Enchi os pilares, fiz armação das vigas,
estrutural, viabiliza a escolha do siste- propriamente dito. Tenho obras cujos loquei as chapas e o cimbramento,
ma adequado. Ou seja, em função dos índices de produtividade estão em torno concretei e em 12 dias devolvi. Ficou
custos de compra ou locação e dos de 0,47 hh/m2, com madeira nas vigas e mais barato por que o prazo viabilizou,
prazos, pode compensar alterar o cimbramento metálico só nas lajes. Du- mas a análise é feita caso a caso.
projeto estrutural. vido que um cimbramento metálico al-
cance valores melhores que esse. Qual a linha de raciocínio a seguir
Isso define se o sistema será metálico para a escolha correta?
ou em madeira? Então o gargalo é a mão-de-obra? No caso de um pilar cilíndrico,se o prazo
O prazo é o maior influenciador. É a veracidade desse ponto, que os for- é menor que um mês, pode ser melhor
Quando muito longos, inviabilizam a necedores destacam, que acho difícil locar metálico. Se o prazo for maior, a
locação, mas há construtores que, por avaliar. Nossa mão-de-obra absorve fôrma de papelão passa a ser uma ótima
cultura ou hábito, preferem cimbra- facilmente sistemas novos e logo en- solução. Se usar muitas vezes, a não ser
mento metálico. No caso de pilares e grena a produtividade desejada, mas que o arquiteto queira a textura do pape-
vigas é difícil viabilizar fôrma metáli- muitas vezes as equipes são formadas lão, pode fazer com madeira. O que nor-
ca em edifícios tradicionais, e costu- no início da obra. Ao comparar siste- teia a decisão é prazo e custo,um em fun-
mamos adotar lajes com muitas vigas, mas para vigas, as produtividades se ção do outro e considerando fôrmas in-
ao contrário dos Estados Unidos e da equivalem. Isso se a madeira não ga- deformáveis e adequadas.
Europa. Usamos mais em grandes re- nhar, porque é passada de um andar
servatórios e cortinas, mas é uma boa para o outro sem guincho. Os construtores se queixam das multas
solução técnica quando não há pre- e acréscimos por perdas e danos em
dominância de vigas e é economica- Depende da experiência do peças quando da devolução. Como
mente viável. construtor e do projetista? controlar esse problema?

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ENTREVISTA

Organizando rigorosamente o recebi- Existem problemas com os itens ramento. Tem que verificar o corpo téc-
mento e a devolução, que é sempre garantidos? nico do fornecedor para esse tipo de as-
motivo de desgaste, além de acompa- Claro,a tecnologia de fabricação das cha- sessoria. No fim, o que determina é a
nhar a obra para que não se percam pas é muito complexa e delicada. Basta cultura e o hábito da empresa, já que al-
peças. As empresas não têm maneiras qualquer pequena diferença no processo gumas preferem interferir diretamente
práticas de fazer o inventário e acusam para a chapa apresentar defeitos na pren- no processo, escolhendo até as tiras do
falta ou danos em várias peças. Depen- sagem ou colagem, resultando em bo- reescoramento.
de muito da relação do fornecedor lhas, por exemplo. Daí a resistência e a
com o cliente, mas há quem deixe de colagem são prejudicadas e a garantia é O mais comum é deixar na mão do
locar por esses motivos. obrigada a repor o material. A grande projetista de fôrmas?
quantidade de material perdido e consi- Sim, mas infelizmente muitos fornece-
Quais os principais problemas derado desqualificado fez alguns fabri- dores, principalmente de madeira, não
enfrentados com fôrmas em geral? cantes de fôrmas saírem do mercado. têm corpo técnico nenhum e acabam
O principal é a falta de bom treina- apenas fornecendo material.
mento da mão-de-obra, que danifica Ter carpintaria em canteiro é sempre
equipamentos por mau uso e é foco necessário? A mão-de-obra está preparada para
de desperdício. A desenforma é feita Existem três modalidades: encomendar assimilar novidades?
de maneira errada, sem cordas ou cu- o projeto e bater a fôrma na carpintaria As novidades dependem muito da ma-
nhas, o que danifica as peças. Uma da obra, pedir o projeto ao fornecedor neira como são implementadas no mer-
chapa que cai e tem o canto amassa- de fôrma pronta ou pedir ao projetista e cado. Nossa mão-de-obra, apesar de
do sofre infiltração de umidade, o executar com esse fornecedor. malqualificada e de resistir inicialmente,
que danifica e influencia sua vida tem facilidade para absorver novos siste-
útil. Daí o fornecedor diz que é devi- E o que determina a decisão? mas e até sugerir alterações de projeto.
do a mau uso e que a garantia só A confiança no consultor de fôrmas,
cobre problemas referentes à resis- que não é um mero projetista de painéis E os construtores?
tência à abrasão e à colagem das lâ- e implica todo o processo construtivo, Têm toda condição de absorver e estão
minas do compensado. podendo sugerir o esquema de reesco- ávidos por novidades e boas soluções,
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desde que viáveis economicamente,


mas muitas vezes imitam outras cons-
trutoras. Os orçamentos estão aperta-
dos, então todo mundo está atrás de
bons comparativos de custos. No en-
tanto, como grande parte das empresas
não tem mão-de-obra própria, toda a

Marcelo Scandaroli
teoria de produtividade é esquecida ao
escolher um empreiteiro qualquer.

O estudo de fôrmas pode alterar o


Com o advento da norma de fôrmas e cimbramentos, o escoramento e o reescoramento
partido estrutural?
de lajes, sejam metálicos ou em madeira, ganharão metodologia baseada em conceitos
Sim, pode. Em uma obra da qual par-
padronizados a fim de definir responsabilidades e extinguir acidentes e patologias
ticipei conseguimos reduzir em 32% o
volume de concreto, sem contar o aço,
apenas modificando o partido estru- previa cubetas e vãos de 12 m, com O projetista estrutural tem que traba-
tural da laje maciça para nervurada. A vigas chatas. Passamos para uma solu- lhar junto com o de fôrmas e deve estar
construtora gastou um pouco mais ção diferente, que deu uma diferença a par de custos de locação e outros de-
com fôrmas, mas que se repetem. Pro- teórica de 30% nos custos e que foi até talhes, além de considerar inúmeras di-
jetar não é simplesmente dimensionar maior na obra. Mas o construtor não ferenças, inclusive arquitetônicas.
a madeira para vestir o concreto. queria locar o sistema porque o ciclo de
concretagem era de 15 dias. Nesse caso, Para que lado se desenvolve e o
Alterar o sistema de fôrmas não é o que pesou na solução não foi a escolha que determina o crescimento do
mais comum? do sistema, mas o volume e o prazo. setor de fôrmas?
Isso depende de variáveis que às vezes Começam a aparecer materiais novos,
são decisões exclusivas do construtor. O construtor tem que exigir essa par- como o papelão, o polipropileno e o
Numa outra obra, a proposta inicial ticipação do projetista? PVC. A utilização adequada depende
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ENTREVISTA

de análises criteriosas de custos e, às da para fôrmas e cimbramentos. Tem to, como a sobrecarga em lajes a serem
vezes, da própria estrutura. O modis- que haver uma interface com as já exis- concretadas. O maior problema é a
mo de fazer lajes com grandes vãos se tentes normas de madeira e metálica.As pouca atenção nas universidades.
deve à introdução, principalmente na propostas estão sendo apresentadas e o
área residencial, do drywall, mas não texto leva mais um ano, pelo menos. Nenhuma escola conta com essa
acho que seja uma evolução ou ten- disciplina?
dência. O mercado está mudando, Como isso altera o mercado? A Escola de Engenharia Mauá tem, mas
mas não se sabe para onde. Haverá mudanças nos critérios de di- tenho a impressão que na Escola de En-
mensionamento, de adoção de sobre- genharia de São Carlos tem mais,porque
Tem visto novidades em canteiro que cargas para cargas verticais, para deter- a maior parte da bibliografia para minha
podem vir a ser referência futura? minar o que é carga horizontal de pres- tese veio de lá. Com 60% dos colapsos
Em termos de materiais, os compensa- são, para dimensionar as tensões de tra- em obra sendo decorrentes de mau di-
dos evoluíram em qualidade, com gra- balho e as admissíveis,passando do mé- mensionamento, isso tem que mudar.
matura maior para resistência à abrasão todo atual determinístico para o proba-
e colagem, para atender prédios altos, bilístico. Será parecida com a mudança Esse volume de acidentes tem a ver
com mais de 28 pavimentos. Outra no- ocorrida na norma de concreto. com ciclo de execução?
vidade, mas que também não acho que Não, é cimbramento mal-executado
seja tendência, é o uso de fachadas pré- Vai ficar mais ousada? mesmo. Acontece muito acidente, com
moldadas mesmo em edifícios para clas- A idéia é tornar mais econômica,alcan- colapsos durante a concretagem, que
se média. Especificamente para fôrmas çando critérios mais racionais e visan- são encobertos. Há pouquíssima for-
não tenho visto nada promissor. do a economia. Não sei até onde o mer- mação nessa área e a norma vai ser um
cado vai absorver, porque os fornece- passo grande para mudar isso.
Há um movimento pela normatização dores de madeira, com raríssimas exce-
dos sistemas de fôrmas? ções, são muito pouco técnicos e o em- Vai aumentar a responsabilidade dos
Representantes de vários setores, inclu- pirismo impera. A norma vai forçar a projetistas de fôrmas?
sive eu, foram convidados a fazer parte turma a ficar um pouco mais técnica, Eles vão ter uma carga um pouco
da norma brasileira que está sendo cria- pois traz critérios de dimensionamen- maior, mas sairão do empirismo e não
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irão se basear apenas na experiência. to. Nesse sentido é econômico, mas se térios diferentes do que boa parte dos
Temos o hábito, por exemplo, de só ambas forem indeformáveis, dá na projetistas daqui adota, já que analisam
usar o compensado de 18 mm quando mesma. Para usar metálica, tem que as cargas durante a execução da própria
poderíamos adotar o de 15 ou 12 mm tirar a viga, o que envolve a concepção estrutura. Aqui, há quem pense tanto
desde que mudássemos a quantidade estrutural. Isso, num pavimento-tipo, que o reescoramento deve ficar junto
de escoramento e considerássemos o aumenta o consumo de concreto e aço, com a concretagem da laje, como quem
barroteamento da fôrma. Esses crité- porque a espessura aumenta, mas diga o contrário, que deve desenformar
rios serão normatizados. gasta menos fôrma, que repete e tem e deixar o reescoramento com carga
menor incidência. Daí dizer que gasta zero, posicionando-o quando a laje já
Como preparar o canteiro e planejar o menos mão-de-obra, mas é difícil ava- teve a primeira deformação. É uma di-
recebimento das fôrmas metálicas? liar quanto de economia se obtém. ferença de conceito enorme e vamos
Reservando um espaço adequado e sa- tentar padronizar na norma.
bendo receber, verificando as condi- No seu caso, o que a vivência de
ções e preenchendo um romaneio de canteiro diz? Essas mudanças conceituais envolvem
todas as peças. Se estiver amassado, Eu, particularmente, acho que lajes as características do concreto?
tem que informar no canhoto da nota. grandes, sem vigas e com vãos maiores A resistência do concreto tem que ser
Ao devolver, a mesma coisa. encarecem a estrutura. Se isso traz be- pensada em função do ciclo. Ou seja, se
nefícios para a alvenaria, por exemplo, é de sete dias, seria bom que, nessa data,
Existe, de fato, uma diminuição de é outra conversa. O que vejo são gran- tivesse atingido a resistência de cálculo,
custos para execução de alvenaria e des lajes apresentando deformações e e não 70% do desejável. Isso é tanto
emboço quando do uso de sistemas patologias, muitas decorrentes de cri- mais grave quanto mais grossa é a laje,
industrializados de fôrmas? térios inadequados de reescoramento, pois em lajes pequenas a transmissão é
Diz-se que fazer laje plana sem vigas e que são mais graves em lajes grossas. menor. O projeto de reescoramento
usar equipamentos metálicos resulta exige participação do construtor, do
numa alvenaria mais precisa. Do con- Há consenso acerca dos critérios projetista de estrutura, de fôrma e, às
trário, as vigas podem sair do lugar e para reescoramento? vezes, do fornecedor de escoramento.
exigir engrossamento do revestimen- As normas americanas apresentam cri- Bruno Loturco
formas de madeiraa.qxd 3/1/2007 10:27 Page 28

FÔRMAS DE MADEIRA

Fim do improviso
Projeto e assistência de profissionais mais experientes garantem boa
produtividade na fabricação e montagem das fôrmas de madeira. Caso a opção
seja por sistema pronto, construtor tem grande número de alternativas

á uma série de explicações para o ser reutilizada, reduzindo os custos ra. Algumas se dão bem com o sistema
H fato de, no Brasil, a madeira ser
um dos materiais mais utilizados para
com a execução da estrutura.
Para trabalhar com fôrmas de ma-
pronto. Outras preferem produzi-la",
pondera o projetista Nilton Nazar, di-
se fazer fôrmas para estruturas de con- deira, as construtoras têm à sua dispo- retor da Hold Engenharia.
creto. Além de características físico- sição duas opções: adquirir chapas de Em São Paulo, o sistema industria-
químicas apropriadas para essa aplica- madeira ou de compensado para pro- lizado, que começou a ser oferecido em
ção, como resistência, estabilidade, não duzir as fôrmas no próprio canteiro, a meados da década de 1970, já é mais
toxicidade e aceitável variação dimen- partir de um projeto específico, ou utilizado que o modelo tradicional.
sional quando submetida à variação de comprar o sistema pronto. Há, ainda, Usualmente são empregadas madeiras
temperatura, trata-se de um sistema uma terceira via, mais rara, que é a ela- serradas ou chapas compensadas plas-
facilmente dominado pela mão-de- boração de um projeto de fôrmas, tificadas ou resinadas nas dimensões
obra – carpinteiros e montadores – e cujas peças serão fabricadas por uma 2,20 x 1,10 m e 2,44 x 1,22 m e espessu-
requer equipamentos simples.Aliado a empresa de fôrmas prontas. Entre ras que variam entre 6 e 21 mm. A tole-
tudo isso, a fôrma de madeira é versá- essas opções, não há um consenso rância dimensional aceitável é de ± 2
til, permite seu aproveitamento em di- sobre qual método é melhor. "É preci- mm (largura e comprimento). "Em ci-
ferentes elementos estruturais, e pode so considerar a cultura da construto- dades não atendidas por fornecedores,

Divulgação: Formaplan

28
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1
Divulgação: Hold Engenharia

Divulgação: Madeirit
Fôrma com compensado plastificado:
filme protetor deve ter boa resistência
Algumas construtoras já conseguem índices de produtividade de 0,5 homem hora/m²
para garantir cerca de 30 reúsos
com fôrmas de madeira produzidas em obra

são os próprios operários, sob supervi- ser respaldada por um projeto de fôr- apresentando projetos com desenhos
são de um mestre-de-obras, que pro- mas. Este é, aliás, um item imprescin- simples, claros e completos para serem
duzem as fôrmas, com ou sem projeto dível quando se pretende racionalizar utilizados pelo pessoal de campo",
específico", diz o projetista de fôrmas a obra. "Ganhos de produtividade complementa o professor Carlito Calil
Paulo Nobuyoshi Assahi, sócio-diretor consideráveis podem ser conquista- Júnior, do Laboratório de Madeira e
da Assahi Engenharia. dos a partir da produção idealizada de Estruturas de Madeira da Escola de
Qualquer que seja o local de fabri- pelo projetista", ressalta Assahi, que Engenharia de São Carlos–USP.
cação, melhorar o aproveitamento revela, ainda, que algumas construto- São igualmente determinantes
das fôrmas e garantir que resistam às ras já conseguem índices de produti- para garantir a eficiência e a qualida-
cargas verticais e laterais até que o vidade de 0,5 homem hora/m² com de das fôrmas o correto dimensiona-
concreto tenha condições de suportá- fôrmas de madeira produzidas em mento dos elementos, que deve seguir
las depende de uma série de cuidados obra, valor seis vezes menor do que as recomendações da NBR 14931,
e ações. A começar pela especificação era conseguido há 30 anos. "Tempo e além de boas práticas na hora da exe-
do sistema e dos materiais a serem uti- dinheiro certamente são economiza- cução. Essa etapa do processo é a mais
lizados, que preferencialmente deve dos quando se otimiza o trabalho suscetível a falhas que levam a danos

Dicas
1) A produtividade decorre diretamente no corte. Assim, é importante definir os 6) O sistema de fôrma é normatizado
da escolha correta do sistema e do procedimentos de inspeção objetivos, de pela NBR 14931 e é recomendado que
treinamento da mão-de-obra. maneira que o próprio profissional possa seja dimensionado conforme as suas
2) Deve-se procurar o sistema mais atuar como conferente dos seus serviços. prescrições.
econômico, nunca o mais barato. Afinal, a 5) Projetos de fôrmas são sempre 7) Para evitar que a nata do cimento
qualidade da estrutura resultante importantes para se tirar melhor proveito da escorra e o concreto perca resistência,
influencia os custos dos outros solução escolhida. Mas no caso de fôrmas não devem ser toleradas frestas, mas se
subsistemas que compõem a construção. feitas em obra, é ainda mais importante não for possível, não poderão ter mais
3) Todo equipamento exige manuseio estudar e planejar as fôrmas para otimizar o que 1 mm.
segundo o seu manual de procedimentos corte e reduzir as perdas. As bordas cortadas 8) É importante que todo sistema de
de execução e de inspeção. devem ser seladas com tinta apropriada para fôrma seja adquirido de empresa idônea,
4) A medida, o alinhamento e o evitar a infiltração de umidade e elementos com devida apresentação da ART
esquadro dos painéis devem ficar dentro químicos do concreto entre as lâminas, (Anotação de Responsabilidade Técnica)
da tolerância dimensional estabelecida principal fator de deterioração. do Crea.

29
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FÔRMAS DE MADEIRA

Norma geral
O que motivou a Abrasfe e o CB-2 a A tendência de uso de concretos com

Divulgação
criarem um Comitê de Estudos de slump alto (bastante fluidos) mexe
Fôrmas e Escoramentos? com as características das fôrmas?
Existe uma dificuldade de se estabelecer Sem dúvida. Quanto mais fluido for o
critérios de projeto e dimensionamento concreto, maior será a pressão exercida
de fôrmas e escoramentos, e o sobre as fôrmas. Além do slump, outros
construtor só pode recorrer aos fatores, como velocidade de lançamento
catálogos das empresas. Assim, cada do concreto, também interferem na
fabricante estabelece seus parâmetros pressão sobre as fôrmas.
ou utiliza as normas de seus países de
Wilton Taparelli Chade
origem como baliza. Além disso, existe De que modo o problema das
Diretor técnico da Formaplan e membro
uma defasagem tecnológica e normativa. deformações lentas está relacionado ao
do Comitê de Estudos de Fôrmas e
As fôrmas de madeira, em particular, mau uso de fôrmas e cimbramentos?
Cimbramentos do CB-2
sofreram grandes transformações nos Principalmente pela desenforma em
últimos 30 anos. Mudaram os materiais curto prazo (poucos dias) sem considerar
e os prazos das obras, sobretudo de as características do concreto, as cargas houver fissuração prematura, os
edifícios. De um modo geral, as fôrmas atuantes, o peso próprio. Tudo isso sem a pavimentos terão maiores
deixaram de ser produzidas pela manutenção do correto escoramento deformações ao longo do tempo.
carpintaria, apenas com base nos permanente ou residual. Esse, a meu ver,
projetos estruturais. Surgiram projetos é o aspecto mais relevante que está Quais os principais problemas da
específicos de fôrmas, elaborados por sendo debatido nessa tarefa de revisão normatização vigente sobre
profissionais especializados, para das normas. As ações presentes durante fôrmas e escoramentos?
dimensionar corretamente os sistemas, a construção de estruturas de edifícios A normatização não abrange as
reduzir desperdícios e aumentar o em concreto armado são necessidades atuais. São necessárias
reaproveitamento dos materiais. significantemente influenciadas pelo mais orientações e definições de
Pretendemos definir critérios para processo construtivo. Os pavimentos dimensionamento e diferenciar os
projeto, dimensionamento de fôrmas recém-concretados são suportados por coeficientes de segurança de acordo
e escoramentos para estruturas pavimentos previamente concretados, com cada material de que é produzido a
de concreto que contemplem os por meio de fôrmas, escoras e escoras fôrma ou cimbramento (madeira, aço,
diversos sistemas. permanentes ou reescoramentos. Se alumínio, etc.).

Tabela 1 – FÔRMA FEITA EM OBRA X FÔRMA PRONTA


Fôrma feita em obra Fôrma pronta
Pontos fortes  Materiais empregados: quando produzida no  Facilidade para aquisição: basta o projeto
canteiro, as opções de qualidade são maiores, estrutural para comprar um sistema de fôrma pronta
principalmente para escolha das madeiras  Se o construtor quiser personalizar a sua fôrma,
serradas, podendo-se obter o sistema é possível contratar somente a confecção com
mais adequado e durável apresentação do projeto de produção de fôrma
 Facilidade de modificações: toda fôrma necessita  Produção industrial pode proporcionar melhor
de modificações para reúsos até alcançar o aproveitamento das toras de madeira
pavimento-tipo. Quando a fôrma for feita no canteiro,
as operações para promover essas modificações são
mais práticas, mesmo porque a estrutura está pronta
(bancada de carpintaria, equipamentos instalados
etc.) e os responsáveis pela produção são os
mesmos que fazem a montagem
Pontos fracos  Necessidade de espaço: é preciso ter  Nos locais mais distantes, o custo de transporte
aproximadamente 50 m² para montar a carpintaria inviabiliza a aquisição
e outros 50 m² para estoque de materiais,
nem sempre disponíveis no canteiro de obra
 Gera mais resíduos
Fonte: engenheiro Paulo Assahi

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Cuidados na desenforma
Os danos às chapas ocorrem geralmente Para desenforma de vigas:
durante a desenforma, por falta de  retirar a guia de nivelamento de apoio das
cuidados de manuseio. O projeto deve transversinas pregadas nos garfos das vigas
facilitar a desmontagem das chapas e  retirar o garfo do meio e reescorar o
evitar quebras. O engenheiro deve estar fundo da viga
sempre próximo. Veja a seguir um roteiro  retirar os garfos restantes, reescorando
recomendável para essa etapa: a cada 1 m aproximadamente

Começar pela desenforma dos Para desenforma de lajes:

Divulgação: Hold Engenharia


pilares:  retirar as longarinas e transversinas
 retirar os prendedores dos tensores e  reescorar a faixa de reescoramento das
os tensores quando estes forem extremidades para o centro
reaproveitáveis  retirar os mosquitos
 retirar os gastalhos fixos no chão  com cuidado, retirar as chapas de Fôrmas feitas em obra: são necessários
 retirar os painéis das faces dos pilares compensado
cerca de 50 m² para a carpintaria e
Fonte: professor Carlito Calil Júnior/LaMEM/SET/EESC/USP outros 50 m² para o estoque

irreparáveis nas fôrmas e com isso por exigir pouca habilidade manual", quando o seu reúso for limitado, ou
geram desperdício. destaca Paulo Assahi. tornar-se o item mais barato se explo-
Durante a desenforma, o operário Assim como os cuidados com o rar-se ao máximo o seu potencial de
inapto – que em vez de cunhas utiliza uso, a qualidade dos materiais que reutilização. "Em um andar atípico,
pés-de-cabra, por exemplo – pode ma- compõem as fôrmas está diretamente com apenas uma utilização, a fôrma
chucar a chapa dando origem a pontos associada às possibilidades de reúso. pode consumir 50% do orçamento de
mais vulneráveis à penetração de umi- Os painéis de compensado devem uma estrutura. Já em um edifício com
dade, diminuindo a vida útil da fôrma. apresentar boa resistência à colagem e 28 pavimentos, onde haverá muita re-
O mesmo ocorre quando a fôrma é à abrasão, o que é conseguido com a petição, ela pode custar apenas 5%",
derrubada e tem sua ponta danificada. gramatura do filme de proteção. Cerca compara Nazar.
Limpeza adequada e uso de des- de 30 usos podem ser obtidos, por "Em situações em que é preciso
moldantes apropriados também são exemplo, com compensado plastifica- moldar uma única laje, por exemplo, o
importantes para que a garantia dada do com superfícies revestidas com custo do sistema em madeira é muito
pelo fornecedor seja preservada. "Em- filme fenólico de gramatura de 440 superior ao de outros sistemas. Nesse
bora o trabalho de carpintaria exija g/m² e topos selados com resina im- caso, a melhor opção pode ser exe-
intensa orientação e treinamento por permeabilizante. Vale lembrar que as cutá-la no sistema pré-laje, com aqui-
parte do construtor ou contratante, fôrmas de madeira podem se tornar sição de lajes pré-moldadas ou locar
preparar um carpinteiro é algo que um item muito caro na composição fôrma metálica, durante um prazo
pode ser conseguido em prazo curto, do custo da execução da estrutura curto, que resultará na opção mais
econômica", exemplifica Assahi.
São recomendações pertinentes
Recebimento de Tipos de chapas também usar software de projeto e uti-
lizar apenas madeiras reflorestadas,
compensados Resinada – Recebe resina fenólica
como pínus e eucalipto. A primeira
para resistir à água. Indicada
 Verificar se as chapas não têm para fazer fôrmas de concreto
medida reduz os desperdícios e otimi-
nenhum defeito, como bolhas na za o projeto; a segunda, claro, além de
não-aparente.
superfície ou se estão tortas uma questão legal, é sobretudo de ca-
 Escolher um fornecedor com Plastificada – Recebe acabamento
ráter ambiental. "Os projetistas preci-
credibilidade no mercado e exigir garantia sam fazer o dimensionamento das
com filme plástico, conferindo-lhe
da gramatura do filme de proteção fôrmas a partir das características das
ótima resistência à água. O número
 Verificar a qualidade da colagem de reutilizações depende da
madeiras reflorestadas. É importante
da chapa. Para isso, cortar um pedaço do comprar produtos de fabricantes com
espessura do filme, mas geralmente
compensado de 20 x 20 cm e deixá-lo responsabilidade ambiental compro-
é o dobro da chapa resinada. Confere
em água fervente por cerca de 30 min vada, ou exigir o selo ou documenta-
ao concreto aparente uma superfície
Fonte: engenheiro Nilton Nazar, Hold ção de origem", conclui Nazar.
mais lisa e uniforme.
Engenharia Juliana Nakamura

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FÔRMAS METÁLICAS

Industrialização máxima
Duráveis e agora com maior flexibilidade dimensional, os sistemas
metálicos tornam-se aos poucos uma alternativa mais competitiva

responsabilidade ambiental e a ma-


A

Divulgação: Rohr
turação do pensamento planeja-
dor, em que a racionalização vem por
meio de projetos bem concebidos e exe-
cutados, abriram caminho ao desenvol-
vimento das fôrmas metálicas. A desti-
nação e o tratamento adequado dos re-
síduos de construção custam caro,
assim como são pouco produtivas as
adaptações em canteiro, levando a pro-
jetos executivos mais precisos. Logo, o
ideal é que os primeiros nem sejam ge-
rados, o que depende, em grande parte,
da ausência de improvisações, que
fogem do previsto em projeto.
A tendência, observada pelo enge-
nheiro João Alberto de Abreu Vendra-
mini, diretor da Abece (Associação
Brasileira de Engenharia e Consulto-
ria Estrutural), é a redução no uso de
madeiras naturais, especialmente em
obras de maior porte em grandes cen-
tros urbanos, como edifícios de múlti-
plos pavimentos e obras industriais.
"Contudo, existem as madeiras elabo-
radas a partir da colagem ou prensa- fôrmas modulares resolve mais de quando as obras a fim de tornar essa
gem de serragem e cavacos e as peque- 80% dos casos", afirma o engenheiro industrialização possível. "A assidui-
nas obras, em que a madeira ainda é Ruy Guimarães, gerente da Racional dade de alguns clientes permite desen-
muito empregada", comenta. Engenharia. Além disso, o interesse volver conjuntamente os partidos es-
Atentos à tendência que está den- em ter a construtora como cliente trutural, arquitetônico e o projeto de
tre as principais da construção civil, a leva as empresas de fôrmas a firma- fôrmas", explica Maria Alice Moreira,
diminuição do passivo ambiental, os rem parcerias visando à solução mais diretora comercial da SH Fôrmas.
fornecedores dos sistemas atacaram adequada para cada projeto. "Por Para Vendramini, a influência do uso
aquela que talvez fosse sua principal vezes uma necessidade específica de de sistemas metálicos é mínima quan-
desvantagem técnica, a pouca flexibi- obra força o fornecedor a incluir a do a moldagem é feita in loco. "No que
lidade dos painéis metálicos. Como nova fôrma na linha de produtos", co- concerne aos pré-fabricados, muitas
resultado, atualmente algumas em- menta Guimarães. vezes temos de ajustar os projetos às
presas trabalham com módulos de até A recíproca confere com constru- dimensões das fôrmas existentes para
1 cm. "A grande disponibilidade de toras como a própria Racional, ade- facilitar o trabalho", comenta.

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Túnel de superfície
Uma vez que a intenção sempre é, ao
término da obra, ter lajes e pilares
solidarizados, deveria ser possível
concretar esses elementos ao mesmo
tempo. E tanto é possível que há cerca de
30 anos chegavam ao Brasil as fôrmas tipo
túnel, que executam simultaneamente plasticidade e cura. A características
pilares-parede e lajes de até 4 m de variam, mas, em geral, trabalha-se com
largura e 6 m de comprimento, alta resistência inicial, slump elevado e
aproximadamente. grandes volumes diários, além de
Bastam as características dimensionais vibradores de imersão. As patologias mais
para ter noção do porquê esses recorrentes surgem nos fechamentos
equipamentos não são tão difundidos laterais da estrutura, onde podem ocorrer
quanto faz crer a praticidade que deslocamentos em decorrência da
propõem. "O emprego de gruas torna-se movimentação no ponto de encontro de
obrigatório devido ao peso e à descontinuidade na utilização resultou diferentes materiais. O uso de instalações
necessidade de carga e descarga de na restrição da tecnologia. embutidas no concreto ou a adoção de
grandes volumes de concreto em curtos As obras que se beneficiam das fôrmas paredes secas, como o drywall, é
períodos de tempo", explica o engenheiro túnel são os edifícios multipavimentos conseqüência da natureza do sistema.
Adalberto Magina, da construtora Sergus, sem grandes requintes de fachada, como A própria Sergus adaptou o sistema túnel
uma das poucas empresas que utilizam o grandes varandas ou balanços. As para o chamado sistema "Banche", cuja
sistema no Brasil. aberturas de vãos em paredes são principal diferença é a retirada das fôrmas
A pequena difusão dessas fôrmas, que restritas, pois têm função estrutural. verticalmente, enquanto o sistema
foram inspiradas nas seções transversais Como a repetitividade é, talvez, o maior original prevê a retirada horizontal. Além
para concretagem de túneis subterrâneos, trunfo do sistema, o número de unidades disso, a execução é diferenciada, pois as
deve-se ao uso extremamente específico. deve ser elevado. "Acima de mil", afirma lajes são concretadas após as paredes, e
Embora altamente produtivas, são pouco Magina, o que o torna uma alternativa não simultaneamente. Também dispensa
flexíveis, o que tira as empresas de locação mais interessante para obras populares. os fechamentos laterais exigidos pela
desse mercado, já que não interessa ter Magina comenta que, como principal outra técnica. O motivo da adaptação foi a
disponível o tempo todo um equipamento material de execução, o concreto merece redução no tamanho das unidades
que será locado poucas vezes ao ano. Ou atenção especial nos aspectos de habitacionais, com dimensões que não
seja, o alto investimento inicial aliado à abastecimento, resistência inicial, eram atendidas pelas fôrmas túnel.

Outra questão técnica pertinente fôrmas metálicas é menor, pois, embo- por fôrmas metálicas principalmente
ao comparativo entre sistemas é o aca- ra o contato possa ser em madeira para blocos de fundação, pilares,
bamento do concreto. Além da ques- compensada, a estrutura é metálica e muros, paredes e caixas d'água. "Em
tão arquitetônica, que pode exigir de- apresenta menor deformabilidade ao vigas o uso é mais sofisticado e não tão
terminada aparência, está a da rigidez longo da obra. comum", complementa.
dimensional. Por mais bem projetada No entanto, a madeira ainda se Guimarães, da Racional, explica
e executada que seja uma fôrma de mostra suficientemente competitiva que, para ele, a adoção em blocos de
madeira, as últimas utilizações antes em relação à técnica quando se trata fundação se dá "menos em função da
do descarte revelarão na forma de im- da concretagem de vigas, por exem- produtividade, mas devido à perda de
perfeições no concreto o que a chapa plo. É o que atesta o gerente de negó- material", pois os sistemas metálicos
sofreu com a absorção de água e as de- cios da Ulma, Alexandre Pandolfo, são estruturados para trabalhar com
senformas. Em paralelo, o prejuízo nas que verifica um aumento na demanda tirantes de fixação e amarração.

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FÔRMAS METÁLICAS

Divulgação
Arquivo

Eficácia na contratação de sistemas metálicos depende Principalmente para atender à demanda do mercado imobiliário,
de boa relação com o fornecedor para definição de os fornecedores de fôrmas têm buscado flexibilizar os produtos
necessidades técnicas, qualidade das peças entregues e aumentar a assistência técnica. Argumentos favoráveis ao
e indenizações por avarias ao devolver sistema pregam racionalização, meio ambiente e produtividade

"Gasto menos madeira e recupero o equilíbrio entre os dois fatores ou ex- te em contrato as condições de entrega,
tirante tubular, perdendo apenas o trapolar para um dos lados, conta devolução e indenização no caso de as
tubo de PVC", explica. Nazar, que afirma ser freqüentemente peças apresentarem avarias, alguns
viável lançar mão de cimbramento construtores se sentem lesados e até dei-
Prazo de utilização metálico em andares atípicos e nas pe- xam de adotar sistemas metálicos.
Embora os sistemas metálicos es- riferias das edificações. Nesses casos, Uma vez que as fôrmas são aluga-
tejam conquistando espaço graças à um projeto bem elaborado e um cro- das,salvo exceções,não chegam ao can-
evolução técnica, o custo em função nograma acertado permitem locar, teiro em perfeito estado. É imprescin-
do prazo de utilização ainda é o maior concretar, desenformar e devolver os dível incluir cláusulas de indenização
complicador para a sua escolha. Tanto equipamentos em poucos dias. total e parcial no contrato, além de ve-
que, por esse motivo, os cimbramen- "A conta correta envolve desem- rificar e anotar no canhoto de recebi-
tos em madeira estão, surpreendente- bolso, produtividade, qualidade do mento qual a condição das peças rece-
mente, voltando à ativa mesmo em acabamento, estabilidade dimensio- bidas.A depender da aplicação, o clien-
grandes centros urbanos, que contam nal e versatilidade", explica Pandolfo. te tem o direito de exigir fôrmas em
com ampla disponibilidade desses O raciocínio de Guimarães vai além, e melhores condições. "Para peças apa-
equipamentos de uso prolongado. É o considera que eventuais incrementos rentes e fundos de laje dou preferência
que comenta o projetista de fôrmas na produtividade permitem reduzir a para materiais novos ou com pouco
Nilton Nazar, que utilizando escora- mão-de-obra. Logo, os custos indire- uso", conta Guimarães, explicando que
mento de madeira constatou índices tos também caem com reduções na isso evita retrabalhos, retoques e preo-
de produtividade parelhos aos divul- estrutura administrativa e na alimen- cupação quando da devolução.
gados pelas fornecedoras de sistemas tação dos operários, por exemplo. Essa preocupação é menor quando
metálicos (ver seção entrevista). Para ele, é essencial que construtoras e se trata de peças revestidas ou ocultas,
A repetitividade dos elementos é engenheiros percebam a importância como caixas d'água, por exemplo. Nes-
outro fator que deve, obrigatoriamen- do investimento em projeto para o su- ses casos, a aceitação de uma peça bas-
te, ser considerado para a escolha do cesso dos sistemas industrializados. tante usada pode resultar em negocia-
sistema. Mais duráveis, as fôrmas me- "As vantagens dependem de foco no ção por preços mais baixos sob a alega-
tálicas suportam entre 40 e 60 reutiliza- planejamento anterior à obra, com al- ção de imperfeições na estrutura.
ções, enquanto a madeira, se bem con- terações nem sempre significativas Bruno Loturco
servada, atinge 25 ciclos de concreta- nos demais projetos", conclui.
gem. "Notadamente, as metálicas exi-
gem menor manutenção no uso repe-
LEIA MAIS
Contrato transparente
titivo e possibilitam ciclos menores de Viabilizadas técnica e financeira- Madeira ou metal? Téchne no 100
concretagem", observa Vendramini. mente, as fôrmas metálicas podem tra- Dez opções para moldar concreto.
Logo, a conta ideal para viabilizar zer prejuízo justamente no momento Téchne no 79
os sistemas metálicos – especialmente em que não são mais necessárias,na de- Molde fácil. Téchne no 58
escoramentos – deve representar um volução. Por não estabelecer claramen- Moldura para concreto. Téchne no 50

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Alguns sistemas
PASHAL 8 mm de espessura Aplicações: lajes planas,
FV 245 e FV 260 Resistência à pressão: 50 kN/m² protendidas, nervuradas com
Quantidade média de reutilizações: 200 cubetas, grandes panos de laje

Fotos: divulgação
Peso próprio: 40 kg/m² Componentes: painéis modulares
Produtividade: 1,50 hh/m² de alumínio, escoras, suportes de
Travamentos: para paredes – duas painel e drophead para escoramento
barras de ancoragem/m2 remanescente
Altura máxima de concretagem: Movimentação: manual
4,50 m, respeitando a velocidade de Contato: compensado plastificado
concretagem de 1,00 m/h com 10 mm de espessura
Resistência à pressão: lajes
SH maciças de até 30 cm
Aplicações: pilares, paredes e Concreform Quantidade média de
conjuntos habitacionais reutilizações: 40
Componentes: painéis com 1,25 e Peso próprio: 12 kg/m2
1,025 m de altura e 0,10 a 1 m de Produtividade: 0,3 hh/m2
largura, variando a cada 5 cm, barras de Travamentos: 0,6 escoras/m2
ancoragem, presilhas, aprumadores e Altura máxima de concretagem:
andaimes de trabalho lajes de 30 cm
Movimentação: manual ou mecânica
Contato: revestimento em chapa de ULMA
madeira compensada plastificada com Comain
12 mm de espessura
Resistência à pressão: 30 kN/m² Aplicações: grandes estruturas de
Quantidade média de reutilizações: 50 concreto, pilares, paredes, concreto
Peso próprio: 40 kg/m² aparente, fôrmas trepantes com
Produtividade: 1,50 hh/m² andaime acoplado, barragens e poços de
Travamentos: para paredes – elevadores
2 barras/m2 Componentes: painéis modulares,
Altura máxima de concretagem: grampos de alinhamento, aprumadores,
2,45m, respeitando a velocidade de andaimes, barras de ancoragem, e
concretagem de 1,00 m/h mísulas para barragens
Movimentação: manual ou mecânica
Fôrmas Modulares Contato: compensado plastificado com Aplicações: muros, paredes,
15 mm de espessura pilares, blocos de fundação,
Resistência à pressão: 60 kN/m2 caixas d’água, piscinas e
Quantidade média de reutilizações: 40 reservatórios, cortinas, vigas
Peso próprio: 30 kg/m2 Componentes: estrutura em chapa
Produtividade: 0,3 hh/m2 de aço, com acabamento em pintura
Travamentos: 1/m2 eletrostática a pó ou galvanizada
Altura máxima de concretagem: Movimentação: manual mecânica
variável Contato: chapa de compensado
plastificado com 12 mm de espessura
Topec Resistência à pressão: 40 kN/m2
Quantidade média de
Aplicações: pilares, paredes, muros de reutilizações: 50 a 120, sem troca
arrimo, galerias, estações de tratamento de compensado
de água e esgoto Peso próprio: 31 kg/m2
Componentes: painéis, barras de Produtividade: 1,8 a 5,5 hh/ m2
ancoragem, chaves (presilhas) e Travamentos: de 15 a 35 kg/m2,
aprumadores a depender do uso
Movimentação: manual ou mecânica Altura máxima de concretagem:
Contato: revestimento fenólico com 3,6 m (padrão), podendo ser maior

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FÔRMAS METÁLICAS

Orma Aplicações: fundações, paredes Domino


retas e curvas, reservatórios, vigas,
Fotos: divulgação

lajes, galerias pluviais, pilares


Componentes: grapa, mordaça,
tensor, escoras de prumo e
andaimes
Movimentação: manual ou
mecânica
Contato: aço
Resistência à pressão: 60 kN/m2
Quantidade média de
reutilizações: 100 Aplicações: paredes, fundações
Peso próprio: 40 kg/m2 Componentes: painéis com módulos de
Produtividade: até 6,5 hh/m2 0,25 e 1,25 m de altura, travas de união,
Travamentos: ancoragens e aprumadores
Aplicações: paredes e cortinas
Altura máxima de concretagem: Movimentação: semimanual
mono e dupla face de maior
3,6 m Contato: chapa compensada plastificada
envergadura, reservatórios, grandes
com 15 mm de espessura
pilares, barragens, obras de arte
PERI Resistência à pressão: 60 kN/m²
Componentes: painéis, grapas,
Handset Quantidade média de
alinhadores, escoras aprumadoras,
reutilizações: 80
tirantes, plataformas de serviço
Peso próprio: 45 kg/m²
e proteções
Produtividade: 0,40 hh/m²
Movimentação: grua
Travamentos: 0,80/m²
Contato: chapa compensada
Altura máxima de concretagem: 5,00 m
plastificada de 18 mm
Resistência à pressão: 60 ou
Trio
80 kN/m²
Quantidade média de
reutilizações: 60 vezes a 100 vezes
(chapa)
Peso próprio: 60 kg/m²
Produtividade: 0,12 hh/m² a
0,21 hh/m2
Travamento por m2: 15 a
25 kg/m²
Aplicações: paredes, lateral de
Altura máxima de concretagem:
vigas, fundações e pilares
12 m
Componentes: painéis com
módulos de 0,3 m e 1,20 m de altura, Aplicações: paredes, pilares
ROHR
clipes de união, ancoragens e Componentes: painéis com módulos de
Hand-E-Form
aprumadores 30 cm e 1,20 m de altura, travas de
Movimentação: manual união, ancoragens e aprumadores
Contato: chapa compensada Movimentação: mecânica
plastificada com 12 mm de Contato: chapa compensada plastificada
espessura com 18 mm de espessura
Resistência à pressão: 40 kN/m² Resistência à pressão: 80 kN/m²
Quantidade média de Quantidade média de
reutilizações: 70 reutilizações: 100
Peso próprio: 30 kg/m² Peso próprio: 57 kg/m²
Produtividade: 0,50 hh/m² Produtividade: 0,31 hh/m²
Travamentos: 1,48/m² Travamentos: 0,62/m²
Altura máxima de concretagem: Altura máxima de concretagem:
3,00 m 8,10 m

36 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


formas metÆlicasaa.qxd 3/1/2007 10:29 Page 37

Vario Contato: chapa de madeira Aplicações: pilares, paredes, aduelas


compensada plastificada e estruturas especiais de obras de arte
Resistência à pressão: 40 kN/m2 Componentes: vigas Doka H20, perfis
em blocos e paredes e 80 kN/m2 de amarração, ancoragens e consoles
em pilares de trabalho
Quantidade média de Movimentação: mecânica
reutilizações: 50 Contato: variável a depender do
Peso próprio: 50 kg/m2 acabamento desejado
Produtividade: não informada Resistência à pressão: variável
Travamentos: 1,11/m2 conforme a necessidade de projeto
Altura máxima de concretagem: Quantidade média de
6m reutilizações: a depender do contato
Aplicações: paredes, pilares utilizado
Componentes: painéis pré-armados Frameco Peso próprio: 55 kg/m2
com larguras de 0,61, 1,22, 1,83, Produtividade: não informada
2,44 m e altura de até 12 m, travas Travamentos: 0,53/m2
de união, ancoragens e aprumadores Altura máxima de concretagem:
Movimentação: mecânica 9m
Contato: chapa compensada
plastificada com espessuras de Mills
18 mm a 21 mm Alu-L
Resistência à pressão: 40 até
100 kN/m²
Quantidade média de
reutilizações: depende do
compensado
Peso próprio: 60 kg/m² Aplicações: pilares e paredes vigas
Produtividade: 0,25 hh/m² Componentes: painéis, grampos,
Travamentos: 0,54/m² ancoragens, escoras de prumo e
Altura máxima de concretagem: consoles de trabalho
12 m Movimentação: mecânica
Contato: chapa de madeira
DOKA compensada plastificada
Frami Resistência à pressão: 60 kN/m2 em
paredes e 90 kN/m2 em pilares
Quantidade média de Aplicações: paredes e pilares planos,
reutilizações: 50 circulares ou angulados
Peso próprio: 55 kg/m2 Componentes: painéis modulares
Produtividade: não informada estruturados em alumínio, com
Travamentos: 0,67/m2 larguras variáveis e alturas entre
Altura máxima de concretagem: 6 m 1,50 e 2,75 m, grampos, tirantes,
porcas e acessórios
Top 50 Movimentação: mecânica ou manual
Contato: chapa compensada
plastificada com 15 mm de espessura
Resistência à pressão: 60 kN/m2
Aplicações: blocos, pilares e Quantidade média de
paredes vigas reutilizações: 70 a 80
Componentes: painéis, grampos, Peso próprio: 20 kg/m2
ancoragens, escoras de prumo e Produtividade: 0,21 hh/m2
consoles de trabalho Travamentos: 0,61 tirantes/m2
Movimentação: manual ou Altura máxima de concretagem:
mecânica 5,50 m

* Veja esquema de montagem de cortinas em www.revistatechne.com.br 37


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FÔRMAS TREPANTES

Sistemas rápidos
Os conjuntos trepantes são ideais para execução de estruturas altas de
concreto, nas quais o único suporte é a camada inferior já concretada. Saiba
como analisar os diversos sistemas disponíveis no mercado
Arquivo

tilizados para executar estruturas feitas em etapas consecutivas, e a es- encaixe. Esses sistemas podem ser di-
U altas, em situações inviáveis para
instalação de andaimes fachadeiros, os
trutura vai "subindo" aos poucos. As
fôrmas se apóiam em plataformas,
vididos basicamente em duas catego-
rias: os de dupla-face – em que os es-
sistemas ditos "trepantes" mostram-se que por sua vez se fixam com anéis ao forços de pressão do concreto são ab-
ideais em obras de barragens, execu- segmento anteriormente concretado sorvidos pelos tirantes, que travam os
ção de pilares e de paredes maciças de (veja figura). conjuntos de fôrmas – e os sistemas
concreto. Recorre-se ao sistema, so- Os componentes básicos dos sis- monoface – em que a pressão é trans-
bretudo, quando é impossível, em temas trepantes são os consoles (ou mitida ao sistema trepante, que a re-
razão da altura, executar a estrutura de mísulas), os perfis verticais (ou velas), transmite às ancoragens nas camadas
uma vez só.Assim, as concretagens são escoras de prumo, sistemas de cone e inferiores de concreto.

38 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


formas trepantes.qxd 3/1/2007 10:30 Page 39

1
A altura em que esses equipamen- dos conjuntos de peças também ocor-

Divulgação/Doka
tos são empregados naturalmente im- re com o sistema trepante. Os fornece-
possibilita a sua movimentação ma- dores afirmam que o índice de perdas
nual. Dessa forma, é indispensável o é mínimo, nesse caso, já que o contato
uso de gruas no canteiro de obras para manual com as peças acontece apenas
o içamento do conjunto. Segundo o uma vez, durante a primeira e única
professor Ubiraci Espinelli Lemes de montagem, e o restante das movimen-
Souza, da Escola Politécnica da USP tações é feito apenas com a grua.
(Universidade de São Paulo), essa Mesmo assim, uma montagem ade-
condição exige um planejamento cui- quada do conjunto é essencial para
dadoso da planta do canteiro para não ocorrerem danos no içamento – o
Utilização de sistemas trepantes exigem
evitar surpresas na hora do transporte construtor deve se certificar de que os
grua ou guindaste para transporte vertical
das peças. Além disso, o construtor perfis verticais estejam bem contra-
deve estar atento ao peso de cada sis- ventados e de que os cabos da grua ou
tema trepante, para que seja compatí- solo, deve-se tomar cuidado com o do guindaste estejam no ângulo ade-
vel com a capacidade de sua grua. isolamento da área, evitando traba- quado, evitando esforços horizontais
Outro aspecto que deve ser considera- lhos constantes no local, devido ao pe- exagerados que possam danificar os
do quando se trabalha em alturas rigo de queda de objetos como marte- perfis. Segundo Paulo Müller, gerente
muito elevadas é a ação do vento. Por los e capacetes. operacional da Construtora Triunfo,
isso, as ancoragens devem ser dimen- Prática relativamente comum quan- que construiu a Pequena Central Hi-
sionadas para suportar o esforço do se trata de aluguel de fôrmas tradi- drelétrica de Salto Natal, em Santa Ca-
extra. Na projeção do conjunto no cionais, a indenização na devolução tarina, os índices de perdas dos siste-

Ponte Estaiada Real Parque


Está em construção, no final da avenida
Divulgação/Mills

Água Espraiada, em São Paulo, um


complexo de viadutos sobre o rio
Pinheiros ligando a via às pistas dos dois
sentidos da marginal. As pontes serão
estaiadas, com os cabos presos a uma
estrutura central em formato de X, de
138 m de altura, e que está sendo
construída com sistemas trepantes.
Ao fazer a cotação com os fornecedores
Proposta vencedora apresentou plataforma Complexo estaiado sobre o rio Pinheiros será
de fôrmas, a Construtora OAS,
de trabalho com 2,4 m de largura sustentado por estrutura em forma de X
responsável pela execução da obra,
recebeu inicialmente propostas de
sistemas trepantes com plataformas de apresentava uma plataforma com o dobro positiva (declive em direção à
trabalho de 1,20 m de largura. O dessa largura – 2,40 m", afirma. estrutura concretada), mas prejudicaria
responsável de planejamento da obra da A empresa que forneceu o conjunto os trabalhos na parede negativa",
Ponte Estaiada Real Parque, engenheiro também fez algumas adaptações na conta Vellucci.
Augusto Vellucci, conta que essas inclinação do sistema. "Não seria possível A estrutura está sendo concretada em
dimensões não atendiam às trabalhar com uma plataforma etapas de 3 m de altura, utilizando-se dois
necessidades mínimas de movimentação perpendicular à estrutura concretada. Isso conjuntos trepantes, um para cada pilar
na obra. "A proposta vencedora não seria tão problemático na parede da estrutura.

39
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FÔRMAS TREPANTES

Montagem
1 Montagem do conjunto de
painéis de fôrma

2 Colocação das velas, vigas que


fazem a união entre o conjunto
de painéis de fôrma aos
1
consoles trepantes 2

3 Montagem do sistema de cone


e encaixe no concreto da
primeira concretagem

4 Travamento com tubo e


braçadeira do conjunto
de consoles

5 Montagem da plataforma
de trabalho em madeira 4
6 Içamento e colocação do
conjunto de painéis sobre o 3
conjunto de consoles

5 6

mas tradicional e trepante são basica- o desmolde, "sobram" no concreto os


Divulgação/SH Fôrmas

mente os mesmos, estimados entre 5 e furos dos tirantes e dos cones utiliza-
10% do valor da locação. dos para o travamento e ancoragem
Como os sistemas trepantes das do sistema – esses aspectos também
diversas fornecedoras são diferentes podem ser considerados pelo cons-
entre si, quem contrata a empresa trutor na escolha do conjunto trepan-
deve ter um método para a escolha do te, já que esses furos no concreto pre-
equipamento. Há uma série de aspec- cisarão ser tratados A altura dos guar-
tos técnicos que o construtor pode da-corpos, os valores das peças perdi-
considerar nessa situação. No que diz das (contracones, por exemplo) e o
respeito à execução da estrutura de tamanho dos conjuntos de içamento
Sistemas trepantes são muito concreto, ele deve verificar a facilida- completam o check-list.
utilizados em obras de barragens. Na de do sistema nos ajustes e nivela- A rápida limpeza das peças é im-
foto, a construção da Pequena mento da fôrma e na limpeza e colo- portante para a conservação do equi-
Central Hidrelétrica Garganta da cação de desmoldante nos painéis pamento. A recomendação dos for-
Jararaca (MT) antes da concretagem seguinte. Após necedores é que o sistema trepante

40 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS FÔRMAS TREPANTES E DESLIZANTES


Vantagens Desvantagens
Sistema trepante Possibilidade de acabamento aparente Necessidade de tratamento de juntas e furos de
tirantes e cones na estrutura
Facilidade de nivelamento e prumo Prazo maior de execução da estrutura
Mais econômico Desmolde pode levar até três dias para ocorrer
Não são necessários turnos Necessidade de lavar constantemente
ininterruptos de trabalho os equipamentos
Possibilidade de trabalhar estruturas inclinadas
Sistema deslizante Execução rápida – até 30 cm/h Necessidade de turnos noturnos (concretagem
ininterrupta)
Não há necessidade de tratamento posterior Maior consumo de cimento e aditivos no concreto
tornam a solução mais cara
Não é necessário esperar pela cura, Maior dificuldade de nivelamento e prumo
apenas pela "pega" do concreto
Preço por serviço, e não pelo Apenas pode ser aplicada em estruturas verticais
tempo de execução do serviço (90º) de seção constante

seja lavado até meia hora depois da nanceiros, quando comparado com
Divulgação/Doka

concretagem, para que os eventuais o sistema trepante. "Existe um con-


respingos do concreto não endure- sumo maior de cimento no concre-
çam e prejudiquem a limpeza poste- to, além dos aditivos para que se
rior. Caso ele já tenha endurecido, atinja uma pega mais rápida. Isso
deve ser removido com espátulas, na acaba encarecendo a utilização do
limpeza grossa, ou com escova de aço sistema", afirma Müller. No entanto,
acoplada a lixadeiras elétricas, para quando o cronograma da obra exige
limpeza fina. uma execução mais acelerada, a me-
lhor solução continua sendo o siste-
Deslizantes ma deslizante.
Em alguns casos, uma alternativa As fôrmas deslizantes possuem
aos sistemas trepantes são as fôrmas uma restrição técnica que limita seu
deslizantes. Muito utilizadas em re- uso nas estruturas de concreto: para
servatórios e silos de concreto verti- que seja viável sua aplicação, a seção
cais, as fôrmas deslizantes possuem concretada deve ser constante da base
semelhanças e diferenças com o siste- ao topo. Além disso, os executores da
ma trepante. estrutura precisam tomar um cuida-
Sistema monoface absorve esforços do
O sistema deslizante é composto do maior com o nivelamento e prumo
concreto e os retransmitem à camada
basicamente por fôrmas mais baixas – da estrutura, sobretudo em pilares de
inferior da estrutura, onde está ancorado
até 1,20 m de altura – contra painéis grande altura.
de mais de 2 m de altura dos sistemas Financeiramente, a cobrança pelo
trepantes – e um sistema de içamento acontecer – a dinâmica de concreta- sistema é diferente nos dois casos. No
que inclui um macaco hidráulico e gem é mais rápida, e a espera pelo sistema deslizante, o prestador de ser-
um barrão de aço, que se apóia na es- tempo de pega do concreto, menor viço trabalha junto com o construtor
trutura. "É um sistema de protensão (cerca de 3 horas após a concreta- na execução da estrutura de concreto.
invertido", exemplifica o engenheiro gem). Passado esse período, a fôrma Dessa forma, o preço é orçado pelo
Loren Frantzen, da Tecbarragem, em- sobe mais 20 ou 30 cm e nova concre- serviço, de acordo com as caracterís-
presa especializada em execução de tagem é feita. Assim, o ciclo se repete ticas da obra. No caso do sistema tre-
estruturas com fôrmas deslizantes. O de forma muito mais rápida, e em pante, a execução fica sob a responsa-
macaco se arrasta barrão acima, tra- turnos ininterruptos de 24 horas – o bilidade do construtor, sendo a em-
zendo consigo o sistema de fôrmas processo só termina quando a estru- presa de fôrmas responsável apenas
que nele está preso. tura estiver pronta. pelo fornecimento do produto e, de-
Diferentes do sistema trepante, Segundo o engenheiro Paulo pendendo do contrato, pelo forneci-
em que a desenforma só pode aconte- Müller, da Construtora Triunfo, no mento do treinamento da mão-de-
cer após a cura do concreto, as fôrmas entanto, esse sistema se torna bas- obra de montagem das peças.
deslizantes não "esperam" para isso tante desvantajoso, em termos fi- Renato Faria

41
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FÔRMAS TREPANTES

Alguns sistemas
SH Aplicações: pilares e paredes de grandes DOKA
Concreform e Andaime Suspenso alturas MF-240
AS150 Componentes: corpo principal do
console, vela de 540, tensor, cone DW26,5
Fotos: divulgação

Peso próprio: aproximadamente 800


kg/conjunto

PERI
KGF 240 e KG 180

Aplicações: sistema trepante para


estruturas inclinadas (com ancoragem na
Aplicações: paredes e pilares em obras fôrma)
residenciais, industriais, comerciais e de Componentes: consoles, perfis verticais,
infra-estrutura tensores, cones, andaimes suspensos,
Componentes: painéis e acessórios consoles superiores, tubos e braçadeiras
Concreform, andaime dobrável, Peso próprio: depende do projeto
aprumador, andaime auxiliar inferior
Peso próprio: aproximadamente 775 kg D-12

ULMA Aplicações: pilares, paredes e cortinas


Console CF-170 de concreto
Componentes: mísulas trepantes,
guarda-corpos, vigas GT-24 para as
plataformas e carro de desenforma
(somente na plataforma KGF 240)
Peso próprio: 1.200 kg (KGF 240) e
1.000 kg (KG 180)
Aplicações: barragens
Componentes: consoles, perfis verticais,
CB 240 e CB 160
tensores, cones, andaimes suspensos,
consoles superiores, tubos e braçadeiras
Peso próprio: depende do projeto
Aplicações: pilares e paredes
Componentes: corpo principal do
Mills
console, vela de 390, tensor, cone DW15
Peso próprio: aproximadamente 500
kg/conjunto

Console CR-250

Aplicações: paredes verticais e


Aplicações: pilares, paredes e cortinas inclinadas, retas e circulares, pilares de
de concreto grandes alturas, silos e poços.
Componentes: mísulas trepantes, Componentes: cones de ancoragem;
guarda-corpos, vigas GT-24 para as mísulas trepantes; painéis verticais,
plataformas e carro de desenforma inclinados ou circulares; montantes e
(somente na plataforma KGF 240) vigas de alumínio.
Peso próprio: 1.390 kg (CB 240) Peso próprio: aproximadamente
e 1.120 kg (CB 160) 88 kg/m² (conjunto)

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FÔRMAS PLÁSTICAS

Moldura leve
Alta produtividade, facilidade de transporte e muitas
reutilizações são as principais vantagens das fôrmas plásticas

Sofia Mattos/arquivo

uando o assunto é fôrma plástica Inertes, essas fôrmas começaram a tas disponíveis foram concebidos para
Q para concreto, as cubetas para
lajes nervuradas são as primeiras a
ser produzidas no Brasil há pouco mais
de dez anos, em substituição às fôrmas
proporcionar rápida montagem e des-
montagem, dispensando a fixação com
serem lembradas. O uso dessas fôr- perdidas de madeira, ao concreto celu- pregos, e com reduzido número de
mas adquiriu importância por ven- lar, aos blocos de concreto e ao poliesti- componentes. A resistência à flexão, ao
cer grandes vãos e permitir a redução reno expandido usados para preencher impacto e à tração,assim como a estabi-
do consumo de concreto e das arma- o vazio nas lajes. Todas essas soluções, lidade dimensional necessária para su-
ções. Devido a esses trunfos, as cube- no entanto, têm a desvantagem de in- portar os esforços da concretagem e da
tas impulsionaram o consumo de corporar peso à estrutura. desenforma são garantidos pelas ner-
moldes produzidos em polipropile- Como nasceram em uma época em vuras estruturais internas e por aditivos,
no (PP), utilizados na Europa há que a busca pela racionalização já era que ajudam a evitar a deformação do
mais de 40 anos. uma necessidade, os sistemas de cube- plástico diante dos raios ultravioleta.

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1
Como se trata de uma solução in-
dustrializada, há uma natural redução
de desperdícios e retrabalhos, o que
gera vantagens econômicas e ambien-
tais. Sobre esse último aspecto, aliás,
os materiais plásticos têm a seu favor a
elevada capacidade de se reciclar. Ao
contrário da madeira, a fôrma plástica
pode ser produzida a partir da recicla-
gem de compostos plásticos, com a

Divulgação: Astra
vantagem de apresentar vida útil su-
perior à da madeira, chegando, em al-
guns casos, a uma centena de reúsos.
As cubetas para lajes nervuradas ganharam prestígio nas obras por permitir
Outra característica é a ausência de
vencer grandes vãos
rugosidade característica do polipro-
pileno e de outros materiais plásticos
como o PVC (polivinil clorado) e o
ABS (copolímero de acrilonitrila, bu- Dicas
tadieno e estireno), que proporciona
pouca ou nenhuma aderência entre o  Observe as especificações do  Ainda no sistema de cubetas plásticas,
fabricante, pois algumas fôrmas o diâmetro do vibrador utilizado para
concreto e a fôrma, o que resulta em
exigem, conforme o caso, o uso de adensar o concreto geralmente não deve
paredes com ótimo acabamento final
travas para evitar a deformação por exceder 40 mm.
e que permite reduzir e às vezes dis-
pensar o uso de desmoldantes.
ocasião da concretagem.  Para preservar as fôrmas, jamais se
 Observe se as fôrmas estão em deve utilizar pregos na fixação e, no
conformidade com as novas normas caso das cubetas plásticas, as
Flexibilidade
NBR 6118 quanto ao quesito ferramentas necessárias para a
De acordo com o projetista Nilton
durabilidade estrutural. desenforma são apenas cunha de
Nazar, diretor da Hold Engenharia, a
difusão das lajes nervuradas molda-  Especialmente no caso de cubetas madeira e martelo de borracha.

das com cubetas plásticas é um cami-


plásticas, recomenda-se o uso de um  A fôrma terá uma vida útil maior
sistema de escoramento que facilite e a superfície final apresentará melhor
nho sem volta, dada a necessidade
a remoção das fôrmas sem remover acabamento se antes de cada utilização
crescente, por exemplo, de se ganhar
as escoras. for aspergido desmoldante.
espaço para áreas técnicas. "Nesses

VANTAGENS E LIMITAÇÕES DAS FÔRMAS PLÁSTICAS


Vantagens Limitações
Leves, geralmente são fáceis de transportar e de estocar. O custo de locação muitas vezes inviabiliza o sistema,
dependendo de quanto durar a etapa de fôrmas.
Sistema de montagem racionalizado possibilita Para efetivamente apresentar vantagens em relação
ganhos de produtividade e de prazo. à produtividade, é importante que a mão-de-obra
esteja familiarizada com o sistema.
Recicláveis, permitem grande número de reúsos. Nem sempre as fôrmas plásticas podem ser utilizadas
Gastos com desmoldantes podem ser reduzidos, pois a em todos os elementos estruturais, sobretudo
aderência da fôrma plástica ao concreto é próxima de zero em vigas e pilares mais robustos.
Quando empregadas em lajes nervuradas, as cubetas É importante que haja compatibilidade entre
de polipropileno proporcionam redução do consumo o sistema de fôrmas e o de escoramento,
sem perda de rigidez

45
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FÔRMAS PLÁSTICAS

Tubo como fôrma


Para moldagem de colunas e pilares com Fabricadas sob encomenda, essas fôrmas

Divulgação: Aqueduto
fôrmas plásticas, tanto em edificações são disponibilizadas em diâmetros que
quanto em obras de infra-estrutura, os variam de 300 a 1.500 mm. De acordo
construtores têm como opção as fôrmas com o fabricante, a desenforma pode ser
circulares de PVC. O material é feita de duas maneiras: com o simples
confeccionado a partir do enrolamento desenrolamento das tiras de PVC,
helicoidal de uma tira de PVC nervurada utilizando estilete e alicates, ou por meio
com encaixes macho-fêmea soldados de cortes longitudinais em um ou mais
quimicamente. O baixo peso do sistema panos. Embora seja mais veloz, esse
(uma fôrma de 600 mm pesa menos de método requer o uso de serra circular ou
9 kg/m²) permite que as peças possam de esmerilhadeira, o que pode gerar
ser transportadas manualmente. Já a marcas na superfície acabada. Por isso, é As fôrmas circulares de PVC podem ser
natureza do material possibilita o mais indicado para colunas que serão usadas em pilares e colunas de
armazenamento ao ar livre. revestidas posteriormente. edificações ou de obras de infra-estrutura

casos, as fôrmas de polipropileno têm se torne um problema", alerta o proje-

Divulgação: Astra
amplo potencial de aplicação porque tista estrutural Rui Jorge.
são mais econômicas que os outros Mas embora as tarefas de montar e
sistemas se levarmos em conta os ga- desmontar fôrmas plásticas sejam
nhos indiretos, como o menor consu- simples, existe sempre a necessidade de
mo de concreto e aço", acredita. treinar adequadamente a mão-de-
Esse raciocínio é o que muitas vezes obra. "Buscar novos equipamentos ou
justifica a especificação desse tipo de tecnologias é relativamente fácil. A di-
fôrma, segundo o engenheiro estrutu- ficuldade está, muitas vezes, em en-
ral Moacir H. Inoue, da Tecnicalc. "Fre- contrar os executores, ou seja, opera-
Os sistemas de cubetas foram concebidos
qüentemente utilizamos moldes de po- dores ou profissionais qualificados",
para permitir rápida montagem, com
lipropileno quando o projeto arquite- ressalta o projetista de fôrmas Paulo
reduzido número de componentes
tônico requer grandes vãos e muita fle- Assahi. Há, usualmente, dois métodos
xibilidade. Isso pode ser tanto com o de instalação das cubetas: um em que
sistema plano com laje nervurada, isto veis. Nazar lembra, por exemplo, que as fôrmas são distribuídas sobre um
é, sem vigas, quanto em grandes pai- não faz sentido empregar cubetas de tablado de painéis apoiados sobre
néis de laje subdividida com vigas in- polipropileno para lajes com vãos pe- vigas e pontaletes ou escoras metálicas,
termediárias", comenta Inoue. quenos. Da mesma forma é importan- e outro no qual as fôrmas se apóiam
Como ocorre com todos os siste- te considerar o prazo de locação antes em vigas metálicas montadas sobre ca-
mas e soluções construtivas, é preciso da especificação. "Quando a constru- beçotes deslizantes (drop head). Nesse
saber quando especificar e como fazer tora opta por locar o sistema, é impor- caso, as fôrmas são então retiradas sem
um bom uso das fôrmas plásticas para tante que a obra ande mais rápido de a necessidade de remoção das escoras.
extrair delas todas as vantagens possí- maneira que o aluguel das fôrmas não Assim, mantém-se o escoramento per-

Cubeta plástica apoiada em estrutura metálica Cubeta plástica apoiada em painel

Fôrma de
quatro abas

Fôrma de Cabeçote Barras


duas abas de ligação
Vigas
Escoras

Escoras

46 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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Fotos: divulgação/Metroform

Apesar de ser menos usual, algumas fôrmas plásticas também podem ser utilizadas em obras de reservatórios de água (esquerda)
ou até mesmo de residências (direita)

manente e reduz-se a deformação pre- materiais mais duráveis que a madeira Uma das construtoras que têm ti-
coce da estrutura da laje, além de ace- se tornarem viáveis, como é o caso dos rado partido das características das
lerar o ciclo de reutilização das fôrmas. plásticos, seria necessário introduzir a fôrmas plásticas é a DMO Engenharia,
Quando se excluem as cubetas de prática da padronização dimensional que tem apostado em fôrmas modula-
polipropileno, o uso das fôrmas plásti- dos elementos. "Só assim podemos res recicladas há mais de cinco anos em
cas é bastante restrito em comparação pensar em fôrmas com número eleva- lajes de edifícios de alvenaria estrutu-
às soluções em madeira ou metálicas. do de reutilizações, diluindo-se os cus- ral. O sistema alternativo é composto
"A utilização da fôrma de plástico no tos." As cubetas de polipropileno são pela união de elementos modulares
Brasil ainda está restrita à moldagem oferecidas em diferentes dimensões. cambiáveis, que proporciona a forma-
da laje nervurada, utilizada como com- Algumas usuais, em centímetros, são: ção de painéis de fôrmas com múlti-
plemento do sistema de madeira ou 52 x 125; 60 x 60; 61 x 61; 65 x 65; 60 x plas dimensões. Alexandre Luís de Oli-
metálico, não como sistema de fôrma 112; 80 x 80; 82 x 45. As dimensões veira, diretor técnico da construtora,
de plástico propriamente dito", afirma entre eixos podem variar entre 600 mm conta que o custo de locação dessas
Paulo Assahi. Segundo ele, para outros e 1.125 mm (nervuras secundárias). fôrmas é um pouco inferior ao das fôr-
mas metálicas e também são mais leves
do que as de madeira, pesam cerca de
PREÇOS - REFERÊNCIA
11 kg/m². A Metroform, fornecedora
Fôrmas de polipropileno para lajes nervuradas
do sistema, informa que os preços
Largura (mm) Comprimento (mm) Altura (mm) Preço
podem variar entre R$ 7 e R$ 25/m², de
600 570 150 69,00/un
acordo com o tipo de obra e projeto.
600 570 180 69,00/un
A solução atende a projetos de con-
525 1.125 325 0,75 locação/un/dia*
creto lineares e modulares para quais-
Condições de pagamento: à vista. Entrega/Retirada: preço dos materiais posto
quer medidas, mas não serve para ele-
fábrica Lagoa Santa, MG. * Condições de pagamento: faturado dez dias.
mentos curvos. "Além disso, esse mate-
Entrega/Retirada: preço dos materiais posto fábrica Lagoa Santa, MG
rial não pode ser utilizado em vigas e pi-
Fonte: Guia da Construção, Revista Construção Mercado.
lares mais robustos, pois não apresenta
resistência aos esforços que eu preciso
AVARIAS QUE INVIABILIZAM A REUTILIZAÇÃO DA FÔRMA PLÁSTICA durante a concretagem", lamenta Oli-
Problema Conseqüência veira. Por serem pouco usuais, exige-se
Deformação Pode comprometer o acabamento da laje, também treinamento da mão-de-obra.
o que levará ao maior consumo de "No começo, pode haver surpresa dos
argamassa para regularização. operários com a dimensão das peças,
Furo no contorno das abas Fragiliza a estrutura das peças e que são menores do que as tradicionais,
pode gerar trincas. mas isso logo é superado e o ganho de
Lascas no contorno das Aumenta a aderência do concreto à superfície produtividade obtido acaba compen-
abas, riscos e quebras e pode causar quebra na desenforma. sando", garante Oliveira.
Trincas em qualquer parte da peça Aumenta a chance de ocasionar quebras. Juliana Nakamura
Fonte: Astra Colaborou: Renato Faria

47
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FÔRMAS ESPECIAIS

Moldes alternativos
Chapas de OSB, alumínio e as já tradicionais fôrmas de papelão têm
histórico diferente de mercado: umas ganham espaço e o gosto do
construtor; outras desaparecem, por falta de demanda

m casos especiais, as fôrmas tradi- Brasil, são fabricadas desde a década papel, que não deixa escapar nem a
E cionais metálicas ou de madeira
podem não servir para os propósitos
de 1970. Em formato tubular, essas
fôrmas são fabricadas em papel
nata do concreto.

almejados pelo construtor. Nessas si- Kraft e semi-Kraft de diversas espes- Evolução
tuações, entram em cena as fôrmas al- suras e enrolados helicoidalmente. Até há pouco tempo, a utilização
ternativas para concreto, de materiais São tratadas com colas e resinas, que dessas fôrmas tinha uma limitação: só
diversos como plástico (confira maté- lhes conferem resistência e rigidez, poderiam ser aplicadas em pilares de
ria sobre fôrmas plásticas, na página além de receberem internamente seção circular. No entanto, há cerca de
44), alumínio, OSB e papelão. uma camada de papel não-aderente quatro anos os fabricantes trouxeram
As fôrmas de papelão não são ne- ao concreto. Sua impermeabilização uma tecnologia já utilizada na França e
cessariamente uma novidade – no impede a absorção de água pelo nos Estados Unidos para o mercado de
Divulgação/SCI Global

48 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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1
tubos de papelão: o preenchimento
com EPS (poliestireno expandido).
Essa solução permitiu que os fabrican-

Divulgação/BOC Construtora
tes variassem os formatos dos pilares
para além da tradicional coluna cilín-
drica.Hoje,os fornecedores já disponi-
bilizam mais de 40 diferentes padrões
de fôrmas tubulares – colunas com se-
ção retangular, quadrada, hexagonal, Sistema próprio de fôrmas com perfis de alumínio da BOC Construtora é utilizado
octogonal, entre outros. As empresas na fabricação de elementos pré-moldados de concreto
abrem a possibilidade, ainda, de proje-
tar fôrmas de acordo com a necessida-
de do construtor, desde que as dimen-
sões desejadas sejam compatíveis com
Paredes definitivas
os diâmetros máximos dos tubos dis- Montados como blocos Lego, as fôrmas
poníveis, que podem chegar a 1.200 ICF (do inglês Insulating Concrete Forms)
mm. O comprimento máximo dos constituem-se de duas chapas de material
tubos é de 7,0 m. As fôrmas de papelão espumoso – como o EPS, por exemplo –
não são reutilizáveis. Após a cura do ligadas por espaçadores plásticos ou de
concreto, o invólucro de papelão é ras- fibra de carbono. Com o layout da casa
gado e jogado fora. pronto, o concreto é lançado nas fôrmas,
Os painéis de alumínio já tiveram que após a cura serão parte integrante da
uma breve passagem pelo Brasil, nas construção. Durante a execução, o
décadas de 1970 e 1980. Entretanto, a processo é o mesmo que aqueles das casas
preferência brasileira pela alvenaria de concreto celular, ou seja, as instalações Fôrmas de EPS são leves, o que torna
de blocos resultou na baixa demanda de água e energia elétrica devem ser a montagem mais rápida. Após a
pelo produto, e a única empresa que posicionadas antes da concretagem, bem concretagem, elas passam a fazer
trabalhava nesse mercado, a Precise, como a armação da estrutura. parte da construção
saiu do País. Hoje, não existem mais
no mercado brasileiro fornecedoras
de fôrmas desse material. A Precise americana afirma que suas pré-moldadas em canteiro, segmento
Sua utilização é ideal para obras rá- fôrmas suportam uma pressão lateral em que a empresa trabalha. As fôrmas
pidas,como casas de paredes maciças de de até 57,4 kN/m2 e, se bem cuidadas, são compostas pela justaposição de
concreto. As chapas de alumínio, que agüentam até 2.500 reutilizações. Sua perfis de alumínio extrudado com
entram em contato direto com o con- viabilidade econômica também é bas- secção quadrada, que se adaptam à es-
creto, podem ser encontradas em mo- tante parecida com a dos sistemas de pessura da peça desejada. O molde in-
delos com ranhuras que imitam tijolos, fôrmas de aço,ou seja,tanto menor será terno da fôrma, que entrará em conta-
para utilização como acabamento o custo final quanto maior a quantida- to com o concreto, é feito de laminado
pronto. Por isso mesmo, é considerada de de reutilizações das fôrmas e a veloci- melamínico. Quando são necessários
uma opção para a construção de habita- dade de execução da estrutura. desenhos mais sofisticados nas peças,
ções de interesse social. No Brasil, foi a empresa recorre a moldes comple-
utilizada, por exemplo, na construção Pré-moldados mentares feitos em aço.
do Conjunto Habitacional Carreira Também utilizando alumínio, mas Segundo o diretor da BOC Cons-
Comprida, em Santa Luzia, pela com uma aplicação um pouco dife- trutora, Gyorgy Troyko, a utilização
Cohab-MG. rente, a BOC Construtora desenvol- dessa tecnologia permite à empresa
Os sistemas de alumínio possuem veu seu próprio sistema de fôrmas. solucionar alguns problemas logísti-
quase o mesmo peso das fôrmas de aço Nesse caso, os conjuntos são utilizados cos no canteiro de obras. Em vez de
similares,aproximadamente 41,5 kg/m2. na fabricação de peças de concreto produzir as peças em uma área especí-

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FÔRMAS ESPECIAIS

Divulgação/Termotécnica
Divulgação/ Masisa

Chapas de OSB desenvolvidas


especialmente para uso em fôrmas de Fôrmas de papelão com EPS permitem formatos diferenciados. Moldes personalizados,
concreto chegam ao mercado porém, devem respeitar diâmetro máximo dos tubos

fica da obra que lhe é destinada, o con- concreto. No entanto, na época surgi- mente mais vantajosas. Para a produ-
junto de fôrmas "vai" até o local final ram algumas patologias relacionadas à ção de uma chapa de compensado
onde os elementos serão montados. absorção de água pela fôrma. Quando comum, pouco mais do que 50% da
Lá, as peças são produzidas, concreta- entrava em contato com o concreto, madeira da árvore é aproveitado, e só é
das umas sobre as outras e, quando portanto, havia um alto índice de in- possível utilizar árvores com, no míni-
prontas, apenas esperam empilhadas chamento das bordas da chapa. "Isso mo, 14 anos. As chapas OSB são pro-
pela movimentação dos guindastes. fragilizava as chapas, que se rompiam duzidas com madeira de refloresta-
O sistema foi utilizado na constru- com o esforço do pé-de-cabra", explica mento, e sua confecção pode ocorrer
ção da fábrica da Botnia, no rio Uru- o engenheiro André Morais, chefe de com árvores de apenas seis anos de
guai, fronteira entre Uruguai e Argenti- produto da Masisa, empresa que forne- idade. Além disso, mais de 90% da
na. A obra ficou famosa por acirrar os ce as fôrmas de OSB no Brasil. madeira do tronco é aproveitada, já
ânimos entre os dois países, após os O produto foi, então, reelaborado, que as microlâminas são produzidas a
protestos argentinos contra a instala- com o desenvolvimento de novas resi- partir de madeira serrada.
ção da fábrica de celulose no lado uru- nas para melhorar o problema de in- Nazar levanta um ponto que pode
guaio do rio. Para eles, os impactos am- chamento. Testes laboratoriais de de- ser levado em consideração na escolha
bientais prejudicarão o turismo local e sempenho mecânico e de inchamento das fôrmas OSB. "As pequenas lâmi-
trarão danos econômicos à região. foram realizados, seguidos por testes nas dessas chapas funcionam como
práticos em obras de grandes constru- negativos que desenham o concreto.
OSB toras de Curitiba e São Paulo. Os resul- No caso de aplicação futura de revesti-
De novidade, há a entrada das cha- tados foram satisfatórios, o que fez com mentos, é até interessante, já que a su-
pas de OSB no mercado de fôrmas. As que a empresa lançasse agora as novas perfície fica mais áspera e aumenta a
chapas são compostas por microlâmi- fôrmas. Vale lembrar que as fôrmas aderência do emboço. Para concreto
nas de madeira sobrepostas, cada uma OSB para concreto são diferentes da- aparente, vai do gosto do construtor –
em sentido oblíquo às camadas subse- quelas utilizadas em tapumes, por eu não vejo problemas nos desenhos",
qüentes. Essa disposição permite o seu exemplo. "São produtos específicos, completa Nazar.
entrelaçamento, que somado à consis- confeccionados a partir de formulações As novas fôrmas de OSB disponí-
tência das fibras de madeira e à adição de resinas diferentes", esclarece Morais. veis no mercado são a Masisa OSB
de resinas à prova d'água, conferem ri- O projetista de fôrmas Nilton Eco-tábua (duas a três utilizações), a
gidez, resistência interna e resistência Nazar estudou a viabilidade das peças Masisa OSB Form (12 usos, seis em
à umidade ao material. de OSB como fôrmas em seu trabalho cada face) e o Masisa OSB Form Plas-
Há alguns anos,houve uma tentati- de mestrado. Ele conta que, em com- tificado (com garantia de 16 usos, oito
va de inserção das chapas OSB (Orien- paração com o compensado tradicio- em cada face).
ted Strand Board) como fôrmas para nal, as chapas de OSB são ecologica- Renato Faria

50 * Veja mais fotos de aplicação das fôrmas alternativas para concreto em www.revistatechne.com.br
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Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).
ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas
separadamente em JPG.

Estruturas de concreto:
projeto e economia
ste trabalho procura demonstrar, escoramento e desenforma, situações
E de forma evidente e objetiva, que é
possível comprovar as vantagens de
Egydio Hervé Neto
Diretor da Ventuscore Soluções em
que exigem complementaridades
técnicas e econômicas necessárias à
realizar-se um projeto estrutural de Concreto, de Porto Alegre abrangência do projeto e sua execução.
qualidade que compreenda todo o es- egydio@ventuscore.com.br Dessa forma fica clara hoje – e está
copo das novas normas de concreto – explícito nas normas brasileiras – a
notadamente a NBR 6118:2003, a mentar os escoramentos ou quais- constituição multidisciplinar da equi-
NBR 12655:2005 e a NBR 14931:2003 quer outras ações que impliquem pe de projeto estrutural, envolvendo a
– obtendo economia significativa no carregamentos precoces (< 28 dias), o participação do arquiteto, do calculis-
custo das estruturas. Racionalização que significa ter os resultados de con- ta, do engenheiro tecnologista do con-
que paga, com sobras, o aumento do trole em mãos nesse dia, para com- creto e outras especialidades necessá-
custo do projeto em relação ao escopo provar a conformidade. rias à elaboração de um projeto execu-
habitualmente praticado, no qual o A necessidade de introduzir resul- tivo, cujo escopo é muito maior do que
serviço está focado apenas no cálculo tados do concreto anteriores a 28 dias o que se vem fazendo até o momento.
da estrutura no estágio pronta e carre- faz com que o projetista estrutural seja Tal constatação tem trazido rea-
gada (28 dias). algo mais do que um único profissio- ções por parte dos profissionais, tanto
O novo e atual escopo preconizado nal de cálculo, como ainda é usual, pois dos contratantes, que reclamam do
pela Normalização da ABNT com- envolve interação de necessidades nas possível aumento dos custos das
preende aspectos executivos importan- áreas da arquitetura, da tecnologia do obras, como dos profissionais do cál-
tes, lamentavelmente não aplicados concreto, do cálculo e metodologia do culo, os quais, por serem contratados
ainda pelo cálculo usual, e que pode ser
resumido pela verificação das exigên-
cias de alguns itens das normas, como Arquivo

os apresentados no quadro "Exigências


das novas normas de concreto".
O escopo resultante dessas exigên-
cias demonstra a necessidade de que o
projeto estrutural tenha um caráter
nitidamente executivo, envolvendo a
aprovação do sistema de movimenta-
ção do escoramento, em respeito a va-
lores de fck e Ec (módulo de defor-
mação do concreto à compressão)
obrigatoriamente fornecidos pelo
projeto para idades onde essa movi-
mentação se dará para atendimento
do cronograma executivo. Deixa claro
também que caberá ao responsável
pela execução comprovar o atendi-
mento a esses valores antes de movi-

52 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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Tabela 1 – HONORÁRIOS DE REFERÊNCIA DE PROJETOS DE ESTRUTURAS


Área total de CUB de Custo estimado Preço sugerido para Incidência %
Prefeitura (m2) referência para a obra o projeto estrutural Projeto/Obra
1 6.000,00 R$ 882,36 R$ 5.294.160,00 R$ 37.560,00 0,71
2 35.000,00 R$ 30.882.600,00 R$ 379.750,00 1,23
3 17.000,00 R$ 15.000.120,00 R$ 68.860,00 0,46
Data-base: dezembro/2004

de forma isolada, como é de costume, Tabela 2 – PREÇOS DOS PROJETOS EXEMPLIFICADOS


queixam-se, com justiça, dos preços Exemplo Área total de Preço sugerido para
atuais, incapazes de cobrir todas as Prefeitura (m2) o Projeto Estrutural (R$)
competências envolvidas, inclusive 1 6.000,00 75.120,00
subcontratação de outros profissio- 2 35.000,00 759.500,00
nais especializados, para complemen- 3 17.000,00 137.720,00
tar os conhecimentos exigidos, além Data-base: dezembro/2004
da natural preocupação com a maior
abrangência da responsabilidade téc- reflexos na qualidade da construção. O nossos clientes, como se verá a seguir.
nica resultante. difícil é deixar isso claro para nossos A Abece (Associação Brasileira de
Na verdade as normas não se dedi- clientes, nossos contratantes, que cer- Engenharia e Consultoria Estrutural),
cam a descer ao detalhe sobre a questão tamente vão reclamar de um acrésci- por meio de seu grupo de trabalho de
das responsabilidades técnicas envolvi- mo de preço de projeto – embora cer- honorários, estabeleceu e divulgou o
das, mas isso não é necessário. Bastaria tamente também vão querer e exigir trabalho denominado "Honorários de
a compreensão de que, havendo múlti- toda essa qualidade em suas obras referência de projetos de estruturas",
plas áreas de abrangência no projeto, quando devidamente informados. apresentado na tabela 1, acima.
cada profissional pertencente à equipe Em busca de uma argumentação Analisando as exigências das nor-
assumirá a sua parte, descrevendo cla- válida para viabilizar a implementação mas apresentadas, deduzimos algu-
ramente essas responsabilidades em desses novos procedimentos sem per- mas intervenções adicionais ao escopo
cada contrato dos serviços. das, ao contrário, para que todos ga- de projeto proposto pela Abesc, con-
O que se deseja, diante deste estado nhem com essa melhoria, reuni algu- forme relatamos a seguir:
de coisas, é que o cumprimento dessas mas informações que podem demons-  Tecnologista de concreto: espe-
exigências possa trazer melhoras signi- trar que essa vantagem econômica é cificação do concreto; programa de
ficativas à qualidade do projeto, com sistêmica e amplamente favorável aos controle;

Exigências das novas normas de concreto


1. NBR 12655:2005, item 4.2 Profissional especiais dos concretos, durante a estiver suficientemente endurecido para
Responsável pelo Projeto Estrutural: fase construtiva e vida útil da estrutura, resistir às ações que sobre ele atuarem e
"Cabem a esse profissional as seguintes tais como: não conduzir a deformações inaceitáveis,
responsabilidades, a serem explicitadas nos a. módulo de deformação mínimo na idade tendo em vista o baixo valor do módulo de
contratos e em todos os desenhos e de desenforma, movimentação de elasticidade do concreto (Eci) e a maior
memórias que descrevem o projeto elementos pré-moldados ou aplicação probabilidade de grande deformação
tecnicamente, com remissão explícita para de protensão; ...;" diferida no tempo quando o concreto é
determinado desenho ou folha de memória: solicitado com pouca idade. Para o
a) registro da resistência característica à 2. NBR 6118:2003, item 5.2.3 atendimento dessas condições, o
compressão do concreto, fck, obrigatória Documentação da solução adotada, responsável pelo projeto da estrutura
em todos os desenhos e memórias que subitem 5.2.3.3 "O projeto estrutural deve deve informar ao responsável pela
descrevem o projeto tecnicamente; proporcionar as informações necessárias execução da obra os valores mínimos de
b) especificação de fcj para as etapas para a execução da estrutura". resistência à compressão e módulo de
construtivas, como retirada de elasticidade que devem ser obedecidos
cimbramento, aplicação de protensão ou 3. NBR 14931:2003, dois últimos concomitantemente para a retirada das
manuseio de pré-moldados; parágrafos do item 10.2.2 Tempo de fôrmas e do escoramento, bem como
c)...; permanência de escoramentos e fôrmas: a necessidade de um plano particular
d) especificação dos requisitos "A retirada das fôrmas e do escoramento (seqüência de operações) de retirada
correspondentes às propriedades só pode ser feita quando o concreto do escoramento".

53
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ARTIGO

Tabela 3 – DESPERDÍCIOS NAS ETAPAS CONSTRUTIVAS


Etapa construtiva % Custo Possibilidade de Justificativa das etapas de desperdício
desperdícios
01 Serviços preliminares 0,59 Pequena Trata-se de serviços de instalação de canteiro
e ligações provisórias. Obedecem ao projeto
de canteiro
02 Infra e superestrutura 31,16 Sim
03 Vedação 3,10 Sim
04 Esquadrias de 13,36 Pequena Adquire-se exatamente o que está especificado
madeira e metálicas
05 Instalações 17,25 Pequena Adquirem-se e aplicam-se de acordo
elétricas e hidráulicas com o projeto
06 Forros 0,16 Sim
07 Impermeabilização 1,21 Pequena Aplica-se de acordo com o projeto
08 Revestimentos 10,69 Pequena
de tetos e paredes
09 Pisos internos 4,48 Sim
10 Vidros 3,34 Pequena Aplicam-se de acordo com os vãos
11 Pintura 3,57 Pequena Aplica-se de acordo com a especificação,
nas paredes e tetos acabados
12 Serviços complementares 3,83 Não há Trata-se de serviços de arremate, limpeza, etc.
(como o próprio nome diz, são complementos)
13 Elevadores 7,26 Não há Adquirem-se exatamente de acordo
com o especificado no projeto
Soma 100,00

Tabela 4 – DESPERDÍCIOS DE ACORDO COM O GRAU DE CONTROLE DE QUALIDADE


Etapa construtiva Desperdícios possíveis % de desperdícios sobre
cada etapa, com controle
ruim bom rigoroso
Infra/Superestrutura Por motivo de má execução (abertura de fôrmas, 8 5 3
desnivelamento, corte de aço, etc.)
Vedação Por motivo de má qualidade tanto de material como de execução 30 20 10
Forros Por motivos entre diferenças de vãos e módulos dos materiais 20 10 5
Revestimento Essa etapa, tendo de absorver a má execução do item 03 31,5 21 10,5
de tetos e paredes (vedação) é constituída de: Preparação: de superfícies,
que representa 42% da etapa; Aplicação: dos revestimentos,
que representa 58% da etapa. No item preparação,
dependendo do controle da qualidade, os desperdícios podem
atingir 75, 50 e 25%, calculados sobre o custo total da etapa
Pisos internos Essa etapa segue o descrito no item acima, sendo certo 26,25 17,5 8,75
que a preparação representa 35% do custo da etapa
Data-base: dezembro/2004

 Arquiteto: maior participação na Importa considerar a necessida- Tendo em vista essas considera-
definição da geometria das peças em de de acrescentar custos de novas ções, na falta de um critério para
função das novas exigências dimen- atividades da equipe de projeto na quantificá-las, vamos considerar gros-
sionais nas Normas; fase de execução, que devem ser atri- seiramente um incremento de 100%
 Aprovação do Projeto de Fôrmas buídas ao desdobramento das novas sobre os custos de projeto, aplicando
e da seqüência executiva de retirada exigências do projeto, dentro da ao preço total esse porcentual. Os pre-
de escoramentos e fôrmas; visão de que hoje cabe a essa equipe ços dos projetos exemplificados estão
 Maior integração das equipes "fazer acontecer o projeto na obra": apresentados na tabela 2.
de Projeto com os Projetos Com- aprovação do laboratório de contro- Esse incremento significativo em
plementares e com os fornece- le; liberação de fôrmas; suporte à preços diretos e indiretos, ligados à me-
dores e aplicadores dos materiais e implantação dos projetos comple- lhoria do projeto, importa em vanta-
serviços. mentares na obra. gens para a construção, reconhecida-

54 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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Tabela 5 – DESPERDÍCIOS SOBRE O CUSTO DA CONSTRUÇÃO Com base nos dados apresentados,
Etapa construtiva Custo total (%) Desperdícios sobre cada o autor enumera os desperdícios sobre
etapa, com controle (%) o custo da construção, apresentados na
ruim bom rigoroso tabela 5.
Infra/Superestrutura 31,16 2,49 1,35 0,93 Aplicando os porcentuais apresen-
Vedação 3,10 0,93 0,62 0,03 tados na última linha (total) da tabela
Forros 0,16 0,03 0,1 0 5 ao Custo da Construção, obtido nos
Revestimento de tetos e paredes 1,69 3,36 2,24 1,12 exemplos de obras fornecidos pelo tra-
Pisos internos 4,48 1,17 0,78 0,39 balho da Abece, obtemos a tabela 6,
Total 40,59 7,98 5,09 2,47 que compara os custos dos desperdí-
cios em relação ao preço de projeto su-
gerido para escopo completo das Nor-
Tabela 6 – CUSTOS DOS DESPERDÍCIOS EM RELAÇÃO AO PREÇO DE PROJETO
mas Brasileiras.
Ex. Custo estimado Desperdício considerado Preço
da obra (R$) para controle projeto (R$)
Conclusão
ruim bom rigoroso
A conclusão a que se chega é que
1 5.294.160,00 422.473,97 269.472,74 130.765,75 75.120,00
um hipotético aumento dos custos dos
2 30.882.600,00 2.464.431,48 1.571.924,34 762.800,22 759.500,00
projetos para o dobro, de modo a con-
3 15.000.120,00 1.197.009,58 763.506,11 370.502,96 137.720,00
templar o escopo das normas brasilei-
ras atuais, consideradas rigorosas, terá
Tabela 7 – CUSTOS TOTAIS E ECONOMIAS como recompensa uma maior chance
Custos Exemplo 1 Exemplo 2 Exemplo 3 de conquistar um status de eliminação
Custo da obra + R$ 5.754.193,97 R$ 33.726.781,48 R$ 16.265.989,58 de desperdício sempre maior do que o
desperdício (maior) preço final desse projeto, representan-
+ Projeto atual do, de forma evidente e objetiva, que há
Custo da obra + R$ 5.500.045,75 R$ 32.404.900,22 R$ 15.508.342,96 vantagem imediata na aplicação do es-
desperdício (menor) copo total de projeto.
+ Projeto completo Além disso, as considerações de
Redução de custo R$ 254.148,22 R$ 1.321.881,26 R$ 757.646,61 custo final de longo prazo continuam
Economia % 4% 4% 5% válidas, favorecendo este raciocínio,
Data-base: dezembro/2004 ao proporcionarem vantagens econô-
micas significativas em longo prazo,
mente no longo prazo, onde a maior Os itens destacados na tabela, que especialmente quando se tratam de
garantia da qualidade resulta certa- consideram a possibilidade de desper- custos de manutenção e reparos, que
mente em menores custos de conserva- dício, representam 49,59% do custo chegam a ser 25 vezes superiores
ção e reparos, além da maior durabili- da obra e o autor faz a seguinte obser- quando detectados somente depois da
dade da estrutura, e ainda em maior va- vação sobre os mesmos: "Neste item, obra executada, o que seria evitado
lorização patrimonial e mercadológica, tenta-se determinar as origens dos com o projeto completo.
e um menor custo de amortização. En- desperdícios, bem como o porcentual A tabela final deste trabalho, a de
tretanto, essas vantagens, embora reco- de desperdício sobre cada etapa cons- número 7, apresenta considerações
nhecidas, não favorecem o impacto no trutiva, em uma obra com controle de ainda mais importantes e objetivas.
desembolso inicial, o qual deverá ser qualidade ruim, bom ou rigoroso, de Nos três exemplos considerados, a
avaliado sob outras circunstâncias que conformidade com a tabela 4". aplicação de um escopo completo no
apresentamos a seguir, tomando por Às razões apresentadas pelo autor projeto, de modo a garantir a perda
base as considerações do engenheiro temos a acrescentar que ficaram claras, mínima considerada, gerou uma eco-
Walid Yázigi em seu Livro "A Arte de no dimensionamento pela NBR as in- nomia aproximada de 4 a 5% sobre o
Edificar", da Editora PINI, que em seu fluências do descontrole sobre a de- valor da obra.
Capítulo 3 apresenta informações bem senforma precoce, que gera deforma- Como última consideração pode-
fundamentadas sobre a questão da ções e fissurações acentuadas nas es- se afirmar que ainda resta a enorme
qualidade e do desperdício nas cons- truturas, trazendo esforços e patolo- vantagem para a valorização do
truções, resumidas inicialmente na ta- gias adicionais às vedações e esqua- preço de venda do imóvel, sabendo-
bela 3, que toma por base porcentagens drias, além de desacertos de nivela- se que uma obra realizada com o má-
de custo relativo das partes da obra mento que encarecem os acabamentos ximo padrão de qualidade terá um
sobre o custo total amplamente divul- de forma mais que proporcionais, car- melhor preço de venda no mercado,
gadas pela Editora PINI em sua revista gas adicionais às peças e às fundações, aumentando significativamente o
Construção Mercado. e danos às instalações embutidas. lucro do construtor.

55
p&t 118.qxd 3/1/2007 10:35 Page 56

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CANTEIRO DE OBRA CONCRETO E


COMPONENTES PARA
ESTRUTURA

CAÇAMBAS
As Caçambas Estacionárias de
Aplicação Múltipla, da Kabí, estão
disponíveis em diversos modelos ARMADURAS
e capacidades. São próprias para O sistema Gewi de armadura de
a coleta de resíduos sólidos, estruturas, da Dywidag, utiliza
semilíquidos e líquidos. A aço ST 50/55, de 32 mm de
empresa traz a opção, também, diâmetro. As altas nervuras
de fornecer caçambas com formam uma rosca robusta,
fechos herméticos e borracha de segundo a fabricante, de passo
vedação, que evita o 16 mm. Isso permite emendas
derramamento do resíduo com luvas e contraporcas com
durante o transporte. alta aderência.
Kabí Dywidag
(21) 2481-3122 2131-3700
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56
p&t 118.qxd 3/1/2007 10:36 Page 57

INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES INSTALAÇÕES JANELAS, PORTAS


HIDRÁULICAS E VIDROS

PISCINAS PORTAS DE CORRER


A Estampa Azulejo de Murano é A Sasazaki apresenta as novas
ELEVADORES a primeira estampa com visual DUPLA DESCARGA Portas de Correr da Linha Belfort,
O Biotracking é a novidade todo azulejado. Traz a aparência A Roca oferece em todas as suas que integram a linha econômica
lançada pela ThyssenKrupp para e o formato do azulejo ao fundo caixas acopladas mecanismos de da empresa. São seis novos
o mercado de elevadores. Trata- da piscina, e a tendência do dupla descarga, isto é, um botão modelos fabricados com
se de um sistema de vidro na borda, formando o que libera 3 l de água e outro que espessas chapas de aço, que
gerenciamento e monitoração de barrado. O barrado, reproduzido libera 6 l. O dispositivo possibilita garantem, segundo a fabricante,
uso de elevadores que, por meio por uma técnica italiana, sua utilização de acordo com a perfis mais reforçados do que os
de um dispositivo de leitura de apresenta desenhos de ondas necessidade específica de cada similares de seu segmento.
digitais, permite identificar cada com borbulhas inspiradas nas uso, proporcionando uma Sasazaki
usuário e restringir ou liberar a cores do Mar Mediterrâneo. economia, segundo a empresa, 0800-179922
utilização dos elevadores. 0800 727 3737 de até 60% de água. info@sasazaki.com.br
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p&t 118.qxd 3/1/2007 10:36 Page 58

PRODUTOS & TÉCNICAS


MÁQUINAS, VEDAÇÕES, PAREDES
EQUIPAMENTOS E E DIVISÓRIAS
FERRAMENTAS

BLOCOS
GUINCHO A Matieli produz blocos
O Guincho Elétrico Bramex cerâmicos estruturais de 6 e 10
EW001, da Orguel, disponível em MPa, blocos de vedação de 1,5
110 ou 220 V, pesa pouco menos MPa, blocos autoportantes e
de 10 kg. Indicado para içar e elementos vazados. Os produtos
descer volumes com até 100 kg, são fabricados segundo as
o produto tem um motor com normas da ABNT. O fabricante
potência de 500 W, que entrega as peças em paletes ou
possibilita uma velocidade de contêineres.
elevação de 10 m/min. Possui Matieli
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58
obra aberta 118.qxd 3/1/2007 10:38 Page 59

Para divulgar CDs, livros e outras

OBRA ABERTA
publicações anote o endereço da
redação: rua Anhaia, 964, Bom Retiro,
01130-900, São Paulo-SP

Livros

O custo das decisões Drywall Compósitos estruturais – Ciência


arquitetônicas* Lafarge Gypsum e tecnologia*
Juan Luis Mascaró Fone: 0800 282 9255 Flamínio Levy Neto e Luiz Cláudio Pardini
Editora PINI (distribuição) www.lafargegypsum.com.br Editora Edgard Blücher
192 páginas Compilando toda a literatura disponível 320 páginas
www.piniweb.com sobre gesso acartonado, a coletânea traz www.piniweb.com
Já na quarta edição, a obra defende a os cadernos "Tecnologia Drywall", Apresenta conceitos básicos, mas
análise do custo das decisões "Controle de Custos" e "Incorporação e também noções imprescindíveis à
arquitetônicas no decorrer do projeto, e Vendas", os manuais "Projeto de Sistemas especificação da matérias-primas,
não apenas após seu término. Não Drywall" e "Montagem de Sistemas fabricação, controle da qualidade,
incentiva o arquiteto a buscar sempre o Drywall", vídeo-treinamento em CD e comportamento mecânico e cálculo
menor custo, mas sim a otimizar as catálogos da empresa. estrutural com uso de materiais
relações de maneira que o custo seja compósitos. Referências e normas
compatível com as necessidades internacionais estão anexas.
funcionais, formais, tecnológicas,
econômicas e sociais.

Elementos de arquitetura de
climatização natural*
Eduardo Grala da Cunha (organizador)
Editora PINI (distribuição)
190 páginas
www.piniweb.com
Resultado de um convênio firmado entre
a Fundação Universidade de Passo Fundo,
no Rio Grande do Sul, com a Companhia
Estadual de Energia Elétrica, o livro visa
a reunir conceitos para a elaboração de
* Vendas PINI
projetos arquitetônicos que contemplem
Fone: 4001-6400 (regiões
condicionantes climáticos, diversidades
metropolitanas) ou 0800 596 6400
regionais, culturais, técnicas, de
(demais regiões)
disponibilidade de material e conjunturais.

59
agenda 118.qxd 3/1/2007 10:39 Page 60

AGENDA
Seminários e Fone: (11) 4191-4324 2 a 4/10/2007
E-mail: info@alcantara.com.br Cobtech – II Feira Nacional de
conferências www.alcantara.com.br Cobertura de Edificações
3 a 6/6/2007 São Paulo
51o Congresso Brasileiro de Cerâmica 13 a 16/3/2007 A Cobtech figura como a primeira feira
Salvador Revestir da América Latina desenhada para ser
A proposta do evento é permitir a interação São Paulo um ponto de encontro do setor de
entre o setor produtivo de cerâmica e as A feira é o marco inicial dos grandes coberturas e uma importante ferramenta
instituições de ensino e pesquisa. Para tal, negócios da indústria de revestimentos do de promoção comercial segmentada
promoverá, por meio de conferências e País. Em sua quinta edição, já é uma das para fomentar o crescimento e a
painéis, discussões sobre temas diversos e maiores e mais importantes do setor na profissionalização do setor. Direcionada
também dará oportunidade a América Latina e uma das principais do a revendedores, empresários, fabricantes
pesquisadores, estudantes e técnicos das mundo. O evento reúne os maiores e construtores.
indústrias de divulgarem seus trabalhos. fabricantes brasileiros de revestimentos e Fone: (11) 5585-4355
Fone: (11) 3768-7101 fornecedores, um bom momento para o E-mail: www.cipanet.com.br
E-mail: abceram@abceram.org.br lançamento de novidades e antecipação
www.abceram.org.br das tendências mundiais e uma
oportunidade para a realização de
Cursos e treinamentos
negócios, pela forte presença de 9 e 10/3/2007
Feiras e exposições compradores nacionais e internacionais. Patologia das Construções
6 a 9/2/2007 Fone: (11) 4613-2000 Porto Alegre
Vitória Stone Fair 2007 – Feira Email: revestir@vnu.com.br Ministrado pelo engenheiro civil Ercio
Internacional do Mármore e Granito www.exporevestir.com.br Thomaz, doutor em construção civil pela
Serra (ES) Escola Politécnica da USP e membro do
A Feira Internacional do Mármore e 23 a 27/4/2007 Conselho de Administração da Revista
Granito é um dos primeiros eventos do Fiee – 24a Feira Internacional da Téchne, o curso pretende analisar
ano para lançamentos de máquinas, Indústria Elétrica, Energia e Automação patologias mais freqüentes em
equipamentos, ferramentas e outros São Paulo edificações. Direcionado a tecnólogos,
insumos utilizados pela indústria do Um dos principais eventos de energia, a arquitetos e engenheiros civis.
mármore e granito. É também um evento Fiee promete alavancar negócios e mostrar Fone: (11) 3739-0901
onde as empresas apresentam seus novos os avanços tecnológicos em termos de E-mail: cursos@aeacursos.com.br
produtos. No total, o evento reúne cerca produtos e serviços para o setor, um dos www.aeacursos.com.br
de 300 variedades comerciais de rochas, mais importantes da economia brasileira.
entre granitos, mármores, ardósias, (11) 4191-4324
quartzitos e travertinos expostos. www.fiee.com.br
Concursos
Fone: (27) 3348-8500 15/7/2007
E-mail: multiserviceeventos@uol.com.br 24 a 28/4/2007 Prêmio Holcim Antac – Excelência
www.multiserviceeventos.com.br 9a Habitacon Sul – Feira Nacional de em Construção Sustentável
Habitação & Construção Brasil
13 a 17/3/2007 Blumenau (SC) A Holcim Brasil vai premiar a melhor
15a Feicon Batimat – Feira Internacional O evento pretende reunir aproximadamente dissertação de mestrado e tese de
da Indústria da Construção 150 empresas expositoras, oferecendo doutorado sobre construção sustentável
São Paulo produtos, acessórios, serviços e tecnologias no País. Entre os objetivos da premiação
O evento irá apresentar as novidades em para todas as etapas da construção civil, está levar o conceito de construção
alvenaria e cobertura, esquadrias, arquitetura e marcenaria. sustentável para o dia-a-dia dos
instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, Fone: (41) 3225-2493 profissionais desde a universidade.
equipamentos elétricos, dispositivos, E-mail: Fone: (51) 3316-4084
condutores, fios, cabos, entre outras. montebello@montebelloeventos.com.br www.antac.org.br

60 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


como construir 118.qxd 3/1/2007 10:41 Page 61

Alexandre Pandolfo

COMO CONSTRUIR
Engenheiro, gerente comercial da Ulma
Brasil Fôrmas e Escoramentos
apandolfo@ulma.com.br

Edificações com
paredes de concreto

Divulgação
ogo após a disseminação do uso
L do concreto armado como mate-
rial estrutural, começou-se a tentar es-
tender seu uso também como elemen-
to de vedação. A parede de concreto
em si pode, à semelhança de uma peça
estrutural, ser moldada in loco, ou
montada como uma peça pré-molda-
da. Vamos nos ater, neste artigo, aos
sistemas de paredes estruturais mol-
dadas in loco em obras verticais.
Nesse sistema construtivo, a ativi-
dade de coordenação de projetos é
fundamental. Afinal, a sobreposição
dos subsistemas de estrutura e veda-
ção obriga a uma análise multidisci-
plinar da edificação. As paredes de
concreto, ao constituírem tanto as fa-
chadas e/ou paredes internas, como as
linhas de pilares, devem ser olhadas e
trabalhadas em duas frentes.
As paredes de concreto podem ser
comparadas grosseiramente, para
efeitos de dimensionamento, a linhas
de paredes de alvenaria estrutural –
com a constituição de arranjos que
substituem elementos de barra por li-
nhas contínuas de distribuição de car-
gas aos pavimentos inferiores.
Ao se lançar mão de grandes se-
ções transversais verticais, as cargas
passam a ter uma distribuição mais
uniforme, o que gera um panorama
de tensões de compressão bastante
baixo. Usando-se costumeiramente
concretos de mesma classe que o
usual em arranjos do tipo
viga–pilar, há como conseqüência a
produção de peças finas – o que sig-
nifica paredes pouco espessas (11 a

61
como construir 118.qxd 3/1/2007 10:41 Page 62

COMO CONSTRUIR

Vela 3,90
Tensor
Guarda-corpo
Chave alinhadora Guarda-
corpo
Tensores Cabeçal
de console
Base
estabilizadora

Haste da vela

Braçadeira
Travamento contra
giro da torre Corpo principal

Manter fôrma de
madeira da viga Escoramento
recém-concretada metálico Corte da estruturação da fôrma sem
Corte típico de uma parede de fachada – o contato em si – console apoiado no Corte com painéis da fôrma interna
primeira altura de concretagem, sobre cone de aço incorporado ao concreto e externa colocados e plataformas
térreo, por exemplo da parede já curada de trabalho

15 cm) com baixa taxa de armação. cado são atrativas porque podem ser  Mantenham estabilidade dimen-
Usualmente em edifícios de 15 a 20 trocadas ou facilmente recuperadas. sional ao longo dos sucessivos reúsos,
pavimentos utiliza-se taxa de arma-  Serem desmontáveis em conjuntos de além do alinhamento perfeito e es-
dura mínima já a partir do segundo dimensão adequada – aos ciclos e cargas quadro. É importante também a exis-
ou terceiro pavimento. de grua. Usualmente, são interessantes tência de acessórios para adequação
Por imposição arquitetônica, nos módulos de 12 a 18 m2 com massas da perfeita ao projeto de arquitetura.
pavimentos pré-tipo, é comum a ocor- ordem de 1.200 a 1.500 kg.É interessan-  Incluir como parte integrante do
rência e necessidade da criação de peças te que as plataformas de trabalho – ele- sistema, elementos de segurança e
de transição, responsáveis pela redistri- mentos de aprumo – façam parte do proteção.
buição de cargas uniformes em cargas mesmo conjunto, otimizando opera- Vale lembrar que o estudo de grua,
concentradas em pilares convencionais ções de montagem e desmontagem. ou seja, suas capacidades de carga em
– seja para áreas comuns do edifício ou  Possibilitem a fixação de caixilha- seus respectivos raios, podem ser con-
para as garagens. ria e instalações em seu interior, sem dicionantes dos tamanhos dos módu-
No que tange às soluções para as comprometimento estrutural. los de painel de fôrma.
lajes, pode-se usar qualquer tipo de
solução estrutural, seja maciça ou
Divulgação

nervurada. Para fins de otimização de


ciclo, é recomendada a introdução de
uma junta, pelo menos, a fim de se
otimizar o uso das fôrmas.

Elementos do processo construtivo


Ao se usar materiais como concre-
to e aço estrutural, a chave do processo
construtivo está no bom equaciona-
mento do sistema de fôrmas com rela-
ção ao tipo de estrutura. As fôrmas
têm como exigências básicas:
 Suportar um número de utilizações
suficiente. Para isso, as soluções de Caesar Business Paulista, obra da Construtora Inpar: pilar–parede de cerca de 12 m de
contato em tipo compensado plastifi- comprimento garantindo contraventamento da estrutura de concreto em laje nervurada

62 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


como construir 118.qxd 3/1/2007 10:41 Page 63

As implicações na arquitetura e no
uso da edificação
Inicialmente vale-se observar
que o uso de arranjos curvos é de so-
lução mais complexa, o que acaba
restringindo arquiteturas mais re-
buscadas. Algumas vezes, quando a
solução das fôrmas perde produção,
pela necessidade de uso de peças de
seção complexa, podem-se mesclar
elementos pré-moldados na fôrma.
A fim de se manter as produti-
vidades executivas da obra, inter-
namente costuma-se usar, como
paredes, painéis do tipo drywall.
Essa solução torna-se adequada ao
processo construtivo como um
todo, ou seja, tem velocidade de
execução e perdas mais reduzidas
em relação às alvenarias conven-
cionais. Outra característica dife-
rencial é a predominância das pas-
sagens de instalações elétricas e hi-
dráulicas nas paredes internas e
não nas fachadas. Isso se justifica Corte da estruturação da fôrma sem contato (somente a vela) e com o painel de contato
por evitar perdas de produtividade
na execução da obra, ao se mesclar
uma atividade rápida – a constru-
ção da parede – com uma lenta – o
embutimento de instalações.
Evidentemente já foram desen-
volvidas boas soluções para fixação
dos gabaritos para caixilharia, sejam
portas ou janelas, com o uso de mar-
cos para contraformas internas. Em
alguns projetos residenciais de inte-
resse popular, os caixilhos são fixados
com vidros já colocados.
Esquema de reaproveitamento de painéis para cerca de 55% da área total de
parede–laje 100% executada
As questões do conforto térmico e
acústico
Conforme salientado anterior-
mente, as paredes de concreto po-
deriam, a priori, ter espessuras bas-
tante reduzidas como, por exem-
plo, 11 a 15 cm. Além do problema
do cobrimento das armaduras, tais
espessuras implicariam unidades
com conforto termoacústico preju-
dicadas. Isso significa gradientes
baixos de temperatura interno–ex-
terno, com mudanças bruscas ao
longo do dia. Da mesma forma, a
penetração de ruídos externos nas
unidades resultaria em habitações Esquema de reaproveitamento de painéis para cerca de 55% da área total de
pouco confortáveis. parede–laje parcialmente executada

63
como construir 118.qxd 3/1/2007 10:41 Page 64

COMO CONSTRUIR

Fotos: divulgação
À esquerda, hotel Formula 1 Consolação, obra da Inpar: vista interna da fôrma com os gabaritos para caixilharia; à direita, vista
da plataforma de trabalho em dois níveis, permitindo a retirada dos cones de ancoragem

Para minimizar esses tipos de Costumeiramente, espessuras de da obra. A redução usual pode chegar
ocorrências, em alguns projetos exe- revestimento bastante pequenas de dois a quatro meses, a depender da
cutados, por exemplo, pela Constru- podem ser usadas – como aplicação de edificação. Isso corresponde a custos
tora Inpar, optou-se pela fixação de texturas ou revestimentos tipo mono- totais de 4 a 7% menores.
painéis de gesso acartonado – drywall capa. Mais um cuidado se refere à tex-  Disponibilidade de equipamentos
– na face interna das paredes de facha- tura bastante lisa do acabamento da para fôrma, no mercado nacional, de
da. Essa solução cria uma espessura de parede. Caso ele seja muito regular e pelo menos cinco empresas diferen-
maior resistência, o que transforma o plano, a aderência dos revestimentos tes, o que permite uma discussão téc-
conjunto de parede de concreto–ca- pode ser comprometida. Nesse caso, nica de bom nível e custos de locação
mada de ar–gesso numa divisória de em algumas vezes, segundo o enge- compatíveis. Na maioria dos casos, o
comportamento similar ao de alvena- nheiro André Chamati, ex-membro reúso dos painéis de fôrma é bastante
rias de bloco de concreto ou cerâmica. de equipe técnica da Inpar, e atual- alto – por exemplo oito usos mensais
mente na Even Construtora, recomen- – o que leva a custos por área executa-
O acabamento da fachada da-se o uso de uma pintura do tipo da muito baixos.
Externamente, as paredes de con- textura na própria fôrma, aumentan-  Redução de patologias nas interfa-
creto têm um acabamento bastante do a aspereza do concreto acabado. ces. Ao se conformarem estruturas
regular. É importante e evidente que Mesmo havendo piora na aparência monolíticas, e do mesmo material, as
os controles executivos na montagem do concreto, as pontes para aderência deformações globais são minoradas
da fôrma e no lançamento do concre- mecânica viabilizam-se, o que garante bem como a fissuração dos encontros
to sejam rígidos e permanentes. As a fixação adequada ao substrato. parede e laje, por exemplo.
eventuais operações de manutenção Outra solução que vem sendo  Maior segurança operacional.
corretiva são dispendiosas e de resul- aprimorada é o uso de concretos do Como as obras desse tipo são fechadas
tado somente aceitável. tipo auto-adensável, o que preserva a lateralmente a cada pavimento, são
A maioria dos sistemas de fôrmas fôrma dos esforços dinâmicos da vi- menores os riscos de queda de mate-
trepantes disponíveis no mercado bração e reduz as perdas de nata. riais e pessoas.
tem, nas porções exteriores da fôrma,  Mão-de-obra com qualificação
andaimes do tipo suspenso ou permi- Por que fazer, afinal? adequada. A produtividade de uso
tem a fixação de balancins. Eles per- Vários motivos justificam a esco- desses sistemas é bastante interes-
mitem que a recuperação de peças lha do sistema construtivo de pare- sante ao se homogeneizarem de-
deixadas na concretagem – por exem- des de concreto. Os mais representa- mandas de mão-de-obra. Chegam a
plo de cones – seja feita. O uso de ba- tivos são: atingir 1,8 a 3,5 m2/hh. Em vez de
lancins é vantajoso em relação aos an-  Redução de prazo de atividades de termos concentrações de tarefas so-
daimes de altura fixa, ao permitirem a fachada, uma vez que se evitam suces- mente em dias de concreto de laje-
defasagem de atividades de estrutura e sivas operações na fachada. Como es- viga e pilar, há volumes também ex-
tratamento da fachada em tempos de tamos falando de uma atividade per- pressivos nas paredes. Os custos em
execução diferente. Especial atenção tencente ao caminho crítico do cro- R$/m3 executados são menores, já
deve ser dada aos elementos de prote- nograma de uma edificação, há re- que há mais volumes lançados e
ção perimetral. percussão integral sobre o prazo total menos ociosidade da equipe.

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