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PATOLOGIA DO SISTEMA MUSCULAR

Josiane Bonel-
Bonel-Raposo/2008
Raposo/2008

1. CARACTERÍSTICAS FISIO-ANATÔMICAS DO MÚSCULO:


O músculo esquelético normal é composto de miofibrilas. Miofibrila é uma célula
multinucleada, cilíndrica, longa, que é a unidade contrátil do músculo. As miofibrilas são
envolvidas por um delicado tecido conjuntivo o ENDOMÍSIO, que é continuo com o tecido
conjuntivo presente entre as miofibrilas denominado PERIMÍSIO; e ao redor de todo o
músculo o EPIMÍSIO. O tecido conjuntivo liga-se as miofibrilas e é contínuo nas
extremidades do músculo com os tendões que fixam os músculos ao osso. Cada miofibrila
possui uma membrana celular denominada SARCOLEMA, e apresenta estriações transversais
(linhas Z), porque é constituída de faixas regularmente alternadas com diferentes capacidades
de refração. A diferença na refração está relacionada à disposição dos filamentos de actina e
miosina na miofibrila.
Exame macroscópico do músculo deve ser avaliado as alterações na forma, cor, textura e
volume. Para isso deve-se ter muito critério para não cometer erros. Pois a avaliação do
tamanho é muito subjetiva, a menos que músculos controles sejam examinados juntamente;
assim como a cor que dependendo da porcentagem de fibras tipo I e II afeta a coloração do
músculo, podendo apresentar-se vermelho ou pálido. Contudo músculos em processo de
necrose são pálidos; e músculos com exsudatos sero-sanguinolento podem estar presentes nas
infecções clostridiais; lesões focais podem ser causadas por parasitos como Sarcocystis e
alterações para a cor verde na miosite eosinofílica.
Exame microscópico do músculo, primeiro deve-se ter muito cuidado ao fixar o músculo, pois
esse se contrai sempre que estimulado; e se ele ainda está irritável ao ser colocado num
fixador, se contrairá, e com freqüência ocorrerá formação de artefatos decorrentes da
contração. Recomenda-se que o momento ideal para coleta da amostra, seja quando o rigor
mortis se extingue.
Rigor mortis: Após a morte somática, à medida que as reservas de energia vão sendo usadas,
tem lugar uma seqüência de alterações; após um breve período de relaxamento, essas
alterações resultam em contração, enrijecimento e fixação das articulações. Classicamente tem
origem 2-6 horas após a morte e pode durar até 72 horas no máximo.
Patologia clínica: avaliação dos níveis séricos de aspartato amino transferase (AST) e creatina
quinase (CK). Uma vez que a membrana plasmática da miofibra esteja lesionada, ou que o
segmento da miofibra se tornou necrosado, parte do conteúdo da célula muscular “extravasa”,
sendo absorvida pelo sangue. As concentrações de alguns desses componentes são
empregados como índice da extensão da lesão à miofibra. O componente mais comumente
encontrado é a creatina quinase (CK), também é liberado o aspartato amino transferase (AST),
mas não é um indicador tão específico da lesão muscular, pois também está presente nos
hepatócitos.
*Os músculos respondem às lesões através da degeneração, necrose e regeneração.

2. RESPOSTAS DO MÚSCULO ÀS AGRESSÕES


O músculo se compõe de miofibras circundadas por vasos sanguíneos e fibroblastos. A
primeira célula a reagir a uma agressão é a miofibra. A amplitude de suas respostas e
consistem basicamente de degeneração, necrose, calcificação e regeneração.
a) Degeneração: em patologia muscular o termo é usado de forma indiscriminada,
referindo-se por vezes, a fenômenos que caracterizam necrose muscular.
b) Necrose: é rara necrose total da miofibra e, ocorrerá somente em lesões extensas como
se manifesta na hialinização da fibra.
c) Regeneração: quando da manutenção do tubo sarcolêmico (endomísio mais sarcolema),
a regeneração pode ser completa. Tentativas de regeneração sem sucesso são
caracterizadas pela presença de grandes células multinucleadas.

3. ALTERAÇÕES NAS DIMENSÕES DAS MIOFIBRAS


3.1. ATROFIA: redução no diâmetro do músculo como um todo, ou no diâmetro da miofibra.
a) ATROFIA POR DENERVAÇÃO - a perda de uma fibra nervosa que atende um músculo
resulta na atrofia de todas as miofibrilas inervadas por aquele nervo. Ex.: Paralisia radial em
caninos; “Cornagem” dos eqüinos, causada pela hemiplegia laringeana secundária à lesão do
nervo laringeano recorrente esquerdo.
b) ATROFIA POR DESUSO - resulta numa rápida atrofia do músculo. A causa pode ser
qualquer coisa que interrompa o uso do músculo como membro fraturado, a não utilização de
um membro dolorido, ou decúbito.
c) ATROFIA POR DESNUTRIÇÃO, CAQUEXIA, SENILIDADE - na inanição a proteína
muscular é metabolizada, para fornecer os nutrientes necessários.

3.2. HIPERTROFIA: usada para aumento no diâmetro do músculo num todo, e para aumento
no diâmetro da miofibrila, mesmo se o próprio diâmetro do músculo não está aumentado.
a) HIPERTROFIA DE TRABALHO - implica um aumento do trabalho fisiológico, como
ocorre no treinamento atlético.
b) HIPERTROFIA COMPENSATÓRIA - é uma resposta a um aumento na carga, causada
pela perda ou ausência de fibras num músculo. Podendo ser secundária à atrofia por
denervação, caquexia e à necrose nas severas miopatias tóxicas ou nutricionais em que os
músculos perderam muitas miofibras.

4. DOENÇAS CONGÊNITAS/HEREDITÁRIAS
ARTROGRIPOSE: A artrogripose é uma enfermidade congênita caracterizada por contratura
muscular com extensão ou flexão dos membros, sendo também denominada de rigidez
articular congênita. O termo artrogripose é usado preferencialmente, para a rigidez articular
em flexão.
A doença é atribuída a um defeito primário dos músculos ou, mais freqüentemente, a uma
lesão primária do sistema nervoso central. A atrofia muscular é conseqüência da ausência de
neurônios nos cornos ventrais da medula, ou da desmielinização dos nervos motores.
Diversas espécies domésticas são afetadas, os animais geralmente, nascem apresentando
partos distócicos e freqüentemente estão mortos. Quando nascem vivos são incapazes de
manterem-se em pé ou alimentarem-se, e morrem em poucos dias.
A doença pode ser hereditária, transmitida por genes autossômicos recessivos ou ter causas
ambientais como: infecções pelo vírus Akabane; vírus da língua azul; vírus Aino; ingestão de
plantas, como Lupinus sericeus e L. caudatus, Astragalus sp., Nicotiana glauca, sorgo, capim
sudão e outras; deficiência de vitamina A ou manganês; administração de drogas como
carbendazol e parbendazol.
Clinicamente observam-se graus variados de rigidez articular com flexão ou extensão dos
membros e atrofia muscular, associados, ou não, a outras alterações como xifose, escoliose,
torcicolo e fenda palatina, prognatismo inferior e deformação do esterno.
Macroscopicamente as articulações dos membros estão posicionadas em flexão ou extensão e
há atrofia muscular.
Histologicamente observa-se diminuição do número de neurônios nos cornos ventrais de
segmentos da medula cervical, torácica e lombar. Nos músculos há atrofia dos feixes de fibras
musculares.

HIPOPLASIA MIOFIBRILAR DOS SUÍNOS: Relacionada a causas infecciosas ou


nutricionais, ou a intoxicação por micotoxinas e alteração no metabolismo do potássio e
sódio, porém parece existir uma predisposição genética. Os animais apresentam os membros
distendidos (abertos), incapacidade de adução e retração, redução dos movimentos, suscetíveis
a acidentes e podem morrer por inanição devido à incapacidade de mamar. Esse defeito
locomotor pode ser transitório com duração de 1 a 2 semanas e voltar ao estado normal. A
lesão observada é a hipoplasia miofibrilar. Anomalias do fechamento do canal medular
durante o desenvolvimento podem também ser responsabilizadas pela enfermidade.

5. MIOPATIAS COM NECROSE SEGMENTAR


Caracterizadas por mioglobinúria, dificuldade locomotora e alterações nos níveis séricos
de CK e AST. Microscopicamente, observa-se degeneração e necrose segmentar das fibras
musculares.
5.1. MIOPATIAS TÓXICAS:
Intoxicação por Senna occidentalis (fedegoso) - A ingestão dessa planta produz intoxicação
caracterizada por miopatia e cardiomiopatia degenerativas. É uma planta encontrada em
pastagens, solos férteis, ao longo de estradas ou contaminando lavouras de soja, milho e
sorgo. A intoxicação tem sido descrita em bovinos, suínos e eqüinos. Sementes, vagens,
folhas e caules são tóxicos, sendo as sementes a parte mais tóxica. A intoxicação ocorre pela
ingestão de cereais ou feno contaminados com sementes ou outras partes da planta ou, no caso
de bovinos, também em pastoreio. A contaminação dos cereais ocorre durante a colheita
mecânica de lavouras contaminadas por fedegoso. Esse fato é particularmente importante
quando ocorre contaminação do sorgo por S. occidentalis, porque as duas sementes têm
tamanho e densidade muito semelhantes. A doença ocorre geralmente em bovinos maiores de
1 ano, sob forma de surtos, afetando de 10%-60% do rebanho ou, mais raramente, sob forma
de casos esporádicos. A letalidade é alta. Em suínos a morbidade é variável, de 5%-50%, com
índices de letalidade entre 92%-95%. No Brasil a doença foi relatada em suínos, em Santa
Catarina, e em bovinos no Rio Grande do Sul devida à ingestão de rações contaminadas com
sementes e, em pastoreio, durante o outono e início do inverno, em lavouras infestadas por
fedegoso. No Mato Grosso do Sul foi observada, também, em animais a pastoreio.
Os sinais clínicos observados em bovinos com a doença iniciam por diarréia 2-4 dias após o
início da ingestão, que ocasionalmente se acompanha de cólica e tenesmo. Em poucos dias
aparecem sinais de distúrbios musculares, que consistem em fraqueza muscular, ataxia dos
membros posteriores, relutância em moverem-se, decúbitos esternal e lateral, e morte. Alguns
animais apresentam depressão, anorexia e perda de peso, mas é comum o bovino permanecer
alerta em decúbito esternal, inclusive alimentando-se e bebendo água até poucas horas antes
da morte. A urina é marrom, marrom-avermelhada ou cor de café, devido à presença de
mioglobina. Nas fases finais, há atonia rumenal e elevação acentuada nos níveis séricos de
creatinina fosfoquinase (CPK) e aspartato aminotransferase (AST). Os animais podem
adoecer mesmo 2 semanas depois de cessada a ingestão da planta. O quadro clínico em suínos
é semelhante, porém a diarréia não ocorre em todos os casos. Os eqüinos são mais sensíveis
aos efeitos de S. occidentalis que bovinos e suínos e apresentam um curso clínico agudo que
varia de 4 horas a 4 dias. Os sinais clínicos incluem depressão, tremores musculares, ataxia,
desequilíbrio, sudorese, respiração rápida e ofegante, taquicardia, dispnéia e relutância em
mover-se. Diarréia e mioglobinúria não ocorrem.
Em bovinos ocorrem lesões nos músculos esqueléticos, pulmão e miocárdio. Observam-se
áreas pálidas nos músculos esqueléticos, principalmente nas grandes massas musculares dos
membros posteriores e anteriores. Essas áreas podem aparecer como focos múltiplos ou em
forma de estriações acompanhando a orientação da fibra muscular ou transversal a ela.
Freqüentemente aparecem grupos de músculos afetados adjacentes a grupos musculares
normais. As lesões cardíacas são mais discretas, aparecem como palidez difusa do miocárdio
ou como estriações branco-amareladas próximas ao endocárdio do ventrículo esquerdo. O
fígado pode estar aumentado, túrgido, pálido, com manchas escuras na cápsula e aspecto de
noz-moscada na superfície de corte. A bexiga contém urina escura. Em suínos as lesões
musculares e cardíacas assemelham-se às dos bovinos, embora, às vezes, não possam ser
percebidas macroscopicamente. Nos eqüinos as lesões musculares não são perceptíveis
macroscopicamente e predominam as lesões hepáticas.
Microscopicamente observam-se lesões de necrose segmentar dos músculos esqueléticos e no
miocárdio, sendo mais severas em bovinos do que em suínos e eqüinos. No fígado há
congestão e necrose centrolobulares com vacuolização de hepatócitos e inclusões hialinas
intracitoplasmáticas.
O princípio ativo da planta não foi ainda completamente isolado ou identificado. As doses
tóxicas variam entre as espécies animais, e a planta tem efeito cumulativo.
O diagnóstico deve ser realizado com os dados clínicos, epidemiológicos e a patologia. Deve-
se confirmar qual a forma da intoxicação; se foi através da ingestão da planta na pastagem, ou
através de sementes contaminando grãos usados na ração dos animais.
As determinações dos níveis séricos de CPK e AST auxiliam no diagnóstico.
Deve-se fazer diagnóstico diferencial com doenças que cursam com hemoglobinúria, para isto
é necessário realizar testes laboratoriais para diferenciar a hemoglobina da mioglobina. O
diagnóstico diferencial deve ser realizado com: deficiência de Se/Vit. E; intoxicações por
monensina e por gossipol; síndrome de decúbito.
Não há tratamento específico para a intoxicação. A medida mais eficaz é retirar os animais
que ainda não estão em decúbito das áreas com a planta ou retirar a ração contaminada com
sementes. Como medidas profiláticas recomendam-se evitar a invasão de S. occidentalis nas
lavouras de verão, através de práticas agronômicas adequadas, principalmente quando se
utiliza a colheita mecânica dos cereais. Nos casos em que a lavoura esteja invadida pela
planta, a colheita mecânica poderá ser substituída pela colheita manual.

ANTIBIÓTICOS IONÓFOROS: são metabólitos de fungos, usados como aditivo de


alimentos dos animais, para controlar a coccidiose, estimular o crescimento e ganho de peso e
em bovinos para controlar o timpanismo. Essas drogas são poliéteres carboxílicos que formam
complexos lipossolúveis com cátions, facilitando assim o transporte de íons através de
membranas biológicas e induzindo distúrbios celulares fisiológicos e morfológicos devidos ao
desequilíbrio iônico. Os antibióticos ionóforos de uso mais freqüente em medicina veterinária
são monensina, salinomicina, narasina e lasalocida. O uso inadequado desses agentes
terapêuticos tem causado, em várias espécies animais, intoxicações caracterizadas,
principalmente, por miopatia e cardiomiopatia degenerativas.
Os antibióticos ionóforos são considerados seguros quando usados nas espécies-alvo, dentro
das dosagens recomendadas pelo fabricante. O uso inadequado dessas drogas tem, no entanto,
causado intoxicação em bovinos, ovinos, eqüinos, suínos, aves e coelhos. O consumo de doses
tóxicas de antibióticos ionóforos pode ocorrer em situações como: erro na mistura do premix
na ração ou mistura não homogênea; uso em espécies não-alvo (por exemplo, uso na
alimentação de cavalos, de rações preparadas para aves); uso concomitante com drogas que
potencializam a ação dos antibióticos ionóforos (por exemplo, tiamulin, cloranfenicol,
eritromicina); alimentação de ruminantes com esterco de galinhas tratadas com antibióticos
ionóforos; ingestão de quantidades excessivas por animais vorazes com dominância social.
As doses tóxicas dos antibióticos ionóforos variam consideravelmente dependendo do tipo de
ionóforo e da espécie e categoria de animal. A DL50 de monensina varia entre 22-50mg/kg
para bovinos e é de 12mg/kg para ovinos, enquanto a DL0 dessa mesma droga é 10 e 4 mg/kg
para bovinos e ovinos, respectivamente. As doses terapêuticas de antibióticos ionóforos
variam com a idade, espécie e tamanho do animal e com o propósito terapêutico. A
administração deve seguir rigorosamente as recomendações do fabricante. Níveis
aproximados para a ração de bovinos e ovinos são de 16-33ppm e 5-10ppm, respectivamente.
O uso de antibióticos ionóforos não é recomendado para eqüinos, devido à alta suscetibilidade
dessa espécie. No Brasil, intoxicação por ionóforos tem sido descrita em coelhos, suínos
bovinos, ovinos e eqüinos.
O curso clínico da intoxicação varia conforme a intensidade da dose e o tempo da ingestão.
Há descrições de mortes súbitas, cursos superagudos, agudos, subagudos e crônicos. Para
bovinos, o período entre a ingestão e o aparecimento dos sinais clínicos varia entre 18 horas e
4 dias, dependendo, principalmente, da quantidade ingerida. Inicialmente ocorre anorexia, a
seguir diarréia, tremores, ataxia, fraqueza muscular, andar arrastando as pinças, taquicardia e
parada do rúmen. Mioglobinúria é observada em alguns casos. O animal pode morrer
agudamente, logo após o aparecimento desses sinais clínicos, por insuficiência cardíaca.
Animais que sobrevivem por alguns dias podem mostrar um quadro mais crônico,
caracterizado por sinais de insuficiência cardíaca congestiva, edema de peito, ingurgitamento
e pulso positivo da jugular, ascite, fezes amolecidas ou líquidas. Podem ocorrer distúrbios
respiratórios como dispnéia e taquicardia, provavelmente, associados a edema pulmonar e/ou
lesão nos músculos da respiração. Nesses casos, as mortes podem ocorrer semanas ou meses
depois de cessada a ingestão dos ionóforos, geralmente associadas a exercício. Em ovinos, a
doença clínica é semelhante à dos bovinos e nos casos crônicos há atrofia muscular,
principalmente das grandes massas do trem posterior. Em cavalos os sinais clínicos iniciam 2-
5 dias após o início da ingestão da droga e cursam com uma síndrome associada à
cardiomiopatia e outra associada ao envolvimento dos músculos esqueléticos. A síndrome
associada à cardiomiopatia apresenta-se com: curso superagudo, no qual os animais podem ser
encontrados mortos, em conseqüência de insuficiência cardíaca, sem apresentar sinais
premonitórios; curso agudo, quando se observam inquietude, distúrbios respiratórios, diarréia,
congestão das mucosas, suores abundantes, batimentos cardíacos irregulares e taquicardia (50-
60 batimentos por minuto). Em alguns casos pode ocorrer mioglobinúria. Os animais que
sobrevivem à forma aguda podem desenvolver sinais de insuficiência cardíaca congestiva,
associada a mau desempenho na corrida ou no trabalho. Na miopatia de músculos
esqueléticos, os eqüinos afetados apresentam anorexia, depressão, andar incoordenado,
respiração laboriosa, febre, cólica, mioglobinúria (a urina está vermelha ou cor de café em
conseqüência da miólise); têm dificuldade em levantar-se e permanece muito tempo deitados.
Na intoxicação de bovinos ovinos e eqüinos há aumento da atividade de enzimas séricas como
creatina fosfoquinase, lactato desidrogenase e aspartato aminotransferase.
As lesões de necropsia são observadas, principalmente, como áreas de degeneração no
miocárdio e músculos esqueléticos. Bovinos e eqüinos tendem a apresentar lesões mais
marcadas no coração e ovinos tendem a apresentar lesões de igual intensidade no coração e
músculos esqueléticos. As lesões aparecem como focos ou estrias brancas ou branco-
amareladas na musculatura. Em bovinos que morrem após a manifestação de insuficiência
cardíaca crônica, pode ser observado edema de peito (tecido subcutâneo), edema pulmonar,
hidropericárdio, ascite e fígado em noz-moscada. Lesões secundárias à insuficiência cardíaca
não são observadas em ovinos. Em eqüinos as lesões degenerativas e necróticas são descritas
comumente no miocárdio, mas podem predominar nos músculos esqueléticos. Em casos de
comprometimento cardíaco nos eqüinos, ocorrem congestão e edema pulmonar e congestão e
aumento de volume do fígado.
Histologicamente os achados mais característicos incluem lesões degenerativas e necróticas
dos músculos esqueléticos e cardíacos. As lesões consistem em tumefação, necrose hialina,
necrose flocular e lise das miofibras. Em casos muito agudos em ovinos e eqüinos, as
alterações morfológicas poderão ser mínimas ou inexistentes, mesmo ao exame microscópico.
Em casos prolongados podem ocorrer processos regenerativos e de fibrose. Processos
regenerativos são freqüentes nos músculos esqueléticos, enquanto a fibrose e tentativas
abortadas de regeneração ocorrem mais freqüentemente no miocárdio, devido à capacidade
muito reduzida de mitose da fibra cardíaca.
Casos da intoxicação podem ser suspeitados pelo quadro clínico e lesões de necropsia. Os
músculos e miocárdio devem ser cuidadosamente examinados e fragmentos desses órgãos
devem ser colhidos em formalina a 10% para exame histológico. Para evitarem-se artefatos,
os fragmentos de músculos podem ser conservados refrigerados (nunca congelados) até a
ocorrência e desaparecimento do rigor mortis, antes de serem fixados em formol. Isso pode
levar até 24 horas sem prejuízo do exame microscópico. A confirmação do diagnóstico deve
ser feita pela determinação (por cromatografia) qualitativa (tipo específico de ionóforo) e
quantitativa de ionóforo na ração que estava sendo consumida pelos animais. Essas análises
podem ser realizadas, também, nos conteúdos gástricos retirados de casos clínicos por sonda.
O diagnóstico diferencial deve incluir várias doenças, que cursam com miopatia e/ou
cardiomiopatia, entre elas cita-se:
Em bovinos: deficiência de vitamina E/selênio; intoxicação pela planta Senna occidentalis
(fedegoso) que apresenta lesões cardíacas mínimas ou inexistentes; intoxicação pela planta
Ateleia glazioviana (timbó, maria-preta), que apresenta lesões cardíacas marcantes, mas não
causa lesões nos músculos esqueléticos. Os dados epidemiológicos ajudam nessa
diferenciação.
Em ovinos as miopatias e cardiomiopatias induzidas por plantas ou por deficiência nutricional
não foram, ainda, descritas no Rio Grande do Sul, mas não devem ser excluídas do
diagnóstico diferencial.
Em eqüinos, deve-se diferenciar de cólica e azotúria (rabdomiólise).
Não há tratamento específico. O tratamento com selênio e vitamina E não é efetivo após o
início da enfermidade, mas o pré-tratamento com essas substâncias pode ajudar a reduzir o
efeito dos ionóforos.
Uma vez diagnosticada a doença, a ração deve ser suspensa. Animais com lesão no miocárdio
não se recuperam e acabam morrendo por complicações da insuficiência cardíaca. A
prevenção da doença é obtida com o uso criterioso dessas substâncias na alimentação de
ruminantes e evitando-se o uso na alimentação de eqüinos.
5.2. MIOPATIA POR EXERCÍCIO:
MAL DA SEGUNDA-FEIRA: O “mal da segunda-feira” ou mioglobinúria paralítica é uma
miosite, um processo inflamatório, que acomete os músculos esqueléticos dos membros
posteriores do cavalo, causado por acúmulo de ácido lático. Geralmente ocorre em eqüinos
superalimentados com concentrado durante longo período de repouso e submetidos,
posteriormente, a exercícios físicos fatigantes. Essa miosite também pode ser chamada
mioglobinúria paralítica, ou azotúria. Alguns também a chama de tying-up, rabdomiólise por
esforço ou amarração, que pode ocorrer também como seqüela de processos cirúrgicos ou
qualquer situação de stress do animal como cólica, doenças infecciosas, condições adversas de
tempo, transporte. Aqui cabe uma consideração: Apesar de serem distúrbios similares
(mecanismo, sinais, sintomas e tratamento), mioglobinúria paralítica é uma patologia diferente
de amarração; a primeira moléstia é grave e a segunda branda. Outras diferenças são vistas na
clínica (intensidade de sinais clínicos) e na microscopia (histopatologia). Considerações feitas
vamos ao mecanismo das miosites em questão. Em condições de exercício intenso, o músculo
trabalha em anaerobiose (produção de energia na ausência de oxigênio) e, quando está
superalimentado, uma excessiva quantidade de ácido lático é produzida. O ácido lático,
quando acumula nos músculos, causa necrose, com destruição da membrana das fibras
musculares (miofibrilas). Com o rompimento das miofibrilas é liberada grande quantidade de
mioglobina que atinge a corrente sanguínea. Além da lesão muscular, a mioglobina liberada
passa pelos rins, pigmentando a urina. Esse excesso de proteína no sangue e nos rins leva à
azotúria ou azotemia (aumento uréia e creatinina no sangue) e pode causar lesão renal. Lesões
renais e outras alterações sistêmicas podem levar o animal a óbito
Afeta, principalmente, eqüinos alimentados com rações concentradas, ricas em carboidratos,
que são submetidos a exercício após um ou mais dias de descanso. No Rio Grande do Sul é
freqüente em cavalos utilizados para rodeios ou desfiles de fim de semana, por pessoas que
desenvolvem suas atividades profissionais na cidade e nos fins de semana participam desses
eventos. Tem sido observada, também, em cavalos que ingerem, somente, pastagens e que são
submetidos a esforços prolongados após longos períodos de descanso.
Os sinais clínicos caracterizam-se por disfunção muscular com dificuldades para a locomoção,
principalmente dos membros posteriores, e relutância a se locomover. Observam-se tremores
musculares e sudação. Nos casos mais graves os cavalos podem permanecer em decúbito e/ou
apresentar mioglobinúria. Os músculos mais afetados, principalmente das regiões glútea,
femural e lombar, apresentam-se de consistência aumentada e com dor à palpação. Os animais
podem se recuperar em períodos que variam de poucas horas a 2-4 dias. Os casos mais graves
podem levar a morte em conseqüência de nefrose causada pela mioglobinúria. Há elevação
dos níveis séricos de CPK.
Na necropsia, os músculos, principalmente das regiões mencionadas anteriormente,
apresentam-se escuros e edemaciados, podendo observar-se áreas de cor mais clara,
amareladas ou hemorrágicas.
Na histologia desses músculos há lesões características de necrose segmentar. Os rins podem
apresentar-se edemaciados e de cor escura. Na histologia, observa-se necrose com presença de
mioglobina.
O diagnóstico realiza-se com base no histórico, sinais clínicos e determinação dos níveis
séricos de CPK. O diagnóstico diferencial deve ser realizado com outras doenças que causam
necrose segmentar dos músculos esqueléticos, principalmente as intoxicações por antibióticos
ionóforos e Senna occidentalis, e com o tétano.
Os cavalos devem ser privados de exercício, tratados sintomaticamente com antiinflamatórios
e anti-histamínicos e deve ser restabelecido o equilíbrio hídrico e eletrolítico.
5.3. MIOPATIA NUTRICIONAL (Doença dos músculos brancos) - é uma das doenças
musculares economicamente mais importantes em animais. Afeta principalmente ovinos,
bovinos e suínos. A doença se deve a uma deficiência de vitamina E ou selênio, ou ambas.
Contudo, freqüentemente há um fator precipitante, como o rápido crescimento ou exercício
desusado, ou um fator nutricional, como a presença de ácido graxo não saturado. Tanto a
vitamina E quanto o selênio estão envolvidos na proteção das membranas celulares, contra os
radicais livres causadores de peroxidação dos lipídios de membrana. São diferentes os
mecanismos pelos quais a vitamina E e o Selênio atingem esse objetivo. O selênio e a
vitamina E estão envolvidos na neutralização dos radicais livres, e se seus mecanismos estão
defeituosos, ou mostram-se inadequados, então as membranas celulares tornam-se
fisiologicamente defeituosas, permitindo o influxo de cálcio para o citosol; isto resulta na
acumulação de cálcio nas mitocôndrias. As mitocôndrias lesionadas são incapazes de suprir a
energia para manutenção da homeostasia. O resultado é morte celular; ou, no caso de uma
célula multinucleada, necrose segmentar. A lesão ocorre nos músculos mais trabalhados
(coxas, paletas, intercostais e diafragma). Pode ocorrer calcificação sobre os músculos
degenerados, observando-se áreas opacas ou brancas que originaram a denominação Doença
dos músculos brancos (DMB).
Então, as lesões histológicas consistem de necrose segmentar, calcificação e regeneração. Se o
processo for continuado, a necrose se amplia, impedindo a regeneração. Em suínos a
deficiência de vitamina E e Selênio, também, determina os quadros de hepatose dietética e
microangiopatia nutricional.

6. MIOSITES BACTERIANAS:
Processos infecciosos podem envolver o músculo, mas há pouco desses processos em que o
músculo é o local primário de infecção, como por exemplo, a miosite clostridial.
CARBÚNCULO SINTOMÁTICO (Manqueira): é uma enfermidade causada pelo
Clostridium chauvoei, um bacilo Gram positivo, anaeróbio, que esporula e pode manter-se no
meio ambiente por períodos prolongados. A doença ocorre quando a bactéria, que pode estar
em estado latente no organismo sem causar lesões, multiplica-se nos músculos produzindo
toxinas que causam uma miosite hemorrágica grave. Desconhecem-se os fatores que
determinam que a bactéria deixe seu estado de latência para causar enfermidade, mas é
possível que as condições favoráveis de anaerobiose ocorram em conseqüência de
traumatismos musculares. Aparentemente, outros clostrídios, incluindo Clostridium septicum,
Clostridium novyi (oedematiens) e Clostridium sordelli podem, mais raramente, causar a
enfermidade e são encontrados, freqüentemente junto a C. chauvoei nas lesões de carbúnculo
sintomático.
O carbúnculo sintomático ocorre geralmente em bovinos de 6 meses a 2 anos de idade.
Ocasionalmente, pode afetar bovinos de até 36 meses e bezerros de 2-6 meses. A doença
ocorre em todos os Estados do Brasil, é a clostridiose mais freqüente no Rio Grande do Sul e
está entre as 5 doenças infecciosas mais diagnosticadas em bovinos nessa região. Neste estado
ocorre com maior freqüência no outono, em bezerros nascidos na primavera anterior ou em
bovinos de sobreano. Com menor freqüência ocorrem surtos na primavera. A morbidade é de
5%-25% e a letalidade são de, praticamente, 100%. Ovinos podem contrair a infecção por C.
chauvoei como conseqüência de contaminação de ferimentos, tais como feridas causadas
durante o parto, castração e lesões do umbigo.
É uma doença aguda que causa a morte em 12-36 horas, motivo pelo qual em muitas ocasiões,
encontram-se os animais mortos. Observa-se depressão, anorexia, hipertermia e, na maioria
das vezes, severa claudicação. Os músculos dos membros e de outras regiões anatômicas
podem estar aumentados de volume e apresentar crepitação em conseqüência da produção de
gás. Os sinais clínicos em ovinos são similares aos observados no edema maligno. Ovelhas
infectadas durante o parto apresentam aumento de volume e edema da região do períneo que,
freqüentemente, estende-se aos membros posteriores. Os animais incham rapidamente após a
morte e podem apresentar perda de líquido hemorrágico pelas narinas e ânus.
Patogenia:
O Clostridium permanece vivo, durante anos nas pastagens. O animal ingere com o
alimento, os clostridios, permanecem no intestino lesão muscular diminui O2
atrai as bactérias se multiplicam no local (necrose) toxinas.
#Bovinos - manejo inadequado > lesão muscular > baixa de oxigênio > quimiotaxia para
Clostridium chauvoei do intestino e fígado > septicemia > toxina > necrose > morte
#Ovinos - lesão muscular > solução de continuidade > baixa de oxigênio > contaminação pelo
Clostridium chauvoei das fezes (solo) > toxina > necrose > morte
A lesão mais característica é uma miosite hemorrágica com presença de gás. Apesar da
localização mais freqüente das lesões serem nos músculos das regiões superiores dos
membros, todos os músculos devem ser inspecionados exaustivamente, incluindo língua,
coração e diafragma onde, ocasionalmente, podem estar localizadas as lesões. As cavidades
apresentam, geralmente, líquido hemorrágico com fibrina. Em ovinos infectados durante o
parto podem observar-se, também, lesões necróticas da parede da vagina. Doença aguda e
morte em bovinos de até 2 anos de idade é sugestiva de carbúnculo sintomático, assim como a
claudicação e a tumefação crepitante de grupos musculares.
As alterações de necropsia são características, porém a necropsia deve ser realizada no menor
tempo possível após a morte, já que, em algumas horas, ocorre a multiplicação de outros
clostrídios na carcaça que dificultam o diagnóstico.
O diagnóstico é realizado pela epidemiologia, sinais clínicos, histopatologia: fluido
serohemorrágico e fibras musculares em necrose de coagulação, cultura e identificação das
toxinas. Material a enviar ao laboratório: punção muscular, ossos longos refrigerados e fígado.
O diagnóstico de certeza realiza-se por imunofluorescência direta e isolamento da bactéria
e/ou inoculação em animais de laboratório. O diagnóstico diferencial deve ser realizado com:
-edema maligno: que ocorre em animais de diferentes idades, e está sempre associado a
ferimentos que introduzem Clostridium spp. no organismo;
-hemoglobinúria bacilar: que cursa de forma aguda ou hiperaguda e, afeta também bovinos
maiores de 2 anos, porém apresenta lesões características de necropsia;
-carbúnculo hemático: que também afeta bovinos maiores de 2 anos e ocorre de forma aguda
ou hiperaguda. Neste caso, se no estudo do histórico da enfermidade, persistir dúvidas que
possa tratar-se de carbúnculo hemático, é necessário realizar um esfregaço de sangue e corá-lo
com azul de metileno, para descartar esta possibilidade antes de realizar a necropsia;
-timpanismo: ocorre comumente em bovinos de corte que se encontra em pastagens de
leguminosas, na ausência dos sinais clínicos, durante a necropsia, será observada congestão e
hemorragias no subcutâneo e nos linfonodos da parte anterior do animal e da traquéia, e
palidez do fígado e baço.
Os bovinos afetados podem ser tratados com altas doses de penicilina, mas a maioria morre
apesar do tratamento. Em caso de surto, os animais devem ser vacinados imediatamente e
revacinados 15-21 dias após. Dependendo do custo, pode recomendar-se o tratamento com
penicilina de todos os animais do lote, simultaneamente com a vacinação, para evitar mais
mortes durante o período em que os mesmos não apresentam uma resposta imunológica.
Como profilaxia deve ser vacinados os bezerros anualmente, a partir dos 3-6 meses de idade.
Podem ser utilizadas vacinas monovalentes, mas é recomendável utilizar vacinas que incluam
na sua preparação C. septicum, C. novyi e, se possível, C. sordelli.
*Em ovinos ocorre normalmente por solução de continuidade (tosquia, descola, descorna,
traumatismos pós parto), que se contamina pelas fezes ou também por via endógena.
*Em bovinos ocorre geralmente em função do manejo, que propicia uma baixa de oxigênio e
infecção por via endógena, ou seja, danos em grandes massas musculares (vacinas IM),
animais que possuem mionecrose o Clostridium chauvoei migra do intestino para o local
afetado. Ocasionalmente pode ocorrer contaminação pelas fezes.
Macroscopicamente observa-se que os animais incham rapidamente após a morte, músculos
inchados, enegrecidos, odor rançoso, com bolhas de gás (enfisema subcutâneo - crepitação),
morte 1 a 3 dias.
Microscopicamente, observa-se miosite hemorrágica ou serohemorrágica.

EDEMA MALIGNO NOS BOVINOS: O edema maligno ocorre por contaminação de


ferimentos por bactérias do gênero Clostridium incluindo, principalmente os seguintes
agentes: Clostridium septicum; Clostridium perfringens; Clostridium novyi; Clostridium
chauvoei; Clostridium sordelli.
Casos de edema maligno são observados esporadicamente, e os surtos ocorrem somente
quando há traumatismo coletivo. Afeta animais de diversas espécies e de qualquer idade e
pode ocorrer após tosquia, corte da cola, castrações ou injeções com agulhas contaminadas e
em ovelhas pode ocorrer em conseqüência da contaminação de feridas na vulva durante o
parto. Quando a doença é causada pela utilização de agulhas contaminadas a mortalidade é
muito alta nas primeiras 48 horas. No Brasil, surtos de edema maligno ocorrem,
eventualmente, como conseqüência de traumatismos diversos. No Rio Grande do Sul, surtos
causados por seringas contaminadas por C. septicum causaram mortalidade de 100% em
bezerros e 10% em vacas. No Mato Grosso do Sul, foram observados surtos de edema
maligno com lesões de mionecrose na língua, ocasionadas, aparentemente, por contaminação
de feridas causadas por pastagens grosseiras.
É uma doença aguda que causa a morte 24-48 horas após a observação dos primeiros sinais.
Observa-se anorexia, depressão, hipertermia e, dependendo da localização da lesão, severa
claudicação. A área afetada está aumentada de volume e pode apresentar crepitação e/ou
edema. Em surtos observados no Mato Grosso do Sul a língua apresentava-se aumentada de
volume, fora da cavidade oral, de cor escura e com presença de edema sanguinolento e gás.
Observa-se edema hemorrágico no tecido subcutâneo e entre os músculos. Raramente,
ocorrem lesões nos músculos. Pode observar-se líquido sero-hemorrágico nas cavidades.
A história clínica permite associar a ocorrência de edema maligno com ferimentos recentes e
na necropsia encontram-se as lesões características. A identificação do agente pode ser
realizada por imunofluorescência ou isolamento e caracterização do mesmo. O diagnóstico
diferencial em bovinos de 6 meses a 2 anos de idade deve ser realizado com carbúnculo
sintomático. Neste último não há antecedentes de ferimentos e sempre são encontradas lesões
musculares.
Os animais afetados podem ser tratados com altas doses de penicilina ou antibióticos de
amplo espectro. Para a profilaxia é necessário evitar a contaminação, principalmente com
terra, dos instrumentos e seringas utilizados no rebanho. Os animais devem ser vacinados
anualmente, com vacinas que contenham C. septicum, C. novyi, C. perfringens, C. Chauvoei
e, se possível, C. sordelli.
7. MIOSITES EOSINOFÍLICAS
A causa é desconhecida, ocorre principalmente em bovinos e ovinos. As lesões geralmente
são detectadas no abate, tendo importância na inspeção de carnes, porque a coloração
esverdeada dos músculos os torna esteticamente inaceitáveis. O local que mais comumente
observam-se essas lesões é nos membros e dorso.
Mesmo a causa sendo desconhecida, suspeita-se que provavelmente seja de origem parasitária
(Sarcocystis, Trichinella), embora essa possibilidade ainda não tenha sido aprovada.
A principal célula inflamatória é o eosinófilo, e este tipo de resposta inflamatória sugere uma
inflamação imuno-mediada.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

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