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O MERCADOR DE VENEZA E O DIREITO PÚBLICO E PRIVADO

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Por LOURIVAL ALVES DOS SANTOS Publicado 15/09/2010 Direito Sem nota

O MERCADOR DE VENEZA E O DIREITO PÚBLICO E PRIVADO
Santos, L. A. RESUMO: Este texto trata a respeito de uma comédia típica do teatro inglês elisabetano escrita por meados de 1596 pelo grande escritor, ator e dramaturgo Shakespeare, intitulada de “O mercador de Veneza”, que trata de temas próprios dos seres humanos, independente do tempo histórico. Amor, relacionamentos afetivos, sentimentos, questões sociais, temas políticos e outros assuntos, relacionados à condição humana, são pontos observados e apresenta uma analise da obra em sua totalidade e aponta trechos que tem relação com o direito público e o direito privado, partindo de uma retrospectiva histórica até os nossos dias, mas procurando estabelecer, de forma sintética, os principais pontos. Neste sentido, descreve-se seqüencialmente, os sucessivos trechos relevantes para a construção de texto que apresenta uma co-relação com os ramos do direito acima apontados. PALAVRAS-CHAVE: Comédia. Dívida. Mercador de Veneza. Execução de Titulo Extrajudicial.

ABSTRACT: This text is about a typical comedy of English Elizabethan drama written by mid-1596 by the great writer, actor and playwright Shakespeare, titled "The Merchant of Venice", which deals with issues specific to human beings, regardless of historical time. Love, love relationships, feelings, social issues, political issues and other matters related to the human condition, are observed points and presents an analysis of work in its entirety and indicates parts that have relationship with the public and private, from a historical background to the present day, but trying to establish, in summary form, the main points. In this sense, is described sequentially, successive passages relevant to the construction of text that presents a co-relation with the branches of the law noted above. KEYWORDS: Comedy. Debt. Merchant of Venice. Extrajudicial Execution of Title. 1 INTRODUÇÃO Antes de delimitar o objetivo propriamente deste trabalho, necessário se faz um comentário inicial acerca do autor e da obra de base para este texto. Shakespeare foi e é considerado um dos ícones da dramaturgia e escritores de todos os tempos. Seus textos

investigações relacionadas à prática dos processos de ensino-aprendizado. junto com o ensino e a extensão. um grande mercador de Veneza dono de embarcações que giram o mundo. Daí a razão de elaborar um texto analítico como este. ator e dramaturgo Shakespeare. dentre discórdias. Toda a obra gira em torno do cumprimento de uma obrigação. foi na dramaturgia que ganhou destaque. mas continuam até então fazendo grandes sucessos na televisão. empresarial e administrativo. Na elaboração do presente texto foi utilizada como base a obra apresentada no título deste . comédia essa que apresenta elementos também trágicos. bem como. Nessa obra. apresentados em “O mercador de Veneza”. contraída por Antonio. que visa produzir conhecimento para uma disciplina acadêmica. como ramos do direito público e privado. observa-se pontos relacionados aos valores e preconceitos. que emprestou a Bassânio a quantia de três mil ducados. aplicabilidade ou não das leis perante a justiça divina. mais precisamente no direito empresarial e administrativo. tendo como garantia uma nota promissória assinada por Antonio se . cinema e principalmente na literatura. o direito processual. porém. o presente texto faz uma análise da totalidade não se limitando a apresentar de forma cronológica detalhes da obra que não sejam relevantes para este estudo. onde o delineamento de toda pesquisa foi bibliográfica . podemos observar situações muito atuais e pertinentes aos dias de hoje. que neste caso é o Direito Empresarial e Direito Administrativo. Dita obra está dividida em cinco atos. com o direito. fazendo o público refletir sobre os valores e preconceitos. bem como. Para a elaboração deste trabalho foi ainda durante a investigação da obra feito uma conexão com o direito e apresenta o poder do Estado e a relação existente entre os títulos de créditos. aplicabilidade ou não das leis perante a justiça divina. sendo alguns pertinentes a romances. Desta forma foi utilizada como metodologia a leitura do livro O mercador de Veneza. outros pertinentes a romances. conduzida por estudante e por ser a pesquisa acadêmica um dos três pilares da atividade universitária. um estrangeiro judeu e comerciante.literários são verdadeiras obras de arte e permaneceram vivas até os nossos dias. legislação e artigos diversos que dessem embasamento teórico para fundamentação. os quais freqüentemente são retratados não só no teatro. principalmente religiosos. encontros e desencontros que apesar de tudo terminam em reconciliações e um final feliz. e demais obras jurídicas para interpretação e associação dos pontos que tem relação com o direito público e privado. sendo uma dívida. o cumprimento de obrigações e por sua vez configura a relação existente ente o direito comercial. que mesmo sendo uma época distante. a figura do devedor e do credor e do devedor solidário. mostrando que desde a época de sua criação até os nossos dias ditos preconceitos. onde tem por objetivo associar os principais objetivos da obra de base. 2 DESENVOLVIMENTO Em meados de 1596 foi escrita uma comédia pelo grande escritor. encontros e desencontros que apesar de tudo terminam em reconciliações e um final feliz. Tendo em vista a obra se apresentar dividida em atos e subdividida em várias senas. principalmente os religiosos são bastante visíveis e que dificilmente ficaremos livres deles. Embora seus sonetos sejam até hoje considerados os mais belos. como fiador de seu melhor amigo Bassânio à Shylock. dentre discórdias. os quais são subdivididos em várias cenas que apesar de serem consideradas em sua totalidade como comédia ao longo da obra trazem elementos trágicos. deixando claro o que Shakespeare nos passa nessa comédia. tendo um nível de pesquisa acadêmica por ter sido realizada no âmbito da academia (faculdade). doutrinas.

trazendo como respostas verdadeiros ensinamentos morais. a enciclopédia livre. efetuada. Até então podemos observar que quando o mercador Antônio concorda em avalizar o empréstimo com o agiota Shylock oferecendo como garantia uma libra de sua própria carne. 389. é uma promessa direta e unilateral de pagamento. O problema dos câmbios e a sua derivação e O problema da balança comercial. quando fala na aplicação da lei perante a justiça divina. princesa de Belmonte. uma libra de sua própria carne tirada pelo próprio judeu o mais perto possível de seu peito. O pode também ser observado na obra é a figura do Direito Canônico. a nota promissória que é um título de crédito emitido pelo devedor. Nos dias de hoje ainda podemos ver tal legislação em funcionamento no Código de Direito Canônico. Consistiu numa série de medidas tendentes a unificar o mercado interno e teve como finalidade a formação de fortes Estados-nacionais.responsabilizando em pagar como multa. que alterou dispositivos da Legislação vigente sobre crimes contra a economia popular. ficando exonerado o devedor . com o consentimento expresso do credor. Dentro da doutrina econômica mercantilista emergiram. pelo não cumprimento da obrigação do seu amigo Bassânio. de certa quantia em certa data. para executar a sua promissória. Caracterizou-se por uma forte ingerência do Estado na economia. Fica evidenciado ai a presença do Direito Comercial e do Direito Civil. encontrando em um dos três vasos. sob a forma de promessa de pagamento. o crime de agiotagem previsto no art. porém. encontra-se Pórcia. a enciclopédia livre: Originou um conjunto de medidas econômicas diversas de acordo com os Estados. identificamos direito das obrigações (dívida). 299. pelo promitente-devedor ao promissário-credor. de ouro. A promissória. restando configurado também o atual instituto do Direito Empresarial. mas que trata-se de uma legislação em vigor. Depois de várias tentativas em conciliar. em caráter solene. visto que o Capitulo II do referido código trata da assunção de divida. 1º da Lei nº 1.521. onde mais especificamente em seu art. oferece três vezes o valor da dívida como multa. A luz do novo Código Civil. que estava a sua foto. porém não existe mais as sanções que eram aplicadas na antiguidade e não tem efeito legal para nossa legislação. como enigmas. neste trecho da obra. previsto no Título IV do inadimplemento das obrigações e no Capitulo I das disposições gerais. Shylock procura o Doge de Veneza. ele também passou a ser devedor solidário. diz que é facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. o judeu. Sendo que o Código de Direito Canônico funciona como o nosso Código Penal e o Compendio Vaticano Segundo como a nossa Constituição. sendo. não é documento hábil para ser utilizado em venda mercantil e o mercantilismo . observa-se que como heroína da peça. que de acordo com a definição da Wikipédia. de 26 de dezembro de 1951. três questões fundamentais que gerava esta lucrativa atividade comercial: O monopólio da exportação. arts. Wikipédia. à vista ou a prazo. Bassânio que agora estava bem de vida. como ramo do direito privado e por consequência a figura do empresários mercantis. juiz de algumas sociedades antigas. Voltado à obra em questão. de maneira natural. exigiu que a obrigação fosse paga conforme a lei lhe garantia. e 390 do CC. sedento de ódio do cristão Antonio. portanto. Após ter vencido o prazo sem que a dívida fosse paga. que casará com Bassânio após o mesmo desvendar a charada deixada por seu pai. individuais e coletivos. prata ou chumbo. que em cada um dos vasos estavam contidas inscrições. junto com o Compêndio Vaticano Segundo e que tem eficácia para a Igreja Católica Apostólica Romana. observa-se que existe previsão legal para a pretensão de Bassânio.

líquida e exigível. Diante do observado e da relação que tive que fazer acerca do direito público e privado de forma simples. Com isso. a execução de uma parte do corpo humano como cumprimento de uma obrigação. capítulo I. cabe uma breve explicação do porque de tal comparação. visto que a história do direito público e privado Iniciou-se por volta de 600 a 300 anos a. se valendo do direito processual como ramo do direito público. se o credor se opuser dos meios conducentes à exoneração do devedor. aparece Pórcia. era insolvente e o credor o ignorava. já que a relação entre fiador a afiançável diz respeito a uma obrigação subsidiaria. que têm por obrigação decidir acerca do título executivo. onde em seu art. Para que esse título seja válido a nossa legislação processual exige em seu art. dispõe sobre a execução do fiador e como o mesmo poderá depois resgatar do devedor principal o montante assumido pela obrigação. não conhecemos de fato como funcionavam os decretos em Veneza. daí um dos grandes motivos para nos dias de hoje se estudar em cursos de ciências jurídicas o Direito Romano ou História do Direito. por se tratar de um contrato de usaria entre Bassânio. o Direito Civil destinado a . 586 que a obrigação requerida seja certa. o que se sabe é que Antonio na qualidade de amigo de Bassânio tornou-se fiador da dívida. O CPC. já que o contrato não fazia menção a sangue. respondeu perante o tribunal por ser um estrangeiro e ter tentado contra a vida de um veneziano. disfarçada de juiz consultor. Assim. I do CPC. Já o direito público surgiu como um instrumento de conduta e teve sua origem na Grécia e posteriormente em Roma. dando ao judeu o direito de executar a sua promissória desde que não tirasse uma única gota de sangue de Antonio. diz que qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la. Quando parecia está tudo perdido e Antonio prestes a ter uma parte da pele retira.primitivo. além do judeu não ter podido executar a promissória. Em relação a isso. na Grécia. seção I de quem deve pagar. que é outro instituto previsto em nossa legislação brasileira e que o simples fato de Bassânio tentar pagar a dívida oferecendo inclusive três vezes o seu valor como multa e não sendo aceito por Shylock. Desta forma. Na obra a divida tem como executado Antonio. do adimplemento e extinção das obrigações. Antonio. do pagamento. 595 e § único. aplicar-se-ia o que preceitua o Código Civil em seu título III. e ao assumir o julgamento consegue dar a volta por cima sem descumprir as leis de Veneza. A obra relaciona-se também. porém. ficou clara a verdadeira intensão de Shylock.. resta configurado que existe a figuras do inadimplente. com o atual processo de Execução de Titulo Extrajudicial. Diante da recusa de Shylock em não aceitar a proposta de Bassânio que aliais era o verdadeiro devedor e que acabou se tornado ou invertendo a posição dele de devedor para fiador. correspondente a execução de promissória conforme versa o art. salvo se aquele. 304. em seu art. tratando o fiador como devedor desde que o titular da obrigação não tenha condições de cumpri-la.C. tratando-se de uma execução para entrega de coisa certa. ao tempo da assunção. temos nos dias de hoje como ramo do direito privado. O direito público nada mais era do que aquilo que acontecia entre as famílias as quais não davam importância a coletividade e nem as questões administrativas e esse direito privado tinha por objetivo apenas estabelecer normas que fosse de interesse destes. usando. Antonio e o judeu Shylock. da multa e da lesão corporal prevista no art. fiador de Bassânio. o que não é o caso visto que o principal devedor quis pagar a dívida. não se presumindo como tal. procedimento garantido e previsto entre os artigos 621 e 628 do CPC. 129 do CPB. 585. aquele que está em atraso com o pagamento de uma obrigação e do Judiciário. Poderia ser questionada a validade ou não do referido contrato. perdendo com isso todos os seus bens para o Estado e para o ameaçado. nossa legislação continua igual.

pois o mesmo foi registrado como se nos dias de hoje fosse obedecidas às formalidades legais. como forma indenizatória. Já o Direito Público tem por objetivo regular as relações entre o ente estatal e as pessoas. utilizando de habilidade não permitiu que o sacrilégio fosse consumado. Shylock. além do mais verifica-se que a questão não é apenas cível mas também de ordem criminal pois ficou configurando no caso. Direito Processual neste o Estado procura assegurar quanto possível o monopólio de coercibilidade e para isso cria órgãos destinados a dirimir os litígios que surjam. O Direito Administrativo que disciplina o exercício da função administrativa. porém. e os direitos resultantes da condição jurídica dos trabalhadores. como ocorre nos dias de hoje em que muitas promissórias são mau preenchidas e com isso sempre há obstáculos para chegar o pretendido. Apesar de tudo. o que também ocorre nos dias de hoje quando alguém ajuíza uma ação de cobrança ou uma ação monitória onde em alguns casos ocorrem a execução de títulos executivo judicial e extrajudicial. patrimônio. Antônio que era o mercador passa por um julgamento como ocorre em alguns litígios nos dias de hoje. mas esta é uma época distante daquelas em que narra Shakespeare em sua obra. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a analise minuciosa da obra “O Mercador de Veneza”. a relação fisco-contribuinte. tinha o direito sim de cobrar a referida dívida. a pretensão de Shylock em provocar a lesão em Antônio. mas como nos dias de hoje. pode-se perceber que de acordo com o que está escrito. mas a letra não estava tão clara. nele encontramos o Direito Constitucional. além de ter forçado o Shylock a virar cristão. O Direito Comercial. visto que ele esta inadimplente com Shylock. pois alem de não receber a divida ele ainda teve que dar parte de seus bens para o Estado e virar um cristão.regular as relações entre famílias. e os órgãos que a desempenham. Direito Penal onde reúne as normas jurídicas pela quais o Estado proíbe determinadas condutas. percebemos que o julgamento desse caso teve parte que poderíamos dizer que a aplicabilidade do direito estava correta e outras que não foram bem julgadas. foi o que aconteceu com Shylock. existe licitude no referido contrato. visto que este tem por finalidade direta a organização e o funcionamento do Estado e que estabelece toda a estrutura política da Nação. Com isso o Shylock saiu perdendo. o que não é admissível e ser contratado uma lesão a um ser humano. as quais estão normatizadas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). um conjunto de normas jurídicas que regem as relações entre empregados e empregadores. basicamente. obrigações e o Direito Empresarial. sob ameaça de sanções penais e O direito Eleitoral que rege e limita o poder político. a parte que restou dele e não foi absolvido pelo código civil o qual disciplina e regula os atos do comércio. O Direito do Trabalho. visando uma finalidade social. o qual tem uma finalidade diferenciada dos demais ramos do Direito Público por seus objetivos. assim. visto que não precisou pagara a divida e nem teve que ser lesado com a retirada de parte de sua pela. Já Antônio foi como se tivesse sido absolvido e ter ganhado um presente. resta configurado que no caso em questão. Além destes existem o Direito Público e Privado na esfera internacional. O Direito Tributário estuda. No livro O mercador de Veneza. Na parte onde o juiz não impediu que Shylock . que deixo de detalhar por entender que o objetivo deste trabalho já foi cumprido. nos dias de hoje principalmente a questão marítima. o juiz está ali par fazer valer os direito daqueles que tem um bom direito. Mas como as vezes acontece em nosso judiciário. regulando as atividades dos magistrados.

e não pagar ao invés de receber. visto que a luz da nossa legislação isso não corre. fica evidente que nem sempre os julgados representam a verdadeira justiça.webartigos. porém. (Coleção L&PM Pocket).br/resumos/321-o-mercador-de-veneza.. e assim. às 17:23.ed. Beatriz Viégas-Faria. Disponível na URL: http://pt. capturado em 09/08/2010. ou seja. 304 do Codigo Civil. Porto Alegre: L&PM. Concluí-se que do ponto de vista da nossa realidade atual.com/articles/47266/1/O-MERCADOR-DE-VENEZA-EO-DIREITO-PUBLICO-E-PRIVADO/pagina1. Wikipédia. Trad.html#ixzz1IGxtG6hY . organização. REFERÊNCIAS SHAKESPEARE.org/wiki/Mercantilismo. mas não devemos esquecer que o julgamento em questão aconteceu a muito tempo a traz e em uma outra civilização. http://www. poderíamos dizer que literalmente estava correta.retirasse parte da pele de Antonio. Fonte: http://www. O mercador de Veneza.resumolivre. pelo fato de que isso estava previsto no contrato. 2010. onde Shylock teve que pagar para o Estado e para o mercador não està correta. em 11/08/2010. 2009. às 17:40. William.10.wikipedia. a enciclopédia livre. Vade Mecum: acadêmico de direito/Anne Joice Angher. até porque Shylock apenas não aceitou o acordo e assim ocorrendo aplica-se-ia o disposto no art.-São Paulo: Rideel. no que diz respeito a forma idenizatória.com. dito julgamento não teria sido justo.

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