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EDITORIAIS

Nota do Editor:
Com esta edição a revista Igreja Luterana atinge seu 50" volume. São 50 anos de muitas e expressivas bênçãos. É um marco significativo a que se pode galgar apenas orvalhado pela graça divina. Poucas são as revistas neste país que chegam, a este pedestal etário, razão pela qual Igreja Luterana ocupa lugar de destaque na história religiosa e no cenário teológico em que vivemos. Porta-voz de um luteranismo sólido e coerente, Igreja Luterana tem-se mantida altaneira em sua posição confessional num contexto marcado por não pouca confusão no pensamento teológico. Cada número desta revista espelha o testemunho de uma total consagração às Sagradas Escrituras e às Confissões Luteranas. Com o passar dos anos Igreja Luterana muda seus editores, renova seu conselho editorial, unifica sua língua sem entretanto comprometer seu fundamento teológico. Um aniversário por natureza começa com reflexão e nisto há sempre um mérito porque previsão sem retrospecção é um empreendimento arriscado e raramente prudente. É nesta convicção que celebramos o passado homenageando figuras proeminentes na história do Seminário Concórdia com um culto especial cujo sermão proferido pelo Prof. Curt Albrecht transcrevemos. A saudosa lembrança de homens santos é estímulo à continuidade na obra do Santo Ministério numa realidade em que o pastor é cada vez mais desafiado a posicionar-se no campo da ética. Em seu estudo sobre "Código de Ética do Pastor" o Dr. Martim C. W a r t h apresenta os resultados submetidos a conciliares em que a ética do ministro de Deus é abordada no prisma da liberdade, valores, propriedade, honra, responsabilidades e autoridade no ambiente social e especialmente na relação com sua congregação e co-pastores. A questão da autoridade é outro assunto que o mesmo autor apresenta sob o tema "A Responsabilidade dos Pais na Educação dos Filhos". Embora aparentemente restrita, esta responsabilidade é tratada de forma abrangente envolvendo diversos segmentos vivenciais do ser humano sob a ótica da Sagrada Escritura e Confissões. A série de artigos encerra-se com. "Prolegômenos à Escatologia do Antigo Testamento" (Prof. Acir Raymann) onde se busca mostrar que a polaridade do binômio "já — ainda não"
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incentiva o Israel de Deus a (re)vivenciar Seus atos salvíficos no mundo enquanto aguarda o plêroma destes atos na dimensão celeste. Com esta edição, em "Auxílios Homiléticos" concluímos o estudo dos Evangelhos da Série Histórica Revisada. A partir do próximo número voltamos ao estudo das perícopes da Série Trienal. Uma abençoada leitura e muito obrigado por celebrar conosco as bênçãos cinqüentenárias do S E N H O R . — AR

FÓRUM A CRISTOLOGIA DA PÁSCOA, SEGUNDO I CO 15.20-28
A leitura de I Co 15.20-28 deu ensejo a uma reflexão sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo. Quando Paulo diz que "Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem" (v. 20) ele afirma que Cristo morreu e ressuscitou. Ora, "o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23). Só se morre por causa do pecado. Mas Cristo é "o Santo de Deus" (Mc 1.24; Jo 6.69; At 3.14; 4.30), pois Maria deu à luz o "ente santo" (Lc 1.35). Por essa razão se afirma a "perfeita impecaminosidade" (anamartesia) de Jesus Cristo, segundo a natureza humana (Dogmática Cristã, J . T . Mueller, Vol. I, p. 268). Claro, segundo a natureza divina ele é o próprio Santo Deus. Ele era verdadeiramente homem, mesmo sem pecado, pois o pecado não faz parte da essência do homem. A Fórmula de Concórdia chama o pecado de "accidens" (FC, Ep I, 23; SD I, 57). Uma das conseqüências desta impecaminosidade é a imortalidade (athanasia) de Jesus Cristo, também segundo a natureza humana. Assim Jesus Cristo não está sujeito à morte, nem segundo a natureza divina, nem segundo a natureza humana. Como então morreu e ressuscitou dentre os mortos? E v i dentemente não morreu a sua morte, mas a minha. Sua morte foi vicária em lugar de todos os homens. Assim também a ressurreição não foi a sua ressurreição, mas a minha. Sua ressurreição também foi vicária em lugar de todos os homens. Por essa razão Paulo diz que sua ressurreição é "primícias dos que dormem", é vicária em lugar dos que dormem. Quanto consolo: cm Cristo vicariamente já ressuscitei e vou ressuscitar efetivamente para a vida eterna no último dia.
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Como aconteceu então a morte e a ressurreição de Jesus Cristo? Evidentemente não morreu segundo a natureza divina, mas segundo a natureza humana no estado da humilhação. Mas, como 0 Concilio de Calcedônia (451) nos ensina, as duas naturezas estão unidas na única pessoa de Cristo de forma inconFusa, imutável, indivisível e inseparável para sempre. Desta forma nem a morte vicária separou as duas naturezas. Assim a natureza divina participou efetivamente da morte vicária de Cristo e lhe conferiu valor eterno. Mas a natureza divina não saiu machucada ou diminuída. Na comunicação de atributos há apenas um gênero majestático, em, que a natureza divina comunica ou cede à natureza humana qualidades divinas. Não há um gênero tapeinótico, em que a natureza humana passaria qualidades humanas à natureza divina, fazendo-a diminuir ou ser humilhada. A humilhação não consistia na humanação, mas no fato de que Cristo não usou sempre e inteiramente as qualidades divinas comunicadas à natureza humana. A natureza humana tinha sempre a posse dessas qualidades divinas, mas na humilhação não fez sempre uso delas, como depois acontece na exaltação. A "forma de Deus" e a "forma humana" de Fp 2.6,7 dizem respeito à natureza humana: ela tinha a posse da "forma de Deus", mas usou a "forma humana" na humilhação para poder assumir a morte vicária por todos os homens. E o que aconteceu na morte e na ressurreição de Jesus Cristo? Na morte não houve a separação das duas naturezas, mas a separação de corpo e alma, que ambos ficaram continuamente unidos à natureza divina. Assim o próprio Cristo deu a sua vida (não a tiraram dele) e a retomou, ressuscitando-se a si mesmo (junto com o P a i e o Espírito Santo) em lugar de todos os homens, unindo novamente corpo e alma. Agora o corpo era glorioso, pois já não estava " n a carne", mas "no espírito" (I Pe 3.18), isto é, já não havia humilhação, mas iniciou a exaltação. Assim "no espírito" desceu ao inferno, antes de aparecer ressuscitado, para mostrar-se vivo e vitorioso sobre a morte e Satanás. Paulo, no entanto, ensina que ainda há muito a vencer na exaltação. Cristo quer vencer todos os inimigos: as forças do mal dentro e fora de nós que conduzem à morte. O diabo já está vencido. O homem já está remido. Falta, porém, vencer a morte. Este é o último inimigo. Até lá Cristo vence continuamente a morte em nós pelo Evangelho do perdão. E quando chegar o último dia e Cristo tiver vencido a morte pela ressurreição geral dos mortos, então a tarefa da humanação estará cumprida. Segundo a natureza humana Jesus Cristo "também se sujeitará àquele que todas as cousas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos" (v. 28). Segundo a natureza humana
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Queriam sempre impor a sua vontade. Se cada um de nós estivesse plenamente satisfeito. Até lá os cristãos recebem a presença real do corpo e do sangue de Jesus Cristo na Santa Ceia. Jesus Cristo. o corpo e o sangue dado e derramado vicariamente pelos homens para selar a aliança eterna de Deus com o Seu povo. O juízo final encerra a tarefa de Jesus Cristo. E r a um nazireu. o Messias da linhagem de Davi.1. mostravam um comportamento idêntico. teu relacionamento com os outros. não estaríamos aqui.5. II Tm 4. Parece que faz parte da vida. pois nada foi recebido. Jo 5. segundo a natureza humana. Pela ressurreição está vivo e garante a nossa vida eterna. ETERNA (IN)SATISFAÇÃO Quem poderia dizer. embora o termo originalmente significasse "ócio". E uma escola. homem. nada a criticar? Pergunto: Estás satisfeito contigo mesmo. estamos numa escola. Pela fé esta presença é graciosa e consoladora.22. W . que é seu irmão amigo e seu Deus para sempre. Isto significa que ele vivia do mínimo necessário. C . Escola é quase que por definição um viveiro de insatisfeitos.18). mas também o juiz (1 Tm 2. neste momento. que está plenamente satisfeito? Será que ninguém tem nada a reclamar. Tinha um grupo de crianças chatas. Jesus lembrou aquela brincadeira das crianças aos adultos que. Na presença de Deus na eternidade os salvos confraternizarão com o Rei Jesus. Mas não se entendiam. observou isso na criançada que brincava na praça de Nazaré. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 5 . Mais tarde. Segundo a natureza divina não há nada a devolver. Estavam com a flauta na mão e queriam que todos dançassem conforme a música que eles tocavam. E r a m uns chatos insatisfeitos. é hoje sinônimo de atividade.27). devolve a Deus a autoridade que lhe foi confiada por ser "o Filho do homem" (Jo 5. "descanso". no fogo da controvérsia com os líderes de Israel. Pela Santa Ceia se torna presente na vida dos cristãos para preparar e garantir a ressurreição final.27). em sua atitude diante da visitação definitiva de Deus. o ambiente em que vives? Duvido muito. Brincavam de festa de casamento e de enterro. Eterna insatisfação. João veio da parte de Deus e não comia nem bebia. Contou-lhes a parábola das crianças na praça. Afinal. despóticas e insuportáveis. Como homem não é somente o Mediador. Que consolo nos dá esta Cristologia da Páscoa! — M .Jesus Cristo recebeu de Deus Pai a sujeição de todas as coisas (Mt 28. Então Jesus. pois garante o perdão e a vida para sempre.

Estava de luto. prefiro o evangelho. o que. cada um desses jantares com pecadores era uma parábola viva. de amigo de pecadores. João estava. Por isso.um asceta.21) Tu e eu podemos até concluir: Que geração aquela! Eternamente insatisfeitos! Mas será que somos diferentes? Não é assim que também nós estamos instalados em nossa cadeira de juiz." " A s devoções são uma eterna mesmice. Mas onde haveria consolo num texto como o nosso." " A s mensagens são muito adocicadas. Demais evangelho. E porque Jesus não dançou conforme a música deles. Mas os líderes judaicos. E porque João não dançou conforme a música deles. Também nós fazemos parte desta geração. o Filho do homem. Esta é uma expressão que vem carregada de juízo e ira de Deus. enquanto o noivo está com eles?" (Mateus 9. Ou. rebeldes. o Agente escatológico do Pai. que comia e bebia. No entanto. pois quem estava reunido à mesa era o Salvador com pecadores arrependidos e perdoados. queriam fazer João Batista dançar. pronunciado por Jesus. Chamam-no. Falta l e i " . Isto significa que ele ia a jantares. foi tachado de louco. que tinham a flauta na mão. não percamos de vista o grande consolo da palavra de Deus. por isso não vou mais. em pano de saco e cinza." "O pastor é um desligadão. E r a uma imagem ambulante a pregar a necessidade de profunda conversão face ao juízo que estava por despencar sobre a cabeça do povo. que tinham a flauta na mão. Jesus sabia o que é se alegrar e até incentiva a alegria dos seus. Betsaida!" (Mateus 11. por certo. Veio Jesus Cristo. Todos devem dançar conforme a nossa música. em termos de "esta geração"." "Professor fulado de tal não está com nada. Corazim! ai de ti. foi chamado de glutão. Em Mateus 12. em tom zombeteiro. amigo de publicanos e pecadores. tanto na casa de fariseus como de publicanos. ao perguntar: "Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento. nos entristece.15a) Para Jesus. Jesus se dirige a ela com seu pungente " A i de ti. emitindo pareceres o tempo todo? Temos a flauta na mão e queremos que todos dancem conforme a nossa música. Queremos dominar. em meio a esse quadro de juizo.39 Jesus se refere a ela como sendo "geração má e adúltera". Mas os líderes judaicos. também a nós se aplica o ai de vós. em sinal de tristeza e luto. despóticos. Jesus avalia a situação e se refere àqueles seus contemporâneos insatisfeitos. no dizer deles. "tem demônio"." "Aquele pregador não leva jeito. queriam fazer Jesus bater no peito. uma alegre antecipação tipológica do banquete celestial (mais ou menos como temos hoje na Santa Ceia). "Aquele aluno é um desastre. 6 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 ." "A lei que aparece nos sermões é muito amarga. por assim dizer. Sabemos criticar. beberrão. repleto de acusações? Pois o evangelho está exatamente numa das farpas jogadas contra Jesus.

Meus amigo. o amigo de pecadores. — VS Devoção proferida no Seminário Concórdia no dia 27 de junho de 1990. sobre Mateus 11. ao caíres. lembra-te: Jesus. amigo do pecador. te tirar a flauta desafinada ou te derrubar da cadeira do falso juiz que a todos julga e por ninguém quer ser julgado. Amigo daqueles que precisam dele e o recebem. .16-19. Nenhum título é tão precioso quanto este. Amém. Jesus. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 7 .. Sempre que Deus. Aí terás eterna satisfação. colocando de lado a sua flauta desafinada e ouvindo a música que ele toca no trombone da lei e na flauta doce do evangelho.Amigo de publicanos. por sua lei. de pecadores. Teu amigo.

Entre os que confessam isso estamos nós." Mt 16. e que nada faço por mim mesmo.13-16. I CONHECEREIS A VERDADE Havia uma grande confusão entre os judeus a respeito de Jesus (Jo 7. Hoje — penso — a situação é quase a mesma. vós sois deste mundo. É a seus discípulos. confusão que provocou dissensão entre eles.23). o Filho do Deus vivo". disse Tu és o Cristo. Os fariseus. os escribas e os principais sacerdotes. o Filho do Deus vivo. então sabereis que eu sou. que crêem nele e que o servem. eu sou lá de cima. perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista. e outros: Jeremias. Em ambas as épocas o evangelho de Cristo estava escondido entre inúmeros preceitos humanos. pois I — C O N H E C E R E I S A V E R D A D E e II — A V E R D A D E VOS L I B E R T A R Á . continuou ele. outros: Elias. que Jesus diz: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. Poucos eram os fiéis que conheciam bem a Cristo Jesus. aos que crêem nele. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS. justamente aqueles que. ou algum dos profetas. SOIS VERDADEIRAMENTE MEUS DISCÍPULOS Curt Albrecht Em Cristo Jesus. deveriam reconhecer 8 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . "Quando levantardes o Filho do homem.12).ARTIGOS SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA. eu deste mundo não sou" (8. Poucos são os fiéis discípulos que realmente sabem quem é Jesus. por primeiro e melhor. À época da Reforma a situação não era muito diferente.28). "Vós sois cá de baixo.40-43). Mas há aqueles que conhecem e que confessam a "Cristo. prezados ouvintes! Certa vez "Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de F i l i pe. quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro. Mas vós. mas falo como o P a i me ensinou" (8. Jesus ia identificando-se nos seus discursos: " E u sou a luz do mundo" (8.

É o que Jesus está dizendo. e todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Is 64. Jesus está falando àqueles judeus que creram nele. ele é dependente. lhes mostra. Pensavam assim de si na qualidade de "semente de Abraão". automaticamente. que é autoridade máxima no mundo. E a multidão ficava confusa. ([liando morreu com e pelos nossos pecados e quando ressuscitou dentre os mortos. que é o Senhor da casa.23). Sem Cristo Jesus todos estão perdidos e condenados. porque "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem. mas ainda o perseguiam e contradiziam. Isto foi dito aos que creram nele. 0 escravo é passageiro. 3. Muitos. Por isso o escravo depende do filho. verdadeiramente sereis livres"! E ele nos libertou. Consideravam-se livres de tudo e de todos. o Filho vos libertar. porque não é senhor. 3) Conhecer a verdade da palavra dele e permanecer nela é sinônimo de ser e estar libertado da escravidão ao pecado.20).em Jesus o verdadeiro Filho de Deus. escravos do pecado. Já o filho é da casa. lhes diz três coisas importantes: 1) Permanecer na palavra dele é característica do verdadeiro discípulo dele. "Porquanto Deus enviou seu Filho ao mundo. é herdeiro. "ft como confessa o salmista Davi: " E u nasci na iniqüidade. falharam e não só não o reconheceram como tal.6). escravo não é filho. Jesus. ele não é da casa. "Todos pecaram c carecem da glória de Deus" (Rm. no entanto. "pois todos nós somos como o imundo. por natureza. que não é bem assim. e filho não é escravo na casa. O escravo do pecado só pode ser libertado pelo Filho de Deus. é senhor. mas porque é escravo do erro. por serem descendentes de Abraão segundo a carne. mas quem lhe retrucou foram os judeus incrédulos. e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51. escravo do pecado. O pecador peca não porque é senhor do erro. 2) Permanecer na palavra dele é conhecer a verdade. Ele lhes diz algo muito importante. que é senhor de si. "Somos semente de Abraão. porém.5). creram nele. Além disso. filhos de Deus salvos e livres: "Jamais fomos escravos de alguém" —disseram para Jesus. eram." Achavam que. Praticar erros é ser escravo do erro. ele não fica para sempre na casa. É por causa disso que Jesus disse: "Se. senhores de sua própria vida. e diz: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado". Ou teriam aqueles judeus querido dizer que eles não eram pecadores? É ilusão o homem natural pensar que é livre. está à mercê do senhor. pois. não para que julgasse o mundo. Em nossa perícope. Também nós somos. e que não peque" (Ec 7. mas para que o mundo fosse IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 9 .

SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISC Í P U L O S . e conhecereis a verdade". os quais vos pregaram a palavra de Deus. não imputando aos homens as suas transgressões. para imitar-lhes a fé que tiveram e também para inspirar-nos no seu zelo. É tarefa nossa fazer isso para os nossos contemporâneos. e nos confiou a palavra da reconciliação" (II Co 5. permaneceram discípulos e apóstolos fiéis de Cristo até o fim. na sua consciência. Lembramo-los. verdadeiramente sereis livres"! Por isso. proclamada. no seu espírito missionário. Oh! como é de vital importância conhecer a verdade de que Deus. queremos fazê-lo em obediência à recomendação bíblica. e ressuscitou por causa da nossa justificação" (Rm 4. precisa ser pregada. em sua vida e no seu tempo. porque o próprio "Deus estava em Cristo. em Cristo. "pois se o Filho vos libertar. levaram outros ao conhecimento da verdade. falada ao coração para aqueles que são escravos do pecado. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E M E U S DISCÍPULOS. assim nós. imitai a fé que tiveram" (Hb 13. pelo seu centenário de nascimento. que diz: "Lembrai-vos dos vossos guias. e conhecereis a verdade e 10 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . que traz Cristo como Filho de Deus e Salvador para as pessoas. 0 perdão dos pecados e a conseqüente justificação só são possíveis e são válidos eternamente. reconciliando consigo o mundo. E. E assim como eles.salvo por ele" (Jo 3. essa palavra.25). ao lembrá-los. agora.19). nossos contemporâneos. do diabo c da morte eterna. considerando atentamente o fim de sua vida. Lembramos hoje cinco pregadores desta verdade. formados pelo nosso Seminário Concórdia. porque conheciam a verdade e creram na palavra de Cristo. no nosso tempo. anunciando-lhes perdão dos pecados e vida eterna em Cristo. Esta palavra da reconciliação é a mesma.17). precisamos levar outros. quando diz: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A .7). à qual Jesus se refere em nosso texto. Jesus " f o i entregue por causa das nossas transgressões. São válidas para nós as palavras de Jesus em nosso texto: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S NA M I N H A P A L A V R A . Estes cinco pastores. está reconciliado conosco! Conhecer esta verdade e crer nela liberta do pecado. e. na sua dedicação c persistência em proclamar a verdade. ao conhecimento da verdade. que é a palavra de Cristo.

"Semente de Abraão" e "luterano por tradição" não liberta ninguém do pecado e da condenação eterna. Eisenach e Erfurt. Começara uma nova era. viria a ter a grande preocupação de como ser salva.II A VERDADE VOS LIBERTARÁ A partir de 1483 havia uma pessoa no mundo. Lutero enfrentou árduas lutas pela defesa e propagação do Evangelho. fazer-se monge. de como libertar-se dos pecados — preocupação rara — convenhamos. mas escravos do pecado que não permanecem para sempre na casa. mas morreu de morte natural aos 63 anos. A Reforma de Lutero recolocou a Palavra de Deus. F o i excomungado da Igreja Romana e proscrito pelo governo imperial. Sustentou debates teológicos. estudou em Mansfeld. cresceu em Eisleben. fez uma promessa a Santa A n a de entrar para um mosteiro. Cresceu sem conhecer direito o Salvador Jesus Cristo. que. não sendo discípulos fiéis de Cristo. combateu o erro. aplicou-se ao estudo da Palavra de Deus. cantou e viveu o Evangelho de Jesus Cristo. Aos que invocaIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 11 . contra o perigo de nos acomodarmos nessa condição de luteranos nominais. evangelizadores. Mas convém advertir contra o perigo do "somos semente de Abraão" dos judeus incrédulos de nosso texto. as Sagradas Escrituras como única regra de fé e de vida cristã para a Igreja. escreveu. com o fim de adquirir a sua salvação e paz na alma. hoje. " F o i o homem pelo qual Deus purificou ou reformou a Igreja". que desencadearam a Reforma luterana e a conseqüente mudança radical na Igreja e no mundo do Ocidente. desde tenra idade. em 31/10/1517. exortou as autoridades da sua nação. contra o perigo de sermos "luteranos tradicionais" apenas. Tornou-se padre. compareceu à Dieta de Worms diante do imperador. Provocado pela infame venda das indulgências e movido pelo zelo para com a palavra de Deus. visitou Roma. conhecemos a palavra de Cristo que liberta do pecado. único Salvador de cada pessoa. pregou. Aos 42 anos casou-se com Catarina von Bora e foi pai de seis filhos. lecionou. em plena juventude. Nascido a 10/11/1483 e tendo sido batizado no dia seguinte. Esta pessoa era Martinho Lutero. A Reforma proclamou que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo. foi feito doutor em Teologia e tornou-se professor c pregador na Universidade de Wittenberg. Por isso. É graças à ação de Deus através de Lutero que nós. A Reforma luterana proclamou a palavra da verdade que liberta. afixou Lutero as 95 Teses à porta da igreja.

porque permaneceram firmados nas promessas de Deus. enriquecida por estes cinco obreiros. pois estes foram discípulos fiéis. que Lutero devolveu ao uso na Igreja. Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. pois. os cinco pastores fiéis que foram os que hoje são lembrados. e conhecereis a verdade.44a). lembrados das palavras do próprio Cristo: " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . alegrar-nos também por Lutero. a Bíblia. Doege e Flor podem ser imitados nas virtudes de sua fé por nós pastores.3). conhece a verdade e esta verdade o libertará da escravidão ao pecado e da condenação eterna. c a verdade vos libertará". o Filho vos libertar. aos princípios da Reforma. Sim. ela contém o consolo do céu de que. / que as almas guiou / como seu bom Pastor. Chemnitz.20). para um Ministério eficiente na I E L B . alegrar-nos com a nossa filiação a Deus por meio de seu Filho. Jesus Cristo. alegrar-nos com a história da I E L B . Walther e tantos outros que se tornaram mais que vencedores por meio daquele que os e a nós amou. Hirschmann. cinco discípulos fiéis de Cristo. quem a conhece. Jesus lhes disse: "Vós sois do diabo. ser discípulo dele. e quereis satisfazer-lhe aos desejos" (Jo 8. E. Para ser salvo é preciso permanecer na palavra de Jesus. ouvintes. Então. Por isso diz Jesus: "Se. será justificado diante dele (de Deus) por obras da l e i " — escreveu São Paulo aos Romanos (3. Nós recordamos. SOIS V E R D A D E I R A M E N TE M E U S DISCÍPULOS.ram a tradição e a genealogia de Abraão como qualidade de salvação. SOIS V E R D A D E I R A M E N T E 12 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Gerhard. Raschke. por conseguinte. que nasceram há um século e que foram pastores apegados à palavra de Cristo e. / na Bíblia nos deu / consolo do céu" ( H L 269. será libertado por Cristo para a vida eterna. nela crê e nela permanece. podemos confessar. conhecer a verdade e ser libertado pela verdadeira fé em Cristo. Em si não era errado os judeus lembrarem-se de Abraão. hoje. E quem permanece nesta fé. traduzindo-a para o povo. Também nós podemos alegrar-nos por causa do parentesco que temos com. este é discípulo dele. "Ninguém. sobretudo. Quem nele crê torna-se beneficiário da morte e da ressurreição do Senhor. de Moisés e de Davi. " S E VÓS P E R M A N E C E R D E S N A M I N H A P A L A V R A . cantando com o poeta sacro: " N i n guém nos amou / como o Cristo Senhor. Hasse. verdadeiramente sereis livres". que é vosso pai. Libertados do pecado pela fé em Cristo e conhecedores da verdade.

IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 13 . para crer nela. permanecer nela. que nós cremos nele e somos seus discípulos. Sermão proferido na capela do Seminário Concórdia no dia 26 de outubro de 1990 em culto especial comemorativo à Reforma. Mas. Proclamar que Jesus é o Salvador. E saibamos que uma maneira de viver bem nosso cristianismo luterano é não esquecer a história da Igreja. temos sua palavra. graças à misericórdia de Deus. os quais nos pregaram a Palavra de Deus e nos levaram. em meio a um mundo confuso. Amém.M E U S . enquanto nos é dado viver na Igreja militante. e conhecereis a verdade. que Cristo é o Filho do Deus vivo. ser discípulos dela. lembrandonos de nossos guias. Imitemos a fé na verdade da palavra de Deus que nossos antepassados tiveram e continuemos sendo discípulos fiéis de Cristo. e a verdade vos libertará". Temos ao Deusconosco todos os dias conosco! Procuremos conhecer mais e mais esta verdade. Curt Raschke. DISCÍPULOS. saibamos nós confessar e testemunhar com os apóstolos do Senhor Jesus. o único que liberta do pecado e da morte eterna. aniversário do Seminário e centenário de nascimento dos pastores Ewald Hirschmann. Rodolpho Hasse. Wühelm Doege e Benjamin Flor. ao discipulado de Cristo. assim. Esta verdade — Cristo — nos libertará para sempre. esperando a libertação final e total no lar celeste. temos um Salvador. temos a verdade. Irmãos ouvintes.

O ministro deve ser apegado à Palavra e ter cuidado da sã doutrina (não pode ser neófito). de boa vontade.1-7. filhos educados. A.4).2. padrão de boas obras. disciplinar. repreender — com mansidão e longanimidade. amigo do bem. Warth O pastor é chamado para pastorear o rebanho de Deus sob o Bom Pastor. Há regras de conduta bem específicas para os obreiros de Deus na Escritura. 14 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 1 Tm 3.24-25. c. reverência. com. instar com integridade. 2 Tm 2. modelo.CÓDIGO DE ÉTICA DO PASTOR Martim C. para pregar a Palavra. de forma espontânea. 2. b. ser apto para ensinar e instruir. Encontram-se em 1 Pe 5. b. e. a motivação pessoal.7-9. convencer. Elas mencionam a capacidade de trabalho. com bom testemunho dos de fora. como evangelista e despenseiro de Deus.16. O ministro deve ser irrepreensível. linguagem sadia e irrepreensível. Conduta social: a. 4. 4. 0 ministro deve ser piedoso. Jesus Cristo (1 Pe 5. c.1. corrigir. b. d.7-8. Motivações pessoais: a. e para suportar aflições. Tt 1. que tenha cuidado de si e domínio de si. B. para exortar. a conduta social e os proibitivos. C. deve ter família padrão: uma só mulher.2.1-4. c. deve ser hospitaleiro. Capacidade de trabalho para cumprir o ministério: a.5.

inclusive leigos. fracasso ou revolta. deve ser temperante.12) do cristão aceita a autoridade. os conselheiros. no governo. brando. 4. i n i migo de contendas. demonstrada na confissão da fé.d. Como pastor aceito especialmente a autoridade daqueles que foram eleitos para governarem na igreja: o presidente e a direção da igreja. Como o homem em rebelião não aceita que Deus é Deus. ganancioso (avarento. arrogante. revelada em lei e evangelho. sóbrio. a clara e correta exposição da Palavra de Deus. Como espiritual aceita os seguintes princípios de conduta na grande tarefa de equipar o povo de Deus para serviço que são extensivos aos obreiros de todas as categorias dentro da I E L B . e na igreja. por serem. Como cristão e pastor eu aceito a autoridade daqueles que são colocados por Deus acima de m i m nas diferentes ordens sociais: na relação familiar e econômica. no entanto. cordato. cobiçoso). Como cristão e pastor luterano eu aceito a autoridade das confissões luteranas. Pode sentir-se exausto e sem recursos espirituais. — Há um elemento muito sensível que garante a existência da sociedade e que. a diretoria da congregação. A espiritualidade recebida pela fé está continuamente sob ataque da natureza corrompida. I. Proibitivos: 0 ministro não pode ser: constrangido ao ofício. Como cristão e pastor eu aceito pela fé. violento. como estão no Livro de Concórdia de 1580. na oração e no culto pessoal ao meu Deus. D. na conIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 15 . irascível. justo. dominador. Aceitar Autoridade. A verdadeira espiritualidade só pode ser dada pela meditação no evangelho que é o poder de Deus que move a fé. modesto. A devoção diária com estudo e oração é básica para o pastor. Onde eu mesmo exerço esta autoridade. e outros que receberam esta autoridade. paciente. seguido de um sentimento de frustração. 3. seja na igreja. que goste de contenda e de muito vinho. acima de tudo a autoridade de Deus e de sua Palavra. Isto torna também o pastor frágil. assim ele também não quer servir sob nenhuma autoridade. Mas o "espírito voluntário" (Sl 51. Entendo que também os colegas me foram dados por Deus para mútuo conselho e exortação necessários para um ministério mais espiritual e eficiente. 2. está sob contínuo ataque na rebelião do homem: a autoridade. 1. Minha primeira resposta é a adoração.

Reconheço que a paróquia ou o segmento da igreja que me chamou também tem o direito de reavaliar o chamado e propor modificações. e respeito o seu direito de receber uma imediata participação do seu recebimento e uma pronta solução para o chamado. Entendo que preciso exercer a autoridade recebida como quem serve em humildade ao seu próximo (Jo 13. 7. Há uma liberdade de mim mesmo que Deus me dá pela fé. 16 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Reconheço que chamado é coisa pública na ordem social da igreja. 5. reconhecendo a necessidade de dar uma resposta adequada dentro do menor prazo possível. 8. Lembro que nem mesmo sou a única autoridade sobre o meu corpo. Como cristão aceito a autoridade de todo aquele que se dirige a m i m por carta ou por outra forma de comunicação pessoal. procurando respeitar o tempo. 10. com os quais pratico a submissão mútua (Ef 5. entendo que não o posso fazer como dominador (1 Pe 5 3).gregação ou na família. Estando a serviço de outra paróquia ou agência da igreja reconheço o direito desta de opinar comigo sobre o novo chamado. os bens e a vida do meu próximo. Como cristão aceito a autoridade de todos os que vivem comigo na família. 9. pois o uni à esposa. com os quais preciso me comunicar. 6. servindo ao seu próximo. ficando inclusive sob a autoridade do seu presidente e dos seus conselheiros distritais. Como pastor eu aceito a liberdade de filho de Deus e a coloco à disposição do meu Senhor para servir ao meu próximo. Aceitar a liberdade e seus limites. dos meus bens. — A liberdade sempre é dada: Deus a dá e distribui. II. Como o meu próximo tem a mesma liberdade.14-17) de quem recebeu esta autoridade. Como cristão eu aceito a liberdade de dispor do meu tempo.21) porque abri espaço com ternura para viverem comigo. surge o limite pela vocação de cada um. Como cristão eu aceito o limite da minha liberdade. da minha nova vida em Cristo para servir sob o reino de Deus. Como pastor aceito a autoridade de uma paróquia que me chama. Esta liberdade me determina como aquele que está aí para servir o seu Senhor.

Como cristão eu aceito uma escala de valores em que o espiritual tem precedência sobre o físico e o material. sem que o tenhamos acertado devidamente. III. Lembro-me de que uma pessoa tem mais valor do que todo o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 17 15. mas dons de Deus para aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.o cristão e pastor eu aceito o direito dos outros de modelar a sua vida de acordo com os privilégios éticos que lhes cabem. nem oficiando em sua paróquia sem autorização clara dele e de sua paróquia. Nesse sentido procurarei não impor os meus padrões. interpretando tudo da melhor maneira. Nesse sentido procurarei sempre falar bem do colega. Como cristão e pastor eu aceito o direito que meu colega que me precedeu no ministério naquela paróquia tem de ver o seu nome protegido. sem acerto devido com o colega. não intrometendo-me em sua área de trabalho. Como pastor lembrarei aos congregados o meu direito de ser consultado em assuntos que dizem respeito à minha paróquiai Nesse sentido falarei com meus colegas para não aceitarem meus paroquianos para aconselhamento. 14. — Como cristãos nós entendemos que há certas prioridades.Como cristão eu respeito o direito que meu próximo tem à sua privacidade. Como cristão e pastor aceito o direito de meu colega pastor. nem abusar de seu tempo por visitas alongadas. Também não aceitarei pessoas de outras paróquias para aconselhamento. tanto com os líderes paroquiais como com os colegas pastores. 11. 17. Entendo que trabalho em equipe também inclui aceitar admoestação quando eu faltar a compromissos assumidos. Estas precisam estar sempre claramente diante de nós quando precisamos decidir. de falsas interpretações. Com. afastando-me de qualquer tentativa de especular a respeito de vantagens ou defeitos de meu próximo. 13. Como cristão e pastor eu aceito o direito à privacidade dos congregados. 16. nem sobrecarregando-os com os problemas dos outros. Respeitar a escala de valores. . não procurando penetrar curiosamente em seu mundo de erros e ofensas quando não são públicos. sem ver neles concorrentes. 18.12). Como cristão e pastor aceito a liberdade de trabalhar em equipe com os outros. 12.

destruindo a sua honra. minha igreja. Como cristão e pastor eu me comprometo a preciso guardar o segredo confessional. os membros da minha congregação e meu próximo. Assim com "espírito voluntário" (Sl 51. Como cristão e pastor eu quero interpretar tudo da melhor maneira. Como cristão e pastor eu quero falar pelo mudo. procurando distribuir meu tempo. — Cada um tem. pois Deus defende a honra do próximo no oitavo mandamento. para ajudar a carregar o peso de sua vida. entre tarefas necessárias e outras menos necessárias. E n tendo que equipar os santos é tarefa básica do pastor. — O mundo entende que é fácil destruir alguém. certas coisas que são suas conquistas na vida. Como cristão e pastor eu quero discernir entre tarefas urgentes e outras menos urgentes. em primeiro lugar. Como cristão e pastor quero usar de moderação (epiquéia) ao julgar os outros. Podem ser pro18 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . defendendo os meus colegas no ofício. minha diretoria. Como cristão aceito a primazia do reino de Deus sobre as coisas. meu conselheiro. Nesse sentido quero ser um parácleto: quero estar aí para os! outros. meus bens e meus talentos de acordo com esta escala de valores. V. sabendo que também eu tenho minhas fraquezas. os pecados dos irmãos. Minha congregação precisa saber que jamais trairei segredos que me foram confiados em confissão ou no aconselhamento pastoral. 23. Defender a honra do próximo. o quanto possível. sendo depois acrescentadas as coisas. 20. 25. meus bens e dos meus talentos nas ordens sociais em que Deus me colocou por sua vocação. 21. O cristão entende que a honra é quase uma ordem social. 22. Sei que preciso falar sempre quando alguém é acusado injustamente. Reconhecer os direitos de propriedade. uma orientação segura na Palavra do Senhor para então fazer a distribuição do meu tempo. Como cristão e pastor eu vou procurar cobrir. 24.mundo.12) buscarei. 19. meu presidente. e que vem em primeiro lugar o reino e sua justiça. Já se matava com a língua em tempos bíblicos. I V .

Equilibrar responsabilidades. Assim. Desta forma não posso simplesmente invadir a sua propriedade. governo e igreja. VI. 31. pai. nem fazer uso dela sem a sua autorização. e de minha família. idéias. Nesse sentido preciso reavaliar continuamente minha permanência na mesma paróquia ou tarefa por tempo acima ou abaixo do conveniente e produtivo. quando quero usar pensamentos. ela pode ficar unilateral em seu julgamento ou em suas ações. mas administrá-los para Deus dentro das ordens sociais. . 30. O mundo reconhece que quem i n ventou pode patentear sua invenção. Todos nós pertencemos a todas as ordens sociais: família. Como cristão e pastor eu quero valorizar os esforços dos outros que me ajudaram a crescer. Pois reconheço também as minhas responsabilidades como esposo. poesias e artigos de outros.priedades. 29. Como cristão e pastor não quero enfeitar-me com "plumas alheias". — Quando uma pessoa fica envolvida demasiadamente com um certo assunto. e que não são de domínio público. eu quero dar crédito ao seu autor. Como cristão reconheço também que todos os bens que me foram confiados por Deus possuem uma variada qualidade: suprir minhas necessidades. e como membro da minha sociedade e do meu país. Em cada uma temos certas responsabilidades. súdito. eu quero primeiro verificar se tenho autorização para usá-los. Como cristão e pastor eu reconheço o direito do meu próximo sobre a sua propriedade. Entendo que preciso administrar os bens que me foram confiados e prestar contas com exatidão a quem mos confiou. mas também as do próximo como parte do meu culto a Deus. 26. E l a não está simplesmente à minha disposição. 28. Como cristão e pastor eu quero cuidar para equilibrar m i nhas responsabilidades como pastor com as demais. citando as fontes. O cristão também reconhece que o próximo tem direito a sua propriedade. E quando o fizer. Entendo que não me diminui quando reconheço e valorizo a aprendizagem que fiz com alguém. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 19 27. invenções. Como cristão e pastor quero ser muito cuidadoso e consciencioso com valores que me foram confiados!. Desta forma não devo utilizar meus bens egoisticamente. assalariado. sermões.

12) na paróquia. de moderação no comer e no beber. de sensatez e seriedade na administração dos recursos disponíveis. E n tendo que só assim cada um do povo de Deus poderá desempenhar sua tarefa como membro do corpo de Cristo.Como pastor reconheço minha responsabilidade de pastormestre para equipar os santos (Ef 4. a tomar as suas decisões. Achamos que temos soluções para os problemas do mundo. de equilíbrio entre trabalho e lazer. usando a linguagem. de estudar. Como cristão e pastor reconheço minha responsabilidade com a sociedade em que vivo. de visitar. VIL Respeitar a responsabilidade dos outros. concílios e outras oportunidades de estudo. dando um bom exemplo de preparo físico e mental. Entendo que também tenho responsabilidade com minha saúde pessoal e social. — A tendência humana é sentir-se o centro do mundo. de aconselhar. A i n d a preciso equipá-los para compreenderem a vida sob a cruz na esperança cristã. na certeza de que não estou caminhando sozinho nesta tarefa sublime. deveria decidir pelo outro. não dando-lhes a oportunidade de tomarem a sua decisão ética que Deus requer. e de instruir para equipar os santos. Lembro especialmente o meu compromisso de pregar. Entendo que ninguém pode crer pelo outro. Pois cada um será responsabilizado diante de Deus. 35. e especialmente meu congregado. Reconheço a responsabilidade de equipar os congregados para viverem sua vida cristã de adoração a Deus em confissão de fé e missão. 20 . em oração e culto doméstico e público. Da mesma forma preciso equipar os santos para viverem a sua fé em amor e serviço ao próximo nas inúmeras oportunidades de sua vocação nas diferentes ordens sociais. ninguém pode viver pelo outro. e que ninguém. Desta forma muitas vezes tomamos a liberdade de decidirmos pelos outros. Para isso preciso buscar energias novas e conhecimentos atualizados em conferências. de limpeza e asseio pessoal. enIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 34. por isso. Como cristão e pastor quero ajudar o meu próximo. Como cristão e pastor quero aprender a incentivar os outros a tomar as suas decisões diante de Deus. 36. os m o dos e os trajes adequados a cada momento de convívio social. de escrever devoções e artigos. 32. Como cristão e pastor eu quero dividir bem o meu tempo para atender todos os meus compromissos. evitando drogas e vícios da sociedade e guardando distância da poluição moral do mundo em que vivemos. 33.

agradecer a Deus quando nos permitiu decidir bem. Apresentado no Concilio Nacional de Obreiros.os guia v que quer nos perdoar os erros. Entendo que o processo de decisão. viver a vida com alegria. a sua responsabilidade de decidir. conhecer as leis variáveis de Deus. Isto não garante sempre uma decisão entre certo e errado. Como cristão e parácleto quero estar à disposição do meu próximo para aconselhar e ajudar. como são verificadas nas diversas ordens sociais e na experiência do povo de Deus. 38. pois ele será responsabilizado por Deus. porque continuamos a ser simultaneamente justos pelo evangelho e pecadores pela lei. na certeza de que Deus n. quando esta não foi correta. os Dez Mandamentos. 2. pedir em oração que Deus nos faça decidir bem. 87. São Paulo. Mesmo que nem sempre possa concordar com a sua decisão. voltar a Deus em arrependimento quando decidimos erradamente. com adendos sugeridos pelos conciliares. fazer nova decisão quando possível. 3. fazer a nossa decisão. no entanto. reunido em Campo Limpo. Como. de 5 a 9 de julho de 1989. Mesmo sabendo que não serei perfeito eu sou chamado a decidir continuamente como um pecador espiritual que recebeu um novo espirito) voluntário pela fé. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 21 . Como cristão entendo que não há espaços livres de pecado. 5. no entanto.sinando-lhe o processo de decisão. quando houve boa decisão. conhecer a l e i imutável de Deus. respeitando. pela fé recebemos a verdadeira espiritualidade a minha decisão como cristão será a favor da justiça e contra a injustiça. depois de ter recebido de Deus pela fé um espírito voluntário é o seguinte: 1. quero aprender a respeitar a decisão do meu próximo. 6. Muitas vezes deverá ser uma decisão entre menos e mais prejudicial. 4.

Na Apologia da Confissão de Augsburgo se confessa que "a educação dos filhos" é uma questão da "vocação da cada qual" (Ap X V . Lutero menciona geralmente três ordens: o "ordo" econômico. embora estabelecidos a partir de instintos naturais (o instinto sexual e o instinto gregário). INTRODUÇÃO AOS CONCEITOS Na discussão a respeito do tema destas reflexões a proposta do uso de "responsabilidades" venceu sobre o uso de " d i reitos e deveres"..A RESPONSABILIDADE DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS Martim C. O próprio casamento e a formação de um lar. Faremos inicialmente uma reflexão a respeito destes conceitos. Warth A. como no caso dos pais. que inclui a família. criadas e ordenadas por Deus. Essa auto22 i . 1. como eles são usados na linguagem teológica e confessional da igreja luterana. um assunto do mundo. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . e o eclesiástico. criados por Deus. o político. ou imposta. 47). pois se refere a uma relação entre pessoas em que uma autoriza e a outra "responde". pode até ser decorrente de um "costume c i v i l " (Ap X V . são considerados por Lutero "ein weltlich Geschäft". A responsabilidade dos pais na educação dos filhos se resume na aceitação consciente ou inconsciente da sua vocação de pais. A vocação é uma transferência de autoridade. Responsabilidade e Vocação. 25) 1 A vocação. que pode ser escolhida. A autorização sempre é uma vocação em que alguém é autorizado com direitos e deveres a responder convenientemente. Parecia mais global. como no caso dos filhos. Deus regulamenta a vocação na família pelo primeiro uso da lei. especialmente nos seus 4º e 6º mandamentos. 2 Este "costume c i v i l " se transforma em vocação nas ordens sociais.

Exercemos um ofício que deve ser reconhecido pelos demais. Deus.ridade é necessária nas ordens sociais. Precisamos "responder" ao chamado. Há o dever de representar bem. exercendo-o convenientemente.1). São as "máscaras" de Deus. Os outros têm o direito de esperar o meu cumprimento do dever de ofício a que me levou o chamado. Os deveres podem ser implícitos ou explícitos. Responsabilidade pressupõe direitos e deveres. Responsabilidade como Direito e Dever. Como "não há autoridade que não proceda de Deus" (Rm. É o privilégio da individuação em relação à massa. Ser chamado é ser escolhido para exercer o privilégio de representar alguém e de exercer autoridade em seu nome. se verifica em direitos e deveres. como dos que estão sob a autoridade. 3 através das quais sempre ainda cumpre ver a autoridade última de Deus. B. aquele que nos chamou. teve confiança em nós e nos honrou com uma distinção sem par. É implícito com esta honra que haja "obediência na vocação". tanto dos que exercem a autoridade. Este é o grande direito da vocação. Nos limitaremos a examinar algumas afirmações das Escrituras Sagradas e das Confissões Luteranas. como podemos ver no caso específico da responsabilidade dos pais na educação dos filhos. Assim a vocação implica em obediência. mas eles são inerentes em qualquer posição de responsabilidade. Se há necessidade de "obediência na vocação" está também implícito que alguém nos chamou e nos investiu de direitos. A pessoa chamada precisa integralizar a vocação e exercer a tarefa inerente ao chamado. Na estruturação das ordens sociais Deus autoriza outros a exercerem autoridade em seu nome. portanto. 13. A última autoridade é do autor último. A Apologia da Confissão de Augsburgo caracteriza a responsabilidade como "obediência na vocação". além de verificar como a própria natureza concorda com esta perspectiva. Sempre somos chamados para uma relação de privilégio com outros. isso implica em responsabilidade. E há o dever de cumprir a tarefa em relação àqueles para os quais se destina o interesse da vocação. Somos alguém porque alguém nos chamou pelo nome e nos autorizou a receber destaque para exercer uma função. Daí resulta o dever. Somos "máscaras" daquele que nos chamou. 4 2. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 23 . A responsabilidade. como diz Lutero. A VOCAÇÃO DOS PAIS: 0 DEVER DOS FILHOS A responsabilidade poderá ser verificada sob diferentes perspectivas. pois só ela torna a vida possível entre pessoas dentro de uma ordem social. Significa que alguém. Sem autoridade incia o caos.

mas uma vocação permanente dos filhos de Deus que se tornaram pais. Não era apenas uma vocação na sociedade patriarcal.26-27).4. Por essa razão Deus requer que os pais ensinem seus filhos a respeito da Páscoa (Ex 12. Pois honrar 24 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .24).12-13). pois não envolve apenas a doação e o desenvolvimento da vida física. criando a vocação de pais. 2. Entende que a vocação dos pais está essencialmente na palavra "honrar". Com isso Deus distingue o estado paterno e materno de modo especial. Lutero acentua esta responsabilidade nos sobrescritos das diversas partes do Catecismo Menor. guando o mandamento diz "Honrarás a teu pai e a tua mãe". O ofício de pais tinha validade permanente. E vida para o filho de Deus engloba a sua relação com Deus pela fé e a vida eterna. Por essa razão os pais traziam os filhos à presença da congregação para buscarem o Senhor (2 Cr 20. mostrando "como o chefe de família deve ensiná-los com toda a simplicidade a sua casa". A responsabilidade dos pais pelos filhos é totalmente abrangente. 31.22). O homem "deixa pai e mãe" para se unir à "sua mulher" para aceitar uma nova vocação de pais (Gn 2. Confissões. Já na criação Deus fez homem e mulher para que se multiplicassem.6 Com o termo "honrar"' Deus separa e destaca pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado dele.4).13). É uma escolha livre. Ele faz então uma exposição magistral desta responsabilidade dos pais no seu comentário do 4º mandamento do Catecismo Maior. com todas as suas responsabilidades (Gn 1.2). mas o conceito central está delineado no 4° mandamento. Há várias passagens bíblicas que ressaltam a vocação dos pais em relação aos filhos.1. Colocar filhos no mundo sem lhes dar a vida eterna é crime pela lei de Deus.7. mas também a educação para a vida. Escritura. acima de todos os estados que estão abaixo de Deus. e de todas as palavras de Deus (Dt 6. dos mandamentos (2 Rs 23. No Novo Testamento continua a mesma advertência para que os pais criem os seus filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor" (Ef 6. mas transferia responsabilidades quando os filhos consitituiam sua própria família. mas que atende a um chamado da natureza instintiva criada por Deus.

6 É a vocação em que Deus "separa e destaca" para serem "máscaras" da sua majestade. pois se não tivéssemos pai e mãe. E l e sabe que os Quando um pai não pode sozinho educar seu filho. para tal fim ordenados. 8 Lutero chega a quase desesperar da situação reinante. Como "Deus assinou o primeiro lugar a esse estado" e determinou "que seja seu representante na terra"11 é dever dos filhos "demonstrar honra e obediência" e considerar esta "a maior obra que se pode fazer depois do sublime culto divino descrito nos mandamentos anteriores". não é a pessoa cm si. humildade e reverência como para com uma majestade aí oculta. mas a "autoridade" que os pais receberam pela "vontade de Deus. desejar que Deus nos erigisse troncos e pedras a que pudéssemos chamar de pai e mãe. ornado e revestido com a majestade e a glória de Deus". que podem e devem delegar poderes. sim a corrente em sua cabeça. senão modéstia. é a corrente de ouro que leva ao pescoço. É o mandamento. mas todos aqueles que estão "em lugar dos pais". que assim estabelece e ordena".14 Mas sustenta a tese de que "da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade". em razão desse preceito. Esta majestade é oculta no ofício. ou vocação de Deus. apela para um mestre de meninos que o ensine. se falece. Claro.10 Lutero reduz tudo à vocação feita no mandamento.13 Mas Lutero não é nenhum visionário. encomenda e delega o governo c autoridade a outros.12 Por causa do mandamento de Deus Lutero vê no pai "um homem diferente. 9 Mesmo assim o ofício permanece. 7 Podem até nem ser os pais genéticos.muito mais elevada coisa é que amar. Não abrange apenas o amor. Um néscio educa o outro". Por essa razão concentra a responsabilidade pela educação dos filhos nos pais. deveríamos. se está demasiadamente fraco. que me indica como e porque se deve honrar esta carne c sangue. pois "os pais geralmente nada sabem. pais precisam de auxiliares. pede ajuda de seus amigos ou vizinhos. direitos e responsabilidades da sua próIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 25 . Os pais ocupam o "lugar mais elevado depois de Deus" e são "representantes de Deus".

Essa perspectiva também foi reconhecida como um direito natural pela humanidade. Claro. quando diz: "Deo. se nota não somente o compromisso dos pais com respeito a seus filhos. Ficam os limites. As teses do "kibbutz" e do socialismo de estado não são inerentes à natureza. Os Direitos Humanos. a exemplo de "gente antiga e sábia". reconhecendo neles uma autoridade auxiliar para a educação dos filhos de acordoi com. isto é: "A Deus.16 Gomo entende que Deus "não quer patifes e tiranos nesse ofício e governação".pria vocação a outros.18 Mesmo assim permanece a tese básica que reconhece os pais como os primeiros e fundamentais responsáveis pela educação dos filhos. sob o Senhor Jesus. aos pais e aos mestres. Jesus Cristo. que essa obediência aos pais fique subordinada à obediência a Deus e não vá de encontro aos mandamentos precedentes. que Lutero coloca da seguinte forma: Se a palavra e a vontade de Deus têm seu curso e são observadas. a vontade de Deus. A natureza do homem tende à preservação da '2(J IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . os mestres. o tipo de educação que entendem ser necessário darem aos filhos. mas uma imposição filosófica e política. 3. esta liberdade o cristão só encontra quando aceita pela fé o único Senhor.17 Lutero já havia apelado cinco anos antes aos conselheiros de todas as cidades alemãs para estabelecerem e manterem escolas cristã. Com isso apenas confirmaram o humanismo do homem que já traz embutido por natureza o preceito fundamental de Deus da responsabilidade individual dos pais e da liberdade humana de escolher. Isso diz respeito ao desenvolvimento da vida e da cultura. todavia assim. Os pais que geram o filho são individualmente responsáveis por ele. nenhuma outra Coisa deve valer mais do que a vontade e a palavra dos pais. como a aprendeu da Escritura Sagrada. As Nações Unidas aceitaram a tese da responsabilidade dos pais pela educação dos filhos. parentibus et magistris non potest satis gratiae rependi". No seu louvor Lutero já inclui. para habilitar o filho individualmente a afirmar a sua liberdade em relação com aqueles que formam o seu ambiente social e de vida."15 Nesta perspectiva de Lutero. mas também o seu privilégio de decidirem livremente. nunca se poderá agradecer e recompensar de modo suficiente.

e a quantos lhes fazem as vezes. se afirma no Princípio 6º que Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade. publicada em 1959. No art. A O N U publicou em 1948 a "Declaração Universal dos Direitos Humanos". num ambiente de afeto e de segurança moral e material. sobre como devem portar-se com os que a seu governo estão encomendados". em primeiro lugar. Ninguém é consultado a respeito da liberdade ou não de ser concebido ou nascer. A responsabilidade dos filhos é assumir a vida e "honrar" os pais.liberdade individual (pela qual responde a Deus!). em qualquer hipótese. sempre que possível. a criança de tenra idade não será apartada da mãe. reconhece que este assunto "não ficou exarado nos Dez Mandamentos de modo expresso". Estas declarações. mas que é "amplamente ordenado em muitos passos da Escritura". Escritura. a vocação de ser f i lho é imposta. A VOCAÇÃO DOS FILHOS: O DEVER DOS PAIS Embora a vocação de ser pai seja uma opção livre. C. ao "pregar aos pais. refletem a lei natural implantada por Deus em toda a humanidade e dada de forma positiva nos 10 Mandamentos. Quando houve concepção o casal também já não tem opção de serem pais ou não: já são! Logo. aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e. embora feitas num ambiente universal não necessariamente cristão. A responsabilidade dos pais é zelar pela vida que chamaram à existência e se tornarem dignos da "honra" dos filhos. com prioridade. inciso 3. salvo circunstâncias excepcionais.19 No Princípio 7" se diz que "os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação. que depois se transforma em responsabilidade. 1. Criar-se-á. aos pais". enquanto que os interesses do estado procuram uma massificação manejável pelo grupo dominante. se diz que "os pais têm. confirmando a posição bíblica e confessional. X X V I . esta responsabilidade cabe. a criança precisa de amor e compreensão. Lutero. E na "Declaração Universal dos Direitos da Criança". chamar um filho à vida é uma vocação que impõe também imediatamente deveres aos pais. 20 A referência básica que Lutero colocou na Tábua dos Deveres do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 27 . o direito de escolher o gênero de educação a dar a seus filhos".

Talvez ouvem um outro ritmo. respeitem. Confissões. Para ele os pais e "quantos lhes fazem as vezes" devem ponderar no fato de que devem obediência a Deus. um outro chamado de Deus. Uma educação que não inclui a fé no Senhor é incompleta. confirmada e reconhecida pelo Senhor. de coração e fielmente. O Senhor chamou tanto os pais como os filhos. Já que os filhos existem por opção dos pais. 0 respeito a essa vocação dos filhos deve ser o objetivo da educação deles. Em última análise. que precisam ser descobertas e desenvolvidas. não provoqueis vossos filhos à ira. Dentro dessa perspectiva no Brasil o governo concede liberdade religiosa. 2. c acima de qualquer coisa desempenhar-se-ão. não cuidando apenas do sustento material de filhos. Os pais não podem "irritar" os filhos. os pais precisam respeitar esta autoridade dos filhos e encaminhá-los ao Senhor para que possam desenvolver o seu chamado à vida e à vida eterna.4: "E vós. etc. Os filhos têm. Há também uma autoridade oculta nos filhos que precisa ser reconhecida e respeitada. auxilia alunos em escolas "particulares c confessionais. quase teocrática. O importante é que os pais os "criem". desenvolvam. Na exposição do 4" mandamento Lutero lembra esta responsabilidade dos pais. porém sobretudo educando-os para louvor e honra de Deus. parcial e destrutiva. mas há também uma retribuição final pelo autor e Senhor da autoridade. dos encargos de seu ofício. que os pais precisam respeitar. pais. súditos. A sociedade que esquece a Deus está com problemas. Na sociedade moderna já não se entende que "patrões e governo" devam educar "para louvor e honra de Deus". eduquem. Toda ação contrária ao reino de Deus se vinga. Há uma retribuição nas próprias ordens sociais. fazendo-os crescer "na disciplina e admoestação do Senhor". Precisam ver a sua vocação e respeitá-la.Catecismo Menor encontra-se em Ef 6. mas precisam valorizar a individualidade e a personalidade dos filhos. c fomenta o ensino 28 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Cada filho tem certas ordens seladas pela vocação de Deus. empregados. mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor".21 Nesta reflexão de Lutero pais. que façam os filhos conhecer e reconhecer sua vocação por Deus e para Deus. No entanto ainda entendemos que também patrões e governo estão sob a autoridade de Deus e não têm o privilégio de não prestar contas a Deus por seus atos. patrões e governo são vistos Como numa sociedade patriarcal.

Nos Estados Unidos da América o princípio de separação de igreja e estado proíbe toda menção de religião em escolas públicas. 1. representam a "imagem de Deus". Se queremos pessoas excelentes e hábeis tanto para o governo secular como para o espiritual. No cristão a imagem d i vina começa a ser restaurada pela fé para atingir a plenitude apenas na ressurreição.Trata-se. a fim de que possam prestar serviços a Deus e ao mundo. e a segurança da alegria de viver. homem perdesse a imagem de Deus com a queda dos primeiros pais.24 D. Há um relativo conhecimento natural de Deus e uma noção da vontade de Deus como aparece nas leis das ordena e é reconhecido pela consciência moral. semelhante a países declaradamente ateus no leste europeu do passado. cumpre deveras não nos poupemos empenho.religioso nas escolas públicas. Embora o. . Lutero entende que isso não é matéria entregue a teu talante e capricho. criando um ensino anti-religioso que deturpa a formação integral da juventude. ainda permanecem aspectos dessa imagem que são passados aos filhos. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 29 . na realidade. A Transferência do Modelo. mas. Os pais não são apenas "máscaras" de Deus no sentido de serem autoridade em lugar de Deus para os filhos. ao contrário. faina e gastos na tarefa de ensinar e educar os nossos filhos.22 Os pais precisam compreender quão grande é a necessidade de nos ocuparmos a sério da juventude. ao qual também terás de prestar contas a esse respeito. os pais não podem faltar "ao dever de educar" seu filho "de maneira útil e para salvação". A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO DE PAIS E FILHOS A responsabilidade dos pais na educação dos filhos é tão relevante por causa da importância da relação dos pais com os filhos em vários aspectos do seu desenvolvimento.23 Como os filhos receberam a vocação de Deus. a continuidade do exemplo. de rigoroso preceito e injunção de Deus. Podemos enfocar três aspectos: a transferência do modelo.

A criança copia modelos. Não são apenas as palavras de estímulo e encorajamento ou repreensão que vão moldar o comportamento da criança. é moldada a partir dos conceitos e imagens que aprendemos na infância. A Continuidade do Exemplo. de padrões. a transferência do modelo para Deus será fácil.Mas neste tempo de restauração a responsabilidade dos pais na educação dos filhos é exatamente a de representar bem o amor de Deus. A noção de " P a i " com relação a Deus será moldada de acordo com. Mas a aprendizagem a respeito da fé. que quer amar semelhante a uma mãe que ama o filho que gerou. 2. O amor dos pais continua normalmente no amor dos filhos. talvez por causa da tendência natural do ser humano para o caos. que são copiados pelos filhos. Se este amor for convincente. Isso ressalta a grande responsabilidade dos pais na educação dos filhos. do governo. Há uma continuidade nesta modelagem de uma geração a outra. O modelo do pai e da mãe é transferido para a compreensão do Pai Celestial. da polícia. O sucesso ou o fracasso dos pais geralmente são copiados pelos filhos. 3. A criança compreende o amor de Deus quando tem uma relação de amor com o seu pai na família. de amor. do patrão. Nós geralmente vivemos de acordo com a reputação que temos. de etiqueta. A Alegria de Viver. O modelo sexual dos pais forma a estrutura básica para o relacionamento sexual do filho. São especialmente os exemplos vividos pelos pais que educam e moldam os filhos. o modelo de " p a i " que a criança tem diariamente diante de si. A pessoa humana se realiza mais quando pode sentir a alegria 30 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . A justiça e o perdão de Deus são conceitos formados a partir da justiça e do perdão dos pais. de ternura. Quando o pai aceita a autoridade de Deus. O relacionamento dos pais com a sociedade dará as dicas para o filho se orientar fora do lar. V i d a é algo precioso que defendemos por instinto natural. Os pais representam exemplos de valores morais. O problema é que o mau exemplo dos pais geralmente se fixa mais profundamente nos filhos do que os exemplos bons. Isto mostra a importância da relação positiva dos pais como exemplos para os filhos. seja na Palavra ou no sacramento do Batismo. ou a fé que reflete sobre o seu conteúdo (fides reflexa). de gentileza. A opinião que os pais têm dos filhos são o padrão para a avaliação que o próprio filho faz de si mesmo. É verdade que a fé é um dom de Deus que o Espírito Santo nos dá através do contato com o Evangelho. 0 pai é o modelo do P a i Celestial. o filho poderá copiar o exemplo de obediência à autoridade que o próprio pai representa.

mas os pais podem dar aos seus filhos a alegria de viver e a segurança de viver quando valorizam não apenas as vitórias dos filhos. O encorajamento dos pais que dizem: "Por que não tenta? Tenho certeza que você pode conseguir!" é melhor do que a critica: " E u lhe falei! Você é o fracasso de sempre!" O filho geralmente vive de acordo com as expectativas que os pais têm dele. Desta forma posso ficar descansado: a tarefa e obrigação da minha vocação de pai pode ser transferida e compartilhada com os meus "próximos" que Deus me coloca à disposição no seu reino. Este otimismo faz parte da responsabilidade dos pais na educação dos filhos e lhes dá segurança. mas o seu esforço e sua tentativa corajosa de risco calculado. sem diminuir a minha autoridade e responsabilidade que tenho diante de Deus. Que bom quando os pais entendem a sua responsabilidade na educação dos filhos e fortalecem neles a alegria de viver. A TRANSFERÊNCIA DA VOCAÇÃO Não há lugar mais importante do que a família. Mas formam o núcleo de comando desta educação por causa da vocação de serem os pais.de viver. Deus entende que a vida cristã se realiza no serviço de amor ao próximo. A autoridade da minha vocação de pai pode ser compartilhada com a escola. Na sua liberdade ele me vai indicar qual é a melhor forma de amor que existe para lhe servir. Os pais que aprenderam a viver com fracassos e deram volta por cima sabem incentivar os seus filhos a olharem com confiança para o futuro. Mas. O conceito de "próxim o " é muito importante 11a solução do problema. pois ali aprendemos a viver e a partilhar um com o outro a alegria de viver. o governo. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 31 . Não vamos ganhar sempre. Quando nos sabemos amados apesar de eventuais fracassos então criamos a coragem de fazer tentativas de risco para progredir. o filho pode se desenvolver de acordo com o seu próprio ritmo e os dons que recebeu da parte de Deus. de outro lado. E Deus ainda me dá a liberdade de escolher o "próximo" que mais corresponde ao meu critério de realização da minha vocação. E. Não há momento mais bonito para viver do que hoje. Mesmo assim os pais nunca conseguiram convincentemente cumprir sozinhos com todas as responsabilidades na educação dos filhos. O "amarás o teu próximo como a ti mesmo" implica na presença do próximo que necessita do meu amor. a igreja. Quando os pais dão a segurança do sen amor e respeito. Quem me indica quais são as boas obras do momento é o meu próximo. eu posso ter a certeza de que Deus colocou muitos "próximos" também ao meu redor para me servir e amar. o trabalho.

como já dizia Aristóteles. juristas. Ele entende que Deus diz aos pais: Tu podes melhorar o convívio humano nas ordens sociais. da qual Ele te poderá fazer a escultura de um senhor. 25 Em 1580. pois "eu te dei filho e bens para isso". mas de Deus. que têm a seu cargo mandar e governar". Entende que há outros que estão "em lugar dos pais". pois "além disso deve subordinar também a si domésticos. um ano depois de escrever os catecismos. sem esquecer os afazeres do lar e os demais ofícios e trabalhos. F a l a da "multímoda obediência aos superiores. médicos. que o ensine". Entende que a um professor fiel não se pode pagar o suficiente com. os f i lhos à escola para se tornarem escritores (como Lutero se considera ser). Considera uma das maiores virtudes na terra o educar fielmente os filhos de outra gente. No entanto. Tu estarás dando a Deus uma madeirinha boa. Lutero escreveu um tratado26 em que prestigia a escola e insiste que os pais compartilhem a sua autoridade com os mestres. É só prepará-los pela escola!2' E Lutero apela: " E u acho que nunca houve tempo melhor para estudar do que agora!"28 Por isso deixa teu filho estudar. "porque da autoridade dos pais deflui e se irradia toda outra autoridade". Para mostrar como entende este "defluir" e "irradiar" da autoridade. pastores. Lutero inclui no 4º mandamento todas as autoridades que completam o ofício dos pais. Lutero apela para outra autoridade: "Considero que também o governo tem o dever de obrigar os súditos a enviarem os seus filhos à escola". E então vê o pai como empresário. A Escola e o Trabalho. bem como para ocuparem bem os seus lugares nas ordens sociais. teólogos. E Deus os precisa para serem preparados para se tornarem pastores e professores. para o governo da casa". como os pais não cumprem com o seu ofício de pais. Mas entende que esta autoridade faz parte da autoridade dos pais e não a diminui. professores.29 Acha que estes filhos irão governar o mundo.30 Mas são os pais que possuem a autoridade para enviarem.1. dizendo: "Quando um pai não pode sozinho educar seu filho. nenhum dinheiro. comerciantes. Seu argumento é que os filhos não são exclusivamente dos pais. secretários. empregados e empregadas. Lutero mesmo queria ser professor. E "cumpre que deles (dos pais) recebam poder e autoridade para governar" no "ofício de pai". se não fosse pregador. ele menciona especialmente a escola e o trabalho.31 E se o pai for pobre o governo deve usar fundos dos ricos para dar bolsas de 32 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . apela para um mestre de meninos. e mesmo que às vezes tenha que pedir pão.

o que é um país todo. meus queridos alemães. Há necessidade "da obediência à autoridade civil. como a aprendizagem nos Senai e Senac de hoje.34 Sem esvaziar a autoridade dos pais Lutero transfere toda a autoridade também ao governo. Por essa razão "é dever nosso honrá-los e tê-los em alta consideração. mas a reforça. . dizendo que os empregados "até que deviam voltar salário e regozijar-se com o fato de poderem receber patrões e patroas". conforme dito. . Mesmo assim não esgota a autoridade paterna.. isto é. e lugarejos? Se os lares forem mal administrados. cidadãos ou súditos". que. porquanto não os chamamos também assim. Ao mesmo tempo já iniciava uma recompensa salarial pelo trabalho feito durante a aprendizagem. Por isso Lutero arrisca uma deixa contra as greves dos sindicatos de hoje. nem ao menos os consideramos e honramos como tais. Governo e Igreja. é a fonte de toda outra lei ou de governo. Pois o que é uma cidade. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 33 . Por intermédio deles "Deus nos dá e conserva alimento. Lutero transfere a vocação dos pais também para o governo e a igreja.estudos. pais da pátria. falei que chega: vocês ouviram o seu profeta!" 32 A escola nem sempre era formal no tempo de Lutero. para grande vergonha nossa. senão um grupo de cidades. como pode todo um país ser bem governado?37 Entende que a autoridade dos pais se transfere ao governo. proteção e segurança". Os governantes são pais "tantas vezes quantas forem os habitantes. pertence à ordem paterna e é a mais abrangente das relações". casa e lar.35 Lutero chega a usar os mesmos adjetivos que usou em relação aos pais. . pois podia englobar a aprendizagem com um "mestre" em técnicas é artes. Lutero termina o apelo: "Bem. pois que o governo representa a soma da autoridade paterna nos lares.33 2. senão um grupo de lares? . Louva os romanos que chamaram a seus príncipes e magistrados de patres patriae. como o mais precioso tesouro e jóia na terra". . que pretendemos ser cristãos. T a m bém. No sermão sobre o 4" mandamento de 152536 Lutero argumenta que esta ordem (da obediência) no lar é a primeira regra. vilas.

124."38 E como "são pais. A Apologia da Confissão de Augsburgo será citada como Ap. 3 W A 31 I. o direito de darem e providenciarem aos filhos a educação que corresponde à sua visão de mundo. Ap XXVII. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht. 105. . F. Os pais não podem se omitir nesta educação. o governo. . 49-50. 34 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . 8 CM I. 1980. para nós. 4 Ap XXVII. Der 147. A escola. 107-108. "Chamam-se pais espirituais apenas aqueles que nos governam e presidem mediante a palavra de Deus. Se de um lado têm. 115. CONCLUSÃO A responsabilidade da educação dos filhos permanece com os pais. Destarte. Philadelphia: Muhlenberg Press. o trabalho. o Catecismo Maior como CM. 5 CM I. Ver nota 1. 353). devida lhes é também a honra. Luther On Vocation. da mesma forma como as próprias incumbências variam de acordo com o tempo e as pessoas. . 1957. que também exercem o "ofício de pai". 1959. 49-50: "Propõe-se o exemplo de obediência na vocação. A autoridade dos pais precisa ser respeitada.Lutero inclui ainda os "pais espirituais". 106. se crescem simultaneamente o arrependimento e. 137 a 143. 1. Se encontra em WA (Weimar) 31 I (427) 430-456 ou W 2 (St. As vocações são pessoais. 435. 7 CM I. mas também da igreja toda." Como isto implica em correção e arrependimento." (Ap IV. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal. a escola particular e confessional. perfeição. NOTAS 1As Confissões Luteranas serão citadas pelo Livro de Concórdia. como só um estado democrático pode oferecer. . Mas o exemplo de obediência é geral. fomentando.39 Como é dever dos pais educarem os filhos "de maneira útil e para salvação". Citação de 626. de outro lado este direito se transforma em dever. que precisa providenciar os "pais espirituais" para auxiliarem os pais nesta tarefa abrangente. Melanchthon diz: "E nessas coisas colocamos a perfeição cristã e espiritual. além da escola pública. Para que isso possa acontecer deve haver uma múltipla escolha para a educação dos filhos. 2 "Eiri Traubüchlin für die einfáltigen Pfarrherrn". até acima de todos os outros". 9 CM I. a fé. 528 de Die Bekenntnisschriften der evangelisch-hitherischen Kirche. 1532.Psalm Lauda Jerusalem ausgelegt. pp. 6 CM I. 4º edição. é cada qual obedecer com verdadeira fé à sua vocação. . e a igreja são apenas agências auxiliares nesta tarefa dos pais. Louis) 5. — Citado também em Gustav Wingren. 1302-1333. no arrependimento. pág.40 fica clara a importância não só dos mestres. .

168. 35 CM I. WA 15 (9)27-53. 15 CM I. 1106-1123. 125. 500-519. 167. 25 CM I.Gebot). 452. Buch Mose. 1468-1473. col. 5 November 1525. Predigten über das 2. 18 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 35 . 31 Ibid. WA 30 II. 19 Ari Herculano de Souza. 433 e 445. W 2 19. 40 CM I. 1106. 1524. 12 CM I.. 29 Ibid. 125. col. 457. 23 CM I. 33 CM I. 446. 11 CM I..14). 141-142.. 1989. 176. 30 Ibid. 38 CM I.. cols. 160. 141. col. 144. 17 CM I. 10 CM I. 35. 36 520. Será citado como Eine 27 Predigt. Edição de St. Êíne Predigt. col. 517-588. dass sie christliche Schulen aufrichten und halten sollen. 167. 459. 130. 37 Predigten. 13 CM IV. 116. pp. 1524/1527. dass man Kinder zur Schule halten solle. 34 CM I. 39 CM I. 16 CM I. 176. W 2 10. WA 16. 26 675. 158. pela edição de St. 14 CM I. 169. 150. 416-459. Os Direitos Humanos. 22 CM I. 172. An die Ratherren aller Städte deutschen Lands.-7. 142. Será citado como Predigten. col.676. São Paulo: Editora do Brasil. col. (Matth. 24 CM I. Louis. Louis. 454. 509f. 126. 32 Ibid. 20 CM I. 20. 28 Ibid. 1530.. Pr. 31. 537 sobre 2. W 2 3. Eine Predigt. 21 CM I.. Mose 20 (4. 19.

ex. sirva apenas de cemitério (Gn 23. muitos serão seus descendentes.. ao Egito (Gn 16.1 Lendo o Pentateuco pode-se notar. Deus lhe concede também descendentes: setenta pessoas descem. Nm 15. 26). Ex 3. uma entrada. 24. a promessa no protevangelium é a linha dourada que se estende através do Pentateuco. Dt 28). 33) e a Israel (p. Não obstante. o cumprimento pleno da promessa abraâmica ainda reside no futuro. A promessa a Abraão em Gênesis 12 controla a narrativa da Torah a partir deste capítulo até o final de Deuteronômio..9).6-10. 35). fará no futuro são por Ele constantemente reiteradas para criar em Israel esperança em Yahweh.2.29-50. por um lado. mesmo que ela. Deus abençoa Abraão e faz dele e de sua descendência instrumentos de Suas bênçãos às nações (Gn 13. ex. 49..15. 28. Gênesis 3. Ex 23/23». Gn 15. significativamente. 6. Ex 12. Abraão recebe efetivamente um pedaço da Terra Prometida como um sinal. Yahweh reitera essa promessa com freqüência a Abraão (p.22-26. Cada ato salvífico de Deus é visto como prelúdio a atos salvíficos ainda maiores. 26. 17.1. 41. estes descendentes serão abençoados de tal sorte que serão transformados em canalizações da bênção divina a todos os povos.PROLEGÔMENOS À ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO Acir Raymann Uma perspectiva e confiança futuras perpassam todo o Antigo Testamento. Esta promessa consiste basicamente de três partes: Deus dará a seus descendentes a terra de Canaã.18. como Deus parcialmente cumpre Sua promessa já com o patriarca. A começar com. 20. Moisés suplica a Yahweh que multiplique e abençoe Israel no futuro (Dt 1.38). no êxodo sua descendência é uma multidão (Nm 1.11) e a Terra Prometida 36 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Promessas do que Deus.37-57. e no período da monarquia Davi reina "sobre um povo tão numeroso como o pó da terra" (2 Cr. Lv 20.17-18. 1. a Moisés (p. T a l perspectiva futura pode-se observar em cada divisão do cânone hebraico..8-27). ex.2-8.14).

24-25. a palavra final é a promessa da Sua misericórdia. 25). A ira de Deus está a serviço da Sua misericórdia.5). No período dos Juizes. no exílio há ainda esperança para Israel. Deus criará um novo Israel que consistirá de crentes: o fiel remanescente de Israel (Sf 3.17) e do Messias (Is 11. ser entendidas como escatológicas. que entenderam as ameaças e bênçãos como temporais.19-26). Para o Seu povo escatológico reunido em torna da presença de Yahweh (Jl 3.17-25). Contudo. Os Salmos são dominados pela esperança em Yahweh.11-12). há ainda muita terra a ser conquistada (cap. após a Conquista. A promessa davídica permanece ainda intacta. da linhagem de Davi.2 Esta mesma dimensão futura da fé israelita pode-se verificar nos Profetas Anteriores. seu entronamento e a aliança davídica (2 Sm 7. Mq 5). Embora o juízo de Deus sobrevenba por causa da rebelião de Israel.31-34) e pelo derramamento de Seu Santo Espírito (Jl 2. Perder es ia perspectiva significa ser partícipe da superficial teologia dos amigos de Jó. Em. O livro de Reis continua a desenvelopar a promessa divina a Davi. A mensagem dos Profetas Posteriores está centrada na promessa divina pelo futuro. A ênfase da aliança davídica é a promessa de que Yahweh irá estabelecer e manter a linhagem e o reino de Davi para sempre. Maldições para os ímpios e bênçãos para os justos na Literatura Sapiencial devem. Salomão constrói o Templo e ora para que Yahweh continue a abençoar Israel e as nações pela Sua presença graciosa no Tabernácülo (1 Rs 8). Os Profetas Anteriores encerram com a afirmação de que o rei Joaquim. Tanto israelitas quanto gentios tornar-se-ão um povo de Deus (Is 19. 13) e distribuída (cap. Israel foi ameaçado por inimigos. No centro está Yahweh e Sua graciosa presença em Sião. 23. Deus criará "novos céus e nova terra" (Is 65. O descanso permanente que Yahweh prometera era um "ainda não". 14-22). é libertado da prisão no exílio babilônico (cap. No centro do Livro de Lamentações está a confiança do poeta de que as misericórdias) do SENHORi jamais se findam — por isso ele espera no S E N H O R (3.11-15). Am 9. Também os Escritos apontam unanimemente para o futuro. por mais de três séculos.11-20) e gentios convertidos (Sf 3. A ameaça da ira de Deus é Sua penúltima palavra. Josué Deus dá a Israel a Terra Prometida. Daniel proclama o Reino escatológico de Deus ao falar de "um como o Filho do IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 37 .ainda está por ser herdada de sorte que o Pentateuco conclui perscrutando o horizonte do futuro (Dt 33-34). Os profetas focalizam a atenção do povo de Deus emi diferentes quadros emoldurados pela futura promessa escatológica. O livro de Samuel está centrado em Davi.28-29).9). Deus formará este novo Israel pelo perdão dos pecados (Jr 31. Amós diz que passado o juízo virá a restauração (9.

Por outro. Vê-se que também. razão pela qual este futuro também não é secular ou humanista. Sua glória. Sl 73.. Deus "tragará a morte para sempre" (Is 25. os ofícios e instituições do Antigo Testamento são tipos. Os escritores da antiga aliança ficam na "ponta dos pés" aguardando a misericórdia de Deus por vir. prelúdios.12). Is 25. Mesmo a vôo de pássaro pode-se notar que todo o Antigo Testamento apresenta uma perspectiva e confiança futuras. 65. Nas palavras de Isaías. 7). A continuidade entre o "agora" e a "era escatológica" é expressa de várias formas.15-16. Por fim.6). Primeiro. o povo de Deus.19.9). A descontinuidade entre o agora e a era escatológica indica que o futuro prometido do Antigo Testamento não é simplesmente aqui e agora.2). " E l e é o primeiro c o último" (44. encherá toda a terra (Nm 14. Am 9. que salvará Seu povo e com ele estará. O futuro escatológico é descrito no Antigo Testamento como estando tanto em continuidade quanto em descontinuidade com o presente. como também não culmina num milênio terreal. será bem maior que o seu tipo mencionado no Antigo Testamento (Is 35. por graça somente. Os atos salvíficos de Yahweh no passado.8).6ss. entradas do prometido futuro. o mesmo Deus que salvou o Seu Povo e que com ele estava é o mesmo Deus que virá. A kavôd de Deus. Segundo. a nova criação é freqüentemente descrita em termos da Terra Prometida do Antigo Testamento (cf. O escatológico povo de Deus será integrado por multidões de gentios (p.19). Os Escritos terminam com a referência ao decreto de Ciro pelo qual os exilados devem retornar a Jerusalém e reconstruir o templo (2 Cr 36).17-25). Jl 3. Terceiro. A escatológica Terra Prometida será semelhante à do Antigo Testamento.. o povo de Deus será maior. ex. 7). Haverá um novo e maior êxodo da escravidão (Is 11.13-15. o Seu Nome" agora. Sf 26. aqueles que "confiam em Yahweh" e "invocam. Daniel afirma que o Reino escatológico de Deus é bem diferente dos reinos dos homens (caps.homem" que virá em glória (cap.17-21). Em primeiro lugar porque a futura salvação que Yahweh irá instaurar será bem maior que Seus atos salvíficos no passado. continuarão se ser Seu povo depois — mesmo a morte não poderá separá-los de Deus (p. 2. Is 11. Mas. ex. esta última secção do cânone hebraico encerra inclinando-se para o futuro. os "novos céus e nova terra". a escatológica Terra Prometida. o Antigo Testamento apresenta o futuro como estando também em descontinuidade com o presente. Ele se caracteriza por bênçãos futuras que Deus concede.21. Os crentes de todas as gerações estarão nele incluídos (Dn 12.24-26). O futuro será bem mais esplendoroso. Is 26. 52. 38 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .

3 Este aspecto sola fidei do Antigo Testamento precisa ser enfatizado em contraposição às re-leituras secularizadas ou marxistas que se fazem do Antigo Testamento. Cl 1. a Escritura atesta que o novo. as promessas escatológicas vetero-testamentárias cumprem-se em Cristo.22).16-20). Não é uma especulação abstrata. Mas a promessa da misericórdia escatológica de Deus visa criar e manter a esperança em Yahweh (Sl 73. ela conclama ao arrependimento do pecado e ao exercício da fé (p. Is 8.24).3. Cristãos hão de herdar as promessas feitas a Abraão (Rm 4. novo Israel Cristo fez nascer formado tanto por judeus quanto por gentios pelo perdão dos pecados e o derramamento do Santo Espírito (Gl 3. não no homem ou no processo natural da história (Sl 39. O Reino escatológico de Deus é ainda futuro IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 39 . de uma relevância muito prática. Deus "tabernaculizará" com Seu povo para sempre (Ap 21.32..14).6. Lc 1.17). 40-66). Is 66. At 2. 3). O escatológico Reino de Deus manifestou-se em Cristo (Lc 11. incréus tem por objetivo conduzir pecadores ao arrependimento (p. o maior Davi chegou e assenta-se no trono davídico como Rei sobre todos (p. ex.18ss).5 O Novo Testamento apropria-se destas promessas do A n tigo Testamento e enquadra-as na moldura do "já — ainda não"..7). Por outro lado.29-30). o Israel reduzido a U m . é o futuro Reino de Deus. A ameaça da ira escatológica de Deus contra os. não um. Na carta ao Gálatas o apóstolo São Paulo afirma que Cristo é o "descendente" de Abraão. o Novo Testamento projeta as promessas do Antigo Testamento na tela do futuro e declara que a consumação é um "ainda não".4 Da mesma forma a função das promessas escatológicas de conclamar pessoas à fé e à esperança em Deus deve ser reiterada para neutralizar neoapocalípticos que utilizam profecias do Antigo Testamento como bola de cristal para satisfazer a curiosidade humana sobre o futuro. sentimento piedoso com vistas à otimização do mundo. Gl 3. Em outros textos.13).1-3. O Filho de Davi e o S E N H O R de Davi virá novamente (Ap 22. A certeza que as promessas escatológicas produzem é uma certeza em Yahweh. A escatologia do Antigo Testamento é. Um. Um novo e maior Templo surgiu (Mt 12.54).13ss. At 2. O prometido futuro do Antigo Testamento é um futuro centrado no Evangelho. ex.28-29). Jo 2.20.. através de Quem todas as nações da terra são abençoadas (cap.1-4). Ap 14). O Novo Israel de Deus será congregado no Último D i a para adorá-Lo (Mt 24:31. pois. Sf 2.1-2). não uma utopia econômica ou política. A morte foi tragada pela vitória (1 Co 15. pelo contrário. Is 35.e que serão desfrutadas apenas pelos crentes. é uma certeza em Deus.. ex. Por um lado. o " D i a do S E N H O R " chegou (2 Co 6.

não se pode cogitar em uma guerra moderna no Oriente Médio ou no atual conflito no Golfo Pérsico. Os fenômenos cósmicos têm sua imagem provavelmente derivada da teofania divina no Monte Sinai onde havia trovões e relâmpagos e o monte esfumaceava e tremia (Ex 19. Os inimigos são nações distantes do norte e do leste (38.30-31). Sinais escatológicos 0 Antigo Testamento apresenta o escatológico " D i a de Y a h w e h " como sendo precedido e acompanhado por determinados sinais que podem ser agrupados em duas categorias.1-11). como diz o profeta Isaías. Os profetas o descrevem como um. Os capítulos 38 e 39 de Ezequiel.e apocalípticos. Textos do Antigo Testamento falam de uma intensa perseguição contra os santos pouco antes do eschaton. de novo.4). aguardam ainda o desfrutar destas bênçãos ao vivo e em celeste dimensão. Meseque e Tubal foram localizados na Anatólia.undo caído e. os incréus esconder-se-ão ante o Seu terror (2.2-6).10-19).1-25). Por um lado. O intérprete bíblico precisa reconhecer que tais textos estão escritos em gêneros proto. por isso. O " D i a do S E N H O R " ainda está por vir (1 Ts 5. Ezequiel 38 e 39 não devem ser interpretados literalisticamente.34). fenômenos cósmicos e intensa tribulação contra os santos. Esta linguagem teofânica é projetada no futuro yôm Yahweh. os cristãos são também pecadores vivendo num m.18-20.6 Deve-se considerar que estes textos empregam figuras e vestem. dispensacionalistas sustentam. ou seja.14-18. A morte ainda será tragada (Ap.(Mt 25. Estes sinais cósmicos dão testemunho Daquele que está por vir: O S E N H O R dos Exércitos aproxima-se e com tão grande ira que. ex. descrevem os últimos dias como de guerra contra Israel..7 O texto enfatiza que Yahweh trará estes inimigos contra Seu povo Israel e depois os destruirá para vindicar Sua santidade perante as nações. os cristãos já se regozijam com as bênçãos escatológicas de Deus pela fé. Por esta razão não devemi ser interpretados literalisticamente como os dispensacionalistas geralmente o fazem. Não obstante a dificuldade em identificar os lugares. sua mensagem com indumentária antes de Cristo. A ordem divina ao profeta de falar "às aves de toda espécie. Por outro. O profeta emprega linguagem tipológica para descrever os derradeiros estertores dos 40 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Am 5. 21. por exemplo. Sf 1. Jl 2. A identidade de "Gogue da terra de Magogue" é imprecisa mas com certeza não se referem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como.17) demonstra a natureza simbólica da linguagem. e a todos os animais do campo" (39. dia assombroso em que a terra irá estremecer e até os corpos celestes irão se entenebrecer (p.

Esta guerra final estará sob o controle de Deus e através de Sua vitória Yahweh vindicará Sua santidade diante de todos. uma guerra final contra Jerusalém.8 Também este será condenado no julgamento final. em Apocalipse 20. é o tipo da grande teofania escatológica. embora numa abordagem diferente da de Ezequiel e Zacarias. em especial.15 por dies irae. em linguagem apocalíptica. o yôm Yahweh. Por outro. ou seja. como vimos. utiliza esta figura de Ezequiel para descrever o "pouco tempo" de Satanás contra a Igreja. Isaías. que passou a ser tema musical na Igreja Católica Romana e Protestante sendo também parte do repertório do coral do Seminário em. da mesma forma levantar-se-á um " r e i " mau que perseguirá.20-27). Zacarias lembra que Ele virá com todos os Seus anjos (14. em. E l a tem por objetivo "refinar" e "testar" o Israel de Deus visando primordialmente fortalecer a fé do remanescente (13. a quarta besta. Outro aspecto relevante na escatologia do Antigo Testamento é o Advento de Yahweh.45). Jerônimo traduziu Sf 1. Daniel 7 e 11 também mencionam uma perseguição escatológica contra os santos. perseguirá os santos. Seu fim. Nestas visões dadas a Ezequiel este " v i l ã o " escatológico é descrito em termos semelhantes ao tipo. Ele se arrogará prerrogativas divinas e atacará o povo de Deus (11. os santos na era escatológica (7. A linguagem.15). Os profetas.8-9). Antíoco IV. 11.5). que Ele virá "em fogo" (66. o Anticristo.inimigos do povo de Deus. O apóstolo São Paulo. entretanto.2-3). O profeta. é tipológica: assim como Antíoco irá perseguir os santos no período grego. A teofania do Sinai. Este escatológico "dia do S E N H O R " tem seu locas especialmente em Sofonias. visível a todos. não tardará em chegar (7. Em sua descrição este personagem é um novo e maior Antíoco IV. entretanto. Contudo. destacam o yôm Yahweh como evento imponente.36-15). o antítipo não é replica exata do tipo. Ele reinvidicará prerrogativas divinas. O profeta Zacarias no capítulo 14 também descreve.7-10. Como ocorre com toda linguagem escatológica. revela um outro propósito para esía intensa perseguição. A ênfase de Zacarias está novamente em que Yahweh manifesta Seu domínio sobre todas as coisas vencendo os inimigos do Seu povo. São João. dies illa. 2 Tessalonicenses 2 cita Daniel 11: o Novo Testamento relaciona este " r e i " mau com o "homem da iniqüidade". virá de Roma. Por um lado o yôm Yahweh é um dies irae em que Deus consumirá todos os iníquos' (1. estes textos revelam algo da natureza do perseguidor. tempos passados.26. aqueles "que invocam o Nome de Yahweh" — tanto o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 41 . Daniel enfatiza que tal perseguição será comandada por um " r e i " mau.

. portanto. É como se Ezequiel estivesse a dizer: assim como haverá ressurreição dos mortos. em que o Novo Testamento atribui a Jesus Cristo o que o Antigo Testamento atribui a Yahweh. ela implica e pressupõe a crença na ressurreição do corpo. A Septuaginta traduz yôm Yahweh como hê heméra tou kyríou (cf.9 Neste capítulo o profeta aplica a imagem da ressurreição de mortos ao Israel em exílio.remanescente quanto os gentios que crêem — serão salvos (3. porém. quando é teologicamente elegante priorizar toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". 2 Rs 13.7).8).25. A divindade de Cristo já se manifesta na era vétero-testameniária. Silêncio.10). O Novo Testamento fala do "dia do S E N H O R " com uma significativa ênfase. Empregand. Uma passagem significante e que por vezes tem recebido interpretação desvirtuada em cenários críticos é Ezequiel 37. ex.6). ou ainda heméra Christou (Fp 1. 1 Rs 17. Não raras são as vezes. Sf 1. Verdade é que o Antigo Testamento não fala sobre a ressurreição corpórea dos mortos com tal freqüência como o faz o Novo.o a figura do "levantá-los" da sepultura. A l é m de exemplos de mortos que ressuscitam em Israel (cf. muito menos negação. também Israel será "ressuscitado" da "morte" do exílio. 2 Rs 4. Isaías'26. Em outras palavras. p. Daniel 12 e outras. não significa ausência. que o ministro confronte esporadicamente perante sua congregação a mensagem bíblica da ressurreição com a antagônica teoria da reencarnação. c mister enfocar também a ira 42 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Embora a figura da ressurreição seja empregada metaforicamente. como nestes casos.10 Uma característica de Yahweh que o Antigo Testamento enfatiza repetidas vezes é Sua ira e que precisa ser seriamente considerada ao se falar da escatologia que se propõe bíblica. retratado como ossos secos. impregnada de conceitos. vez por outra. Yahweh está prometendo restaurar Israel e trazê-lo de volta à sua terra. Cristo é Yahweh que vem em glória. A ressurreição como realidade escatológica deve merecer a atenção devida.21). alterada para hê heméra toa kyríou hymon lesou Ghristòü (1 Co 1. ou heméra Christou lesou (Fp 1. há referências claras à ressurreição escatológica no Antigo Testamento como Jo 19. A l i a expressão é. como pelo fato de a cultura religiosa brasileira. poder tornar-se obstáculo à apreensão de seus benefícios salvíficos por parte do ouvinte. imagens e expressões espiritualistas imitativos do conceito bíblico de ressurreição. não apenas por ser central na teologia e pregação cristãs.9-20). Numa sociedade com tendências ao universalismo. É oportuno. A ressurreição é mais um aspecto relevante da escatologia do Antigo Testamento. A aplicação desta imagem sugerida pelo profeta só pode ser compreendida à luz da ressurreição física.

fala dos que estão na sepultura e no sheol como "desamparados". visto ser este o tipo de morte a ser vivenciado pelo descrente. "cova" para designar o fim são termos de sentido ambivalente. por exemplo. Deus havia dado aos Amoritas 400 anos antes de os lançar fora da terra. O Salmo 88. Mas. Em segundo lugar.3. A vida eterna é sola fidei cujos recipientes são os que "invocam o Nome do S E N H O R " (. "sheol". Com freqüência aqueles sobre quem Yahweh assopra Sua ira são chamados Seus inimigos e afrontantes de Sua Igreja. é "Morte" com " M " maiúsculo prenhe de conotações horrorizantes para descrever uma realidade distante de Yahweh. 31.32). cujos nomes são encontrados "escritos no livro" da vida (Dn 12. 42. Em contraste com a "morte eterna".9. Sodoma e Gomorra.. é por causa da maldade das nações que Deus as lança fora de Canaã (Dt 9. fala da morte neste sentido.4-5). Em determinados contextos o termo "morte" tem a conotação de morte temporal apenas.11). Os salmos não se cansam de doxologizar a frase "Yahweh salva por amor do Seu Nome" (p. Apenas Ele é a fonte da vida (36. cuja causa está na desfé e impiedade humanas. não acolhiam nem dez justos. ou a Sua voluntas antecedem. Eles são incréus. os recipientes da ira de Deus são dela merecedores. O dom da vida está fundamentado na imerecida chesed. ou fidelidade. 15). O primeiro ponto a observar é que Yahweh é provocado à ira.1-2).de Deus para que eventualmente não nos integremos a esta i n clinação aeróbica. vez por outra. p.13 Mesmo a morte temporal não separa o crente de Yahweh. É "morte" no seu sentido mínimo.1. o salmo 49 atesta vida após a morte quando o autor diz: "Mas Deus remirá a minha alma do poder do sheol. ex. pois Ele me tomará para S i " (v. ex. À luz do versículo 10 o salmista espera morrer. Enquanto "morte" é lei. No seu contexto.12 A compreensão de " v i d a " no Antigo Testamento deve ser entendida em relação ao que acabamos de dizer. 113. é por causa da abominação de Sodoma e Gomorra que Deus as destrói (Gn 18-19).11 Ê por causa do mundo que era ímpio que Deus envia o dilúvio (Gn 6). 79. de Yahweh. Em outros contextos ela assume um sentido máximo. ao contráIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 43 . termos como "morte". O Saltério. Finalmente.11 2. Yahweh é "tardio em irar-se". O salmo 139 diz que Deus estará com ele mesmo que este faça a sua cama no sheol (v.9. O salmista ora por livramento da "Morte" neste sentido máximo. É o que nossos dogmáticos denominam Sua voluntas consequens. 8). 54. aqueles de quem Deus "não se lembra".8). Yahweh "não tem prazer na morte do perverso". " v i d a " é evangelho. a causa da vida eterna é a chesed de Yahweh..

O problema é que a ordem criada está sob a maldição divina desde 44 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . nas palavras dos salmo 73.15). O último aspecto relevante da escatologia do Antigo Teslamento que queremos destacar é o da nova criação.25). Até os profetas protestam contra a destruição ecológica (Is 14. Montanhas e outeiros destilarão vinho envelhecido e leite (Am 9.13). recebido na glória. a situação se radicaliza: Yahweh maldiz o solo. A terra foi dada ao homem. Águas vivas fluirão de Sião (Zc 14.19-20). Espinhos e abrolhos amofinam o labor do homem. O povo não mais terá fome (Ez 34. 2 Rs 17.8). fome e terremotos fustigam a humanidade (Gn 12. Violência não haverá mais porque homens e animais viverão em harmonia.3). Estes e outros textos pintam o retorno ao Jardim do Éden.13-14). Animais selvagens "não farão mal nem dano algum em meu santo monte". Ez 47. Deus dá as plantas como alimento para homens e mulheres (1.37. etérea. Adão dá nomes aos animais (2. diz Deus (Is 11. A partir da Queda a natureza investe contra a humanidade e a humanidade abusa da natureza. O mundo foi feito para os seres humanos. após a Queda. O profeta Amos retrata a terra tão fértil que enquanto a ceifa se processa. para surpresa de alguns vegetarianos. é o reverso do mundo amaldiçoado. O mundo é a praça da humanidade.25-26).10. Pelos textos acima pode-se ver que a nova criação é reIcalada como estando em continuidade com a presente criação. Os autores bíblicos não se envergonham de serem. já é tempo do novo plantio (9. Dentro da ordem da criação o ser humano deve mordomear o mundo natural. O deserto será frutífero e o Mar morto repleto de peixes (Is 35. ele será remido por Deus e.17). Am 1. Em Gênesis 1 e 2 lê-se que a humanidade é o clímax da criação de Deus.rio do perverso. necessário se faz que retrocedamos à situação edênica e pós-edênica. O Antigo Testamento não acarinha um desejo platônico de deixar a terra e viver com Deus em alguma esfera ideal. (SI 115. Por todo o Antigo Teslamenfo os seres humanos e o mundo natural são interdependentes. Nos livros de Samuel e Reis animais selvagens atacam pessoas (1 Sm.16).6-9). A escatologia do Antigo Testamento apresenta o reverso desta situação. criaturas. que será consumido pelo sheol.8ss). o solo será abundante em cereais. 0 problema não está com a natureza criada em si. o homem deve "cultivar e guardar" o solo (Gn 2. Para melhor compreender a nova criação. é o novo céu e nova terra — é a nova criação. He 2. Entretanto. 17.29-30) e após o dilúvio.26-29). Não há nada pecaminoso ou inferior em que seres humanos habitem a terra. Deus lhes concede também os animais como alimento (9.1). Ao invés de fazer brotar espinhos e abrolhos.8. diz Yahweh (Is 65.

São Paulo. Walter C. suas ameaças visam. A figura de animais convivendo em h a r m o n i a e cereais em abundância indicam o reverso da natureza amaldiçoada. Walther. Cruzada da Literatura Evangélica do Brasil e Mundo Cristão. 5 Talvez o mais popular nesta linha seja LINDSEY. cf. C . Vida Nova. C . Millard .11-13. 1985. Der Mensch und seine Hoffnung im Alten Teslament. The theme of lhe pentateuch. Gottingen.J. Teologia do Antigo Testamento. L o u i s . Hall e C A R L S O N . A agonia do grande planeta terra. Os mesmos textos. 2 CLTNES. João B. A . Opções contemporâneas na escatologia: IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O T/1991 45 . David A. inseridas nelas estão as promessas de vitória para o justo: os inimigos do povo de Deus serão vencidos. St. seu final glorioso. Na escatologia está o conforto para momentos de perseguição e a certeza da presença do S E N H O R também para o "Israel de D e u s " deste lado da cruz.. 1. 1980 visualiza esta promessa como permeando todo o Antigo Testamento. 6 Uma breve mas excelente avaliação critica destes movimentos numa ótica luterana (e que clama por tradução) está em The end times: a study on eschatology and millenialism — a report of the Comission ore Theology and Church Relations of the Lutheran Church-Missonri Synod. Uma escatologia bíblica precisa levar em consideração esta descontinuidade tanto quanto a continuidade. Maria Clara L. Para um estudo mais abrangente dos movimentos milenistas recentes. Vanderhoeek und Rupreeht.. Concórdia. Vozes. Escatologia Cristã. São Paulo. A Igreja de Deus precisa constantemente recorrer à escatologia porque nela encontra sua origem na graça. LIBÂNIO. NOTAS FINAIS KAISER. Embora aterrorizantes. sua descrição mostra uma terra bem diferenciada e maior do que a Terra Prometida. 1973. revelam que a nova criação é apresentada como estando em descontinuidade com a presente criação. setembro 1989. 98. Embora os profetas mencionados ainda falem do futuro em termos de terra de Israel antes de Cristo.. 4 Cf.. Petrópolis. ERICKSON. In: A Libertação na História. 1968 explora este aspecto com propriedade. por outro lado. Uma análise mais popular pode ser encontrada em P L U E G E R . Em conclusão podemos afirmar que a escatologia do A n tigo Testamento é uma proposta missiológica-soteriológica de Deus. chamar o descrente ao arrependimento e à fé. ex. 1977. s.7-9). série III. 1978. Por isso o escatológico D i a de Yahweh trará livramento e "alegria" não apenas aos homens pecadores como à criação em geral (Sl 96. Things to come for planei earth. tomo X. David J . s. Aaron Luther. 3 ZIMMERLI.a Queda. de Mendonça. ed. seu propósito no mundo. p. trad. University of Sheffield. e BINGEMER. Por outro.

In: The International Criticai Commentary. COOKE. C . Vida Nova. Heinrich. 275-94. Minneapolis. 1985. óp. 46 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . ed. Edwin M. Charles Scribner's Sons. 1986. 1982. 287 e suas referencias ao capítulo 2 de Daniel. 1972. v. Eerdmans. p. Augsburg. Jacobs. trad. 162-68 13 SCHMIDT. p. 8 Um longo estudo para a identificação da quarta besta no capítulo 7 é feito por YOUNG. op. Heinrich. p. Cf. 9 Cf. Y A M A U C H I . cil. 282-83. também L E U P O L D . John. trad.. Charles A. Columbus. Hay e Henry E. 398'ss. Aula inaugural proferida a alunos e professores do Seminário Concórdia no dia 27 de fevereiro de 1991. São Paulo. 54-65. 1982. 3. 1937. rev. Augsburg. Minneapolis. Keilh Crim. The book of Ezekiel: a criticai and exegetical commentary. ex. também LINDSEY. A bibliografia sobre o assunto é ainda bastante incipiente mas uma boa introdução sobre a matéria pode ser buscada em SNYDER. Hans-Joachim. The prophecy of Daniel: a commentary. Grand Rapids.um estudo do milênio. Reencamaçao ou ressurreição? São Paulo. p.. Gordon Chown. G . Vida Nova. Hà. A . cr/. 1961. p. 2. Foes from the Noerthern frontier. New York. ele mesmo inclina-se a um "pré-milenismo pós-tribulacionista". trad. Grand Rapids.. Exposüwn of Daniel. 11 SCHMIDT. Embora Erickson se mostre crítico dos movimentos de forma geral. p. H . Cf. p. Cf.. Theology of the Psalms. Baker. 1949. 12 KRAUS. The Wartburg Press. the doctrinal theology of lhe Evangélica! Lutheran Church. Edward J.

como línguas de fogo. crentes. Ele age na quietude do coração. um marco. Primeiro. A narrativa de Atos 2 tem servido para mostrar que afinal. convence pelo uso de truques de magia. O Espírito Santo não hipnotiza. e todo cristão é agente passivo. Segundo. o que o Pentecoste tem de especial e único é o fato de ser uma data. Fixar-se neste aspecto do Pentecoste tem um aspecto positivo. Os céticos de plantão naquele dia gozaram: Estão embriagados. etc. muito menos convencer. não se sabe de onde vem. T a l ingênua afirmação do Pentecoste como espetáculo impressionante esquece entretanto que nem os céticos de plantão no dia do Pentecoste se deixaram impressionar. A pregação do dia de Pentecoste deveria por isto evitar dois desvios que facilmente se notam. curas. disseram então e até boje gozam dos cristãos. que fixa o novo tempo de Deus com o homem em busca do perdido. falar em línguas. como diz o apóstolo: A igreja se edifica a si mesma.23-27 19 de Maio de 1991 A Festa Ao longo dos tempos o Pentecoste tem sido visto pelos cristãos como se tivesse sido equivalente a um espetáculo moderno de luz e som. o Espírito Santo não age. Entretanto. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 47 . nem. é por sua decisão exclusiva. poder. Deus pode e vai impressionar os sentidos e assim sacudir os céticos e dar força à mensagem dos seus. o Pentecoste não foi um espetáculo capaz de fazer calar os céticos. nem para onde vai. nem arrasta os sentidos. DIA DE PENTECOSTE João 14. conforme a Série Histórica Revisada). Quando o Espírito Santo age extraordinariamente. "Estão embriagados". O Pentecoste não foi este espetáculo impressionante capaz de revolucionar o universo. sob certas circunstâncias.AUXÍLIOS HOMILÉTICOS (Os auxílios homiléticos desta edição baseiam-se no Evangelho do Dia.

Esta renovação da confissão da própria indigência espiritual. o homem aprende a reconhecer o sentido da sua própria vida. o Pai faz morada. (. A partir do momento em que percebe o sentido que teve a vida de Cristo. Mas quando é que eu preciso deste Salvador ao ponto de amá-lo somente por ser o meu Salvador e ao ponto de me apropriar da sua Palavra como sendo esta palavra que me dá a sua salvação? Será esta talvez uma das grandes falhas dos cultos do Pentecoste. Eu preciso é interpretado como " E u já precisei". Palavra esta cuja manifestação está restrita aquele pequeno grupo (v. Este sentido projeta-se em primeiro lugar sobre o próprio indivíduo: Eu preciso de salvação. Ou. falassem hesitantem.ente. dizem os céticos. 22). Amá-lo significa amar o sentido que ele manifesta e objetivamente deu à sua vida na sua Palavra.O Espírito Santo ilumina o entendimento a partir do anúncio do Evangelho. o 50° dia depois do Passa. E n quanto estou convosco e depois. Aí Jesus distingue dois momentos. Os discípulos. De tudo aquilo que se passou neste dia. a festa que celebrava o fim da safra dos cereais. Talvez porque os discípulos. a festa das sete semanas. "o mundo precisa". de repente se vêem envolvidos numa situação em que já não podem não falar. Jesus está vivo e presente. dando tal impressão? 0 que e como aconteceu realmente naquele dia? Os discípulos nunca mais reeditaram o Pentecoste dos fenômenos. ou geralmente. A igreja de todos os tempos é uma e a mesma em todos os lugares sob uma condição . " E u ale precisaria". este retorno ao ponto de partida. Naquela ocasião aconteceu por exemplo o pentecoste israelítico. ou falando na surdina. o que a igreja pode guardar e experimentar como o seu Pentecoste hoje? Isto Jesus mesmo definiu em textos como este do Evangelho que a Igreja tem separado para este dia. não acreditando no seu dom. este retorno ao espírito de arrependimento? Ao mesmo tempo em que os discípulos se demonstram co-responsáveis do crime. Onde a palavra se faz ouvir. Ou. Estranhamente vão explicando o sentido de tudo aquilo que acontecera nestas ultimas sete semanas. Estão embriagados. que aquela morte era a libertação para todos? 48 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Não sentem barreiras na comunicação.SE — amar a Jesus for igual ao guardar sua palavra. este aspecto confessional está ausente da pregação cristã e está na origem dos desvios que sofre o Pentecoste.) enquanto está unido ao depois "pela palavra que vos tenho dito". que até ali estiveram calados. proclamam. Ou não? Às vezes. que se linha celebrado com as primícias.

os seguros e infalíveis visionários conscientes de que inspiração divina era-lhes sempre acessível. Eram. sai estrada fora avisar outros motoristas do perigo que está à frente. como Pedro. a primeira tese: "Quando nosso Senhor Jesus Cristo disse. tímidos e inseguros." Para guardar a Palavra de Jesus é preciso por isto antes e acima de tudo reunir-se novamente com. Como alguém que tendo se acidentado contra um alimento na estrada.É neste sentido que o Espírito do Pentecoste soprou na Reforma Luterana. Mas. Se alguém me ama — esta condicional exige mais do que simplesmente ser alguém que admite e testifica diante dos homens que o pecador tem um Salvador em Cristo. a resposta é não. de grande desafio.. pressupõe o testemunho pessoal como resposta. que os desobedientes à L e i de Deus o crucificaram. Arrependei-vos. Não eram também. nem tudo que se faz invocando o Espírito Santo. O texto "Se alguém me ama.. em vez de ficar se lamentando.. Conscientes de que falharam nem só nos momentos cruciais. O que se pode ainda esperar de homens como nós? Somos realmente capazes de provar a nossa dedicação a Jesus? Tudo visto e provado. nenhum linha escapado a quedas redundantes e repreensões tanto mais contundentes. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 49 . Especialmente agora que E L E não está mais conosco. quanto maior era o carinho e amor com que tinham sido concretizadas. em levar avante a mera rotina do discípulo daquele Jesus. A igreja toda confronta-se outra vez com. mas também falharam... se. O último a se dar conta disto fora Tome. se. Se alguém me ama." Esta condicional que Jesus introduz. deve preocupar uma igreja nos dias atuais. Não conseguiam esquecer disto. nem tudo que se ensina de acordo com as Escrituras pode por este fato ser visto como o Pentecoste. Aqueles homens não foram aqueles heróicos e intrépidos desafiantes de um mundo hostil. E com ele.. toda a congregação ao pé da cruz para reorientar a partir daí toda a avaliação que se faz da vida individual e da vida comunitária do cristão. Quem vai transmitir esta sua palavra que perdoa. É na avaliação correta desta observação que hoje pode existir Pentecoste. mas ileso. Porque nem tudo que se chama Pentecoste. isto sim. consola e conforta? Muitos cultos de Pentecoste não passam de discurso "a respeito" quando deveriam ser testemunho pessoal de uma congregação/pregador que reconhece.

. nada mais consegue ser do que a confissão e testemunho daquilo que o seu amor faz por nós. temos de desconfiar de nós. até no caso de Judas. Desistir. enfim. que nun. também corrói a consciência. Amar a Cristo é amar o que E l e nos dá. mas evitam comprometer-se com ele. O nosso amor por ele. n. E prevenia de que ele tinha de ir sozinho. Pessoas que têm consciência do mal feito a Cristo e aos cristãos. se identificam com. Mais ainda isto nos constrange e envergonha porque ele repetidamente prevenia disto.. nós não deixa nunca de ser uma forma de amor próprio. Quando os discípulos achavam que tinham.O incrível é que em tudo. visto e reconhecido o amor Deus como tal. os que estão na adversidade. A única coisa segura é o amor D E L E . A solução foi desistir de querer provar que somos capazes de nos alinhar com Jesus e amar como ele ama. mas também aceitam a comunhão nele contida. Não teria ninguém por ele. A quem isto interessa? A quem o mal. com o sofrimento do inocente. E por isto. os que não são indiferentes com a injustiça nem. Aqueles para quem pecado é uma realidade sensível. que corrói o mundo.o momento seguinte dava-se conta que o amor era sempre novo e infinito. Mais ainda. assaltados pelo pecado e caídos em pecado. para o qual se deve apontar. Mesmo que isto lhe tenha acarretado aquela morte horrível. se. identificar com ele. enquanto que o seu martírio e sofrimento sacrificiais são nos incorporados no seu sangue que bebemos. Por isto. existem aqueles que desejam os benefícios do amor de Cristo. Com. Claro. os que lutam.. E se. hábeis em não 50 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . profunda e completa. Estes são aqueles que não só querem o benefício do Sacramento. Este amor por nós encontra sua expressão mais viva no sacramento para o qual estas palavras são essenciais. comemos a sua vida e suas boas obras. isto aprendemos a reconhecer o amor dele e o desamor e a falta de comunhão a que o pecado nos relegou. ao comermos o seu corpo. é reconhecer que todo o esforço de amar. E aceitar que o amor em nós será sempre este grande SE. o amor que nos é dado de maneira tão ampla. No sacramento este Deus por nós é o Deus que se dá por nós ao ponto de se incorporar totalmente em nós. E L E teve carinho e perdão para todos. e. para o qual se deve falar. No entender de Lutero. Tão completamente alheios e estranhos somos ao amor de Deus.. Este é um amor sobre o qual se deve falar. trabalham e oram. se mais não podem.ca nos conseguimos. Finalmente é nisto que seguidores tornados tímidos e inseguros se agarram como sua garantia pessoal. em.

Não se envolvem com pecadores declarados.a. que não partilham a dor dos outros. a força e a esperança que o amor de Cristo selou para os seus no sacramento. não têm paciência com os que se lamentam. Se alguém me ama: aí está a realidade do Pentecoste — o agir do Espírito no espírito de Cristo para a comunhão dupla no amor de Cristo. não defendem o ausente. Esta comunhão e sua manifestação tem nome: o amor. a comunhão que nos é dada por Cristo e por toda a cristandade passada. evidentemente está sendo focada por Jesus como um problem. do perdido pelo Salvador que por sua vez comungam o amor pelos perdidos. E segunda.") este Deus é o Deus que faz o Pentecoste. nada arriscam (vida. presente e futura. Uma igreja que busca o sucesso em sintonia com os movimentos e expectativas do mundo. favor de outros necessitados como eu. que por isto altera suas prioridades. O amor do Deus Salvador pelo perdido. a comunhão que nós agora podemos oferecer aos que carecem deste amor do qual Cristo nos enche constantemenle em. (Lutero) Mas onde alguém tem consciência de que sua comunhão com Cristo é esta comunhão mais ampla. O Pentecoste diário O problema que Jesus aponta no texto é o temor e a perturbação da sua igreja/discípulos. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 51 . honras) a favor da igreja e dos cristãos. Este Deus que vem comungar a vida com o homem. Aí é preciso consolo. não intervêm a favor da verdade. (e Jesus enfatiza: "Esta palavra não é minha mas do Pai. O objetivo que Jesus propõe é que esta igreja confie e assim goze de uma paz nova. P a r a tanto enfatiza aquilo que faz o Pentecoste permanente nos corações — o amor do P a i para todo aquele que toma consciência de que não existe amor naquilo que o mundo oferece. de faltas. São egoístas a quem este Sacramento do amor não beneficia em nada. não dignificam. Desta consciência brota a fome e a sede que constantemente precisam ser mitigados. o indigno. aí existe consciência de pecado. Este problema é atual na medida em que reconhecemos que o só guardar a Palavra parece deixar a igreja insegura e perturbada. não suportam os fracos de caráter. Mas este Deus comunga no singular e se manifesta no plural. propriedade.envolvimento. desconhecida no mundo — a sua paz. Uma. de fraqueza.

Tornara-se benquisto do povo ao curar os seus enfermos (Jo 2. 0 primeiro ano do ministério de Jesus.1-8 26 de Maio de 1991 E r a a primavera do ano 30 d . C .13-16).29. II — Porque ela nos ensina e depender do amor de Deus. I — Porque nela Deus confirma o seu amor. No coração de todos estava a pergunta: "Será este. um se destacava: quem. do mundo faremos nele morada. Tema: A promessa de um Pentecoste permanente — meu Pai o amará.36). o Cristo?" (Jo 4.17) mexera com as consciências. I — Me reconheço na timidez daqueles discípulos. I — Diante da hostilidade — II — Diante dos desafios à — Conclusão: Não se turbe o vosso coração. Chamara-o de Cordeiro de Deus (Jo 1. A cidade de Jerusalém fervilhava de peregrinos. fé o Consolador nos ensinará. Wairich PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 3.9-11). Tema: Este é também o meu Pentecoste. Época da Páscoa. é este Jesus de Nazaré? João Batista o batizara (Mc 1. Sua pregação (Mt 4. III — Confio nas mesmas bênçãos. porventura. P. II — Reconheço a mesma promessa do Pai. Jo 1. Entre os muitos assuntos na boca do povo. P.Tema: O Pentecoste será permanente se guardarmos a sua Palavra. Surpreendera a todos ao expulsar os vendilhões e cambistas do templo (Jo 2.23). 52 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .29).

no tempo de Jesus. portanto.23). Homem de bens. culto e diríamos boje.19-28). Jesus esclarece: "pela água e pelo Espírito" (Jo 3. Agora em relação a Jesus. Ele inicia seu diálogo chamando Jesus de Rabi (Jo 3. se Deus não estiver com ele" (Jo 3. mas procede do "nascer de novo".2). Nicodemos.Uns diziam.6. 0 importante é que Nicodemos foi encontrar-se com Jesus. ou componentes do Sinédrio. encontrava-se um ilustre cidadão de Jerusalém.. Dai a afirmação de Jesus a Nicodemos: "se alguém não nascer de n o v o . um. Jo 2.2). para mais uma vez deixar bem claro que o reino de Deus não se concede por hereditariedade. Ele era fariseu. Nicodemos tomou uma importante decisão. eminente teólogo..2.5). de projeção social. Certamente Nicodemos ouvira as pregações de Jesus. creram no seu nome" (Jo 2. Ele era também membro do Sinédrio. Assim "de noite foi ter com Jesus" (Jo 3. talvez porque durante o dia Jesus estava por demais ocupado com o atendimento do povo. 0 "sabemos" se refere talvez a um grupo de fariseus.23). talvez porque não queria assumir publicamente esta visita. . Seita que. Ou seja. Ter um encontro pessoal com Jesus.2). Não queria expor-se a críticas de colegas.1)..7). . "um dos principais judeus" (Jo 3. . descendência de Abraão lhes conferia o reino de Deus (Rm 9. estavam convencidos que ele era "Mestre vindo da parte de Deus" (Jo 3. Tanto faz. o supremo tribunal eclesiástico dos judeus. .17). Outros. Queria testar a capacidade teológica de Jesus. M u i tos. Mestre. que não.. O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 53 . De noite. "vendo os sinais que ele fazia. Acontece que para os fariseus não havia necessidade de um "nascer de novo". Titulação reservada aos escribasí versados na Escritura. uma vez que "ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes. liderados pelo próprio Nicodemos que já anteriormente haviam enviado uma comissão a João Batista para saber se ele era ou não o Cristo. Na ocasião João Batista lhes assegurou: " E u não sou o Cristo" (Jo 1. Segundo eles.5). Entre os que tinham dúvidas. " (Jo 3. Seu nome. Daí o solene juramento de Jesus: " E m verdade. Em que consiste este "nascer de novo?" Em "voltar ao ventre materno?" Como ironicamente perguntou Nicodemos? Não. manifestavam dúvidas.9). Estas versavam sobre dois temas fundamentais: a questão do arrependimento e do reino dos céus (Mt 4. De noite. em verdade te d i g o . Proferiu o anonimato da calada da noite. o simples fato de serem. " (Jo 3. degenerara em fanatismo nacionalista e num partido político radical. João Batista já OS advertira deste falso conceito (Mt 3.3). porém.

0 Catecismo Menor (perg.7.18. para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. A pergunta de Nicodemos: "Como pode um homem nascer.22-25). 0 "novo nascimento" é dinâmico.15). Importa-vos nascer de novo 1. Jesus usa a figura do vento. é um nascer terreno. Gl 5.19. sua ação.5. o físico. Ele veio do céu e para o céu retornará (Jo 3. Nicodemos tinha dúvidas sobre a messianidade de Jesus. A resposta de Jesus: "pela água e do Espírito. o segundo nascimento. Gl 3.27). Este é o reino de Deus. 299) afirma: "mas com a palavra de Deus. Dai a importância do "nascer de novo". O vento é uma realidade. Assim Jesus se revela a ele como o Messias profetizado. nascer espiritual.13). Deve agir no munido através da santificação (1 Co 3.primeiro nascimento. isto é. 1 Pe 2.9). 2 Pe 3. Qual o objetivo deste "nascer de novo?" — "para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". 8.8).14. o "nascer de novo" é um. a exemplo do que aconteceu no deserto no tempo de Moisés (Nm 21. como diz Paulo a Tito 3. 2. Qual o objetivo deste sacrifício? "Para que todo que nele crê tenha a vida eterna" (Jo 3. sendo velho?" 1. a vida eterna. a água é batismo. Steyer 54 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Antes porém. para a morte. Cl 2. "assim é todo o que é nascido do Espírito" (Jo 3.2. Walter O. Vemos a sua força. Ante a incompreensão de Nicodemos. É "nascer de novo" pois o convertido nasce para Deus (Rm. ele sofrerá (Is 53) e será levantado numa cruz. pelo arrependimento 2. É uma ação do Espírito Santo. água de vida.26. cheia de graça e um lavar de renascimento no Espírito Santo. Porém.

27). pois não levava a sério "Moisés e os profetas" (v. A ênfase nesse período de oposição que Jesus sofria era a necessidade de dar uma resposta de fé e vida ao evangelho e não imitar a oposição. Já fora feita pela " l e i e os profetas". um conceito que vigorou até João Batista (Lc 16. tinha mais interesse por ele do que o rico egocêntrico. e que era necessário "fazer amigos" com as riquezas. Peréia e Judéia. Jesus Cristo c agora o cumprimento desta aliança eterna de Deus. 31). Mas apenas lhe dá "migalhas".51 a 19. a forma grega de Eleazar (Esdras 7. hão vivia a fé de Abraão (Rm 4.5). talvez do rico.20). que pregavam a fé vivida em amor.40). o ajuste de contas. que era a culminância da revelação de Deus. O rico havia esquecido de deixar que Deus fosse o seu Deus pela fé. . e agora está aí aquele pelo qual "Deus ajuda". anunciada pelos profetas (Jr 31. Lázaro tinha tudo para oferecer ao rico: a mensagem do "reino de Deus" (Lc 6. Jesus proclamava "o evangelho do reino de Deus". Samaria. e o amor às riquezas de que os fariseus sofriam (Lc 16. 32.14). 20/21 — Lázaro é a oportunidade do rico. E r a um mau administrador dos bens que havia recebido de Deus (v.16). O rico não recebeu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 55.31. V v . em contraste com o seu amor às riquezas em que "se regalava esplendidamente". mas uma história veridica como ilustração. no final do ano em que sofreu oposição. V. 19 — O "homem r i c o " do texto não tom nome para Jesus. Os cães. como Abraão o recebeu. pois estava junto à mesa do rico para comer as migalhas. 24). pois conhecia " P a i Abraão" (v.SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 16. o descaso.19-31 2 de Junho de 1991 Contexto A ilustração usada por Jesus é do ciclo das 16 parábolas e histórias relatadas por Lucas do período das mensagens de Jesus na Galiléia. Por mencionar o nome de Lázaro Jesus certamente não contou uma parábola. A oportunidade de fazer amigos estava diante da sua porta. se quisermos traduzir o nome de "Lázaro". Texto V. especialmente dos fariseus (Lc 9. Lázaro viu o que creu: o reino. o constante convite ao arrependimento. Mesmo sendo do povo de Deus. 25).3). 22 — Havia a crise.

possibilidade de comunicação. V v .o que creu: sua fortuna acabou. Agora o sofrimento do rico não tem mais volta. Mas só agora se lembra. que pode ser uma exceção para enfatizar a mensagem de arrependimento e fé. O consolo de Lázaro lembra a paraclesia dada por Jesus (1 Jo 2. Nesta fase houve. Abraão é autorizado por Deus. A pessoa que morre não fica vagando. ouça!" (Mt 11. Não se ultrapassam os limites. Está tudo dito: Jesus o está proclamando. concedida por Deus. de Deus. apenas aguardando a revelação total de cada destino. dos fariseus. vá testemunhar aos parentes. 3. do alívio. V v . o rico se lembra. Mas não há possibilidade de ajuda. mas enfatizou três coisas: 1. pelo Espírito Santo (Jo 14. Há dois lugares apenas: céu e inferno após a morte. Ora. Agora precisa da misericórdia. V. N u m primeiro gesto de simpatia agora quer que alguém. um novo profeta. Vv. 56 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . uma nova revelação. da ajuda. Certamente é nova exceção. É eterno. o testemunho estava todos os dias à sua porta. está no mundo: está em Moisés (a Lei) e nos profetas (e os Escritos). O "evangelho do reino de Deus" está sendo anunciado. um espírito. dos ricos fariseus. 25/26 — Não é Lázaro quem responde. Mas só lembra que Lázaro deve servir (talvez era um servo dele). 2. 27/28 — Havia testemunho. mas entra logo na situação definitiva. Morreu e foi enterrado! É uma advertência violenta: em que os homens crêem? V. Com um pouco de amor poderia ter aliviado a Lázaro.16). talvez Lázaro. e praticada em parte já pelos cristãos (Rm 12.15).1). proclamada por "Moisés e os profetas" é final! "Quem tem ouvidos.8). 30/31 — Sempre o homem sabe melhor: quem sabe um resuscitado. 29 — A questão é apenas "ouvir"! O testemunho do além. 23 — O interesse de Jesus não é dar detalhes do céu (o lugar de Abraão) e do inferno. como "pai da fé". 24 — O rico agora lembra que estamos no mundo para servirmos um ao outro. na história de Jesus. Nem o Jesus ressuscitado foi recebido pelos endurecidos fariseus! O julgamento de "Moisés c os profetas" é final! Também a salvação do Messias. V. da compaixão que ele próprio não deu no sofrimento dos outros. que não quer aceitar um Messias humilde que veio reinar nos coração. Mas é a dureza do coração.

Precisamos assumir a vida. Achamos que a vida e o futuro nos pertencem. A vida é dada por Deus. Deus colocou os recursos para a vida no mundo. 2. O futuro é longo demais: dura uma eternidade. 3. Não há necessidade de pobres. Temos que aprender a repartir. B. O futuro não está garantido se não deixarmos "Deus ser Deus". da vida. 1. c. Somos responsáveis para servir aos outros. Já deu os recursos para todo o homem: estão em "Moisés e os profetas". Nascemos com o dom. 3. " O u v i r " é o problema para por em dia o futuro. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 57 . 1. O abuso da vida faz outros sofrer e destruir nosso próprio futuro. 5. o F i e l . Os recursos para vida eterna são dados por Deus. Deus nos dá a vida e o futuro. abuso da vida e nosso mau uso dos recursos. 1. Todos recebemos a vida de forma igual. A riqueza é dada por Deus para repartir. A cobiça afastam Deus e o próximo. b. "Eles tem Moisés e os profetas: ouçam-nos!" A. Precisamos de recursos internos para chegarmos à vida eterna. O 1. Tudo foi cumprido em Cristo. Deus é o "Senhor e Doador da vida". a. 2. Para receber os recursos internos é preciso "ouvir": testemunho. 2. 1 . Todos precisamos alimentar-nos: somos "mendigos" que Deus quer suprir. a. " E l e desejava alimentar-se". Nossos recursos para pôr em dia o futuro. 1. c. II. 0 tempo que temos para pôr em dia o futuro é agora. b. B. I.Disposição Introdução. A.

posicionamento claro e definido. E r a convicção do povo de Deus. Quando recebemos os recursos internos vamos "testemunhar" para que outros "ouçam".5 — 36. no mundo inteiro. 3. Jesus usa o momento de uma ceia (cf.1). que o satisfazer da fome e da sede servia como ilustração e ensinamento a respeito dos valores espirituais da comunhão com Deus (SI 23.15-24 9 de Junho de 1991 Observação: É cada vez mais difícil pregar o evangelho para o homem de nosso tempo. esta mensagem. Para "ouvir". Aceitar um convite significa assumir toda a responsabilidade e não medir as conseqüências. parece evidenciar que a mensagem cristã não consegue mais atingir o ouvinte. Observando as igrejas. a respeito do posicionamento do homem perante um convite importante. Lc 14. conectando este fato com uma antiga tradição do povo de Deus. detectamos o surgimento de crises e questionamentos. desde o antigo testamento. Deus tem que dar a " v i d a " pela fé.9 — 107. cristã". e — recebe o "consolo" de Deus. Martim C. Contexto: O capítulo 14 de Lucas quer ser transparente. Será que a igreja tem que mudar o conteúdo de sua mensagem? A parábola sobre a "grande ceia" nos convida a uma reflexão sobre o "porquê" de nossa participação e ação na igreja cristã. A falta de crescimento das igrejas. Assim estaremos na fé de Abraão: nosso futuro — evita o "tormento" do futuro. Is 25.6 — 58 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .2. Conclusão. Descreve o homem e seu posicionamento perante o chamado que tem sua origem em Deus. Warth T E R C E I R O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 14. É claro quem é que convida e quem ele quer atingir com. Parece que não existe mais ouvido para a "mensagem. Texto: A parábola quer colocar o ouvinte numa situação de decisão. a aparente estagnação em muitos setores das mesmas. O convite recebido requer um.9 — cf. especialmente nas suas parábolas.

Perante o seu convite outros valores se tornam obsoletos. Não querem participar. cada um em conformidade com a importância de sua preocupação (as três rejeições são representativas). Lc 14. A bem-aventurança do membro do povo de Deus parece ser um assunto pacífico e seguro.1-3 — Lc 13. Esboço: Deus quer salvar todos os homens.29 — 22. Será que o fariseu pode ser "tão seguro" de si? Como reagem os convidados? (cf.30 etc. por sua força e com o seu empenho. não permite o envolvimento com os conteúdos que o convite traz. a oportunidade de realizar o que deles se espera. espírito e verdade e a idolatria. pois. Hans Horsch IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 59 . A resposta de Jesus permite ao ouvinte espelhar-se na verdade que ouve. os convidados são deixados de lado. O ouvinte necessita decidir entre adoração em. O crente não necessita preocupar-se com o seu destino eterno. Na parábola o ponto de partida é a afirmativa do V. pois a mola mestra para a expansão do "reino" é o grande amor do Senhor. parece ter segurança absoluta sobre o seu destino eterno. A reação do Senhor é a justa ira sobre a rejeição do convite. algo mais importante para fazer. Estamos perante uma severa admoestação. A vida "material" é mais importante do que a vida "espiritual". O portador do convite do reino de Deus quer ser ouvido. O fariseu. Importa a aceitação do convite. Tomaram conhecimento do convite mas resistem e rejeitam. A resposta é inequívoca. as palavras "sair" "depressa" "trazer" "obrigar" todos etc). 21 abre-se uma nova visão. Por isto ele a) oferece vida espiritual em abundância b) não aceita a indiferença ou rejeição c) convida todos os homens a ouvir e aceitar a sua Palavra. A partir do v. Esta exclamação do fariseu descreve uma situação de fato e de direito.) e da participação no reino de Deus. Sua relação íntima com as cousas conquistadas.7. Têm. Náo importa o "status" alcançado. com todo o seu zelo.55. Outra alternativa não existe. respeitado e seguido. 15. Importante é observar a evolução do texto (cf. A decisão é clara.17.24) Eles parecem ser incomodados com o convite que receberam. pois tem certeza de sua salvação.

Viver assim significa experimentar o poder da morte. Texto: A parábola nos faz compreender o que significa a "morte" e a " v i d a " para o homem de todos os tempos. G O IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Fora da influência benigna do pai e vivendo sua apostasia "de fato". O homem "perdido e condenado" de nosso tempo merece o amor do P a i que está no céu. Não consegue mais lidar consigo mesmo. Tomou conta. E l a surge do conflito entre Jesus — o doador da vida — e os fariseus — representantes de uma religiosidade formal e descompromissada com a vontade genuína de Deus. que muitas pessoas vivem uma vida completamente alienada. O distanciamento de Deus traz consigo o distanciamento do homem de si mesmo e do seu próximo. O homem de nosso tempo evidencia traços característieos de seu desequilíbrio psico-somático. O comportamento de Jesus para com os pecadores da época provocou as mais diversas reações por parte do povo de Deus.11-32 16 de Junho de 1991 Introdução: Constatamos. Observando bem a descrição de ambos. Os filhos mencionados. o texto não pára por aí. especialmente em nossos dias. A alienação da vida humana está perante os olhos daqueles que conseguem "enxergar". Permanecem apegadas em cousas superficiais. Assim ele cai na dependência de uma vida "animalesca". no texto são descritos em seu relacionamento para com o pai. Ele nos oferece não somente a solução dos problemas mas também a alegria daqueles que participam na busca do perdido. desordem e destruição. de grande parte da humanidade. Parecem viver sem orientação ou objetivo em sua vida. A parábola contém o ensinamento decisivo para o ouvinte atento. a falta de sentido na vida. descobrimos as tentações de nossa própria existência. Onde encontramos as causas deste esvaziamento da vida humana? Qual o remédio para sanar esta situação? A perícope em questão oferece uma resposta. sem aceitar a interferência de uma vontade superior. Tentaremos dar três ênfases: A fuga descrita permite a identificação. ou melhor. o homem degenera de tal maneira que sua vida está sujeita às forças da desunião. As vidas humanas se tornam vazias. Mas. está em todos os homens.QUARTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 15. entregue às suas próprias paixões. A busca da auto-administração da vida. O auge das afirmações encontramos nos versículos 24 e 32.

Martinho Lutero reconheceu. Gn 50. 6) O texto do A .15-21 nos destaca a bondade de José para com seus irmãos. Dr. 17) e reconhecendo a sua culpa. Vale agora viver a nova vida. descrito nesta parábola. A aceitação incondicional do filho gera a grande alegria. A aceitação e reintegração do filho na comunhão com o pai e o alívio que o próprio Deus oferece para todo fugitivo. os irmãos prostraram-se humildemente IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 61 . Temerosos de uma possível vingança do poderoso irmão. Através do arrependimento sincero. o quanto é necessário para o homem. é comovente e permite olhar no coração daquele que nos oferece a sua graça.A volta do filho pródigo fala por si mesma. Hans Horsch QUINTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 6. O comportamento do pai. Necessitamos re-descobrir a mensagem clara de lei e evangelho. A temática das perícopes: O Salmo 138 lembra que o fiel e misericordioso Deus é rico em perdoar os humildes de coração. nosso Salvador.36-42 23 de Junho de 1991 \. Aprender a desesperar-se mesmo (sob a Lei) significa aprender a refugiar-se sob as promessas de Jesus Cristo (Evangelho). o "cair em si". uma vida de esperança e de realização. nasce a sua decisão de voltar ao pai. T . após muita luta interna. o homem de hoje encontrará a chance da nova vida. Forçado a reconhecer sua situação surge a busca e a conscientização. " C a i n do em s i " (v. (v. Esboço: Deus não quer que vivas uma vida alienada a) ele conhece as tuas tentações b) ele espera a tua volta c) ele te oferece a vida verdadeira. da confissão da culpa e da declaração do perdão. Uma vida sob o poder da ressurreição. preparada por intermédio de Jesus Cristo. 0 reencontro entre o pai e o filho fornece a base para o reencontro do filho consigo mesmo e com o seu próximo. .

Ao julgar segue o condenar. A exortação no texto refere a um julgar leviano. Na epístola. Como? Não julgando. Jesus não proíbe todo e qualquer julgar. 37-38: Um exemplo de misericórdia c o não julgar e condenar. quer e vai ser misericordioso no seu agir com. o cristão vai contra o impulso natural no ser humano. Assim. Quando sentamos no Seu lugar de Juiz. o Justo Juiz e Vingador é só Ele e mais ninguém (Dt 32. Há um julgar justo e ordenado por Deus. mais experimentarão a misericórdia de Deus. os cristãos. que reagiu. não condenando. a perdoar e ser generosos. 2. esquecemos que nós também haveremos de estar perante Ele (Rm 14. no convívio com os outros são orientados a não julgar. 02 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . E a lição nesse momento é: O P a i é misericordioso.14-21. porque em última análise. ele mesmo será julgado e condenado. Texto: Vers.44).35). mas perdoar. Quanto mais os discípulos viverem. 17 e vai até o v. Viver da misericórdia de Deus é perdoar (Mt 19. Isso seria um conformismo incompatível com o espírito da justiça divina.10). Quem foi aceito por Deus em. Quem assim agir. caso ele estiver em perigo. não condenar. Quem julga e condena levianamente. querer "ganhar o irmão". provoca a ira de Deus e não pode contar para a sua própria pessoa com a misericórdia divina. Contexto: A presente perícope pertence ao sermão da Planície. 0 orgulho e seus "derivados" na vida dos cristãos são um forte destestemunho perante os que não são cristãos. Essa atitude reprovada inclui o pecado da língua referido por Tiago 3. por isso os> seus também são misericordiosos". 49. 3. dizendo: "acaso estou eu em.diante de José. que começa com o v.lugar de Deus?" E os consolou com. do querer a paz com. no perdão. sua misericórdia. por isso os seus também são misericordiosos.21-35). Paulo reafirma o mandamento de Jesus de amarmos e bendizermos os nossos inimigos (Mt 5. sem amor. Jesus não quer que seus ouvintes fiquem indiferentes diante de idéias e atitudes condenáveis. o cristão não paga o mal com o mal. O Mestre está preparando os seus discípulos para a grande missão. Guiado pelo Espírito. Deus não quer destruir. todos e o não querer vingar-se do próximo. Vers. como também destaca a necessidade da humildade. de Jesus. sem. seu perdão e promessa de ajuda. 36: "O Pai é misericordioso. o "não ser sábio aos seus próprios olhos". perdoando e sendo generosos para com o próximo em suas necessidades físicas e espirituais. Rm 12. como José. os outros.

c cólera. Antes sede uns para com os outros benignos. Não raras vezes perdemos nossos sentimentos de compreensão e tolerância cristã. especialmente do convívio com os irmãos. como seus defeitos. como também Deus em Cristo vos perdoou. o que significa que na diversidade das individualidades devemos perdoar-nos mutuamente. "A caridade por nós praticada não nos abre o céu.13). e blasfêmias. Todos nós somos devedores de amor para com nosso próximo. assim toda a malícia. mas o não praticá-la nos fecha o céu. não vê o seu erro não pode guiar outros.32) Em sua carta aos colossenses Paulo exorta seus leitores a "suportarem-se uns aos outros" (Col 3. Nessas palavras poimênicas Jesus está preparando seus alunos. Pedir perdão e perdoar é a solução para esses problemas." (Ef 4. Quem.31. a ver a misericórdia divina que o quer salvar. Quem vive no arrependimento diário e pede perdão."Perdoai e sereis perdoados" — Na grande família humana um é devedor do outro. Vivendo na misericórdia de Deus. esse verá no irmão a sua própria imagem — a de um pobre pecador. 41 e 42: A cegueira espiritual referida por Jesus não só impede o homem. Ele deu-se por amor. e gritaria. Cristãos também sofrem recaídas em. matéria de visão do dia a dia da vida. Não perdoar alguém é negar-lhe algo que ele necessita muito. pode-se ajudar IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 68 . O discípulo tem no seu Mestre o exemplo a seguir. 39 e 40: É guia cego quem julga e condena e não vê o esplendor da misericórdia divina envolver toda existência humana. Por causa da fraqueza da nossa carne. Orgulho. para que não queiram guiar alguém sem estar conscientes da misericórdia de Deus. perdoando-vos uns aos outros. é inevitável que surjam desentendimentos no convívio com os irmãos. "assim como o Senhor nos perdoou". compassivos. Paulo escreve aos efésios: "Longe de vós toda a amargura." Vers. e dar-se-vos-á" — O que temos nós que não tenhamos recebido? Nosso viver é um contínuo receber. refugiando-se na misericórdia de Deus. farisaísmo nos enche de nós mesmos. os futuros líderes. Vers. e bem. fraco e falho. Nós temos traves e argueiros nos nossos olhos. "Dai. O de Jesus foi um contínuo dar. é que ele será capaz de ajudar o outro para libertar-se do argueiro. arrogância. os discípulos. como ainda o impossibilita a enxergar a seriedade de sua natureza pecaminosa. E todos sabiam o quanto o Mestre era misericordioso. Só quando o acusador se coloca diante do Deus justo. e ira. Agora nós somos convidados a dar ao próximo o que ele necessita no corpo e na alma.

Quanto mais as pessoas procuram ser as tais. que ninguém. quando espalhamos boatos. mas ensinou aos seus discípulos a não condenar injusta e impiedosamente. Descobre-se. A misericórdia de Deus é o princípio de todo o agir dos filhos de Deus.1). Jesus também ensina a seus discípulos que ninguém está autorizado a executar o julgamento de Deus. Isso ele não deve fazer. A misericórdia de Deus me faz olhar primeiro para mim.o outro. tanto mais passam a desprezar os outros". E essa nova visão da minha própria culpa. mas um ao lado do outro. As pessoas querem aparecer. Antes de querer mudar os outros.12) e ele pode somente ser a voz do perdão de Deus para seu próximo. através de arrependimento. a solidariedade de culpa. Cristo traz uma justiça que liberta e salva. porque ele vive do perdão de Deus (Mt 6. Essa misericórdia em nossa vida cria uma nova visão.1). E para poder aparecer. ele perde o Deus perdoador e terá contra si o Deus Juiz. Meditação. Se ele julga. "recheada" de misericórdia divina. precisam comparecer diante do julgamento de Deus. "Querer estar acima dos outros é uma qualidade da natureza humana. O discípulo. Vendo a m i m mesmo nos meus erros possso ter compaixão do outro no seu erro. o discípulo será tentado a ocupar o trono do julgamento de Deus e condenar o pecador (Mt 7. quando nos habituamos a criticar tudo e a todos. Somente aquele que conheceu a dor de uma trave removida do olho pode ajudar o outro com seu argueiro alojado no mesmo órgão. quando desenterramos coisas do passado ou comentamos publicamente o que é secreto. Num mundo em que a lei condena o infrator e onde a tendência natural do homem é julgar o outro (Rm 2. (Rm 12. 42). Esse erro ocorre quando não levamos em conta a fraqueza do irmão. justificam-se a si mesmas e julgam e condenam os outros. 4. com ares de infalibilidade. conhecimento suficiente. interpretan64 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . precisa limpar seu próprio olho da trave de seu próprio pecado para que possa ver claramente para então remover o argueiro do olho do irmão (v. aí entram no campo que compete a Deus". quando insinuamos segundas intenções no próximo. quando o julgamos sem.19) Todos. quando falamos de modo impensado. eu preciso querer mudar. "Onde pessoas Se acham no direito de julgar sobre os outros. Jamais quis Jesus negar o valor da crítica misericordiosa. sem pretensões de querer ser mais. então. que descobre erros e os aponta. mesmo e minha fraqueza. no entanto. cria uma nova comunhão. está acima do outro. ura novo relacionar-se com o próximo.

5) — Situações de insucesso e frustração na vida profissional não são novas. 3. homens simples. mas laboriosos e dispostos a atender à palavra de Jesus. A primeira grande comissão ou chamamento ocorre ao som das águas dessa enorme harpa construída pela natureza de Deus.23) Há promessas como essa e há textos bíblicos que. nem são exclusividade da moderna era industrial. Cristo conscientiza o homem de sua pecaminosidade. Quem vive da misericórdia de Deus não pode julgar e condenar. Os personagens mais atuantes. revela-se como Ajudador. tão apreciado. tão simples. Tudo no belo quadro de uma pescaria. palavra hebraica que significa harpa (kinnor). mais nos certificam da presença poderosa e graciosa de Deus em nossa vida. quanto mais conhecidos. O texto está inserido no ministério de Jesus na Galiléia (Lc 4 a 9). O cenário é a margem ocidental do lago de Genezaré.1-11 30 de Junho de 1991 "Tudo é possível ao que crê! (Mc 9. A escolha dos primeiros discípulos foi uma de suas primeiras tarefas. por causa da semelhança entre a forma do lago e esse instrumento. 2. e convoca os crentes para serem. Deus é misericordioso. tão conhecido. conhecido no Antigo Testamento por "mar de Quinerete". do Mestre e Concertista Jesus são os pescadores. suas testemunhas às outras pessoas. além.do mal seus atos e quando faltamos com o devido amor na aplicação da disciplina cristã. " N a d a apanhamos" (v. Há fases na vida em que parece não IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 (55 . sem grande cultura. Quem vive da misericórdia de Deus aprende a ver os outros com novos olhos. No relato da pesca maravilhosa. 5. Gerhard Grasel SEXTO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 5. ao iniciar seu ministério. Disposição: Tema: Sede misericordiosos! 1. ouvindo e fazendo o que manda.

hora imprópria. como seus mensageiros. o discípulo. capturar (zoogroon) pessoas para as malhas do evangelho de Cristo. O mar da vida precisa ser desbravado a serviço do Salvador Jesus. (v. O processo inicia com o "ensinava do barco as multidões". Mas também se aplica a todos os crentes. " (Is 55. E r a preciso que essa mensagem exitosa fosse levada adiante por homens convictos e que cumprissem cabalmente o seu ministério. para o engrandecimento de seu reino e de sua obra na terra. Essa palavra transforma-se no convite que leva os discípulos a seguir Jesus. depois de lhe entregaram tudo.haver esperança de êxito. porque bem amparados. 4) Apresentou-se-lhes como Salvador através da pregação da palavra de vida e sucesso pessoal. exclama: "Mas sobre a tua palavra lançarei as redes". Defrontando-se com o resultado adverso de uma noite de trabalho em vão. de pesca e do ensino. 11). através de seus membros. desânimo. Seguir a Jesus (ekoloúthesan/y. . (1 Co 15. quando realizado "no Senhor". Seguindo a palavra de ordem e convite do Salvador. Em ambas as tarefas eles seriam bem sucedidos. O êxito da empreitada tinha o objetivo de fortalecer a fé daqueles pescadores de dois mares. para pegar com vida. 66 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . os discípulos atendem a seu Mestre e confiam na ordem recebida. Jesus submeteu-se ao mais infrutífero dos trabalhos: redimir a humanidade perdida das malhas do pecado. "Epídé tôo réemati — apesar de todas as contra-indicações. O sucesso da pesca tem ainda um significado positivo em relação ao trabalho de nossas mãos. Pedro e os crentes de todos os tempos experimentam maravilhas. do mundo e do poder do diabo — e transformou essa tarefa em sucesso e salvação. "Senhor.57. "A minha palavra não voltará v a z i a . trabalho. que não é vão. apesar de pormos em execução os mais audaciosos planos e investirmos altas somas. O chamado do texto é específico aos discípulos de Jesus. cansaço. eles atendem á voz do Mestre. ainda assim confiante. Quantas desculpas se arranjam para fugir a essa responsabilidade! A pesca maravilhosa é a promessa presente de que o trabalho da igreja.58) Muitos são os entraves à obra da missão da igreja. na pregação e no testemunho. no sentido de que dêem testemunho de Sua presença em suas vidas. . confiança e louvor. capacidades e tempo. Em ambos os barcos. aumenta-nos a fé" na lua palavra! O propósito do milagre da pesca é o mesmo expresso em Jo 20. barco. sob pena de que a nossa vida tenha sido vivida em vão. jamais deixará de ser bem sucedido. Nessa palavra foi que Pedro confiou.31.11) Um dos maiores obstáculos ao progresso da palavra é a falta de empenho e a fraqueza de fé dos cristãos.

30).19 e 23). tudo somou para uma crescente notoriedade de Jesus. 2. nação santa e povo de propriedade de Deus a proclamam para que todos "alcancem misericórdia". Jesus achou por bem voltar para a Galiléia (Jo 4. o testemunho de João Batista (Jo 3. (Epístola) Elmer Flor SÉTIMO DOMINGO APÔS PENTECOSTE João 4. Havia-se revelado como o Messias por ocasião da páscoa (Jo 2. No entanto. aceitemo-la. ninguém lhe resiste: Ouçamo-la.Disposição Tema: Sobre a tua palavra lançarei as redes! 1. os sinais realizados (Jo 3.. 3. e "suas misericórdias se renovam todas as manhãs" (Leitura do A n t i go Testamento do domingo). faz brotar nos montes a erva.30). Seus pastores.18.2).13-16).1). IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 67 .3). A palavra de Deus revelada em Cristo se manifesta ao homem de forma salvadora e milagrosa: transforma sua vida. têm a promessa de que "prosperará" (Is 55). ao exercer o ministério público da pregação da palavra e administração dos sacramentos. A purificação do templo (Jo 2. tanto por parte de alguns adeptos de João Batista (Jo 3. como principalmente dos fariseus (Jo 4. A palavra de Deus é viva e eficaz em sua Igreja.5-15(16-26) 07 de Julho de 1991 Jesus encontrava-se no início do seu ministério. este prestígio gerou inúmeros ciúmes. dá o alimento aos animais.. como sacerdotes reais.26).15ss) cobre de nuvens os céus. ajamos de acordo com ela! "Desejai ardentemente. o encontro com Nicodemos (Jo 3. prepara a chuva.1-15). Para evitar atritos. A palavra de Deus corre velozmente (Sl 147. o genuíno leite espiritual! (Contexto da Epístola do dia: 1 Pe 2. Seus crentes.

15. A origem dos mesmos achamos registrado em 2 Rs 17. margeando o Mediterrâneo. eles construíram um templo rival junto ao monte Gerizim. poço cuja água assegurava a subsistência da população.2) devido ao poço cavado por Jacó.18-20). Somente o Messias pode conduzir a 68 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Nisto se aproxima uma mulher samaritana para buscar água no poço. e para chegar à Galiléia. E r a uma cidade histórica (Gn 33. O diálogo que a seguir se estabeleceu entre Jesus e esta mulher samaritana é um dos mais expressivos do Novo Testamento. O caminho do litoral. Havia três estradas que levavam através da Samaria. Território hostil devido a rivalidade entre judeus e samaritanos (Ed 4 e Ne 4). pois diziam que ali se dera o encontro entre Abraão e Melquisedeque (Gn 14. Jesus escolheu esta última via. Mesmo assim o monte Gerizim era-lhes. o do vale do rio Jordão e a estrada que atravessava pelo meio o território de Samaria.19 e Jz 24.12). Localizava-se a mesma entre os montes Ebal e Gerizim (Dt 11. Especialmente o objetivo da sua vinda. Quem nele crê tem a vida eterna. pedindo que ela lhe desse um pouco de água para beber. meiodia. O poço situava-se nas proximidades da cidade.24-28.5). sincretista. Jesus dirige-lhe a palavra. Evidencia o chamado de Deus ao arrependimento.Ele se encontrava na Judéia. C . Assim aceitavam apenas o Pentateuco. era-lhe necessário atravessar a região de Samaria.1). neste lugar Abraão era para sacrificar seu filho Isaque (Gn 22). a hora era propícia.29). a quem veneravam como patriarca (Jo 4. ou seja. Segundo a tradição. E revela a messianidade de Jesus. Como os judeus vedavam o acesso de samaritanos ao templo em Jerusalém. esperavam a vinda de um Messias. Venerada pelos samaritanos (Gn 34. E esta salvação é completa. sagrado. Comprova todo o amor de Deus a favor de uma "ovelha perdida" (Lc 15. e ainda segundo os samaritanos.16) ela seria reconduzida ao divino aprisco. a de maior contato com a população local. Adotavam um culto misto. Os samaritanos não eram judeus. com forte influência pagã e alguns traços de judaísmo. ao mesmo tempo um lugar de pouso. por João Hircano. A mulher samaritana era uma "ovelha perdida — mas através do dom de Deus (o sacrifício vicário do Messias) e da água viva — o evangelho deste amor de Deus (Jo 3. Era. aqui também se localizava o túmulo de Jacó. Mas este havia sido destruído em 128 a . Jesus e sua comitiva chegaram assim nas proximidades de uma cidade chamada Sicar (Jo 4.3-7). enquanto seus discípulos foram à cidade a fim de buscarem alimentos. bem como a circuncisão e também. Sendo a hora sexta. Jesus ficou junto ao poço. Nas palavras do próprio Jesus: "O Filho do homem veio salvar o que estava perdido". em cuja sombra das árvores descansavam os peregrinos.

. Os verbos estão no imperfeito. e assim evangeliza uma cidade inteira (Jo 4. Pelo: contexto vemos que Jesus atingiu seu objetivo.19). Jesus quer que Filipe reflita sobre o problema. estranhos vindos de fora. Não pede a informação. variante). converte uma mulher (Jo 4. Agorasonem — Subjuntivo— Onde compraríamos. tanto que unânimes todos confessaram: "sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4.pastos verdejantes e levar para junto das águas de descanso (Sl 23.29). gum tempo (cf. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 69 .40-42). leva-a ao testemunho pessoal (Jo 4.28-30 e 39) 3.. Steyer OITAVO DOMINGO APÓS PENTECOSTE João 6. Ajudam a compreender mas não compõem o objetivo pelo qual João registra o relato. Metá tauta: depois destas coisas.2).5-26) 2. ou se comprássemos. A mulher samaritana reconheceu em Jesus inicialmente um profeta (Jo 4. pressupõe um período de tempo de pelo menos seis meses ao máximo de um ano. depois o Cristo (Jo 4. toda a cidade de Sicar veio a crer. 6 e 10b — Devem ser vistas como explicações entre parênteses. João introduz relatos omitidos nos sinóticos e sublinha outros já feitos. 4.42). Walter O. Jesus estava sentado por al- 3 A festa dos judeus — explica a concentração de pessoas e a curiosidade.1-15 14 de Julho de 1991 ESTUDO: 1. 2. e graças ao seu testemunho a favor do Messias. 5. Jesus se manifesta como o Messias aos samaritanos 1.

ele próprio. Elegon — Imperfeito: no sentido — espalhar de boca em boca. O discurso era certo e dirigido à pessoa certa. 5.41). Mas a atitude. mas também desafiante mais e mais rejeição." "Vós. 14 e 15 — São relato exclusivo de João Harpazein — Envolve até violência. Mello — em 6 e 15 é intenção definida cuja ação é irreversível. 10." Jesus acusa que a misericórdia de Deus é também. 14.6. como crereis nas minhas Palavras. especialmente 10. os que aceitais glória uns dos outros e não procurais a glória de Deus. Tó paseha: Em João (2. Palavras especiais: Semeia (v.2. relação: em relação a números.4.11. Denárion — salário de um dia. 3. no que respeita números. V.47 = Se porém não credes nos seus escritos. Em 6. 14 V.55) são importantes estas menções para determinar a extensão do ministério de Jesus. 43 = "Se outro vier em seu próprio nome. 48. 23. consumida egoisticamente pelo homem que só procura Deus para benefícios pessoais. 18. 10. no pico do ministério da Galiléia. Hoi ándres — (masculino) em v.4 Jesus está a um ano da morte. Autos — Ele. 14 — A confissão era verdadeira nas Palavras empregadas. 2.13. as intenções c o objetivo eram falsos. 54. (Obrigá-lo) Aspectos homiléticos: Contexto — Qual é a missão de Jesus? 5. mas hoi antropoi (significando o povo todo) no v.1. 14) É tema especial deste evangelho (2. 11. Ton arithmou — Acusativo. 6. 4. 70 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .

Dar glórias ao Deus Barriga (no dizer de Lutero) e "obrigar" Deus por meio de culto e orações e satisfazer necessidades materiais é colocar aquele Jesus dos escritos de Moisés (5. C. Todos os cálculos. Josefo também relata de dois charlatães que se intitularam profetas de Deus e atraíram e fanatizaram multidões com promessas de glórias futuras. E Jesus confirma que o amor de Deus pela humanidade é concreto.. Este Deus espera a nossa confiança porque ele não falha. Revela o Deus Provera Em todas as circunstâncias. Querer alimenIGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 71 . Todos se interessam por Jesus. Tanto os discípulos acharam que a pergunta de Jesus só faria sentido se Deus lhes tivesse antecipadamente feito chegar às suas mãos pelo menos 200 denários. Este Deus espera confiança também quando a confiança é o único recurso. Revela o homem (anthropos do v. o procuram e seguem. explicações sobre o Reino e curas. seguros e garantias que se puderem ajuntar são postos em desafio por um Deus que olha dos céus e prove para todos.34-44 e Lc 9. Ao mesmo tempo não deixaram de fazer o povo assentar-se. O problema que se opõe à fé é o homem só reconhecer e admitir a bondade de Deus quando as suas expectativas estiverem satisfeitas. Dar glórias à providência de Deus.Todos enfatizam o teste que Jesus fez com os discípulos para ver se voltariam para Ele em busca de auxílio.15). Mc 6. B.Depois da multiplicação a multidão prova com seus atos o que Jesus lhes via no coração. presente na pessoa de Jesus. Infelizmente. O texto nos confronta com um problema da natureza humana.14-21. (Decepção?) Só sabiam confiar nos seus recursos próprios e força. o homem julga que é seu direito e dever apropriar-se não só das dádivas divinas.47) na fuga (6. D. identificado no contexto pelas palavras de Jesus e ilustrado no texto pela atitude da multidão e dos discípulos.11-17) . nas suas palavras e atos. O texto: A. em si é nada. 14) e a inversão que faz da bondade e do amor de Deus. Confira os sinóticos (Mt 14. depois! Os sinóticos tem como contexto os ensinamentos de Jesus. mas também apropriar-se do Doador. (Ilustração: o texto do AT Israel no deserto).

ao mesmo tempo aprenda com Jesus a canalizar os recursos de Deus não em benefício pessoal. Em primeiro lugar. elas vêm logo após as bem-aventuranças onde Jesus descreve a atitude do mundo em relação a Seus discípulos e Sua Igreja. não são os escribas e fariseus. a atuação dos seguidores de Cristo sobre aqueles que "por minha causa" os perseguem. Organização do material: Acima dos recursos que temos. O pronome hymeis no início de ambos os versículos é enfático. ou para capitalizar honras. está aquele que nos ama. nem Jesus podem fazer isto. O objetivo do texto é fazer com que o cristão seja ambicioso e confiante na sua vida de oração (por estar na presença de Jesus).tar aquela multidão era exigir o impossível. (cf. por outro. 5. no entender destes cristãos pragmáticos e modestos no pedir e esperar. As duas metáforas do texto — sal e luz — invertem o processo e descrevem a influência que tem. Não tem auto-crítica. P. estão aqueles que pensam que Deus lhes deve tudo.13-16 21 de Julho de 1991 É importante notar. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . más os filhos do Reino apenas que são sal da terra e luz do mundo. sempre de novo. Deus. o contexto destas palavras de Jesus. E que querem transformar Deus no "gênio da lâmpada" para suas ambições.11-12). inerente nestas duas figuras está uma verdade fundamental: a 72 . Não é o mundo. Nem. elas são ditas a Seus discípulos. P. muito menos arrependimento em si. ou seja. Do outro lado. Por isto: aprendamos a receber o seu auxílio com humildade aprendamos a repartir os benefícios com confiança. o Reino de Deus sobre o mundo. Weirích NONO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. mas para servir o seu próximo com humildade de espírito. A última beatitude é transicional.

A segunda figura utilizada por Jesus é a da luz. precisa arder. Jesus ao falar com Seus discípulos na segunda parte do vers. 28). uma função salutar sobre o ambiente onde se encontram e atuam. Sal e luz são duas metáforas extraídas da comum necessidade cotidiana de qualquer família independente de sua posição social ou econômica. o Salmo indicado para hoje onde esta distinção fica bem definida). São metáforas que se complementam. 0 sal arde e a mensagem não adulterada do juízo e da graça de Deus sempre temi sido uma coisa que arde — tanto arde que os homens se têm revoltado e reagido contra e l a . significa conheIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 73 . Philadelphia. por seu turno. a luz. Pode-se dizer que o sal possui uma função especialmente negativa e secreta atuando no combate à deterioração.] onde não houver amarga reação o puro sal está em falta" (Life can begin again: Sermons on the Sermon on the Mount. "não falou: 'vós sois o mel do mundo'. possui gosto alcalino e se torna imprestável. este se encontra doente. Helmuth Thielicke explora este aspecto dizendo que cristãos há que se apresentam ao mundo como sendo mel e não sal e por isso o mundo os rejeita. " L u z " . de outro. Sc o sal. N u m a sociedade com tendências religiosas universalistas. publicamente. . de chagas abertas. é oportuno lembrar esta diferença para que nossos cristãos não se integrem a essa inclinação aeróbica. possui uma atuação negativa e age de maneira secreta. atuando de forma salutar. Fortress. mas ele é esfregado sobre os elementos para que estes não se decomponham. Tanto o sal quanto a luz exercem. diz ele. Ele disse: 'vós sois o sal da terra'. ferido. 13 deve ter-se voltado em direção ao Mar Morto para ilustrar Seu argumento. do outro. "vós" que sois a luz do mundo (cf. Verdade é que as duas entidades estão relacionadas entre si. [Por outro lado. "vós" que sois o sal da terra. O sal pode perder sua capacidade de atuação ao sofrer a influência de outros elementos químicos. devido à exposição a outros elementos químicos. "Jesus". De um lado está "a terra". A atividade dos discípulos pode ser comparada aqui ao fato que o sal não é simplesmente aspergido. 1963. p. na Escritura Sagrada.Igreja e o mundo são duas entidades separadas. na ótica do contraste entre Igreja c mundo. . bem como referir-se a toda a humanidade indiscriminadamente como "povo de Deus". quando é teologicamente elegante tornar obscuras as fronteiras entre Igreja e o mundo. Estudiosos afirmam que o sal do Mar Morto. mas esta relação depende da sua diferença. E o sal — a Palavra de Deus testemunhada pela Igreja — arde. tem uma função positiva iluminando abertamente. De um lado está "o mundo". Mais do que isso.

Cristo é a "luz do mundo" (Sl 27.. a partir do texto. 60. s a l . 7cm de largura e 4cm de altura. 3. . 2 Co 4. Sugestão de Tema: Ardendo e Iluminando. uma expressão de caráter genérico. Com suas muralhas e fortalezas. onde é colocado um pavio e que. mas natural. lychnos. . sintetiza todo o modus operandi da fé cristã. cf. aos perseguidores (cf. natural. lógico. este processo. polis. À moda do sal que. O que Jesus tinha em mente era uma dessas lâmpadas de terracota em forma de pires com prolongamento era um dos lados. espontaneamente. A primeira é a da cidade. na extremidade do prolongamento. justiça e verdade (Ef 5. desinibida. . Lc 1.1.cimento de Deus (cf. visivelmente (cf.12. É importante ressaltar que Jesus não diz: "vós deveis ser. aos desafios. A ética cristã não se caracteriza por um isolacionismo asceta. A mensagem é evidente: Jesus não espera a auto-preservação da fé. Jo 8. luz". mas Ele diz: "vós Sois s a l . A segunda realidade é a da lâmpada.11. oráo. aos obstáculos. 2. A luz não pode ser escondida. Nós somos luzes "no SEN H O R " (Ef 5.8).8-9). construída sobre um monte.perde sua identidade funcional. não pode ser escondida.1). O testemunho pessoal não se dá apenas oralmente. morte. devem ser mostradas para que possam.1-7. alegria. segurança é aniquilamento. 60. 1 Pe 3. mas. luz". É evidente que os discípulos.6).1-43. acesa seja exposta ao mundo. A relação com Deus gera naturalmente. universal. Mede cerca de 1Ocm de comprimento. a leitura do Antigo Testamento para hoje). Sl 36. ser vistas. A ilustração dessa verdade Jesus a faz por meio (de novo) de duas realidades do cotidiano. Em última análise " l u z " outra coisa não é senão o equivalente aos "frutos do Espírito". assim a luz que é colocada sob o alqueire: consome o oxigênio e o pavio apenas fumega. "alumia a todos que se encontram na casa". Este aspecto fica manifesto na expressão "diante dos homens".32.. tendendo a ser sufocado. bondade. os cristãos não são luz em si e por si mesmos. uma vez aceso. kalá erga. O verbo "ver".6. se não salgar — sua razão existencial . Possui duas pequenas aberturas na parte superior: uma onde se coloca o óleo e a outra. Somos a "luz do mundo" num sentido derivado sim. glória e verdadeira felicidade (Sl 97. Acir Raymann 74 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Jesus quer que a fé — para se manter viva.9). como se acham alistados na Epístola de hoje.78. 6. émprosten tón antrôpon. A estes as "boas obras".19). Is 49. E l a é visível a todos de dia e de noite. Is 9. antes por uma exibição fluente.22-23. atuante. Autopreservação é auto-destrunição. Lâmpadas da época podem ser vistas hoje em grandes museus ou em coleções particulares. acesa no velador. .

perdão. vivendo-a em obras para a glória de Deus e para o bem de nosso próximo. porque a fé em Cristo dá-nos a justiça que procede de Deus e nos põe em comunhão com Deus. a congregação. alegria. O evangelho do dia mostra que precisamos trabalhar com a nossa fé.7-11. mas também poderia ter produzido tanto quanto os outros dois. esperança. c) Texto: Vers. então.105-112 dá a tônica das leituras bíblicas deste domingo: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra. As quatro parábolas são para ilustrar e ressaltar a necessidade de vigilância. se tão somente houvesse ganho outro tanto negociando. 14-17: O homem entregou seus bens a três dos seus servos: cinco. esses talentos significa "pô-los a serviço do reino de Deus" (missão e evangelização). Os talentos que o Senhor Deus nos dá são os dons do Espírito Santo: Evangelho. 18: O que ganhara um talento de seu senhor pensou negativamente. Em seguida à perícope de hoje vem o relatório sobre o juízo final. fé. Vers.DÉCIMO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 25. das quais o texto de hoje é a última. é a sublimidade e o maior lucro. seus dons em favor do reino de Deus. Estamos em meio ao assim chamado " A n o da Igreja". E l e não perdeu tempo. Ele conhecia o seu IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 75 . de vigilância com operosa atividade em favor do reino de Deus. cada cristão esteja bem ativo. ganhou outros dois. porém. Ele ganhou outro tanto para o seu patrão. Fp 3. A epístola. "Negociar" com. época em que — espera-se — a Igreja.14-30 28 de Julho de 1991 a) Assunto central das perícopes. dois e um talentos respectivamente. Por isso o evangelho deste domingo é apropriado para estimular os crentes a viverem e a anunciarem a palavra de Deus com todas as suas forças. empregando seus talentos. etc. quatro parábolas. mostra que e como o povo de Israel cedo se desviou da palavra do Senhor e adorou o bezerro de ouro. Conta. e luz para o meu caminho". foi mau e preguiçoso. Ele. Êx 32. A recompensa pelo bom e habilidoso trabalho está mostrado nos versículos 20-23. mostra que o conhecimento de Cristo. O texto do A T . que se adquire da palavra de Deus. O Salmo 119." Estes dois servos se constituem em exemplo para os cristãos: cada cristão precisa logo trabalhar para seu Senhor. " D o mesmo modo o que recebera dois. O que recebeu cinco talentos "saiu imediatamente a negociar". b) Contexto: Jesus falou dos acontecimentos que haverão de preceder o fim do mundo (Mt 24).

13. esperamos novos céus e nova terra. versículos 24-30. que não esperam no Senhor por novos céus e nova terra. com ansiedade. II — Recebe a recompensa do seu Senhor. É preciso fazer a vontade dele. certo de que o Senhor redime o seu povo. II Co 13. para a missão e para a evangelização. "Sem fé é impossível agradar a Deus" (Hb 11. II.3.1-13 24 de Novembro de 1991 a) Assunto central das perícopes: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. virá para o julgamento final.31-46). nos quais habita justiça". por isso.6).17-25 dá força a esta esperança no Senhor.5a. O Senhor promete ouvir o clamor que lhe é dirigido. O apóstolo Pedro. A fé verdadeira move o cristão para o viver cristão. lembra que há zombadores c incrédulos. exorta à perseverança na fé e na vida cristã ao dizer: V I G I A I ! 76 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Isaías 65. aguardando o Senhor e esperando na sua palavra. mas que confia no perdão. clamor de quem reconhece as suas iniqüidades. 19: "Depois de muito tempo vem o senhor daqueles servos e ajusta a conta com eles". a confiança em Jesus leva a pessoa a ser ativa na igreja. Não basta só conhecer o Senhor Deus e a sua vontade. A fé. porque relata a criação de novos céus e nova terra para os que esperam no Senhor. "segundo a sua promessa. na epístola para hoje. no reino de Deus. d) Disposição: Tema: O SERVO F I E L DE JESUS CRISTO I — Faz a vontade de seu Senhor. Portanto: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. Nós.8-10a. provai-vos a vós mesmos". O evangelho. Vers. Todavia. É claro que esta parábola tem lição espiritual: O Senhor Jesus. para o acerto de contas com cada pessoa (Mt 25. mas não fez a vontade de seu senhor! Qualificação dele: mau e preguiçoso! A recompensa pela sua maldade e preguiça está contada nos. Curt Albrecht ÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25. por fim.4. o Senhor é longânimo e vai cumprir sua promessa de criar novos céus e nova terra. 3. cristãos.senhor e a vontade dele.

13: Este versículo encerra a moral da história. pelo Espírito Santo. Precisavam andar. Conta. Era. na fé em Cristo. porque foram desprevinidas. As cinco moças que levaram óleo sobressalente são chamadas de "prudentes". Mas elas ainda tentaram e chegaram até a porta das bodas. como tais. Jesus Cristo. Jesus vai voltar.b) Contexto: " N o Monte das Oliveiras achava-se Jesus assentado. quando se aproximaram dele os discípulos. Todas as dez levaram suas lâmpadas. A luz da nossa fé em Cristo precisa estar constantemente acesa para vermos o Noivo celeste c para poder acompanhá-lo para as bodas nas IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 77 . E ele passa a dizer-lhes uma série de coisas que devem preceder o seu retorno para o julgamento final. da parábola das dez virgens: " V i g i a i . quatro parábolas — das quais nossa perícope é a terceira — para sublinhar a necessidade de vigilância da nossa parte e o empenho por alcançar a vida eterna. Estamos vivendo e. Tinham perdido a oportunidade. clamando lhas abrisse o noivo. As prudentes puderam reabastecer suas lâmpadas e "entraram. mas só a metade delas levou óleo sobressalente. vindo a faltar para a caminhada com. Adormeceram (aoristo) e dormia (imperfeito: estavam dormindo. o noivo para as bodas. c) Texto: Vers. em particular. mas o dia e a hora não estão marcados para nós. que saíram para o encontro do noivo. Elas saíram. quando o noivo chegou. no coração. e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas. porque não sabeis o dia nem a hora". Não se deram conta de que o noivo poderia atrasar e seu óleo consumir-se nas lâmpadas durante a espera. com vigilância e em militância constantes." 24. 1-4: "Reino dos céus" aqui é mais amplo do que apenas o governo de Deus. pois. "Reino dos céus" é o (retorno de Cristo para) instalar a vida eterna.4-14. 5-12: O inesperado aconteceu para as néscias: o noivo tardou em vir. O pior de tudo para as néscias foi que a porta foi fechada. então. estamos indo ao encontro do Noivo celeste. Vers. e que sinal haverá da tua vinda c da consumação do século. E isto vai acontecer na prática como aconteceu com as dez virgens.3. tarde demais. todas). As que foram sem combustível de reserva são chamadas de "néscias". com ele para as bodas". 24. Não era uma espera de parar quieto. É uma questão de espera. na vida do cristão. Elas puderam manter suas lâmpadas acesas (Lc 12. por isso não perderam a oportunidade nem a condição de acompanhar o noivo para as bodas.35). tiveram de caminhar ao encontro dele. A i n d a vivemos. porém. caminhamos na direção do dia final. Vers.

27. 2 — A destruição de Jerusalém no ano 70 d . Ele queria ajuntar seus filhos como uma galinha ajunta os seus pintinhos. 42). vós todos os que praticais iniquidades (13. um evento que aconteceu em 70 d . C . A oração do salmista contra a Babilônia (Sl 137. Não durmamos! Jesus exorta: V I G I A I ! d) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque o Noivo celeste virá.6).9) tornou-se a profecia do Senhor contra Jerusalém (v. assim também o fariam os Romanos (v. prefigura o Dia do Juízo.2). guerreiro. veja 9. 3 — Entretanto. Então Cristo dirá aos que o rejeitaram: "Apartai-vos de mim. o dia de salvação é aqui e agora. mas eles não o quiseram (13. porém. "Não ficará pedra sobre pedra" (Lc 21. Jerusalém experimentará a "vingança" de Deus (21. irá conduzi-la à ruína. Naquele dia os inimigos de Cristo. O desejo preferencial de Jerusalém por um Messias lutador. 0 Senhor foi ao seu templo em cumprimento a Malaquias 3.34). Jerusalém rejeitou a sua paz (v. veja 23. que vencesse Roma.6.28). serão abatidos (19. ao invés do Príncipe da Paz.17-18). Assim como os Babilônios sitiaram Jerusalém (Jr 6. 43). Por isso os Romanos virão e destruirão Jerusalém. O tempo sobremodo oportuno. que recusam seu jugo. 44). A ameaça de Jesus também nos chama ao arrependimento. Ez 4.27).28-31). Ele até chora por causa dos seus habitantes (41-42.41-48 4 de Agosto de 1991 Tema: JESUS E M J E R U S A L É M ! 1 A maior parte de nosso texto é lei. II Porque não sabeis o dia nem a hora. Em Cristo o tempo (kairós) oportuno da visitação graciosa de Deus 78 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .mansões celestiais. Curt Albrecht DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 19.22) porque ela rejeitou a pedra angular (20. 12. C .9).1. As filhas de Jerusalém deveriam chorar por si próprios e pelos seus filhos (23.26. Jesus não quer a destruição de Jerusalém nem a nossa.

chegou (v. 44; veja 1.68; 7.16). No entanto, os líderes de Jerusalém procuraram destruí-lo (v. 47). Nele Jerusalém haveria de achar paz no seu sentido mais completo, num relacionamento correto com Deus; no entanto, a paz estava oculta aos seus olhos (v. 12). A salvação havia chegado, "porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19.9-10); eles, porém, o recusaram. Todas estas passagens evidenciam a profunda angústia e o inabalável amor do Senhor. 4 — O desejo do Senhor de salvar os perdidos levou-o a Jerusalém para sofrer e morrer (9.51; 13.33; 9.22,44; 18.31-33). A l i , em Jerusalém, vemos na cruz o Rei da Paz (v. 38), o R e i dos Judeus (23.88), morrendo por Israel e por nós. A l i , em Jerusalém, vemos Cristo sendo amassado, quebrado, em nosso lugar, para que possamos ser o seu povo. 5 — Agora é o tempo de nós sermos visitados por nosso gracioso Deus. Que nós possamos dizer pelo poder do Espírito Santo; "Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!" Que nós possamos conhecer, "ainda hoje, o que é devido a paz", porque a sua morte dá-nos a verdadeira paz. Que possamos cada vez mais nos firmar através da fé, em suas palavras (v. 48), porque elas são palavras de perdão de pecados e de vida através de sua morte e ressurreição. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Lucas 18.9-14 11 de Agosto de 1991
Introdução: Como seriam diferentes vossas orações c o vosso culto a Deus se vós soubésseis que o fim do mundo — o dia do Senhor, a segunda vinda de Cristo — viesse a acontecer hoje à tardinha (o que é bem possível), não é mesmo? O final de outro ano eclesiástico que se aproxima e o Evangelho deste dia dirigem-nos ao exame de nossas orações e de nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo. Nossas orações e nosso culto à luz da segunda vinda de Cristo
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I - O mundo em que vivemos não providencia modelos apropriados para orações a Deus ou para o culto a Deus. A — O mundo coloca ênfase cm autoconfiança, auto-estima, e orgulho. Candidatos a cargos políticos bem como pessoas à procura de emprego são encorajadas a gabar-se de saias realizações e conquistas. Pessoas são louvadas e premiadas por causa de suas ações cívicas, políticas e até mesmo religiosas. B — O mundo, porém, não reconhece a influência do pecado original no homem (Gn 6.5). C — 0 homem não consegue justificar-se perante Deus e permanece condenado diante dele. II - Deus providenciou o meio pelo qual podemos escapar do veredito de culpa. A — Jesus Cristo viveu uma vida perfeita era nosso lugar (Jo 8.46; Hb 4.15). B — Jesus Cristo, por meio de seu sacrifício, pagou a dívida que tínhamos com Deus por causa de nossa pecaminosidade (2 Co 5.21; R m 5.8). C — Através de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo conquistou o pecado, o Diabo, a morte, e a sepultura para nós (Rm 6.4). III — O veredito divino — "Inocente por causa de Cristo" — está à disposição de todas as pessoas. A — Pessoas (como o fariseu) : 1 — Podem rejeitar a oferta divina de perdão através de Jesus. 2 — Podem gabar-se de sua suposta superioridade em assuntos de religião, moral e justiça civil. 3 No dia da segunda vinda de Cristo, no dia do Juízo, serão surpreendidas ao ouvir o veredito divino — "Culpados! Apartai-vos de m i m ! " (Porque o que se exalta, será humilhado, v. 14; Mt 25.41). B — Pessoas (como o cobrador de impostos) a quem, o Espírito Santo trouxe ao arrependimento e à fé através da proclamação da L e i e do Evangelho:
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1 — Confessarão perante Deus, em oração particular e em culto público: — "Deus, sê propício a mim pecador!" (1 Tm 1.15). 2 — Têm já, agora, a certeza de que seus pecados são perdoados (Mt 9.2). 3 — Na segunda vinda de Cristo ouvirão o veredito: — "Inocentes por causa de Cristo!" (O que se humilha, será exaltado", v. 14, Mt 25.34). Conclusão: Como pretendes aparecer diante de Cristo na sua segunda vinda? Pretendes gabar-te de tuas participações nas atividades da igreja, de tuas boas ações, de tua suposta moralidade superior? Ou será que é tua intenção agarrar-te na misericórdia de Deus em Jesus Cristo? Como na parábola do Fariseu e do P u blicano, Deus quer declarar justos aqueles que foram guiados pelo Espírito Santo a orar: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" Queira o Espírito Santo, através do precioso Evangelho, capacitar-nos a orar e a prestar culto desta forma. Egon M. Seibert, Adapt.

DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Marcos 7.31-37 18 de Agosto de 1991
1. Próprios do dia a) Salmo 146: o Intróito aponta para o louvor em, virtude das grandes obras de Deus e de sua fidelidade frente à fragilidade e às fraquezas humanas, destacando o reinado eterno do "Senhor que abre os olhos aos cegos". b) Isaías 29.18-21: a leitura do AT destaca a redenção que se cumpriria no Messias, pois "naqueles dias os surdos ouvirão", apontando assim para a obra de Cristo, destacada no evangelho do dia. c) 2 Coríntios 12.6-10: a epístola destaca o "poder de Deus que se aperfeiçoa na fraqueza", mostrando que a doença IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 81

4 Pensamento central "Jesus rompe as vidas fechadas dos homens e abre-se à saúde da comunhão com Deus e com o próximo. e ele passa a falar desembaraçadamente.29). V v . E o ex-surdo-gago. de todas as medidas. Isto trouxe admiração. " T u és o Cristo" (8. não pode deixar de testemunhar da ação de Deus em sua vida. As. O texto encerra com a declaração: "tudo ele tem feito esplendidamente bem". mas da pessoa inteira ser aberta ou libertada. 82 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . junto com os demais. Jesus é o Messias. entregando-se à morte." (Concórdia Pulpit for 1979) 3. loca seus ouvidos e língua. E então expõe a viva demonstração de nosso Senhor como o servo que cura c reconcilia. 32: "Surdo e gago" — por causa de sua surdez. pois o poder de Deus em nós é aperfeiçoado e podemos confiar que os olhos do Pai estão sobre nós." (Concórdia Pulpit for 1979) . 34: "Efatá" — em aramaico. Após. d) Marcos 7.31-37: o evangelho relata a cura de um surdo e gago e destaca o fato de que Jesus "tudo tem feito esplendidamente bem". É a ordem que despedaça os grilhões com que Satanás tinha mantido presa a sua vítima. seu amor para com aquele homem. sobremaneira. pois tira-o da multidão. V. Jesus é mostrado como o Messias-Servo que voluntariamente serve até completar a sua obra. Texto V. o homem tinha dificuldade em falar. Contexto "Marcos inicia seu evangelho com a afirmação de que ele é a boa nova de Jesus Cristo.tem seu lado positivo. pessoas ficaram atônitas além. "ser aberto". V. A idéia não é da parte específica da pessoa sendo aberta. mas não era mudo. 33: denota o cuidado especial de Jesus. . 2. o F i l h o de Deus. 35-37: a ação de Jesus é concretizada — os ouvidos do surdo se abrem e o empecilho da língua é retirado. excessivamente. e que age para atrair todos a si — culminando na declaração de Pedro. o prometido que traria salvação e plenitude de vida a todos. "ser libertado". Somente a palavra de Deus tem poder para abrir nossa surdez natural e trazer-nos à fé e à vida.

4. Somos surdos de nascença. 6. Disposição Tema: Jesus faz tudo bem I — Abre nossos ouvidos e nossas vidas 1. Jesus vem ao nosso encontro e toca nossas vidas. Pelo perdão. c) Meio: Cristo veio ao mundo para irromper em nossas vidas com sua obra. o P a i . Para que confiemos neste Senhor. se isola e aliena de Deus e do seu próximo. 3. "Tudo ele tem feito esplendidamente bem". estamos novamente em comunhão com. As pessoas ainda continuam. 2. Não poderíamos ouvir a voz de Cristo sem a ação do Espírito Santo.5. Rony Ricardo Marquardt IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 83 . abrindo nossos ouvidos para seu evangelho e quebrando as barreiras entre Deus e os homens. se afastando de Deus e deixando de ouvir sua voz. Nossa alienação e isolamento de Deus. II — Para podermos ter comunicação com o P a i 1. por natureza. o Pai. 3. 4. Sabemos que. os olhos do P a i estão sobre nós. mesmo em meio à doença. Somos surdos para com Deus. O perdão que provém da obra de Cristo. 2. que abre nossos ouvidos para a boa nova da salvação e nos coloca em comunicação com. b) Moléstia: o ser humano. Persuasão a) Objetivo: a confiança naquele que tudo faz esplendidamente bem.

O contraste entre a atitude de Caim e a do Bom Samaritano é flagrante! 1 Jo 4. mas se demonstra em obras. Somos confrontados com pessoas que não querem conhecer a verdade.: Lc 4. é mais uma vítima da violência (como o foi o assaltado da história do Bom Samaritano). Mt 22. 84 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .23ss). mas remete o interlocutor à Escritura: "O que está escrito? Como interpretas?" (Cf.or) se reflete no amor ao próximo.25-37 — O Bom Samaritano: um exemplo de amor ao próximo. Não é uma mera obediência. O exemplo é dado por Jesus para ilustrar o fruto da fé salvadora: amar a Deus acima de tudo (cf.DÉCIMO QUARTO DOMINGO APÓS PENTEGOSTE Lucas 10. Devemos estar "sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em nós" (1 Pe 3. (1-7) 8-16a — Caim teve atitude diametralmente oposta a do Bom Samaritano. mas é um ato de fé e confiança. Sua esperança está apenas em Deus. Faltou-lhe amor. que o condenassem (cf. V.1ss: Jesus rebate as tentações com a P a lavra de Deus!). 26 — A tática de Jesus: Ele não inventa respostas.7-11 — O grande e belo texto: "Deus é amor. 28 — Jesus elogia suas respostas. Gn 4. Lc 10. Mas não bastava apenas conhecimento desta verdade: é necessário praticá-la: "Faze isto e viverás!" — lembramos aqui que o 1o mandamento (ou: a primeira tábua resumida pelo escriba) só pode ser cumprida pela fé." O amor de Deus é a base e a origem do nosso amor ao semelhante. V. o escriba demonstrou não pertencer ao grupo dos que valorizavam mais a lei cerimonial. Centralizou. perseguido por Saul e escondido na caverna. 2) O texto: V. 27 — Pelas respostas. 25 — "com o intuito de por Jesus em provas": Em várias ocasiões tentaram arrancar de Jesus algumas respostas erradas. O amor não fica só em palavras.15ss. Mt 22. mas só querem confundir ou ridicularizar.15). tudo no amor. do que decorre toda a vida de amor ao próximo. Men. explicação do 1" mandamento — Cat. como obra humana.25-37 25 de Agosto de 1991 1) As leituras do dia: Sl 142 — Davi. corretamente. V.

faltava a fé justificadora: o escriba tenta justificar-se a si mesmo. — esplanichníste: compadecer-se: palavra-chave no texto. 30 — Assaltantes — violência — vítimas — de ontem. sua tentativa de auto-justificação. m. e quanta oportunidade de demonstrar amor aos injustiçados se nos apresenta cada d i a . No caminho da auto-justificação. 36 — Quantas perguntas e respostas aparecem neste texto? — o estilo catequético transparece neste episódio. etc.7-11 (a leitura da epístola do dia. discriminação. as nossas atitudes de desamor.s não o fizeram. (Cf.18 c 1 Jo 4. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 85 .. 33 — Há necessidade de se explicar a situação dos samaritanos (cf.24-41)." Entre os inimigos constavam todos os estrangeiros (todos os não-judeus).: O Salmo do dia: Davi perseguido.do à beira do caminho. orfanatos. .a. V. qual tem sido a nossa reação? Como anda a prática do amor ao próximo em nossa igreja? 3) Os problemas e a solução: Os problemas: a intenção maldosa do escriba: por Jesus à prova. 35 — O samaritano pagou para que outra pessoa continuasse cuidando do ferido: Boa prática de caridade é contribuir para que hospitais. tanto por questões de religião como de raça. ajudou o necessitado. creches.) V." V. Quanta falta de amor existe. 31 e 32 — O Sacerdote e o levita tiveram oportunidade de exercer misericórdia. V. e de hoje. possam cumprir bem suas funções. 1 Jo 3. de demonstrar amor ao semelhante prostra.. V. mas foi prático! Correndo risco de assalto. O samaritano não ficou só na intenção de ajudar.V. a pessoa se afasta cada vez mais do caminho oferecido por Deus. Judeus e samaritanos eram inimigos írreconciliáveis. T o d a a mensagem poderia girar em torno das perguntas e respostas constantes no texto. 34 — A compaixão em ação.17: "Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz. omissão. ! — Cf. asilos. V. deixando seus interesses de lado.43): "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. . — A pergunta "Quem é o meu próximo?" deve ser entendida dentro do contexto judaico (Mt 5. do sacerdote e do levita. a leitura do A T : A violência de Caim contra Abel. Cf. V. 2 Rs 17. 37 — Se confrontados com desafios semelhantes. 29 — Mesmo conhecendo. Tg 4. seu amor ao próximo não foi feito de grandes discursos. nisto está pecando. as atitudes de desamor: dos assaltantes.

debochar! Depois. Telefonou para casa. a consciência acusa. situações bem concretas da vida congregacional e comunitária.12) c) Como o samaritano (v. ajudou. foi ver o que tinha acontecido: havia um pé quebrado. 33-35) d) Como Jesus! (cf. — Ilustração: Atualização da história — Duas escolas disputam um campeonato de futebol.9. Ninguém por perto para ajudar.10) b) há muitos carentes/necessitados c) é da vontade de Deus. "Ponto 4 — Ilustração". Será um atropelado? será um bêbado? será uma estratégia maldosa para um assalto? Resolvem não parar. nos impulsiona ao amor a Deus e ao próximo. Na primeira oportunidade. Hino n° 269). 32. muita briga.— A solução: 1 Jo 4. Início de uma grande amizade! 5) Disposição: T E M A : O amor ao próximo. I — Por que amamos? a) porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4. I N T R O D U Ç Ã O : Cf. "Ponto 4 — Questionamento".9.. i) O Bom Samaritano no dia a dia: — Questionamento: Duas senhoras. Muita torcida. O B J E T I V O : Estimular à prática da caridade em. um homem deitado no acostamento. dirigindo à noite. II — Como amamos? a) Não como o sacerdote e o levita (v.11. pensando melhor.10: o amor de Deus por nós. D i a seguinte um componente do time perdedor vê o artilheiro do time adversário cair da bicicleta. Carlos Walter Winterle 86 IGREJA LUTERANA 1/1991 . em estrada deserta. como fruto da verdadeira fé.32) b) Não como Caim (1 Jo 3. ameaças!. revelado em Cristo. C O N C L U S Ã O : Cf.. avisam a polícia. Sua primeira reação foi rir.

28-44.11 da caminho para Jerusalém.20 a 18. Há duas curas. Mas o sofrimento derruba as barreiras (leprosos com o samaritano).31 subindo.9 e 18. em ambos o agradecimento e o louvor a Deus (17.24).35 perto de Jericó. pediram compaixão de Jesus. 14 — A cura se realizou "indo eles". Vv.11-19 1º de Setembro de 1991 Contexto A perícope faz parte do ciclo final da viagem de Jesus pela Galiléia.7).11-27. Em ambos a invocação por compaixão (17.41 chegando). 18.33) e a fé (a mulher samaritana. Samária. Os nove decerto acharam que este cerimonial já era IGREJA LUTERANA 1 /1991 87 . pois também foram curados? Não seriam os demais apenas "crentes" negligentes que esqueceram o doador quando receberam uma grande bênção? A ordem de Jesus corresponde ao que está prescrito em Lv 14.51 a 19. com detalhes semelhantes. Todos. samaritano. Se a fé salvou e curou o samaritano (v.42). Jo 4. 19). bem como o amor (o bom.1 em Jericó. 12/13 — A situação é típica dos leprosos da época: tinham que ficar longe da sociedade (Lv 13. Peréia e Judéia (Lc 9. V v .35-43). 19. Texto Há duas partes claras: a cura dos dez (v.28 subindo de fato.8 e 18. Havia entre os dez um samaritano. não teriam os demais também fé em Jesus. A infidelidade e ingratidão são o assunto em 19. Samaritanos eram de descendência mista: israelitas que permaneceram quando o reino do norte foi levado cativo e a Assíria colocou colonizadores gentios em Israel (2 Reis 17.9).43). As ênfases da pericope sobre gratidão e ingratidão se espelham também em outras perícopes deste ciclo. em ambos "a tua fé te salvou" (17. 15-19).45-46). Lc 10.13 e 18. dos leprosos (17. 19. A doença criava algumas barreiras sociais. 11-14) e á resposta de fé do sàmaritano (vv. 18. mas derrubava outras.18 e 18.1. Judeus e samaritanos não se davam porque do ponto de vista religioso e social o sàmaritano era considerado "não limpo" (Jo 4. como o contexto vai indicando (17. judeus e o samaritano. Estavam chegando a Jerusalém. 19. V. 15/16 — Os dez certamente ofereceram os sacrifícios prescritos.38).27).11-19) e do cego (1-8.DÉCIMO QUINTO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Lucas 17. A fidelidade e a gratidão são o assunto em 17.

Estavam em miséria física. sem temor. guerra). gratidão. 19).20). Fé. pobreza. 128 A C . A. Também precisamos da compaixão. II. e social (eram excluídos da sociedade). Dá forças não só para sobreviver. Três Palavras Para Vida I. então foi a fé que salvou! Deus é o Senhor e Doador da V i d a : nos sara física e espiritualmente. Deus em Cristo carregava nossas dores.12ss. emocional (sem esperança de cura na época). A.4-6). como antes havia implorado por compaixão (kyrie eleison). Esboço Introdução: A vida é uma dádiva de Deus. se quiseres. O leproso curado em Lc 5. Ambos os termos agora fazem parte da liturgia. B. B. Compaixão. 17/19 — A pergunta "onde estão os nove?" fala também. Os leprosos viviam da compaixão. porque diziam ser este o monte (e não Ebal) que Moisés havia indicado para construir o altar (Dt 27. 400 A C . Não vollaram para dar "glórias a Deus" e "agradecer a Jesus". também mostrou a sua fé e confiança em Jesus: "Senhor. tristeza. Ajudou os leprosos: A tua fé te salvou. destruído pelos judeus em c. Jesus purifica também do pecado: "A tua fé te salvou" (v. A fé do samaritano não apenas o salvou fisicamente. onde os samaritanos haviam construído um templo em c. A história dos leprosos nos dá três palavras para a vida: compaixão. Podia até ser que não fosse aceito pelo sacerdote: as barreiras derrubadas pelo sofrimento se ergueram novamente? Os samaritano cultuavam no monte Gerizim (Jo 4. com fé agradecendo a Jesus (eucharistein). O louvor do samaritano é em alta voz. O mundo está com problemas (fome. O grito por compaixão crê que alguém pode ajudar. pecado). No mundo é tão frágil diante das adversidades. Vv. Mas O estrangeiro voltou. fé. mas espiritualmente. Há muita gente que com fé clama o "kyrie eleison" e esquece depois de mostrar o "eucharistein" na vida cristã.suficiente "compensação" para a ajuda recebida de Deus. aos tempos atuais. mas 88 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . Temos problemas pessoais (doença. Se tudo está bem conosco. discriminação. podes purificar-me".

louvor. Nossa resposta é adoração. e que vive o amor ao próximo. O Evangelho. ConsIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 89 . em contraste com a espiritualidade. III. alcança a misericórdia de Deus em suprir as necessidades físicas do homem (1Rs 17. então nossa vida toda pertence a Deus.33). todos os quatro textos apontam para a providência divina em.18-14). Só um voltou para mostrar gratidão. por sua vez. B. O salmo n° 4 destaca que Deus sempre responde as orações dos que nele confiam e assim continuará fazendo. garante. Este é o padrão para nós: quando a fé nos cura. A obediência na promessa de providência divina. culto. o recebimento das coisas menos importantes. 0 Contexto 0 contexto imediato do Evangelho determina o uso correto das propriedades (Mt 6. mas na alegria da cura esqueceram o doador. A confiança no Deus forte e compassivo nos dá vitórias e um espirito voluntário para vencer (Sl 51. Martim C.25-33 8 de Setembro de 1991 A ênfase das perícopes Com clareza.19-24). Nove aceitaram a misericórdia de Jesus. por si mesma.para agir com coragem e fé. face à ansiedade humana. A vida cristã em amor é também nosso louvor a Deus: vida que recebe e espera tudo de Deus. A.12). A alegria do mundo baseia-se sobre "cereal" e "vinho" mas o verdadeiro regozijo do cristão depende de sua comunhão com Deus. procura ressaltar que a busca do reino de Deus e da sua justiça. Esta sessão aborda especialmente o materialismo. ou seja. daquilo que precisamos para nossas necessidades físicas (Mt 6. gratidão. Gratidão. Warth DÉCIMO SEXTO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Mateus 6.

O discípulo é diferente do 90 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . não podendo ser discípulo do reino. A ansiedade pelas coisas físicas faz parte da conduta dos gentios. como as aves.titui o "manifesto contra o materialismo" dos ensinos de Jesus. 2. O deus "riquezas" os atraem mais fortemente do que o Cristo da Galiléia. beber e vestir-se". 32). Quem toma esta atitude torna-se seguidor das riquezas. Se o discípulo negar ou duvidar da providência divina então agirá como o pagão. tão somente. 25). Este versículo aponta para o tema central: "Desejai as coisas celestiais". porque a providência divina funciona neste mundo até mesmo entre os animais inferiores. Este ensino tem passado despercebido. e por isso merece mais consideração do que os desejos pelas. 0 Texto 0 resumo do ensino desta perícope. mostrou que a obtenção da alimentação não deve ser acompanhada pela ansiedade. determina que a concentração recaia sobre um. Há boas razões. Estes versículos nos ensinam a verdade dos cuidados de Deus por nós. Jesus não encoraja a preguiça nem falava contra o esforço do trabalho. Deus cuida dos animais inferiores. 1. 26). porquanto já perdeu a confiança no Rei. à adoração dos Ídolos. Os discípulos do reino contam com o seu Pai celeste vs. que nunca considerou Deus seu Pai. e não porque não tivessem a vontade de possuí-las. ou seja: Mateus 6. tanto que por muitas vezes aqueles que não tem riquezas. 27). 4. 0 resumo deste ensino é: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça. não as tem somente porque não encontram a oportunidade ou a habilidade para adquiri-las. 3. em conseqüência. A mente começa a admitir o pensamento inferior de que a vida consiste apenas em "comer. A vida humana é mais que a parte física. apontadas em toda a perícope de Mateus.33. para o discípulo de Cristo evitar a ansiedade quanto à vida fisica. coisas físicas podem fornecer (vs. aumenta a sua duração (vs. o fornecimento para nossas necessidades materiais. Assim também. A ausência dos desejos realmente espirituais entre os gentios é que provocara a sua apostasia. levando-os finalmente. A ansiedade não altera as condições da vida e nem. que não fazem provisão alguma para si mesmos. e todas estas coisas vos serão acrescentadas". certamente cuidará de seus próprios filhos (vs. e. texto-base.

33). Por isso. Nereu Rui Weber IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 91 . por si mesma. 32). abundância. c) O P a i nos convida a confiarmos na sua providência que nos veste (lírios) e alimenta (aves). daquilo de que precisamos para nossas necessidades físicas (vs. podemos esperar confiantemente o fornecimento de todas as necessidades que temos. do Pai celeste. b) 0 P a i conhece nossas necessidades físicas. primeiro lugar o alimento celestial. 6. as coisas celestiais oferecidas pelo P a i na Palavra e nos Sacramentos. b) O P a i nos mostrou sua providência suprindo integralmente nossa carência espiritual em seu Filho Jesus Cristo. a) O discípulo do reino que perde a confiança no P a i torna-se seguidor das riquezas. Disposição Tema: Desejai as coisas celestiais. Confiando na providência do P a i em suprir as necessidades fisicas. 5. a) A ausência dos desejos realmente espirituais provoca apostasia e idolatria. No Evangelho encontramos alimento em. Como? 1 .gentio no caráter e nos desejos porque confia nas promessas do P a i celeste. sabedoria e conhecimento perfeitos do P a i celeste. ou seja. Toda a Escritura ensina a bondade. O velho homem em nós anseia pelo comer e beber. 2. o recebimento das coisas menos importantes. No exemplo dos gentios transparece a nossa própria tendência. garante. c) Busquemos pois. Buscando em. 0 conhecimento perfeito que o P a i tem de nossas necessidades físicas garante o fornecimento para as mesmas (vs. A busca do reino de Deus e de sua justiça.

. 13 — Quando a viúva viu desabar sua última escora humana (arrímo de família). entrando na cidade. tanto de alegria (bodas de Caná).1-11 — Paulo relata a ressurreição de Cristo e arrola uma série de testemunhas oculares.33: o bom samaritano). os discípulos se defrontavam com situações as mais variadas. livraste da morte a minha alma. Os paralelos deste texto com o Evangelho são muitos e podem ser usados na mensagem. 11 — Seguindo a Cristo. Jesus aparece em seu caminho e diz: "Não chores!" — compadecer-se (Cf. V. Como cristãos. pois o Senhor acudiu na aflição. se defronta com o cortejo da vida. para confiarmos apenas nele! — O cortejo da morte. somos "pequenos cristos" no caminho de outras pessoas.. A queixa de muitos que passaram por situações de dor e de luto é que não encontraram um ombro amigo para se apoiar e chorar.11-16 15 de Setembro de 1991 1) As leituras do dia: Sl 116..15). 1 Co 15. . pode ser usado também o ponto comum das testemunhas e sua reação: divulgaram o que viram! Lc 7. como de tristeza. "Chorai com os que choram" (Rm 12. saindo da cidade.DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Lucas 7. Neste duelo.17-24 — Elias 1 ressuscita o filho da viúva de Sarepta. IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/199! . sem seguro. o Vencedor e Cristo! V. O Senhor Jesus é o Senhor da vida e da morte! 2) O texto: V. deve saber que Cristo está ao lado. Ao defrontar-se com a morte. "Laços de morte me cercaram. Aquele que segue a Cristo deve estar consciente de que nem tudo são rosas no caminho de Jesus. Lc 10.1-9 — Um salmo de ação de graças." 1 RS 17. Deus permite que as nossas escoras humanas caiam uma a uma. Cumpramos a nossa função consoladora: "Consolai o meu povo!" 92 . Além do grande ponto comum do dia — a ressurreição dos mortos. Jubilaram no Monte da Transfiguração e choraram no Monte do Calvário. 12 — A situação desamparada de uma viúva na época: sem aposentadoria.11-16 — As leituras anteriores são preparatórias para a leitura do Evangelho. A verdade da ressurreição dos mortos é apresentada num crescendo.

I — A morte — a dura realidade a reação das pessoas diante dela a morte eterna IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 93 . 15 — "E Jesus o restituiu a sua mãe. M u i tas vezes ficamos apáticos c calados diante das maravilhas de Deus.43 — Lázaro. como é da vontade de Deus (4° mandamento).1 — Estávamos mortos em nossos delitos e pecados. É a reação que Deus espera diante dos seus feitos. O B J E T I V O : Reforçar a verdade central da fé cristã: Em Cristo temos vida.23 — "Emanuel = Deus conosco. poder e amor de Jesus! Um homem morto não pode dar vida a si mesmo. 16 — "Grande profeta — Dt 18. e o jovem de Naim) são uma boa ilustração para o próprio fato da conversão: Ef 2.78 — "Nos visitará o sol nascente das alturas"." V. 14 . mas para uma vida a serviço de sua mãe. 3) Os problemas e a solução. 16) e testemunho." O jovem foi ressuscitado não para uma vida egoísta.18 — "Deus visitou o seu povo" — expressão característica dos tempos messiânicos: Lc 1. — A solução: Cristo venceu a morte e dá a verdadeira vida! 4) Disposição: T E M A : Morte e vida. Jo 11. V. e Ele nos deu vida! a Palavra de Jesus abre os ouvidos mortos. — Os problemas: a morte — salário do pecado — a dor. o choro — a solidão. Mt 1.Uma palavra de ordem daquele que é a própria ressurreição e a vida (Jo 11. I N T R O D U Ç Ã O : Mencionar alguma situação marcante de sepultamento na vida comunitária ou da história mundial. V. penetra no íntimo e dá a vida! Isto é obra. 17 — A reação do povo: temor e glória (v.15. ressuscitando. pois Ele venceu a morte.V.25)! — As ressurreições realizadas por Jesus (Mt 9.25: a filha de Jairo.

Há tantos aspectos e nuances.e. e a nossa frustração. O primeiro. É uma daquelas coisas que a mente humana não consegue captar em toda a sua profundidade. testemunhamos a vida! Carlos Walter Winterle DÉCIMO OITAVO DOMINGO APÔS PENTECOSTE Mateus 26. e talvez principal. 94 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . da d i ficuldade de compreensão) é a falta de motivação dos fiéis para participarem da Santa Ceia. de não conseguirmos motivá-los a buscar a Mesa do Senhor espontânea e livremente. Este é um dos mistérios da fé e da vida cristã: Jesus se oferece a nós em. de um modo geral os problemas com respeito à Santa Ceia são dois.26-29 22 de Setembro de 1991 ASSUNTO: A INSTITUIÇÃO DA S A N T A CEIA. em forma de estudo e meditação particular do pastor.A vida — conquistada por Cristo: sua ressurreição (Páscoa!) dada pela fé consolo na aflição esperança futura. palpável. como pastores. C O N C L U S Ã O : Nós. sua Palavra e também. é a dificuldade de compreensão deste mistério. É apropriado fazer revisões periódicas e constantes sobre o assunto. Parece que.II . há tanta riqueza de conteúdo e significado que é somente mediante escudo continuado que vamos conseguir nos familiarizar e adquirir domínio a seu respeito.. É um dos mistérios da fé que não conseguimos compreender realmente. na Santa Ceia. de forma real e concreta. e em forma de estudos bíblicos com. decorrente do primeiro. A nosso ver esse é um típico assunto ao qual se aplica muito bem o velho ditado latino: "repetitio est matter studiorum". O segundo problema. a congregação. que recebemos a vida. (i.

O Texto Relata a instituição da Santa Ceia. A l é m disso também vale lembrar o que Lutero escreveu no Catecismo Maior sobre o assunto.É preciso promover o estudo e o conhecimento sobre a Santa Ceia. Há várias ênfases que poderiam ser dadas com relação à Santa Ceia. Será muito útil dispor de um bom comentário bíblico ou auxílio doutrinário. Jesus estava reunido com seus 12. se é vinho misturado com água — ). poderia destacar o aspecto do "isto é meu corpo" em contrapartida aos ensinamentos sobre o simbolismo e a trans-substanciação. como os relatos paralelos e 1 Co 11. uma simples transposição dos textos de Lutero para os ouvidos dos nossos congregados. nem mesmo no maior apuro de tempo. poderia enfatizar o preparo/dignidade para o recebimento da Ceia (precisando levar em conta 1 Co 11). fermento. outra bebida. que solicita de nós muito mais do que apenas pregações esporádicas. Não seria de esperar. além de outros escritos de sua autoria que os irmãos tenham consigo ou aos quais tenham acesso. é do próprio Salvador.Ora a solução deste segundo problema está na solução do primeiro. seria possível destacar que Jesus deu graças. Aquele que vai pregar precisa escolher qual o aspecto que deseja enfatizar. comendo a refeição festiva da páscoa. Poderia destacar a Ceia Pascal. se pode ser hóstia — e o vinho — se pode ser suco de uva. quando. a IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 95 .17ss. poderia falar dos elementos usados (qual seja. . A questão da Ceia presta-se bem para uma exposição mais sistemática. poderia falar do sangue — que estava presente na Antiga Aliança e que agora. poderia explorar a relação entre o significado da Antiga Aliança. até porque sua linguagem não é acessível à média do nosso povo. Inclusive com a suplementâção por parte de outros textos. mas a Santa Ceia é um daqueles especialmente importantes. Lembrado que (segundo nosso modo de ver) esses escritos são úteis especialmente para a nossa reflexão e aprofundamento pessoal. como acham alguns luteranos. 253 e 287) que são um bom subsídio e um bom estímulo para a nossa reflexão pessoal. do tipo "estudo-bíblico". ao nosso povo e na nossa linguagem. . para nos servir de base na elaboração de uma mensagem contextualizada ao nosso tempo. com ou sem. na Nova. porque o sangue é vermelho". dentro da qual acontece a Instituição. lembrada na Páscoa judaica e da Nova Aliança. Para auxiliar neste sentido lembramos aos colegas que na coletânea "Pelo Evangelho de Cristo" há dois sermões de Lutero (p. lembrada com a Santa Ceia. que era a festa maior que estava sendo realizada. o pão — de que tipo. se o vinho "tem que ser tinto. Todo o conteúdo da Bíblia é importante.

mas para muitos.certa altura. Seu principal representante é nosso inimigo mortal e nos quer conduzir à morte eterna. Abençoador!. pois Jesus introduziu um elemento novo. mas quis — por nós! Nós não gostamos da idéia da morte. tudo o que foi e o que fez. com certeza foi algo de muito extraordinário e grandioso. dali a poucas horas. também. mas precisamos morrer. foi oferecida. Que. O sentido da cerimônia até então era relacionado com o sangue do cordeiro sacrificial do A T . algo diferente. A morte nos ronda. O sangue de Cristo (sua vida.. interrompe a seqüência tradicional do cerimonial e introduz algo inteiramente novo. i.e. que é fonte de vida. para os 12. E r a o próprio sangue da Salvação que estava em cena naquele momento e naquelas palavras de Jesus. O próprio Salvador se entregou à morte. E l e não precisava morrer. A vida foi dada. benefícios. naquela primeira vez. 3. no entanto. pois repelimos vezes: sem conta. (A morte de Cristo não foi simples morte..: O ponto " 3 " do esboço poderia. foi morte que trouxe resultados. que iria ser derramado em favor de toda a humanidade.e. Milagroso. ficando " 3 " e "4". um significado completamente deferente no meio de uma cerimônia que eles estavam acostumados a celebrar. Também no sentido literal. para remissão dos pecados. F o i derramado (Cristo sofreu — e morreu —. com seu siangue que foi derramado).) 2. Mas foi morte "em favor de". a partir de agora passa a estar ligado com o sangue do próprio Cristo. com a morte de Cristo (i. foi tirada. vida. de todos os tempos. Grandioso. pois no AT já estava presente o sangue. Mas nós podemos vencer o diabo e a morte.. O que para nós hoje é algo natural. ser subidividido em mais um. Sugestão de Esboço: Obs. Não só para alguns. . algo único. Misterioso. 96 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . de lá para cá é repetido incansavelmente pelos cristãos: o comer e beber do seu próprio corpo e sangue. Tema: A morte que traz vida (ou — A morte de Cristo (que) nos traz vida) 1 . Em favor de muitos. para todos que aceitarem a fé. Não foi morte e ponto final. junto com 0 pão e o vinho.

Jesus retornou o escriba ao seu próprio conhecimento da lei (Dt 6. mas foi à raiz. Mostra o amor de Deus. elogiou-a e expressou sua concordância com o ponto de vista de Jesus. da verdadeira conversão e conseqüente vida em amor a Deus e ao próximo.5 e Lv 19. A mensagem pode explorar a questão da interiorização da lei. oferecida na Santa Ceia. Pode contrastar o "cristianismo de sabedoria" IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 97 . O escriba. motivo da resposta do cristão. e havia grande divergência quanto aos que eram de maior ou menor importância. por isto.18).Conclusão: — Isto nos é lembrado na Santa Ceia. Jesus. F a l a dos feitos do Senhor a favor dos seus filhos. foi mais longe e demonstrou que o estar no e sob o reino da Deus não é obtido pelo que o homem sabe ou faz. que. — Esta bênção (perdão que vem da morte (i. A lei não o pode conduzir ao trono da graça de Deus. é festa e alegria. O escriba apreciou a resposta. Irmo Arnaldo Huebner DÉCIMO NONO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 12. tinham a tarefa de interpretá-la. por seus méritos. Jesus redirecionou o assunto. Jesus aproveitou o momento e lembrou este fato ao escriba. em sua função. E r a m em número de 613 os mandamentos divinos que os fariseus reconheciam. O escriba inquiridor procurou obter de Jesus uma resposta que pudesse dar clareza à complexa relação de mandamentos com seus variados valores.4. mas pelo que Deus faz e oferece ao homem.28-34 29 de Setembro de 1991 0 texto do Salmo introduz o assunto proposto no bloco de leituras para este domingo. não o tratou a nível de superfície. porém. Como conhecedores da lei de Deus. doada. Diante da pergunta pelo "principal de todos os mandamentos". chegou apenas perto.. que serve a Deus e ao próximo. os escribas. do sangue derramado por Cristo) e que fortifica a nossa fé) nos é trazida.e. retalhando-a e aplicando-a à vida diária do povo.

Só o conhecimento da lei não basta 2. O amor de Cristo impulsiona à ação 3. Jesus Cristo é a Possibilidade. A ação cristã é espontânea e tem alvos certos. Conclusão Nelson Lautert VIGÉSIMO DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 2. IV — Vivendo em amor 1. III — Constatação II: O homem precisa de Jesus Cristo 1. Trata com amor suas criaturas 3. com o "cristianismo de desgaste em amor" (viver o espírito da lei). Amor a Deus: incondicional 2. Quer ser reconhecido e considerado. As situações de conflito devem-se a curas de doenças físicas. É preciso conhecer a Jesus Cristo e seu amor 2. poder de perdoar pecados. Introdução I — Constatação I: O Senhor é o único Deus 1. pela orientação e forças que procedem da graça de Deus.1-12 6 de Outubro de 1991 Contexto O evangelho de Marcos inicia muito cedo a narrar os conflitos de Jesus com seus críticos. T e m direito de governo sobre todos 2. II — Reação esperada pelo Senhor 1. É impossível cumprir a lei 3. Amor ao próximo: igualado. amizade com peca98 IGREJA LUTERANA/NÚMERO t/1991 .(conhecer a letra da lei). Sugestão de tema: Do principal dos mandamento à ação. o que ocorre logo após as primeiras curas. e adversários. decorrentes dos milagres feitos ou de seus discursos.

. movimentos. E r a m o que se poderia querer demais erudito para questionar qualquer agressão à lei e à religião estabelecida. Um grupo de pessoas chega ao lugar e à sala em que Jesus se encontra para receber uma cura. tocá-lo. E r a m ao mesmo tempo legisladores e teólogos. por culpa original ou atual. A paralisia é figurativa de dissolução física do corpo humano. inclusive o próprio doente. de impotência. Quer vê-lo. 0 Conflito se estabelece Vs. fora do âmbito da palavra e das promessas de Deus. lançam a acusação mais contundente à natureza. no último período do A T . cerimônias de jejum e da guarda de sábado não cumpridas. um testemunho coletivo de fé e confiança dos que o conduzem: "Vendo-lhes a f é . nervos. de acomodação de músculos. Mas essa providência tão importante gera. o povo se reúne em torno de Jesus. Jesus imediatamente promove a cura maior. Pecados que. causam toda espécie de enfermidades. Este estado de imobilidade provoca.23) está presente fisicamente na terra. de neutralizar o inimigo. que estaria "falando impiamente" contra Deus. a mais necessária: o perdão de pecados. que surgiram de uma combinação de um governo civil e religioso. São menscionados os escribas (grammateís. pode levar a descaminhos. nos cultos públicos:. Sob a acusação de blasfêmia. Por palavra e sacramentos. a mais substancial. no entanto. Toda e qualquer busca terrena e imediatista de alívio e cura. a oposição aberta. " A onisciência de Jesus revela-se. antes mesmo de iniciar qualquer ação visível de cura. E dispõe-se a ajudar. ou até mesmo em função dessa polêmica. 5-7: Certificando-se da fé nos personagens envolvidos com a cura do paralítico. a intenção dos escribas e dos demais opositores (Lucas menciona ainda os fariseus) em ofuscar o brilho de poder e fama que Jesus irradiava. nos opositores. Cura da paralisia do amigo enfermo que carregaram. sopherim). e por isso merecia a condenação. desespero. O que esquadrinha corações e sabe todas as coisas (Sl 139. aos atributos e à obra do Messias. a dúvida. no texto. trazendo perdão e vida plenos de real sentido. sua igreja. 1-4: Não obstante a oposição sofrida. morte espiritual. Gristo se faz presente em. ouvi-lo. a descrença. racionalistas de todos os tempos. . ainda hoje. alçaram e baixaram até ali.dores. Vs. experimentar sinais. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 99 .) E Jesus "anunciava-lhes a palavra". como contraste. Torna-se clara. (Nisto tudo o povão de nossos dias não é diferente ao expressar suas carências. e interpretavam a lei nesses dois aspectos. Essa oposição se evidencia na tentativa de eliminar a concorrência.

Elmer Flor 100 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .14.. sela a verdade do perdão. e despertam a admiração expressa no v. arrancando a admiração e o aplauso de crentes e descrentes. Desafia-os a distinguir entre duas coisas impossíveis ao homem de realizar — a autoridade para perdoar pecados e a realização de um milagre fisicamente observável. maravilhando os crentes e trazendo vida e esperança. A l i o profeta profetiza o domínio. Proposta Homilética Deus (Messias) Presente em meio a seu Povo 1." A capacidade de obedecer a essa ordem final.O Conflito se resolve Vs. perdoando os pecados 3. . a grande arma que usa para vencer seus adversários. o paralítico a recebe de Deus. por meio de seu Filho humanado. a presença do reino desse Messias e a manifestação de sua presença na vida dos crentes e da igreja. "Levanta-te. . 12. o que se cumpre cabalmente no texto estudado. superam a capacidade humana. Por um sinal visível atesta o direito e o poder de fazer o que está acima do âmbito das provas humanas. suprindo necessidades físicas (cura do paralítico) 4. o poder do Cristo que haveria de vir. 0 F i l h o do homem — expressão que se cristalizou no período intertestamentário e se originou no uso por Daniel 7. a segunda. a glória. "Jamais v i m o s . anunciando a palavra (lei e evangelho) 2. " — eídomen pressupõe um objeto ou fenômeno visível. 8-12: Mais uma vez Jesus dá mostras de sua onisciência. irrespondível. a cura física. na verdade. E r a a mais completa afirmação da divindade de Jesus. Ao "ler" os pensamentos dos inimigos desconcerta-os com duas perguntas contundentes. Por uma conseqüência externa. Ambos os atos são igualmente difíceis.13..

sem mexer na raiz do seu problema. A atitude de Jesus também parece contradizer a sua ordem dada no mesmo Evangelho segundo a qual os discípulos deveriam IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 101 . porém. Jesus.21-28 13 de Outubro de 1991 O contexto É surpreendente que este texto esteja sucedendo um trecho no qual Jesus ensina que aquilo que contamina o homem não são as coisas externas e sim o seu interior. iriam logo colocá-lo em prontidão para ajudar. Os próprios discípulos se mostram surpresos. V. escribas e fariseus (v. de indiferença. ao encontrar-se com. talvez mais para se livrar da situação embaraçosa e irritante naquela terra estrangeira. Diante de tal situação constrangedora eles intervém a favor da mulher. mesmo se este povo é infiel e o rejeita (Mt 11. 22 — A mulher cananéia. não sendo judia. Os fariseus haviam se escandalizado com os ensinamentos de Jesus (v. 24 — Jesus permanece fiel ao seu povo. Não apela para curandeiros. V. Jesus. É fácil despedir um mendigo dando-lhe um troquinho ou alguma coisa que não precisamos mais.21). 23 — T a l como conhecemos a Jesus.VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 15. F i l h o de Davi". Melhor é despachá-la o quanto antes. os gritos persistentes e patéticos desta mãe pedindo por sua filha entregue ao poder de Satanás. Esta designação Jesus havia recebido de pouca gente de seu povo. O texto Seguem algumas observações sobre o texto. No entanto a mulher o chama de "Senhor. Somente a fé poderia entusiasmar-se com este galileu. 1) é que Jesus se retirou para a região de Tiro e Sidom. V. 12). Talvez para evitar novos confrontos com. É incômodo ouvir as súplicas de uma pessoa aflita. somente poderia ter para com ele uma atitude de desprezo ou. quando muito. se conserva indiferente. benzedeiras e outros representantes de forças do ocultismo. designação que o identificava como o Messias prometido no Antigo Testamento.

O que Jesus chama de migalha.20). As sobras de sua misericórdia seriam o suficiente para sua filha. protagonizada por uma mulher estrangeira. até lhe dá razão: "Jesus. Mesmo o aparente desprezo não impediu a mãe de pedir socorro de Jesus. iriam ler este relato através dos Evangelhos de Mateus e Marcos. V v . A demonstração de tamanha fé. O seu amor é tão imenso que há abundância tanto para judeus como para gentios. Ninguém pode acusar Jesus de ter desprezado o seu povo como justificativa para que Israel o desprezasse. posteriormente. De outra parte ela está convicta que com Jesus está a abundância. dor mais aguda para os pais do que para os próprios filhos. pode ter sido provocada por Jesus a fim. Jesus permanece fiel. geralmente. 4. É possível que Jesus quisesse testar a fé desta mulher. Seguem algumas sugestões para explicar o procedimento de Jesus: 1. A mulher não contraria a Jesus. de origem siro-fenícia. nem se pode falar em repartir o amor de Jesus. ainda que seja de uma pessoa gentia. conforme Paulo "ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" ( E f 3. se você se dedicasse aos gentios você trataria os filhos como cachorrinhos e os cachorrinhos como filhos". Jesus ultrapassa os limites de sua missão em resposta aos apelos da fé. A sua ajuda é acessível a todo aquele que crê. E l a descobre possibilidades que não se percebem sem ela. é verdade. O amor pela filha fez que ela assumisse a dor de seu sofrimento. A fé continua lutando mesmo quando todas as chances parecem ter-se dissipado.26) poderia ela ter preconceitos contra os judeus.levar o evangelho a todas as nações.10). para nós significa mais do que um banquete pois. Recorre ao potencial que fica despercebido àquele que não crê. Como cananéia (ou grega. E l a percebe que a mesa posta por Deus 102 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . 2. de servir como emulação (estímulo) a judeus que. 3. quer seja judeu quer seja gentio (Rm 1. 25-27 — "Socorre-me". O episódio pode ter sido utilizado por Jesus para testar a paciência dos discípulos e posteriormente para instruí-los a respeito da persistência na oração. Na verdade. Apesar de toda a infidelidade de Israel. Os pais sabem que o sofrimento dos filhos é. Jesus não beneficiou os gentios em detrimento de Israel. conforme Marcos 7. Jesus quis mostrar que ele ama os descendentes de Abraão a despeito de ter sido rejeitado por eles.

Nossa proposta recai sobre o último. 24-27) 3. Na sua angústia ela se dirige a Jesus (v. "Epifania". ou seja. 23) b. E l a recebe a recompensa de seu gesto (v. 28) a. 22) 2.38-48 20 de Outubro de 1991 A leitura do Antigo Testamento apresenta o momento da renovação da aliança do povo de Deus. "amor de Jesus". Disposição O texto presta-se para falar sobre temas como "fé". Nem a aparente indiferença de Jesus (v. V. "oração". Seríamos nós capazes de humilhar-nos tanto? Talvez Jesus nunca mais retornaria àquela região. mesmo debaixo da mesa. pois. Nem a aparente rejeição de Jesus (vv. Jesus elogia sua atitude b. Nada a faz desistir de apelar para Jesus a. Jesus atende seu pedido. um grande culto de reconsagração onde são (re)vivenciados os atos salvíficos de Deus na história e vida do Seu povo.para Israel é tão farta que pode suprir todas as nações. a sua única oportunidade para conseguir ajuda para sua filha (2 Co 6.2). UMA MULHER GENTIA ORA DE UMA FORMA EXEMPLAR 1. A epístoIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 103 . Steyer VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS PENTECOSTE Mateus 5. Nossas dificuldades nunca são um caso perdido ou sem solução! A mulher cananéia está disposta a aceitar a graça de Deus da maneira mais humilde. Era. Christiano J. 28 — A fé é capaz de provocar aplausos do próprio Jesus. como mendiga. ocasião em que Israel faz um voto de servir a Yahweh com integridade e fidelidade — voto este perenizado através da ereção de um monumento.

E n tretanto. que ela também não deixe de corresponder à sua gravidade. o padrão para os discípulos e Sua Igreja. Jesus está se dirigindo a Seus discípulos. Rm 13. por outro. Pv 20. tomada como representando a baixa moralidade e espírito de vingança reinante no Antigo Testamento num suposto contraste com a lei do amor no Novo Testamento. Trata-se aqui de Israel atuando no "reino da esquerda" e não especificamente como igreja.19).: Rm 9. Lc 21. Lv 19.18. ou seja. por isso mesmo. 39) significa resistir. O "ouvistes" de Jesus transporta-nos para o Antigo Testamento numa referência conhecida mas por vezes mal interpretada. porém.15. Não se pode esquecer. A Escritura ensina que não devemos nos opor a Deus e à sua vontade (ex. 1 Pe 5. Igreja/estado e além disso fazem uma "re-leitur a " do Antigo Testamento sob o prisma de seus costumes e tradições rabínicas e pré-talmúdicas. então. Ao afirmar " E u . que o contexto cultural-religioso é o dos fariseus e escribas que confundem.24. Tg 4.22. Viver e anunciar a Palavra independentemente das circunstâncias é a ênfase destas leituras ritmadas pelo som. que 104 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 .20. vos digo" coloca Jesus como o cumprimento.la ressalta. A "lex talionis" (Ex 21.7). do primeiro dos oito sinos do carrilhão que enaltecem esta Palavra no Salmo 119. porém. Os dois exemplos da perícope (juntamente com os outros três citados anteriormente — vv. Somos. porém. 24. Antes. o contexto desta passagem em Êxodo mostra claramente que esta lei está se referindo a uma restrição e não a uma eventual retribuição ou vingança. Ele está estabelecendo as fronteiras da ética onde e como os crentes irão atuar — algo similar ao que se acha expresso no Decálogo. Como entender.19.21) é freqüentemente olhada através do óculos de. Dt 19. lado.8. à Igreja. 28 e 34) ilustram a natureza da justiça que "excede" (v. Fariseus e escribas apelavam para esta lei com o objetivo de justificar a retribuição e vingança pessoais que o Antigo Testamento repetidamente proíbe (cf.9. 20) a "justiça" dos escribas c fariseus. a entrega nas mãos de Deus das ameaças que sobrevêm à Igreja para que esta continue a proclamar a Palavra com intrepedez.. a agressividade do inundo contra o Servo c Seus servos mas. vos digo" Jesus não está tentando contrastar a lei do Antigo Testamento com uma nova realidade ou ordem política.2). entretanto. por outro. no domínio do "reino da direita". Marcião e. opor-se a alguém ou alguma coisa. O contexto do santo Evangelho é o do Sermão do Monte e o auditório são os discípulos. O " E u . No "reino da esquerda" a justiça deve ser exercida de tal forma que ela não exceda o crime mas.13. Lv 24. 22. constantemente instados a resistir ao diabo (Ef 6. O verbo anthisiemi (v. por um. 2 Tm 3.

Tais exemplos contrastam com a animosidade dos próprios discípulos contra os samaritanos (Lc 9. sem relutar.29. A mentalidade rabínica faz a pergunta: "Quem é o meu próximo?" (Lc 10.29-30 é explicada com. ódio e vingança. O verbo agapáo implica muito mais do que simples afeição: ele tem. portanto.44.19-21). 48) e encontra-se apenas no discípulo de Cristo. submeter Seu amor ao desamor dos homens (cf. 44. em última análise. Is 53. origem em Deus (vv.24. o Servo que está a querer o que Ele mesmo fez uma vez por todas para todos os homens centrando Sua vida em Deus e. 45) que se mostra absolutamente imparcial ao ponto de beneficiar também o mau e o injusto.somos solicitados a não resistir ao "perverso"? É importante notar que tô ponerô é masculino e não neutro e que.29) e nela está implícita a limitação da resposta que. Em outras palavras. portanto. É o Messias. deixa margem ao ódio que para ele pode se externar no campo racial e nacional e bem assim contra os samaritanos. A Escritura apresenta exemplos marcantes de pessoas em ação i n tercessória por seus adversários: Abraão (Gn 18. diante de Deus. diz respeito não ao diabo em si. Estêvão (At 7. Lc 6. "cães". Mt 11.60) e o próprio Jesus (cf. hyper.22-33). Rm 12. Ao ler-se as palavras de Cristo à luz do que imediatamente segue nos vv.12. é o padrão que Ele mesmo cumpriu. Lc 23. inimigos religiosos. IGREJA LUTERANA NÚMERO 1/1991 105 . Jesus está condenando o espirito de desamor. O amor sem limites revela sua peculiaridade não apenas na dimensão humana como também na dimensão celeste.54). que a expressão "volta-lhe também a outra [face]" significa demonstrar por atitude.5-6 e 1 Pe 2. a afirmação comum entre pais: " E u vou ensinar meu filho a como se comportar" via de regra significa uma inculcação não cristã de vingança e revide (simul peccator). 43-48 e quando a paralela em Lucas 6. Este é o padrão que Cristo quer. gentios. 44) Jesus remove todo e qualquer limite ao amor. Não é o Antigo Testamento que acrescenta ao "amarás o teu próximo" as palavras "e odiarás o teu inimigo". Isto não significa que não se reconheça a pessoa como sendo má.23). mas à pessoa má. inimigos pessoais. F i c a evidente. idêntica em ambos os relatos dos evangelistas. O escriba fazia este acréscimo. Is 50. do inimigo.27). Este amor tem sua fonte no amor adotivo do Pai (vv. 45. base no que imediatamente precede nos vv.21-23). porém o que Cristo quer é que não haja vingança. 1 Pe 2. 27-28 torna-se notório que a passagem chave. Por outro. O amor não é inspirado por seu objeto como também não depende daquele que o recebe. palavra e ação que se está repleto não do espírito de rancor mas do Espírito do amor (cf. Ao dizer "amai os vossos inimigos" (v. através da intercessão em favor. é "amai os vossos inimigos" (Mt 5.

Na epístola.41-44 27 de Outubro de 1991 As Perícopes e o Tema do Domingo O tema do domingo. a preocupação da igreja do NT em relação a seus necessitados se resolve pela separação dos apóstolos para a pregação da palavra e a oração. que é Cristo. formalismo exterior.10). Acir Raymann VIGÉSIMO T E R C E I R O DOMINGO APÓS PENTECOSTE Marcos 12. Lc 6. E l e humanou-se para fazer a vontade do Pai plenamente. a saber.9. lábios que louvam. Mas o 106 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . O Texto Muitas passagens paralelas ensinam as virtudes da oferta do cristão (Ml 3. amar a misericórdia e andar humildemente com Deus (Mq 6. Assim a palavra de Deus crescia e o número de discípulos se multiplicava. espírito quebrantado.O padrão e o poder para amar o inimigo está no próprio Jesus. ofertas cordiais. coração contrito. A recompensa já está ganha e garantida.38. amando a humanidade. Gl 6. vicariamente.17.18. contido nas leituras das perícopes do domingo. completamente com a escatológica "uma vez para sempre" pelo Seu supremo ato de amor. mas apenas na perspectiva da gratidão pela obra salvadora de Cristo. coração puro. Sugestão de tema: Um Amor Sem Limites. Ou nunca tinham valor em si mesmos. e pela escolha dos sete diáconos para "servir às mesas" e fazer a obra social. são "os sacrifícios agradáveis a Deus" (Salmo do dia.17). espírito voluntário. cerimônias que eram sombra do corpo. A este amor o discípulo está sendo convocado e para este amor Cristo o capacita. não têm mais valor.10. A receita divina através do profeta Miquéias (Leitura do A T ) é praticar a justiça. Tudo o mais.8). 51. por meio do Christus Victor. 1 Tm 6.

texto em estudo ensina sobre a oferta através de um magnífico exemplo. Se o dízimo era, no culto de Israel, o padrão (Ex 35.22), há exemplos em que o povo de Deus ofertou até mesmo mais que o exigido ou esperado (Ex 36.5; 1 Cr 29.3,4). De igual forma, o Salvador Jesus assiste a um exemplo vivo e o evangelista relata a oferta da viúva de "tudo quanto possuía", dado em sua pobreza (hustéreesis), sacrificando o sustento, a própria vida (bíos). 0 contexto anterior apresenta um discurso eloqüente de Jesus, dirigido especialmente contra a justiça própria e o formalismo de fariseus, saduceus e escribas. Como ensinava no templo, pôs-se a observar, e até mesmo a vigiar nos seus detalhes as ofertas dos que ali prestavam culto e sacrifício. O gazofilácio era uma das treze caixas de metal, no formato de trombetas, colocadas em volta das paredes do átrio das mulheres no templo herodiano, para recolher as ofertas para sustentar os serviços do templo. Jesus se importa com as ofertas de seu povo e controla, além e acima da oferta em si, a motivação do doador. Não se impressionou com as quantias, por mais altas que fossem. Lv 27.30 determinava que se trouxesse o dízimo à casa do Senhor como oferta a Deus. Em Is 1.11ss.; Is 43.24; e Ml 3.8 Deus afirma que observa o coração e a intenção do doador. Muitos não gostam da idéia de que sua oferta esteja sob a observação de alguém, muito menos de seu Senhor, que é ao mesmo tempo o Senhor de seus bens. Isto exporia a pequenez de sua fé, da qual a oferta deriva. Não se sentem à vontade ao se detectar a motivação que os leva a ofertar. Os ricos, que ofertavam muito, faziam-no talvez por um senso de obrigação; quem sabe, para serem vistos e admirados. Suas ofertas, em todo caso, não sensibilizaram o Salvador e não mereceram maiores comentários. A mulher que Jesus destaca é pobre, necessitada, prestes a morrer de fome (são significados possíveis de ptoochós). E r a viúva, com todas as conotações de abandono e solidão. As duas moedas romanas eram as de menor valor existentes. Apesar de todos esses dados que despertam a compaixão humana, e a tornam antes alvo de doações do que doadora, o fato elogiado por Jesus se prende a que ela ofertou voluntariamente, agradecida, efusivamente, como fruto da fé. (1 Co 13.3) O que esta mulher ensina pelo exemplo, a Bíblia ensina por conceitos (2 Co 9.7; Rm 12.8). Apenas quando se oferta alegre e livremente, pode-se experimentar a alegria de dar. Vs. 13-44: Jesus convoca os discípulos para a aula sobre a oferta. A importância do assunto e a gravidade do momento estão expressos no améen légoo, em verdade digo. Os discípulos aprendem como dar e se lhes ensinam os critérios pelos quais é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 107

Deus que julga uma oferta. A mulher por certo não morreu e nem passou fome. Deus cuidou dela. Os que se preocupam doentiamente com seus bens, que têm incertezas quanto a seu futuro material, são esses os que menos ofertam. É uma relação da causa e conseqüência. Como são avaliadas as tuas ofertas diante de Deus? O ato da viúva pobre não pode ser copiado mecanicamente. Copia sua fé. Entrega-te primeiro ao Senhor, como o fizeram os macedônios. (2 Co 8.5) O amor de Cristo te fará abundar em tuas ofertas. Tema Uma lição sobre a oferta do cristão 1 . Eu aprendo o que é uma oferta sem valor (formalismo, cerimônias, desejo de aparecer, preocupações com os bens materiais. . .) 2. Eu aprendo a oferecer sacrifícios agradáveis a Deus (fé verdadeira, coração puro, espírito voluntário). Elmer Flor

VIGÉSIMO Q U A R T O DOMINGO APÓS P E N T E C O S T E Marcos 4.35-41 3 de Novembro de 1991
Contexto O cap. 4 de Marcos é essencialmente didático, concentrando 4 parábolas, sua explicação e aplicação, numa seqüência marcante dos ensinos do Mestre. A referência dos vs. 33 e 34 explicita ainda mais esse recurso didático, o das parábolas, contadas "conforme o permitia a capacidade dos ouvintes." Seus discípulos recebiam posteriormente uma instrução particular, um aprofundamento especial, uma pós-graduação. No texto em estudo, a aula, de teórica, transforma-se em prática, e orienta o crente nos perigos da vida. Da Bonança à Tempestade Vs. 35-37: A aula teórica, por parábolas, estendera-se até "tarde". Jesus transfere a situação de ensino para o barco que
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estava a sua espera, e que seguiu pelo mar da Galiléia na companhia de outros barcos compondo uma esquadra de seguidores. E r a uma escola ambulante. Seus discípulos passam a ser submetidos a uma prova de confiança plena no Mestre. A atividade exaustiva do dia teve como conseqüência o cansaço terreno do Instrutor. Estando a leste do mar, nos arredores de Gafarnaum, devem ter rumado à costa oeste, terra dos gerasenos. De um início tranqüilo, a viagem se torna dramática. Da Tempestade à Bonança Vs. 38-39: Jesus ocupa um lugar à popa do barco, a parte traseira, reservada ao timoneiro. Aí não se sente tanto a violência com que o barco corta as ondas, nem o balanço a que é submetido, como na proa. Enquanto Jesus descansa sobre um travesseiro, o mar se põe travesso. O grande temporal é chamado de láilaps, e Mateus o chama de seismós, palavra grega que aparece no termo português "movimento sísmico" ou terremoto, no caso, uma espécie de maremoto. "Mestre!" é o grito de socorro dos discípulos apavorados. E r a a hora de aprenderem com o divino Instrutor uma lição de vida frente aos perigos que os ameaçam. 0 poder do Messias e do Reino de Deus que inaugura entre os homens no Novo Testamento faz-se presente tanto nos seus ensinamentos, como também nos atos milagrosos que confirmam a palavra nos que persistem na dúvida. Na anarquia que se estabelece entre as forças da natureza, e que se coloca como meio de disciplina, julgamento e chamado à ordem no caos, Jesus confronta sua tranqüilidade ao temor dos demais; o poder do Criador enfrentando a criatura insubmissa; a tempestade na natureza e nos corações à bonança que traz ao mundo com sua presença abençoadora. Da Bonança à Confiança Vs. 40-41: Jesus não se limita a repreender o mar e o vento, acalmando sua fúria, baixando a crista das ondas. Repreende Os discípulos, que se abalaram com o perigo, acalma seus corações agitados, baixa a crista de sua confiança em suas próprias habilidades de navegadores, Eles aprendem uma lição de vida, submetendo a fraqueza humana à presença do Senhor da natureza. Jesus aprofunda, com' essa repreensão, sua comunhão com os companheiros de jornada e aproxima-se deles no convívio mútuo, num gesto em, que põe seu poder a serviço compassivo em favor dos mesmos e confirmando, assim, a sua fé. O temor de todos os circunstantes também se acalma diante da prova de proteção e libertação que Cristo oferece a seus seguidores, não importa quão violenta possam ser a perseguição e os transtornos
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Jesus confirma a fé de seus seguidores e sua confiança nele que é o Senhor de tudo. 3. O processo de ensino-aprendizagem leva da teoria (parábolas) à prática (livramento dos perigos) : 1. 2. perseverar através das lutas da vida. e sua resposta é óbvia. Ensina onde e com quem não há perigo em qualquer circunstância da vida. e esta recordação deve levá-lo ao constante louvor e à sempre maior confiança no Deus forte em todas as lidas da sua vida. 4. tanto corporal como espiritualmente. pela proteção e derrota dos inimigos. As perguntas finais.12-15 31 de Outubro de 1991 LEITURAS O salmo 46 é um salmo de louvor cantado pelo povo de Deus. também de suas vidas. 110 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . são retóricas.que enfrentam.. incorrem em perigos. O texto ensina: Cada cristão deve lembrar-se do socorro por ele recebido da parte de Deus em tantas angústias de sua vida. tanto as de Jesus como a do povo. Proposta Homilética A Vitória do Mestre sobre a timidez e a dúvida: uma aula sobre a fé que salva. Testa a fé dos que. O salmo convida o cristão a se refugiar no Senhor Jesus e confiante nas promessas de salvação. a ponto de reprovação. Aparece no momento certo e oferece ajuda (perdão) e aprovação final (livramento). Elmer Flor FESTA DA REFORMA Mateus 11. Permite que a prova seja difícil. por sua fraqueza. F o i de onde Lutero tirou a inspiração para compor o hino "Castelo Forte é nosso Deus".

prostitutas.a verdadeira demonstração de arrependimento e conversão. sem fingimento. O anjo os lembra de que se haverão com alguém que é mais poderoso que a besta — aquele que é a origem de todas as coisas no céu e na terra. O destaque é dado ao empenho observado nos discípulos que aparentemente poderiam ser considerados os mais indignos para a tarefa do testemunho por causa da vida que levavam antes do contato com o Evangelho. contra a frieza espiritual que este texto de Mateus vem alertar. Nesta época da Reforma é sempre oportuna a reflexão sobre o fascínio que as maravilhas do mundo podem exercer até sobre os cristãos levando-os a perderem de vista o iminente juízo de Deus sobre estas coisas passageiras. É justamente contra a religiosidade aparente. num. mediante a firme resolução de persistir na fé criada pelo Evangelho restaurado pela Reforma do Séc. as quais tendo entrado em contato com João Batista (Mt 3. Ainda há tempo para se arrependerem e acharem misericórdia diante de Deus. Em nossa vida não há lugar para nenhum "deus" por menor que seja. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 111 . A leitura de 2 Crônicas sugere a necessidade que o cristão tem de purificar constantemente a sua vida. como mensageiros do Reino e se tornaram discípulos. O Evangelho de Mateus destaca o fato de que não é sem luta e persistente esforço que o discípulo conquista o reino do seu Senhor.23-25) os aceitaram. judeus. X V I . DISPOSIÇÃO: Em se tratando de festa da Reforma todas as passagens sugerem uma reflexão em torno da reconsagração ao Senhor. Deus Espírito Santo exige que todo o seu templo seja a ele consagrado. etc).12-14). consagrando todo o templo do Espírito ao Senhor.1-10) e com Jesus (Mt 4. Por causa desta fé. esforçando-se para corrigir sua vida e proclamar a chegada deste Reino. O contexto desta leitura mostra que os habitantes da terra ficaram maravilhados com os poderes manifestados pela besta e seu falso profeta (Ap 13. Jesus faz alusão ao fato de que certas pessoas (publicanos. O texto sugere que esta consagração diária seja feita por meio de ofertas de sacrifício e ações de graça. Esta consagração é exigida também dos discípulos da Igreja cristã de hoje.O texto de Apocalipse apresenta um anjo voando pelo meio do céu levando um evangelho eterno destinado aos incrédulos da terra exortando-os a se arrependerem! porque o fim está próximo. É oportuno o convite à reconsagração ao Senhor enquanto houver misericórdia e perdão.

I — Porque os que se esforçam. A destruição do templo de Jerusalém é um prelúdio do desfecho no juízo final. Deus continua rocha firme. O salmo ensina que mesmo que se abale aquilo que é considerado inabalável e se agite o que parece geralmente sereno. O conjunto inicia com o lamento de Jesus sobre Jerusalém que não quis receber a salvação (23. 112 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 . II — Porque no Senhor há. 0 Salmo 46 traz um consolo muito grande ao discípulo que se esforça para conquistar o reino. inspirado neste salmo. O texto de 2 Crônicas reforça esta ênfase da reconsagração que deve ocorrer pelo abandono dos pecados e maus desejos da Carne para poder haver um processo de purificação do templo do E. Nereu Rui Weber A N T E P E N Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A Mateus 24.1-2). Os comentários nem sempre são unânimes em distinguir quais as palavras de Jesus se referem à destruição de Jerusalém e quais dizem respeito à sua vinda e à consumação do século.3). é imutável na sua atitude de salvador. Continua o refúgio certo de todos os que a ele recorrem. o seu mais famoso hino "Castelo forte é o nosso Deus".15-28 10 de Novembro de 1991 O contexto A perícope está inserida num conjunto que trata da segunda vinda de Jesus (parusia) e da consumação dos séculos.37-39) e continua com a profecia da destruição do templo (24. A seguir os discípulos perguntam quando "estas cousas" irão suceder e que sinais haverá anunciando a sua vinda c a consumação do século (24. o refúgio e o consolo necessários para a luta diária. SUGESTÃO DE TEMA: Consagrai-vos ao Senhor Deus Forte. se apoderam do Reino. Lutero experimentou este consolo e pode compor. etc.o cristão permanecerá de posse do reino. Santo. mesmo através de muitas lutas contra a incredulidade. materialismo.

16 foram observadas literalmente pelos cristãos de Jerusalém quando os romanos reagiram à revolta dos judeus (66-70 A D ) . A profecia de Daniel. Há uma fuga espiritual para os montes (Sl 121. a fim.C. As opiniões divergem sobre o cumprimento das palavras de Daniel. É preciso desprender o coração das coisas materiais (vv. local bem mais seguro do que os altos além do Jordão. 12.31. e suas conseqüências sobre os fiéis. 11. 15-19). O significado estende-se até o tempo da segunda vinda do Senhor. eram apenas um prelúdio ou uma fase de sua volta. Fugir como Ló e não olhar para trás. A tribulação que se iria abater sobre Jerusalém. P o r isto. A perícope gira ao redor de três assuntos: os fiéis são alertados para fugirem da Judéia (vv. Outros afirmam tratar-se dos sacrifícios que os romanos ofereceram aos seus ídolos nos lugares sagrados dos judeus.so. A fuga oferece dificuldades. As palavras de Jesus no v. de que a fuga possa ter êxito. no entanto. a profecia de Daniel continua se cumprindo até a volta de Jesus. conforme relata Josefo. devido ao frio.11). também dentro deste mesmo critério incluem-se no "abominável da desolação" as atividades do homem da iniqüidade e da perdição de quem Paulo fala em 2Ts 2. por is. V. Atravessaram.27. É i m portante não perder tempo para buscar abrigo junto a Jesus antes que vem a destruição. No inverno. O texto Limitamo-nos em tocar nos aspectos mais relevantes da perícope. 17. o Jordão e foram para um local elevado chamado Pela. a chuva e o IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 113 . 15 — Jesus lembra palavras do profeta Daniel: "o abominável da desolação" (Dn 9. Para alguns até muito grandes. não se esgota com estas abominações. aqui o sentido das palavras deste versículo não se esgotaram naquela ocasião.1).) dentro do templo para nele serem oferecidos sacrifícios a Júpiter (Zeus). Alguns julgam tratar-se do santuário edificado por Antíoco Epifânio (175-104 a. Necessário se faz. são incentivados a orar (vv.3. que a igreja ore. 20-22) e são previnidos de não confiar em qualquer espírito que se anuncia como o guia para o encontro com Cristo (vv.Nos versículos 4 a 14 Jesus anuncia os sinais que precederão a sua vinda e previne os discípulos de não se deixarem enganar por falsos cristos. 18). 23-28). Também. Dentro do princípio segundo o qual a destruição de Jerusalém e a consumação dos séculos formam um conjunto.

se o período não fosse abreviado pelo Senhor. Muito se tem discutido sobre o significado do v. O apóstolo Paulo fala que o "aparecimento do iníquo é. segundo a eficácia de Satanás.vento. como efetivamente muitos têm feito. Não porque fosse proibido para os cristãos deslocarem-se neste dia. 19). A respeito das tribulações antes da consumação dos séculos.14. ninguém seria salvo. A pergunta foi: que sinal haverá 114 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .28. por causa dos escolhidos. 26). 28. 27). Lutero. Será visto em toda a parte (v. com uma argumentação interessante. poder-se-ia pensar. lê-se em Apocalipse que a 1ª besta "peleja contra os santos. Ap 13 e 16). É preciso lembrar. A respeito das bestas. à destruição de Jerusalém. Tudo tão bem estruturado que. novamente. pois. Josefo descreve os. fala o livro de Apocalipse (cf. os cristãos.9). os próprios eleitos seriam. ela será inesperada. Embaraçosa seria a situação para as mulheres grávidas e as que estivessem amamentando (v. Ele virá repentinamente. com. horrores sucedidos durante a destruição de Jerusalém. porém mais pelo escândalo que estariam provocando nos moradores por onde teriam que passar. e os vence" e que a 2ª besta seduz os habitantes da terra com seus sinais (Ap 13).10). 3. deixar enganar-se como se Jesus pudesse ser encontrado no deserto. Os dias seriam tão terríveis que. emblema das legiões romanas. Além das tribulações levantar-se-iam enganadores. P E . e sinais e prodígios da mentira" (2Ts 2. As orações pedindo que o Senhor removesse todos os impedimentos para a fuga. interpreta o provérbio dizendo que onde estiver a palavra de Deus ali também estará a igreja. nas águias. Apesar dos sinais que anunciam a sua volta. porém. Quando ele chegar não será preciso procurar por ele (v. no interior de uma casa ou em outro local. 21 e 22. demovidos de sua fé (v. Se a fuga precisasse ocorrer em dia de sábado igualmente haveria perigo. 24). se não fosse a interferência do Senhor. Não devem. como um relâmpago. todo poder.32-35). 25). a fuga seria dificultada ou mesmo tornada impossível. tolice querer determinar o dia e o horário de sua chegada (Mc 13. O mundo nunca havia passado por isto anteriormente. Poderiam até ser barrados e mortos (Ex 31. no seu sermão sobre Mt 24.27. Nm 15. de surpresa (2Pe 3. É. deveriam ser motivadas pelas tribulações mencionadas no v. Mas este não é o caso. que na perícope Jesus está respondendo a uma pergunta dos discípulos feita no v. Kretzmann diz que o significado deste provérbio é: "onde está Cristo ali também estarão os eleitos".32). falsos profetas e falsos cristos. com doutrina falsa. A igreja não deverá ser tomada de surpresa quando estas coisas sucedem. pois Jesus o anuncia com antecedência (v. Quem são os abutres e o cadáver? Se a perícope se referisse apenas.

da tua vinda e da consumação do século? Assim. A destruição sobreveio ao templo e à Jerusalém como resultado de sua impenitência. assim. 2Ts 2.3ss. Quanto a falsos cristos (vv. Hoje. agora.1ss.. Os cristãos precisam estar atentos para não serem. PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO DA IGREJA Mateus 25.31-46 17 de Novembro de 1991 Assunto: O discurso de Jesus sobre o grande julgamento (sobre a sua volta. Os cristãos precisam orar a fim de que possam suportar as tribulações e perseverar até ao fim (vv. 15-19). 2. como se identifica onde está um corpo morto. ou 2ª vinda). 1Tm 4. pois. Quanto ao local e hora da volta do Senhor (vv. assim o juízo está pairando sobre o mundo todo. Este recado de Jesus é IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 115 . Ju 18). 23-25).. 2Tm 3. Onde está o pecado ali está o julgamento. enganados. pelo giro dos urubus por cima do local. II. I. impenitente e espiritualmente morto (Mt 24. mas o único escape é Cristo. Christiano J.º — Cenário Jesus está falando sobre o fim do mundo e a sua volta para "orquestrar" ou "dirigir" este final. 26-27). poderá ser identificado quando será a consumação do século. 20-22). Disposição Jesus fala sobre os sinais que anunciam a sua volta e a consumação dos séculos e sobre as providências que os cristãos devem tomar..1ss. 1. O mundo o despreza.1ss. Steyer III.10-12. A volta de Jesus será precedida de tempos muito difíceis (vv. 2Pe 3. 1. não é diferente. pelos sinais apontados.

sempre importante para nós, de forma toda especial em tempos de muito apego a esta vida e às coisas materiais, às coisas deste mundo. Assim foi também com, os judeus. Por isso ele inicia o seu sermão, já em, 24.1 e 2, fazendo referência ao Templo de Jerusalém que, embora fosse "Templo de Deus", tinha, na verdade, para a grande maioria, muito mais o significado de grandeza pessoal, de realização própria, de superioridade da raça, de segurança pessoal. Orgulhavam-se de possuir um templo. A l i mentavam uma falsa segurança em relação ao seu destino eterno e justificavam uma impunidade social e moral estribados; no fato de terem, o Templo em, Jerusalém, o que, acreditavam muitos dos judeus, era uma garantia incondicional de que Deus lhes era favorável e os abençoaria e protegeria, sendo que nada de mal lhes poderia acontecer. "Se temos o Templo, então nada nos pode suceder". O Templo virou uma espécie de talismã da sorte. Jesus quer derrubar esta falsa segurança e acordá-los para a realidade. "Não se fiem nesta construção. Não ficará pedra sobre pedra". Jesus está dizendo mais: "não se fiem nesta vida; nas realizações que vocês conseguem obter nela; nas suas capacidades. Tudo isto vai terminar. Não se fiem neste mundo, pois ele não vai durar para sempre, e vocês também não vão viver nele para sempre. Prestem atenção neste fato c cuidem para estar preparados". Jesus contou quatro parábolas relacionadas com o fim do mundo, alertando, nelas, para os sinais da proximidade deste fim, bem como para a sabedoria e prudência que é recomendável cultivar com relação à questão. 2.º - Assunto:

Nosso trecho contempla o que poderíamos chamar de "clímax" do sermão de Jesus sobre o fim do mundo. O Salvador está falando da fé, que é o critério de separação entre " v i d a " e "morte"; entre "salvação" e "condenação". Em cada uma das três parábolas anteriores a respeito do assunto ele enfatizou um aspecto da questão. Na primeira delas (Mt 24.45-51) ele visou os responsáveis pela igreja (ministros, líderes, dirigentes); na segunda (Mt 25.1-13) dirigiu-se a todos, enfatizando a necessidade de haver vida espiritual; na terceira (Mt 25.24-30) dirigida também, a todos, ele tem em vista os dons espirituais e as boas obras, ou seja, o uso (administração) que os, cristãos fazem das coisas recebidas dele. Agora, com o discurso de Mt 25.31-46 ele apresenta a essência de tudo numa 4ª exemplificação, qual seja, a do atendimento prestado (ou omitido) a quem precisava. O nosso trecho mostra como a fé cristã é comprometimento de vida. Tudo o que se pode dizer da vida cristã em ênfases 116 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

separadas, visando destacar com mais nitidez ora este ora aquele aspecto, pode ser dito em conjunto e em resumo: ser cristão é ser engajado! É assumir uma vivência cristocêntrica — e não apenas discursar a respeito. Há toda uma dimensão social envolvida nestas palavras de Jesus. Não no sentido barato de "evangelho social" que anda por aí e que se pode ler e ouvir tanto, na linha do "evangelho dos pobres", do "evangelho da revolução", do "evangelho latino-americano" ou de qualquer outra roupagem da "teologia da libertação" (que não procura levar o homem a Cristo para ser libertado dos pecados, preferindo, antes levar cada um a ser libertador de si mesmo em relação a todas as ordens e estruturas que o cercam, as quais seriam todas opressoras e malignas), mas no sentido verdadeiramente bíblico de envolvimento social, em que o cristão, em Cristo, ao mesmo tempo em que é senhor livre de todas as coisas e não está sujeito a ninguém, é um servo (=. escravo, servidor, um que presta serviços; um que se consome em obras de amor pelo próximo) de todas as coisas e sujeito a todos. A verdadeira dimensão social deste texto c que ele está dizendo a cada um que se julga cristão que a fé não é algo a guardar dentro do bolso; que a fé não é individualista nem, exclusivista; que a fé implica em manifestações exteriores que não são, absolutamente, particulares. Jesus está mostrando que a fé tem frutos de amor. Quem confia em Cristo, quem ama Jesus, torna-se portador deste amor para os outros, para o próximo, para a sociedade. Esta ca dimensão social do texto: fé se traduz em serviço social. É importante notar como, no texto, este comprometimento social está intimamente conectado com o ser ou não ser cristão; com o estar à direita ou à esquerda do Rei no dia do julgamento. É uma palavra muito séria. É uma palavra de julgamento para os incrédulos e de consolo para os crentes. Sim, palavra de conforto para os fiéis que, mesmo tendo limitações e fraquezas, mesmo sendo imperfeitos, sabem que serão considerados justos por causa do sacrifício de Cristo em seu lugar, o qual recebem pela fé, a qual, por sua vez, é vibrante e frutífera, sendo, inclusive, louvada pelo R e i e Senhor. 3.º — Estrutura do texto: i . ) Descreve (não seria melhor 'refere-se', já que não há palavras que possam, realmente, descrever aos nossos olhos momento tão grandioso como este) o julgamento final da humanidade.
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— O assunto não é novo. Está referido em outros textos. Além dos relatos paralelos, também está em Mt 16.27; 19.28 e 24.29-31. — 0 episódio tem caráter de realeza, de majestade. 0 vs. 31 fala em "assentar no trono da glória". A figura usada na descrição é a de uma corte real reunida. Faz lembrar, hoje, um "Tribunal do J u r i " , com toda a pompa e ritualidade que o cerca. Lembra o momento de entrada do juiz no recinto. 2.) 0 próprio Redentor e Salvador será o juiz, o que chama a atenção. Para quem crê Cristo é Salvador; para quem, não crê ele é pedra de tropeço. Quem não crê no Filho já está julgado. 3.) Ninguém, escapa ao julgamento. (vs. 32: todas as nações serão reunidas em sua presença). Não há como fugir. 4.) A separação entre bons e maus; entre salvos e perdidos; entre fiéis e infiéis. Também não é assunto novo. A parábola do Joio, em Mt 13.24ss, bem como a da Rede de Pesca, em Mt 13.47-50 já tratam dele. — Nenhum ser humano pode fazer a separação. Temos que conviver com os fingidos. Mas o dia virá em que Jesus irá fazer a separação, e esta será eterna. 5.) Direita c esquerda. Linguagem figurada para descrever céu e inferno; salvação e perdição. — Na verdade não é naquele momento que se decide. Apenas é a declaração pública daquilo que já está definido pela presença ou ausência da fé. Ter ou não ter fé, eis a questão! (Jo 3.18). 6.) Cabritos e ovelhas. Linguagem figurada para referir os que se salvam e os que se perdem. A ovelha, em comparação com o cabrito, era considerada animal nobre. 7.) O prêmio: a posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. É a bem-aventurança eterna. O paraíso. A felicidade e o gozo pelos séculos dos séculos. 8.) O critério: a fé. Quem tem fé vai para o céu; quem não tem vai para o inferno. — A demonstração dessa fé está nas obras, no atendimento aos necessitados. A verdadeira fé é aquela que produz resultados. Que cada qual se examine. 118 IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991

a vigiar e a ser sincero na sua religião. 6 — Deus nos quer brindar com seu amor já neste inundo (nas multiformes bênçãos) e na eternidade. 4 — Q u a l é o critério para a verificação da fé? Jesus parece muito claro ao dizer que é o amor ao próximo. ama o próximo (como decorrência da fé) não pode deixá-lo passar necessidades. 35-36. Fé ativa no amor). Este amor nos é oferecido abundantemente (citar formas.1-13 a) Contexto: O capitulo 25 do evangelho de Mateus pode ser dividido em três partes importantes: Na primeira Jesus se refere à sua segunda vinda como acontecimento que tende a levar o homem a velar. em. (Esta é a dimensão social. vs. no julgamento. Conclusão: Não esqueçamos do nosso próximo! Irmo Arnaldo Huebner Ú L T I M O DOMINGO D O A N O D A I G R E J A 24 de novembro de 1991 Mateus 25. (Espaço para auto-exame. A falta de preocupação social é uma prova de fingimento. dando-nos posse do reino que está preparado desde a fundação do mundo. que as aparências desaparecerão. cf. na sua fé em Cristo. Na IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 119 . Como estou eu?) 3 — O critério para a vida ou morte. os problemas. 2 — V a i haver um. pois quem. É o que vemos nesta parábola das dez virgens. Na segunda alude ao mesmo fato a fim de exortar à atividade e à fidelidade por meio da parábola dos talentos. 5 — Só pode amar o próximo quem experimenta o amor de Deus em Cristo. frisando a coletividade do amor).4° — Esboço: Tema — A dimensão social da fé: uma questão de vida ou morte! 1 — Há muita hipocrisia e fingimento na igreja. momento de julgamento. (Espaço para descrever o mal. é um só: fé em Cristo. o pecado.

não será 120 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . 1: Segundo o costume da época. elas mesmas precisavam dele. Um vexame! Tudo perdido! Espera baldada! Vers. Enfim. automaticamente. eu espero na sua palavra". Néscio para Deus é todo aquele que vive imprudentemente e que não ajunta para si tesouro no céu. Deus. Não conseguiriam) acompanhar o noivo. é todo aquele que rejeita a graça e o amor de Deus revelados em Cristo Jesus. de como servir a Deus. Quando Cristo vier. E r a tarde demais. 5-7: O noivo demorou a vir e as virgens adormeceram na sua espera. é o incrédulo. o dia do Senhor". 8-9: As prudentes não puderam fornecer o azeite necessário às néscias. onde é descrita a felicidade que haverá no novo céu e na nova terra — a vida com. os quais duvidam do retorno de Cristo para o juízo. sempre pensando em fazer a vontade de Deus. — ele sabe — têm perdão em. as amigas da noiva iam ao encontro do noivo dela. é aquele que não adquire a sabedoria de Deus e que constrói sobre areia. entretanto.8-10 lembra que há escarneccdores no mundo. porém. é longânimo e não quer a condenação de ninguém. b) As outras leituras: O Salmo 130 expressa o clamor das profundezas. O tempo de comprar já passara. relatando como será o dia do Juízo Final. o que vem confirmado em Ap 21. mas de uma elucidação extraordinária para a vivência cristã e para a compreensão da necessidade de vigilância espiritual durante a nossa vida. É um quadro muito singelo. II Pe 3. Ninguém pode dar a fé a outrem.4. Isaías 65. Por isso o tema é de exortação — V I G I A I ! c) O texto: Vers. Naquela hora da noite era difícil conseguir azeite. a pensar no fim do mundo. Prudente é todo aquele que cuida onde e como anda. e cinco prudentes". de como fazer a vontade de seu Senhor Jesus Cristo.. 0 f i m do Ano da Igreja leva-nos. Vers. " V i r á . "Aguardo o Senhor.3.17-25 fala nos novos céus e na nova terra que o Senhor cria. para o recepcionarem e o acompanharem até ela. Iam munidas de lâmpadas. que. é todo aquele que aceita a Jesus como seu Salvador. De repente o grito: "Eis o noivo! Saí ao seu encontro!" Todas levantaram e todas prepararam suas lâmpadas. Vers. preocupado com os pecados. Prudente perante Deus é todo aquele que se ocupa principal e primordialmente com o reino de Deus.terceira parte Jesus termina. Só que as cinco néscias se deram conta de que o azeite estava se esgotando. Quando e como pessoas são néscias ou prudentes para e perante Deus? Néscio para Deus é todo aquele que não aceita as coisas do Espírito de Deus. 2-4: " C i n co dentre elas eram néscias. nele crê e a ele serve conscientemente. Deus. Deus. como ladrão. Só Deus o pode. porém. a minha alma o aguarda. Enfim. no dia do juizo.1-7.

não estão preparados para receber o Senhor Jesus Cristo no dia derradeiro com a alegria da salvação. prevenidos.mais possivel ler a Bíblia. a porta estava fechada e de nada adiantou implorar: "Senhor. Pior de tudo: a porta foi fechada! Quando. É certo que Ele vem. na tentativa de conseguir azeite e luz. Vers. senhor.12-15. mais tarde. participar dum estudo bíblico para chegar à fé nele. V I G I A I ! c) Disposição: Tema: VIGIAI! I — Porque é certo que Cristo vem e II — Porque fica fora do novo céu e da nova terra quem não está preparado. 0 tempo é agora. Vers. 13: " V i g i a i ! " Esta é a exortação de Jesus nesta parábola. as preparadas entraram com o noivo para as bodas. F i c a m fora do céu todos os que não tiverem fé em Jesus e que. 10-12: Enquanto as néscias se afastaram do noivo. Então. Hb 3. Sejamos prudentes. Curt Albrecht IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 121 . mas não se sabe o dia nem a hora. as néscias chegaram. ir à igreja. abre-nos a poria!" O noivo não as conhecia e elas ficaram de fora. portanto. Hoje é o dia de salvação. as prudentes.

dizendo em seu prefácio que "o fato do pluralismo teológico é ineludível". Geraldo Korndõrfer. "em virtude de sua identificação cora a tradição luterana. escrevem com urna orientação ecumênica e sem atitude sectária. Não sabem. Traduzido por Gerrit Delfstra. São Leopoldo: Editora Sinodal. ou ocasionalmente esse desacordo chega ao ponto da contradição". e Gerhard O. . Por Carl E. "embora todos nós nos situemos dentro da tradição luterana. visando servir à Igreja toda". 60). são consideráveis". Braaten e Robert W. Braaten e Robert W. Luís M. auto-suficiente e ilusório quanto a pretensa universalidade de teologias formuladas em outros continentes". Já avisa que essa "contextualidade consciente da teologia não deve ser pervertida a ponto de se postular um isolacionismo tão arbitrário. editores. Nos seus prolegômenos à dogmática Braaten ainda assinala que "a teologia confessional trabalhou para repristinar a dogmática pré-iluminista da Igreja" (p. Vols. como Barth. No entanto Gari E. Por essa razão. que "os participantes deste projeto de dogmática estão livres dele". se é bênção ou maldição quando "em alguns pontos os autores simplesmente discordam.. Eles confiam. Com isso já está caracterizada suficientemente a obra. Philip J. Sponheim. Sander. Dreher.LIVROS D O G M Á T I C A CRISTÃ. Forde. Bultmann e T i l l i c h " por uma "exigência de contextualidade". Paul R. Hans Schwarz. I e II Na contracapa se anuncia que os autores. No prefácio de Walter Altmann "os autores se confessam devedores dos grandes teólogos protestantes da metade deste século. 1990. Acham que a centralidade confessional do "artigo da justificação somente pela fé" é um "erro reducionista" que impediu "uma recepção plena da tradição dogmática católica" e "produziu uma forma particularmente desumana de sectarismo luterano". Jenson ainda sublinham esta característica. Ele reconhece que há ainda correntes teológicas "tentando restaurar velhas moda122 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Acha que a Dogmática Cristã fazia falta no cenário do "extraordinariamente importante projeto coletivo de construção teológica latino-americana" e das "significativas contribuições dogmáticas nas obras de teólogos individuais. Luís H. Jenson. as diferenças entre nós (autores da dogmática). e as conseqüentes incoerências do livro. como Leonardo Boff e Juan Luis Segundo". Hefner.

Já havia escritos de Lutero publicados em português. Porto Alegre/São Leopoldo: Concórdia/Sinodal. 62). 0 Deus Triuno. O conhecimento de Deus. e Do Cativeiro Babilônico da Igreja. como o Catecismo Menor. A obra de Cristo. Os meios da graça.. A introdução. Warth P E L O E V A N G E L H O DE CRISTO. A pessoa de Jesus Cristo. A obra está dividida em 12 loci. Desta forma surgiu esta tentativa de fazer mais alguma coisa. O pecado e o mal.11.1583). 0 Espírito Santo. como o livro pretende ser pelo acima exposto. 1984. Martim C. até que pudessem ser publicadas as Obras Selecionadas em grande estilo. Escatologia. Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma . Mas faltavam muitos outros escritos importantes. Esta é a primeira tentativa de apresentar uma coletânea de escritos de Lutero ao público no Brasil. é de se admirar que Braaten sustente afirmações bíblicas e confessionais como "a justificação através da fé somente". A Igreja. Na sua análise da Escritura Sagrada. dá um excelente apanhado hisIGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 123 . escrita por Nestor Beck.lidades de ortodoxia" (p. abrangendo os assuntos clássicos da teologia: Prolegômenos. Tradução de Walter O. mas com " u m meio da graça" (p. em que "uma afirmação teológica é uma projeção da imaginação" (p. A criação. volume que não pode faltar na biblioteca do pastor. bem como nos lares dos cristãos. Numa enciclopédia de opiniões teológicas divergentes. Por Martinho Lutero . ainda que não desfrute de muito prestigio nas grandes escolas teológicas" (p. que não identifica com Palavra de Deus. do estudante de teologia e da congregação cristã luterana. 76). Braaten verifica que "o biblicismo fundamentalista não diminuiu de vigor. 91). Para ele "este artigo constitui a base existencial da vida da Igreja no mundo" (p. Schlupp. Da Autoridade Secular. 0 ocasião foi o 5º centenário do nascimento de Lutero (nasceu em 10. Seleção e publicação pela Comissão Interluterana de Literatura ( C I L ) . Em todo o caso Braaten opta pelas "grandes escolas teológicas" e não por um confessionalismo bíblico. 41). 83). Pelo Evangelho de Cristo é um. Da Liberdade Cristã. embora se precise perguntar se o entende como um eleito calvinista ou um pecador salvo pela fé no evangelho de Jesus Cristo. V i d a Cristã.

Os Hinos. Prefácio ao Novo Testamento. 124 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 . Sermão no Domingo de Invocavit. Nomear. para o Mestre Pedro Barbeiro. Publicação da Comissão Interluterana de Literatura (CIL). Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Fundamento e Motivação da Escritura para o Direito e a Autoridade de uma Assembléia ou Comunidade Cristã Julgar sobre Toda Doutrina. O Manual do Batismo Revisado. Carta aos Cristãos de Estrasburgo contra o Espírito Entusiástico. L . A maioria dos tratados são clássicos de Lutero e refletem muito bem a sua teologia. Warth. Warth OBRAS S E L E C I O N A D A S . 1987/ 1989. Um Sermão sobre Sofrimento e Cruz. Carta de Lutero a Ludovico Senfl. Martin N. Prefácio à Epístola de São Paulo aos Romanos. acerca do Melhoramento do Estado Cristão. Confissão (Adendo a Sobre a Santa Ceia de Cristo). Obras de Lutero dispensam de apresentação. a Título de Apoio. Manual de Casamento para os Pastores em Geral. Monge ou Freira. É o grande teólogo do século X V I que desafiou a Igreja a fazer a Reforma tão necessária. Sua Confissão é um modelo de confissão de fé. Resposta a Diversas Perguntas Referentes aos Votos Monásticos. Missa e Ordem do Culto Alemão. I e II. Como se Deve Orar. Debate para o Esclarecimento do V a lor das Indulgências (95 Teses). Exortação ao Sacramento do Corpo e Sangue do Nosso Senhor. à Nobreza Cristã de Nação Alemã. Nestor J . Debate e Defesa do F r e i Martinho Lutero contra as Acusações do Doutor Eck. para todos Aqueles que estão Deixando sua Condição de Padre. com uma volta à Escritura Sagrada. Dreher. Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. Donaldo Schüler. Sander. Luis M. Sermão no Domingo de Páscoa em Coburgo. esperança e certeza de um teólogo cristão. Um Novo Prefácio de Martinho Lutero. Lutero contribui com os seguintes tratados: Prefácio ao Primeiro Volume da Edição Completa dos Escritos Latinos. Vols. O Discurso de Lutero na Assembléia de Worms. Beck. e Demitir Professores. Martim C. Por Martinho Lutero. Seleção pela Comissão Obras de Lutero: Joachim Fischer. Prefácio do Hinário de Wittenberg.tórico da vida e da obra de Lutero. Martim C. Carta de Lutero a Espalatino. São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia. Carta a seu Filho Hans. Chamar.

O Debate de Heidelberg. Venerabilíssimo Sacramento do Batismo. Do Cativeiro Babilônico da Igreja. às universidades. À Nobreza Cristã da Nação Alemã. Schlupp. Breve Forma do Pai-Nosso. Em excelente tradução de Walter 0. Cláudio Molz. Das Boas Obras. Luís M. Legado Apostólico em Augsburgo. a respeito da Santa Missa. Relato do Fr. Hasse. Condenção Doutrinai dos Livros de Martinho Lutero. Debate e Defesa do Fr. Apelação do F r . sobre o Encontro com o Sr. Modo de Confessar-se. Tratado de Martinho Lutero sobre a Liberdade Cristã. Um Sermão a respeito do Novo Testamento. Isto É. Carta de Lutero a Leão X. Um Sermão sobre o Venerabüíssimo Sacramento do Santo e Verdadeiro Corpo de Cristo e sobre as Irmandades. IGREJA LUTERANA/NÚMERO 1/1991 125 . Martinho Lutero ao Concilio. Agostiniano. Uma Breve Instrução sobre Como Devemos Confessar-nos. I: Os Primórdios. Breve Forma dos Dez Mandamentos. Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça. Comentários de Lutero sobre suas Teses Debatidas em Leipzig. Ilson Kayser. Um Sermão sobre a Excomunhão. às paróquias e pessoas que queiram conhecer Lutero. Os volumes 3 e 4 já estão traduzidos e devem aparecer na imprensa em pouco tempo. Dreher. Martinho Lutero. traz os Escritos de 1517 a 1519. Sermão sobre o Poder da Excomunhão. Sander e Annemarie H ö h n temos os seguintes tratados: Debate sobre a Teologia Escolástica. acerca da Melhoria do Estamento Cristão. Todo pastor e estudante de teologia vai se beneficiar com estas leituras em Lutero. Sumo Pontífice. João Eck. Um Sermão sobre a Contemplação do Santo Sofrimento de Cristo. O V o l . Explicações do Debate sobre o Valor das Indulgências. Um Sermão sobre o Santo. e no final três Sermões sobre os Sacramentos. Schlupp. Roma contra o Celebérrimo Romanista de Leipzig.O vol. Ilson Kayser. Sermão sobre o Sacramento da Penitência. II: O Programa da Reforma. Sermão sobre as Duas Espécies de Justiça. Por que os Livros do Papa e de Seus Discípulos Foram Queimados pelo Doutor Martinho Lutero. O programa de publicações das Obras Selecionadas prevê um total de dez volumes. Breve Forma do Credo. Um. Feita por Alguns Mestres Nossos de Lovaina e Colônia. traz os Escritos de 1520 numa tradução de Martin N. Martinho Lutero contra as Acusações do Dr. Luís M. Martinho L. mas a tradução está em linguagem acessível ao grande público. Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências (95 Teses). A respeito do Papado em. Um Sermão sobre a Preparação para a Morte. Lutero trata dos seguintes temas: Catorze Consolações. Sander e Walter O. Comentário de Lutero sobre a 13ª Tese a respeito do Poder do Papa (Enriquecido pelo Autor).

Todos os tratados de Lutero vêm com uma introdução escrita por membros da Comissão Obras de Lutero e muitas notas de pé-de-página que ajudam o leitor a conhecer melhor a história e as circunstâncias que motivaram os escritos de Lutero. pais da igreja citados por Lutero. Desta forma os volumes se constituem em valiosa enciclopédia e manual de informações sobre o período da Reforma luterana e os. Martim C. Warth 126 IGREJA L U T E R A N A / N Ú M E R O 1/1991 .

RS 19 9 1 .Canoas.LA SALLE Composição. impressão e acabamento na Tipografia e Editora La Salle .

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