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SENTINDO QUE A REDENÇÃO ESTAVA A CAMINHO, DANIEL SE

DESESPEROU. Tinha que correr antes que fosse tarde, antes que ela o pegasse com
força suficiente para derrubá-lo. Tinha que terminar o que tinha que fazer. O que já devia
ter feito. Mas precisava ver alguém antes disso. E era difícil. Doía pensar que seria a
ultima vez que a veria.

Nunca pensara que isso fosse acontecer, não com ele. Se tudo deu errado fizera a
escolha errada. Então, não era mesmo para estar respirando. Devia mesmo se importar
com isso? Agora já era. Acontecerá o que já deveria ter ocorrido, mas agora, nenhuma
escolha seria feita. Estava decidido e era o único caminho justo.

Era uma tarefa fácil, não é? Matar ou morrer. Bastava cumpri-la e seu tempo
aumentaria como recompensa. Por que fraquejara?

O sentimento misturando culpa, medo, desespero e ódio de si, estava ficando mais
forte. Era uma dor mental, que mexia com seus nervos, o enlouquecia. Ele queria gritar,
gritar para tentar aliviar o que sentia. Mas os gritos não saiam.

Ele afastou a arma do pescoço, sentindo-se mais sujo ainda. Suicídio é repugnante. Já
bastava o que fizera. Isso seria demais. Os outros Magos cuidariam dele. Mas o que faria
até lá?

A Redenção queimava insuportavelmente sua cabeça. Não haviam saídas. Ela o


consumiria por bastante tempo até o laço desatar-se. Ele deixou a arma cair. Ela bateu no
chão com um baque surdo.

O fim estava chegando. A morte esticava a mão para alcançá-lo. Ele sabia. O selo se
rompera faltava o laço ser cortado.