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Monografia Tecnologia Educacional

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FACULDADE DOM BOSCO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “Lato Sensu” ESPECIALIZAÇÃO EM TECNOLOGIA EDUCACIONAL

RÁDIO ESCOLAR: ESPAÇO DE COMPREENSÃO CRÍTICA DA MÍDIA, DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA E DE USO DE GÊNEROS TEXTUAIS ESCRITOS E ORAIS COMO OBJETO DE ENSINO

MARILEY MAKUFKA

Cascavel – PR 2010

MARILEY MAKUFKA

RÁDIO ESCOLAR: ESPAÇO DE COMPREENSÃO CRÍTICA DA MÍDIA, DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA E DE USO DE GÊNEROS TEXTUAIS ESCRITOS E ORAIS COMO OBJETO DE ENSINO

Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação Lato Sensu da Faculdade Dom Bosco, como requisito parcial para obtenção título de Especialista em Tecnologia Educacional.

Orientador: Leandro da Silveira, Msc

Cascavel – PR 2010

MAKUFKA, Mariley. Rádio Escolar: espaço de compreensão crítica da mídia, de aprendizagem colaborativa e de uso de gêneros textuais escritos e orais como objeto de ensino / Mariley Makufka – 2010. 56p.

Orientador: Leandro da Silveira, Msc

Monografia (Especialização Lato Sensu acadêmica em Tecnologia Educacional) – Curso de Pós-Graduação em Tecnologia Educacional – DOM BOSCO, 2010.

MARILEY MAKUFKA

RÁDIO ESCOLAR: ESPAÇO DE COMPREENSÃO CRÍTICA DA MÍDIA, DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA E DE USO DE GÊNEROS TEXTUAIS ESCRITOS E ORAIS COMO OBJETO DE ENSINO

Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista no Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Tecnologia Educacional da Faculdade Dom Bosco.

Cascavel, ___ de _______________ de 2010

__________________________________________ Prof. Dr. Isaías Régis Coordenador do Curso

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________ Prof. Leandro da Silveira, Msc. Orientador

__________________________________________ Prof.

___________________________________________ Prof.

Dedico esse trabalho ao meu marido “Julian Silva” ao qual agradeço o incentivo, a compreensão, o amor e o carinho sempre recebido.

carinho e amizade. o que representa para mim e outros educadores a possibilidade de contar com uma qualificação para atuar em salas informatizadas na rede municipal de ensino de Florianópolis. o qual me estimulou a buscar novos conhecimentos e a seguir seu exemplo.AGRADECIMENTOS Agradeço a UNIESC pela inciativa de abrir uma turma de especialização em Tecnologia Educacional. por indicar a UNIESC para obter formação na área de Tecnologia Educacional. Agradeço por sua generosidade. Agradeço de modo especial a atual coordenadora da sala informatizada da Escola Básica Municipal Dr. Paulo Fontes. professora Ivete Tereza Hofmann. . A ela agradeço por avistar nos outros educadores aliados e parceiros para conquista de novas oportunidades e melhores condições de trabalho. A ela agradeço pelas aprendizagens que obtive nas parcerias de trabalho e reconheço seu exemplo de profissionalismo. Agradeço ainda a professora Andressa Danielle Silva a iniciativa de buscar a abertura de uma turma de especialização em Tecnologia Educacional.

advinda. das tecnologias da comunicação e informação precisa também se comunicar no espaço escolar e pedagógico. Nesse processo. 2006. construção e disseminação do conhecimento e da cultura”. a Radioescola pode ser um recurso para o exercício da cidadania. 2) . além de respeitar a bagagem cultural que o aluno traz para a sala de aula.“Necessita-se observar que a escola deixou de ser legitimadora do saber e precisa. (Zeneida Alves de Assumpção. p. especialmente.

usou-se de metodologia científica com métodos adequados. Por fim. de finalidade pura e nível descritivo. teve-se como resultados mais expressivos a consideração de que propostas pedagógicas de uso de rádio escolar favorece o desenvolvimento de aprendizagens colaborativas e ainda auxilia a criação de ambientes propícios para o letramento dos educandos. assim como. ao utilizar-se como instrumento de ensino os gêneros textuais escritos e orais na criação de programas radiofônicos. sendo de abordagem dedutiva com método de investigação qualitativa do tipo monográfico. . Para tanto. Tem-se como objetivo explicitar as aprendizagens que podem ser desenvolvidas em ambientes de trabalho educativo com rádio escolar. no qual utilizou-se de procedimentos de pesquisa bibliográfica e webgráfica. o tema rádio escolar. Justifica-se a pesquisa deste tema por instigar a formação de educandos capazes de refetir sobre os conteúdos midiáticos e sobre a ampla varidade de textos que circulam na vida social. sejam escritos e/ou orais. delimitando para compreendê-la como espaço de compreensão crítica da mídia.RESUMO Aborda-se nesta pesquisa. de aprendizagem colaborativa e de uso de gêneros textuais escritos e orais como objeto de ensino. favorecer aprendizagens colaborativas na produção de textos e programas radiofônicos em diferentes gêneros. Aprendizagem colaborativa. Gêneros textuais escritos e orais. Palavras-chave: Rádio escolar.

........... 37 ...........................LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Comparação entre a aprendizagem de equipe cooperativa e grupo tradicional ................................................................................

.. 39 2.......................................................1 Mídia radiofônica no contexto escolar..............1 Considerações finais ............................................1 Gêneros textuais escritos e orais a serem explorados em programas de rádio escolar................... 14 2 DESENVOLVIMENTO........ 13 1.................... 46 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES .............. 17 2......................................................1........................................................................................1 Função social da mídia na sociedade e na educação..............3........................................................................1 Objetivo geral..2 Problema de pesquisa ..2... 11 1.......... 10 1.......... 12 1................................................................................................5 Estrutura do trabalho ................................................... 49 3.................... 11 1........................................ 17 2..................1 Justificativa do tema ................................................................................................................................................................................................................3......2........................ 54 ..........................3......................3 Objetivos ........... 52 REFERÊNCIAS ..............SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................................................................................................................... 12 1.......................................................2 Sugestões...........................................................1 Problema genérico........................................ 49 3.............. 31 2............................2 Objetivos específicos.......4 Metodologia científica da pesquisa....................................................... 38 2.....................................2 Perguntas de investigação...................................2 Pressupostos da aprendizagem colaborativa...............3 A importância dos diferentes gêneros textuais e orais para subsidiar práticas de letramento........................................................1 A rádio escolar como proposta pedagógica de subsídio a aprendizagens colaborativas........................... 12 1.............................................. 25 2........................... 12 1....................................2......... 09 1..........................

incitando-se o compartilhamento de idéias. Este trabalho cogita a contribuição da rádio escolar como instrumento de ensino eficaz para o exercício da cidadania e desenvolvimento da oralidade e da escrita. A escola não é a única possibilidade de aquisição de conhecimentos e habilidades. . fazendo com que a escola deixe de ser restrita a linguagem conteudista. com atividades significativas de elaboração de programas radiofônicos que estimulem a pesquisa. faz-se com que os educandos tenham acesso e compreendam outras linguagens. leitura e escrita. por isso. com a intenção de divulgar valores e conhecimentos que questionem à ordem vigente. Acredita-se que a rádio escolar. Assim. pois cria condições para que os alunos interajam com situações mais próximas do seu cotidiano. Considera-se que sua inserção no espaço escolar contribui para uma educação mais criativa e motivadora. é procurar maneiras mais criativas e motivadoras de interação com as linguagens dos meios midiáticos e da cultura tecnológica. como projeto educativo. através de atividades de produção de programas radiofônicos.9 1 INTRODUÇÃO A pesquisa apresenta conceitos importantes para que os educadores percebam os significados ocultos da mídia. cria oportunidades de tornar as escolas atraentes ao público infantil e jovem. Compreende-se que a reflexão crítica sobre as mensagens produzidas e divulgadas por ela nos permite agir sobre o mundo. Ao desenvolver habilidades para o uso crítico da mídia. Um dos grandes desafios da escola. cabe aos educadores desenvolver intervenções no sentido de leitura crítica e educativa dos diversos conteúdos propagados nas diferentes mídias. apresenta-se a rádio escolar como estratégia essencial para desenvolverem-se aprendizagens colaborativas. o respeito às diferenças e o diálogo entre os educandos e docentes.

regula vidas. exigindo a capacidade de pensar criticamente a realidade. A escola. Entretanto. supérfluo e vazio. pois informa pontos de vista. Nesse sentido.1 Justificativa do tema A mídia se estrutura em uma forma ágil de transmissão. As transformações em nossa cultura implicam que os educadores provoquem mudanças na prática educacional. Cada vez mais a compreensão do mundo é influenciada pela mídia. armazenamento e difusão de informações. influencia processos de formação. selecionar. que define comportamentos. A escola deve contribuir para que os sujeitos percebam os mecanismos de produção e regulação das mídias e para que os educandos tenham a capacidade de ler. projetos de Rádio Escolar poderão romper com os limites que fragmentam as disciplinas ao apresentar possibilidades de estimular os estudantes a . reforça formas de conduta e valores culturais. que reforça formas de conduta e valores culturais que representam estruturas de poder na sociedade. de formular novas categorias de análise e de incorporar outras problemáticas para o processo ensino-aprendizagem. Um dos desafios atuais da educação é estimular o uso de tecnologias e ao mesmo tempo não permitir que o conhecimento se torne fragmentado. de reinventar conceitos. que difunde idéias e que compartilha com a escola e a família a tarefa de socialização e de formação dos sujeitos. criticar e resignificar o mundo. reprodução.10 1. a mídia se constitui como uma mediação cotidiana das relações sociais. também possibilita aos estudantes uma condição de produtores e de consumidores críticos. Ela influencia o processo de formação dos indivíduos. constituindo-se como sujeitos autônomos. ao integrar o uso de novas tecnologias e ao realizar mediações sobre os discursos veiculados pela mídia.

11 produzirem conteúdos significativos de sua realidade. A partir dessa análise pretende-se investigar o potencial pedagógico de propostas de uso da Rádio Escolar como uma importante ação pedagógica que visa contribuir para a formação de educandos capazes de refletir sobre a ampla variedade de textos que circulam na vida social.2 Problema de pesquisa As perguntas de investigação que direcionaram o presente estudo foram: 1. se pretende explicitar o significado da mídia.2. 1.2. com atenção aos problemas atuais de nossa sociedade e a partir disso compartilhar suas ideais e análises.1 Problema genérico • Quais aprendizagens e habilidades que podem ser desenvolvidas em projetos de Rádio Escolar? 1.2 Perguntas de investigação . A fim de conhecer outras possibilidades de mediação no processo de ensinoaprendizagem. suas potencialidades e limitações de modo a estimular uma visão crítica dos conteúdos midiáticos que educandos e educadores consomem. de produzir textos em diferentes gêneros e ainda de construir aprendizagens colaborativas na elaboração de programas radiofônicos educativos.

1 Objetivo geral • Nesta pesquisa o objetivo geral é explicitar as aprendizagens e habilidades que podem ser desenvolvidas em ambientes de trabalho educativo com rádio escolar. Descrever as possibilidades de promover apredizagens colaborativas entre educandos e docentes em ambientes de trabalho educativo com Rádio Escolar. 1.3 Objetivos A pesquisa buscou identificar os seguintes objetivos: geral e específicos.12 • • Qual a função social da mídia na sociedade e na educação? Ambientes de trabalho educativo com Rádio Escolar oferecem subsídeos para promover apredizagens colaborativas entre educandos e docentes? • Que gêneros textuais escritos e orais podem ser utilizados como objetos de ensino na elaboração de programas de Rádio Escolar e quais as suas características? 1. • Identificar os gêneros textuais escritos e orais que podem ser utilizados .2 Objetivos específicos • • Caracterizar a função social da mídia na sociedade e na educação.3.3. 1.

descrever pormenorizada ou relatar minuciosamente o que os diferentes autores ou especialistas escrevem sobre o assunto e. para efeito da apresentação e resenhas. p.4 Metodologia científica da pesquisa O método da abordagem da base lógica da investigação é dedutivo porque através do tema geral “Rádio Escolar”. Do ponto de vista da abordagem dos problemas a serem investigados. A investigação é do tipo monográfico porque a investigação aborda o estudo de um único tema. De acordo com Gil (2009. p. 117): A abordagem qualitativa nos leva. examinando os fatores que o influenciam e analisando-os em diferentes aspectos. a uma série de leituras sobre o assunto da pesquisa. de acordo com a acepção clássica. A finalidade da pesquisa é pura e visa satisfazer uma necessidade intelectual da . Oliveira (2002. ao final. optou-se por realizar uma a pesquisa qualitativa do tipo monográfico O emprego da abordagem qualitativa facilita a compreensão do objeto de estudo porque demanda uma revisão bibliográfica. a partir daí. os argumentos que respondem aos problemas da pesquisa são dedutivos. a seguir. divide-se e analisa-se o tema em três partes.13 como objetos de ensino na elaboração de programas de Rádio Escolar e descrever suas características. em virtude única de sua lógica. ou seja. porque apresenta idéias iniciais de que se parte para formar um estudo. 9): O método dedutivo. Conforme. darmos nosso ponto de vista conclusivo. isto é. 1. é o método que parte do geral e. desce ao particular. Parte de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de maneira puramente formal. estabelecer uma série de correlações para. entretanto. Entretanto.

relata-se motivos que demonstram a importância de desenvolverem-se projetos pedagógicos de rádio escolar como um meio para possiblitar uma visão crítica da mídia aos educandos e docentes.14 pesquisadora.5 Estrutura do trabalho O trabalho está organizado em três seções. Na segunda seção. com vistas na construção de teorias e leis. p. pois esta possibilita escrever as características do objeto de estudo. o desenvolvimento. 50): “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Seu desenvolvimento tende a ser bastante formalizado e objetiva a generalização. 1. sendo a introdução. que possuiu como meta o saber. 28): “As pesquisas deste tipo têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. ressaltando-se a contribuição da rádio escola como instrumento de ensino eficaz para desenvoler a oralidade e a escrita e aprendizagens colaborativas. Diante da finalidade do estudo que é explicitar as aprendizagens que podem ser desenvolvidas em ambientes de trabalho educativo com Rádio Escolar. explicitando-a . apresenta-se a importância deste estudo para desmistificar os significados ocultos da mídia e ainda favorer aos educandos uma leitura crítica dos conteúdos que veicula. p. De acordo com Gil (2009. o desenvolvimento e as considerações finais e sugestões. Com relação aos procedimentos técnicos de coleta a pesquisa é bibliográfica e webgráfica. p. De acordo com Gil (2009. procura desenvolver os conhecimentos científicos sem a preocupação direta com suas aplicações e consequências práticas. 26): A pesquisa pura busca o progresso da ciência. optou-se realizar uma pesquisa descritiva. Na introdução. Para Gil (2009.

A diante. No segundo subtítulo. No terceiro subtítulo. reflete-se sobre a possibilidade de desenvolver aprendizagens colaborativas em propostas de rádio escolar. deste modo. Assim. descreve-se a importância dos estudos relacionados à mídia. relações de classe. .15 como estratégia que favorece aprendizagens colaborativas e que subsidia práticas de letramento que se apoiam em diferentes gêneros textuais escritos e orais. desvela-se a importância de um processo de ensino-aprendizagem baseado na colaboração. senso comum. realiza-se uma discussão teórica sobre a importância de envolver os educandos em práticas sociais de leitura e de escrita. desenvolve-se a pesquisa em três subtítulos para facilitar a compreensão. Assim. “A importância dos diferentes gêneros textuais escritos e orais para subsidiar práticas de letramento”. a partir de diferentes leituras se esclarece a importância de projetos de rádio escolar para subsidiar práticas de ensinoaprendizagem de diferentes gêneros textuais orais e escritos. destacando-se o reconhecimento das vantagens da heterogeneidade e das diversidades culturais. Portanto. menciona-se a importância dessa estratégia de ensino para motivar a aprendizagem e acolher a diversidade das necessidades educativas dos educandos. em que se desmistifica a necessidade dos educadores compreenderem a sua função social na sociedade e na educação. mídia e comunicação. conhecimento científico. Assim. descrevendo-se os gêneros mais utilizados em programas radiofônicos e suas respectivas finalidades. entre eles: totalidade. esclarecendo-se o conceito de letramento. “Pressupostos da aprendizagem cooperativa”. Em seguida. descreve-se a importância de desenvolver projetos de mídia radiofônica no contexto escolar. no primeiro subtítulo “Função social da mídia na sociedade e na educação”. Entretanto. exploram-se conceitos fundamentais para compreender e articular a materialização de projetos pedagógicos de rádios escolares.

onde percebeu-se que propostas de uso pedagógico de rádio escolar podem promover um espaço mais atrativo para os educandos. com condições de contribuir para o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita. considerações finais e sugestões. que representa a possibilidade de autoria e gestão dos programas radiofônicos pelos educandos sob orientação dos professores. Um espaço que pode ser utilizado pelos professores para a orientação à pesquisa e a condução da escrita.16 Na terceira e última seção. permitindo um processo de participação e compartilhamento de informações na comunidade escolar. estão tecidas as reflexões sobre da autora em resposta a pesquisa elaborada no tema rádio escolar. .

uma abordagem sobre a importância dos estudos sobre a mídia. Tornar o espaço educativo atrativo ao público jovem requer repensar a educação. a televisão. a qual é analisada sob três aspectos. entre eles: a rádio escolar enquanto espaço de compreensão crítica da mídia. e a rádio escolar enquanto estratégia de ensino-aprendizagem de diferentes gêneros textuais escritos e orais e consequente subsídio para práticas de letramento.17 2 DESENVOLVIMENTO Faz-se nesta seção.1 Função social da mídia na sociedade e na educação O processo de ensino aprendizagem não pode mais considerar a educação baseada unicamente na lógica da linguagem escrita. assegurando a expressão de diferentes formas e em diversas práticas sociais. O desenvolvimento da pesquisa apresenta questões relevantes para o estudo que enfoca como tema principal a rádio escolar. os jogos eletrônicos e a internet fazem parte da vida dos estudantes. Compreende-se que a apreensão sobre a intencionalidade da mídia e da rádio escola permite que os sujeitos reflitam sobre o que acontece no mundo. Seus conteúdos exercem poder de influência cultural nos modos de agir e nos valores defendidos. de modo que se que faça uma leitura crítica sobre ela para compreender sua influência no processo de formação dos sujeitos. tornando os sujeitos mais comunicativos e autônomos para produzirem suas próprias mensagens. oferecendo novas alternativas para que os indivíduos possam interagir e se expressar. Cabe a escola a tarefa fundamental de dominar as linguagens midiáticas. a rádio escolar enquanto recurso para desenvolver aprendizagens colaborativas. estimulando um senso crítico perante esses meios. O rádio. 2. assim .

As distâncias foram encurtadas. 135) que “no segundo momento. tudo está ligado a uma rede planetária. Segundo Silva (2004. Com a criação da internet alteram-se as relações de trabalho. Para Melo e Tosta (2008. em sua essência. a presença da técnica passou a ser o novo modo pelo qual os homens dialogam à distância”. Nos seus primórdios a comunicação foi mediada por sons. p. a mídia foi se modificando constantemente no decorrer da história até atingir grandes multidões com a invenção do rádio e da televisão. A invenção da prensa por Gutenberg permitiu que as mensagens fossem reproduzidas com grande rapidez. com advento das tecnologias e sua inserção na vida social e produtiva dá inicio a segunda fase. “a comunicação. é um acontecimento social. p. gestos e escritos que resultou no nascimento da linguagem. não há fronteiras. o telefone e a internet possibilitaram que a comunicação acontecesse em tempo real.18 questiona-se: Qual a função social da mídia na sociedade e na educação? Que conceitos são fundamentais para compreender e articular projetos pedagógicos de rádio escolar? Na pré-história o homem se comunicava através de gestos e expressões faciais. “nesta idade a comunicação deixou de ser mediada para se tornar midiática. configura-se uma civilização diferente. com a invenção da escrita passou a registrar a sua história eternizando suas idéias. a humanidade passa a registrar e consultar o andamento de sua história sem que para tanto necessite da figura do sujeito que conta diretamente o evento”. Posteriormente. 152). Atualmente a tecnologia mais usada na comunicação é a audiovisual. dando início a produção em série. Considera Silva (2004.15). isto é. que o indivíduo faz parte do coletivo”. Tanto Silva (2004). Destaca-se neste período histórico a invenção da . registram que a história dos meios de comunicação integra três momentos distintos. Assim. que desafia o tempo e o espaço. quanto Melo e Tosta (2008). através dessa técnica. É através dela que a vida em sociedade se viabiliza. a vida social e as formas de aprender. p.

o homem passou a dispor de inúmeras possibilidades de transmitir idéias. político. p. ou seja. seja na arte. por que é importante compreender sua função na sociedade? Considera-se que esse entendimento é necessário devido à sua larga utilização. Presentemente. (VERMELHO 2002. somos cotidianamente influenciados pela tecnologia. o rádio. Pondera-se que a mídia transmite conteúdos e significados que se movem através do tempo e do espaço. 33) “a tecnologia constitui um novo tipo de sistema cultural que reestrutura todo o mundo social como objeto de controle”. histórico. p. há um forte apelo ao visual na disseminação de diferentes representações sobre os fatos do mundo. “boa parcela dos jovens passam mais tempo na frente de uma tela do que conversando ou convivendo com outros. Seu uso faz parte de nosso cotidiano e por isso não pode ser negada pela escola ou qualquer outra instituição. na música. 41). econômico e cultural no qual vivemos. a comunicação deixa de ser apenas midiática para se tornar digital. Pode-se dizer que presenciamos a era da imagem e do som. a telefonia celular e a informática. na dança ou em outros artefatos sociais. que transitam sob diferentes tecnologias usadas na comunicação de massa. a formação de sua personalidade está sendo muito fortemente influenciada pela mídia”. pois. negar esta realidade ou aceitá-la sem uma reflexão crítica impede o nosso papel de agir sobre o mundo.19 fotografia e do jornal. Para Sancho (1998. No momento social. exercendo influências sobre as idéias e ações do homem. portanto. a televisão. . exerce a função de mediação. Os grandes inventos do terceiro momento foram o cinema. Com o uso da mídia. ou seja. Conhecer melhor a forma de produção e difusão da informação nos ajuda a fugir da alienação a qual a mídia pode nos submeter. Sendo a mídia uma tecnologia de comunicação.

econômico. os quais não são explicitados a fim de garantir poder às classes dominantes. satélite). sons. é necessário integrar o estudo da mídia no currículo. Tem-se em vista que a escola não é a única possibilidade de aquisição de conhecimentos e habilidades para viver em sociedade. religioso. ético. favorecendo as aprendizagens do mundo e sobre o mundo. jornais. comportamentos. porque os alunos permanentemente internalizam representações sobre ela. desvendando os significados ocultos.20 As informações midiáticas podem ser representadas por diferentes alternativas: em imagens. etc. e a novas mídias decorrem de tecnologias recentes (informática.27). etc. cartazes. malas-direta. cabe compreender os processos de recepção das mensagens da mídia para desenvolver intervenções no sentido da leitura crítica e educativa. As mudanças que ocorrem no mundo fazem com que a escola necessite responder aos desafios da atual fase do capitalismo. folhetos. educativo. atitudes. As mídias eletrônicas se constituem de veículos como o rádio. a televisão e o cinema. Conforme o dicionário Houaiss (2001) é classificada em eletrônica. Melo e Tosta (2008. deve propiciar reflexões a seu respeito e sobre conteúdos que veicula. à instituição de ensino cabe estar atenta a essa disseminação de idéias que dizem respeito a valores. Por sua vez. enfatizam que: A mídia é em larga medida. sobretudo a dos meios eletrônicos como a TV e o rádio. A escola como instituição de socialização não pode abrir mão de seu papel de mediação. produtora e conformadora de discursos de todas as ordens (político. Os estudos relacionados à mídia são importantes. textos e vídeos. Pressumi-se que deve-se estudá-la como processo de mediação. moral. no sentido de problematizá-la nos tempos e espaços escolares. dentro outros). a mídia impressa por veículos como revistas. impressa e novas mídias. p. Como ressaltam os pesquisadores. com mudanças centradas na . pois são grandes fontes de informação e de alcance popular que atingem todas as classes sociais.

tendo em vista a integração dos conteúdos e das práticas pedagógicas a este novo cenário. desenvolvendo o sentido da singularidade. compromisso político e da organização das classes populares. torna-se possível à medida que a escola interage com outros atores sociais. abstrata.21 informação e nas novas tecnologias. alienada e alienante. da autonomia. na qual os fenômenos e os fatos sociais interagem e que podem ser compreendidos. bem como dos aspectos ideológicos presentes na mídia. a escola deve assumir um compromisso político com uma ação transformadora da vida social. que propicie uma compreensão crítica das condições sociais. É nessário trabalhar com os alunos na possibilidade de sua totalidade. No entanto. A relação entre a classe dominante e a classe popular se caracteriza por uma totalidade complexa. Os educadores necessitam compreender que as práticas pedagógicas não são neutras. níveis de conhecimento. porque não está referida à totalidade. . alterando-se assim entre momentos de subordinação. de modo global e a sua dimensão histórica. Construir coletivamente um conhecimento transformador. que correspondem aos diferentes níveis de consciência. os quais originam ações que podem ser voltadas para a reprodução das desigualdades ou para a transformação social. Somente uma ação transformadora permitirá aos sujeitos desenvolver sua consciência diante das relações de poder que tentam conservar a situação atual. são fundamentais para o processo de reconstrução social. Segundo Maccariello (2003. Na ação pedagógica estão presentes as concepções de mundo. Esta relação possui momentos diferenciados. na sua essência. no verdadeiro significado do humano. da dimensão da solidariedade. que variam de acordo com as circunstâncias históricas. pela pluralidade de grupos e conflitos de interesses que nela interagem. p. quando se estabelecem as suas interações. 34): Uma prática pedagógica desvinculada do contexto social tende a ser uma prática tecnicista. e ao mesmo tempo.

Para Fiske (apud OROFINO 2005. senso comum. o saber proveniente do senso comum compreende apenas o imediato. essa contestação assume a forma de luta pelo significado. conhecimento científico. p. em termos de estrutura de dominação e subordinação que nunca é estática. da sociedade como um todo. No domínio da cultura. mas que é sempre um local de contestação e luta. ao passo que as classes subordinadas resistem a este processo de várias maneiras. fornecendo critérios. sem análise reflexiva sobre os conteúdos e/ou fatos. relações de classe. Define-se como senso comum. Os conceitos de totalidade. . referências para a condução da vida diária. baseadas no senso comum. não estabelece conexões com a totalidade social.22 transgressão e negociação. na qual as classes dominantes tentam “naturalizar” os significados que atendem aos seus interesses dentro do “senso comum”. p. o conhecimento produzido de forma superficial. constantemente divulga informações que visam aos interesses de classe e/ou de mercado. Ela filtra e molda realidades cotidianas por meio de suas representações singulares e múltiplas. e em níveis variantes. Um conhecimento obtido pelo dispêndio do menor esforço possível e com reduzidos recursos metodológicos. mídia e comunicação são essenciais para materializar projetos de rádio escolar. A mídia. Com a apropriação desses saberes os professores terão condições de desocultar os conteúdos divulgados na mídia e de exercer suas atividades com pertinência. e buscam construir significados que atendam aos seus interesses. 121): As relações sociais são compreendias em termos de poder social. e a luta social – ou nos termos marxistas tradicionais. O poder social é o poder de ter os interesses de uma classe ou grupo atendidos pelas estruturas sociais como um todo. Evidentemente. que faz com que o sujeito atinja apenas a compreensão da aparência das coisas. para a produção e manutenção do senso comum”. 20): “é no mundo mundano que a mídia opera de maneira mais significativa. Segundo Silverstone (2005. a luta de classe – é a contestação deste poder pelos subordinados. Cabe entender que os professores necessitam de conhecimentos teóricos que sustentem as suas práticas para realizá-las com intencionalidade e sentido.

contribui para superar a visão parcial dos fenômenos sociais. Com a explosão de informações provenientes dos meios de comunicação de massa percebe-se que a atual função do professor não é mais informar . em constante criação pela atividade dos atores sociais. É a linguagem das imagens intermediando o processo comunicacional a partir de um suporte tecnológico. em uma realidade contraditória.23 O saber científico implica em uma prática reflexiva. Nossa sociedade ampara-se atualmente em referenciais informativos de tecnologia digital. historicamente. p. pois produz um conhecimento mais amplo. resultam em ações e maneiras diferenciadas de interpretar o mundo. nesta ação se transformam. ou melhor. passando a intervir no mundo de forma livre e consciente. Em suma. assim. Mas afinal. transformará as estruturas que se submete em instrumentos de emancipação. 43): A totalidade é compreendida quando se estabelece a vinculação das partes com o todo e das partes entre si. 39): Mídia é um vocabulário que se origina do latim midium e significa “meios”. É algo que medeia. entende-se o conceito de mídia como conteúdos que se desenvolvem nas relações de comunicação entre os sujeitos. a história. No momento em que o homem superar o senso comum. isto é. caracterizado pela compreensão dos fenômenos sociais no interior de suas relações. que está no meio. A realidade na sua totalidade concreta só pode ser apreendida quando se remete a sua dimensão social e histórica – o modo como. p. com a intenção de produzir significados. produzindo. a “consciência verbal” como conceituado por Maccarielo. o que a mídia representa em nossa sociedade? Como podemos conceituá-la? De acordo Vermelho (2002. com intencionalidade. estruturado pelo suporte tecnológico. em processo e inacabada. Segundo Maccariello (2003. com sentido. considerando o seu movimento. o conhecimento e a cultura. Por sua vez. os atores sociais em suas atividades transformam a realidade e. aquilo que intermedeia a comunicação entre sujeitos. Na nossa sociedade “mídia” passou a ser sinônimo de “meio de comunicação”. que por sua vez.

p. O sistema educacional deve ser capaz de estimular nos estudantes o interesse pela aprendizagem e. Por não conhecer o novo espaço e tempo que está sendo desafiada a desempenhar. Evidentemente. a escola passa a ocupar um novo espaço e tempo na sociedade. “Por isso. logo porque as informações são amplamente divulgadas através do rádio. dos jornais. das revistas. a escola se debate para reverter às contradições das quais se reveste. sendo desafiada a envolver-se com a educação permanente. uma das principais funções da escola é motivar o aluno a ‘aprender a aprender’”. que o empenho pela busca de novos conhecimentos seja mantido ao longo da vida profissional. da TV. Ademais. por outro lado essa preocupação não é suficiente para caracterizar a escola como instituição educativa. da internet e outros meios midiáticos. estará cada vez mais sujeito ao impacto das novas tecnologias.24 o que acontece no mundo. sobretudo. 2001. a escola que atender apenas os apelos imediatos do mercado não estará cumprindo a sua função histórica de preparar o trabalhador e também o cidadão. Atualmente. 221). É fora de dúvida que a função social da mídia na sociedade é exercer o papel de . Atualmente cobrada por alunos que procuram respostas aos seus anseios que estão relacionados ao ingresso e/ou manutenção no mercado de trabalho. que evidentemente. Nota-se que é necessário trabalhar na qualificação dos alunos. cidadãos com deveres. pouco contribuirá com os estudantes no sentido de se compreenderem como seres históricos e sociais. alerta que se não for flexível ao espaço e tempo do qual faz parte. Contudo. Bianchetti (2001) considera que essa função de intermediação pode ser mais bem desempenhada por aquelas pessoas ou instituições que vierem a dispor das novas tecnologias de informação e comunicação. (BIANCHETTI. mas também com direitos inalienáveis.

Não há escola que conviva sem a presença de alguma influência da cultura das mídias. expressando uma luta social para constituir mídias comunitárias que visem atender aos interesses de um coletivo. a gestão popular. entretenimento. a participação. abre-se a possibilidade de dar voz à população para que exteriorizem suas angústias. p. utiliza-se de todo o seu poder para garantir a manutenção do status quo. “A TV e o rádio cobrem 98% do território brasileiro. seus problemas cotidianos e sua tradição cultural. 2008). p. (ZENEIDA. Como afirma Goidanich (2008. 1): “a mídia. levando informações. produzindo sentido e opinião pública. 2.1 Mídia radiofônica no contexto escolar As crianças. a divulgação de informações e conhecimentos contrários à ordem vigente. (OROFINO. ou seja. a função social da mídia na educação deve ser de crítica aos valores divulgados na comunicação de massa. 2005. os jovens e os adolescentes convivem hoje com as novas tecnologias e trazem para a sala de aula uma bagagem educativa e cultural advindas das mídias (eletrônicas) e da multimídia (internet). sempre a serviço de interesses econômicos e políticos. usando suas tradições culturais como mediação comunicativa. Logo. um bom caminho para substituir os meios de comunicação de massa por outros que permitam o acesso. Com o desenvolvimento de mídias comunitárias nas escolas.25 mediação na difusão de valores culturais e formas de conduta que visam adequar a vida social dos indivíduos aos interesses das classes dominantes. . porém sem dispor dos mesmos recursos e poderes”. enfim. enquanto para a educação sobra a função de crítica e filtro. 40). valores éticos e políticos aos mais distantes recantos do país”.1.

] a escola precisa urgentemente ultrapassar os limites de seus muros e levar as mídias para dentro das salas de aula. televisão. etc). p. canalize sua atenção para aulas exclusivamente expositivas? Neste aspecto pode-se refletir com Zeneida (2008. por ter alto potencial de penetração e aceitabilidade. no seu cotidiano. Conforme Zeneida (2008. p. A cultura midiática é uma cultura que envolve imagens.. videocassete. 15): “Compreendendo o processo de rotinas de produção da comunicação midiática (rádio. transversal e transdisciplinar.26 A comunicação globalizada permite que milhões de pessoas recebam saberes e informações. para que se faça uma análise crítica do seu papel na sociedade contemporânea e principalmente na escola. sons. expressão dos novos tempos. os sujeitos podem compartilhar e interagir simultaneamente por essas novas tecnologias. com uma questão a qual Citelli (2004. TV. tem seus sentidos todos estimulados e interage com as mais diversas linguagens (quadrinhos. televisão. movimentos e cores. neste aspecto. CDs. microcomputador. internet. nas grandes cidades e áreas rurais. entretenimento e idéias trazidos pelo rádio. O rádio ocupa. imagens. jornais. Para Orofino (2003). cultural e social. É uma cultura da satisfação. educadores e educandos precisam compreender o papel das multimídias e dos meios midiáticos no processo educativo. etc. Depara-se então. áudios e vídeos. se a mídia também é responsável pela formação do indivíduo. jornal e internet) e a linguagem desses meios . rádio. a escola deve integrá-la no seu currículo escolar de forma integradora. Assim. vídeo-games.. p. Ele continua presente na maioria dos lares brasileiros. lugar privilegiado por ser um meio de fácil acesso à população e menos oneroso em comparação às outras mídias. 135) nos chama a atenção: Como exigir que o jovem que. jovens e adultos. Nesse contexto. Os jovens e as crianças atuais estão expostos a um mundo cheio de linguagens diversas e a escola deve-se preparar para utilizá-lo e entender criticamente o que elas nos oferecem. 51): [. Exerce um fascínio sobre crianças.

p. professores. sugere a construção de mídias próprias e adequadas a cada comunidade escolar. Com isso. o formato dos quadros. que deveria incluir os meios de comunicação em seu conteúdo. 2009. 100): Essa centralidade da mídia merecia uma atenção maior na escola. o que querem comunicar: a pauta. dar-se-ia um passo importante para os educandos exercerem o papel de protagonistas sociais. os gêneros de texto. p. (BALTAR et al. Essa lógica vale para dos os meios e também para todos os gêneros. 2009). etc.(2009) defende a proposta de construção de rádios escolares a partir do estudo crítico dos discursos da mídia convencional. o entretenimento – por que determinadas músicas são veiculadas várias vezes ao dia?. tais como: Quais são os diferentes tipos de rádios existentes? Para que serve uma rádio escolar? O que diferencia uma rádio escolar de uma rádio comercial? Qual o tipo de rádio que a escola deseja? Que programação a comunidade escolar almeja? A esse respeito Baltar et al. . as estratégias de locução.. decidindo como e. (BALTAR et al. De acordo com Andrelo (2009. 27) Agindo desta maneira os membros da comunidade escolar compreenderiam que é possível construir seu próprio modelo de rádio escolar de modo diferente dos vários modelos de rádios existentes na sociedade. Entretanto. o educando poderá tornar-se um sujeito ativo e crítico dessas mídias”. enfatiza: Uma mídia da escola que se configure como decorrência de atividades significativas de linguagem. deixando de tratá-los apenas como metodologia. Entretanto. pais e funcionários) possam agir como atores capazes e responsáveis.. várias problemáticas podem ser exploradas em sala de aula com os alunos. os tipos de programas. sobretudo. A partir disso. ou o publicitário – qual o valor de uso e o valor simbólico de determinado produto? Por que a exploração do corpo feminino na venda de determinados produtos? Diante da presença da mídia no cotidiano dos alunos se torna necessário realizar discussões para que percebam suas finalidades.27 de forma crítica. ao agir de forma crítica e consciente em direção à construção de um espaço dircursivo midiático particular na escola. seja o informativo – como se deu a seleção de determinado assunto em detrimento de outro? todos os lados envolvidos puderam se expressar?. as trilhas sonoras. em que os sujeitos envolvidos em sua construção (estudantes.

como destaca Zeneida (2008.] a rádio no espaço escolar. a uniformização a que estamos submetidos. E na escola não é diferente. a comunicação em projetos de rádio escolar é dialógica e diferente das mídias tradicionais. “O termo comunicação ganha um sentido especial quando o interpretamos como o ato de tornar algo comum. como ressalta Fernandes e Silva (s/d. p. como ferramenta de ensino poderá contribuir com o exercício da cidadania e com a educação escolarizada de forma mais criativa e motivadora. A rádio no espaço escolar possibilita a veiculação de informações produzidas e editadas pelos próprios alunos. mas a sociedade como um todo vê as mídias tradicionais (jornal. compartilhar. A construção de programas de rádio escolar. 51): [. porque possibilita aos sujeitos a agir e a interferir nos programas. configurando assim. p. Nesse sentido. o desenvolvimento do senso crítico e o exercício de desenvolvimento da cidadania. o que pode ser feito através de diferentes canais". Os professores não podem desconsiderar as influências das novas tecnologias no cotidiano do aluno porque elas fazem parte da realidade mundial. a escola pode tornar-se um pólo gerador de comunicação. (ZENEIDA.28 Como se pode observar. é um exemplo de comunicação interativa . 15). é troca. Entretanto. 9): Na verdade não só na escola. Nós educadores ainda não nos demos conta que comunicação é diálogo. televisão e rádio) como o principal canal de comunicação. além de aprender a debater. além da construção de programas interativos e de interesse deles. Conforme Citelli (2004. Zeneida (2008. 15) destaca a importância do trabalho pedagógico com projetos de rádio escolar: Com Radioescola. fazendo com que os alunos interajam com a . o aluno pesquisa e lê mais. Não enxergam a massificação. Como produtor e apresentador de programas de Radioescola.. questionar e discutir. 2008. A Radioescola propicia ao aluno um olhar amplo sobre os meios de comunicação social e de sua função na sociedade globalizada.. 170). conscientizam-se de seu verdadeiro papel na sociedade porque participam do contexto social (com a produção de textos escritos e orais) ao transmitirem programas educativos-culturais e informativos aos colegas. pois comunicação é diálogo. ampliando sua visão de mundo. p. O trabalho pedagógico com a rádio escola pode trazer relevantes contribuições. p. p. a defesa e cumprimento de seus direitos e deveres.

.Poder de síntese: umas das características do texto radiofônico é seu tamanho mais curto. ao permitir que os alunos produzam um radiojornal. com a sugestão e análise de todos os participantes. A escolha dos assuntos do radiojornal é feita em reunião. Os alunos podem trabalhar com informação jornalística. Fruto de projetos de letramento. mas também outros do mundo em geral. caracteriza a rádio escolar: As rádios escolares caracterizam-se por ser instrumentos de interação sociodiscursiva entre a comunidade escolar. como motivação. a rádio escola é uma ferramenta de ensino interdisciplinar que permite que o educando compreenda a mídia radiofônica e as demais tecnologias da informação e comunicação. O uso da rádio escolar enquanto ferramenta pedagógica apresenta diversificadas possibilidades.Exercício de cidadania: os alunos vão se informar sobre o que acontece no mundo e também discutirão a relevância de abordá-los na rádio da escola. expressão oral: um dos pontos indiscutíveis na produção radiofônica. 31). Afinal. é necessário pesquisar em diversos suportes. Entretanto. Isso serve como motivação.Transdisciplinaridade: conteúdos de várias disciplinas podem ser trabalhados de forma natural e espontânea. é preciso uma divisão do trabalho. . . entre os assuntos escolhidos estão aqueles diretamente ligados à escola.Hierarquização das informações: discutir e compreender quais as informações são mais relevantes para serem veiculadas. procedimentais e atitudinais. É preciso dar todas as informações relevantes em curto espaço de tempo.Expressão dos jovens: eles ganham um verdadeiro canal de comunicação com a comunidade na qual estão inseridos. já que o programa será ouvido por um número maior de pessoas. Além disso. .Despertar da responsabilidade: o trabalho desenvolvido não ficará mais restrito ao professor. . tendo um papel de instrumento de valorização individual e do grupo. peças publicitárias entre outras. . que visam ao desenvolvomento e à aprendizagem dos estudantes. . . o que é dito pelos alunos é fruto de um texto previamente escrito.Visão crítica à realidade e à mídia: como um dos conceitos básicos do jornalismo é a pluralidade de idéias. elas podem funcionar como recurso de ensinagem de conteúdos: conceituais. Baltar et al. Desenvolvimento da imaginação e espaço à criatividade: o rádio é veículo rico em possibilidades de produção. p. articulando as atividades didático-pedagógicas da escola. . Integração dos alunos à escola: atividades como essa agem sobre o afetivo. Trabalho em equipe: um programa radiofônico não se faz sozinho.29 comunidade e situações próximas do cotidiano. com os alunos que falam ao microfone. mas também requer maior seriedade. p. escolhendo as informações que os demais colegas deverão ter sobre aquele assunto.Abertura do espaço escolar a que acontece no meio em que estão inseridos: seja ao levar trechos de programas jornalísticos ou principalmente. 102): . como destaca Andrelo (2009. . Nessas condições.Incentivo à pesquisa e gosto pela leitura: para coletar as informações que serão divulgadas.(2009.Melhora na produção textual: embora ao que se chega aos ouvintes seja apenas som. os alunos precisarão ouvir vários pontos de vista para compor suas matérias.

14) ressalta: No aspecto didático pedagógico da ação educativa. É claro que o uso do quadro e do giz não é a única maneira possível de se fazer educação.30 Com relação ao desenvolvimento de habilidades e atitudes. p. pelo fato de aproximarem os gêneros textuais da esfera da mídia do ambiente discursivo escolar e ampliarem a visão de mundo dos estudantes. a televisão e os videogames. a cidadania.19) podemos refletir que: Muitas crianças e jovens crescem em ambientes altamente mediados pela tecnologia. O computador. 2008). sobretudo a audiovisual e a digital. desperta o gosto pela pesquisa e leitura. colaborando com conhecimentos fundamentais para olhar a educação de outras maneiras. p. assim como o cinema. acostumados na escola a associar o ato de ler apenas à leitura de textos do ambiente discursivo literário. (ZENEIDA. Conforme Baltar et al. Zeneida (2008. desenvolver habilidade de organização da fala e da escrita (produção de textos) com fluência verbal. o uso do rádio promove a criatividade. Com Sancho (2006. p. O aluno que atua numa rádio escola conhece a linguagem radiofônica e pode compreender e decodificar o discurso dos meio midiáticos de forma mais crítica. o desenvolvimento de habilidades de fala e de escrita. As mídias podem ampliar consideravelmente os estímulos e o acesso à . Facilmente se presume que as mídias podem contribuir nos resultados da aprendizagem se os educadores revisarem sua forma de entender como se ensina e como aprendem as crianças e os jovens hoje em dia. dominar o processo de comunicação radiofônica e exercitar a cidadania. atrai de forma especial a atenção dos mais jovens que desenvolvem uma grande habilidade para captar suas mensagens. As mídias possibilitam formas de intervir no mundo.(2009. a socialização. eleva a auto-estima e o interesse do educando na sala de aula. 26): Atividades como essas são muito importantes. Os cenários de socialização das crianças e jovens de hoje são muito diferentes dos vividos pelos pais e professores.

Sua utilização vislumbra possibilidades de transformações ao processo de ensino. porque os indivíduos adquiriam aos mesmos conjuntos de valores e partilhavam experiências de vida muito semelhantes. quais os conteúdos e gêneros textuais orais e escritos que podem ser explorados e quais sãos os recursos e ferramentas necessárias para que projetos de rádio escolar se materializem. É uma forma alternativa de construção de conhecimento que estimula a criatividade. O seu uso pode melhorar o ensino. Facilmente se presume que as sociedades pré-modernas caracterizavam-se pela ausência de tecnologia e por uma fraca diferenciação social. impulsionando o desenvolvimento do conhecimento dos educandos. que a mera presença de uma rádio escolar não significa por si mesma. Na sociedade moderna houve o aumento da divisão do trabalho que conduziu a . Com a inserção de projetos educativos de rádio escolar possibilita-se refletir sobre outras formas de se fazer educação.2 Pressupostos da aprendizagem colaborativa O modo como o ensino é praticado em sala de aula é reflexo das concepções sociais dominantes acerca da educação e do ensino em cada época e incide com o sistema de valores de cada sociedade. A consciência coletiva era muito forte. Nesse sentido. a expressão do próprio conhecimento e a autonomia intelectual. é desejável que se reflita sobre como as rádios escolas podem contribuir para o encontro de soluções aos problemas existentes no processo de ensinoaprendizagem. motivar os alunos e criar um ambiente de colaboração. Cabe ressaltar. nenhuma mudança pedagógica se não forem introduzidas ao mesmo tempo às idéias sobre como explorar esse recurso.31 informação. 2.

passividade e obediência são recompensadas. através de resultados expressos em termos quantitativos. replicando-se nas escolas. enquanto a criatividade. p. da proximidade das relações e da prossecução de objectivos comuns”. a espontaneidade. Assim. no qual o vínculo social enfraqueceu-se. 23): A docilidade. Conforme Bessa e Fontaine (2002. Bessa e Fontaine (2002. Entretanto. preparando a criança para o cumprimento rigoroso de ordens e para o desempenho eficiente de tarefas programadas. 27): . Neste contexto. que traduz uma estrutura de relações mais adequadas à filosofia do capitalismo liberal”. Cada aluno recepciona os saberes e conhecimentos que o professor expõe. consideram que o desenvolvimento do mercado “enfraquece o vínculo social e as relações entre os indivíduos desenvolvem-se sob o signo de competitividade. Assim ressaltam Bessa e Fontaine (2002. Atualmente. a iniciativa e a autodeterminação são punidas e destruídas.32 uma maior diferenciação entre os indivíduos. A divisão social do trabalho reproduziu-se na sala de aula. 22): Favorecem-se as interacções aluno-professor e inibem-se ou punem-se as interacções aluno-aluno. a regulação social passou a ser dominada pelo mercado em detrimento da comunidade. as mesmas relações de hierarquia e subordinação que se encontram nas empresas. entre alunos e professores. p. o conceito de comunidade perdeu relevância. enfatizam Bessa e Fontaine (2002. o caráter competitivo da estrutura das relações sociais reproduziu-se na escola e na sala de aula. p. p. como ressaltam Bessa e Fontaine (2002. 21). Entretanto. da reciprocidade. a condição pós-moderna exige a revalorização das competências sociais dos indivíduos e da capacidade de atuarem coletivamente. Sob o controle do mercado. 21): “deparamo-nos assim com o enfraquecimento da importância da vida em grupo. procurando reproduzi-los o melhor possível em provas de avaliação que recompensam o seu esforço individual. p.

que é constituída por outras estratégias alternativas de ensino-aprendizagem. Este aluno vai desempenhar a tarefa de explicar a matéria ao colega e de o auxiliar no domínio e na aplicação dos conceitos envolvidos”. Assim. actualmente em crise.. Nessa medida. é atribuído o estatuto de especialista na matéria. constituídos de forma a existir uma heterogeneidade de competências no seu interior. No fundo.33 [. 44) consideram a aprendizagem cooperativa em seu significado restrito: “caracteriza-se pela divisão de turmas em grupos de quatro/cinco elementos. p. entre essas alternativas conta-se com a aprendizagem cooperativa. (BESSA. FONTAINE. As formas como os saberes e as relações de poder em sala de aula têm sido organizados. É no seio desses grupos heterogêneos que os alunos desenvolvem alguma forma de actividade conjunta”. Esse processo tem despertado inúmeras críticas e levado à procura de estratégias alternativas de ensino-aprendizagem. favoreceu a reprodução das desigualdades sociais no decorrer da história. visa radicar o desnível de competências entre os alunos participantes. Bessa e Fontaine (2002. substituindo-o por modos de ensino que concebam aos indivíduos a capacidade de agirem colectiva e democraticamente. Os autores já citados consideram que a designação geral de aprendizagem cooperativa compreende três estratégias diferentes: a aprendizagem cooperativa. a explicação por pares e a colaboração entre pares. Entretanto. a aprendizagem cooperativa poderá contribuir para uma resposta pós-moderna à forma de ensino-aprendizagem própria da modernidade. p. 44). o aluno que explica é beneficiado porque elabora e reformula .. Já a aplicação por pares.] é importante que a escola pare com um tipo de ensino que reproduz relações de hierarquia e subordinação. De acordo com Bessa e Fontaine (2002). ao invés de simples produtores-consumidores. trata-se de substituir uma escola criada à imagem da fábrica por uma outra. dado o seu elevado nível de competências. capaz de promover e desenvolver indivíduos-cidadãos. Assim os autores exemplificam: “Há sempre um aluno a quem. 2002.

obviamente. aquilo que se resolve fazer na escola só faz sentido quando é considerada em um contexto mais amplo daquilo que a sociedade pretende conseguir por meio de seu investimento educacional nas crianças. os indivíduos que estão aprendendo se ajudam a aprender. Este trabalho conjunto permite-lhes aumentar o seu grau de mestria na tarefa. não precisa excluir a presença de alguém que desempenhe o papel do professor. que os indivíduos que estão aprendendo constroem “andaimes” uns para os outros. cada qual de acordo suas habilidades. mas nossas próprias concepções de nós mesmos e de nossas capacidades. E isto. p. Para o autor. individualmente. Bruner (2001) tem como tese que a cultura molda a mente. constroem imagens e estratégias. p. que estão na origem da realização das aprendizagens. Isto simplesmente implica que o professor não exerça tal papel de forma monopolizada. p. entre outras coisas. No livro que leva o título “A cultura da educação”.34 conhecimentos. A esse respeito questiona: Será que estamos mais capacitados a melhorar a educação de crianças que sofrem as agruras da pobreza. qual seria a melhor forma de aprender com os outros sujeitos? Para Bruner (2001. de discriminação e alienação? Será que desenvolvemos modelos promissores de como organizar a cultura da escola de forma que ajuda as crianças a ter um recomeço? O que é preciso para criar uma cultura escolar incentivadora que capacite eficazmente as crianças a utilizar os recursos e as oportunidades da cultura mais geral? (Bruner. E é por via destas interações que são activados os processos de reestruturação cognitiva e os fenômenos de conflito cognitivo ou sociocognitivo. nunca seriam capazes de resolver. Eles apresentam opiniões. Com relação à colaboração entre pares. ou mesmo torna-los capazes de apresentar soluções para tarefas que. mencionam Bessa e Fontaine (2002. que ela nos dá um conjunto de ferramentas com as quais construímos não apenas nossos mundos. 29): Uma resposta óbvia seria que se trata de um lugar onde. . idealizam cenários. xi) Mas afinal. 2001.44): Esta coloca dois alunos com o mesmo nível de competências a trabalharem conjuntamente na resolução de tarefas. Trabalhar em conjunto fomenta as interacções entre os alunos.

18) As escolas devem recorrer a variados instrumentos que levem em consideração a diversidade de necessidades educativas dos alunos. nas suas diferenças e semelhanças. uma vez que ‘elege’ a heterogeneidade e o trabalho entre pares como formas privilegiadas de reduzir estereótipo e preconceito. p. da discussão franca e aberta e do conflito positivo. independentemente de suas características. A colaboração. Entretanto. Na cultura dominante das escolas públicas brasileiras não é habito cotidiano a tradição da colaboração. Mas afinal. É por isso uma estratégia eficaz quando se pretende promover a igualdade de oportunidades e a dimensão intercultural da educação. Assim. ou em nível de escola. enfatiza que: A aprendizagem cooperativa é considerada um dos instrumentos mais importantes no combate à discriminação social e factor de motivação para a aprendizagem e para a melhoria do rendimento acadêmico de todos os alunos. Independente do contexto. na experimentação de um percurso e na construção de um propósito comum. (MONEREO e . seja em sala de aula. fazer da cooperação e da aprendizagem colaborativa uma atividade cotidiana implica o reconhecimento das vantagens da heterogeneidade e diversidades culturais e a familiarização com as atividades de pesquisa e discussão. os professores devem aprender a utilizar mecanismos que permitam que todos os alunos sejam capazes de aprender o máximo. (COCHITO.35 Espera-se que os alunos desenvolvam a capacidade de tornaram-se autoconfiantes e que sejam capazes de trabalharem bem uns com os outros e que se ajudem mutuamente. ao proporcionar o conhecimento do outro. 2004. GISBERT 2005). qual é a importância de um processo de ensino-aprendizagem baseado na colaboração? Para Cochito (2004). não é um processo que se aprende facilmente e nem se aprende de um dia para o outro. a competência da colaboração é fundamental para o crescimento das pessoas e das instituições e/ou organizações. Poderão também funcionar como modelo de aprendizagem da cidadania democrática e semente de coesão social.

Tenta-se evitar o principal inconveniente do trabalho em grupo. Monereo e Gisbert (2005. mas de grupo). 15) ao citar Johnson. reconhecimento grupal (o esforço não é individual. Essas características diferenciam a aprendizagem cooperativa do trabalho tradicional em grupo. As habilidades necessárias para a cooperação (comunicação apropriada.36 O uso da interação para produzir aprendizagens requer um planejamento da atividade docente cuidadoso.Interações face a face (Face-to-face promotive interaction). animação e reforço entre os membros do grupo. à escolha aleatória do porta-voz ou aos relatórios pessoais de trabalho. e tomam decisões de reajuste e melhoria. apoio.Habilidades sociais (Social-interpersonal-skills). participação. O sucesso de cada membro está ligado ao do restante do grupo e vice-versa. assistência. Maximização das oportunidades de interação. aceitação dos outros) devem ser ensinadas para que possam ser praticadas. Johnson e Holubec. 5. Isso é estipulado através de objetivos de grupo (aprender e garantir que os outros membros do grupo também aprendam). Entretanto. p. a “difusão de responsabilidades”.Interdependência positiva (Positive interdependence). Johnson e Holubec oferecem uma tabela comparativa para ilustrar os fatores anteriormente indicados: Tabela1: Comparação entre a aprendizagem de equipe cooperativa e grupo tradicional Equipe cooperativa Grupo tradicional Interdependência positiva Responsabilidade individual Heterogeneidade Liderança compartilhada Interdependência inexistente Falta de responsabilidade individual Homogeneidade Liderança individual . destacaM as condições que propiciam a cooperação na relação do grupo: 1. resolução construtiva de conflitos. Monereo e Gisbert (2005. p. Os membros do grupo destinam certo tempo para refletir conjuntamente sobre o processo de trabalho. 15) ao citar Johnson. 2. 4.Responsabilidade individual (individual accountability). pode-se recorrer a avaliação individual. Isso comporta limitar o número de membros (em geral de 2 a 4). permitindo dinâmicas interpessoais de ajuda. 3. Para garanti-la. em função dos objetivos e das relações de trabalho. divisão de recursos (distribuição da informação e limitação de materiais) e papéis complementares.Auto-reflexão do grupo (Group processing).

2006. responsabilizando a todos pelo término da tarefa dada. PARAGUAÇU. Johnson e Holubec (apud MONEREO e GISBERT. No entanto. 29) Assim. Os termos cooperação e colaboração costumam ser udados com o mesmo sentido. uma ligação entre a atividade e a maneira com que os objetos são concebidos. manifesta-se a partir da atividade. 2005. Há um compromisso global. MERCADO. não basta agrupar os alunos. p. Paraguaçu e Mercado (2006. cada um visualiza e pode participar ativamente da resolução da tarefa do seu parceiro com o objetivo de resolver o problema em conjunto. 15) Entretanto. p. como as pessoas interagem e em quais ambientes a interação é efetiva. PARAGUAÇU. p. o esforço mútuo é privilegiado. MERCADO. existindo uma divisão de tarefas.37 Responsabilidade de grupo Tarefa e processo Aprendizagem de habilidades sociais Observação/intervenção docente Auto-reflexão grupal Responsabilidade individual Importância da tarefa As habilidades sociais são ignoradas O professor ignora os grupos Não há auto-reflexão Fonte: Johnson. existem condições que transformam o grupo em equipe e que transformam a atividade grupal em cooperativa as quais são criadas mediante diversos métodos. . existe um agrupamento de soluções. 30). aprendizagem colaborativa é sinônimo de aprendizagem cooperativa? Segundo Costa. Há. porém há uma diferença na forma de como a atividade é executada. (MONEREO e GISBERT 2005). cada um faz a sua parte. Cada um é responsável por parte da solução do problema e ao finalizar a sua tarefa. Mas afinal. (COSTA. (COSTA. considera-se que: O objetivo central da colaboração educativa é o de fazer com que o aprendiz adquira conhecimento cuja aquisição no contexto da Teoria da Cognição Distribuída. p. existe uma divisão de tarefas entre os membros de um grupo. no entanto. 2006. formando a solução unificada do grupo”. 28): “Na cooperação. Por outro lado: Na colaboração.

1 A rádio escolar como proposta pedagógica de subsídio a aprendizagens colaborativas Estudos recentes evidenciam. Além disso. sendo exercitada tanto por ele como pelos demais participantes do ambiente por meio da proposição de estratégias adequadas. p. A realidade na qual vive-se. bem como outras situações que levam em conta o que é significativo para o aluno como seu quadro de valores. Entretanto. crenças e percepções. a proposição de cenários ou situações-problema a solucionar. 2.2. a necessidade de criação de ambientes de aprendizagem que possam despertar a curiosidade dos educandos. p. Daí. explorações e experiências. ALMEIDA. é uma aprendizagem em que o educando é ativo no processo. das trocas intersubjetivas e da aprendizagem individual e grupal. os diálogos instigadores de novas vivências. pois torna os educandos passivos. . Assim ressaltam: Tais situações podem envolver diferentes possibilidades de estimular o trabalho pedagógico como o desenvolvimento de projetos a partir de questões a investigar. Projetos de rádio escolar não podem centrar a prática educativa na transmissão de informações pelo professor. que potencializem a construção do conhecimento. 2003. da representação do pensamento e do trabalho compartilhado. envolvido na discussão e na interação com os demais educandos. consideram que: Cabe ao docente criar condições que favoreçam a constituição de uma rede de significados por meio da produção colaborativa de conhecimento. 199).38 Assim. 195). a importância da intervenção docente. mobolizando-os para a produção de conhecimento e novas aprendizagens. que compreende a mediação pedagógica como uma ação incitadora do diálogo. exige que os sujeitos saibam tratar as informações e ainda transformá-las em conhecimento. (PRADO. comprometido e solidário. é essencial que se desenvolvam estratégias voltadas à aprendizagem colaborativa. Prado e Almeida (2003. o levantamento de problematizações e respectivos temas geradores a explorar. aprendizagem colaborativa.

2. pois se desenvolvem . p.. o rádio como um espaço privilegiado para o aluno conviver com outros sujeitos (alunos. compartilhamento. Baseada em um trabalho cooperativo.. cumplicidade e compromisso”... e com isso passam a assumir uma postura de responsabilidade com relação a sua própria aprendizagem e a do grupo como um todo. Também é importante. professores. 199): A rádio [. acolhimento. humildade. a rádio [. Ou seja. por sua vez.] surge como uma possível estratégia para se estabelecer a comunicação interativa no ambiente educacional... (FERNANDES. na interatividade entre os participantes e no compartilhamentode idéias e propostas. porque permite a interação por meio de atividades coletivas.. que a linguagem é a principal característica da atividade social dos homens. 5). é necessário que se desenvolvam estratégias que contemplem aspectos que tratem da qualidade do relacionamento entre as pessoas. que contemplam os Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua Portuguesa. ALMEIDA.) através de relações que estimulem a cooperação e o respeito mútuo.3 A importância dos diferentes gêneros textuais escritos e orais para subsidiar práticas de letramento Nos documentos Brasil (1998a e 1998b). s/d. encontra-se indicações de que o trabalho com os textos deve ser feito com base nos gêneros. sejam eles orais ou escritos. Isso nos leva a uma proposta de ruptura do modelo educacional tradicional baseado na transmissão linear do conteúdos disciplinares. É fundamental a utilização de gêneros textuais porque possibilita ao aluno lidar com a língua nos seus diversos usos do cotidiano. evidencia a necessidade de repensar valores bem como colocar em prática atitudes de abertura. concretizadas por intermédio de textos de diferentes gêneros. (PRADO. ao invés de relações baseadas no prestígio e na autoridade hierárquica e unidirecional próprias do ambiente escolar tradicional. onde se separa emissão e recepção. 2003. SILVA. pais.39 Como mencionado.. Considera-se assim. p.. respeito.] apresenta-se como uma mídia onde os alunos se sentem parte importante e ativa do processo de comunicação. aceitação. “O trabalho colaborativo.

o propósito da escrita. pois a rádio escolar é um instrumento de ensino dos gêneros textuais orais e escritos. Além disso. p.40 nos alunos competências lingüísticas. entre elas: a responsabilidade de resolver problemas. de organizar tarefas e de trabalhar em equipe de forma colaborativa. o conteúdo e o contexto. Se forem oferecidas poucas oportunidades de trabalho aos educandos com textos diversificados. aprender a organizar os diferentes tipos de conhecimento e de informação de acordo com a situação comunicativa específica. entrevistas. a paródia. facilitando uma maior inclusão dos sujeitos no mundo letrado. causando problemas de interação tanto orais como escrita. cartas. recados. Atualmente presenciamos uma grande variedade de novos gêneros e novas formas de comunicação. Ajudar o aluno a dominar melhor um gênero textual. a música. Devem. instruções de uso etc. permite que este possa desenvolver habilidades para escrever ou falar de uma maneira mais adequada. A rádio escola oferece um conjunto diversificado de uso. a reportagem. oferece possibilidades de trabalhar com diferentes gêneros como a notícia. de realizar o planejamento da programação. As novas tecnologias . reportagens ao vivo. a compreensão e organização da informação poderão ser dificultadas. numa dada situação de comunicação. Propostas pedagógicas de utilização de rádio escolar em ambientes educativos podem subsidiar a metodologia dos professores para realizar um trabalho voltado à perspectiva do letramento. piadas. tanto na oralidade como na escrita. portanto. Segundo Pinto (2007. porque é necessário definir a programação que se deseja e o conteúdo a ser transmitido. É necessário que se conscientizem de como a linguagem funciona para transmitir o conteúdo oralmente ou por escrito. os alunos aprendem a controlar a linguagem. É um aliado de valor inestimável porque possibilita o desenvolvimento de atividades cognitivas. notícias. 50): À medida que passam a conhecer e fazer uso dos vários gêneros discursivos. textuais e comunicativas. a poesia.

descrição e injunção. carta pessoal. aula expositiva. histórica e cognitiva. bate-papos virtuais (chats). 2007). a comunicação se dá por algum gênero textual porque a língua é uma atividade social. p. devido à emergência de novos gêneros. Nota-se que todos os textos se manifestam em um gênero textual e que por isso a escrita social propicia leituras diversas. sermão. ou seja. lista de compras. pois. envolvê-los em práticas sociais de leitura e de escrita. carta comercial. A escrita que está presente no cotidiano é muito diversificada. passando a aspirar um pouco mais que simplesmente aprender a ler e escrever” .41 relacionadas à área de comunicação propiciaram o surgimento de novos gêneros textuais. Soares observa (2001. existem caracteres diversos que podem ser pequenos ou grandes. cartas eletrônicas (e-mails). Uma nova relação com os usos da linguagem se instaura como aponta Marcuschi (2007). teleconferências. pretos ou coloridos. cardápio. bula de remédio. Entretanto. tais como telefonema. o conhecimento do funcionamento dos gêneros textuais é importante tanto para a produção como para a compreensão textual. horóscopo. A esse respeito. notícia. romance. reportagens ao vivo. Portanto. (MARCUSHI. argumentação. Cada gênero textual pode contemplar diferentes tipos textuais. videoconferências. 58) “só nos demos conta da necessidade de letramento quando o acesso à escolaridade se ampliou e tivemos mais pessoas sabendo ler e escrever. os quais apresentam funções diferentes. Para Marcushi (2007). piada. exposição. os tipos textuais abrangem algumas categorias conhecidas como narração. editoriais. aulas virtuais (aulas chats) e assim por diante. artigos de fundo. instruções de uso. Fica. bilhete. reunião de condomínio. receita culinária. claro que é responsabilidade dos professores do ensino fundamental levar os educandos a fazer uso da leitura e da escrita. impressos ou manuscritos. telegramas.

(SOARES. mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita”. 47). quer para o indivíduo que aprenda a usá-la. ao afirmar que a palavra letramento. Essas práticas estão situadas nos diversos ambientes discursivos e ocorrem dentro de um sistema de atividades coletivas e de ações individuais mediatizadas por gêneros de texto. p. visto que foi introduzida recentemente em nossa língua. quer para o grupo social em que seja introduzida. Nota-se que há um movimento social na educação. na qual não basta apenas saber ler e escrever. para que os estudantes possam ter acesso às atividades de linguagem – aos textos e aos discursos – de uma determinada esfera da sociedade e agir de forma autônoma. 2001. como membros dessa comunidade. A autora considera que esse termo foi construído porque um novo fenômeno apareceu. assim destaca Baltar et al. surgiu na segunda metade dos anos 80 no discurso da Educação e das Ciências Lingüísticas e que atualmente ainda não está dicionarizada. econômicas.42 É interessante refletir com Soares (2001). são organizadas e postas em prática estratégias de ensinagem. Contudo. cognitivas. Num projeto de letramento. pode ser um projeto capaz de promover múltiplos letramentos na escola. surgiu a palavra letramento. Entretanto.(2009. define-se letramento como: “estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever. mas é preciso também saber responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz continuamente. Trata-se ao mesmo tempo de um processo possível de emancipação e de inclusão social. no qual se almeja a intenção . em especial o letramento midiático-radiofônico. (SOARES. 2001. lingüísticas. organizado de tal forma que os sujeitos envolvidos possam participar conscientemente de práticas consagradas na sociedade letrada. p. 18): O projeto de letramento é um conjunto de atividades de linguagem. A rádio escolar. políticas. um fato novo para o qual precisávamos de um nome. 17) O recente surgimento do termo letramento é resultado do recente enfrentamento de uma nova realidade social. p. culturais. Para nomear esse novo fenômeno. Implícita neste conceito está a idéia de que a escrita traz conseqüências sociais. o sentido da palavra letramento foi criado pela tradução da palavra literacy: Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever.

comparações. analogias. de que o letramento envolve dois processos fundamentalmente diferentes: ler e escrever. que se estendem desde a habilidade de decodificar palavras escritas até a capacidade de compreender textos escritos. Batista et al. participando do universo da cultura escrita e incorporando novas práticas envolvidas no letramento. inclui. Todavia. Conforme Soares (2001. anáforas. a capacidade de interpretar seqüências de idéias ou eventos. tirando conclusões e fazendo . aquelas que contribuem para o seu letramento. é preciso que haja condições para o letramento aconteça. Como é possível tornar-se letrado em tais condições? Claro está. mas se insere num contexto social e que envolve disposições atitudinais. linguagem figuradas. não há livrarias. dente outras: a habilidade de decodificar símbolos escritos. de refletir sobre o significado do que foi lido. mas não lhes são dadas as condições para ler e escrever: não há material impresso posto à disposição. Convém salientar que a leitura depende de um processo individual. ainda. como aponta Soares (2001. culturais e econômicas. 58): O que ocorre nos países de Terceiro Mundo é que se alfabetizam crianças e adultos. relações complexas. de construir significado combinando conhecimentos prévios e informação textual. é um conjunto de habilidades lingüísticas e psicológicas. capacidades relativas à decifração do código escrito e capacidades relativas à compreensão e a produção de sentido. e. há um número muito pequeno de bibliotecas. A leitura é mais do que decodificar. a habilidade de fazer previsões iniciais sobre o sentido do texto. A esse respeito. percebe-se que os níveis de letramento dos diferentes grupos sociais relacionam-se com suas condições sociais. ou seja. p.43 de que os alunos saibam ler e escrever e que utilizem esse conhecimento de forma construtiva. p. (2007). Entretanto. de monitorar a compreensão e modificar previsões iniciais quando necessário. consideram que a leitura abrange desde capacidades necessárias ao processo de alfabetização até aquelas que habilitam o aluno à participação ativa nas práticas sociais letradas. o preço dos livros e até dos jornais e revistas é incessível. 69): A leitura estende-se da habilidade de traduzir em sons sílabas sem sentido a habilidades cognitivas e metacognitivas. a habilidade da captar significados.

que à medida que a sociedade vai se tornando mais . BATISTA et al.44 julgamentos sobre o conteúdo.(2007. Será eficiente se os alunos conhecerem as características. 47). p. 50). alfabetizado e letrado”. ou seja: “ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita. revisar e reelaborar os próprios textos. conviver com livros. O ensino da leitura deve ser associado aos seus usos sociais. gradativamente. considera-se que um sujeito que sabe ler e escrever. “O domínio das operações de revisão. mas que não faz uso da leitura e da escrita é alfabetizada. A leitura é uma atividade complexa na qual o leitor constrói significados sobre o texto. Por outro lado. mas ser letrada. auto-avaliação e reelaboração de textos escritos começa com a orientação dada pelo professor ou pela professora e depois vai. Pode-se dizer então. p. fazendo com que os alunos fiquem atentos para as coisas escritas na vida cotidiana. uma criança pode ainda não ser alfabetizada. Entretanto. pois não vive na condição de quem pratica a leitura e a escrita. ouvir histórias lidas por adultos e observar adultos lendo e escrevendo. Conforme Batista et al. o tipo de estrutura do texto e as intenções comunicativas do autor. O ideal é alfabetizar letrando. poemas e outros gêneros textuais cujo tema interesse às crianças. de modo que o indivíduo se torne. (2007). auxiliando-os a perceber os vários usos da leitura e da escrita. tomando como objeto contos infantis. mas não é letrada. porque pode viver num contexto de letramento. O desenvolvimento capacidade de compreender textos é um procedimento que pode ocorrer desde a educação infantil. (SOARES. ou seja. 2001. que avalia se está bom ou não e os reescreve. É importante considerar que um usuário da escrita eficiente é aquele que sabe planejar. aquele que procura reler seus textos. notícias. ao mesmo tempo. se interiorizando e se tornando uma capacidade autônoma”.

Com propostas pedagógicas de uso de rádio escolar pode-se contribuir para formar indivíduos não apenas alfabetizados. 2. apresentando uma ampla variedade de textos que circulam na vida social.3. Esta é uma possibilidade de viabilizar um meio estimulante de aprendizagem. mas também letrados. Considera-se. ao divulgar e socializar seus conhecimentos. que no ensino da língua escrita. tornando essa experiência significativa em suas formações. É imprescindível investir nos dois processos simultaneamente. contribuem para o desenvolvimento do outro. maiores níveis de escolarização vão se tornando necessários. sentindo-se mais valorizados enquanto sujeitos.1 Gêneros textuais escritos e orais a serem explorados em programas de rádio escolar . pois somos capazes de contribuir na formação de leitores críticos porque podemos fazer com que os alunos compreendam como e por que são produzidos diferentes gêneros textuais para possibilitar o seu uso e para que eles sejam capazes de escrevê-los. em que os educandos possam desenvolver a habilidade de comunicação e atitudes de colaboração e respeito aos demais. Com a produção de programas radiofônicos escolares os professores podem criar mecanismos para que os alunos sintam vontade de divulgar suas produções textuais a toda comunidade escolar. o trabalho voltado para o letramento não deve ser feito separadamente do trabalho específico de alfabetização. A utilização da rádio escola pode denotar a importância da educação para as crianças e para os jovens porque os alunos poderão perceber que podem produzir conhecimento de forma mais autônoma. mais exigências vão sendo feitas com relação às habilidades e práticas de leitura e escrita e com isso. porque os conhecimentos e capacidades adquiridos em um processo.45 complexa. No entanto isso não é suficiente. portanto.

Entretanto. linguagens. exigindo-se a capacidade de interpretação e síntese do redator. tais como. as notícias. Consani (2007) classifica as produções de rádio nos seguintes gêneros: jornalístico. reportagens. entrevistas. recreativa e informativa. Logo porque. para que os educandos possam entender a função e a importância de cada gênero radiofônico e as possibilidades de utilização dos mesmos em projetos de rádio escolar. o gênero publicitário inclui todas as formas . Conhecido pelo caráter comercial. entretenimento. As notícias são socialmente úteis à população. Conforme Consani (2007). sendo o maior volume de suas produções ligadas à música. conceitualmente conhecidos como gêneros radiofônicos. em função das intencionalidades propostas. Facilitando o entendimento. publicitário. Os conteúdos em formatos radiofônicos. Consani (2007) considera necessário trabalhar com o gênero notícia em projetos de rádio escolar para estimular a leitura e a produção textual dos alunos. porém estão pouco presentes na programação das emissoras de rádio comerciais.46 As produções radiofônicas apresentam muitas possibilidades de ação. divulgando os fatos no momento em que eles ocorrem. o gênero cultural e educativo caracteriza-se pela produção de natureza institucional. comentários e debates fazem parte do gênero jornalístico. habilidades comunicativas. que determinam as formas de expressão de seus conteúdos. visto que as notícias devem transmitir a informação com maior rapidez do que qualquer outro meio. cultural e educativo. As produções de caráter informativo. precisam ser bem compreendidos. tradicionalmente são realizados como uma prestação de serviços. a notícia normalmente sintetiza em frases curtas e objetivas as informações importantes de um fato ou assunto a ser transmitido.

resultando em ações. tratando-se de questões como a ética em campeonatos competitivos e a saúde associada ao esporte. abrindo possibilidades de um trabalho direcionado aos interesses dos educandos. Já a vinheta é entendida como uma criação sonora de duração curta e caráter marcante. considera que trabalho pedagógico com este gênero radiofônico serve como fator de motivação para a produção de programas de variedades que incorporam conteúdos musicais. comportamentos e padrões perseguidos pelos sujeitos.47 de propaganda no rádio. humorísticos. Segundo Consani (2007). que serve para identificar a própria rádio ou um programa a ser iniciado. tais como campeonatos estaduais. Os recursos mais usados neste gênero são os spots. Os jingles se caracterizam como um anúncio comercial com uma estrutura musical melódica que procura criar uma empatia ao ouvinte. olimpíadas. Nesse gênero Consani (2007) destaca que se pode incluir programas esportivos como um meio para o desenvolvimento de trabalhos interessantes sobre o esporte na rádio escolar. os spots são anúncios comerciais utilizados para divulgar produtos e/ou serviços. os quais criam necessidades imaginárias e ideologias a serem incorporadas. vinhetas e jingles. Vários eventos esportivos podem ser divulgados na rádio escolar. Com relação ao gênero de entretenimento. copa do mundo e muitos outros. Imediatamente. lúdicos. percebe-se a importância de trabalhar o gênero comercial em sala de aula para estimular uma leitura crítica da mídia. entendendo os mecanismos utilizados na sua atuação. Consani (2007) considera que este gênero possibilita um diálogo com a cultura local e uma atitude mais flexível. com o objetivo de estimular o apelo ao consumo e a compra. no qual se pode delegar a produção e a direção dos programas aos próprios discentes. Assim. .

Nos primórdios ela era utilizada apenas pelas classes dominantes. oferecendo condições para que percebam as possibilidades do uso crítico da mídia no processo de ensino-aprendizagem. 3.48 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES Diversas tecnologias são desenvolvidas com a finalidade de dar resposta às necessidades educacionais da população. deve-se envolver a escola com projetos que visem qualificar constantemente o conhecimento dos educadores. mas atualmente é utilizada por todas as classes sociais atingindo as grandes massas como veículo de comunicação. Atualmente a mídia faz parte de nosso cotidiano e não pode ser negada pela escola. Assim sendo. Assim.1 Considerações finais A mídia foi se modificando no decorrer da história. Assim. cabe aos educadores compreender os . visto que seus conteúdos exercem poder de influência cultural nos modos de agir e nos valores defendidos pelos sujeitos. Entretanto. é necessário a disposição dos educadores para utilizar as tecnologias da contemporaneidade para facilitar a compreensão da cultura do tempo dos educandos. A apropriação das mídias no universo escolar merecem uma discussão aprofundada para que não corra o risco de tornar-se mero recurso didático para ensinar determinados conteúdos. é necessário que haja uma reflexão sobre suas finalidades e características. a seguir expõe-se as considerações finais da autora sobre os objetivos da pesquisa e sugere-se outras questões que merecem ser pesquisadas para facilitar a materialização de propostas educativas de uso pedagógico de rádio escolar. Entretanto.

Por outro lado. Assim. para desvendar os significados ocultos. para que os educandos sejam capazes de atuar no coletivo e de forma colaborativa. altera-se o papel do professor. a função social da mídia na educação deve ser de crítica aos valores divulgados nos meios de comunicação de massas. Assim. alteram-se as relações de trabalho. passa-se a almejar relações horizontais entre alunos e professores. considera-se necessário problematizar os conteúdos que veicula. compete a escola aproximar os alunos e promover competências sociais. a vida social e as formas de aprender. Portanto. cabe ainda a escola estar atenta a disseminação de idéias que a mídia veicula relacionadas a valores. Com a mídia. Em decorrência disso. No entanto. espera-se que os educandos deixem de ser subordinados e submissos e que passem a compartilhar com os professores a função de mediação ao ajudar os membros do . Conhecer melhor a forma como ela produz as informações nos ajuda a fugir da alienação a qual ela pode nos submeter. ou seja. o vinculo social entre os sujeitos diminuiu em função do aumento da divisão social do trabalho.49 processos de recepção de suas mensagens para desenvolver intervenções no sentido da leitura crítica e educativa. Nesse sentido. os quais não são explicitados a fim de garantir poder às classes dominantes. Na sociedade atual. afirma-se que a função social da mídia na sociedade é de exercer o papel de mediação na difusão de valores culturais e formas de conduta que tentam adequar a vida social dos indivíduos aos interesses das classes dominantes. expressando uma luta social para constituir mídias comunitárias que visem atender aos interesses do coletivo. comportamentos e atitudes. Entretanto. a participação e a divulgação de informações e conhecimentos contrários à ordem vigente. a escola pode contribuir para a transformação social ao desenvolver projetos de mídias educativas que permitam o acesso.

Fica. pois. Naturalmente. ressalta-se que propostas pedagógicas de utilização de rádio escolar em ambientes educativos oferece subsídios a um trabalho voltado à perspectiva do letramento. Assim sendo. considera-se que trabalhos pedagógicos com rádio escolar subsidiam um trabalho colaborativo. Portanto. De tal modo. porque estimula a socialização de ideias e experiências.50 grupo a construir conhecimento. porque oferece . levando-se em conta o que é significativo para os educandos para potencializar a construção do conhecimento. claro que propostas de rádio escolar oportunizam aos estudantes conhecerem o funcionamento da dinâmica de produção de programas. do compartilhamento de idéias e propostas. ou seja. Por favorecer a interação e o compartilhamento de idéias. de envolvê-los em práticas sociais de leitura e de escrita. que permitem os educandos aprimor seus conhecimentos. considera-se que propostas pedagógicas de uso de rádio escolar favorece estratégias adequadas para estabelecer a comunicação interativa no ambiente educacional. Entretanto. a rádio escolar. Considera-se que é responsabilidade dos professores do ensino fundamental levar os educandos a fazer uso da leitura e da escrita. é necessário criar condições para que atividades grupais sejam colaborativas. que estimula a colaboração e o respeito mútuo. no qual os educandos possam a assumir uma postura de responsabilidade com relação a sua própria aprendizagem e a do grupo como um todo. considera-se que a mediação pedagógica tenha em vista o desenvolvimento de projetos a partir de questões a investigar e respectivos temas geradores a explorar. as quais podem ser criadas mediantes diferentes estratégias. é uma proposta pedagógica que privilegia o convívio social saudável. pois a rádio escolar é um instrumento de ensino dos gêneros textuais orais e escritos. a ação pedagógica necessita ser uma ação incentivadora do diálogo. De tal modo.

cultural e educativo. O gênero de entretenimento serve para realizar programas de variedades. desenvolve a autonomia dos educandos e oferece maior sentido a prática docente. estimula-se a pesquisa. entretanto a pesquisa destacou os seguintes gêneros: jornalístico. o gênero cultural e educativo caracteriza-se pela produção de natureza institucional. sendo suas produções mais ligadas à música. Por meio da elaboração de programas radiofônicos. diferentes gêneros textuais e orais são utilizados como objetos de ensino. Além do mais.51 acesso a diferentes quadros/gêneros. possibilita-se a criação de programas com temáticas que abordem questões da realidade dos estudantes. a leitura e a escrita e ainda provoca-se a reflexão sobre os conteúdos veículados pelas mídias de massas. comentários e debates fazem parte do gênero jornalístico. Acredita-se que a rádio escolar. 3.2 Sugestões Durante o desenvolvimento da pesquisa. Por possibiliar maior flexibilidade quanto a escolha dos conteúdos e dos gêneros textuais. humorísticos e lúdicos. reportagens. cria oportunidades de tornar as escolas atraentes ao público infantil e jovem ao desenvolverem-se atividades significativas de elaboração de programas radiofônicos. Em relação ao gênero publicitário incluem-se todas as formas de propaganda. Por fim. o que oportuniza um trabalho sob perspectiva interdisciplinar. que incorpora conteúdos musicais. As notícias. entrevistas. Com relação à elaboração do programas radiofônicos. de leitura e escrita. de entretenimento. A produção de programas radiofônicos contribuiu para desenvolver habilidades de comunicação. publicitário. como projeto educativo. percebeu-se necessário registrar tópicos .

apontando-se as as finalidades e funções de cada tipo de rádio existentes. • A elaboração de sequências didáticas para sistematizar o trabalho de apropriação de gêneros textuais orais e escritos.52 que mereçam ficar como sugestões. Entretanto. Em virtude das necessidades percebidas. . ficam como sugestões: • A sistematização teórica sobre as diferenças entre os diferentes tipos de rádios (rádio comercial. A princípio recomenda-se uma pesquisa mais detalhada sobre o software Audacity. rádio comunitária. • Uma pesquisa sobre softwares que podem ser utilizados para a gravação de programas radiofônicos. sugere-se a elaboração de um tutorial do software para facilitar sua utilização. pois percebeu-se a necessidade de outros conhecimentos para materializar propostas pedagógicas de rádio escolar. rádio educativa e rádio escolar). pois pode ser utilizado no sistema operacional Linux e Windows.

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