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LIVRO DEVOIR D´INGERENCE

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NEOLIBERALISMO E SOBERANIA
Blanchard Girão
Os povos terceiromundistas, ou periféricos, solidificam a consciência de que chegou o
momento de reagir contra a cada vez maior ingerência dos paises ricos, liderados pelos Estados
Unidos, em seus assuntos internos, agredindo sutil ou ostensivamente a sua soberania.
As grandes concentrações e tumultos populares em Seatle, em Davos e em Gênova foram
bem uma demonstração desse repúdio conta a nova e mais violenta forma de colonialismo, que
começou a ter vigência no mundo acentuadamente a partir dos anos 80, com a denominação
vulgarizada d e globalização da economia.
NEOLIBERALISMO E SOBERANIA
Blanchard Girão
Os povos terceiromundistas, ou periféricos, solidificam a consciência de que chegou o
momento de reagir contra a cada vez maior ingerência dos paises ricos, liderados pelos Estados
Unidos, em seus assuntos internos, agredindo sutil ou ostensivamente a sua soberania.
As grandes concentrações e tumultos populares em Seatle, em Davos e em Gênova foram
bem uma demonstração desse repúdio conta a nova e mais violenta forma de colonialismo, que
começou a ter vigência no mundo acentuadamente a partir dos anos 80, com a denominação
vulgarizada d e globalização da economia.

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DEVOIR D’INGERENCE

DEVOIR D’INGERENCE Copyright©2002 by José Ananias Duarte Frota

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Frota,José Ananias Duarte. DEVOIR D’INGERENCE/ José Ananias Duarte Frota 1a Edição.Fortaleza.Gráfica e Editora Premius. Certificado de registro no 123 , livro 07 fls 325 de 12 de abril de 2002 do Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional.

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José Ananias Duarte Frota
Coronel da Reserva do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará. É possuidor do Curso de Altos Estudos em Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Participou em 1988 da comissão de implantação do sistema de emergência préhospitalar (Diário Oficial do Estado n°14.839/88) e fundação do grupo de socorro de urgência, com os médicos, Marco Penaforte, Júlio César Penaforte, Marcus Davis Machado Braga, Winston de Castro Graça e Carlos Nogueira Brás. Foi delegado no biênio 1999-2000 da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra no Estado do Ceará, ADESG. Na condição de delegado da ADESG, implantou em parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú, na gestão do magnífico Reitor, professor José Teodoro Soares o I curso de pós-graduação “Lato sensu” em política e estratégia. Comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará no período de 07 de janeiro de 2001 a 19 de novembro de 2006.Presidente da Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros do Brasil no biênio 2005 a 2006.Exerceu o cargo de Coordenador Geral de Articulação da Secretaria Nacional de Defesa Civil, compondo como membro o

Comitê do Sistema Nacional de Mobilização, da elaboração e consolidação da política e doutrina de mobilização nacional e do regimento interno do referido comitê.Foi designado conforme Diário Oficial da União nº49 de 13 de março de 2009 para representar o Brasil na "I Sessão da Plataforma Regional de Redução de Ricos de Desastres nas Américas" a convite formulado pela Estratégia Internacional para Redução de Desastres das Nações Unidas a realizar-se na cidade do Panamá, capital da República do Panamá no período de 16 a 21 de março de 2009. É professor Visitante da Faculdade Metropolitana de Fortaleza e Consultor.

Devoir D’ingerence 1a Edição Fortaleza-2002

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APRESENTAÇÃO

NEOLIBERALISMO E SOBERANIA Blanchard Girão Os povos terceiromundistas, ou periféricos, solidificam a consciência de que chegou o momento de reagir contra a cada vez maior ingerência dos paises ricos, liderados pelos Estados Unidos, em seus assuntos internos, agredindo sutil ou ostensivamente a sua soberania. As grandes concentrações e tumultos populares em Seatle, em Davos e em Gênova foram bem uma demonstração desse repúdio conta a nova e mais violenta forma de colonialismo, que começou a ter vigência no mundo acentuadamente a partir dos anos 80, com a denominação vulgarizada d e globalização da economia. Os países mais frágeis, Brasil inclusive, sentem-se cada vez mais esmagados pelo poder incontrastável do grande capital, hoje integrado por fantásticas corporações empresariais, que ditam as normas de comportamento do Planeta, através de organismos imperiais como o Fundo Monetário Internacional, o célebre FMI, o Bando Mundial – BIRD e a Organização Mundial do Trabalho (OMC). Submetidos a essas regras, os pequenos e médios Estados, alguns eufemisticamente apelidados de emergentes, vão sofrendo um drástico processo de corrosão econômico, cultural e dolorosa situação da Argentina é, na atual conjuntura, o exemplo mais flagrante da destruição de um país potencialmente rico e, que de repente, em pouco mais de uma década, mergulha numa crise profunda cujo desfecho parece ser o mais trágico para o seu povo. A soberania de Estados-Nações como a Argentina despedaçou-se ao peso insuportável s globalização de sua economia, mercê de imperdoáveis equívocos de seus dirigentes políticos, que se atrelaram, de armas e bagagens, ao sistema econômico-financeiro desenhado pelo neoriberalismo. É desse campo minado das relações internacionais que cuida o jovem Cel BM José Ananias Duarte Frota neste trabalho que intitulou de “Devoir D´Ingerence”. Num inteligente e meticuloso esforço de pesquisa e análise da presente situação universal, o Cel Duarte Frota expõe os riscos com que se deparam os países econômicos e militarmente mais débeis da insopitável invasão imperialista por parte dos conglomerados de capitais das grandes potências, obviamente com o suporte, inclusive armado, de seus governos. 4

Didático, meticuloso, amparado em vasta bibliografia e em dados estatísticos Duarte Frota desce ás origens dessa “nova ordem”, que começa imediatamente após a Segunda Guerra

Mundial, “no momento em que os Estados Unidos da América assumiram a supremacia do sistema capitalista”, supremacia fundamentada no domínio do segredo nuclear e no dólar como moedapadrão internacional. Com curso na Escola Superior de Guerra – ESG, o jovem oficial-bombeiro do Ceará ampara-se doutrinariamente nos conceitos nacionalistas daquele organismo, defendendo os princípios basilares da segurança nacional, embora alguns desses conceitos já estejam pisoteados pelos terríveis tentáculos do capital apátrida e do todo poderoso. Na verdade, o inimigo há muito deixou de este dentro do nosso país, situando-se lá fora, através do controle, total ou parcial, das riquezas nacionais, ou se impondo por meio de seus investidores e da injeção de empréstimos a juros impiedosos. Um inimigo aparentemente sem rosto, mas que é de fácil identificação. Estamos nós no Brasil, na Argentina, em toda a América Latina e em todo o chamado Terceiro Mundo, sob a tacão desse inimigo, que atua hoje de modo ostensivo, ditando condições, invadindo as esferas que seriam da exclusiva competência de uma nação soberana. Quando, por uma instintiva relação, alguns desses estados se rebelam, o esmagamento não se faz esperar. Valendo-se de todos os meios, como os mesquinhos e insidiosos métodos adotados pela CIA no Chile para derrubar o governo nacionalistas de Salvador Allende, ou em nome da “ajuda humanitária”, como aconteceu recentemente na Iuguslávia, Kosovo, ou ainda, a pretexto de combater o terrorismo com na guerra brutal contra o miserável Afeganistão, os estados ricos, EUA á frente, recorrem ao arsenal militar. “O neoliberalismo, que é uma nova fase do imperialismo, para se impor, exige uma guerra permanente contra os povos do Sul, isto é, o hegemonismo norte-americano, assim como o europeu e o japonês, se utilizam de pretextos (hoje é o combate ao terrorismo, antes foram outras invocações) para levarem diante o projeto de controle estratégico do mundo”. São palavras do sociólogo egípcio Samir Amim, por ocasião do recente II Fórum Social Mundial realizado novamente em Porto Alegre, com a presença de representantes do mundo todo. Esses fóruns (já está programado outro para 2003 na Índia) são o caminho de uma tomada de posição da sociedade civil de todo o Universo contra o neolibaralismo e suas garras imperialistas. Personalidades internacionais da maior respeitabilidade, como os escritores norteamericanos Noam Chomsky, Peter Marcuse e Michael Lowi, uniram suas vozes ao clamor dos povos espoliados nesse encontro da capital gaúcha. Chomsky, por exemplo, comparou a política 5

do seu país, os Estados Unidos, com o próprio terrorismo em cujo combate colocam toda a sua impressionante máquina bélica. Ressalta disso tudo, como muito bem observa Duarte Frota em seu trabalho, que o fundamental é o combate sem trégua ao sistema neoliberal vigente. Avulta como instrumento de ampliação do domínio econômico dos Estados Unidos e seus companheiros de empreitada, os G-7 mais a Rússia, a “Área de Livre Comércio das Américas das Américas” – ALCA, que é hoje, com certeza, o pior inimigo dos povos periféricos situados na América Latina. “ A ALCA representa um ataque feroz á soberania dos nossos países” - afirma a jornalista cubana Isabel Monal, também presente ao encontro de Porto Alegre. O “Devoir D´Ingerence” é a máscara de que se valem os Estados Unidos e seus aliados para ampliar o domínio sobre as demais nações e eternizar o sistema imperial que lideram. “A luta contra as drogas, os problemas humanitários e o terrorismo são utilizados como forma de legitimar o novo intervencionismo dos centros imperiais sobre o resto do mundo”, declarou o jornalista de Cuba, que concluiu sua proclamação com estas palavras sob vibrantes aplausos do numeroso público presente: - “Não nos deixemos enganar: não existe guerra ética, pois tudo faz parte de um jogo geopolítico para aumentar a dominação”. Eis uma síntese do pensamento mais correto sobre a atual conjuntura intenacional, para cujo entendimento muito vem contribuir este livro do Cel José Ananias Duarte Frota, que põe a nu, diante de nós, os pseudos amigos que estão pouco a pouco destruindo a nossa condição de nação livre, soberana, por via da invasão econômica, cultural e política, numa ingerência sem disfarces em negócios internos brasileiros.

Blanchard Girão

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SUMÁRIO Preâmbulo Constituição da República Federativa do Brasil A Carta das Nações Unidas Devoir D’ingerence Introdução I - Doutrina Estadunidense no Século XX 1.2- A Doutrina Lodge e os limites a Autonomia 1.3 A Doutrina Truman e o Plano Marshall 1.4 Doutrina Thornburg II - Conjuntura Atual 2.1- Prelúdio 2.2-Nova ordem mundial e Guerra do golfo 2.2- Ações dos Estados Unidos pós Guerra do Golfo III - Doutrina e o dever de ingerência 3.1- Soberania 3.2- Autodeterminação dos Povos 3.3- Não Intervenção pg03 pg10 pg10 pg14 pg14 pg15 pg15 pg15 pg16 pg17 pg17 pg18 pg20 pg23 pg24 pg24 pg24

3.4- Proibição do Uso da Força como Forma de Solução de Conflitos Internacionais pg24 3.5- Pacta sunt servanda pg25

IV-Fundamentação Ideológica da postura Norte-Americana frente ao direito de ingerência pg25 V-Tentáculos da Águia Próximos do Brasil VI-A contra informação estadunidense na aldeia global VII-Motivos para aplicar o Devoir d´ingerence no Brasil 7.1- Água 7.2- Petróleo 7.3 Bio Massa 7.4 Demografia pg30 pg34 pg39 pg39 pg41 pg44 pg47 7

7.5 Terrorismo VIII-América do Sul e o Terrorismo? 8.1- El Salvador 8.3- Chile 8.3- Nicarágua Conclusão Notas Literatura Consultada Anexo I - Artigos Selecionados 1-Os Povos pedem paz, Jornal O Povo, 01 de outubro de 2001, Blanchard Girão. 2- Guerra da insensatez, Jornal O Povo, 14 outubro de 2001. Blanchard Girão. 3- Espírito do Talibã, Jornal O Povo 03 dezembro de 2001. Blanchard Girão. 4- “As Garras da Águia”, Jornal O Povo 07 fevereiro de 2002, Joelmir Beting. 5- Notícia e Opinião, 18 de janeiro de 2002.Sérgio Abranches, Cientista Político.

pg49 pg53 pg53 pg54 pg56 pg57 pg61 pg72 pg75

6- Bombardeio, Forças dos EUA matam 65 líderes tribais Afegãos, Diário do Nordeste. sábado 22 de dezembro de 2001. 7- Um cheiro de petróleo na Campanha Antiterror, Jornal O Povo Fortaleza, 14 de outubro de 2001. 8- Escola de tortura, Jornal A Tarde, 03 de fevereiro de 2002 , Internacional Sílio Boccanera. 9- Soa o Alarme nos EUA , Editorial do New York Times de 22 de outubro de 2001. 10- O delírio americano, Editorial, jornal O POVO, 12 de março de 2002. Anexo II -Intervenções Estadunidenses no Mundo Anexo III- Intervenções estadunidenses no Oriente Médio, Petróleo? Anexo IV - Ataques americanos e britânicos ao Iraque após a guerra do Golfo. Anexo V- Lista de Grupos Terroristas Anexo VI - Resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre Talibã e Al Qaeda, 17 de Janeiro de 2002 Notícia Biobibliográfica Sobre O Autor

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" Os povos sabem que as guerras, em nossos dias, nem sempre são resultados espontâneos de causas sociais. Ordinariamente são atos de vontade, resoluções individuais, maduradas no arbítrio dos potentados, encaminhadas pela diplomacia secreta e rebuçadas pela mentira política com a linguagem dos grandes sentimentos de honra, direito, salvação nacional”.

Rui Barbosa, Obras Completas. V.43, t.1, 1916. p. 85. Trecho da conferência: Os Conceitos Modernos do Direito Internacional. Faculdade de Direito de Buenos Aires.

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PREÂMBULO CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL TÍTULO I - Dos Princípios Fundamentais ART.1 - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania.(grifo nosso). II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. ART.2 - São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. ART.3 - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais, e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS *até art 2º. A Carta das Nações Unidas foi assinada em São Francisco, a 26 de Junho de 1945, após o encerramento da Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional, entrando em vigor a 24 de Outubro daquele mesmo ano. O Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça faz parte integrante da Carta. A 17 de Dezembro de 1963, a Assembléia Geral aprovou as emendas aos Artº.s 23, 27 e 61 da 10

Carta, as quais entraram em vigor a 31 de Agosto de 1965. Uma posterior emenda ao Artº. 61 foi aprovada pela Assembléia Geral a 20 de Dezembro de 1971 e entrou em vigor a 24 de Setembro de 1973. A emenda ao Artº. 109, aprovada pela Assembléia Geral a 20 de Dezembro de 1965, entrou em vigor a 12 de Junho de 1968. A emenda ao Artº. 23 eleva o número de membros do Conselho de Segurança de onze para quinze. A emenda ao Artº. 27 estipula que as decisões do Conselho de Segurança sobre questões de procedimento serão tomadas pelo voto afirmativo de nove membros (anteriormente sete) e, sobre todas as demais questões, pelo voto afirmativo de nove membros incluindo-se entre eles os votos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. A emenda ao Artº. 61, que entrou em vigor a 31 de Agosto de 1965, eleva o número de membros do Conselho Econômico e Social de dezoito para vinte e sete. A emenda subseqüente a este Artigo, que entrou em vigor a 24 de Setembro de 1973, elevou posteriormente o número de membros do Conselho para cinqüenta e quatro. A emenda ao Artº. 109, relacionada com o primeiro parágrafo do referido artigo, estipula que uma Conferência Geral de Estados membros, convocada com a finalidade de rever a Carta, poderá efetuar-se em lugar e data a serem fixados pelo voto de dois terços dos membros da Assembléia Geral e pelo voto de nove membros quaisquer (anteriormente sete) do Conselho de Segurança. O parágrafo 3 do Artº. 109, sobre uma possível revisão da Carta durante o 10º período ordinário de sessões da Assembléia Geral, mantém-se na sua forma original, quando se refere a um "voto de sete membros quaisquer do Conselho de Segurança", tendo o referido parágrafo sido aplicado, em 1955, pela Assembléia Geral, durante a sua décima reunião ordinária e pelo Conselho de Segurança.

NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, DECIDIDOS: A preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade; A reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas; A estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional; 11

A promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade; E PARA TAIS FINS: A praticar a tolerância e a viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos; A unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais; A garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada, a não ser no interesse comum; A empregar mecanismos internacionais para promover o progresso econômico e social de todos os povos; RESOLVEMOS CONJUGAR OS NOSSOS ESFORÇOS PARA A

CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS. Em vista disso, os nossos respectivos governos, por intermédio dos seus representantes reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem os seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma, adotaram a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida pelo nome de Nações Unidas. Capítulo I

OBJETIVOS E PRINCÍPIOS Artº. 1 Os objetivos das Nações Unidas são: 1. Manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas coletivas eficazes para prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da paz; 2. Desenvolver relações de amizade entre as nações baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal; 3. Realizar a cooperação internacional, resolvendo os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, promovendo e estimulando o respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; 12

4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns. Artº. 2 A Organização e os seus membros, para a realização dos objetivos mencionados no Artº. 1, agirão de acordo com os seguintes princípios: 1. A Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros; (grifo nosso). 2. Os membros da Organização, a fim de assegurarem a todos em geral os direitos e vantagens resultantes da sua qualidade de membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas em conformidade com a presente Carta; 3. Os membros da Organização deverão resolver as suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo a que a paz e a segurança internacionais, bem como a justiça, não sejam ameaçadas; 4. Os membros deverão abster-se nas suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao uso da força, quer seja contra a integridade territorial ou a independência política de um Estado, quer seja de qualquer outro modo incompatível com os objetivos das Nações Unidas; 5. Os membros da Organização dar-lhe-ão toda a assistência em qualquer ação que ela empreender em conformidade com a presente Carta e abster-se-ão de dar assistência a qualquer Estado contra o qual ela agir de modo preventivo ou coercitivo; 6. A Organização fará com que os Estados que não são membros das Nações Unidas ajam de acordo com esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais; 7. Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII. (grifo nosso).

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DEVOIR D’INGERÉNCE

INTRODUÇÃO "A pura raça anglo-americana está destinada a estenderse por todo o mundo com a força de um tufão. A raça hispano-mourisca será abatida". New Orleans Creole Courier, 27 de janeiro de 1855.

Em meio aos tumultos que explodiam por toda a América Latina a partir de 1810 ocasionados pelas insurreições nativistas que buscavam a independência das suas regiões do domínio do império espanhol e do português, surgiu um documento, aprovado pelo Congresso norte-americano em 1823, que fez história - a Doutrina Monroe
(1)

. Ela tornou-se o pilar das

relações dos Estados Unidos para com o mundo daquela época e para com os seus vizinhos. Mas, com o passar do tempo, a mesma serviu como pretexto para os mais variados intervencionismos norte-americanos no continente e áreas contíguas. A partir da metade do século XIX a ideologia do Destino Manifesto, que fazia dos americanos uma espécie de novo povo eleito, difundiu-se entre eles, agindo como um poderoso elemento mobilizador da energia do país e dos indivíduos para a conquista de novos territórios ao oeste e sul do continente. Foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norteamericano, que, depois de ter anexado o Texas em 1836, engoliu a metade do território do México na guerra de 1846-48. Cabe lembrar que o território do Texas, que inicialmente pertencia ao império mexicano (proclamado em 1823), é tão vasto quanto a França. O Destino Manifesto(2) era, de certa forma, uma adaptação americanizada da ideologia do imperialismo providencialista que começava a surgir na Europa e que teve, posteriormente, no poeta Rudyard Kipling, sua forma literária mais acabada, explicitada na frase "o fardo do homem branco", na qual o europeu era visto vagando pelo mundo primitivo dos demais continentes encarregado de civilizar os nativos. E, sob o ponto de vista teológico é uma versão secularizada, adaptada aos americanos, da idéia bíblica do povo eleito, escolhido pelo Todo-Poderoso para açambarcar toda a Terra da Promissão.

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I - DOUTRINA ESTADUNIDENSE NO SÉCULO XX “ Os mais fracos estão sempre ansiosos por justiça. Os mais fortes não lhes dão atenção”. Aristóteles- “A Política”.

No governo Norte Americano de Theodore Roosevelt (1901 a 1909), o Mar do Caribe foi transformdo num Mare Nostrum das finanças e da esquadra americana, dando ordenamento jurídico às futuras intervenções, foi o corolário Lodge quem representou o ato final sancionando a dominação norte-americana sobre a região - considerando-a estratégica -, pois ampliava para o plano militar os interesses de Washington na área. Os japoneses, aproveitando-se da confusão reinante no México devido à eclosão revolucionária de 1910, fizeram uma oferta para que lhes fosse concedido um porto em Magdalena Bay, na Baixa Califórnia. Apesar dos motivos da solicitação japonesa atenderem a objetivos comerciais, o local era apropriado para a construção de uma base naval para qualquer potência que ali se instalasse. 1.2- A doutrina Lodge e os limites da autonomia. A notícia do interesse japonês causou grande alarme em Washington, fazendo com que o senador Henry Cabot Lodge, um especialista em assuntos externos muito próximo a Roosevelt, lançasse os fundamentos de uma outra doutrina: "... o Governo dos Estados Unidos não podem ver, sem grave preocupação, a atual ou potencial possessão de um porto ou um lugar equivalente por um governo não-americano, que possa dar a este governo um poderio de controle naval ou intenções militares". Deste modo, o senador Lodge advertia tanto as outras potências como os próprios governos latino-americanos a não se arriscarem a ceder bases navais, mesmo que para fins comerciais, a quem os Estados Unidos considerassem inconveniente. Não poderia haver outras bases navais na América Central e no Caribe que não fossem as norte-americanas. Desta forma o corolário Roosevelt completava-se com este aberto cerceamento da autonomia dos vizinhos dos Estados Unidos, decorrente da Doutrina Lodge. 1.3 A doutrina Truman e o Plano Marshall Após a 2ª Grande Guerra os então aliados, Estados Unidos e União dos Reinos Soviéticos, tornaram-se adversários pela força da ideologia. A conseqüência lógica da “contenção 15

ao comunismo” foi o lançamento da Doutrina Truman, o primeiro pilar da Guerra Fria. Anunciada em março de 1947, a pretexto de socorrer a Turquia e a Grécia (envolvida numa guerra civil entre comunistas e monarquistas), o presidente dos Estados Unidos garantia que suas forças militares estariam sempre prontas a intervir em escala mundial desde que fosse preciso defender um país aliado da agressão externa (da URSS) ou da subversão interna, insuflada pelo movimento comunista internacional, a serviço dos soviéticos. Na prática os Estados Unidos se tornariam dali em diante na polícia do mundo, realizando intervenções em escala planetária na defesa da sua estratégia. O segundo pilar, separando ainda mais as superpotências, deu-se com o Plano Marshall que foi um projeto de recuperação econômica dos países envolvidos na guerra. Anunciado, também no ano de 1947, em 5 de julho, em Harvard. Este plano deve seu nome ao General George Marshall, secretário-de-estado do governo Truman. Por ele, os americanos colocariam à disposição uma quantia fabulosa de dólares (no total ultrapassou a U$ 13 bilhões de dólares) para que as populações européias pudessem “voltar às condições políticas e sociais nas quais possam sobreviver as instituições livres”, e a um padrão superior que os livrasse da “tentação vermelha”, isto é de votar nos partidos comunistas, mantendo-se assim fiéis aos Estados Unidos. Enquanto os europeus ocidentais (ingleses, franceses, belgas, holandeses, italianos e alemães) aderiram ao plano com entusiasmo, Stalin não só rejeitou-o como proibiu aos países da sua órbita (Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária) a que o aceitassem. A doutrina e o plano fizeram ainda mais por separar o mundo em duas esferas de influência. 1.4 Doutrina Thornburg Este "direito" (ou poder) polêmico surgiu no dia 15 de junho de 1992, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos da América do Norte, em decisão que ficou conhecida como doutrina Thornburg, autorizou o poder executivo, a polícia e as forças armadas daquele país a prender qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo, para julgá-lo nos tribunais americanos. Ignorando solenemente a opinião pública mundial e indiferente aos valores filosóficos e ao elevado conteúdo ético dos tradicionais princípios de Direito Internacional a “Águia” reconheceu, pragmaticamente, como ato de legítima defesa a atuação policial e militar do Governo norte-americano em território de outros países - sem autorização destes - para "combater o narcotráfico ou o terrorismo”. Por força dessa norma imoral foi unilateralmente decretado e "legalizado", o seqüestro internacional(4). 16

II - CONJUNTURA ATUAL

"Eu sigo a tendência geral de toda a humanidade, o desejo perpétuo e inquieto do poder pelo poder, que somente cessará com a morte". Thomas Hobbes 2.1- Prelúdio Com a queda do muro de Berlim finda o confronto ideológico capitalismo X socialismo marcando o início de um a “nova ordem mundial”. As origens dessa “nova ordem mundial” estão no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, no momento em que os Estados Unidos da América, EUA assumiram a supremacia do sistema capitalista. Esta supremacia se fundamentava no segredo da arma nuclear, no uso do dólar como padrão monetário internacional, na capacidade de financiar a reconstrução dos países destruídos com a guerra e na ampliação dos investimentos das empresas transnacionais nos países subdesenvolvidos. Após a derrocada do socialismo, a internacionalização do capitalismo atinge praticamente todo o planeta e se intensifica a tal ponto que merece uma denominação especial; globalização, marcada basicamente pela mundialização da produção, da circulação e do consumo. Nessas condições, a eliminação de barreiras entre as nações torna-se uma necessidade, a fim de que o capital possa fluir sem obstáculos. Daí o enfraquecimento do Estado, que perde poder face ao das grandes corporações. A tese do neoliberalimo e do livre mercado também expõe a todos os paises do globo uma forma econômica de intervenção sem o exercício do conflito armado, mas que mata milhões de seres humanos pelo desemprego, fome e o pagamento de dívidas externas infindáveis. Um pequeno e recente exemplo foi a taxação do aço pelo governo estadunidense. O presidente George W. Bush anunciou através da Casa Branca no dia 04 de março passado a decisão de sobretaxar em até 30% produtos siderúrgicos de vários países como parte das medidas de salvaguarda para proteger a indústria siderúrgica americana da competição estrangeira. Esta nova postura trata-se da determinação final do presidente George W. Bush sobre o processo de salvaguardas iniciado em junho de 2001 para o ineficiente setor tradicional da indústria siderúrgica americana e objetiva pagar promessa de sua campanha eleitoral. 17

A União Européia e vários parceiros comerciais dos EUA prometeram contestar as barreiras na Organização Mundial de Comércio (OMC). Os produtores e as autoridades dos países asiáticos qualificaram de "protecionista" a decisão do presidente George W. Bush e afirmaram que ela decorreu de pressões políticas para inimizar os efeitos negativos do atraso na reconversão do setor siderúrgico norte-americano. Com este desavergonhado e ilegal protecionismo da “águia” milhares de trabalhadores brasileiros serão prejudicados tornando-se visível o problema das exportações brasileiras de aço e de nossa balança comercial. Este tipo de interferência na economia global é outro modo de intervenção desta “nova ordem mundial” mas não será debatida neste opúsculo. Devemos recordar que os EUA apregoam aos quatro cantos do mundo o livre comercio, o respeito à democracia e aos direitos humanos, só que para eles. Quais os princípios éticos da pax americana e onde fica o direito internacional? Talvez de forma mais notável, o significado dos direitos humanos é uma conseqüência das pressões estabelecidas pelos ativistas da sociedade civil. O surgimento de organizações nãogovernamentais (ONG's) internacionais de direitos humanos expressou novas formas de ação política transnacional, baseada em redes, normas, informações e acesso aos meios de comunicação como instrumentos de persuasão para desafiar o poder estatal opressivo entrincheirado. Algumas vezes, esses desafios convergiram com pressões geopolíticas, como foi o caso em relação ao apoio aos direitos humanos nos países do antigo bloco soviético e atualmente na China. A ideologia da Guerra Fria e a promoção dos direitos humanos convergiram, especialmente na década de 1980. Como Noam Chomsky e outros apontaram, eles também divergiram muitas vezes, com as prioridades geopolíticas produzindo intervenções pró-autoritárias à custa dos direitos humanos. Na nova ordem mundial, a bipolaridade da guerra fria representada pelos atores, Estados Unidos e União Soviética foi substituída pela multipolaridade econômica e hegemonia militar do Estados Unidos. E, neste contexto a “pax americana” que havia realizado na guerra fria, intervenções em estados soberanos sob a égide de “defesa da democracia” no final do século XX substituiu conceitos para justificar o “devoir d’ingerence” através da expressão militar.

2.2- Nova ordem mundial e Guerra do golfo O Iraque invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990, iniciando um conflito que dura até fevereiro de 1991 e envolve vários outros países. A invasão se dá, apesar das tentativas de mediação da Arábia Saudita, do Egito e da Liga Árabe. O emir do Kuwait, Jabir as-Sabah, foge com membros da família real e se refugia na Arábia Saudita. As reações internacionais são 18

imediatas. O Kuwait é grande produtor de petróleo e país estratégico para as economias industrializadas na delicada geopolítica da região. Em 6 de agosto, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) impõe boicote econômico ao Iraque. Em 28 de agosto, Hussein proclama a anexação do Kuwait como sua 19ª província. Aumenta a pressão norteamericana para a ONU autorizar o uso de força. Hussein tenta em vão unir os árabes em torno de sua causa, ao vincular a retirada do Kuwait à criação de um Estado palestino. A Arábia Saudita torna-se base temporária para as forças dos EUA, Reino Unido, França, Egito, Síria e países que formam a coalizão anti-Hussein. Os norte-americanos enviam à região o maior efetivo militar desde a Guerra do Vietnã. No dia 6 de agosto de 1990, o secretário americano Dick Cheney, o general Norman Schwarzkopf, o subsecretário de Defesa, Wolfowitz, e o embaixador Freeman reuniram-se com o rei Fahd, na Arábia Saudita. Mostraram ao rei, as fotos tiradas por satélite das tropas iraquianas situadas nas fronteiras e que estavam posicionados, já prontas para o ataque. A decisão de enviar tropas americanas para a Arábia Saudita só veio ocorrer em 13 de novembro de 1990. Mas apenas um motivo levava o governo estadunidense a tomar essa decisão: Petróleo. O Kuwait é considerado fornecedor estratégico pelos Estados Unidos, fazendo com que os americanos temessem que Saddam Hussein pudesse açambarcar o controle de metade do fornecimento do petróleo na região. Igualmente receavam que ele pudesse alastrar-se para a Arábia Saudita. Em 15 de janeiro de 1991, a presença militar americana já havia aumentado para 580.000 soldados. O exército de Saddam era de quase o dobro - também chamado de Exército de um milhão de homens. A guerra contra o Irã deixou Saddam com uma força militar preparada para qualquer guerra. Dentro e em volta do Kuwait o Iraque tinha cerca de 500.000 homens, 4.000 tanques, 2.500 transportadores blindados e 2.700 peças de artilharia. Em menos de trinta dias, o exército do ditador esvaiu-se. Resignado à rendição após a III guerra de Saddam, ele foi obrigado a acatar uma resolução da ONU que o obrigou ao total desmantelamento do restante da sua infra-estrutura militar (que já havia sido severamente atingida pelos bombardeios anglo-americanos sobre Bagdá e outras regiões). Desde então, o Iraque foi colocado no limbo, considerado como um país pária, indisposto com os Estados Unidos e também com seus vizinhos árabes, por ter atacado um país muçulmano irmão. Para manietá-lo ainda mais, exigiu-se, entre abril de 1991, e agosto de 92, que ele aceitasse a existência de duas Zonas de 19

Exclusão Aérea, cortando tanto o norte, a partir do paralelo 36°, como o sul do Iraque, a partir do paralelo 32°, áreas em que aviões e helicópteros militares de Saddam não poderiam voar. 2.3- Ações dos Estados Unidos pós Guerra do Golfo À presença militar anglo-americana na região da Península Arábica e nos mares e oceanos vizinhos, com bases navais, aéreas e terrestres, praticamente recolonizando-a, somou-se ao impasse das relações entre Israel e os palestinos. O mundo muçulmano mostrou-se, nos últimos anos, crescentemente desconformes com a ambigüidade da política norte-americana para com o Oriente Médio. Os Estados Unidos exigem com todo o rigor que Saddam Hussein cumpra as determinações das resoluções da Organização das Nações Unidas, ONU, aplicando bombardeios aéreos punitivos sistemáticos sobre o Iraque, ao tempo em que mostram indiferença pela causa palestina no seu enfrentamento com o Estado de Israel. Para os fundamentalistas muçulmanos, esta atitude agressiva para com os árabes e os iranianos, porém complacente para com os israelenses, não se limita à defesa dos interesses estratégicos mais amplos dos Estados Unidos (controle das reservas de petróleo). Para eles, isso faz parte de uma política opressiva que visa submeter o Islã aos interesses da cristandade associada ao judaísmo. Logo, objetivos econômicos fundem-se com os de origem religiosa. Na medida em que os Estados seculares árabes (Egito, Síria, Iraque, Líbia) não conseguiram até hoje fazer frente ao poder americano-israelense, os fundamentalistas assumiram a posição de defensores da terra do Profeta, aderindo à estratégia do terror. A antiga retórica nacionalista (a defesa do petróleo e da independência política) foi substituída pela pregação religiosa (defesa do Islã, apelo a Jihad, a guerra santa). No dia 16 de fevereiro de 2000 os Estados Unidos da América e a Inglaterra bombardearam o estado soberano do Iraque. A Casa Branca anunciou, conforme matéria no jornal Diário do Nordeste do dia seguinte, que o presidente americano George W. Bush autorizou os bombardeios ‘‘de rotina’’ feitos por aviões aliados no Iraque ‘‘para defender a zona de exclusão aérea’’. ‘‘As forças aliadas fizeram um bombardeio de rotina no Iraque em defesa da zona de exclusão aérea’’, disse à imprensa a porta-voz da Casa Branca, Mary Ellen Countryman. ‘‘O presidente autorizou estes bombardeios ontem’’, acrescentou a assessora. Em 07 de fevereiro do corrente ano, ao lermos no jornal o Povo a excelente coluna do jornalista Joelmir Beting, intitulada: “A garra da águia” faz-se mister apreciarmos parte do texto: “O poderoso complexo industrial-militar dos Estados Unidos esfrega as mãos de alegria: o orçamento da defesa nacional, para o próximo ano fiscal, a partir de outubro, deverá subir para US$1 bilhão por dia. Ou mais precisamente: US$ 369,3 bilhões no ano.(leia na íntegra a artigo no anexo@) 20

Pela segunda vez em dez anos, os gastos militares escapam por um triz das tesouras do Executivo, do Congresso e da sociedade. Em 1992, a megaconta foi preservada e até ampliada pelas escaramuças arabescas do Saddam. Agora, preservada e de novo ampliada pelos horrores em domicílio do Talibã”, afirma o colunista. Segundo atestamos, após a queda do muro de Berlim, com a dissolução da União das Repúblicas Soviéticas, o antigo confronto leste-oeste entre ideologias capitalista e comunista passam para uma nova fase ou nova ordem mundial. O atormentado final de século consolida a crise do Estado moderno: de um lado, o Estado-Nação ameaçado em sua soberania; de outro, o Estado-social esvaziado pelo neoliberalismo(5) . Ambos sofrem, por igual, a crise da política, com todos os seus desdobramentos possíveis, inclusive a supremacia da guerra sobre a détente e a negociação, o esvaziamento da Organização das Nações Unidas, ONU(6) e a virtual falência do direito internacional, reduzidos a meros arcaísmos pela nova ordem mundial, presidida pelo regime da potência única. O princípio da soberania inalienável e imprescritível
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, considerado há séculos como sendo una, indivisível,

, ganha, na atualidade, enorme importância, visto que, para alguns

estudiosos, o fenômeno da globalização tê-lo-ia colocado no museu da história, sepultando-o definitivamente. Mais da metade dos países do planeta está submetida, foram vítimas ou estão ameaçados por sanções econômicas ou comerciais decretadas por Washington. Estados como o Iraque, a Coréia do Norte, o Sudão, Cuba ou a Líbia, condenados unilateralmente como ‘párias’ por Washington, pagaram ou pagam alto por insistirem, cada um ao seu modo em sobreviver com um mínimo de autodeterminação. A agressão a Bagdá sobre pretexto do interesse norte-americano fere o direito internacional e em particular a Carta da Organização das Nações Unidas - ONU que proíbe a ameaça ou uso da força, a não ser que o Conselho de Segurança o tenha autorizado expressamente, depois de concluir que os meios pacíficos fracassaram, ou em defesa própria contra “agressão armada”, até que o Conselho de Segurança atue. No entanto, faz-se mister estratégias da superpotência para a nova ordem mundial. Implantar no cidadão global novo conceitos tipo; “devoir d’ingerence” (dever de ingerência), diretos humanos, narcotráfico e meio-ambiente eram tons e matizes no dia a dia da aldeia global até 11 de setembro de 2001. No presente momento o terrorismo é outro foco para o “devoir d’ingerence” e na visão estadunidense os países periféricos devem pensar e agir globalmente 21

devendo copiar idéias, hábitos, costumes, visão de mundo, política, regime, amor e ódio transferido do núcleo de poder mundial. Esta peregrina idéia do "Dever de Ingerência" (humanitária) foi lançada em 1987 por Bernard Kouchner, presidente dos Médicos sem Fronteira, depois ministro de François Miterrand. Tratava-se de exigir liberdade de acesso e atuação, em áreas de catástrofe natural ou social, para as organizações não-governamentais (O.N.G.'s) (8) de auxílio e socorro. A idéia, com este alcance é, porém velha, tendo sido teorizada no princípio do século como “intervenção humanitária” por um jus-internacionalista "progressista", o francês George Scèle. Para não ir mais longe (onde se perderia nas brumas da pré-história de qualquer direito internacional), humanitária foi já à guerra dos Boxers de 1901, levada a cabo pelas potências coligadas (Alemanha, Áustria-Hungria, USA, França, Grã-Bretanha, Itália e Japão) contra o Império chinês, com o saque de Pequim e a extorsão de novas concessões e tratados. Humanitária, a intervenção francesa de 1860 na Síria para socorrer os maronitas. Humanitária a intervenção ianque da República Dominicana em 1965 e a invasão de Chipre pelos fascistas turcos.

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III - DOUTRINA E O DEVER DE INGERÊNCIA “A soberania é una e indivisível, não se delega a soberania, a soberania é irrevogável, a soberania é perpetua, a soberania é um poder supremo, eis os principais pontos de caracterização com que Bodin fez da soberania no século XVII um elemento essencial do Estado”.

Paulo Bonavides, in: Ciência Política. 10ª ed. São Paulo: Editora Malheiros. 1996, p. 26.

Na doutrina internacionalista encontramos a definição de que a ingerência é um dos elementos constitutivos da intervenção. Celso D. de Albuquerque Mello(10) , citando Thomas e Thomas, considera que "o ato de intervenção só se caracteriza quando reúne os seguintes elementos: a) estado de paz; b) ingerência nos assuntos internos ou externos; c) forma compulsória desta ingerência; d) finalidade de o autor da intervenção impor a sua vontade; e) ausência de consentimento de quem sofre a intervenção (p. 342)". Ainda para o autor: "A única intervenção válida é a empreendida sob os auspícios da Organização das Nações Unidas, ONU” (p. 33). É corrente a aceitação do princípio da não intervenção, inclusive presente na Carta da Organização das Nações Unidas - ONU (art. 2º, alínea 1ª), tendo em vista o resguardo do direito à soberania e do direito à igualdade jurídica entre as nações. A intervenção individual não recebe guarida dentro do Direito Internacional. No mesmo sentido, por estar intrinsecamente vinculada ao conceito de intervenção, a ingerência nos assuntos internos também é alvo de severas críticas, sobretudo quando é exercida de forma individual e compulsória. O Direito de Ingerência é, no entanto, justificado atualmente pela causa remota de serem os fatos que levam à sua necessidade (proteção dos direitos humanos, p. ex.) mais importantes que princípios consagrados do Direito Internacional, como o da soberania e o da não intervenção.

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3.1-Soberania Para o professor José Francisco Rezek(11), a soberania é um "atributo fundamental do Estado que o faz titular de competências que, precisamente porque existe uma ordem jurídica internacional, não são ilimitadas; mas nenhuma entidade as possui superiores”( grifo nosso). Neste sentido, a ingerência é um fundamento inconciliável com o princípio da soberania. Nenhuma nação possui mais soberania do que uma outra para o Direito Internacional e, portanto, não possui a prerrogativa de intervir compulsoriamente em assuntos internos de um outro povo. 3.2- Autodeterminação dos Povos O mestre Acquaviva(12) define como"Princípio que decorre do direito à existência inerente a cada Estado. Por seu intermédio, justifica-se o próprio conceito de soberania que pode ser interna ou externa. O jurista José Francisco Rezek(13) chega a afirmar que: "os povos propendem, naturalmente, à autodeterminação" e que "os Estados não se subordinam senão ao direito que livremente reconheceram ou construíram (p.3, grifo nosso)". Se a um Estado dá-se o direito de autodeterminar-se quanto às regras internacionais a que se subordina, não há porque acolher como justo e mesmo legal o Direito de Ingerência, ato unilateral de um outro Estado (ou conjunto destes) sobre outro sem o seu consentimento. Paradoxalmente, este princípio tem sido utilizado pelos Estados Unidos da América como pretexto para a ingerência quando a autodeterminação de minorias esteja ameaçada por um Estado. 3.3- Não Intervenção A não intervenção é um dogma defendido desde Kant e vem sendo largamente empregada como princípio em matéria de Direito Internacional. Quem talvez melhor defina este conceito é a própria Carta da Organização dos Estados Americanos - OEA, que enuncia em seu art. 18: "Nenhum Estado ou grupo de Estados tem o direito de intervir direta ou indiretamente, seja qual for o motivo, nos assuntos internos ou externos de qualquer outro. Este princípio exclui não somente a força armada, mas também qualquer outra forma de interferência ou de tendência atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos, econômicos e culturais que o constituem (grifo nosso)" Sendo a ingerência parte nuclear do conceito de intervenção, o princípio da não intervenção também abarca esta prática, repudiando-a enquanto instrumento de Direito Internacional. 3.4- Proibição do Uso da Força como Forma de Solução de Conflitos Internacionais

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O Direito Internacional considera ilícito o recurso à utilização do uso da força – ou de sua ameaça - para a solução de conflitos internacionais, não somente aquelas hostis e armadas, bem como as não consideradas de escopo bélico. Neste século houve uma evolução através do estabelecimento de tratados e pactos entre as nações, que culminou com a proibição formal e extensiva contida na CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS. O Direito Internacional evoluiu para o abandono do jus ad bellum, ou direito à guerra, enquanto mecanismo lícito para o deslinde de conflitos entre Estados. Sendo a ingerência uma forma de injunção hostil, na maioria das vezes, inclusive, armada, está em desconsonância com o preceito estudado aqui. 3.5- Pacta sunt servanda Para REZEK(14), " pacta sunt servanda é o princípio segundo o qual o que foi pactuado deve ser cumprido (p.3)”. Na definição jurídica do professor ACQUAVIVA(15) : "Locução latina que significa a obrigatoriedade do cumprimento das cláusulas contratuais”. Sendo um modelo de norma fundada no consentimento perceptivo, ou seja, que fluem inevitavelmente da pura razão humana ou de um imperativo ético, este princípio vincula as regras dele resultantes como imprescindíveis à comunidade internacional. Deste modo, sem dúvida, instrumentos jurídicos de Direito Internacional como a Carta das Nações Unidas, ONU e da Organização dos Estados Americanos, OEA(16) , que consagram o princípio da não intervenção e todos os outros acima discutidos, vinculam seus signatários através do pacta sunt servanda, levando-os assim a obrigar-se à observação das normas neles inscritas.

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IV- FUNDAMENTAÇÃO IDEOLÓGICA DA POSTURA NORTE-AMERICANA FRENTE AO DIREITO DE INGERÊNCIA. ... há poucos príncipes que perdem ocasião de se tornarem senhores de um Estado vizinho quando têm muitos motivos legítimos para o fazerem e também o poder. Cardeal Duque de Richelieu - “Testamento Político” É preciso destacar que, ao longo de toda a história americana, e, não somente no que se refere à expansão de fronteiras, existe a necessidade de justificar moralmente suas ações de poder ingerenciar. Aqui, revela-se mais um dos aspectos característicos do perfil de atuação americano: a combinação do idealismo e do realismo. Existe, na quase totalidade das ações americanas, a presença de um princípio e de um valor para justificar as atitudes (agressivas ou cooperativas) que forem tomadas no sistema internacional. Ao agirem, segundo esta lógica, os Estados Unidos nunca estariam perseguindo o poder pelo poder ou visando os seus interesses mais concretos e imediatos, mas sim realizando uma tarefa e um objetivo mais elevado. Dado o caráter especial de sua república, os americanos foram “escolhidos” para realizar estas missões e devem fazer tudo o que estiver a seu alcance para completá-las. Como fica evidente pela leitura do texto acima, não há atitude americana em relações internacionais que se justifique meramente pela via pragmática, ou seja, existe sempre um arcabouço ideológico subjacente ao real dando sustentação moral e política à suas ações em política externa. Mesmo estando demonstrada a ilicitude da utilização do chamado Direito de Ingerência pelos Estados Unidos, há sempre uma razão real e outra moral que o justifique internamente (temse aqui a eterna preocupação com a "opinião pública" americana, tão cara aos governos de turno). A ingerência possui assim como objetivo real a manutenção da hegemonia norte-americana ao redor do globo, tanto do ponto de vista da segurança como da economia, devendo assim expandir mercados através da disseminação dos valores neoliberais e afastar a ameaça à integridade de seu território estandardizando seus valores democráticos como se assim fossem universais, devendo ser aceitos por todos os países, independentemente de sua feição cultural ou política.

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No plano moral, ou ideológico, existe uma construção doutrinária arraigada na sociedade estadunidense de que seu país experimentou primeiramente a construção republicana democrática e, deste modo, necessitam reproduzi-la em todo o mundo. É o que se convenciona chamar de "Destino Manifesto" – misto de direito divino - messiânico - e de categoria filosófica presente desde a constituição do Estado Norte-Americano em sua Guerra de Independência. O que salta aos olhos é que este "Destino Manifesto" continua presente mais do que nunca na mentalidade atual dos americanos, conforme se observa nas palavras da Secretária de Estado Madeleine Albright: "O sucesso ou o fracasso da política externa do povo americano permanece como o maior fator para moldar nossa própria história e o futuro do mundo”. Desta forma, o desrespeito às normas de Direito Internacional, a desmoralização das Nações Unidas e as atrocidades cometidas contra a população civil durante a Guerra de Kosovo, seriam justificadas por esta missão messiânica designada à nação americana de reproduzir seus valores em qualquer canto custe o que custar, como se travassem uma verdadeira cruzada ou guerra santa. Vinculados ao conceito de "Destino Manifesto" estariam ainda os históricos isolacionismo e unilateralismo norte-americanos que, juntos, constroem o arcabouço moral que justifica a forma deste engajamento no sistema internacional. De forma alguma os Estados Unidos da América abrem mão de se isolarem em atitudes unilaterais quando a missão a ser cumprida assim requerer, de modo que, apesar de atuarem em organismos multilaterais, sempre terem recorrido à unilateralidade em momentos decisivos aos seus interesses. Em nome do “devoir d’ingerence” os Estados Unidos e a Inglaterra ao atacarem o Iraque no dia 16 de fevereiro de 2000, violaram mais uma vez três princípios fundamentais da convivência internacional, conquista que nossa civilização supunha haver consolidado em Yalta(17) em volta no final da 2ª Grande Guerra. Ultrajaram ainda a soberania dos Estados que remonta às revoluções americana de 1776 e francesa de 1789, a autodeterminação dos povos
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e a Carta da

ONU do qual seus países sócios são signatários, a grande maioria fundadora e alguns são membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Samuel Pinheiro Guimarães(19), diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais do Itamarati, atesta: “E, hoje, é de tal ordem a distância tecnológico-bélicoeconômica que separa os Estados Unidos dos demais países, que se revela uma farsa qualquer tentativa de justificar a guerra, guerrinhas, invasões etc.— com o argumento de sua defesa preventiva em face de uma ameaça presumível ou real. Não há ameaça ou quem quer que possa 27

constituir-se em ameaça ao grande Império. Tudo o mais é retórica de guerra que o complexo industrial-militar-tecnológico-científico explica”. Uma alternativa para não acontecer fatos desta natureza onde foram assassinados inocentes civis no Iraque, seria a criação de um tribunal penal com poderes para julgar os autores de crimes contra a humanidade, imprescritíveis independentemente do status do agente, e independentemente mesmo de eventual decisão legal tomada por um Estado soberano. Mas os Estados Unidos são contra esse Tribunal e impedem sua constituição. Além de haver votado contra a criação do Tribunal Penal Internacional, na reunião de Roma, os Estados Unidos vêm-se opondo à competência de um Tribunal internacional para processar acusados de crimes de guerra(20). Desde então o Ministério da Defesa vem advertindo a comunidade internacional de que os Estados Unidos não poderão aprovar a criação de um Tribunal que tenha o poder de julgar militares americanos. Não resta dúvida que o objetivo primário dos Estados Unidos da América nesta empreitada intervencionista visa garantir a hegemonia de sua presença "imperial" no mundo, reproduzindo seus valores políticos e econômicos como se fossem obrigatórios e universais, sendo tudo isso parte inerente do jogo de sustentação do atual modelo capitalista que tem na grande nação do norte uma liderança inquestionável. Internamente a opinião pública estadunidense entende que esta postura se defende pela necessidade de reprodução do modelo republicano e "democrático" de sua nação em todo o mundo, como se a ingerência se justificasse por uma missão messiânica, um "Destino Manifesto" dos Estados Unidos da América presente desde sua independência, atualmente rebatizado de "Nação Indispensável". O mundo passa por uma época de incertezas no campo da manutenção da paz e do relacionamento entre as potências. Ao colocar em cheque a efetividade do Sistema das Nações Unidas e das normas do direito internacional os Estados Unidos da América põem em risco a estabilidade de convivência entre os diferentes países. O Direito de Ingerência nos assuntos internos de outras nações subjuga povos e princípios consagrados pela humanidade, abre uma brecha para que toda a construção que vem se dando há séculos de um sistema legal que visa o relacionamento pacífico entre povos e nações, faça-se cair por terra. A continuidade desta prática poderá acarretar danos irreparáveis à paz mundial e à ninguém ela deveria interessar mais que ao próprio povo norte-americano. Contudo, irracionalmente, os rumos da Pax Americana parecem levar ao destino que outros impérios já desfrutaram. 28

Lembremos não do Álamo, mas das frases do norte-americano Thomas Friedmam(21) : “A mão oculta do mercado jamais funcionará sem um punho oculto – o McDonald’s não pode prosperar sem a Mc Donnel Douglas, que projetou o F-15. E o punho oculto que mantém o mundo seguro para as tecnologias do Vale do Silício chama-se Forças Armadas, Força Aérea, Marinha e Fuzileiros Navais dos Estados Unidos”.

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IV- TENTÁCULOS DA “ÁGUIA” PRÓXIMOS DO BRASIL "Os Países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje, se não tiverem a sua disposição os recursos não renováveis do planeta a um preço próximo do custo de relação de troca, pelo reajustamento correspondente dos seus produtos de exportação. Para tanto, terão os país industrializados, que montar um sistema mais requintado e eficiente de pressões e constrangimentos na consecução dos seus intentos". Henry Kissinger- 1977

De acordo com Frederico Soares Castanho, Presidente da associação dos militares da reserva remunerada, reformados e pensionistas das forças armadas do Paraná(22) , os EUA já têm 20 bases e guarnições militares envolvendo a Amazônia brasileira , vejamos quais: - Equador, Caribe e Suriname: A máquina de guerra americana já transformou boa parte da América do Sul em um autêntico Teatro de Operações, supostamente contra o narcotráfico e a narco-guerrilha. Os Estados Unidos já montou em território sul-americano e em ilhas próximas, durante os seus dois últimos governos, um "cordão sanitário" composto por 20 guarnições militares, divididas entre bases aéreas e de radar, a um custo estimado de US$ 337 milhões (?). Das praias do Caribe ao Chaco, a presença dos soldados dos EUA é visível. Aviões variados e caças espalhados fazendo um verdadeiro arco que envolve a Amazônia brasileira pelo Oeste da América do Sul, nos Andes e nas Antilhas configurando o que deve parecer aos militares profissionais brasileiros uma espécie de Ordem de Batalha em torno da região Amazônica do Brasil. A espinha dorsal dessa suposta Ordem de Batalha em território sul-americano é formada por três bases aéreas: Manta (Equador, a cerca de 320 quilômetros da problemática Colômbia), Rainha Beatrix (Aruba) e Hato (Curaçao) - as duas últimas em frente à costa da Venezuela próximas ao Suriname. Juntas as três bases contam com efetivo militar desconhecido, e consomem US$116 milhões anuais (?). 30

As três guarnições abrigam aviões-espiões, aeronaves de transporte, modernos caças F-16 e se preparam para receber os sofisticados aviões radar Awcs, de última geração em rastreamento eletrônico. Essas bases foram montadas nos dois últimos anos, em substituição à base Howard (no Panamá), desativada em 1999. A idéia é que juntas, as três bases viabilizem 2 mil missões (vôos) anuais supostamente para rastreio e interceptação de aeronaves usadas por narcotraficantes. - As sete bases de radar da Colômbia e Peru : A pretexto de estrangular o narcotráfico, como idealizado pelas forças armadas americanas, estas também se posicionaram em território sul-americano em uma rede de 17 bases terrestres de radar. Destas, três ficam no Peru, quatro na Colômbia por motivos óbvios e o restante é "móvel e em local secreto", como informa o Center International Policy for Desmilitarization, uma ONG antimilitarista. Essas bases de radar possuem pista de pouso para aviões de transporte (como a colombiana Letícia e a peruana Iquitos, próximas à fronteira brasileira) e seu efetivo é estimado em 45 militares cada uma, entre técnicos de radar e soldados encarregados da guarda. Aos homens das bases de radar se somam os conselheiros militares espalhados pelas embaixadas sul-americanas e nas guarnições das bases aéreas, totalizando cerca de 1,5 mil militares ianques no sul do continente. Essa aparente Ordem de Batalha dos EUA contra o "narcotráfico"e a "narco guerrilha", inclui ainda seis pistas de pouso construídas pelos americanos no Peru, no Paraguai, na Bolívia, no Suriname e na Guiana Francesa. Na Colômbia, generais americanos já participam fisicamente do cerco a narcotraficantes como fizeram seus antecessores no Vietnã. - A segunda fase do Plano Colômbia : O general americano Peter Pace, 55 anos, fuzileiro naval, combateu no Vietnã entre 1968 e 1969, assumiu em 1999 a chefia do Comando Sul (Southcom) – Grande Unidade responsável pelas operações militares dos EUA na América Latina. Comandando 48 mil combatentes, o general Pace foi escolhido para ser o executor do Plano Colômbia, o maior projeto contra o narcotráfico já montado pelos EUA. O plano seria essencialmente militar. Dos US$ 860 milhões canalizados diretamente para a Colômbia, US$ 519 milhões vão para as Forças Armadas (ou 60%) e US$ 123 milhões vão para a polícia (14%). Apenas 4% da verba vai para a ajuda a refugiados, enquanto 8% ficam para 31

alternativas de desenvolvimento - o estímulo a que os agricultores troquem o plantio de coca por vegetais comestíveis, por exemplo. O Brasil é um dos poucos países sul-americano onde ainda não existem bases, guarnições ou pistas de pouso americanas. Alcântara será a primeira se não houver um retrocesso. Hoje, a maior resistência dos militares brasileiros é em relação à presença dos militares americanos em nosso país, garante um especialista em questões militares, o Sr.Nelson Düring. Principalmente no Exército, historicamente avesso à participação externa e com sabidas tendência nacionalistas. É por isso que os militares brasileiros vêem com "preocupação" a proliferação de guarnições americanas em torno da Amazônia Brasileira. Isso tudo explica porque os generais brasileiros têm adotado uma postura de resistência em relação ao Plano Colômbia, recusando qualquer presença e, menos ainda, a intervenção militar estrangeira na Amazônia brasileira. Os campos de treinamento oferecidos aos americanos pela Argentina, na província de Misione, a 1.300 Km de Buenos Aires - dentro de uma área coberta de selva -, mais uma vez servem de alerta, a despeito dos motivos alegados pelos Estados Unidos para se estabelecerem ao longo da fronteira com o Brasil. "Isso deve servir para que fiquemos atentos a qualquer evolução que ali possa ocorrer. Se um vizinho resolve abrir determinados bens que devem ser inalienáveis, o problema não é nosso. Mas a partir do momento que isso possa constituir uma preocupação para a segurança de nosso País, devemos começar a nos preocupar", analisa o vice-presidente e pesquisador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), Coronel Amerino Raposo(23). Em palestra proferida na Escola Superior de Guerra em 1998, para a turma Voluntários da Pátria a professora Lydia Garner, PHd, brasileira radicada há 30 anos nos EUA, integrante do Departamento de História da Sowthwest Texas University, já chamava atenção para o fato da Amazônia ser foco de interesse internacional desde a época dos descobrimentos, mas que a soberania brasileira sobre ela, que sempre foi reconhecida, poderia mudar a qualquer momento. "Talvez a natureza desta soberania venha a ser modificada em vista dos argumentos que estão sendo desenvolvidos em fóruns internacionais onde alguns aspectos da Nova Ordem Mundial estão sendo articulados e definidos. O governo brasileiro deve desenvolver uma diplomacia agressiva ao invés de defensiva, que não admita nem o mais leve desrespeito à sua soberania, e adotá-la para a Amazônia, a fim de reafirmar às demais nações o seu direito perfeito sobre a região". De acordo com a professora, a Nova Ordem Mundial da qual se falava há anos foi subvertida, cedendo espaço para um ambiente global ainda instável. A seu ver, o instinto de auto32

preservação se contrapõe a consolidação de um poder hegemônico e abre discussão quanto a sobrevivência da instituição do Estado nacional. "O Brasil, País estratégico no próximo milênio, por ser detentor de riquezas naturais, como a água potável, deve se tornar um dos atores principais desta discussão' prevê Lydia Garner. A professora adverte ainda que, como observador das experiências que ocorrem em outros países, o Brasil deve se conscientizar que sua vez está chegando. "Se as nações não têm amigos mas interesses, é hora do Brasil analisar e construir sua própria estratégia para enfrentar a globalização atual e a evolução da jurisprudência de soberania nacional, que ameaça metade de seu território, constituído pela maior floresta do mundo: a Amazônia".

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V- A CONTRA INFORMAÇÃO ESTADUNIDENSE NA ALDEIA GLOBAL “A guerra já nos mostra que resultados formidáveis uma propaganda adequada pode obter”. Adolf Hittler, Mein Kampt, 1920 O jornalista James Dao(24) do jornal The New York Times escreveu a seguinte chamada: “Pentágono poderia dar notícias falsas à mídia estrangeira. Finalidade seria influenciar a opinião pública em países amistosos ou inimigos”. O jornalista declara: “O Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA) está estudando a elaboração de planos para fornecer informações jornalísticas, possivelmente até falsas, à mídia estrangeira como parte de um novo esforço para influenciar a opinião pública e os formuladores de políticas em países amistosos e inimigos, disseram funcionários da área militar”. O primeiro passo para colocar esta idéia em prática foi à criação de um Escritório de Influência Estratégica, que nasceu com o objetivo de intensificar o apoio dos países externos a campanha norte-americana contra o terrorismo, em especial os países islâmicos. Uma executiva da área de publicidade e propaganda foi contratada para atuar neste escritório, que conta com um orçamento vultoso. O uso do correio eletrônico, o e-mail, é uma das ferramentas usadas para plantar com mais rapidez as informações. O Estados Unidos estão sentido a pressão mundial contrária aos seus movimentos expansionistas e precisam “instituir verdades” na Aldeia Global em busca de apoio aos seus interesses difusos. Este trabalho de “doutrinação”
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através dos meios de comunicação e de

propaganda não é novo. Na Alemanha do III Reich de Hitler esse instrumento era eficientemente aplicado por Joseph Paul Goebbels(26) na postura do Führer(27). Hitler afirmava aos seus seguidores: "A propaganda permitiu-nos conservar o poder, a propaganda nos possibilitará a conquista do mundo". A propaganda era tão importante para Hitler que uma das medidas mais imediatas foi a criação de um Ministério da Propaganda, entregando sua direção ao doutor Joseph Goebbels. Num regime que se assumia como absoluto, total, todos espaços que dali por diante circundavam os cidadãos, nas ruas, nos edifícios, no estádios, os prédios público e privados, nas fábricas e nas escolas, tudo o que fosse impresso ou que circulava no ar, deveria ser preenchido pelas mensagens, slogans e símbolos do partido nazista e do seu guia Adolf Hitler. 34

Um governo pode ter certas qualidades - ser honesto, clarividente, capaz - ele satisfaz apenas à fração da população que possui idênticas qualidades. Torna-se popular apenas a partir do dia em que o homem da rua, incapaz de julgar dessa maneira, mas impelido por sentimentos muito mais poderosos e muito mais obscuros, logra colocar-se inconscientemene no lugar dele, até iludirse e acreditar que o governo age levado por sentimentos análogos aos seus. Se essa identificação é impossível, apesar de fácil em tempos normais, o governo torna-se, então, o objeto da projeção de todos os maus sentimentos e, pensa a massa, não pode mais agir senão por maldade, por baixos interesses, traição, imbecilidade"(28). Todos os chefes de Estado esforçam-se por obter essa "projeção" da massa em relação à sua própria pessoa; alguns forçam a adesão popular usando processos líricos e quase mediúnicos, como Hitler; outros, como Roosevelt e Churchill, ao familiarmente convidarem seus concidadãos a compartirem os seus cuidados e as suas esperanças; recordamo-nos das famosas "conversas ao pó do fogo", com que Roosevelt regularmente se dirigia pelo rádio a cada americano como a um amigo que cumpria associar às suas aflições e aos seus projetos. A argumentação do tipo "Sou um dos vossos" ou "Colocai-vos em meu lugar" é o recurso favorito dos estadistas nos países democráticos(29). Contra a notícia falsa, o desmentido, em geral, é destituído de força, visto ser muito difícil desmentir sem parecer defender-se "como acusado", e acontece que, quanto mais grosseira a falsidade da notícia, maior o seu efeito e mais difícil se torna retificá-la, porquanto o público procede naturalmente ao seguinte raciocínio: "não teriam ousado afirmar semelhante coisa se dela não estivessem seguros". Hitler sabia que a credibilidade de uma mentira amiúde aumenta em função de sua enormidade: "a mais descarada mentira sempre deixa traços, embora reduzida a nada. Eis ai uma verdade sabida de todos os diplomados na arte de mentir e que prosseguem no trabalho de aperfeiçoá-la". Nélson Jahr Garcia(30) nos ensina que o conflito na guerra do Golfo entre o Iraque e as forças aliadas eclodiu acompanhado de uma forte censura, certamente a mais rigorosa já havida em tempo de guerra. Os militares norte-americanos alegavam que os jornalistas foram os principais responsáveis pelo seu fracasso no Vietnam. Para os franceses, foi na Algéria que a imprensa lhes trouxe a derrota. Não e o caso de se discutir quanto de exagero há em uma versão que atribui, aos meios de comunicação, o poder de produzir um desastre militar. Mais importante é avaliar a extensão, os objetivos e, principalmente, as consequências da interferência dos oficiais sobre os noticiários. 35

Uma das grandes bandeiras do chamado mundo livre, utilizada para enfatizar a excelência de seus regimes em relação aos do bloco socialista e dos países ditatoriais, sempre foi a liberdade de expressão e acesso às informações. No momento em que oficiais aliados, especialmente norteamericanos, decidem que a população não deve saber qual o número de civis mortos ou a quantas anda o moral das tropas, passam a nos deixar em dúvida sobre as diferenças entre o seu comportamento e o autoritarismo de Sadam Hussein. Um jornalista inglês, embora concordando que é mais seguro manter a eficiência em uma guerra sem os riscos que uma oposição política pode criar, acrescentou com muita propriedade: "Nós não somos democratas se confiamos no povo apenas quando os riscos são suficientemente baixos(31)” . No Golfo não houve apenas a ocultação de determinados acontecimentos, mas sim a escolha e divulgação daqueles que permitiam mostrar outra guerra, imaginária, que pouco ou nada tinha a ver com a verdadeira. A manipulação foi de tal ordem que alguns pilotos, prestes a decolar em missão de bombardeio, foram orientados a voar dentro de determinada configuração, considerada mais estética para fins de filmagem. E verdade que. para muitos, o noticiário não tinha credibilidade, mas o enorme apoio popular à forma como as ações foram conduzidas revela o sucesso do projeto(32). A estratégia da propaganda, para os incidentes no Golfo, foi criar uma versão asséptica dos acontecimentos, que transformou as imagens dos ataques em cenas de videogame. A idéia básica a ser incutida era a de que. com a tecnologia avançada, os disparos se tornaram tão certeiros quanto as 'intervenções cirúrgicas", permitindo destruir alvos militares com absoluta precisão, sem causar a morte de civis e tornando insignificantes as baixas militares. A respeito dos adversários, as condições do combate exigiam que a propaganda fosse ambígua. A necessidade de apoio político obrigou que a vitória fosse apresentada como indiscutível. Nem faltou o título que sugeria o efeito devastador do ataque aliado: "Desert Storm Operation". Nesse contexto era necessário subestimar os iraquianos. Suas armas eram obsoletas, seus soldados despreparados, o moral das tropas encontrava-se abalado. Por outro lado, o inimigo não podia deixar de ser também perigoso e ameaçador, para justificar a intensidade dos bombardeios sobre ele. Daí a guarda de Hussein ser composta por soldados agressivos, impiedosos e bem treinados. As referências às armas camufladas criavam um clima de ameaça em que uma possível surpresa repentina exigia ações mais contundentes. Se alguém considerasse improvável essa possibilidade, a falta de princípios e valores éticos por parte das autoridades iraquianas reforçava a argumentação para o ataque maciço. Sadam era um ditador criminoso, prestes a utilizar armas químicas perigosíssimas, como já fizera na guerra com o Irã ou com a minoria curda do seu próprio país. Aproveitando a onda ecológica 36

mundial, a propaganda procurou mostrar que os militares inimigos não hesitavam em destruir a natureza. O mundo inteiro pôde assistir pela tevê, a algumas imagens comoventes, relativas ao petróleo derramado pelos iraquianos no mar. Três ou quatro pássaros, mal conseguindo mover-se por estarem encharcados de óleo, sofriam, aparentando estarem prestes a morrer. Um deles, promovido a "top model", passou a ser exibido frequentemente, primeiro agonizando, depois no laboratório onde foi tratado e salvo. Tudo isso seguido por cenas, a que se deu bem menor dramaticidade, mostrando alguns dentre os inúmeros civis mortos por um único míssil aliado(33). Tudo indica que os efeitos dessa propaganda, articulada com a censura deve ter produzido resultados bastante significativos, especialmente nos EUA Para o exterior os americanos reforçaram sua imagem de potência líder, empenhada na defesa dos interesses de nações amigas. Mas a consequência maior deve se dar no plano interno, à medida que permita. aos cídadãos, recuperar parte do orgulho que há tantos anos vêm sofrendo choques Um dos fatores mais importantes a assegurar a coesão social, naquele país, era a sensação que cada indivíduo tinha de pertencer a uma grande e poderosa nação, com uma economia insuperável e um sistema político perfeito. Robert Bowman
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, em entrevista a revista “Isto É” sobre a propaganda estadunidense na

guerra do Afeganistão afirma: Creio que ela está sendo parcial. Não acredito que a população americana esteja vendo as cenas dos refugiados, porque as imagens são editadas antes de chegar ao público. Há uma censura na grande imprensa, porque são corporações que sempre se beneficiam destas guerras. A derrota do Iraque na forma fantasiosa como foi apresentada, pode fazer renascer a autoestima daquele povo. Mais cedo ou mais tarde. porém, terão de se conscientizar a respeito do perigoso precedente que permitiram fosse criado. Foi justamente nos países onde mais se preza a liberdade de imprensa que se estabeleceu a tese da legitimidade de uma censura sem restrições, em períodos de guerra. O risco passou despercebido, talvez, porque a superioridade aliada era tão flagrante que os combates teriam que terminar rapidamente, sem grandes baixas. Imagine-se, porém, a hipótese de um confronto entre dois países possuidores de poderio bélico equivalente. Não teriam as respectivas populações o direito de estarem informadas sobre os acontecimentos, de tal forma a possuírem condições de se mobilizar quando houvesse, por exemplo, o risco de destruição mútua? Não podemos esquecer que os civis dos países beligerantes arcam com grande parte dos encargos gerados pela guerra(35). O direito à informação é uma das poucas garantias, para os indivíduos e para a sociedade civil, de que não se cometerão atrocidades em seu nome nem lhe serão infligidas responsabilidades 37

e obrigações indesejadas. Nenhuma ocorrência, por mais grave, pode autorizar a criação de obstáculos ao conhecimento de fatos, a ponto de tornar os cidadãos indefesos. A censura sobre o ocorrido no Golfo significa um retrocesso nos ideais democráticos(36). O Iraque foi arrasado; a opinião pública mundial também. Como será a propaganda para justificar a próxima intervenção?

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VI- MOTIVOS PARA APLICAR O DEVOIR DÍNGERENCE NO BRASIL

Se a quantidade de água existente no mundo fosse comparada a um galão (3,8 litros), o total de água doce seria igual a 4 onças (118 mililitros) ou 3 por cento, e o total de água doce imediatamente acessível chegaria a 2 gotas. Miller, G.T. 1998. Living in the Environment, 10th Edition. Wadsworth Publishers, Belmont, California

ÁGUA Os seres humanos já utilizam aproximadamente 54 por cento de toda a água acessível que flui na superfície (água doce utilizável e renovável). Espera-se que essa estatística se eleve a 70 por cento até o ano de 2025(37). Atualmente, pelo menos 400 milhões de pessoas vivem em regiões onde ocorre grande escassez de água. Até o ano 2025, esse número chegará a 4 bilhões(38). No decorrer das duas próximas décadas, somente o aumento populacional - sem falar no aumento da demanda per capita - deverá causar escassez de água em todo o Oriente Próximo(39). Temos aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas morando em cidades, atualmente. E esse número deverá dobrar até o ano 2025. Em 2025 haverá, aproximadamente, 5 bilhões de pessoas morando em cidades. Este é, de fato, um grande desafio. No momento, muitas das megacidades estão tendo dificuldades com o fornecimento de água e com o esgoto. Se você examinar a situação na maioria dessas cidades, você verá que somente 10 por cento - no máximo 20 por cento - do esgoto é tratado. A maior parte do esgoto ainda é jogado no meio ambiente sem receber nenhum tratamento, nessas megacidades. Os rios que fluem por essas áreas são muito, muito poluídos. A qualidade da água está piorando como resultado da contaminação causada por despejos industriais e domésticos. Uma coisa complica a outra - primeiro você tem um problema de abastecimento de água, e depois você acaba poluindo uma parte da água disponível, que se torna imprópria para o consumo. Os problemas de qualidade e quantidade de água andam juntos nessas áreas. Sandra Postel, diretora do Global Water Policy

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Project(40) afirma que a escassez de água, iminente em muitas partes do mundo, tem o potencial de causar instabilidade interna e conflitos internacionais. Nosso país é o único em extensão continental, clima tropical-úmidos e com rios perenes em mais de 90% de seu território. Temos a maior descarga da água doce do mundo. São 216.340 metros cúbicos por segundo (m3/s) sendo despejados no Atlântico.Isso equivale a 40% a mais do que a descarga de todos os rios dos Estado Unidos e é 47% superior aos rios Canadenses. Na região Norte Brasileira, extremamente subdesenvolvida, existe o maior problema para a Soberania Nacional — a Amazônia. Abrangendo uma área de 4.900.000 km2 (60% do território nacional), a Amazônia Legal Brasileira, com cerca de 74% formada pela floresta Amazônica (3.300.000 km2), tornou-se cobiça internacional devido às suas imensas reservas minerais não totalmente conhecidas e à riqueza de sua biodiversidade. Nas suas fronteiras o Brasil defronta-se com diversos tipos de problemas: narcotráfico (Colômbia); invasões de garimpeiros (Venezuela); e vizinhança com a França, país-membro do Conselho de Segurança da ONU (Guiana Francesa). Vivem na Amazônia 47% por cento dos anfíbios do planeta, 43% dos pássaros, 37% dos répteis, 27% dos mamíferos, o maior percentual conhecido de espécies de peixes, e 34% de todas as espécies vegetais conhecidas. Além disso, a planície amazônica abriga a maior bacia hidrográfica do planeta. 20% da água potável de todo o globo terrestre está na Amazônia. Reconhecidamente, é o mais importante ecossistema terrestre, constituído de várias porções heterogêneas, mas absolutamente integradas e interdependentes. Entretanto revela-se de grande fragilidade quando algum de seus elos é rompido. O rio Amazonas, é a espinha dorsal da maior bacia hidrográfica do mundo. O SolimõesAmazonas, coleta as águas provenientes do degelo dos Andes e das chuvas alternadas, a cada semestre, dos hemisférios do norte e do sul, em grande intensidade, atingindo marcas inigualáveis em todo o mundo. O Amazonas é o caudal possuidor do maior vazão conhecida. A primeira estimativa da descarga e velocidade do Amazonas data do segundo quartel do século passado e foi feita em 1831, por Spix & Martius em sua memorável viagem à Amazônia. Estes dois sábios alemães estimaram, na seção de Óbidos e na vazante, a sua descarga em 14.000 m3/s e a sua velocidade em 0,7 m/s. De lá até os nossos dias várias estimativas foram feitas, sendo que, em 1963 e 1964, o Departamento de Geografia do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o U.S Geological Survey, com a cooperação da Marinha de Guerra do Brasil mediram a descarga do rio 40

Amazonas em quatro pontos: uma medição na seção de Óbidos, que revelou a surpreendente descarga de 216.340 m3/s, num período de cheia anual um pouco mais baixa que a média. As últimas medições (1963-1967) das descargas do rio Amazonas vieram confirmar a sua absoluta primazia entre os rios mais volumosos do Globo, pois elas são mais de três vezes superiores às do Mississipi-Missoure (65.128 m3/s) e quase cinco vezes maiores que as do Congo (41.000 m3/s). O deflúvio médio anual para toda a bacia é estimado em 250.000 m3/s. O descomunal e incomparável volume d’água do Amazonas resulta, essencialmente, do fato de a sua imensa bacia que com seus seis e meio milhões de quilômetros quadrados abrange 32 graus em latitude e 26 graus em longitude estando dentro de uma das zonas de mais alta pluviosidade do planeta. Água, sua distribuição espacial em nosso planeta é desigual e o Brasil país abençoado por Deus nesta incomensurável riqueza será alvo de principados e impérios na busca desse líquido precioso.

6.1- PETRÓLEO Descoberto no início do século XX (a primeira exploração data de 1909 no Irã), o petróleo se tornou um dos mais importantes elementos da economia mundial. Além de usado como combustível, vários outros derivados colocam o petróleo como base da economia de muitos países, sendo alvo de cobiça e sinal de riqueza para quem detém as jazidas. O Oriente Médio, logo após a Primeira Guerra Mundial, já era o maior produtor petrolífero do mundo e, por isso, despertava o interesse das grandes potências. Assim, houve uma partilha dos países do Oriente Médio entre França e Inglaterra, que passaram a dominar as empresas de exploração de petróleo. Para citar um exemplo, em 1926, a Irak Petroleum Company foi repartida entre Inglaterra, que detinha 52,5% das ações; França, com 21,25% e EUA, com 21,25%; restando ao Iraque somente 5%. Cerca de 90% da produção mundial passou ao controle de apenas sete empresas, conhecidas como as "Sete Irmãs", das quais cinco eram norte-americanas. Como conseqüência desse imperialismo, houve um grande êxodo rural na região, principalmente do Egito para os países do Golfo, provocando desequilíbrios populacionais e econômicos. Vale lembrar que, apesar de estar se construindo grandes riquezas, apenas uma pequena classe de privilegiados tinha acesso ao dinheiro e a maioria dos petrodólares eram investidos nos grandes centros dos países ricos, restando 7% de investimentos aos países árabes.

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Com a qualidade de vida da população baixando, um forte sentimento de independência surgiu nos países árabes. Os produtores de petróleo passaram a pressionar as "Sete Irmãs" estabelecendo uma divisão de lucro de meio a meio e, em 1960, criam a Opep(41) (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para organizar e fortalecer essa política de independência e com o objetivo de defender os interesses referentes à nacionalização das companhias estrangeiras. O petróleo é de importância capital para qualquer Nação principalmente para os Estados Unidos da América um país localizado em regiões frias. Nenhum Estado-Nacional pode desenvolver-se sem energia. Energia é Poder! Não dispondo de uma floresta tropical, recursos hídricos e biomassa como os nossos a “Águia” tem que dominar as reservas petrolíferas do globo e intervir por uma causa justa nesses espaços vitais. O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês) divulgou que os estoques de petróleo do país tiveram redução de 2 milhões de barris na semana terminada em 31 de agosto de 2001 . Os estoques de destilados, que incluem diesel e óleo para calefação,

diminuíram em 300 mil barris em comparação com a semana anterior, somando 120,4 milhões de barris(42) . A produção mundial anual atinge a 24 bilhões de barris, consome-se 23 bilhões e 1 bilhão vai para os depósitos (os EUA produzem 13%, a Europa Ocidental 6%, o Golfo Pérsico 27%, os outros 19%).As reservas existentes no mundo inteiro são calculadas em 137 bilhões de toneladas (67% delas se encontram no Oriente Médio). A Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos Estados Unidos é considerada pelo Departamento de Energia daquele país como uma das principais linhas de defesa contra uma possível interrupção do suprimento de petróleo para o mercado americano. Ela constitui um suprimento de emergência de óleo cru estocado em enormes cavernas subterrâneas especialmente construídas no interior de grandes domos de sal (depósitos de salgema) encontrados ao longo da linha de costa do Golfo do México. As cavernas são construídas através da utilização de técnicas de dissolução controlada, envolvendo: injeção de água no interior do domo de sal; extração da salmoura gerada para a superfície, e injeção concomitante do petróleo na cavidade gerada no interior do jazimento de sal. Sabendo onde está o “ouro negro”, analisemos, pois onde se encontram tropas NorteAmericanas no Mundo e onde os conflitos armados se desenvolvem. Qual será o motivo, ajuda humanitária?

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Segundo Joseph S. Nye,(43) o governo estadunidense mantém até o presente momento e ampliará no futuro a premissa do destino manifesto. O efetivo das forças armadas Norte Americanas teve uma redução de um terço desde o pico da Guerra Fria. Entretanto, dispõem aproximadamente 100.000 militares na Europa, outros 100.000 na Ásia, e 20.000 no Golfo Pérsico e adjacências. Em conjunto com o pré-posicionamento de equipamentos e manobras conjuntas com aliados e nações amigas, essa capacidade ajuda a moldar o ambiente político nessas regiões críticas e, portanto, funciona como uma espécie de defesa preventiva. Essas forças têm boa aceitação junto aos principais países dessas regiões. Há 2 anos atrás o Uzbekistao, na Ásia Central, está sendo usado pelos americanos como base para ataque ao vizinho Afeganistão (da mesma forma que foi utilizado no período Soviético).A questão geopolítica levanta o interesse no controle desta região vizinha ao Mar Cáspio - rica em gás natural e petróleo, que esteve sob controle da União Soviética até seu desmembramento no início dos anos 90. Outro item a ser observado é o interesse em evitar uma expansão pan-islâmica, que poderia se estender do Paquistão ao Oriente Médio atingindo a Ásia Central. O inusitado é a de uma aliança Americana e Russa uma década após o término da Guerra Fria, com a Rússia voltando ao palco principal por seu conhecimento da região onde combateu por 10 anos desde sua a invasão do Afeganistão em 1979. Outrossim, convém recordar a entrevista do tenente-coronel americano da reserva Robert Bowman, a revista “Isto É” edição 1675 sobre a industria de armas e o petróleo.O exdiretor dos programas Guerra nas Estrelas afirma: “A indústria de armas está ligada ao governo americano.Essa ligação é visível na indústria de petróleo. Em muitos casos, há um entrelaçamento dessas empresas com o governo. Membros das direções dessas empresas, por exemplo, estão também em altos postos do governo. E executivos da indústria bélica, às vezes, estão ligados à indústria do petróleo. Aliás, é interessante notar que os países ou regiões em que os EUA estiveram militarmente mais presentes nos últimos anos, como Bósnia, Kosovo e Afeganistão, são pontos-chaves para o transporte do petróleo do mar Negro para o Mediterrâneo e, portanto, fundamentais para o lucro das indústrias petrolíferas”.

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6.2 BIO MASSA O Brasil é um dos seis países de maior biodiversidade do planeta, juntamente, com a Indonésia, Zaire, Colômbia, México e Peru. Cerca de dois terços de seu território e mais de 80% de sua diversidade biológica estão imersa nas florestas tropicais da região amazônica.Calcula-se que vivam na região, aproximadamente, 10% dos organismos vivos do planeta. São mais de 3,5 milhões de quilômetros quadrados de florestas, o que representa mais florestas tropicais do que toda a África e a Ásia. Na Amazônia vivem pelo menos 36 espécies de primatas, mais de 2.500 espécies de peixes de água doce, cerca de 35.000 espécies de plantas lenhosas, mais de 900 espécies de pássaros. Muitas destas espécies somente são encontradas na porção brasileira, especialmente, no sul do Pará e Maranhão. O número total de espécies encontradas na região não é suficiente para descrever sua diversidade biológica. Em certas áreas da Amazônia já foram encontrados mais de 300 tipos de árvores em apenas um hectare de floresta investigado, o que significa uma representatividade de quase um indivíduo por espécie identificada. Nas matas de terra firme ao sul do lago Tefé existem cerca de 14 espécies de primatas. Embora estes números estejam acima de qualquer outra floresta tropical investigada, não refletem a diversidade genética dos inúmeros grupos de organismos aí encontrados. Acredita-se, por exemplo, que ocorram mais organismos vivos em poucos quilômetros quadrados de floresta amazônica que em toda a Europa. Deste modo podemos dizer que a porção brasileira da Amazônia é absolutamente crítica para a conservação da biodiversidade e das florestas tropicais do planeta. Biomassa é a grande fonte de energia do Brasil. Energia limpa e inesgotável. Segundo o engenheiro José Walter Bautista Vidal
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a energia de um dia solar sobre o

hemisfério da terra equivale à energia de todas as reservas de petróleo já descobertas. A quantidade de energia que o sol irradia sobre a superfície do Brasil em um dia equivale à energia produzida em 24 horas por 360 mil hidrelétricas do porte da de Itaipu (a maior do mundo). Com tanto sol, a maior reserva de água doce do planeta (22%) e território pouco ocupado, o Brasil pode produzir energia para suprir o mundo. Com sol, terra e água podemos ter alimentos e energia limpa para sempre. Não é dinheiro que move o mundo, mas sim energia. Sob este prisma vemos o Brasil com a maior reserva de água potável, a maior diversidade vegetal e a extraordinária incidência do sol. Existe uma perigosa aliança dos países sem calor do sol com corporações sem almas, dos países do frio com os donos do dinheiro que assola os países pobres. Assim, países com ricos 44

territórios em ouro, diamantes, metais estratégicos são expropriados de seus recursos, colocando populações inteiras na miséria para garantir lucros exorbitantes aos exploradores, representantes da aliança dos países do frio com os donos do dinheiro.É o frio querendo enganar o sol, afirma o mestre José Walter Bautista Vidal. O engenheiro argumenta que essa aliança não conseguirá resolver as duas questões cruciais da humanidade, a energética e a ecológica. Tudo hoje tem por base os combustíveis fósseis: o petróleo e também o carvão mineral. O primeiro está acabando e o segundo contribui de modo decisivo para o efeito estufa. E a vida não poderá continuar sem energia. Os países hegemônicos têm feito de tudo para impedir o nosso avanço tecnológico, para se apropriarem dos bens naturais e fontes de energia dos povos subjugados. Quais são as soluções para o problema energético? O professor Vidal descarta categoricamente as usinas nucleares: Não existem reservas de metais pesados nas proporções necessárias para as demandas que surgirão com a substituição dos combustíveis fósseis. As usinas nucleares são muito inseguras e exigem uma sociedade policial para tentar evitar tragédias provocadas por acidente ou terrorismo. Por último, produzem material radiativo que não existe na natureza, o plutônio, que em pequenas dimensões, mata qualquer ser vivo e continua matando em 500 mil anos. A energia eólica gerada pelo vento não é desprezível, mas é limitada. O vento só ocorre de modo sistemático em certas regiões. Ademais é muito difícil armazenar a energia que gerada. Para Vidal armazenar grandes quantidades de energia é algo que a tecnologia não conseguiu resolver. Outras alternativas seriam as usinas hidrelétricas em condições topográficas adequadas e onde a água é abundante; e as termoelétricas, desde que queimem biomassa, rejeitos agrícolas e lenha, produtos renováveis, não poluentes e que não alimentem o efeito estufa. A biomassa oferece muito mais! Sua origem é o sol, com proporções energéticas gigantescas. É limpa do ponto de vista ecológico e renovável. Não se exaure enquanto houver sol. A solução está nos vegetais. Somente eles conseguem armazenar energia nas dimensões exigidas pela crise energética que vivemos. A folhinha da árvore da esquina retira água do solo, gás carbônico do ar e armazena a energia do sol. As plantas armazenam energia para usar logo depois ou ficar guardada como combustíveis fósseis por milhões de anos. O Brasil, devido à incidência de sol e volume de água doce, consegue até três ou quatro safras agrícolas por ano. Já os países do frio mal conseguem uma. Os açúcares, amidos, óleos e 45

celuloses das plantas, sempre renováveis permitem produção de álcool, óleos, lenha, gás de madeira e inúmeras substâncias que podem ser utilizadas como combustíveis. Alimentos para a humanidade, combustíveis para os veículos e motores, calor para as indústrias e o aquecimento. Tudo isso pode vir da biomassa em grandes proporções no Brasil, sugere o engenheiro. A riqueza de nossos patrimônios naturais, energéticos, minerais, genéticos e aqüíferos, e o domínio tecnológico sobre eles, nos dão condições para construir a grande civilização auto-sustentada e permanente.Conforme o cientista Bautista Vidal “Essa é característica marcante do Brasil ser a nação da luz, da vida, do amor e do sol”. Podemos ser auto-suficientes em combustível para veículos como éramos na década de setenta. Noventa e oito por cento da frota nacional daquele período era de carros movido a Álcool. Luiz Augusto Horta Nogueira, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP)(45) atesta que o programa brasileiro de álcool automotivo é um projeto energético inovador, baseado em energia renovável, com matéria-prima e tecnologia nacionais, empregando milhares de trabalhadores e ajudando o Brasil a ser um dos países mais bem alinhados com os propósitos do Protocolo de Kyoto(46). Se nos anos 80 veículos a álcool correspondiam a quase totalidade das vendas, hoje pouquíssimos se interessam por um carro novo a álcool e se estima que são sucatados cerca de 150 mil veículos a cada ano, sem reposição. Dentre as diversas medidas que podem ser articuladas para superar esta situação, destaca-se especialmente a introdução dos veículos com motores bicombustível ou FFV- Flex Fuel Vehicle, que podem usar desde álcool puro até gasolina. De fato, a partir da notável evolução da eletrônica embarcada, esta tecnologia já está disponível comercialmente e, particularmente nos Estados Unidos, o número de carros capazes de parar em um posto e abastecer com o produto que o dono quiser chega a quase um milhão. Nas condições atuais, com os preços de petróleo estabilizados em níveis que fazem o álcool ser viável sem qualquer subsídio, certamente são mais oportunos esquemas de financiamento para estoques de entressafra, apoio à modernização e renovação de equipamentos. Em 1986, os veículos a álcool chegaram a representar 98% da linha de produção. Os veículos a gasolina somente eram disponíveis por encomenda. Entretanto,devido a medidas na área financeira de comando externo, a produção de carros a álcool hoje mal chega a 1% da frota nova. Os que restam a álcool estarão em uso por curto tempo. O programa foi exterminado!

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Com ele o Brasil economizou em custos externos cerca de oitenta bilhões de dólares. Criaram-se 800 mil empregos diretos, reduziu-se drasticamente a poluição nas grandes cidades e o País passou a deter o domínio tecnológico mundial nesse setor. De modo lamentável não foi permitido ao programa estender-se aos demais derivados do petróleo, especialmente a substituição do óleo diesel de petróleo por óleos vegetais, estes mais eficientes como energético e não danosos para o ambiente. Recolocar o álcool de forma consistente no mercado brasileiro de combustíveis é importante e urgente, mas não é uma tarefa trivial. Manter uma demanda significativa de álcool hidratado pode ser um bom caminho para utilizar a capacidade já instalada de produção e distribuição; requer o esforço coordenado de muitos agentes, o equacionamento de mecanismos inovadores de suporte, a adoção de novas tecnologias como os motores bicombustível e, sobretudo, o reconhecimento da soberania do consumidor. Sem o resgate de sua confiança, o álcool arrisca-se a ser lembrado como um episódio passado de nossa história energética, tal como hoje recordamos vagamente os gasogênios usados no passado em tempos de guerra(47).

6.3 DEMOGRAFIA A Demografia, sendo uma resposta científica a um conjunto de questões relacionadas com a descrição da população humana, para além da normal observação, medição e descrição, passou, nos últimos anos, a explicar as causas e consequências das variações demográficas. Para Raymond Aron, o fator humano engloba o número de homens e a arte de transformá-los em soldados. O século XXI, fundamentalmente analisado até ao ano 2025 deverá ser enquadrado numa prospectiva importante da relação entre a Demografia e a Estratégia intervencionista. Entre os vários cenários do futuro Sistema Internacional(48) optamos pelo equilíbrio das potências,

defendido como mais provável por Henry Kissinger: “O sistema internacional do século XXI será caracterizado por uma aparente contradição: por um lado, fragmentação; por outro, globalização crescente. Ao nível das relações entre Estados, a nova ordem aproximar-se-á mais do sistema europeu de Estados dos séculos XVIII e XIX do que do modelo rígido da Guerra Fria. Incluirá, pelo menos, seis potências: os EUA, a Europa, a China, o Japão, a Rússia e, provavelmente, a Índia, bem como uma multiplicidade de países de tamanho médio e mais pequenos...” (49). O crescimento populacional que se tem desenvolvido nos últimos anos, de 1,6 para 6 bilhões de habitantes só no século passado, e o que se prevê para os próximos anos, cerca de 9,4 a um ritmo diferente nas grandes regiões do globo, criará uma heterogeneidade demográfica tal, que 47

poderá alterar, durante o século XXI, as relações de poder ao nível das relações internacionais e as posições relativas dos países. A preocupação com este crescimento da população mundial, que tem como referência histórica o “Ensaio sobre o Princípio da População”, de Thomas Robert Malthus(50) , voltou a renascer neste século, como atestam as diferentes conferências mundiais sobre população, realizadas sobre os auspícios da ONU, em Bucareste (1974), no México (1984), no Rio de Janeiro (1992) e no Cairo (1994). O objetivo final destas conferências centrou-se invariavelmente na busca do equilíbrio entre a população e os recursos e entre a proteção do ambiente e o desenvolvimento econômico. Questões como o envelhecimento médio da população dos países desenvolvidos, o aumento “explosivo” da população em países subdesenvolvidos, a degradação do ambiente e a alteração do equilíbrio da dependência, a crescente concentração da população mundial em áreas urbanas e a nova geopolítica demográfica(51), que divide a “Cidade Global”(52) em duas partes distintas, serão origem provável de novos fatores de conflito no século XXI. Com um crescimento da população mundial de cerca de 80 milhões de pessoas por ano, o planeta atingirá para 2050, cerca de 9,4 bilhões de habitantes, dos quais cerca de 8 bilhões nos países em desenvolvimento. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a População(53), a população do planeta duplicou por quatro vezes na nossa era; a primeira vez, em quinze séculos, de 300 milhões no tempo de Jesus Cristo, para 600 milhões em 1500; a segunda vez, em menos de quatro séculos, com 1,2 bilhões no início do século XIX; a terceira vez, em menos de um século, com 2,5 bilhões em 1950; e a quarta vez, em trinta e sete anos, com os 5 bilhões em 1987. A próxima duplicação (10 bilhões), está prevista para daqui a cerca de 60 anos, o que, denotando melhorias relativamente aos anos da explosão demográfica, continua a constituir uma preocupação pelo crescente número absoluto da população mundial. Este crescimento populacional nos países em desenvolvimento em larga escala tem levado à criação de cinturões de pobreza nas grandes cidades. Essas regiões carecem de serviços de infra-estrutura e de moradias adequadas. O acesso das classes menos favorecidas à saúde, à educação, ao transporte e ao mercado de trabalho também é deficitário. De acordo com a ONU, 250 milhões de pessoas não recebem água tratada, 400 milhões não possuem esgoto e 500 milhões estão sem moradia. O crescimento global, por não ser uniforme, origina, por outro lado, crescimentos diferenciados em diferentes regiões do globo, que levam, inevitavelmente, a disputas pelo espaço e pelos bens, num Desequilíbrio Demográfico perfeitamente materializável entre os países 48

industrializados, em geral do Norte, e os países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos , em geral do Sul. O fator humano será envolvido em conflitos sem tomar consciência dos mesmos e das suas repercussões, quer em nível das ações a desenvolver pelos Estados quer a nível conceptual, onde conceitos como fronteira, nação, e soberania serão naturalmente reajustados. Mas o “palco” é cada vez mais interativo, com o crescendo de importância dos meios de comunicação social, autêntico catalisador de ações e contra reações normalizadas, que a Política e a Estratégia terão de saber acompanhar.

6.4 TERRORISMO Terrorismo é o emprego ou ameaça de violência com propósitos políticos. Nos séculos 19 e 20, ações terroristas incluíram o uso de bombas, seqüestros de pessoas e aviões, e assassinatos indiscriminados, com a intenção de disseminar o medo entre os oponentes e a população em geral. Na Rússia do século 19, os anarquistas e os niiilistas fizeram uso do terrorismo contra o governo czarista, enquanto nos Estados Unidos da América, organizações como a Ku Klux Klan usavam o terrorismo e linchamentos para intimidar a população negra após a Guerra Civil NorteAmericana. No século 20, ditadores como Mussolini e Hitler subiram ao poder utilizando táticas de terror, enquanto o período pós-Segunda Guerra testemunhou o crescimento de grupos fundamentalistas(54) ou nacionalistas de libertação que usavam o terrorismo como parte de suas lutas contra o poder estabelecido, como por exemplo em Chipre e na Palestina, na Irlanda e em muitos países da África, Ásia e Oriente Médio. Surgiram também grupos terroristas que lutavam contra as estruturas sociais e políticas de seus próprios países, como o Baader-Meinhof e a Facção do Exército Vermelho, na Alemanha; as Brigadas Vermelhas, na Itália; a Ação Direta, na França; o ETA, na Espanha; e os Tupamaros, no Uruguai. Afeganistão, década de oitenta. Os Estados Unidos apoiaram os rebeldes afegãos contra a invasão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Era o período da guerra fria e o confronto entre o Capitalismo e o Comunismo continuava. Os Estados Unidos resolveram prestar solidariedade ao povo afegão na busca de liberdade contra o opressor comunista. O Congressista Senador Texano Charles Wilson, líder do governo no Congresso encampou luta na aprovação de um projeto de sua autoria para suporte financeiro aos 49

guerrilheiros afegãos. Esse suporte em milhões de dólares foi aprovado e financiou a guerrilha Afegã contra os soviéticos. Em entrevista ao programa 60 minutos da rede A&M, em 15 de janeiro deste ano, o Senador Charles Wilson afirmou que “o suporte financeiro foi vital para as operações no Afeganistão. Através dele foram enviados armamentos e munição aos Muhajedins, os guerreiros santos do Talibã(55) na sua luta contra a União Soviética”. O Ano de 1988 foi um período fértil nas relações entre os Estados Unidos e a guerrilha Talibã. Houve o estreitamento do relacionamento através do senador Charles Wilson. Em suas viagens ao Afeganistão Charles Wilson identificou-se com o povo afegão usando inclusive roupas dos Muhajedins, os guerreiros santos. Antes de ajuda estadunidense de armamento e munição a guerra era dominada pelos soviéticos, principalmente pela cobertura aérea de aviões e helicópteros russos, contudo, o panorama mudou quando os Muhajedins receberam mísseis stinger que lançados em terra atingiam com precisão helicópteros e aviões soviéticos.Este apoio chegou através de Milt Bearden o primeiro homem da CIA a participar das operações no Afeganistão.O agente Bearden foi levado àquele país para ensinar aos Muhajedins a bem utilizar os mísseis stinger. Com essa aquisição a guerra começou a ficar favorável aos guerrilheiros havendo Senador Charles Wilson recebido por seu apoio um presente dos guerrilheiros, um lança granada russo que utilizou como “Souvenier” em seu escritório até hoje. A “doação” ao Afeganistão aprovada pelo Congresso Norte Americano, materializada em armamento e munição foi patrocinada pela CIA, órgão responsável em deslocar por mar e terra o suporte logístico dos EUA ao Afeganistão. A operação secreta era camuflada para não provocar suspeitas ao governo soviético de que o governo estadunidense apoiava os guerrilheiros afegãos. Nessa operação foram utilizadas mulas oriundas do Tennessee, resistentes a intempéries no transporte de todo o armamento contrabandeado. O Senador Charles Wilson declarou na entrevista que: “essa foi a maior e melhor operação sucedida de transporte clandestino de armas e munições da CIA. Além de armas, remédios e alimentos eram transportados para a guerrilha”. Neste conflito armado 15mil soviéticos e mais de 1 milhão de afegãos tombaram em combate. Após o conflito armado com a retirada dos soviéticos. O Senador Charles Wilson esperava que fosse aplicado naquele país destruído pela guerra um pequeno “Plano Marshall”, objetivando o retorno a normalidade nacional. Fazia-se necessário recompor o fornecimento de energia, abastecimento d’água, saneamento, estimular a agricultura e desativar as minas terrestres. 50

O Congressista afirmou que “ficou preocupado com o Afeganistão por ocasião do final do conflito bélico quando os Estados Unidos abandonaram aquele país”. “O, EUA ao deixar de apoiar financeiramente e estrategicamente o Afeganistão dando-lhe as costas antes de iniciar o trabalho de reconstrução, sua recuperação da economia preparando o país para a Democracia permitiu o crescimento e fortalecimento do Talibã”. Esse grupo fundamentalista iniciou a construção de escolas religiosas dissiminando na juventude os degraus do Alcorão, incentivando o ódio aos EUA principalmente na pessoa do presidente George Bush. Os Afegãos cultivaram um extenso ódio aos americanos, principalmente pelo abandono após a guerra. Osama Bin Landen(56), fiel escudeiro dos Estados Unidos treinado pela CIA, voltouse juntamente com seus seguidores contra a “Pax americana”. O senador Charles Wilson questiona o governo de seu país em produzir e fortalecer o Talibã. Charles Wilson atesta que “Se os Estados Unidos tivessem realizado o seu dever de casa, possivelmente o grupo Talibã não assumiria o poder”. Na entrevista o Senador Charles Wilson afirma que usou toda sua energia junto ao Congresso e governo para que apoiassem aquele destruído país. Gestação do Terrorismo Afegão. Segundo Noam Chomsky(57) foi a CIA quem treinou e organizou e financiou as células terroristas no Afeganistão por um bom tempo. Essa rede terrorista foi montada pela CIA, com a ajuda do Egito, da Arábia Saudita, Inglaterra, França, Paquistão, Egito e China. A idéia era combater os Russos, o inimigo comum. Robert Bowman assegura a afirmativa do professor Noam Chomsky, em entrevista a revista “Isto È”, edição 1675 atestando que: “supostamente a CIA foi criada para adquirir informações que ajudassem na segurança dos EUA. Obviamente, eles falharam nessa missão. Basta ver o que aconteceu no dia 11 de setembro. Minha visão é de que a CIA, infelizmente, está muito mais envolvida em jogos sujos, corruptos, em desestabilizar as políticas de alguns países em vez de cuidar da segurança dos americanos. Essa organização é tão corrupta que tentar reformá-la é quase impossível. Os ex-presidentes Jimmy Carter e Ronald Reagan tentaram, mas não conseguiram. Então eu simplesmente aboliria a instituição. E, no lugar, deixaria essas missões da CIA para as agências de inteligência dos Forças Armadas que já existem”. De acordo com o Conselheiro de Segurança Nacional do Presidente Carter, Zbigniew Brzezinski, os EUA se envolveram no conflito no Afeganistão no meio de 79. Só pra por as datas certas, vocês se lembram que a Rússia invadiu o Afeganistão em dezembro de 79. De acordo com Brzezinskim o apoio dos EUA aos Mojahedin começara seis meses antes. Ele vivia repetindo o 51

fato, se gabando de ter preparado o terreno pra jogar a Rússia numa armadilha. E então nós desenvolvemos esse impressionante exército mercenário, não um grupo pequeno, não, mais de cem mil homens, os melhores assassinos que eles puderam encontrar, que eram radicais islâmicos do Norte da África, Arábia Saudita. Eles os chamavam a todos de “Afegãos”, mas mesmo Bin Laden não é Afegão. Eles foram trazidos pela Cia de onde quer que estivessem. Mas a intervenção americana não ajudou muito o Afeganistão. De fato, contribuiu para destruir o país. E a Rússia finalmente se retirou. Agora, o tempo todo, esses terroristas estavam se organizando e treinando, e eles tinham suas próprias metas. Não era segredo pra ninguém. Ficou ainda mais claro quando eles assassinaram o presidente do Egito em 1981, e o Egito tinha sido um dos mais entusiásticos criadores das forças terroristas afegãs. Um homem-bomba causou tanto barulho em 1983 que conseguiu expulsar os EUA do Líbano. Após 1989, quando os Russos se retiraram, eles têm lutado por toda a parte, na Chechênia, China Ocidental, Bósnia, Kashmir, Ásia Sudeste, Norte da África. 11 de setembro de 2001. O abandono do Afeganistão pelos Estados Unidos no pós-guerra contra a União das Repúblicas Soviéticas gerou no grupo fundamentalista Talibã um programa anti-EUA, desenvolvido por terroristas treinados pela Central de Inteligência Americana, CIA. O World Trade Center símbolo do capitalismo foi o alvo, Osama Bin Landem, a criatura voltou-se contra o criador.

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VII- AMÉRICA DO SUL E O TERRORISMO? “A guerra é um ato de violência cuja finalidade é obrigar o adversário a fazer nossa vontade; a guerra é a continuação da política por outros meios”. Carl Von Clausewitz, Da guerra Jeremy Isaacs e Taylor Downing(58) afirmam que a América Central, o Caribe e a América do Sul se transformaram no campo de batalha das vontades dos Estados Unidos e da União Soviética quando a Guerra Fria chegou ao "quintal" dos Estados Unidos. 7.1-Guatemala Nos anos 50 os guatemaltecos ousaram desafiar uma empresa norte-americana que controlava grande parte de sua economia. A United Fruit Company , de Boston, possuía mais de duzentos mil hectares de terras, a ferrovia, o porto e as telecomunicações. Mas a maioria dos agricultores guatemaltecos apenas sobrevivia. Jacobo Arbenz foi eleito presidente em 1950. Não era comunista, mas tinha alguns aliados que o eram. O ex-militar queria modernizar a sociedade da Guatemala. Washington se preocupou. Os Estados Unidos nomearam John Peurifoy como novo embaixador. Peurifoy tinha experiência com os esforços comunistas para chegar ao poder na Grécia.Nada menos que John Foster Dulles, chefe do Departamento de Estado, era presidente da empresa de advogados que representava a United Fruit Company. Seu irmão Allen era chefe da CIA. Dessa forma não foi preciso muito esforço para convencer o presidente Eisenhower, um militar, a lhes dar sinal verde para derrubar o governo de Arbenz. "O secretário de estado Dulles exortou as Américas a tomar medidas urgentes para que a intervenção comunista no hemisfério ocidental fosse declarada ilegal", dizia a televisão.Em 5 de março de 1954, Dulles fez o seguinte pronunciamento: "O Congresso está indignado com os vis ataques dirigidos contra membros do congresso por aqueles que dizem ser patriotas"(59). Bombardeiam a Guatemala Uma operação da CIA, com o nome em código de PB Success, mobilizou exilados e camponeses descontentes.A ONU se reuniu em uma sessão de emergência. 53

A Cidade da Guatemala foi bombardeada. Os contra-revolucionários invadiam de Honduras. A CIA difundiu o pânico. Washington negou toda a responsabilidade.A campanha norte-americana funcionou e derrubou o governo, levando Arbenz e sua esposa ao exílio. Nove mil de seus seguidores foram presos. Muitos permaneceram na prisão, sem julgamento, durante anos. O presidente John F. Kennedy, declarou em 20 de janeiro de 1961: "que todos os nossos vizinhos saibam que nos uniremos a eles para reagir à agressão e à subversão nas Américas. E que as outras potências saibam que esse hemisfério pretende continuar sob controle"(60) . 7.2- CHILE Salvador Allende O Chile havia se mantido calmo nos anos sessenta. O programa da Aliança para o Progresso patrocinado por Washington havia investido milhões de dólares para respaldar o governo democrata cristão do Chile.Mas, em 1970, uma coalizão da esquerda com o centro tentou uma vitória eleitoral. A Unidade Popular era encabeçada por um médico marxista, o senador Salvador Allende. Conforme Robert Bowman(61) os Estado Unidos apoiaram ditaduras de extrema direita, sempre favorecendo as grandes corporações multinacionais, em detrimento das populações. Isso aconteceu em 1973 no Chile, nos anos 80 em El Salvador e na Nicarágua, e em muitos outros países, só para ficarmos na América Latina. Preocupado com a chegada de um marxista ao poder através de eleições legítimas, o empresariado norte-americano tomou suas medidas. Em abril de 1973, o presidente da ITT Corporation, Harold Geneen, declarou: "Decidi me dirigir ao Departamento de Estado e ao escritório de Kissinger, para dizer que estamos muito preocupados com as perspectivas dos investimentos da ITT, e que desejamos falar com Washington"(62). O general Rene Schneider, o popular oficial que defendia os direitos constitucionais de Allende, deveria ser destituído.O coronel Paul Wimbet que estava encarregado da embaixada norte-americana em Santiago recebeu da CIA 250 mil dólares para que se desfizesse do general Schneider, mas o dinheiro da CIA não foi necessário. Outros já planejavam a morte do general Schneider. O assassinato consternou o país. Políticos moderados apoiaram Allende e consolidaram sua vitória eleitoral. Nos bairros da periferia do Chile aumentava a esperança. O novo presidente esperava levar a cabo a reforma sem 54

a interferência do exterior. A primeira medida importante de Allende, apoiada por todos os partidos políticos chilenos, foi a nacionalização da maior indústria do Chile, a do cobre, que estava sob controle norte-americano. A economia do Chile ficou pouco a pouco sob controle estatal. Isso incomodou os grupos financeiros internacionais e o Banco Mundial em Washington, que cancelou os empréstimos."O Chile deve estar interessado em obter empréstimos de organizações internacionais nas quais temos voto", disse o presidente Nixon em 1977. "Que fique claro que no caso do Chile, a menos que haja mudanças, votaremos contra" (63). À medida em que aumentava a inflação, a direita atacava economicamente e o dinheiro da CIA ajudou a pagar os proprietários de caminhões para que paralisassem o país. Nas Nações Unidas, Allende acusou a ITT de tentar provocar uma guerra civil."Eles propõem o estrangulamento econômico, a sabotagem diplomática, a desordem social, para provocar pânico nas pessoas, permitindo que o exército derrube a democracia e estabeleça uma ditadura", disse Allende em 4 de dezembro de 1972(64). No Chile a popularidade do governo aumentava e, em 1973, alguns oficiais militares de direita tentaram um golpe de estado.A imprensa internacional transmitiu a tentativa fracassada e o cinegrafista sueco, Leonardo Hendricksen, sendo morto a tiros enquanto sua câmera continuava filmando.A resposta de Allende foi se apoiar mais nos militares. Designou o general Augusto Pinochet como seu leal comandante do exército. Mais uma vez os proprietários de caminhões paralisaram o país mais comprido e estreito do mundo. As lojas fecharam por falta de mercadorias. Havia fome. As donas de casa de classe média saíram às ruas batendo em panelas sob protesto. Enquanto isso, a direita violenta conspirava. Pinochet chega ao poder Após o meio-dia de terça-feira, 11 de setembro, sob ordens do general Augusto Pinochet, aviões Hunter de fabricação britânica sobrevoaram o palácio presidencial de La Moneda, provocando incêndios. Naquela manhã, Allende se dirigiu ao povo do palácio

presidencial:"Trabalhadores, tenho fé no Chile e em seu destino. Sigam adiante, saibam que logo se abrirão caminhos pelos quais poderão caminhar homens livres para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile, seu povo e seus trabalhadores"(65).Horas mais tarde, Allende morria.

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7.3- Nicarágua Nos anos 30, a Marinha norte-americana havia colocado o tirano "Tacho" Somoza no poder.Mais de quarenta anos depois, a Nicarágua seguiria sob comando de Somoza. O proprietário moderado de um jornal, Pedro Joaquin Chamorro, teve a audácia de desafiar a ditadura."Então, o que aconteceu a essa pessoa que queria a liberdade? O assassinaram", disse Violeta Chamorro(66), viúva de Pedro J. Chamorro. "Quem o assassinou? As forças de Somoza". O assassinato de Chamorro sacudiu o assustado povo nicaraguense. Somoza declarou estado de sítio e os Estados Unidos se viram de repente diante da ira popular contra a família rica que havia sido sua aliada durante mais de quatro décadas.Das montanhas onde se enfrentaram durante anos, surgiram os guerrilheiros que levavam com orgulho o nome do rebelde antinorte-americano dos anos 30, Sandino. Mas em Estelí, os tanques de Somoza, norte-americanos da Segunda Guerra Mundial, atacaram matando milhares de pessoas.Os sandinistas se reagruparam, prontos para contraatacar."A frente entrou nas cidades e, pela primeira vez chegou às portas da capital", recorda Daniel Ortega, dirigente da Frente Sandinista Manágua festejou a vitória. Jimmy Carter esperou muito para abandonar Somoza e aceitar o novo governo sandinista."Disse a Carter que os Estados Unidos deviam reparar o dano histórico causado a nosso país", afirma Ortega, que havia se tornado presidente da Nicarágua(68). Os assassinatos cometidos pela Guarda Nacional de El Salvador fizeram com que Carter retirasse a ajuda norte-americana aos militares salvadorenhos.Mas seis meses depois Carter retomou o financiamento do exército que continuou fazendo atrocidades. Nos Estados Unidos, o novo governo de Reagan culpava Cuba e Moscou. Em 22 de março de 1981, o secretário de Estado, general Alexander Haig (69), dizia: "é uma operação em quatro fases. A primeira está completa, a tomada da Nicarágua. Em seguida será El Salvador, depois Honduras e a Guatemala, isso está muito claro".Perguntaram a ele se por acaso se tratava da "teoria do efeito dominó"."Certamente. Mas não a chamaria assim. Trata-se de uma lista de objetivos prioritários, uma lista negra, para o domínio total da América Central", respondeu Haig.
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. A vontade de vencer dos sandinistas triunfou,

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Conclusão “Não basta dizer, como o fazem os franceses, que sua nação foi tomada de surpresa. Não se perdoa nem uma nação, nem a uma mulher a hora em que não estejam vigilantes, em que o primeiro aventureiro a chegar pode violenta-las e guarda-las como sua propriedade. O problema não fica, assim, resolvido. Recebe apenas uma formulação diferente”. Karl Marx Quanto aos Estados, é de bom alvitre ressaltar que cada um age em função de interesses próprios, e em particular os Estados militar e economicamente fortes que são definidos como seus interesses nacionais, mas nem sempre expressos de maneira clara e transparente.

Conseqüentemente, a definição de termos jurídicos bem como sua interpretação não são jamais neutras, qualquer que seja a questão. Já houve a pax romana, a pax islâmica, a pax mongólica, a pax otomana, a recente pax britânica e no momento a pax americana. Os interesses nacionais da pax americana sempre estão expressos de maneira clara e transparente. Conseqüentemente, a definição de termos jurídicos bem como suas interpretações não são jamais neutras, qualquer que seja a questão. Dessa divergência legítima de interpretações, de percepções e de interesses surge o conflito de legitimidades e o conteúdo de direito internacional torna-se a pedra de toque de atores internacionais que consomem esse direito(70) . O narcotráfico, a defesa do meio ambiente, o terrorismo e os direitos humanos bem como seu enteado com aparência de guerra, a "intervenção humanitária ou devoir d’íngerence", são elementos centrais da geopolítica pós-guerra Fria. Como tal, tanto as projeções de poder em nome de abusos severos dos direitos humanos, como a recusa de tomada de ações face à catástrofes humanitárias, sugerem a grande profundidade em que estão incluídos os direitos humanos na geopolítica contemporânea. Muitas vezes, o inimigo do “devoir d’íngerence" é a doutrina da soberania que, por sua vez, parece obstruir a implementação da coerção externa de padrões de direitos humanos. Os Estados que foram colônias até recentemente, bem como países que experimentaram freqüentes intervenções, tendem a ser particularmente zelosos ao insistirem que a implementação de direitos humanos deve ocorrer de maneira que seja consistente com estritas noções de soberania.

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A Constituição das Nações Unidas apesar de não está sendo aplicada recentemente, afirma no seu Artigo 2° que “a organização é proibida de intervir em assuntos que se encontrem essencialmente dentro da jurisdição doméstica de estados membros, parece estar também reassegurando aos membros que as Nações Unidas não desafiarão as relações internas entre o Estado e a sociedade, independentemente do grau de caos ou abuso que ocorra, desde que pelo menos não esteja presente nenhuma ameaça à paz e à segurança internacional”. Vivemos em um mundo mais dominado pelos americanos do que qualquer geração anterior. Os Estados Unidos gastam mais com defesa do que todos os seus aliados juntos e são tecnologicamente assustadores para qualquer um de seus inimigos em potencial. Seu poder militar é incontestado. As duas principais intervenções militares americanas do século XX, a Guerra do Golfo e no conflito dos Bálcãs, atingiram seus objetivos com um custo quase desprezível em vidas. A aliança transatlântica americana também alcançou a fronteira russa. Seu sistema monetário e comercial domina a economia mundial de uma forma apenas rivalizada pela posição britânica no século 19. O dólar ainda é a moeda indispensável do mundo. O muito celebrado euro ainda é um neófito. Voltemos ao artigo do jornalista Joelmir Beting: “Yes, Saddam e Bin Laden devem ser fisicamente poupados para que permaneçam convenientemente ativos. Eles são os culpados úteis de dotações governamentais que reciclam negócios diretos e indiretos, públicos e privados, de US$ 640 bilhões nos dois lados do Atlântico Norte - se computada a parceria européia da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN (71) . São negócios que dão emprego a 11 milhões de americanos e europeus - incluídos os cientistas de laboratórios e universidades, a serviço dos novos desbravamentos da guerra nuclear, da guerra química, da guerra biológica, da guerra sideral, da guerra telecom-datacom. Um megamercado que se viu ameaçado, da noite para o dia, sem aviso prévio, pela queda dos Muros em novembro de 1989 e pela queda das torres em setembro de 2001”. Sem esquecer de manter seu poder nas áreas estratégicas do Golfo Pérsico e estendê-los na América do Sul, o presidente Geoge W. Bush pediu ao Congresso Americano para o ano fiscal de 2003, que se inicia em 1º de outubro, uma dotação de US$ 98 milhões para dar treinamento, pela primeira vez, a um batalhão que proteja de sabotagens o oleoduto colombiano - um alvo importante dos grupos rebeldes(72). Nesta conjuntura a “Pax Americana” utilizará sem escrúpulos a inserção de falsas verdades e propaganda em todos os níveis a favor de seus objetivos estratégicos. Alvin Tofler afirma que 58

essa crescente ficcionalização da realidade é encontrada não apenas onde ela fica bem, nas comédias de situações e nos dramas, mas também na programação de noticiosos, onde pode provocar a mais mortal das conseqüências(73). O grande império romano de civilização helênica foi, a partir de Augusto, o que Toynnbee(74) chamou de Estado mundial, dada a enorme abrangência dos seus tentáculos. E, lembre-se não havia a facilidade de intercomunicação como nos dias atuais nessa aldeia global, difundindo por satélite a “verdade” do “big Brother”(75) ódio, desejos, valores morais e éticos. O tentáculo atual da “Pax Americana” é bem maior, profundo, canibal e engenhoso na busca de justificativas para atos imperialistas de intervenção em qualquer local do globo onde se localize seus interesses estratégicos. Os cenários previstos para o século XXI, consubstanciados em novos mapas geopolíticos e demográficos, na generalização das armas de destruição maciça, e no aumento dos conflitos decorrentes dos movimentos migratórios baseados na pobreza e crescimento populacional, indicam que o “devoir d’ingerence” acontecerá por falta de energia, água e por ações terroristas. A designação de Estados patrocinadores do terrorismo pelo governo norte americano e a imposição de sanções é um mecanismo para isolar nações que utilizem o terrorismo contra o “Tio Sam” como meio de expressão política. Atualmente a política externa dos Estados Unidos busca pressionar e isolar Estados patrocinadores para que eles renunciem ao uso do terrorismo, encerrem seu apoio aos terroristas e levem-nos à justiça por seus crimes. No passado acompanhamos o terrorismo em várias partes do globo terrestre como na Espanha (ETA) (76) e na Irlanda do Norte (IRA) (77) sem interferência do governo Estadunidense. Ao sentirem o quanto são vulneráveis a ações terroristas a “pax americana” iniciou uma cruzada conta o terrorismo internacional e mudanças arbitrárias no direito internacional. Cuba, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão e Síria continuam sendo os sete governos que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powel designou como Estados patrocinadores do terrorismo internacional(78). Após o atentado Ao World Trade Center os Estados Unidos ao invés de buscar o fortalecimento das instituições legais internacionais para lidar com a preocupante crise do terrorismo internacional, apelaram para o unilateralismo bélico seletivo, idiossincrático e, até certo ponto, aleatório. Para tanto, saíram prejudicados o direito internacional, de inúmeras maneiras, os direitos humanos e as liberdades individuais. Já se discute, nos EUA, a infame idéia da legalização da tortura nos interrogatórios de suspeitos de terrorismo(79). No mesmo país, foi suspensa a confidencialidade entre advogado e cliente. Nos EUA e na Inglaterra, trata-se da restrição à liberdade de imprensa no trato de informações ligadas ao terrorismo. Nos EUA, já foram 59

autorizados os chamados assassinatos de Estado, que haviam sido proibidos há um quarto de século(80). Na Inglaterra, foi proposta uma legislação punindo denúncias falsas de atos terroristas com vigência "ex post facto", ou seja, retroativa. Uma das necessidades básicas do Brasil no campo das relações internacionais é de buscar assento no conselho de segurança(81) da Organização das Nações Unidas com direito a veto. Este objetivo ao se concretizará evitará possíveis intervenções por falsos motivos e cobiça. Euclides da Cunha(82) já nos alertava: "devemos .... evitar as [medidas] que .... abram a mais estreita frincha à intervenção triunfante do estrangeiro na esfera superior dos nossos destinos”. O estimado professor Vamireh Chacon(83) nos adverte: “ O Brasil – com 15.179 quilômetros de fronteiras com dez vizinhos, e 7.408 quilômetros de litoral, mais o tamanho de sua população e área e recursos naturais – tem de impor-se evidentemente seu próprio Destino Manifesto, que será o que os brasileiros quiserem, ou não quiserem. Com imperium tanto mais forte quanto mais justa econômica, social e politicamente for sua res publica; portanto, com o equivalente transbordamento. Compete a nós brasileiros mobilizarmos toda a população na conscientização do nosso potencial(84) disposto em todo o território nacional, protege-lo e alavanca-lo através da vontade nacional(85) em Poder Nacional(86) para preservar os Objetivos Nacionais Permanentes(87). O governo Federal tem por mister implementar Políticas de desenvolvimento com especialistas do porte do professor José Walter Bautista Vidal, em: biomassa, demografia e recursos hídricos são vitais para o futuro da nação. Enquanto isso faz-se mister recordarmos a lição do insigne jurista Rui Barbosa(88): "Quando uma nação chega ao extremo, à miséria de não ter meios de se defender, de ser obrigada a tolerar em silêncio absoluto e resignação ilimitada todos os atos contra o seu direito, a sua honra e a sua existência, essa nação perdeu o direito de existir e não se deve queixar se amanhã outras mais fortes, utilizando-se da autoridade que lhes fornece o abandono por ela dos seus direitos, tirarem daí as conseqüências naturais, considerando-a, não como um Estado soberano capaz de se assentar par a par das outras no Conselho das nações, mas como uma raça inferior criada para a sujeição, a domesticidade ou a tutela”.

60

NOTAS
(1)

Os princípios enumerados na Doutrina Monroe (James Monroe, presidente dos Estado unidos da

América,1817-25) eram basicamente defensivos. Os Estados Unidos se colocavam como protetores das nações latino-americanas recém-emancipadas, repudiando qualquer intervenção armada programada pela Santa Aliança. A mensagem era uma advertência às potências européias no sentido de que não tentassem reativar o domínio colonial sobre o continente, nem interferissem nos princípios republicanos imanentes ao processo de emancipação: o Novo Mundo estava fechado a toda futura subordinação à Europa. Em síntese, a teoria contida na mensagem se baseia em três princípios gerais: 1)o continente americano não pode ser objeto de recolonização; 2) é inadmissível a intervenção de qualquer país europeu nos negócios internos ou externos de países americanos, e, finalmente; os Estados Unidos, em troca, se absterão de intervir nos negócios pertinentes aos países europeus.
(2) (3)

O Destino Manifesto foi impulsionado na década de 1840 pelo presidente Jonh Tylor. Obedecendo à doutrina Truman os E.U.A intervieram na Guerra da Coréia (1950-3) e na Guerra do

Vietnã (1962-75), como também derrubaram os regimes de Mossadegh no Irã em 1953, e o do Gen. Jacobo Arbenz na Guatemala em 1954. Em 1961 apoiaram a invasão de Cuba para derrubar Fidel Castro e, com a criação da Escola das Américas, no Panamá, adestraram os militares latino-americanos na contrainsurgência, estimulando-os a que tomassem o poder nos seus respectivos países.
(4)

Doutrina Thornburg, aplicação. Em 1988, o general Manuel Noriega tomou o poder no Panamá. Noriega

era aliado da “Pax Americana” até cair em desagrado. Uma invasão militar norte-americana, em dezembro de 1989, derrubou-o e empossou Guillermo Endara como presidente. Noriega foi seqüestrado e submetido a um “julgamento” nos Estados Unidos da América por tráfico de drogas. Seguiu-se um período de greves generalizadas contra o governo de Endara, também acusado de envolvimento com o tráfico. Devemos lembrar que o Canal do Panamá é área estratégica dos Estados Unidos.
(5)

A partir da década de 60, o neoliberalismo preconiza a atuação mínima do Estado no campo social

(previdência, saúde e educação) e a sua não-interferência nos processos econômicos. Nos anos 80 e 90, muitos países neoliberais põem fim ao sistema de estatização dos meios de produção e abrem caminho à privatização, à formação dos blocos econômicos e à globalização da economia.
(6)

ONU- Organização internacional criada em 26 de junho de 1945, ao término da segunda guerra mundial

como sucessora da liga das Nações. A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma instituição intergovernamental destinada a manter a paz e a segurança mundiais e a promover a cooperação internacional em questões econômicas, sociais, culturais e humanitárias, como o respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais. Sua sede permanente localiza-se em Nova York. O termo 'Nações Unidas' foi utilizado pela primeira vez na Declaração das Nações Unidas, em janeiro de 1942, quando representantes de 26 nações aliadas garantiram que seus governos continuariam a lutar juntos contra as potências do Eixo, mas somente depois de novas conferências realizadas em Washington, em 1944, e em

61

San Francisco, em 1945, representantes de 50 países aliados assinaram o documento, conhecido como a 'Carta', criando a nova organização.
(7)

O jurista francês do século XVI, Jean Bodin enxergou na soberania o alicerce do Estado. Soberania

implicava, então, o fato de ser o Estado livre das leis (legibus solutus): manda, mas não obedece. Tão basilar era a soberania para a definição do Estado que não havia necessidade nem mesmo de fundamentá-la: era tida como absoluta e auto-suficiente.Ver Art. 1º, inciso I, da Constituição Federal.
(8)

I – A soberania é una: sobre um mesmo território não pode existir mais do que uma autoridade soberana;

uma mesma pessoa, ao mesmo tempo, não pode estar subordinada a mais de uma soberania.II- A soberania é indivisível: o poder de governo pertence exclusivamente ao Estado; nenhum indivíduo, grupo de indivíduos, departamento ou circunscrição administrativa, pode pretender para si uma parcela qualquer do poder soberano.III – A soberania é inalienável e imprescritível: visto que representa a própria personalidade da nação.
(9)

ONGs sigla de organização não-governamental, entidade de direito civil, sem fins lucrativos

aparentemente sem vínculos com governos, sindicatos ou partidos políticos. No entanto algumas são financiadas por governos atuando em variados ramos de atividades em beneficio de seus investidores. Trabalham com projetos sociais e de promoção da cidadania. Propagam a defesa do meio ambiente e os direitos de minorias étnicas e sociais. Lutam contra a extinção das espécies animais e vegetais e fazem campanhas contra discriminações política, religiosa e racial.
(10)

Mello, Celso D. de Albuquerque, Curso de Direito Internacional Público, 1º volume, Rio de Janeiro,

Freitas Bastos, 1982.
(11) (12)

REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público: Curso Elementar, São Paulo, Saraiva, 1994. ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Dicionário Jurídico Brasileiro Acquaviva, São Paulo, Editora Jurídica REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público: Curso Elementar, São Paulo, Saraiva, 1994. id. ibid. ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Dicionário Jurídico Brasileiro Acquaviva, São Paulo, Editora Jurídica

Brasileira, 2000.
(13) (14) (15)

Brasileira, 2000, p. 949.
(16)

OEA. Organização dos Estados Americanos é uma associação de 34 países com o objetivo de garantir a

paz e a segurança na América e promover e consolidar a democracia. Por situar sua origem no Congresso do Panamá, liderado por Simón Bolívar , em 1826, a OEA reivindica o título de a mais antiga organização regional do mundo. A carta da OEA em moldes atuais é assinada, porém, em Bogotá, na Colômbia, em 1948. Artigo 1. Os Estados americanos consagram nesta Carta a organização internacional que vêm desenvolvendo para conseguir uma ordem de paz e de justiça, para promover sua solidariedade, intensificar sua colaboração e defender sua soberania, sua integridade territorial e sua independência. Dentro das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos constitui um organismo regional.A Organização

62

dos Estados Americanos não tem mais faculdades que aquelas expressamente conferidas por esta Carta, nenhuma de cujas disposições a autoriza a intervir em assuntos da jurisdição interna dos Estados membros.
(17)

Conferência de Yalta. Realizada no período de 4 a 11 de fevereiro de 1945 nas redondezas de Yalta,

Criméia com a presença do presidente Franklin Roosevelt, o Primeiro-ministro da Inglaterra Winston Churchill e o Primeir Joseph Stalin da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS. Pelos acordos de Yalta e Potsdam, a Alemanha é dividida pelos aliados: os ocidentais ocupam o oeste e a URSS, o leste. O país perde territórios para a Polônia e a URSS. Um comunicado oficial, conhecido como a Declaração de Yalta, foi emitido pela conferência no dia 11 de fevereiro. Declarou a intenção Aliada para destruir o militarismo alemão e Nazismo e assegurar que a Alemanha nunca mais possa perturbar a paz do mundo "; trazer todos os criminosos de guerra à prisão e castigo rápido”; e extorquir reparação aos danos pela destruição forjados pelos alemães".
(18)

Autodeterminação dos Povos. Carta da ONU. Artº. 1. Os objetivos das Nações Unidas são:2.

Desenvolver relações de amizade entre as nações baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal. Vejamos também a Resolução 1514 (XV) da Assembléia Geral de 14 de dezembro de 1960. Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais.Art 2. Todos os povos tem o direito de livre determinação; em virtude desse direito, determinam livremente sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.
(19) (20)

Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães em entrevista ao Jornal do Brasil em 25 de julho de 1999 Estados Unidos agem contra tribunal internacional, Jornal do Brasil. 09 de setembro de 1999. Faz-se

mister ainda trazer à memória que no dia17 de julho de 1998, em Roma, uma conferência diplomática das Nações Unidas decidia pelo estabelecimento de um Tribunal Penal Internacional permanente. O Estatuto do TPI foi aprovado por 120 votos a favor, 7 contra e 21 abstenções, dentre estes, o dos Estados Unidos, China, Índia e Israel.O Tribunal Penal Internacional permanente, até a presente data, não entrou em vigor, pois, para isso, conforme seu art. 126, são necessárias 60 ratificações, estando o score atual abaixo da metade deste número. Em síntese, a proposta do TPI é de ser uma corte permanente com jurisdição global e com o objetivo de investigar e trazer a julgamento indivíduos – não Estados, papel da Corte Internacional de Justiça – que tenham cometido os chamados grandes crimes internacionais, a saber, genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade (agressão generalizada a civis, como tortura, estupros em massa e a "limpeza étnica" por exemplo). Não foi uma aprovação unânime já que, os Estados Unidos, por exemplo, não aceitaram um Tribunal absolutamente independente, mas com poderes limitados e controlados pelo Conselho de Segurança da ONU. Ainda alegaram que sendo aquele que mais leva forças militares a operações de paz, quando se fazem necessárias via de conseqüência, têm também mais direito de decidir, quando e se devem ou não, processar alguém. Nas suas guerras a “pax americana” elimina civis inocentes por erros táticos como aconteceu no Iraque e em Kosovo. A vida humana, que não seja norte americana é

63

contabilizada como perda justificadas. Então, porque Tribunal Penal Internacional se a “Águia” é o juiz, júri e o carrasco? Qual a diferença entre Mister Bush e Presidente Iugoslavo Slobodan Milosovic?
(21) (22)

Thomas Friedmam é articulista do Jornal The New York Times. Frederico Soares Castanho, Presidente da associação dos militares da reserva remunerada, reformados e

pensionistas das forças armadas do Paraná (ASMIR/PR), e outros em requerimento encaminhado ao Senador RAMEZ TEBET, Presidente do Congresso Nacional em 28 de outubro de 2001 solicitando a sustação do acordo entre o governo Brasileiro e os Estados Unidos de uma área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
(23) (24) (25)

Publicado no Jornal Tribuna da Imprensa em 13 de setembro de 1999. Artigo transcrito no dia 20 de fevereiro de 2002 no jornal o estado de São Paulo. Doutrinação. Não se deve confundir o ensino da doutrina com doutrinação. A doutrinação ganhou

sentido pejorativo, como contrafação da própria doutrina. A doutrinação é ensino, mas distingue-se do ensino da doutrina pelo conteúdo e pela maneira de ensinar.Olivier Reboul apresenta alguns casos de doutrinação, que servem bem para caracterizar a sua face negativa. Entre eles, destacam-se os seguintes:Utilizar o ensino para propagar doutrina partidária;Ensinar com base em preconceitos;Ensinar com base numa doutrina como se fosse a única possível;Não ensinar senão os fatos favoráveis à sua concepção;Falsificar os fatos para apoiar a doutrina;Propagar o ódio por meio do ensino;Impor a crença pela violência. Fundamentos doutrinários da Escola Superior de Guerra, 1998.
(26)

Joseph Paul Goebbels.Político alemão, nasceu, em 1897, em Rheydt e morreu, em 1945, em Berlim.

Jornalista, aderiu ao nazismo em 1922. Nomeado, em 1926, chefe do partido nazista em Berlim, depois, em 1928, chefe da propaganda, foi encarregado por Hitler da ação política e psicológica sobre o povo alemão, tornando-se, em 1933, ministro da Informação e da Propaganda. Desse modo, valendo-se da imprensa e do rádio, exerceu grande influência. Guardando até o fim fidelidade absoluta a Hitler, envenenou-se com toda a família por ocasião dos últimos combates em Berlim.
(27)

Führer. O maior especialista em constituição, Ernst Rudolf Huber, por exemplo, referiu-se à lei como “

nada além da expressão da ordem comunitária em que o povo vive e deriva do Füher”. Consequentemente , era “impossível equiparar as leis do Füher a um conceito mais elevado da lei, porque toda lei do Füher é uma expressão direta deste conceito völkisch da lei. Explicando que o cargo de Füher não era, originariamente, um cargo estatal, mas um cargo nascido dentro do movimento nazista. Diante deste presuposto Huber deduziu que era correto falar, não em “poder do estado”, mas um “poder do Füher”, o qual era o poder político personalizado “concedido ao Füher como executor da vontade comum da nação”. No entender de Huber , o “poder do Füher” era abrangente e total”, não restrigido por qualquer controle, “livre, independente, exclusivoe ilimitado”. In Ernest Rudolf Huber Verfassungsrecht des Grossdentschen Reiches, Hamburgo, 1939, p230, trad N& P,ii, 199.
(28) (29)

La Propagande Politique ,Jean-Marie Domenach.

id.ibid. 64

(30)

Nélson Jahr Garcia, in artigo: Guerra no Golfo: censura e propaganda, Entre mortos e feridos, a

informação foi uma das maiores vítimas no Golfo. Revista Propaganda, ano 36, n. 455, julho de 1991.
(31) (32) (33) (34)

id.ibid id.ibid id.ibid
Robert Bowman, tenente-coronel americano da reserva, viveu a maior parte de sua vida em contato com

os segredos do Pentágono e as estratégias militares de Washington. Foi diretor dos programas Guerra nas Estrelas durante os governos dos presidentes Gerald Ford (1974-77) e Jimmy Carter
(35)

Nélson Jahr Garcia, in artigo: Guerra no Golfo: censura e propaganda, Entre mortos e feridos, a

informação foi uma das maiores vítimas no Golfo. Revista Propaganda, ano 36, n. 455, julho de 1991.
(36) (37)

id.ibid.
Postel, Daily & Ehrlich. 1996. "Human Appropriation of Renewable Fresh Water." Science 271:785-

788”.
(38)

Hinrichsen, D., B. Robey, and U.D. Upadhyay. 1998. "Solutions for a Water-Short World." Population

Reports, Series M, No. 14, Johns Hopkins University School of Public Health, Population Information Program, Baltimore, Maryland.
(39) (40)

id.ibid.
Sandra Postel, diretora do Global Water Policy Project [Projeto Mundial de Políticas Referentes à Os países membros da OPEP são: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Catar, Kuwait, Iraque,

Água], in artigo: questões globais, para a Agência de Divulgação dos Estados Unidos, março de 1999.
(41)

Líbia, Gabão, Indonésia, Nigéria, Equador, Venezuela e Argélia. Em 1968, cria-se a Opaep (Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo),
(42)

PETRÓLEO: Reservas dos EUA diminuem em 2 milhões de barris.Gazeta Mercantil, 6 de setembro de Joseph S. Nye, Jr.Reitor, Reitor da Escola de Administração Pública John F. Kennedy, Universidade de

2001.
(43)

Harvard Foi secretário assistente de Defesa para questões de segurança internacional em 1994 e 1995, in artigo a política de segurança dos Estados Unidos: desafios para o século XXI, Agenda de Política Externa dos EUA,Vol. 3, Nº 3, Julho de 1998 .
(44)

VIDAL, José Walter Bautista. Nação do Sol, Gráfica e Editora Stilo, 1999. O professor José Walter

Bautista Vidal foi o principal responsável pela implantação do Programa Nacional do Álcool, Vidal foi o coordenador científico da Conferência Internacional sobre Produção de Eletricidade a partir da Biomassa, promovida pela União Européia (Brasília, 1997).
(45)

Luiz Augusto Horta Nogueira é diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), in artigo: Assegurando

o mercado para o álcool energético, publicado no jornal o estado de São Paulo em 17 de novembro de 2001.

65

(46)

O Protocolo de Kyoto, adotado em 1997, compõe, com a Convenção Quadro sobre Mudança do Clima,

o regime jurídico internacional sobre a matéria. Esse protocolo prevê metas específicas para a redução dos gases de efeito estufa por parte dos países desenvolvidos e por aqueles com economias em transição. Tratase do mais ambicioso esforço da comunidade internacional para prevenir um possível agravamento das condições de vida na Terra como resultado de um aumento da temperatura.Com o protocolo, os países desenvolvidos e as economias em transição assumiram a obrigação de, até 2012, reduzir suas emissões de gases de efeito estufa para, em média, 5% abaixo do nível de emissão de 1990. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou em março passado que seu país não ratificará o protocolo firmado por seu predecessor, Bill Clinton, em 1998, (Jornal O Povo, 17,07/2201). Bush acha que o protocolo é "injusto" porque gigantes em desenvolvimento como a China e a Índia não estão obrigados a uma redução determinada de suas emissões poluentes. O anúncio foi um duro revés para Kyoto, já que os Estados Unidos são responsáveis por uma quarta parte das emissões mundiais de gases de Efeito Estufa. Segundo os dados da Organização das Nações Unidas, 75% das emissões de dióxido de carbono (CO2) do planeta procedem dos países desenvolvidos. Do total, 25% são dos Estados Unidos.
(47)

Luiz Augusto Horta Nogueira é diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), in artigo: Assegurando

o mercado para o álcool energético, publicado no jornal o estado de São Paulo em 17 de novembro de 2001.
(48)

Ver de Luís Moita, “Evolução do Sistema Internacional” in Janus 98, suplemento especial, p.18-19:

sistema unipolar, tripolar, de nova bipolaridade, multipolar, civilizacional, hanseático...
(49) (50)

Henry Kissinger, Diplomacia, p.17. Thomas Malthus Economista e demógrafo britânico ficou conhecido sobretudo pela teoria segundo a

qual o crescimento da população tende sempre a superar a produção de alimentos, o que torna necessário o controle da natalidade.Publicada em 1798, era manifestamente contra a tendência multiplicativa da raça humana, com a base de que a terra, ao contrário das pessoas, não se podia multiplicar. Concluiu que a divergência irreconciliável entre as bocas e o alimento só pode ter um resultado: a maioria da humanidade viveria sempre presa à miséria.
(51) (52)

Ver Óscar Soares Barata, “A nova Geopolítica Demográfica”, in Anais do ISNG, Nov96, p. 11. Onde todos se preocupam (teoricamente) com todos, mas onde poucos assumem uma postura ativa na

resolução dos problemas.
(53)

Relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) sobre “A Situação da População

Mundial 1998”.
(54)

Fundamentalismo. O cientista político Colombiano Ricardo Vélez Rodríguez: in artigo para o terceiro

fascículo trimestral da Revista Brasileira de Filosofia abril de 2001 afirma que "Não há dúvida que o fundamentalismo será uma das causas mais relevantes de conflitos contra o convívio democrático e o desenvolvimento no século XXI. A essência dele é esta: só é aceita a forma purista de opção religiosa adotada pelos membros da seita radical; qualquer opção diferente deve ser aniquilada sem contemplações, pois é considerada um pecado imperdoável. No caso dos fundamentalistas islâmicos, a saída é a eliminação

66

de quem se opuser, no seio do país, ao seu domínio absoluto. Isso aconteceu no Irã dos Aiatolás, no totalitarismo fundamentalista dos Talibãs no Afeganistão, ou no terrorismo deflagrado pelos xiitas no Oriente Médio e na Argélia. No caso dos suicídios coletivos apregoados por seitas radicais, a autoeliminação dos membros do grupo trata de impedir a sua contaminação com um mundo irremediavelmente perdido. Para o fundamentalista só pode haver uma democracia válida: a da unanimidade ao redor do mesmo credo. Democracia pluralista é, portanto, uma condição inaceitável”. O Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE) foi estabelecido pela OEA em 1999. Este Comitê, integrado por peritos em antiterrorismo de toda a região se reúne anualmente para encorajar, desenvolver, coordenar e avaliar a implementação do Plano de Ação de Lima e o Compromisso de Mar del Plata. O CICTE facilita a implementação das recomendações feitas pelas Conferências Especializadas no que concerne a cooperação judicial, policial, legal e dos serviços de informação. O Comitê também ajuda no fortalecimento das leis antiterroristas, compilando um banco de dados sobre matérias relacionadas com o terrorismo, para uso dos Estados-membros, fazendo um estudo sobre mecanismos destinados a aumentar a efetividade da legislação internacional. A primeira reunião do CICTE ocorreu em 28 e 29 de outubro de 1999, em Miami. A Bolívia ofereceu-se para sediar a segunda reunião, no último trimestre de 2000.
(55)

Talibã. Grupo fundamentalista muçulmano do Afeganistão. Os "Estudantes de Teologia" ou taliban,

fundamentalistas islâmicos, surgiram em 1994, financiados e armados pelo Paquistão de Benazir Bhutto. Os taliban foram acolhidos como libertadores e pacificadores no Sul Pashtun. No Norte, habitado por minorias étnicas, houve forte resistência.
(56)

Osama Bin Laden. Milionário Saudista tinha tudo para ter uma vida pacífica. Nascido na Arábia Saudita

há 44 anos, é dono de uma fortuna de US$ 5 bilhões construída à base do petróleo. Mas esse homem preferiu experimentar outro tipo de vida: hoje, é o terrorista mais procurado do planeta, cassado pelos EUA sob a acusação de ter promovido o atentado que destruiu o World Trade Center e fez Nova York viver o pior dia de sua história. Os norte-americanos geraram o saber militar e estratégico de Laden. Nos anos 70, ele recebeu treinamento da CIA, o serviço secreto dos EUA, para formar uma milícia que conta hoje com 3 mil homens e combater a União Soviética no Afeganistão. Após a guerra e a vitória contra os soviéticos (1979-1985), Laden se voltou contra os EUA e seus países aliados no Oriente Médio. “Cidade Internet Sábado, 02 de março de 2002”. http://www.cidadeinternet.com.br/.
(57)

Noam Chomsky in palestra: A Nova Guerra Contra o Terror, 18 de Outubro 2001 no Fórum de Cultura e

Tecnologia do MIT.
(58)

Extraído de "A Guerra Fria: Uma história ilustrada", livro em inglês que acompanha a versão original da

série Guerra Fria produzida pela CNN/A&E Mundo em 1998. Jeremy Isaacs é produtor executivo de a Guerra Fria. Taylor Downing escreveu e produziu dois episódios da série. Juntos eles escreveram o livro
(59) (60)

id.ibid. id.ibid. 67

(61)

Robert Bowman, tenente-coronel americano da reserva, viveu a maior parte de sua vida em contato com

os segredos do Pentágono e as estratégias militares de Washington. Foi diretor dos programas Guerra nas Estrelas durante os governos dos presidentes Gerald Ford (1974-77) e Jimmy Carter (1977-81), em entrevista a jornalista Kátia da revista “Isto É”, edição 1675 de 08 de novembro de 2001.
(62)

Extraído de "A Guerra Fria: Uma história ilustrada", livro em inglês que acompanha a versão original da

série Guerra Fria produzida pela CNN/A&E Mundo em 1998. Jeremy Isaacs é produtor executivo de a Guerra Fria. Taylor Downing escreveu e produziu dois episódios da série. Juntos eles escreveram o livro
(63) (64) (65) (66) (67) (68) (69)
(70)

id.ibid. id.ibid. id.ibid. id.ibid. id.ibid. id.ibid. id.ibid.

BADIE, B. e SMOUTS, M.-C. Le retournement du monde : sociologie de la scène internationale. 3 ed.,

Paris : Presses de Sciences Po : Dalloz, 1999.
(71)

OTAN. 4 de abril de 1949. É assinado em Washington o tratado de aliança militar pelos doze países

representantes, incluindo os Estados Unidos, Canadá e a maior parte da Europa Ocidental. É dessa época o início da Guerra Fria. A invasão de tanques russos na Hungria, em 1956, e a construção do muro de Berlim pelos soviéticos, em 61, ajudaram a justificar a aliança do Atlântico. A Europa temia que a influência comunista se propague além da cortina de ferro. A Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, incluindo hoje dezesseis países-membros, foi formada para conter a rápida expansão soviética na Europa logo após a Segunda Guerra.
(72) (73) (74)

Agencia Estado 21 de fevereiro de 2002. TOFFLER,Alvin e Heidi.Guerra e Antiguerra, Editora Record, 1994, 374 pp. Ver. P. 204 TOYNBEE, Arnold Joseph - A Humanidade e a Mãe-terra: uma História Narrativa do Mundo. Trad.

Helena Maria Camacho M. Pereira. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982
(75)

Big Brother. Termo criado pelo escritor inglês George Orwell, falecido em 1950. Desencantado com o

socialismo, especialmente com sua faceta stalinista, causa que abraçara para melhor lutar contra o nazifascismo, dedicou os últimos anos de vida a denunciar o comunismo stalinista. Para tanto publicou dois livros, nos anos de 1945 e 1949, ambos com impressionante projeção, e que fizeram por acirrar ainda mais o feroz debate ideológico entre comunistas e democratas que dividiu o mundo intelectual na época da guerra fria. Um deles intitulava-se Animal Farm (A revolução dos bichos), e o outro simplesmente tinha um número na capa, o Nineteen Eigthy Four ("1984"), no qual apareceu pela primeira vez o onipresente Big Brother, o Grande Irmão. O olho totalitário que tudo vê!

68

(76)

ETA. A palavra na verdade é uma sigla da expressão basca Euskadi Ta Askatasuna que em português

significa "Pátria Basca e Liberdade". O grupo armado ETA foi fundado em 1959 por dissidentes do Partido Nacionalista Basco(PNB). Tinha como objetivo lutar por meios pacíficos pela autonomia da região basca na Espanha e contra o regime do ditador Francisco Franco.
(77) (78)

IRA.Exército Revolucionário Irlandês. Relatório anual "Padrões de Terrorismo Global 2000", Relatório Bianual "Organizações Terroristas

Estrangeiras" (FTOs) 2001, Escritório do Coordenador de Contraterrorismo, Departamento de Estado dos Estados Unidos.
(79) (80)

The Times, Londres, 22 de outubro de 2001. Id.ibid. Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Carta das Nações Unidas no seu art 7º cria o Conselho.

(81)

Artº. 23. O Conselho de Segurança será constituído por 15 membros das Nações Unidas. A República da China, a França, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o Reino Unido da Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América serão membros permanentes do Conselho de Segurança. Apenas cinco países - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia - possuem poder de veto. A ONU tem 189 países-membros. A BBC, Brasil em14 de janeiro de 2002 noticiou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou uma declaração apoiando a entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.O presidente Fernando Henrique Cardoso se encontrou com Putin, no Kremlin, a sede do governo da Rússia.Foi a primeira vez que o Brasil recebeu o apoio de um membro permanente do Conselho de Segurança para integrar a entidade.
(82) (83)

Euclides da Cunha, Contrastes e Confrontos, p.225. CHACON, Vamireh. Globalização e os Estados Transnacionais.Cadernos da política

Comparada.Revista Brasiliense de políticas Comparadas.Brasília, Arkro, 1998, pg45.
(84)

Potencial Nacional.O preparo do Poder Nacional consiste em um conjunto de atividades executadas com

o objetivo de fortalecê-lo, seja mantendo e aperfeiçoando o poder existente, seja transformando potencial em Poder. Potencial Nacional é o conjunto dos homens e dos meios de que dispõe a Nação, em estado latente, passíveis de serem transformados em Poder. O emprego do Poder Nacional consiste em seu uso, através de políticas e estratégias, para atender à Segurança e ao Desenvolvimento Nacionais. Fundamentos Doutrinários da Escola Superior de Guerra, rio de Janeiro, 1998.
(85)

Vontade Nacional. Para conduzir o Brasil à posição de destaque que, por capacidade, poder e potencial,

deve alcançar entre as mais prósperas Nações do mundo, é preciso que a vontade nacional seja expressada por elites nacionais, nas quais se inserem as diversas lideranças de compromisso democrático, consciente de suas responsabilidades perante o povo, cujo caráter e índole impõem que o Brasil represente um fator de harmonia atuando num mundo de conflitos e tensões. O fortalecimento da vontade nacional é instrumento nacional essencial à realização do Bem Comum, propiciando o direito de usufruir dos resultados

69

conquistados de forma progressiva, segura e justa, e em prazo factível.Fundamentos Doutrinários da Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, 1998.
(86)

Poder Nacional.É a capacidade que tem o conjunto interagente dos homens e dos meios que

constituem a Nação, atuando na conformidade da vontade nacional, de alcançar e manter os Objetivos Nacionais. Os fundamentos do Poder Nacional são, o Homem, Terra e Instituições.Embora se encontrem em permanente interação, podem ser estudados separadamente em seus aspectos puramente demográficos, físicos, sociais, políticos, econômicos e outros, e se apresentam diferenciados conforme considerados em relação a cada uma das Expressões do Poder Nacional. Fundamentos Doutrinários da Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, 1998. Sabemos que o poder é uno e indivisível, porém para efeito de estudo a Escola Superior de Guerra realiza a análise do Poder Nacional através de cinco Expressões: política; econômica; psicossocial; científica e tecnológica e militar (nota do autor).
(87)

Objetivos Nacionais Permanentes.São Objetivos Nacionais que, por apresentarem necessidades,

interesses e aspirações vitais, subsistem por longo tempo.Os Objetivos Nacionais Permanentes são: Democracia, Integridade do Patrimônio Nacional, Paz Social, Progresso, soberania e integração nacional. Fundamentos Doutrinários da Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, 1998.

Rui Barbosa. Senado Federal, RJ.Obras Completas. Trecho do discurso Revogação da neutralidade do Brasil. V. 44, t. 1, 1917. p. 88.

(88)

70

LITERATURA CONSULTADA ACQUAVIVA, Marcus Cláudio, Dicionário Enciclopédico de Direito, São Paulo, Brasiliense, 1988. ARON,Raymond. Paz e Guerra entre as Nações, Editora Universidade de Brasília, 2ª Ed., 1983. AZAMBUJA, Darcy. Teoria Geral do Estado, Ed. Globo, RJ, 1981.
BADIE, B. e SMOUTS, M.-C. Le retournement du monde : sociologie de la scène internationale. 3 ed., Paris : Presses de Sciences Po : Dalloz, 1999.

BEVILÁQUA, Clóvis. Direito Internacional Público, Ed. Freitas Bastos, RJ, 1939. BEVILÁQUA, Clóvis, Teoria Geral do Direito Civil, Rio de Janeiro, 1975. BOBBIO, Norberto. Estado, Governo, Sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Cap. 3, Seção, III. BONAVIDES, Paulo, Ciência Política, Rio de Janeiro, Forense, 6ª ed., 1986. BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; Lisboa, Difel, 1989. BOCHHEIM, Hans. Política e Poder. Barcelona: Alfa, 1985. BRASIL. Escola Superior de Guerra. Fundamentos Doutrinários - Rio de Janeiro, 1998 ____________. Doutrina Militar Brasileira. Rio de Janeiro, 1993.

_____________. Fundamentos da Doutrina. Rio de Janeiro, 1981.(FD/81). CASTRO, Therezinha de. Geopolítica: Princípios, Meios e Fins. Colégio Pedro II. Rio de Janeiro, 1986. CASTRO, Therezinha de. - Estudos de Geohistória - Record - Rio - Geopolítica: Princípios, Meios e Fins — Coleção Biblioteca do Professor Colégio Pedro II - Rio, l986. CLINE, Ray. - Avaliação do Poder Mundial - Política e Estratégia - Volume 1 - nº 1 - S. Paulo, l983. COIMBRA, Marcos - Elementos Teóricos de Economia, ESG, NCE1-90. Rio de Janeiro. __________ Elementos Teóricos de Economia. ESG (LS26-85). _________ Expressão Econômica do Poder Nacional, ESG, T19-82, Rio de Janeiro. CHACON, Vamireh, e HAMIILTON, Peter. Autoridade e Poder. Brasília: UnB, .1979 (Unidade II do Curso de Introdução à Ciência Política). CLAUSEWITZ Carl Von. On War [1832] indexed edition, tr. Michael Howard and Peter Paret Princeton: Princeton University Press, 1976 71 Biblioteca do Professor.

CRETELLA JÚNIOR, José. Comentários à Constituição de 1988, Ed. Forense Universitária, RJ, 1990. DE PLÁCIDO E. Vocabulário Jurídico, Ed. Forense, RJ, 1991 DANGUI , Renato Ribas . Amazônia: desenvolvimento e migração.Escola Superior de Guerra. Rio de Janeiro: Monografia, 1998. FAUSTO, Boris. Fazer a América, São Paulo, EDUSP, 1999 Ferreira Filho, Manoel Gonçalves, Curso de Direito Constitucional, São Paulo, Saraiva, 16ª ed., 1987. FISCHMANN, Roseli (org.). Direitos Humanos no Cotidiano, Programa Nacional de Direitos Humanos / USP, 1998. GARDNER, Lydia M. A Amazônia e os interesses estrangeiros. Do Segundo Reinado ao desafio da Nova Ordem Mundial. Revista a Defesa Nacional. Rio de Janeiro, nº 777, p. 21-40, 3º Trim. 1997. GIDDENS, Anthony. A Terceira Via, Brasil, Record, 2000. HUNTINGTON, Samuel. The Clash of Civilizations, and the Remaking of World Order, Ch. 1, Touchstone Books, London, (1996), 1998 e "A Superpotência Solitária", in Política Externa, Vol. 8, N. 4, março-maio, 2000 pgs. 12. JUNIOR, José Nivaldo . Maquaivél , O poder.História e Marketing.São Paulo,Martins Claret, 4ª ed. LEONEL, Benedito O. Bezerra. As Forças Armadas Brasileiras no limiar do Século XXI. Revista Segurança e Desenvolvimento. ADESG, Rio de Janeiro, nº 222, p. 40-53, 1997. LIMA, General Afonso Augusto de Albuquerque et alii. Problemática da Amazônia. Rio de Janeiro MACHADO PAUPÉRIO, Arthur. Teoria Geral do Estado. Ed. Forense, RJ, 1969. MATTOS, Carlos de Meira. - A Geopolítica e as Projeções do Poder - Biblioteca do Exército Editora - Rio, l977. MATTOS, Carlos de Meira. Brasil - Geopolítica e Destino. Livraria José Olympio Editora. Rio de Janeiro. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, Ed. Revista dos Tribunais, SP, 1984. McNAMARA, Robert S. A Essência da Segurança, Ibrasa, SP, 1968. MELLO, Celso D. de Albuquerque, Curso de Direito Internacional Público, 1º volume, Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1982, 72

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Política Nacional Integrada para a Amazônia Legal. MMA, Brasília, 1995. 20 p. PEREIRA,M.F. Pinto : ' Soberania das Nações " : SP 1920 (B) (82) - Liv.Teixeira " RESEK, Francisco. Direito Internacional Público, Ed. Saraiva, SP, 1991 ROQUE, Sebastião José, Direito Internacional Público, Rio de Janeiro, Forense, 1992. RUFIN, Jean Christophe. - O Império e os Novos Bárbaros - Editora Record - Rio, l99l. SEVERSKY, A. P. - A Vitória pela Força Aérea - Editora Itatiaia - Belo Horizonte, l988 TENÓRIO,Oscar Accioly : "" Direito Internacional Público.Leis da Guerra Terrestre,Aérea e Química "" : 1945 (M) (65) " TOYNBEE, Arnold Joseph - A Humanidade e a Mãe-terra: uma História Narrativa do Mundo. Trad. Helena Maria Camacho M. Pereira. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982 WEBER, Max. Economy and Society, New York, USA Bedminster Press (1921), 1968. Jornais e Revistas da atualidade.

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ANEXO I - ARTIGOS SELECIONADOS 1-OS POVOS PEDEM PAZ, JORNAL O POVO, 01 DE OUTUBRO DE 2001. Blanchard Girão Desponta nítido o mapa dos anseios de todos os povos do mundo. Há um repúdio à guerra sob qualquer matiz que ela apresente, seja a suja e brutal do terrorismo, seja a da mais avançada tecnologia bélica mostrada pelos Estados Unidos para esmagar - que coisa ridícula - a mísera nação afegã. Ao colocar a questão em termos arrogantes? - ''quem não é por mim é contra mim'' Mr. Bush isolou o seu país. É verdade que todos, sem exceção, se solidarizam com a dor do povo ianque, face à hediondez do atentado. Há um consenso universal contra o terrorismo, jamais a favor da guerra. Se alguns governos se mostram dúbios, como o do Paquistão, por exemplo, o seu povo sai às ruas com faixas e cartazes clamando pela paz. Nesta encruzilhada, desponta a veneranda e fisicamente debilitada figura do papa João Paulo II, erguendo sua mensagem respeitável, sua força moral de líder de um dos credos mais seguidos pela humanidade, apelando para o bom senso, para a reflexão, antes de se usar a voz da metralha. Líderes de sua projeção, ou simples pessoas da multidão anônima, têm um só pensamento. Ninguém quer a guerra, embora todos reconheçam a emoção de uma nação ferida em sua própria carne (e pela primeira vez, acrescente-se), ansiosa por uma resposta à agressão. A vingança, porém, só poderá conduzir a outras vinganças. Já imaginaram se os japoneses quisessem vingar os mortos de Hiroshima? Se os vietnamitas pretendessem cobrar o preço daquelas crianças queimadas com bombas de napalm? E os povos africanos, humilhados e ofendidos por séculos e séculos? Os excluídos pela pobreza, pelo desamparo e a desesperança? A carnificina seria interminável. As pesquisas e as ruidosas passeatas estão acenando para um só destino: a paz.

2- GUERRA DA INSENSATEZ , JORNAL O POVO, 14 OUTUBRO Blanchard Girão Para não ficar isolado em meu ponto de vista a respeito dessa crise mundial nascida do atentado contra Nova York e Washington, busco apoio nas idéias de algumas figuras da maior 74

expressão nacional e internacional, conforme depoimentos delas prestados a um jornal cearense. Para o sociólogo e professor Daniel Lins, da Universidade Federal do Ceará, ''os Estados Unidos estão procurando matar um país que já está morto''. E acrescenta: ''Matar e jogar comida é a suprema humilhação''. Já o professor português Nuno Nabais, da Universidade de Lisboa, considera que ''os bombardeios não resolvem. Existiam outras alternativas. É um ato de arrogância'', enquanto o professor Eduardo Pellejero, da Universidade Del Salvador, Buenos Aires, Argentina, acha que ''a ação (americano-britânica) terá, politicamente, graves conseqüências. A comunidade internacional tem que repensar os direitos humanos, que estão sendo postos em questão''. Objetivo, o professor Osvaldo Giacoia, da Unicamp (São Paulo), assegura que ''a decisão foi insensata. Essa não é a melhor forma de combater o terrorismo''. Jamais, pela minha formação humanística, aplaudiria o tresloucado líder saudita Osama bin Laden. Pelos mesmos motivos, também, não posso aceitar que os Estados Unidos, aliando-se às outras grandes potências do mundo ocidental, queiram impor, pela força, o seu modelo de vida, cheio de distorções éticas e base filosófica na supremacia do poder econômico, sobre as nações mais frágeis. Nem Bin Laden nem Bush. O mundo precisa de reforma social, de um modelo que permita a melhor distribuição das riquezas da terra, único caminho para restaurar a paz entre os homens e pôr termo a essas desesperadas posições terroristas. Esta guerra nasce da emoção e da insensatez, a partir de uma superpotência que, desde Hiroshima e Nagasaki, esmaga o resto pelo medo.
Blanchard Girão é jornalista e advogado

3- ESPÍRITO DO TALIBÃ , 03 DEZEMBRO JORNAL O POVO Blanchard Girão Os fundamentalistas islâmicos do mísero Afeganistão positivamente não formam um grupo excêntrico e isolado do resto do mundo. O que se observa é um comportamento assemelhado por parte de outros segmentos da sociedade universal, a partir do próprio presidente dos Estados Unidos, um radical de extrema direita, perigoso em seu fanatismo de pretender ditar para todos os povos a supremacia dos Estados Unidos, não apenas a supremacia econômica, indiscutível, mas, pior ainda, a predominância de sua cultura típica, mistura de chiclete e cocacola... Mas o espírito talibânico não se restringe à atual cúpula dirigente norte-americana. Chega até nós,

75

desgraçadamente, como se pode verificar do rancor, da intransigência, do autoritarismo de setores, talvez da maioria deles, no trato da situação política brasileira. Ninguém parece disposto a somar esforços para salvar a nação da crise em que a meteram nos últimos anos, afogada numa dívida bilionária a nível externo e interno. Ninguém senta para debater e procurar saída para a terrível questão do desemprego, ou da concentração de renda, da falta de moradias, da precariedade da educação e da saúde, da violência urbana. Fala-se, exclusivamente, em sucessão, cada um puxando brasa para seu pedaço de carne seca, isto é, para seus pretensos candidatos. Que já são pencas deles. Por conta dessa prematura mixórdia pré-eleitoral, entra-se no plano do vale-tudo, através de ataques virulentos envolvendo os possíveis nomes que os partidos pensam em lançar às urnas. Constata-se uma espécie de caça às bruxas, ora vinda dos procuradores, cujo zelo pelos interesses públicos não pode resvalar para a mesquinharia das perseguições pessoais, ora via CPIs, muitas delas montadas com visíveis fins eleitoreiros. O País, por suas lideranças, precisa superar essa mentalidade mórbida herdada das remotas paragens da ''pátria velha'', quando não do Estado Novo e sua versão militar dos anos 60/70, quando quem não era por mim era contra mim. Isto é talibã mesmo, fundamentalismo, radicalismo, idiotia.

Blanchard Girão é jornalista e advogado

4- “AS GARRAS DA ÁGUIA, 07 FEVEREIRO DE 2002, JORNAL O POVO. JOELMIR BETING

''Ou como nos ensina em livro nosso Paulo Coelho: a mão que atira pedras é a mesma que apedreja”. Falcão, cantor e compositor O poderoso complexo industrial-militar dos Estados Unidos esfrega as mãos de alegria: o orçamento da defesa nacional, para o próximo ano fiscal, a partir de outubro, deverá subir para US$ 1 bilhão por dia. Ou mais precisamente: US$ 369,3 bilhões no ano. Pela segunda vez em dez anos, os gastos militares escapam por um triz das tesouras do Executivo, do Congresso e da sociedade. Em 1992, a megaconta foi preservada e até ampliada pelas escaramuças arabescas do Saddam. Agora, preservada e de novo ampliada pelos horrores em domicílio do Taleban. 76

Yes, Saddam e Bin Laden devem ser fisicamente poupados para que permaneçam convenientemente ativos. Eles são os culpados úteis de dotações governamentais que reciclam negócios diretos e indiretos, públicos e privados, de US$ 640 bilhões nos dois lados do Atlântico Norte - se computada a parceria européia da Otan. São negócios que dão emprego a 11 milhões de americanos e europeus - incluídos os cientistas de laboratórios e universidades, a serviço dos novos desbravamentos da guerra nuclear, da guerra química, da guerra biológica, da guerra sideral, da guerra telecom-datacom. Um megamercado que se viu ameaçado, da noite para o dia, sem aviso prévio, pela queda dos Muros em novembro de 1989 e pela queda das torres em setembro de 2001. A proposta orçamentária que o presidente George Bush depositou segunda-feira no Congresso totaliza despesas federais de US$ 2,1 trilhões, cerca de um quinto do PIB projetado de US$ 10 trilhões. A fatia do ''estado de guerra'' fica com quase 18% do vasto bolo. Contra 2,4% da Educação ou 3,2% da Saúde. Guerra é guerra, suspira Bush em sua exposição de motivos. A ração suplementar de mais US$ 48 bilhões sobre os gastos militares do ano fiscal 2002 é explicada pela urgência da ampliação da segurança interna - agora que o terror pelo terror trouxe a morte monitorada para dentro das fronteiras americanas - pela primeira vez na História. A nova partilha dos gastos militares ampliados reserva, entre outros dispêndios, US$ 38 bilhões para segurança interna, US$ 54 bilhões para pesquisa e desenvolvimento de novos arsenais e de novos sistemas de defesa/ataque, US$ 69 bilhões para novos equipamentos e US$ 94 bilhões para custeio do pessoal das defesas civil e militar. O detalhe político: Bin Laden retemperou o orgulho nacional dos americanos e restabeleceu o prestígio popular das Forças Armadas.

5- NOTÍCIA E OPINIÃO, 18 DE JANEIRO DE 2002. Sérgio Abranche, Cientista político.

O presidente Bush engasgou com o Brasil na OEA. Tratou o país como se fosse insignificante no contexto americano. Deixou claro que o México continuará sendo o amigo latino predileto. O que é muito compreensível.Falou da Argentina com moderada simpatia. Encheu a bola do Chile - 15milhões de habitantes, praticamente igual ao estado do Rio, e perto de 760mil quilômetros quadrados, 9% do território brasileiro - e da Costa Rica - menos de 4 milhões de habitantes, do tamanho da Paraíba, e 51 mil quilômetros quadrados, 5% de nosso território. E não 77

fez referência ao Brasil. Não que uma menção dele ao país tenha importância. Mas, em diplomacia nada se diz ou deixa de dizer em vão. É a velha atitude republicana de volta, expressa na frase que intitula esta coluna e que foi usada para descrever a diplomacia latino-americana de governos passados sob controle do Partido Republicano. Uma atitude de desprezo complacente. É claro que, no caso de George W. Bush, pode ter sido uma gafe ou um tropeção. Mas tudo indica que é diplomacia republicana velha mesmo. Ele faz parte do grupo mais atrasado do pensamento geopolítico no partido republicano. No fundo, continua se vendo como um cold warrior", um guerreiro da guerra fria. A única coisa que as realidades da globalização produziram nesse pensamento foi uma adaptação às novas formas de terrorismo, mas a lógica continua a mesma. Os democratas têm uma visão mais nova, adequada à globalização e que se desenvolveu a partir da constatação de que o fim da guerra fria alterou inteiramente os dados geopolíticos. Há setores do partido de Bush que também adotaram uma visão estratégica global mais contemporânea.Eles têm uma noção mais correta da globalização e seus efeitos na economia política mundial. Partem do princípio, correto, de que o mundo despolarizou e reconhecem que a situação que se iniciou no final da década de 80 do Século passado e se mantém até agora, de um mundo unipolar, com hegemonia de apenas uma potência, não é sustentável a longo prazo, nem desejável estrategicamente. Reconhecem a importância de potências ou lideranças regionais, estados pivô, que tendem a ter um papel cada vez mais autônomo e relevante nas economias políticas de suas regiões, nas relações intra-regionais e nas relações internacionais. O problema desse tipo de republicano com a noção de "estados pivô" ou potências intermediárias ou regionais é o medo típico da guerra fria de que um desses estados seja capturado "pelo outro lado", quer por meio de eleições, quer por meio de golpes ou revoluções. Claro, eles justificam a crítica a essa idéia afirmando que, em muitos casos, os estados pivô não são legítimos em suas regiões. Presumem, portanto, que todos consideram legítima a hegemonia e as intervenções externas do EUA. Arrogância misturada à ignorância. Foi um discurso paternalista, do tipo "meninos aqui vão algumas lições e olhem só como os mais aplicados estão se dando bem". Trata a todos os países americanos com certo desprezo, como se todos estivessem no prévestibular para o "Ocidente". Típico. Não mencionar o Brasil, também. Sobretudo, um dia após o término da visita de Fernando Henrique à Rússia, cheia de sinais. A Rússia deu apoio formal à entrada do Brasil, como membro permanente, no Conselho de Segurança da ONU, do qual é sócia remida - é certo que por ter herdado o título da URSS - e no qual tem poder de veto. Em troca, Fernando Henrique deu o apoio brasileiro à entrada da Rússia na OMC, na qual a China, último 78

bastião do comunismo - pelo menos formalmente - recém ganhou assento. Essa política externa independente de governos brasileiros sempre incomodou a linha dura estadunidense. Tomar vodka com Putin em Moscou foi a gota dágua. Antes, Fernando Henrique já andara fazendo das suas na Europa, tomando chá com excesso de intimidade com Tony Blair, andando de braços dados com Jacques Chirac e Lionel Jospin, na França, além de ser ovacionado na histórica Assemblée Nationale, após discursar naquela língua dos bárbaros gauleses. Isto sem mencionar o relacionamento com Bill Clinton. Para um republicano da estirpe de Bush e com a sua amplitude de visão, Cardoso passou dos limites. Isto sem falar na desenvoltura de nossa diplomacia na OMC e em outros fóruns globais, nem sempre em sintonia com os interesses do EUA. Como é que pode, um nativo lá das bandas da Bolívia, se dar ares de estadista global? E como é que ficamos nós, os líderes do mundo livre, se um país do tamanho daqueles cai nas mãos de uma liderança radical, ligada a Castro e Chávez? Pensamentos que devem ter cruzado a mente de Bush, com a velocidade com que um pretzel se instala numa faringe desatenta. Embora aqui no país muita gente desdenhe a diplomacia presidencial de Fernando Henrique, ela evidentemente tem efeitos concretos no posicionamento do país na estrutura de relações políticas globais. O Brasil, obviamente, por todas as suas características, tem um peso incontrastável e incomparável deste lado de cá do equador. Que atributos são esses, que nos tornam um estado pivô? Importância econômica, sobretudo como parcela significativa do mercado das maiores empresas globais; situação geopolítica na América do Sul, fronteira com todos os países, exceto Equador e Chile; uma população de quase 170 milhões; uma sociedade pluralista, complexa e diversificada, embora haja brasileiros que nos considerem mais parte do Terceiro Mundo e alguns até nos achem pior que países africanos; Não por acaso, todos os presidentes sulamericanos dão demonstrações de que reconhecem a liderança brasileira. As declarações mais recentes, neste sentido, vieram de Duhalde. Não é subserviência a um país com vocação hegemônica continental, que não temos. É reconhecimento do peso estratégico diferenciado do Brasil e do fato de que o que venha a acontecer conosco, sempre terá impacto significativo no destino de nossos vizinhos. É essa liderança que já existe, esse poder que já está realizado, que os velhos republicanos temem. Por isso, o tio velho anda meio agastado.

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6- BOMBARDEIO - FORÇAS DOS EUA MATAM 65 LÍDERES TRIBAIS AFEGÃO, DIÁRIO DO NORDESTE. FORTALEZA, CEARÁ - SÁBADO 22 DE DEZEMBRO DE 2001

Cabul - As forças armadas americanas podem ter cometido o maior erro da ofensiva contra o Afeganistão ontem. Aviões de guerra explodiram um comboio de catorze veículos em uma estrada afegã e mataram ao menos 65 pessoas. Os americanos dizem que eram membros do Talibã e da Al Qaeda, mas fontes locais afirmam que eram anciãos líderes tribais que iam para Cabul acompanhar a posse do governo interino, marcada para este sábado. ‘‘Os veículos foram destruídos e as pessoas, mortas. A inteligência nos indicou que eram líderes e nós destruímos os líderes’’, afirmou o general americano Peter Pace, confirmando que os bombardeios aconteceram entre a noite de quinta e a madrugada de ontem. O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, também confirmou o ataque e disse que os passageiros do comboio eram membros do Talibã e da Al Qaeda. O bombardeio aconteceu perto da cidade de Khost, a sudoeste de Tora Bora.

7- UM CHEIRO DE PETRÓLEO NA CAMPANHA ANTITERROR Fortaleza, 14 de outubro de 2001 – jornal O POVO Cada vez que explode uma crise, pensa-se logo em petróleo: a batalha entre o terror e os Estados Unidos não seria se não isso, uma rivalidade por causa do petróleo. O que é falso, claro: a iluminação religiosa, a “alucinação” integrista, a jihad, são “causas suficientes” para o horror das torres gêmeas. O que não impede que, mesmo que o petróleo não tenha desempenhado o papel de “detonador” do Apocalipse, represente, ainda assim, uma aposta essencial para o mundo que será preciso forjar no “pós-Talibã”. Não conseguiremos compreender as posições dos Estados Unidos, da Rússia, da Aliança do Norte afegã (cujo líder, comandante Massood, foi morto por um camicaze), bem como as das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, hoje independentes, se não tivermos bem presente no espírito a geografia do petróleo e do gás, assim como o traçado dos oleodutos e gasodutos. Resumindo ao mínimo: o mastodonte mundial do petróleo é a Arábia Saudita. Mas as ex-repúblicas da URSS da Ásia Central também possuem reservas monumentais de gás e de petróleo. Essas reservas localizam-se em torno do Mar Cáspio, a imensa reserva de gás ao norte do

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Afeganistão, no Turcomenistão, entre outras, à quais é preciso acrescentar as velhas jazidas de gás da Sibéria (portanto russas). Nos tempos da União soviética, todo esse gás e esse petróleo da Ásia Central convergiam para lá. Mas o fim da URSS e, sobretudo, a independência das cinco ex-repúblicas da Ásia Central, mudaram esse quadro. Hoje, a Rússia não é mais a única administradora dessas jazidas. Uma luta feroz pelos campos e oleodutos ainda por construir, opõe, há alguns anos, a Rússia, às ex-repúblicas da Ásia Central e os consórcios norte-americanos. Os americanos gostariam muito de reduzir sua dependência da Arábia Saudita. Um simples olhar sobre o mapa mostra que um país ocupa uma posição-chave, no centro da vasta rede de poços, oleodutos e gasodutos: o Afeganistão. Esse pano de “fundo petroleiro” nos permite compreender que a Rússia não poderia se desinteressar da colisão montada por George W. Bush para acabar com a serpente afegã. Mas, ao mesmo tempo, a Rússia não se pode envolver completamente na ação norte-americana: seus interesses petroleiros são autônomos e às vezes divergentes. Lembremo-nos que, durante anos, Massood endereçou apelos desesperados ao Ocidente, mas jamais obteve a menor resposta a seus pedidos de apoio. Mais estranho ainda: nas semanas que se seguiram ao massacre de 11 de setembro e à formação da “coalizão”, os sucessores do comandante Massood e o general Fahim (novo chefe militar da Aliança do Norte) foram friamente ignorados. Foi só depois de alguns dias, e apesar da cólera do Paquistão, que Washington começou a reconhecer que a ajuda do Norte será preciosa no dia em que, terminados os bombardeios começarão os ataques por terra. Ao longo de todos estes anos, os russos não ficaram inertes diante disso: trataram bem das forças do comandante Massood, entregaram-lhes equipamentos e também deram dinheiro para a Aliança do Norte que, aliada da Rússia, estará bem colocada, uma vez ganha a guerra, para recorrer ao menos uma parte da herança dos talibãs. Assistiremos, então, a uma corrida entre os dois países dominantes, cada um tentando instalar em Cabul o governo que mais lhe convenha. Os norte-americanos tentarão, provavelmente, impor um governo de predominância patchuni (que deu origem ao Talibã), com o apoio do Paquistão. Já a Rússia certamente sonha com outro governo; com o apoio do Irã e do Tadjquistão, tentará instalar um poder mais amplo que abranja clãs pró-americanos e pró-russos, mas sob a chefia de um líder tadjique, como Burhanudim Rabbani. Gilles Lapouge – da Agência Estado 81

ESCOLA DE TORTURA Carta da Europa por Sílio Boccanera, jornal A TARDE 03 de fevereiro de 2002 Internacional

Como o governo americano está empenhado, justificadamente, na luta contra o terrorismo internacional, aqui vai uma sugestão de ataque a um alvo fácil e bem próximo. Fica pertinho de Washington, no Estado da Geórgia, atende pelo nome nebuloso de Instituto de Cooperação pela Segurança do Hemisfério Ocidental, mas tem um passado sombrio: formou terroristas latino-americanos, durante várias décadas, sob o nome de Escola das Américas. Hoje rebatizada em Fort Benning, na Geórgia, e antes sediada no Canal do Panamá (onde a visitei como jornalista, em 1977), a Escola das Américas treinou gente como o coronel salvadorenho Robert d'Aubuisson, líder do esquadrão da morte de El Salvador. Figura carismática da extrema direita salvadorenha, a ponto de se tornar presidente, tive o desprazer de conhecer d'Aubuisson e entrevistá-lo em São Salvador, sendo honrado com a inclusão de meu nome em sua lista negra de jornalistas merecedores de ser assassinados. Quem não teve a minha sorte de escapar dele foi o arcebispo Oscar Romero, fuzilado em plena missa, na capital salvadorenha, sob ordens de D'Aubuisson, conforme conclusão do embaixador americano em São Salvador. Outro graduado da Escola das Américas morou ao lado de D'Aubuisson, na Nicarágua. Chamava-se Anastásio Somoza e tem um passado tão sombrio e conhecido que não vale a pena gastar espaço aqui para listar seus pecados como último representante de uma dinastia que desmandou no país durante quase meio século, até ser deposto pela revolução sandinista de 1979. Outros graduados da Escola das Américas: o general argentino Leopoldo Galtieri e seu colega panamenho Manuel Noriega. Mas há uma quantidade enorme de militares latinoamericanos menos conhecidos, egressos do treinamento em Fort Benning ou no Panamá, onde aprenderam que o combate ao comunismo justificava qualquer abuso aos direitos humanos de suspeitos. Os dirigentes da escola sempre negaram que dessem aulas de tortura, e é indispensável dizer que nem todo militar que passou por lá (muitos deles brasileiros) tenha se tornado torturador, mas os alunos aprenderam que qualquer meio era válido na obtenção de informação, pelo bem maior da pátria. 82

Ninguém mais leva a sério comunismo como alternativa real de governo. A Escola das Américas, não importa que nome tenha hoje, perdeu qualquer sentido - se é que algum dia teve. Em nome da luta contra o terrorismo internacional, merece ser fechada logo, antes que possa formar novas versões dos terroristas de uniforme que atormentaram o hemisfério durante tanto tempo.

SOA O ALARME NOS EUA Editorial do New York Times de 22/10/2001 (*)

Os eventos de 11 de setembro inspiraram uma séria reavaliação em relação a um amplo leque de questões, desde a segurança dos vôos comerciais até a organização da inteligência. Em face disto, estamos no momento perfeito para uma reanálise da estratégia energética nacional. As turbulências no Golfo Pérsico e no Oriente Médio fizeram ressurgir os temores a respeito da ruptura do fornecimento de petróleo, ao mesmo tempo em que nos alerta sobre a nossa crescentemente precária dependência de petróleo importado. Lamentavelmente, o Congresso e o Presidente Bush, anestesiados pela idéia de que a América pode buscar seu caminho para a independência energética, correm o risco de perder esta oportunidade para ter uma política clara nesta questão. Tom Daschle, o líder da maioria no Senado, tem de fato sido forçado a ir longe demais para evitar que seus colegas tornem a política energética nacional pior do que já é. Temeroso de que uma aliança entre republicanos e democratas conservadores na Comissão de Energia do Senado possa aprovar o projeto que autoriza a exploração de petróleo no Refúgio Nacional da Vida Selvagem no Ártico, no Alasca, o Sr. Daschle retirou o projeto da Comissão com a promessa de que elaboraria um texto mais equilibrado e o apresentaria ao Senado nos próximos meses. O problema básico do Congresso é que ele tem a tendência de olhar apenas um lado da equação energética - o lado do suprimento - ao passo que dispensa pouca atenção ao lado da demanda. Isto significa dar mais dinheiro e mais licenças à indústria de petróleo e gás, enquanto reduz os investimentos em eficiência energética. Os legisladores têm também demonstrado pouco interesse no desenvolvimento de fontes de energia alternativas. Em agosto, por exemplo, a Câmara dos Representantes aprovou um míope e alarmante projeto que continha 27 bilhões de dólares em subsídios para os produtores tradicionais de energia e apenas 6 bilhões de dólares para a conservação de energia. 83

Isto não é uma política energética feita com sensibilidade e muita menos a estratégia correta para reduzir nossa dependência de petróleo importado. Desde o primeiro choque do petróleo, em 1974, a dependência da América de petróleo importado tem crescido. As importações representam 60% de nosso consumo diário atual contra 47% há 10 anos atrás. Um pouco menos de ¼ do petróleo importado vem do Golfo Pérsico e este volume vem crescendo. Em 1974, a América importava 1 milhão de barris por dia do Golfo Pérsico; hoje, este número já chega a 2,5 milhões de barris/dia. Os interessados na exploração no Ártico afirmam que apenas o Refúgio da Vida Selvagem pode suprir boa parte deste déficit - 1,5 milhão barris/dia no pico de produção, talvez lá pelo ano de 2020. Esta é, sem dúvida, uma substancial quantidade de petróleo. Acenam também com a descoberta de 15 bilhões de barris de petróleo sob a planície litorânea do Refúgio a qual, entretanto, o Serviço Geológico Federal considera como sendo uma possibilidade extremamente remota. As estimativas oficiais para o petróleo “economicamente recuperável” são de fato muito inferiores a 15 bilhões de barris. Mesmo que as mais otimistas estimativas se provem verdadeiras, as reservas do Ártico - ou de quaisquer outras reservas domésticas neste contexto - não seriam suficientes para garantir algo que se aproxime da independência energética. A razão é simples: os EUA, responsáveis por 25% do consumo mundial de petróleo, têm apenas 3% das reservas globais provadas. De fato, o caminho para uma redução da dependência nos conduz em uma outra direção - na direção da conservação (significando maior eficiência) e para o desenvolvimento de fontes de energia diferentes do petróleo. O aumento dos padrões de eficiência energética dos automóveis para algo como 18 km/litro - uma expectativa razoável até porque já existe a tecnologia - nos pouparia cerca de 2,5 milhões de barris/dia em 2020. Este número é consideravelmente maior do que o que se pode esperar que o Refúgio Ártico vá produzir na mesma época. Ademais, 2,5 milhões de barris/dia é exatamente o que agora estamos importando do Golfo Pérsico. Além de produzirmos carros e caminhões mais eficientes, há muito mais que podemos fazer para reduzir nossa dependência das importações - inclusive um sério esforço nacional para desenvolver veículos híbridos ou veículos movidos por células de combustível. O projeto da Câmara não dá a menor atenção a idéias como estas. Esperamos que o Sr. Daschle as inclua no seu. O que se requer agora é o senso de história. O choque do petróleo de 1974 nos levou não apenas à criação da Reserva Estratégia Nacional, mas também ao primeiro conjunto de padrões de economia de combustíveis. A crise atual deveria nos conduzir também a resultados mais 84

alentadores. (*)Traduzido por Argemiro Pertence

O DELÍRIO AMERICANO EUA planejam utilizar armas nucleares em conflitos localizados E d i t o r i a , Jornal O POVO, 12 de março de 2002. Acaba de chegar ao conhecimento da mídia o relatório secreto que o Departamento de Estado americano enviou ao Congresso, em 8 de janeiro último, no qual o governo do presidente George W. Bush determina aos militares a preparação de planos de contingência para o uso de armas nucleares contra pelo menos sete países e desenvolvam armas nucleares menores para utilização em determinadas situações de combate. A denúncia foi publicada pelo jornal Los Angeles Times, através de seu colaborador William Arkin. Segundo o documento, o argumento usado pelo governo é o de que o Pentágono precisa estar preparado para usar armas nucleares contra China, Rússia, Iraque, Coréia do Norte, Síria, Irã e Líbia. E justifica o seu uso em três tipos de situações: contra alvos capazes de resistir a um ataque nuclear; em retaliação por um ataque com armas atômicas, químicas ou biológicas; ou ''no caso de um desenvolvimento militar surpreendente''. Que os EUA, a exemplo de outros países detentores de armas nucleares, tenha planos de guerra estratégicos, formulados pelo seu Estado Maior, para inimigos eventuais não é novidade nenhuma. Qualquer país tem opções militares programadas para eventualidades possíveis. Faz parte dos planos de defesa nacional, seja um país nuclear ou não. O que chama a atenção, aqui, é o fato de os EUA considerarem a possibilidade de utilização de armas nucleares, não mais como uma ameaça de efeito dissuasório, mas, como parte de uma estratégia militar viável. Os estudos são encaminhados para produzir artefatos nucleares que possam ser utilizados numa guerra convencional, em espaço delimitado. Isso subverte totalmente o conceito anterior que era a posse da arma nuclear como fator de contenção - através da ameaça potencial - a um conflito em grande escala. Ou seja, já não se considera um ato descabido o uso normal de artefatos nucleares numa guerra. Dessa forma, longe de nos afastarmos do perigo de conflito nuclear que esteve presente durante toda a Guerra Fria, o fim desta nos colocou numa situação ainda mais 85

imprevisível e arriscada, posto que o risco de destruição mútua que continha os dois blocos ideológicos e militares não mais existe como fator dissuasório e o poder nuclear se tornou multipolar. Qual a moral que têm os EUA e outras grandes potências nucleares para exigirem que os países periféricos assinem o tratado de não-proliferação de armas nucleares? Nenhuma. Suas exigências e pressões parecerão cada vez mais atos de arrogância de um império que quer monopolizar o mundo. Os americanos parecem estar embriagados de poder e quando uma nação, ou império, chega a esse estágio sabemos, pela História, o quanto a paz do mundo fica comprometida. Mais cedo ou mais tarde esse poder imensurável rui, por si mesmo, mas, antes terá causado um estrago sem conta à sua volta. Neste momento, crescem os rumores de que os EUA se preparam para atacar o Iraque. Não o fizeram ainda, talvez, porque a situação do conflito israelo-palestino chega a um grau extremo em que ameaça a aliança americana com grande parte do mundo árabe. Para atacar o Iraque é preciso garantir a neutralidade de uma parte importante das nações árabes. Tampouco se tem segurança de que os governos europeus conseguirão resistir aos protestos de seus cidadãos, se for utilizado artefato nuclear contra o Iraque. Dificilmente aceitarão. Porém, se a racionalidade fosse prevalecente, não haveria guerras: é de supor-se que a embriagues de poder dos falcões americanos não conseguirá ser contida, se a própria sociedade americana não se levantar contra essas pretensões delirantes. Triste começo para o 3º Milênio e todos os seus sonhos de paz.

ANEXO II INTERVENÇÕES ESTADUNIDENSES NO MUNDO

1. Intervenção no Mediterrâneo (1801-1805) – Provocada pela ação de piratas berberes protegidos pelo rei de Trípoli. 2. Guerra anglo-americana (1812) – Causada pela vontade britânica de pôr fim ao comércio entre Estados Unidos e França e pelo desejo dos Estados Unidos de fazer respeitar o direito a neutralidade.

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3. Guerra contra o México (1846-1848) – Originada pela anexação pelos Estados Unidos da República do Texas. 4. Guerra hispânico-americana (1898) – A explosão misteriosa do encouraçado Maine dia 15 de fevereiro na baía de Havana originou a guerra que marcou a emergência dos Estados Unidos como potência mundial. 5. Nicarágua (1912-1933) – Os Estados Unidos invocam desordens internas para ocupar o país. Seus soldados se retiram em 1933. 6. Haiti (1915) – Em julho, marines desembarcaram no país dizendo que iam ensinar democracia aos haitianos: 19 anos de ocupação. 7. Primeira Guerra Mundial (1914-1918) – Os Estados Unidos entram no conflito dia 06 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegam a 114.000 mortos. 8. Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – Os Estados Unidos declaram guerra ao Japão dia 08 de dezembro de 1941 e a Alemanha e Itália, dia 11. Às perdas americanas se elevam a 300.000 mortos. 9. Guerra da Coréia (1950-1953) – A guerra, conduzida em nome das Nações Unidas, é dirigida pelos Estados Unidos, que perderam 33.000 homens. 10. Suez (1956) – Durante os combates no Canal de Suez, a Sexta Frota dos Estados Unidos evacua 2.500 americanos que residiam na zona. Os americanos negam-se a apoiar a coalizão franco-britânico-israelense a retirar-se da região do Canal. 11. Líbano (15 de julho de 1958) – 3.200 marines desembarcam nas praias libanesas para “proteger as vidas americanas e dar assistência ao governo do Líbano”. 12. Vietnã (1961-1975) – A guerra torna-se um fracasso para as forças armadas norte-americanas que chegam a enviar até 550.000 homens, tendo perdido 55.000 soldados. 13. República Dominicana (abril-setembro de 1965) – Trinta mil marines e pára-quedistas desembarcaram em Santo Domingo para lutar contra o “perigo comunista”. A República Dominicana foi ocupada antes pelos americanos de 1916 a 1924.

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14. Irã (25 de abril de 1980) - Fracassa operação militar para liberar 52 reféns norte-americanos detidos na Embaixada dos EUA e na Chancelaria em Teerã. 15. Líbano (outubro-dezembro de 1983) – Os americanos bombardeiam posições sírias o Líbano depois de acusar a Síria por um atentado contra o quartel geral americano em Beirute que custou a vida a 239 soldados dia 23 de outubro. 16. Granada (1983) – Dia 25 de outubro desembarcaram 1.900 soldados na ilha de Granada onde o primeiro-ministro acabava de ser assassinado por um grupo de extrema esquerda. A intervenção foi decidida a pedido da Organização de Estados do Caribe Oriental (OECS). 17. Líbia (15 de abril de 1986) – Os Estados Unidos bombardeiam Trípole e Bengazi depois de vários atentados contra americanos. 18. Panamá (1989) – Dia 20 de dezembro os americanos invadem o Panamá sob a justificativa de querer proteger a vida de cidadãos americanos e prender o homem forte do país, general Manuel Antonio Noriega. 19. Guerra do Golfo (janeiro-feveiro de 1991) – Operação Tempestade no Deserto sob o patrocínio das Nações Unidas para a “libertação do Kuwait”, ocupado desde agosto de 1990 pelo exército iraquiano. Mais de 500.000 soldados americanos participaram da operação. A partir de 1993, americanos e britânicos passaram a bombardear pontualmente o Iraque. 20. Somália (1992) – Operação lançada em dezembro de assistência a organizações humanitárias. A ONU toma em seguida o comando das operações. Em outubro de 1993, as tropas americanas sofrem uma derrota e se retiraram em março de 1994. Retornaram brevemente a Mogadiscio em fevereiro de 1995 para cobrir a retirada de 8.000 “capacetes azuis”. 21. Afeganistão e Sudão (20 de agosto de 1998) – em resposta a dois atentados antiamericanos, foram bombardeadas simultaneamente uma base terrorista islamita no Afeganistão e um laboratório farmacêutico sudanês de Cartum suspeitos de produzir armas químicas. 22. Kosovo (março de 1999) – Sob o patrocínio da OTAN, tropas americanas bombardeiam o território da ex-Iugoslávia até a retirada das forças sérvias de Kosovo.

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23. Os Estados Unidos também realizaram operações militares de menor envergadura como parte de operações combinadas, como por exemplo, a destruição de aviões militares líbios em 1981 e 1989 ou o ataque a um navio iraniano em 1987. 24. Também intervieram para proteger a evacuação de populações civis americanas como na Libéria em 1996. 25. Os Estados Unidos lançaram também operações com objetivos humanitários, como por exemplo em Ruanda em 1994, e participaram militarmente de várias missões da ONU, como no Líbano em 1982.

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ANEXO III INTERVENÇÕES ESTADUNIDENSE NO ORIENTE MÉDIO, PETRÓLEO? 1949: CIA apóia golpe militar na Síria que depõem o governo eleito sírio. 1953: CIA ajuda a derrubar o governo democraticamente eleito de Mossadeq no Irã (que havia nacionalizado a companhia de petróleo britânica) , levando a uma ditadura de 25 anos liderada pelo Xá Mohammed Reza Pahlevi. 1956: EUA corta financiamento prometido para a construção da barragem de Assuã no Egito após o Egito ter recebido armas do bloco comunista. 1956: Israel, Inglaterra e França invadem o Egito após a nacionalização da Companhia do Canal de Suez. EUA não apóia a invasão, mas o envolvimento de aliados da OTAN diminui severamente a reputação de Washington na região. 1958: tropas americanas desembarcam no Líbano para preservar a "estabilidade" da região. início da década de 60: EUA tenta sem sucesso assassinar o líder iraquiano Abdul Karim Qassim. 1963: EUA entrega ao partido iraquiano Baath (mais tarde liderado por Saddam Hussein) nomes de comunistas para serem assassinados, o que foi realizado com vigor. 1967: EUA bloqueia todos os esforços no Conselho de Segurança para a execução da Resolução 242 que exige a retirada de Israel dos territórios ocupados após a guerra de 1967. 1970: Guerra civil entre a Jordânia e OLP. Israel e EUA preparam para intervir ao lado da Jordânia se a Síria apoiar a OLP. 1972: EUA bloqueia a tentativa de Sadat assinar um tratado de paz. 1973: ajuda militar americana permite Israel mudar o curso da guerra contra o Egito e Síria. 1973-75: EUA apoiam rebeldes curdos no Iraque. Quando Irã alcança um acordo com Iraque em 1975 e fecham suas fronteiras, o Iraque massacra os curdos e os Estados Unidos nega refúgio a eles. Kissinger explica secretamente que "ações secretas não devem ser confundidas com trabalho missionário." 1978-79: iranianos iniciam protestos com o Xá. EUA confirmam seu apoio "sem reservas" ao Xá e incita-no a uma resposta violenta. Até o último minuto, EUA tentaram, sem sucesso, organizar um golpe militar para salvar o Xá.

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1979-88: EUA inicia secretamente a mandar ajuda ao Mujahideen no Afeganistao seis meses antes da invasão soviética. Durante a década seguinte EUA forneceu mais de 3 bilhões em armas e apoio. 1980-88: Guerra Irã-Iraque. Quando o Iraque invadiu o Irã, os EUA se opuseram a qualquer ação do Conselho de Segurança para condenar a invasão. Os Estados Unidos retiraram o Iraque da lista de nações que apóiam o terrorismo e permitiu que armas americanas fossem transferidas ao Iraque. EUA permitiu que Israel fornecesse armas ao Irã e a partir de 85 os Estados Unidos forneceram armas diretamente (embora secretamente) ao Irã. EUA providenciou informações de inteligência ao Iraque. Iraque fez uso de armas químicas em 1984; EUA restabeleceu relações diplomáticas com Iraque. 1987 mandou sua marinha ao golfo Pérsico, agindo ao lado do Iraque. Um navio de guerra americano disparou contra um avião civil iraniano matando 290 pessoas. 1981, 1986: EUA iniciou manobras militares próximas a costa da Líbia com o claro propósito de provocar Kadafi. Em 1981 um avião líbio disparou um míssil e dois aviões líbios foram subseqüentemente derrubados. Em 1986, a Líbia disparou dois mísseis que passaram longe de qualquer alvo e EUA atacaram barcos de patrulha líbios matando 72 e danificando instalações. Quando uma bomba explodiu numa danceteria em Berlim, matando duas pessoas, os EUA acusou Kadafi de estar por trás disso ( o que possivelmente era verdade) e conduziu um grande bombardeio na Líbia, matando dezenas de civis, inclusive a filha adotiva de Kadafi. 1982: EUA dá "sinal verde" para a invasão israelense do Líbano, quando mais de 10000 civis fora mortos. Os Estados Unidos escolheu não lembrar de suas leis que proibiam Israel usar armas americanas exceto em auto-defesa. 1983: tropas americanas enviadas ao Líbano como parte de força de paz internacional; intervem em um dos lados da guerra civil. Retirada após um ataque suicida a instalações dos marines. 1984: EUA apoiaram rebeldes afegãos que derrubaram um avião civil. 1988: Saddam Hussein mata milhares de curdos usando armas químicas contra eles. Os Estados Unidos aumentam a ajuda econômica ao Iraque. 1990-91: EUA rejeitam saída diplomática para a invasão iraquiana do Kuwait (por exemplo), recusando as tentativas de ligar a ocupação do Kuwait a da Palestina, as duas ocupações regionais). EUA lideram a coalização internacional na guerra contra o Iraque. A infraestrutura civil foi o alvo. Para promover "estabilidade" Estados Unidos se recusam a ajudar o levante xiita 91

no Sul e curdo no norte, impedindo que os rebeldes tivessem acesso ao material bélico iraquiano capturado durante a guerra e se recusando a proibir os vôos de helicópteros iraquianos. 1991: Sansões econômicas devastadoras são impostas ao Iraque. EUA e Inglaterra bloqueiam todas tentativas de derruba-las. Centenas de milhares de pessoas morrem. Embora o Conselho de Segurança declare que as sanções serão derrubadas tão logo o programa de desenvolvimento para armas de destruição em massa acabe, Washington declara que as sansões vão continuar enquanto Sadam Hussein permanecer no poder. As sanções fortalecem a posição de Sadam Hussein. 1993: Estados Unidos lança ataque de mísseis contra o Iraque, alegando auto defesa contra uma alegada tentativa de assassinato contra o ex-presidente Bush dois meses antes. 1998: EUA e Inglaterra lançam novo bombardeiam sobre Iraque ao final de uma inspeção da ONU. Até então o Conselho de Segurança apenas tinha se reunido para discutir o assunto. 1998: EUA destrói uma fábrica no Sudão responsável pela metade de sua produção de medicamentos, alegando ser uma retaliação contra os ataques as embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia e que a fábrica estava envolvida na produção de armas químicas. Mais tarde o governo americano reconheceu que não existia evidência da fabricação de armas químicas.

Fonte: Stephen R. Shalom, http://www.milenio.com.br/ldopa/z.htm

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ANEXO IV ATAQUES AMERICANOS E BRITÂNICOS AO IRAQUE APÓS A GUERRA DO GOLFO. 1993 13 de janeiro: ataque das aviações americana, britânica e francesa contra posições militares no sul depois da instalação, por Bagdá, de mísseis terra-ar perto do Kuwait. Foram 19 mortos, segundo o Iraque. 17 de janeiro: depois de um choque entre um F-16 americano e um MiG iraquiano, a marinha americana dispara mais de 30 mísseis cruise Tomahawk contra uma fábrica na periferia de Bagdá, acusada pelos EUA de estar envolvida num programa nuclear secreto. Foram quatro mortos e 40 feridos, segundo o Iraque. 18 de janeiro: ataques aliados no sul e no norte do Iraque contra a defesa antiaérea. Bagdá anunciou 21 mortos. 27 de junho: dois navios americanos dispararam 23 mísseis cruise contra o quartel general dos serviços de inteligência em represália à descoberta de um complô dirigido contra o expresidente norte-americano, George Bush, no Kuwait. Segundo Bagdá, morreram seis civis atingidos por três mísseis. 1996 3 e 4 de setembro: para responder a uma operação das tropas iraquianas no Curdistão (norte, que foge ao controle de Bagdá), os Estados Unidos disparam mísseis cruise contra posições da Defesa Antiaérea Iraquiana (DCA), e mísseis terra-ar contra centros de comando e de controle antiaéreo no sul. Foram seis mortos e 26 feridos, segundo Bagdá. 1998 16 a 19 de dezembro: Operação ``Raposa do Deserto'' - durante três dias, violentos ataques americano-britânicos puniram a recusa do Iraque a deixar entrar no país inspetores da Comissão especial da ONU para o Desarmamento iraquiano (UNSCOM). Segundo o Pentágono, o exército iraquiano teria sofrido entre 600 e 1.600 baixas.

1999 25 de janeiro: ataques contra cinco localidades da região de Bassora (sul) deixaram 24 mortos e 76 feridos entre a população, segundo Bagdá. Segundo a ONU, foram 17 mortos e 100 feridos. 28 de fevereiro: um ataque americano ao norte de Mossul (norte) deixou três mortos. 13 de maio: 12 civis morreram num bombardeio a um acampamento de pastores e a uma zona residencial no norte. 18 de julho: 14 mortos e 17 feridos no sul por bombardeios americanos e britânicos, segundo Bagdá. 93

29 de julho: oito mortos e 26 feridos em bombardeios americanos e britânicos no norte e no sul. Segundo o Pentágono, a coalizão americano-britânica atacou posições militares iraquianas em 108 ocasiões desde o final da operação ``Raposa do Deserto''. 2000 17 de agosto: Segundo Bagdá, os ataques americano-britânicos provocaram 315 mortos e mais de 900 feridos desde 1998. 2001 20 de janeiro: seis mortos em bombardeio americano-britânico, segundo Bagdá. 16 de fevereiro: 24 aviões americanos e britânicos bombardearam postos de comando e de controle da DCA não distante de Bagdá, segundo o Pentágono. De acordo com Bagdá, oito civis ficaram feridos. 19 de abril: aviões americanos atacaram um radar no sul do Iraque em represália a tiros de artilharia e mísseis terra-ar contra aviões que patrulhavam numa das zonas de exclusão. 14 de junho: um ferido em bombardeios americanos e britânicos contra instalações civis no sul. 20 de junho: Bombardeio deixa 23 mortos e 11 feridos, segundo Bagdá. EUA e GrãBretanha negam o ataque.

Fonte: Jornal O POVO , 21 de junho de 2001

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ANEXO V - LISTA DE GRUPOS TERRORISTAS A lista de grupos terroristas a seguir é apresentada em duas seções. A primeira seção relaciona os 28 grupos designados pelo secretário de Estado no dia 5 de outubro de 2001 como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), de acordo com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidades e a emenda à Lei de Antiterrorismo e Pena de Morte Efetiva de 1996. As designações trazem conseqüências legais: É ilegal fornecer fundos ou outro apoio material a uma FTO designada. Podem ser negados vistos aos representantes e certos sócios de uma FTO designada ou estes podem ser expulsos dos Estados Unidos. Instituições financeiras norte-americanas devem bloquear os fundos de FTOs designadas e seus agentes, devendo informar o bloqueio ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A segunda seção relaciona outros grupos terroristas que estavam ativos em 2000. Não estão incluídos grupos terroristas cujas atividades apresentavam extensão limitada no ano 2000. I. Organizações Terroristas Estrangeiras Designadas 1. Organização Abu Nidal (ANO) 2. Grupo Abu Sayyaf (ASG) 3. Grupo Islâmico Armado (GIA) 4. Aum Shinrikyo (Aum) 5. Pátria e Liberdade Basca (ETA) 6. Al-Gama'a al-Islamiyya (Grupo islâmico, IG) 7. HAMAS (Movimento de Resistência islâmico) 8. Harakat ul-Mujahidin (HUM) 9. Hezbollah (Festa de Deus) 10. Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU) 11. al-Jihad (Jihad Islâmica Egípcia) 12. Kahane Chai (Kach) 13. Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) 14. Tigres da Libertação Tamil Eelam (LTTE) 15. Organização Mujahedin-e Khalq (MEK) 95

16. Exército de Libertação Nacional (ELN)- Colômbia 17. Jihad Islâmica da Palestina (PIJ) 18. Frente de Libertação da Palestina (PLF) 19. Frente Popular para a Libertação da Palestina (PFLP) 20. Comando geral - PFLP (PFLP-GC) 21. Al Qaeda 22. IRA Real (RIRA) 23. Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) 24. Núcleos Revolucionários (antiga ELA) 25. Organização Revolucionária 17 de Novembro (17 de Novembro) 26. Exercito Revolucionário de Libertação Popular (DHKP/C) 27. Sendero Luminoso, SL 28. Forças/Grupo Unido(s) de Autodefesa da Colômbia (AUC-Autodefensas Unidas de Colômbia) Critérios legais para a designação 1. A organização deve ser estrangeira. 2. A organização deve estar envolvida em atividades terroristas conforme definido na Seção 212(a)(3)(B) da Lei de Imigração e Nacionalidade. 3. As atividades da organização devem ameaçar a segurança de cidadãos norte-americanos ou a segurança nacional (defesa nacional, relações internacionais ou interesses econômicos) dos Estados Unidos. II. Outros Grupos Terroristas 1. Brigada Alex Boncayao (ABB) 2. Exército de Libertação de Ruanda (ALIR) 3. Exército Republicano Irlandês de Continuidade (CIRA) 4. Grupo de Resistência Anti-Fascista Primeiro de Outubro (GRAPO) 5. Exército Republicano Irlandês (IRA) 6. Jaish-e-Maomé (JEM) (Exército de Maomé) 7. Lashkar-e-Tayyiba (LT) (Exército dos Íntegros) 8. Força Voluntária Legalista (LVF) 96

9. Novo Exército do Povo (NPA) 10. Voluntários Laranjas (OV) 11. Pessoas Contra os Gângsters e Drogas (PAGAD) 12. Defensores de Mãos Vermelhas (RHD) 13. Frente Revolucionária Unida (RUF) Fonte: Relatório anual "Padrões de Terrorismo Global 2000", Relatório Bianual "Organizações Terroristas Estrangeiras" (FTOs) 2001, Escritório do Coordenador de Contraterrorismo, Departamento de Estado dos Estados Unidos.

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ANEXO VI RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU SOBRE TALIBÃ E AL QAEDA, 17 DE JANEIRO DE 2002 Resolução 1390 do Conselho de Segurança amplia sanções. Nações Unidas - O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou, por unanimidade, em 16 de janeiro, uma resolução que amplia as sanções contra o Talibã, Osama bin Laden e a organização terrorista de Bin Laden, a Al Qaeda. A resolução, aprovada no capítulo VII da Carta da ONU, exige que as nações tomem uma série de medidas contra as duas organizações e pessoas associadas a elas, incluindo ações como o congelamento de recursos econômicos, o combate ao fornecimento ou venda de armas e à entrada ou deslocamento de membros dos dois grupos em seus territórios. O Conselho também pediu ao Comitê de Sanções que atualize periodicamente a lista de membros do Talibã e da Al Qaeda e grupos e outras entidades associadas a eles, e orientou os países a relatarem ao Comitê Antiterrorismo as ações que forem tomadas, para a implementação das sanções. A resolução também falou do fim das sanções contra a Companhia Aérea Ariana Afghan Airlines. Em outra resolução, aprovada em 15 de janeiro, o Conselho observou que as companhias aéreas nacionais do Afeganistão não são mais propriedade de, nem administradas ou operadas por ou em nome do Talibã, portanto, as sanções aplicadas contra a companhia aérea em 1999 não são mais necessárias. Segue o texto da resolução do Conselho de Segurança da ONU: Resolução 1390 Conselho de Segurança, Lembrando suas resoluções 1267 (1999), de 15 de outubro de 1999, 1333 (2000), de 19 de dezembro de 2000 e 1363 (2001), de 30 de julho de 2001, Reafirmando suas resoluções anteriores relativas ao Afeganistão, especialmente as resoluções 1378 (2001), de 14 de novembro de 2001 e 1383 (2001), de 6 de dezembro de 2001, Reafirmando também suas resoluções 1368 (2001), de 12 de setembro de 2001 e 1373 (2001), de 28 de setembro de 2001 e reiterando seu apoio aos esforços internacionais para erradicar o terrorismo, de acordo com a Carta das Nações Unidas, Reafirmando, ainda, sua condenação inequívoca aos ataques terroristas, ocorridos em Nova York, Washington e Pensilvânia, em 11 de setembro de 2001, expressando sua determinação de prevenir todos os atos desse tipo, ressaltando as atividades continuadas de Osama bin Laden e da rede 98

terrorista Al Qaeda, que apóiam o terrorismo internacional, e expressando sua determinação de erradicar essa rede, Observando as acusações contra Osama bin Laden e seus associados pelos Estados Unidos da América, entre outras coisas, pela explosão de bombas em 7 de agosto de 1998, nas embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia e em Dar es Salaam, na Tanzânia, Determinando que o Talibã não respondeu às exigências dispostas no parágrafo 13 da resolução 1214 (1998), de 8 de dezembro de 1998, no parágrafo dois da resolução 1267 (1999) e nos parágrafos um, dois e três da resolução 1333 (2000), Condenando o Talibã por permitir a utilização do Afeganistão como base de treinamento e de atividades terroristas, incluindo a exportação de terrorismo pela rede Al Qaeda e outros grupos terroristas, além de utilizar mercenários estrangeiros em ações hostis no território do Afeganistão, Condenando a rede Al Qaeda e outros grupos terroristas associados a ela, por diversos atos criminosos e terroristas, destinados a causar a morte de muitos civis inocentes e a destruição de propriedades, Reafirmando, ainda, que atos de terrorismo internacional constituem uma ameaça à paz e segurança internacionais, Agindo de acordo com o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, Decide dar continuidade às medidas impostas pelo parágrafo oito (c) da resolução 1333 (2000) e observa a continuidade da aplicação das medidas impostas pelo parágrafo quatro (b) da resolução 1267 (1999), de acordo com o parágrafo dois abaixo e decide suspender as medidas impostas pelo parágrafo quatro (a), da resolução 1267 (1999); Decide que todos os Estados devem adotar as seguintes medidas em relação a Osama bin Laden, membros da organização Al Qaeda e do Talibã e outros indivíduos, grupos, empresas e entidades associadas com eles, identificados na lista criada em cumprimento às resoluções 1267 (1999) e 1333 (2000), a qual será atualizada periodicamente pelo Comitê criado de acordo com a resolução 1267 (1999), doravante denominado "o Comitê"; (a) Congelar, sem demora, os fundos e outros bens financeiros ou recursos econômicos desses indivíduos, grupos, empresas e entidades, inclusive fundos derivados de propriedades que pertençam a eles, ou sejam controlados, direta ou indiretamente, por eles ou por pessoas que ajam em seus nomes ou de acordo com suas orientações e garantir que nem esses nem nenhum outro fundo, ativo financeiro ou recurso econômico seja disponibilizado, direta ou indiretamente, em benefício dessas pessoas, por cidadãos dos seus países ou qualquer pessoa dentro de seus territórios; 99

(b) Prevenir a entrada em, ou trânsito por seus territórios desses indivíduos, sendo que nada neste parágrafo obriga qualquer Estado a negar entrada ou exigir a saída de seus próprios cidadãos de seu território e este parágrafo não se aplica a casos em que a entrada ou trânsito sejam necessários para a realização de processo judicial, sendo que o Comitê determinará caso a caso se a entrada ou trânsito são justificados; (c) Prevenir o abastecimento, venda e transferência, diretos ou indiretos, para esses indivíduos, grupos, empresas ou entidades, de seus territórios ou por parte de seus cidadãos fora de seus territórios, ou utilizando embarcações e aeronaves com bandeira de seus países, de armas e material relacionado, incluindo armas e munições, veículos e equipamentos militares, equipamento paramilitar e peças para reposição dos acima relacionados e aconselhamento técnico, assistência ou treinamento, relacionados a atividades militares; Decide que as medidas mencionadas nos parágrafos um e dois acima serão revistas em 12 meses e que, ao final desse período, o Conselho decidirá manter ou aprimorar essas medidas, tendo em vista os princípios e propósitos desta resolução; Lembra a obrigação imposta a todos os Estados membros, de implementar a resolução 1373 (2001) na íntegra, inclusive em relação a qualquer membro do Talibã e da organização Al Qaeda e quaisquer indivíduos, grupos, empresas e entidades associados com o Talibã e a organização Al Qaeda, que tenham participado do financiamento, planejamento, facilitação e preparação de atos terroristas ou do apoio a atos terroristas; Pede ao Comitê que realize as seguintes tarefas e que informe o Conselho sobre seu trabalho com suas observações e recomendações; (a) atualizar periodicamente a lista mencionada no parágrafo dois acima, baseado em informações relevantes, fornecidas por Estados membros e organizações regionais; (b) buscar informações de todos os Estados sobre as ações tomadas por eles para implementar com eficácia as medidas mencionadas no parágrafo dois acima, e pedir aos Estados qualquer informação que o Comitê considere necessária; (c) realizar relatórios periódicos ao Conselho sobre informações submetidas ao Comitê, relacionadas à implementação desta resolução; (d) promulgar com agilidade as orientações e os critérios que podem ser necessários para facilitar a implementação das medidas mencionadas no parágrafo dois acima; (e) tornar disponível ao público as informações que considera relevantes, incluindo a lista mencionada no parágrafo dois acima, através de mídia apropriada; 100

(f) cooperar com outros comitês de sanções relevantes do Conselho de Segurança e com o Comitê estabelecido em virtude do parágrafo seis da resolução 1373 (2001); Pede que todos os Estados informem ao Comitê, no prazo máximo de 90 dias a partir da data de aprovação desta resolução e a partir de então, seguindo um cronograma a ser proposto pelo Comitê, as ações que realizarem para implementar as medidas mencionadas no parágrafo dois acima; Exorta todos os Estados, as organizações integrantes das Nações Unidas e, quando apropriado, outras organizações e partes interessadas, a cooperarem plenamente com o Comitê e o Grupo de Vigilância, mencionado no parágrafo nove abaixo; Exorta todos os Estados a tomarem medidas imediatas para o cumprimento e reforço, através de leis ou medidas administrativas, quando apropriadas, as medidas impostas em suas leis ou regulamentos contra seus cidadãos ou qualquer outro indivíduo ou entidade que opere em seu território, para prevenir e punir violações às medidas mencionadas no parágrafo dois desta resolução e a informarem o Comitê sobre a adoção de tais medidas e convida os Estados a informarem os resultados de todas as investigações ou ações relacionadas ao Comitê, a não ser que a divulgação dessas informações prejudique as investigações ou ações; Pede ao secretário geral que determine que o Grupo de Vigilância, criado de acordo com o parágrafo quatro (a) da resolução 1363 (2001), cujo mandato termina em 19 de janeiro de 2002, monitore, por um período de 12 meses, a implementação das medidas mencionadas no parágrafo dois desta resolução; Pede ao Grupo de Vigilância que apresente um relatório ao Comitê até o dia 31 de março de 2002 e depois, a cada quatro meses; Decide continuar ocupando-se ativamente da questão. Fonte: Departamento de Estado dos Estados Unidos. Programas Internacionais de Informações.

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NOTÍCIA BIOBIBLIOGRÁFICA SOBRE O AUTOR

1.DADOS PESSOAIS Nome: José Ananias Duarte Frota filiação:José Girão Frota e Maria José Duarte Frota Naturalidade : Fortaleza - Ceará Data de nascimento: 11 de setembro de 1959 Esposa: Marise Morais Ximenes Frota Filhas: Ilane e Ivna Profissão: Bombeiro Militar

2-PÓS – GRADUACÃO 2.1- Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais em 1989. Monografia apresentada: O Suporte Básico de Vida no Socorro ao Acidentado. 2.2-Curso Superior de Polícia Militar – CSPM/Ceará-95 Monografia apresentada: O Geoprocesamento Aplicado ao Sistema Integrado de Defesa Social. 2.3-Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia na Escola Superior de Guerra no período de 09 de março a 11 de dezembro de 1988. Reconhecido pelo Decreto n°2090 de 09 de dezembro de 1996. Tese apresentada: A Defesa Civil Subordinada ao ministério da Defesa.

3- CURSOS IMPLANTADOS E MINISTRADOS 3.1- Implantou o Curso de Mergulho Autônomo do Corpo de Bombeiros reconhecido pela Confederação Brasileira de Desportos Subaquáticos – 1985 Promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará Período : maio 85, ago 85, julho 1996 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 320horas/aula

3.2- Ministrou Cadeira de Salvamento no Curso de reciclagem para Tenentes do Corpo de Bombeiros. Promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará 102

Período : 03 a 13 de agosto de 1987 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 30 horas/aula 33- Implantou o Curso de Sobrevivência e Resgate em Regiões Inóspitas em conjunto com o Exército Brasileiro (Cap Rocha Almeida) Promovido pelo 10 Grupo de Artilharia de Campanha Período maio 1985 e setembro de 1986 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 120horas/aula 3.4- Implantou o Curso de Mergulho a nível de pós-extensão universitária na Universidade Federal do Ceará - UFC Promovido pela Universidade Federal do Ceará Período outubro e novembro de 1986 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 38horas/aula 3.5- Implantou o Curso de Brigadista Juvenis - Comando do Cel João Porto Pinheiro. Promovido pelo Governo do Estado do Ceará e Secretaria do Trabalho e Ação Social/FEBEMCE Período : agosto de 1992 a novembro de 1993, Boletim do CBECE n° 139 de 10 de agosto de 1992 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 330 horas/aula

4 -PROJETOS IMPLANTADOS e PARTICAÇÃO 4.1-Grupo de Socorro de Urgência – 1988 4.2-Defesa Civil de Maracanaú (Lei municipal 90 - Prefeito Dr. Júlio César), 1990. 4.3-Informatização do Corpo de Bombeiros e desde 1993, juntamente com os arquitetos Luis e Expedito Deusdará e a OESTE, o Geoprocessamento da cidade de Fortaleza para otimizar a saída a dos socorros . 4.3-Projeto ambulatorial de alta resolutvidade, para reequipamento do Grupo de Socorro de Urgência do Corpo de Bombeiros.

5- CONVÊNIOS IMPLANTADOS 103

5.1Convênio entre a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e o Corpo de Bombeiros (CBECE) para o ingresso no CBECE através de concurso vestibular na UECE- Comando do Cel João Porto Pinheiro. 5.2-Convênio entre o Ministério da Saúde e Corpo de Bombeiros, através da Secretaria de Saúde no valor de U$$ 160.000,00 (Cento e sessenta mil dólares) para aquisição de rádio comunicação, central telefônica e aquisição de equipamentos de informática - Comando do Cel João Porto Pinheiro. 5.3-Convênio entre o Corpo de Bombeiros e a Federação das Industrias do Estado do Ceará, através do SENAI, para a realizar o curso “clínico geral de condomínio” a fim de formar os brigadistas juvenis profissionalmente em bombeiro hidráulico, eletricista predial e reparador de aparelhos eletrodomésticos – 1993, Comando do Cel João Porto Pinheiro. 5.3- Na condição de Delegado da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra convênio com a Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA, através do Magnífico Reitor, Professor José Teodoro Soares “convênio 01/99” titulando o Curso de Estudos em Políticas e Estratégias da ADESG em Curso de Pós Graduação “Lato Sensu” em Políticas e Estratégias .

6-CONGRESSOS E SEMINÁRIOS 6.1-Representou o CBECE na qualidade de expositor sobre o tema, atendimento de urgência pré hospitalar no 2 Congresso Internacional de Enfermagem de Urgência 1991 Promovido pela Associação Brasileira de Enfermagem. Período 12 a 16 de agosto de 1991 Local : Fortaleza – Ce

6.2-Representou o Corpo de Bombeiros na qualidade de palestrante, no Seminário Internacional de Emergência Pré - Hospitalar e trauma . Promovido pelo Ministério da Saúde. Período : 20 a 22 de setembro de 1993 , Boletim do CBECE n° 173 de 15 de setembro de 1993 Local : Brasília - DF Carga horária : 23 horas/ aula 6.3-Representou o Ceará no 2°Congresso Brasileiro de medicina pré hospitalar como convidado a debater na mesa redonda no Rio de Janeiro, como representante do Norte e Nordeste, sobre o tema: Emergência Pré Hospitalar no Ceará. Promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro 104

Período : 15 a 18 de junho de 1993 Local : Rio de Janeiro - RJ Carga horária : 32 horas/ aula 6.4-Representou o CBECE no Seminário de Liderança e Cooperação Técnica Internacional . Promovido pelo na Universidade Estadual do Ceará Período : 25 a 26 de novembro de 1993 , Boletim de 25.11 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 16 horas/ aula 6.5-Representou o Corpo de Bombeiro do Estado do Ceará na qualidade de palestrante no 2°Seminário Íbero- Americano de Bombeiros. Promovido pelo Corpo de Bombeiro Militar do Distrito Federal Período 08 a 12 de abril de 1996 Local : Brasília- DF Carga horária : 32 horas/ aula 6.6-Representou o CBECE no 2°Congresso Norte/Nordeste de trauma na qualidade de debatedor sobre o tema: “Sistema Integrado de Atendimento ás Emergências”. Promovido pela Sociedade Cearense de Cirurgia.. Período: 11 a 13 de setembro de 1996 Local : Fortaleza – Ce Carga horária : 32 horas/ aula 7 – CICLO DE EXTENSÃO 7.1 -Ciclo de Extensão- CE I-98 “ Desenvolvimento e desemprego qual o novo paradigma para as economias?” da Escola Superior de Guerra. Período: 25 de maio a 05 de junho de 1988 Carga horária: 30h/a 7.2- Ciclo de Extensão- CE II-98 “ Desequilíbrios sociais no Brasil : A perspectiva do conflito” da Escola Superior de Guerra. Período: 17 a 28 de agosto de 1988 Carga horária: 30h/a

8- ALGUMAS FUNÇÕES EXERCIDAS NA CARREIRA MILITAR 8.1-Presidente da Associação Acadêmica Gen Edgard Facó – 1981 8.2-Comandante e fundador do posto de Bombeiros de Maracanaú – 1990 105

Coordenador do Sistema municipal de Defesa Civil de Maracanaú 8.3-Chefe da 3ªSeção do Estado Maior da Corporação – 1992 8.4-Presidente da Comissão de Licitação do Corpo de Bombeiros – 1993 8.5-Diretor de Finanças do Corpo de Bombeiros – 1993 8.6-Subcomandante Geral do CBECE – janeiro de 1995 a maio de 1997 8.7- Assessor Militar da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral – janeiro de 1999 a dezembro de 2000 8.8- Professor da cadeira “Ciência Política” dos cursos de aperfeiçoamento de oficiais e Superior de Polícia da Academia de Polícia Militar General Edgard Faço desde 1999. 8.28- Perito em cenários prospectivos da Escola Superior de Guerra, 2001.

9-FUNÇÕES EXERCIDAS NO ÂMBITO CIVIL 9.1- Delegado no Estado do Ceará da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra no biênio 1999-2000. 9.2- - Coordenador do 1o curso de Pós Graduação “Lato Sensu” em Políticas e Estratégias da ADESG/Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA.

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