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FIOCRUZ - Especialização - Educação em Biologia e Saúde - Sexualidade

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Sexualidade: desenvolvimento, aplicação e avaliação de atividades de orientação sexual no ensino médio.
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Entre os rapazes entrevistados na pesquisa, a grande maioria, 71 (76,3%), era

sexualmente ativa. Entre as meninas, 99 (57,6%) eram sexualmente ativas. No total de alunos,

170 (64,2%) eram sexualmente ativos e 95 (35,8%) alunos não experimentaram o sexo

56

(GRÁFICO 3). Porém, é importante esclarecermos que a maioria dos alunos (64,4%) que

participou deste trabalho está acima da faixa etária dos 18 anos; sendo esperado a iniciação

das atividades sexuais destes alunos.

GRÁFICO 3. Atividade sexual nos alunos do 3º ano do Colégio Estadual
Santos Dias, participantes do estudo.

23,7%

42,4%

35,8%

76,3%

57,6%64,2%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

NÃO

SIM

Masculino
Feminino
Total

Nossos resultados são diferentes dos obtidos por MARTINS et al. (1994, p. 17),

nos quais a maioria dos jovens (65%) ainda não havia tido relação sexual e uma minoria

(13%) já era sexualmente ativa. Além disso, o estudo revelou que o início da atividade sexual

se dá entre os 14 e 17 anos, tanto para meninos como para as meninas. Em estudo da UNICEF

(2002, p. 104), com 5.280 jovens adolescentes entre 12 e 17 anos, 32,8% destes entrevistados

já haviam tido relação sexual e 61,2% não. Entre os adolescentes que responderam que já

haviam feito sexo, 61% eram meninos e 39% eram meninas. Entre os que não mantiveram

relações sexuais, 45,9% eram do sexo masculino e 54,1%, do feminino.

ATIVIDADE SEXUAL

57

Pesquisas divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela Agência Norte-Americana

para o Desenvolvimento Internacional (USAID), mostram dados alarmantes sobre o

comportamento dos adolescentes: no tocante à precocidade das relações sexuais, entre 1986 e

1996 dobrou o número de jovens que teve a sua primeira relação sexual entre os 15 e os 19

anos (REIS & RIBEIRO, 2002, n. p.). O número médio de filhos de mulheres adultas vem

caindo há décadas, e a taxa de fecundidade entre adolescentes está em crescimento constante.

Anualmente, 14 milhões de adolescentes no mundo tornam-se mães e 10% dos abortos

realizados são praticados por mulheres entre 15 e 19 anos. Nossos resultados apontando uma

maioria de jovens entre 15 e 20 anos sexualmente ativa confirmam essa tendência.

Em 1998, mais de 27 milhões de brasileiros (17,3% da população) tinham de 10 a

17 anos de idade, sendo que é nessa faixa de idade que ocorrem os casos de gravidez precoce.

A cada ano, um milhão de adolescentes engravida sem o desejar e cerca de 700 mil brasileiras

com idade entre 10 e 19 anos deram à luz em 1998. na zona rural em 1996, cerca de 20% das

adolescentes tinham pelo menos um filho, índice maior do que nas áreas urbanas, onde o valor

era de 13% (MATOS, 2000, n. p.).

Segundo a UNICEF (2002, p. 106-109), o não-uso da camisinha reflete-se em

outro indicador entre os adolescentes: a gravidez. Entre os adolescentes pesquisados com vida

sexual ativa, 16,6% já engravidaram a companheira ou já engravidaram. Feita a análise por

sexo, esse estudo identificou índices semelhantes para os meninos que engravidaram as

parceiras (51,6%) e para meninas que revelaram ter engravidado (48,4%). Na divisão por

faixa etária, esse estudo verificou que a gravidez é mais incidente entre 15 e 17 anos (78,7%),

mas que os demais 21,3% estavam numa faixa etária ainda menor, entre 12 e 14 anos. Em

contrapartida, a porcentagem de adolescentes entrevistados que engravidaram ou

engravidaram suas parceiras e não tiveram o filho chega a 28,8%. Os percentuais de

adolescentes que não tiveram o filho foram similares aos que engravidaram seus/suas

58

parceiros/as; 76,7% estavam na faixa etária entre 15 e 17 anos e 23,3% tinham de 12 e 14

anos. Entre os adolescentes que afirmam não ter tido o filho depois de constatada a gravidez,

63,3% eram do sexo masculino e 36,7% eram do sexo feminino.

A prevenção da gravidez é uma preocupação dos jovens, pois nosso estudo

mostrou que dos 170 alunos sexualmente ativos, 127 (74,7%) fazem o uso de métodos

anticoncepcionais (GRÁFICO 4).

GRÁFICO 4. Uso de algum tipo de método preventivo por alunos e alunas
que são sexualmente ativos, participantes do estudo.

52,1%

6,1%

25,3%

47,9%

93,9%

74,7%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

NÃO

SIM

Masculino
Femino
Total

No entanto, apesar de minoritária, é preocupante o percentual de 15,3% de alunos

que não utiliza nenhum método preventivo. A preocupação é maior em relação aos homens,

onde dos 71 (100%) sexualmente ativos, 37 (52,1%) não usam nenhum tipo de método

preventivo. Este fenômeno ocorre provavelmente devido a educação tradicional e/ou informal

USO DE MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS

59

que os meninos recebem na sociedade, onde a mulher é a total responsável pelo controle da

natalidade. Entre as 99 (100%) mulheres sexualmente ativas, 93 (93,9%) utilizam algum

método preventivo, um índice alto comparado a outro estudo. Por exemplo, PRESTES et al.

(1994, p. 23), encontraram na população de escolares que mantinham relações sexuais, que

68,36% das mulheres o faziam usando algum método preventivo, 26,53% das mulheres não e

5,12% não responderam. Em relação aos homens, 63,5% faziam uso de métodos

anticoncepcionais, 32,84% dos homens não fazem e 3,64% não responderam. Segundo a

UNICEF (2002, p. 104), entre os que disseram que usam preservativo em todas as suas

relações sexuais, 35,1% eram do sexo feminino e 64,9%, do masculino. Entre os que

declararam ter relações prevenidas “às vezes”, 53,3% são meninos e 46,7% são meninas.

Entre os que disseram nunca ter usado preservativo em suas relações sexuais, 64,5% são do

sexo masculino e 35,5% do feminino, resultados diferentes dos obtidos em nosso estudo, onde

é nítido o predomínio da preocupação das mulheres com o uso de métodos anticoncepcionais.

Em nosso estudo verificamos também que 93 (100%) mulheres que fazem uso de métodos

anticoncepcionais, algumas não usam apenas um método preventivo, 69 (74,2%) utilizam a

pílula anticoncepcional; 58 (62,4%) preferem ou também utilizam a camisinha masculina;

cinco (5,4%) a injeção de hormônio; quatro (4,3%) usam a tabelinha; quatro (4,3%) utilizam o

coito interrompido; uma (1,1%) a ducha vaginal e uma (1,1%) a laqueadura de trompas

(GRÁFICO 5).

Entre os 34 homens que utilizam métodos anticoncepcionais, 31 (91,2%) fazem

uso da camisinha masculina e apenas três (8,8%), usam indiretamente a pílula

anticoncepcional, em conjunto com a camisinha, como método preventivo com a sua parceira

(GRÁFICO 6).

60

GRÁFICO 5. Freqüência de usos de métodos anticoncepcionais pelas
mulheres sexualmente ativas.

74,2%

62,4%

5,4% 4,3%

4,3% 1,1% 1,1%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

Pílula

Camisinha

Injeção de hormônio

Tabelinha

Coito interrompido

Ducha vaginal

Laqueadura de trompas

GRÁFICO 6. Percentagem dos métodos anticoncepcionais mais usados
pelos homens sexualmente ativos.

8,8%

91,2%

Camisinha
Pílula (parceira)

61

Isso demonstra um maior conhecimento e uso de métodos anticoncepcionais do

que o encontrado na pesquisa feita por LINS et al. (1988, p. 129), somente com mulheres.

Esse estudo revelou que 49% das jovens desconheciam os métodos e que entre os métodos

anticoncepcionais utilizados pelas jovens com vida sexual ativa, 21% referiram usar a

camisinha masculina, 8% usam pílulas anticoncepcionais, e 2% usavam métodos de ovulação

(tabelinha). O estudo de BRUNO et al. (1992, p. 324), encontrou que os métodos

anticoncepcionais de escolha entre adolescentes eram: anovulatório oral (51,7%), camisinha

(12,4%), DIU (6,2%) e diafragma (0,5%). O coito interrompido e a tabela não foram

escolhidos por nenhuma adolescente.

No estudo feito pela UNICEF, analisando o uso da camisinha a partir da variável

grau de escolaridade, percebe-se que a consciência com relação ao sexo seguro cresce

proporcionalmente ao nível de instrução dos adolescentes entrevistados (o que inclui o uso

esporádico e o não-uso da camisinha). Entre os que nunca usaram, 36,3% estão entre a pré-

escola e 4ª série, 33,1% estão entre a 5ª e 8ª série do Ensino Fundamental e 11,2% estão no

Ensino Médio. Inversamente, entre os que usam o preservativo todas as vezes, 40,1% estão no

Ensino Médio, 32,1% entre a 5ª e a 8ª série e 14,3% entre a pré-escola e a 4ª série do Ensino

Fundamental (UNICEF, 2002, p. 105).

Em nosso trabalho, os alunos citaram os métodos anticoncepcionais mais

conhecidos por eles (GRÁFICO 7). Estes métodos foram citados na seguinte seqüência:

camisinha masculina, 245 (92,5%); pílula anticoncepcional, 235 (88,7%); dispositivo intra-

uterino (DIU), 160 (60,4%); tabelinha, 94 (35,5%); diafragma, 93 (35,1%); camisinha

feminina, 75 (28,3%); injeção de hormônio, 45 (17,0%); coito interrompido, 38 (14,3%);

espermicida, 37 (14,0%); vasectomia e/ou laqueadura, 37 (14,0%); abstinência sexual, oito

(3,0%); ducha vaginal, quatro (1,5%) e pílula do dia seguinte, duas (0,8%).

62

GRÁFICO 7. Conhecimento dos métodos anticoncepcionais pelos alunos
do 3º ano do Colégio Estadual Santos Dias, participantes da
pesquisa.

92,5% 88,7%

60,4%

35,5%

35,1%

28,3%

17,0%

14,3%14,0%14,0%

3,0%1,5%0,8%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

80%

90%

100%

Camisinha masculina

Pílula anticoncepcional D.I.U.

Tabelinha

Diafragma

Camisinha feminina

Injeção de hormônio

Coito interrompido

Espermicida

Método cirúrgico

Abstinência sexual

Ducha vaginal

Pílula do dia seguinte

Segundo REIS & RIBEIRO (2002, n. p.), os adolescentes têm o acesso facilitado

às pílulas anticoncepcionais, ao diafragma, à camisinha. Os meios de comunicação e as

escolas fazem freqüentes campanhas de esclarecimento. Os serviços de saúde estão à

disposição para prestar informações. No entanto, as estatísticas brasileiras demonstram que

apenas 14% das jovens de 15 a 19 anos utilizam métodos preventivos; e somente 7,9% delas,

a pílula.

Após os alunos citarem os métodos conhecidos, eles indicaram os melhores

métodos anticoncepcionais, optando apenas por um dentre aqueles que eles descreveram

anteriormente (GRÁFICO 8).

63

GRÁFICO 8. Melhores métodos anticoncepcionais segundo os alunos do 3º
ano do Colégio Estadual Santos Dias.

56,6%

20,0%

7,2%

4,9%

1,9% 0,8%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

Camisinha masc./fem.

Pílula anticoncepcional

Injeção de hormônio

Método cirúrgico

Abstinência sexual

D.I.U.

Para 150 (56,6%) alunos o melhor método preventivo seria a camisinha masculina

e/ou feminina. Este dado demonstra a importância da mídia ao fazer propaganda do uso da

camisinha para a prevenção da AIDS, formando assim uma consciência entre as pessoas no

que diz respeito à prevenção das DST e uso adequado dos métodos anticoncepcionais. Em

segundo lugar, ficou a pílula anticoncepcional, onde 53 (20,0%) a preferem, principalmente

pelo seu baixo custo e fácil utilização. Em seguida os outros melhores métodos

anticoncepcionais indicados pelos alunos foram: injeção de hormônio, 19 (7,2%); método

cirúrgico (vasectomia e/ou laqueadura), 13 (4,9%); abstinência sexual, cinco (1,9%) e

dispositivo intra-uterino (DIU), dois (0,8%). Os resultados confirmam a pesquisa feita por

PEREIRA & TEIXEIRA (2000, p. 765), que mostraram que quando perguntados a respeito

dos métodos anticoncepcionais 46,41% dos alunos de escolas do município do Rio de Janeiro,

optaram pelo uso do preservativo, demonstrando ser o método preventivo mais conhecido

entre eles. Este fato pode ser conseqüente a aspectos como: informações veiculadas pela

64

mídia através das campanhas sobre a AIDS, por ser o método de mais fácil acesso e por ser de

mais fácil uso.

NASCIMENTO & LOPES (2000, p. 109), verificaram a prática do uso de

preservativo, e dentre os que responderam a esta questão, encontraram 61,7% que sempre

usavam, seguido pelos 32,0% que usavam às vezes e 6,3% que nunca usavam. Assim, 38,3%

apresentam alto risco de adquirirem uma DST/AIDS, indicando a necessidade de se

desenvolver programas de educação em saúde junto a esta clientela estudantil.

3.2.3. Conhecimento sobre conseqüências de atividade sexual sem o uso de métodos

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