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3+Ecletismo+-+L.+Patetta

3+Ecletismo+-+L.+Patetta

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:>-: ed.
Registro:
ex.01
Coordenação Editorial
Carla Milano Benc10wicz
Revisão
Eunice T amashiro
Dilair F. de Aguiar
Projeto Gráfico
Lacy M. Tsukumo Andrade
Capa: Fachada principal do Teatro Municipal de São Paulo.
1984. Levantamento por fotogrametria rerrestre. executado
pela TerraFoto S.A. Atividades de Aerolevantamento, em
convênio com o Departamento do Patrimônio Histórico, da
Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura do Município
de São Paulo.
Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Ecletismo na Arquitetura Brasileira I organização Annateresa Fabris. São Paulo:
Nobel; Editora da Uníversidade de São Paulo: 1987.
148 ISBN 85-213-0473-0
1. Arquitetura História 2. Arquitetura moderna - Século 19 - Brasil 3. Arqui­
tetura moderna Século 20 Brasil 4. Ecletismo em arquítetura 5. Ecletismo em
arquitetura _. Brasil L Fabris, Annateresa.
CDD-720.981
-720.9
87-0518 -724
Índices para cauíiogo sisremático.
1. Arquitetura História 720.9
2 Brasil Ecletismo Arauitetura
3. Brasil Ecletismo "
4. Ecletismo
19 720.981
20 720.981
5. Século 19 Arquitetura B1',ISil 720.981
6. Século 20 Ecletismo :\rquitetm8 Bt'usil 720.981
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SUMARIO
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7 Apresentação
Annateresa Fabris
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8 Considerações sobre o Ecletismo na Europa
Luciano Patetta
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28 Ecletismo no Rio de Janeiro (séc. XIX-XX)
Giovanna Rosso Del Brenna
68 Ecletismo em São Paulo
Carlos Lemos
104 O Ecletismo em Minas Gerais: Belo Horizonte 1894-1930
Heliana Angotti Salgueiro
s
146 Arquitetura eclética no Pará

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No período correspondente ao ciclo econômico da borracha: 1870-1912
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Jussara da Si Iveira Derenji
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9
176 Arquitetura eclética em Pernambuco

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9
g Geraldo Gomes da Silva
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S
208 Arquitetura eclética no Ceará
José Liberal de Castro
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é r
256 A fase historicista da arquitetura no Rio Grande do Sul
Günther Weimer
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"...
280 O Ecletismo à luz do modernismo
Annateresa Fabris ...
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:CONSIDERAÇÕES SOBRE O ECLETISMO
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NA EUROPA
LUCIANO PATEnA
(Milão, 1935)
Arquiteto e professor de História da
Arquitetura na Faculdade de
Arquitetura da Politécnica de Milão.
Organizou a mostra de arquitetura na
Bienal de Veneza em 1976, do
Neoc\assicismo (Milão) em 1978 e
sobre Longhi (Roma) em 1980,
Escreveu numerosos ensaios, publicados
na Itália, Espanha e Argentina, sobre
arquitetura do século XIX e do entre
guerras,
...
...,..i. Víoltet te Duc) Projeto de restauração da
~ a t e d r a l de Clermont Femmd, 1875.
d

111
Considerações sobre o
Ecletismo na Europa
A queda progressiva dos preconceitos
críticos levou a historiografia
ar qui tetônica a reavaliar, no final do
século passado, o Barroco e, no atual, o
Neoclassicismo (sobre o qual pesavam
ainda a censura da crítica romântica e
idealista), o Art nouveau e o Ecletismo
(considerados pelo Movimento
Moderno "inimigos" a serem
derrotados). Reconstituir, com
objetividade, os fatos e aprofundar os
aspectos problemáticos do
Neoclassicismo e do Ecletismo foi tarefa
dos últimos decênios; primeiramente,
através de uma reavaliação crítica
geral (quase um "reparo" obrigatório),
depois através de pesquisas específicas
sobre diferentes regiões e países, sobre
aspectos determinados e arquitetos,
individualmente. Dois fatos - pelo
menos na Europa - estimularam estes
estudos e interesses renovados: por
um lado, a ampliação' do problema da
proteção e restauração do patrimônio
histórico-monumental para as estruturas
urbanas e edifícios do século XIX; por
outro, a crise do urbanismo do
Movimento Moderno que levou a um:,
revisão dos princípios desta disciplina
e a uma reflexão crítica, em cujo
alicerce se encontram, exatamente, a
cultura e a cidade do século passado.
Podemos dizer até que Neoclassicismo e
Ecletismo, hoje, constituem o centro
de interesses de áreas, como a
universitária, por exemplo, onde as
decisões operacionais e de projeto
arquitetônico e urbanístico
amadurecem.
Mas, se a perspectiva histórica mais
ampla e a superação da tábula rasa
tendenciosa, teorizada pelas Vanguardas
e pelo Movimento Moderno, permitiram
reconsiderar com objetividade a

produção arquitetônica recente, a
historiografia não. podia renunciar a
-
..
recolocar em discussão também as
velhas categorias e as velhas

classificações, isto é, aquelas que ..

consideravam o Neoclassicismo e o
­
W

Ecletismo não só como experiências
subseqüentes, mas, até mesmo, •
antitéticas. Aos poucos, porém, a adoção@·!I!!!II1!'
pela crítica de termos como clássico e In!!!._.
romântico 1; o aprofundamento do I!-__
significado da imitação (seja ela relativa
à antigüidade greco-romana, seja à .'_.f'
medieval); a descoberta de que havia
uma dialética constante entre razões da ',III!!!!!IIi!"
arquitetura e razões éticas,. sociais e
políticas e de que existia uma única
clientela - a burguesia em ascensão
nos levaram a interpretar o período que
vai da metade do século XVIII até o
início do nosso como um "único longo

período" 2. Acabamos por reencontrar

uma continuidade histórica que tem
origem na crise da antiga tradição _
clássica e vitoriana (por volta de 1750)
e que culmina no abandono total de _ ...
qualquer referência aos estilos
históricos, pretendido pela arte
Reencontrar, no seio das experiências
neoclássicas e ecléticas, razões de
consenso mais do que de contraposição.. "
e apagar qualquer linha nítida de
demarcação entre elas foi uma
contribuição crítica importante. Muitas .....c
dúvidas foram dissipadas e respostas
convincentes foram dadas a estas

questões:
1) É realmente o Ecletismo
-=­
a expressão da arte e da arquitetura

que se segue ao Neoclassicismo, seria
apolítico, no sentido burguês, tanto

quanto o Neoclassicismo era jacobino,



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10
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]. B. LepeTe, Colonne Vendóme,
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,1806.
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....Vignon, A Madeleine, Paris 1806 .
....
prem iado pela Academia Real, Paris
Lilge 1842 (pro;elo de Ch.
"..-cier, 1786).
....
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11
democrático e renovador? A panir do
momento em que caíram por terra
muitas das interpretações pOllticas do
Neoclassicismo e que, inversamente,
.rerificou-se que a burguesia da segunda
netade do século XIX possuía ideais
)olíticos precisos, a tese mostra-se
:xcessivamente esquemática e não
;uporta verificações.
n O Ecletismo é algo que se distingue
los revivals (e, particularmente,
lo neogótico, isto é, do revival
<1ais engajado, tanto como ideologia
eligiosa quanto político-patriótica)?
im, se atribuirmos grande
mportância às premissas teóricas e aos
bjetivos extradisciplinares; de outra
Jrma, as diferenças tornam-se mais
randas (e inexistem se examinarmos as
mtes e os modelos adotados 3).
) E estes revivals coincidiam com a
.Isca do assim chamado "estilo
acional" que, na Itália, se expressou
ravés do neo-romântico ou do
:o-renascentista; na França e na
19laterra, do neogótico; na Alemanha,
) Rundbogenstil? 4. Pelo menos em
Irte, sim, principalmente se
nsiderarmos que, entre todas as
:Jtivações ideais, as que obtiveram
aio! consenso foram o patriotismo e a
lsca das próprias raízes culturais.
ria um erro, porém, concluir que
se longo período da arquitetura
lais de 150 anos!) tenha sido
mogêneo e tenha tido um
senvolvímento linear; ao contrário,
: apresenta diferentes manifestações,
mo poucas outras no passado, e
'eções divergentes (freqüentemente
1traditórias), testemunhos de urna
1stante inquietude intelectual, a
ponto de se mostrar como um
-íodo fragmentário, mais condizente
com as pesquisas cognoscitivas que
aceitam, exatamente, essa
fragmentariedade característica e
aprofundam-na. Uma série de
fenômenos une, todavia, esses
fragmentos de história: uma "linha
contínua" percorre toda a trajetória da
arquitetura burguesa, desde os anos do
Iluminismo, na França, e do
paladianismo inglês dos country­
gentlemen, até os anos da Rainha
Vitória, do Segundo Império francês,
do colonialismo triunfante e da Belle
époque. Pensemos na "estilização",
na simplificação dos elementos
arquitetônicos do passado, operações
que levaram as sutis complexidades de
proporção e de composição a cair em
uma redução "moderna", que aproxima
arquitetos do século XVIII, como
Robert e John Adams, John Soane,
Claude-Nicolas Ledoux aos arquitetos
de meados do século XIX, como Henry
Labrouste, Gottfried Semper e Edmund
Street. - Pensemos na concepção de
estilo como linguagem coletiva e sistema
universal de formas (aquelas do
universo greco-romano ou gótico) que
transcende as singularidades e
individualidades expressivas (de fato, o
"traço estilístico" pessoal de cada
arquiteto se mostra cada vez menos
evidente). - Pensemos na relação com
o antigo, que começa com uma
abordagem de cunho mítico: passa por
fases ideológicas e interpretativas,
depois à adesão com total ortodoxia,
para diluir-se, finalmente, na prática
profissional corriqueira. -- Pensemos
na convicção de que era possível
escolher entre elementos extraídos das
antigüidades, concentrar o melbor deles,
iludindo-se de que esse "encontrar e
aplicar" pudesse comparar-se às
experiências criativas do passado,
baseadas, ao invés, no "buscar ex novo
e renovar sempre". - Pensemos,
enfim, na condição que aproximava
todas essas gerações: a arquitetura não
podia mais ser patrimônio de poucos
"mestres", devia ceder às novas
exigências da produção de massa e à
de uma nova figura de
projetista: o profissional. Para os
projetistas profissionais era necessário
que as escolas, as academias,
preparassem um sistema de regras
razoáveis e concretas, de acordo com
as atribuições exigidas pelo tempo,
colocando a liberdade criadora em
limites bem definidos. As severas
regras distributivas e tipológicas, o
ritmo das estruturas modulares fixadas
por J. N. Louis Durand (em seu
Precis des teçans d'architer:ture,
Paris, 1801-1823), nas quais deviam
se basear o decoro e a ornamentação
neoclássica, constituíram o. fundamento
da metodologia profissional por muito
tempo: na metade do século foram
adotadas pelo determinismo compositivo
dos engenheiros (que, posteriormente,
revestiam as estruturas metálicas dos
edifícios com ornamentações neobarrocas
ou neo-renascentistas), foram utilizadas
também nos projetos neogóticos e
guiaram, no final do século, os primeiros
edifícios com vigas e pilastras em
cimento armado.
Se considerarmos decisivos, portanto,
os fatores estruturais e supra-estruturais
de todo o período, isto é, a consolidação
do poder burguês, os rumos tomados
pela civilização industrial, o
entrelaçamento, na cultura romântica,
dos ideais nacionais e de independência
com os problemas econômicos da
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produção em série, etc., parecem-nos
realmente desfacadas as tentativas de
classificar, rotular J escolher> no seio
da experiência lingülstica global do
Ecletismo historÍcista. Quando os
ingleses Thomas Hope, James
Fergusson, T. L. Donaldson, C. Gilbert
SCOtl, os franceses César Daly e E.
Viollet le Duc, o alemão Friederich
Schinkel ~ , desconcertados pelo aparente
"caos" das múltiplas pesquisas
estilís ticas, pelas contraditórias
experiências formais de sua época, pela
simultaneidade de vários revivals,
perguntavam-se, ansiosos, quando
também o século XIX saberia,
finalmente, "encontrar o próprio
estilo") não percebiam que estavam
buscando em uma direção anacrônica
e não viam que O século X1X já
encontrara 1<0 próprio estilo" e que este
-
era o Ecletismo. O Ecletismo era a
cultura arquitetônica própria de urna
a •
classe burguesa que dava primazia ao
conforto, amava o progresso
(especialmente quando melhorava suas
condições de vida), amava as novidades,
mas rebaixava a produção artística e
arquitetônica ao nível da moda e do
gosto .
...
Foi a clientela burguesa que exigIU (e
...
obteve) os grandes progressos nas
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...
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-
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......C. , DtÚy, MOllft Hilton'que! d'A"'hiJeCl Ure cf
- de $culprure d 'Ornamem, Puni. 1869.
~
- A. De Batldo/, Ponte Metólica, Proieto para
a Exposição Universal de Paris, 1900.
instalações técnicas, nos serviços
sanitários da casa, na sua distribuição
int erna, que solicitou urna evolução
rápida das tÍpologias nOs grandes hotéis,
nos balneários, nas grandes lojas, nos
escrit órios, nas bolsas, nos teatros e
nos bancos, que soube encontrar o tOm
exato de autocelebração nas estruturas
imponentes dos pavilhões das
Exposições Universais (de Londres ­
1851 - e de Paris - 1867-78-79),
1)
- obtendo a aglutinação de todas as
expressões formais em torno do mito
do progresso : o Crystal Palace, a
Tour Eiffel, Les Calhies des Machines,
o Baile Excelsior J os romances de
Júlio Veme, etc.
A essas exigências tão concretas e tão
decisivas para a nova edificação. os
arquitetos deram a única resposta
possível: uma arquitetura sem grandes
tensões espirituais, não autônoma,
mas participante e comprometida até ao
próprio sacrifício. A cultura
arquÍtetônica deleitou-se, por mais de
cem anos, com O fato de teI acolhido os
mais variados elementos lexicaís,
extraindo-os de todas as épocas e
regiões, recompondo-os de diferentes
maneiras, de acordo com princípios
ideológicos, nos quais podem ser
distinguídos , pelo menos, três
correntes principais: a da composição
estilística, -baseada na adoção
imitativa coerente e "correta" de
formas que, no passado, haviam
pertencido a um estilo arquitetônico
único e preciso (a esta corrente
pertenceram as mais destacadas
tendências neogregas, neo-egípcias e
neog6ticas); a do hisloricismo lipológico;
voltado, predominantemente, a escolhas
apriorísticas de cunho anal6gico que
deviam orientar °estilo quanto à
finalidade a que se destinava cada um
dos edifícios, reencontrando, na Idade
Média, os traços místicos e a
religiosidade para as novas igrejas; na
Renascença, as características áulicas
elegantes para os edifícios públicos, no
Barroco, ou nos estilos orientais, a
festividade exigida pelos equipamentos
de lazer, no Classicismo pesado do
.coríntio romano, o caráter apropriado
6 7
DelraHe, 1883, Pro;elo de uma necrópole H. Repton, Palácio do Regente, da " Desig111
in Les Grands Páx de Rome de 1850 a }or the Pavillio71 o/ Brighlon", Londres, 180:
1900, s.d.
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'IISTOF.Y t" i5EU'·;
NEW NI\II UKJ".
8
A. WtJJel'house, Museu de História Natural,
Oxlord 1873, in The Btitish Architect,
X; 1878 .
8
aos solenes edificios do Parlamento,
dos Museus e dos Ministérios ; a dos
pastiches compositivoJ que, com uma
maior margem de liberdade, "inventava"
soluções estilísticas historicamente
inadmissíveis e, às vezes , beirando o
mau gosto (mas que, muitas vezes,
escondiam soluções estruturais
interessantes e avançadas).
Algumas observações sintomáticas e
caracterízadoras sobre o século XIX
podem ser feitas : 1) cada cópia , cacla
réplica de um monumento antigo, de
um templo, de uma catedral, de um arco
de triunfo, etc., feita pelos arquitetos,
estava distante do original, era algo
completamente diferente do modelo, a
tal pontO que se t ornou, nitidamente,
um protótipo do século XIX; apesar
do grande cuidado no levantamento (ou
exatamente por isso, talvez), no querer·
" retificar H, anular as
corrigir os presumíveis erros, os
arquitetos historici stas produziram
sempre ff simulacros" (traíram o modelo
pela excessiva fidelidade'); 2) a erudição
e a filologia (onde se fizeram grandes
progressos) constituíram um entrave
evidente, quase uma paralisação da
criatividade: as numerosas escolhas
estil1sticas possíveis pareceriam
denotar uma época de grandes
liberdades, quase anárquicas; entretanto,
a elas correspondiam, sob o ponto de
vista do projeto, uma prudência e uma
rimidez enormes; 3) as idéias, os
programas, as finalidades eram sempre
melhores do que os produtos que
pretendiam propugná-los; 4) o pudor
dos costumes burgueses da época
vitoriana correspondia plenamente à
intolerância em relação à " rude e
vergonhosa " nudez estrutural das
construções (as colunas e as vígas) que,
de fato, deviam ser completamente
escondidas e revestidas por motivo de
" decoro"; 5) os arquítetos (sobretudo
na segunda metade do século) tentaram
impor as razões da arte à progressiva
mecanização da era industrial : como
o socialismo ut6pico tentou mitigar as
injustiças sociais, assim também os
românticos John Ruskin e William
Morris (no Arls and era/ts) tentaram
se opor à queda da individualidade
dos valores artísticos artesanai s; 6)
o século XIX"consumia" muito
depressa os ideais, absorvendo-os em
sua vocação comercial : poucos anos
depois das primeiras teorizações do
Colhic Revival (A. W. Pugin, 1936'),
em Birmingham e Sheffield,
objetos medievais em
série e, na França, fundava-se a
Societé cOiholique pour lo
fobricoiion
J
la venie, lo conession de
louis les objets co"socrés ou ctllte
(1842) para fazer frente à demanda
das mai s de cem igrejas neog6ticas que,
naquela época, j á estavam em
construçãD, e ao fato dos bispos
tenderem, então. a prescrever tal
estilo 7. Uma ou tra observação deve
ser feita : a produção industrial,
encarada ainda no século XVIII como
simples curiosidade intelectual.
explodira na metade do século XIX,
impondo suas impiedosas leis econômicas
também ao canteiro de obras. De fato,
subvertera-se a tradicional relação entre
utilidade e beleza, com a imposição de
elementos construtivos metálicos
completameme estranhos às formas e
às proporções características dos estilos
e das ordens arquitetônicas. Tudo isso
coincidiu com O dualismo existente
entre engenheiros e arquitetos, quer
do ponto de vista da didática, quer da
atividade profissional: estes não
conseguiram opor nenhUlna certeza
(somente dúvidas e reflexões
críticas) às certezas do cálculo d?
ciência das cons truções e às conquistas
alcançadas pela técnica das instalações
industriai s.
Uma grande qualidade, porém, tiveram
os arquitetos do século passado (e seus
clientes): um aguçado senso crítico.
De fato, entusiasmados diante do
progresso técnico-científico. nunca
pensaram que a arte e a arquitetu ra
pudessem apresentar, em sua época,
um progresso do mesmo nível. De tal
forma a crít ica evidenciou as incertezas
e a qualidade medíocre da produção
arquitetônica de seus contemporâneos,
que o balanço que se fez no início de
nosso século não pôde deixar de ser
totalmente negativo '. Cabe, portanto,
a nós, hoje, corrigir em parte tais
julgamentos c ressaltar as indiscutíveis
contribuições da cultura eclética que
constituem, ainda, um patrimônio
precioso. É o que pretendo fazer aqui,
brevemente, acenando a antecipações
fundamentais na área dos estudos
hi stóricos, do relevo arquitetônico, da
tecnologia das construções e da
modernidade da casa .
Em fins de 1700 já começaram a
aparecer, principalmente na Inglaterra,
alguns estudos de cunho histórico­
topográfico (sobre York e Wi nchester,
sobre o País de Gales e a Escócia 9),
que tentaram restituir um ambiente
totaLnente medieval, o qual não SÓ
ainda circundava uma catedral antiga
como também constituía seu meio
cultural. Nessas obras encon tram-se os
primeiros acenos às peculiaridades do
Locus, à posição geográfica, às
características e às técnicas
const ru tivas regionais. Ao lado dessas
primeiras pubücações, surgiram
numerosos guias,. primeiros es tudos
monográficos sobre uma catedral ou
abadia (Nolre Dame de Paris, Chartres,
Si. Slephen, Weslmil1ster, etc.) , que
se anteciparam às publicações que
Lassus e VioHet Je Duc escreveram após
1840. Constituíam uma novidade no
campo dos estudos históricos: enfrentar
o estudo de uma construção medieval
específica significava, naquele tempo,
ter que dar inicio a pesquisas
arqueológicas tota1mente novas. Era
necessário, para O auror, adotar ex
novo o método de comronto com
outras construções mais ou menos
contemporâneas da mesma região,
reencontrar os arquétipos, reconstituir
as relações e as influências de outras
regiões ou áreas culturais (foram
descobertas áreas culturais como a
Normandia e o VaJe do Reno). Era
necessário ampliar a análise para
além do esquema e da tipologia do
edifício, para avaliar a técnica
consrrutiva, os materiais e,
principalmente, a decoração, que se
mostrou completamente diferente da
transmitida pelos Iratados re nascentistas
e do classicismo. Foram os neogóticos
os principais responsáveis pelas
contribuições mais interessantes,
realizando, depois de 1830, os primeiros
estudos exaustivos sobre os diversos
esdlos da Idade Médi a, a ponto de
estabelecer distinções não só entre
românico e gótico, mas entre as
diferentes expressões ou os períodos
que tinham se sucedido (área por
área) na França, I nglaterra,
Alemanha lO.
.B. &J. M. COR
I
R
O
N
9
,. B. r J. N. Cornel/, Elementos metálicor,
Nova York, s.d.
16





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10
10
C. Boito, DetalIJes de ArquiuttlYG em
Madeira, in Omamenti. di mui gli stili,
Milão, 1881 .
Tornaram-se indispensáveis,
principalmente para a arqueologia'
greco-romana, relevos arquitetônicos
bem definidos para o acompanhamento
dos estudos históricos, bem como
classificações e datas preci sas, isto é,
lançaram-se as bases de um novo modo
de "fazer história". A verificação de
que a evolução das fases do gótico era
muito importante, especialmente nos
elementos decorativos, levou os
estudiosos a analisá-las separadamente ,
dando vida a um novo gênero, de grande
importância 11. A atenção aos elementos
construtores, aos materiais e às técnicas
levou, em pouco tempo, à descoberta
da arquitetura "menor", antecipando
um interesse nitidamente moderno. Os
relevos e as restituições gráficas de
edifícios g6ticos eram realizados com
urna técnica muito avançada: as
complexidades dos perfis e das
modinaturas medievais, ° recurso, na
construção, a soluções em diagonal
(agulhas, capelas, absides, pinácul os
das cated rai s) e a presença de
irregularidades métricas e angulares
fizeram com que fossem exatameute os
neog6ticos a aplicar, de forma difusa e
com grande prioridade, o método e os
procedimentos de geometria descritiva
de Gaspar Monge!2, apro'l{.eitando
exaustivamente suas vantagens, sua
exatidão e sua vetificabilidade entre as
operações de relevo e sua resti tuição
gráfica . Por sua vez, os neoclássicos
elevaram a níveis de autênti co
virtuosismo os projetos relativos às
hipóteses de policromia dos templos
gregos (os estudos de Hittorf e de
Kugler, que influenciaram uma tendência
neoclássica tardi a e nco-renascentista,
que usou muito O colorido nas
fachadas B) . A partir da metade do
17
século XIX tornou-se evidente,
portanto, que os historiadores da
arquitetura deveriam ter uma
competência no campo tecnol6gico e
uma familiaridade com as especificidades
da clisciplina e que era necessário
voltar-se também para a escultura e
pintura, iniciando estudos integrais, que
iam desde o monumento à decoração
e ao ambiente.
Grande parte desses estudos estava,
como já dissemos, clireta ou
indiretamente, ligada ao problema da
restauração que, aliás, no século XIX,
sempre esteve ligado ao problema do
projeto da nova arquitetma (Vjollet le
Duc não foi, de' fato, historiador,
restaurador e arquiteto?); assim, a
cu]rura eclética deu à problemát ica da
;estauração uma impostação nitidamente
processual, aberta e dialética, de caráter
altameme moderno. Levemos em
consideração estes dois aspectos:
interesses e premissas iguais
desembocaram em duas concepções
opostas de restauração, a do
"complemento estilístico" (defendida
por VioUet le Duc) e a da " não
interferência e da pura conservação"
(defendida por Ruskin); - a intuição
(não apriorística , mas fruto de uma
famili aridade com o trabalho com
monumentos) de que a redução (tão
cara aos neoclássicos acadêmicos) dos
edifícios a seus esquemas tipol6gicos,
formais, volumétricos e espaciais levava
de fato a um distanciamento do
conhecimento COncreto da arquitetma;
de que o monumento tinha uma
identidade absoluta com suas pedras ,
com' seus muros e suas abóbadas, um
tmicum com aquelas pedras e sua idade,
com os sinais do tempo, com suas
11
irregul aridades irrepetíveis. Foi
exatamente a pa rtir de considerações
desse gênero que surgiu a primeira
Society for lhe Protection of Ancienl
Bllilding (fundada por William Morris
em 1877, a partir, porém) de uma idéia
de Ruskin de 1854) que promovia
não uma conservação artistico-seletiva,
mas histórico-documental de tooo o
patrimônio monument al (hipótese tão
avançada que 56 hoje foi absorvida).
Outras importantes antecipações
podem ser observadas no setor de
edificações neog6ticas, seja o tradicional
(das construções de tijol os e pedras),
seja aquele aberto aos novos sistemas
construtivos das estruturas metá.licas .
A lição - aprendida através dos
monumentos medievais - sobre a
essencialidade construtiva do gótico,
sobre a maneira de erguer edifícios em
blocos completos, sobre a relação entre
decoração e estrutura, foi assumida pelo
construtor neog6tico como um princípIO
ideológico. Pretendia-se, como se sabe,
contrapor ideais precisos de sinceridade
construtiva, de verdade, de economia , e
até mesmo, de moralidade da construção,
aos pasliches polies tilísticos, com seus
mascaramentos " imorais ", com suas
soluções formais freqüentemente
muito descuidadas na realuação. Obter
esses ideais neog6ticos de construção
foi possível graças à perfeição alcançada
no uso da pedra aparelhada, conseguida
com a aplicação dos métodos cientHicos
da estereolOm;a (isto é, da ar te de corta!
as pedras de acordo com uma
determinada forma ); métodos com os
quais qualquer encaixe de pedra (ou de
carpintaria) podia ser representado. de
forma exata , no desenho, encomendado
fora da obra e depois aplicado.
(Portanto, tudo que já havia sido
enfrentado arresanalmente pelos
construtores medievais podia , agora , ser
18
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11
].B.H. LAssus, Igreja SI. BaptiJte de Bellevilfe,
Paris. in Enciclopédia d'Architecture, 1864 .
12
F.c. Gar4, Sainte-ClOfilde, Parir 1846.
12
IJ
w. S/aur, 19reja í t l"TO, 18J6. in
Insuumenta Ecc!esiastic.a, 11, 1856.
14
L. A. Lussof1 e S. A. Boileau, 1grejq de
Saif1t.Eugéne, Paris 1855.
realizado cientificamente, com rapidez e
com o uso de máquinas. O que
Rondelet 14 experimentara para as
grandes pontes (1800-1817) era agora
aplicado de forma difusa nas obras).
Prova disso são as igrejas francesas de
G. B. Antoine Lassus, E . Vi ollet le
Duc, Eugéne Barthélemy, Franz
Christian Gau; a produção inglesa de
Norman Shaw e de Edmund Street n .
São de grande interesse as rel ações
entre o neogótico e a engenharia do
ferro. Enquanto para a cultura
neoclássica (pensemos em Durand) a
engenhari a desempenhara um papel
subalterno na construção, limit ando-se
ao esqueleto do edifício, ao cálculo e
dimensionamento de vigas e colunas, de
acordo com critérios de Il;lodularidade
que, não necessariamente, se aplicavam
ao invólucro arquitetônico, para a
cultura neog6tica a forma arquitetônlca
podia ser essencialmente uma forma
estrutural. Além disso, enquanto era
difícil enCOntr ar afinidade entre os
elementos das novas estruturas da
engenharia e os elementos da arquitetura
c1ásslca, ta rDou-se logo evidente aos
neog6ticos a coincidência formal entre
as es truturas metálicas e as modenaturas
dos edifícios góticos. Essa coincidência
pode ser verificada sob dois aspectos
de alcance diferente, um
substancialmente prático, o outro
rela ti vo às concepções de projetos . Ao
primeiro caso a igrej a de
Everton, de Thomas Rickman, os
modelos de igrej as pré-fabl"i cadas em
lerro de Willi am S,lter e de Richard
C. Carpenter; em Paris, as igrejas de
s. de Louís-Auguste BoiJeau
e de Saint Augustill, de Victor Baltard
(1 830·60), todas realizações onde, em
19
sua maioria, as ogivas e os cruzeiros
foram executados com vigas de ferro,
explorando as possibilidades da
montagem; todas construções em que
as formas neogóticas eram realizadas
como em um meccano t,. Pertencem
ainda a esta "simbiose" de gótico e
construções metálicas quer a inserção
desenvol ta de balcões em gusa e ferro
no interior de igrejas neogóticas em
pedra, q\,ler a adoção (como no interior
do célebre Oxford Museum - 1859)
de séries de pequenas colunas metálicas,
finas e muito altas, totalmente estranhas,
em termos de proporção, às tradições
harmônicas . No segundo caso,
enquadram-se aquelas experiências
avançadas de projeto que aspiravam, de
modo mais ou menos explícito, à
superação do afastamento inevitável
das competências entre engenheiros e
arquitetos . Em algumas ocasiões
conseguiu-se (enfrentando as mais
ousadas estruturas de grandes
coberturas) "filtrar" o projeto de
engenharia através de uma aguda
interpretação dos mais importantes
êxitos góticos: a exata subdivisão
hierárquica dos diversos elementos da
estrutura ; o dimensionamento e a
forma das pedras (nos elementos de
sustentação) de modo a que
trabalhassem no limite de esforço
máximo (limite que era possível
alcançar agora através do cálculo); a
concepção do esqueleto de um edifício
como o de um organismo vivo, com um
conjunto de nervos, juntas (ou
dobradiças) e confluência de esforços e
cargas nos nós estruturais .
* Nome comercial de brinquedo italiano que
permite fazer pequenas cons truções mecânicas.
(N. do T. )
.........
17
E. M. Barry, Planta da casa "W' orsley Hall "
Lancashire, in The Builder, VIII, 1850.
15/16
R. Pareto, G. Sacheri, Baraustradas metálicas
para escadas, Elevador hidráulico Stigler,
in Enciclopedia delle arti e dei mestieri , s.d.
16
.........
n,.tU6.- ..................... Ln..­
la o.-c- ( ~ o . . w 0.).
20
A inrerpretação da estrutura da catedral
gótica como um ser orgânico levou
VioUet le Duc a descrever nos
Entreliens (1863) o sistema de abóbadas
como uma esrrutura de painéis
sustentado:;, por costelas; fazendo os:
construtores como uma
estrutura com painéis de vidro
sustentados por um esqueleto metálico.
Alguns exemplos dessa assimilação
I<naturaI" das formas góticas sao: as
estufas de John Claudius Loudon e de
Joseph J?axton, com cimbres metáHcas e
vidro) cujas formas em concha, com
abóbada carenada, com quiJha
inverüda, sao autênticos "moldes" dos
volumes de sal do gótico inglês tardio;
as coberturas de ambientes amplos)
propostas por VloUet le Duc e Anatole
De Baudot, modelando'(is nas abóbadas
nervUfadas em estrela do gótico
catalão rardio; ou em leque (de
Cambridge, \'qindsor e O:dord); os
grandes arcos de ferro da estação
londrina de St.," Puneras (73 metros de
vão livre) com perfis do arco ogival
policêntrico (no caso, seis centros); os
arcos da das Máquinas de
Ferdinand Duten (ll5 merros de vão,
com j dobradiças;, góticos não só no
perfil ogíval rebaixado, mas também
no detalhe em nós dos contrafortes 16
(essas realizações são de 1870-1880).
Resultados condusivos dessa
capacidade dos arquitetos repensarem
o gótico foram as igrej;ts parisienses
de Notre Dame du Trqvail (1899), de
Louís Astruc, e de 51. Jean de
Afonimarf.re (1894), de Anatole De
Balldot, primeira igreja construída com
cimento armado, onde o material
arnficial pôde ser modelado através da
variação da espessura entre partes de
"sustentação" e partes "sustentadas" ..
exatamente como as abóbadas góticas,
Das quais as nervuras e ús triângulos
(gomos) eram constru:ídos com o mesmo
material, porém" com resislência e
espessura diferentes. Adotando a
patente do engenheiro Cottandn, De
Raudot construiu um ambiente novo e
jivremente concebido, górico, porém,
na concepção de um de
sustenração à vista e de estruturas que
dão ritmo ao espaço interno.
Eofoquemos ag0ra :1 influência que
teve a eulmrií medieval sobre o
problema da modernidade da Casa. A
incidência mais direta e interessante
deu-se na segunda metade do século
XIX, na Inglaterra, sobre O tema da
casa de campo burguesa para uma
família, a country house. Depois de
] 840, desapareceu quase que por
completo, nesta produção, a tipologia
clássica da casa compacta, quadrada
e cúbka (inspirada no Renascimento
italiano e principalmente em
Paliadio) 15. Projetistas e clientes não
pretendiam, de fato, sacrHicar nada
da funcionalidade a regras ou
convenções formais. (Para um teódco
como Pugin, sacrificar a funcionalidade
ã forma era até mesmo imoral 19). Os
exemplos da arquitetura menor da
Idade Média, leiga ao invés da religiosa,
o conjunto dos estilos que a geração
de Williarn Morns e Phílip Webb
reconheda no Old Engtish (isto é, ()
g6tico do primeiro período, o Tudor.
Elisabctano) o Queen Ann) parecia
apropdado aos novos ideais e
exigências. Parecia coinddjr com os
princípios de integridade, honestidade
e sinceridade construtivas, com a
exígência de flexibiHdade compositiva c,
finalmente, com as características
ambiemais inglesas, como tinham sido
definidas por um séc:l1o de teorizações
e exemplificações a respeito do
PiUoresco.
Essas casas inglesas não conseguiram
ínaugurar um novo estilo arquitetõnico,
mas con-espondc.ram plenamente a um
novO estilo de 1Jida: prático mas
elegante, refinado mas intolerante
com vínculos irracionais, isto é,
arrojado, mas principalmeme volrl1do
para o conforto. O confoHo era o
verdadeiro problema central desta
21
-
produção (e era isto que a tornava
uma produção tipicamente burguesa) .
Robert Kerr , em seu The Gentleman's
House (Londres, 1864), observara,
como bom eclético, todos os es tilos
possíveis para a casa, mas coocluía
que, caso se qui sesse um "confortable
lodging", um alojamento confortável ,
era preciso excluir o neoclássico e o
oeo-renascentist a e voltar -se para o
gótico. As melhores casas de Norman
Shaw, de Edmund Str eet , de William
Burges, de Wi1liam Bum e de AJfred
Waterhouse 20 apresentavam uma
18
planimetria articulada , uma perfeita
adaptação às irregularidades do terreno,
uma cuidadosa organização interna :
grupos de quartos, cada um deles com
um banheiro; dimensões e proporções
diferentes entre as áreas comuns e de
serviço; e ainda uma multiplicidade
de materiais, pedra, tijolos , madeira ,
feno e vidro . Dedicava-se grande
atenção às instalações de aquecimento
e ven til ação. Mas, sobretudo, três
princípios de projeto anteci pa ram
algumas escolhas da arquitetura
moderna : 1) a predominância da
planta sobre a el evação (isto é, a
prioridade dada, no projeto, ao estudo
das caracterís ticas distributivas); 2) a
livre disposição, nas fachadas, de
janelas e varandas, localizadas onde a
vis ta era mel hor {com o uso de grandes
vidraças, ainda que estranhas ao estilo
arqu itetônico, que exigia que fossem em
pequenos quadrados}; 3) a prioridade
do inte rior sobre o exterior e a
uoidade da casa com sua decoração.
(Para Morris e seus colegas, isto
traria como conseqüência a necessidade
de melhorar o gosto do mobili ário e
dos obje tos domésticos). Assim como
as teor ias de Viollet Je Duc sobre a
19
"Wiener FaçodenbJlclt", 1, 1860-1890,
' FienQ 1892.
18
Projeto de Cala de campo, in Architecture
píttoresque au XIX Siecle, Paris 1869.
22


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cacionaJidade construriva g6tica e
sobre as possibilidades de modelar o
ferro funcionaram como premissas
para as estruturas Art Nouveau de Victor
Horta e de Hecror Guimard, a
culrura da country house foi uma
referência precisa para Charles
Mackintosh e Charles Voysey,
reEetência que , através de Hermann
Murhesius, chegou até o Continen te
europeu.
Como de costume, a historiografia
do Ecletismo concentrOU a atenção
na linguagem arquitetônica,
descuidando-se das referências dessa
cuhura na evolução da cidade, nos
planos diretores e no projeto urbano.
Ao contrário, o historicismo
arquitetônico e o urbanismo do século
XIX desenvoJveram-se na mais
perfeita simbiose. Tal corno a edificação,
também a cidade teve de acertar contas
com quantidades inéditas, com urna
nova "escala " dos fenôrp.enos (as
ferrovias, por exemplo.), ecom os
"grandes números" no crescimeuto dos
habitantes, dos veículos, dos setviços.
Dois foram os remas tratados pelo
ut bani smo: a) a intervenção na
cidade preexistente, através da
transformação dos antigos muros Ge
defesa em alamedas arborizadas para
passeio, da aberrura de novas artérias
de cruzamento (a demolição das
estrutu ras medi evaiS e do Renascimento
por exigência do tráfego e da higiene);
b) a determinação morfológica da
expansão urbana e, em particular, dos
novos bairros residenciai s burgueses,
dos bairros admini strativos e comerciais.
O modelo foi encontrado na Roma de
SistO V e, em geral , na cidade bar roca:
o culto do eixo de sime tria, do sistema
fechado realizado pelos muros de
consrrução coutínuos, ao longo dos
grands boulevords, as ruas retilíueas
com o foco perspectiva constituído por
um monumento, a acentuada
geomerrização do espaço urbano {rodos
elemenros perfeitamente adaptáveis às
paradas militares) mais ainda do que
nas realizações da época napoleônica
enconrraram sua concretização na Pads
do Barão Haussmann (1853-70), no
Ring de Viena (1859-80), na Berlim de
Bismarck (1870-80) e, embota de fotma
menos visrosa, também em Florença
(1864), em Roma (1870), Bruxelas
(1867- 71), Barcelona (o plano Cerdà
de 1859) e na Cidade do México
(1860) . A característica morfológica
foi o isolamento dos principais
monumentos do passado (catedrais e
palácios) que deviam dominar o espaço
urbano reestruturado a seu redor; e
também o isolamento dos "novos
monumenros", os Ministétios, os
Museus, os Tearros, etc .: os edifí.cios
do Ring vienense, o Ratbaus de
Friedrich Schmi t, a Universidade de
Heinrích Ferstel, o Bürg-tbeatre de
GOltfried $emper (1874) e a Ópera
padsiense de Charles Garnier
(1862) dominam a cena urbana ,
emergindo, não tauto em virtude do
estilo ou da qualidade arquitetônica ,
como pela grandeza e pela exaltação
das três dimensões.
Seja nos anos do Império (1805 -1815).
seja naqueles das cidades capitais
(1850-80). O urbanismo estabeleceu
uma hiera rquia precisa das estru(Uras
urbanas {que coincide, naturalmente,
com a hierarquia econômica e das
classes sociaís 21. Para que se tornasse
evidente a eonsistência da cidade
como "organi smo", devia ser
respeitada uma rigorosa graduação: a
emergência volumétrica e das
I
I
23
qualidades formais {ou estilísticas}
devia ser inversamente proporcional à
quantidade : do elemento mais
difundido, a casa comum de moradia,
ao mais excepcional , a construção
monumental. Na reaLidade, a culrura
eclética não soube ater-se até o fim a
estas regras, realizando uma ddade não
livre de contradições, mas, talvez, e
exatamente por causa delas, muito viva
e interessante. A desqualificação
progressiva do centro urbano e dos
bairros burgueses para as periferias
devia ocorrer com uma simplificação
progressi va das escolhas arquitetônicas
e estilisticas e dos materiai s: às vezes,
porém, realizações populares e
intensivas como as berUnenses
Mietkasernen (casernas de aluguel)
mascaravam-se sob for ma de "grandes
edifícios" decorados retoricamente . A
burguesia não soube renunciar a
colocar nas fachadas das próprias casas,
ao longo das ruas, as mesmas ordens
arquitetônicas que deviam ser
reservadas aos edifícios públicos:
procurou, portanto, a monumental idade.
Mas conseguiu apenas em parte: as
colunas, os pilares, os frontões , os
pedes tais em bossagern, etc., adotados
em toda parte, a proliferação do
caráter áulico acabavam por empobrecer
sua potencialidade expressiva e
simbólica. As fachadas estilísticas
que se sucediam nas ruas anulavam-se
como peças intercambiávei s de um
unicum homogêneo. As únicas opções
possíveis dentro de tanta uniformidade
eram as soluções em esquina (pensemos
na diferente maneira de evidenciar
esses motivos em Paris e Barcelona)
e as cabeceiras das quadras voltadas
para as praças circulares e poligonais
do novo tecido urbano, onde, muitas
vezes, as habit ações assumiam a forma
torre, ou eram cobertas por cúpulas.
Tanto nas casas não isoladas como nos
" palacetes", os estilos mais recorrentes
eram o Quatrocelltismo, o
Quinhentismo ou o pasliche barroco,
mas, no fim, essas escol has estilísticas
que, tal vez, à época, tiveram um
certo significado, são consideradas h.oje
sem impor tância. A cidade da segunda
metade do século XIX parece ter
realizado, apesar da presença da
linguagem a atual
" homogeneidade" e continuidade de
estilo que, no início do século, eram um
ideal neoclássico.
Até mesmo os parques urbanos e os
jardins, exigidos por questões de
higiene como forma de corrigir a
densidade excessiva de edifícios,
produzida pelo urbanismo, no
proj eto, uma síntese eclética: do jardim
barroco francês e daquele típico de
cada país. Pensemos no parque
parisiense de Buues·Chaumont, realizado
por]. A. Alphand (1867) e no Centrol
Park, realizado por E. L. Olmstead em
Nova I orque (1851-60) . O processo
que o Movimento Moderno instituiu há
cinqüenta anos contra a cidade eclética
do século XIX, hoje nos parece
tendencioso e inaceit ável. Os ataques
contra a quadra do século XIX, contra
a forma fechada em favor do
"loteamento aberto" > a abolição da
"rua" tradicional e da "praça",
além do entrelaçamento das (unções
vitais na cidade (surgidas, então , como
reação aos excessos especulativos e às
altas densidades intensjvas) não são
hoje partilhados pelos ur banistas. A
censura total daquela morfologia
. urbana que o Ecletismo retomara dos
20
E. Púovono: Villo Crespi, etn Crespi
d'AJdo, 1907.
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21
MagnocQfJQ//o, C.UQ no v;a Statuto em
Milõo, 191 4.
22
Cosa na Via BerlO1/i em Milão, 1913.
arquitetos antigos (e que relnterpretara
à luz de novas exigências) levou-os a
construir, com as grandes periferias, uma
cidade sem forma, uma ucidade sem
qualidade". A última expressão
qualificada, a última parte da cidade
de valor indiscutíve1 é aquela
construída pela cultura eclética no
século passado e no primeiro decênio
do nosso; não apenas estudá-la e
partir novamente dela, para formular
novas hipóteses urbanas, mas também
defendê-la das agressões da especulação
imobiliária, é a tarefa da cultura
atual dos arquitetos .
25
Notas
L KIMBALL, F. Romantic-Classídsm in Architecture, in "Gazette des Beaux
Arts", 1944; cf. também Rosemblum, R. Transformatíons in Late Eighteenth
Century Art, Princeton 1967-69; Honour, H. Neoclassidsm, London 1976.
2. PATETTA, L. L'Architettura deWEcletismo. Fonti, Teorie e Modelli,
1750-1900, Milano 1975.
3. PATETTA, L. op. dt. e também I Revivals in Architettura, in "11 Revival",
coord. por C. G. Argan, Milano 1974.
4. GERMANN, G. - Gothic Revival in Europe and Britaín: Sources, In/luences
and Ideas, London 1972; Pevsner, N. Some Architectural Wríters of Nineteenth
Century, Oxford 1972.
5. Cf. Patetta, 1., cito 1975, Antologia de textos; Pevsner, N., op. dt.; Morris, W.
The Revival ofArchitecture, 1888; Hitchcock, H. R. Architecture: Nineteenth
and Twentieth Centuries, London 1958.
6. PUGIN, A. W. N. Contrasts: or a Paraltel between the Noble Edifices,
London 1836; e The True PrincipIes o/ Christian Archítecture, Oxford 1841. Para
o neogótico cf. também Eastlake, C. A History o/ Gothic Revival, London 1872;
Clark, K. The Gothic Revival: an Essay in the History o/ Taste, London 1962.
7. BENEVOLO, L. - Storía dell'Architettura Moderna, Bati 1960, p. 113.
8. Cf. Boito, C. - Ornamenti di Tutti gli Stilí, Milano 1880; Fergusson, J.
History of the Modem Styles of Architecture, London 1862; Melani, A.
Architettura del XIX Saolo, in "Manuale di Architettura", Milano 1899; Scott, G.
Architettura dell'Umanesimo, London 1914; e "Appendice", in Pevsner, N. op. cito
9. Refiro-me às obras de Bentham, J.; Milner, J.; Brítton, J.; Grose, F.; Hearne,
T., etc., cf. a bibliografia em Eastlake e em Clark, op. dt. Também na França
foram publicados estudos do gênero, cf. Patetta, 1., op. de, 1975 e Petit, J. L.
Architectural Studies in France, London 1854; Vitet, L. Des Études Archéologiques
en France, in "Revue des Deux Mondes", 15 August 1847. De Caumont, A. em
1824 publica seus estudos sobre a Normandia.
10. Sobre este tema apresentei a comunicação Il Gotico dei Goticisti come
Laboratorio e Cantiere di Avanguardia no Congresso realizado em Pavia, em
setembro de 1985, sob o titulo "11 Neogotico in Europa". Anais em impressão.
11. Halfpenny, J.; Carter, J.; Atkinson, T. W. publicaram, entre 1790 e 1830,
obras sobre os detalhes góticos levantados nas catedrais inglesas. Na França, são
A. De Laborde e AncÍsse De Caumont que levantam os detalhes da arqueologia
medieval.
12. MONGE, G. Geometrie Descriptive, Leçam Donnés aux Écoles Normales
l'An III de la République, Paris 1798; as aplicações mais importantes e oportunas
foram ministradas na École Polytechnique.
13. Para os estudos de Hittorf, Kugler e também de Labrouste, H. cf. Recherches
aux XVIII et XIX Siêcles sur la Polycromie de l'Architecture Grecque, in "Paris­
Rome-Athénes", Paris 1982; Middleton, R. Perfeúone e Colore: la Policromia
nell'Architettura Francese dei 18." e 19.
0
Secolo, in "Rassegna", 23, 1985.
26
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14. RONDELET, G. - Trattato Teorico Pratico dell'Arte di Fabbricare (1802-17)
...
ed. it. Mantova 1832; Perronet, J. R. Description des Proiects et des la
Construction des Ponts; Paris 1788. Cf. na Inglaterra a tradução de Nicholson,
..
P. da obra de Rondelet intitulada New Practical Builder, London 1823 .
..
15. Cf. Hautecoeur, L. Histoire de I'Architecture Classique en France, V, Paris
1957; Hitchcock, H. R. Early Víctorian Architecture in Britain, New Haven 1954;
Summerson, J. Victorian Architecture, London 1970.
16. Cf. Patetta, L., cit., 1975; Germann, G., op. cit.; Collins, P. Chagíng IdeaIs in
..,
--
Modern Architecture) London 1965; Schild, E. Dal Palazzo di Cristalto aI Palais
des Illusions, Firenze 1971.
=­ 17. DE BAUDOT, A. número monográfico da revista "Architecture
... Mouvement-Continuité", n. 28, s.d.; De Baudot, L)Architecture le Passé, le Présent,
Paris 1913; L'Architecture et le Béton Armé, Paris 1916; Cottancin, P .
..
Conference sur les Travaux en Ciment avec Ossature Métallique) in "Bulletin de
..,
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Monumentalità nell' Architettura Moderna, Milano 1982.
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ed.

ex.01
Coordenação Editorial
Carla Milano Benc10wicz

Registro:

Revisão
Eunice T amashiro Dilair F. de Aguiar

Projeto Gráfico
Lacy M. Tsukumo Andrade
Capa: Fachada principal do Teatro Municipal de São Paulo.
1984. Levantamento por fotogrametria rerrestre. executado pela TerraFoto S.A. Atividades de Aerolevantamento, em convênio com o Departamento do Patrimônio Histórico, da Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura do Município de São Paulo.

Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Ecletismo na Arquitetura Brasileira I organização Annateresa Fabris. Nobel; Editora da Uníversidade de São Paulo: 1987. 148 ISBN 85-213-0473-0

São Paulo:

1. Arquitetura História 2. Arquitetura moderna - Século 19 - Brasil 3. Arqui­ tetura moderna Século 20 Brasil 4. Ecletismo em arquítetura 5. Ecletismo em arquitetura _. Brasil L Fabris, Annateresa.

CDD-720.981 -720.9

87-0518

-724

Índices para cauíiogo sisremático.

1. Arquitetura

História 720.9

2 Brasil Ecletismo Arauitetura 3. Brasil Ecletismo " 4. Ecletismo 5. Século 19 Arquitetura Ecletismo :\rquitetm8 6. Século 20

19 720.981
20 720.981

B1',ISil 720.981 Bt'usil 720.981

7 8 28 68 I t .~ . 280 O Ecletismo à luz do modernismo Annateresa Fabris . . XIX-XX) Giovanna Rosso Del Brenna Ecletismo em São Paulo Carlos Lemos 104 O Ecletismo em Minas Gerais: Belo Horizonte 1894-1930 Heliana Angotti Salgueiro s 146 Arquitetura eclética no Pará No período correspondente ao ciclo econômico da borracha: 1870-1912 Jussara da Si Iveira Derenji S S 9 9 176 Arquitetura eclética em Pernambuco Geraldo Gomes da Silva f 208 S S Arquitetura eclética no Ceará José Liberal de Castro -. . r 256 A fase historicista da arquitetura no Rio Grande do Sul Günther Weimer .• . SUMARIO ~ . . . . . .. Apresentação Annateresa Fabris Considerações sobre o Ecletismo na Europa Luciano Patetta Ecletismo no Rio de Janeiro (séc. .

. . " .I ' .­ ­ ~ ( . .1 . :\ . • I. • . 1" ... . . . ..

. sobre arquitetura do século XIX e do entre guerras. Espanha e Argentina.. . do Neoc\assicismo (Milão) em 1978 e sobre Longhi (Roma) em 1980. . .. 1935) Arquiteto e professor de História da Arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Politécnica de Milão. Organizou a mostra de arquitetura na Bienal de Veneza em 1976. ) 9 9 . LUCIANO PATEnA (Milão. .. . . publicados na Itália. . Escreveu numerosos ensaios.. 1875. 9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ECLETISMO =J NA EUROPA ~ . dral de Clermont Víoltet te Duc) Projeto de restauração da Femmd.

Muitas . Dois fatos . por exemplo. no sentido burguês. permitiram reconsiderar com objetividade a ~ produção arquitetônica recente. isto é. no final do século passado.. sobre aspectos determinados e arquitetos. sociais e políticas e de que existia uma única clientela . podia renunciar a recolocar em discussão também as velhas categorias e as velhas classificações. Mas... no seio das experiências ~ neoclássicas e ecléticas.a burguesia em ascensão -. se a perspectiva histórica mais ampla e a superação da tábula rasa tendenciosa. através de uma reavaliação crítica geral (quase um "reparo" obrigatório). pretendido pela arte moderna • • ­ • • . qualquer referência aos estilos ~ históricos. Reconstituir. a historiografia não. no atual. seria ~ apolítico.estimularam estes estudos e interesses renovados: por um lado. antitéticas. por outro. mas.III!! arquitetura e razões éticas. revisão dos princípios desta disciplina e a uma reflexão crítica. a crise do urbanismo do Movimento Moderno que levou a um:. -= ~ 10 ~ ~ - ~ . os fatos e aprofundar os aspectos problemáticos do Neoclassicismo e do Ecletismo foi tarefa dos últimos decênios. teorizada pelas Vanguardas e pelo Movimento Moderno. seja à medieval). tanto quanto o Neoclassicismo era jacobino. o Art nouveau e o Ecletismo (considerados pelo Movimento Moderno "inimigos" a serem derrotados). razões de ~ consenso mais do que de contraposição. a cultura e a cidade do século passado. onde as decisões operacionais e de projeto arquitetônico e urbanístico amadurecem.• 111 Considerações sobre o Ecletismo na Europa A queda progressiva dos preconceitos críticos levou a historiografia ar qui tetônica a reavaliar.pelo menos na Europa . o aprofundamento do I!-_ significado da imitação (seja ela relativa à antigüidade greco-romana.'_ • Reencontrar. a descoberta de que havia ~ uma dialética constante entre razões da '.. depois através de pesquisas específicas sobre diferentes regiões e países. hoje. primeiramente. como a universitária._ nos levaram a interpretar o período que ~ vai da metade do século XVIII até o ~ início do nosso como um "único longo período" 2. o Barroco e. aquelas que consideravam o Neoclassicismo e o Ecletismo não só como experiências subseqüentes. ~ e apagar qualquer linha nítida de demarcação entre elas foi uma ~ contribuição crítica importante. a ampliação' do problema da proteção e restauração do patrimônio histórico-monumental para as estruturas urbanas e edifícios do século XIX. Aos poucos. com objetividade. Podemos dizer até que Neoclassicismo e Ecletismo. até mesmo. em cujo alicerce se encontram. o Neoclassicismo (sobre o qual pesavam ainda a censura da crítica romântica e idealista). exatamente. constituem o centro de interesses de áreas. porém. a adoção@·!I!! pela crítica de termos como clássico e In!! romântico 1. dúvidas foram dissipadas e respostas convincentes foram dadas a estas ~ questões: 1) É realmente o Ecletismo a expressão da arte e da arquitetura ~ que se segue ao Neoclassicismo. Acabamos por reencontrar uma continuidade histórica que tem ~ origem na crise da antiga tradição _ clássica e vitoriana (por volta de 1750) ~ e que culmina no abandono total de _ . individualmente.

Vignon. . LepeTe. ~ieto prem iado 8-18}O. . B. is . .. Lilge . ]. 1786). A Madeleine. . . Paris 1806. 806. Paris 1842 (pro. - . I . . 11 cier. . . Colonne V endóme. .elo de Ch. . pela Academia Real. 1 oudoin.. 2 .. .

N. inversamente. posteriormente. Para os projetistas profissionais era necessário que as escolas. que aproxima arquitetos do século XVIII. na prática profissional corriqueira. Pensemos na "estilização". sim.. n O Ecletismo é algo que se distingue os revivals (e. todavia. Claude-Nicolas Ledoux aos arquitetos de meados do século XIX. enfim. operações que levaram as sutis complexidades de proporção e de composição a cair em uma redução "moderna". as diferenças tornam-se mais randas (e inexistem se examinarmos as mtes e os modelos adotados 3). as que obtiveram aio! consenso foram o patriotismo e a lsca das próprias raízes culturais. e do paladianismo inglês dos country­ gentlemen. concentrar o melbor deles. na França. na França e na 19laterra. li li li! • . ) E estes revivals coincidiam com a .. mo poucas outras no passado. : apresenta diferentes manifestações. porém. do neogótico. na condição que aproximava todas essas gerações: a arquitetura não podia mais ser patrimônio de poucos "mestres". a consolidação do poder burguês. iludindo-se de que esse "encontrar e aplicar" pudesse comparar-se às experiências criativas do passado.Pensemos na relação com o antigo... mais condizente com as pesquisas cognoscitivas que aceitam. esses fragmentos de história: uma "linha contínua" percorre toda a trajetória da arquitetura burguesa. essa fragmentariedade característica e aprofundam-na. dos ideais nacionais e de independência com os problemas econômicos da fi r (I! '" p . . os fatores estruturais e supra-estruturais de todo o período. o ritmo das estruturas modulares fixadas por J. o entrelaçamento. finalmente. foram utilizadas também nos projetos neogóticos e guiaram. Paris. os rumos tomados pela civilização industrial. particularmente. se expressou ravés do neo-romântico ou do :o-renascentista.. na cultura romântica.. colocando a liberdade criadora em limites bem definidos. constituíram o. como Robert e John Adams. revestiam as estruturas metálicas dos edifícios com ornamentações neobarrocas ou neo-renascentistas). Pelo menos em Irte. na simplificação dos elementos arquitetônicos do passado. para diluir-se.. no final do século. até os anos da Rainha Vitória. principalmente se nsiderarmos que. baseadas. isto é. . 411 (I (I I . -. no "buscar ex novo e renovar sempre". ria um erro. o "traço estilístico" pessoal de cada arquiteto se mostra cada vez menos evidente). Uma série de fenômenos une. entre todas as :Jtivações ideais. 1801-1823). Se considerarmos decisivos.emocrático e renovador? A panir do momento em que caíram por terra muitas das interpretações pOllticas do Neoclassicismo e que. como Henry Labrouste. a tese mostra-se xcessivamente esquemática e não uporta verificações. . isto é. na Itália. fundamento da metodologia profissional por muito tempo: na metade do século foram adotadas pelo determinismo compositivo dos engenheiros (que. Gottfried Semper e Edmund Street. na Alemanha. do revival <1ais engajado. devia ceder às novas exigências da produção de massa e à definiç~o de uma nova figura de projetista: o profissional. rerificou-se que a burguesia da segunda netade do século XIX possuía ideais olíticos precisos.Pensemos na concepção de estilo como linguagem coletiva e sistema universal de formas (aquelas do universo greco-romano ou gótico) que transcende as singularidades e individualidades expressivas (de fato. fi II . Louis Durand (em seu . preparassem um sistema de regras razoáveis e concretas. concluir que se longo período da arquitetura lais de 150 anos!) tenha sido mogêneo e tenha tido um senvolvímento linear. as academias. do colonialismo triunfante e da Belle é poque. . testemunhos de urna 1stante inquietude intelectual. exatamente. que começa com uma abordagem de cunho mítico: passa por fases ideológicas e interpretativas. portanto. . .Isca do assim chamado "estilo acional" que. de acordo com as atribuições exigidas pelo tempo. ao invés. tanto como ideologia eligiosa quanto político-patriótica)? im. do Segundo Império francês. os primeiros edifícios com vigas e pilastras em cimento armado. As severas regras distributivas e tipológicas. depois à adesão com total ortodoxia. desde os anos do Iluminismo. John Soane.Pensemos na convicção de que era possível escolher entre elementos extraídos das antigüidades. ~ ~ " - ~ . se atribuirmos grande mportância às premissas teóricas e aos bjetivos extradisciplinares. o neogótico. de outra Jrma." I!! Precis des teçans d'architer:ture. ao contrário. e 'eções divergentes (freqüentemente 1traditórias).Pensemos. nas quais deviam se basear o decoro e a ornamentação neoclássica. a ponto de se mostrar como um -íodo fragmentário. ) Rundbogenstil? 4.

Foi a clientela burguesa que exigIU (e obteve) os grandes progressos nas instalações técnicas. nos balneários. amava o progresso (especialmente quando melhorava suas condições de vida). Exposições Universais (de Londres ­ 1851 .produção em série. 1869. .. que solicitou urna evolução rápida das tÍpologias nOs grandes hotéis. os franceses César Daly e E. na sua distribuição interna. o alemão Friederich Schinkel ~. MOllft Hilton'que! d'A"'hiJeCl Ure cf . de $culprure d 'Ornamem . parecem-nos realmente desfacadas as tentativas de classificar. quando também o século XIX saberia. perguntavam-se. Donaldson. Puni. "encontrar o próprio estilo") não percebiam que estavam buscando em uma direção anacrônica e não viam que O século X1X já encontrara 1<0 próprio estilo" e que este era o Ecletismo.1867-78-79). nos escritórios. nos serviços sanitários da casa. ~A. . 1) . pelas contraditórias experiências formais de sua época. James Fergusson. Viollet le Duc.e de Paris . Ponte Metólica. T. que soube encontrar o tOm exato de autocelebração nas estruturas imponentes dos pavilhões das De Batldo/. rotular escolher> no seio J da experiência lingülstica global do Ecletismo historÍcista. -' • ~ . desconcertados pelo aparente "caos" das múltiplas pesquisas estilís ticas. Quando os ingleses Thomas Hope. 1900..C. Proieto para a Exposição Universal de Paris. nos teatros e nos bancos. O Ecletismo era a cultura arquitetônica própria de urn a classe burguesa que dava primazia ao conforto. nas bolsas. Gilbert SCOtl. nas grandes lojas. pela simultaneidade de vários revivals. C. L.. . amava as novidades. etc. 4 . mas rebaixava a produção artística e arquitetônica ao nível da moda e do gosto . finalmente. DtÚy. ansiosos.

coríntio romano. os arquitetos deram a única resposta possível: uma arquitetura sem grandes tensões espirituais.d. os traços místicos e a religiosidade para as novas igrejas. J A essas exigências tão concretas e tão decisivas para a nova edificação. reencontrando. Londres. nos quais podem ser distinguídos . no passado. neo-egípcias e neo g6ticas ). pelo menos. de acordo com princípios ideológicos. etc.elo de uma necrópole in Les Grands Páx de Rome de 1850 a 1900. voltado. Les Calhies des Machines. s. Palácio do Regente.. da " Desig111 }or the Pavillio71 o/ Brighlon". ou nos estilos orientais. no Classicismo pesado do . predominantemente. mas participante e comprometida até ao próprio sacrifício. não autônoma. Pro. A cultura arquÍtetônica deleitou-se. haviam pertencido a um estilo arquitetônico único e preciso (a esta corrente pertenceram as mais des tacadas tendências neogregas.obtendo a aglutinação de todas as expressões formais em torno do mito do progresso : o Crystal Palace. três correntes principais: a da composição estilística. as características áulicas elegantes para os edifícios públicos. o Baile Excelsior os ro mances de Júlio Veme. 1883. por mais de cem anos. extraindo-os de todas as épocas e regiões. a Tour Eiffel. no Barroco. recompondo-os de diferentes maneiras. Repton. a festividade exigida pelos equipamentos de lazer. 180: 14 . na Renascença. o caráter apropriado ° 6 DelraHe. na Idade Média. a do hisloricismo lipológico. com O fato de teI acolhido os mais variados elementos lexicaís. -baseada na adoção imitativa coerente e "correta" de formas que. a escolhas apriorísticas de cunho anal6gico que estilo quanto à deviam orientar finalidade a que se destinava cada um dos edifícios. 7 H.

a dos pastiches compositivoJ que. Pugin. uma prudência e uma rimidez enormes. cacla réplica de um monumento antigo. escondiam soluções estruturais interessantes e avançadas). quase anárquicas. . subvertera-se a tradicional relação entre utilidade e beleza. de um temp lo . a prescrever tal estilo 7. Algumas observações sintomáticas e caracterízadoras sobre o século XIX podem ser feitas : 1) cada cópia . assim também os românticos John Ruskin e William Morris (no Arls and era/ts) tentaram se opor à queda da individualidade dos valores artísticos artesanai s. 'IISTOF. e ao fato dos bispos tenderem. muitas vezes. . de um arco de triunfo. com uma maior margem de liberdade. WtJJel'house. 6) o século XIX" consumia" muito depressa os ideais. os arquitetos historicistas produziram sempre simulacros" (traíram o modelo ff • i 8 construções (as colunas e as vígas) que. sob o ponto de vista do projeto . já estavam em construçãD . a tal pontO que se t ornou. .. um pro tótipo do século XIX. encarada ainda no século XVIII como sim ples curiosidade intelectual. então. quase uma paralisação da criatividade: as numerosas escolhas estil1sticas possíveis pareceriam deno tar uma época de grandes liberdades.. in The Btitish Architect.Y t" i5EU'·. entretanto. absorvendo-os em sua vocação comercial : poucos anos depois das primeiras teorizações do i li Colhic Revival (A. corrigir os presumíveis erros. no querer· " retificar H. talvez). com a imposição de elementos co nstrutivos metálicos co mpletameme estranhos às formas e às proporções ca racterísticas dos estilos e da s ordens arquitetônicas. deviam ser completamente escondidas e revestidas por motivo de " decoro". . nitidamente. dos Museus e dos Ministérios . naquela época . 5) os arquítetos (sobretudo na segunda metade do século) tentara m impor as razões da arte à progressiva mecanização da era industrial : como o socialismo ut6pico tentou mitigar as injustiças sociais. era algo completamente diferente do modelo. os programas. as finalidades eram se mpre melhores do que os produtos que pretendiam propugná-los. De fato. estava distante do original. "inventava" soluções estilísticas historicamente inadmissíveis e. explodira na metade do século XIX. etc. X. . às vezes . anular as ~rregularidades . . Oxlord 1873. KENSINGTON SOUTH ·.. 1878 .~ '". quer • 8 A. beirando o mau gosto (mas que. . Museu de História Natural.J '1< ' aos solenes edificios do Parlamento . I . . lo conession de louis les objets co"socrés ou ctllte (1842) para fazer frente à demanda J pela excessiva fidelidade'). 4) o pudor dos costumes burgueses da época vitoriana correspondia plenamente à intolerância em relação à " rude e vergo nhosa " nudez estrutural das das mai s de cem igrejas neog6ticas que. 3) as idéias. produziam~se objetos medievais em série e. de uma catedral. 1936'). de fato. na França. Tudo isso coincidiu com O dualismo existente entre engenheiros e arquitetos. a elas correspondiam. fundava-se a • • • • Societé cOiholique pour lo fobricoiion la venie. 2) a erudição e a filologia (onde se fizeram grandes progressos) cons tituíram um entrave evidente.i \". impondo suas impiedosas leis econômicas também ao canteiro de obras. W.~"C NEW NI\II UKJ". apesar do grande cuidado no levantamento (ou exatamente por isso. Uma ou tra observação deve ser feita : a produção industrial. feita pelos arquitetos. em Birmingham e Sheffield.

mas entre as ainda circundava uma catedral antiga diferentes expressões ou os períodos co mo também constitu ía seu meio que tinham se sucedido (área por 9 cultural. . para O auror. que o balanço que se fez no início de reencontrar os arquétipos. naquele tempo. corrigir em parte tais descobertas áreas culturais como a julgamentos c ressaltar as indiscutíveis Normandia e o VaJe do Re no). que se anteciparam às publicações que Uma grande qualidade. que se históricos.. &J.características e às técnicas const ru tivas regionais. Cornel/. alguns estudos de cu nho histórico­ rea lizando. Si. etc. N. r J. É o que pretendo fazer aqu i. do relevo arquitetônico. tiveram Lassus e VioHet Je Duc escreveram após os arquitetos do século passado (e seus 1840. os primeiros topográfico (sobre York e Wi nchester. Chartres. quer da atividade profissional: estes não conseguiram opor nenhUlna certeza (somente dúvidas e reflexões críticas) às certezas do cálculo d? ciência das cons truções e às conquistas alcançadas pela técnica das instalações industriais. da mostrou completamente diferente da tecnologia das construções e da transmitida pelos Iratados re nascentistas modernidade da casa . Elementos metálicor. Era um progresso do mesmo nível. s. campo dos estudos históricos: enfrentar De fato. arqueológicas tota1men te novas. à posição geográfica. às O N R . regiões ou áreas culturais (foram a nós. adotar ex forma a crít ica evidenciou as incertezas novo o métod o de comronto com e a qualidade medíocre da produção ou tras cons truções mais ou menos arquitetônica de seus contemporâneos. B. estudos exaustivos sobre os diversos sobre o País de Gales e a Escócia 9). contemporâneas da mesma região. a decoração. Era con tribuições da cultura eclética que necessário ampliar a análise para cons tituem. e do classicismo.B. os materiais e. do pon to de vista da didática. primeiros es tudos monográficos sobre uma catedral ou abadia (Nolre Dam e de Paris. porém. entusiasmados diante do o estudo de uma construção medieval progresso técnico-científico. COR I 16 . nunca específica significava. contribuições mais interessa ntes. portanto. Slephen. Cabe. fundamentais na áre a dos estudos principalmente. I nglaterra. reconstituir nosso século não pôde deixar de ser as relações e as influências de outras totalmente nega tivo '. um patrimônio além do esquema e da tipologia do precioso. em sua época. a ponto de que tentaram restituir um ambiente estabelecer dis tinções não só entre totaLnente medieva l. Constituíam uma novidade no clientes): um aguçado senso crític o. Nova York. Ao lado dessas primeiras pubücações.) . primeiros acenos às peculiaridades do Alemanha lO. Foram os neogóticos Em fins de 1700 já começaram a os principais responsáveis pela s aparecer. acenando a antecipações consrru tiva. M. Nessas obras encon tram-se os área) na França. Weslmil1ster. De tal necessário. esd los da Idade Médi a. pensaram que a arte e a arquitetu ra ter que dar inicio a pesqu isas pudessem apresen tar. hoje. surgiram numerosos guias. para avaliar a técnica brevemente. Locus.. o qua l não SÓ românico e gótico. edifício. principalmente na Inglaterra. ainda.d. depois de 1830.

especialmen te nos elementos decorativ os..eitando exaustivamen te suas vantagens.-. A atenção aos elementos constru tores. que influenciaram uma tendência neoclássica tardi a e nco-renascentista. . • • exa tid ão e sua vetificabilidade entre as operações de relevo e sua resti tu ição gráfica . antecipando um interesse nitidamente moderno. di mui gli stili. em pouco tempo. os neoclássicos elevaram a níveis de autênti co virtuosismo os projetos relativos às hipóteses de policromia dos templos gregos (os estudos de Hittorf e de Kugler. pinácul os das cated rai s) e a presença de irregularidades métricas e an gulares fizeram com que fosse m exatameute os neog6ticos a aplicar. Os relevos e as restituições gráficas de edifícios g6ticos eram realizados com urn a técnica muito avançada: as complexidades dos perfis e das modinaturas medievais.. . -. relevos arquitetônicos bem definidos para o acompanhamento dos estudos históricos.~ ~ . a soluções em diagonal (agulhas. absides. A partir da metade do 17 .. "~r • a • • • • • • • • . dando vida a um novo gênero. .. 1881 . na construção .. isto é. 10 i 1 1 Tornaram-se indispensáveis. Por sua vez. . aos materiais e às técnica s levou. capelas. de forma difusa e com grande prioridade. Milão. principalmente para a arqueologia' greco-romana.. levou os estudiosos a analisá-las separadamente . bem como classificações e da tas precisas. A verificação de que a evolução das fases do gótico era muito importan te.. DetalIJes de ArquiuttlYG em Madeira. recurso. Boito. o método e os procedimentos de geometria descritiva de Gaspar Monge!2. sua ° 10 I I I C. lançaram-se as bases de um novo modo de "fa zer história". .. à descoberta da arquite tura "menor". in Omamenti. apro'l{. que usou muito O colorido nas fac hadas B) . de grande importância 11. 9 .

sobre a maneira de erguer edifícios em blocos completos . Foi exatamente a pa rtir de considerações desse gênero que surgiu a primeira Society for lhe Protection of Ancienl Bllilding (fundada por William Morris em 1877.licas . seja o tradicional (das construções de tijol os e pedras ). de que o monumento tinha uma identid ade absoluta com suas pedras . de moralida de da construção. enco mendado fora da obra e depois aplicado .a (isto é. mas histórico-documental de tooo o patrimônio monument al (hipótese tão avan çada que 56 hoje foi absorvida). Grande parte desses estudos estava.a intuição (não apriorística . como já dissemos. clireta ou indiretamente. no século XIX. sobre a relação entre decoração e estrutura. historiador. de verd ade . que iam desde o monumento à decoração e ao ambiente. sempre es teve ligado ao problema do projeto da nova arquitetma (Vjollet le Duc não foi. aos pasliches polies tilísticos. seja aquele abe rto aos novos sis temas construtivos das estruturas metá. volumétricos e espaciais levava de fato a um distanciamento do conhecimento COncreto da arquitetma . Pretendia-se. como se sabe. um tmicum com aquelas pedras e sua idade. da ar te de corta! as pedras de acordo co m uma determinada forma ). mas fru to de uma famili aridade com o trabalho com monumentos) de que a redução (tão cara aos neoclássicos acadêmicos) dos edifícios a seus esquemas tipol6gicos. (Po rtanto. métodos com os quais qualquer encaixe de ped ra (ou de carpintaria) podia ser represe ntado. contrapor ideais precisos de sinceridade construtiva.século XIX tornou-se evidente. portanto.sobre a essencialidade construtiva do gótico. de' fato. de forma exa ta . de caráter altameme moderno.estauração uma impostação nitidamente processual. com suas soluções formais freqüentemente muito descuidadas na realuação. com seus mascaramentos " im orais ". que os historiadores da arquitetura deveriam ter um a competência no campo tecnol6gico e uma familiaridade com as especificidades da clisciplina e que era necessário voltar-se também para a escultura e pintura. a cu]rura eclética deu à problemát ica da . foi assumida pelo construtor neog6tico co mo um princípIO ideológico. Outras importantes antecipações podem ser observadas no setor de edificações neog6ticas. Obter esses ideais neog6 ticos de construção foi possível graças à perfeição alcançada no uso da pedra aparelhada. iniciando estudos integrais. ligada ao problema da restauração que. assim. e até mesmo. restaurador e arqu iteto?). fo rm ais. aberta e dialética . A lição . porém) de uma idéia de Ruskin de 1854) que promovia não uma conservação artistico-seletiva. tudo que já havia sido enfrentado arresanalmente pelos constru tores medievais podia . com suas 18 11 irregularidades irrepetíveis. de economia . a partir. a do "complemento estilístico" (defendida por VioUet le Duc) e a da " não interferência e da pura conservação" (defendida por Ruskin). ago ra . Levemos em consideração estes dois aspectos: interesses e premissas iguais desembocaram em duas concepções opostas de restauração.aprendida através dos mo numentos medievais . com os sinais do tempo. no dese nh o. ser . . com' seus muros e suas abóbadas. conseguida com a aplicação dos métodos cientHicos da estereolOm. aliás.

Eugéne Barthélemy . de acordo com critérios de Il.c. 12 Prova disso são as igrejas francesas de G. O que Rondelet 14 experimentara para as grandes pontes (1 800-1817) era agora aplicado de forma difusa nas obras).. in Insuumenta Ecc!esiastic. de Victor Baltard (1 830·60). 14 L.~ ~ . . São de grande interesse as rel ações entre o neogótico e a engenharia do ferro . Franz Christian Gau . 19 . não necessariamente. . Lussof1 e S. Gar4. Parir 1846. a produção inglesa de Norman Shaw e de Edmund Stree t n . um substancialmente prático. 1864 . . ao esqueleto do edifício.lodularidade que. 18J6. de Louís-Auguste BoiJeau e de S aint Augu still. limitando-se 12 ~ . se aplicavam ao invólucro arquitetônico. Ao primeiro caso per tence ~ a igrej a de Everton.H. 1856. Essa coincidência pode ser verificada sob dois aspectos de alcance diferente. A. em !I !b IJ I • • • • w. 11 ]. Paris. com rapidez e com o uso de máquinas. Sainte-ClOfilde. para a cultura neog6tica a forma arquitetônlca podia ser esse ncialmente uma forma es trutural. ~ . 19reja ~m í tl"TO. os modelos de igrejas pré-fabl"icadas em lerro de Willi am S. 11.a.Eugéne. de Thomas Rickman . A. Além dis so. Boileau. • S s. ao cálculo e dimensionamento de vigas e colunas. in Enciclopédia d'Architecture. enq uanto era difícil enCOntr ar afinidade entre os elementos da s novas estrutura s da engenharia e os elementos da arquitetura c1 ásslca. as igrejas de Et~gene. BaptiJte de Bellevilfe. todas realizações o nde. Enquan to para a cultura neoclássica (pensemos em Durand) a engenhari a desempenhara um papel subalterno na construção. realizado cientificamente . em Paris. o outro rela ti vo às concepções de projetos . S/aur. LAssus. Igreja SI. ta rDou-se logo evidente aos neog6 ticos a coincidência formal entre as es truturas metálicas e as modenaturas dos edifícios góticos.B. Vi ollet le Duc. ) ) ) F. B. Paris 1855. Antoine Lassus. E . 1grejq de Saif1t.lter e de Richard C. Ca rpenter.

VIII . . G.. ) 17 E... de modo mais ou menos explícito. in Enciclopedia delle arti e dei mestieri.. n.. Barry.. (N. enquadram-se aquelas experiências avançadas de projeto que aspiravam....1859) de séries de pequenas colunas metálicas.. a concepção do esqueleto de um edifício como o de um organismo vivo. * Nome comercial de brinquedo italiano que permite fazer pequenas cons truções mecânicas. 15/16 R..w 0. Planta da casa "W' orsley Hall " Lancashire...d. L n . à superação do afastamento inevitável das competências entre engenheiros e arquitetos ..). Baraustradas metálicas para escadas.... q\. totalmente estranhas.. in The Builder. o dimensionamento e a forma das pedras (nos elementos de sustentação) de modo a que trabalhassem no limite de esforço máximo (limite que era possível alcançar agora através do cálculo)...-c- (~o... Elevador hidráulico Stigler. 20 ..ler a adoção (como no interior do célebre Oxford Museum . 16 . explorando as possibilidades da montagem... todas construções em que as formas neogóticas eram realizadas como em um meccano t.. Pertencem ainda a esta "simbiose" de gótico e construções metálicas quer a inserção desenvol ta de balcões em gusa e ferro no interior de igrejas neogóticas em pedra .sua maioria... as ogivas e os cruzeiros foram executados com vigas de ferro. às tradições harmônicas .... do T. finas e muito altas. Pareto. M.. s...tU6.. juntas (ou dobradiças) e confluência de esforços e cargas nos nós estruturais .. . Em algumas ocasiões conseguiu-se (enfrentando as mais ousadas estruturas de grandes coberturas) "filtrar" o projeto de engenharia através de uma aguda interpretação dos mais importantes êxitos góticos: a exata subdivisão hierárquica dos diversos elementos da estrutura .. com um conjunto de nervos.. ­ la o... No segundo caso. 1850.. Sacheri. em termos de proporção.

sobre O tema da casa de campo burguesa para uma família. seis centros). a tipologia clássica da casa compacta. na Inglaterra. com quiJha inverüda. exatamente como as abóbadas góticas. Resultados condusivos dessa capacidade dos arquitetos repensarem o gótico foram as igrej.ram plenamente a um novO estilo de 1Jida: prático mas elegante. Eofoquemos ag0ra :1 influência que teve a eulmrií medieval sobre o problema da modernidade da Casa..A inrerpretação da estrutura da catedral gótica como um ser orgânico levou VioUet le Duc a descrever nos Entreliens (1863) o sistema de abóbadas como uma esrrutura de painéis sustentado:. quadrada e cúbka (inspirada no Renascimento italiano e principalmente em Paliadio) 15. isto é. refinado mas intolerante com vínculos irracionais. na concepção de um esqu~+~to de sustenração à vista e de estruturas que dão ritmo ao espaço interno. fazendo os: construtores ídentificá~la como uma estrutura com painéis de vidro sustentados por um esqueleto metálico. de Anatole De Balldot. Essas casas inglesas não conseguiram ínaugurar um novo estilo arquitetõnico. A incidência mais direta e interessante deu-se na segunda metade do século XIX. onde o material arnficial pôde ser modelado através da variação da espessura entre partes de "sustentação" e partes "sustentadas" . os grandes arcos de ferro da estação londrina de St. com as características ambiemais inglesas. com abóbada carenada. Das quais as nervuras e ús triângulos (gomos) eram constru:ídos com o mesmo material. mas con-espondc. os arcos da ~)'ala das Máquinas de Ferdinand Duten (ll5 merros de vão. \'qindsor e O:dord). () g6tico do primeiro período. Elisabctano) o Queen Ann) parecia apropdado aos novos ideais e exigências. Projetistas e clientes não pretendiam. arrojado.ts parisienses de Notre Dame du Trqvail (1899). Parecia coinddjr com os princípios de integridade. a country house. Adotando a patente do engenheiro Cottandn. como tinham sido definidas por um séc:l1o de teorizações e exemplificações a respeito do PiUoresco. O confoHo era o verdadeiro problema central desta 21 . góticos não só no perfil ogíval rebaixado." Puneras (73 metros de vão livre) com perfis do arco ogival policêntrico (no caso. desapareceu quase que por completo. porém" com resislência e espessura diferentes. nesta produção. sacrHicar nada da funcionalidade a regras ou convenções formais. Jean de Afonimarf. mas principalmeme volrl1do para o conforto. primeira igreja construída com cimento armado. Alguns exemplos dessa assimilação I<naturaI" das formas góticas sao: as estufas de John Claudius Loudon e de Joseph J?axton. górico. leiga ao invés da religiosa. sacrificar a funcionalidade ã forma era até mesmo imoral 19). honestidade e sinceridade construtivas. De Raudot construiu um ambiente novo e jivremente concebido. com j dobradiças.. o conjunto dos estilos que a geração de Williarn Morns e Phílip Webb reconheda no Old Engtish (isto é. com cimbres metáHcas e vidro) cujas formas em concha. porém. Depois de ] 840. ou em leque (de Cambridge. (Para um teódco como Pugin. por costelas.. sao autênticos "moldes" dos volumes de sal do gótico inglês tardio. mas também no detalhe em nós dos contrafortes 16 (essas realizações são de 1870-1880). o Tudor. modelando'(is nas abóbadas nervUfadas em estrela do gótico catalão rardio. com a exígência de flexibiHdade compositiva c. finalmente. Os exemplos da arquitetura menor da Idade Média. de Louís Astruc.re (1894). as coberturas de ambientes amplos) propostas por VloUet le Duc e Anatole De Baudot. e de 51. de fato.

todos os es tilos possív eis para a casa. Mas . Robert Ke rr . três princíp ios de pro je to anteci pa ram algumas escolhas da arquitetura moderna : 1) a predominância da planta sobre a el evação (isto é. H ouse (Londres. e ainda um a multiplicidade de materiais. ma s coocluía que. a prioridade dada. cada um deles com um banheiro. que exigia que fossem em pequenos quadrados}. de janelas e va randas. uma cuidadosa orga nização interna : grupos de qua rtos. 1860-1890. um alojamento confortáv el . de William Burges.produção (e era isto que a tornav a uma produção tipicamente burguesa) . 1864). nas fachadas . As melhore s casas de Norman Shaw . 1. Dedicava-se grande atenção às instalações de aquecimento e ven til ação . dimensões e proporções dife re ntes entre as áreas comuns e de serviço. ainda que estranhas ao estilo arqu ite tônico. em seu The Gentleman's 19 "Wiener FaçodenbJlclt". de Wi1liam Bum e de AJfred Waterhouse 20 a presen tavam uma planime tria articulada . pedra. observara. caso se qui sesse um "confortable lodging". loca lizada s onde a vis ta e ra mel hor {com o uso de grandes vidraças. como bom eclé tico. madeira . ' FienQ 1892. Paris 1869. tijolos . . 3) a prioridade do inte rio r so bre o exte rior e a uoidade da casa com sua decoração . in Architecture píttoresque au XIX Siecle. de Edmund Str ee t . feno e vidro . 2) a livre disposição. sobretudo. no pro jeto. (Pa ra Morris e seus colegas. uma perfeita adaptação às irregularidades do te rreno. Assim co mo as teor ias de Viollet Je Duc sobre a 22 18 18 Projeto de Cala de campo. ao es tudo das caracterís ticas distributivas). e ra preciso excluir o neoclássico e o oeo-renascentist a e voltar -se para o gó tico. isto tra ria co mo conseqüência a necessidade de melhorar o gosto do mobili ário e dos obje tos domésticos).

do sistema fechado realizado pelos muros de co nsrrução coutínuos . A ca racterís tica morfológica foi o iso lamento dos principais monumentos do passado (catedrais e palácios) que deviam domin ar o espaço urb ano reestruturado a seu redor.~. através de Hermann Murhesius. I1 11 I '. no Ring de Viena (1859-80). Tal corno a edificação. seja naqueles das cidades capitais (1850-80).cios do Ring vienense. • .. por exemplo... na Berlim de Bismarck (1870-80) e. através da tran sformação dos antigos muros Ge defesa em alamedas arborizadas para passeio . O modelo foi encontrado na Roma de SistO V e.!.. em Roma (1870). não tauto e m virtude do es tilo ou da qualidade arquitetônica ..J. com os "grandes números " no crescimeuto dos habitantes. os T earros. as ruas retilíueas com o foco perspectiva constituído por um monumento... dos bairros adm inistrativos e comerciais.. . .flítttí.). 5 ) » . "----. .. os Museus .. e tc . .. b) a determinação morfológica da expansão urbana e.... O urb anismo estabeleceu uma hiera rqu ia precisa da s estru(Uras urbanas {que coincide. também a cidade teve de acertar contas com quantidades inéd itas.: .. -. com o pela grandeza e pela exaltação das três dimensões... : U--. a Universidade de Heinrích Ferstel. a historiografia do Ecletismo concentrOU a atenção na linguagem arquitetônica. em particular. Para que se tornasse evidente a eonsistência da cidade como "o rga ni smo". dos setviços../ -o. Seja nos anos do Império (1805 -1815). < I 1I (. emergindo... o historicismo arquitetônico e o urbanismo do século XIX desenvoJveram-se na mais perfeita simbiose..: os edifí. com urna nov a "escala " dos fenôrp. nos planos diretores e no projeto urbano. Barcelona (o plano Cerdà de 1859) e na Cid ade do México (1860) ._. dos novos bairros residenciai s burgueses.---! UJL1llJL!1 . Ao contrário.. da aberrura de novas artérias de cruzamento (a demolição das es trutu ras medi eva iS e do Renascimento por exigência do tráfego e da higiene). reEetência q ue . com a hie rarquia econômica e das classes sociaís 21. ~.. ao longo dos grands boulevords.l..1 .. e também o isolamento dos "novos monu menros". e 3 ) ) $ $ I I) I) • I Dois foram os remas tratados pelo ut bani smo: a) a intervenção na cidade preexistente. naturalmente. os Ministé tios.enos (as ferrovias. ) ) ) j cacionaJidade construriva g6tica e 19 sobre as possibilidades de modelar o ferro funcionaram como premissas para as estruturas Art Nouveau de Victor H orta e de Hecror Guimard . Bruxelas (1867. o Ratbaus de Friedrich Schmi t. devia ser respeitada uma rigorosa graduação: a emergência volumétrica e das 23 .. chegou até o Continen te europe u. na cidade bar roca: o culto do eixo de sime tria. v. descuidando-se da s referências dessa cuhura na evolução da cidade . a culrura da coun try house foi uma referência precisa para Charles Mackintosh e Charles Voysey. embota de fotma menos visrosa..• • •• . . . o Bürg-tbeatre de GOltfried $emper (187 4) e a Ópera padsiense de Charles Garnier (1862) dominam a cena urbana .. em geral. também em Florença (1864).". Como de costum e. dos veíc ulos.71). a acentuada geome rrização do espaço urbano {rodos elemenros perfeita mente adaptáveis às paradas militares) mais ainda do que na s realizações da época napoleônica enconrraram sua concretização na Pads do Barão Haussmann (1853-70).

tiveram um livre de contradições. ou eram cobertas por cúpulas. realizações populares e Até mesmo os parques urbanos e os intensivas como as berUnenses jardins. as habit ações assumiam a forma qualidades formais {ou estilísticas} torre. apesar da presença da bairros burgueses para as periferias linguagem polie~tilís tíca> a atual devia ocorrer com uma simplificação " homogeneidade" e continuidade de progressi va das escolhas arquitetônicas estilo que. a casa comum de moradia. adotados cinqüenta anos contra a cidade eclética em toda parte. A desqualificação metade do século XIX parece ter progressiva do centro urbano e dos realizado. A para as praças circulares e poligonais censura total daquela morfologia do novo tecido urbano. essas escol has estilísticas estas regras. . as mesmas ordens cada país. eclética não soube ater-se até o fim a mas. urbana que o Ecletismo retomara dos 24 20 E. realizando uma ddade não que. tal vez. Olmstead em Mas co nseguiu apenas em parte: as Nova I orque (1851-60) . o monumental. realizado por E. projeto. etc. Púovono: Villo Crespi. Os ataques sua potencialidade expressiva e contra a quadra do século XIX . a culrura Quinhentismo ou o pasliche barroco. os frontões . devia ser inversamente proporcio nal à Tanto nas casas não isoladas como nos quantidade : do elemento mais difundido. à época. As únicas opções além do entrelaçamento das (unções possíveis dentro de tanta uniformidade eram as soluções em esqu ina (pense mos vitais na cidade (surgid as. como na diferente maneira de evidenciar reação aos excessos especulativos e às esses mo tivos em Paris e Barcelona) altas densidades intensjvas) não são e as cabeceiras das quadras voltadas hoje partilhados pelos ur banistas. As fachadas estilísticas a forma fechada em favor do que se sucediam nas ruas anulavam-se "loteamento aberto" > a abolição da como peças intercambiávei s de um "rua" tradicional e da "praça". A cidade da segunda e inte ressante. onde. talvez. A produzida pelo urbanismo. realizado reservadas aos edifícios públicos: procurou. contra simbólica.. a proliferação do caráte r áulico acabavam por empobrecer do século XIX . A. por]. Alphand (1867) e no Centrol Park. " palace tes". unicum homogêneo. mas. são consideradas h. etn Crespi d'AJdo. os estilos mais recorrentes ao mais excepcional. Pensemos no parque arquitetônicas que deviam ser parisiense de Buues·Chaumont. uma síntese eclética : do jardim barroco fra ncês e daquele típico de ao longo das ruas. Na reaLidade. então .vezes. L. edifícios" decorados retoricamente . no fim . 1907. muito viva sem impor tância. a construção eram o Quatrocelltismo. . no início do século. ideal neoclássico. a monumental id ade. os pilares. hoje nos parece tendencioso e in aceit ável. exigidos por questões de Mietkasernen (casernas de aluguel) higiene como forma de corrigir a mascaravam-se sob for ma de "grandes densidade excessiva de edifícios. muitas . O processo colunas.~ão. os que o Movimento Moderno instituiu há pedes tais em bossagern. e certo significado.oje exatamente por causa delas. no burguesia não soube renunciar a colocar nas fachadas das próprias casas. eram um e estilisticas e dos materiais: às vezes. porém. portanto.

mas também defendê-la das agressões da especulação imobiliária. a última parte da cidade de valor indiscutíve1 é aquela construída pela cultura eclética no século passado e no primeiro decênio do nosso.a Statuto em Milõo. ) ) j ) ) ) 21 C. li ) 25 . no v.. uma cidade sem forma. ) ) 21 MagnocQfJQ//o. 191 4. para formular novas hipóteses urbanas. não apenas estudá-la e partir novamente dela . é a tarefa da cultura atual dos arquitetos . com as grandes periferias. 22 Cosa na Via BerlO1/i em Milão.UQ arquitetos antigos (e que reln terpretara à luz de novas exigências) levou-os a construir. j ) ) ) 3 ) ) ) ) 3 " . 1913. uma ucidade sem qualidade". A última expressão qualificada.

in "Gazette des Beaux Arts". N.. L. 10. op. 15 August 1847. e "Appendice". II . . 113. R. Milano 1974. R.. dt. a bibliografia em Eastlake e em Clark. N. - 6. cf. R. T. 5. etc. Cf. Clark. The Revival ofArchitecture. London 1962. publicaram. Paris 1982. 12. I I Storía dell'Architettura Moderna. A History o/ Gothic Revival. J. I 1 a IU I • li 11. op... Some Architectural Wríters of Nineteenth Century. N. Cf. cf.Ornamenti di Tutti gli Stilí. 1750-1900. C. in "11 Revival". H. Oxford 1841. cito 9. as aplicações mais importantes e oportunas foram ministradas na École Polytechnique.Gothic Revival in Europe and Britaín: Sources.. Milano 1880.. The Gothic Revival: an Essay in the History o/ Taste. op. in "Revue des Deux Mondes". J.. G. f p fi Contrasts: or a Paraltel between the Noble Edifices. Pevsner. MONGE. Recherches aux XVIII et XIX Siêcles sur la Polycromie de l'Architecture Grecque. 23. 1975 e Petit. PATETTA. cf. W. in "Manuale di Architettura". Scott. L. f f ~ fi e ti 4. 1. J. por C. London 1976. in "Paris­ Rome-Athénes". Architettura dell'Umanesimo. também Rosemblum. 1985.. L'Architettura deWEcletismo. N. Grose. 1888. em setembro de 1985. Halfpenny. BENEVOLO. p.. coord. K. A. p . cf. Morris.. e também I Revivals in Architettura. Também na França foram publicados estudos do gênero. T.." e 19. 3. 8. In/luences and Ideas. são A. PATETTA. L. também Eastlake. Honour. op. PUGIN. Patetta. dt. A. Para o neogótico cf. W. cito 1975.. Argan. Teorie e Modelli. Princeton 1967-69. J. Patetta. obras sobre os detalhes góticos levantados nas catedrais inglesas. Romantic-Classídsm in Architecture. Milner. Geometrie Descriptive. G. Hitchcock. de. London 1872. De Laborde e AncÍsse De Caumont que levantam os detalhes da arqueologia medieval. 2. Notas L KIMBALL. Carter. 7.. 0 26 . Kugler e também de Labrouste. dt. Fergusson. GERMANN. Pevsner. Refiro-me às obras de Bentham.. Transformatíons in Late Eighteenth Century Art. Architectural Studies in France. " I! p fI!! .. 1. Boito. Sobre este tema apresentei a comunicação Il Gotico dei Goticisti come Laboratorio e Cantiere di Avanguardia no Congresso realizado em Pavia. Fonti. A. London 1836. em 1824 publica seus estudos sobre a Normandia. . entre 1790 e 1830. Perfeúone e Colore: la Policromia nell'Architettura Francese dei 18.. London 1958. L. History of the Modem Styles of Architecture. . London 1854. G. e The True PrincipIes o/ Christian Archítecture. Des Études Archéologiques en France. l • • I 13. Leçam Donnés aux Écoles Normales l'An III de la République. Paris 1798. F. Atkinson. 1944. Milano 1975. H. in "Rassegna". Architettura del XIX Saolo. Antologia de textos. e . Para os estudos de Hittorf. Bati 1960. J.. Milano 1899.. Melani. London 1862. W. G. De Caumont. Hearne. Na França. H. London 1914. C. J. Oxford 1972.. ... F. Vitet. J. op. Middleton. Architecture: Nineteenth and Twentieth Centuries. London 1972. sob o titulo "11 Neogotico in Europa". Neoclassidsm. L. Anais em impressão. in Pevsner. Brítton. Secolo.

Dal Palazzo di Cristalto aI Palais des Illusions. London 1857. Chagíng IdeaIs in Modern Architecture) London 1965. Pré/et de Paris. De Baudot. Cf. GIROUARD. 21. 28. . L. Fabbd. L. 14. V. G. na Inglaterra a tradução de Nicholson. NARJOUX. c. Oxford 1971. R. London 1958. Early Víctorian Architecture in Britain. Schild. Lameyre.. p. Victorian Architecture. da obra de Rondelet intitulada New Practical Builder. N. Mouvement-Continuité".d. it. H. Mantova 1832. L)Architecture le Passé.. Villa. London 1970. New Haven 1954. London 1858. F.. E. Paris 1880. Firenze 1971. DE BAUDOT. Remarks on Secular and Domestic Architecture. Germann. London 1823 . P. 27 . English Country House. . M. PUGIN. Examples o/ Ancient Domestic Architecture. G. Scott. Haussmann. R. Patetta. Paris 1957.The Victorian Country House. 20. A. Cf. L'Architecture et le Béton Armé. cit. le Présent. também Patetta. Hitchcock. La Monumentalità nell' Architettura Moderna. Cottancin.. G. L Viollet le Duc e la Cultura Architettonica dei Revivals) Bologna 1976 .Trattato Teorico Pratico dell'Arte di Fabbricare (1802-17) ed. Cf. A. Cf. Present and Future. G. Paris 1958. \YJ. F. Hautecoeur. Dolman.. Perronet.. n. Description des Proiects et des la Construction des Ponts. Collins. J. 19. Mílano 1975.. também Tachiaventi. Cf. Conference sur les Travaux en Ciment avec Ossature Métallique) in "Bulletin de l'Union Sindical e des Architects" 1895-96 . T. C. s. P . Roma 1975. Aymonino. Paris 1788. . L. P. G.. Paris 1913. . Le Città Capitali del XIX Secolo.The True PrincipIes 01 Christian Architecture. RONDELET. Cf. Histoire de I'Architecture Classique en France. Parigi e Vienna. Hussey. número monográfico da revista "Architecture 17. A. Summerson. 61. W.Paris: Monuments Éléves par la Vil/e. . J. cit. Oxford 1841. Hegemann. 15. op. 1975. . Milano 1982. 16. Paris 1916. La Berlino di Pielra (1930). G.

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