44 Introdução à lubrificação

ma das máquinas da oficina estava aquecendo demais. Depois de a examinarem, um dos funcionários descobriu que o colega encarregado da lubrificação estava usando óleo inadequado. O óleo era muito viscoso e, por isso, gerava maior atrito que provocava superaquecimento da máquina. Esse problema evidencia a necessidade de bom conhecimento de lubrificação em seus vários aspectos: tipo e quantidade de óleo, períodos de lubrificação, procedimentos anteriores e posteriores à lubrificação. Por esses motivos, esse assunto lubrificação consta de cinco aulas.

A UU AL A L

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A

U

Introdução

Lubrificantes são substâncias que, colocadas entre superfícies, diminuem a resistência ao movimento.

Conceitos básicos
No deslocamento de duas peças entre si ocorre atrito, mesmo que as superfícies dessas peças estejam bem polidas, pois elas sempre apresentam pequenas saliências ou reentrâncias. O atrito causa vários problemas: aumento da temperatura, desgaste das superfícies, corrosão, liberação de partículas e, conseqüentemente, formação de sujeiras. Para evitar esses problemas usam-se o lubrificantes que reduzem o atrito e formam uma superfície que conduz calor, protege a máquina da ferrugem e aumenta a vida útil das peças.

neste caso, a espessura ideal da película lubrificante deve ser H = h1 + h2 + h

Obtém-se. de certa forma. óleos sintéticos e lubrificantes grafíticos. Em casos especiais. como os óleos e graxas de origem orgânica. então. lubrificantes. parafina etc.). a espessura de lubrificante é superior à altura da aspereza superficial: uma película de lubrificante separa completamente as superfícies metálicas. capacidade de manter limpas as superfícies lubrificadas. Atrito misto A espessura do lubrificante é mais consistente que no caso anterior. permanece inferior à aspereza superficial. porém. Podem ser de origem orgânica (animal ou vegetal) e de origem mineral (produtos extraídos do petróleo). O atrito pode ser classificado em três grupos: limite. Em bombas e laminadores. utilizam-se principalmente óleos e graxas minerais. lubrifica-se. Na lubrificação de máquinas. não impedindo um contato intermitente entre as superfícies metálicas. também.A U L A 44 Todos os fluidos são. pastosos (graxas) ou sólidos (grafita. enquadram-se melhor nessa classificação as substâncias que possuem as seguintes características: · · · capacidade de manter separadas as superfícies durante o movimento. a lubrificação hidrodinâmica em que a resistência ao movimento depende da viscosidade do lubrificante. misturas de óleos minerais com orgânicos. com água. misto e fluido. Atrito fluido Nesse caso. . são usados outros lubrificantes. Tipos de lubrificantes Os lubrificantes podem ser líquidos (óleos). estabilidade nas mudanças de temperatura e não atacar as superfícies metálicas. Atrito limite A espessura do lubrificante é muito fina e menor que a altura da parte áspera das peças.

de pedra lignita e do xisto betuminoso. ao oxigênio. . conhecem-se também. em menor escala. resistência ao envelhecimento. As graxas minerais podem ser classificadas como segue Segundo a aplicação: · graxas para máquinas. resistência ao calor. rolamentos e mancais em trabalho a quente. No entanto. que são os destilados submetidos à purificação química e física. aos metais.Características principais dos lubrificantes Óleos minerais São baratos e oxidam pouco. à água e à cor. como a vaselina. Segundo a fabricação: · · · produtos de destilação.óleo para fusos. distinguem-se pela maior consistência plástica. Segundo outras propriedades. óleos residuais. ou que receberam outro tratamento posterior. à água. as graxas são compostas à base de sódio ou de potássio. Segundo a viscosidade (mais utilizada): · · · baixa fluidez . a quente e em pressões elevadas. do carvão. Os óleos minerais podem ser classificados como segue. São obtidos principalmente do petróleo e. A U L A 44 Graxas minerais Quando comparadas aos óleos minerais. óleos obtidos do óleo cru com destilação. consistência (baixa ou alta). comportamento a frio. como: · propriedade lubrificante. Segundo as propriedades como: · comportamento térmico. formados pelos resíduos da destilação. Segundo a aplicação: · óleos de caixas de engrenagens. veículos. graxas minerais puras. fluidez grossa-óleo para câmbios. Normalmente. resistência a pressões. média fluidez-óleo para máquinas. produtos refinados. óleos para turbinas e corte.

Dessa forma. 44 Misturas de óleos minerais e orgânicos Essas misturas são utilizadas com vantagem nos cilindros a vapor e nos eixos dos cilindros laminadores devido à sua capacidade emulsora na água. à poeira (máquinas escavadeiras) e ao aquecimento (laminadoras). silicones e compostos de ésteres de poliglicol. Classificam-se em cinco grupos: ésteres de ácidos dibásicos. no caso de movimentos lentos ou de temperaturas elevadas de até 300ºC. como em redutores de parafusos sem-fim e em engrenagens cônicas rebaixadas. compressores ou máquinas que funcionam em baixa rotação. a lubrificação a seco com grafita. Escolha do lubrificante A graxa é o lubrificante mais adequado para lubrificação de elementos de máquina expostos aos agentes atmosféricos. lisas e resistentes ao engripamento. A grafita é também usada como aditivo de óleo ou graxa. de organofosfatos e de silicones. motores de combustão interna etc. . Já o óleo é o lubrificante mais indicado para lubrificar máquinas com mecanismos rápidos ou delicados. ainda. são usados somente em casos especiais. Possuem elevada capacidade de lubrificação. As tabelas. são caros e envelhecem rapidamente (tornam-se resinosos e espessos). Lubrificantes sintéticos Esses lubrificantes suportam as mais diversas condições de serviço. são usadas nos casos em que se necessita de uma elevada capacidade de lubrificação (óleo para alta pressão). de sebo. A graxa é também usada para vedação de bombas. de rícino. São chamados sintéticos porque resultam de síntese química. Lubrificantes grafíticos Nesses lubrificantes utiliza-se grafita nas superfícies de deslizamento. a seguir. no entanto. Por isso.A U L A Óleos orgânicos São óleos como de oliva. tornando-as mais absorventes. Além disso. encurta-se o tempo de amaciamento. Existe. máquinas a vapor. permitem escolha criteriosa de graxas e óleos lubrificantes.

ponto de gotejamento 35ºC Graxa para mancais a quente 120 1 Adição de corantes não eleva o poder lubrificante Graxa para redutores 75 4 Adição de corantes não eleva o poder lubrificante Graxa para máquinas (graxa "Stauffer") Graxa para veículos 75 4 Para graxas de emulsão. o teor de água é mais elevado 60 6 Para eixos de carroças e de carrinhos de transporte Graxa para carrinhos de transporte Graxa para cabos de aço Graxa para cabos de cânhamo Graxa para engrenagens Graxa para laminadores a frio Graxa para laminadores de carvão prensado Graxa para laminadores a quente 45 6 50 60 45 50 80 6 6 6 6 6 >18º acima do ponto de amolecimento 0.TABELA 1 .1 Ponto de amolecimento não abaixo de 60º .GRAXAS LUBRIFICANTES Ponto de Teor de água abaixo de % gotejamento acima de ºC A U L A Uso Observações 44 Graxa para rolamentos a) em baixa rotação b) em alta rotação 120 60 1 2 Rolamentos muito leves e pequenos podem ser lubrificados com vaselina.

12 50 50 50 100 100 50 50 para cilindros somente refinados para cilindros óleos resistentes ao envelhecimento.. motores elétricos. rolamentos de esfera.. não utilizável para gases oxidantes b) compressores de alta pressão c) compressores de paletas 50 50 Redutores a) transmissões por engrenagens e redutores com parafusos sem-fim.7 2. ex. de rolos..5..4 4.9 2.5.. p...... máquinas de costura etc. de óleo de inverno.. bonde e carrinhos de transporte b) para outras finalidades 140 140 Compressores a) compressores a êmbolo 175 200 200 175 4. C4H8 160 160 160 > 4..12 para válvulas ºE = 4..ÓLEOS LUBRIFICANTES Uso Para a mecânica fina Ponto de Viscosidade até fulgor ºC ºE ºC 44 Observações para máquinas de escritório.8.5 50 50 50 Eixos a) para estradas de ferro federais da Alemanha 160 140 8.A U L A TABELA 2 .8 >4 >4 50 50 50 50 50 50 óleo de verão para vagões de trem normais e pequenos.5..10 4.. e forçada para máquinas com velocidades baixas 125 1.. para registros de gaveta ºE = 6.8 50 inverno Motores a gás a) máquinas pequenas b) máquinas grandes · de quatro tempos · de dois tempos Máquinas a vapor a) vapor saturado b) vapor superaquecido Turbinas a vapor Turbinas hidráulicas 160 175 175 240 270 165 180 160 >3 >4 >6 2..5... por gotejamento. para os cubos das pás móveis....10 >6 6.3.10..12. óleos menos viscosos..4.8 20 Mancais a) eixos com velocidades elevadas b) eixos sob cargas normais c) eixos sob cargas leves 140 160 170 1... em automóveis b) para outras transmissões por engrenagens e em redutores com parafuso sem-fim 175 175 > 12 >4 >8 50 50 50 não para redutores de turbinas a vapor verão Motores estacionários e de veículos Motores para automóveis Motores com carburador e motores diesel Motores diesel estacionários: n > 600 rpm 200 185 4..7 3..7.5 >10 > 10 20 20 20 Grupo A Grupo B Grupo C ý líquidos a 25ºC em movimento .4 3.. instrumentos de medição. não-emulsionáveis para comportas hidráulicas. transmissões para lubrificação por anel.12 6. óleos mais viscosos (semelhantes aos óleos para cilindros) Máquinas de refrigeração a) NH 3 e CO 2 como agentes frigoríficos b) SO2 c) Hidrocarbonetos e seus derivados..5 >7.

5W. 140. 250. 10W. O grau 000 corresponde às graxas de menor consistência (semi-fluidas) e o grau 6. utilizando como critério a viscosidade.Estados Unidos). A NLGI classifica as graxas segundo sua consistência. 1.80. 40. A U L A 44 Segundo essa classificação. sem levar em conta as outras propriedades assim como a ISO. 3. os óleos lubrificantes para automóveis. 50. A SAE classifica os óleos lubrificantes para motores de combustão e caixas de engrenagens (caixa de marcha e diferencial). 00. . para óleos de transmissão . 0. Faça os exercícios a seguir.SAE . 5 e 6. existem duas faixas de viscosidade: · · para óleos de motor . confira suas respostas com as apresentadas no gabarito. 30. enquanto a SAE. às de maior consistência (mais pastosas). Teste sua aprendizagem. 4. desenvolvidas pela SAE (Sociedade dos Engenheiros de Automóveis) e pelo NLGI (Instituto Nacional de Graxa Lubrificante . 20W. 2.Classificação dos lubrificantes Há duas normas de classificação dos lubrificantes. 90.SAE . com a diferença que a ISO classifica óleos lubrificantes industriais. Depois. nos seguintes graus: · NLGI: 000.

Exercício 1 A lubrificação tem como principal função: a) ( ) acelerar rotações. b) ( ) querosene. d) ( ) grafita. c) ( ) líquidos.Exercícios A U L A Marque com um X a resposta correta. d) ( ) óleo de oliva. 44 . b) ( ) gaxetas. c) ( ) óleo mineral. d) ( ) aquecer peças. Exercício 5 Em máquinas escavadeiras e laminadores recomenda-se lubrificação com: a) ( ) graxa. b) ( ) sólidos. densos. b) ( ) polir peças. pastoso ou sólidos. Exercício 4 O invarol é indicado para lubrificar: a) ( ) rolamentos. Exercício 2 Os lubrificantes podem ser: a) ( ) líquidos. d) ( ) roscas. sólidos ou rígidos. c) ( ) óleo mineral. aquosos. b) ( ) óleo orgânico. c) ( ) mancais da mecânica fina. Exercício 3 Bombas e laminadores também podem ser ubrificados com: a) ( ) água. pastosos. líquidos. c) ( ) reduzir atrito. d) ( ) compactos.

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