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FISIOLOGIA APLICADA – PROF.

PANCRÁCIO

“GLUTS” - RESUMO

GLUT-1 - Os transportadores de glicose tipo 1 estão amplamente difundidos


por todo o corpo, sendo responsáveis pelo nível basal de glicose celular.
Largamente difusos nos tecidos fetais, tendo diminuída sua expressão nos
tecidos adultos. Possuem alta capacidade de transporte e alta afinidade pela
molécula de glicose, mantendo rapidamente o nível de glicose dentro da
célula. Não tem atividade alterada pela presença da insulina

GLUT-2 - O transportador de glicose tipo 2 possui a maior cinética entre os


GLUT, esta presente nos hepatócitos, células β pancreáticas, mucosa intestinal
e rins. A alta afinidade do transportador coma glicose promove que o
transporte ás essas células seja proporcional à glicemia.Este transportador, pó
suas funções não tem sua atividade modulada pela insulina. Na célula
intestinal após a absorção e reabsorção de glicose no rim é via GLUT-2 que a
molécula de glicose entra na circulação. Toda variação de glicemia é
detectadas pelas células β, iniciando automaticamente o controle da secreção
de insulina e captação ou liberação de glicose hepática. Alterações na
expressão de GLUT-2 esta associada a um defeito de estimulação da insulina
em diabéticos, o que não permite a baixa na glicemia. Há variações na
expressão em células β pancreáticas desses transportadores, o que explicaria
em parte a baixa ou nenhuma liberação de insulina nos diabéticos com a
doença tipo I. Expressão de GLUT-2 é estimulada pela hiperglicemia, dietas
ricas em carboidratos e suprimida pela hiperinsulinemia. Defeitos no GLUT-2
resulta na Síndrome Fanconi-Bickel doença caracterizada por: raquitismo,
acúmulo glicogênio hepático, glicosúria, perda de aminoácidos e acidose
renal, síndrome descrita em humanos.

GLUT1-3 - Os transportadores GLUT-1 e 3 são considerados responsáveis pelo


transporte de glicose ao cérebro. Como o transporte mínimo de glicose deve
ser mantido a este órgão, seus transportadores de glicose são independentes de
insulina. O GLUT-1 é expresso nas células endoteliais, sendo responsável pelo
transporte de glicose através da barreira hemato-encefálica. Já o transportador
GLUT-3 proporciona o transporte da glicose do astrócito ao
neurônio.Expressão de GLUT-1 relaciona-se com o crescimento do cérebro,
sendo este transportador mais abundante na infância e fase de
desenvolvimento, já o GLUT-3 esta associado à maturação funcional, quanto
mais maduro e evoluído maior a expressão deste transportador. Em situações
freqüentes de hipoglicemia há um aumento na expressão de GLUT-1 para
maior captação de glicose. A hipóxia e/ou isquemia com morte celular e
conseqüente baixa de GLUT-3 gera um incremento na expressão de GLUT-1 nas
proximidades á área afetada. Na doença de Alzheimer ocorre uma redução nos
transportadores tipo 1 e 3, principalmente nos lobos parietais e temporais.
GLUT-4 - Os GLUT-4 são os transportadores insulina-dependente, mais
abundante nas membranas celulares do músculo esquelético, cardíaco e
tecido adiposo. No fígado: a insulina inibe glicogenólise e gliconeogênese e
estimula síntese de glicogênio, na musculatura esquelética estimula a:
captação de glicose e síntese de glicogênio, no tecido adiposo estimula a
captação de glicose e redução da liberação de ácidos graxos e síntese de
triglicerídeos. Também estimula a entrada de aminoácidos nas células para
promover a síntese protéica. O transportador possui a menor cinética da
família dos GLUT, mas grande afinidade. Sem estimulação a densidade do
GLUT-4 na membrana é extremamente baixa, estando presente em vesículas
citoplasmáticas, a quantidade de vesículas é variável pela atividade do tecido.
Após a estimulação pela insulina, esses transportadores são translocados para
a membrana e o transporte de glicose é aumentado. A contração muscular
aumenta a taxa de transcrição e translocação do GLUT-4 este processo é
mediado pelo AMP, formado em grande quantidade durante o esforço da
musculatura. Como são vários fatores envolvidos, não unicamente a presença
ou não do receptor ou transportador, não há uma correlação simples entre
resistência a insulina e os GLUT-4, qualquer defeito na rota de translocação das
vesículas determina a resistência ao estimulo da insulina, tornando assim o
individuo um diabético tipo II. O mecanismo de fusão vesicular esta envolvido
na resistência a insulina. Exercício extenuante provoca lesão celular, o que
leva a inflamação tecidual, e resistência a insulina, esse processo é mediado
pelo fator de necrose tumoral (TNF-α) e demais substancias do processo
inflamatório, que diminuem a densidade dos GLUT na membrana e torna o
músculo mais resistente à captação de glicose. Em animais diabéticos o nível
de GLUT-4, tanto nos adipócitos e células musculares cardíacas e esqueléticas,
esta diminuído. Essa citação reflete a decisão de iniciar um programa de
exercícios leves em indivíduos diabéticos, sem contanto promover uma
agressão aos tecidos musculares. Dietas ricas em gordura diminuem os níveis
de GLUT-4 nos adipócitos e músculos. Sendo assim a dieta um fator
determinante para o tratamento de pacientes diabéticos. Não há relatos de
identificação de defeitos em GLUT-4, ratos "knock-out" GLUT-4, onde esse gen
foi suprimido, os animais são menores, apresentando cardiomegalia, e não
possuem tecido adiposo. Porem não desenvolvem diabetes, mas evidenciam
resistência à insulina, que a longo prazo leva a uma diabetes tipo II.
Experimentos feitos com ratos "overexpressing" GLUT-4 que apresentaram
baixo nível de glicose sanguínea, e marcado aumento na sensibilidade á
insulina com grande mobilização ácidos graxos ao tecido adiposo. Isso
demonstra uma potencial terapia ao diabetes, que deve ser objetivo de maiores
estudos, pois mais de 80% dos pacientes com diabetes tipo II são obesos,
sendo resistentes á insulina.

Obs: o GLUT-5 é um transportador de frutose.