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RESUMO: O presente artigo pretende de forma simples e acessível, contribuir para o alcance de novas discussões no tocante às medidas de ressocialização do preso, com a finalidade da preservação da dignidade da pessoa humana, severamente desrespeitada nos nossos estabelecimentos prisionais brasileiros. Não é intenção deste autor divulgar à respeito do tema de forma imparcial ou até mesmo se utilizar da oportunidade tão somente para ³atirar pedras´ no contemporâneo sistema penal que tanto nos aborrece, nossa intenção ao desenvolvê-lo é contribuir para seu melhoramento, visto que as tentativas conhecidas não conseguiram lograr êxito. SUMÁRIO: 1- INTODUÇÃO; 2 ± DESENVOLVIMENTO; 2.1 ± Abordagem Constitucional; 2.2 ± Ceará; 2.3 ± Bahia; 2.4 ± Espírito Santo; 3 ± CONSIDERAÇÕES FINAIS; REFERÊNCIA.

1 INTRODUÇÃO Este artigo científico tem como escopo a discussão de políticas de ressocialização do preso, sob a ótica do princípio da dignidade da pessoa humana, que possibilite a reinserção do ex-presidiário ao grupo social do qual foi excluído em decorrência do cometimento de ilícito penal, uma vez que a pena imposta ao presidiário não tem como finalidade lhe trazer malefícios após o seu cumprimento. No entanto, o que ocorre no atual sistema penal brasileiro é que o ex-presidiário carrega consigo um pesado estigma resultante do cumprimento de medidas privativas de liberdade, o que agrava ainda mais o caráter punitivo da sentença condenatória. Partindo-se dessa premissa, a sociedade pergunta-se: Por que não prestigiar o caráter ressocializador da pena em detrimento ao punitivo? Com esse artigo, pretende-se sugerir as políticas necessárias para que a ressocialização seja encarada com maior seriedade pelos profissionais responsáveis por assegurar que o preso, uma vez solto, não torne a infringir a lei e com isso colocar a sociedade em um nível mínimo exigível de segurança pública. Pretende-se também investigar as causas que tornam o sistema penal brasileiro tão ineficiente, já que se gastam tantos milhões para aglomerar centenas de milhares de cidadãos, que, ao fim do cumprimento de suas penas, descobrem que a maior delas ainda está por vir, a rejeição social. Sabe-se bem que a tomada de adequadas medidas de ressocialização e a diminuição da reincidência estão diretamente relacionadas. Com isso, entende-se que a educação prisional é uma forma segura de obtenção de maiores resultados em se tratando de segurança públic a,

já não mais cabe apenas prevenção ou repressão. artigos de jornais. é inaceitável que nossos presos continuem sendo ³adestrados´ como cães nos nossos estabelecimentos prisionais.1 ABORDAGEM CONSTITUCIONAL A priori. de proporcionar durante o cumprimento de medida privativa de liberdade. com a nobre intenção de devolvê-lo para a sociedade apto a reintegrar o grupo social do qual foi extirpado. políticas sócio-educativas capazes de tornar o infrator mais uma vez apto a integrar o grupo social do qual foi excluído em virtude do cometimento de ilícito penal1. Nota-se que os atuais mecanismos de ressocialização vêm se mostrando ineficazes. que consiste na utilização das mais diversas formas de obtenção do conhecimento. tais como produções literárias. como já foi abordado. considero de suma importância fazermos uma breve delimitação do tema em questão para garantirmos o sucesso deste artigo. A metodologia a ser utilizada nesse artigo consiste na abordagem do tema sob a ótica de três formas de pesquisa. quais sejam pesquisa exploratória ou bibliográfica. e pior com o dinheiro da pesada carga tributária que pagamos Trata-se daquelas medidas adotadas pelo juízo de execução que visam a não reincidência do criminoso que nesse momento encontra-se sob custódia do estado. para tanto. por tanto. 1 . pesquisa descritiva e pesquisa explicativa. visto que já existem diversas discussões acerca de uma série de institutos penais que se demonstraram ineficazes. internet e discussões nos meios de comunicação de massa. é preciso que saibamos lidar com os infratores visando evitar que os mesmos jamais tornem a cometer os erros que os levaram à prisão. é necessário que saibamos na essência o significado desta expressão. que além de informar visa contribuir com ricas sugestões que torne possível o alcance dos anseios da sociedade no que tange ressocialização do preso. 2 DESENVOLVIMENTO 2. de modo a responder às questões norteadoras propostas por este autor que vos escreve. em síntese. nos resta a responsabilidade objetiva de repensarmos tal instituto dado sua importância inalienável.4 sendo esta constatação fundamental para a escolha do tema abordado. uma vez que. trata-se.a reincidência que tanto nos apavora está diretamente ligada ao falido sistema de ressocialização vigente no nosso país e talvez no mundo.

no entanto. já que. portanto. quando me propus a escrever este artigo pretendia. Michel. 1977 Termo comumente utilizado pelos próprios detentos descrevendo os presídios brasileiros. Petrópolis: Vozes. Segundo Beccaria ³é. quais sejam. onde às vezes são forçados a esquecerem que são seres humanos. 3 2 FOUCAULT. vamos nos ater aos modelos. explanar cada um deles.5 todos os dias seja no ³cafezinho´ que tomamos ou no arroz que colocamos sobre a nossa mesa. 5 Associação de proteção e Assistência ao Condenado 4 . haja vista que não basta empregar o caráter punitivo da pena ao réu. uma vez que além de onerar a sociedade a reincidência nos coloca num total quadro de insegurança. Vigiar e punir. para que ela alcance seu escopo e nós não corramos o risco de ser perversos. como se fossem pessoas detentoras de direitos e deveres assim como qualquer outra. para eles são verdadeiros celeiros do crime. Entendemos que o consagrado princípio da proporcionalidade da pena é perfeitamente delimitado por Beccaria. sexo e violência sobre tudo. Cumpre observar que as citações mencionadas demonstram que seus autores não estão preocupados em ³punir mais e sim punir melhor´ frase magna do talentoso Michel Foucault3. nos dias atuais não mais é aceitável convivermos com a idéia de estabelecimentos prisionais com a fama degradante de ³escolas do crime´4. com seus modos inovadores. de tal modo que conservadas as proposições. que entendemos idôneos para o alcance dos nossos objetivos. minuciosamente. modelos de penitenciárias que recuperam boa parte de seus internos que estão espalhadas pelo mundo e mesmo em nosso meio existem penitenciárias que. recuperam e ao mesmo tempo ressocializam o detento. cita-se como um belo exemplo. tal método não contribuiria para o avanço das discussões pretendidas nesse artigo. como ocorre com os presídios administrados pela Apac 5onde os presos são tratados de forma diferente. e a menos tormentosa no corpo do réu´2. drogas. pois. sabiamente ele nos ensina que devemos dosar a pena. a melhoria da realidade prisional brasileira. necessário selecionar quais penas e quais os modos de aplicá-las. De acordo com os ensinamentos de Bernard Shaw ³para emendar um indivíduo é preciso melhorá-lo e não o melhoramos fazendo-lhe o mal´. o que não ocorre nos demais presídios brasileiros. Discussões a respeito do tema vêm ao longo da historia da humanidade demonstrando diversas fases e concepções equivocadas no tocante a medidas de ressocialização. mais importante que ele se mostra seu lado educativo. onde tudo é possível. causem impressão mais eficaz e mais duradoura no espírito dos homens.

na nossa opinião. contra 85 por cento 6de instituições tradicionais. 7 Na composição do artigo. É estupidez imaginar que homens amontoados como animais enjaulados podem um dia voltar à sociedade. ao ser tratado com dignidade e respeito. Tal fato implicará diretamente n vida dele a próprio e também na vida da sociedade que sentirá os efeitos de tal recuperação. vê que é possível recuperar-se e não mais ter uma vida delituosa como antes. Existem casos em que o melhor caminho a ser seguido não é a reclusão e sim penas alternativas como prestação de serviços à comunidade. é preciso que se recorra à pena privativa de liberdade apenas em casos extremos. enfim. visto o descrédito das mesmas. pois para a sociedade nada como a reclusão para ³emendar´ o indivíduo transgressor.5 por cento. No entanto. ou seja. O apenado. tais como uma instituição penitenciária idônea. O caminho para a recuperação é justamente aquele adotado pela Apac que administra presídios no Brasil. Todas essas mudanças implicam na porcentagem de reincidência: 4. . demonstra algumas medidas que muitas das vezes pode substituir o cerceamento à liberdade7. encontrando muita resistência da sociedade no tocante. os internos têm as chaves de todas as portas e portões da unidade ± inclusive entrada e saída. os índices de violência irão baixar e a qualidade de vida irá melhorar. tivemos a oportunidade de nos aprofundarmos nas discussões a respeito das medidas alternativas de cumprimento de pena. No interior da unidade há lanchonete e sorveterias. na Argentina e no Peru. é preciso que a capacidade da unidade não seja extrapolada e aqui está a importância das penas alternativas 6 Dados apresentados pelo conselho de administração da APAC e sob sua responsabilidade quanto a sua veracidade.6 Nos presídios sob administração da Apac não existem policiais civis nem militares. o uso de roupas normais é permitido. É preciso que existam certas condições para que a recuperação do infrator ocorra. penas que não retiram o condenado do meio social e o código de processo penal. recuperados de seus erros. a super lotação dos presídios que hoje é tormento para a sociedade irá diminuir sensivelmente. o dinheiro não é proibido. Dessa forma. seja obsoleto. ainda que. doação de alimentos aos necessitados. funcionários capacitados. quando o indivíduo necessita de tratamento ressocializante.

sob dois argumentos. que ao indivíduo é garantido o direito à liberdade toda vez que houver medidas alternativas capazes de alcançar o objetivo ressocializador da pena. consagra o direito ao apenado de uma série de medidas alternativas de cumprimento de penas. 5º. A Constituição Federal. liberdade. podemos concluir que o legislador constituinte ao editar a carta magna. devemos entender que tais dispositivos. tais medidas se mostram uma saída de grande valia para a sociedade. a pena privativa de liberdade não deve ser a solução para todos os casos. no entanto há infrações que ante a sua gravidade devem ser punidas com a restrição da liberdade. Ainda que haja expressamente a proibição de restrição a liberdade na Constituição da República. quais sejam. É importante também que haja uma pena condizente com o ato praticado. que estabelece são e iguais garantindo perante também a a lei. Uma pena justa é necessária. diante da ineficiência dos nossos institutos prisionais e o seu alto custo para o estado. ao cometimento de ilícitos similares. visto a sua importância incontestável. o legislador previu uma série de normatizações que visam adoção de critérios .7 em casos que o emprego delas é possível. à igualdade. não que fazendo do distinção direito de à qualquer vida. no título Dos Direitos e Garantias Fundamentais. que podem variar do pagamento de multa até a prestação de serviços sociais. como exemplo no caput do art. portanto. dessa vez da coletividade que não deve viver em cárcere temendo a criminalidade. servindo de exemplo. teve o cuidado de garantir a liberdade do apenado. é uma garantia relativa. prestigiando assim a liberdade. Entende-se. o que a contra-senso continua tutelando a liberdade. E havendo a necessidade da privação da liberdade do apenado. evidenciando-se o seu aspecto fundamental. garantir a segurança da sociedade e reprimir. Diante disso. já que a própria constituição elenca oportunidades em que o individuo será privado dela. visto a gravidade do seu delito. à inviolabilidade Todos natureza. até porque. deixando tal medida como excepcionalidade. à segurança e à propriedade. pois servirá de exemplo às outras pessoas que tencionem agir ilicitamente.

a idade e o sexo do apenado´ o que evidencia que não basta privar a liberdade do criminoso. que podem agravar ou atenuar a forma do cumprimento da medida. Assim. sejam criminosos ou não. quando lhe assegura medidas alternativas de cumprimento de penas e até mesmo penas alternativas. aplicando as penas guardando as devidas proporções. princípios. pois não basta amontoar-se homens delinqüentes enjaulados. Outro dispositivo que evidencia tal preocupação do legislador é o do artigo 5° inciso XLIX que nos ensina que: ³É assegurado a presos o os respeito à integridade física e mental´ ora. que ganhou força com o surgimento das entidades internacionais de proteção ao ser humano. filhos da nação. é preciso lhes dar a possibilidade de repensar sua atitude e com isso ter a oportunidade de arrependerem-se dos seus crimes. isso vai depender do caso concreto. que para o direito brasileiro. dispõe com clareza que o estado deve se preocupar com todos os seus filhos. princípio germinado em toda a constituição. inquestionável que o espírito constitucional é o da preservação da liberdade. sendo assim a chance de reincidência certamente diminuirá sensivelmente. . mas parece-nos faltar tal preocupação todas as vezes que nos deparamos com as 8 Conceito abstrato. de acordo com a natureza do delito. para não corrermos o risco de transformá -los monstros legislação tais Direito. que é sem dúvida a grande preocupação da sociedade e do estado. deve fazê-lo de forma -se criteriosa. ainda aqueles que se encontram privados da sua liberdade. seja qual for a medida. no incontroláveis. portanto. mais um dispositivo que consagra a contemporânea necessidade de se aplicar medidas assecuratórias da dignidade da pessoa humana. seja da sociedade quando impõe ao criminoso as severas privações da sua liberdade. basicamente impõe ao estado o tratamento respeitoso aos cidadãos. conforme podemos constatar no artigo 5° inciso XLVIII ³a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. assim facilitando o alcance da ressocialização. o no da condão Estado que de Democrático mera modificar de como indiscutível Constituição principal elemento regulador da vida social e da atividade estatal. seja do indivíduo transgressor.8 asseguradores de medidas adequadas em consonância com gravidade do crime e as peculiaridades do infrator. A inobservância das medidas de ressocialização do preso. já que como foi visto. é sem dúvida uma afronta a nossa carta magna. deve-se preservar a dignidade da pessoa humana8. infraconstitucional Pensar qual o não Inegável. terá é a jamais pisar primazia contrário portanto. no entanto.

No entanto. sabemos que o problema da ressocialização não é um privilégio do Brasil. é comum ouvir relatos do tipo: ³não compro um carro melhor por medo de ser vítima de um assalto´ ou ³esses monstros merecem morrer. compreendemos que não basta que haja respeito aos cidadãos que livremente circulam por nossas calçadas e praias da área nobre. enquanto nós cidadãos de bem temos que nos esconder dentro da nossa própria insignificância. entendemos que. que impiedosamente nos abordam nos sinas e ruas mal iluminadas. Assim. o que de certo modo nos acomoda e tira o peso dos ombros é o conhecimento da realidade do mundo atual. ou seja. do contrário. é. realmente é uma triste realidade que nos faz muitas vezes até pensar numa ineficaz penalidade de morte. familiares. aqueles os principais do já direitos citado e garantias 5º. não se sabe o que é pior. realmente é assustador o ponto que alcançamos. a idéia explorado por este autor passa por dentre as 9 Extinta Casa de Detenção de São Paulo . individuais que considera são justamente o constantes artigo inviolável direito à vida. e temos que confessar. a vida. os gastos milionários em mantê -los sob vigilância do estado ou a total insegurança da sociedade que fica no meio de um literal fogo cruzado custeado pelos nossos pesados impostos. quem nunca foi vítima de algum desses criminosos. tranqüilidade ou pior. por incrível que possa parecer podem andar armados de facas e revólveres. No entanto é difícil nos preocuparmos com ressocialização daqueles que nos tiraram nossos bens. Contudo. ela prevê um tratamento humano àqueles que por motivos diversos transgrediram as regras da vida em sociedade. ao contrário. Ora. o mundo todo. tamanha frustração. pois se tornou uma máxima indesejável o entra e sai desses homens da prisão.9 condições desumanas as quais os presos são submetidos nos nossos contemporâneos ³carandirus´9. não é o ódio e repúdio que a constituinte prega em seu Mágno texto. e sem um pingo de decência seguem seu caminho levando consigo uma vida inteira de trabalho árduo. os mais lúcidos e inteligentes pensadores da humanidade já comungaram dessa idéia retrógrada. visando uma estatística menos impiedosa no que tange a criminalidade deveríamos nos preocupar com os ³manos´ encarcerados nos ³centros de qualificação de criminosos´ espalhados por todo o país. ainda que não demonstre nos seus horários nobres têm grande preocupação. visto que eles. não é justo pagarmos por sua estada nos nossos estabelecimento prisionais´.

locais onde o homem está devidamente abandonado pelo Estado e digo sem medo de causar pavor. na nossa opinião. para que assim quem sabe. ao menos plante uma semente nos corações dos colegas que escolheram o estudo do direito como uma atitude capaz de confrontar a dura realidade social que nos apavora. ambientes fétidos e insalubres. a população carcerária no país. não podemos aceitar com naturalidade os fatídicos noticiários matinais acerca do crescimento da criminalidade em nossa historia. tentando resolver o problema de segurança pública de fora para dentro. no fim do primeiro semestre de 2009. como pensar em redução da criminalidade se não sabemos sequer o que fazer com os meliantes sob a nossa tutela? Conseguem entender o tamanho do nosso problema? Estamos dando voltas em círculos como dizia minha avó materna nas vezes que tentava procrastin a execução das ar lições de casa que precediam o horário da diversão.10 preconizadas pela constituição. agindo circunstancialmente. coerentes ou não tentam enfrentar o problema da ressocialização. já estive do lado de dentro de uma dessas masmorras. não somente para observar as exigências normativas desse trabalho. para uma capacidade presidiária de 270 mil vagas. mas sim. para que essas idéias possam ecoar entre aqueles que lerão o mesmo. São diversas as obras literárias que de uma forma ou de outra. Essa superlotação traz a reboque vários outros problemas: de um lado o Estado agindo com desrespeito aos direitos humanos e aos princípios . mas imaginemos a simples proposta do tema já nos causa imensa fadiga. visto que este já é de conhecimento geral e materializa a ineficácia do nosso sistema de segurança pública. não dá para falar em ressocialização sem observância de um tratamento humanitário a esses pobres coitados que se aglomeram nos nossos presídios. digo. Sem dúvidas as discussões a respeito do tema são de grande importância para mudarmos os rumos da sociedade. quando na verdade deveríamos estar ressocializando os nossos marginais. A situação do complexo prisional brasileiro (com raras exceções) é perturbadora. nesse artigo. é indescritivelmente horroroso. Presídios superlotados. pois nos parece óbvio que estamos distante de um quadro de segurança pública mínimo exigível. se não resolver. era de aproximadamente 469 mil presos. Segundo estudos de organizações não governamentais. visto que não podemos sonhar com a mesma sabendo da nossa imaturidade no tratamento daqueles que estão sob a custódia do estado. sem condições de higiene. pensando em prestigiar os autores aos quais nós mais nos identificamos resolvi citar algumas dessas publicações. sei do quê estou falando.

são diversas modalidades de concessão dos serviços que deveriam ser prestados pelo Estado.11 da individualização. proporcionalidade e personalidade na execução da pena. por que não tentarmos um dos modelos previstos em nossa legislação de desconcentração da função estatal? Digo. quanto ao preso. ressocializar o preso para que este retorne à sociedade.º 7210. ou a compartilização. são atitudes inusitadas que vem ao longo da história da humanidade nos ensinando que a resolução dos grandes problemas muitas das vezes está bem distante das divagações a respeito do tema que se mo stram reiteradamente frustradas. podemos imaginar uma futurista resolução do problema da ressocializaçao. organizando. fornecimento de energia elétrica. conseguimos superar esse preconceito ao analisarmos a questão de forma mais minuciosa. se partirmos da premissa que tais mecanismos privilegiam a excelência na execução dos serviços delegados. como saneamento básico. caput) . confessamos que reagimos com estranheza e descontentamento. para nós. na prática. por tanto. visam desonerar o Estado para que assim ele possa dar total atenção à direção da vida em sociedade e conservar o bem comum. particular-estado. pois bem. parques. respeite a dignidade do apenado. porque não se utilizar dessa receita para resolver de uma vez por todas o nosso ³monstro´ chamado ressocialização? Na nossa humilde opinião. 10 Lei n. as experiências de alguns estados brasileiros com o sistema de gestão compartilhada e a utilização do instituto das parcerias público-privadas na gestão prisional. para então analisar as práticas internacionais no campo das privatizações de presídios. sem dúvidas o particular poderia perfeitamente alcançar a perfeição que o estado não teve tempo nem dinheiro de alcançar. tais modelos.126. transporte de massa. gerenciando e comandando os mais diversos delitos de dentro das celas. e as condições da realidade carcerária no país. da gestão desse sistema fundamental para a saúde da sociedade. O objetivo basilar da Lei de Execuções Penais. de outro. se é possível retirar das mãos do Estado a execução de serviços públicos essências à sociedade. os presos corrompendo agentes públicos. de 11/07/84 (Lei de Execução Penal: art. muito raramente é alcançado. no entanto. conservação de estradas. dando a ele a oportunidade de se ressocializar e retornar ao convívio em sociedade. jardins dentre outros. Quando fomos apresentados ao tema concernente à privatização do sistema prisional brasileiro. Este artigo cita as determinações da Lei de Execução Penal10. com o intuito de se encontrar instrumental hábil a tornar a execução penal um instituto que.

Este é um dos argumentos apresentados pelos que são contrários à delegação dos serviços prisionais. O estabelecimento penal deverá ter lotação compatível com a sua estrutura e finalidade. e a fiscalização do cumprimento da pena competem ao Estado. trabalho. porque isso representaria uma ³subserviência´ do Poder Público ao modelo de economia 11 NOGUEIRA.12 Resolvemos. para fundamentar a questão indicar alguns dispositivos da lei de execuções penais11. 1984. Parágrafo único. quais sejam: Art. Comentários à Lei de Execução Penal. vestuário e instalações higiênicas. seja executado de forma inequívoca e não seja mais uma frustração aos anseios da coletividade. Art. b) área mínima de 6. para que se adotado. 85. p.ed. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária determinará o limite máximo de capacidade do estabelecimento.00m2 (seis metros quadrados). atendendo a sua natureza e peculiaridades. a execução. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de alimentação. Art. 2. recreação e prática esportiva. 12. Parágrafo único. aparelho sanitário e lavatório. O estabelecimento penal. A punição. insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana. falta somente aplicabilidade. conforme a sua natureza deverá contar em suas dependências com áreas e serviços destinados a dar assistência. entendem que permitir que entidades privadas executem as penas aplicadas pelos juízos de execução vai de encontro aos princípios e finalidades do Estado. educação. 88. Paulo Lúcio. deve-se analisar e respeitar as opiniões contrárias a este mecanismo. 83. São Paulo: Saraiva. IX . Art. para que de uma vez por todas entendamos que o problema não é falta de normatização ou inexperiência desta. Além da apresentação das idéias favoráveis a privatização do sistema prisional brasileiro e os notáveis dispositivos concernentes ao tema. São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração. Em princípio.

assim. Ou seja. A concessionária do serviço público é uma entidade paraestatal que está ao lado do Estado. 15 Empresa Pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado. Porém. em ³ressocializá-lo´. numa ilegalidade. E aí reside uma discussão relevante a respeito da natureza jurídica da conduta do Estado acerca da execução da pena. As prisões no Brasil. A 12 Consiste numa menor interferência do estado na iniciativa privada. já que ele não é obrigado a trabalhar (art. 34. incorrendo. não é o Estado propriamente. que detêm atribuições delegadas pelos órgãos da administração direta a que se submetem. prestando serviços de apoio social que visam a ressocialização do preso. Outro obstáculo à instituição da delegação de serviços prisionais decorreria da Lei de Execuções Penais (Lei 7. nesse caso. mas formalmente não o integra. porque instituem normas rígidas de convivência interna e externa (encontro com familiares) e prestam serviços de saúde e de educação essenciais à vida do preso. de sua parte. quanto menos atribuições ao estado mais liberal seria a economia do estado. criada por lei para desempenhar atividades de natureza empresarial que o Governo seja levado a exercer. LEP).13 liberal12. XLVII.210/84) ± LEP. que são entidades da Administração Pública Indireta. 14 Refere-se as fundações que possuem personalidade jurídica de pessoa de direito público. 5º. CF) ± quando gerenciado por fundação14 ou empresa pública 15. I). que trabalha em regime de colaboração com o Poder Público. por motivos de conveniência ou contingência administrativa. priorizando o status quo13. podendo tal entidade revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito . tanto para o carcerário como para a sociedade. 11. c. A delegação do serviço prisional a particulares implicaria gerenciamento por ´patrões´ privados do trabalho prestado. cujas adminis trações competem ao parceiro particular (e isso é juridicamente possível porque a Constituição Federal permite supletivamente que os Estados federados legislem sobre direito penitenciário. a LEP só autoriza o trabalho dentro de uma prisão ± a critério do preso. 13 Estado original. demonstram-se menos sujeitas às rebeliões ou à prática de condutas criminosas a partir das celas dos presidiários. devido a muitas discussões a respeito dessa política de interferência mínima do estado surgiu nos Estados Unidos o meio termo para esse sistema. denominado neo-liberalismo. uma vez que o responsável pela execução da pena auferiria lucros com o trabalho empregado pelo carcerário. conforme art. não podendo o Estado delegar uma função exclusivamente sua. muito mais importantes do que o debate sobre se a execução da pena fica ou não a cargo do Estado são os efetivos benefícios que uma administração privada pode trazer. com patrimônio próprio e capital exclusivo da União ou de suas entidades da Administração Indireta. E também porque a execução das penas é uma atividade jurisdicional. não havendo interesse. Em seu art. 22. bem como assistência jurídica qualificada (art. princípio daquela relação jurídica como exemplo.

Isto é. discussão importante. o particular vai aos poucos amortizando os investimentos feitos. fará o pagamento da gestão privada prisional. é o de que a empresa privada emprega recursos próprios. e o Estado não necessita empregar recursos de grande monta imediatamente para a construção do prédio. Críticas no sentido de que a administração privada dos presídios é inviável por que o Estado não tem estrutura política para fiscalizar e controlar as atividades dos entes privados. Enfim. Daí o seu interesse em tratar os carcerários dignamente. entendemos que diante do tamanho do problema da ressocialização. tola. aliar eficiência à efetividade. posteriormente. com a participação de particulare tornaria a s. prospere. se este representar a resolução da questão. o caos atual não existiria e tampouco a demanda e o interesse por essa forma moderna de administração prisional. E isso nada tem a ver com ³exploração capitalista´. Não podemos furtar à sociedade o direito de dias mais tranqüilos por conta de uma burocracia idiota.14 Penitência Industrial de Joinville é exemplo de administração privada que dá certo e se coaduna com a função ressocializadora da pena. como é comum de se ver nos presídios públicos cuja administração seja prestada pelo Estado. mas com uma forma razoável e simples de mostrar para o sujeito que não existe ³almoço grátis´. O Estado. desculpas. uma condescendência do Estado com a política econômica neoliberal. o que poderia acarretar. Assim. Se bastasse a fiscalização. quando da formação de contrato de parceria público-privada para a construção e administração de presídio. O que se quer é que o Estado utilize produtivamente os recursos de que dispõe para resolver os problemas sociais. os presidiários autorizam a retenção de parte de seu salário para o pagamento dos serviços que a eles são prestados. A sociedade já está abarrotada de justificativas ideológicas para a falta de resolução dos problemas que a afetam prejudicialmente. não podemos deixar que a legislação que ³fecha a porta´ para a privatização do sistema penitenciário. Um benefício direto para o Estado. . Uma rebelião causa prejuízos. mas no caso da concessão o custo é suportado pelo parceiro privado. desse modo. o controle e a execução das penas por parte do Estado para que o sistema carcerário fosse suficientemente bom para realocar o presidiário à condição de membro da sociedade. Quando trabalham. são falaciosas.

é incisivo: "A Secretaria de Segurança e Direitos Humanos do Estado não exerce efetivo controle sobre a atuação da empresa que administra uma penitenciária e uma cadeia pública em Manaus. destinado aos presos provisórios. Na avaliação da comissão que inspecionou o incidente. considero possível. foram destruídos. Ouvimos vários detentos e o que ouvimos e vimos nos leva a constatar que a rebelião foi culpa da falta de preparo de agentes da CONAP" disse João Simões . presídio de segurança máxima com capacidade para 496 presos do regime provisório. gabinetes odontológicos e o departamento jurídico. portanto. que durou mais de 14 horas. O relatório do sistema prisional brasileiro de 2006. com capacidade para 614 internos. ao contrário. sob pena de ³prostituirmos´ a idéia original de alcançar o sucesso tão sonhado. foi da Companhia Nacional de Administração Prisional (CONAP). mudemos a legislação. Em 2007 houve uma rebelião no Instituto Penal Antônio Trindade. também aparentemente eficaz seria a adoção de uma política de compartilização da gestão do sistema. falta assistência médica e de higiene. pois esta é a forma mais eficaz de se preencher as lacunas legislativas que recorrentemente a sociedade tropeça. se a legislação impede a concessão do sistema penitenciário e sua modificação importaria muito trabalho legislativo e tempo que não dispomos. quando os ambulatórios. Não há treinamento adequado. onde houve a parceria com a empresa Companhia Nacional de Administração Penitenciária (CONAP) para terceirizar serviços na área de três penitenciárias: o Complexo Penitenciário Unidade Prisional do Puraquequara. no tocante à fiscalização por parte da administração Pública em penitenciárias administradas pelo modelo de co-gestão. há abundante disposição na já citada LEP que apontam para esta possibilidade.15 assim fica mais formal. e o Complexo Penitenciário Anísio Jobim. visto que tal possibilidade não é vedada por nenhuma de nossas legislações.ao deixar o presídio. E quando as . a sociedade está em mudança constante e a lei. se for preciso. Exemplo que não deve ser seguido é o demonstrando no Amazonas. o Instituto Penal Antonio Trindade. sendo administradas pela Secretaria de Justiça do Estado). elaborado pelo Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva. deve acompanhar sua evolução. "constatamos que a atuação da CONAP nessa cadeia é péssima.corregedor-geral de justiça . a culpa pela rebelião. reguladora das condutas humanas. presídio com capacidade para 450 presos do regime fechado e 138 vagas no regime semi-aberto (estas não terceirizadas. diante da atual Lei de execuções penais a adoção de tal medida. A segunda medida inusitada.

tinha o objetivo de cumprir as metas de ressocialização do interno e a interiorização das unidades penais (preso próximo da família e local de origem). dentro dos padrões da cidadania e da fiscalização pública. atividade recreativa) fosse executado no horário em que o interno não estivesse trabalhando. que supervisionavam a qualidade de trabalho da . necessidades de rotina. serviço social. tais como: faxina. psicológica e jurídica dos presidiários. uma prisão para a empresa cuidar de toda a administração interna. assistência médica. uniformes. A aplicação da Lei de Execução Penal. No Brasil as experiências que temos são de gestão compartilhada de presídios. O Estado entrega. pioneiro na gestão compartilhada de presídios. por um período de até cinco anos. requerem informações sobre o contrato celebrado entre o Estado e a empresa. que foi o pioneiro nesse sistema. odontológico. escola. são tratados como intrusos. Em suma. tais como. até para melhorarem seu desempenho" Deve-se. parcerias para emprego de detentos (regime semi-aberto). além de melhores condições para sua reintegração à sociedade. o que vem trazendo resultados positivos tanto econômicos como sociais. Os custodiados que não estavam implantados no canteiro da fábrica trabalhavam em outros locais. tais como: refeições. Ao estado cabia a nomeação do diretor. o Centro dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus. é mais facilmente efetivada. que vem a olhos vistos diminuindo a reincidência dos provenientes dessas instituições. As experiências nacionais estão em algumas penitenciárias do Amazonas. contudo. lavanderia. nesse sistema. iniciou com a Penitenciária Industrial de Guarapuava. São 16 penitenciárias com 7.16 sociedades civis. retomou totalmente a administração de seus presídios). e recebiam como remuneração 75% do salário-mínimo.346 detentos. do que naquelas penitenciárias totalmente estatais. Ceará. parceira da co-gestão. Bahia. lavanderia e embalagens de produtos. em 1999. O Paraná. era a responsável pela alimentação. verificar também os ótimos exemplos desse modelo. entre outros. no que se refere ao meio ambiente e à assistência ao preso. Espírito Santo e Santa Catarina (o Paraná. No barracão da fábrica na área da penitenciária trabalhavam 70% dos internos. eles não aceitam ser avaliados. Com capacidade para 240 presos. o benefício da redução da pena (remição). da cozinha aos agentes penitenciários. possibilitando que todo o tratamento penal (atendimento jurídico. do vice-diretor e do diretor de disciplina. médico. [06]A empresa Humanitas Administração Prisional S/C. psicológico. Esses canteiros funcionavam em 3 turnos de 6 horas. proporcionando trabalho e profissionalização. viabilizando. Na co gestão o Estado terceiriza serviços ao parceiro privado. cozinha.

dos exercícios físicos e da recreação. 2. como disse o juiz da execução penal da Comarca.2 CEARÁ No Ceará a implantação da co-gestão iniciou em 2000 na Penitenciária Industrial Regional do Cariri. a PIRC tem capacidade para 549 presidiários [08]. o preso recebe aulas e ouve palestras de psicólogos [09]. A maioria dos criminosos desse presídio havia cometido delitos graves. no mesmo Estado. cabines telefônicas. quando em 2005 ainda vigia o contrato com a empresa Humanitas. refeitórios e lavanderia..17 empresa contratada e faziam valer o cumprimento da Lei de Execuções Penais.em 2005 .era de 6%. Através do trabalho. pagava cerca de R$ 1. à execução mesma da pe é na. padaria. A reincidência criminal com os egressos do presídio de Guarapuava . essa questão de limpeza. da nossa competência. consultórios médicos-odontológicos. A parte referente à administração da pena. campo de futebol. tal índice alcançava 30% e a média nacional é de 70%. Possui 66 celas coletivas para cinco presos cada uma e 117 celas para dois presos cada. os internos ganham dignidade e obtêm o .. Então. latrocínio e estupro. em Juazeiro do Norte. O Paraná. biblioteca e administração. Em Maringá. o sistema havia se estendido para a Casa de Custódia de Curitiba. farmácia. Antes de o governo finalizar esses contratos de co-gestão. Em 2001 foi inaugurado o Núcleo de Ressocialização com a finalidade de preparar o encarcerado para ele enfrentar a discriminação ou as reservas da população com ex-presidiários. circuito interno de monitoramento por vídeo. enfermaria. A execução penal permanece nas mãos do estado. tráfico de entorpecentes. quadras poliesportivas. Destinada aos presos do regime fechado. José Josival da Silva: "[. No presídio existe toda uma infra-estrutura no sentido de dar efetividade ao princípio da ressocialização do preso. Além do trabalho. a Casa de Custódia de Londrina.] nossa penitenciária é terceirizada. lanchonete. "quartos de convivência familiar". de calçados e bijuterias.00 (mil e duzentos reais) por preso/mês. alimentação e outros serviços que englobam a chamada atividade-meio é uma empresa que cuida. auditório. a prisão de Piraquara e a prisão de Foz do Iguaçu. fábricas de velas. painéis com orações e mensagens bíblicas. como homicídio. salas de aula.200.

desde o supervisor administrativo. Conjunto Penal de Juazeiro. Conjunto Penal de Serrinha. A empresa administra todo o restante. médicos.(dados de 2005). trabalhem a questão da ressocialização do apenado. Entretanto. dentistas. com uma produção de 250 mil peças/mês. totalizando 1. dois psicólogos. Cada preso recebe 75% do salário mínimo por mês e a remição da pena. nutricionistas e professores até o agente penitenciário. uma enfermaria e um centro cirúrgico no qual são feitos procedimentos cirúrgicos de baixa e média complexidade. a realidade nessas unidades é de que. em dezembro de 2007. Ainda com relação à assistência ao egresso. o diretor-adjunto e o chefe de segurança.659 presos na polícia e 8. através de parceria com a empresa Criativa Jóias.919 custodiados (5.260 na Superintendência de Assuntos Penais). a guarda da muralha é feita pela Polícia Militar. Conjunto Penal de Itabuna e Conjunto Penal de Lauro de Freitas. um dentista.. chamado de agente de disciplina. Na saúde o atendimento é feito por uma equipe composta de um médico. A lotação máxima alcançada foi de 520 internos ± a PIRC possui capacidade para 549 .18 benefício da remição.. A unidade . Cinco presídios são administrados na forma de gestão compartilhada: o Conj nto Penal de u Valença. psicólogos. 150 presidiários fabricam folheados. Nessas unidades o Estado indica o diretor-geral. A parte religiosa é efetivada através de diferentes cultos. Em 2002 o Ceará implantou esse mesmo modelo na Penitenciária Industrial Regional de Sobral ± PIRS e no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II. dois enfermeiros e três assistentes sociais. A assistência jurídica é prestada por quatro advogados (para internos que não possuem defensores).] a importância central aqui é recuperar o homem pelo trabalho".717 internos. A educação do preso se dá através de uma escola de ensino fundamental e médio na qual os internos podem receber a instrução escolar. efetivamente. Segundo um relatório elaborado pela Pastoral Carcerária. em que são prestados atendimentos ambulatoriais. "a preocupação apenas é manter o cidadão preso. era de aproximadamente 13. uma equipe de assistentes sociais dos quadros da própria CONAP realiza esse trabalho. sem que se possa dar qualquer destaque a projetos que. assistentes sociais. advogados. 2.3 BAHIA A população carcerária na Bahia. Nessa penitenciária. um psiquiatra. Nas palavras do próprio juiz José Josival: "[. A infra-estrutura física é dotada de um núcleo de saúde.

A empresa terceirizada é o Instituto Nacional de Administração Prisional Ltd a (INAP) que arca com os custos para aquisição. Ainda oferece trabalho e educação para os internos do presídio. A Penitenciária de Segurança Máxima de Viana tem capacidade para 500 vagas. na região metropolitana de Salvador. circuito interno de TV. kits de higiene. que tem capacidade para cerca de 250 pessoas. mantendo serviços ocupacionais em um setor de seleção e ocupação. além de áreas de visitas para familiares e seis quartos para encontros íntimos em cada ala. no município de Colatina. Nesse setor é que são selecionados os internos para as atividades nos canteiros de trabalho. uma sala de múltiplo uso e uma biblioteca. quatro salas para fins pedagógicos e educacionais. além de quatro para visitas íntimas.19 penal da Secretaria da Justiça que tem mais detentos em atividade laborativa é o Conjunto Penal de Jequié. instalação e manutenção de equipamentos de segurança. . roupas de cama. Todas as alas do presídio são monitoradas por um sistema de câmeras. fornecimento de colchões. odontológico e enfermaria. ambulatório com consultório médico. para efeito de remuneração e emissão de atestado de trabalho para a remição da pena. 2. Em Colatina a capacidade é para 300 vagas. Em experiência inédita no país. onde os internos frequentam aulas do ensino básico e fundamental.4 ESPÍRITO SANTO No Espírito Santo o modelo de co-gestão está presente na Penitenciária de Segurança Média de Colatina. alojamento para agentes. em 2007 a Pastoral Carcerária firmou convênio de gestão compartilhada com o governo estadual para administrar a unidade penal de Simões Filho. oficina de trabalho e sistema eletrônico para fechamento de porta. salas para assistência social e jurídica. instalação de uma estrutura para atendimento médico. alimentação e serviços de apoio à cozinha. uniformes (agentes. que não é terceirizado". dispõe de cozinha. Há também salas específicas para estudos. e na Penitenciária de Segurança Máxima (PSMA) em Viana. lavanderia. onde 24 são destinadas à ala feminina. Com 58 celas. a Colônia. O presídio abriga 324 internos em regime semi-aberto. espaços e salas para a administração. psicológico e atendimento odontológico. defensoria pública e assistência psicológica. internos e funcionários).

Nos Estados Unidos. por último. saúde. é a utilização de trabalho dos presos pela empresa privada. citaremos exemplos desesperados que tem o mesmo escopo das discussões aqui abordadas. Outro modelo. com a posterior locação pelo Estado. Diante do quadro insatisfatório. durante a gestão de Margaret Thatcher. o segundo aspecto seria a construção de presídios financiados pelas empresas privadas. e a ressocialização dos seus detentos é notável. Diante da influência dessa nova política penitenciária não demorou muito tempo para que a privatização dos presídios se difundisse por todo o mundo. redefinindo-o como Public Private Partnership. aparentemente conduzindo-as ao fracasso. A rapidez e falta de coordenação dos projetos prejudicaram inicialmente a gestão das parcerias público-privadas. Estima-se atualmente que o governo britânico celebra aproximadamente 48 contratos do gênero por ano. com o fim de contornar a ausência de investimentos do Poder Público em áreas estratégicas. como por exemplo a administração de presídios. a definição de prioridades. nos seguintes moldes: A correção de rumos incluiu a formação de uma força-tarefa do Tesouro para coordenar os projetos. financiar e operar. O Professor Laurindo Dias Minhoto 16 lembra que o fenômeno da privatização na Inglaterra. alimentação e vestuário.20 Comprovando a tese desse autor que o problema da ressocialização não é um privilégio do Brasil e sim de proporções globais. 2000. a experiência inglesa é pioneira e possui os projetos mais antigos e vultosos no âmbito das parcerias público-privadas. Instituiu-se o modelo em apreço em 1992. é o caso da empresa particular fornecer serviços terceirizados nos setores da educação. ante a crise 16 MINHOTO. a expressão privatização dos presídios pode ser vista sobre quatro aspectos: o primeiro deles é que teríamos a administração total do presídio pela empresa privada que acomodaria os reclusos. . Privatização de Presídios e Criminalidade. São Paulo: Editora Max Limonad. sob a denominação de Public Finance Iniciative. o governo de Tony Blair se propôs a reestruturar o programa. a remoção de obstáculos técnicos e uma abordagem flexível que permitiu que as PPPs admitissem outros modelos além do modelo típico. Laurindo Dias. durante alguns longos anos. sob a égide de conceber. surge em 1984. o que os levou a um níivel considerável de excelência no que tange diversas camadas de organização político-social. construir.

21 do sistema penitenciário inglês que se afundava na ineficácia das instituições prisionais e o alto custo do sistema prisional. que sonham em diminuir as suas taxas de reincidência. mais um estímulo aos países como o Brasil. estabelecendo uma parceria entre Estado e iniciativa privada no tocante a responsabilidade. que vagarosamente vem alcançando seus objetivos. boa sorte Brasil! CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS . Outro exemplo de país que adotou o modelo americano é a França. com algumas ressalvas. a lar mídia estima que tais medidas inovadoras têm alcançado cerca de 30% de diminuição da reincidência. no entanto. gerenciamento e administração do sistema prisional. Essa é mais uma prova que o modelo é promissor. portanto. os franceses preferem não reve números.

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