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Copyright 2003 por Editora Central Gospel

GERÊNCIA EDITORIAL E DE PRODUÇÃO

Jefferson Magno Costa

PESQUISA, ESTRUTURAÇÃO E COPIDESQUE

Jefferson Magno Costa


Patrícia Nunan

REVISÃO FINAL
Patrícia Nunan Patrícia Calhau

CAPA

Munhoz

DIAGRAMAÇÃO

Marcos Henrique Barboza

IMPRESSÃO E ACABAMENTO

Esdeva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

O avivamento que precisamos hoje / Silas Malafaia

Rio de Janeiro: 2003

ISBN: 85-89811-12-3

1. Bíblia - Vida Cristã I. Título II.

As citações bíblicas utilizadas neste livro foram extraídas da Versão Almeida Revista e
Corrigida (ARC), salvo indicação específica, e visam incentivar a leitura das Sagradas
Escrituras.

É proibida a reprodução total ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios
(mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc), a não ser em citações breves,
com indicação da fonte bibliográfica.
Este livro está de acordo com as mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográfico,
que entrou em vigor a partir de janeiro de 2009.

1a edição: 2003

2a edição: Dezembro de 2009


Editora Central Gospel Ltda.

Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara Cep: 22.713-001 Rio de Janeiro- RJ

TEL: (21)2187-7000 www.editoracentralgospel.com


Sumário
Apresentação

Capítulo 1 — A importância do avivamento

Renovação espiritual, uma necessidade constante

O maior avivamento

Capítulo 2 — Condições para o avivamento genuíno

1. Ter o desejo de ser avivado

2. Ser obediente ao Senhor

3. Permitir um avivamento autêntico

4. Buscar o avivamento

Com unidade

Com oração e súplicas

Com perseverança

5. Estar aberto às mudanças promovidas por Deus

Capítulo 3 — Características de quem está cheio do Espírito Santo

1. Semelhança com Cristo

2. Temor a Deus

3. Generosidade e desapego aos bens materiais

4. Preocupação em anunciar a Palavra de Deus

5. Uso dos dons e da autoridade espiritual

Capítulo 4 — Comunhão e avivamento

Princípios fundamentais para uma profunda comunhão


Princípio número 1: a comunicação

Princípio número 2: a disposição para ajudar o outro

Princípio número 3: a promoção da paz


Princípio número 4: a cooperação

Princípio número 5: a aceitação do outro

Princípio número 6: a convivência com os irmãos

Princípio número 7: o exercício do perdão

Princípio número 8: a doação


APRESENTAÇÃO
Avivar é tornar algo ou alguém mais vivo, animado, desperto, ativo. Logo,
avivamento, o ato ou o efeito de avivar, implica um novo ânimo, disposição
e energia para atividades fora do comum ou além da nossa capacidade
atual.

Em termos espirituais, o avivamento implica um derramamento de poder


do Espírito Santo sobre o cristão obediente, a fim de que este se sinta
alegre, forte, animado e capacitado a desempenhar bem sua função no
corpo de Cristo e a cumprir a missão que lhe foi designada, sendo tudo
aquilo que Deus projetou para ele ser e um canal de bênçãos e motivação
para outros.

Assim, um dos mais profundos e genuínos anseios do cristão sincero e


biblicamente embasado diz respeito a ser cheio do Espírito de Deus e a
fazer a diferença nesta terra, em vez de entregar-se à mesmice ou
mediocridade. É por isto que o cristão avivado jamais sairá deste mundo
sem realizar algo grande para o Reino de Deus, deixando uma marca
espiritual profunda e estremecendo as hostes infernais com o poder de
Deus.

O Senhor está pronto a enviar um avivamento à Sua Igreja, trazendo


salvação, libertação, cura, milagres. Mas todo avivamento começa com
cada um de nós, que fazemos parte do Corpo de Cristo, quando desejamos
e buscamos isso com todo o nosso coração. É isso que a Palavra de Deus
diz em Deuteronômio 4.29: Buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás,
quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

Assim, neste livro vamos falar sobre a importância do avivamento, ver as


condições para que ele aconteça, destacar algumas características de quem
está cheio do Espírito Santo e comentar oito princípios para promover uma
comunhão mais profunda com Deus e o avivamento.

Boa leitura!
CAPÍTULO 1
A IMPORTÂNCIA DO AVIVAMENTO
Despertamento, renovação, vigor, ânimo são palavras que vêm à
mente quando pensamos em avivamento. Mas por que Deus
precisa avivar-nos se já temos em nós o Espírito, que nos foi dado
quando cremos e confessamos Jesus como nosso Salvador e
Senhor?
Pelo menos por três motivos.
Primeiro, porque lodos nós precisamos crescer na graça e no
conhecimento de Jesus Cristo até alcançarmos a estatura de varão
perfeito.
Segundo, porque, no meio da caminhada cristã, após lutas,
problemas e adversidades, podemos ficar cansados e abatidos.
Então, precisamos clamar a Deus como fez o profeta Habacuque:
Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos (He 3.2), a fim de
não começarmos a abrir mão de nossa fé em Cristo, não darmos
lugar à nossa carne e aos padrões mundanos, bem como
vencermos as astutas ciladas do diabo.
Terceiro, porque Jesus breve virá. A qualquer momento a
trombeta soará, e a Igreja será arrebatada para encontrar-se com o
Senhor. Precisamos buscar a renovação espiritual para subirmos
com os salvos, como fizeram as virgens prudentes, na parábola
contada por Jesus em Mateus 25.
Renovação espiritual, uma necessidade constante
A renovação espiritual é uma necessidade urgente de todo cristão
que deseja manter-se em pé diante de Deus, aparar as arestas da
sua vida, não esfriar na fé e vencer os constantes desafios que
surgem durante a nossa jornada nesta terra pelo poder do Senhor.
Desde o Antigo Testamento, vemos Deus agindo na vida de Seu
povo e trazendo avivamento, para quebrar cativeiros, trazer cura,
restauração e comunhão com Ele. E isso que observamos na
história de Israel em momentos-chave, como quando Deus ungia
líderes para guiar e orientar Seu povo, e chamá-lo ao
arrependimento (ver Nm 11.16,17, 24-30; Dt 34.9; Jz 3.10; 6.34;
1 Sm 10.6,10-13; 1 Rs 18; Ed 1.5).
A diferença é que, na época veterotestamentária, o Espírito Santo
ungia pessoas ou grupos específicos (juízes, reis e profetas), e
trazia o avivamento a Seu povo por intermédio deles, mas a partir
do Pentecostes que se sucedeu à morte, ressurreição e ascensão de
Jesus, o Espírito Santo veio sobre todos os cristãos reunidos no
cenáculo, sobre a multidão para a qual o apóstolo Pedro pregou
(At 2.1 -4; 4.31), e sobre todos aqueles que crêem em Cristo
como um selo, uma garantia da salvação e um revestimento de
poder (2 Co 1.22; Ef 1.14), em cumprimento à promessa de Deus
em Ezequiel 11.19,20 e Joel 2.28-30.
O maior avivamento
Nos capítulos 2 e 4 de Atos, está registrado o maior avivamento
de todos os tempos. O derramar do Espírito Santo na Igreja
primitiva, que permitiu que ela evangelizasse lodo o mundo
antigo.
Alente para o relato de Lucas em Atos 2.1-6, 14-19, 21,33:
Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no
mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um
vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que
estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas,
como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E
todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em
outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que
falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões
religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E,
correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa,
porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e
disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém,
seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens
não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira
hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos
últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito
derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas
filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos
velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei
sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e
profetizarão; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais
em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça [...] e
acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será
salvo.
De sorte que, [sendo Jesus] exaltado pela destra de Deus e tendo
recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que
vós agora vedes e ouvis.
Qual foi o resultado desse avivamento? Comunhão, unidade e
ousadia para anunciar o evangelho com graça, poder e muitos
sinais de que Deus estava no meio de Seu povo salvando e
operando milagres. É isso que está subentendido em Atos 2.42-
44, 46,47 e 4.31-33:
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no
partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e
muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos, todos os
que criam estavam juntos e tinham tudo em comum |...| E,
perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão
em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os
dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de
salvar.
E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos;
e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com
ousadia a palavra de Deus, e era um o coração e a alma da
multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma que
possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.
E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da
ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante
graça.
Avivamento é fundamental para cada cristão e para a Igreja. Sem
vida, comunhão, graça e poder não há como ser uma testemunha
de Cristo e levar outros ao conhecimento da verdade! Busquemos,
pois, o avivamento espiritual, para a glória de Deus!
CAPÍTULO 2
CONDIÇÕES PARA O AVIVAMENTO GENUÍNO
Até agora nos conscientizamos da importância do avivamento.
Mas quais são as condições para que Deus avive um filho Seu e
Sua Igreja como um todo? São pelo menos cinco: ter o desejo de
ser avivado, ser obediente ao Senhor, permitir que Deus trabalhe
como Ele quiser para produzir um avivamento autêntico, buscar o
avivamento por meio da oração, do jejum, e estar aberto às
mudanças que o Senhor irá fazer em sua vida.
1. Ter o desejo de ser avivado
Em primeiro lugar, o avivamento não pode acontecer quando, no
coração do povo de Deus, não existe o desejo, a vontade de
participar de um despertamento espiritual e voltar ao propósito
inicial de Deus para Sua Igreja.
E como se sabe que uma pessoa tem vontade de alguma coisa?
Por suas atitudes. Apenas afirmar que deseja um avivamento não
basta. É preciso caminhar em direção ao que se deseja, tendo
atitudes concretas. E isso que percebemos na exortação de Jesus à
Igreja em Éfeso:
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as
primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu
lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
Apocalipse 2.5
2. Ser obediente ao Senhor
Em segundo lugar, o avivamento real só pode ocorrer na vida
daqueles que se submetem a Jesus Cristo. Essa é uma atitude
concreta para ser avivado. Não há avivamento genuíno sem
obediência a Cristo.
Em Lucas 24.49, o Senhor instruiu Seus discípulos: Ficai, porém,
na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
Se eles não tivessem obedecido à orientação de Jesus, não teriam
recebido aquele derramamento do Espírito, registrado em Atos 2.
3. Permitir um avivamento autêntico
Em terceiro lugar, é necessário um avivamento genuíno,
produzido por Deus, e não mero barulho ou imitação do que Deus
está realizando em outras nações por meio da Igreja, por mais
admirável que isto nos pareça.
O Espírito Santo não trabalha sempre da mesma forma. A Bíblia
fala de multiforme graça, e não de uniforme graça. Nosso Senhor
é um Deus de coisas novas. Ele utiliza métodos novos.
Se quisermos um avivamento verdadeiro, a Igreja no Brasil
precisa aprender a ouvir a voz do Senhor e obedecer. O que o
Senhor deseja para nós, como Igreja, neste país é específico.
Devemos descobrir e nos enquadrarmos nas condições que Ele
estabeleceu, para que haja o avivamento.
Além disso, o avivamento começa de dentro pra fora, e não de
fora para dentro. Começa dentro do coração de cada cristão que se
quebranta e dispõe-se para o Senhor. Logo, não adianta fazer
barulho, falar em línguas estranhas e rodopiar nos cultos, se esse
"mover" não for produzido realmente pelo Espírito Santo e se não
vier acompanhado de quebrantamento, santificação, temor a
Deus, graça e alvos específicos, estabelecidos por Cristo, o
Cabeça da Igreja.
4. Buscar o avivamento
Em quarto lugar, o avivamento só acontece como resultado de
uma constante e intensa busca. Buscar é uma ação em prol de um
objetivo. E como se deve buscar o avivamento?
Em Atos 1.14, vemos que as pessoas que obedeceram à ordem de
Jesus em Lucas 24.49 (sobre ficar em Jerusalém até que fossem
revestidas de poder) perseveraram unânimes em oração e
súplicas!
Destacamos aqui três coisas: 1) a unanimidade, unidade da Igreja;
2) a oração e as súplicas; 3) a perseverança. Vejamos as
implicações disso.
Com unidade
Em Efésios 4.4-6, Paulo observou que há um só corpo e um só
Espírito [...]; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só
Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em lodos.
A Igreja é o Corpo de Cristo, um organismo vivo onde todos os
membros trabalham de acordo com a orientação da Cabeça, Jesus,
em prol daquilo que Ele estabeleceu como missão para esse
Corpo: promover a edificação de cada cristão e anunciar o
evangelho aos que ainda não fazem parte desse edifício espiritual,
a fim de que tenham a oportunidade de reconhecer Jesus como o
Filho de Deus, Salvador e Senhor, possam ser salvos, fazer parte
da Igreja e ter a vida eterna (ver Ef 4.12,16; 1 Pe 2.9).
Contudo, não há unidade quando, em uma igreja, o pastor-
presidente quer uma coisa, e o superintendente de EBD, os
dirigentes de congregação, os obreiros e/ou a líder do
departamento feminino querem outra, divergindo entre si e não
chegando a um consenso. Como esperar um avivamento se a
igreja está dividida?
Se queremos uma renovação espiritual e poder para mudar nossa
vida e impactar a de outros, devemos buscar a unidade de amor e
de propósito.
Com oração e súplicas
Como os irmãos da Igreja primitiva buscaram ao Senhor?
perseveravam unânimes nas orações e súplicas (At 1.14).
Orar é falar com Deus, contar-lhe os nossos problemas, aflições,
anseios, e ouvir o que Ele tem a dizer. Deus tem muitas maneiras
de falar comigo e com você. Mas nós só temos uma maneira de
falar com Deus: orando.
Você sabe o que é suplicar? É pedir de maneira humilde e
insistente; implorar, rogar encarecidamente que Deus atenda ao
nosso pedido. Era isso que os primeiros cristãos faziam, bem
como os crentes do Antigo Testamento. Quando alguém tinha
uma necessidade veemente e precisava de uma resposta urgente
da parte de Deus, rasgava suas vestes, vestia-se de pano de saco e
colocava cinzas sobre a cabeça, para demonstrar contrição,
humildade e dependência de Deus (ver Js 7.6; 1Rs 21.27; 2Rs
19.1; Jó 1.20).
Você pensa que contrição era uma exigência apenas da antiga
aliança? Então atente para a recomendação em 1 Pedro 5.6:
Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a
seu tempo, vos exalte.
A despeito de saberem disso, muitos cristãos não querem separar
um tempo para ler a Palavra de Deus e meditar sobre ela,
tampouco orar e suplicar Àquele que os criou. Não querem dobrar
os joelhos, colocar a cara no pó e clamar a Deus. Querem poder,
mas sem terem de esforçar-se para buscar ao Senhor.
Alguns só oram quando estão prestes a dormir: "Senhor, eu te
agradeço pelo dia de hoje. Dá-me uma noite de paz, um sono
tranqüilo e reparador... e... ah, não esqueça de avivar o Teu povo,
em nome de Jesus, amém". Orando desta forma, o máximo que
alguém irá conseguir será um adormecimento, e não um
avivamento.
O cristão que ora conhece a voz do Senhor, tem comunhão com
Deus, direção e resposta. Ele não anda sem rumo por aí, temeroso
pelas lutas, porque sabe quem é Deus e como Ele age a seu favor.
Mas quem não ora normalmente é morno na fé e vive às voltas
com lutas e mais lutas, sem quase nenhuma perspectiva de vitória.
A oração é uma arma espiritual importantíssima! Ela foi o
segredo do sucesso de muitos heróis da fé. Por isso, Satanás está
sempre trabalhando para que não oremos, ou que oremos de
maneira incorreta e ineficiente. Afinal, cristão que ora é
abençoado; o que não ora é derrotado. Cristão que ora é renovado;
o que não ora não é morno.
O avivamento está tardando? Você se sente pequeno, fraco e
insignificante diante das lutas? Só há uma maneira de buscar
fortalecimento para sua fé sentir-se crescendo em estatura
espiritual: ore, suplique a Deus por sua causa. Separe um tempo
para falar com o Senhor e ouvi-lo. Humilhe-se diante dele, e Ele,
ao Seu tempo, vai exaltá-lo.
Com perseverança
Além de orar, quem está buscando um avivamento deve caminhar
apoiado em duas colunas: a fé e a perseverança.
Em Mateus 21.22, Jesus ensinou que tudo o que pedirmos em
oração, crendo, receberemos. E, em Mateus 7.7, Ele instruiu Seus
discípulos a perseverar:
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que
bate, se abre.
O apóstolo Paulo também ensinou: Alegrai-vos na esperança,
sede pacientes na tribulação, perseverai em oração (Rm 12.12). Se
ele falou isto é porque a nossa tendência é fazer exatamente o
oposto nessas três situações: ficarmos tristes enquanto esperamos
o cumprimento das bênçãos em nossa vida, sermos impacientes
na tribulação e interrompermos as nossas orações.
Em Efésios 6.18, aprendemos que a oração deve ser constante; se
a oração deve ser constante, quem ora deve ser perseverante. Essa
idéia é reforçada em 1 Tessalonicenses 5.17 — Orai sem cessar
— e em Colossenses 4.2 — Perseverai em oração, velando nela
com ação de graças.
Começar qualquer coisa pode ser fácil, mas dar continuidade ao
que se começou pode ser muito difícil, porque exige constância,
fé e esforço da nossa parte em meio às lutas, dificuldades e
incredulidade alheia.
É por causa da inconstância que existem pessoas que chegam para
o pastor e dizem: 'Vou começar um trabalho aqui na igreja. Vou
organizar uma equipe de evangelismo e sair por aí,
evangelizando. O senhor me abençoa?". O pastor responde: "Sim,
abençôo. De que mais você precisa?". Então, todos os recursos
são disponibilizados para o grupo; contudo, três meses depois, o
trabalho é paralisado porque a maioria desanimou ante as
dificuldades.
Mas não devemos agir assim. Nosso trabalho é comparado ao do
agricultor, que com fé, perseverança e esperança trabalha
arduamente para arar, semear e irrigar a terra, mesmo não
colhendo de imediato os frutos do seu trabalho, visto que cada
semente tem o seu tempo de maturação.
Devemos esforçar-nos e manter-nos perseverantes até que Deus
faça aquilo que Ele deseja por nosso intermédio. Temos de
manter-nos fiéis a Deus, ao trabalho que começamos para Ele e
aos alvos estabelecidos, sabendo que Deus não tem prazer
naqueles que recuam, e sim naqueles que avançam crendo que Ele
lhes dará a vitória (Hb 10.38).
5. Estar aberto às mudanças promovidas por Deus
Em último lugar, para que haja avivamento, algo deve mudar, a
começar pelo nosso interior, pela nossa maneira de pensar, sentir,
desejar e agir.
Em Atos 4.31, está escrito: E, tendo eles orado, moveu-se o lugar
em que estavam reunidos. Mover é deslocar algo do lugar em que
está, provocando mudança. Quando aqueles primeiros cristãos
reunidos no cenáculo oraram, o lugar foi abalado com a presença
de Deus, que se manifestou de modo tremendo, enchendo-os de
poder e marcando a vida deles de tal forma que nunca mais foram
os mesmos, pois passaram a testemunhar sobre Cristo como
nunca antes.
O avivamento nos leva a sair da mesmice espiritual em que
vivemos, da estagnação a que estamos habituados. Então, o nosso
culto a Deus não é mais um mero ritual ou uma rotina religiosa. É
uma celebração ao Deus vivo e verdadeiro que ' está em nosso
meio, que nos ama e move-se a nosso favor, reagindo
favoravelmente à nossa busca por Ele. Foi isso que Ele prometeu
em Jeremias 29.13,14: E buscar-me-eis e me achareis quando me
buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o
Senhor.
Você está acostumado a fazer sempre a mesma coisa na sua
igreja? Dirige um grupo de estudo, um departamento ou coral? Dá
aulas na escola dominical ou costuma fazer visitas aos novos
convertidos? Glória a Deus por isso! Mas tenho uma notícia para
você: Deus quer movimentar a sua vida, quer usá-lo em novas
áreas.
Quando o avivamento vier, Deus vai mudar o seu ser e levá-lo a
desfrutar de coisas novas. Quando Deus despertar Sua Igreja
nesses últimos tempos que antecedem a volta de Cristo, Ele vai
"sacudir" muitos cristãos que estão tendo uma vida aquém do que
deveriam, acomodados à sua repetitiva rotina, sem poder, sem
milagre. Ele vai levá-los a superar barreiras impostas por
tradições religiosas, legalismo, crises; vai promover a união do
Corpo de Cristo e levá-lo a anunciar o evangelho como nunca, no
poder, na graça na autoridade nome de Jesus e testificando pelo
Espírito Santo. Muitas pessoas vão converter-se e ser tratadas pela
Igreja do Senhor. Elas também vão crescer na graça e no
conhecimento de Cristo, ser cristãs maduras e dar muitos frutos,
para a glória de Deus!
Isto é avivamento, despertamento! É a ação do Espírito Santo, a
qual tem a ver com movimento, mudança. O avivamento de que
precisamos para os dias de hoje é este! Esteja preparado!
Nutra o desejo de ser renovado espiritualmente. Busque o
avivamento com fé. Ore, fale com Deus: "Senhor, o que queres
mudar em mim? O que precisa ser movido ou removido em meu
ser? Onde queres usar-me? O que queres que eu faça para ti?"
Seja obediente ao Senhor, permitindo que Ele trabalhe como
quiser, para produzir um avivamento autêntico em você, na sua
igreja, e esteja aberto às mudanças que o Senhor irá efetuar para
melhor em sua vida.
Deus quer mover-nos. Quer levar-nos à maturidade espiritual e à
realização de muitas coisas em Seu nome. Ele deseja usar-nos de
maneira diferente, especial. Quer arrancar-nos da mesmice.
Quando o avivamento vier, nunca mais seremos os mesmos! Será
um tempo de comunhão, adoração, alegria, milagres, crescimento
da Igreja e expansão do Reino de Deus aqui na terra. Então,
certamente diremos: Grandes coisas fez o Senhor por nós, e, por
isso, estamos alegres (Sl 126.3).
Você é um cristão avivado? O Espírito Santo tem tido
proeminência em sua vida? No capítulo seguinte, veremos quais
as características de quem está avivado.
CAPÍTULO 3

CARACTERÍSTICAS DE QUEM ESTÁ


CHEIO DO ESPÍRITO SANTO
Para que o avivamento aconteça, os cristãos têm de ser cheios do
Espírito Santo.
Como sabemos que uma pessoa é cheia do Espírito? Por ela falar
mais línguas estranhas ou profetizar mais do que as outras? Não.
Estas são algumas das evidências, mas não as únicas. E podem ser
forjadas. Mas há outros indicadoras mais seguros, como a
manifestação do fruto do Espírito — o amor, a alegria, a paz, a
paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o
domínio próprio (Gl 5.22,23 NTLH) — na vida da pessoa e a
exibição das seguintes características: semelhança com Cristo,
temor a Deus, generosidade e desapego aos bens materiais,
preocupação em anunciar a Palavra a outros, o uso dos dons e da
autoridade espiritual. Vejamos mais especificamente cada um
desses quesitos.
1. Semelhança com Cristo
A pessoa cheia do Espírito Santo manifesta um profundo desejo
de ser semelhante a Cristo no que tange ao Seu caráter e às Suas
obras.
Foi por causa da sua semelhança com Cristo que os do Caminho
(At 9.2 ara), como eram conhecidos os primeiros seguidores do
Senhor, foram chamados pela primeira vez cristãos, que significa
pequenos cristos, em Antioquia (At 11.26). Eles foram
designados assim porque se pareciam com Cristo; imitavam Seu
modo de ser, de falar e de agir.
Uma pessoa cheia do Espírito Santo tem desejo de imitar o seu
Salvador. Foi isso que Paulo fez e ensinou; daí ele ter
recomendado: Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo
(1 Co 11.1). Em outras palavras, o apóstolo estava dizendo:
"Podem imitar a mim, pois eu sou parecido com Cristo!"
Paulo reforçou essa idéia em Filipenses 4.9, quando exortou: O
que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em
mim, isso fazei. E preciso muita convicção de que sua vida está
pautada na vida de Cristo para recomendar tal coisa! Contudo,
lamentavelmente, o que vemos hoje é muita gente, inclusive que
se diz cristã, querendo imitar artistas e celebridades, que não têm
nada a acrescentar, em vez de imitar Cristo, que foi um modelo
para todos nós de humildade, verdade, amor, altruísmo, justiça,
nobreza de caráter, misericórdia, bondade, humanidade.
Já uma pessoa cheia do Espírito Santo quer e consegue imitar seu
Senhor e Salvador: Jesus Cristo. A Ele, a glória!
2. Temor a Deus
Outra marca na vida de uma pessoa cheia do Espírito Santo é o
temor a Deus. Por isso, ela se esforça para não pecar e batalha
para não desagradar e ofender Aquele que a amou primeiro,
salvou e deu-lhe uma nova vida. E quando, involuntariamente,
peca, ela fica triste, arrepende-se, pede perdão e muda seu
comportamento.
Essa pessoa realmente demonstra ter temor a Deus. Mas quem
erra e fica tentando apresentar desculpas para o seu pecado
demonstra que, no fundo, não se quebrantou nem arrependeu-se,
quer apenas se autojustificar, em vez de receber a justificação que
vem pelo sangue de Cristo, que nos purifica de todo o pecado.
Logo, temer a Deus não é ter medo de um Deus vingativo e
iracundo, que deseja acabar com alguém ao primeiro erro deste.
Temer a Deus é reconhecer a soberania e a grandeza do Senhor e
ser submisso a Ele, sabendo que o justo Juiz nos está vendo o
tempo todo e, um dia, vamos prestar-lhe contas por nossas
palavras, pensamentos, ações ou omissões (Hb 4.13).
A pessoa que teme a Deus introjeta em seu ser marcas do caráter
de Deus, que passam a fazer parte do seu caráter, da sua história e
da sua vida. E por isso que, no Salmo 112.4b, está escrito que o
homem que teme a Deus é piedoso, misericordioso e justo.
E sabe qual é o resultado prático na vida de quem teme a Deus? A
sua descendência será abençoada e poderosa na terra (SI 112.2);
fazenda e riquezas haverá na sua casa (v. 3); em meio às trevas,
ele verá nascer a luz (v. 4); disporá as suas coisas com juízo (v.
5); não temerá os maus rumores (v. 7); nunca será abalado (v. 6);
a sua força se exaltará em glória (v.9) e ficará em memória eterna
(v. 6).
3. Generosidade e desapego aos bens materiais
Outra característica da pessoa cheia do Espírito Santo é a
generosidade, a liberalidade e o desapego aos bens materiais. Isso
ocorre porque ela valoriza mais o espiritual e eterno do que o
material e transitório. Assim, ela busca o Reino de Deus e Sua
justiça em primeiro lugar, atentando para o que Jesus ensinou em
Mateus 6.25,31-33:
Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de
comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo,
pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o
mantimento, e o corpo mais do que a vestimenta? Não andeis,
pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou
com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios
procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais
de todas essas coisas; mas buscai primeiro o Reino de Deus, e, a
sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
Hoje, porém, há pessoas dentro das igrejas que só faltam pedir a
Jesus para Ele não voltar agora porque elas têm tanta ganância,
amam tanto o dinheiro, estão tão presas às coisas terrenas que só
usam sua fé em Deus para tentar obter bens materiais. E há outras
que acham que o Senhor não as ama porque não lhes deu a casa, o
cargo, o salário ou o cônjuge que sonhavam. As pessoas de ambos
os grupos não amam nem servem ao Deus verdadeiro; servem a
um deus materialista, a Mamon. Parece que nunca leram o que
Paulo disse em 1Coríntios 15.19: Se esperamos em Cristo só
nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Que evangelho está sendo anunciado por aí? Um evangelho de
negociatas, de toma lá dá cá, que só reivindica coisas materiais;
um evangelho de “Venha para Jesus para conseguir um bom
casamento, um carro novo, uma casa própria, uma cura"? Sei que
Jesus pode dar tudo isso àqueles que o seguem, mas essa não é a
essência das boas-novas de salvação que Ele pregou. Não foi por
coisas corruptíveis que Jesus morreu naquela cruz em nosso lugar.
Foi para nos assegurar perdão, paz, comunhão com Deus e vida
eterna.
Precisamos de um avivamento que leve as pessoas a imitar Cristo,
a temer a Deus e a ser desapegadas dos bens materiais. Mais do
que nunca, precisamos de um avivamento, a fim de que voltemos
ao primeiro amor e o espiritual seja priorizado. Então,
exclamaremos como o salmista:
Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a
minha alma por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do
Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
Salmo 42.1,2
Então, teremos fome e sede de Deus, e Ele se manifestará a nós
poderosamente.
Uma pessoa cheia do Espírito Santo está preparada para o
sobrenatural de Deus se manifestar na vida dela. Precisamos de
um avivamento, para que as pessoas sejam cheias do Espírito
santo!
4. Preocupação em anunciar a Palavra de Deus
Além de ser semelhante a Cristo, de temer a Deus e priorizar as
coisas espirituais e eternas, uma, pessoa avivada sente desejo de
compartilhar com outras a Palavra de Deus. É isso que vemos em
Atos 4. Após os cristãos serem revestidos do poder do Espírito
Santo, no Dia de Pentecostes, eles anunciavam com ousadia a
palavra de Deus (v. 31).
O avivamento traz fé e coragem para a proclamação do evangelho
de maneira convicta e inequívoca. Contudo, muitos que se
mostram "fervorosos" dentro da igreja, quando estão fora, em seu
trabalho, em sua escola, em seus afazeres diários, sequer se
identificam como cristãos ou falam de Jesus. Têm medo de
assumir suas crenças e ser menosprezados, ou não compartilham
o evangelho com ninguém porque eles mesmos têm dúvida
quanto à verdade.
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como
crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há
quem pregue? (Rm 10.14) E como convencer outro de que o
estilo de vida cristão é o melhor, quando se vive de modo
conflitante com aquilo em que se afirma crer? Quem crê em Deus
lhe obedece. Vive e morre por essa verdade, em vez de esconder-
se ou esquivar-se!
Estamos precisando de um avivamento, para que os cristãos
acordem para a realidade e percam o medo, a vergonha e a
incredulidade, e anunciem o evangelho com graça, ousadia e
poder, deixando de ser omissos. Afinal, enquanto muitos cristãos
estão preocupados apenas consigo mesmos, milhares de pessoas
estão bem perto, desesperadas, doridas, precisando de uma
palavra de conforto, alívio, esperança, salvação. Mas eles não
estão nem aí para isso. São indiferentes ao seu próximo e ao apelo
de Cristo.
Nunca foi tão fácil pregar o evangelho! A violência, a
desagregação familiar, as drogas, o desemprego, a corrupção, a
fome, os desastres naturais, tudo isso nos concede oportunidades
para falarmos de Jesus, de Seu amor e de Seu plano de salvação.
O cristão deve lançar a semente do evangelho e deixar o Espírito
Santo trabalhar. Precisamos de um avivamento para não
perdermos nenhuma oportunidade que passa na nossa frente!
Certa vez eu estava retornando da igreja para casa quando dois
pneus do meu carro estouraram. Eram 23 horas. Eu só tinha um
estepe. A 100 metros dali, havia um posto, mas já estava fechado.
Tinha um vigia, e eu lhe perguntei: "amigo, posso deixar meu
carro aqui no posto? Amanhã, volto para buscar".
O vigia concordou. Em seguida, fui para o outro lado da rua,
pensando: "Senhor, sei que esses dois pneus não furaram a toa.
Será que tu queres me usar para falar com algum taxista? Se for
isso, que a pessoa pare para mim espontaneamente".
Fiquei parado. Às 23h20min, passou um táxi livre, mas não
parou. Eu também não fiz sinal. Tornei a orar: "Senhor, não sei
como vai ser, mas o táxi terá de parar aqui". Passou o segundo
táxi, e também não parou. Depois de 35 minutos, veio outro táxi,
que parou dois metros à minha frente. Desceu um casal. Eu dei
um passo adiante, e disse: "amigo, estou precisando ir para casa.
Dois pneus do meu carro furaram... já é tarde. Vou deixar o carro
no posto, e amanhã voltarei para consertar os pneus". O motorista
disse: "pode entrar".
Assim que eu entrei no veículo, disse: "amigo, sou um pastor, e
quando os pneus do meu carro furaram, eu sabia que Deus me
usaria para falar de Jesus para alguém. Eu pedi ao Senhor que Ele
fizesse o carro dessa pessoa parar perto de mim. Você foi o único
táxi que parou. Isso significa que Deus quer tratar com você".
A essa altura da conversa, o motorista já se derramava em
lágrimas. Há 20 anos, ele se desviara dos caminhos do Senhor, ao
envolver-se com drogas. Enquanto nos aproximávamos de minha
casa, continuei pregando para ele e depois orei com ele dentro do
carro.

Um ano depois, uma casa de recuperação de usuários de drogas


no Rio de Janeiro levou um grupo de recuperados à minha igreja,
para louvar a Deus. De repente, um deles, bem-arrumado e
sorridente, começou a fazer sinal de que queria falar comigo
depois. Assim que o culto terminou, ele me deu um abraço e,
chorando, disse que era o motorista de táxi aquém eu tinha falado
de Jesus na noite em que os pneus de meu carro haviam furado,
que o Espírito Santo o havia tocado para ele voltar aos caminhos
do Senhor, e Jesus o libertara das drogas, restaurando sua vida.
O evangelho é a verdade e o poder de Deus para mudar vidas!
Precisamos de um avivamento, para termos compaixão pelos
perdidos, pregando a tempo e fora de tempo para eles, a fim de
que o Senhor resgate aqueles que estão indo para o inferno. Essa é
a missão da Igreja: cumprir o ide de Jesus!
5. Uso dos dons e da autoridade espiritual
Em Atos 4.33 está escrito:
E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da
ressurreição do Senhor Jesus, e em todo; eles havia abundante
graça.
Precisamos de um avivamento, para que todo cristão tenha a
certeza de que pode, em nome de Jesus, orar, dar testemunho de
sua fé e liberar palavras para abençoar outros. Não é necessário
nenhum outro intermediário, além de Jesus, para alguém se
achegar a Deus e ser ouvido por Ele.
O Senhor não conta só com o testemunho, a oração e o
evangelismo feitos por pastores e outros líderes na igreja. Ele
conta com você também, onde você mora, estuda, trabalha. Deus
deseja dar-lhe poder, graça, dons, talentos e autoridade, para você
testemunhar sobre Cristo e para que, ao liberar uma palavra com
base na Palavra de Deus e na sua experiência com o Senhor, o
Espírito Santo a confirme, trazendo quebrantamento, cura,
libertação, salvação a quem estiver ouvindo você.
Se foi lavado e remido pelo sangue do Cordeiro, se é obediente a
Deus e à Sua Palavra, você tem o Espírito Santo, e Ele lhe
concede discernimento, graça e autoridade para falar e agir como
um representante de Jesus nesta terra. Jesus revelou aos Seus
discípulos: Eis que vos dou poder par pisar serpentes, e
escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum
(Lc 10.19).
Foi crendo nessa realidade espiritual que duas adolescentes da
igreja do Pr. Marco António Peixoto, durante um evangelismo na
noite de Réveillon, na praia de Copacabana, repreenderam o
demônio de uma mulher possessa, dando um testemunho
tremendo do poder de Deus à multidão que ouvia as previsões da
capetada. Quando o demônio se debateu, alegando ter sido
amarrado, uma das jovens cristãs explicou: "Olha, pessoal, quem
amarrou esse demônio foi o Senhor Jesus, e Ele tem todo o poder
para libertar, curar e dar uma vida nova a vocês. Só Ele conhece o
futuro de cada um aqui. Entregue sua vida a Ele.”
Que belo testemunho de Cristo!
Senhor Jesus, mande um avivamento para a Sua Igreja, a fim de
que possamos dar um testemunho poderoso e impactante como
esse, sempre que tivermos uma oportunidade! Gere em nós o
desejo de sermos avivados, de orarmos e buscarmos o avivamento
genuíno. Dê-nos fé, perseverança e graça para continuarmos
insistindo até recebermos renovação espiritual. Faça uma
mudança radical em nós. Encha-nos do Seu Espírito, de amor,
ousadia e autoridade para anunciarmos o evangelho ao nosso
próximo! Conceda-nos dons espirituais, para edificarmos a Igreja
e promovermos a salvação dos que convivem conosco, bem como
unidade como Corpo de Cristo. Assim Seu nome será glorificado,
e o Seu Reino expandido aqui na terra!
No capítulo seguinte, falaremos sobre a importância da comunhão
e unidade do Corpo de Cristo, bem como os princípios
fundamentais para essa realidade, que promove o avivamento e
muitos milagres.
CAPÍTULO 4
COMUNHÃO E AVIVAMENTO
Em Atos 4.32-35, está escrito:
E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e
ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria,
mas todas as coisas lhes eram comuns [...] e em todos eles havia
abundante graça [...] Não havia, pois, entro eles necessitado
algum [...] E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que
cada um tinha.
Era um o coração e a alma da multidão dos que criam em Jesus.
Havia uma profunda comunhão, amor e confiança entre os
primeiros cristãos; conseqüentemente, havia graça e uma
tremenda unção de Deus, pois, como é dito no Salmo 133.1a,3b,
quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união [...]
porque ali o SENHOR, ordena a bênção e a vida para sempre.
A união faz a força. A Igreja de Jesus Cristo, como um corpo
espiritual que trabalha por uma finalidade comum, precisa de
membros bem ajustados e de coesão em relação às suas metas e
aos seus objetivos. Não basta pregar sobre a verdade; é preciso
vivenciá-la.
E por isso que precisamos de um avivamento: para que haja uma
profunda comunhão na igreja, o Senhor Jesus se manifeste
poderosamente em nosso meio, e as pessoas reconheçam que o
evangelho é maravilhoso e prático; é perfeitamente possível viver
à luz dele. Mas não falo de uma comunhão superficial, de reunir-
se num mesmo lugar e prestar um culto a Deus, ou de mera
concordância com as idéias alheias. Refiro-me à comunhão
profunda, à qual Paulo aludiu em Colossenses 3.12-16:
Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de
entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade,
mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros e
perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra
outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.
E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da
perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados
em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A
palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a
sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com
salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com
graça em vosso coração.
Por que Paulo usou a palavra entranhas? Porque entranha fala de
profundidade; é uma coisa que está escondida e bem arraigada,
enraizada, sendo difícil de arrancar. Se estivermos revestidos, ou
seja, duplamente vestidos, de entranhas de misericórdia, de
benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, o Espírito
Santo dominará nosso ser, e nossa comunhão com nosso irmão na
fé não será algo superficial; portanto, não poderá ser abalada por
qualquer lapso humano ou desentendimento.
Para que haja comunhão profunda e unidade na igreja, cada
cristão precisa estar revestido de entranhas de misericórdia, de
benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, para suportar
e perdoar o outro, promovendo o crescimento e a edificação do
Corpo de Cristo.
Ainda existem muitos cristãos imaturos e superficiais, que dizem:
"não falo com aquele irmão porque ele não me deu a paz do
Senhor", ou se opõem ao outro porque o acham metido,
antipático, e saem falando mal dele para todo mundo. Isso é
cristianismo?
Às vezes, aquela pessoa que alguém imagina ser antipática está
vivenciando um problema sério e, em vez de aproximar-se dela
para ver se pode ajudá-la, dar-lhe uma palavra de ânimo, consolo,
o cristão imaturo já sai julgando-a, condenando-a e aplicando a
pena. Mas Jesus não nos constituiu juízes uns dos outros. Antes,
fomos chamados a crucificar nossas paixões, a corrigir nosso
olhar, que só vê o que está ao alcance dos nossos olhos e nos
interessa, a amar, porque o amor é o vínculo da perfeição (Gl
5.24; Cl 3.14). Como lembrou Paulo, nós que somos fortes
devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós
mesmos (Rm 15.1).
Tendo em vista a importância da comunhão para a saúde
espiritual e a obra de Deus por intermédio do Corpo de Cristo,
vamos analisar a seguir alguns princípios que devem ser
observados por quem quer usufruir de uma profunda comunhão
com seu irmão na fé; entre os quais a comunicação, a disposição
para ajudar o outro, a promoção da paz, a cooperação, a aceitação
do outro, a convivência com os irmãos, o exercício do perdão, e a
doação.
Princípios fundamentais para uma profunda comunhão
Princípio número 1: a comunicação
Se você quer usufruir de uma profunda comunhão com o seu
irmão, fale com ele, converse. Estabeleça com ele um canal de
comunicação. É por meio da fala, dos gestos e das nossas atitudes
que nos comunicamos com Deus e com o nosso próximo,
construímos e mantemos relacionamentos.
Comunicar o quê?Em Efésios 4.25 e Colossenses 3.9,10, somos
instados a rejeitar a mentira e a falar a verdade sempre.
Fale a verdade, seja sincero e simples, como recomendou Jesus
em Mateus 5.37: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não,
porque o que passa disso é de procedência maligna. Contudo, seja
amável com a pessoa como gostaria que ela fosse com você, e
espere para falar na hora certa, no momento oportuno e adequado,
quando ela poderá ouvi-lo com calma.
Não constranja ninguém, falando de qualquer modo e na frente de
todo mundo. Como ensina a Palavra de Deus, como é preciosa a
palavra dita a seu tempo (Pv 25.11).
A verdade é para edificar o outro, e não para destruí-lo. Portanto,
essa arma espiritual que liberta não deve ser empunhada com
arrogância, desprezo pelo outro; antes, deve ser usada com amor
(leia Tg 3).
Além disso, crie o hábito de falar sobre coisas boas, conforme nos
ensinou Paulo em Efésios 4.29: Não saia da vossa boca nenhuma
palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação,
para que dê graças aos que a ouvem.
Princípio número 2: a disposição para ajudar o outro
A comunicação é o primeiro princípio para cultivarmos uma
comunhão profunda com nossos irmãos, e o segundo princípio é a
disposição para ajudar o nosso próximo.
Ajudar é auxiliar, prestar socorro, servir, mas também suportar o
outro, facilitando para ele relacionar-se conosco. Fazemos isso
quando aplacamos a nossa ira e crucificamos as nossas vontades
mesquinhas em prol do outro, quando somos altruístas e quando
suportamos as fraquezas dos fracos e não agradamos a nós
mesmos (Rm 15.1).
Existe até pastor que diz só querer cristãos fortes e maduros na
igreja dele. Isso é besteira! O fraco precisa ficar perto do forte
para ser fortalecido. O imaturo precisa conviver com o maduro na
fé para crescer também. A comunhão profunda promove isso. É
deste tipo de ajuda que todos nós precisamos. Ninguém é perfeito
nem autossuficiente. Ninguém se basta. Somos membros uns dos
outros (Rm 12.5). Somos um corpo e, para que não haja divisão
no corpo, cada membro deve ter igual cuidado uns dos outros (v.
25).
Princípio número 3: a promoção da paz
A Palavra de Deus nos recomenda: Se for possível, quando
estiver em vós, tende paz com todos os homens (Rm 12.18). Em
outras palavras, naquilo que depender de nós, devemos ter paz
com todos. Se o outro não quiser, é problema dele.
A paz é a condição para que o amor e o diálogo fluam,
promovendo a comunhão entre os membros do Corpo de Cristo.
Deus já nos perdoou, permitindo que estejamos em paz com Ele e
com nós mesmos, a fim de relacionar-nos melhor uns com os
outros. E o Senhor nos deu o ministério da reconciliação (2 Co
5.18), e não o da confusão! Devemos promover a paz, a
reconciliação das pessoas umas com as outras e com Deus, e o
amor. Afinal, Jesus deixou bem claro, em João 13.35, que a marca
dos Seus discípulos seria o amor. O amor não faz mal ao
próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor (Rm 13.10).
Jesus é o Príncipe da paz. Como Seus embaixadores, sejamos,
pois, promotores da paz!
Princípio número 4: a cooperação
Somos cooperadores de Deus (Rm 3.9), cooperamos com Ele,
para que a obra de salvação seja operada em nós e em outros.
Cooperar é colaborar com o outro em prol de um objetivo
comum; é ajudar ou facilitar o trabalho de outrem sem a pretensão
de receber os méritos.
Jesus tinha muitos homens e mulheres como Seus discípulos e
cooperadores. Os apóstolos também. Paulo, em Romanos 16,
chega a citar uma lista de 32 cooperadores de seu ministério, fora
os nomes que ele cita em outras cartas. Isto assinala que ninguém
faz nada sozinho. Precisamos uns dos outros e de uma profunda
comunhão e amizade que nascem da cooperação. A Igreja precisa
da cooperação dos cristãos.
Peça a Deus para ser avivado e para usar melhor seus dons e
talentos, cooperando com Ele para a divulgação do evangelho e a
salvação de muitas almas. Você se sentirá muito feliz com isso e
integrado à família de Deus.
Princípio número 5: a aceitação do outro
A Bíblia nos revela que a sabedoria e a graça de Deus são
multiformes (Ef 3.10; 1 Pe 4.10), ou seja, manifestam-se de
muitas formas. E por isso que existe uma infinidade de
ecossistemas; de cores, odores; de minerais, animais, vegetais; de
seres humanos; de dons, talentos e habilidades.
Apesar de corras características comuns a certas espécies o
grupos, o Senhor não criou coisas em série. Ele criou indivíduos,
verdadeiras obras de arte da engenharia divina. Não existem
pessoas iguais, por mais parecidas que elas sejam fisicamente e
por mais afinidades que tenham. Somos indivíduos, seres únicos,
subjetivos. Daí a exortação de Pedro: Cada um administre aos
outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus (1 Pe 4.10).
A despeito de sabermos isso, em nosso meio, há muita dificuldade
de aceitar as diferenças entre as pessoas. A maioria quer que todo
o mundo seja igual a ela.
Sabe por que existem pessoas que desejam a uniformização?
Porque têm medo da diferença.
Não querem enxergar as qualidades do outro, que as obrigam a
reconhecer as suas próprias limitações, inabilidades e carências,
seus medos e fracassos. Afinal, elas teriam de ceder, mudar, fazer
concessões, exercer o perdão e a misericórdia, para se
relacionarem com outras.
Se você é um cristão e quer crescer em graça e conhecimento até
a estatura de Cristo, tem de amadurecer na fé e ser mais flexível
no trato com seu próximo. Precisa aprender a ouvir antes de falar.
Não pode impor suas idéias e seus projetos sem considerar a
vontade e o momento do outro. Todo mundo tem dons, talentos;
algo com que pode contribuir para o todo.
Se você quer ser ouvido, aprenda a ouvir. Mesmo que tenha uma
opinião diferente, respeite a do outro. Você precisa aceitá-lo como
ele é, para também ser aceito e trabalhar com ele em prol de algo
maior.
Como pode haver unidade, comunhão, sem aceitação?
Princípio número 6: a convivência com os irmãos
Outro princípio que você precisa observar para usufruir de uma
profunda comunhão com seus irmãos é conviver com eles.
Em Atos 2.46, está escrito que os primeiros cristãos, antes do
derramamento do Espírito Santo, perseveravam juntos no templo
e no partir do pão em casa. Os primeiros cristãos estavam unidos
espiritual e socialmente. A última parte do versículo 33 de Atos 4
diz: E em todos eles havia abundante graça. Esse é um dos
resultados de uma comunhão profunda com nossos irmãos em
Cristo!
Você costuma reunir-se como Igreja para cultuar Deus ou
simplesmente falar sobre o que Ele tem feito na sua vida? Qual
foi a última vez que bateu um papo com um amigo cristão, ou
convidou um irmão para almoçar ou jantar na sua casa?
Alguns cristãos têm mais amizade com incrédulos do que com os
irmãos. Vivem saindo juntos; é jantar para cá, festa para lá. Mas a
Palavra de Deus nos ensina:
Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que
sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a
luz com as trevas?
2 Coríntios 6.14
Outros cristãos não têm amizade com ninguém e, na luta pela
sobrevivência, trabalham tanto que acabam se esquecendo de
viver. Como poderão ter comunhão com Deus, se não têm
comunhão com os irmãos? Como vão crescer em conhecimento e
graça, se não interagem com outras pessoas que estão sendo
tratadas pelo Senhor?
Precisamos imitar os cristãos primitivos, cultivando uma
convivência saudável e pacífica com nossos irmãos. Então, o
Senhor se manifestará em nosso meio, operando em nós o Seu
querer e o Seu efetuar!
Princípio número 7: o exercício do perdão
Também precisamos de um avivamento para que os cristãos
possam abundar em conhecimento e graça. Sabe o que é graça? É
um favor imerecido; implica amar mesmo sem ser amado. Amar o
outro não porque este nos ama, mas por causa do amor de Deus
que está em nós.
Esse era o tipo de amor que Paulo sentia pelos irmãos de Corinto,
mesmo por aqueles que não o entendiam e o criticavam. É o que
entrevemos na declaração dele em 2 Coríntios 12.15: Ainda que,
amando-vos cada vez mais, seja menos amado.
Na prática, é esse amor gracioso de Deus, o amor ágape, que nos
permite perdoar o nosso próximo quantas vezes forem
necessárias, não importando a gravidade da ofensa.
Não me refiro a perdoar apenas quem nos destratou num
momento de crise, quem falou mal de nós porque não nos
compreendeu, estava chateado ou com inveja, quem não pagou o
que nos devia. Há certos tipos de perdão que são bem mais
difíceis de liberar. Não é fácil perdoar o assassino de um filho
nosso, um cônjuge que nos traiu, um pai que nos violentou
emocional e/ou fisicamente. Nesses casos, só estando repleto da
graça de Deus. Mas, mesmo assim, o Senhor requer isso de nós.
Esta é a condição para também sermos perdoados e restaurados
por Ele.
No Pai-Nosso, a oração-modelo, Jesus pediu: [Pai,] perdoa-nos as
nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores
(Mt 6.12). E ensinou: 5e, porém, não perdoamos aos homens as
suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas
ofensas.
Sabe por que, até na igreja, há muita gente com câncer, depressão,
insônia, problemas nervosos e doenças psicoemocionais? Porque
não quer liberar perdão para o pai ou a mãe que a maltratou na
infância, para o amigo, o sócio ou o cônjuge que a traiu. Prefere
alimentar o rancor e deixar a raiz de amargura contaminar todo o
seu ser, em vez de clamar a Deus, pedir ajuda do Espírito Santo
para perdoar quem a ofendeu, a fim de ser liberta e curada para a
glória do Senhor.
Não é fácil perdoar. Somos nós quem sentimos a dor, a
humilhação de uma ofensa. Mas, se Jesus foi capaz de morrer em
nosso lugar, levar sobre si as nossas ofensas e nossos pecados, e
interceder por nós na cruz, dizendo: "Pai, perdoe-os, porque eles
não sabem o que fazem", quem somos nós para nos recusar a
perdoar quem nos magoou e ofendeu?
Perdoar não é o mesmo que dar um tapinha nas costas de quem
nos feriu e dizer que não foi nada. É assumir que doeu, mas que
estamos dispostos a superar a dor, a mágoa, a humilhação, e a dar
a outra face, outra oportunidade1 de a pessoa se relacionar
conosco de forma diferente.
O perdão é composto de dois elementos: um, natural, que depende
da nossa escolha; e outro, sobrenatural, que é da competência
divina — o milagre da cura pela ofensa que sofremos ou que
causamos a outrem.
Quando esses dois elementos, a vontade humana de perdoar e o
poder divino, unem-se, há perdão e cura da alma, das emoções; as
feridas são cicatrizadas, o inconsciente fica sarado, e o nosso
amor-próprio é recuperado. Somos libertos de todo sentimento de
amargura, ficamos aliviados, e podemos seguir em frente e ser
tudo o que Deus projetou para nós.
Há momentos em que só conseguiremos perdoar se fizermos
como Jesus fez: se renunciarmos a nós mesmos, suportarmos a
dor, crucificarmos o nosso eu e pedirmos a Deus que faça a
vontade dele, e não a nossa. Não é fácil. Sempre haverá
resistência para liberar o perdão. Será preciso esvaziar a alma da
amargura, da tristeza, e encher-se do Espírito Santo para perdoar.
Mas Ele nos ajudará, e venceremos, independente das
circunstâncias, quer quem nos ofendeu nos ame e peça-nos
perdão, quer não.
Além disso, quando perdoamos, espiritualmente nos tornamos
mais parecidos com Cristo; emocionalmente nos tornamos mais
equilibrados e maduros, trabalhando melhor nossos
relacionamentos com nós mesmos e com nosso próximo;
fisicamente, evitamos muitas doenças, e financeiramente
prosperamos, pois só então nossa oferta é aceita por Deus (Mt
5.23).
Princípio número 8: a doação
A Palavra de Deus ordena: Amai-vos ardentemente uns aos
outros, com um coração puro
(1 Pe 1.22). Não amemos de palavra, nem de língua, mas por
obra e em verdade (1 Jo 3.18).
Dizermos que amamos alguém é fácil, mas demonstrarmos isso
com atitudes concretas é o que realmente evidencia nosso amor.
Deus provou o Seu amor para conosco ao dar o Seu único Filho
em resgate da humanidade. Dar é uma prova de amor, porque
quem ama não busca os seus interesses (1 Co 13.5), não é egoísta;
é generoso e altruísta; quem ama se vê como uma pessoa
favorecida por Deus, cheia da graça, apta a doar-se ao outro e
compartilhar os recursos que tem para ajudar o outro que está em
necessidade.
E por isso que Tiago (1.27) afirma que a religião pura e imaculada
para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
A despeito de saber disso, alguns cristãos ainda se esquivam de
ajudar quando um irmão, que há dez anos serve ao Senhor na
mesma igreja em que eles e é uma pessoa íntegra, trabalhadora,
um dia se aproxima e confidencia: "irmão, ajude-me. Estou
nervoso, pois estou desempregado e vão cortar a minha luz,
porque a conta está atrasada e não tenho como pagá-la''.
Talvez não lhes seja possível pagar integralmente a conta, mas
podem contribuir com R$10,00 ou R$20,00, para ajudar o irmão
necessitado. Contudo, dizem apenas que vão orar por ele.
Isso é cristianismo? Não. Cristo nos ensinou e nos deu o Seu
Espírito, a fim de que tenhamos compaixão uns dos outros, assim
como Deus teve misericórdia de nós e, em vez de condenar-nos,
salvou-nos, enviando Seu único Filho para morrer em nosso
lugar.
O que é compaixão? E simpatia para com a tragédia pessoal de
outrem, acompanhada do desejo de amenizá-la de alguma forma;
implica colocar-nos no lugar do outro, sentir com o outro a su.i
dor e movei nos para ajudá-lo, como gostaríamos que fizessem
conosco.
Precisamos de um avivamento para que tenhamos compaixão uns
dos outros e doemos um pouco mais de nosso tempo, de nossa
compreensão, de nosso serviço, de nossos bens materiais em prol
daqueles que estão em condições piores que nós.
Precisamos ter compaixão tanto de nossos irmãos como das almas
perdidas. Precisamos manifestar a graça de Deus, para amarmos
mesmo sem sermos amados, perdoarmos o outro quantas vezes
forem necessárias, independente do tipo de ofensa, termos
compaixão e doarmos até o que nos faz falta para abençoar
alguém mais necessitado que nós. Foi isso que os cristãos da
Macedônia fizeram para com os irmãos de Jerusalém, merecendo
o elogio de Paulo. Atente para o relato em 2 Coríntios 8.1-5:
Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às
igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação,
houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza
superabundou em riquezas da sua generosidade. Porque,
segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do
seu poder, deram voluntariamente, pedindo-nos com muitos
rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para
com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos,
mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e
depois a nós, pela vontade de Deus.
Os cristãos pobres da Macedônia ajudaram os mais pobres da
Judéia. Isto é graça! Isto é avivamento! Mais do que dar dinheiro
à obra de Deus, é doar-se. Apesar de saberem disso, muitos estão
dando migalhas de oferta, e dizendo que amam a Deus e a obra
evangelística.
Para que estamos querendo um avivamento? Apenas para falar
língua estranha, rodopiar na igreja, fazer barulho e aparentar ser
mais espiritual do que outros? O avivamento deve ser, em
primeiro lugar, para que os propósitos de Deus para a minha e a
sua vida e por meio delas sejam plenamente atingidos.
Oração por um avivamento
"Ô Deus, sopra o Teu vento vivificador sobre a Tua Igreja, para
que tenhamos o desejo de ser avivados, de crescer na graça e no
conhecimento de Cristo, de ser semelhantes a Ele. Espírito Santo,
ajuda nos a orar, a buscar o avivamento genuíno e a ser
obedientes a Ti e ao Teu chamado. Dá-nos dons, talentos,
autoridade espiritual e disposição para pregar a Palavra, cooperar
uns com os outros, promover a paz, o perdão, para doar mais de
nós mesmos e usar os recursos materiais que Tu nos deste para
ajudar o nosso próximo e abençoar a Tua obra. Que possamos
viver o evangelho em que afirmamos crer. Concede-nos poder
para vencermos o mal, o pecado, as adversidades, e para
testemunharmos de Ti e do Teu glorioso amor. Em nome de
Jesus, amém!"