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ANÁLISE DO DISCURSO

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Published by: Aline Virgínia Santos on Apr 06, 2011
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ANÁLISE DO DISCURSO: PRESSUPOSTOS E HISTÓRIA DA DISCIPLINA A Análise do Discurso trata do discurso através de uma compreensão da língua como resultado

da materialidade da ideologia. O discurso é visto como uma mediação necessária entre o homem e a realidade natural e social. Assim, o trabalho simbólico da AD está na base da produção da existência humana, como diz Orlandi:
A primeira coisa a se observar na Análise do Discurso é que ela não trabalha com a língua enquanto um sistema abstrato, mas com a língua do mundo, com maneiras de significar, com homens falando, considerando a produção de sentidos enquanto parte de suas vidas, seja enquanto sujeitos seja enquanto membros de uma determinada forma de sociedade (ORLANDI, 2005: 15).

A AD não trata o discurso como transmissão de informação, não há linearidade na disposição dos elementos da comunicação, para ela o discurso realiza um processo de significação; é dada em funcionamento na linguagem, uma relação de sujeitos e sentidos afetados pela língua e pela história, formalizando assim uma constituição de sujeitos e produção de sentidos com efeitos múltiplos e variados. Pode-se entender o discurso como efeito de sentidos entre locutores. A disciplina Análise do Discurso nasce na França em fins da década de 1960, época que coincide com o auge do estruturalismo, como paradigma de formatação do mundo, das idéias e das coisas para toda uma geração da intelectualidade francesa. O principal articulador, o filósofo Michel Pêcheux, tinha um objetivo bem definido quando dá início ao desenvolvimento desse projeto. Sua intenção era intervir teórica e cientificamente no campo das ciências sociais, mais especificamente no da psicologia social, pois como diz Ferreira:
A Análise do Discurso nasceu em uma zona já povoada e tumultuada – de um lado, numa esquina, ocupando quase todo o quarteirão – a lingüística; na outra ponta espaçoso, o materialismo histórico, e no meio dividindo o espaço lado a lado com a psicanálise, a teoria do discurso. Portanto, essa contigüidade, esse convívio fronteiriço entre análise do discurso e psicanálise vem de longe, vem desde o início. Tais vizinhas, contudo, ainda que bastante próximas guardam distância e não confundem seus espaços comuns – são íntimas, mas nem tanto, donde há “estranha intimidade” (FERREIRA, 2005: 213).

As ciências sociais estão na extensão das ideologias que se desenvolveram em contato com a prática política, cujo instrumento é o discurso. Para Agustini (apud FERREIRA, 2005), Pêcheux sabia que a teoria do discurso não pode ocupar o lugar do Materialismo

delimitando um discurso. de sinonímia e paráfrase.Histórico e da Psicanálise. Assim. ou seja. Sabe-se então que essa primeira fase da AD (AD– 1) é conhecida como máquina discursiva. são decorrentes de uma mesma estrutura geradora do processo discursivo. foi criada a disciplina através de conceitos reinventados. considerando as construções sintáticas (de que maneira são estabelecidas as relações entre os enunciados) e o léxico (levantamento de vocabulário). no campo da Psicologia Social. Mussalim (2004: 118) propõe procedimentos para fazer as análises: 1. do Materialismo Histórico. mais comumente chamada de AAD (análise automática do discurso). quando tomou o discurso e a teoria do discurso como lugares possíveis de intervirem teoricamente. ele provocou uma fissura teórica e científica no campo das ciências sociais. Faz-se a análise lingüística de cada seqüência. 4. . construindo sítios de identidades a partir da percepção da relação de sinonímia (substituição de uma palavra por outra no contexto) e de paráfrase (seqüências substituíveis entre si no contexto). Nessa época. a proposta de um novo objeto chamado discurso surgiu com Michel Pêcheux em sua tese Análise Automática do Discurso. por estar ligada a um período muito marcado. 2. Tomando emprestados conceitos de outras regiões de conhecimento para produzirem a AD. sugerindo que as ciências se confrontassem. A partir desse pressuposto. a uma estrutura que é responsável pela geração de um processo discursivo a partir de um conjunto de argumentos e de operadores responsáveis pela construção e transformação das proposições. em particular. Primeira fase da Análise do Discurso: máquina discursiva Dado como conhecimento para o estudo das três fases que atravessam a Análise do Discurso. Passa-se à análise discursiva. da Lingüística (como ciência-piloto das ciências humanas e que tinha condições de fornecer aos estudiosos da nova corrente as ferramentas essenciais para análise da língua) e da Psicanálise. mas que pode intervir em seu campo. Procura-se mostrar que tais relações. 3. Seleciona-se um corpus fechado de seqüências discursivas. concebidas como princípios semânticos que definem. ele trabalhava em um Laboratório de Psicologia Social e sua idéia era a de produzir um espaço de reflexão que colocasse em questão a prática elitista e isolada das Ciências Humanas da época.

O sujeito passa a ser concebido como aquele que desempenha diferentes papéis de acordo com as várias posições que ocupa no espaço interdiscursivo. O sujeito do discurso ocupa um lugar de onde enuncia. e para uma área social. o papel do sujeito nessa segunda fase da AD sofre uma alteração. ou seja. Como diz Mussalim (2004). o espaço de uma FD é atravessado pelo “pré-construído”. Conclui-se que. econômica. buscando estabelecer as regras de formação de cada uma. Esse sujeito é submetido às regras específicas do discurso que enuncia. A formação discursiva (FD). Ela será invadida por elementos que vêm de outro lugar. Segunda fase da análise do discurso: formação discursiva Michel Foucault. entendido como a representação de traços de certo lugar social. as condições de exercício da função enunciativa (apud MUSSALIM. por discursos que vieram de outro lugar e que são incorporados por ela numa relação de confronto ou aliança. quem de fato fala é uma instituição. . que determina o que ele pode ou não dizer. sujeito da ideologia e sujeito do desejo inconsciente e isso tem a ver com o fato de nossos corpos serem atravessados pela linguagem antes de qualquer cogitação (HENRY. de outras FDs. históricas. ou ainda. o que provoca um assujeitamento do sujeito à maquina discursiva. e ao mesmo tempo. 2005: 14): O sujeito é sempre. e é este lugar. para a AD – 1. o papel do analista do discurso é descrever como o espaço de uma FD foi atravessado por outras FDs. a FD tem um espaço que vem a ser atravessado por outras FDs. segundo Foucault. geográfica ou lingüística dada. Para AD-2. propõe essa como sendo o dispositivo que vai desencadear o processo de transformação na concepção do objeto de análise da AD-2. 2004: 119).Assim. sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma época dada. uma ideologia. Para Mussalin. aquela FD determina o que pode/deve ser dito a partir de um determinado lugar social. na sua apropriação do conceito de formação discursiva. Assim. Segundo Mussalim (2004: 119). ou uma teoria. para a AD-2. 1992: 188). é: Um conjunto de regras anônimas. nessa primeira fase. o objeto de análise é as relações entre as máquinas discursivas. cada processo discursivo é gerado por uma máquina discursiva. A esse respeito afirma Paul Henry (apud FERREIRA.

o procedimento de análise por etapas. O primeiro perde a sua centralidade quando o segundo passa a fazer parte de sua identidade. o primado do interdiscurso sobre o discurso. Afirmando-se. Conforme procuramos expor nos fundamentos do materialismo histórico na Análise do Discurso. o cenário da concepção marxista trouxe uma visão sobre a relação da produção material na formação da estrutura social. a concepção de sujeito é definida de forma um pouco menos estruturalista. política e econômica do homem. explode definitivamente. Pode-se dizer que a ideologia é a condição para a constituição do sujeito e dos sentidos. com um sujeito heterogêneo. na AD-3. é dominado por uma determinada formação ideológica que preestabelece as possibilidades de sentido de seu discurso. o sujeito sofre um deslocamento que inaugura uma nova vertente. a relação interdiscursiva que estrutururá a identidade das FDs em questão. Com a AD-3. mas se formam de maneira regulada no interior de um interdiscurso.Esse sujeito. não há sujeito sem ideologia. clivado e dividido entre o consciente e o inconsciente. interdiscurso. assim. ocupando o lugar no interior de uma formação social. Para Possenti (2002). Será então. Assim. Terceira fase da análise do discurso: o interdiscurso Na análise de Mussalim (2004). Nessa nova concepção do objeto de análise. Partindo dessa concepção é que os teóricos estudiosos da AD passaram a analisar o funcionamento da linguagem através da ideologia e a passagem dessa na materialização da linguagem para estruturá-la no processo de significação. . o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia para que se produza o dizer. os diversos discursos que atravessam uma formação discursiva não se constituem independentemente uns dos outros.

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