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Direito Processual Penal II

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DIREITO PROCESSUAL PENAL II – ANDRÉ LUIZ GOMES PALHANO – andreluizpalhano@uol.com.

br; tel: 8832-9993 e 3421-2147. Aula 1: (1º Bimestre) I- JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA II – ATOS PROCESSUAIS (COMUNICAÇÃO) III – QUESTÕES INCIDENTES (2º Bimestre) IV – PRISÃO E LIBERDADE PROVISÓRIA V – PROCEDIMENTOS Livros: Paulo Rangel (não é didático) Eugênio Pacelli (muito caro) Tourinho Filho (muito bom) Capez (fraco) Mirabete Nutti (Código comentado) Resumos e Sinopses do Maximiliano. Pegar na Xerox: Curso de direito processual penal – Ed. Saraiva – Edilson Mongenot Bonfin (Super didático). Provas valendo 10 pontos + exercício (ponto extra) – matéria dada em exercício não cai na prova. Material de sala: Legislação atualizada CPP Legislação Especial – site: www.amperj.gov.br Módulos: Resumos, Exercícios e Indicação de textos. 06/02/2009 - sexta-feira Aula 2: JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA I) JURISDIÇÃO a) Conceito – quando eu não consigo resolver os meus conflitos, há a necessidade de um órgão para dizer do caso concreto. • Divergência doutrinária • Juris/dictio – dizer o direito. É o poder de dizer (dictio) o direito (objetivo/material) a um caso em concreto (júris). b) Características: • Poder: o Estado, quando reclamado, tem o poder de dizer o direito a um caso em concreto que foi ventilado. Característica visível. • Atividade: é uma serie de atividades que tem como objetivo solucionar o litígio e resolver os conflitos. Atividades que seguem um caminho, que têm o seu passo a passo no CPP. • Função: a atividade jurisdicional é uma função do Estado como qualquer outra função. É como um “serviço público” qualquer (água tratada, energia...). c) Elementos: • Cognitio: “conhecimento”. Não pode exercer o poder jurisdicional um órgão que não tenha conhecimento (esse conhecimento é obtido através da prova). ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Vocatio: “chamamento”. A atividade jurisdicional, precisa conhecer, e para conhecer, precisa criar oportunidades para esse conhecimento acontecer, ou seja, chama o conhecimento para si. Ex.: requisita provas, depoimentos... • Coertio: “força”, “coerção”. Ex.: busca e apreensão... A atividade jurisdicional precisa de força, ou seja. Precisa “conduzir debaixo de vara”. • Judicium: “decisão” (chamado normalmente de sentença). • Executio: “fazer executar os julgados”. No penal não existe processo sincrético, existe um processo de conhecimento e um processo de execução, com nova jurisdição... d) Órgãos jurisdicionais → Teoria tripartida: Poder judiciário → Senado Federal (art. 52, I, CF) → Juízo arbitral (art. 475-N, CPC) – não exerce atividade jurisdicional, não tem força, não precisa fazer produção de provas, mas o acordo homologado em um juízo arbitral tem força de ato executivo judicial (sentença). Às vezes, ele estará como órgão que não exerce a jurisdição, e às vezes como órgão que exerce. e) Órgãos que não exercem a jurisdição: • Tribunal marítimo (não pode dar sentença, somente é um órgão de atividade, mas não exerce o poder); • Tribunal de contas; • Conselhos fiscais; • Comissões do procedimento administrativo. 10/02/2009 – terça-feira Aula 3: f) Ato jurisdicional e ato administrativo (pegar texto no blog) Diferenças: Ato jurisdicional Ato administrativo Não pode agir de ofício (“no procedat ex Não depende de requerimento da parte, officio”); necessita da iniciativa da parte normalmente a autoridade pode agir de interessada. (*importante*) ofício. A aplicação da lei em si é objetivo do direito É para o bem comum, ninguém pede nada. penal. Pressupõe um litígio. Não há necessidade de lide. Característica da substitutividade. É atividade primária. Atua sempre sobre as regras da dualidade de Normalmente não está vinculado a um partes e do contraditório. procedimento, não está vinculado. Em regra é discricionário. Faz coisa julgada (a sentença é definitiva). Pode ser revisto a qualquer momento, pois (*importante*) trata de interesse público. g) Características da jurisdição: • Unicidade ou unidade – a jurisdição é una; é uma função do Estado (também é um princípio). Com a aplicação da pena o juiz de direito faz a “nossa” vontade (a vontade do povo). • Substitutividade – a partir do momento que resolvemos viver em sociedade entregamos ao Estado o poder de se auto dirigir, não podendo fazer justiça com as próprias mãos, dependendo do Estado para fazê-lo. Sendo assim, não pode exercer alguns poderes de ser humano livre, por viver em sociedade. Ex.: crime 345, CP – exercício arbitrário das próprias razões. • Definitividade – em regra, a atividade jurisdicional é definitiva. Todavia, existe o instituto chamado de revisão criminal pró réu (ainda não existe pró societá). • Inércia – art. 262, CPC - O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial. h) Princípios inerentes à Jurisdição: ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

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Princípio da inércia ou da demanda (art. 262, CPC - O processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial.) Princípio da investidura – os tribunais e os juízes, pela lei estão investidos na função de aplicar a jurisdição. Não pode “inventar” um juízo para a causa. Princípio da vedação ao “non liquet” ou indeclinabilidade – o juiz não pode se escusar a dar a tutela jurisdicional (de decidir). Exceto prescrição, decadência, abolitio criminis... não existe denúncia arquivada. Princípio da indelegabilidade – a atividade jurisdicional não pode ser delegada a ninguém. Princípio da improrrogabilidade ou aderência – (comarca = espaço físico onde exerce a jurisdição) – A jurisdição adere à comarca. Princípio do Juiz ou Juízo natural (art. 5º, LIII, CF - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; e art. 5º, XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção) – pela Lei, existe uma autoridade competente para julgar o crime cometido em cada comarca. Princípio do duplo grau de jurisdição- o sistema é feito por homens, sendo assim, não é perfeito. O sistema está ligado ao duplo grau, pois a decisão pode ser revisionado pelos órgãos, colegiados, câmaras... existem matérias que nunca podem ser revisionadas, que são: matérias originárias do STF ou STJ. O que é necessário fazer para que as causas cheguem ao STJ/STF? Automaticamente sempre irá chegar?

13/02/2009 - sexta-feira Aula 04: COMPETÊNCIA  É o limite da jurisdição que dita dentro deste foro as regras de quem vai dizer o direito. Vai entrar em matéria de direito material e processual. Vai ser fixada dentro do ambiente físico chamado de foro. Que em primeiro momento é regulamentado pela CF dirigente (órgãos jurisdicionais), e logo depois pelas regras do Código de Procedimento (CPP). Órgãos Jurisdicionais • STF – art. 102, CF • STJ – art. 105, CF • TRF e Juízes Federais – art. 109, CF • TRE e Juízes Eleitorais (especial, o restante é comum) • TRT e Juízes Trabalhistas (especial, o restante é comum) • Tribunais Militares (especial, o restante é comum) – Lei 1001/69 • Tribunais de Justiça e Juízes de Direito Critérios Gerais (art. 69, CPP): 1º) Locus Comissivi Delicti – local do crime, da infração.  Competência pelo local da infração: por quê? Objetivo 1: Prevenção geral; Objetivo 2: facilidade de investigação, processo e julgamento. Teoria do Resultado (aplica-se ao direito processual) – art. 70 do CPP: A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. Teoria Mista ou da Ubiqüidade (inteligência do legislador pelos crimes à distância; aplica-se ao direito penal material) – art. 6º do CP: se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 2º) Domicílio ou residência do réu 3º) Ratione Materiae – dividir os crimes por matéria/espécie. 4º) Distribuição 5º) Conexão e Continência (art. 29, 69, 70 e 71, CP) ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

6º) Prevenção 7º) Prerrogativa de função Critérios Especiais • JECRIM – art. 63, Lei 9.099/95 (Teoria da Atividade – a competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal). • Homicídio – o local onde foi praticado o último ato executório. • Plurilocais • 342, CP – falso testemunho. O foro competente é o de onde você praticou o falso testemunho através de Carta Precatória (art. 70, CPP). • Cheque s/ fundo – Súm. 521, STF • Permanente e continuado 17/02/2009 - terça-feira COMPETÊNCIA (continuação) Art. 69, CPP - Determinará a competência jurisdicional: I - o lugar da infração: II - o domicílio ou residência do réu; III - a natureza da infração; IV - a distribuição; V - a conexão ou continência; VI - a prevenção; Vll - a prerrogativa de função. CRITÉRIOS 1º) Lugar da Infração: que a competência se firme no local da infração penal; - Se tentado o crime a competência será a do LUGAR do último ato executivo;  Teoria do Resultado (o local da infração é onde se produziu o resultado do crime ou onde deveria se produzir – quando fala “deveria se produzir” está falando de crimes que não necessitam de resultado para a sua existência, ou seja, crimes formais. Ex.: crime de perigo);  Prevenção Geral (tem um critério educacional); 2º) Residual: quando incerto o locus delicti a competência fixa-se pelo domicílio ou residência do réu = sujeito ativo (art. 70, 71 e 72, CC). Critério subsidiário, pois é no caso de não ser descoberto onde ocorreu o crime, assim utiliza-se esse segundo critério, chamado de foro subsidiário. Só será utilizado caso não saiba o local da infração. 3º) Em razão da Natureza do Crime ou em razão da Matéria: Descobrir a natureza da ação penal para descobrir conflitos entre: Justiça comum: federal (art. 109, CF) ou estadual (residual); Justiça especial: eleitoral (L. 4737/65), militar (art. 9. L. 1001/69) ou trabalhista. Caso (Exemplo) a) prática de um furto (art. 155, CP – Racione Loci) – art. 155 c/c 14, II, CP -> idem “Cola” (art. 69 CPP) 1º) “Racione Loci”;

b) o furto foi praticado em Vila Velha. Não precisa utilizar o critério subsidiário, ou seja, a competência deve ser a do lugar do crime. c) objeto material não era tutelado pela Justiça federal, ou qualquer outra especial;

2º) Domicílio ou residência do réu; (até aqui tem que estar localizado o local, primeiramente pelo inciso I e subsidiariamente pelo II). 3º) “Ratione Materiae”

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-> Tem que perguntar: “qual o objeto material do furto?” – objeto material é a “res furtiva”, vai te dar a natureza do crime, pode estar escrito no tipo penal, é diferente de objeto jurídico (que é contra quem ou o que o crime é praticado. Ex.: crime contra o patrimônio; crime contra a administração pública; contra a fé pública). 4º) Distribuição: quando houver mais de um juízo competente em razão da matéria. Há as leis de organização judiciária que são elaboradas pelo legislativo estadual (Ex.: LC 234/02) – distribuir os feitos para que haja divisão nos trabalhos dos órgãos jurisdicionais de um “ÚNICO FORO”, ou seja, entre os Juízes que ali desempenham suas funções; -> ex.: foro de vila velha (as 1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 6ª varas criminais – aceitam qualquer crime, menos crime contra a vida; na 4ª é somente Júri; 7ª é especializada em tóxicos; 8ª é híbrida – vara de execuções penais). -> Nas comarcas com mais de um Juiz competente em razão da matéria, distribuise somente quando a infração não tiver “foro especial” (Júri, tóxicos...). -> Há um Cartório distribuidor para tal procedimento; 5º) Conexão e Continência: não é critério de fixar competência, pois ela já foi fixada. E sim, de prorrogar a competência (economia processual). Pois, quem não era competente passa a ser por causa da junção dos processos. -> Conexão: é o liame (junção) entre as infrações penais (é impossível que essas causas sejam julgadas por juízos diferentes) – por uma questão de justiça e economia processual. -> Continência: várias infrações dentro de um único “continente”. São infrações praticadas no mesmo contexto. Ex.: art. 74, 73, 70, 69, 71, CP. -> *CORINGA* – Prevento é juízo que primeiro conheceu da matéria. (não será estudado a fundo agora). -> Saber quem está sendo acusado do crime, por que dependendo a pessoa tem prerrogativa, privilégio e etc. Ex.: Presidente da República<- dependendo de quem for, é melhor usar este como primeiro critério. 03/03/2009 – terça-feira

4º) Distribuição (já fixou a competência); - lei complementar 234/02.

5º) Conexão e Continência

6º) Prevenção 7º) Prerrogativa de função – “Ratione Personae”

Competência (continuação: Revisão das aulas anteriores e complementação do quadro acima) ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

06/03/2009 - sexta-feira CORREÇÃO DE EXERCÍCIOS 10/02/2009 – terça-feira Pequeno Vocabulário • Competência Material e Competência Funcional o Material (quando olha sobre 3 aspectos, levando em consideração o local, a natureza e a qualidade da pessoa. É objetivada por Lei):  Território – quem é o órgão jurisdicional no local. (art. 69, I e II, CPP).  Direito material – olha a natureza da norma jurídica que está sendo aplicada, ou seja, a natureza da infração (art. 69, III, CPP).  Pessoa – algumas pessoas, tendo em vista a prerrogativa da função, têm alguns privilégios (art. 69, VII, CPP). Ex.: art. 295 – pessoas que têm prisão privilegiada. o Funcional (não está nos livros, está no dia-a-dia. Não tem regra):  Fase – ex.: acaba a fase da Judicium Accusatione e entra na fase da Judicium Causae (quem conhece da causa é o júri) – um juiz togado que preside/pratica ato jurisdicional desde o momento que toma conhecimento da ação, até o momento que ele declara que não é mais funcionalmente competente para julgar e joga a competência para o júri. Ex.²: Na execução penal tem um juiz que julga a causa e outro que faz a execução (exceto em comarcas que só tem um juiz). É a competência separada pelo o que cada juiz faz.  Objeto – às vezes o órgão jurisdicional está na ação por causa de 1 objeto. Ex.: Judicium Causae (o jurado julga através do voto secreto) e o juiz togado (Judicium Accusatione) somente lavra a sentença. O objeto do júri é julgar a casa, lavratura e dosimetria de pena são do juiz togado. O objeto do jurado é diferente do objeto do juiz (o juiz que julga uma exceção de incompetência e etc.).  Vertical – é o duplo grau de jurisdição. Ex.: A remessa da ação ao tribunal revisor (art. 593, CPP). Após um recurso quem passa a ser competente é o juiz de 2º grau. • Competência Absoluta e Competência Relativa o Absoluta  Não haverá possibilidade de prorrogação – quando chama/fixa a competência tornando os demais juízes incompetentes não pode ser prorrogado, ou seja, não pode ser outro.  Materiae, personae e funcional – em razão da matéria, pessoa ou função.  Nulidade do ato – é nulo ato praticado por pessoa incompetente. o Relativa  Há possibilidade de prorrogação  Loci (lugar) – não é absoluta. Se não argüir, o juízo se torna competente.  Vício – vício do ato. Pode ser sanado. • Prorrogação de competência (art. 76 e 77, CPP)  Conexão e competência – a autoridade que não é competente passa a ser competente, pois, atraiu os processos que não era competente para julgar (“vis atracttiva”), assim a competência é prorrogada. Quando a competência é absoluta não há como prorrogar. • “Perpetuatio Jurisdictinis”  Perpetuar a jurisdição. Deixar no mundo jurídico aquilo que não é de sua natureza, mas é seu. Ex.: compra de voto e porte ilegal de arma enquanto comprava os votos. O primeiro é de competência eleitoral, e o segundo não, é crime comum. Mas, por causa da conexão ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

(“vis atracttiva”) quando o juiz absolve pelo primeiro crime por falta de provas, de qualquer forma, tem que julgar o segundo, ou seja, a jurisdição vai perpetuar, ele vai ser obrigado a reconhecer o crime conexo, ou seja, julgar o segundo crime. Quando um juízo é competente por prorrogação, mesmo que ao final não conheça o crime que atraiu o comum, continuará competente para este. (Vai falar melhor depois). Justiças Especiais • Justiça especial eleitoral (art. 121, CF) o Art. 289 a 354 CE e os conexos (todos que ela atrair) • Justiça especial militar (art. 124 e 125, CF) – funciona com 4 oficiais e 1 juiz auditor/togado (Escabinado). o Da União (art. 82, CPPM) – exército, marinha e aeronáutica. o Dos Estados (art. 125, §4º, CF) – polícia militar, corpo de bombeiros militar, polícia rodoviária estadual e polícia florestal. 13/03/2009 - sexta-feira • Justiça Federal o “Comum entre as especializadas, e especializada quanto a comum estadual” – art. 109, CF. o Não se aplica a vis attractiva do art. 78, II, CPP; atrai toda competência dos crimes conexos aos federais que foram praticados de competência da justiça estadual. Art. 78, II, CPP - no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; o Atenção para a “Perpetuatio Jurisdictionis” ao art. 74, §2º, CPP; quem é competente pela vis attractiva, é competente sempre. Art. 74, § 2º, CPP - Se, iniciado o processo perante um juiz, houver desclassificação para infração da competência de outro, a este será remetido o processo, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada. o Os crimes:  Políticos – Lei 7.170/83 Segurança Nacional.  Praticados por Funcionário Público Federal – art. 109, I, CF - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; (múnus público – o funcionário está representando a União, o Brasil).  A bordo de Navios (lancha, barco... não é navio – tem que ser navios mesmo) e Aeronaves (mesmo quando está no chão é aeronave, e independe do tamanho);  Júri Federal – funcionário federal que pratica crime contra a vida; funcionário público federal vítima de crime contra a vida;  Tratados e convenções – Súm. 522, STF - Salvo ocorrência de tráfico para o Exterior, quando, então, a competência será da Justiça Federal, compete à Justiça dos Estados o processo e julgamento dos crimes relativos a entorpecentes. Art. 7º, LAD.  Contra organização do trabalho – art. 197 – 207, CP.  Ingresso de estrangeiro – art. 338, CP.  Que violam direitos humanos – Lei 9.455/97 (Tortura); art. 230, CP.  Índios – se for interesse do índio (normalmente terras, patrimonial) é competência Federal, mas se for sujeito ativo ou passivo, é comum ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

estadual. Súm. 140, STJ - compete a justiça comum estadual processar e julgar crime em que o indígena figure como autor ou vitima. Súmulas STJ (42, 62, 104, 107, 147, 165, 208...)

DEVER DE CASA: Caso um crime se dê em continuidade delitiva e havendo 2 comarcas competentes em razão do lugar, que iniciaram a persecutio criminis, onde restou 2 condenações distintas, qual a providência ao caso? A quem compete tal juízo? Nenhum professor entra em consenso. E os livros não tratam do assunto. Mais uma prova da lacuna na Lei, e que a matéria precisa ser melhorada pelo Legislador. 17/03/2009 - quarta-feira CONEXÃO E CONTINÊNCIA (art. 76 e 77, CPP) Não são critérios de fixação de competência e sim de prorrogação. CONEXÃO: (idéia) Infrações interligadas (concurso formal, material ou em continuidade delitiva – 69, 70 e 71)  simultaneus processus (julgar simultaneamente)  prorrogatio fori (prorrogação do foro – territorial, matéria e pessoa). Espécies: Art. 76 - A competência será determinada pela conexão: a) Intersubjetiva (várias pessoas envolvidas em uma ou em várias infrações penais) o Por simultaneidade I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo (...). o Por concurso – mais de uma infração (29, CP), mais concurso: I – (...) por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar (...). o Por reciprocidade – Ex.: briga de torcidas. I – (...) ou por várias pessoas, umas contra as outras; b) Objetiva ou “Lógica” o Teleológica II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras (...) o Conseqüencial – Ex.: eu roubei um banco e para a pessoa não testemunhar contra mim, eu a matei (o homicídio ocorreu para conseguir impunidade). II – (...) ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; o Probatória – economia processual. III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. 20/03/2009 - sexta-feira CONTINÊNCIA: (idéia) Elementos da demanda A  (partes, pedido e causa de pedir)  contidas  em outra demanda B. Art. 77 - A competência será determinada pela continência quando: I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal. Espécies: a) Por cumulação subjetiva – identidade de pessoas (art. 29, CP). Teoria monista ou unitária – quem concorrer para a infração, incide nas penas a este cominada, na medida de sua culpabilidade (concurso de pessoas). ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

b) Por cumulação objetiva a. Art. 73, 2ª parte; b. Art. 74, 2ª parte; e c. Art. 70, CP. Regras pra fixar o “FORUM ATRACTINIS” (art. 78, CPP) Art. 78 - Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri; Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. 1) Júri x Comum: matéria do Júri vai atrair todas as outras conexas e continentes (art. 5º, XXXVIII CF). 2) Comum x Comum: a. Prevalece o Foro competente pelo crime que possuir a pena mais grave, e depois o que possuir b. Maior quantidade de infrações c. Prevenção – se houver empate nos outros critérios, o competente é o juiz que primeiro tomou conhecimento do caso (juiz prevento). 3) Categorias diferentes: “maior graduação” – competência funcional. 4) Comum x Especial: Especial. Exceções para fixar (DISJUNÇÃO – fazer com que as ações, se estiverem unidas, ficarem separadas) – Exceções ao SIMULTANEUS PROCESSOS/VIS ATRACTIVA (art. 79 e 80, CPP) Art. 79 - A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo: I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar; II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. § 1º - Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. § 2º - A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. Art. 80 - Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. • Justiça Comum x Militar • Justiça Comum x Infância e Juventude • Superveniência de doença mental (art. 152, CPP) • Co-réu foragido (art. 366, CPP) • Desmembramento/separação de julgamento para júri (art. 459, §1º, CPP) • Faculdade do juiz (art. 80, CPP) 24/03/2009 - terça-feira DAS QUESTÕES E PROCEDIMENTOS INCIDENTES I) Posição da matéria do “tempo” Fato  inquérito policial  ação penal  execução penal. II) As questões incidentes Qualquer fenômeno que ocorra depois do fato e antes da execução penal é questão prejudicial ou incidente. Ex.: art. 149 CPP – incidente de insanidade mental do acusado, não permite que a decisão seja tomada antes da examinação do incidente. Os fatos que não ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

chegam à esfera judicial, não são comunicados, se chamam (ou são apelidados) de “cifra negra do direito penal” (representa a 92% dos fatos criminosos no Brasil, ou seja, fatos que não chegam ao conhecimento da autoridade judicial). 1) Questões prejudiciais – homogênea – matérias iguais, cível com cível; ou heterogênea – quando for diferente em relação à matéria. Ex.: cível com penal.  “Prae Judicium” – pré judicial.  A requerimento das partes ou de ofício pelo Juiz  Questões → Estado de pessoas – normalmente serão questões prejudiciais de estado de pessoas. Vai trazer questões prejudiciais que deverão ser analisadas. Vai se tratar de questão prejudicial em outro processo que vai atrapalhar o julgamento deste, primeiro o juízo extra criminal vai se manifestar sobre a matéria incidental. → Estado de coisas  Suspensão do curso da ação 31/03/2009 - terça-feira 2) Das exceções – “defesa indireta” (a indireta distancia-se do mérito, e quer matar a ação penal sem julgamento de mérito, ou atrasar o curso da ação [peremptória – não toca no mérito]. A direta ataca o mérito são os casos do art. 386, CPP – fato, tipicidade, conduta, excludentes de ilicitude e culpabilidade) – quando no curso do processo alguém alega uma exceção, mas não ataca o fato, o mérito, mas de qualquer Forma trava o processo. → Suspeição (art. 96 e seguintes, CPP) – atrasa o curso da persecução penal (não faz a ação parar). Quando: o Preferência ou argüição o Ex offício – o juiz pode reconhecer de ofício, ou: o A requerimento das partes; o Art. 254, CPP – podem ser ventiladas ao MP, peritos, funcionários da justiça e etc. Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. Procedimento: o Aceita (art. 99, CPP) – quando o juiz, ou o órgão suspeito aceita há a resolução e um conflito. Ele simplesmente remete o grupo de atos (processo) ao seu substituto legal (Lei de organização judiciária – o da 5ª Vara é substituído pelo da 4ª Vara e assim por diante, sendo analisada SEMPRE a matéria, e as varas especializadas). Art. 99. Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto. o Não aceita (art. 100, CPP) – ele precisa de um órgão superior para analisar, no caso de não aceitar que é suspeito. Será produzido provas. ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em 24 vinte e quatro horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento. § 1º Reconhecida, preliminarmente, a relevância da argüição, o juiz ou tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações. § 2º Se a suspeição for de manifesta improcedência, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. Art. 101. Julgada procedente a suspeição, ficarão nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de réis. Art. 104. Se for argüida a suspeição do órgão do Ministério Público, o juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a produção de provas no prazo de três dias. Art. 105. As partes poderão também argüir de suspeitos os peritos, os intérpretes e os serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata. Art. 106. A suspeição dos jurados deverá ser argüida oralmente, decidindo de plano do presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for imediatamente comprovada, o que tudo constará da ata. Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. Recurso: a decisão do juiz aceitando ou não a suspeição nunca será decisão de mérito. Pois, todas são defesas indiretas que não atacam o mérito. Existem 2, mas nenhum dos 2 cabem na suspeição, somente o Habeas Corpus: o Interlocutória – art. 581, III – matéria que não é de mérito. Não termina com o processo. Recurso criminal ou em sentido estrito. MAS NÃO CABE PARA SUSPEIÇÃO (alterar no Código – inc. XII – não cabe recurso em sentido estrito, cabe agravo no caso de livramento condicional). o Terminativa – art. 593 – decisões definitivas – cabe apelação. Termina com o processo sem resolução do mérito. → Litispendência – está em curso ação idêntica. Faz com que o juízo que recebeu a exceção emita uma decisão terminativa. Quando: o No prazo de defesa o Ex offício Procedimento o Art. 110, CPP Recurso: a decisão do juiz aceitando ou não a suspeição nunca será decisão de mérito. Pois, todas são defesas indiretas que não atacam o mérito. Pode ser: o Interlocutória – art. 581, III – matéria que não é de mérito. Não termina com o processo. Recurso criminal ou em sentido estrito. → Coisa julgada – já foi julgado o mesmo fato. Faz com que o juízo que recebeu a exceção emita uma decisão terminativa. Quando: o No prazo de defesa o Ex offício Procedimento: o Art. 110, CPP Recurso: a decisão do juiz aceitando ou não a suspeição nunca será decisão de mérito. Pois, todas são defesas indiretas que não atacam o mérito. Pode ser: o Interlocutória – art. 581, III – matéria que não é de mérito. Não termina com o processo. Recurso criminal ou em sentido estrito. ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

→ Incompetência do Juízo: Quando: o No prazo de defesa o Ex offício Procedimento o Aceita: ele está dizendo que é incompetente, declina a competência. Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará-lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo-se na forma do artigo anterior. o Não aceita: continua no processo. E um órgão superior vai julgar, se disser que outro juízo é competente tudo que já foi feito não valeu de nada. Conflito negativo: dois ou mais juízos dizendo que não são competentes. Conflito positivo: dois ou mais juízos falando que são competentes para agir no processo. Recurso: a decisão do juiz aceitando ou não a suspeição nunca será decisão de mérito. Pois, todas são defesas indiretas que não atacam o mérito. Pode ser: o Interlocutória – art. 581, III – matéria que não é de mérito. Não termina com o processo. Recurso criminal ou em sentido estrito. → Ilegitimidade “ad causam” – lembrar quem são os autores das ações públicas incondicionada, condicionada e privada. Quem vai pedir tem que ser a pessoa certa. Quando: o No prazo de defesa o Ex offício Procedimento o Art. 110, CPP Recurso: a decisão do juiz aceitando ou não a suspeição nunca será decisão de mérito. Pois, todas são defesas indiretas que não atacam o mérito. Pode ser: o Interlocutória – art. 581, III – matéria que não é de mérito. Não termina com o processo. Recurso criminal ou em sentido estrito. EXERCÍCIO PARA MANDAR PARA O E-MAIL DO PROFESSOR SOBRE ESSA MATÉRIA: 3) Impedimentos – vão travar o curso processual, mas é muito raro. 4) Conflito de jurisdição – para saber da jurisdição utiliza-se as regras da conexão e competência. 5) Restituição de coisas apreendidas – pode pedir a restituição até mesmo na delegacia. O delegado pode devolver o que não for relevante. Desta decisão não cabe recurso. 6) Medidas assecuratórias – medidas cautelares importantíssimas no direito processual penal. Medidas para indenizar no juízo cível. → Arresto → Seqüestro → Hipoteca legal 7) Incidente de falsidade 8) Incidente de sanidade 1) Questões Prejudiciais 2º BIMESTRE – MATÉRIA DA 2ª PROVA 05/05/2009 – terça-feira ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Matéria do 2º Bimestre: - Prisão e liberdade provisória - Procedimentos (Ritos) → Ordinário o Comum o Júri o Etc. → Sumário → Sumaríssimo - Atos processuais (comunicação) DA PRISÃO PROVISÓRIA Avaliação: Trabalho escrito para o dia 10/06/2009. Pode ser feito. Quem não quiser é só fazer a prova valendo 10. Não pode ter denúncia, pois nem tem inquérito ainda. Pode pegar em delegacia, fórum ou Tribunal de Justiça e pedir o auto de prisão em flagrante (cópia). Valendo 10 pontos e a prova vale 10 (divide as duas notas por 2 e faz a média), se não fizer o trabalho é só fazer a prova valendo 10. Sobre qualquer assunto. Não necessita ser grande, podem ser petições de 2 laudas, decisão de 1 e ½ lauda, mas com conteúdo. Como: 1) Cópia de 1 auto de prisão em flagrante (recente: entre abril e junho de 2009); 2) Um integrante do grupo será o Defensor público (em cima do auto de prisão em flagrante – pedir relaxamento de flagrante se houver ilegalidade na prisão, e se houver desnecessidade da prisão pedir liberdade provisória); 3) Outro integrante funciona como MP (falando, opinando sobre o pedido da defesa); 4) E o último integrante será o Juiz de direito, ele vai decidir (tem que fundamentar a decisão); I) Conceito É uma prisão processual de caráter cautelar (natureza cautelar), não derivada da pena de uso excepcional em nosso direito. II) Espécies • Prisão em flagrante – art. 301, CPP – Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. • Prisão preventiva – art. 311, CPP – Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, ou do querelante, ou mediante representação da autoridade policial. - Se o artigo 312 estiver presente, prende o réu. Se estiver ausente, solta. Art. 312, CPP – A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (há formalidade, legalidade e necessidade?). • Prisão por força de sentença condenatória recorrível – art. 393, I, CPP – São efeitos da sentença condenatória recorrível: I - ser o réu preso ou conservado na prisão, assim nas infrações inafiançáveis, como nas afiançáveis enquanto não prestar fiança; - Pode ocorrer, mas é exceção. - Não vai ser falado em sala. • Prisão decorrente de decisão de pronúncia – art. 413, §3º, CPP – O juiz decidirá, motivadamente, no caso de manutenção, revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade anteriormente decretada e, tratando-se de acusado solto, sobre a necessidade da decretação da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código. - Não vai ser falado em sala. ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Prisão temporária – vai se dar durante o inquérito policial para sanar a falta da liberdade da polícia de fazer a prisão por averiguação. Será escrita, como determina o art. 5º, LXI, CF. - Vai ser falado pouco durante as aulas. II.a) Prisão em flagrante • Prisão: o Pena o Sem pena – prisão processual Prisão para averiguação – era um costume policial até 88. Foi proibido pelo art. 5º, LXI, CF - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; a polícia não tem mais esse poder, se não for prisão em flagrante. - Se na prisão em flagrante não tiver legalidade e formalidade causa o relaxamento da prisão. Necessita também da necessidade (art. 312, CPP). 07/05/2009 - quinta-feira PRISÃO E LIBERDADE PROVISÓRIA II.a) Prisão em Flagrante É o conjunto de atos praticados com a finalidade de provisoriamente subtrair do sujeito ativo seu “status libertatis”. Academicamente a matéria versa quanto ao momento da prisão da lavratura do auto de prisão em flagrante e ao final quanto à custódia (ex.: o presidente da república não pode ser preso em flagrante). Art. 301, CPP. Qualquer do povo poderá (facultativo) e as autoridades policiais e seus agentes deverão (obrigatório) prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. Pode ser qualquer um do povo, ou a polícia. Espécies (momentos do estado flagrancial) • Flagrante próprio – quem está cometendo o crime (art. 14, I CP – crime consumado) ou acaba de cometê-lo (a doutrina não aceita como flagrante). Art. 302, I e II, CPP. • Flagrante impróprio ou quase-flagrante – quem “logo após” é perseguido e preso (se durar horas, dias e etc., a pessoa está em flagrante – não faz sentido dizer que flagrante tem que ser em até 24 horas. Não pode “fugir do flagrante”). Existe nexo/liame entre perseguição e captura. Art. 302, III, CPP. • Flagrante presumido ou ficto – quem “logo depois” é encontrado com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Art. 302, IV, CPP. Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. • Flagrante preparado – Súmula 145, STF - Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível (não é o crime impossível do Código Penal – art. 17, CP) a sua consumação. Nullo crimen sine conducta – se foi a polícia que preparou o crime, este é impossível (às vezes, pune-se por culpa ou crime preterdoloso), pois que pratica a conduta é o policial. • Flagrante esperado – a polícia espera acontecer o momento flagrancial para entrar em cena, ela não influi na conduta. • Flagrante forjado – criar uma situação que não existe para punir alguém. É crime. Lei 4.898/65. • Flagrante diferido – é chamado Ação controlada – vem da Lei de crime organizado nº 9.034/95. Prender no melhor momento para praticar a prisão, para pegar o máximo de agentes possíveis, mesmo que o momento flagrancial já tenha ocorrido. Símbolo maior ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

de Soberania do Estado (pois, a Lei deixa que a autoridade julgue qual o momento do flagrante, mesmo que o flagrante tenha acabado). Momentos: 1º) Prisão • Qualquer um do povo (flagrante facultativo); • Polícia (flagrante obrigatório); 2º) Lavratura do auto de prisão em flagrante Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, ao final, o auto. 3º) Custódia É o comum, é o que acontece após a lavratura do auto de prisão em flagrante. Quando não se dará a Prisão em flagrante (não vão ser custodiadas) • Crimes de menor potencial ofensivo – não tem prisão em flagrante (Lei. 9.099/95). Não tem lavratura nem inquérito policial, tem termo circunstanciado; • Presidente da República – não pode ser preso em flagrante; • Tem que analisar as regras de direto público (imunidade diplomática) tem casos em que não pode ser preso em flagrante; • Parlamentares, Juízes, Promotores e advogados (somente pode ser preso em flagrante por crime inafiançável); • Quem se apresenta espontaneamente – não pode ser preso em flagrante; • Quem participa de crime de trânsito, se prestar socorro, ou, se não puder fazê-lo, chamar o socorro – não pode ser preso em flagrante. 08/05/2009 - sexta-feira (MATÉRIA MÔNICA) Se não estiverem presentes esses requisitos o juiz relaxa o flagrante de ofício: Formalidades: - lavratura do APF - oitiva das testemunhos e do acusado - cópia para a defensoria pública Legalidade: - Art. 302 CPP - Tipicidade (Fumaça do Bom Direito) - Antijuridicidade (art. 310 CPP) Necessidade: - § único do art. 310 CPP - Caso não haja necessidade de manter o sujeito preso deve ser concedida a liberdade provisória. Art. 310 CPP - Excludente de ilicitude (art. 23) - Correção - em vez de ser art. 23 é o art. 19, I, II e III CP. O Senado e a Câmara dos Deputados têm polícia própria (Polícia Legislativa), não sendo competente a policia do DF. PRISÃO ESPECIAL PRISÃO PREVENTIVA – ordem escrita de autoridade judiciária a pedido do MP ou do delegado e ex oficio pelo juiz. É precária, excepcional e cautelar - Prazo: Razoabilidade - Art. 312 CPP – necessidade de buscar a fumaça do bom direito (fumus bonis iuris – prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria) e do peiriculum in mora (pertubação da ordem pública, econômica, garantia da instrução processual e aplicação da pena). Medida cautelar – garantia a instrumentalização e objetivo do processo crime. ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Art. 387 § único, CPP. O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso, imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser interposta. Art. 413, § 3o O juiz decidirá, motivadamente, no caso de manutenção, revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade anteriormente decretada e, tratandose de acusado solto, sobre a necessidade da decretação da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código. Na sentença condenatória o juiz deve decidir sobre a necessidade de manter o acusado preso, pois a sentença condenatória é recorrível. Os pressupostos para manter o acusado preso são os mesmos da prisão preventiva. 19/05/2009 – terça-feira AUTOS DO PROCESSO – CRIME Analisar os processos (trazidos pelo professor) e fazer um relatório na sexta-feira. 22/05/2009 - sexta-feira PRISÃO TEMPORÁRIA (IP) – LEI 7.960/89 (normalmente aplicada em crimes hediondos)  Ordem escrita de autoridade judiciária a pedido o MP ou Delegado.  Motivação I – A investigação policial;  Motivação II – Somente nos crimes definidos no inc. II, art. 1º.  A PT poderá ser decretada do IP ou qualquer outra investigação procedente à ação penal. Art. 3º - dizer o direito do preso (CF), não deve ficar no mesmo local onde tenha preso provisório, Requisitos: I – Inquérito II – Identificação III – Nos crimes Art. 1° Caberá prisão temporária: I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°); b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°); c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°); e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único); i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°); j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285); l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal; m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua formas típicas; n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976); o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986). Prazo: ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

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5 dias prorrogados por mais 5 30 dias prorrogados por mais 30 – crime hediondos

PRISÃO PREVENTIVA (art. 311, e ss do CPP)  Idem temporária (ordem escrita de autoridade judiciária a pedido o MP ou Delegado) e ex officio também. Quando (medida cautelar): IP ou AP. Requisitos (art. 312, CPP): • Fumus boni Iuris o Prova de existência de crime; o Indício suficiente de autoria; • Periculum libertatis o Garantia da ordem social ou pública (poder constituído do Estado); o Garantia da ordem econômica; o Risco a instrução criminal; o Garantia da aplicação da Lei penal; Prazo: não definido em Lei. É utilizado o princípio da razoabilidade.  Medida cautelar – garante a instrumentalização e o objetivo o processo-crime.  Art. 387, §único e 413, §3º CPP. Art. 387, Parágrafo único. O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso, imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser interposta. Art. 413, § 3º. O juiz decidirá, motivadamente, no caso de manutenção, revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade anteriormente decretada e, tratandose de acusado solto, sobre a necessidade da decretação da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código. 26/05/2009 – terça-feira (Complementação da aula passada – Prisão temporária e Preventiva) LIBERDADE PROVISÓRIA Conceito “O Estado entre a prisão provisória e a liberdade total.” Estado em que se encontra o indiciado ou acusado, entre a prisão provisória e a liberdade total. Normalmente esta situação é vinculada aos termos do art. 327 e 328 do CPP, e só cessará em caso de P. Preventiva ou condenação. 29/05/2009 - sexta-feira Modalidades/Espécies de liberdade provisória: • Sem fiança e sem vinculação – todo mundo que é preso e se encontra em alguma das situações do art. 310 (sujeito em excludente de ilicitude) e §ú (ausência de motivos para ser preso preventivamente), CPP, poderá ser solto mediante liberdade sem fiança e sem vinculação. É o juiz confiar nos depoimentos do auto de prisão em flagrante, ou seja, ele confia só tendo o auto de prisão em flagrante. É uma presunção relativa, poderá acabar no caso da condenação, ou durante o curso do processo se o Juiz entender que o sujeito solto pode atrapalhar o curso do processo e determinar a prisão preventiva. Não cabe fiança. Pode ser de ofício ou a requerimento do réu. • Sem fiança e com vinculação – o réu não paga fiança (por não ter condições), mas fica vinculado. Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando ser impossível ao réu prestá-la, por motivo de pobreza, poderá conceder-lhe a liberdade provisória, sujeitando-o às ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

obrigações constantes dos arts. 327 e 328. Se o réu infringir, sem motivo justo, qualquer dessas obrigações ou praticar outra infração penal, será revogado o benefício. • Com fiança e com vinculação – o grupo de crimes afiançáveis será verificado por exclusão (art. 323 e 324, CPP, tráfico – inafiançável, mas cabe liberdade provisória, crime hediondo – inafiançável, mas cabe liberdade provisória, tortura – inafiançável, mas cabe liberdade provisória, e racismo – inafiançável pela CF, mas cabe liberdade provisória). Art. 323. Não será concedida fiança: I - nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a 2 (dois) anos; (ou seja, será concedida fiança nos crimes em que a pena mínima for menor ou igual a 2 anos. Ex.: art. 303 do Código de Trânsito Brasileiro. II - nas contravenções tipificadas nos arts. 59 e 60 (mendigo e vadio – pessoa apta ao trabalho, mas que não tem condições de se sustentar, vive da ociosidade) da Lei das Contravenções Penais; III - nos crimes dolosos punidos com pena privativa da liberdade, se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado; (não está falando de reincidência) IV - em qualquer caso, se houver no processo prova de ser o réu vadio; V - nos crimes punidos com reclusão, que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência contra a pessoa ou grave ameaça. Art. 324. Não será, igualmente, concedida fiança: I - aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se refere o art. 350; II - em caso de prisão por mandado do juiz do cível (devedor injustificado de alimentos), de prisão disciplinar, administrativa (não existe mais no nosso ordenamento) ou militar; III - ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional, salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança; IV - quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. 312). *Vinculação: • Comparecer toda vez que for chamado; • Não se ausentar sem indicar o paradeiro; • Não mudar da Comarca sem autorização; Fiança (art. 330 e 331): É uma garantia, uma caução, uma precaução. Hoje a fiança é real (coisa), tem que deixar dinheiro/bem/metais preciosos/títulos da dívida ativa/hipoteca. Antes era “com-fiança” não precisava dar nada, era em relação à pessoa. Na verdade há uma caução. • Quem pode arbitrar? Somente o juiz de direito (no caso de Reclusão, Detenção e Prisão simples – contravenções penais) e o delegado de polícia (no caso de Detenção e Prisão simples – contravenções penais). • Como deverá ser calculada? A lesão X (em detrimento) da possibilidade (R$). Art. 325 e 331, CPP. Art. 325. O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes limites: a) de 1 (um) a 5 (cinco) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida, no grau máximo, com pena privativa da liberdade, até 2 (dois) anos; b) de 5 (cinco) a 20 (vinte) salários mínimos de referência, quando se tratar de infração punida com pena privativa da liberdade, no grau máximo, até 4 (quatro) anos; c) de 20 (vinte) a 100 (cem) salários mínimos de referência, quando o máximo da pena cominada for superior a 4 (quatro) anos. § 1º Se assim o recomendar a situação econômica do réu, a fiança poderá ser: I - reduzida até o máximo de dois terços; II - aumentada, pelo juiz, até o décuplo. Art. 331. O valor em que consistir a fiança será recolhido à repartição arrecadadora federal ou estadual, ou entregue ao depositário público, juntando-se aos autos os respectivos conhecimentos.

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Parágrafo único. Nos lugares em que o depósito não se puder fazer de pronto, o valor será entregue ao escrivão ou pessoa abonada, a critério da autoridade, e dentro de três dias darse-á ao valor o destino que Ihe assina este artigo, o que tudo constará do termo de fiança. • Quem não tem condições de pagar? Art. 350, CPP. • O que é fiança quebrada? Tem que ter liberdade provisória e mediante fiança, previsto nos arts. 327 e 328. Art. 327. A fiança tomada por termo obrigará o afiançado a comparecer perante a autoridade, todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento. Quando o réu não comparecer, a fiança será havida como quebrada. Art. 328. O réu afiançado não poderá, sob pena de quebramento da fiança, mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência, sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado. 02/06/2009 - terça-feira DOS PROCESSOS EM ESPÉCIE I) A diferença entre processo e procedimento O processo é a junção de vários atos que foram concatenados buscando um fim. Estes atos seguiram um ritmo que é o procedimento. II) Os procedimentos previstos no CPP: Procedimento: • Comum o Ordinário (Padrão; modelo; base) o Sumário (também é igual ao ordinário, mas modifica quanto ao prazo das audiências e números de testemunhas) o Sumaríssimo (é um rito um pouco diferenciado e “compactado”) • Especial o Responsabilidade de funcionário público (arts. 312 – 327, CP) o Crimes contra a honra o Propriedade imaterial III) Alterações da Lei 11.719/08 • Art. 395, CPP. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: I - for manifestamente inepta (há uma contradição, não há correlação lógica entre os fatos...); II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal (pressuposto: se quem está postulando é capaz, competência do juiz...; condições: possibilidade jurídica do pedido: o fato é típico?, legitimidade para a causa: o promotor ou querelante para propor a ação, e interesse em agir: o fato que você narrou ainda tem interesse e agir, ou seja, o crime já prescreveu? No limite das excludentes de punibilidade); ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. Inquérito policial  vai pro MP  e o Juiz rejeita (totalmente), por que a peça é inepta, por exemplo. • Art. 396, CPP. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (resposta escrita do acusado) Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. • Art. 397, CPP. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (só existia absolvição sumária no rito do júri, que no CPP entra no procedimento comum, mas na prática ele é especializado. Hoje qualquer um pode ser absolvido sumariamente) I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato (art. 23, 142, 146, §3º, CP entre outros); ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade (é aquela que isenta o sujeito de pena. Arts. 20, 21, 22 do CP); III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime (excludente de tipicidade. O que não é ilícito penal, pode ser ilícito civil); ou IV - extinta a punibilidade do agente. (cabe recurso em sentido estrito. Art. 107, IV, CP) IV) Procedimento Comum (art. 349, CPP) • Ordinário – pena maior ou igual a 4 anos (independente se é reclusão ou detenção) • Sumário – pena menor do que 4 anos; • Sumaríssimo – crimes de menor potencial ofensivo (art. 61, Lei 9.099/95). Art. 349. Se a fiança consistir em pedras, objetos ou metais preciosos, o juiz determinará a venda por leiloeiro ou corretor. Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. (existe revelia no processo penal, mas os efeitos não são os mesmos do processo civil, pois existe o princípio de presunção de inocência. O autor tem que provar tudo que alegar). Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: I - que não receber a denúncia ou a queixa; (mas na Lei 9.099/95 – o recurso é apelação). (...) 05/06/2009 - sexta-feira Rito • • • Rito • Ordinário: (ver esquema) Fase postulatória Fase instrutória – audiência que tem que ser marcada em 60 dias. Fase decisória Sumário: Segue o modelo do rito ordinário, excetuando o nº de testemunhas e o prazo da 1ª audiência (tem que ser marcada em 30 dias); Rito Sumaríssimo • Fase conciliatória • Fase da transação penal • Rito sumaríssimo (ver esquema) Esquema que o professor entregou (na folha do professor está mais detalhado): IP  Denúncia  Recebimento da denúncia  citação  defesa escrita  marcar audiência (UNA - concentração de atos – Primeiro ouve o ofendido; testemunha de acusação + testemunha de defesa – rito ordinário: 8 testemunhas, se for rito sumário: 5 testemunhas; perito e assistente técnico; acareação; reconhecimento; interrogatório; requisição de diligências; alegações finais orais ou memoriais em 5 dias  sentença. Art. 157, §3º, CP – Teoria da imputação objetiva (toda vez que você imputa a uma pessoa um resultado que ela não queria). Art. 18 – Parágrafo único, CP - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. 09/06/2009 - terça-feira RITO SUMARÍSSIMO (JECRIM – LEI 9.099/95) • Rito concentrado em: 1ª parte: (Depol – delegacia de polícia) o Lavratura de TC na Depol; o Não imposição de prisão em flagrante; o Remessa ao Juízo competente; 2ª parte: (JECRIM) ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Audiência preliminar (normalmente com Conciliador): o Composição de danos; o Antecipação pena não privativa de liberdade; o Transação penal (barganha/acordo com o Estado, se descumprir, não há o que fazer, há uma lacuna na Lei); o Não há aceite ou concordância, (se não houver transação inicia o procedimento acusatório. Segue sumaríssimo); 3ª Parte (JECRIM) o Acusação oral (denúncia ou queixa); o Possibilidade de Sursis Processual (qualquer crime com pena mínima de 1 ano – art. 89, Lei 9.099/95); o Marca-se AIJ (UNA): o Aud. (1ª parte): tentativa de conciliação, comp. Danos e aplicação imediata de PRD; o Aud. (2ª parte):  Testemunhas;  Interrogatório;  Debates orais;  Sentença (pena máxima de 2 anos, pode ser transformada em pena alternativa). o 16/06/2009 - terça-feira (PARA QUEM FEZ O TRABALHO A MATÉRIA DA PROVA É A MATÉRIA DO RESUMO DO PROFESSOR QUE ESTÁ LÁ EM BAIXO. PODE USAR O CÓDIGO NA PROVA) JÚRI (art. 5º, XXXVIII, CF) I) Princípios (está no resumo do professor) • Soberania – a decisão nunca será modificada por juiz togado. O tribunal do júri é constituído de 26 pessoas (1 juiz togado e 25 jurados). Essa soberania não é absoluta, é relativa. Pois tem a apelação e a revisão criminal (art. 593 e 621). Quando há recurso o juiz de 2º grau não julga novamente, somente diz que tem ou não que julgar novamente (ou seja, manda para novo julgamento). Se houver pela segunda vez o mesmo julgamento (do novo júri. Não serão os mesmos jurados), não se discute mais este fato. • Sigilo – não precisa mais contar todos os votos, quando completa 4 votos iguais, nem conta os outros, para ter sigilo total, e o réu não saber o voto dos jurados. • Defesa plena – auto-defesa e defesa técnica (é mais do que defesa ampla). • Competência mínima – para os crimes dolosos contra a vida, ou seja, dos crimes dos arts. 121, §1º, 2º, 122, 123, 124 e 126 (todos esses crimes são julgados pelo júri consumados ou não, ou seja, são julgados os crimes tentados também). O leque de crimes de competência do júri pode ser aumentado pelo Legislador. Atrai todos os crimes conexos (“vis atracttiva”). II) Fases • 1ª Judicium Accusatione – admissibilidade. O juiz vai ver se tem motivo para o julgamento do júri. Juiz togado que preside. Se houver a pronuncia, vai para a segunda fase, que é o julgamento propriamente dito. • 2ª Judicium Causae – não existe mais libelo no Brasil. A pronuncia abre a 2ª fase, e já vai para o julgamento em si. III) Art. 473, CPP • Pronuncia – art. 413, CPP. Se o juiz ficar convencido da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. • Impronuncia – art. 414, CPP. Não há provas ou indícios de autoria. Encerra o processo na primeira fase (judicium accusatione). ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Absolvição sumária – art. 415, CPP. Vai ser quando estiver provada a inexistência do fato, provado não ser ele autor ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penal, e demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. (fato, tipicidade, excludente de ilicitude, de culpabilidade e de punibilidade) • Desclassificação – art. 419, CPP. Se entender que não é competência do júri. Neste caso remete para o órgão competente. IV) Em plenário 1) Abertura da sessão/pregão 2) Sorteio dos jurados (eles são juízes de fatos, e não de direito. Eles não fundamentam seu juízo, eles simplesmente votam no fato, baseados em seus princípios, religião... são 25 jurados, mas para começar é necessário no mínimo 15. 7 vão compor o conselho de sentença, podem ser opostas exceções em face deles. Os jurados podem ser recusados imotivadamente até 3 vezes. Vão fazer um juramento) 3) Cópia pronúncia/ o juiz faz um relatório do processo 4) Testemunha, perito, e etc. 5) Interrogatório (pode pedir leitura de peças; de todas que quiser, até do processo todo) 6) Debates se dão no prazo de 1 hora e 30 minutos para cada parte (MP e a Defesa) 7) Réplica (pode ter 1 hora)/tréplica (pode ter 1 hora) – se não houver réplica não tem tréplica. 8) Sala secreta – por causa do sigilo. 9) Formulação de quesitos – perguntas que serão feitas aos jurados. Ex.: tem materialidade? Tem autoria? O réu deve ser absolvido?... 10) Votação (que é a sociedade dizendo o direito/tribunal popular – não confundir com escabinado, que não existe no Brasil, somente na Justiça Militar. Que é um dos júris mais perfeitos, pois tem médicos especialistas no caso, peritos e etc.) 11) Sentença – quem faz a dosimetria é o juiz de direito. 12) Encerramento Ficam 2 Oficiais de plantão no Júri para “vigiar”. RESUMO QUE ESTÁ NO BLOG (FEITO PELO PROFESSOR): DOS PROCESSOS EM ESPÉCIE ( Arts. 394 a 562 do CPP ) RITOS PROCESSUAIS *Rito processual é o curso, é a seqüência dos atos que no seu conjunto formam o roteiro a ser seguidos por todos quantos participam de seu andamento. *O CPP divide os processos em espécie em dois capítulos: Do Processo Comum e dos Processos Especiais. *O Rito procedimental comum é o paradigma, é o modelo para todos os demais procedimentos. O PROCEDIMENTO COMUM de acordo com a nova redação do art. 394 do CPP se divide em: a)ORDINÁRIO: aplicado aos crimes cuja pena máxima cominada for igual ou superior a 4 anos; b)SUMÁRIO: cabível quando a pena máxima cominada ao crime for inferior a quatro anos; c)SUMARÍSSIMO: aplicável aos crimes de menor potencial ofensivo. (art. 61 L 9099/95) O PROCEDIMENTO ESPECIAL pode vir regido pelo CPP ( crimes de responsabilidade de funcionários públicos, contra a honra, falimentares) ou por legislação específica ( Lei Antidrogas - L 11343/06, a Lei de Imprensa L5250/67 – ver última decisão do STF, Lei de Abuso de Autoridade L 4898/65) ATENÇÃO: a rejeição da peça acusatória, a resposta preliminar do acusado e a absolvição sumária (395 a 397 do CPP), são aplicáveis para todo e qualquer procedimento. O Rito Ordinário ( 399 usque 405 do CPP) possui a seguinte sequência de atos: 1)APRESENTAÇÃO DA DENÚNCIA OU QUEIXA-CRIME AO JUZ COMPETENTE; 2) RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA 363 CPP 3) CITAÇÃO DO RÉU; 4) RESPOSTA ESCRITA À ACUSAÇÃO NO PRAZO DE 10 DIAS – 396 CPP; (não havendo rejeição 395 e 396 CPP ou absolvição sumária 397 CPP) 6) INICIA-SE A FASE DO ART. 399 CPP, COM DESIGNAÇÃO DE AUDIÊNCIA UNA NO PRAZO DE 60 DIAS; 7) AUDIÊNCIA: declarações pelo ofendido; inquirição de testemunhas de acusação e de defesa; esclarecimento do perito ou assistentes técnicos; ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

acareações (229CPP); reconhecimento (226CPP); interrogatório (185CPP); requerimento de diligências (402CPP); alegações finais orais (404CPP) ou memoriais no prazo de 5 dias; 7) SENTENÇA: em audiência ou no prazo de 10 dias em caso de memoriais. O Rito Sumário ( 531 e ss CPP) possui a seguinte sequência de atos: 1)... A SEQUÊNCIA DESTE RITO É IDÊNTICA AQUELA DO RITO ORDINÁRIO, EXCETUANDO-SE: o prazo para realizar a audiência é de 30 dias (531CPP) e o nº de testemunhas é reduzida para cinco (532CPP) O JÚRI - PRINCÍPIOS Plenitude de defesa Em vez da expressão ampla defesa, para o Júri o legislador optou por prever plenitude de defesa. Para a grande parte dos doutrinadores a distinção não é levada em conta. Alguns, contudo, consideram que são distintos os efeitos das duas expressões, argumentando que a defesa no Júri há de ser mais abrangente. Guilherme de Souza Nucci , por exemplo, afirma que os próprios termos indicam dessemelhança, porque amplo significa vasto, largo, copioso, ao passo que pleno quer dizer completo, perfeito, absoluto. "O que se busca aos acusados em geral é a mais aberta possibilidade de defesa, valendo-se dos instrumentos e recursos previstos em lei e evitando-se qualquer forma de cerceamento. Aos réus, no Tribunal do Júri, quer-se a defesa perfeita, dentro, obviamente, das limitações naturais dos seres humanos". Para justificar a distinção Nucci exemplifica com a atuação do defensor que haverá de ser perfeita no Júri, podendo ser apenas satisfatória no processo comum; isto porque, no Júri são julgadores leigos, votam sem fundamentar a decisão e a má atuação da defesa pode resultar em condenação, enquanto que no processo comum o juiz terá condições de suprir a deficiência defensiva, absolvendo o réu. De fato, no procedimento do Júri, o acusado tem maiores oportunidades de defesa. Além das duas fases para se proferir juízos de admissibilidade, a primeira, quando se decide pelo recebimento da denúncia ou da queixa e, a segunda, por ocasião da pronúncia, haverá a oportunidade perante os jurados, onde a maior publicidade do julgamento exige, igualmente, mais empenho da defesa e, ao mesmo tempo, melhor fiscalização popular. É claro que o princípio da ampla defesa caracteriza todo o edifício processual, tanto no processo do Júri quanto nas demais formas de procedimento. Todavia, a sua afirmação específica em relação ao tribunal popular significa que a defesa deve ser exercida com todos os meios e recursos inerentes a ela, bem como a utilização de argumentos e teses que eventualmente possam refugir ao âmbito jurídico. É o caso, por exemplo, da utilização de argumentos morais, filosóficos, sociais, religiosos, políticos etc., que não são propriamente jurídicos e podem perfeitamente embasar as decisões dos jurados, já que estas não necessitam de motivação e podem muito bem se louvar em elementos que não constituem exatamente uma razão jurídica expressa num determinado dispositivo legal. O sigilo das votações Desde a Constituição de 1946, se estabeleceu que a votação dos quesitos, pelos jurados, seria sigilosa, em relação ao público e ao réu. Para cumprimento dessa regra, prevê o Código que a votação ocorra em sala especial ou sala secreta onde ficarão apenas o juiz presidente, os jurados, o Ministério Público, o assistente, o querelante, o defensor do acusado, o escrivão e o oficial de justiça ; onde não houver essa sala, determina-se a retirada deste e de todos os circunstantes do plenário, permanecendo as mesmas pessoas referidas. De acordo com o art. 486, antes de proceder-se à votação de cada quesito, o juiz presidente mandará distribuir aos jurados cédulas de papel, contendo 7 (sete) delas a palavra sim, 7 (sete) a palavra não. E visando assegurar o sigilo do voto, o oficial de justiça recolherá em urnas separadas as cédulas correspondentes aos votos e as não utilizadas (art. 487). Anteriormente, todos os jurados deveriam depositar o seu voto, de forma que a decisão por unanimidade quebrava o sigilo das votações. Com a reforma introduzida pela Lei n. 11.689/08, a decisão será encerrada quando atingidos quatro votos. A regra do sigilo se estende aos jurados entre si, para que um não influencie no convencimento do outro. Aliás, será causa de nulidade do julgamento se um jurado externar sua opinião, ainda que inconsciente ou inadvertidamente, por exemplo, por meio de pergunta. A confirmar a assertiva, o Código exige a incomunicabilidade dos jurados, entre si, quanto ao tema do processo (art. 466). ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Em virtude da determinação constitucional da publicidade dos atos e das decisões judiciais, surgiu o entendimento de que o julgamento do Júri, também, deveria ocorrer a portas abertas, no mesmo local público onde houve os debates, abolindo-se, em conseqüência, a chamada "sala secreta". No entanto, a jurisprudência pacificou o entendimento de que não foi abolida a sala secreta . Desse modo, o sigilo, no julgamento pelo Júri, se desdobra no sigilo das votações e na incomunicabilidade dos jurados. Soberania dos veredictos O princípio da soberania dos veredictos do Júri indica que suas decisões não podem ser substituídas por decisões de juízes togados. Por isso, a decisão proferida pelo juiz, na primeira fase do procedimento, não constitui decisão de mérito, nem deve conter expressões que possam sugestionar os jurados. Cumpre-lhe, nessa oportunidade, evitar que alguém seja, injustamente, submetido a julgamento popular. Sua função é a de verificar se estão presentes os elementos que justificam a pronúncia. Mas, não é absoluta a soberania do Júri. Em primeiro plano, o tribunal superior (togado), na sua competência funcional, quando acionado, verifica a regularidade do veredicto. Se for o caso, determina que outro julgamento seja realizado, pelo Tribunal do Júri. Segundo Frederico Marques [15], a Constituição não se refere a soberania de cada veredicto e sim do conjunto de veredictos. "Quer isto dizer que mais de um veredicto pode haver, embora o último, predominando sobre o primeiro, forçosamente o revogue". Essa situação pode ocorrer na apelação (CPP, art. 593, § 3.°, d), em que o Tribunal togado, se der provimento ao recurso, o fará para que outro julgamento seja feito, pelo próprio Tribunal do Júri. Mas, se na apelação não há quebra da soberania do Júri, o mesmo não se pode dizer da revisão criminal. Nesta, salvo a hipótese de nulidade, os casos de reconhecimento de erro judiciário provocam a substituição da decisão dos jurados leigos pelo técnico, em nova decisão de mérito. Competência mínima Após relembrar que as regras de competência funcional são fixadas em razão da fase do processo, do objeto do juízo e dos graus de jurisdição, Hermínio Marques Porto destaca que os três critérios são identificados no procedimento do Júri. O primeiro critério se revela no fato de que este procedimento se desenvolve em etapas; o segundo consiste na fixação de atribuições diferentes para o juiz presidente e para os jurados; e o terceiro estabelece a competência dos tribunais de segundo grau, em fase de recurso. A Constituição Federal, ao estabelecer a competência do Tribunal do Júri, indica que, no mínimo, lhe estão afetos os crimes dolosos contra a vida. Essa competência não poderá ser retirada. Mas, poderá ser ampliada, para incluir outros crimes. Como se sabe, na sua origem, o Júri não se restringia a julgamento apenas de crimes dessa natureza. Em decorrência disso, o art. 74, do CPP, relaciona os crimes previstos nos arts. 121, §§ 1.° e 2.°, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127, do CP, consumados ou tentados. Relembre-se, outrossim, que o Júri terá competência, também, nos crimes conexos e continentes, em razão do disposto no art. 78, I, do CPP. O Rito Processual do Tribunal do Júri: (art. 406/497 CPP) O CPP classifica o procedimento em comum, dividindo-o em duas fases (procedimento bifásico ou escalonado): judicium accusatione e judicium causae: A fase do judicium accusationis, também conhecido como sumário da culpa, inicia-se com a decisão de recebimento da denúncia e encerra-se com o trânsito em julgado da decisão de pronúncia, após a qual se inicia a fase do judicium causae, que vai da intimação das partes para arrolarem testemunhas para deporem em plenário (antiga fase de oferecimento do libelo e contrariedade ao libelo), passando pelo julgamento pelo Tribunal do Júri em Plenário até o trânsito em julgado final da sentença proferida pelo juiz presidente. - a ordem do procedimento será: recebimento da denúncia, citação, resposta à acusação por escrito em 10 dias, oitiva da acusação sobre preliminares, decisão sobre preliminares (fase implícita no novo procedimento), oitiva de testemunhas de acusação, testemunhas de defesa, interrogatório ao final da instrução, alegações orais pelas partes em 20 minutos (prorrogáveis por mais 10), juiz profere decisão (pronúncia, impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação) – art. 406 a 419; ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

A continuação do julgamento pelo Tribunal do Júri somente ocorrerá em caso de pronúncia, seguindo esta ordem: Art. 473 e ss CPP: 1)INSTALAÇÃO DA SESSÃO, SORTEIO DOS SUPLENTES E PREGÃO; 2) FORMAÇÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA; 3) RECEBIMENTO DE CÓPIAS DAPRONÚNCIA E RELATÓRIO DO PROCESSO; 4) INSTRUÇÃO COM OITIVA DA VÍTIMA E TESTEMINHAS; 5) INTERROGATÓRIO DO RÉU; 6) DEBATE INICIAL – 1h 30m PARA AS PARTES; 7) RÉPLICA/TRÉPLICA 1h; 8) RECOLHIMENTO DOS JURADOS EM SALA SECRETA; 9) FORMULAÇÃO DE QUESITOS 10) VOTAÇÃO; 11) SENTENÇA. 12) ENCERRAMENTO DA SESSÃO. Inovações no procedimento do Júri - Lei nº. 11.689/08 - revogou-se a proibição de juntar documento novo na fase das alegações finais na instrução preliminar (prova ilegítima), prevista no antigo art. 406, § 2º. - admite-se absolvição sumária no caso de prova da inexistência do fato, falta de provas da autoria ou atipicidade (pela lei antiga era cabível absolvição sumária apenas nas hipóteses de excludente da ilicitude ou culpabilidade) – art. 415; - contra a absolvição sumária e impronúncia passa a ser cabível recurso de apelação (e não RESE, como na lei antiga) – art. 416; - revogação do recurso de ofício na hipótese de absolvição sumária; - revogação da crise de instância (situação na qual, não sendo encontrado o réu para intimação pessoal da decisão de pronúncia, o processo ficaria paralisado até sua eventual localização), admitindo-se doravante a intimação por edital da decisão de pronúncia, mesmo para crimes mais graves – art. 420; - abolição do libelo e contrariedade ao libelo, passando a existir apenas intimação das partes para arrolarem as testemunhas que pretendem serem ouvidas em plenário – art. 422; - criação de um relatório do processo a ser elaborado pelo juiz presidente do Tribunal do Júri, após a pronúncia e o arrolamento de testemunhas pelas partes – art. 423, II; - elevação do número de jurados da lista geral de jurados - art. 425; - proibição que o jurado que tenha participado de Conselho de Sentença no ano anterior possa participar novamente da lista geral dos jurados – art. 426, § 4º; - criação de privilégios aos jurados, como prisão especial, desempate em concurso público ou licitações – art. 439 e 440; - elevação do número de jurados sendo 25 para comparecerem à reunião periódica, mantendo-se o número de 15 para início da sessão e 7 para composição do conselho de sentença – art. 433, 447 e 463; - alteração das regras para recusa dos jurados, não mais se permitindo a separação, a não ser que não haja o quórum mínimo de 7 jurados para compor o conselho de sentença – art. 469; - introdução do sistema de perguntas diretas das partes às testemunhas em plenário, iniciando-se com juiz, acusação, defesa e jurados – art. 473, caput e § 1º; - restrição da possibilidade de leitura de peças em plenário – art.473, § 3º; - alteração do tempo para sustentação da acusação e defesa em plenário (de duas horas para uma hora e meia) e da réplica e tréplica (de meia hora para uma hora) – art. 477; - formulação de um terceiro quesito obrigatório, após quesitação da materialidade e autoria, com dizeres: "O jurado absolve o acusado?" – art. 483, III; - disposição expressa que compete ao juiz presidente julgar o crime, quando houver desclassificação em plenário, mesmo quando se tratar de infração penal de menor potencial ofensivo – art. 492, § 1º; - revogação do protesto por novo júri. Do procedimento Sumaríssimo da Lei 9099/95 01)lavratura do termo circunstanciado na Delegacia de Polícia; 02) audiência preliminar: composição de danos e aceitação de aplicação de pena não privativa de liberdade; (havendo composição será homologada por sentença irrecorrível) 03) Não havendo composição de danos a vítima poderá usar o direito de representar quando assim for necessário, e o MP neste caso e na de ação penal pública incondicionada poderá propor a aplicação imediata da pena restritiva de direito ou multa; (se aceito for haverá sentença homologando a “transação”) 04) Não aceita a proposta o procedimento será o sumaríssimo. ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com

Procedimento Sumaríssimo: 01) oferecimento de denúncia oral pelo MP ou queixa pelo ofendido; (atenção: sursis processual) 02) entrega de cópia ao acusado da peça acusatória e ciência do dia da AIJ; 03) Na audiência: tentativa de conciliação, composição de dano e aplicação imediata de PRD e/ou M; 04) palavra ao defensor para responder a acusação; recebimento da denuncia ou queixa, oitiva de testemunhas, interrogatório do réu, debates orais, sentença. - Da sentença caberá apelação no prazo de 10 dias para um colegiado de 3 Juízes de primeira instância.

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